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Simpósio 72

SIMPÓSIO 72 – ABORDAGENS FUNCIONAIS DE ORAÇÕES SIMPLES E COMPLEXAS

 

Coordenadores:

Angélica Rodrigues | UNESP/Araraquara | angelica.rodrigues@fclar.unesp.br

Edson Rosa Francisco de Souza | UNESP/São José do Rio Preto | edson@ibilce.unesp.br

 

Resumo:

A tradição gramatical distingue apenas dois tipos de períodos compostos, a saber a coordenação e a subordinação. A primeira é caracterizada por uma relação de independência e a segunda por uma relação de dependência (em que as orações possuem um estatuto diferente, ou seja, uma oração funciona como parte da outra). A base da distinção entre esses dois tipos de sentenças compostas é a noção de dependência, que ora é tratada como uma dependência sintática (formal) e ora como uma dependência semântica (de incompletude significativa). Essa definição tem sido bastante criticada nos estudos linguísticos, principalmente dentro da corrente funcionalista (PAIVA, 1991; DECAT, 1993; HOPPER & TRAUGOTT, 1993; NEVES, 2000; CRISTOFARO, 2003; HENGEVELD e MACKENZIE, 2008; BRAGA, 2008; GONÇALVES, SOUSA & CASSEB-GALVÃO, 2009), sobretudo no que diz respeito aos critérios utilizados para identificar os tipos de combinação de orações (PAIVA, 1991; DECAT, 1993; HOPPER & TRAUGOTT, 1993; NEVES, 2000; BRAGA, 2008; GONÇALVES, SOUSA & CASSEB-GALVÃO, 2009). Para esses autores, os processos de articulação de orações podem ser mais bem entendidos conforme a proposta de Hopper e Traugott ([1993] 2003), que discute os processos de combinação de orações a partir de três principais formas de vinculação oracional: parataxe [-encaixamento, -dependência], hipotaxe [-encaixamento, +dependência] e subordinação [+encaixamento, +dependência]. Diferentemente do que apregoa a tradição gramatical, nesse modelo, sentenças complexas resultam da combinação de traços sintáticos e semânticos [+/- dependência] e [+/- encaixamento]. Sendo assim, o objetivo deste simpósio é promover a discussão de aspectos atinentes às orações simples e complexas no português e em outras línguas, a partir de diferentes abordagens teóricas funcionalistas. São bem-vindos estudos que abordem questões sobre (i) graus de integração sintático-semântico entre orações, (ii) o estatuto linguístico de conjunções simples e complexas, (iii) a gramaticalização de conjunções e orações, (iv) correlação modo-temporal, dentre outras questões atreladas ao tema.

 

Palavras-chave: Orações simples, Orações complexas, Abordagens funcionais.

 

Minibiografias:

Angélica Rodrigues: possui graduação em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1998), mestrado (2001) e doutorado (2006) em Linguística pela Unicamp. Entre os anos de 2003 e 2004 realizou o doutorado sanduíche na Australian National University, Austrália. Atualmente é professora no Departamento de Linguística da Unesp – Câmpus de Araraquara. Tem experiência na área de Letras-Língua Portuguesa, com ênfase em Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: sociolinguística, variação e mudança linguística, gramaticalização, gramática das construções, articulação de cláusulas e estudos descritivos de libras.

Edson Rosa Francisco de Souza: possui licenciatura em Letras (2001) e mestrado em Estudos Linguísticos (2004) pela UNESP/São José do Rio Preto. Obteve o título de doutor em Linguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem, IEL/UNICAMP, em 2009, sob a orientação da Profa Dra Ingedore Grunfeld Villaça Koch. Cursou ainda o doutorado sanduíche na Universiteit van Amsterdam (Holanda), na área de Gramática Discursivo-Funcional, sob a orientação do Prof Dr Kees Hengeveld. Atualmente é Professor Assistente Doutor na Unesp de São José do Rio Preto e membro pesquisador do Grupo de Pesquisa de Gramática Funcional da UNESP/IBILCE, coordenado pela Profa. Dra. Erotilde Goreti Pezatti. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, atuando nos seguintes temas: Linguística Funcional, Gramática Discursivo-Funcional, Gramaticalização, morfossintaxe, advérbios, conjunções e texto.

 

 

Resumos dos trabalhos aceites

Comunicação 1

Análise funcionalista das orações adversativas com MAS na Língua Brasileira de Sinais

Autora:

Angélica Rodrigues – UNESP/Araquarara – angelica.rodrigues@fclar.unesp.br

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é analisar as orações adversativas com MAS como estratégias argumentativas relacionadas à noção de contraste e oposição a partir da análise de dados da Língua Brasileira de Sinais. As conjunções são importantes elementos para indicar as fronteiras de cláusulas e as relações semântico-pragmáticas que emergem da combinação de sentenças coordenadas ou subordinadas. No que se refere às línguas de sinais, a identificação de processos de coordenação e subordinação não é fácil, uma vez que elementos morfossintáticos que marcam a fronteira entre cláusulas, como conjunções e complementizadores, não são comuns nessas línguas. Todavia, trabalhos realizados acerca de diferentes línguas de sinais têm fornecido evidências acerca do uso de conjunções em sentenças coordenadas e subordinadas. Baker e Pfau (2016), por exemplo, esclarecem que complementizadores não foram registrados em línguas de sinais, mas conjunções como quando e porque são usadas na língua inglesa de sinais (BSL). Na Língua Brasileira de Sinais, o sinal MAS é largamente usado pela comunidade surda, mas descrições linguísticas acerca do seu funcionamento são incipientes. Na análise preliminar dos dados, extraídos de vídeos produzidos por surdos usuários de libras e disponibilizados na internet (FACEBOOK e YOUTUBE), destacamos a associação do sinal MAS e elementos não manuais na marcação da introdução de informações remáticas. Segundo Sandler (2010), elementos não manuais como articulação das mãos, face (sobrancelha, olho e boca) e corpo constituem marcas prosódicas nas línguas de sinais. Desse modo, nossos resultados apontam para a importância de uma descrição funcional que possa dar conta do uso dessa conjunção na libras e da relação entre aspectos sintáticos e prosódicos em línguas sinalizadas.

Palavras-chave: Funcionalismo; orações adversativas; Libras.

 

Minibiografia:

Angelica Rodrigues possui raduação em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1998), mestrado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2001), doutorado em Visiting Academic com Bolsa Doutorado Sandwich – Australian National University (2004) e doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2006). Atualmente é Professora Assistente na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp/Araraquara. Tem experiência na área de Letras-Língua Portuguesa, com ênfase em Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: sociolinguística, variação e mudança linguística, gramaticalização, gramática das construções, articulação de cláusulas e estudos descritivos de línguas de Libras.


Comunicação 2

Orações temporais de simultaneidade nas variedades do Português: considerações acerca da relação núcleo-modificador

Autora:

Ana Paula de Oliveira – UNESP/São José do Rio Preto – anapaula1309@yahoo.com.br

 

Resumo:

O presente trabalho tem como proposta discutir o funcionamento dos modificadores temporais de simultaneidade, codificados por meio de oração, nas variedades do português. Para tanto, serão analisadas ocorrências reais de uso coletadas no corpus “Português Oral”, organizado pelo Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, em parceria com a Universidade de Toulouse-le-Mirail e a Universidade de Provença-Aix-Marselha. Com base no aparato teórico a Gramática Discursivo-Funcional de Hengeveld e Mackenzie (2008), entende-se que cada unidade linguística consiste de uma parte obrigatória, o núcleo, e outra opcional, o modificador. Segundo os autores, modificadores são elementos lexicais que fornecem informações adicionais sobre um referente, isto é, podem ser retirados sem prejudicar a informação essencial, por isso são considerados facultativos; além disso, distribuem-se nos níveis Interpessoal e Representacional, nas diversas camadas que os compõem. Dessa forma, entende-se que os itens lexicais que têm por função localizar expressões de caráter nuclear no tempo desempenham a função de modificador temporal deste núcleo, podendo localizá-lo em um tempo absoluto ou relativo. Obviamente, entendemos que a seleção de elementos adicionais capazes de precisar ainda mais a informação fornecida não é aleatória, mas consiste em uma escolha orientada por intenções de ordem pragmática. No Nível Morfossintático, a relação que se estabelece entre a oração temporal e a oração principal é de núcleo-modificador, portanto, instaura-se o processo de subordinação, em função de a oração temporal, modificador, ser um constituinte da principal, núcleo. Os resultados mostram que as expressões temporais oracionais geralmente são introduzidas pelo conectivo quando e codificam tempo absoluto, o qual, segundo os autores, apenas pode modificar episódios, e não estados-de-coisas. Além disso, ocupam, predominantemente, a posição inicial em relação ao núcleo, o que indica a existência de motivações de ordem Interpessoal capazes de deslocar esses elementos da posição que lhes seria prevista. Esperamos, dessa forma, apresentar os resultados obtidos a fim de fornecer uma descrição mais adequada a respeito da relação temporal no português.

Palavras-chave: Gramática Discursivo-funcional; Modificador; Tempo; Simultaneidade; Oração temporal.

 

Minibiografia:

Possui Licenciatura em Letras – Inglês/Português (2009) e mestrado em Estudos Linguísticos (2013) pela UNESP de São José do Rio Preto, com realização de estágio de pesquisa no exterior sob a orientação do Prof. Dr. John Lachlan Mackenzie (Bolsa BEPE/FAPESP: Proc. n.º 2012/15225-5) no Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC), em Lisboa, Portugal. Atualmente, é doutoranda, no mesmo instituto, junto ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos, sob orientação da Profa. Dra. Erotilde Goreti Pezatti. É membro do Grupo de Pesquisa em Gramática Funcional, e seus temas de interesse são: Funcionalismo; Gramática Discursivo-Funcional; Descrição do Português; Tipologia; Línguas Românicas; Camada do Episódio; Sintaxe funcional; Subordinação e Relação adverbial temporal.


Comunicação 3

A sintaxe por subordinação no português popular: descrição e análise da oração complexa com complemento sentencial na fala de Tejucupapo-PE

Autor:

Emanuel Cordeiro da Silva – Universidade Federal Rural de Pernambuco/UFRPE –emanuel_cord@yahoo.com.br

 

Resumo:

Esta pesquisa objetiva estudar a complementação sentencial de predicados de percepção e de conhecimento (NOONAN, 2007) no português popular. Para tanto, adota-se uma orientação teórica de base funcionalista, sendo a subordinação concebida sob uma perspectiva cognitivo-funcional (LANGACKER, 1987; CRISTOFARO, 2003) e escalar (GIVÓN, 1980; 2001; LEHMANN, 1988; CRISTOFARO, 2003; HOPPER; TRAUGOTT, 2003, entre outros). A partir da concepção de subordinação adotada, são admitidas as seguintes motivações cognitivo-funcionais da sintaxe da complementação verbal: a semântica do predicado encaixador, o princípio de recuperabilidade de informação, a proximidade icônica, a iconicidade da independência e a distinção cognitiva entre processos e coisas (CRISTOFARO, 2003). Como recorte do português popular, escolheu-se a variedade linguística de Tejucupapo. A escolha dessa variedade se deu em virtude de ser representativa da norma popular da língua portuguesa falada dentro de uma comunidade antiga, tradicional e rural do estado de Pernambuco. O corpus é composto por dados de fala produzidos por 10 falantes não-escolarizados, que foram selecionados a partir destes quatro critérios: idade, escolaridade do falante, escolaridade dos pais do falante e tempo de permanência fora de Tejucupapo. Estabeleceu-se o tempo mínimo de 01 hora e 30 minutos para cada entrevista gravada. Todo o material totaliza aproximadamente 21 horas e 30 minutos de gravação. A transcrição foi realizada conforme as normas fixadas pelo Projeto Vertentes (LUCCHESI, 2014). A despeito da consideração dos resultados quantitativos, prezou-se por uma análise-interpretação qualitativa dos dados. Sendo assim, a forma das construções foi descrita e analisada em consideração aos seus contextos de ocorrência. Verificou-se não só a alta frequência das construções encaixadas no dialeto estudado, como também a forte atuação das motivações cognitivo-funcionais admitidas sobre os diferentes graus de encaixamento identificados, o que aponta para o encaixamento sintático como fortemente motivado pela relação entre gramática e cognição, e não pelo domínio do discurso escrito formal.

Palavras-chave: Funcionalismo; subordinação; complementação sentencial; iconicidade; português popular de Tejucupapo-PE.

 

Minibiografia:

Possui graduação (2007) em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Possui também Mestrado (2010) e Doutorado (2015) em Linguística pela mesma instituição. Atualmente, é professor Adjunto 1 da Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE. Participa do Projeto de Pesquisa LEDOC-PE (Laboratório de Edição e Documentação Linguística de Pernambuco), financiado pela FACEPE (Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco), e integra a Diretoria do GELNE (Grupo de Estudos Linguísticos do Nordeste).


Comunicação 4

Um estudo discursivo-funcional das orações temporais introduzidas por ‘toda vez que’ no Português brasileiro

Autor:

Edson Rosa Francisco de Souza – UNESP/São José do Rio Preto – edson@ibilce.unesp.br

 

Resumo:

O trabalho busca analisar, com base na Gramática Discursivo-Funcional (HENGEVELD e MACKENZIE, 2008) e na Gramaticalização (HOPPER e TRAUGOTT, 1993; TRAUGOTT, 1995; BYBEE, 2003), o processo de formação da locução conjuncional temporal toda vez que no português brasileiro, com vistas a identificar os contextos linguísticos que favorece(ra)m, ao longo da história, a emergência e a consolidação dessa expressão como locução conjuncional temporal no português, considerando-se o fato de que o português brasileiro dispõe de várias outras conjunções simples e complexas para marcar a relação de tempo. Mais especificamente, o objetivo é investigar o comportamento funcional dessa locução conjuncional de tempo, de modo a levantar evidências morfossintáticas, semânticas e pragmáticas que possam explicar o seu funcionamento e, em especial, em que medida tal locução se diferencia da conjunção temporal prototípica quando (BRAGA, 1999, 2001; LIMA-HERNANDES, 1998, 2000; BRAGA, PAIVA e PEREIRA, 2010, dentre outros). A hipótese que sustenta o trabalho é a de que a formação dessa locução conjuncional esteja relacionada ao fato de que, diferentemente da conjunção temporal prototípica, a locução toda vez que, além de assinalar a relação de tempo entre duas orações, carrega ainda a informação de aspecto iterativo (TRAVAGLIA, 1985). Para cumprir os objetivos propostos e averiguar a validade da hipótese, utilizamos como universo de investigação o Corpus do Português (DAVIS e FERREIRA, 2006), composto por mais 45 milhões de palavras. Assim, para a análise, elencamos os seguintes parâmetros: unidade composicional da oração principal, unidade composicional da oração subordinada, correferência entre os sujeitos, tempo verbal da oração principal, tempo verbal da oração subordinada, forma verbal da oração subordinada, posição da oração subordinada, valor temporal veiculado pela locução conjuncional (iterativo ou não-iterativo) e tipo de gênero discursivo. A análise desses parâmetros possibilitará avaliar não somente o estatuto da locução conjuncional em apreço como também o tipo de vinculação sintático-semântico estabelecido por essa locução entre as orações.

Palavras-chave: Locução toda vez que; tempo; aspecto; gramaticalização; GDF.

 

Minibiografia:

Licenciatura em Letras pela Universidade Estadual Paulista, câmpus de São José do Rio Preto – UNESP (em 2001) e mestrado em Estudos Linguísticos pela mesma instituição em 2004. Doutorado em Linguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem, IEL/UNICAMP, em 2009. Cursou ainda o doutorado sanduíche na Universiteit van Amsterdam (Holanda), na área de Gramática Discursivo-Funcional, sob a orientação do Prof. Dr. Kees Hengeveld. Foi professor Adjunto da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, Três Lagoas/MS. Atualmente é professor da Universidade Estadual Paulista – UNESP, São José do Rio Preto. Tem experiência em Teoria e Análise Linguística, atuando nos seguintes temas: Gramática Discursivo-Funcional, Tipologia lingüística, Gramaticalização, Advérbios e Conjunções.


Comunicação 5

Critérios para a análise do estatuto sintático de orações causais

Autor:

Fabrício da Silva Amorim – IFBA/Câmpus Valença – fabricioamorim6@gmail.com

 

Resumo:

Na grande maioria das gramáticas tradicionais, como mostra Amorim (2012), a abordagem da relação causalidade está atrelada à dimensão sintática: as referências às noções de “causa” e “explicação” aparecem nas seções que tratam do estudo das conjunções e das orações. Essa perspectiva adota uma visão dicotômica e pareada entre explicação e coordenação, de um lado, e causa e subordinação, de outro.  Tal visão, há muito, tem sido bastante questionada por estudos de diferentes vertentes da Linguística, que, além de denunciaram a carência de critérios adequados para sustentar o referido pareamento, refutam o tratamento dicotômico tanto para as noções semânticas de causa e explicação quanto para as noções sintáticas de coordenação e subordinação (VOGT, 1978; TRAVAGLIA, 1986; LOBO, 2001; LOPES, 2004). Assumindo a visão funcionalista que reconhece a gradualidade dos processos de articulação de orações e a sua relação com a gramaticalização (HOPPER; TRAUGOTT, 1993; BRAGA, 2001; DECAT, 2011, LONGHIN-THOMAZI, 2013; NEVES, BRAGA, 2016), este trabalho aborda a dimensão sintática da relação de causalidade (AMORIM, 2016), com vistas a definir os critérios mais básicos e adequados para a descrição do estatuto sintático de orações causais. Para tanto, considera-se que as estratégias de articulação de orações distribuem-se em um continuum no qual cada uma tem a sua posição definida pelo grau de integração sintática e de (inter)dependência semântico-discursiva, conforme proposta de Hopper e Traugott (1993): parataxe > hipotaxe > subordinação. Assim, visando ao estabelecimento de critérios para aferir o grau de (inter)dependência entre segmentos da junção causal, consultaram-se estudos sincrônicos e diacrônicos sobre orações causais do português brasileiro e europeu – Lopes (2004); Matos (2004), Fiéis e Lobo (2008); Cunha (2008) e Paiva e Braga (2010) – e de outras línguas – Pit (2003). As análises empreendidas neste trabalho destacam quatro critérios, considerados como propriedades sintático-discursivas, como os mais basilares para a descrição do estatuto sintático de orações causais, a saber: i) flexibilidade posicional da oração causal; ii) co-ocorrência de conector causal e coordenativo; iii) clivagem e iv) segmentação prosódica entre a oração causal e a oração nuclear.   Além disso, as análises mostram que as duas primeiras propriedades são as mais relevantes para a distinção entre orações causais paratáticas e orações causais hipotáticas, enquanto as duas últimas representam indícios que, conjugados às primeiras propriedades, definem os casos prototípicos de cada tipo de oração.

Palavras-chave: Orações causais; Parataxe; Hipotaxe.

 

Minibiografia:

É professor de Língua Portuguesa do Instituto Federal da Bahia/Câmpus Valença. Possui Licenciatura em Letras pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Mestrado em Língua e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Doutorado em Estudos Linguísticos pela UNESP de São José do Rio Preto. Realizou estágio de pesquisa na Université Catholique de Louvain (Bélgica) pelo PDSE/CAPES. Tem experiência em Letras, com ênfase em Linguística/Língua Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: gramaticalização; relação de causalidade; conectores; interface sociolinguística/ensino.


Comunicação 6

As orações relativas na escrita inicial infantil

Autora:

Gabriela Oliveira-Codinhoto – Universidade Federal do Acre/UFAC –  gabrielaolvr@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo a análise das orações relativas (doravante OR) em textos escritos por 14 alunos do Ensino Fundamental I de duas escolas públicas de São José do Rio Preto-SP, a fim de estabelecer as restrições de acessibilidade das estratégias de relativização na escrita inicial infantil. As estratégias de relativização do português, a saber, de lacuna, de pronome relativo e de retenção de pronome (cortadora, padrão e copiadora, na terminologia de Tarallo (1983)) dispõem de uma distribuição desigual nos textos das crianças. O aparecimento da estratégia de pronome relativo é raro, sendo a grande maioria das ORs codificadas pela estratégia de lacuna, amplamente utilizada não só nos textos analisados, como também na fala adulta (CAMACHO, 2012; 2014; 2016). A estratégia de retenção de pronome, apesar de mais acessível cognitivamente do que a estratégia de lacuna, aparece apenas em contextos específicos, geralmente para evitar ou desfazer ambiguidades. Entendemos, desse modo, que a estratégia de lacuna é estendida da relativização das posições mais altas da Hierarquia e Keenan e Comrie (1977), as de sujeito e de objeto direto, para todas as demais funções passíveis de serem relativizadas no português. A análise dos resultados permite a conclusão de que, além de propiciar aos alunos o conhecimento de traços e propriedades morfossintáticos das relativas, o desenvolvimento do processo de escolarização ativa um domínio maior das variáveis contextuais de uso, o que gera, consequentemente, um acréscimo não só de frequência, mas também de qualidade da informação construída.

Palavras-chave: Oração relativa; Acessibilidade; Aquisição da escrita.

 

Minibiografia:

É graduada em Letras pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), e mestra e doutora em Estudos Linguísticos pela mesma instituição. Atualmente é professora de Língua Portuguesa na Universidade Federal do Acre (UFAC). Tem experiência em Linguística, com ênfase em Gramática Funcional, atuando principalmente nos seguintes temas: Oração Relativa, Subordinação, Aquisição de Escrita, Línguas Indígenas Brasileiras e Tipologia Linguística. 


Comunicação 7

Uma breve análise do valor anafórico do termo adversativo ‘contudo

Autora:

Geisa Pelissari Silvério – Universidade Estadual de Maringá – geisa_pelissari@hotmail.com

 

Resumo:

Assim como o comportamento humano, a língua em uso apresenta novas estruturas e funções para adequação ao objetivo da comunicação. O funcionalismo, corrente da descrição linguística que trabalha com dados da língua falada e escrita, procura, por meio do processo de gramaticalização, compreender a mudança sintático-semântico-pragmática que ocorre com determinados termos. Sendo assim, neste trabalho, objetiva-se pesquisar esse processo no vocábulo contudo, com o intuito de expressar a passagem do tipo advérbio > conjunção e evidenciar o valor adversativo/discursivo dessa palavra e o atual caráter anafórico. Para isso, optou-se pelo uso do conceito clássico de gramaticalização, que determina, de acordo com Hopper e Traugott (2003), a ocorrência de itens lexicais, em determinados contextos, assumindo funções gramaticais ou desenvolvendo novas funções gramaticais, isto quando já gramaticalizados. Tem-se, nesse processo, uma evidente alteração semântica, isto é, outros significados apresentados por esse termo, inclusive uma mudança sintática em estudo, realocando-os em outra classe de palavra, de acordo com a gramática normativa, ou em outra categoria, conforme denominado por Câmara Jr (1976). O corpus para investigação dessas mudanças basearam-se em textos midiáticos, já que eles atingem a um grande número de leitores, os quais passam a utilizar os recursos linguísticos apreendidos nessas leituras, consolidando essas novas aparições. Os textos selecionados são pertencentes a jornais e a revistas de grande circulação no Brasil. A análise evidenciou o já conhecido uso desse termo como conjunção adversativa e, em maior ocorrência, mas esperada, o seu emprego como adversativa/discursiva e o seu caráter anafórico no contexto em que ocorrem. Constataram-se também exemplos dos termos com valor semântico de conclusão à informação que foi apresentada e como expressão de realce.

Palavras-chave: Funcionalismo; Gramaticalização; Conectivo Adversativo; Caráter Anafórico; Contudo.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras – Português/Inglês (2010) e mestrado em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (2016), tendo como linha de pesquisa a Descrição Linguística. Tem experiência na área de Língua Portuguesa, ministrando cursos de Gramática para concursos e vestibulares e cursos de redação de Gêneros Textuais, além de trabalhar como revisora de dissertações e artigos científicos.


Comunicação 8

Transparência e opacidade em orações introduzidas por porque 

Autora:

Joceli Catarina Stassi-Sé – UFSCar/CECH/DME – jocelistassise@hotmail.com

 

Resumo:

Este estudo busca, a partir da investigação das interfaces entre os níveis e camadas do modelo teórico da GDF (HENGEVELD; MACKENZIE, 2008), propor um tratamento às orações adverbiais iniciadas por porque no português brasileiro. É possível observar na literatura (STASSI-SÉ, 2015; SPÓSITO, 2012; PEZATTI, 2010; PÉREZ QUITERO, 2002; HENGEVELD, 1998) que a natureza dessas orações pode variar, resultando no estabelecimento de relações de causalidade com funções diversas, estabelecidas em diferentes estratos, mas todas introduzidas por um mesmo conector: o porque. Levando em conta esses diferentes usos dentro de uma proposta de gramaticalização de porque e considerando que a transparência se estabelece numa relação biunívoca entre sentido e forma, o tratamento que se deseja oferecer neste trabalho diz respeito a situar essas orações que se distribuem entre os níveis e camadas da teoria e que são todas introduzidas por uma mesma conjunção, dentre os polos de transparência e opacidade. Cumpre apontar que a transparência, na GDF, é um conceito gradual, e não binário, e é obtida quando uma unidade de um nível de organização linguística corresponde a uma unidade em todos os outros níveis (LEUFKENS, 2015). Partimos do pressuposto que essas orações, que podem constituir diferentes camadas e exibir diferentes níveis de dependência com outras porções textuais, apresentando função discursiva, função retórica, ou função semântica, se estabelecem em relação de opacidade. Propõe-se o mapeamento dessas construções entre os níveis e camadas da teoria para que possamos ampliar as distinções já amplamente discutidas pela literatura entre esses tipos de construção. O universo de investigação é constituído por ocorrências reais de uso, extraídas do corpus oral organizado pelo Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, em parceria com a Universidade de Toulouse-le-Mirail e a Universidade de Provença-Aix-Marselha.

Palavras-chave: GDF; Transparência; Opacidade; Causalidade.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras e mestrado em Estudos Linguísticos pela UNESP/São José do Rio Preto. É doutora em Estudos Linguísticos pela mesma instituição e cursou o doutorado sanduíche na Universiteit van Amsterdam/Holanda. Atualmente é professora adjunta na UFSCar, onde atua na graduação e na pós-graduação, e é professora colaboradora do PROFLETRAS, UFMS/CPTL. Atua nos seguintes temas de pesquisa: gramática discursivo-funcional, perspectiva textual-interativa, ensino e aprendizagem de língua estrangeira e de língua materna.


Comunicação 9

Integração de orações em predicados manipulativos

Autora:

Luana Gomes Pereira – UFRJ – lua_gomes@hotmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, investigamos a integração oracional nos predicados manipulativos presentes em jornais escritos no português brasileiro (PB), observando os fatores sintáticos e semânticos que permeiam sua realização. Os predicados manipulativos codificam uma situação causativa em que o agente tenta manipular o elemento afetado para realizar uma ação ou assumir um estado, configurando uma relação de causa-efeito (GIVÓN 1972; CRISTOFARO, 2000; MOURA NEVES, 2000). Nosso corpus é constituído de dados da Amostra Midiática do Programa de Estudos sobre o Uso da Língua (PEUL), formado de textos dos jornais O Globo, Jornal do Brasil, Extra e Povo. Selecionamos neste estudo os predicados com os verbos causativos fazer, deixar, mandar, permitir, obrigar e levar. Para a realização desses predicados e sua manifestação de causatividade, pode haver mais de uma expressão morfossintática disponível no repertório de uso da língua: as orações completivas, encaixadas a uma oração de matriz causal, podem se manifestar sob a forma finita no subjuntivo, não-finita ou ainda como uma nominalização. Nossa hipótese é de que o grau de integração das orações está correlacionado ao grau de integração semântica; assim, fundamentado no princípio de iconicidade (GIVÓN, 1991), as orações apresentam maior integração quanto mais dependentes conceptualmente, o que envolve as características de cada um dos verbos causativos estudados. Análises preliminares indicam que os complementos dos verbos causativos tendem a ocorrer mais frequentemente na forma não-finita, porém a semântica do verbo encaixador interfere na realização deste complemento, levando a diferentes graus de integração nas orações.

Palavras-chave: predicados manipulativos; causativos; integração oracional; iconicidade.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras Português/Inglês, mestrado em Linguística e é doutoranda em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É membro do Programa de Estudos sobre o Uso da Língua (PEUL), também da UFRJ.


Comunicação 10

Orações relativas apositivas desgarradas em português: uma análise à luz da Teoria da Estrutura Retórica

Autora:

Maria Beatriz Nascimento Decat – Universidade Federal de Minas Gerais –  bdecat@uol.com.br

 

Resumo:

Neste trabalho discuto um aspecto da língua portuguesa em uso ao qual venho chamando, metaforicamente, de estruturas desgarradas. Tidas como subordinadas e dependentes pela Gramática Tradicional, tais estruturas vêm ocorrendo de forma solta, isolada, como um enunciado independente. Um dos tipos de estruturas desgarradas recorrentes em português é a oração relativa apositiva (tradicionalmente, oração relativa adjetiva explicativa). Considerando o ‘desgarramento’ uma estratégia eficaz de atribuição de foco (além de topicalização e clivagem), esta análise atém-se à língua escrita, analisando dados do Português do Brasil (PB) e do Português Europeu (PE), extraídos de jornais e revistas de ampla circulação. Baseia-se este trabalho na teoria funcionalista de orientação norte americana, especificamente a Teoria da Estrutura Retórica (Rhetorical Structure Theory – RST), tal como apresentada em Mann & Thompson (1988) e Mann (2009), segundo a qual a gramática da articulação de orações espelha a organização do discurso, em termos de relações núcleo-satélite e multinucleares. Dessa teoria é utilizada a noção de “proposição relacional”, que se refere ao significado que emerge entre duas porções textuais, sejam elas orações ou não, independentemente de qualquer marca formal que o identifique. Tais proposições veiculam relações como ‘contraste’, ‘antítese’, ‘concessão’, ‘finalidade’, ‘elaboração’, ‘justificativa’, dentre outras. No caso das relativas apositivas, emergem, de modo mais recorrente, relações retóricas de ‘elaboração’, ‘avaliação’, ‘reformulação’, ‘especificação’, ‘justificativa’. A relativa autonomia dessas estruturas serve, por um lado, para explicar sua ocorrência independente; por outro lado, entretanto, essas estruturas continuam mantendo um vínculo com a porção textual (ou oração) que as antecede, uma vez que funcionam retoricamente como satélites de um núcleo precedente.  Pretendo, com a presente discussão, contribuir não só para o entendimento desse aspecto da articulação de orações em português, mas também para a compreensão da subordinação em geral, vista como um fenômeno que vai além da mera materialização linguística.

Palavras-chave: Estruturas desgarradas; Oração relativa apositiva; Relações retóricas; Subordinação; Funcionalismo.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil. Professora Adjunta aposentada da Universidade Federal de Minas Gerais trabalha, atualmente, como Professora Voluntária junto ao Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos daquela Universidade. Realiza pesquisas no âmbito da sintaxe funcionalista, em especial da articulação de orações, e também na interface Funcionalismo/ Linguística Textual no que se refere à organização retórica na macro e na micro estrutura (combinação de orações)  nos diferentes gêneros textuais.


Comunicação 11

As locuções conjuncionais ‘ao passo que’ e ‘enquanto que’ no português brasileiro: uma abordagem cognitivo-funcional

Autora:

Marília Gabriela Rúbio – UNESP/São José do Rio Preto – lila_rrubio@yahoo.com.br

 

Resumo:

O presente trabalho tem como objetivo analisar, com base nos pressupostos teóricos da abordagem cognitivo-funcional de Diewald (2016), Traugott (2012), Traugott e Trousdale (2013), o processo de mudança construcional das locuções conjuncionais “ao passo que” e “enquanto que” como indicadora das relações semânticas de proporcionalidade, contraste e tempo simultâneo no português brasileiro. Mais especificamente, o intuito da pesquisa é identificar, a partir da proposta de Diewald (2006) sobre os contextos atípico, crítico e de isolamento, os contextos linguísticos que propiciaram a formação e a convencionalização dessas construções como locuções conjuncionais indicadoras de proporcionalidade, haja vista que a análise de dados diacrônicos do português mostra que, na sua formação, as locuções “ao passo que”  e “enquanto que” eram (e ainda são) usadas para expressar a relação de tempo (que parece ser o uso mais concreto) e também a relação de contraste, cujo uso parece ser um pouco mais abstrato que o de tempo. Considerando ainda os parâmetros de composicionalidade e esquematicidade, defendemos a tese de que “ao passo que” e “enquanto que” apresentam perda de composicionalidade, já que o significado de proporcionalidade é, em princípio, resultado do todo da construção, e integra a macro-construção [X-que], instanciadora de locuções conjuncionais com outros valores, tais como tempo (logo que, sempre que), causa (uma vez que, já que), condição (se bem que) e concessão (ainda que, mesmo que) (CEZÁRIO, SILVA e SANTOS, 2015, p. 241). A hipótese inicial é a de que, por meio de analogia, as locuções conjuncionais “ao passo que” e “enquanto que” passaram a figurar como uma nova instância da macro-construção [X-que], acrescentando, assim, o sentido de proporcionalidade.

Palavras-chave: Abordagem construcional, mudança construcional, locuções conjuncionais “ao passo que” e “enquanto que”.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Estudos Linguísticos pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, campus São José do Rio Preto. Mestre em Letras – Estudos Linguísticos (2011) pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Graduada em Letras – Português/Francês (2008) pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Atualmente, a pesquisadora recebe bolsa da CAPES para a realização da pesquisa.


Comunicação 12

O processo de gramaticalização do transpositor ‘sem(que)’: de preposição a conjunção

 

Autores:

Marta Anaísa Bezerra Ramos – UEPB – martaanaisa@gmail.com

Camilo Rosa Silva – UFPB – camilorosa@gmail.com

 

Resumo:

A tradição gramatical acomoda as palavras em classes gramaticais com base nas semelhanças entre conjuntos de traços morfossintáticos e semânticos; porém, as situações reais de uso da língua evidenciam deslizamentos de vocábulos entre as classes, fenômeno de flutuação categorial explicado pela teoria da gramaticalização como extensão de função. Dentre as classes fronteiriças, discutimos especificamente o caso da preposição sem, que, ao anteceder orações adverbiais reduzidas, funciona como conjunção. Por conceber que a forma verbinominal não se comporta como verbo pleno, a tradição mantém o postulado de que preposição antecede nome; apenas quando integrante da locução conjuntiva esse item é visto como conjunção. Por outro lado, entendendo que a presença de termos argumentais (sujeito/complementos) confere à forma verbinominal caráter de verbo pleno, conforme Azeredo (2000) e Bechara (1999), assumimos que, embora a função relacional seja tipicamente exercida pela conjunção, também a preposição pode assumir esse papel. Logo, objetivamos mostrar o processo de recategorização sintática e semântica dessa preposição, independentemente da presença do que. Tomamos como amostra para análise orações introduzidas pelo sem/sem que coletadas em artigos de opinião, carta ao leitor e entrevista, expostos nos periódicos VEJA, ISTO É e ÉPOCA, dos anos 2010/2011, que integram um corpus constituído de 388 (trezentos e oitenta e oito) ocorrências das quais 50 (cinquenta) se apresentam sob a forma desenvolvida, introduzidas pela locução conjuntiva, e o restante sob a forma reduzida de infinitivo. A explicação do percurso de gramaticalização das marcas sem/sem que baseia-se nos critérios indicados pela vertente do Funcionalismo Norte-americano (HOPPER e TRAUGOTT, 1993) e também dos parâmetros relativos à gramaticalização de orações (LEHMANN, 1988). A multiplicidade dos valores semânticos expressos pelos conectores em estudo denuncia a relevância do contexto (motivações de ordem cognitiva e interacional) na determinação dos sentidos, evidenciando a pragmatização do significado, portanto, a interferência do discurso na gramática.

Palavras-chave: orações adverbiais, transpositores, recategorização sintático-semântica.

 

Minibiografias:

Marta Anaísa Bezerra Ramos:  fez graduação em Letras (1999) e especialização em Língua Portuguesa (1995) na Universidade Federal da Paraíba, atual UFCG; concluiu mestrado (2009) na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde também cursou doutorado em Linguística (2015). Professora da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), ministra os componentes Morfossintaxe, Sintaxe da oração, e Sintaxe do período. É membro do Grupo de Investigações Funcionalistas (GIF/UFPB).

Camilo Rosa Silva:  Doutor em Letras, Professor Associado da Universidade Federal da Paraíba, onde atua na graduação e no Programa dePós-Graduação em Linguística (2015). Realiza pesquisas na área da Linguística Funcional, com interesse voltado, também, para o ensino de Língua Portuguesa. Coordena o Grupo de Investigações Funcionalistas (GIF). Publicou diversos trabalhos nessa perspectiva, tanto em livros como em periódicos e anais de eventos.


Comunicação 13

Propriedades morfossintáticas da Função Retórica Conclusão

Autora:

Norma Barbosa Novaes Marques – UNIESP – nb.novaes@uol.com.br

 

Resumo:

Este estudo analisa a relação conclusiva que se realiza por meio das conjunções então e portanto no portugês falado. Para tanto, utiliza como base de dados o córpus “Português oral”, que contém amostragens de variedades do português falado nos países lusófonos, e adota como aparato a Gramática Discursivo-Funcional (Hengeveld e Mackenzie, 2008), um modelo teórico que privilegia a intenção comunicativa do falante ao fazer uso do sistema linguístico em situação de interação. O objetivo é analisar a relação conclusiva com base na interface da sintaxe com outros níveis de análise linguística, como o pragmático e o semântico, o que permite acrescentar aos estudos contemporâneos uma análise mais adequada da relação conclusiva. Os resultados revelam que, na Função Conclusão, formulada no Nível Interpessoal, as Orações que compõem a relação formam uma única Expressão Linguística. A maioria dos gramáticos considera que se trata de um caso de Coordenação, ou seja, as Orações que compõem a Expressão Linguística são independentes, sem que uma seja constituinte da outra. Este trabalho corrobora essa afirmação, no entanto propõe que pragmaticamente há uma dependência da Oração que contém a conclusão, visto que toma a premissa contida na primeira Oração como base para sua ocorrência. Assim, isso explica a oscilação na classificação tradicional da relação conclusiva, ora como coordenação, ora como subordinação. Postula-se aqui que seja uma dependência pragmática, relacionada à intenção do Falante de apresentar premissas que encaminham para uma conclusão. O estudo, seguindo a proposta teórica adotada, conclui que a análise da interação entre os vários níveis do Componente Gramatical propicia fundamentos para explicar de forma mais adequada a relação linguística de conclusão no português.

Palavras-chave: Relação conclusiva; Gramática Discursivo-Funcional; Nível Morfossintático.

 

Minibiografia:

Licenciada  em Letras, mestre e doutora em Estudos Linguísticos pela UNESP. Cursou o doutorado sanduíche no ILTEC/Lisboa. É docente da área de Linguística e Língua Portuguesa na UNIESP, Professora Formadora no Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (MEC/FNDE) e pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Gramática Funcional. Desenvolve trabalhos nas áreas de análise linguística.


Comunicação 14

Orações introduzidas por ‘mesmo se’, ‘mesmo quando’ e ‘mesmo assim’: uma análise à luz da Gramática Discursivo-Funcional

Autora:

Talita Storti Garcia – UNESP/São José do Rio Preto – talita@ibilce.unesp.br

 

Resumo:

Este trabalho investiga as orações introduzidas por ‘mesmo se’, ‘mesmo quando’ e ‘mesmo assim’ no português brasileiro falado com o objetivo de verificar qual é o comportamento morfossintático, semântico e pragmático dessas orações, assim como analisar o estatuto do elemento ‘mesmo’, tendo em vista que, à luz da teoria da Gramática Discursivo-Funcional de Hengeveld e Mackenzie (2008), concebemos que não se trata de conjunções complexas, mas sim de dois elementos distintos. Nesses contextos, defendemos que o elemento ‘mesmo’ atua como focalizador de toda a oração, conforme exemplificam as três ocorrências a seguir: (1) porque você não pode ficar sem uma arma em casamesmo se tiver criança esconde né? (AC-58-RO,342); (2) mesmo quando tá chove::ndo… assim… a gente fica assim no pá::tio… olhando… (AC-96-DE,161); (3) o Carlos era moreno ele tava branco pálido os lábios dele tavam branco ele era bem moreno mesmo assim tava mais pra pra:: pra sete oito horas da noite do que pra pra seis cinco né” ( AC-109-NE,104). O teste da omissão de ‘mesmo’ dessas ocorrências mostra que não se trata de casos prototípicos de orações condicionais, temporais e concessivos, mas sim de casos escopados por um operador de ênfase do Nível Interpessoal. A Ênfase é uma categoria pragmática muito importante dentro do escopo da Gramática Discursivo-Funcional, que perpassa todas as camadas do Nível Interpessoal. Constitui uma estratégia utilizada pelo falante para atingir seu propósito comunicativo, e é definida como a intensificação, por meios lexicais ou gramaticais, de um constituinte ou de toda a expressão linguística. Como universo de investigação, utilizamos o Iboruna, banco de dados do Projeto ALIP (Amostra Linguística do Interior Paulista), elaborado a fim de mapear a variedade linguística de algumas cidades do noroeste paulista.

Palavras-chave: mesmo se; mesmo quando; mesmo assim; funcionalismo; Gramática Discursivo-Funcional.

 

Minibiografia:

É Licenciada em Letras com habilitação em Espanhol (2003), Mestre (2006) e Doutora em Estudos Linguísticos (2010) pela UNESP de São José do Rio Preto – IBILCE. Atualmente é Professora Assistente Doutora do Departamento de Letras Modernas da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP/IBILCE) e membro do Grupo de Pesquisa de Gramática Funcional da UNESP/IBILCE. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, com interesse na Descrição Funcional de Língua Falada e Escrita (português e espanhol).


Comunicação 15

O desgarramento de orações no Facebook

Autora:

Violeta Virginia Rodrigues – UFRJ – violetarodrigues@uol.com.br

 

Resumo:

Este trabalho pretende descrever, seguindo Decat (2011), o fenômeno do desgarramento em português, partindo da hipótese de que no Facebook as completivas desgarradas são as estruturas mais produtivas. Decat (2011, p. 42) afirma que as orações completivas se desgarram quando formam uma sequenciação parafrástica, reiterando ou repetindo estruturas que ocorreram antes no discurso, contribuindo para enfatizá-las e visando a objetivos comunicativo-interacionais. Em “Não sei [onde você mora]. [Onde você quer ir.]”, a primeira oração introduzida por ONDE é argumento do verbo “saber” assim como a segunda. Contudo, esta se separa da anterior por ponto final, ou seja, se encontra desgarrada desta, enfatizando-a. Em “Que as nossas palavras, nossos gestos e nossas ações, façam a diferença na vida das pessoas. Porque a vida só tem sentido se for realmente para fazer o bem”, chamou atenção a oração em itálico. Segundo Góis (1943, p 65-66), esta denomina-se, quanto ao sentido, optativa, exprimindo votos, tendo verbo no subjuntivo, vindo regida de conjunção expletiva “que”, permitindo a elipse do verbo “desejar”. Parafraseando tal estrutura segundo Góis (1943), teríamos “Gostaria que nossas palavras (…) pessoas”. Considerando-se a elipse destes verbos, a noção de gramaticalização e a frequência de uso dessas estruturas, podemos postular que é um caso de desgarramento de completiva diferente do apresentado por Decat (2011). Assim, pretendemos complementar a descrição das desgarradas de Decat (2011), utilizando postagens coletadas do Facebook de julho a dezembro de 2016 como corpus e adotando o Funcionalismo como teoria. Além desta autora, Chafe (1980), Dik (1997), Rodrigues (2011), Silvestre e Rodrigues (2014), sobre desgarramento, utilizaremos estudos de Ford (1980), Tenani (2008), Soncin e Tenani (2015) sobre pontuação. Até agora, foram encontradas 92 cláusulas desgarradas, destas 70 são completivas, 20 circunstancias e 2 relativas.

Palavras-chave: Funcionalismo, desgarramento, completivas.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Português-Literaturas, especialização em Literatura Infanto-Juvenil, mestrado em Letras Vernáculas e doutorado em Letras Vernáculas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estágio Pós-Doutoral na FALE/ POS-LIN/UFMG. Atua como professora do Departamento de Letras Vernáculas da UFRJ, nos cursos de graduação e no Programa de Pós-Graduação em Letras Vernáculas. 


Comunicação 16

A correspondência lógico-semântica de cláusulas paratáticas e hipotáticas de contraste em córpus de língua falada e seu funcionamento semântico-pragmático

Autora:

Virginia Maria Nuss – Universidade Estadual de Maringá –virnuss@hotmail.com

Resumo:

Este trabalho objetiva investigar a correspondência semântica e pragmática das orações adverbiais concessivas e das orações coordenadas adversativas. Esta pesquisa se respalda em perspectivas funcionalistas (Halliday [2004] e Dik [1989]) e se espelha nos estudos de Neves (2012). O córpus de análise é um córpus de língua falada, composto pela transcrição de doze entrevistas orais realizadas com líderes de diferentes perspectivas religiosas (padres, pastores, etc). Para as análises, consideraram-se a organização dos sistemas táticos propostos por Halliday (2004) e suas diferentes combinações, mais especificamente o sistema tático de expansão e sistema tático de realce – orações coordenadas e adverbiais, respectivamente. Nesse sentido, tem-se que tais expressões, quando postas em uso pelo falante, embora se organizem linguisticamente por sistemas táticos diferenciados, apresentam similaridades semânticas e pragmáticas por meio do contraste que estabelecem de acordo com seus respectivos conectivos. Percebe-se, ainda, nas construções adverbiais concessivas e coordenadas adversativas, uma intencionalidade do falante que reside não em negar um dos fatos expressos nessas combinações, mas em reafirmar um desses fatos sob um escopo de negação. Pragmaticamente, essas orações funcionam como recurso argumentativo de orientação do ouvinte.

Palavras-chave: Funcionalismo. Combinação de orações. Contrastividade.

Minibiografia:

Doutoranda em Estudos Linguísticos – UNESP/São José do Rio Preto e Mestranda do Programa de Pós-graduação em Letras (PLE-UEM), sob a orientação do Prof. Dr. Juliano Desiderato Antonio. Graduada em Letras pela mesma Universidade, em 2014, tendo concluído o curso com láurea acadêmica. Especialização em Docência em Língua Portuguesa e em Filosofia e Sociologia. Integrante do grupo de pesquisa FUNCPAR desde 2012.