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Simpósio 80

SIMPÓSIO 80 – DESAFIOS E ESTRATÉGIAS TRADUTÓRIAS PARA O SÉCULO XXI E A TRADUÇÃO APLICADA AO ENSINO DE PLE

 

Coordenadores:

Gian Luigi De Rosa | Università del Salento | gianluigi.derosa@unisalento.it

Maria João Marçalo | Universidade de Évora | mjm@uevora.pt

Kátia de Abreu Chulata | Università di Chieti-Pescara | kdeabre@hotmail.com

Maria José Coracini | Unicamp | coracini.mj@gmail.com

 

Resumo: 

O presente simpósio propõe o diálogo de diferentes disciplinas e a variedade de discursos para analisar questões que se referem às questões ligadas à tradução (e ao tradutor) e à tradução como processo aplicado ao ensino de PLE. Para tal, esta proposta de simpósio abrange vários temas possíveis: tradução e literatura, tradução técnica, tradução e didática das línguas, formação de tradutores, teoria da tradução/tradutologia, identidade do tradutor, prática da tradução da/em língua portuguesa, tradução e tecnologia, tradução e etnografia, tradução e sociologia, interpretação consecutiva, interpretação simultânea. Além de outros temas propostos em trabalhos que visem ao compartilhamento de experiências e pesquisas que envolvam estudos de tradução intralingual, interlingual e intersemiótica.

 

Palavras-chave: Tradução, Português Língua Estrangeira.

 

Minibiografias:

Gian Luigi De Rosa é professor associado de Português na Universidade do Salento, em Lecce. Possui doutorado em Culture e Istituzioni dei paesi di lingue iberiche in età moderna e contemporânea e atuou como pesquisador do Instituto de Estudos Latinoamericanos (I.S.LA.) de Pagani de 1999 a 2003. É autor de livros e ensaios sobre a língua e a linguística portuguesa, sobre literatura portuguesa e brasileira e sobre a tradução audiovisual e intersemiótica, como “Identità culturale e protonazionalismo: il ruolo delle Accademie nel Brasile del XVIII secolo” (Milano, Franco Angeli, 2011) e “Mondi Doppiati. Tradurre l’audiovisivo dal portoghese tra variazione linguistica e problematiche traduttive” (Milano, Franco Angeli, 2012).

Maria João Marçalo é Professora Auxiliar com Agregação e Directora do Programa de Doutoramento em Linguística na Universidade de Évora. O interesse pela Linguística Teórica e pelo Português Língua Estrangeira têm definido uma grande parte dos seus caminhos de investigação. É investigadora do Centro de Estudos em Letras da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro / Universidade de Évora, integrando o projecto de investigação “Para a história da gramática e do ensino do Português como Língua Estrangeira (séculos XVII-XX)”.

Katia de Abreu Chulata é graduada em Letras pela Universidade de São Paulo e Doutora em Estudos Linguísticos, histórico-literários e culturais pela Università degli Studi del Salento (Itália). Foi professora de Língua e Literatura Italiana na UNESP (Araraquara) e professora de italiano no Instituto Italiano de Cultura de São Paulo. Atuou como Leitora de Língua Portuguesa, de 1996 a 2002, na Università degli Studi di Bari (Itália). Professora de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira e Língua e Tradução Portuguesa e Brasileira na Università degli Studi del Salento, de 2006 a 2013. É Professora de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira na Università degli Studi “G. d’Annunzio”, Chieti-Pescara. Coordenadora, do lado italiano, do Projeto Mec-SECADI-Capes – Promoção, Difusão e Valorização do Português Brasileiro em Comunidades Minoritárias: Aspectos Sociais, Políticos e Linguísticos.

Maria José Coracini: Livre Docente e professora titular MS-6 em Linguística Aplicada na Área de Ensino/Aprendizagem de Língua Estrangeira pela Unicamp. Pós-doutorado junto ao Centre Inter-universitaire en Analyse du Discours et Sociocritique des Textes (Ciadest) e ao grupo de pesquisa Marges (Marginalisation et Marginalité dans les discours), em Montréal, Canadá. Estágio pós-doutoral junto à Université de Paris 3 (Sorbonne Nouvelle), Sylled e junto à Universidade de Lisboa (Faculdade de Ciências da Psicologia e Educação).

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A ética do tradutor

Autor:

Maria José Coracini – Unicamp, IEL/DLA (Brasil) – coracini.mj@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação tem por objetivo problematizar a questão da ética na tarefa do tradutor ou na identidade desse profissional, a partir de propostas teóricas e de algumas postagens em redes sociais a respeito dessa temática. Há diferentes posturas a respeito da ética do tradutor relativa à remuneração, ao uso de tecnologias de tradução, às empresas solicitantes, dentre outras. Mas, a que nos interessa mais diretamente tem a ver com a relação do tradutor com o texto a ser traduzido, com o autor, consigo mesmo. Levando em conta que a questão de fidelidade em tradução já está amplamente comentada no âmbito acadêmico e assumindo ética com base em Foucault, Derrida e Lacan, discutiremos a temática na relação com o outro, com a responsabilidade ou melhor com a resposta a ser dada ao outro, reconhecendo o direito que o outro, leitor dos textos traduzidos, tem de questionar a tradução em função das representações que os habitam sobre o autor e sua obra, no caso da tradução literária, e em função do uso que pretendem fazer do texto traduzido, no caso das traduções técnicas ou científicas: por exemplo, o uso do texto para a montagem de uma máquina. Entretanto, os registros analisados afirmam a necessidade de fidelidade ao texto primeiro, de conhecimento profundo da língua do texto 1, de consultas ou preparação de léxicos específicos, ao lado da questão ética de traduzir textos cujas idéias não encontram eco na identidade de cada tradutor. Os textos postados se referem à tradução de textos pornôs, de textos religiosos que não correspondem às crenças do tradutor, de textos políticos que defendem autoridades ou representantes do que se denomina “terrorismo”, questões que serão problematizadas à luz da análise discursivo-desconstrutivista que defende a ética como resposta ao outro, ao Outro de si.

Palavras-chave: tradução; ética; discurso; desconstrução; psicanálise.

 

Minibiografia:

Maria José Coracini é docente da Unicamp, Instituto de Estudos da Linguagem (Departamento de Lingüística Aplicada); é professora titular em Ensino-Aprendizagem de Língua Estrangeira, pela Unicamp, IEL/DLA; livre-docente pela Unicamp e doutora pela PUC-SP. É pesquisadora 1A do CNPq. Fez pós-doutorado na Universidade de McGill (Québec, Canadá), na Sorbonne Paris III (Paris) e na Universidade de Lisboa (Lisboa). É especializada em Análise de Discurso – científico, político, didático-pedagógico (sobretudo leitura e escrita), sobre “novas” tecnologias, de e sobre a pobreza – e em tradução.


Comunicação 2

Orange is the New Black: o turpilóquio e a adequação sociolinguística nas versões italiana e brasileira

Autor:

Gian Luigi De Rosa – Università del Salento, Itália – gianluigi.derosa@unisalento.it

 

Resumo:

Entre os traços que mais caracterizam Orange is the New Black, uma série em língua inglesa produzida pela Netflix (uma plataforma digital que disponibiliza filmes, séries e programa de TV em streaming), e apresentada em versão dublada (e/ou legendada), podemos incluir termos irreverentes e vulgares, que vão das imprecações mais brandas até as expressões mais pesadas para os espectadores. Se trata de elementos típicos da fala – ligados à informalidade do registro e ao uso de variedades não-standard e sub-standard (da gíria comum à gíria de grupo) – que representam um desafio constante para todos os tradutores, visto que a alta frequência desses traços se tornou um elemento constante da recente produção filmográfica americana e, ultimamente, de algumas séries transmitidas em plataformas digitais e em canais pagos.

A tal propósito, a nossa comunicação pretende analisar a tradução desses traços tanto na dublagem, quanto na legendagem das versões italiana e brasileira, e evidenciar as diferentes estratégias tradutórias, relativas à marcação sociolinguística, atuadas nas duas edições.

Palavras-chave: Tradução audiovisual, adequação sociolinguística, slang, turpilóquio.

 

Minibriografia:

Gian Luigi De Rosa é professor associado de Português na Università del Salento, em Lecce. Possui doutorado em “Culture e Istituzioni dei paesi di lingue iberiche in età moderna e contemporânea” e atuou como pesquisador do Instituto de Estudos Latinoamericanos (I.S.LA.) de 1999 a 2003. É autor de livros e ensaios sobre a língua e a linguística portuguesa, sobre literatura portuguesa e brasileira e sobre a tradução audiovisual e intersemiótica.


Comunicação 3

Enciclopédia Audiovisual Virtual De Termos, Conceitos E Pesquisas Em Análise Do Dicurso E Em Áreas Afins E Sua Tradução: Teorização E Práticas Em Curso

 

Autores:

Bethania Mariani – UFF/LAS/CNPq – bmariani@id.uff.br

Giovana Cordeiro Campos de Mello – UFF/Labestrad – giovanacordeirocampos@gmail.com

 

Resumo:

A partir da proposta temática do Simpósio 80, o objetivo do trabalho a ser apresentado é discutir a relação entre conhecimento, tecnologia e divulgação científica tendo em vista a construção de um instrumento linguístico e conceitual: a Enciclopédia audiovisual virtual de termos, conceitos e pesquisas em análise do discurso e em áreas afins.  Trata-se de um projeto organizado e desenvolvido pelo Laboratório Arquivos do Sujeito (LAS/UFF) e que no momento se desdobra em atividade conjunta com o Laboratório de Estudos da Tradução (Labestrad/UFF) com a inserção de legendagem nas línguas inglesa, francesa e espanhola.  Da perspectiva discursiva, o projeto tem uma visada no campo da divulgação científica de um saber teórico, ao mesmo tempo em que se volta sobre si mesmo na discussão empreendida sobre o próprio fazer da Enciclopédia, em que se mesclam produção de conhecimento e tecnologia. A elaboração de tal Enciclopédia audiovisual virtual toma como ferramenta básica para sua construção as tecnologias vigentes no aparato virtual atual, constituindo-se, deste modo, em uma proposta de intervenção política no campo da divulgação científica da Análise do Discurso. Com a entrada da legendagem e da tradução, outros campos de discussão surgem, sobretudo quando se considera a tradução de um texto oral em texto escrito legendado. Dentre as perspectivas que se abrem com tais empreitadas, pelo menos dois horizontes de projeção se descortinam: para além das discussões teóricas sobre os instrumentos linguísticos, as tecnologias de linguagem e a posição enunciativa do sujeito pesquisador frente a tais tecnologias, com a possibilidade de experienciar técnicas de gravação, edição e legendagem de vídeos, abre-se também a discussão teórica sobre a tradução de legendas.

Palavras-chave:  Análise do Discurso; Enciclopédia; Legendagem.

 

Minibiografias:

Bethania S. C. Mariani é Professora Titular de Linguística do Departamento de Ciências da Linguagem – GCL, da Universidade Federal Fluminense – UFF.  Coordena o Laboratório Arquivos do Sujeito, ministra aulas na Pós-Graduação em Estudos de Linguagem em duas linhas de pesquisa: Análise do Discurso e História das Ideias Linguísticas.  É autora de inúmeros artigos e capítulos de livros.  Destaca-se sua última publicação, um ebook organizado sobre o processo de produção da Enciclopédia Audiovisual de Termos, Conceitos e Pesquisas em Análise do Discurso e em Áreas Afins (http://www.edicoesmakunaima.com.br/catalogo/5-enciclopedia/22-enciclopedia-virtual-ad-investigacao-inovacao-divulgacao)

Giovana C. C. de Mello é Professora Adjunta de Tradução do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas – GLE, da Universidade Federal Fluminense – UFF, onde Coordena o Laboratório de Estudos da Tradução – Labestrad/UFF e ministra disciplinas de tradução. Possui Doutorado em Letras (PUC-Rio, 2010), Mestrado em Letras (UFJF, 2004 e CES/JF, 2005), Especialização em Inglês/Tradução (UFMG, 2005) e Bacharelado em Letras (2002), todos com trabalhos na área de Estudos de Tradução, seu campo de pesquisa.


Comunicação 4

Manual de tradução política: propósitos e desafios do projeto (Primeira Comunicação)

 

Autores:

Galina V. Petrova – Universidade de Relações Internacionais de Moscovo, Rússia – galia.petrova@mail.ru

Maria S. Khvan – Universidade de Relações Internacionais de Moscovo, Rússia –  maria_love_portugal@hotmail.com

 

Resumo:

A Universidade de Relações Internacionais de Moscovo é a mais antiga escola de ciências políticas da Rússia, instituída em 1944. Nela, a pedido do Ministério dos Negócios Estrangeiros, são ministradas 52 línguas estrangeiras, inclusive o Português.

A tradução política, indispensável para futuros diplomatas e jornalistas, é disciplina específica da nossa Universidade, à qual no 3° e no 4°ano são dedicadas, respetivamente, 4 e 6 horas semanais. Esta disciplina é constituída por quatro aspetos: compreensão oral, língua de especialização, correspondência diplomática e a própria tradução política.

No entanto, o único manual de tradução política foi publicado em 1989 e depois da desintegração da URSS perdeu a sua atualidade.

Para erradicar os erros provenientes da diferente estrutura da língua materna dos alunos, surgiu a necessidade de um curso teórico atualizado acompanhado de exercícios práticos que treinassem as divergências tipológicas entre o Russo e o Português.

O problema está na “efemeridade” do conteúdo dos textos que, passado algum tempo, ficam desatualizados. A solução será escolher os textos de interesse histórico, teórico ou institucional.

Cada unidade é dedicada a um determinado tema geral (por.ex., Os essenciais atores no palco inernacional) e contém textos, vocabulário, comentários e exercícios. Estes são dirigidos para a memorização dos equivalentes em duas línguas e a compreensão das transformações a fazer. Eles propõem um treino especial das principais dificuldades, tais como: transformações sintáticas, ordem das palavras, estrutura comunicativa da frase, estrutura verbal em Português correspondente à estrutura nominal em Russo, sinonímia lexical e sintática, “falsos cognatos” do tipo progressivo / progressista e até diferente visão do mundo através do prisma das duas línguas.

O objetivo da comunicação é apresentar o material produzido e discutir os problemas da sua elaboração.

Palavras-chave: relações internacionais, competências de tradução, agenda internacional, problemas mundiais.

 

Minibiografias:

Galina V. Petrova nasceu em Moscovo em 1954. Licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Estatal de Moscovo. Em 1989 doutorou-se em Filologia Românica pelo Departamento de Línguas Românicas da Academia das Ciências da URSS. Desde 1976 trabalha na Universidade Estatal de Relações Internacionais de Moscovo (MGIMO-Universidade), na Cátedra de Línguas Românicas, sendo professora associada. De 2001 a 2011 foi diretora da Cátedra de Línguas Românicas. É autora de vários artigos sobre a semântica functional e linguística comparativa e de seis manuais de PLE.

Maria S. Khvan licenciou-se pela Faculdade de Relações Internacionais da Universidade de Relações Internacionais de Moscovo em 2005. Doutorou-se em história mundial em 2009. Começou a trabalhar na Universidade de Relações Internacionais de Moscovo em 2008. Ensinou português em várias faculdades e vários aspectos do bacharelato. Trabalhou como íntérprete, muitas vezes esteve em Portugal.


Comunicação 5

Manual de tradução política: dificuldades e desafios do projecto (segunda comunicação)

 

Autores:

Galina V. Petrova – Universidade de Relações Internacionais de Moscovo – galia.petrova@mail.ru

Maria S. Khvan – Universidade de Relações Internacionais de Moscovo – maria_love_portugal@hotmail.com

 

Resumo:

Como na Universidade de Relações Internacionais de Moscovo estudam especialistas na área de Relações Internacionais que tencionam trabalhar no Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, o objetivo do nosso manual não é só ensinar aos nossos alunos as competências de tradução, de que eles vão precisar na sua futura atividade profissional. Os textos do manual estão compilados de modo a abranger quanto mais possível temas relativos à atual agenda internacional.

Assim nas duas primeiras unidades do manual, os estudantes hão de estudar o vocabulário básico relacionado com as noções principais: a designação dos cargos em duas línguas, principais variedades de documentos internacionais, tipos de encontros e visitas etc.

Todas as subsequentes unidades do manual são dedicadas a uma certa região do mundo ou a um certo aspeto da vida internacional. Deste modo, nas unidades do primeiro tipo os alunos estudam a realidade de tais regiões como a Europa, a América Latina, a África, a Ásia etc., e em conformidade com isso aprendem a terminologia apropriada. E nas unidades do segundo tipo  estudam a terminologia referente aos problemas mundiais. Por exemplo, na unidade dedicada à luta internacional contra o terrorismo, os alunos aprendem os nomes de organizações terroristas, palavras provenientes de línguas orientais etc. Na unidade dedicada aos principais processos económicos, eles estudam a respetiva terminologia específica.

Contudo, a maior parte da matéria tem a ver com a realidade dos países lusófonos: Portugal, o Brasil, os PALOPs.

Os textos e os materiais dos exercícios foram tirados da imprensa portuguesa, brasileira e russa, dos documentos oficiais, dos sites oficiais. Todavia os textos do manual devem ser vistos só como exemplos aproximados, ao trabalhar com os quais os alunos hão de aprender a traduzir quaisquer artigos de imprensa, raciocinar sobre os temas determinados, anotar e traduzir o noticiário.

Palavras-chave: relações internacionais, competências de tradução, agenda internacional, problemas mundiais.

 

Minibiografias:

Galina V. Petrova nasceu em Moscovo em 1954. Licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Estatal de Moscovo. Em 1989 doutorou-se em Filologia Românica pelo Departamento de Línguas Românicas da Academia das Ciências da URSS. Desde 1976 trabalha na Universidade Estatal de Relações Internacionais de Moscovo (MGIMO-Universidade), na Cátedra de Línguas Românicas, sendo professora associada. De 2001 a 2011 foi diretora da Cátedra de Línguas Românicas. É autora de vários artigos sobre a semântica functional e linguística comparativa e de seis manuais de PLE.

Maria S. Khvan licenciou-se pela Faculdade de Relações Internacionais da Universidade de Relações Internacionais de Moscovo em 2005. Doutorou-se em história mundial em 2009. Começou a trabalhar na Universidade de Relações Internacionais de Moscovo em 2008. Ensinou português em várias faculdades e vários aspectos do bacharelato. Trabalhou como íntérprete, muitas vezes esteve em Portugal.


Comunicação 6

O implícito revelado: explicitação na legendagem oficialda série de TV Bates Motel

 

Autores:

Janailton Mick Vitor da Silva – Universidade de Brasília – janailtonm@gmail.com

Alessandra Ramos de Oliveira Harden – Universidade de Brasília – oliveira.ales@gmail.com

 

Resumo:

A explicitação caracteriza-se como uma tentativa do tradutor em deixar explícitas informações implícitas, pressupostas ou não enfatizadas do texto fonte (TF) no texto de chegada (TC) (SÉGUINOT, 1988). Na legendagem, a explicitação ocorre por adição, substituição e reformulação, motivada por ordem cultural, de canal ou de redução (PEREGO 2003; 2004; 2009). Desse modo, nesta comunicação apresenta-se o conceito de explicitação na legendagem, mediante análise de legendas oficiais feitas para a série de TV Bates Motel. Com análise de trechos do episódio 3 (“Caleb”) da segunda temporada, busca-se: i) identificar as categorias (cultural, canal, redução) e formas (adição, especificação, reformulação) de explicitação; e ii) descrever e explicar a explicitação nas legendas analisadas, com base nas escolhas linguísticas do tradutor de legendas. Os resultados parecem indicar que a estrutura polissemiótica do episódio influencia as escolhas do legendador, enquanto que aspectos culturais e redutórios não incidem tanto no trabalho do tradutor. Acredita-se que a reformulação indique uma tentativa do tradutor de encontrar uma similaridade textual em português e garantir a tradução do máximo de informação possível, sem comprometer tanto seu conteúdo semântico nem recorrer a especificações ou adições. Conclui-se que o tradutor, ao lidar com a estrutura polissemiótica do episódio, aspectos culturais, linguísticos e tradutórios, busca auxiliar o telespectador na compreensão de informações da obra que talvez não fossem entendidas por completo.

Palavras-chave: Explicitação; Legendagem; Série de TV Bates Motel.

 

Minibiografias:

Janailton Mick Vitor da Silva – Mestrando em Estudos da Tradução no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução (POSTRAD) na Universidade de Brasília (UnB). Licenciado em Letras – Língua Inglesa pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Linguística e em Tradução, atuando principalmente nos seguintes temas: Tradução Audiovisual, Tradução Intersemiótica e Cinema, Estudos da Tradução Baseados em Corpus e Tradução e Cultura.

Alessandra Ramos de Oliveira Harden – Professora do quadro permanente do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução da Universidade de Brasília desde 1996. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em ensino de: tradução (teoria e prática), língua Inglesa, redação e leitura (língua inglesa e portuguesa). Atualmente, realiza pesquisa em história da tradução, legendagem e tradução jurídica.


Comunicação 7

Lugar da tradução intersemiótica na comunicação intercultural

 

Autora:

Irene Machado – Universidade de São Paulo; CNPq – Brasil – irenemac@uol.com.br

 

Resumo:

O objetivo desse artigo é tratar da tradução intersemiótica como forma produtiva na construção de mensagens na comunicação cultural de modo a examinar o intercâmbio em que signos cooperam em diferentes níveis. Entende- se que muitas das atividades da comunicação cultural não se realizam senão graças ao intercurso de mediações tradutórias no interior da língua e de outros sistemas sígnicos.

Tal é a hipótese de fundo do ensaio que visa dimensionar o papel da tradução na produção de mensagens nas diferentes esferas sócio-culturais, particularmente, no enfrentamento dos desafios da comunicação intercultural contemporânea onde a tradução intersemiótica se faz presente.

Para que o objetivo fundamental seja atingido, o trabalho adota uma metodologia de análise comparativa entre produções culturais. Parte-se da literatura, mais especificamente do conto Famigerado, de Guimarães Rosa, focalizando os confrontos a que se submetem palavra falada, escrita, desenho, cena gráfica, quando diferentes códigos entram em interação e cooperam na tradução das mensagens. Em seguida se examinam os dilemas do código comum segundo as formulações acerca do mecanismo semiótico fundado no princípio dialógico da interação das culturas. Só então é introduzido o estado da arte dos estudos da tradução intersemiótica a partir da tipologia de Roman Jakobson e seus desdobramentos no trabalho de Haroldo de Campos, Julio Plaza, Iúri Lótman e Peeter Torop, engajados com os estudos da tradução intercultural. Avança-se daí para o exame do papel da metalinguagem na configuração da astúcia semiótica da tradução, quando o papel da tradução intersemiótica é discutido na perspectiva das linguagens icônicas do cinema, mais especificamente, do filme Terceiro andar (Luciana Fina, Portugal, 2016). Nele a tradução intersemiótica é tematizada no contexto dos imigrantes, de sua linguagem e cultura, como também é apresentada como alternativa das linguagens audiovisuais na a construção das narrativas e das metanarrativas das populações migrantes em solo estrangeiro.

Palavras-chave: Tradução intersemiótica; Comunicação; Interculturalidade; Migrantes; Linguagens audiovisuais.

 

Minibiografia:

Professora Livre Docente em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, Brasil. Atua como professora dos cursos de graduação na Escola de Comunicações e Artes e na pós-graduação no Programa de Meios e Processos Audiovisuais da USP. Como Pesquisadora do CNPq desenvolve pesquisas, publica e orienta trabalhos no campo da Semiótica da Comunicação na Cultura, com ênfase nos meios e processos audiovisuais a partir do cinema.


Comunicação 8

Pensageiro Frequente: uma tradução etnografica da narrativa de Mia Couto

 

Autora:

Cristina Gemmino – ISCTE-IUL (Lisboa) – cristinagemmino@gmail.com

 

Resumo:

O possível argumento de que as culturas são irredutíveis umas às outras parece carecer de sentido quando percebemos que uma determinada palavra, partindo do local onde é emitida, consegue vencer as fronteiras e chegar a outro ponto qualquer do mundo e deixar-se compreender. O mesmo ocorre com um determinado aspecto cultural que, mesmo estando fortemente enraizado em uma outra tradição que não a nossa, conseguimos compreender graças ao nosso conhecimento de mundo e a nossas leituras. É surpreendente, porém, perceber o quanto pouco esse fato é contemplado, sobretudo quando falamos da tradução de um texto literário cujas características formais residem principalmente no relato etnográfico de uma determinada região, povo ou cultura. No caso dos contos de estrutura realista, em que esse contexto se evidencia mais claramente, os horizontes narrativos da escrita etnográfica representam os parâmetros de semelhança que permitem ao autor a verossimilhança dos fatos que pretende narrar; mais do que palavras, há uma realidade objetiva traduzida em palavras.

Segundo Willemsen (1986), um escritor traduz uma ideia em uma língua, em palavras, ao passo que o tradutor recebe essa mesma ideia, esses mesmos signos linguísticos, e os decodifica na sua própria língua, “e com isso, ele recebe uma estrutura, um estilo, determinado vocabulário, fraseologia, ritmo, personagens, todo um contexto extraliterário, sociocultural” (1986, p. 59), com o qual ele está inteiramente comprometido.

De acordo com o pensamento de Willemsen, esse trabalho aborda uma reflexão sobre a tradução etnográfica que se pode elaborar a partir de uma narrativa, considerada realista, do escritor moçambicano Mia Couto: Pensageiro Frequente.

Palavras-chave: tradução; escrita etnográfica; literatura africana; língua; cultura.

 

Minibibliografia:

Cristina Gemmino: Mestre em Literaturas e Tradução Intercultural pela Università Degli Studi Roma Tre. Doutoranda em Estudos Africanos pelo ISCTE-IUL de Lisboa. Habilitada ao ensino da língua portuguesa nas escolas públicas italianas. Tem experiência nas áreas da sociolinguística e da promoção da língua portuguesa como língua-cultura de herança no contexto escolar italiano.


Comunicação 9

Língua e cognição: reflexões preliminares acerca da relação entre cultura e tradução

 

Autor:

Anderson Bertoldi – Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) – abertoldi@unisinos.br

 

Resumo:

Este trabalho apresenta resultados preliminares de um projeto de análise de traduções da obra Casa-grande e senzala (Freyre, 1998 [1933]) para o inglês e o italiano. Objetivo do projeto aqui relatado é verificar (i) como termos culturalmente marcados (Herrero Rodes, 1998) do português brasileiro foram traduzidos para o inglês e o italiano e (ii) o que as escolhas do tradutor podem revelar sobre os processos cognitivos subjacentes à prática tradutória. Os termos culturalmente marcados podem se caracterizar como um problema de tradução (Nord, 2005), uma vez que as referências culturais da língua-fonte podem não ser conhecidas pelos falantes da língua-fonte. A pergunta que esta pesquisa vem tentando responder é: Como o tradutor gerencia essas incompatibilidades conceptuais entre as línguas? A metodologia deste trabalho seguiu os princípios da Linguística de Corpus: os textos foram digitalizados, corrigidos e as ocorrências para cada termo analisado foram alinhadas nas três línguas.  A análise dos dados foi orientada pela Linguística Cognitiva, especialmente pelas noções de frame semântico (Fillmore, 1982) e conceptualização (Langacker, 2008) para a compreensão do fenômeno da equivalência de tradução de termos culturalmente marcados. Para citar um exemplo, o termo senzala em italiano apresentou como equivalentes dimore degli schavi (residências dos escravos), abitazioni degli schiavi (habitações dos escravos); já na tradução para o inglês, os equivalentes encontrados foram slave hut (cabana dos escravos), slave quarters (abrigo dos escravos). Os dados gerados indicam para o inglês um empréstimo de termos do frame PLANTATION para suprir a falta de equivalência para os termos do frame ENGENHO. Por outro lado, os dados da língua italiana indicam que, não havendo um frame similar, a conceptualização dos novos termos baseia-se em conceitos mais genéricos, como casa ou habitação. Assim, neste trabalho, buscamos refletir sobre a relação entre língua, cognição e cultura nas escolhas do tradutor.

Palavras-chave: Tradução; Cultura; Cognição.

 

Minibiografia:

Anderson Bertoldi é Professor Assistente do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, atuando nas áreas de Linguística e Estudos da Tradução. Em seu doutorado em Linguística Aplicada investigou, com base em um enquadre cognitivo, a relação de equivalência entre termos jurídicos em inglês e português. Desde 2015, tem se dedicado à pesquisa dos aspectos cognitivos e culturais associados à tradução.  


Comunicação 10

Estratégias tradutórias do vídeo promocional multilíngue da Lyoness International: uma análise comparativa

Autora:

Carla Valeria de Souza Faria – Universidade de Trieste – cfaria@units.it

 

Resumo:

Numa era digital e globalizada, algumas empresas têm escolhido o marketing de rede como modelo de desenvolvimento de seus negócios. A Lyoness International é uma comunidade de compras que com um cartão de fidelização (cashback card) permite ao cliente economizar em suas compras e obter dinheiro de volta a cada compra nas empresas parceiras. Com o site traduzido em 46 línguas, através do que considera a publicidade mais eficaz do mundo, a recomendação pessoal, a empresa estimula o usuário do cartão a indicá-lo aos amigos, que por sua vez o recomendarão a outros amigos, e assim obter também 0,5% do volume das compras de suas recomendações diretas ou indiretas, o chamado bônus amizade.

A Lyoness, fundada em 2003 na Áustria por Hubert Freidl, começa nesse mesmo ano  a sua expansão para o mercado internacional e em 2012 já está presente em 41 países. Em 2008 chega à Itália, em 2010 à França e à Espanha,  em 2011 a Portugal e em 2012 ao Brasil (Guerini, 2013:96-97).

O objetivo deste trabalho é analisar as traduções do vídeo promocional da empresa, que dura cerca de 30 min, em italiano, francês, espanhol, português europeu e português brasileiro, seguindo a ordem de penetração da empresa austríaca nesses mercados, identificando as principais estratégias tradutórias utilizadas na transposição do texto para cada cultura e os vínculos linguísticos e de redação impostos por cada uma delas.

Este estudo enquadra-se no âmbito dos estudos de tradução e de análise contrastiva.

Palavras-chave: marketing de rede; comunidade de compras; vídeo promocional; estratégias de tradução; análise contrastiva.

 

Minibiografia:

Carla Valeria de Souza Faria é doutora em Linguística pela UFRJ e professora nas disciplinas Lingua e Traduzione Portoghese II e III na Universidade de Trieste e Lingua Portoghese e Brasiliana II na Universidade Ca´ Foscari de Veneza.

Os seus principais interesses concentram-se no ensino de português como língua estrangeira, nos aspectos contrastivos da tradução italiano-português e na teoria da tradução para as línguas de sinais. É coautora do Corso di brasiliano 1 e 2.


Comunicação 11

A estrutura parentética do alemão como desafio para o tradutor de textos filosóficos

Autor:

Theo Harden – Universidade de Brasília – theo.harden@ucd.ie

 

Resumo:

Mark Twain em 1880 publicou um artigo intitulado The Awful German Language, no qual ele faz referêcia a algumas particularidades da língua alemã, mais especificamente à estrutura parentética da sentença alemã, que apresenta dificuldades não apenas para quem quer aprender o alemão, mas também  para quem traduz do alemão para outras línguas. Isso se agrava no caso dos textos filosóficos, porque uma das caraterísticas desse gênero são os períodos longos e complexos, em que há abundância de orações subordinadas. Em alemão frequentemente a estrutura parentética cria uma coesão que se perde nas demais línguas, e o tradutor precisa recorrer a outros meios para manter esta coesão. A presente comunicação focalizará na tradução de textos filosóficos de alemão para o português e analisará detalhadamente as estratégias empregadas pelos tradutores para resolver o problema acima mencionado. A base da análise é formada por traduções consagradas (Hegel, Filosofia da História) e por exemplos provenientes de recente projeto de tradução de comunicações apresentadas na Königlich Preussische Akademie der Wissenchaften por Wilhelm von Humboldt entre 1820 e 1835. As perguntas principais são: Quais são os potenciais equivalentes sintáticos da língua portuguesa para a estrutura parentética e até que ponto é possível empregá-los sem violentar a “portuguesidade” de um texto. A comparação de versões interlineares, que se mostram pouco aceitáveis e inteligíveis,  com as traduções aceitáveis servirá para ilustrar a problemática.

Palavras-chave: alemão; tradução; sintaxe; textos filosóficos.

 

Minibiografia:

Theo Harden, é professor de língua alemã na Universidade de Brasília, desde 2011, professor emérito da UCD, Dublin, desde 2010. Foi professor de língua alemã e linguística aplicada na UCD entre 1990 e 2010, e é editor da série INTERCULTURAL STUDIES AND FOREIGN LANGUAGE LEARNING. Suas áreas de pesquisa são: tradução, semántica, linguística aplicada, ensino de línguas estrangeiras.


 Comunicação 12

Tradutor e sua identidade atual: saber apenas a língua estrangeira é suficiente para a execução de um trabalho com qualidade?

Autores:
Henrique G. Silva – Faculdade Capital Federal – henrique.silva.gomes@gmail.com

Karine T. S. Silva – Faculdade Estácio / Faculdade Capital Federal – karinets@gmail.com

 

Resumo:

Como bem sabemos a profissão de tradutor é solitária. O profissional dedica horas em um trabalho para as vezes, conseguir finalizar poucas páginas com qualidade. Por essas e outras situações que o presente estudo permeia pela seguinte questão: Qual é a identidade atual do profissional de tradução, e o que o mercado busca quando contrata tal profissional? Questões essas que traçam uma mudança de paradigma a respeito deste profissional, uma vez que, para a boa parte dos contratantes de tradução, não existe interesse em contratar alguém com a formação específica de tradutor, basta ter conhecimentos na língua estrangeira requerida que você já pode atuar na área, essa visão acaba descredibilizando a categoria e ainda, “formando” uma impressão negativa generalizada a respeito do profissional. Tais situações apenas reacendem o ideário da invisibilidade do tradutor (HATTNHER, 1994), que quanto mais “invisível” for o tradutor, melhor é seu trabalho, como se qualquer texto traduzido pudesse efetivamente prescindir da figura do tradutor sem o concurso de um profissional da tradução. Desta forma, sabemos que, para os leitores que normalmente buscam na obra traduzida não o tradutor, mas o autor do original, que o bom tradutor ou o tradutor ideal é aquele que desaparece para dar lugar ao autor; é aquele que consegue ser tão fiel ao autor e, portanto, à obra que se torna transparente: apenas um instrumento que se retira tão logo a obra se completa (CORACINI, 2005). Assim, o objetivo aqui é mostrar que o profissional de tradução é um profissional necessário para o mercado, porém suas qualificações não poderão estar ligadas apenas no conhecimento do idioma em questão, mas também, em conhecimento técnico, adaptativo e cultural, tanto para se traduzir como para verter.

Palavras-chave: Identidade; tradutor; profissional; mercado.

 

Minibiografia:

Especialista em Psicologia Organizacional pela Faculdade Capital Federal (2016). É graduado em Tradução e Interpretação pela Universidade Nove de Julho. Atualmente é tradutor freelancer com experiência de mais de 10 anos na área. Desenvolve estudos a respeito da realidade atual do mercado de tradução e do profissional da área. Mestra em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2013). Tem sua formação acadêmica toda na área de Letras. Leciona para Graduação e Pós-Graduação: Leitura, Produção e Prática Textual, Análise do Discurso, Literaturas Portuguesa, Brasileira, Infantil e Contemporânea e Comunicação Organizacional. Atualmente desenvolve estudos a respeito da importância de se trabalhar a lusofonia no curso superior.


Comunicação 13

Orgulho e Preconceito na literatura e no cinema: desafios da tradução do ícone literário no século XXI

Autora:

Adriana Moellmann – Universidade de Brasília, Brasil – drimeu@gmail.com

 

Resumo:

A presença de clássicos da literatura mundial nas diferentes épocas e sociedades não se apresenta como estanque. A obra se renova e se modifica, sobretudo pelas suas diversas traduções, apesar de permanecer como ícone literário reconhecido. O debate a respeito evidencia a controvérsia em torno da manutenção de um status imóvel de uma obra que somente poderia ser considerada nos parâmetros de sua própria época em contraposição com abordagens, como a de Haroldo de Campos, que sustentam o aspecto criador da arte e sua consequente renovação e recriação no presente, no contexto de uma reinvenção da tradição. Mostra-se, dessa forma, relevante a discussão a respeito do tema, sobretudo com a frequente adaptação literária para o cinema, que modifica e ressignifica a obra sob inúmeros aspectos. De acordo com Walter Benjamin, em A Tarefa do Tradutor (1923, a tradução)o é responsável tanto pela permanência da obra quanto pela sua renovação. A tradução, assim, assume um lugar de destaque na questão. Para ensejar o debate a respeito, recorreu-se à análise de diferentes traduções para o português e da adaptação para o cinema de Orgulho e Preconceito (1813), ícone da literatura de autoria de Jane Austen. Com o foco voltado para o capítulo 34 e a respectiva cena no filme de Joe Wright (2005), foi possível observar o que George Steiner denomina como a dialética entre tradição e renovação. Ícones literários representam uma tradição sempre a ser considerada, mas se renovam seguidamente ao viverem e respirarem as diferentes épocas em que habitam. Essa permanência se configura em diversas formas, como atualmente ocorre no século XXI.

Palavras-chave: Tradução; literatura; ícone; tradição.

 

Minibiografia:

Adriana Moellmann é Mestre em Educação pela Universidade de Brasília, na área de concentração Educação, Tecnologias e Educação. Atualmente cursa o bacharelado em Letras Tradução Inglês na Universidade de Brasília. Dedica-se à pesquisa nas áreas de Educação, Arte e Comunicação, com foco no cinema e na literatura na contemporaneidade e no papel de tradutor da realidade exercido pela arte nos diferentes âmbitos da sociedade.


Comunicação 14

Investigando hábitos linguísticos na tradução: o estilo do tradutor literário e suas implicações

Autora:

Carolina Barcellos – Universidade de Brasília (UnB, Brasil) – carolinabarcellos@unb.br / cpbarcellos@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho investiga os padrões de escolha de um tradutor literário brasileiro em relação à convencionalidade. As escolhas linguísticas de um tradutor refletem seus hábitos linguísticos e, não raro, sua visão de mundo. Os Estudos da Tradução baseados em Corpus oferecem alternativas para a investigação dessas escolhas assim como sua relação com os hábitos linguísticos individuais de tradutores. Isso permite fazer considerações relevantes sobre estilo do tradutor e suas consequências para a realização de significados do texto-fonte no texto traduzido. Para esta pesquisa, foram compilados três corpora: 1) um corpus de textos traduzidos para a língua portuguesa brasileira por Paulo Henriques Britto, 2) um corpus de textos não traduzidos escritos em língua portuguesa brasileira por Paulo Henriques Britto, e 3) um corpus paralelo de textos escritos em inglês americano, dos autores Philip Roth, John Updike, e Jhumpa Lahiri, e suas traduções para o português brasileiro, de Paulo Henriques Britto. Foram utilizados ainda dois corpora de consulta (COMPARA e ESTRA) para obter frequências de referência, em língua portuguesa brasileira, quanto ao emprego dos elementos de convencionalidade investigados nos textos de Britto. A metodologia de investigação adotada seguiu os preceitos postulados pela Linguística de Corpus e compreendeu compilação, preparação, alinhamento e etiquetagem dos textos para posterior análise com o auxílio do programa WordSmith Tools© 6.0. Os resultados indicaram que Britto fez um conjunto de escolhas distinto para os textos traduzidos de cada autor do corpus, sendo influenciado, embora não de maneira determinante, pelo estilo dos autores dos textos-fonte.

Em geral, as escolhas linguísticas de Britto em relação ao emprego de expressões convencionais aumentaram o grau de coloquialidade dos textos traduzidos quando comparados aos seus respectivos textos-fonte.

Palavras-chave: Estudos da tradução baseados em Corpus; Estilo da tradução; Tradução literária; Convencionalidade.

 

Minibiografia:

Professora Adjunta do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução (LET- IL) da Universidade de Brasília. Recentemente, concluiu pós-doutorado em Estudos da Tradução, como bolsista do Programa Nacional de Pós-Doutorado da Capes. Doutora em Estudos Linguísticos, na linha dos Estudos da Tradução, pela Universidade Federal de Minas Gerais. Dedica-se ao estudo do estilo de tradutores literários e à aplicação de ferramentas da Linguística de Corpus no rastreamento de padrões em língua traduzida.


Comunicação 15

Posicionamento de tradutores em traduções brasileiras de textos literários

Autores:
Célia M Magalhães – Universidade Federal de Minas Gerais – celiamag@gmail.com

Taís Blauth – Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri – blauth.tais@gmail.com

Natália Cristófaro – Universidade Federal de Minas Gerais – cristofaro.n@gmail.com

Cliver Dias – Universidade Federal de Minas Gerais – cliver.dias@gmail.com

 

Resumo:

Esta apresentação é um relato de um projeto de pesquisa em andamento, sobre a função interpessoal na tradução de textos literários. Especificamente, ela apresenta resultados que dão suporte ao desenvolvimento atual de um modelo para analisar o engajamento em textos literários traduzidos. O trabalho revisa a pesquisa desenvolvida por Munday (2012, 2015), sobre o papel do interpessoal na tradução e da Teoria da Avaliatividade na modelagem da intervenção tradutória, especialmente o enfoque no engajamento em traduções de textos políticos internacionais. Também revisa estudos desenvolvidos por Rosa (2009, 2013) que são baseados na teoria narrativa e na avaliação para examinar o tradutor implícito nas traduções, sua visibilidade nos textos e sua interação com seu público leitor. Argumenta-se que um modelo baseado em um contínuo de atribuição levando em consideração a função dos verbos que realizam os processos verbais como recursos de engajamento pode ser produtivo na investigação do posicionamento do tradutor implícito. As escolhas diferentes de verbos podem direcionar a interpretação dos leitores a respeito dos diferentes personagens dos textos por meio de sua avaliação positiva ou negativa e dos níveis distintos de expansão heteroglóssica que constroem. São usados exemplos de traduções brasileiras de textos literários escritos em inglês e direcionadas a um público adulto e que integram o Corpus de Estilo da TraduçãoESTRA, disponível em http://portalminas.letras.ufmg.br. Argumenta-se, adicionalmente, que os recursos de atribuição e, especificamente, os verbos que realizam processos verbais podem ser sinais da intervenção dos tradutores. Os exemplos indicam que o modelo pode ser útil especialmente para revelar o posicionamento dos tradutores e seu alinhamento com leitores prospectivos em um contínuo de níveis diferentes de heteroglossia e de avaliação positiva e negativa. Os exemplos de uso desses recursos também podem contribuir para a prática e o ensino/aprendizagem da tradução.

Palavras-chave: processos verbais; expansão dialógica; atribuição; função interpessoal; tradução de textos literários.

 

Minibiografias:

Célia Magalhães é Professora Titular em Estudos da Tradução na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Tem vasta publicação em (co)autoria de artigos em periódicos brasileiros e livros e capítulos de livros (inter)nacionais nas áreas dos estudos da tradução e da análise do discurso.

Taís Blauth é Mestre em Linguística Aplicada com ênfase em Estudos da Tradução. É atualmente professora substituta de Língua Inglesa na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM.

Natália Cristófaro é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UFMG.

Cliver Dias é mestrando do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UFMG.


Comunicação 16

Freud, Sartre e Huston: Intertextualidade e Controvérsias

 

Autora:

Paula Beatriz Gallerani Cuter – Universidade de Sorocaba (UNISO) – SP, Brasil. Mestranda do departamento de Comunicação e Cultura – paulabgcr@gmail.com

 

Resumo:

A narrativa da obra de Freud evidencia a sua forma de pensar, a sua mente criativa e o seu estilo literário. Quando Freud começa a descrever os seus casos clínicos em Estudos sobre a histeria os descreve de forma poética, com o brilhantismo de um conto, adaptando à psicanálise como ciência em crescimento a sua erudição na literatura, filosofia e outras ciências.

John Huston, grande diretor cinematográfico hollywoodiano, aproveita o lançamento da biografia de Freud, por Ernest Jones, e decide fazer um filme sobre o homem Freud e parte da sua obra, traçando a trajetória que ele fez para chegar à teoria do inconsciente. John Huston escolhe Sartre para fazer o roteiro do seu filme. Esse encontro acabou virando um “pugilato intelectual”, segundo Roudinesco, onde houve uma dificuldade muito grande deles se respeitarem e se entenderem, o que fez com que Sartre não autorizasse que seu nome estivesse nos créditos do filme.

Sartre, que circulou entre a literatura, a filosofia e a política, tinha uma cultura psicanalítica prévia, mas foi no contato com a biografia de Ernest Jones, com o livro das cartas de Freud a Fliess e com a leitura aprofundada dos Estudos sobre a Histeria, A Interpretação dos Sonhos e os Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, que ele, que sempre negara a existência do inconsciente, viu-se confrontado com o seu inventor.

Estas três formas diferentes de narrativa: a obra de Freud, o roteiro de Sartre e o filme de John Huston, permitem um cruzamento de textos com linguagens diferentes sobre o mesmo tema. Dessa intertextualidade evidenciam-se controvérsias e compreensões de conceitos, ideias, que serão analisadas à luz das teorias da comunicação e da produção cultural dos meios audiovisuais, da Ontologia Fenomenológica, biografia e obra de Sartre e da biografia e obra de Freud.

Palavras-chave: Psicanálise; Filosofia; Comunicação; Intertextualidade; Controvérsias.

 

Minibiografia:

Paula Beatriz Gallerani Cuter. Psicóloga Clínica, com Título de Especialização pelo GEPPPI (Grupo de Estudos de Psiquiatria, Psicologia e Psicanálise da Infância). Mestranda do curso de Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba – SP, Brasil. Professora de Freud, Melanie Klein, Winnicott e Psicopatologia do curso de Pós-Graduação do CEFAS (Centro de Formação e Assistência à Saúde).


Comunicação 17

Traduzindo “sociolinguisticamente”: variação linguística e tradução em sala de aula de PBLE

Autora:
Katia de Abreu Chulata – Universidade “Gabriele d’Annunzio”, de Chieti-Pescara –

kdeabre@icloud.com

 

Resumo:
A presente comunicação relata uma experiência didática de Português Brasileiro como Língua Estrangeira (PBLE), em universidade italiana, envolvendo a tradução da “Novela sociolinguística” A língua de Eulália, de Marcos Bagno.

O projeto didático aqui apresentado não se reduz ao confronto entre os dois textos, o livro de Bagno e a tradução do livro por parte da turma de segundo ano da licenciatura em Línguas, mas tenta negociar posições e relações didáticas para fomentar reflexões sobre perspectivas linguísticas e tradutórias.  O trabalho que aqui se propõe apoia-se, por um lado, na perspectiva do Interacionismo simbólico e da Etnometodologia (Herbert Blumer, 1969; Erwin Gofman, 2001; Harold Garfinkel, 2002) no que se refere à análise e  à compreensão da construção de sentido e da interação entre os sujeitos envolvidos na tradução, por outro, na abordagem sociolinguística (Bortoni-Ricardo 2004; Bagno 2007; Faraco 2016).

Quanto à abordagem teórica da tradução, seguimos os elementos e as sugestões da Desconstrução segundo os postulados de Jacques Derrida (2000, 2005) e de Rosemary Arrojo (1993, 2003).

Palavras-chave: tradução; PBLE; sociolinguística; Marcos Bagno; deconstrução.

 

Minibiografia:

atualmente é Professora de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira na Università degli Studi “G. d’Annunzio”, Chieti-Pescara e Professora de Literatura Portuguesa na Libera Università Maria Ss. Assunta, LUMSA, Roma.. É Doutora em Estudos Linguísticos, Literários e Interculturais pela Università del Salento, Itália. Tradutora e estudiosa de temas de tradução, subjetividade e interculturalidade, português como língua estrangeira e como língua de herança. É membro do Grupo de Pesquisa “Língua Portuguesa no Mundo”, do Projeto “REDE de estudos da língua portuguesa ao redor do mundo” (http://gef-ufg.webnode.com/products/rede-de-estudos-da-lingua-portuguesa-ao-redor-do-mundo/). É associada da AOTP, vice-presidente da ASLP – Associazione di Studi di Lingua Portoghese e do V SIMELP 2015 – Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa. Coordenadora, do lado italiano, do Projeto Mec-SECADI – Promoção, Difusão e Valorização do Português Brasileiro em Comunidades Minoritárias: Aspectos Sociais, Políticos e Linguísticos.


Comunicação 18

Misturas e estereótipos linguísticos e culturais: a toscanidade “traduzida” na novela Passione

Autor:

Salvador Pippa – Università Roma tre – salvador.pippa@uniroma3.it

 

Resumo:

Passione, como todos sabem, é o título italiano de uma novela transmitida, no Brasil, pela Rede Globo, a partir do mês de maio de 2010 até o mês de fevereiro de 2011. Nessa novela, como em outras, há alguns personagens italianos que se expressam por meio da interlíngua: o Italianês . Em Passione, a representação/tradução da Itália e do italiano não é a da Terra nostra, novela baseada no período da grande onda de imigração, mas a da Itália contemporânea e, especificamente, da realidade regional da Toscana rural. Com esse contexto italiano mais atual, analisaremos, neste trabalho, os elementos liguísticos e culturais. A reflexão inicia-se desde a preparação da novela até os elementos estabelecidos pelos peritos consultados para caracterizar os personagens toscanos. A esse respeito, atentamos, nesta pesquisa, em alguns aspectos, dentre os quais destacamos: a prosódia e a proxêmica típica toscana. De um ponto de vista linguístico, percebemos que foi evitado o uso de falsos amigos, ou seja, dos termos homophones, mas com significados diferentes entre o português brasileiro e italiano. O presente estudo tenta avaliar alguns trechos nos quais aparecem interessantes fenômenos relativos à língua e à cultura italiana. Daremos relevância especial à onomástica, à prosódia, à proxêmica, ao gesto, ao registro linguístico, ao léxico etc.Também, vamos tentar destacar a representação da italianidade e da “toscanidade” que foi oferecida a milhões de brasileiros e que revelou, infelizmente, a persistência na contemporaneidade brasileira de alguns estereótipos. Por outra parte, queremos evidenciar, sempre a partir dos trechos analisados, as enormes oportunidades que as semelhanças linguísticas e culturais entre o italiano e o português brasileiro poderiam proporcionar para a mútua compreensão, assim como para a didática das línguas estrangeiras e para a abordagem da tradução entre línguas próximas.

Palavras-chave:  estereótipos; interlíngua; mútua compreensão; tradução entre línguas próximas.

 

Minibiografia:

Salvador Pippa é pesquisador de Língua e tradução portuguesa e brasileira na Universidade Roma Tre. É também intérprete de conferências entre línguas românicas (português, francês, espanhol, italiano). Os seus interesses e projetos de pesquisa dizem respeito à tradução especializada e à interpretação, à  didática do português brasileiro língua estrangeira e, mais recentemente, à intercompreensão entre línguas românicas.