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Simpósio 68

SIMPÓSIO 68 – HERANÇA, CONTACTO E DIVERSIDADE: O PORTUGUÊS NAS PERSPETIVAS ENUNCIATIVA, DISCURSIVA E HISTORIOGRÁFICA

 

Coordenadoras:

Claudia Roberta Tavares Silva | Departamento de Letras da Universidade Federal Rural de Pernambuco – DL/UFRPE | claudiarobertats@gmail.com

Helena Topa Valentim | Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – CLUNL | htvalentim@gmail.com

Mari Noeli Kiehl | Departamento de Letras da Universidade Federal Rural de Pernambuco – DL/UFRPE | mnkiehl@uol.com.br

 

Resumo:

Enquadrado na temática geral deste SIMELP – “A união na diversidade” –, este simpósio temático versa o tema da diversidade do Português como língua de herança e de contacto, manifestada nos planos enunciativo, pragmático-discursivo e sociolinguístico, com real repercussão na historiografia linguística. Visa a reunir contributos de pesquisadores com distintos tipos e níveis de experiência, com atuações em também distintos contextos e com filiações teórico-metodológicas aplicadas, nos domínios dos estudos da enunciação, do discurso, da pragmática, da sociolinguística e/ou da historiografia. No âmbito assim definido de modo geral, têm cabimento propostas de reflexão e de partilha de resultados de pesquisa que abordem as seguintes questões: (i) língua e identidade; (ii) língua e fronteira/[des]territorialização; (iii) língua de herança; (iv) língua(s) de/em contato; (v) língua e cultura(s); e (vi) língua, unidade e diversidade, num ancoramento que objetive, de forma clara, a análise de formas e de construções linguísticas consideradas nos domínios da enunciação, do discurso, da pragmática, da sociolinguística e/ou da historiografia. Estamos em crer que a amplitude dessa temática proporcionará um contexto de partilha e de discussão teórico-metodológica de trabalhos que combinarão, por um lado, um olhar mais focado sobre fenómenos enunciativos, discursivos e pragmáticos com, por outro lado, as dimensões sócio-histórico-culturais e político-ideológicas da língua. Quanto a esta última dimensão, referimos o cenário (dito) pós-moderno, influenciado pela globalização, que tem sinalizado transformações das ordens social e cultural, de que vêm inclusive resultando tensões e a necessidade de negociações que, tantas vezes, impõem a reconfiguração das noções de fronteira linguística e de herança ou de língua como repositório memorialístico. Tendo em conta este estado de coisas, as propostas descritivas e explicativas deste simpósio temático poderão, no limite, questionar ou mesmo fundamentar factos de política linguística, nacionais e transnacionais, da história contemporânea.

 

Palavras-chave: Línguas de herança e de/em contato, discurso, enunciação, construções linguísticas.

 

Minibiografias:

Claudia Roberta Tavares Silva é doutora em Linguística (2004) e pós-doutora (estágio Sênior/CAPES, 2016) nessa área pela Universidade de Lisboa (UL). Atualmente é professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), atuando nas áreas de Letras e Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, centrando a atenção principalmente nos campos da sintaxe, da morfologia e da variação linguística.

Helena Topa Valentim é doutora em Linguística e professora do Departamento de Linguística da Universidade Nova de Lisboa (UNL). Desenvolve investigação nas áreas de semântica, linguística do Português e linguística e ensino do Português no Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa (CLUNL). Colabora noutras Unidades de Investigação, nacionais e internacionais, com participação em projetos ligados ao ensino do Português e à descrição do funcionamento da linguagem e das línguas naturais.

Mari Noeli Kiehl é doutora em Estudos da Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP, 2004), com estágio pós-doutoral pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidade Estadual do Ceará (2013) e pela Philosophische Fakultät-Romanisches Seminar (Mannheim). É professora do Departamento de Letras da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e tem desenvolvido estudos (pragmático-discursivos e culturais) sobre identidade e memória.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A Interação Textual de Jornais do Final do Século XIX e Início do Século XX: construção e os recursos da oralidade

Autora:

Luciane Braz Perez Mincoff – Universidade Estadual de Maringá – UEM/PROFLETRAS/CAPES (Paraná, Brasil) – lucianebrazperez@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho é apresentado com base em teorias pragmáticas da Análise da  Conversação e apresenta parte de resultados de uma pesquisa maior em que verificamos em textos de dois jornais anarquistas A Plebe e A Voz do Trabalhador,  do final do século XIX e início do século XX, quais as marcas da oralidade que se encontram presentes nas reportagens, uma vez que os autores dos textos eram intelectuais, mas sabiam da importância e da necessidade de escreverem textos acessíveis para os interlocutores de destino – trabalhadores da classe operária. Assim, encontramos nesses jornais paráfrases, parênteses e reformulações e discutimos o efeito desses recursos no estabelecimento de interação entre texto, leitor e escritor. Nesta oportunidade, destacamos a parte da pesquisa em que verificamos, por meio de diferentes recursos e ambientes de circulação de linguagem, marcas que caracterizassem a sociedade brasileira e os sujeitos nela inseridos no período de 1890 até 1930. Nossa opção foi verificar em jornais anarquistas desse período essas marcas, uma vez que elas colaboram com a compreensão de questões sociais, históricas, culturais, políticas e ideológicas da época, por meio de recursos linguísticos. Junto a esses resultados, apresentamos questões teóricas acerca de cada um desses recursos estudados no desenvolvimento da pesquisa completa, assim como a análise de ocorrências de um desses recursos: os parênteses ou inserções parentéticas.

Palavras-chave: Interação; oralidade; parênteses; jornais anarquistas.

 

Minibiografia:

Luciane Braz Perez Mincoff é graduada em Letras Português/Inglês (FAFIPA-Paranavaí-PR), mestre em Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Materna (UEM-Maringá-PR), doutora em  Linguística e Língua Portuguesa (UNESP-Araraquara-SP) e pós-doutora em Psicologia (UFSC-Florianópolis-SC). Atua como docente no curso de graduação Letras e Pedagogia e no curso de pós-graduação Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS, da Universidade Estadual de Maringá – UEM.


Comunicação 2

Arquivos da Delegacia de Ordem Pública e Social de Pernambuco (DOPS-PE): páginas de histórias de alemães e teuto-brasileiros d[n]o Estado Novo

Autora:

Mari Noeli Kiehl Iapechino – Universidade Federal Rural de Pernambuco/UFRPE (Pernambuco, Brasil) – mnkiehl@uol.com.br

 

Resumo:

Com o respaldo de pressupostos teóricos da Filologia Pragmática Alemã (Adamzik, 2000; Kabatek, 2001/2003; Oesterreicher, 2000/2002), da Análise do Discurso (Amossy, 2005; Coracini, 2011; Foucault, 1992)  e da História Cultural (Cavarero, 2011; Le Goff, 2003; Pesavento, 1995/2003) e de categorias que buscaram aproximar a dimensão léxico-semântica (marcadores de evidencialidade) da pragmático-discursiva (como as redes de gêneros d[n]os prontuários; o gênero depoimento; as condições de produção texto-discursiva e de retextualização; o perfil dos interlocutores; e a pressuposição pragmática), analisaram-se documentos produzidos e arquivados pela DOPS-PE em prontuários individuais ou funcionais de alemães, assim como de seus descendentes, radicados em Recife nas primeiras décadas do século XX. Com essas análises, pôde-se confirmar que [i] com as práticas repressivas, gerenciavam-se comportamentos: de um lado, dos grupos sociais subalternos, para que se mantivessem alienados e conformados; de outro, dos “inimigos da pátria”, para que, com a divulgação de discursos estigmatizantes pelos meios de comunicação da época, fossem apartados e domesticados, ficando sob o jugo dos ordenamentos da DOPS-PE; [ii] para programar as estratégias de repressão, era necessário o controle social a partir do controle de informações, daí a execução de um sistema completo de protocolos, registros e arquivos que geraram farta documentação; [iii] lidar com essa documentação implica conviver com discursos de naturezas as mais distintas – discurso da ordem (o policial); discurso da desordem (o da resistência); e discurso colaboracionista (o do delator e da grande imprensa); e [iv] os depoimentos de alemães e teuto-brasileiros foram retextualizados por esse “discurso da ordem” e neles, mediante análise tanto dos operadores de evidencialidade como da pressuposição pragmática, puderam-se perceber o silenciamento de vozes, a reconfiguração de identidades, a imposição de rótulos, a domesticação de performances, a representação histórico-identitária de sujeitos que vivenciaram as cesuras de suas histórias de vida no território brasileiro do Estado Novo.

Palavras-chave: Arquivo; identidade; memória; representação.

 

Minibiografia:

Mari Noeli Kiehl Iapechino é doutora em Estudos da Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP, 2004), com estágio pós-doutoral pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidade Estadual do Ceará (2013) e pela Philosophische Fakultät-Romanisches Seminar (Mannheim). É professora do Departamento de Letras da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e tem desenvolvido estudos (pragmático-discursivos e culturais) sobre identidade e memória.


Comunicação 3

Marcadores Conversacionais: teorização, usos e fronteira

 

Autora:

Luciane Braz Perez Mincoff – Universidade Estadual de Maringá – UEM/PROFLETRAS/CAPES (Paraná, Brasil) – lucianebrazperez@yahoo.com.br

 

Resumo:

A proposta que apresentamos nesta ocasião diz respeito a um estudo em desenvolvimento, por meio do qual pesquisamos a respeito de marcadores conversacionais: classificação, funções, aplicações em situações reais. Para isso, utilizamos diversos estudos de língua falada,  com base teórica na Análise da  Conversação e estudos de  Culioli (1990), com base em teorias da Enunciação. Esse autor mostra-nos que muitos enunciados são utilizados de diversas formas e que muitas delas não se aplicam às formas convencionais de uso. Com base nesta afirmação, dispomo-nos a verificar em quais situações os marcadores conversacionais são utilizados e por que são utilizados em situações diferenciadas, em determinados eventos sóciocomunicativos envolvendo técnicos e homens do campo. Acreditamos ser um tema importante, porque poderá contribuir com estudos a respeito de língua falada, de situações enunciativas e até mesmo instigar profissionais da área de ensino de línguas a desenvolverem em suas aulas, juntamente com seus alunos, reflexões sobre a oralidade, acerca de diferentes assuntos. Pensamos acerca de tal importância considerando que as informações já teorizadas não são suficientes para atender e explicar todas as aplicações do uso dos marcadores, assim, acreditamos que alguns conceitos estabelecidos por Culioli (1990) a respeito da enunciação, no que diz respeito a  domínio nocional e fronteira, podem contribuir, ainda mais, com a efetivação e com o sucesso dos estudos referentes à oralidade, esclarecendo questões ainda não solucionadas.

Palavras-chave: Interação; oralidade; marcadores conversacionais; fronteira.

 

Minibiografia:

Luciane Braz Perez Mincoff é graduada em Letras Português/Inglês (FAFIPA-Paranavaí-PR), mestre em Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Materna (UEM-Maringá-PR), doutora em  Linguística e Língua Portuguesa (UNESP-Araraquara-SP) e pós-doutora em Psicologia (UFSC-Florianópolis-SC). Atua como docente no curso de graduação Letras e Pedagogia e no curso de pós-graduação Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS, da Universidade Estadual de Maringá – UEM.


 Comunicação 4

Fronteiras entre o Materno e o Estrangeiro: a criança entre línguas

 

Autoras:

Cristiane Carneiro Capristano – Universidade Estadual de Maringá (Paraná, Brasil) – capristano1@yahoo.com.br

Lisley Camargo Orbest – Universidade Estadual de Maringá (Paraná, Brasil) – lisleyoberst@hotmail.com

 

Resumo:

Fundados no conceito de heteroglossia de Bahktin (2003 [1979] e 1981) e nas problematizações feitas por Coracini (2003 e 2007) e Revuz (1998) sobre a necessidade de ver as relações entre línguas de forma não dicotômica, o objetivo deste trabalho foi investigar como se mostram as fronteiras entre o materno e o estrangeiro em enunciados escritos produzidos por crianças. Esse objetivo foi desenvolvido beneficiando-se de contribuições teóricas de diferentes estudos, a saber: (a) estudos no campo das teorias do discurso, que permitem discutir a complexa relação entre língua materna (LM) e estrangeira (LE), como os supramencionados; e (b) estudos sobre a organização fonética, fonológica e ortográfica da sílaba – como Selkirk (1982) e Chacon (2016). Foram examinados, qualitativamente, dados com características bastante particulares: registros escritos de palavras em língua inglesa, feitos por crianças na aquisição da escrita de sua LM, falantes do português brasileiro, com pouco ou nenhum contato formal prévio com o inglês. Esses dados foram coletados em uma atividade lúdica de produção textual, realizada com crianças do 2º ano do Ensino Fundamental I, em uma escola pública, no Brasil. A análise dos dados permitiu observar a criança entre línguas, vivendo conflitos inerentes à heteroglossia, ou seja, à existência simultânea de diversas e heterogêneas línguas e/ou vozes sociais, bem como às coincidências e não coincidências entre elas. Mais especificamente, foi possível averiguar que, no registro de palavras “estrangeiras”, as crianças oscilam entre imagens (no sentido de PÊCHEUX, 1969) que constroem dos limites entre o materno e o estrangeiro, por exemplo, quando usam letras e sequências de letras pouco recorrentes em sua LM – encontrando o “estrangeiro” no insólito e estranho do materno – ou quando registram sílabas das palavras “estrangeiras” com base na organização fonotática da sua LM.

Palavras-chave: Língua materna; língua estrangeira; heteroglossia.

 

Minibiografias:

Cristiane Carneiro Capristano é doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Ensino, pesquisas e publicações na área de ensino-aprendizagem de línguas. É professora da Universidade Estadual de Maringá (PR), líder do Grupo de Pesquisa (CNPq) “Estudos sobre a aquisição da escrita” e vice-líder do Grupo de Pesquisa (CNPq) “Práticas de leitura e escrita em português língua materna”.

Lisley Camargo Oberst é professora de inglês e graduanda do curso de Letras – Inglês, Licenciatura e Bacharelado em Tradução da Universidade Estadual de Maringá (PR). Ensino, pesquisa e publicações na área de ensino-aprendizagem de línguas, com ênfase em línguas estrangeiras modernas. Integra os Grupos de Pesquisa (CNPq) “Estudos sobre a aquisição da escrita” e “Estudos sobre a linguagem”.


Comunicação 5

Empregos e Valores Discursivos em PE e PB: um caso de diversidade linguística

 

Autora:

Helena Topa Valentim – Universidade Nova de Lisboa – htvalentim@gmail.com

 

Resumo:

Privilegiando os planos enunciativo e pragmático-discursivo e alicerçada num entendimendo sobre a deformabilidade linguística enquanto fenómeno inerente ao próprio funcionamento da linguagem, esta apresentação visa descrever e explicar a heterogeneidade de empregos que certas formas adverbiais terminadas em –mente registam nas variedades europeia e brasileira. Na verdade, muitas dessas formas permitem um emprego discursivo. É o caso de justamente, uma forma que pode apresentar o estatuto de marcador discursivo, com valores variáveis em PE e em PB, já a sua correlativa negativa não podendo, porém, comportar-se da mesma maneira: em qualquer das variedades, injustamente não passa de advérbio. A presente comunicação propõe dar conta deste facto, a partir do estudo de ocorrências atestadas em PE e em PB. Constitui, desse modo, um contributo para o estudo da diversidade linguística baseado numa explicação formal das possibilidades e restrições inerentes à deformabilidade das formas em –mente. Nomeadamente e com recurso ao modelo teórico-metodológico da Teoria das Operações Predicativas e Enunciativas, testaremos a hipótese de o emprego discursivo destas formas induzirem uma orientação que se prende com a organização topológica do espaço de validação subjetiva (cf. Culioli 2001).

Palavras-chave: Diversidade, variação, PE/PB; deformabilidade; emprego discursivo; emprego não discursivo.

 

Minibiografia:

Helena Topa Valentim é doutora em Linguística e professora do Departamento de Linguística da Universidade Nova de Lisboa (UNL). Desenvolve investigação nas áreas de semântica, linguística do Português e linguística e ensino do Português no Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa (CLUNL). Colabora noutras Unidades de Investigação, nacionais e internacionais, com participação em projetos ligados ao ensino do Português e à descrição do funcionamento da linguagem e das línguas


Comunicação 6

A Linguagem na Formação Cultural das Populações Rurais da Zona da Mata Mineira

 

Autores:

Gilson Soares Toledo – Universidade Federal Fluminense (Rio de Janeiro, Brasil) – gilson.toledo@ifsudestemg.edu.br

Francisco de Assis Moreira – Universidade Federal Fluminense (Rio de Janeiro, Brasil) –  francisco.moreira@ifsudestemg.edu.br

Telma Cristina de Almeida Silva Pereira – Universidade Federal Fluminense (Rio de Janeiro, Brasil) –  tcaspereira@uol.com.br

 

Resumo:

Pretende-se neste trabalho demonstrar a utilização das noções da sociolinguística interacional e da análise da conversa para identificar características culturais de parte das comunidades rurais da Zona da Mata de Minas Gerais. Tendo em vista o forte vínculo social entre as pessoas desenvolvido a partir de aprendizagens regulares, além do compartilhamento de objetivos comuns reconhecidos em suas atividades cotidianas, optou-se como unidade de análise a comunidade de prática (CdP). Tais comunidades rurais são constituídas por proprietários de pequenas parcelas de terra que desenvolvem especificamente atividade econômica de integração junto a uma grande empresa de alimentos da região e, devido a esta atividade, possuem determinadas características que devem ser observadas uma vez que são reprodutores de determinados comportamentos sociais apresentados também através da linguagem. Pretende-se, portanto, com este trabalho, favorecer o debate acadêmico sobre a relação da construção de identidades através dos usos linguísticos das populações rurais da Zona da Mata de Minas Gerais.

Palavras-chave: Análise da Conversa; Comunidade de Prática; Sociolinguística Interacional; Comunidades Rurais.

 

Minibiografias:

Gilson Soares Toledo é doutorando em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal Fluminense. Possui Mestrado em Extensão Rural, como foco em Sociologia Rural, pela Universidade Federal de Viçosa-MG e graduação em História pela Universidade Presidente Antônio Carlos. Atualmente, atua como professor no ensino superior nas áreas de Filosofia, Sociologia, História e Ciência Política, além de atuar como diretor no Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais (Campus Avançado Ubá-MG).

Francisco de Assis Moreira é doutorando em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal Fluminense. Possui Mestrado em Extensão Rural pela Universidade Federal de Viçosa-MG, centrado em juventude rural e currículo escolar,  e graduação em Letras pela Universidade Presidente Antônio Carlos. Atualmente, atua como coordenador de cursos na modalidade EAD do Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais – Campus Rio Pomba.

Telma Cristina de Almeida Silva Pereira é docente de Graduação e de Pós- Graduação (Estudos de Linguagem) do Instituto de Letras da UFF. Possui graduação em Letras pela UFRJ, especialização em língua e literatura francesa pela UFRJ, Mestrado em Letras pela UERJ, com pesquisa na área de Política Linguística e ensino de LE. Possui doutorado pela PUC-Rio, na área de Estudos da Linguagem.


 Comunicação 7

Ascensão e Queda do Tupi – um caso de Historiografia Linguística

Autores:

Ana Lúcia Magalhães – Pontifícia Univ. Católica de São Paulo (São Paulo, Brasil) – almchle@gmail.com

Eber José dos Santos – Pontifícia Univ. Católica de São Paulo (São Paulo, Brasil) – ejsantos2010@gmail.com

 

Resumo:

A área em que se insere o trabalho é a Historiografia Linguística. O objetivo da pesquisa é mostrar como uma língua, a Língua Geral, ramo das línguas Tupi, também chamado nheengatu, falada por parcela significativa da população brasileira desde meados do século XVI até o final do século XVIII despareceu do uso geral em duas gerações. Há 300 anos, morar na vila de São Paulo de Piratininga (“peixe seco”, em Tupi) era quase sinônimo de falar “língua de índio”. Só 40% dos habitantes da cidade falavam Português. Em 1758, o Marquês de Pombal publicou um decreto proibindo o uso da Língua Geral (comumente chamado de Tupi) e, em duas gerações, ela deixou de ser usada em São Paulo. Como, em lugar e época de pouquíssimos alfabetizados, uma língua usada havia séculos desapareceu tão facilmente? A pesquisa se justifica pelo relativo esquecimento de uma língua que é parte importante da formação da cultura brasileira, além do movimento de valorização da cultura indígena (como da africana). O procedimento metodológico é o de Bastos e Palma, pesquisadores brasileiros que se reportaram significativamente a Konrad Koerner, que define a Historiografia Linguística como ‘’modo de escrever a história do estudo da linguagem baseado em princípios” (1996).  O método está alicerçado em cinco pontos: princípios básicos, pontos investigativos, fontes primárias/secundárias, dimensões cognitiva e social e critérios de análise. A pesquisa mostrou que a Língua Geral já possuía palavras portuguesas e, até a 1ª metade do século XVII, a colônia apresentou bilinguismo, Português/Língua Geral. Com o tempo, os índios foram adotando usos e costumes do colonizador e, ao final, prevaleceu a lei de Darmester: “O vencido abandona ordinariamente sua própria língua para adotar a do vencedor, quando este lhe é superior em civilização” (1890) ─ o decreto não fez mais que apressar um processo já existente.

Palavras-chave: Historiografia Linguística; Português Brasileiro; língua Tupi.

 

Minibiografias:

Ana Lúcia Magalhães é doutora em Língua Portuguesa e pós-doutora em Retórica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professora Titular da Faculdade de Tecnologia de Cruzeiro, ministra aulas de Leitura e Produção de Texto, Comunicação Empresarial e Métodos de Produção do Conhecimento. É Coordenadora de curso e professora de pós-graduação em Empreendedorismo e Gestão do Conhecimento.

Éber José dos Santos é formado em Gestão Empresarial pela Faculdade de Tecnologia do Estado de S. Paulo e é mestrando em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de S. Paulo. É professor na Faculdade de Tecnologia de Cruzeiro, ministrando aulas de Introdução à Tecnologia de Eventos e Planejamento de Eventos, além de ser orientador de produção acadêmica dos alunos.


Comunicação 8

O Infinitivo Flexionado no “Castelhano de Portugal”

 

Autor:

Antonio Luiz Gubert – Instituto Federal de Santa Catarina (Santa Catarina, Brasil) – antoniogubert@gmail.com

 

Resumo:

Entre 1580 e 1640, após crise dinástica lusitana, Portugal e Espanha viveram o período conhecido como União Ibérica, em que ambos os países foram governados pelos mesmos reis, os “Filipes”, de dinastia espanhola. Nesse cenário, vários escritores portugueses sentiram a necessidade de publicar obras em língua castelhana, para que seus textos pudessem gozar de algum valor social e alcançar um maior número de leitores. Por não terem alta proficiência no espanhol, esses autores acabaram utilizando um castelhano carregado de lusismos, empregando, em seus textos em espanhol, estruturas típicas do português. Este estudo trata, então, de uma pesquisa sobre um fator linguístico citado por autores (como Teyssier, 2005) como caracterizador do “castelhano de Portugal” e é fundamentado  essencialmente em Labov ([1972] 2008) e em Weinreich, Labov e Herzog ([1968] 2006). A coleta de dados se deu a partir de textos em língua castelhana do século XVI e XVII, escritos por autores “bilíngues” de nacionalidade portuguesa. No total, foram coletados 15.498 dados (sintagmas e orações). Os resultados mostraram que, de 1.951 dados, houve apenas 16 ocorrências de infinitivo com marcação morfológica (1%), contra 1.935 de infinitivo sem marcação (99%). Dentre as 16 ocorrências de formas marcadas, 14 estão nas obras de Gil Vicente, 1 na obra de Luís Marinho de Azevedo e 1 na de Duarte Nunes de Leão. Gil Vicente foi o autor com maior índice de variação, de certa forma explicável pela natureza de seus textos. Tendo em vista o resultado, podemos afirmar que o castelhano de Portugal, ao menos para esse tópico, está diretamente ligado aos fatores linguísticos contrastantes entre as línguas e não à falta de proficiência dos autores.

Palavras-chave: Castelhano de Portugal; infinitivo flexionado; variação morfossintática.

 

Minibiografia:

Antonio Luiz Gubert é licenciado em Letras Português/Espanhol pela Universidade do Oeste de Santa Catarina – Campus de Xanxerê, Mestre e Doutor em Letras – Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Paraná. Professor do Instituto Federal de Santa Catarina- Campus Xanxerê. Tem experiência na área de Letras/Linguística, atuando, principalmente, nos seguintes temas: Línguas em contato e Sociolinguística Variacionista.


Comunicação 9

Reminiscências do Português Arcaico em Comunidades Rurais de Minas Gerais

 

Autores:

Francisco de Assis Moreira – Universidade Federal Fluminense (Rio de Janeiro, Brasil) –  francisco.moreira@ifsudestemg.edu.br

Gilson Soares Toledo – Universidade Federal Fluminense (Rio de Janeiro, Brasil) – gilson.toledo@ifsudestemg.edu.br

Edila Vianna da Silva – Universidade Federal Fluminense (Rio de Janeiro, Brasil)  – edilavianna@gmail.com

 

Resumo:

Partindo do pressuposto que a  linguagem é  uma capacidade fundamental e inerente ao homem, esse  trabalho busca compreender/traçar um dos caminhos percorridos pela  língua  portuguesa  no  Brasil,  concentrando-se no garimpo  de  palavras  e expressões do português arcaico ainda presentes e em uso em comunidades rurais de Minas Gerais, visto que  as áreas rurais, devido ao seu relativo isolamento, apresentam a tendência, em um grau maior que as áreas urbanas, de conservarem reminiscências  linguísticas em processo de mudança, assim  as áreas rurais, do ponto de vista da evolução linguística, apresentam-se mais conservadoras. O trabalho apoia-se nas contribuições de renomados linguistas e pesquisadores que se debruçaram sobre o tema, buscando a compreensão dos processos  que  favorecem  a  manutenção  de palavras, termos e expressões do português arcaico, podendo ampliar o entendimento dos caminhos percorridos por  uma  língua  transplantada  de  seu  lugar  de  origem, uma vez que dados do passado das línguas podem fornecer argumentos para teorias que têm como objetivo explicações dos mecanismos cognitivos e psicológicos que estão na base de qualquer língua histórica. O trabalho busca pesquisar sobre os processos evolutivos da linguagem na busca da compreensão dos  fatores  envolvidos  na  expansão,  manutenção  e  declínio  de  palavras,  expressões  e formas de construção de frases.

Palavras-chave: Português arcaico; comunidades rurais; conservador; evolução da linguagem.

 

Minibiografias:

Francisco de Assis Moreira é doutorando em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal Fluminense. Possui Mestrado em Extensão Rural pela Universidade Federal de Viçosa-MG, centrado em juventude rural e currículo escolar,  e graduação em Letras pela Universidade Presidente Antônio Carlos. Atualmente, atua como coordenador de cursos na modalidade EAD do Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais – Campus Rio Pomba.

Gilson Soares Toledo é doutorando em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal Fluminense. Possui Mestrado em Extensão Rural, como foco em Sociologia Rural, pela Universidade Federal de Viçosa-MG e graduação em História pela Universidade Presidente Antônio Carlos. Atualmente, atua como professor no ensino superior nas áreas de Filosofia, Sociologia, História e Ciência Política, além de atuar como diretor no Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais (Campus Avançado Ubá-MG).

Edila Vianna da Silva possui graduação em Letras (Português-Inglês) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1967), graduação em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1973), doutorado em Língua Portuguesa (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1989). Desde 2003, é professora adjunta de Língua Portuguesa da Universidade Federal Fluminense. É membro de associações científicas e da Academia Brasileira de Filologia, do Conselho Editorial da revista Cadernos de Letras da UFF (Qualis B).


 Comunicação 10

Concordância Nominal em Variedades Africanas do Português: evidências de competição de gramáticas?

Autores:

Adeilson Pinheiro Sedrins – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)/Brasil – sedrins@gmail.com

Claudia Roberta Tavares Silva – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)/Brasil –  claudiarobertats@gmail.com

Telma Moreira Vianna Magalhães – Universidade Federal de Alagoas (UFAL)/Brasil – tel2111@yahoo.com.br

 

Resumo:

Um contexto sociolinguístico dinâmico e complexo se instaura em todas as outras áreas lusófonas externas a Portugal, em virtude do contato do português com outras línguas (Mattos e Silva 1988), sendo “importante que as investigações linguísticas sobre as variedades não europeias do português estejam atreladas à pesquisa histórico-sociológica, a fim de se entender a influência do possível contato linguístico entre essas variedades e outras línguas” (Mota 2015). Nesse sentido, embasados na linguística de contato (Fiorin & Petter 2009; Melo, Altenhofen & Raso 2011), pretendemos realizar uma análise contrastiva entre as variedades africanas do português (português de Angola (A), Moçambique (M), Cabo Verde (CV), Guiné-Bissau (GB) e São Tomé e Príncipe (STP)), centrando a atenção nos padrões de concordância nominal de número e gênero, observando em que medida a variação encontrada apresenta simetrias/assimetrias com os padrões encontrados no português europeu e no português brasileiro (Brandão & Vieira, 2012; Lucchesi, 2009). Para tanto, o corpus é composto de 16.910 sintagmas extraídos de 74 entrevistas informais que integram o projeto Variedades Africanas do Português (VAPOR), do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa (CLUL). Tomando por base as três classes de regras linguísticas propostas por Labov (2003), os resultados mostram variação (ex.: Minhas filhos (GB), As família (GB)), havendo regra variável e semicategórica no âmbito da concordância nominal de número e uma predominância da manifestação da marca de número nos itens pluralizáveis do SN. Quanto ao gênero, os casos de não-concordância não seguem os princípios observados em Lucchesi (2009) para o português afro-brasileiro, sendo a regra semicategórica em GB e categórica nas demais variedades. Tendo por base os casos de variação encontrados e o conceito de competição de gramáticas (Kroch, 1994, 2001), argumentamos que, no âmbito da concordância em análise, não se trata dessa competição.

Palavras-chave: Variação; Português; concordância, competição de gramáticas.

 

Minibiografias:

Adeilson Pinheiro Sedrins é doutor em Linguística (2009) pela Universidade Federal de Alagoas, professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (desde 2010) e professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Alagoas. É vice-líder do Grupo de Estudos em Teoria da Gramática (GETEGRA), vinculado ao CNPq, e atua principalmente na área de descrição e análise linguística, no nível morfossintático.

Claudia Roberta Tavares Silva é doutora em Linguística (2004) pela Universidade Federal de Alagoas e pós-doutora (estágio Sênior/CAPES, 2016) nessa área pela Universidade de Lisboa. É professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPE, atuando nas áreas de Letras e Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, centrando a atenção principalmente nos campos da sintaxe, da morfologia e da variação linguística.

Telma Moreira Vianna Magalhães é doutora em Linguística (2006) pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) (2006) e professora da UFAL na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística. Coordena o Grupo de Pesquisa Programa de Estudos Linguísticos (UFAL/CNPq) e atua na área de Descrição e Análise Linguística, principalmente, nos temas: aquisição da linguagem, português brasileiro e português europeu, pronomes, concordância.