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Simpósio 48

SIMPÓSIO 48 – PROBLEMATIZAÇÕES DO PRESENTE: SUBJETIVAÇÃO E RESISTÊNCIA NAS/ÀS PRODUÇÕES DISCURSIVAS DA MÍDIA

 

Coordenadores:

Cleudemar Alves Fernandes | Universidade Federal de Uberlândia | cleudemar@uol.com.br

Kátia Menezes de Sousa | Universidade Federal de Goiás | km-sousa@uol.com.br

 

Resumo:

A história do presente desenha uma clara divisão das sociedades. De um lado, há, por exemplo, povos refugiados, e de outro, os que os expulsam, fecham ou abrem-lhes as portas. Em outras localidades, por explícitas questões e/ou divergências políticas, há países em que a divisão de classes se produz em seu interior, pela separação social em dois segmentos apenas. Tais ocorrências não se dão de forma pacífica, e as práticas discursivas a elas vinculadas, ou delas decorrentes, revelam-nas como o que levam os sujeitos a posicionarem-se de um lado e oporem-se ao outro, como se não houvesse outras possibilidades. Há, ainda, problemas, que eram considerados menores ou marginais em algumas sociedades, ocupando uma posição central no domínio político, demonstrando que o poder opera em lugares múltiplos, tais como na família, na vida sexual, na exclusão de negros, índios e homossexuais, nas relações entre homens e mulheres etc. Diante desses apontamentos de carácter geral, este Simpósio visa a reunir trabalhos que focalizam produções de discursos e posicionamento de sujeitos da/na mídia e reflitam sobre esses discursos como práticas de subjetivação ou como alvo de resistência, tendo em vistas as relações de poder e saber por eles perpassadas.

Palavras-chave: Práticas discursvas, Sujeito, Mídia, Subjetivação, Resistência.

 

Minibiografias:

Cleudemar Alves Fernandes: Professor Associado do Instituto de Letras e Linguística da Universidade Federal de Uberlândia; atua na Graduação em Letras e na Pós-Graduação em Estudos Linguísticos. Doutor em linguística pela Universidade de São Paulo; Líder do Laboratório de Estudos Discursivos Foucaultianos – LEDIF/UFU/CNPq. Realizou Pós-Doutoramento (2011), junto à UNESP-CAr, como Pesquisador Sênior pelo CNPq, sobre o tema “discurso e sujeito em Michel Foucault”. Autor de livros e artigos sobre Análise do Discurso e Michel Foucault.

Kátia Menezes de Sousa: Professora associada da Universidade Federal de Goiás, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística. Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2002). Líder do Grupo Trama de Análise do Discurso – UFG/CNPq. Estágio de Pós-Doutoramento (2014) junto à UFSCar, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás – FAPEG, sobre o tema “dispositivos de segurança e inovação na atualidade: os discursos, os saberes e as relações de poder na produção de subjetividades”.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

O dispositivo da sexualidade na subjetivação do idoso

Autora:

Adélli Bortolon Bazza – Universidade Estadual de Maringá –adellibazza@hotmail.com

 

Resumo:

Entre os diversos saberes que se constituíram a respeito do idoso atual, está a ideia de que o novo idoso tem uma vida sexual ativa. Neste estudo, propomos investigar como essa sexualidade está representada tanto nos processos em que se fala do idoso quanto nos processos em que ele fala de si mesmo, de modo a problematizar o estatuto do dispositivo da sexualidade na constituição da subjetividade de novo idoso. Essa discussão está pautada nos pressupostos teóricos lançados por Michel Foucault, focando especialmente as noções de objetivação, subjetivação, dispositivo e sexualidade; e se desenvolve a partir de uma série enunciativa composta de textos retirados da mídia e de depoimentos de pessoas com mais de sessenta anos a respeito de suas vidas. As análises apontam para um processo de objetivação que descreve a sexualidade centrada no ato sexual, enquanto, no processo de subjetivação, a sexualidade é abordada de forma mais ampla.

Palavras-chave: objetivação; subjetivação; sexualidade; idoso.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (2004), mestrado em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (2009) doutorado na mesma instituição (2016). Atualmente, é professora no Departamento de Língua Portuguesa na UEM e participa do Grupo de Estudo Foucaultianos GEF-UEM. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Análise do Discurso e Formação de Professores.


Comunicação 2

Os índios terena do norte de mato grosso: mídia e representação social

Autores:

Adriano Eulálio Araújo – Universidade Federal de Santa Catarina -a.eulalio@hotmail.com

Alceu Zoia – Universidade do Estado de Mato Grosso – alceuzoia@hotmail.com

 

Resumo:

Ao analisar o surgimento das primeiras sociedades brasileiras são perceptíveis os traços deixados como herança de diversas etnias indígenas, por exemplo, o conhecimento sobre plantas medicinais, línguas, moradia, alimentação, dentre outros. A partir daí formam-se imagens sobre o que é ser índio e isso se mantém presente no senso comum do não índio. Os números da população indígena no Brasil, segundo o IBGE, chegam a 215 etnias e mais de 170 línguas faladas, aproximadamente 300.000 índios espalhados por cerca de 600 espaços, alguns demarcados, outros não, em todo o território nacional. Das etnias conhecidas no país, aproximadamente 50 delas estão no estado de Mato Grosso, porém isso não é suficiente para que as questões indígenas sejam frequentes na imprensa e que permitam o seu discurso na mídia. Para a compreensão de como o jornalismo apresenta o indígena balizamo-nos em teóricos como Serge Moscovici, e Denise Jodelet e fazemos uso do conceito das representações sociais, lançando um olhar sobre como os meios de comunicação, de abrangência nacional e regional, retratam os índios da etnia Terena, situada no norte de Mato Grosso, em temas importantes como a disputa pela terra e seus direitos e deveres para com ela. Utiliza-se a análise de conteúdo a fim de detectar a forma como a imagem do indígena foi tratada ao se construírem as notícias. O levantamento realizado com algumas palavras-chaves (Terena, Mato Grosso, Índios), constitui o corpus de 21 matérias produzidas pelo jornalismo televisivo brasileiro. Assim, buscamos compreender os problemas e limitações da cobertura jornalística sobre os povos indígenas, observando especialmente a insuficiência de fontes, a falta da perspectiva indígena sobre suas próprias questões e a consequente simplificação de sua realidade.

Palavras-chave: índio; representação social; mídia; jornalismo.

 

Minibiografias:

Adriano Eulálio Araújo – Mestrando em Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), graduado em Jornalismo na Faculdade de Sinop (FASIPE – 2014), graduação em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda (IESP – 2010). Possui cursos paralelos na área de comunicação. Atua principalmente nas seguintes áreas: Cultura Brasileira, Publicidade e Propaganda, Rádio e TV, Cultura e Jornalismo. Produção e finalização de material para TV.

Alceu Zoia – Doutor em Educação pela Universidade Federal de Goiás (2009). Mestre em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso (2000), possui graduação em Filosofia pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (1990) e atualmente é professor adjunto da Universidade do Estado de Mato Grosso, atuando em diversos cursos e é professor do Programa de pós-graduação – PPGEDU/UNEMAT orientando na Linha de Pesquisa Educação e Diversidade.


Comunicação 3

A infantilização do discurso para a padronização das subjetividades infames

Autor:

Antônio Fernandes Júnior – Universidade Federal de Goiás (Regional Catalão) – tonyfer@uol.com.br

 

Resumo:

A escrita de Manoel de Barros caracteriza-se por uma busca constante de atingir um “criançamento da linguagem”, que pode ser percebida em seus poemas e narrativas. A escrita desse poeta, nome consagrado na literatura brasileira, desestabiliza significados cristalizados pelo tempo, desloca a nossa compreensão prévia das palavras e, ao “escová-las”, segue em busca de outros sentidos possíveis (“clamores antigos”), chamando nossa atenção para o ínfimo e para tudo aquilo que a nossa civilização “pisa, mija em cima e joga fora, “como o homem jogado fora”. Ao dar visibilidade ao perfil fragmentário da escrita e dos sujeitos (o andarilho, o louco, o abandonado), que figuram em sua obra, o autor desloca nosso olhar para “as vidas infames”, cujas diferenças e estranhezas evocam descontinuidades em relação ao padrão normalizador de sociedade que construímos. Esse gesto poético-discursivo pode ser encontrado nas pequenas narrativas (contos/crônicas) da trilogia “Memórias inventadas”, nas quais predomina a personagem infantil. Em diálogo com Michel Foucault, diríamos que o artista dá voz a modos singulares existência (“vidas infames”), nas quais se vislumbra uma prática estética e política capaz de deslocar sentidos negativos atribuídos a dados gestos e formas de subjetividades tidas como abjetas e/ou rejeitadas na e pela história. Para análise dessas questões, recorreremos aos postulados da Análise do Discurso de orientação foucaultiana, sobretudo por considerar que a emergência de um dado objeto, independente da materialidade que o constitui, não se separa das molduras formais (discursos, enunciados, práticas discursivas etc.) que chegam até nós capturando-nos. Ao relacionar a literatura de Barros com a analítica de Foucault, pretendemos refletir sobre os padrões normalizadores que teimam em massificar a produção de subjetividade, evocando o discurso das continuidades, e em apagar as diferenças e descontinuidades do que nos faz ser o que somos.

Palavras-chave: Discurso; normalização; infância; Manoel de Barros.

 

Minibiografia:

Professor adjunto da Universidade Federal de Goiás, Regional Catalão; atua na graduação em Letras e no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (Mestrado). Doutor em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Unesp/Araraquara-SP (2007). Estágio de Pós-Doutoramento (2014) junto à UFSCar, sobre o tema “dispositivos de poder e práticas de subjetivação na atualidade”.


Comunicação 4

De 1981 a 2014: o jogo das ilusões na relação entre grevistas militares do estado da Bahia e o governo

Autora:

Aretuza Pereira dos Santos – Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – aretuzap@yahoo.com.br

 

Resumo:

Observar o discurso político no que diz respeito à relação conflituosa que se estabelece entre os representantes do Estado e o Servidor Público Militar, sobretudo, quando o assunto gira em torno de movimentos reivindicatórios, leva-nos hipoteticamente a perceber certas regularidades discursivas marcadas pelos embates ideológicos. Por conseguinte, nessas regularidades, os sujeitos envolvidos no processo discursivo projetam sua própria imagem e a que fazem do outro em relação aos lugares que ocupam na sociedade, lugares que vão significar diferentemente para e por sujeitos, além de representados pelas formações imaginárias e determinados pelas estruturas sociais. Durante os movimentos reivindicatórios da Polícia Militar Baiana, a relação que se estabeleceu entre grevistas militares e representantes do governo foi marcada por fortes tensões. A Análise do Discurso de linha pecheuxtiana, teoria que fundamenta esta pesquisa, enquanto prática de compreensão histórica dos processos semânticos, nos permite compreender como as tensões sociais se processam no campo da linguagem. Assim, propomos discutir como a relação entre grevistas militares e o governo, ao longo da história dos movimentos reivindicatórios da PMBA, compreendido entre 1981 e 2014, construiu-se pautada pelas formações imaginárias.  Selecionamos o corpus com base na busca por pistas que ajudassem a compreender o porquê, como e sob quais condições os discursos em torno dos sentidos de greve são construídos a partir de ideologias que diferem quanto à possibilidade de os militares participarem da polis, do exercício político. Dentre os resultados, evidenciamos o quanto os sujeitos sociais fazem representações de seus lugares e agem segundo as normas que atribuem às funções que exercem, e como nas relações sociais o funcionamento discursivo se processa pelas formações imaginárias.

Palavras-chave: Discurso; greve; estado; sentidos; formações imaginárias.

 

Minibiografia:

Pesquisadora em Análise do Discurso com mestrado em Estudos de Linguagens, pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), especialista em Gestão Educacional, pela Universidade Castelo Branco (UCB-RJ) e graduação em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).  Professora de Língua Portuguesa e Produção Textual da Rede Municipal.


Comunicação 5

O dispositivo crônico da AIDS e as homossexualidades masculinas no Brasil: medicalização, resistência e codificação

Autor:

Atilio Butturi Junior – Universidade Federal de Santa Catarina – Florianópolis, Brasil – atilio.butturi@ufsc.br

 

Resumo:

A comunicação pretende discutir as relações entre as homossexualidades masculinas no Brasil, a medicalização do corpo com HIV e a problemática das formas de subjetividade. Para tanto, recorre ao conceito de dispositivo e à probelmatização acerca dos poderes e das resistências, segundo a leitura estabelecida por Michel Foucault. O corpus de análise é composto por textos postados em blogs e textos vinculados no jornalismo on-line cuja temática é a infecção pelo HIV em sujeitos homossexuais, entre 2010 e 2016.  Inicialmente, o trabalho descreve a produção de um “dispositivo da aids” no Brasil, construído segundo a ordem de uma negativização e de uma política de governo dos corpos, notadamente dos homossexuais e das práticas de prazer anais. Depois, volta-se para os deslocamentos que tal dispositivo sofreu a partir de meados da década de noventa do século XX, quando a Terapia Antirretroviral (TARV) passa a ser oferecida, estabelecendo um discurso do crônico que, no entanto, opera taticamente como dispositivo de governo. Finalmente, a análise dos enunciados discorre sobre a existência de discursos de cuidado de si, discursos de medicalização e discursos de criminalização, que se relacionam na produção do sujeito homossexual soropositivo e fazem notar estratégias de codificação e de resistência no interior do dispositivo.

Palavras-chave: homossexualidades masculinas; Brasil; dispositivo da aids; terapia antirretroviral.

 

Minibiografia:

Doutor em Linguística pela UFSC, realizou estágio pós-doutoral no IEL/UNICAMP. É professor Adjunto da UFSC, da área de Linguística Aplicada e líder do Grupo de Estudos no Campo Discursivo. É editor-chefe da revista Fórum Linguístico e docente do Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFSC e do Mestrado Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFFS.


Comunicação 6

Escola, medicalização e violência: a marginalização do aluno hiperativo no espaço escolar

Autor:

Bruno Franceschini – PPGEL/Universidade Federal de Uberlândia – b-franceschini@hotmail.com

 

Resumo:

O tema da violência nos estudos foucaultianos está relacionado ao exercício do poder, não como forma de suplício, de dor, do “castigo-corpo”, mas como o corpo pode ser investido pelo poder para que seja útil e produtivo à sociedade, no exercício de uma resistência. Esse investimento do poder no domínio corporal funciona segundo uma mecânica do poder por meio dos dispositivos disciplinares que o tomam como um objeto de saber e de poder. Assim, a proposta deste trabalho é discutir sobre a medicalização do aluno hiperativo no espaço escolar como uma forma de violência contra esse sujeito, tendo por objetivo apresentar os dispositivos que produzem discursos sobre quem é esse sujeito e como ele deve ser tratado na escola. Para tanto, aborda-se, também como os dispositivos disciplinares são produtores de discursos que visam normatizar e normalizar o hiperativo e como o dispositivo de medicalização age neste domínio discursivo como forma de violência contra esse sujeito. Dito isso, as análises mostram como, no discurso sobre o sujeito aluno hiperativo, as relações de poder se exercem nos dispositivos cartografados, bem como as relações saber-poder nas práticas discursivas da escola e da medicina sustentam o dispositivo de medicalização como uma forma de violência e de marginalização do hiperativo na escola.

Palavras-chave: Análise do Discurso; Michel Foucault; prática discursiva; dispositivo; TDAH.

 

Minibiografia:

É graduado em Letras Português/Inglês e respectivas literaturas pela Universidade Estadual de Maringá (2009). Mestre pelo Programa de Pós Graduação em Letras da UEM (2012). Doutorando em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Uberlândia. Desenvolve suas pesquisas em Análise do Discurso e trabalha com os seguintes temas: dispositivo, processos de subjetivação, governamentalidade e TDAH.


Comunicação 7

Os discursos da moralidade como estratégia de luta política e consentimento de violência no cotidiano brasileiro

Autores:

Cleudemar Alves Fernandes – Universidade Federal de Uberlândia – cleudemar@uol.com.br

Kátia Menezes de Sousa – Universidade Federal de Goiás – km-sousa@uol.com.br

 

Resumo:

Diferentes práticas discursivas e não discursivas marcadas por violência ganham visibilidade e formas de enunciação quando nosso olhar incide sobre o mundo contemporâneo e observa as relações e as condutas instauradas entre sujeitos, em âmbitos macros, que envolvem a inter-relação entre nações, e a também a ética, própria às organizações sociais, culturais, políticas e econômicas, intrínseca a uma nação, um povo; bem como em micro relações instauradas entre sujeitos no cotidiano de um mesmo país. Na efervescência dessas discursividades contemporâneas, nosso olhar volta-se para a realidade política do Brasil, da qual destacaremos para análise algumas práticas discursivas por valores conservadores apresentados como forma de resistência a uma suposta sociedade perigosa, indisciplinada e pervertida. Essa sociedade teria sido construída por um governo, também suposto como de esquerda, que teria permitido a visualização e convivência incômodas do diferente, do não padronizado e do não normalizado em termos econômicos, sociais, étnicos, sexuais e religiosos. Tomaremos, dessa forma, alguns acontecimentos produzidos pela mídia, e que circularam pela internet nos anos de 2015 e 2016, que trazem, nas práticas discursivas que os constituem, atitudes de violência, sejam elas diretas, indiretas ou simbólicas, como forma de rotular a subjetividade daquele que as porta como definidora de um sujeito moral do bem e dos bons costumes. Nossa análise ganhará lugar neste estudo com a recorrência a noções experimentadas por Michel Foucault em algumas de suas problematizações das práticas constituídas nas relações de saber/poder/subjetivação, tais como verdade, segurança, perigo, conduta, governamentalidade e estética da existência.

Palavras-chave: Discurso político; prática discursiva; violência; poder; subjetividade.

 

Minibiografias:

Cleudemar Alves Fernandes: Professor Associado do Instituto de Letras e Linguística da Universidade Federal de Uberlândia; atua na Graduação em Letras e na Pós-Graduação em Estudos Linguísticos. Doutor em linguística pela Universidade de São Paulo; Líder do Laboratório de Estudos Discursivos Foucaultianos – LEDIF/UFU/CNPq. Realizou Pós-Doutoramento (2011), junto à UNESP-CAr, como Pesquisador Sênior pelo CNPq, sobre o tema “discurso e sujeito em Michel Foucault”. Autor de livros e artigos sobre Análise do Discurso e Michel Foucault.

Kátia Menezes de Sousa: Professora associada da Universidade Federal de Goiás, atua Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística. Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2002). Líder do Grupo Trama de Análise do Discurso – UFG/CNPq. Estágio de Pós-Doutoramento (2014) junto à UFSCar sobre o tema “dispositivos de segurança e inovação na atualidade: os discursos, os saberes e as relações de poder na produção de subjetividades”.


Comunicação 8

A perda do medo da morte como resistência à regulação dos corpos

Autora:

Cristina Batista de Araújo – Universidade Federal de Mato Grosso –  cristina.baraujo@uol.com.br

 

Resumo:

No geral, pode-se dizer que os trabalhos de Michel Foucault tratam de subjetivação, entendida como decorrente de diferentes relações que o poder estabelece com a produção de saberes e de verdades. Desse modo, há que se considerar que a constituição do sujeito se dá para um tempo presente e para uma sociedade que define suas práticas e procedimentos de estabelecimento de verdade. É por isso que, em uma sociedade vinculada à extração de bens e apropriação dos corpos, era possível localizar um ponto de poder de onde emanava toda a força. Nesse contexto, o direito de vida e de morte eram atributos fundamentais do soberano, o que implicava dizer que a ele caberia decidir entre fazer morrer ou deixar viver qualquer um de seus súditos que conviviam com a constante tensão entre viver ou morrer, segundo a vontade de outrem. Entretanto, essa forma de poder, tais práticas e procedimentos não se fizeram mais tão viáveis diante de uma nova mecânica da sociedade, surgida nos séculos XVII e XVIII, que colocou em destaque procedimentos e aparelhos totalmente novos e incompatíveis com as relações de soberania: o poder sobre a vida. A noção de biopolítica é formulada por Foucault ([1975-1976] 2005) para demonstrar que o poder passa a exigir mais vida e a geri-la; assim, o fazer morrer é banido do meio social e torna-se objeto de tabu. Entende-se com Sousa (2012) que, se o poder é exercido tomando a vida como estratégia, um dos aspectos da resistência passa pela perda do medo da morte. Sendo assim, tratar-se-á dessa forma de resistência a partir da discursivização sobre o corpo do jovem em sua sexualidade, regulado por práticas religiosas e pedagógicas, que acaba por delinear a partilha entre a vida que merece viver e aquela que pode ser capturada e morta.

Palavras-chave: biopolítica; medo; subjetivação; resistência.

 

Minibiografia:

Professora Adjunta da Universidade Federal de Mato Grosso, pesquisadora do Grupo de Pesquisas em Linguagem e Mídia – LIMIAR/CNPq.


Comunicação 9

Discurso, memória e poder: o acontecimento “impeachment da presidenta dilma rousseff” na mídia

 

Autores:

Disraeli Davi Reinaldo de Moura – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)– disraelimoura@hotmail.com

Lúcia Helena Medeiros – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)–

luciahelenamct@hotmail.com

 

Resumo:

Esta pesquisa, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem – PPCL e ao Grupo de Estudos do Discurso da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – GEDUERN, objetiva analisar o acontecimento discursivo Impeachment da presidenta Dilma Rousseff na mídia. Para isso, busca interpretar os mecanismos da memória e o exercício do poder em discursos nos quais se atravessam os vestígios da ditadura vivenciada no Brasil nos anos 60-70. Os políticos, representantes de um povo, se utilizam da produção de discursos para manipular a opinião pública e, esses discursos, quando veiculados pela mídia, a qual assume uma posição sujeito perante o social, produzem efeitos de sentido formando/transformando opiniões. Nessa formação/transformação, percebe-se o exercício do poder e a vontade de verdade na fabricação dos sujeitos. Para fundamentar a análise de charges e memes que retomam a temática em questão, nos utilizaremos das concepções teóricas de Foucault (1971; 1995; 2008), Pêcheux (2007), Gregolin (2003) e Coracini (2007), entre outros. Nos discursos que se apresentam nos gêneros analisados, se observa o atravessamento de vozes discursivizadas em uma época em que liberdade era uma palavra proibida e opressão era a palavra vivida pela sociedade brasileira. Dava-se, então, o exercício do poder, que estava em todas as partes, mas que enfrentava também a resistência de um povo. Com base nesses estudos, pode-se dizer que é pelos vestígios da memória que se pode conhecer/retomar a história. Dessa forma, este trabalho de pesquisa torna-se relevante no sentido de contribuir para uma melhor compreensão sobre o momento político vivido atualmente no Brasil e sua relação com um período em que silêncio era a palavra de ordem que regia o social.

Palavras-chave: discurso político; memória; mídia; poder.

 

Minibiografias:

Disraeli Davi Reinaldo de Moura – Professor da Faculdade de Ciência e Tecnologia Mater Christi do Curso de Direito. Membro da Comissão Permanente de Avaliação da Faculdade de Ciências e Tecnologia Mater Christi; Membro do Núcleo Docente Estruturante da Faculdade de Ciências e Tecnologia Mater Christi;; Advogado; Membro do Grupo de Estudos do Discurso da Universidade do estado do Rio Grande do Norte – GEDUERN; Mestrando pelo Programa de Pós-graduação de Ciências da Linguagem da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN.

Lúcia Helena Medeiros – Professora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, em Mossoró-RN. Doutora em Linguística pelo Programa de Pós-graduação em Linguística- PROLING, em João Pessoa – PB. Membro do corpo docente do Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS. Líder do Grupo de Estudos do Discurso da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – GEDUERN. Tem experiência na área de Linguística, atuando nos seguintes temas: análise do discurso, gêneros discursivos e letramentos.


Comunicação 10

Vulnerabilidade, Mercado de Trabalho e o Discurso Discriminatório Homofóbico Relacionados à População das Travestis e Transexuais (TTs) no Município de Três Lagoas/MS: mitos/discurso/contrução/descontrução

 Autores:

Edimilson Cardoso da Cruz – UEMS – edimilsoncruz7@gmail.com

Maria José Jesus Alves Cordeiro – UEMS – majua_c@hotmail.com

 

Resumo:

A pesquisa tem por objetivo mostrar a vulnerabilidade sob a qual travestis e transexuais (TTs) da cidade de Três Lagoas/MS estão expostos com base nos discursos discriminatórios e homofóbicos, fato que dificulta a inserção no mercado de trabalho. Para isso, a pesquisa de cunho qualitativo, do tipo estudo de caso etnográfico, buscará ouvir narrativas de (TTs), que trabalham em três pontos da referida cidade. As discriminações ocorrem sob as mais variadas formas de discursos e atitudes, apresentam-se de formas explícitas, veladas e inconscientes, e, por vezes, são evidenciadas por discursos representativos da cultura presente na sociedade local, que ainda se apresenta distante das novas políticas públicas socioassistenciais. O percurso metodológico escolhido para o desenvolvimento deste trabalho será feito ao longo de dois anos de investigação, e a análise aqui proposta será apoiada pelo referencial da Análise do discurso de orientação francesa, com base em Foucault em suas obras, bem como em estudos de autores/as como Guacira Lopes Louro, Tomas Tadeu da Silva, Stuart Hall, entre outros/as, que serão importantes para entendermos e articularmos os conceitos sobre a questão do discurso discriminatório homofóbico contra (TTs), cultura, identidade e poder. Para registro das narrativas faremos uso de entrevista semiestruturada, a qual indagará sobre as formas de discriminação homofóbica que sofrem e o que alegam como fundamentação a essa prática discriminatória, além das dificuldades para inserção no mercado de trabalho formal. Serão entrevistadas trinta (30) (TTs) que fazem “ponto” nos locais já citados. As entrevistas serão gravadas e transcritas literalmente, espera-se que ao final do estudo com o resultado das análises, possamos aferir dados úteis para a desconstrução de atitudes e discursos discriminatórios homofóbicos, identificados durante a pesquisa, de modo a contribuir na elaboração de políticas públicas antidiscriminatórias nas diversas áreas de atendimento da sociedade.

Palavras-chave: vulnerabilidade; trabalho; violência; gênero.

 

Minibiografias:

Edimilson Cardoso da Cruz – Pedagogo formado pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul/UFMS – Campus de Três Lagoas/MS; Mestrando em Educação pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul/UEMS – Paranaíba/MS. Desenvolve a pesquisa intitulada: Vulnerabilidade, Mercado de Trabalho e o Discurso Discriminatório Homofóbico com Ênfase na População das Travestis e Transsexuais (tts) no Município de Três Lagoas/MS.

Maria José Jesus Alves Cordeiro – Pedagoga (1983). Mestrado (1999) e Doutorado (2008) em Educação-Currículo/PUC/SP. Professora Adjunta da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Atua na graduação, no Mestrado Profissional em Ensino em Saúde e no Mestrado em Educação. Líder do Grupo de Pesquisa em Educação, Gênero, Raça e Etnia/ GEPEGRE/CNPq. Coordenadora do Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão em Educação, Gênero, Raça e Etnia /CEPEGRE/UEMS.


Comunicação 11

Hashtags do movimento feminista: os usos nas redes sociais virtuais e as respectivas abordagens midiáticas

Autora:

Elis Nazar Nunes Siqueira – Instituto  de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (IEL/UNICAMP) – elisnns@gmail.com

 

Resumo:

O modelo de autocomunicação vigente na atual sociedade globalizada transforma e reconfigura estruturas midiáticas e comunicacionais, uma vez que, agora, informações podem ser produzidas e difundidas de forma autônoma, por muitos indivíduos, por meio das tecnologias digitais (CASTELLS, 2011). Essa nova lógica de comunicação faz com um computador conectado à rede se torne um instrumento de resistência e de subversão (COELHO, 2016) e com que as mídias digitais sejam uma alternativa à centralidade das mídias convencionais (FREIRE, 2016). Assim, tem sido comum nos últimos anos que grupos sociais diversos utilizem as mídias digitais para reivindicar vozes, contestar estruturas e organizar seus movimentos, utilizando a internet também como um campo de disputa midiática e política (FREIRE, 2016). Esse trabalho tem como foco uma das expressões do movimento feminista nas redes sociais virtuais que se tornou viral: a utilização de hashtags. Por meio da análise documental – pautada em uma metodologia qualitativo-interpretativista, com auxílio de ferramentas computacionais como Netlytic e Gephi – estudou-se as hashtags “#belarecatadaedolar”, “#meuprimeiroassedio” e “#meuamigosecreto” e os conteúdos associados a elas, postados no Facebook, no Instagram e no Twitter. As três hashtags surgiram de campanhas nas mídias digitais e, nesses espaços, adquiriram força e destaque; todavia, devido à repercussão nos ambientes digitais, os assuntos associados a essas hashtags migraram para as mídias tradicionais, sendo abordados em reportagens impressas e em programas de televisão. Assim, esse trabalho tem como objetivo, primeiramente, refletir sobre o uso dessas hashtags nas redes sociais virtuais, suas características e seus respectivos efeitos e, ainda, analisar como ocorreu a migração dessas temáticas para outras mídias e como se deu a apropriação dessas temáticas pela mídia convencional, com análises documentais concentradas em dados das revistas “Veja”, “Carta Capital”, “TodaTeen”, “Época”, dos jornais “Folha de São Paulo”, “Estadão” e “El Pais”, entre outros veículos de comunicação brasileiros.

 Palavras-chave: hashtag; folksonomias; feminismo; revista; jornal.

 

Minibiografia:

Aluna de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidade Estadual de Campinas. Possui graduação em Letras pela mesma instituição (2015). É orientada pela Profa. Dra. Inês Signorini e tem como tema de pesquisa o uso de hashtags e os estudos sobre folksonomias. Realizou intercâmbio universitário em 2014 na Universidade de Évora, Portugal, estudando, principalmente, literatura e artes visuais.


Comunicação 12

Ser o mesmo sendo o outro, uma análise da identidade brasileira na imprensa francesa

 Autora:

Eneida Dornellas de Carvalho – UEPB – dornellaseneida@yahoo.com.br

 

Resumo:

Na atual conjuntura político-social, a mídia se destaca como fonte emanadora de discursos, e como tal não atua apenas como “simples suporte para a transmissão de informações”, mas como meio “que permite construir e modificar as relações entre os interlocutores, seus enunciados e seus referentes” (MAINGUENEAU, 1997, p. 20). Assim, na produção do texto jornalístico, são mobilizadas operações que determinam “o que dizer” e também, ganhando maior relevância, o “como dizer”, estratégias linguísticas que promovem “no” e “pelo” discurso, uma construção de sentidos. Partindo desses pressupostos, pretendemos demonstrar como, em discursos que se materializam em textos publicados na imprensa escrita francesa em 2005, persiste, como estereótipo, uma imagem da identidade brasileira. Uma identidade elaborada a partir da visão do outro, estrangeiro, que ocupa lugar de relevância numa relação histórica que remonta mesmo à época da “descoberta” da nova terra. Para compreender tal elaboração discursiva, recorremos às discussões sobre identidade na perspectiva de Hall (2005), sobre a identidade brasileira como a descreve Ortiz (2003), tendo por base a concepção de língua como instância produtora de sentidos.

 Palavras-chave: Língua; identidade brasileira; imprensa francesa.

 

Minibiografia:

Formada em Letras pela Universidade Federal da Paraíba, com habilitação em Língua Portuguesa e Língua Francesa, especialista em Língua Portuguesa e Língua e Literatura Francesas nessa mesma Universidade, cursou Mestrado em Linguística na Universidade Federal de Pernambuco e Doutorado em Linguística na UFPB, é Professora de Língua Portuguesa da Universidade Estadual da Paraíba, onde atua no curso de Letras e no mestrado profissional PROFLETRAS.


Comunicação 13

A sexualidade normatizada no asilo para idosos

 Autor:

Hoster Older Sanches – Universidade estadual de Maringá – hosterolder@yahoo.com.br

 

Resumo:

A partir de uma visada da Análise do Discurso de linha foucaultiana, o presente projeto de pesquisa objetiva investigar a sexualidade discursivizada no ambiente institucional asilar e, em tese, sua normatização por meio de diferentes dispositivos. Para tanto, investigar-se-á o exercício de dispositivos de saber-poder, tais como o de sexualidade e o de aliança, por exemplo, apresentam-se como objetos teóricos da pesquisa. O levantamento de dados e a observação das práticas discursivas se dará no ambiente do asilo público do município de Jacarezinho, Paraná, tomando como método os pressupostos teóricos de Michel Foucault acerca do conceito de sexualidade, governamentalidade e poder. A pesquisa questiona, então, como as técnicas de poder instauram práticas normatizadoras da sexualidade dentro do asilo para idosos e quais relações definem a sexualidade que se pratica nesse espaço? Como o processo de subjetivação do sujeito é um efeito do processo de práticas discursivas determinadas, as superfícies em que se inscrevem esses discursos tomam posição fundamental nesse processo. Sendo assim, a presente pesquisa buscará investigar a materialidade de discursos cujo tema é a prática da sexualidade e os efeitos dessas práticas no corpo dos idosos, atentando para as manifestações, nos discursos, de patologias ligadas às práticas sexualidade.

Palavras-chave: sexualidade; terceira idade; discurso; dispositivo.

 

Minibiografia:

Professor de línguas portuguesa e espanhola no Instituto Federal do Paraná, campus Jacarezinho. Mestre pela Universidade Estadual de Maringá. Doutorando pela mesma universidade e sob o orientação do Pof. Dr. Pedro Luís Navarro Barbosa.


Comunicação 14

Ideologia nacional, geopolítica e poder: a nova imigração brasileira através da mídia nacional e estrangeira

 Autora:

Ingrid Bueno Peruchi – Université Paris Ouest Nanterre La Défense – France i.peruchi@gmail.com

 

Resumo:

País nascido a partir do encontro, quase sempre conflituoso, de diferentes povos – autóctones, europeus, africanos, principalmente – o Brasil encontrou, em teorias sobre a identidade nacional (Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Darcy Ribeiro, dentre outros) a possibilidade de ver a multiplicidade de seu povo não como um impedimento ao desenvolvimento de uma Nação, mas como um valor que o representa, uma diversidade que estaria na origem de uma grande riqueza cultural. Porém, essas teorias e seus efeitos discursivos têm encontrado na atualidade brasileira razões que os desestabilizam, a exemplo dos novos movimentos migratórios que se dirigem ao país. Esses novos fluxos são consequência do boom econômico brasileiro posterior aos anos 2000, da imagem positiva do Brasil no mundo que o acompanhou e, indiretamente, da política externa brasileira, que privilegiou então uma política Sul-Sul e a ação do Brasil junto aos membros da CPLP. Considerando esse contexto histórico e tendo por base um referencial teórico próprio à Análise do Discurso de linha francesa e à Sociologia das Relações Internacionais, o objetivo desta comunicação é analisar as representações das novas ondas migratórias em direção ao Brasil veiculadas pela mídia nacional e estrangeira, a fim de entender as relações de poder que se instituem, tanto no concernente às identidades nacionais em jogo quanto às (novas?) configurações do poder geopolítico e os limites do Brasil emergente na cena internacional. Pretendemos, assim, verificar se a representação da imigração reforça antigos estereótipos (como o da superioridade dos estrangeiros ou o de que eles vêm contribuir para o desenvolvimento do país) ou cria novos, associados a uma nova imagem de país emergente.

Palavras-chave: representação da imigração; Brasil emergente; discurso e poder; Sul Global.

 

Minibiografia:

Ingrid Bueno Peruchi é Maître de Conférences en langue et civilisation du Brésil na Universidade Paris Ouest Nanterre La Défense (França) desde 2011. Foi anteriormente leitora e ATER na mesma universidade, a partir de 2005. É doutora pelas universidades Paris Ouest e Unicamp (Brasil), com tese em co-tutela nas áreas de Études Romanes: Portugais e Linguística Aplicada, intitulada Entre migration et plurilinguisme : la place du Brésil et de sa culture dans l’enseignement du portugais en France (de 1973 à 1998).


Comunicação 15

Gramática do preconceito: um estudo funcional-cognitivo do discurso jornalístico sobre o indígena brasileiro

 Autores:

Isabella S. Toguchi – Universidade de Brasília – belltoguchi@gmail.com

Dioney M. Gomes – Universidade de Brasília – dioney98@unb.br

 

Resumo:

O presente trabalho tem como objetivo analisar as estruturas linguísticas presentes em notícias veiculadas pelos jornais G1 e Folha de S. Paulo com temática indígena no período de janeiro de 2012 a janeiro de 2015. Por meio de um olhar da Linguística Funcional Centrada no Uso BYBEE (2010), LAKOFF (1997,1987), LANGACKER (1987), LAKOFF & JOHNSON (2008), TOMASELLO (2009), FURTADO DA CUNHA (2010), MARTELOTTA (2010, 2011)), verificamos quais estruturas morfossintáticas são eleitas para relatar os acontecimentos relativos às comunidades indígenas. Além disso, analisamos algumas estruturas definidas por van Dijk como estratégias discursivas para reificar o racismo do dia a dia. Também observamos quais os critérios de noticiablidade mais presentes nos jornais quando a notícia tem a temática indígena. Para levar a cabo tal projeto, desenvolvemos um método de análise próprio, que evidencia qualitativa e quantitativamente quais estruturas linguísticas estão sendo privilegiadas pela mídia e como elas determinam os caminhos mentais que serão seguidos pelo leitor. Como partimos de uma perspectiva funcionalista (GIVÓN (1994, 1995, 2001); HOPPER E THOMPSON (1980); DELANCEY (2001); PAYNE (1997, 2011), COMRIE (1989), SHIBATANI (1985), DIXON & AIKHENVALD (2000); NEVES (2004)), defendemos que as estruturas estão a serviço da função e, ao fim deste trabalho, apresentamos como elas atuam na construção negativa da representação das comunidades indígenas na sociedade brasileira.

Palavras-chave: Povos indígenas; funcionalismo; linguística cognitivo-funcional; morfossintaxe.

 

Minibiografias:

Isabella S. Toguchi – É professora na escola Vila Brasil, atuando principalmente no ensino de língua portuguesa para estrangeiros. Possui Licenciatura em Letras e mestrado em Linguística pela UnB. É membro do grupo de Pesquisa no CNPq “Grupo de Estudos Funcionalistas: Gramática, Discurso e Ensino”.

Dioney M. Gomes – É Professor Associado do Departamento de Linguística da Universidade de Brasília (UnB), atuando no desenvolvimento de pesquisas sobre línguas indígenas, língua portuguesa, língua brasileira de sinais (Libras) e formação inicial e continuada de professores. Concluiu mestrado e doutorado em Linguística na UnB, tendo sido pesquisador visitante no Centre d’Études de Langues Indigènes d’Amérique (CELIA/Paris) e no Laboratoire Dynamique du Langage (DDL/Lyon). É líder do Grupo de Pesquisa no CNPq: “Grupo de Estudos Funcionalistas: Gramática, Discurso e Ensino”.


Comunicação 16

Memórias da ditadura militar brasileira: entre a institucionalização e a repercussão midiática

 Autor:

Israel de Sá – UFSCar – israeldesa@gmail.com

 

Resumo:

O século XIX promoveu uma virada no âmbito das produções memoriais sobre a ditadura militar brasileira e, particularmente, sobre as resistências. Se antes, nos primeiros anos pós-transição democrática, as ‘escrita da história’ promovia ‘a verdade dos fatos’ ainda pelo olhar do regime militar, da repressão, atualmente dizeres tanto marginais como institucionais, que emergem em diversos campos do discurso, recobrem novos olhares e produzem novas discursividades: a memória do período torna-se múltipla, torna-se ‘memórias’. Retomando aspectos de nossa pesquisa desenvolvida em nível de doutorado, que buscou compreender as ‘memórias discursivas da ditadura brasileira no séc. XXI, entre opacidades e visibilidades democráticas’, com foco nos campos discursivos midiático e político, nosso olhar, agora, volta-se para o processo de ‘institucionalização da(s) memória(s)’, tendo como corpus de análise inicial o relatório emitido pela Comissão Nacional da Verdade em dezembro de 2014 e a repercussão midiática em torno de seu aparecimento nos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Este trabalho tem como objetivos principais: i) refletir sobre a produção de memórias em nossa sociedade na contemporaneidade, considerando a dimensão simbólica e histórica do discurso, fundamentados na Análise do discurso, derivada dos trabalhos de Michel Pêcheux e seu grupo, na Semiologia histórica, concebida por Jean-Jacques Courtine (1989, p. 86), e em contribuições advindas da arquegenealogia de Michel Foucault; ii) compreender como o processo (tardio) de institucionalização da “busca da verdade” do período ditatorial brasileiro inscreve novos efeitos de memória, reorganiza os sentidos, provoca novas movências na ordem do discurso por meio de reordenações nos regimes de discursividade e, de modo mais amplo, contribui para uma “vontade de memória”. Buscaremos investigar algumas construções linguísticas utilizadas no documento final da Comissão que produz ora efeitos de verdade ora efeitos de memória e que põem no centro a resistência à ditadura.

Palavras-chave: memória; efeitos de verdade; ditadura militar brasileira; Comissão Nacional da Verdade; mídia.

 

Minibiografia:

Doutor em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística e membro do grupo de pesquisa LABOR da Universidade Federal de São Carlos. Realizou estágio de pesquisa na Université Sornonne Nouvelle – Paris 3. De suas publicações destacam-se: “A esquerda na ditadura militar brasileira: formação discursiva, memória e identidade”, publicado na Revista Latinoamericana de Estudios del Discurso; e “Jogo das imagens: a espetacularização da memória na mídia” no livro Análise do discurso e Semiologia.


Comunicação 17

Discursos feministas e modos de enunciação multimidiática: resistências on-line

Autora:

James Deam Amaral Freitas – Instituto Federal de Goiás – jdeamm@gmail

 

Resumo:

Não se pode negar que as novas tecnologias de informação e comunicação, sobretudo as que estão no domínio da mídia virtual, constituem dispositivos capazes de intervir significativamente na vida cotidiana, nas práticas discursivas, nos arranjos identitários e sociais, (re)compondo comportamentos, desejos, opiniões, crenças, valores e resistências. A maioria dos veículos midiáticos tradicionais figuram na Internet. É a informação redistribuída e realocada na Web, por meio de hipertextos, links, imagens, sons, blogs, comentários, redes de relacionamento e vários outros aportes da comunicação digital. Nessa manifestação de novos gêneros discursivos, agendas temáticas e vitalidade criativa, percebe-se aquilo que Lévy (2010) denomina de liberação da palavra, em que se amplia a liberdade de produzir, consumir e disseminar conteúdos historicamente invisibilizados e/ou comprometidos pela unilateralidade. Sob essa perspectiva, ganha visibilidade no ciberespaço um movimento social, que, embora centenário, ainda repercute discursos enviesados: o feminismo. Por meio de páginas no Facebook, posts, hashtags, memes, gifs, dentre outros, as pautas desse movimento são recontextualizadas e transformadas, de modo a problematizar tanto temas imperativos do feminismo como ampliar o espaço ocupado por feministas e suscitar o engajamento. É desse modo que as narrativas feministas, expressas e compartilhadas nas redes virtuais, revelam formas de constituição polifônica de sentidos, em que o mundo virtual ressoa e, parodoxalmente, desafia os construtos  generificados, hierarquizados e discriminatórios do mundo físico. Considerando esses espaços de militância virtual como ““instâncias carregadas de significados em determinados lugares, recobertos de história” (BAKHTIN, 1992), pretende-se, à luz de estudos do discurso e de gênero, apresentar e discutir alguns textos multimidiáticos de orientação feminista, circulantes nas comunidades digitais, num movimento que considera os elementos linguísticos e imagéticos em consonância com sua exterioridade sócio-histórico-político-ideológica e a produção de identidades.

Palavras-chave: mídias virtuais; movimento feminista; identidades de gênero; discursos de resistência.

 

Minibiografia:

Professora efetiva de língua portuguesa no Instituto Federal de Goiás -Campus/Goiânia. Doutora (2013) e Mestra (2005) em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás e Especialista em Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Materna pela Universidade Federal de Uberlândia (1999). Participa de pesquisas e projetos envolvendo questões relacionadas às práticas linguísticas, questões identitárias e ensino de língua portuguesa.


Comunicação 18

Kurtz: de sujeito de resistência a sujeito anormal

 Autora:

Jaquelinne Alves Fernandes – Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Goiás – jaquelinnefer@gmail.com

 

Resumo:

Neste estudo, propomo-nos a descrever e analisar o corpus escolhido à luz das teorias da Análise do Discurso francesa, com recorrência ao pensamento de M. Foucault, que nos possibilitará uma incursão pelo tema medo da morte, compreendido enquanto objeto de discursos e constituído por práticas discursivas. Assim, pretendemos analisar o medo da morte funcionando como dispositivo de segurança e, para tal, partiremos da premissa de que esse medo é fundamental para a preservação da vida humana. Nesse sentido, acreditamos que o medo da morte é algo que entra na norma social, uma vez que todo ser humano, tido como normal, luta para a preservação de sua vida, o que nos permite, portanto, tratar o medo da morte como um dispositivo de segurança. Desse modo, pautar-nos-emos nas práticas discursivas e na função enunciativa que levam um sujeito a objetivar-se e subjetivar-se como anormal por não temer a própria morte. Para tal, tomaremos como objeto de estudos o filme Apocalypse Now, com o objetivo de examinar a constituição do sujeito-personagem Coronel Kurtz, com o intuito de verificar o funcionamento do dispositivo de segurança que emerge por meio de suas práticas de resistência, esboçadas inclusive em seu corpo, que o classificam e o subjetivam como um sujeito anormal. É importante ressaltar que o objetivo geral de nosso estudo é analisar, na obra cinematográfica tomada como corpus, o medo da morte como dispositivo de segurança que visa a assegurar a vida e a normalização dos sujeitos. Mais especificamente, mostraremos, a partir da análise de fragmentos selecionados do corpus, as práticas de subjetivação que inscrevem Walter Kurtz, na posição de sujeito anormal. A abordagem do corpus se dará a partir do batimento entre descrição e interpretação (PÊCHEUX, 2007). Espera-se que tal método permita verificar o funcionamento de alguns pressupostos foucaultianos.

 Palavras-chave: medo; morte; dispositivo de segurança; anormalidade.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras pela Universidade Federal de Goiás (1998). Mestre em Linguística pelo programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos, do Instituto de Letras e Linguística da Universidade Federal de Uberlândia (2010). Professora efetiva da Universidade Estadual de Goiás desde 2010. Doutoranda em Estudos Linguísticos pelo programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos e Literários da Universidade Federal de Goiás, a partir de 2014.


Comunicação 19

A mulher fora de si: a memória e a imagem da histeria na mulher política

 Autora:

Joseane Silva Bittencourt – Universidade Federal de São Carlos (UFSCar/Brasil) – ane.bittencourt@hotmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação pretende apresentar parte de um trabalho de doutorado, ainda em desenvolvimento, e objetiva analisar a constituição disfórica da imagem pública da mulher política a partir de enunciados que rememoram o discurso médico da histeria como um estado exclusivamente feminino. Fundamentados no aparato teórico-metodológico da Análise do Discurso, derivado do pensamento de Michel Pêcheux e com contribuições dos trabalhos realizados por Michel Foucault e dos estudos desenvolvidos por Jean-Jacques Courtine, analisaremos a reportagem da revista Istoé sobre a até então presidenta Dilma Rousseff, Uma presidente fora de si, publicada também em sua versão eletrônica no dia 06 de abril de 2016, meses antes da votação realizada no Congresso brasileiro que aprovou seu afastamento definitivo da presidência do Brasil, e ainda algumas charges que circularam na internet no ano 2010, ano da primeira disputa eleitoral da referida política, para descrever e identificar de que forma o argumento do “comportamento histérico” é mobilizado nessas diferentes materialidades e que outros discursos são retomados a fim de objetivar a mulher política no lugar de incapaz. Por meio de formulações linguísticas, imagens, expressões e gestos, pretendemos verificar como esse lugar da histeria é demarcado na política, e como a memória coletiva é operacionalizada, para fazer emergir enunciados que atravessam outros campos discursivos que reforçam a ideia e a presença do discurso da “inaptidão” feminina para exercer uma função de comando, ainda que, na atualidade, cada vez mais mulheres estão a assumir essas funções no espaço público em nossa sociedade.

Palavras-chave: Discurso político; mulher; memória; mídia.

 

Minibiografia:

Doutoranda do programa de Pós-Graduação em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos. Realizou o estágio sanduíche (2015-2016) pela Université Sorbonne Nouvelle Paris 3, sob a direção da Professora Sandrine Reboul-Touré. Possui graduação em Letras Modernas e Jornalismo, pela mesma instituição. Seus trabalhos concentram-se nos estudos do discurso no campo político, principalmente nos que versam sobre a construção da imagem dos sujeitos políticos.


Comunicação 20

A não imparcialidade da mídia brasileira: Dilma Rousseff X Michel Temer em uma revista de circulação nacional

 Autora:

Karina Luiza de Freitas Assunção – Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG/ Frutal – karinalfa@gmail.com

 

Resumo:

O estudo que será apresentado tem como objetivo analisar algumas capas de uma revista de circulação nacional no Brasil atentado para como a referida revista expõe as subjetividades dos sujeitos discursivos Michel Temer e Dilma Rousseff. Como fundamentação teórica pautaremos dos estudos da análise do discurso de linha francesa e nos estudos realizados por Michel Foucault que tratam da constituição dos sujeitos e como as relações de poder/saber corroboram para a construção de “verdades”. A partir desse aparato teórico podemos afirmar que os sujeitos são constituídos pela exterioridade e as verdades que os cercam são cambiantes e se repetem em muitos momentos históricos, entretanto, com sentidos díspares. Elas são tramas discursivas que apresentam sentidos que estão intrinsicamente relacionados com a História que permeia a produção do discurso. Os resultados apresentados apontam para o fato de que a revista assume lugares de verdade tendo em vista o sujeito discursivo exibido em suas capas. Dessa forma, a partir das análises discursivas podemos concluir que a revista não é imparcial, pois apresenta um posicionamento político e ideológico demarcado. Assim, a revista contradiz a imparcialidade que deveria se fazer presente na mídia brasileira e se apresenta como uma revista tendenciosa e manipuladora de opinião.

 Palavras-chave: discurso; verdade; poder; sujeito; mídia.

 

Minibiografia:

Professora Colaboradora do Programa de Mestrado em Estudos da Linguagem da Universidade Federal de Goiás – UFG / Campus Catalão e professora da Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG / Frutal. Doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Organizadora do livro “Enunciação e discurso: língua e literatura” (2014), e autora do livro “A caverna de José Saramago: lugar de enfrentamentos entre o sujeito e o poder” (2011).


Comunicação 21

O Panoptismo, o Biopoder e os Dispositivos de Segurança na mídia

Autoras:

Karoline Machado – Universidade Federal da Paraíba – kalfreire@yahoo.com.br

Regina Baracuhy – Universidade Federal da Paraíba – mrbaracuhy@hotmail.com

 

Resumo:

Na obra Vigia e Punir, Michel Foucault (2013) afirma que a rede carcerária da sociedade, com seu funcionamento panóptico de vigilância, foi o grande apoio do poder normalizador, que fez com que os sujeitos sociais passassem a ter suas atividades constantemente controladas pelas relações de saber/poder, como também, ter vigilâncias visíveis e invisíveis, classificando, qualificando, normalizando e punindo os hábitos e comportamentos de pessoas que tentam fugir à ordem do discurso, através de dispositivos disciplinares, com o objetivo de produzir corpos dóceis e úteis a serem submetidos a um regime de poder. A partir de tal afirmação, esse artigo objetiva analisar o discurso da segurança em material promocional de condomínios brasileiros, buscando compreender como os dispositivos de segurança atuam na efetivação e no fortalecimento das formas de controle da população empreendidas pelo biopoder. Utiliza, para isso, os pressupostos teórico-metodológicos da Análise do Discurso (AD), sobretudo, das contribuições dos trabalhos de Michel Foucault. Dentre os resultados da pesquisa, pode-se constatar que os discursos presentes no corpus analisado corroboram com a ideia de que há uma transposição de técnicas utilizadas no sistema carcerário de instituições penais para a vigilância do corpo social; essa vigilância é utilizada como estratégia de controle e normalização do corpo social; e essa tecnologia avançada de vigilância, a qual chamamos de panoptismo moderno, é empregada como se estivesse a serviço dos observados, para garantir a sua segurança e seu bem-estar, quando na verdade é utilizada, sobretudo, para garantir o biopoder, ou seja, o poder sobre a vida e sobre os modos de ir e vir da população.

Palavras-chave: Análise do Discurso; panoptismo; biopoder; dispositivos de segurança.

 

Minibiografias:

Karoline Machado: Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal da Paraíba. No momento realiza Doutorado Sanduíche – PSDE/CAPES na  Université Toulouse 2 Jean-Jaurès, na cidade de Toulouse, na França. É membro do Grupo de Pesquisa CIDADI – Círculo de Discussões em Análise do Discurso (CNPQ).

Regina Baracuhy: Professora Associada da Universidade Federal da Paraíba, vinculada ao Programa de Pós-graduação em Linguística. Possui Doutorado em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita. Desenvolve e orienta pesquisas na área de Análise do Discurso – AD em nível de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. É Líder do Grupo de Pesquisa CIDADI – Círculo de Discussões em Análise do Discurso (CNPQ).


Comunicação 22

Estetização da subjetividade: formas contemporâneas de cuidado de si

Autor:

Kleber Prado Filho – UNIARP/SC – kleberprado.psi@gmail.com

 

Resumo:

A problematização ética de Michel Foucault, levada a efeito em seus estudo realizados ao longo dos anos 1980, trata centralmente das relações do sujeito consigo mesmo. Neste contexto de análises o autor recorta algumas experiências éticas na história da cultura ocidental, destacando a modernidade como um período caracterizado por práticas de estetização da subjetividade. Esta forma de relação consigo mesmo implica todo um conjunto de cuidados e trabalhos do sujeito no sentido de uma produção de si a partir de normas e estéticas relativas a modos de ser circulantes em nossa cultura. Seus estudos mostram ainda a dinâmica e as transformações históricas dessas formas de relação consigo mesmo, abrindo-se para a possibilidade de reflexões em torno da contemporaneidade desses modos de relação numa sociedade de mercado urbana e tecnológica, altamente fetichizada e narcísica. Em síntese são estas as trajetórias a serem percorridas nesta apresentação.

Palavras-chave: Michel Foucault; subjetividade; estetização e produção de si mesmo.

 

Minibiografia:

Psicólogo pela PUC/MG. Doutor em Sociologia pela USP. Professor aposentado do Departamento de Psicologia da UFSC, onde atuou na graduação, pós graduação e pesquisa. Professor e pesquisador em exercício do PIPG em Desenvolvimento e Sociedade da UNIARP. Autor de uma trilogia de estudos e de várias publicações sobre aos trabalhos de Foucault, desenvolvendo pesquisas relativas a temáticas éticas e às questões de subjetividade e da epistemologia da psicologia.


Comunicação 23

Terra Vermelha do Sangue derramado: o percurso identitário indígena pela mídia da fronteira

Autora:

Laura Cristhina Revoredo Costa – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS/CPTL) – lrevoredocosta@gmail.com

 

Resumo:

A mídia produz e faz ecoar na memória da sociedade determinadas representações dos seus sujeitos, exercendo forte influência nas maneiras e procedimentos destes. Atravessado por implicações históricas, sociais e ideológicas, a mídia cumpre um papel de perpetuar, por assim dizer, através do discurso e suas estratégias linguísticas persuasivas, formas de representação da realidade. A partir disso, a identidade social do indígena, construída como foi idealizada e representada  pela história e, hoje, pela mídia, faz-nos observar questões sobre como ocorre a constituição identitária do indígena em território latino americano, em especial, na mídia fronteiriça Sul-mato-grossense. Como protagonistas deste trabalho, o grupo de rap indígena, Brô MC’s, é formado por jovens indígenas nascidos e criados em plena fronteira Brasil-Paraguai, num local de enunciação brasileiro, excluídos das práticas discursivas e da crítica ao longo de tantos anos de colonialidade, ainda hoje. Alguns dados, como por exemplo, o discurso do imaginário social e coletivo, apontam para a não existência dessa faixa etária entre os indígenas. É o que fica evidente por se tratar de um grupo de rap, estilo musical aquém do espaço de enunciação e articulação indígena. Avançando nesta proposta, a música, neste caso, age como um dispositivo de representação do sujeito clivado, o indígena. Tais questionamentos serão articulados tendo como ponto de partida três matérias discursivas do site Campo Grande News, de ampla circulação regional, publicadas no ano de 2012, quando os jovens foram divulgar sua produção musical num outro veículo de comunicação de circulação nacional, o extinto TV Xuxa. Sob o arcabouço da Análise do Discurso (AD) de orientação francesa e dos Estudos Pós-Coloniais, pela égide de Michael Foucault, Vânia Maria Lescano Guerra e Walter Mignolo é que este trabalho irá procurar analisar a materialidade discursiva realizada e expressa nas matérias jornalísticas supracitadas.

Palavras-chave: Brô MC’s; mídia fronteiriça; Análise do Discurso; pós-colonialidade; identidade.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS/CPTL). Mestre em Estudos de Linguagens pela UFMS/CCHS.


Comunicação 24

Discurso de ódio: religião e xenofobia e a imigração de refugiados

 Autora:

Letícia de Faria Tavares – UFG/Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí – Ltvavares.22@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho preocupa-se em investigar os discursos de ódio, a partir de como a construção de verdades alcança as ideologias racistas e extremistas usando a religião como justificativa para atitudes xenófobas. Preocupa-se, também, com o modo pelo qual o imigrante, com base nesse tipo de preconceito se torna indesejável, uma vez que a ele é atribuído o perigo de trazer no conjunto de suas crenças religiosas, o germe da violência e o perigo que destrói a segurança do mundo com as estabilidades que cada povo se atribui e que são usadas para dar ao indivíduo a resposta à sua ansiedade diante de um mundo inseguro. Cada mundo deve manter longe de si o diferente. E para isso as manifestações de ideologias devem manipular sutilmente o consenso, valendo-se de discursos aparentemente neutros e racionais disseminados pela mídia, diante dos quais o sujeito se sente seguro, quando ouve que racismo é o que houve na segunda guerra mundial e não a maneira como a mídia trata os fatos ligados a milhares de pessoas, em sua maioria, muçulmanos, como pessoas de quem não se sabe o que esperar. Baseamo-nos em pressupostos teóricos da análise do discurso de linha francesa para entender como esses discursos são construídos e integrados em redes de subjetividade para estabelecer novas necessidades de segurança dentro da sociedade. Torna-se urgente problematizar e entender como esses discursos têm disparado a construção de verdades em face do que a mídia toma como ameaças, com destaque para a religião. As análises se dão a partir de documentos e discursos proferidos na ONU para tratar do problema da imigração. Já é possível perceber a sutileza na construção de verdades com aparência de neutralidade e racionalidade, chamando-se a si mesmas de segurança.

Palavras-chave: Discurso; construção de verdades; religião; xenofobia; segurança.

 

Minibiografia:

É doutoranda pela Universidade Federal de Goiás e professora de Língua Portuguesa no Instituto Federal Goiano, desenvolve o trabalho em linguística e análise do discurso, trabalhando com o discurso religioso. Participa do grupo de estudo TRAMA de Análise do Discurso (UFG/Cnpq).


Comunicação 25

A constituição discursiva do menor infrator na mídia digital

Autores:

Louise Medeiros Pereira – Universidade Federal da Paraíba – louise_mp@hotmail.com

Kamila Nogueira Peixoto – Universidade Federal da Paraíba – kamila_amyla@hotmail.com

Anderson Lins Rodrigues – Universidade Federal de Pernambuco – anderson_lins10@hotmail.com

 

Resumo:

A discussão sobre a redução da maioridade penal no Brasil vem se arrastando há décadas, no entanto, volta a emergir em um momento de crise e de grande fragilidade no cenário sociopolítico atual. O tema é polêmico e divide opiniões de especialistas, parlamentares e, consequentemente, de toda a população brasileira, cuja voz se faz ouvir, sobretudo, em redes sociais, a exemplo do Facebook, constituindo-se, desse modo, um lugar privilegiado de construção de subjetividades. Esta problemática nos instiga, portanto, a analisar de que forma os discursos sobre a redução da maioridade penal constrói representações do adolescente infrator, no âmbito da mídia digital. Mais especificamente, daqueles discursos produzidos após a polêmica sessão que aprovou, na madrugada do dia 02/07/2015, a PEC que reduz de 18 para 16 anos a idade penal para crimes graves. Para tanto, nosso corpus é constituído de postagens oriundas de duas páginas do Facebook que discursivizam esse tema, cujos posicionamentos são opostos, a saber: “Redução da maioridade penal já” e “Movimento contra a redução da maioridade penal”. Nossas discussões ancoram-se nas teorizações de Michel Foucault acerca de práticas discursivas, poder, saber, práticas de subjetivação, resistência.

Palavras-chave: Análise do Discurso; prática de subjetivação; Facebook; maioridade penal; menor infrator.

 

Minibiografias:

Louise Medeiros Pereira: Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal da Paraíba. Possui mestrado em Linguagem e Ensino pela Universidade Federal de Campina Grande; Especialização em Linguística aplicada ao ensino de língua materna, pela mesma instituição; Graduação em Letras – língua portuguesa pela Universidade Estadual da Paraíba. É membro efetivo do Grupo de Pesquisa CIDADI – Círculo de Discussões em Análise do Discurso (CNPQ).

Kamila Nogueira Peixoto: Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal da Paraíba. Possui graduação em Letras – Língua Portuguesa pela Universidade Federal da Paraíba. É membro efetivo do Grupo de Pesquisa CIDADI – Círculo de Discussões em Análise do Discurso (CNPQ).

Anderson Lins Rodrigues: Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco. Possui mestrado em Linguagem e Ensino pela Universidade Federal de Campina Grande.


Comunicação 26

Corpo e sangue de “cristo”: acontecimento discursivo e prática de resistência

Autora:

Louise Medeiros Pereira – Universidade Federal da Paraíba –louise_mp@hotmail.com

Karoline Machado – Universidade Federal da Paraíba – kalfreire@yahoo.com.br

 

Resumo:

A Parada do Orgulho LGBT, em São Paulo, reúne milhares de pessoas que se agrupam conclamando ações afirmativas, igualdade de direitos, de oportunidades e de tratamentos, bem como a compensação de perdas provocadas pela discriminação e marginalização. Participar desta Parada parece ser um ato de tornar os conflitos mais visíveis, uma forma de descortinar as evidências de modos de pensamento cristalizados que sustentam as práticas que aceitamos. A esta “desopacização” do pensamento, da realidade irrefletida, Foucault (2010) denomina de crítica. O fato de uma transexual desfilar nesta Parada encenando a crucificação de Cristo é um ato simbólico, representativo. É uma crítica no sentido foucaultiano, uma vez que consiste em mostrar que as coisas não são tão evidentes como acreditamos nem tão simples como enxergamos. Neste trabalho, analisamos o acontecimento discursivo da crucificação feita pela artista transexual Viviany Beleboni, na 19ª Parada do orgulho LGBT de São Paulo, em junho de 2015, que gerou bastante polêmica, gerando uma enxurrada de textos verbais e não verbais que invadiram de modo abrasador as redes sociais, bem como a reaparição de imagens circuladas anteriormente na mídia, retomando os sentidos outrora produzidos, atualizando-os, e inscrevendo o acontecimento em uma memória. Ancorando nossas análises a partir dos postulados de Michel Foucault e de suas ressonâncias no Brasil, objetivamos interpretar este acontecimento dando ênfase ao corpo transexual enquanto objeto discursivo, atravessado por camadas sócio-históricas e investido de relações de poder e de saber. Através da análise, constatamos que a modelo usou seu corpo para embasar uma crítica, no sentido foucaultiano, a fim de tornar os conflitos vivenciados pela classe LGBT mais visíveis. Seu corpo, naquele momento, falava e reproduzia o tema da referida Parada: “Eu nasci assim[…]Vou ser sempre assim: Respeitem-me”.  E, para se fazer ouvir, se valeu de adereços de Jesus Cristo para investir-se de poder.

Palavras-chave: Análise do Discurso; corpo; transexual; memória discursiva.

 

Minibiografias:

Louise Medeiros Pereira: Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal da Paraíba. Possui mestrado em Linguagem e Ensino pela Universidade Federal de Campina Grande; Especialização em Linguística aplicada ao ensino de língua materna, pela mesma instituição; Graduação em Letras – língua portuguesa pela Universidade Estadual da Paraíba. É membro efetivo do Grupo de Pesquisa CIDADI – Círculo de Discussões em Análise do Discurso (CNPQ).

Karoline Machado: Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal da Paraíba. No momento realiza Doutorado Sanduíche – PSDE/CAPES na  Université Toulouse 2 Jean-Jaurès, na cidade de Toulouse, na França. É membro do Grupo de Pesquisa CIDADI – Círculo de Discussões em Análise do Discurso (CNPQ).


Comunicação 27

Corpo, atos de fala e humor: Uma leitura crítica da performatividade da mulher negra na mídia

Autora:

Ludmila Pereira de Almeida – Universidade Federal de Goiás – ludjornalismo@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo da pesquisa é discutir como o corpo da mulher negra se configura dentro de um contexto histórico de colonialidade do saber e do poder (QUIJANO, 2005). Sendo que estes se articulam à rituais sociais (PEIRANO, 2002) de atos de fala (AUSTIN, 1998) que se performam em subjetividades reguladas e hierarquizadas, marcando as diferenças por discursos, como o humorístico, que normatizam certas ideologias corporais. Como índice dessa violência trago para a discussão a performance da Inês Brasil, tida como web celebridade, popularizada a partir de um vídeo viral feito para o programa Big Brother Brasil em 2013. A partir disso, iremos compreender como o humor atua na estigmatização do corpo por meio do açoite da injúria e da impressão a fogo pela piada (SALES, 2006) exercendo atos de fala que coloca os sujeitos em seu “devido lugar”. Partiremos de uma leitura crítica da mídia para observar como a linguagem funciona perpetuando discursos hegemônicos e práticas de correção ideológica (SIGNORINI, 2008), corporificadas e disciplinadas (BUTLER, 2003; FOUCAULT, 1987).

Palavras-chave: Atos de fala; subjetividade; corpo negro; humor; mídia.

 

Minibiografia:

Mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás. Licenciada em Letras-Língua portuguesa e Bacharela Letras-Estudos linguísticos pela UFG. Bolsista CAPES.


Comunicação 28

Uma análise de discursos sobre a leitura na política brasileira: o que diz a mídia sobre os ex-presidentes FHC, Lula e Dilma como leitores

Autora:

Luzmara Curcino – Universidade Federal de São Carlos – luzcf@ufscar.br

 

Resumo:

Há certas competências que são esperadas de um ator político e são quase sempre enunciadas e reiteradas em processos de disputa eleitorais ou durante o exercício de um cargo representativo. Outras competências, menos comuns e ‘mais genéricas’, são evocadas e exploradas pela mídia na constituição da imagem pública desses sujeitos. Entre essas encontra-se a prática da leitura que, em sua história, participa de divisões socioculturais diversas, dados seu acesso e apropriação regrados e valorados de forma a sustentar certas hierarquias. Ao longo dessa história, as diferenças de acesso a seus objetos, as formas de rarefação de seu exercício e os princípios de exclusão e seleção de sujeitos e dizeres (Cf. FOUCAULT, 1999) empreendidos pelas instituições que se ocuparam e se ocupam do ensino, da difusão, da promoção dessa prática, constituíram os discursos sobre a leitura (Cf. ABREU & SCHAPOCHNIK, 2005). Esses discursos, cujas formas de remanência, atualização ou apagamento estão em constante negociação com uma dada memória, evocada e mobilizada para a manutenção da distinção sociocultural (Cf. COURTINE, 2006), são evocados no âmbito da política nacional, e em especial quando atualizados sob a forma de julgamento, promoção ou desqualificação de figuras políticas de renome no Brasil. Por meio da análise de textos das mídias tradicionais (revistas e jornais de maior circulação), buscaremos refletir sobre a força de remanência e de circulação de certos discursos que, há muito e de forma variável, sustentam dizeres, crenças e práticas sobre o que é ser leitor e sua relação com a autorização/autoridade para o exercício da política. Assim, subsidiados teoricamente por princípios da Análise de Discurso, segundo Michel Foucault (1999; 2000), analisaremos o modo como são referidos, quanto a seu perfil leitor os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Palavras-chave: Análise do Discurso; mídia brasileira; políticos brasileiros; leitura; preconceito.

 

Minibiografia:

Professora do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de São Carlos. Coordena o Laboratório de Estudos das Representações do Leitor Brasileiro Contemporâneo (LIRE-CNPq). Dedica-se à análise dos discursos sobre a leitura na atualidade. Tradutora, entre outras obras, do livro Inscrever e apagar: Cultura escrita e Literatura (séculos XI-XVIII) (Editora UNESP, 2006) de Roger Chartier. Coorganizou, entre outras, as obras Presenças de Foucault na Análise do discurso (EdUFSCar, 2014) e (In)Subordinações Contemporâneas: Consensos e resistências nos discursos (EdUFSCar, 2016).


 Comunicação 29

Discurso e práticas de subjetivação em tirinhas de Laerte sobre o crossdressing

 Autor:

Marcos Paulo de Azevedo – Grupo de Estudo do Discurso da UERN (GEDUERN) – marcos_h.p@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho objetiva analisar as práticas de subjetivação em discursos sobre o sujeito crossdresser em tirinhas do cartunista Laerte Coutinho. Segundo Vencato (2013), pode-se chamar de crossdresser a pessoa que eventualmente, e sem nenhuma relação direta com sua orientação sexual, se veste com roupas ou acessórios do sexo oposto ao que nasceu. Já o termo crossdressing é usado para se referir à prática de vestir-se com roupas do sexo oposto. Para desenvolver essa análise, tomamos como objeto três tirinhas de Laerte veiculadas em sites da internet buscando analisar os modos de subjetivação que se materializam discursivamente nesse corpus. As tirinhas foram analisadas, inicialmente, tal como faz Foucault na análise de enunciados, examinando as relações de poder que atravessam esse discurso midiático sobre os crossdressers e que concorrem para legitimá-los, classificá-los ou excluí-los (FOUCAULT, 2014) revelando, assim, a constante agonística em que vivem esses sujeitos com tais relações de poder que os interditam. Em seguida, com base na materialidade discursiva analisada, buscamos identificar as práticas de subjetivação ou as técnicas de si retratadas nesses enunciados e que constroem para a sociedade a imagem de um sujeito crossdresser. Esperamos com esse trabalho contribuir para a discussão sobre discurso enquanto prática de subjetivação e, especificamente, sobre o crossdresser enquanto sujeito de resistência aos processos de interdição promovidos por diferentes relações de poder que a todo momento buscam disciplinar os sujeitos na contemporaneidade.

Palavras-chave: Crossdressing; poder; subjetividade.

 

Minibiografia:

Mestre em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Graduado em Letras com habilitação em Língua Portuguesa pela UERN. Membro pesquisador do GEDUERN. Professor da rede básica de ensino do Estado do Ceará – Brasil.


Comunicação 30

“Tatuagem” – O dito que anima em tempos de crise

 Autora:

Maria Aparecida Conti  – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Goiatuba/GO – ma.conti@hotmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, recorro ao texto teatral “Calabar, o elogio da traição”, de Chico Buarque e Ruy Guerra, para analisar a letra/poema da música “Tatuagem” a fim de reforçar, talvez, aquilo que nos anima a não desistir de ocuparmos uma posição sujeito contrária ao que pode re-tirar nossos direitos, tal como ocorrido na ditadura militar dos anos 60/80.  O tema central da peça gira em torno da reconsideração da traição de Calabar, personagem histórico tomado como traidor pela historiografia brasileira na disputa entre holandeses e portugueses no século XVII (1630 a 1654). Ao questionamento do procedimento de Calabar, que preferiu se posicionar a favor dos invasores, em plena ditadura cívico/militar nos anos 70, os autores da peça retomam a discussão sobre o tema “traição” para levar os leitores/espectadores da peça a refletirem sobre o próprio procedimento ante a situação política que viviam no momento. Na peça encontra-se a música “Tatuagem” que analisarei juntamente com alguns posts publicados recentemente nas mídias sociais utilizando as ferramentas da Análise do Discurso francesa, na perspectiva de Michel Foucault.  Objetivo, com este estudo, refletir sobre as produções discursivas e as relações de poder e saber existentes nos discursos que  atravessam os textos tomados para análise; bem como situar as posições sujeito assumidas nos textos midiáticos, fazendo contraponto com a posição sujeito da personagem Bárbara, que canta “Tatuagem” e que é tomado, neste estudo, como discurso de resistência.

 Palavras-chave: tatuagem; Análise do Discurso; traição; história; memória.

 

Minibiografia:

Maria Aparecida Conti é doutora em Linguística e Linguística Aplicada, com ênfase em Análise do Discurso de perspectiva francesa, pela Universidade Federal de Uberlândia/MG. Atua profissionalmente como professora de Estudos do Texto,  Análise de Discurso  e Literatura infanto-juvenil na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Goiatuba/GO. Atualmente exerce, também, a função de coordenadora do Curso de Letras da referida faculdade.


Comunicação 31

Ciberativismo e identidades: entre a fluidez e a espessura dos discursos nas mídias digitais

Autora:

Maria do Rosário Gregolin – FCL-UNESP-Araraquara/ CNPQ – mrgregolin@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação apresenta resultados da pesquisa “Discurso, Heterotopia, Identidades: vozes de resistência na mídia digital” (CNPQ, proc. 306783/2015-0), cujo objetivo é a análise do funcionamento das mídias digitais sob a lente da arquegenealogia de Michel Foucault. A investigação focaliza práticas discursivas da mídia que tem como efeito a produção de subjetividades, focalizando, particularmente, discursos de resistência política no ativismo digital em redes sociais. As análises buscam compreender a articulação entre esses discursos políticos, seus efeitos de sentido e a memória discursiva por meio da descrição de procedimentos discursivos utilizados no ativismo político digital para a produção da insurgência e da negociação em torno das problemáticas de gênero e de etnicidade (o “feminino”; a “mulher negra”; a “mulher indígena”) em suas múltiplas temporalidades e espacialidades (heterotopias). Essas problemáticas tem em sua base algumas questões de pesquisa:  a) Como a mídia digital funciona – articulada a outros dispositivos de saber e de poder – para a produção das subjetividades?; b) Quais transformações a mídia digital provoca nas formas de resistência política  contemporâneas? c) Quais as especificidades do funcionamento das linguagens na mídia digital, ao serem mobilizadas por sujeitos para a ação política e produzirem a insurgência e a negociação identitárias (de gênero; de etnicidade) no interior de jogos de produção das subjetividades contemporâneas? Propomos, portanto, discutir a produção de identidades na mídia digital, entendendo-a como dispositivo de saber e de poder, por meio do qual é construída uma “história do presente” como um acontecimento discursivo que tensiona a memória e o esquecimento. Com essas análises, pretendemos apontar o papel da mídia digital na formatação da historicidade que nos atravessa e nos constitui, das identidades históricas que nos ligam ao passado e ao presente.

Palavras-chave:  Foucault; discurso, identidades; ciberativismo; mídias digitais.

 

Minibiografia:

Livre-docente em Análise do Discurso pela UNESP-Araraquara (2008); Doutor em Linguística e Língua Portuguesa (UNESP, Ar, 1988), Mestre em Teoria e História Literária (UNICAMP, 1983). Docente do Departamento de Linguística, da UNESP-Araraquara. Orientadora de doutorado, mestrado e supervisora de pós-doutorado. Bolsista de Pesquisa-CNPQ. Entre as publicações destaca-se o livro “Foucault e Pêcheux na análise do discurso – diálogos e duelos”.


Comunicação 32

Construção de identidade em narrativa de asilo baseado em perseguição sexual

Autora:

Marina Segatti – Holy Names University/São Francisco-USA –marinasegatti@gmail.com

 

Resumo:

Todos os anos milhares de pessoas pedem asilo nos Estados Unidos (USCIS). Entre os requerentes estão pessoas que foram perseguidas por pertencerem a um determinado grupo social ou opinião política (USCIS), como, por exemplo, pessoas que sofrem perseguição baseada na orientação sexual. Os requerentes de asilo são obrigados a provar um “receio fundado de perseguição”. A fim de provar um “receio fundado de perseguição”, o requerente precisa fornecer informações pessoais em um pedido formal escrito. A linguagem desempenha um papel crucial para determinar se um requerente obterá ou não o asilo nos EUA. Neste trabalho, eu foco no discurso de uma única narrativa pessoal que foi submetida como documento oficial como parte de um pedido de asilo devido à perseguição por orientação sexual. Nesta narrativa pessoal, Helena (pseudônimo), uma brasileira de 26 anos, descreve os eventos da perseguição que sofreu no Brasil devido à promulgação de sua identidade sexual. Para entender como a identidade é construída na narrativa, combino duas abordagens discursivas: a análise narrativa e a Linguística Queer, apoiadas nos pressupostos de Michel Foucault sobre relações de poder e resistência e sua implicação na produção de subjetividades. O propósito geral é a exploração crítica de como a relação entre linguagem, sexualidade e subjetividade é moldada. Por isso, procuro compreender não só a experiência de Helena com o asilo, e como essa experiência foi expressa ao longo do relato, mas também como Helena usa o discurso e os dispositivos narrativos para construir sua identidade sexual como um meio de persuadir o tribunal de asilo dos EUA.

Palavras-chave:  narrativa pessoal, Linguística Queer, identidade, relações de poder e resistência.

 

Minibiografia:

Professora Adjunta da Holy Names University. Mestre em Linguística pela San Francisco State University (2013). Sua pesquisa centra-se em análise discursiva de narrativas de asilo baseadas na perseguição à orientação sexual. Atualmente, também trabalha como tradutora freelance e está trabalhando em um documentário sobre as narrativas de queers indocumentados que vivem na área da Baía de São Francisco.


Comunicação 33

Movimento Social dos estudantes brasileiros: Produção discursiva e resitência

Autores:

Monica Lemos – Universidade de Helsinque – monica.lemos@helsinki.fi

Fernando R. Cunha Junior – Vrije Universitait Amsterdam –f.rezendedacunhajunior@vu.nl

 

Resumo:

Essa apresentação descreve atividades desenvolvidas em um movimento social de estudantes brasieliros. Para isso, consideramos as atividades organizadas por meio de uso de páginas do Facebook, ocupações e protestos em São Paulo. O movimento é analisado sob a perspectiva da Teoria da Atividade Sócio Histórico Cultural, e como os discursos produzidos nas diferentes mídias promovem agência colaborativa para o desenvolvimento do movimento social. Como corpus, utilizaremos notícias produzidas na grande mídia e mídia alternativa, páginas do Facebook e entrevistas com os particpantes dos movimentos. Os métodos utlizados para a análise dos dados abrangem análise de redes, multimodalidade e levantamento das categorias linguístico-discursivas para a compreensão de como o movimento social foi organizado e expandiu. Nossas considerações sugerem que agindo de modo colaborativo os estudantes conseguiriam alcançar resultados satisfatórios com o movimento, embora haja um posicionamento diferente da grande mídia. Além disso, eles expandiram as atividades dos grupos do Facebook para outros contextos, organizando atividades nas escolas, ou em outros movimentos sociais. Tais organizações nos permitem avaliar os encontros tanto no modo virtual, com o uso das páginas do Facebook, como nas atividades organizadas presencialemente, ocupações e protestos.

Palavras-chave:  movimentos sociais estudantis; ocupações; produção discursiva; mídia resistência.

 

Minibiografias:

Monica Lemos – Aluna de doutorado no Centro para Pesquisa em Atividade, Desenvolvimento e Aprendizagem (CRADLE), na Universidade de Helsinque, onde também coordenou o curso de verão em Teoria da Atividade e Intervenções Formativas em 2013. Estuda um processo de formação de gestores educadores em diferentes níveis do sistema escolar da cidade de São Paulo. Possui graduação em Letras e mestrado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC de São Paulo.

Fernando R. Cunha Junior – Bolsista de doutorado da CAPES na Vrije Universiteit Amsterdam, com foco no uso de redes sociais com fins educacionais. Possui graduação em Letras pela Universidade do Vale do Sapucaí (2006) e mestrado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2008). Tem experiência na área de Letras, atuando principalmente no seguinte tema: uso de redes sociais na escola.


 Comunicação 34

Relações de poder e de resistência em discursos sobre a “ideologia de gênero”

Autor:

Pedro Navarro – Universidade Estadual de Maringá – navarro.pl@gmail.com

 

Resumo:

A motivação geral de nossa comunicação é tentar delinear respostas à seguinte interrogação: como podemos fazer análise discursiva do poder e da resistência? Para tanto, são analisados um conjunto de enunciados dispersos, selecionados de redes sociais, que reunimos e os fizemos constar de um mesmo quadro enunciativo. Partindo da consideração de que a polêmica em torno da ideologia de gênero tornou-se um acontecimento discursivo, a interrogação citada nos leva a analisar a relação entre subjetividade, sexualidade e verdade, submetendo-a à descrição pura dos enunciados, à descrição, portanto, de sua positividade. Para tal empreendimento, fazemos funcionar alguns elementos que apontam para a positividade do discurso constituído em torno dessa polêmica. Recorremos, assim, aos efeitos de “raridade” e de “acúmulo”, expostos por Michel Foucault (1972), em sua Arqueologia do Saber. Em linhas gerais, essa série enunciativa nos permitiu observar aquilo que Foucault (1998), em História da sexualidade I, chama de “regra da polivalência tática dos discursos”, segundo a qual não devemos imaginar um mundo do discurso dividido entre o discurso admitido e o discurso excluído, ou entre o discurso dominante e o dominado. Pelo contrário, o que observamos é uma multiplicidade de elementos discursivos que podem entrar em estratégias diferentes. Quando consideramos o referido acontecimento, o resultado nos levaria a concluir, de imediato, que a chamada ditadura heteronormativa saiu vitoriosa desse jogo de poder. No entanto, quando avançamos a análise em busca de outros estratos de acontecimentos, colocamos em suspenso a ideia de que uma relação de poder/saber tenha obtido vantagem sobre outra. Tendo em vista que as relações de poder são relações de forças, não podemos pensar em relações de poder que sejam completamente triunfantes e cuja dominação seja incontornável.

Palavras-chave:  discurso; poder; resistência; ideologia de gênero.

 

Minibiografia:

Professor da Graduação em Letras e do programa de Pós-Graduação em Letras da UEM. Doutorou-se em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP de Araraquara. Entre os anos de 2010 e 2011 realizou estágio de pós-doutoramento no Instituto de Estudos da Linguagem, da Universidade Estadual de Campinas. Seus temas de pesquisa abarcam a relação entre discurso, sentido e mídia; o estudo dos processos discursivos de subjetivação do idoso, do executivo e dos sujeitos da educação; a relação entre discurso e ensino. É lider de GEF – Grupo de Estudos Foucaultianos da UEM.


Comunicação 35

A língua portuguesa em uso na rede social: a construção dos sentidos em hashtags de opinião e postagens no facebook

Autoras:

Priscila Brasil Gonçalves Lacerda – IFMG/ Campus Ouro Preto – p7brasil@gmail.com

Luciani Dalmaschio – UFSJ – lucianidalmaschio@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho apresenta uma análise da língua em uso no ambiente digital, alojado especificamente no Facebook, rede social mais popular atualmente no Brasil (Pesquisa Brasileira de Mídia 2015). Para o desenvolvimento deste estudo, cujo objetivo se cumpre no movimento de descortinar flancos de produção de sentidos no referido espaço digital, nos filiamos aos pressupostos de uma semântica da enunciação. Dentro dessa perspectiva, compreendemos que as unidades linguísticas em uso congregam orientações argumentativas que lhe são constitutivas, sendo que tais direcionamentos se colocam à mostra na disposição da cena enunciativa (GUIMARÃES, 2002), o que deixa entrever as divisões do espaço social de interlocução em que consiste o Facebook. Metodologicamente, nossa análise foi elaborada em duas frentes. A primeira focaliza as hashtags de opinião (DIAS e SILVA, 2016), unidades linguísticas consolidadas nas principais redes sociais em funcionamento hoje. Apreendidas em acontecimentos enunciativos diversos, que incorporam temáticas também diversas, as hashtags de opinião são analisadas tendo em vista o pressuposto de que elas condensam um feixe de sentidos arregimentado, não pela existência dos seres designados por elas no mundo empírico, mas pelos dizeres que atravessam essas unidades linguísticas demarcando uma posição argumentativa diante do cenário de disputas ideológicas que se instala na rede social.  Submetida à mesma concepção, a segunda frente deste estudo focaliza uma seleção de postagens em cujo propósito do locutor da mensagem se identifique o propósito de alimentar a sua página na rede social falando sobre suas opiniões imaginariamente pessoais, desdobrando-se em uma fala sobre si. Preliminarmente, observamos que os sentidos sociais que o locutor conectado constrói sobre si em relação aos outros, assim como os sentidos condensados pelas hashtags de opinião, são governados ou prestam contas ao que poderíamos chamar de macro acontecimento enunciativo. Os dizeres na rede social são usurpados por um recorte na atualidade de enunciações.

Palavras-chave: Língua portuguesa em uso; sentidos em/na rede; hashtags de opinião; postagens; argumentação.

 

Minibiografias:

Priscila Brasil Gonçalves Lacerda é professora de Língua Portuguesa e Literatura do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), atuando no Ensino Médio/Técnico e Superior. Possui doutorado (2013) e mestrado (2009) em Linguística Teórica e Descritiva pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UFMG. Tem especial interesse pelo estudo da língua em uso, pela interface entre gramática e enunciação e pelo campo da semântica, com especial interesse pela construção dos sentidos nas mídias sociais.

Luciani Dalmaschio é professora adjunta da Universidade Federal de São João del-Rey e atualmente desenvolve assessoria pedagógica para professores das Redes Municipais de Ensino de Minas Gerais, já tendo  coordenado o Programa  “Leitura além das Letras” da Secretaria de Educação de Contagem. Possui doutorado (2013) e mestrado (2008) em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UFMG. Sua principais áreas de estudo são semântica, sintaxe, enunciação, leitura e produção de textos.


Comunicação 36

Subjetivação e resistência do sujeito muçulmano: uma análise discursiva da obra Submissão de Michel Houellebecq

Autores:

Rafael Camargo de Oliveira – PG/Universidade Federal de Goiás – rafaelcamargodeoliveira@hotmail.com

Kátia Menezes de Sousa – Universidade Federal de Goiás – km-sousa@uol.com.br

 

Resumo:

O presente trabalho tem como objetivo analisar a polêmica obra Submissão de Michel Houellebecq e, a partir dela, identificar os processos de subjetivação e resistência do sujeito muçulmano. Nossos estudos se fundamentam na perspectiva metodológica da Análise do Discurso de linha francesa (AD), a partir dos trabalhos arqueogenealógicos de Foucault (2008a; 2008b; 2011), em relação aos mecanismos de saber e poder. Consideramos, em nossa análise, as variadas formas de controle, como os dispositivos políticos, midiáticos e de segurança presentes no futuro distópico da obra, o ano de 2022.

Palavras-chave: Muçulmano; distopia; Foucault; biopolítica.

 

Minibiografias:

Rafael Camargo de Oliveira é mestrando no Programa de Pós-graduação em Letras e Linguística da UFG.

Kátia Menezes de Sousa: Professora associada da Universidade Federal de Goiás, atua Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística. Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2002). Líder do Grupo Trama de Análise do Discurso – UFG/CNPq. Estágio de Pós-Doutoramento (2014) junto à UFSCar sobre o tema “dispositivos de segurança e inovação na atualidade: os discursos, os saberes e as relações de poder na produção de subjetividades”.


Comunicação 37

Biopolítica midiática e práticas de governamento: O controle sutil do corpo social

Autora:

Regina Baracuhy – Universidade Federal da Paraíba – mrbaracuhy@hotmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é, sob a perspectiva foucaultiana, discutir a biopolítica midiática por meio da análise de algumas práticas de governamento na mídia impressa brasileira. Interessa-nos investigar enunciados que reiteradamente abordam regras de conduta e prescrições que constroem, transformam, redefinem e mantêm o controle exercido pela mídia sobre o corpo social. Entendemos que há uma relação intrínseca entre os saberes e poderes, através dos regimes de verdade que norteiam as condutas da população. Vivemos em uma “sociedade de controle” (no sentido deleuziano do termo), em que a eficácia das práticas disciplinares se constrói pela sutileza e onde o poder é capilar, se espraiando em redes por todo o corpo social. Segundo Michel Foucault, em Microfísica do Poder, é fundamental “não tomar o poder como um fenômeno de dominação maciço e homogêneo de um indivíduo sobre os outros, de um grupo sobre os outros, de uma classe sobre as outras, mas ter bem presente que o poder não é algo que se possa dividir entre aqueles que o possuem e o detêm exclusivamente e aqueles que não o possuem e lhe são submetidos” (p.183). O poder é algo que circula, só funciona em cadeia. Nas suas malhas, os indivíduos estão sempre em posição de exercer este poder e de sofrer sua ação; nunca são alvo inerte ou consentido do poder, são sempre centros de transmissão. Queremos nos deter nesse movimento de objetivação/subjetivação que ocorre nas práticas de governamento midiático para pensar, não apenas “quem somos nós hoje”, mas sobretudo por que a mídia nos torna assim e não de outra maneira. O nosso aporte teórico é o da Análise do Discurso e a abordagem metodológica é qualitativa-interpretativa, vez que nos debruçamos na interpretação de fenômenos sociais.

Palavras-chave: Análise do Discurso; biopolítica midiática; práticas de governamento; corpo social.

 

Minibiografia:

Professora Associada da Universidade Federal da Paraíba, vinculada ao Programa de Pós-graduação em Linguística. Possui Doutorado em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita. Desenvolve e orienta pesquisas na área de Análise do Discurso – AD em nível de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. É Líder do Grupo de Pesquisa CIDADI – Círculo de Discussões em Análise do Discurso (CNPQ).


Comunicação 38

No livro-imagem a criança objetificada/subjetivada em cenas de rua: problematizações do eterno presente na invisibilidade do sujeito

Autora:

Roselene de Fatima Coito – UEM/Gpleiadi- CNPq – roselnfc@yahoo.com.br

 

Resumo:

A proposta aqui vem da necessidade de se discutir como o livro-imagem, cujo título é Cenas de rua, produzido pela escritora e artista plástica Ângela Lago, traz a imagem da criança que vive do comércio nos semáforos das grandes cidades brasileiras. Esta narrativa visual apresenta uma sequência circular e que se dá numa circularidade da vida de um menino que vende objetos nos semáforos. Nesta circularidade, que não é um eterno retorno à la Nietszche, mas que compõe a poeticidade do dizer sobre aquilo que envolve o imaginário de um eu e de um outro e de um eu sobre um outro, marca não as condições de emergência deste dizer, já que este dizer/mostrar é uma espécie de eterno presente de uma maioria de uma minoria de crianças que vivem no Brasil, especialmente em grandes centros, mas de condições de possibilidade, que permitem na objetificação – enquanto um objeto descartável e enquanto objeto de estudo – deste sujeito, uma constituição da subjetificação de uma subjetividade que se dá num “vácuo” midiático (impresso, televisivo, digital) da sociedade brasileira. Neste “vácuo”, a invisibilidade deste sujeito criança “teima” em ser visível como um corpo-estorvo, como um corpo-desconforto. Então, temos como objetivo problematizar, por meio da narrativa visual que compõe este livro-imagem, o eterno presente que insiste ser constitutivo da nossa sociedade, para entender, como neste processo de objetificação/subjetificação/subjetividade, a(s) regularidade(s) sobre este sujeito vão se constituindo.

Palavras-chave: livro-imagem; criança; condições de possibilidade; regularidade; invisibilidade.

 

Minibiografia:

Doutora (2003) pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, (UNESP – Araraquara), orientada pela Profª Drª Maria do Rosário Gregolin. Pós-Doutorada (2009) na École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris – França), sob a tutoria do Prof. Dr. Roger Chartier. Professora na Graduação e na Pós-Graduação na Universidade Estadual de Maringá (UEM – Paraná -Brasil). Tem como temas de pesquisa: leitura, literatura, discurso, poder, identidade(s) e imagens.


Comunicação 39

O discurso do corpo na marcha das vadias: as estratégias de resistência

 Autora:

Tânia Maria Augusto Pereira – Universidade Estadual da Paraíba –taniauepb@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho tem como tema principal as práticas de resistência da mulher decorrentes dos seus processos de subjetivação, atravessados por práticas sociais (de disciplinarização dos corpos, opressão, violência, discriminação, etc.) legitimadas por uma sociedade patriarcal e (hetero)normativa. Interessa-nos analisar como o corpo feminino é significado e significa no movimento social Marcha das Vadias, considerado uma possibilidade de escapar da norma, de subverter o esperado, uma resistência ao instituído no que tange ao uso do corpo feminino em relação às práticas políticas. Na contemporaneidade, o corpo é objeto de estudo e de representações que atingem desde os discursos científicos, passando pela arte e pela religião, até os discursos de resistência no cotidiano. Objetivamos analisar as estratégias de resistência não como efeito de uma causa que é o poder, mas como uma força que se opõe ao exercício de um poder. Especificamente, buscamos verificar como os corpos se configuram em uma superfície de escritura e o uso do corpo como veiculador de discursos, com performances que caracterizam as mulheres de ‘vadias’. A base teórica utilizada é a Análise de Discurso de linha francesa com desdobramentos nas ideias de Michel Foucault. O ponto de partida para o desenvolvimento da análise é o questionamento: como o corpo feminino vem sendo significado na Marcha das Vadias? Nosso corpus é constituído de imagens que apresentam a palavra e o corpo, simultaneamente, configurados como lugares de subjetivação do sujeito, considerando o corpo uma materialidade discursiva que, para além de sua composição biológica e orgânica, significa simbolicamente e manifesta a contradição que constitui o sujeito do desejo e da ideologia.

Palavras-chave: discurso; práticas de resistência; corpo; Marcha das Vadias.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba. Professora efetiva do Departamento de Letras e Artes (DLA) e do Programa de Pós-Graduação em Formação de Professores (PPGFP) da Universidade Estadual da Paraíba. Desenvolve e orienta pesquisas no campo da Análise do Discurso francesa que contemplem a produção e circulação de diferentes discursos (midiático, publicitário, escolar e outros), procurando verificar a constituição e o funcionamento dos dizeres que circulam na sociedade, entrelaçados em uma rede dialógica de saber/poder.


Comunicação 40

Corpo(s), prazer(es), sujeito(s)

Autora:

Tatianne de Faria Vieira – Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC – projetotextual.cl@gmail.com

 

Resumo:

O romance Uma aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, 1969, de Clarice Lispector, inicia-se em uma vírgula e encerra-se em dois-pontos; uma cena em suspenso, o entrelugar e o entretempo onde se encontra o corpo e o(s) prazer(es) a ser aprendido(s) e vivido(s). Corpo é discurso, gesto, linguagem, superfície de inscrição de acontecimentos, constituído por uma série de regimes que o constroem, o destroçam e o intoxicam. Trata-se de corpo agente e instrumento de práticas sociais e discursivas, sobre o qual poderes e resistências são exercidos, na relação com o corpo-seu e com o corpo-outro, no tocar-se a si e ao outro, no ser tocado em uma experiência de silêncios, desejos e prazeres. Assim, tomamos a cena e os gestos da personagem Lóri, diante de si e de seu corpo, falho por ser manco e que “nem sequer é bonito”,  mas é a ele que Ulisses quer, inteiro, com alma, corpo-sujeito-aprendiz, para pensar esse corpo que se coloca a si, ao outro e à sociedade, numa emergência de dizeres e gestos que o discursivizam, especialmente o corpo feminino, constituindo-o como lugar de subjetivações via prazer ou para o prazer. Desse modo, indagamos: como o sujeito constitui-se a partir de sua relação com o(s) prazer(es), que é vivido no corpo e no limite, ou seja, quando o corpo (ou os corpos) coloca-se na zona de instabilidade e incertezas, naquele lugar e naquele instante em que ele se desestabiliza e se constitui não corpo útil, mas corpo de dispêndio e de prazer? Sendo no instante de perda de si mesmo e de desestabilidade que o prazer faz-se acontecimento, evento que não está dado, mas é construído e excede os limites do corpo e do sujeito e, nesse exceder, subjetiva o ser, como o prazer fala o corpo e o faz falar?

Palavras-chave: Corpo; prazer; subjetivação; feminino.

 

Minibiografia: Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Literatura, da Universidade Federal de Santa Catarina, sob a orientação do Prof. Dr. Pedro de Souza. Mestre em Linguística, pela Universidade Federal de Goiás, onde também licenciou-se em Português-Espanhol. Professora Efetiva de Língua Portuguesa e Espanhola no Instituto Federal de Goiás-IFG e membro do Grupo de Pesquisa Trama-UFG.


Comunicação 41

A luta pela insubordinação: a Reforma do Ensino Médio entre consensos e resistências

Autora:

Vanice Maria Oliveira Sargentini – Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) – sargentini@uol.com.br

 

Resumo:

A Medida Provisória (MPV) nº 746, de 22 de setembro de 2016, que “promove alterações na estrutura do ensino médio, última etapa da educação básica, por meio da criação da Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral” (Senado, 2016), ao ser apresentada de forma midiática à população brasileira, desencadeou discursos que expuseram o confronto das relações de poder inscritas no corpo docente e discente, nas expectativas políticas e empresariais, nos imaginários sobre o que se deve saber. Na mídia tradicional essas relações de poder tendem à defesa de um sistema de controle disciplinar (do corpo, do tempo e da vida) regido pelo pensamento capitalista liberal, obliterando o pensamento científico, pedagógico e acadêmico. Ademais, a justificativa para a reforma pauta-se em um suposto desejo discente de revisão de controle do seu tempo; justamente o tempo que possibilita o sequestro da vida a ser transformada em força de trabalho (Foucault, 2015). O dissenso sobre a Medida Provisória é nosso objeto de análise, que será apresentado com base na coleta de material publicado na mídia tradicional e nas mídias alternativas e ativistas. Nossa hipótese é a de que o mesmo discurso que na mídia tradicional promove o discurso eufórico de valorização do tempo na escola, sustenta negativamente o discurso dos alunos que resistem, impondo a esses o discurso de que ao ocuparem as escolas estariam defendendo a dissipação do tempo por meio da intemperança, imprevidência e desordem (Foucault, 2015), e com isso a mídia tradicional obscurece a possibilidade de se reconhecer nesse ato a defesa de uma outra posição.

Palavras-chave: discurso; Reforma do Ensino Médio; resistências.

 

Minibiografia:

Mestre (1991) e Doutora (1998) em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Pós-doutorado na Université Paris III – Sorbonne Nouvelle (2008). Professora Titular da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), instituição na qual atua desde 1996. Tem experiência na área de Teoria e Análise Linguística, com ênfase em Análise do Discurso, atuando principalmente nos seguintes temas: reflexões epistemológicas e analíticas sobre análise do discurso, identidade, mídia e discurso político.


Comunicação 42

Identidades de gênero nas práticas discursivas da mídia

Autoras:

Vera Lúcia Pires – Laboratório de Estudos de Linguagem/UCPel – Pelotas – pires.veralu@gmail.com

Graziela Frainer Knoll – UNIFRA/ Santa Maria – grazifk@yahoo.com.br

 

Resumo:

Os estudos culturais trouxeram para a área das Humanidades um número crescente de abordagens que levam em consideração o poder constitutivo dos discursos, das representações sociais e das práticas semióticas em geral nas atividades que constituem a sociedade. Isso implica considerar identidades e subjetividades não como algo interior ou inerente ao sujeito, mas como parte dos processos relacionais e das práticas sociais em que os indivíduos estão inseridos diariamente. O presente estudo aborda o conceito de identidade, relacionando-o com os de linguagem e de cultura. Exemplifica a relação entre esses conceitos, a partir da discussão sobre identidades de gênero em práticas discursivas, bem como da análise de recortes midiáticos produzidos e veiculados no sul do Brasil. Linguagem e identidade são indissociáveis: esta é um produto dos contextos sociais, históricos e políticos. A sociedade constrói discursos e representações sobre si mesma a partir da interação dos sujeitos em contextos sociais específicos. Tais construções fazem com que as relações que se estabelecem entre práticas discursivas, processos identitários e atividades sociais sejam analisadas nas dimensões de uso e recepção em diferentes comunidades de fala. Linguagem e sociedade constituem-se em relação dialética, e como consequência, o processo de construção de identidades passa, inevitavelmente, pelas práticas de significação, entre as quais aquelas ligadas às esferas midiáticas, como jornais, revistas, campanhas publicitárias, documentários, vídeos na internet, meios que oferecem amplo material de análise. Apoiando-nos, também, na perspectiva enunciativa-discursivo-dialógica de M. Bakhtin e seu Círculo, que reconhecem a linguagem como elemento crucial para a construção de sentidos e de identidades, relacionaremos aspectos ligados à linguagem, à cultura e à identidade, articulando por meio das práticas discursivas da comunicação midiática em uma abordagem interdisciplinar, gênero social, cultura e gêneros discursivos. 

Palavras-chave: práticas discursivas; comunicação midiática; relações de gênero; Identidade.

 

Minibiografias:

Vera Lúcia Pires: Professora da Universidade Federal de Santa Maria com atuação no PPGLetras. Pesquisadora do Laboratório de Estudos de Linguagem (LEAL) da Universidade Católica de Pelotas. Doutorado em Linguística na PUCRS e estágio de pós-doutoramento na Universidade Católica de Pelotas (2014). Atua nos eixos da enunciação, dialogismo, estudos culturais, relações de gênero e linguagens multimodais.

Graziela Frainer Knoll: Professora no Centro Universitário Franciscano nos cursos de Publicidade e Propaganda e no de Tecnologia em Design de Moda. Colaboradora Pós-Doc na UniRitter/Laureate International Universities. Doutorado em Letras/Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Santa Maria (2013). Atua, como pesquisadora nos eixos temáticos: publicidade, multimodalidade, linguagens verbal e visual, estudos bakhtinianos e análise crítica do discurso.


Comunicação 43

Dilma Rousseff em discursos midiáticos sobre o impeachment: identidade(s) para o sujeito ‘mulher-presidente’

Autor:

Vinícius Durval Dorne – Universidade Federal de Uberlândia – dorne.vinicius@gmail.com

 

Resumo:

O Brasil esteve envolto em 2016 em intensos conflitos políticos, que culminaram no impeachment da então presidente da república Dilma Vana Rousseff, em 31 agosto do mesmo ano. Tal fato, assim como os momentos que o antecederam e sucederam, foi assunto de diversos meios e veículos de comunicação de massa brasileiros e internacionais: a história passou a ser (re)significada e constituída pelo e no discurso midiático. Frente a esse contexto e amparados pelas reflexões teórico-metodológicas da Análise de Discurso francesa com recorrência ao pensamento do filósofo Michel Foucault, buscamos problematizar como Dilma Rousseff foi tomada como objeto de discurso e, nesse processo, subjetivada por práticas discursivas que procuraram lhe delimitar e construir identidades como “mulher” e “presidente”. Ou seja, no fio do discurso, importa-nos as significações colocadas em funcionamento/circulação pelas e nas práticas discursivas midiáticas que constroem (im)possibilidades para Dilma Rousseff ser/fazer-se sujeito “mulher-presidente”, para interrogar sentidos naturalizados/estabilizados e, não obstante, os de resistência.

Palavras-Chave: análise do discurso francesa; identidade; mídia; Dilma Vana Rousseff.

 

Minibiografia:

Jornalista, Doutor em Linguística e Língua Portuguesa (UNESP) e Mestre em Letras (UEM). Professor do curso de Jornalismo e dos Programas de Pós-Graduação em “Tecnologias, Comunicação e Educação” e “Estudos Linguísticos” da Universidade Federal de Uberlândia.


Comunicação 44

Violência Doméstica Contra a Criança: Atuação dos Professores do Ensino Fundamental Frente a Esta Problemática

 Autores:

Welton Rodrigues de Souza – UEMS – weltonprofessor10@gmail.com

Maria José Jesus Alves Cordeiro – UEMS – majua_c@hotmail.com

 

Resumo:

A violência doméstica contra criança é um tema de grande relevância na contemporaneidade e todos os profissionais que trabalham com este público, dentre estes, os professores, tem um papel importante na realização de denúncias aos Órgãos Competentes. Esta proposta de pesquisa visa contribuir com a formação continuada de professores/as que atuam no Ensino Fundamental da rede pública municipal de ensino de Três Lagoas/MS e rede estadual de ensino de Mato Grosso do Sul, no campo da atenção aos indícios da violência e às medidas de proteção contra a criança. Para tanto, esta pesquisa se configura dentro da abordagem qualitativa, do tipo estudo de caso etnográfico e será desenvolvida no município de Três Lagoas-MS. Será usado como instrumento para coleta de dados a entrevista semiestruturada, e como público-alvo uma amostra de no máximo 20% dos/das professores/as do Ensino Fundamental – Anos iniciais do 1º ao 5º ano, da rede municipal e estadual de ensino das escolas de Três Lagoas – MS. A entrevista buscará detectar sob a perspectiva docente, quais são os aspectos positivos e negativos no processo de denúncia dos casos suspeitos de violência doméstica na infância. A escolha dos sujeitos de pesquisa justifica-se pelo fato destes estarem envolvidos com a realidade das crianças que mais sofrem com a violência doméstica, considerando que não possuem condições de se defenderem, dadas a faixa etária (de 5 a 12 anos a maioria). Os dados coletados serão analisados com base nos estudos de Foucault e autores/as como: Maria Amélia Azevedo, Sarita Amaro, entre outros. Acredita-se que os resultados da pesquisa poderão colaborar de maneira significativa com a formação continuada de professores/as, profissionais que desempenham papel relevante no desenvolvimento e na formação do cidadão, incluindo o papel de mediador nas mais diversas situações que lhe são apresentadas, entre estas, a violência contra criança.

Palavras-chave: violência doméstica; infância; professores/as; Ensino Fundamental; discurso.

 

Minibiografias:

Welton Rodrigues de Souza: Graduado em Educação Física, Licenciatura Plena – AEMS Faculdades Integradas de Três Lagoas (2010), pós-graduado em Docência do Ensino Superior pela instituição UNOPAR. Professor Estatutário do quadro Efetivo da Prefeitura Municipal de Três Lagoas, aluno especial do mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul/UEMS – Campus Paranaíba/MS.

Maria José Jesus Alves Cordeiro: Pedagoga (1983). Mestrado (1999) e Doutorado (2008) em Educação-Currículo/PUC/SP. Professora Adjunta da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Atua na graduação, no Mestrado Profissional em Ensino em Saúde e no Mestrado em Educação. Líder do Grupo de Pesquisa em Educação, Gênero, Raça e Etnia/ GEPEGRE/CNPq. Coordenadora do Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão em Educação, Gênero, Raça e Etnia /CEPEGRE/UEMS.