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Simpósio 63

SIMPÓSIO 63 – ABORDAGEM FUNCIONALISTA DA LINGUAGEM: LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

 

Coordenadoras:

Vania L. R. Dutra | Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Universidade Federal Fluminense | vaniardutra@hotmail.com

Magda Bahia Schlee | Universidade do Estado do Rio de Janeiro | magdabahia@globo.com

 

Resumo:

O Simpósio “Abordagem funcionalista da linguagem: leitura e produção de textos” abre espaço para discussões acerca das contribuições que a abordagem funcionalista da linguagem tem a oferecer no âmbito do ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa como língua materna. O objeto de ensino nas aulas de língua deveriam ser os textos, orais e escritos, e seu funcionamento em contextos de interação. O desafio que se coloca para os professores, hoje, como condutores do processo de ensino-aprendizagem da língua, é ampliar a competência comunicativa dos alunos. Para tanto, o modelo de investigação proposto por este Simpósio representa uma tentativa de descrição do funcionamento da língua, examinando-a como entidade não suficiente em si e analisando sua estrutura linguística vinculada a seu contexto de uso. Essa abordagem confere especial relevância à correlação entre as propriedades das estruturas gramaticais e as propriedades dos contextos em que as estruturas linguísticas ocorrem (HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004). Assim, este simpósio aceitará propostas que problematizem o trabalho com a Língua Portuguesa na Escola Básica como instrumental para a construção de significados nos textos que se leem e nos textos que se escrevem, sendo, por isso, contribuição valiosa para um ensino mais produtivo da língua materna.

Palavras-chave: Linguística Sistêmico-Funcional, ensino de Língua Portuguesa, gramática, leitura, produção de textos.

 

Minibiografias:

Vania L. R. Dutra é Doutora em Letras pela UERJ e mestre pela UFF.  É Professora Adjunta de Língua Portuguesa e integra o Programa de Pós-Graduação Lato e Stricto Sensu da UERJ. Desenvolve pesquisas na área de Linguística Sistêmico-Funcional e Ensino de Língua Portuguesa. Integra o Grupo de Pesquisa SELEPROT, do Diretório Nacional de Grupos (CNPq), e o EAPLA – Ensino  e  Aprendizagem  na Perspectiva  da Linguística Aplicada (GT da Anpoll). É professora de Língua Portuguesa no Coluni-UFF.

Magda Bahia Schlee é doutora em Letras pela UERJ e mestre pela UFRJ. É Professora Adjunta de Língua Portuguesa e integra o Programa de Pós-Graduação Lato e Stricto Sensu da UERJ. Coordenadora do projeto PIBID na área de Língua Portuguesa na UERJ. Desenvolve pesquisas na área de Linguística Sistêmico-Funcional e Ensino de Língua Portuguesa. Integra o Grupo de Pesquisa SELEPROT, do Diretório Nacional de Grupos (CNPq).

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A Enunciação como instância de mediação entre a língua e a fala

Autor:

Ânderson Rodrigues Marins – Universidade Federal Fluminense; Universidade do Estado do Rio de Janeiro – profandermarins@hotmail.com

 

Resumo:

Neste estudo pretendemos analisar como se passa da língua à fala consoante a teoria enunciativa de Émile Benveniste. Para isso este estudo também acolhe outros autores que recorrem ao termo enunciação em suas formulações teóricas, como Gustave Guillaume, Mikhail Bakhtin e Algirdas Greimas. Um fenômeno linguístico de qualquer nível pode ser analisado sob o ponto de vista enunciativo, fato demonstrado em Antoine Culioli, que se dedica à negação, à representação metalinguística em sintaxe, à quantificação, à prosódia, e Jacqueline Authier-Revuz, que trabalha com as incisas, a pseudoanáfora, as correções, as glosas. Ainda é possível incluir outros autores: Oswald Ducrot estuda os conectores, os operadores, os modalizadores; Émile Benveniste analisa – além dos pronomes, verbos, advérbios, categorias gramaticais específicas (pessoa, tempo e espaço), índices de ostenção, formas temporais – as funções sintáticas (de interrogação, de intimação, de asserção), as modalidades, a fraseologia, a produtividade lexical, entre outros fenômenos; Roman Jakobson estuda os shifters (as categorias verbais de tempo, modo, pessoa); Claude Hagège faz pesquisas sociointerativas sobre criação neológica, atividade poética etc (cf. FLORES, 2013). A enunciação deve ser considerada como instância linguística pressuposta pela existência do enunciado. Em outras palavras, o ato de dizer, a enunciação produz um dito, que é o enunciado no qual estão presentes traços e marcas decorrentes, sobretudo, dos mecanismos de instauração das categorias de pessoa, tempo e espaço. Tais mecanismos são os de debreagem e embreagem actanciais, debreagem e embreagem espaciais e debreagem e embreagem temporais, o que vai constituir o chamado aparelho formal da enunciação, no dizer de Benveniste. Este estudo destina-se, então, à análise da possibilidade de passagem da língua para a fala mediante a enunciação entendida como instância de mediação entre a língua e a fala, dotada de um conjunto de categorias que cria um dado domínio.

Palavras-chave: enunciação; língua e fala; teoria enunciativa benvenistiana.

 

Minibiografia:

Ânderson Rodrigues Marins é doutorando em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal Fluminense, Doutorando em Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Mestre em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal Fluminense, Especialista em Língua Portuguesa pela Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Graduado em Letras pela Universidade Federal Fluminense, além de ser autor de capítulo de livro e artigos em publicações nacionais.


Comunicação 2

Desvendando a Redação do ENEM: uma abordagem sistêmico-funcional

Autora:

Ane Caroline Souza dos Santos – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – anecarolinesantos@ig.com.br

 

Resumo:

É notório o crescimento da discussão acerca do ensino de Língua Portuguesa no meio acadêmico, e o cerne dessa discussão tem sido a preocupação de muitos professores para que haja na escola atividades voltadas para a leitura e para a escrita do aluno, valorizando a língua em uso. Por isso, pretende-se neste trabalho ir além das aulas de produção de texto que privilegiam a estrutura dissertativo-argumentativa básica, de forma padronizada e superficial. Por meio da gramática sistêmico-funcional e das pesquisas de Halliday e Matthiessen (2004), o objetivo é analisar a realização da metafunção textual e a presença doe tipos de Tema que aparecem em redações produzidas por três alunos no Exame Nacional do Ensino Médio. Em primeiro lugar, será possível refletir sobre se esses estudantes apresentam ou não o domínio de um discurso que seja capaz de expressar intenções, avaliações e atitudes perante o enunciado que produzem. Ademais, ao observar a nota final, será possível saber se o sucesso do gênero textual em questão tem relação direta com a predominância dos Temas utilizados. Portanto, fica claro que este trabalho tem uma contribuição importante a dar para os docentes os quais pretendem ir em busca de um ensino mais produtivo no que tange à produção de textos na escola, ao passo que permite ao aluno entender a funcionalidade de suas escolhas no âmbito da léxico-gramática.

Palavras-chave: Linguística Sistêmico-Funcional; ensino de Língua Portuguesa; leitura e escrita.

 

Minibiografia:

Ane Caroline Souza dos Santos tem Especialização em Ensino de Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e é mestranda de Estudos da Linguagem pela mesma universidade. Tem experiência na área do funcionalismo linguístico e atua nos seguintes temas: leitura e escrita, gêneros textuais e ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa. Trabalhou como professora no Colégio de Aplicação da UERJ e hoje compõe a equipe docente de uma rede de escolas privadas na cidade do Rio de Janeiro.


Comunicação 3

O processo de nominalização como ferramenta para a melhoria de textos produzidos pelos alunos

Autora:

Cristiani Dália de Mello – UERR – Roraima – Brasil – crisdaliamello@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo discutir o processo de nominalização, abordando os aspectos analíticos dentro da estrutura de formação de palavras, conhecida como derivação, mas mostrando a possibilidade de generalização, unindo as nominalizações deverbais com as provindas de adjetivos, que seria a nominalização de predicadores e não de verbos e adjetivos separadamente, fundamentando-se no funcionalismo, numa visão de interação conceitual. Assim, o trabalho com as nominalizações nas produções acadêmicas seria uma ferramenta para se tratar com clareza e estilo os textos de alunos do nível superior. A metodologia abordará a pesquisa bibliográfica perpassando pelos estudos morfológicos, além de buscar recursos com os autores que possuem o viés para o funcionalismo cognitivo e os aspectos da coesão direta, por nominalizações deverbais, e indireta ( papel da enunciação), por nominalizações provindas de adjetivos. O objeto de estudo serão as produções acadêmicas de alunos universitários. Além disso, questionar-se-ão as nominalizações dispensáveis no texto, chamadas de “nominalizações zumbis”.

Palavras-chave: Nominalização; funcionalismo; morfologia.

 

Minibiografia:

Cristiani Dália de Mello é doutoranda em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus Araraquara, é professora efetiva da Universidade Estadual de Roraima – Brasil, atualmente exercendo o cargo de Coordenadora do Curso de Letras  de Universidade Estadual de Roraima / Brasil.


Comunicação 4

Advérbios modalizadores em crônicas: estratégias para a argumentação sob a ótica funcionalista

Autora:

Elisa da Silva de Almeida – Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro – SEEDUC/RJ – elisadsda@gmail.com

 

Resumo:

Os advérbios são descritos pelas gramáticas tradicionais como palavras invariáveis que modificam o verbo, o adjetivo e o próprio advérbio, acrescentando-lhes uma circunstância. Tal conceito, entretanto, se confirma em apenas algumas ocorrências, pois, comumente, defrontamo-nos com advérbios que podem aplicar-se à sentença e ao discurso. Do mesmo modo, muitos advérbios classificados como de modo não qualificam uma ação ou um estado, mas funcionam como modalizadores do conteúdo da asserção. Conforme Neves (2000, p. 244), os advérbios modalizadores têm como característica “expressar alguma intervenção do falante na definição de validade de seu enunciado: modalizar quanto ao dever, restringir o domínio, definir a atitude e até, avaliar a própria formulação linguística”. Assim, o presente trabalho objetiva pesquisar o comportamento sintático-semântico dos advérbios modalizadores presentes em crônicas publicadas na revista Veja. À luz da linha de estudo funcionalista, mais precisamente da Linguística Sistêmico-Funcional, cujos pressupostos básicos são encontrados em Halliday (1985) entre outros. Pretende-se apresentar a contribuição dos advérbios modalizadores como estratégia de argumentação no discurso e propor um ensino mais produtivo dessa classe de palavras.

Palavras-chave: advérbios modalizadores; Linguística Sistêmico-funcional; ensino de língua portuguesa.

 

Minibiografia:

Elisa da Silva de Almeida é mestre em Estudos da Linguagem pela UFF e  professora efetiva de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, Brasil. Possui experiência como docente de língua materna nos ensinos fundamental e médio. Apresentou trabalhos, em alguns congressos, na linha da Sociolinguística. Atualmente faz pesquisas de cunho Funcionalista.


Comunicação 5

A realização da oração subordinada adjetiva no gênero notícia como metáfora ideacional 

Autoras:

Érica Portas – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ – portasrj@hotmail.com

Magda Bahia Schlee – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ – magdabahia@globo.com

 

Resumo:

Esta pesquisa, cujo aporte teórico é a Gramática Sistêmico-Funcional, reconhece que nossos enunciados dispõem de uma variedade de formas, utilizadas de acordo com nossas necessidades sócio-comunicativas, ou seja, a linguagem, como um potencial de significados disponíveis aos falantes, possibilita-nos interagir de forma conveniente na sociedade sem violar os contratos estabelecidos pelos gêneros textuais. Assim, reconhecendo que cada texto possui um propósito comunicativo específico e que os contextos de cultura e de situação em que o texto se insere determinam as nossas escolhas, esta pesquisa constata o valor circunstancial das orações subordinadas relativas, já reconhecido na Língua Latina, e parte da hipótese de que, no gênero textual notícia, haja vista os valores circunstanciais das relativas, seria recorrente o uso dessas orações em lugar das orações subordinadas adverbiais, uma vez que essas evidenciariam o comprometimento do enunciador com o fato enunciado, enquanto as adjetivas atenuariam esse comprometimento. Dessa maneira, devido à variação na forma de expressão do significado, o contexto de cultura que norteia o gênero notícia, que, em tese, objetiva relatar acontecimentos de modo objetivo, impessoal e imparcial, não seria violado, porquanto a subjetividade do autor estaria encapsulada no texto através das orações subordinadas relativas. Portanto, fundamentando-se no modelo sistêmico-funcional de Halliday, para quem o texto é uma unidade semântica, cuja realização é produto do contexto situacional e sociocultural no qual se insere, esta pesquisa, concebendo que os enunciados formadores de um texto se relacionam construindo um bloco semântico a partir das escolhas léxico-gramaticais do enunciador, constatou que a leitura circunstancial da oração relativa é corroborada pelos recursos lexicais e gramaticais usados no texto. Assim, observou-se que o valor circunstancial das relativas contribui para caracterizar a configuração argumentativa do gênero notícia, que, em tese, apresenta-se como imparcial.

Palavras-chave: Notícias; oração relativa; metafunção interpessoal.

 

Minibiografias:

Érica Portas é mestranda na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, Rio de Janeiro, Brasil. É especialista em Língua Latina também pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, com a monografia “Do Latim ao Português: uma análise dos aspectos fonéticos e morfológicos”; e especialista em Língua Portuguesa,  com a monigrafia “Aposto: uma abordagem sintática, semântica e discursiva”, pela mesma universidade. É pesquisadora na área de Linguística Sistêmico-Funcional.

Magda Bahia Schlee é doutora em Letras pela UERJ e mestre pela UFRJ. É Professora Adjunta de Língua Portuguesa e integra o Programa de Pós-Graduação Lato e Stricto Sensu da UERJ. É coordenadora do projeto PIBID na área de Língua Portuguesa na UERJ. Desenvolve pesquisas na área de Linguística Sistêmico-Funcional e Ensino de Língua Portuguesa. Integra o Grupo de Pesquisa SELEPROT, do Diretório Nacional de Grupos (CNPq).


Comunicação 6

Por um ensino produtivo da Língua Portuguesa: funcionalidade, interação social e reflexão gramatical

Autor:

Fabio André Cardoso Coelho – Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ – fabioandrecoelho@ig.com.br

 

Resumo:

Ao pensarmos numa proposta de ensino produtivo de Língua Materna, verificamos dois aspectos primordiais: a interação e a reflexão. Acreditamos que toda linguagem utilizada no âmbito social necessita se fazer bem empregada e com sentido, para que o interlocutor cumpra, de fato, seu papel de agente da comunicação. A competência comunicativa deve assumir seu lugar de destaque na proposta, objetivando redimensionar a capacidade do aluno em aprender os recursos que a Língua lhe oferece. Na escola, o aluno deve aprender que o texto não é um amontoado de palavras que serve apenas para um fim; linguisticamente, representa um universo de palavras e expressões com pistas, marcas contributivas de efeitos de sentidos. Entendemos que, assim, o aluno poderá adquirir o conhecimento necessário para entender e ser entendido, buscando sempre alguma reflexão no ato linguístico. Entendemos a definição sobre o ensino de gramática e texto, para o ensino da Língua Portuguesa, observando a estrutura e funcionamento, produção de enunciados e discursos, potencialidade expressiva e marcas semânticas. É, sobretudo, tentar atingir os objetivos de mostrar o que é e como funciona a Língua, de legitimar o seu conhecimento como instituição social e de levar a pensar os mecanismos linguísticos. Para as análises teóricas, revisitam-se os conceitos da Gramática propostos por Bechara (2002), Azeredo (2008), Neves (2011), Travaglia (2000), Halliday; McIntosh; Strevens (1974), dentre outros, observando os aspectos teóricos, a representação dos fatos gramaticais, a funcionalidade das palavras, as marcas da subjetividade.

Palavras-chave: Ensino produtivo; Língua Portuguesa; Interação social; Reflexão gramatical; Funcionalidade.

 

Minibiografia:

Fabio André Cardoso Coelho é Professor Adjunto de Língua Portuguesa e Filologia, do Instituto de Letras, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Doutor em Língua Portuguesa pela Universidade do Estado Rio de Janeiro (UERJ, 2013). Tem experiência na área de Letras e outras áreas, atuando nos seguintes temas: língua portuguesa, estilística, leitura, prática de ensino de língua e literaturas. Professor pesquisador do Grupo de Pesquisa Descrição e Ensino de Língua: Pressupostos e Práticas (CNPq).


Comunicação 7

Ordenação de advérbios em –mente: gramaticalização em evidência

Autora:

Gessilene Silveira Kanthack – Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus-BA – gskanthack@yahoo.com.br

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é descrever e analisar a ordem de advérbios terminados em –mente, considerando as funções qualitativo e modalizador, a partir de usos efetivos do português brasileiro, registrados em textos veiculados pela Revista VEJA. Com a descrição, almejamos confirmar a trajetória unidirecional do processo de gramaticalização (qualitativo > modalizador) envolvendo esse tipo de advérbio. Para tanto, realizamos um levantamento da frequência de uso de cada uma das funções, observando as posições sintáticas em que cada tipo de advérbio ocorre (se num âmbito inferior à sentença ou se num âmbito igual ou superior à sentença), objetivando mostrar que o aumento de uso de uma das funções atesta a ocorrência desse tipo de mudança. Apoiados em autores como Ilari et al (1990), Castilho e Castilho (1992), Neves (2000), Traugott e Dasher (2005), Castilho (2010), Martelotta (2011), entre outros, pretendemos, além da descrição, propor reflexões para o ensino da classe advérbios, comumente abordada, no contexto escolar, como homogênea. Considerando que o ensino deve ter como ponto de partida usos concretos de língua, uma descrição que contempla propriedades funcionais de advérbios terminados em –mente se torna relevante para o entendimento das relações entre forma, função e contexto de uso.

Palavras-chave: advérbios em –mente; funções; mudança; ensino.

 

Minibiografia:

Gessilene Silveira Kanthack é doutora em Linguística pela UFSC – Universidade Estadual de Santa Catarina, professora titular da UESC – Universidade Estadual de Ilhéus-BA e integra o programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagens e Representações e PROFLETRAS. Desenvolve pesquisas na área da sintaxe, contemplando aspectos de mudança.


Comunicação 8

A construção do discurso no texto dissertativo-argumentativo escolar: a modalidade como estratégia argumentativa

Autora:

Isadora de Vasconcelos Picanço – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – isadoravpicanco@gmail.com

 

Resumo:

Considerando que a troca no meio social se dá essencialmente por meio da linguagem verbal, os falantes de uma língua, para interagir socialmente, fazem uso desse instrumento cotidianamente. Por meio dela, interage-se com outro, atua-se sobre ele, leva-o à reflexão, à discordância e à aceitação, pois, quando os usuários de uma língua se manifestam textualmente, expressam e defendem valores, demonstrando a forma de agir e de pensar diante de um tema. Tudo o que se fala tem um propósito em relação ao outro, o que confirma a ausência de imparcialidade das palavras. A língua, portanto, no seu uso prático é inseparável de seu conteúdo ideológico ou vivencial. Nesse sentido, tendo como corpus produções textuais escolares dissertativo-argumentativas de alunos do 9º do Ensino Fundamental, pretende-se, como orientam os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa, analisar as estratégias argumentativas adotadas pelo enunciador no convencimento de outrem. Para isso, utilizam-se princípios da abordagem sistêmico-funcional, propostos por Halliday. Por meio da Metafunção Interpessoal, busca-se reconhecer a modalização como recurso interpessoal utilizado para assumir uma posição, expressar uma opinião ou ponto de vista ou fazer um julgamento, o que reforça a noção de que a linguagem é social e ela só ocorre se for intrínseca à sociedade.

Palavras-chave: Linguística Sistêmico-Funcional; Metafunção Interpessoal; modalização; produções textuais escolares; textos dissertativo-argumentativos.

 

Minibiografia:

Isadora de Vasconcelos Picanço tem Graduação em Letras pela Universidade Federal Fluminense, é mestranda de Língua Portuguesa pela UERJ e é professora da rede privada do estado do Rio de Janeiro, Brasil.


Comunicação 9

Um olhar funcionalista sobre o ensino de língua portuguesa como língua materna: as contribuições do funcionalismo para o ensino de análise linguística no Ensino Fundamental

Autores:

Izabel Larissa Lucena Silva – Universidade da Integração da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB- CE) – izabel_larissa@unilab.edu.br

Júlio César Dinoá do Nascimento – Universidade estadual do Ceará- campus (FECLESC) – Quixadá-CE.

 

Resumo:

O ensino de gramática tradicional constitui um dos principais entraves para os que se dedicam ao trabalho com a linguagem e a língua na Educação Básica. Como bem nos lembra Antunes (2007), oferecer o ensino de terminologia gramatical não significa oferecer o estudo da gramática que é necessária para que os estudantes atuem de forma eficiente e plena nos mais variados contextos de interação verbal. Neves (2008) critica esse ensino tradicional de gramática pautado apenas na identificação e rotulação das categorias e classes gramaticais, vistas de forma discreta e previamente resolvidas. Essa mesma autora nos recorda de que esse ensino é, na verdade, irreal e afuncional, uma vez que ignora o próprio funcionamento da gramática da língua, que não se faz de regras absolutas, com condições automáticas de realização. Tendo em vista isso, este estudo objetiva discutir propostas de trabalho com a gramática à luz dos pressupostos funcionalistas, mais especificamente os pressupostos pertencentes às vertentes funcionalistas inglesa (HALLIDAY, 2004) e norte-americana (HOPPER; THOMPSON, 1980; GIVÓN, 1984; HOPPER, 1991). Para tanto, ilustram-se as reflexões com atividades de análise linguística nos mais variados gêneros textuais orais e escritos. Tais propostas de intervenção destinam-se, particularmente, a estudantes do Ensino Fundamental II (8º e 9º anos). Esperamos que esta discussão contribua para uma compreensão da gramática escolar como uma atividade que só se justifica se for pautada na reflexão sobre os usos linguísticos, ou seja, sobre o funcionamento efetivo das “peças” que constroem o discurso, com a finalidade de ampliar/desenvolver a competência comunicativa dos estudantes.

Palavras-chave: ensino; Língua Portuguesa; gramática; funcionalismo inglês; funcionalismo norte-americano.

 

Minibiografias:

Izabel Larissa Lucena Silva é doutora em Linguística pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atualmente professora Adjunta da Universidade da Integração da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB- CE).

Júlio César Dinoá do Nascimento é doutor em Linguística pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atualmente professor Adjunto da Universidade estadual do Ceará, campus (FECLESC) – Quixadá-CE.


Comunicação 10

Orações reduzidas em contextos mínimos: o desvendamento sintático e a viabilidade semiótica

Autora:

Lúcia Deborah Ramos de Araújo -Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Colégio Pedro II – luciadeborah@gmail.com

 

Resumo:

No Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), aplicado a estudantes que pretendem ingressar em universidades, traz frequentemente questões construídas a partir de textos de característica lacônica, como charges, textos publicitários e infográficos. Não é incomum a presença de orações reduzidas em tais textos, como recurso interessante para comunicar com economia. O uso de orações reduzidas nesses contextos mínimos exige do leitor a competência de identificar adequadamente a estrutura sintática do enunciado, reconhecendo os vínculos sintáticos e as estruturas sintagmáticas que a ele se apresentam, como condição para que construa a camada significativa e realize as possibilidades semióticas do texto. Ao leitor caberá relacionar o texto lido com o contexto de uso, preenchendo suas lacunas semântica e semioticamente. Observa-se que não estão em jogo, apenas, o conhecimento linguístico que o falante tenha do sistema e de suas possibilidades, nem somente a compreensão dos elementos contextuais que conferem significância aos enunciados do texto, mas a leitura das formas nominais e das ocasionais preposições como participantes de um processo de transposição sintática. Em estudos anteriores, verificamos que as orações reduzidas, sobretudo as de gerúndio, promovem o sombreamento do sujeito (CUNHA, 2004), deixando ao leitor a incumbência de desvendar corretamente a relação tema/rema, para, então, alcançar a compreensão do texto, sendo-lhe possível interpretá-lo. Partindo da perspectiva sistêmico-funcional e dos conceitos de Halliday acerca das metafunções textuais e da percepção de língua como instância de construção semiótica socialmente compartilhada,  pretendemos analisar os aspectos sintático-semânticos diretamente ligados à plena semiotização dos textos usados em questões do Enem, buscando investigar formas mais produtivas de trabalhar,  junto a alunos que se submeterão ao referido exame, a leitura dos textos-base que explorem as orações reduzidas em contextos mínimos. Interessam especificamente casos em que a semiose do texto dependa fundamentalmente do processamento dessas estruturas oracionais pelo leitor.

Palavras-chave: sintaxe; semântica; semiose; orações reduzidas; Enem.

 

Minibiografia:

Professora Adjunta de Língua Portuguesa da UERJ, além de docente efetiva do Colégio Pedro II, atua em bancas de exames vestibulares e em preparatórios para o Enem. Doutora em Língua Portuguesa, suas pesquisas têm versado sobre sintaxe e semântica, passando pela semiótica, sempre com as perspectivas do ensino da língua portuguesa e da investigação acerca da identidade.


Comunicação 11

O PROCESSO DE PRODUÇÃO TEXTUAL ESCRITA: JUNÇÃO E(M) AQUISIÇÃO

Autoras:

Lúcia Regiane Lopes-Damasio – UNESP/FCL Assis – luregiane@assis.unesp.br

Patrícia Celene Senna da Silva – UFMT – senna_paty@hotmail.com

 

Resumo:

Sob um olhar linguístico-discursivo da aquisição do modo escrito de enunciar, propomos analisar as construções complexas de causalidade, com o objetivo de apreender indícios da forma de inserção dos sujeitos-escreventes nas regras idiomáticas e discursivas. Para tanto, assumimos o cruzamento de três distintos lugares teóricos: (i) o modelo funcionalista de junção, constituído de forma bidimensional, com o cruzamento dos eixos sintático e semântico (RAIBLE, 2001); (ii) o entendimento da escrita como constitutivamente heterogênea e como modo de enunciação (CORRÊA, 2004); e (iii) a concepção de aquisição da escrita que considera as tradições discursivas (KABATEK, 2006). A partir desse lugar, metodologicamente construído para a observação dos elementos juntivos do texto como espaços de repetibilidade que apontam os diferentes tipos de circulação do escrevente pelo que imagina ser a gênese da escrita, o código escrito institucionalizado e o já-falado/escrito, a análise focalizou uma amostra longitudinal de 100 textos produzidos por sujeitos-escreventes, nas antigas quatro primeiras séries do Ensino Fundamental. Os resultados, como gestos que apontam, no espaço gráfico, para a situação concreta de enunciação, revelam uma grande oscilação e um não sequenciamento linear, atrelados à frequência dos mecanismos de junção causais nos diferentes padrões semântico-pragmáticos descritos. Essa constatação contribui para a superação do entendimento da aquisição da escrita como processo universal, atrelado a um sujeito idealizado, e, consequentemente, para a construção de seu entendimento vinculado a sujeitos reais, que lidam com a linguagem de modos diferenciados, perpassados pela (sua) imagem de escrita convencionalizada, pela influência do outro e pelas práticas e tradições orais e letradas em que está inserido, com que teve e tem contato.

Palavras-chave: Linguística funcional; gramática; mecanismos de junção.

 

Minibiografias:

Lúcia Regiane Lopes-Damasio é Doutora e Mestre em Estudos Linguísticos pela UNESP, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas de São José do Rio Preto. É Professora Assistente de Língua Portuguesa e integra o Programa de PósGraduação PROFLETRAS da UNESP Assis e Araraquara. Desenvolve pesquisas na área de Linguística Funcional, Aquisição da Escrita, Mudança Linguística e Tradição Discursiva. Integra o Grupo de Pesquisa GPEL, do Diretório Nacional de Grupos (CNPq), e o Projeto para a História do Português Paulista (PHPP – Projeto Caipira/FAPESP).

Patrícia Celene Senna da Silva é Mestre em Estudos da Linguagem pela UFMT. Possui graduação em Letras pela UFMT. Participou do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), por três anos, na escola pública. É Professora da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (SECITEC-MT).


Comunicação 12

Análise sintático-semântica dos verbos dar, levar e fazer: uma abordagem funcionalista

 

Autores:

Nahendi Almeida Mota – Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC nahendi@hotmail.com

Gessilene Silveira Kanthack – Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC gskanthack@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho objetiva apresentar uma análise das funções sintático-semânticas assumidas pelos verbos dar, levar e fazer dentro de um continuum de gramaticalização. Para atingir tal propósito, recorremos a um corpus composto por crônicas publicadas no site Crônica do Dia, durante o ano de 2016, constituído por um corpo editorial de homens e mulheres de várias regiões do Brasil. Na investigação, (i) verificamos como esses verbos são classificados pelas gramáticas normativa e descritiva, assim como por dicionários de língua portuguesa; (ii) identificamos as mudanças sintáticas presentes nas construções com os verbos em suas funções gramaticalizadas; (iii) explicamos que as novas funções sanam carências semânticas e pragmáticas; e (iv) destacamos a expressividade na linguagem permitida através das construções com os verbos estudados. Da análise feita, constatamos que, nesse continuum, há, por exemplo, extensão semântica, alterações na transitividade e na regência verbal, aspectos que não podem ser compreendidos dentro de uma unidade composicional (MARTELOTTA, 2011). Por meio dos resultados alcançados, almejamos contribuir com o ensino de verbos nas escolas, por meio de suporte teórico e levantamento de problemáticas acerca do trabalho feito em torno dessa classe gramatical nas aulas de Língua Portuguesa. A pesquisa se fundamentou em autores como Hopper (1991), Hopper e Traugott (1991, 1993), Gonçalves (2007), Martelotta (2011, 2015), Castilho (2014), entre outros.

Palavras-chave: verbos; expressividade; gramaticalização; funcionalismo.

 

Minibiografias:

Nahendi Almeida Mota tem Graduação em Letras e é aluna do Programa de Pós-graduação em Letras: Linguagens e Representações, pela Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC.

Gessilene Silveira Kanthack é doutora em Linguística pela UFSC – Universidade Estadual de Santa Catarina, professora titular da UESC – Universidade Estadual de Ilhéus-BA e integra o programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagens e Representações e o PROFLETRAS.


Comunicação 13

Mediação Didático-Pedagógica por meio de gêneros textuais para o estudo e uso do então no Ensino Fundamental

Autora:

Patrícia Gomes de Oliveira – Faculdade Cenecista de Itaboraí (FACNEC) e Faculdade Cenecista de Rio Bonito (FACERB) – pattygomesdeoliveira@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho tem como objetivo desenvolver uma proposta de mediação didático-pedagógica, de base colaborativa, para o estudo e uso do vocábulo então, direcionados a alunos do nono ano do ensino fundamental de uma escola pública do município de Itaboraí, estado do Rio de Janeiro. Para tanto, partiu-se de estudos linguísticos sobre tal elemento linguístico, principalmente os de gramaticalização, destacando-se o de Martelotta (1996) e o de Rodrigues (2009). Procedeu-se a uma análise, também qualitativa, dos gêneros narrativos e/ou discursivos (carta pessoal, carta do leitor e narrativa autobiográfica) produzidos pelos discentes. A proposta sustenta-se em uma abordagem linguística: a dos Contínuos (Bortoni-Ricardo, 2004), com ênfase no contínuo oralidade-letramento, e em uma teoria pedagógica: a de base colaborativa (Behrens, 2013). O projeto desenvolveu-se, inicialmente, por meio de textos imagéticos e verbais (texto humorístico e resenha) presentes na rede internacional de computadores (internet), cujos conteúdos remetiam à observação do vocábulo em questão. Em seguida, durante as aulas teóricas exploratórias, os discentes foram motivados a pesquisar nas redes sociais – facebook e whatsapp – exemplos de textos em que o termo então se fizesse presente, destacando as relações de sentido atribuídas a tal palavra. E, por fim, para que a experiência linguística acontecesse de fato, os estudantes foram motivados a produzir um texto (convite), com o intuito de convocar a comunidade escolar para a participação de um evento organizado e promovido por eles. A produção textual seria compartilhada nas suas redes sociais dos educandos para consolidar a hipótese apresentada.

Palavras-chave: Então; Língua Portuguesa; Ensino colaborativo; Gêneros Textuai;, Produção de Textos.

 

Minibiografia:

Patrícia Gomes de Oliveira é Mestre em Letras pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Especialista em Gestão Escolar pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Atualmente, é professora do ensino básico da rede pública estadual de educação do Rio de Janeiro e professora das Faculdades Cenecistas de Itaboraí (Facnec) e Rio Bonito (Facerb).


Comunicação 14

O gênero notícia sob perspectiva da Linguística Sistêmico-Funcional 

Autora:

Thamara Santos de Castro Goulart (Universidade Federal Fluminense – UFF / Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ) – castro.thamara@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo analisar o gênero notícia de jornal, baseando-nos no conceito de gênero, defendido por Ruqayia Hasan em vários trabalhos, aparecendo primeiramente em Language, Context, and Text: aspects of Language in a socio-semiotic perspective, obra conjunta com M. A. K. Halliday  (1989). Segundo essa perspectiva, deve-se levar em conta o aspecto sócio-semiótico da linguagem, isto é, a língua “como um sistema de significações que medeia a existência humana” (MOTTA-ROTH & HEBERLE, 2005). Ou seja, as escolhas por determinadas estruturas linguísticas estão associadas aos contextos de situação e de cultura em que os textos são produzidos. Dessa forma, acreditamos que, se observarmos as variáveis de configuração contextual (campo, relação e modo), poderemos fazer previsões sobre qualquer texto, o que o definiria como sendo um exemplar de um determinado gênero. Pode-se dizer, então, que, ao analisarmos alguns textos do gênero notícia de jornal, por exemplo, encontraremos características obrigatórias e opcionais que os configurariam, o que poderia abrir caminhos para um trabalho efetivo com esse gênero em sala de aula. Assim, ampliaremos a habilidade de leitura dos nossos alunos por meio da observação minuciosa das estruturas léxico-gramaticais presentes nos textos, fazendo-os “perceber a relação entre a função do elemento textual e a intencionalidade (…), como a linguagem está a serviço das intenções do autor.” (KLEIMAN, 2013).

Palavras-chave: gêneros textuais; notícia; Linguística Sistêmico-Funcional; leitura; ensino.

 

Minibiografia:

Thamara Santos de Castro Goulart é professora EBTT do Colégio Universitário Geraldo Reis (COLUNI – UFF) desde 2015. Mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC – Rio) e Doutoranda em Estudos da Linguagem pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).


Comunicação 15

Abordagem funcionalista da linguagem: aspectos gramaticais na produção de textos

Autorass:

Vania L. R. Dutra – Universidade do Estado do Rio de Janeiro / Universidade Federal Fluminense – vaniardutra@hotmail.com

Magda Bahia Schlee – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – magdabahia@globo.com

 

Resumo:

Pretende-se, com este trabalho, discutir as contribuições que a abordagem funcionalista da linguagem tem a oferecer no âmbito do ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa como língua materna. O objeto de ensino nas aulas de língua deveriam ser os textos, orais e escritos, e seu funcionamento em contextos de interação. O desafio que se coloca para os professores, hoje, como condutores do processo de ensino-aprendizagem da língua, é ampliar a competência comunicativa dos alunos. Para tanto, o modelo de investigação aqui adotado representa uma tentativa de descrição do funcionamento da língua, examinando-a como entidade não suficiente em si e analisando sua estrutura linguística vinculada a seu contexto de uso. Essa abordagem confere especial relevância à correlação entre as propriedades das estruturas gramaticais e as propriedades dos contextos em que as estruturas linguísticas ocorrem (HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004). Assim, objetivamos problematizar o trabalho com a Língua Portuguesa na Escola Básica como instrumental para a construção de significados nos textos que se escrevem como tarefa nas aulas de redação. O que se busca, assim, é comprovar a contribuição valiosa que a Linguística Sistêmico-Funcional é capaz de dar para um ensino mais produtivo da língua materna, aliando a análise e a reflexão linguística à leitura e, mais especificamente, a produção de textos na escola.

Palavras-chave: Linguística Sistêmico-Funcional; ensino de Língua Portuguesa; gramática; produção de textos.

 

Minibiografias:

Vania Lúcia Rodrigues Dutra é Doutora em Letras pela UERJ e mestre pela UFF.  É Professora Adjunta de Língua Portuguesa e integra o Programa de Pós-Graduação Lato e Stricto Sensu da UERJ. Desenvolve pesquisas na área de Linguística Sistêmico-Funcional e Ensino de Língua Portuguesa. Integra o Grupo de Pesquisa SELEPROT, do Diretório Nacional de Grupos (CNPq), e o EAPLA – Ensino e Aprendizagem na Perspectiva da Linguística Aplicada (GT da Anpoll). É professora de Língua Portuguesa no Coluni-UFF.

Magda Bahia Schlee é doutora em Letras pela UERJ e mestre pela UFRJ. É Professora Adjunta de Língua Portuguesa e integra o Programa de Pós-Graduação Lato e Stricto Sensu da UERJ. É coordenadora do projeto PIBID na área de Língua Portuguesa na UERJ. Desenvolve pesquisas na área de Linguística Sistêmico-Funcional e Ensino de Língua Portuguesa. Integra o Grupo de Pesquisa SELEPROT, do Diretório Nacional de Grupos (CNPq).


Comunicação 16

Uma análise linguística dos operadores argumentativos na perspectiva do funcionalismo em textos de alunos

Autora:

Zilda Maria Dutra Rocha – Rede Pública do Ensino Básico de Fortaleza, Ceará, Brasil – zildamarialetras@hotmail.com

 

Resumo:

O presente artigo discorre sobre o uso dos operadores argumentativos em textos dissertativo-argumentativos de alunos do 9º ano do Ensino Fundamental II, porém, analisados aqui sob o ponto de vista do funcionalismo. Trata-se de uma análise linguística desses marcadores em produções textuais de alunos. Temos o objetivo de refletir como acontece essa análise sob a perspectiva do pensamento funcionalista. É uma proposta da área da linguagem trabalhar com aspectos descritivos da língua, mas, neste trabalho, o foco será sob a perspectiva da linguística funcional. A priori fazemos as abordagens teóricas sobre as questões de análise linguística (AL) com base na obra de Bezerra e Reinaldo (2013). No que concerne o uso dos operadores argumentativos, Koch (1987; 1997; 2012), seguidora da teoria da semântica argumentativa de Ducrot. Sobre o funcionalismo, utilizamos aportes teóricos de Cunha (2008), Martelota e Areas (2003); e para falar dos operadores argumentativos nos guiaremos por Koch (1987; 1997). Os resultados da análise mostram que alunos desse nível utilizam os marcadores argumentativos para dar sentido as suas argumentações, e que às vezes esses elementos não correspondem às suas classificações na gramática normativa. Tendendo ao funcionalismo, aceitamos que os mesmos elementos linguísticos podem representar diferentes funções nos textos, e que esses textos possam revelar-se coerentes e coesos sob esse ponto de vista, contudo cabe ao professor, que orienta seus alunos, ensiná-los como manusear os artifícios da língua, principalmente no que tange à argumentação, com os operadores argumentativos.

Palavras-chave: texto; operadores argumentativos; análise linguística; Funcionalismo.

 

Minibiografia:

Zilda Maria Dutra Rocha é professora de língua portuguesa na rede pública do ensino básico de Fortaleza, Ceará, Brasil. Graduou-se em Letras Português-Literatura pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Especializou-se em Ensino de Língua Portuguesa pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Fez mestrado em Letras pela Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN).