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Simpósio 62

SIMPÓSIO 62 – TEORIA LINGUÍSTICA E ABORDAGENS DIDÁTICAS NA HISTÓRIA DA GRAMÁTICA PORTUGUESA

 

Coordenadores:

Sónia Duarte | Centro de Linguística da Universidade do Porto | sonia.duarte@esdjgfa.org; duarte.sonia@sapo.pt

Rogelio Ponce de León | Universidade do Porto / Centro de Linguística da Universidade do Porto | rromeo@letras.up.pt; rogelio.romeo@netcabo.pt

 

Resumo:

O Simpósio acolhe trabalhos de investigação que analisem diferentes aspetos da história das ideias gramaticais sobre a língua portuguesa ou da história das ideias didáticas no âmbito do ensino-aprendizagem do português, como língua materna, língua segunda ou língua estrangeira. Privilegiam-se, neste sentido, investigações que foquem a seguintes linhas temáticas: i) a teoria linguística subjacente numa gramática, tratado gramatical ou manual; ii) o tratamento de um facto de língua (por exemplo, uma categoria ou subcategoria gramatical, uma unidade linguística, etc.), numa obra ou num conjunto de obras); iii) o processo de gramatização de estruturas da língua portuguesa; iv) abordagens pedagógicas subjacentes na(s) obra(s) objeto de estudo. Poderão, no entanto, ser aceites trabalhos que versem sobre outras temáticas, desde que sejam consideradas adequadas ao âmbito temático do Simpósio pelos seus coordenadores. São ainda aceites estudos, enquadrados em alguma das linhas acima indicadas, sobre historiografia gramatical e didaticografia do galego.

O Simpósio poderá aceitar também comunicações que analisem estruturas e formas do sistema gramatical do português registadas em obras metagramaticais centradas na descrição de outras línguas (gramáticas do latim, de línguas estrangeiras para falantes de português, etc.), bem como abordagens didáticas contidas em gramáticas e manuais para o ensino de outras línguas, desde que a língua veicular seja a portuguesa.

Não é dada prioridade a um período cronológico específico; pelo contrário, poderão ser apresentados trabalhos sobre aspetos da historiografia gramatical do português desde o século XV até ao século XX.

Serão convidados a participar no Simpósio especialistas de países de língua portuguesa, bem como outros investigadores de reconhecido prestígio nas áreas da historiografia linguística do português e da história do ensino da língua portuguesa. Poderão, ainda, ser consideradas, após avaliação, propostas de trabalhos enviadas por outros especialistas aos coordenadores do Simpósio.

 

Palavras-chave: Historiografia Gramatical, História das Ideias Linguísticas, História do Ensino de Línguas, Língua Portuguesa, Gramática Portuguesa.

 

Minibiografias:

Sónia Duarte é professora de Espanhol nos ensinos básico e secundário e investigadora do Centro de Linguística da Universidade do Porto, desenvolvendo a sua investigação fundamentalmente nas áreas da gramaticografia luso-espanhola e da didática do espanhol como língua estrangeira. Licenciou-se, na Universidade do Porto, em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e Ingleses (1995) e em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e Espanhóis. É mestre em Estudos Ibéricos (2008), pela Universidade de Évora. No âmbito da Historiografia Linguística, desenvolve atualmente os seus estudos de doutoramento na Universidade de Leão.

Rogelio Ponce de León é Licenciado em Filologia Clássica, pela Universidade Complutense de Madrid (1991), e Doutor em Filologia, pela referida Universidade (2001). É Professor Associado (2014) no Departamento de Estudos Portugueses e Estudos Românicos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, bem como investigador do Centro de Linguística da Universidade do Porto. Leciona disciplinas no âmbito da linguística, tradução e didática. É autor de dezenas de trabalhos de investigação sobre história da gramática, história do ensino de línguas e linguística contrastiva.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A relação teoria e terminologia na gramática portuguesa: as classes de palavras e seus acidentes

 

Autor:

Marli Quadros Leite – USP/CNPq – mqleite@usp.br

 

Resumo:

A comunicação aqui proposta visa a apresentar alguns resultados da pesquisa que vimos desenvolvendo sobre classes de palavras e seus acidentes, com objetivo de discutir a relação existente entre a teoria de segundo grau usada pelo gramático para interpretar o fato gramatical – isto é, a teoria que se acrescenta à greco-latina, que denominamos teoria de primeiro grau – e sua repercussão na terminologia (das classes de palavras e de seus acidentes). Faz-se esse trabalho conforme Auroux (2012) que, ao tratar da história da gramática francesa considerou os seguintes aspectos: empírico: produção de gramáticas, organização do texto gramatical; conceitual: inovação no campo de abordagens de noções; teórico: mudança de modelo histórico, ou incorporação de novas teorias. Desse modo, pretendemos apresentar resultados parciais da análise feitas sobre obras dos séculos XVIII e XIX, quando houve a transição da orientação “filosófica / racionalista” para a “científica / positivista”.  Essa amostra do trabalho tem como corpus as obras que tiveram horizonte de prospecção significativo no contexto dos estudos metalinguísticos portugueses e brasileiros, tornando-se referência às que lhes seguiram, tais como: i) no contexto das obras filosóficas as portuguesas de João Crisóstomo do Couto e Melo (1818), Gramática filosófica da linguagem portuguesa, e de Jerónimo Soares Barbosa (1823), Gramática filosófica da língua portuguesa; ii) no contexto de transição para  científicas, as brasileiras de Julio Ribeiro (1881), Grammatica Portugueza,  de Maximino Maciel, Grammatica analytica (1887) e Grammatica descriptiva (1894), a de João Ribeiro, Grammatica da língua portuguesa – curso superior (1887-1930), Pacheco Silva e Lameira Andrade, Gramática da Língua Portuguesa (1887), Eduardo Carlos Pereira, Gramática Expositiva da Língua Portuguesa (1907). Como resultado parcial da pesquisa, esperamos evidenciar os pontos divergentes dessas obras nos planos empírico, conceitual e teórico, com ênfase na interpretação dos acidentes das classes de palavras.

Palavras-chave:  Classes de palavras; Gramaticografia; Séculos XVIII e XIX.

 

Minibiografia:

Marli Quadros Leite é Professor Titular do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, na Universidade de São Paulo. É autora de livros, capítulos e artigos que versam sobre temas científicos e didáticos. É Chefe do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas e foi Presidente da Comissão de Graduação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e Assessora Técnica da Pró-Reitoria de Graduação da USP. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa, atuando, principalmente, nos seguintes temas: historiografia linguística, norma e uso linguisticos, oralidade e escrita.


Comunicação 2

A mediação do castelhano na tradição de descrição do plural em português

 

Autora:

Sónia Duarte – Centro de Linguística da Universidade do Porto –  duarte.sonia@sapo.pt

 

Resumo:

Levada a cabo dentro de uma abordagem metodológica no quadro da historiografia linguística, esta comunicação analisa a descrição de um dos fenómenos em torno dos quais o castelhano alcançou maior visibilidade na tradição metalinguística portuguesa (Duarte 2015: 160, 162; Duarte no prelo): a formação do plural de substantivos e adjetivos terminados em ditongo nasal. O estudo centra-se em textos metagramaticográficos e metaortográficos sobre o português anteriores à publicação da primeira gramática de espanhol em Portugal, a Grammatica Hespanhola para uso dos portuguezes, dada á luz por Nicolau António Peixoto (Porto 1848).

O objeto de análise não só corresponde a um fenómeno de elevada pertinência para a investigação da presença e do papel do castelhano na descrição do português, como assume ainda grande relevância na história do debate ortográfico em Portugal, conforme evidenciam Gonçalves (2003: 465-466) e Kemmler (2007: 340-347), e cuja controvérsia no quadro das relações linguísticas peninsulares, como adverte Vázquez Corredoira (1998: 55, n.89), extravasa mesmo para a tradição apologética, da qual o mais acabado exemplo sobre esta matéria é o Antidoto da Lingua Portugueza (Amsterdão [1710]) de António de Mello da Fonseca.

Finalmente, o presente trabalho permitirá compreender que informação objetiva, que finalidades e que percepções foram veiculadas acerca do castelhano no quadro da descrição do plural e em que medida esses dados refletem a tendência predominante de apreciação global da língua castelhana nos textos portugueses e os seus efeitos sobre o processo de gramatização do português.

Palavras-chave: Historiografia; Plural; Ditongo nasal; Português; Espanhol.

 

Minibiografia:

Sónia Duarte é professora de Espanhol nos ensinos básico e secundário e investigadora do Centro de Linguística da Universidade do Porto, desenvolvendo a sua investigação fundamentalmente nas áreas da gramaticografia luso-espanhola e da didática do espanhol como língua estrangeira. Licenciou-se, na Universidade do Porto, em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e Ingleses (1995) e em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e Espanhóis. É mestre em Estudos Ibéricos (2008), pela Universidade de Évora. No âmbito da Historiografia Linguística, desenvolve atualmente os seus estudos de doutoramento na Universidade de Leão.


Comunicação 3

Variação linguística e ortografia: das Regras renascentistas ao Acordo Ortográfico de 1990

 

Autora:

Ana Paula Banza – Universidade de Évora / CIDEHUS – anabanza@uevora@pt

 

Resumo:

As relações entre norma e variação colocam, na sua complexidade, diversos problemas que a linguística tem debatido em diferentes perspectivas (Bagno 2002, Castro 2003, Mateus e Cardeira 2008, Mateus e Nascimento 2005, Castro 2003, Mattos e Silva 1996, Cunha 1995, etc).

Na perspectiva da gramática prescritiva, em particular da ortografia, a variação constituiu sempre um problema a superar na fixação da norma. A história das ideias ortográficas em Portugal até 1911 (Gonçalves 1992, 1996, 2003) mostra como, na base da reflexão e do debate sobre os princípios orientadores da ortografia — etimologia, fonética e uso, (completados pela analogia) — a variação ocupou sempre lugar de destaque, enquanto factor de diversidade, contrário por natureza ao espírito fortemente normalizador da ortografia e que, como tal, importava contornar através de uma gestão sábia dos diferentes princípios orientadores considerados na definição de um sistema ortográfico e em função das características da língua em apreço.

Na presente comunicação, abordaremos, numa perspectiva comparativa e crítica, o tratamento dado a estes princípios orientadores nos sistemas gráficos propostos pelos principais ortografistas até ao Formulário Ortográfico de 1911 e no Acordo Ortográfico de 1990, procurando demonstrar a necessidade, que permanece actual, de uma reflexão de base em torno das relações entre variação e ortografia, tendo em conta a especificidade linguística e cultural do Português enquanto língua pluricêntrica, para uma adequada definição dos princípios orientadores a seguir no estabelecimento da norma ortográfica do Português no séc. XXI.

Palavras-chave: Variação; Historiografia; Gramática; Ortografia; Acordo Ortográfico.

 

Minibiografia:

Ana Paula Banza é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e Franceses (1988) e Mestre em Linguística Portuguesa Histórica (1993) pela Universidade Clássica de Lisboa e Doutora em Linguística: História da Língua Portuguesa (2001) e Agregada em Linguística: História da Língua Portuguesa e Crítica Textual (2015) pela Universidade de Évora, onde leciona desde 1991. No domínio científico, tem trabalhado essencialmente nas áreas da Filologia e Crítica Textual. É membro integrado do Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora.


Comunicação 4

História das ideias linguísticas a partir dos livros didáticos: emergência dos textos imagéticos no ensino de Português no Brasil

Autor:

Jocenilson Ribeiro – Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Brasil – jocenilson.santos@unila.edu.br

 

Resumo:

A história dos saberes sobre apropriação e os usos das imagens para fins pedagógicos é recente, ainda que a prática remonte a tempos imemoráveis. Ela começa a ganhar contornos por volta de meados do século XX, paralela à história das ideias pedagógicas, no interior do qual se incorporam os estudos das práticas e das representações imagéticas na construção de conhecimento. Algumas das preocupações da história da educação moderna na França (Prost, 2004) estão relacionadas aos estudos dos modos como, historicamente, desenvolvia-se, nas sociedades letradas eclesiásticas e laicas, o ensino, envolvendo aí: professores e alunos; instituição familiar, escolar e universitária; políticas e regimentos educacionais; infraestrutura da instituição formadora etc. através dos quais se promovia o conhecimento. É recente o olhar atento às materializações imagéticas no processo educativo em várias disciplinas com interesse pedagogizante, ainda que tal prática remonte ao Medievo quando se fortaleceu uma política no interior do ensino religioso sob o prisma de um olhar contemplativo e censor. No Brasil, se entre 1980 e 1990 os textos imagéticos, verbais e não verbais ganharam atenção de pesquisadores influenciados pela teoria semiótica/semiológica, teoria da comunicação e, mais recentemente, teoria dos gêneros do discurso, passamos a observar discursos engendrados por uma nova prática de leitura e do ensino de línguas. No caso do ensino de língua portuguesa no Brasil, isso pôs em cena o problema da leitura da imagem nos processos pedagógicos e das teorias linguístico-semióticas que estiveram direta ou indiretamente relacionado à emergência dos textos plurissemióticos no livro didático e das abordagens didáticas que se utilizou nos últimos 50 anos. O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados de um percurso histórico feito no doutoramento a propósito de uma arqueologia da imagem e do imaginário no ensino de línguas no Brasil entre 1960 e 2010, período em que se observou a trajetória das teorias linguísticas relacionadas à ausência e/ou à emergência destes objetos nas abordagens de ensino de línguas do ponto de vista histórico-discursivo.

Palavras-chave: ideias linguísticas; imageria; historiografia; livro didático.

 

Minibiografia:

Jocenilson Ribeiro é professor adjunto da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Foz do Iguaçu, Brasil, onde ensino teoria linguística e português língua estrangeira. Fez mestrado e doutorado em linguística pela Universidade Federal de São Carlos, São Paulo, tendo realizado estágio doutoral pela Université Sorbonne Nouvelle, Paris III, com tese intitulada Arqueologia da imagem no ensino de língua portuguesa no Brasil (1960 -2010). Suas pesquisas se voltam para os estudos dos discursos, história das ideias, das representações e das teorias linguísticas no Brasil.


Comunicação 5

A gramatização seiscentista e a latinização do idioma português

Autor:

Luiz Antonio Gomes Senna – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – senna@senna.pro.br

 

Resumo:

As línguas modernas neolatinas formalizaram-se ao longo do século XVI no âmbito dos esforços pela instituição dos estados nacionais, à frente dos quais Portugal teve um papel dos mais significativos. O denominado processo de gramatização contribuiu substantivamente para a consolidação do perfil morfossintático das línguas neolatinas, fato que, entretanto, viria a mascarar desde então tensões as mais variadas entre os idiomas nacionais e os falares que, movidos pelas circunstâncias evolutivas, derivaram as comunidades linguísticas e seus dialetos. Este trabalho analisa o impacto do processo cultural da gramatização sobre a conformação do idioma português, buscando ressaltar os aspectos em que o interesse em uma língua civilizada e culta no século XVI desencadeia um processo de desvinculação entre a estrutura do português escrito e a estrutura do português oral. A pesquisa baseia-se na análise no corpus de estruturas trecentistas do português arcaico publicado em SILVA (1989), centralizando-se na esfera das relações de coesão gramatical: entre termos dos SN distribuídos em posições regidas por diferentes casos gramaticais, e; na relação entre SN­1 e SV. Em seguida, confrontam-se dados referentes à motivação e às orientações gerais para a compilação do português escrito em Portugal, em dois momentos históricos: a Gramática da Línguagem Portuguesa de Fernão de Oliveira, datada de 1536 (em edição comentada publicada em 1975) e as orientações normativas da ortografia portuguesa no século XVIII em Portugal, publicadas e analisadas em GONÇALVES (2003). O estudo desenvolvido tem por objetivo fundamentar aspectos linguísticos que contribuem para a compreensão de fenômenos de ensino do Português como LM, tais como os custos de alfabetização, de apropriação do sistema ortográfico e dos sistemas de relações de coesão gramatical.

Palavras-chave: Línguas escritas modernas; Língua portuguesa; Historiografia linguística.

 

Minibiografia:

Doutor em Linguística Aplicada à Língua Portuguesa pela PUC-Rio. Professor Associado do Departamento de Estudos Aplicados ao Ensino e membro do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisador da FAPERJ – Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro pelo Programa Cientistas do Nosso Estado. Dedica-se à produção de conhecimento na área de linguística teórica e aplicada ao letramento e à alfabetização em língua materna.


Comunicação 6

A teoria linguística nas gramáticas latinas de António Pereira de Figueiredo (1752-1753) e Luís António Verney (1758)

Autor:

Rogelio Ponce de León Romeo – Universidade do Porto / Centro de Linguística da Universidade do Porto – rromeo@letras.up.pt

 

Resumo:

A comunicação tem como objetivo analisar as caraterísticas teóricas subjacentes ao Novo methodo da grammatica latina, para uso das escholas da Congregação do Oratorio (Lisboa 1752-1753), do oratoriano António Pereira de Figueiredo (1725-1797), e à Grammatica latina, tratada por um método novo, claro e fácil (Barcelona 1758), de Luís António Verney (1713-1792), obras metalinguísticas que constituem o contraponto gramatical aos manuais para o ensino da língua latina que se utilizavam, em meados do século XVIII, nas escolas portuguesas da Companhia de Jesus, e que, em certo modo, prenunciam as decisões político-pedagógicas que se concretizam no Alvará régio de 28 de junho de 1759, no qual é proibido o uso, para o ensino do latim, dos celebérrimos De institutione grammatica libri tres, do Padre jesuíta Manuel Álvares, bem como dos comentadores da arte alvaresiana (Fávero 1996: 76; Kemmler 2007: 33-34).

As obras metalinguísticas objeto de estudo serão analisadas internamente e, apesar de serem gramáticas de tipo filosófico ou racionalista, serão também relacionadas e comparadas, determinando os pontos de convergência e divergência. Serão ainda determinadas as fontes das gramáticas em análise, quer as estrangeiras, quer as nacionais – inventariadas rigorosamente por  Simão Cardoso (1994: 140-177), Carlos Assunção (2001) e Rolf Kemmler (2012: 165-166) .

Palavras-chave: Sintaxe; Gramaticografia latino-portuguesa; Historiografia linguística; Século XVIII.

 

Minibiografia:

Rogelio Ponce de León é Licenciado em Filologia Clássica, pela Universidade Complutense de Madrid (1991), e Doutor em Filologia, pela referida Universidade (2001). É Professor Associado (desde 2014) no Departamento de Estudos Portugueses e Estudos Românicos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, bem como investigador do Centro de Linguística da Universidade do Porto. Leciona disciplinas no âmbito da linguística, tradução e didática. É autor de dezenas de trabalhos de investigação sobre história da gramática, história do ensino de línguas e linguística contrastiva.


Comunicação 7

As Remarques du traducteur no Maitre Portugais (Lisboa, 1799)

Autores:

Teresa Moura – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro / Centro de Estudos em Letras da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – tmoura@utad.pt

Rolf Kemmler – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro / Centro de Estudos em Letras da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro / Centro de Linguística da Universidade do Porto – kemmler@utad.pt

 

Resumo:

O próprio título da obra faz com que pareça evidente que o tradutor anónimo do Maitre portugais ou Nouvelle grammaire portugaise et françoise, composée d’après les meilleurs grammaires et, particulierement, sur la portugaise et angloise d’Antoine Vieyra Transtagano (1799) tenha beneficiado (pelo menos parcialmente) da estrutura e do conteúdo da gramática anglo-portuguesa A new portuguese grammar in four parts (1768) de António Vieira Transtagano (1712-1797). No entanto, uma consulta do livro permite a constatação que ele não traduziu simplesmente a obra inglesa, uma vez que acrescentou vinte subcapítulos com títulos como ‘Remarques du Traducteur’ (Maitre Portugais 1799: 9-13, 14-17, 18, 22-23, 24-26) ‘Méthode pour apprendre avec facilité le gendre des noms en Portugais’ (Maitre Portugais 1799: 28-35), etc. Nestes textos, bem como noutros comentários semelhantes, o autor acrescenta à informação traduzida a partir da gramática anglo-portuguesa as suas próprias observações, que têm em conta as propriedades e as diferenças específicas entre as duas línguas.

Na nossa comunicação, tentamos apresentar alguns dos elementos mais importantes que nos permitem compreender as ideias linguísticas do autor e enquadrá-las no seio da linguística franco-portuguesa contemporânea.

Palavras-chave: Século XVIII, gramática franco-portuguesa, notas do tradutor, inovação linguística.

 

Minibiografias:

Teresa Maria Teixeira de Moura é licenciada em Português-Francês (ensino de) pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, mestre em Ensino da Língua e da Literaturas Portuguesas pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e doutorada em Linguística portuguesa pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Atualmente é professora auxiliar desta universidade onde leciona unidades curriculares de linguística portuguesa. Tem também, nesta instituição, desempenhado algumas funções administrativas como vice direções de curso, programas de tutoria e presidente de júris de provas. A sua principal linha de investigação é na área da historiografia linguística, tendo participado em diversos congressos científicos, a nível nacional e internacional, e publicado vários livros, capítulos de livros e artigos em revistas da especialidade.


Comunicação 8

A sintaxe em gramáticas de português do século XIX para francófonos

Autores:

Maria do Céu Fonseca – Universidade de Évora – cf@uevora.pt

Ana Alexandra Silva – Universidade de Évora

Fernando Gomes – Universidade de Évora

 

Resumo:

Fazendo-se uma ronda por diversas gramáticas de português como língua estrangeira do século XIX, dirigidas a um público-alvo francófono, sobretudo francês, pretende-se neste trabalho focar aspetos diversos do ensino-aprendizagem da sintaxe / construção, nomeadamente no que toca à descrição (contrastiva) de fenómenos como a ordem das palavras, regras de concordância e de regência. Tem-se por base a afirmação de Swiggers de que “la ausencia de una parte de sintaxis en las gramáticas no quiere decir que no hay consideraciones de índole sintáctica” (2006: 180).

Palavras-chave: Historiografia linguística; Português Língua Estrangeira; Sintaxe.

 

Minibiografias:

Maria do Céu Fonseca é Professora Auxiliar c/ agregação da Universidade de Évora (Departamento de Linguística e Literaturas). Domínios de investigação: Historiografia linguística; Estudos sintáticos (áreas onde tem publicado alguns trabalhos).

Ana Alexandra Silva é Professora Auxiliar da Universidade de Évora (Departamento de Linguística e Literaturas). Para além de trabalhos publicados nas áreas da morfologia e da sintaxe, tem desenvolvido investigação na área do português como língua estrangeira/língua segunda.

Fernando Gomes é Professor Auxiliar da Universidade de Évora (Departamento de Linguística e Literaturas), onde leciona Língua e Cultura Francesas. Domínios de investigação: literaturas francesa e americana, mitologia, literatura comparada e ensino de língua estrangeira (áreas onde tem artigos publicados em Mediterranean Studies, Vols. 20 e 23; Lumières d’Albert Camus; Paul Bowles – The New Generation, Do you Bowles?; (Re)lire Albert Camus – Lectures Interdisciplinaires; Dedalus). 


Comunicação 9

As orixes da gramaticografía do galego: La Gramática Gallega de Juan Antonio Saco y Arce

 

Autores:

Rosa Pérez Rodríguez – Universidade de Vigo – rosa@uvigo.es

Joaquín Sueiro Justel – Universidade de Vigo – isueiro@uvigo.es

 

Resumo:

Juan Antonio Saco y Arce (Toén, Ourense 1835-Ourense 1881) publicou unha Gramática Gallega en 1868. Escrita en castelán, podémola considerar a primeira obra gramatical propiamente dita, iniciadora dos estudos sobre a lingua galega e, aínda hoxe, referencia para as posteriores achegas investigadoras. Tras un prólogo de grande interese sobre a ideoloxía e concepción gramatical do autor, a obra divídese en cinco capítulos: un de norfoloxía, chamado Lexiología, un de Sintaxis, outro de Prosodia, outro de Ortografía e un capítulo final de Apéndices no que se inclúen refráns e unha pequena escolma literaria.

O presente traballo pretende analizar a teoría lingüística subxacente nesta gramática. Trataremos de entroncala na tradición gramatical peninsular, rastrexar as súas fontes e detectar as influencias recibidas, salientar as aportacións do autor (de sólida formación clasicista, non ha que esquecer que foi catedrático de latín e grego e de retórica e poética en centros de secundaria) e calibrar a súa proxección posterior.

Sendo iniciadora dos estudos gramaticais do galego, creemos que a obra de Saco y Arce aínda está necesitada dunha lectura contemporánea que a sitúe de xeito máis preciso na historiografía gramatical peninsular.

Palavras-chave: Historiografía, gramaticografía galega, lingüística colonial, gramática racionalista ou especulativa vs gramática descriptiva e normativa.

 

Minibiografias:

María Rosa Pérez Rodríguez é doutora en Filoloxía Hispánica pola Universidade de Santiago de Compostela. Incorporouse no ano 1992 á Universidade de Vigo, na que é desde o ano 1999 profesora Titular do Departamento de Lingua Española. A súa investigación e docencia céntranse fundamentalmente na gramática do español, o ensino de linguas e a avaliación.

Joaquín Sueiro Justel licenciouse en Filoloxía Hispánica na Universidade de Santiago de Compostela con Premio Extraordinario. Catedrático de ensino secundario en excedencia, incopórase a Universidade de Vigo en 1991 coma profesor asociado, na que se doutora no ano 2001. Dende 2003 é Catedrático de Escola Universitaria/Titular de Universidade do Departamento de Lingua Española. As súas liñas de investigación e docencia son fundamentalmente tres: a historiografía lingüística, a gramática do español e o ensino aprendizaxe de linguas. 


Comunicação 10

O Maitre Portugais (1799) e as suas fontes

Autores:

Rolf Kemmler – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro / Centro de Estudos em Letras da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro / Centro de Linguística da Universidade do Porto – kemmier@utad.pt

Teresa Moura – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro / Centro de Estudos em Letras da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – tmoura@utad.pt

 

Resumo:

No ano de 1799, o impressor lisboeta Simão Tadeu Ferreira imprimiu uma gramática portuguesa em francês, intitulada Maitre portugais ou Nouvelle grammaire portugaise et françoise, composée d’après les meilleurs grammaires et, particulierement, sur la portugaise et angloise d’Antoine Vieyra Transtagano. Vemos neste título uma referência explícita que permite identificar como fonte principal da obra a gramática anglo-portuguesa A new portuguese grammar in four parts (11768) do estrangeirado português António Vieira Transtagano (1712-1797).

Nada permite crer que o tradutor para o francês tenha sido o próprio Transtagano, pelo que julgamos mais adequado encarar o Maitre Portugais (1799) como ‘pseudo-transtagano’, devendo, infelizmente, ficar por aí a investigação sobre a questão da verdadeira autoria da obra.

Na nossa comunicação visamos apresentar a gramática franco-portuguesa, oferecendo um confronto e uma análise das ideias do gramático anónimo face à referida fonte anglo-portuguesa e outras possíveis fontes contemporâneas.

Palavras-chave: António Vieira Transtagano; Maitre Portugais; Gramáticas de PLE; Viuva Bertrand; tradução metalinguística.

 

Minibiografias:

Rolf Kemmler é professor auxiliar convidado na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD, Vila Real), membro permanente do Centro de Estudos em Letras (CEL) da UTAD e do Centro de Linguística da Universidade do Porto (CLUP, Porto). Com vasto número de publicações originais desde 1996, que se debruçam sobretudo a questões pertencentes à historiografia linguística, é especialista nas áreas da história da ortografia da língua portuguesa desde o século XVI até ao século XXI e da história das tradições gramaticográficas portuguesa e latino-portuguesa dos séculos XVI-XIX. Mais recentemente, tem-se dedicado ainda ao estudo de aspetos da literatura de viagens anglófona novecentista sobre os Açores e à investigação sobre o papel da Galiza dentro da Lusofonia.

Teresa Maria Teixeira de Moura é licenciada em Português-Francês (ensino de) pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, mestre em Ensino da Língua e da Literaturas Portuguesas pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e doutorada em Linguística portuguesa pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Atualmente é professora auxiliar desta universidade onde leciona unidades curriculares de linguística portuguesa. Tem também, nesta instituição, desempenhado algumas funções administrativas como vice direções de curso, programas de tutoria e presidente de júris de provas. A sua principal linha de investigação é na área da historiografia linguística, tendo participado em diversos congressos científicos, a nível nacional e internacional, e publicado vários livros, capítulos de livros e artigos em revistas da especialidade. 


Comunicação 11

Teoria linguística e questões pedagógico-didáticas na Gramática Portugueza da Biblioteca do Povo e das Escolas: elementos para a história das “gramáticas populares”

Autor:

Maria Filomena Gonçalves – Universidade de Évora / CIDEHUS-UÉ/FCT – mfg@uevora.pt

 

Resumo:

A partir de 1881, o editor David Corazzi começa a publicar a Biblioteca do Povo e das Escolas, coleção criada com o objetivo de contribuir para a instrução popular e a difusão científica, propósito inspirados pelo positivismo. Visando a “propaganda de instrucção para portuguezes e brazileiros”, já que a casa do editor Corazzi possuía uma filial no Brasil, a coleção destinava-se ao progresso e civilização dos povos de ambos os lados do Atlântico. Os opúsculos publicados na coleção tinham formato pequeno e extensão reduzida (62-65 pp. máximo), neles sendo versadas várias matérias.

Entre os assuntos linguísticos e metalinguísticos que, entre 1882 e 1892, foram incluídos na Biblioteca do Povo e das Escolas, contam-se os seguintes: gramática portuguesa, filologia, provérbios e arcaísmos. Em 1882, com o número 40 da coleção, vem a lume a Grammatica Portugueza, que é da autoria de Xavier da Cunha, diretor da coleção. Esta pequena Grammatica Portugueza foi redigida em consonância com o “programma oficial dos exames d’instrucção primaria nos Lyceus Nacionaes”, ou seja, obedecia às disposições da Portaria de 9 de março de 1872 para a admissão aos liceus.

Não obstante pretender satisfazer as exigências do exame de admissão, o autor desta gramática “popular” declara não se ter limitado a expor as matérias do programa nem, tampouco, a seguir o “systema pedagogico infelizmente vulgarizado nas nossas aulas”, e que assentava no mero exercício da memória. Em sintonia com o “lema” da Biblioteca do Povo e das Escolas, a Grammatica pretende levar à compreensão dos conceitos gramaticais.

O objetivo desta comunicação consiste em verificar se o autor, de facto, cumpriu o propósito anunciado, em que medida o seu “systema” expositivo reproduzia gramáticas coetâneas e em que aspetos o autor divergia destas. Para tal, torna-se necessário analisar a teoria linguística subjacente a esta “gramática popular” e as suas possíveis fontes, analisando a estrutura organizativa da obra, bem como a sua dimensão conceptual e terminológica. Por outro lado, procura-se averiguar o papel atribuído à gramática da língua materna como parte da instrução popular. Tratar-se-á, em suma, de situar esta “gramatiquinha” popular âmbito da gramaticografia dos finais do século XIX e, em particular, da produção gramatical destinada a públicos não letrados e a contextos informais de aprendizagem da gramática da língua materna.

Palavras-chave: Gramática; gramática popular; Português; século XIX.

 

Minibiografia:

Maria Filomena Gonçalves é doutorada em Linguística Portuguesa e possui Agregação em História da Língua Portuguesa. Tem coordenado projetos nacionais (MEP-BPEDig – Memória Metalinguística do Português) e participado em projetos internacionais (Corpus des grammaires portugaises, CNRS, França; Dicionário Histórico do Português do Brasil (sécs. XVI a XVIII), CNPq, Brasil; La terminología azucarera atlántica: documentación e historia, Min. Economía y Competitividad, España; Portuguesismos atlánticos (siglos XVI y XVII), Min. Economía y Competitividad, España). Coordena o LPT (Literacias e Património Textual), grupo de investigação do Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS-UÉ/FCT).  


Comunicação 12

Emigração, comércio e economia política nos corpora dialogais das gramáticas e dos guias de conversação italiano-português (séc. XIX)

Autores:

Monica Lupetti – Università di Pisa – Dipartimento di Filologia, Letteratura e Linguistica – monica.lupetti@unipi.it

Marco E. L. Guidi – Università di Pisa – Dipartimento di Economia e Management – mel.guidi58@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho centra-se nos corpora dialogais das gramáticas e dos guias de conversação que respeitam ao par linguístico italiano-português, publicados ao longo do século XIX.

Nestes manuais, as conversações familiares seguem a subdivisão por temas que concernem ao dia-a-dia: dos cumprimentos às visitas, às expressões de cortesia, à conversa amigável, às queixas, à meteorologia, até à metalinguagem das relações pedagógicas.

Esta arquitetura decorre funcionalmente do chamado “método tradicional”, que previa uma pormenorizada análise metalinguística associada à prática da tradução. Além disso, permite recolher um repertório lexical notável, fornecendo a tradução de numerosas frases idiomáticas portuguesas.

Se examinarmos a componente lexical das conversações, destacamos a conservação frequente de domínios tradicionais, que já se encontravam na única gramática de italiano publicada em Setecentos, por Caetano de Lima. Exemplo disso são as estações, as partes do corpo, as faculdades da alma, vícios e virtudes. Pelo contrário, outros campos semânticos são atípicos e decorrem dos manuais técnicos ou aparecem pela primeira vez nestas gramáticas e nestes guias.

Os guias têm também especial interesse do ponto de vista socioeconómico, já que estão diretamente ligados à experiência dos migrantes e dos homens de negócios. Eles oferecem um retrato da experiência destas pessoas, das questões que tinham de encarar na altura em que davam entrada no novo país, até às profissões que chegavam a desempenhar. Particularmente relevante é o facto de a economia política se encontrar entre os tópicos de conversação.

Dois são, portanto, os objetivos deste trabalho:

estudar a evolução dos corpora dialogais, as suas filiações, transformações e ainda a função que desenvolvem dentro dos manuais que os contêm;

analisar o conteúdo socioeconómico dos diálogos como fonte para o estudo da evolução da sociedade e das ideias económicas, por um lado, e do público alvo e dos objetivos formativos das gramáticas, pelo outro.

Palavras-chave: Gramáticas – guias de  conversação – diálogos – emigração – economia política .

 

Minibiografia:

Monica Lupetti é doutorada em Estudos Lusófonos pela Universidade de Bari com uma tese em historiografia gramatical. É professora auxiliar na área de Língua e Tradução do Português Europeu e Português Brasileiro no Departamento de Filologia, Literatura e Linguística da Universidade de Pisa. As suas principais áreas de pesquisa são a didática do português para estrangeiros – com especial interesse nas interferências linguísticas; a lexicografia e gramaticografia ibéricas dos sécs. XVII-XIX, além da paremiologia utilizada para a educação dos nobres nos sécs. XVI e XVII.

Marco Enrico Luigi Guidi é doutorado em História do Pensamento Político pela Universidade de Turim. Tem trabalhado (1987-2001) na Universidade de  Teramo e na de Brescia como professor associado.  Desde 2002 é catedrático de História do Pensamento Económico no Departamento de Economia e Management da Universidade de Pisa. Tem sido visiting professor em várias universidades francesas. É codiretor da revista “Il pensiero economico italiano” e membro da comissão editorial de várias revistas europeias de história do pensamento económico. A sua investigação estende-se da história do pensamento económico italiano ao estudo da institucionalização e da circulação das ideias económicas na Europa – com especial interesse no fenómeno da tradução – do século XVIII ao início do século XX, às relações entre utilitarismo clássico e economia política.


Comunicação 13

Do tratamento do verbo ser em instrumentos metalinguísticos do Português publicados no século XIX

Autora:

Maria Helena Pessoa Santos – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro / CELGA-ILTEC – hpessoa@utad.pt

 

Resumo:

O século XIX português constitui um período eclético em que convergem a herança de um ideário metalinguístico polifacetado e a receção de inovações metodológicas tendentes a promover o desenvolvimento do estudo científico, de índole histórico-comparativa, da língua portuguesa, no âmbito da Linguística Românica.

É nosso objetivo escrutinar um conjunto de obras metalinguísticas representativas da centúria portuguesa de Oitocentos, a fim de rastrearmos as caracterizações descritivas e explicativas do funcionamento sintático atribuído ao verbo ser, em consonância com princípios norteadores da prática historiológica e historiográfica em Linguística, a saber, o princípio que impõe a clarificação dos ‘climas de opinião’ responsáveis pela emergência das obras sob escopo, o princípio que determina a fiel reconstrução da terminologia concebida e/ou aplicada nessas obras e o princípio que estipula a adequação epistemologicamente relativa de modelos terminológicos modernos à arquitetura terminológica reconstruída.

Palavras-chave: Historiografia gramatical; História da língua portuguesa; Sintaxe.

 

Minibiografia:

Maria Helena Pessoa Santos é professora auxiliar do Departamento de Letras, Artes & Comunicação afeto à Escola de Ciências Humanas e Sociais da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, bem como membro recentemente integrado do CELGA-ILTEC, da Universidade de Coimbra, estando a desenvolver a sua investigação no âmbito da linha temática de História da Língua Portuguesa e História da Consciência Linguística. Foi pela Universidade de Coimbra que se licenciou, em 1989, em Línguas e Literaturas Modernas, mais especificamente, na variante de Estudos Portugueses (Ramo de Formação Educacional), vindo a concluir, em 1993, o Curso de Mestrado em Literatura Portuguesa e a frequentar, com aproveitamento, no ano letivo de 2000-2001, o 1.º ano do Curso de Mestrado em Linguística Geral. Em 1998, obteve colocação, como assistente estagiária, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde, em 2005, se doutorou em Linguística Portuguesa.