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Simpósio 5

SIMPÓSIO 5 – FIGURAS FEMININAS: HISTÓRIA E ESTÓRIAS COM MULHERES

 

Coordenadoras:

Aldinida Medeiros | Universidade Estadual da Paraíba | aldinidamedeiros@gmail.com

Ana Luísa Vilela | Universidade de Évora | analuisavilela@gmail.com

 

Resumo:

Por compreendermos que os estudos literários, através da ficção, concorrem para o aprimoramento da História oficial, consideramos que História e Literatura sempre estiveram interligadas, pois são constituídas por uma realidade discursiva na qual cada falante/escritor produz diversos discursos, dentro de uma realidade interpretada por diferentes pontos de vista. Assim, a Literatura e a História constituem duas áreas diferentes, mas apresentam estreitas afinidades e contaminações. Partindo do exposto, este Simpósio se propõe a acolher e discutir comunicações que apresentem como tema mulheres as quais, sendo figuras históricas, encontram-se também como personagens da ficção, assim como outras figuras que são apenas representações no universo das narrativas ficcionais. Consideramos que as figuras femininas tanto fazem História como escrevem estórias, de modo que, seja no âmbito da narratologia ou através de outra corrente teórico-crítica, as mulheres são mais que meras figurantes – pelo contrário, são figuras com trajetórias destacadas, sujeitos de discursos múltiplos e lugares confirmados na luta por mundo mais justo.

 

Palavras-chave: Mulheres, Sujeitos de enunciação, História, narrativas, ficção.

 

Minibiografias:

Aldinida Medeiros

Professora de Literaturas de Língua Portuguesa na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Líder do Grupo de Pesquisa Estudos Literários Lusófonos e membro do Grupo Interdisciplinar de Estudos Medievais, ambos do CNPq. Atua principalmente na linha de pesquisa que trata das relações entre Literatura, História e questões de gênero. Orienta trabalhos nas áreas de Literatura Portuguesa e Literatura Comparada. Organizou livros e tem publicações em periódicos, revistas e Anais de eventos científicos nacionais e internacionais. Apresentou, em 2016, ensaio de conclusão de Pós-doutoramento à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Ana Luísa Vilela

Professora de Literatura Portuguesa na Universidade de Évora e membro do CLP (FLUC). Investiga nos âmbitos dos estudos queirosianos e da literatura portuguesa contemporânea. Integra a equipa responsável pela edição crítica das obras de Eça de Queirós. Coordena a edição de inéditos de Raul de Carvalho e fez o tratamento e inventariação do espólio de Florbela Espanca (Vila Viçosa). Tem publicado, organizado e orientado diversos livros, teses de mestrado e doutoramento, capítulos de livros, ensaios e entradas de dicionários.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A memória em dissipação: estórias de memórias de mulheres no romance contemporâneo

Autora:

Adenize Aparecida Franco – UNICENTRO/ Guarapuava/PR – adenizeafranco@gmail.com

 

Resumo:

Ventos do apocalipse (1999), da escritora moçambicana Paulina Chiziane, A chave da casa (2007), da brasileira Tatiana Salem Levy e Os memoráveis (2014), da portuguesa Lídia Jorge, são os romances contemporâneos a partir dos quais esta pesquisa busca diagnosticar a relação que a Literatura Contemporânea estabelece com o passado histórico recente. Relação efetivada em alguns romances exponenciais produzidos por escritoras portuguesas, brasileiras e africanas de língua portuguesa. Esta pesquisa se dá a partir da leitura e análise de narrativas contemporâneas de língua portuguesa produzidas nas últimas duas décadas (1994-2014) por mulheres. De forma mais específica, para esse trabalho, pretende-se apresentar um levantamento dos romances editados no espaço de tempo delimitado, considerando a pertinência da publicação em relação aos tópicos de estudo. Além disso, um enquadramento quantitativo da presença da temática levantada será feito para proceder às considerações sobre os elementos colhidos. Desse modo, analisamos de que forma o romance contemporâneo em língua portuguesa apresenta a recuperação da memória recente, especialmente, no que concerne aos fatos históricos e pós-traumáticos (abertura política nos estados totalitários, conflitos pós-colonias e ataques terroristas). A metodologia do trabalho é analítica contando com um diagnóstico inicial que prevê a apresentação de romances publicados por autoras no período selecionado e, destes, os que convergem para a discussão da memória e da história. O aporte teórico está sustentado em Andreas Huyssen, Walter Benjamin, Theodor Adorno, Stuart Hall, Franz Fanon e Homi Bhabha. Como resultados, procurou-se para esse momento, levantar discussões e análises comparativas entre os romances assinalados, considerando-os obras relevantes que, a seu modo e a seu tempo, convergem para a discussão da memória recente escrita por mulheres e denotam a luta pelo empoderamento feminino em espaços destroçados pelos regimes totalitários e pela memória dissipada pelo tempo.

Palavras-chave: Paulina Chiziane; Tatiana Salem Levy; Lídia Jorge; memória; romance contemporâneo.

 

Minibiografias:

Professora Adjunta B do curso de Letras na UNICENTRO e professora do Programa de Pós-Graduação PROFLETRAS-UENP. Doutora em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e graduação em Letras Português – Literatura pela Universidade Estadual do Centro Oeste (UNICENTRO). Atua, principalmente, nos seguintes temas: Literatura Contemporânea de Língua Portuguesa, Memória, Estudos Comparados.


Comunicação 2

A sensibilidade feminina na ficção de Clarice Lispector

Autora:

Adriana Mello Guimarães – Instituto Politécnico de Portalegre/ Clepul –  adrianamello@esep.pt

 

Resumo:

Como se revela a sensibilidade feminina na ficção de Clarice Lispector? Eis a pergunta que nos orienta, e que de certo modo nos propomos responder, mas não de maneira completa, nem categórica, senão a partir da estória da personagem Macabéa em A hora da estrela. Trata-se aqui, como um progresso, da inserção da mulher na sociedade em que prevalecem valores masculinos, cujo êxito depende paradoxalmente da condenação da sensibilidade feminina. A consciência dessa lógica perversa torna-se necessária, conforme a autora: “O que eu escrevo um outro escreveria. Um outro escritor, sim, mas teria que ser homem porque escritora mulher pode lacrimejar piegas”. Mas o que seria tal fragilidade, em face de valores masculinos, senão o resultado de uma “violência suave, insensível, invisível às próprias vítimas, que se exerce essencialmente pelas vias puramente simbólicas da comunicação e do conhecimento”? Nesse sentido, a consciência de si adquirida pela mulher em sua participação cada vez mais ampla no mundo da vida representa, simultaneamente, tanto liberdade quanto aprisionamento. Nesse contexto, queremos essencialmente identificar e ressaltar os momentos paradigmáticos que acompanham a relação desigual estabelecida entre Macabéa e o narrador masculino de sua estória.

Palavras-chave: Clarice Lispector; sensibilidade feminina; mulheres.

 

Minibiografia:

Doutora em Literatura pela Universidade de Évora, professora adjunta convidada na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Portalegre. É mestre em Estudos Lusófonos (Universidade de Évora) e licenciada em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Participa no Centro de Filosofia Brasileira da UFRJ com relação aos estudos de Filosofia e Literatura de língua portuguesa, e também é membro do CLEPUL.


Comunicação 3

Denúncia e resistência feminina em O alegre canto da perdiz de Paulina Chiziane

 

Autoras:

Algemira de Macedo Mendes – UESPI-UEMA – ajemacedo@ig.com.br

Aurea Regina do Nascimento Santos – IFPI – aureasantos@ifpi.edu.br

 

Resumo:

Apresentaremos neste trabalho o romance O Alegre Canto da Perdiz (2008), de Paulina Chiziane, focando a trajetória das personagens Delfina e Maria das Dores, apontando para a construção de um discurso feminino que denuncia o estado a que a mulher moçambicana foi submetida, sobretudo durante a colonização. O romance, ao contar a saga dessas duas mulheres (mãe e filha), também faz uma releitura da origem dos povos e da história de África. Além das questões que marcam a secular submissão da mulher ao universo do homem em certas sociedades africanas, Paulina Chiziane leva o leitor a confrontar-se também com a questão do reducionismo praticado por quem olha a África de fora e procura apresentar a sua história e sua literatura como se o continente africano se tratasse de um só país. Ao resgatar lendas do matriarcado, identificaremos, no percurso das personagens, os aspectos do feminino singular de Paulina Chiziane.

Palavras-chave: Paulina Chiziane; Pós-colonialismo; Denúncia; Escrita feminina; Resistência.

 

Minibiografias:

Algemira de Macedo Mendes – graduada  em Licenciatura Plena em Letras pela UESPI (1993), Mestrado em Teoria Literária pela UFPE (2002), Doutorado em Letras pela PUCRS (2006), Pós- doutora em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Universidade de Lisboa. Professora Associada da Universidade Estadual do Piauí,/Universidade Estadual do Maranhão ,atuando na Graduação e no Mestrado em Letras . Coordena o Mestrado Acadêmico em Letras , o Núcleo de Estudos Literários Piauienses -NELIPI,NELG. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Feminina, História da Literatura, atua  principalmente nos seguintes temas: Literatura brasileira, Literatura piauiense, Literatura e ensino e Africanas de Língua Portuguesa.

Aurea Regina do  Nascimento  Santos – docente de Língua Inglesa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI). Atua, também, como Diretora de Relações Internacionais do IFPI. Mestra em Letras pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI (2016). Foi Visiting Scholar da Comissão Fulbright, tendo atuado como Professora Assistente junto ao Departamento de Línguas e Literaturas Modernas da Universidade de Nebraska-Lincoln (EUA), onde lecionou Língua Portuguesa.


Comunicação 4

Se han dicho tantas cosas sobre mí! Una pocas, verdaderas ; otras muchas, falsas; y bastantes, simplemente bobadas.  A auto-representação de Cayetana, XVIII Duquesa de Alba

Autoras:

Ana Clara Birrento – Universidade de Évora/ CEL-UE – birrento@uevora.pt

Maria Helena Saianda – Universidade de Évora/ CEL-UE – mhrs@uevora.pt

Olga Baptista Gonçalves – Universidade de Évora/ CEL-UE – obg@uevora.pt

 

Resumo:

A importância histórica de Cayetana, Duquesa de Alba, figura ímpar no panorama espanhol e internacional, leva-nos a propor a presente comunicação, cujo objetivo primordial é o de analisar a sua escrita autobiográfica, assente, como ela própria o confessa, en la tarea de reavivar mi memória. Num percurso que começa na sua infância e que termina com o reconhecimento de uma vida vivida intensamente, comprovando que después de cada oscuro túnel que parecía interminable siempre he visto la luz, Cayetana selecciona experiências familiares, educativas, religiosas, sociais e históricas, construtoras da sua identidade, refazendo o caminho que dá sentido à estrutura do passado.

Auto-representando-se por meio de uma voz multidimensional, que, na reconfiguração do EU na enunciação, converte o passado e o transforma em história, permite à Duquesa de Alba, Grande de Espanha, convencer o leitor da existência de um outro nível de abstracção: a do seu SER individual, face ao que os outros pensam e escrevem sobre ela, nomeadamente a imprensa.  A projecção ontológica é, assim, articulada com um projecto epistemológico, na medida em que ao mesmo tempo que uma esfera do SER é proposta, essa mesma esfera baseia-se numa conjuntura histórica e social.

Propomo-nos, pois, analisar, a partir de uma abordagem semio-linguística e de estudos de identidade, como as esferas privada e pública ajudam a construir a identidade de Cayetana, nas condições de possibilidade que cria para si, nas escolhas subjectivas que faz, influenciadas por vários factores externos.

Palavras chave: representação; identidade, discurso; semio-linguística; História.

Minibiografias:

Ana Clara Birrento – doutorada em Literatura Inglesa pela Universidade de Évora, é Professora Auxiliar de Literatura Inglesa  e de Cultura Inglesa no Departamento de Linguística e Literaturas da mesma Universidade, e membro do Centro de Estudos em Letras (CEL-UÉ). Lecciona também no âmbito dos cursos de Mestrado, Literatura e Estudos Culturais e Cultura e Tradução.  Investiga sobre Literatura e Cultura Inglesa do século XIX, estudos de identidade e de género, autobiografia, questões de representação e comunidades ficcionais. Tem orientado dissertações de mestrado e publicado capítulos de livro, livro e artigos vários.

Maria Helena Saianda –  doutorada em Linguística Portuguesa pela Universidade de Évora, é Professora Auxiliar aposentada da Universidade de Évora e membro do Centro de Estudos em Letras (CEL-UÉ). Investiga Análise do Discurso Político e Autobiográfico, oral e escrito e tem orientado teses de doutoramento nesta área. Tem, igualmente, publicado vários artigos sobre a matéria.

Olga Baptista Gonçalves – doutorada em Linguística pela Universidade de Évora e Professora Auxiliar no Departamento de Linguística e Literaturas. Lecciona Língua Inglesa para Fins Académicos e Específicos e Linguística Inglesa a cursos de 1º Ciclo, bem como Discurso e Tradução ao curso de Mestrado em Línguas e Linguística: Tradução e Ciências da Linguagem.  É membro do Centro de Estudos em Letras  (CEL-UÈ) onde tem desenvolvido investigação em Análise do Discurso oral e escrito, nomeadamente em análise do discurso político e autobiográfico.  Tem orientado dissertações de mestrado e de doutoramento.


Comunicação 5

(Des) costurando o vestido: O problema do cânone e da representação de gênero no poema narrativo de Carlos Drummond de Andrade “O caso do Vestido”

 

Autora:

Andréa Morais Costa Buhler – Universidade Estadual da Paraíba – UEPB – arque1984@gmail.com

 

Resumo:

O problema da representação, o qual aparece implicado nos debates sobre o estatuto da arte, é, nos tempos modernos, validado ou questionado sob a arregimentação de alguns critérios, conforme o discurso em voga.  É nesse sentido que, como desdobramento analítico do estruturalismo, os estudos culturais, a partir de 1960, vai problematizar e questionar o cânone ocidental protagonizado pela autoria masculina. Lado a lado, a crítica feminista, enfatizando o “descentramento” dos textos canônicos, propõe o resgate de obras de autoria feminina, já que, tomando como postulado as práticas discursivas e ideológicas, a representação do feminino pelo filtro masculino, o qual é moldado valorativamente pela cultura, perfilaria estereotipias regidas pela lógica patriarcal.  Tal posição inaugura aporias em torno da especificidade da experiência estética literária, em que a dimensão do Fingere, equivalente a um “enfiar-se na pele do outro”, validaria, entre outros aspectos, o estatuto da arte literária.  No âmbito dessas reflexões é que nos propomos a investigar o poema–narrativo de Carlos Drummond de Andrade, “O Caso do Vestido”, publicado na Rosa do Povo, em 1945, de modo a identificar o problema da representação do feminino no poema, tomando como aporte teórico alguns estudiosos que abordam a obra do escritor mineiro, o problema da representação (Luiz Costa Lima, 2003; 2012; Benedito Nunes, 2010), discurso literário e cânone  (Bakhtin 1992, Eneida Maria de Souza, 2002;) e gênero (Showalter, 1994;  Schmidt, R.T, 1995).

Palavras-chave: Cânone; representação; gênero; Drummond.

 

Minibiografias:

Andréa Morais Costa Buhler tem doutorado na obra de João Guimarães Rosa, desenvolve pesquisa na linha do ensino da literatura e suas representações canônicas, e ensina os componentes das teorias literárias na Universidade Estadual da Paraíba.  


Comunicação 6

A labilidade das fronteiras na prosa Florbeliana

Autora:

Andreia Bezerra de Lima – Universidade Federal Rural de Pernambuco – andreiaipcg@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho tem por finalidade expor um estudo sobre a auto representação de si na contística de Florbela Espanca. Para tanto, discutiremos a respeito das teorias sobre escritas de si, tomando por base Philippe Lejeune (2008); Diana Klinger (2012); Leonor Arfuch (2010); Dal Farra (1978), dentre outros; uma vez que se faz relevante esclarecer questões a respeito da escrita autobiográfica e a dinâmica contratual entre autor e leitor, da autobiografia e autoficção, o lugar do espaço biográfico e seus dilemas, a postura do narrador e do autor implícito e tantos outros aspectos que surgem quando nos debruçamos sobre o estudo da literatura que se pretende confessional. Desta feita, para realizar tal discussão, faz se necessário uma breve incursão pelo panorama histórico literário e pela produção em prosa de Florbela, afinada com a poética da autora e com seus biografemas ,no entanto, vale ressaltar que não se deve enxergar a escrita de Florbela Espanca apenas como “desnudamento do seu ser”, pois, por mais que uma obra literária apresente implicações autobiográficas, ela será sempre muito maior que a realidade circundante do autor e de sua expressão individual. Ademais, realizaremos uma leitura interpretativa dos contos presentes no livro As máscaras do destino a fim de dialogar com a teoria apresentada, pois, percebemos neste livro uma tentativa constante, da autora, de trabalhar o luto por seu irmão. A escrita funciona como uma catarse, ou seja, parece que escrever traz conforto à sua alma que sofreu um choque emocional provocado pela vivencia de um acontecimento dramático; aludimos que em alguns contos a escritora atua como atriz de seu próprio espetáculo, demonstrando como agiria a poetisa em momentos cruciais de sua vida, criando uma ficção de si mesma.

Palavras-chave: Florbela Espanca; Escritas de si; Máscaras ficcionais; Fronteiras Autoficção.

 

Minibiografias:

Professora de Literatura Portuguesa da Universidade Federal Rural do Pernambuco, doutoranda no programa de pós – graduação em Literatura e Interculturalidade pela Universidade Estadual da Paraíba – UEPB; participa dos grupos de pesquisa Estudos Literários Lusófonos e Memória e Imaginário nas Literaturas Brasileira e Africanas de Autoria Feminina, ambos do CNPQ.


Comunicação 7

Histórias e Estórias femininas: uma vítima da Inquisição reinventada pela literatura

Autor:

Angelo Adriano Faria de Assis – Universidade Federal de Viçosa – angeloassis@uol.com.br / angeloassis@ufv.br

 

Resumo:

É conhecido o avanço dos estudos acerca da intolerância inquisitorial no Brasil durante as últimas décadas. Hoje, já falamos da quarta ou quinta gerações de pesquisadores da estrutura, representantes e funcionamento do Santo Ofício, de sua presença na América portuguesa e das vítimas que sofreram com a ação do Tribunal. Mas não se limita à historiografia os estudos e produções sobre o tema. Música, poesia, teatro, romance: textos literários têm se debruçado sobre o assunto, e a ficção ajudado à História na narrativa das perseguições inquisitoriais. Alguns destes textos recuperam ou mesmo recriam a trajetória de personagens realmente vitimados pela Inquisição, usando documentação do Santo Ofício para narrar a trama do texto e dar veracidade às descrições. É o caso de obras ficcionais sobre a cristã-nova Branca Dias, natural de Viana do Castelo, mulher que viveu no Brasil durante a segunda metade do século XVI e foi fortemente denunciada e processada pelo Tribunal do Santo Ofício da Inquisição durante sua primeira visitação à América portuguesa, entre 1591-95, acusada de manter práticas judaicas. Branca Dias virou personagem de três obras que serão analisadas nesta comunicação: O Santo Inquérito, de Dias Gomes (1966); Memórias de Branca Dias, de Miguel Real (2003) e Branca Dias: o martírio, de Arnaldo Niskier (2006). Cada uma destas obras reconstrói a personagem de formas distintas, mesclando as Brancas históricas, mitológicas e ficcionais. Todas, porém, auxiliam no esforço de compreensão do papel desempenhado por estas mulheres no processo de resistência e continuidade religiosa, repassando suas crenças aos descendentes. Este trabalho objetiva analisar como algumas destas obras descrevem as práticas do Santo Ofício e dos indivíduos que foram denunciados e/ou processados pelo Santo Tribunal.

Palavras-chave: Inquisição; resistência religiosa; criptojudaísmo feminino; relações entre Literatura e História.

 

Minibiografia:

Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (2004); Professor da Universidade Federal de Viçosa, onde atua na Graduação em História e nos Mestrados em Letras e Patrimônio Cultural, Paisagens e Cidadania. Pesquisador da Cátedra de Estudos Sefarditas “Alberto Benveniste” da Universidade de Lisboa. Tem artigos e livros na área de História do Brasil Colônia, Inquisição, religiões e religiosidades no mundo iberoamericano; criptojudaísmo; cristãos-novos; literatura, história e memória.


Comunicação 8

A salvação em dois atos: análise das estratégias argumentativas nos enunciados de Jesus dirigidos à Mulher Samaritana e à Mulher Adúltera, no contexto bíblico

Autores:

Aristóteles de Almeida Lacerda Neto – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) – aristoteles.lacerda@ifma.edu.br

Diana Sousa Silva Correa – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) – diana.correa@ifma.edu.br

 

Resumo:

Jesus promove a ruptura com a ordem da sociedade patriarcal quando desperta a potencialidade da mulher, restituindo-lhe sua integridade e dignidade. Isso motivou-nos a investigar a manifestação discursiva de Cristo na Bíblia. O objetivo do presente trabalho é analisar as estratégias argumentativas nos enunciados do referido personagem, dirigidos à Mulher Samaritana e à Mulher Adúltera, no contexto bíblico. Para a realização do presente estudo, recorremos à Teoria Semiolinguística, de Patrick Charaudeau (2010), que concebe a significação como um ato resultante não só das circunstâncias da enunciação, como também das possibilidades interpretativas do destinatário ao qual o discurso é dirigido. Os objetos de análise são os Capítulos 4 e 8 do Evangelho de João, conforme estão plasmados na Bíblia de Jerusalém. Na verificação proposta, nosso foco recai na observação da proposta de mundo que é marcada pelo privilégio de uns (homens) em detrimento de outros (mulheres), e na análise dos procedimentos que caracterizam o discurso da Salvação. Serão avaliados os efeitos de sentido resultantes das estratégias argumentativas na construção da força persuasiva desses enunciados, para a legitimação da mulher na sociedade judaica. Observamos que os procedimentos utilizados no discurso da salvação agem como instrumentos persuasivos sobre as interlocutoras de Jesus, aspecto que evidencia que o discurso em comento configura-se como uma atividade argumentativa, que corrobora a salvação e a esperança evangélicas.

Palavras-chave: Teoria Semiolinguística; Discurso da Salvação; Jesus; Mulheres; Bíblia.

 

Minibiografias:

Aristóteles de Almeida Lacerda Neto possui graduação em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (2003), mestrado (2006) e doutorado (2012) em Letras pela referida Universidade. Atualmente é professor de ensino básico, técnico e tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão. Desenvolve estudos no campo da Literatura Comparada e da Análise do Discurso.

Diana Sousa Silva Correa possui graduação em Letras e Respectivas Literaturas (2014) pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e especialização em Língua Portuguesa e Literatura (2015) pelo Instituto de Estudos Fundamentais e Avançados de Santa Inês (IEFA). É professora de ensino básico, técnico e tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Análise do Discurso.


Comunicação 9

Soror Mariana Alcoforado em várias vozes

Autora:

Beatriz Weigert – Universidade de Évora/ CLEPUL – beatriz.weigert@gmail.com

 

Resumo:

Soror Mariana Alcoforado (1640-1723), nascida em Beja é levada, aos 11 anos, para o Convento de Nossa Senhora da Conceição desta cidade. Por ocasião das Guerras da Restauração do Império Português, conhece um soldado da milícia francesa e com ele, envolve-se em uma história de amor. Quando ele volta de regresso à França, a freira fica desolada e lhe escreve cinco cartas. Essas cartas, sem registo de autoria, são traduzidas do português para o francês e geram interesse nos salões elegantes de Paris. Um editor as transforma no livro Lettres Portugaises, em 1669, e, mesmo havendo polémica sobre a autoria, é traduzido para outras línguas. Enquanto as cartas ganham fama em vários países, este livro é editado em Portugal somente no século XIX. De sucesso garantido pela ousadia da escrita, o lamento da freira abandonada inspira tanto as artes plásticas, como as artes cénicas e as literárias. Ressaltem-se as obras que vão sendo editadas ao longo dos anos. Tem-se, entre muitas, Novas Cartas Portuguesas, de 1972, da autoria das Três Marias: Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta. Leia-se Mariana, de Katherin Vaz,1998; Mariana, todas as cartas, de Cristina Silva, 2002; O amor proibido de uma freira portuguesa, de Myriam Cyr, 2006. Contem-se as obras de teatro de Júlio Dantas, Soror Mariana, 1915, e de Jorge Guimarães, Marianna Alcoforado, 2000. Anote-se ainda a obra coletiva de Cartas a Mariana, de 2005, em que escritores e artistas plásticos travestiram-se do Cavalheiro sedutor para responder à freira apaixonada.

Palavras-chave: Literatura Portuguesa; Soror Mariana Alcoforado; Escrita Feminina; Epistolografia.

 

Minibiografia:

Beatriz Weigert, nascida em Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil, é professora aposentada da Universidade de Évora e membro integrante do CLEPUL – Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Seu Doutoramento foi realizado na Universidade de Lisboa e sua tese está publicada sob o título Retórica e Carnavalização: Nélida Piñon e Maria Velho da Costa. É estudiosa das Literaturas da Língua Portuguesa. Seu trabalho de investigação tem sido divulgado, no país e no estrangeiro, em publicações de órgãos especializados e em eventos científicos e culturais.


Comunicação 10

Ser ou não Ser Ofélia…

Autora:

Carla Ferreira de Castro – Universidade de Évora (CETAPS e CEL) – ccastro@uevora.pt

 

Resumo:

A partir da personagem Ofélia, criada por William Shakespeare, em Hamlet, procurar-se-á reler os momentos paradigmáticos que acompanham a figura feminina no texto dramático shakespeariano, à luz da estética da recepção, considerando os excertos textuais e visuais selecionados numa perspectiva múltipla de produção, recepção e comunicação, centrados nos autores e nas obras, mas também nos leitores, espectadores, ou ouvintes. A partir da imagem do corpo de Ofélia, morta no rio, por acidente ou por suicídio (de acordo com a fonte original apontada para a inspiração de Shakespeare), estabelecer-se-á três pontos de intertextualidade:

  1. O quadro “Ophelia” de John Everett Millais (1852-52) que reproduz pictoricamente a cena vii, do IV acto de Hamlet, o momento em que Ofélia se afoga;
  2. As imagens referentes à morte da personagem Laura Palmer, na série para televisão Twin Peaks (1991), criada por David Lynch e Mark Frost;
  3. O vídeoclipe “Where the Wild Roses Grow” interpretado por Nick Cave e Kylie Minogue (1995) em que a imagem da morte ritual na água é igualmente recriada.

No paralelismo do texto com os três momentos enumerados, o simbolismo da perda, da dor e do trauma funcionam como denominador comum a Shakespeare, Millais , Lynch e Cave.

Palavras-chave: Ofélia; Shakespeare; Millais; Lynch; Cave.

 

Minibiografia:

Doutorada em Literatura Inglesa pela Universidade de Évora. Professora Auxiliar no Departamento de Linguística e Literaturas, da Universidade de Évora. Autora de livros e artigos publicados em revistas da especialidade na área da Literatura Inglesa, Literatura e Artes, Estudos Teatrais e Artes Performativas. Tradutora de livros e artigos científicos e Literários em Português, Inglês e Espanhol.


Comunicação 11

Literatura e História na ficção de autoria feminina

Autora:

Cecil Jeanine Albert Zinani – Universidade de Caxias do Sul – UCS – cezinani@terra.com.br

 

Resumo:

A História recente do Brasil, assim como de muitos países da América Latina, tem sido tematizada por muitos ficcionistas engajados em um duplo propósito: produzir uma obra literária e manter a memória de fatos ocorridos durante os períodos de exceção, enunciando-os a partir de uma perspectiva não oficial, sem compromisso com a discutível “verdade histórica”, tarefa na qual engajaram-se renomadas escritoras, tanto no Brasil, quanto em países que passaram por períodos ditatoriais. Da brasileira Ana Maria Machado, a obra Tropical sol da liberdade (2005) focaliza a ditadura ocorrida no Brasil, a partir da história de Lena, jornalista, que acompanha os acontecimentos pós-64,  sendo perseguida e exilando-se. Lena recupera fatos daquele período, procurando fixá-los, em uma peça de teatro, para que não se sejam esquecidos. A chilena Marcela Serrano é autora de Nós que nos amávamos tanto (2005), obra que aborda a ditadura chilena, por meio da história de quatro amigas, que se reúnem, ao final do período de repressão. Entre os aspectos relevantes, apresentados em ambas as obras, verifica-se a questão do exílio, assunto menos frequente nessa modalidade de literatura. O exílio é discutido na perspectiva do exilado, o que destitui muitas crenças que se instituíram a respeito dos grupos de exilados. Esse aspecto é apresentado do ponto de vista de uma personagem feminina. Nessas obras, é relevante a questão da memória, pois é por meio dela que são resgatados os fatos que constituem o substrato histórico. Assim, neste trabalho, examina-se como o tema do exílio é apresentado nessas obras, discutindo-o à luz de pressupostos da memória, história e autoria feminina, com base em Pollak (1989),  Rollemberg (1999), Certeau (2002), Showalter (1994).

Palavras-chave: Literatura; Memória; História; Exílio; Autoria feminina.

 

Minibiografia:

Cecil Jeanine Albert Zinani é doutora em Literatura Comparada (UFRGS), com estágio pós-doutoral na linha de pesquisa Memória e História (PUCRS). É professora titular e pesquisadora na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Tem publicado artigos em periódicos científicos e capítulos de livros; organizado e participado de organização de obras. Escreveu: Literatura e gênero: a construção da identidade feminina (2. ed. Caxias do Sul: Educs, 2013) e História da literatura: questões contemporâneas (Caxias do Sul: Educs, 2010).


 Comunicação 12

Rita, Evarista e olhares sobre o feminino no séc. XXI

Autoras:

Celia Abicalil Belmiro – FaE/UFMG – celiaabicalil@gmail.com

Caroline Peixoto e Silva Cassavari – FaE/UFMG – carolpeixoto19@hotmail.com

 

Resumo:

Este texto considera a importância da constituição do feminino em Machado de Assis, para discutir a representação da mulher no séc. XIX em contraposição à primeira década do séc. XXI. Dois contos dão margem à análise da construção das figuras femininas: de Rita, pivô de um triangulo amoroso, em “A Cartomante”; e de Evarista, esposa de Simão Bacamarte em “O Alienista”, ambas em graphic novel. Endereçados a diferentes públicos – crianças, jovens e adultos –, a orientação de leitura, através dos modos de ler e dizer dada pelos ilustradores, expõe diferentes olhares e percepções sobre a mulher. Para tal estudo, foram analisadas comparativamente três publicações de “A Cartomante” e quatro publicações de “O Alienista”. Com base em estudos sobre graphic novels, como os de McCloud, Ramos e Eisner, buscou-se compreender a natureza híbrida dessa linguagem, observando as soluções dadas às interações entre as linguagens verbal e visual. O conceito benjaminiano de tradução participa, juntamente com o de transcriação, de Haroldo Campos, do mapa conceitual deste estudo, além de proposições de pesquisadores, como Amorim e Feijó, que embasa as discussões sobre adaptação literária, e Barbosa, que considera tais publicações como uma forma de tradução. Diante da riqueza das produções artísticas que operam tais transposições, buscou-se verificar, nas sete obras analisadas, os diálogos que se constroem entre literatura, artes visuais, design gráfico, educação, de forma a pensar como a reatualização de clássicos da literatura em novos formatos permite a contínua discussão dos diferentes discursos que se produz sobre a mulher.

Palavras-chave: Texto literário; Graphic Novel; Adaptação; Tradução; Figuras do Feminino.

 

Minibiografias:

Celia Abicalil Belmiro – professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação – UFMG, Brasil, pós-doutorado na University of Cambridge-UK, pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita – (CEALE/UFMG). Coordena grupos de pesquisa em letramento literário e formação de leitores literários, com diversas publicações. É editora de livros sobre educação literária, editora adjunta do periódico Educação em Revista , da Pós-Graduação da FaE/UFMG.

Caroline Peixoto e Silva Cassavari – professora de Língua Portuguesa da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte, graduada em Letras Inglês e Português pela Faculdade de Letras – UFMG, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação – UFMG. A partir do trabalho “Machado de Assis em graphic novel: adaptação ou tradução?”, pesquisa graphic novels baseadas em obras literárias brasileiras.


Comunicação 13

Mariana, Marianas – do cânone alcoforadista às releituras contemporâneas

 

Autora:

Claudia Atanazio Valentim – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro – catanzio@gmail.com

 

Resumo:

Mariana Alcoforado, personagem feminina do século XVII português, ora faz história como freira de um convento do Alentejo – o Real Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição, em Beja –, ora escreve estória, como signatária de um conjunto de cinco cartas enviadas a Noël Button, o Conde de Chamilly.

Oscilando entre o fato – há aqueles que defendem a verdade da sua existência e atribuem a ela própria a escrita das cartas – e a ficção – outros veem-na como uma personagem forjada por literato(s) francês(es), uma freira que viveu num reino distante, na periferia cultural, como diz Ana Klobucka, em Mariana Alcoforado: formação de um mito cultural, e é protagonista de um amor proibido com um oficial francês que lutara durante as guerras da Restauração –, as pesquisas desenvolvidas acerca da autoria das cartas até o presente momento não apontam para uma conclusão indubitável. E, de maneira alguma, isto interfere tanto na qualidade do texto literário, quanto na permanência do mito na cultura portuguesa e, mais amplamente, na cultura europeia.

Seja como figura histórica, seja como representação de um comportamento já apontado nos chamados textos freiráticos, conforme apontam estudos de Ana Miranda, Que seja em segredo, Mariana Alcoforado deixa o seu tempo/espaço e atravessa os séculos, tornando-se personagem de outros tantos textos literários, ora ela mesma narradora, ora vista por outro(s) que fizeram (ou não) parte de seu drama.

Intentamos, com esta leitura crítica, cotejar os dois textos – Cartas portuguesas, atribuídas a Mariana Alcoforado, e Mariana Alcoforado e o Conde Chamilly, de Mário Claudio – e pensar nesta diferente perspectiva do drama, uma estória da Mariana já envelhecida, narrada pela irmã da religiosa, Peregrina Maria, e que tem por base os parâmetros do cânone alcoforadista, num diálogo entre tradição e contemporaneidade.

Palavras-chave: Literatura Portuguesa; Mariana Alcoforado; Mário Claudio; Tradição; Contemporaneidade.

 

Minibiografia:

Claudia Atanazio Valentim é Doutora em Literatura Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Licenciada em Letras (Português e Literaturas) pelas Faculdades Integradas Campo-Grandenses (FIC / FEUC). Atualmente, é professora de Língua Portuguesa para o Segundo Segmento do Ensino Fundamental, na Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, tendo atuado em níveis de Graduação e Pós-Graduação nas Faculdades Integradas Campo-Grandenses na cidade do Rio de Janeiro, Brasil.


Comunicação 14

A literatura infantil de Lúcia Miguel Pereira – uma escrita da tradição?

 

Autora:

Edwirgens Aparecida Ribeiro Lopes de Almeida – Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) MG – edwirgensletras@gmail.com

 

Resumo:

Lúcia Miguel Pereira é uma escritora pouco conhecida por sua criação literária. Destacou-se por seu legado crítico e historiográfico, ficando a ficção praticamente desconhecida. Os quatro romances destinados ao público adulto, intitulados Maria Luísa, Em surdina, Amanhecer e Cabra-cega, discutidos por mim no livro O legado ficcional de Lúcia Miguel Pereira- escritos da tradição, demonstram a preocupação da autora pela ocupação social da mulher. Em artigos destinados a jornais e revistas em que escrevia nos primeiros cinquenta anos do século XX, Lúcia Miguel também deixa entrevista a inquietação com a educação das crianças, principalmente das meninas, e o papel da literatura infantil nesse processo de formação e sedução do pequeno leitor. É sabido que, além desses romances, a autora nascida em Barbacena- MG, produziu outras quatro narrativas. Essas foram escritas para o público infantil e estão, totalmente, desaparecidas das estantes de bibliotecas e desconhecidas dos leitores e críticos literários brasileiros. Nesse diapasão, tendo em vista a discussão levantada por Lúcia Miguel nos romances adultos sobre a condição da mulher e o lugar por ela alcançado nas décadas de 1930, 1940 e 1950, esta leitura propõe um exame de A fada menina (1939), Maria e seus bonecos (1943), A filha do Rio Verde (1943) e Na floresta mágica (1943), da mesma autora. Neles, a escritora materializa seu ponto de vista acerca da literatura para crianças, evidente em seus artigos de jornais e de revistas, ao mesmo tempo em que empreende, através de memórias, o lugar da educação e das brincadeiras infantis para a criação da menina/mulher. Segundo o crítico Antonio Candido (2005), Lúcia Miguel sempre se preocupou com o papel ocupado pelo gênero feminino no âmbito da sociedade. Com isso, empreende, em seus registros, através de um discurso adequado ao público infantil, um espaço de imaginação, reflexão e entretenimento para o pequeno leitor permitindo uma reflexão sobre a tradição que tem educado as crianças/mulheres.

Palavras-chave: Tradição; Crítica Literária; Literatura Infantil; Educação; Mulher.

 

Minibiografia:

Doutora em Literatura – UNB. Doutora em Literatura espanhola e hispano-americana-USP. Professora do Departamento de Comunicação e letras e do Programa de Pós-graduação em letras/literatura da Unimontes-MG. Autora dos livros O legado ficcional de Lúcia Miguel pereira- escritos da tradição, e “Por trás do véu e da espada”- o disfarce subjacente à representação das personagens cervantinas, publicados pela Editora Mulheres e Crítica, poética e relações de gênero: uma releitura de Memórias de um sargento de milícias, publicado pela Editora Annablume, dentre outros.


Comunicação 15

Coisas de Mulher: uma leitura de Clarice Lispector, Paulina Chiziane e Conceição Evaristo

Autora:

Eliane Gonçalves da Costa – UFES – elianecoordena@gmail.com

 

Resumo:

A partir de uma perspectiva metodológica transdisciplinar e comparativa, pretende-se abordar as representações do corpo da mulher, com escritas de autoria feminina. Investigaremos as estruturas de representação desses corpos e como o amor marca a trajetória das personagens. A palavra-corpo como estratégias de subversão feminina.

Palavras-chave: Literatura Comparada; Gênero; Literatura Africana e Brasileira.

 

Minibiografia:

Doutora em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2014) – com a tese: De mitos e silêncios: nas águas do feminino pelos romances de Paulina Chiziane. Atualmente desenvolve estágio pós-doutoral na Universidade Federal do Espírito Santo, bolsista Capes-PNPD. Trabalha nas áreas Educação e Pesquisa em Letras e Pedagogia com ênfase nas seguintes áreas: Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, Literatura e Gênero, Educação Étnico-Racial, Literatura e Diversidade, Formação de Professores Língua Portuguesa, Alfabetização e Letramento.


Comunicação 16

Duas professoras muito maluquinhas: a representação da docência em Ziraldo e Lygia Bojunga

Autora:

Elisa Augusta Lopes Costa – Universidade Federal do Pará/UFPA – elisaufpa@hotmail.com

 

Resumo:

A literatura alimenta-se da realidade para elaborar personagens e enredos, podendo também projetar modelos de comportamentos e ideias a partir da representação dos papéis sociais veiculados pelos personagens. Dentre esses papéis faz-se presente a figura da mulher professora, veiculando imagens e representações que circulam ou poderiam circular na sociedade, ajudando a compor o que poderia ser visto como um ideal de docente. Assim sendo, o presente artigo tem por objetivo discorrer sobre a representação da docência em duas obras da literatura infantil e juvenil, a saber: Uma professora muito maluquinha (1995), de Ziraldo Alves Pinto, e A casa da Madrinha (1978), de Lygia Bojunga. O interesse é verificar as diferentes formas de representação elaboradas pelos autores, com base nos pressupostos da crítica feminista, a partir de pesquisadores como: Schwantes (2003), Zolin (1999) e Dalcastagnè (2005). A escolha das obras deve-se, em primeiro lugar, ao fato de que as personagens analisadas lecionam para o primeiro segmento do ensino fundamental, o que torna possível estabelecer um paralelo entre suas formas de trabalho. Em segundo lugar, por tratar-se de construções de autoria masculina e feminina, o que permite observar se existem diferenças na representação docente feita a partir da visão de um homem e de uma mulher. Para alcançar o objetivo, primeiramente aborda-se a questão da literatura infantil como componente de formação da personalidade. Seguem-se aspectos biográficos dos autores, descrição das obras e das personagens a serem analisadas, conceituação sobre representação e, por fim, a análise da representação efetivada pelas personagens docentes das duas obras. A conclusão aponta para diferenças significativas na construção das duas personagens, demonstrando que as visões de mundo masculinas e femininas resultam em representações diferentes.

Palavras-chave: Literatura infantil e juvenil; crítica feminista, representação docente.

 

Minibiografia:

Docente da Universidade Federal do Pará/Altamira, área de Prática de Ensino de Língua Portuguesa e Literatura. Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Letras: Ensino de Língua e Literatura – Universidade Federal do Tocantins (UFT/Araguaína). Mestre em Estudo Literários e Culturais – Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT/Cuiabá).


Comunicação 17

Estórias de mulher nas Histórias do Tempo: o jogo narrativo de Lya Luft

 

Autoras:

Maria Goretti Ribeiro – Universidade Estadual da Paraíba – psiqueribeiro@gmail.com

Ana Maria Leal Cardoso – Universidade Federal de Sergipe – analealca@yahoo.com.br

 

Resumo:

“Quem sabe esta é uma boa maneira de começar este livro: sendo uma mulher que cria outra, correndo as duas pelo vasto mundo em busca de indagações necessárias e respostas impossíveis”. Assim a narradora autodiegética apresenta as duas personagens que vão atuar no multifacetado universo narrativo, poético e ensaístico de Histórias do tempo, obra escrita pela romancista, poeta, ensaísta e tradutora brasileira, Lya Luft. Nesta obra híbrida, a narradora/autora, que transita por problemas existenciais, conta suas experiências, histórias ouvidas e inventadas; incarna personas imaginárias e expõe suas ideias a respeito do papel da mulher nas relações humanas. Em vista disto, este trabalho objetiva evidenciar em Histórias do tempo, o jogo ficcional que constrói duas imagens arquetípicas do feminino: a vítima e a transgressora nos prototípicos papeis da mulher subserviente a um sistema cultural impiedoso e do sujeito da própria história. Evidenciamos o valor literário e crítico desta obra que ao refletir sobre questões sociais, históricas, culturais e metalinguísticas, consegue ultrapassar o discurso convencional da vitimização do feminino para abranger a dimensão maior da condição humana nas relações de poder.

Palavras-chave: Ficção; história; personagem; arquétipos femininos; sujeito da enunciação.

 

Minibiografias:

Maria Goretti Ribeiro é doutora em Literatura Brasileira e professora da Universidade Estadual da Paraíba. Atua no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade – Cursos de Mestrado e Doutorado. É autora de O mito do ciborgue e outras representações do imaginário (João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2004) e de A via crucis da alma: leitura mitopsicológica da trajetória da heroína de As parceiras, de Lya Luft (João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2006). É líder de grupo registrado no CNPq – O Imaginário Mítico na Literatura e em outras Artes e Presidente do Centro Paraibano de Estudos do Imaginário – CEPESI.

Ana Maria Leal Cardoso é doutora em Literatura Brasileira pela UFAL- Universidade Federal de Alagoas, professora da graduação e da Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Sergipe. É autora, juntamente com Carlos Magno Gomes de Do imaginário à literatura (São Cristóvão: Editora da UFS, 2007); organizou juntamente com Carlos Magno Gomes e Josalba Fabiana dos Santos as seguintes obras: Sombras do mal na literatura (Maceió: EDUFAL, 2011), Registros literários– memórias e crimes (Curitiba: Appris Editora, 2014); Organizou com Carlos Magno Gomes Mito, gênero e ancestralidade (São Cristóvão: Editora da UFS, 2014). É líder do grupo de pesquisa registrado no CNPq:GELIC- Grupo de literatura e cultura.


Comunicação 18

Fundamentos do Humanismo Universal de Sophia de Mello Breyner Andresen : A Simbologia dos «Contos Exemplares»

Helena Malheiro – Universidade Aberta/CLEPUL – mariahelenamalheiro@gmail.comAutora:

 

Resumo:

Através da análise comparativa dos paradigmáticos «Contos Exemplares» de Sophia de Mello Breyner Andresen, prolongamento inequívoco de uma obra poética que ultrapassa o espaço e o tempo para fazer da justiça e da fusão do homem com o universo o centro primordial da sua constelação temática, propomos uma interpretação destas narrativas como abertura para uma simbologia ontológica fundamental característica da obra desta autora incontornável da literatura portuguesa, que alia uma visão do mundo extremamente original onde o poder encantatório da poesia se expande para fundar um verdadeiro humanismo universal.

Palavras-chave: Poesia; Esplendor; Justiça; Fé, Humanismo.

 

Minibiografia:

Helena Malheiro é Prof. Auxiliar na Universidade Aberta, investigadora do CLEPUL, doutorada em Literatura Portuguesa com uma tese sobre Sophia de Mello Breyner Andresen, publicada com o título O Enigma de Sophia: da Sombra à Claridade em 2008. Coordenadora e co–coordenadora dos colóquios internacionais “Travessias Poéticas: Portugal-Brasil” realizados em Lisboa e em São Paulo em 2009 e 2010 respectivamente. Tem inúmeras publicações em actas de congressos internacionais e em livro. É igualmente escritora com várias obras publicadas.


Comunicação 19

“Era uma vez” a mulher no discurso publicitário

Autoras:

Heloisa Medeiros da Silva – Universidade Estadual da Paraíba – heloisa.medeiros.18@hotmail.com

Tânia Maria Augusto Pereira – Universidade Estadual da Paraíba – Taniauepb@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho aborda a discursivização da mulher contemporânea em anúncios publicitários, que dialogam com os contos de fadas, por meio do fenômeno da intericonicidade. O interesse nestes anúncios surgiu em função da nova maneira como a identidade feminina é exibida, reconfigurada após séculos de silenciamento e dominação masculina. Baseados nos aportes teóricos da Análise do Discurso francesa e nas ideias de Courtine (2008), Davallon (2007), Pêcheux (2007), dentre outros, objetivamos verificar a ocorrência da intericonicidade no discurso publicitário dirigido às mulheres e investigar as novas identidades femininas. O corpus de nossa análise é formado por anúncios publicitários de cosméticos elaborados a partir de releituras dos contos de fadas.  Parte-se do princípio de que os discursos atrelados ao sujeito mulher, como verdades absolutas, advém de uma construção sócio-histórica que possui reminiscências implícitas nas representações imagéticas difundidas pela mídia. Imagens que são portadoras de uma memória, vestígios de uma representação refletida em outra, transportadas através do fio condutor da memória, em que os contos de fadas, com suas personagens e enredos mágicos, se incrustaram e foram recolocados em cena. A reconfiguração do sujeito mulher reflete as transformações que ocorreram na sociedade contemporânea, a partir de meados do século XIX, quando deixou de ser estável, sólida, tornou-se liquefeita, com os sujeitos multifacetados, fragmentados, com identidades líquidas, desempenhando papeis distintos.

Palavras- chave: Discurso publicitário; Mulher; Intericonicidade; Contos de fadas.

 

Minibiografias:

Heloisa Medeiros da Silva – Graduada de Letras – Língua Portuguesa pela Universidade Estadual da Paraíba. Desenvolve pesquisas no campo da Análise do Discurso francesa voltadas para os estudos da memória.

Tânia Maria Augusto Pereira – Doutora em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba. Professora efetiva do Departamento de Letras e Artes (DLA) e do Programa de Pós-Graduação em Formação de Professores (PPGFP) da Universidade Estadual da Paraíba. Desenvolve e orienta pesquisas no campo da Análise do Discurso francesa que contemplem a produção e circulação de diferentes discursos (midiático, publicitário, escolar e outros), procurando verificar a constituição e o funcionamento dos dizeres que circulam na sociedade, entrelaçados em uma rede dialógica de saber/poder.


Comunicação 20

Essas não servem para casar: mulheres inadequadas, na literatura brasileira dos oitocentos

Autora:

Ivana Ferrante Rebello – Universidade Estadual de Montes Claros/ UNIMONTES- MG – ivanaferrante@hotmail.com

 

Resumo:

Os romances no Brasil, no século XIX, visavam à educação do público-leitor, notadamente o feminino, que consumia com fervor as histórias folhetinescas. Tais romances reproduziam heroínas virginais, consolidando uma função educativa e uma finalidade intrínseca – representar mulheres que servissem de modelo comportamental na sociedade.  Os escritores nacionais, imbuídos de propagar o projeto político de formação da nação brasileira, vinculam tal projeto ao ideal de amor romântico. O amor torna-se, portanto, a metáfora edificante da construção da família e da pátria. Assim, nos romances românticos brasileiros, abundam propostas de casamentos, consubstanciados no mito do amor eterno, por meio dos quais legitima-se um país pacifista e hegemônico. A mulher casadoira, representada nessa literatura, cumpre um papel fundamental no esforço de edificação da nova pátria.

Segundo Doris Sommer (2004), a retórica erótica, direcionada ao casamento, é que organiza os romances românticos latino-americanos dos oitocentos. Mas esses romances do Brasil deixam entrever as várias tensões e fissuras que permeiam nosso tecido social. Por meio dos perfis de mulher construídos pelos ficcionistas brasileiros, podemos ler, de um lado, modelos de representação burguesa, perfeitamente adequados à ideologia requisitada pela época; do outro, os retratos de mulher que desestabilizam os modelos comportamentais vigentes. São as mulheres que não serviram para casar: mestiças, negras, indígenas (Iracema, de Alencar); bastardas (como Helena e Eugênia, personagens de Helena e Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis); prostitutas (como Lucíola, de Alencar), entre outras, representadas pela ficção escrita por mulheres, como Catarina, de A falência, de Júlia Lopes de Almeida. Tais mulheres, produtos de uma ficção nascente, arranham o tecido das nacionalidades forjadas, criando famílias mestiças, que quebram a propaganda do casamento burguês, no modelo das nações jovens, carentes de legitimação.  São, por isso mesmo, representações de mulheres cujo conteúdo tem muito a revelar ao pesquisador de literatura.

Palavras-chave: mulheres inadequadas; romance; oitocentos.

 

Minibiografia:

Ivana Ferrante Rebello é doutora em Literaturas de Língua portuguesa, professora titular da Universidade Estadual de Montes Claros/ MG, professora do Programa de Pós-graduação em Estudos Literários da mesma instituição. Desenvolve pesquisas sobre Guimarães Rosa, o romance oitocentista, literatura de gênero e literatura de Minas Gerais.


Comunicação 21

Filipa Raposa em Os Rios Turvos: a ressignificação da identidade feminina no brasil colonial – diálogos entre literatura, história e gênero

Autor:

Juarez Nogueira Lins – UEPB – junolins@yahoo.com.br

 

Resumo:

A nossa Historiografia Oficial, com raras exceções, secundarizou, desde os primórdios, o papel da mulher em nossa sociedade. O homem, o vencedor, o herói, dominou a cena. As mulheres, situadas entre as minorias, foram oprimidas, subestimadas e emudecidas pela História do Brasil. No período colonial brasileiro, por exemplo, encontrou-se a figura de Filipa Raposa, esposa de Bento Teixeira, primeiro poeta brasileiro. Na História oficial, essa mulher não tem voz e, os poucos registros existentes sobre ela, atribuíram-lhe identidades negativas. A partir desta perspectiva e do objeto deste estudo, a identidade feminina, objetivou-se discutir a construção da (s) identidade (s) de Filipa Raposa, a partir da articulação entre a História e a Ficção. O artigo fundamentou-se nas reflexões de Bakhtin (1997, 1999) sobre dialogismo e intertextualidade, Hall (2006) sobre a construção da (s) identidade (s), Del Priore (2000) sobre o papel da mulher na sociedade brasileira, Pesavento (1998), Hutcheon (1991) e Ferreira (1996) sobre as relações entre a História e a Ficção. Tratou-se de uma pesquisa qualitativa, bibliográfica e interpretativista – a análise do corpus, o romance histórico Os Rios Turvos (1993) da escritora Luzilá Gonçalves. Os resultados indicaram que através do diálogo entre fato e ficção, com ênfase neste último, constituiu-se para Filipa Raposa a (s) identidade (s) de – mulher erudita, corajosa, independente, protagonista de sua própria vida – ressignificando assim, o seu papel na história colonial brasileira. E contribuindo desse modo, para dar voz aos grupos sociais esquecidos e silenciados pela História Nacional.

Palavras-chave: Literatura; História; Identidade feminina.

 

Minibiografia:

Juarez Nogueira Lins: Doutor em Estudos da Linguagem (linguística Aplicada) pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Mestre em Letras (Teoria da Literatura) pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente é Professor de Estágio Supervisionado do Curso de Letras e Professor do Mestrado Profissional em Letras da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e ainda, líder do Grupo de Estudos em Linguagem: Ensino, Discurso e Interdisciplinaridade.


Comunicação 22

Representações de gênero na prosa de ficção de Lya Luft

Autoras:

Jurema da Silva Araújo – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – ella.jurema@hotmail.com

Maria Edileuza Costa – Universidade Estadual do Rio Grande do Norte – edileuzacosta@ig.com.br

 

Resumo:

Os estudos de gênero, pode-se afirmar, ocupam hoje parte considerável das pesquisas em literatura. Mas, por que ainda insistir nesse tema? Insiste-se porque a quantidade de estudos, embora expressiva, não assegura que o casulo em torno da literatura de autoria feminina seja rompido; e também porque persiste há um apagamento desconfortável sobre a produção literária feminina – no que diz respeito à publicação e recepção dessa produção –, oriundo das disputas de poder no campo literário, que o tema demanda atenção. Partindo de questões oriundas na crítica literária feminista, este trabalho pretende analisar as representações de gênero presentes na trilogia As parceiras (1980), A asa esquerda do anjo (1987) e Reunião de família (2004), de Lya Luft. Os três livros são foco do projeto de tese em desenvolvimento e foram elencados a partir de uma sintonia que os particulariza: uma narradora autodiegética rememora acontecimentos do passado que reverberam no presente, fazendo-a compreender a situação limite posta pela narrativa. Publicados entre 1980 e 1982, são considerados uma trilogia familiar porque denunciam a infelicidade que acomete a mulher inserida no contexto da família patriarcal. Desamor e perdas são constantes nas três obras de ficção e evidenciam o doloroso e longo trajeto das personagens femininas. Apesar do aparente sufocamento ao qual as personagens estariam destinadas, Lya Luft lança um gradativo e sutil folegar sobre as personagens femininas. As indicações de Zolin embasarão o entendimento da transgressão feminina no texto literário. Em Judith Butler busca-se o aporte teórico para compreender o gênero como performance e que implicações esse entendimento lança ao texto de autoria feminina. O texto literário torna-se, então, envolto em diversas camadas: estéticas, culturais, sociais, históricas e espaciais, dada a teia de significados que irradia a narrativa. Deste modo, o trabalho contribui para ampliar e adensar o conhecimento acerca da produção literária contemporânea.

Palavras-chave: Representações de gênero. Literatura de autoria feminina. Lya Luft.

 

Minibiografias:

Jurema da Silva Araújo é doutoranda em Letras pela Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, campus Avançado Prof.ª Maria Elisa de Albuquerque MaiaCAMEAM. Mestre em Letras pela Universidade Estadual do Piauí (biênio 20112013). Graduada em Letras Português pela Universidade Estadual do Piauí (2011). Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Piauí (2009). Integra o Grupo de Pesquisa de Literaturas de Língua Portuguesa (GPORT). Integrou o Núcleo de Estudos Literários Piauienses – NELIPI entre 2009-2011, desenvolvendo projeto de iniciação científica (PIBIC). Atualmente estuda a construção do feminino na trilogia da família da escritora Lya Luft.

Maria Edileuza da Costa é graduada em Letras pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (1986) com Especialização em Alfabetização e Pré-escolar (1997), Especialização em Metodologia do Ensino Superior (1998) pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Mestrado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (2001), Doutorado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (2005) e Pós-doutorado na Universidade Estadual do Piauí – Bolsista PNPD. Atualmente é Professora Adjunta IV do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, tendo sido bolsista de produtividade UERN de 2006 a 2013.


Comunicação 23

A redenção da Malinche na narrativa de Laura Esquivel

 

Autora:

Karine Rocha – UFPE – karinerocha79@yahoo.com.br

 

Resumo:

Hernán Cortés chegou em Tenochtitlán, capital asteca, com uma comitiva que incluía a indígena Malinali, asteca vendida como escrava aos maias. Seu papel era de intérprete nas conversas do espanhol com o imperador Montezuma. Com a derrocada dos astecas, Malinali, que teve um filho com Cortés, passa a ser conhecida pejorativamente como Malinche e entra para a história do povo mexicano como traidora. Até os dias atuais, é designado de malinchismo, o mal que aflige a América Latina de ainda entregar nossas riquezas aos estrangeiros. Em 2005, Laura Esquivel se propõe a dar voz a Malinali, personagem que se converte em um dos mitos centrais da identidade mexicana. Seu romance La Malinche reconstrói através de relações entre literatura, história e gênero a vida da protagonista que dá nome a obra. Tomando como base o estudo de pesquisadores do Novo Romance Histórico como Ainsa e Menton, aliado aos estudos de gênero da corrente anglo-americana nos propomos a repensar a Conquista do México, assim como trazer uma releitura da atuação da Malinche no referido período histórico. Ao dar voz à esta personagem, Laura Esquivel nos dará outra visão da civilização asteca e deixará espaço para questionar se a Malinche traiu, se vingou dos astecas ou acreditou estar trabalhando em prol dos povos indígenas.

Palavras-chave: novo romance histórico; gênero; literatura mexicana.

 

Minibiografia:

Professora adjunta de Letras / Espanhol da UFPE, coordenadora do Núcleo de Pesquisa Mulher, Literatura e Sociedade, além de membro do Grupo Christine de Pizan (UFPB), ambos do CNPQ. Atua principalmente na linha de pesquisa que trata das relações entre mulher, literatura e história na América Latina. É autora de diversos capítulos de livro e artigos em periódicos. Recentemente publicou o livro Reescrever a Mulher. Alfonsina Storni e a experiência feminina na vanguarda portenha, pela EDUFPE.


Comunicação 24

Sobre a metaficção de autoria feminina: a mulher escritora em três romances de Língua Portuguesa

Autores:

Kelio Junior Santana Borges – UFG – juniorlit@hotmail.com

Letícia Cristina Alcântara Rodrigues – UFG – letycrys@gmail.com

 

Resumo:

Traço marcante na escrita contemporânea, a personagem “escritor” foi responsável por uma ressignificação da figura do autor dentro do campo teórico e crítico da literatura atual. Na autoficção ou na metaficção, entendemos que, ao falar de si e de seu ofício, quem escreve ressignifica também a própria Literatura, concedendo a ela um tratamento ainda mais sofisticado, numa perspectiva de extrema tautologia, tornando-a tão presente e concreta como a própria personagem. Nos estudos que abordam essa realidade do escritor como personagem fictícia, é comum que o autor ficcionalizado seja um homem, coincidindo com a identidade social do autor empírico. Mas assim como homens, há mulheres que também lançaram mão de tal expediente estilístico para se debruçar sobre sua condição de escritora, produzindo obras de filigranada reflexão acerca da voz feminina, da escrita de autoria feminina, mas, acima de tudo, acerca da Literatura. A partir de três obras pertencentes a importantes escritoras de língua portuguesa, buscaremos analisar traços dessa literatura metaficcional; exploraremos marcas que as aproximem da metaficção de autoria masculina ou características outras que as diferenciem. Para isso, usaremos como objeto as obras Aos quatro ventos, de Ana Maria Machado, Verão no aquário, de Lygia Fagundes Telles e Ara, de Ana Luísa Amaral. Para nortear nossa imersão nesse universo da escrita contemporânea, teremos como suporte teórico os estudos de Linda Hutcheon, de Karl Erik Schøllammer, de Diana Klinger, além de trabalhos de Judith Butler e de Heloísa Buarque de Holanda, nomes que contribuirão para a compreensão da expressividade feminina e seu valor no seio de nossa cultura.

Palavras-chave: Metaficção; Personagem escritor; Pós-modernidade; Romance; Performatividade.

 

Minibiografias:

Kelio Junior Santana Borges: Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Goiás, estudando o mito de Dioniso na obra de Lygia Fagundes Telles. Mestre em Letras e Linguística pela mesma instituição, pesquisando a imagem da tecelã no universo poético da mesma escritora brasileira. É professor de Língua Portuguesa do Instituto Federal de Goiás, Campus Aparecida de Goiânia.

Letícia Cristina Alcântara Rodrigues: Mestre em Letras e Linguística, área de concentração em estudos literários, pela Universidade Federal de Goiás, estudando o mito do vampirismo e sua correlação com as ansiedades do homem moderno. Doutoranda em Letras e Linguística, estudando Dante Alighieri e sua relação com o espaço medieval, bem como a transição que apontará para o homem moderno.


Comunicação 25

Representação do feminino no conto “Missa do Galo” de Machado de Assis: os dois lados de uma mesma mulher

Autoras:

Késia Maressa Costa Moraes Xavier – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN – kesiacosta@uern.br

Margarete Solange Moraes – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN – margaretesolange@uern.br

 

Resumo:

Noutros tempos, eram consideradas esposas ideais mulheres de comportamento recatado, de boa família, prendadas e religiosas. Assim era Dona conceição, mulher do século XIX, que na ausência do marido, em uma noite de Natal, conversa com seu hospede de 17 anos. Resignada com sua sorte no casamento, chamavam-lhe de santa e ela fazia jus ao título. No decorrer da narrativa surgem novas impressões sobre a conduta da protagonista. Seria ela exatamente como fora descrita pelo narrador? Durante as conversas de Nogueira com a mulher do escrivão, teria existido realmente uma atmosfera de sensualidade e insinuações? Com a finalidade de suscitar respostas a tais questões, este artigo objetiva estudar a representação da figura feminina no conto Missa do Galo de Machado de Assis. Para tanto, desenvolvemos uma pesquisa bibliográfica qualitativa descritiva com base teórica nas concepções de autores que discutem representação do feminino e questões de gênero como Beauvoir (1980), Bourdieu (2002) e outros. Em busca de resposta a problematização apresentada, discutimos passagens da trama, as quais revelam o comportamento ambíguo de Conceição, ora descrito como a personificação da santa, ora sendo a imagem da tentação. O narrador com seu enredo psicológico não nos dá certeza dos fatos, não encerra com considerações acabadas o desfecho de seu relato. Podemos dar credibilidade à versão dada por alguém que afirma não entender ao certo o teor da conversação que tivera no passado com a gentil senhora? Em Missa do galo, portanto, o genial escritor apresenta os dois lados de uma mesma mulher, descrita do ponto de vista de um narrador de primeira pessoa que nos conta a história a partir de suas emoções, e até mesmo para ele, as impressões do passado se mostram truncadas e confusas. Deste modo, tais contradições fazem o leitor oscilar entre o crer e o duvidar.

Palavras-chave: Literatura; Representação do Feminino; Machado de Assis.

 

Minibiografias:

Késia Maressa Costa Moraes Xavier – Graduada em Letras com habilitação em Língua Inglesa e respectivas Literaturas é professora de Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Universitário. Especialista em Ensino-Aprendizagem de Línguas Estrangeiras (2012), com pesquisas e orientações em Ensino de língua inglesa e literatura.

Margarete Solange Moraes – Graduada em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa, Língua Inglesa e respectivas Literaturas, possui especialização em Linguística Aplicada (2001), Ensino de Língua Inglesa (2005) e Mestrado em Discurso, Memória e Identidade (2015). Professora Universitária, pesquisa e orienta trabalhos nas áreas de Leitura, Literatura, Ensino de Línguas e Tradução.


Comunicação 26

Carolina de Jesús: O diário de Bitita desde “Quarto de despejo”

Autora:

Lilian Adriane dos Santos Ribeiro – Universidade de Sevilha – LIDRIANY@GMAIL.COM

 

Resumo:

Este artigo versa sobre a vida e a obra autobiográfica da escritora brasileira Carolina de Jesus (1914 – 1977), evidenciando seus problemas existenciais enquanto mulher negra, mãe solteira, moradora de uma favela e trabalhadora em um lixão e a relação desses aspectos presentes em sua produção literária considerada transgressora, no âmbito das normas estabelecidas pela sociedade brasileira. Neste sentido, e mediante bibliografia pertinente, serão analisados o discurso e os conteúdos dos livros “Quarto de despejo” (1960) e “Diario de Brittita” (1982, póstumo), nos quais a escritora enfatiza questões sociais e ideológicas descrevendo a própria condição feminina, por meio de seus diários, também foram examinadas a ambientação e suas relações com o contexto sociopolítico-cultural em que ambas obras foram escritas.

Palavras-chave: escritora; mulher; favela; discurso; autobiografia.

 

Minibiografia:

Lilian dos Santos Ribeiro é Licenciada em Letras Habilitação Espanhol pela Universidade da Amazônia – Belém- PA- Brasil. É mestra em Ensino de Espanhol como Língua Estrangeira pela Universidade de Salamanca-Espanha e Doutora em Literatura Espanha, Comparada, concretamente em Autobiografia Feminina e Questões de Gênero pela Universidade de Sevilha. Professora de Português como Língua Estrangeira no Centro de Estudos de Língua Portuguesa, Centro Oficial de Avaliação dos Examens PLE da Universidade de Lisboa. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa HUM978: Enseñanza y Aplicación de Idiomas en la Literatura, la Lengua y la Traducción da Universidade de Sevilha e também do Grupo GEPEM- Grupo de pesquisa associado à Universidade Federal do Pará e ao CNpq. É Tradutora e Intérprete dos Tribunais e da Polícia de Sevilha, além de participar de vários comitês científicos de revistas internacionais e de organização de congressos, e tem publicações em periódicos, revistas e anais de eventos científicos nacionais e internacionais.


Comunicação 27

Cartografias literárias: vozes femininas contemporâneas do Vale do Paranhana – Rio Grande do Sul/Brasil

Autora:

Luciane Maria Wagner Raupp – Faculdades Integradas de Taquara – FACCAT / Instituto Superior de Educação Ivoti – ISEI – lucianeraupp@gmail.com

 

Resumo:

Diante da ausência de registros de publicações de obras literárias de autoria feminina por moradoras do Vale do Paranhana e de resultados de concursos literários que vão na contramão dessa ausência, mostrando que existem, sim, mulheres escritoras na região, empreendeu-se uma pesquisa de campo em busca das vozes femininas da localidade.  Diante da não projeção dessas vozes femininas, o presente projeto de pesquisa tem como tema o sistema literário contemporâneo no Vale do Paranhana, delimitando-o à produção literária de autoria feminina, assim como os fatores de silenciamento e seus engajamentos temáticos e estéticos. A delimitação do corpus à escrita feminina ocorre devido ao fato de as mulheres, ao longo da história, terem suas vozes silenciadas, em uma literatura feita por e para homens, brancos e de estratos sociais privilegiados (LAJOLO, 1995; DALCASTAGNÉ, 2008). Assim, entendendo que é compromisso dos meios acadêmicos colaborar para que tal silenciamento seja dissipado da nossa sociedade, propôs-se esta pesquisa. Mapeou-se e analisou-se a produção literária de escritoras de 18 a 63 anos de idade, refletindo sobre as temáticas por elas abordadas, suas filiações estéticas, seus anseios, seus (inter)ditos. Também se buscaram os motivos de silenciamento e de não circulação das obras. Como resultados prévios, pode-se afirmar que considerável parte da produção dessas escritoras vincula-se às narrativas confessionais e à escrita de si, predominantemente sob forma de poemas, contos e crônicas.

Palavras-chave: Escrita feminina; Silenciamentos; Escrita de si; Sistema literário.

 

Minibiografia:

Luciane Maria Wagner Raupp: Doutora em Letras, com ênfase em Teoria da Literatura. Mestre em Semiótica. Graduada em Letras. Professora dos cursos de Letras e de Comunicação Social na FACCAT e no ISEI. Escritora. Orienta pesquisas e trabalhos de conclusão de curso na área dos estudos literários, com ênfase nos estudos sobre o feminino e sobre a literatura infantojuvenil.


Comunicação 28

Agustina Bessa-Luís: História e estórias no feminino

Autora:

Maria do Carmo Cardoso Mendes – Universidade do Minho – mcpinheiro@ilch.uminho.pt

 

Resumo:

Em Três Mulheres com Máscaras de Ferro (2014), Agustina Bessa-Luís recupera três personagens femininas cruciais na sua ficção narrativa: Quina, de A Sibila, Fanny Owen, da obra homónima, e Ema, de Vale Abraão. Nelas se concentram alguns dos mais importantes traços do universo feminino retratado pela escritora.

Esta comunicação tem como propósitos: 1) explicitar os papéis que, em contextos históricos diferenciados, estas três protagonistas desempenham; 2) Identificar as características que elas assumem em sociedades patriarcais: a obstinação, a vingança e a preservação do património familiar; 3) Destacar os discursos das mulheres como protagonistas das suas histórias familiares, emocionais e sociais; 4) Demonstrar que a ficção narrativa de Agustina Bessa-Luís se alicerça no conceito de “sabedoria feminina”, representando esta a defesa da “cultura do essencial” que só as mulheres podem preservar.

Palavras-chave: Bessa-Luís (Agustina); mulheres; História; cultura patriarcal.

 

Minibiografia:

Maria do Carmo Mendes: Professora e investigadora do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho. Vice-presidente do I.L.C.H. Especialista em Literatura Comparada e em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea, tem publicado ensaios sobre escritores de língua portuguesa; Literatura Fantástica e Policial; Influências clássicas na literatura portuguesa contemporânea; Ecocrítica. Em 2016, publicou o livro Idades da Escrita.


Comunicação 29

De Capitu falada por um homem à que fala na Marcha das Vadias

Autores:

Karen Gabriele Poltronieri – USP – karen.poltronieri@usp.br

Lucília Maria Abrahão e Sousa – USP – luciliamsr@ffclrp.usp.br

 

Resumo:

Este trabalho tem por objetivo analisar como os discursos de uma personagem do século XIX refletem muito do que se encontra nas mulheres de um movimento feminista deste século. Utilizando de base a teoria da Análise do Discurso de filiação francesa, juntamente com o apoio dos dizeres encontrados nas páginas online do movimento social Marcha das Vadias, pretende-se traçar um paralelo de como a inscrição da personagem Capitu da obra Dom Casmurro (Machado de Assis, 1899) é falada e narrada em seu tempo. Machado cria Capitu a partir da voz de um homem – Bentinho – que a define como um mistério de mulher cheia de vertentes e possibilidades, aqui será discutida como efeitos de uma mulher libertária, que mesmo indiretamente constitui alguns sentidos do que é conhecido como feminismo.

Em busca de respeito, igualdade de gênero e fim da violência, a Marcha das Vadias é um grande movimento que dá visibilidade e circulação para os sentidos do feminismo e quebra os padrões da sociedade há muito tempo instaurados, o que supomos que Capitu também potencializa como efeito de um dizer sobre a mulher na narrativa machadiana. Ainda assim, trabalhamos com a hipótese de que Capitu apresente traços e dizeres de uma mulher denominada empoderada e se mostre uma personagem que não se deixou interpelar pela ideologia dominante imposta pela sociedade patriarcal de então.

Palavras-chave: Análise do Discurso; Sujeito; Capitu; Marcha das Vadias; Feminismo.

 

Minibiografias:

Karen Gabriele Poltronieri – Aluna de graduação do curso de Biblioteconomia e Ciências da Informação e da Documentação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo (USP). Integrante do grupo de pesquisa “Discurso e memória: nos movimentos do sujeito, do (a) Universidade de São Paulo.” ministrado pela orientadora Prof. Dra. Lucília Maria Abrahão e Sousa.

Lucília Maria Abrahão e Sousa – Prof. Dra. do curso de Biblioteconomia e Ciências da Informação e da Documentação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo (USP). Coordena o Grupo de Pesquisa “Discurso e memória: movimentos do sujeito”, cadastrado junto ao Diretório de Grupos do CNPQ.


 Comunicação 30

A presença da mulher nos romances de José Saramago

 

Autora:

Maria Irene da Fonseca e Sá – Universidade Federal do Rio de Janeiro e Universidade do Porto – mariairene@facc.ufrj.br

 

Resumo:

Com suas parábolas e fábulas, Saramago encaminha seus leitores para a  reflexão sobre o atuar do ser humano. Em praticamente todos os seus romances, Saramago destaca a presença da mulher na sociedade com personagens fortes e marcantes. Assim, o tema do trabalho envolve o estudo da literatura de Saramago e a pesquisa tem por objetivo buscar, em algumas das obras de José Saramago, o papel de personagens femininas no contexto do romance. A pesquisa é exploratória por buscar proporcionar maior familiaridade com a literatura de Saramago e é  pesquisa qualitativa em que são consideradas e analisadas publicações relativas ao objetivo da investigação.  Desde Blimunda do romancee Memorial do Convento, passando por Maria Madalena do livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo e Marta do romance A Caverna, Saramago se utiliza das mulheres para reflexões sobre a sociedade em que vivemos. Ele utiliza personagens comuns para compor seus romances. Saramago enfatiza:  “[…] nos meus livros não há  heróis, não há gente muito formosa, talvez nem sequer as mulheres o sejam, ainda que, como em geral não as descrevo, o leitor possa recriar a imagem segundo as suas preferências.” (Saramago, 2013, p. 28-29) e afirma: “Reflito e escrevo sobre pessoas comuns porque  essa é a gente que conheço.” (Saramago, 2013, p.35). Portanto, Saramago, através de seus romances, fazendo uso de personagens simples, comuns, mas que possuem sabedoria, busca fazer com que seus leitores se questionem e questionem o mundo em que vivem.

Palavras-chave: José Saramago;  Mulher;  Romance; Sociedade.

 

Minibiografia:

Pós-Doutora em Ciências da Comunicação e Informação– Universidade do Porto, Portugal, 2015.

Doutora em Ciência da Informação – PPGCI/IBICT/UFRJ, Brasil, 2013.

Mestrado em Engenharia de Sistemas e Computação, COPPE/UFRJ, Brasil, 1982.

Docente no curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação, da FACC/UFRJ, Brasil – desde 11/ 2009

Diretora Adjunta da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da UFRJ.


Comunicação 31

O feminino: uma poética da dor em riacho doce, de josé lins do rego

Autora:

Marta Aparecida Garcia GONÇALVES  – UFRN – BRASIL –  martaagg@ig.com.br

 

Resumo:

Neste artigo, analisamos a estética própria e diferenciada de Riacho Doce, de José Lins do Rego, evidenciando a forma peculiar como o autor tratou os corpos femininos, as geografias e os campos de desejo, cujos contornos históricos não estão somente na materialidade do texto, mas estabelecem uma relação de pertencimento com os corpos circundantes, quer sejam, os corpos da História. Enquanto leitores, somos levados instintivamente a realizar a “dor do pós-ler”, anunciada na afirmativa de Drummond em crônica escrita para homenagear o amigo, que força a um trabalho de recolha de vários eus espalhados em várias direções na materialidade do texto literário em simbiose aos corpos-personagens de Edna, de Carlos e de Nô.  Assim, ao analisar o “doer após a leitura”, observamos que Lins do Rego, em Riacho Doce, produz o que se poderia denominar de um empuxo, um tremor dos sentidos do feminino, pois, a partir da singularidade das personagens femininas, dos espaços, da escolha vocabular, desperta a habilidade de interpretação dos símbolos que o romance apresenta. Esse movimento ondulatório seria também esse “doer após a leitura”: uma dor de prazer, de possibilidades e de desvendamentos que faz perceber uma forma particular de manifestação estética que não é uma banalização do cotidiano, uma “estética popular”, nem tampouco uma oposição à denominada “estética erudita”, mas uma nova forma de ver, de fazer e de dizer, uma única e singular estética: a estética do feminino em Lins do Rego.

Palavras-chave: Feminino na Literatura; José Lins do Rego; Riacho Doce; corpos circundantes.

 

Minibiografia:

Doutora em Estudos da Linguagem – Literatura Comparada.

Professora adjunta de Literaturas de Língua Portuguesa Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Pesquisadora nas áreas: Leitura do Texto Literário e Ensino; Poéticas da Modernidade e da Pós-modernidade.


Comunicação 32

De silêncios e vozes: mulheres e História(s) no romance de Lídia Jorge

Autor:

Mauro Dunder – Univ. Fed. do Rio Grande do Norte – mauro.dunder@outlook.com

 

Resumo:

O romance de Lídia Jorge, desde O dia dos prodígios (1980) até Os memoráveis (2014), caracteriza-se, entre outros traços, pela problematização da relação entre a História, oficial, e as histórias, vividas pelo povo português e representadas por suas personagens. Nesse escopo, salta aos olhos o elenco de mulheres construídas pela romancista, cujas vozes, diferentemente do que sempre ocorreu na esfera da realidade social, constituem instrumento fundamental para aquela problematização. Dentre todas as personagens femininas do romance de Lídia Jorge, as narradoras de Notícia da cidade silvestre (1982), O jardim sem limites (1994), O vale da paixão (1998) e A noite das mulheres cantoras (2012) constituiriam, por assim dizer, momentos narrativos em que a voz feminina assume protagonismo completo, subvertendo uma relação histórica de silenciamento imposto à mulher – silenciamento que, por sua vez, aparece denunciado, de maneiras distintas, em A costa dos murmúrios (1988) e O vento assobiando nas gruas (2002), romances nos quais a voz feminina é desconsiderada, desvirtuada, ou, simplesmente, ignorada, como no caso de Milene Leandro, protagonista do romance de 2002. Esta comunicação tratará da representação feminina como portadora de uma voz dissonante daquela que constitui a História oficial, compreendendo essa mulher tanto como um construto componente do projeto ideológico da escritora, que desde o romance de estreia, prima por romper relações de silenciamento das mais diversas ordens, quanto como a consubstanciação das possibilidades de construções narrativas (entre elas, a História oficial), como a enxerga Hayden White (1987), no que tange à  relação  entre discurso narrativo e representação histórica.

Palavras-chave: Lídia Jorge; Prosa Portuguesa Contemporânea; Autoria Feminina; Metaficção Historiográfica.

 

Minibiografia:

Mauro Dunder é Doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo, membro do Grupo de Pesquisa “Literatura de Autoria Feminina” (USP/CNPq) e Professor Adjunto do Departamento de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde lidera a retivação do Núcleo de Estudos Portugueses.


Comunicação 33

Novas representações da identidade feminina no universo do maravilhoso de marina colasanti

Autoras:

Nathalia Bezerra da Silva Ferreira – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte-UERN- nathalia.bzr@gmail.com

Verônica Maria de Araújo Pontes – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte-UERN- veronicauern@gmail.com

 

Resumo:

A identidade feminina tem passado por grandes mudanças nos últimos anos. O que antes era visto como “tipicamente” pertinente ao sexo feminino, hoje, possui uma ressignificação. O trabalho com a formação de leitores, dessa forma, passa também por novas perspectivas, uma vez que, permite que se volte para o desenvolvimento de ações que tratem das questões de gênero, buscando um novo modo de conceituar as relações entre homens e mulheres. A escritora ítalo-brasileira, Marina Colasanti, apresenta um novo modelo de contos de fadas que se opõe em alguns aspectos, principalmente, na representação das personagens femininas aos contos clássicos.  Dessa forma, o presente trabalho tem por objetivo analisar o modo como a autora constrói suas personagens nos contos Além do bastidor (1979) e A moça tecelã (1999), comparando-as ao modelo tradicional. Esse estudo tem como base a crítica feminista. Para tanto, utilizaremos Estés (1995), Zinani (2006), Bettelheim (2014) e Corso (2006) como principais referenciais teóricos.

Palavras-Chave: Contos de fadas. Identidade feminina. Marina Colasanti.

 

Minibiografias:

Autora 1: Mestranda em Letras pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte-UERN. Professora de Língua Inglesa e Portuguesa da Rede de Educação Básica do Ceará-SEDUC-CE.

Autora 2: Doutora em Educação pela Universidade do Minho-Portugal. Professora Adjunto IV da Faculdade de Educação, do Mestrado em Ensino, do Doutorado e Mestrado em Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte-UERN/Brasil. Líder do grupo de pesquisa literatura, tecnologias e novas linguagens.


Comunicação 34

Narrativas sobre sexo: as muitas mulheres de hilda

Autores:

Nicole Corte Lagazzi – UFPB-PB – nicolelagazzi@gmail.com

Hermano de França Rodrigues – UFPB-PB – hermanorg@gmail.com

 

Resumo:

Hilda Hilst ganhou nas últimas décadas o reconhecimento da crítica literária e vem sendo considerada como uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX. Porém, parte desta obra – sua Tetralogia Obscena – parece não ter recebido devida atenção por parte dos estudiosos, apesar de ter ganhado espaço entre os leitores. Este trabalho debruça-se sobre os aspectos estéticos e ideológicos que constituem a construção de uma narrativa a cerca do sexual na literatura de cunho erótico/pornográfico. Hilda Hilst dete-ve sobre a escrita do sexo de diversas formas e a partir da construção de meninas e mulheres absolutamente ricas em suas construções dialógicas entre ficção e História. Atemono-nos aos jogos discursivos que marcam os desvelamentos e censuras, pudores e nomeações na construção narrativa que perpassa – e é perpassada – pelos embróglios da história da sexualidade. Partimos da obra Contos D’Escárnio, Textos Grotescos, de 1990, para articularmos a construção de um discurso sobre o sexo a partir de Clódia, uma importante personagem desta obra no que concerne ao lugar da mulher na escrita do sexual. Busca-se na teoria psicanalítica um aparato teórico a partir da importância dada à linguagem e à noção de sujeito inconsciente em suas produções discursivas.

Palavras-chave: Hilda Hilst; construção narrativa; erotismo

 

Minibiografia:

Autora 1 – Mestranda em Letras (Literatura e Psicanálise) pela UFPB. Especialista em Teoria Psicanalítica pela UFMG e em Processos Criativos em Palavras e Imagens pela PUC-MG. Atualmente é membro do corpo clínico do Espaço Psicanalítico (EPSI) e integra o Núcleo de Pesquisa e Produção em Clínica Psicanalítica (NEPSI).

Autor 2 – Professor Doutor do Departamento de Letras do CCHLA – UFPB. Coordenador do Grupo de Pesquisa em Literatura, Gênero e Psicanálise (LIGEPSI). Tem experiência na área de Linguagem, Literatura e Cultura, com ênfase em Literatura e Psicanálise. Desenvolve estudos sobre: a) Literatura Erótica; b) Erotismo, Discurso e Memória; c) Literatura e Psicanálise; d) e Literatura e Estudos de Gênero.


Comunicação  35

A viagem como busca da liberdade feminina em margarida la rocque, de dinah silveira de queiroz

Autor:

Osmar Pereira Oliva –  Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes/Brasil – osmar.oliva@unimontes.br

 

Resumo:

Objetivo: Este trabalho pretende discutir o tema da viagem como uma possibilidade de autoconhecimento para a mulher e analisar em que medida representa a liberdade feminina. Pretende, ainda, discutir as manifestações do insólito como metáforas dos mecanismos de controle social sobre a emancipação da mulher.

Justificativa: Margarida La Rocque – A ilha dos demônios é o segundo romance de Dinah Silveira de Queiroz, publicado em 1949; logo foi traduzido para o francês e para o espanhol. Apresentando o livro ao amigo José Lins do Rêgo, a autora o alertava de que se tratava de uma intenção de escrever uma narrativa fantástica. No entanto, mais do que um romance em que aparecem seres sobrenaturais, a história é contada em primeira pessoa, por uma mulher, e apresenta ao leitor as suas transgressões durante uma viagem marítima, sob a justificativa de que estaria procurando pelo esposo.

Metodologia: De cunho bibliográfico, esta proposta de comunicação pretende desenvolver uma análise do texto literário com base teórica nos estudos de gênero, dentre os quais Rompendo o silêncio: gênero e literatura na América Latina, organizado por Márcia Hoppe Navarro e Falas de Gênero, organizado por Mara Coelho de Souza Lago e Tânia Regina Oliveira Ramos.

Resultados preliminares: O tempo da narrativa remonta a meados do século XVI, quando o imaginário europeu estava marcado pelos mistérios do novo mundo, pelas navegações de conquistas que somente o homem poderia realizar. Contrariando esses princípios, a protagonista empreende uma viagem, de Paris, pelas Américas, com o pretexto de encontrar o esposo que havia investido em uma dessas navegações. A caminho, apaixona-se por um tripulante e é punida pelo capitão do navio, ao ser abandonada em uma ilha desconhecida, com sua ama e com o amante, o qual foge da prisão e nada até onde elas se encontravam. Ali, Margarida vive o “inferno em vida”, por ter infringido as regras do bom comportamento a que as mulheres estavam submetidas. Os entes sobrenaturais com os quais Margarida dialoga representam o controle social e, talvez, a sua consciência. Toda a história é contada por ela a um padre “mudo”, depois que todos os acontecimentos de desenrolaram, como se a protagonista quisesse passar a vida a limpo e encontrar o apaziguamento para as suas transgressões.

Palavras-chave: feminino; viagem; liberdade; insólito.

 

Minibiografia:

Professor Doutor da Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes/Brasil.


Comunicação 36

A mulher do garimpo: história e estória de nenê macaggi

Autores:

Fabricio Paiva Mota – Universidade Federal de Roraima – fabricio.mota@ufrr.br

Milenne da Conceição Lima – Universidade Federal de Roraima – milennelima27@gmail.com

Pamela Luiza de Menezes Duarte – Universidade Federal de Roraima – pamela_lmd@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho surgiu da carência de pesquisas relacionadas a mulheres que deram contribuições à Literatura em Roraima, principalmente pelo fato de tais personagens históricas serem leituras obrigatórias para o vestibular da Universidade Federal de Roraima. Assim, a pesquisa objetiva dialogar a história e a estória de Nenê Macaggi, tendo como objeto de pesquisa a obra A Mulher do Garimpo: o romance do extremo sertão do Amazonas (MACAGGI, 1976), considerado o marco inicial da produção literária no Estado de Roraima. A obra em questão trata a respeito das dificuldades da vida dos garimpeiros, discute a demarcação territorial, questões indígenas, e aborda, sobretudo, a questão feminina no contexto garimpeiro, como: a situação das viúvas do garimpo, a prostituição (vista como único meio de sustento financeiro) e a morte precoce de seus filhos. Nascida no Paraná, Nenê Macaggi dedicou a vida ao jornalismo e à literatura tornando-se a principal referência na formação da Literatura Roraimense ao tratar de regionalismo amazônico e representação feminina. A análise literária é de cunho bibliográfico, uma vez que a pesquisa foi desenvolvia a partir de materiais já elaborados, principalmente obras pertinentes ao regionalismo e monografias a respeito da obra analisada. A pesquisa tem como embasamento teórico CANDIDO (2002), CANDIDO (1997), FISCHER (2004), ALMADA (2015), GUADAGNIM (2007), FIÚZA; COELHO e PINTO (s. d.) e CARVALHO (2011).

Palavras-chave: Literatura, Regionalismo, Roraima, A Mulher do Garimpo, Figura feminina.

 

Minibiografias:

Fabricio Paiva Mota é doutorando em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade de Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Tem Mestrado em Letras pela Universidade Federal de Roraima (2014); e Graduação em Letras Português/Espanhol e respectivas literaturas pela Universidade Estadual do Ceará (2004). Atualmente é professor assistente A, nível 2 da Universidade Federal de Roraima, atuando no Curso de Letras, habilitação em Língua Espanhola.

Milenne da Conceição Lima é graduanda do curso de Letras com habilitação em Língua Espanhola pela Universidade Federal de Roraima (UFRR). Atua como bolsista no Programa de Educação Tutorial (PET-Letras)

Pamela Luiza de Menezes Duarte é graduanda do curso de Letras com habilitação em Língua Inglesa e suas respectivas literaturas pela Universidade Federal de Roraima (UFRR). Atua como bolsista no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) com o subprojeto Reflexão, diagnóstico e ação: construindo um novo cenário para a Educação Básica em Roraima. Atua como voluntária no Programa de Educação Tutorial (PET-Letras) e no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica (PIBIC) desenvolvendo pesquisa sobre Gênero, Trabalho e Identidade.


Comunicação 37

Sob as amarras do machismo, do preconceito e da violência: o destino da mulher sertaneja na literatura de valdomiro silveira

Autora:

Regina Célia dos Santos Alves – Universidade Estadual de Londrina/Paraná/Brasil –                             reginacsalves@hotmail.com

 

Resumo:

Na última década do século XIX, Valdomiro Silveira (1873-1941) surge no cenário da literatura brasileira com a publicação de alguns contos em jornais da época que anunciavam uma produção, no mínimo, singular, na medida em que seus textos davam voz e lugar ao homem simples do interior paulista, o caipira, por meio de uma linguagem inovadora, fundada na exploração estética do dialeto caipira. Dessa maneira, Valdomiro Silveira promove uma aproximação de seu objeto, tratando com naturalidade e autenticidade o universo rural que recria, sem dele se distanciar, visto ser o distanciamento ainda bastante comum naquele momento quando se tratava da representação do homem do campo, de sua linguagem, de seus costumes, de seu modo de ser e viver. Se essa é uma questão fundamental na produção de Valdomiro Silveira, também o são os temas diversos que perpassam por seus contos, dentre eles aquele que será aqui nosso objeto de investigação: a condição da mulher dentro do universo rural. Nas quatro obras de conto publicadas pelo autor, Os caboclos (1920), Nas serras e nas furnas (1931), Mixuangos (1937), e Lereias (1945), são frequentes as narrativas em que o escritor põe em cena a figura feminina, não raro diante de situações de extremo preconceito e violência, que a colocam sempre sob a dominância de uma sociedade centralizada na força e poder masculinos, restando às mulheres muitas vezes uma existência minguada e um fim trágico. Assim, o que pretendemos com o presente trabalho, a partir da análise de alguns contos de Valdomiro Silveira, como “Ana Cabriuvana”, “Do pala aberto” e “A consulta do Lau”, é observar como o autor, por meio de sua literatura, colabora para a construção da estória e da história dessas mulheres duplamente marginalizadas, por serem mulheres e sertanejas.

Palavras-chave: Valdomiro Silveira; Mulher sertaneja; Submissão; Violência.

 

Minibiografia:

Professora Associada do Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da Universidade Estadual de Londrina, Paraná, Brasil. Mestrado em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e doutorado em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP).  Atua  nos cursos de graduação e pós-graduação, com trabalhos de pesquisa e orientação voltados para a literatura brasileira produzida principalmente no século XX.


Comunicação 38

A mulher na literatura como (anti) exemplo para a mulher na vida real

 

Autores:

Renato de Mello – Universidade Federal de Minas Gerais – ufmgrenato@gmail.com

Renata Aiala de Mello – Universidade Federal da Bahia  demello.renata@gmail.com

 

Resumo:

Em 1857, Gustave Flaubert é processado por ter publicado Madame Bovary, um romance considerado, na época, um ultraje à moral, à religião e aos bons costumes. Sua personagem principal – Emma Bovary – chocou por suas atitudes destoantes do padrão socialmente estabelecido e aceito pela sociedade francesa burguesa oitocentista. Promovemos, então, um embate, uma discussão sobre a questão da mulher, seja ela real ou ficcional. Buscamos, na análise do corpus – o processo judicialanalisar como os estereótipos de comportamento feminino, de educação sexual e de relações de gênero são discursivizados e como eles são utilizados como argumentos para pathemizar os envolvidos. Para alcançar nossos objetivos, analisamos, sob o viés da Análise do Discurso, mais particularmente a partir dos estudos de Amossy sobre o conceito de estereótipo, de Maingueneau sobre ethos, e de Plantin sobre pathos, o Requisitório do Promotor Pinard, e o discurso de defesa de Sénard. Percebemos que ambos se atem mais particularmente no ethos e nas ações de Emma Bovary, sobretudo naquilo que eles chamam de “quedas”, referindo-se aos “erros” cometidos pela personagem do romance Madame Bovary. Os dois advogados se mostram mais preocupados com o pudor e com a educação moral e sexual das jovens leitoras do que com as desigualdades de gênero que subjazem o romance e a sociedade na qual ele se insere.

Palavras-chave: Mulher na literatura. Emma Bovary. Sexualidade. Relações de Gênero. Análise do Discurso.

 

Minibiografias:

Renato de Mello – Possui doutorado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (2002) e dois Pós-doutorados: Université de Paris XIII (2004) e Université Paris IV Sorbonne (2012-2013). É professor Associado IV da Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literaturas Estrangeiras Modernas, atuando principalmente nos temas: análise do discurso, Nathalie Sarraute, língua francesa e Semiolinguística. Administra disciplinas de língua e literatura francesa na graduação e de Análise do Discurso e do Texto na pós-graduação.

Renata Aiala de Mello – Possui Mestrado (2011-2012) em Estudos Linguísticos do Texto e do Discurso pela Universidade Federal de Minas Gerais e Doutorado (2013-2016) pelo mesmo programa. Professora efetiva de língua, literatura e cultura francesa e francófona da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Análise do Discurso de orientação francesa, Teoria Semiolinguística, Literatura Francesa, ensino de Língua Portuguesa, Francesa e Inglesa.


Comunicação 39

Conceição evaristo – exaltação da consciência negra-marca identitária na escritura feminina

Autora:

Rilza Rodrigues Toledo – FUPAC VRB/UBÁ – Fundação Presidente Antônio Carlos – Visconde do Rio Branco e Ubá, MG – rilzatoledo@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo compreender algumas questões presentes no discurso que assinala a exaltação da consciência negra e de sua cultura, afirmando-se como sujeito enunciador de um discurso que por muito tempo foi marginalizado e que agora busca-se afirmar através da reescritura desta história. Reorganizando as tradições de seus grupos étnicos, adaptando-as às realidades da diáspora; elas mantiveram as bases destas tradições que hoje constituem o conjunto de marcas identitárias de afro-brasileiros. Elas exerceram e exercem as mais variadas atividades na literatura brasileira. Entretanto, há representações que contemplam a diversidade dos papéis por elas exercidos e vão predominar em textos de autoria de vários escritores negros, dentre eles Conceição Evaristo representando gênero e raça entrelaçados à memória. Conforme se verifica na construção da figura feminina negra no romance cujo nome da protagonista é o mesmo que intitula a obra Ponciá Vicêncio. Conceição Evaristo utiliza de jogos poéticos que miram na ascensão da mulher negra, percorrem um passado histórico que ainda não foi dito e tampouco canonizado. Através de uma personagem que arrasta o leitor consigo pelo processo do lembrar e à transmissão de saberes – como espaço ativo de produção de identidades. As diversas partes do texto vão se intercalando como peças de um quebra-cabeças com frases curtas, quase secas, o uso de poucos adjetivos e de poucas conjunções aditivas contrastam claramente com a quantidade de emoções e de sentimentos que escorrem pelas entrelinhas desta trama.

Palavras- chave: Conceição Evaristo; Consciência Negra. Marca Identitária.

 

Minibiografia:

Mestre em Letras pelo CES/JF – Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. Professora de Língua Portuguesa da FUPAC VRB/UBÁ – Fundação Presidente Antônio Carlos – Visconde do Rio Branco e Ubá, MG.


Comunicação 40

Narrações da infância na literatura luso-brasileira de autoria feminina: ana de castro osório e alexina de magalhães pinto

Autora:

Rita de Cássia Silva Dionísio Santos -Universidade Estadual de Montes Claros-UNIMONTES/Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais-FAPEMIG – cassiadionisio@hotmail.com

 

Resumo:

A comunicação tem como objetivo refletir sobre aspectos da literatura infantojuvenil no Brasil e em Portugal do início do século XX, a partir da análise comparativa das obras Cantigas das Creanças e do Povo e Danças Populares (1916), da escritora brasileira Alexina Magalhães Pinto (1870-1921), e Contos tradicionais portugueses para as crianças (publicada em 1897), da escritora portuguesa Ana de Castro Osório (1872-1935). A análise (de caráter bibliográfico e documental) privilegiará a perspectiva do método analítico de concepção dialética e fundamentar-se-á no referencial teórico sobre a história da literatura infantil e juvenil (de autores como Regina Zilberman, Leonardo Arroyo e Bruno Bettelheim) e em referências sobre a literatura de autoria feminina (de Constância Lima Duarte, Zahide Lupinacci Muzart, Cláudia de Jesus Maia, entre outros). Buscar-se-á, nas narrativas das autoras, evidenciar os fenômenos estéticos (sensações, percepções e representações) que nos remetem à ideia de infância que nelas subjaz. Pretende-se demonstrar, a partir da leitura comparativa crítico-histórica, a atuação das duas escritoras na literatura infantojuvenil luso-brasileira nas primeiras décadas do século XX e a forma como podem reverberar, nos dias atuais, os temas, conceitos e imagens presentes em suas produções, com a finalidade de se compreender a participação dessas autoras no que hoje se concebe como um sistema literário infantil e juvenil. Pretende-se, também, suscitar uma reflexão sobre a importância de se fazer chegar aos leitores contemporâneos livros infantis e juvenis de escritores portugueses e brasileiros do passado, contribuindo, dessa forma, para a aquisição de conhecimentos sobre a vida e a cultura de ambos os povos, em sua multissecular convivência.

Palavras-chave: Alexina de Magalhães Pinto; Ana de Castro Osório; Literatura luso-brasileira; Literatura infantojuvenil; Autoria feminina.

 

Minibiografia:

Rita de Cássia Silva Dionísio Santos é mestre em Letras: Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG; doutora em Literatura pela Universidade de Brasília-UnB. Membro do GT Vertentes do Insólito Ficcional da ANPOLL. Professora da graduação e da pós-graduação em Letras na Universidade Estadual de Montes Claros-UNIMONTES. Atua principalmente nos seguintes temas: Literatura Brasileira, Literatura Comparada, escritoras de Minas Gerais e Literatura Infantojuvenil.


Comunicação 41

Olhares sobre nzinga mbandi: resistência, sexualidade e gênero

Autora:

Roberta Guimarães Franco – Universidade Federal de Lavras (MG-BRASIL) – robertafranco@dch.ufla.br/ robertagf@uol.com.br

 

Resumo:

Nzinga Mbandi, rainha do Ndongo e da Matamba, é personagem crucial para o entendimento da colonização portuguesa em Angola no século XVII, principalmente para o conhecimento de uma resistência à penetração dos portugueses no interior do território angolano. Nzinga já era tratada com destaque na obra de Antonio Cadornega (1680) – “[…] de que se poderá fazer grande escritura, a qual se podia comparar ou ainda preferir a Semiramis, a Pantasileja, a Cleopatra, e a outras Raynhas de que as historias nos dão noticias, governando a seus Vassallos a nossa oposição com valor e animo varonil […]” (CADORNEGA, 1972) –, mas a resistência feminina sofre um constante apagamento e/ou silenciamento, sendo a sua figura marcada por diversos questionamentos, que vão do seu envolvimento com o tráfico de escravos, às suas práticas sexuais, ou ao seu comportamento pouco afeito ao gênero feminino. No entanto, este silêncio vem sendo rompido através de recriações ficcionais que destacam a liderança exercida por Nzinga, revelando sua astúcia e voz de comando. Portanto, esta comunicação, parte do projeto “Poder e silêncio(s): a pós-colonialidade entre o discurso oficial e a criação ficcional” financiado pela FAPEMIG, tem como propósito a análise comparativa de três obras que reescrevem a vida dessa personalidade da história angolana – Nzinga Mbandi (1975), de Manuel Pedro Pacavira; A rainha Ginga (2014), de José Eduardo Agualusa, e ainda o filme Njinga, rainha de Angola (2013), de Sérgio Graciano.

 

Palavras-chave: Angola; Nzinga Mbandi; Silêncio; Recriação.

 

Minibiografia:

Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (2013); Professora da Universidade Federal de Lavras, onde atua nas áreas de Literatura Portuguesa e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa. Coordenadora do projeto “Poder e silêncio(s): a pós-colonialidade entre o discurso oficial e a criação ficcional” financiado pela FAPEMIG e autora do livro “Descortinando a inocência: infância e violência em três obras da literatura angolana” (EDUFF, 2016).


Comunicação 42

Beatriz e catarina: protagonismo feminino na história de timor-leste

 

Autora:

Rosilene Silva da Costa – Universidade de Brasília. – lenecostas@hotmail.com

 

Resumo:

Timor- Leste é o mais jovem país de Língua Portuguesa, sendo também a sua literatura ainda jovem. Apesar desta juventude, alguns escritores destacam-se no país, tal como Luis Cardoso, autor de 5 romances já publicados. O autor em sua obra reescreve a história de Timor-Leste, apresentando de forma crítica diferentes momentos do pequeno país do sudeste asiático. Em quatro de seus romances há a presença de duas personagens que carregam em si traços da história de Timor: Beatriz e Catarina. A representação da história que Luis Cardoso nos apresenta através dessas personagens nos mostra a história pelo viés daqueles que não constaram nos livros oficiais: os vencidos, os oprimidos e os subalternizados, o que torna sumamente importante o trabalho da literatura que apresenta este registro do que foi ou do que poderia ter sido. Assim, nesta comunicação objetiva-se apresentar a história de Timor-Leste pelo viés das personagens femininas que vivenciaram no corpo esta história. Este trabalho será realizado a partir de uma leitura atenta das obras e de pesquisa bibliográfica nos livros que registram a história de Timor-Leste. Pretende-se apresentar os momentos históricos de Timor-Leste que são representados na obra deste escritor através das duas personagens citadas, as quais, apesar de serem personagens criadas pelo escritor, carregam em si a história do país e muitas vezes se confundem com personagens reais que fizeram parte da história do país.  A obra será lida a luz dos postulados pós-coloniais, mais especificamente de Homi Bhabha, visto que se adota o ponto de vista da margem na leitura destes textos.

Palavras-chave: Personagens Femininas; Timor-Leste; História; Pós-colonialismo; Literatura.

 

Minibiografia:

Licenciada em Letras e Mestre em Literaturas Africanas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Doutora em Literatura e Práticas Sociais pela Universidade de Brasília (UnB), Pós-doutoranda de Estudos Literários da Universidade de Brasília. Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4278572A3


Comunicação 43

O imaginário das lendas de dandara dos palmares: uma leitura crítica e reflexiva no ensino fundamental II

Autores:

Rubiane Vieira de Jesus – UNEB – r_literata@yahoo.com.br

João Evangelista do N. Neto – UNEB – netoevangelista@uol.com.br

 

Resumo:

Este trabalho configura-se numa proposta de leitura para discentes dos anos finais do ensino fundamental II em uma instituição pública do município de Cruz das Almas, recôncavo baiano. O objetiva estimular a possibilidade de uma leitura crítica e reflexiva utilizando as lendas da negra Dandara como forma de resistência a uma sociedade ainda excludente. A proposta será aplicada com 30 educandos do 9º ano do ensino fundamental pois é perceptível que, apesar dos avanços nos estudos relacionados à história e cultura afro-brasileira, esta temática ainda é abordada em momentos distintos: nas discussões sobre a Abolição da Escravatura e na realização de eventos sobre a consciência negra. Segundo Duarte (2001), faz-se necessário ampliar a visibilidade e aprofundar a reflexão a respeito da escritura dos afro-brasileiros no passado e no presente. A omissão da maioria desses autores é comum nas obras de crítica e historiografia literárias, responsáveis pela institucionalização do cânone. A referida proposta tem como etapas metodológicas: roda de conversa, varal de lendas, exposição de documentários, música, discussão e socialização de saberes construídos para fomentar a discussão reflexiva do educando. Assim, o presente trabalho mostra a importância da discussão sobre a figura feminina Dandara, através da obra As Lendas de Dandara da autora Jarid Arraes, como sinônimo da resistência negra em um meio social ainda muito discriminatório e excludente. Trabalhar com lendas possibilita oferecer ao discente a formação de identidade do povo negro, além de oportunizar o resgate da cultura africana, muitas vezes, esquecida ou feita de forma equivocada por nós educadores. Para o embasamento teórico serviram como base autores como COSSON (2012), DUARTE (2011), SILVA (1995) e SOLÉ & SCHILLING (1998). A partir desta proposta, os educandos poderão desenvolver sua leitura crítico-reflexiva no que diz respeito a valorização da figura negra femininas como forma de pertencimento em uma sociedade desigual.

Palavras-chave: Dandara dos Palmares; Resistência; Leitura, Cultura Afro-brasileira, Leis 10.639/03 e 11.645/08.

 

Minibiografias:

Rubiane Vieira de Jesus: Mestranda do Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS) pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), especialista em História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena pela Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), graduada em Licenciatura em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) é, atualmente, professora das redes municipal e estadual de ensino no recôncavo baiano.

João Evangelista do N. Neto: Doutor em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), mestre em Literatura e Diversidade Cultural, especialista em Estudos Literários e graduado em Licenciatura em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). É professor Adjunto A da Universidade do Estado da Bahia – (UNEB), atuando, ainda como professor credenciado no PROFLETRAS, mestrado profissional em Letras, no referido Campus.


Comunicação 44

Electra e a importância da mitologia clássica

Autor:

Rui Pires – Universidade de Santiago de Compostela – rpiresj@gmail.com

 

Resumo:

É sobejamente conhecido o papel da Grécia Antiga como berço da civilização ocidental, e o mito é uma das suas construções, e de grande importância para a compreensão de diversos fenómenos.

O relevo dos mitos é de tal maneira significativo que estes se tornaram numa referência para muitos dos acontecimentos da atualidade. Não é por acaso que “o passado de nossa cultura ocidental tem a Grécia como referência”. É impossível não constatar que em muito do que nos rodeia há uma “claríssima referência à Grécia, cuja mitologia não cessa de atrair-nos. Os clássicos estão mais vivos do que nunca.

A figura do mito trágico de Electra, apesar da sua importância, aparece muitas vezes relegada para um plano secundário se a compararmos com o seu par simétrico, Édipo. Uma questão de género?

A modernidade acrescentou ou realçou aspetos psicanalíticos que este mito parecia encobrir. E assim, Jung, o grande discípulo de Freud, em pleno século XX, interpreta Electra como o complexo que viria a ser o correspondente feminino do Complexo de Édipo”

Personagem singular no campo trágico, condensa em si uma forte carga emocional que sobrevoa o espirito e a nebulosa vida desta personagem. Electra passa assim toda a sua juventude a planear a morte da mãe para vingar o assassinato do pai. Electra é uma tragédia composta por oito personagens, quatro são femininas, sendo de destacar que a protagonista e o coro pertencem a esse género, ou seja, as duas personagens mais importantes nas tragédias gregas, a primeira por uma razão evidente de sumo relevo, a segunda porque o coro está sempre associado ao bom senso, à ponderação e à razoabilidade.

É muito raro nas tragédias gregas esse papel ser atribuído ao género feminino, dado o falocentrismo da sociedade grega antiga.

Palavras-chave: Electra, Cultura Clássica, Género Feminino, Personagem Feminina, Psicanálise.

 

Minibiografia:

Frequenta o doutoramento em Estudos da Literatura e da Cultura na Universidade de Santiago de Compostela, onde investiga na área do Teatro e das Artes Cénicas. Efetuou estudos de mestrado na Universidade da Beira Interior em Estudos Didáticos, Culturais, Linguísticos e Literários com a dissertação intitulada ‘A questão de género em Electra, de Olga Roriz’. Possui licenciatura em Ciências da Comunicação pela mesma universidade e é director teatral, ator e programador cultural no TeatrUBI e na ASTA.


Comunicação 45

Representação e constituição da identidade feminina na obra relações, de ruth laus

 

Autora:

Salete Rosa Pezzi dos Santos – UCS –  srpsanto@ucs.br

 

Resumo:

A representação do sujeito feminino no universo ficcional de escritoras ultrapassa a mera configuração de mulheres submissas, para alcançar uma trajetória de alternativas antes impensáveis. A aceitação de outra possibilidade de entendimento do universo cultural permite que discursos situados na área da cultura em geral sejam aceitos, estruturando-se o cânone sobre a perspectiva de abertura e reformulação, ensejando o reconhecimento da produção de mulheres escritoras, cujas narrativas suscitam o surgimento de vertentes reflexivas e questionamentos relativos às vivências femininas. Dentre as ficcionistas que trazem experiências diferenciadas do universo feminino, surge a escritora e crítica de arte catarinense Ruth Laus. Sua história com as letras inicia aos quinze anos, quando começa a escrever para a Coluna Social do jornal tijucano O Binóculo. No Rio de Janeiro, criou a primeira galeria de arte, Galeria Villa Rica, com exposições permanentes, promovendo, durante seus dez anos de funcionamento, intenso movimento cultural. Zahidé Lupinacci Muzart (2005), em depoimento ao jornal A Notícia, de Joinvile, destaca que ela foi uma mulher de admirável espírito de luta, sempre levando em diante um novo projeto. Dentre suas obras, destacam-se Interlúdio, Villa Rica, A décima carta, A presença de Thalia, Relações, Viagem ao desencontro. A obra Relações, publicada em 1994, convida a um mergulho na introspecção, em que personagens, vivenciando encontros e desencontros, buscam a essência das coisas, desenhando um caminho de autoconhecimento. Com foco nesta obra, torna-se relevante investigar a participação da mulher como sujeito do processo histórico-cultural, compreender seu papel enquanto instância discursivo-textual, e examinar o espaço das representações do universo ficcional à luz de teorias da Crítica feminista e de Identidade, justificando-se a relevância deste trabalho, fundamentado em Hall (2001), Reis (2009), Silva (2005), Showalter (1994), entre outros.

Palavras-chave: Representação do sujeito feminino; Ruth Laus; Relações.

 

Minibiografia:

Salete Rosa Pezzi dos Santos é doutora em Literatura Comparada (UFRGS). É professora e pesquisadora na Universidade de Caxias do Sul (UCS), no Curso de Letras e no Programa de Pós-Graduação Mestrado e Doutorado. Publica artigos em periódicos científicos e capítulos de livros; participa da organização de obras, tanto na área de Gênero quanto de História da Literatura. Destaca-se: Duas mulheres de letras: representações da condição feminina (2010).


Comunicação 46

As mulheres e seus papéis no processo de colonização do município de guarantã do norte – mato grosso

 Autora:

Sinara Dal Magro – Unemat Universidade do Estado de Mato Grosso –sinara.magro@gta.ifmt.edu.br

 

Resumo:

O presente trabalho visa compreender os papéis desempenhados pelas mulheres nos processos de colonização da região norte do estado de Mato Grosso. Para isso, contamos com relatos de colaboradoras que têm como contexto o campo, a cidade e o garimpo. São histórias diferentes que nos permitem uma análise da atuação feminina em suas práticas e representações sociais em uma época marcada pela busca de firmar identidades femininas em um espaço predominantemente masculino e ligado a valores patriarcais. Para as entrevistas optamos pela metodologia da História Oral, entendida como um recurso que, segundo José Carlos Sebe B. Meihy, permite “estudos referentes à experiência social de pessoas e de grupos. Ela é sempre uma história do tempo presente e também reconhecida como história viva” (2015, p. 17). Nessa perspectiva, os diálogos são compreendidos e registrados como estudo de memórias e identidades sociais que visam permitir um olhar às figuras femininas que fazem História, como sujeitos de discursos múltiplos. Com voltas a compreender o percurso da humanidade e das teorias que acompanham nossa evolução social, resgatamos em Stuart Hall (1992, p. 34-46), os “cinco grandes avanços” na teoria social e nas ciências humanas na segunda metade do século XX, apresentado o impacto do feminismo enquanto movimento social. Dentre suas descrições do que seria esse evento, Hall afirma que “o feminismo questionou a noção de que os homens e as mulheres eram parte da mesma identidade, a “Humanidade”, substituindo-a pela questão da diferença sexual” (1992, p. 46). E, a partir de então, a mulher passa a ser vista como sujeito ativo na construção das suas identidades e culturas.

Palavras-chave: mulher; colonização; História; identidades femininas.

 

Minibiografia:

Sinara Dal Magro é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Letras – Estudos Linguísticos e Literários da Universidade do Estado de Mato Grosso e licenciada em Letras pela mesma universidade (2010). Professora efetiva do IFMT – Instituto Federal de Mato Grosso, tem experiência docente em Língua Portuguesa, Leitura e Produção de Texto e Língua Inglesa.


Comunicação 47

Mulheres na liderança: discurso, ideologia e poder

Autora: 

Vicentina Ramires –  Universidade Federal Rural de Pernambuco –  vicentinaramires@terra.com.br

 

Resumo:

Dominação, força e autoridade são conceitos ainda circunscritos ao universo masculino, e isso pode ser constatado principalmente nas relações de trabalho, mesmo naquelas em que as mulheres exerçam funções de liderança. Esse quadro também se materializa na academia, onde os sujeitos estão, hipoteticamente, mais atentos às diferentes posições ideológicas e às formas como se manifestam, e, por conseguinte, mais ou menos a elas refratários. O objetivo geral deste estudo é demonstrar como hierarquias de poder no mundo do trabalho baseadas em diferenças de sexo são ideologicamente construídas, de forma a reforçarem as formas dicotômicas de relações de gêneros e como as próprias mulheres, atuando em culturas androcêntricas, podem contribuir para perpetuar atitudes sexistas. Com base nos Estudos Críticos de Discursos, procuramos: a) identificar os discursos que corroboram para construir ou desconstruir modelos de dominação nas relações de gênero; b) observar em que formações discursivas esses modelos se impõem e c) identificar em que medida procedimentos de discriminação são veiculados nos discursos proferidos pelas mulheres. Este estudo foi desenvolvido em duas instituições de ensino superior, analisando entrevistas e respostas aos questionários dirigidos a mulheres que ocupam posições de liderança. Observamos que, ao mesmo tempo em que muitas mulheres reforçam a assimetria de gêneros existente entre posições de poder na sociedade, ao repetirem/confirmarem discursos, outras vão tomando consciência de seu espaço na sociedade e saem criticamente em defesa de direitos iguais entre homens e mulheres.

Palavras-chave: gênero; discurso; ideologia; poder.

 

Minibiografia:

Vicentina Ramires – Professora Associada do Departamento de Letras da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Doutora em Linguística (UFPE) e Pós-Doutora em Linguística Aplicada (UECE | Paris V / Sorbonne).


Comunicação 48

Branca dias e a inquisição em deixa ir meu povo de luzilá gonçalves ferreira

 

Autora:

Maria Suely de Oliveira Lopes – PIBID-UESPI e INTERLIT – suelopes152@hotmail.com

 

Resumo:

A literatura tem sido assinalada como um espelho em que a sociedade é refletida, podendo  ter consciência de sua própria imagem. Nela também se pode perceber o valor do conhecimento espacial e histórico conectados à criticidade e às experiências de vida, vinculada à história. É através de vários modos peculiares e regras específicas de produção que a literatura, ao se aproximar do real, dialoga com a história a que se refere, e insere o discurso historiográfico em suas narrativas. Assim, a realidade estética da literatura se confunde com a realidade científica da história, por apresentarem um ideal em comum: ambas se preocupam em narrar os acontecimentos de acordo com o modo como eles realmente ocorreram. É desta forma que a literatura problematiza as “verdades” consideradas históricas decorrentes de fatos e/ou personagens históricos e as narrativas assumem caráter metaficcional. Deste modo, pretende-se, neste trabalho, reconfigurar a história de Branca Dias  atrelada a história da inquisição no Brasil. É, por meio de vários modos peculiares e regras específicas de produção que a literatura, ao se aproximar do real, dialoga com a história a que se refere, e insere o discurso historiográfico em suas narrativas. Assim, a realidade estética da literatura se aproxima da realidade científica da história, por apresentarem um ideal em comum: ambas se preocupam em narrar os acontecimentos, sendo que a primeira perspectiva possibilidades de verdades, e a segunda  com o modo como eles realmente aconteceram. É desta forma que a literatura questiona as “verdades” consideradas históricas decorrentes de fatos e/ou personagens históricos e as narrativas assumem caráter metaficcional. Assim, pretende-se, neste trabalho, ressignificar a história de Branca Dias narrada na obra Deixa ir meu povo (2010), de Luzilá Gonçalves Ferreira, de maneira a identificar o diálogo entre literatura e história por meio dos estudos sobre ficção  e   história no contexto da Inquisição . Para fundamentação deste trabalho utilizaremos os teóricos Linda Hutcheon (1991) Hayden White (1994),Freitas(1986), Novinsky( 1982),Nunes(2011) ,Pieroni(2013),entre outros.

Palavras-Chave: Literatura. História. Inquisição. Branca Dias.

 

Minibiografia:

[1] Doutora em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Professora Adjunta da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) atuando nas áreas de Teoria Literária, Crítica Literária, Literatura Brasileira. Coordenadora de Área do Programa de Bolsas de Iniciação à Docência- PIBID-UESPI e membro do Grupo de Estudos Interdisciplinares em Literaturas (INTERLIT).


Comunicação 49

Seu espaço próprio: a literatura feminina

Autora:

Valdivia Beauchamp – Euro-American Woman Writes Inc. NYC – beauchampval@gmail.com

 

Resumo:

A literatura feminina como construção cultural, continua procurando seu espaco proprio apesar de ser discutida em estudos de antropologia cultural, e de sociologia.

Este projeto tenta refletir sobre a importância de se compreender os textos literários da literatura feminina, sem rótulos, ou seja sem  conotações políticas e sociológicas, que em geral sao associadas as “lutas” feministas, e esta literatura em particular,  traz o sujeito de enunciacao consciente,( que eh o ego da autora lutadora),  afirma Luiza Lobo.

Depois do apogeu da literatura feminista, entendemos que esta literatura, nao so atingiu um novo público de autores e leitoras femininas, como também nos ofereceu outros aspectos de alteridade.

Encontramos varias pesquisas feitas por criticos literarios sobre a alteridade na literatura da autora feminina, pesquisas que foram discutidas diligentemente. Questiona-se agora se o fator alteridade,  tornou-se a base da literatura feminina hoje.

Palavras chaves:   literatura feminina; construção cultural; espaço.

 

Minibiografia:   

Valdivia Vania Siqueira Beauchamp, naceu em Recife, Brasil. Autora de vários livros de ficcao historica. BS em Comunicação Social/Jornalismo/UNICEUB/BRASILIA.  MA em Artes / Literatura Medieval Portuguesa e Espanhola/, Purdue University. Literatura  Brasileira e Hispanica/ New York University. Ensinou nas duas Universidades. Foi Correspondente  International para TV TUPI e RADIOBRAS onde teve seu proprio programa politico:  “Primeiro  Plano”(1988-1990). Hoje e Presidente e fundadora da  Euro-American Women Writers Inc. NYC.


Comunicação 50

Jose&josé – do enigma transatlântico de josefina álvares de azevedo no allb aos jogos sérios de leitura inovadora

Autores:

Valéria Andrade – Universidade Federal de Campina Grande / Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido – val.andradepb@gmail.com

Marcelo Alves de Barros – Universidade Federal de Campina Grande / Centro de Engenharia Elétrica e Informática – mbarros@computacao.ufcg.edu.br

 

Resumo:

O reconhecimento público de escritoras como Josefina Álvares de Azevedo é um desafio que tem sido enfrentado predominantemente por pesquisadores, com pouca participação efetiva das escolas e dos educadores. O conhecimento existente sobre a autora, ampliado mediante pesquisa que busca desvendar novas trilhas do seu feminismo a partir da sua colaboração no ALLB – Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro composta por charadas e cartas enigmáticas, cria uma nova possibilidade: oferece elementos para construção de um jogo sério de realidade alternada. Denominado JOSE&JOSÉ, este jogo é um ambiente cultural que engaja comunidades nas escolas e no seu entorno a atuar, literalmente, por meio da leitura inovadora da obra de Josefina, em cenários de mundos virtuais e do mundo real, combinando a) experiências de diversão gamificada, b) ‘coopetições’ de produção artística, coletiva e individual, de representações culturais dos valores construídos pela autora e c) ações efetivas de leitura e atuação na sociedade em defesa destes valores junto à comunidade. Crianças e adolescentes estudantes jogam realizando missões georreferenciadas de leitura de textos e de produção de obras textuais multimodais, cordel, poesia, HQ, fotografia e vídeo, com atuação teatral.  Professores das escolas jogam criando estas missões e avaliando os produtos gerados pelos alunos nos mundos virtuais e no mundo real. Agentes de defesa dos direitos das mulheres jogam validando as ações dos demais jogadores e tomando decisões estratégicas para a gestão integrada de ações públicas sob sua responsabilidade institucional.  Empreendedores locais jogam patrocinando os incentivos do jogo. Todos os jogadores, estudantes e educadores, dispõem de um aplicativo mobile e de um sistema de informações georreferenciadas de uso simples em suas experiências de jogo.

Palavras-chave: Jogo Sério, Realidade Alternada, Josefina Álvares de Azevedo, Representação Cultural, Leitura Inovadora.

 

Minibiografias:

Marcelo Alves de Barros – Doutor em Informatica – Université Paris Sud (1994). Pós-doutor em Gestão do Conhecimento – Ecole Doctorale d´Informatique, Télécommunications et Eléctronique (2001). Recebeu o Prêmio Dorgival Brandão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (1998) de Melhor Projeto do Brasil na categoria Qualidade e Produtividade de Software, com o projeto de um programa de formação em nível de mestrado de profissionais que incorporam o design thinking na produção de software. Professor associado da Universidade Federal de Campina Grande. Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Sistemas de Informação, atuando principalmente nos seguintes temas: gestão do conhecimento, empreendedorismo, gestão da inovação, jogos sérios e economia da cultura. Criou o IEMPI – Instituto de Empreendedorismo e Inovação e coordena o Pontão de Cultura Rede Viva e o Atelier de Computação e Cultura da UFCG . É Tutor do Programa de Educação Tutorial em Ciência da Computação da UFCG.

Valéria Andrade – Doutora em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (2001). Professora do Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido da Universidade Federal de Campina Grande. Colaboradora no Laboratório Atelier de Computação e Cultura/Departamento de Sistemas e Computação/Centro de Engenharia Elétrica e Informática da Universidade Federal de Campina Grande. Colaboradora no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade da Universidade Estadual da Paraíba. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literaturas Brasileira e Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: autoria feminina, dramaturgia e estudos de gênero, estudos literários interculturais, dramaturgias brasileira e portuguesa, leituras do texto dramatúrgico, práticas de leitura e escrita.


Comunicação 51

Entre a paixão, o amor e as sombras: as personagens de Domitila de Castro e da imperatriz Leopoldina em três romances históricos brasileiros

Autor:

Stanis David Lacowicz – UFPR – stanislac@gmail.com

 

Resumo:

Conforme Hutcheon (1991), uma das marcas das ficções históricas pós-modernas é a retomada das figuras históricas ex-cêntricas, marginais ao discurso oficial, que passam a figurar no centro dessas narrativas literárias. Por uma perspectiva semelhante, Perkowska (2008) afirma que o romance histórico contemporâneo promove uma alteração no espaço histórico conforme definido pela tradição, “postulando y configurando en su lugar las historias híbridas que tratan de imaginar otros tiempos, otras posibilidades, otras historias y discursos.” (p. 42). Nesse sentido, pautando-nos nessa perspectiva e modo de reconstrução histórica, buscaremos estabelecer uma leitura de narrativas ficcionais históricas que evidencie silenciamentos, apagamentos e parcialidades na reconstrução de personagens às margens da grande história oficial. Em especial, observaremos o modo como as personagens históricas de Domitila de Castro e da Princesa/Imperatriz Leopoldina são reapresentadas em romances como A Marquesa de Santos (2009), de Paulo Setúbal, El império eres tú (2012) de Javier Moro, O Chalaça (1994), de José Roberto Torero. A reencenação da Marquesa de Santos na ficção será percebida em tensão com a figura da Imperatriz Leopoldina, a fim de analisar os sentidos que são engendrados nas obras em torno das posições sociais e papéis históricos que ambas ocuparam, bem como uma possível demonização da primeira e vitimização da segunda. Ainda que sejam personagens conhecidas, a frequente centralidade dos textos em D. Pedro acaba por ofuscar a ascensão desses personagens no discurso histórico, legadas a um espaço marginal limitado às suas relações com o Príncipe/Imperador. Este trabalho se fundamenta nos referidos estudos de Hutcheon (1991) e Perkowska (2008) sobre as ficções históricas, na obra A mulher escrita, de Branco e Brandão (2004), dentre outros.

Palavras-chave: Domitila de Castro, Imperatriz Leopoldina, romance histórico contemporâneo, personagens femininas.

 

Minibiografia:

Graduação em Letras Português-Inglês (2009) e Letras Português-Espanhol (2016), pela UNIOESTE/campus de Cascavel/PR. Mestre em Letras (2012) pela UNESP/Campus de Assis/SP, área de “Literatura e vida social”. Doutorando pela UFPR.


Comunicação 52

“Uma mulher na história da emigração: representações da mulher emigrante na obra de Maria Ondina Braga”

Autor:

Yana Elenkova Andreeva – Universidade de Sófia Sveti Kliment Ohridski, Bulgária – yanaandreeva@abv.bg

 

Resumo:

Explorando um corpus constituído pelos textos que configuram o espaço autobiográfico na obra narrativa da escritora portuguesa Maria Ondina Braga (1932-2003), a saber: a autobiografia romanceada Estátua de Sal (1969), o romance Nocturno em Macau (1991),  os contos de A Rosa-de-Jericó (1992) e Vidas Vencidas (1998), as crónicas de viagem de Passagem do Cabo (1994),  a comunicação propõe-se a análise crítica das representações da mulher emigrante nas obras citadas.

A obra de Maria Ondina Braga confirma, no espaço da ficção portuguesa de finais do século XX, uma tendência transnacional que atravessa poderosamente o imaginário criativo nas últimas décadas e que ao escolher o tema da e/imigração levanta, em diversos espaços linguísticos e culturais e de forma  interligada, as questões de identidade, de identificação e de deslocação. Apoiando-se na transdisciplinaridade que a temática da migração reclama, a comunicação aproveita alguns dos contributos teóricos do pós-colonialismo histórico e crítico, do pós-modernismo e os atuais questionamentos sobre os desafios multiculturais.

Ao representar ficcionalmente o processo de identificação de identidade de personagens femininas migrantes, a ficção de Maria Ondina Braga revela de um modo pronunciado o interesse pelas temáticas do multi- e do intercultural, conjugando-as com as problemáticas da identidade e da migração que são exploradas por via de uma escrita literária ambígua, entre o ficcional e o autobiográfico. Para equacionar o problema de uma emigração que indaga a sua identidade, as obras da Autora procuram revelar aspetos que dimensionam a identidade das mulheres migrantes: a presença da cultura material e espiritual do país de origem em confronto, coexistência ou fusão com a cultura do país de acolhimento; os padrões de relacionamento afetivo; a vivência psicológica da diáspora; a preservação ou transformação da linguagem das origens em contacto com outras línguas; afinal, a presença ou ausência de um diálogo entre culturas.

Através do entendimento do discurso identitário, a comunicação assinala o contributo dos textos de Maria Ondina Braga para a representação literária da mulher portuguesa na emigração.

Palavras-chave: mulher, identidade, emigração, espaço autobiográfico, Maria Ondina Braga.

 

Minibiografia:

Yana Andreeva é Professora Associada no Departamento de Estudos Ibero-Americanos da Universidade de Sófia Sveti Kliment Ohridski, Bulgária. Leciona Literatura Portuguesa e Literatura Brasileira. Doutorou-se em Literatura Portuguesa Contemporânea com a tese “A escrita autobiográfica na obra de Fernando Namora” (2006). Autora de vários livros sobre escritores e temas da literatura portuguesa, de numerosos prefácios e artigos, organizadora de três antologias. Atualmente exerce o cargo de Vice-Decana da Faculdade de Filologias Clássicas e Modernas da Universidade de Sófia.


Comunicação 53

O papel da mulher na reescrita da História em Os memoráveis

Autora:

Eliana da Conceição Tolentino – Universidade Federal de São João del-Rei-UFSJ – etolentino5@gmail.com

 

Resumo:

O trabalho visa apresentar uma leitura de Os Memoráveis (2014) de Lídia Jorge. Serão discutidas questões relacionadas à história, à memória e ao papel da mulher na construção narrativa da nação. O aporte teórico contará, para diálogo, com Boaventura Santos (2001), Eduardo Lourenço (2001), Homi Bhabha (1998), Paul Ricouer (1997) e Walter Benjamin (1985) .

Eduardo Lourenço (2001) afirma que a ficção pós-74 relê, reconfigura e constrói fatos da história portuguesa. Em Os Memoráveis, Lídia Jorge põe em diálogo a Literatura e a História quando, procurando rever e reler a Revolução dos Cravos, dá à Ana Machado o papel de reescrita da História. Os Memoráveis narra o retorno de Ana Machado, trinta anos após o 25 de abril, para fazer um documentário sobre a Revolução,

A partir de uma fotografia tirada por Tião Dolores, durante um jantar em agosto de 1974, no restaurante Memories, inicia o trabalho de investigação da jornalista. Essa fotografia é importante elemento narrativo e objeto biográfico, pois é a lembrança de casamento de seu pai com a sua mãe, Rosie Honoré. Partindo dessa fotografia, ela repensa Portugal pela pesquisa que realiza e pelas entrevistas que faz com aqueles que participaram do 25 de Abril.

Desde O dia dos prodígios (1980), Lídia Jorge vem empreendendo um projeto literário crítico em relação à Revolução. Em seus livros, as mulheres têm papel importante, a começar com a personagem Eva Lopo de A costa dos murmúrios (1988) e Maria Machado. Nesse sentido, cabe-lhes um olhar diferenciado, na contramão da História oficial, trazendo outras versões e outros discursos.

Palavras-chave: Revolução dos Cravos, Literatura, História, Ficção.

 

Minibiografia: Pprofessora do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei- UFSJ, Minas Gerais. Atua na área de Literatura de Língua Portuguesa e Teoria da Literatura. Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG e mestre em Literatura Brasileira pela mesma universidade. Atualmente faz pós-doutoramento na Universidade de São Paulo- USP sob a supervisão de Paulo Fernando da Motta de Oliveira.