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Simpósio 77

SIMPÓSIO 77 – A IMPORTÂNCIA DA APRENDIZAGEM LEXICAL

 

Coordenadoras:

Filomena Viegas | Universidade do Porto – CLUP/Associação de Professores de Português | fifeca@gmail.com

Madalena Teixeira | Instituto Politécnico de Santarém – ESE/Universidade de Lisboa – CEAUL | madalena.dt@gmail.com

 

Resumo:

Este simpósio tem por objetivo reunir trabalhos, de diferentes países, que mostrem como se pode trabalhar o léxico, em sala de aula, independentemente do nível de ensino, promovendo um momento de discussão e de partilha de experiências; acreditamos e defendemos que o ensino e a aprendizagem lexical constituem, sobremaneira, um fator que contribui para um desempenho de sucesso durante todo o percurso académico de cada indivíduo. Talvez pelo facto de se pressupor que os falantes nativos de uma determinada língua a conhecem com detalhe, esta temática tenha sido objeto de exploração diminuta, tanto no ensino básico, como no ensino secundário, até há poucos anos. Importa realçar que o seu estudo não pode, e não deve, ser dissociado nem da semântica nem da sintaxe, uma vez que uma língua natural não é constituída, somente por palavras isoladas que se combinam aleatoriamente. Além disso, é fundamental o incremento de uma consciência linguística, em particular por parte da comunidade docente, de que a aprendizagem e o alargamento lexical muito são devedores a fatores externos à língua, como são exemplos o social, o económico e as vivências de cada sujeito.

 

Palavras-chave: Léxico, Aprendizagem, Sucesso Escolar.

 

Minibiografias: 

Filomena Viegas é vice-presidente da direção da Associação de Professores de Português (APP), diretora do Centro de formação (cfor@app.pt) e formadora certificada pelo Conselho Científico Pedagógico da Formação Contínua. É investigadora do Centro de Linguística da Universidade do Porto (CLUP). Tem mestrado (1996 FLUL) em Linguística Portuguesa Descritiva e doutoramento (2014 FLUP) em Didática de Línguas. Tem-se dedicado ao ensino da Língua Portuguesa.

Madalena Teixeira é professora adjunta, na Escola Superior de Educação do IPS, e coordenadora dos cursos de mestrado em Didática do Português e Ensino do 1º CEB e Português, História e Geografia de Portugal do 2º CEB. Fez pós-doutoramento, na Universidade Federal de Goiás, doutoramento na Universidade de Lisboa, mestrado na Universidade do Minho. É investigadora na Universidade de Lisboa. Tem-se dedicado ao ensino da Língua Portuguesa.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados
Comunicação 1
A promoção do desenvolvimento lexical em manuais escolares de português em São Tomé e Príncipe: para uma análise e uma proposta

Autoras:
Filomena Viegas – Universidade do Porto – CLUP/Associação de Professores de Português – fifeca@gmail.com
Madalena Teixeira – Instituto Politécnico de Santarém – ESE/Universidade de Lisboa – CEAUL – madalena.dt@gmail.com

 

Resumo:
Defendemos que o conhecimento linguístico é fundamental para a vivência de qualquer cidadão, independentemente da faixa etária. Cremos, assim, que nos primeiros anos de escolaridade, o desenvolvimento de um trabalho formal, alicerçado em documentos norteadores da prática letiva, e também em manuais escolares, é essencial para fomentar, nos alunos, o gosto por esta dimensão da língua. Como o contexto são-tomense se reveste de características educativas específicas, na medida em que o português é a língua de escolarização do país, neste estudo procura-se, por um lado, conhecer o programa de português, do 1.º ciclo do ensino básico (CEB), e os respetivos manuais escolares, a fim de refletir acerca da articulação entre programa e manuais escolares; por outro lado, também temos como objetivo, apresentar propostas de promoção de aprendizagem no que ao desenvolvimento lexical diz respeito.
Assim, este estudo desenvolveu-se em duas fases. Numa fase inicial, analisámos o programa de português de São Tomé e Príncipe, do 1.º CEB, nos quatro anos de escolaridade, bem como os manuais escolares de português correspondentes aos mesmos anos. Posteriormente, elaborámos propostas didáticas para o desenvolvimento do capital lexical, de alunos do 1.º CEB, que foram utilizadas na área curricular de português. Seguidamente, analisámos os resultados dessas propostas e, por último, tecemos as considerações finais.
Os resultados apontam para a existência de desarticulação entre programa e manuais; os manuais escolares apresentam um número reduzido de atividades envolvendo o desenvolvimento do capital lexical; a inexistência de outros manuais passíveis de adoção é uma realidade menos positiva; as propostas didáticas elaboradas afiguraram-se relevantes, sendo, contudo, necessário um trabalho sistemático e frequente, neste âmbito, por parte do professor.
Palavras-chave: Léxico; Manuais escolares; Desenvolvimento lexical.

 

Minibiografias:

Filomena Viegas é vice-presidente da direção da Associação de Professores de Português (APP), diretora do Centro de formação (cfor@app.pt) e formadora certificada pelo Conselho Científico Pedagógico da Formação Contínua. É investigadora do Centro de Linguística da Universidade do Porto (CLUP). Tem mestrado (1996 FLUL) em Linguística Portuguesa Descritiva e doutoramento (2014 FLUP) em Didática de Línguas. Tem-se dedicado ao ensino da Língua Portuguesa.
Madalena Teixeira é professora adjunta, na Escola Superior de Educação do IPS, e coordenadora dos cursos de mestrado em Didática do Português e Ensino do 1º CEB e Português, História e Geografia de Portugal do 2º CEB. Fez pós-doutoramento, na Universidade Federal de Goiás, doutoramento na Universidade de Lisboa, mestrado na Universidade do Minho. É investigadora na Universidade de Lisboa. Tem-se dedicado ao ensino da Língua Portuguesa.


Comunicação 2
Dicionário de Aprendizagem de Português do Brasil como Segunda Língua

Autora:
Michelle Machado de Oliveira Vilarinho – Universidade de Brasília – michelleprofessora@gmail.com

Resumo:
Esta pesquisa se insere na linha de pesquisa Léxico e Terminologia do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Brasília (UnB). Essa linha de pesquisa é desenvolvida no Centro de Estudos Lexicais e Terminológicos (Centro Lexterm) do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas (LIP) da UnB. O objeto de estudo é o Dicionário de Aprendizagem com base na concepção de Bion, Selva & Verlinde (2002, p. 58) acerca desta tipologia lexicográfica. O objetivo da pesquisa é oferecer ao consulente acesso gratuito, em site, a obra lexicográfica que ofereça o léxico do Português do Brasil. Os estrangeiros, os índios e os surdos residentes no Brasil, os estrangeiros aprendizes do Português do Brasil residentes no exterior são os consulentes em potencial da obra, bem como os professores de Português como L2 e LE. Como não existe dicionário direcionado a este público-alvo, a execução desta pesquisa contribuiu para desenvolvimento da lexicografia brasileira, bem como para difusão da nossa língua e cultura por meio da consulta ao dicionário on-line. Para estruturar os verbetes, será aplicada a proposta metodológica para elaboração de léxicos, dicionários e glossários, de Faulstich (2001). Os verbetes são organizados em ordem alfabética e constituídos por: +palavra-entrada, +informação gramatical, +pronúncia, +separação silábica, +definição, ±fonte da definição, ± remissão, ±contexto, ±fraseologia, ± ilustração. Para delimitar a nomenclatura da obra, bem como para extrair os contextos, usamos os dados disponíveis para consulta no Sketch Engine. O resultado do estudo gerou dicionário composto por 500 verbetes. O produto foi disponibilizado gratuitamente em site para que possa ter ampla consulta. Uma vez que o Brasil possui função relevante no cenário internacional, há contexto favorável para o ensino e a aprendizagem da língua portuguesa. Assim sendo, o produto do projeto serve como instrumento de disseminação da Língua Portuguesa e da cultura brasileira.
Palavras-chave: Lexicografia; Dicionário de Aprendizagem; Português do Brasil como Segunda Língua.

Minibiografia:
Professora do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas (LIP) da Universidade de Brasília (UnB); pesquisadora do Centro de Estudos Lexicais e Terminológicos (Centro Lexterm) da UnB. Atua como docente do curso de Licenciatura em Letras Português do Brasil como Segunda Língua (PBSL) da UnB.


Comunicação 3
O dicionário escolar como material de estudos do léxico

Autores:
Gislene Lima Carvalho – Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) – giscarvalho20@gmail.com
Antônio Luciano Pontes – Universidade Estadual do Ceará (UECE) – pontes321@hotmail.com

Resumo:
As palavras e expressões compõem o léxico de uma língua. Dentre as expressões, encontramos as chamadas unidades fraseológicas, que são composições relativamente fixas formadas por mais de uma palavra e são objeto de estudo da Fraseologia, subárea da Lexicologia. Quando analisamos o tratamento dessas expressões em materiais didáticos, percebemos uma dificuldade em abordá-las sistematicamente devido à sua característica polilexical e, por esse motivo, elas tendem a ser deixadas de fora desses materiais de apoio ao ensino de línguas. Como base no exposto, esta comunicação tem por objetivo analisar o tratamento dispensado às unidades fraseológicas em dicionários escolares brasileiros de língua portuguesa. Delimitamos a análise nas expressões idiomáticas constantes nos materiais e em como essa apresentação pode contribuir ao processo de ensino de língua portuguesa. Com este objetivo, selecionamos três dicionários escolares brasileiros: Dicionário escolar da língua portuguesa da Academia Brasileira de Letras (2012), Dicionário escolar da língua portuguesa Caudas Aulete (2012) e Dicionário da língua portuguesa Saraiva Jovem Ilustrado (2011). Para a análise, tomamos como aportes teóricos estudos de Lexicologia, Lexicografia e Fraseologia. Como conclusões, constatamos que a dificuldade na abordagem das expressões idiomáticas consiste em definir em qual lugar essas expressões devem constar nos dicionários. Constatamos ainda que as informações sobre as expressões idiomáticas não apresentam sistematização nos materiais analisados. No entanto, há grande quantidade delas nos dicionários escolares, o que demonstra que a linguagem popular/coloquial figura nos materiais, embora seja necessário um tratamento didático que facilite a identificação dessas unidades por parte do consulente, no caso, o estudante de língua portuguesa.
Palavras-chave: Léxico; Dicionário; Ensino; Expressões Idiomáticas.

Minibiografias:
Gislene Carvalho é professora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira. Mestre em Linguística e Doutora em Linguística Aplicada, realiza pesquisas nas áreas de Lexicologia e Lexicografia, Fraseologia e Português Língua Estrangeira. Membro do grupo de pesquisa Lexicografia, Terminologia e Ensino (LETENS).
Luciano Pontes é professor da Universidade Estadual do Ceará. Mestre em Língua Portuguesa e Doutor em Linguística. Líder do Grupo de Pesquisa Lexicografia, Terminologia e Ensino (LETENS/UECE). Participa como membro-efetivo do GT Lexicologia, Lexicografia e Terminologia, da ANPOLL. Desenvolve pesquisa nas áreas de Geolinguística, Lexicografia teórica, fazendo interface com a Teoria da Multimodalidade e a Análise do Discurso.


Comunicação 4
Léxico e Ensino: Uma Análise de Livro Didático da Segunda Fase do Ensino Fundamental de Uma Escola Pública de Catalão-Go

Autoras:
Fernanda Mendes Pereira – UFG – RC – fernandamendes.per@gmail.com
Vanessa Regina Duarte Xavier – UFG – RC – vrdxavier@gmail.com

Resumo:
A presente pesquisa propõe a realização de um breve diagnóstico do ensino do léxico, a partir da análise do livro didático “Português nos dias de hoje”, de autoria de Faraco e Moura (2012), usado na segunda fase do ensino fundamental em uma escola pública de Catalão-GO. Tal procedimento é percebido como importante para que o processo de ensino-aprendizagem possa ser reavaliado, em consonância com os PCNs. Pretende-se contribuir para que haja êxito no desenvolvimento da competência lexical dos aprendizes. Este estudo se realizará a partir de: uma pesquisa bibliográfica, incluindo o fichamento dos textos que abordam o tema, acompanhado de uma discussão crítica do mesmo, a fim de dar sustentação a cada etapa do trabalho; o levantamento das atividades envolvendo o léxico; e a análise dos dados. Como referencial teórico, esta pesquisa terá como alicerce estudos de Antunes (2012), acerca da conceituação e do ensino do léxico; Guerra e Andrade (2012), sobre reflexões críticas em relação à situação do ensino do léxico nas escolas do Brasil; e Dias (2003) e Cruz (2015) sobre propostas metodológicas para um ensino mais eficaz do léxico. Entende-se que o livro didático é um instrumento nesse processo, talvez o de maior importância, tendo em vista ser o material com o qual o professor, em geral, lida diariamente e que norteia a sua prática, embora não se acredite que o livro didático seja exclusivamente o responsável pelo sucesso ou fracasso no ensino do léxico. No entanto, espera-se que as reflexões aqui propostas, voltadas para a reformulação desse material, potencializem e viabilizem um estudo mais eficiente do léxico e, por conseguinte, o desenvolvimento das competências básicas da linguagem, a saber, a leitura e a produção de textos.
Palavras-chave: Léxico; Ensino; Livro didático.

 

Minibiografias:

Fernanda Mendes Pereira: Graduanda em Letras Português e Inglês, pela Universidade Federal de Goiás – Regional Catalão. Atualmente desenvolve o plano de trabalho intitulado “Como anda o ensino do léxico nas aulas de Língua Portuguesa?” no âmbito do PIBIC-PROLICEN/CNPq, o qual se vincula ao projeto “Estudos do léxico em perspectiva” coordenado pela Professora Doutora Vanessa Regina Duarte Xavier. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em História do Português (CNPq/UFG).
Vanessa Regina Duarte Xavier: Graduada em Letras pela UFG/RC (2007), doutora em Letras pela USP (2012) e pós-doutora pela UFG/RC (2015). Professora da UFG/RC e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPGEL). Pesquisadora participante do “Grupo de Estudos e Pesquisas em História do Português”. Atua nas áreas de Linguística e Filologia, com ênfase em Lexicologia.


Comunicação 5
A definição terminológica como elemento de aprendizagem lexical

Autora:
Cleide Lemes da Silva Cruz – Instituto Federal de Brasília – cleide.cruz@ifb.edu.br

Resumo:
Este trabalho está inserido na linha de pesquisa Léxico e Terminologia, desenvolvida no Campus Brasília do Instituto Federal de Brasília (IFB), está vinculado ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação ao desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI, 2016), cujo objeto de estudo é o léxico da Gestão Pública. O objetivo é confeccionar um glossário bilíngue de terminologias da área da gestão pública, que seja útil para a aprendizagem da terminologia dessa área tecnológica ofertada pelo IFB, de modo que haja interface entre terminologia e cultura, dada à importância da dimensão comunicativa dos termos, uma vez que focalizam os usuários a quem as descrições terminológicas são planejadas. Para isso, escolheu-se o campo semântico orçamento público com vista a analisar qual a melhor forma de construir a definição que é entendida como enunciado descritivo do ser ou objeto na cultura em que está inserido. O método adotado para a leitura e reformulação das definições é o descritivo-comparativo das definições presentes no Vocabulário de Controle Externo do Tribunal de Contas da União (2016) e no Glossário do Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização (2005). O tratamento linguístico dos termos que comporão o Glossário segue a metodologia proposta por Finatto (2001) e Faulstich (2001 e 2014). Para isso, é preciso verificar se: a) está na estrutura do termo algum traço que abriga o conceito canônico (x é…SER incl) ou que abriga o conceito pragmático (SERVE para…); ou ainda b) se diz respeito às informações como: é consequência de, causado por, resultado de ou efeito de (RESULTA de) e c) se o objeto tem ou contém algo (POSSUIR). Afirmamos em nosso estudo que ‘ser’, ‘servir’, ‘resultar de’ e ‘possuir’ facilitam a compreensão do conceito na área de especialidade da gestão pública, porque possibilitam descrever (X) como equivalente de (Y). Em nosso estudo no processo de aquisição lexical, o componente lexical é um filtro funcional, porque é pelo léxico que o falante se refere às coisas do mundo extralinguístico.
Palavras-chave: Definição; Terminologia; Glossário; Gestão Pública.

 

Minibiografia:
Cleide Lemes da Silva Cruz é Doutora em Linguística (UnB), professora do Curso de Tecnologia em Gestão Pública e do Ensino Médio Integrado em Informática do Instituto Federal de Brasília (IFB/CBra) e pesquisadora da área de Léxico e Terminologia (UnB/IFB) e autora do livro Glossário de Terminologias do Vestuário (2013).


Comunicação 6
O provérbio como estímulo num terapeuta virtual

Autores:
Sónia Reis – Universidade do Algarve – reis.soniamm@gmail.com
Annamaria Pompili – INESC-ID Lisboa / Spoken Language Systems Lab (L2F) anna@l2f.inesc-id.pt
Alberto Abad – Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa & INESC-ID Lisboa/Spoken Language Systems Lab (L2F) – alberto.abad@l2f.inesc-id.pt
Jorge Baptista – Universidade do Algarve & INESC-ID Lisboa/Spoken Language Systems Lab (L2F) – jbaptis@ualg.pt

Resumo:
Os provérbios são elementos úteis no diagnóstico e terapia de certas patologias da linguagem, nomeadamente as que resultam de trauma, já que estão associados a estruturas da memória que são afetadas diferencialmente, mesmo quando a capacidade de falar é diminuída (Cazelato, 2008; Santos et al. 2009; Sé, 2011). Por esta razão, os provérbios têm vindo a ser utilizados como auxiliar de diagnóstico e terapia, na medida em que constituem uma forma de exercício das estruturas cognitivas a partir da memória de longa duração. Estes exercícios consistem, basicamente, em pedir aos pacientes que completem o provérbio, digam qual o seu significado ou expliquem o contexto em que este pode ser utilizado. Apesar da sua ubíqua utilização por parte de terapeutas, a seleção dos provérbios para estímulo numa terapia ou num diagnóstico pode apresentar dificuldades, uma vez que não é fácil determinar se o não reconhecimento de um dado provérbio pelo paciente está associado a quadros patológicos (p. ex. demência) ou ao mero desconhecimento do mesmo. Importa por isso que os provérbios e variantes a utilizar para estímulo sejam os de uso mais frequente e que possam ser reconhecidos pela generalidade dos falantes.
Nesta comunicação, apresentamos a metodologia seguida na construção de um módulo de exercícios de diferentes tipos envolvendo provérbios (Reis & Baptista, 2016) a integrar num Terapeuta Virtual para o tratamento da Afasia, o sistema VITHEA: Virtual Therapist for Aphasia Treatment (Abad et al. 2013).
Tendo por objetivo último a identificação automática de provérbios e suas variantes em textos, associando as variantes às respetivas formas de base, foi já construída uma lista digitalizada de cerca de 114 mil provérbios (e suas variantes), retirada de 4 recolhas e dicionários de provérbios, que funciona como base de trabalho.
Pretendemos, num primeiro momento, verificar quais os provérbios e suas variantes mais difundidas no corpus resultante das várias coletâneas de provérbios. De seguida, identificamos os tipos de exercícios que é possível construir de forma semiautomática, explorando a informação disponível no corpus. Finalmente, sobre uma amostra dos exercícios produzidos, avaliamos o grau de generalidade dos provérbios selecionados para o falante comum, bem como as dificuldades de implementação no terapeuta virtual que estes exercícios levantam.
Palavras-chave: Provérbios; Afasia; Terapeuta virtual; Exercícios de diagnóstico e terapia de afasia; Processamento da Linguagem Natural (PLN).

 

Minibiografias:

Sónia Reis é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e mestre em Ciências da Linguagem pela Universidade do Algarve, tendo também concluído a parte curricular do programa de doutoramento em Ciências da Linguagem da mesma universidade. A sua tese de doutoramento incide sobre a função discursiva das expressões proverbiais, isto é, a forma como estas se articulam com o discurso em que encontram, abordando também problemas de delimitação e identificação automáticas de provérbios em textos, usando ferramentas de processamento de linguagem natural, com o objetivo de desenvolver diversas aplicações didáticas e terapêuticas/de diagnóstico.
Annamaria Pompili é aluna de doutoramento em Engenharia Informática e de Computadores do Instituto Superior Técnico da Universidade Lisboa. Tem trabalhado como bolseira de investigação no Laboratório de Sistemas de Língua Falada (L2F) do INESC-ID Lisboa, no âmbito do projeto VITHEA – Terapeuta Virtual para o Tratamento da Afasia. Os seus interesses de investigação visam a aplicação das tecnologias da linguagem e da fala à terapia e diagnóstico de patologias da linguagem associadas a doenças degenerativas.
Alberto Abad é doutorado em Engenharia de Telecomunicações pela Universidade Politécnica de Catalunha (UPC), professor auxiliar do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa e investigador do INESC-ID Lisboa, no Laboratório de Língua Falada (L2F). Os seus atuais interesses de investigação incluem reconhecimento robusto de fala, identificação de língua e de falantes, análise computacional da cena acústica, multimédia e aplicações de tecnologias de fala à prestação de cuidados de saúde (projetos VITHEA e DIRHA).
Jorge Baptista é professor associado da Universidade do Algarve e investigador do INESC-ID Lisboa, no grupo do Laboratório de Língua Falada (L2F), trabalhando em Processamento Computacional de Linguagem Natural, especificamente em Português, incluindo no desenvolvimento de recursos linguísticos para aplicações computacionais ao ensino da língua. Tem igualmente trabalho publicado relacionado com as ferramentas computacionais de diagnóstico e apoio terapêutico a diversas patologias da linguagem.


Comunicação 7

Notícias do Projeto Pequeno Dicionário da Cozinha Baiana: Aprendizagem Lexical e Identidade Gastronômica

Autora:
Lise Mary Arruda Dourado – UNEB/UNIFACS – lisearruda@gmail.com

 

Resumo:

O dicionário de especialidade funciona como importante material didático, instrumento para se ter acesso a termos específicos de determinada área do conhecimento. Na Gastronomia, ainda é insipiente a produção de dicionários, sobretudo, acerca das culinárias locais, e, em se tratando da cozinha baiana, ainda não há um dicionário que ofereça ao leitor uma visão panorâmica dessa cozinha. Abraçamos, então, esse delicioso desafio. Com o propósito de facilitar o cotidiano dos profissionais e estudantes de Gastronomia, bem como dos estudiosos sobre cultura e identidade baiana, comensais, entre outros, surgiu a ideia de elaborar o Pequeno Dicionário da Cozinha Baiana. Neste artigo, temos o objetivo de apresentar notícias do projeto de elaboração dessa obra lexicográfica, que tem o intuito de reunir um acervo léxico referente não só ao que se classifica como típico da culinária baiana, mas também à cozinha contemporânea e cotidiana da Bahia, organizando os verbetes em cinco campos: dos ingredientes; dos alimentos; das bebidas; dos utensílios; dos processos e métodos. A coleta dos verbetes dá-se a partir de pesquisas bibliográficas e em campo, sendo este compreendido como estabelecimentos comerciais alimentícios de grande e pequeno porte e nas comunidades onde estão inseridos. Foram consultados compêndios lexicográficos – os dicionários de línguas africanas (FONSECA JÚNIOR, 1983; LOPES, 2003), o vocabulário afro-brasileiro (CASTRO, 2001), entre outros –, além de referências sobre a culinária baiana, tais como Querino (1928), Vianna (1955), Lody (1979), Sousa Jr. (2009), Radel (2012), entre outros. Para a construção do projeto, foi imprescindível a noção de aprendizagem lexical por meio de dicionários, defendida por Krieger (2012) e Antunes (2012), que pode se estender a todos os níveis de ensino. Como resultado, esperamos contribuir para a instrumentalização de estudos e aprendizagem do léxico da culinária da Bahia, bem como da sua gastronomia e identidade baiana.
Palavras-chave: Lexicografia; Léxico afro-brasileiro; Cozinha baiana; Identidade.

 

Minibiografia:

Professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) nas áreas de Linguística e Educação. Doutora em Educação e Contemporaneidade (PPGEduC/UNEB). Mestra em Estudo de Linguagens (PPGEL/UNEB). Graduada em Letras Vernáculas (UCSal). Graduanda em Gastronomia (UNIFACS).


Comunicação 8
Proposta de um Glossário da Terminologia da Ciência do Solo

Autora:
Rebeka da Silva Aguiar – Universidade de Brasília – rebekasag@hotmail.com

 

Resumo:
Este estudo é um recorte de uma pesquisa de doutorado em curso, que está sendo desenvolvida no Centro de Estudos Lexicais e Terminológicos – Centro LexTerm – http://www.centrolexterm.com.br, na Universidade de Brasília – UnB. O projeto está vinculado à linha de pesquisa Léxico e Terminologia do Programa de Pós-Graduação em Linguística. Nesta exposição, temos o objetivo de apresentar a proposta de um glossário terminológico da Ciência do Solo com vistas a contribuir para a aprendizagem dos acadêmicos dos cursos de graduação em Agronomia e Engenharia Ambiental. Por conseguinte, justificamos a confecção de um material terminográfico dessa natureza, porque os alunos iniciantes que cursam a disciplina Ciência do Solo não dominam o vocabulário de especialidade, o que pode prejudicar a aprendizagem, segundo o professor da disciplina. Na investigação, adotamos a metodologia de Faulstich (1995), relativamente à coleta de corpus, delimitação do objeto de estudo e do público-alvo, definição do mapa conceitual, extração dos candidatos a termos, critérios de seleção, validação dos termos por especialistas e estrutura prévia do vocabulário. O estudo segue princípios da terminologia e da socioterminologia desenvolvidos por Faulstich (1995; 1999; 2001; 2006) e Gaudin (2014), complementados por discussões de Auger (2010), Guilbert, (2010), Rey (2010) entre outros. Alguns dados do corpus, como, solo zonal, solo azonal, solo halomórfico, solo transportado, substrato rochoso, camada de material mineral consolidada, camada impermeável, camadas delgadas de solos sobre rochas serão discutidos, conforme os aspectos teóricos da sintaxe e da semântica.

Palavras-chave: Terminologia; Glossário; Aprendizagem; Ciência do Solo.

 

Minibiografia:
Rebeka da Silva – Doutoranda em Linguística pela Universidade de Brasília, sob a orientação da professora Enilde Faulstich, mestre em Letras pela Universidade Federal do Acre e especialista em Língua Portuguesa pela Faculdade de Rondônia. Possui Licenciatura em Letras pela Universidade Federal do Amazonas. Possui experiência no ensino de Língua Portuguesa e Metodologia do Trabalho Científico para os cursos de Letras e Pedagogia.


Comunicação 9
Criação de corpus textual para o ensino do léxico em um curso de graduação em turismo

Autora:
Ivanir Azevedo Delvizio – Universidade Estadual Paulista – ivanir@rosana.unesp.br

 

Resumo:
A proposta desta pesquisa surgiu como fruto de nossa atuação como docente da disciplina de Comunicação e Expressão no curso de graduação em Turismo da Universidade Estadual Paulista, São Paulo, Brasil, mediante relato de alunos que, embora falantes nativos de língua portuguesa, apresentavam dificuldades em relação à leitura e compreensão de textos acadêmicos em sua língua materna. A maior parte dos alunos ingressantes no curso de Turismo da Unesp acabaram de concluir o ensino de primeiro grau, e a falta de conhecimento lexical e de familiaridade com textos de caráter teórico acabam comprometendo a compreensão dos textos indicados pelos docentes e, consequentemente, prejudicando seu desempenho acadêmico. O objetivo da pesquisa foi realizar um levantamento e análise lexical dos textos acadêmicos de leitura obrigatória utilizados pelos docentes no primeiro ano do curso de graduação em Turismo. Para isso, com o auxílio dos docentes, foi criado um corpus composto pelos textos utilizados nas disciplinas ministradas no primeiro ano do curso de Turismo, a saber: Espaço Geográfico Mundial; Ética e Turismo; Introdução à Filosofia; Introdução à Gastronomia; Modernidade e Sociedade; Memória e Sociedade e Teoria Geral do Turismo. Esse corpus foi analisado com a ferramenta de análise lexical WordSmith Tools, por meio da qual foram geradas uma lista de todas as palavras do corpus e uma lista das palavras-chave. O programa também gera linhas de concordância de cada palavra por meio das quais é possível observar os co-textos e acessar os contextos na íntegra. Esta primeira parte da pesquisa foi fundamental para se conhecer os tipos de textos, sua densidade lexical e o léxico fundamental com o qual os alunos têm contato no primeiro ano da graduação e permitirá, em uma segunda etapa, desenvolver materiais e atividades na disciplina de Comunicação e Expressão, a partir do corpus compilado, com foco no desenvolvimento da competência lexical desses alunos.

Palavras-chave: Léxico; Linguística de Corpus; Turismo; WordSmith Tools.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras Com Habilitação de Tradutor (2003) pela Universidade Estadual Paulista – UNESP, onde também realizou o curso de Mestrado (2006) e Doutorado (2011) em Estudos Linguísticos. Atualmente é professora assistente doutora da UNESP, lecionando as disciplinas de Comunicação e Expressão, Redação Científica, Inglês I e II e Espanhol I e II no curso de Turismo. Desenvolve pesquisas na área de Lexicologia, Terminologia e Turismo.


Comunicação 10
Subutilização de dicionários por professores e por alunos na região norte do estado do Paraná – Brasil

Autor:
Fernando Moreno da Silva – Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP/Brasil) – moreno@uenp.edu.br

Resumo:
Dentro das ciências do léxico, a Lexicografia tem se desenvolvido muito, sobretudo por destacar o papel das obras lexicográficas como instrumentos pedagógicos no ensino e na aprendizagem da língua, haja vista a inclusão do dicionário no Programa Nacional do Livro Didático, programa este denominado “PNLD Dicionários”. Com esse desenvolvimento da Lexicografia, a questão que se levanta é: houve alguma mudança na percepção dos alunos e dos professores em relação à importância do dicionário para o aprendizado da língua? O propósito deste artigo é tentar responder a essa questão investigando três públicos: alunos da educação básica, alunos do ensino superior e professores da educação básica. Os resultados fazem parte de pesquisas de mestrado e de iniciação científica sob nossa orientação. Para a investigação, foram aplicados questionários junto a professores e a alunos na região norte do estado do Paraná, no Brasil. Os questionários mostraram que o dicionário é subutilizado e pouco conhecido, ficando restrito apenas na maioria das vezes à consulta de significado e de ortografia. Isso demonstra que o potencial das obras lexicográficas, terminográficas e fraseográficas como ferramenta pedagógica é pouco explorado, confirmando assim a suposição de que o ensino do léxico pelo dicionário em sala de aula é insuficiente ou muitas vezes não praticado. Isso demonstra também a necessidade de inclusão da Lexicografia no currículo dos cursos de graduação de Letras e de Pedagogia.
Palavras-chave: Lexicografia; Dicionário; Ensino; Paraná; Brasil.

 

Minibiografia:
Doutorado em Linguística (UNESP/Araraquara). Professor do curso de Letras (campus de Jacarezinho), do Mestrado Profissional em Letras (campus de Cornélio Procópio) e Diretor de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). É líder do GruPEL- UENP (Grupo Paranaense de Estudos do Léxico). Áreas de interesse: lexicologia, onomástica, dicionários, fraseologia.


Comunicação 11
A Aquisição Terminológica nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental

Autora:
Tânia Borges Ferreira – Universidade de Brasília – UnB – taniatbf@gmail.com

 

Resumo:
As terminologias estão presentes nos variados discursos científicos. Porém, o contato com elas se inicia desde a infância, pois durante a vida escolar nos deparamos com termos nos discursos e conteúdos ensinados via disciplinas escolares. Por serem inseridas em uma fase de produtiva aquisição lexical e por geralmente carregarem conceitos um tanto quanto abstratos, em um período da vida em que o lúdico e o concreto são essenciais, essas terminologias precisariam ser abordadas de forma adequada a faixa etária das crianças, com um tratamento mais palatável em sala de aula. Este trabalho é parte de uma pesquisa maior que tem por objetivo realizar um estudo sistemático do tratamento terminológico dado nos livros didáticos das séries iniciais do ensino fundamental brasileiro. A metodologia recai sobre estudo da Terminologia e aquisição lexical; identificação e coleta dos termos nos livros didáticos usados pelos alunos; montagem de fichas terminológicas; e trabalhos de campo por meio de oficinas terminográficas para analisar o tratamento dado pelos professores em sala de aula das terminologias e a compreensão delas por parte dos alunos. Por conceber os discursos de especialidade parte integrante da língua e não uma língua à parte, esta pesquisa se fundamenta nos pressupostos teóricos da Teoria Comunicativa da Terminologia, (Cabré 1998, 2003) e da Socioterminologia (Gaudin 1993; Faulstich, 1998 e 2006); também visa aprofundar os estudos terminológicos de Gomes & Ferreira (2012 e 2015), Ferreira (2013). Ao tratar da aquisição lexical no ambiente escolar, essa pesquisa prioriza a relevância dos livros didáticos e dicionários escolares, uma vez que o uso de ambos deveria contribuir de forma efetiva na aquisição lexical, mas muitas vezes essa abordagem é falha por apresentar um grau de complexidade que exigi um grau de Letramento além da realidade para a faixa etária das crianças e da realidade escolar brasileira.
Palavras-chave: Aquisição lexical; Terminologia; Séries iniciais; Livros didáticos.

 

Minibiografia:
Doutoranda em Linguística pela Universidade de Brasília – UnB. Mestra em Linguística pela Universidade de Brasília – UnB. Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Goiás – UEG e em Letras Português e respectiva Literatura pela Universidade de Brasília – UnB. Também possui especialização em Gestão e Orientação Educacional. Desenvolve pesquisa na área de Terminologia, Educação e Línguas indígenas.


Comunicação 12
Léxico e leitura: uma abordagem lexicológica

Autor:
Cassiano Butti – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) – cbutti@ig.com.br

Resumo:
Esta comunicação insere-se na área dos estudos lexicais e tematiza o léxico como um dos recursos linguísticos responsáveis por mobilizar diferentes tipos de conhecimentos necessários ao processo de construção de sentidos na leitura em língua materna ou estrangeira. As propostas didáticas em circulação nos espaços escolares brasileiros ainda restringem o trabalho com o léxico às atividades de categorização gramatical ou de busca de valores semânticos institucionalizados sob a forma de predicações lexicográficas nas páginas de dicionários, para sanar dúvidas do “vocabulário do texto”. Tais práticas, ainda que tenham seu valor, não contribuem de modo expressivo para uma educação linguística que ajude a formar o que Bechara (2006) designa “poliglota na própria língua”. Nesse sentido, justifica-se o trabalho pela falta que se ressente de propostas que abordem, de forma indissociável, as relações entre léxico e leitura. O objetivo deste trabalho, portanto, é discutir uma proposta didática para o ensino da compreensão e interpretação textuais em língua portuguesa na educação básica, ancorada nas relações léxico-gramaticais. A metodologia utilizada implicou um procedimento interpretativista, por meio da análise dos conhecimentos não linguísticos pelos linguísticos. Fundamenta-se a proposta em princípios gerais defendidos em Lexicologia (LEFFA, 2000; BIDERMAN, 2001; MORTUREUX, 2004), numa interface com investigações em Linguística Textual (SEVERINO et al. 2005; LOPES, 2006; ANTUNES, 2012). Os resultados obtidos ainda são parciais, mas apontam que a competência lexical deve ser concebida como uma competência transversal, considerando-se que as formas léxico-gramaticais do texto-produto funcionam como guias para orientar os processos de construção de sentidos.
Palavras-chave: Língua Portuguesa; Lexicologia; Léxico; Leitura; Ensino.

 

Minibiografia:
Cassiano Butti é mestre em Língua Portuguesa pela PUC-SP e doutorando em Filologia e Língua Portuguesa pela USP. Atua como professor do Departamento de Português da PUC-SP, onde também exerce as funções de chefe suplente e vice-coordenador do curso de Especialização em Língua Portuguesa. É investigador do Grupo Interinstitucional de Pesquisas em Lexicologia (UFS) e do Grupo de Pesquisa em Educação Linguística (PUC-SP). Realiza estudos em Lexicologia, Lexicografia e Ensino de PLM/PLE.


Comunicação 13
Da compreensão das palavras à apreensão dos conceitos: um contributo da língua materna à literacia matemática

Autora:
Carla Silva – Agrupamento de Escolas de Sampaio – carlaisasilva@hotmail.com

 

Resumo:
Ler e escrever em língua materna não é a única forma de interpretar, explicar e analisar o mundo. A linguagem matemática é outra dessas formas que tem os seus próprios códigos, que por sua vez constituem uma linguagem própria. Como apresenta Menezes (1999:3), na realidade, estamos perante um meio de comunicação possuidor de um código próprio, com uma gramática e que é utilizado por uma comunidade. Para o seu domínio, exige-se a compreensão e interpretação do vocabulário, dos seus símbolos e sinais gráficos que se interligam.
Reconhecer o relacionamento direto entre o vocabulário e a capacidade para apreender novos conceitos, nomeadamente, no que diz respeito à linguagem matemática é o objetivo geral a partir do qual surgiram as seguintes questões investigativas: Qual a importância do léxico na compreensão da linguagem matemática? De que forma os conceitos matemáticos poderão ser abordados na aula de português? Que estratégias apresentam os manuais escolares de matemática para a aquisição de novo vocabulário e para a apreensão de conceitos?
Tendo como ponto de partida as questões investigativas e através de uma metodologia de investigação/ação, este estudo permitiu verificar a relação que, efetivamente, se estabelece entre a língua portuguesa e a linguagem matemática, uma vez que o não entendimento da primeira poder-se-á associar, de forma direta, ao desconhecimento do vocabulário utilizado e à incompreensão da segunda. Por outro lado, há que incentivar o trabalho colaborativo e interdisciplinar de modo a que os conceitos matemáticos possam fazer parte integrante da aula de português, quer através do domínio da gramática, nomeadamente, a formação de palavras, quer através do domínio da expressão escrita, fomentando a integração de conceitos em textos elaborados pelos alunos, de preferência em laboratórios de língua, para que o léxico seja abordado numa perspetiva clínica e para que se incremente o conhecimento metalinguístico, praticamente ausente dos manuais de matemática.
Palavras-chave: léxico, língua materna, literacia matemática, aprendizagem.

 

Minibiografia:
Carla Silva é professora de Português do 3.º ciclo e secundário e formadora certificada pelo Conselho Científico Pedagógico da Formação Contínua. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (UAL – 1994), tem um curso em Ciências da Educação (UAL – 1996), tem mestrado em Estudo Didáticos, Culturais, Linguísticos e Literários (UBI -2009) e doutoramento em Letras (UBI – 2013). A sua área de investigação está direcionada para a importância da língua portuguesa na compreensão da linguagem matemática.


 

Póster 1

A Produção de um Glossário Bilíngue de Terminologias da Gestão Pública e Seu Estudo Lexical

Autores:
Gabriele Oliveira de Almeida – Instituto Federal de Brasília – gabrieleoliveiradealmeida@gmail.com
Cleide Lemes da Silva – Instituto Federal de Brasília – cleide.cruz@ifb.edu.br

 

Resumo:
Este trabalho está inserido na linha de pesquisa lexical e terminológica e tem por objetivo a composição de um glossário bilíngue voltado para o campo da Gestão Pública, baseando-se na análise dos conceitos de terminologias e verbetes observados no Glossário do Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização (GESPÚBLICA, Brasil), no Glossário do Tribunal de Contas da União (TCU, Brasil), no Glossário do Portal da Transparência do Governo Federal (Brasil) e no Dicionário de Política (Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino). O método adotado para a leitura e reformulação dos conceitos é o descritivo-analítico e o tratamento linguístico dos termos que compõem o Glossário segue a metodologia proposta por Faulstich (2001 e 2014). O glossário apresenta ordem alfabética e os verbetes apresentam a seguinte estrutura: +palavra-entrada, +informação gramatical, +definição, ±fonte da definição, ± remissiva, ±contexto, ± fonte do contexto, ±equivalente. Até o momento, o Glossário possui cerca de 170 (cento e setenta) verbetes, compostos por suas terminologias e conceituações. A construção do Glossário de Terminologias de Gestão Pública se faz importante por trazer, em sua origem e em sua composição, conceitos e termos de diversas disciplinas do saber, mas de maneira a consolidar a Gestão Pública como campo autônomo de estudo e de natureza própria, que carece de tratamento linguístico-terminológico de seus termos.
Palavras-chave: Léxico; Terminologias; Glossário; Gestão Pública.

 

Minibiografias:

Gabriele Oliveira de Almeida é estudante do terceiro período na graduação do curso de Gestão Pública, no Instituto Federal de Brasília (IFB). Tem-se dedicado a pesquisas na área da Gestão e na área da Língua Portuguesa.
Cleide Lemes da Silva é Doutora em Linguística (UnB), professora do Curso de Tecnologia em Gestão Pública do Instituto Federal de Brasília (IFB/CBra) e pesquisadora da área de Terminologia (UnB/IFB).