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Simpósio 9

SIMPÓSIO 9 – ESTUDOS ONOMÁSTICO-TOPONÍMICOS: QUESTÕES TEÓRICAS E DESAFIOS METODOLÓGICOS

 

Coordenadoras:

Aparecida Negri ISQUERDO | UFMS | aparecida.isquerdo@gmail.com

Maria Célia Dias de CASTRO | UEMA | celialeitecastro@hotmail.com

 

Resumo:

A Toponímia como estudo do nome próprio em função de topônimo (nome de lugar) representa uma face particular do léxico da língua, haja vista que o topônimo, além de incorporar as características inerentes aos nomes próprios, configura-se como um signo com características muito próprias em termos de motivação. As causas denominativas que dão origem a um novo nome de lugar são as mais diversas e normalmente estão relacionadas a motivações pessoais e grupais. Na verdade, os nomes próprios de pessoas e de lugares, talvez mais do que outra classe de palavras, estão situados na interação pela língua. Este simpósio tem como propósito reunir trabalhos na área dos estudos onomásticos com vistas a compartilhar saberes sobre pesquisas contemporâneas nessa área de saber, em especial os de natureza toponímica, de maneira a oportunizar a disseminação de resultados de estudos e, por extensão, funcionar como um espaço de discussões sobre questões que afetam esse ramo de investigação, como o problema da motivação toponímica, a estrutura do sintagma toponímico, a dimensão etnodialetológica dos topônimos, a relação entre toponímia e meio ambiente, a função do topônimo como elemento veiculador de ideologias e como reflexo de contatos interétnicos, como também, as interfaces entre toponímia e outras áreas de pesquisa, como a Geografia e a Informática, em particular. No cerne dessa proposição, o simpósio tem como propósito abrigar trabalhos que versem sobre temas relacionados à área como teorias onomástico-toponímicas, em especial as que fundamentam a produção de atlas toponímicos. Nessa perspectiva, os estudos podem considerar tanto aspectos endógenos quanto exógenos relacionados à temática do simpósio e focalizar tanto a perspectiva sincrônica quanto a diacrônica, da cartografia toponímica em particular. Em síntese, reconhecer a razão de os lugares possuirem nomes é situar-se de forma interativa na dimensão homem-língua-meio.

 

Palavras-Chave: Onomástica,Toponímia, Léxico, Atlas Toponímico.

 

Minibiografias:

Aparecida Negri Isquerdo

Doutora em Letras pela UNESP/Araraquara (1996). Docente dos Programas de pós-graduação em Letras e em Estudos de Linguagens, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e em Estudos da Linguagem, da Universidade Estadual de Londrina. Na pesquisa, atua mais diretamente na área dos estudos lexicais, com ênfase no léxico regional e no léxico toponímico. Coordenadora do Projeto Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul (ATEMS) e membro do Comitê Nacional de coordenação do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB).

 

Maria Célia Dias de Castro

Graduação em Letras pela UEMA (2001). Mestrado (2008) e Doutora (2012) em Letras e Linguística pela UFG de Goiânia. Doutorado Sanduíche (CAPES) Universidade de Lisboa, em 2010. Pós-Doutorado pela UNB (2014-2015). Professora da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA/CESBA. Realiza pesquisas linguísticas, com ênfase em Toponímia e Ecolinguística. Atua principalmente nos seguintes temas: toponímia, municípios maranhenses, região de Balsas-MA, sertanejo, língua, cultura e história.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

O léxico toponímico como expressão do homem designador: uma análise dos animotopônimos

Autora:

Ana Claudia Castiglioni – UFT/TO, Brasil – anacastiglioni@hotmail.com

 

Resumo:

O homem primitivo acreditava que o nome não é arbitrário e que existe um vínculo de essência com a coisa ou objeto que ele designa (BIDERMAN, 1998). O pensamento da pesquisadora vai ao encontro do que ocorre na maioria das pesquisas com topônimos: notamos a realidade extralinguística revelada no nome do lugar. O homem designador comumente expressa aquilo que lhe é importante no ato de nomear. Por esta razão a Toponímia configura-se como uma disciplina que, além de analisar linguisticamente um nome próprio, também atua fazendo um resgate dos aspectos antropológicos, históricos, culturais, sociais, ambientais, que envolvem o topônimo. Neste trabalho apresentamos uma análise dos nomes próprios de propriedades rurais que pertencem a categoria dos animotopônimos, que, conforme a classificação taxionômica de Dick (1992), são aqueles topônimos relativos à vida psíquica e à cultura espiritual. Os animotopônimos do recorte analisado foram extraídos dos mapas digitais do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2010) e estão localizados na mesorregião Centro-Norte do estado de Mato Grosso do Sul, nos oito municípios que integram a microrregião de Alto Taquari. Os dados levantados revelam diversos aspectos, entre eles, o fato de o número de nomes que pertencem a essa categoria ser maior em proporção na nomeação de elementos humanos, no caso, fazendas, sítios, retiros, do que nos elementos físicos, como rios, córregos, serras, indicando uma particularidade denominativa. Além disso, observamos que há uma recorrência significativa de topônimos cujo segundo formante é que faz referência ao estado anímico do designador (Nova Esperança, Rancho Alegre, Vista Alegre, Vale Formoso). Nota-se que há uma forte motivação semântica indicando a expectativa do nomeador em relação ao objeto nomeado neste segundo elemento que compõe o nome, tornando-o, ao nosso ver, um animotopônimo.

Palavras-chave: Léxico; Toponímia; Animotopônimos.

 

Minibiografia:

Doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP (2014). Professora do Programa de pós-graduação em Ensino de Língua e Literatura da Universidade Federal do Tocantins – UFT. Pesquisadora na área dos estudos do léxico, atuando principalmente nos seguintes temas: Toponímia, Lexicografia e Terminologia. Membro da equipe do projeto de pesquisa “Atlas Toponímico do estado de Mato Grosso do Sul – ATEMS”.


Comunicação 2

O mítico e o religioso na toponímia do estado do Paraná, Brasil: um estudo sobre os mitotopônimos

 

Autora:

Anna Carolina Chierotti dos Santos Ananias – UEL/PR/CAPES, Brasil – annachierotti@yahoo.com.br

 

Resumo:

A área de investigação a que este trabalho se vincula é a Toponímia, disciplina que tem como objeto de estudo os nomes próprios de lugares. O estudo da toponímia de uma região pode ser considerado como um meio para o resgate da história local. Desta forma, por intermédio do estudo pontual dos topônimos de determinada área, é possível compreender aspectos da visão de mundo do denominador, inclusive sua percepção sobre a espiritualidade. Este trabalho discute resultados parciais de uma pesquisa em andamento e toma como objeto de análise um recorte do corpus da tese em andamento na Universidade Estadual de Londrina, que tem como objetivo mais amplo a análise da toponímia oficial rural (elementos físicos e humanos) de caráter religioso pertencente aos 399 municípios que integram o Estado do Paraná, Brasil. Esta proposta tem como foco o exame dos topônimos classificados como mitotopônimos (“topônimos referentes a entidades mitológicas”, DICK, 1990), o que representa cerca de 7% do corpus em estudo como projeto de tese. Partimos da hipótese de que a incidência de nomes dessa natureza é condicionada por fatores sócio-históricos e por influências do imaginário popular e religioso da população que habita ou habitou um determinado espaço geográfico. O corpus da pesquisa foi extraído dos mapas oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), referentes ao censo de 2010, com escalas que variam entre 1:50.000 e 1:100.000. A análise orienta-se, fundamentalmente, pelo modelo teórico-metodológico proposto por Dick (1990; 1992; 1998), que adota procedimentos onomasiológico-semasiológicos característicos das pesquisas sobre o léxico e outras fontes de caráter lexicológico. Os resultados preliminares do estudo dos mitotopônimos na área investigada demonstram que a motivação dos topônimos é evidenciada e influenciada por fatores externos e internos relacionados ao denominador, o qual, ao nomear um lugar, deixa transparecer suas crenças e ideologias.

Palavras-chave: Léxico; Toponímia; Mitotopônimo; Paraná.

 

Minibiografia:

Doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e mestre pela mesma instituição. Atualmente participa do projeto Tesouro do Léxico Patrimonial Galego e Português, vinculado a 20 universidades distribuídas entre a Galiza, o Brasil e Portugal. Atua, principalmente, na área da Lexicologia com destaque no estudo do léxico toponímico.


Comunicação 3

Hagiotoponímia em Minas Gerais: o caso dos nomes de fazendas

Autoras:

Ana Paula Mendes Alves de Carvalho – IFM/MG, Brasil – anapaula.carvalho@ifmg.edu.br

Maria Cândida Trindade Costa de Seabra – UFMG/MG, Brasil – candidaseabra@gmail.com

 

Resumo:

Os nomes de lugar formados por nomes de santos – os hagiotopônimos – constituem um grupo especial de topônimos em que se percebe a comunhão de aspectos psicológicos do ser humano com a geografia e a paisagem. Partindo desse pressuposto, ao focalizar as denominações de fazendas, esta comunicação tem por objetivo apresentar resultados da pesquisa de Carvalho (2014), em que se realizou um estudo descritivo do léxico hagiotoponímico dos 853 municípios do estado de Minas Gerais. Adotando os pressupostos teórico-metodológicos da ciência onomástica – Dauzat (1926) e Dick (1990a, 1990b, 2004 e 2006) –, este estudo vinculou-se ao Projeto ATEMIG – Atlas Toponímico do Estado de Minas Gerais, projeto em desenvolvimento, desde 2005, na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. Em sua primeira etapa, o ATEMIG fez o levantamento e a classificação toponímica de todos os acidentes físicos e humanos do estado, documentados em cartas geográficas – fontes do IBGE, com escalas que variam de 1: 50.000 a 1: 250.000, perfazendo um total de 85.391 topônimos. Desse total de dados, analisaram-se 5.649 hagiotopônimos, dentre os quais 2515, o que corresponde 44,5% dos dados, referem-se a nomes de fazendas. Além disso, através da consulta a mapas dos séculos XVIII e XIX, construiu-se um segundo corpus de dados históricos, composto de 647 topônimos. A análise comparativa desses corpora permitiu perceber como o processo designativo a partir de hagiotopônimos se deu diacronicamente no estado. Verificou, nessa análise, que os hagiotopônimos, em território mineiro, mantiveram-se ao longo dos séculos, sobretudo em acidentes rurais, como as fazendas, cuja motivação denominativa prende-se exclusivamente à subjetividade individual do denominador e, por serem referências em propriedades particulares, as alterações toponímicas são mais raras.

Palavras-chave: Léxico; Cultura; Hagiotoponímia; Minas Gerais; Fazendas.

 

Minibiografias:

Autora 1: Doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais, é professora de Língua Portuguesa no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais – Campus Ouro Branco. É membro do Grupo Mineiro de Estudos do Léxico que, nas perspectivas sincrônica e diacrônica, tem desenvolvido pesquisa sobre o léxico do português brasileiro, com ênfase em toponímia, levando-se em conta a relação língua, cultura e sociedade.

Autora 2: Professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, MG, Brasil. Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Minas Gerais, realizou Pós-Doutorado em Toponímia na Universidade de São Paulo. Atualmente realiza pesquisa de Pós-Doutorado na UNISINOS, RS, Brasil. Coordenadora do Atlas Toponímico de Minas Gerais – ATEMIG.


Comunicação 4

O nome e o lugar: a hagiotoponímia do município de Marapanim (Pará – Brasil)

Autoras:

Érica Patrícia Barbosa Costa – PPLSA/UFPA/PA, Brasil –  ricapatrciabarbosa@yahoo.com.br

Carmen Lúcia Reis Rodrigues – PPLSA/UFPA/PA, Brasil –   carmenrodrigues89@yahoo.com

 

Resumo:

O homem, situado num tempo e espaço determinados, sempre deixa ali marcas de sua presença, umas mais explícitas, outras nem tanto. O topônimo é, assim, uma marca deixada, isso porque é produto da atividade humana; ele segue, pois, refletindo, dentre outras coisas, a relação homem/meio, mediada por um certo estado de língua. A partir desse entendimento, objetivamos refletir acerca do conjunto hagiotoponímico que reveste o município de Marapanim, do Estado do Pará (Brasil), a partir do exame línguo-cultural dos hagiotopônimos que integram o inventário léxico-toponímico do município, cujas bases de formação sócio-histórica, desde o princípio, têm o traço religioso-católico presente/imposto. Assim, é importante perceber, por exemplo, em que medida os hagiotopônimos se fazem presentes na toponímia marapaniense, quais relações estabelecem com a história política/religiosa do lugar, dentre tantos outros pontos importantes à discussão. Tomaremos como fonte de dados, para a identificação dos topônimos, o mapa do município (1504406), fornecido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, além de material teórico que verse sobre a formação sócio-histórica de Marapanim (Pará – Brasil). Do ponto de vista teórico-metodológico, ancoramo-nos em Dick (1990; 1999), assim como em pesquisadores que seguem a mesma vertente dos estudos onomásticos, como Isquerdo (2008; 2012; 2016), Carvalho (2010) e Carvalinhos (2002-2003), dentre outros. A partir disso, poderemos tecer generalizações quanto à hagiotoponímia marapaniense, explicitando, por um lado, os traços individualizantes, por outro, aqueles que se assemelham à (hagio)toponímia brasileira, levando em conta o que vem sendo apontando nas pesquisas toponímicas. Preliminarmente, podemos dizer que, considerando a toponímia marapaniense, de um total de aproximadamente 77 termos até agora identificados, pelo menos 10 deles podem ser classificados como hagiotopônimos; tem-se, por exemplo: São Tomé (AH-PA), Santa Maria (AH-PA), São Miguel do Crispim (AH-PA). Há também alguns termos classificados como hierotopônimos, como: Paraíso (AH-PA) e Ilha Santa Cruz (AH-PA).

Palavras-chave: Topônimos; Hagiotopônimos; Marapanim; Pará/Brasil.

 

Minibiografias:

Autora 1: Graduada em Letras (habilitação em língua portuguesa), pela Universidade Federal do Pará, campus Castanhal; mestranda do Programa de Pós-graduação em Linguagens e Saberes na Amazônia, pela mesma instituição, Campus Bragança.

Autora 2: Graduada em Letras pela Universidade Federal do Pará, com D.E.A (Diplôme d’Études Approfondies) e doutorado, em Linguística, pela Universidade Paris VII (França). É professora de Linguística da Faculdade de Letras do Campus de Castanhal, da Universidade Federal do Pará, atuando também no Programa de Pós-graduação em Linguagens e Saberes na Amazônia, do Campus de Bragança (UFPA).


Comunicação 5

Estudo dos litotopônimos mineiros

Autora:

Maryelle Joelma Cordeiro –UFMG/MG, Brasil – maryellecordeiro@gmail.com

 

Resumo:

A Onomástica, ciência responsável pelo estudo dos nomes próprios, está subdividida em duas vertentes: a Antroponímia, que lida com o estudo e a etimologia dos nomes próprios de pessoas, e a Toponímia, que estuda a origem e significado dos nomes próprios de lugares. Esta pesquisa se insere dentro dos estudos da Toponímia e trata do estudo linguístico e cultural dos topônimos, os nomes próprios de lugar, de origem mineral – os litotopônimo – que nomeiam acidentes geográficos presentes em todo o estado de Minas Gerais. A principal forma de ocupação do território mineiro, por meio da atividade mineradora, revela na toponímia do estado um expressivo número de topônimos de origem mineral, como por ser percebido na mesorregião Jequitinhonha onde há a presença de 622 litotopônimos. Ligada ao Atlas Toponímico do Estado de Minas Gerais – Projeto ATEMIG, coordenado pela Profa. Maria Cândida Trindade Costa de Seabra, é uma forma de investigação e descrição da toponímia que tem como eixo norteador o fato de que língua e cultura são entidades inseparáveis. Entende-se por cultura, segundo o pensamento de Duranti (2005), o conhecimento que é aprendido, transmitido e repassado de geração em geração por meio das ações humanas, através da comunicação linguística. O arcabouço teórico-metodológico utilizado se apoia nos modelos toponímicos de Dauzat (1926) e Dick (1990a, 1990b e 2004), Seabra (2004), no conceito de região cultural de Diégues Jr. (1960) e na noção de cultura de Duranti (2005). Ressalta-se que o estudo do léxico litotoponímico proporcionará uma rica seleção de indícios do passado linguístico de Minas Gerais, além de ampliar o conhecimento sobre a cultura e história do povo mineiro, pois, como aponta Isquerdo (2006), os topônimos têm o poder de sintetizar momentos diferentes da história de uma região e de traduzir a percepção do denominador, em um contexto histórico e geográfico determinado.

Palavras-chave: Língua; Cultura; Toponímia; Léxico; Minas Gerais.

 

Minibiografia:

Mestre em Estudos Linguísticos pela Fale/UFMG e atualmente cursa Doutorado em Estudos Linguísticos pela mesma instituição. Possui graduação em Letras (modalidade: licenciatura dupla; habilitação: Português/Italiano) na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, com experiência acadêmica na Università del Salento em Lecce, na Itália.


Comunicação 6

Amazônia militarizada pró-topônimos

Autoras:

Maria do Socorro Melo Araújo – UERR/RR, Brasil – araujomsocorro@gmail.com

Maria Odileiz Sousa Cruz – UFRR/RR, Brasil – odileiz@mandic.com.br

 

Resumo:

No contexto da Amazônia brasileira encontramos cenários que demandam desafios interpretativos sob a égide da Onomástica. Um deles diz respeito ao que chamamos de toponímia militarizada cuja motivação esteve pautada em eventos, fatos e personagens que se fizeram presentes na região, especialmente nos últimos dois séculos. Isto posto, a presente comunicação tem por objetivo mostrar uma conjuntura de topônimos da região norte do país cuja motivação revela a presença militar na Amazônia. Pois, nomes de rios, vilas, cidades, estados são indicadores da participação de homens que contribuíram para com a região, especialmente os que adentraram na mata espessa e cravaram seus nomes naquele espaço. Reconhecemos, entretanto, que conduta similar também se consolidou nas demais regiões brasileiras. O diferencial do Norte é que o estado, município e ou cidade, pode revelar a motivação “militar” em seus respectivos topônimos ou deixá-la subjacente numa região de topônimos predominantemente indígena. Por exemplo, Rondônia (RO) em alusão ao Marechal Rondon, Presidente Figueiredo (AM), reportando ao ex-presidente, Marechal Traumaturgo (AC), Couto de Magalhaes (TO), além de muitos outros. Em Roraima, entretanto, os topônimos militarizados se manifestam também no agrupamento urbano, por exemplo, em Boa Vista, capital do estado, av. Vile Roy, av. Capitão Bessa, rua Cel. Pinto, rua Lobo da Almada, dentre outros. Assim, a metodologia adotada envolve pesquisa de cunho documental, especialmente de sites oficiais, e consulta às pesquisas de bolsistas vinculados ao PIBID da UERR e UFRR. O arcabouço teórico se respalda em Dick (1990a,1996), nas fontes primárias do IBGE (2010), e Hulsman e Cruz (2016). Os resultados preliminares indicam que Boa Vista é um modelo piloto da presença militar na região Norte uma vez que praças, ruas e avenidas majoritariamente remetem a topônimos de motivação “militar”, desta feita a categoria antropocultural é fomentada por axiotopônimos.

Palavras-chave: Onomástica; Axiotopônimo; Roraima.

 

Minibiografias:

Autora 1: Mestre em Letras (2014) pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), sociolinguística/dialetologia, dissertação intitulada TOPONÍMIA DE COMUNIDADES INDÍGENAS DO MUNICÍPO DE PACARAIMA. Doutoranda em Letras pelo DINTER (2016/2020) Universidade Estadual de Roraima (UERR) e UNESP/Araraquara. Atualmente é professora efetiva da UERR. Na pesquisa, atua especialmente em lexicologia, toponímia e metáfora, com ênfase em línguas indígenas.

Autora 2: Doutorado em Letras (2005) pela Vrij Universiteit Amsterdam e Estágio de Pós doutoramento (2009) em Leiden Universiteit. Professora do PPG-Antropologia Social da UFRR. Na pesquisa, trabalha com léxico, metodologia e material didático junto a línguas indígenas.


Comunicação 7

Estudo toponímico na Bahia: considerações linguísticas a partir dos municípios do portal do sertão baiano

Autora:

Analídia dos Santos Brandão – UNEB/BA, Brasil – ninhalydia@yahoo.com.br

 

Resumo:

Estudar o vocabulário que concebe a língua em seu uso, a partir de um contexto de identificação de uma dada comunidade, é poder desvendar os aspectos que pertence àquela comunidade vocabular. O objetivo deste trabalho é analisar o léxico toponímico do Território de Identidade, nº 19 – PORTAL DO SERTÃO, que compreende os municípios de Água Fria, Amélia Rodrigues, Anguera, Antônio Cardoso, Conceição da Feira, Conceição do Jacuípe, Coração de Maria, Feira de Santana, Ipecaetá, Irará, Santa Bárbara, Santanópolis, Santo Estevão, São Gonçalo dos Campos, Tanquinho, Teodoro Sampaio e Terra Nova. Ao selecionar como objeto de estudo a toponímia do Portal do Sertão, tem-se como hipótese o fato de que o nome geográfico pode ser motivado por fatores extralinguísticos os quais refletem as peculiaridades físicas e socioculturais e históricas dos povos que vivem na região. Esses municípios que compõem o Portal do Sertão apresentam em grande proporção uma realidade rural, com atividades voltada para agricultura, pecuária e comércio. Acredita-se que com essa investigação, a análise das relações dos topônimos que compõem esses municípios permitirá um melhor vislumbramento dos aspectos socioculturais dessas comunidades linguísticas.

Palavras-chave: Toponímia; Portal do Sertão; Bahia; Léxico.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras Vernáculas pela Unidade Estadual de Feira de Santana – UEFS. Especialista em Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa, pela Faculdade Internacional de Curitiba – FACINTE e Mestra em Estudos de Linguagem pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB.


Comunicação 8

A toponímia da região de Benguela: das memórias coloniais à era contemporânea (SÉCULOS XX-XXI)

Autor:

Bernardo Kessongo Menezes – FCSH/Lisboa –  Bernardo_Menezes275@hotmail.com

 

Resumo:

O nome de lugar é um dado histórico por meio do qual um historiador pode reconstruir a história local de um povo. O topónimo contribui para o enquadramento cultural e a percepção que os indivíduos possuem do território que os rodeia. Permite a compreensão do modus vivendi de uma comunidade, apontando para a necessidade de organização geográfica da população e do espaço. Temporalmente, essa organização reflecte-se no grupo comunitário e estende-se à própria História, onde a pessoa humana consegue valorizar a organização sociográfica desses espaços, por meio do conhecimento dos nomes das localidades, tornando-se um ser social e histórico. Do vocábulo grego tópos que quer dizer “lugar” e ónoma que significa “nome”, o termo “toponónimo” designa “nome de lugar”. Para o antropólogo venezuelano Salazar-Quijada, toponímia é um “ramo de la onomástica que se ocupa del estudio integral, en el espacio y en el tiempo, de los aspectos: geo-históricos, socio-económicos y antropo-língüísticos, que permitieran y permiten que um nombre de lugar se origine y subsista” (Salazar-Quijada 1985, p.18). Este estudo visa a contribuir para o conhecimento dos topónimos da zona de Benguela, apresentar alguns aspectos da história sociocultural da localidade – constituição do espaço, processo de povoamento, assim como, sublinhar o impacto da colonização portuguesa na antropotoponímia e na língua local. Apresentamos também aspectos que mostrem a toponímia como lugar de memória. O presente estudo surge no âmbito das interrogações que se têm levantado sobre a situação da toponímia: as suas origens, a sua forma gráfica, o seu contributo na localização, orientação, identificação e, sobretudo, as razões históricas dos nomes de municípios, comunas e povoações que não interpretam, nem reproduzem correctamente o verdadeiro significado. Pretendemos apresentar os aspectos culturais e etnolinguísticos específicos da região de Benguela.

Palavras-chave: Toponímia; Região de Benguela; era contemporânea.

 

Minibiografia:

Licenciatura em História, Instituto Superior de Ciências da Educação da Universidade Katyavala Buila (Benguela – Angola). Frequência do Curso de Direito na Especialidade de Direito Forense, Faculdade de Direito da Universidade Katyava Buila – Benguela. Mestrado em Terminologia e Gestão da Informação de Especialidades, Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa. Doutorando em História, Faculdade de Ciências Socias da Universidade Nova de Lisboa.


Comunicação 9

Toponímia e línguas indígenas na microrregião de Paranaíba/Mato Grosso do Sul/Brasil

 

Autora:

Camila André do Nascimento da Silva – UEMS/UFMS/MS, Brasil – camilandreufms@hotmail.com

 

Resumo:

A Toponímia é o ramo da Onomástica dedicado ao estudo dos nomes próprios de lugares e consolida aspectos relacionados às camadas linguísticas, à história, à geografia de um espaço. Este trabalho centra-se no estudo dos topônimos de origem de línguas indígenas e, nesse sentido, o escopo principal é evidenciar a contribuição vocabular ameríndia revelada nos topônimos, alguns incorporados ao léxico da língua portuguesa. Assim sendo, tem-se como objetivo investigar, na área dos estudos onomásticos, as influências das línguas indígenas na nomeação dos espaços geográficos da microrregião de Paranaíba, Mato Grosso do Sul, Brasil. Para tanto, fez-se um levantamento, em mapas oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) relativos aos quatro municípios que compõem essa microrregião, de denominações toponímicas que nomeiam acidentes físicos e humanos da zona rural dos municípios em estudo, com a finalidade de examinar as prováveis causas denominativas e os processos linguísticos que envolveram a escolha dos designativos. Os procedimentos metodológicos consistem no levantamento, na descrição e no preenchimento dos campos da ficha lexicográfico-toponímica elaborada no âmbito do projeto ATEMS (Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul) que contêm os dados relativos a cada topônimo. Como base teórica para a análise dos dados adotam-se conceitos basilares propostos por Dick (1990; 1992; 1999; 2006). Para as questões de natureza etimológica e de língua de origem dos topônimos, recorrem-se a obras lexicográficas de línguas indígenas. Por meio da análise dos dados, verificou-se que os fatores de natureza física encontram-se intrinsecamente relacionados ao processo de designação toponímica. Em relação à língua de origem dos topônimos analisados, registrou-se a predominância de signos toponímicos originados da língua portuguesa e uma presença significativa de topônimos oriundos de línguas indígenas com maior incidência do tupi.

Palavras-chave: Onomástica; Toponímia Indígena; Léxico; Mato Grosso do Sul.

 

Minibiografia:

Mestrado em Letras, na área de concentração em Estudos Linguísticos pela UFMS/Três Lagoas (2011). Graduação em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/Três Lagoas (2008). Professora da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS/UUC. Desenvolve pesquisas em estudos do léxico, com destaque em toponímia e neologismos. Doutoranda em Linguística pela UFMS/Três Lagoas, com pesquisa em toponímia indígena do Estado de Mato Grosso do Sul.


Comunicação 10

Pelos caminhos das águas: um estudo da hidronímia da Mesorregião Norte Maranhense, Brasil

 

Autores:

Edson Lemos Pereira – UFMA/MA, Brasil –  edsonlp20@hotmail.com

Conceição de Maria de Araujo Ramos – UFMA/MA, Brasil – conciufma@gmail.com

 

Resumo:

Tendo em vista que os topônimos fazem parte do léxico de uma língua e que, por meio deles, pode-se chegar a elementos da vida sociocultural de um povo, fez-se um recorte, no âmbito dos estudos toponímicos maranhenses, que privilegia a hidronímia do Estado. O estudo adota os princípios teóricos e metodológicos da Onomástica, mais particularmente da Toponímia, cujo objeto de estudo são os nomes dos lugares, tendo como ponto de partida sua origem e significado. Fundamenta-se, ainda, nas orientações de Dick (2004, p.126-127), que entende a hidronímia como os “nomes dos acidentes hidrográficos em geral não importando a natureza linguística do objeto nomeado, e evidenciado pela denominação, se humano ou não, animado ou inanimado, nem a natureza dos campos semânticos envolvidos”. Os estudos de Dick (1990; 1991; 2004), Isquerdo; Dargel (2014) e Seabra (2007) fundamentam esta pesquisa que objetiva descrever os hidrônimos maranhenses, com foco principal nos topônimos de base indígenas, localizados na Mesorregião Norte Maranhense. Justifica-se a escolha da área pesquisada por esta representar uma densa rede hídrica (rios, lagos, lagoas, riachos, igarapés, brejos) que permitiu/permite o deslocamento e a sobrevivência do homem na região. Os dados revelam uma considerável presença indígena na toponímia maranhense da região investigada; alguns exemplos bastante emblemáticos podem ser notados, em hidrônimos como Itapecuru-Mirim, Icatu, Jaguarema, Pindaré, Mearim. O corpus evidencia, assim, marcas incontestes de línguas indígenas no léxico toponímico do Estado, razão por que se faz necessário investigar essas marcas.

Palavras-chave: Onomástica; Toponímia; Indígena; Maranhão.

 

Minibiografias:

Autor 1: Aluno do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Maranhão, possui graduação em Letras com habilitação em Língua Portuguesa e Língua Francesa e suas respectivas Literaturas. É auxiliar de pesquisa do projeto Atlas Linguístico do Maranhão – ALiMA, atuando principalmente nos seguintes temas: Sociolinguística, Toponímia, Domingos Vieira Filho e Português falado no Maranhão.

Autora 2: Mestre e doutora em Letras, pela Universidade Federal de Alagoas (1994; 1999). Coordenadora do Atlas Linguístico do Maranhão. Coordenadora Regional do Atlas Linguístico do Brasil para o Maranhão, Professora da UFMA – Universidade Federal do Maranhão.  Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Atlas Linguístico, atuando em Linguística, Sociolinguística, Dialetologia, Geolinguística, Lexicologia, Lexicografia e ensino/aprendizagem da língua materna e estrangeira. 


Comunicação 11

Explorando a toponímia de origem Bororo em Mato Grosso: alguns resultados

 

Autor:

Maxwell Miranda – UFMT/MT, Brasil – maxwellgm1@gmail.com

 

Resumo:

O estado de Mato Grosso concentra uma diversidade expressiva de línguas e culturas nativas, que representam os maiores agrupamentos linguísticos das terras baixas sulamericanas – Arawák, Tupí, Macro-Jê e Karíb –, entre outras famílias linguísticas menores, como Nambikwára, e línguas isoladas, como Trumái e Myky/Irantxe. Nesse cenário, a língua bororo (família Bororo, tronco Macro-Jê) (RODRIGUES, 1986) se destaca entre as demais por fornecer itens lexicais para designar diferentes tipos de topônimos em diversas partes do estado de Mato Grosso. Essa particularidade da toponímia de origem bororo fornece-nos evidências dos movimentos migratórios, aos quais o povo foi submetido antes e depois da colonização portuguesa, a partir do século XVIII, e das relações interétnicas que resultaram na cisão do povo bororo, considerando o vasto território que ocupava antes do contato (COLBACCHINI; ALBISETTI, 1942). Atualmente, o povo bororo está distribuído em oito Terras Indígenas (T. I.) descontínuas: Meruri, Perigara, Tereza Cristina (Córrego Grande ou Korogedu Paru), Sangradouro, Tadarimana, Jarudori, Piegaba e Pobore. A presente comunicação tem por objetivo analisar a estrutura linguística dos topônimos provenientes da língua bororo. A análise do corpus coletado fundamentou-se nos estudos sobre Onomástica (ALGEO; ALGEO, 2000; LANGENDONCK, 2007) e, sobretudo, o de Dick (1990). Os topônimos analisados designam nomes de cidades, rios e acidentes geográficos, como torixoreu (tori = pedra; xoreu = escuro/preto, lit. pedra escura/preta), o qual nomeia a cidade localizada na região do Médio Araguaia. A incorporação de itens lexicais oriundos da língua bororo na toponímia brasileira revela o alto grau de contato linguístico que houve nessa região. Assim, conforme destaca Aguilera (1999, p. 127), os topônimos podem ser “a única evidência da presença histórica de grupos humanos em uma área geográfica”, a fim de compreendermos a dinâmica dos povos e as marcas que suas respectivas línguas imprimem no léxico do espaço geográfico onde habitam.

Palavras-chave: Léxico; Onomástica; Toponímia.

 

Minibiografia:

Mestre e doutror em Linguística (2010 e 2014), pela Universidade de Brasília, e atualmente é Professor Adjunto I da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Universitário do Araguaia (Barra do Garças). Desenvolve pesquisa na área de descrição, análise e documentação de língua indígenas, com foco na variedade Timbira falada pelo povo Krahô, tanto em uma perspectiva sincrônica quanto diacrônica. 


Comunicação 12

A Toponimia da província do Uíje: uma abordagem socio-etnolinguística

 

Autor:

Jaques Mpova Nzuze Tomás – FCSH/UNL, Portugal – jacquesmpova@hotmail,com

 

Resumo:

Os estudos sobre a Lexicologia e a Onomástica permitem-nos fazer uma abordagem sobre a realidade da toponímia angolana, particularmente na província do Uíje, num contexto em que, fruto da colonização levada a cabo pelos portugueses, no século XVI e que se efectivou no século seguinte, a onomástica de Angola, no ramo da toponímia, sofreu a influência linguística do Português do ponto de vista morfológico e fonológico, permitindo, desta maneira, a alteração gráfica dos nomes de lugares denominados na língua Kikongo. O objectivo é fazer um estudo sobre a realidade sociolinguística e etnolinguística da província do Uíje, compreender a dimensão cultural, histórica, social e linguística dos topónimos e fazer uma análise linguística dos topónimos e a sua classificação taxionómica. Do ponto de vista metodológico, faremos uma análise do corpus constituído por um conjunto de documentos fornecidos pelas autoridades locais da província do Uíje. O corpus será analisado com a ajuda do Concapp e do AntConc que permitem extrair os topónimos, as concordâncias, as frequências e os contextos. De referir que o presente estudo contempla a língua Kikongo, a mais falada na província do Uíje e a Língua Portuguesa que coabita na mesma Província.

Palavras-chave: Língua; Linguística; Lexicologia; Onomástica; Toponímia.

 

Minibiografia:

Licenciado em Ensino da Língua Portuguesa pelo Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) do Uíje, Mestre em Terminologia e Gestão da Informação de Especialidade pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Doutorando em Linguística, Especialidade: Lexicologia, Lexicografia e Terminologia pela mesma faculdade e universidade.


 Comunicação 13

Reflexões acerca da relação entre identidade e toponímia a partir dos designativos geográficos do município de Vigia de Nazaré (Pará/Brasil)

Autoras:

Laís de Nazaré dos Santos Santos – PPLSA/UFPA/PA, Brasil – E-mail: laisletras@hotmail.com

Carmen Lúcia Reis Rodrigues – PPLSA/UFPA/PA, Brasil – E-mail: carmenrodrigues89@yahoo.com

 

Resumo:

Neste trabalho, apresenta-se uma discussão sobre a correlação existente entre toponímia e identidade, tendo como objeto de investigação os topônimos que recobrem o município de Vigia de Nazaré, localizado no estado do Pará (Brasil). Esse município teve os índios Tupinambá como primeiros habitantes, porém, assim como o restante do Brasil, passou pelo intenso processo de colonização, que resultou no silenciamento da língua e cultura indígena.  Contudo, entre outras particularidades, ainda podem ser observados, em grande quantidade, topônimos de procedência tupi, nesta cidade, fato que auxilia na compreensão dos aspectos que delineiam a identidade cultural do povo vigiense. Esta pesquisa enquadra-se no âmbito dos estudos onomásticos e tem por objetivo principal propor uma reflexão acerca da maneira com que os nomes pertencentes a um determinado lugar revelam traços da identidade local de uma região, tendo em vista que os nomes são responsáveis pela categorização e discriminação das coisas do mundo. Essa pesquisa segue, principalmente, os princípios teóricos e metodológicos de Dick (1987, 1990, 1999a, 1999b), além de considerar trabalhos de outros autores como Andrade (2010), Isquerdo (2012, 2014), Bauman (2001, 2005), Castells (2006) e Hall (2006). Conforme os dados coletados, até o momento, percebeu-se que a toponímia de origem tupi é bastante representativa no município estudado, e, após análise, pôde-se concluir que, esses topônimos, em sua maioria, possuem motivações de natureza física, pois há uma grande ocorrência de fitotopônimos, por exemplo.

Palavras-chave: Toponímia; Identidade; Vigia de Nazaré (Pará – Brasil).

 

Minibiografias:

Autora 1: Graduada em Letras, com habilitação em língua portuguesa, pela Universidade Federal do Pará e mestranda do Programa de Pós-graduação em Linguagens e Saberes na Amazônia, pela mesma instituição. Para sua dissertação de mestrado, está realizando uma pesquisa sobre os topônimos pertencentes ao município de Vigia de Nazaré, localizado no estado do Pará, Brasil.

Autora 2: Graduada em Letras pela Universidade Federal do Pará, com D.E.A (Diplôme d’Études Approfondies) e doutorado, em Linguística, pela Universidade Paris VII (França). É professora de Linguística da Faculdade de Letras do Campus de Castanhal, da Universidade Federal do Pará, atuando também no Programa de Pós-graduação em Linguagens e Saberes na Amazônia, do Campus de Bragança (UFPA).


Comunicação 14

Madre de Deus e suas ilhas: estudo toponímico

Autora:

Celina Márcia de Souza Abbade – UNEB/BA, Brasil – celinabbade@gmail.com

 

Resumo:

Inserida na Onomástica, ramo dos estudos lexicais que se ocupa do estudo do onoma ‘nome’, a Toponímia se propõe a estudar os nomes próprios dos lugares, e cada vez mais ocupa espaço definido nesses estudos. Relacionando íntima e profundamente o nomeador e o nomeado, essa parte da Lexicologia desemboca sempre na relação homem-sociedade-cultura. A proposta aqui é partir de um município baiano inserido na Baía de Todos os Santos, maior baía do Brasil: Madre de Deus com a Ilha de Madre de Deus, uma das 56 ilhas dessa baía, e mais outras três ilhas: as ilhas de Maria Guarda, Ilha do Capeta e Ilha das Vacas. A ilha dos Cururupebas, outrora habitada pelos tupinambás, foi batizada pelos jesuítas de Ilha de Madre de Deus do Boqueirão, é nomeada atualmente como Ilha de Madre de Deus e se separa do continente por apenas 100 metros, cuja ponte construída nos fins dos anos cinquenta, une a ilha ao continente através dos municípios de Candeias e São Francisco do Conde. Emancipada desde os anos oitenta, Madre de Deus com os seus 32,201 Km2, pertenceu a Salvador durante muito tempo. Essa pesquisa é fruto de um projeto maior que objetiva elaborar o Atlas Toponímico da Bahia- ATOBAH, traçando um perfil toponímico desse estado, percorrendo seus municípios, bairros, ruas, ladeiras, igrejas, rios, praças, ilhas etc. O presente trabalho fundamenta-se na perspectiva dos estudos toponímicos, a partir dos fundamentos teóricos de DICK (1990-1992). Dessa forma, os aspectos revelados a partir desse estudo de descrição da formação dos topônimos, ultrapassam o fazer linguístico, permeando os caminhos históricos e socioculturais de seus nomeadores, resgatando e preservando assim a memória e identidade do topônimo estudado.

Palavras-Chave: Toponímia; Onomástica; Madre de Deus; Ilhas; Bahia.

 

Minibiografia:

Doutora e Mestre em Letras pela UFBA (2003/1998). Pós-Doutora em Estudos de Linguagem pela UEFS (2016). Docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem-PPGEL da UNEB. Na pesquisa, atua diretamente nos estudos lexicais atuando principalmente nos seguintes temas: Lexicologia, Terminologia, Onomástica, Campos Lexicais. Coordena os Projetos: Atlas Toponímico da Bahia (ATOBAH), Estudos Toponímicos da Bahia e Terminologia do Espiritismo.


Comunicação 15

Análise da toponímia do município de São João do Paraíso – Maranhão/Brasil

 

Autores:

Leonardo Mendes Bezerra – UEMA/MA, Brasil – lydimo@live.com

Geane Martins Mendes– UEMA/MA, Brasil – deanemendes123@hotmail.com

 

Resumo:

O trabalho ora apresentado está filiado ao projeto Atlas Toponímico do Estado do Maranhão: Análise da Macro e Microtoponímia – ATEMA, desenvolvido na Universidade Estadual do Maranhão, Centro de Estudos Superiores de Balsas – UEMA/CESBA, com assessoria da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – UFMS. O objetivo é apresentar contribuições levantadas para a elaboração do atlas supracitado, de forma específica, selecionar nomes, identificar as motivações das denominações e classificá-las conforme as taxonomias de natureza física, nomes relacionados ao meio ambiente natural, e de natureza antropocultural, relacionados às atividades humanas. Os fundamentos teóricos têm como base os postulados onomástico-toponímicos de Dick (1990; 1992), principalmente as taxonomias por ela propostas. Os procedimentos metodológicos são a pesquisa documental na base de dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Foram catalogados 162 topônimos de São João do Paraíso, município pertencente à microrregião de Porto Franco, que integra a mesorregião Sul Maranhense. Até o momento, foram classificados 159 topônimos, dentre os quais há maior recorrência de fitotopônimos, com 34 nomes, pondo em relevância os topônimos de natureza física. No âmbito das categorias de natureza antropocultural, ocorre a segunda maior recorrência, a de antropotopônimos, com 14 nomes.  No estágio atual do estudo, os resultados indicam que os nomes de natureza física são mais recorrentes em relação aos de categoria antropocultural.

Palavras-chave: Toponímia; São Pedro dos Crentes; ATEMA.

 

Minibiografias:

Autor 1 – Professor no Departamento de Letras e de Educação do CESBA/UEMA- Universidade Estadual do Maranhão, possui Mestrado em Ciências Ambientais pela UniEVANGÉLICA-GO – Centro Universitário de Anápolis,  Especialista em Educação pela Faculdade de Goiás – FAGO, Licenciado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC/GO, Licenciando em Pedagogia pelo Centro Universitário Internacional – UNINTER-PR.

Autora 2 – Geane Martins Mendes é graduanda do curso de Letras com Licenciatura em Língua Portuguesa, Inglesa e suas respectivas Literaturas pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Desenvolve pesquisas na área de estudos onomástico-toponímicos como bolsista PIBIC vinculada ao CNPq.


Comunicação 16

Tendências da toponímia urbana do município de Dourados/MS: os nomes das ruas

 

Autora:

Marilze Tavares – UFGD/MS, Brasil – marilze.tavares@terra.com.br

 

Resumo:

A nomeação dos espaços urbanos ou rurais tem como função identificá-los e individualizá-los em relação aos demais; por meio dos nomes próprios específicos, podemos, principalmente, nos orientar melhor. Apenas isso já apontaria para uma importância muito prática e cotidiana dos topônimos, principalmente os da área urbana. Estudar o processo de nomeação, entretanto, pode nos ajudar também a compreender melhor aspectos da história, da cultura, das ideologias, do ambiente físico. Neste trabalho tomamos os aproximadamente 840 nomes de ruas da área urbana do município de Dourados com o objetivo de examinar tendências no que se refere à motivação semântica, à estrutura do sintagma toponímico e à presença de outras línguas, além da língua portuguesa. Em geral, fundamentamo-nos nos pressupostos teórico-metodológicos de Dick (1990, 1992) que orientam as principais pesquisas toponímicas do Brasil, inclusive aquelas realizadas no âmbito do Projeto Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul ao qual este trabalho está vinculado. A análise de recortes mais específicos sobre os mesmos dados já apontaram os seguintes resultados: i) quanto à motivação, prevalecem os nomes de pessoas e os nomes de outras localidades (cidades, estados, países…); ii) quanto à estrutura morfológica, sobressaem os topônimos compostos de dois ou mais vocábulos;  e, iii) quanto à língua de origem, a portuguesa prevalece, seguida, bem de longe, de línguas indígenas. Vale mencionar que, ainda que em pouca quantidade, várias outras línguas (japonês, árabe, inglês, espanhol…) estão representadas por meio dos nomes e sobrenomes de pessoas que passam à categoria de nomes de ruas. O exame mais detido de todo o conjunto poderá confirmar ou não o que já foi verificado nos estudos que examinaram recortes. Os resultados deste trabalho também poderão ser cotejados com os de outros trabalhos sobre a toponímia urbana de Mato Grosso do Sul e de outros estados.

Palavras-chave: Léxico; Toponímia; Nomes de ruas; Dourados/MS.

 

Minibiografia:

Doutora em estudos da Linguagem pela Universidade Estadual de Londrina/PR (UEL). Professora da área de Língua Portuguesa e Linguística do Curso de Letras da Faculdade de Comunicação, Artes e Letras da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Membro da equipe do Projeto Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul (ATEMS).


Comunicação 17

Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul (ATEMS): do percurso metodológico aos produtos finais

Autora:

Aparecida Negri Isquerdo –  UFMS/MS/UEL/PR/CNPq, Brasil –aparecida.isquerdo@gmail.com

 

Resumo:

Um estudo toponímico pode configurar-se como um documento linguístico-histórico-cultural de uma região, já que a análise dos topônimos pode evidenciar, além de estratos etnolinguísticos, fatos da história e da geografia da região estudada, o que inclui o modo de vida dos povos que habitam ou que já habitaram o espaço geográfico em estudo. Nesse contexto, concebe-se o topônimo (nome de lugar), em sua essência, como objetos culturais que perenizam tanto características da paisagem como a visão do homem sobre essa paisagem, materializado por nomes de natureza antropocultural. Dentre as modalidades da pesquisa toponímica e seus respectivos produtos, situa-se o atlas toponímico, concebido aqui como um amplo estudo sobre os topônimos de determinado espaço geográfico que tem início com o preenchimento da ficha lexicográfico-toponímica que deve conter o registro da síntese do estudo realizado acerca de cada topônimo inventariado (estudo filológico, linguístico, etnohistórico dos designativos de lugares). Este trabalho discute os resultados obtidos por meio do Projeto Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul (ATEMS) que tem como objeto de pesquisa os topônimos registrados nos mapas oficiais dos 79 municípios que compõem o estado de Mato grosso do Sul, Brasil (cerca de 22.000) e que se orienta, fundamentalmente, pelo modelo teórico de Dick (1990; 1992; 1998; 1999; 2004; 2006). Para tanto, organiza-se em dois eixos: o do percurso metodológico em que são discutidos os princípios teórico-metodológicos adotados pelo projeto e o dos resultados, espaço em que são apresentados e discutidos os produtos já alcançados, dentre outros, o Banco de Dados, o site do projeto e o volume 1 do ATEMS que, por sua vez, fornece elementos para o delinear das tendências toponímicas já observadas, vistas sob os eixos antropocultural (marcas da colonização e das bases étnicas da população na nomeação de elementos geográficos) e linguístico (padrões toponímicos evidenciados).

Palavras-chave: ATEMS; Toponímia; Mato Grosso do Sul.

 

Minibiografia:

Doutora em Letras pela UNESP/Araraquara. Docente dos Programas de pós-graduação em Letras e em Estudos de Linguagens/UFMS e em Estudos da Linguagem/UEL. Na pesquisa, atua na área dos estudos lexicais, com ênfase no léxico regional e no léxico toponímico. Coordenadora do Projeto Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul e membro do Comitê Nacional de coordenação do Projeto Atlas Linguístico do Brasil.


Comunicação 18

ATEMA: um mapeamento da toponímia maranhense

Autora:

Maria Célia Dias de Castro – UEMA/ FAPEMA/MA; UFMS/MS, Brasil – celialeitecastro@hotmail.com

 

Resumo:

O estudo linguístico dos nomes de lugares denomina-se Toponímia e a significação dessa área no campo da Onomástica torna-a seminal para a representação da multiculturalidade identitária pela língua. Esse ramo de investigação, seja no âmbito da macro ou da microtoponímia, expressa os aspectos etnográficos culturais, as características sociais e a cultura material e representa o espírito de um povo. Para atender essa perspectiva e abarcar uma maior dimensão espacial, Dick (1992; 1999; 2007a; 2007b) propôs, do ponto de vista dialetológico, um sistema de atlas toponímico, um trabalho prático de pesquisa onomástica para a seleção de um recorte denominativo que identifique uma região, de forma que esse levantamento revele a paisagem com suas distribuições tipológicas. Desse modo, justifica-se que a tecitura desse tipo de mapeamento possibilita uma maior sistematização desses aspectos. Com esse intuito, pleiteamos um Atlas Toponímico do Estado do Maranhão – ATEMA, numa vertente do Atlas do Mato Grosso do Sul, iniciando a primeira etapa com os dados da microrregião do Gerais de Balsas, composta pelos municípios de Alto Parnaíba, Balsas, Feira Nova do Maranhão, Riachão e Tasso Fragoso, no estado do Maranhão – Brasil. Assim, o propósito deste trabalho é apresentar os resultados levantados para o mapeamento dos topônimos da microrregião supracitada. A metodologia conjuga o estabelecimento de um recorte por meio das cartas geográficas na base dos dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para o inventário lexical, presente nas fichas lexicográficas, com a pesquisa documental, conforme a metodologia proposta por Dick. Os resultados preliminares revelam que as causas denominativas mais recorrentes são as de natureza física, principalmente as que acionam os nomes de animais e plantas; no que diz respeito à etimologia, os nomes de origem portuguesa constituem maioria, seguidos dos nomes de origem tupi; a estrutura morfológica composta é predominante.

Palavras-chave: Onomástica; Mapeamento; Atlas Toponímico do Maranhão.

 

Minibiografia:

Doutora em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás. Estágio PDDE – Universidade de Lisboa (2010). Professora da Universidade Estadual do Maranhão. Pesquisadora FAPEMA. Pesquisas com ênfase em Toponímia. Atua em:  Toponímia, municípios maranhenses, região de Balsas-MA, sertanejo, língua, cultura e história. Atualmente realiza estágio de pós-doutorado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com projeto de pesquisa na área de Toponímia.


Comunicação 19

Toponímia urbana de Campo Grande/Mato Grosso do Sul: registros ontológicos e cartográficos das áreas toponímicas na região do Imbirussu

Autora:

Letícia Barbosa da Silva Cavalcante – IFMS/MS, Brasil – leticia.cavalcante@ifms.edu.br

 

Resumo:

Este trabalho é um recorte da pesquisa de mestrado intitulada Léxico toponímico urbano na cidade de Campo Grande/MS: região do Imbirussu (CAVALCANTE, 2016), vinculada ao projeto Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul (ATEMS), que analisou a microtoponímia dos aglomerados urbanos (bairros e parcelamentos) e logradouros (ruas, avenidas, travessas e praças) da região urbana Imbirussu da cidade de Campo Grande, capital do Estado de Mato Grosso do Sul (MS). Objetiva-se demonstrar, nesta comunicação, a identificação das tendências temáticas dos bairros e seus respectivos parcelamentos por meio de mapas conceituais (ontologia) e cartografia das áreas toponímicas da região em estudo. A análise embasou-se nos princípios teórico-metodológicos da Lexicologia e da Toponímia, em especial o modelo teórico concebido por Dick (1990a; 1990b; 1996a, 1996b; 1999; 2002-2003; 2004;). Como fonte de dados, foram utilizados os Arquivos Vetoriais oficiais sobre o planejamento urbano da cidade de Campo Grande/Mato Grosso do Sul/Brasil, disponibilizados pelo Grupo de Informática e Geoprocessamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (SEMADUR), da Prefeitura Municipal. Concomitantemente à análise qualitativa dos dados (língua de origem, taxionomia, estrutura morfológica etc.), com vistas a ter uma visão das tendências temáticas, os topônimos foram inseridos na ontologia (mapa conceitual), o que propiciou a visualização da produtividade de topônimos ligados a um determinado referencial, a delimitação de regiões por características bem marcadas, a constatação da manutenção de certa lógica denominativa e a identificação de áreas toponímicas sistemáticas e sistêmicas (ISQUERDO; SEABRA, 2010) na região do Imbirussu. A pesquisa demonstrou que a microtoponímia dos sete nomes de bairros, 99 de parcelamentos e 821 logradouros sugere a identificação de áreas toponímicas de motivação antropotonímica (homenagens políticas, devocionais ou de credos, de reverência filial ou familiar), de designativos nacionais transplantados, de designativos internacionais transplantados, da flora e da fauna.

Palavras-chave: Toponímia Urbana; Ontologia; Área Toponímica.

 

Minibiografia:

Mestre em Estudos de Linguagens pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (2016). Graduada em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Língua Inglesa (2002-2005), pela mesma instituição. Atualmente é professora de Língua Inglesa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (IFMS), Brasil. É membro do grupo de pesquisa do projeto Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul (ATEMS).


Comunicação 20

Cartografia e Toponímia em Osman Lins: uma visão mítica do espaço

 

Autora:

Elizabeth Hazin – UnB/Brasília – ehazin555@gmail.com

 

Resumo:

No romance do escritor pernambucano Osman Lins (1924-1978) intitulado A rainha dos cárceres da Grécia aparece o topônimo Báçira, correspondente a morro existente no interior de Pernambuco, situado a oitenta quilômetros do porto do Recife. Surge pela primeira vez no mapa brasileiro de Marcgrave (século XVII), aí representando precisamente o limite de tudo o que era até então conhecido: “mais assombrava e continha o passo dos aventureiros que a largura toda do oceano”, nas palavras do narrador do romance. A ideia que norteia o trabalho que aqui se propõe é tentar compreender a origem do nome Báçira e o percurso que teria seguido na cartografia da época até seu surgimento em mapa de Pernambuco traçado por naturalista alemão que esteve no Brasil sob o patrocínio de Maurício de Nassau. Indo mais além, chegar – na medida em que nomeia, também, personagem de importância no romance – à apreensão mais profunda do nome, mostrando – no caso desse romance – como o discurso literário se constrói mediante adensamento do significado de um topônimo.

Palavras-chave: Toponímia e Literatura; Toponímia e Cartografia; Osman Lins.

 

Minibiografia:

Doutora em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (1991), é Professora Colaboradora Associada ao Programa de Pós-Graduação em Literatura da Universidade de Brasília e Líder do grupo de pesquisa Estudos Osmanianos: Arquivo, Obra, Campo Literário. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq.


Comunicação 21

Estudo toponímico do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, Petar: historicidade e etnicidade nos aspectos conceituais dos nomes de lugar

Autora:                                                                                                                          

Edelsvitha Partel Murillo – USP/SP, Brasil – edelsvitha@gmail.com

 

Resumo:

A região do Vale do Ribeira, ao sul do Estado de São Paulo, Brasil, abriga a maior  concentração  de  remanescentes de Mata Atlântica do Brasil. O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, Petar, situado entre os municípios de Iporanga e Apiaí, representa parte significativa desse bioma. Inseridos nesse ambiente de mata preservada existe uma população que luta pelo resgate de sua história e identidade étnica/cultural. A nomenclatura toponímica, objeto deste estudo, determina  significações atribuídas pelos grupos humanos que ocupam ou ocuparam a região configurando territorialidades específicas marcadas, principalmente, pelas comunidades rurais: grupos quilombolas que vivem na região desde os primórdios da colonização e, pequenos agricultores, que trabalham a terra para garantir a subsistência de sua família e da comunidade. Há, ainda, uma pequena comunidade urbana constituída, principalmente, de antigos moradores bastante identificados com as especificidades do lugar e os grupos mais recentes ligados às atividades de pesquisa, turismo e espeleologia constituídos em função do Petar. Optou-se pela análise dos nomes de lugar levando-se em consideração as camadas toponímicas fundamentadas na  historiografia da  região que, por sua vez, explicitam as relações que em diferentes épocas  o homem manteve com o lugar pontuando interações importantes da população local com o ambiente. As alterações ocorridas no espaço espelham as modificações que aconteceram na estrutura socioeconômica da comunidade  e, consequentemente, estão refletidas na relação significante/significado do signo toponímico, nesse sentido, o topônimo seria um elemento importante na constituição do conceptus do lugar. Seguiu-se a metodologia do Projeto ATESP coordenado por Dick (1999) que tem por objetivo definir as origens dialetais e motivadoras das ocorrências toponomásticas do Estado de São Paulo. O Plano de Manejo do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira/Petar foi a base para o levantamento dos topônimos.

Palavras-chave: Toponímia; Metáfora; Petar.

 

Minibiografia:

Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo (2013). Tem experiência na área de Educação e Formação de Professores da Educação Básica com ênfase em Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Linguística. Na pesquisa, atua mais diretamente na área de estudos lexicais, com ênfase em etnolinguística, toponímia e topônimos de origem tupi.


Comunicação 22

O sobe e desce soteropolitano: estudo toponímico de ladeiras

 

Autoras:

Marta Maria Gomes – UNEB/BA, Brasilm – gomes.marta@uol.com.br

Celina Marcia de Souza Abbade  – UNEB/BA,Brasil – celinabbade@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo relacionar os topônimos que designam as ladeiras da cidade do Salvador, no estado da Bahia, com a história da cidade.  Para tanto se fez um recorte da toponímia urbana, especificamente os nomes das ladeiras situadas na Região Administrativa 1 (RA1) – Centro, da cidade do Salvador, envolvendo as ladeiras  utilizadas pela população soteropolitana no inicio da construção e povoação da cidade, projetada para ser “uma fortaleza e povoação grande e forte”, destinada a ser a “Cabeça do Brasil.  Por conta da existência de um despenhadeiro, relativo a uma falha geológica a cidade  foi dividida em dois planos que, a um só tempo, repartiria as suas  atividades. A Cidade Alta se consolidou em local de moradia, de comércio a varejo e das atividades político administrativas. No declive da encosta, a Cidade Baixa, se desenvolveram os locais de trabalho, do comércio por atacado e das intensas atividades portuárias.  Para resolver o problema do desnível, conferido pela geomorfologia do terreno, foram construídos  tortuosos caminhos  enladeirados que possibilitariam, ao longo da encosta, as rotas para o percurso da população e transporte de mercadorias. Ancorado nos estudos lexicológicos através da Toponímia, este estudo procurou estabelecer uma relação entre o homem e os lugares por ele ocupado, analisando, entre outras, a ligação entre língua, cultura, sociedade e natureza, manifestada no processo de nomeação de logradouros. Conforme Dick (1990), um estudo toponímico permite resgatar aspectos da memória social de um povo, sem deixar de considerar o seu contexto histórico, geográfico, social e étnico. A coleta dos dados foi realizada por meio de consulta a informações fornecidas pela Secretaria Municipal de Urbanismo (SUCOM). A classificação dos topônimos que compõem o corpus seguiu o modelo teórico-metodológico da Lexicologia e da Toponímia adotado por Dick (1990; 1992; 1999).

Palavras-Chave: Toponímia; Cidade; Salvador; Ladeiras; História.

 

Minibiografias:

Autora 1: Mestre do Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens da Universidade do Estado da Bahia- PPGEL/UNEB (2017). Membro do Núcleo de Estudos Lexicais, atuando nos Projetos: Atlas Toponímico da Bahia (ATOBAH) e Estudos Toponímicos da Bahia.

Autora 2: Doutora e Mestre em Letras pela UFBA (2003/1998). Pós-Doutora em Estudos de Linguagem pela UEFS (2016). Docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem-PPGEL da UNEB. Na pesquisa, atua diretamente nos estudos lexicais atuando principalmente nos seguintes temas: Lexicologia, Terminologia, Onomástica, Campos Lexicais. Coordena os Projetos: Atlas Toponímico da Bahia (ATOBAH), Estudos Toponímicos da Bahia e Terminologia do Espiritismo. 


Comunicação 23

Toponímia do município do Lubango: contributos para um dicionário de topónimos

Autor:

Mateus Mukuambi Halaiwa – Universidade de Évora, Portugal –mateusmukuambi@hotmail.com

Resumo:

Este trabalho tem como objectivo elaborar uma proposta de dicionário de topónimos do Município do Lubango, suas respectivas comunas, bairros, aldeias, ruas, sítios históricos, locais de comércios (praças) e analisar os diversos factores subjacentes no acto da denominação. No que diz respeito à classificação dos topónimos, seguimos o modelo taxonómico proposto por Dick (1990). Para os topónimos que não se enquadram no modelo proposto pela autora houve necessidade de se propor uma taxonomia. É também nosso interesse analisar os nomes de lugares e das suas origens, o contexto histórico em que estes surgiram e os principais motivos que estão subjacentes no acto de denominação dos topónimos. No entanto, muitos topónimos de origem bantu sofreram um aportuguesamento, fruto do processo histórico por que o país passou durante vários anos. O aportuguesamento generalizado da toponímia dificulta o conhecimento da história de um lugar, já que este facto torna o topónimo despido da sua realidade semântica, histórica e origem. Neste sentido, a Toponímia faz parte da «Onomástica e possui fortes ligações com a História e a Geografia. Apresenta-se como um campo rico para a investigação, uma vez que o levantamento e a análise dos antropónimos e dos topónimos constituem um resgate sócio histórico, podendo reflectir factos e ocorrências de diferentes momentos da vida cultural de uma sociedade» (MENEZES, 2009, p. 20).

Palavras-Chave: Toponímia; Taxonomia; Aportuguesamento; História; Onomástica.

 

Minibiografia:

Bolseiro do Ministério da Educação do Governo de Angola, estudante de Doutoramento em Linguística na Universidade de Évora e fez Mestrado em Terminologia e Gestão da Informação de Especialidade na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Participou no Encontro de Trocas, Évora: Convergência de Estudos do Património, em 2016, com comunicação: O topónimo Hoque como repertório do conhecimento histórico, cultural e linguístico.


Comunicação 24

Topônimos em dicionários de libras: análise da microestrutura

Autores:

Leandro Andrade Fernandes – UFT/TO, Brasil – leandroandrade.letras@gmail.com

Ana Claudia Castiglioni – UFT/TO, Brasil – anacastiglioni@hotmail.com

Resumo:

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) ganhou maior visibilidade após ser reconhecida como Língua da comunidade surda brasileira. É uma língua ainda em desenvolvimento, principalmente no âmbito do léxico, ocorrendo constantemente a criação de novos sinais/palavras, em especial nomes próprios. Diferente da língua portuguesa, na Libras não há uma designação específica para todos os lugares e os estudos relacionados aos topônimos da Libras são escassos. O presente trabalho tem como objetivo realizar o levantamento de sinais toponímicos presentes no Novo DEIT-Libras (2013) e no Dicionário Ilustrado de Libras (2011), realizando a análise da estrutura dos verbetes referentes a estes sinais, buscando entender a organização e as informações presentes nos referidos dicionários. Supalla (1992) explica que, um sinal nome, termo este referente aos estudos onomásticos, é criado para denominar pessoas ou lugares e podem agrupar-se a partir de sua motivação denominativa como descritiva ou arbitrária, características presentes nas línguas naturais. Na Libras é em especial constatada uma maior motivação entre o signo linguístico e seu referente, uma justificativa para este fato é a sua modalidade viso-espacial. Para a análise serão aproveitados estudos de Dick (1992), Isquerdo (1996), e Castiglioni (2014), que apoiarão a análise no que se refere à ao sintagma toponímico que apresenta em sua estrutura um termo genérico, indicando uma área de especialidade, e um termo especifico, indicando o nome próprio. Abordaremos também a motivação presente nos topônimos que figuram como entrada nos dicionários citados e o estudo pioneiro sobre a abordagem aos topônimos na Libras de Souza Junior (2012) nos servirá de base. Visamos com este trabalho contribuir de forma significativa para o estudo do léxico da Libras, em especial no âmbito do tratamentos dos topônimos presentes em dicionários de Libras.

Palavras-chave: Topônimos; Libras; Dicionários.

Minibiografias: 

Autor 1: Mestrando em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal de Goiás-UFG/Regional Catalão, bolsista da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Goiás- FAPEG, e professor auxiliar de Libras na Universidade Federal do Tocantins- UFT.

Autora 2: Doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP (2014). Professora do Programa de pós-graduação em Ensino de Língua e Literatura da Universidade Federal do Tocantins – UFT. Pesquisadora na área dos estudos do léxico, atuando principalmente nos seguintes temas: Toponímia, Lexicografia e Terminologia. Membro da equipe do projeto de pesquisa “Atlas Toponímico do estado de Mato Grosso do Sul – ATEMS”. 


Comunicação 25

Fraseotopônimos: estabelecendo diálogos entre a fraseologia e a toponímia

Autora:

Elizabete Aparecida Marques – UFMS/MS/Brasil – eamarques@hotmail.com

Resumo:

Pretende-se, neste trabalho, buscar o estabelecimento de uma interface entre a Fraseologia e a Toponimia, uma vez que esta proposta propõe a categoria dos fraseotopônimos à luz da teoria fraseológica. No âmbito dos estudos lexicais, a Fraseologia pode ser definida como uma área de investigação que tem como objeto de estudo as combinações fixas de unidades lexicais, denominadas, hiperonimicamente, fraseologismos ou unidades fraseológicas (CORPAS PASTOR, 1996). Mesmo havendo controvérsias nos critérios de delimitação dos fraseologismos, Tristá (1988) propõe três características principais: a pluriverbalidade (ou polilexicalidade), a primeira característica que salta à vista, pois todo fraseologismo deve estar integrado por duas ou mais unidades lexicais; o sentido figurado (idiomaticidade), ou seja, a troca do sentido literal por um sentido figurado mediante, por exemplo, processos de metaforização e metonimização; e a estabilidade, entendida como a reprodução de forma integral, indivisívil dos fraseologismos. Por sua vez, a Toponimia é o ramo da Onomástica que que tem como objeto de estudo os nomes de lugar, que incluem, em grande parte das ocorrências, um nome específico e uma designação genérica. A relação entre os dois âmbitos de investigação justifica-se pelo fato de que muitos nomes de lugar possuem propriedades similares às fraseológicas. Nessa perspectiva, fundamentado teoricamente em estudos sobre os fraseologismos (GROSS, 1982, 1996; CORPAS PASTOR, 1996; MEJRI, 1997, 2005, 2008), este trabalho objetiva apresentar uma primeira amostra de fraseotopônimos identificados no Banco de Nomes Geográficos do Brasil (BNGB), a partir de um recorte dos dados dos munícipios que integram os três Estados da Região Centro-Oeste do Brasil. O trabalho visa também a: i) verificar a produtividade dos fraseotopônimos no recorte do corpus; ii) verificar as tendências da composição fraseológica envolvida no  processo de toponimização no recorte dos dados investigados. Espera-se, com este trabalho, estabelecer uma interação entre os estudos fraseológicos e os estudos toponímicos.

Palavras-chave: Fraseotopônimos; Fraseologia; Toponímia; BNGB.

Minibiografia:

Doutora em Linguística Aplicada pela Universidad de Alcalá de Henares (Espanha, 2007) e Estágio Pós-Doutoral em Fraseologia pela Université Paris 13 (França, 2013). Atualmente é professora Associada da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul onde atua como docente e pesquisadora no Curso de Letras e nos Programas de Mestrado em Estudos de Linguagens e Mestrado e Doutorado em Letras. Pesquisadora na área do léxico, com ênfase na fraseologia.


Comunicação 26

Relações entre toponímia e terminologia: uma proposta de diálogo

 

Autoras:

Maria da Graça Krieger – UNISINOS/RS, Brasil – kriegermg@gmail.com

Maria Cândida Trindade Costa de Seabra – UFMG/MG, Brasil candidaseabra@gmail.com

 

Resumo:                              

A Toponímia já possui uma larga tradição como área de estudos lexicais e, como tal, integra a Lexicologia.  Seu objeto específico de investigação reside nos nomes geográficos, com destaque para o exame de sua etimologia, de sua motivação e de sua história. Dessa forma, os estudos toponímicos relacionam conhecimentos linguísticos e extralinguísticos e favorecem o desenvolvimento de trabalhos aplicados como os Atlas Toponímicos. Paralelamente, encontram-se estudos que procuram explicar princípios de denominação, buscando dar conta de fenômenos constitutivos da toponímia. No caso do Brasil, o reconhecimento desses princípios, seguindo o rastro de proposições francesas, abriu importantes possibilidades de reflexão e categorização de fenômenos toponímicos. (Dick, 1990). Com o intuito de também contribuir para a compreensão dos mecanismos determinantes da denominação de nomes geográficos, objetivamos discutir relações possíveis entre a constituição nomes geográficos compostos por termo genérico e termo específico com a natureza constitutiva de unidades lexicais especializadas conhecidas como termos técnico-científicos. As unidades lexicais especializadas assumem essa condição em razão da dimensão conceitual que revela sua pertinência a alguma área de conhecimento científico, técnico e de produção tecnológica, conforme compreende a Terminologia, área de estudos lexicais que privilegia o termo como seu objeto primeiro de estudos teóricos e aplicados (Krieger&Finatto, 2004). De forma específica, pretendemos apresentar os primeiros resultados de um estudo que se encontra em desenvolvimento, tendo por base a observação da toponimização (Seabra) e dos graus de  terminologização que afetam os topônimos constituídos por termos genéricos e específicos, além de outras denominações que integram categorias teóricas que classificam os  fenômenos toponímicos e revelam  o conhecimento especializado da área. Tal como pretendemos, o diálogo entre Terminologia e Toponímia, incluindo também aspectos semânticos, há de contribuir para o avanço dessas duas áreas que integram as Ciências do Léxico.

Palavras-chave: Toponímia; Toponimização; Termos Genéricos e Específicos; Terminologia; Terminologização.

 

Minibiografias: 

Autora 1: Professora Titular do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada, UNISINOS, RS, Brasil . Professora Titular aposentada de Língua Portuguesa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil. Doutora em Linguística e Semiótica  pela Universidade de  São Paulo, realizou  Pós-Doutorado em Terminologia na Universidad Pompeu Fabra, Barcelona.  Pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq-Brasil, nível 1B)  nas áreas de Terminologia e Lexicografia.

Autora 2: Professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, MG, Brasil. Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Minas Gerais, realizou Pós-Doutorado em Toponímia na Universidade de São Paulo. Atualmente realiza pesquisa de Pós-Doutorado na UNISINOS, RS, Brasil. Coordenadora do Atlas Toponímico de Minas Gerais – ATEMIG. 


 Comunicação 27

Antonomásia toponímica: discussões sobre o processo de apelidamento de lugares

 Autor:

Cezar Alexandre Neri Santos – UFAL/AL/PG-UFBA/BA, Brasil –cezarneri@hotmail.com

 

Resumo:

Neste simpósio, propomos a discussão teórico-metodológica de um tipo de signo toponímico pouco abarcado nos estudos científicos no âmbito da lusofonia: apelidos para localidades. Uma vez que o apelidamento constitui uma referenciação, investimos num diálogo da Onomástica, da Semiologia e da Semântica Cognitiva. Comumente tomados como topônimos paralelos (DICK, 1992), o estudo da Antonomásia Toponímica faz-se possível e necessário, entendendo o processo de referenciação espacial para além dos topônimos oficiais. Para esta discussão, descrevemos apelidos empregados para referenciar cada um dos 75 municípios do estado de Sergipe, corpus este coletado por via documental e por entrevistas semidirigidas em resgates de história oral in loco – material constituinte de nossa Tese de Doutoramento. No cotejo dos aspectos físicos e antropoculturais elencados no processo antonomástico, resgatamos fatores extralinguísticos – geohistóricos, sociopolíticos, econômicos e filosófico-culturais – para um estudo das motivações destes nomes próprios. Nesta perspectiva inter/transdisciplinar, analisamos os diversos apelidos sob uma perspectiva cognitiva, em busca de padrões motivadores, tomando como suporte a Teoria das Metáforas conceptuais (LAKOFF; JOHNSON, 2002), expondo a materialização de certas propriedades cognitivas nestes apelidos toponímicos, tais como Metonímias e Metáforas conceptuais, simbólicas e orientacionais.

Palavras-chave: Toponímia; Antonomásia; Semântica cognitiva; Apelidos.

Minibiografia:

Doutorando do Programa em Língua e Cultura da UFBA, com tese acerca da Toponímia sergipana. Professor da Universidade Federal de Alagoas, Curso de Letras. Mestre em Letras (2012) e graduado em Letras Português/Inglês (2005), ambos pela Universidade Federal de Sergipe; especialização em Magistério Superior pela UNIT (2007) e Curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas – CEFET/SE (2003). Áreas de Interesse: Toponímia, Dialetologia, Língua Latina, Filologia, Lexicologia.


Comunicação 28

Motivações toponímicas na designação de ruas da área central de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil 

Autora:

Letícia Alves Correa de Oliveira Gentelini – UEMS/MS, Brasil – leticia.aco@hotmail.com

 

Resumo:

No universo toponímico as marcas pessoais podem ser tanto de origem física flagrante, quanto de origem moral e as motivações desses nomes pertencentes ao sistema onomástico brasileiro podem ser de diversas ordens, como profissões, local de origem, religiosidade, dentre outros (DICK, 2000, p.220). Em pesquisa sobre a toponímia urbana da região do Centro da cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil constatou-se que elementos de ordem histórica tiveram presença significativa na nomeação dos acidentes urbanos da área estudada, pois dentre os 480 topônimos que integraram o corpus da pesquisa, foram predominantes as taxionomias de natureza antropocultural, com 79% (381 topônimos), mais especificamente os antropotopônimos: 194 ocorrências (41%); axiotopônimos: 47 registros (10%), historiotopônimos: 41 ocorrências (9%) e corotopônimos: 61 registros (13%). Para este trabalho, analisa-se a motivação toponímica das principais vias urbanas do centro de Campo Grande/MS, sob a perspectiva linguística (língua de origem, estrutura formal), respaldada pelo olhar etnolinguístico e histórico. Os dados foram classificados, fundamentalmente, segundo o modelo taxionômico proposto por Dick (1990). Dentre esses topônimos, vale ressaltar alguns que denominam as principais vias de Campo Grande, caracterizando, sobretudo, o centro da cidade como um local onde se aglutinam várias vias públicas nomeadas por datas de cunho histórico: 7 de Setembro, 13 de Maio, 14 de Julho, 15 de Novembro, 26 de Agosto, dentre outras. A pesquisa demonstrou a tendência de homenagear pessoas ilustres e datas importantes na nomeação das principais ruas e praças de Campo Grande, além de ter dado mostras de aspectos da história social da cidade com ênfase no desenvolvimento histórico e econômico da localidade. A vontade popular prevaleceu e importantes figuras que exerceram ações políticas e sociais, como Dom Aquino, Calógeras, Ary Coelho, Cândido Mariano, Afonso Pena, dentre outros, foram homenageados na toponímia de logradouros públicos da cidade.

Palavras-chave: Léxico; Motivação Toponímica; Topônimos Urbanos; Campo Grande; Centro.

Minibiografia:

Mestre pelo Programa de Pós-Graduação Mestrado em Estudos de Linguagens pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (2014) e pesquisadora no Projeto ATEMS – Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul. Atualmente, é professora temporária da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul.


Comunicação 29

Topónimos em Cokwe no município de Saurimo

Autor:

Jeremias Catele C. – FCSH/UNL, Portugal –  catelejeremias@hotmail.com

 

Resumo:

A toponímia é uma área da Onomástica que se ocupa do estudo dos nomes de lugares, as memórias, história e motivações que originam esses nomes. A toponímia de Angola tem influências gráficas e fonológicas de várias línguas, apresenta variações gráficas resultantes de cruzamentos linguísticos. O contacto do Português com as línguas Bantu de Angola, na época colonial, deixou várias marcas que podem ser sentidas no léxico das línguas, presentes em várias culturas e regiões, em especial na cultura Cokwe. Por não conhecerem as motivações culturais e históricas que contextualizam os nomes no município de Saurimo, os falantes do município de Saurimo não associam o topónimo à sua correta grafia e pronúncia, criando desvios fonológicos que modificam a real identidade do topónimo.

Palavras chave: Toponímia; Localização Geográfica; Línguas Bantu; Saurimo.

 

Minibiografia:

Mestre em Lexicologia e Lexicografia (2015) e doutorando em Lexicologia e Lexicologia (2015-2019) pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Integra o grupo de trabalho sobre o Vocabulário Ortográfico e organização da toponímia angolana.


Comunicação 30

A toponímia da Chapada das Mesas

Autora:

Marcia Meurer Sandri – UEMA/MA, Brasil – smmarcia@hotmail.com

Resumo:

Este trabalho pretende demonstrar os resultados de análises semântico-lexicais de topônimos que pertencem à Chapada das Mesas no município de Carolina, sul do estado do Maranhão, Brasil. Este município, fundado em 1859, é um dos primeiros a se formar na região localizada à margem direita do rio Tocantins, durante o período de demarcação dos limites entre os estados do Maranhão, Pará e Goiás. Esse “paraíso das águas” abriga um complexo natural turístico com inúmeras cachoeiras e trilhas nos seus inúmeros rios e riachos, serras e montanhas com formações rochosas típicas que caracterizam iconicamente “as mesas”, as chamadas terras altas de topografia plana em oposição aos vales e canyons das terras baixas, pertencentes ao Parque Nacional da Chapada das Mesas. Essa exuberante paisagem abriga topônimos de variadas etimologias e motivações etnolinguísticas que explicam a relação icônica com as chamadas terras altas, as serras, motivo da escolha desses nomes próprios para análise. Pelo exposto, este estudo insere-se no campo da Onomástica, precisamente da Toponímia, e tem como fundamentação os contributos de Dauzat (1957), Piel (1948, 1979), Dick (1990; 1992; 2007) e Isquerdo (2012). O objetivo é analisar esses topônimos, identificando as causas denominativas e categorizando-os conforme a classificação de Dick (1990). A metodologia para a seleção do corpus é documental, tendo como fonte as Cartas Cartográficas atuais do município de Carolina, produzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com a identificação dos topônimos que se inserem no recorte da pesquisa, para em seguida, analisar os elementos linguísticos e etimológicos e compreendermos a origem e o significado do nome. Os resultados preliminares revelam que esses topônimos expressam, pelo processo metafórico, aspectos naturais e culturais dos habitadores do lugar, fornecendo uma base para a compreensão das motivações que levaram ao emprego de determinado topônimo que permitisse atribuir “identidade” a um lugar específico.

Palavras chave: Onomástica; Toponímia; Chapada das Mesas.

Minibiografia:

Graduação em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão e mestrado em Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, é doutoranda em Linguística Aplicada pela Universidade Vale Rio dos Sinos. Atua como professora de língua e literatura no Curso de Letras da Universidade Estadual do Maranhão, Campus de Balsas-MA.


Comunicação 31

Toponímia urbana: um olhar para a questão dos antropotopônimos na nomeação de logradouros da cidade de Ponta Porã 

Autora:

Suely Aparecida Cazarotto  – UFMS/PPG/FUNDECT/MS, Brasil –suely.cazarotto@hotmail.com

Resumo:

As designações urbanas têm por função identificar e particularizar um determinado logradouro que pode ser uma avenida, uma rua, um parque, uma praça, uma travessa, dentre outros. Ao mesmo tempo, os topônimos urbanos “constituem um meio oficial para render homenagem a pessoas que contribuíram com seus atos, obras ou doações para o engrandecimento da cidade, do país ou ao progresso universal” (MORI, 2007, p. 316). Ainda que “o espaço e o tempo se interponham entre a intenção do denominador e a nossa compreensão” (VIAL, 1983, p. 06), por meio desses topônimos, muito da história local, nacional ou universal se eterniza na memória cultural da coletividade, pois o contato com esses nomes favorece a transferência de informações neles consubstanciadas de geração para geração. Este estudo tem por objetivo analisar a questão da significativa presença de antropotopônimos (“nomes de lugares constituídos a partir dos designativos pessoais […]”, DICK, 1990, p. 285) na toponímia urbana do município de Ponta Porã/Mato Grosso do Sul/Brasil. Além do exame da natureza desses designativos, o estudo analisa a questão do gênero predominante no processo denominativo com base em nomes próprios de pessoas. O mapa do perímetro urbano de Ponta Porã foi o documento utilizado como fonte de dados e forneceu um total de 759 topônimos e, desses, 311 são antropotopônimos. Este estudo pauta-se, fundamentalmente, nos pressupostos teóricos de Dick (1990; 1996); Dias (2000); Mori (2007), dentre outros. Os resultados preliminares do estudo apontam para tendências já identificadas por outras pesquisas acerca da toponímia urbana de outras localidades brasileiras, como a de Dias (2010), de Oliveira (2014) e de Bittencourt (2015). Em termos de gênero, o estudo tem demonstrado a supremacia de antropônimos masculinos na toponímia urbana do universo estudado, o que aponta para a relação entre toponímia e ideologia, dentre outras tendências.

Palavras-chave: Toponímia Urbana; Antropotopônimos; Ponta Porã; Mato Grosso do Sul; Brasil.

Minibiografia:

Mestre em Estudos de Linguagens, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS (2010) e doutoranda em Letras pela UFMS/Campus de Três Lagoas/MS.. Professora da Rede Estadual de Ensino do estado de Mato Grosso do Sul, pesquisadora do Projeto ATEMS – Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul. Bolsista da FUNDECT – Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul.


Comunicação 32

A influência da metalurgia na denominação de nomes de ruas no município Ouro Branco/MG

  

Autores:

Ana Paula Mendes Alves de Carvalho – IFMG/MG, Brasil –anapaula.carvalho@ifmg.edu.br

Carlos Eduardo Reis de Carvalho – IFMG/MG, Brasil – carlos.carvalho@ifmg.edu.br

Dérlisson de Oliveira – IFMG/MG, Brasil – derlissondeoliveira@gmail.com

Naiara Aparecida Martins Garcia – IFMG/MG, Brasil – naiaragarciaa20@gmail.com

Resumo:

Este estudo teve como objetivo realizar pesquisa linguística, com enfoque no léxico toponímico urbano de Ouro Branco/MG, analisando, dentre o total de logradouros públicos que há na cidade, aqueles cujas denominações foram motivadas por influência da Metalurgia. Cidade que teve sua origem no final do século XVII, Ouro Branco passou por vários ciclos econômicos, dentre os quais, citam-se os ciclos do ouro, da uva e da batata e, atualmente, o ciclo do aço.  Este último teve início com a instalação da empresa estatal Aço Minas Gerais S.A., em 1976, atual Gerdau Usina Ouro Branco. A partir de então, a cidade vivenciou, sobretudo, no cenário urbano, uma expansão motivada pela atividade industrial metalúrgica. Nesse sentido, a proposta deste trabalho foi demonstrar que o estudo dos nomes de lugares possibilita resgatar parte da história e da cultura local de uma comunidade. Para tanto, utilizou-se o referencial teórico-metodológico embasado nos conceitos de Dauzat (1926), Dick (1990a, 1990b, 2004 e 2006), em que se prevê, além da pesquisa linguística, a análise da cultura local e da relação do homem com o meio em que vive. Nessa perspectiva, analisou-se, dentre o total de logradouros públicos que há na cidade, aqueles cujas denominações foram motivadas por influência da Metalurgia. Verificou-se, então, que 57 nomes de ruas do município refletem significativa influência da atividade siderúrgica e que, de forma geral, os moradores das ruas sob enfoque não têm conhecimento disso. Desse modo, acreditamos que este estudo, além de contribuir para os estudos linguísticos que se pautam na inter-relação língua, cultura e sociedade, permitiu conhecer como se deu o processo denominativo da toponímia urbana de Ouro Branco, em que se observou a importância dos homenageados – pessoas e instituições – tanto para atividade siderúrgica no Brasil e, mais especificamente, em Minas Gerais, quanto para a comunidade local.

Palavras-chave: Língua; Cultura; Toponímia; Metalurgia; Ouro Branco.

Minibiografias:

Autora 1:  Doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais, é professora de Língua Portuguesa no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais – Campus Ouro Branco. É membro do Grupo Mineiro de Estudos do Léxico que, nas perspectivas sincrônica e diacrônica, tem desenvolvido pesquisa sobre o léxico do português brasileiro, com ênfase em toponímia, levando-se em conta a relação língua, cultura e sociedade.

Autor 2: Possui graduação em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal de Ouro Preto (2002) e mestrado em Engenharia de Materiais pela Universidade Federal de Ouro Preto (2004). Atualmente é professor de ensino básico, técnico e tecnológico do Instituto Federal Minas Gerais – Campus Ouro Branco.

Autor 3:  Bolsista de Iniciação Científica, é aluno do 4º período do curso de Bacharelado em Engenharia Metalúrgica no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais – Campus Ouro Branco.

Autora 4:  Bolsista de Iniciação Científica, é aluna do 4º período curso de Bacharelado em Engenharia Metalúrgica no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais – Campus Ouro Branco.


Comunicação 33

A negação muçulmana em Portugal através dos topônimos em Fernão de Oliveira

 Autora:

Eliéte Oliveira Santos – UNEB/BA, Brasil – elieteoli@gmail.com

Resumo:

A História de Portugal foi escrita pelo humanista Fernão de Oliveira, provavelmente, por volta de 1581 no contexto da crise sucessória do reino português. Esse documento revela os objetivos do autor em provar a antiguidade, perenidade, imunidade e nobreza do reino lusitano em relação às outras nações cristãs. Conhecedor da Retórica, Oliveira percebia a importância da linguagem como ferramenta político-ideológica e, por isso, conduzia as palavras em favor das suas intenções. Em sua narrativa, o léxico toponímico foi utilizado como tentativa de construção de sentidos ideológicos em torno da superioridade e primazia de Portugal, além de espaço protegido das influências estrangeiras durante a sua formação histórica. Por esse motivo, o presente estudo tem como proposta a análise etimológica de alguns topônimos encontrados na História de Portugal, e, a partir da Teoria da Enunciação, nos moldes do pensamento bakhtiniano, buscar responder de que modo Fernão de Oliveira nega a participação moura em território lusitano durante a invasão muçulmana, apesar da afirmação contrária de alguns historiadores. Assim sendo, a etimologia da onomástica toponímica pode ser vista como resultado de posição do discurso, apesar de um maior rigor em relação à sua estabilidade semântica.

Palavras-chave: Fernão de Oliveira; Toponímia; Enunciação; Retórica.

 

Minibiografia:

Graduação em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (2002) e Mestrado em Letras e Linguística também pela Universidade Federal da Bahia (2006). Atualmente, é professora no Departamento de Letras da Universidade do Estado da Bahia, Campus XVI, atuando em disciplinas dos setores de Formação e das Línguas Românicas e Formação e História da Língua Portuguesa. Principais interesses de pesquisa: Toponímia, Léxico e Semântica em perspectiva histórica.


Comunicação 34

Análise da microtoponímia do município de Loreto – Maranhão – Brasil 

 

Autora:

Marta Helena Facco Piovesan – UEMA/MA, Brasil – martahpiovesan@hotmail.com

Resumo:

O estudo onomástico, dos nomes próprios, promove um saber sobre a comunidade pesquisada e a compreensão da cosmovisão individual e coletiva que forma a identidade cultural e linguística de uma região e, nesta área, a toponímia, estudo dos nomes de lugares, revela, no alcance pluridisciplinar de seu objeto de estudo, um caminho possível para o conhecimento da comunidade linguística investigada, além de inegáveis contribuições geográficas, históricas, políticas e culturais. Nesse sentido, este trabalho faz parte do projeto Atlas Toponímico do Estado do Maranhão: Análise da Macro e Microtoponímia, desenvolvido pelo Departamento de Letras da Universidade Estadual do Maranhão – grupo de estudos Língua, Cultura, História e Poder – LINCHI, com o objetivo de contribuir para a elaboração desse atlas toponímico. O estudo apresenta nomes de pequenos aglomerados humanos e acidentes físicos da cidade de Loreto, estado do Maranhão (MA), Brasil, com o objetivo de criar um banco de dados a fim de catalogar as informações que compõem as fichas lexicográfico-toponímicas sistematizadas e suprir a escassez de material linguístico-toponímico no Maranhão. O objetivo deste trabalho é, portanto, apresentar a identificação das motivações e a respectiva classificação das denominações de acordo com as taxionomias de Dick (1990): de natureza física (nomes relacionados ao meio ambiente natural) e de natureza antropocultural (nomes relacionados ao homem). Os procedimentos foram a pesquisa bibliográfica, documental e de campo, baseada na metodologia apresentada por Dick em que apresenta-se a seleção, classificação e análise dos microtopônimos, hidrônimos e orônimos do município de Loreto-MA constantes na base cartográfica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Para isso, são fundamentais os pressupostos teóricos de Vasconcelos (1928; 1931;) Dauzat (1957), Dick (1990; 1992; 2007) e Isquerdo (2012). Os resultados iniciais revelam que o meio ambiente está muito presente nas denominações dos lugares, principalmente dos hidrônimos, formando um conjunto descritivo na microtoponímia.

Palavras-chave: Toponímia; Microtopônimos; Investigação; Linguística.

Minibiografia:

Professora e Diretora do Curso de Letras do CESBA/UEMA-Universidade Estadual do Maranhão, possui Mestrado em Língua Portuguesa pela UERJ/Universidade Estadual do Rio de Janeiro e é Doutoranda em Linguística Aplicada pela Unisinos/Universidade do Vale dos Sinos, São Leopoldo/RS.


Comunicação 35

Estudos dos topônimos das escolas públicas estaduais de Ariquemes – Rondônia

 

Autoras:

Mônica Maria dos Santos – UFMT/CUA/MT, Brasil – monicamagnificamv@gmail.com

Marly Augusta Lopes de Magalhães – UFMT/CUA/MT, Brasil – professoramarlyaugusta@gmail.com

 

Resumo:

O presente artigo objetivou a realização do estudo toponímico das escolas estaduais de Ariquemes – RO, no intuito de conhecer a origem dos nomes dessas instituições e estabelecer a relação entre a criação dessas escolas com os movimentos migratórios que motivaram a ocupação do município. A Toponímia é a divisão da onomástica que estuda  os topônimos, ou seja, o nome próprio dos lugares, os estudos realizados nessa área evidenciam  uma estreita relação entre aspectos culturais e o ato de nomear, relação que permeia os estudos da toponímia. Utilizou-se para a realização da pesquisa a metodologia qualitativa que, por meio da pesquisa bibliográfica e documental possibilitou o levantamento e análise da motivação toponímica relacionada aos nomes das escolas públicas estaduais da cidade de Ariquemes- RO. Na pesquisa bibliográfica buscou-se nos autores e obras selecionadas os dados para a produção do conhecimento sobre toponímia bem como as implicações desse estudo na compreensão da história e cultura local. Em regiões como a Amazônia que passaram por longo processo de colonização é muito latente a presença de outras culturas nos nomes oferecidos a lugares, instituições, prédios públicos, acidentes geográficos e ruas. Em Ariquemes a criação das escolas estaduais está intimamente relacionada com o movimento migratório.

Palavras Chaves: Toponímia; Ariquemes; Escolas Estaduais.

Minibiografias:

Autora 1: Mestre em Letras pela Universidade Federal de Rondônia – UNIR. Membro Ativo do grupo de Pesquisa Fronteiras, Culturas e Identidades: espaço de diálogo com os povos Indígenas Araguaia/Xingu. Professora Auxiliar/ICHS/CUA/UFMT.

Autora 2: Doutora em Ciências Linguísticas pela Universidad Marta Abreu de Las Villas – Cuba/ PUC-SP – Brasil. Mestre em Linguística pela Universidade Federal de Goiás. Pós-Doutora pela Universidade Federal de Goiás. Coordenadora do Grupo de Pesquisa – Fronteiras, Culturas e Identidades: espaço de diálogo com os povos Indígenas Araguaia/Xingu. Professora Associado I /ICHS/CUA/UFMT.


Comunicação 36

Homenagem toponímica a Nina Rodrigues no estado do Maranhão: apologia implícita à crença na degenerescência étnica pela mestiçagem?

 

Autor:

Reginaldo Nascimento Neto – UFT/TO, Brasil – nadynhu@ifma.edu.br

Resumo:

O objetivo deste trabalho é perscrutar se a homenagem toponímica a Raimundo Nina Rodrigues, no Estado do Maranhão, advoga implicitamente o mito, sedimentado pela frenologia, de que a mestiçagem humana produz degenerescência étnica, conforme postulava  esse médico brasileiro (1862-1906), arvorando-se no pressuposto da superioridade da etnia branca (Skidmore, 1989). Trata-se de uma investigação de cunho bibliográfico e fundamenta-se nos estudos de Cloval (2001), Nash (2013) e Dick (1987; 1990). À princípio,  pretende-se demonstrar que as teses racistas do Dr. Nina Rodrigues, claramente descortinadas por meio do vocabulário que ele emprega, são oriundas de um contexto histórico modelado pelo Darwinismo Social da Europa e pela ideologia escravagista mantida no Brasil mesmo após 1888. Esse paradigma deveria ser rechaçado à  luz das descobertas antropológicas de mais amplo espectro que se tem presentemente. Para tanto, partindo-se de postulados sobre a origem da etnia negra, seus etnônimos e atuação na civilização antiga, chega-se à ilação de que, a deseducação, o tratamento cruel e a constante depreciação procedentes de diversos formadores de opinião social engendram comportamentos e as ditas taras hereditárias degenerativas, isto é, não se trata de índole imanentemente selvagem, mas produto.

Palavras-chave: Toponímia; Nina Rodrigues; Etnia.

 

Minibiografia:

Graduou-se em Letras  em 1989. Assessorou a NASA no Projeto Guará no Brasil em 1994. Concluiu seu Mestrado em 2008, com a dissertação inferências: a força persuasiva do dito pelo não dito no estabelecimento de comportamentos sociais.   Foi bolsista da CAPES e da Fundação Fullright em programa de  estudos na University of Florida – USA. É doutorando da linha de léxico na Universidade Federal do Tocantins sob orientação da Dra. Karylleila Andrade Klimger.      


Comunicação 37

Denominações de operações da polícia federal brasileira contra a corrupção: rede semântica e memória léxica

 

Autora:

Tânia Mara Miyashiro Sasaki – UFMS/PPG/MS, Brasil – tania.mms@hotmail.com.

 

Resumo:

O contexto político e sócio-histórico brasileiro tem demandado procedimentos que visam a desencadear ações sistematizadas normativas e punitivas em diferentes setores e instituições sociais. Como forma de identificá-las, a Polícia Federal do Brasil, órgão da área de segurança pública, nomeia as operações de formas muito originais e assim, pelos meios midiáticos, insere na sociedade uma “memória léxica” estruturada mentalmente de formas diversas (BIDERMAN; 1981) por meio dos nomes dessas operações que registram momentos históricos de grande impacto para o país. Essas ações da Polícia Federal ocorrem concomitantemente em âmbito nacional e suas denominações assumem o estatuto de nomes próprios pela identificação de alguma característica da investigação em questão: Operação Carbono, Niágaras, Radioatividade, Alter Ego, Nebulosa, Caverna de Platão, Elipse, Macuco, Pulso e a emblemática Lava-Jato.  Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é apresentar e discutir 127 nomes de operações da Polícia Federal, e suas respectivas motivações com o objetivo de demonstrar a inter-relação entre o sentido da designação, a palavra e o objeto da ação, assim como o processo gerador do significado que preenche, sustenta e faz transcender essa nomeação. O corpus é composto por meio da consulta a fontes oficiais da Polícia Federal e da mídia nacional no período de 2010 a 2016. A análise dos nomes próprios de tais operações e a interpretação do conjunto de aplicações de acordo com os traços léxicos-semânticos evidenciados tomam como base a inter-relação língua, cultura e contexto sócio-histórico. Para isso, o estudo do léxico, mais propriamente da Onomástica, é trazido pelo aporte teórico de Isquerdo (2012), Brèal (2008 [1897]), Biderman (1998), Lara (1992; 2003), Guiraud (1989), Ullmann (1973) e Matoré (1953), que nos mostram que, por meio da denominação das realidades, cria-se um universo significativo revelado pela linguagem.

Palavras-chave: Léxico; Onomástica; Operações da Polícia Federal brasileira.

 

Minibiografia:

Mestrado em Educação pela Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande/MS. Doutoranda em Linguística pela UFMS/Três Lagoas, na área de Análise e Descrição de Línguas. Bolsista pela CAPES. 


 Comunicação 38

Análise da microtoponímia do município de Riachão – MA

 Autoras:

Vanessa Nunes da Silva – UEMA/MA, Brasil – vanessanead@hotmail.com

Geane Martins Mendes – UEMA/MA, Brasil – geanemmendes@hotmail.com

Resumo:

Este trabalho insere-se nas atividades do grupo de estudo Língua, Cultura, História e Poder – LINCHI responsável pelo projeto Atlas Toponímico do Estado do Maranhão: Análise da Macro e Microtoponímia, desenvolvido na Universidade Estadual do Maranhão, Brasil. O estudo apresenta nomes de pequenos aglomerados humanos e acidentes físicos presentes na cidade de Riachão, Maranhão, Brasil, município este em que se encontram grandes quantidades de cachoeiras, de ricos mananciais aquíferos, situados no centro do polo turístico denominado “Caminho das Águas”, na região da Chapada das Mesas. Esse potencial instiga à investigação dos nomes desses lugares, com a classificação e análise dos hidrônimos, orônimos e microtopônimos característicos, baseada na teoria onomástico-toponímica com os postulados metodológicos de Dauzat (1956), Dick (1990, 1992) e Isquerdo (2012) em que se procede, numa abordagem qualitativa e quantitativa, a uma classificação taxionômica. O objetivo é apresentar as contribuições levantadas para a elaboração do atlas supracitado, de forma específica selecionar os nomes, identificar as motivações das denominações e classificá-las de acordo com as taxionomias, subdivindo-os nos dois grupos classificatórios: taxionomias de natureza física (nomes relacionados ao meio ambiente natural) e de natureza antropocultural (relacionados às atividades do homem). Por meio da pesquisa documental na base de dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da pesquisa campo, foram categorizados 483 nomes. Entre eles, vinte (20) orônimos, com maior recorrência classificatória em natureza antropocultural; cento e vinte (120) hidrotopônimos, tendo maior repetição de fitotopônimos entre os nomes, e trezentos e quarenta e três (343) microtopônimos, também classificados, em sua maioria, como fitotopônimos. Este resultado preliminar leva-nos a concluir que os nomes que acionam a natureza física, os aspectos físico-culturais dos denominadores, têm mais recorrência, portanto, relevância em relação às categorias antropoculturais.

Palavras-chave: Toponímia; Microtopônimos; Hidrônimos; Orônimos.

 

Minibiografia:

Autora 1: Graduada em Pedagogia e em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Mestre em Educação pela Universidade Federal do Tocantins (2014). Professora do Departamento de Educação, no Centro de Estudos Superiores de Balsas, da Universidade Estadual do Maranhão, Brasil.

Autora 2: Graduanda do curso de Letras com licenciatura em Língua Portuguesa, Inglesa e suas respectivas literaturas pela Universidade Estadual do Maranhão. Bolsista de Iniciação Científica na área de estudos Onomástico-Toponímicos pelo CNPq.


Comunicação 39

Relação língua, cultura e história nos topônimos dos monumentos do Centro de Boa Vista, Roraima/Brasil

Autores:

Alessandra de Souza Santos – UERR/RR, Brasil – profalessandradess@gmail.com

Francisca Aurea Rodrigues de Almeida – UERR/RR, Brasil – francisca_aurea2011@hotmail.com

Resumo:

A Toponímia, parte da Onomástica, é uma ciência que possibilita a análise de traços culturais, linguísticos e históricos através do nome próprio de lugar, o topônimo. Neste trabalho, analisamos topônimos dos monumentos do Centro de Boa Vista–RR, Brasil, com o objetivo de discutir relações existentes entre língua, cultura e história presentes em seus nomes, sejam estes oficiais ou populares. Para isso, buscamos identificar os patrimônios históricos e monumentos do Centro de Boa Vista, averiguar os topônimos oficiais atuais desses monumentos, seus topônimos oficiais anteriores e os topônimos atribuídos pela comunidade para então traçar a relação língua/cultura/história presentes na nomeação de tais lugares. Partimos de sete topônimos oficiais, entretanto, ao todo analisamos e classificamos 22 topônimos, pois incluímos a toponímia anterior e a popular. Utilizamos a metodologia descritiva com abordagem qualitativa, como propõe Prodanov e Freitas (2013), aliada aos questionários toponímicos, às fichas lexicográfico-toponímicas elaboradas por Dick (2004) e para a classificação dos topônimos, modelos taxionômicos desenvolvidos por Dick (1992). O suporte teórico é pautado, principalmente, em Dick (1990), Isquerdo (2012) e Carvalhinhos (2004). Estes, de acordo com seus estudos, afirmam o caráter multifacetário do topônimo, que podemos confirmar nas análises realizadas. Com relação à etimologia, percebemos que há variedade, pois existiam topônimos de origem indígena, latim, grego, e até mesmo francês, confirmando a pluralidade linguística nessa região. As análises realizadas possibilitaram a confirmação da relação do trinômio língua-cultura-história, pois os topônimos dos monumentos revelam a forte presença da Igreja Católica, a importância dos pioneiros, a figura indígena, os militares e políticos roraimenses, a economia por meio do garimpo, a literatura regional, por meio da figura de Makunaima e da precursora da literatura local, Nenê Macaggi. Enfim, características que só podem ser associadas ao estado de Roraima e que fortalecem a identidade local.

Palavras-chave: Toponímia; Roraima; língua-cultura-história.

Minibiografias:

Autora 1: Doutora em Linguística pela Universidade de Brasília (2012). Mestre em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005), graduada em Fonoaudiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2001). Professora do quadro efetivo da Universidade Estadual de Roraima. Coordena o subprojeto PIBID/ UERR / CAPES desde 2012.

Autora 2: Acadêmica do 8º semestre do curso de licenciatura Português e Espanhol da UERR (Universidade Estadual de Roraima), bolsista PIBID/Espanhol/Capes/UERR (Programa de Institucional de Iniciação Docência), participa do grupo de Pesquisa sobre Diversidade de Línguas em Roraima, servidora da prefeitura Municipal de Boa Vista.


 Comunicação 40

Presença abençoada ou ausência sentida: a água na toponímia da Bahia

 

Autora:

Clese Mary Prudente – UNEB/BA, Brasil – cleseprudente@gmail.com

 

Resumo:

Entre os diversos campos de estudos linguísticos, a Onomástica – ramo da Lexicologia que estuda os nomes próprios de pessoas (antropônimos) e de lugares (topônimos) – representa uma fonte de estudo da língua e sua relação com o patrimônio cultural de um povo. Nessa perspectiva, considerando os topônimos como testemunhos da história da língua e buscando conciliar as abordagens teóricas da Etnolinguística e da Lexicologia, com foco nos estudos onomásticos, discute-se, neste artigo, a importância da água, como presença abençoada ou ausência sentida, no processo de nomeação do espaço na Bahia. Povoados, vilas, aldeias surgiram às margens de rios, lagoas e riachos e o povo aprendeu a identificar o lugar por essa presença, imprescindível à existência de vida. Analisam-se, nesse contexto, os fatores responsáveis pela predominância de hidrotopônimos, uma taxe de natureza física, no corpus estudado, que envolve os 169 designativos dos municípios presentes nos volumes XX e XXI da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2 de julho de 1958.  De acordo com o sistema classificatório proposto por Dick (1990, 1992) para a realidade toponímica brasileira, as taxes de natureza física refletem a visão imediata da terra, causa nominativa principal na toponímia baiana analisada, resultado que se contrapõe ao registrado em outras regiões do Brasil, onde a supremacia da colonização portuguesa, predominantemente marcada pela fé religiosa, se sobrepõe à força da natureza no ato de nomear o lugar.

Palavras-chave: Onomástica; Toponímia; Hidrotopônimos; Municípios baianos.

 

Minibiografia:

Mestranda em Linguagens, Discurso e Sociedade pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da Universidade do Estado da Bahia – PPGEL/UNEB, desenvolvendo o projeto de pesquisa Bahia de todos os cantos e recantos: marcas identitárias e culturais na toponímia da Bahia. Membro do NEL, Núcleo de Estudos Lexicais, grupo de pesquisa vinculado ao Departamento de Ciências Humanas, Campus I, UNEB.