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Simpósio 64

SIMPÓSIO 64 – TRANSVERSALIDADE DA LÍNGUA PORTUGUESA E SEU VALOR NA SOCIEDADE DO SÉC. XXI

 

Coordenadoras:

Cristina Manuela Sá | Universidade de Aveiro | cristina@ua.pt

Maria João Macário | Universidade de Aveiro – LEIP | mjoao.macario@ese.ipsantarem.pt

Cristina Vieira da Silva | Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti | cristina.vieira@esepf.pt

 

Resumo:

Para viver a cidadania de modo informado e crítico, é indispensável ter um pleno domínio da língua materna, que permitirá utilizá-la para comunicar e adquirir/aprofundar competências e conhecimento.

Mas dominar a língua materna (neste caso, a língua portuguesa) implica ter conhecimento/consciência do lugar que esta ocupa no mundo, entre as outras línguas. Contactar com outras línguas ajuda-nos a ter mais consciência do que faz a originalidade da nossa própria língua.

Se queremos que os alunos dos vários níveis de ensino se apropriem desta nova forma de ver a língua materna, temos de atuar junto dos profissionais da Educação.

Por conseguinte, na esteira de estudos em curso no Laboratório de Investigação em Educação em Português (LEIP) da Universidade de Aveiro (UA), o tema de base deste simpósio prende-se com representações de variados públicos (nomeadamente futuros profissionais da Educação e os que já estão no ativo) sobre a língua portuguesa e a lusofonia, práticas que as operacionalizem, instrumentos que as possam apoiar e experiências de formação neste contexto.

Palavras-chave: Lusofonia, Representações, Práticas pedagógico-didáticas, Instrumentos, Formação. 

 

Minibiografias:

Cristina Manuela Sá é doutorada em Didática pela Universidade de Aveiro, onde exerce funções de docente, orientadora da prática pedagógica supervisionada e investigadora desde 1985. É membro do Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores e cocoordenadora do Laboratório de Investigação em Educação em Português (LEIP). Interessa-se particularmente pela transversalidade da língua portuguesa.

Maria João Macário é doutorada em Didática e Formação, Ramo de Didática e Desenvolvimento Curricular, pela Universidade de Aveiro.  É membro do Laboratório de Investigação em Educação em Português (LEIP), estrutura do Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF), da Universidade de Aveiro.

Cristina Vieira da Silva concluiu doutoramento em Linguística pela Universidade Nova de Lisboa. Desde 2004, é Professora Coordenadora da Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, onde leciona na formação inicial e pós-graduada e dirige o Mestrado em Ciências da Educação – Animação da Leitura. Desde 2013, participa, como membro integrado, do Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Promoção da língua portuguesa no mundo: um estudo na formação de professores e educadores de infância

Autora:

Cristina Manuela Sá – LEIP/CIDTFF[1] – Universidade de Aveiro – cristina@ua.pt

 

Resumo:

Viver a cidadania de modo informado e crítico pressupõe um pleno domínio da língua materna, para comunicar e adquirir/aprofundar conhecimento e competências.

Contactar com outras línguas ajuda-nos a ter uma melhor perceção dos contornos da nossa própria língua. Ao invés de diminuir o seu interesse pela língua materna, leva-nos a compreender melhor o lugar que esta ocupa no mundo e até a tomar consciência de dimensões desta que até aí nos tinham passado despercebidas. Por outro lado, é indispensável tomar consciência do facto de que qualquer língua (incluindo a nossa língua materna) não é falada de modo uniforme, antes admite variedades.

Se queremos que os alunos dos vários níveis de ensino se apropriem desta nova forma de ver a língua materna, temos de atuar junto dos profissionais da Educação.

Este texto refere-se a um estudo exploratório, desenvolvido em unidades curriculares de um mestrado profissionalizante (para formar futuros educadores de infância/professores do 1º Ciclo) e de um mestrado académico (destinado a professores de vários níveis de ensino a desempenhar funções em Bibliotecas Escolares). Recorremos a um questionário (adaptado de um outro aplicado num estudo exploratório anterior, que decorreu no LEIP/Laboratório de Investigação em Educação em Português), para identificar representações iniciais destes públicos sobre a língua portuguesa e a lusofonia, a fim de melhor orientar a sua formação para a procura de soluções para os desafios profissionais. De seguida, comparámos os resultados da análise das suas respostas. Recorremos essencialmente à análise de conteúdo para tratar os dados recolhidos, complementando-a com estatística descritiva (frequências absolutas e relativas). Este estudo revelou vários preconceitos, que afetavam a forma como estes profissionais (e futuros profissionais) da Educação percecionavam a língua portuguesa e a lusofonia e, obviamente, influenciavam (ou poderiam vir a influenciar) as suas práticas pedagógico-didáticas, afetando igualmente os seus (futuros) alunos.

Palavras-chave: Lusofonia; Língua Materna; Transversalidade da língua portuguesa; Representações; Formação de profissionais da Educação.

 

Minibiografia:

É doutorada em Didática pela Universidade de Aveiro, onde exerce funções de docente, orientadora da prática pedagógica supervisionada e investigadora desde 1985. É membro do Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores e cocoordenadora do Laboratório de Investigação em Educação em Português (LEIP). Interessa-se particularmente pela transversalidade da língua portuguesa.


Comunicação 2

A poesia promovendo o trabalho integrado e colaborativo na escola: uma contribuição à formação de professores da Educação Básica

Autoras:

Regina Osório – Universidade de Aveiro – regina.osorio@ua.pt

Filomena Martins – Universidade de Aveiro – fmartins@ua.pt

 

Resumo:

Este estudo, desenvolvido através de uma investigação-ação, busca aprofundar a compreensão sobre o papel da poesia e de sua abordagem associado à integração curricular e ao trabalho colaborativo, em programas de formação de professores, inicial e continuada, visando à mudança de uma prática docente solitária para uma prática mais reflexiva e solidária. Esta investigação desenvolveu-se em uma escola pública de São Paulo – Brasil, com professores de diferentes disciplinas, coordenação pedagógica e estagiários do curso de Letras de duas universidades privadas. Com o propósito de contribuir para o debate, associamos o estudo teórico à investigação empírica, numa investigação-ação, recorrendo à observação participante e às entrevistas semiestruturadas. Elegemos para este trabalho três grandes eixos e suas respectivas referências teóricas: i) formação de professores; ii) currículo e desenvolvimento curricular; e iii) poesia e abordadem da poesia. Com base nesses eixos, elaboramos e desenvolvemos o estudo empírico que nos mostrou sua relevância através dos resultados obtidos: viabilidade de construção e implementação de projetos interdisciplinares nas escolas da rede pública; importância da interação entre professores e restante comunidade escolar; humanização do ambiente escolar; protagonismo de professores e alunos. Mostrou-nos também algumas limitações, especialmente o pouco investimento e apoio das equipes de gestão ao desenvolvimento de projetos integrados, assim como a falta de tempo necessário à construção de ambiente propício à criação da cultura de colaboração docente. Esperamos ter contribuído, através deste projeto, para que um novo olhar seja lançado aos programas de formação, inicial e continuada, de professores, menos tecnicista, mais crítico e reflexivo, mais solidário e integrado, mais humanizado e democrático, bem como à potencialidade da poesia/abordagem da poesia nesses contextos.

Palavras-chave: Poesia; formação de professores; currículo e desenvolvimento curricular.

 

Minibiografias:

Regina Osório: Aluna de pós-doutoramento da Universidade de Aveiro, Doutora em Educação (2016) e Mestre em Estudos Portugueses pela Universidade de Aveiro (2006), Especialista em Gestão Educacional pela UNICAMP (2007).

Filomena Martins: Professora Auxiliar da Universidade de Aveiro, desde junho de 2009; Doutora em Didática pela Universidade de Aveiro (2008), Mestre em Língua e Literatura Francesas pela Universidade do Minho (1998).


Comunicação 3

Estatuto do Português no mundo atual: reflexões sobre a sua abordagem na formação de futuros profissionais da Educação[2]

Autoras:

Cristina Manuela Sá – LEIP/CIDTFF – Universidade de Aveiro – cristina@ua.pt

Maria João Macário – LEIP/CIDTFF – Universidade de Aveiro – mjoaomacario@ua.pt

Cristina Vieira da Silva – Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti – cristinavieira@esepf.pt

 

Resumo:

A comunicação oral e escrita proficiente faz parte das competências essenciais a serem desenvolvidas na sociedade do século XXI e deve ser promovida através da abordagem transversal do ensino/aprendizagem da língua portuguesa (LP), envolvendo a área curricular disciplinar do mesmo nome (ensino de Português) e as restantes áreas curriculares, disciplinares e não disciplinares (ensino em Português). Neste contexto, cabe igualmente refletir sobre as representações da LP de (futuros) professores sobre a forma como esta é ensinada/aprendida, já que estas terão repercussões nas aprendizagens dos seus (futuros) alunos.

Apresentamos um estudo exploratório tendo por informantes futuros professores em formação, a frequentar o 1.º ano de uma licenciatura em Educação Básica, no ano letivo de 2015/2016. Foram recolhidas as respostas de 85 estudantes a um questionário centrado nos seguintes aspetos: i) línguas e LP, ii) internacionalização da LP e iii) valor da LP. Recorremos a uma combinação de estatística descritiva (frequências absolutas e relativas) e análise de conteúdo e usámos categorias a posteriori, desenvolvidas em estudos anteriores.

Neste artigo, apresentamos os resultados relativos às representações dos estudantes sobre o estatuto da LP no mundo. Essa análise e interpretação revelou que os nossos inquiridos: apresentavam uma conceção da LP com contornos de natureza afetiva; tinham dificuldade em situá-la nas línguas mais faladas no mundo e no ciberespaço; estavam muito focados no espaço geográfico nacional; definiam lusofonia maioritariamente ligada ao espaço geográfico; se posicionavam relativamente ao Português do Brasil de forma ambivalente, oscilando entre uma espécie de amor (resultante do seu contributo para o conhecimento da LM da maioria deles) e de ódio (derivado da perda de “pureza” da LP nesse território outrora colonizado por nós).

Face a estes resultados é importante pensar formas de promover a vivência numa sociedade multicultural e multilingue para uma vivência sociocultural mais consciente, por parte destes futuros profissionais.

Palavras-chave: Estatuto da Língua Portuguesa; Representações; Formação de professores.

 

Minibiografias:

Cristina Manuela Sá é doutorada em Didática pela Universidade de Aveiro, onde exerce funções de docente, orientadora da prática pedagógica supervisionada e investigadora desde 1985. É membro do Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores e cocoordenadora do Laboratório de Investigação em Educação em Português (LEIP). Interessa-se particularmente pela transversalidade da língua portuguesa.

Maria João Macário é doutorada em Didática e Formação, Ramo de Didática e Desenvolvimento Curricular pela Universidade de Aveiro, onde foi bolseira de doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. É membro efetivo no Laboratório de Investigação em Educação em Português (LEIP). Interessa-se pela educação em português nas suas diferentes vertentes.

Cristina Vieira da Silva concluiu doutoramento em Linguística pela Universidade Nova de Lisboa. Desde 2004, é Professora Coordenadora da Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, onde leciona na formação inicial e pós-graduada e dirige o Mestrado em Ciências da Educação – Animação da Leitura. Desde 2013, participa, como membro integrado, do Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho.

 

[1] Este trabalho é financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do projeto UID/CED/00194/2013.

[2] Este trabalho é financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do projeto UID/CED/00194/2013.