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Simpósio 58

SIMPÓSIO 58 – A CORRELAÇÃO SINTAXE-SEMÂNTICA NA GRAMÁTICA DO PORTUGUÊS

 

Coordenadoras:

Maria Angélica Furtado da Cunha | UFRN/CNPq | angefurtado@gmail.com

Mariangela Rios de Oliveira | UFF/CNPq | mariangelariosdeoliveira@gmail.com

 

Resumo:

Um dos pressupostos compartilhado por todas as vertentes da Linguística Funcional (Talmy Givón, Paul Hopper, Sandra Thompson, Wallace Chafe, Joan Bybee, entre outros) e da Gramática de Construções (Charles Fillmore, William Croft, Adele Goldberg, entre outros) diz respeito à relação motivada entre forma-função nas unidades linguísticas. Na versão clássica da pesquisa funcionalista, a função de um elemento linguístico motiva sua forma, na trajetória unidirecional função Þ forma. Nesse sentido, postula-se uma ascendência do componente pragmático sobre o componente semântico, e do semântico sobre o sintático, de tal modo que a sintaxe da oração, por exemplo, veicula o sistema semântico da língua, o qual, por sua vez, organiza os acontecimentos da realidade. Está claro, contudo, que os domínios da sintaxe, semântica e pragmática são relacionados e interdependentes (FURTADO DA CUNHA; COSTA, 2001). Na perspectiva mais recente dos estudos funcionalistas (Elizabeth Traugott, Graeme Trousdale, entre outros) que incorpora a abordagem construcional, reelabora-se esse olhar unidirecional do sentido para a estrutura, passando-se a considerar a correlação função Û forma. Haveria, pois, uma espécie de reabilitação ou resgate da forma, em sentido inverso ao do Funcionalismo clássico (OLIVEIRA, 2015). Esse simpósio, com base na orientação teórica da Linguística Centrada no Uso, que conjuga Linguística Funcional e Gramática de Construções, se propõe a discutir a correlação sintaxe-semântica na gramática do português, tal como se manifesta em diferentes fenômenos linguísticos, em contextos distintos do uso contemporâneo do português, detectados em variados gêneros, falados ou escritos.

Palavras-chave: Funcionalismo, abordagem construcional, morfossintaxe.

 

Minibiografias:  

Maria Angélica Furtado da Cunha

Professora titular de Linguística da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem. Pesquisadora do CNPq. Coordenadora do Grupo de Estudos Discurso & Gramática na UFRN. Organizadora de livros e autora de capítulos e artigos sobre transitividade, estrutura argumental, gramática de construções e ensino de gramática sob o enfoque da Linguística Funcional.

 

Mariangela Rios de Oliveira

Presidente da Associação Brasileira de Linguística. Professora titular de Língua Portuguesa da Universidade Federal Fluminense, onde chefia o Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. Docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da UFF. Pesquisadora do CNPq. Coordenadora nacional do Grupo de Estudos Discurso & Gramática. Organizadora de coletâneas e autora de artigos e capítulos sobre aspectos funcionais da língua portuguesa.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A articulação da Linguística Funcional à Gramática de Construções

Autoras:

Maria Angélica Furtado da Cunha – UFRN – angefurtado@gmail.com

Mariangela Rios de Oliveira – UFF – mariangelariosdeoliveira@gmail.com

 

Resumo:

Uma tendência recente de pesquisas vinculadas à Linguística Funcional norte-americana é a incorporação de pressupostos teórico-metodológicos da Linguística Cognitiva, mais particularmente da Gramática de Construções (GOLDBERG, 1995, 2006; CROFT, 2001), à análise de fenômenos linguísticos. Essa nova tendência tem sido associada ao que se denomina Usage-based Approach to Language (BYBEE, 2010; HOFFMANN e TROUSDALE, 2013). No Brasil, essa corrente de estudos linguísticos é identificada como Linguística Funcional Centrada no Uso (CEZARIO e FURTADO DA CUNHA, 2013; OLIVEIRA e ROSÁRIO, 2015) e é adotada pelos pesquisadores do Grupo de Estudos Discurso & Gramática. Tal modelo de abordagem caracteriza-se, principalmente, pela concepção de língua como uma rede de construções interconectadas em seus diferentes planos, por relações de natureza diversa. A gramática é motivada e regulada por fatores estruturais, cognitivos e sociocomunicativos. Decorre dessa compreensão a defesa do estudo da língua com base nos referidos fatores. A articulação da Linguística Funcional à Gramática de Construções implica reconhecer o papel da cognição no uso da língua. Nessa linha, as propriedades da estrutura linguística devem ser descritas e explicadas em termos da aplicação de processos cognitivos gerais. A emergência e a mudança da estrutura linguística é, pois, atribuída à aplicação repetida desses processos. Este trabalho tem por objetivo discutir essas questões.

Palavras-chave: Linguística Funcional; Gramática de Construções; Incorporação de modelos.

 

Minibiografias:

Maria Angélica Furtado da Cunha – Professora titular de Linguística da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem. Pesquisadora do CNPq. Coordenadora do Grupo de Estudos Discurso & Gramática na UFRN. Organizadora de livros e autora de capítulos e artigos sobre transitividade, estrutura argumental, gramática de construções e ensino de gramática sob o enfoque da Linguística Funcional.

Mariangela Rios de Oliveira – Professora titular de Língua Portuguesa da Universidade Federal Fluminense. Docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem e chefe do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. Pesquisadora do CNPq e coordenadora geral do Grupo de Estudos Discurso & Gramática. Presidente da Associação Brasileira de Linguística. Organizadora de livros e autora de capítulos e artigos sobre morfossintaxe do português, gramática de construções e ensino de gramática sob o enfoque da Linguística Funcional.


Comunicação 2

A natureza lógico-argumentativa da microconstrução daí que e seus padrões de uso em função conectora: uma revisão bibliográfica

Autora:

Ana Beatriz Arena – UERJ – bia.arena@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, com base na Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU), nos termos de Traugott e Trousdale (2013), objetivamos reconhecer a natureza lógico-argumentativa conector daí que por meio de uma revisão bibliográfica que contempla desde gramáticas normativas até diferentes estudos de base linguística. Partimos daquilo que a tradição gramatical denomina conjunções, entre estas as locuções conjuntivas. Descrevemos o tratamento que esses compêndios dão para as conjunções e destacamos alguns padrões de uso do conector daí que, a fim de justificar por que não o consideramos uma conjunção coordenativa conclusiva ou subordinativa consecutiva, nos moldes da tradição gramatical, tampouco um dos elementos adverbiais – não obstante a origem adverbial do – que estabelecem coesão entre partes do texto, conforme ressalva Bechara (1999:322). Apresentamos, em seguida, as duas únicas gramáticas, dentre o extenso material teórico consultado, que citam o daí que, ambas de orientação fronteiriça entre os estudos linguísticos e a tradição gramatical. Por fim, resgatamos alguns estudos linguísticos sobre conectores e apontamos recortes destes que podem justificar em grande parte o tratamento que damos ao nosso objeto de estudo. Demonstramos, ainda, a necessidade de a abordagem que propomos ser diferenciada, em alguns aspectos, até mesmo do que propõem estudos de base puramente linguística, em face de o daí que ser um conector de uso muito recente na língua e requerer, consequentemente, olhar atento e cuidadoso.

Palavras-chave: daí que; conector lógico-argumentativo; linguística funcional centrada no uso.

 

Minibiografia:

Doutora em Estudos de Linguagem (UFF, 2015). Mestre em Língua Portuguesa (UFF, 2008). Graduada em Letras (UFRJ, 1985). Pesquisadora do Grupo de Estudos Discurso & Gramática (D&G) e do Grupo de Pesquisa Conectivos e Conexão de Orações (CCO), ambos sediados na UFF. Professora adjunta da Faculdade de Formação de Professores (FFP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Professora dos ensinos fundamental e médio das redes pública e particular. Revisora dos Cadernos de Saúde Pública (ENSP-FIOCRUZ).


Comunicação 3

Estudo da transitividade em artigos de opinião

Autoras:

Bárbara Bremenkamp Brum – UFF –  barbarabbrum@hotmail.com

Lúcia Helena Peyroton da Rocha – UFES – lhpr@terra.com.br

 

Resumo:

O presente estudo teve sua motivação nas pesquisas realizadas no Núcleo de Pesquisas em Linguagens (NPL) da Universidade Federal do Espírito Santo, coordenado pela professora doutora Lúcia Helena Peyroton da Rocha, que focaliza temas ligados à transitividade verbal, sobretudo em gêneros textuais diversos. Esta pesquisa analisa artigos de opinião coletados do Jornal A Gazeta da cidade de Vitória ES, no período de Março e Abril de 2014, a partir da proposição dos Parâmetros de Transitividades de Hopper e Thompson (1980). O funcionalismo norte-americano, principalmente os estudos sobre a transitividade (Givón, 2001; Hopper e Thompson, 1980 e Thompson e Hopper, 2001), foram utilizados como base teórica para esta investigação. Com vistas à identificação das características linguísticas desse gênero textual, buscamos demonstrar, por meio da aferição da transitividade em sentenças de artigos de opinião, como o fenômeno da transitividade está ligado às intenções do falante na construção de seu discurso, que revela o que é considerado central e o que é considerado periférico em um texto argumentativo, por exemplo. A identificação de algumas dessas relações é observada em nosso estudo, como o fato de que o falante articula seu discurso com sentenças de transitividade mais elevada quando o tema tratado é humano do que quando o tema tratado é inanimado. A presente pesquisa contribui para o desenvolvimento das discussões em torno da transitividade na perspectiva funcionalista da linguagem, mostrando como a transitividade se dá no gênero artigo de opinião.

Palavras-chave: Transitividade; Funcionalismo; Gênero Artigo de Opinião.

 

Minibiografias:

Bárbara Bremenkamp Brum – Doutoranda em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal Fluminense. Mestra em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Espírito Santo. Graduação em Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Espírito Santo. Professora de Língua Portuguesa e Literatura no Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

Lúcia Helena Peyroton da Rocha – Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP-Araraquara). Fez o Pós-Doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É Professora Associada 4 da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Atualmente é Coordenadora Adjunta do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PPGEL/UFES). É Coordenadora de Núcleo de Pesquisas em Linguagens (UFES/CNPq). 


 Comunicação 4

Estruturas com “se +SN plural” na fala de são tomé e príncipe e de portugal: uma explicação do ponto de vista da gramática das construções

Autoras:

Angela Marina Bravin dos Santos – UFRRJ – bravin.rj@uol.com.br

Roza Palomanes – UFRRJ – rozapalomanes@terra.com.br

 

Resumo:

Esta pesquisa mostra que sentenças do tipo (1) “compram-se livros” e (2) “compra-se livros” constituem-se numa mesma construção gramatical, independentemente do uso ou apagamento da flexão verbal. Ambas transmitem a noção semântica de indeterminação do sujeito, sendo mais usadas na variedade do português do continente europeu. O estudo apoia-se em uma das teorias da Linguística Cognitiva: a Gramática das Construções, idealizada por Goldberg (1995), segundo a qual as características semânticas de uma construção gramatical não são previsíveis a partir de cada elemento que a constitui, mas da interação entre eles, resultando em um bloco de significação. A investigação desenvolve-se com base em sentenças reais produzidas por falantes de Portugal e de São Tomé e Príncipe a fim de respondermos às perguntas: 1) Os exemplos em (1) e (2) correspondem a um único padrão construcional?  2) Que aspectos nos permitem considerá-las assim?

Palavras-chave: Gramática das Construções; Padrão construcional; Indeterminação do sujeito; Variedades do Português.

 

Minibiografias:

Angela Marina Bravin dos Santos – Professora Doutora de Língua Portuguesa da UFRRJ, atuando na graduação, pós-graduação e extensão. Suas pesquisas associam Sociolinguística ao ensino do português como língua materna. É uma das organizadoras do livro PRÁTICAS DE ENSINO DO PORTUGUÊS. Possui várias publicações em periódicos especializados na área da linguagem.

Roza Palomanes – Professora de Linguística na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, possui mais de  25 anos de experiência como professora de Língua Portuguesa da rede pública de ensino. Suas pesquisas em Linguística Cognitiva centram-se no estudo das construções gramaticais e na aplicação dos pressupostos teóricos cognitivistas ao ensino.  Além de vários artigos publicados na área, é coautora e organizadora dos livros PRÁTICAS DE ENSINO DO PORTUGUÊS e ENSINO DE PRODUÇÃO TEXTUAL.


Comunicação 5

Construções epistêmicas de base verbal em variedades do português

Autora:

Cristina dos Santos Carvalho – UNEB – crystycarvalho@yahoo.com.br

 

Resumo:

Sob uma perspectiva construcional, a língua é composta de construções – pareamentos forma-função – organizadas em rede. Nessa abordagem, construções linguísticas, além de apresentarem uma correlação entre propriedades fonológicas, morfológicas, sintáticas (forma) e semânticas e discursivo-pragmáticas (função), podem passar por mudanças nessas propriedades, que podem afetar forma e função (construcionalização) ou forma ou função (mudança construcional) (TRAUGOTT; TROUSDALE, 2013).  No português, construções parentéticas epistêmicas como eu acho parecem ilustrar instanciações de mudança do subesquema construcional [[SUJ V]Matriz Epist + [Compl] + [ S]], formado por sentenças matriz com sujeito e predicador verbal epistêmico e completiva finita em função de objeto direto, interligadas por complementizador. Norteada pela proposta de Gonçalves (2015) para construções epistêmicas de base adjetival ((é) claro/lógico), considero que, inicialmente, nas de base verbal, também ocorre uma reanálise do complementizador que, da qual resulta o padrão construcional [SUJ V Compl]Epist. Esse padrão, no contexto de primeira pessoa do singular (P1) do presente do indicativo, ainda passa por outras mudanças sintáticas (liberdade de posição sintática, ausência de complementizador), o que parece implicar um novo pareamento forma-função: [SUJP1VEpist]Parentético, atualizado, por exemplo, em microconstruções como eu acho, eu creio, eu julgo, eu penso, eu suponho. Visando verificar se essas microconstruções constituem instâncias de construcionalização nas variedades brasileira e europeia do português, pretendo investigar, neste trabalho, construções epistêmicas de base verbal quanto a graus de esquematicidade, produtividade e composicionalidade (TRAUGOTT; TROUSDALE, 2013). Seguindo a orientação teórico-metodológica da Linguística Funcional Centrada no Uso e examinando dados reais do português de diferentes períodos, mostro quais são as redes de construções epistêmicas verbais das variedades do português estudadas, em qual delas esse tipo de construção é mais produtivo (construction frequency) e quais são os construtos que mais ocorrem (construct frequency).

Palavras-chave: Linguística funcional centrada no uso; Construcionalização; Mudança construcional; Construções epistêmicas verbais.

 

Minibiografia:

Cristina dos Santos Carvalho é doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas e, atualmente, realiza estágio pós-doutoral na Universidade Federal do Rio de Janeiro. É Professora Titular da Universidade do Estado da Bahia e docente do Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Linguística e Língua Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: variação linguística, gramaticalização, funcionalismo, sentenças complexas. 


Comunicação 6

A comunicação verbal como atividade têxtil: extensões  metafóricas da construção transitiva no português brasileiro

Autora:

Lilian Ferrari – UFRJ – lilianferrari@uol.com.br

 

Resumo:

A Teoria da Metáfora Conceptual tem como um de seus pilares básicos a premissa de que as expressões metafóricas representam processos de pensamento,  que refletem projeções entre domínios conceptuais distintos. Por meio desses processos,  elementos associados a um domínio-fonte, mais concreto, são recrutados para estruturar um domínio-alvo, mais abstrato. Um dos exemplos emblemáticos desse fenômeno, tratado em detalhes na literatura relevante (Reddy,1979; Lakoff & Johnson, 1980), é  a Metáfora do Conduto, que evidencia  a conceptualização da comunicação verbal como transferência de um objeto através de um conduto (ex. dar um ideia a alguém). Embora a  Metáfora do Conduto  tenha sido atestada em línguas não-relacionadas, tais como o português (Ferrari, no prelo) e o japonês (Nomura, 1993), assim como em estudos sobre gestos (Müller, 2004), pesquisas recentes têm apontado que  a metalinguagem para comunicação verbal admite outras correspondências metafóricas (Ferrari e Pinheiro, 2015). Por exemplo, os falantes de inglês podem tomar, como domínio-fonte, a atividade de ‘Construção Civil’, para usar expressões como “to build a proposal” ( lit. construir uma proposta) ou “to knock together na article” (lit. juntar um artigo). Em contextos similares, falantes de português podem recorrer à metáfora “COMUNICAÇÃO VERBAL É ATIVIDADE TÊXTIL”,  produzindo expressões tais como “costurar um acordo” e  “tecer um  comentário”. Com base em dados retirados de  corpus  jornalístico escrito do português brasileiro (NILC/São Carlos), o presente trabalho busca detalhar as relações entre as estruturas sintática e semântica das sentenças de comunicação verbal associadas à atividade têxtil.    O objetivo do trabalho é demonstrar que  tais sentenças preservam a sintaxe da Construção  Transitiva [SN1 V SN2] que codifica  atividade têxtil (ex. A artesã teceu um xale), constituindo extensões metafóricas referentes à  comunicação verbal. Nessas extensões,  SN1 e SN2 codificam o falante e o produto verbal, respectivamente, enquanto o verbo relacionado à atividade têxtil adquire sentido dicendi.

Palavras-chave: metáfora conceptual; comunicação verbal; construção gramatical; extensão metafórica.

 

Minibiografia:

Profa. Titular do Depto. de Linguística e Filologia e membro permanente do Programa de Pós-graduação em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Líder do Laboratório de Pesquisas em Linguística Cognitiva (LINC). Pesquisadora do CNPq.


Comunicação 7

A construcionalização gramatical de “super”, “hiper”, “mega” e “ultra” – uma abordagem funcional centrada no uso

Autoras:

Lauriê Ferreira Martins – UFJF – lauriefm@hotmail.com

Patrícia Fabiane Amaral da Cunha Lacerda – UFJF – patriciafabianecunha@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho dedica-se à investigação das construções avaliativas com “super”, “hiper”, “mega” e “ultra”, a partir de uma abordagem funcional centrada no uso, por serem elementos altamente frequentes na língua portuguesa. Nossos objetivos são identificar e analisar os diferentes padrões construcionais que envolvem as construções investigadas, os quais estariam relacionados em torno de um esquema abstrato comum. Desse modo, tomamos como base teórica os pressupostos da construcionalização gramatical, que propõe que uma nova construção é criada através de uma sequência de pequenas mudanças na forma e na função, as quais são acompanhadas por aumento em esquematicidade e em produtividade e decréscimo em composicionalidade e se organizariam de maneira correlacionada em uma rede taxonômica (TRAUGOTT & TROUSDALE, 2013; TROUSDALE, 2014). Para tanto, realizamos uma análise quantitativa e qualitativa dos dados, a fim de compreender como as construções emergem nas interações comunicativas, tornam-se frequentes e se convencionalizam na língua. Um corpus escrito, distribuído em três níveis de formalidade e em três sincronias distintas, foi constituído para a análise das ocorrências. Nossos resultados demonstram que o desenvolvimento das construções avaliativas em estudo envolveria acréscimo de abstratização formal e funcional, sendo possível a postulação de uma rede construcional a partir dos seguintes níveis de esquematicidade: construtos, microconstruções, mesoconstruções e esquema (TRAUGOTT, 2008a, 2008b; TRAUGOTT & TROUSDALE, 2013). O esquema mais abstrato identificado tem como função o posicionamento do locutor. Já as microconstruções, identificadas em um continuum escalar entre “super”, “hiper”, “mega” e “ultra”, estariam organizadas em três diferentes mesoconstruções, cujas funções seriam intensificação, qualificação e modalização. Ainda, constatamos que tais construções tiveram seus usos semântico-pragmáticos expandidos em direção a um crescente processo de (inter)subjetivização, uma vez que novas construções seriam cada vez mais orientadas para o interlocutor, e que forma e função não são mais acessíveis apenas a partir da soma das partes.

Palavras-chave: Funcionalismo; construcionalização gramatical; construções avaliativas.

 

Minibiografias:

Lauriê Ferreira Martins – Doutoranda em Linguística pelo programa Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora. Mestra em Linguística, também, pelo programa Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora. Especialista em Ensino de Língua Portuguesa e graduada em Letras, com habilitações em Língua Portuguesa e Língua Italiana (e respectivas Literaturas), pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Desenvolvendo pesquisa na área da Linguística Funcional Centrada no Uso, mais especificamente, em construcionalização gramatical.

Patrícia Fabiane Amaral da Cunha Lacerda – Pós-doutora e doutora em Linguística pela Universidade Federal de Minas Gerais, mestra em Linguística pela Universidade Federal de Juiz de Fora e graduada em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora, atuando na graduação e no Programa de Pós-graduação em Linguística. Tem experiência na área de Linguística e desenvolve pesquisas nas seguintes áreas: Funcionalismo e Abordagem construcional da mudança linguística.


Comunicação 8

Adjetivo adverbializado no português brasileiro dos séculos xx e xxi: uma visão construcionista

 

Autoras:

Priscilla Mouta Marques – UFRJ – pmouta@gmail.com

Júlia Langer de Campos – UFRJ – julialangerc@hotmail.com

 

Resumo:

Partindo do arcabouço teórico-metodológico da Linguística Funcional Centrada no Uso, estre trabalho objetiva apresentar o delineamento da rede da construção com adjetivo adverbializado no Português Brasileiro dos séculos XX e XXI. Para tal fim, coletamos e analisamos as ocorrências desta construção no Corpus do Português, buscando depreender a relação existente entre esta e outras duas construções adverbiais de mesma base lexical: as construções com Xmente e as com locuções adverbiais. Pretendemos, com isso, verificar a hipótese de que estes três padrões construcionais estão interligados em uma mesma rede, mas atuam em diferentes contextos, desempenhando funções e intenções comunicativas distintas. Hipotetizamos também que tanto fatores estruturais, quanto de ordem comunicativa influenciam no uso de cada construção em foco. No que tange os elementos estruturais, analisamos os itens e tipos verbais e adjetivais licenciados por esta construção, a ordem dos elementos que a compõem, bem como o grau de encaixamento entre tais elementos. Observamos também o escopo alcançado pela construção adverbial, isto é, se ela modifica apenas o verbo ou se aponta também para o SN sujeito ou SN objeto. Quanto aos fatores comunicativos, consideramos questões ligadas à teoria da (inter)subjetividade (Traugott , 2010) que, em linhas gerais, aborda a base de atenção dada ao jogo de sentidos estabelecidos entre locutor e interlocutor. Destacamos que, para esta apresentação, detivemos nossas análises nos padrões construcionais acima referidos de semântica qualitativa. Constatamos, até o momento, que a construção com AA licencia preferencialmente adjetivos avaliativos e verbos materiais; os construtos de tal construção ocorrem tanto em contextos formais quanto informais; a ordenação mais frequente é [V (X) ADJ ADV]; não há correspondência semântica entre os três padrões construcionais analisados, em parte devido à base lexical; alguns exemplares da construção com adjetivo adverbializado apresentam maior grau de integração do que outros.

Palavras-chave: Construção Gramatical; Rede Construcional; Adjetivos; Advérbios.

 

Minibiografias:

Priscilla Mouta Marques é Professora Adjunta de Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua na graduação e na pós-graduação da Faculdade de Letras desta instituição e é pesquisadora do Grupo de Estudos Discurso & Gramática. Atualmente, sua pesquisa volta-se para o estudo da construção com adjetivo adverbializado e a relação desta com as construções com Xmente e com locução adverbial de mesma base lexical, a partir dos pressupostos teóricos da Linguística Funcional Centrada no Uso.

Júlia Langer de Campos é aluna do Programa de Pós-graduação em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro, cursando atualmente o segundo ano do Doutorado. Atua como aluna pesquisadora do Grupo de Estudos Discurso & Gramática, na sede da UFRJ. Seu histórico percorre análises históricas da formação do padrão adverbial Xmente desde o Latim ao Português, publicações na área da Gramaticalização e da Linguística Funcionalista.


Comunicação 9

Relações de herança nas construções de mudança de lugar, de posse e de estado

Autora:

Gabriele Cristine Carvalho – IFMG – gabriele.carvalho@ifmg.edu.br

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é apresentar as relações de herança das construções de mudança de lugar, de posse e de estado.  As construções de mudança de lugar exibem os papéis temáticos de agente, tema e lugar e podem ser ilustradas por sentenças como José põe o livro na mesa e as construções de mudança de posse (também nomeadas como CAUSAR-RECEBER) exibem os papéis temáticos de agente, tema e meta e podem ser representadas por sentenças como José deu/fez um bolo para Maria.  Carvalho (2015), analisando textos dos séculos XIV ao XVI, observou que os mesmos verbos que integram essas construções de mudança de posse e de lugar também integram construções de mudança de estado que evocam o frame dos verbos psicológicos, como José pôs medo em Maria e Esse filho deu-lhe muitas alegrias. A autora verificou também uma identidade sintática entre esses dois tipos de construção, embora as construções de mudança de lugar e de posse sejam construções com verbos plenos (CVPs) e as construções que denotam eventos psicológicos sejam construções de sentimento com verbos leves (CSVLs). Partindo das teorias que mostram uma estreita relação entre os verbos plenos e suas contrapartes leves (BUTT, 2003; BRUGMAN, 2001; BUTT, LAHIRI, 2013; SCHER, 2003; MACHADO VIEIRA, 2003) e da Gramática de Construções de Goldberg (1995), segundo a qual as construções são as unidades básicas da língua e estão relacionadas umas às outras por links de herança, foram analisadas as relações de herança entre as construções de mudança de lugar e de posse e as construções de mudança de estado. Para analisar as extensões de sentido entre essas construções, foram consideradas as relações sintático-semânticas, a frequência e a história dos verbos e/ou das construções. A análise dos 761 dados encontrados nos corpora permitiu concluir que as CSVLs foram motivadas pelas CVPs.

Palavras-chave: Relações de herança; Construções; Verbos psicológicos; Verbos leves; Verbos plenos.

 

Minibiografia:

Graduação em Letras, licenciada em Língua Portuguesa (2005) e em Língua Espanhola (2010), pela Universidade Federal de Minas Gerais. Mestrado em Estudos Linguísticos (2008) e doutorado em Estudos Linguísticos (2015) pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora efetiva de Língua Portuguesa e Língua Espanhola do Instituto Federal de Minas Gerais – Campus Santa Luzia. Áreas de foco: ensino de Língua Portuguesa e de Língua Espanhola, Sociolinguística, Semântica e Sintaxe.


Comunicação 10

A Construção de Movimento-Causado no Português Brasileiro sob a ótica da Gramática de Construções Baseada no Uso

Autora:

Fernanda da Silva Ribeiro – UFRJ – fernandaribeiro9@yahoo.com.br

 

Resumo:

A Construção de Movimento-Causado (GOLDBERG, 1995) é definida estruturalmente como [SUJ [V OBJ OBL]]] e semanticamente como “X causa Y a mover-se para Z”. Exemplos da autora incluem: Joe kicked the dog into the bathroom. Esta construção contém um verbo transitivo, e pode comportar, também, verbos prototipicamente intransitivos, como em They laughed the poor guy out of the room. A leitura de movimento-causado é possível, neste último caso, pois o ambiente construcional fornece papéis argumentais ao verbo, definidos pela construção como um todo. Além disso, a CMC está vinculada a uma rede polissêmica, consoante o Princípio da Motivação Maximizada, havendo diferentes leituras dentro de uma mesma sintaxe: a) “X causa Y a mover-se para Z”; b) “Condições de satisfação fazem X causar Y a mover-se para Z”; c) “X permite Y a mover-se para Z”; d) “X impede Y de mover-se para Z” e e) “X ajuda Y a mover-se para Z”. Além dos vínculos polissêmicos, as Redes Construcionais também preveem a CMC em uma rede que envolve laços metafóricos. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é mostrar como a CMC (GOLDBERG, 1995) pode ser descrita no Português Brasileiro. A pesquisa conta com o Corpus NILC/São Carlos do Linguateca (http://www.linguateca.pt/acesso/corpus.php?corpus=SAOCARLOS). A partir da busca por exemplos no corpus, não se encontrou verbo intransitivo recebendo papel argumental da construção, o que já era previsto, considerando-se o fato de algumas línguas serem mais tolerantes à presença de determinados itens lexicais em construções específicas do que outras (PEREK & HILPERT, 2014; CROFT, 2004). Uma análise preliminar indicou que, embora atendam à estrutura sintática postulada por Goldberg (1995), as CMC em português parecem ser construídas em termos de uma rede construcional instanciada preferencialmente por metáfora (ex.: Nazismo leva polêmica a festival de Roterdã).

Palavras-chave: Gramática de Construções Baseada no Uso; Construção de Movimento-Causado; Português Brasileiro; Metáfora.

 

Minibiografia:

Fernanda da Silva Ribeiro é aluna de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Seu interesse de pesquisa volta-se para a Gramática de Construções Baseada no Uso. Investiga a Construção de Movimento-Causado do Português Brasileiro, adotando, como principal base teórica, Goldberg (1995). Integra o Laboratório de Linguística Cognitiva (LINC) na UFRJ, sendo orientada por Lilian Ferrari.


Comunicação 11

Padrão estrutural de orações relativas e construções de estrutura argumental

Autor:

Edvaldo Balduino Bispo – UFRN – edbbispo@gmail.com

 

Resumo:

Discuto, neste trabalho, formas de realização da construção relatica (CR) no português brasileiro (PB) e sua relação com Construções de Estrutura Argumental (CEA) transitive e ditransitiva. O objetivo é mapear diferentes modos de estruturação das instâncias da CR e correlacioná-los a padrões de estrutura argumental da Construção Transitiva (CT) e da Construção Ditransitiva (CD). O quadro teórico-metodológico no qual a discussão se assenta é a Linguística (Funcional) Centrada no Uso, tal como delineada em Martelotta (2011) e Furtado da Cunha e Bispo (2013). Ademais, agrego contribuições da Gramática de Construções, nos moldes de Croft (2001) e Traugott e Trousdale (2013) e Hilpert (2013). Os dados empíricos para análise são textos falados e escritos extraídos do Corpus Discurso & Gramática, seções  Natal e Rio de Janeiro. Os resultados preliminares apontam um padrão estrutural mais recorrente, o qual parece representar  o protótipo da CR. Esse padrão relaciona-se, mais frequentemente, com a CT. Essa relação parece dever-se à acessibilidade mais alta de sujeito e objeto direto, conforme proposta de Keenan e Comrie (1977).

Palavras-chave: Construção relativa; Linguística Funcional Centrada no Uso; Construção de Estrutura Argumental.

 

Minibiografia:

Doutor em Estudos da Linguagem, é professor de Língua Portuguesa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É coordenador do Programa de Pós-Graduação em estudos da Linguagem, coordenador do GT Descrição do português da ANPOLL e pesquisador do grupo Discurso & Gramática. Temas de interesse: morfossintaxe do português, notadamente orações relativas, adjetivos e construção de estrutura argumental. Publicou vários capítulos de livros e artigos em periódicos especializados.


Comunicação 12

Os dêiticos e ali na expressão de espaço em português brasileiro: a perspectiva da linguística cognitiva

Autor:

Alexandre Batista da Silva – UFRJ – ale-batista@ig.com.br

 

Resumo:

Uma abordagem cognitivista dos dêiticos e ali no português brasileiro falado demanda a determinação de categorias não consideradas no tratamento tradicional desses itens linguísticos. Considerá-los advérbios de lugar que expressam a ideia de mais distante e menos distante obliteram a complexidade dos processos cognitivos e pragmáticos arrolados na conceptualização do espaço em português brasileiro. O objetivo principal é a descrição dos usos não fóricos desses locativos, em textos orais, para determinar as operações cognitivas na conceptualização do espaço. Para a pesquisa, combinamos a teoria dos Esquemas Imagéticos (Johnson 1987 e Lakoff 1987, 1990) e Gramática Cognitiva de Langacker (1987, 1990, 1991). Os chamados esquemas imagéticos (image schemas) correspondem à premissa de que grande parte do nosso conhecimento é estruturado por padrões dinâmicos, não-proposicionais e imagéticos dos nossos movimentos no espaço, da nossa manipulação dos objetos e de interações perceptivas. A Gramática Cognitiva permite o tratamento desses padrões como entidades simbólicas significativas que simbolizam um conteúdo conceptual.  O corpus da pesquisa é multimodal, pois corresponde à transcrição das ocorrências verbais do uso dos locativos e ali, no programa Big Brother Brasil 10 e 15 exibidos na Rede Globo de Televisão.  Para analisar os dados, recorreremos à associação de dois recursos metodológicos: a análise qualitativa de dados reais de língua falada colhidos nas gravações e a testes empíricos que demonstrem as motivações da escolha de um ou outro dêitico por falantes do português brasileiro. As primeiras análises mostram que a distinção fundamental dos dois dêiticos em termos de critérios como imediatamente acessível ou não-imediatamente acessível ou visível e não-vísivel  não têm se demostrado suficientes para a descrição das motivações das escolhas de uso do e do ali.

Palavras-chave: Dêixis; Gramatica Cognitiva; Esquema Imagético.

 

Minibiografia:

Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorando pelo mesmo programa. É professor e coordenador do curso de Letras do Centro Universitário Geraldo di Biase.


Comunicação 13

Havia um mas no inicio da pergunta…

Autores:

Camilo Rosa Silva – UFPB – camilorosa@gmail.com

Marta Anaísa Bezerra Ramos – UFPB – martaanaisa@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, apresentamos resultados de pesquisa sobre os conectores opositivos presentes em amostras de dados do discurso oral, coletados no corpus O Linguajar do Sertão Paraibano (LSP), organizado por Stein et al. (2014; 2016). O estudo ora envidado se insere em uma pesquisa mais ampla em torno dos conectores opositivos. Para esta oportunidade, ocupa-nos a atenção, especificamente, o uso do item mas como introdutor de perguntas, função na qual se põe bastante produtivo, especialmente, em se tratando do gênero entrevista sociolinguística. O objetivo que norteia a presente tarefa consiste em descrever o comportamento do item, tentando identificar nuanças nas quais se reflete sua polifuncionalidade, quando usado nesta posição de introdutor de perguntas, estabelecendo relação direta com a (des)continuidade tópica, incumbência diretamente relacionada à ativação de seus realces em contextos (inter)subjetivos. Aqui, tomamos o princípio da continuidade tópica, nos termos de Givón (1983; 1995), entendendo-o como a manutenção ou retomada de um referente/tópico já acionado no discurso. Na realização da análise, buscamos amparo, também, em Traugott (2010), autora que compreende a subjetividade como a relação entre o falante e suas próprias crenças, enquanto intersubjetividade contempla a participação interacional, ou seja, é voltada ao destinatário. Ainda, compartilhamos o ponto de vista de Traugott e Dasher (2005), que percebem a subjetividade como um meio eficaz do qual o falante se utiliza para codificar novos sentidos. Nesse contexto, por explícito, assumimos que o estudo se ambienta no quadro teórico das análises funcionalistas. Como resultado parcial, podemos antecipar que o estudo dos conectores opositivos, agora recortado nesse olhar pontual sobre o mas introdutor de perguntas, ratifica a manifestação de uma multiplicidade de (sub)funções semântico-discursivas, que parecem querer dizer muito mais do que sua função prototípica de conector adversativo faz supor.

Palavras-chave: conector; tópico; (inter)subjetividade; mas.

 

Minibiografias:

Camilo Rosa Silva:  Doutor em Letras, Professor Associado da Universidade Federal da Paraíba, onde atua na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Linguística (2015). Realiza pesquisas na área da Linguística Funcional, com interesse voltado, também, para o ensino de Língua Portuguesa. Coordena o Grupo de Investigações Funcionalistas (GIF). Publicou diversos trabalhos nessa perspectiva, tanto em livros como em periódicos e anais de eventos.

Marta Anaísa Bezerra Ramos:  fez graduação em Letras (1999) e especialização em Língua Portuguesa (1995) na Universidade Federal da Paraíba, atual UFCG; concluiu mestrado (2009) na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde também cursou doutorado em Linguística (2015). Professora da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), ministra os componentes Morfossintaxe, Sintaxe da oração, e Sintaxe do período. É membro do Grupo de Investigações Funcionalistas (GIF/UFPB). 


Comunicação 14

Pensando no gerúndio, acabei fazendo uma tese: mudança linguística e argumentação

Autora:

Maria Cristina Morais de Carvalho- IFG – macri_carvalho@yahoo.com.br

 

Resumo:

Esta pesquisa é uma proposta de análise dos usos do gerúndio em textos argumentativos produzidos por estudantes do ensino fundamental de uma escola pública da Ceilândia (Distrito Federal, Brasil) e estudantes dos cursos de licenciatura do Instituto Federal de Goiás (IFG), Câmpus Goiânia. Os pressupostos teóricos da Linguística Centrada no Uso (LANGACKER, 1987; GIVÓN, 2001; HOPPER & TRAUGOT, 2003; TRAUGOTT & DASHER, 2005 e HEINE & KUTEVA, 2007; BYBEE, 2010; FURTADO DA CUNHA ET ALII, 2013, OLIVEIRA, 2015.) e as contribuições dos Estudos Críticos do Discurso (van DIJK, 2000; 2006; 2015) sedimentam a análise dos dados. O objetivo geral da pesquisa é observar os pareamentos forma/função presentes nos usos do gerúndio e as relações ideológicas que eles expressam. Para cumprir esse objetivo, recorreremos ao aparato metodológico da pesquisa qualitativa, na qual todas as variáveis contextuais são consideradas no processo de análise de dados (FLICK, 2009). Como o contexto de geração de dados ocorrerá em sala de aula, o método qualitativo será viabilizado pela abordagem de cunho etnográfico (ANDRÉ, 1995), a pesquisa documental e pesquisa-ação (TRIPP, 2005; BARBIER, 2007), além do aparato instrumental das Sequências Didáticas (DOLZ, NOVERRAZ E SCHNEUWLY, 2004). Diante disso, esperamos demonstrar que os usos do gerúndio no grupo apresentam configurações específicas especialmente no tocante à argumentação, devido à interferência de variáveis contextuais como tema, gênero textual, idade e letramento dos falantes. Em que medida esses usos representam mudança em curso ou concluída também é alvo de nossa pesquisa. E ainda esperamos também contribuir com a ampliação das práticas de letramento dos estudantes, além de proporcionar a formação do professor-pesquisador.

Palavras-chave: Gerúndio; Argumentação; Mudança linguística; Linguística Centrada no Uso; Formação de professores.

Minibiografia:

Doutoranda em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB) e professora de língua portuguesa e morfologia do Instituto Federal de Goiás (IFG)- Câmpus Goiânia. Membro do Grupo de Estudos Funcionalistas: Gramática, Discurso e Ensino (CNPq).


Comunicação 15

Construções adverbiais qualitativas em uma perspectiva funcional centrada no uso

Autora:

Deise Cristina de Moraes Pinto – UFRJ – deisecmp@hotmail.com

Resumo:

Este trabalho pauta-se nos pressupostos da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU), que reúne conceitos de bases Funcionalista norte-americana e construcionista (GOLDBERG, 1995; 2006; CROFT, 2001). Sob a ótica da LFCU, considera-se que os elementos linguísticos podem transitar entre categorias, formando um continuum. Essa fluidez pode levar uma construção a competir com outra(s) existente(s) ou levar, diacronicamente, à formação de nova(s) construção(ões). Este trabalho enquadra-se em um projeto que pretende, entre outros objetivos, descrever a rede que interliga construções adverbiais qualitativas e construções adverbiais de valor modalizador, todas do tipo Prep + SN. Nesta fase da pesquisa, procuramos observar essas construções no que tange ao seu comportamento sintático e semântico. O termo qualitativo é utilizado aqui no lugar do termo modo, para nos referirmos aos adverbiais que modificam um verbo, em uma relação semelhante à relação substantivo + adjetivo que indica qualidade (cf. Ilari et al., 1990). As modalizadoras desempenham funções pragmático-discursivas, estando ligadas à oração como um todo. Para a análise semântica das qualitativas, partimos de Said Ali (1971) e de Givón (1991). Segundo esses autores, o sentido de modo é uma extensão dos de instrumento e meio. Neste trabalho, foram observados, então, esses valores qualitativos (instrumento, meio e modo) e os valores modalizadores epistêmico, de atitude proposicional e de ato de fala (Ilari et al., 1990). As construções foram levantadas em textos do século XX e foram examinadas as posições em que ocorrem, bem como o sentido apresentado em cada dado. Resultados parciais apontam que as locuções adverbiais qualitativas, assim como os advérbios qualitativos em –mente (MORAES PINTO, 2003; 2008), podem apresentar ambiguidade com outros sentidos, além dos de instrumento e meio, e tender à mudança. Ao mesmo tempo, as construções adverbiais qualitativas apresentaram, nessa amostra inicial, algumas diferenças de comportamento em relação aos advérbios qualitativos em –mente.

Palavras-chave: Adverbiais; Linguística funcional centrada no uso; Polissemia.

Minibiografia:

A autora possui graduação em Português-Inglês (UFRJ, 1998) e Mestrado e Doutorado em Linguística (UFRJ, 2003 e 2008). Atualmente é Professora Adjunta do Departamento de Linguística e Filologia da UFRJ e integra a equipe do Grupo de Estudos Discurso & Gramática. Tem experiência em Linguística Histórica e Teoria e Análise Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: Linguística funcional centrada no uso, mudança linguística, gramaticalização, adverbiais e ordenação.


Comunicação 16

A margem esquerda do circunstancial temporal e aspectual nas construções SV, VS e V

Autores:

Érika Cristine Ilogti de Sá – UFRJ – erikacisa@yahoo.com.br

Fernando Pimentel Henriques – CBNB – fphenriques@gmail.com

Resumo:

Este trabalho visa à análise comparativa entre a ordenação dos circunstanciais temporais e aspectuais no português brasileiro (PB) e no francês – nas construções SV, VS e V –, com base em corpus jornalístico. Para nossa análise, focamos na ordenação desses circunstanciais, na representação do sujeito, além do posicionamento deste em relação ao verbo. Diversos estudos sobre circunstanciais mostram que a referência temporal não é sua única função, visto que participam da coesão entre os termos do discurso, introduzem novos eventos e fazem referências a situações já descritas (cf. Paiva 2007, 2008). Alguns trabalhos formalistas defendem que PB estaria se tornando uma língua de sujeito obrigatório e que, se deixada vazia, a sua posição tenderia a ser ocupada por algum constituinte, como os adverbiais, para evitar V em início de oração (Kato e Duarte 2003). Entretanto, como a posição prototípica das locuções são as margens oracionais, a margem esquerda pode ser preenchida independentemente da presença ou ausência do sujeito (cf. Paiva 2011; Ilogti de Sá 2015). Assim, não seria a ausência formal do sujeito que levaria à ocorrência do circunstancial na margem esquerda da oração, mas sim fatores discursivos. Com a comparação entre as duas línguas, buscamos evidências para discutir se a posição da locução está mais relacionada à sua função discursiva, tendo em vista que o francês é uma língua de sujeito obrigatório e, mesmo assim, a ordenação do circunstancial é variável. Portanto, analisar o francês, que já passou pelo processo de mudança na representação do sujeito, nos fornece subsídios para entender o comportamento dos circunstanciais no PB. Assim, à luz da Linguística Centrada no Uso, pretendemos provar que a ordenação do circunstancial em margem esquerda é determinada em primazia por motivações discursivas e pragmáticas – e não necessariamente por questões sintáticas (Ilogti de Sá 2015).

Palavras-chave: circunstancial temporal e aspectual; ordenação de constituintes; sujeito; análise comparativa; Funcionalismo.

Minibiografias:

Érika Cristine Ilogti de Sá – Doutora em Linguística pela UFRJ (2015), sob a orientação da Profª Drª Maria Maura Cezario e a co-orientação da Profª Drª Maria da Conceição Paiva; mestre em Linguística pela UFRJ (2009), graduada e licenciada em Letras Português-Francês, pela mesma Universidade (2006). Atua como docente grau 3 – substituta – da UFRJ, no departamento de Filologia Românica. Participa do grupo de pesquisa Discurso & Gramática desde de 2003 e tem experiência na área de Mecanismos Funcionais do Uso da Língua.

Fernando Pimentel Henriques – Doutor em Língua Portuguesa pela UFRJ (2013), sob a orientação da Profª Drª Maria Eugênia Lammoglia Duarte; mestre em Língua Portuguesa pela UFRJ (2008), graduado e licenciado em Letras Português-Inglês, pela mesma Universidade (2005). Atua como docente da instituição federal de ensino Colégio Brigadeiro Newton Braga, desde 2010. Possui experiência na área de sintaxe.


Comunicação 17

A oração na perspectiva da Linguística Funcional Centrada no Uso

 

Autora:

Nádia Maria Silveira Costa de Melo – UERN – solinadia@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho é resultado de uma pesquisa que objetivou analisar o uso de construções oracionais usadas como logomarcas durante a campanha política de 2016 no RN/BRASIL, considerando seus aspectos formais e funcionais.  A questão motivadora centrou-se na identificação das prováveis motivações e efeitos que impulsionam o uso das construções presentes nos slogans de candidatos em épocas eletivas. Como hipótese, defendemos que os textos são produzidos aleatoriamente com o fim de persuadir e convencer o público alvo sobre a competência para o exercício da função a que está pleiteando e assim, angariar votos. O aparato teórico-metodológico que fundamentou nossa análise proveio da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU). Segundo essa vertente teórica, o uso é visto tanto como o registro na modalidade falada como também as fontes escritas, tanto em variedade padrão como não padrão (ROSÁRIO, 2015). Por construção entendemos qualquer padrão linguístico desde que algum aspecto de sua forma ou função não seja estritamente previsível a partir das partes  que o compõem ou a partir de outras construções reconhecidamente existentes (GOLDBERG, 2006). Trata-se de pesquisa de natureza eminentemente qualitativo-interpretativista, com apoio quantitativo. O corpus de análise foi constituído por 300 amostras de panfletos eletivos do RN em 2016. Após o levantamento das amostras, classificamos as construções, de acordo com sua forma-função. Os resultados obtidos revelaram que o uso é esvaziado semanticamente, as construções mais produtivas nesse gênero são as construções nominais e a motivação principal é facilitar a associação do texto ao candidato pelo eleitor.

Palavras-chave: Linguística Funcional Centrada no Uso; Gramática de Construções; Slogans eletivos; Língua portuguesa.

Minibiografia:  

Nádia Maria Silveira Costa de Melo – Professora Adjunta da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte/UERN. Docente do Departamento de Letras Vernáculas. Pesquisadora. Integrante do Grupo de Estudos Discurso & Gramática na UFRN. Autora de artigos sobre aspectos funcionais da língua portuguesa.


Comunicação 18

O lugar da adjunção verbal na interface gramática e enunciação: discutindo a predicação

Autora:

Priscila Brasil Gonçalves Lacerda – IFMG – p7brasil@gmail.com

Resumo:

Neste trabalho, apresentamos uma parcela atualizada dos encaminhamentos que integram a tese “Bases sintáticas da enunciação em português: uma proposta sobre o adjunto adverbial” (LACERDA, 2013), cujas reflexões versam sobre o modo como se articulam especificamente as formações adverbiais encabeçadas pela preposição “em” com o núcleo verbal. Aderimos à perspectiva de uma sintaxe de bases enunciativas (DIAS, 2002, 2006, 2009), para a qual as unidades linguísticas, ao entrarem na constituição da sentença, trazem consigo a condição de serem atravessadas por uma memória de enunciações que definem o seu sentido. Esse corpo memorável confere identidade de sentido às palavras e nele a atualidade do dizer produz recortes de pertinência, que chamamos de domínio semântico memorável (DSM). É precisamente a noção de DSM, que se constitui, naturalmente, a partir do conceito de domínio semântico de determinação (GUIMARÃES, 2007), que nos interessa aqui. Segundo Guimarães (2007), “as palavras significam segundo as relações de determinação semântica que se constituem no acontecimento enunciativo” (p.79-80). Dessa forma, nos restringimos justamente às referidas formações adverbiais, pois um contraste entre elas daria visibilidade a um contínuo em que as unidades linguísticas se distribuem entre os extremos de um contínuo, segundo estejam mais agregadas ao domínio semântico memorável do verbo, apresentando uma configuração no espectro de previsibilidade conformada pela memória de dizeres constitutiva da língua, ou mais vinculadas à constituição do cenário de referência da sentença, i.e., ao domínio de pertinência da atualidade do dizer. Assim, nossa abordagem, focalizando a ocupação dos lugares sintáticos de adjunto adverbial e o seu limiar com a ocupação do lugar sintático de objeto, proporciona uma discussão própria da interface entre materialidade linguística e enunciação na conformação da predicação na sentença e apresenta, a partir dessa interface, uma proposta de entendimento distinta do que a tradição gramatical apresenta sob o signo da transitividade verbal.

Palavras-chave: Predicação; formação adverbial; enunciação; memória; sentidos.

 

Minibiografia:

Priscila Brasil Gonçalves Lacerda é professora de Língua Portuguesa e Literatura do Instituto Federal de Minas Gerais, atuando no Ensino Médio/Técnico e Superior. Possui doutorado e mestrado em Linguística Teórica e Descritiva pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UFMG e graduação em Letras pela Faculdade de Letras da UFMG. Tendo especial interesse pelo estudo da língua em uso, suas principais reflexões inserem-se no campo de interface entre gramática e enunciação e no campo da semântica, com especial interesse, atualmente, pela construção dos sentidos nas mídias sociais.


Comunicação 19

Aspectos da sintaxe do gênero notícia: a articulação dos termos da oração em função do discurso

Autor:

Igor Caixeta Trindade Guimarães – UFMG – igorctg@yahoo.com.br

 

Resumo:

Neste trabalho, discutimos aspectos gramaticais do gênero textual notícia, conciliando fatores que dizem respeito à forma e ao conteúdo do gênero. De modo mais específico, propomos uma reflexão a respeito da relação entre a sintaxe da notícia e efeitos de sentido no âmbito do discurso. Para isso, analisamos a estrutura de manchetes e de leads do ponto de vista da transitividade, com base em duas funções comunicativas distintas: sintetizar informações essenciais de um acontecimento e  detalhar as informações desse acontecimento. À primeira relaciona-se uma estrutura sintática concisa, geralmente [sujeito, verbo e objeto]. À segunda, por sua vez, é pertinente um enunciado com os termos referidos, acrescido de determinantes circunstanciais (quem? onde? quando? como? por quê?). Não obstante, encontramos alguns exemplos que transgridem essa regularidade, como o da manchete “Mata por causa de uma galinha”, retirada de um jornal popular. Na oração, há um apagamento do sujeito e do objeto e um consequente destaque dado ao adjunto adverbial. O efeito de sentido decorrente do apagamento dos termos é o de que, em razão das muitas ocorrências de homicídio, não chama atenção a identificação das pessoas envolvidas, frequentemente cidadãos comuns. Por outro lado, o que desperta a curiosidade do leitor, em meio a tantas notícias trágicas cotidianas, é a motivação do crime (nesse exemplo, uma galinha). A novidade é expressa pelo adjunto. Além disso, notamos que, nas manchetes,  a escolha do termo que ocupa a posição do sujeito bem como a ordem em que aparecem os demais termos da oração são fatores a serviço do discurso. Assim, há diferenças importantes entre “Cruzeiro perde do Atlético no Independência” e “Atlético derrota cruzeiro no Independência”, caso o foco recaia, respectivamente, sobre Cruzeiro ou sobre Atlético. Discutiremos esses e outros exemplos à luz dos estudos funcionalistas e proporemos aplicações em sala de aula.

Palavras-chave: gramática; sintaxe; discurso; gênero textual.

Minibiografia:

Sou graduado em Letras, com licenciatura em Língua Portuguesa, e mestre em Linguística, pela Universidade Federal de Minas Gerais (2011). Tenho interesses voltados para os estudos gramaticais, pelas perspectivas enunciativas e funcionalistas. Atualmente (2014-2018), desenvolvo pesquisa de doutorado, em que discuto aspectos da sintaxe do adjetivo. Sou professor da rede municipal de ensino, em Belo Horizonte – MG.


Comunicação 20

Gramaticalização na criação de conectores em uma perspectiva diacrônica

Autoras:

Roberta Vecchi Prates – UFF – roberta.vecchi@ifsudestemg.edu.br

Aparecida Maria Xenofonte P. Valle – UFF – aparecida@iftm.edu.br

 

Resumo:

Breve estudo sobre o processo de Gramaticalização de conectores, na língua portuguesa, sob um olhar diacrônico. Abordou-se as variações e consequentemente mudanças semânticas dos conectivos (conectores) numa perspectiva funcionalista. Procurou mostrar que mudanças ocasionadas por processos de gramaticalização não se configuram necessariamente como concluídas ou acabadas, pois a gramaticalização é um processo que ocorre diacronicamente, realizado pela conveniência do falante ao suprir suas necessidades linguísticas em situações de comunicação. Primeiramente apresenta-se o conceito de gramaticalização, objeto do trabalho. Num segundo momento, faz-se uma abordagem da gramática funcionalista que tem como princípio verificar as transformações realizadas na língua para fins de comunicação. Neste contexto, analisa-se a questão do discurso como elemento motivacional para o processo de gramaticalização. E, finalmente, analisa-se os conectores, elementos de coesão, como exemplos do processo de gramaticalização, constatando que a língua não é uma unidade estática, ela está sempre em construção.

Palavras-chave: Gramática Funcionalista; Gramaticalização; Conectores.

 

Minibiografias

Roberta Vecchi Prates – Doutoranda em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal Fluminense. Possui Mestrado em Educação Agrícola pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, graduação em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente é professor de EBTT do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais, na área de Ciência da Linguagem. Área de Linguagens: Língua Portuguesa, Português Instrumental, Produção de Texto Técnico-científico e Redação Técnica.

Aparecida Maria Xenofonte P. Valle – Doutoranda em Estudos da Linguagem, na área de Semiótica Discursiva de origem francesa, pela Universidade Federal Fluminense. Possui graduação em Letras. Mestrado em Linguística aplicada pela Universidade Federal de Uberlândia, na ára de ensino e aprendizagem de Línguas. Professora de EBTT do Instituto Federal do Triângulo Mineiro. Integra grupos de pesquisa em Discurso e Educação do IFTM e Semiótica e Discurso. Coordenou o Curso de Letras Português UAB(2013/2015).


Comunicação 21

Ordenação e subjetividade: um estudo das construções VS introdutoras de comentário

Autores:

Cleber Ataíde – Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE – cleberataide@gmail.com

Valéria Severina Gomes – Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE – lelavsg@gmail.com

Resumo:

Neste trabalho propomos um estudo das cláusulas VS em que reavaliamos, a partir do escopo teórico da Linguística Cognitivo-Funcional que envolve a Subjetividade (TRAUGOTT & DASHER, 2005) e a Abordagem Construcional da linguagem (GOLDBERG, 2006; CROFT 2001), a tese do estatuto da informatividade do SN-sujeito amplamente divulgado na literatura linguística. Para tanto, investigamos a ordenação verbo-sujeito como uma construção que está associada a duas estratégias na organização do texto: a de continuidade e a de descontinuidade textuais, (GIVÓN, 1979). Desse modo, é possível aportar para duas modalidades de construção: 1) a VS não-apresentativa que tem o estatuto de tópico porque instaura uma centralidade de um determinado referente dentro de um segmento do texto e 2) a VS apresentativa que não tem estatuto de tópico por constituir uma nova centralidade de referentes. Para esta pesquisa, deter-nos-emos à discussão acerca da construção VS classificada por Ataíde (2015) como Introdutora de comentário do tipo apresentativa representado pela forma (Vx SLex) em gêneros opinativos e argumentativos da esfera escrita: os editoriais e as cartas do leitor do corpus do Laboratório de Edição e Descrição Linguística de Pernambuco (LEDOC). Resultados preliminares apontam que esse tipo de construção VS é uma das estratégias de descontinuidade textual, cujo princípio básico é interromper o tópico discursivo com a inserção de segmentos subjetivos para trazer ao texto alguma avaliação/inferências sobre algo que esteja dentro do contexto discursivo, destacando-os das demais ideias básicas normalmente veiculadas pela cláusula canônica/neutra, THOMPSON E HOPPER (2001). Sobre os aspectos sintáticos, essa construção tem baixa transitividade, uma vez que codifica “coisas sob nossa perspectiva” a partir de verbos de cognição e não apresenta nenhuma dependência sintático-semântica a enunciados antes ou depois da construção. Isso confirma, portanto, a propriedade de desvio tópico, uma propriedade igualmente particularizadora do fenômeno de parentetização.

Palavras-chave: Construção VS; Ordenação; Subjetividade.

Minibiografias:

Cleber Ataíde – Professor do Departamento de Letras da Universidade Federal Rural de Pernambuco (Unidade Acadêmica de Serra Talhada – UAST). Pesquisador da equipe de Pernambuco do Projeto Para a História do Português Brasileiro (PHPB), Coordenador do LEDOC – LABORATÓRIO DE EDIÇÃO E DOCUMENTAÇÃO LINGUÍSTICA DE PERNAMBUCO.É doutor em Linguística e desenvolve trabalho no âmbito da história e descrição do português, tradição discursiva, gramaticalização, variação e mudança linguística, construções verbo-sujeito e aspectos semântico-pragmáticos do ensino de língua.

Valéria Severina Gomes – Professora do Departamento de Letras da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Coordenadora Regional de Pernambuco do Projeto Para a História do Português Brasileiro (PHPB), pesquisadora do LEDOC – LABORATÓRIO DE EDIÇÃO E DOCUMENTAÇÃO LINGUÍSTICA DE PERNAMBUCO.É doutora em Linguística e desenvolve trabalho no âmbito da Linguística Histórica, Tradição Discursiva, Gêneros Textuais e Linguística Aplicada.


Comunicação 22

O papel da analogização nas microconstrucionalizações de padrões correlativos

Autor:

Ivo da Costa do Rosário – UFF – rosario.ivo3@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho visa a apresentar algumas reflexões sobre como o processo de analogização atua na formação de novos padrões microconstrucionais no âmbito da correlação. Segundo Traugott e Trousdale (2013), a analogização é o mecanismo ou operação de mudança que produz alinhamentos e combinações de sentido e forma que não existiam antes. Assim, as mudanças ocorrem com base em um padrão já existente, vivenciado em experiências discursivas anteriores. Resultados de pesquisa atestados por Rosário (2012, 2016), Gervásio (2016), Acosta (2016) e Lofeudo (2017), no contexto de um grande projeto coletivo de investigação científica, apresentam dados e argumentos que dão sustentação à hipótese de que a analogização cria novas microconstrucionalizações (TEIXEIRA; ROSÁRIO, 2016) no campo da correlação aditiva, alternativa e proporcional. Assim, algumas instanciações mais básicas permitem a emergência de formações cada vez mais complexas, com realinhamento de elementos linguísticos em novas funções gramaticais. Por exemplo, constructos atestados no uso real da língua portuguesa do Brasil, como “não só… e sim”, “seja… ou” e “tanto mais… quanto menos”, ainda não consignados nas gramáticas nacionais, espelham o uso criativo da língua portuguesa e ilustram o processo de analogização no âmbito da correlação. De fato, por meio do mecanismo de extensão (HEINE, 2003), novos usos passam a ser atestados em novos contextos, fazendo com que o inventário gramatical da língua esteja em permanente renovação, atendendo ao princípio construcionista da força expressiva maximizada (GOLDBERG, 1995).

 

Palavras-chave: correlação, microconstrucionalização, adição, alternância, proporção.

Minibiografia:

Ivo da Costa do Rosário é mestre e doutor em Letras Vernáculas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente é docente de Língua Portuguesa, no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade Federal Fluminense. Também é professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da mesma instituição. Participa do grupo Discurso e Gramática (D & G) e é líder do Grupo de Pesquisa Conectivos e Conexão de Orações (CCO), com sede na UFF.