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Simpósio 83

SIMPÓSIO 83 – SOCIOLINGUÍSTICA E DIALETOLOGIA

 

Coordenadoras:

Josane Moreira de Oliveira | Universidade Estadual de Feira de Santana/Universidade Federal da Bahia | josanemoreira@hotmail.com

Silvana Soares Costa Ribeiro | Universidade Federal da Bahia | silvanar@ufba.br

 

Resumo:

A Sociolinguística e a Dialetologia têm se revelado áreas interdisciplinares e bastante frutíferas entre os estudiosos da Língua Portuguesa. Considerando que as línguas variam e mudam e que refletem variações e mudanças na sociedade e no espaço geográfico, análises que se concentrem nessas inter-relações têm conseguido discutir e explicar a diversidade linguística bem como contribuir para a sua abordagem na esfera da educação e no estabelecimento de políticas linguísticas para o Português. Este Simpósio propõe-se a congrear trabalhos que versem sobre discussões teórico-metodológicas e sobre o tratamento e a análise de dados da língua em uso, seja do ponto de vista sincrônico seja do ponto de vista diacrônico. São bem-vindas as comunicações com resultados de análises empíricas de dados linguísticos de variedades do Português, nos vários níveis gramaticais, que evidenciem sua relação com o eixo social e/ou com o eixo diatópico da variação e da mudança. O objetivo deste Simpósio é promover a troca de experiências na pesquisa quali-quantitativa e contribuir para o avanço dos estudos nos dois campos do saber aqui propostos, unindo investigadores da/na diversidade linguística do Português.

 

Palavras-chave: Sociolinguística, Dialetologia, Variação e Mudança Linguística, Análise de Dados.

 

Minibiografias:

Josane Moreira de OLIVEIRA é doutora em Letras pela UFRJ e realiza estágio pós-doutoral na UFBA. É professora e pesquisadora da UEFS (graduação e pós-graduação) e da UFBA (pós-graduação). Tem experiência em Linguística, atuando principalmente nas áreas de Sociolinguística, Variação e Mudança, Gramaticalização, Linguística Histórica e Comparação de Variedades do Português e de Línguas. Integra o Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB).

Silvana Soares Costa RIBEIRO é doutora em Letras pela UFBA, onde é professora e pesquisadora (graduação e pós-graduação). Tem experiência na área de Linguística, atuando principalmente nas áreas de Diversidade Linguística, Dialetologia, Geolinguística, Sociolinguística, Análise da Conversação, Análise Textual e Lexicologia. Integra o Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB).

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A variação lexical no Nordeste brasileiro com base nos dados do Projeto Atlas Linguístico do Brasil

 

Autora:

Marcela Moura Torres Paim – UFBA – mmtpaim@ufba.br

 

Resumo:

Neste trabalho, apresenta-se um dos aspectos de que se ocupa o Projeto Atlas Linguístico do Brasil (Projeto ALiB): o léxico do português brasileiro. Dessa forma, este estudo investiga como a linguagem de indivíduos apresenta marcas linguísticas específicas que constroem, mantêm e projetam a identidade de faixa etária em inquéritos do Projeto ALiB a partir da utilização do léxico como fator diageracional. A metodologia empregada consistiu na realização das seguintes etapas: 1) leitura de textos teóricos referentes ao tema proposto; 2) escolha e formação do corpus, constituído de inquéritos das localidades do Nordeste do Projeto ALiB; 3) análise do corpus a fim de verificar marcas linguísticas transmissoras da construção, projeção e manutenção da identidade social de faixa etária. O termo identidade está sendo aqui concebido como “identidade social”, que, segundo Ochs (1993, p. 289), é entendido “como um termo que pode abranger uma gama de personae sociais que um indivíduo pode reclamar para si ou atribuir aos outros ao longo da vida, não sendo, portanto, fixa nem categórica, pois um indivíduo pode evidenciar aspectos diferentes de sua identidade social, como faixa etária, sexo, profissão etc., dependendo de com quem está interagindo e da situação comunicativa na qual se encontra”. As análises dos inquéritos selecionados buscam estudar as denominações para a peça que serve para segurar os seios presentes no repertório linguístico de informantes da faixa I (18-30 anos) e da faixa II (50-65 anos). Os dados foram retirados do Questionário Semântico-Lexical do Projeto Atlas Linguístico do Brasil, campo semântico ‘vestuário e acessórios’, com o intuito de verificar a seleção lexical realizada por informantes baianos de diferentes faixas etárias. A análise do corpus possibilitou realizar a documentação da diversidade lexical do português, seguindo os princípios da Geolinguística Pluridimensional, em que o registro segue os parâmetros diatópicos e diastráticos.

Palavras-chave: Língua portuguesa; Fraseologismos; Variação lexical.

 

Minibiografia:

Marcela Moura Torres Paim é professora Adjunta IV do Departamento de Letras Vernáculas e do Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura da Universidade Federal da Bahia. É coordenadora do Projeto CAPES-COFECUB 838/15. Participa do Projeto de pesquisa Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) como pesquisadora e inquiridora auxiliar. Atua principalmente nos seguintes temas: Dialetologia, Sociolinguística, Atlas Linguísticos, Língua Portuguesa e Variação.


Comunicação 2

A variação lexical em inquéritos do Projeto ALiB

Autoras:

Carina Sampaio Nascimento – UNEB – carinasampaiounead@gmail.com

Laura Camila Braz de Almeida – UFS – profa.laura.almeida.ufs@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho objetiva investigar o léxico nos inquéritos do Projeto Atlas Linguístico do Brasil, buscando apresentar a variação semântico-lexical. A presente proposta de estudo será realizada na perspectiva da Dialetologia pluridimensional, buscando verificar as variações diatópicas e sociais, como as diageracionais, diassexuais, diastráticas. Nessa visão pluridimensional, o ponto relevante continua no aspecto espacial, mas incluem-se os fatores sociais sexo, faixa etária e escolaridade nas análises dos dados. Dessa forma, esta investigação visa contribuir para o objetivo mais amplo do Projeto ALiB: “descrever a realidade linguística do Brasil, no que tange à língua portuguesa, com enfoque prioritário na identificação das diferenças diatópicas consideradas na perspectiva da geolinguística” (CARDOSO, 2010, p. 169). Além disso, possibilita a documentação da diversidade lexical e geolinguística do português falado no Brasil.

Palavras-chave: Português; Variação; Léxico.

 

Minibiografias:

Carina Sampaio Nascimento possui Graduação em Letras (Português e Inglês) e Especialização em Gramática e Texto pela UNIFACS. É Mestre em Língua e Cultura (UFBA) e em Estudos Hispânicos (UCA). Atualmente é Professora da Faculdade Senai Cimatec, Supervisora de material didático, Coordenadora de Tutoria (UNEB – UAB). Possui experiência em Sociolinguística, Redação Empresarial, Redação e Relatórios, Metodologia da Pesquisa, Língua Espanhola e Educação a Distância.

Laura Camila Braz de Almeida tem Doutorado em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (2009). Atualmente, é professora efetiva da Universidade Federal de Sergipe. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Ensino e Aprendizagem de Língua Materna e Estrangeira, atuando principalmente nos seguintes temas: fonologia, abordagem comunicativa e abordagem intercultural, diversidade linguística.


Comunicação 3

A tramela e o tempo: um estudo da variação lexical no interior brasileiro

 

Autoras:

Hélen Cristina Silva – UNESPAR – helencso@hotmail.com

Vanessa Yida – UEL – vanessayida@yahoo.com.br

 

Resumo:

Neste estudo, apresentamos a descrição e a análise do corpus composto por respostas coletadas, pelo projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), para a questão de n° 168, do Questionário Semântico-Lexical (QSL), que indaga: Como se chama aquela pecinha de madeira, que gira ao redor de um prego, para fechar porta, janela?, pertencente ao campo da Habitação. Ao todo, analisamos as falas de 900 informantes, distribuídos entre 225 localidades do interior brasileiro, contemplando todos os estados do País. Para tanto, partimos de um estudo de cunho geossociolinguístico, que, além de oferecer a distribuição diatópica cartografada das variantes, traz a análise dos resultados segundo os fatores extralinguísticos sexo e faixa etária, seguindo a linha teórica-metodológica de pesquisas empreendidas, por exemplo, por Thun (1998), Aguilera (2009), Ribeiro (2009), entre outros. Em uma análise preliminar dos dados das capitais, verificamos que: (i) se trata de uma peça praticamente inexistente no meio urbano, estando, pois, restrita ao meio rural, o que produziu um significativo índice de não-respostas; (ii) a maior frequência de tramela ocorreu entre os falantes da Faixa II; (iii) as formas inovadoras tranca, trinco e trava foram respostas dadas pelos informantes da faixa mais jovem, diante do desconhecimento da forma conservadora, rural; (iv) a variável sexo não se mostrou um fator relevante na escolha da maioria das variantes, quase todas com resultados próximos de 50%. Dado esse panorama linguístico, esperamos, com os dados do interior, confirmar ou não as conclusões acerca dos resultados obtidos nas capitais, atestando a importância dos estudos sobre a vitalidade das variadas formas linguísticas com as quais o povo se expressa.

Palavras-chave: Variação lexical; Interior brasileiro; Tramela; Projeto ALiB.

 

Minibiografias:

Hélen Cristina Silva é doutora em Estudos da Linguagem pela UEL e pela Universidade de Santiago de Compostela, mestre em Estudos da Linguagem e especialista em Língua Portuguesa pela UEL. Professora da Universidade Estadual do Paraná (campus Paranavaí), participa como pesquisadora dos projetos Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) e Tesouro do Léxico Patrimonial do Galego e Português: Brasil. Tem experiência na área de Dialetologia e Sociolinguística.

Vanessa Yida é doutoranda em Estudos da Linguagem, pela Universidade Estadual de Londrina e bolsista da Fundação Araucária, desde 2015. Participa dos Projetos Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), Tesouro do Léxico Patrimonial do Galego e Português: Brasil, e Variação Linguística na Escola: normas (VALEN). Atua como editora de seção e editora de textos da Revista Entretextos – UEL, desde 2015.


Comunicação 4

Designações para ‘cambalhota’ na região do falar amazônico: um estudo com dados do Projeto ALiB

 

Autora:

Danyelle Almeida Saraiva – UFMS – danyufms@gmail.com

 

Resumo:

O estudo de um léxico regional permite que se abstraiam elementos culturais de determinado povo, considerando o contexto sócio-histórico das localidades. Este trabalho, que utilizou dados geolinguísticos do Projeto Atlas Linguístico do Brasil – Projeto ALiB, na área semântica de jogos e diversões infantis, apresenta resultados finais de estudo lexical (recorte de Dissertação de Mestrado) com o objetivo de catalogar e analisar, sob a perspectiva léxico-semântica, as designações para a pergunta nº 155 do Questionário Semântico-Lexical: “brincadeira em que se gira o corpo sobre a cabeça e acaba sentado”. Foram utilizados, para este estudo, dados extraídos de inquéritos linguísticos realizados pela equipe do Projeto ALiB em 26 das 250 localidades que constituem a rede de pontos do Projeto, sendo 20 situadas na área dialetal do falar amazônico (NASCENTES, 1953) e as outras 6 localizadas em regiões limítrofes, integrando o espaço geográfico considerado neste trabalho como área de controle (RIBEIRO, 2012), ou seja, áreas adjacentes que influenciam e/ou são influenciadas pelo falar amazônico. O objetivo mais amplo desta pesquisa foi verificar a vitalidade da área dialetal do falar amazônico proposta por Nascentes (1953) no que se refere ao nível lexical. Foram documentadas vinte e três unidades lexicais para o conceito em foco – as mais produtivas foram reunidas em quatro grupos (cambalhota, carambola, carambela e tiúba), além de um quinto grupo englobando unidades lexicais de ocorrência única. Atestou-se que a designação cambalhota e suas variantes predominou dentre as escolhas lexicais dos informantes no conjunto geral das localidades investigadas, com 48% de produtividade, atestando a inter-influência entre regiões, uma vez que o registro de cambalhota evidencia a influência de falares de outras regiões sobre o Norte, tratando-se de uma inovação no léxico do homem amazônico.

Palavras-chave: Projeto ALiB; Cambalhota; Falar amazônico.

 

Minibiografia:

Danyelle Almeida Saraiva é graduada em Letras (Habilitação em Português/Inglês) e mestre em Estudos de Linguagens pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), onde atuou como professora substituta ministrando as disciplinas de Língua Latina e Língua Portuguesa. Integrou o Projeto ALiB como bolsista de Iniciação Científica e, posteriormente, como Apoio Técnico.


Comunicação 5

Diversidade lexical na área semântica da fauna: o que revelam os dados do ALiB nas regiões Norte e Sul do Brasil

Autoras:

Talita Ferreira Matos Barbosa – UFMS – talita.letras16@gmail.com

Aparecida Negri Isquerdo – UFMS/CNPq – aparecida.isquerdo@gmail.com

 

Resumo:

A língua é um patrimônio social e, por isso, utilizada como instrumento de interação entre os indivíduos de uma determinada comunidade linguística. Por meio do léxico, acervo vocabular da língua, os falantes se comunicam, nomeiam costumes, ideologias, fenômenos, seres e objetos da realidade em que estão inseridos. A partir desse acervo exprimem, pois, ideias, credos e tradições, evidenciando, dessa forma, a identidade do grupo a que pertencem. Assim, por meio do estudo da norma lexical, o conjunto de escolhas lexicais próprias de grupo de falantes, podem-se detectar particularidades de cada região de um país em termos de vocabulário. Este trabalho tem como objetivo analisar um recorte lexical relacionado à fauna brasileira, unidades lexicais obtidas como respostas para as perguntas 65 e 66 do QSL – Questionário Semântico-Lexical que integra o Questionário Linguístico do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (Projeto ALiB) (COMITÊ NACIONAL, 2001), respectivamente, nomeações para “o passarinho bem pequeno, que bate muito rápido as asas, tem o bico comprido e fica parado no ar” e “… a ave que faz a casa com terra, nos postes, nas árvores e até nos cantos da casa”. O estudo tem como objetivo identificar particularidades regionais na nomeação desses pássaros e verificar a relação entre léxico e meio ambiente. Toma-se como corpus dados recolhidos pelo Projeto ALiB nas regiões Norte e Sul do Brasil, por meio de inquéritos realizados com 308 informantes (120/Norte e 188/Sul), naturais de 68 localidades (44/Sul e 24/Norte), selecionados segundo duas faixas etárias (18-130; 50-65), de ambos os sexos e com escolaridade fundamental. Duas abordagens orientaram o estudo: a diatópica e a léxico-semântica e para tanto orienta-se pelos fundamentos da Dialetologia e da Lexicologia. O estudo verifica em que proporção o vocabulário catalogado reflete características ambientais, crenças e atitudes dos falantes e evidencia particularidades regionais das duas regiões do Brasil.

Palavras-chave: Norma lexical; Fauna; Projeto ALiB; Norte; Sul.

 

Minibiografias:

Talita Ferreira Matos Barbosa é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens – PPGMEL/Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – UFMS. Tem graduação em Letras pela UFMS (2015). É professora da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil, e membro da equipe de pesquisa do Projeto ALiB – Atlas Linguístico do Brasil – Regional Mato Grosso do Sul.

Aparecida Negri Isquerdo é doutora em Letras pela UNESP/Araraquara (1996), docente dos Programas de Pós-Graduação em Letras e em Estudos de Linguagens da UFMS e da UEL. Na pesquisa, atua na área dos estudos lexicais, com ênfase no léxico regional e toponímico. Coordenadora do Projeto Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul (ATEMS) e membro do Comitê Nacional de coordenação do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB).


Comunicação 6

Vida urbana – novos referentes, novas designações: um estudo lexical sobre a ‘rotatória’

 

Autoras:

Vanderci de Andrade Aguilera – UEL/CNPq – vanderci@uel.br

Fabiane Cristina Altino – UEL – fabiane_altino@uol.com.br

 

Resumo:

Este trabalho de cunho geossociolinguístico propõe a descrição e a análise das variantes obtidas como resposta à questão 198, do Questionário Semântico-Lexical, campo semântico Vida Urbana, do Atlas Linguístico do Brasil – ALiB (COMITÊ NACIONAL, 2001), que busca verificar como se chama aquele trecho da rua ou da estrada que é circular, que os carros têm que contornar para evitar o cruzamento direto. Quantitativamente, a questão 198 apresenta 25 variantes, das quais quatro – retorno, rotatória, contorno e rótula – obtiveram índices de realização de 12 e 23% do total de variantes registradas. Diante deste quadro de diversidade lexical, esta comunicação objetiva, além dos dados quantitativos relativos aos registros nas entrevistas, discutir a motivação para a criação de lexias (CONTINI, 1997, 2009) que gradativamente se incorporam à fala e, neste caso em questão, ocorrem operadas por fatores da vida urbana moderna. A criação de signos, como demonstrado por Alinei (1995), nem sempre será arbitrária, será comumente motivada e essa motivação poderá refletir a sua comunidade de fala, por suas convicções social e culturalmente construídas. Metodologicamente, o corpus desta pesquisa é formado pelas repostas de 200 informantes das 25 capitais que compõem a rede de pontos do ALiB, estratificados segundo o sexo, a faixa etária (de 18 a 30 e 50 a 65 anos) e a escolaridade (fundamental e superior), permitindo a análise de acordo com os preceitos da Dialetologia Pluridimensional (THUN, 1998), além das teorias já citadas. As análises já realizadas sinalizam para a importância de processos tais como a metáfora e a metonímia, entre outros, para explicar a criação de formas populares para designar novos referentes, no caso, novos recursos para a viabilidade da vida nas cidades de médio e grande portes.

Palavras-chave: ALiB capitais; Geossociolinguística; Rotatória; Motivação.

 

Minibiografias:

Vanderci de Andrade Aguilera é pós-doutora pela Universidade de Alcalá de Henares – Espanha, docente sênior da Universidade Estadual de Londrina, autora do Atlas Linguístico do Paraná, integrante de projetos de pesquisa como o Atlas Linguístico do Brasil, o Léxico Histórico do Português Brasileiro e o Tesouro Galego-Português. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, nível 2, vem desenvolvendo pesquisas e orientações no âmbito da descrição e análise linguística.

Fabiane Cristina Altino é pós-doutora pela Universidade Paris 13 – França. É docente da Universidade Estadual de Londrina e integrante dos projetos de pesquisa Atlas Linguístico do Brasil, o Léxico Histórico do Português Brasileiro e o Tesouro Galego-Português, com pesquisas e orientações desenvolvidas no âmbito da descrição e análise linguística.


Comunicação 7

Designações para a variante ‘rancho’ na perspectiva do Atlas Linguístico-Contatual da Fronteira entre Brasil e Paraguai (ALF – BR PY)

Autora:

Regiane Coelho Pereira Reis – UFMS – regiareispereira@uahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho focaliza a análise de variantes lexicais documentadas como respostas para a pergunta 154 do Questionário Semântico-Lexical (QSL) do Atlas Linguístico-Contatual da Fronteira entre Brasil/Paraguai (ALF – BR PY), que busca designativos para o seguinte conceito: “Como se chamam aquelas casas bem pobres, construídas de pau a pique, cobertas geralmente de capim?” Os dados foram fornecidos pelos 80 informantes do ALF – BR PY, residentes nas dez (10) localidades que compõem a sua rede de pontos, distribuídas ao longo da linha internacional que divide a fronteira Brasil/Paraguai no Estado de Mato Grosso do Sul. A análise considera as perspectivas diatópica, diassexual e dialingual, além do estudo léxico-semântico dos dados levantados. A investigação dialetal proposta põe em relevo quatro tipos de cartas linguísticas – cartas 38a (Produtividade), 038b (Contatos linguísticos), 038c (Diassexual e diageracional), 038d (Distribuição diatópica para casa + qualitativos) – que permitem visualizar a difusão das variantes considerando as variáveis supracitadas.

Palavras-chave: Atlas linguístico; Fronteira Brasil/Paraguai; Léxico; Variação diatópica; Variação dialingual.

 

Minibiografia:

Regiane Coelho Pereira Reis é professora de Línguística/Língua Portuguesa da UFMS. Graduada e Mestre em Letras pela UFMS e doutora em Estudos da Linguagem pela UEL, integra o Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), Coordena o Projeto de Iniciação à Docência (PIBID/CPAN) e é autora dos Atlas ALiPP e ALF – BR PY. Suas pesquisas inserem-se na descrição e análise do português brasileiro sob a ótica da dialetologia e do estudo de línguas em contato.


Comunicação 8

O Atlas Linguístico do Brasil: contribuições para o estudo da fraseologia do português brasileiro

 

Autoras:

Marcela Moura Torres Paim – UFBA – mmtpaim@ufba.br

Silvana Soares Costa Ribeiro – UFBA – silavanar@ufba.br

 

Resumo:

Vinculado ao Projeto VALEXTRA (Variação lexical: teorias, recursos e aplicações): do condicionamento lexical às constrições pragmáticas, convênio CAPES/COFECUB 838/15 celebrado entre a Universidade Federal da Bahia e a Universidade Paris 13 (Laboratório LDI – Lexiques, Dictionnaires, Informatique), este trabalho objetiva, a partir do material coletado pela pesquisa do Projeto Atlas Linguístico do Brasil, referente ao campo lexical fenômenos atmosféricos, apresentar um estudo sobre a presença de fraseologismos nas entrevistas dos informantes oriundos das capitais brasileiras. O termo fraseologismo está sendo aqui concebido conforme Mejri (1997), que considera esse campo do estudo da linguagem como o fenômeno que se exprime através de associações sintagmáticas recorrentes. Parte-se do princípio de que as unidades fraseológicas são combinações de unidades léxicas, relativamente estáveis, com certo grau de idiomaticidade, formadas por duas ou mais palavras, que constituem a competência discursiva dos falantes, em língua materna, segunda ou estrangeira, utilizadas convencionalmente em contextos precisos, com objetivos específicos, como se ilustra com arco celeste, arco da velha, arco da aliança, (variantes de arco-íris); chuva de flor, chuva de pedra (variantes de chuva de granizo); pau d’água, pé d’agua (variantes para chuva grossa, repentina e forte), dentre outras. Nesse sentido, no que diz respeito aos fraseologismos analisados, podem-se fazer algumas considerações preliminares: as criações lexicais analisadas contemplam a polilexicalidade; as unidades fraseológicas refletem a estabilidade de relação tão estreita entre os elementos que os leva a perderem o significado primário para adquirirem um novo sentido. Assim, as designações enfocadas possibilitam a visualização da diversidade lexical e geolinguística do português falado no Brasil.

Palavras-chave: Língua portuguesa; Fraseologismos; Variação lexical.

 

Minibiografias:

Marcela Moura Torres Paim é professora Adjunta IV do Departamento de Letras Vernáculas e do Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura da Universidade Federal da Bahia. É coordenadora do Projeto CAPES-COFECUB 838/15. Participa do Projeto de pesquisa Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) como pesquisadora e inquiridora auxiliar. Atua principalmente nos seguintes temas: Dialetologia, Sociolinguística, Atlas Linguísticos, Língua Portuguesa e Variação.

Silvana Soares Costa Ribeiro é Professora Associada II do Departamento fr Letras Vernáculas e do Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura da Universidade Federal da Bahia. Participa do Projeto de pesquisa Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) como pesquisadora, entrevistadora e coordenadora da Comissão de Informatização e Cartografia. Atua como pesquisadora do Projeto NURC, do qual foi bolsista de Iniciação Científica e de Aperfeiçoamento durante a Graduação e o Mestrado.


Comunicação 9

Fraseologismos do campo semântico da alimentação e cozinha: ume studo com base em dados orais da região Centro-Oeste do Brasil

Autoras:

Talita Galvão dos Santos – UFMS – tali_galvao@hotmail.com

Elizabete Aparecida Marques – UFMS – eamarques@hotmail.com

 

Resumo:

Em virtude da heterogeneidade das unidades lexicais de uma língua, ainda não há critérios teóricos extensos e bem delimitados para o reconhecimento das unidades complexas de um idioma (BIDERMAN, 2005). Além disso, houve um tempo em que era atribuído às expressões cristalizadas um caráter de anomalia da linguagem e, portanto, essas unidades eram concebidas como uma exceção, o que implicava o não tratamento científico delas. Tendo em vista que tais expressões são numerosas na língua portuguesa e não podem ser negligenciadas como formas anômalas, torna-se necessária a discussão sobre as expressões cristalizadas/idiomáticas. Para tanto, escolheu-se realizar um estudo das expressões cristalizadas, com base no corpus do Projeto ALiB (Projeto Atlas Linguístico do Brasil), que tem como objetivo a realização de um atlas geral do Brasil no que diz respeito à língua portuguesa, descrevendo a realidade linguística do País. Nessa perspectiva, o presente trabalho se propõe a: i) apresentar e discutir os resultados preliminares da coleta de fraseologismos relacionados ao campo semântico alimentação e cozinha que foram extraídos do corpus do Projeto ALiB na região Centro-Oeste do Brasil; ii) sistematizar os fraseologismos levantados no corpus com base em diferentes categorias (MEJRI, 1997); iii) verificar a produtividade dos fraseologismos por categoria de sistematização; iv) contribuir com o Projeto VALEXTRA (Variação lexical: teorias, recursos e aplicações): do condicionamento lexical às constrições pragmáticas, que tem como objetivo realizar um amplo estudo dos fraseologismos no português do Brasil, cujos resultados poderão subsidiar estudos contrastivos com o português europeu e fornecer dados que poderão subsidiar outras propostas de estudo, dentre elas a confecção de dicionários, a produção de materiais voltados para o ensino e para a tradução.

Palavras-chave: Fraseologismos; Alimentação e cozinha; Projeto ALiB; Projeto VALEXTRA.

 

Minibiografias:

Talita Galvão dos Santos é graduada em Letras pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e atualmente é aluna do curso de Pós-Graduação Mestrado em Estudos de Linguagens pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Elizabete Aparecida Marques é Doutora em Linguística Aplicada pela Universidad de Alcalá de Henares (Espanha, 2007) e tem Estágio Pós-Doutoral em Fraseologia pela Université Paris 13 (França, 2013). Atualmente é professora Associada da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, onde atua como docente e pesquisadora no Curso de Letras e nos Programas de Mestrado em Estudos de Linguagens e Mestrado e Doutorado em Letras.


Comunicação 10

Para que serve a dialetometria? Fundamentos teóricos e casos práticos do português

 

Autor:

Fernando Brissos – CLUL – fernando.brissos@gmail.com

 

Resumo:

A dialetometria pode ser definida como uma abordagem quantitativa ao estudo dos dialetos com enfoque na métrica, i.e., na mensuração dos fenómenos de variação dialetal por meio de procedimentos exatos e totalmente comparáveis. No entanto, pelas vicissitudes da própria história da dialetologia, em que o uso de procedimentos matemáticos/estatísticos não criou ainda uma tradição extensa, a dialetometria tem sido mesmo, de longe, a principal aproximação quantitativa ao estudo dos dialetos. Os excelentes resultados que tem proporcionado (GOEBL, 2006; WIELING e NERBONNE, 2015) apontam-na como uma área de investigação particularmente promissora. A mesma consequência tem o facto de a análise dialetométrica necessitar de uma forte componente visual, e por isso ter sido desenvolvido, no seu seio, software de tratamento quantitativo e representação cartográfica de dados linguísticos. Na presente comunicação, procuraremos dar a conhecer a dialetometria nos seus fundamentos e na sua prática, a partir de três eixos: a) breve síntese histórica da disciplina, que é relativamente recente; b) fundamentos teóricos da sua principal escola – a chamada Escola de Dialetometria de Salzburgo (Goebl, op. cit.); c) exemplos de aplicação prática ao português (como BRISSOS, GILLIER e SARAMAGO, 2016; BRISSOS, 2016), em que tem proporcionado a revisão de aspetos fundamentais da dialetologia do português europeu – tanto aspetos não tratados pela dialetologia tradicional como aspetos que esse paradigma deixou em aberto.

Palavras-chave: Dialetometria; Dialetologia tradicional; Dialetologia portuguesa.

 

Minibiografia:

Fernando Brissos é doutor em linguística pela Universidade de Lisboa. É atualmente investigador de pós-doutoramento do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, onde desenvolve o projeto «Estudo Acústico dos Dialetos Portugueses». Tem lecionado disciplinas de história da língua e dialetologia na FLUL. As suas áreas de investigação são: linguística histórica geral; linguística românica; história da língua portuguesa; edição de textos; dialetologia acústica; dialetometria e fonética forense.


Comunicação 11

Gude, estilingue, papagaio de papel: a produtividade das variantes lexicais dos grupos ciganos da Bahia e de Pernambuco

Autoras:

Geysa Andrade da Silva – UNEB – geysasilva@uneb.br

Rita de Cássia Ribeiro Queiroz – UEFS – rcrqueiroz@uol.com.br

 

Resumo:

Os traços identitários de um grupo social, representativos do seu patrimônio sociocultural, perpassam pela língua usada naquela comunidade. A seleção lexical feita pelos falantes é reflexo de fatores inerentes ao indivíduo (como idade, sexo/gênero, etnia), fatores propriamente sociais (como grau de escolarização, classe social, nível de renda, profissão), fatores contextuais (modalidade, grau de formalidade e monitoramento, tensão discursiva) e fatores de origem geográfica (eixo diatópico). Assim, o léxico torna-se fruto de inúmeras reflexões e é analisado por vários ângulos, já que se constrói através de um conhecimento verificável, racional e sistemático. As denominações para os brinquedos infantis recolhidas em comunidades ciganas dos estados da Bahia e de Pernambuco foram examinadas a partir da variação léxico-semântica e levando-se em consideração as variáveis selecionadas (sexo/gênero, idade, escolaridade, origem geográfica). Aplicaram-se as perguntas 156 (gude), 157 (estilingue) e 158 (papagaio de papel), referentes à área semântica Jogos e diversões infantis, que integram o Questionário Semântico-Lexical (QSL) do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), com o objetivo de observar na seleção lexical, dentre outros aspectos, a produtividade das variantes e a questão regional evidenciada na diversidade delas; a parcela da cultura do falante, com base nas designações fornecidas pelo grupo étnico-racial; as variantes do ponto de vista semântico-lexical e social. Os itens lexicais recolhidos passaram por uma análise lexicográfica em Houaiss (2009), Ferreira (2010), Aulete (2012), além de recorrer-se também a Nascentes (1988). Para investigar as motivações sócio-históricas que influenciaram as variações, a pesquisa referenciou-se na Lexicologia e na Sociolinguística, na interface com a Dialetologia e a Ciganologia, cada uma contribuindo para o conhecimento das variantes léxico-regionais dos falantes.

Palavras-chave: Brinquedos; Ciganos; Lexicologia; Sociolinguística; Dialetologia.

 

Minibiografias:

Geysa Andrade da Silva é mestranda em Estudos Linguísticos pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), especialista em Língua Portuguesa (1988-UNEB) e em Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Portuguesa (1988-UEFS). É professora e pesquisadora da UNEB – Campus IV/Jacobina, atuando na área de Linguística.

Rita de Cássia Ribeiro Queiroz é doutora em Filologia e Língua Portuguesa (2002) pela USP e realiza estágio pós-doutoral na UNEB. É professora e pesquisadora da UEFS (graduação e pós-graduação) e coordena o Grupo de Edição de Textos e o Núcleo de Estudos do Manuscrito (Diretório dos Grupos de Pesquisa / CNPq). Atua na área de Filologia Românica, com os temas: documentação manuscrita; preservação – memória; história – cultura; crítica textual; estudo do vocabulário.


Comunicação 12

Aspectos dialetais do português falado no Tocantins

Autora:

Greize Alves da Silva – UFTO/UEL – greize_silva@yahoo.com.br

 

Resumo:

O Estado do Tocantins, criado em 1988, caracteriza-se por uma realidade dialetal peculiar, decorrente das intensas migrações ocorridas nas últimas décadas. O atual território já era visto por Nascentes (1957) como distinto, pois, segundo o autor, ele estaria inserido entre três subfalares – o Amazônico, o Nordestino e o Baiano –, além de pertencer, em sua porção Oeste, à extensão intitulada como Incaracterística. Diante dessa conjuntura linguística, a presente comunicação tem por intento apresentar dados fonéticos e lexicais coletados para o “Projeto Atlas Linguístico Topodinâmico e Topoestático do Estado do Tocantins” (ALiTTETO) em 12 pontos de inquérito. Ao todo, foram inquiridos 96 informantes (oito por localidade), distribuídos pelas variáveis: diassexual, diageracional e diatópica (topoestática e topodinâmica). Até o presente momento, pode-se notar que os dados, sobretudo os lexicais, apontam para dois agrupamentos de falares dentro do Estado em questão.

Palavras-chave: Atlas linguístico; Tocantins; Dialetologia; Geolinguística.

 

Minibiografia:

Greize Alves da Silva é doutoranda em Estudos da Linguagem, na Universidade Estadual de Londrina, sob orientação da Profa. Dra. Vanderci de Andrade Aguilera. É professora no Curso de Letras, da Universidade Federal do Tocantins, campus de Porto Nacional. Atua na área de Sociolinguística e Dialetologia. É integrante do Projeto Atlas Linguístico do Brasil.


Comunicação 13

Atlas Linguístico do Estado de Mato Grosso: aspectos fono-morfossintáticos

Autor:

José Leonildo Lima – UNEMAT – joselima56@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho vincula-se ao Atlas Linguístico do Estado de Mato Grosso – ALIMAT, projeto ora em desenvolvimento que tem como objetivo identificar, registrar, analisar e divulgar as variedades linguísticas do Estado de Mato Grosso. Visando fazer o registro da identidade linguística do Estado, o ALIMAT, centrado num modelo geolinguístico, que, com base em um questionário, leva em conta os níveis fonético, morfológico, sintático e semântico, objetiva mapear o falar mato-grossense. Seguindo a metodologia adotada pelo Atlas Linguístico do Brasil – ALiB, foram selecionados dezesseis pontos de inquérito, sendo que oito deles fazem parte da delimitação feita por Antenor Nascentes (1958). Para esta comunicação, selecionamos alguns traços fonomorfossintáticos mais recorrentes no Estado. Sobre os aspectos fonéticos, podemos destacar, por exemplo, a monotongação, a ditongação, a epêntese e a apócope. Dentre as questões morfossintáticas, destacamos, de modo especial, o gênero dos substantivos “alface”, “cal”, “guaraná”, “alemão”, “chefe”, “ladrão” e “presidente” bem como a flexão em número. Observam-se, ainda, o emprego dos pronomes pessoais (do caso reto e oblíquo), possessivos e indefinidos, a alternância entre “nós” e “a gente” e o emprego dos tempos verbais (presente do indicativo, pretérito perfeito, futuro do presente e do pretérito). Além desses aspectos, outros dois que são objeto de investigação são a concordância verbal e o emprego dos verbos “ter” e “haver” em sentido existencial.

Palavras-chave: Atlas linguístico; Variação; Falar matogrossense.

 

Minibiografia:

José Leonildo Lima é mestre e doutor em sociolinguística pela UNICAMP. Atua na

Universidade do Estado de Mato Grosso desde 1992 nas disciplinas de Leitura e Produção de Texto, Morfologia, Sintaxe e Sociolinguística. Coordena o Projeto Atlas

Linguístico do Estado de Mato Grosso. Coordena o Projeto Para o Estudo do Português do Brasil – Mato Grosso e participa do Projeto Diversidade Linguística do Estado de Mato Grosso.


Comunicação 14

Gírias ludovicenses

Autores:

Auristélia dos Santos Sodré – UEMA – aury.ssodre@hotmail.com

Érika Nunes da Silva – UEMA – erikanunes9@hotmail.com

Jorge Luiz Borges Bezerra – UEMA – jorgelbb@gmail.com

 

Resumo:

Esta pesquisa trata das gírias em um contexto sociocultural dos falantes da cidade de São Luís-MA, única cidade brasileira fundada por franceses e posteriormente colonizada pelos portugueses. O estudo apresenta considerações sobre a linguagem, cultura, condições sociais e forma de ver o mundo a partir de uma perspectiva da variedade linguística baseando-se em estudos da Sociolinguística. É importante abordar as representações da linguagem – gíria –, analisadas como uma linguagem básica que guarda muita afinidade com a alma popular, servindo como substituição do valor linguístico dos termos com o estabelecimento de novos símbolos que exprimem o pensamento e a ação sociocultural, pois a gíria não é uma linguagem independente, mas um componente da língua, da qual utiliza a fonética, a morfologia, a sintaxe e o léxico, ou seja, os processos de criação da gíria são os mesmos da língua comum. Objetiva-se com este trabalho analisar os termos utilizados pela população ludovicense e identificar as expressões cotidianas comuns em seu meio, observando a linguagem nos contextos sociais em que os indivíduos se encontram inseridos, considerando-se que a manifestação linguística revela-se como identidade de uma localidade através de estratégias enunciativas. Portanto, para o desenvolvimento deste trabalho, servimo-nos da coleta de dados sistemática para a compreensão do assunto e do uso de pesquisas que abordam a gíria como um processo cultural da linguagem, em alguns casos originado das mídias que garantem o uso lexical no Brasil, inclusive entre os ludovicense, visto que, no século XXI, as classes sociais e todas as faixas etárias usam a gíria. Embora usada comumente na comunicação diária, poucas pessoas conseguem definir o que é gíria e como ela opera nos diferentes níveis sociais e nos contextos de fala, já que a língua é variável e muitas palavras entram em desuso, porém outras são agregadas com o passar do tempo.

Palavras-chave: Gírias ludovicenses; Cultura; Terminologia; Classes sócio-econômicas.

 

Minibiografias:

Auristélia dos Santos Sodré é estudante, graduanda em Letras da UEMA e graduada em Turismo pela Estácio de Sá, São Luís-MA. Foi bolsista de iniciação científica. Apaixonada por literatura maranhense valoriza atividades relacionadas com a identidade local, inclusive com a cultura e dialetos.

Érika Nunes da Silva é estudante, graduanda em Letras da UEMA. Participou como bolsista do projeto de extensão A Literatura Infantil na Formação de Professores no Bairro do Coroadinho.

Jorge Luiz Borges Bezerra possui graduação em Letras pela UFMA (1992), mestrado em Teoria Literária pela UnB (2003) e doutorado em Teoria Literária pela UnB (2007). Atualmente é professor da UEMA, atuando principalmente nas áreas de linguística e poesia visual/digital.


Comunicação 15

Os dialetos açorianos (micaelenses e terceirenses)

Autora:

Barbara Hlibowica-Weglarz – UMCS – bajaw@hot.pl

 

Resumo:

O tema da comunicação faz parte do projeto na área da dialetologia que tem como objetivo pesquisar a situação da língua portuguesa na Europa, isto é, as variedades do português europeu, tanto continental, como insular. O objetivo da comunicação a apresentar durante o SIMELP é analisar um grupo dos dialetos insulares, isto é, os dialetos açorianos, que apresentam uma série de traços próprios que não se verificam nos dialetos continentais. No trabalho vamos destacar, por um lado, os dialetos da Ilha de São Miguel e, por outro, os da Ilha da Terceira.

Palavras-chave: Sociolinguística; Dialeto; Dialeto açoriano.

 

Minibiografia:

Barbara Hlibowicka-Węglarz é professora titular de Linguística Portuguesa e Românica da Universidade Marie Curie Skłodowska, de Lublin, Polónia. É diretora do Centro de Língua Portuguesa Camões da UMCS, diretora do Departamento de Estudos Portugueses da UMCS, responsável pelo Exame CELPE-Bras na UMCS e Cônsul Honorária da República Federativa do Brasil em Lublin.


Comunicação 16

A variação linguística no livro didático de PLE e sua percepção pelo professor

Autora:

Fernanda Ricardo Campos – CEFET-MG – nanda.ricardo@gmail.com

 

Resumo:

A presente comunicação tem como tema a variação linguística no ensino de PLE e, mais especificamente, o tratamento desta em livros didáticos. Os objetivos propostos para esta pesquisa foram: verificar se os livros didáticos em análise promovem propostas de trabalhos pedagógicos que envolvam a variação linguística; averiguar como livros didáticos de português como língua estrangeira trazem textos orais e ou escritos, atividades de compreensão e produção textual, explanações e explorações de aspectos gramaticais e lexicais que permitem um trabalho voltado à conscientização da variação linguística; e entender como o professor usuário avalia o livro didático utilizado em termos de variação linguística. O trabalho fundamentou-se nos pressupostos teóricos acerca dos fenômenos variacionistas (LABOV, 2008 [1972]; FARACO, 2006; CASTILHO, 2010), levando em conta os estudos em PLE, a discussão sobre o livro didático no contexto de ensino-aprendizagem de PLE (PACHECO, 2006; MORITA, 1998) e sua relação com programas do governo (BRASIL, 1998; BRASIL, 2001; BRASIL/FNDE, 2014) no que se refere a uma abordagem sociolinguística. Para os propósitos da pesquisa foi elaborado e utilizado, como instrumento metodológico, um roteiro de análise pelo qual foram descritos dois livros didáticos de português como língua estrangeira e esse instrumento possibilitou averiguar como esses livros exploram e/ou permitem um trabalho voltado à conscientização da variação linguística. Esse mesmo roteiro foi utilizado pela pesquisadora e professores usuários dos livros didáticos. A partir da análise, pode-se perceber que, mesmo tendo sido concebidos numa proposta comunicativa, os livros selecionados apresentam a variação linguística, mas não a exploram muito bem. Sobre a análise dos professores, pode-se perceber que o livro didático que apresenta mais subsídios ao professor, como as explicações de fenômenos da variação mais contextualizados, facilitou sua percepção em relação ao tema, assumindo assim o papel de formador.

Palavras-chave: Variação linguística; Livro didático; Português como língua estrangeira.

 

Minibiografia:

Fernanda Ricardo Campos é mestre em Estudos de Linguagem pelo CEFET-MG (2016). Foi professora do CEFET-MG e Leitora de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira junto ao Programa de Leitorado do MRE na UNSM, em Lima, Peru, além de colaboradora do Centro Cultural Brasil-Peru e do Setor Cultural da Embaixada do Brasil em Lima, Peru. É integrante dos grupos de pesquisa Infortec e Materiais e Recursos Didáticos, ambos do CEFET-MG.


Comunicação 17

Variação linguística e ensino: uma constatação

Autora:

Norma da Silva Lopes – UNEB – nlopes58@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação pretende revelar que o ensino da língua fortalece o estigma em relação às variantes desvalorizadas do português. Ao trabalhar apenas, ou principalmente, os traços descontínuos (BORTONI-RICARDO, 2010), ou seja, aqueles que são usados principalmente por comunidades desprestigiadas socialmente, taxando-os de erro, sem considerar outras variantes, a escola leva os alunos à desvalorização dessas formas, reforçando o estigma. Nesta apresentação, serão mostrados resultados do trabalho escolar, a partir de quatro estudos sociolinguísticos variacionistas que tratam de fenômenos variáveis diferentes no português brasileiro: a variação na presença de marcas de plural nos elementos do sintagma nominal (concordância nominal); a variação na presença de marca de plural de terceira pessoa do plural nos verbos (concordância verbal); a variação ‘nós’/’a gente’; a variação na expressão de futuridade. O trabalho a ser apresentado vai revelar que os traços que são descontínuos (que são alvo de estigma) tendem a desaparecer na fala dos brasileiros proporcionalmente aos anos de escolarização. Com esses resultados, chega-se ao entendimento de que as classes menos favorecidas continuam a sofrer o estigma, pois o fosso existente entre os extremos na classe social se mantém ou cada vez fica mais evidente. Dessa forma, a escola, da forma como vem trabalhando, não reduz o preconceito; ao invés disso, o fortifica.

Palavras-chave: Variação linguística; Ensino; Traços descontínuos; Estigma; Efeitos da escolarização.

 

Minibiografia:

Norma da Silva Lopes é pós-doutora pela UEFS, doutora em Letras pela UFBA (com bolsa sanduíche em Macau, na China), Mestre em Letras e graduada em Licenciatura em Letras pela UFBA. Atualmente é professora titular e pesquisadora da UNEB, na graduação e na pós-graduação, atuando principalmente na área da sociolinguística.


Comunicação 18

A pedagogia da variação no ensino de Língua Portuguesa

Autor:

Clézio Roberto Gonçalves – UFOP – cleziorob@gmail.com

 

Resumo:

É sempre um desafio muito grande para o professor de Língua Portuguesa, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, refletir com os alunos sobre sua língua materna, considerando-se que os alunos já chegam à escola com capacidade de usar com razoável competência comunicativa o português, que é a língua materna da grande maioria dos brasileiros. Sabe-se que é de importância crucial que os alunos façam uma reflexão sobre a língua que usam quando começam a conviver com a modalidade escrita da língua. Para isso, os professores precisam ter consciência do dever de desenvolver a competência dos alunos e ampliar-lhes o número e a natureza das tarefas comunicativas que já são capazes de realizar na língua oral e, depois, também, na língua escrita. Neste estudo, é apresentada e discutida a concepção dos professores de língua materna sobre “linguagem, ensino, gramática e variação”. Foram feitas entrevistas semi-estruturadas com professores do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio das redes particular e pública das cidades de Mariana (MG) e Ouro Preto (MG) que possibilitam construir reflexões relativas ao impacto da teoria trabalhada nos cursos de formação inicial e/ou continuada de professores e da prática na sala de aula. Constatou-se, preliminarmente, com esta pesquisa que, embora os professores de Língua Portuguesa (ex-alunos dos cursos de Licenciatura em Letras) tenham tido contato com questões na área da Sociolinguística no período de formação, o desenvolvimento das investigações e a teoria na área da Linguística estão muito aquém de apresentar efeitos na prática cotidiana da sala de aula para promover uma educação linguística satisfatória dos alunos.

Palavras-chave: Sociolinguística; Língua portuguesa; Variação; Educação.

 

Minibiografia:

Clézio Roberto Gonçalves é doutor em Semiótica e Linguística Geral pela USP, mestre em Estudos linguísticos pela UFMG, licenciado em Letras e bacharel em Estudos Linguísticos pela UFOP. É professor de Língua Portuguesa e Linguística Aplicada na UFOP, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem e do Curso de Especialização UNIAFRO: Promoção da Igualdade Racial na Escola. Coordena o Grupo de Pesquisa em Dialetologia e Sociogeolinguística.


Comunicação 19

Contribuições dos estudos da dialetologia e da geolinguística para docentes de Língua Portuguesa da Educação Básica no Brasil: da pesquisa ao ensino

Autora:

Vera Lúcia Dias dos Santos Augusto – UEG – veraugusto@terra.com.br

 

Resumo:

A presente comunicação tem como objetivo refletir e promover o ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa a partir dos estudos dialetológicos e geolinguísticos, visto que diferentes formas de abordar os processos de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa despontaram no Brasil nos últimos vinte anos. A nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, principalmente depois do surgimento dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), em 1997, permitiu a discussão e reflexão sobre o ensino da Língua Portuguesa no Brasil. A procura de bases teórico-metodológicas que permitam contemplar a complexidade dos fatores linguísticos, sociais, políticos e éticos tem sido uma preocupação constante de pesquisadores da área da Linguística. Para além dessa procura, é muito grande o interesse em estudar as variações linguísticas regionais, analisando-as a partir de um viés dialetológico e geolinguístico. Ao registrar as variações linguísticas regionais em uso, os atlas linguísticos vêm propiciando a pesquisadores, professores, gramáticos, autores de livros didáticos e demais interessados nos estudos dialetológicos e geolinguísticos um material amplo, coletado a partir de critérios metodológicos precisos propostos pelo Projeto Atlas Linguístico do Brasil. Uma ideia primeira é valorizar os estudos da heterogeneidade linguística, que acontece na dimensão diatópica (espacial, geográfica) e está distribuída no espaço territorial de uma nação ou região. Sob esse aspecto, é possível refletir sobre a atuação dos docentes de Língua Portuguesa. E sobre o processo de ensino, Mattos e Silva (2004) observa que o professor, como peça essencial nesse procedimento, terá de ser necessariamente muito bem preparado tanto na formação linguística como na sua formação pedagógica geral, para que em sua prática escolar procure inovar, criar e adequar seus instrumentos pedagógicos e sua metodologia de ensino. Desse modo, educadores conscientes da variação linguística podem trabalhar a partir dessa realidade diversificada, sem estigmatizar a variação dialetal de seus alunos.

Palavras-chave: Dialetologia; Geolinguística; Variação linguística; Ensino; Pesquisa.

 

Minibiografia:

Vera Lúcia Dias dos Santos Augusto é mestre em Linguística pela UFU (2005) e Doutora em Letras pela USP (2012). Atualmente é professora da UEG. Tem experiência na área de Letras e Linguística, com ênfase em Língua Portuguesa, Língua Latina, Língua Inglesa, Literaturas e Práticas de Ensino (Português e Inglês), atuando principalmente nos seguintes temas: ensino de línguas, linguística, leitura e produção, prática de ensino e literatura.


Comunicação 20

A avaliação de atividades voltadas à reflexão variacionista presente nos livros didáticos do Ensino Médio

Autores:

Édina de Fátima de Almeida – UEL – edifatro@hotmail.com

Sandro Bochenek – UEL – sandro@marilia.unesp.br

 

Resumo:

O presente trabalho, fundamentado nos estudos da Sociolinguística Variacionista, pretende analisar as atividades presentes nos livros selecionados, objetivando detectar a abordagem presente nos respectivos livros, além de tecer reflexões referentes aos estudos de variedades linguísticas, do multilinguismo e do preconceito linguístico. O corpus de análise é composto pela coleção “Língua Portuguesa” (Manual do Professor), de autoria de Roberta Hernandes e Via Lia Maetin, da Editora Positivo, aprovado pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD-2015). O referencial teórico pauta-se basicamente nos estudos teórico-metodológicos de Bagno (2001), Lucchesi (2004, 2015), Bortoni-Ricardo (2005), Faraco (2008), Labov (2008), dentre outros. Ancoramo-nos também em documentos norteadores das políticas educacionais, como os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio de Língua Portuguesa – PCN (BRASIL, 1999). Como suporte metodológico, utilizamos tanto a pesquisa bibliográfica como a pesquisa documental. A escolha da mencionada coleção ocorreu pelas seguintes observações: a) verificou-se que o fenômeno da variação linguística não é privilegiado na coleção; b) identificou-se que a coleção apresenta número inexpressível de atividades relativas a questões que interacionam aspectos sociais e linguísticos, como os contrastes e conflitos do uso das variedades estigmatizadas e de prestígio. Pretendemos, com este trabalho, além do que já foi especificado anteriormente, verificar se esta coleção segue os objetivos do ensino de Língua Portuguesa, aliado ao ensino relativo da variação e normas, assim como, se aborda de maneira reflexiva a gramática e o desenvolvimento das competências de leitura e produção textual.

Palavras-chave: Variação linguística; Sociolinguística; Livros didáticos do Ensino Médio.

 

Minibiografias:

Édina de Fátima de Almeida é bacharel e licenciada em Letras Português/Espanhol, especialista em Ensino de Língua Estrangeira e mestranda em Estudos da Linguagem pela UEL.

Sandro Bochenek é bacharel e licenciado em Letras Português/Inglês, especialista em Interfaces Linguísticas, Literárias e Culturais pela UNIOESTE–PR, mestre em Educação pela UNESP e doutorando em Estudos da Linguagem pela UEL.


Comunicação 21

A sociolinguística e o ensino: reflexões para a formação de professores de Língua Portuguesa

Autora:

Vívian Meira de Oliveira – UNEB – vivianmeira@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação busca apresentar um debate introdutório sobre as diferentes contribuições que a Sociolinguística pode oferecer para o ensino de Língua Portuguesa. A ideia é refletir sobre temáticas necessárias para o conhecimento de profissionais ligados ao “ensino” de língua, de modo a neutralizar em sala de aula o preconceito linguístico. Sugerem-se para isso algumas atitudes pedagógicas, tais como: adotar uma concepção de língua adequada ao real funcionamento da linguagem no meio social; adotar uma concepção de ensino de língua pautada na ideia de que o preconceito linguístico reflete a diversidade social; entender que ensino de gramática não significa ensino de língua; dentre outras. Buscaremos demonstrar que, para além de promover o estudo da gramática normativa e de suas regras, o papel do professor de Língua Portuguesa passa também pelo objetivo de levar o estudante a refletir sobre a língua e seu uso no contexto social.

Palavras-chave: Sociolinguística; Ensino de língua portuguesa; Formação de professores.

 

Minibiografia:

Vivian Meira de Oliveira é doutora em Linguística pela UNICAMP, com estágio de doutorado na Universidade de Cambridge, Inglaterra. É professora adjunto da UNEB e organizadora dos livros Português brasileiro: estudos funcionalistas e sociolinguísticos (2009) e Teorias linguísticas e aulas de português (2016), publicados pela UNEB/FAPESB.


Comunicação 22

A variação linguística: uma análise do livro de Língua Portuguesa como língua estrangeira

Autora:

Érika Ramos de Lima Aureliano – UEFS – erika_lima_esp@yahoo.com.br

 

Resumo:

Esta comunicação tem o objetivo de discutir a variação linguística no ensino do português como língua estrangeira (PLE), procurando analisar o tratamento dado a esse fenômeno no livro “Nova Avenida Brasil 1”, organizado por Lima, Rohrmann, Ishihara, Iunes & Bergweiler (2008). Temos como objetivo desenvolver uma análise do livro em alguns aspectos linguísticos, a saber: os lexicais e os fonético-fonológicos. Nesse sentido, analisaremos se o livro discute a variação linguística compreendendo-a como resultado de uma diversidade de fatores socioculturais de uma comunidade linguística. Para tanto, os procedimentos teórico-metodológicos utilizados têm sua base nos estudos de Bagno (2002, 2007), Alkmim (2006), Bortoni-Ricardo (2009), Mendes (2011), Prado & Cunha (2008) e Mollica & Braga (2013), sendo a base teórica principal a Sociolinguística. Como resultados preliminares, verificamos que o livro precisa apresentar não apenas conteúdos sobre variação linguística mas também uma aplicabilidade desses conteúdos, isto é, o conhecimento linguístico e a prática precisam contemplar a realidade do aluno.

Palavras-chave: Variação linguística; Livro didático; Língua portuguesa.

 

Minibiografia:

Érika Ramos de Lima Aureliano é graduada em Letras com Língua Espanhola pela UEFS e especialista em Metodologia do Ensino da Língua Espanhola pela FTC e em Libras pela UNIASSELVI. É professora substituta de Língua Espanhola da UNEB e mestranda em Estudos Linguísticos pela UEFS. Tem experiência na área de Letras com ênfase no Ensino da Língua Espanhola, atuando principalmente nos temas: Espanhol como Língua Estrangeira, Linguística Aplicada e Formação de Professores. 


Comunicação 23

Estudo sobre o dialeto cuiabano

Autores:

Kênia Maria Correia da Silva – UFMT – kenya_maria@hotmail.com

Elias Alves de Andrade – UFMT – elias@cpd.ufmt.br

 

Resumo:

Este trabalho tem como propósito investigar o dialeto cuiabano, encontrado na região de Cuiabá e seus arredores, chamada de baixada ou vale cuiabano, Mato Grosso, Brasil. Essa região está inserida no contexto de abrangência do Dialeto Caipira trazido para a fronteira Oeste do Brasil pelos bandeirantes paulistas a partir do século XVIII. Possui provavelmente a estrutura do português europeu e uma deriva linguística conservadora. O português do colonizador, a fala caipira do bandeirante, a mistura da língua do índio e dos dialetos africanos moldaram a formação do dialeto cuiabano. Sob a perspectiva filológica e sociolinguística, pretende-se: levantar e catalogar documentos que constituirão um corpus representativo da escrita do século XVIII, editar e disponibilizar os documentos coletados, descrever aspectos da realidade sócio-histórica e descrever e analisar fenômenos de variação/mudança linguística da fala dessa região em comparação com os textos escritos. O aporte teórico utilizado se concentra em Labov (1973), Amaral (1976), Spina (1976), Maia (1986), Castro (1991), Tarallo (1994), Megale (1998), Santiago Almeida (2000) e Mattos e Silva (2005). Este trabalho justifica-se pela necessidade de se estudar essa variante da língua portuguesa que tende a se perder no tempo e de contribuir para os estudos sobre a história do português brasileiro. Atualmente esse dialeto sobrevive ainda na fala das pessoas mais idosas e é provável que nas próximas gerações esses vestígios desapareçam. Os resultados preliminares observados apontam para a hipótese de permanência de traços antigos da língua portuguesa nesse dialeto, mais do que a interferência dos outros substratos – indígena e africano. Esta atividade está vinculada à área de Estudos Linguísticos do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem – PPGEL e aos projetos de pesquisa “Estudo do português em manuscritos produzidos em Mato Grosso a partir do século XVIII – UFMT” e “Para a História do Português Brasileiro – Mato Grosso – PHPB-MT”.

Palavras-chave: Dialeto cuiabano; Filologia; Sociolinguística; História social.

 

Minibiografias:

Kênia Maria Correia da Silva é graduada em Letras Português-Inglês pela UFMT (2007), mestre em Estudos Linguísticos – Filologia e Língua Portuguesa pela UFMT (2013) e doutoranda do Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem da UFMT. Possui experiência nas áreas de Língua Portuguesa, Filologia, Crítica Textual e Língua Inglesa.

Elias Alves de Andrade é graduado em Letras – Português/Francês pela PUC-MG (1973), especialista em Linguística pela UFMG (1978) e doutor em Letras – Filologia e Língua Portuguesa pela USP (2007). É sócio correspondente da Academia Brasileira de Filologia – ABRAFIL e Professor do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da UFMT.


Comunicação 24

Variação e ensino em contexto Norte de Mato Grosso

Autoras:

Graci Leite de Moraes da Luz – UNEMAT – luzgraci@yahoo.com.br

Tamiris Marques Eng Wang – UNEMAT – tamiris.engwang@gmail.com

 

Resumo:

Pretendemos com este trabalho discutir o processo de maneira teórico-metodológica de algumas variações linguísticas encontradas na região Centro-Oeste brasileira, especificamente em contexto Norte matogrossense, Sinop-MT. Na tentativa de compreender de que forma as variedades linguísticas se apresentam nos falantes, alunos de duas escolas, quais sejam, uma na rede Municipal e outra na estadual, e verificar as marcas linguísticas evidenciadas nas produções escritas escolares. Uma vez diagnosticado que as formas consideradas “erradas” são frequentes também na fala culta, há a necessidade de evidenciar diferentes abordagens da língua para compreender os fenômenos da linguagem considerando o contexto social. Dessa forma, pactuamos, aqui, com autores como Alkmim (2003), Camacho (2003), Scherre (2005), Bortoni-Ricardo (2008, 2014) e Mollica (2016), para citar alguns, para evidenciar a relação do eixo social com o eixo diatópico da variação e da mudança linguística.

Palavras-chave: Sociolinguística; Variação e ensino; Língua portuguesa.

 

Minibiografias:

Graci Leite Moraes da Luz é mestranda pela UNEMAT e possui graduação em Letras pela Fundação Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Jacarezinho-PR. Atualmente é professora da Universidade do Estado de Mato Grosso e integra o projeto Diversidade e Variação Linguística em Mato Grosso. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em sintaxe.

Tamiris Marques Eng Wang é graduada em Licenciatura plena em Letras/Inglês e mestre em Linguística pela UNEMAT. Atualmente é professora da Universidade do Estado de Mato Grosso.


Comunicação 25

A fala manauara: documentação e análise do português falado em Manaus-AM

Autoras:

Silvana Andrade Martins – UEA – andrademartins.silvana2@gmail.com

Jussara Maria Oliveira de Araújo – UEA – jussaraaraujo@gmail.com

 

Resumo:

As variedades do português em território brasileiro têm sido objeto de vários estudos. No que se refere ao estudo da norma urbana do português falado em algumas metrópoles brasileiras, tem-se como marco a década de 1960. Entretanto, em referência ao português amazonense, não há muitos estudos quando comparados a outras regiões do Brasil. Atualmente, Manaus tornou-se uma metrópole, com mais de 2 milhões de habitantes, e, a partir de 2009, a norma urbana falada na capital amazonense tornou-se alvo de pesquisas sistemáticas realizadas pelo projeto FAMAC: Fala Manauara, da Universidade do Estado do Amazonas. Esta variedade do português falado em Manaus traz em sua formação a influência de falares representada por diferentes culturas. Conta com a contribuição de imigrantes japoneses, árabes, entre outros; migrantes de outras regiões do Brasil, principalmente do Nordeste, como os cearenses; de outros estados da região Norte, como os paraenses; e do interior do Amazonas. Em sua população, há também um significativo contingente de indígenas que falam o português como segunda língua. Toda essa miscigenação de falares constitui o português do manauara, que apresenta suas particularidades em relação ao português falado em outras regiões do País no que se refere a aspectos fonético-fonológicos, morfossintáticos, semântico-lexicais. Com o objetivo de documentar e analisar o português manauara, o FAMAC constituiu um banco de dados digital, com arquivos sonoros e escritos. Esses registros seguem uma metodologia de transcrição grafemática da fala (MARCUSCHI, 2002) e está organizado em três tipos de inquéritos: diálogos entre dois informantes, diálogos entre informante e documentador e elocuções formais. Esta documentação pode ser acessada pelo site famac-uea.blogspot.com. Esses registros têm subsidiado análises linguísticas sobre temas como nasalidade, neutralização de /l/ e /l/ e /n/ e /ɲ/ antes de /i/, gradação, expressão de futuridade, gerúndio, variação ‘tu’/’você’, ‘nós’/’a gente’, entre outros.

Palavras-chave: Sociolinguística; Variedade do português; Fala manauara.

 

Minibiografias:

Silvana Andrade Martins é professora titular do curso de Letras da Universidade do Estado do Amazonas e atua no Programa de Mestrado em Letras e Artes dessa instituição. É mentora e coordenadora do projeto FAMAC e se dedica aos estudos sociolinguísticos com enfoque nos estudos da variedade do português e do português em inter-relação com línguas indígenas.

Jussara Maria Oliveira de Araújo é professora assistente do curso de Letras Mediado por Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas e pesquisadora do Projeto FAMAC.


Comunicação 26

Diversidade sociolinguística do português parintinense: uma análise do léxico indígena nas toadas dos Bois-Bumbás de Parintins-AM

Autoras:

Dulcilândia Belém da Silva – Secretaria de Educação – AM – landiamanaos@hotmail.com

Silvana Andrade Martins – UEA – andrademartins.silvana2@gmail.com

 

Resumo:

A variedade do léxico do português falado em Parintins, cidade interiorana do Amazonas, conhecida como Ilha Tupinanbarana, evidencia a inserção de palavras indígenas que compõem o léxico mental dos parintinenses: curumim, cunhataim, boitatá, boiúna, tapiri, maracá etc., sem que esses falantes muitas vezes sejam conscientes de que estas palavras são de origem indígena. Nesta perspectiva, este estudo objetiva demonstrar a correlação linguística entre o português e as línguas indígenas, evidenciando o hibridismo sociocultural que compõe a cultura cabocla e que contribui para a formação do léxico do português falado nessa região do Brasil. Para isso, foram analisadas as letras das toadas do festival folclórico de Boi-Bumbá, com a finalidade de catalogar as palavras de origem indígena que são utilizadas nessas composições musicais. Essa é uma festa que promove uma competição entre dois Bumbás, Caprichoso e Garantido, realizada anualmente, no mês de junho, em homenagem à tribo indígena que habitou nesse lugar. A partir do final da década de 1980, observou-se que, nas letras destas toadas, começaram a aparecer palavras de origem indígena, principalmente as provenientes do tronco Tupi. A abordagem teórica insere-se na linha da Sociolinguística. Citam-se Hall (2002), Calvet (2002), Freire (2003), além de autores que tratam da Lexicografia, como Coseriu (1977) e Birderman (2001). A pesquisa compreende o período de 1986, quando se detectou a inserção de vocabulário indígena nas toadas, até 2013. O corpus constituiu-se de 1014 toadas, das quais 466 possuem vocabulário indígena, contabilizando a ocorrência de 1354 palavras distintas. Verificou-se a frequência destes vocábulos bem como as motivações e repercussões dessa inclusão na comunidade parintinense. A partir desses resultados, foi organizado um dicionário topicalizado, com 211 verbetes de origem indígena que representam parte do léxico do português parintinense empregado nas letras de toadas.

Palavras-chave: Sociolinguística; Variedade do português; Léxico; Línguas indídenas.

 

Minibiografias:

Dulcilândia Belém da Silva é mestre pela Universidade do Estado do Amazonas e professora da Educação Básica do Estado do Amazonas. Seus estudos são na área da Sociolinguística do Português.

Silvana Andrade Martins é professora titular do curso de Letras da Universidade do Estado do Amazonas e atua no Programa de Mestrado em Letras e Artes dessa instituição. É mentora e coordenadora do Projeto FAMAC e se dedica aos estudos sociolinguísticos com enfoque nos estudos da variedade do português e do português em inter-relação com línguas indígenas.


Comunicação 27

Aspectos da variedade étnica do português Macuxi

Autor:

Rodrigo Mesquita – UFRR – rodrigo.mesquita@ufrr.br

 

Resumo:

Os estudos de variedades étnicas do português, realizados na perspectiva da sociolinguística, têm revelado que essas variedades são constituídas não somente pelo português mas também pelas línguas indígenas com as quais o português permanece ou esteve em contato. Além disso, constituem-se como variedades específicas de cada povo (BRAGGIO, 2015), levando-se em consideração as tipologias do bi/multilinguismo, a aquisição das línguas (português como primeira, segunda, terceira… língua) e as configurações sociolinguísticas em geral, muitas vezes marcadas por conflitos diglóssicos. Neste trabalho, apresentamos alguns aspectos do léxico na variedade étnica do Português Macuxi. Essa variedade é utilizada por indígenas da etnia Macuxi que vivem na zona urbana e rural de Boa Vista, além de dezenas de comunidades localizadas em Terras Indígenas no Estado de Roraima, Brasil. Consideramos, na análise preliminar dos dados, alguns aspectos da língua Macuxi (família Karib) e das configurações sociolinguísticas atuais no processo de aquisição do português, seja como L1 ou L2. Descrevemos, então, alguns processos na formação de itens lexicais tais como tamanuwa “tamanduá”, akare “jacaré”, prattu “prato” e kaware “cavalo”, por exemplo. Nos dois primeiros exemplos, há apagamentos relacionados aos aspectos fonológicos do Macuxi. Nos dois últimos, o deslocamento do acento para a sílaba final pode ser explicado se consideramos o padrão de acento com posição fixa das palavras isoladas da língua indígena, ou seja, com intensidade recaindo na última sílaba da palavra (CUNHA, 2004). Espera-se que este estudo e seus subsequentes possam contribuir para a educação escolar indígena, mais especificamente para o ensino de português como L1 ou L2. Ao considerar as peculiaridades linguísticas de uma dada comunidade, assim como as configurações sociolinguísticas e culturais, acreditamos tornar mais palpável a proposta de uma educação diferenciada e efetivamente bi/multilíngue, conectada com as características dos povos indígenas e suas visões de mundo.

Palavras-chave: Sociolinguística; Língua portuguesa; Variedade étnica; Macuxi.

 

Minibiografia:

Rodrigo Mesquita é Doutor em Letras e Linguística pela UFG. Atua como pesquisador associado no Núcleo Histórico Socioambiental (NUHSA) e é professor da UFRR. Coordena um grupo de pesquisa voltado à educação indígena e ao mapeamento sociolinguístico e cultural de povos indígenas de Roraima-Brasil (PLEI-CNPq). Suas publicações têm como foco a análise sociolinguística, o contato entre línguas, a documentação, descrição e análise de línguas indígenas.


Comunicação 28

A inter-relação do português e línguas indígenas nas toadas de Boi-Bumbá de Parintins-AM

 

Autora:

Dulcilândia Belém da Silva – Secretaria de Educação – AM – landiamanaos@hotmail.com

 

Resumo:

Este estudo de cunho sociolinguístico e dialetológico apresenta um dicionário elaborado a partir dos resultados de pesquisa de mestrado realizada por Silva (2013), referente à inter-relação do português e línguas indígenas, evidenciada nas letras de toadas do Boi-Bumbá de Parintins. A partir desse estudo, Silva e Martins (no prelo) organizaram um dicionário ilustrado. A metodologia empregada constituiu-se da seleção de um conjunto das 211 palavras de origem indígena que ocorrem nessas composições, as quais foram organizadas em macrocampos semânticos: fauna, cosmogonia, cultura imaterial, etnias, hidrografia, seres humanos e vegetação. Para cada entrada lexical, apresentam-se as definições, informações específicas sobre o emprego da palavra e seus significados na cultura popular amazônica. O dicionário também traz exemplos de sua ocorrência em um verso da toada e informações referentes aos compositores e data de divulgação. A fundamentação teórica que orienta este trabalho são os pressupostos da lexicografia, na perspectiva de Coseriu (1997) e Birderman (2001). Os resultados ressaltam a influência das línguas indígenas no léxico do português do parintinense expresso nas composições de toadas de Boi-Bumbá de Parintins.

Palavras-chave: Sociolinguística; Língua portuguesa; Variedade étnica; Macuxi.

 

Minibiografia:

Dulcilândia Belém da Silva é mestre pela Universidade do Estado do Amazonas e professora da Educação Básica do Estado do Amazonas. Seus estudos são na área da Sociolinguística do Português.


Comunicação 29

Uso de anglicismos na linguagem do ‘make-up’: mestiçagens linguístico-culturais na língua portuguesa

Autoras:

Olandina Della Justina – UEMT – olandina2008@hotmail.com

Juliana Freitag Schweikart – UEMT – juliana@unemat-net.br

 

Resumo:

Esta comunicação tem por objetivo apresentar os resultados de uma pesquisa que discute o uso de anglicismos, ou seja, palavras oriundas da língua inglesa que se misturaram à Língua Portuguesa, por profissionais brasileiros que atuam com a área de beleza e cosméticos. O estudo foi motivado pela constatação de que tais termos se fazem presentes de forma recorrente em várias áreas profissionais e sociais marcando sua ubiquidade no Português do Brasil. Delimitamos o estudo para a área de linguagem especializada da beleza e cosméticos por se configurar em uso corrente e por demarcar neologismos constantemente, devido à oferta de bens de consumo e novos hábitos que fazem parte da vida moderna. O estudo dialoga com autores como Pennycook (1994), Ortiz (2003), Rajagopalan (2003, 2005), Justina (2006, 2008), Cox e Assis-Peterson (2007), Assis-Peterson (2008), Carvalho (2009), entre outros, que discutem a expansão e o uso da língua inglesa pelo mundo. Ainda dialoga com Hymes (1964), Labov (1978), Camacho (2003) e Mollica (2004, 2011), na perspectiva da diversidade e riqueza linguística da língua portuguesa. Como metodologia da pesquisa, recorremos à pesquisa qualitativa de base etnográfica e à entrevista qualitativa como instrumento de coleta de dados, os quais foram analisados à luz da abordagem interpretativa. Todas as entrevistas foram realizadas no locus de atividade profissional de cada participante. Com base nos dados analisados, observamos que os termos tomados por empréstimo da língua inglesa são marcados por processos transglóssicos e transculturais nos quais as características fonéticas, morfológicas e semânticas do português do Brasil se “misturam” com o termo proveniente da língua estrangeira.

Palavras-chave: Sociolinguística; Português do Brasil; Língua inglesa; Anglicismos; Linguagem especializada.

 

Minibiografias:

Olandina Della Justina é mestre em Estudos da Linguagem pela UFMT e doutora em Estudos Linguísticos pela UNESP/IBILCE. É professora efetiva da UNEMAT, campus de Sinop, atuando no curso de Letras.

Juliana Freitag Schweikart possui mestrado em Linguística Aplicada pela UNISINOS e doutorado em Estudos Linguísticos pela UNESP/IBILCE. É professora do curso de Letras da UNEMAT, campus de Sinop.


Comunicação 30

A língua portuguesa falada pela população indígena wapichana na região Serra da Lua-RR

 

Autora:

Ananda Machado – UFRR – ananda.machado@ufrr.br

 

Resumo:

A língua portuguesa falada pela população indígena que tem como primeira língua o Wapichana tem algumas especificidades decorrentes das diferenças entre esta língua e a língua portuguesa falada no Brasil. A língua Wapichana é falada no Brasil e na República Cooperativa da Guiana. No Estado de Roraima, atualmente, há aproximadamente 4.000 falantes da língua Wapichana, que é uma língua de origem Aruak. A região indígena no Brasil com o maior número de falantes da língua Wapichana é a Serra da Lua, que faz fronteira com a “Guiana Inglesa”. Nessa região há também a população Macuxi e esses povos compartilham o mesmo território, tendo muita influência entre culturas e línguas. Além de conviver com o uso da língua portuguesa no Brasil e inglesa na Guiana, os falantes da língua Wapichana recebem influências dos falantes das línguas Macuxi, Wai Wai e Atoraiu, também pertencentes à família linguística Aruak. Assim, encontramos diversidade de línguas indígenas. Dentro da própria região Serra da Lua há variação entre os que moram na Terra Indígena Jacamim, afastada umas cinco horas de viagem de carro da capital do Estado de Roraima, Boa Vista, e os que moram nas comunidades mais próximas às sedes dos municípios. O texto apresenta e traz uma reflexão sobre alguns dados coletados durante nossa pesquisa de doutorado, concluído em outubro de 2016, que tratou de aspectos da história social da língua Wapichana e também de nossas ações de extensão que vêm sendo trabalhadas desde 2009 com os Wapichana.

Palavras-chave: Língua portuguesa; Wapichana; Variação linguística.

 

Minibiografia:

Ananda Machado é mestre pela UEA e doutora em História Social, com vínculo efetivo desde 2009 no curso Gestão Territorial Indígena com ênfase em Patrimônio Cultural Indígena. Coordena, desde 2010 o Programa de Valorização das Línguas e Culturas Macuxi e Wapichana, que tem cursos para o ensino dessas línguas e culturas na UFRR. Dedica-se à produção de material didático nas línguas Macuxi e Wapichana. Seus estudos são na área da Sociolinguística do Português.


Comunicação 31

O uso da preposição ‘ni’ em comunidades rurais: um estudo varicaionista

Autores:

Emerson Santos de Souza – UEFS – souza.emersonsantos@hotmail.com

Joana Gomes dos Santos Figuereido – UFRB – joanagsf@gmail.com

 

Resumo:

Souza (2015) averiguou a substituição da preposição ‘em’ por ‘ni’ em três comunidades linguísticas diferentes: a rural, a popular e a culta da cidade de Feira de Santana-BA. Nos resultados obtidos, observou que a maior recorrência de uso da variante inovadora, neste caso o ‘ni’, foi no português rural, apesar de a preposição ‘em’ ser mais frequente. A partir desse dado, questiona-se se essa preposição seria uma marca da fala rural do português brasileiro (PB). Souza (2015), a partir da hipótese do contato linguístico entre portugueses e africanos, durante o processo de colonização, sugere que a presença da preposição ‘ni’ tenha a ver com uma convergência semântica ocorrida entre elementos linguísticos de diferentes línguas de valor locativo usados naquela época. Recentemente, Souza et al. (2016) propôs que o ‘ni’ talvez esteja relacionado às mudanças linguísticas provocadas pela deriva secular. Todavia, independentemente da forma como essa variante foi incorporada ao PB, desejou-se, através da coleta de novos dados, neste caso, de mais uma comunidade rural (Bananal/Barra dos Negros), confrontar os dados com os de Souza (2015). Esta pesquisa teve por base a metodologia laboviana, que utiliza programas estatísticos através dos quais as variáveis (in)dependentes selecionadas são cruzadas. Os resultados apontam que a preposição ‘em’ é mais utilizada na fala, porém, com os resultados da aplicação de ‘ni’, percebe-se que se trata de uma regra semi-categórica daquela preposição. Na rodada de dados do programa Goldvarb, dois grupos de fatores foram selecionados: traço semântico do SN e nível de escolaridade. O ‘ni’, de acordo com as rodadas, tem valor essencialmente locativo; além disso, é um elemento linguístico que marca a fala de pessoas analfabetas e residentes em espaços rurais.

Palavras-chave: Preposição ‘ni’; Português rural; Variação.

 

Minibiografias:

Emerson Santos de Souza é mestre em Estudos Linguísticos pela UEFS, docente da Rede Municipal de Ensino de Araci-BA e da Rede Estadual de Ensino da Bahia. É doutorando em Linguística na UNICAMP.

Joana Gomes dos Santos Figuereido é mestre em Estudos Linguísticos pela UEFS e Docente da Faculdade Maria Milza – FAMAM e da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB. É doutoranda em Linguística na UNICAMP.


Comunicação 32

Ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa em comunidades pomerano-brasileiras: contatos, interferências e questões linguísticas

Autora:

Neubiana Silva Veloso Beilke – UFU – neubianabeilke@mestrado.ufu.br

 

Resumo:

O objetivo desta comunicação é apresentar um recorte da nossa pesquisa de mestrado que estudou a variedade brasileira do pomerano, a qual denominamos Brasilianisch-Pommersch. Compilamos corpora do pomerano e estabelecemos uma relação com os estudos geolinguísticos ao utilizar seu método para a coleta e composição de corpus oral dialetal. Nossos objetivos específicos são: i) descrever alguns fenômenos de variações linguísticas decorrentes do contato pomerano-português, distribuídas no espaço geográfico brasileiro; ii) expor dificuldades encontradas no ensino de Português para crianças pomeranas, listando exemplos de interferências pomerano-português; e iii) propor sugestões para um ensino de Português que aborde as variações. Salientamos que, embora, no Brasil, a língua portuguesa seja a oficial, para algumas crianças pomeranas, o português é a segunda língua e o pomerano é a língua materna. Algumas dessas crianças, no contexto escolar, apresentam dificuldades na aprendizagem do português. Isso ocorre porque, em casa, fala-se pomerano e, ao entrarem na escola, essas crianças enfrentam um contexto monolíngue. Apresentaremos algumas variações dialetais obtidas por meio da aplicação do Questionário Semântico-Lexical (QSL). As respostas foram comparadas com os dados encontrados em alguns atlas e levantamentos linguísticos. Nossos referenciais são Ribeiro (1977), Martins (2006), Castro (2006), Benincá (2008), Rodrigues (2010), Rúbio (2010), Schaeffer (2012), Cristianini (2012), Takano (2013), Romano e Seabra (2014), Amaral (2014) e Santos (2014). Nosso trabalho baseia-se em pesquisas bibliográficas sobre comunidades pomeranas, no contato com pomeranos, no trabalho de campo, na realização de entrevistas e em visitas a algumas escolas que atendem a crianças pomeranas. Concluímos que a metodologia da Sociogeolinguística (CRISTIANINI, 2012) pode contribuir para o conhecimento e enfrentamento dos desafios relacionados ao ensino-aprendizagem de línguas (maternas e estrangeiras), inclusive no que se refere ao conteúdo de português trabalhado com as crianças nas comunidades pomerano-brasileiras.

Palavras-chave: Pomerano; Língua portuguesa; Sociogeolinguística; Contato de línguas; Dialetologia.

 

Minibiografia:

Neubiana Silva Veloso Beilke é mestranda em Estudos Linguísticos na UFU. Criou o Pommersche Korpora. Pesquisa a variedade brasileira do pomerano. Integra os Grupos de Pesquisa GPS, GPELC e Plex. Consultora do Projeto Pomerando. Membro do Grupo de Estudos para Inserção da Cultura Pomerana no Currículo da Rede Municipal de Ensino de São Lourenço do Sul.


Comunicação 33

Atitudes linguísticas de universitários na percepção de variedades regionis

Autora:

Marisa Porto do Amaral – FURG-RS – marisa@vetorial.net

 

Resumo:

Desde as décadas de 1960, 1970 e 1980, psicólogos sociais e linguistas como Lambert (1960), Fishman (1971) e Preston (1981) utilizavam técnicas de medir atitudes linguísticas: as reações e julgamentos de informantes sobre a fala dos outros. Atitude linguística, para Moreno Fernández (1998), é uma manifestação social dos indivíduos com relação à língua e ao seu uso, ou seja, atitudes sobre estilos, dialetos, línguas diferentes. No III Congresso Internacional de Dialetologia e Sociolinguística – III CIDS, em 2014, realizado na cidade de Londrina (PR), apresentamos um estudo piloto sobre atitude linguística de universitários da Universidade Federal do Rio Grande, em que 24 alunos de várias cidades do País, que frequentavam 15 cursos, julgaram o discurso de pessoas de diferentes regiões do Brasil, mediante uma escala de valores. O resultado mostrou que o dialeto gaúcho teve a preferência, tanto em agradabilidade quanto em correção. No presente estudo, resolvemos comparar esse resultado com a avaliação de 16 alunos dos cursos de Letras, cuja formação linguística é contemplada com a disciplina de Sociolinguística, em que variação e atitudes são conteúdos fundamentais. A metodologia utilizada é a mesma do estudo piloto: sete entrevistas de 1 minuto com trechos da fala representativa das cinco regiões do País, extraídas de programas televisivos, para que, através da audição de trechos de fala e segundo uma escala de valores, os informantes avaliem quanto ao grau de agradabilidade e correção a fala de diferentes regiões do Brasil.

Palavras-chave: Atitude linguística; Avaliação; Dialeto.

 

Minibiografia:

Marisa Porto do Amaral é professora de Fonologia, Sociolinguística e Variação Linguística e Ensino de Língua da Universidade Federal do Rio Grande – FURG (RS). Possui Doutorado em Letras (área de concentração Linguística Aplicada) pela PUC-RS. É integrante do Grupo de Variação e Fonologia do VARSUL, na PUC-RS.


Comunicação 34

Sujeito de primeira pessoa do singular em orações infinitivas iniciadas pela preposição ‘para’: uso variável em textos escolares

Autoras:

Lílian de Sant’Anna Maia – UESC – lilisonsantos@hotmail.com

Gessilene Silveira Kanthack – UESC – gskanthack@yahoo.br

 

Resumo:

Nesta pesquisa, investigamos a relevância de fatores extralinguísticos na alternância do uso dos pronomes ‘eu’/’mim’ em orações infinitivas iniciadas pela preposição ‘para’. O interesse da investigação surgiu ao detectarmos, ao longo do tempo em sala de aula, as dificuldades que os(as) alunos(as) demonstram em usar a regra prescrita pelas gramáticas de orientação normativa. Utilizamos como corpus textos escritos (relatos de experiências pessoais) de alunos(as) do sexto e do nono anos do Ensino Fundamental, analisados sob a perspectiva da Sociolinguística Variacionista (LABOV 2008 [1972]). Os resultados da pesquisa apontam o uso predominante de variantes inovadoras (‘mim’/Ø) e o desuso da variante prescrita (‘eu’). Evidenciam, também, que fatores extralinguísticos como ‘escolaridade’ e ‘gênero’ exercem pressão sobre os usos, motivando, assim, a variação linguística, um fenômeno que ainda não é bem compreendido no âmbito escolar. Nesse sentido, apresentamos uma proposta de orientação didática, aliando teoria e prática, no intuito de orientar o tratamento a ser dado à variação linguística, em especial, à regra estudada.

Palavras-chave: ‘Eu’/‘mim’; Fatores extralinguísticos; Sociolinguística variacionista.

 

Minibiografias:

Lílian de Sant’Anna Maia é graduada em Letras e Artes pela UESC; pós-graduada em História Regional pela UESC; pós-graduada em Estudos Comparados em Literaturas de Língua Portuguesa pela UESC; graduada em Ciências Sociais pela UESC; Mestranda do PROFLETRAS – UESC.

Gessilene Silveira Kanthack é doutora em Linguística pela UFSC, professora titular da UESC e integra o Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagens e Representações e o PROFLETRAS. Desenvolve pesquisas na área da sintaxe, contemplando aspectos de mudança.


Comunicação 35

A variação linguística na perspectiva dos gêneros textuais orais

Autora:

Marilda Alves Adão Carvalho – UEG/UFU/CAPES – mari_carvalhof3@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho, fundamentado nos constructos teóricos da Sociolinguística Variacionista, numa interface com a Linguística Textual de vertente sociointeracionista, pretende abordar a oralidade na sua dimensão textual e comunicativa como meio de interação social nas situações de interlocução, assim como elucidar uma prática pedagógica em que os gêneros textuais orais ganhem espaço no ensino de Língua Portuguesa, de modo a favorecer ao sujeito pensar e reconhecer as situações interlocutivas que exigem variação dos usos linguísticos, para que ocorra, então, a interação entre os sujeitos da comunicação. Para tanto, procurar-se-á desmistificar a crença de que a oralidade é sempre frouxa, distensa, propiciando, pois, a compreensão de que ela pode assumir ou compartilhar as mesmas características quanto à organização linguístico-estrutural da escrita, o que demanda, por sua vez, a compreensão da relevância do contexto situacional para que os gêneros fundados na oralidade cumpram suas funções sociais, estabelecendo o cruzamento e o entrecruzamento destes com a variabilidade linguística. Nessa perspectiva, é preciso que o professor de Língua Portuguesa considere os estudos linguísticos que tratam do ensino da oralidade bem como o que preconizam os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs do Ensino Fundamental quanto à necessidade de dotar o aluno de competências e habilidades no uso não só da escrita como também da oralidade, para que, então, ele possa responder, satisfatoriamente, às demandas de seu universo de vida sociocultural, concernentes ao uso da linguagem oral. Logo o que se espera por meio desta comunicação é desvendar novas possibilidades de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa que sejam capazes de facultar um novo olhar sobre os gêneros orais: atividades que, partindo do texto para o texto, contribuem para o estudo da variação linguística, o que converge, sobremaneira, para o desenvolvimento da competência comunicativa do aluno e para a sua inserção social.

Palavras-chave: Gêneros orais; Variação linguística; Competência comunicativa; Inserção social.

 

Minibiografia:

Marilda Alves Adão Carvalho é mestre em Língua Portuguesa pela PUC-SP e doutoranda em Estudos Linguísticos na UFU. Possui experiência em Língua Portuguesa e Linguística e atua nas seguintes áreas: Ensino-Aprendizagem de Língua Portuguesa, Sociolinguística Variacionista, Letramento, Linguística Histórica, Linguística Textual.


Comunicação 36

‘Caminho de São Tiago’ ou ‘via-láctea’: por onde passam as escolhas lexicais?

 

Autora:

Selma Sueli Santos Guimarães – UFU – selmasu@terra.com.br

 

Resumo:

Investigar uma língua e suas variações implica investigar também a cultura, pois é possível dizer que as características culturais de uma sociedade são, normalmente, armazenadas e acumuladas por meio do sistema linguístico, sobretudo por meio do léxico. No Brasil, a língua falada é o português. Apesar disso, verifica-se, em todo o País, uma grande diversidade no emprego de palavras, isto é, na escolha lexical feita pelo sujeito para nomear a realidade à sua volta. Portanto estudos voltados para essa diversidade linguística se tornam necessários e produtivos. O registro das variações linguísticas é, normalmente, obtido pela aplicação do Questionário Semântico-Lexical. A partir da observação atenta das respostas dadas pelos sujeitos a esse questionário, é possível identificar registros da memória discursiva na qual esses sujeitos estão inscritos e da qual eles se apropriam em suas interações. O presente estudo tem o objetivo de depreender e identificar a produção de sentidos e os registros da memória discursiva subjacente aos elementos textuais-discursivos presentes nas respostas dos sujeitos a uma questão do Questionário Semântico-Lexical, utilizado no Atlas Linguístico do Paraná, elaborado por Aguilera em 1994, qual seja, “Em noite bem estrelada, como se chama aquele espaço cheio de estrelas, até esbranquiçado, que fica bem no meio do céu?”. Para a análise, foram examinados os itens lexicais utilizados pelos sujeitos em suas respostas, as notas relativas aos cartogramas e as observações da autora do atlas. A análise permitiu observar que as diversas escolhas lexicais, ao produzir novos efeitos de sentido, constituem-se no registro da memória discursiva na qual se inscrevem os sujeitos e da qual eles se apropriam em suas interações, sustentando a ideia de que o sentido se produz em um espaço social diretamente ligado à inscrição ideológica do sujeito, pois sua voz revela esse espaço social no qual ele se inscreve.

Palavras-chave: Escolhas lexicais; Via-láctea; Dialetologia.

 

Minibiografia:

Selma Sueli Santos Guimarães é doutora em Linguística pela USP (2013). É professora do Ensino Técnico e Tecnológico do Colégio de Aplicação Escola de Educação Básica da UFU, atuando no ensino-aprendizagem de línguas. Participa como membro integrante do GPDG – Grupo de Pesquisas em Dialetologia e Geolinguística da USP.


Comunicação 37

Avaliação das variantes: crenças e atitudes linguísticas em professores alfabetizadores

 

Autores:

Sandro Bochenek – UEL – sandro@marilia.unesp.br

Cláudia Gomes Albuquerque Hauly – UEL – haulyclaudia@hotmail.com

 

Resumo:

O presente estudo tem por objetivo coletar dados relativos às crenças linguísticas de professores alfabetizadores, tendo em vista que as crenças inevitavelmente produzem atitudes sejam estas de caráter metodológico, avaliativo, valorativo, entre outros. De carácter bibliográfico e de campo, a pesquisa utiliza-se de autores como Lucchesi (2004) e Cyranka (2014), dentre outros, na definição do que vêm a ser crenças bem como atitudes linguísticas e outros autores da Sociolinguística, como Bortoni-Ricardo (2005, 2015), Labov (2008), Faraco (2008) e Luchesi (2015). Utilizou-se para essa pesquisa como suporte metodológico a pesquisa bibliográfica e de campo, a qual é uma pesquisa descritiva de cunho qualitativo e perspectiva teórica aliada à pesquisa de campo. Verificou-se de modo geral que os professores alfabetizadores pesquisados apresentam pouco conhecimento relativo às variedades linguísticas em sala de aula, o que, acredita-se, basicamente contribui para a perpetuação da ideia da existência de uma homogeneidade linguística, negligenciando-se, desse modo, a heterogeneidade linguística inerente a todas as línguas e sociedades.

Palavras-chave: Variação linguística; Crenças e atitudes; Professores alfabetizadores.

 

Minibiografias:

Sandro Bochenek tem graduação em Letras Português/Inglês pela UEL, é especialista em Interfaces Linguísticas, Literárias e Culturais pela UNIOESTE-PR e mestre em Educação pela UNESP. É doutorando em Estudos da Linguagem na UEL.

Cláudia Gomes Albuquerque Hauly tem graduação em Letras Português/Inglês pela UEL e pós-graduação em Língua Portuguesa pela UNOPAR. É mestranda em Estudos da Linguagem na UEL.


Comunicação 38

Consoante lateral líquida no falar caipira da comunidade de Mutuca-MT

Autora:

Criseida Rowena Zambotto de Lima – UFMT – cris_zambotto@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho propõe-se a apresentar o fenômeno fonético-fonológico de variação da consoante líquida lateral /l/ presente no vernáculo da comunidade quilombola de Mutuca, localizada no complexo Boa Vida – Mata-Cavalo. A comunidade localiza-se no município de Nossa Senhora do Livramento, a 50 quilômetros de Cuiabá, às margens da rodovia MT–60, que liga Cuiabá a Poconé. Estudar a história de Mata-Cavalo é tropeçar na história sociolinguístico-cultural da formação de Mato Grosso, principalmente no que diz respeito à contribuição da ação dos bandeirantes. A pesquisa desenvolvida apresentou uma análise da variação do segmento fonético no(s) falar(es) dos quilombolas, usuários do dialeto cuiabano, sem escolaridade, acima de 45 anos. Os pressupostos da sociolinguística laboviana e das pesquisas dialetológicas realizadas sobre traços fonético-fonológicos do português popular caipira orientaram a coleta e a interpretação dos dados. De acordo com Santiago-Almeida (2000), as análises de textos antigos têm fornecido argumentos para as discussões sobre a natureza e a origem do português brasileiro e as descrições linguísticas realizadas nas rotas das bandeiras têm atestado o caráter conservador em determinadas regiões. O levantamento sócio-histórico bem como linguístico do português brasileiro falado nessa região apresenta fortes evidências de uma deriva conservadora (AMARAL, 1920) e de condições linguísticas locais favoráveis ao seu vigor, uma vez que a língua indígena bororo não apresenta esse fonema (COX, 2005). Diante da atualidade, da relevância do estudo e da descrição das diversas variedades dialetais do português brasileiro, propomos uma investigação sobre o aspecto do rotacismo da variedade linguística do português regional falado na comunidade, comparando-a com alguns aspectos da variedade falada na Baixada Cuiabana. A princípio, verificamos que o português de Mata-Cavalo apresenta as mesmas características conservadoras encontradas no dialeto caipira, que, segundo Amadeu Amaral, “hoje, acha-se acantoado em pequenas localidades […] e na boca das pessoas idosas” (1920, p. 42).

Palavras-chave: Dialetologia; Falar caipira; Rotacismo.

 

Minibiografia:

Criseida Rowena Zambotto de Lima é graduada em Letras pela UFMT e mestre em Estudos em Linguagens pela UFMT. É doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Linguagens na UFMT e professora da Rede Estadual de Educação de Mato Grosso.


Comunicação 39

O enfraquecimento das fricativas na fala manauara retratado na página Tal Qual Dublagens

 

Autores:

Kamilla Oliveira do Amaral – UEA – amaralkamilla17@gmail.com

Valteir Martins – UEA – valteir_martins@yahoo.com.br

 

Resumo:

Sob o viés da Teoria da Variação e Mudança Linguística, este estudo aborda o enfraquecimento das fricativas /v/, /z/, /s/, /ʃ/ e /ʒ/ na fala manauara e a relação que as influências midiáticas operam na propagação de fenômenos linguísticos. Para isso, nosso corpus é composto pelos conteúdos produzidos pelo manauara e criador da página Tal Qual Dublagens, portanto selecionamos uma amostra constituída por diversos posts de sua página no Facebook, 5 vídeos de seu canal no Youtube e uma entrevista gravada com o informante. Além disso, para atender aos pressupostos sociolinguísticos, incorporamos ao corpus dados de trabalhos anteriores que analisam o fenômeno observado na cidade de Manaus. O objetivo é analisar os condicionamentos linguísticos (contexto fonológico precedente e seguinte, tipo de sílaba, tonicidade, status morfológico do segmento e frequência de uso) que favorecem a regra de aspiração dos fonemas em questão, tanto na modalidade oral, quanto escrita. Para fins didáticos e comparativos, utilizaremos como referencial os primeiros estudos de natureza variacionista das fricativas no Português Brasileiro, entre os quais: Aguiar (1937), Bueno ([1955] 1967), Silva Neto (1979), Macambira (1987) e Roncarati (1988, 1999). Durante a coleta e análise dos dados, observamos que as variantes linguísticas estudadas apresentam-se em coocorrência, tanto em sua realização plena (manutenção), quanto na forma aspirada [h], como podemos ver em [ˈmaj.zo.ʎɐ] e [ˈma.ho.ʎɐ], variando tanto em posição de ataque, como em coda silábica, neste último caso tendo maior frequência na palatal surda. Os resultados obtidos na análise demonstraram que as condicionantes linguísticas que mais tiveram produtividade no favorecimento da debucalização das fricativas foram: contexto precedente e seguinte, mais aplicados em /ʃ/, e a frequência de uso. Além disso, observamos que a utilização desse e de outros fenômenos linguísticos por uma pessoa pública local influencia de forma muito significativa na minimização de preconceitos linguísticos vigentes na sociedade.

Palavras-chave: Teoria da Variação e Mudança Linguística; Fala manauara; Debucalização; Influências midiáticas; Preconceito linguístico.

 

Minibiografias:

Kamilla Oliveira do Amaral é graduada em Letras e Português pela UEA. Suas áreas de concentração são Sociolinguística e Linguística Histórica.

Valteir Martins é doutor em Linguística pela Vrije Universiteit Amasterdam (2007), com pós-doutorado realizado na mesma instituição. É Mestre em Letras e Linguística pela UFSC (1994), com área de concentração em línguas indígenas. É professor titular da UEA, atuando no Programa de Pós-Graduação em Letras e Artes desta instituição.


Comunicação 40

Características entoacionais dos falares gaúchos

Autora:

Priscila dos Santos – UFRJ – prisciladossantoss@hotmail.com

 

Resumo:

Esta pesquisa prevê a análise dos aspectos prosódicos de enunciados interrogativos totais de 7 municípios do Rio Grande do Sul – Bagé, Chuí, Três Passos, Erechim, Passo Fundo, Vacaria e Santana –, a fim de descrever as suas características melódicas intrínsecas. Para tal, utilizar-se-ão como suporte teórico os princípios da Fonologia Entoacional, encontrados em Pierrehumbert (1980), Ladd (1986) e Prieto (2003), e da Fonologia Prosódica, encontrados em Nespor e Vogel (1986). O corpus utilizado para a pesquisa provirá do Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), o qual se fundamenta nos princípios gerais da Geolinguística, priorizando a variação espacial ou diatópica. Através desta pesquisa, busca-se verificar se os padrões melódicos descritos por Moraes (2008) para as interrogativas totais neutras do português do Brasil (PB) e por Silva (2011) para as interrogativas totais do Rio Grande do Sul também se fazem presentes nos munícipios interioranos do Estado em foco. Serão ouvidos quatro informantes em cada cidade, dois homens e duas mulheres, distribuídos equitativamente por duas faixas etárias: 18-30 anos e 50-65 anos. Os enunciados selecionados devem obedecer aos seguintes critérios: a) constituir um único sintagma entoacional (I), de acordo com a hierarquia prosódica apresentada em Nespor e Vogel (1994); b) apresentar uma elocução neutra, isto é, desprovida de manifestações de foco ou ainda de expressões de sentimento ou atitude; e c) possuir uma qualidade sonora adequada para a segmentação silábica e medição dos valores da Frequência Fundamental. A análise dos dados será feita com o auxílio do programa computacional Praat. Posteriormente à escolha dos dados, o programa computacional Praat será utilizado para a análise de voz. Essa ferramenta possibilita, através da criação de níveis de segmentação, a divisão do enunciado em sílabas, palavras ou fones, o que facilita o registro dos valores de F0.

Palavras-chave: Prosódia; Dialetologia; Interrogativas totais.

 

Minibiografia:

Priscila dos Santos é mestre em Língua Portuguesa pela UFRJ. Atualmente, é bolsista de doutorado (CNPq) pela mesma instituição. Atuou como Bolsista de Iniciação Científica e Auxiliar de Inquérito no Projeto Atlas Linguístico do Brasil (2009-2014). Integra o Projeto Atlas Linguístico do Brasil – fase 3.


Comunicação 41

A variação das vogais médias altas pretônicas no dialeto de Monte Carmelo-MG

Autora:

Fernanda Alvarenga Rezende – UFU – fernandaalvarenga87@gmail.com

 

Resumo:

O principal objetivo deste estudo é descrever e analisar o abaixamento das vogais médias altas /e/ e /o/ na sílaba pretônica no dialeto de Monte Carmelo-MG, em palavras como: r[ɛ]médio para r/e/médio e n[ɔ]vela para n/o/vela. Para a base teórica, utilizamos o modelo da Geometria de Traços, proposto por Clements (1985, 1989, 1991) e revisto por Clements e Hume (1995). Já a metodologia seguiu os preceitos da Teoria da Variação, proposta por Labov (2008[1972]). O corpus foi constituído pela fala espontânea de 24 habitantes nascidos e crescidos no município mineiro e que foram selecionados estratificadamente, de acordo com as três variáveis extralinguísticas consideradas neste estudo, a saber: sexo, faixa etária e grau de escolaridade. As variáveis linguísticas consideradas na análise foram: modo e ponto de articulação do contexto precedente; modo e ponto de articulação do contexto seguinte; altura da vogal da sílaba tônica; posição articulatória da vogal da sílaba tônica; qualidade da vogal da sílaba tônica; distância da vogal média pretônica com relação à sílaba tônica; distância da vogal média pretônica com relação ao início da palavra; tipo de sílaba da vogal pretônica; e item lexical. Após a transcrição de todas as entrevistas, todos os dados referentes à manutenção e ao abaixamento das vogais médias altas pretônicas foram selecionados e codificados para, enfim, serem submetidos ao pacote de programas GoldVarb X. A análise estatística resultou em 6.963 dados, sendo 635 realizações de [ɛ] e 402 de [ɔ] nessa posição de sílaba. Os resultados que obtivemos mostraram que o abaixamento das vogais /e/ e /o/, em posição pretônica, se dá pela regra de harmonia vocálica por meio da assimilação do traço [+ aberto 3]. Esse traço é engatilhado pela vogal média baixa /ɛ/ ou /ɔ/ da sílaba tônica.

Palavras-chave: Abaixamento; Harmonia vocálica; Vogais médias pretônicas; Variação.

 

Minibiografia:

Fernanda Alvarenga Rezende é doutoranda em Estudos Linguísticos na UFU, mestre em Estudos Linguísticos pela UFU (2013), graduada em Letras pela UFU (2010). Foi bolsista de Iniciação Científica no período de 2008 a 2010, sob a orientação do Prof. Dr. José S. de Magalhães. É membro do GEFONO (Grupo de Estudos em Fonologia), que é cadastrado no Instituto de Letras e Linguística (ILEEL) da UFU e coordenado pelo Prof. Dr. José S. de Magalhães.


Comunicação 42

Apócope final de /S/: uma pesquisa sociolinguística na região Centro-Oeste do Brasil

Autor:

Jessé da Silva Lima – UnB – jesse.1548@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho é um estudo sociolinguístico da apócope de /S/ em codas finais, tendo como corpus algumas produções de indivíduos moradores de Goiás, Brasília e a região que fica em seu entorno, mais precisamente o bairro chamado Jardim Ingá. O principal objetivo é verificar o funcionamento desse fenômeno de variação em textos orais, para auxiliar na interpretação do que favorece ou não a sua realização. Os dados foram colhidos através de entrevista pessoal voluntária para, em seguida, serem analisados e quantificados segundo a Teoria da Variação, ou Sociolinguística Variacionista, proposta por Labov. Como base teórica, usam-se os textos de Mattoso Câmara Jr. (1999), Monteiro (2000) e Bagno (2011), além de vários outros. A conclusão encontrada é a de que a apócope de /S/ está interligada a fatores sociais e linguísticos dentro da sociedade e opera segundo o princípio da economia linguística, que visa facilitar a produção de vocábulos e expressões na língua, porém esse fato interfere em alguns padrões morfossintáticos do português brasileiro, como o quadro de pronomes e o padrão flexional do plural. Respostas para esses problemas serão perseguidas e devidamente apresentadas.

Palavras-chave: Sociolinguística; Apócope; Consoante /S/; Brasília; Goiás.

 

Minibiografia:

Jessé da Silva Lima é formado em Letras pela UnB. Possui experiência no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), onde desenvolveu atividades relacionadas à leitura e escrita em escola pública por dois anos, além de desenvolver pesquisas sobre fonética e fonologia do português e sociolinguística.


Comunicação 43

As variáveis sociais no apagamento do -R em coda final nas produções escolares da cidade de Feira de Santana-BA

Autoras:

Paula Freitas de Jesus Torres – UEFS – alwap@hotmail.com

Josane Moreira de Oliveira – UEFS/UFBA – josanemoreira@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem por objeto de investigação as produções escolares de alunos do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, compreendendo os 6º, 9º e 3º anos escolares da rede pública da cidade de Feira de Santana – Bahia, Brasil. Objetiva-se investigar o apagamento do -r em final de palavras e averiguar a influência da oralidade nas produções escritas (ditados de frases e carta). Neste trabalho, identificam-se os contextos extralinguísticos que favorecem o apagamento do rótico em final de palavras na escrita discente feirense. Acredita-se que o fenômeno do apagamento do -r, já encontrado frequentemente na modalidade oral, possa também ser refletido na modalidade escrita. Dessa forma é necessário analisar até que ponto essa mudança, já fortemente verificada na oralidade, tem interferência e recorrência nos textos escritos em sala de aula. Para o desenvolvimento desta pesquisa, de cunho sociolinguístico, utilizou-se o método quantitativo com o suporte do programa Goldvarb X e a análise foi feita à luz da teoria da variação linguística laboviana e de pesquisas já realizadas sobre o apagamento do -r em posição final de palavra na fala e na escrita da língua portuguesa. Foram utilizados os estudos de Callou, Moraes e Leite (1998), Oliveira (1999), Oliveira (2001), Mollica (2003), Costa (2010), Ribeiro (2013) e Santos (2014), entre outros.

Palavras-chave: Apagamento do –r; Sociolinguística; Variáveis sociais; Escrita escolar.

 

Minibiografias:

Paula Freitas de Jesus Torres é mestre em Estudos Linguísticos pela UEFS e desenvolve pesquisa na área de aquisição, variação e mudança linguística no português. É graduada em Letras com Língua Inglesa pela UEFS (2007), especialista em Metodologia do Ensino de Inglês pela FACINTER (2007) e Língua Inglesa pela UNICID (2015). É professora das redes pública e privada de ensino com experiência no ensino de Língua Portuguesa e Língua Inglesa.

Josane Moreira de Oliveira é graduada em Letras pela UFBA (1990), mestre em Letras e Linguística pela UFBA (1999) e doutora em Letras pela UFRJ (2006). Realiza estágio pós-doutoral na UFBA. É professora e pesquisadora da Universidade Estadual de Feira de Santana e da Universidade Federal da Bahia. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística. Integra o Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB).


Comunicação 44

/R/ em coda silábica no interior de Santa Catarina, região Sul do Brasil

Autoras:

Édina de Fátima de Almeida – UEL – edifatro@hotmail.com

Dircel Aparecida Kailer – UEL – ueldircel@hotmail.com

 

Resumo:

O presente estudo, ancorado nos pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista e da Dialetologia, investiga, com base nos dados coletados pela equipe do Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), o uso dos róticos em coda silábica interna e externa de verbos e de nomes no falar de sete localidades do interior catarinense (São Miguel do Oeste, Porto União, Blumenau, Concórdia, Itajaí, Criciúma e Tubarão), região Sul do Brasil. Tem como objetivo identificar os contextos linguísticos (vogal da sílaba alvo, extensão silábica, modo e ponto de articulação seguintes, tonicidade da sílaba) e os contextos extralinguísticos (faixa etária, sexo, localidade e estilo de produção de fala) que atuam favorecendo ou desfavorecendo uma ou outra variante do /R/ nos referidos contextos. Conforme os principais resultados, verificou-se que a região é o principal contexto para o predomínio da variante tepe, seguida da variante retroflexa na maioria das localidades e, de forma bastante tímida, da variante glotal, que ocorre em Itajaí e no falar de um informante de Blumenau.

Palavras-chave: Róticos; Atlas Linguístico do Brasil; Sociolinguística; Dialetologia.

 

Minibiografias:

Édina de Fátima de Almeida é docente da Rede Estadual de Ensino, mestranda na UEL e foi aprovada em duas etapas na seleção de doutorado desta universidade.

Dircel Aparecida Kailer é doutora em Língua Portuguesa e realiza pós-doutorado na UFRJ. É docente da UEL na graduação e na pós-graduação e editora-chefe da revista Signum: Estudos da Linguagem. Integra o Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB).


Comunicação 45

Palatalização no português do Brasil: primeiros resultados de um estudo geossociolinguístico

Autoras:

Marilúcia Barros de Oliveira – UFPA – mariluci@ufpa.br

Simone Negrão de Freitas – UFPA – sinegrabr@gmail.com

 

Resumo:

Com o propósito de contribuir para a construção de um quadro descritivo satisfatório do sistema fonético-fonológico e de variantes regionais e socioculturais do português brasileiro (PB), propomos o estudo da palatalização de fonemas consonantais no Norte e Centro-Oeste do Brasil, tomando os pressupostos teórico-metodológicos da abordagem geossolinguística. Para tanto, iniciamos estudo dos fonemas /t, d, n, l/, usando o banco de dados do projeto Atlas Linguístico do Brasil – AliB, dados do Questionário Fonético-fonológico (QFF), da rede de pontos da área rural, cuja amostra compreende 4 informantes por localidade (distribuídos por sexo, masculino e feminino, e por duas faixas etárias, (1) de 18 a 30 anos e (2) de 50 a 65 anos, sendo todos com escolaridade até a quarta série do Ensino Fundamental). Nossos resultados apontam considerável avanço na regra de palatalização das variáveis examinadas. No entanto esse avanço se apresenta distinto a depender do fonema, região ou localidade avaliada. O exame detalhado dos resultados percentuais mostrou índices de covariância eventual entre os fatores dialetal, estruturais e sociais.

Palavras-chave: Palatalização; Geolinguística; Português do Brasil.

 

Minibiografias:

Marilúcia B. de Oliveira é professora da UFPA, atuando na graduação e na pós-graduação. Coordena e participa de projetos de pesquisa na área de linguística, dentre eles: Atlas Linguístico do Brasil, GeolinTerm, Tesouro do léxico Galego-Português, Atlas Linguístico de Línguas Indígenas do Brasil, Atlas Linguísticos de Comunidades Quilombolas, Atlas Linguístico da Palatalização no Brasil. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística e Dialetologia.

Simone Negrão de Freitas é professora da Faculdade de Letras, campus de Castanhal, da UFPA. Está vinculada ao grupo de pesquisa do Projeto Geossociolinguística e Socioterminologia (GeoLinTerm). É doutoranda no Programa de Pós-Graduação de Letras da UFPA, onde desenvolve pesquisa sobre a palatalização de consoantes no português brasileiro, com base em dados do Projeto Atlas Linguístico do Brasil.


Comunicação 46

A indeterminação do sujeito na Bahia: uma análise qualitativa para a compreensão da história do português

Autor:

Valter de Carvalho Dias – IFBA – valtinhodias@gmail.com

 

Resumo:

Em estudo realizado sobre a indeterminação do sujeito em Salvador, na década de 1990, Carvalho (2010) constatou que os falantes empregam outras estratégias além das canônicas, defendidas pela gramática tradicional, principalmente as formas pronominais ‘você’ e ‘a gente’. Outros estudos realizados também na Bahia, como os de Santana (2006) e Ponte (2008), apontaram o mesmo caminho. Essas estratégias, de acordo com Duarte, Mourão e Santos (2012), passaram a incorporar o quadro pronominal a partir do final do século XIX e início do século XX no Rio de Janeiro, inclusive como recursos de indeterminação, o que levou a pensar se a Bahia acompanhou tal tendência. Para isso, buscaram-se as estratégias de indeterminação empregadas nos gêneros textuais cartas de leitores, cartas de redatores e peças teatrais publicadas também nesses séculos a fim de descrevê-las e identificar quais contextos foram mais favorecedores para o seu uso. O estudo está sendo desenvolvido à luz do Sociofuncionalismo, este entendido como um diálogo possível entre a Sociolinguística Variacionista, que compreende que “é comum que uma língua tenha diversas maneiras alternativas de dizer ‘a mesma’ coisa” (LABOV, 2008 [1972]), e o Funcionalismo, por se preocupar “em estudar a relação entre a estrutura gramatical das línguas e os diferentes contextos comunicativos em que elas são usadas” (CUNHA, 2008, p. 158). Além disso, buscou-se analisar gramáticas do português publicadas nesses períodos e que circularam pelo País. Percebeu-se que a maioria sinalizou como possibilidades o verbo na terceira pessoa do singular com o ‘se’ e o verbo na terceira pessoa do plural, como ainda fazem muitas gramáticas brasileiras contemporâneas, com poucas exceções, que apresentaram também a forma nominal ‘homem’, desaparecida, conforme atesta Menon (2011), no século XVI. Até o presente momento, o pronome ‘nós’ tem se mostrado como a principal escolha na Bahia, cujas justificativas ainda estão sob análise.

Palavras-chave: Indeterminação do sujeito; Sociolinguística; Funcionalismo.

 

Minibiografia:

Valter de Carvalho Dias é doutorando na UFBA, mestre em Estudo de Linguagens pela UNEB (2010), especialista em Estudos Linguísticos e Literários pela UFBA (2005) e graduado em Letras com Espanhol (2006) e Letras com Inglês (2005) pelo Centro Universitário Jorge Amado. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística Quantitativa – Variação Linguística. É professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia.


Comunicação 47

Variação entre ‘nós’ e ‘a gente’ nas funções sintáticas menos produtivas: o que revela o confronto entre o PB e o PE?

Autora:

Juliana Segadas Vianna – UFRRJ – julianasegadas@gmail.com

 

Resumo:

A substituição de ‘nós’ por ‘a gente’ tem sido amplamente estudada no português do Brasil por diversos autores (OMENA, 1986, 2003; LOPES, 1993; ZILLES, 2005, 2007; VIANNA, 2011, VIANNA e LOPES, 2015, entre outros), que indicam o estágio avançado desse processo de mudança, sobretudo na função de sujeito. No português europeu, por sua vez, Vianna (2011) demonstrou que a variação entre as formas de primeira pessoa do plural na função de sujeito, embora apresente semelhanças com o que se observa para o fenômeno no PB, é fundamentalmente determinada por fatores sociais e não caracteriza um processo de mudança em curso. Partindo desse panorama, o objetivo do presente trabalho é descrever a alternância das formas de ‘nós’ e ‘a gente’ nas outras funções sintáticas ainda pouco investigadas pela pesquisa empírica, a saber: (i) acusativo; (ii) dativo; (iii) oblíquo complemento; (iv) oblíquo adjunto. Além das funções observadas no sintagma verbal, também foi controlada a variação das formas de ‘nós’ e ‘a gente’ no interior do sintagma nominal, que podem exercer as seguintes funções: (v) complemento nominal, em sintagmas como ‘benefício da gente/nosso/de nós’; e (vi) adjunto nominal, em sintagmas como ‘nossa casa’ ou ‘casa da gente’. Para tanto, utilizaram-se amostras de fala do Projeto compartilhado “Estudo comparado dos padrões de concordância em variedades africanas, brasileiras e europeias”. Os resultados obtidos indicam um maior conservadorismo no PE em relação ao PB no que se refere ao fenômeno em questão, à semelhança do que já apontavam as pesquisas referentes à função de sujeito.

Palavras-chave: Variação linguística; Pronomes pessoais; Mudança linguística.

 

Minibiografia:

Juliana Segadas Vianna possui graduação em Português-Literaturas pela UFRJ (2003), mestrado em Letras pela UFRJ (2006) e doutorado em Letras pela UFRJ (2011). Realizou pós-doutorado na UFRJ durante os anos de 2012-2013. Atualmente é professora adjunta do Departamento de Letras da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ-IM).


Comunicação 48

Indeterminação do sujeito em PB: do apagamento ao preenchimento, novos caminhos

 

Autora:

Jacqueline de Sousa Borges de Assis – UFU – jac@arax.cefetmg.br

 

Resumo:

Ao lado das formas de indeterminação do sujeito consagradas pela norma gramatical, o PB apresenta outras que conduzem a uma interpretação indefinida do sujeito, ora lexicalizado, com formas pronominais plenas, ora nulo. Este estudo parte da hipótese de que, ao perder o sujeito nulo referencial e um paradigma de pronomes fracos nominativos surgir no lugar do sistema pronominal Agr (KATO, 2000), o PB está caminhando para a perda do nulo expletivo e do genérico. O modelo teórico-metodológico seguido é o da Sociolinguística Paramétrica proposto por Kato e Tarallo (1989). Assim, tendo em vista um direcionamento mútuo entre a variação interlinguística, tem-se como princípio norteador a teoria gramatical de Princípios e Parâmetros, de Chomsky (1981), e avanços desta teoria em sua versão minimalista (KATO, 2000; HOLMBERG, 2010). Considerando a variação paramétrica, este estudo comprova que, quanto à realização de sujeitos indefinidos, o PB e o PE também exemplificam contrastes relevantes: em oposição ao PE, em que a indefinição do sujeito é sinalizada preferencialmente pelo pronome ‘se’, o PB apresenta construções em que sujeitos nulos associados a verbos na 3ª. p. s. são indefinidos e formas plenas são empregadas para indefinir o sujeito, até mesmo em construções existenciais com ‘ter’, as quais têm sido apontadas como uma das propriedades mais proeminentes do português brasileiro em contraste com o europeu. A comparação entre as duas variedades do português comprova a hipótese de que as mudanças sintáticas que desencadeiam alteração de valor do parâmetro do sujeito nulo é um fenômeno que acomete somente o PB. A relevância da análise das variantes elencadas está em detectar se se trata de mudança em progresso, a quais fatores sociais e linguísticos estão relacionadas, de que forma se encaixam nos concomitantes linguísticos das formas em questão e se podem ser consideradas sintomas de alteração de parâmetro em PB.

Palavras-chave: Sociolinguística paramétrica; Parâmetro pro-drop; Indeterminação do sujeito; Sujeito nulo não referencial; Pronomes genéricos.

 

Minibiografia:

Jacqueline de Sousa Borges de Assis é mestre em Linguística – Sociolinguística. É doutoranda do Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos da UFU e revisora de textos do CEFET-MG / Araxá – Brasil.


Comunicação 49

O uso linguístico do pronome variável ‘nós’ em Catalão-GO

Autores:

Flávia Freitas de Oliveira – UFU – flaviafreitas.ufg@gmail.com

Diogo de Campos Alves – UFG – diogo.calves@hotmail.com

 

Resumo:

É lugar comum dizer que a língua está em movimento e, consequentemente, varia e/ou muda nos diferentes níveis da linguagem bem como nos eixos diacrônico e sincrônico. Destacando o eixo sincrônico e as possibilidades de variação linguística até mesmo nas unidades mínimas gramaticais como os pronomes, discutiremos, neste simpósio, os resultados da pesquisa sobre o pronome variável ‘nós’ e as variantes linguísticas ‘a gente’/‘nós’, em diferentes contextos, na cidade de Catalão, Goiás. Mesmo que a gramática consagre o uso de ‘nós’ e, às vezes, pontue o uso de ‘a gente’, a pesquisa aponta o fenômeno como variável em Catalão. Além de verificar diferentes frequências na fala de informantes com diferentes perfis linguísticos, ainda destacamos como gatilho para a variação a variável extralinguística escolaridade. Dentro disso, observamos o perfil linguístico do informante, a escolha da variante e a frequência de uso linguístico da variante que tem preferência na fala dos catalanos. O embasamento teórico-metodológico desta pesquisa é a Teoria da Mudança e Variação Linguística desenvolvida ainda na proposta de Labov (1968), que afirma que a variação é inerente às línguas e não é aleatória, nem livre, mas condicionada por fatores internos e externos ao sistema linguístico. O corpus é constituído por questionários respondidos pelos informantes, que, por exigência do comitê de ética da Universidade, não podem ser identificados. O objetivo principal da investigação linguística é verificar a ocorrência bem como a frequência do fenômeno variável ‘nós’ e ‘a gente’ na fala dos catalanos. Nas diferentes pesquisas do mapeamento linguístico brasileiro, percebemos que o uso de ‘a gente’ passa a ser mais frequente em diversas regiões do Brasil; sendo assim, a pesquisa também confirma quantitativamente a ocorrência do ‘a gente’ e do ‘nós’, verificando ainda os fatores para a maior frequência da escolha e uso de uma das variantes.

Palavras-chave: Variação pronominal; Sociolinguística; Escolaridade.

 

Minibiografias:

Flávia Freitas de Oliveira é doutoranda em Estudos Linguísticos pela UFU, desenvolvendo pesquisas sobre políticas linguísticas e o lugar da variação linguística nos documentos oficiais e material didático do português. Atua nas áreas de Sociolinguística, Variação e mudança, Ensino de língua materna. Integra o grupo de pesquisa Centro de Pesquisa em Ensino de Língua Portuguesa – CEPELP (CNPq/UFU).

Diogo de Campos Alves é graduando em Letras – Português/ Inglês na UFG – Regional Catalão e aluno-pesquisador do grupo GEHPOR – Grupo de Estudos e Pesquisas em História do Português (CNPq – UFG). Tem experiência na área de Linguística, Sociolinguística, Variação e mudança, Língua portuguesa, Língua inglesa.


Comunicação 50

O português popular escrito em carta de migrante sinopense

Autores:

Grasiela Veloso dos Santos Heidmann – UFMT – grasinhavs@hotmail.com

Elias Alves de Andrade – UFMT – elias@cpd.ufmt.br

 

Resumo:

A cidade de Sinop, acrônimo de Sociedade Imobiliária do Noroeste do Paraná, fundada em 1974, recebeu e ainda recebe muitos migrantes de todas as regiões do Brasil. No início de sua formação, havia uma predominância de sulistas vindos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, este último em maior concentração, visto o colonizador pertencer a esta região e já ter desenvolvido projetos de colonização nesse local. Desse modo, a cidade, situada no norte de Mato Grosso, pode ser caracterizada, linguisticamente, como uma cidade multidialetal. Assim, a proposta deste trabalho é apresentar a análise de uma carta familiar manuscrita, redigida por uma migrante sinopense aos seus familiares do Paraná, no ano de 1987, apontando para características que marcam o português popular escrito, doravante PPE, no Brasil, especialmente a(s) variedade(s) dialetal(is) da região Sul, muito presentes em contextos sinopenses, considerando alguns níveis de análise linguística (fonético-fonológico, sintático, semântico-lexical etc.). Nesse sentido, elabora-se a seguinte questão: o PPE pode apontar indícios (produtividade ou não) de usos da modalidade oral nesse material escrito? Como se apresentam, para além dos aspectos fonéticos, as construções morfossintáticas, a exemplo do uso do sujeito, dos conectivos para configurar formas interrogativas de interlocução e uso do pronome do caso reto em posição de objeto, entre outros aspectos? Para tanto, seguem-se os pressupostos teóricos e metodológicos da Filologia (SPINA, 1977; MARQUILHAS, 1998; CAMBRAIA, 2005) para a edição semidiplomática da carta. Para as considerações sobre o português não padrão expresso na epístola, considera-se o aporte teórico da Sociolinguística (LABOV, 1972; MOLLICA e BRAGA, 2003; ALKMIM, 2001) bem como o apoio nos estudos já realizados por Pinto (2001) sobre o PPE. Este é um recorte de pesquisa em andamento que compõe o projeto Para a História do Português Brasileiro – Mato Grosso (PHPB-MT).

Palavras-chave: Filologia; Português popular escrito; Sociolinguística.

 

Minibiografias:

Grasiela Veloso dos Santos Heidmann é graduada em Licenciatura em Letras pela UNEMAT (2009) e mestre em Estudos de Linguagem pela UFMT (2014). Atualmente é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da UFMT, atuando na linha de pesquisa História e descrição do português brasileiro.

Elias Alves de Andrade é graduado em Letras – Português/Francês pela PUC-MG (1973), especialista em Linguística pela UFMG (1978) e doutor em Letras – Filologia e Língua Portuguesa pela USP (2007). É sócio correspondente da Academia Brasileira de Filologia – ABRAFIL e Professor do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da UFMT.


Comunicação 51

A atuação de ‘aí’ e ‘lá’ como formas variantes no domínio funcional da especificação nominal no português brasileiro: análise de fatores linguísticos

Autor:

Francisco Wildson Confessor – UFRN – wildsonconfessor@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho discute o processo de gramaticalização dos itens gramaticais ‘aí’ e ‘lá’ como formas variantes na marcação de especificidade de sintagmas nominais indefinidos emergentes no português brasileiro. O aporte teórico da pesquisa advém de estudos acerca da gramaticalização, com destaque para a noção de Gramática Emergente e para os princípios de gramaticalização (HOPPER, 1987, 1991, 1998), e pesquisas sobre variação e mudança (TAGLIAMONTE, 2002; TAVARES, 2003; LABOV, 2008). Os dados analisados provêm de diferentes corpora orais brasileiros (Corpus Discurso & Gramática/Natal, Banco Conversacional de Natal, VALPB e VARSUL – Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre). Com base no referencial teórico sociofuncionalista, são discutidos e exemplificados os contextos em que as formas ‘aí’ e ‘lá’ podem, a princípio, ser consideradas variantes da indicação de especificidade nominal, levando em conta fatores linguísticos, como tipo de construção nominal, tipo de nome núcleo do SN e a existência de material interveniente entre o marcador e o nome núcleo do SN. Os resultados preliminares permitem considerar ‘aí’ e ‘lá’ como formas variantes emergentes no domínio funcional da especificação nominal, uma vez que esses itens ocorrem em contextos similares, o que funciona como uma forte evidência de que tais marcadores emergiram como formas variantes no domínio funcional da especificação nominal, representando escolhas possíveis para o falante na indicação de especificidade nominal.

Palavras-chave: ‘Aí’ e ‘lá’ marcadores de especificidade; Gramaticalização; Sociofuncionalismo.

 

Minibiografia:

Francisco Wildson Confessor é doutor em Estudos da Linguagem pela UFRN. Atualmente é Coordenador de Revisão de Textos da Editora da UFRN. Seus interesses de pesquisa voltam-se principalmente para os seguintes temas: sociofuncionalismo, gramaticalização, ensino de Língua Portuguesa, revisão de textos e marcadores de especificidade de sintagmas nominais indefinidos.


Comunicação 52

Artigo diante de antropônimo e de possessivo: um diferenciador dialetal no PB?

 

Autora:

Odete Pereira da Silva Menon – UFPR/UTFPR/CNPq – odete.menon@gmail.com

 

Resumo:

A presença de artigo diante de nomes próprios e de pronomes possessivos sempre foi considerada como um divisor de áreas linguísticas no Brasil: os dialetos da porção Norte/Nordeste inibiriam, enquanto os meridionais favoreceriam tal emprego. No entanto já Mário Marroquim, nos anos 1930, alertava para diferenças internas mesmo no Nordeste do País. Como ainda não há estudos para compor essa distribuição, resolvemos iniciar o cotejo entre dialetos, utilizando duas amostras sociolinguísticas semelhantes quanto à metodologia de recolha dos dados e realizadas num mesmo recorte de tempo: os anos 1990. Trata-se do VALPB, dados de João Pessoa (JP), capital da Paraíba, e do VARSUL, dados de Curitiba (CTB), capital do Paraná, para um confronto Nordeste/Sul. Em Menon (2016), foi feito o levantamento de parte do corpus, com análise de três faixas de escolaridade, dois sexos e duas faixas etárias, visto que ainda não estava disponível o complemento da amostra VARSUL de faixa etária mais jovem (15-24 anos) e mais uma de escolaridade, universitários. O resultado mostrou uma diferença diametral na frequência de uso do artigo diante de antropônimo: 10% para JP e 90% para CTB. Porém, diante de possessivo, não se confirmou a premissa da inibição do artigo, visto que JP registrou um emprego na casa dos 54% e CTB confirmou a premissa para a região Sul, apresentando preenchimento do artigo com 63%. Podemos ver que, em termos percentuais, JP ter ultrapassado a barreira dos 50% permite questionar seriamente se, nesse caso, a variável distribuição geográfica seria realmente um divisor de águas na identificação dialetal no PB. O presente trabalho pretende apresentar os resultados em pesos relativos, com as duas amostras completas (a amostra JP tem analfabetos, mas CTB não; as demais são comparáveis), com o intuito de estender, depois, a descrição desse uso a outras amostras do PB.

Palavras-chave: Artigo; Antropônimo; Possessivo; VALPB; VARSUL.

 

Minibiografia:

Odete Pereira da Silva Menon é professora titular sênior de Linguística da UFPR, pesquisadora PQ2/CNPq e professora voluntária da UTFPR. Atua na área de variação e mudança do português, tanto em sincronia como em diacronia. É membro fundador do Projeto VARSUL (Variação Linguística na Região Sul do Brasil) e, atualmente, sua Coordenadora Geral. Tem trabalhos sobretudo sobre o sistema pronominal e fenômenos de gramaticalização em português.


Comunicação 53

A expressão variável do imperativo verbal no Nordeste brasileiro: dados do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB)

Autora:

Josane Moreira de Oliveira – UEFS/UFBA – josanemoreira@hotmail.com

 

Resumo:

A expressão do imperativo verbal é variável no português do Brasil, podendo ser realizada com formas de subjuntivo (pegue, traga, venha) ou com formas de indicativo (pega, traz, vem). Embora a prescrição gramatical associe as primeiras formas ao pronome você e as segundas formas ao pronome tu, o que se observa é que ambas as formas ocorrem em áreas dialetais em que também ambos os pronomes estão em variação. Os resultados de pesquisa feita a partir de dados das capitais brasileiras, coletados nos inquéritos realizados pelo Projeto ALiB, apontam que o imperativo com a forma de indicativo predomina no português brasileiro (65% de um total de 2535 ocorrências) e que o imperativo com a forma de subjuntivo – considerada conservadora – subsiste nas capitais do Nordeste (com exceção de São Luís), em Porto Velho e em Curitiba (OLIVEIRA, 2016). Avançando a pesquisa pelas cidades do interior do Brasil, apresentam-se aqui os resultados da análise dos dados de cidades do Nordeste do Brasil, que integram a rede de pontos do Projeto ALiB. O estudo, a partir do quadro teórico-metodológico da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 1972, 1994, 2001, 2010), além da variável diatópica, considera também as variáveis extralinguísticas ‘sexo’ e ‘faixa etária’ e as variáveis linguísticas ‘polaridade da sentença’, ‘paradigma verbal’ e ‘extensão fonológica do verbo’. Os resultados apontam para um processo de mudança em curso, condicionado por fatores estruturais, sociais e diatópicos.

Palavras-chave: Imperativo verbal; Projeto ALiB; Nordeste brasileiro; Sociolinguística; Dialetologia.

 

Minibiografia:

Josane Moreira de Oliveira é graduada em Letras pela UFBA (1990), mestre em Letras e Linguística pela UFBA (1999) e doutora em Letras pela UFRJ (2006). Realiza estágio pós-doutoral na UFBA. É professora e pesquisadora da Universidade Estadual de Feira de Santana e da Universidade Federal da Bahia. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística. Integra o Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB).


Comunicação 54

Verbos existenciais no português brasileiro e angolano: uma análise sociolinguística contrastiva

 

Autora:

Silvana Silva de Farias Araújo – UEFS – silvana.uefs.2014@gmail.com

 

Resumo:

Com o arcabouço teórico-metodológico da Sociolinguística Variacionista, pesquisa-se a variação no uso dos verbos ‘ter’, ‘haver’ e ‘existir’ em construções existenciais, a partir de dados orais levantados em entrevistas gravadas em Luanda-Angola e em Feira de Santana-Bahia-Brasil. Objetiva-se contribuir para o entendimento acerca de diferentes variedades da língua portuguesa. Os resultados mostram que o verbo ‘ter’ é utilizado em Luanda com uma frequência razoável e, principalmente, por informantes com baixa ou nenhuma escolarização, embora o uso seja mais difundido no Brasil. Os resultados são analisados qualitativa e quantitativamente em tempo aparente. Os dados foram levantados na fala de 48 informantes, em entrevistas sociolinguísticas pertencentes ao acervo dos projetos “Em busca das raízes do português brasileiro” e “A concordância verbal em Luanda-Angola: elementos para a discussão sobre a formação do português brasileiro”, ambos sediados na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Nesse sentido, buscando contribuir para os estudos sobre a formação da realidade sociolinguística brasileira, acredita-se que é importante a realização de estudos contrastivos que considerem dados coletados em diferentes continentes, pois, assim, amplia-se o debate acerca da influência do contato linguístico na formação dessas variedades, além de tornar possível uma discussão mais ampliada sobre a atuação de fatores linguísticos, geográficos e socioculturais em fenômenos linguísticos variáveis.

Palavras-chave: Verbos existenciais; Variedades do português; Variação linguística.

 

Minibiografia:

Silvana Silva de Farias Araújo é professora adjunta do Departamento de Letras e Artes da UEFS. É doutora em Língua e Cultura, mestre em Letras e Linguística, especialista em Língua Portuguesa: gramática e licenciada em Letras Vernáculas. É Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos – Mestrado (PPGEL/MEL/UEFS). Desenvolve pesquisas na área da Sociolinguística, com destaque para variações morfossintáticas.


Comunicação 55

Variação e mudança na expressão do futuro verbal na escrita escolar de Irará-BA

 

Autores:

Joana Gomes dos Santos Figuereido – UFRB – joanagfs@gmail.com

Emerson Santos de Souza – UEFS – souza.emersonsantos@hotmail.com

 

Resumo:

O futuro verbal é um fenômeno variável na língua portuguesa, que vem passando por um processo de reestruturação no sistema de modo, tempo e aspecto verbais. Vários estudos têm atestado um processo de mudança na expressão do futuro verbal ao longo da história da língua portuguesa e apontam para a implementação da forma perifrástica de futuro ‘ir’ + infinitivo como possível substituta da forma de futuro simples, atual forma padrão (GIBBON, 2000; OLIVERA, 2006; SILVA, 2010; TESCH, 2011; FIGUEREIDO, 2015). Neste trabalho, são analisadas redações de alunos da segunda série do Ensino Médio de escolas públicas e particulares da cidade de Irará-BA, dentro de uma perspectiva variacionista e funcionalista, a partir de um estudo sincrônico, com o intuito de observar não só a frequência das formas de futuro consideradas mas também os contextos que condicionam o uso de cada variante encontrada, sua distribuição e as possíveis relações entre os usos das formas verbais de futuro e variáveis sociais como faixa etária, sexo/gênero, zona residencial e tipo de escola. Para tanto, os dados foram levantados, codificados e submetidos ao GoldVarb, programa computacional que faz o tratamento matemático e estatístico dos dados para gerar as frequências e os pesos relativos necessários a uma análise quantitativa. Os resultados foram interpretados com base na teoria variacionista laboviana, adotando como hipótese que a implementação da perífrase (‘ir’ + infinitivo) está ocorrendo de forma progressiva na escrita escolar monitorada. Os resultados da pesquisa apontam um processo de mudança em curso no sentido de a forma de futuro simples, mais usada em textos escritos por falantes ditos “cultos”, ser substituída pela forma perifrástica, comumente encontrada na fala, que sofre menos pressões normativas. O uso do futuro perifrástico encontrado nos resultados desta pesquisa aponta que a forma inovadora começa a adentrar a língua escrita escolar.

Palavras-chave: Escrita escolar; Futuro verbal; Teoria da variação e da mudança.

 

Minibiografias:

Joana Gomes dos Santos Figuereido é mestre em Estudos Linguísticos pela UEFS e Docente da Faculdade Maria Milza – FAMAM e da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB. É doutoranda em Linguística na UNICAMP.

Emerson Santos de Souza é mestre em Estudos Linguísticos pela UEFS, docente da Rede Municipal de Ensino de Araci-BA e da Rede Estadual de Ensino da Bahia. É doutorando em Linguística na UNICAMP.


Comunicação 56

A alternância no uso do modo verbal na oração subordinada: estudo comparativo a partir do verbo matriz

Autora:

Astrid Franco Barbosa – UFES – astridfb2012@gmail.com

 

Resumo:

O modo do verbo da oração subordinada, ou encaixada, é determinado por um item presente na oração principal; o item pode ser um nominal, uma conjunção, uma preposição ou um verbo. Interessa-nos este último. A alternância no uso do modo verbal na oração subordinada no português brasileiro é aceita, sem oposição semântica, de acordo com a gramática normativa, quando há na oração principal a presença de um verbo ou predicado indiferente de opinião e suposição (‘considerar’, ‘imaginar’, ‘pensar’, ‘acreditar’, ‘supor’, ‘dizer’ (= ‘significar’), ‘significar’); verbo ou predicado indiferente de suposição (‘parecer’) e verbo ou predicado indiferente de opinião (‘achar’). Quanto aos demais verbos, a gramática descritiva geralmente relaciona o uso do modo verbal somente à atitude do falante: certeza ou incerteza. Logo, caso o falante considere a ação como algo feito, verossímil, o modo utilizado é o indicativo; caso a atitude do falante em relação ao que fala seja de dúvida, o modo utilizado é o subjuntivo. Apesar destas prescrições, as quais recomendam “como se deve falar e escrever segundo o uso e a autoridade dos escritores corretos e dos gramáticos e dicionaristas esclarecidos”, a comunidade de fala suplanta os muros gramaticais, imprimindo o modo indicativo em contextos do subjuntivo e vice-versa. Percebemos o uso rompendo a carga determinística do certo ou duvidoso em função do verbo da oração matriz ou principal. Nesta comunicação, é apresentada a comparação entre alguns trabalhos realizados nas regiões Sudeste e Nordeste. Apesar de as análises da alternância no uso do indicativo e do subjuntivo terem se espraiado pelo Brasil, não foi possível abarcar todos os estudos feitos nesta comparação, pois há incompatibilidades quanto à metodologia utilizada. Utilizamos somente os trabalhos que trataram os verbos da matriz isoladamente ou que os amalgamaram. Estes verbos passaram por tratamento estatístico para que os resultados pudessem ser comparados.

Palavras-chave: Indicativo; Subjuntivo; Oração matriz; Oração subordinada; Alternância.

 

Minibiografia:

Astrid Franco Barbosa é mestre em Estudos Linguísticos pela UFES. É professora efetiva na Secretaria Estadual de Educação do Estado do Espírito Santo e professora efetiva na Rede Municipal de Ensino da Prefeitura da Serra.


Comunicação 57

A expressão de futuridade na escrita jornalística manauara

Autora:

Jussara Maria Oliveira de Araújo – UEA – jussaraaraujo@gmail.com

 

Resumo:

A expressão de futuridade no português brasileiro constitui um fenômeno de variação, sendo objeto de estudo em pesquisas brasileiras. Nessas análises é possível verificar que há uma concorrência entre as formas sintética (‘viajarei’) e perifrástica (‘vou viajar’) de expressar o tempo verbal futuro. Em estudos como os de Oliveira (2012), Ribeiro (2015), entre outros, é confirmado que o futuro perifrástico quase já superou o futuro sintético na fala. A partir desse fato, Araújo (2015) buscou observar esse fenômeno na escrita jornalística manauara e, nesta comunicação, tem‐se por objetivo mostrar esses resultados. Foram examinados três periódicos da cidade de Manaus: A Crítica, Diário do Amazonas e Dez Minutos. Nos dois primeiros, foram analisados periódicos a partir da década de 1980; já no terceiro, apenas do ano 2008 em diante. Este estudo se insere na área da sociolinguística e segue uma perspectiva teórica sociofuncionalista. Na análise dos fatores linguísticos tomou-se como base os estudos de Oliveira (2012) e Almeida e Figuereido (2014). Como variável extralinguística, controlou-se a classe social à qual cada jornal é direcionado: elitizada, média e popular. Controlou-se também a variável gênero textual, que se refere às seções do jornal (política…). Os dados foram analisados através do programa GoldVarb X e os resultados revelaram que a perífrase está presente na escrita, porém não supera a forma sintética.

Palavras-chave: Sociolinguística; Expressão de futuridade; Escrita jornalística; Manaus.

 

Minibiografia:

Jussara Maria Oliveira de Araújo possui Mestrado em Letras e Artes pela UEA, é professora assistente do curso de Letras Mediado por Tecnologia da UEA e pesquisadora do Projeto FAMAC.


Comunicação 58

Variação linguística na mídia cearense impressa: estudo sobre futuro do presente, futuro perifrástcio e presente com valor de futuro

Autora:

Maria Hermínia Cordeiro Vieira – UERJ – maria.herminia@gmail.com

 

Resumo:

Analisamos, à luz da sociolinguística, a variação entre futuro do presente, futuro perifrástico (‘ir’ + infinitivo) e presente com valor de futuro, considerando condicionamentos linguísticos (extensão do vocábulo, polaridade, pessoa do discurso, marca de futuridade, distanciamento temporal e tipo de verbo) e extralinguísticos (editoria, jornal e origem do dado), a partir de dados extraídos da mídia cearense impressa (jornais Diário do Nordeste, O Povo, O Estado CE e Aqui CE). Os 2184 dados encontrados foram submetidos ao programa estatístico GoldVarb X, que apontou que o futuro do presente é condicionado pelos grupos tipo de verbo, extensão do vocábulo, editoria, jornal, origem, distanciamento temporal e pessoa do discurso; a perífrase, pelos grupos tipo de verbo, distanciamento temporal, extensão do vocábulo, pessoa do discurso e polaridade; e o presente do indicativo, pelos grupos tipo de verbo, extensão do vocábulo, distanciamento temporal, editoria, origem, jornal e polaridade.

Palavras-chave: Futuro do presente; Presente do indicativo; Perífrase; Variação; Sociolinguística.

 

Minibiografia:

Maria Hermínia Cordeiro Vieira possui graduação em Comunicação Social (Jornalismo) pela Faculdade Estácio do Ceará (2008), graduação em Letras pela UFC (2011) e mestrado em Linguística pela UFC (2014). Atualmente, cursa Doutorado em Linguística na UERJ.


Comunicação 59

Uma análise da ocorrência do pretérito imperfeito do modo indicativo no âmbito do irrealis na fala manauara

Autora:

Nathalie Anne Conceição de Barros – UEA – nathalie.nacb.nacb@gmail.com

 

Resumo:

A alternância entre o futuro do pretérito e o pretérito imperfeito como expressão do irrealis tem sido objeto de estudo em várias regiões do Brasil. Nesta perspectiva de estudo, investigou-se a ocorrência do pretérito imperfeito do indicativo, como forma inovadora de expressão do futuro do pretérito, em suas ocorrências nas formas sintéticas (‘comprava’) e perifrásticas (‘ia comprar’), na expressão de informação no âmbito do irrealis, na fala manauara. Para isso, a análise segue uma abordagem no escopo do funcionalismo linguístico (VOTRE, 1992) e da teoria variacionista, (LABOV, 1972), preocupando-se em verificar a relação entre variantes linguísticas e as categorias sociais e as funções discursivas de uso da língua. Com base nesses princípios, foram analisados os fatores linguísticos tipo de texto e paralelismo e os extralinguísticos gênero, faixa etária e escolaridade na seleção da variável. Como resultado, em referência aos aspectos linguísticos, comprovou-se que os textos narrativos favorecem a ocorrência do pretérito imperfeito, com 72% de frequência; já o fator paralelismo inibe esse emprego, com um índice de 47,92%. Como fatores extralinguísticos condicionadores do uso do pretérito imperfeito, foram selecionados os fatores gênero feminino, primeira faixa etária e baixa escolaridade. Os dados foram analisados através de rodadas no programa GoldVarb X.

Palavras-chave: Variação linguística; Pretérito imperfeito; Irrealis; Fala manauara.

 

Minibiografia:

Nathalie Anne Conceição de Barros é mestranda em Letras e Artes na UEA e pesquisadora do Projeto FAMAC (Fala Manauara Culta e Coloquial).


Comunicação 60

A clivagem no português rural brasileiro: um fenômeno socioeconômico, linguístico e sintático

Autor:

Moacir da Silva Cortes Júnior – UNEB – m.cortes.jr@bol.com.br

 

Resumo:

O objetivo desta comunicação é revelar um pouco do sistema de relações sociais e linguísticas que se entrelaçam e produzem a língua portuguesa falada no Brasil. Propõe-se esta discussão a partir do estudo de um fenômeno linguístico denominado de clivagem, que, no caso especial do Brasil, apresenta-se através de uma problemática complexa tripartida, constituindo-se de uma clivagem socioeconômica, uma clivagem linguística e uma clivagem sintática. Utiliza-se para este estudo um corpus de fala do português rural da comunidade de Santo Antônio de Jesus, no Estado da Bahia, construído pelo Projeto Vertentes, da Universidade Federal da Bahia, sob a coordenação do Prof. Dr. Dante Lucchesi. Esta pesquisa está baseada, principalmente, nos estudos de William Labov, Louis-Jean Calvet, James Milroy, Dante Lucchesi, Kanavillil Rajagopalan, Carlos Alberto Faraco, Stella Maris Bortoni-Ricardo, Marcos Bagno, entre outros. Baseia-se aqui na metodologia variacionista laboviana quantitativa, mas também utilizando uma abordagem qualitativa do fenômeno em seu contexto social e político.

Palavras-chave: Clivagem; Português rural; Diversidade linguística.

 

Minibiografia:

Moacir da Silva Cortes Júnior é mestre em Linguística pela UFBA. Possui graduação em Letras com ênfase em Tradução em Língua Inglesa pela Universidade Salvador. É professor auxiliar da UNEB. Atua em cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Linguística e Estágio de Língua Portuguesa. Desenvolve pesquisas em ciência linguística nas áreas da Sociolinguística e Linguística Gerativa. É pesquisador líder do Grupo de Pesquisa MENEL, certificado pela UNEB.