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Simpósio 78

SIMPÓSIO 78 – LEITURA, ESCRITA E CULTURA LETRADA

 

Coordenadoras:

Otília Costa e Sousa | Instituto Politécnico de Lisboa, UIDEF, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa | otilias@eselx.ipl.pt

Cláudia Paes de Barros | Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, Brasil | claudiagpbarros@gmail.com

 

Resumo:

O conhecimento na escola é constantemente mediado por textos e pelo modo escrito. Os paradigmas explicativos das diferentes áreas são suportados por um conjunto de práticas e um acervo de textos. O texto oral do professor supõe os textos escritos que este leu e supõe, igualmente, os textos que os alunos deverão ler, para estudarem o assunto introduzido pelo professor e para produzirem os seus próprios textos (Sousa, 2015).

A escola (desde o nível inicial ao ensino superior) tem que ter em conta a relação entre leitura, escrita e aprendizagem: a leitura como acesso ao conhecimento e a escrita como meio de construção de conhecimento e de intervenção. Segundo Magalhães (2001, p. 57), a aprendizagem da leitura e da escrita muda não apenas a forma de o sujeito representar o mundo, mas também a (re)leitura do mundo gera ações sobre esse próprio mundo. Assim, esse processo “(…) na medida em que interfere na leitura do mundo e da realidade envolvente, não é meramente técnico, é conscientizador e crítico”.

Este entendimento do modo escrito em que ler, escrever, pensar estão interligados de forma indelével terá um impacto na escola: nos modos como se lê e como se escreve na aula de línguas, mas, também, nas diferentes áreas curriculares.

Enquanto investigadores no campo da Literacia e docentes com responsabilidades na formação inicial e contínua de professores interessa refletir sobre: (i) as bases teóricas que suportam o ensino da leitura e da escrita; (ii) as abordagens didáticas e a eficácia das práticas de sala de aula; (iii) o papel da formação de professores no ensino da leitura e da escrita; (iv) o ensino da leitura e da escrita ao longo do percurso escolar; (v) a leitura e a escrita nos curricula de países de língua Portuguesa; (vi) as relações entre leitura, escrita e aprendizagem.

 

Referências

Magalhães, J. (2001). Alquimias da escrita: Alfabetização, história, desenvolvimento no mundo ocidental do antigo regime. Bragança Paulista: Universidade São Francisco.

Sousa, O. C. (2015). Textos e contextos: leitura, escrita e cultura letrada. Lisboa: MediaXXI.

 

Minibiografias: 

Otília Costa e Sousa – É Professora Coordenadora Principal no  Instituto Politécnico de Lisboa e Professora e Investigadora no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Os seus interesses de investigação  congregam Linguística, Educação e Formação de Professores. Coordena o projeto de investigação: Ortografia e Desenvolvimento da Consciência Linguística; integra a rede europeia de estudo da literacia.

Cláudia Graziano Paes de Barros – É doutora em Linguística Aplicada e docente do PPGEL da UFMT, Brasil. Possui pós-doutoramento em Educação pela Universidade de Lisboa. Atua na área de Linguística Aplicada com ênfase no ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa, L1 e L2, Estudos de Discurso, Letramento(s) e Letramento Crítico. Coordena o Grupo de Pesquisas ”Estudos Linguísticos e de Letramento” (CNPQ) e os projetos de pesquisa ”Investigando os Letramento(s): um estudo crítico-dialógico de discursos e práticas escolares” e ”Língua Portuguesa para estrangeiros”.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Atividades de leitura e de escrita na educação básica pública

Autor:

Bruno Alves Pereira – Universidade Estadual da Paraíba/Brasil – brunoapcg@bol.com.br

 

Resumo:

Situada na perspectiva da Linguística Aplicada em sua vertente relacionada ao ensino de línguas, a presente investigação focaliza as atividades de leitura e de escrita solicitadas por professores em atuação na educação básica pública no Nordeste do Brasil. Buscamos responder à questão: Como a recorrência das atividades de leitura e de escrita influencia no funcionamento do processo de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa? De modo a responder essa questão, estabelecemos os seguintes objetivos: I) Identificar a recorrência e as características didático-discursivas das atividades de leitura e de escrita? e II) Apontar as implicações do uso dessas atividades para o processo de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa na contemporaneidade. A investigação, de natureza descritiva-interpretativa, foi feita a partir de observação de caráter etnográfico de aulas de Língua Portuguesa de quatro sujeitos atuantes nos níveis de ensino fundamental e médio – dois professores das redes oficial de ensino e dois professores em formação de um curso de Licenciatura em Letras de uma universidade pública localizada no interior do Nordeste do Brasil. Os fundamentos teóricos envolvem publicações sobre atividades e ensino (BEZERRA, 2008; LINO DE ARAÚJO, 2014; MATENCIO, 2001, REINALDO, 2008) e sobre o processo de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa na contemporaneidade (ALBUQUERQUE, 2006; BRASIL/MEC, 2006, 1998). Os resultados preliminares apontam que as atividades ora estão influenciadas pelas concepções de ensino-aprendizagem defendidas pelos documentos oficiais brasileiros, ora são influenciadas pelo ensino tradicional de Língua Portuguesa, fortemente baseado nos estudos gramaticais.

Palavras-chave: Ensino, Atividades; Leitura; Escrita.

 

Minibiografia:

Licenciado em Letras pela Universidade Federal de Campina Grande e Mestre em Linguagem e Ensino pela mesma instituição. Foi professor de Língua Portuguesa na Educação Básica no Brasil e professor de Língua Portuguesa na Texas Tech University (Lubbock, Texas). Atualmente, é professor de Língua Portuguesa e Linguística na Universidade Estadual da Paraíba. Realiza pesquisas na área da Linguística Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino, livro didático e gêneros orais.


Comunicação 2

Os Significados do Letramento em Uma Escola de Acampamento de Reforma Agrária

Autoras:

Bruna Carolini Barbosa – Universidade Estadual de Londrina – profabruna_lp@yahoo.com.br

Ana Lúcia de Campos Almeida – Universidade Estadual de Londrina – analucpos@gmail.com

 

Resumo:

As práticas escolares, em sua grande maioria, têm se desenvolvido em uma perspectiva estruturalista da língua, em que o letramento é encarado como um fenômeno neutro, singular e autônomo, ignorando o fato de que somos sujeitos históricos constituídos pela linguagem. Este trabalho baseia-se em uma concepção sócio-histórica e ideológica da linguagem (BAKHTIN, 1995) vinculada à perspectiva dos Novos  Estudos do Letramento (STREET, 1984, 1993, 2010, 2014; GEE, 1990; KLEIMAN, 1995, 2015; BARTON & HAMILTON, 1998) e, por meio de um estudo etnográfico, pretende: i) observar as práticas de letramento implementadas no cotidiano de uma comunidade do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) situada na região norte do Paraná; ii) verificar  a influência dessas práticas na escola pública de acampamento de Reforma Agrária vinculada ao Movimento; iii)  investigar os diálogos presentes entre os Novos Estudos do Letramento e o projeto pedagógico do Movimento. Caracterizamos o MST como um sujeito social e seus princípios educativos e escolares como ideológicos, situados e emancipatórios (FREIRE, 1978, 1987, 1996), dado seu caráter político. Este trabalho visa a contribuir para o desenvolvimento de práticas de ensino caracterizadas pelos múltiplos letramentos e diversidade sociocultural, as quais se revelam favoráveis aos alunos inseridos naquele contexto e contextos similares.

Palavras-chave: letramento ideológico; sujeito sócio-histórico; escola de acampamento; educação do campo.

 

Minibiografias:

Bruna Carolini Barbosa: Mestre em Estudos da Linguagem pela Universidade Estadual de Londrina. Colaboradora do projeto de pesquisa “Investigação sobre o processo de letramento na formação inicial e na formação continuada de professores de Língua Portuguesa”. Membro do grupo de pesquisa FELIP – Formação e Ensino em Língua Portuguesa.

Ana Lúcia de Campos Almeida: Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP. Atualmente é docente do departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da Universidade Estadual de Londrina – PR. Coordenadora do projeto de pesquisa intitulado “Investigação sobre o processo de letramento na formação inicial e na formação continuada de professores de Língua Portuguesa”.


Comunicação 3

Ler e escrever para construir conhecimento: um projeto de intervenção no ensino básico

Autores:

Teresa Costa-Pereira – UIDEF, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa – teresa.costa.pereira@hotmail.com

Otília Costa e Sousa – ESELx, Instituto Politécnico de Lisboa, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa – otilias@eselx.ipl.pt

 

Resumo:

Hoje em dia, não basta ter acesso à informação é necessário que esta se transforme em conhecimento. Para isso, é  necessário possuir competências  de leitura e de escrita associadas a pensamento crítico.  Nesta comunicação apresentamos um projeto em desenvolvimento numa escola do 1.º ciclo da região de Lisboa e que tem como principal objetivo o desenvolvimento de competências de compreensão e de produção de textos expositivos. Trata-se de um estudo semi-experimental, em duas turmas, organizado em dois eixos distintos: ensino de  leitura e ensino de escrita. Com esta investigação pretendemos relançar a discussão acerca da importância deste tipo de trabalho desde o primeiro ciclo, pois acreditamos que, tal como é referido por  Duke e Bennett-Armistead (2003), a inclusão de textos expositivos nos primeiros níveis da escolaridade prepara as crianças para os desafios de leitura e escrita dos níveis de escolaridade seguintes. É importante que o “ler para aprender” e  o “escrever para transformar o conhecimento” façam parte do processo de aprendizagem das crianças desde o início e ao longo de toda a escolaridade.

Palavras-chave: leitura; escrita; ensino básico.

 

Minibiografias:

Teresa Costa-Pereira – É licenciada em Ensino Básico, mestre em Didática da Lingua Portuguesa, tem experiência de ensino no 1º ciclo, é investigadora da UIDEF, no grupo de pesquisa Currículo e Formação de Professores, doutoranda no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, desenvolve o projeto Ler e escrever para construir conhecimento.

Otília Costa e Sousa – É Professora Coordenadora Principal na ESE,  Instituto Politécnico de Lisboa e investigadora na UIDEF, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.  Agregação pela Universidade de Lisboa, doutoramento em Linguística pela Universidade  Nova de Lisboa. Os seus interesses de investigação  congregam Linguística, Educação e Formação de Professores. Coordena o projeto Oracy in the school culture.


Comunicação 4

Recolher uma língua a navegar – um diário de navegação da palavra escrita

 

Autora:

Nilma Gonçalves Lacerda – Universidade federal Fluminense – nilmalacerda@hotmail.com

 

Resumo:

O Diário de Navegação da Palavra Escrita na América Latina tem por objetivo observar práticas de leitura e escrita, considerando usos e apropriações capazes de evidenciar a contribuição das escritas anônimas na transformação da cidade letrada de antigas colônias pela cidade escrita das nações independentes. A pesquisa iniciada em 1999, com a primeira etapa terminada em 2014, toma a viagem como método e o diário de bordo como instrumento de coleta da palavra escrita por espaços públicos urbanos, em que os escritos de rua questionam privilégios políticos, cobram respeito aos direitos sociais, expressam inquietações pessoais. A escrita desvincula-se cabalmente de vinculações ao sagrado e ao discricionário, para reivindicar sua face de atividade profana, fruto da ação humana na conquista de um direito. Neste trabalho são postas em evidência as escritas em língua portuguesa colhidas por cidades do Brasil e de Portugal, além de Macau, tratadas para uma exposição ocupada em provocar ressignificações possíveis para a história cultural e a educação. Estudos das ciências humanas e sociais, com atenção ao pensamento de Chartier, Foucault, Gilles Clément, Ángel Rama e Emilia Ferreiro conferem base à mostra que põe lado a lado produção impressa, chancelada ou não, e produção manuscrita, sem marca de aprovação oficial. Os resultados levantam questões inerentes ao próprio presente e futuro da escrita. Que possibilidades poderão advir da partilha da coleção de escritas de uma viajante com a comunidade de usuários da língua? A pedagogia de língua vernácula pode beneficiar-se desse material? As cidades podem ser consideradas livros sem nome de autor, nos quais os passantes são os editores do texto de que, por vezes, são também autores? Que compromissos devem assumir a sociedade civil e o professorado em direção à apropriação de uma cultura letrada por parte de todos os indivíduos nos países de língua portuguesa?

Palavras-chave: leitura; escrita; cidade; viagem; língua portuguesa.

 

Minibiografia:

Nasceu no Rio de Janeiro, onde vive. Autora de Manual de Tapeçaria, Pena de Ganso, Cartas do São Francisco: Conversas com Rilke à Beira do Rio, dentre outras obras, além de ensaios e artigos científicos. Doutora em Letras Vernáculas, possui pós-doutorado em História Cultural. Tem recebido vários prêmios, organizado obras e eventos voltados à leitura e escrita. Professora da Universidade Federal Fluminense, realiza projeto sobre escrita na América Latina. Mantém a coluna ladrilhos na Revista Pessoa de literatura lusófona.


Comunicação 5

O TEXTO NA PERSPECTIVA SOCIOSEMIÓTICA DA LINGUAGEM

 

Autora:

Záira Bomfante dos Santos – Universidade Federal do Espírito Santo – UFES – zbomfante@gmail.com

 

Resumo:

O mundo é textualizado e, cada vez mais, dialogamos com inúmeras interfaces semióticas no processo de representação e comunicação.  Nesse cenário dialógico, os modos são compreendidos como um recurso social e culturalmente moldado na produção de significados. Logo, todos os modos semióticos são usados para produzir significados. Tentando lançar outro olhar sobre o design dos textos, este trabalho propõe uma reflexão das contribuições da Teoria Sociossemiótica da multimodalidade para o trabalho com os textos na contemporaneidade. Nesses propósitos, fizemos um inventário das concepções de texto abarcadas pela Linguística Textual e recorremos aos pressupostos da Teoria Sociossemiótica da multimodalidade, visto que considera o social como o motor para as mudanças comunicacionais e semióticas além das constantes reconstruções das fontes semióticas e culturais. Com o intuito de ampliar a concepção de texto, observou-se a política de escolhas de modos semióticos para compreender como se dá o processo de orquestração – seleção/organização – da pluralidade de signos em diferentes modos, dentro de uma configuração, para formar um arranjo coerente no estabelecimento de relações com o leitor. Assim sendo, observou-se as semioses presentes nos textos, como se re-contextualizam ou co-contextualizam na produção de significados, buscando compreender como os modos são orquestrados na produção de significados para representação, estabelecimentos de relações com e leitor e organização textual. Para tanto, recorremos às contribuições de Fávero e Koch (2002); Koch (2005), e aos trabalhos sobre Multimodalidade (Kress, 2010; Kress e van Leeuwen, 2006). A apreciação dos textos selecionados aponta para a noção dinâmica da comunicação na produção de significados materiais, utilizando modos semióticos para tecer o texto em um processo interssemiótico. Todo esse processo aponta para a necessidade de um olhar pedagógico no trabalho com os textos enquanto eventos de letramento em contextos de ensino.

Palavras-chave: Multimodalidade, texto, eventos de letramento.

 

Minibiografias:

Záira Bomfante dos Santos – É doutora em Estudos Linguísticos pela UFMG, Brasil, docente da Universidade Federal do Espírito Santo e no Programa de Pós Graduação em Ensino na Educação Básica PPGEEB. Atua no ensino de língua adicional e língua materna, coordena o Grupo de pesquisa em multiletamentos, leitura e textos (GEMULTI/cnpq). Com projeto de pesquisa em formação de professores de língua materna e adicional no contextos dos multiletramentos.


Comunicação 6      

Práticas da escrita que tecem leituras, aprendizagens e cotidianos (letrados) inventados

Autores:

Maria Rosa Rodrigues Martins de Camargo –  Universidade Estadual Paulista – UNESP, mrosamc@rc.unesp.br

Thainara Bonfante Gasparini –  Escola Municipal de Araras –  nana.bonfante@hotmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação, recorte do projeto de pesquisa “Escrita, linguagem e experiência: reflexões acerca da produção escrita por pessoas pouco escolarizadas como espaço de interlocução e formação com professores” (apoio CNPq), propõe a discussão da relação entre escrita, leitura e aprendizagem, a partir da produção escrita por uma mulher (D. Dirce), pouco escolarizada que, aos 60 anos de idade, se “descobriu escritora”. O lócus de sua produção é o espaço onde ocorrem as atividades de ensino, que integram o Projeto de Extensão Universitária de Educação de Jovens e Adultos – PEJA/UNESP. A cada temática proposta no grupo, D. Dirce produzia um texto no qual ressoavam memórias (escola, vida cotidiana), um olhar sobre si mesma (o que gosta, escolhe para ler, a autonomia na facção do registro), e a relevância de estar nesse espaço ao qual retorna após anos afastada da escola. Nesta comunicação, o foco da discussão é a gama de seus registros escritos, no que se refere ao conteúdo (temas da vida cotidiana), aos objetos materiais, cadernos que ela mesma decora, nos quais escreve e inventa formas de garantir registros (palavras, pinturas, recortes); à gama de registros, interpõe-se o que ela própria fala de seus escritos, da diversidade de textos por ela produzidos, informações essas tomadas pela pesquisadora, em entrevista. A base teórico-metodológica para análise desse material aporta-se em estudos da escrita e leitura como práticas culturais (Certeau; Chartier), da linguagem como interlocução (Bakhtin) e como escrita de si (Foucault), em estudos acerca da cultura escrita (Viñao Frago; Gómez). A realização desta pesquisa conferiu visibilidade a práticas da escrita e leitura trazendo à superfície possibilidades para pensar culturas letradas que se efetivam por meio de uma produção que é singular. Seguindo D. Dirce, ao descobrir-se escritora, no PEJA, abrem-se perspectivas para o ensino da língua portuguesa, como exercício efetivo da linguagem.

Palavras-chave: espaços da escrita; exercício da linguagem; ensino da língua.

 

Minibiografias:

Maria Rosa Rodrigues Martins de Camargo, docente e pesquisadora livre-docente junto ao Departamento de Educação e Programa de Pós-Graduação em Educação, UNESP-Rio Claro, SP.

Thainara Bonfante Gasparini, licenciada em Pedagogia, professora no Ensino Fundamental. Bolsista de Iniciação Científica (CNPq, 2013 e 2014).


Comunicação 7

A UTILIZAÇÃO DA LEITURA NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM DAS DIFERENTES ÁREAS

Autoras:

Marlene Ribeiro da Silva Graciano –  Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás – marlenersgraciano@gmail.com

Francisca Nunes da Mota Salvador – Instituto Dinâmico – francismota.s@gmail.com

 

Resumo:

A aprendizagem da utilização da leitura no processo ensino-aprendizagem não se destina somente aos profissionais da área de Letras, visto que ela é fundamental nas diferentes áreas. É um recurso metodológico interdisciplinar na produção de conhecimento e que, portanto, precisa ser considerado na formação de professores das diferentes áreas ao propiciar a reflexão sobre as concepções de leituras e as relações entre teoria e prática. Neste contexto, esta pesquisa buscou criar um espaço de formação continuada de professores do ensino médio do Instituto Federal de Goiás para repensar a utilização da leitura no processo ensino-aprendizagem das diferentes áreas. O quadro da Teoria Sócio-Histórico Cultural apoiou a compreensão de linguagem. Os processos de leitura estiveram apoiados na perspectiva enunciativo-discursiva com base no círculo bakhtiniano. Metodologicamente esteve apoiada na Pesquisa Crítica de Colaboração – PCCol que tem como ponto central a criação de espaços de colaboração organizados pela argumentação na produção e mediação de relações colaborativas e críticas entre os participantes. Tratou-se de uma pesquisa de intervenção formativa que, inserida no contexto da Linguística Aplicada crítica e transgressiva, envolveu 07 professores do Ensino Médio. Os dados foram produzidos por meio de entrevistas, videogravações de aulas e sessões reflexivas com os professores. A análise e compreensão dos dados aponta a importância das sessões reflexivas no processo do professor ver a sua própria prática, conscientizar-se dela e, por meio da colaboração dialética com os outros sujeitos, ressignificar a utilização da leitura na reorganização das aulas.

Palavras-chave: Leitura; Formação de professores, Colaboração crítico-reflexiva.

 

Minibiografias:

Marlene Ribeiro da Silva Graciano é Licenciada em Pedagogia e Letras; Mestre em Educação: Formação de Professores e doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (PUC-SP). Atuou mais de vinte anos no ensino fundamental, médio e superior como professora de Língua Portuguesa. Atualmente, disciplinas pedagógicas. Desenvolve e orienta pesquisas sobre formação de professores, uso da leitura e da multimodalidade no ensino, análise e produção de material didático.

Francisca Nunes da Mota Salvador é Licenciada em Letras;  Mestre e Doutoranda em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atualmente é professora e coordenadora do Instituto Dinâmico.  Tem como foco de pesquisa os processos de leitura e produção de textos de alunos do ensino Fundamental ao Ensino Médio.


Comunicação 8

Os gêneros textuais numa escola do campo

Autora:

Raquel Pontes Avila  –  Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) – raquelpavila2@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho representa parte da pesquisa do curso de Doutorado em Letras, na área de Língua Portuguesa, que está em andamento na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, sob orientação da Professora Doutora Tania Maria Nunes de Lima Camara. Tendo como base da investigação uma escola do campo localizada na cidade de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, a pesquisa contemplará o caráter diferenciado da educação do campo através das aulas de língua portuguesa, mapeando desafios e traçando estratégias. Entendendo-se como primordial a valorização dos sujeitos e dos espaços, promove-se uma reflexão sobre o meio rural em contraponto com o meio urbano. Os diversos gêneros orais e escritos têm sido explorados sob essa perspectiva dual de valorização e pensamento crítico. Como base teórica, auxiliam-nos autores como Marcuschi e Bakhtin, que apresentam estudos aprofundados dos gêneros textuais; Freire, que acentua o caráter social do ensino; entre outros. A partir de produções dos alunos do 6º ao 9º ano de escolaridade, tem-se analisado em que medida os gêneros textuais podem e/ou devem contribuir no aperfeiçoamento das habilidades escrita e leitora, e na formação de um cidadão crítico, consciente de seu papel social e capaz de transformar o ambiente em que está inserido.

Palavras-chave: gêneros textuais; escola do campo; língua portuguesa.

 

Minibiografia:

Raquel Pontes Avila possui graduação em Letras (Português e Espanhol) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2004) e mestrado em Letras (Ciência da Literatura) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2008). Doutorado em Letras (Língua Portuguesa) em andamento pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com pesquisa voltada para a Educação do Campo. Professora da Rede Municipal de Duque de Caxias desde 2006.


Comunicação 9

Tensão Discursiva nos gêneros notícia e charge: uma proposta dialógica de trabalho com a leitura

Autoras:

Kelli da Rosa Ribeiro – Universidade Federal do Rio Grande/ FURG – klro.rib@gmail.com

Vanessa Fonseca Barbosa – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/PUCRS – vanessa.barbosa@acad.pucrs.br

 

Resumo:

Partindo de uma concepção de discurso e, consequentemente, de linguagem como um espaço em que circulam múltiplos (des)encontros de vozes sociais, esta comunicação tem o objetivo de apresentar uma proposta dialógica de trabalho com a leitura em aulas de português brasileiro como língua materna, a partir da análise de duas notícias e uma charge. A seleção do material de análise ocorreu tendo em vista a grande circulação desses gêneros na esfera midiática, à qual os estudantes diariamente têm acesso. Além disso, os textos selecionados foram veiculados na época que antecedeu a copa do mundo sediada no Brasil no ano de 2014, fato que envolveu diretamente todo o país; e os materiais selecionados apresentam como protagonistas a então presidente do país, Dilma Rousseff, o ex-jogador e capitão da seleção brasileira no pentacampeonato, Cafú, e o presidente da Fifa, Joseph Blatter. Assim, esta proposta de trabalho ancora-se nos estudos bakhtinianos no que tange aos conceitos de gêneros discursivos, enunciado, compreensão ativa e relações dialógicas, considerando a tensão advinda das múltiplas vozes sociais que circulam nos discursos como uma característica fundamental da linguagem e do processo de instauração de sentidos. Ademais, dialoga-se também com considerações tecidas nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino de língua portuguesa no Brasil bem como com estudos realizados por pesquisadores que lidam com as questões de ensino de língua materna em um viés enunciativo-discursivo. Busca-se, portanto, refletir sobre a leitura com vistas a ponderar sobre possíveis metodologias que auxiliem o professor nas aulas de português brasileiro como língua materna a despertar nos alunos uma consciência leitora crítica no que diz respeito aos diferentes modos discursivos de organização do dizer para a produção de sentidos.

Palavras-chave: Gêneros do Discurso. Ensino. Proposta dialógica de leitura.

 

Minibiografias:

Kelli da Rosa Ribeiro: doutora em Linguística pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Atualmente, é Professora Adjunta na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e membro do Grupo de pesquisa Diálogos com Bakhtin (CNPq) sediado na FURG. Atua também como pesquisadora colaboradora no grupo de pesquisa Tessitura: Vozes em (dis)curso (CNPq), sediado na PUCRS.

Vanessa Fonseca Barbosa: Doutoranda em Letras, na área de concentração em Linguística, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Mestre em Letras pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Licenciada em Letras-Português pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Membro do Grupo de pesquisa Tessitura: Vozes em (dis)curso (CNPq), sediado na PUCRS.


Comunicação 10

LETRAMENTO CRÍTICO E OS GÊNEROS DO DISCURSO: UM OLHAR PARA O ENSINO DE LÍNGUA MATERNA

Autora:

Nádia Cristina da Silva Santos – Universidade Federal de Mato Grosso – nadiacris27@gmail.com.

 

Resumo:

Este trabalho busca estabelecer um diálogo entre o letramento crítico de base freiriana e o conceito de gêneros do discurso de Bakhtin a fim de mostrar algumas contribuições que ambas as teorias podem trazer para o ensino de Língua Portuguesa. Para tanto, recorremos aos pressupostos teóricos de Bakhtin e o Círculo (1929; 1952-53; 1970-1971/1979; 1974/1979) que abordam a linguagem como um processo sócio-histórico-cultural, aliado às discussões sobre Letramento Crítico que tem como base: Freire (1987), The New London Group (1996, 2012), Cassany (2005), Pereira (2010 e 2012) e Paes de Barros (2012, 2014, 2016) entre outros. Procuramos, então, expor quais os pontos em comum entre as duas teorias e como suas proposições podem ajudar no desenvolvimento do letramento crítico do aluno. Alguns resultados de pesquisas de âmbito nacional e local apontam para a necessidade de práticas voltadas para o desenvolvimento de letramentos contemporâneos, mais precisamente, o letramento crítico, que proporciona aos sujeitos do processo ensino-aprendizagem se posicionarem ativamente nas mais diferentes esferas da vida.  A metodologia abordada é de caráter qualitativo, de natureza crítico-dialógico.

Palavras-chave: Letramento crítico; Gêneros do discurso; Ensino de língua materna.

 

Minibiografia:

Nádia Cristina da Silva Santos é licenciada em Letras,  mestre em Estudos da Linguagem, doutoranda em em Estudos da Linguagem e bolsisa CAPES.


 Comunicação 11

CURRÍCULO E ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA: A COMPREENSÃO DOS DOCENTES SOBRE AS PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA

Autora:

Sueli Gedoz – UNIVEL e SEED/PR – oi_sueli@hotmail.com

 

Resumo:

O tema discutido neste trabalho refere-se ao estudo das Diretrizes Curriculares que subsidiam o ensino da Língua Portuguesa nos anos finais do Ensino Fundamental, no estado do Paraná/Brasil, focalizando a compreensão dos docentes acerca das práticas de leitura e de escrita que se manifestam em tal documento. Trata-se de um olhar investigativo, de caráter qualitativo e interpretativista, que verifica de que maneira o professor compreende as concepções teóricas e metodológicas norteadoras do trabalho com a língua apresentadas nas Diretrizes Curriculares para a Educação Básica (PARANÁ, 2008), polarizando o tratamento concedido à leitura e à escrita. O objetivo maior do trabalho é retomar as concepções de leitura e escrita apresentadas no documento analisado, verificando como os docentes que se pautam nesse currículo, compreendem e articulam as práticas de leitura e escrita em suas atividades diárias em sala de aula. A pesquisa tem o intuito de verificar se há essa articulação e, em caso positivo, mostrar como isso se efetiva na prática docente. As bases teóricas que fundamentam o estudo assentam-se nos trabalhos de Bakhtin (2000 [1979]), Bakhtin/Volochinov (2004[1929]), Geraldi (1984, 1997), Paraná (2008), Travaglia (2000), dentre outras produções que versam sobre o tema.

Palavras-chave: currículo; leitura; escrita; docentes de Língua Portuguesa; ensino fundamental.

 

Minibiografia:

Sueli Gedoz – Doutora em Letras pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). Professora da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED/PR), atuando como docente da disciplina de Língua Portuguesa dos anos finais do Ensino Fundamental. Professora do Ensino Superior na Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel/PR (UNIVEL).


Comunicação 12

Literatura e subjetividade na educação: a representação da escola na literatura

Autoras:

Ana Luíza de França Sá – UNB/ IFB-Riacho Fundo –   ana.sa@ifb.edu.br

Maria Eneida Matos da Rosa – PUCRS/ IFB-São Sebastião – eneida.rosa@ifb.edu.br

 

Resumo:

O presente trabalho surgiu do projeto intitulado “Formação de professores: interface literatura e subjetividade na educação”, que tem como objetivo tratar da aprendizagem na formação inicial de professores do curso de Letras do IFB – Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília. Propõe-se analisar o perfil da educação no Brasil, a partir do nosso próprio sistema literário, em obras como Memórias de um sargento de milícias (1854), de Manuel Antônio de Almeida, O Ateneu (1888), de Raul Pompéia, O conto de escola (1884), e Memórias Póstumas de Brás Cubas (1880), de Machado de Assis e, por último, São Bernardo (1934), de Graciliano Ramos. A partir da análise dessas obras, será possível constatar que literatura documenta a imagem de uma escola punitiva, a partir da conhecida seleção de leituras obrigatórias, na reafirmação ao longo do tempo da própria figura autoritária do professor, ou em práticas de leitura, na sala de aula que se pautam pela decodificação do texto. Tem como pressupostos teóricos a Epistemologia Quantitativa, de Gonzales Rey e a Estética da Recepção, de Hans Robert Jauss, uma vez que tais escolhas teóricas e o eixo temático da aprendizagem e da leitura parecem se coadunar, na medida em que se centram em construções teóricas que partem do sujeito e da construção de sua subjetividade.

Palavras-chave: literatura; escola punitiva; Estética da recepção; teoria da subjetividade.

 

Minibiografias:

Ana Luíza de França Sá: Atuou em movimentos sociais e universitários visando o protagonismo popular e as aprendizagens em espaços não formais de educação, bem como o desenvolvimento de comunidades por meio de ações de extensão utilizando tecnologias sociais. Mestre em educação na linha de pesquisa Escola, Aprendizagem, Ação pedagógica e Subjetividade na Educação, do eixo Ensino, Aprendizagem e Desenvolvimento humano na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília. Atua principalmente nos seguintes temas: ensino, aprendizagem, subjetividade com ênfase em alunos com transtornos e dificuldades de aprendizagem. Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília – IFB.

Maria Eneida Matos da Rosa: Possui graduação e especialização em Letras pelo Centro Universitário Franciscano (2001), mestrado em Literatura pela Universidade Federal de Santa Maria (2003) e doutorado em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2009). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teoria da literatura, atuando em temas como literatura brasileira, literatura e ensino, modernidade, hipermídia e hipertexto. Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília – IFB.


Comunicação 13

Práticas de produção escrita na escola

Autora:

Dulce Cassol Tagliani – Universidade Federal do Rio Grande – FURG – dulcetagliani@furg.br

 

Resumo:

Ao longo do ano de 2015/2016, desenvolvemos o projeto intitulado “A produção textual escrita no ensino médio: desafios e possibilidades”, que procurou investigar o processo de produção de textos em escolas públicas do ensino médio do município de Rio Grande/RS. Foram realizadas observações das atividades de produção escrita desenvolvidas, buscando compreender em que medida essas práticas de letramento escolar se voltam para as “múltiplas possibilidades de expressão linguística”, no sentido de que o aluno possa ter “meios para ampliar e articular conhecimentos e competências que possam ser mobilizados nas inúmeras situações de uso da língua com que se depara” nas diferentes esferas de atividade das quais participa (BRASIL, 2002, p.55). A ideia de problemas vinculados ao trabalho com a escrita nas escolas brasileiras é bastante discutida, porém ainda predominam práticas pouco significativas, que não envolvem aspectos como interação, recepção, autoria, circulação. Ao relatarmos as observações feitas e associando-as aos aspectos teóricos da Linguística Aplicada, percebemos um grande descompasso entre teoria e prática, já que nas atividades desenvolvidas ainda predominam a visão estruturalista da língua(gem). A escola ainda não percebeu, efetivamente, que as práticas de linguagem podem desempenhar papel bastante significativo, já que por meio da leitura e da escrita podemos destacar a multiplicidade de significação dos textos e o caráter multimodal dos mesmos. As discussões realizadas nos levam a afirmar que a exploração desses elementos é fundamental em um ensino que se pretende inovador, transformador e impactante.

Palavras-chave: Produção textual. Ensino. Língua Materna.

 

Minibiografia:

Dulce Cassol Tagliani  Doutora em Letras – Linguística Aplicada. Professora da Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Possui experiência na área de Linguística Aplicada, principalmente em questões envolvendo o processo de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa. Sua área de atuação está vinculada aos temas: ensino de língua portuguesa – práticas de leitura, produção de textos e análise linguística, livro didático, avaliação, gêneros discursivos.


Comunicação 14

Escrita e Leitura no Ensino Superior: Ensino e Aprendizagem

Autoras:

Otília Costa e Sousa – Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Lisboa; UIDEF, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa – otilias@eselx.ipl.pt

Teresa Costa-Pereira – UIDEF, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa – teresa.costa.pereira@hotmail.com

 

Resumo:

O desenvolvimento de competências de leitura e escrita é fundamental na construção do sucesso académico. A compreensão na leitura e a proficiência na escrita assumem uma particular importância dado que subjazem  às atividades de aprendizagem e  de avaliação durante toda a universidade. Este artigo apresenta um estudo de uma experiência sobre ensino aprendizagem de leitura e escrita no ensino superior politécnico. Reflete-se sobre o trabalho realizado no âmbito numa disciplina no âmbito da licenciatura em Educação Básica da ESE do Instituto Politécnico de Lisboa. Investigação prévia mostra o potencial de aprendizagem de tarefas de escrita e de tarefas que combinem leitura e escrita. Na comunicação apresentamos (1) o trabalho desenvolvido e os princípios teóricos que o enformam; (2)  uma reflexão sobre as dificuldades de escrita dos estudantes e (3) as percepções dos estudantes sobre as aprendizagens realizadas. O foco da experiência é o ensino aprendizagem da escrita e  a sua relação com a leitura. Aqui perspetiva-se a escrita como competência em desenvolvimento e enquanto ferramenta de construção de conhecimento, a dita, função epistémica da escrita. A leitura é perspetivada enquanto estratégia de acesso ao conhecimento, mas também como modelo possível para a reescrita ou a paráfrase. Aborda-se, assim, o texto numa dupla dimensão: a dos conteúdos e a da estratégias retóricas e léxico.

Palavras-chave: Construção de conhecimento; Ensino superior; Escrita epistémica; Leitura crítica; Escrita nas disciplinas.

 

Minibiografias:

Otília Costa e Sousa – É Professora Coordenadora Principal na ESE,  Instituto Politécnico de Lisboa e investigadora na UIDEF, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.  Agregação pela Universidade de Lisboa, doutoramento em Linguística pela Universidade  Nova de Lisboa. Os seus interesses de investigação  congregam Linguística, Educação e Formação de Professores. Coordena o projeto Oracy in the school culture.

Teresa Costa-Pereira – É licenciada em Ensino Básico, mestre em Didática da Lingua Portuguesa, tem experiência de ensino no 1º ciclo, é investigadora da UIDEF, no grupo de pesquisa Currículo e Formação de Professores, doutoranda no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, desenvolve o projeto Ler e escrever para construir conhecimento.


Comunicação 15

Propostas de ensino da leitura e da escrita no âmbito do PROFLETRAS-Mato Grosso-Brasil: da formação docente às práticas de sala de aula

Autoras:

Leandra Ines Seganfredo Santos – Universidade do Estado de Mato Grosso, Campus de Sinop – leandraines@unemat.br

Neusa Inês Philippsen – Universidade do Estado de Mato Grosso, Campus de Sinop – neinph@yahoo.com.br

 

Resumo:

Com este trabalho objetiva-se apresentar e discutir como a formação continuada ofertada pelo Programa de Mestrado Nacional em Letras – PROFLETRAS – tem mobilizado a interlocução entre a teoria discutida no âmbito do Programa e as práticas desenvolvidas em sala de aula em distintos contextos públicos de ensino no Estado de Mato Grosso e do Pará, Brasil. O corpus de análise é composto por propostas de intervenção planejadas, executadas e analisadas pelos mestrandos das turmas ingressantes em 2014 e 2015, a partir da orientação das docentes regentes das disciplinas “Aspectos Sociocognitivos e Metacognitivos da Leitura e da Escrita” e “Gramática, Variação e Ensino”, ambas as disciplinas obrigatórias do Programa. No que concerne aos trabalhos desenvolvidos na primeira disciplina mencionada, as intervenções mesclam-se entre protocolos de leitura, realizados com base em Leffa (1996), Bortoni-Ricardo (2008), Bortoni-Ricardo e Machado (2013) e produções textuais realizadas mediante o procedimento didático de Sequências Didáticas propostas por Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), com refacção nos moldes descritos por Ruiz (2015). Os dados mostram que as discussões teóricas e o desenvolvimento das propostas empoderaram os docentes para a realização de uma prática diferenciada em sala de aula mediante a apropriação de diferentes técnicas e estratégias de leitura, bem como do uso efetivo do procedimento metodológico sequência didática. Já relativo à segunda disciplina, as propostas de sequências didáticas foram concebidas individualmente pelos discentes-professores, cada um na escola em que atua, a partir das teorias estudadas durante a disciplina, dentre as quais se salientam autores como Bortoni-Ricardo (2005), Faraco (2008), Neves (2012), Bagno (2007), Travaglia (2008), Mollica e Braga (2003), Hora (2004), Gorski e Coelho (2009), Bechara (2004), Mattos e Silva, (2006), Zilles e Faraco (2015). Todas as intervenções centraram-se na temática da variação linguística e apresentaram proposições teórico-metodológicas que envolveram a gramática em uso.

Palavras-chave: formação docente; língua portuguesa; ensino e aprendizagem de leitura e escrita; variação linguística e gramática.

 

Minibiografias:

Leandra Ines Seganfredo Santos – É doutora em Estudos Linguísticos/Linguística Aplicada e docente do PPGLetras e PROFLETRAS da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). Possui pós-doutoramento em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC). Atua na área de Linguística Aplicada com ênfase em formação de professores de línguas, interdisciplinaridade, ensino-aprendizagem de línguas em diferentes idades e multiletramentos. Coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada (GEPLIA/CNPQ) e o projeto de pesquisa “Multiletramentos e tecnologia: formação e prática docente”.

Neusa Inês Philippsen – É doutora em Letras e docente do PPGLetras e PROFLETRAS da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). Atua  nas áreas de Linguística Aplicada e Sociolinguística/Geolinguística, com especial destaque em Variedades e Diversidades Linguísticas, Estudos Semântico-Lexicais, Mídia, Gêneros Discursivos, Estudos Linguísticos e Processos ensino-aprendizagens. É coordenadora do projeto “Diversidade e Variação Linguística em Mato Grosso/DIVALIMT” e membro dos grupos de pesquisa “Alma Linguae: Variação e Contatos de Línguas Minoritárias” e GEPLIA (Grupo de Estudos e pesquisas em Linguística Aplicada).


Comunicação 16

Representações e sinuosidades da leitura no ensino superior: o contributo da formação de professores para a formação de leitores

Autora:

Dulce Melão – Escola Superior de Educação de Viseu (CI&DETS) – dulcemelao@esev.ipv.pt

 

Resumo:

A formação de leitores tem sido alvo de atenção redobrada no Ensino Básico e no Ensino Secundário em Portugal, nomeadamente através da criação e da implementação de iniciativas que lhe têm concedido particular relevo (por exemplo, o Plano Nacional de Leitura). No entanto, no ensino superior, sobretudo no que respeita aos futuros profissionais da Educação, pouca importância tem sido atribuída ao perfil de leitor dos estudantes e às suas representações da leitura, bem como às possíveis repercussões de tal formação no seu futuro público. Nesta comunicação procuraremos refletir sobre tais aspetos, apresentando os resultados de dois estudos realizados nos anos letivos de 2012/2013 e 2015/2016, tendo como participantes estudantes do curso de Educação Básica (3.º ano), inscritos na unidade curricular de Iniciação à Leitura e à Escrita. O nosso quadro teórico de referência contemplou o cruzamento da teoria das representações sociais com o ensino explícito da compreensão na leitura. Privilegiando uma abordagem qualitativa, procurámos lançar luz sobre as representações da leitura destes estudantes, de modo a aprofundar a compreensão das suas dimensões, bem como refletir sobre as suas repercussões em futuras práticas educativas. De acordo com os objetivos traçados, no âmbito da abordagem selecionada utilizámos, no primeiro estudo, um inquérito por questionário e duas fichas de trabalho e, no segundo estudo, uma ficha de trabalho e uma reflexão individual. Concluímos que os estudantes associam a leitura sobretudo à aquisição de conhecimentos e à compreensão, depreciando os aspetos afetivos implícitos na mesma. As suas práticas de leitura são pouco diversificadas, exigindo também particular atenção face às possíveis repercussões no seu futuro púbico. Importa, pois, realizar mais estudos que nos permitam conhecer, de forma aprofundada, o perfil de leitor destes estudantes.

Palavras-chave: formação do leitor; ensino superior; práticas de leitura; formação de professores.

 

Minibiografia:

Assistente da Escola Superior de Educação de Viseu, doutorada em Educação (Ramo Didática e Desenvolvimento Curricular) pela Universidade de Aveiro e investigadora do Centro de Estudos em Educação, Tecnologias e Saúde (CI&DETS) do IPV.


Comunicação 17

A formação do(a) aluno(a)/leitor(a) no currículo de formação de professores na UERN/Brasil

Autora:

Verônica Maria de Araújo Pontes – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte/ UERN – veronicauern@gmail.com

 

Resumo:

Essa pesquisa diz respeito à análise do currículo do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte/Brasil frente aos novos desafios da sociedade e como os diferentes gêneros, funções e usos da leitura e escrita são incorporados a ele. A razão da nossa escolha pelo tema, dar-se-á a partir da nossa experiência como professores na formação docente do curso de Pedagogia, as nossas pesquisas na área de leitura na pós-graduação, como também no grupo de estudos e pesquisas em literatura, tecnologias e novas linguagens, e ainda em relação às constatações de pouca leitura do nosso povo brasileiro o que despertou nosso interesse em contribuir para a melhoraria da situação do ensino da leitura. Direcionamos nossa investigação para a análise da formação do docente dos anos iniciais, a que se propõe o Curso de Pedagogia da UERN, instituição de ensino superior localizada no Nordeste do Brasil, a partir das disciplinas específicas em torno da leitura e escrita ofertadas pelo curso. Nossa pesquisa é do tipo teórica que nos proporcionará a análise de diversos documentos. Para isso, tomaremos por base autores como: Alice Lopes, Elizabeth Macedo, Fernando Azevedo, Verônica Pontes, Marcuschi, Barzeman, entre outros para que possamos investigar o currículo do Curso de Pedagogia, as Políticas Públicas em torno da formação docente e as pesquisas mais recentes que sugerem essa formação. Nossas reflexões e análises já estão contribuindo para que alunos, professores, grupo de pesquisa repensem a formação de docentes para o uso da leitura e escrita em sala de aula visando à sua melhoria, fortalecendo e ampliando da formação do pedagogo, atualizando-a e inserindo-a no contexto educacional contemporâneo.

Palavras-Chave: Leitor; Currículo; Formação docente.

 

Minibiografia:

Doutora em Educação pela Universidade do Minho-Portugal. Professora Adjunto IV da Faculdade de Educação, do Mestrado em Ensino, do Doutorado e Mestrado em Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte-UERN/Brasil. Líder do grupo de pesquisa literatura, tecnologias e novas linguagens.


Comunicação 18

A narrativa autobiográfica e o desenvolvimento do professor crítico

 

Autora:

Rute Almeida e Silva – UFMT  – mocanegra@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho está vinculado ao Grupo de Estudos Linguísticos e de Letramento (GELL) – CNPq/MeEL/UFMT e tem como objetivo investigar, por meio de narrativas autobiográficas, como os encontros reflexivos realizados em uma escola da capital de Mato Grosso contribuem para o desenvolvimento do professor crítico, identificando práticas letradas, concepções e crenças que implicam mudanças e inovações. Para tanto, assumimos o aporte teórico de Bakhtin e o Círculo (1929; 1952-53; 1970-1971/1979; 1974/1979), que tratam do dialogismo, e de Vygotsky (1930; 1934), no que trata do ensino-aprendizagem. Recorremos também aos pressupostos teóricos do Letramento Crítico: Freire (1987), The New London Group (1996, 2012), Cassany (2005), Pereira (2010 e 2012) e Paes de Barros (2012, 2014), entre outros. Quanto à metodologia, em virtude do caráter subjetivo dos aspectos investigados, a coleta e análise de dados seguem os princípios da pesquisa qualitativa, em sua modalidade narrativa, de Connelly e Clandinin (2011). Esse método permite abordar questões relacionadas às singularidades do indivíduo pesquisado e do seu contexto sócio-histórico, possibilitando uma melhor compreensão do que se deseja analisar. Para geração dos dados, utilizaremos, então, narrativas autobiográficas (orais e escritas) feitas pelos professores participantes da pesquisa, nos encontros reflexivos-críticos, questionários e observação-participante em sala de aula. São esses dados que constituirão os corpora de nossa pesquisa. Tencionamos com este trabalho colaborar com os estudos que buscam compreender aspectos que envolvem a formação docente, no sentido de repensá-la pelo viés da reflexão crítica, da intervenção e transformação emancipatória do professor.

Palavras-chave: Letramento crítico; Desenvolvimento Profissional Docente; narrativas autobiográficas.

 

Minibiografia:

Mestre em Estudos de linguagem, doutoranda em Estudos Linguísticos pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso.


Comunicação 19

O processo de escrita da dissertação de mestrado – dificuldades e estratégias de superação

Autores:

José António Brandão Carvalho  –  CIEd/Universidade do Minho ‐     jabrandao@ie.uminho.pt

Rómina Laranjeira – Escola Superior de Educação Coimbra – romello.laranjeira@gmail.com

Luísa Álvares Pereira – CIDTFF/DEP_Universidade de Aveiro – lpereira@ua.pt

 

Resumo:

A frequência do Ensino Superior pressupõe a escrita de géneros textuais de elevada especificidade decorrente não só da natureza dos saberes neles veiculados, mas também das normas e convenções adotadas no contexto das comunidades académicas em que o seu uso tem lugar. Dentre esses géneros, a dissertação de um curso de mestrado constitui um género textual particularmente complexo, atendendo quer ao conjunto de problemas relativos à sua configuração genológica (estrutura, linguagem, normas de referência), quer a fatores inerentes ao próprio processo da sua construção (procedimentos metodológicos próprios, relação orientador‐orientando, gestão do tempo, constrições institucionais, caráter individual do trabalho). O estudo que aqui se apresenta procura justamente identificar e analisar, a partir das perspetivas e representações evidenciadas em entrevistas semiestruturadas a 10 estudantes que concluíram recentemente a dissertação de mestrado nas áreas de Humanidades, Educação, Engenharia, os problemas surgidos no decurso da sua redação, bem como as estratégias utilizadas tendo em vista a sua superação. A análise seguirá um quadro teórico-metodológico orientado pela definição de um processo de escrita que, para além das dimensões cognitiva, linguística e social, envolve uma dimensão emocional que o pode condicionar de forma decisiva. Nesta medida, os resultados da análise constituirão um contributo para o conhecimento do campo emergente das Literacias Académicas e também um referencial para o ensino da escrita académica no Ensino Superior.

Palavras-­‐chave: escrita académica; géneros textuais; dissertação; literacias académicas.

 

Minibiografias:

José António Brandão Carvalho é doutor em Educação pela Universidade do Minho, Portugal. Professor Associado com Agregação do Departamento de Estudos Integrados de Literacia, Didática e Supervisão do Instituto de Educação da Universidade do Minho. Leciona várias disciplinas no domínio da Educação em Línguas e desenvolve investigação no domínio das Literacias, focando-se na Didática da Língua Materna, em geral, e na Didática da Escrita, em particular, bem como na Escrita Académica.

Rómina de Mello Laranjeira  é doutora em Educação pela  Universidade  do  Minho, Portugal. Professora Adjunta Convidada do Departamento de Educação, Área de Português, da Escola Superior de Educação de Coimbra. Tem lecionado em diversas áreas, tais como a Linguística  Aplicada, a Didática do Português e o Português Língua Estrangeira. Desenvolve investigação no campo dos Estudos de Literacia e dedica‐se atualmente, em particular, à área da Escrita Académica no Ensino Superior na qual prepara o seu Pós‐Doutoramento.

Luísa Álvares Pereira é Professora Auxiliar com Agregação no Departamento de Educação e Psicologia  da Universidade de Aveiro. Desenvolve investigação no âmbito da Ciências da Educação, Didática de Línguas e Desenvolvimento Curricular, Didática do Português, Literacia e Escrita Académica no CIDTFF‐ DEP/UA e no CLUNL na Universidade Nova de Lisboa. Leciona disciplinas no domínio das Literacias e da Didática  da  Língua Portuguesa.


Comunicação 20

A filiação teórica na escrita de pesquisadores em formação: o que está em jogo?

Autores:

Katia Cilene Ferreira França – Universidade Federal do Rio Grande do Norte – katiacfranca@yahoo.com.br

Sulemi Fabiano Campos – Universidade Federal do Rio Grande do Norte –sulemifabiano@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho consiste em uma discussão sobre a escrita de pesquisadores em formação, especificamente sobre o processo de filiação teórica em teses de doutorado. Volta-se para a compreensão do que está em jogo na constituição dessa escrita que acontece a partir do diálogo marcado e velado com muitas vozes, um diálogo que envolve escolhas teóricas. Nosso objetivo é compreender como o diálogo, que o sujeito realiza com distintas vozes, estabelece a filiação. Para alcançar esse objetivo levamos em conta os estudos de Benveniste (2005, 2006) sobre o sujeito implicado com seu dizer; de Bakhtin (2003, 2006) sobre o dialogismo, de Authier-Revuz (1998, 2004) sobre a heterogeneidade enunciativa, de Ginzburg (1989) sobre paradigma indiciário. Esses autores nos permitem dizer que é possível verificar na escrita uma série de operações linguístico-discursivas, organizadas a partir de pronomes, de verbos, de advérbios, de esquemas do discurso citado, de formas de representação do discurso outro, as quais mostram as negociações que o sujeito realiza com as vozes que convoca. Como corpus selecionamos teses de doutorado, ligadas a Programas de Pós-graduação em Educação e a Programas de Pós-graduação em Linguística. Nossa intenção não é fazer comparações entre as teses, mas verificar os valores que as vozes ganham pelas relações que o pesquisador em formação realiza em sua escrita.

Palavras-chave: Escrita de professores em formação; filiação teórica;  vozes.

 

Minibiografias:

Autor 1: Aluna do doutorado do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPgEL) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), integrante do Grupo de Pesquisa em Estudos do Texto e do Discurso (GETED-UFRN). Professora de Língua Portuguesa da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Bolsista da Fundação de Amparo à pesquisa no Maranhão (FAPEMA).

Autor 2: Professora Adjunta do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPgEL), coordenadora do Grupo de Pesquisa em Estudos do Texto e do Discurso (GETED) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisa Produção Escrita e Psicanálise GEPPEP/USP.


Comunicação 21

Formação Continuada de Professores de Língua Portuguesa no Brasil e seus Desdobramentos no Ensino da Leitura

Autora:

Gláucia Rejane da Costa – Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina – grcosta0408@hotmail.com

 

Resumo:

Este estudo propõe-se a relacionar a formação continuada de professores de Língua Portuguesa (LP) no Brasil e o ensino de leitura, num contexto em que o Ministério da Educação(MEC) se propõe a implantar a Reforma do Ensino Médio, considerado o flagelo da educação pública brasileira. A sua proposta articula o aperfeiçoamento da referida formação à ação de redesenho curricular nas escolas públicas, a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio de 2012. Para esse fim institui em 2013 o Pacto Nacional Pelo Fortalecimento do Ensino médio, por meio da colaboração entre o MEC, Secretarias Estaduais de Educação e universidades.  No centro da citada formação está o ensino de leitura e escrita na escola, a fundamentação teórica sobre a qual se apoia e os seus desdobramentos sobre as práticas de sala de aula. Nesse quadro os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) parametrizam o ensino, norteiam e incentivam a renovação da prática docente. No CODEFAS, escola de Ensino Médio na Bahia, cujos alunos do segundo ano são sujeitos dessa pesquisa, os professores de LP vivenciam a formação continuada semanalmente, mediada por uma de suas professoras. Desse trabalho surgiu a necessidade de investigar possíveis dificuldades dos alunos na leitura e compreensão de textos, considerando os descritores de aprendizagem. Esses compreendem uma associação entre os conteúdos curriculares e as operações mentais desenvolvidas pelo aluno as quais revelam determinadas competências e habilidades. Por meio da aplicação de atividade de leitura e compreensão de diversos gêneros textuais, nas diferentes tipologias, verificou-se que as maiores dificuldades relacionam-se ao reconhecimento de diferentes posicionamentos sobre um mesmo tema; à identificação da tese; à distinção entre partes principais e secundárias, e à identificação do gênero textual. Os resultados encontrados possibilitarão intervenções nas práticas de leitura, para o desenvolvimento de habilidades necessárias à competência comunicativa, na perspectiva do Letramento.

Palavras-chave: formação continuada; Língua Portuguesa; leitura, Ensino Médio.

 

Minibiografia:

Gláucia Rejane da Costa é professora de Língua Inglesa e Língua Portuguesa na Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina e de Língua Portuguesa no Ensino Médio da Rede Pública. Mestre em Linguística pela Universidade Federal de Sergipe e Doutoranda em Língua e cultura na Universidade Federal da Bahia. Os interesses de pesquisa contemplam formação continuada de Professores de Língua Portuguesa e o seu ensino.


Comunicação 22

Concepções e práticas docentes: um estudo dialógico sobre o ensino de Língua Portuguesa

Autora:

Cláudia Graziano Paes de Barros – UFMT/CNPq – claudiagpbarros@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho compõe uma das ações do Grupo de Estudos Linguísticos e de Letramento (GELL) – CNPq/PPGEL /UFMT   e apresenta dados do projeto de pesquisa “Investigando os Letramento(s): um estudo crítico-dialógico de discursos e práticas escolares”  que objetiva  estudar diferentes fenômenos de letramento em contexto escolar e extra-escolar. Nessas ações, os discursos, concepções e práticas  de ensino-aprendizagem  são estudadas em contexto natural.  Para este trabalho, apresentamos e discutimos alguns dados referentes às concepções docentes acerca de língua, linguagem, leitura e ensino de Língua Portuguesa. Para tal, aportamos os nossos estudos nos pressupostos teóricos do letramento crítico que se aliam aos construtos bakhtinianos sobre linguagem. A metodologia utilizada para a coleta dos dados é a pesquisa qualitativa de caráter intervencionista. Para a análise dos dados, recorreremos à análise dialógica do discurso que considera   o discurso  “como rede de relações dialógicas estabelecidas e assumidas por um sujeito (e não dadas de antemão), expressas na linguagem a partir de um ponto de vista” (BRAIT, 2012).

Palavras-chave:  concepções docentes, letramento, ensino-aprendizagem.

 

Minibiografia:

Cláudia Graziano Paes de Barros é doutora em Linguística Aplicada e docente do PPGEL da UFMT, Brasil. Possui pós-doutoramento em Educação pela Universidade de Lisboa. Atua na área de Linguística Aplicada com ênfase no ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa, L1 e L2, Estudos de Discurso, Letramento(s) e Letramento Crítico. Lidera o Grupo de Pesquisas ”Estudos Linguísticos e de Letramento” (CNPQ).


Comunicação 23

Leitura e escrita nos projetos de trabalho: impondo novos modos de fazer e de dizer na universidade

Autora:

Maristela Juchum – UNIVATES/RS –  maristela-j@hotmail.com

 

Resumo:

Uma das dificuldades que os alunos encontram quando ingressam no ensino superior envolve escrita e discurso acadêmico. Os estudos do letramento acadêmico concebem leitura e escrita como práticas sociais que variam segundo contexto, cultura e gênero (BARTON; HAMILTON, 1998; STREET, 1984, 1985), negando assim o discurso do déficit. Neste trabalho, é analisada uma prática pedagógica que toma os projetos de trabalho como fio condutor do planejamento para o ensino da leitura e da escrita na universidade. Trata-se de um recorte da pesquisa-ação que originou a tese de doutorado intitulada Letramentos acadêmicos: projetos de trabalho na universidade, defendida no primeiro semestre de 2016, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Brasil. Objetiva-se, neste trabalho, analisar se os projetos possibilitam tratar os alunos como colaboradores no desenvolvimento dos letramentos acadêmicos.  Por definição, compreende-se (HERNENDEZ, 1998) que um projeto representa um conjunto de atividades que se origina de um tema de interesse dos estudantes e cuja realização envolve a leitura e a escrita como prática social. A geração de dados foi realizada com uma turma de alunos matriculados na disciplina de Leitura e Produção de Texto I, de um Centro Universitário, localizado no Rio Grande do Sul/Brasil, durante o semestre B/2013. Neste estudo, serão analisados excertos de Diários de campo que narram as interações entre os participantes de um dos projetos enquanto liam e produziam textos, a fim de construírem conhecimento acadêmico sobre o tema definido para o desenvolvimento do projeto. Enquanto dados conclusivos, evidencia-se a importância dos projetos, como possibilidade de os estudantes se engajarem nas práticas de letramento acadêmico valendo-se especialmente do diálogo, do fazer juntos, do negociar as decisões, impondo novos modos de fazer e de dizer na universidade.

Palavras-chave: Leitura e escrita. Letramento. Projetos de trabalho.

 

Minibiografia:

Maristela Juchum é doutora em Letras, especialidade Linguística Aplicada, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS. Atualmente é professora de    Português da UNIVATES/RS.


Comunicação 24

O ensino da escrita na formação inicial do professor de língua portuguesa: uma análise documental

Autor:

Douglas  Corrêa  da  Rosa – Universidade  Estadual  do  Oeste  do  Paraná  –  Unioeste – douglascorreadarosa@yahoo.com.br

 

Resumo:

A reflexão crítica sobre a escola e os fazeres docentes têm favorecido a produção e a sistematização de novos saberes alicerçados em fundamentos científicos, notadamente sobre as práticas pedagógicas. No ensino de Língua Portuguesa, as pesquisas acadêmicas buscam compreender o que e como se ensina e se aprende, não somente nas escolas públicas, mas também no ambiente universitário. Reconhecemos que a eficácia do processo de ensino e de aprendizagem só ocorrerá na medida em que a formação dos profissionais aconteça de forma bem fundamentada nos conhecimentos linguísticos e didáticos, como também estruturada a partir de um Projeto Político-Pedagógico do curso de graduação, no qual sejam articulados tantos os saberes teóricos (o que ensinar) como os metodológicos (como ensinar). Diante disso, esta proposta visa verificar como o curso de Letras da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, campus Cascavel, compreende e orienta em seus documentos institucionais o ensino da escrita. Assim sendo, está é uma pesquisa de caráter documental, em que analisaremos tanto o Projeto Político-Pedagógico do curso, como também os planos de ensino das disciplinas de Prática de Ensino e Estágio Supervisionado, direcionando a análise para o ensino da escrita, verificando a(s) concepção(ões) de escrita presentes nesses documentos e os encaminhamentos didáticos para se ensinar a escrever. O lastro teórico é a Análise Dialógica do Discurso, com base em Bakhtin ([1929]2006; [1978]1992), e outros autores do círculo bakhtiniano. Além disso, a pesquisa se insere no campo epistemológico da Linguística Aplicada. Esperamos que os resultados possam nos auxiliar a ter um olhar crítico para a formação incial do professor de língua portuguesa e, dessa forma, redimensionar as ações docentes em ala de aula.

Palavras-chave: Formação Inicial; Ensino de Língua Portuguesa; Ensino da Escrita.

 

Minibiografia:

Professor de Língua Portuguesa e Língua Italiana. Mestre em Letras. Atualmente desenvolve pesquisa de doutoramento no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Letras, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus de Cascavel- PR, investigando o ensino da escrita na formação inicial do professor de português.


Comunicação 25

A representação da leitura pela voz de estudantes de Letras

Autoras:

Alessandra Avila Martins – Universidade Federal do Rio Grande – alessandramartins@furg.br

Silvana Schwab do Nascimento – Universidade Federal do Rio Grande- silvana_schwab@hotmail.com

 

Resumo:

O Brasil possui quase dois mil cursos de Letras. Os cursos de Letras/Licenciatura podem ser só de Português e respectivas Literaturas ou Português e respectivas Literaturas, mais uma língua estrangeira. Na formação, os alunos cursam disciplinas de língua portuguesa, estrangeira (se for o caso), literaturas e disciplinas da área pedagógica. Nos currículos, a área de língua portuguesa apresenta uma carga horária maior, o que traz críticas de diferentes teóricos, como Gimenez (2013). Além disso, a autora explica que “As literaturas, espaço essencial para que o aprendiz tenha input autêntico, experiência estética e imersão na outra cultura, ficam relegadas.” Como a leitura e a escrita são o motriz dos cursos de Letras, neste trabalho, investigaremos dez narrativas escritas por estudantes do primeiro ano do curso de Letras Português/Inglês de uma instituição pública brasileira. Foi solicitado que produzissem um texto escrito versando sobre suas relações  com a leitura. Abordaremos as concepções de escrita que emergem dos dizeres à luz da teoria bakhtiniana, com foco no dialogismo  e no acento de valor e, ainda,  a partir de autores que  debatem a formação docente. Na análise, observamos que diferentes fatores expressam a relação dos sujeitos com a leitura, como: presença da literatura, libertação, pensamento crítico, formação profissional, necessidade, importância para si. No entanto, ressaltamos que a relação com a literatura foi o fator predominante, o que revela que os sujeitos estão inseridos em práticas de letramento da esfera literária, portanto, seus textos estão permeados de dizeres que conferem um papel importante à literatura para o ingresso no mundo da leitura. Diante disso, o material analisado nos conduz a inferir que a leitura, pela voz dos pesquisados, está atrelada à leitura da literatura, fato que pode contribuir significativamente no processo de formação inicial docente, assertiva que dialoga com a preocupação expressa pela pesquisadora Gimenez.

Palavras-chave: Leitura. Formação docente. Vozes sociais.

 

Minibiografias:

Autora 1: Graduada em Letras/Português. Mestre em Letras/Estudos Linguísticos. Doutora em Letras/Linguística Aplicada. Professora dos cursos de Letras da Universidade Federal do Rio Grande. Líder do grupo de Pesquisa Diálogos com Bakhtin.

Autora 2:  Graduada em Letras/Português. Mestre em Letras/Estudos Linguísticos. Doutora em Letras/Estudos Linguísticos. Professora dos cursos de Letras da Universidade Federal do Rio Grande. Membro do grupo de Pesquisa Diálogos com Bakhtin.


Comunicação 26

Cidade e texto: modos de linguagens, práticas de leituras

Autora:

Ana Luiza Artiaga R. da Motta – UNEMAT – analuizart@unemat.br

 

Resumo:

Este trabalho incide em discutir a noção de leitura e escrita a partir dos pressupostos teóricos da Análise de Discurso com textos verbal e não verbal que diz sobre as questões ambientais, nas cidades de Cáceres e Cuiabá, no Estado de Mato Grosso – Brasil. Trata-se de um modo distintivo de trabalho de leitura com temas transversais, como pontua os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa. O corpus será constituído a partir de textos veiculados pelo Estado sobre o discurso ecológico em que se consideram as condições de produção da leitura e da escrita. Depreende-se que o discurso ecológico sobre a preservação da fauna e flora (peixes, rios, não a queimada, piracema) tem a sua densidade semântica em que se articulam pela língua estrutura e acontecimento; como também a projeção imaginária do sujeito de direito, modos de individuação e de subjetivação. São textos expostos à leitura urbana, na sociedade letrada, e que se inscrevem no discurso da mundialização. Há modos distintos de leitura, trabalhos com a linguagem, em sala de aula, uma vez que, há no funcionamento da língua/linguagem questões que dizem da cultura, do poder local, que evocam sentidos nas cidades localizadas no Pantanal de Mato Grosso. Nesse sentido o trabalho com o discurso ecológico, nas aulas de Língua Portuguesa, tem a sua significação pela noção de leitura, enquanto paráfrase e polissemia, e a escrita como o lugar do sensível, do político. Dessa forma, como o estudo da língua poderá instigar no sujeito leitor, posições diferentes de preservação e conscientização considerando a cultura, o espaço sócio histórico e político da região? Como um texto exposto em outdoor pode corroborar nas políticas de ensino de língua, na cidade letrada, e na relação sujeito x cidade x escola x Estado x ambiente?

Palavras-chave: Leitura;  escrita; sujeito; cidade; ambiente.

 

Minibiografia:

Ana Luiza Artiaga Rodrigues da Motta – Professora efetiva da Universidade do Estado de Mato Grosso, no Curso de Letras e Professora do Programa de Pós Graduação em Linguística da UNEMAT. Pesquisadora inscrita no CNPq; trabalha com leitura e escrita; discurso; cidade;  questões políticas ambientais; coordena o subprojeto Leitura e escrita: diferentes práticas de inclusão Letras/PIBID/CAPES.


Comunicação 27

A relação de adolescentes surdos com leitura e escrita na escola inclusiva sob a perspectiva do letramento crítico

Autor:

Rodney Mendes de Arruda – UFMT/IFMT – rodney.arruda@cba.ifmt.edu.br

 

Resumo:

Este trabalho apresenta parte das reflexões da nossa pesquisa de doutoramento, que busca  refletir acerca de como se instauram as relações entre leitura, escrita e aprendizagem, tendo como sujeitos de estudo adolescentes surdos aprendizes de língua portuguesa na modalidade escrita,  nas séries finais do Ensino Fundamental, ambiente em que o ensino ofertado parte de práticas orais, tendo  a fala como recurso predominante, a despeito da perspectiva interacionista. Esta, de acordo com recomendações atuais para o trabalho com textos (orais) e conhecimento de mundo, não contempla os sujeitos surdos, principalmente quando não conseguem usar sua primeira língua (de sinais) ou seu uso é limitado. A maior via de comunicação dos surdos é com intérprete em sala de aula e docente especializado na sala de recursos, no contraturno. Dentre as situações que merecem atenção, destacam-se: adaptação metodológica, atualização teórico-prática na formação docente e, ainda, o envolvimento dos pais, em sua maioria ouvintes,  que não dominam a língua de sinais, o que compromete a comunicação com seus filhos. Essa discussão se insere na área da Linguística Aplicada Crítica e de estudos do Letramento Crítico, ancorados nos pressupostos teóricos de Bakhtin e o Círculo (1929; 1952-53; 1970-1971/1979; 1974/1979), Vygotsky (1930; 1934), Freire (1987; 2001), The New London Group (1996; 2012), Cassany (2005; 2008), Pereira (2010; 2012) e Paes de Barros (2012; 2016).

Palavras-chave: Língua Portuguesa; Leitura; Escrita.

 

Minibiografia:

Graduado em Letras Português-Espanhol pela UFMT (2004) e em Letras Português-Inglês pela UFMT (2008); Mestre (MeEL/UFMT, 2007), linha de pesquisa: Paradigma do ensino de línguas; Doutorando em Estudos de Linguagem (PPGEL/UFMT). Professor do IFMT Campus Cuiabá Cel. Octayde Jorge da Silva. Pesquisador do Grupo de Estudos em Ensino de Línguas e Literatura (GEELLI/IFMT). Integrante do Grupo de Estudos Linguísticos e de Letramento (GELL/UFMT).


Comunicação 28

Efeitos da leitura sobre a escrita em português L2 no nível avançado (C1/C2)

Autora:

Ângela Filipe Lopes – Centro de Linguística da Universidade do Porto – angela.tita@gmail.com

 

Resumo:

A comunicação em questão insere-se na área da Didática de línguas e parte de um trabalho de doutoramento que pretende estudar os efeitos da leitura em português L2 na produção escrita, também em português L2, de um grupo de estudantes do Curso Anual de Português para Estrangeiros da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (ano letivo 2013-2014).  Analisam-se três tarefas de produção escrita executadas a partir da leitura de três textos diferentes.  Esta análise conduziu ao estudo dos processos que permitem ler e escrever em português L2, com enfoque na forma como o leitor transita para a posição de escritor e nas implicações que esta transição traz ao processo de leitura-escrita. Importa, nesse sentido, compreender melhor a influência que cada um dos lados da escrita exerce sobre o outro. Assim, quais são os elementos que cada sujeito seleciona do texto que leu e como são reutilizados na produção escrita? Por outro lado, que variáveis intra e interindividuais podem ajudar a explicar estas escolhas? De que depende a qualidade da produção escrita destes estudantes neste contexto? Este trabalho de investigação pretende, assim, em primeiro lugar lançar alguma luz sobre os mecanismos que permitem ler e escrever com base no mesmo texto, dado que no contexto do ensino do português como L2, as competências leitora e escrita são duas importantes componentes do processo de aprendizagem da língua, principalmente em níveis avançados de proficiência e sobretudo no caso dos estudantes em causa por frequentarem cursos de 1º, 2º e 3º ciclos na Universidade do Porto. O contexto do estudo leva a que se pretenda contribuir para o desenvolvimento de estratégias e de atividades didáticas que levem o aprendente de nível avançado a desenvolver as suas competências no âmbito da leitura e da escrita, fornecendo-lhe ferramentas que lhe permitam elevar a qualidade do seu desempenho em ambas as áreas.

Palavras-chave: didática do português L2 ; leitura em português L2; escrita em português L2; leitura-escrita em L2.

 

Minibiografia:

Ângela Filipe Lopes é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas na variante de Estudos Ingleses e Alemães pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Em 2014 concluiu o Mestrado em Português Língua Estrangeira/ Língua Segunda na Faculdade de Letras da Universidade do Porto onde frequenta atualmente o Doutoramento em Ciências da Linguagem, no Ramo de Didática de Línguas. A sua atividade profissional desenrola-se no âmbito do ensino do português L2 desde 2002.


Comunicação 29

Políticas públicas para alfabetização: uma análise crítica

Autoras:

Cláudia Graziano Paes de Barros – UFMT – claudiagpbarros@gmail.com

Renata Silva Siqueira – UFMT –  siqueira.re@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem por objetivo investigar e discutir as políticas públicas sobre alfabetização. Para tanto, recorremos aos pressupostos teóricos de Bakhtin e o Círculo (1929; 1952-53; 1970-1971/1979; 1974/1979) que abordam a linguagem como um processo sócio-histórico-cultural, aliado à teoria de aprendizagem e desenvolvimento humano de Vygotsky (1930; 1934). Além desses autores, também compõem o referencial teórico as discussões sobre Letramento Crítico que tem como base: Freire (1987), The New London Group (1996, 2012) e Paes de Barros (2012, 2014, 2015 e 2016) entre outros. Investigamos a história da alfabetização no Brasil para desvendar quais os posicionamentos políticos e pedagógicos que permeiam as dificuldades constantes na educação, condições essas essenciais para fundamentarmos o funcionamento do sistema educacional brasileiro por meio das Bases da Educação Nacional Atual. A metodologia abordada é de caráter qualitativo, de natureza crítico-dialógica.

Palavras-chave: Políticas Públicas, Letramento Crítico, Alfabetização, Ensino de Língua Portuguesa.

 

Minibiografias:

Cláudia Paes de Barros – Professora Doutora do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso.

Renata Silva Siqueira – Doutoranda em Estudos Linguísticos pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso.


Comunicação 30 

OS GÊNEROS MULTIMODAIS NOS LIVROS DIDÁTICOS DE HISTÓRIA: UM ESTUDO CRÍTICO-DIALÓGICO

 Autores:

Louredir Rodrigues Benevides (UFMT)[1]E-mail:louredirbenevides@gmail.com

Cláudia Graziano Paes de Barros (UFMT)[2] E-mail:claudiagpbarros@gmail.com

 

RESUMO:

Este trabalho visa apresentar os resultados de pesquisa realizada em atividades compostas de gêneros multimodais de uma coleção de livro didático de História do Ensino Médio, embasada em aporte teórico da leitura à luz dos estudos dos novos letramentos (STREET, 1996) e letramento visual (KRESS, VAN LEEUWEN, 1996). Recorremos aos conceitos de enunciado, discurso, gêneros discursivos e esferas de produção, circulação e recepção de Bakhtin e o Círculo (BAKHTIN,1929; 1952; 1952-1953/1979; 1973/1975; BAKHTIN/VOLOCHINOV, 1929), ressignificados como gêneros multimodais, à luz da perspectiva teórica da Pedagogia dos Multiletramentos (THE NEW LONDON GROUP, 1996). Além disso, também nos ancoramos nos pressupostos de Paes de Barros (2005; 2009), no que trata das capacidades de leitura de textos multimodais. Em Vygotsky encontramos o arcabouço teórico sócio-histórico e ponderações acerca do ensino-aprendizagem de História (VYGOTSKY, 1926; 1930; 1933). De natureza sócio-histórica também são os construtos sobre letramento crítico, em uma releitura contemporânea de Freire (1970; 1979; 1981). O percurso metodológico traçado foi de natureza quantitativa e qualitativa. Concluímos que as atividades compostas de gêneros multimodais, limitam-se em sua maioria, à utilização das imagens como ilustração de textos verbais, deixando de promover a reflexão crítica sobre esses textos tão importantes na atualidade.

PALAVRAS-CHAVE: Livro didático de História. Letramento visual e crítico. Capacidades de leitura de textos multimodais.

 

Minibiografias:

Louredir Rodrigues Benevides – Mestre em Estudos Linguísticos pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso. Membro do Grupo de Pesquisas ”Estudos Linguísticos e de Letramento” (CNPQ).

Cláudia Paes de Barros – Professora Doutora do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso. Lidera o Grupo de Pesquisas ”Estudos Linguísticos e de Letramento” (CNPQ).


Póster 1

A interdisciplinaridade como condição necessária ao ensino da escrita nas séries iniciais

 

Autores:

Danielle Dutenhefner de Aquino – UNIFESP – danielleaquino.psico@gmail.com

Nelci Vieira de Lima – UNICSUL – nevieira@gmail.com

 

Resumo:

Tendo em vista que o processo de alfabetização constitui-se num desafio para professores e alunos, por envolver várias habilidades – como escutar, falar, decodificar, compreender, articular ideias – e levando em conta o resultado do PISA 2015, que expõe o baixo rendimento dos alunos brasileiros, este trabalho busca refletir sobre as competências necessárias ao ensino da Língua Portuguesa nas séries iniciais. Assim, tomando como hipótese de que o problema do baixo rendimento não está só na aprendizagem, mas também no ensino, compreendemos que para um ensino eficiente e adequado, o professor das séries iniciais deve munir-se de um olhar interdisciplinar, para que dê conta da complexidade do processo de aquisição da linguagem, uma vez que este compreende questões relacionadas ao funcionamento cerebral, à relação fonética-fonológica, sintática, morfossintática e semântica da junção de letras em palavras e dessas em textos. Assim, este trabalho visa a responder ao seguinte questionamento: Em que medida uma visão interdisciplinar, que agregue conhecimentos das diversas áreas – Educação, Psicopedagogia, Fonoaudiologia, Psicolinguística e Linguística – faz-se necessária para um ensino eficiente da língua materna nas séries iniciais? Como corpus analítico, tomamos o Programa de Resposta à Intervenção, dentro da área fonoaudiológica, destinado a trabalhar a leitura e a escrita em âmbito escolar, por meio de atividades significativas de linguagem que estimulam as habilidades fundamentais do aluno, baseando-se no monitoramento de progresso: avaliação – intervenção – avaliação. O arcabouço teórico que nos fundamenta está em: FERREIRO & TEBEROSKY, (1999); GERSTEN, et. al. (2008); BYRNE, (2013); MARCUSCHI, (2001) e SOARES, (2015). As análises permitem concluir preliminarmente que uma visão interdisciplinar diminuem os problemas extrínsecos de aprendizagem, isto é, relacionados à metodologia de ensino e possibilita a identificação precoce ou oportuna de sinais de alteração nesse processo de aquisição, tornando, com isso, mais eficiente o processo de alfabetização.

Palavras-chave: Alfabetização; Escrita;  Interdisciplinaridade;  Ensino-aprendizagem.

 

Minibiografias:

Danielle Dutenhefner de Aquino é psicopedagoga, mestranda em Distúrbios da Comunicação Humana pela Universidade Federal de São Paulo, Pós-graduada em Psicopedagogia pela UNISA, graduada em Pedagogia pela Universidade Paulista, atualmente integro o grupo de pesquisa de Transtornos de Leitura e Escrita vinculado ao Núcleo de Ensino, Assistência e Pesquisa em Escrita e Leitura da UNIFESP auxiliando em projetos educacionais.

Nelci Vieira de Lima é doutora em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2016), mestre pela mesma universidade (2011), graduada em Letras pela Faculdade de Educação, Ciências e Letras Hebraico Brasileira Renascença (2003), atualmente realiza pesquisas de pós-doutoramento na Universidade Cruzeiro do Sul / UNICSUL, sob a orientação da Profa. Dra. Ana Lúcia Tinoco Cabral. Autora de artigos científicos e capítulos de livros, atua nas áreas de Historiografia Linguística, Linguística Textual.


Póster 2

Gêneros textuais no ensino da leitura e da escrita: instrumentos do PNAIC para a alfabetização e o letramento

Autoras:

Edna Pagliari Brun – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/Universidade Estadual de Londrina/Brasil – ednapbrun@gmail.com

Juçara Zanoni do Nascimento – Universidade Federal de Rondônia / Universidade Estadual de Maringá/Brasil – jzanonin@hotmail.com

 

Resumo:

No momento em que o Brasil passa por um processo de elaboração, discussão e implementação de uma Base Nacional Comum Curricular, documento responsável por orientar a re(formulação) dos currículos das escolas de educação básica, o objetivo do pôster é divulgar resultados referentes ao ensino de língua materna na alfabetização sob a perspectiva do letramento. Reconhecendo que há muitos aspectos a serem observados nesse contexto, tomamos como pano de fundo as orientações presentes no programa de formação continuada de professores alfabetizadores “Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa” (PNAIC/MEC). O PNAIC é um compromisso assumido entre os governos federal, estaduais e municipais do Brasil, cujo objetivo é alfabetizar todas as crianças brasileiras até os oito anos de idade, ao final do 3º ano do Ensino Fundamental. Visando também a fornecer subsídios para fomentar as discussões sobre a elaboração e/ou revisão dos programas das escolas, uma das etapas do Programa, que teve início em 2013, é a formação continuada de professores alfabetizadores. A fim de refletir sobre a teoria e questionar a própria prática, os participantes dessa formação receberam do governo federal um material de estudo que contempla uma coleção de cadernos – textos que estarão indiretamente presentes em sala de aula, espelhados na práxis docente. Sob uma perspectiva interdisciplinar, analisamos esse material à luz do referencial teórico das áreas de estudos do Letramento (SOARES, 2001; 2014), da Linguística Textual (KOCH, 2008; MARCUSCHI, 2008) e da Didática das Línguas (DOLZ; SCHNEUWLY, 2004) com a intenção de verificar o tratamento teórico e prático dado ao ensino da língua pelo PNAIC. Resultados parciais apontaram que o material sugere o ensino tanto da leitura quanto da escrita, organizado em eixos de ensino – de uso e de reflexão da língua –, desenvolvido por meio da compreensão e produção de textos de gêneros diversos.

Palavras-chave: alfabetização; letramento; gêneros textuais; eixos de ensino; formação continuada de professores.

 

Minibiografias:

Edna Pagliari Brun – Licenciada em Letras/Português e Espanhol e Mestre em Linguística e Semiótica pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), é doutoranda em Estudos da Linguagem na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Professora Assistente da UFMS, leciona disciplinas na graduação em Letras na área de Linguística Aplicada. Integrante do grupo GEMFOR (UEL), desenvolve pesquisas sobre o agir docente, as atividades de linguagem e os gêneros textuais no ensino e na formação de professores.

Juçara Zanoni do Nascimento – Formada em Letras e Direito, possui especialização em Profissionais da Educação, e mestrado em Estudos de Linguagens. Atualmente é professora assistente do Departamento Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Campus de Vilhena – Brasil. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá, na Linha de Pesquisa Texto e Discurso.


Póster 3

Ler e escrever para construir conhecimento – da aprendizagem à formação de professores. Um projeto de intervenção

Autoras:

Teresa Costa-Pereira – UIDEF, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa – teresa.costa.pereira@hotmail.com

Otília Costa e Sousa – Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Educação; Universidade de Lisboa, Instituto de Educação – otilias@eselx.ipl.pt

 

Resumo:

Possuir competências de literacia é condição essencial para aceder ao conhecimento, ter sucesso académico e integrar-se no mundo atual. Saber ler textos expositivos, o texto que, por excelência, permite o acesso aos saberes, constitui um grande desafio para alunos e professores (Colomer & Camps, 2002; Duke & Pearson, 2002; Sousa, 2015). Também a escrita é em si mesma meio de construção de conhecimento. Promove-se a função epistémica da escrita ao gerar conhecimento quando se escreve, ao fazer novas descobertas a partir do que se escreve, isto é, transformando o conhecimento (Carvalho & Barbeiro, 2013).

Neste póster apresentamos um projeto que está a ser desenvolvido num agrupamento de escolas da região de Lisboa. Tem dois grandes objetivos (1) desenvolver materiais e sequências de ensino para o desenvolvimento de estratégias de construção de conhecimento a partir da leitura  e da escrita de textos expositivos e (2) testar um módulo de formação de professores no âmbito da leitura e da escrita para construção de conhecimento. Apresentam-se (i) os pressupostos teórico-metodológicos do projeto, (ii) os recursos desenvolvidos e (iii) os resultados da intervenção.

Pretendemos aprofundar a discussão acerca da importância deste tipo de trabalho desde o primeiro ciclo, pois se o “ler para aprender” e  o “escrever para aprender” estiverem presentes desde cedo as crianças estarão mais preparadas para lidar com o universo do escrito e da cultura letrada.

Palavras-chave: Construção de conhecimento; leitura; escrita; formação de professores.

 

Referências Bibliográficas

Colomer, T., Camps, A., (2002). Ensinar a ler, ensinar a compreender. Porto Alegre: Artmed.

Carvalho, J., and Barbeiro, L. (2013). ‘Reproduzir ou Construir Conhecimento? Funções da Escrita no Contexto Escolar Português’. Revista Brasileira de Educação 18 (54), 609- 628

Duke, N. K., & Bennett-Armistead, V. S. (2003). Reading & writing informational text in the primary grades: Research-based practices. New York: Scholastic.

Sousa, O. C. (2015). Textos e contextos: Leitura, escrita e cultura letrada. Lisboa: MediaXXI.

 

Minibiografias:

Teresa Costa-Pereira – É licenciada em Ensino Básico, mestre em Didática da Lingua Portuguesa, tem experiência de ensino no 1º ciclo, é investigadora da UIDEF, no grupo de pesquisa Currículo e Formação de Professores, doutoranda no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, desenvolve o projeto Ler e escrever para construir conhecimento.

Otília Costa e Sousa – É Professora Coordenadora Principal na ESE,  Instituto Politécnico de Lisboa e investigadora na UIDEF, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.  Agregação pela Universidade de Lisboa, doutoramento em Linguística pela Universidade  Nova de Lisboa. Os seus interesses de investigação  congregam Linguística, Educação e Formação de Professores. Coordena o projeto Oracy in the school culture.