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Simpósio 49

SIMPÓSIO 49 – PERSPECTIVAS CONTEXTUALISTAS E SOCIOCOGNITIVAS DO FENÔMENO DA REFERÊNCIA

 

Coordenadores:

Edwiges Maria Morato | Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) | edwigesmorato@hotmail.com

Heronides Maurílio de Melo Moura | Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) | heronides@uol.com.br

 

Resumo:

A proposta deste Simpósio, consagrado ao fundamento linguístico-cognitivo da referência, é reunir pesquisadores que trabalham em torno dessa fenômeno no âmbito de abordagens contextualistas e sociocognitivas. Portanto, serão acolhidas neste Simpósio as contribuições que levem em conta um domínio empírico baseado na linguagem e na interação em uso, em contexto, em práticas discursivas e interacionais. Nossa expectativa é colocar em discussão uma agenda científica em torno de perspectivas não binárias ou dualistas da referência, para a qual convergem várias áreas da Linguística (como a Semântica, a Pragmática, a Linguística Cognitiva, a Linguística Textual, a Sociolinguística, a Neurolinguística, a Análise da Conversação, dentre outras). Dentro dessa agenda, poderíamos sugerir, como pano de fundo para os trabalhos a serem aqui reunidos, a discussão sobre modelos contextualistas e sociocognitivos da referência, a interface entre semântica&pragmática na análise da referência, os atos de referenciação nas práticas textuais/discursivas, a relação entre processos linguísticos e conceptuais nas atividades referenciais, a relação entre contexto e cognição na construção da referência, a discussão crítica  sobre contexto & contextualismo e entre cognição & cognitivismo.

Palavras-chave: referência, contexto, linguagem em uso, cognição.

 

Minibiografias: 

Edwiges Maria Morato: Professora-Associada do Depto de Linguística da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde se doutorou (1995) e onde atua desde 1996. Realizou um estágio-sanduíche na Université de Sorbonne-Nouvelle (Paris III), na França (1994-1995). Fez pós-doutorado na Universidade de Paris XII entre 2001 e 2002 (Paris, França) e na Université Lumière II, em 2007 (Lyon, França). Foi pesquisadora visitante do Institut Jean Nicod (Paris, França) em 2015. Desenvolve pesquisas que envolvem as relações entre linguagem, cérebro e cognição, sob uma perspectiva cognitiva interacionista. É membro-fundador e atual coordenadora do GT da ANPOLL “Linguística e Cognição” (2014-2016). É atualmente coordenadora do Laboratório de Fonética e Psicolinguística e do Grupo de Pesquisa COGITES (Cognição, Interação e Significação).

Heronides Maurílio de Melo Moura: Possui graduação em Licenciatura em Letras pela UFPB (1985), mestrado em Linguística pela UFSC (1988), doutorado em Linguística pela UNICAMP (1996) e pós-doutorado pela Sorbonne Nouvelle (2000). É professor titular da UFSC, onde atua desde 1990. Desenvolve pesquisas nos seguintes temas: semântica lexical, linguística cognitiva e metáfora. Foi Presidente da ANPOLL (2012-2014) e coordenador da Pós-graduação em Linguística da UFSC (2012-2014). Coordena, também, o NES (Núcleo de Estudos em Semântica Lexical).

 

 

Relação dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Conhecimento social dos objetos ou conhecimento de objetos sociais? O fundamento sociocognitivo da referência

Autora:

Edwiges Maria Morato – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) –

edwigesmorato@hotmail.com

 

Resumo:

São vários os conceitos e modelos formulados no campo da Linguística e áreas correlatas para dar conta, teórica e empiricamente, da forma pela qual os indivíduos constroem (compartilham, modificam, organizam, regulam, representam, justificam, reconhecem) a experiência de conhecimento de mundo: frame, contexto, contextualização, sistemas de referência, enquadre, protótipo, esquema, situação social, script, moldura comunicativa, esquema mental, teoria da mente, etc. (MORATO, 2010).

Nesta comunicação, cujo interesse está centrado na relação entre linguagem, cognição e contexto, pretende-se discutir o fundamento sociocognitivo da referência. Para tal, procuraremos levantar semelhanças e diferenças entre modelos ou construtos sociocognitivos de enquadramento interpretativo de cenas referenciais, de modo a entender melhor a ação de determinados enquadres cognitivos que atuam na produção discursiva de forma mais externa (por exemplo, a partir de pistas de contextualização, modelos cognitivos idealizados,  frames ou modelos de contexto, propostos por GUMPERZ, 1982; LAKOFF, 1987; FILLLMORE, 1982;  e van DIJK, 2008, respectivamente), ou de forma mais interna (a partir de processos atinentes à progressão referencial, por exemplo – dentre eles a recategorização, fenômeno analisado, entre outros, por APOTHÉLOZ & BÉGUELIN, 1995; SCHWARZ, 2000; KOCH, 2002; MARCUSCHI, 2005).

Nossa hipótese é que tais modelos ou construtos, a partir de tamanhos e escopos distintos, encontram-se imbricados nos atos de referenciação, atuando como âncoras semântico-pragmáticas (SCHWARZ, 2000; KAMP, 2011) mais externas ou mais internas na construção e na interpretação do sentido, constituindo a face sociocognitiva da referência e desempenhando um papel fundamental na coesividade comunicacional.

Na discussão aqui delineada serão levados em conta exemplos extraídos de corpora diversos centrados na linguagem em uso.

Palavras-chave: referenciação; ancoragem; contexto; cognição; interação.

 

Minibiografia:

Professora-Associada do Depto de Linguística da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Realizou um estágio na Université de Sorbonne-Nouvelle (Paris III), entre 1994 e 1995;  um pós-doutorado na Universidade de Paris XII entre 2001 e 2002 e outro na Université Lumière II (Lyon), em 2007. Visitante do Institut Jean Nicod (Paris, França) em 2015, desenvolve pesquisas que envolvem as relações entre linguagem e cognição. Atualmente, coordena o Laboratório de Fonética e Psicolinguística e o Grupo de Pesquisa Cognição, Interação e Significação. 


Comunicação 2

Abordagem sociocognitiva da referência em contexto irônico

Autora:

Monica Alvarez Gomes – Universidade Federal De Mato Grosso do Sul – magneves@terra.com.br

 

Resumo:

Este trabalho busca estudar as relações envolvidas no fenômeno da referência em situação irônica, em corpus constituído de textos jornalísticos argumentativos, em língua formal culta escrita.

O fenômeno da referência por si só já constitui um desafio aos linguistas. Sabe-se que o significado é opaco e a referência uma construção, ou uma co-construção. Mas, em contexto irônico, um estudo dessa natureza parece mais desafiador ainda. Desse modo, buscando ferramentas que dessem conta da análise desse fenômeno, a hipótese sociocognitiva da linguagem (cunhada por Salomão, 1997) se apresentou como o modelo teórico mais apropriado ao desafio apresentado.

Valendo-se dos avanços da Semântica Cognitiva, Salomão focaliza a dimensão social da significação, uma vez que os usuários de uma língua sempre relacionam a significação a uma moldura comunicativa que tenha ensejado os enunciados. Além disso, ainda são evocados os modelos cognitivos idealizados, os esquemas genérico e imagético.

Essas rotinas servem, na verdade, para comportar as precárias (por serem instantâneas e renováveis) formulações da cognição humana. Fauconnier (1997) estruturou a teoria dos espaços mentais com o objetivo de encaminhar a questão da referência indireta e opacidade referencial, e por isso ela é uma teoria da “estrutura referencial” que conjuga os elementos que estão em jogo e a forma linguística que os suporta.

Com o aparato da taxonomia de Prince, são estudados casos de anáfora, sobretudo as associativas.

Da análise, depreende-se que (1) através de combinações inusitadas (próprias da ironia), determinadas semioses são perspectivizadas, (2) alterações no trato lexical implicam alterações do status do referente, (3) o SN de cunho irônico promove o re-enquadre de relações léxico-sintáticas e (4) a anáfora irônica promove a introdução de um referente com uma predicação de modo mais ampliado, por incluir aí uma avaliação do objeto, tornando-se, assim, uma combinação muito mais econômica e dinâmica.

Palavras-chave: Semântica cognitiva;  referenciação; ironia; anáfora; re-enquadre léxico-sintático.

 

Minibiografia:

Monica Alvarez Gomes é graduada em Português, Latim e Francês, pela UFRJ. Em pouco mais de vinte anos de experiência e atuação no ensino superior, teve inserção nos estudos de Terminologia, passando pela Linguística Textual e, finalmente, pela Semântica Cognitiva, área de seu doutoramento (UFRJ). Atualmente, interessa-se pelo estudo da ironia a partir da perspectiva cognitivista. 


Comunicação 3

O signo como relação triádica: a identificação do referente “paciente” da ação

Autor:

Heronides Moura – Universidade Federal de Santa Catarina – Email: heronides@uol.com.br

 

Resumo:

Neste trabalho, pretendo analisar um conceito semântico clássico (o conceito de paciente da ação verbal), com base numa revisão da natureza simbólica das línguas naturais. Para a análise, vou me basear numa relação triádica do signo (forma, sentido e contexto), e não numa relação binária (forma e sentido). Essa relação triádica implica uma revisão do pareamento entre forma e sentido. Proponho que a relação entre forma e sentido é diretamente afetada pelo contexto. Vou analisar a presença ou não de pacientes em sentenças transitivas, com foco no suposto pareamento entre paciente e objeto direto.  O paciente é a entidade afetada pela ação indicada pelo verbo. No entanto, a identificação do paciente apresenta várias dificuldades. Em primeiro lugar, não é um atributo específico de uma entidade ser um paciente.  A afetação do paciente depende da classe de verbos com o qual ele se combina em proposições específicas. Em muitos casos, nem mesmo a classe de verbos permite definir se a entidade é afetada ou não, sendo necessário recorrer a um contexto mais amplo para se definir se uma dada entidade é interpretada como um paciente. Além disso, pretendo mostrar que o paciente ocorre em outras funções sintáticas, distintas do objeto direto.

Palavras-chave: referência; paciente da ação verbal; contexto.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Licenciatura em Letras pela UFPB (1985), mestrado em Linguística pela UFSC (1988), doutorado em Linguística pela UNICAMP (1996) e pós-doutorado pela Sorbonne Nouvelle (2000). É professor titular da UFSC, onde atua desde 1990. Desenvolve pesquisas nos seguintes temas: semântica lexical, linguística cognitiva e metáfora. Foi Presidente da ANPOLL (2012-2014) e coordenador da Pós-graduação em Linguística da UFSC (2012-2014). Coordena, também, o NES (Núcleo de Estudos em Semântica Lexical).


Comunicação 4

A recategorização metafórica e a construção dos sentidos em memes políticos brasileiros

Autoras:

Hellen Samya Leão Fontenele – UESPI – hellensamyaf@gmail.com

Silvana Maria Calixto de Lima – UESPI – scalixto2003@yahoo.com.br

 

Resumo:

O estudo científico do texto, atualmente, resulta em um compromisso de investigação que envolve o aparato discursivo e a cognição em situação interacional, designado pela concepção sociocognitiva do texto. As discussões teóricas estão voltadas aos textos multimodais, pois imagens e palavras cada vez mais fazem parte da construção de sentidos dos textos. A referência está entrelaçada com a linguagem e a produção de sentidos, pois é (re)construída a partir dos modos semióticos em um texto. Dentre essas semioses, julgamos que a imagem possa assumir o papel de validar recategorizações operadas pelos interlocutores no decorrer do discurso. Este trabalho objetiva investigar o mecanismo linguístico da recategorização na construção dos sentidos do gênero meme, descrever os tipos de recategorização utilizados como mecanismos linguísticos na construção de oito exemplares de memes e analisar os tipos de recategorização presentes na construção deste gênero, focalizando funções cognitivo-discursivas deste mecanismo linguístico. Para fundamentar nossa investigação, utilizamos os estudos realizados por Apothéloz e Reichler-Béguelin (1995), Lima (2003; 2009), Custódio Filho (2011), Cavalcante, Custódio Filho e Brito (2014), Koch (2015), Cavalcante e Lima (2015) dentre outros não menos importantes, que envolvem texto, referenciação e produção dos sentidos; da mesma maneira que contribui Castro e Cardoso (2015) a respeito da função do gênero meme no Brasil. A pesquisa está metodologicamente constituída de um levantamento bibliográfico para a leitura e discussão dos pressupostos teóricos, coleta e organização do corpus da pesquisa, identificação e descrição das ocorrências de recategorização e a sistematização dos dados analisados. Os resultados obtidos com a análise do corpus constituído para investigação validam as duas hipóteses trabalhadas de que a recategorização ativa o efeito cômico-irônico do gênero meme e a de que o processo de recategorização pode ser manifestado por meio da linguagem verbo-imagética, resultando em uma tríade indissociável: texto, referência e construção dos sentidos.

Palavras-chave: Sociocognição; Multimodalidade; Recategorização;  Gênero meme.

 

Minibiografias:

Hellen Samya Leão Fontenele –  Graduada em Letras Português pela Universidade Estadual do Piauí (2016). É membro pesquisadora do Grupo de Estudos do Texto – GETEXTO. Fez graduação sanduíche de um semestre na Faculdade de Letras da Universidade do Porto – FLUP (2015) pelo Programa de Bolsas Santander Universidades. Atualmente desenvolve pesquisas relacionadas à Linguística de Texto, na subárea de referenciação em textos multimodais.

Silvana Maria Calixto de Lima – É graduada em Letras pela Universidade Federal do Piauí (1988); tem mestrado (2003) e doutorado (2009) em Linguística pela Universidade Federal do Ceará. Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Estadual do Piauí, coordenadora do grupo de pesquisa GETEXTO e professora do Mestrado Acadêmico em Letras da UFPI; e atua com professora do PROFLETRAS/UESPI. Áreas de pesquisa: Linguística do Texto e Linguística Cognitiva.


Comunicação 5

Os Processos de Referenciação Metafórica em Dois Estudos de Caso

Autora:

Mara Sophia Zanotto – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – Email: msophia.sp@gmail.com

 

Resumo:

O projeto no qual se insere este trabalho tem como objetivos investigar empiricamente os processos sociocognitivos envolvidos na interpretação de metáforas e metonímias em textos literários, em sua interface com os produtos de interpretação,  de modo a contribuir para elucidar a significação da metáfora em uso. A metodologia da investigação é a interpretativista (Erickson, 1986) e tem como método principal o Pensar Alto em Grupo (Zanotto, 1995), que resultou de uma adaptação do Protocolo Verbal. O método consiste numa prática dialógica e colaborativa de leitura e tem como traço essencial dar voz aos leitores, possibilitando que eles interpretem livremente um texto literário. Para verificar se há variação ou convergência de leituras, o Pensar Alto em Grupo é vivenciado por vários grupos de leitores lendo o mesmo texto, resultando, desse modo, um estudo de caso coletivo instrumental (Stake, 1998). Nesta apresentação serão considerados os dados gerados por essa prática em dois estudos de caso, construídos com seis grupos de leitores lendo um mesmo texto em cada caso (Zanotto & Palma, 2008; Moura & Zanotto, 2009; Zanotto, 2010,2016). Esses dados constituem evidência dos processos sociocognitivos, assim como dos contextos ativados na construção dos referentes metafóricos de uma expressão focalizada em cada caso. O confronto do processo da referenciação metafórica nos dois casos são reveladores de aspectos relevantes da significação da metáfora e metonímia em uso. O processo de referenciação metafórica apresentou interação de inferências metonímicas e metafóricas nos dois casos. Houve, entre outras, uma importante diferença: enquanto no primeiro caso, esses processos foram guiados pela estrutura semântica do sentido literal, no segundo, a referenciação metafórica não foi baseada na estrutura semântica do literal. Esse fato exigiu um trabalho inferencial dos leitores para descobrir os contextos e o frame de interpretação para chegar aos referentes metafóricos, revelando uma dependência contextual maior da referenciação. 

Palavra-chave: Cognição; Leitura; Metáfora; Metonímia; Ensino-Aprendizagem.

 

Minibiografia:

É professora titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e atua no Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL). Fez doutorado em Linguística, na Universidade de São Paulo (USP), em 1976. É líder do Grupo de Estudos da Indeterminação e da Metáfora – GEIM/CNPq. Áreas de atuação: Estudos da Metáfora/Metonímia; Estudos de Letramento, Pragmática, Metodologia de Pesquisa.


Comunicação 6

Referenciação metafórica: reflexões sociocognitivas sobre a dicotomia literal/figurativo

Autora:

Nathália Luiz de Freitas – Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – nathalia.freitas@ifsuldeminas.edu.br

 

Resumo:

Objetivamos, neste trabalho, investigar o processo de referenciação metafórica numa situação experimental, de maneira a ponderar sobre a dicotomia literal/figurativo na constituição da significação. As discussões em torno dessa dicotomia, colocadas desde a antiguidade clássica (ARISTÓTELES, 1996), são inseridas significativamente na Linguística por Lakoff e Johnson (1980), para quem o sistema conceptual humano é fundamentalmente metafórico. A referenciação é “um ato de construção criativo” (MARCUSCHI, 2002, p. 43) de natureza intersubjetiva e perspectivizada (TOMASELLO, 2003), podendo ser constituída figurativamente. Entre as hipóteses de processamento da referenciação metafórica, às quais subjazem questões atinentes à dicotomia literal/figurativo, estão os modelos pragmático padrão (SEARLE, 1979), referência dual (GLUCKSBERG, 1998), grau de saliência (GIORA, 1997) e acesso direto (GIBBS, 1994), não havendo consenso sobre suas pertinências explicativas. Inscrevemo-nos numa perspectiva teórico-metodológica sociocognitiva da linguagem de cunho interacionista (TOMASELLO, 2003; SALOMÃO, 1999) e discursivo, sendo o nosso corpus constituído por explicações de sentidos e contextos de uso de provérbios e idiomáticos, constantes num protocolo de estudo, fornecidas por adultos letrados. As análises preliminares dos dados revelam que, instados a atribuir sentidos às expressões, os participantes procedem tanto a referenciações “literais”, quanto a figurativas, já que empregam sintagmas metafóricos com significados equivalentes aos das expressões alvo nas explicações e exemplificações de uso. Isso sugere que o processo de referenciação metafórica se dá independentemente do da “literal”, em consonância aos modelos de Glucksberg (1998) e Gibbs (1994), bem como aos resultados de estudos eletrofisiológicos que apontam que, embora recrute maiores recursos de processamento, a compreensão metafórica envolve muitas das mesmas variáveis atuantes na compreensão da linguagem não figurativa (COULSON, 2007). Nosso estudo aprofunda a tese de que o literal e o figurativo não são processos dicotômicos, mas, sim, pertencentes a complexidades distintas. O desafio está, pois, na identificação de processos linguísticos e sociocognitivos relativos a essas complexidades.

Palavras-chave: referenciação metafórica; processamento figurativo; metaforicidade.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Linguística – subárea Neurolinguística – pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP; Mestre em Letras: Estudos da Linguagem, bacharel em Linguística e licenciada em Língua Portuguesa, ambos pela Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP.


Comunicação 7

Metáfora: um entrelace da cultura e da língua indígena

Autora:

Maria do Socorro Melo, ARAÚJO – Universidade Estadual de Roraima – araujomsocorro@gmail.com

 

Resumo:

Empiricamente a metáfora pode ser entendida como um recurso de comunicação pelo alargamento do significado de uma palavra do léxico que, com raiz na cultura e memória social, sai do sentido restrito do dicionário para o pensamento a fim de atender a diferentes e criativas formas de comunicação humana. Essa relação entre cultura e língua possivelmente contribui com o léxico, especialmente quando se trata de um contexto de comunidades indígenas. O objetivo deste trabalho é mostrar, pela interpretação da metáfora, um entrelace da cultura e da língua, considerando a história. O método pesquisa de campo foi utilizado quando da coleta de dados para dissertação de mestrado da autora. Especificamente nessa entrevista foram identificados valores mitológicos expressos em elementos metafóricos de narrativas orais da indígena de etnia Macuxi, da comunidade Sabiá, Pacaraima, Roraima, Brasil (2013), num momento de auto definição,  assumindo sua identidade. Para tanto, foi necessária a compreensão de teorias acerca do uso da metáfora em língua portuguesa, e, neste caso específico, de povos indígenas. Este estudo está fundamentado na Teoria de Metáfora Conceitual (TMC) de Lakoff e Jhonson (1980), na qual os conceitos pré-estabelecidos são a base para sua interpretação, em Steen (2006), para quem o foco da linguagem é também o discurso e Fargetti (2016), que defende a relação língua-cultura, língua-pensamento. Os resultados obtidos ratificam conceito e uso de metáfora conforme a teoria, como: a metáfora concerne à língua, às relações culturais, históricas e sociais; é motivada no pensamento e refletida na forma de se perceber as coisas no mundo, objetos, pessoas, animais, lugares, sentimentos e emoções. Os dados confirmam ainda a necessidade de mapeamentos específicos e completos que correspondam a informações compartilhadas por uma comunidade. Conclui-se que contribuição para o léxico dá-se pelos valores mitológicos preservados através de elementos metafóricos em evidência nas narrativas orais.

Palavras-chave: Teoria de Metáfora Conceitual; Interpretação; Narrativas Orais.

 

Minibiografia:

Mestre em Letras (2014) pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), sociolinguística/dialetologia, dissertação intitulada TOPONÍMIA DE COMUNIDADES INDÍGENAS DO MUNICÍPIO DE PACARAIMA. Doutoranda em Letras pelo DINTER (2016/2020) Universidade Estadual de Roraima (UERR) e Universidade Estadual Paulista “Júlio Mesquita Filho” (UNESP)/Araraquara -São Paulo. Atualmente é professora efetiva da UERR. Na pesquisa, atua especialmente em lexicologia, toponímia e metáfora, com ênfase em línguas indígenas.


Comunicação 8

Debate político e estratégias de referenciação: o caso da eleição presidencial no Brasil em 2014

Autora:

Carla Valeria de Souza Faria – Universidade Ca´ Foscari de Veneza – carla.faria@unive.it

 

Resumo:

Atualmente na linguística textual, cada vez mais são os que defendem que os referentes em um texto não devem ser considerados como preexistentes, mas como objetos de discurso que se constroem e reconstroem no próprio processo de interpretação e não se confundem com a realidade extralinguística (Mondada 2001; Andorno 2013).

Nesse processo de retomada, construção e/ou reconstrução dos objetos, que constituem escolhas do falante/escrevente em função de um querer-dizer, entram em jogo fenômenos de interpretação tais como a anáfora e a catáfora, responsáveis por garantir, de alguma maneira, a progressão referencial no texto. Entendê-los torna-se, então, importante, se quisermos conhecer os recursos linguísticos que contribuem para a construção do discurso.

Partindo dos trabalhos de Koch (2001, 2005, 2009, 2012) e Koch e Marcuschi (1998) para referenciação e progressão textual (que por sua vez seguem as ideias de Mondada e Dubois (1995) e de Apothéloz e Reichler-Béguelin (1995) no que diz respeito à definição de referentes como objetos de discurso e de referência como referenciação); Conte (1996/2015) paras as anáforas encapsuladoras; Francis (1994/2015) para  rótulos retrospectivos e prospectivos e Marcuschi (2001/2012), baseado em Schawrz (2000), para as anáforas indiretas, esta pesquisa quer identificar e analisar as estratégias de referenciação e progressão referencial/textual utilizadas na construção dos discursos dos candidatos às eleições presidenciais de 2014 durante os debates políticos transmitidos pelas emissoras Band, SBT, Record e Globo, e compreender o seu papel na progressão textual. O corpus desta pesquisa é composto pelas gravações em vídeo, e as respectivas transcrições, de oito (8) debates políticos entre os concorrentes à presidência da República do Brasil na Eleição Presidencial de 2014, sendo quatro realizados no primeiro turno das eleições e quatro no segundo.

Palavras-chave: linguística textual; referenciação; anáfora; catáfora; encapsulamento

 

Minibiografia:

Carla Valeria de Souza Faria é doutora em Linguística pela UFRJ e professora nas disciplinas Lingua Portoghese e Brasiliana II na Universidade Ca´ Foscari de Veneza e Lingua e Traduzione Portoghese II e III na Universidade de Trieste. Os seus principais interesses concentram-se no ensino de português como língua estrangeira, nos aspectos contrastivos da tradução italiano-português e na teoria da tradução para as línguas de sinais. É coautora do Corso di brasiliano 1 e 2.


Comunicação 9

A relação entre processos referenciais e frames na construção do objeto de discurso “corrupção” nos debates eleitorais de 2014

Autora:

Natália Luísa Ferrari – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) – nataliaferrari328@gmail.com

 

Resumo:

Nosso trabalho, financiado pelo CNPq, analisa a construção do objeto de discurso “corrupção” nos 8 debates televisionados entre os candidatos à presidência do Brasil em 2014. Tomando o referente como um “objeto de discurso” (Apothéloz, 1995; Mondada e Dubois, 1995) e pressupondo a construção intersubjetiva e perspectivizada do sentido, na esteira de Bentes e Ferrari (2011) e Morato e Bentes (2013), buscamos observar a relação entre os atos de referenciação e a mobilização de diferentes frames. Esses esquemas conceptuais que organizam expectativas sobre pessoas, objetos e eventos se relacionam ao enquadramento da produção discursiva em curso (Tannen e Wallat, 1987) – no caso, o debate eleitoral prevê a disputa entre diferentes perspectivas sobre os “mesmos” objetos. Tomando a frequência de uso dos frames como índice de convencionalização (Miranda e Bernardo, 2013), levantamos, em 12 excertos dos debates, as categorizações, as relações anafóricas indiretas e as predicações produzidas pelos candidatos para observar a conceptualização da corrupção – lembrando que esse processo pressupõe uma “intencionalidade coletiva” relativa não apenas aos protagonistas do debate, mas também à audiência (Tomasello, 2014). Nossas análises iniciais apontam para a conceptualização da “corrupção” enquanto “o uso de recursos públicos para benefício de partidos e agentes políticos”, a partir dos frames “meio” e “agir intencionalmente” (“o coordenador da sua campanha buscou desse esquema de propinas recursos para financiá-la”, “o senhor construiu um aeroporto dentro de uma propriedade”, i.e.). Além disso, em 8 excertos, observamos o desenvolvimento do tópico “combate à corrupção” – em 7 deles, pela candidata Dilma Rousseff –, cujo conjunto de referentes é enfeixado pelo frame “encontro hostil” (“o compromisso do meu governo é numa luta incansável contra a corrupção”, i.e.). Esse processo que caracteriza a corrupção enquanto “algo a ser combatido pelo desenvolvimento institucional”, amplia a conceptualização anteriormente referida, presente na fala dos candidatos de modo geral.

Palavras-chave: Referenciação; Frames; Conceptualização; Debate eleitoral; Corrupção.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras e em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas, é mestra e doutoranda em Linguística, com ênfase na área de Linguística Textual, pelo programa de Pós-graduação da mesma universidade. Em sua pesquisa, debruça-se sobre questões de referenciação, buscando aprofundar, no doutorado, a relação desse processo com categorias da Linguística Cognitiva como os frames. 


Comunicação 10

A referenciação anafórica no “Sensacionalista”: um jornal isento de verdade?

Autora:

Simone Lopes Benevides – Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) – sisilopes26@gmail.com

 

Resumo:
Esse artigo apresenta as considerações iniciais de pesquisa de doutorado, embasada pela Linguística Textual, cujo objetivo é analisar a referenciação como elemento central na construção de sentidos  das notícias publicadas pelo jornal O Globo e pelo Sensacionalista, jornal cuja circulação é restrita à internet. Ainda que seus editores o apresentem ao público como um jornal “isento de verdade”, o Sensacionalista constitui-se, tal como os jornais comuns, fontes histórias de grande valor uma vez que noticiam fatos e emitem juízos de valor sobre os mesmos. Na perspectiva linguístico-discursiva, partimos do princípio de que a linguagem humana é sempre dotada de intenções e ideologias, de modo que todo dizer sempre será um fazer (Koch, 2006). Assim, na análise de duas notícias do Sensacionalista em contraponto com outras duas notícias sobre o mesmo tema, veiculadas pelo jornal O Globo em sua versão on line, investigaremos a construção de sentidos empreendida pelas anáforas (Mondada; Dubois, 2016) na recategorização dos objetos de discurso.  Pretendemos, pois, analisar a referenciação, nesse  gênero, sob prisma diferente: os processos referenciais não são meros mecanismos linguísticos que estruturam o texto de modo a contribuir para a narrativa de um fato de forma clara e coesa; na verdade, temos uma construção sociocognitiva que dissemina valores axiológicos em seu projeto de dizer. Entendemos o texto como construção sociocognitiva-interacional (Koch, 2006) e, dessa forma, o sentido será construído pela cooperação entre os participantes do evento comunicativo, sendo o leitor o responsável por acionar diversas competências necessárias para a construção dos significados a partir do material linguístico do texto (expressões referenciais e pistas textuais). Nesse sentido, a constituição da teia de significados proposta pelas notícias dos jornais Sensacionalista e O Globo é fruto de processos que envolvem os mecanismos linguísticos e os efeitos de sentido em associação ao gênero textual.

Palavras-chaves: linguística textual; referenciação; anáfora; gênero textual.

 

Minibiografia:

Sou doutoranda em Língua Portuguesa Universidade Estadual do Rio de Janeiro e desenvolvo minhas pesquisas na linha do ensino, buscando contribuir para o estabelecimento de um vínculo mais estreito e produtivo entre a academia e a escola. Atualmente, sou professora do CEFET-RJ, lecionando língua portuguesa, literatura e produção textual para alunos do ensino médio.


Comunicação 11

A construção da referência contextual e sociocognitiva em narrativas afiliadas ao lendário amazônico

Autor:

Heliud Luis Maia Moura – Universidade Federal do Oeste do Pará -heliudlmm@yahoo.com

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é discutir numa perspectiva sociocultural a intervenção de fatores contextuais para a construção da referência em narrativas afiliadas ao universo do lendário da Amazônia. Assim, entendendo que as atividades de referenciação constituem um conjunto de processos variados e complexos, é importante destacar, consoante as postulações de autores voltados para esse fenômeno, que estas incluem componentes culturais relevantes, embutidos na base da interpretação de sentidos veiculados pelas interações sociais. Logo, as produções textual-discursivas são instrumentos portadores de estruturas conceitual-culturais que permeiam as mensagens realizadas pelos diversos interactantes. É válido dizer que as expressões referenciais são formas por meio das quais essas estruturas conceituais são reconstruídas, passando a veicular: conceitos, pré-conceitos, tabus, interpretações acerca de relações sociais diversas, sentidos atribuídos a certos referentes, significados ligados a relações espaciais e temporais, significados resultantes de recategorização de referentes de âmbito cultural, dentre outros elementos conceituais associados às práticas das comunidades em que circulam as mencionadas produções textuais. Tomo como referencial as postulações de Marcuschi (2007, 2008), Felts (2007), Tomasello (2003), Koch (2005) e Geertz (2008), para os quais, sobre diversas perspectivas, a construção da referência constitui uma atividade situada, emergenciada pelos contextos nos quais atua, regulando práticas e reconstruindo diferentes tipos de ações. Para as análises aqui realizadas, tomo por base narrativas referentes a personagens do lendário, sendo 2 duas de Boto, 2 de Cobra, 2 de Matintaperera e 2 de Curupira. Considerando as análises feitas, é possível concluir e fazer projeções acerca do fato de que as narrativas em apreciação estão engatilhadas em processos sociocognitivos por meio dos quais as formas de contar tais histórias ratificam e regulam práticas culturais características do universo amazônico, já que os sentidos aí mobilizados reconstroem interações em constante mobilização ou circulação nesse universo.

Palavras-chave: Referência cultural; sociocognição; narrativas amazônicas.

 

Minibiografia:

Doutor em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas, Mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atua como professor de Linguística e Língua Portuguesa na Universidade Federal do Oeste do Pará, trabalhando nos seguintes temas: Linguística de Texto, Gêneros do Discurso, Gêneros Narrativos Orais, Ensino de Língua Materna, Políticas de Formação de Professores de Língua e Práticas de Leitura e Escrita.


Comunicação 12

Referenciação em campo: a construção de sentidos na notícia esportiva

Autora:

Margareth Andrade Morais, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro – IFRJ – magamorais@gmail.com

 

Resumo:

De acordo com os avanços da Linguística do Texto acerca dos processos de referenciação e sua importância para a textualidade, pretendemos, com esta pesquisa, analisar os processos de referenciação no gênero notícia esportiva, comparando a seleção desses recursos em dois jornais com propostas e público alvo diferentes: um jornal exclusivamente esportivo, Lance! e outro de assuntos gerais,  O Globo.

Em nossa pesquisa no Mestrado, as análises mostraram que a notícia esportiva apresenta extrema dependência do contexto cognitivo, o que pode ser verificado pelo exame dos processos de referenciação. Dessa forma, continuamos as pesquisas no assunto, abordando os seguintes problemas: (i) de que modo as estratégias de referenciação presentes nos dois jornais interferem no grau de inferência e de conhecimentos compartilhados utilizados?;(ii) em decorrência dessa necessidade de inferências, é possível que haja uma maior argumentatividade nos textos voltados para o público específico?

Sobre os processos de referenciação, especificamente, rediscutimos a delimitação entre anáforas diretas, indiretas, encapsuladoras e a própria dêixis, mostrando como esses processos estão interligados e constituem um processo colaborativo de construção, que emerge da negociação dos sujeitos, conforme apontam Mondada e Dubois (2003), Marcuschi (2008), Koch (2002, 2005 e 2006) e  Cavalcante (2011).

Observamos a estrutura e característica dos gêneros e as formas de referenciação a fim de verificarmos a pertinência das hipóteses postuladas e implementar uma parte importante da nossa pesquisa, que é atrelar o estudo da referenciação ao estudo dos gêneros textuais, demostrando, inclusive, como a noção de suporte é importante para caracterização da notícia esportiva.

Palavras-chave: referenciação; gênero textual; notícia esportiva.

 

Minibiografia:

Professora Mestre em Língua Portuguesa do IFRJ (campus Rio de Janeiro) e doutoranda em Língua Portuguesa (Linguística Textual, UFRJ). 


Comunicação 13

Referenciação e multimodalidade em vídeos institucionais: atentando para a tipografia cinética

Autora:

Nadiana Lima da Silva – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – nadianalima@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho, adaptação reduzida de nossa tese recentemente defendida, tem por objetivo demonstrar como as estratégias textual-discursivas operam conjunta e retoricamente em textos construídos com base na tipografia cinética, técnica por meio da qual os textos podem congregar movimento, som, alterações tipográficas (quanto à cor, ao formato, ao tamanho etc.) e inserção de imagens (pictóricas ou fotográficas). Guiando-nos neste intento estão alguns questionamentos que poderiam ser assim expostos: se a tipografia (com toda sua gama de possibilidades de configuração) constitui um recurso semiótico importante para a produção e a compreensão de textos escritos (VAN LEEUWEN, 2005), em que medida ela pode contribuir para a (re)categorização de um referente? E sendo cinética (com movimento), como o aspecto tipográfico se manifesta na composição de um texto? Sendo um texto em movimento, um texto animado, como o processo de referenciação ocorre? De que maneira os usos da tipografia podem contribuir para a orientação argumentativa de um texto? Considerando essas questões, julgamos ser a Linguística Textual – em uma perspectiva sociocognitiva e em consideração de seu aspecto interdisciplinar – um recorte teórico relevante para entender como essas estratégias textual-discursivas são orquestradas em um todo coerente, levando-se em conta que é, por excelência, a linha de estudos cujo objeto é o texto. Por também partirmos do pressuposto de que a multimodalidade é um traço constitutivo de todos os textos, em graus de manifestação variados, nosso empreendimento teórico-metodológico consiste em associar o aparato analítico da LT, mais especificamente quanto à referenciação, com as ferramentas de análise oriundas dos estudos multimodais, mais especificamente da linha sociossemiótica, da qual fazem parte Kress e van Leeuwen (1996).

Palavras-chave: sociocognição; refereciação; multimodalidade; tipografia.

 

Minibiografia: 

Doutora e mestra em Letras (Linguística) pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde também cursou a graduação em Letras (Licenciatura em Língua Portuguesa – 2008). Tem experiência em a)pesquisa nas áreas da Linguística Textual, dos Estudos de Gêneros e da Análise Dialógica do Discurso; b)ensino na Educação Básica nas redes privada e pública no Ensino Superior presencial e à distância e na Pós-graduação; e c)formação continuada de professores das redes privadas e públicas, na condição de assessora pedagógica da Editora Saraiva.


Comunicação 14

Referenciação multimodal de crianças com Síndrome de Down em cenas de atenção conjunta

Autores:

Paulo Vinícius Ávila Nóbrega – Universidade Federal da Paraíba -Programa de Pós-graduação em Linguística (PROLING) –pvletras@yahoo.com.br

Marianne Carvalho Bezerra Cavalcante – Universidade Federal da Paraíba -Programa de Pós-graduação em Linguística (PROLING) –marianne.carvalho@gmail.com

 

Resumo:

A literatura a respeito de crianças com Síndrome de Down aborda, além de outros aspetos, questões voltadas para a sua aparência física e défices de atenção, produção vocabular, sintática e problemas de memória. Neste trabalho, mostramos nuances da linguagem de 02 crianças com SD, com 03 e 07 anos, em atendimento fonoaudiológico. Nosso intuito é apresentar o funcionamento da referenciação multimodal dessas crianças, ao usarem aspectos do contato ocular, gestual e produção vocal para corresponder ao engajamento conjunto na clínica. Nossa coleta de dados aconteceu durante os atendimentos na Clínica de Fonoaudiologia da UFPB, em João Pessoa, e os vídeos têm uma média de 30 minutos de duração. Os dados são transcritos no software ELAN, o que facilita a verificação de mais de um elemento da linguagem emergindo simultaneamente. Tomamos como base teórica postulados de David McNeill (1985) ao apresentar o conceito da língua enquanto instância de multimodal, como uma matriz de produção concomitante da integração dos gestos e da fala; nos baseamos em estudos de Adam Kendon (1982, 2000) ao apresentar a classificação dos gestos que observamos em nossos dados e, por fim, Michael Tomasello (2003), pesquisador que fala a respeito do engajamento conjunto. Nossos resultados mostram que as crianças preferem usar os gestos no momento da interação, sustentados por algum aspecto da produção vocal e contato ocular, o que as coloca como sujeitos em pleno funcionamento da dialogia.

Palavras-chave: Síndrome de Down; referenciação multimodal; aquisição da linguagem.

 

Minibiografias:

Paulo Vinícius Ávila Nóbrega é formado em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa, pela Universidade Federal da Paraíba. Nesta mesma instituição, concluiu o mestrado em 2010 e dá prosseguimento ao doutorado. É professor do curso de Letras da Universidade Estadual da Paraíba, campus VI. Suas linhas de interesse de pesquisa envolvem aquisição da linguagem, letramento e formação continuada de professores de língua portuguesa.

Marianne Carvalho Bezerra Cavalcante é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco. Nesta mesma instituição, concluiu o mestrado em Linguística em 1994. Possui doutorado em Linguística pela UNICAMP-Universidade de Campinas. É professora Adjunta do Programa de Pós-graduação em Linguística da Universidade Federal da Paraíba, campus I. Suas linhas de interesse de pesquisa envolvem aquisição da linguagem, letramento e formação continuada de professores de língua portuguesa. 


Comunicação 15

O processo de construção da cadeia referencial anafórica em questões do enem por alunos do ensino médio

Autores:

Hylo Leal Pereira – Universidade Estadual do Ceará – hyloleal@gmail.com

Maria Helenice Araújo Costa – Universidade Estadual do Ceará – mariahelenicearaujo@gmail.com

 

Resumo:

No presente estudo, tomamos como pontos de partida o caráter de reconhecimento e de promoção social propiciados por um bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio e, em consequência, a grande relevância que deve ter a avaliação dessa prova pela comunidade científica. Considerando que as questões presentes na avaliação anual do Enem são constituídas, em grande parte, pela aferição de Competências e Habilidades ligadas à compreensão leitora, objetivamos lançar um olhar sobre a composição estrutural/textual dessas questões, bem como investigamos de que maneira são construídas as cadeias referenciais anafóricas por alunos do ensino médio, participantes da pesquisa. Como base teórica, adotamos a concepção sociocognitivista de língua (KOCH; CUNHA-LIMA, 2011; MARCUSCHI, 2007; SALOMÃO, 1999), o texto visto como evento (BEAUGRANDE, 1997; HANKS, 2008), os gêneros do discurso como produtos linguísticos cujas forma e função apresentam-se de maneira relativamente estável (BAKHTIN, 2000; MARCUSCHI, 2008), a referenciação como processo sociocognitivo de estabilização discursiva (MONDADA; DUBOIS, 2003 [1995]; CAVALCANTE; CUSTÓDIO FILHO; BRITO, 2014) e a leitura a partir de uma abordagem complexa (PELLANDA, 2005 e FRANCO, 2011). Seguindo o paradigma interpretativista, a pesquisa teve como participantes alunos de nível médio de escola pública do estado do Ceará, Brasil. Os dados foram coletados a partir de método microetnográfico, desenvolvido ao longo de encontros interativos entre pesquisador e participantes. As questões utilizadas durante coleta de dados fazem parte do conjunto de itens do Enem presentes em edições que compreendem 2012 a 2015. A partir da análise dos dados, investigou-se a teia anafórica sugerida pelas questões e o caminho aparentemente realizado pelos participantes. Para tanto, ativemo-nos também à análise do processo complexo de leitura efetivado pelos participantes e seus eventuais desdobramentos. Constatou-se a multiplicidade de fatores intercorrentes no processo leitor e algumas estratégias de leitura e processamento anafórico empregadas de forma recorrente.

Palavras-chave: Referenciação; Leitura; Avaliação; Enem.

 

Minibiografias:

Hylo Leal Pereira: Graduado em Letras (2009) e especialista em Ensino Língua Portuguesa (2012), atualmente é mestrando em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual do Ceará. Atualmente é professor da Secretaria da Educação do Estado do Ceará. Desenvolve pesquisa nas áreas de Referenciação e Ensino. Atua principalmente nos seguintes temas: linguística de texto, ensino de língua materna, leitura, avaliação e currículo

Maria Helenice Araújo Costa: Possui graduação em Letras pela Universidade Federal do Ceará (1975), mestrado em Linguística pela Universidade Federal do Ceará (2000) e doutorado em Linguística pela Universidade Federal do Ceará (2007). Atualmente é professor adjunto da Universidade Estadual do Ceará. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Linguística de Texto, atuando principalmente nos seguintes temas: escrita, interação, leitura, referenciação e ensino de língua materna. 


Comunicação 16

A anáfora nas diferentes fases da Linguística Textual

Autora:

Lícia Maria Bahia Heine – Universidade Federal da Bahia – liciaheine@uol.com.br

 

Resumo:

Este trabalho objetiva investigar a anáfora e o seu lastro referencial no processo de construção textual, considerando as diferentes fases da Linguística de Texto. Para tanto, serão focalizadas as seguintes fases, a análise transfrástica, as gramáticas de texto, as teorias do texto, o momento socio­cognitivista e a fase bakhtiniana, que vem sendo proposta por Heine, de forma sistemática desde 2009. Assim pautada, abordar-se-ão anáforas léxico-gramaticais efetivadas a partir de estratégias endofóricas, consoante sobremodo Halliday e Hasan (1976), anáforas não-correferenciais (associativas, indiretas e encapsuladoras), interpretadas referencialmente sem a obrigatoriedade de um antecedente comum. E por fim, as anáforas que efetivam a coesão textual, por meio de elementos de signos icônicos, tendo como ponto de partida a concepção de texto, segundo Heine (2012), que o compreende através de duas camadas que lhe são constitutivas: a camada linguístico-formal, que consiste dos princípios morfofonológicos, sintáticos e semânticos; e a camada histórico-ideológica, caracterizada pelo processamento de sentidos inferenciais e efetivada a partir de diferentes estratégias (conhecimentos de mundo, conhecimentos partilhados, intencionais, conhecimentos ideológicos, dentre outros) que vão alicerçar a construção desses sentidos (HEINE, 2012). É necessário registrar que esse conceito de texto pauta-se em Bakhtin (1997, p. 124), para o qual “[…] a comunicação verbal é sempre acompanhada por atos sociais de caráter não verbal (gestos do trabalho, atos simbólicos de um ritual, cerimônias, etc.), dos quais ela é muitas vezes apenas o complemento, desempenhando um papel meramente auxiliar”.

Palavras-chave: anáforas; coesão textual;  signo semiótico.

 

Minibiografia:

Possui doutorado em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (2001). Atualmente é professor Associado IV da Universidade Federal da Bahia. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Linguística de Texto, atuando principalmente nos seguintes temas: fala, escrita, gêneros discursivos, ideologia, texto/discurso, anáforas, pautando-se sobremodo no arcabouço teórico bakhtiniano.


Comunicação 17

Referência, Objetos de Discurso e Contextos: implicações para o ensino e a aprendizagem da escrita

Autora:

Silvia Augusta de Barros Albert – Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL) –Silvia.augusta.albert@gmail.com

 

Resumo:

A noção de gêneros contribuiu significativamente para o avanço da produção escrita nas práticas escolares. Passou-se a evidenciar o processo, e não mais o produto, permitindo o trabalho com textos que circulam socialmente. Além disso, estabeleceu-se uma orientação metodológica que dispõe de sequências didáticas, oferta de modelos, processos de planejamento de texto e reescritas. Apesar desses avanços, os docentes continuam a arrolar problemas na produção escrita dos alunos, tanto no que se refere ao desenvolvimento articulado de ideias em torno de um tema quanto à produção de sentidos em nível global. Esses relatos revelam inclusive a escassez de intervenções satisfatórias capazes de fazer os estudantes se desenvolverem no processo de aprendizagem da escrita. Motivados por essas constatações, e respaldados nos estudos da Linguística Textual, de perspectiva sociocognitiva e interacional,  (Bentes e Cabral, 2008; Cavalcante, 2011, 2014; Koch e Cunha Lima, 2011; Marcuschi, 2007; Van Djik, 2012, entre outros ), propomos, por meio da análise de redações de vestibular, uma reflexão sobre o processo de produção escrita, encarado como uma situação de representação de mundo pela linguagem, que demanda do produtor a construção de representações de objetos de discurso, continuamente recategorizados no texto. Entendemos que, ao recategorizar objetos de discurso, o produtor se posiciona frente a determinado tema, explicita uma avaliação positiva ou negativa desse tema e, por conseguinte, orienta argumentativamente seu texto. Consideramos, ainda, que entre as várias decisões que o produtor deve tomar na produção escrita estão a ancoragem em contextos e o balizamento sobre o que deixar implícito ou explícito no texto. As análises permitem destacar a construção de representações do objeto de discurso/tema e o processo de ancoragem em contextos, além de possibilitar reflexões sobre as implicações da tomada dessa perspectiva relativamente ao ensino e à aprendizagem da escrita para produtores ainda não proficientes.

Palavras-chave: Linguística Textual; referenciação; objetos de discurso; contextos; produção escrita.

 

Minibiografia:

Doutora em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, na linha de pesquisa Leitura, Escrita e Ensino de Língua Portuguesa, com pesquisa voltada para os processos sociocognitivos subjacentes à produção escrita (2016); coordena cursos de Letras na modalidade à distância, na Cruzeiro do Sul Educacional. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em leitura e escrita, atuando nos seguintes temas: ensino e aprendizagem; pedagogia da escrita; avaliação; educação à distância on-line e formação de professores.