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Simpósio 7

 SIMPÓSIO 7 – CORPO, MEMÓRIA E NARRATIVIDADE: A CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO EM DIFERENTES ESPAÇOS SIMBÓLICOS

 

Coordenadoras:

Carla Barbosa Moreira | CEFET-MG | carlabmor@uol.com.br

Juciele Pereira Dias | Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás) | jucieledias@gmail.com

 

Resumo:

Este simpósio está inscrito no domínio da Análise de Discurso em sua articulação com demais áreas do conhecimento sobre a língua(gem) – tal como se dá no Brasil, cujos nomes basilares são Michel Pêcheux e Eni Orlandi -, além de áreas afins, como a Psicanálise, a História, a Literatura, a Educação, Antropologia e a Comunicação Social. Nosso objetivo é o de construir um espaço de discussão sobre a constituição do sujeito (Mariani, 2014) em diferentes espaços simbólicos (Orlandi, 2010) de produção de sentidos em línguas portuguesas advindas de processos de colonização linguística (Mariani, 2004) ou legitimadas por espaços de organização das línguas (Branco, 2013).

Problematiza-se as denominações das línguas – língua portuguesa, língua nacional, língua pátria, língua materna – e os efeitos de sentido dessas denominações que nos especifica e nos determina às amarras de certos imaginários linguísticos de uma dada época. Busca-se trazer à discussão materialidades significantes (Lagazzi, 2010) e analises de narrativas de outra ordem, em relação ao real. As noções de corpo, narratividade, memória, sujeito, espaço e/ou língua serão norteadoras dos trabalhos desse simpósio, que se implica com a temática “A unidade na diversidade” e sugere as seguintes questões: 1) Constituição do sujeito na/pela língua(gem); a questão da letra e os processos de subjetivação; 2) Os documentos oficiais, obras literárias, relatos de viajantes (Mariani, 2007; Viana Paim, 2009), instrumentos linguísticos sobre a(s) língua(s) portuguesa(s); 3) As narrativas e o corpo simbólico no espaço urbano e nas instituições ; 4) As relações sociais no espaço digital (Dias, 2013; Orlandi, 2013); processos de silenciamento/ evidenciamento (Moreira, 2009) na organização da memória que constitui o discurso enquanto digital (C. Dias, 2016); 5) A análise de diferentes materialidades significantes em língua portuguesa, problematizando, a imagem (Medeiros, 2010; Lunkes, 2014), a musicalidade (Trajano, 2016), a voz (Souza, 2016).

 

Palavras-chave: Discurso, Sujeito, Corpo, Narratividade, Espaço Simbólico.

 

Minibiografias:

Carla Barbosa Moreira – Pós-doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (2011), sob supervisão de Luiz Francisco Dias, e na Universidade Federal Fluminense (2014), sob supervisão de Bethania Mariani (UFF/LAS). Doutora em Estudos de Linguagem pela UFF (2009), com doutorado sanduíche CAPES-PDEE na Università La Sapienza/Itália (2009). Membro do Grupo de Pesquisa “Narrar-se CEFET-MG: estudo sobre narrativas de si em diversos corpus e suportes. É professora de Língua Portuguesa do CEFET-MG.

Juciele Pereira Dias – Pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da Universidade Federal Fluminense, com bolsa CAPES-PNPD. É doutora em Letras pela UFSM (2012), com doutorado-sanduíche CAPES-PDEE na Universidade de Franche-Comté (2011-2012). Membro do Grupo de Pesquisa Teoria do Discurso (GTDis) e pesquisadora do Laboratório Arquivos do Sujeito (LAS) na área da Análise de Discurso e da História das Ideias Linguísticas.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Quando as fronteiras se misturam no corpo

Autora:

Suzy Maria Lagazzi – UNICAMP-SP – slagazzi@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação analisa as relações entre corpo, memória e narratividade no curta ELetrodoméstica, de Kleber Mendonça Filho, lançado em 2005. O diretor explora o cotidiano de uma dona-de-casa no interior de um apartamento, cercada por eletrodomésticos, nos levando a perguntar: “para que serve um eletrodoméstico?” Corpo e eletrodoméstico são formulados em estreita relação, significados numa narrativa que nos demanda na imbricação entre o dever e o prazer. Inscrita no domínio da Análise de Discurso materialista, esta análise busca discutir o sujeito em sua constituição simbólica, na relação significante com o espaço e o tempo, compondo o verbal, a imagem e o som. A partir do termo ‘eletrodoméstica’, que apresenta um jogo semântico provocador, o curta faz remissão à memória do dizer, interpondo estabilização e equívoco, de modo que a contradição realce o movimento na interpretação.

Palavras-chave: Discurso; Sujeito; Corpo; Narratividade; Espaço Simbólico.

 

Minibiografia:

Professora Doutora do Departamento de Linguística do IEL/Unicamp desde 1999, integra o Centro de Pesquisa PoEHMaS (IEL/Unicamp) e lidera, no CNPq, os grupos de pesquisa: O discurso nas fronteiras do social: diferentes materialidades significantes na história, e Linguagem e cinema: o gesto em foco. É pesquisadora associada do Labeurb (Nudecri/Unicamp).


Comunicação 2

Os sentidos da inclusão partida e da diversidade anunciada: engajamento e consumo

 

Autora:

Caciane Souza de Medeiros – UFSM – cacismedeiros@yahoo.com.br/ caciane.medeiros@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho, inscrito no Simpósio Corpo, memória e narratividade: a constituição do sujeito em diferentes espaços simbólicos, está filiado ao domínio da Análise de Discurso em sua articulação com demais áreas do conhecimento sobre a língua(gem) – tal como se dá no Brasil, cujos nomes basilares são Michel Pêcheux e Eni Orlandi -, além de áreas afins, como  a Psicanálise, a História, a Literatura, a Educação, Antropologia e a Comunicação Social. Meu objetivo, neste trabalho, é  discutir e dar visibilidade aos sentidos que constituem os conceitos de inclusão e de diversidade em circulação na mídia e que materializam, sob a marca do consumo engajado, sujeitos e sentidos “integrados” ao social e  fora do embate por lugar que os constituem. Para tal observação, meu corpus é constituído por campanhas publicitárias que circularam na/pela mídia brasileira durante o ano de 2015 e que tomam a questão da diversidade para discursivizar. No âmbito teórico embasador, recorro principalmente a Foucault (2001, 2007, 2008), no tocante aos conceitos de sociedade, poder e neoliberalismo e à teoria discursiva de Pêcheux (1990, 1993, 1998, 2009) e Orlandi (1993, 1999, 2001), a que me filio, para costurar o conceito de inclusão, mostrado sob a bandeira do respeito à diversidade, e suas formas de significação na sociedade. A análise de diferentes materialidades significantes, corporificadas pela imagem, faz-se necessária e singular neste processo de análise que opera nas margens do discurso e de sua constituição. Entendo que há um deslize que marca o antagonismo ideológico dos sentidos que constituem nossa sociedade e que nos aponta desafios para a compreensão da inclusão e suas formas de significar no espaço social contemporâneo.

Palavras-chave: Discurso; Sentidos; Inclusão; Diversidade.

 

Minibiografia:

Pós-doutorado pela USP Ribeirão Preto (2015). Doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Santa Maria (2010).  É autora do livro Sociedade da Imagem: a (re)produção de sentidos da mídia do espetáculo. Atualmente é Professora Adjunta do Departamento de Letras Clássicas e Linguística da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) onde desenvolve pesquisas sobre produção de sentidos e discurso midiático.


Comunicação 3

COMUNICAÇÃO: MENORES ENCARCERADOS: A CRIMINALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA NO/PELO DISCURSO

Autora:

Célia Bassuma Fernandes – PPGL/UNICENTRO/PR/Brasil – bacelfer@hotmail.com

 

Resumo:

Pelo viés da teoria materialista do discurso, o acontecimento jornalístico constitui um gesto de interpretação (ORLANDI, 1997) acerca de um acontecimento da ordem da realidade, uma vez que o jornalista, alinhado aos princípios editoriais do veículo de comunicação para o qual trabalha, contribui para cristalizar dados sentidos e para apagar ou silenciar outros. A votação do PEC 171 (Projeto de Emenda Constitucional) – que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, em caso de crimes hediondos e pena máxima de 10 anos de internação – pela Câmara de Deputados, em Brasília, nos meses de julho e agosto de 2015, constituiu um acontecimento jornalístico a partir do qual irromperam discursos a favor e contra a redução da maioridade penal, fazendo ressoar memórias sobre o que é a violência e sobre o menor infrator. Neste trabalho, buscamos investigar como a delinquência juvenil foi significada em dois programas de jornalismo da televisão brasileira, bem como os menores infratores se representam e são representados em uma edição do  programa Profissão Repórter (14/04/2015), da Rede Globo de Televisão e outra do Conexão Repórter (18/10/2015), do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT). No nosso gesto de intepretação, compreendemos  os dois programas  como textos, nos quais se imbricam diferentes materialidades significantes (LAGAZZI, 2011) e embora compreendamos que os  sons e a musicalidade sejam bastante importantes para o processo de produção de sentidos, nesse tipo de texto, privilegiamos o modo como as formulações visuais e verbais funcionam juntas no processo discursivo. Conforme Lagazzi (2009), as relações que se estabelecem entre as diferentes materialidades significantes que compõem um objeto simbólico  não são de complementaridade, mas de contradição e devem ser estudadas uma no entremeio da outra, sem deixar de considerar as especificidades de cada uma delas.

Palavras-chave: discurso; sujeito; sentido.

 

Minibiografia:

Célia Bassuma Fernandes é doutora em Estudos da Linguagem, pela Universidade Estadual de Londrina (UEL Paraná/Brasil) e professora do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Letras, da UNICENTRO (Universidade Estadual do Paraná/Brasil). Possui pós doutorado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), sob supervisão da Prof. Dr. Suzy Lagazzi e orienta e desenvolve pesquisas relacionadas à família, bem como aos temas que lhes são pertinentes.


Comunicação 4

AS MARCAS DO ENUNCIADO NA CONSTRUÇÃO DE SENTIDO PELA PESSOA COM DEFICIÊNCIA VISUAL EM EVENTOS AUDIODESCRITOS

Autor:

Saulo César Paulino e Silva – USP/CNPq – saulosilva@usp.br / saulocesar@uol.com.br

 

Resumo:

Com o avanço das políticas públicas, as pessoas com alguma deficiência passaram a ter mais garantias de participação social, buscando-se, dessa forma, o pleno exercício de sua cidadania. Nessa perspectiva, as pessoas com deficiência visual, em particular, passaram a usufruir de bens culturais que, historicamente, foram pensados e produzidos para um público vidente. Nesse novo cenário, as ferramentas acessíveis surgem como elemento muito importante que contribui para que essas pessoas possam participar no consumo desses bens. Uma dessas ferramentas é a audiodescrição, que possibilita à pessoa com deficiência visual receber o maior número de informações sobre determinado evento, fazendo com que uma obra de arte seja percebida de forma mais completa.

Levando-se em consideração que a audiodescrição de um filme, por exemplo, funciona como uma espécie de texto falado, tem-se uma narrativa com elementos descritivos cuja finalidade é o preenchimento dos “vazios informacionais”. Classificaremos de “vazios informacionais” aquelas cenas essencialmente visuais, nas quais há a predominância de imagens sem diálogos e, algumas vezes, são acompanhadas de gestos, expressões faciais e trilha sonora.

Nessa perspectiva, questiona-se quais seriam as estratégias para a construção de sentido empregadas pela pessoa com deficiência visual a partir dos inputs do texto audiodescrito e como essas estratégias se manifestam cognitivamente por meio da linguagem.

Para tornar este estudo possível, foram criados um grupo de controle, com alunos videntes, e um grupo focal com alunos deficientes visuais. A partir de um evento audiodescrito foram realizadas as coletas de dados e posterior análise dos protocolos verbais.

As referências teóricas que sustentam a análise estão, prioritariamente, no campo da linguística funcional que tem como uma de suas preocupações identificar as marcas do enunciado por meio da modalização na linguagem.

Palavras-chave: Deficiência Visual; Audiodescrição; Linguagem; Cognição; Leitura.

 

Minibiografia:

Doutor em Linguística Aplicada pela PUC-SP, atualmente, desenvolve seu projeto de pós-doutorado no Programa de Língua Portuguesa da FFLCH da Universidade de São Paulo, sob supervisão da Profa. Dra. Maria Célia Pereira Lima-Hernandes. É membro do Comitê Científico de revistas acadêmicas, dentre as quais se destacam: Revista Inclusiones, da Universidade de Los Lagos, Chile; e da revista “Paisajes”, publicada pela Universidade Autônoma do México.


 Comunicação 5

O índio ainda está nu? A fotografia como construção discursiva do índio em Koch-Grünberg

Autora:

Sheila Praxedes Pereira Campos – UFRR/UFF – sheilapraxedes@hotmail.com

 

Resumo:

Eni Orlandi, em Discurso fundador, exclama: “Que terreno fértil esse que confunde a realidade, a imaginação (a ficção, a literatura) e o imaginário (a ideologia, o efeito de evidência construído pela memória do velho mundo)” (1993, p. 17). É no entrelaçamento da realidade, da imaginação e do imaginário que, entrecortado por rios e coberto pela densa floresta, o vasto ambiente amazônico oferece ao viajante um abundante cabedal simbólico para exprimir as histórias que circulam nos rios, lagos, igarapés e matas. É essa Amazônia como espaço ainda a ser conhecido e decifrado que se revela aos olhos de Koch-Grünberg, cientista alemão que percorreu a região circum-Roraima no início do século XX. As sensações hiperbólicas provocadas pela paisagem e pelo contato com o outro são apresentadas ao leitor de forma extremamente sensorial e o viajante, entre outros instrumentos de coleta de dados, faz uso da fotografia. Com o poder de isolar o objeto do mundo por meio de sua imobilização (Barthes, 1984), a imagem fotográfica captada com as estratégias da linguagem poética dá vida a esse mesmo objeto aos olhos do leitor/expectador. Nesse processo de composição da imagem fotográfica, é possível perceber indícios de algumas intenções dentro do discurso do narrador, como fazer o leitor “experimentar” o vivido pelo heroico viajante, destacar a grandiosidade da natureza exótica, estabelecer parâmetros ideológicos comparativos entre a civilizada Europa e o “bárbaro” campo de pesquisa, reiterando conceitos etnocêntricos tradicionalmente arraigados. Seja como for, as imagens construídas revelam como o alemão, com o olhar oblíquo das lentes europeias, eterniza o índio em sua exótica estrangeiridade que, embevecido e ingênuo, ainda se oferece como espetáculo, posando para as fotografias em cenários forjados e montados para a apreciação do público europeu.

Palavras-chave: Amazônia, Theodor Koch- Grünberg, Construção discursiva do índio, Imagem fotográfica.

 

Minibiografia:

Professora de Literatura e Ensino da Universidade Federal de Roraima, é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura da UFF, sob a orientação de José Luís Jobim e coorientação de Telê Ancona Lopez (IEB/USP). É membro dos grupos de pesquisa “Permanência e atualização das fontes textuais ameríndias nas literaturas americanas – o caso circum-Roraima” e “Estudos Literários Comparados, Cultura e Ensino de Literatura”.


Comunicação 6

Entre corpos e memórias: as construções discursivas das modas do Batuque de Umbigada de Capivari

Autora:

Lorena Faria de Souza – Instituto Federal de São Paulo – lorenafaria3@gmail.com

 

Resumo:

O trabalho analisa a produção dos sentidos nas letras compostas pela mestra popular Anecide Toledo para o Batuque de Umbigada de Capivari, interior de São Paulo. O Batuque de Umbigada é uma manifestação cultural de tradição bantu, trazida ao Brasil por populações negras escravizadas vindas sobretudo de Angola, sul da África. No interior paulista, essa manifestação esteve presente em diversas cidades, sendo que resiste em cerca de seis municípios: Capivari, Piracicaba, Tietê, Rio Claro, Barueri e São Paulo (BUENO; TRONCARELLI; DIAS, 2015). Apesar de configurar-se primordialmente como dança, a elaboração das músicas (ou “modas”) do Batuque de Umbigada é um elemento que merece destaque. Buscamos compreender como se dá a construção dos discursos veiculados pelas modas do batuque no bojo da enunciação performática em que são produzidos, cujos corpos também se constituem em materialidades importantes. Tendo como base teórica a análise do discurso francesa, sobretudo de vertente pecheutiana, o trabalho procura demonstrar que as modas do Batuque revelam sentidos construídos historicamente por relações de poder e, também, como as ideologias ali presentes constituem os sujeitos envolvidos nessa manifestação cultural, permitindo-os ocupar um determinado lugar na esfera dos grupos sociais vigentes. Pêcheux (1995) afirma que o sentido de uma palavra, expressão, proposição, etc. não existe “em si mesmo”, numa relação transparente com o significante, mas determina-se pelas posições ideológicas em jogo no processo sócio-histórico em que tais palavras, expressões e proposições são produzidas. Para Orlandi (1999), a “materialidade dos lugares dispõe a vida dos sujeitos e, ao mesmo tempo, a resistência desses sujeitos constitui outras posições que vão materializar novos (ou outros) lugares. Na esteira dessas e outras questões é que as discussões do presente trabalho se inserem. É tema, ainda, de projeto de doutorado em andamento pela Universidade Federal de Uberlândia.

Palavras-chave: Batuque de Umbigada; Análise do discurso; Formação ideológica; Posição-sujeito; Memória.

 

Minibiografia:

Mestre em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia (2015) e doutoranda em Estudos Literários pela mesma instituição. É servidora do Instituto Federal de São Paulo, Campus Capivari. Coordenou o projeto de extensão “Batuque de Umbigada: ritmo, história, memória, resistência e identidade cultural”, com atuação na cidade de Capivari e região. Membra do NUGS – Núcleo de Estudos de Gênero e Sexualidade e do NEABI – Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas do IFSP.


Comunicação 7

O corpo e a cidade da cidadania na cartilha da UPP

 

Autora:

Greciely Cristina da Costa – Univás-Brasil – greciely@gmail.com

 

Resumo:

No âmbito da temática “A união na diversidade”, nosso trabalho busca discutir a questão das narrativas e o corpo simbólico no espaço urbano e nas instituições. Assim, filiados à Análise de Discurso, partimos da definição de narratividade como sendo a maneira pela qual a memória se diz (Orlandi, 2013) e do princípio de que o corpo do sujeito está atado ao corpo do cidade formando um corpo social (Orlandi, 2001) para analisar o modo como a imagem de cidadão é discursivizada na Cartilha da Unidade de Polícia Pacificadora – UPP e o modo como se dá a individuação do sujeito pelo Estado e suas instituições (Orlandi, 2001). Com efeito, buscamos compreender o processo de produção de evidências (Pêcheux, 1975) em funcionamento em torno do projeto de segurança pública do Rio de Janeiro pautado na pacificação das favelas cariocas. Entre a pedagogização do espaço urbano (Silva e Pfeiffer, 2014) e a unidade de sujeito, refletimos sobre construção imaginária de cidadania em uma conjuntura histórica-política-ideológica marcada pela segregação e seus efeitos na sociedade.

Palavras-chave: Discurso; Corpo; Cartilha da UPP; Espaço Urbano; Cidadania.

 

Minibiografia:

Greciely Cristina da Costa é doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2011), com estágio de doutorado-sanduíche na Université Paris XIII (2010). Desenvolve pesquisas voltadas para a compreensão da relação entre linguagem e sociedade. É autora do livro “Sentidos de Milícia: entre a lei e o crime” (Editora da Unicamp). Atualmente, é docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Universidade do Vale do Sapucaí (PPGCL-UNIVÁS).


Comunicação 8

Os contornos do corpo e o desejo do sujeito: o olhar da Análise de Discurso

 

Autora:

Mônica Ferreira Cassana – Universidade Federal do Pampa, RS, Brasil – monicassana@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, proponho-me a discutir o discurso de sujeitos, participantes de um programa de inclusão social de mulheres em situação de vulnerabilidade social, a partir da análise de desenhos de seus corpos e a inscrição material de palavras que possam identificar suas posições de sujeito. Considerando o referencial teórico da Análise de Discurso de linha francesa, conforme fundamentada por Michel Pêcheux, tenho o objetivo de compreender como ocorre o gesto de subjetivação desses sujeitos ao trabalharem a imagem de seus corpos. Como procedimentos analíticos e metodológicos, apresento um material de análise produzido por mulheres que contornaram seus corpos e os preencheram com significações várias – imagens, desenhos, palavras, isto é, discursos que revelam seu desejo e me levam a pensar sobre as filiações ideológicas que se refletem nesse corpo fragmentado. Mobilizando as categorias de inconsciente e ideologia, procuro entender de que modo a projeção da imagem no papel produz um deslocamento desse sujeito que, ao olhar-se de fora, passa a refletir sobre seu corpo e sobre os sentidos que se produzem. Para apresentação do gesto de interpretação, considero que há a elaboração de um efeito de (in)completude que  que move esses sujeitos, produzindo, a partir a da sobreposição de imagem em no papel, a inscrição material de seu desejo. Por fim, relaciono o tal desejo como sintoma do contemporâneo, a partir da inscrição de uma falta que não será preenchida, mas que indica que os sentidos se produzem através de um deslocamento que se deslocam de uma formação discursiva privada e doméstica para uma formação discursiva de consumo.

Palavras-chave: Discurso; Corpo; Sujeito.

 

Minibiografia:

Professora na Universidade Federal do Pampa (Unipampa). É doutora em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2016). Possui mestrado em Letras pela Universidade Católica de Pelotas (2011) e graduação em Letras – Licenciatura em Português e Espanhol e respectivas literaturas pela Universidade Federal de Pelotas (2008). Membro do GEPAD (Grupo de Pesquisas em Análise do Discurso – UFRGS), atua nas seguintes áreas: texto, discurso, corpo, linguagem e ensino.


Comunicação 9

Voz e sujeito: marcas

Autora:

Telma Domingues da Silva – Univás-Brasil – telmadds@gmail.com

 

Resumo:

A proposta desta comunicação é discutir o espaço digital como espaço social, simbólico e político, e a significação do sujeito nesse espaço por sua relação constitutiva com a língua e a tecnologia. Tomo para análise uma mensagem de voz que circula/circulou através de whatsapp – aplicativo de mensagens escritas e de voz em celulares –, que inicia com o enunciado “mande audio”, que é repetido alguma vezes (repetições que ressignificam o enunciado e produzem sentidos de “apelo”). Gravada supostamente em uma situação real de comunicação interpessoal, a mensagem passa a circular entre grupos diversos – ou seja, “viraliza”, como se diz sobre certas ocorrências no espaço digital. A gravação de voz possui determinadas qualidades/características de modo a produzir efeitos de sentido de um sujeito “popular”, considerando-se as marcas de uma dada gramática da língua falada no Brasil, bem como a sequência da mensagem, a saber: “não mande escrevendo não que eu não sei ler não”. Encadeamento sintático, cadência, ritmo, timbre etc. perfazem ainda um conjunto de elementos vocais que identificam um sujeito “mulher nordestina”. Primeiramente, observam-se elementos de voz e realização linguística que funcionam no Brasil produzindo identidade regional para o sujeito, isto é, determinados elementos linguístico-discursivos se fazem significar na realização vocal como marcas dessa “regionalidade”. E ainda: no caso do fragmento aqui a ser analisado, observa-se a produção da imagem de “inaptidão”, que se constitui através da associação de um imaginário já existente e persistente na sociedade brasileira sobre o sujeito popular (nordestino, analfabeto) e a inscrição dos sujeitos nas novas tecnologias, nesse caso, através de um aplicativo que possibilita uma alternativa à escrita. A circulação de materiais como este descrito é prática corrente, que introduz para as chamadas “novas tecnologias” também um papel na reprodução/ manutenção dos imaginários sobre o sujeito em relação à língua.

Palavras-chave: Discurso; Sujeito; espaço digital.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas, atualmente é Professora adjunta da Universidade do Vale do Sapucaí e Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem, atuando principalmente nos seguintes temas: discurso jornalístico, discurso ambiental, saber urbano.


Comunicação 10

Discursividades, tecnologia e sociedade: práticas de leitura em relação ao espaço virtual

 

Autora:

Juciele Pereira Dias – Universidade do Vale do Sapucaí (Univás) – Brasil – jucieledias@gmail.com

 

Resumo:

Esta proposta de comunicação em simpósio está inscrita na perspectiva teórico-metodológica da Análise de Discurso – tal como se dá no Brasil, cujos nomes basilares são Michel Pêcheux e Eni Orlandi -, além de áreas afins, como a Psicanálise e a História das Ideias Linguísticas. Nosso objetivo é o de participar das discussões sobre a constituição do sujeito (Mariani, 2014) por diferentes espaços de produção de sentidos. Os discursos sobre as ‘tecnologias’ na sociedade, hoje, têm sido objeto de pesquisas científicas em diferentes campos do conhecimento e em diferentes áreas. Colocam-se as necessidades de apropriação das tecnologias (geralmente acompanhadas do adjetivo ‘novo’, ‘inovador’) para as mais diversas atividades cotidianas, seja nas soluções de problemas (tecnotopia), seja no lugar posto como a “origem” de diferentes problemas (tecnofobia) de saúde, de relacionamentos, de trabalho, etc. Da perspectiva da Análise de Discurso, temos como objetivo discutir sobre o modo como Pêcheux (1983) define o espaço de transformações do sentido como aquele que escapa a qualquer norma estabelecida a priori, de um trabalho do sentido sobre o sentido, tomados no relançar indefinido das interpretações, um relançar que se relaciona com o espaço virtual, ou seja, com um universo de possibilidades do sentido se atualizar diferentemente. Trabalho com o espaço do discurso outro materializado enquanto presença virtual. Desse modo, analisaremos como os efeitos de sentido sobre ‘tecnologia’ são produzidos e disciplinarizados no campo das ciências da linguagem e humanas, (não) tão somente na evidência de serem produtos do campo logicamente estabilizado das ciências da natureza ou exatas, considerando que o papel da tecnologia tem a língua(gem) como base material dos processos de produção dos sentidos e das relações sociais.

Palavras-chave: Discursividade; Sujeito; Tecnologia; Espaço virtual; Sociedade.

 

Minibiografia:

Pós-doutorado em Estudos da Linguagem na Universidade Federal Fluminense (2013-2016). Fez doutorado em Letras na Universidade Federal de Santa Maria (2012), com estágio de doutorado-sanduíche na Université de Franché-Comté (2011-2012). Atualmente é professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem (PPGCL), da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás). É membro do Grupo de Pesquisa ‘Teoria do Discurso’ (GTDis).


Comunicação 11

ATRAVESSAMENTOS EM CASADO-40-BA: dentro e fora da rede, sexualidade flutuante

Autor:

Valter Cezar Andrade Junior – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano – valter_cezar@hotmail.com

 

Resumo:

Há inegáveis transformações ocorridas no campo dos comportamentos da sociedade desde o final do século XX, mormente em face da rapidez nas relações interpessoais, própria das Tecnologias da Informação Contemporâneas. Diante disso, surge o presente estudo, a partir do uso da linguagem em ambiente virtual (sala de bate-papo número 11 do UOL – Salvador/BA), a fim de identificar as Formações Discursivas (FDs) e a(s) forma(s)-sujeito presente(s) nesse ambiente corporificado como gueto contemporâneo. Apesar de o mundo ainda se apresentar como heteronormativo, já se saboreia conceber no plano on-line uma “saída do armário” (homoafetividade e bissexualidade), conforme se lê no sujeito aqui analisado, cujo nickname é CASADO-40-BA. Para tanto, fez-se a pesquisa à guisa da Análise de Discurso de filiação francesa, representada por Michel Pêcheux, da reflexão sobre o ciberespaço e seus desdobramentos, baseada em Manuel Castells e Pierre Lévy, bem como das abordagens de gênero e sexualidade propostas por Judith Butler e Guacira Lopes Louro.

Palavras-chave: heteronormatividade; homoafetividade; ciberespaço; análise de discurso.

 

Minibiografia

Mestre em Estudo de Linguagens pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Especialista em Língua Portuguesa pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, Instituição na qual também fez o curso de graduação citado. Atua como Professor de Língua Portuguesa no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano.


Comunicação 12

Relações de poder na mídia, comunicabilidade da diferença e ideologias linguísticas

 

Autora:

Ludmila Pereira de Almeida – Universidade Federal de Goiás – ludjornalismo@gmail.com

 

Resumo:

O principal objetivo desse trabalho é discutir como o uso da linguagem se torna fazer, se torna ação sobre o mundo e se efetua em corpos. Isso tendo em vista que essa construção retoma ações cotidianas de colonialidade do saber e do poder (QUIJANO, 2005) que moldam nossa forma de pensar, nossas epistemologias e nossa subjetividade a partir de discursos considerados “legítimos” e “autorizados”. O que regula, ritualiza e hierarquiza ideologias linguísticas (BLOMMAERT, 2014) acerca das características corporais (BUTLER, 2003, 1997) que se arquitetam em narrativas normais pelo processo de comunicabilidade (BRIGGS, 2007). Para a discussão traremos três acontecimentos de atos racistas praticados contra mulheres negras na rede social Facebook, e que tiveram repercussão midiática. Um ocorreu em agosto de 2013 por uma jornalista brasileira, que ao comentar a chegada dos médicos cubanos ao Brasil disse “Me perdoem se for preconceito, mas essas medicas cubanas tem uma Cara de empregada doméstica. Será que São medicas mesmo???”(SIC). O outro caso ocorreu no dia 2 de julho de 2015, em que a página oficial do Jornal Nacional recebeu vários comentários pejorativos referentes a cor da pele, e da posição social, da jornalista Maria Júlia Coutinho. E o último caso é também referente a comentários racistas sobre a estética da atriz Taís Araújo em 2015. São práticas ideológicas que se enlaçam nas narrativas midiáticas (SILVERSTONE, 2002) e discursos de ‘liberdade de expressão’ em redes sociais (LEMOS, 2007). Fornecendo aos sujeitos experiências de interferência política sobre o mundo, pelas escolhas de discurso, possibilitando avaliar os comportamentos, seu efeito social e ritualizar signos de ofensa e hierarquização da diferença.

Palavras-chave: Corpo negro; Comunicabilidade; Relações de poder na mídia; Colonialidade do saber/poder; Ideologias linguísticas.

 

Minibiografia:

Mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás. Licenciada em Letras-Língua portuguesa e Bacharela Letras-Estudos linguísticos pela UFG. Bolsista CAPES.


Comunicação 13

O DISCURSO DO/SOBRE O CORPO PRESENTE NA REVISTA QG

 

Autoras:
Melly Fatima Goes Sena – FCMS/NEBA – mellysena@gmail.com

 

Resumo:
O corpo tem sido, na atualidade, objeto de estudos em diferentes áreas das ciências humanas como a psicologia, filosofia, antropologia e a lingüística em que veremos a partir da perspectiva da Análise do Discurso. Considerando o corpo como a materialização do sujeito, pensá-lo pro meio da linguagem é outra maneira de pensar o mundo e o vínculo social e pensar o discurso masculino é adentrar em uma vertente desse vínculo, o corpo masculino e suas discursivizações. A partir dessas observações, o objetivo de nosso trabalho é apresentar algumas reflexões acerca dos discursos produzidos do/sobre o corpo masculino em recortes tirados da revista QG tendo como pressuposto teórico a Análise do Discurso de matriz francesa a partir dos estudos de Michel Pêcheux e Eni Orlandi. Os enunciados que compõe o corpus desse trabalho foram colhidos na seção Carta ao Editor e na seção Corpo da revista no período compreendido entre as edições de março a novembro de 2016, no entanto, nem todas as matérias foram utilizadas, somente as que atendiam a necessidade da pesquisa. Para tal pesquisa foi também necessário considerar a questão de gênero, dos conceitos de masculinidade e sua construção histórica, perpassando também pela historicidade do corpo até chegar ao período pós-moderno e as (re) significações dos sentidos sobre o corpo. Durante a investigação, verificou-se que a questão do corpo é o componente principal do discurso da revista atravessando todas os outros discursos como trabalho, conquista, saúde, não detendo-se somente ao campo físico, a carne, mas se tornando um corpodiscurso dentro da lógica de sujeito- histórico capitalista e na luta entre masculinidades hegemônicas versus subalternas.

Palavras-chaves: Corpo; Discurso; Gênero.

 

Minibiografia:

Formada em Letras e Jornalismo  pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Mestre em Letras pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Trabalha na Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul onde coordena a área de livro, literatura e patrimônio histórico e cultural.


Comunicação 14

COMUNICAÇÃO: Falar o corpo: A Subjetivação do feminino frente a seu corpo aberto ao prazer

Autora:

Tatianne de Faria Vieira – Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC – projetotextual.cl@gmail.com

 

Resumo:

Esta proposta de comunicação é parte da pesquisa desenvolvida em nível de doutorado, em Literatura, cujo objeto é o romance Uma aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector, publicado em 1969. Fundamentada nos estudos da Análise de Discurso, principalmente nas postulações de Michel Foucault, nossa pesquisa toma a literatura como discurso, importando-nos a cena narrativa construída no romance, da qual emergem dizeres e gestos que discursivizam o corpo e o prazer, especialmente o corpo feminino e sua relação com o(s) prazer(es), tanto na obra como em seu entorno. Compreendemos que a cena fala o corpo, “coloca” o corpo a falar, em um processo de subjetivações, de exercício de poder e também de resistências, afinal, corpo é lugar que transpõe a condição de superfície na qual se manifestam acontecimentos discursivos, constituindo-se também como lugar de instabilidades, de descontinuidades, de lutas e de resistências. Como coloca Foucault (1979), do corpo também nascem, atam-se e exprimem-se os desejos, os desfalecimentos e os erros; assim como, nele também eles desatam-se, entram em luta, apagam-se uns aos outros, conflitam-se. Assim, temos a personagem Lóri, uma jovem mulher, cujo gesto ao longo da cena parece-nos fornecer elementos para pensar o drama da subjetivação do feminino frente a seu corpo que, mesmo aberto ao prazer, precisa, antes de desfrutá-lo, aprender a escolhê-lo, o que passa por um processo de resistência a poderes que emergem em seu entorno, bem como por seu processo de (des) (re) constituição de si como sujeito. É o corpo dis-posto, im-posto, desestabilizado, negado, silenciado, envolto em prazeres, negando-os, promovendo-os e sentindo-os.

Palavras-chave: Corpo; Prazer; Subjetivação; Feminino.

 

Minibiografia:

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Literatura, da Universidade Federal de Santa Catarina, sob a orientação do Prof. Dr. Pedro de Souza. Mestre em Linguística, pela Universidade Federal de Goiás, onde também licenciou-se em Português-Espanhol. Professora Efetiva de Língua Portuguesa e Espanhola no Instituto Federal de Goiás-IFG e membro do Grupo de Pesquisa Trama-UFG.


Comunicação 15

Perfil bloqueado, suspenso, fora do ar: a atualidade da censura no espaço digital

 

Autora:

Carla Barbosa Moreira – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) – Brasil – carlabmor@uol.com.br

 

Resumo:

No estudo mais completo acerca do silêncio no Brasil, Eni Orlandi (1992) teoriza acerca das formas do  silêncio e problematiza a principal acepção política da/na palavra: a censura. Por ela, o sujeito e a sociedade são impedidos de trabalharem o movimento de identidade e de elaborarem historicamente os sentidos. Assim, o objeto de análise desta proposta de comunicação – a censura –  pode ser compreendido como um mecanismo político e ideológico que intervém na ordem do discurso, visando o controle de sentidos, seja pelo silenciamento, seja pelo evidenciamento (Moreira, 2009). Pretende-se, a partir dessa noção e à luz da Análise do Discurso de vertente francesa e seus desdobramentos no Brasil (Pêcheux, 1975; Orlandi, 1996), analisá-la em sua materialidade digital,  admitindo-se as implicações que as  relações entre  sujeito, conhecimento e tecnologia trazem para a compreensão dos processos de significação e para a memória. Produzida pelas novas tecnologias de linguagem, a memória metálica ou memória da máquina, da circulação, não se produz pela historicidade, mas por um construto técnico, como o computador (Orlandi, 1996). Desse modo, apresentam-se hipóteses para motivar uma investigação acerca das (novas/outras) técnicas e saberes censórios no espaço digital. Eles serão analisados a partir do que vem sendo apontado como censura no/pelo facebook, incluindo novos gestos materializados por discursividades como “bloquear”, “suspender”, “tirar do ar”, um “conteúdo”, um “perfil”, que também funciona como acúmulo, enquanto (mais um) usuário; um sujeito que só existe no espaço digital, e dele é suspenso, deletado, bloqueado, etc., por práticas censórias reconfiguradas para/na materialidade digital. Essas práticas serão analisadas com base em mudanças nas relações sociais, imaginárias e, portanto, nas relações de poder.

Palavras-chave: Discurso; Sujeito; Censura; Tecnologia; Memória.

 

Minibiografia:

Possui pós-doutorado em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal de Minas Gerais (2011) e pela Universidade Federal Fluminense (2012-2014). Doutorado em Letras pela Universidade Federal Fluminense (2009) e estágio sanduíche na La Sapienza Università di Roma/IT). Desenvolve pesquisas em Análise do Discurso e História das Ideias Linguísticas, nas temáticas: Censura; Linguagem e Tecnologia; Ensino de Língua Portuguesa, Memória. Atualmente, é professora do CEFET-MG.


Comunicação 16

As interdições discursivas na Conjuração Baiana de 1798

Autor:

Rodrigo Oliveira Fonseca – Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) – rodrigoroflin@gmail.com

 

Resumo:

A comunicação apresentará o conceito de interdição discursiva (FONSECA, 2012) a partir da análise de processos discursivos que constituem o acontecimento político da Conjuração Baiana em fins do século XVIII. Este movimento, influenciado pelos ideais republicanos e igualitários da Revolução Francesa e dirigido por segmentos populares da formação social escravista e colonial brasileira, tomou como desafio a constituição de uma complexa aliança com setores dominantes locais descontentes com o jugo português. Este desafio político deixou diversas pistas nas práticas linguageiras dos conjurados, dentre elas uma série de interdições: a) dos escravizados, diluídos nos dizeres a partir de uma discursividade republicana que metaforizava as dimensões sociais da desigualdade e da tirania; b) do programa liberal defendido pelos setores com quem queriam aliar-se, suprimido no que dizia respeito à liberação de preços e fim de tributações, contraposto à defesa do tabelamento do preço da carne; e c) do próprio agente da revolução projetada, recalcado mediante uma práxis discursiva que explorava a ausência do locutor em seu próprio dizer (construção da quarta-pessoa discursiva, cf. INDURSKY, 1997, pp. 78-89). A comunicação privilegiará esta terceira interdição discursiva, visando discutir, a partir do funcionamento do complementizador QUE, as margens semânticas em oito enunciados difundidos pelo movimento de 1798, sendo um deles: Quer o povo que se faça nesta Cidade e seu termo a sua memorável revolução.

Palavras-chave: Interdição Discursiva; História; Quarta-Pessoa Discursiva; Política.

 

Minibiografia:

Rodrigo Oliveira Fonseca é pesquisador em Análise do Discurso e História do Brasil, com doutorado em Letras pela UFRGS e mestrado em História pela PUC-Rio. Professor Adjunto da Universidade Federal do Sul da Bahia. Em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens da UNEB, e com financiamento do CNPq e da FAPESB, desenvolveu projeto de pesquisa que resultou nas Jornadas Caminhos da Igualdade (2014 e 2016) e no livro A Conjuração Baiana e os desafios da igualdade no Brasil: História e Discurso (2016).


Comunicação 17

#precisamosfalarsobreabuso : o uso de hashtags em redes sociais em processos de silenciamento e evidenciamento de mulheres que sofreram abuso

Autora:

Ana Cecília Trindade Rebelo – UERJ /Brasil – anacecilia.rebelo@gmail.com

 

Resumo:

Hashtags são utilizadas na internet, em redes sociais como Twitter, Facebook e Instagram, para identificar mensagens e/ou fotos relacionadas a um tópico específico, sendo compostas pela palavra-chave do assunto antecedida pelo símbolo (#). Elas funcionam como indexadores para facilitar buscas por uma informação específica dentro da rede. Desde 2015, pode-se observar movimentos de utilização de tais indexadores para trazer a uma esfera de discussão pública a conscientização sobre o problema do abuso contra mulheres (seja sexual, físico, emocional ou psicológico) com chamadas como #meuamigosecreto, #meuprimeiroassédio e #erelacionamentoabusivoquando. Selecionamos exemplos de cada hashtag e de comentários em resposta às suas postagens em redes sociais no ano de 2016 para compor nosso corpus de análise, e, a partir de uma base teórica de uma Análise do Discurso materialista (Pêcheux e Orlandi, principalmente), buscamos observar no uso das hashtags o embate entre uma tentativa de tomada de fala dos sujeitos que reportam os abusos sofridos e aqueles que ao retomar tais hashtags, seja em postagens individuais ou em comentários de resposta, o fazem em movimentos de deslizamento de sentidos resultando em um silenciamento através da censura e crítica ao que é relatado. Dessa maneira, propomos discutir como as relações sociais em mídias digitais constituem e regulam a imagem do corpo feminino e consequentemente, do sujeito mulher.

Palavras-chave: Análise do discurso; mídias digitais; mulher; silenciamento; sujeito.

 

Minibiografia:

Mestranda em Linguística na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), na linha de Análise do Discurso Materialista, com dissertação sobre as imagens de mulher produzidas na revista Cosmopolitan Brasil. Possui graduação em Música-Canto pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010). Cursando graduação em Letras – Inglês/Literaturas. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Ensino de Língua Estrangeira – Inglês.


Comunicação 18

O discurso sobre a/da inovação e os sentidos de língua (portuguesa)

 

Autora:

Luiza Castello Branco – UFF/CAPES-PNPD – luizakcb@gmail.com

 

Resumo:

Para essa apresentação, objetivamos observar o modo como o discurso “sobre a” e “da” inovação atravessando e (re)dizendo o discurso da educação produz efeitos de sentido para língua (portuguesa)  e para o que dela se transmite sublinhando a necessidade do novo, da mudança, especialmente, no que tange a uma nova discursividade sobre metodologia de “ensino” de língua (materna) e uma nova discursividade sobre “formação” de professor dessa mesma língua (materna); ao mesmo tempo, essa produção de sentidos fala a uma forma histórica sujeito capitalista empreendedor, significando o lugar do professor como um sujeito empreendedor. Esse discurso, produzido por organizações mundiais comparece nas textualidades das reformas do sistema educacional brasileiro (Aparício, 1999; Pietri, 2003; Dornelles, 2007), apontando para um vínculo com exigências socioeconômicas, muitas das quais impostas pelo mercado externo e delineadas por estas mesmas organizações internacionais. A necessidade lógica e evidente parece ser: inovação e produção de conhecimento são indissociáveis e estão inexoravelmente unidos à educação; e as organizações internacionais como a UNESCO têm a missão de promover a inovação educacional nos espaços de seus países-membros buscando a mudança e a modernização. Nessa discussão, a questão da inovação imbricada à do espaço e à da educação leva-nos a refletir sobre o modo como se produz a relação espaço/língua/sujeito e seu funcionamento nesse discurso das organizações internacionais e como isso afeta os sentidos de língua (portuguesa) e de “ensino” dessa língua no Brasil. Nessa apresentação, traremos alguns recortes que estamos analisando, a partir de: a) instrumentos normativos elaborados por esses sujeitos internacionais; b) artigos científicos. Para encaminhar essa discussão, nos colocamos no domínio da História das Ideias Linguísticas (Auroux) filiados à Análise de Discurso (Pêcheux e Orlandi), gesto teórico-analítico que sustenta nossa tomada de posição.

Palavras-chave: Discurso; sujeito/língua/espaço; organização internacional.

 

Minibiografia:

Pós-doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem no Instituto de Letras, da UFF; mestre em Língua Portuguesa pela UFF; doutora em Linguística pela UNICAMP; pesquisadora do LAS; membro do grupo de pesquisa Teoria do Discurso – GTDIS. Suas pesquisas são na área de Análise de Discurso e de História das Ideias Linguísticas.


Comunicação 19

HISTÓRIA DA LÍNGUA E NOME DO SUJEITO: QUANDO NOMEAR É INSCREVER NA HISTÓRIA

Autora:

Joyce Palha Colaça – UFS – joy.palha@gmail.com

 

Resumo:

O trabalho que aqui se apresenta é resultado das discussões desenvolvidas no Doutorado sobre a língua guarani sua oficialização e se insere estudos sobre língua e sujeito no âmbito da Análise do Discurso de linha francesa (Pêcheux, 1988 [1975]) e da História das Ideias Linguísticas. Nosso objetivo, com este recorte, é discutir como designar o nome da língua e nomear o sujeito são atos que se inscrevem no simbólico. De acordo com Mariani (1998, p. 118), o processo de denominação é um processo discursivo, que se marca entre o linguístico e o histórico, pelo que podemos afirmar que nomear, nesta perspectiva, se atrela a uma suposta história da língua em determinado espaço de enunciação (Guimarães, 2005), atrelando a uma nacionalidade imaginária. Nomear, deste modo, configura-se como um gesto inscrito historicamente. Para nós, o ato de nomear também é um ato regulado pelo Estado, um gesto de políticas de línguas.

Palavras-chave:  Nomear; Políticas de línguas; língua guarani.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras – Habilitação: Português/ Espanhol (2001-2005), mestrado em Letras (2008-2010) e doutorado em Estudos de Linguagem (2011-2015) pela UFF. É professora adjunto de Língua Espanhola na UFS. Atualmente, é membro da diretoria da Associação Brasileira de Hispanistas (2016-2018), ocupando a função de 1ª Tesoureira. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Análise de Discurso, História das Ideias Linguísticas e Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Espanhola.


Comunicação 20

Indianidade e português brasileiro: quem está na boca de quem?

 

Autores:

Beto Vianna – Universidade Federal de Sergipe – btvianna@gmail.com

Aílton Krenak – Núcleo de Cultura Indígena – Ailtonkrenak@gmail.com

 

Resumo:

O português brasileiro (PB) é língua materna de dezenas de grupos ameríndios, em especial os brasilíndios do vale do São Francisco e do rio Doce, no Nordeste e em Minas Gerais. Após duzentos anos de reconfiguração étnica em nome da expansão agrícola e mineradora, esses povos vivem, hoje, novos dilemas identitários. Minorizados linguisticamente por sua condição de índios, como usuários pouco confiáveis da língua de prestígio, são, contraditoriamente, também deslegitimados em sua indianidade, acusados de terem perdido a língua originária. De onde vem a dificuldade da linguística para entender os processos linguajantes desses povos? Sugerimos que a busca da ciência ocidental pela verdade como representação da realidade assume, no domínio da linguística, o receituário da intersubjetividade, ou, seguindo Roy Harris, das falácias da telementação e do determinismo. Na telementação, falar é transferir pensamentos de uma mente a outra. O determinismo – ou falácia do código fixo – explica a telementação pela instanciação recorrente de itens invariáveis em forma e conteúdo. Esse duplo princípio explicativo é amplamente difundido nas teorias lingüísticas, não apenas naquelas em que o sistema é parte da herança genética (como na competence de Chomsky), mas também naquelas em que o sistema está socialmente disponível para o falante (como na langue de Saussure e nas linguísticas do social, do uso e do discurso). Insistir nas funções representacionais do código como gerativas do fenômeno linguístico dificulta reconhecer a especificidade dos usuários ameríndios do PB em relação a falantes não índios (de variedades estruturalmente semelhantes), demandando uma abordagem sistêmica atenta aos espaços relacionais, próprios e constitutivos da linguagem. Como nos sons do índio-caboclo-onça de Guimarães Rosa em “Meu tio o Iauaretê”, só inteligíveis para os iniciados, não é pouco o risco da ciência da linguagem ser engolida antes de perceber aquilo que deixou de fora, ou que não quis entender.

Palavras-chave: Língua indígena; Português brasileiro; Espaço relacional da linguagem; Minorização linguística; Ameríndios do vale do São Francisco e do rio Doce.

 

Minibiografias:

Autor 01 – Foi pesquisador no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, Leipzig, e professor no Departamento de Línguas Estrangeiras da Universidade Obafemi Awolowo, Ilê-Ifé, Nigéria. Atualmente, é professor de linguística do Departamento de Letras de Itabaiana, professor do Programa de Pós-graduação em Antropologia da UFS e líder do grupo de pesquisa Inuma – Interfaces humano e não humano. É pai de Tábata, Ariel e Pepe, e avô de Uirá, Rodrigo, Gael e Inácio.

Autor 02 – Ativista indígena da etnia Krenak, fundou em 1988 a União das Nações Indígenas, e, em 1989, o movimento Aliança dos Povos da Floresta. Atualmente, dirige o Núcleo de Cultura Indígena, na Serra do Cipó, MG. Em 2016, recebeu o título de Professor Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Juiz de Fora, onde leciona, na especialização, as disciplinas “Cultura e História dos Povos Indígenas” e “Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais”.


Comunicação 21

PONTOS DE CULTURA: DAS AMARRAS DOS SUJEITOS AO ESPAÇO NACIONAL

 

Autor:

Felipe Augusto Santana do Nascimento – UNICAMP/CNPq – felipe.augustus@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho, filiado à Análise de Discurso, tem como objetivo discutir como as políticas públicas de cultura do Estado brasileiro na contemporaneidade significam os sujeitos na sua relação com o espaço nacional, ao produzir para eles sentimentos, sentidos, em relação ao local, à sua “cultura”. Partindo do princípio de que os sujeitos se significam em diferentes espaços simbólicos (ORLANDI, 2010) e de que sujeitos, sentidos e espaço estão materialmente ligados (RODRÍGUEZ-ALCALÁ, 2011), uma das formas dos sujeitos se relacionarem com a cidade é por meio de seus pontos de referências (FEDATTO, 2013), que são trabalhados pelo Estado no reconhecimento dos sujeitos ao espaço nacional. Neste trabalho, ao tomar os documentos oficiais do Estado brasileiro que versão sobre os Pontos de Cultura, ação do governo brasileiro para estimular o acesso à cultura, busco observar como a legitimação de um local como “espaço cultural” forja um certo sentimento de pertencimento a esse espaço, como se esse reconhecimento fosse natural, uma evidência. Assim, o trabalho do Estado sobre o espaço, ao mapear os Pontos de Cultura, dando-lhes um selo, produz amarras, pelo local, no sujeito a partir das quais ele não vai podendo dizer e sentir outra coisa a não ser pertencente a esse local, parte de um todo: o Estado brasileiro. O que observaremos, então, é que a constituição de uma unidade da cultura nacional não está alheia à tensão entre a unidade formal, o que é tido como cultural, e a diversidade concreta, o efetivo funcionamento da cultura. O que temos, no entanto, é um cerceamento dessa diversidade concreta em prol de um imaginário de cultura nacional que serve ao Estado brasileiro na identificação dos “seus” sujeitos.

Palavras-chave: Análise de Discurso; Espaço; Estado brasileiro; Sujeito; Pontos de Cultura.

 

Minibiografia:

Felipe Augusto Santana do Nascimento é graduado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Mestre em Linguística pela mesma instituição. Atualmente, é Doutorando em Linguística na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Análise do Discurso (GEPAD/UFRGS) e do Núcleo de Estudos em Práticas de Linguagem e Espaço Virtual (NEPLEV/UFPE). Desenvolve suas pesquisas na Análise de Discurso e na História das Ideias Linguísticas.


Comunicação 22

Da ocupação da terra à fixação do migrante: um projeto colonizador chamado Gleba Celeste nasce em meio à floresta

Autores:

Leandro José do Nascimento – Unemat – Universidade do Estado de Mato Grosso –

lj.leandro@uol.com.br

Cristinne Leus Tomé – Unemat – Universidade do Estado de Mato Grosso –

cristinne@unemat-net.br

 

Resumo:

O espaço amazônico brasileiro, na década de 1970, sofreu uma profunda transformação social impulsionada pela intensa migração interna que levou milhares de pessoas a esta região. A distribuição gratuita, a compra de terras por colonizadoras privadas ou projetos estaduais fez parte de uma proposta do governo federal de ocupação dos espaços vazios brasileiros, ou de pouca densidade populacional, a fim de desenvolvê-los e inseri-los na economia nacional. Na região norte do estado de Mato Grosso, os rasgos em meio à floresta deram lugar a um amplo programa colonizador denominado Gleba Celeste, efetivado pelos empresários Enio Pipino (1917-1995) e João Pedro Moreira de Carvalho (1910-1995), e do qual originaram-se quatro municípios: Sinop, Cláudia, Vera e Santa Carmem. Neste artigo, investiga-se como se dá a construção da imagem da Gleba Celeste como uma terra de oportunidade, a partir do discurso do próprio Colonizador, Enio Pipino. O recorte discursivo faz parte de uma entrevista concedida ao Museu da Imagem e do Som, no Estado de São Paulo, em 1982, e que compõe parte do acervo do projeto “Memória da Amazônia”. Para investigar o papel do discurso, construído neste contexto sócio-histórico da colonização dos anos de 1970, a pesquisa apoia-se em teóricos da Análise do Discurso como Michel Pêcheux, ao observar o efeito de sentido produzido a partir do discurso colonizador, bem como Eni Orlandi, e o papel dos espaços simbólicos nesta relação.  A terra de oportunidade, nas palavras do próprio colonizador, modificou a marcha do homem e o roteiro das migrações, encaminhando-o para o norte de Mato Grosso em um momento em que o colono ensaiava buscar novos espaços para habitar em outros países da América Latina.

Palavras-chave: Discurso colonizador; Sentidos sobre terra de oportunidades; Colonização Gleba Celeste; Migração.

 

Minibiografias:

Leandro José do Nascimento – Mestrando em Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), especialista em Jornalismo Político pela Universidade Gama Filho (UFG) e graduado em Comunicação Social, com Habilitação em Jornalismo, pela Faculdade Cenecista de Sinop (FACENOP). Tem experiências nas áreas de jornalismo online, jornalismo televisivo, assessoria de imprensa e produção de conteúdo jornalístico para as diferentes plataformas de comunicação.

Cristinne Leus Tomé – Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professora da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). Coordenadora do projeto de pesquisa “O Discurso da Sustentabilidade no Setor Extrativista da Floresta Amazônica”. Editora-chefe da Revista Eventos Pedagógicos.


Comunicação 23

Canibal/Caliban: apropriação cultural e linguagem

Autor:

José Luís Jobim – Universidade Federal Fluminense – jjobim@id.uff.br

 

Resumo:

A circulação literária e cultural das ideias sobre canibalismo como apropriação cultural e linguística, passando por Caliban e seu uso no debate europeu e latino-americano.

Palavras-chave: Canibalismo; apropriação cultural e linguística.

 

Minibiografia:

Mestre (1980) e doutor em Letras (1986) pela UFRJ. Foi visiting scholar na Stanford University (2001) e deu cursos e fez conferências em várias universidades do Brasil e do exterior, entre as quais: Sorbonne Nouvelle (França), Universidade de Roma La Sapienza (Itália), Yale, Princeton, Manchester, Universidad de Chile, Universidad de La Republica Oriental de Uruguay. Atualmente é Professor Titular da Universidade Federal Fluminense e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (aposentado, mas ainda atuando no Programa de Pós-Graduação em Letras).


 Comunicação 24

DE OLHAR EM OLHAR, SE DÁ CORPO A UM LUGAR

 

Autores:

Anna Paula Ferreira da Silva – Universidade Federal de Roraima – Programa de Pós-graduação em Letras – anna_paula_28@hotmail.com

Roberto Mibielli – Universidade Federal de Roraima – Programa de Pós-graduação em Letras – rmibielli@pq.cnpq.br / rmibielli@yahoo.com.br

 

Resumo:

Trabalhando com obras de Milton Hatoum, observei em Dois Irmãos uma abordagem diferenciada do regional de maneira a nos mostrar que não há uma descrição identitária local única/cristalizada. A região amazônica, antes, parece adornar os acontecimentos da trama que entretece olhares distintos de culturas diversas. Percebe-se que de forma semelhante a Machado de Assis, em Dom Casmurro (escritor do século XIX), Hatoum também descreve o ambiente por meio da perspectiva impressa no olhar das personagens. Vale ressaltar que para corpus deste trabalho, levou-se em consideração alguns aspectos, considerados relevantes, que aproximam o texto de ambos: a descrição dos costumes da sociedade brasileira, – tanto no Rio de Janeiro (espaço em que Dom Casmurro foi ambientada), quanto em Manaus (espaço em que se desenrola Dois Irmãos) – e, o foco narrativo em primeira pessoa, além de uma relação entre a constituição das personagens centrais e o olhar que permite discutir a personificação do tipo humano pela via do olhar. Como ambas não são narradas linearmente, visto que fazem um resgate por meio memorialístico a partir do presente (flash-back), é também esta representação que constitui e é constituída discursivamente pelo meio, assim como constitui a memória e, consequentemente, a narrativa e a história do olhar. Dessa forma, o presente trabalho, que faz parte de minha pesquisa de mestrado, desenvolvida na Universidade Federal de Roraima, sob a orientação do Professor Roberto Mibielli, observa e compara como, por meio do discurso dos narradores-personagens, o espaço das narrativas se materializa no olhar das personagens de Milton Hatoum, em Dois Irmãos, e, Dom Casmurro, de Machado de Assis, assim como o olhar é materializado, transpondo os limites do corpo e alcançando uma construção discursiva que permite reconstituir a cena da época e o modo como diferentes sociedades se constituem a partir do corpo e do discurso.

Palavras-chave: O regional na literatura; Espaço sob o olhar Literário; Olhares distintos na região amazônica; O olhar toma corpo.

 

Minibiografias:

Autora 1 – Graduada em letras/literatura pela Universidade Federal de Roraima. Professora do ensino básico em instituição privada. Mestranda em Literatura na Universidade Federal de Roraima. Bolsista PIBID/CAPES de 2010 a 2012. Bolsista voluntária PIBIC/CNPq entre 2011 e 2012.

Autor 2 – Poeta, graduado em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina (1990), mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense (2000), doutor em Letras pela Universidade Federal Fluminense (2007) e pós-doutorado também pela UFF (2016). É professor Associado da Universidade Federal de Roraima. Trabalha na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, atuando em: ensino de literatura, teoria e ensino, literatura brasileira e literatura da/na Amazônia. Publicou poesia sob o título: par T ilha.


Comunicação 25

ERA UMA VEZ… A AMAZÔNIA…

Autor:

Roberto Mibielli – Universidade Federal de Roraima – Programa de Pós-graduação em Letras – rmibielli@pq.cnpq.br/ rmibielli@yahoo.com.br

 

Resumo:

O que é a Amazônia? Como se constituiu a imagem que fazemos dela hoje? Qual a influência mais marcante de seus prosadores e poetas nesta construção simbólica? Para muitos trata-se de um lugar longínquo constituído unicamente do que se diz, do que se construiu como imagem simbólica da região. No entanto, para aqueles que ali vivem e trabalham boa parte do que tem sido dito sobre a Amazônia e mesmo do que conhecidos de outras paragens reproduzem sobre este espaço é fictício. Este trabalho, fruto de minha pesquisa de Pós-doutoramento na Universidade Federal Fluminense (com supervisão do Professor José Luis Jobim e bolsa FAPERJ), busca elucidar se há materialidade discursiva que justifique suas posições, nas vozes de alguns dos escritores que, desde o final do século XIX até o final do século XX, estudaram e escreveram sobre a Amazônia. Para tanto, embora reconheçamos a existência de inúmeros discursos que tentam definir em termos identitários esta região, nos centraremos em duas vertentes ideológicas mais específicas, o discurso desenvolvimentista/integrador e o discurso exotizante/selvagem que, por seu turno se alternam entre duas construções discursivas sobre o ambiente distintas, a do inferno verde e a do paraíso perdido. Serão inquiridos e observados os discursos, em suas obras, de alguns dos mais conhecidos ensaístas da Amazônia (Márcio Souza, Péricles Moraes, Peregrino Júnior, Agnelo Bittencourt, Leandro Tocantins, Marcos Krüger, Euclides da Cunha, Gastão Kruls, Raimundo Morais, Anísio Jobim e Djalma Batista, entre outros). Também serão discutidos alguns trechos de relatos de viajantes e sua contribuição para a consolidação destes discursos em obras de autores como: Nenê Maccagi (Roraima), Dalcídio Jurandir (Pará) e Márcio Souza (Amazonas).

Palavras-chave: Literatura na/da Amazônia; Discurso e literatura; discurso e identidade; exotismo e desenvolvimento na literatura amazônida; paraíso perdido e inferno verde.

 

Minibiografia:

Poeta, graduado em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina (1990), mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense (2000), doutor em Letras pela Universidade Federal Fluminense (2007) e pós-doutorado também pela UFF (2016). É professor Associado da Universidade Federal de Roraima. Trabalha na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, atuando em: ensino de literatura, teoria e ensino, literatura brasileira e literatura da/na Amazônia. Publicou poesia sob o título: par T ilha.


Comunicação 26

REVISITANDO A CIDADE DE CUIABÁ E A VILA DE GUIMARÃES PELOS RELATOS DO VIAJANTE HERCULE FLORENCE (1827)

Autora:

Déborah Pimenta Martins – UFMT-MT. – deborahpimenta2016@gmail.com

 

Resumo:

A proposta da presente pesquisa é compreender a cidade de Cuiabá e a Vila de Guimarães (atual Chapada dos Guimarães), a partir dos relatos do viajante Antoine Hercule Romuald Florence, artista francês, que veio à Mato Grosso, no século XIX, com a Expedição Langsdorff, e que em 1827 realizou importante levantamento científico, registrado em diário. Assim, do corpus inicial – os documentos Viagem Fluvial do Tietê à Amazônia- 1825 a 1829 e L’Ami des Arts livré à lui-même – serão apresentadas seleções de sequências discursivas sobre as duas cidades mencionadas evidenciando tópicos e elementos definidos pelo viajante oitocentista, bem como, revisitando cartografias temporais e atemporais.

Palavras-chaves: Cuiabá; Vila de Guimarães; Hercule Florence; relato de viagem.

 

Minibiografias:

Graduada em Direito pela Universidade de Cuiabá – UNIC (2004), Graduada em Letras Português/Francês pela Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT (2005), Pós-Graduada em Linguística pela UFMT (2005), Pós-Graduada em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela Fundação Escola Superior do Ministério Público FESMP (2006), Pós-Graduada em Direito Urbanístico EAD pela UFMT (2013), atualmente estudante de Relações Internacionais EAD pela faculdade UNINTER e Mestranda em História do Programa de Pós-Graduação em História da UFMT (2016), bolsista da CAPES.


Comunicação 27

SUJEITO E DISCURSO: MONTEIRO LOBATO SOB ANÁLISE

 

Autora:

Giovana Cordeiro Campos de Mello – UFF – giovanacordeirocampos@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo investigar a constituição do “sujeito-Lobato” na/pela língua tomada como materialidade da ideologia e do inconsciente. O referencial teórico e o dispositivo de análise estão inscritos no domínio da Análise do Discurso francesa tal como concebida por Michel Pêcheux ([1968]1988) e desenvolvida no Brasil por estudiosas como Orlandi (1999), Indursky (2000) e Mello (2010). Nosso corpus de pesquisa é formado por cartas, ensaios, prefácios, posfácios, etc., publicados nas Obras Completas de Monteiro Lobato ([1948]1955), nos quais Lobato expressou seu pensamento a respeito de vários assuntos, incluindo literatura, língua e tradução, nossos recortes. Monteiro Lobato (1882-1948) foi um importante intelectual brasileiro que atuou como jornalista, escritor, empreendedor, editor e tradutor, sendo sua faceta mais conhecida a de autor de literatura infanto-juvenil, com suas famosas histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Sua participação no cenário político e cultural brasileiro, no entanto, foi bem mais ampla, abrangendo, dentre outras, a expansão do mercado livreiro no Brasil, a luta pelo petróleo e siderurgia nacionais, a defesa de uma “Gramática brasileira” (Lobato [1921] 2009, p. 90) e a difusão de traduções. Lobato chegou a ser preso por demonstrar explicitamente seu descontentamento com relação aos rumos do Brasil das décadas de 1930/40, sendo tal resistência objeto de análises. A partir de uma perspectiva discursiva, segundo a qual a contradição é própria do sujeito e do discurso, sustentamos que, ainda que o sujeito conscientemente objetive a luta, suas tomadas de posição na/pela língua operam a partir de tensões, sendo observados movimentos tanto de subversão a valores instituídos – a resistência (Mello, 2010) – quanto de repetição desses valores – a assimilação (Mello, 2010).

Palavras-chave: discurso; subjetivação; Lobato.

 

Minibiografia:

Giovana C. C. de Mello é Professora Adjunta de Tradução do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas – GLE, da Universidade Federal Fluminense – UFF, onde coordena o Laboratório de Estudos da Tradução – Labestrad/UFF e ministra disciplinas de tradução. Possui Doutorado em Letras (PUC-Rio, 2010), Mestrado em Letras (UFJF, 2004 e CES/JF, 2005), Especialização em Inglês/Tradução (UFMG, 2005) e Bacharelado em Letras (2002). Tem como campos de pesquisa: Estudos da Tradução, Análise de Discurso francesa, Crítica Literária.


Comunicação 28

O eu político-ideológico de Fernando Pessoa entre seus outros eus

 

Autores:

Adílio Jorge Marques – UFF – adiliojm@yahoo.com.br

Melissa Gonçalves Boëchat – UFVJM/UFSJ – mgboechat@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho parte de uma perspectiva de relação entre Literatura, História e Memória Cultural/ Análise do Discurso, e objetiva discutir, com base no artigo de Fernando Pessoa “Associações Secretas”, publicado no Diário de Lisboa (1935), o trânsito entre o momento político vivido em Portugal após a queda da Monarquia e a escrita do poeta, para trazer à luz seu outro “eu profundo” – político, ideológico e místico.

Os estudos sobre a obra de Pessoa traçam a constituição de um sujeito estético marcado por seu tempo e sua história; entretanto, determinados textos, como o mencionado artigo, cumprem um papel que ultrapassa o espaço lírico e artístico – apesar de não restituir o presente, tais textos contextualizam e reconstroem um período e situação específicos de Portugal, quando a Maçonaria passa a ser vista com maus olhos pelo Estado.

A análise de alguns poemas ocultistas de Pessoa e de “Associações Secretas” traz à baila uma carga ideológica impressa pelo poeta nessas obras, traçando a relação entre seu eu político e o eu místico, em uma discussão permeada por elementos históricos e identitários. Pessoa não era Maçom, mas imbuído de uma profunda essência mística – perceptível em alguns de seus poemas que revelam seus laços com o ideário templário e o Rosacrucianismo –, redige o referido artigo, apesar da censura. Nele, marca sua ruptura com a ditadura salazarista.

O trabalho, portanto, tendo como base teórica as discussões sobre Análise do Discurso propostas por Maingueneau e Foucault, bem como outras conceituações referentes à Literatura e à História, trazidas por Bordieu e Le Goff, pretende levantar aspectos do discurso de Pessoa capazes de contextualizar e reconstruir um momento histórico de Portugal que atinge o eu ocultista do poeta, motivando sua escrita de forma política, para além do lírico, mostrando um escritor comprometido com seu lado místico e político.

Palavras-chave: Fernando Pessoa; Discurso; História, Sujeito; Literatura Portuguesa.

 

Minibiografia:

Autor 01 – Professor Adjunto da Universidade Federal Fluminense (UFF). Pós-Doutor em História da Ciência pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Doutor em História e Epistemologia das Ciências pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na área de História da Ciência Luso-Brasileira. Mestre em Astrofísica pelo Observatório Nacional (ON). Graduado em Física e História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Autor 02 – Professora adjunta de Literatura da UFVJM/MG e Professora Colaboradora do Programa de Mestrado em Letras da UFSJ/MG. Doutora em Estudos Literários pela UFMG (2012), com Doutorado-sanduíche no Birkbeck College – School of Arts – University of London (2010/2011). Mestre em Estudos Literários pela UFMG (2002). Licenciada em Letras pela UFMG (2001). Bacharel em Comunicação Social pela PUC/Minas (1997).


Comunicação 29

As memórias de Lucas José d’Alvarenga: análise das implicações literárias e discursivas relativas à constituição do sujeito em livros de memórias

Autora:

Gracinéa I. Oliveira – FACISABH – gracineaoliveira@hotmail.com

 

Resumo:

O objeto desta comunicação são as memórias de Lucas José d’Alvarenga, compostas por três livros, escritos por ele e publicados em 1828 e 1830: Memória sobre a expedição do governo de Macau em 1809 e 1810…, publicada em 1828; Artigo adicional à memória, publicado também em 1828, e Observações à memória de Lucas José de Alvarenga com as suas notas e um resumo da sua vida, escrito pelo mesmo, em 1830. O objetivo geral é analisar a construção da imagem de Lucas José d’Alvarenga como militar e político em seus livros de memórias. Considerando que textos desse gênero são espaços em que realidade e ficção se entrecruzam, como demonstram muitas pesquisas (cf. LEJEUNE, 1970; MIRANDA,1987; SOUZA, 2004), será analisada como se deu a constituição simbólica desse sujeito, levando em consideração aspectos literários e discursivos que implicam na subjetivação da escrita de si mesmo.

Palavras-chave: Memórias; Lucas José d’Alvarenga; Sujeito; Literatura; Política.

 

Minibiografia:

Gracinéa I. Oliveira é doutora em Literatura Brasileira pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. No doutorado, editou e analisou a novela Statira, e Zoroastes, de Lucas José d’Alvarenga. Atualmente, pesquisa a formação do romance no Brasil. É professora e coordenadora do curso de Letras da FACISABH.


Comunicação 30

Violência, História e Memória: a constituição do sujeito em Infância, de Graciliano Ramos

Autor:

Helton Marques – UNESP, Campus de Assis – hm_palmital@hotmail.com

 

Resumo:

A presente comunicação tem como principal objetivo apresentar uma análise do romance Infância, de Graciliano Ramos, publicado em 1945, a partir da figura do narrador adulto que reelabora, por meio de uma narrativa memorialista, episódios de sua infância, vivenciada no contexto da família patriarcal brasileira, que o marcaram profunda e significativamente, constituindo-o e caracterizando alguns de seus comportamentos e modos de narrar. Para um maior aprofundamento da análise, é importante destacar que, a partir da reelaboração literária de sua própria experiência, Graciliano Ramos procurou refletir sobre a relação do sujeito com o Poder e as agruras da Lei, seja esta paterna ou social, retratando as formas de sociabilidade e os modos de subjetivação próprios de um contexto histórico marcado pela violência e opressão. Essa reelaboração de episódios da infância, isto é, do passado, por meio de uma narrativa memorialista, pode ser entendida com base principalmente nos estudos desenvolvidos por Jacques Le Goff, em História e Memória, e nos ensaios organizados por Marcos Cezar de Freitas, em História social da infância no Brasil. Tendo isso em vista, será possível levantar algumas ideias sobre como a linguagem verbal, presente em um romance memorialista, constitui o sujeito desde sua infância e viabiliza a reelaboração de episódios vivenciados durante esse período da vida, levando em consideração, para tanto, os estreitos vínculos entre matéria histórica e forma literária presentes ao longo do romance Infância.

Palavras-chave: Violência; Infância; Memória; Constituição do sujeito; Representação literária.

 

Minibiografia:

Graduado em Letras e em Pedagogia pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP, campus de Assis, onde concluiu, em 2012, o curso de Mestrado em Letras (Área de conhecimento: Literatura e Vida Social). Atualmente, é aluno regular no curso de Doutorado do Programa de Pós-graduação em Letras da mesma Universidade. Possui experiência de pesquisa principalmente nas áreas de Literatura, História e Memória, Literatura Brasileira e Modernismo Brasileiro, e experiência docente nas disciplinas de Língua Portuguesa, Literatura, Técnicas de Redação e Língua Inglesa.


Comunicação 31

Espaço, corpo e língua: a constituição do sujeito e dos sentidos no Jardim Itatinga

 

Autora:

Mirielly Ferraça – Universidade Estadual de Campinas – miriellyferraca@gmail.com

 

Resumo:

A história da língua está amarrada na história da cidade (NUNES, 2002). A cidade é um espaço histórico que se edifica na contradição do jogo político ideológico, constituindo sujeito, significando espaço, marcando o corpo e a inscrição dos sentidos.  Para pensar na relação entre língua, memória, espaço, corpo e sujeito, considero como espaço simbólico o bairro Jardim Itatinga, localizado em Campinas-SP, conhecido por ser, desde a sua construção, realizada pelo poder público na década de 60, uma zona de meretrício; estima-se que no local cerca de duas mil mulheres se prostituam pelas ruas, casas de prostituição ou ainda em suas próprias residências. Considero como materialidade discursiva entrevistas realizadas em 2016 com pessoas que moram, transitam ou trabalham no Jardim Itatinga, e recorto como flagrantes da narratividade urbana (ORLANDI, 2001) as designações marido, painho, dona de casa, casa e residência familiar. Marido e painho são designações que se referem ao proprietário, o dono da casa de prostituição, e dona de casa se refere à proprietária; casa sem qualquer complemento significa bordel, prostíbulo e residência familiar é a expressão marcada em muros e portões de residências que não possuem relação com a prostituição, funcionando como limite, demarcando a passagem do público e do privado, separando a casa e a rua. A língua, assim, desliza e assume outros sentidos, constituindo e significando sujeitos e espaço. Ainda, leva-se em conta que a nudez faz parte da composição do bairro, as prostitutas seminuas se posicionam em frente às casas convidando quem passa a entrar. O corpo da garota de programa significa no (e para a constituição simbólica do) Jardim Itatinga. Espaço, corpo e língua amarram-se e significam contraditoriamente. O espaço urbano se constitui, portanto, na instabilidade, recoberto por disjunções, conflitos, lugar de desdobramentos (PÊCHEUX, 1999); movimento que permite que o sujeito (se) signifique.

Palavras-chave: discurso; prostituição; entrevistas; sujeito; espaço.

 

Minibiografia:

Formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela Universidade Paranaense (UNIPAR). Graduação e mestrado em Letras pela Universidade Estadual do Oeste Paranaense (UNIOESTE). Doutoranda em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), sob orientação da professora Dra. Suzy Lagazzi. Bolsista Capes.


Comunicação 32

Os dizeres sobre as mulheres congolesas no Brasil em situação de refúgio: um olhar discursivo

Autora:

Fernanda Moraes D’Olivo – Fundação Técnico-Educacional Souza Marques – Fernanda.dolivo@gmail.com

 

Resumo:

O trabalho que apresentarei neste simpósio é um recorte das minhas reflexões e indagações sobre o modo como as mulheres congolesas, em situação de refúgio no Brasil, são significadas no discurso do outro, no caso, no discurso da sociedade brasileira e como elas se significam e faz ressoar as suas vozes nessa língua outra, o português, que não é sua língua materna, mas sim de acolhimento. A escolha de buscar compreender apenas  como as mulheres congolesas são significadas no dizer do outro, assim como seus dizeres na língua outra já se constitui como um recorte significativo dentre tantos refugiados que chegam no Brasil. Essa escolha se deve pelo fato de que as congolesas são mulheres que, muitas vezes, foram (e ainda são) caladas em sua língua materna, devido às condições sociais e culturais de seu país de origem. Esse trabalho de pesquisa ainda está no início, logo, neste simpósio, apresentarei minhas inquietações e indagações, sustentadas teoricamente na Análise de Discurso materialista, sobre os discursos sobre mulher e sobre e dos refugiados, presentes em veículos midiáticos (textos de revistas, jornais e mídias sociais) que significam e produzem sentidos sobre as mulheres congolesas no olhar do outro, constituindo, no discurso, uma relação de alteridade.

Palavras-chave: Refugiados; Mulheres congolesas; Alteridade; Análise do Discurso materialista.

 

Minibiografia:

Professora Assistente de Linguística e Língua Portuguesa da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques (RJ), Possui graduação (2007), mestrado (2010) e doutorado (2015) em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas, com estágio de doutorado (2013) na Universidade Sorbonne-Nouvelle (Paris III). Suas pesquisas de mestrado e doutorado, assim como seus trabalhos de pesquisa atuais, são sustentados na Análise de Discurso de Perspectiva Materialista.


Comunicação 33

Modos de designação, subjetividade e constituição de identidade(s): um estudo dos nomes dados às vítimas do rompimento da barragem de Fundão, Mariana-MG, no jornal A Sirene

Autoras:

Elke Beatriz Felix Pena – IFMG, Brasil – elke.pena@ifmg.edu.br

Laura Elisa Araújo Viana – IFMG, Brasil – lauraelisaviana@hotmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, apresentaremos o resultado da pesquisa realizada com o apoio do Programa de Iniciação Científica do IFMG, campus Ouro Preto. No estudo, procuramos analisar nomes que designam as vítimas do rompimento da barragem de Fundão, das empresas Vale/Samarco/BHP, em Mariana, MG. Essa nomeação é um fator importante na constituição de sentidos e na construção dos discursos, se a tomarmos como proposta por Guimarães (2002), em que a designação é a significação de um nome, constituída a partir de relações históricas, que envolvem a memória discursiva de tal nome tanto para quem nomeia quanto para os efeitos de sentido que se pretende com o texto. Nessa perspectiva, tomamos os textos como um acontecimento enunciativo (Guimarães, 2002), em que os sentidos se constroem, como diferença, pela interseção de um presente, um passado e um futuro de dizeres. Entendemos que sentidos e sujeito são constituídos pelo funcionamento da linguagem. Para Guimarães (1989 e 1995), a enunciação é um espaço de construção histórica do sentido. Desta forma, abordar a enunciação é observar o sujeito que enuncia, considerando a enunciação como “acontecimento no qual se dá a relação do sujeito com a língua”. Assim, devem ser observados os lugares constituídos pelos dizeres que constituem esse acontecimento, constituídos nas cenas enunciativas (Guimarães, 2002, p.23), onde se formam modos específicos de acesso à palavra numa relação entre figuras da enunciação e figuras linguísticas. A criação do jornal se deu como uma ação de apoio às vítimas dessa tragédia, com o objetivo de lhes garantir um espaço de cumprimento do seu direito à comunicação. Sendo o jornal “A Sirene” um espaço de enunciação dos atingidos, tratamos os textos como uma escrita de si (Foucault, 1983), em que consideramos o ato de escrever como o lugar no qual o sujeito se põe em cena para mostrar-se ao outro.

Palavras-chave: Enunciação; Designação; Escrita de si; Discurso; Identidade.

 

Minibiografias:

Elke Beatriz Felix Pena – Doutora em Estudos Linguísticos, UFMG (2015), mestre em Estudos Linguísticos, UFMG (2005), licenciada em Letras, Língua Portuguesa, UFOP (1999). Professora do Instituto Federal de Minas Gerais, campus Ouro Preto. Desenvolve pesquisas na área da Semântica da Enunciação, Análise do Discurso e Ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa. É membro do Núcleo de Pesquisas Enunciar (UFMG) e do Grupo de Estudos sobre Discurso e Memória (UFOP).

Laura Elisa Araújo Viana –  Aluna do curso Técnico Integrado em Administração no Instituto Federal de Minas Gerais, campus Ouro Preto. Bolsista do Programa de Iniciação Científica (PIBICjr) desse mesmo instituto.


Comunicação 34

A MEMÓRIA RELIGIOSA COMO FATOR SEGREGACIONAL: ANÁLISE DO LIVRO “O PAGADOR DE PROMESSAS”

Autora:

Michelly Jacinto Lima Luiz – Universidade Federal de Goiás – michellyjacinto@gmail.com

 

Resumo:

Este artigo tem como objetivo analisar as práticas religiosas apresentadas no livro “O Pagador de Promessas” sob a perspectiva da Análise do Discurso, apontando como essas formações discursivas são geradoras de conflitos ideológicos e físicos, sendo assim as causas do sofrimento e da morte no enredo, além de explorar como a memória discursiva constitui o corpo sócio-histórico-cultural daqueles sujeitos. O Pagador de Promessas é uma obra literária escrita em 1960 pelo dramaturgo Dias Gomes, que tem por cenário a cidade de Fortaleza da década de 60, que retrata a história de Zé do Burro um homem simples que faz uma promessa a Santa Barbara de carregar uma cruz tão pesada quanto a de Jesus se a santa curar seu burro de estimação. Durante a narrativa fica visível que todo o conflito é causado pelas práticas segregacionistas realizadas pelo Padre contra o personagem principal e até mesmo contra o Candomblé.  Utilizamos como base a corrente teórica Análise do Discurso, postulada por Pêcheux, que abarca os conceitos de formação discursiva, formação ideológica e memória discursiva.

Palavras-chave: práticas segregacionistas; memória discursiva; ideologia.

 

Minibiografia:

Michelly Jacinto Lima Luiz – Mestando em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Goiás (2016-2018). Graduada em Letras Português, também, pela Universidade Federal de Goiás (2009-2012). Faz pesquisas com ênfase na Antropologia do Imaginário, Análise do Discurso e Ecolinguística. Pesquisadora do Núcleo de Estudos de Imaginário e Ecolinguística (NELIM).


Comunicação 35

A CONSTITUIÇÃO DO ETHOS DO PADRE FÁBIO DE MELO NO ESPAÇO SIMBÓLICO RELIGIOSO

Autor:

Éber José dos Santos – Pontifícia Universidade Católica – PUC/SP – ejsantos2010@gmail.com

 

Resumo:

A constituição do discurso argumentativo da Igreja Renovação Carismática é o objetivo deste estudo. Por meio da análise do sermão “Humildade, Caminho para a Felicidade”, proferido pelo Padre Fábio de Melo, no evento Kairós, em 18/08/2013, na Rede RCC, Canção Nova, em Cachoeira Paulista, SP, pretende-se, à luz da teoria da Retórica Tradicional e da Nota Retórica, fundamentada em Aristóteles, Perelman e Tyteca, Reboul, Orlandi, identificar como os elementos suprassegmentais (proxêmica e quinésica) influem para a conquista da eficácia retórica nos discursos do sacerdote; investigar os lugares retóricos presentes no seu discurso e os efeitos patêmicos que provocam no auditório; e descobrir como as categorias de poder-saber-fazer amplificam ou não o universo de crenças do auditório. O sacerdote representa a Igreja Eletrônica, capaz de ampliar significativamente o auditório e, assim, atingir meios ainda mais competentes de persuasão. Para a verificação dos movimentos persuasivos, a análise irá centrar-se na constituição da inventio, elocutio, dispositio e actio. Os resultados preliminares, que analisam, inicialmente, o ethos do orador, demonstram que o religioso adota o discurso autorizado, pois fala em nome da instituição Igreja. Ao longo de seu sermão mostra-se um homem sério, disciplinado, amável, persuasivo, ao mesmo tempo em que parecer ser irônico, intolerante, impaciente, autoritário. Os lugares preferencialmente explorados pelo orador, de acordo com a classificação perelmeniana, são estes: lugar da qualidade, da ordem, da essência e do valor da pessoa. A pesquisa está em andamento e passará para o segundo estágio: o levantamento das paixões aristotélicas que o Pe. Fábio de Melo suscita em seu auditório.

Palavras-chave: argumentação; ethos; pathos; discurso religioso.

 

Minibiografia:

Graduado em Gestão Empresarial (2009) e Mestrando em Língua Portuguesa (2016) pela Pontifícia Universidade Católica – PUC/SP, na linha de pesquisa “Texto e discurso nas modalidades oral e escrita”. Professor do Ensino Superior na Faculdade de Tecnologia de Cruzeiro, SP no curso de Eventos e de Gestão Empresarial (à distância) e Coordenador de Trabalhos de Graduação.


Comunicação 36

A OBSCENA SENHORA: A CONDIÇÃO DO VELHO NA SOCIEDADE E A NECESSIDADE DE RECONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA

Autores:

Ivonete da Silva Santos – Universidade Federal de Goiás Regional Catalão – nete.silva.santos@hotmail.com

Ulysses Rocha Filho – Universidade Federal de Goiás Regional Catalão – ulysses.rochafilho@gmail.com

 

Resumo:

Este artigo tenciona verificar como a personagem Senhora D, da obra A Obscena Senhora D de Hilda Hilst, se relaciona com a fase atual atravessada pela velhice, observando-se o modo radical que escolheu para viver, de forma a modificar sua própria identidade social, percebendo-se como tal atitude foi influenciada pela velhice e suas consequências para sua vida social. Nesta perspectiva a análise do comportamento externo e interno da Senhora D no processo de construção identitária evidencia a reelaboração da identidade para se adaptar ao tempo atual, de modo a se situar na esferal social através do espaço simbólico que lhe serve de apoio e aconchego para se desenvolver ao longo da narrativa.  Por isso, o espaço físico em consonância com o espaço simbólico é tão significativo para a sua constituição como sujeito social. Desta forma, faz-se-a uma leitura da situação do velho no meio social, estabelecendo-se relações entre suas vivências externas com o mundo subjetivo, onde a memória é o fio condutor da sua existência, sendo ela o modificador e exemplificador de suas próprias experiências. Esta análise foi baseada em estudos da área da literatura brasileira, sob a perspectiva da relação estabelecida entre a personagem e questões de cunho social, já que a mesma evidencia a velhice como fator social. O cerne desta análise se sustenta em estudos realizados por Bosi (1994;2003), Hall (2011), Cícero (2007) e outros estudos que sejam pertinentes ao enriquecimento deste trabalho, sobre a tricotomia sujeito/velhice/identidade e a relação que as mantém ligadas a função exercida pela memória no processo de readaptação ou construção da identidade através do espaço simbólico criado pela personagem ao longo do romance.

Palavras-chave: Espaço simbólico; Identidade; Memória; Velhice.

 

Minibiografia:

Ivonete da Silva Santos – Graduada em Letras- habilitação Português pela Universidade Federal de Goiás Regional Catalão-BR e Universidade de Coimbra-PT (Graduação Sanduíche). Aluna regular do Programa de Mestrado em Estudos da Linguagem pela mesma instituição. É integrante do projeto “A identidade linguística brasileira em conflito com o português europeu: a variação léxico-cultural”; sob coordenação do Professor Dr. Alexandre António Timbane.

Ulysses Rocha Filho – Possui Graduação e Bacharelado em Letras -Habilitação Português, pela Universidade Federal de Goiás (1993), Mestrado (1998) e Doutorado (2013) em Letras e Linguística – área de concentração: Estudos Literários, pela Universidade Federal de Goiás/Faculdade de Letras. Atualmente, é Professor Adjunto da Universidade Federal de Goiás-Regional Catalão, Coordenador do Subprojeto PIBID/CAPES LETRAS PORTUGUÊS.


Comunicação 37

POLÊMICA SOBRE INDEPENDÊNCIA LINGUÍSTICA DO BRASIL NO CONTO “O COLOCADOR DE PRONOMES, DE MONTEIRO LOBATO

Autores:

Maria Inês Pagliarini Cox  – Universidade Federal de Mato Grosso – minecox@hotmail.com

Criseida Rowena Zambotto de Lima – Universidade Federal de Mato Grosso – cris_zambotto@hotmail.com

 

Resumo:

Neste estudo buscamos nos aproximar de posições ideológico-discursivas sobre a cogitada independência linguística do Brasil, a partir de um conto de Monteiro Lobato, “O colocador de Pronomes”, publicado em 1924. A escolha desse texto, e não de outro do copioso arquivo lobateano, se deve ao fato de ele destacar a questão pronominal que protagonizava o debate, no campo das Letras, sobre as diferenças de usos do português em Portugal e no Brasil, desde o século XIX (GUIMARAES, 2005; MARIANI, 2003). Suas reflexões sobre as diferenças entre as normas linguísticas lusitana e brasileira revelam o quanto a questão da colocação pronominal o amolava. Não estranhamos, pois, que essa cisma tenha desembocado no conto “O colocador de pronomes”. Na leitura do conto, apoiando-nos na Análise de Discurso, vamos focalizar a desafinação entre a posição-sujeito assumida pelo narrador e pela personagem em relação ao discurso legitimista. Para analisar o conjunto das formulações de Lobato sobre a língua brasileira no conto aqui estudado, vamos considerar, com Brandão (1994, p. 130), que “a polêmica se instala quando há coexistência, num mesmo espaço discursivo, de dois polos em torno dos quais se estruturam formações discursivas oponentes”. É principalmente pela linguagem que o narrador, como um duplo do próprio escritor, caracteriza a personagem central, fazendo dela um concentrado de toda a gramatiquice e preciosismo vocabular que o escritor obstinadamente combatia.  Poderíamos dizer que o conto analisado é uma espécie de microcosmo do mundo das Letras das primeiras décadas do século XX, com sua ruidosa polêmica acerca da formação de uma língua outra – brasileira – que selaria, finalmente, o processo de emancipação política, cultural e linguística do país, iniciado com o gesto da Independência. Lobato participou ativamente dessa polêmica, combatendo, como separatista que era, a posição legitimista favorável à manutenção do português nos moldes do padrão lusitano.

Palavras-chave: A polêmica sobre independência linguística do Brasil; Conto de Monteiro Lobato; A questão pronominal.

 

Minibiografias:

Maria Inês Pagliarini Cox  – Professora do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem na Universidade Federal de Mato Grosso. Graduada em Letras pela Universidade Estadual de Maringá, mestre em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas.

Criseida Rowena Zambotto de Lima – Graduada em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT, mestre em Estudos de Linguagem pela UFMT, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem pela UFMT e professora da Rede Estadual de Educação de Mato Grosso.