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Simpósio 70

SIMPÓSIO 70 – CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS ENTRE AS MÚLTIPLAS VARIEDADES DO PORTUGUÊS: DA LINGUÍSTICA TEXTUAL À PRAGMÁTICA, PASSANDO PELO DISCURSO

 

Coordenadoras:                                                                           

Vanessa Castagna | Universidade Ca’ Foscari de Veneza | castagna@unive.it

Carla Valeria de Souza Faria | Universidade Ca´ Foscari de Veneza, Universidade de Trieste | carla.faria@unive.it

 

Resumo:

O simpósio visa animar a investigação sobre elementos de convergência e divergência entre as múltiplas variedades do português no plano comunicativo, ultrapassando a abordagem meramente gramatical, lexical ou ortográfica.

Em particular, propõem-se como tema de debate a comparação e a análise não só do PE e do PB, mas de todas as variedades de português em tipologias textuais variadas, com as suas respetivas normas de redação, enquanto expressão de registos linguísticos diversos, desde a produção literária até específicos contextos de gíria, com a finalidade de investigar quais as semelhanças e quais as diferenças mais marcantes na identificação dos diferentes níveis de língua nos países lusófonos.

Entre as questões abrangidas pelo tema proposto, podem mencionar-se: elementos de expressão da formalidade e de cortesia linguística; a abordagem comunicativa nas variadas tipologias textuais (por ex.: textos publicitários; textos de especialidade; documentos oficiais; websites; artigos de jornal…); impacto da diferença lexical e do neologismo em determinados registos linguísticos na divergência entre PE, PB e as outras variedades lusófonas.

Sendo a comparação de textos paralelos uma ferramenta útil para levantamento de dados e posterior reflexão crítica, incluem-se nesta prática para fins de pesquisa também a comparação de traduções para português europeu e brasileiro dos mesmos textos, sejam literários ou de outro teor, e a tradução intralinguística, ou seja, a adaptação de uma variedade a outra.

Palavras-chave: variedades do português, linguística textual, pragmática, discurso, tradução.

 

Minibiografias:  

Vanessa Castagna é doutora em Estudos Ibéricos e Anglo-Americanos e professora de Lingua Portoghese e Brasiliana – Lingua e Traduzione na Universidade Ca’ Foscari de Veneza. Os seus principais interesses concernem ao ensino da língua portuguesa a estrangeiros, à tradução, quer como prática quer como objeto de estudo e teorização, e à intercompreensão entre línguas românicas.

Carla Valeria de Souza Faria é doutora em Linguística pela UFRJ e professora nas disciplinas Lingua Portoghese e Brasiliana II na Universidade Ca´ Foscari de Veneza e Lingua e Traduzione Portoghese II e III na Universidade de Trieste. Os seus principais interesses concentram-se no ensino de português como língua estrangeira, nos aspetos contrastivos da tradução italiano-português e na teoria da tradução para as línguas de sinais.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A construção do ethos no discurso jornalístico

Autores:

Pilar Cordeiro Guimarães Paschoal – UERJ – pilarcordeiro@hotmail.com

André Crim Valente  – UERJ – prof.acvalente@gmail

 

Resumo:

Todo ato de tomar a palavra implica na construção da imagem de si para seu interlocutor. Além disso, essa é uma tentativa de atuar sobre esse mesmo interlocutor. Seja intencionalmente ou não, o enunciador escolhe suas expressões, palavras e frases a partir daquilo que pensa, de seu conhecimento de mundo, de sua cultura. Então, se a escolha lexical se volta a x e não a y, isso determinará e provocará a imagem que é construída desse coenunciador.

Mais do que se dizer ser alguém como crível, confiável ou mesmo honesto, o sujeito enunciador tem de se parecer tais coisas e é através de seu discurso que um sujeito se torna aquilo que se projeta dele. O ethos é essa a imagem do enunciador e que pode ser construída a partir daquilo que ele diz. Sendo assim, pode-se dizer, também, que as marcas implícitas de seu discurso transbordam a subjetividade e intencionalidade do seu discurso.

Nesse jogo discursivo, o emissor projeta, em seus destinatários, a imagem de que faz de si mesmo e aquelas que também constrói hipoteticamente sobre o interlocutor. Assim, nenhum sujeito comunicante se apresenta sem uma máscara social adequada às diversas situações comunicativas.

Nosso intuito, portanto, neste trabalho se objetiva a discutir a construção do ethos discursivo no texto jornalístico, mais precisamente em coluna de opinião. Para isso, abordaremos, as ocorrências de marcas linguístico-discursivas em português brasileiro que evidenciam a subjetividade e revelam sua intencionalidade, como também, auxiliam na construção do ethos na cena enunciativa.

Palavras-chave: ethos; discurso; argumentação.

 

Minibiografias:

Pilar Cordeiro Guimarães Paschoal possui graduação em Letras pela UFRJ (2008). Também é pós-graduada em Literatura Infantil e Juvenil pela UFRJ (2009), além de possuir Especialização em Língua Portuguesa, no Centro de Estudos de Língua Portuguesa Liceu Literário Português (2012). Atualmente cursa Mestrado em Língua Portuguesa pela UERJ. Além disso, é professora da Rede municipal de ensino do Rio de Janeiro.

André Crim Valente possui graduação em Português Latim pela Universidade do Estado da Guanabara (1971) e em Ciências Jurídicas pela UFRJ (1972), e doutorado em Letras (Letras Vernáculas) pela UFRJ (1994). É professor associado em Língua Portuguesa do Instituto de Letras da UERJ. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Semântica, Léxico e Análise do Discurso, atuando principalmente nos temas: língua portuguesa, discurso, neologia e intertextualidade.


Comunicação 2

O tratamento da intertextualidade nas questões de Língua Portuguesa do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) à luz da Linguística Textual

Autora:

Gisélia Evangelista de Sousa – Universidade Federal da Bahia – giselia_hct@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo verificar como a intertextualidade é tratada nas questões de Língua Portuguesa do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, tendo a Linguística Textual (LT) como o seu referencial teórico. Para tal, compreende-se o texto como um lugar de interação entre sujeitos sociais e que está sempre dialogando com outros textos. De caráter qualitativo, a pesquisa observa os tipos de intertextualidade stricto sensu existentes em duas edições do ENEM, a partir da tipologia de Koch, Bentes e Cavalcante (2012), a saber: intertextualidade explícita, intertextualidade implícita, intertextualidade temática e intertextualidade estilística. Quanto às noções de texto que permeiam as questões em análise, a pesquisa observa se o modo como elas foram formuladas auxiliam na produção de sentido. Para a realização deste estudo, optou-se, para a constituição do corpus, pela análise de uma questão da prova aplicada no ano de 1999 e outra no ano de 2009, marco das mudanças no processo, conhecido como “o novo Enem”. Os resultados obtidos revelam que as ocorrências dão lugar ao texto escrito, e apesar de tratado como um lugar de interação, precisa ser visto como um evento semiótico; para tanto, sugere-se a concepção de Heine (2012) que o concebe como “[…] um evento dialógico-ideológico, histórico, linguístico-semiótico, falado ou escrito” (HEINE, 2012, p. 54). Quanto ao resultado da tipologia, a pesquisa aponta para casos de intertextualidade do tipo implícita e estilística, tendo em especial, o de détournement. Sugere-se, pois, uma revisão no que concerne à tipologia adotada por Koch, Bentes e Cavalcante (2012), visto que a classificação estudada não dá conta de situações específicas quanto à explicitude e implicitude da intertextualidade, bem como da conceituação do détournement.

Palavras-chave: linguística textual; intertextualidade; concepção de texto; Enem.

 

Minibiografias:

Mestra em Língua e Cultura pela UFBA, especialista em Gramática e Texto pela UNIFACS, graduada em Letras com Inglês (UNIFACS), psicopedagoga clínica e também Bacharela em Teologia (Seminário Teológico do Nordeste). Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Linguística Textual, Teoria e Análise Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: intertextualidade, produção de sentido, interação.


Comunicação 3

A relação entre gestão do saber científico da LP e a avaliação da qualidade de ensino em busca da excelência

Autores:

Pedro Ângelo da Costa Pereira – UniPiaget de Luanda – pedro.janja@gmail.com

Eugénia Emília Sacala Kossi – UniPiaget de Luanda – eugeniakossi@gmail.com

 

Resumo:

Falar de interferências, além de ser uma banalidade denota um equívoco, pois não são as dificuldades encontradas pelo aluno e os erros que comete em LP (neste caso tida como língua segunda), devido à influência da sua língua materna, que importa; o que importa é perceber como o diálogo bilingue ou plurilingue provoca a fossilização das ditas “interferências” na LP reflectindo na verdade um processo de enriquecimento no caminho da LPA (Língua Portuguesa Angolana) que nos permita, a nós professores de LP, termos um sistema linguístico normalizado para efeitos de uso no sistema de ensino.

A questão torna-se mais complexa quando não se sabe ao certo qual é a LP que serve de modelo. Apetece-nos recordar Adriano Soma que define esta questão falando da contradição existente entre a “Língua da Aula”, que o professor ensina e ninguém fala e a “Língua do Corredor”, que ele fala assim como os alunos e as próprias elites.

Neste quadro queremos levantar algumas das muitas perplexidades com que nos deparamos na nossa actividade lectiva, não tanto pelas dúvidas que os alunos nos põem mas mais pelas que nos assaltam.

Questões de dimensão pragmática:

A força elocutória das expressões sintácticas lexicalizadas e a sua forte marca cultural: quem em Portugal entende quando um angolano diz: «Fazer boa Muxima» e quem em Angola entende quando um português diz: «Estar de papo cheio»?

Conclui-se que no estádio actual do saber no domínio do ensino de LP em Angola não é possível avaliar a relação ensino/qualidade sem que se desbrave o caminho para a assunção de uma Língua Portuguesa variante Angolana tal como se reconhece haver a variante Europeia e a variante Brasileira.

Palavras-chave: LP; variante; acordo ortográfico; avaliação; excelência.

 

Minibiografias:

Pedro Ângelo da Costa Pereira é licenciado em Português e História, possui pós-graduação em Ciências da Educação e mestrado em Estudos Portugueses Interdisciplinares. É professor efetivo da Universidade Jean Piaget de Angola. As suas áreas de investigação e ensino envolvem a Língua Portuguesa, os Estudos Literários e as Literaturas Orais.

Eugénia Kossi possui graduação em Letras – Português e Inglês (Univ. Veiga de Almeida), especialização em Linguística Aplicada ao ensino do português (Univ. Castelo Branco) e mestrado em Psicopedagogia (Univ. de Barcelona). Atualmente é docente da UniPiaget de Angola. Tem experiência na área da Linguística, com ênfase na variação linguística do português falado em Luanda e no Zaire, no ensino de língua portuguesa em contexto multilingue e como LM com ênfase na sintaxe.


Comunicação 4

A diversidade cultural dos provérbios da LP: uma comparação entre ditos populares do Brasil e de Moçambique

Autoras:

Vanessa Gomes Teixeira – Universidade do Porto –  vanessa_gomesteixeira@hotmail.com

Josefina Marília Rodrigues Caetano Ferrete – Universidade do Porto –  finaferrete@tvcabo.co.mz

 

Resumo:

Os provérbios, segundo Jolles (1930) e Perez (2000), são considerados, popularmente, como o suporte de sabedoria das nações e da verdade dos povos e inserem-se especificamente na linguagem popular da qual fazem parte elementos concretos do cotidiano. Dialogando com essas ideias, Santos (2004) explica que a enunciação proverbial é um lugar em que determinados valores são reproduzidos por uma suposta voz coletiva. Isso mostra-nos que, por representarem princípios e crenças de um determinado povo, os provérbios variam até mesmo no caso de países que falam o mesmo idioma e, com isso, podem apresentar pontos de aproximação e de afastamento no que diz respeito à estrutura e ao sentido nas variantes da língua em comum.

Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo analisar provérbios do Brasil e de Moçambique, traçando semelhanças e diferenças entre a semântica dos ditos populares dessas duas culturas. A pesquisa em questão é estruturada da seguinte maneira: inicialmente foi feito um levantamento de provérbios de cada um dos países; depois foram estabelecidos critérios para análise e comparação; na terceira etapa, foram elencadas as semelhanças e diferenças percebidas entre a estrutura e o sentido dos ditos populares e foram listados provérbios existentes em ambos os lugares e aqueles que existem em apenas um dos países; por fim, ao analisar as diferenças existentes nos provérbios dos dois locais, buscou-se explicar essas divergências percebidas e associá-las a questões culturais de cada país.

Palavras-chave: provérbios; aspectos culturais; ditos populares do Brasil; ditos populares de Moçambique; Português.

 

Minibiografias:

Vanessa Gomes Teixeira – estudante de doutoramento em Ciências da Linguagem (área de especialização: Didática de Línguas) da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP – Portugal).

Josefina Marília Rodrigues Caetano Ferrete – estudante de doutoramento em Ciências da Linguagem (área de especialização: Didática de Línguas) da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP – Portugal).


Comunicação 5

Leopardi em movimento: traduções portuguesas e brasileiras dos Canti

 

Autora:

Andréia Guerini – Universidade Federal de Santa Catarina/CAPES – andreia.guerini@gmail.com

 

Resumo:

A partir das considerações de Mariagrazia Russo sobre a presença de Leopardi nas culturas de língua portuguesa, especialmente em Portugal e no Brasil, presentes no livro Um Só dorido Coração. Implicazioni leopardiane nella cultura letteraria di lingua portoghese (2003) e de Roberto Mulinacci, no artigo ‘Além da sebe. O Infinito de Leopardi em tradução portuguesa” (2009), esta comunicação tem por objetivo comparar algumas das traduções brasileiras e portuguesas de alguns dos Canti, de Giacomo Leopardi (1798-1837) realizadas no século XX, a fim de verificar aspectos de usos e colocações nas escolhas dos tradutores nas variantes europeia e brasileira do português.

Palavras-chave: Literatura italiana, literatura comparada, tradução literária, Leopardi.

 

Minibiografia:

Professora do Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras da Universidade Federal de Santa Catarina. Tem experiência em Teoria, crítica e história da Tradução, Literatura Italiana, Literatura Traduzida, Literatura Comparada. Desde 1999, vem se dedicando ao estudo da obra de Giacomo Leopardi, especialmente aos ensaios do Zibaldone di Pensieri. Desde 2002, é editora-chefe da revista Cadernos de Tradução (A1) e, desde 2011, da revista Appunti Leopardiani (B2). Tem publicado regularmente artigos, capítulos de livros, resenhas e traduções.


Comunicação 6

O RECURSO INTERTEXTUAL COMO EXPRESSÃO DE UM ETHOS DISCURSIVO EM CRÔNICAS JORNALÍSTICAS

 

Autor:

Fábio Gusmão da Silva – Universidade de Lisboa – fabiogusmaos@bol.com.br

 

Resumo:

O presente trabalho tem como objetivo estudar a construção de um ethos, por meio de recursos intertextuais, em crônicas produzidas pelo colunista Diogo Mainardi. O corpus é composto de 213 textos escritos, entre os anos de 2006 e 2010, e publicados na revista semanal Veja. O recorte teórico da pesquisa baseia-se em preceitos da Semiolinguística do Discurso, de Patrick Charaudeau, em pressupostos da Linguística Textual, de Ingedore Koch e de postulados da Análise do Discurso desenvolvidos por Dominique Maingueneau. O que se pretende evidenciar é a construção de uma determinada imagem expressa por Mainardi a partir da intertextualidade, considerando o intertexto uma marca explícita desse articulista na construção de seu estilo, que é analisado em sua relação enunciativa com o ethos discursivo. O conceito de ethos está em consonância com o da Análise do Discurso, especificamente com as pesquisas de Patrick Charaudeau e Dominique Maingueneau, em que se leva em considera- ção a posição enunciativa do enunciador, ou seja, uma das imagens de si que o enunciador Mainardi projeta em seu discurso. As análises, de natureza qualitativa e quantitativa, revelam a imagem de um enunciador com um repertório cultural bastante vasto que contribui para a formação de um ethos de inteligência. A construção desse ethos resulta do emprego de intertextos presentes em seus escritos, de seus dizeres, que são recorrentes em seu modo singular de enunciar.

Palavras-chave: Semiolinguística do discurso; Intertextualidade; ethos discursivo.

 

Minibiografia:

Doutor em Letras Vernáculas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2016), Mestre pela Universidade Federal do Paraná (2010), Especialista em Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Materna pela Universida- de Federal do Paraná (2001) e em Currículo e Prática Educativa pela Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro (2003). Atualmente, desenvolve uma investiga- ção de Pós-doutoramento na Universidade de Lisboa. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa, atuando especificamente na Linguística de Texto e na Análise do Discurso.