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Simpósio 55

SIMPÓSIO 55 – ENTRE O LÉXICO E O DISCURSO: ESTUDOS DE ASPECTOS DIATÓPICOS, DIASTRÁTICOS E DIAFÁSICOS DA LÍNGUA PORTUGUESA

 

Coordenadores: 

Maria Cristina Parreira da Silva | UNESP | cristinaparreira@sjrp.unesp.br

Rosimar de Fátima Schinelo | FATEC | rosimar@fateccatanduva.edu.br

 

Resumo:

Os estudos lexicais têm estabelecido uma interação muito promissora com outras áreas da pesquisa linguística, propiciando investigar e compreender não somente questões de formação e evolução lexical de uma determinada língua, como também os sentidos intrínsecos capazes de evidenciar histórias e memórias de uma comunidade linguística. Ao se analisar uma língua, pode-se contemplar o léxico geral ou léxicos especiais, estes definidos como uma parcela do léxico organizada sob características específicas, que podem ser reunidos dentro de várias perspectivas como, por exemplo, sob os níveis e registros de língua, para citar os mais conhecidos: a) diatópico (com relação ao léxico regional e dialetos); b) diastrático (léxico de grupos sociais distintos que usam, por exemplo,  gírias e jargões); c) diafásico (pertencentes a diferentes níveis de língua, como os idiomatismos e tabus linguísticos). Sob outro viés teórico, a Análise do Discurso tem considerado questões como heterogeneidade discursiva, formação ideológica e formação discursiva, estabelecendo, assim, um percurso de análise que se pauta na inserção do contexto histórico e cultural no contexto linguístico. Nesse âmbito epistemológico, este simpósio, vinculado ao GAMPLE (Grupo Acadêmico Multidisciplinar: Pesquisa Linguística e Ensino), busca integrar duas áreas de pesquisa, a da Lexicologia e Lexicografia e a da Análise do Discurso, propondo reflexões em torno de questões que abrangem pesquisa e ensino de léxicos especiais da Língua Portuguesa no mundo, a fim de congregar pesquisadores que se atentem para esses aspectos léxico-discursivos.

Palavras-chave: Aspectos léxico-discursivos, léxico especial, variação linguística, pesquisa e ensino.

 

Bibliografia: 

ETTINGER, Stefan. La variación linguística em lexicografía, In: HAENSCH, Günther; WOLF, Lothar; ETTINGER, Stefan; WERNER, Reinhold. La lexicografía – de la linguística teórica a la lexicografía práctica. Madrid: Gredos, 1982. p. 359-394.

Parreira, Maria Cristina; Schinelo, Rosimar de Fátima. Entre a fala e a escrita o lugar dos vocábulos “triviais” da língua portuguesa. In: Léxico e Ensino. Rio de janeiro: Dialogarts, 2014. Disponível em: http://www.dialogarts.uerj.br/arquivos/Livro_Lexico_e_Ensino.pdf. Acesso em 06/05/2016.

PÊCHEUX, Michel. O discurso: estrutura ou acontecimento. (Trad. Eni P. Orlandi). Campinas-SP: Pontes, 2008.

 

Minibiografias: 

Maria Cristina Parreira da Silva – Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP (FCL-Ar, 19/09/2002). Professora assistente doutora em Regime de Dedicação à Docência e à Pesquisa da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho em São José do Rio Preto desde 2003. Pesquisadora na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística e Linguística Aplicada, atuando principalmente em: Lexicologia e Lexicografia, lexicografia pedagógica, ensino de línguas estrangeiras (francês), léxico geral e especial, fraseologia e fraseografia, léxico, cultura e ensino. Líder do Grupo Acadêmico Multidisciplinar: Pesquisa Linguística e Ensino – GAMPLE. Membro do GTLex da ANPOLL. Docente e membro do Conselho do PPG-Estudos Linguísticos.  http://lattes.cnpq.br/2404604521445065.

Rosimar de Fátima Schinelo – Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP (Araraquara, 2005). Atuou de 1994 até o ano 2000 na Universidade Federal de Uberlândia. Tem experiência profissional na Área de Língua Portuguesa, Linguística e Educação, ministrou aulas em Cursos de Letras e Pedagogia e, desde 2008, em cursos de Automação Industrial e Gestão Empresarial. Atualmente é diretora da Faculdade de Tecnologia de Catanduva-FATEC. Enquanto pesquisadora, trata dos seguintes temas: oralidade/ escrita, ensino, formação de professores, léxico e discurso. É vice-líder do Grupo Acadêmico Multidisciplinar: Pesquisa Linguística e Ensino – GAMPLE. http://lattes.cnpq.br/4231252949609226.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

PORTUGUÊS LÍNGUA PLURICÊNTRICA E SUA REPRESENTAÇÃO NOS DICIONÁRIOS. A CODIFICAÇÃO NORMATIVA FRENTE À DESCRIÇÃO DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NA LEXICOGRAFIA BRASILEIRA (EM CONTRASTE COM A LEXICOGRAFIA HISPÂNICA/PENINSULAR)

Autora:

Virginia Sita Farias – Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – virginiafarias@hotmail.com

 

Resumo:

O conceito de pluricentrismo – tanto em seu viés descritivo como ideológico – é central para o tratamento das relações que se estabelecem entre as distintas variedades centrais/estândares de uma língua. Nesse âmbito, evidencia-se uma oposição entre línguas pluricêntricas simétricas – como o inglês – e línguas pluricêntricas assimétricas – como o português e o espanhol. A codificação normativa da(s) variedade(s) estândar(es) de uma língua pluricêntrica assimétrica deve observar, por um lado, a existência/ausência de instituições (públicas/privadas) responsáveis por estabelecer e difundir uma norma linguística e sua postura frente às distintas variedades estândares, e, por outro lado, a comunidade linguística à qual a obra se destina. No caso do português – em contraposição com o espanhol –, não há uma instituição responsável pela norma linguística, e as gramáticas e dicionários, em geral, destinam-se à circulação nacional. Entretanto, os três principais dicionários publicados no Brasil – Au, Hou e Mi – não restringem sua cobertura lexical ao português brasileiro, incluindo usos de Portugal e, em menor medida, de outros/as países/zonas lusófonos/as. O objetivo deste estudo é, portanto, analisar o registro de unidades léxicas marcadas diatopicamente nos dicionários brasileiros de português, a fim de (i) verificar se se trata de uma tentativa de apresentar um dicionário “panlusitano” – por analogia a “panhispánico” –, e (ii) confirmando-se essa hipótese, avaliar se a codificação normativa das variedades brasileira e lusitana reflete a condição do português como língua pluricêntrica. Por fim, se estabelecerá uma comparação com o espanhol e sua codificação nas obras acadêmicas. Os resultados preliminares revelam que o registro de usos de Portugal e de outros/as países/zonas lusófonos/as nos dicionários brasileiros é bastante irregular, sugerindo que poderiam corresponder à mera curiosidade linguística. Ademais, o emprego de marcas como lusismo, angolismo etc., frente à (quase) inexistência da marca brasileirismo, indica que a norma brasileira se sobrepõe às demais nas obras analisadas.

Palavras-chave: Lexicografia; Pluricentrismo; Variação linguística; Diatopia; Norma.

 

Minibiografia:

Doutora em Lexicografia e Terminologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – com período de doutorado-sanduíche na Universität Paderborn/Alemanha. Professora Adjunta de Língua Espanhola na Universidade Federal do Rio de Janeiro desde 2014. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Metalexicografia e Lexicografia desde 2013. Pesquisadora na área de Linguística Aplicada, com ênfase em (Meta)Lexicografia, Lexicografia Pedagógica, Lexicologia e Semântica Lexical.


Comunicação 2

NÍVEIS DE LÍNGUA NA TIPOLOGIA DE FALSOS AMIGOS PORTUGUÊS-ESPANHOL

Autora:

Ana María Díaz Ferrero – Universidad de Granada. Espanha –  anadiaz@ugr.es

 

Resumo:

O estudo da proximidade linguística entre as línguas portuguesa e espanhola foi abordado desde diferentes perspetivas. Neste trabalho iremos apresentar parte dos resultados de uma pesquisa contrastiva do léxico português em relação ao espanhol. O objetivo principal desta investigação é realizar uma classificação tipológica de falsos amigos orientada à didática do português como língua estrangeira. A língua reflete a variedade, o dinamismo e o processo evolutivo da sua comunidade, e os falsos amigos evidenciam esta diversidade. Um estudo pormenorizado das diferenças lexicais entre o português e o espanhol deve ter em consideração as diferenças diatópicas, diastráticas e diafásicas da língua.

Palavras-chave: Português língua estrangeira. Falsos amigos. Espanhol. Níveis de língua.

 

Minibiografia:

Doctora em Filología (Filologia Românica) pela Universidade de Granada (1996). Atualmente é professora do Departamento de Traducción e Interpretación desta Universidade. Tem experiência em Ensino de Português como Língua Estrangeira (PLE). Pesquisadora na área de Linguística, com ênfase em Linguística Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino de línguas estrangeiras, tradução, fraseologia e paremiologia da língua portuguesa.


Comunicação 3

LÉXICO TABU PRESENTE EM ROMANCES POLICIAIS: FATORES PRAGMÁTICO-COMUNICATIVOS NA TRADUÇÃO DO ESPANHOL PARA O PORTUGUÊS

 

Autores:

Flávia Seregati – UNESP/Ibilce – flavia_seregati@hotmail.com

Angélica Karim Garcia Simão – UNESP/Ibilce – angelica@ibilce.unesp.br

 

Resumo:

Neste trabalho, pretende-se abordar a incidência de fatores pragmático-comunicativos na tradução de lexias simples e complexas consideradas tabus linguísticos. Para tanto, utiliza-se como córpus as traduções para o português das obras “Os mares do sul” e “Milênio” de Manuel Vázquez Montalbán. Esse tipo de linguagem é um recurso presente em todas as línguas, porém a percepção e o uso que se faz dele é diferente para algumas sociedades, ou mesmo para diferentes grupos sociais de uma mesma comunidade linguística. Segundo Preti (2003), essas lexias estão sendo cada vez mais aceitas em nossa sociedade, tanto na mídia impressa como em programas televisivos. Na literatura, o romance policial, por tratar com frequência de personagens inseridos em contextos marginalizados, faz uso desse léxico, aqui entendido não só como palavras ofensivas na forma de insultos e palavrões, mas também como itens lexicais considerados obscenos que remetem aos órgãos sexuais ou ao próprio ato sexual, à escatologia e formas consideradas grosseiras e vulgares. Rundblom (2013) argumenta que o uso que se faz dessa linguagem é proveniente de diferentes motivações, podendo ter fundamentos psicológicos, sociais ou discursivos. Neste trabalho, estabelece-se uma divisão para as motivações de uso do léxico tabu em cinco esferas: “psicológicas individuais”, “psicológicas de interação social (descortesia) ”, “psicológicas de interação social (anticortesia) ”, “discursivas” e “denominativas”. Este trabalho tem por objetivo também relacionar as diferentes técnicas e estratégias de tradução adotadas para essas unidades lexicais às suas motivações de uso, a fim de investigar o tratamento dado ao léxico tabu na tradução literária do par linguístico espanhol-português.

Palavras-chave: léxico especial; lexias tabu; romance policial; língua portuguesa; língua espanhola.

 

Minibiografias:

Flávia Seregati – Mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos na área de Lexicologia e Lexicografia da Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – Campus de São José do Rio Preto/Brasil.

Angélica Karim Garcia Simão – Mestrado em Linguística Aplicada – Universidade Estadual Paulista (UNESP/CAPES) e Doutorado em Letras – Universidade de São Paulo (USP). Atualmente atua como professor assistente doutor na Universidade Estadual Paulista (UNESP/SJRP) no curso de Bacharelado em Letras (Tradutor). Suas pesquisas enfocam questões do léxico, da fraseologia bilíngue e da tradução em língua espanhola.


Comunicação 4

TRADUÇÃO DO LÉXICO TABU EM ROMANCES POLICIAIS: DO “LABIRINTO GREGO” À “ROSA DE ALEXANDRIA”

Autora:

Angélica Karim Garcia Simão – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp/SJRP) – angelica@ibilce.unesp.br

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo apresentar a análise da tradução na direção espanhol-português do léxico tabu presente em obras do escritor espanhol Manuel Vázquez Montalbán. Por léxico tabu entendemos os disfemismos léxicos na forma de insultos, obscenidades e escatologias, considerados vulgares e grosseiros, de uso pejorativo ou depreciativo. O uso que se faz dessas lexias é variável em diferentes contextos e culturas, bem como o grau de tolerância e as motivações que determinam o seu uso. Pretende- se, neste trabalho, analisar de que modo as motivações de uso desse léxico podem se relacionar às estratégias específicas de tradução adotadas. Para tanto, partimos de uma categorização do léxico tabu em 5 esferas de motivação de uso: i. psicológica individual; ii. psicológica de interação social (descortesia); iii. psicológica de interação social (anticortesia); iv. discursiva e v. denominativa. A partir dessa categorização, estabelece-se a análise contrastiva do córpus, composto por duas obras literárias em espanhol e suas respectivas traduções para o português brasileiro, a saber: El labirinto griego (O labirinto grego), traduzida por Bernardo Joffily, e La rosa de Alejandría (A rosa de Alexandria), traduzida por Rosa Freire D’aguiar, publicadas no Brasil pela Editora Companhia das Letras, em 1992 e 2006, respectivamente. O resultados preliminares, centrados na relação entre as motivações de uso do léxico tabu e as estratégias adotadas para sua tradução, sugerem, até o momento, os seguintes resultados: o léxico mais recorrente nessas obras são da segunda e quinta esferas (descortesia e denominativa) e as menos ocorrentes da primeira e da quarta esferas (psicológica individual e discursiva). Ainda não foi registrada no córpus a presença de lexias da terceira esfera (anticortesia). A estratégia de tradução mais empregada foi a tradução funcional, embora possamos constatar alguns casos de atenuação e modulação do léxico tabu na tradução.

Palavras-chave: léxico especial; léxico tabu; romance policial; tradução; espanhol.

 

Minibiografia:

Graduação em Letras – Universidade Estadual Paulista (UNESP/SJRP), Especialização em Língua Espanhola (AECI/MAE), Mestrado em Linguística Aplicada – Universidade Estadual Paulista (UNESP/CAPES) e Doutorado em Letras – Universidade de São Paulo (USP). Atualmente atua como professor assistente doutor na Universidade Estadual Paulista (UNESP/SJRP) no curso de Bacharelado em Letras (Tradutor). Suas pesquisas enfocam questões do léxico, da fraseologia bilíngue e da tradução em língua espanhola.


Comunicação 5

UM ESTUDO DISCURSIVO DO LÉXICO EM O EMPATE, DE FLORENTINA ESTEVES

 

Autora:

Edilene da Silva Ferreira – UNESP (Brasil) – edi.ferreira1@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, objetiva-se fazer uma análise do léxico, numa abordagem discursiva, investigando os vocábulos típicos da fala do homem acreano em sua relação com a cultura, no contexto do romance O Empate, de autoria da escritora acreana Florentina Esteves. Para a análise, partiu-se do princípio de que as narrativas produzidas na Amazônia, especificamente no Acre – Brasil, são permeadas de unidades lexicais utilizadas com maior frequência nessa região, herança da época dos seringais e das migrações, demonstrando que, inúmeras vezes, a linguagem cotidiana de grupos específicos se manifesta na linguagem escrita. Esta pesquisa é de caráter qualitativo e quantitativo e tem como embasamento teórico os conceitos de léxico e Lexicologia de Biderman (2001) e Isquerdo (2001), articulados às teorias da Análise do Discurso na abordagem de Pêcheux (1995, 1997), considerando a relação entre língua e discurso, os conceitos de formação discursiva e condições de produção. Utiliza-se ainda a Linguística de Corpus, conforme Berber Sardinha (2004), para dar suporte ao trabalho de processamento do corpus de análise que foi realizado por meio do software AntConc (ANTHONY, 2014),  a partir do qual foram selecionadas as unidades lexicais de maior destaque, tanto na frequência quanto na expressividade, verificando sua recorrência e sentido, como se manifestam e são representadas no discurso literário. Para verificação das unidades lexicais, utiliza-se como corpus de referência o Corpus Brasileiro (GELC). A partir da compilação dos vocábulos, objetiva-se selecionar o léxico específico da região, que delimita e incorpora suas características socioculturais. Observou-se até esta etapa da pesquisa que muitas das unidades lexicais selecionadas representam o falar do homem local no contexto apresentado no romance, isto é, o período da decadência da atividade de extração da borracha, como se observa, por exemplo, nas lexias: “poronga”, “lamparina”, “sernambi”, “empambar, dentre outras.

Palavras-chave: Léxico; Análise do Discurso; Literatura Acreana.

 

Minibiografia:

Edilene da Silva Ferreira: Graduada em Letras pela Universidade Federal do Acre e mestre em Letras: Linguagem e Identidade pela mesma instituição. Atuou como docente de Língua Portuguesa na rede pública de ensino estadual e municipal. É docente de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal do Acre desde 2013. É doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho em São José do Rio Preto, com pesquisa na linha Lexicologia e Lexicografia.


Comunicação 6

PROCURA-SE UM ESCRAVO: O LÉXICO NA COMPOSIÇÃO DO DISCURSO ESCRAVAGISTA EM ANÚNCIOS DE JORNAIS DE MATO GROSSO

Autoras:

Grasiela Veloso dos Santos Heidmann – Universidade Federal de Mato Grosso  –  grasinhavs@hotmail.com

Maria Antonia Correa – Universidade Federal de Mato Grosso –  m.demaria@hotmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação visa o estudo do léxico atrelado à Análise do Discurso (AD) de orientação francesa.  A análise parte do princípio de que a linguagem é heterogênea, e que nela estão presentes vários sentidos, crenças ideais e valores construídos pela sociedade. Pode-se dizer que o vocabulário é o primeiro aspecto em que se observam/sintetizam as mudanças, a vida, valores e crenças de uma comunidade (BIDERMAN, 1992). Desse modo, sob a perspectiva léxico-discursiva, analisa-se  alguns anúncios de jornais produzidos em Mato Grosso no século XIX, com ideologias colonizadoras que compreendem uma formação discursiva escravagista. Assim, pauta-se no contexto sócio-histórico e ideológico e como as escolhas lexicais, presentes nos conjuntos de enunciados e textos,  caracterizam a produção do discurso escravagista do século XIX. Assim sendo, analisa-se as unidades lexicais recorrentes nos anúncios sobre os escravos, observando o grupo morfológico a que pertencem e, consequentemente, a análise discursiva que leva em conta os interlocutores  (crenças e valores), situação (lugar e tempo geográfico, histórico), o dialogismo e rede interdiscursiva (MAINGUENEAU, 2004).

Palavras-chave: Anúncios de jornais; Escravidão; Léxico; Discurso.

 

Minibiografias:

SANTOS HEIDMANN, Grasiela Veloso dos. Graduada em Licenciatura em Letras pela Universidade Estadual de Mato Grosso (2009). Mestrado em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal de Mato Grosso (2014). Atualmente é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da UFMT, atuando na seguinte linha de pesquisa: História e descrição do português brasileiro.

CORREA, Maria Antonia. Graduada em Letras Português/Inglês, pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Especialista em Gestão Pública Municipal, pelo Instituto Egrégora/UNIC. Mestre em Estudos de Linguagem, pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).


Comunicação 7

VARIAÇÃO, LEXICO E ENSINO E LÍNGUA PORTUGUESA

Autora:

Adriana Cristina Cristianini – Universidade Federal de Uberlândia – adriana.cristianini@gmail.com

 

Resumo:

É no conhecimento e no respeito à diversidade linguística, em especial no aspecto semântico-lexical, que se abriga o segredo para o desenvolvimento de habilidades necessárias para que o indivíduo possa desempenhar de maneira plena sua cidadania, item visto como principal objetivo da educação. Verdadeiramente, uma língua natural se estabelece principalmente como meio do qual se servem os membros de grupos sociais, em suas relações. Os sentidos se dão na interação entre os sujeitos, que estão situados num determinado tempo, num dado espaço, e pertencem a um grupo. Esses sujeitos carregam a ideologia da comunidade na qual estão inseridos e trazem consigo crenças, costumes, valores culturais e sociais. Muitas pesquisas que visam a um conhecimento mais específico das variações linguísticas são desenvolvidas nas universidades brasileiras (e estrangeiras). Os estudos sociolinguísticos, geolinguísticos, sociogeolinguísticos, entre outros, desenvolvidos principalmente em forma de dissertações e teses, possibilitam conhecer, descrever e mensurar fenômenos linguísticos relacionados a fatores sociais, culturais, históricos, políticos, regionais, espirituais. Cabe salientar que os resultados desses estudos consistem em um volume considerável de dados linguísticos, que resultam em um gigantesco número de possíveis análises e, além disso, oferecem condições para que professores cumpram parte das diretrizes que são determinadas pelos documentos oficiais da educação no que tange ao conhecimento e ao respeito à pluralidade cultural e linguística brasileira. Acredita-se que cabe ao professor de língua materna o papel principal no que se refere ao ensino das variações linguísticas. Diante do exposto, a presente comunicação pretende se pautar nos seguintes objetivos: (i) insuflar discussões sobre os diferentes direcionamentos para as possíveis reflexões diante de estudos lexicais; (ii) analisar criticamente livros didáticos de língua portuguesa, para identificar como e o que, de fato, se estuda com relação à variação lexical; (iii) refletir sobre propostas pedagógicas que supram as necessidades para o ensino de variações semântico-lexicais.

Palavras-chave: Variação. Léxico. Língua Portuguesa. Sociogeolinguística. Ensino/aprendizagem.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística pela Universidade de São Paulo – USP (2007). Atuou, por mais de 25 anos, como professora de Educação Básica (1989-2008); professora de Ensino Superior em instituições da rede privada de ensino (2000-2011); e como professora tutora do PEC – Formação Universitária, vinculada à Universidade Estadual Paulista – UNESP (2001-2002). Atualmente é professora da Universidade Federal de Uberlândia – UFU, atuando na graduação e na pós-graduação.


Comunicação 8

A VARIAÇÃO SEMÂNTICA DOS FRASEOLOGISMOS: FUNCIONAMENTO E INTENÇÕES COMUNICATIVAS

Autora:

Heloisa Fonseca – Universidade Estadual Paulista – heloisafonseca25@gmail.com

 

Resumo:

As unidades lexicais são passíveis de mudança, sejam elas mórficas ou semânticas, no que se refere às unidades fraseológicas tal premissa também se aplica e pode acontecer de diferentes maneiras. Nesse contexto, e de acordo com o princípio da cristalização fraseológica, os fraseologismos tendem a ocorrer em uma construção predeterminada e lexicalizada, no entanto, algumas pequenas alterações podem ser observadas, o que é denominado de variação. A variação fraseológica é o fenômeno que possibilita uma variação de forma que não interfere ou influi no significado da unidade fraseológica, como em “pegar o boi pelos chiches”, “agarrar o boi pelos chifres”. Em alguns casos, no entanto, a mudança é intencional como em “pagar um mico” e “pagar um king kong”, onde esta última não pode ser vista como uma unidade fraseológia, mas como uma paródia, pois para sua compreensão evoca a imagem daquela. Entretanto, há outro tipo de alteração que afeta a carga semântica das unidades fraseológicas sem a mudança estrutural, este tipo de mudança ainda é pouco estudado pela fraseologia brasileira. Por isso, analisamos contextos retirados da web sobre as unidades “onde come um come dois”, “é dando que se recebe” e “caiu na rede é peixe”, o objetivo é determinar, pela análise dos contextos, as mudanças de sentido e as implicações dessa mudança no discurso e observar se este fenômeno está somente relacionado às intenções comunicativas ou se altera alguma categoria dos fraseologismos. A hipótese é a de que a mudança de sentido da unidade fraseológica está relacionada ao sentido restrito de uma das suas unidades componentes.

Palavras-chave: Fraseologia, variação semântica, variação fraseológica, discurso.

 

Minibiografia:

Mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Estadual Paulista (2013), doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da mesma universidade. Desenvolve trabalhos na área de Estudos Linguísticos descrevendo unidades fraseológicas. Atualmente desenvolve pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP, para coleta e organização de fraseologismos zoônimos no BD-FraZoo, banco de dados português – francês.


Comunicação 9

EXTRAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO LÉXICO ESPECIALIZADO DA CULINÁRIA NUMA PERSPECTIVA VARIACIONISTA

Autora:

Meire de Souza Lara – UFJF – meire.s.lara@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, apresentar-se-á o processo de coleta e armazenamento do léxico

especializado da Culinária feito através da análise e exploração de dois corpora

comparáveis, constituídos criteriosamente de textos dessa área de especialidade, sendo um do Português Brasileiro (PB) e outro do Português Europeu (PE). O objetivo é descrever os caminhos percorridos desde o levantamento de candidatos a termos, da extração das unidades fraseoterminológicas (UFT) do PB e suas respectivas variantes em PE, até sua organização num dicionário contrastivo. Para isso, baseou-se nos pressupostos teóricos da Teoria Comunicativa da Terminologia (CABRÈ, 1999) – de perspectiva comunicativa – e da Socioterminologia (GAUDIN, 1993; FAULSTICH, 1993, 1997, 200) – de perspectiva sociolinguística. A primeira enfatiza a dimensão textual e discursiva dos termos, reconhece a possibilidade de variação dos conceitos e das denominações nas áreas especializadas e considera que as unidades fraseológicas transmitem conhecimento especializado. A segunda, além de considerar que a fraseologia também está submetida à variação, prioriza o uso dos termos e abstrai as definições formais em benefício das descrições mais versáteis do significado. Dentro do universo de pares de termos contrastivos que se configurou, foi possível identificar e compilar UFT do PB e suas respectivas variantes em PE, o que permitiu estabelecer também a correspondência de UFT das duas variedades linguísticas. Dessa forma, foram feitos o registro e a organização de termos e UFT variantes, entre PB e PE, num dicionário contrastivo de Culinária capaz de prestar de facilitador da comunicação entre especialistas e aprendizes dessa área que atuam nos dois países.

Palavras-chave: Léxico da Culinária, Variação terminológica, Variação diatópica, Português Brasileiro, Português Europeu.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística: Terminologia, Lexicologia e Lexicografia pela Universidade Nova de Lisboa, em cotutela com a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Possui Mestrado em Linguística Geral pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Atualmente é bolsista de Pós-Doutoramento CAPES-PNPD em Linguística, na linha de Linguística Cognitiva, na UFJF, onde integra o grupo de pesquisa FrameNet Brasil e ministra as disciplinas Práticas de Gêneros Acadêmicos e Oficina de Terminologia.


Comunicação 10

O CONCEITO DE ‘CIGANO’: O LÉXICO E OS ASPECTOS CULTURAIS

Autores:

Rafael Veloso Mendes – Universidade de Brasília – rafaelveloso.m@hotmail.com

Michelle Vilarinho – Universidade de Brasília – michelleprofessora@gmail.com

 

Resumo:

O tema desta pesquisa se insere no bojo do projeto “Aplicação dos percursos

metodológicos da Lexicologia, Lexicografia, Terminologia e da Terminografia para sistematização de lexemas e de termos”, coordenado pela Profa Michelle Vilarinho, no âmbito da linha de pesquisa Léxico e Terminologia do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Brasília (UnB). O objeto de estudo é o conceito do lexema cigano. Entendemos por conceito a representação mental do referente, conforme Vilarinho (2013, p. 76). A motivação para a realização desta pesquisa se deu mediante a polêmica que surgiu quando o Ministério Público Federal protocolou ação judicial contra a Editora Objetiva e o Instituto Antônio Houaiss em razão da forma em que o

verbete cigano foi registrado no Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa – DEHLP – (2009). O objetivo da pesquisa é o verbete cigano para o Dicionário Informatizado Analógico de Língua Portuguesa (DIALP) que está em fase de elaboração. Empregamos o método descritivo-comparativo, de modo que os percursos metodológicos usados foram: i) comparação do verbete do lexema em análise nas obras DEHLP, Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (2010) e no Dicionário On-line Aulete Digital; ii) participação do evento “Seminário sobre Direitos Humanos e Povos Ciganos no Distrito Federal”, no qual foi possível compreender o conceito do lexema; iii) preenchimento de ficha lexicográfica da proposta metodológica para elaboração de léxicos, dicionários e glossários de Faulstich (2001) para elaboração do verbete. Como resultado, o verbete foi elaborado, de modo que as definições representam o conceito atual do povo cigano. Com a pesquisa, identificamos que o léxico representa aspectos culturais, uma vez que a descrição do significado revela o modo como a sociedade interpreta os seres e objetos do mundo.

Palavras-chave: Léxico. Cultura. Verbete cigano.

 

Bibliografia

BORBA, F. da S. et al. Organização de dicionários: uma introdução à Lexicografia. São Paulo: Unesp, 2003.

DICIONÁRIO ON-LINE AULETE DIGITAL. Disponível em: <http://

www.aulete.com.br>. Acesso em: 08 de mar. 2016.

FERREIRA, A. B. de H. Novo dicionário Aurélio. 7. ed. Versão 7.0. Dicionário

eletrônico. Curitiba: Positivo, 2010. 1 CD-ROM.

 

Minibiografias:

Rafael Veloso Mendes: Graduando em Letras – Português e suas Respectivas Literaturas na Universidade de Brasília (UnB). Técnico em Mineração pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG), 2013.

Michelle Vilarinho: Doutora e mestre em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB); licenciada em Letras Português do Brasil como Segunda Língua pela UnB; professora adjunta 2 do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas da UnB; pesquisadora do Centro de Estudos Lexicais e Terminológicos (Centro LexTerm) da UnB e coordenadora de tutoria do curso de Letras EaD da UnB. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa, Linguística, Lexicologia, Lexicografia e Terminologia.


Comunicação 11

MÍNIMO PAREMIOLÓGICO DO PORTUGUÊS EUROPEU: ASPECTOS FORMAIS, SEMÂNTICOS E PRAGMÁTICOS

Autor:

José Antonio Sabio Pinilla – Universidade de Granada (Espanha) – jasabio@ugr.es

 

Resumo:

O Mínimo Paremiológico do Português enquadra-se num projeto global de pesquisa sobre paremiologia multilingue apoiado pelo Instituto Cervantes e coordenado pelas professoras Julia Sevilla Muñoz e María Teresa Zurdo Ruiz-Ayúcar da Universidade Complutense de Madrid. Os pesquisadores responsáveis pelo Mínimo Paremiológico do Português são Ana María Díaz Ferrero e José Antonio Sabio Pinilla, professores da Universidade de Granada (Espanha). O objetivo geral deste projeto é elaborar o mínimo paremiológico da lusofonia, isto é, o conjunto de parêmias usadas ou reconhecidas atualmente pelos falantes nativos dos países que têm o português como língua oficial. De origem grega, os termos “parêmia” e “paremiologia” são os mais empregados nos dias atuais pelos especialistas para se referirem, respectivamente, ao enunciado sentencioso, sagrado pelo uso, e à disciplina que trata do estudo e da classificação dessas unidades. Conforme assinalam Sevilla Muñoz e Crida Álvarez (2013, p. 106), parêmia é “una unidad fraseológica (UF) constituida por un enunciado breve y sentencioso, que corresponde a una oración simple o compuesta, que se ha fijado en el habla y que forma parte del acervo socio-cultural de una comunidad hablante”. Assim, a parêmia pode ser considerada um arquilexema que abrange diversos tipos de unidades ou enunciados sentenciosos (SEVILLA MUÑOZ, 1988, p. 218). O Mínimo do Português Europeu (Portugal continental e insular) já foi elaborado e será publicado na série «Mínimo Paremiológico» da Biblioteca paremiológica y fraseológica, disponível no site do Centro Virtual Cervantes, junto com outros estudos sobre o Mínimo paremiológico do espanhol e outras línguas. Nesta comunicação iremos tratar os aspetos formais, semânticos e pragmáticos das parêmias que constituem o mínimo de Portugal.

 

Referências bibliográficas:

SEVILLA MUÑOZ, Julia. Hacia una aproximación conceptual de las paremias francesas y españolas. Madrid: Editorial Complutense, 1988.

SEVILLA MUÑOZ, Julia e CRIDA ÁLVAREZ, Carlos Alberto. Las paremias y su clasificación. Paremia. 22, 2013, p. 105-114.

 

Palavras-chave: Paremiologia, mínimo da língua portuguesa, Portugal, análise formal, semântica e pragmática.

 

Minibiografia:

José Antonio Sabio Pinilla é Professor Titular da Universidade de Granada (Espanha). Licenciado em Filologia Hispânica (1980) e Doutor em Filologia Românica pela Universidade de Granada (1988), com a tese de doutoramento La crítica a Os Lusíadas en Portugal (1572-1987). Suas áreas de pesquisa são: língua e literatura portuguesa, tradução português-espanhol, teoria e história da tradução, paremiologia da língua portuguesa.


Comunicação 12

“ASPECTOS DIATÓPICOS NA RECRIAÇÃO INTERTEXTUAL DA ILÍADA, REALIZADA POR LUCIANO DE CRESCENZO E SUA TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS EM HELENA, HELENA, MEU AMOR”

Autora:

Maria Celeste Tommasello Ramos – UNESP – Câmpus de São José do Rio Preto – SP – Brasil – mceleste@ibilce.unesp.br / celeste_ibilce@hotmail.com

 

Resumo:

Na presente pesquisa, busca-se verificar os sentidos intrínsecos que evidenciados por conteúdos ligados à Mitologia greco-romana e expressos na Literatura Italiana por meio de registros diatópicos de expressões relacionadas às línguas italiana e portuguesa a partir do estudo do corpus constituído pelo romance Elena, Elena, amore mio, escrito pelo italiano Luciano De Crescenzo (Nápoles, 1928), publicado em 1991, e por sua tradução intitulada Helena, Helena, meu amor, publicada em 1994, no Brasil. Retomando a trama mitológica da obra homérica intitulada Ilíada, De Crescenzo recontou sequências narrativas (histórias mitológicas) que revisitam as de Homero numa moldura narrativa nova que acrescenta à trama as personagens Leonte e Ekto, sua amada, comparada à Helena pela beleza e o fascínio que nele desperta. Na pesquisa, são levadas em conta as considerações de Biderman (1998) a respeito do nome e a essência do ser para refletir a respeito de expressões especificamente ligadas à caracterização das personagens Helena, Ekto e Leonte e verificar, no âmbito interdisciplinar, uma vez que se busca congregar a reflexão analítica entre as áreas de tradução italiano-português, enfocando questões a respeito do léxico da Língua Portuguesa mais especificamente, mergulhados num contexto literário e histórico, pela perspectiva da análise do discurso. Além disso, também são enfocadas as considerações de Pompeu, Araújo e Monteiro-Plantin (2013) a respeito de exemplos extraídos da tradição literária homérica, visto que o texto-fonte para a criação intertextual de De Crescenzo foi a Ilíada, no âmbito de reflexões gerais manifestas tanto no romance decrescenziano quanto em sua tradução para o português de provérbios, máximas e sentenças de conteúdo genérico sobre a vida em sociedade que fazem parte da língua como prescrições de conduta humana e regras de convivência entre as pessoas vivendo em sociedade, ou seja, como tais unidades fraseológicas de uso corrente na Antiguidade foram aproveitadas por Luciano De Crescenzo ao reescrever a Ilíada para o leitor do final do século XX e como foram traduzidas para o português conservando ou não características intrínsecas.

Palavras-chave: Aspectos diatópicos, Luciano De Crescenzo, Helena Helena meu amor, Intertextualidade, Mitologia.

 

Minibiografia:

Maria Celeste Tommasello Ramos é Docente da UNESP de São José do Rio Preto – SP – Brasil desde 1994; é Livre-Docente em Literatura Italiana e atua como docente e orientadora nos cursos de Graduação de Licenciatura em Letras (Hab. em Português/Italiano) e Bacharelado em Letras com Habilitação de Tradutor assim como no Programa de Pós-Graduação em Letras. Já orientou mais de uma centena de Iniciações Científicas, dezenas de Mestrados e Doutorados, organizou livros, publicou dezenas de capítulos de livros e artigos nas áreas de Estudos Literários, Literatura Comparada e Literatura Brasileira.


Comunicação 13

DICIONÁRIO DE VOCÁBULOS TRIVIAIS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO: projeto em andamento

Autoras:

Maria Cristina Parreira – UNESP – cristinaparreira@sjrp.unesp.br

Rosimar de Fátima Schinelo – FATEC – rosimar@fateccatanduva.edu.br

 

Resumo:

Considerando que o lugar ideal para registro do léxico é o dicionário, o projeto de pesquisa, iniciado em 2016, busca reunir e pesquisar ‘vocábulos não convencionais’ (VNC) do Português do Brasil (PB), termo que foi inspirado na obra de Cellard e Rey (1991), o Dictionnaire du français non conventionnel (Dicionário do Francês não convencional, tradução nossa). Observados sob uma ótica normativa, os VNC representam uma categoria de frases e/ou vocábulos que seriam excluídos do uso, desvalorizados e/ou marginalizados, frequentemente estigmatizados na norma culta e formal ou usados para enfatizar a expressividade.  Por outro lado, esse objeto também pode ser analisado, na perspectiva linguística, como léxico informal, lexia de marcação predominantemente diafásica. São exemplos de VNC lexias e/ou expressões de uso corrente na língua, principalmente na oralidade, como acabrunhar, badulaque, dondoca, fuzuê, gambiarra, gororoba, lorota, marafunda, piripaque, trambolho. A constituição de um corpus de vocábulos dessa natureza e o desenvolvimento do projeto passam por vários desafios, entre eles: a) definir os critérios para seleção do corpus; b) delimitar fontes de pesquisa dos exemplos de uso; c) criar banco de dados para armazenamento; d) buscar soluções teórico-metodológicas que atendam às especificidades do tipo de obra sugerido; e) concatenar equipe interinstitucional e multidisciplinar. O resultado deste projeto será a elaboração de um Dicionário de VNC do PB, com caráter sincrônico, sem desconsiderar o diacrônico, que contribuirá por reunir estudos sobre uma parte da língua que não raro é excluída dos grandes compêndios acadêmicos ou apontada como “desvio de português”. O dicionário especial proposto inova ao reunir em sua microestrutura informações léxico-semânticas e histórico-discursivas, tendo como público-alvo pesquisadores, professores e todo tipo de usuários curiosos em descobrir mais sobre seu idioma e ratificar a existência desses vocábulos passando, assim, a se sentirem contemplados como falantes e agentes de sua própria língua.

Palavras-chave: Léxico informal; Dicionário especial; Português Brasileiro; classificação léxico-semântica; Categorias léxico-discursivas.

 

Minibiografias:

Maria Cristina Parreira – Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP (FCL-Ar, 19/09/2002). Docente da UNESP de S.J.do Rio Preto desde 2003. Pesquisadora na área de Linguística, com ênfase em Lexicologia e Lexicografia, lexicografia pedagógica, Língua Francesa, Português do Brasil, fraseologia, léxico, cultura e ensino. Líder do Grupo Acadêmico Multidisciplinar: Pesquisa Linguística e Ensino – GAMPLE. (https://goo.gl/xCpxCO).  CV:   http://lattes.cnpq.br/2404604521445065.

Rosimar de Fátima Schinelo – Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP (FCL-Ar, 2005). Docente de 1994 até o ano 2000 na Universidade Federal de Uberlândia.  Professora, desde 2008 na FATEC Catanduva onde, atualmente, é diretora.  Pesquisadora na área de Linguística, com ênfase   em Análise do Discurso, Português do Brasil, Oralidade e Escrita e Língua, Comunicação e Ensino. É vice-líder do Grupo Acadêmico Multidisciplinar: Pesquisa Linguística e Ensino – GAMPLE. CV:  http://lattes.cnpq.br/4231252949609226.


Comunicação 14

Estudo sobre o léxico informal: proposta e desafios

Autora:

Maria Cristina Parreira – UNESP – cristinaparreira@sjrp.unesp.br

 

Resumo:

Estudos teóricos sobre língua e linguagem possibilitam afirmar que entre os níveis linguísticos, o lexical é ainda um universo dos mais complexos para se analisar devido a seus “limites imprecisos e indefinidos” (BIDERMAN, 2001, p. 179). Decorrente disso, é complexa a tarefa atribuída ao dicionário, que, embora tenha predominantemente a função prescritiva, pode também desempenhar a função descritiva da língua, por meio da qual o lexicógrafo trata dos usos de diferentes registros. Nesse contexto, a percepção de uma categoria especial de unidades lexicais, usadas sempre em contexto informal por falantes de diferentes níveis e que perdura na língua por décadas, deu origem à proposta de verificação descritiva, sincrônica, de uma seleção de lexias de marcação diafásica (LMD). Essa categoria será registrada em uma obra especial, o Dicionário de Vocábulos Triviais (DVT) do Português do Brasil (PB), que facultará um conhecimento mais aprofundado não só do contexto linguístico como também do social, histórico e cultural dessas unidades.  Esta comunicação discute a proposta de estudo do léxico informal, que se manifesta de maneira predominante na modalidade oral, mas também na escrita e revela alguns desafios. Inicialmente é preciso estabelecer critérios bem definidos para distinguir o próprio objeto de análise e, para constituir um corpus de LMD, não basta consultar os corpora existentes, dado que a maioria não considera a linguagem oral e escrita informal. A Web passa a ser, nesse sentido, um corpus imprescindível para o trabalho, uma fonte profícua de coleta de LMD, pois segundo Killgarrif e Grefenstete (2001), engloba uma enorme quantidade de textos em diferentes perspectivas. Assim, analisar a constituição do léxico informal do PB em múltiplos contextos implica em examinar sua classificação léxico-semântica, como por exemplo em: acabrunhar (latinismo); pindaíba (indigenismo); cafuné (africanismo); estropício (italianismo); (dar um) boléu (espanholismo); fricote (galicismo); cricri, sirigaita, supimpa (formação interna, origens imprecisas).

Palavras-chave: Léxico informal; Dicionário especial; Português Brasileiro; Classificação léxico-semântica, Web como Corpus.

 

Minibiografia:

Maria Cristina Parreira – Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP (FCL-Ar, 19/09/2002). Docente da UNESP de S.J.do Rio Preto desde 2003. Pesquisadora na área de Linguística, com ênfase em Lexicologia e Lexicografia, lexicografia pedagógica, Língua Francesa, Português do Brasil, fraseologia, léxico, cultura e ensino. Líder do Grupo Acadêmico Multidisciplinar: Pesquisa Linguística e Ensino – GAMPLE. (https://goo.gl/xCpxCO).

CV:   http://lattes.cnpq.br/2404604521445065


Comunicação 15

CATEGORIZAÇÃO DISCURSIVA – PROPOSTA PARA UM DICIONÁRIO NÃO CONVENCIONAL

 

Autora:

Rosimar de Fátima Schinelo – FATEC – rosimar@fateccatanduva.edu.br

 

Resumo:

No decorrer dos estudos linguísticos várias vertentes teóricas foram sendo construídas e constituídas a partir de olhares mais específicos no interior da própria Língua Portuguesa e, em momentos mais recentes, tornou-se possível considerar a inserção de outros estudos teóricos no arcabouço linguístico.  Nessa perspectiva, fez-se mais peculiar o diálogo entre áreas do conhecimento e é por este caminho que se chegou à proposta de um Dicionário de Vocábulos Triviais (DVT) do Português do Brasil (PB), em que o projeto lexicográfico inclui a abordagem de questões léxico-discursivas. A relação entre léxico e discurso tem sido tratada, em diferentes perspectivas por vários autores. Orlandi (2000, p.97) afirma que “A lexicografia discursiva vê, nos dicionários, discursos”. Nesse sentido, é possível afirmar que a obra proposta abriga discursos intrínsecos e que, sob nosso olhar, trará, também, questões léxico-discursivas que: a) a partir do estudo da origem do vocábulo apontará diversos percursos de sentidos; b) apresentará uma parte teórica evidenciando que sob a pele de um vocábulo há muitos discursos: c) sugerirá uma categorização discursiva para os vocábulos (CAD).  O público desta comunicação terá a oportunidade de conhecer a proposta de organização dos vocábulos informais do PB com discursos evidenciados em determinadas épocas da história do país e que foram se ressignificando na amálgama constituída pelo tempo, cultura e história.  São chamados de informais os vocábulos com recorrências não marcadas em situações formais de uso. O percurso léxico-discursivo difere de outras propostas de análise por distinguir-se do “puramente linguístico” e considerar aspectos sociais, históricos e culturais.  Na comunicação serão apresentadas algumas categorias discursivas para exemplificar como está sendo articulado o dicionário. CAD rural/ urbano: campear, matuta; CAD tecnológica: destrambelhado, desengonçado; CAD mítico/religiosa: zoró, atarantado; CAD moda/comportamento: inhaca, sirigaita, são exemplos dessas categorias.

Palavras-chave: Categorias léxico-discursivas; percurso discursivo; léxico e sentido; pesquisa, discurso e ensino.

 

Minibiografia:

Rosimar de Fátima Schinelo – Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP (FCL-Ar, 2005). Docente de 1994 até o ano 2000 na Universidade Federal de Uberlândia.  Professora, desde 2008 na FATEC Catanduva onde, atualmente, é diretora.  Pesquisadora na área de Linguística, com ênfase   em Análise do Discurso, Português do Brasil, Oralidade e Escrita e Língua, Comunicação e Ensino. É vice-líder do Grupo Acadêmico Multidisciplinar: Pesquisa Linguística e Ensino – GAMPLE. CV:  http://lattes.cnpq.br/4231252949609226