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Simpósio 57

SIMPÓSIO 57 – SEMIÓTICA DISCURSIVA: PRÁTICAS E OBJETOS

 

Coordenadoras:

Maria Luceli Faria Batistote | Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Brasil) | marialucelifaria@gmail.com

Glaucia Muniz Proença Lara | Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil) | gmplara@gmail.com

 

Resumo:

Este simpósio tem por objetivo propor discussões sobre o modelo teórico da Semiótica Discursiva, com vistas à sua aplicação em distintas formas de manifestação textual. Pretende-se, assim, verificar como o sentido se produz em diferentes textos, no âmbito de várias práticas, formas de vida e culturas. Nessa perspectiva, serão bem vindas contribuições que versem sobre formas de manifestação do texto verbal (literário, midiático, político, religioso, entre outros), do texto não verbal/visual e do texto sincrético, bem como relacionadas a estudos desenvolvidos a partir de conceitos advindos de vertentes mais recentes da teoria, como é o caso, por exemplo, da Semiótica Tensiva.

Palavras-chave: Semiótica discursiva, textos, efeitos de sentido.

 

Minibiografias:

Maria Luceli Faria Batistote possui doutorado em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP – câmpus de Araraquara, Brasil (2008). Realizou estágio de pós-doutoramento em Linguística – UFSCar (2015), com a supervisão de Roberto Baronas. Professora Adjunta da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com atuação na graduação no curso de Letras e na pós-graduação no Mestrado em Estudos de Linguagens. Coordena o SEMIOMS, Grupo de Pesquisa de Semiótica em Mato Grosso do Sul e desenvolve pesquisas nas áreas de Semiótica Discursiva e Análise de Discurso francesa.

Glaucia Muniz Proença Lara possui Doutorado em Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo – Usp (1999). Realizou dois estágios pós-doutorais em análise do discurso, o mais recente em 2012-2013, com a supervisão de Sírio Possenti (Unicamp) e de Dominique Maingueneau (Universidade Paris IV – Sorbonne). Participou da diretoria da Associação Brasileira de Linguística (Abralin) no biênio 2005-2007 e exerceu a função de subcoordenadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PosLin) da Universidade Federal de Minas Gerais (Ufmg) entre 2009 e 2011. Atualmente é professora da Faculdade de Letras/Ufmg, atuando tanto na graduação quanto na pós-graduação (mestrado e doutorado) na área de estudos textuais e discursivos.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

POR UM TRABALHO CRÍTICO DO PROFESSOR DE PORTUGUÊS: LIVRO DIDÁTICO E SEMIÓTICA DISCURSIVA

Autora:

Glaucia Muniz Proença Lara – UFMG/Brasil – gmplara@gmail.com

 

Resumo:

Nosso objetivo, neste trabalho, é refletir sobre o papel que a Semiótica Discursiva (ou Greimasiana) pode desempenhar na análise crítica do livro didático (LD) de português. Isso porque julgamos importante que o professor tenha um olhar mais qualificado sobre seu principal – e, frequentemente, único – suporte para o ensino de língua e literatura na maioria das escolas brasileiras, a despeito do surgimento de novas tecnologias e abordagens metodológicas. Para tanto, analisamos o livro Português: linguagens (8ª. série), de Thereza Magalhães e William Cereja, dada sua representatividade no contexto brasileiro: trata-se de um dos livros mais recomentados pelo Programa Nacional do Livro Didático/PNLD nos últimos anos. Utilizando a metodologia proposta por Diana Barros para o exame de dicionários e gramáticas, focalizamos aqui os contratos (implícitos) que se instauram entre enunciador e enunciatário por meio de duas categorias básicas: as modalidades e os valores. Buscamos, assim, verificar como se constrói(em) a(s) imagem(ns) da língua portuguesa no referido LD e até que ponto essa(s) imagem(ns) se aproxima(m)/se distancia(m) dos conceitos e princípios preconizados pela Linguística. Em linhas gerais, é possível afirmar que, apesar de inegáveis avanços no que tange, por exemplo, às práticas de leitura e produção de textos, com a inclusão de novos gêneros de discurso e novas “linguagens” (visual, sincrética etc), o LD considerado não assume uma postura muito diferente daquela observada em LDs mais antigos. Mesmo que, no Manual do Professor (anexo ao LD), os autores afirmem que buscaram um “alargamento de horizontes”, com base “nos recentes avanços da linguística e da análise do discurso”, é, afinal, a perspectiva da gramática normativa que orienta o livro do aluno. Esse tipo de análise pode contribuir para conscientizar o professor quanto à função que o LD desempenha no/para o ensino da língua, levando-o a avaliar suas escolhas de forma mais consciente e autônoma.

Palavras-chave: Imagem; discurso; livro didático; ensino; língua portuguesa.

 

Minibiografia:

Possui Doutorado em Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo – USP (1999). Realizou dois estágios pós-doutorais em análise do discurso, o mais recente em 2012-2013, com a supervisão de Sírio Possenti (Unicamp) e de Dominique Maingueneau (Universidade Paris IV – Sorbonne). Atualmente é professora da Faculdade de Letras/UFMG, atuando tanto na graduação quanto na pós-graduação na área de estudos textuais e discursivos.


Comunicação 2

TERRITTÓRIO: UM ATOR EM PRESENÇA

Autora:

Geiza da Silva Gimenes – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – geizaggimenes@gmail.com

 

Resumo:

Sob o olhar analítico de Discini (2015) e Fontanille (2012), logo da semiótica greimasiana, inscritos na perspectiva da enunciação em ato, este trabalho tem como propósito analisar a forma como o território do Oyapock, tomado como um corpo, se faz presente, cotejado com outros textos, no discurso jornalístico do Jornal A Républica, de 15 de julho de 1894, momento em que Brasil e França empreendem disputas territoriais na fronteira do Estado do Amapá com a Guiana Francesa. Buscando entender o território como um ator, interessa-nos apreender esse corpo posicionado no mundo e afetado por ele, o que leva nosso olhar para as marcas da enunciação enunciada cujo foco são os componentes sintáxicos e semânticos, e as profundidades figurais que a englobam, a fim de mobilizar o que é social e o que é pático. O território, como produto da enunciação, assume a forma de um acontecimento sensível e observável (FONTANILLE, 2012), atravessado, nessa construção, pela tensividade que o funda. Desse modo, é o campo de presença que nos interessa para nossa empreitada, para o qual se dirige e se manifesta a práxis enunciativa e suas atividades, evocando e atuando sobre situações específicas e interativas. Compreendemos o processo de construção do território no conjunto de enunciados de onde ele emerge (DISCINI, 2015), tomando o enunciado como o produto resultante da enunciação, lugar em que as marcas de identidade do território se inscrevem, e a relação entre sensível e inteligível afeta o sujeito. Ademais, para analisar o ator, lançamos mão da categoria de “aspecto”, a qual nos remete à pessoa, ao tempo e ao espaço discursivos, atentando-nos, no caso da pessoa, às conversões que esta sofre na passagem de um nível a outro do percurso gerativo de sentido, priorizando, nesse caso, a semântica que respalda o ator, e o nível tensivo incidente.

Palavras-chave: Território; Campo de presença; Enunciação.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, participa do Grupo de Pesquisa em Semiótica da UNESP (GPS-UNESP) e também do LESEM (Grupo de leitura em Semiótica – UNESP). É mestra em Letras, na área de Estudos Linguísticos, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (2007), Especialista em Linguística do Texto, pela UFRJ (2001) e graduada em Licenciatura Plena em Letras, pela UFMT (1996).


Comunicação 3

Turismo online: A construção de imagens entre formas semânticas e plásticas

 Autora:

Maria Luceli Faria Batistote – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/Brasil –

marialucelifaria@gmail.com

 

Resumo:

O Turismo, além de apresentar características próprias de uma atividade econômica, estabelece uma grande proximidade com ciências diversas, sobretudo as humanas e as sociais. Nesse particular, destaca-se a diferença entre a prática cotidiana do mundo do trabalho que produz  a ordinariedade e a esfera do turismo, até certo ponto livre de normas, que gera o extraordinário, logo, o encantamento. Inseridos em uma sociedade da informação e, muitas vezes, influenciados pela tecnologia, os ditames mídia são percebidos e as regras da propaganda e do marketing disputam espaço com essa atividade que, mesmo assim, não perde sua essência, a de extasiar e encantar os sujeitos turistas. Nesta pesquisa, ainda em desenvolvimento, busca-se, a partir dos pressupostos teórico-metodológicos da semiótica francesa, tendo como córpus o site da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur), examinar a construção de imagens entre formas semânticas e plásticas, baseando-se nos conceitos de figuratividade e plasticidade, e, também, tomar as bases para o estudo da argumentação, como um programa de manipulação,  sistematizadas por Barros (1988). Considerando-se o processo argumentativo construído nas relações sintático-semânticas que, historicizando o discurso, nele inscrevem os modos de persuadir e convencer, deparamo-nos com algumas indagações: Em que medida o encantamento, proveniente da fantasia e da imaginação, intrínsecas ao fenômeno turístico, se mostra no site da Fundtur? Os efeitos de sentidos produzidos por meio das imagens representam o turismo em Mato Grosso do Sul e, em conseguinte, promovem o marketing dessa atividade no Centro-Oeste brasileiro? Essa mídia produz efeitos de sentidos capazes de evidenciar a ideia de sustentabilidade para administrar e gerir o turismo, colaborando para (re)criar uma melhor condição humana? Por meio das primeiras análises, alguns percursos temático-figurativos evidenciam-se como atraentes para o leitor-turista levando-o a crer na verdade enunciada no ciberdiscurso.

Palavras-chave: Turismo; Discurso online; Plasticidade; Argumentação.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP/Araraquara (2008). Realizou estágio de pós-doutoramento em Linguística – UFSCar (2015). Professora Adjunta da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com atuação na graduação no curso de Letras e na pós-graduação no Mestrado em Estudos de Linguagens. Coordena o SEMIOMS, Grupo de Pesquisa em Semiótica em Mato Grosso do Sul e desenvolve pesquisas nas áreas de Semiótica Discursiva e Análise de Discurso francesa. 


Comunicação 4

O escritor oculto e a semiótica tensiva do texto cinematográfico The hours – Bem vindo, Leonard Woolf!

Autora:

Vanda Maria Gonçalves de Sousa – Escola Superior de Comunicação Social/ Instituto Politécnico de Lisboa – vsousa@escs.ipl.pt

 

Resumo:

Considerando o texto cinematográfico The Hours (Stephen Daldry,2002), contrapondo-o aos textos literários The Hours (Cunningham, M.,1998), Mrs Dalloway (Woolf, V.,1925) e aos textos diarísticos woolfianos revelar-se-á a personna Leonard Woolf enquanto escritor oculto. Provaremos que o escritor se desoculta no referido texto cinematográfico. Tomaremos, como linhas norteadoras de análise, os conceitos: análise imanente da semiótica clássica (Greimas e Courtés, 1979), semiótica tensiva (Zilberberg 1988 & Fontanille, 1995), intertextualidade (Greimas e Courtés 1986), enunciação enunciada (Dondero, 2013, 2014). A pertinência da proposta radica na constatação de que o texto cinematográfico permite descobrir o escritor oculto Leonard Woolf (no esquecimento da ocultação, para a história). A nossa permissa de partida é a de que, no filme, The Hours, a personagem de Virginia Woolf (a persona histórica Virginia Woolf) estabelece-se em relação à personagem Leonard Woold (persona histórica Leonard Woolf) no relacionamento do eixo morte (Virginia/desoculto)/vida (Leonard/oculto). Evidenciando este significado intertextual, com recurso a Discini (2004, 2002), demonstraremos que a obra intertextual se constrói a todos os níveis do percurso generativo de sentido, pondo, o texto fílmico, a descoberto a personagem, mas também a personna histórica de Leonard Woolf a partir da contraposição de leitura com a personagem e personna histórica de Virginia Woolf. Ou seja, o texto cinematográfico The Hours apresenta a personagem do escritor Leonard Woolf, verificando-se uma comunicação no texto cinematográfico entre os efeitos de identidade das personagens centrais e as externas (as personagens do romance de Cunningham, as personagens do romance woolfiano, as personnas dos textos diarísticos de Virginia Woolf) os relatos biográficos do casal Woolf, permitindo este entrecruzar de leitura semiótica tensiva dos diferentes textos, o desocultar a persona histórica do escritor esquecido que pode ser comprovado, desde logo, pela própria carta de suicídio da escritora que afirma suicidarse para que Leonard Woolf (o escritor oculto) escreva.

Palavras-chave: Semiótica Tensiva; Semiótica Francesa; Géneros textuais; Estudos Fílmicos.

 

Minibiografia:

Professora convidada da E.S.C.S. –IPL, Investigadora Integrada do CISC_NOVA e de

Media, Comunicação e Cultura (IPL_ ESCS), membro da SIGCHI, da Hapoc.org Commission for the History and Philosophy of Computing, graduada em Filosofia, pós graduada em Ciências da Informação, mestre em Indústrias Culturais, doutorada em Estudos de Cultura; experiência: Guionismo e narrativas digitais atuando análise

semiótica de textos fílmicos, humanísticas digitais, RSO, Estilo dos Géneros Digitais.


Comunicação 5

Em defesa da gramática: mitos e crenças sobre o ensino de Língua Portuguesa 

Autores:

Bruna Gracieli de Souza – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/Brasil –

bgsck_33@hotmail.com

Maria Luceli Faria Batistote – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/ Brasil –

marialucelifaria@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, apresentamos uma análise da entrevista intitulada Em defesa da gramática, concedida por Evanildo Bechara à revista semanal de maior circulação no país, a VEJA. A partir da mobilização de conceitos advindos da teoria semiótica proposta por Algirdas Julien Greimas, realizamos a investigação dos percursos temáticos presentes na entrevista bem como os efeitos de sentidos fabricados pela utilização desses mecanismos, a fim de garantir o efeito de veridicção às críticas. Num segundo momento, procuramos descrever e interpretar enunciados produzidos pelo gramático no texto, objeto de análise, em oposição a outros veiculados no livro Ensino da gramática. Opressão? Liberdade? de sua autoria, publicado na década de 80, justamente em um período de pós-ditadura, em que os estudos linguísticos ganhavam espaço no Brasil. Foi possível desenvolver, por meio dos temas subjacentes e das invariantes discursivas, uma visão crítica perante informações que circulam na imprensa e uma reflexão acerca de mitos e crenças sobre o ensino de língua disseminados no discurso desse conceituado meio de comunicação.

Palavras-chave: Língua Portuguesa; Discurso; Mitos; Crenças; Semiótica discursiva.

 

Minibiografias:

1 – Possui graduação em Letras (habilitações em Português/Inglês) pela Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD (2007), Mestrado em Estudos de Linguagens pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS (2014). Participa do Grupo de Pesquisa em Semiótica em Mato Grosso do Sul (SEMIOMS-UFMS), pesquisando principalmente os seguintes temas: língua, linguagens, discurso, gramática e leitura.

2 – Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP/Araraquara (2008). Realizou estágio de pós-doutoramento em Linguística – UFSCar (2015). Professora Adjunta da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com atuação na graduação no curso de Letras e na pós-graduação no Mestrado em Estudos de Linguagens. Coordena o SEMIOMS, Grupo de Pesquisa em Semiótica de MS, e desenvolve pesquisas nas áreas de Semiótica Discursiva e Análise de Discurso francesa.


Comunicação 6

#velhaparaisso: sentidos e significações no processo de empoderamento e resistência em propagandas de uma marca de cosméticos

Autora:

Edna Silva Faria – Universidade Federal de Goiás – edfar2005@hotmail.com

 

Resumo:

Todo material textual, enquanto prática de linguagem, de discurso, e procedimento enunciativo, está inserido em um contexto, promovendo um intercâmbio entre o indivíduo produtor e aquele que o recebe. O enunciador procura viabilizar o seu projeto de dizer adotando diferentes estratégias, orientando o interlocutor por meio de indícios, de marcas, de pistas. A semiótica ocupa-se do estudo desse processo de significação (representação) do conceito ou da ideia que, por sua vez, estão inseridos na natureza e na cultura. Na atualidade, em várias sociedades ainda persiste a condição de inferioridade delegada à mulher, muitas vezes impedida de se realizar plenamente. A faixa etária é um fator decisivo à realização de atividades e, em muitas situações, considera-se a mulher velha para a execução tais ações, principalmente se a ação estiver relacionada a hábitos e escolhas consideradas mais apropriadas para jovens. Empregando a metodologia de pesquisa bibliográfica e da análise de corpus, fundamentado na Semiótica discursiva de linha francesa – nos trabalhos de Greimas (1973, 1976, 1979), Floch (2003), Zilberbeg (2006, 2011) e Fontanille (2011), e também nos preceitos de Foucault (1997), este trabalho analisa propagandas de uma marca brasileira de cosméticos, objetivando compreender de que maneira estabelecem-se as relações de sentido e de significação nesses sistemas sincréticos, além de discutir como contribuem para o efeito de sentido de empoderamento e resistência feminino, obtendo como resultados parciais a ocorrência de uma articulação entre verbal e visual pelo uso de imagens de mulheres resistentes ao sistema.

Palavras-chave: Sentido; Significação; Mulher; Empoderamento;  Resistência.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras pela Universidade Estadual de Goiás, Mestrado em Letras e Doutorado em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás. Professora assistente da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás, Vice-Coordenadora do curso de Letras: Linguística na Faculdade de Letras da UFG. Professora na Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Líder do NECH e coordena o GESEM (Grupo de Estudos em Semiótica – PUC/GO).


Comunicação 7

UMA ANÁLISE SEMIÓTICA DE AULAS ESPETÁCULOS E AULAS SHOW

Autora:

Daniervelin Renata Marques Pereira – Universidade Federal do Triângulo Mineiro – daniervelin@gmail.com

 

Resumo:

A partir da delimitação das semelhanças e diferenças entre aula espetáculo e aula show, consideramos ser elas dois distintos gêneros textuais. A aula espetáculo é da esfera artística e se orienta pela temática exposição oral e exibições diversas de e sobre expressões culturais e/ou artísticas populares. Já a aula show, da esfera escolar, se orienta para a temática da interação lúdica de sala de aula em torno de conteúdos curriculares formatados em diferentes tipos de linguagem como tentativa de garantir dinamicidade à relação professor-aluno-conteúdo. Nosso objetivo é apresentar uma análise detalhada da configuração enunciativa de quatro ocorrências de cada um dos dois gêneros para estabelecer relações entre os efeitos de sentido produzidos em cada construção, aliados à figurativização dos espaços e atores em cada situação comunicativa, o que corrobora a diferenciação dos gêneros. Para tal análise, recorremos aos conceitos da Semiótica Francesa, do estilo do gênero, de Discini (2009, 2012), e de algumas noções da Semiótica Tensiva. A partir desta última, questionamos se as aulas espetáculos e as aulas show configuram-se como acontecimentos educacionais, dados na interseção intensidade-extensidade, quando ocorre um encontro inusitado com um objeto de saber pelo sujeito. Desse ponto de vista, tomaremos as práticas educacionais como susceptíveis de gradações, de oscilações e de afetos, de um modo próprio, a ser melhor elucidado na apresentação da análise feita. Essa abordagem se justifica não só pelo caráter recente e inovador dos gêneros analisados, como pela possível contribuição para estudos do discurso pedagógico e de suas práticas. Um importante resultado dessa análise é a percepção da relevância do papel do observador, na perspectiva greimasiana, para o recorte dos textos/aulas, em que pesa, especialmente sobre a aula show, a identificação de um acontecimento educacional e sua valoração.

Palavras-chave: Práticas educacionais; Gêneros textuais; Semiótica Francesa; Semiótica Tensiva.

 

Minibiografia:

Professora adjunta da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo. Mestre em Linguística Aplicada e graduada em Letras-Licenciatura Português/Francês pela Faculdade de Letras/Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Linguística Aplicada, atuando principalmente nos seguintes campos: Ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa, Semiótica Discursiva, Linguagem e Tecnologia, Educação a Distância, Recursos Educacionais Abertos e Estilo dos gêneros digitais. 


Comunicação 8

Aspectos da nova classe média na telenovela

Autor:

Conrado Moreira Mendes – PUC Minas/Brasil – conradomendes@yahoo.com.br

 

Resumo:

No presente trabalho, à luz da teoria semiótica de linha francesa, apresentamos uma análise do primeiro capítulo da telenovela I Love Paraisópolis, em que procuramos compreender como se constrói a nova classe média, também chamada de classe C, como efeito de sentido. De acordo com o documento Vozes da classe média, produzido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos do Governo Federal, de 2002 para 2012, 35 milhões de pessoas ascenderam socialmente e passaram a integrar a classe média. Esse estrato da população passou de 38% para 53% em 2012, o que equivale a 104 milhões de pessoas. Pela perspectiva da semiótica, o caminho para perceber a relação entre linguagem e sociedade é por meio da análise de textos/discursos. Assim, entendendo que a nova classe média tem seu locus privilegiado na favela que dá nome à trama, analisamos cenas da referida produção no que diz respeito ao nível narrativo, em que procuramos demonstrar que o sujeito/actante coletivo “Paraisópolis” instaura-se narrativamente como um sujeito virtualizado, que /quer/ mas não /pode/. Consideramos, ainda, para a análise, temas e figuras do nível discursivo que revelam um aumento de poder de compra e alargamento do horizonte simbólico desse estrato social. Finalmente, considerando o modelo de Landowski (2002), acerca dos modos de relação com a alteridade, constituído pelos termos assimilação, exclusão, admissão e segregação, procuramos demonstrar como se dão as relações entre cidade e favela, ora por um regime, ora por outro, levando em conta, ainda, alguns elementos da linguagem visual. Esse percurso nos permite, assim, compreender aspectos do social, especificamente da nova classe média, em I Love Paraisópolis, entendendo por esse social um efeito de sentido que se depreende de textos, por meio dos quais, chega-se, semioticamente, à nossa relação com o mundo.

Palavras-chave: Telenovela; Nova classe média; Semiótica francesa.

 

Minibiografia:

É doutor em Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo (2013), tendo realizado estágio doutoral de um ano na Université Paris 8 Vincennes-Saint-Denis, França (2011-2012) É mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (2009) e bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela mesma Instituição (2006). É Professor Adjunto I da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG).


Comunicação 9

A imagem mítica do herói brasileiro contemporâneo sob a perspectiva da semiótica francesa

Autora:

Luciana Garcia Gabas Coelho – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul –

lucianagabas@gmail.com

 

Resumo:

A ideia da existência de um salvador para, se não todos, grande parte dos problemas que enfrentamos cotidianamente, aguça o imaginário das pessoas e nos faz acreditar na possibilidade de homens se transformarem em heróis. O personagem mítico, protagonista de obras ficcionais, permeia a realidade humana e traz à tona anseios e desejos das pessoas. O presente estudo analisa a figura do herói, embasado no conceito filosófico de mito, e sua forma de representação na capa da revista Veja. A análise, elaborada com base na semiótica discursiva proposta por A. J. Greimas e seus seguidores, mobiliza  conceitos de semissimbolismo, figurativização e intertextualidade, aplicados ao texto sincrético selecionado. Nessa abordagem, considera-se a significação dos elementos da linguagem verbal e não verbal, utilizados para compor o texto visual. Na capa analisada, retrata-se um herói capaz de promover limpeza ética no meio político brasileiro. Ao compreender o que faz com que certos indivíduos se transformem em heróis, pode-se desenvolver um olhar mais crítico diante das informações oferecidas pela imprensa e refletir sobre as verdades invocadas para a construção dos mitos, como também, os anseios pessoais e coletivos espelhados na imagem construída.

Palavras-chave: Mito; Herói; Semiótica discursiva.

 

Minibiografia:

Mestre em Estudos de Linguagens pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, participa do Grupo de Pesquisa em Semiótica em Mato Grosso do Sul (SEMIOMS-UFMS). É jornalista formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com Especialização em Imagem e Som realizada na mesma instituição de ensino. Atua na área de assessoria de comunicação. 


Comunicação 10

Intertextualidade e interdiscursividade nos textos que discutem o racismo

Autora:

Iara Rosa Farias – UNIFESP/EFLCH – irfarias2@gmail.com

 

Resumo:

Em 2015, a ONU (Organização das Nações Unidas) lançou a Década Internacional dos Afrodescendentes (resolução 68/237). No Brasil, a lei 10639/2003 e outras ações de caráter social e político buscaram resgatar a história dos afrodescendentes brasileiros. Contudo, é possível observar, tanto em nível internacional quanto em nível nacional, nos jornais cotidianos, nos meios de comunicação de massa e nas mídias sociais, ocorrências de práticas discriminatórias, preconceituosas e racistas. Em perspectiva discursiva, podemos tomar o contexto rapidamente descrito como uma rede pela qual são estabelecidas relações entre sujeitos. Observar tais interações não apenas aponta para o que se pode ver diretamente, o tema racismo discutido, como também as trocas semânticas, as escolhas de termos, enfim, a textualização dos discursos. Na Semiótica greimasiana podemos tomar o texto (verbal, não-verbal ou sincrético) como um campo de presença do sujeito que enuncia. No entanto, mesmo o texto sendo um campo de presença de um enunciador, que se apresenta figurativamente como autor, é preciso observar que este não é “puro”, porque recebe contribuições de outros textos, de forma explícita ou não, como bem observou Bakhtin (2000). E todo texto que recebe contribuições, por sua vez, também vai constituir outros “novos” textos, é o que se conceitua por intertextualidade. A partir da perspectiva da teoria francesa que diferencia texto (manifestação) e discurso (nível imanente), Fiorin (1994; 2012) nota que os diálogos e as trocas também ocorrem no nível do discurso, constituindo a interdiscursividade. Neste trabalho apresentaremos a análise de um texto que discute o racismo inverso a fim de apontar o(s) diálogo(s) estabelecido(s), tanto no nível textual (intertextualidade) quanto no nível discursivo (interdiscursividade), e também o(s) campo(s) de presença que se constituem no texto.

Palavras-chave: Racismo; Intertextualidade; Interdiscursividade; Campo de presença.

 

Minibiografia:

 

Mestrado em Letras, UNESP/CAr (1997). Doutorado em Semiótica e Linguística Geral, USP/SP (2002). ProDoc/CAPES, UFRJ (2003-2005). Trabalhou na Faculdade de Educação da UFBA (2005-2009). Atualmente, é professora na UNIFESP /EFLCH, Departamento de Letras, na área de Estudos da Linguagem. De 2016 a 2017 desenvolveu pesquisa de pós-doutoramento na Università di Bologna, junto ao professor Francesco Marsciani, sobre o tema racismo, discriminação e preconceito.


Comunicação 11

A construção da imagem do gaúcho Blau Nunes em curtas-metragens produzidos por estudantes do Ensino Fundamental

Autores:

Marion Rodrigues Dariz – Universidade Católica de Pelotas/UCPel – mariondariz@gmail.com

Fabiane Villela Marroni – Universidade Católica de Pelotas/UCPel – fvmar@terra.com.br

 

Resumo:

Partindo da premissa de que a educação escolar é um fenômeno complexo, requerendo diversos olhares, vemo-nos diante de um enorme desafio que consiste em empreender estratégias para mediar o processo de ensino-aprendizagem no Ensino Fundamental. Sugerimos a nossos estudantes Atividade Organizadora de Ensino (AOE) que tem embasamento teórico na proposta de Moura (1996a, 2002, 2010) e, considerando as ideias de Davidov (1988, p.76), que se dedicou à investigação da atividade de estudo dos educandos em diferentes níveis de ensino, a proposta AOE sugerida, com base na teoria vigotskiana e na Teoria da Atividade, inclui a leitura e produção de Cordéis e de HQ e a gravação de curtas-metragens, partindo da leitura de uma obra de referência. Essas tarefas surgem como uma estratégia para ensinar e incentivar aprendentes a ler e escrever. Construímos uma proposta que afetasse nosso aluno, produzindo-lhe sentido: a tradução intersemiótica – no caso, “trazer uma história do papel para as telas”, utilizando, para isso, os recursos tecnológicos de que os alunos dispõem: celulares ou câmeras fotográficas portáteis para gravação e, para a edição, utilização de programas escolhidos pelos próprios alunos. De posse desses “curtas”, este trabalho objetiva analisar, nessas produções, efeitos de sentido produzidos por meio da articulação das diferentes linguagens. O corpus é composto de dois “curtas” produzidos pelos educandos em diferentes épocas (2011 e 2015), baseados em um mesmo conto da obra “Contos Gauchescos” de Simões Lopes Neto, em cujas passagens são analisados pontos como a construção da identidade do gaúcho Blau Nunes associada ao Pampa, bem como os níveis de concretização do sentido. Como base teórico-metodológica de análise, utilizamos a Semiótica Discursiva – uma teoria que procura conhecer a maneira pela qual o sentido do texto é construído e é considerada um arcabouço teórico que nos oferece possibilidades, permitindo sua aplicação a inúmeros textos (OLIVEIRA, 2013).

Palavras-chave: texto literário; tradução intersemiótica; análise de vídeos; Semiótica Discursiva.

 

Minibiografias:

1 – Professora da Rede Pública Municipal de Pelotas e Técnica em Assuntos Educacionais no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-Grandense. Licenciada em Letras pela UCPel. Atua na área da Educação, com ênfase em ensino-aprendizagem. Mestre em Educação pela Universidade Federal de Pelotas. Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Letras da UCPel, desenvolvendo estudos relativos à Semiótica de Greimas.

2 – Doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professora da Universidade Católica de Pelotas. Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Acervo Digital. Atua com temas relacionados à Semiótica Discursiva, novas tecnologias na educação, design gráfico e digital, além de interface homem-computador. Coordena o projeto Rede de Pontos de Cultura do Município de Pelotas (UCPel-MinC).


Comunicação 12

LINGUAGENS VERBAL E NÃO VERBAL EM CEMITÉRIOS: O QUE ELAS  DIZEM SOBRE A MORTE E SOBRE A VIDA?

Autores:

Elisane Regina Cayser – Universidade de Passo Fundo – ecayser@upf.br

Luciana Maria Crestani – Universidade de Passo Fundo – lucianacrestani@upf.br

 

Resumo:

Os elementos semióticos relacionados à ritualística fúnebre não apenas registram uma prática social secular, mas também legitimam uma identidade social, perpetuando, no tempo e no espaço, representações simbólicas de atores sociais. Assim, o cemitério pode ser compreendido como um espaço (ou uma cenografia) em que elementos de diferentes naturezas se manifestam e, de forma sincrética, constroem sentidos sobre esses atores sociais. Nesse contexto, o presente trabalho tem como intuito analisar elementos verbais (epitáfios) e não verbais (imagens, estátuas, símbolos etc.) manifestos em túmulos e mausoléus do cemitério Vera Cruz, de Passo Fundo-RS, para, a partir deles: a) identificar os ethé dos sujeitos discursivos envolvidos nesse processo de representação semiótica; b) perceber as concepções que diferentes sujeitos têm sobre a morte — e também sobre a vida. Para tanto, buscamos apoio nos preceitos da Semiótica Discursiva — principalmente nos estudos sobre sincretismo de linguagens e enunciação — bem como nos estudos de Maingueneau (2005, 2008) e Charaudeau (2005, 2006) acerca do ethos discursivo. O trabalho, ainda em andamento, mostra de que forma a dispersão de textos inscritos no contexto de um cemitério permite defini-lo como um espaço de regularidades enunciativas, especialmente através da negação da finitude da vida, sem, para tanto, privilegiar somente as marcas linguísticas, mas também a semioticidade textual e a historicidade, aspectos esses que se articulam para a construção da enunciabilidade de discursos ritualizados em que os sujeitos se inscrevem sócio-historicamente no e pelo ato da enunciação.

Palavras-chave: Cemitérios;  Enunciação;  Ethos;  Sincretismo de linguagens.

 

Minibiografias:

1 – Mestre em Linguística e Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2001) e  doutoranda em Letras pela Universidade de Passo Fundo, na linha de Constituição e Interpretação do Texto e do Discurso . É professora no curso de Letras da Universidade de Passo Fundo e coordenadora da área de Língua Portuguesa.

2 – Mestre em Educação pela Universidade de Passo Fundo (2002), Doutora em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2010), professora no curso de Letras e no Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo,  atuando na linha “Constituição e Interpretação do Texto e do Discurso”.


Comunicação 13

LEITURAS SEMIÓTICAS DO MITO INDÍGENA “PIMENTA CURUPIRA”: CONSTRUINDO SENTIDOS

 

Autora:

Maria Georgina dos Santos Pinho e Silva – UERR-Roraima-Brasil – georginapinho@hotmail.com

 

Resumo:

Os mitos indígenas podem ser encarados como um dos modos mais legítimos para se compreender a realidade cultural de uma sociedade já que, por estarem ligados à tradição oral, evidenciam e sistematizam práticas sociais e culturais dos determinados grupos sociais. Isso ocorre porque a natureza oral das narrativas míticas, em especial das narrativas indígenas, coloca em evidência aspectos do contexto local, de simbologias construídas ao longo de uma tradição que instaura uma realidade mítica, que não vai necessariamente ao encontro de uma explicação lógica dos fenômenos naturais, rompendo, muitas vezes, com a figuratividade de um mundo natural puramente humano como o conhecemos. Concebido desse modo, reconhecemos e valorizamos os textos originários da tradição oral, pois compreendemos que a memória sustenta as tradições antigas para não desaparecerem. Por essa perspectiva, elegemos a semiótica greimasiana, que nos servirá de base para analisarmos o mito “Pimenta Curupira”, com a finalidade de explicitar os mecanismos de construção de sentido no texto, demonstrando, portanto, de que modo se constrói, nos textos orais indígenas, a significação, e o modo como o texto mítico se organiza em termos de espaço para manifestações socioculturais moldados à realidade indígena. Desse modo, a metodologia utilizada para a coleta da narrativa foi a História Oral.

Palavras-chave: Semiótica Greimasiana; Efeitos de sentidos; Cultura; Mito indígena.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus Araraquara, é professora efetiva da Universidade Estadual de Roraima – Brasil.


Comunicação 14

Análise Semiótica das diferentes épocas dos sabonetes Lux

 

Autores:

Tanier Botelho dos Santos  – UCPel – profetanier@gmail.com

Fabiane Villela Marroni – UCPel –  fvmar@terra.com.br

 

Resumo:

O presente estudo se concentra em importantes publicidades da marca Lux veiculadas na grande mídia em diferentes décadas para verificar que sentidos são construídos em relação à marca. Criada nos Estados Unidos em 1928, sempre envolveu campanhas publicitárias que se associavam aos valores descritivos do glamour e da beleza de famosas estrelas internacionais e nacionais, celebradas pela mídia. Para a análise, utilizaremos os pressupostos teórico-metodológicos da Semiótica Discursiva de A. J. Greimas, por ser uma teoria e metodologia que se encarrega de investigar diferentes linguagens e que procura conhecer a maneira na qual o sentido do texto é construído, ou seja, a semiótica tem por objeto o texto, ou melhor, procura descrever e explicar o que o texto diz e como ele faz para dizer o que diz, a partir de três níveis básicos: fundamental, narrativo e discursivo (Barros 2011, p.7).Este trabalho nasceu da percepção de que a propaganda de cosméticos da marca Lux utiliza-se de uma referência para construir sua imagem desde o início de seu surgimento: o glamour. Na análise do corpus, as peças publicitárias, desde a década de 1930, têm “o intuito de associar à beleza e ao carisma de personalidades femininas no auge da fama”. Por isso, em tais propagandas, o ato de comunicação é um complexo jogo de manipulação com vistas a fazer o destinatário a crer naquilo que se transmite. Entendemos que a publicidade tem poder de influenciar o consumidor, por isso tem buscado agregar valores positivos sobre determinados produtos com o intuito de manipular o destinatário a entrar em conjunção com seu objeto de valor. Um anúncio deve prender a atenção e o interesse e ainda provocar o desejo de comprar e consumir o que lhe é oferecido. Vemos, então, o produto sendo sancionado positivamente para compra e uso.

Palavras-chave: Publicidade Lux; Semiótica; Diferentes Épocas.

 

Minibiografias:

1 – Graduada em Licenciatura Dupla: Inglês/Português e respectivas Literaturas (1998) pelo Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Mestre em Leitura e Cognição pela Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC (2015) e Doutoranda em Letras pela Universidade Católica de Pelotas (2016).

2 – Possui graduação em Tecnologia em Processamento de Dados pela Universidade Católica de Pelotas (1995), aperfeiçoamento em Educação pela Universidade Federal de Pelotas (1997), mestrado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2001) e doutorado em Comunicação e Semiótica pela mesma Instituição (2008). Professora adjunta da Universidade Católica de Pelotas.


Comunicação 15

Aspectos semióticos no romance O Quinze

Autora:

Débora Alves Pereira Cabrita – Programa de Pós-Graduação Mestrado em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS – deboracabrita@hotmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho pretende-se analisar como a temática social foi construída na obra O Quinze, de Raquel de Queiroz. O romance, escrito em 1930, o primeiro livro da autora, acabou se tornando, dentre os posteriores, o mais conhecido pelo público brasileiro. Apresenta a grande seca ocorrida em 1915, na região nordeste do Brasil no interior do Estado do Ceará, vivenciada pela escritora em sua infância. Pretende-se realizar uma leitura analítica utilizando-se do arcabouço teórico-metodológico da Semiótica discursiva de origem francesa de A.J. Greimas e seus seguidores. Os elementos semânticos contrários como vida e morte, permanência e partida, com a retirada das famílias pobres, em busca de uma vida melhor, em contraste às condições financeiras dos coronéis que permanecem em suas propriedades, o amor e ódio entre os primos Conceição e Vicente vão costurando e construindo a narrativa. A configuração discursiva aponta para um regionalismo, não apenas socioespacial demarcado em nosso objeto de análise. E, ainda, os procedimentos de desembreagem e embreagem actancial, temporal e espacial da sintaxe discursiva, bem como por meio da semântica discursiva, graças aos procedimentos de tematização e figurativização  responsáveis pelo investimento e concretização dos valores disseminados no nível narrativo, permitem perceber a necessidade de um repensar no fato de não sermos determinados pelo espaço, mas pelas relações sociais, pela História.

Palavras-chave: Raquel de Queiroz; Romance O Quinze; Seca; Semiótica discursiva.

 

Minibiografia:

Mestranda do curso de Pós-Graduação Mestrado em Comunicação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS. Autora do livro Viagem a bordo das Comitivas Pantaneiras, Campo Grande/MS: Life, 2014 e Jornalista formada pela Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal – Uniderp – em 2001.


Comunicação 16

Figuras da incompletude humana em contos de Mia Couto

Autora:

Laís Toledo Tavares – Universidade  Federal de Mato Grosso do Sul –laistoledo.prof@gmail.com

 

Resumo:

Considerando a importância das relações constituintes de sentido nos diversos objetos textuais, o presente trabalho propõe-se a estudar os processos de construção de sentido e significação no texto literário, recorrendo, para tanto, à teoria semiótica discursiva. Com o intuito de compreender como a temática da “incompletude” se manifesta, de modo recorrente, por meio de figuras presentes em narrativas de Mia Couto, constituindo-se como um aspecto central para a condição humana na obra “O fio das Missangas”, escolhemos, como corpus para a análise, três de seus contos: “A infinita fiadeira”, “O  menino que escrevia versos” e “A saia amarrotada” . A análise semiótica contemplada neste trabalho é a de linha francesa, a qual foi desenvolvida por Algirdas Julien Greimas (1917-1992) e colaboradores a partir dos anos finais da década de 1960. Num primeiro momento, serão feitas considerações teóricas sobre a semiótica discursiva e seus desdobramentos; em seguida, apontamentos sobre a relação entre o texto literário e a semiótica discursiva; e, finalmente, a análise dos contos, bem
como a apresentação dos resultados obtidos. Como orientação metodológica, o corpus será analisado à luz do percurso gerativo de sentido, com foco no nível discursivo, abordando percursos figurativos que conduzam à tematização, norteando-se pelo estudo da recorrência de marcas em torno da temática da “incompletude”. Ao final, espera-se demonstrar que tal visada, na obra do autor em questão, considera a incompletude como um dos traços responsáveis por caracterizar a perspectiva humana ao longo de sua existência.

Palavras-chave: Semiótica discursiva; Texto literário; Contos; Incompletude; Mia Couto.

 

Minibiografia:

Laís Toledo Tavares é Graduada em Letras – Licenciatura – Habilitação em Português/Inglês e Literaturas das respectivas línguas pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS. Atualmente, cursa Mestrado em Estudos de Linguagens na área de concentração Linguística e Semiótica, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS.


Comunicação 17

Os multiletramentos nos processos enunciativos de produção de sentido

Autores:

Carolina Fernandes da Silva Mandaji – UTFPR –  cfernandes@utfpr.edu.br

Maria de Lourdes Rossi Remenche – UTFPR –  mremenche@utfpr.edu.br

 

Resumo:

No contexto tecnológico contemporâneo, a proliferação e circulação de novos textos marcados pela integração de inúmeros recursos semióticos vêm ocorrendo de forma rápida e interativa.   Considerando esse contexto, esta investigação propõe-se a discutir os processos enunciativos, e, portanto, discursivos e interacionais no uso da materialidade sincrética no site da escritora Angela Lago que tem como interlocutor o público infantil. A pesquisa relaciona os conceitos de multiletramentos, hipertexto, hiperlink, interatividade e textos sincréticos, cujo plano da expressão é dado na manifestação das linguagens e qualidades sensíveis e o plano do conteúdo se dá nas significações relacionadas às diferenças culturais no pensar, ordenar e encadear ideias. Para tanto, tomamos como base metodológica os estudos da Semiótica Discursiva, bem como de Floch (2001), Bakhtin (2004, 2010) e Street (2013). No desenvolvimento da pesquisa, buscamos descrever o suporte, privilegiando a concepção de hipertexto, leitura e sujeito na produção de sentido e os modos de negociação que revelam aproximações do sujeito ao interdiscurso e a heterogeneidade do dizer. Objetivamos também identificar os planos de conteúdo e expressão (em suas dimensões cromática, eidética, matéria e topológica) na descrição do site e seus elementos constituintes como um texto sincrético, dado pela articulação desses aspectos na produção de sentido, bem como nas projeções de pessoa, tempo e espaço presentes. A análise evidenciou que a arquitetura hipertextual e a integração de semioses ao se vincular sons, imagens estáticas e em movimento contribuem para a produção de sentido ao acionar nos sujeitos leitores diferentes plásticas, e por consequências, diferentes práticas sociais de leitura.

Palavras-chave: Multiletramentos; Semiótica; Enunciação; Práticas de leitura.

 

Minibiografias:

1 – Possui Graduação em Comunicação Social – Habilitação Jornalismo – pela UFM (2001) e Mestrado (2005) e Doutorado (2011) em Comunicação e Semiótica – pela PUC-SP. Professora Adjunta II do Curso de Comunicação Organizacional do Departamento de Linguagem e Comunicação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Tem experiência na área de Comunicação e desenvolve projetos de pesquisa em Sociossemiótica e Audiovisual. 

2 – Professora Adjunta II da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Doutora em Linguística pela Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de São Paulo (USP), Mestre em Estudos da Linguagem (UEL), Especialista em Língua Portuguesa e Graduada em Letras Vernáculas/Anglo (UEL). A pesquisadora é docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos das Linguagens, e líder do Grupo de Pesquisa em Linguística Aplicada (GRUPLA).


Comunicação 18

ESPELHO, ESPELHO MEU: uma análise fílmica através dos construtos da Semiótica Greimasiana

 

Autores:

Andressa Batista Farias – Universidade do Estado de Mato Grosso – andressafariasabf@gmail.com

Josilene Pereira dos Santos – Universidade do Estado de Mato Grosso – josilenesnp12@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho apresenta um estudo semiótico do filme “Espelho, Espelho Meu”, original “Mirror, Mirror” do cineasta Tarsem Singh, lançado no ano de 2012. O filme é uma releitura da história do popular conto da “Branca de Neve e os Sete Anões” dos irmãos Jacob Grimm e Wilhelm Grimm. Esta análise, recorre aos construtos teórico-metodológicos da Semiótica Francesa, conhecida também, como Semiótica Greimasiana ou ainda Semiótica do Discurso. O estudo visa apresentar conceitos e analisar a presença das transformações que ocorrem durante o decorrer da narrativa fílmica, enfocando o nível discursivo (sintaxe discursiva e semântica discursiva) e a sintaxe narrativa (nível superficial). Os métodos utilizados para essa análise se constituíram em pesquisa bibliográfica, análise fílmica, análise de cenas/imagens. Para o processo da análise, primeiramente foi realizado recortes das cenas, que incluiu as ações e acontecimentos dos personagens, diálogos, enquadramentos, iluminação, cenografia e as mudanças de cenário do filme e posteriormente, deu-se o início a interpretação dos significados e sentidos. Alguns dos recortes analíticos que compõem este estudo, fundou-se sobre as formas de expressão e de conteúdo que se articulam opostamente, tais como como Vida x Morte, Dominação x Liberdade, Amor x Ódio, Bem x Mal, oposições substanciais para o desenvolvimento da narrativa fílmica.  Ademais, a análise deste texto sincrético, composta diversas manifestações de linguagens, como visual e sonora, se traçou acerca das riquezas de efeitos, dos cenários programados, dos figurinos requintados, planos, enquadramentos e posicionamentos de câmeras, nos quais, esses elementos contrastam com os sentimentos e com as personalidades, na intenção de produzir e transmitir os sentimentos e as sensações vivenciadas pelos personagens.

Palavras-chave: Espelho, Espelho Meu; Semiótica Greimasiana; Narrativa Fílmica; Sentidos.

 

Minibiografias:

1 – Mestranda do Programa de Pós Graduação em Letras (PPGLetras) da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) Campus Universitário de Sinop-MT. Graduada em Licenciatura Plena em Letras – Português/Inglês pela mesma Universidade.

2 – Mestranda do Programa de Pós Graduação em Letras (PPGLetras) e Graduada em Licenciatura Plena em Letras – Português/Inglês também pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Campus Universitário de Sinop.


Comunicação 19

Linguagem e ensino: identidade e diversidade discursiva em livros didáticos brasileiros e franceses

 

Autor:

Luciano Magnoni Tocaia – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Brasil –  lucianotocaia@uol.com.br

 

Resumo:

Esta comunicação tem por objetivo analisar o livro didático para o ensino de língua materna  no Brasil e na França  como um discurso e apontar as diferentes discursivas utilizadas pelo enunciador para persuadir o enunciatário a fazê-lo crer em seu discurso. Para tanto, baseamo-nos no quadro teórico-metodológico proposto pela semiótica discursiva de linha francesa (Greimas, 1983, 1994; Greimas & Courtés, 2011; Barros, 2002, 2008; Fiorin, 2008a, 2008b, 2009); e também na noção de gênero discursivo discutida por Bakhtin (2006). Completam esse quadro teórico principal noções advindas da Análise do discurso de linha francesa (Maingueneau, 1995, 2008), da História das ideias linguísticas (Barros, 2007, 2010; Leite, 2005) e da Didática de língua materna (Simard, Dufays, Dolz, Garcia-Leblanc, 2010). Dessa maneira, analisar-se-ão, em um primeiro momento, as projeções da enunciação no enunciado inscritas num tempo e num espaço específicos e faladas por sujeitos situados neste tempo e neste espaço. Em seguida, buscar-se-á definir os temas e as figuras que reproduzem nos textos o imaginário social e ajudam a construir a imagem do ator da enunciação, a imagem concreta a que se destina o discurso e que orienta o modo de presença do sujeito no mundo. Serão definidos, assim, o éthos do enunciador e o páthos do enunciatário. Por fim, serão analisadas as concepções de linguagem e suas relações diretas e indiretas com as questões didático-pedagógicas para o ensino de língua portuguesa e língua francesa, além das metodologias de ensino que vigoram nos dois sistemas de ensino e suas influências em atividades de leitura, produção textual e ensino de gramática. No cotejo dos livros didáticos analisados, os resultados apontam tanto para duas formas distintas de conceber o discurso do livro didático, no Brasil e na França, quanto para a construção de paradigmas distintos de cultura.

Palavras-chave: Semiótica discursiva; Ator da enunciação; Manipulação; Tematização e Figurativização; Livro didático para o ensino de língua materna.

 

Minibiografia:

Professor do curso de Letras na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Seus trabalhos estão relacionados a análises enunciativo-discursivas de textos pertencentes a variadas esferas da comunicação, sobretudo, nas áreas pedagógica e jornalística e à análise em perspectiva histórica da tradição de estudos linguísticos em livros didáticos. É autor do livro Leitura e Produção textual na universidade: teoria e prática pela Editora Mackenzie.


Comunicação 20

Uma Semiótica dos objetos traumáticos na representação do Campo de Concentração. Dos lugares comuns do best-seller à ótica acurada de Primo Levi

Autor:

Roberto do Nascimento Paiva –  Universidade Federal do Oeste do Pará/UFOPA – roberto.paiva@ufopa.edu.br

 

Resumo:

O presente trabalho constitui-se numa semiótica dos objetos do Campo de Concentração tal como evocados na obra testemunhal de Primo Levi. Trata-se de uma análise cujo fundamento teórico principal é a teoria freudiana do trauma, tal como exposta em vários ensaios sobre a neurose de guerra: “Para Além do Princípio de Prazer (1920)”, “A Psicanálise e as Neuroses de Guerra (1919)”, “Neurose e Psicose (1923 [1924])”, “A perda da realidade na neurose e na psicose (1924)”, “Inibição, Sintoma e Angústia (1926)” O trabalho apresenta detidamente, uma semiótica do discurso literário da obra de Primo Levi, “É Isto um Homem?” e avança para o apontamento do rol de objetos que marcam, para este grande autor, a experiência do Campo, por meio da simbologia desses objetos que garantem a memória e a identidade. Uma primeira relação desses objetos os distribui entre aqueles relativos à alimentação, ao vestuário, ao trabalho e, se é possível dizê-lo, a um certo lazer e a uma vida pessoal mínima dos prisioneiros. Temos assim, diários, fotografias, cartas, instrumentos musicais, instrumentos de trabalho, óculos, bolsas, cachimbos, roupas, cobertas e, numa outra ordem de classificação, reservas de comida, que fazem, insistentemente, parte deste cenário traumático. Trata-se, mais especificamente, de uma semiótica dos objetos traumáticos, tal como se perfilam nesses três casos de figura que por objetivo dar rosto, por assim dizer, ao Lager, como os alemães denominavam o campo, já que ele surge abstrato, e assim, de algum modo, idealizado na maior parte dos textos literários que focalizam o tema.

Palavras-chave: Semiótica; Memória; História; Discurso.

 

Minibiografia:

Possui Doutorado em Comunicação e Semiótica PUC-SP (2005) e Mestrado na mesma instituição (2002). Atualmente, tem como projetos de pesquisa “O Português do Oeste do Pará: normas, variação e ensino” e “Semiótica e Interdisciplinaridade”; trabalha como professor e coordenador adjunto do Programa de Mestrado Profissional em Letras na UFOPA/UFRN, e colaborador do Programa de Pós-Graduação em Educação (Mestrado).