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Simpósio 71

SIMPÓSIO 71 – LINGUAGEM E COGNIÇÃO: TEMPO, ASPECTO E MODALIDADE

 

Coordenadoras:

Jussara Abraçado | Universidade Federal Fluminense | mjabracadoalmeida@id.uff.br

Nilza Barrozo Dias | Universidade Federal Fluminense | nilzabarrozodias@id.uff.br

 

Resumo:

Este simpósio objetiva criar espaço para discussão e apresentação de resultados de estudos que se dedicam a fenômenos que envolvem a noção de tempo e/ou de aspecto e/ou de modalidade, nas diferentes variedades do português, pautados na relação entre linguagem e cognição. Considerando-se que o indivíduo necessariamente imprime à fala sua identidade sócio-cultural, no tempo e no espaço, e que as condições de interação e as necessidades discursivas, mediadas pela cognição, influenciam a gramática de uma língua, são bem-vindas pesquisas desenvolvidas sob o viés da Linguística Cognitiva e de outras correntes que com a Linguística Cognitiva estabelecem interface, na esteira de autores como LANGACKER (1990; 2006), CROFT (2001), BYBEE (2010), TRAUGOTT (2010), FAUCONNIER (1999), LAKOFF (1980; 1999), GEERAERTS (2005), entre outros. Tendo por referência fenômenos que envolvem a noção de tempo e/ou de aspecto e/ou de modalidade, são convidados a participar do presente simpósio trabalhos que se proponham a (i) examinar processos de mudança em uma ou mais variedades do português em uso; (ii) relacionar (inter)subjetificação a processos de mudança linguística; e (iii) incitar estudos preocupados em discutir e aprofundar o conhecimento acerca da Linguagem e da cognição humana.

 

Palavras-chave: tempo, aspecto, modalidade, linguagem, cognição.

 

Minibiografias:

Jussara Abraçado é Doutora em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e atua, na Universidade Federal Fluminense, como Professora Titular de Linguística, na graduação e Pós-Graduação. É líder do grupo de pesquisa Linguagem em uso, cognição e gramática, cadastrado no CNPq, que reúne pesquisadores da UFF, da Universidade Católica Portuguesa e Universidade Aberta de Lisboa, e membro do Grupo de Investigação Linguagem, cognição e sociedade, cadastrado na Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT) de Portugal. Dedica-se a estudos na área de Linguística, com ênfase em Linguística Cognitiva e Sociolinguística Cognitiva, atuando principalmente nos seguintes temas: tempo futuro, cognição, subjetividade e gramaticalização.

Nilza Barrozo Dias graduou-se-se em Licenciatura em Letras pela Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia e cursou Especialização em Língua Portuguesa na Universidade Federal Fluminense/UFF. Obteve o título de Mestre em Letras pela Universidade Federal Fluminense e o de Doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP, sob a orientação da Profa. Dra. Maria Luiza Braga. Cursou um ano do doutorado na University of Santa Barbara, Califórnia, EUA, sob a orientação da Professora Doutora Sandra Thompson. Fez Pós-Doutorado na Universidade Católica Portuguesa, em Braga, Portugal, sob supervisão do Professor Doutor Augusto Soares, em Semântica Cognitiva. É Professora Adjunta da Universidade Federal Fluminense., onde Atua na Graduação Pós-Graduação. Tem experiência na área de Linguística, atuando principalmente em: Variação e Mudança; Gramaticalização; Funcionalismo; Semântica Cognitiva e interface Gramática versus Interação.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

ASPECTO E TEMPO: relações existentes entre verbos inacusativos e inergativos

 

Autora:

GLAUCIA XAVIER – IFMG (Instituto Federal de Minas Gerais) – glaucia.xavier@ifmg.edu.br

 

Resumo:

Este trabalho é um recorte da tese de doutorado em Linguística finalizada em 2016, na PUC-MG. Esse recorte apresenta os resultados sobre a relação entre aspecto e tempo nos verbos intransitivos. Buscou-se verificar as relações entre verbos inacusativos e inergativos e o aspecto e tempo verbais, além da presença de advérbios nas sentenças.  O marco teórico utilizado foi a Teoria Gerativa, em especial, o Programa Minimalista. A metodologia utilizada apresenta abordagens qualitativas e quantitativas, para tal, foram selecionados e classificados diálogos de falantes do português (NURC- Projeto da Norma Urbana Oral Culta), observando-se as categorias aspecto lexical/semântico, aspecto gramatical, tempo, existência e natureza do advérbio; além de argumentos externos e internos dos verbos. Ao todo, foram analisadas 320 ocorrências verbais. Houve cruzamento desses dados com o auxílio do programa Varbrul e o Teste Qui-quadrado. Foi analisado a presença do “SE” (índice de indeterminação do sujeito) em verbos intransitivos e suas variações no português brasileiro, como em “modificou-se”, “fechou-se”, entre outros, encontrados no corpora. Com base no estudo empreendido, verificou-se que os verbos inacusativos e inergativos apresentam comportamentos distintos e que o “SE”, levando em conta a variação linguística utilizada na contemporaneidade, não cabe mais ser analisado como partícula apassivadora, como sugerem alguns gramáticos.  A pesquisa comprovou que houve uma passagem do emprego do “se” como voz passiva para um entendimento de que ele é sempre índice de indeterminação do sujeito, uma vez que, acompanhados de verbos que não tinham objeto direto, estendeu a eles esse papel, não sendo necessário ao falante fazer o uso da concordância. Verificou-se também que os verbos intransitivos têm relação direta com aspecto lexical/semântico; os inergativos apresentam mais ligação com situações atélicas, como sugerem algumas teorias. Já os verbos inacusativos também ocorrem mais em situações atélicas do que télicas, o que contradiz grande parte da literatura.

Palavras-chave: Aspecto, Tempo, Advérbio, Verbo inacusativo, Verbo inergativo.

 

Minibiografia:

Gláucia Xavier é doutora em Linguística e Língua Portuguesa, mestre em Educação, possui duas especializações e graduação em Letras. Há sete anos é professora em regime de dedicação exclusiva do Instituto Federal de Minas Gerais, lecionando língua portuguesa para o Ensino Médio e Ensino Superior. É líder do grupo de pesquisa GEALI (Grupo de Estudos sobre ensino e aprendizagem de língua portuguesa e literatura) certificado no CNPq há cinco anos. Interessa-se pelos estudos sobre tempo e aspecto e coordena, atualmente, uma pesquisa sobre advérbios e sua relação com aspecto, com bolsista PIBIC-Jr.


Comunicação 2

<Desatar a + infinitivo> no Português Europeu

Autor:

Henrique Barroso – Universidade do Minho – hbarroso@ilch.uminho.pt

 

Resumo:

<Desatar a + infinitivo> é uma construção que focaliza o ‘início’ da situação denotada pelo predicado cujo núcleo é a forma verbal de infinitivo. O “incetivo”, que é o seu significado, não lhe é, contudo, exclusivo. Começar a, pôr-se a, romper a, largar a + infinitivo são só alguns exemplos de outras construções que também o partilham. Por conseguinte, e para se poder aquilatar das suas especificidades – o objetivo desta investigação –, convocarei argumentos vários, tanto de natureza estrutural quanto sintático-semântica, e tudo sempre com base num corpus constituído por material linguístico autêntico, recolhido na imprensa escrita e em textos literários dos finais do séc. xx e inícios do séc. xxi.

Palavras-chave: <Desatar a + infinitivo>; perífrase verbal; verbo semiauxiliar; incetivo + ‘de forma repentina ou brusca’; Português Europeu.

 

Minibiografia:

Doutor em Ciências da Linguagem pela Universidade do Minho, na área do conhecimento de Linguística Portuguesa, com a tese Para uma Gramática do Aspecto no Verbo Português. Professor Auxiliar do Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos do Instituto de Letras e Ciências Humanas (ILCH) da Universidade do Minho. Foi Diretor de Curso de Línguas e Literaturas Europeias (Pós-Laboral) e membro, eleito, do Conselho Pedagógico. É membro, também eleito, do Conselho Científico e Vogal, por nomeação, da Comissão Executiva do BabeliUM – Centro de Línguas do ILCH/UM (Coordenador da área de PLE/PLNM). Tem lecionado UC de 1.º e 2.º ciclos nas áreas de Fonética, Fonologia, Morfologia, Português Língua Estrangeira e Português Língua Materna e tem dedicado a sua investigação à Semântica do Aspeto em Português, principalmente, e, ainda, à Fonética e Fonologia e também Léxico e Morfologia. Para além disso, tem sido membro de Comissões Científicas (é-o deste Simpósio), conferencista convidado, professor visitante, colaborador em Cursos de Mestrado no estrangeiro (países lusófonos: Angola e Timor-Leste) e projetos de investigação. Entre vários outros estudos, publicou «<Pôr-se a + infinitivo> no Português Europeu», in Hlibowicka-Węglarz, Barbara/ Jabłonka, Edyta / Wiśniewska, Justyna (Org.), Língua Portuguesa – Unidade na Diversidade. Lublin: Wydawnictwo Uniwersytetu Marie Curie-Skłodowskiej, 2016, pp. 109-124; «Morfossintaxe em Fernão de Oliveira (1536)», in Diacrítica 29/1 (2015), pp. 379-393; «Da criação neológica (e outros fenómenos linguísticos) no pós-25 de Abril de ‘74», in Andreeva, Yana (coord.), Horizontes do Saber Filológico. Sófia: Editora Universitária Sveti Kliment Ohridski, 2014, pp. 49-61; O Aspecto Verbal Perifrástico em Português Contemporâneo. Visão Funcional/ Sincrónica. Porto: Porto Editora, 1994; Forma e Substância da Expressão da Língua Portuguesa. Coimbra: Livraria Almedina, 1999 [1.ª reimpressão, março de 2011]. É, ainda, autor de (ficção) Mp3 & outras minificções. V. N. de Famalicão: Húmus, 2015, e Pondras de pedras soltas (poesia). Braga: Calidum, 2001.


Comunicação 3

O Tempo Presente e a Proximidade Epistêmica nas Manchetes Jornalísticas

 

Autora:

Caroline Soares – UFRJ – caroline.soares@gmail.com

 

Resumo:

O foco deste estudo é o uso do tempo presente em manchetes de jornais online em que os eventos de destaque ocorrem no passado recente. A análise é baseada em dados extraídos do corpus jornalístico composto por manchetes encontradas nos jornais O GloboJornal do Brasil (JB), Folha de São Paulo e Estadão. A hipótese que orienta a pesquisa é a de que a escolha do tempo presente sinaliza uma proximidade epistêmica ao evento, relacionada com a apresentação das notícias como factual. Processos de perspectivação conceptual e de mudança de significado relacionados a um maior envolvimento do conceptualizador têm destaque nas abordagens cognitivistas. O referencial teórico da pesquisa é baseado na Teoria dos Espaços Mentais de Fauconnier (1994, 1997) e na Gramática Cognitiva de Langacker (1987, 1991). Alega-se que a combinação dessas abordagens pode explicar aspectos relevantes da relação entre linguagem e cognição no contexto do jornalismo online. Na presente fase da pesquisa, argumentamos que: (a) o processo de construção de espaços mentais, baseando-se em primitivos discursivos, tais como Base, Ponto de Vista, Foco e Evento, pode lançar luz sobre o uso epistêmico do tempo presente; (B) a configuração de espaços mentais motivada pelo tempo presente em manchetes jornalísticas pode estar relacionada com o processo de subjetivação que envolve a inserção de perspectiva ou atitude do sujeito na conceptualização do conteúdo.

Palavras-chave: Tempo Epistêmico, Espaços Mentais, Subjetificação.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Início 2015/1). Possui Mestrado em Estudos da Linguagem, Especialização em Leitura e Produção de textos e em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense. Graduada em Português / Literaturas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Participante do LINC (Grupo de Pesquisas em Linguística Cognitiva), coordenado pela Professora Doutora Lilian Vieira Ferrari. Atualmente, investiga a relação entre linguagem e cognição no contexto do jornalismo online.


Comunicação 4

A modalidade externa ao participante entre o eu e o outro: intersubjetificação no português medieval

Autor:

José António Costa – Escola Superior de Educação (Politécnico do Porto) | CLUP | inED – joseacosta@ese.ipp.pt

 

Resumo:

A modalidade linguística envolve a perspetiva do locutor perante um estado de coisas, evidenciando a sua dimensão subjetiva e permitindo relacioná-la com a gramaticalização e a (inter)subjetificação. A modalidade externa ao participante (van der Auwera & Plungian, 1998) corresponde ao conjunto de circunstâncias externas que tornam possível ou necessária uma situação, mas pode concretizar-se em diferentes matizes pragmático-discursivos, que colocam o foco ora no locutor, ora no alocutário. Como sustenta Portner (2009: 130), “cognitive and functional approaches to modality make an important contribution with their focus on the notions of subjectivity and intersubjectivity”. A intersubjetividade apresenta uma relação sincrónica e diacrónica com a modalidade (Narrog, 2012), traduzindo-se nas noções de subjetificação e intersubjetificação, ou seja, num maior envolvimento do alocutário (Traugott & Dasher, 2005) ou dos interlocutores na avaliação das situações enunciadas, em correlação com a gramaticalização (Narrog, 2012). Procurámos, assim, analisar a relação entre modalidade e intersubjetificação partindo de ocorrências da modalidade externa ao participante n’A Demanda do Santo Graal (edição de Irene Freire Nunes, 2005), em particular nos semiauxiliares poder e dever. No quadro da Pragmática Histórica, avaliámos os atos discursivos e as sequências textuais que integram e verificámos que, além dos usos canónicos (1), existem valores configurados discursivamente, aproximando-se ora da modalidade deôntica (2), ora da modalidade epistémica (3).

  • A água é tam fervente que a nom posso sacar. (DSG, 584, 178d)
  • certas eu nom som que esta espada devo haver (DSG, 11, 3d)
  • “Polo prado, que era verde, devemos a entender a humildade e a sofrença” (DSG, 158, 54b)

Estes usos não prototípicos constituem exemplos de intersubjetificação, com aumento da subjetividade face ao maior envolvimento dos interlocutores no enunciado, e de um continuum de gramaticalização (Hopper & Traugott, 2003), sublinhando a relevância da História da Língua no esclarecimento dos usos presentes.

Palavras-chave: modalidade linguística; intersubjetificação; gramaticalização; semiauxiliares modais; português medieval.

 

Minibiografia:

Professor-Adjunto na Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto (ESE/PP), onde leciona unidades curriculares das áreas da Linguística Aplicada ao ensino da língua, da Aquisição da Linguagem, da Linguística Descritiva e da Didática de Línguas. Doutorado em Ciências da Linguagem, área de especialização de Didática de Línguas, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Membro colaborador do Centro de Linguística da UP e do Centro de Investigação e Inovação em Educação (ESE/PP).


Comunicação 5

Acionamento de espaços mentais em frames de finalidade

 

Autora:

Melina Souza – Universidade Federal Fluminense – melinacsouza@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, propomos uma análise da conceptualização do tempo em frames de finalidade, com base na semântica de frames (FILMORE, 2006; DUQUE, 2015) e na Teoria de espaços mentais (FAUCONNIER, TURNER, 2003; LANGACKER, 1991, 2016). Para tanto, caracterizamos o frame de finalidade como um frame descritor de evento cuja representação mais esquemática tem como base o esquema imagético de trajetória. Tal esquema se caracteriza por apresentar um corpo (agente) que, ao movimentar-se, passa por pontos intermediários (ações) que condicionam alcance de uma meta (a realização de um evento), como demonstra o seguinte exemplo: “Oposição cria ‘força-tarefa’ para conseguir votos pró-impeachment” (G1, 29 mar. 2016). Paralelamente, com base em Langacker (2016), demonstramos que a conceptualização do tempo em frames de finalidade aciona espaços mentais que se encontram nos campos potencial e hipotético, não garantindo ao observador acesso à realidade conhecida pelo conceptualizador. Podemos afirmar, portanto, que o frame de finalidade, por perfilar eventos que acionam espaços mentais dos campos potencial e hipotético, encontra-se na região da não realidade. Desse modo, neste trabalho, pretendemos analisar frames de finalidade – provenientes de informativos on-line brasileiros, portugueses e galegos –, de modo a demonstrarmos a relação entre os espaços mentais acionados no processo mental de escaneamento de tais frames.

Palavras-chave: semântica de frames; espaços mentais; finalidade.

 

Minibiografia:

Melina Souza é Doutoranda em Estudos de Linguagem, Mestre em Estudos de Linguagem e Especialista em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É bolsista Capes e dedica-se a estudos na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística, Funcionalismo e Sociolinguística Cognitiva.

 

Referências:

DUQUE, Paulo Henrique. Discurso e cognição: uma abordagem baseada em frames. Revista da Anpoll, n. 39. Florianópolis, jul./ago. 2015. p. 25-48.

FILMORE, Charles J. Frame semantics. In: GEERAERTS, Dirk. Cognitive linguistics: basic readings. Cognitive Linguistics Research, n. 34. Berlin/New York: Moutont de Gruyter, 2006. cap. 10.

LANGACKER, Ronald W. Foundations of cognitive grammar. v. 2. Descriptive application.


Comunicação 6

Gramaticalização e subjetividade no processo de mudança do tempo futuro nas variedades do português brasileiro, europeu e africano

 

Autora:

Jussara Abraçado – Universidade Federal Fluminense – mjabracadoalmeida@id.uff.br

 

Resumo:

Como se sabe, o futuro possui um valor temporal que não permite expressar uma modalidade factual, pois só aceita asserções segundo a avaliação que o falante faz da possibilidade ou não da ocorrência de um estado de coisas. Tal particularidade permite afirmar que há sempre um valor modal ligado ao valor temporal e, por conseguinte, inerentemente a tudo isso está o fenômeno da subjetificação.  Este trabalho, teoricamente embasado na interface entre a Linguística Cognitiva e a Sociolinguística ou, como propõem alguns estudiosos, na Sociolinguística Cognitiva, constitui uma etapa de projeto de pesquisa em desenvolvimento cuja proposta principal é a de estudar a concepção de futuro nas variedades do português brasileiro, europeu, angolano, caboverdiano, moçambicano, guineense e santomense. Nesta etapa, são focalizadas apenas as variedades brasileira e europeia do português e são apresentados os resultados de análise preliminar de dados extraídos de corpora constituídos por manchetes e lides de notícias publicadas nos jornais online brasileiros e portugueses. Considerando-se as diversas possibilidades de expressão de futuro nas duas variedades, foram selecionadas as três formas mais frequentes: (i) verbo no presente + marca de tempo futuro expressa por sintagma adverbial de tempo (Viajo amanhã); (ii) verbo ir no presente + verbo no infinitivo (Vou viajar amanhã); (iii) Verbo com marca morfológica de futuro (Viajarei amanhã).  Sem descartar a existência de contextos em que a variação entre uma forma e outra seja possível, tomado como base os pressupostos teóricos adotados, o que se pretende demonstrar é que tais formas de expressão de futuro no PB e PE apresentam especificidades referentes ao contexto discursivo, ao ponto de vista do conceptualizador e à maneira como este constrói a (ir)realidade.

Palavras-chave: futuro; português brasileiro; português europeu; português africano; gramaticalização; subjetividade.

 

Minibiografia:

Jussara Abraçado é Doutora em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e atua, na Universidade Federal Fluminense, como Professora Titular de Linguística, na graduação e Pós-Graduação. É líder do grupo de pesquisa “Linguagem em uso, cognição e gramática”, cadastrado no CNPq, que reúne pesquisadores da UFF, da Universidade Católica Portuguesa e Universidade Aberta de Lisboa, e membro do Grupo de Investigação “Linguagem, cognição e sociedade”, cadastrado na Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT) de Portugal. Dedica-se a estudos na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística, Linguística Funcional e Sociolinguística Cognitiva, atuando principalmente nos seguintes temas: tempo futuro, cognição, subjetividade e gramaticalização.


Comunicação 7

Sobre a representação do tempo: enunciação, cognição e acontecimento de linguagem

 

Autor:

Antônio Luiz Assunção – Universidade Federal de São João del-Rei – assuncao@ufsj.edu.br

 

Resumo:

Pretende-se com este trabalho apresentar resultados de duas pesquisas uma em nível de estágio pós-doutoral, desenvolvido na PUC-MG e outra, desenvolvida em Colaboração Técnica em Pesquisa na UFMG, no período de agosto de 2016 a setembro de 2017.  Promoveu-se nesse pesquisa uma discussão interdisciplinar entre os Estudos Enunciativos e os estudos desenvolvidos no quadro da Linguística Cognitiva. Partiu-se de dois pressupostos básicos: a) primeiro, a presunção de que é da natureza da linguagem a produção do sentido e b) segundo, a partir da observação de Benveniste (1989) de que “bem antes de servir para comunicar, a linguagem serve para viver”(p. 222).  Para esse trabalho específico, centramo-nos nas representações de tempo, compreendendo com Benveniste (1989), em seu “a linguagem e a experiência humana”, que as formas linguísticas que exprimem o tempo são as formas mais ricas e reveladoras da experiência subjetiva humana. Com isso, por outro lado, gostaríamos de afirmar que a base do cognitivo é experiencial – um efeito da relação entre a experiência humana, as formas de processamento dessas experiências e os contextos sociais, históricos e culturais em que as práticas sociais da produção de sentido estão inseridas. Nesse sentido, a proposta dessa comunicação consiste em abordar o fato de linguagem, a representação do tempo, sob o exame de uma abordagem enunciativa e cognitiva, em que se busca compreender a enunciação do tempo sob a constituição do conceito de experiência de tempo. Ressalta-se, portanto, a necessidade de uma abordagem desse fenômeno de linguagem e de cognição sob uma perspectiva integrada em que compreendamos os objetos linguísticos na sua complexidade. Por fim, para cumprir esse intento ambicioso, há que considerar algumas postulações colocadas no campo da fenomenologia tanto por Francisco Varela e Jonathan Shear (1999), Varela & Shear (2005), Wolff-Michael Roth (2012 ), Zlatev (2010).


Comunicação 8

Ordenação de circunstanciais temporais e aspectuais no português e no francês

 

Autores:

Érika Cristine Ilogti de Sá – Universidade Federal do Rio de Janeiro – erikacisa@yahoo.com.br

Fernando Pimentel Henriques – Universidade Federal do Rio de Janeiro/Colégio Brigadeiro Newton Braga – fphenriques@gmail.com

 

Resumo:

Nosso objeto de estudo são as ordenações dos circunstanciais temporais e aspectuais. Tais noções, segundo Rocha e Lopes (2009), são dimensões que se entrecruzam, mas que transmitem informações distintas. Tempo é uma categoria dêitica, já que sua interpretação se ancora no momento da enunciação; aspecto indica as fases de constituição do evento. À luz dos pressupostos do funcionalismo norte-americano, este trabalho tem como principal objetivo fazer uma análise comparativa entre os diferentes usos dos circunstanciais temporais e aspectuais na escrita do português e do francês. Para isso, utilizamos um corpus de notícias e editoriais dos jornais O Globo, Folha de São Paulo, Le Monde e Le Figaro. Diversos são os fatores que podem motivar a ordenação dos circunstanciais – entre eles, o tipo de verbo, a representação e a posição do sujeito, o peso do circunstancial, seu papel semântico e sua função discursiva. Para este trabalho, focaremos na relação entre a semântica do circunstancial e sua ordem na oração, por nos fornecer diferenças significativas de usos entre as duas línguas em análise.Consideramos, aqui, os tipos semânticos já estudados em Ilogti de Sá (2009), baseados em Martelotta (1994) e em Ilari (2001), por darem conta de algumas noções aspectuais para as quais esperamos motivações específicas de ordenação. Os valores considerados formam um continuum semântico, que parte do mais temporal (localizador) para o mais aspectual (reiterativo). Nossas expectativas iniciais eram (a) que os circunstanciais com valor temporal (localizadoras) ocupassem mais a margem esquerda da oração, e (b) que aqueles com valor mais aspectual (em particular as reiterativas) estivessem mais presos ao verbo, ocupando, por isso, posições mediais.  A semântica do circunstancial mostrou-se relevante para a comparação entre as línguas. A partir desse fator, percebemos que há uma distinção na preferência de ordem no francês e no português (cf. Ilogti de Sá, 2015).

Palavras-chave: circunstancial temporal e aspectual, ordenação de palavras, análise comparativa, português e francês, funcionalismo.

 

Minibiografias:

Érika Cristine Ilogti de Sá – Doutora em Linguística pela UFRJ (2015), sob a orientação da Profª Drª Maria Maura Cezario e a co-orientação da Profª Drª Maria da Conceição Paiva; mestre em Linguística pela UFRJ (2009), graduada e licenciada em Letras Português-Francês, pela mesma Universidade (2006). Atua como docente grau 3 – substituta – da UFRJ, no departamento de Filologia Românica. Participa do grupo de pesquisa Discurso & Gramática desde de 2003 e tem experiência na área de Mecanismos Funcionais do Uso da Língua.

Fernando Pimentel Henriques – Doutor em Língua Portuguesa pela UFRJ (2013), sob a orientação da Profª Drª Maria Eugênia Lammoglia Duarte; mestre em Língua Portuguesa pela UFRJ (2008), graduado e licenciado em Letras Português-Inglês, pela mesma Universidade (2005). Atua como docente da instituição federal de ensino Colégio Brigadeiro Newton Braga, desde 2010. Possui experiência na área de sintaxe.


Comunicação 9

Integração Conceptual e Tabu: uma análise da nomenclatura popular e metafórica dada aos órgãos sexuais

Autores:

Patrícia Oliveira de Freitas – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – freitasp.letras@gmail.com

Sandra Pereira Bernado – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – sanpbernardo@gmail.com

Fernanda Carneiro Cavalcanti – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – cavalcanti7fernanda@gmail.com

 

Resumo:

Com base nos pressupostos fundamentais da Linguística Cognitiva, esta análise qualitativa visa ao estudo da integração conceptual (ou mesclagem) que subjaz à nomenclatura popular e metafórica dada aos órgãos sexuais do corpo humano, tendo como delimitação os nomes dados ao pênis e à vulva.  O ponto de partida para esta pesquisa deve-se a diversas listas disponibilizadas na internet que expõem um quantitativo superior a 500 designações às partes erógenas do corpo humano, nomeando não apenas os órgãos circunscritos neste trabalho, mas também aqueles concernentes ao ânus, aos testículos e aos seios. Para a constituição do corpus, optou-se pelo gênero piada em que não houvesse, na narrativa, a menção direta à terminologia técnica, propiciando o processo de inferências por parte do leitor, a partir do processamento de domínios cognitivos, para a construção do significado. Observou-se que a nomenclatura ordinária dada às partes erógenas do corpo humano, ainda que de forma listada, é feita em grande parte via motivações metonímico-metafóricas. Além disso, as piadas demandam de um determinado gatilho de rotinas cognitivas para que possa haver o seu entendimento efetivo. Quando esses itens lexicais são inseridos em outro contexto, como, por exemplo, no das piadas, ocorre o acionamento desses gatilhos esquemáticos com vistas à construção de significado. Posto isso, pretende-se demonstrar o processo de integração conceptual envolvido na criação dos vocábulos selecionados presentes em piadas de cunho sexual, enfatizando quais mecanismos da mesclagem são utilizados para contornar as palavras que são tabus.

Palavras-chave: Integração Conceptual. Linguística Cognitiva. Órgãos Sexuais. Piadas de cunho sexual. Tabu.

 

Minibiografias:

Patrícia Oliveira de Freitas – Graduada em Letras pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2014). Especialista em Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2015). Atualmente, é aluna do curso de Mestrado em Linguística pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e professora de Língua Portuguesa da secretaria estadual de educação do Rio de Janeiro. Possui interesse em Linguística Cognitiva com ênfase nas teorias da Mesclagem Conceptual, dos Espaços Mentais, da Metáfora Conceptual e do Realismo Corporificado.

Sandra Pereira Bernardo – Doutora em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002). Atualmente é professora associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e professora adjunta da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Desenvolve pesquisa em Linguística Cognitiva, com ênfase na abordagem sociocognitiva e na gramática de construções. Exerce atividade docente nas áreas de Linguística, Língua Portuguesa e Produção Textual.

Fernanda Carneiro Cavalcanti – Doutora em Lingüística pela Universidade Federal do Ceará com estágio doutoral no Laboratório de Psicologia Experimental do professor Raymond Gibbs da University of California, Santa Cruz. É professora adjunta do setor de Linguística da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Tem experiência na área da Ciência da Linguagem, com ênfase em Lingüística Aplicada e Linguística Cognitiva, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino de língua, semântica cognitiva e teoria da metáfora conceptual.


Comunicação 10

O fluxo de atenção e o modo verbal na expressão da (inter)subjetividade em construções completivas deônticas

Autora:

Dayane Alves Wiedemer  – Universidade Federal Fluminense – daywiedemer@outlook.com

 

Resumo:

Nesta comunicação, analisamos a (inter)subjetividade presente em construções completivas impessoais com ser + nome, constituídas de uma oração matriz [ser + predicativo (preciso, necessário, obrigatório)] + oração encaixada com função de sujeito sintático. Essas construções são modais deônticas e estão relacionadas à lógica da obrigação. Vestraete (2001) considera que a modalidade deôntica é objetiva, ao descrever a existência de uma necessidade sem envolvimento de atitude do falante, e subjetiva, ao envolver uma atitude frente à necessidade de uma determinada ação. Sobre a ordenação de constituintes, DeLancey (1981) aponta duas noções psicológicas: (i) ponto de vista e (ii) fluxo de atenção. O fluxo de atenção determina a linearidade dos sintagmas, que são apresentados na ordem que o falante deseja que o ouvinte preste atenção. Ordens alternativas de sintagmas, como a topicalização, são mecanismos de controle do fluxo de atenção. A posição de uma oração matriz em relação à oração encaixada abarca valores semântico-discursivos que dizem respeito às marcas de (inter)subjetividade discursiva, pois, ao ocupar o início da sentença, o falante coloca grande carga semântica na matriz, tornando-a expressão de seus desejos em relação ao outro participante da atividade discursiva (Dias, 2013). Verificamos, ainda, o modo verbal da oração encaixada pois, de acordo com Vesterinen (2012), matrizes, cujos complementos representam informações antigas, desencadeiam o uso de subjuntivo, e informações que são pragmaticamente afirmadas aparecem no indicativo. A escolha entre formas finitas e não-finitas pode representar o comprometimento/controle do sujeito sobre o outro na participação do evento. O corpus de análise é composto por dados coletados dos jornais Folha de São Paulo e O Globo, ambos na seção “Opinião”, durante o ano de 2016. A análise se apoia nos pressupostos teóricos do Funcionalismo norte-americano e da Linguística Cognitiva (SILVA, 1997, 2001, ACHARD, 1998, LANGACKER, 1990, KÖVECSES, 2006, TRAUGOTT, 2010).

Palavras-chave: funcionalismo; (inter)subjetividade; fluxo de atenção; modalidade deôntica.

 

Minibiografia:

Graduou-se em Letras (2014), na Universidade Federal Fluminense, e, atualmente, é mestranda em Estudos de Linguagem pela mesma instituição. Durante a graduação, foi bolsista de Iniciação Científica (CNPq) e do Projeto de Iniciação à Docência na disciplina de Linguística e, também, no Projeto de Monitoria “Integrando a EAD aos cursos de graduação”. Membro dos grupos de pesquisa “Discurso, Interação e Práticas Sociais” e “Conectivos e Conexão de Orações”.


Comunicação 11

Construções subjetivas impessoais e argumentação: uma proposta de interface gramática e interação

Autora:

Amitza Torres Vieira – Universidade Federal de Juiz de Fora –  amitzatv@yahoo.com.br

 

Resumo:

O objetivo deste estudo é investigar as construções completivas subjetivas impessoais (DIAS, 2013) com verbo ser + necessário no discurso de deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ). A proposta de trabalho entrelaça a vertente Funcionalista à perspectiva da Sociolinguística Interacional, no intuito de examinar a interface gramática e interação. Teoricamente, são empregadas ferramentas do discurso, tendo na análise sequencial da argumentação nos turnos de fala sua ferramenta principal de trabalho. A essa perspectiva alia-se a abordagem da sintaxe funcionalista (Halliday, 1999; Neves 2002) na identificação e descrição do uso da construção ser + necessário na fala argumentativa dos deputados da ALERJ. Na análise argumentativa, são utilizados os componentes da argumentação propostos por Schiffrin (1987): posição, disputa e sustentação. A pesquisa é de natureza qualitativa e interpretativa e utiliza dados de fala reais como base para o trabalho. Os resultados parciais do estudo mostram que as construções ser + necessário ocorrem preferencialmente na apresentação das posições dos deputados e apresentam valor deôntico (NEVES, 1996), expressando obrigação moral ou material. Na fala argumentativa dos parlamentares, essas construções contribuem para modalizar o que é defendido, na tentativa de atenuar a apresentação de críticas ao governo.

Palavras-chave: gramática; interação; argumentação; construção subjetiva; modalidade deôntica.

 

Minibiografia:

Amitza Torres Vieira é Doutora em Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2007) e Professora da Universidade Federal de Juiz de Fora, atuando como professora na Faculdade de Letras e na Pós-Graduação em Linguística. Desenvolve pesquisas na área da Sociolinguística Interacional, com ênfase na argumentação em textos falados.


Comunicação 12

Construção completiva subjetiva no português: composicionalidade, produtividade e esquematicidade

Autora:

Nilza Barrozo Dias – Universidade Federal Fluminense – nilzabarrozodias@id.uff.br

 

Resumo:

Com base na proposta Funcionalista e com a contribuição da Semântica Cognitiva, este trabalho objetiva apresentar resultados da investigação acerca da construção  completiva subjetiva (CCS), que  se realiza, sintaticamente, como oração matriz + oração completiva com função de sujeito. Analisaremos as motivações relacionadas à subjetividade, avaliatividade, modalidade e unipessoalidade. A oração matriz, além de selecionar um argumento oracional, instancia a subjetividade do falante em relação ao evento expresso na oração completiva subjetiva. Do ponto de vista morfossintático, a estrutura da oração matriz com verbo em terceira pessoa do singular, ou seja, na forma unipessoal, permite ao falante simular seu distanciamento do assunto abordado, favorecendo a interpretação de descompromisso da informação veiculada. Tal estratégia propicia uma leitura de aplicação genérica e não pessoal em relação ao conteúdo da oração subjetiva. Do ponto de vista textual-discursivo, podemos observar uma relação especial que se estabelece entre a CCS e o co(n)texto discursivo (DIAS, ABRAÇADO E LIMA-HERNANDES, inédito). A CCS veiculará uma noção semântica impessoal, genérica e, em alguns casos, negativa em relação ao contexto marcado por experiências pessoais, exemplificações em primeira pessoa do singular/plural, e valores positivos. Todos são mobilizados  para atenuar  a posição do falante  (DIAS, 2015). Assim, a CCS  funciona como ilha cercada por segmentos que veiculam experiências diretas/indiretas do falante (DIAS & BRAGA, inédito). A análise dos contextos que nos levem a considerar a esquematização ( BYBEE, 2011;TRAUGOTT & TROUSDALE, 2013)  de construções completivas subjetivas terá como apoio, para a construção de rede,  análises de amostras pancrônicas, em pares opositivos de identificação das orações matrizes: : é possível/ não é possível/ é impossível;  é óbvio/não é óbvio; é bom/não é bom/é ruim; é justo/não é justo/é injusto. Os resultados parciais obtidos mostram que as construções completivas subjetivas apresentam composicionalidade e produtividade medianas (Traugott  & Trausdole, 2013; BYBEE, 2011).

Palavras-chave: construção subjetiva; composicionalidade; produtividade e esquematicidade.

 

Minibiografia:

Professora Adjunta da Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, Brasil. Mestre em Letras pela Universidade Federal Fluminense de Niterói (1994); Doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP, e parte na University of Santa Barbara, Califórnia, Estados Unidos (2001). Pós-Doutorado na Universidade Católica Portuguesa, em Braga, Portugal, sob supervisão do Professor Doutor Augusto Soares (2013).  Tem experiência em: Variação e Mudança; Gramaticalização; Funcionalismo; Semântica Cognitiva e interface Gramática versus Interação.


Comunicação 13

A relevância de variáveis associadas ao tam no uso variável do presente do modo subjuntivo em florianópolis/sc e lages/sc

 

Autora:

Tatiana Schwochow Pimpão – Universidade Federal do Rio Grande – tatianapimpao@furg.br

 

Resumo:

Tendo como fonte de coleta de dados o corpus do PHPB de Santa Catarina, investigo a variação entre o presente do modo subjuntivo e o presente do modo indicativo em cinco contextos linguísticos: orações com advérbio talvez; orações substantivas, adjetivas e adverbiais; e construções parentéticas. Como referencial teórico, a presente pesquisa está embasada nos princípios da teoria funcionalista de vertente norte-americana (BYBEE, 2003; BYBBE; FLEISHMAN, 1995; GIVÓN, 1979, 1995, 2001, 2002, 2009) e na Teoria da Variação e Mudança (LABOV, 1972, 2010). A amostra está constituída por cartas de leitor publicadas em jornais da cidade de Florianópolis, durante a segunda metade do século XIX e durante o século XX. O principal objetivo é buscar evidências para a previsão de Givón (1993; 1995; 2001) acerca da relação entre modalidade deôntica, projeção futura e o emprego do modo subjuntivo. Considerada uma categoria complexa, o TAM (tempo, aspecto e modalidade) está presente em todas as sentenças produzidas. Essa onisciência justifica sua complexidade, aliada a traços graduais, quais sejam: semântico-lexicais, semântico-proposicionais e pragmático-discursivos. Resultados indicam que variáveis de natureza pragmática mostram-se mais atuantes no condicionamento do uso do presente do subjuntivo, tanto em Florianópolis (submodo e projeção temporal) quanto em Lages (projeção temporal e valores do submodo). Outras duas variáveis foram selecionadas: tipo de contexto sintático e periodização histórica (PIMPÃO, 2012). A expectativa de que a análise dos dados diacrônicos apontasse para a modalidade deôntica, inerentemente associada à projeção futura, como um contexto favorecedor ao emprego do presente do modo subjuntivo foi atestada. O binômio projeção futura e modalidade deôntica tem se mostrado relevante em outras pesquisas como fatores favoráveis à preservação do presente do subjuntivo (CARVALHO, 2007; ALMEIDA, 2010).

Palavras-chave: modo, modalidade, pragmática, sintaxe.

 

Minibiografia:

Docente no Instituto de Letras e Artes da Universidade Federal do Rio Grande (ILA/FURG), atuando nos cursos de Letras e no curso de Pós-graduação lato sensu em Linguística e Ensino de Língua Portuguesa (PGLing). Coordenou, de 2013 a 2015, o Grupo de Estudos e Funcionalismo Linguístico de Orientação Givoniana (GEFLOG). Desde 2016, coordena o Grupo de Estudos Funcionalistas (GEF/FURG) e o Grupo de Estudos Dialetológicos e Sociolinguísticos (GEDS/FURG).


Comunicação 14

Categorias tempo e aspecto no processo de aquisição de linguagem

 

Autora:

Arabie Bezri Hermont – Pontífice Universidade Católica/MG – arabie@uol.com.br

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é demonstrar resultados de pesquisas realizadas por mim e por orientandos em que se pretendeu entender como as categorias tempo e aspecto estão representadas nas gramáticas mentais de crianças em processo de aquisição da linguagem. Os objetivos específicos foram verificar a dissociação da camada flexional em tempo e em aspecto e observar se há relação direta entre telicidade e perfectividade e entre atelicidade e imperfectividade. Este trabalho assenta-se nos pressupostos teóricos da Gramática Gerativa e apoia-se em resultados de pesquisas que se valeram de análise de fala de crianças em fase de aquisição de linguagem (entre 2 e 4 anos) e de experimentos realizados. As hipóteses do trabalho são: (i) há dissociação na representação gramatical da categoria funcional tempo em tempo e aspecto e (ii) o sistema computacional parece ser sensível a todo SV e não somente aos traços do verbo. Usamos duas metodologias para implementação da pesquisa: análise de dados de fala espontânea e aplicação de testes de compreensão e de eliciação. Verificamos, a partir de formas verbais únicas e de perífrases, dados que nos permitem demonstrar que tempo pode ser representado distintamente de aspecto na camada flexional. Por exemplo, os resultados obtidos nas produções de crianças, notadamente as perífrases verbais, ora demonstram omissão de morfemas relativos a tempo, ora de aspecto. Além disso, nos testes de compreensão, que lidavam com verbos simples, observa-se melhor desempenho na forma imperfectiva, presente [-passado, – perfectivo] e pretérito imperfeito [+passado, -perfectivo] do que nas formas perfectivas, pretérito perfeito [+passado, + perfectivo]. Se o morfema de tempo e aspecto é único, tal resultado pode nos indicar que as duas noções, tempo e aspecto, são dissociadas. Verificamos, ainda, que grande parte das situações verbais atélicas ocorrem no imperfectivo e situações verbais télicas, no perfectivo.

Palavras-chave: teoria gerativa; tempo e aspecto; aquisição de linguagem.

 

Referências bibliográficas:

ARAD, Maya. A minimalist view of the syntax-lexical interface. In: UCL Working Papers in Linguistics, Londres, nº. 8, 1996.

HYAMS, Nina. Aspect Matters. In Deen, K.U., J. Nomura, B. Schulz & B.D. Schwartz (Org.), Proceedings of the Inaugural Conference on Generative Approaches to Language Acquisition. Cambridge, MA, UCONN/MIT Working Papers in Linguistics. 2007.

 

Minibiografia:

Professora do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUC Minas. Atualmente sou coordenadora e pesquisadora do grupo de pesquisa “Estudos em Linguagem e Cognição (ElinC) e conduzo e oriento pesquisas sobre a representação de tempo e aspecto na gramática mental de adultos e de pessoas em processo de aquisição e de perda de linguagem. Fui organizadora dos livros “Linguagem e Cognição” e Gerativa: (Inter)faces de uma teoria.


Comunicação 15

Aquisição do aspecto: a influência do aspecto lexical na aquisição da morfologia verbal

Autoras:

Gisely Gonçalves de Castro – Pontífice Universidade Católica/MG – giselydecastro@gmail.com
Arabie Bezri Hermont – Pontífice Universidade Católica/MG – arabie@uol.com.br

 

Resumo:

O objetivo desta comunicação é verificar as predições da Hipótese da Primazia do Aspecto, segundo a qual o aspecto inerente aos sintagmas verbais, isto é, o aspecto lexical, guia a aquisição da morfologia verbal. Para tal, apoiamo-nos em estudiosos das categorias tempo e aspecto, como Vendler (1967) e Comrie (1976, 1985), bem como em pesquisadores que trataram tais categorias no contexto da aquisição da linguagem, como Andersen (1989) e Li e Shirai (2000), e analisamos dados longitudinais de crianças em fase de aquisição da linguagem durante um período de dez meses. Os resultados demonstraram que o morfema de passado perfectivo se relaciona ao aspecto lexical achievement, o morfema de presente imperfectivo contínuo não progressivo se relaciona ao aspecto lexical estado e o morfema de presente imperfectivo contínuo progressivo se relaciona ao aspecto lexical atividade, o que confirma a Hipótese da Pramazia do Aspecto, já que refletem os traços de pontualidade, estado e duratividade constitutivos do aspecto lexical. Considerando que estudos em aquisição da linguagem podem fornecer subsídios para a compreensão de determinados fenômenos linguísticos e seu funcionamento na mente, tal como defende Hermont (2010), esperamos contribuir para a discussão acerca da relação entre linguagem e cognição.

Palavras-chave: tempo, aspecto, aquisição da linguagem.

 

Minibiografias:

Gisely Gonçalves de Castro – Doutoranda em Linguística e Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, com subsídio do CNPq. Possui mestrado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Espírito Santo e especialização em Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse em pesquisas sobre aspecto verbal, aquisição da linguagem e afasia.

Arabie Bezri Hermont – Professora do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUC Minas. Atualmente sou coordenadora e pesquisadora do grupo de pesquisa “Estudos em Linguagem e Cognição (ElinC) e conduzo e oriento pesquisas sobre a representação de tempo e aspecto na gramática mental de adultos e de pessoas em processo de aquisição e de perda de linguagem. Fui organizadora dos livros “Linguagem e Cognição” e Gerativa: (Inter)faces de uma teoria.


Póster 1

A nomenclatura popular e metafórica dada aos órgãos sexuais: uma análise cognitivista

 

Autores:

Patrícia Oliveira de Freitas – Universidade do Estado do Rio de Janeiro  – freitasp.letras@gmail.com

Sandra Pereira Bernado – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – sanpbernardo@gmail.com

Fernanda Carneiro Cavalcanti – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – cavalcanti7fernanda@gmail.com

 

Resumo:

Com base nos pressupostos fundamentais da Linguística Cognitiva, esta análise qualitativa visa ao estudo da integração conceptual (ou mesclagem) que subjaz à nomenclatura popular e metafórica dada aos órgãos sexuais do corpo humano, tendo como delimitação os nomes dados ao pênis e à vulva.  O ponto de partida para esta pesquisa deve-se a diversas listas disponibilizadas na internet que expõem um quantitativo superior a 500 designações às partes erógenas do corpo humano, nomeando não apenas os órgãos circunscritos neste trabalho, mas também aqueles concernentes ao ânus, aos testículos e aos seios. Para a constituição do corpus, optou-se pelo gênero piada em que não houvesse, na narrativa, a menção direta à terminologia técnica, propiciando o processo de inferências por parte do leitor, a partir do processamento de domínios cognitivos, para a construção do significado. Observou-se que a nomenclatura ordinária dada às partes erógenas do corpo humano, ainda que de forma listada, é feita em grande parte via motivações metonímico-metafóricas. Além disso, as piadas demandam de um determinado gatilho de rotinas cognitivas para que possa haver o seu entendimento efetivo. Quando esses itens lexicais são inseridos em outro contexto, como, por exemplo, no das piadas, ocorre o acionamento desses gatilhos esquemáticos com vistas à construção de significado. Posto isso, pretende-se demonstrar o processo de integração conceptual envolvido na criação dos vocábulos selecionados presentes em piadas de cunho sexual, enfatizando quais mecanismos da mesclagem são utilizados para contornar as palavras que são tabus.

Palavras-chave: Integração Conceptual. Linguística Cognitiva. Órgãos Sexuais. Piadas de cunho sexual. Tabu.

 

Minibiografias:

Patrícia Oliveira de Freitas – Graduada em Letras pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2014). Especialista em Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2015). Atualmente, é aluna do curso de Mestrado em Linguística pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e professora de Língua Portuguesa da secretaria estadual de educação do Rio de Janeiro. Possui interesse em Linguística Cognitiva com ênfase nas teorias da Mesclagem Conceptual, dos Espaços Mentais, da Metáfora Conceptual e do Realismo Corporificado.

Sandra Pereira Bernardo – Doutora em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002). Atualmente é professora associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e professora adjunta da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Desenvolve pesquisa em Linguística Cognitiva, com ênfase na abordagem sociocognitiva e na gramática de construções. Exerce atividade docente nas áreas de Linguística, Língua Portuguesa e Produção Textual.

Fernanda Carneiro Cavalcanti – Doutora em Lingüística pela Universidade Federal do Ceará com estágio doutoral no Laboratório de Psicologia Experimental do professor Raymond Gibbs da University of California, Santa Cruz. É professora adjunta do setor de Linguística da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Tem experiência na área da Ciência da Linguagem, com ênfase em Lingüística Aplicada e Linguística Cognitiva, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino de língua, semântica cognitiva e teoria da metáfora conceptual.