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Simpósio 76

SIMPÓSIO 76 –  A NEOLOGIA NO SÉCULO XXI – CASOS DO QUOTIDIANO

 

Coordenadoras:

Ieda Alves | Universidade de São Paulo | iemalves@usp.br

Teresa Lino | Universidade Nova de Lisboa/CLUNL | tlino@mail.telepac.pt

Madalena Teixeira | Instituto Politécnico de Santarém/Universidade de Lisboa | madalena.dt@gmail.com

 

Resumo:

O léxico desempenha um papel essencial na comunicação de qualquer indivíduo. Assim sendo, na época das literacias de comunicação, de informação, digital, é inevitável que os usos vocabulares espelhem o dinamismo que lhes é inerente e que se vivencia à entrada do século XXI; ora substituindo, ora rejeitando, uma vezes acrescentando, outras adaptando e até criando.

Assim, são objetivos deste simpósio: i) analisar, ii) partilhar, iii) discutir quais as opções lexicais dos falantes e escreventes, seja no discurso oral, seja no discurso escrito, independentemente dos corpora (literários, científicos, jornalísticos,…) serem vernaculares ou estrangeirismos.

 

Palavras-chave: léxico, neologia, estrangeirismos, competências linguísticas.

 

Minibiografias:

Ieda Maria Alves – Professora titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e pesquisadora IA do CNPq. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase nos estudos do Léxico, atuando principalmente nos seguintes temas: neologia, neologismo, lexicologia, lexicografia e terminologia.

Teresa Lino – Professora Catedrática do Departamento de Linguística da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, especialidade: Lexicologia e Lexicografia e membro do Conselho Científico da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.  Investigadora Responsável do Grupo de “Lexicologia, Lexicografia e Terminologia” do Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa.

Madalena Teixeira – Professora Adjunta da Escola Superior de Educação de Santarém, da qual é Presidente do Conselho Científico, e investigadora na Universidade de Lisboa, sendo membro do Conselho Científico do Centro de Estudos Anglísticos. A sua área de interesse prende-se com o estudo da gramática, em particular com o léxico, sobretudo com a temática relacionada com os estrangeirismos.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A neologia semântica presente em capas de revistas: um estudo à luz da abordagem cognitiva

 

Autor:

Antonio Marcos Vieira de Oliveira Universidade  Estadual do Rio de Janeiro – amvdeo@hotmail.com

 

Resumo:

Nesta comunicação, apresentaremos o andamento da pesquisa, desenvolvida no Doutorado em Estudos da Língua – ênfase em Língua Portuguesa – da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Brasil, “A neologia semântica presente em capas de revistas: um estudo à luz da abordagem cognitiva” sob a supervisão do professor Doutor Andre Crim Valente, cujo objetivo é verificar os procedimentos de formação de neologismos semânticos que ocorrem em capas de revistas. Pretende-se mostrar que se, o elemento inovador não está no processo de criação, está na construção de sentido e na expressividade que tais criações despertam no contexto em que estejam inseridas. Descreveremos os processos e operações subjacentes à produção de significados realizados pela mente humana a partir da teoria da Integração Conceptual (Fauconnier e Turner, 2002). Com relação à neologia semântica (Guilbert, 1975), admitimos que a criação de novos itens lexicais seja um reflexo da atividade do usuário da língua que, ao dar a uma palavra um novo significado, altera sua estrutura semântica, enriquecendo, dessa forma, o universo lexical.  A hipótese central desse estudo emerge ao entendermos que a construção de sentido dos neologismos semânticos apresentados em capas de revistas só é concretizada a partir do momento em que o leitor se torna apto, e de forma inconsciente, a identificar, a imaginar e a integrar elementos disponíveis no contexto que possui. À luz da linguística cognitiva, não há distinção entre os planos do léxico, da morfologia e da semântica; todos cooperam num continuum para a construção do significado. O significado pode ser conceptualizado a partir do acesso a domínios cognitivos diferentes. Assim, entendemos que as palavras apontam para além do que vem expresso na forma linguística, ou seja, as palavras indicam o aspecto mais proeminente em uma base conceptual mais ampla.

 

FAUCONNIER, G. & TURNER, Mark. The way we think: conceptual blending and the mind’s hidden complexities. New York: Basis Books, 2002.

GUILBERT, Louis. La creativité lexicale. Paris: Larousse, 1975.

SANDMANN, Antônio José. Competência lexical. São Paulo: Editora da UFPR, 1991.

Palavras-chave: capas de revistas; léxico; neologia semântica; integração conceptual.

 

Minibiografia:

Doutorando em Língua Portuguesa pelo programa de Pós-graduação em Letras da UERJ, bolsista CAPES, mestre em Linguística (UERJ, 2012), especialista em Língua Portuguesa (Universidade Iguaçu, 2007) e graduado em Letras (UGF, 2004), com licenciatura em Língua Portuguesa e Literaturas Lusófonas e bacharelado em análise de sistemas semióticos. Desenvolve pesquisa em Linguística Cognitiva, com ênfase na teoria da Integração Conceptual, e em neologismos semânticos. Exerce atividade docente nas áreas de Língua Portuguesa e Produção Textual em todos os níveis de ensino, desde o ensino fundamental ao de pós-graduação.


Comunicação 2

Estrangeirismos no quotidiano – exemplos dos blogues femininos portugueses e brasileiros

 

Autora:

Edyta Jabłonka – Universidade Maria Curie – Skłodowska, Lublin, Polónia – ejablonka@wp.pl

 

Resumo:

Ao longo dos séculos, as línguas estrangeiras enriqueceram o acervo lexical do português. A influência das línguas tais como o francês, o inglês ou o italiano marcou várias fases da evolução do português, porém, a presença das unidades lexicais estrangeiras é sempre atual. Por isso, gostávamos de apresentar alguns exemplos do uso dos estrangeirismos no dia-a-dia, baseando-nos no corpus selecionado dos blogues femininos portugueses e brasileiros. Observamos o seu uso na vida quotidiana, pois os blogues refletem a língua falada, espontânea, em que aparecem algumas imperfeições, palavrões e interjeições. Como base teórica do nosso estudo tomaremos em consideração os trabalhos de vários linguistas (Alves 1984, 1994, 2002, 2004, Carvalho 1998, Guilbert 1975, Mattoso Câmara Jr. 1979, entre outros) que nos ajudarão a observar o processo da introdução das unidades lexicais estrangeiras na língua portuguesa. Pretendemos ver os estrangeirismos não como um elemento nocivo, uma ameaça contra a integridade da língua, mas como um elemento enriquecedor, sublinhando os seus valores estilísticos. A prática diária prova que os estrangeirismos são em geral bem aceites, sobretudo pelos usuários jovens, o que é visível também nos comentários dos leitores dos blogues. Este fenómeno merece uma abordagem detalhada que constitui o objetivo principal do nosso estudo.

Palavras-chave: estrangeirismo; empréstimo; blogue; neologismo; neologia.

 

Minibiografia:

Doutora Edyta Jabłonka leciona língua, gramática e cultura portuguesas no Departamento de Estudos Portugueses no Instituto de Filologia Românica na Universidade Maria Curie – Skłodowska (Lublin, Polónia). Atualmente desenvolve a investigação na área da linguística portuguesa, nomeadamente na área da lexicologia, realizando a pesquisa sobre a entrada dos estrangeirismos no português contemporâneo. Publicou duas monografias em português (Introdução das unidades lexicais estrangeiras no português atual. Estudo baseado em blogues femininos portugueses e brasileiros, Lublin 2016; Sistema temporal do verbo português, Lublin 2014) e cerca de 35 artigos em revistas e monografias polacas e estrangeiras (no Brasil, na Bulgária, em Portugal e em Espanha, entre outros). Participou em vários congressos na Polónia e no estrangeiro (SIMELP 2009 em Évora, SIMELP 2011 em Macau, os congressos da Associação Internacional de Lusitanistas na Universidade de Santiago de Compostela, na Universidade do Algarve em Faro e na Universidade da Madeira). Também apresentou comunicações nos congressos organizados na Universidade de Sófia Sveti Kliment Ohridski, na Bulgária, assim como na Universidade de Etvos Lorand de Budapeste e na Universidade de Zagreb, durante as Jornadas de Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas da Europa Central e do Leste.


Comunicação 3

Léxico e criatividade em jornais populares

Autora:

Maria de Fátima Fernandes Bispo – CEFET –RJ  – fatimacefet@gmail.com

 

Resumo:

Exemplos mais evidentes da produtividade lexical, os neologismos cumprem um papel que ultrapassa a necessidade de se nomear o novo, deixando clara a capacidade, inerente ao falante da língua, de ampliar o sistema linguístico, conscientemente, através de princípios de abstração e comparação imprevisíveis, motivados por diversas intenções discursivas. Pretende-se, nesta comunicação, realizar reflexões de natureza semântica, morfológica e discursiva, adotando-se, como corpus de estudo, criações lexicais selecionadas de jornais populares. Tal estudo visar a ressaltar que a inovação lexical é um tema relevante, o qual permite que se tenha uma visão clara da evolução diacrônica da língua, comprovando a sua capacidade de renovação lexical. Objetiva-se também analisar os efeitos de sentido de tais criações direcionados, intencionalmente, ao público-alvo desses jornais ditos “populares”.

Palavras-chave: léxico; neologismos; jornais populares.

 

Minibiografia:

Professora de Língua Portuguesa há mais de 20 anos. Realizou seus cursos de mestrado e doutorado na UERJ, ambos orientada pelo professor dr. André Crim Valente, pesquisando os seguintes temas: neologismo, intertextualidade, texto e discurso. Atuou no curso de pós-graduação, em Letramento, no CEFET, no Rio de Janeiro, onde leciona atualmente em cursos técnicos de nível médio e na graduação.


Comunicação 4

A dinâmica da língua portuguesa e a influência dos estrangeirismos e empréstimos linguísticos no “Jornal do Tocantins”

Autores:

Maria José Alves – Universidade Federal de Goiás – UFG – maria.alves@ifto.edu.br

Alexandre António Timbane – Universidade Federal de Goiás (UFG)- alextimbana@gmail.com

 

Resumo:

As línguas vivas não são estáticas, imutáveis, nem paradas no tempo. Elas mudam segundo variáveis sociais e mesmo linguísticas. Não existe uma língua pura que seja genuinamente homogênea. O mesmo se pode dizer da cultura que sempre se liga à língua. Essa sempre se renova. Incontestavelmente. E é observável no dia a dia dos falantes de uma comunidade linguística. Estamos sempre lidando com palavras que perderam seu uso, que deram origem a outras e também as que surgem de outras línguas. Pesquisa que discute a criação lexical discorrendo sobre as diferentes formas de sua ocorrência nos corpora extraídos do Jornal. O estudo apresenta uma revisão bibliográfica a partir de diversos linguistas que discutem a temática com maior incidência nas ideias de Alves (1984), Bechara (2009), Carvalho (2009), Correia e Barcellos Almeida (2012) e Timbane (2013). A pesquisa tem como objetivos discutir as diferenças entre empréstimo e estrangeirismo e refletir sobre a sua importância na manutenção da língua. A pesquisa coletou, do “Jornal do Tocantins”, 20 textos do gênero notícia e artigos de opinião que divulgaram atualidades sobre as olimpíadas Rio-2016 com objetivo de identificar e estudar a formação de neologismos lexicais. Daí, identificou 25 casos de manifestações neológicas, sendo 12 de neologismos formais e 13 de neologismos por empréstimos, concluindo que os neologismos são responsáveis pela inserção de novas palavras à nossa língua Os esportes paraolímpicos criaram novos nomes para esportes novos, a maioria estrangeirismos provenientes do inglês. . Com o passar do tempo esses vocábulos se integram à língua. Conclui-se que a língua tem uma dinâmica que acompanha os acontecimentos, a evolução tecnológica da sociedade trazendo variação e mudança, sobretudo ao nível do léxico.

Palavras-chave: léxico; neologismo; estrangeirismo; empréstimo; Jornal do Tocantins.

 

Minibiografias:

Maria José Alves Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Federal de Goiás UFG/Regional Catalão. Graduada em Letras pela Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Porangatu. Professora do IFTO Campus Porto Nacional – TO. Vinculada ao Projeto de Pesquisa e léxico da língua portuguesa: a cultura e a identidade linguística na lusofonia e do Grupo de Estudos e Pesquisas em História do Português.

Alexandre António Timbane Pós-Doutor em Estudos Ortográficos pela UNESP (2015), Pós-Doutor em Linguística Forense pela UFSC(2014), Doutor em Linguística e Língua Portuguesa (2013) pela UNESP, Mestre em Linguística e Literatura moçambicana (2009) pela Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique (UEM). Professor e Pesquisador Visitante Estrangeiro na UFG/RC, Brasil e membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em História do Português no PMEL.


Comunicação 5

Neologia terminológica e mediação comunicativa na língua médica

Autoras:

Maria Teresa Rijo da Fonseca Lino – Professora Catedrática da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – CLUNL (Portugal)unl.tlino@mail.telepac.pt

Madalena Contente – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – CLUNL (Portugal) – madalena.contente@gmail.com

 

Resumo:

Em Medicina, o termo é transposto de especialidade para especialidade, pelos especialistas da comunidade científica detentores de uma formação idêntica ou de uma especialidade diferente, verificando-se, consequentemente, uma mudança semântica do seu uso. As relações entre disciplinas (especialidades médicas) e a interdisciplinaridade acentuam a circulação de conceitos. Tal facto conduz à diversidade cada vez maior de denominações que contribuem para a circulação de novos conceitos. O conceito evolui, descreve e explica novos aspectos da ciência médica; mas as convergências e os consensos entre especialistas contribuem para a estabilização do conceito científico médico. A extensão de um conceito a outras disciplinas conduz, frequentemente, a uma mudança desse conceito e, por vezes, assistimos à criação de novos conceitos. Consequentemente, no plano da língua, assistimos quer à criação de novas denominações quer a mudanças semânticas que estão na base de vários tipos de neologia semântica. Os modelos da ciência estão diretamente ligados à conceptualização inventiva, que permitem, por sua vez, conceptualizar e comunicar, sendo fatores inseparáveis da fase heurística da reflexão. A dimensão semântica que se estabelece, nesta relação conceptual, tem um papel heurístico, dando origem a fenómenos de neonímia terminológica que surgem em novos contextos. Esta dinâmica conceptual reflete-se na língua de especialidade, onde novos termos e novas significações são criados para denominar novos conceitos e mudanças conceptuais, surgindo neologismos terminológicos que apresentam novas particularidades cognitivas relativas a um conceito. As competências linguísticas e as competências interculturais são muito importantes no quadro das relações entre os profissionais de saúde, e em particular, entre médicos e pacientes, tornando a comunicação mais eficaz. Os médicos devem estar conscientes da importância da língua na comunicação. A mediação em língua e comunicação médicas estabelecem-se entre: o terminólogo e o especialista do domínio; os especialistas de uma comunidade científica, a comunidade científica nacional e internacional, os locutores e os especialistas de um domínio científico, os profissionais de saúde, o médico e o paciente.

Contente, M., Lino, T. (2015) “ Neologia na Terminologia Médica: empréstimos entre subsistemas”, in Neologia das Línguas Românicas, Alves, Ieda Maria et Pereira, Eliane Simões (org.), São Paulo, CAPES, 863- 876.

Contente, M., Lino, T. (2015) «  Les systèmes terminologiques en médecine et le travail terminologique intra- et interlinguistique: Processus de médiation », in Actes du Glat 2014 : Adaptations aux diversités: médiation et traductions, aproches interdisciplinaires – Adapting to Diversity: Interdisciplinary aproches to mediation and translation, 2-4 juin 2014, 92-101.

Conseil de l’Europe (2016) « Médiation linguistique et culturelle », Strasbourg, http//www.coe.int/fr/web/lang-migrants/linguistic-and-cultural-mediation.

Di Gioia, Michele; Marcon, Marco (2014), Mots de médiation. Un lexique bilingue français-italien, Parole de mediazione. Un lessico bilingue francese-italiano, Padova, Padova University Press.

Guillaume-Hofnung, M. (2014), « Préface », in Di Gioia, Michele ; Marcon, Marco, Mots de médiation. Un lexique bilingue français-italien, Parole de mediazione. Un lessico bilingue francese-italiano, Padova, Padova University Press.

Guillaume-Hofnung, M. (2015), La médiation, Paris, PUF-Presses Universitaires de France, coll. Que sais-je ?, 7ème édition ; (2012), 6ème édition.

Humbley, J. (2015) « Rédaction/traduction techniques : deux versants de la  médiationinterculturelle/interlinguistique ? », in Actes du Glat 2014 : Adaptations aux diversités: médiation et traductions, aproches interdisciplinaires – Adapting to Diversity: Interdisciplinary aproches to mediation and translation, 2-4 juin 2014, 114-126.

Palavras-chave: empréstimo; neologismo; neonímia terminológica; neologismo terminológico; empréstimo terminológico.

 

Minibiografias :

Maria Teresa Rijo da Fonseca Lino – Professora Catedrática da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – CLUNL (Portugal).

Madalena Contente – Doutora em Linguística; área de especialização Lexicologia, Lexicografia e Terminologia Investigadora do Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – CLUNL (Portugal).


Comunicação 6

Neologia Jurídico-Administrativa no contexto angolano

Autora:

Eugénia da Gama Victorino Samalombo – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – eugeniasamalombo@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação tem por objeto a Neologia Jurídico-Administrativa no Contexto angolano, por apresentar particularidades que contribuem para melhorar o conhecimento da Língua de Especialidade; de igual modo verificamos um número significativo de neónimos (neologismos terminológicos) inerentes a conceitos utilizados no domínio jurídico angolano passíveis de reflexão e análise.  O tema em estudo tem atingido cada vez mais importância nos contextos profissionais e organizativos, mesmo naqueles que não exercem uma atividade de prestação de serviços linguísticos direcionada aos clientes mas que, por necessidade de tornar eficiente a sua organização e comunicação, interna e externa, necessitam de gerir a sua informação terminológica. A pertinência da escolha do tema reflete a essência da Neologia e Terminologia da Língua Portuguesa como uma fonte potenciadora de conhecimento especializado, tendo em conta que no Séc. XXI este conhecimento é encarado como um bem extremamente valioso para quem o produz e preocupa quem tem que estudar essa área de investigação. Nunca foi feito um trabalho sobre a temática em questão a nível do Contexto Administrativo angolano, por isso abordaremos nesta comunicação alguns neologismos terminológicos que surgem em textos recentes de carácter jurídico e administrativo.

Palavras-chave: neologia; neologismos terminológicos; terminologia; terminologia jurídico-administrativa.

 

Minibiografia:

Licenciatura em Sociologia no ISCTE – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa. Mestrado em Sociologia do Crime Violência e Segurança Interna- Universidade Nova de Lisboa. Doutoranda em Linguística: especialidade Lexicologia, Lexicografia e Terminologia- Universidade Nova de Lisboa.


Comunicação 7

O léxico no desenvolvimento da competência lexical em língua materna

Autor:

Jaques Mpova Nzuze Tomás  – FCSH/UNL – jacquesmpova@hotmail,com

 

Resumo:

Ao nível das competências linguísticas, o léxico é uma componente fundamental de uma língua. O objectivo da nossa investigação é fazer com que o aluno adolescente adquira e desenvolva a competência lexical, permitindo que o aluno saiba utilizar um vocabulário variado, enriquecido semanticamente e adequado ao contexto da situação de comunicação. Por se tratar de um processo dinâmico da língua, é importante fazer-se referência à neologia como uma das formas pelas quais se enriquece o léxico de uma língua. A neologia implica o surgimento de novas unidades através de formação de palavras, seguindo as normas morfológicas, fonológicas e até semânticas da língua em que se insere. A neologia pode ser utilizada pelo professor como um processo de motivação e de ensino na sala de aula. Este desenvolvimento da competência lexical é fundamental, na medida em que permite ao aluno o acesso à leitura e à escrita e a novas áreas do saber científico.

Palavras-chave: léxico; língua; neologia.

ALVES, Ieda Maria. Neologia: Criação Lexical. Editora Ática, São Paulo, 2002.

QUIVUNA, Manuel. Lexicologia aplicada ao Ensino do léxico em português língua não materna. Edições Colibri, Lisboa.


Comunicação 8

Criação lexical no português em Angola

Autora:

Ana Bela Pereira Loureiro – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – belaloureiro2000@gmail.com

 

Resumo:

Sendo o Português a língua oficial em Angola, é com este propósito que apostamos na investigação das especificidades neológicas, em contexto de língua corrente. Julgamos ser um assunto pertinente para a actual situação sociolinguística e geolinguística de Angola, uma vez que pode contribuir para a caracterização do Português em uso, neste país, e para a definição e fixação de uma norma angolana, à imagem do que foi realizado no Brasil (norma brasileira) e permitir uma melhor interacção linguística entre os países membros da CPLP – e os investigadores interessados na situação linguística deste país. A finalidade desta investigação é a análise da especificidade neológica do Português, enquanto língua corrente, em contexto angolano. Para uma melhor percepção das especificidades neológicas, optámos por uma metodologia semasiológica e um método híbrido: linguístico e estatístico, tendo como base de investigação estudos precedentes focados na neologia da língua corrente de: Alain Rey (1976); Alves (2010); CABRÉ (2010); Sablayrolles (2010); Boulanger (2010); Lino,  & Contente. (2011. O corpus textual de análise é constituído por 56 textos extraídos de dois periódicos angolanos, 2012 – 2015. Na análise do nosso corpus, concluímos que os processos de formação de palavras por composição são os mais significativos (24%), seguido dos processos por  hibridismo (21%) e empréstimo (20%).  Concluímos que existe uma interacção entre a Língua Portuguesa e as línguas angolanas de origem africana, contudo a ocorrência de fenómenos de criação lexical com o uso de prefixos como mega, mini, supra é também muito frequente.

Palavras-chave:  neologia, harmonização, especificidades neológicas.

 

Minibiografia:

Licenciatura em Língua Portuguesa- ISCED-Luanda; Pós-graduação em ensino da Língua Portuguesa – Luanda; Mestrado em Terminologia e Gestão da Informação de Especialidade pela FCSH- UNL; Doutoranda na especialidade de Lexicologia, Lexicografia e Terminologia – FCSH- UNL.


Comunicação 9

A neologia formal em textos publicitários: casos ignorados por gramáticas escolares

Autor:

Aderlande Pereira Ferraz – Universidade Federal de Minas Gerais – aderferraz@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho analisa o fenômeno da neologia lexical no português brasileiro, especificamente na publicidade impressa, apresentando alguns contributos para o desenvolvimento da competência lexical, entendida aqui como a capacidade de compreender as palavras, sua estrutura e suas relações de sentido com outros itens lexicais constitutivos da língua. O presente trabalho tem como objetivo principal mostrar a produtividade lexical na linguagem publicitária, tomando como abordagem a descrição e o ensino de neologismos. Neste contexto, o trabalho trata da neologia formal, em cuja abordagem terão destaque os processos de formação de palavras menos produtivos no português brasileiro que, talvez por isso mesmo, tenham ficado à margem dos estudos realizados pelas gramáticas brasileiras. Trata-se, especificamente, dos processos conhecidos de redução da forma, como truncamento, cruzamento lexical, siglagem e acronímia, assim como outros processos, como o de reduplicação e os que decorrem de hibridismo, todos casos amplamente marginalizados no estudo da língua portuguesa voltado para o ensino. Como corpus de análise, contou-se com um banco de neologismos extraídos de textos publicitários, veiculados pelas revistas noticiosas Veja, Istoé e Época, em edições de 2010 a 2015. Pelo caráter de novidade sempre presente nos anúncios, o discurso publicitário se reveste da necessidade de utilização de palavras novas não apenas para nomear mercadorias, mas sobretudo por tecer enunciados cheios de apelos estilísticos e persuasivos, tornando a criação de neologismos um fator inevitável. Considerando o aspecto pedagógico do trabalho, adotou-se como marco teórico o modelo em que o léxico ocupa posição central, o chamado enfoque léxico (The Lexical Approach) de Lewis (1993 e 1997), no qual a unidade léxica é a unidade de aprendizagem. Como referencial teórico, ainda foi aproveitado o trabalho de Ferraz (2008), no que diz respeito à aplicação do corpus ao desenvolvimento da competência lexical.

Palavras-chave: léxico; neologia formal; publicidade; ensino do léxico.

 

Minibiografia: 

Doutor em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP (FCL-Ar). Professor associado da Universidade Federal de Minas Gerais. Pesquisador na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística e Linguística Aplicada, atuando principalmente em: neologia, fraseologia, lexicologia, lexicografia pedagógica, ensino do léxico. Membro do GTLex da ANPOLL.


Comunicação 10

Empréstimos e neologia no Português em contexto angolano

 

Autor:

Catele C. Jeremias – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – catelejeremias@hotmail.com

 

Resumo:

Toda a língua observa mudanças e variações nos seus constituintes lexicais que levam à sua evolução. A evolução do léxico da língua ocorre em fases desencadeadas pela produção neológica dos seus falantes e pelo registo constante de inovações lexicais que aumentam e desenvolvem o léxico da língua em questão.No contexto angolano têm surgido várias unidades lexicais que são processos de criação, empréstimos e adaptação de emprés timos às línguas Bantu. Mediante a definição de alguns critérios podem identificar-se algumas inovações lexicais no discurso dos falantes: alguns empréstimos-neologismos (cokwismos) funcionam como equivalentes de realidades de outras culturas; outros têm uma função estilística nos diferentes discursos.

 

ALVES, Ieda Maria (2010) Neologia e Neologismos em diferentes perspetivas, São Paulo, Paulistana Editora.

ALVES, Ieda Maria (1990) Neologismo. Criação lexical, São Paulo, Ática. 1ª Edição.

LINO, Maria Teresa Rijo da Fonseca (em col.) CHICUMA, Alexandre; GRÔS, Ana Pita e MEDINA, Daniel (2010) Neologia, Terminologia e Lexicultura. “A língua Portuguesa em situação contacto de línguas, São Paulo, Revista de Filologia e Linguística Portuguesa, Nº 12 (2).

LINO, Maria Teresa Rijo da Fonseca (1984) “Análise léxico-semântica”, Letras Soltas 2, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa.

TAVARES, Ana Paula (2008) “A escrita em Angola: Comunicação e Ruído entre as diferentes Sociedades em Presença” in Angola on the Move, Frankfurt, pp.165-172

 

Palavras-chave: neologia; criação lexical; léxico, cokwismos.

 

Minibiografia:

Catele Jeremias, Mestre em Lexicologia e Lexicografia (2015) e doutorando em Lexicologia e Lexicologia pela Faculdade de Ciências Sociais e humanas da Universidade Nova de Lisboa. Integra o grupo de trabalho sobre o Vocabulário Ortográfico e organização da toponímia angolana.


Comunicação 11

O nacional e o estrangeiro no léxico da moda: prestígio social ou alienação cultural?

Autoras:

Vanessa Regina Duarte Xavier – Universidade Federal de Goiás- Regional Catalão/PPGEL – vrdxavier@gmail.com

Andressa Sandrine Silva de Jesus – Universidade Federal de Goiás- Regional Catalão – andressasandrine@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho tem por objetivo refletir sobre as influências dos estrangeirismos na constituição do léxico da moda, tendo em vista sua indissociável relação com a cultura. Nessa perspectiva, o uso abundante de estrangeirismos no léxico da moda seriam reflexo de uma alienação cultural? Pode-se supor que o uso de estrangeirismos em revistas de moda é excessivo e muitas vezes desnecessário, tendo em conta a existência de equivalentes semânticos no próprio idioma. Por outro lado, a revista direciona-se a um público específico, de um poder aquisitivo expressivo, o que se percebe nas suas escolhas lexicais. O uso de estrangeirismos na revista parece se relacionar com o desejo de denotar prestígio ou status, razão pela qual suas possíveis leitoras se utilizariam desse léxico no seu dia a dia, fazendo-o circular em outros ambientes. A metodologia utilizada será a realização de pesquisas teóricas/bibliográficas para fundamentar as reflexões críticas propostas, sendo as principais: Orlandi (2005), sobre os conceitos de língua nacional ou brasileira; Carvalho (2009), sobre os estrangeirismos na língua portuguesa; e Xatara (2001), sobre a aculturação no léxico do Português Brasileiro. Além disso, o estudo recobre a análise de excertos de uma revista de moda brasileira, a Glamour, de novembro de 2012, número 8, que é objeto de estudo do projeto de pesquisa intitulado “Caminhos de renovação lexical: neologismos por empréstimos na revista Glamour”, que integra o projeto de pesquisa “Estudos Do Léxico Em Perspectiva”. A discussão que ora propomos enseja fortalecer e ampliar os estudos sobre a renovação do léxico, em especial sobre o fenômeno da neologia no campo da moda.

Palavras-chave: estrangeirismos; moda; aculturação; Língua Nacional.

 

Minibiografias:

Vanessa Regina Duarte Xavier – Graduada em Letras pela UFG/RC (2007), doutora em Letras pela USP (2012) e pós-doutora pela UFG/RC (2015). Professora da UFG/RC e do Programa de Mestrado em Estudos da Linguagem (PMEL). Pesquisadora participante do “Grupo de Estudos e Pesquisas em História do Português”. Atua nas áreas de Linguística e Filologia, com ênfase em Lexicologia.

Andressa Sandrine Silva de Jesus – Graduanda do curso de Letras Português/Inglês pela UFG- RC. Aluna do Programa Institucional de Iniciação Científica Voluntário (PIVIC), do CNPq. Graduada em Educação Física pela UFG-RC (2016).


Comunicação 12

A inovação lexical do Português na Zona Linguística Umbundu

Autor:

José Kambuta – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – Kambutaafroangojoseph97@yahoo.com

 

Resumo:

O dinamismo da civilização humana dos últimos tempos, principalmente em relação à revolução cientifico-tecnológica não só revolucionou a cultura humana mundial, como também tem vindo a ter um grande impacto nas dinâmicas da autorrecriação das línguas naturais. Depois de durante muitos séculos se ter podido assistir, na área dos estudos da língua, a uma consciência de que só o estudo da gramática era essencial e suficiente para a linguística, o século XX veio mostrar que, além desta, existem outras facetas da linguística que complementam os seus estudos. Isto levou à conclusão de que, o estudo das palavras não pode ser circunscrito à gramática, pois o uso quotidiano dos falantes constata diversos âmbitos de análise (Desmet 2002: 79), uma vez que o desenvolvimento da civilização imprime nos homens e mulheres de cada tempo novas mundividências em todos os aspectos da vida humana e traz consigo um conjunto de exigências de novas conceptualizações (Lino et alii 2010). Por esta razão, surge o estudo da neologia como uma nova ciência que caminha de mãos dadas com outras áreas, como a fonética e a fonologia, a morfologia e sintaxe, a semântica e a pragmática. Hoje, o percurso feito pelos linguistas lexicólogos, lexicógrafos ou terminólogos é assaz considerável e digno de reconhecimento, pois o seu contributo ao estudo das línguas afigura-se um apoio de grande proficuidade às áreas tradicionais da ciência linguística. Fruto desta descoberta linguística e de vários estudos neste domínio, os conceitos de neologia e neologismo consagraram e continuam a consagrar várias teorias linguísticas. Concomitantemente, os dois conceitos andam em íntima relação a ponto de não ser possível o estudo de um deles de modo isolado (Guilbert 1971; Sablayrolles 2000; Desmet 2002).  O encontro com vários trabalhos de linguistas europeus e norte-americanos neste domínio deu-nos um impulso cada vez mais vigoroso de partirmos também para a busca dos novos horizontes, na área da linguística, que ajudassem a penetrar nos ambientes das nossas línguas africanas que, além da sua complexidade, todas elas estão em situação de contacto com as línguas europeias e entre si. No caso de Angola, o estudo da neologia é assaz incipiente. Os trabalhos já começados (Mingas 1998; Inverno 2004; Chicuna 2014; Quivuna 2014; Chicuna 2015; Camacho 2015) para citar alguns, revelam um grande ato de coragem em penetrar num terreno bastante difícil de trabalhar. É neste âmbito que quisemos colocar o nosso estudo sobre a neologia do Português em Angola. Entretanto, visto que Angola é um país onde o multilinguismo tem uma grande expressão, em virtude da sua diversidade cultural, considerando ainda a influência da língua Umbundu (língua dos Povos Ovimbundu situados na zona Centro Sul de Angola, mais especificamente, nas províncias do Huambo, Bié, Benguela, parte das províncias da Huíla e do Kwanza-Sul), lançámo-nos ao repto de tentar descobrir as possíveis interferências no contacto do Português com o Umbundu, língua bantu e vice-versa. O estado avançado da nossa investigação dá nota de exemplos que demonstram o intercâmbio do material lexical que, no âmbito da neologia, é designado por neologismo.  Portanto, a nossa investigação pretende situar-se no estudo da inovação lexical do Português na Zona Linguística Umbundu (ZLU), procurando individuar os processos linguísticos de interventivos no fenómeno neológico.

Palavras-chave: neologia; neologismos; Português; Umbundu; Angola.

 

Minibiografia:

Doutorando em Linguística, área de especialização em Lexicologia, Lexicografia e Terminologia na FCSH-Universidade Nova de Lisboa.


Comunicação 13

Os prefixos do português brasileiro e sua diversidade: uma análise da prefixação em unidades lexicais neológicas

Autor:

João Henrique Lara Ganança – Universidade de São Paulo (USP) – jgananca@usp.br

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é estudar alguns aspectos do comportamento morfolexical e semântico de formantes prefixais, previamente registrados ou não pelas obras de referência de nossa língua, empregados na formação de unidades lexicais neológicas do português brasileiro contemporâneo. Como corpus de extração, selecionamos 89 blogs variados da internet veiculados, durante o ano de 2014, pelo portal UOL, pelo site do jornal Folha de S. Paulo e pela página da revista Veja, importantes veículos de comunicação brasileiros. A metodologia empregada para a conferência do caráter neológico às formações prefixais recolhidas envolveu o processamento dos textos pela ferramenta computacional Extrator de Neologismos, utilizada pelo projeto TermNeo (FFLCH-USP), e a verificação da existência ou não dessas formações em três dicionários de língua geral: HOUAISS (versão eletrônica), AURÉLIO (versão eletrônica) e MICHAELIS (versão online). A diversidade inerente aos prefixos, de que resulta a histórica incerteza sobre ser a prefixação processo derivacional ou composicional, levou-nos a buscar uma análise que, de certo modo, privilegiasse justamente as idiossincrasias de cada formante prefixal. Sendo assim, guiados pela teoria do protótipo (ROSCH, 1973; 1975, apud CANÇADO, 2015; GEERAERTS, 2006, apud MARONEZE, 2011; GONÇALVES, 2012), propusemos a criação de um continuum de prefixidade, no qual os prefixos reais pudessem ser, após comparação de suas características às do protótipo, identificados como mais ou menos prefixais.

Palavras-chave: morfologia; lexicologia; neologia; neologismo; prefixação.

 

Minibiografia:

Sou bacharel e licenciado em Letras (Língua Portuguesa e Literaturas) pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, sou mestrando na área de Filologia e Língua Portuguesa (linha de pesquisa: Léxico do Português), sob orientação da Profa Dra Ieda Maria Alves, com finalização no primeiro semestre de 2017. Há quatro anos leciono língua portuguesa em colégios de ensino médio e técnico de São Paulo.


Comunicação 14

Neologismos do cotidiano: compostos coordenativos verbais no português brasileiro contemporâneo

Autora:

Ieda Maria Alves – Universidade de São Paulo – iemalves@usp.br

 

Resumo:

Gramáticas da língua portuguesa costumam classificar as formações compostas segundo a associação de seus componentes, que pode ocorrer por justaposição, em que cada elemento conserva sua integridade (beija-flor), ou por uma aglutinação (aguardente), em que os elementos de uma palavra apresentam-se unidos e subordinados a um único acento tônico. Já Bechara, em Moderna gramática portuguesa, apresenta também uma classificação de caráter sintático, ao observar que, na composição de dois substantivos, pode ocorrer uma relação de coordenação, quando se observa uma sequência de coordenação de elementos, ou uma relação de subordinação, quando um elemento determinante se subordina a outro, o elemento determinado. Nesta exposição, apresentamos características da construção de neologismos compostos por coordenação, mais usualmente denominados compostos copulativos ou coordenativos, dentre outras denominações como palavra aditiva, palavra seriada ou dvandva (par, em sânscrito), citadas por Sandmann (1989). Seus componentes devem pertencer à mesma classe de palavras, a exemplo dos elementos do substantivo composto casa-escritório, constituído por dois substantivos. Estudamos, especificamente, o composto copulativo ou coordenativo constituído por dois ou mais verbos, que exemplificamos com os neologismos espicha-encolhe e anda-para-anda. Observamos que esses compostos substantivos, constituídos por verbos, refletem a dinamicidade observada na classe verbal (anda-para-anda), dentre outras características eventuais como a presença de caráter lúdico (sobe-desce-despenca) e a representação de sequências temporais (monta-e-desmonta). Não raro o caráter coordenativo dos elementos verbais é reiterado por conjunções coordenativas, a exemplo de abre-e-fecha e rouba-mas-faz. O corpus de análise baseia-se em neologismos coletados desde janeiro de 1993, que representam a Base de neologismos do português brasileiro contemporâneo, integrante do projeto TermNeo (Observatório de neologismos do português brasileiro contemporâneo). O projeto cumpre a função de função de coletar, analisar e difundir neologismos do português brasileiro, extraídos de um corpus jornalístico constituído por jornais e revistas brasileiros de grande circulação. Nessa base, os neologismos construídos por coordenação representam cerca de 5% do total de neologismos coletados.

 

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37 ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 1999.

SANDMANN, Antonio José. Formação de palavras no português brasileiro contemporâneo. Curitiba: Scientia et Labor/Ícone, 1989.

Palavras-chave: neologia; neologismo; composição coordenativa.

 

Minibiografia:

Professora titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e pesquisadora IA do CNPq. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase nos estudos do Léxico, atuando principalmente nos seguintes temas: neologia, neologismo, lexicologia, lexicografia e terminologia.


Comunicação 15

A nomeação da cor do vinho em Português Europeu

Autora:

Sílvia Barbosa – FCSH – Universidade Nova de Lisboa – CLUNL – silviabarbosa@students.fcsh.unl.pt

 

Resumo:

O presente trabalho aborda o universo das cores em especial na Análise Sensorial Enológica. O ato de degustar um vinho desencadeia uma verbalização de sensações associadas à cor. Essa verbalização corresponde de forma geral a um conjunto de termos para expressar as tonalidades do vinho, como os habituais e genéricos: “branco”, “rosé”, “tinto”, “amarelo-palha”, “rosado”, “vermelho-púrpura”, etc.. No entanto, essa verbalização ativa, quase sempre, a criação de novas unidades lexicais (neologismos), que permitem a diversidade e criatividade lexical para nomear o espectro luminoso e ajuda o especialista a categorizar a experiência cromática. É, por isso, comum encontrarem-se outras formas de nomear as tonalidades, como por exemplo, “cor pálida de pétalas de rosas”, “atrativa cor vermelho-alourado”, “cor a Outono dourado”, “colossalmente negro e opaco”, “amarelo-ouro”, “violeta-azulado”, “âmbar-acobreado”, “azul-púrpura”, “castanho-caramelizado”, entre outros. Para conhecer mais sobre este domínio e compreender de que modo é feita a nomeação da cor do vinho em Português Europeu, foram recolhidos dados na revista de especialidade de vinho ENOTECA (2009-2016), para fazer uma breve análise de cada um deles, com ênfase nos aspectos semânticos e, em particular, descrever a estrutura interna dos nomes e adjetivos de cor, dando conta de aspetos relacionados com a produtividade dos processos de construção de palavras envolvidos, associando esses elementos com as capacidades referenciais dessas palavras. Em suma, com este trabalho, espera-se contribuir para o desenvolvimento de investigação no domínio da denominação da cor em português e, simultaneamente, compreender como o especialista se expressa quanto ao domínio cromático do vinho.

Palavras-chave: degustação; neologia; cores.

 

Minibiografia:

Bolseira de Doutoramento do Programa FCT Linguistics – Knowledge, Representation and Use, em Lexicologia, Lexicografia e Terminologia pela Professora Doutora Teresa Lino e pelo Professor Doutor William Martinez. Mestre em Linguística (Fonética e Fonologia) pela FLUL. Foi bolseira investigadora em vários projetos de investigação: Corpus de Fala Espontânea em Português Europeu (2006), no Portal da Língua Portuguesa (2006-2010), no Projeto Vocabulário Ortográfico do Português (2009-2010) e no LUPo (2010-2013).


Comunicação 16

Neologia e Neologismos nos dias de Hoje: Uma realidade no Português em Angola

Autor:

Amadeu Teófilo de Barros – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa –  teubarros2007@hotmail.com

 

Resumo:

A língua portuguesa é das principais heranças deixada pelo colonizador português, em Angola. No novo espaço geolinguístico angolano, o português convive com outras línguas de origem não latina, as línguas africanas, fazendo parte hoje do acervo cultural angolano. A respeito da cultura, Sapir (1969) diz que um dos aspetos da língua em que mais se visualiza a relação com a cultura e o ambiente é o léxico. Nessa perspetiva, o português em Angola toma características diferenciadas da norma do Português Europeu a nível do léxico, resultante do contacto entre línguas de origens diferentes conjugado com a cultura dos povos de Angola e as novas realidades socioletais e tecnoletais, dando guarida ao português de modo a que continue vivo e dinâmico, uma vez que a língua não é uma entidade estática, abrindo assim, a possibilidade de incorporação no vocabulário da língua portuguesa inúmeros neologismos, quer seja por empréstimos linguísticos, quer por renovação, quer por criação. O objetivo é apresentar, por via de uma análise lexical, os diferentes neologismos que surgem no português em Angola, sobretudo, no discurso oral, focada principalmente no léxico geral. Focalizaremos a análise no âmbito dos registos de língua, particularmente: diatópico (aborda o léxico regional e dialetos); diastrático (léxico de grupos sociais distintos – gírias). Os dados da pesquisa serão coletados mediante gravações de conversas formais e informais, aulas, congressos, seminários e, em alguns casos, fotografados sempre que se notar a presença de um neologismo no discurso escrito formal, permitindo a constituição de um corpus representativo para a pesquisa.

Palavras-chave: neologia; neologismos; léxico; vocabulário; português em Angola.

 

Minibiografia:

Amadeu Barros é mestre em Ensino da Língua Portuguesa pelo Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda e doutorando em Linguística pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, atua como professor de Lexicologia e Lexicografia na Universidade Metodista de Angola. É investigador do Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa (CLUNL) da linha de pesquisa Lexicologia, Lexicografia e Terminologia. Tem desenvolvido as suas pesquisas nas áreas da Lexicologia, Estilística e Morfologia Lexical.


Comunicação 17

Neologia e Inserção de Empréstimos Linguísticos nos Dicionários de Aprendizagem para as Crianças em Angola

Autora:

Domingas Adélia Figueira Gunza – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – domingasgunza.med@hotmail.com

 

Resumo:

Uma língua viva é dinâmica, em constante mutação e, conforme afirma Margarita Correia (1998, 59) apresenta uma variedade de registos distintos, caracterizados por factores determinantes de natureza social, histórica e geográfica. Deste modo, o léxico é, em geral, considerado como o mais afectado pelas mudanças linguísticas que ocorrem numa determinada língua, por meio do surgimento natural de novas unidades lexicais, os neologismos. Angola é um país com uma rica diversidade linguístico-cultural, uma vez que, além do Português, existem muitas outras línguas locais de origem Bantu e não Bantu, com as quais mantém contacto, facto que constitui grande importância para o nosso trabalho, sendo que o objectivo do trabalho é apresentar abordagens em torno da dimensão social e cultural manifestada pelo léxico do português no contexto angolano, com vista a organização de um Vocabulário de Base, considerado como fundamental para os primeiros anos de escolarização, de modo a propor a sua introdução num Dicionário de Aprendizagem Monolingue, dentro dos padrões de qualidade dos dicionários escolares, obedecendo às estruturas de organização das unidades lexicais enquanto entradas do dicionário, destinado às crianças que frequentem o Ensino Primário em Angola. O léxico a registar no Dicionário abrangerá tanto o vocabulário de uso geral, os termos mais vulgarizados de alguns domínios de especialidade, nomeadamente, saúde, direito, meio ambiente, economia, etc., como também os empréstimos às línguas angolanas, tendo em conta a diversidade existente no contexto linguístico e cultural em Angola, de acordo com análises relacionadas com a Neologia, Metáfora e Polissemia associadas ao léxico.

Palavras-chave: neologia, léxico, cultura, dicionário de aprendizagem.  

 

Minibiografia:

Domingas Adélia Gunza, Mestre em Lexicologia e Lexicografia (2015) e doutoranda em Lexicologia e Lexicografia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em regime de cotutela com a Université de Paris 8.


Comunicação 18

Neologismos e lexicografia bilingue de aprendizagem

Autor:

Adriano Fernando Benvindo – ISCED –Huambo – fernandoisced@yahoo.com

 

Resumo:

Nesta comunicação propomo-nos apresentar uma seleção de neologismos resultantes do Português em contacto com a Língua Umbundu, em contexto angolano. Estes neologismos são recolhidos num corpus textual organizado para o efeito, constituído por vários tipos de textos, obedecendo a vários critérios metodológicos. O Dicionário Bilingue de Aprendizagem Português-Umbundu que estamos a preparar para as crianças e adolescentes da Província do Huambo tem que integrar esta selecção de neologismos da língua corrente e de termos vulgarizados em uso na língua Portuguesa, em Angola, em especial na nossa Província. Estes neologismos resultam do contacto entre as duas línguas-culturas: Língua Portuguesa-Língua Umbundu.

Palavras-chave: Neologia, Lexicografia de aprendizagem.

 

Minibiografia:

Mestre em Ensino da Língua Portuguesa pelo ISCED –Universidade Agostinho Neto (Luanda); Bolseiro de Doutoramento da Fundação Calouste Gulbenkian; Doutor em Lexicologia, Lexicografia e Terminologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Nov. de 2016).


Comunicação 19

O registro escrito de estrangeirismos característicos da cultura digital: análise de regras e orientações ortográficas

Autora:

Márcia de Souza Luz-Freitas – UNIFEI/USP – luzfreitas@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação aborda a análise de regras e orientações ortográficas para o registro escrito de termos da cultura digital, oriundos da Língua Inglesa e empregados no cotidiano de falantes do português brasileiro. O trabalho, fundamentado teoricamente nos estudos sobre Lexicologia, Lexicografia e Neologia, justifica-se pela dificuldade que os falantes têm ao utilizar, na modalidade escrita da língua, palavras estrangeiras já percebidas como habituais, mas geradoras de dúvidas ortográficas, seja pela falta de registro em dicionários da Língua Portuguesa, seja por não haver orientações oficiais ou gramaticais mais precisas. Objetiva-se, assim, analisar materiais que se propõem a sistematizar a grafia de vocábulos do meio informático, inseridos no uso diário, mas que não são ainda verbetes de dicionários da língua, principalmente por nela estarem como empréstimos. A metodologia, em uma primeira etapa, consistiu no levantamento de orientações sobre essa grafia disponibilizadas em ambiente on-line.  Analisou-se material disponível em cinco sítios eletrônicos, considerando-se como principal publicação o Manual 2.0: como escrever alguns termos na era da cultura da informação. Posteriormente, realizaram-se a seleção lexical e a respectiva análise, tendo como referencial os seguintes instrumentos linguísticos: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa; Dicionário de Informática e Internet (Inglês – Português); Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa; Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa; gramáticas normativas da Língua Portuguesa. Observou-se a aceitação do uso desse vocabulário como parte do processo de assimilação cultural e uma tendência a indicações de manutenção da grafia original, com remissões a dicionários de Língua Inglesa, sem preocupação com processos de adaptações à ortografia portuguesa nem menção às alterações fonéticas. Destaca-se ainda que, apesar da boa intenção de auxílio para dirimir as incertezas, as orientações são confusas e, por vezes, contraditórias. Os resultados evidenciam uma relação direta entre as práticas sociais de linguagem e a difusão tecnológica, ambas altamente permeabilizadas pelas influências socioculturais e econômicas.

Palavras-chave: léxico; neologia; estrangeirismos; ortografia.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras, é doutoranda em Filologia e Língua Portuguesa na Universidade de São Paulo (USP) e participa do Projeto TermNeo (Observatório de Neologismos do Português Brasileiro Contemporâneo). É professora da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), na qual atua no Grupo de Pesquisa em Educação e Humanidades e na linha de pesquisa Terminologia em Dispositivos Médicos, do Grupo de Pesquisa em Engenharia Biomédica.


Comunicação 20

Neologismos em bio- e em –ívoro

Autora:

Maria do Céu Caetano FCSH – UNL / CLUNL – mc.caetano@fcsh.unl.pt

 

Resumo:

A problemática do processo de formação de palavras que envolve a junção de elementos neoclássicos não é recente e, entre outros, Darmesteter (1877), Marchand (1969) e Bauer (1983), já haviam reconhecido que se tratará de um domínio especial, a ser estudado mais aprofundadamente, procurando estes autores delimitar o estatuto dos elementos neoclássicos que ocorrem em determinadas formações e, consequentemente, evitar a profusão de designações, quer as de tais elementos, quer as do processo em que intervêm.

Nos últimos anos, são frequentes as novas palavras do vocabulário corrente em que ocorrem elementos oriundos do grego e do latim, processo de formação que tem suscitado muita discussão, na medida em que para uns se tratará de um tipo de composição e, para outros, de derivação. Os primeiros apontam que não existem diferenças significativas entre este processo e a composição vernácula, enquanto os últimos alegam que alguns destes elementos têm um comportamento semelhante ao dos prefixos e sufixos. Partindo de unidades em que ocorre bio- (biociência e biodegradável, …) e -ívoro (alfacívoro e energívoro, …), um dos aspetos que se procurará explorar no que diz respeito aos elementos neoclássicos está relacionado com o facto de em latim e em grego eles serem lexemas, deixando posteriormente de terem autonomia e passando a ocorrer unicamente junto de elementos do mesmo tipo, enquanto na neologia da língua corrente alguns deles funcionam (exclusivamente?) ou como prefixos ou como sufixos. Assim, procurar-se-á argumentar que bio-, elemento que nas novas formações ocorre exclusivamente em posição inicial e se solda a palavras, e -ívoro, que se solda à direita de um radical vernáculo, em nada se distinguem atualmente dos afixos do português.

 

Bauer, Laurie. 1983. English word-formation. Cambridge: Cambridge University Press.

Darmesteter, Arsène. [1877] 1972. De la création de mots nouveaux dans la langue française et des lois qui la régissent. Genève : Slatkine Reprints.

Marchand, Hans. [1960] 1969. The categories and types of present-day English word-formation. München: Beck, 2 ed.

 

Palavras-chave: morfologia; formação de palavras; composição; derivação; elementos neoclássicos.

 

Minibiografia:

Maria do Céu Caetano é professora no Departamento de Linguística da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL, onde coordena o 1º ciclo de Ciências da Linguagem. É também investigadora do Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa e tem publicado diversos trabalhos na área em que se doutorou, em particular sobre questões relacionadas com a produtividade, a composicionalidade e a lexicalização, entre outros tópicos.


Comunicação 21

Bases de dados lexicais e textuais, neologia do português contemporâneo e novas abordagens : as micro-diacronias recentes

Autora:

Isabel Maria Desmet – Universidade Paris 8 – Departamento de Estudos Lusófonos – isabelmariadesmet@gmail.com

 

Resumo:

Em constante efervescência, as línguas transformam-se, renovam-se, variam e enriquecem-se ao longo dos tempos. A inovação lexical é simultaneamente um fenómeno linguístico, social e cultural. A aceleração do processo de construção e difusão dos saberes especializados conduz simultaneamente à aceleração do processo neologismo-arcaísmo no século XX e sobretudo no século XXI.  A partir de exemplos concretos extraídos das nossas bases de dados lexicais e textuais do português contemporâneo – constituídas desde 1990 até aos nossos dias – tentaremos demonstrar como o “presentismo” nas línguas conduz a uma nova perspectiva de trabalho nos estudos linguísticos sincrónicos : a abordagem das línguas através das micro-diacronias recentes.

Palavras-chave : neologismo; arcaísmo; micro-diacronia recente.

 

Minibiografia:

Isabel Desmet é Maître de Conférences Titulaire Habilitée à Diriger des Recherches no Departamento de Estudos Lusófonos da Universidade Paris 8 – Vincennes-Saint-Denis e é igualmente Responsável deste Departamento. É também Responsável pela equipa de linguística comparativa das línguas românicas do Laboratório de Estudos Românicos (EA 4385). No Departamento de Estudos Lusófonos, é Responsável pela Licenciatura de Línguas Estrangeiras Aplicadas e pelo Mestrado de Linguística e Tradução – Percurso Português. Membro da Escola Doutoral “Práticas e Teorias do Sentido”, é Responsável pelo Doutoramento de Estudos Portugueses, Brasileiros e da África Lusófona.


Comunicação 22

A caminho da “uberização”: alguns neologismos na área das novas economias no português europeu

 

Autora:

Sandra de Caldas – Universidade Paris 8 – Departamento de Português – sdecaldas@yahoo.es

 

Resumo:

Na era da globalização e da digitalização, todas as componentes da sociedade, incluindo a economia, o mundo empresarial, a política, os media e as normas sociais, são afetadas pela aceleração da difusão da informação e do conhecimento. Esta emancipação, a par da interconectividade com a tecnologia da Internet, permite criar oportunidades, novos desafios e produzir mudanças profundas. A dinâmica dos intercâmbios e a difusão acelerada de certos conceitos têm consequências na produção e difusão de novos produtos, saberes, ideias e influenciam as línguas que denominam essas inovações. Quando não existe na língua uma unidade lexical capaz de designar esse conceito, ou um equivalente da denominação original, inicia-se o processo de criação linguística. O objetivo desta análise é precisamente o de observar e medir os efeitos da globalização digital e suas consequências na língua portuguesa e nos hábitos dos locutores portugueses. Em que medida  a língua portuguesa acompanha o desenvolvimento tecnológico e a circulação de novos conceitos inovadores na atual sociedade de informação ? O presente estudo efetuar-se-á mediante as teorias da linguística de corpus, com tratamento semiautomático. A partir de um corpus textual da área das novas economias, ou seja da economia digital e da economia colaborativa, procederemos ao levantamento de formas neológicas segundo diferentes critérios de identificação dos neologismos, e aplicaremos as metodologias da análise semiautomática dos dados obtidos, através da utilização do programa CONCAPP. O uso de programas informáticos, e nomeadamente o CONCAPP, permite observar a formação das unidades, as distribuições sintagmáticas e paradigmáticas das formas linguísticas em contexto e apresentar  os principais resultados da presente investigação.

Palavras-chave: neologia, criação lexical, estrangeirismos, internacionalismos, economia digital, economia da partilha.

 

Minibiografia:

Sandra de CALDAS é Leitora de português no Departamento de Estudos Lusófonos da Universidade Paris 8 – Vincennes – Saint – Denis com a cooperação do Instituto Camões e é membro da equipa de linguística comparativa das línguas românicas do Laboratório de Estudos Românicos – LER (EA 4385) da Universidade Paris 8.


Comunicação 23

As relações de poder e o uso de estrangeirismos

Autora:

Madalena Teixeira – Instituto Politécnico de Santarém – Escola Superior de Educação – Universidade de Lisboa – Centro de Estudos Anglísticos – madalena.dt@gmail.com

 

Resumo:

Ao falarmos de transformações culturais torna-se, de facto, imprescindível reflectir sobre questões relacionadas com a língua, nomeadamente o uso de léxico de origem estrangeira e as circunstancias desse mesmo uso. Mas poderá a utilização de estrangeirismos intensificar a associação entre linguagem e poder? Será que as actuais políticas económicas, educativas e socais contribuem para uma realização linguística diferenciada, dos estrangeirismos.  Para dar uma resposta a estas questões, procedeu-se à construção de um corpus baseado em textos orais obtidos através da gravação de entrevistas, no sector terciário. Tendo como quadro teórico a sociolinguística (Chambers, 2002) e a perspectiva de tempo aparente de Dante Lucchesi (1998) e como ferramenta de análise quantitativa o programa informático SPSS, foi possível observar variação linguística. Assim, esta investigação conduziu às seguintes conclusões: i) a atualização de estrangeirismos permite inferir que este uso se articula com situações de poder; ii) o grau de escolaridade dos falantes é um factor determinante para as suas opções lexicais de origem estrangeira; iii) o  iv) a língua portuguesa e outras línguas europeias – os casos do espanhol, do francês e do inglês.

 

Minibiografia:

Madalena Teixeira – Professora Adjunta da Escola Superior de Educação de Santarém, da qual é Presidente do Conselho Científico, e investigadora na Universidade de Lisboa, sendo membro do Conselho Científico do Centro de Estudos Anglísticos. A sua área de interesse prende-se com o estudo da gramática, em particular com o léxico, sobretudo com a temática relacionada com os estrangeirismos.


Comunicação 24

Características da Neologia do Português Contemporâneo

Autora:

Teresa Lino – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – unl.tlino@mail.telepac.pt

 

Resumo:

Nesta comunicação abordaremos os critérios e métodos recentes de delimitação e de identificação dos neologismos da língua corrente, na norma europeia, no âmbito do Projeto NEOPORTERM. Apresentaremos as funções e as limitações dos corpora lexicográficos e dos corpora textuais na identificação e selecção de neologismos. Sublinharemos a importância dos softwares na coleta semiautomática de neologismos. Faremos uma descrição de algumas características da neologia do Português na língua corrente (norma europeia); abordaremos igualmente o problema da harmonização neológica e da sua fixação em dicionários (em suporte de papel, em suporte electrónico ou on-line).

Palavras-chave: Neologia, Lexicografia.

 

Minibiografia:

Professora Catedrática da FCSH-UNL e responsável do Grupo de Lexicologia, Lexicografia e Terminologia do Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa.


Comunicação 25

Neologismos literários na obra de Geraldo Bessa Victor

Autora:

Teresa Siva e Silva – Faculdade de Letras da Univetrsidade Agostinho Neto – ornelaneth2011@hotmail.com

 

Resumo:

Interessamo-nos pelo léxico utilizado pelo escritor, Geraldo Bessa Victor nas suas obras, elaboradas num contexto bilingue. Trabalhamos sobre um corpus textual constituído pelas suas obras de modo a observar e analisar as unidades lexicais em Kimbundu e em Português. O léxico faz interface com outros níveis de análise: morfológica, semântica e pragmática. A análise dos contextos é fundamental para observar os vários fenómenos de neologia, em especial a neologia semântica. Os neologismos possuem uma estreita relação com o contexto social em que foram criados. De acordo com Guiraud (1960, p.78), cada estado da língua possui unidades lexicais ou neologismos correspondentes a novas noções de realidade que surgem no seio da colectividade, num dado momento histórico. Por essa razão, afirma-se que os neologismos revelam a consciência e as visões de mundo dos falantes de uma língua. Existem neologismos que são criações que, de certa forma, “pertencem” a um grupo social específico, visto que foram criados e são utilizados por ele. Sendo assim, o seu uso fica limitado a esse grupo. Além disso, esses neologismos deixam transparecer o modo de pensar das pessoas que pertencem a esse grupo. Quando tais unidades lexicais aparecem em textos literários, desempenham uma função evocativa, na medida em que fazem o leitor ser remetido para o universo linguístico de determinado grupo. Barbosa (1981, p.19) a respeito da génese do neologismo afirma o seguinte: “Para o observador mais atento, estudar os problemas da origem, da estrutura e da função dos signos, a sua formação, sua seleção, realizada dentre numerosas outras proposições, é sentir alguns reflexos de certos traços importantes dos grupos sociais, da sua actividade, objetivos, métodos e valores. Eles podem, não raras vezes, indicar as fontes históricas ou místicas ligadas a esses grupos. Esse é o enfoque do estudo da génese do neologismo do ponto de vista de sua utilização como instrumento de uma ideologia de uma época, do pensamento de um grupo. Nesse sentido, muitas vezes os neologismos, depois de se integrarem no vocabulário usual, tornam-se signos-símbolos de certas facetas culturais desse grupo.“ Tendo em atenção o carácter de imitação da realidade (mimese), as obras literárias, podem representar ficcionalmente as condições da sociedade em que são produzidas. É nelas que encontram personagens que representam membros dos grupos sociais, utilizando unidades lexicais empregadas pelos grupos sociais que representam. Além disso, podem ser criadas neologismos para caracterizar um grupo retratado numa obra. Tais criações podem obter um efeito expressivo.

 

Minibiografia:

Assistente da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto (Luanda, Angola); doutoranda em Linguística na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.


Comunicação 26

A neologia semântica e o ensino da metáfora e da metonímia na sala de aula

 

Autores:

Geraldo José Rodrigues Liska – UFMG/ UNIFAL-MG – geliska@gmail.com

Aderlande Pereira Ferraz – UFMG – aderferraz@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho trata do estudo e ensino dos processos semânticos de formação de palavras, destacando os recursos estilísticos de expressão e os mecanismos lexicogenéticos e sociolexicológicos de inovação lexical. Como recurso de estilo, utilizamos textos humorísticos para ressaltar a intencionalidade específica por meio da seleção criteriosa das palavras a fim de produzir efeitos de sentido. Além disso, atribuir nome às coisas é uma das formas mais comuns de proceder a registros culturais na e pela língua, e esses processos de nomeação nem sempre são imotivados e ocorrem, muitas vezes, de formas metafórica e metonímica. Buscamos um referencial teórico que se apoia em ideias de Silva (2006) e Ferrarezi Jr. (2010), para o estudo das semânticas de bases cognitivas e culturais, respectivamente, e em textos de Ferraz (2006; 2008), Richards (1976), Sandmann (1989; 1991a; 1991b), no que se refere ao desenvolvimento da competência lexical. Observamos a abordagem do tratamento do sentido lexical, em especial dos processos metafóricos e metonímicos, nas propostas e orientações curriculares para o ensino de língua portuguesa, com ênfase nos textos introdutórios da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em fase de elaboração. Depois, observa-se como essas orientações se articulam em livros didáticos de português (LDP) do Ensino Médio escolhidas pelo PNLD 2015 (BRASIL, 2014). Em seguida, elaboramos um pequeno conjunto de atividades com diversos textos com o objetivo de se compreender melhor as atribuições de sentidos durante processos mentais metafóricos e metonímicos. Pretendemos contribuir com estudos referentes ao ensino do léxico por meio das habilidades e estratégias de leitura, motivando, com esse estudo, a construção de currículos e a realização de atividades que contenham uma proposta de ensino dos processos de constituição e uso da língua a partir do estudo das palavras e de sentidos, numa abordagem cognitiva e lexical, relacionada aos aspectos culturais da existência do aluno.

Palavras-chave: ensino do léxico; formação de palavras; metáfora; metonímia; livro didático.

 

Minibiografias:

Geraldo José Rodrigues Liska  – Doutorando e Mestre em Estudos Linguísticos (Área: Linguística Aplicada. Linha: Ensino do Português) pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente é Secretário Executivo da Universidade Federal de Alfenas e professor de línguas portuguesa e inglesa nas redes pública e particular de ensino. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Morfologia, Lexicologia, Semântica Lexical e Estilística Léxica.

Aderlande Pereira Ferraz – Possui pós-doutorado pela Universidade de São Paulo (2005, 2015), doutorado em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1998), mestrado em Lingüística pela Universidade de Brasília (1992) e graduação em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Belo Horizonte (1985). Atualmente é professor associado da Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na área de Lingüística, com ênfase em Teoria e Análise Lingüística, atuando principalmente nas seguintes subáreas: Lexicologia, Lexicografia e Terminologia.


Comunicação 27

Neologia e fraseologia no domínio da política brasileira

Autor:

Davi Pereira de Souza – Universidade Federal do Pará – davips312@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho é um recorte da pesquisa de mestrado em andamento sobre a fraseologia do discurso político veiculado em textos jornalísticos brasileiros. Assim sendo, objetiva-se, na presente comunicação, descrever e analisar especificamente os neologismos do discurso político que configuram unidades fraseológicas, ou seja, combinatórias sintagmáticas recorrentes (MEJRI, 2012). Parte-se da hipótese de que determinados eventos políticos, de grande alcance nacional, intensificados pela mídia em geral, promovem e favorecem o uso de fraseologias, bem como a criação de novas unidades fraseológicas (neologismos) relacionadas a esses fatos, caracterizando, pois, o que se poderia chamar de fraseologia do discurso político brasileiro. Faz-se, portanto, necessária a descrição desses usos linguísticos, na medida em que poderá revelar as escolhas lexicais preferenciais dos falantes e escreventes no domínio temático em foco. O corpus a ser analisado é formado por textos escritos, extraídos de blogs ou websites de 4 (quatro) colunistas que assinam matérias sobre política nas revistas Isto é, Veja, Época e Carta Capital. Todos esses textos foram publicados entre janeiro de 2014 e dezembro de 2016. Escolheu-se essa faixa temporal porque ela abrange dois eventos significativos no âmbito da política brasileira: a Operação Lava-Jato e o Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Os textos serão submetidos à análise semiautomática, a partir do software WordsSmith Tools, a fim de se identificarem padrões de combinatórias lexicais.  A pesquisa adota como referencial teórico a abordagem francesa da Fraseologia, baseando-se nos estudos de Maurice Gross (1982, 1988), Gaston Gross (1988, 1996) e, principalmente, nos de Salah Mejri (1997, 1998, 1999, 2002, 2005, 2010, 2011, 2012). No que tange aos conceitos de neologia e neologismo, ancora-se nos trabalhos de Alves (1990, 1996), entre outros. Embora seja um estudo ainda em curso, acredita-se que a análise dos dados revelará resultados significativos, demonstrando a vitalidade do processo de neologia lexical na constituição de unidades fraseológicas presentes na linguagem da política brasileira.

Palavras-chave: fraseologia, neologia, neologismo, discurso político.

 

Minibiografia:

Davi Pereira de Souza é graduado em Licenciatura em Letras (Habilitação em Língua Portuguesa) pela Universidade Federal do Pará. Atualmente, cursa mestrado em Linguística no Programa de Pós-graduação em Letras da mesma instituição. Na graduação, desenvolveu trabalhos na área da Terminologia, como o Glossário da terminologia do cupuaçu (SOUZA, 2015), e, no mestrado, pretende elaborar um glossário fraseológico do discurso político. Participa de projetos de pesquisa ligados à variação linguística, como o Projeto Geossociolinguística e Socioterminologia (GeoLinTerm) e o Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB).


Comunicação 28

As unidades fraseoterminológicas da energia solar fotovoltaica: critérios de identificação e análise

 

Autores:

Manoel M. A. da Silva – Universidade Estadual de Maringá, – manoelsilva042@gmail.com

Cristina Aparecida Camargo – Universidade Estadual de Maringá – crisacamargo@gmail.com

 

Resumo:

A Terminologia constitui-se em uma subárea das ciências do léxico que apresenta uma vertente teórica e outra aplicada. Ela reúne tanto a descrição dos termos quanto o conjunto de diretrizes metodológicas para o tratamento dessas unidades com seus produtos terminográficos, como glossários e dicionários. Apresentar uma parte da dissertação Energias renováveis: a terminologia da energia solar fotovoltaica em português brasileiro e seus aspectos fraseoterminológicos é um dos objetivos desta comunicação, bem como descrever, analisar e inserir apenas uma parte das unidades identificadas, ou seja, as unidades fraseoterminológicas, vistas aqui como verdadeiros neônimos. Para isso, foi organizado um corpus de base textual em português brasileiro formado por normas, teses e dissertações referentes à energia solar fotovoltaica, uma subárea das energias renováveis. As justificativas para a escolha dessa subárea do conhecimento foram sua importância econômica e social no Brasil e no mundo e sua terminologia ainda não sistematizada. No corpus constituído por 6,5 milhões de palavras-ocorrências, foram apresentados 448 termos representativos dessa subárea com ajuda do especialista, dos quais 82 unidades fraseoterminológicas foram recolhidas para a análise com o objetivo de verificar se os parâmetros conhecidos pela literatura quanto ao tema fraseologia poderiam ser identificados nessa nomenclatura. Partindo-se dos princípios teóricos e metodológicos da Teoria Comunicativa da Terminologia e da Socioterminologia, os resultados permitem afirmar que as unidades fraseoterminológicas apresentaram características peculiares ainda não descritas pelos pesquisadores consultados e que, portanto, serão apresentados novos parâmetros quanto a essas unidades já que possuem um porcentual significativo neste trabalho e de fundamental importância para consulentes e tradutores.

Palavras-chave: dicionário terminológico, energia solar fotovoltaica, energias renováveis, unidades fraseoterminológicas.

 

Minibiografias:

Manoel Messias Alves da Silva – Professor associado do Departamento de Língua Portuguesa (DLP) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Letras (Mestrado e Doutorado). Tem experiência na área de Estudos Linguísticos, com ênfase nos estudos do léxico, atuando principalmente na linha de Descrição Linguística com questões relacionadas à Terminologia e Terminografia.

Cristina Aparecida Camargo – Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Letras (PLE) do Departamento de Teorias Linguísticas e Literárias (DTL) do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCH) da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Tem experiência na área de Estudos Linguísticos, com ênfase na descrição das unidades fraseoterminológicas da energia solar fotovoltaica.