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Simpósio 53

SIMPÓSIO 53 – GRAMÁTICA COMUNICATIVA DA LÍNGUA PORTUGUESA

 

Coordenadores:

Liliane Santos | Univ. Lille, CNRS, UMR 8163 – STL – Savoirs Textes Langage, F‑59000 Lille, France | liliane.santos@univ-lille3.fr

Thomas Johnen | Westsächsische Hochschule Zwickau, Alemanha | Thomas.Johnen@fh-zwickau.de

 

Resumo:

O Quadro Europeu Comum de Referência ratificou, desde há muito, a passagem do foco do ensino-aprendizagem de línguas de uma competência centrada nas formas linguísticas para uma competência centrada na habilidade a se comunicar. Porém, mesmo se nas últimas décadas as descrições e os estudos sobre o Português Língua Estrangeira e Língua Segunda têm influenciado a elaboração dos materiais didáticos, ainda há muito o que fazer para alcançar a mudança de foco acima referida. Por esta razão, acreditamos ser desejável – e urgente – a elaboração de uma gramática de base comunicativa para a língua portuguesa. Tendo em mente essas observações, o objetivo deste simpósio é fazer avançar a reflexão sobre as questões relativas à abordagem e à concepção comunicativa da gramática. Deste modo, serão bem vindas contribuições que tratem de:

  1. questões teóricas pertinentes para a elaboração de uma gramática comunicativa do Português;
  2. descrições linguísticas dos elementos a levar em conta na elaboração de uma gramática do Português Língua Estrangeira e/ou Língua Segunda, de acordo com os princípios da gramática comunicativa;
  3. estudos contrastivos Português-outras línguas, que visem à construção de gramáticas comunicativas numa perspectiva contrastiva; e
  4. a utilização da abordagem comunicativa em aula de Português Língua Estrangeira e/ou Língua Segunda.

Assim, discussões teóricas sobre as questões envolvidas na elaboração de uma tal gramática, a apresentação de projetos de pesquisa, aplicada ou básica, em curso ou concluídos, bem como a apresentação de estudos quantitativos e qualitativos e relatos de experiência, são algumas das formas que poderão tomar os trabalhos que serão propostos.

Palavras-chave: Competência Comunicativa, Teoria Gramatical, Português Língua Não Materna.

 

Minibiografias:

Liliane Santos: Graduada em Letras e em Linguística pela Unicamp (Brasil), Mestre em Linguística pela Unicamp e em Ciências da Linguagem pela Universidade de Nancy 2 (França). Em 1996, obteve Doutorado em Ciências da Linguagem pela Universidade de Nancy (França), onde trabalhou de 1996 a 1997. De 1998 a 2001, foi Professora do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da USP e, desde 2001, é Maître de Conférences na Universidade de Lille 3 (França).

Thomas Johnen: Em 2001, obteve o grau de Doutor em Linguística Românica/ Português pela Universidade de Rostock (Alemanha). De 2005 a 2008 foi, entre outros, Professor Visitante de Alemão na Unicamp (Brasil) e, de 2009 a 2015, Professor Catedrático de Português na Universidade de Estocolmo (Suécia). Desde setembro de 2014 é Professor Catedrático de Línguas Românicas na Universidade Westsächsische Hochschule Zwickau (Alemanha).

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

O Avanço das Novas Tecnologias Educacionais e o Ensino de Língua Portuguesa

Autores:

Edilani Ribeiro de Oliveira – Universidade Federal do Amazonas – edilanioliveiras@hotmail.com

Jorge Luis de Freitas Lima – Universidade Federal do Amazonas – silog5@hotmail.com

 

Resumo:

As relações entre os indivíduos, assim como o próprio ser humano, nunca foram tão valorizados como neste século. O modo como as tecnologias da informação e comunicação aproximam as pessoas é surpreendente. Logo, em meio a tantas formas de linguagens, códigos e tecnologias propiciadas pelas TIC’s, este trabalho tem por objetivo verificar de que maneira o professor de Língua Portuguesa se insere no contexto de uso das novas tecnologias da informação e comunicação no ambiente escolar em escolas públicas do município de Benjamin Constant (AM). Para isso, foram realizadas pesquisas bibliográficas (como Delors (2005); Guevara & Rosini (2010); Kenway (2008), além de documentos oficiais que regem a educação no Brasil), que ajudaram na fundamentação teórica desta pesquisa. Através dessas leituras, foi possível perceber que as pessoas se comunicam de maneira rotineira e tendem a se informar sobre o que acontece em seu meio social e no mundo. Contudo, há uma grande preocupação com a escola, com o ensino e, principalmente, com o modo como os professores recebem informações e se atualizam quanto ao ensino coma ajuda do aparato das tecnologias. A parte prática desta pesquisa foi realizada, inicialmente, por uma observação sistemática, que foi finalizada com uma entrevista direta com os professores participantes. As tecnologias da informação e da comunicação surgiram para aproximar as relações entre as pessoas em sociedade e diversificar a sociedade escolar. Diante disso, e por meio desta pesquisa, verificou-se que o professor de Língua Portuguesa e os professores que atuam no ensino midiático pouco compreendem o objetivo das TIC’s como ferramentas no ensino-aprendizagem. Deste modo, conclui-se que o professor até se insere no contexto das tecnologias voltadas para a educação; contudo, apresenta dificuldades no tratamento na educação por falta de apoio dos órgãos que administram a rede de ensino.

Palavras-chave: Ensino; Tecnologias da Informação e Comunicação; Educação.

 

Minibiografias:

Edilani Ribeiro de Oliveira é Licenciada em Letras Língua e Literatura Portuguesa e Língua e Literatura Espanhola, pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Atualmente, é supervisora do Programa de Iniciação à Docência da UFAM e professora visitante no Departamento de Educação Escolar Indígena da mesma universidade.

Jorge Luis de Freitas Lima é mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Possui graduação em Direito pela Universidade Federal de Rondônia (1999), em Letras pela Universidade Federal de Rondônia (1993) e é especialista em Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Inglesa. É docente do Instituto de Natureza e Cultura (INC), da UFAM. É pesquisador em Linguística Aplicada e Processos Comunicativos em Regiões de Fronteira, com ênfase na região amazônica.


Comunicação 2

Elaboração de Materiais Didáticos para o Ensino de Português Língua Não Materna numa Perspectiva Comunicativa: Uma Proposta

 

Autores:

Joana Cunha – Univ. Lille, CNRS, UMR 8163, STL – Savoirs Textes Langage, F‑59000 Lille, France – joana_ccunha@hotmail.com

Liliane Santos – Univ. Lille, CNRS, UMR 8163, STL – Savoirs Textes Langage, F‑59000 Lille, France – liliane.santos@univ-lille3.fr

 

Resumo:

Apresentaremos, neste trabalho, uma proposta de criação de uma sequência didática em Português Língua Não-Materna com base nos princípios da abordagem metodológica conhecida como task-based learning (aprendizagem baseada em tarefas; ver Ellis, 2003; Van den Branden, 2016): trata-se de um material que já foi testado com alunos universitários de nível A2 do QECRL (ver Alves, 2001). Nossa proposta consiste em trabalhar as cinco competências comunicativas fundamentais do QECRL – compreensão oral, compreensão escrita, expressão oral, expressão escrita, interação – a partir de tarefas comunicativas (abordagem também conhecida como learning by doing (“aprender fazendo”; ver Long, Adams, McLean & Castaños, 1976). Cada sequência é construída em torno de um mesmo tema, que se desenvolve em três eixos: (a) apresentação do léxico ligado ao tema, (b) atividades de compreensão, de produção e de interação, oral e escrita, individuais e em grupo, e (c) avaliação das atividades. O componente gramatical é trabalhado ao longo de toda a sequência, de maneira preferencialmente implícita, sendo explicitado em momentos precisos ou para responder à necessidade dos alunos. Como exemplo, apresentaremos uma sequência sobre o tema “situar-se no espaço”.

Palavras-chave: Português Língua Não-Materna; Task-based learning; Competência comunicativa.

 

Referências:

ALVES, J. M. (2001) (dir.) Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas – Aprendizagem, ensino, avaliação. Lisboa: Conselho da Europa/Edições Asa.

ELLIS, R. (2003) Task-based learning and teaching. Oxford: Oxford University Press.

LONG, M. H., ADAMS, L., MCLEAN, M. & CASTAÑOS, F. (1976). Doing things with words – verbal interaction in lockstep and small group classroom situations. In FANSELOW, J. & CRYMES, R. (eds.) On TESOL ’76. Washington, D.C.: TESOL, pp. 137-153.

VAN DEN BRANDEN, K. (2016) Task-based Language Teaching. In HALL, G. (ed.) The Routledge Handbook of English Language Teaching. New York: Routledge, pp. 238-251.

 

Minibiografias:

Joana Cunha é licenciada em Ensino Básico 1ºCiclo pelo Instituto Politécnico de Viana do  Castelo  (Portugal, 2008). Em  2016, obteve o grau de Mestre em Estudos Lusófonos pela Universidade de Lille 3 (França), onde se encontra a trabalhar desde 2015. Atualmente, é doutoranda desta mesma instituição, onde passou a exercer o cargo de leitora do Instituto Camões. A sua investigação tem como principais áreas de interesse o ensino de PLE e a tradução como estratégia de ensino e aprendizagem.

Liliane Santos é graduada em Letras (1986) e em Linguística (1989) pela Unicamp (Brasil), Mestre em Linguística pela Unicamp (1991) e em Ciências da Linguagem pela Universidade de Nancy 2 (França, 1992). Em 1996, obteve o Doutorado em Ciências da Linguagem pela Universidade de Nancy (França), onde trabalhou de 1996 a 1997. De 1998 a 2001, foi Professora do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da USP e, desde 2001, é Maître de Conférences da Universidade de Lille (França).


Comunicação 3

O Ato de Fala “Alocução” Numa Gramática Comunicativa da Língua Portuguesa

Autor:

Thomas Johnen – Westsächsische Hochschule Zwickau – Alemanha – Thomas.Johnen@fh-zwickau.de

 

Resumo:

Enquanto as gramáticas tradicionais, em última análise, são gramáticas da frase, para uma abordagem comunicativa da gramática convém partir da unidade textual mínima que é o ato de fala (cf. Engel, 1991; Johnen, 2012). Ora, no caso da alocução trata-se de um ato de fala que tipicamente não é realizado por meio de frases completas. Além disso, não foi considerado na tipologia de Searle (1979) que serve até hoje como base para muitas tipologias de atos de fala também na área da linguística. Por isso, não é de admirar que a alocução até hoje tenha recebido pouca atenção, apesar do fato que já foi considerada em tipologias linguísticas de atos de fala dos anos 70 (cf. p. ex. Wunderlich, 1976).

O objetivo desta comunicação é propor uma definição e descrição do ato de fala de alocução para uma gramática comunicativa do Português, bem como das suas funções principais na interação. Além disso, trataremos do papel da alocução na sequência com outros atos de fala.

Palavras-chave: Gramática Comunicativa; Atos de Fala; Atos de Fala Delimitadores de Contato; Ato de Fala de Alocução; Português Língua Estrangeira.

 

Referências:

ENGEL, Ulrich (1991). Deutsche Grammatik. 2ª ed. Heidelberg: Groos.

JOHNEN, Thomas (2012). Os atos de fala numa gramática comunicativa do português, in: SILVA, Roberval Texeira e; YAN, Qiarong; ESPADINHA, Maria Antónia; LEAL, Ana Varani (Orgs.): Anais do III SIMELP: A formação de Novas Gerações de Falantes de Português no Mundo, simpósio 14: Gramática comunicativa da língua portuguesa [CD-ROM]. Macau: Universidade de Macau, p. 37-50.

SEARLE, John (1979). Expression and meaning: studies in the theory of speech acts. Cambridge: Cambridge University Press.

WUNDERLICH, Dieter (1976). Studien zur Sprechakttheorie. Frankfurt am Main: Suhrkamp.

 

Minibiografia:

Thomas Johnen obteve, em 2001, o grau de Doutor em Linguística Românica/ Português pela Universidade de Rostock (Alemanha). De 2005 a 2008 foi, entre outros, Professor Visitante de Alemão na Unicamp (Brasil) e, de 2009 a 2015, Professor Catedrático de Português na Universidade de Estocolmo (Suécia). Desde setembro de 2014 é Professor Catedrático de Línguas Românicas na Universidade Westsächsische Hochschule Zwickau (Alemanha).


Comunicação 4

Respostas Negativas Indiretas: Foco no Locutor

Autora:

Liliane Santos – Univ. Lille, CNRS, UMR 8163 – STL – Savoirs Textes Langage, F‑59000 Lille, France – liliane.santos@univ-lille3.fr

 

Resumo:

Em trabalho anterior (Santos, 2015), apresentamos uma taxonomia inicial das diferentes estratégias linguísticas utilizadas para cumprir o ato de fala de recusa, considerando-o como um ato de fala complexo (Murphy & Neu, 1996; Scollon & Scollon, 2001; Tanck, 2004). Como indicamos naquela altura, desenvolvemos uma descrição a partir do exame do papel das realizações da recusa enquanto estratégias (i) de evitamento de uma resposta socialmente reprovada (um “não” puro e simples) e (ii) que revelam o trabalho (ou o desejo) de preservação da imagem pública dos locutores. A partir do cruzamento das quatro dimensões fundamentais que identificamos – realização direta ou indireta, com foco no locutor ou no interlocutor – chegamos ao estabelecimento de doze estratégias. Com os mesmos pressupostos teóricos, focalizaremos nossa atenção, neste trabalho, nas estratégias indiretas com foco no locutor.

Palavras-chave: Recusar; Estratégias Linguísticas; Ato de Fala Complexo; Evento Comunicativo; Locutor; Interlocutor.

 

Referências:

MURPHY, B. & NEU, J. (1996) My Grade’s Too Low: The Speech Act Set of Complaining. In: GASS, S. M. & NEU, J. (eds.) Speech acts across cultures: Challenges to communication in a second language. Berlim: Mouton de Gruyter, pp. 191-216.

SCOLLON, R. & SCOLLON, S. W. (2001) Intercultural Communication: A Discourse Approach. Oxford (UK): Blackwell Publishers.

SANTOS, L. (2015) Respostas negativas no Português do Brasil. Comunicação apresentada no V Simelp. Lecce (Itália): Universidade de Lecce, 8-11 de outubro.

TANCK, S. (2004) Speech act sets of refusal and complaint: A comparison of native and non-native English speakers’ production. TESOL Working Papers, 4 (2), pp. 1-22.

 

Minibiografia:

Liliane Santos é graduada em Letras (1986) e em Linguística (1989) pela Unicamp (Brasil), Mestre em Linguística pela Unicamp (1991) e em Ciências da Linguagem pela Universidade de Nancy 2 (França, 1992). Em 1996, obteve o Doutorado em Ciências da Linguagem pela Universidade de Nancy (França), onde trabalhou de 1996 a 1997. De 1998 a 2001, foi Professora do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da USP e, desde 2001, é Maître de Conférences da Universidade de Lille (França).