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Simpósio 51

SIMPÓSIO 51 – INVESTIGAÇÕES SOBRE A GRAMÁTICA DAS LÍNGUAS NATURAIS NA PERSPECTIVA DOS ESTUDOS LINGUÍSTICOS FORMALISTAS

 

Coordenadores:

Heloisa Lima-Salles | Universidade de Brasília | heloisasalles@gmail.com

Eloisa Silva Pilati | Universidade de Brasília | eloisapilati@gmail.com

Marina Augusto | Universidade Estadual do Rio de Janeiro | mraaugusto@gmail.com

 

Resumo:

Neste Simpósio, propomos reunir estudos que investiguem a gramática das línguas naturais sob a perspectiva dos estudos linguísticos formalistas. O estudo formal de tais questões tem como referência o pressuposto, formulado originalmente por Noam Chomsky, de que a aquisição de língua é determinada pelo aparato da gramática universal (GU), um estado mental inato, que, no contato com o input linguístico, propicia o desenvolvimento de sucessivos estados mentais até que a gramática madura de uma língua particular seja alcançada (supostamente um estado mental estável).  Dessa abordagem, extraem-se questões relevantes para o entendimento das propriedades do conhecimento gramatical, bem como para a formulação de hipóteses em relação às condições que propiciam a variação e a mudança linguística.

Em particular, daremos ênfase a pesquisas sobre a natureza das propriedades dos sistemas gramaticais e sua manifestação variável nas diferentes línguas, por um lado, e o modo de aquisição e ensino de línguas, por outro.

Palavras-chave: Linguística, Gramática formal, Gerativismo, Ensino de Línguas.

 

Minibiografias:

Heloisa Lima-Salles (Universidade de Brasilia) possui graduação em Letras pela Universidade de Brasília (1985), mestrado em Linguística pela Universidade de Brasília (1991) e doutorado em Linguística pela University of Wales (1997). É professora associada da Universidade de Brasília. Atua na área de Linguística, na abordagem da Teoria Gerativa, investigando, principalmente, os seguintes temas: sintaxe de complementação e sintaxe de preposições, com ênfase em línguas românicas, germânicas, língua brasileira de sinais, aquisição de português L2, bilinguismo dos surdos.

Eloisa Silva Pilati (Universidade de Brasilia) possui doutorado em Linguística, realizado na Universidade de Brasília (2006). Atualmente é professora da Universidade de Brasília, no Departamento de Linguística Português e Línguas Clássicas (LIP). É coordenadora do Curso de Licenciatura em Letras noturno e coordena a equipe do Curso de Letras no Projeto Prodocência (CAPES). Desenvolve pesquisas em duas áreas principais: na área da gramática gerativa, pesquisa a sintaxe da ordem de palavras, sujeitos nulos e fenômenos de concordância nas línguas naturais e, na área de ensino de línguas, pesquisa temas relacionados a formação de professores e metodologias de ensino de língua portuguesa. 

Marina Augusto (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) possui graduação em Letras pela Faculdade Ibero Americana de Letras e Ciências Humanas (1987), mestrado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas(1994) e doutorado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas(2003). Atualmente é Professor Adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Membro de corpo editorial do Caderno de Squibs: Temas em estudos formais da linguagem. Tem experiência na área de Lingüística, com ênfase em Teoria e Análise Lingüística. Atuando principalmente nos seguintes temas: ilha factiva, TEORIA GERATIVA, movimento.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Um estudo experimental sobre a consciência morfológica da vogal final –o como marca de gênero nos nominais do português brasileiro

Autoras:

Paula Roberta Gabbai Armelin – Universidade Federal de Juiz de Fora/NEALP – paula.rg.armelin@gmail.com

Mercedes Marcilese – Universidade Federal de Juiz de Fora/NEALP – mmarcilese@gmail.com

Maria Cristina Name – CNPq/Universidade Federal de Juiz de Fora/NEALP – cristina.name@ufjf.edu.br

 

Resumo:

Este trabalho revisita as possibilidades de realização morfofonológica da vogal final nos nominais do PB, atentando, especificamente, para os pareamentos masculino-feminino, quando a interpretação de gênero biológico está disponível. Segundo Câmara Jr. (1970), a única marca de gênero do PB é a vogal átona final –a, evidenciada em pares como menino-menina, mestre-mestra, peru-perua. Dada a variação da vogal final da forma masculina (-o,-e, ø), o autor sugere que gênero masculino é realizado via morfema zero. Restrições interessantes emergem no pareamento de gênero e lacunas nos padrões de gramaticalidade são detectadas: formas femininas em –e ou em ø não apresentam formas masculinas correspondentes terminadas em –o. Do ponto de vista do sistema gramatical, no entanto, parece haver uma relação entre vogal final –o e gênero masculino, uma vez que a maioria das palavras terminadas em –o são masculinas. Diante disso, buscamos investigar experimentalmente se pareamentos considerados agramaticais podem ser licenciados no contexto de pseudo-nomes animados e, nesse sentido, avaliar em que medida os falantes teriam consciência morfológica da vogal final -o como marca de gênero. Foi concebido um experimento de leitura automonitorada (maze task) – em fase de aplicação – no qual os participantes leem uma sentença segmentada escolhendo, em cada etapa, a opção que melhor completa a frase. Tipo de pareamento de gênero (frequente/pouco frequente/impossível) foi tomado como variável independente e tempo de leitura/escolha e escolhas-alvo como variáveis dependentes. Um pseudo-nome modelo é apresentado e o participante deve escolher a opção que completa o par (ex. a dafe – opções de pareamento [possível/impossível] o dafeo dafo). Prevê-se que, caso a vogal -o seja tomada como marca de gênero, pareamentos impossíveis devem ocorrer. Espera-se ainda que a análise dos tempos de reação forneça evidências sobre o papel da frequência dos padrões investigados e sobre questões relativas ao contraste entre formas mais/menos morfologicamente marcadas.

Palavras-chave: morfologia de gênero; consciência morfológica; pareamentos (a)gramaticais.

 

Minibiografias:

Paula Roberta Gabbai Armelin

Professora Adjunta no Departamento de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora. Doutora em Letras pela USP. Atualmente, sua pesquisa tem como foco a descrição e análise de aspectos morfológicos e morfossintáticos do português brasileiro, com ênfase na relação entre gênero gramatical e morfologia avaliativa. É membro do Grupo de Estudos em Morfologia Distribuída da USP e do Núcleo de Estudos em Aquisição da Linguagem e Psicolinguística da UFJF (NEALP).

Mercedes Marcilese

Professora Adjunta do Departamento de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora. Doutora em Letras pela PUC-Rio. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Psicolinguística e Aquisição. Atualmente investiga: (i) tópicos na interface entre língua e outros domínios cognitivos e (ii) a dimensão cognitiva da variação linguística. Membro do Núcleo de Estudos em Aquisição da Linguagem e Psicolinguística da UFJF (NEALP).

Maria Cristina Name

Professora Associada do Departamento de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora e Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Doutora em Letras pela PUC-Rio. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Psicolinguística, atuando principalmente nos seguintes temas: aquisição da linguagem, aquisição lexical, categorias lexicais e funcionais, processamento prosódico. Coordena o Núcleo de Estudos em Aquisição da Linguagem e Psicolinguística da UFJF (NEALP).


 Comunicação 2

Telicidade em dados de aquisição do PB: restrição para alternância

Autora:

Teresa Cristina Wachowicz  – Universidade Federal do Paraná, tecacw@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é analisar produção de alternâncias causativas com restrições de telicidade em dados experimentais de crianças em fase de aquisição do português brasileiro (PB): OK A bolinha quebrou, mas *O livro leu. Partimos do pressuposto de que telicidade define-se pelo limite espaço-temporal de uma estrutura de evento, descrita no VP, e pode ser codificada em diferentes lugares: em PPs de trajetória – Corri até a padaria – ou em estruturas do VP em que o objeto é tema incremental – Desenhei o círculo. Nossa hipótese é que a telicidade traduz-se teoricamente no primitivo semântico PATH e é restrição para alternância causativa, ou para extração de “phases” (Boscovic, 2012). Em dados de experimentos de produção eliciada com 74 crianças entre 3 e 9 anos, cenas de telicidade dentro do VP, como “atravessar a rua”, “desenhar o círculo”, “ler o livro”, com objeto incremental, não provocaram alternância do tipo *A rua atravessou, *A bola desenhou ou *O livro leu, tanto em crianças quanto em adultos. Já alternâncias do tipo A mesa ficou limpa e A bolinha quebrou foram amplamente produzidas. No modelo da sintaxe de primeira fase (Ramchand, 2008), com estrutura verbal inata e flexível de nós [init, proc, res], os verbos que codificam  PATH no conteúdo remático em posição de complemento de res(ult) são os que restringem alternância. Nossa hipótese pode ser reforçada por dados criativos no PB, em alternâncias locativas do tipo Bate muito sol nessa casa > Essa casa bate sol, em que o primitivo de PLACE  sai do PP, mas não em Eu andei até a padaria > *A padaria andou, em que o primitivo PATH em PP (Pantcheva, 2009) não sai porque codifica telicidade.

Palavras-chave: aquisição; alternância causativ; aprimitivos semânticos.

 

Minibiografia:

Teresa Cristina Wachowicz  possui graduação em Letras pela Universidade Federal do Paraná (1992), mestrado em Letras pela mesma instituição (1997) e doutorado em Linguística pela Universidade de São Paulo (2003). Atualmente é professora adjunto da Universidade Federal do Paraná. Tem experiência na área de Lingüística, com ênfase em Semântica Formal, atuando principalmente nos seguintes temas: tempo, aspecto e aquisição de tempo e aspecto. Tem igualmente trabalhos de extensão na área de ensino de língua portuguesa.


Comunicação 3

Processamento on e off-line da correferência anafórica: avaliando o efeito da distância sintática entre antecedente e retomada

 Autor:

José Ferrari Neto -Universidade Federal da Paraíba (UFPB) – joseferrarin@ibest.com.br

 

Resumo:

Este trabalho visa investigar a influência da distância sintática entre antecedente e retomada no processamento da correferência anafórica, tendo como referência de análise a memória de trabalho, já que esta pode influir no processamento de frases com retomadas distantes do item sintático a que o pronome anafórico se refere. Visto isso, o objetivo dessa pesquisa é o de evidenciar em que medida a distância sintática entre antecedente e retomada influi no processamento da correferência anafórica de adultos falantes de português brasileiro, bem como o de caracterizar o quanto a memória de trabalho afeta o processamento da correferência anafórica, no que diz respeito à capacidade de armazenamento e aos elementos tomados como unidades de estocagem. Com isso, verificou-se se a distância entre o antecedente e a retomada anafórica afeta o tempo em que adultos irão gastar para processar a relação pronome, nome repetido e categoria vazia, verificando também se essa distância vai interferir nos índices de acerto. Para a realização da pesquisa usaram-se duas metodologias, uma off-line (cross modal picture selection task) e uma on-line (self-paced reading), ambas em um modelo de design fatorial 2×2, onde 2(tipo de retomada) x 2(número de nós/encaixamento). As hipóteses propostas são as de que quanto maior a distância entre os itens antecedente e retomada, mais isso afetará na ação do processamento de correferência dos itens sintáticos, e a de que a distância sintática afeta igualmente todas as formas de retomada analisadas. Os resultados preliminares caminharam no sentido de evidenciar ambas as hipóteses, na medida em que se verificou um efeito significativo de distância, bem como uma diferença entre as diferentes formas de retomada anafórica. Considerações sobre a relação entre o processamento anafórico e a memória de trabalho são estabelecidas a partir dos dados obtidos.

Palavras-chave: processamento anafórico; memória de trabalho; correferência.

 

Minibiografia:

José Ferrari Neto possui graduação em Letras pela Universidade Católica de Petrópolis (1999), especialização em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000), mestrado (2003) e doutorado (2008) em Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ). Atualmente é pós-doutorando em Linguística na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Tem experiência em docência e pesquisa na área de Linguística, com ênfase em Psicolinguística Experimental e Aquisição da Linguagem. Atualmente é professor adjunto IV de Linguística e Língua Portuguesa na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), atuando no Laboratório de Processamento Linguístico (LAPROL).


Comunicação 4

A modificação adverbial na projeção estendida do adjetivo

Autora:

Maria José Foltran – UFPR – mariajose.foltran@gmail.com

 

Resumo:

Não há nenhuma novidade em dizer que advérbios modificam adjetivos. No entanto, a modificação adverbial dentro do sintagma nominal é um assunto muito pouco explorado. O objetivo deste trabalho é explicitar a interpretação de advérbios terminados em –mente em configuração restrita, i.e., quando se encontram na projeção estendida de um sintagma adjetival. Em outras palavras, vamos refletir sobre a interpretação de advérbios em posição ad-adjetival e ver em que medida esses usos refletem a classificação dos advérbios no domínio sentencial. Partindo da classificação de Costa (2008) que prevê a existência, na sentença, de advérbios orientados para o falante, para o ouvinte, para o sujeito, para o domínio e para o valor de verdade, investigamos a procedência dessa classificação dentro do sintagma nominal. Identificamos usos que veiculam claramente a visão do falante (terrivelmente cruel, incrivelmente inadequado), usos que circunscrevem um domínio (politicamente correto, psicologicamente afetado), além dos usos que intensificam a propriedade expressa pelos adjetivos (extremamente calmo). Alguns testes mostram que os intensificadores têm restrições maiores – parecem ser moldados para ocorrer especificamente em posição adadjetival (*Extremamente, o João é alto), enquanto os demais ficam livres para atuar tanto no domínio nominal quanto no domínio sentencial [a) O João é surpreendentemente alto; b) Surpreendentemente, o João é alto]. Nesse último caso, há uma diferença de sentido que advém da diferença de escopo. Seguindo Morzycki (2007), vamos argumentar que a interpretação dos advérbios em posição ad-adjetival é diferente daquela que eles recebem em outras posições. Seguindo Foltran e Nóbrega (2016), mostramos que a classe dos intensificadores pode adquirir contornos de avaliação. 

Palavras-chave: Modificação Adverbial; Interface sintaxe-semântica; Posição Ad-adverbial.

 

Minibiografia:

Maria José Foltran é graduada em Letras pela Universidade Federal do Paraná (1975). Tem mestrado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (1988), doutorado em Lingüística pela Universidade de São Paulo (1999), pós-doutorado na UFSC (2005) e pós-doutorado no Consejo Superior de Investigaciones Cientificas, Madrid/Espanha (2012). Atualmente é Professora Associada do Departamento de Linguística, Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade Federal do Paraná. Tem experiência na área de Lingüística, com ênfase na interface sintaxe-semântica, atuando principalmente nos seguintes temas: predicação (small-clauses e predicados secundários), estrutura argumental, semântica de eventos. De 2009 a 2011 foi Presidente da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN).


Comunicação 5

O emprego de DPs plurais encaixados licenciam dupla concordância: concordância verbal com sujeitos complexos

Autora:

Alzira Neves Sandoval – Universidade de Brasília – alziraneves2310@gmail.com.br

 

Resumo:

Sentenças com sujeitos constituídos de DPs complexos são bastante comuns no Português Brasileiro e, embora a tradição gramatical só reconheça a ocorrência de (1a), construções como (1b) são cada vez mais recorrentes, tanto na língua falada quanto na língua escrita (conforme Naro & Scherre, 1998, Scherre & Naro, 2015, entre outros).

(1)      a. [O emprego de DPs plurais encaixados] licencia dupla concordância.

  1. [O emprego de DPs plurais encaixados] licenciam dupla concordância.

Neste tipo de construção, a variação consiste no fato de o verbo ora poder ser flexionado no singular, concordando com o núcleo nominal mais alto – concordância canônica –, ora no plural, concordando com o núcleo nominal mais baixo (ou encaixado) – concordância parcial. Em inglês, esse fenômeno é conhecido por concordância por atração (agreement attraction, Den Dikken, 2001).O objetivo deste trabalho é discutir, com base nos pressupostos da Teoria Gerativa, mais especificamente na versão do Programa Minimalista (Chomsky, 1995 e trabalhos posteriores), a dupla concordância verbal com sujeitos formados por DPs complexos no Português Brasileiro tomando como referência as propostas de Den Dikken (2001) e Kayne (2000).

Palavras-chave: concordância variável; sujeitos complexos; concordância por atração.

 

Minibiografia:

Alzira Neves Sandoval

Mestre em Linguística, professora da Secretaria de Estado do Distrito Federal e aluna do Doutorado em Linguística na Universidade de Brasília. Desenvolve sua pesquisa na área de sintaxe, no âmbito da Teoria da Gramática Gerativa, e faz parte do Laboratório de Estudos Formais da Gramática – LEFOG (www.lefog.pro.br).


Comunicação 6

Construções com predicado –difícil no português brasileiro

 

Autora:

Irenilza Oliveira e Oliveira – UNEB-Campus XIV/UAB – olyveyras@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho apresenta um estudo de construções com predicadodifícil do português brasileiro – PB (Pedro é difícil de convencer), com base na análise para orações infinitivas do alemão proposta por Wurmbrand (2001, 2003). Segundo a autora, as orações infinitivas dessa língua representariam estruturas sintática e semanticamente diferentes, conforme o tipo de categoria que o núcleo da matriz seleciona. As estruturas de alçamento seriam infinitivas de reestruturação (Restructuring infinitives – RI); essas teriam como complemento um constituinte menor – um VP –, não projetando uma posição de Caso estrutural, e licenciariam movimento longo do objeto. As estruturas de controle seriam infinitivas de não- reestruturação (Non-restructuring infinitives – NRI), que teriam um vP, TP ou CP como complemento e projetariam a posição de caso estrutural, não licenciando movimento longo do argumento interno do verbo. Assim, a partir da observação das propriedades semânticas e sintáticas internas ao predicado encaixado de construções como Pedro é difícil de convencer e da relação sintática que se estabelece entre este predicado e o núcleo da oração mais alta, propõe-se que as construções com predicado-difícil do PB são infinitivas de reestruturação e possuem uma oração encaixada formada pelos mesmos passos derivacionais que resultam em sentenças médias sem marcador medial, em consonância com a análise proposta por Oliveira (2009, 2010) para sentenças com tough-movement do inglês.

Palavras-chave: Predicadodifícil; Movimento sintático; Sintaxe Gerativa.

 

Minibiografia:

Irenilza Oliveira e Oliveira possui graduação em Língua Estrangeira pela Universidade Federal da Bahia (1991), mestrado e doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (1999/2009). É Professora Adjunta da Universidade do Estado da Bahia – Campus XIV e tem experiência nas áreas de ensino de Língua Inglesa e Língua Portuguesa (ênfase em morfossintaxe e análise do Livro Didático) e Linguística (ênfase em teoria e análise linguística, advérbios e movimento de constituintes).


Comunicação 7

Uma nova estratégia de relativização em PB? Estruturas relativas locativas introduzidas por “onde que”

Autores:

Sinval Araújo de Medeiros Júnior – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) / Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) – sinvaljr@gmail.com

Cristiane Namiuti-Temponi – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) – cristianenamiuti@gmail.com

 

Resumo:

As orações relativas no Português Brasileiro têm sido objeto de diversas pesquisas em que se discutem as estratégias empregadas na relativização e a natureza do elemento introdutor desse tipo de sentença. Aponta-se a distinção entre a relativa padrão, na qual há um determinante relativo e ocorre deslocamento de constituintes, e as relativas não-padrão, sobre as quais se discute a ocorrência ou não de deslocamento de constituintes, o ponto a partir do qual ocorre a relativização e a própria natureza do elemento relativo – um determinante ou um complementizador. Neste trabalho, relacionado à pesquisa de Mestrado em andamento no Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLIN) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), orientado por Cristiane Namiuti-Temponi (UESB), analisam-se sentenças relativas locativas como em (01) Para mim, a escola fica perto, eu moro próximo da escola, moro no bairro onde que a escola está localizada. Sentenças como (01), retiradas de textos encontrados na Internet, apresentam dois elementos na periferia oracional, na introdução da estrutura relativa, “onde” e “que”, e não foram encontradas na literatura para as relativas do PB análises para tal estrutura. Defende-se, neste trabalho, que ambos os elementos correspondem à contrapartida de uma seleção de traços para o qual a morfofonologia não possui um item lexical único: “onde” realiza traços de foricidade; “que” realiza traços de complementação da sentença relativa finita. A ocorrência de estruturas similares introduzidas por “quem que”, “quando que” e “como que” sugere haver uma nova estratégia de relativização, no PB, com o duplo preenchimento da periferia da sentença relativa.

Palavras-chave: Sentenças relativas; Periferia oracional; Traços.

 

Minibiografias:

Sinval Araújo de Medeiros Júnior é estudante do Mestrado em Linguística da UESB. Atua como Professor de Língua Portuguesa, no IFBA. Desenvolve pesquisa na área de Sintaxe da Língua Portuguesa.

Cristiane Namiuti-Temponi é Doutora em Linguística, pela Unicamp. Atua como Professora de Linguística, na UESB. Desenvolve pesquisas nas áreas de Sintaxe e de Linguística de Corpus.


Comunicação 8

Concordância de gênero e número em estruturas predicativas no Português Brasileiro (PB): processamento e variação linguística

Autoras:
Erica dos Santos Rodrigues – PUC-Rio – ericasr@puc-rio.br

Débora Ribeiro de Almeida – PUC-Rio – dboraribeirodealmeida@yahoo.com.br

 

Resumo:

A comunicação focaliza a representação e o processamento de informação de gênero e número em estruturas predicativas no português brasileiro (PB). Investigam-se sentenças constituídas por um DP complexo + verbo estar/ficar + particípio, as quais, em situações de produção espontânea, podem induzir lapsos, com quebra da concordância canônica, conforme exemplificado em (1), em que o verbo e o particípio concordam em número com o DP inserido no PP modificador do núcleo do sujeito (as casas) e o particípio concorda em gênero com o DP mais alto da estrutura (o telhado):

(1) O telhado das casas estavam quebrados.

Esse tipo de dissociação foi examinado a partir de experimento de leitura auto-monitorada, com 60 estudantes universitários, cujo objetivo era avaliar a sensibilidade dos falantes do PB a quebras da concordância canônica e à agramaticalidade de estruturas contendo lapsos. Foram tomadas como variáveis independentes o gênero do núcleo do sujeito; o número do verbo “estar” ou “ficar”, o gênero e número do particípio. Também foi manipulada a distributividade do DP sujeito — O telhado das casas (distributivo) vs. O condomínio das casas (não distributivo) –, de modo a buscar capturar interferência de fator semântico (número conceitual plural) no processamento da concordância. A variável dependente foi o tempo de leitura em três regiões da sentença: no verbo, no particípio e ao final da sentença.

Os resultados obtidos indicam que os participantes são sensíveis a sentenças que reproduzem lapsos de fala e que marcação morfofonológica (de gênero e de número) bem como distributividade são fatores que afetam os tempos de leitura das sentenças. Na discussão dos resultados, consideram-se as propostas sobre a representação dos traços de gênero e número no âmbito do DP (Picallo, 1991, 2008; Ritter, 1993; Di Domenico, 1995) e estudos sobre variação linguística (Costa & Figueredo Silva, 2006; Simioni, 2007).

Palavras-chave: estruturas predicativas; concordância de gênero e número; distributividade; lapsos de fala; variação linguística.

 

Minibiografias:

Erica dos S. Rodrigues graduou-se em Letras pela UFRJ (1992) e possui Mestrado (1996) e Doutorado (2006) pela PUC-Rio. É profa. do Programa de Pós-graduação Estudos da Linguagem (PPGEL) e pesquisadora do Laboratório de Psicolinguística e Aquisição da Linguagem (LAPAL), PUC-Rio. Desenvolve pesquisas na área de Psicolinguística em articulação com Teoria Gerativa. Desde seu Doutorado, tem-se voltado para a investigação do processamento da concordância  no Português Brasileiro.

Débora R. de Almeida é graduada em Português e literaturas (2010) e Língua Inglesa e literaturas (2015) pela UFJF.  Tem especialização em Ensino de Língua Portuguesa (2012), também pela UFJF, e Mestrado em Estudos da Linguagem pela PUC-Rio (2016), com dissertação intitulada “Processamento da concordância de gênero e número em estruturas predicativas”, sob orientação da profa. Erica dos S. Rodrigues. Atua como professora de língua portuguesa e literatura no ensino básico.


Comunicação 9

O índice foi reduzido para zero, tornando a lei mais eficaz: investigando as propriedades de orações gerundivas com sujeito oracional

 Autoras:

Camila Guaritá – Universidade de Brasília – camilaparca@gmail.com

Eloisa Pilati – Universidade de Brasília – eloisapilati@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho apresenta uma análise acerca das propriedades sintáticas de orações gerundivas tais como em (i):

(i)       a.[O índice foi reduzido para zero]i, [eci] tornando a lei mais eficaz

  1. [O país tomou medidas sérias em relação à corrupção]i, [eci] fazendo a nação crescer.
  2. [A participação de todos é indispensável nessa luta contra as infrações]i, [eci] reduzindo as vítimas de álcool.

Dois fatos justificam a necessidade de uma investigação detalhada das propriedades sintáticas e semânticas de tais orações: o primeiro é que estudos sobre construções gerundivas não estão incluindo, entre os dados empíricos a serem analisados, construções dessa natureza, como ocorre em Fong (2015); e o segundo é que, entre os estudos que se dedicaram a investigar tais orações, como os de Moutella (1995) e de Lopes (2008), não há consenso no que se refere às propostas apresentadas. Seguindo Moutella (1995) e Lopes (2008), argumentaremos que tais orações têm como característica sintática peculiar o fato de a referência do sujeito nulo da oração encaixada estar vinculada ao conceito expresso por toda a oração principal. No entanto, diferentemente de tais autoras, que classificam tais orações como coordenadas e relativas de foco, respectivamente, argumentaremos por meio de diferentes testes sintáticos que tais orações devem ser classificadas como orações relativas livres reduzidas de gerúndio. O objetivo do trabalho é apresentar um resumo dos estudos feitos até o momento sobre orações relativas, relativas livres e gerundivas com sujeito oracional; aplicar alguns testes para análise do comportamento dos dados e começar uma análise da estrutura aqui estudada, explicando o pronome dêitico (ec) existente da oração encaixada capaz de retomar toda a informação da oração matriz.

Palavras-chave: Orações gerundivas; Relativas Livres; Sujeitos Nulos; Português do Brasil.

 

Minibiografias:

Camila Parca Guaritá, mestre em Linguística pela Universidade de Brasília. Atualmente é doutoranda do programa de pós-graduação em linguística da Universidade de Brasília.

Eloisa Nascimento Silva Pilati possui doutorado em Linguística, realizado na Universidade de Brasília (2006). Atualmente é professora da Universidade de Brasília, no Departamento de Linguística Português e Línguas Clássicas (LIP). É coordenadora do Curso de Licenciatura em Letras noturno e coordena a equipe do Curso de Letras no Projeto Prodocência (CAPES). Desenvolve pesquisas em duas áreas principais: na área da gramática gerativa, pesquisa a sintaxe da ordem de palavras, sujeitos nulos e fenômenos de concordância nas línguas naturais e, na área de ensino de línguas, pesquisa temas relacionados a formação de professores e metodologias de ensino de língua portuguesa. 


Comunicação 10

A concordância verbal e a posição de objeto em textos formais de alunos da EJA

Autora:

Stefania C. M. Rezende Zandomênico – Universidade de Brasília – stefania.rezende@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho tem como objeto de estudo a língua escrita do falante letrado proveniente da Educação de Jovens e Adultos. Seus objetivos são investigar a gramática do falante letrado proveniente da EJA e fazer uma análise acerca do acesso desses falantes à Gramática Universal no curso de sua aprendizagem da língua escrita formal. Analisamos de que maneira a concordância verbal e o preenchimento do objeto se manisfestam nos textos escritos dos alunos de EJA, comparativamente com textos escritos de alunos de ensino regular. Trabalhamos com a hipótese de que os alunos da EJA demonstram menos marcas explícitas de concordância verbal e menor índice de clíticos acusativos em textos escritos formais, se comparados aos alunos de ensino regular. Este trabalho se enquadra na linha teórica da Gramática Gerativa, que postula a existência de uma faculdade da linguagem, isto é, de um órgão da mente humana responsável pela aquisição da linguagem, e de uma Gramática Universal (GU), a partir da qual os parâmetros da língua adquirida são fixados pelos falantes. Considerando-se que, quando os alunos da EJA têm contato com a língua formal escrita, os parâmetros de sua língua já estão fixados, fazemos uma analogia entre a aprendizagem da língua escrita formal por alunos da EJA e a aprendizagem de uma segunda língua por falantes adultos. Nessa perspectiva, os dados considerados neste estudo ensejam uma análise acerca do acesso desses falantes à GU no curso de sua aprendizagem da língua escrita formal. A despeito de nossa hipótese inicial, os dados encontrados revelaram mais semelhanças do que diferenças entre si. 

Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos; língua escrita; gerativismo; concordância verbal; posição de objeto.

 

Minibiografia:

Stefania Caetano Martins de Rezende Zandomênico

É especialista em Educação e mestre em Linguística pela Universidade de Brasília. Atualmente faz doutorado em Linguística na mesma instituição, onde realiza pesquisa sobre a língua escrita formal de alunos da Educação de Jovens e Adultos. É professora da Educação Básica da Secretaria de Educação do Distrito Federal há dezoito anos.


Comunicação 11

O problema da categorização nos chamados adjetivos relacionais e étnicos do Português Brasileiro

Autor:

Rafael Dias Minussi – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) – rafaelminussi@yahoo.com.br

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é descrever o comportamento dos adjetivos relacionais (AdjR) no português brasileiro (PB) e investigar suas propriedades sintático-morfológicas. Em consonância com trabalhos realizados por Mezhevich (2004) para o russo, McNally e Boleda (2004) para o catalão, Bisetto (2010) para o árabe e japonês, Marchis (2010) para o romeno e catalão, entre outros, fizemos uma descrição das principais propriedades dos AdjR, a fim de entender e analisar o comportamento dessa classe no PB.

Bisetto (2010) argumenta que os AdjR expressam uma relação entre o nome do qual o adjetivo é formado e o nome que o acompanha: “muscular” em “dor muscular”. Na literatura, a principal questão imposta por esses adjetivos diz respeito à classificação categorial. Para Marchis (2010), AdjRs são semanticamente nomes, mas mostram propriedades sintáticas que os diferem da categoria dos nomes como, por exemplo, flexão de número deficiente, falta de propriedades anafóricas e incompatibilidade com nomes eventivos.

Entre as principais propriedades estudadas estão: (i) impossibilidade de predicação *this decision is senatorial ‘*a decisão é senatorial’; (ii) falta de propriedades graduáveis *a very senatorial decision ‘*uma decisão muito senatorial’; (iii) não coordenação com adjetivos qualificadores *the big and wooden table ‘uma mesa grande e lígnea’; (iv) propriedades de argumento “problemi menopaus-ali = problemi della menopausa” ‘problemas de menopausa’ e (v) adjacência estrita para modificar o nome em uma única posição *chimico processo vs. processo chimico ‘*químico processo’ vs. ‘processo químico’, entre outras. Algumas dessas propriedades como gradualidade, predicação, etc. não se aplicaram homogeneamente e se mostraram ineficazes.

Com base no arcabouço teórico da Morfologia Distribuída (MARANTZ, 1997), explicamos o porquê de alguns elementos se comportarem como nomes e/ou adjetivos (o presidiário e sistema presidiário) por meio da subespecificação dos Itens de Vocabulário, além de analisarmos as estruturas sintéticas e analíticas de pares como: invasão italiana/invasão da Itália.

Palavras-chave: adjetivos relacionais; adjetivos étnicos; categorização; morfologia distribuída; português brasileiro.

 

Minibiografia:

Rafael Dias Minussi possui bacharelado e licenciatura em Letras Português e Linguística pela Universidade de São Paulo (2006). É doutor em Letras pelo programa de pós-graduação em Semiótica e Linguística Geral da Universidade de São Paulo (2012). Atualmente, coordena o projeto 24 – Morfologia e suas interfaces na ALFAL (Associação de Linguística e Filologia da América Latina). Os principais temas de interesse são: Morfologia Distribuída, Teoria Gerativa, sintaxe das línguas naturais, coordenação, estrutura argumental, nominalizações, nomes compostos, processos não-concatenativos, morfologia avaliativa e língua hebraica.


Comunicação 12

Ver como marcador pragmático em Português Brasileiro

 

Autores:

Patrícia Rodrigues – Universidade Federal do Paraná – rodriguespatriciaa@gmail.com

Marcus Vinicius Lunguinho – Universidade de Brasília-  marcuslunguinho@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho discute construções ambíguas do Português Brasileiro como (1) e (2), que apresentam o verbo ver e exprimem uma ordem:

(1) Vê se me escuta!

(2) Vê lá se a Maria vai chegar atrasada!

 

A sentença (1) pode significar tanto uma ordem para o interlocutor verificar se aquilo que o falante diz está audível ou uma ordem enfática para o interlocutor executar a ação de escutar. Já (2) pode igualmente significar uma ordem de verificação ou ser a expressão do ponto de vista (negativo) do falante relação à proposição Maria vai chegar atrasada. Propomos que a ambiguidade dessas construções é o resultado de estruturas sintáticas distintas. O significado de verificação deriva de uma estrutura bioracional, na qual é um verbo pleno que seleciona dois argumentos – um DP e um CP nucleado pelo complementizador se:

(3) [vP  DP  [v’  v  [VP  ver  [CP  se  [TP

 

Seguindo a proposta de Hill (2007, 2014) acerca de projeções de ato de fala visíveis para a computação sintática, analisamos os significados de ordem enfática e de expressão de um ponto de vista negativo como derivados de uma estrutura mono-oracional na qual e vê lá são expressões gramaticalizadas (marcadores pragmáticos) externally merged em uma projeção da periferia esquerda e que selecionam um ForceP como complemento:

(4) [XP  vê (lá)  [ForceP  se  [TP

 

Essas análises preveem que a possibilidade da negação da forma depende da estrutura na qual essa forma está inserida (e, consequentemente, do sentido associado a ela):

(5) a. Não vê se me escuta!

  1. Não vê se o troco tá certo!
  2. Não vê se faz o trabalho direito!
  3. Não vê lá se a Maria vai chegar atrasada!

P = bioracional (verificação)

* = mono-oracional (ordem enfática/ponto de vista negativo)

 

Palavras-chave:  cartografia sintática; Construções com ;  Gramaticalização; interface sintaxe-pragmática,  Marcador pragmático.

 

Minibiografias:

Patricia de Araújo Rodrigues

Possui doutorado em Linguística – Université du Québec à Montréal (2006), mestrado em Linguística – Université du Québec à Montréal (1999) e graduação em Farmácia e Bioquímica – Universidade Federal do Paraná (1983). Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal do Paraná. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Sintaxe, atuando principalmente nos seguintes temas: complementação sentencial, verbos de percepção, gerúndio.

Marcus Vinicius da Silva Lunguinho

Possui doutorado em Linguística – Universidade de São Paulo (2011), mestrado em Linguística – Universidade de Brasília (2005) e graduação em Letras – Universidade de Brasília (2002).  Atualmente é professor adjunto da Universidade de Brasília. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Sintaxe, atuando principalmente nos seguintes temas: verbos auxiliares, sintaxe de domínios não-finitos, gramaticalização de verbos, vocativos, articulação sintaxe-pragmática, estrutura interna dos DPs.


Comunicação 13

Algumas evidências para um traço sintático de definitude no português

Autor:

Danniel Carvalho – Universidade Federal da Bahia  – dannielcarvalho@ufba.br

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo principal discutir o papel de um traço de definitude na sintaxe do português brasileiro. Empiricamente, apresento evidências independentes do português brasileiro e de outras línguas descritas por Corbett e Bond (2016), como o sueco e o archi, de que este traço faz parte do inventário de traços-phi, desempenhando um papel no licenciamento de DPs nessas línguas. Teoricamente, sugiro uma redistribuição do traço de definitude no inventário de traços expandido proposto por Carvalho (2008) com base em um modelo minimalista de gramática (CHOMSKY, 1995 e trabalhos subsequentes), o que terá consequências no comportamento de outros traços-phi, como número e gênero, por exemplo. Nossa proposta parte da observação do comportamento de estruturas do português que aparentemente são sensíveis ao efeito de definitude no seu processo de licenciamento, como pronomes plenos de terceira pessoa (CERQUEIRA, 2015), sujeitos duplicados (CARVALHO; TAVARES SILVA; ZIOBER, 2015, 2016) e estruturas predicativas com sujeitos nus (CARVALHO, 2016). A partir dessas evidências, proponho que este traço não tem natureza apenas semântica, mas participa da sintaxe do português, e que D, lócus do traço, portanto, é o responsável por sua valoração nessa língua. Entretanto, diferentemente do que é proposto na literatura linguística sobre geometria de traços (HARLEY; RITTER, 2002, BÉJAR, 2003), assumo que o nó [D] não está dominado por [π], mas, em vez disso, sua dependência estrutural é com o nó [individuação]. A consequência imediata desta transferência de domínio é o fato de que os nós dominados por [D], a saber [definitude] e [especificidade], também serão dominados por [individuação], fazendo com que suas características sejam também compartilhadas por entidades que não fazem parte do universo discursivo.

Palavras-chave: Definitude; sintaxe; traços-phi; português brasileiro.

 

Minibiografia:

Danniel Carvalho – Possui graduação em Letras pela Universidade Federal de Alagoas (2004) e doutorado em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Alagoas (2008). Atualmente é professor adjunto IV da Universidade Federal da Bahia. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: gramática gerativa, interface morfossintática e sintaxe do português, traços-phi, sociolinguística, gênero.


Comunicação 14

Nomes próprios e determinantes em construções com inversão de predicado

Autor:

Adeilson Pinheiro Sedrins – UFRPE – sedrins@gmail.com

 

Resumo:

No português, nomes próprios podem ser realizados com artigo definido, o que se configura, em alguns contextos, como um fenômeno de variação linguística, sujeito ao condicionamento de fatores extralinguísticos, como o fator geográfico, conforme observado, por exemplo, em Callou e Silva (1997) (Ex: João saiu/O João saiu). Apesar dessa variação, nos contextos em que o nome próprio é licenciado com modificadores, passando a se comportar como um nome comum, a realização de um determinante passa a ser obrigatória (O João altão chegou / *João altão chegou). Com base nessas observações iniciais, este trabalho se propõe a apresentar um estudo descritivo-explicativo sobre o uso do artigo definido diante de nomes próprios no português brasileiro, atentando, especificamente, para os contextos nominais com inversão de predicado. As estruturas objeto de nossa análise serão aquelas realizadas sob a forma N1+de+N2, como em o cachorro do João, em que o nome próprio aparece na posição N2, e podemos ter duas leituras: (1) João é o dono de um cachorro; (2) João é um cachorro (=cafajeste). Nesse tipo de construção, quando o nome próprio não é realizado com determinante, só podemos ter a leitura de possuidor para João (O cachorro de João = João tem um cachorro). A leitura (1) reflete a organização do SN contendo uma construção genitiva e a leitura (2) corresponde a uma configuração sintática de inversão de predicado, nos termos de Dikken (2006), conforme iremos argumentar. Para a leitura correspondente a uma construção de inversão de predicado, nossa análise buscará responder a por que, nesse contexto, a realização de um determinante é obrigatória. Para isso, iremos assumir que essa obrigatoriedade se deve a requerimentos formais, a fim de garantir o preenchimento da posição D em construções nominais licenciadas em posições argumentais, seguindo a análise de Longobardi (1994).

Palavras-chave: Nome próprio; Determinantes; Inversão de predicado.

 

Minibiografia:

Adeilson Pinheiro Sedrins é Professor Adjunto 4 de Língua Portuguesa da Universidade Federal Rural de Pernambuco – Unidade Acadêmica de Serra Talhada. Doutor em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Alagoas (2009), com estágio de doutorado na University of Maryland (College Park, MD – EUA). Graduado em Letras (Português-Inglês) pela Universidade Federal de Alagoas (2004). Atua em pesquisas na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, principalmente em pesquisas sobre a sintaxe das construções nominais do português brasileiro, sob a perspectiva da teoria gerativa chomskyana, coordenando o Projeto “A estrutura sintática das construções nominais do Português Brasileiro” (FACEPE/CNPq).


Comunicação 15

Transparência morfológica, composicionalidade semântica e reanálise estrutural em verbos do português

Autor:

Indaiá de Santana Bassani – Universidade Federal de São Paulo – indaia.bassani@unifesp.br

 

Resumo:

O objetivo deste artigo é investigar formações verbais parcialmente transparentes, no que diz respeito à estrutura morfológica, e duvidosas quanto ao fato de serem semanticamente composicionais. Dentre os 53 verbos estudados, alguns exemplos são: atrair, extrair e embutir. Propomos um estudo desses casos porque há poucas propostas formais para explicar o processo de lexicalização em morfologia e pelo desafio que tais dados são em tese para uma teoria como a Morfologia Distribuída, e para a Gramática Gerativa em geral. Em outras palavras, questionamos como uma teoria não-lexicalista lida com o fenômeno empírico que vem sendo denominado de lexicalização. Em suma, queremos explorar os mecanismos pelos quais as palavras deixam de ser derivadas para se tornarem simples e as consequências desse processo. Mais especificamente, exploramos como se dá o processo pelo qual a estrutura composicional dos verbos derivados deixa de ser transparente. Como resultado do estudo, apresentamos uma proposta de classificação empírica em subtipos verbais de acordo com o grau de transparência morfológica e a contribuição semântica dos possíveis prefixos e das raízes que os formam, a saber: verbos parcialmente transparentes com raiz inativa; verbos parcialmente transparentes com raiz ativa não-analisáveis; verbos parcialmente transparentes com raiz ativa analisáveis. A classificação se baseia, sobretudo, em evidência empíricas morfológicas. A análise para os casos de mudança, largamente conhecidos como casos de lexicalização, se baseia na ideia de reanálise estrutural em uma abordagem sintática para formação de palavras. Mostramos que existe um continuum entre as formações completamente fossilizadas, reanalisadas como simples, e as formações em processo de mudança, e comparamos esse processo ao de desaparecimento de preverbos e sugerimos que essa mudança pode ser explicada em termos de perda de estrutura nos termos de Roberts e Roussou (2003). 

Palavras-chave: transparência morfológica; composicionalidade semântica; reanálise estrutural.

 

Minibiografia:

Indaiá de Santana Bassani possui mestrado em linguística (2009) e doutorado na mesma área (2013) pela Universidade de São Paulo, com estágio Sanduíche na Universidade da Pensilvânia (2012). Atua na área de morfologia e interfaces com sintaxe (estrutura argumental), semântica verbal e fonologia. É professora adjunta no curso de Letras da UNIFESP e membro do grupo de pesquisa Investigações (In)formais em Lingua(gem) e Cognição (UNIFESP) e do Grupo de Estudos em Morfologia Distribuída da USP.


Comunicação 16

MAS E ESSA PREPOSIÇÃO? PIED-PIPING DE PREPOSIÇÕES E RELATIVAS LIVRES NO PB

Autor:     

Paulo Medeiros Junior – UnB – medeirosjunior33@gmail.com

 

Resumo:

Relativas livres exibem uma restrição quanto ao pied-piping de preposições devido ao chamado efeito de compatibilidade, Bresnan & Grimshaw (1978)  (Inglês) Medeiros Junior (2005; 2006) e Lessa de Oliveira (2008) (Português do Brasil). O matching, portanto, bloquearia o pied-piping de modo a evitar o mismatch. O PB, em face da não compatibilidade, adota algumas estratégias alternativas encontradas em muitas outras línguas (cf. Vogel 2001; 2003): apagamento de preposição (1) (Medeiros Junior, 2005), ou uma estratégia resumptiva (2) (Medeiros Junior, 2014):

(1) A Maria só convida (pra festa) [PP Ø [DP quem ela gosta]].

(2) O João conheceu quem você gosta dele

 

Há, todavia, contextos específicos em que o pied-piping parece ocorrer livremente em relativas livres do PB, como se vê a seguir:

(3) a. Eu me desliguei de [com quem]i tava falando ti e disse que o João trai a mulher.

  1. Eu me interesso por [com quem]i ela sai ti.
  2. Ninguém se surpreende com [de quem]i ela gosta ti.
  3. Dependendo de com quem você conversa, tudo se resolve logo

 

Vou propor aqui que as sentenças subordinadas em (3) não podem ser interpretadas como relativas livres, mas como interrogativas indiretas, com um constituinte-wh focalizado, devido a fatos sintáticos como: 1) a possibilidade de ocorrência de pied-piping (4); 2) a possibilidade de clivar o constituinte-wh, como em interrogativas (5); 3) a possibilidade de ocorrência do que se chama efeito do comp duplamente preenchido (6):

(4) a. Eu quero saber [por quem]i você se interessa ti.

  1. *Eu convidei (pra festa) [por quem]i você se interessa ti.

 

(7) a. Ele perguntou quem é que você convidou pra festa

  1. *Ele entrevistou quem é que você convidou pra festa

 

(8) a. Nós perguntamos quem que fez isso.

  1. ????Nós entrevistamos quem que fez isso.

 

Palavras-chave: relativas livres; Matching; Pied-piping da preposição; Interrogativas.

 

Minibiografia:

Paulo Medeiros Junior possui graduação em Língua Portuguesa e Respectiva Literatura pela Universidade de Brasília (Bacharelado e Licenciatura) (1995), mestrado em Lingüística pela Universidade de Brasília (2005) e Doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) (2014). Tem experiência na área de Lingüística, com ênfase em Teoria e Análise Lingüística, atuando principalmente nos seguintes temas: relativização, análise de relativas livres, deslocamento-Wh, propriedades do CP no português brasileiro e aquisição e mudança linguística. Atualmente é Professor Adjunto no departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas da Universidade de Brasília, atuando na linha de pesquisa Gramática: Teoria e Análise.


Comunicação 17

Uso e posicionamento do clítico de 3ª. pessoa na EJA: a gramática do letrado

Autoras:

Raiane Quimente Armando – Universidade do Estado do Rio de Janeiro  (UERJ) – raianearmando@hotmail.com

Marina R. A. Augusto – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) -marinaaug@uerj.br/mraaugusto@gmail.com

 

Resumo:

Uma das propriedades mais marcantes que distinguem o Português Brasileiro (PB) do Português Europeu (PE) é o uso dos clíticos acusativos de terceira pessoa. Kato (2005) observa que a gramática nuclear do PB, desprovida desses elementos em favor de pronomes tônicos e objetos nulos, é acrescida por uma periferia marcada que incorpora os clíticos de terceira pessoa, particularmente devido à atuação da escola, no incentivo ao uso de uma escrita-padrão. O uso e o posicionamento do clítico acusativo de 3ª. pessoa no PB é, portanto, um fenômeno complexo da periferia marcada (Corrêa, 1991; Kato, 2009; Pires, 2015). Neste estudo, adapta-se a metodologia utilizada por Pires (2015) para a eliciação de objetos diretos anafóricos, via produção induzida em narrativas curtas semiestruturadas, com estudantes da EJA do 9º. ano do ensino fundamental e do 3º. ano do ensino médio. Pires (2015) contrastou ensino fundamental, médio e superior, verificando que a ocorrência de objetos nulos e de pronomes lexicais é menor quando associada ao maior grau de escolaridade, enquanto o uso do SN repetido se mantém equiparado nos três níveis, em baixos percentuais, provavelmente como uma estratégia para evitar o uso do objeto nulo ou a inadequação do posicionamento do clítico. Há, ainda, uma forte correlação entre o tipo semântico do antecedente e a escolha da variante: antecedentes animados privilegiam o uso de pronomes, e os inanimados, o de objeto nulo. Os resultados da EJA obtidos até o momento, cuja exposição sistemática mais tardia ao clítico poderia indicar uma recuperação mais custosa, indicam que as características do antecedente também se mostram relevantes para o tipo de variante a ser utilizada e a subida do clítico não é atestada, corroborando a hipótese de que a recuperação do clítico equivale ao aprendizado de uma segunda gramática, com interferências vindas da gramática natural.

Palavras-chave: Clíticos; Colocação pronominal; Escrita-padrão; EJA.

 

Minibiografia:

Raiane Quimente Armando, Graduada em Letras – Literaturas pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Atua como professora de Língua Portuguesa e Redação no ensino fundamental e médio. Participa do projeto de pesquisa “A não regularidade na Aquisição e no Processamento da linguagem”. Mestranda em Linguística pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Marina R.A. Augusto, Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2003). Professor Adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde atua na graduação e na pós-graduação. Membro do Grupo de Pesquisa em Psicolinguística e Aquisição da Linguagem (GPPAL) e do LAPAL (Puc-Rio). Desenvolve pesquisa em aquisição da linguagem, a partir de uma abordagem formal, com foco em aspectos morfossintáticos.


Comunicação 18

Explorando abordagens críticas em um curso avançado de gramática num contexto sociolinguístico diversificado

Autoras:

Viviane Faria, MA – Harvard University -vferreiradefaria@fas.harvard.edu

Nilma Dominique, PhD – Massachusetts Institute of Technology – nilmad@mit.edu

 

Resumo:

A gramática normativa ainda é um componente comum, e muitas vezes integral, nas aulas de língua (estrangeira). No entanto, a necessidade de atender a alunos cultural, social e linguisticamente cada vez mais diversos, tem levado os professores a repensar e a reconceitualizar as abordagens formais. Vários estudiosos documentaram uma modificação na metodologia tradicional para uma abordagem mais abrangente e crítica em direção à mudança no ensino de gramática.

Esta sessão tem como propósito apresentar novas abordagens que têm sido desenhadas com o objetivo de unir, em uma mesma aula, alunos falantes de Português de Herança (PH) com alunos de Português como Língua Estrangeira (PLE), de forma que ambos possam explorar a variação linguística, alcançar uma compreensão mais profunda das estruturas gramaticais e se tornar aprendizes independentes.

Palavras-chave: Ensino de Língua portuguesa; Abordagem de ensino; Variação linguistica.

 

Minibiografias:

Nilma Dominique é doutora em Linguística Aplicada pela Universidade de Alcalá, Madri, Espanha. Atualmente, atua como professora de Língua Portuguesa e coordena o programa de português no departamento Global Studies and Languages do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT). Possui extensa experiência no ensino de Português como primeira e segunda línguas, bem como na área de formação de professores e consultoria linguística. Sua pesquisa se concentra especialmente no ensino de PLE e ELE, na Comunicação Intercultural, língua e identidade e Sociolinguística.

Viviane Ferreira de Faria possui dois graus de M.A. (Linguística Hispânica e Língua Portuguesa e Estudos Culturais Luso-Brasileiros) da Universidade do Novo México. É instrutora de idiomas há quase 20 anos e ensina português nos EUA desde 2012. Atualmente, é assistente de ensino na Universidade de Harvard.


Comunicação 19

ESTRUTURAS PASSIVAS E SEU IMPACTO PARA A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS MATEMÁTICOS: ESCOLAS PÚBLICA E PRIVADA

Autores:

Rafaella Faria Alves de Souza (IC –FAPERJ)– Universidade do Estado do Rio de Janeiro  (UERJ) – rafaella.faria1@gmail.com

Marina R.A. Augusto – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) – marinaaug@uerj.br/mraaugusto@gmail.com

 

Resumo:

As estruturas passivas, relativas e interrogativas QU+N são estruturas de alto custo computacional, de aquisição mais tardia e, geralmente comprometidas em populações com comprometimento linguístico (Maratsos et al., 1979; Novogrodsky & Friedmann, 2011; Corrêa & Augusto, 2011). Considera-se, assim, que essas estruturas possam trazer dificuldade de compreensão, impactando tarefas que dependam delas para sua resolução. Correia (2003) observou se o uso de passivas em enunciados de problemas matemáticos, no português europeu (PE), poderia impor dificuldades a crianças de diferentes séries escolares. Em uma réplica/adaptação desse teste para o português brasileiro (PB), elaboraram-se 3 blocos de problemas com 4 tipos de exercícios cada. Cada bloco apresentava enunciados com um tipo de sentença: ativas (A professora repartiu 30 balas entre as crianças), passivas perifrásticas (30 balas foram repartidas entre as crianças) ou pronominais (Repartiram-se 30 balas entre as crianças). Os blocos foram aplicados, em três semanas consecutivas, a turmas de quarto, sexto e nono anos, de escolas pública e privada. Para a análise de dados, consideraram-se os acertos e o tempo dispendido para a resolução dos exercícios. Uma análise estatística do tipo ANOVA indicou que, na escola privada, houve, para todas as séries, um efeito principal de tipo de enunciado, com mais acertos para a voz ativa. Em relação ao tempo, também a voz ativa indicou tempos menores, com exceção do nono ano, para o qual houve uma facilitação com a exposição semanal de exercícios do mesmo tipo. Os resultados da escola pública, ainda em análise, parecem indicar efeitos semelhantes. Em geral, pode-se afirmar que as estruturas passivas influenciam no entendimento de enunciados matemáticos, dificultando a resolução dos exercícios. Discute-se a relevância da investigação em relação ao papel da escola para a formação de uma periferia marcada, em adição à gramática nuclear dos falantes de PB (Kato, 2005). 

Palavras-chave: passiva eventiva; passiva pronominal; cognição; matemática.

 

Minibiografias:

Rafaella Faria Alves de Souza. Possui graduação em Letras Português/Italiano, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É bolsista de Iniciação Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).

Marina R.A. Augusto.  Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2003). Professora Adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde atua na graduação e na pós-graduação. Membro do Grupo de Pesquisa em Psicolínguística e Aquisição da Linguagem (GPPAL) e do LAPAL (Puc-Rio). Desenvolve pesquisa em aquisição da linguagem, a partir de uma abordagem formal, com foco em aspectos morfossintáticos.


Comunicação 20

Reflexões sobre o ensino da língua portuguesa na educação especial

Autora:

Renata Neris Duarte – SEDUC.MT – renascida_n19@hotmail.com

 

Resumo:

A pesquisa busca desencadear reflexões acerca do ensino da Língua Portuguesa na modalidade de Educação Inclusiva como práticas facilitadoras para o ensino de estudantes com necessidades educacionais, na rede regular de ensino. E se faz necessário ressaltar a importância de estudos que tenham em sua perspectiva nortearem a mediação processo de ensino aprendizagem nesta modalidade. Esta pesquisa trará coletas empíricas referentes ao estudo de caso de um estudante surdo, com déficit de aprendizagem, matriculado na rede regular de ensino da cidade de Barra do Garças, Mato Grosso. No Brasil, o ensino da língua brasileira de sinais é garantido pela Lei 10.436, que assegura que a Língua de Sinais – L1 seja sua primeira língua e que a Língua Portuguesa seja L2, segunda língua na modalidade escrita. Trabalhamos com referenciais teóricos de GOLLEMAN, GARDNER, linhas mestras para esse processo como educação emocional e estímulos de inteligências múltiplas, CONSENZA e GUERRA (2011) o conhecimento da percepção cerebral no processo de ensino, QUADROS (2003), Português para surdos, LIBANEO (2001) do qual foi delineado a estruturação ,do  presente trabalho, ALVES (2013) a valorização das inteligência emocional, HIDELBRAND(2016) jogos educativos como  ferramentas de aprendizado. VIGOTSKI (2007) desenvolvimento humano que se dá na relação das trocas sociais, através de processos de interação, mediação e construção para o conhecimento.

Palavras-chave: Educação; Inclusão; Libras; aprendizagem.

 

Minibiografia:

Renata Neris Duarte fez pós-graduação em Educação Especial com ênfase em Libras. Atuou como interprete e professora de Libras na rede pública de ensino e também na rede Serviço Nacional do Industria – SENAI e SENAC- Serviço Nacional para o comercio. No ano de 2015 entrou como professora substituta na Universidade Federal do Mato Grosso-UFMT, onde ministra a disciplina de Libras para os cursos de Licenciatura e atua como interprete de Libras.


Comunicação 21

Deslocamento à esquerda na fala e escrita culta de brasileiros

Autora:

Simone Márcia da Silva – Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – simonems1992@gmail.com

Resumo:

Estudos anteriores acerca das construções de tópico marcado na modalidade oral do Português do Brasil (cf. ORSINI e VASCO, 2007; ORSINI e PAULA, 2011; PAULA, 2012; GARCIA, 2014) mostram que estas estruturas coexistem com as de sujeito -predicado, possibilitando-nos considerar o PB uma língua mista, segundo a tipologia das línguas proposta por Li e Thompson (1976). Desta forma, a presente comunicação, objetiva confrontar o comportamento estrutural das construções de deslocamento à esquerda, uma das estratégias de construção de tópico marcado, em que há correferencialidade expressa por um item lexical duplicado no interior do comentário, nas gramáticas da fala e da escrita de brasileiros, com base em reportagens e programas de debate de temática esportiva. As reportagens serão coletadas do Jornal O Lance, no período compreendido entre 2016 e 2017; já os programas de temática esportiva constituem episódios do programa Seleção Sport TV, transmitido pelo canal a cabo Sport TV. A pesquisa fundamenta-se nos pressupostos da Teoria de Princípios e Parâmetros, descrita por Chomsky (1981), e na sua interface com o modelo de competição de gramáticas, proposto por Kroch (1989, 2001). Segue os passos da metodologia quantitativa, tendo sido coletadas 100 ocorrências de deslocamento à esquerda em cada uma das modalidades expressivas. Este trabalho, em última instância, objetiva afirmar a tese de que, no que se refere ao fenômeno em estudo, as modalidades oral e escrita constituem gramaticas diferentes no PB.

Palavras-chave: Deslocamento à esquerda; Teoria formalista; Teoria de competição de gramáticas; Sintaxe do Português Brasileiro.

 

Minibiografia:

Simone Márcia da Silva

Formada em Licenciatura em Letras, português e espanhol, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente é mestranda do setor de vernáculas da UFRJ. A autora deste trabalho tem como foco a pesquisa em sintaxe e se dedica, especialmente, ao estudo das construções de tópico marcado na fala e na escrita dos brasileiros.


Comunicação 22

O ensino do português como L2 por surdos: contribuições da Teoria da Relevância na investigação do ensino e desenvolvimento da escrita

 Autora:

Rosana Cipriano Jacinto da Silva – Universidade do Porto, FPCEUP – rosanacjs@gmail.com

 

Resumo:

Os estudos no âmbito da surdez têm comprovado que ainda é difícil para muitos professores o avanço rumo à adoção de propostas que apresentem ao aluno surdo uma perspectiva adequada para leitura e escrita, no sentido de desenvolver suas habilidades de interpretação e raciocínio lógico. Muitas são as questões que motivam os estudos e pesquisas nesse campo, entre elas, a problematização de aspectos em que se constata a importância da língua de sinais para o desenvolvimento do português como segunda língua, bem como o acesso à educação formal bilíngue e de questões correlatas, como as condições didático-pedagógicas inerentes a esse contexto. O presente estudo situa-se no campo da educação bilíngue e examina a interlíngua de surdos usuários da Língua Brasileira de Sinais como primeira língua (L1), e Português como segunda língua (L2) com ênfase na relação entre o conhecimento lingüístico e o uso do raciocínio inferencial na construção e interpretação dos enunciados da interlíngua. O objetivo da pesquisa é investigar o bilinguismo de surdos, em abordagem transversal, na relação entre o conhecimento do português como segunda língua por surdos e o processo de ensino e desenvolvimento da escrita. A orientação teórico-metodológica utilizada explora contribuições dos Estudos Surdos relacionados à Língua Brasileira de Sinais. Em relação à análise do conteúdo, tomamos como referência o uso do raciocínio inferencial, na formulação de conclusões triviais e não-triviais, apontando para o sucesso, parcial, da metodologia de ensino e que a informação é relevante para um indivíduo quando seu processamento, em um contexto de suposições disponíveis, produz um efeito cognitivo positivo. Os resultados da produção escrita indicam que a informação veiculada, no processo de ensino-aprendizagem, modifica a representação do mundo interpretada como relevante o que aponta para a capacidade de utilizar a L2, como um nível da interlíngua.

Palavras-chave: Educação formal bilíngüe; Português L2; Surdos; Mecanismos de coesão textual; Teoria da Relevância.

 

Minibiografia:

Rosana Cipriano Jacinto da Silva

Professora da educação básica e superior, experiência profissional, desde 1989, na Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, Brasília, Brasil, no MEC, 2012/2014, doutorado em andamento, 2014/2018, pela Universidade do Porto, FPCEUP, mestre em Educação pela UnB, pós-graduada em língua portuguesa, graduada em Letras.  Áreas de interesse: educação de surdos, aquisição de português L2 para surdos, bilinguismo dos surdos, formação inicial e continuada de professores.


Comunicação 23

Os clíticos acusativos de terceira pessoa e o input em livros didáticos de língua portuguesa no ensino da escrita

 

Autora:

Ana Carolina Nunes Aguiar – Universidade de Brasília – UnB – carolina.unb@gmail.com

Resumo:

O presente trabalho objetiva discutir se a qualidade do input fornecido nos textos e exercícios de livros didáticos de língua portuguesa do ensino fundamental (Vanpatten 2003; Goodall 2010), bem como a presença de instruções ao professor, a partir de sugestões de eliciação, permitem ao aluno identificar os contextos de fala e de escrita no uso dos clíticos acusativos de terceira pessoa – CA3P. Pesquisas recentes mostram que, no Português Brasileiro – PB, o contexto típico do CA3P é a escrita formal/culta, pois este não estaria mais disponível como dado robusto durante o processo de aquisição (duarte 1986, Lightfoot 1991; Nunes, 1993, 2015; Omena 1978). Espera-se que quanto maior o domínio da escrita pelo aluno, maior será a utilização de CA3P (Oliveira e Quarezemin 2016). Estudos como o de Corrêa 1991, Oliveira 2007, Kato, Cyrino & Corrêa 2009 ratificam o papel da escola no processo de recuperação dos CA3P na escrita. As diferenças entre a gramática da escrita e da fala faz com que a aprendizagem da escrita se assemelhe à aprendizagem de uma segunda língua, de forma que os falantes letrados possuiriam em sua Língua-I uma periferia marcada maior que a de não letrados, dando conta de traços formais e parâmetros incompatíveis com os marcados na gramática nuclear (Kato 2005). Análise de duas coleções adotadas em turmas do ensino fundamental do Distrito Federal mostrou que o input apresentado parece não favorecer a distinção entre contextos de escrita formal e não formal, tendo em vista a ocorrência de construções híbridas: objetos diretos anafóricos representados por clíticos e por objetos nulos em um mesmo período ou oração, além da ausência de sugestões de eliciação ao professor, desconsiderando o conhecimento internalizado do falante (Chomsky 1986). Assim, a pesquisa proposta pode fornecer subsídios para a formulação de metodologias de ensino da escrita.

Palavras chave: clíticos acusativos de terceira pessoa, gerativismo, ensino, língua escrita, input.

 

Minibiografia:

Possui mestrado em Linguística – Universidade de Brasília (2007), graduação em Letras – Universidade de Brasília (2003) e é professora da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. Atualmente é aluna do Doutorado em Linguística na mesma instituição. Desenvolve pesquisa sobre ensino de língua portuguesa.


Comunicação 24

Aspectos Sintáticos da Anáfora em Estruturas Relativas na Língua de Sinais Brasileira

Autoras:

Lizandra Caires do Prado – UnB – caireslizandra@gmail.com

Rozana Reigota Naves – UnB/PPGL – rnaves@unb.br

Heloísa Maria Moreira Lima de Almeida Salles – UnB/PPGL – heloisasalles@gmail.com

 

Resumo:

Esse estudo analisa as relações anafóricas nas estruturas relativas em Língua de Sinais Brasileira (LSB), tendo como pressuposto teórico as análises gerativas. Para tanto, partimos das seguintes perguntas: (i) quais as estruturas relativas possíveis na LSB? (ii) há a presença ou não do antecedente e do termo relativizador? (iii) qual a função do elemento que ocupa a posição relativizada? e (iv) uma vez que os pronomes relativos são sempre anafóricos, existe a possibilidade de um contexto no qual o elemento criador da referência nessa língua não seja dêitico?  Partimos da hipótese de que a criação da referência em LSB é feita por um elemento localizador (Loc), realizado através da apontação de posições definidas no espaço de sinalização para indicar referentes presentes ou ausentes no espaço físico discursivo, os quais constituem a categoria dos determinantes, nessa língua (Cf. Prado e Lessa-de-Oliveira (2012, 2014) e Prado (2014)). A partir dessa análise, estudamos a relação da correferência em estruturas que envolvem um antecedente e uma outra posição referencialmente vinculada em uma oração sintaticamente dependente, que postulamos corresponder a uma estrutura relativa. Pela análise dos dados, observamos que o morfema relativo não aparece foneticamente realizado na sentença. Nesse sentido, as relativas em LSB ocorrem de duas maneiras: (i) antecedente (Loc + nominal) + elemento localizador relativizado manifesto ou nulo; e (ii) antecedente (Loc) + elemento localizador relativizado manifesto ou nulo. Além disso, o elemento localizador que ocupa a posição relativizada pode ser apagado.

Palavras-chave: Correferência. Dêixis. Estruturas relativas. Língua de Sinais Brasileira. Sintaxe.

 

Bibliografia:

CHOMSKY, Noam. Lectures on Government and Biding. Dordrecht: Foris
Publications; 1981. 371p.

KATO, M.; NUNES, J. A uniform raising analysis for standard and nonstandard relative
clauses in Brazilian Portuguese
, trabalho apresentado no Workshop do Projeto Temático: A Sintaxe do Português Brasileiro. 2007.

KAYNE, R. S. The Antisymmetry of Syntax. Cambridge: The MIT Press; 1994, 186p.

PRADO, L. C. A categoria dos determinantes na língua brasileira de sinais: aspectos sintáticos e de aquisição. Vitória da Conquista/BA, 2014. Dissertação (mestrado em Linguística). Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, 2014.

PRADO, L. C.; LESSA-DE-OLIVEIRA, Adriana S. C. . A Categoria dos Determinantes na Língua Brasileira de Sinais. In: Eloisa Nascimento Silva Piltati. (Org.). Temas em Teoria Gerativa: Homenagem a Lucia Lobato. 1ed.Brasília – DF: Blanche, 2016, v. 1, p. 157-167.

 

Minibiografia:

Lizandra Caires do Prado – Doutoranda em Linguística, pela Universidade de Brasília – UnB, é integrante da linha de pesquisa Teoria e Análise Linguística. Atualmente, dedica-se aos estudos sobre a Correferência em Estruturas Relativas da Língua de Sinais Brasileira – LSB, numa abordagem de análise gerativista. Possui mestrado em Linguística, pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, com uma análise acerca da estrutura formal dos elementos que compõem a categoria dos determinantes (DP) nessa língua, e graduação em Letras Vernáculas, pela mesma universidade. Possui experiência em Letras/Linguística, com ênfase em Aquisição da Linguagem e Sintaxe de Línguas Naturais, sobretudo nos aspectos gramaticais da LSB.

Heloisa Maria Moreira Lima Salles – tem graduação em Letras e Mestrado em Linguística pela Universidade de Brasília, e doutorado em Linguística pela University of Wales – Bangor/UK. É professora associada na Universidade de Brasília, atuando nos cursos de LIcenciatura e Bacharelado em Letras – Português, e na pós-graduação em Linguística. Desenvolve pesquisa científica na área de teoria e a análise linguística, investigando particularmente questões semânticas e sintáticas relativas à transitividade verbal, à subordinação oracional, ao sistema pronominal. No momento desenvolve projetos relativos à formação do Português Brasileiro, tendo como foco o contato de línguas na região Centro-Oeste, bem como as questões relativas ao ensino e à aquisição do português (escrito) no contexto educacional, adotando a perspectiva do português como primeira língua, e como segunda língua para surdos, em que se inclui a investigação da língua de sinais brasileira.


Comunicação 25

A ambiguidade nas relativas de grau do português brasileiro

Autor:

Wagner Luiz Ribeiro dos Santos – UnB/DF – wagnerlrs@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho busca, à luz da linguística gerativa (Kayne, 1994; Kato, 1996; Grosu & Landman 1998; Kenedy, 2014), bem como da psicolinguística (Ribeiro, 2005; FRAZIER, L. & RAYNER, K, 1982), discutir possíveis ambiguidades, entendidas como leituras duplas para as sentenças, encontradas em um tipo específico de orações relativas, as existenciais. As orações relativas, chamadas na GT de adjetivas, encontram-se divididas, tradicionalmente, em restritivas e apositivas. Aqui, trabalhamos com a possibilidade de mais uma leitura, as relativas de grau, que apresentam, seguindo Grosu & Landman (1998) Grosu (2002) e Szczegielniak (2012), uma leitura maximalização do nome relativizado. Tal leitura, para os autores, torna-se possível a partir da inserção de um DegP (Sintagma de Grau) que, movido de sua posição de base, seria o responsável pela leitura de grau máximo do nome envolvido no processo de relativização. Esse fenômeno pode ser encontrado em orações como “Eu trouxe comigo os livros que havia sobre a mesa”, classificada correntemente como restritiva e, a nosso ver, apresentando leitura de totalidade do nome relativizado. As orações de grau dividem-se em duas subclassificações: as relativas existenciais e as de quantidade. No caso das primeiras, haveria possibilidade de leitura ambígua, como ocorre em “Toquei para o curral as vacas que estavam no pasto”, em que temos leitura maximalizada, em que se compreende que todas as vacas que estavam no pasto foram conduzidas ao curral, como também a possibilidade de interpretação referencial-maximalizadora que somente as vacas que estavam no pasto foram conduzidas ao curral, em detrimento de outras que ali existiam, mas que, ainda assim, foram conduzidas todas as vacas que se encontravam no pasto naquele momento. Nesse caso, para que possamos clarear o processo de ambiguidade, lançamos mão da psicolinguística e de testes que comprovam a leitura dupla, bem como a preferência interpretativa dos falantes da língua.

Palavras-chave: Relativas. Gerativismo. Maximalização. Grau.

 

Minibiografia:

Wagner Santos é mestre em linguística pela Universidade de Brasília, pesquisando as relações sintático-semânticas das chamadas “relativas de grau”. Trabalha, há 15 anos, com o ensino de língua para o ensino básico, tendo passado por diversas escolas de Brasília, onde reside. Atualmente, é doutorando na mesma instituição em que concluiu o mestrado, ainda pesquisando as relativas de grau sob uma perspectiva gerativa, psicolingúistica e semântica.