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Simpósio 8

SIMPÓSIO 8 – IDENTIDADES COLETIVAS: FORTALECIMENTO E DILUIÇÃO

Coordenadora:

Isabel Barros Dias | Universidade Aberta | Isabel.Dias@uab.pt

 

Resumo:

A Identidade constitui um tema fundamental, tanto ao nível pessoal, como coletivo. Dada a amplitude do tema, o Simpósio opta por centrar-se na problemática das identidades coletivas, propondo o debate em torno do modo como a literatura e outras formas de arte intuem e representam dinâmicas identitárias. Visionária e dúctil por natureza, a arte constitui um domínio capaz de captar traços do imaginário coletivo que só posteriormente a ciência consegue conceptualizar.

Das imagens e espaços onde se radica a ideia e a memória de cada nação, estudados por Pierre Nora, aos não-lugares, propostos por Marc Augé; das manipulações da história, operadas por regimes totalitários, às identidades imaginadas de âmbito local, cristalizadas em lendas de fundação, ou aos lugares comuns estudados pela Imagologia, importa perscrutar e debater como as identidades coletivas se diluem e/ou se fortalecem num mundo e em sociedades que, ao longo dos tempos, têm sido marcados por sucessivos momentos de globalização e por significativas diásporas populacionais.

Palavras-chave: Identidade, Arte, Imaginário, Memória, Sociedades.

 

Minibiografia:

Isabel Maria de Barros Dias

Professora Auxiliar, na Universidade Aberta, onde leciona desde 1989. Tem artigos publicados em diversas revistas de especialidade, publicações coletivas e atas, nacionais e estrangeiras, bem como dois livros sobre historiografia medieval ibérica (Metamorfoses de Babel, de 2003 e La identidad de la historiografía de 2013). A sua investigação situa-se no âmbito da Literatura Comparada, da Imagologia e dos Estudos sobre o Imaginário, tendo como principais áreas de interesse, a Literatura Medieval e do séc. XVI, a Literatura Oral e Tradicional e a Edição Textual.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Variação linguística e identidade no teatro vicentino

Autora:

Marilza de Oliveira – Universidade de São Paulo – marilza@usp.br

 

Resumo:

O teatro vicentino é reconhecidamente marcado por tipos Sociais, cuja expressão linguistica deixa vislumbrar identidades coletivas. Um dos elementos linguísticos que fazem sobressair a marcação identitária de suas figuras é a flexão verbal da 2a pessoa do plural. Teyssier (2005) apontou que a forma conservadora (cantades, vendedes, partides) caracteriza a fala das mulheres. Oliveira (2016), analisando as farsas, observou que a identidade do homem se fazia pela supressão de “d” (vendês) e correlacionou, por via da iconicidade, o comportamento linguístico ao gestual (Zumthor 1993) dos dois gêneros. Neste trabalho, ainda a partir dos indícios fornecidos pela flexão verbal, analisam-se as falas de personagens femininas e masculinas nos autos vicentinos, com o objetivo de observar o fortalecimento ou a diluição das identidades dos dois gêneros na conjuntura do acerto de contas para o ingresso ao mundo “superior”.

Palavras-chave: variação linguística; gesto e voz; teatro vicentino; marcas identitárias; flexão verbal.

 

Minibiografia:

Marilza de Oliveira – Professora Titular da Área de Filologia e Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo. Trabalho na área de Sintaxe e me dedico atualmente à História Social da Língua Portuguesa.


Comunicação 2

Lourenço Vicente: a (re)construção de uma identidade colectiva

Autora:

Natália Albino Pires – Escola Superior de Educação de Coimbra / IELT (FCSH-NOVA) –

npires@esec.pt | natalia.pires@gmail.com

 

Resumo:

De entre as inúmeras figuras históricas importantes para o final da Idade Média portuguesa, salienta-se a figura de D. Lourenço Vicente. Destacado Arcebispo de Braga, segundo o seu primeiro biógrafo, D. Rodrigo da Cunha, partícipe directo na guerra de sucessão dinástica de 1383-85 ao lado da facção portuguesa, segundo Fernão Lopes, a figura histórica e lendária D. Lourenço Vicente sobrevive no imaginário colectivo dos lourinhanenses.

Tendo em conta a importância desta figura histórica (tanto para a história de Portugal, como para a identidade de uma localidade), procuraremos perscrutar e debater a (re)construção de uma identidade colectiva a partir da figura de D. Lourenço Vicente. Assim, partimos do episódio da construção das galés que ajudam a libertar Lisboa do jugo castelhano narrado por Fernão Lopes na Crónica de D. João I; analisamos uma lenda deste episódio, literariamente construída por Emília de Sousa Costa durante o Estado Novo, e examinamos os traços identitários constructo literário que sobrevivem no imaginário popular.

Palavras-chave: D. Lourenço Vicente; Identidade; Emília de Sousa Costa; Fernão Lopes; Imaginário.

 

Minibiografia:

Docente de Língua Portuguesa na Escola Superior de Educação de Coimbra desde 2000 e tenho desenvolvido investigação e publicado trabalhos sobre as especificidades linguísticas do romanceiro da tradição oral moderna portuguesa, sobre a importância das lendas para a construção do imaginário coletivo, propostas de turismo cultural baseadas no acervo lendário e na presença de personalidades históricas em diversas localidades da Região Oeste e os mecanismos neurolinguísticos relativos à memorização do texto e da aquisição da língua.


Comunicação 3

Monumentalidade e identidade coletiva em A Abóbada de Alexandre Herculano: da individualidade de Afonso Domingues ao sentimento identitário nacional

Autores:

Isabel Maria Reis Alegria – Universidade Aberta – isabel.alegria@netcabo.pt | 1300934@estudante.uab.pt

 

Resumo:

A construção de monumentos arquitetónicos configura-se como um dos elementos constitutivos da memória coletiva de uma nação e do fortalecimento da sua identidade. Tal deriva do facto de essa construção estar geralmente associada a determinados acontecimentos históricos que, de alguma forma, são o corolário de uma ação vivida ou sentida como partilhada pelos elementos de uma coletividade. A construção arquitetónica do Mosteiro de Santa Maria da Vitória em A Abóbada enquadra-se nesta aceção enquanto monumento representativo da “independência e glória” de Portugal, conquistadas na batalha de Aljubarrota, mas também na qualidade de uma obra singular de um português que a ela se dedica até aos limites da sua existência física. Assim, a identidade individual de mestre Afonso Domingues, na sua vertente de herói romântico, funde-se no sentimento nacional e nos ideais de amor pátrio e religiosidade ancorados na Idade Média e recuperados por Herculano nas suas Lendas e Narrativas. Por sua vez, uma análise imagológica da representação do estrangeiro na narrativa, personificado em David Ouguet, permite perscrutar o seu contributo para a sedimentação do sentimento nacional.

Palavras-chave: Identidade; Nacionalidade; Memória; Imagem.

 

Minibiografia:

Professora do Quadro do Agrupamento de Escolas Ferreira de Castro em Oliveira de Azeméis, onde leciona a disciplina de Português ao ensino secundário. Licenciou-se em Ensino de Português e Francês na Universidade de Aveiro e é mestranda em Estudos de Língua de Língua Portuguesa: Investigação e Ensino na Universidade Aberta, estando a elaborar a dissertação “Imaginação história e construção identitária em Crónica de D. João I, A Abóbada e Memorial do Convento: uma perspetiva comparatista”.


Comunicação 4

Identidades coletivas, memórias particulares: resistência criptojudaica na modernidade lusa

Autor:

Angelo Adriano Faria de Assis – Universidade Federal de Viçosa – angeloassis@uol.com.br | angeloassis@ufv.br

 

Resumo:

Entre 1496-97, decretos monárquicos portugueses inicialmente expulsariam os judeus do território e, no derradeiro momento, impediriam a sua saída do reino, transformando-os em cristãos-novos. A percepção de que muitos dos antigos judeus agora cristãos continuavam a manter costumes, crenças e tradições hebraicas levaria a que os neoconversos fossem vistos, de forma generalizada, como judaizantes ocultos, ou criptojudeus. Se é fato, por um lado, que muitos cristãos-novos mantiveram a pertença judaica, também é certo que uma parcela deles buscou se adaptar ao catolicismo dominante, integrando-se à nova realidade em que viviam. Por culpa destas desconfianças sobre os cristãos-novos, abriu-se o palco de atuação do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição de Portugal, que tinha como objetivo zelar pela pureza cristã. Durante seus 285 anos de existência, de 1536 a 1821, o Santo Ofício teve nos neoconversos suas principais vítimas, cerca de 80% dos mais de quarenta mil processos movidos pela Inquisição. Muitas destes processos de resistência religiosa viraram tema de obras literárias que tinham no drama das perseguições que se abateram sobre os neoconversos o pano de fundo da narrativa. É o caso, por exemplo, dos romances Os rios turvos, de Luzilá Ferreira (1993), Oríon, de Mário Cláudio (2003), e Memórias de Branca Dias, de Miguel Real (2003). As obras citadas descrevem pela ficção, episódios e/ou personagens que de fato existiram, e que servem de mote para pintar a perseguição contra os cristãos-novos no início da Modernidade portuguesa. Este trabalho analisará como as estratégias de resistência judaica da parcela neoconversa que lutava pela continuidade hebraica, forma retratadas pela literatura.

Palavras-chave: ciInquisição; resistência religiosa; identidade criptojudaica; relações entre Literatura e História.

 

Minibiografia:

Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (2004); Professor da Universidade Federal de Viçosa, onde atua na Graduação em História e nos Mestrados em Letras e Patrimônio Cultural, Paisagens e Cidadania. Pesquisador da Cátedra de Estudos Sefarditas “Alberto Benveniste” da Universidade de Lisboa. Tem artigos e livros na área de História do Brasil Colônia, Inquisição, religiões e religiosidades no mundo iberoamericano; criptojudaísmo; cristãos-novos; literatura, história e memória


Comunicação 5

A identidade de pertencimento ao Império português nos Estatutos da Academia Brasilica dos Renascidos

Autora:

Marcela Verônica da Silva – Universidade Federal do Paraná (UFPR) – maveronica83@yahoo.com.br

 

Resumo:

O movimento academicista luso-brasileiro teve como uma de suas mais importantes agremiações a Academia Brasílica dos Renascidos, fundada em 1759 na Bahia. Constituída por um corpo de aproximadamente 140 sócios (clérigos de diversas ordens, senhores de engenho, mercadores, magistrados, militares e servidores públicos) ligados em torno de relações de mecenato com o Estado, a academia buscava refletir ou mesmo sobrepujar a Academia Real de História Portuguesa, uma vez que propunha, por meio da escrita da História política e militar, eclesiástica e natural da América portuguesa, imortalizar os feitos do rei. Participar da agremiação significava para os membros a inserção em um movimento cultural que, por essência, transcendia a realidade local.  Com base nesses pressupostos, a presente comunicação tem por objetivo tecer algumas considerações acerca da sociabilidade letrada setecentista, destacando, por meio da análise dos documentos Estatutos da Academia Brasílica dos Renascidos e Adição aos Estatutos, menções ao trabalho coletivo dos integrantes do grêmio, bem como marcas que evidenciem a identidade de pertencimento ao Império português, postas em contraste com as nuances localistas que figuravam em seus discursos. Nesse sentido, serão abordados princípios teóricos dos Estudos Culturais a serem confrontados com os fundamentos epistemológicos da História, de modo a possibilitar a reflexão sobre a concepção de identidade. Tenciona-se, assim, representar os acadêmicos renascidos tomando como parâmetro, grosso modo, a compreensão de sujeito sociológico concebida por Stuart Hall.

Palavras-chave: Identidade; Cultura; Academia Brasílica dos Renascidos.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras pela Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (2005), mestre em Letras – “Literatura e Vida Social” pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (2009) e doutora em Letras pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (2013) com período sanduíche na Universidade de Lisboa (novembro de 2011 a março de 2012). Atualmente  desenvolve estágio pós-doutoral na Universidade Federal do Paraná.


Comunicação 6

A relação entre a literatura e a formação do sujeito

Autoras:

Francisca Fernanda de Sales Taveira Carvalho – Instituto Federal de Brasília – nandasales28@gmail.com

Daniele dos Santos Rosa – Instituto Federal de Brasília – daniele.rosa@ifb.edu.br

 

Resumo:

A presente pesquisa pretende analisar a formação da Literatura Brasileira e sua atuação no caráter e na formação dos sujeitos. Para tanto, precisamos compreender qual a relação entre a literatura e a formação da identidade social, ou seja, a importância da ficção na formação do homem. Segundo Candido, a literatura é um direito, por isso amadurece e avança juntamente com as pessoas e a sociedade em que está inserida. E cada um de nós precisa se reconhecer naquilo que lê, para nos identificarmos e idealizarmos sonhos, ou, principalmente, compreendermos a nossa realidade. A experimentação das emoções literárias faz parte da vida de todos nós. Desde a infância ouvimos histórias de contos de fada ou aquelas contadas por nossos avós, passadas de geração em geração. De acordo com Candido, a necessidade de fabulação e ficção são direitos do ser humano, e que esse direito atua sobre o seu caráter e na sua formação como sujeito. Sendo assim, a literatura desde muito cedo alimenta nossa mente e reflete no modo como vemos o mundo a nossa volta. Ela é parte fundamental da cultura de um povo. Considerando todas as possibilidades do universo fabulado, inclusive quando sonhamos, podemos considerar que a literatura é imprescindível para o ser humano. Como resultado, aprendemos a diferenciar realidade da ficção. A nossa experiência literária e o nosso desejo de penetrá-las como algo vivo, segundo Candido, é indispensável para formar a nossa sensibilidade e visão de mundo. Não há equilíbrio social sem literatura. Nesse sentido, Candido considera a literatura um sistema por considerá-las ligadas por denominadores comuns, permitindo perceber neles cada fase de sua escrita. O escritor deve ter consciência do seu papel, que juntamente com diferentes tipos de público e o mecanismo transmissor, isto é, a linguagem escrita, vão formar um tipo de comunicação inter-humana: a literatura.

Palavras-chave: formação da literatura; ficção/fabulação; identidade social.

 

Minibiografias:

Francisca Fernanda de Sales Taveira Carvalho: Graduanda em Licenciatura em Letras – Língua portuguesa, pelo Instituto Federal de Brasília, campus São Sebastião – DF. Concluindo o sexto semestre do curso, interessada em pesquisas na área da literatura brasileira e crítica literária. Bolsista do PIBIC (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) pela FAP (Fundação de apoio a pesquisa) – DF.

Daniele dos Santos Rosa: Daniele dos Santos Rosa. Doutora em Literatura Latino-americana e mestre em Literatura Brasileira, pela Universidade de Brasília. É especialista em História Cultural e graduada em Letras por esta mesma instituição. Atualmente, realiza pesquisas com ênfase em Teoria da Literatura e Literaturas latino-americana, brasileira e portuguesa.


Comunicação 7

As cantorias como elementos fortalecedores da identidade coletiva

Autoras:

Ester Ferreira – Universidade de Brasília | Bolsista FAP/DF – ester.ufg@gmail.com | hester.linguistics@hotmail.com

Marcia Elizabeth Bortone – Universidade de Brasília – marciabortone@terra.com.br

 

Resumo:

Este estudo faz parte da pesquisa de doutorado em andamento, na área de Sociolinguística Qualitativa e Interacional, amparada nas abordagens sociodiscursiva e sociointeracional, Linha de Pesquisa Língua, Sociedade e Letramento, da Universidade de Brasília. A pesquisa foi realizada com duas irmandades (grupos) de Folia de Santos Reis, no município de Jaraguá, Goiás, Brasil, cujo fenômeno analisado são as práticas sociodiscursivas no contexto da Folia de Santos Reis. O arcabouço teórico está fundamentado em Barnes (1954), Bortone (1996), Bogo (2002; 2015), Bortoni-Ricardo (2014), Bosi (1994), Brandão (1982; 2004), Gumperz (1998), Goffman (1998), Machado (2008), Melucci (1996), Santos (2001), Santos ([2007] 2015), Thompson (1992) e outros. Abordam-se as cantorias como um dos principais fatores de construção da identidade coletiva dos foliões e membros desses grupos. Ao considerar que a Folia de Santos Reis reflete aspectos importantes dos valores sociais, religiosos e culturais da identidade coletiva de seus membros. O objetivo deste estudo é descrever e analisar, nos aspectos socioculturais, algumas cantorias do repertório das Folias pesquisadas. Considera-se que as cantorias constituem um dos principais elementos mediadores e fortalecedores da identidade coletiva. A metodologia consiste no levantamento, classificação e análise de cantorias do contexto religioso, observando o processo de representação, inspiração, emoção e unidade, considerando os processos idiossincráticos e semióticos, nos planos individual e coletivo. Os dados foram coletados no contexto real de realização do evento, em janeiro de 2015 e 2016, a partir da perspectiva da Etnografia .

Palavras-chave: Fazenda Córrego Grande, Fazenda Bom Jesus, Folia de Santos Reis, Identidade coletiva, cantorias.

 

Minibiografias:

Ester Ferreira – Doutoranda em Linguística, Sociolinguística Interacional, pela Universidade de Brasília, atuando em temas relacionados à linguagem, sociedade, cultura e identidade de grupos minoritários e do campo. Mestra pela Universidade Federal de Goiás, iniciou a pesquisa em Jaraguá no mestrado, estudando diversos temas desse município, em sua dimensão urbana e rural.

Marcia Elizabeth Bortone – Doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ (1994) e Pós- doutora pela Universidade Federal do Pernambuco/UFPE (2011). Professora Adjunta da Universidade de Brasília/UnB. Atua principalmente na área de pesquisa voltada a Sociolinguística Educacional, com ênfase nas subáreas: Estudos de Letramentos e de Gêneros, Formação de Professores, Análise da compreensão leitora, Ensino da norma padrão e Análises Etnográficas de comunidades do campo.


Comunicação 8

A circulação das lendas amazônicas na tríplice fronteira entre Brasil Peru e Bolívia

Autora:

Aquésia Maciel Góes – Universidade Federal da Integração Latino-Americana – aquesiamaciel@gmail.com

 

Resumo:

O estado do Acre, localizado na região norte do país, é um dos estados que compõem a Amazônia brasileira. Este estado faz fronteira com Pando na Bolívia e com Madre de Dios no Peru, que também fazem parte do que chamamos de Pan Amazônia, ou seja, os países que tem parte da floresta amazônica em seu território. Essa região, além das riquezas naturais, das quais muito se fala, é também rica em cultura popular, indígena e ribeirinha. Possui rios turvos e caudalosos que serpenteiam entre a densa floresta, criando assim um ambiente propicio à circulação de diversas narrativas fantásticas, desde estórias de pescadores e seringueiros até as nossas conhecidas lendas: O Mapinguari, o boto cor-de-rosa, a cobra-grande; ou, nos países de los Hermanos bolivianos e peruanos, el Padre monte, el bufeo colorado, la Yacumama, respectivamente.

Este trabalho pretende discutir a importância das lendas amazônicas que perpassam os limites cartográficos e idiomáticos estabelecidos por seus países para engendrar e emaranhar-se em um imaginário amazônico independente de limites e limitações. Discutirá o hibridismo cultural amazônico que compõe uma identidade líquida e dinâmica. Objetivando demostrar as similitudes que une esses povos, pois as diferenças já estão explícitas, quiçá, através das semelhanças esses os sujeitos amazônicos dessa região fronteiriça possam se identificar mutuamente e, a partir desta identificação praticar a empatia, principio básico para um convívio saudável em uma região de fronteira, ambiente de constante tensão, principalmente entre economia, sociedade e cultura.

Palavras-chave: Fronteira; Identidade; Lendas; Amazônia.

 

Minibiografia:

Aquésia Maciel Góes é professora de Letras Espanhol, formada pela Universidade Federal do Acre-UFAC e atualmente é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Literatura Comparada da Universidade federal da Integração Latino-Americana-UNILA.


Comunicação 9

Alinhavos de identidades coletivas nas narrativas e na poesia oral das margens do velho Chico: tradição, memória e representação social

Autor:

Nerivaldo Alves Araújo –  Universidade do Estado da Bahia –  neriaraujo@hotmail.com

 

Resumo:

Os povos das margens do  Rio São Francisco (o Velho Chico) na região de Xique-Xique, Bahia, Brasil, trazem marcadas nas diversas manifestações de sua cultura, identidades que se encontram na forma de alinhavos, isto é, provisórias e moventes. Partindo-se do princípio de que as identidades se estabelecem a partir da interação com o outro, com o meio e suas influências, este estudo, utilizando-se das narrativas orais – como a Serpente da Ilha do Miradouro e a Mãe d’Água – e da poética das cantigas do samba de roda de um grupo de ribeirinhos da referida região, pretende retratar um conjunto plural de gostos, símbolos, representações, fazeres, ideologias, crenças e opiniões, que permanecem vivos na memória de um povo, mantendo-se sempre em evolução, através de práticas contínuas de reinvenção de suas tradições. Toda uma representação social pode ser consolidada através de práticas como estas trazidas, aqui, à baila da discussão. Ainda, pretende-se ratificar nessas expressões da cultura ribeirinha a marca da pluralidade e da diversidade, uma vez que se constroem a partir de uma mistura entre as principais etnias formadoras da cultura brasileira: indígena, portuguesa e africana. Foram adotados para este estudo, os princípios da pesquisa qualitativa de cunho etnográfico, que partiu de um levantamento documental e bibliográfico até a prática da observação, coleta ( gravação e transcrição das narrativas e cantigas) e análise de dados, dentre outros procedimentos. No intuito de referendar as percepções do autor em relação aos estudos sobre identidade, memória e tradição, foi fundamental a companhia de estudiosos como: Achugar, Bauman, García Canclini, Candau, Hall, Hobsbawm e Ranger, Le Goff, Nora, Ortiz e Ricoeur. Contribuíram, dentre outros teóricos, para as discussões acerca da narrativa e da poética oral, samba e performance: Cascudo, Lemaire, Muniz Júnior, Nogueira, Roméro, Siqueira, Sodré e Zumthor. Mediante os estudos realizados, foi possível ressaltar a diversidade e a transitoriedade das identidades dos povos em xeque e que a sua memória cultural tem, na confluência étnico-racial, sua força e riqueza, embora a visão etnocêntrica da cultura hegemônica, na maioria das circunstâncias, considere tal diversidade das práticas culturais como impureza e falta de originalidade, motivo utilizado para relegá-la a um patamar inferior, desmerecendo as identidades desses povos. Identidades estas, que, por não possuírem uma costura fixa, podem muito bem ser (des)alinhavadas, (re)costuradas numa trama perene capaz de fortalecer as manifestações da cultura popular, de fazê-las navegar, portanto, em outro sentido: das margens rumo ao centro do reconhecimento.

Palavras-chave:  Identidades; Narrativas orais; Poesia oral; Velho Chico; Memória.

 

Minibiografia:

Professor Assistente da Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Doutor em Literatura e Cultura – Universidade Federal da Bahia – UFBA Mestre em Estudo de Linguagens – Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Pesquisador do Grupo de Pesquisa “Programa de Estudo e Pesquisa da Literatura Popular” – PEPLP – UFBA. 


Comunicação 10

Cruzamento de culturas e identidades nas canções poéticas de Roraima: Songbook, de Zeca Preto

Autora:

Rosidelma Pereira Fraga – Universidade Estadual de Roraima – rosidelmapoeta@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este artigo, fruto do relatório de Estágio Pós-Doutoral, persegue o objetivo fulcral de investigar a identidade cultural na produção poético-musical com marcas indígenas de Roraima, a fim de alargar a discussão para o campo de conceituação das identidades que não podem ser vistas somente com a tradição oral, mas com as etnias, com a construção e a ritualização dos mitos amazônicos, dos imaginários coletivos, da diversidade linguística, da construção da memória que formam a multiplicidade do povo roraimense e, ao mesmo tempo, o singulariza com traços sui generis dentro de sua tradição local. Sob esse prisma, as análises terão como recorte analítico as canções do álbum Songbook (2015), de Zeca Preto e outros poetas, sob a ancoragem dos estudos culturais e da teoria da literatura. O ensaio parte de uma discussão dos resultados teóricos e analíticos em torno de autores relevantes, a saber: Arjun Appadurai (2004), Stuart Hall (1993), Alfredo Bosi (1992) Teixeira Coelho Neto (2008), Silviano Santiago (2002), Zigmunt Bauman (1999), Tomaz Tadeu da Silva (2014), dentre outros do projeto e discutidos no Programa Avançado de Cultura Contemporânea, os quais subsidiaram a presente pesquisa.

Palavras-chave: Identidades; Estudos Culturais; Memória; Canções de Roraima; Poesia.

 

Minibiografia:

Rosidelma Pereira Fraga, pela Universidade Federal de Goiás. Pertence ao quadro efetivo da Universidade Estadual de Roraima. Realiza Pós-Doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob a supervisão da Profa. Dra. Aparecida Luzia Alzira Zuin. Poeta. Autora das obras Cantares de Amor, e Poiesis em verso e prosa.


Comunicação 11

Identidade e Lugar na poesia de Eliakin Rufino

Autoras:

Carla Monteiro de Souza – Universidade Federal de Roraima – carlamont59@uol.com.br | carla.monteiro@ufrr.br

Cátia Monteiro Wankler – Universidade Federal de Roraima – cmwankler@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho trata da poesia produzida em Roraima/Brasil no âmbito do movimento cultural autointitulado “Roraimeira”, mais especificamente da obra do poeta roraimense Eliakin Rufino. Situa-se na convergência entre Literatura e História, espaço em que os estudos sobre/e das práticas culturais e artísticas amazônicas vem adquirindo um novo sentido, que questiona as abordagens englobantes acerca da Amazônia, problematizando a diversidade social e cultural presentes nesta imensidão territorial. As variadas formas de expressão artística produzidas na região são aqui entendidas como manifestações de um olhar para si, que “conta” e expressa as múltiplas identidades engendradas historicamente. O poeta roraimense se alinha a esta visão, que se contrapõe àquela que concebe a região como um todo homogêneo, que obscurece as diferenças entre os lugares e os grupos sociais, culturais e étnicos que a habitam, uma noção de região e de regional totalizante e totalizadora, construída, em grande parte, por olhares “de fora”. Tendo estas referências, realizaremos o cotejo de alguns poemas publicados na coletânea Cavalo Selvagem (2011), pontuando as seguintes questões: a relação topofílica de Eliakin Rufino com o lugar Roraima, a partir dos pressupostos da Geografia Cultural e de Y Fu Tuan; o engajamento destas produções na constituição de um identidade  roraimense e a busca por estabelecer um diálogo entre esta identidade local e uma identidade amazônida, a partir de Stuart Hall e Hans Grumbrecht. Intentamos evidenciar que estas produções carregam em si uma força programática e um caráter politico: por um lado, questionando a visão totalizante e totalizadora de Amazônia e a noção tradicional de região e de regional em sua relação com o nacional, partindo das Dez Teses de Ligia Chiappini; por outro, constituindo uma identidade, que, de certa forma, também busca neste contexto a completude, a integralidade para o lugar Roraima.

Palavras-chave: Eliakin Rufino; Roraima; Identidade; Topofilia; Região.

 

Minibiografias:

Carla Monteiro de Souza – Doutora em História pela PUC/RS. Pós-Doutora em Geografia pelo IGOT/Universidade de Lisboa. Professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR-Brasil) no Curso de História e no Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Fronteiras (PPGSOF/UFRR). Pesquisadora do Núcleo de Documentação Histórica da UFRR e coordenadora do projeto História, Memória e Migrações: dinâmica urbana de Boa Vista/RR a partir de 1943.  Membro da Cátedra Amazonense de Estudos Literários e da Cultura-CAEL/UEA.

Cátia Monteiro Wankler – Doutora em Teoria da Literatura (PUCRS-Brasil). Mestre em Literatura Portuguesa (UFF -Brasil). Professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR-Brasil). Docente Colaboradora do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH) da UEA-Brasil. Coordenadora do projeto Literaturas e Identidades em Textos Literários Portugueses Produzidos em ou Ambientados na Amazônia Brasileira e/ou Caribenha e do Grupo de Pesquisa Estudos de Literatura e Identidade (UFRR). Membro da Cátedra Amazonense de Estudos Literários e da Cultura-CAEL/UEA. Editora da ContraCorrente: Revista de Estudos Literários e da Cultura. Compôs a Diretoria da ABRAPLIP na Gestão 2014-2015.


Comunicação 12

A etnomúsica dos afro-sambas de Vinícius de Morais: a árdua visitação à casa afro-brasileira

Autor:

Fábio Rodrigo Penna – Instituto Federal Fluminense – frpenna@yahoo.com.br

 

Resumo:

No ano de 2017, Os Afro-sambas, das letras de Vinícius de Moraes e da musicalilidade de Baden Powell, completam 41 anos de lançamento. As músicas desse LP possuem o encantamento poético que põem em transe todo sujeito sensível à paixão pela musicalidade afro-brasileira. O consagrado escritor modernista Vinícius de Moraes, da geração de 1930, é o principal letrista de canções da Bossa Nova, movimento da música popular brasileira do final dos anos 50. Com “Chega de Saudade”, música composta em parceria de Tom Jobim, em 1958, eles consagram esse estilo musical lançado por jovens de classe média da zona sul carioca. A proposta da Bossa, termo derivado do samba, é a reformulação estética dentro do moderno samba carioca urbano.

Nesse estilo de samba, não há novidade na inserção de elementos da sonoridade africana, já que o mesmo nasceu nesse berço africano. Todavia, os afro-sambas apresentam uma proposta nova: reinserir essa oralidade nas letras elitizadas da Bossa Nova. O samba popular sempre foi um espaço musico-artístico destinado a indivíduos à margem. E o mesmo, ao ser produzido em outro espaço social, tem seu nome trocado e sua musicalidade alterada. Os Afro-sambas, como espaço fronteiriço para o samba, fundem à Bossa Nova a oralidade afro-brasileira. Porém, por que, até nossa contemporaneidade, a presença afro-brasileira em suas letras e melodias não possui a mesma credibilidade poética que as letras de “Chega de Saudade”, “Eu sei que vou te amar” e “Garota de Ipanema”? Procurando contribuir para a construção das relações etnicorraciais, no campo literário, a presente comunicação pretende analisar como a revisitação à casa do outro (poética de temática afro-brasileira) pode ser uma tarefa árdua, ainda que a mesma seja feita por Vinícius de Moraes, renomado escritor da literatura brasileira.

Palavras-chave: Literatura brasileira; relações etnicorraciais; etnomúsica; samba.

 

Minibiografia:

Fábio Rodrigo Penna é Mestre em Relações Etnicorraciais, Pós-graduação em Literaturas Portuguesa e Africanas de Língua Portuguesa e Graduado em Português-Literaturas de Língua Portuguesa (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Professor de Língua Portuguesa e de Literaturas no Instituto Federal Fluminense. Pesquisador do Centro de Estudos da Religiosidade de Tradição Afro-brasileira. Proofessor colaborador do Pré-Vestibular para Negros e Carentes/Duque de Caxias). Alufá no Instituto Religioso Axé Obá Igbô.


Comunicação 13

Memória e imagens da cidade na poesia de Cora Coralina

Autora:

Thaise Monteiro da Silva Melo – Universidade Federal de Goiás – thaisepoeta@gmail.com

 

Resumo:

A memória reflete e redimensiona a experiência dos indivíduos. Por meio de sua recriação lírica, as memórias individuais se unem às memórias da coletividade e às memórias inventadas. Na esteira de Maurice Halbwachs, em Memória coletiva, é possível compreender que as impressões podem apoiar-se tanto nas lembranças de um indivíduo quanto nas da coletividade. Assim, a memória individual é constituída pela memória do coletivo bem como a memória coletiva se constitui por memórias individuais, de modo que ambas se completam, não havendo, portanto, uma memória puramente individual, pois indivíduo e coletividade, enquanto partes de uma mesma sociedade, buscam fontes no meio e nas conjunturas sociais. Se a memória individual e a coletiva se fundem, uma tem a outra como suporte para se reafirmar, tornar precisas algumas lembranças e preencher lacunas. A memória passa do coletivo para o individual ao ser reconstituída por meio de perspectivas e de vivências individuais, desse modo, a partir da memória pessoal, pode haver o resgate social e histórico de uma coletividade. Evidencia-se a memória como traço central na obra da poeta goiana Cora Coralina. A recriação poética do passado e a reinvenção lírica da memória dão origem a poemas que reconstituem a memória da coletividade, revelando o passado social, cultural e histórico de sua cidade. O resgate é feito por meio das representações e imagens criadas pela poeta tendo como referência a Cidade de Goiás do fim do século XIX e início do século XX. Destarte, o objetivo da presente pesquisa é observar como a leitura da cidade realizada na poesia de Cora Coralina é condicionada pela memória, pois como afirma Gaston Bachelard, imaginação e memória são indissociáveis e o espaço vivido é o espaço das lembranças.

Palavras-chave: Poesia; Memória; Cidade.

 

Minibiografia:

Thaise Monteiro possui Bacharelado em Literatura (2012) e Licenciatura em Língua Portuguesa (2012), ambas as graduações concluídas na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás, onde realizou o Mestrado, no Programa de Pós Graduação em Letras e Linguística, na área de Estudos Literários(2014), onde, atualmente, realiza o Doutorado e atua como Professora Substituta na área de Literaturas de Língua Portuguesa.


Comunicação 14

A Cidade e o Imaginário no Cinema e na Literatura

Autora:

Teresa Ogando – Universidade Aberta –  teresa.ogando@gmail.com | fancy.crafts@gmail.com

 

Resumo:

O imaginário da cidade tem sido vivenciado pelo Homem, desde a cidade da era industrial até à cidade nossa contemporânea. Entre as cidades da Revolução Industrial e as cidades contemporâneas surge um novo imaginário. O que o carateriza e as razões por que se manifesta, bem como o próprio conceito de imaginário, são abordados de uma forma breve na primeira parte. Na segunda parte,  serão apresentados alguns dos seus reflexos nomeadamente no  âmbito da Literatura e, especialmente do lugar privilegiado que as metrópoles têm tido no Cinema.

Na definição do conceito de imaginário, regista-se a relação entre o imaginário e o simbólico. O modo como símbolos e mitos se integram, se transformam e se multiplicam, ao ritmo da evolução das cidades.

Literatura e Cinema testemunham em que medida o explosivo crescimento das metrópoles veio criar múltiplos e novos problemas da mais diversa natureza. Através de alguns exemplos, vemos como aquelas artes reflectem esses problemas, e como transmitem o questionamento e a reação do Homem Urbano face ao seu mundo.

Palavras-chave: imaginário; cidade; literatura; cinema.

 

Minibiografias:

Licenciatura em Estudos Artísticos, Universidade Aberta; Mestrado em Estudos Comparados – Literatura e Outras Artes; Dissertação a apresentar em Julho 2017 sobre Essência ou marginalidade das cartas na narrativa fílmica de Manoel de Oliveira; Curso de Cerâmica, Ar.co – Centro de Arte e Comunicação Visual, Lisboa.


Comunicação 15

Revista de Antropofagia e o antropófago do século XX

Autora:

Cláudia Rio Doce – UEL: Universidade Estadual de Londrina –  claudiariodoce@yahoo.com.br

 

Resumo:

Dentre as características do modernismo brasileiro, destaca-se a busca e a pesquisa em torno da identidade nacional. O movimento antropofágico, momento mais radical do modernismo, no Brasil, foi a vertente que talvez tenha traduzido melhor a ideia de ser, simultaneamente, regional e universal, conforme o modernismo se propunha. Isso porque ao apelar para o imaginário remoto, que aterrorizou os colonizadores, a antropofagia tocava em algo profundamente peculiar: voltava simbolicamente à prática ritual de algumas tribos que viviam aqui antes da chegada do europeu. Por outro lado, ao assinalar que esta prática seria a saída para superarmos o tempo de dominação cultural do colonizador e nos contrapormos a ele, a antropofagia surgia como uma ideia extremamente fértil e que ainda se mantém atual. Isso porque em seu paradoxo, que consiste em aniquilar o outro assimilando-o, deixa evidente que qualquer identidade revela-se apenas nesse movimento de soma e divisão entre o mesmo e o outro. Reclamar o reconhecimento de sermos uma nação de antropófagos, em pleno século XX, só é possível na medida em que Oswald de Andrade substitui o olhar histórico sobre o passado por um olhar político. É essa a diferença fundamental da representação do índio na ideia radical da antropofagia oswaldiana e as demais representações do indígena na literatura brasileira. E é exatamente por isso que a antropofagia, enquanto conceito, pôde ser constantemente retomada desde então, seja pelo movimento tropicalista, pelo concretismo ou pelo entre-lugar do intelectual latino-americano, postulado por Silviano Santiago. O trabalho pretende, portanto, mostrar a configuração da identidade do antropófago construída pelo modernismo brasileiro, principalmente pela Revista de Antropofagia, o maior veículo de suas ideias.

Palavras-chave: antropofagia; Modernismo; Revista de Antropofagia.

 

Minibiografia:

Cláudia Rio Doce é professora adjunta de Literatura Brasileira e Teoria Literária na Universidade Estadual de Londrina. Desde a graduação desenvolve pesquisas em fontes primárias, tendo se especializado nas relações de escritores vanguardistas sul-americanos com o cinema e a cena que lhes era contemporânea através de roteiros, adaptações, críticas e ensaios; bem como o impacto da linguagem cinematográfica em suas produções literárias.


Comunicação 16

Diluições de uma identidade coletiva: novas leituras do imaginário sobre a Guerra Colonial

Autora:

Roberta Guimarães Franco – Universidade Federal de Lavras – robertafranco@dch.ufla.br | robertagf@uol.com.br

 

Resumo:

O Estado Novo pautou-se durante muito tempo na imagem colonizadora do povo português, perpetuada como identidade coletiva, que justificava a manutenção dos territórios ultramarinos. O período, caracterizado por um silenciamento acerca da Guerra Colonial e pela repressão aos movimentos independentistas das colônias africanas, tem na figura de Salazar o seu personagem central, conhecido por diversos discursos que propagavam o ideal de identidade nacional e pelo slogan “Tudo pela Nação, nada contra a Nação”. Após a Revolução dos Cravos, ainda que o silêncio permaneça em um primeiro momento, é a literatura que assumirá o papel de rever a Guerra Colonial por outro prisma. Romances de Antonio Lobo Antunes, Manuel Alegre, Lidia Jorge, são imprescindíveis para compreender esse momento. Já no século XXI, uma nova geração também contribui para esse recontar da história, como as obras de Isabela Figueiredo e Dulce Maria Cardoso, por exemplo. O cinema também continua a apresentar novas visões sobre o período, desde Manoel de Oliveira, com o seu Non ou a vã glória de mandar (1990), até trabalhos mais recentes, como Quem vai à guerra (2011), de Marta Pessoa, e Tabu (2012), de Miguel Gomes. Neste sentido, a presente comunicação parte do projeto “Poder e silêncio(s): a pós-colonialidade entre o discurso oficial e a criação ficcional”, financiado pela FAPEMIG, pretende problematizar de que modo as produções artísticas (literatura e cinema) reinterpretam o imaginário sobre a Guerra Colonial, indicando uma diluição da identidade coletiva portuguesa.

Palavras-chave: Estado Novo; Guerra Colonial; Identidade; Imaginário; Memória coletiva.

 

Minibiografia:

Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (2013); Professora da Universidade Federal de Lavras, onde atua nas áreas de Literatura Portuguesa e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa. Coordenadora do projeto “Poder e silêncio(s): a pós-colonialidade entre o discurso oficial e a criação ficcional” financiado pela FAPEMIG e autora do livro “Descortinando a inocência: infância e violência em três obras da literatura angolana” (EDUFF, 2016).


Comunicação 17

A canção a serviço da história: o poder linguístico-discursivo da música de protesto durante o regime militar no Brasil e a construção do ethos coletivo de resistência

Autora:

Maria Aparecida Rocha Gouvêa – Centro Universitário de Volta Redonda – cidarochagouvea@hotmail.com

 

Resumo:

No período da ditadura militar no Brasil (1964 – 1985), a arte, especialmente a música, assumiu postura de oposição ao regime militar. Durante esse momento histórico, os compositores tinham de utilizar princípios e recursos linguísticos e discursivos que persuadissem o público subliminarmente, já que as manifestações explícitas eram censuradas, devido à restrição da liberdade de expressão. A partir das construções dos compositores, formavam-se ethe coletivos de resistência ao regime, por meio das mensagens subliminares das canções, necessárias nesse momento histórico. Este trabalho objetiva analisar as estratégias utilizadas nas canções e seus efeitos de sentido, identificando as marcas discursivas que colaboravam para persuadir o público e marcar posição de oposição ao regime.      Justifica-se pela relevância histórica, cultural e linguístico-discursiva do período estudado. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, com análise de trechos das canções da época. Para isso, utilizaremos pressupostos teóricos históricos, culturais e linguístico-discursivos, principalmente da Análise do Discurso Francesa, de Maingueneau e Charaudeau, e da Teoria da Enunciação, de Émile Benveniste. Conclui-se que as canções de protesto do período cumpriram seu papel de denunciar as arbitrariedades dos militares, expressando conotativamente o que não podia ser dito de forma denotativa.

Palavras-chave: música de protesto; ditadura militar; ethos discursivo.

 

Minibiografia:

Doutora em Língua Portuguesa (UERJ); mestre em Linguística Aplicada (UNITAU); pós-graduada em Visão Discursiva (UFRJ) e em Língua Portuguesa (FERP); graduada em Letras (FERP) e em Pedagogia (FERP). Foi professora de Língua Portuguesa na rede pública de Volta Redonda – RJ durante 29 anos. É professora de Comunicação e Expressão e Produção de Textos Acadêmicos no Centro Universitário de Volta Redonda – UniFOA  há 15 anos. É autora do livro “Música de protesto e ethos discursivo no período da ditadura militar: a arte de dizer o proibido”.


Comunicação 18

Estética do ser: das convergências ao ‘eu’ divergente

Autor:

Claudio Alves Benassi – Universidade Federal de Mato Grosso – caobenassi@falange.miuda.br

 

Resumo:

Este trabalho é um recorte de meu objeto de tese que versa sobre a criação da estética musical e apresenta um dos aspectos que a constitui, sendo este a estética do ser. No contemporâneo, as identidades se tornaram fluidas e sem fronteiras definidas, gerando um sujeito que Foucault denomina descentrado, despojado e desprovido de uma identidade fixa. Nesse aspecto, nos é mais confortável assumir a linha de força de fluxos de identificação, dada a fluidez das identificações do sujeito contemporâneo, pois a ideia de identidades poderia nos remeter à armadilha identitária que captura o sujeito e nela o cristaliza. Para Bakhtin, é na interação com o outro que nos reconhecemos e somos reconhecidos. Esse processo não surge da própria consciência do sujeito, é algo que se concretiza socialmente na interação com o outro, por meio de materializações discursivas de si e de outrem. Para Guattari e Rolnick, há no processo de subjetivação do indivíduo, serialização que o normaliza e o articula aos outros nas linhas de montagem do capital. No entanto, o ser pode construir para si linhas de fugas por meio das micropolíticas, o que, nesse ponto, corrobora com o pensamento bakhtiniano. Esta pesquisa tem caráter bibliográfico e como resultados se apresentam os conceitos de convergência que são forças que atuam para moldar o sujeito no processo estetizante do ser. Essas forças podem se configurar como ativas ou passivas, dependendo da reação do sujeito; de insurgência, que são forças que fazem com que o sujeito rompa com as identidades reconhecidas; de divergência, que são forças resultantes das pressões sofridas pelo sujeito na convergência e na insurgência. Os conceitos desenvolvidos nessa investigação corroboram para o entendimento da interação por meio dos valores axiológicos do objeto estético musical e de como o sujeito os apreende.

Palavras-chave: Estética do ser; Identidade; Fluxos de identificação; Materialização discursiva; Convergência, insurgência e divergência.

 

Minibiografia:

Artista pesquisador. Compositor, flautista doce e professor do Departamento de Letras da Universidade Federal do Mato Grosso. Grupo de pesquisa REBAK e REBAK Sentidos. Pesquisador da gênese musical e da cultura. Pesquisador da Escrita da Língua de Sinais (ELS). Criador da ELS Visografia. Editor gerente das Revistas Diálogos e Falange Miúda.


Comunicação 19

Pátrias Imaginárias, uma concepção de identidade em Salman Rushdie

Autora:

Hiolene de Jesus Moraes Oliveira Champloni – Universidade de Brasília – hiolene2@hotmail.com

 

Resumo:

A comunicação proposta se baseará nas reflexões de Salman Rushdie em torno da produção literária de autores indianos que vivem fora de seu país de origem. Nesse sentido, Rushdie problematiza o fato de os escritores que se encontram nessa condição, retratarem as suas pátrias e as suas culturas sob uma perspectiva de memória nem sempre condizente com a realidade. Os autores indianos na Inglaterra sentem-se como ” em uma cadeira e com as pernas escancaradas em duas culturas”, reflete Rushdie, ao se colocar nesse patamar.

A questão identitária se faz presente, no sentido da necessidade de fortalecer um segmento social que tem procurado demarcar a sua postura, porém na ânsia de resgatar suas memórias, se deparam com os lapsos que permitem as ficcionalizações. Um aspecto importante a se observar é o ambiente em que esse escritor cria a sua obra e os mecanismos de circulação a que será submetida. Muitas vezes, enquanto imagina e desenvolve o seu enredo, o autor pode espionar de sua janela e constatar a diferença de uma pátria imaginada e a pátria adotada para viver.

Para o embasamento teórico utilizaremos os pressupostos de Benedict Anderson, em Comunidades Imaginadas, Paul Zumthor, Zigmunt Bauman, Edward Said, Stuart Hall e demais teóricos que tratam dessas questões e que possam contribuir para o desenvolvimento da pesquisa.

Palavras-chave: Pátrias imaginárias; memória; globalização; identidade cultural.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras/Inglês e Letras/Espanhol, desenvolve pesquisa de Mestrado na linha de Representação na Literatura Contemporânea do Programa de Pós-Graduação em Teoria Literária e Literaturas da Universidade de Brasília- Brasil, sob a orientação do Professor Doutor, Cláudio Braga.


Comunicação 20

A memória coletiva em O Caminho de Trombas, de José Godoy Garcia

Autora:

Ionice Barbosa de Campos – Universidade Federal de Uberlândia –  ionice.barbosa@gmail.com

 

Resumo:

A partir de uma leitura da obra O Caminho de Trombas (1966), de José Godoy Garcia, a proposta deste trabalho é evidenciar o papel da memória coletiva e sua estreita relação com a tentativa de construção de uma identidade, por parte de um povo que passou por uma experiência de muitas restrições e era visto sob uma ótica negativa pela ideologia dominante. Esse é o contexto das personagens descritas no romance mencionado e que caracteriza nossa preocupação de trazer à luz uma discussão mais densa sobre a temática do ser marginalizado na sociedade e sua atuação nesse mesmo espaço, levando em consideração o aspecto literário, histórico e da memória. Quando falamos aqui de um povo marginalizado, referimos aos agricultores, moradores da zona rural e que, por não terem mais condições de ficarem em sua terra de origem, foram obrigados a migrar para a cidade grande, onde são vistos como pessoas indesejadas e não dignas de viver uma vida comum aos cidadãos urbanos. Nesse sentido, é imprescindível discutir a memória, tendo em vista que ela tenha um papel fundamental para a construção desse romance, no sentido de que ele apresenta, em sua construção, traços de uma relação entre a memória coletiva e a rememoração individual. Sendo assim, a partir da leitura do texto literário godoyano, é possível perceber a construção da memória de uma coletividade específica. Ademais, com a análise, passamos a entender a obra de Godoy Garcia e o que ele propõe acerca dessa construção de memória. Na perspectiva teórica, autores como Jaques Le Goff, Pierre Nora e Walter Benjamin nos ajudarão a pensar e discutir com mais clareza essa íntima relação entre os passeios da memória coletiva e a literatura, nesse caso, em específico, a literatura produzida em Goiás.

Palavras-chave: Literatura; Memória coletiva; Identidade.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras pela Universidade Federal de Goiás (2007) e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia (2011). Foi professora substituta da Universidade Federal de Goiás. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teoria Literária, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura, poesia, social, ortografia e ensino médio. Doutoranda pela Universidade Federal de Uberlândia no Programa de Pós-Graduação em Teoria Literária.


Comunicação 21

Diluição da possível comunidade: um exemplo na literatura do brasileiro Lourenço Mutarelli

Autora:

Bianca Magela Melo – Universidade Federal de Minas Gerais – biancademelo@gmail.com

 

Resumo:

Proponho partir do livro A arte de produzir efeito sem causa (2008), do brasileiro Lourenço Mutarelli, para abordar o tema da identidade da metrópole brasileira em diálogo com discussões recentes sobre comunidade. No livro, o protagonista é Júnior, 43 anos, pessoa desinteressada pelo mundo, inexpressiva e que sempre morou em pequenos apartamentos na mesma cidade, trabalhando em atividades mecânicas. Aparentemente sem causas sólidas, ele vai perdendo aceleradamente o vínculo com a vida exterior, passando a apresentar perturbações psíquicas que resultam em dificuldade de se expressar. Algumas pistas enquadram Júnior em uma sociedade sem perspectivas, com vínculos frágeis e pouco amparo. A noção tradicional de comunidade já há algum tempo vem sendo problematizada. Roberto Espósito (Communitas. Origen y destino de la comunidad. Editora Amorrortu, Buenos Aires, 2003) propõe a noção “dessubstancialista” de comunidade. Haveria um pendor para a comunidade, condição de alguém que não está nunca completo e satisfeito e sim sempre em busca deste outro. Ele resgatou a origem latina de communitas, de onde se pode extrair o cum (presença de um outro) e o munus uma doação obrigatória, uma dívida sempre presente. A partir daí, pode-se desenvolver hipóteses para comunidades potenciais de pessoas que não se deixam enquadrar, que se irmanam com outros poucos, longe da massa. No entanto, o perfil social apresentado na literatura de Lourenço Mutarelli se põe em um lugar de difícil classificação, uma vez que o sujeito não se engaja na multidão anônima (Walter Benjamin/Edgar Allan Poe), nem conserva íntegra sua singularidade para “doar-se” em pequenas doses, formando comunidades por afinidade. São personagens anestesiados para o convívio social, mergulhados em si de maneira a perderem-se aí e encontrarem fantasmas – de fato, aparecem espíritos/vozes na narrativa. Júnior e os homens desengajados como ele põem em risco até a comunidade dessubstancializada.

Palavras-chave: comunidade; literatura brasileira; Lourenço Mutarelli; viver-com.

 

Minibiografia:

Bianca Magela Melo é aluna do doutorado em Estudos Literários na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisa atualmente a literatura contemporânea, tendo como ponto de partida a obra do brasileiro Lourenço Mutarelli e questões relacionadas ao viver em comunidade e à vida na metrópole. Tem mestrado em Comunicação Social com foco em estudos de narrativas e suas possibilidades.


Comunicação 22

Construção da identidade e o imaginário coletivo na obra O berro do cordeiro em Nova Iork, de Tereza Albues

Autora:

Julia Raisa Ximenes Figueirêdo Basto – Universidade do Estado de Mato Grosso – raisa_norris@hotmail.com

 

Resumo:

A proposta da pesquisa é identificar o imaginário e a identidade, partindo do individual ao coletivo. Para isso, trataremos de como é construída a identidade da personagem na obra O berro do Cordeiro em Nova York (1995), da escritora mato-grossense Tereza Albues que levou o seu trabalho realizado no Mato Grosso para o Brasil, costurando a identidade individual com o imaginário coletivo. Este estabelecimento de identidade individual se dá pelo trânsito e transfiguração da personagem através dos espaços vividos, muitas vezes insólitos, durante as mudanças da família, unida às imagens da sua memória do Mato Grosso em Nova Iorque – ressaltando a questão da globalização na narrativa – trazidas pela convivência com a cultura e histórias do outro, com a identidade coletiva. Para Hall as identidades “são pontos de identificação, os pontos instáveis de identificação ou sutura, feitos no interior do discurso da cultura e da história. Não uma essência, mas um posicionamento” (1996, p. 70). Partindo dessa priori, tem-se também estudo com o debate entre as identidades coletivas e a imaginação coletiva, a subjetividade partilhada, trazendo as experiências místicas ou não da personagem e dos membros da família ligando aos inconscientes coletivos, observando nesse momento através das imagens os arquétipos bíblicos encontrados na obra; saindo do individual para o coletivo. Para a pesquisa sobre a imaginação do simbólico humano serão utilizadas teorias encontradas como as da obra As estruturas antropológicas do imaginário (2002), de Gilbert Duran, e na de Carl Gustav Jung, Os arquétipos e o inconsciente coletivo (2000).

Palavras-chave: Identidade, imaginário, simbólico, arquétipos bíblicos.

 

Minibiografia:

Julia Raisa Ximenes Figueirêdo – Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Letras – Estudos Linguísticos e Literários da Universidade do Estado de Mato Grosso, licenciada em Letras pela mesma universidade em 2013. Tutora no curso de Letras na Universidade Norte do Paraná (Unopar – EaD), no Mato Grosso. Experiência como docente em Língua Portuguesa, Leitura e Produção de Texto.


Comunicação 23

A escrita diaspórica de José Eduardo Agualusa

Autora:

Danuza Américo Felipe de Lima –  Universidade de Coimbra – danuzafelipe@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo analisar a percepção identitária implicada em Estação das Chuvas do angolano José Eduardo Agualusa. Neste romance, o autor apresenta uma visão diaspórica do sujeito, ou seja, desassociada da noção de pertencimento às categorias fixas, podendo ser classificada como heterogênea, mestiça e fronteiriça. A protagonista Lídia do Carmo Ferreira, militante política envolvida com o projeto independentista, todavia não se identifica com a acepção de identidade do projeto nacionalista, configurando-se como uma espécie de sujeito diaspórico. Tendo como base a teoria pós-colonial, analisamos as opções estéticas realizadas pelo autor, a fim de observar como estas sustentam o caráter crítico da obra sobre as questões identitárias referentes ao contexto histórico que ela retrata. Em Estação das Chuvas visualizamos o repensar da identidade nacional angolana a partir de uma perspectiva não demarcadamente dicotômica, pois esta considera a integração com os outros espaços, não apenas portugueses. Essa postura é controversa para alguns intelectuais que consideram essa percepção como um revivalismo, celebração da mestiçagem, e por vezes, de caráter racista (MATA, 2007; KANDJIMBO, s.d; SHOHAT, 1996). É diante desse quadro de críticas que tomamos a problemática que envolve a percepção diaspórica imbricada na obra.

Palavras-chave: Diáspora; Angola; Agualusa.

 

Minibiografia:

Danuza Lima é doutoranda na Universidade de Coimbra e mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de São Carlos. Professora e pesquisadora, atualmente subsidiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes, concentra-se nas áreas de investigação e ensino das literaturas africanas de língua portuguesa.


Comunicação 24

Identidade rizomática na Literatura Portuguesa Contemporânea

Autora:

Patrícia Infante da Câmara – Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa – anapatriciainfante@gmail.com

 

Resumo:

Esse ensaio propõe uma análise crítica e comparativa de alguma produção ficcional de Gonçalo M. Tavares, Afonso Cruz e Nuno Camarneiro, na qual a contemporaneidade nacional e a internacionalidade são traços fundamentais. Procurará evidenciar aspetos que, de diferentes maneiras, problematizam a ideia de “identidade pátria” enquanto tal e que permitem, aliás, identificar nos objetos literários em apreço um princípio de desestabilização da própria noção de Literatura Portuguesa – que, tentaremos mostrar, se começa agora a desvincular das especificidades do seu local de produção e implica um pensamento aprofundado sobre as tendências mais atuais de construção narrativa e cultural (textos multilingues, ação decorrente em vários espaços geográficos ou em trânsito, nomenclaturas externas à portuguesa, fenómenos sociais nacionalmente transversais, etc.).

Tentaremos compreender e evidenciar as bases de uma nova tendência na Literatura Portuguesa e dos pressupostos epistemologicamente globais que a sustentam (Literatura-Mundo/World Literature), comuns a estes três autores cujas obras, cremos, acompanham e refletem um movimento de pendor transnacional e rizomático como aquele que parece orientar o desenvolvimento da identidade coletiva nacional.

Palavras-chave: Literatura Portuguesa Contemporânea; Literatura Comparada; Literatura-Mundo; Identidade; Circulação.

 

Minibiografia:

Patrícia Infante da Câmara está, atualmente, afiliada à FLUL, onde colabora como Assistente de Investigação e Assistente Editorial no Centro de Estudos Comparatistas; co-leciona a UC “Portuguese Literature in Translation” (Licenciatura) como Teaching Assistant; e desenvolve a sua tese de Doutoramento (3.º ano) sobre Literatura Portuguesa Contemporânea e Literatura-Mundo.


Comunicação 25

Representação duma deriva identitária em Anatomia dos Mártires de João Tordo

Autora:

Sara Quarantani – Università di Modena e Reggio Emilia, Itáliasaraquarantani@gmail.com

 

Resumo:

Tendo como pano de fundo a intuição de Isabel Cristina Rodrigues que, debatendo questões ligadas ao cânone, individua em Anatomia dos Mártires (2011) de João Tordo um entre-dois, ou seja, “o sentido de inovação e o peso de uma tradição” (2014), o objectivo deste contributo será, em primeiro lugar, encontrar a mesma ideia a nível temático. Na obra de Tordo, pois, são visíveis seja os indícios de acolhimento da tradição, patente no debate de assuntos enraizados na memória histórica, designadamente, no questionamento do surgir do mito da camponesa Catarina Eufémia, seja a vontade de colocar a tónica sobre temas contemporâneos, nomeadamente, retratar a sociedade portuguesa nos anos da crise económica vivida até aos dias de hoje. Secundariamente, visarei estudar a forma como o autor – sobretudo através da construção ficcional da relação entre o protagonista, um jovem jornalista perenemente insatisfeito, e o pai dele, vincado ainda aos ideais que levaram à revolução de 25 de Abril – se faz intérprete do que José Gil chama de “não-inscrição” (2004) para descrever a falta de desejo e de reconhecimento do real, a ausência de valores e ideologias que afecta Portugal contemporâneo. Por fim, poderei afirmar que, instituindo um diálogo constante entre duas temporalidades (passado e presente), o autor consegue encontrar neste romance a fórmula para sustentar que a literatura assurge, ainda hoje em dia, como uma das melhores maneiras de enfrentar temas ligados à cidadania ou, nas palavras de Luís Mourão, de pensar na literatura como “arte e cidadania” (2011).

Palavras-chave: memória histórica; sociedade contemporânea; literatura; cidadania.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Ciências Humanísticas na Università di Modena e Reggio Emilia. Os meus interesses, e o tema da minha tese doutoral, centram-se, em linha geral, na analise da representação do espaço em alguns romances de autores contemporâneos portugueses, nomeadamente Afonso Cruz, Ricardo Adolfo e João Tordo, e como esta influencia uma reflexão ontológica sobre o ser português na atualidade.


Comunicação 26

As esferas de consagração e legitimação da Literatura Marginal

Autora:

Ana Paula Franco Nobile Brandileone – Universidade Estadual do Norte do Paraná –  apnobile@uenp.edu.br

 

Resumo:

Este trabalho faz parte de um projeto maior de pesquisa, cujo interesse centra-se na investigação de um dos temas que mais se tem destacado na narrativa brasileira contemporânea, o a da representação da realidade marginal e periférica. Trazendo para o centro da discussão os excluídos sociais, a literatura marginal tem se comprometido com a afirmação identitária das comunidades periféricas e engajado no seu autoconhecimento como grupo, dotado de uma determinada cultura e de um caráter coletivo e cooperativo. Considerando que suas produções possuem como objetivo consolidar a diferença da periferia frente aos demais setores da sociedade, é que ela se inscreve como um fenômeno para além dos limites literários. Acrescida à literatura estão outras manifestações culturais e sociais, cujos signos – música, arte, vestimenta, editoras, eventos culturais, etc. – foram criados para dar forma a espaços próprios voltados para a reflexão sobre os setores marginais, isto é, vozes coletivas em prol de um mesmo objetivo: firmar e afirmar a identidade cultural periférica. Sob esta perspectiva, a literatura marginal insere-se em um movimento de espectro cultural amplo, arrastando atrás de si a voz da periferia. É o caso, por exemplo, do movimento 1daSul, fundado por Ferréz, em 1999, ou ainda dos saraus da Cooperifa, estabelecida em 2001, na zonal sul de São Paulo, por Sérgio Vaz, os quais apresentam-se como instrumento de produção, circulação e consumo cultural da literatura marginal. Diante do exposto e por meio de uma abordagem teórico-reflexiva, cujo referencial teórico está alicerçado em estudos que analisam a produção literária pós-moderna e contemporânea, dentre eles Bourdieu (2005, 2009), Resende (2008), Schollhammer (2011), Dalcastagnè (2002, 2005), Patrocínio (2013, 2016), Nascimento (2009), este trabalho tem por objetivo discutir as diferentes instâncias de legitimação e consagração empregadas pelos autores marginais e/ou articuladores culturais para promover a circulação da produção literária marginal.

Palavras-chave: Literatura Marginal; Cultura da periferia; Instâncias de legitimação e consagração; Espaços alternativos de divulgação literária.

 

Minibiografia:

Ana Paula Franco Nobile Brandileone – Professora e pesquisadora da Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, campus de Cornélio Procópio. Doutora em Letras, pela UNESP, campus de Assis. Membro do Grupo de Pesquisa Crítica e Recepção Literária (CRELIT), linha de pesquisa “Literatura, cãnone literário e tessituras do contemporâneo”. Organizou com Vanderléia da Silva Oliveira os livros Desafios contemporâneos: a escrita do agora (2013) e Instâncias de legitimação: processos de recepção e crítica literárias (2012).


Comunicação 27

Da ‘Descoberta’ para a favela: um entre-lugar em Cidade de Deus

Autora:

Érica Santos de Lima – Universidade Federal da Bahia – esl.lima@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo problematizar a questão da identidade “marginal’ construída pelas estruturas sociais, enquanto instrumento de manipulação no romance ‘Cidade de Deus” de Lins (1997), ao tempo em que propõe discutir o conceito de “marginal” nas relações sociais de poder, tendo como referencial teórico as obras de Hall (2005) e Foucault (1985). Na primeira, “A identidade cultural na pós-modernidade”, compreende-se que à medida que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, visto que, já não é mais possível pensar o homem como um ser acabado, com uma essência única. Já na segunda, “Microfísica do poder”, observa-se o “poder”, não como algo unitário, mas sim em suas formas díspares, heterogêneas, em constante transformação, algo que se constitui historicamente, conforme valores e ideais da época. De caráter qualitativo, a pesquisa observa o poder paralelo e a construção de “identidades”, justificando o pensamento de Hall e estruturando os estudos culturais, que compõem uma tendência importante da crítica cultural, ao questionar o estabelecimento de hierarquias entre formas e práticas culturais promovidas a partir de oposições como cultura alta/baixa, centro/periferia e modelo/margem, dentre outros aspectos dicotômicos. Para a realização deste estudo, optou-se, para a constituição do corpus, pela análise de uma obra que é potencializadora de uma amálgama de conhecimentos e que versa, ora numa perspectiva social, ora individual, havendo diálogos entre os diversos campos do saber, sem perder de foco elementos norteadores do estudo como as questões das apropriações urbanas, as micropolíticas, e principalmente a construção da identidade. Os resultados obtidos revelam que texto e imagem se tocam e se confundem, revelando a intenção significante do livro e ainda que o poder se realiza nos diversos âmbitos sociais, inclusive na fala do excluído sob a formas de micropoderes.

Palavras-chave: Identidade; Identidade marginal; Relações de poder; Alteridade.

 

Minibiografia:

Especialista em Psicopedagogia (CESAP), graduada em Letras Vernáculas (UNEB). Tem experiência na área de Linguística Aplicada, com ênfase em estudos acerca da Identidade, atuando principalmente nos seguintes temas: construção da identidade, relações sociais de poder e cultura. 


Comunicação 28

Identidade fora do eixo: a problemática posta pela literatura marginal e pela pintura não catalogada enquanto formas de reflexão sobre o caráter fragmentário da arte contemporânea

Autores:

Auricélio Ferreira de Souza – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará –  auricelioferreirasouza@gmail.com

Maria Eneida Feitosa – Universidade Regional do Cariri – eneida.feitosa@urca.br

 

Resumo:

Esta iniciativa propõe um debate acerca das novas problemáticas situadas em torno das configurações identitárias e do fazer artístico, seu caráter fragmentário, experienciado na cena contemporânea. Enfoca simultaneamente: a contística de novos autores emergentes nos cenários urbanos brasileiros e a pintura moderna no interior cearense, casos em que a expressão “fora do eixo” se alarga de sobremodo. Mais especificamente propomos discutir: A) as implicações que a chamada “literatura marginal” traz para doxa vigente no campo da escrita tanto no que tange a produção, recepção e vinculação no cenário editorial do Brasil de agora. Para tanto, tomaremos como ponto de debate a literatura do escritor pernambucano Marcelino Freire, dita marginal, particularmente o livro Contos Negreiros (2006); B) Na outra ponta deste debate, propomos refletir sobre a tecitura identitária na pintura de artistas não catalogados, Nesse caso, tomamos como exemplificação a pintura de Massaki (Luís) Karimai (1947–2010), artista plástico de inspiração surrealista que a partir da década de 70 instalando-se em Juazeiro do Norte, Sul do estado do Ceará, desenvolveu uma singular fase da pintura cearense, projetando elementos vinculados à profunda atmosfera mística/sincrética que se projeta não apenas na cidade, na região do Cariri, como em todo o nordeste brasileiro. Realizamos nessa obra um recorte de elementos recorrentes que, em alusão ao Sagrado e a experiência hierofânica, mostram a relevância de um sistemático estudo acadêmico sobre a produção deste artista. E, na escrita de Marcelino, o processo de presentificação operado por uma literatura que desnorteia os rótulos, posto sustentar-se eminentemente no veio da oralidade/oralização. Em ambos os casos, defendemos a hipótese da necessidade de se estender a compreensão da arte para além do “eixo”, no mais amplo sentido que o termo possa assumir. Para tanto, essa pesquisa, que se encontra em construção, busca suporte teórico nas contribuições dos seguintes autores: I) sobre a Literatura e seus múltiplos mecanismos de enunciação: Zumthor (1990a; 1990b; 1993; 1997 e 2005) e Ong (1998), bem como na reconstrução do conceito de voz; Maingueneau, (2001 e 2005) na sistematização do que assinala a forma própria do discurso literário. Sobre marginalidade, exclusão, e multidão Perlman (1977), Virno (2007), Hardt e Negri (2005), Bhabha (1998), Spivak (2012) Gumbrecht (1998) e Gilroy (2001). II) No que tange as leituras sobre as Artes plásticas e suas fraturas, ajudam: Arthur Danto (2005, 2006 e 2009), Greenberg (2001, 1996, 1993 e 1986),  Arnheim (1998),  Artaud (1983), Santaella (1983, 2000), Lótman (1990), Deleuze e Félix Guattari  (1981,1980 e 1972), dentre outros que problematizem o conceito de arte contemporânea e os atuais dispositivos de produção, crítica, recepção e catalogação.

Palavras-chave:  identidade; literatura marginal; pintura não catalogada; arte fora do eixo.

 

Minibiografias:

AURICÉLIO FERREIRA DE SOUZA – Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Mestre e Doutorando em Literatura e Interculturalidade pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade (PPGLI) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

Mª ENEIDA FEITOSA – Professora adjunta do Departamento de Línguas e Literaturas da Universidade Regional do Cariri (URCA/Crato-CE). Mestre em Teoria da Literaura (UFPB). Doutoranda em Artes pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (EBA/UFMG).


Comunicação 29

O nativo e O outro – construção de identidade e marcação da diferença

Autora:

Gissele Alves –  Universidade de Brasília –  gialves.unb@gmail.com

 

Resumo:

O artigo tem por objetivo apresentar um recorte do trabalho de investigação sobre os processos de representação e de construção identitária do “manezinho da ilha” – o descendente de portugueses açorianos e nativo da Ilha de Florianópolis, capital de Santa Catarina, um dos três estados da região Sul do Brasil –, bem como do “outro” – “o de fora”, o estrangeiro, o imigrante oriundo de outras regiões do país e de outros países, sobretudo, da Argentina. Para tanto, foram selecionados textos multimodais veiculados em uma rede social, o facebook, mais especificamente, no perfil de um personagem de cartunismo, o “Vadico – O manezinho da Ilha”, cujos temas são relacionados ao ilhéu nativo e ao outro, o imigrante.  A análise de discurso textualmente orientada do corpus tem como fundamentação teórica e metodológica a Teoria Social do Discurso de Fairclough (2001; 2003) e de Chouliaraki e Fairclough (1999) – filiada à Análise de Discurso Crítica – ADC,  em  diálogos com as formas de representação de atores sociais propostas por van Leeuwen (1997, 2009) e com as reflexões sobre identidade e diferença, sob a perspectiva dos Estudos Culturais de Hall, Silva e Woodward (2009). Destarte, do diálogo travado, cuja sustentação reside na assunção de que a linguagem é uma parte irredutível da realidade social dialeticamente conectada a outros elementos dessa realidade, levantam-se muitas e significativas questões que envolvem distribuição assimétrica de recursos, quer simbólicos quer materiais, ou seja, relações de poder, que impactam sobremaneira a construção de identidade e a marcação da diferença. Identidade e diferença são, pois, resultado de um processo de produção simbólica e discursiva.

Palavras-chave: Identidade; Diferença; Análise de Discurso Crítica; Representações discursivas; Estudos Culturais.

 

Minibiografia:

Gissele Alves é doutoranda em Linguística pela Universidade de Brasília/UnB – Brasil; mestre em Linguística também pela Universidade de Brasília/UnB. É professora do Instituto Federal de Brasília/IFB – Brasil e membro do Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da Universidade de Brasília – NELIS/CEAM/UnB. Pesquisa em Análise de Discurso Crítica com foco em construções identitárias, representações discursivas, discursos do letramento e juventude.


Comunicação 30

O DISCURSO DA RESISTÊNCIA NO ROCK BRASILEIRO DOS ANOS 1980: EXPRESSÕES DE IDENTIDADE NACIONAL

Autora:

Flávia Zanutto – UEM – flazan@uol.com.br

 

Resumo: 

Estudos sobre a questão da identidade destacam a chamada “crise de identidade” como um fator que justifica a instabilidade das identidades consideradas sólidas. Stuart Hall (2004) e Sousa Santos (2000), dentre outros autores, analisam o declínio das velhas identidades, aquelas cujo papel era assegurar uma certa estabilidade ao sujeito. Essa perda de um sentido estável leva Sousa Santos a considerar que as identidades são um processo de identificação plural, dominado pela obsessão da diferença e pela hierarquia das distinções. Tendo em vista que a nossa sociedade tem passado por inúmeras transformações que provocaram discussões no meio intelectual sobre a nossa constituição identitária, objetivamos analisar a representação discursiva de aspectos sociais, políticos e culturais que incidem sobre o rosto da sociedade brasileira no contexto marcha contra corrupção/impeachment presidencial em 2016. Pautados nos princípios teórico-metodológicos instituídos pela Análise do Discurso de origem francesa, a relação entre enunciado, interdiscurso (memória discursiva) e dispositivos discursivos de produção da identidade nacional a partir de enunciados veiculados via materialidade musical, nosso interesse pelo rock brasileiro dos anos 1980 se dá por essa produção artístico-cultural mostrar-se como micro-esfera de resistência a micro-poderes (Foucault). Se naquela década – período de transição ditadura/abertura/diretas-já, portou-se como uma voz que denunciava desigualdades sociais, violência, uso abusivo do poder, educação básica insuficiente, dentre outros aspectos, agora, nos anos 2016, o retorno das bandas Plebe Rude e Legião Urbana em turnê nacional nos traz uma inquietação: é o interesse do público jovem, que não viveu aquele momento do rock nacional, uma necessidade de também manifestar-se descontente com os encaminhamentos político-sociais? Esta comunicação vem discutir o modo como são produzidas representações sobre a nossa sociedade, bem como analisar a representação discursiva de aspectos sociais, políticos e culturais que incidem sobre o rosto da sociedade brasileira no atual contexto histórico-político.

Palavras-chave: memória; resistência, identidade; anos 1980; anos 2016.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP-Car; mestre em Linguística Aplicada e graduada em Letras pela Universidade Estadual de Maringá; professor adjunta e chefe do Departamento de Teorias Linguísticas e Literárias da UEM, onde atua na graduação e no Mestrado Profissional em Letras.