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Simpósio 79

SIMPÓSIO 79 – SUBJETIVIDADES E MARCAS URBANAS EM PB – CULTURAS E CIDADES EM DIÁLOGO: VALORIZANDO A DIVERSIDADE E EMPODERANDO IDENTIDADES NÃO HEGEMÔNICAS

 

Coordenadores:

Mônica Horta Azeredo | Universidade de Brasília | monicahortaazeredo@gmail.com

Gislene Maria Barral Lima Felipe da Silva | Universidade de Brasília | gislenebarral@felipedasilva.com

Gilberto Luiz Lima Barral | UnB/SEDF | gilbarral@hotmail.com

 

Resumo:

Este simpósio propõe um debate acerca do espaço urbano como palco de manifestações culturais não canônicas, escritas e/ou faladas em PB, e sua relação com as subjetividades que o constituem. Entendendo que nesse processo o sujeito repercute o seu meio, mas também o transforma, em um contínuo movimento de ressignificações, propõem-se diálogos acerca de criações culturais cuja gênese se dá no espaço urbano e/ou com ele se relaciona, em diferentes campos, como literatura, cinema, grafites, pichações, histórias em quadrinhos, teatro, dança, música, e seus híbridos. Esta proposta também acolhe estudos acerca das experiências construídas na relação com as cidades, bem como pesquisas sobre fenômenos linguísticos e diálogos interurbanos. A valorização das representações e autorrepresentações artísticas e culturais produzidas sobre e pelas minorias – como mulheres, negros, pobres, idosos, deficientes físicos, deficientes intelectuais, homossexuais, transgêneros, entre tantas outras identidades desviantes do padrão hegemônico – traz à tona lugares (até então invisiveis) e vozes (até então silentes) que mostram como essas alteridades se articulam em busca de espaço, visibilidade e empoderamento. Percebe-se que esse movimento constitui um ato cultural e tambem político ao tomar o PB como instrumento de afirmação cidadã, atribuindo à língua um sentido emancipatório. Espera-se que investigações e produções que referenciam as cidades e se debruçam sobre as diversas práticas artísticas e culturais nelas produzidas contemplem aspectos como diversidade, identidade, alteridade, intertextualidade, dialogismo, polifonia, escritas e falas autobiográficas, efemeridade e liquidez da vida contemporânea, entre outros. Também se presume que a palavra guarda tamanha força que esses sujeitos à margem, ao tomá-la para falarem de si a partir de sua condição oprimida, encontrem nela um elemento que os alça à condição de sujeitos emancipados, autoridades do próprio discurso.

Palavras-chave: Português brasileiro (PB), cultura urbana, manifestações culturais, subjetividades, diversidade.

 

Minibiografias:

Gislene Maria Barral Lima Felipe da Silva

Doutora e Mestre em Literatura e Práticas Sociais pela Universidade de Brasília (UnB), Brasil. Graduada em Letras – Português/Inglês e em Jornalismo. Integra o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea (GELBC-UnB), coordenado pela Profa. Dra. Regina Dalcastagnè. Pesquisa a representação de grupos marginalizados na literatura brasileira contemporânea. Revisora e tradutora. Professora aposentada da Secretaria de Educação do Distrito Federal.

Mônica Horta Azeredo

Doutora em Português pela Universidade Rennes 2, na França, e em Teoria Literária pela Universidade de Brasília (UnB), Brasil. Mestre em Cinema, graduada em Pedagogia e em Jornalismo. Integra o grupo de pesquisa em Literatura e Cultura da UnB, coordenado pelo Prof. Dr. João Vianney C. Nuto. Pesquisa a representação da mulher em produtos culturais escritos e/ou falados em português. Professora aposentada da Secretaria de Educação do DF.

Gilberto Luiz Lima Barral

Doutor e mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB). Graduado em Sociologia (UFMG) e Especialista em Tecnologias da Comunicação na Educação (PUC-Rio). Professor da Secretaria de Educação do Distrito Federal

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

O lixo produzido pelas culturas urbanas e sua ressignificação no filme Estamira (Marcos Prado – 2004) e no livro Quarto de Despejo, diário de uma favelada (Carolina Maria de Jesus)

Autoras:

Gislene Maria Barral Lima Felipe da Silva – Universidade de Brasílial  (UnB) / Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF) – gislenebarral@felipedasilva

Mônica Horta Azeredo – Universidade de Brasílial  (UnB) / Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF) – monicahortaazeredo@gmail.com

 

Resumo:

Estamira e Carolina: mulheres, marginalizadas, mas nem por isso, silentes. Ícones incontestáveis de tempos e espaços diversos, ambas usaram a palavra, sua principal arma, para desvelar ao mundo os absurdos da cultura urbana. O lixo ganha, nas falas de Carolina Maria de Jesus, especialmente em sua mais conhecida obra, Quarto de Despejo, diário de uma favelada ( ), e Estamira, que dá nome ao filme (Estamira, Marcos Prado, 2004) do qual é protagonista, um novo significado. O que não serve ao outro, serve à elas e às suas famílias e amigos. Elas transformam, reutilizam, e atuam na ressignificação do que teria como destino o simples desaparecimento. Sua ação não passa despercebida aos que dela tomam conhecimento, especialmente no que se refere à reutilização de alimentos jogados fora. Por vezes, por não serem mesmo mais próprios ao uso. Esse ressignificação desvela a miséria absoluta a que elas e seus pares estão submetidos e, ao mesmo tempo que choca, convida à reflexão acerca do que se joga fora e seus por quês. Nesse artigo pretendemos fazer dialogar essas duas mulheres que, apesar de muito em comum, nunca se encontraram. Viveram em cidades diversas, em momentos diferentes. Carolina, na favela do Canindé, em São Paulo, e Estamira, no então chamado lixão do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Suas trajetórias foram distintas. Ambas, no entanto, de uma forma ou de outra, foram iluminadas pelas luzes midiáticas e ganharam destaque enquanto viveram e mesmo após suas mortes. São, ainda hoje, tema de estudos acadêmicos no Brasil e no mundo. Neste artigo pretende-se colocá-las e às suas vidas, em situação de diálogo, para discutir, dentre outros a ressignificação do lixo, levando em conta teóricos como Mikhail Bakhtin, Sygmund Baumann, Mary Douglas, dentre outros.

Palavras-chave: Estamira; Carolina Maria de Jesus; cultura e sociedade; cinema; literatura.

 

Minibiografias:

Gislene Maria Barral Lima Felipe da Silva: doutora e mestre em Literatura e Práticas Sociais pela Universidade de Brasília (UnB), Brasil. Graduada em Letras – Português/Inglês (UFMG) e em Jornalismo (FAFI-BH). Integra o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea (GELBC-UnB), coordenado pela Profa. Dra. Regina Dalcastagnè. Pesquisa a representação de grupos marginalizados na literatura brasileira contemporânea. Revisora e tradutora. Professora aposentada da Secretaria de Educação do Distrito Federal.

Mônica Horta Azeredo: doutora em Português pela Universidade Rennes 2, na França, e em Teoria Literária pela Universidade de Brasília (UnB), Brasil. Mestre em Cinema, graduada em Pedagogia e em Jornalismo. Integra o grupo de pesquisa em Literatura e Cultura da UnB, coordenado pelo Prof. Dr. João Vianney C. Nuto. Pesquisa a representação da mulher em produtos culturais escritos e/ou falados em português. Professora aposentada da Secretaria de Educação do DF.


Comunicação 2

A representação do Brasil nas ruas, correspondências entre um flâneur e uma favelada

Autora:

Elizabeth Suarique Gutiérrez – FURG – izassu@yaoo.com / cavafiana@gmail.com

 

Resumo:

João do Rio, cronista carioca, publicou em 1908 A alma encantadora das ruas, conjunto de crônicas sobre a cidade do Rio de Janeiro. Sua escrita literária introduz o homem moderno como o ator principal da jovem República. O jornalista apelida-se o flâneur, aquele que percorre as ruas da cidade sem objetivo aparente, mas atento o que nela acontece. Por outro lado, Maria Carolina de Jesus, chega à cidade de São Paulo em 1947, sempre instável no emprego e na moradia. Ela é despejada para o terreno de Canindé, onde a favela cresce com aqueles migrantes vindos de todos os cantos do Brasil. Ali, Carolina de Jesus escreve um diário no qual registra as realidades da favela e seus moradores. Sua escrita ergue-se sobre alicerces metafóricos que permanecem na sua narrativa e constroem a imagem de São Paulo como a casa de alvenaria, com sua sala de visitas e seu quarto de despejo. Os autores são sujeitos dentro – fora que transitam pelos territórios da escrita, e constroem, desde seu olhar particular, a cidade e a nação. Enquanto as formas e o contexto sócio-histórico oferecem oposições, uma qualidade as liga: a vontade de construir a imagem da cidade através da escrita. A comunicação propõe uma leitura sobre as correspondências entre duas escritas que apresentam diferenças abissais (ela, favelada, de escassa formação, migrante, de cultura negra. E ele, aristocrata, de formação autodidata, local, de cultura branca). Eles conformam a imagem do Brasil nas ruas. Para determinar as diferenças e semelhanças entre os dois textos se estabelece o diálogo entre eles, com categorias abrangentes para incluir os dois extremos, conforme as elaborações de Josefina Ludmer, critica argentina que propõe outras categorias de análise, isto é, literatura como fábrica da realidade, individuação na escrita, ambivalência, literaturas pós-autônomas, temporalidades e territórios.

Palavras-chave: Joao do Rio; Carolina de Jesus; escritas urbanas; literaturas pós-autónomas; Josefina Ludmer.

 

Minibiografia:

Elizabeth Suarique Gutiérrez: Profissional em Estudios Literarios pela Pontificia Universidad Javeriana – Bogotá, Colômbia (2011). Mestre em História da literatura pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG (2015). Doutoranda no Programa de História da literatura (FURG). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em pesquisa, atuando nos seguintes temas: historiografia da literatura da América Latina, literatura brasileira, crítica literária latino-americana.


Comunicação 3

Profeta Gentileza: um livro urbano a viaduto aberto

Autora:

Thamynny Santos da Silva – Universidade de Brasílial  (UnB) – thamy.santos03@hotmail.com

Professoras orientadoras:

Patrícia Nakagome – Universidade de Brasílial  (UnB) – patricia.nakagome@gmail.com

Gislene Maria Barral Lima Felipe da Silva – Universidade de Brasílial  (UnB) / Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF) – gislenebarral@felipedasilva.com

 

Resumo:

O presente trabalho apresenta a vida do já falecido Sr. José Datrino, que ficou conhecido na cidade do Rio de Janeiro como o Profeta Gentileza. O mesmo foi uma espécie de evangelizador da gentileza e do agradecimento como uma forma de cultivar o cuidado com o próximo e com o espaço urbano em que se vive. Em meados de 1980, pintou cerca de 56 pilastras do viaduto da Avenida Brasil, Rio de Janeiro, criando, com forma e conteúdo específicos, uma nova estética de intervenção urbana e social em pinturas verde-amarelo com frases que demonstravam sua crítica ao mundo e à civilização. Essas pinturas foram tombadas e restauradas a partir dos anos 2000 pelos órgãos de proteção da prefeitura do Rio de Janeiro por serem parte da urbanização da cidade. O trabalho tem como proposta trazer à tona o reconhecimento artístico da intervenção do “Profeta” como um representante de uma minoria desviada dos padrões hegemônicos da sociedade, além de considerar o título de profeta e poeta, sendo que o mesmo vivia sob a alcunha da loucura e agressividade. Alinhando a fuga desses padrões estético-sociais às despreocupações estilísticas da gramática da língua portuguesa e do português brasileiro, o “Gentileza” escreveu seus versos em uma grafia própria. “Brincava” com a Língua Portuguesa e ia mais longe com as explicações dos supostos erros, como, por exemplo, ao escrever em um dos murais a palavra CONHESER com S e elucidar que o S se justificava por conhecer o SER, conhecer a SI mesmo, se colocando em uma situação de impressão e autonomia de seu próprio discurso.

Palavras-chave: Profeta Gentileza; intervenção urbana; português brasileiro (PB).

 

Minibiografias:

Thamynny Santos da Silva: Licencianda em Letras com habilitação em Língua Espanhola e Literatura Espanhola e Hispano-Americana pela Universidade de Brasília (UnB).

Patricia Trindade Nakagome: Professora adjunta de teoria da literatura da Universidade de Brasília. Mestre e doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo. Na graduação e no doutorado, realizou período sanduíche na Freie Universität Berlin. Atuou como professora universitária em instituições públicas da Nicarágua e Timor-Leste. Principais áreas de interesse: leitura, ensino de literatura, literatura comparada, literatura contemporânea em língua portuguesa.

Gislene Maria Barral Lima Felipe da Silva: Doutora e Mestre em Literatura e Práticas Sociais pela Universidade de Brasília (UnB), Brasil. Graduada em Letras – Português/Inglês (UFMG) e em Jornalismo (FAFI-BH). Integra o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea (GELBC-UnB), coordenado pela Profa. Dra. Regina Dalcastagnè. Pesquisa a representação de grupos marginalizados na literatura brasileira contemporânea. Revisora e tradutora. Professora aposentada da SEDF.


Comunicação 4

O diálogo entre Literatura e Loucura, em Armadilha para Lamartine, de Carlos & Carlos Sussekind

 

Autor:

Luciano Neves de Sousa – UFMG – lunespt@yahoo.com.br

 

Resumo:

O objetivo desta comunicação é ler o romance Armadilha para Lamartine, de Carlos & Carlos Sussekind, a partir da relação entre a loucura e a literatura. Analisaremos mais especificamente a escrita diarística da personagem Espártaco M, presente na segunda parte do livro, “Diário da Varandola-gabinete”, à luz da formulação de Michel Foucault, “Loucura: ausência de obra”. Nosso objetivo é mostrar que Espártaco M, ao escrever seu diário, busca afastar de si a loucura que, entretanto, invade sua própria escrita. A nossa hipótese de trabalho é a de que essas mesmas palavras que poderiam tornar a loucura ausente revelam, paradoxalmente, a própria loucura. Como iremos proporcionar um diálogo entre o romance de Sussekind e a formulação de Michel Foucault – a loucura: ausência de obra -, achamos importante destacar, a priori, a concepção foucaultiana da loucura para, posteriormente, prosseguirmos na análise de Armadilha para Lamartine. Tal investigação será importante para vermos que Foucault trabalha a loucura não como uma patologia que deve ser “curada” pelos saberes advindos das ciências médicas, mas sim como um fenômeno de linguagem. Nesse sentido, cabe a aproximação entre a loucura e a literatura, uma vez que ambas fazem uso da linguagem como forma de manifestação. Podemos afirmar, com este trabalho, que a literatura pode ser o lócus onde a loucura – silenciada, marginalizada, durante muito tempo – ganha voz e nos possibilita ouvir seus silêncios. Do mesmo modo, a palavra do louco traz à tona autorrepresentação de uma alteridade que, ao falar de si a partir da margem, produz certa visibilidade que o posiciona na condição de sujeito detentor de seu próprio discurso e de uma identidade.

Palavras-chave: literatura. loucura. Carlos Sussekind. diário.

 

Minibiografia:

Luciano Neves de Sousa: graduado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Mestre em Teoria da Literatura pela mesma instituição. Atualmente leciona literatura e língua portuguesa no Ensino Médio da Escola do Futuro e Técnicas de Leitura e Produção de Texto na Faculdade do Futuro, ambas em Manhuaçu – MG. Reside à Rua Duarte Peixoto, 225/801 – Bairro Coqueiro – Manhuaçu – MG.


Comunicação 5

O olhar do idoso sobre o turismo e o lazer em Brasília

Autora:

Iraci Nascimento de Castro – Universidade de Brasílial  (UnB) / Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF) – castroiraci@gmail.com

 

Resumo:

O perfil da população brasileira está em transformação, e a expectativa é que o Brasil se torne em breve um país ancião, com aproximadamente 30 milhões de idosos(as) até 2015. A velhice é caracterizada pelo isolamento e solidão, mas o lazer e o turismo tornaram-se uma alternativa para melhorar a saúde e a qualidade de vida. Acolhimento, turismo e hospitalidade são importantes aliados no sentido de ampliar a inclusão social das pessoas idosas, proporcionando encontros, amizades, trocas de experiências. Esta comunicação traz os resultados de uma pesquisa cujo objetivo é analisar como as práticas de turismo possibilitam aos(às) idosos(as) experiências para sua inclusão social na cidade de Brasília. O aporte teórico é constituído por um contexto interdisciplinar, estudando-se: o conceito de turismo como fenômeno social (Gastal, Moesch, Fúster, Morin, Krippendorf); a relação turismo-cidadania (Toro, Manzine-Covre); o lazer e os espaços de lazer no turismo (Marcellino, Dumazedier); o acolhimento no âmbito do turismo (Mauss); a inclusão social (Demo); questões de gênero e idosos(as) (Araújo, Saffioti, Scott, Motta). Metodologicamente, adotou-se abordagem qualitativa, pesquisa bibliográfica, observação direta e entrevistas. Na pesquisa de campo, investigaram-se locais e atividades de lazer usuais de turistas idosos(as), preferências e frequência dos(as) turistas idosos(as) quanto aos serviços turísticos, modo como são acolhidos e atendidos nos espaços turísticos de Brasília. A pesquisa apontou que: turismo e lazer são formas satisfatórias de interação e socialização para os idosos; existem dificuldades e expectativas não atendidas; quanto à cidade de Brasília, revelaram-se satisfeitos com seu acolhimento, indicando-a para amigos e familiares; o conhecimento da opinião desses turistas pode ser importante ferramenta voltada ao setor turístico para ajustar suas estratégias e atender a essa crescente demanda; o poder público precisa dar atenção ao atendimento a esse grupo etário, para haver realmente inclusão social; deve-se priorizar a formação e capacitação dos profissionais da área.

Palavras-chave: idoso; inclusão social; turismo; lazer; Brasília.

 

Minibiografia:

Iraci Castro do Nascimento: Graduada em Turismo pela União Pioneira de Integração Social – UPIS (1994). Mestre em Turismo, pelo Centro de Excelência em Turismo, da Universidade de Brasília. Servidora técnico-administrativa da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal. Membro do Grupo de Pesquisa Gênero e Interdisciplinaridade (GINTER) UnB/CNPq, coordenado pela Profa. Neuza de Farias Araújo. Reside à QE 32 Conjunto B Casa 16 – Guará II – Brasília/DF.


Comunicação 6

A fotografia como memória na vida dos candangos

Autora:

Rita Barreto de Sales Oliveira – Universidad Iberoamericana –  ritabarretoss@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este estudo versa sobre a reconstrução e a ressignificação da história de vida de alguns indivíduos – os Candangos, primeiros moradores de Brasília – na recriação de suas identidades e direitos. Abrange moradores de Brasília e de diferentes localidades do Distrito Federal e do Entorno, de diversas classes sociais. O objetivo principal é acrescentar informações ao construto histórico produzido sobre o Distrito Federal, mediante o auxílio de fotografias de acervo pessoal, demonstrando como a imagem pode ser um instrumento valioso na reconstrução da memória dos indivíduos, possibilitando, posteriormente, a criação de um documento que recupere uma parcela da memória social de um povo, no caso, os Candangos. O estudo baseia-se nas histórias, percepções e interpretações de fatos mediante o auxílio de fotografias dos acervos pessoais e de relatos dos indivíduos pesquisados. O marco teórico corresponde ao levantamento da bibliografia relacionada aos seguintes temas: fotografia, memória e história oral. Entre os autores estudados, encontram-se Manguel, Bourdieu, Kossoy, Halbwachs, Benjamin, Portelli, Castells, Carvalho, Brayner e Nunes. A metodologia utilizada engloba pesquisa bibliográfica, pesquisa de campo, coleta de fotos de acervo pessoal, tomada de fotografias, histórias de vida, quadros-resumo e entrevistas. A pesquisa visa à reconstrução de memórias de pessoas mais velhas que serão passadas às gerações mais novas pelas palavras, gestos, sentimentos de comunidade e de destino: elementos que ligam os moradores de um lugar. O trabalho evidencia o valor das pessoas que vêm da maioria desconhecida do povo e seu enfoque se dá a partir da história que vem das comunidades, o que propicia o contato e a compreensão entre classes sociais e gerações, além de um sentimento de pertencimento a determinado lugar e a determinada época.

Palavras-chave: fotografia; memória; história oral; candangos; construção de Brasília.

 

Minibiografia:

Rita Barreto de Sales Oliveira: Licenciada em Letras pelo CEUB (1985). Mestre em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília (2008). Doutora em Ciências da Educação pela Universidad Americana (2014). Pós-Doutora pela Universidad Iberoamericana. É professora da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. Reside à Quadra 6, Casa 18, Etapa D, Valparaíso I, Valparaíso de Goiás.  


Comunicação 7

O processo de significação da professora contadora de histórias e a interação com crianças no contexto da biblioteca escolar

Autoras:

Silvana Goulart Peres – Universidade de Brasílial  (UnB) / Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF) – sgperes@gmail.com

Fabrícia Teixeira Borges – Universidade de Brasílial  (UnB) – fabricia.borges@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação parte da ideia de que as narrativas pessoais e ficcionais passam por negociações com o Outro e têm importância para o desenvolvimento humano. A pesquisa resulta de um Estudo de Caso que buscou compreender como o processo de significação de uma professora em interação com os alunos favoreceu sua constituição subjetiva como professora contadora de histórias no contexto da biblioteca escolar da Educação Infantil em uma escola do Distrito Federal. Recorremos ao aporte teórico do desenvolvimento humano na perspectiva da Psicologia Cultural com ênfase no contexto histórico-cultural, bem como do dialogismo. Os instrumentos usados na construção de dados foram: a história de vida da professora, apreendida por meio de sua narrativa; a filmagem de um episódio de contação de histórias pela professora da biblioteca com alunos de uma turma de 2º período; e observação direta, em relação ao espaço físico e à dinâmica da professora da biblioteca escolar, com anotações em diário de bordo. Entre outras conclusões, os resultados da pesquisa evidenciaram que: o desenvolvimento humano é um processo que sempre decorre embrenhado de fatores biológicos, sociais, históricos e culturais; é possível alavancar o desenvolvimento humano por meio das narrativas; há uma preocupação de resgate por parte da professora com a oralidade, a partir da multiplicidade de narrativas engendradas nas discussões das histórias contadas, tanto ficcionais quanto cotidianas, atrelando emoções e imaginação ao uso do recurso simbólico; o processo de significação em ser professora contadora de histórias tem implicações sobre os modos de agir, interagir e configurar metas, crenças e valores sobre sua vida; o processo de significação em ser professora contadora de histórias decorreu na constituição de seu self, a partir de sua experiência de vida permeada de uma intencionalidade de ensinar, de exercer a cidadania, e aparece mais fortemente quando ela atua na contação de histórias.

Palavras-chave: desenvolvimento humano; processo de significação; contação de histórias; biblioteca escolar; literatura infantil.

 

Minibiografias:

Silvana Goulart Peres: Graduada em Pedagogia. Mestranda em Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde (PED/IP/UnB). Especialista em Desenvolvimento Humano, Educação e Inclusão Escolar (PED/IP/UnB) e em Educação Infantil (FE/UnB). Professora da SEEDF com atuação nas áreas: Gestão Escolar, Educação Infantil, Alfabetização, Ensino Especial/Educação Inclusiva, Equipe de Apoio à Aprendizagem.

Fabrícia Teixeira Borges: Doutora em Psicologia pela Universidade de Brasília (2006). Pós-doutora pela Universidade Autônoma de Madrid (UAM). Professora da Universidade de Brasília, no Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento (PED) do Instituto de Psicologia. Pesquisa sobre o tema de identidade docente como estética de si. Atua nos seguintes temas: educação, filmes, fotografia, mulheres e psicologia cultural.


Comunicação 8

Através dos espelhos das águas: espaços possíveis para netas e avós afrodescendentes na literatura infantil brasileira contemporânea

Autora:

Dalva Martins de Almeida – Universidade de Brasílial  (UnB) / Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF) – dalva.sofia@hotmail.com

 

Resumo:

A literatura infantil brasileira contemporânea tem dado passos de gigante em termos de produção gráfica e de diversidade de temática. Essa façanha decorre da emergência de novas discussões necessárias numa sociedade que se quer menos excludente. Urge redefinir os espaços de engendramentos das minorias, em especial a menina negra e a avó negra, respeitando-lhe suas condições de sujeitos dotados de voz, nesse campo literário contestado, que é o espaço da literatura infantil. Prescinde nesse espaço cultural qualquer meio de disseminação e de manutenção do preconceito, através do olhar cuidadoso sobre a construção dos sujeitos menina e avó negras, e a observância dos discursos ancestrais, oralidades e memórias que decorrem dessa relação. Como aconselha Nely Novaes Coelho (1991), o “ideal” de uma literatura infantil contemporânea seria a observação da necessidade dos leitores da atualidade, bem como a busca por uma “identidade cultural” brasileira. A representação da construção das identidades afro-brasileiras na literatura infantil contemporânea é o espaço da visibilidade presente na autoria negra de Heloísa Pires Lima, em dois momentos importantes: Histórias da Preta e O Espelho Dourado. Pela análise dos estudos pós-coloniais e culturais, este texto evidenciará os espaços, onírico ou real, por onde transitam as personagens negras: avós e netas, na busca por pertencimento e voz.

Palavras-chave: Histórias da Preta; O Espelho Dourado; identidades; ancestralidades; lugar de fala.

 

Minibiografia:

Dalva Martins de Almeida: Mestra em Literatura pela Universidade de Brasília, título obtido em 2015 com a dissertação: A menina negra diante do espelho. Atualmente é doutoranda em Literatura na mesma Universidade. Professora de Educação Básica pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. Endereço para correspondência: Quadra 18, casa 17, Setor Oeste Gama –DF. CEP: 72420180.


Comunicação 9

As fraturas da narrativa brasileira contemporânea em Um defeito de cor

 

Autora:

Maria Aparecida Cruz de Oliveira – Universidade de Brasílial  (UnB) – cidacruz1@hotmail.com

 

Resumo:

Há um número considerável de críticos que apontam para uma mutação nas literaturas contemporâneas, e essas mutações implicariam em uma certa limitação do conceito atual que temos de literatura como apontam Leyla Perrone-Moisés (2016) e Flora Süssekind (2013), tendo em vista o surgimento de escrituras que apresentam estéticas acentuadamente diferente do que a crítica estava familiarizada. Assim, estaria acontecendo irrupções de modos “corais” na cultura literária brasileira. Com frequência, ligadas a certa instabilização das formas e do campo cultural de modo geral. Então, a ideia é pensar como a narrativa afro-brasileira, especificamente o romance de Ana Maria Gonçalves, Um defeito de Cor (2006) apresenta essas possíveis mutações, esses deslocamentos estéticos. Por ora, é possível dizermos que a representação da cultura negra na trama evidencia que as literaturas afro-brasileiras contemporâneas não vêm para negar a cultura dominante, mas afirmar a cultura subalterna. E essa não é a antítese da anterior, é apenas diferente daquela; não dar para comparar produções que são firmadas em lógicas tão diferentes, literaturas eurocêntricas com literaturas epistemologicamente marginais na colonialidade de poder.

 

Palavras-chave: literatura afro-brasileira contemporânea; Ana Maria Gonçalves; deslocamentos estéticos.

 

Minibiografia:

Maria Aparecida Cruz de Oliveira: Graduada em Letras – Lic. Hab. de Líng. Port. e Literaturas – UNEB (2009) e mestrado em Literatura pela Universidade de Brasília (2015). Doutoranda em Literatura na Universidade de Brasília. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Representação Literária Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: representação, literatura afro-brasileira e moçambicana. Integra o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea.


Comunicação 10

As vozes amazônicas silenciadas pela indústria cultural hegemônica do Brasil

Autora:

Carla Cristina Gonzaga Pereira – UFPA – carlauepa2015@gmail.com

 

Resumo:

A comunicação apresenta como área de concentração a Análise do discurso na perspectiva de Bakhtin. O objetivo do referido trabalho pauta-se no empoderamento, respectivamente, do músico e da música popular produzida na Amazônia Oriental, isso porque, a música revela por meio de sua materialidade discursiva a cultura e a identidade do sujeito amazônico, silenciado pela indústria cultural hegemônica a nível de território brasileiro. Para dar prosseguimento apresentar-se-á uma breve biografia de José Miguel de Souza Cyrillo, cantor e compositor amapaense. Posteriormente, a audição de uma música do cantor amapaense, “Vida boa”. Na sequência será feita a análise discursiva da música à luz das teorias de Bakhtin, de modo a enfatizar a partir do discurso traços que caracterizam a cultura e a identidade local, para tanto usar-se-á como referências Hall, Castells, Néstor García Canclini, Michel de Certeau e Peter Burke. A Amazônia Oriental é uma região historicamente ignorada, sobretudo, nas suas diversas identidades, assim, ouvir a música “Vida boa”, significa ouvir as vozes amazônicas silenciadas devido a geografia que dificulta o acesso, o processo histórico de colonização pelo qual passou região e a carência de políticas públicas apropriadas para o seu desenvolvimento. A audição da música “Vida boa” evidencia as potencialidades culturais, possibilitando compreender que na Amazônia existem diversas identidades e que esses povos possuem saberes que merecem ser valorizados, e se valorizados, podem contribuir para a potencialização da produção científica na Amazônia.

Palavras-chave: discurso; cultura; identidade; música; Amazônia.

 

Minibiografia:

Carla Cristina Gonzaga Pereira: Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Linguagens e Saberes na Amazônia, pela Universidade Federal do Pará, campus de Bragança. Graduanda de Letras com habilitação em Língua Inglesa, pela Universidade Estadual do Pará, campus de São Miguel do Guamá. Possui graduação em Letras com habilitação em Língua Portuguesa, pela Universidade Federal do Pará. Possui especialização em Libras. Professora de Língua Portuguesa nos municípios de São Miguel do Guamá e Ipixuna do Pará.


 Comunicação 11

Geografando a cidade de Manaus nas obras de Milton Hatoum

Autora:

Francisca de Lourdes Souza Louro – UEA – lourdeslouro@yahoo.com.br

 

Resumo:

O presente trabalho tem como perspectiva lançar o olhar geográfico a partir da Literatura tendo como pano de fundo a cidade de Manaus, cartografada nos romances Relato de um certo Oriente, Dois Irmãos e Cinzas do Norte, do escritor Milton Hatoum. O quadro teórico empregado consistiu nas obras de Isabel Gil, Paisagens em ruínas (2009), Angel Rama, A cidade das letras (2015) e José Aldemir de Oliveira, Manaus de 1920 – 1967 (2003). O pensamento dos referidos autores foi complementado por outros autores que discutem as obras basilares desta pesquisa. Ao final desta investigação, constatou-se que o texto literário é um espelho onde o leitor se vê e anda na cidade pelos desenhos da arquitetura romanesca, mas não aperfeiçoa esse traçado, porque o espetáculo histórico se desenrola à sua frente somente guiando-o pelas pistas dadas. A sensibilidade em perceber a arquitetura da cidade, com cenário performático, incluindo a vida, os valores que se espelham como utopia, construída, momentaneamente na crença de uma cidade perfeita, representada pelo encantamento do olhar dos estrangeiros que chegam à cidade. Os lugares perfeitos por definição não existem, e, ao longo da construção, nos outros romances de Hatoum, essa cidade sofre descaracterização pelos movimentos que, com efeito de distopia, aqui entendida como locus horrendus, vai se transformando em um espaço disfórico, pela ação complexa afetada pelos momentos sociais e financeiros. Como se observa, esta investigação se constitui como relevante contribuição para ampliar o conhecimento da espacialidade produzida nos romances estudados e que poderá ser ampliada em outras perspectivas, ainda pouco investigadas. O estudo está ligado ao Núcleo de Estudos e Pesquisas das Cidades na Amazônia – NEPECAB, na área de Geografia e ao Grupo de Estudos e Pesquisas em Literaturas de Língua Portuguesa – GEPELIP, da Universidade Federal do Amazonas – UFAM – Brasil.

Palavras-chave: Amazônia; cidade; geografia e literatura; distopia.

 

Minibiografia:

Francisca de Lourdes Souza Louro: Professora Assistente do Curso do Letras Mediado – UEA. Pós-Doutora junto ao Programa de Pós –Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia da Universidade Federal do Amazonas – UFAM.


Comunicação 12

A visão do descobrimento em Desmundo, de Ana Miranda

Autora:

Janice Aparecida de Azevedo Fernandes – PUC-GO – janiceeuc@yahoo.com.br

 

Resumo:

A obra Desmundo, de Ana Miranda, é marcada e marca a história do imaginário brasileiro, tanto por meio da personagem Oribela, protagonista, quanto pela estrutura em que a obra se corporifica. O objetivo do presente estudo é a investigação acerca do pensamento da personagem, o qual nos permite enveredar o trabalho de pesquisa pelas teorias do imaginário, visto que o pensamento dela é povoado de crenças e medos permeados pelas questões míticas que embalavam a nova terra, o desmundo que a ela se apresenta. O trabalho justifica-se por a obra indicada apresentar uma visão do ângulo do colonizado, diferentemente das crônicas do descobrimento. Por meio da narrativa de Oribela, o leitor ingressa em formas de ação e de pensamento da época, deparando com aspectos tais como existência feminina, religiosidade, nova terra, amor e sexualidade. No plano estrutural, a autora ilustra a narrativa com imagens que reforçam o imaginário da época, o que será analisado a partir de Estruturas antropológicas do imaginário, de Gilbert Durand. Como resultado preliminar, já é possível antever uma visão desconstruída daquela que se nos oferecem os cronistas do descobrimento. A metodologia a ser empregada é a pesquisa bibliográfica.

Palavras-chave: imaginário; narrativas; existência feminina; religiosidade; amor e sexualidade.

 

Minibiografia:

Janice Aparecida de Azevedo Fernandes: Graduada em Letras pela UEG-GO. Pós-graduada em Psicopedagogia, pela UEG. Mestre em literatura e crítica literária pela PUC-GO.


Comunicação 13

Tradução do espanhol para o português das Aventuras de Patoruzú de Dante Quinterno: uma análise da tradução do humor e de aspectos culturais dos pampas

 

Autora:

Lucie Josephe de Lannoy – Universidade de Brasílial  (UnB) – lulannoy@gmail.com

 

Resumo:

A partir da tradução reflexiva de uma das histórias em quadrinhos: “Amor sin barreras”, que é parte integrante da obra do autor argentino Dante Quinterno (1909-2003), Las aventuras de Patoruzú, realizada pelo tradutor em formação, Clésio Alves da Silva, observaram-se diversos desafios da tradução durante a tradução do humor, a tradução literária, a tradução de histórias em quadrinhos. Quanto à tradução do lunfardo, tradução de regionalismos próprios da Patagônia, neologismos, variações linguísticas, procurou-se elaborar diferentes glossários e estimar a possibilidade da construção de uma ferramenta de auxílio à tradução. Com base em teorias do humor, como as de Freud, de Raskin e Attardo, da teoria dos dois scripts (Semantic Script Theory of Humor – SSTH), e de teorias da tradução de Schleiermacher, de Berman, de Rota procurou-se elaborar uma compreensão da tradução de esse tipo de obra que contemplasse também um diálogo entre aspectos culturais do contexto da obra e do contexto do tradutor. A apresentação visa destacar breves exemplos de cada um dos aspectos citados e contribuir para uma reflexão sobre os desafios e as estratégias da tradução no século XXI.

Palavras-chave: tradução; humor; literatura; espanhol.

 

Minibiografia:

Lucie Josephe de Lannoy: Graduada em Letras, Tradutor-Intérprete pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Mestre e Doutora em Literatura pela Universidade de Brasília – UnB. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Poesia e Tradução, atuando nos seguintes temas: poesia, social, tradução, literatura e Brasil. Dedica-se ao ensino universitário de Letras tradução-espanhol e de línguas estrangeiras. É professora Adjunta DE da UnB, IL, LET.


Comunicação 14

O que é que o russo de Oriol tem a ver com o baiano de Irará?

Autora:

Celina Cassal Josetti – SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL (SEDF) –  saidanorte@gmail.com

 

Resumo:

Propomo-nos – respaldados por noções formuladas por Mikhail Bakhtin em sua poética da enunciação – a avaliar a contribuição da produção de Tom Zé, tomando-se como recorte letras de sua produção de 1968 a 1978. A escolha de sua obra explica-se porque ela representa um genuíno discurso de resistência à hegemonia imposta à periferia naquele momento histórico. Ele lida dialógica, polifônica, lúcida e exemplarmente com as vozes mais expressivas dos segmentos excluídos da sociedade, quais sejam, a voz do artista da cultura popular urbana – aquele que se vê tragado pelo mercado da indústria fonográfica em expansão -, bem como a voz do setor espoliado, alienado e marginalizado da sociedade: o cidadão brasileiro. Essas vozes movem-se da seguinte maneira: ora remetem-se audaciosamente aos interlocutores da elite (política, intelectual e do capital brasileiro), ora à própria sociedade como um todo, no desejo de transformá-la. A voz de Bakhtin ainda ressoa pelas mais diversas áreas do conhecimento. Ele foi escolhido para sustentar a metodologia empregada neste trabalho devido à pertinência e contemporaneidade de suas formulações. Esse pensador erigiu conceitos que transitam com muito fôlego ainda no circuito de todas as ciências humanas. O que pode haver em comum entre um russo de Oriol e um brasileiro de Irará? Esses dois autores celebraram, cada um da sua maneira, o riso em suas produções. Esses dois “desdichados” pelo seu tempo, raros e caros pela genialidade e acuidade no tratamento da arte e da filosofia, enfim, merecem ser estudados.

Palavras-chave: cultura brasileira; poética da enunciação; Tom Zé.

Minibiografia:

Celina Cassal Josetti: Graduada em Letras. Mestre em Literatura e Doutora em Educação pela Universidade de Brasília. É professora do quadro da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.


Comunicação 15

Um rosto em construção: alteridade e pós-modernidade em Chico Buarque de Holanda

Autora:

Kelly Fabíola Viana dos Santos – Universidade de Brasílial  (UnB) – kvyanna@gmail.com

 

Resumo:

As letras poéticas de Chico Buarque retratam a diversidade, dando voz a personagens das mais diversas categorias. Essa produção poética inclusiva favorece a comunicação da alteridade em contexto pós-moderno. Considerando-se o sujeito pós-moderno como um sujeito fraturado, segundo Luiz Costa Lima, e o espaço urbano como local de transformação, mas também de interferência desse sujeito, conforme Gaston Bachelard, a letra poética “Construção”, de Chico Buarque, é analisada nesta pesquisa sob estes aspectos, em consonância com questões de alteridade e exotopia. No texto, a linguagem é usada para construir e desconstruir conceitos em relação ao sujeito e ao espaço que ele ocupa, do qual também pode ver e ser visto. A fim de se compreender o sujeito fraturado de “Construção”, em seus múltiplos rostos e nos múltiplos olhares que se voltam para ele, ao causar interferências no espaço urbano que ele mesmo ajuda a construir, lançamos mão dos estudos sobre alteridade de Emmanuel Levinas, Mikhail Bakhtin e Zygmunt Bauman.

Palavras-chave: alteridade; pós-modernidade; Chico Buarque.

 

Minibiografia:

Kelly Fabíola Viana dos Santos: Doutoranda em Literatura pela Universidade de Brasília. Mestre em Literatura pela Universidade de Brasília. Especialização em Língua Portuguesa pela Universidade Salgado Oliveira RJ e graduação em Artes Cênicas pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. Atualmente, professora de Arte pela Secretaria de Estado de Educação do DF, atuando em sala de recursos de atendimento ao estudantes com Altas Habilidades/Superdotação.


 Comunicação 16

Tecnodependência, redes sociais, arte e sexismo

Autores:

Ana Cristina Sá de Mello – UNICEUB – anacris.sa@gmail.com

Maurício Correia de Mello – Ministério Público do Trabalho – mauriciomello2010@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo desta comunicação é desvendar se há obstáculos à expressão artística feminina por meio da utilização de ferramentas tecnológicas, como programação de computadores, computação gráfica, artefatos mecânicos, eletrônicos e/ou audiovisuais. É notória a menor participação das mulheres na indústria da tecnologia, desde a formação acadêmica até a empregabilidade. Isso agrava-se pelo sexismo presente na cultura popular representada nas histórias em quadrinho, fonte contínua da indústria cinematográfica. A desvalorização do trabalho feminino nas áreas de exatas e, em especial, na ciência da computação, precede o próprio computador, como se vê na biografia de Ada Lovelace, que só teve minimamente reconhecida a sua visão pioneira da linguagem de programação em 1953, mais de um século após a sua morte. A intermediação do mercado para o acesso a todos os bens de consumo expande-se progressivamente para a intermediação de todas as necessidades humanas, inclusive as afetivas. As redes sociais e os aplicativos de comunicação potencializam o fenômeno da indústria cultural de que trataram Adorno e Horkheimer. Por outro lado, a partir da afirmação de Simone De Beauvoir de que não se nasce mulher, torna-se mulher, a indústria cultural dominada pela tecnologia revela-se instrumento de determinação do papel social feminino. Assim, excluir a mulher do mundo tecnológico é retirar do seu controle grande parte da potencialidade de realização numa sociedade tecnodependente. A metodologia será a análise de textos teóricos sobre a indústria cultural e sociedade de consumo e sobre a participação da mulher na formação acadêmica e no mercado de trabalho em áreas que envolvam tecnologia em confronto com trabalhos artísticos realizados por mulheres com o uso de tecnologias. A proposta de pesquisa apresenta como resultados preliminares indícios veementes de que existem obstáculos culturais acentuados para a expressão artística feminina por meio da tecnologia.

Palavras-chave: mulher; sexismo; tecnologia; arte.

 

Minibiografias:

Ana Cristina Sá de Mello: Graduada em Educação Artística pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes e em Direito pelo UNICEUB. Mestre em Literatura Brasileira, pelo Instituto de Letras do Departamento de Teoria Literária e Literaturas, da Universidade de Brasília. Reside à SQN 213 – bloco D – apto. 505, Brasília-DF.

Maurício Correia de Mello: Graduado em Direito pelo UNICEUB. Especialista em Direito do Trabalho pelo UNICEUB. Subprocurador-Geral do Trabalho. Autor de artigos sobre Direitos Humanos. Proferiu palestras sobre Assédio Moral, Trabalho Escravo, Trabalho Infantil e Meio Ambiente de Trabalho. Reside à SQN 213 – bloco D – apto. 505, Brasília – DF.


Comunicação 17

Espaço urbano e o medo de existir: no limiar do ódio ao genocídio LGBT, em Benjamin e Gil

 

Autor:

Bruno Caetano Felipe da Silva – UNICAMP – brunocaetano@felipedasilva.com

Professor orientador:

Eduardo Sterzi de Carvalho Júnior – UNICAMP – eduardosterzi@gmail.com

 

Resumo:

O espaço público materializa-se como um espelho que nos apresenta tanto a utopia da imagem quanto nos devolve a distopia do presente na forma do novo. Tornar público um espaço é, muito antes, um ritual de exorcismo dessa fantasmagoria do Medo de Existir, pairante nas ruas e avenidas, invisível entre nós, mas materializado no feminicídio, no extermínio de negras e negros, no genocídio LGBT. Tornar público passa necessariamente por devolver a vida a esses espaços. Em via oposta, o movimento de confinamento a espaços privados, provocado por esse fantasma, condena à interioridade burguesa, à vivência ensimesmada, suspende temporalmente a transmissão de ideias, a oralidade, o reconhecimento no semelhante e o sentimento de inscrição. Estar confinado envolve uma fantasmagoria absorvida pelo poder de aglutinação alienante da televisão e da publicidade, transformadas em centro real desse interior, obediente que propaga o sentimento de repetibilidade do novo. Diante desse cenário, propõe-se uma reflexão sobre o sentimento de ódio reinante no ambiente urbano, a partir das ideias lançadas nas obras Nos limiares de Walter Benjamin, de João Barrento, e Portugal, hoje: o medo de existir, de José Gil. O foco será o estudo de casos de genocídio LGBT, mais especificamente o ataque a três jovens no dia 14 de novembro de 2010 na cidade de São Paulo, que veio mobilizar “A Revolta da Lâmpada” e sua repercussão na mídia. Apoia-se na ideia de “pobreza da experiência”, que, segundo Benjamin, marca a contemporaneidade e que consiste em viver o novo sem se preocupar em lhe atribuir sentido para além de uma vivência não refletida.

Palavras-chave: ódio; espaço urbano; estudos de gênero; Walter Benjamin; José Gil.

 

Minibiografia:

Bruno Caetano Felipe da Silva: Graduando no curso de Letras pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Cursou Engenharia Mecânica no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG). Cursou dois semestres de Engenharia Mecânica no Institute of Technology Sligo, Ireland. Desenvolveu projetos na área de energia renovável, gestão energética e eficiência de motores a combustão.

Eduardo Sterzi de Carvalho Júnior: Graduado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1994). Mestre em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2000) e doutor em Teoria e História Literária pela UNICAMP (2006). É professor de Teoria e História Literária no Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP.


Comunicação 18

De Capitu falada por um homem à que fala na Marcha das Vadias

Autoras:

Karen Gabriele Poltronieri – USP – karen.poltronieri@usp.br

Lucília Maria Abrahão e Sousa – USP – luciliamsr@ffclrp.usp.br

 

Resumo:

Este trabalho tem por objetivo analisar como os discursos de uma personagem do século XIX refletem muito do que se encontra nas mulheres de um movimento feminista deste século. Utilizando de base a teoria da Análise do Discurso de filiação francesa, juntamente com o apoio dos dizeres encontrados nas páginas online do movimento social Marcha das Vadias, pretende-se traçar um paralelo de como a inscrição da personagem Capitu da obra Dom Casmurro (Machado de Assis, 1899) é falada e narrada em seu tempo. Machado cria Capitu a partir da voz de um homem – Bentinho – que a define como um mistério de mulher cheia de vertentes e possibilidades, aqui será discutida como efeitos de uma mulher libertária, que mesmo indiretamente constitui alguns sentidos do que é conhecido como feminismo.

Em busca de respeito, igualdade de gênero e fim da violência, a Marcha das Vadias é um grande movimento que dá visibilidade e circulação para os sentidos do feminismo e quebra os padrões da sociedade há muito tempo instaurados, o que supomos que Capitu também potencializa como efeito de um dizer sobre a mulher na narrativa machadiana. Ainda assim, trabalhamos com a hipótese de que Capitu apresente traços e dizeres de uma mulher denominada empoderada e se mostre uma personagem que não se deixou interpelar pela ideologia dominante imposta pela sociedade patriarcal de então.

Palavras-chave: análise do discurso; sujeito; Capitu; Marcha das Vadias; feminismo.

 

Minibiografias:

Karen Gabriele Poltronieri: Graduanda do curso de Biblioteconomia e Ciências da Informação e da Documentação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo (USP). Integrante do grupo de pesquisa “Discurso e memória: nos movimentos do sujeito”, do (a) Universidade de São Paulo, coordenado pela Prof. Dra. Lucília Maria Abrahão e Sousa.

Lucília Maria Abrahão e Sousa: Professora doutora do curso de Biblioteconomia e Ciências da Informação e da Documentação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo (USP). Coordena o Grupo de Pesquisa “Discurso e memória: movimentos do sujeito”, cadastrado junto ao Diretório de Grupos do CNPQ.


Comunicação 19

Filme Zumbi: uma aproximação entre vida mental e cotidiano de jovens na contemporaneidade

Autores:

Elimárcia Aguiar Leite – SEEDF – elimarcia.philos@gmail.com

Gilberto Luiz Lima Barral – TRANSE-UnB/SEEDF – gilbarral@hotmail.com

 

Resumo:

Este artigo tem como objeto de estudo uma aproximação entre o zumbi da ficção audiovisual e jovens alienados da vida real. Toma-se o conceito de alienação em Karl Marx e seu desdobramento na Escola de Frankfurt e nos estudiosos da teoria crítica da cultura para compreender os nexos da relação entre alienação, mentalidade e cotidiano de jovens na contemporaneidade. A metodologia da análise do discurso de Michel Foucault é utilizada para a visualização e crítica de filmes com a temática zumbi, em uma abordagem dos elementos que compõe a narrativa fílmica. Diante da centralidade que a indústria cultural vem ganhando no processo de socialização dos indivíduos, em particular de jovens, há que se reservar e justificar espaços que busquem investigar os valores, os conteúdos, as representações e os discursos que fomentam as produções audiovisuais contemporâneas. Parte-se da hipótese de que imagens e narrativas fílmicas concorrem para o processo de alienação de indivíduos e grupos sociais.

Palavras-chave: modo de vida; audiovisual; alienação; Zumbi; juventudes.

 

Minibiografias:

Elimárcia Aguiar Leite: mestre em Psicologia (Universidade Católica de Brasília), professora de Filosofia da Secretaria de Educação do Distrito Federal.

Gilberto Luiz Lima Barral: doutor e mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB). Graduado em Sociologia (UFMG) e Especialista em Tecnologias da Comunicação na Educação (PUC-Rio). Professor da Secretaria de Educação do Distrito Federal.


Comunicação 20

Brasília não é uma só: as contranarrativas de Meimei Bastos e Adirley Queirós

 

Autora:

Bruna Paiva de LucenaUniversidade de Brasílial  (UnB)/Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF) – brunaplucena@gmail.com

 

Resumo:

Quando se pensa na produção cultural e literária realizada sobre Brasília, volta-se para, por exemplo, a célebre crônica de Clarice Lispector “Brasília: cinco dias”, aos livros de João Almino e Nicolas Behr ou a obra cinematográfica de Vladimir Carvalho. Contudo, após essa lista, pode-se dar uma longa respiração e voltar-se a obras sobre Brasília que a apresentam por sua negação, como são as contranarrativas da slammer Meimei Bastos e do cineasta Adirley Queirós, que trazem essa cidade em relação a uma Brasília não entendida como Brasília, a Brasília da quebrada, periférica, o que se deixou escondido para se poder erguer o monumento Brasília, patrimônio da humanidade. Esta comunicação se deterá justamente nas produções desses dois artistas, que, por meio de diferentes linguagens artísticas – poesia e cinema –, constroem outras visões sobre o espaço que se denomina genericamente de Brasília, alargando tanto seu território empírico e mimético como os sentidos atribuídos a sua espacialidade (centro/periferia). Para isso, serão analisados quatro poemas de Meimei Bastos e dois longas-metragens de Adirley Queirós – A cidade é uma só?(2012) e Branco sai, preto fica (2014), obras que se configuram como contranarrativas e contradiscursos às histórias já referendadas sobre esse espaço.

Palavras-chave: contranarrativas; Brasília; Meimei Bastos; Adirley Queirós.

 

Minibiografia:

Bruna Paiva de Lucena: Professora de língua portuguesa e literatura brasileira da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF). É doutora e mestra pela Universidade de Brasília, além de pesquisadora junto ao Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea (GELBC/UnB). Realiza pesquisas sobre literatura periférica brasileira contemporânea.


 Comunicação 21

Identidades culturais em PB em sala de aula: estudantes do Ensino Médio e as marcas culturais centro e periferia em Brasília

Autora:

Deliane Leite Teixeira – PUC-GO) / Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF) delianelt2@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é refletir a respeito de como se dá discurso dos estudantes que escolhem sair da periferia de Brasília, para estudar no centro. É possível perceber enquanto educadora e por meio das aulas de Língua Portuguesa de uma Escola do Ensino Médio próxima ao centro, que outra língua e outra forma de comunicar-se delineia à margem da norma culta. A linguagem do estudante que denota o seu local de fala se dilui a fim de se enquadrar no status quo próprio da escola e seu processo de institucionalização. Percebe-se que a observação e a intervenção do professor permitem que os estudantes manifestem sua fala de origem por meio de expressões culturais diversas dentro da escola, como rap, grafite, entre outros. Finalmente, pretende-se observar de que forma esta linguagem se manifesta como empoderamento, diluição e ou repressão social. Serão utilizados os textos do livro Microfísica do Poder de Michel Foucault, O local da cultura de Homi Babha, além dos textos de Bauman sobre a Modernidade Líquida e de Hall sobre as identidades culturais na pós-modernidade.

Palavras-chave: identidade cultural; Ensino Médio; centro/periferia; discurso, português brasileiro.

 

Minibiografia:

Deliane Leite Teixeira: mestre em Letras, Literatura e Crítica Literária pela PUC-GO. Professora de Educação Básica pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.


Comunicação 22

Rap, engajamento e utopia: relações entre Brasil e Angola

Autores:

Joaquim João Martinho – Universidade de São Paulo (USP) – jmartinho48@hotmail.com

Luana Soares de Souza – Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) lusoares90@gmail.com

 

Resumo:

O rap surgiu nas veredas das periferias expondo as tensões e as fissuras políticas entre as classes. Partindo de um projeto ético, mas também estético, os grupos de rap tem pautado a resistência aos ataques do governo, da polícia e do Estado. Simultaneamente, ao denunciarem os conflitos, projetam o desejo de construir uma nova sociedade, formulando a utopia. O grupo “Fat Soldiers” é um dos nomes que tem ganhado destaque no cenário do rap angolano. Formado por Soldier V, Timomy e M.P, o grupo começou seu percurso em 2010 com o lançamento da primeira mixtape “Mentes da Rua”. Evidenciando a vida dos pobres e dos oprimidos de Angola através de letras subversivas e ácidas, o trio pauta um discurso contra a pobreza e a desigualdade denunciando a concentração de riqueza em um dos países mais ricos do mundo. O alto teor crítico das letras demonstra uma postura de engajamento como é possível observar nas músicas “Verdades”, “Manifesto” e “Berço de lata” que retratam as realidades suburbanas, a degradação social e espacial e a corrupção sistemática que assola o país. Nas letras do grupo é possível encontrar profundas relações com a situação política e econômica do Brasil. Essa intertextualidade se expressa nas letras que comparam Brasil a Angola. O presente trabalho tem como objetivo analisar as letras do grupo “Fat Soldiers” estabelecendo diálogos com os conceitos de engajamento e utopia, relacionando o rap produzido em Angola com o rap produzido no Brasil.

Palavras-chave: rap; resistência; utopia; Fat Soldiers; Angola; Brasil.

 

Minibiografias:

Joaquim João Martinho: Graduado em Ciências da Educação no Instituto Superior de Ciências da Educação em Angola. Mestre em Ciências da Educação pela Universidad San Lorenzo no Paraguai. Atualmente é pós-graduando na Universidade de São Paulo. Atua nos seguintes eixos: romance, literaturas africanas de língua portuguesa e educação.

Luana Soares de Souza: Graduada em Letras na Universidade Federal de Mato Grosso. Mestre em estudos literários pela mesma instituição. Atualmente, é doutoranda na Universidade do Estado de Mato Grosso. Atua nos seguintes eixos: poesia, literaturas africanas de língua portuguesa e comunitarismos.


Comunicação 23

Bar e opinião pública: as faixas “cáusticas” de Cesar Abreu

Autor:

Gilberto Luiz Lima Barral – Secretaria de Educação do Distrito Federal – gilbarral@hotmail.com

 

Resumo:

O bar, em determinado espaço e tempo, aparece como lugar do advento da opinião pública, lócus de experiências e conhecimentos pela vivência e/ou observação, transformando-se em local de conversas e práticas culturais. Este artigo tem o objetivo de apresentar uma sociologia do cotidiano e da cultura. A literatura sociológica sobre bares é ínfima se comparada à relevância do bar como forma de ocupação dos espaços da cidade. Em termos metodológicos pressupõe-se a existência de dois bares: um interior – palco de consumo de bebida, comida e tempo, do riso, do lúdico – e outro exterior – espaço de conflitos com determinada ordem social e espacial. O recorte empírico recai sobre um bar, em Brasília: o bar Paixão. Seu antigo proprietário, Cesar Abreu, um ex-professor de economia, na década de 1990 afixava faixas com frases “cáusticas” sobre política e sociedade na frente de seu estabelecimento. César Abreu encontrou uma maneira muito original de, como cidadão, participar, manifestar-se, polemizar. As centenas de faixas que produziu para fazer sua crítica à política, à economia, aos valores e costumes dos indivíduos e da sociedade possuem um caráter local, nacional e transnacional. Ocupando o bar para o divertimento, encontro com amigos, bebida e conversa, os indivíduos participam da vida da cidade, informam-se dos acontecimentos locais, nacionais e internacionais de forma humorada, lúdica. Um dos motivos da frequência de várias pessoas ao bar de Cesar Abreu eram as “faixas cáusticas”. Há uma aproximação estética entre essas faixas e manchetes de jornais: formato curto, direto, dinâmico, popular gerando grande capacidade de atrair o olhar e a atenção. Durante três anos, Cesar Abreu editou e prensou livretos com essas faixas reproduzidas. No total, as três edições apresentam aproximadamente trezentas dessas faixas. Há como que um liame entre as “faixas cáusticas” produzidas pelo antigo proprietário e a mentalidade dos frequentadores.

Palavras-chave: bar; opinião pública; política; humor; Brasília.

 

Minibiografia:

Gilberto Luiz Lima Barral: doutor e mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB). Graduado em Sociologia (UFMG) e Especialista em Tecnologias da Comunicação na Educação (PUC-Rio). Professor da Secretaria de Educação do Distrito Federal.


Comunicação 24

“Sin origen, sin proyección”: a mobilidade dos signos e os novos significados nos grafismos urbanos da cidade de Juiz de Fora / brazil

Autoras:

Mariana Schuchter SoaresUFJF – marischuchter@yahoo.com.br

Ana Claudia Peters SalgadoUFJF – ana.peters@ufjf.edu.br

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é discutir questões relacionadas às línguas móveis, fragmentáveis e adaptáveis – cujos recursos estão frequentemente presentes nas paisagens sociolinguísticas (BLOMMAERT, 2010, 2012, 2013) urbanas contemporâneas – e aos contatos dessas línguas com a língua portuguesa em uma cidade do interior do Brasil. As formas linguísticas viajam, algumas vezes sem alterações, para diferentes territórios políticos, enquanto outros aspectos, tais como indexicalidade, significados e valores sociais, adquirem novas características em novos contextos (KROON, JIE & BLOMMAERT, 2011). Verificamos, dessa forma, a presença de línguas diversas nos grafites e nas pichações em Juiz de Fora – cidade de médio porte do Brasil, que conta, atualmente, com 570.000 habitantes. Esses recursos desempenham papéis simbólicos e econômicos neste espaço em constante processo de construção, considerando os tempos de superdiversidade (VERTOVEC, 2007; BLOMMAERT, 2010) em que estamos inseridos. Assim, por meio de etnografia visual, com a análise de fotografias tiradas por toda a localidade, procuramos mostrar, sob uma perspectiva qualitativa, como esses recursos são absorvidos e adaptados ao ambiente sociolinguístico, influenciados por ortografias já existentes, formas locais de pronúncia, padrões pragmáticos etc. Também realizamos entrevistas com grafiteiros e pichadores da cidade, a fim de conhecer suas opiniões sobre o uso desses recursos de línguas diferentes do português e o porquê de os utilizarem. Considerando esta realidade de mobilidade, podemos dizer que não há mais espaço para modelos lineares de entendimento. Portanto, para compreender as manifestações sociolinguísticas atuais, muitas vezes é preciso conhecimento não só do ambiente sociolinguístico de origem dos signos, mas também de uma economia local de signos e significados (BLOMMAERT, 2010). Nesse sentido, os grafites / as pichações podem ser considerados tanto como parte dos fluxos transculturais globais quanto como práticas subculturais locais (PENNYCOOK, 2009).

Palavras-chave: mobilidade dos signos; superdiversidade; repertórios; grafites e pichações.

 

Minibiografias:

Mariana Schuchter Soares: Mestre em Linguística pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Doutoranda em Linguística pela Universidade Federal de Juiz de Fora.

Ana Claudia Peters Salgado: Doutora em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Professora Adjunta do Curso de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora.


Comunicação 25

As ocupações nos Institutos Federais: resistência e luta

Autor:

Luís Fernando Martins Guieiro – IFB – lmartinsguieiro@gmail.com

Professora Orientadora:

Profa. Dra. Caroline Soares dos Santos – IFB – caroline.soares@ifb.edu.br

 

Resumo:

No segundo semestre de 2016, surgiu no Brasil uma onda de ocupações nas escolas secundaristas e nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Esse movimento surgiu como resposta às medidas do governo Michel Temer e deverão penalizar os estudantes, professores e a população de maneira geral. Os estudantes defendem que as ocupações são movimentos legítimos e democráticos, pois todo o processo que é construído antes de ocorrer a ocupação de fato é decidido em assembleia por ampla maioria e, depois, quando se concretiza o ato, constrói-se uma programação para discutir junto à sociedade a pauta proposta pelo governo. As ocupações são movimentos sociais e culturais que surgem do maior espaço de convivência dos estudantes, a escola, e não propõem a ida a algum outro lugar fora dela, promovendo o aprendizado político dentro da própria escola. Por sua dinâmica, a iniciativa dos estudantes brasileiros dialoga tanto com as teorias da participação (Pateman, 1992), quando promovem o empoderamento pelo envolvimento político, quanto com as teorias do reconhecimento (Honneth, 2003), quando se tornam um ambiente propício para a formação de laços e compromissos mútuos e pela luta por direitos.

Palavras-chave: ocupações; participação política; movimento estudantil; Instituto Federal de Brasília.

 

Minibiografias:

Luís Fernando Martins Guieiro: Licenciando em Matemática pelo Instituto Federal de Brasília, campus Estrutural (IFB/Estrutural).

Caroline Soares dos Santos: graduada em Ciência Política pela Universidade de Brasília (2006), mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília (2008) e doutora em Sociologia pela Universidade de Brasília (2013). Tem experiência na área de Ciência Política e Sociologia com ênfase em Teoria Política, atuando nos seguintes temas: política no Brasil, política e religião, memória e política e democracia e participação.


Comunicação 26

O turismo e o lazer como formas de inclusão

Autora:

Alcione Taveira Ribeiro – Universidade de Brasílial  (UnB) / Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF) – aallcc_df@yahoo.com.br

 

Resumo:

Esta comunicação apresenta o turismo pedagógico como forma de utilização do turismo e lazer como práticas pedagógicas que podem proporcionar inclusão social a crianças e adolescentes que vivem às margens da cidade de Brasília. Nesse sentido, analisa-se o projeto Portas Abertas à Cidadania como parte de uma política pública voltada à educação que propõe o turismo cidadão aos alunos moradores em áreas de maior vulnerabilidade social, mostrando-lhes que a cidadania é um direito garantido por lei. O projeto caracteriza-se por sensibilizar os jovens que vivem em áreas carentes a respeito do patrimônio público, cidadania e fiscalidade, possibilitando que visualizem esses conceitos na prática, utilizando-se da educação transversal para proporcionar conhecimentos extraclasse e trazendo diferentes visões de mundo aos educandos para que passem a observar a realidade do mundo com um novo olhar. Neste sentido, os alunos participaram de passeios turísticos realizados na Esplanada dos Ministérios, da cidade de Brasília, conhecendo de perto os monumentos e a história dos mesmos. O objetivo é trazer para o debate questões dessa prática educativa, tendo em vista o desenvolvimento de valores, competências, habilidades, direitos e deveres nas relações recíprocas entre os cidadãos e o Estado. Os conceitos de turismo, cidadania, patrimônio, cultura mostram que projetos como esse constituem estruturas didáticas voltadas à construção da cidadania e aprendizagens. Momentos de lazer e aprendizagem vivenciados no projeto Portas Abertas à Cidadania rompem com o cotidiano dos estudantes e proporcionam conhecimentos, sentidos, interação com outros saberes e significados dos locais visitados, possibilitando a valorização da cidade, do patrimônio e da sua cultura. Mostra-se, assim, que a educação também pode ocorrer fora da escola, que a cidadania acontece na prática e que programas de visitação turística aos monumentos da cidade possibilitam a aproximação dos estudantes ao seu patrimônio, constituindo possibilidades de integração social e aprendizagem pelo turismo.

Palavras-chave: educação; inclusão social; turismo pedagógico; projeto Portas Abertas à Cidadania; cidadania.

 

Minibiografia:

Alcione Taveira Ribeiro: Graduada em Educação Física pela Faculdade Dom Bosco de Educação Física (1988). Mestre em Turismo pelo Centro de Excelência em Turismo, da Universidade de Brasília. Servidora técnico-administrativa da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal. Membro do Grupo de Pesquisa Gênero e Interdisciplinaridade (GINTER) UnB/CNPq, coordenado pela Profa. Neuza de Farias Araújo. Reside à QE 32, conj. B, casa 16, Guará II. 


Comunicação 27

Educação Ambiental e a experiência da interdisciplinaridade no contexto da educação especial pública inclusiva do Distrito Federal

Autores:

Iris Almeida dos Santos – UnB / Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF) – irisalmsan@gmail.com

João Carlos Almeida dos Santos – Colégio Sigma/Colégio Marista – joãocarloshand13@gmail.com

Dario Martins Palhares de Melo – UnB – dariompm@gmail.com

 

Resumo:

O presente resumo tem por objetivo compartilhar a experiência educacional ambiental vivenciada no curso Hortas Orgânicas para o Ensino Especial e Educação Inclusiva durante o ano de 2016, promovido pelo Centro de Formação dos Profissionais da Educação – EAPE aos profissionais da educação básica (professores, monitores, vigilantes, servidores, etc.), e teve por base a ressignificação, o projeto e a reconstrução das hortas escolares adaptadas a pessoas deficientes e em situação de vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, buscou-se inserir conhecimentos sobre a saúde nutricional em relação com a aprendizagem, advindas pelo consumo de alimentos orgânicos e a importância de se conhecer alimentos regionais e a construção de hortas perenes. O escopo discursivo teve como base a lacuna das possibilidades de se promover a participação direta do estudante em atividades ambientais dentro do próprio espaço escolar e ao mesmo tempo promover a conscientização do profissional do ensino em seu planejamento de aula que permita a participação direta do estudante e dê um sentido às possibilidades de práticas ambientais significativas para a promoção da alteridade, do respeito e da dignidade humana. A inserção de novos elementos torna-se necessária para ampliar a visão do profissional nas novas possibilidades de se trabalhar interdisciplinarmente as duas modalidades em educação. E, para que isso ocorra, torna-se necessária uma formação adequada e problematizações levantadas, no intuito de ampliar as possibilidades de trabalho e ainda pensar novas formas de interdisciplinaridades, envolvendo vários conteúdos possibilitada pela transversalidade em educação. Para tanto valeu-se da Tecnologia Assistiva, uso de canteiros suspensos e a inserção de espécies de alto valor nutricional presentes nas hortas perenes e na alimentação alternativa.

Palavras-chave: Educação Ambiental; Educação Especial; Inclusão.

 

Minibiografias:

Iris Almeida dos Santos: Graduada em Biologia pela Universidade de Brasília ( UnB), Especialista em Bioética (UnB) e Gestão Educacional (CEUCLAR). Mestre em Botánica (UnB) e Bioética (UnB). Professora em Educação Ambiental pela EAPE/ SEDF.

João Carlos Almeida dos Santos: Graduado em Educação Física (UCB) e Pós- Graduação em Psicologia do Esporte (UnB). Professor do Colégio Marista e Sigma-DF.

Dario Palhares: Graduado em Medicina (UnB) e Educação Física (CEUCLAR). Médico Pediatra do Hospital Universitário de Brasília, Médico do Trabalho e Médico Esportista no Centro Olímpico da UnB.  Doutor em Botânica ( UnB) e Bioética (UnB).


Comunicação 28

“Comida é pasto”: a diversidade alimentar na cultura brasileira

Autor:

Guilherme Felipe da Silva – Tribunal Superior do Trabalho – guilherme@felipedasilva.com

 

Resumo:

A grande maioria das plantas comercializadas para consumo humano no Brasil é proveniente principalmente da Europa, Ásia e América Central. Os hábitos alimentares vêm sendo alterados significativamente. A alimentação baseada em espécies vegetais vem sendo substituída por alimentos industrializados altamente calóricos, ricos em gorduras e sal e pobres em nutrientes. O cultivo e o consumo de hortaliças frescas têm diminuído em diversas regiões do país. O consumo de espécies nativas é ínfimo. Além disso, os alimentos industrializados são confeccionados com um número cada vez menor de espécies. A alimentação se apresenta como, além de uma necessidade de sobrevivência, um aspecto cultural de cada região. Esse aspecto cultural foi sendo construído com os produtos disponíveis para cada comunidade. O avanço das tecnologias de comunicação, especialmente a TV e a internet, trouxeram como uma de suas consequências a transição alimentar e nutricional. Lamentavelmente, para o lado negativo. O consumo de alimentos tem se tornado cada dia mais homogêneo, dando-se preferência àqueles anunciados na televisão. A quantidade de plantas alimentícias disponíveis no Brasil é infinita. A falta de conhecimento faz com que até mesmo produtores rurais desprezem plantas de alto valor nutricional e excelente paladar, muitas delas que nascem espontaneamente em suas plantações, preferindo aquelas de alto valor comercial. O presente trabalho propõe o incremento da divulgação das plantas alimentícias denominadas não convencionais e que estão disponíveis em cada região como forma de resgate das culturas locais. Com isso, ampliar a oferta e variedade de alimentos, além de fortalecer o sentimento de pertencimento e cultura regionais. Um dos fatores limitantes à divulgação dessas espécies vegetais é a diversidade de nomes que uma mesma planta recebe em cada região. Entretanto, essa diversidade também colabora com as afirmações culturais locais.

Palavras chave: Hábitos Alimentares; Cultura; Transição alimentar e nutricional; Plantas alimentícias não convencionais.

 

Minibiografia:

Guilherme Felipe da Silva: Bacharel em Administração, especialista em Gestão em Logística na Administração Pública. Atualmente, pesquisa a utilização das plantas alimentícias não convencionais e ervas medicinais e aromáticas como alternativas aos produtos industrializados.


Comunicação 29

Analisando a poesia de Conceição Evaristo: vozes mulheres-resistentes

Autora:

Camila Moreno – Universidade de Brasília (UnB) – camilamoreno13@gmail.com

Professor orientador:

Alexandre Pilati – Universidade de Brasília (UnB) – alexandrepilati@unb.br

 

Resumo:

O presente trabalho analisa o poema “Vozes Mulheres”, de Conceição Evaristo. Considerado pela crítica literária e pela própria autora um manifesto de sua poesia, o texto representa as vozes de um coletivo de mulheres negras na diáspora africana, descrevendo a história de sua linhagem familiar marcada por escravidão, subjugação, servidão, desigualdade, mas também inconformismo e resistência. Dessa forma, cada uma das mulheres do poema remete a um tempo histórico e, por isso, convida ao questionamento, à problematização e ao tensionamento da relação entre a forma poética e o processo social. O trabalho analisa o poema discutindo seu elemento estruturante: a memória coletiva das mulheres negras relacionada ao conceito de escrevivência, elaborado pela autora, o qual designa um registro literário firmemente pautado pela experiência negra no Brasil. Nesse conceito estão representadas as dimensões do existir negro, a incessante luta por afirmações e reversão de estereótipos, o sentimento de comunidade e a relação histórica e sua experiência/vivência de mulher negra. Apoiado em críticos literários como Jean Paul Sartre e Antonio Candido, o artigo defende a hipótese de que a escrevivência de Conceição Evaristo busca, através do modo narrativo poético, expor e problematizar injustiças, construindo uma potente literatura engajada, de matriz periférica, negra e feminina.

Palavras-chave: literatura engajada; escrevivência; mulheres negras; Conceição Evaristo; matriz periférica.

 

Minibiografias:

Alexandre Pilati: doutor em literatura e professor de literatura brasileira na Universidade de Brasília – Brasil. Membro do Grupo de Pesquisa Literatura e Modernidade Periférica e vice-coordenador do GT Literatura e Sociedade da ANPOLL. É autor, entre outros, de A nação drummondiana – quatro estudos sobre a presença do Brasil na poesia de Carlos Drummond de Andrade (7Letras, 2009).

Camila Moreno: graduanda em Letras na Universidade de Brasília – Brasil. Faz iniciação científica em Literatura vinculada ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) do CNPq. Foi Coordenadora Geral de Direitos Humanos (CGDH) da Secretaria de Educação Continuada Alfabetização Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério da Educação (MEC).


Póster 1

As ocupações nos Institutos Federais: resistência e luta

Autor:

Luís Fernando Martins Guieiro – IFB – lmartinsguieiro@gmail.com

Professora Orientadora:

Caroline Soares dos Santos – IFB – caroline.soares@ifb.edu.br

 

Resumo:

No segundo semestre de 2016, surgiu no Brasil uma onda de ocupações nas escolas secundaristas e nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Esse movimento surgiu como resposta às medidas do governo Michel Temer e deverão penalizar os estudantes, professores e a população de maneira geral. Os estudantes defendem que as ocupações são movimentos legítimos e democráticos, pois todo o processo que é construído antes de ocorrer a ocupação de fato é decidido em assembleia por ampla maioria e, depois, quando se concretiza o ato, constrói-se uma programação para discutir junto à sociedade a pauta proposta pelo governo. As ocupações são movimentos sociais e culturais que surgem do maior espaço de convivência dos estudantes, a escola, e não propõem a ida a algum outro lugar fora dela, promovendo o aprendizado político dentro da própria escola. Por sua dinâmica, a iniciativa dos estudantes brasileiros dialoga tanto com as teorias da participação (Pateman, 1992), quando promovem o empoderamento pelo envolvimento político, quanto com as teorias do reconhecimento (Honneth, 2003), quando se tornam um ambiente propício para a formação de laços e compromissos mútuos e pela luta por direitos.

Palavras-chave: ocupações; participação política; movimento estudantil; Instituto Federal de Brasília.

 

Minibiografias:

Luís Fernando Martins Guieiro: Licenciando em Matemática pelo Instituto Federal de Brasília, campus Estrutural (IFB/Estrutural).

Caroline Soares dos Santos: graduada em Ciência Política pela Universidade de Brasília (2006), mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília (2008) e doutora em Sociologia pela Universidade de Brasília (2013). Tem experiência na área de Ciência Política e Sociologia com ênfase em Teoria Política, atuando nos seguintes temas: política no Brasil, política e religião, memória e política e democracia e participação.


Póster 2

Profeta Gentileza: um livro urbano a viaduto aberto

Autora:

Thamynny Santos da Silva – UnB – thamy.santos03@hotmail.com

Professoras Orientadoras:

Patrícia Nakagome – UnB – patricia.nakagome@gmail.com

Gislene Maria Barral Lima Felipe da Silva – SEDF/UnB–gislenebarral@felipedasilva.com

 

Resumo:

O presente trabalho apresenta a vida do já falecido Sr. José Datrino, que ficou conhecido na cidade do Rio de Janeiro como o Profeta Gentileza. O mesmo foi uma espécie de evangelizador da gentileza e do agradecimento como uma forma de cultivar o cuidado com o próximo e com o espaço urbano em que se vive. Em meados de 1980 pintou cerca de 56 pilastras do viaduto da Avenida Brasil, Rio de Janeiro, criando, com forma e conteúdo específicos, uma nova estética de intervenção urbana e social em pinturas verde-amarelo com frases que demonstravam sua crítica ao mundo e à civilização. Essas pinturas foram tombadas e restauradas a partir dos anos 2000 pelos órgãos de proteção da prefeitura do Rio de Janeiro por serem parte da urbanização da cidade. O trabalho tem como proposta trazer à tona o reconhecimento artístico da intervenção do “Profeta” como um representante de uma minoria desviada dos padrões hegemônicos da sociedade, além de considerar o título de profeta e poeta, sendo que o mesmo vivia sob a alcunha da loucura e agressividade. Alinhando a fuga desses padrões estético-sociais às despreocupações estilísticas da gramática da língua portuguesa e do português brasileiro, o “Gentileza” escreveu seus versos em uma grafia própria. “Brincava” com a Língua Portuguesa e ia mais longe com as explicações dos supostos erros, como, por exemplo, ao escrever em um dos murais a palavra CONHESER com S e elucidar que o S se justificava por conhecer o SER, conhecer a SI mesmo, se colocando em uma situação de impressão e autonomia de seu próprio discurso.

Palavras-chave: Profeta Gentileza; intervenção urbana; português brasileiro (PB).

 

Minibiografias:

Thamynny Santos da Silva: Licencianda em Letras com habilitação em Língua Espanhola e Literatura Espanhola e Hispano-Americana pela Universidade de Brasília (UnB).

Patricia Trindade Nakagome: Professora adjunta de teoria da literatura da Universidade de Brasília. Mestre e doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo. Na graduação e no doutorado, realizou período sanduíche na Freie Universität Berlin. Atuou como professora universitária em instituições públicas da Nicarágua e Timor-Leste. Principais áreas de interesse: leitura, ensino de literatura, literatura comparada, literatura contemporânea em língua portuguesa.

Gislene Maria Barral Lima Felipe da Silva: doutora e mestre em Literatura e Práticas Sociais pela Universidade de Brasília (UnB), Brasil. Graduada em Letras – Português/Inglês (UFMG) e Jornalismo (FAFI-BH). Integra o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea (GELBC-UnB), coordenado pela Profa. Dra. Regina Dalcastagnè. Pesquisa a representação de grupos marginalizados na literatura brasileira contemporânea. Revisora e tradutora. Professora aposentada da SEDF.