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Simpósio 65

SIMPÓSIO 65 – ENUNCIAÇÃO E DIVERSIDADE

 

Coordenadoras:

Diana Luz Pessoa de Barros | Universidade Presbiteriana Mackenzie-UPM; Universidade de São Paulo-USP; CNPq | dianaluz@usp.br; dianaluz@mackenzie.br

Lucia Teixeira | Universidade Federal Fluminense- UFF; CNPq | luciatso@gmail.com

 

Resumo:

Neste simpósio pretendemos reunir pesquisadores para discutir questões de enunciação na perspectiva do que se pode chamar de linguística do discurso. A enunciação tem seu primeiro sentido como ato produtor do enunciado, tal como propõe Benveniste, mas deve ser pensada também como uma instância linguística pressuposta pela existência do enunciado, em que deixa traços e marcas, no dizer de Greimas. Esses traços e marcas decorrentes, principalmente, dos mecanismos de instauração de pessoas, tempos e espaços no enunciado são temas bastante examinados, sob diferentes perspectivas teóricas, pelos estudos do discurso e fundamentarão os debates do Simpósio “Enunciação e diversidade”.

Em relação à diversidade, três caminhos serão percorridos, de forma complementar: a diversidade teórica e metodológica de tratamento da enunciação; a diversidade dos procedimentos enunciativos, em gêneros discursivos, modalidades linguísticas e tipos textuais diferentes; a diversidade das estratégias da enunciação nas variedades regionais e sociais da língua portuguesa no mundo. O simpósio destina-se, assim, à discussão de pesquisas teóricas e de análises sobre a enunciação na literatura, nas mídias impressas e digitais, na conversação e em outras situações da língua em uso, além de contemplar estudos sobre os procedimentos enunciativos próprios de diferentes variedades regionais e sociais do português.

 

Palavras-chave:  enunciação, discurso, diversidade.

 

Minibiografias: 

Diana Luz Pessoa de Barros

Professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Professora Titular aposentada da Universidade de São Paulo; pesquisadora do CNPq; foi presidente da ABRALIN, representante da área de Linguística no Comitê de Letras e Linguística do CNPq (1997-1998; 2006-2009); e Secretária Geral da ALFAL (2008-2014);  desenvolve, orienta pesquisas e publica obras nos domínios, sobretudo, da teoria e análise dos discursos, dos estudos da língua falada, da semiótica discursiva e da história das ideias linguísticas.

 

Lucia Teixeira

Professora Titular da Universidade Federal Fluminense; Pesquisadora do CNPq; Cientista do Nosso Estado da FAPERJ (2010-2013); coordena o Grupo de Pesquisa Semiótica e Discurso (SeDi) da UFF; ministrou cursos na Universidade de Québec à Montréal (2009) e na Universidad Nacional de Córdoba (2012); desenvolve pesquisas, publica e orienta trabalhos principalmente sobre argumentação, discurso e enunciação, tematização e figurativização, plasticidade e figuratividade, sincretismo de linguagens, discursos digitais.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Gêneros discursivos em diálogo: uma análise comparativa do romance Era no tempo do rei, de Ruy Castro e da obra histórica 1808, de Laurentino Gomes

Autora:

Ana Lúcia Trevisan – Universidade Presbiteriana Mackenzie – UPM – analucia.pelegrino@mackenzie.br

 

Resumo:

O presente trabalho faz uma análise do romance Era no tempo do rei (2007) de Ruy Castro e da obra histórica 1808 (2007), de Laurentino Gomes observando os procedimentos enunciativos  utilizados para construir uma visão crítica a respeito de um momento peculiar da História do Brasil: a chegada da Corte portuguesa ao Rio de Janeiro. No romance de Ruy Castro, os fatos e as personagens históricas não compõem apenas o pano de fundo do romance, transformam-se, por meio de elaborações intertextuais, em um substrato reflexivo a respeito da cultura e da sociedade brasileira. Nesse sentido, a personagem histórica de Dom Pedro I é reconstruída ficcionalmente em diálogo com outra personagem literária, Leonardo, tomado do romance Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.  Por sua vez, a obra histórica 1808 (2007), de Laurentino Gomes persegue os parâmetros definidos pela narrativa histórica – comprometendo-se com a veracidade dos fatos expostos – e investiga os aspectos marcadamente caricatos das figuras históricas representadas, dimensionando-as de maneira contraditória. Utilizando as perspectivas teóricas de Hayden White, Umberto Eco e Walter Mignolo é possível perceber que tanto o discurso ficcional como o discurso histórico definem parâmetros a respeito do passado marcados pela necessidade reflexiva do presente. Ambos textos lêem o passado e o constroem de acordo com uma intencionalidade crítica, revelada pela diversidade discursiva.

Palavras-chave: História – Literatura – Romance.

 

Minibiografia:

Ana Lúcia Trevisan possui doutorado em Letras pela Universidade de São Paulo na área de Literatura Espanhola e Hispano-Americana. Na pós-graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie desenvolve pesquisa na área dos estudos literários com ênfase na Literatura Brasileira e Hispano-americana. Em suas publicações destacam-se os estudos sobre as vertentes da narrativa fantástica e sobre o novo romance histórico latino- americano.


Comunicação 2

Um estudo enunciativo da minissérie Justiça

Autoras:

Ana Paula Ferreira de Mendonça –  Universidade Estadual do Paraná -anapuella@gmail.com

Loredana Limoli – Universidade Estadual de Londrina – lorelimoli@gmail.com

 

Resumo:

Propõe-se, nesta comunicação, um estudo semiótico da minissérie Justiça, de Manuela Dias, dirigida por José Luiz Villamarim e exibida pela Rede Globo de televisão no segundo semestre de 2016. O sucesso obtido pela minissérie deveu-se, em grande parte, à forma inovadora de distribuição dos capítulos, em número de vinte, repartidos em quatro histórias distintas que se entrelaçavam, num total de cinco episódios para cada personagem enfocado. De forma pouco convencional para o gênero, o enunciatário/telespectador  era constantemente manipulado a buscar, nas pistas deixadas pelo enunciador, os elos que garantiam a linearidade da história, para assim assimilar e apreciar o enredo. Tratando de temas ligados à justiça, à ética e  à moral, a minissérie apostou na multiplicação de pontos de vista sobre uma mesma questão, criando, pela enunciação, diferentes efeitos de sentido. A textualização do plano do conteúdo sob a forma de mosaico, tanto no nível das ideias — múltiplos  pontos de vista — quanto no aspecto da organização narrativa — diversos programas narrativos  hierarquizando-se à medida que a arquitetura do enredo revelava-se ao longo dos capítulos — refletiu-se também no plano da expressão, como se tentará mostrar neste trabalho. Para a abordagem semiótica da enunciação, optou-se por dar maior ênfase aos episódios que envolvem a personagem Elisa, protagonizada por Débora Bloch. A análise recairá sobre a sintaxe enunciativa mobilizada por esses episódios e sua cotextualização na totalidade discursiva da minissérie.

Palavras-chave: Enunciação. Texto sincrético. Minissérie. Semiótica.

 

Minibiografias:

Ana Paula Ferreira de Mendonça – Professora Adjunta da Universidade Estadual do Paraná. Mestre e Doutora em Estudos da Linguagem pela Universidade Estadual de Londrina. Desenvolve pesquisas e orienta trabalhos em Semiótica e Línguas Clássicas.

Loredana Limoli – Professora Associada da Universidade Estadual de Londrina, onde atua nas áreas de Linguística e Semiótica. Mestre em Ciências da Linguagem pela Universidade de Toulouse e Doutora em Letras pela Universidade Estadual Paulista. Realizou estágios de pós-doutorado em Literatura Portuguesa na Universidade de São Paulo e Linguística na Universidade Federal Fluminense.


Comunicação 3

A Enunciação como instância de mediação entre a língua e a fala

Autor:

Ânderson Rodrigues Marins – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – profandermarins@hotmail.com

 

Resumo:

Neste estudo pretendemos analisar como se passa da língua à fala consoante a teoria enunciativa de Émile Benveniste. Para isso este estudo também acolhe outros autores que recorrem ao termo enunciação em suas formulações teóricas, como Gustave Guillaume, Mikhail Bakhtin e Algirdas Greimas. Um fenômeno linguístico de qualquer nível pode ser analisado sob o ponto de vista enunciativo, fato demonstrado em Antoine Culioli que se dedica à negação, à representação metalinguística em sintaxe, à quantificação, à prosódia e Jacqueline Authier-Revuz que trabalha com as incisas, a pseudoanáfora, as correções, as glosas. Ainda é possível incluir outros autores: Oswald Ducrot estuda os conectores, os operadores, os modalizadores; Émile Benveniste analisa – além dos pronomes, verbos, advérbios, categorias gramaticais específicas (pessoa, tempo e espaço) índices de ostenção, formas temporais – as funções sintáticas (de interrogação, de intimação, de asserção), as modalidades, a fraseologia, a produtividade lexical, entre outros fenômenos; Roman Jakobson estuda os shifters (as categorias verbais de tempo, modo, pessoa); Claude Hagège faz pesquisas sociointerativas sobre  criação neológica, atividade poética, etc (cf. FLORES, 2013). A enunciação deve ser considerada como instância linguística pressuposta pela existência do enunciado. Em outras palavras, o ato de dizer, a enunciação, produz um dito, que é o enunciado no qual estão presentes traços e marcas decorrentes, sobretudo, dos mecanismos de instauração das categorias de pessoa, tempo e espaço. Tais mecanismos são os de debreagem e  embreagem actanciais, debreagem e embreagem espaciais e debreagem e embreagem temporais, o que vai constituir o chamado aparelho formal da enunciação, no dizer de Benveniste. Este estudo destina-se, então, à análise da possibilidade de passagem da língua para a fala mediante a enunciação entendida como instância de mediação entre a língua e a fala, dotada de um conjunto de categorias que cria um dado domínio.

Palavras-chave: enunciação, língua e fala, teoria enunciativa benvenistiana.

 

Minibiografia:

Ânderson Rodrigues Marins – Doutorando em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal Fluminense, Doutorando em Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Mestre em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal Fluminense, Especialista em Língua Portuguesa pela Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Graduado em Letras pela Universidade Federal Fluminense, além de ser autor de capítulo de livro e artigos em publicações nacionais.


Comunicação 4

A Enunciação e o Sincrético no Ambiente Virtual de Aprendizagem

Autoras:

Aparecida Maria Xenofonte Pereira Valle – Universidade Federal Fluminense – UFF  aparecida@iftm.edu.br

Simone Aparecida de Campos Portela Oliveira  – Universidade Federal Fluminense – UFF  simone.portela@ifsudestemg.edu.br

 

Resumo:

Este trabalho parte do entendimento de que o ambiente virtual de aprendizagem (AVA) dos cursos de Educação à distância constituem objetos sincréticos. Assim, contam com um mecanismo que põe em funcionamento múltiplas linguagens por meio de uma só enunciação. As múltiplas linguagens devem ser analisadas como um todo de significação, a fim de que seja possível a apreensão dos efeitos de sentido da enunciação projetada sobre os actantes do processo educacional em curso, já que se põem a construir os sentidos propostos pelo enunciador institucional a um enunciatário ideal – o aluno de educação a distância.  Concebido como sujeito da manipulação presente no contrato de fidúcia estabelecido entre instituição de ensino e o aluno da modalidade a distância, a performance ensejada se reveste de valores modais e de fazer inscritos no projeto institucional, marcados, no discurso, pela temática da autonomia para obtenção do êxito no processo educacional.  Busca-se, no trabalho, analisar as marcas articuladas nos planos do conteúdo e da expressão na formulação dessa enunciação e nos enunciados selecionados. Considerar-se-á também, aspectos interacionais entre esses interlocutores, imersos e afetados pelo discurso institucional instalado. A análise será realizada na disciplina de Língua Latina II de um curso de Licenciatura em Letras Português de um Instituto Federal Brasileiro.

Palavras-chave: Semiótica. Ambiente virtual de aprendizagem. Enunciação.

 

Minibiografias

Aparecida Maria Xenofonte P.Valle: Doutoranda em Estudos da Linguagem, na área de Semiótica Discursiva de origem francesa, pela Universidade Federal Fluminense. Possui graduação em Letras. Mestrado em Linguística aplicada pela Universidade Federal de Uberlândia, na ára de ensino e aprendizagem de Línguas. Professora de EBTT do Instituto Federal do Triângulo Mineiro. Integra grupos de pesquisa em Discurso e Educação do IFTM e Semiótica e Discurso. Coordenou o Curso de Letras Português UAB(2013/2015).

Simone Aparecida de Campos Portela Oliveira: Doutoranda em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal Fluminense. Possui Mestrado em Letras pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. Atualmente é professora EBTT do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais, Campus Muriaé. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa, Redação e Literatura.


Comunicação 5

A enunciação no discurso de propaganda

Autor:

Arnaldo Cortina – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, câmpus de Arararaquara; CNPq –  cortina@fclar.unesp.br

 

Resumo:

Este trabalho constrói-se a partir de dois objetivos centrais. De um lado, tomando como suporte teórico-metodológico a proposta da semiótica discursiva, investigar a constituição do sentido do texto visual. De outro, examinar os procedimentos utilizados por certos textos de propaganda veiculados em revistas que se dirigem ao público masculino e que diferem suas estratégias, tendo em vista quererem atingir ora o público homossexual, ora o heterossexual. Ao abordar o texto de propaganda, não se pretende estabelecer uma distinção entre propaganda e publicidade, embora se reconheça que alguns trabalhos proponham uma diferença conceitual entre os dois termos. O vocábulo propaganda empregado no trabalho fará sempre referência ao modo como um texto apresenta informações sobre um produto de determinada empresa ou marca, que o expõe, de forma paga, em diferentes veículos de comunicação de massa ou nas mídias eletrônicas. Para dar conta dos dois objetivos apontados inicialmente, portanto, este trabalho procurará apresentar a perspectiva semiótica para o tratamento do discurso, focalizando, especificamente, os conceitos de visualidade e de sincretismo inerentes ao chamado texto de propaganda. Ao mesmo tempo, realizará análise de algumas propagandas selecionadas num corpus de revistas dirigidas ao público masculino heterossexual, em comparação com outras que se destinam especificamente ao público homossexual, com o intuito de verificar semelhanças e/ou diferenças entre elas no que se refere à caracterização de seu enunciatário.

Palavras-chave: enunciação, sincretismo, propaganda.

 

Minibiografia:

Professor da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, na Faculdade de Ciências e Letras do câmpus de Araraquara; pesquisador do CNPq; foi presidente do GEL-Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de São Paulo, coordenador do Programa de Pós-graduação em Linguística e Língua Portuguesa da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, câmpus de Araraquara (1999-2000); Diretor da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, câmpus de Araraquara (2013-2017);  desenvolve, orienta pesquisas e publica obras nos domínios da leitura, da teoria e análise dos discursos e da semiótica discursiva.


Comunicação 6

O enunciador, a enunciação e os papéis temáticos do tradutor: uma abordagem semiótica

Autora:

Cecília Maculan Adum – Universidade Federal Fluminense – cissadum@icloud.com

 

Resumo:

O objetivo do trabalho é, a partir da definição prévia dos papéis temáticos do tradutor em depoimentos e biografias de tradutores e trabalhos teóricos sobre tradução, analisar as categorias de enunciador e enunciatário, bem como suas projeções no enunciado, apontando as possíveis relações entre os aspectos semânticos e sintáxicos do nível discursivo de tais textos. O corpus de análise constitui-se de textos de Paulo Rónai. A base teórica do trabalho é a da semiótica discursiva, concebida por Greimas e presente em textos de autores como José Luiz Fiorin e Diana Luz Pessoa de Barros, aos quais recorreremos frequentemente. A metodologia proposta considera que o sentido de um texto se constitui como um percurso gerativo, com três níveis, que vão de um patamar mais abstrato e profundo a um mais concreto e superficial: nível fundamental, nível narrativo e nível discursivo. Na abordagem da sintaxe e da semântica discursivas – o nível de análise em que nos deteremos – devem ser consideradas as categorias de temas, figuras e papéis temáticos, assim como as de enunciador e de enunciatário, observando as marcas da enunciação no enunciado. Deseja-se, com tal análise,  apontar as relações entre os tipos de enunciador e de enunciatário observados no corpus e os papéis temáticos previamente atribuídos ao tradutor. Como amostragem, será apresentada análise preliminar das referidas relações, presentes nos textos A tradução vivida (1º capítulo) e Escola de Tradutores (4º capítulo) ambos de Paulo Rónai.

Palavras-chave: tradutor; enunciador; enunciatário; papéis temáticos.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras, com bacharelado (língua e literatura italiana) e licenciatura plena (português/italiano) pela Universidade Federal Fluminense (Brasil),  onde curso o Mestrado no Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem), sob a orientação da professora doutora Lucia Teixeira. Está vinculada  ao Laboratório de Estudos da Tradução da UFF, onde realiza trabalhos e pesquisas como tradutora.


Comunicação 7

Algumas contribuições de Bréal, Bally, Benveniste e Ducrot para os estudos semânticos e enunciativos

Autora:

Claudiene Diniz da Silva – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) diennedinniz@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem a pretensão de apresentar alguns conceitos que fundamentam as teorias enunciativas. Haja vista que tais conceitos foram criados por teóricos diferentes, escolhemos aqueles que consideramos essenciais O primeiro é Michel Bréal, linguista francês, professor de Ferdinand Saussure, que cunhou o termo semântica em 1883. Depois, trataremos do aluno de Saussure, Charles Bally, que defendia a importância de uma linguística da fala e propõe as noções de modus e dictum. Também apresentaremos alguns conceitos enunciativos básicos propostos por Émile Benveniste, considerado o pai da “Teoria da Enunciação”. E por fim, trataremos de alguns pontos do linguista Oswald Ducrot, teórico da Semântica Argumentativa. Esse estudo, de cunho teórico, tem o objetivo de enumerar algumas contribuições dos teóricos supracitados para os estudos enunciativos. Para isso, a metodologia empregada foi a pesquisa bibliográfica, utilizando ora textos originais, ora versões traduzidas para o português brasileiro. Fruto de uma parte da tese da autora, esse estudo se justifica pela necessidade de conhecer a origem de conceitos recorrentes nas pesquisas enunciativas, para compreender melhor sua significação e utilização.

Palavras-chave: enunciação, teóricos da enunciação, conceitos básicos da enunciação.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras pela Faculdade Atenas Maranhense, São Luís – MA. Especialista em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e Docência do Ensino Superior no Instituto Superior Franciscano, como bolsista. Mestre em Letras pela Universidade Federal do Piauí, na perspectiva enunciativa da Teoria das Operações Predicativas e Enunciativas de Antoine Culioli, orientada pela professora Maria Auxiliadora Ferreira Lima. Atualmente faz Doutorado na UFMG na área da Semântica da Enunciação, sob a orientação do professor Luiz Francisco Dias.


Comunicação 8

Título: Metamorfoses da dor: o trânsito identitário da negritude entre Cruz e Sousa e Racionais MC’S

Autor:

Cristiano Lima de Araujo Reis – Universidade Presbiteriana Mackenzie – Brasil – crisliter@yahoo.com.br

 

Resumo:

Greimas e Courtés (2013: 295) ao comentarem as relações entre semiótica e literatura, atentam para a existência de uma possível semiótica socioliterária que se preocuparia com os discursos sociais que transitam nas macrossociedades industriais, contexto em que as oposições ideológicas e por isso discursivas reafirmam-se, num intenso movimento dialético responsável por revelar-nos as veredas da história sob variados pontos de vista. Partindo desse princípio torna-se possível investigar o discurso que se instala na música e na literatura conhecida como negra. Por isso – diante desse território teórico e daquilo que podemos chamar de literatura e música negra e de suas consequentes identidades, bem como do ethos discursivo que as caracteriza – é possível pensar o problema de como tais identidades transformam-se em discursos articulados, uma vez que aquilo que aqui chamaremos de negritude torna-se do ponto de vista semiótico um efeito de sentido a mais dentre outros, evocado neste estudo pelo estatuto da dor, da revolta e da vingança que tais composições suscitam. Assim, se a identidade pode ser entendida como efeito de sentido e essa ainda transmutar-se diante de variados contextos, a negritude enquanto identidade também pode deslocar-se no tempo e no espaço. Tal vereda de investigação foi escolhida pelo motivo desses estatutos estarem presentes de forma latente no corpus escolhido mais do que representarem a literatura ou a música negra. Faz-se importante ainda lembrar que a noção de identidade não estará somente relacionada ao enunciador, mas também ao enunciatário, que ao “ler” o discurso enunciado, cria para si junto ao enunciador um modelo identitário do outro. Isso ocorrerá, sobretudo, se pensarmos que a ideia de identidade nasce da diferença, como diz Stuart Hall (HALL, 2009), uma vez que será a identidade que nos permitirá diferenciar-nos do outro no momento em que passamos a identificá-lo.

Palavras-chave: negritude, rap, poesia negra, discurso racial, dor.

 

Minibiografia:

Cristiano Lima de Araujo Reis, formado em Letras, mestre em Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), doutorando em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie com pesquisa orientada pela Profa. Dra. Diana Luz Pessoa de Barros, foi bolsista Erasmus na Cardiff University (UK) na área de Estudos Culturais e Lusofonia.  Atualmente é professor da rede privada de ensino na região metropolitana de São Paulo e leciona Língua Portuguesa na rede municipal de São Paulo (SME-SP).


Comunicação 9

Ator da enunciação e questões de autoria

 

Autora:

Diana Luz Pessoa de Barros – Universidade Presbiteriana Mackenzie; Universidade de São Paulo; CNPq – dianaluz@usp.br

 

Resumo:

Na Semiótica discursiva, o sujeito da enunciação define-se, sintaticamente, como um actante da enunciação e, semanticamente, como um ator da enunciação. A construção sintática do actante da enunciação diz respeito ao emprego das categorias enunciativas de pessoa e, também, às relações narratológicas que se estabelecem entre enunciador e enunciatário. Com o emprego das categorias enunciativas de pessoa são produzidos nos discursos efeitos de aproximação da enunciação, devido ao uso, em geral, do “eu” discursivo, ou de distanciamento da enunciação, com o emprego, principalmente, do “ele” do discurso. Já a constituição do ator da enunciação depende dos papéis que o sujeito assume no espetáculo enunciativo e que lhe dão identidade, estilo e corpo e o preenchem com crenças e valores, modos de ser e de fazer, decorrentes de papéis temáticos e figurativos. Os temas e figuras trazem ao ator da enunciação as marcas de sua inserção sócio-histórica e ideológica, e, além disso, como as figuras investem sensorialmente os temas, dão-lhe corpo. Os atores da enunciação são também construídos, sobretudo corporalmente, pelos procedimentos de textualização e pelos recursos do plano da expressão. O exame dos atores da enunciação é, portanto, o modo como os estudos semióticos procuram dar à enunciação identidade corporal e sócio-histórica. O tratamento linguístico e discursivo dado às questões de estilo e de norma está também fortemente relacionado ao do ator da enunciação, tal como foi mencionado. A partir dos estudos sobre o ator da enunciação, a noção de estilo e de norma, nosso objetivo nesta comunicação é mostrar o interesse e a necessidade desse tipo de abordagem para a determinação da autoria, em textos diversos, como, entre outros, os de autoria de despachos ou sentenças, posta em dúvida, e de plágio, em disputas judiciais, ou de anonimato, atualmente um problema, sobretudo na internet.

Palavras-chave: actante da enunciação; ator da enunciação; autoria; plágio; anonimato.

 

Minibiografia:

Diana Luz Pessoa de Barros é professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e professora titular aposentada da Universidade de São Paulo, no Brasil. Foi presidente da Associação Brasileira de Linguística – ABRALIN, representante da Área de Linguística no Comitê de Letras do CNPq e Secretária Geral da Associação de Linguística e Filologia da América Latina – ALFAL. Publicou livros, capítulos e artigos nos domínios, sobretudo, da teoria e análise dos discursos, dos estudos da língua falada, da semiótica discursiva e da história das ideias linguísticas.


Comunicação 10

Enunciação e diversidade textual

Autora:

Eliane Soares de Lima – Universidade de Franca, UNIFRAN – eliane.lima@unifran.edu.br

 

Resumo:

Ao analisar um texto, podemos perceber que os procedimentos enunciativos, para além de uma intenção de ordem mais cognitiva, englobam também o modo como esse enunciador dispõe o enunciatário para sentir o sentido daquilo que é dito, a maneira pela qual ele gerencia o engajamento afetivo de seu enunciatário a partir do contato com o enunciado. Torna-se válido, pois, o exame do conjunto de opções enunciativas produtoras de um discurso com o intuito de  compreender o estilo por elas caracterizado e as formas de configuração da manipulação sensível sobre o enunciatário, ou seja, as  estratégias discursivas adotadas na produção dos efeitos de sentido passionais, uma vez que, para garantir sua eficácia discursiva, elas devem estar sempre em conformidade às coerções do gênero no qual o conteúdo é materializado. Sendo assim, nossa proposta, com base no instrumental teórico-metodológico oferecido pela Semiótica Discursiva, é a de avaliar a configuração do efeito de compaixão em textos pertencentes a esferas de comunicação distintas: (i) a do discurso literário, no qual será examinada uma narrativa de Guimarães Rosa; e (ii) a do discurso midiático, para o qual dois gêneros foram escolhidos: uma reportagem jornalística veiculada pela imprensa eletrônica e um episódio de telenovela. A opção pela análise de textos de naturezas tão díspares justifica-se na intenção de destacar as diferenças e semelhanças de configuração do páthos da compaixão e, portanto, da manipulação sensível que se faz em cada uma das totalidades discursivas em questão. Queremos demonstrar como o efeito patêmico da compaixão discursivizado na literatura e na mídia alcança prioridades específicas, com o estilo da literatura remetendo a um tom de voz que se distancia daquele da mídia segundo gradientes próprios, prevendo, assim, uma interação discursiva peculiar à literatura e à mídia.

Palavras-chave: enunciação; semiótica; gênero discursivo; manipulação passional.

 

Minibiografia:

Docente permanente do Programa de Mestrado em Linguística da Universidade de Franca (UNIFRAN) e coordenadora do Grupo de Pesquisa em Semiótica (Actantes) da mesma Instituição. Doutorou-se em Letras pela Universidade de São Paulo, em 2014, tendo realizado um estágio de pesquisa na Universidade Paris 8 (França), sob a supervisão do professor Denis Bertrand. Com artigos publicados em periódicos especializados, suas pesquisas têm privilegiado as áreas de Semiótica Discursiva, Literatura Brasileira e Teoria Literária.


Comunicação 11

Título: A responsabilidade enunciativa e a assunção do PdV no gênero Artigo de Opinião

 

Autores:

Elis Betânia Guedes da Costa – IFRN – elis.guedes@ifrn.edu.br

Maria das Graças Soares Rodrigues – UFRN – gracasrodrigues@gmail.com

 

Resumo:

Este artigo é um recorte de uma das categorias tratadas em investigação realizada, durante o doutoramento da primeira autora e sob a orientação da segunda. Nele investigamos em redações produzidas pelo candidato ao vestibular 2010 da UFRN a (não) assunção de diferentes pontos de vista em zona textual de argumentação e de contra-argumentação. Nesse sentido, estabelecemos como objetivos identificar, descrever, analisar e interpretar as marcas da responsabilidade enunciativa nas redações. O interesse em estudar o gênero em questão justifica-se não só pela sua importância no cenário educacional atual, assim como pelas angústias e dificuldades diagnosticadas em nossa vivência profissional, na qual detectamos que os alunos apresentam uma grande dificuldade em produzir um texto argumentativo posicionando-se e assumindo a responsabilidade dos enunciados. No que diz respeito à metodologia, seguimos a abordagem qualitativa de natureza interpretativista.   O corpus desta pesquisa se constitui de 100 redações produzidas pelos candidatos das diferentes áreas do processo seletivo já mencionado. Para realizar nosso estudo, subsidiamo-nos em perspectivas teóricas postuladas por autores de diferentes teorias e correntes linguísticas que dialogam entre si. Nessa direção, acompanhamos Bakhtin (1995), Rabatel (2008 a, 2008 b), Guentchéva (1994, 1996, 2011) e Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010), entre outros que se inscrevem no dialogismo, em teorias enunciativas, na análise do discurso e na linguística do texto. Esse conjunto de abordagens linguísticas orienta a Análise Textual dos Discursos (ADAM, 2011), que subsidia a análise dos dados, desta investigação.   De forma geral, os resultados revelam que a presença de marcas linguísticas (conectores, índices de pessoas, entre outras) favorecem a assunção da responsabilidade enunciativa pelo articulista e revelam o engajamento do locutor/enunciador diante das opiniões apresentadas nos textos analisados.

Palavras-chave: Responsabilidade Enunciativa. Ponto de Vista. Artigo de opinião. Vestibular.

 

Minibiografias:

Elis Betânia Guedes da Costa é doutora em Linguística Aplicada. Professora efetiva do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN).

Maria das Graças Soares Rodrigues possui mestrado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (1995) e doutorado em Linguística pela Universidade Federal de Pernambuco (2002). Atualmente é Professora Associada III da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Tem experiência na área de Linguística, desenvolve pesquisas, no âmbito da Linguística de Texto, da Enunciação e da Análise Textual dos Discursos (ATD). 


Comunicação 12

Linguagens verbal e não verbal em cemitérios: o que elas  dizem sobre a morte — e sobre a vida?

Autoras:

Elisane Regina Cayser – Universidade de Passo Fundo – ecayser@upf.br

Luciana Maria Crestani – Universidade de Passo Fundo – lucianacrstani@upf.br

 

Resumo:

Os elementos semióticos relacionados à ritualística fúnebre não apenas registram uma prática social secular, mas também legitimam uma identidade social, perpetuando, no tempo e no espaço, representações simbólicas de atores sociais. Assim, o cemitério pode ser compreendido como um espaço (ou uma cenografia) em que elementos de diferentes naturezas se manifestam e, de forma sincrética, constroem sentidos sobre esses atores sociais. Nesse contexto, o presente trabalho tem como intuito analisar elementos verbais (epitáfios) e não verbais (imagens, estátuas, símbolos etc.) manifestos em túmulos e mausoléus do cemitério Vera Cruz, de Passo Fundo-RS, para, a partir deles: a) identificar os ethé dos sujeitos discursivos envolvidos nesse processo de representação semiótica; b) perceber as concepções que diferentes sujeitos têm sobre a morte — e também sobre a vida. Para tanto, buscamos apoio nos preceitos da Semiótica Discursiva — principalmente nos estudos sobre sincretismo de linguagens e enunciação — bem como nos estudos de Maingueneau (2005, 2008) e Charaudeau (2005, 2006) acerca do ethos discursivo. O trabalho, ainda em andamento, mostra de que forma a dispersão de textos inscritos no contexto de um cemitério permite defini-lo como um espaço de regularidades enunciativas, especialmente através da negação da finitude da vida, sem, para tanto, privilegiar somente as marcas linguísticas, mas também a semioticidade textual e a historicidade, aspectos esses que se articulam para a construção da enunciabilidade de discursos ritualizados em que os sujeitos se inscrevem sócio-historicamente no e pelo ato da enunciação.

Palavras-chave:  Cemitérios.  Enunciação.  Ethos.  Sincretismo de linguagens.

 

Minibiografias:

Elisane Regina Cayser  é Mestre em Linguística e Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2001) e  doutoranda em Letras pela Universidade de Passo Fundo, na linha de Constituição e Interpretação do Texto e do Discurso . É professora no curso de Letras da Universidade de Passo Fundo e coordenadora da área de Língua Portuguesa.

Luciana Maria Crestani é Mestre em Educação pela Universidade de Passo Fundo (2002), Doutora em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2010), professora no curso de Letras e no Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo,  atuando na linha “Constituição e Interpretação do Texto e do Discurso”.


Comunicação 13

A  musicalidade como metodologia diferenciada no tratamento enunciativo do texto em sala de aula

 

Autora:

Emanuela Francisca Ferreira Silva – Instituto Federal do Sul de Minas – Campus Três Corações – emffsilva@gmail.com

 

Resumo:

Pensa-se na enunciação como uma instância linguística que deixa marcas tanto no eu enunciador quanto no tu leitor. Afirma-se que na leitura em voz alta o sujeito leitor interage com o “eu” enunciador e consigo mesmo, enquanto que na prática de leitura silenciosa, o sujeito leitor é um “tú” em relação a um “eu” – autor. Em ambos os atos de leitura há construção de sentidos, o que parece diferenciar é que há uma função dupla deste leitor quando ele lê oralmente. Ao se ler oralmente o sujeito leitor pensa o texto por dois canais: o auditivo e o oral. Entre respirações, deslizamentos vocais – contorno melódico e ritmo – o sujeito leitor tece a sonoridade do texto, instaurando relações consigo mesmo. O ato de ler em voz alta é pois, forma em que o sujeito toca o texto literalmente pelos ouvidos. Enquanto que na leitura silenciosa os olhos capturam, na oral a voz chama para o toque. Esse trabalho é parte integrante de uma pesquisa de doutoramento que tem como hipótese: há diferença quanto à compreensão textual entre ler em voz alta com ritmo e contorno melódico e ler silenciosamente? Tem-se como referencial teórico os estudos de Benveniste (1989) sobre o ato enunciativo e Sloboda (2008) sobre os universais musicais, bem como outros teóricos que forem sendo requisitados para essa reflexão, se tentará tecer um diálogo pertinente entre a leitura oral e a musicalidade presente na mesma, demonstrando como se é possível promover uma educação sócio-interacionista crítica e reflexiva através da leitura e produção de sentidos envolvendo a musicalidade no ato enunciativo de ler.

Palavras-chave:  enunciação, leitura oral, sonoridade do texto.

 

Minibiografia:

Doutora em Letras – Linguística e Língua Portuguesa pela PUC Minas. É professora EBTT de Língua Portuguesa do quadro efetivo do Instituto Federal do Sul de Minas –Sua atividade de pesquisa está voltada para as áreas relativas à Linguagem e Música, nas perspectivas cultural e tecnológic e Linguística nas perspectivas cognitiva e semântica. Está vinculada ao grupo COMPLEX COGNITIO – uma visão integrada da cognição humana (PUC Minas). 


Comunicação 14

Um olhar semântico sobre o aposto na construção do sentido das sentenças

 

Autora:

Emiliana da Consolação Ladeira – UFMG – emilianaladdeira@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho pretende discutir questões da enunciação em sua diversidade teórica, baseados na Semântica da Enunciação, para repensar o estatuto do aposto na construção do sentido das sentenças do português do Brasil nas quais ele aparece. Nosso foco é a Sintaxe, tendo como suporte teórico e analítico a Semântica da Enunciação. Será uma atividade de olhar a Sintaxe através da Semântica Enunciativa, calcados nos conceitos dessa teoria. Longe de ser apenas um “modo diferente de fazer a mesma coisa”, pretendemos compreender porque, ao dizer

  • João, que é pão-duro, tem muito dinheiro guardado.
  • João, que é econômico, tem muito dinheiro guardado.

tem-se, embora o “João” seja o mesmo, uma percepção dele bastante diferente, devido ao referencial adotado, marcado pelo aposto. Uma das formas de trabalhar com Semântica Enunciativa é fazer a observação e análise das regularidades linguísticas utilizadas pelo falante. Assim faremos observações e comparações utilizando dados coletados em situações de fala real, em textos diversos para mostrar a importância do aposto como elemento constitutivo da sentença. O modelo teórico da Semântica da Enunciação fundamenta-se em Ducrot, Bally, Benveniste, Guimarães e Dias. Conceitos dela como Acontecimento, Formação Nominal e Referencial serão fundamentais para percebermos o esquema argumentativo dos dizeres, na discursivização dos enunciados. Esse modelo leva em conta a dimensão material da sentença (plano da organicidade) e a dimensão simbólica (plano da enunciação) que compõem o enunciado, quando do funcionamento da linguagem. Assim, pretendemos comprovar o caráter não-acessório do aposto na construção de referenciais e na produção de sentido das sentenças do PB. Temos hipóteses de que esse fenômeno se dá pela necessidade de se construir mais do que um referente, mas criar uma identização do nome. Parece haver uma marcação de posicionamento do falante. Ou ainda, que, mesmo sendo próprios, certos nomes precisam, por alguma razão, de especificação/determinação/aposição.

Palavraschave: Semântica da Enunciação. Aposto. Acontecimento. Formação Nominal. Referencial.

 

Minibiografia:

Mestre e Doutoranda pela UFMG na área de concentração Linguística Teórica e Descritiva, linha de pesquisa Estudos da Língua em Uso. Graduada em Letras pela FUNREI (atual UFSJ). Atua como Professora do Ensino Básico Técnico e Tecnológico na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) no Ensino Médio com as disciplinas de Língua Portuguesa e Redação. 


Comunicação 15

O português europeu em um conto de Clarice Lispector

Autor:

Ernani TERRA – UPM – ernani@uol.com.br

 

Resumo:

O trabalho discute a diversidade linguística, a partir do confronto entre as variedades europeia e brasileira no discurso literário, com fundamentação teórica nas teorias da enunciação e na semiótica de linha francesa. Objetiva-se mostrar como um enunciador, falante do português brasileiro, produz um discurso em que se apresenta falante nativo do português europeu. A metodologia consiste na análise do nível discursivo do conto Devaneio e embriaguez duma rapariga, de Clarice Lispector. Nos discursos em que um falante do português brasileiro procura reproduzir a variedade europeia do português europeu, o procedimento é normalmente estereotipado: na linguagem oral centra-se na tentativa de reproduzir os aspectos prosódicos; na escrita, o procedimento recai principalmente na utilização de um léxico que atesta as diferenças entre as duas variedades. Os resultados preliminares mostram que o enunciador, para passar a imagem ao enunciatário de um falante nativo do português europeu, não se restringiu somente a aspectos linguísticos, mas também a aspectos discursivos, especialmente aqueles relativos às categorias da enunciação.

Palavras-chave: Diversidade. Variedade linguística. Enunciação. Discurso literário.

 

Minibiografia:

Ernani Terra é doutor em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Pós-doutorando na Universidade Presbiteriana Mackenzie, sob a supervisão da Profa. Dra. Diana Luz Pessoa de Barros. Lecionou as disciplinas Língua portuguesa, Literaturas de língua portuguesa, Práticas de leitura e escrita e Metodologia do trabalho científico. Suas pesquisas concentram-se no discurso literário, com fundamento teórico na Semiótica de linha francesa.


Comunicação 16

A atenuação do eu e a correspondente construção de imagem do enunciador em respostas de Mia Couto aos entrevistadores do Programa Roda Viva da TV Cultura

Autor:

José Gaston Hilgert – Universidade Presbiteriana Mackenzie/São Paulo/ SP – gastonh@uol.com.br

 

Resumo:

Em situações de interação linguística face a face, em que o falante, por força da interpelação que lhe é feita pelo interlocutor ou por interlocutores, tenha de falar de si mesmo, do fazer do eu em determinado campo de atuação, dois tipos de discurso podem ocorrer: o discurso da intensificação e o discurso da atenuação. O primeiro, por meio de diferentes recursos linguístico-discursivos, exacerba a força ilocutiva de seus enunciados; o segundo, por meio de outros recursos, atenua essa força. Em ambos os casos, o trabalho linguístico resulta na construção da imagem dos enunciadores, ora a de um eu exclusivo, protagonista único e singular de seu fazer, ora a de um eu inclusivo, cujo fazer é, digamos, compartilhado com coadjuvantes. Ambas as imagens construídas podem ser, do ponto de vista social e/ou cultural, sancionadas eufórica ou disforicamente, dependendo das condições que determinam o contrato interativo em questão. Considerando que operações de intensificação e de atenuação são estratégias enunciativas que criam efeitos de sentido nos discursos, queremos apresentar, neste simpósio sobre “enunciação e diversidade”, um estudo da atenuação linguística do eu e correspondente construção de imagem do enunciador em respostas de Mia Couto a seus interlocutores, em entrevista no Programa Roda Viva da TV Cultura (disponível no Youtube), em 5 de novembro de 2012.

Palavras-chave: enunciação; interação, intensificação, atenuação; imagem.

 

Minibiografia:

Doutor em Letras Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo, com Pós-Doutorado em Linguística Análise da Conversação, na Universidade de Freiburg i. Breisgau e no Institut für Deutsche Sprache (IDS), em Mannheim, Alemanha; bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq; professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo/SP), atuando em Linguística e Língua Portuguesa, com ênfase em estudos da enunciação, da interação face a face e do português falado no Brasil.


Comunicação 17

Zonas de conforto e zonas de confins da enunciação cancional

Autor:

Ivã Carlos Lopes – FFLCH-USP, São Paulo, SP, Brasil – lopesic@usp.br

 

Resumo:

Linguagem possuidora de características próprias, a canção, compreendida como a união de melodia e letra ou, se se quiser, de um componente musical e um componente linguístico, deve sua existência ao convívio de ambas; este enseja a criação de unidades propriamente cancionais, tais como as células entoativas da palavra cantada, as quais não se confundem com as da fala cotidiana, muito embora aquelas provenham destas, conforme nos ensina a semiótica da canção inaugurada por Luiz Tatit. O território que propomos explorar em nossa comunicação é, portanto, o cancional, e gostaríamos nesta ocasião de lançar alguma luz sobre as regiões em que se delimita sua enunciação. De um lado, a fronteira com a conversação, fronteira que, em nossos dias, é habitada exemplarmente pelo gênero rap ; de outra parte, a fronteira com a música enquanto tal, que se deixa perceber em algumas composições da época heróica da Bossa Nova. Temos por ponto de partida a hipótese de que a palavra cantada, se bem pode aproximar-se de tais limites, não se pode permitir ultrapassá-los, sob pena de transmudar-se em outras formas de enunciação, acompanhadas de disposições interpretativas distintas por parte de seus enunciatários. Parece haver, nesse particular, um princípio regulador próprio à enunciação cancional, de que, por mais que se dê a liberdade de esquadrinhar-lhe os confins, a canção não pode prescindir sem perder aquilo mesmo que a identifica. Nossa discussão será ilustrada com exemplos desses gêneros limítrofes, a fim de tornar palpáveis as diferenças entre os fazeres enunciativos aludidos.

Palavras-chave: aspectualidade ; canção ; enunciação ; limiares ; limites.

 

Minibiografia:

Docente do Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Desde 2001, é um dos coordenadores do Grupo de Estudos Semióticos dessa Faculdade. Entre os livros que escreveu ou organizou: Elos de Melodia e Letra (com Luiz Tatit, 2008) ; Semiótica da Poesia: exercícios práticos (com Dayane Almeida, 2011) ; Cem Anos com Saussure – tomos I e II (com Waldir Beividas e Sémir Badir, 2016).


Comunicação 18

Estratégias enunciativas de construção da inclusão na HQ

Autor:

Jean Cristtus Portela – Unesp/CNPq – jeanportela@gmail.com

 

Resumo:

Para a semiótica discursiva, a exclusão, regida pela triagem, pode ser definida como uma operação de distinção e de separação, na qual limiares e limites são tão salientes quanto precisos. É desse modo, por exemplo, que se produzem e se tipificam as diferenças entre grupos sociais hegemônicos e minoritários, entre movimentos progressistas e conservadores, entre posicionamentos moderados e extremistas e entre nativos e estrangeiros. Nesses casos, a exclusão parece claramente produzir uma narrativa, na medida em que consagra a falta. Em contrapartida, seu correlato regido pela mistura, a inclusão, torna indistintos e amalgama elementos e classes de elementos, produzindo um contraprograma à exclusão, uma narrativa de reparação do excluído. Nas práticas de inclusão, dons e trocas entre actantes, tão próprios à estrutura das narrativas em geral, adquirem uma coloração ética notável que produz inclusões eufóricas ou disfóricas, desejáveis ou indesejáveis. Assim, a inclusão parece ser uma solução ambivalente, da qual se necessita, muitas vezes, explicitar a motivação e a finalidade. Procurando aprofundar essas reflexões em seus desdobramentos enunciativos, o objetivo deste trabalho é investigar o modo como a enunciação gerencia as narrativas de inclusão presentes na HQ autobiográfica L’Arabe du futur: une jeunesse au Moyen-Orient (1978-1984), de Riad Sattouf, primeiro volume das memórias do quadrinista em que se narra com humor e acidez o percurso de quem foi criado pelo pai sírio e pela mãe francesa para ser um árabe educado e culto, o “árabe do futuro”.

Palavras-chave: enunciação; HQ; inclusão; valor; narratividade.

 

Minibiografia: Jean Cristtus Portela é professor do Departamento de Linguística e do Programa de Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, câmpus de Araraquara. É pesquisador do CNPq (Nível 2), líder do Grupo de Pesquisa em Semiótica da Unesp (GPS-Unesp) e editor-chefe a revista CASA: Cadernos de Semiótica Aplicada.


Comunicação 19

A legitimação do discurso da Escola sem Partido na perspectiva da enunciação e do discurso

Autores:

Jonas Pereira Lima – Universidade Federal do Tocantins (UFT) – jonnasplima@hotmail.com

Luiza Helena Oliveira da SilvaUniversidade Federal do Tocantins (UFT)luiza.to@mail.uft.edu.br

 

Resumo:

Este trabalho, referente a pesquisa em fase inicial, analisa os discursos que fundamentam o movimento Escola sem Partido veiculado por uma organização não governamental, com um site e uma página no Facebook. A ideia substancial desse movimento tem se desdobrado em projetos de leis que tramitam no Congresso Nacional, em assembleias legislativas e câmaras municipais e em leis já aprovadas em uma assembleia legislativa e em diversas câmaras municipais. O principal objetivo do Escola sem Partido é implantar, nas escolas públicas e confessionais, uma lei em que o professor seja, em sala de aula, obrigado a se posicionar de forma pretensamente neutra em discussões que envolvam política, ideologia e agremiação partidária. Para fundamentar esta discussão mobilizam-se as teorias da enunciação e do discurso na perspectiva de Fiorin (1996, 2006) e Fontanille (2007). Sob o prisma da enunciação analisam-se as vozes jurídicas de que o sujeito da Escola sem Partido se apropria na Constituição Federal, no Estatuto de Crianças e Adolescentes e na Convenção Americana sobre Direitos Humanos para fundar um discurso irrefutável. No âmbito discursivo, investiga-se como essas vozes jurídicas se articulam para legitimar um discurso que impõe regras, proibições e anula a possiblidade de o professor despertar o exercício do senso crítico no aluno. Neste trabalho, tomamos como corpus a Lei nº 7.800/2016, que institui a “Escola Livre” no Estado de Alagoas e o parecer no 245.019/2016 emitido pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, que alega inconstitucionalidade da Lei 7.800. A análise visa, assim, apontar para os efeitos das escolhas enunciativas, considerando que todas visam a produzir efeito de persuasão e legitimação de um discurso conservador. Mais especificamente, mobilizamos da teoria semiótica as categorias do nível discursivo: a enunciação e os processos de tematização e figurativização.

Palavras-chave: Escola sem partido; enunciação; dialogia; ideologia.

 

Minibiografias:

Jonas Pereira Lima – Mestre em estudos linguísticos pela Universidade Federal de Goiás (UFG), doutorando pelo Programa de Pós-graduação em Letras pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). Bolsista da Capes.

Luiza Helena Oliveira da Silva – Professora dos Programas de Pós-graduação em Letras (PPGL), Mestrado Profissional em Letras em Rede Nacional (Profletras) e Mestrado em Estudos de Cultura e Território (PPGCult) da Universidade Federal do Tocantins (UFT), campus de Araguaína.


Comunicação 20

A criança autista na linguagem: da categoria de pessoa à singularidade do sujeito no processo de enunciação

Autores:

José Temístocles Ferreira Júnior – Universidade Federal Rural de Pernambuco – josetemistocles@yahoo.com.br

Natanael Duarte de Azevedo – Universidade Federal Rural de Pernambuco –  natanael.duarte.ufpb@hotmail.com

 

Resumo:

Neste artigo, objetivamos discutir modos de marcação dos lugares de pessoa na enunciação da criança autista. Apoiados em postulados teóricos de Benveniste (1988 e 1989), segundo os quais o processo de enunciação dispõe de mecanismos que demandam continuamente do indivíduo uma tomada de posição como sujeito, buscaremos analisar de que modo a presença da criança autista na linguagem pode revelar a singularidade do sujeito na língua. Para enunciar ou mesmo para compreender a enunciação do outro, é necessário que a criança se aproprie do sistema formal da enunciação e assuma as bases da linguagem condicionantes do ato enunciativo, quais sejam: temporalidade, espacialidade e pessoalidade. Nossa discussão aborda, de modo mais específico, a organização dessa última categoria. Para tanto, tentamos (re)pensar alguns apontamentos da teoria benvenistiana acerca da construção/organização da categoria de pessoa na linguagem para analisar algumas implicações destes postulados para compreensão do modo singular com que a criança autista enuncia os índices de pessoa para marcar seu lugar na relação discursiva com o outro. Nossas análises possuem natureza qualitativo-interpretativista. Nosso corpus é formado por dados de interação envolvendo três crianças autistas diferentes (em idades que variam entre um ano e um mês e oito anos) em situações diversas (tanto clínica quanto naturalística), presentes nos trabalhos de Maia (2011) e Rêgo Barros (2011). Os resultados de nossas análises mostram que, através da observação dos movimentos da enunciação dos índices de pessoa, é possível perceber o modo singular com que a criança autista se marca como sujeito na enunciação.

Palavras-chave: Enunciação infantil; criança autista; índices de pessoa; subjetividade.

 

Minibiografias:

José Temístocles Ferreira Júnior graduou-se em Letras pela Universidade Federal da Paraíba onde concluiu mestrado e doutorado em Linguística, com ênfase em Aquisição da Linguagem e Linguística da Enunciação, com um período sanduíche na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.  Suas pesquisas têm se voltado para temas como: subjetividade; enunciação; letramento; indicadores de subjetividade; categoria de pessoa. Atualmente é professor adjunto II da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Natanael Duarte de Azevedo graduou-se em Letras pela Universidade Federal da Paraíba, instituição onde desenvolveu suas pesquisas de mestrado e doutorado em Letras, com ênfase em Linguística e Psicanálise e Teoria Queer. Suas pesquisas têm se voltado para temas como: constituição do sujeito; identidade de gênero; movimentos de linguagem. Atualmente é professor adjunto I da Universidade Federal Rural de Pernambuco.


Comunicação 21

Estratégias enunciativas de tratamento do espaço

Autoras:

Lucia Teixeira – UFF/CNPq – luciatso@gmail.com

Silvia Maria de Sousa – UFF/ FAPERJ – silviamsousa05@gmail.com

 

Resumo:

Fiorin (1996), ao estudar o espaço como categoria enunciativa, mostra que a organização espacial se faz linguisticamente, pela instalação do espaço dos actantes da enunciação em  relação aos do enunciado, e topicamente, por meio da projeção de um ponto de referência a partir do qual se cria uma espacialidade estática e outra cinética, correspondentes às noções de posição e direção. O fundamento da localização linguística é um aqui que constitui o “centro gerador e axial” do discurso e funciona como fator de intersubjetividade. Marcadores como os advérbios e os demonstrativos organizam a dimensão linguística da espacialização nos enunciados. O espaço tópico é de ordem aspectual e “funciona como especificador do espaço linguístico propriamente dito”. A partir dessa distinção, esta comunicação pretende tratar dos desdobramentos semânticos responsáveis pela criação de uma ambientação em narrativas de viagem. Considerando o percurso de um sujeito em deslocamento, a análise examinará a instalação de um ponto de vista na narrativa, por meio do qual os esquemas espaciais, que partem da oposição entre continuidade e descontinuidade, permitem observar o sujeito em torno de suas paradas, continuações, hesitações e dispersões, caracterizando uma narrativa de movimento num espaço físico e, ao mesmo tempo, de oscilação entre a exterioridade da viagem e o interior de si mesmo, numa dimensão afetiva. As contribuições teóricas da semiótica tensiva (ZILBERBERG, 2006, 2010) e da semiótica das práticas (FONTANILLE, 2005, 2008, 2014) permitirão considerar a práxis enunciativa que, na narrativa de viagem, institui uma geografia afetiva, dotada de ritmo particular e arquitetada por estratégias  que permitem o tratamento do espaço em suas relações com o tempo e os atores envolvidos.

Palavras-chave: estratégia enunciativa; espaço; narrativa de viagem.

 

Minibiografias:

Lucia Teixeira é professora titular de Linguística da Universidade Federal Fluminense e atua no Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem (Mestrado e Doutorado) da mesma Universidade, na área de Semiótica. É pesquisadora do CNPq e líder do SeDi (Grupo de Pesquisa em Semiótica e Discurso). Publicou livros e artigos científicos em torno de temas ligados à semiótica plástica e às relações entre linguagens. É Presidente da ABES (Associação Brasileira de Estudos Semióticos).

Silvia Maria de Sousa é professora adjunta de Linguística da Universidade Federal Fluminense e atua no Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem (Mestrado e Doutorado) da mesma Universidade, na área de Semiótica. É jovem cientista pela FAPERJ e vice-líder do SeDi (Grupo de Pesquisa em Semiótica e Discurso). Publicou um livro sobre programas de TV e artigos científicos sobre textos sincréticos, televisão e  narrativas transmidiáticas. É membro da Diretoria da ABES (Associação Brasileira de Estudos Semióticos).


Comunicação 22

Revitalização Urbana do Porto Maravilha: Estratégias Discursivas para a Construção da Marca Rio

Autores:

Luís Alexandre Grubits de Paula Pessôa – PUC-Rio – lpessoa@iag.puc-rio.br

Flávia Barroso de Mello – UERJ – flaviamello74@gmail.com

 

Resumo:

O presente artigo aborda aspectos associados à Marca Rio, a partir da reurbanização do Porto do Rio de Janeiro. Observando as narrativas institucionais (site portomaravilha.com.br) e midiáticas (Jornal O Globo), propõe-se discutir as estratégias enunciativas da Prefeitura do Rio de Janeiro para a (re)construção da marca da cidade e sua (re)inserção no circuito de cidades globais, com base nos imperativos do mercado de consumo. Para tal, adotou-se a perspectiva teórica da Semiótica discursiva de linha francesa. Pretende-se refletir sobre a interseção entre os grandes projetos de revitalização urbana patrocinados pelo poder público e as disputas e tensões que envolvem os diversos atores sociais na produção de uma memória coletiva do porto e, consequentemente, de uma identidade cultural da região e da cidade do Rio de Janeiro, com vistas a um gradual processo de (re)construção da marca cidade. A análise aponta que o Porto é reinventado discursivamente a partir dos argumentos de modernização, de diálogo entre passado e futuro e do consumo cultural, em uma dinâmica do espaço que transita entre o individual e o coletivo, entre as objetividades e subjetividades, em que os sujeitos são expostos a um imaginário que pretende organizar e programar a vida social na região a partir da lógica cultural do consumo. Esta pesquisa, situada na fronteira entre os estudos de Linguística, Comunicação Social e Marketing, espera enriquecer o diálogo existente entre as áreas.

Palavras-chave: Branding; Imaginário Urbano; Marca-cidade; Representações Sociais; Semiótica.

 

Minibiografias:

Luís Alexandre Grubits de Paula Pessôa – Doutor em Letras, na área de estudos linguísticos, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM-SP, 2010). Professor Adjunto do Departamento de Administração da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (IAG/PUC-Rio), onde leciona desde 1996. Pesquisador das áreas de marketing, consumo & cultura, comunicação e comportamento do consumidor, com interesse na aplicação do aparelho teórico-metodológico da Linguística e da Semiótica na abordagem dos fenômenos relacionados a esses campos.

Flávia Barroso de Mello – Mestranda em Comunicação Social na UERJ (bolsista CAPES). Pesquisadora no grupo de pesquisa Comunicação urbana, consumo e eventos, da mesma Universidade. Graduação em Comunicação Social (Jornalismo) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1995) e Pós-graduação em Marketing Empresarial (UNESA, 2001) e em Mídia, Tecnologia e Novas Práticas Educacionais (PUC-Rio, 2009). Atualmente, é Professora-tutora (EaD) do FGV Online (FGV-RJ) e do IFHT (Instituto Multidisciplinar de Formação Humana com Tecnologias).


Comunicação 23

Enunciação e intertextualidade como recursos argumentativos em Sylvia Orthof

Autora:

Marcia Andrade Morais Cabral – Universidade Federal do Rio de Janeiro / CEFET-RJ – marciamoraisufrj@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho tem por base a teoria semiótica de linha francesa e busca observar os fenômenos de intertextualidade e interdiscursividade como recursos argumentativos nas obras da autora de livros infantis Sylvia Orthof. De acordo com Fiorin, a intertextualidade é “o processo de construção, reprodução ou transformação de sentido” (FIORIN, 2003, p. 29), em que se procede a introdução de um texto em outro, com o sentido de reproduzir ou reiterar o sentido do texto citado ou de transformá-lo. Assim, examinaremos os níveis complexos de referência a outros textos nas obras da autora, considerando a recorrência das figuras que remetem ao tema do universo lúdico do conto de fadas, e como o sentido do texto original é transformado, de modo a complexificar os valores postos em jogo na cena enunciativa. Além disso, observaremos como os procedimentos de debreagem enunciativa da enunciação, produzindo também uma espécie de metaenunciação, é recorrente nos textos, compreendendo como a obra reflete sobre si mesma e sobre o processo criativo da autora.  A análise considera também que essas escolhas do enunciador mobilizam o enunciatário para que este creia nos valores transmitidos, ao mesmo tempo em que constroem a imagem do éthos em que se possa confiar. Assim, pretende-se analisar os recursos de referência a outros textos na obra de Orthof, buscando-se apontar como recuperam valores das narrativas tradicionais para posteriormente negá-los, reforçando valores diversos aos das narrativas dos contos originais, manipulando o enunciatário a crer nesses valores, (re) criando novos sentidos para o texto, bem como o uso desse efeito “meta” constrói a imagem de um ethos irreverente e lúdico.

Palavras-chave: Intertextualidade; Argumentação. Literatura infantil.

 

Minibiografia:

Possui mestrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com dissertação defendida em 2012, em que pesquisou a polifonia em produções textuais de alunos sob o ponto de vista da semiótica e, atualmente, pesquisa, no doutorado, a argumentação em textos da autora de livros infantis Sylvia Orthof, com previsão de defesa em 2017, pela mesma instituição. É professora do Ensino Básico Técnico e Tecnológico do CEFET / RJ, atuando na docência de Língua Portuguesa e Literatura.

 

Comunicação 24

Jornadas de Junho: aspectualização e enunciação

Autor:

Marcos Rogério Martins Costa – Universidade de São Paulo – Marcosrmcosta15@gmail.com

 

Resumo:

Por meio da semiótica discursiva e da tensiva, propomos investigar os conceitos de aspectualização e de enunciação, problematizando-os a partir da categoria de pessoa. Com apoio na noção de ritmo, compreendemos o observador como aquele que percebe o mundo segundo um certo ritmo, regido por uma tensividade. Com base nos estudos de Fiorin (2010), Tatit (2008) e Discini (2006; 2015), perscrutamos a actorialização em textos midiáticos publicados durante as manifestações populares de rua, denominadas “Jornadas de Junho”, que eclodiram na capital paulista e depois se espalharam por todo o País, tornando-se a maior mobilização do período de redemocratização brasileiro, conforme destacam os estudos de Nobre (2013) e Secco (2013). A partir de textos midiáticos publicados nos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, durante o mês de junho de 2013, nos gêneros editorial e reportagem, verificamos que o ator “manifestante” é construído ora de maneira eufórica, ora de maneira disfórica. Essa oscilação fórica se dá por diversos mecanismos de construção discursiva da figuratividade do ator manifestante, bem como por sua tematização às vezes associada ao tema da violência, às vezes vinculada ao núcleo temático da democracia e seus direitos civis. Diante dessas estruturas actorial e actancial complexas, este estudo desdobra os procedimentos de aspectualização do ator do enunciado, conforme Discini (2015), trazendo, assim, contribuições teórico-metodológicas sobre a instância da enunciação.

Palavras-chave: Enunciação; Aspectualização; Ator; Manifestação; Semiótica.

 

Minibiografia:

Doutorando no Programa de pós-graduação em Semiótica e Linguística geral da FFLCH-USP (bolsista CNPq), onde concluiu o Mestrado. Membro do Grupo de Estudos Semióticos da USP – GES-USP, desde 2009, e do Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de São Paulo – GEL, desde 2010. Possui experiência em Língua Portuguesa, Linguística Geral, Semiótica, Análise do Discurso (AD-Francesa) e Estudos do Círculo de Bakhtin com ênfase na análise do conceito bakhtiniano de polifonia nos discursos da arte e da vida.


Comunicação 25

O gênero discursivo debate e suas ressonâncias dialógicas: interação e ideologia em aulas de língua portuguesa

Autores:

Marildo de Oliveira Lopes – UESB – marildolopes@hotmail.com

Márcia Helena de Melo Pereira – UESB – marciahelenad@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho objetiva investigar as dimensões ideológico-discursivas e interacionais presentes em um debate realizado com alunos de Ensino Médio, à luz dos escritos de Bakhtin. Esse autor postula que o signo é ideológico e concebe a enunciação enquanto interação verbal entre sujeitos sócio-históricos, marcada pelo dialogismo, conceito este complexo que, além de se referir à interação entre pessoas, abarca também tanto os discursos anteriores instaurados no enunciado quanto os discursos futuros suscitados por ele. Para perseguir nosso objetivo, realizamos um debate regrado deliberativo com estudantes de Ensino Médio de uma escola pública do interior da Bahia. Ancorados nos postulados de Dolz, Noverraz e Schneuwly, elaboramos uma sequência didática para a realização desse debate. Uma semana após sua execução, os debatedores foram entrevistados pelo pesquisador, que pretendia confirmar o ponto de vista deles acerca de suas ideias, esboçadas durante a argumentação realizada durante o debate. Nossos dados revelam que essa atividade promoveu importante interação entre os estudantes, aproximando-os, estreitando laços de amizade, e envolvendo até mesmo seus familiares em todo o processo. Além disso, nossa análise comprova que os enunciados produzidos durante o debate estão impregnados de outros discursos ditos antes dele. A análise do que foi dito no questionário, no debate e na entrevista (três momentos diferentes da coleta de dados), revela ressonâncias dialógicas entre esses enunciados, produzidos em momentos distintos da atividade, além de corroborar com a ideia bakhtiniana de que todo discurso suscita uma atitude responsiva ativa do interlocutor. As instâncias enunciativas do debate que realizamos revelam que o gênero debate é um território de negociação viva entre sujeitos sócio-historicamente constituídos, acerca daquilo que lhes tocam, daquilo que lhes atravessam, em esferas interacionais e ideológico-discursivas que se materializam na palavra.

Palavras-chave: gênero discursivo debate; interação; ideologia.

 

Minibiografias:

Marildo de Oliveira Lopes é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin/UESB). Possui graduação em Letras (Português, Inglês e respectivas literaturas) pela Universidade Ibirapuera – UNIB, São Paulo/SP. Atua na área de Linguística Textual, pesquisando o gênero discursivo oral debate, em sua dimensão interacional, ideológico-discursiva e argumentativa.

Márcia Helena de Melo Pereira é Professora do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários (DELL) e do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). É doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas, onde também realizou o curso de mestrado em Linguística Aplicada. Desenvolve, atualmente, projeto de pesquisa sobre processo de construção de textos, gênese de textos, relação entre estilo individual e estilo de gênero, crítica genética, autoria e ensino de texto. 


Comunicação 26

Discurso acerca da educação corporativa: estudo da situação enunciativa em um texto do Relatório de Sustentabilidade 2014 da Marcopolo S.A.

Autores:

Marta Cardoso de Andrade; CICS.Nova – UNIFACS – dramartaandrade@gmail.com

Manoel Joaquim Fernandes de Barros – UNIFACS –  manoeljfb@gmail.com

Hélder Uzêda Castro – UNIFACS – helderuzeda@gmail.com

 

Resumo:

Este artigo visa estudar o discurso construído em um texto acerca da educação corporativa, sendo esta entendida como pertencente ao pilar da Responsabilidade Social, o qual compõe o tripé da Sustentabilidade Empresarial, tema recorrente nas publicações organizacionais. A investigação empreendida focou a situação enunciativa explicitada em uma produção textual veiculada no Relatório de Sustentabilidade 2014 de uma multinacional de capital aberto, a Marcopolo. Essa situação foi estudada a partir da embreagem enunciativa (de pessoa, tempo e espaço), servindo precipuamente para a construção discursiva da corporação em questão. Para tanto, foi utilizado como aporte teórico pressupostos da Retórica e da Análise do Discurso de linha francesa, sendo esta última também a metodologia utilizada para a feitura deste trabalho. Igualmente, de forma complementar, a teoria da Sustentabilidade Empresarial foi usada para a compreensão do objeto de estudo escolhido. Para se empreender este artigo e se chegar no resultado esperado acerca da construção do discurso em questão, foram realizadas três análises: a dos dados linguísticos, a dos argumentos e a das estratégias de comunicação empreendidas no texto selecionado para o estudo.

Palavras-chave: Situação Enunciativa. Embreagem Enunciativa. Análise do Discurso. Educação Corporativa. Sustentabilidade Empresarial.

 

Minibiografias:

Marta Cardoso de Andrade – Professora Adjunta da Universidade Salvador (UNIFACS) e da Faculdade Ruy Barbosa. Desenvolve, orienta pesquisas e publica obras nos domínios da Análise do Discurso, linha francesa; Retórica; Linguística Textual; Sustentabilidade Empresarial e Comunicação Corporativa, uma vez que seu foco é o discurso empresarial. Associada à ABRALIN, ao GELNE, à Intercom e à ABRAPCORP. Líder de Grupo e pesquisadora CNPq. Foi presidente do CONRERP.

Manoel Joaquim Fernandes de Barros – Professor Pesquisador do Mestrado em Administração da Universidade Salvador (UNIFACS).  Desenvolve, orienta pesquisas e publica obras nos domínios da Gestão Universitária, Administração e Inovação. Avaliador ad-hoc de projetos da FAPESB, FAPEMIG, FAPESP, FUNADESP, FAPEAM, FUNDECT e IPTAN. Conselheiro do Comitê de Pequena e Média Indústria da FIEB.

Hélder Uzêda Castro – Professor Assistente da Faculdade Ruy Barbosa. Desenvolve, orienta pesquisas  na Universidade Salvador (UNIFACS) e publica obras nos domínios da Análise do Discurso, linha francesa; Retórica; Governança Corporativa; Sustentabilidade Empresarial e Comunicação Corporativa, uma vez que seu foco é o discurso empresarial. Pesquisador CNPq. Associado ao IPCG e ao IBGC.


Comunicação 27

Enunciação e identidade de gênero na mídia brasileira: relações entre textos, práticas e suportes

 

Autor:

Matheus Nogueira Schwartzmann – Universidade Estadual Paulista – Campus de Assis –   matheus_nogueira@uol.com.br

 

Resumo:

Ao observarmos os modos de organização dos discursos sobre sexualidade e sobre a identidade de gênero em uma dada cultura, acreditamos ser possível também descrever o movimento de certas forças sociais que vão sendo cristalizadas, organizando-se em formas de vida autônomas. Tais formas de vida, no entanto, podem ser negadas ou afirmadas, esquecidas ou exaltadas, a depender dos procedimentos enunciativos adotados e da maneira como são retratadas nas mais diversas esferas de circulação de discursos. Tendo isso em vista, e adotando um viés enunciativo, com base especialmente nos pressupostos teóricos da semiótica discursiva, com especial ênfase na teoria das práticas semióticas, o presente trabalho tem por objetivo estudar os modos de construção dos discursos sobre a sexualidade e as identidades de gênero em diversos veículos de mídia brasileiros. Para tanto, oporemos, em um primeiro momento, textos provenientes da mídia tradicional (a televisão e o jornalismo impresso, por exemplo) daqueles provenientes da mídia digital (sites, blogs e redes sociais) para então (1) descrever as estratégias enunciativas envolvidas na construção dos discursos sobre a diversidade de gênero e da sexualidade em cada esfera (tradicional/digital) e (2) observar se a natureza dos suportes, das práticas de circulação e de leitura e dos tipos de texto influenciam e/ou contribuem para a construção de determinados pontos de vista sobre os corpos e as identidades dos sujeitos.

Palavras-chave: enunciação; prática semiótica; suporte; identidade de gênero.

 

Minibiografia:

Professor do Departamento de Linguística da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp (Assis – SP) e do Programa de Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp (Araraquara – SP). Atua na área de Linguística, com ênfase em Semiótica discursiva, com destaque (1) às formas de vida e identidades, (2) à noção de gênero e (3) à relação entre textos, práticas e suportes. 


Comunicação 28

Sexualidade humana na condição homossexual e perspectivas no discurso religioso católico

Autora:

Monika Nascimento de Almeida dos Santos – Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG – moni11@terra.com.br

 

Resumo:

Este trabalho objetiva investigar a sexualidade humana na condição homossexual e suas perspectivas no Discurso Religioso Católico. Compreende-se a sexualidade cristã como algo inerente à personalidade humana, como seu jeito de ser, amar e viver. Buscaremos a compreensão do tema na Tradição Cristã e em Foucault. Segundo Foucault, a sexualidade é dispositivo ideológico para canalizar e limitar os poderes dos corpos (FOUCAULT, 1988, p.75.123). A sexualidade humana estaria dentro de um jogo entre saber e poder, no qual os discursos e os ditos elaborados funcionam como modos de interdição e restrição do prazer. Na perspectiva da Análise do Discurso, na esfera do discurso católico, o trabalho alicerça-se no pensamento de Pêcheux  Maingueneau e Courtine, e na teoria da enunciação em Authier-Revuz e Benveniste. Assim, é fundamental entender a sexualidade nesse discurso e suas implicações na subjetividade humana. Pretendemos, desta forma, analisar à luz dessas teorias, entrevistas de padres de igrejas católicas do Brasil para compreender como esses discursos contribuem ou não na construção da subjetividade na condição homossexual.

Palavras-Chave. Análise do Discurso. Discurso Católico. Sexualidade. Idelogia. Sujeito.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Análise do Discurso na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre em Linguística Cognitiva pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-MG) e pós-graduada em linguística do texto pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em Psicopedagogia pela Universidade Fumec e em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-MG). Membro da Banca de Correções do Exame Nacional de Ensino Nédio (ENEM), bem como da elaboração e correção do SAEB-INEP.


Comunicação 29

Enunciação e práticas educativas digitais: um estudo da plataforma “a hora do ENEM”

Autor:

Naiá Sadi Câmara – Universidade de Franca – naiasadi@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados de um estudo acerca da diversidade dos procedimentos enunciativos em plataformas educativas digitais. Partimos do pressuposto de que essas plataformas configuram práticas educativas predominantemente fundamentadas pelos eixos da dinamicidade, da mistura e da diversidade de gêneros e tipos textuais, e pela convergência midiática e multimodal, em que predomina a modalidade audiovisual. Desse ponto de vista, intrigou-nos verificar que modificações a mobilidade e a ubiquidade das práticas educativas desses espaços digitais imprimem nas estratégias enunciativas de instauração da relação espaço-temporal, já que essa relação revela as estruturas às quais o pensamento e a sensibilidade dos sujeitos se conformam. Dessa perspectiva, selecionamos investigar a plataforma educativa “A hora do Enem”, fundamentando nosso estudo sobre as possibilidades enunciativas de articulação da relação espaço tempo compreendidas com base nos conceitos da semiótica tensiva de Fontanille e Zilberberg que compreendem a significação pela perspectiva que assume no campo de presença em uma dada situação comunicativa entre as dimensões sensível e inteligível. Segundo Zilberberg (2011, p.124), o tempo “é uma subdivisão da extensidade e a temporalidade e a espacialidade estão em correlação conversa entre si, donde a frequência das transposições leva, conforme o caso, quer à temporalização do espaço, quer à espacialização do tempo.” Tendo em vista que as inovações tecnológicas interferem sobremaneira na quebra da linearidade espaço-temporal, pretendemos identificar os efeitos de sentidos que as variações na percepção dessa relação provocam nessas práticas educativas multiplataformas.

Palavras-chave: enunciação; práticas educativas; diversidade; espacialidade; temporalidade.

 

Minibiografia:

Professora pesquisadora do programa de mestrado em Linguística da Universidade de Franca. Doutora em Linguística pela UNESP e Pós doutora em Imagem e Som pela UFSCAR. É membro dos grupos de pesquisas Actantes (UNIFRAN); do grupo GEMInIS (UFSCAR); da rede de pesquisadores Obitel Brasil/UFSCar.


Comunicação 30

A figura da mulher e a diversidade de estilos

 Autora:

Norma Discini – USP – normade@uol.com.br

 

Resumo:

Remontando à tradição dos estudos enunciativos conforme assimilados pelos estudos do discurso, temos em vista examinar o processamento do corpo do sujeito da enunciação, na medida em que se firma, numa totalidade de enunciados, um modo recorrente dizer, que remete a um modo próprio de ser no mundo. Par a par com a herança vinda da retórica aristotélica, estaremos diante do sujeito do estilo, como a imagem de quem diz dada pelo modo de dizer – o éthos, apreensível do lógos, entre o  quais permeia o páthos: a “imagem do auditório” e o princípio que move a paixão. Verificar como esse modo de dizer se compõe na valoração ética feita do ator do enunciado definido na figura da mulher trará à luz o cruzamento necessário entre enunciação e enunciado, enquanto fará emergir o corpo do produtor discurso como um esquema semântico e como um algoritmo da percepção. Tomaremos então para análise distintas representações da feminilidade: no romantismo brasileiro, com José de Alencar, a mulher escrava, a ama de leite, na peça de teatro “Mãe”; no modernismo, com Mário de Andrade, no conto “Atrás da Catedral de Ruão”, a mulher preceptora de jovens adolescentes, a quarentona que sofre de “males do sexo” nomeada como Mademoiselle. A diversidade na construção desses corpos femininos no enunciado deverá comprovar variadas maneiras de fazer crer em valores sociais e históricos, contingentes como os próprios corpos; entretanto, acima de tudo, deverá demonstrar como a relação com o tempo-espaço da percepção orienta o devir de um sujeito-no-mundo, o sujeito do estilo. Estas reflexões apontarão para um método de estudo de literatura avesso a um olhar que privilegia a linearidade e a relação de causa e efeito entre uma escola literária e outra.

Palavras chave: enunciação; estilo; ator; valor; percepção.

 

Minibiografia:

Norma Discini é professora associada do programa de pós-graduação do Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É autora de “Intertextualidade e conto maravilhoso”,  “O estilo nos textos”, “A comunicação nos textos”, “Corpo e estilo”, obras voltadas para questões da enunciação, do discurso e do estilo, domínio do conhecimento em que desenvolve orientações de mestrado, de doutorado e supervisões de pós-doutorado.


Comunicação 31

A imagem do brasileiro em livros de Português do Brasil para Estrangeiros

Autora:

Oriana de Nadai Fulaneti – Universidade Federal da Paraíba (Brasil) – od.fulaneti@uol.com.br

 

Resumo:

Com o advento da globalização e de outros fenômenos mundiais, cresceu na primeira década dos anos 2000 a quantidade de estrangeiros interessados no Brasil como um destino de residência ou de estabelecimento de parcerias educacionais e profissionais. Concomitantemente, houve um aumento no interesse pelo conhecimento da língua portuguesa e um progressivo crescimento no número de inscritos para a realização do Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras), exame desenvolvido e outorgado pelo Ministério da Educação que, em 2016, totalizou mais de dez mil candidatos em suas duas versões. Um dos principais meios para a preparação para um exame de proficiência e para o aprendizado de uma língua estrangeira é a realização de cursos de idiomas, os quais são ministrados, em grande parte, com o uso de livro didático. Nesse contexto, o objetivo desta comunicação é mostrar alguns resultados de uma pesquisa que tem sido desenvolvida sobre a imagem de brasileiro presente em livros didáticos de Língua Portuguesa do Brasil para Estrangeiros. Para isso, realizamos a análise do material à luz da teoria semiótica greimasiana. Adotando a perspectiva de Benveniste, a semiótica francesa considera que o enunciado é produto de um ato de linguagem no qual um enunciador, levando em consideração seu enunciatário, realiza inúmeras escolhas enunciativas na produção de seu enunciado, tais como valores; tipo de narratividade; projeções das categorias de pessoa, tempo e espaço; referências de autoridade; seleção dos temas e a forma de explorá-los; vocabulário; relações interdiscursivas, etc. A recorrência desses traços, ou de alguns deles, ao longo dos textos delineia um estilo, um modo de dizer, que confere à totalidade estudada uma identidade e projeta uma imagem (ethos) do sujeito da enunciação. Resultados prévios revelam a presença de diversos estereótipos na apresentação do nosso país.

Palavras-chave: enunciação; semiótica discursiva; livro de português para estrangeiros; ethos.

 

Minibiografia:

É professora adjunta de Linguística e Língua Portuguesa na Universidade Federal da Paraíba. Mestre e doutora em Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo, com estágio doutoral na Université Paris VIII, França. Tem pesquisas e publicações sobre as temáticas de enunciação, paixões e interações sociais, comunicação e estratégia e imagens de si.


Comunicação 32

Enunciação e novas mídias: um estudo de caso da transmídia The Inside Experience

Autores:

Patrícia Margarida Farias Coelho – Universidade de Santo Amaro – patriciafariascoelho@gmail.com

Marcos Rogério Martins Costa – Universidade de São Paulo – Marcosrmcosta15@gmail.com

 

Resumo:

A transmídia consiste em uma narrativa primeira vinculada a uma nave-mãe (mídia principal) que se desdobra em diferentes mídias a partir das ações dos fãs e de outros veículos comunicacionais (JENKINS, 2009). Compreendendo a crescente difusão de transmídias pela internet, problematizamos a narratividade de uma narrativa transmídia por um viés semiótico (GREIMAS; COURTÉS). A partir da transmídia The experience inside lançada em 2011 por Toshiba e Intel, abordamos duas questões: (i) como os conteúdos sintáticos e semânticos circulam de uma mídia para outra em uma narrativa transmídia? (ii) e se essa extensão transmidiática – isto é, a extensão de uma mídia principal para outras mídias – interfere na instância da enunciação, em particular na relação enunciador e enunciatário? Para tanto, tripartimos metodologicamente este estudo nos seguintes tópicos: (i) estratégias da enunciação, no qual discutimos o conceito de enunciação e as estratégias discursivas e narrativas utilizadas para criar o efeito de proximidade e distanciamento da instância da enunciação; (ii) análise semiótica da campanha The experience inside, no qual examinamos o nível narrativo, discursivo e fundamental do corpus selecionado e (iii) transmídia e narratividade, no qual debatemos quais são as contribuições da análise realizada e suas projeções teórico-metodológicas que iluminam os dois questionamentos propostos.

Palavras-chave: Enunciação. Semiótica discursiva. Transmídia. Novas mídias. Comunicação.

 

Minibiografias:

Patrícia Margarida Farias Coelho  – Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Pós-Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital da PUC-SP com bolsa da Fapesp. Professora titular no Curso de Mestrado Interdisciplinar em Ciências Humanas na UNISA (Universidade Santo Amaro) e coordenadora da Relações Internacionais da mesma Instituição. Tem experiência na área de Comunicação, Midias Digitais e Lingüística, com ênfase em Semiótica Francesa.

Marcos Rogério Martins Costa – Doutorando no Programa de pós-graduação em Semiótica e Linguística geral da FFLCH-USP (bolsista CNPq), onde concluiu o Mestrado. Membro do Grupo de Estudos Semióticos da USP – GES-USP, desde 2009, e do Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de São Paulo – GEL, desde 2010. Possui experiência em Língua Portuguesa, Linguística Geral, Semiótica, Análise do Discurso (AD-Francesa) e Estudos do Círculo de Bakhtin com ênfase na análise do conceito bakhtiniano de polifonia nos discursos da arte e da vida.


Comunicação 33

O texto midiático sob a perspectiva da (inter)subjetividade linguística

Autores:

Patrícia da Silva Valério – Universidade de Passo Fundo/RS/Brasil – patriciav@upf.br

Marlete Sandra Diedrich – Universidade de Passo Fundo/RS/Brasil – marlete@upf.br

 

Resumo:

Os estudos linguísticos – em especial as teorias do texto e do discurso – têm muito a contribuir para a problematização dos sentidos emergentes dos textos. Este artigo analisa um texto veiculado na revista Veja em maio de 2016, poucos dias antes da votação do processo de impeachment de Dilma Rouseff, à luz de conceitos derivados de textos de Bakhtin e seu Círculo. Parte-se de uma concepção interacional da linguagem, que compreende o texto não como uma abstração, mas como um elo da comunicação discursiva entre dois parceiros, aquele que produz e aquele que lê o texto. Nesse sentido, entende-se o processo de compreensão de um texto como um exercício responsivo, que só se efetiva quando o leitor/ ouvinte participa plenamente, concordando, discordando, executando ordens, fazendo objeções. Assim, a partir de um olhar exotópico, observam-se, no texto escolhido, o estilo composicional, o tom valorativo assumido pelas escolhas linguísticas, a heteroglossia e a heteroglossia dialogizada, para descrever possíveis efeitos de sentido decorrentes das escolhas textuais. Utilizam-se,como suporte teórico, textos de Bakhtin e Voloshinov e de leitores qualificados de suas obras. Acredita-se que os estudos linguísticos, em especial a teoria bakhtiniana da linguagem, têm muito a contribuir para a problematização dos sentidos emergentes dos textos midiáticos na medida em que apontam para a impossibilidade de pensar o texto fora das relações com a intersubjetividade que o constitui.

Palavras-chave: Estilo composicional. Tom valorativo. Heteroglossia. Intersubjetividade.

 

Minibiografias:

Patrícia da Silva Valério – Mestre em Letras (UPF, 2005), Doutora em Linguística Aplicada (UNISINOS, 2015). Professora do Curso de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo. Atua na linha de pesquisa Constituição e Interpretação do Texto e do Discurso.

Marlete Sandra Diedrich – Mestre em Linguística (PUCRS, 2001), Doutora em Estudos da Linguagem – Teorias do Texto e do Discurso (UFRGS, 2015). Professora do Curso de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo.  Atua na linha de pesquisa Constituição e Interpretação do Texto e do Discurso.


Comunicação 34

Interações enunciativas em comentários de blogs jornalísticos opinativos

Autores:

Regina Souza Gomes – Universidade Federal do Rio de Janeiro – reginagomes@letras.ufrj.br

Tiana Andreza Melo Antunes – Faculdades CNEC Ilha – tiandreza2011@gmail.com

 

Resumo:

Esse trabalho tem como objetivo analisar, a partir dos fundamentos da semiótica de linha francesa, os comentários a textos opinativos de variados temas relativos a comportamentos sociais e à política, publicados em blogs vinculados a jornais da mídia eletrônica (tais como a Folha de S. Paulo, Carta Capital, O Globo, GGN, entre outros), observando como se constrói a interação não só entre os actantes figurativizados como comentadores e blogueiros mas também entre os comentadores entre si. Serão observadas as escolhas enunciativas que instauram: (i) a presença frequente de um dizer apaixonado; (ii) a construção argumentativa da confiança e da desconfiança, da qualificação e da desqualificação do dito, do modo de dizer e dos sujeitos envolvidos na interação enunciativa; (iii) a aspectualização actancial marcada pelo excesso e pela intensidade; (iv) as descontinuidades temáticas e figurativas recorrentes, comprometendo a unidade semântica global das interações, criando efeitos de sentido específicos. Procuramos verificar como o emprego desses recursos contribuem para a construção de pontos de vista ruidosos, polêmicos e polarizados.

Palavras-chave: Enunciação. Paixões. Argumentação. Comentários em blogs.

 

Minibiografias:

Regina Souza Gomes – Professora Associada do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, coordena o grupo de pesquisa Núcleo de Pesquisas em Semiótica (NUPES-UFRJ) e é pesquisadora do SEDI-UFF (Semiótica e Discurso). É vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Semióticos (ABES). Desenvolve pesquisas, publica e orienta trabalhos sobre enunciação e aspectualização, sincretismo de linguagens, discursos digitais e argumentação.

Tiana Andreza Melo Antunes – Mestre e doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é professora das Faculdades CNEC Ilha – Rio de Janeiro. Realiza pesquisas em semiótica de linha francesa, sobretudo se interessando pelo aspecto passional dos discursos. É pesquisadora dos grupos brasileiros NUPES-UFRJ e SeDi-UFF.


Comunicação 35

A construção e a marcação de tempo em textos em libras

Autora:

Renata Lúcia Moreira – Universidade de São Paulo – reka@usp.br

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é apresentar as especificidades dos mecanismos de instauração e organização do sistema temporal de textos em língua de sinais brasileira (libras). Este estudo foi realizado no âmbito da teoria semiótica de linha francesa e teve como proposta central a descrição e a análise de seis textos narrativos sinalizados por surdos ou intérpretes fluentes na língua. A ideia foi levantar todas as formas como a libras expressa o presente, o passado e o futuro em seus discursos, descrevendo, assim, o que Greimas & Courtés (2012) denominam como sendo a localização temporal e os efeitos de sentido da instauração do tempo. Estudos sobre diferentes línguas de sinais, como os de Liddell (2003), de Finau (2004), de Johnston & Schembri (2007) e de Sinte (2013), têm apontado que, embora não haja marcas morfológicas de flexão de tempo nos verbos das línguas sinalizadas, há outros elementos gramaticais e discursivos envolvidos na construção das relações temporais no interior dos textos, como gestos manuais, que são itens lexicais dicionarizados com função de advérbio, como HOJE, ONTEM, AMANHÃ, etc., e gestos não manuais, como os movimentos do tronco e a direção do olhar do sinalizador, que não são marcadores específicos de tempo nessas línguas. Esta pesquisa tomou como base para a análise o trabalho realizado por Fiorin (2002) no português brasileiro, para mostrar que a marcação do tempo em libras também é feita por itens lexicais de tempo dicionarizados, por meio de debreagens enunciativas e enuncivas, mas que, na maioria dos casos, quando não há uma marca temporal específica no texto, a construção temporal é realizada por meio de uma embreagem heterocategórica, que permite uma neutralização das categorias da enunciação (pessoa, espaço e tempo).

Palavras-chave: libras; tempo; enunciação; debreagem; embreagem.

 

Minibiografia:

Professora temporária do Departamento de Linguística da Universidade de São Paulo (USP). Bacharel em Letras – Português e Linguística, com metrado e doutorado em Linguística pela USP. Desenvolveu pesquisas sobre a enunciação da língua de sinais brasileira (categoria de pessoa e de tempo), sob a perspectiva da semiótica greimasiana.


Comunicação 36

A tradução como jogo de estratégias entre duas enunciações

Autora:

Renata Mancini – UFF/SeDi – renata.mancini@gmail.com

 

Resumo:

Analisar os processos de tradução como estratégias de um sujeito da enunciação para estabelecer, em maior ou menor grau, uma identidade entre duas obras, abre caminhos de análise bastante sólidos e variados. Se por um lado podemos nos debruçar sobre as marcas da enunciação deixadas no enunciado para desenhar as estratégias que dão corpo ao fazer pesuasivo inerente ao diálogo entre enunciador e enunciatário, por outro podemos tomar a obra enquanto práxis enunciativa em devir e explorar as aberturas da abordagem tensiva para a análise do texto enquanto interface sensível. Em ambos os casos, existe um ponto de vista atuando como base sobre a qual o enunciado se constrói e se sustenta, sendo a tônica ditada por esta perspectiva a responsável pelos direcionamentos do discurso e pelas escolhas textuais. Nosso trabalho procurará mostrar os ganhos de entender essa perspectiva de base não apenas enquanto entidade pressuposta e cujas marcas deixadas no enunciado são sua única via de acesso, mas também restituir à enunciação o estatuto de performance, de ato singular que nem por isso deixa de ser passível de análise. Revisitamos, assim, o enfoque benvenistiano em outras bases, o que neste trabalho será exemplificado com alguns exemplos de traduções interlinguais e intersemióticas, trazendo à tona a ideia de tradução como recriação.

Palavras-chave: Tradução intersemiótica, tradução interlingual, recriação, enunciação.

 

Minibiografia:

Professora de Linguística e Semiótica na Universidade Federal Fluminense, onde atua no Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem. Foi coordenadora do GT de Semiótica da ANPOLL (2014-2016) e é pesquisadora do Grupo  Semiótica e Discurso da UFF. Desenvolve pesquisa e orienta trabalhos em torno das temáticas da tradução intersemiótica e interlingual, e da construção de linguagens híbridas.


Comunicação 37

A presença da metaenunciação na interação falada: estratégias de construção de sentidos e da compreensão

Autora:

Sílvia Fernanda Souza Dalla Costa. Instituto Federal Catarinense – IFC/ Universidade Presbiteriana Mackenzie – UPM – silvia.costa@ifc-concordia.edu.br

 

Resumo:

A metaenunciação em interações faladas é o objeto de investigação desta pesquisa que se situa no âmbito dos estudos da enunciação. Descrever e analisar os procedimentos metaenunciativos e mostrar que tais procedimentos constituem estratégias de produção de sentidos e de construção da compreensão entre os interlocutores foi objetivo geral. Os pressupostos teóricos pautaram-se no dialogismo bakhtiniano, na heterogeneidade linguística e, no contexto desta, nos estudos sobre metaenunciação feitos por Authier-Revuz (1998 e 2004). Neste simpósio, será apresentado como as atividades metaenunciativas contribuem para a busca de compreensão na interação falada, seja em situações em que se instalam problemas de compreensão entre os interlocutores e se buscam soluções para eles, seja nas quais o falante recorre à metaenunciação como medida “profilática” para se antecipar ao surgimento de um eventual problema de compreensão. Como corpus, foram selecionados inquéritos do tipo D2 (diálogos entre dois informantes), pertencentes ao arquivo sonoro do Projeto NURC (Norma Urbana Culta), do Rio Grande do Sul, organizados por Hilgert (2009). Após audições e análise do corpus, selecionaram-se inquéritos que apresentaram maiores evidências de procedimentos metaenunciativos. Na sequência, os procedimentos encontrados foram analisados a partir das quatro categorias de atividades metaenunciativas (não-coincidências do dizer) propostas por Auhtier- Revuz (1998, 2004); descreveu-se a estrutura formal dos enunciados metaenunciativos de cada categoria e analisaram-se  a função geral e as funções específicas deles nas diferentes ocorrências. Em termos gerais, considerando que se analisaram as atividades metaenunciativas como instâncias de produção de sentidos, observou-se que duas categorias estão voltadas, prioritariamente, para a constituição dos sentidos das palavras em relação ao discurso; já as outras duas envolvem papéis interacionais dos interlocutores. De forma abrangente, as quatro categorias buscam assegurar o sucesso do processo interativo, que decorre tanto da sintonia interlocutiva na construção dos sentidos, quanto da garantia do falante em ser compreendido pelo ouvinte.

Palavras-chave: metaenunciação; enunciação; conversação; compreensão; sentido.

 

Minibiografia:

Professora da área de Linguagens, códigos e suas tecnologias, no Instituto Federal Catarinense – IFC Campus Concórdia. Doutora em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie – UPM.  Desenvolve pesquisas na área da enunciação no texto falado, bem como sobre temáticas que envolvam o ensino de Língua Portuguesa. Atualmente é pós-doutoranda do Programa de Pós-graduação em Letras da UPM, sob orientação do Prof. Dr. José Gaston Hilgert.


Comunicação 38

Temas e figuras em Velho Chico: um olhar para o enunciatário

Autoras:

Simone Aparecida de Campos Portela Oliveira – Universidade Federal Fluminense – UFF – simone.portela@ifsudestemg.edu.br

Roberta Vecchi Prates
- Universidade Federal Fluminense – UFF – roberta.vecchi@ifsudestemg.edu.br

 

Resumo:

Para a Semiótica Discursiva, o percurso gerativo de sentido refere-se ao plano de conteúdo de um texto e preocupa-se com o modo como o sentido nele é construído. Calcado na teoria da Semiótica Discursiva, o presente trabalho analisa a telenovela Velho Chico, pois a obra em estudo é um “todo de significação” ao produzir em si mesma as condições contextuais de sua leitura. A pesquisa busca, inicialmente, sob o olhar da Semiótica, referências em Barros, Fiorin, Bertrand, Fontanille e Greimas. Transmitida em horário nobre pela Rede Globo, entre os meses de março e setembro de 2016, Velho Chico teve direção artística de Luiz Fernando Carvalho. Dividida em três fases, inicia-se no final da década de 60 e chega até os dias atuais. É uma história de amor, cheia de desencontros e paixões: amor dos ribeirinhos pelo São Francisco, seus encantamentos, sua beleza arrebatadora e comovente, mas também de suas mazelas sociais e de seu abandono. É uma novela para se ouvir, ver e pensar o Brasil. Ao abordar temáticas como religiosidade, coronelismo, cultura ribeirinha, educação, política, agroecologia e sustentabilidade, ressalta em diversos momentos o modelo de desenvolvimento brasileiro e apresenta o microcosmo família em consonância com um macrocosmo de questões sociais. O conteúdo também envolve confrontos, histórias de amor e poder, para tratar de situações reais e dramáticas, reunindo elementos expressivos de épocas, estilos e regiões, que resultam em um processo de entretenimento, mas, sobretudo, estimula o senso crítico, ao tocar em questões sociais. Dessa forma, a pesquisa objetiva analisar os temas e figuras utilizados na telenovela, a fim de observar o modo de inter-relação com o enunciatário e em que medida seu discurso constrói novos conceitos ao apresentar questões históricas, políticas, sociais, culturais e econômicas.

Palavras-chave: Telenovela; Velho Chico; Semiótica; Enunciação.

 

Minibiografias:

Simone Aparecida de Campos Portela Oliveira -Doutoranda em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal Fluminense. Possui Mestrado em Letras pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. Atualmente é professora EBTT do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais, Campus Muriaé. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa, Redação e Literatura.

Roberta Vecchi Prates – Doutoranda em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal Fluminense. Possui Mestrado em Educação Agrícola pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, graduação em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente é professor de EBTT do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais, na área de Ciência da Linguagem. Área de Linguagens: Língua Portuguesa, Português Instrumental, Produção de Texto Técnico-científico e Redação Técnica.


Comunicação 39

Enunciação imbecil e moral linguageira

Autor:

Sírio Possenti – UNICAMP – CNPq – FEsTA – siriop@terra.com.br

 

Resumo:

Em uma cerimônia, em 2015, Umberto Eco tratou como imbecis certos sujeitos que dizem nas redes os que antes só se dizia em bares, depois de alguma bebida. Evidentemente, foi apoiado e combatido. Assumindo como ponto de partida a tese de Eco e sua definição (pouco clara), este trabalho se desenvolve em duas direções: a) uma tentativa de esclarecer, e de tomar posição em relação a ela, sobre o que seria uma enunciação imbecil (tema? tom? ponto de vista? lugar de enunciação?); b) avaliar o que ela significaria, em relação, por exemplo, a uma teoria das faces / da cortesia / moralidade. Em outras palavras, trata-se tanto do que se diz quanto do modo de dizer: temas tabus ou discursos combatidos por instituições democráticas, defensoras dos direitos humanos, no primeiro caso; discursos agressivos, insolentes, grosseiros, no segundo. O tema será abordado intuitivamente a partir das categorias público / privado e, em seguida, à luz da proposta de Marie-Anne Paveau (Linguagem e moral, Campinas, Editora da Unicamp), segundo a qual há uma ética / moral da linguagem, que se revela particularmente nas avaliações “leigas” da língua – como em “afirmações inaceitáveis”, “frases revoltantes”, “posições insustentáveis”, “má fé”, “abuso das palavras”, “afirmação mentirosa” etc. O corpus será constituído fundamentalmente por intervenções nas redes sociais, especialmente no facebook, sem, no entanto, excluir outros meios, como jornais e revistas.

Palavras-chave: face; cortesia; moral; (in)adequação.

 

Minibiografia:

Sírio Possenti é licenciado em Filosofia (1966). Tem mestrado (1977) e doutorado (1986) em Linguística. É professor no Departamento de Lingüística da Universidade Estadual de Campinas. Estuda humor, discurso jornalístico e publicitário. Dedica-se aos textos breves, especialmente piadas, pequenas frases e fórmulas. Publicou diversos livros e mantém um blog em que divulga lingüística.


 Comunicação 40

Língua, enunciação e o ensino da  leitura

Autora:

Sonia Merith-Claras – Universidade Estadual do Centro Oeste – UNICENTRO – soniaclame@gmail.com

 

Resumo:

Pensar o ensino da língua,  aliando-a às questões de leitura  do texto/gênero, o qual, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais e a Base Nacional Comum Curricular – em sua versão preliminar, deve ser o objeto de ensino, ainda é um desafio para a escola. Quer seja,  o ensino da língua portuguesa ainda requer  uma  metodologia de abordagem que dê conta de compreendê-la não como estrutura isolada, mas em funcionamento. Assim, neste trabalho, à luz da Semiótica Discursiva,  nosso objetivo é apresentar um estudo do texto, mais precisamente do conto de Lygia Fagundes Telles, Venha ver o pôr-do-sol, evidenciando os sentidos imanentes a partir das projeções da enunciação, reconhecendo as escolhas de um enunciador pela enuncividade, ou não, a partir de elementos da língua. Paralelo ao estudo dos recursos de debreagem/embreagem no texto, nosso intuito é relacionar aos fenômenos liguísticos, outros fatores que interferem nos sentidos da obra em questão, tais como: as estratégias de manipulação entre os sujeitos da narrativa, e entre enunciador/enunciatário, bem como a organização dos percursos figurativos e as  temáticas subjacentes. Por fim, nosso objetivo é demonstrar, a partir dos preceitos da teoria semiótica, que é possível realizar o estudo da língua, atrelando-a aos sentidos produzidos nos processo de leitura do texto, ou ainda, que a compreensão/leitura de um texto é o resultado, também, de escolhas, marcas deixadas, ou não, por um enunciador no enunciado.

Palavras-chave: Enunciação; língua; produção de sentidos; leitura.

 

Minibiografia:

Professora do quadro efetivo do Departamento de Letras da UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro Oeste. Doutora em Estudos da Linguagem pela Universidade Estadual de Londrina. Líder do Grupo de Pesquisa Ensino de Língua e literatura, filiada à linha de pesquisa Ensino de Língua e literatura e Formação inicial de professores. Membro do Laboratório em Estudos Linguísticos e Literários (LABELL).


Comunicação 41

Estratégias (d)enunciativas no discurso inconsciente

Autor:

Waldir Beividas – USP    waldirbeividas@gmail.com

 

Resumo:

A enunciação e seu sujeito, tematizados pioneira e decisivamente por E. Benveniste nos anos 50 e 60 de seu século, vem ganhando ultimamente o centro das atenções e análises da teoria semiótica europeia, nascida da linguística de L. Hjelmslev e recriada pela teoria narrativa de A. J. Greimas. Isso se dá mormente porque a teoria semiótica vem rapidamente ampliando o foco de suas observações: da enunciação fixada nos textos enunciados (literários, pictóricos, publicitários, cinematográficos), à enunciação evanescente nas “práticas semióticas” de interação cotidiana, numa conversação, numa visita a museu, no uso do metrô e, mais recentemente, à frente dos games internéticos, dos i-pads e i-phones, onde se desenrola um “campo de presença” fugaz entre os parceiros da interação. Uma dessas práticas, ou antes, um desses campos de presença é a situação clínica da análise terapêutica entre um paciente e seu analista. Uma isotopia furtiva (do desejo inconsciente) se denuncia num conjunto sutil de estratégias enunciativas tematizadas, pioneiramente e a seu modo, pelo criador da psicanálise S. Freud. A teoria semiótica da enunciação está em déficit perante esse tipo de estratégias. Fenômenos enunciativos como a “denegação”, o “recalcamento”, o “ato falho” os esquecimentos de nomes, de datas,  o “deslocamento” e tantas outras formas pelas quais uma “censura” encaminha ou obstrui a enunciação do discurso nessa situação analítica, e também na situação real da vida, constituem um conjunto de estratégias enunciativas, a ampliar o volume das suas “astúcias” (cf. o livro de Fiorin As astúcias da enunciação), que permanecem ainda à margem dos estudos semióticos sobre a enunciação. Urge repará-lo num exame de interface em que a metodologia descritiva da semiótica seja acionada para examinar e “semiotizar o inconsciente” da psicanálise, isto é, para explicitar e conceptualizar os meandros discursivos por onde ça parle (Lacan).

Palavras-chave: semiótica, enunciação, campo de presença, inconsciente, isotopia.

 

Minibiografia:

Professor livre-docente na Universidade de São Paulo. Suas pesquisas se situam na interface Semiótica, Psicanálise e Epistemologia. Publicações principais : Inconsciente et verbum. Psicanálise, semiótica, ciência, estrutura. São Paulo : Humanitas, 2000; Inconsciente & Sentido. Ensaios de Interface. Psicanálise, Linguística, Semiótica. São Paulo : Annablume, 2009; La théorie sémiotique comme épistémologie immanente. Une troisième voie de la connaissance. Limoges : Lambert-Lucas, 2017.