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Simpósio 50

SIMPÓSIO 50 A CRONOLOGIA DO LÉXICO DO PORTUGUÊS

 

Coordenadores:

Esperança Cardeira | Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras | ecardeira@hotmail.com

Monica Lupetti | Universidade de Pisa | m.lupetti@rom.unipi.it

João Paulo Silvestre | King’s College London | joao.silvestre@kcl.ac.uk

Alina Villalva | Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras | alinavillalva@campus.ul.pt

 

Resumo:

Nos estudos lexicológicos, e na lexicografia em particular, a atribuição de uma marca cronológica a uma palavra decorre geralmente da identificação da sua primeira atestação. O acesso a bases de dados com uma crescente inclusão de fontes textuais tem motivado constantes antedatações e é esperável que a diversificação dos documentos que integram os diversos corpora em formação leve a uma sucessão deste tipo de acertos, sem que se  vislumbre a possibilidade de garantir ter chegado a uma datação definitiva. Os lexicólogos têm acesso a uma abundância de dados diacrónicos sem precedentes, mas é raro encontrar nos dicionários referências à ultima ou mais recente atestação de qualquer palavra, sendo, no entanto, frequente o apelo a conceitos como arcaísmo, palavra antiga ou desusada, nos instrumentos lexicográficos disponíveis.

Assim, vimos com esta proposta de simpósio abrir um espaço de debate sobre a revisão da cronologia das palavras, sugerindo, entre outros, os seguintes rumos:

  • O que mostra a data da primeira ocorrência de cada palavra?
  • Como se podem ou devem incorporar na datação as mudanças semânticas que possam ocorrer numa dada palavra?
  • Deve estabelecer-se uma correlação entre a datação de uma palavra complexa e a datação da sua base?
  • Com que critério se pode documentar o desuso das palavras?
  • É possível construir uma cronologia do léxico do Português?

Palavras-chave: Léxico, Dicionários, Datação, Cronologia.

 

Minibiografias:

Esperança Cardeira. Doutorada em Linguística Portuguesa Histórica pela Universidade de Lisboa. Professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigadora no Centro de Linguística da Universidade de Lisboa. As suas áreas de interesse científico: Linguística Histórica, Dialetologia, Filologia e Crítica Textual.

Monica Lupetti. Doutorada em Estudos Portugueses pela Universidade de Bari, investigadora de Língua Portuguesa na Universidade de Pisa (Dep. de Filologia, Literatura e Linguística). Áreas de investigação: Historiografia Gramatical e Lexicografia, Didática da Língua Portuguesa e Estudos de Tradução no âmbito das línguas de especialidade (economia/história do pensamento económico).

João Paulo Silvestre. Doutorado em Linguística Portuguesa pela Universidade de Aveiro. Professor no King’s College London e colaborador no Centro de Linguística da Universidade de Lisboa. As suas áreas de interesse científico: Linguística Histórica, Lexicologia e Lexicografia.

Alina Villalva. Doutora em Linguística pela Universidade de Lisboa.
Professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigadora no Centro de Linguística da Universidade de Lisboa. As suas áreas de interesse científico são o léxico e a morfologia. É autora de Estruturas Morfológicas. Unidades e Hierarquias nas
Palavras do Português (2000) e A Morfologia do Português (2008).

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

O tempo de vida das palavras, na interseção de dados documentais, coerência factual e gramática

 

Autora:

Alina Villalva – ULisboa–Faculdade de Letras – alinavillalva@campus.ul.pt

 

Resumo:

A crescente disponibilidade de corpora lexicais tem vindo a permitir à investigação lexicológica inúmeras possibilidades de antedatação do uso escrito das palavras. A qualidade filológica dos textos que integram essas bases de dados textuais é obviamente tão importante quanto a sua diversidade tipológica, e portanto a cobertura de campos lexicais distintos. Por razões deste tipo, é fácil deduzir que há ainda muito trabalho a fazer e que o futuro nos trará bases de dados lexicais ainda mais interessantes.

Neste quadro, os sucessos da antedatação são constantemente ameaçados. É muito provável que o recuo que a introdução de um novo texto permite hoje na datação de uma palavra seja amanhã substituído por uma marca de maior anterioridade. Mas essa não é a questão mais relevante, é apenas um dado do progresso do conhecimento.

As datas e as datações são interessantes apenas quando são significativas. Assim, em vez de se buscar com escrupulosa precisão uma fronteira a quo para o uso escrito de uma dada palavra, parece ser mais produtivo determinar, em traços mais largos, o seu tempo de vida e até o tempo de vida de cada uma das suas aceções, tendo em conta os requisitos da coerência factual e a lógica da mudança fonética e gramatical, mas este é realmente um trabalho esforçado.

Nesta apresentação discutirei alguns exemplos e apresentarei um modelo lexicográfico que procura integrar os dados obtidos por investigações deste tipo e que está a ser desenvolvido no âmbito do grupo Landlex, integrado na ação Cost ENeL.

Palavras-chave: léxico; datação; corpus textual; corpus lexical.

 

Minibiografia:

Professora e investigadora na Universidade de Lisboa (Faculdade de Letras e Centro de Linguística). Trabalha sobre palavras, quer no domínio da investigação lexicológica, quer no âmbito da morfologia e da formação de palavras. É autora de Estruturas Morfológicas. Unidades e Hierarquias nas Palavras do Português (1994, 2000); Morfologia do Português (2008) e co-autora de O Essencial sobre Liguística (2006), Introdução ao Estudo do Léxico. Descrição e Análise do Português (2014) e Estudos de Morfologia. Recortes e Abordagens (2017).


Comunicação 2

A CRONOLOGIA DO LÉXICO PORTUGUÊS E O DICIONÁRIO HISTÓRICO DO PORTUGUÊS DO BRASIL

Autora:

Maria Filomena Gonçalves – Universidade de Évora – mfg@uevora.pt

 

Resumo:

O objectivo desta comunicação é expor os problemas de natureza cronológica inerentes a um projecto lexicográfico como o Dicionário Histórico do Português do Brasil (séculos XVI a XVIII).

O DHPB assenta num corpus (Banco de Textos) representativo de três séculos da língua portuguesa. Como o próprio título realça, não se trata de um dicionário diacrónico, porquanto visa as unidades lexicais registadas em textos produzidos num recorte cronológico preciso (1500-1808). Elaborado expressamente para este projecto, o corpus tem-se revelado muito rico no que respeita a primeiras atestações e a antedatações, estando já a contribuir para a revisão do Dicionário Houaiss. Quer o DHPB quer o seu corpus sugerem reflexões que terão, certamente, toda a pertinência num debate em torno de questões propostas neste simpósio: a importância das primeiras atestações das palavras, a datação das ocorrências, o exercício de antedatação, a revisão da cronologia lexical nos dicionários disponíveis e em futuros projectos lexicográficos, a possibilidade/pertinência de datar mudanças semânticas e, ainda, a relação entre a datação de uma unidade complexa e a da base correspondente.

No processo de planificação e elaboração do DHPB a equipa do projecto teve de reflectir sobre os problemas inerentes à cronologia das unidades, motivo por que, no âmbito deste simpósio, o caso deste dicionário histórico servirá de testemunho acerca das dificuldades − teóricas e práticas − colocadas pela cronologia lexical do português.

Palavras-chave: léxico; Português; cronologia; história.

 

Minibiografia:

Maria Filomena Gonçalves é Professora Auxiliar com Agregação na Univ. Évora, com Doutoramento em Linguística Portuguesa e Agregação em História da Língua Portuguesa. Tem participado em projetos internacionais como: Dicionário Histórico do Português do Brasil (sécs. XVI a XVIII), CNPq, Brasil; La terminología azucarera atlántica: documentación e historia, Min. Economía y Competitividad, España; Portuguesismos atlánticos (siglos XVI y XVII), Min. Economía y Competitividad, España. Coordena o LPT (Literacias e Património Textual), grupo de investigação do Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS-UÉ/FCT).


Comunicação 3

Lexicon nosologicum polyglotton de Ph. A. Nemnich (1801).

Observações sobre o material português

Autor:

Przemysław Dębowiak – Universidade Jaguelónica de Cracóvia– pdebowiak@gmail.com

 

Resumo:

O primeiro objetivo da contribuição será apresentar o Lexicon nosologicum polyglotton omnium morborum, symptomatum vitiorumque naturae et affectionum propria nomina decem diversis linguis explicata continens (‘Léxico nosológico poliglota de todas as doenças, sintomas e defeitos naturais e contendo os nomes próprios de afeções explicados em dez línguas diferentes’) de Philipp Andreas Nemnich (1764–1822), enciclopedista e publicista alemão. Trata-se de uma obra lexicográfica multilingue pouco conhecida, publicada em 1801 em Hamburgo, que apresenta uma coleção de denominações de diversas doenças, moléstias, defeitos naturais e problemas de saúde, destinando-se ao uso prático dos médicos de várias especializações e de vários países.

O dicionário é constituído por dez partes. A primeira é o capítulo multilingue com entradas em latim seguidas de equivalentes em: alemão, holandês, dinamarquês, sueco, inglês, francês, italiano, espanhol e português. As restantes nove partes são capítulos bilingues com entradas nas respetivas línguas e equivalentes latinos. Assim, o último capítulo, intitulado Lexicon nosologicum lusitanico-latinum, contém 637 entradas portuguesas com equivalentes em latim (p.ex.: Arrotos. Ructus. || Escrofulas. Scrophulae. || Nó na tripa. Volvulus.). O segundo objetivo da intervenção será evidenciar e expor os traços caratéristicos do vocabulário português – arcaísmos gráfico-fonéticos, morfológicos, lexicais – incluído no primeiro e no último dos capítulos do Lexicon nosologicum.

Palavras-chave: Português; lexicografia; Ph.A. Nemnich; lexicologia; vocabulário nosológico.

 

Minibiografia:

Doutor em linguística românica, professor auxiliar no Instituto de Filologia Românica da Universidade Jaguelónica de Cracóvia (Polónia). Colabora também com o Instituto da Língua Polaca da Academia Polaca das Ciências. As suas principais áreas de interesse são: linguística histórica e comparativa, etimologia, lexicologia e dialetologia.


Comunicação 4

O Dicionário de Regionalismos e Arcaísmos de Leite de Vasconcelos – no cruzamento da dialectologia e da história do léxico     

Autor:

João Paulo Silvestre – King’s College London – joao.silvestre@kcl.ac.uk

 

Resumo:

O primeiro objetivo da comunicação é dar conta do trabalho de edição do Dicionário de Regionalismos e Arcaísmos, desenvolvido na Universidade de Lisboa e concluído em 2017, sob coordenação de Ivo Castro. Trata-se de um corpus manuscrito de anotações lexicológicas redigidas pelo filólogo Leite de Vasconcelos (1858-1941), em cerca de 23 mil verbetes.

O conjunto não foi concebido como trabalho preparatório para um dicionário e reúne reúne materiais de natureza diversa: apontamentos linguísticos recolhidos em trabalho de campo etnográfico, levantamento lexical de obras do património literário, fichas com informação lexical para trabalhos de investigação em curso ou anotações sobre recortes de imprensa.

A edição e a possibilidade de pesquisa eletrónica traz uma nova utilidade e corência a este conjunto de materiais. Por um lado, os diferentes verbetes referentes à mesma palavra são ordenados e fundidos numa entrada única, com eliminação das repetições e com a adição das citações e referências bibliográficas.  Por outro lado, a constituição destes novos macroartigos reúne informação de dialectologia e de história do léxico, que originalmente teria sido recolhida em momentos distintos.

Pretende-se, em segundo lugar, apresentar e caracterizar a nomenclatura deste dicionário: que por incidir sobre palavras classificadas como antigas, mas também sobre variedades dialectais,  traz um contributo para a cronologia do léxico, na medida em que testemunha a permanência, na língua portuguesa do início do século XX, de formas tradicionalmente classificadas como fora de uso.

Palavras-chave: lexicografia; edição; dialectologia.

 

Minibiografia:

Professor de Língua Portuguesa e Linguística no King’s College London e diretor do Camoes Centre da mesma universidade. Doutor em linguística portuguesa pela Universidade de Aveiro. Colaborou em projetos de edição de corpora lexicais diacrónicos (Corpus Lexicográfico do Português) e de história da lexicografia portuguesa. Desenvolveu investigação em história da ciência, na Universidade de Lisboa, sobre a obra de Leite de Vasconcelos.


Comunicação 5

CRONOLOGIA DA METÁTESE DO -i- EM SINCRONIAS PRETÉRITAS DO PORTUGUÊS

Autor:

Mário Eduardo Viaro-USP/NEHiLP– maeviaro@gmail.com

 

Resumo:

Dentre os fenômenos mais conhecidos da diacronia da língua portuguesa está a metátese do -i-, o qual invariavelmente parte de uma sílaba postônica, em situação de semivogal num ditongo decrescente, para a sílaba anterior, tônica, na qual formará um ditongo crescente. Os exemplos desse fenômeno diacrônico são vários, bastante conhecidos de quem conheça os fenômenos diacrônicos da língua portuguesa, pois já está presente nas mais antigas gramáticas históricas da língua portuguesa (Nunes 1906, 1919; Williams 1938). Há, contudo, uma relação pouco detalhada, nesta regra fonética, entre a consoante em que forma o papel de ataque silábico na sílaba postônica e a sincronia em que o fato acontece.  Assim sendo, a metátese latim -ri- > português -ir- é mais antiga que latim -si- > português -ix- e esta, mais antiga que a de latim -pi- > português -ib- (Viaro, 2015). No entanto, no nível das variantes ibéricas, observa-se que a cronologia desses fenômenos nem sempre é idêntica: uma metátese como o latim -pi- > castelhano *-ip- mostra que esse fenômeno ocorreu mais cedo no núcleo de dialetos que gerará a norma do castelhano, como pode confirmar a mudança latim sapiam > *saipa > *seipa castelhano sepa em contraste com o latim sapiam > sabia > português saiba. Por meio de dados e outras evidências da filologia românica será investigado esse fenômeno, assim como sua relação com reconstruções relativas à dialetologia histórica do português. Esses dados são confrontados com outros surgimentos da semivogal -i- na sílaba tônica do português, como o ocorrido em latim *lactem > *laite > leite, que não sofre metátese para a sílaba átona (a não ser recentemente, como atestam dados do português brasileiro moderno) como em latim *lactem > *laite > *leite > castelhano leche ou em latim factum > *faito > *feito > asturiano fechu.

Palavras-chave: metátese; cronologia; sincronias pretéritas; dialetologia histórica; filologia românica.

 

Minibiografia:

Graduação em Linguística/ Alemão pela Universidade de São Paulo (FFLCH/USP). Especialização em Tradução (língua alemã- CITRAT/FFLCH), Mestrado e Doutorado (área: Filologia Românica – DLCV/FFLCH) pela mesma universidade. Especializações em Mannheim/ Alemanha (DAAD – Institut für deutsche Sprache), Heidelberg (DAAD – Romanisches Seminar/ Universität Heidelberg) e em Chur/Suíça (Pro Helvetia – Lia Rumantscha/ Institut Rumancz Grischun). Pós-doutorado em Coimbra/ Portugal (FAPESP – Universidade de Coimbra). É professor livre-docente da Universidade de São Paulo e orienta na especialidade Morfologia Histórica. Coordena o grupo de pesquisa Morfologia Histórica do Português (www.usp.br/gmhp), cadastrado no CNPq e o Núcleo de apoio à pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa (NEHiLP), ligado à pró-Reitoria de Pesquisa, da USP.  É membro correspondente pelo Estado de São Paulo pela Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL) e tradutor juramentado de língua romena pela Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP). Atua principalmente nas seguintes áreas: língua portuguesa, linguística histórica, etimologia, morfologia histórica, sociolinguística, dialetologia do português e filologia românica.


Comunicação 6

O caso de liberto: datação e interpretação de alterações semânticas no léxico português

Autores:

Jorge Viana Santos-Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)/Brasil-viana.jorge.viana@gmail.com

Cristiane Namiuti-Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)/Brasil-cristianenamiuti@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho vem contribuir com o debate sobre a cronologia das palavras no léxico do português, com foco na área da Morfologia com recorte para a semantica lexical e a estrutura morfológica básica, questionando: Como datar e interpretar as alterações semânticas que possam ocorrer numa dada palavra em um dado tempo? Postula-se que as alterações lexicais pressupõem correlação entre a estrutura da palavra e o contexto histórico-social. Nesse sentido, objetivou-se analisar a palavra “liberto” nos sentidos veiculados no Brasil oitocentista, considerando as alterações semânticas ocorridas no contexto de alforria, para verificar se o mesmo funcionamento polissêmico proposto por Santos (2008) para a palavra “livre” está funcionando para “liberto”. Fundamentados em Villalva (1995), analisamos a palavra “liberto” em dados extraídos do corpus digital DOViC (Documentos Oitocentistas de Vitória da Conquista e Região – Bahia/Brasil) e detectamos duas estruturas morfológicas associadas aos sentidos veiculados na época, sendo uma delas ainda em uso e outra caída em desuso por motivo jurídico: a abolição da escravidão. A estrutura morfológica de “liberto”, nos textos oitocentistas analisados,  para designar a condição do alforriado (ex-escravo pré abolição), pressupõe uma estrutura de composição morfossintática: “escravo liberto”, convivendo com a palavra simples “liberto” cuja estrutura carrega apenas um radical complexo para a composição de seu sentido. Considerando que os sentidos de “liberto” estão relacionados a estruturas morfológicas diferentes, não se trata de polissemia da forma. O uso/desuso correlacionado por um fato histórico-social figura-se assim como um possível mecanismo geral a ser levado em conta para a datação e interpretação de alterações semânticas que possam ocorrer numa dada palavra em um dado tempo.

Palavras-chave: Léxico; Datação; Semântica; Sintaxe; Morfologia.

 

Minibiografias:

Jorge Viana Santos é Doutor em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2008). Pós-doutor pela Unicamp (2013). Professor Titular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin-UESB). Pesquisador do CNPQ, da FAPESB e da FAPESP. Coordenador do LAPELINC (Laboratório de Pesquisa em Linguística de Corpus/UESB, campus Vitória da Conquista-BA/Brasil).

Cristiane Namiuti é Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2008). Pós-doutora (UNICAMP, 2010). Professora Titular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin-UESB). Pesquisadora do CNPQ, da FAPESB e da FAPESP. Coordenadora do LAPELINC (Laboratório de Pesquisa em Linguística de Corpus/UESB, campus Vitória da Conquista-BA/Brasil).


Comunicação 7

Casos de relatinização

Autora:

Esperança Cardeira-ULisboa–Faculdade de Letras -ecardeira@hotmail.com

 

Resumo:

Os trabalhos sobre a história do português, em especial aqueles que incidem sobre o período clássico, mencionam frequentemente a relatinização da língua, encarada como um fator de elaboração linguística: a língua literária retoma o modelo latino, do qual decalca a sintaxe e o léxico. São bem conhecidos os latinismos que enriquecem o acervo lexical do português de Camões (ebúrneo, indómito, inopinado, altíssono, arquétipo, hemisfério…), os superlativos em –érrimo ou os adjetivos em –fero (misérrimo, aurífero), que ilustram a influência do modelo latino nos autores clássicos, influência que conduziu à eliminação de muitos termos patrimoniais. Em alguns casos, tratou-se da substituição de uma forma arcaica por outra mais próxima do latim (seenço/silêncio); em outros, a alteração parece ser meramente gráfica mas permitiu mudanças fonéticas (dino/digno). Embora, em geral, as histórias da língua portuguesa forneçam exemplos de relatinização do léxico, está ainda por fazer uma tipologia deste léxico relatinizado. Um primeiro passo poderia ser dado através da observação da cronologia das substituições, no sentido de verificar se são detetáveis tendências (substituições do tipo dino/digno serão contemporâneas ou anteriores a seenço/silêncio?). Dispomos, atualmente, de corpora de dimensões significativas, que sustentam novos estudos sobre processos de mudança linguística e que permitem uma descrição da mudança suportada por grandes quantidades de dados; a seleção de alguns casos de relatinização e o recurso ao Corpus do Português poderão contribuir para o traçado da cronologia da substituição do léxico.

Palavras-chave: léxico; relatinização; português médio; português clássico.

 

Minibiografia:

Professora na Faculdade de Letras e investigadora no Centro de Linguística da Universidade de Lisboa. As suas áreas de interesse científico: Linguística Histórica, Dialetologia, Filologia e Crítica Textual.