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Simpósio 47

SIMPÓSIO 47 – O LÉXICO DA LÍNGUA PORTUGUESA NA HISTÓRIA

 

Coordenador:

Américo Venâncio Lopes Machado Filho | Universidade Federal da Bahia – Brasil | americovenancio@gmail.com

 

Resumo:

A arquitetura histórica do léxico molda-se em alicerce de grande complexidade, estruturando-se indissociavelmente no fazer sócio-histórico. A observação e o registro dos processos de variação e de mudança lexicais, no esteio da história, atrelam-se, necessariamente, à interlocução de diferentes abordagens teóricas e metodológicas e sujeitam-se, consequentemente, à noção de diversidade e de alteridade, para além da de transdisciplinaridade. Para a permeabilização da história do léxico de uma língua de cultura, como a portuguesa, deve-se, portanto, procurar romper barreiras disciplinares, em prol da evidência de um objeto de natureza heterogênea e plurifacetada, como é seu espólio vocabular. É proposta deste simpósio, então, congregar e discutir trabalhos de pesquisa que se relacionem com a história do léxico da língua portuguesa, seus processos de variação e de mudança, a partir de diferentes perspectivas teóricas e (ou) metodológicas.

 

Palavras-chave: Linguística Histórica, História da língua portuguesa, Variação e mudança, Lexicologia, Léxico.

 

Minibiografia:

Américo Venâncio Lopes Machado Filho

Doutor em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com Pós-doutorado na Universidade de Coimbra e na Université Paris 13. Membro de diversas associações científicas nacionais e estrangeiras e autor de diversos livros, capítulo se artigos sobre a história da língua e sobre seu léxico, lidera o Grupo de Pesquisa Nêmesis, que engloba o Projeto Deparc (Dicionário Etimológico do Português Arcaico) e o Projeto Dicionário Dialetal Brasileiro (DDB), este associado ao Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB).

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Estudo fraseológico dos Autos de arrematação da villa de Sobral (1827-1823)

Autores:

Adriana Marly Sampaio Josino – Universidade Estadual do Ceará – adrianajosino.josino@gmail.com

Expedito Eloísio Ximenes – Universidade Federal do Ceará – eloisio22@hotmail.com

 

Resumo:

Os registros escritos transpiram o contexto em que foram produzidos. Ao analisarmos documentos que circularam em um momento histórico, podemos mapear a forma como se organizava a sociedade, identificar as relações de poder, os procedimentos administrativos, as manifestações culturais e o comportamento da comunidade discursiva. Como relicários, os documentos guardam valiosas informações: cada gênero tem uma intenção comunicativa, tem um propósito de registro legal. Para esta comunicação, fazemos um recorte da pesquisa realizada durante os estudos do Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada (PosLA-UECE), quando estudamos as fraseologias especializadas no códice intitulado Arrematações de auzentes da villa de Sobral (1817-1823), pertencente ao Arquivo Público do Estado do Ceará (APEC), e organizamos um glossário fraseológico, dando à luz o significado das fraseologias mais recorrentes. Combinação sintagmática recorrente, a fraseologia é um fenômeno que sempre esteve presente nas línguas naturais. O estudo das fraseologias da língua comum (FLC) sempre despertou o interesse de diversos pesquisadores. O desenvolvimento tecnológico-científico e o espírito renovador do homem fizeram brotar o interesse pelas fraseologias das línguas de especialidade (FLE). No presente trabalho, tecemos algumas considerações sobre o fenômeno fraseológico à luz da Teoria Geral da Fraseologia, sob a égide teórica de Blais (1993), Bevilacqua (1996), Corpas Pastor (1996), Krieger e Finatto (2004) e Tagnin (2011); abordamos brevemente as FLE, seus conceitos e suas características, apoiados nas pesquisas de Blais (1993), Pavel (1993a; 1993b) e Gouadec (1994); e apresentamos o glossário fraseológico que deu à luz o significado das fraseologias mais frequentes, considerando Welker (2004) e Pontes (2009). Nosso trabalho confirmou ser o corpus formado por textos absolutamente especializados – pela temática, pelo âmbito de circulação, pela linguagem e pelo recorte temporal – além de ter gerado um glossário fraseológico cuja macroestrutura facilita a leitura dos autos de arrematação e possibilita o acesso às informações nele contidas.

Palavras-chave: Autos de arrematação; Linguística Histórica; Fraseologia.

 

Minibiografias:

Adriana Marly Sampaio Josino – Licenciada em Letras pela Universidade Estadual do Ceará. Possui especialização em Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Portuguesa e mestrado em Linguística Aplicada pela mesma universidade (PosLA-UECE). Atualmente é doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidade Estadual do Ceará (PosLA-UECE). Participa do grupo de estudos PRAETECE – Práticas de Edição de Textos do Estado do Ceará, coordenado pelo Prof. Dr. Expedito Eloísio Ximenes. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Filologia, Léxico e Cultura, Terminologia e Fraseologia.

Expedito Eloísio Ximenes – Graduado em Letras pela Universidade Estadual do Ceará, mestre em Linguística pela Universidade Federal do Ceará, doutor em Linguística pela Universidade Federal do Ceará, com quatro meses de estágio na Universidade de Lisboa e especialização em Filologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Atualmente é professor adjunto nível I da Universidade Estadual do Ceará, campus de Quixadá, atuando principalmente nos seguintes temas: Língua Latina, Língua Portuguesa, Linguística Histórica, Filologia Românica, Edição e análise de textos manuscritos. É vice-líder do grupo de pesquisa TRADICE e do grupo de Crítica Textual. É líder do grupo de pesquisa PRAETECE.

 

Comunicação 2

Léxico do português à mesa: Brasil, Cabo-Verde, Moçambique e Portugal em cotejo

Autor:

Américo Venâncio Lopes Machado Filho – Universidade Federal da Bahia – americovenancio@gmail.com

 

Resumo:

É certo que não será no léxico o melhor cenário para se discutir unidade da língua. A distância espacial, os contornos geofísicos condicionados por rios, vales e montanhas, a trajetória histórica, demografia e mobilidade sociais, aspectos econômicos das comunidades de fala são todos grandes favorecedores para a prolificação de diferenças, nomeadamente lexicais, desterrando uma pretensa unidade linguística à aridez das políticas educacionais definidas por cada um dos organismos governamentais e para os outros níveis da língua. Na perspectiva das comunidades internacionais falantes de língua oficial portuguesa, distribuídas pelo globo terrestre, são as escolhas lexicais, antes de unificadoras, fortemente caracterizadoras de cada variedade linguística e frontispício de idiossincrasias. Algumas podem mesmo servir de estereótipo lexicultural como carnaval, bacalhau, baobá ou matabicho. Pretende-se, neste trabalho, comparar as variedades portuguesa, brasileira, moçambicana e cabo-verdeana, tendo por base os dados patentes em cada um dos vocabulários nacionais que se encontram disponíveis no Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC), em http://voc.cplp.org/index.php, no que concerne ao léxico utilizado em atividades relacionadas às refeições diárias familiares, buscando-se, com isso, conhecer similitudes e dissemelhanças, em uso coetaneamente nesses países. Os resultados podem contribuir para o conhecimento sistemático da arquitetura lexical da língua portuguesa, nomeadamente no que se refere aos aspectos pragmáticos e etimológicos de sua formação e fixação. Utilizar-se-ão os métodos e as técnicas da lexicologia e da lexicografia histórico-variacionais.

Palavras-chave: variação lexical; vocabulário comum da língua portuguesa; léxico das refeições nas variedades do português no mundo.

 

Minibiografia:

Doutor em Letras e Linguística, com pós-doutorado nas universidades de Coimbra e Paris 13. Professor Associado de Língua Portuguesa da Universidade Federal da Bahia (UFBA), é autor de diversos livros, capítulos de livros e artigos, muitos dos quais sobre a história da língua portuguesa e do preocesso de constituição de seu léxico. Atualmente, é coordenador do Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura, da UFBA.


Comunicação 3

Lexicografia e variação lexical: caminhos percorridos e novos rumos

Autora:

Anielle Souza de Oliveira – Universidade Federal da Bahia – anie_oliveira@hotmail.com

 

Resumo:

De acordo com Lara (1992, p. 20), o “dicionário representa a memória coletiva da sociedade e é uma das suas mais importantes instituições simbólicas”. É inegável que a ideia de memória está  vinculada à obra lexicográfica, pois é o espaço em que se acondiciona o léxico permanente de uma língua, tornando-o palpável na medida em que se revela ao olhar do consulente, seja através de suporte impresso ou eletrônico, como uma fotografia pronta para ser perscrutada. Cabe, no entanto, considerar que o caráter essencialmente estável do recorte lexical assumido por um dicionário não anula a condição inerente aos itens lematizados, extraídos de uma realidade linguística diversa e em constante movimento. Nesse sentido, analisam-se os recursos voltados ao registro da variação lexical, nomeadamente dialetal, em dicionários monolíngues do português e bilíngues português-inglês, impressos e eletrônicos, considerando-se suas especificidades macro e microestruturais. Para tanto, foram selecionados os seguintes corpora: Diccionario Contemporaneo da Lingua Portugueza (1881) ; A dictionary of the Portuguese and English languages (1773); Novíssimo Aulete dicionário contemporâneo da língua portuguesa (2011); Brazilian Portuguese-English, English-Brazilian Portuguese concise dictionary (2010); dicionário Michaelis português-inglês online (2016); Aulete digital (2014). Desse conjunto extraem-se evidências de que a variação lexical está presente na atividade lexicográfica, desde os trabalhos precursores, nos séculos XVIII e XIX, em que as limitações de várias ordens não impediram a elaboração de materiais cujo detalhamento das definições impressiona. Um olhar diacrônico, contudo, revela mudanças não só decorrentes dos avanços tecnológicos mas do impacto dos estudos dialetais e sociolinguísticos sobre a lexicografia, cada vez menos alheia à dinamicidade da língua. O aporte de atlas linguísticos como o ALiB, Atlas Linguístico do Brasil (2015),  e o desenvolvimento de novos recursos podem fornecer à lexicografia cada vez mais subsídios para seu aprimoramento como ciência.

Palavras-chave: lexicografia monolíngue; lexicografia bilíngue; variação lexical.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Língua e Cultura no Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia. Mestre pela mesma instituição.Tem experiência nas áreas de: língua portuguesa, com ênfase em constituição histórica e estudos do léxico; língua inglesa e tradução.  Integrante do grupo de pesquisa Nêmesis (Estudos do Léxico e da História da Língua Portuguesa).


Comunicação 4

Entre cambotas e raias: registrando a variação lexical em jogos e diversões infantis da cidade de São Paulo

Autor:

Cemary Correia de Sousa – Universidade Federal da Bahia – cemarycorreia@bol.com.br

 

Resumo:

O presente estudo, baseado nos pressupostos teórico-metodológicos da lexicografia histórico-variacional e filiado ao Projeto Dicionário Dialetal Brasileiro, do Programa Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), objetivou a construção de um glossário de formas lexicais variantes documentadas na cidade de São Paulo, a partir dos resultados da aplicação do Questionário Semântico-Lexical (QSL-ALiB), relacionadas à área temática de Jogos e diversões infantis, nomeadamente as decorrentes das respostas às questões de número 155, 156, 157 e 158, respectivamente: “… a brincadeira em que se gira o corpo sobre a cabeça e acaba sentado?”; “… as coisinhas redondas de vidro com que os meninos gostam de brincar?”; “… o brinquedo feito de uma forquilha e duas tiras de borracha, que os meninos usam para matar passarinhos?”; e “… o brinquedo feito de varetas de papel que se empina no vento por meio de uma linha?”. Para esta pesquisa, conforme a metodologia adotada pelo Projeto ALiB, foram pesquisados 8 informantes – 4 homens e 4 mulheres, enquadrados em duas faixas etárias – de 18 a 30 anos (jovens), e de 50 a 65 anos (idosos) – e alfabetizados (nível fundamental e superior completo). As análises preliminares atestaram que, no que tange às formas usadas na referida cidade, evidenciam-se variantes engendradas a partir de processos de áfereses (arraia > raia), monotongação (peixinho > pêxinho), entre outros. Nesse sentido, a partir da observação dos processos metaplásmicos, buscar-se-á verificar como atua esse fenômeno na formação do léxico do português brasileiro.

Palavras-chave: Lexicografia variacional; jogos e diversões infantis; metaplasmos; cidade de São Paulo.

 

Minibiografia:

Licenciada em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Foi bolsista PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência) no período de 2012-2013. Atualmente, pertence ao Grupo Nêmesis – Estudo do Léxico e da história da Língua portuguesa, atuando nas áreas de Filologia Textual, Linguística e Lexicografia histórico-variacional, sob a orientação do Prof. Dr. Américo Venâncio Lopes Machado Filho.


Comunicação 5

As denominações para o ciclio menstrual no corpus do ALiB: a variação lexical no português falado no Maranhão e na Bahia

Autor:

Danildo Mussa Fafina – Universidade Federal da Bahia –  danimussa86@hotmail.com

 

Resumo:

No ato da comunicação, são transmitidas correntes ideológicas que refletem o meio em que indivíduo está inserido. No uso da língua, a seleção dos itens lexicais reflete valores, crenças, hábitos, costumes dos falantes de cada comunidade. Este trabalho, recorte de um projeto de pesquisa do mestrado mais amplo, tem como objetivo investigar as formas utilizadas para as denominações para o ciclo menstrual em quatro municípios brasileiros – São Luís e Bacabal, do Maranhão, e Salvador e Jacobina, Bahia, e observar se as formas levantadas estão registradas nos dicionários da língua portuguesa. O corpus de análise foi constituído a partir das respostas à questão 121, nome dado ao ciclo do período menstrual, do campo temático “ciclo de vida”, do Questionário Semântico-Lexical (QSL), do Projeto Atlas Linguístico do Brasil, que investigou a fala de 16 informantes, 4 em cada município, dos sexos masculino e feminino, da faixa etária de 18 a 65 anos e de escolaridade com ensino fundamental. Para a elaboração deste trabalho, utilizaram-se os métodos próprios à dialetologia, à sociolinguística e à lexicografia variacional. Os dicionários de consulta adotados foram Aulete (2011) e Houaiss (2004). Entre as variantes identificadas na pesquisa, algumas não se encontram dicionarizadas, a exemplo de “sangue bom”, “seu tempo”, “incomodada”, o que revela a contribuição deste trabalho para o conhecimento da variação lexical no Brasil, nessa área conceitual.

Palavras-chave: Variação linguística; variação lexical; Atlas Linguístico do Brasil; denominações para o ciclo menstrual.

 

Minibiografia:

Graduado em Letras pela Universidade Federal do Maranhão, com habilitação em português e francês, e suas específicas literaturas, auxiliar de pesquisa do Projeto Atlas linguístico do Maranhão e do Tesouro do Léxico Patrimonial Galego e Português. Atualmente, é aluno do mestrado do Programa de Pós-Graduação em Letras (Língua e Cultura) da Universidade Federal da Bahia, e também membro do grupo de pesquisa Nêmeses, onde trabalha com Dicionário Dialetal Brasileiro (DDB).


Comunicação 6

Estudo lexical do documento Relação do Maranhão do século XVII

Autor:

Expedito Eloísio Ximenes – Universidade Estadual do Ceará (UECE) –  expedito.ximenes@uece.br

 

Resumo:

Neste trabalho analisamos o léxico do século XVII no documento Relação do Maranhão, escrito em 1608,  pelo padre Luís Figueira. O documento é um relato da viagem que o jesuíta fez ao Ceará em 1607, e traz uma riqueza lexical da língua portuguesa da época que merece ser investigada. O texto manuscrito passou pelo processo de edição semidiplomática e, posteriormente, fizemos o levantamento do léxico, aplicando o programa computacional AntConc que gerou uma lista de todas as palavras do texto por meio da ferramenta wordlist e com a ferramenta concordance podemos estabelecer as combinações. A partir daí, selecionamos as lexias simples, as compostas e as complexas, usando a base teórica de Pottier (1978), que assim as classifica. As colocações, segundo o conceito de Tagnin (2005) são as co-ocorrências léxico-sintáticas, isto é, agrupamentos de palavras que “andam juntas”. O conjunto das lexias selecionadas compõem a macroestrutura do glossário que está organizada em ordem alfabética, já a microestrutura consta: da entrada em negrito, da informação gramatical, da definição, do contexto de uso e de notas explicativas. Foram selecionadas 233 lexias distribuídas conforme a classificação acima. As definições foram elaboradas a partir do contexto de uso e com base em dicionários mais antigos da língua portuguesa como Bluteau (1712), Morais Silva (1813), Viterbo (1865) e dicionários mais recentes como Figueiredo (1939), Freire (1957), Machado (1967), Caldas Aulete (1986), Ferreira (2000) e outros dicionaristas além de outras fontes como enciclopédias, livros de história e sites da internet que ajudam na compreensão dos sentidos. Podemos perceber como o léxico passou por mudanças semânticas significativas ou algumas lexias deixaram de ser usadas ao longo da história da língua como é o caso e arreo, ficar em talas, abaré, beber fumo, mestre de capela dentre outras; além de conhecermos várias formas vigentes no contexto discursivo do século XVII.

Palavras-chave: Relação do Maranhão; edição semidiplomática; estudo lexical;  colocações; glossário.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras pela Universidade Estadual do Ceará (1997), mestrado em Linguística pela Universidade Federal do Ceará (2004), doutorado em Linguística pela Universidade Federal do Ceará (2009), com quatro meses de estágio na Universidade de Lisboa e especialização em Filologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2011). Atualmente é professor adjunto  da Universidade Estadual do Ceará, campus de Quixadá. É líder do grupo de pesquisa PRAETECE e atua no Programa de Pós-graduação em Linguística Aplicada (POSLA) e no Mestrado Interdisciplinar em Letras e História(MIHL) ambos da UECE.


Comunicação 7

De volta aos advérbios: conceituação e categorização em xeque

Autora:

Ione Pereira dos Santos Oliveira – Universidade Federal da Bahia – ioneps@yahoo.com.br

 

Resumo:

Para Perini, em sua Gramática Descritiva do Português (1996, p. 338), “os ‘advérbios’ do português estão muito pouco estudados em seu conjunto”. Desse modo, a latente necessidade de estudos que abordem os advérbios tem despertado o interesse de linguistas, resultando tanto em diversidade de pesquisas ligadas à Linguística Histórica, quanto em controvérsias em relação ao sentido e aplicações que lhe são atribuídas. Há que se salientar a impossibilidade de categorizar elementos que apresentam “comportamentos” diferentes e buscar agrupar elementos pela sua destreza em cumprir funções prototípicas a determinado grupo linguístico. No caso específico dos advérbios, não se dispõe, ainda, de um inventário que tenha sido organizado com os preceitos metodológicos da lexicografia histórica que, como se sabe, é deveras idiossincrático, como antes afirmou Machado Filho (2012). Por isso pretende-se com este trabalho discutir sobre uma adequada conceituação para o grupo dos advérbios e, consequentemente, um ajustado agrupamento desses elementos, a fim de contribuir para estudos em variados níveis de análise linguística dos advérbios, o que pode contribuir para a construção do conhecimento que se tem perseguido sobre Linguística Histórica, especialmente sobre os elementos adverbais na história do português.

Palavras-chave: Advérbios; conceituação; categorização; Lexicografia; Linguística Histórica.

 

Minibiografia:

Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Língua e Cultura pela UFBA, possui graduação em Letras, especialização em Estudos Linguísticos e Literários e Mestrado em Língua e Cultura nesta mesma instituição. Tem interesse nos estudos de Linguística Histórica em geral, e especificamente nas áreas de Lexicografia e Gramaticalização de estruturas linguísticas – especialmente adverbiais, a partir de análise de corpora remanescente do Português Arcaico. Afiliada ao Grupo de Pesquisa Nêmesis – sobre o estudo do léxico e da História da Língua Portuguesa (UFBA).


Comunicação 8

Fauna lexical ou Vocabulário fáunico/faunístico: Uma perspectiva Lexicográfico-variacional e Lexicultural

Autora:

Isamar Neiva de Santana – Universidade Federal da Bahia –

isa.neiva.letras@gmail.com

 

Resumo:

Partindo do pressuposto, mais do que óbvio, de que o léxico de dada língua reflete a cultura de uma sociedade pressupõe-se que seu estudo, em perspectiva variacional, contribua, amplamente, para a composição da história de seus utentes, enquanto sociedade plural, cunhada pela diferença. Assim, sob a perspectiva da Lexicultura e da Lexicografia Variacional, considerando a biodiversidade e a diversidade sociolinguística e cultural do e no Brasil, este trabalho propõe-se a i) investigar como a fauna brasileira tem influenciado e / ou se refletido no léxico, mais especificamente, através da apropriação de designações de animais no uso de lexias, de frasemas e de possíveis culturemas e ii) discutir, de forma propositiva, a inserção de tais usos em perspectiva lexicográfica, a partir de amostras de verbetes que comporão o Vocabulário Dialetal Baiano – tese, em desenvolvimento, pautada nos dados do ProjetoAtlasLinguístico do Brasil (Projeto ALiB) e nas bases metodológicas do DicionárioDialetalBrasileiro (DDB), em construção. Para tanto, utilizou-se o corpus constituído de variantes lexicais obtidas em inquéritos do Projeto ALiB, em 22 localidades da Bahia – estado do Nordeste do Brasil –, concernentes a 14 áreas conceituais do Questionário Semântico-Lexical – QSL –, parte que integra o Questionário ALiB 2001. Os resultados preliminares atestaram que, dependendo do item ou da área temática, a variação entre as formas evidencia-se com mais ou menos ênfase. A lexia papagaio, por exemplo, aparece no corpus, em pelo menos três perspectivas, i.e., usada para designar: i) “ave de penas coloridas que pode aprender a falar”, ii) “pessoa que fala demais” e iii) “brinquedo feito de varetas cobertas de papel que se empina no vento por meio de uma linha”. Há, também, o registro de estruturas fraseológicas como mão de vaca e não dá a água a pinto como variantes de avarento, dentre outras.

Palavras-chave: Fauna lexical; perspectiva lexicográfico-variacional e lexicultural; Vocabulário Dialetal Baiano; Dicionário Dialetal Brasileiro.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Letras pelo Programa de Pós­Graduação em Língua e Cultura da Universidade Federal da Bahia, desde 2013. Realiza, em 2016, Estágio Doutoral em Letras, (Doutorado-Sanduíche, pela CAPES-COFECUB), na Université Paris 13. Mestre em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura da Universidade Federal da Bahia (2010­2012). Graduada em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (2005­2009). Integra o quadro de estudantes do Grupo de Pesquisa Nêmesis e do Projeto Atlas Linguístico do Brasil.


Comunicação 9

O léxico e a marginalidade social: a variação em profissões estigmatizadas

Autora:

Isamar Neiva de Santana – Universidade Federal da Bahia –

isa.neiva.letras@gmail.com

 

Resumo:

A fronteira entre profissão e ofício, além de tênue, é demarcada por estereótipos socioculturais, os quais podem implicar estigmas linguísticos. No tocante ao léxico empregado para designar profissionais que se enquadram no eixo estigmatizado, é possível perceber a incorporação de tabus sociolinguísticos, a qual, conforme a época ou grupos sociais ou ao objetivo específico do contexto sociolinguístico, propicia a diversidade de formas. É objetivo deste trabalho, pois, analisar, sob a perspectiva da Lexicultura e da Lexicografia Variacional, a variação no tocante às designações dadas a profissões que são, socioculturalmente, estigmatizadas e verificar se e como as variantes são registradas nos quatro dicionários brasileiros, destinados a público geral, aprovados pelo PNLD-2012: Dicionários – Bechara (2011), Borba (2011), Aulete (2011) e Houaiss (2011). Para tanto, utilizou-se o corpus constituído de respostas às questões do QSL ALiB – Questionário Semântico Lexical, parte que integra o Questionário do referido projeto – obtidas em inquéritos do Projeto ALiB, em 22 localidades da Bahia – estado do Nordeste do Brasil, concernentes a seis profissões, em três perspectivas: i) exercidas, majoritariamente, por homens: “trabalhador em roça alheia” (QSL-61) e  “assassino pago” (QSL-140); ii) prototipicamente, de mulheres: “parteira” (QSL-123) e “prostituta” (QSL-142) e; iii) relacionadas a crenças socioculturais (populares): “benzedeira” (QSL-151) e “curandeiro” (QSL-152). A análise prevê, ainda, demonstrar a inserção de tais usos em perspectiva lexicográfica, a partir de amostras de verbetes que comporão o Vocabulário Dialetal Baiano – tese, em desenvolvimento, pautada nos dados do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (Projeto ALiB) e nas bases metodológicas do Dicionário Dialetal Brasileiro (DDB),  em construção. Os resultados preliminares atestaram: i) maior índice de variação entre as formas em situações que evidenciam tabuísmo, sobretudo no que tange às designações para “prostituta”; ii) presença de estereótipos e inadequações nas definições dos dicionários analisados e; iii) não-dicionarização de itens que se caracterizam como usos dialetais.

Palavras-chave: Léxico de especialidade; Lexicografia Variacional; Lexicultura; Vocabulário Dialetal Baiano; Dicionário Dialetal Brasileiro.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Letras pelo Programa de Pós­Graduação em Língua e Cultura da Universidade Federal da Bahia, desde 2013. Realiza, em 2016, Estágio Doutoral em Letras, (Doutorado-Sanduíche, pela CAPES-COFECUB), na Université Paris 13. Mestre em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura da Universidade Federal da Bahia (2010­2012). Graduada em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (2005­2009). Integra o quadro de estudantes do Grupo de Pesquisa Nêmesis e do Projeto Atlas Linguístico do Brasil.


Comunicação 10

Lexicografia dialetal: o estado da arte

Autor:

Ivan Pedro Santos Nascimento – Universidade Federal da Bahia – ips.nascimento@hotmail.com

 

Resumo:

Ainda que a teoria da mudança linguística de Weinreich, Labov e Herzog (1968) tenha provocado uma ruptura nos estudos da língua ao conceder espaço às comunidades de fala, destacar a importância de fatores extralinguísticos e expor a variação como um processo natural da língua, os avanços em variação lexical, na perspectiva da lexicografia, ainda são bastante tímidos. Vale ressaltar que a lexicografia brasileira se funda a partir do século XX com a publicação de obras que valorizassem o português brasileiro (MULLER; BATISTA; KRIEGER, 2009), permitindo uma caminhada para além do que se considerava por brasileirismos e uma abertura para legitimação do vocabulário de normas dialetais com os chamados regionalismos. No presente trabalho, propõe-se fazer um levantamento historiográfico de obras que possibilitem a variação lexical no Brasil, a partir do século XX até o século XXI, em especial vocabulários dialetais, de modo a confrontar esses volumes, observando aspectos de natureza lexicográfica, no que tange à composição de nomenclatura. Esta tentativa apresenta importância para os estudos linguísticos brasileiros porque uma revisão de obras de cariz varicionista implica em analisar as formações e deformações do conceito de dialeto, discussão que se processou tardiamente no Brasil em comparação aos países europeus, e como os lexicógrafos, no decorrer da história, se utilizaram de sua arte para sistematizar a variação.

Palavras-chave: lexicografia dialetal; vocabulários dialetais brasileiros; estado da arte da lexicografia dialetal.

 

Minibiografia:

Graduando em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia. Em 2011 foi bolsista de Iniciação Científica Júnior no Programa Integrado em Epidemiologia e Avaliação de Impactos na Saúde das Populações. Atualmente, integra o quadro de estudantes do Grupo de Pesquisa Nêmesis como bolsista PIBIC-CNPQ com o plano intitulado “Convívio e Comportamento Social” paulista: vocabulário temático com base em dados do Projeto ALiB, sob a orientação do Prof. Dr. Américo Venâncio Lopes Machado Filho.


Comunicação 11

Estudo comparativo da variação léxico-semântica de vinte substantivos comuns registrados em dicionários brasileiro e português: o caso do Dicionários Houaiss da Língua Portuguesa (2009) e do Dicionário da Língua Portuguesa (2012)

Autor:

Ivonete da Silva Santos – Universidade Federal de Goiás Regional Catalão – nete.silva.santos@hotmail.com.

 

Resumo:

O presente trabalho tem como objetivos analisar a variação semântica de vinte palavras — substantivos comuns — que fazem parte do conjunto lexical brasileiro e português, registradas em dicionários de circulação comum nos dois países. Visando especificamente envidenciar qual é a relação semântica que se estabelece entre palavras corriqueiras no discurso português e brasileiro, registradas nos Dicionários Houaiss da Língua Portuguesa (2009) e Dicionário da Língua Portuguesa (2012) e; explicar quais fatores sócio-históricos influenciam a equivalência ou distanciamento  semântico de cada palavra nos dicionários usados como instrumentos de análise. O percurso metodológico desenvoveu-se com base na análise de vinte palavras — substantivos comuns — (dez palavras usadas no português brasileiro e dez palavras usadas no português europeu), de modo que se estabeleça uma comparação entre os significados atribuidos a cada palavra nos respectivos dicionários. Com base nisso, se fez necessário a organização dos resultados em quadros comparativos de modo que a interpretação seja clara e objetiva. A escolha das palavras foi aleatória. A motivação para o desenvolvimento deste artigo centra-se na ideia de que uma língua não é estática, pois uma mesma língua sobrevive em diferentes espaços e por isso está sujeita a variações. As bases teóricas que dão sustento a este trabalho centram-se nos estudos desenvolvidos por Perini (2004), Ilari (2009), Mateus (2003), Biderman (2003) e outros estudos que se tornaram pertinentes à temática que envolve a pesquisa. Os Resultados apontam que o conjunto lexical de uma língua está condicionado pelo meio onde vive seus usuários, por isso uma mesma palavra pode significar objetos e coisas diferentes ou um objeto ou coisa podem ser identificados por palavras diferentes, a depender do país ou território de atuação de uma determinada língua.

Palavras-chave: Léxico; língua portuguesa; variação semântica; variedades do português.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras- habilitação Português pela Universidade Federal de Goiás Regional Catalão-BR e Universidade de Coimbra-PT (Graduação Sanduíche). Aluna regular do Programa de Mestrado em Estudos da Linguagem pela mesma instituição. É integrante do projeto “A identidade linguística brasileira em conflito com o português europeu: a variação léxico-cultural”; sob coordenação do Professor Dr. Alexandre António Timbane.


Comunicação 12

Entre a língua dos “çapateiros” e a dos homens doutos: um estudo da metalinguagem portuguesa em perspectiva histórica

Autor:

Jane Keli Almeida da Silva – Universidade Federal da Bahia – janekelialmeida@gmail.com

 

Resumo:

A tipografia surge na Europa, na cidade alemã de Mogúncia, por volta de 1445, precisamente com a impressão da conhecida Bíblia Cristã, elaborada pelo tipógrafo Johannes Gutenberg. Após alguns anos, os primeiros livros que compõem a referida obra, conhecidos como pentateuco, foram impressos em hebraico, na cidade de Faro, inaugurando a prática da impressão no território português. Nesse contexto, foram impressas as primeiras reflexões metalinguísticas do português, a Grammatica da lingoagem portuguesa, em 1536, de Fernão de Oliveira e a Grammatica da lingua portuguesa, de João de Barros, em 1540. Embora contemporâneos, Fernão de Oliveira e João de Barros observaram a língua a partir de diferentes perspectivas. Enquanto o primeiro registrou, com uma tendência marcadamente descritiva, a língua feita pelos homens, o outro prescreveu, com o conhecido tom normativo dos tradicionais gramáticos, o uso e o ensino da língua dos barões doutos. Assim, com o intuito de registrar essas diferentes concepções de língua, verificando se a metalinguagem dos autores se aproxima ou se distancia e se apresenta recursividade na metalinguagem contemporânea, elaborou-se um vocabulário contrastivo da metalinguagem dos referidos gramáticos durante o mestrado acadêmico realizado na Universidade Federal da Bahia, entre 2015-2017. Portanto, pretende-se, neste trabalho, apresentar os resultados finais alcançados durante o labor do mestrado, que se desenvolveram tendo como base os métodos e as técnicas apresentados pela Lexicografia Histórica e Variacional e pela Linguística Histórica. De antemão, os verbetes contrastivos confirmam a natureza distinta da metalinguagem dos autores, ao mesmo tempo, revelam uma tendência aproximativa entre a referida metalinguagem. Outro resultado obtido, na investigação, revela que a metalinguagem de Fernão de Oliveira e de João de Barros muitas vezes se aproxima da metalinguagem contemporânea.

Palavras-chave: Fernão de Oliveira; João de Barros; vocabulário contrastivo; metalinguagem; Lexicografia Histórica e Variacional.

 

Minibiografia:

A proponente deste trabalho se dedica aos estudos históricos da língua portuguesa desde 2012, quando começou a investigar as edições publicadas da grammatica da lingoagem portuguesa, de Fernão de Oliveira (1536). No momento, desenvolve no mestrado acadêmico a pesquisa intitulada Metalinguagem em Fernão de Oliveira e João de Barros: vocabulário contrastivo, que integra as investigações realizadas no âmbito do Grupo de Pesquisa Nêmesis, sediado na Universidade Federal da Bahia. Cabe ainda salientar que a pesquisadora se volta ao estudo do português arcaico, realizando edição de textos antigos e glossários, centrando, portanto, suas investigações nas áreas da Filologia Textual, da Linguística Histórica e da Lexicografia Histórica e Variacional.


Comunicação 13

A atualidade e mutabilidade dos culturemas na formação de unidades fraseológicas

Autor:

Javier Martín Salcedo – Universidade Federal da Bahia – javims29@mixmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho serão apresentadas algumas unidades fraseológicas (UFs) em português brasileiro e espanhol europeu com o objetivo de analisar alguns dos principais culturemas, tanto da cultura contemporânea brasileira quanto da espanhola, como marcas culturais específicas destas e que dão origem a tais expressões. Existem conjuntos de elementos culturais que se formam na língua, ao longo do tempo, metáforas que fazem sentido para um determinado povo num contexto histórico e cultural determinado. Pode-se citar a importância do futebol, do samba, do carnaval, entre outros, na cultura brasileira, assim como do flamenco, dos touros e do pão na espanhola na hora da formação de Ufs. Pretende-se entender a origem, distibuções de sentido, composição e natureza das mesmas. Para embasar esta proposta, lançamos mão, especialmente, dos estudos de Martins (2002), Nadal (2009), Xatara e Santos (2014), Xatara e Seco (2014) e Pamies (2008), entre outros. Os culturemas estão na base da criação idiomática, são símbolos extralinguísticos culturalmente motivados que podem servir de modelo para que as línguas gerem expressões figuradas (PAMIES, 2008). O corpus desta pesquisa tem predominantemente foco em textos escritos dos séculos XX e XXI da literatura brasileira e espanhola, visando observar como mudam, em ocasiões, as distribuições de sentido dos culturemas ao longo do tempo, como se atualizam ou como, pelo contrário, os mesmos perdem validade, perdendo o sentido e referencial metafórico que originaram a expressão, se desatualizando por causa das transformações inevitáveis de todas as sociedades. Portanto, entende-se que atentar para estas questões no ensino-aprendizagem de segundas línguas possibilitará, ao aprendente, aperfeiçoar a sua competência sociocultural na língua aprendida.

Palavras-chave: Léxico. Culturema. Unidades fraseológicas. Aquisição de L2.

 

Minibiografia:

Graduado em Letras Espanhol e Letras Português (2004), Universidade de Granada (Espanha). Possui Diploma de Estudos Avançados em Linguística Diacrônica e Sincrônica do Espanhol – Universidad Complutense de Madri (2008), validado pela UFC. Foi professor visitante pela AECID na Universidade Federal do Ceará (UFC) (2012-2015). Professor substituto na Casa de Cultura Hispânica (UFC) (2015-2016). Professor visitante pela AECID na UNESP (Araraquara) (2016) e cursa estudos de doutorado no programa de Pós-graduação em Língua e Cultura na UFBA.


Comunicação 14

Segundo lh’eu oy contar: estudo dos verbos das cantigas satíricas do Cancioneiro da Biblioteca Nacional em perspectiva lexicográfica

Autora:

Lisana Rodrigues Trindade Sampaio – Universidade Federal da Bahia – zanasampaio@gmail.com

 

Resumo:

No fragmentário tratado sobre a Arte de trovar, que abre o Cancioneiro da Biblioteca Nacional, o terceiro gênero cultivado por trovadores e jograis galegos e portugueses é definido como aquele que o trovador faz “querendo dizer mal d’alguém”, se o faz com palavras cobertas são cantigas de escárnio, mas se o faz descobertamente, são cantigas de maldizer. Nota-se, contudo, que a designação escárnio e maldizer para as cantigas desse gênero se mostra imprecisa, uma vez que ora um escárnio é classificado como maldizer e vice-versa, além de haver cantigas classificadas como de escárnio e maldizer. Isto posto, opta-se pelo termo satírico para esse gênero que representa mais de um quarto de toda a produção trovadoresca transmitida pelos Cancioneiros remanescentes. O valor testemunhal e o vocabulário específico das cantigas satíricas tornam essa produção uma rica fonte para estudos históricos, literários e linguísticos, sobretudo, no que concerne à investigação do léxico, nível em que melhor se observam as mudanças culturais, sociais e políticas. Assim, presente trabalho visa discutir questões relativas ao estudo e sistematização de formas verbais finitas e infinitivas tais como oy, maer (B143); gaar (B1585); emparar (B1585); fal (B 1636); baralha, soio (B1645); terrei, ementam (B1650), só para citar algumas, depreendidas da edição de seis cantigas satíricas do Cancioneiro da Biblioteca Nacional, escritas por trovadores do círculo afonsino para criticar o personagem Sueiro Eanes. Pretende-se, então, traçar um contraponto entre a perda de informações que estão no radical (no léxico) e a manutenção de informações morfológicas e discutir o processo de lematização de verbos utilizando os pressupostos da Lexicografia Histórica. Destarte, este estudo representa um modesto contributo para as discussões engendradas no âmbito da constituição histórica do léxico da língua portuguesa uma das frentes de investigação do Grupo de Pesquisa Nêmesis, da Universidade Federal da Bahia, ao qual se filia.

Palavras-chave: Português arcaico; verbos; Cancioneiro da Biblioteca Nacional; cantigas satíricas

 

Minibiografia:

Doutoranda em Linguística Histórica, no Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura, possui mestrado também em Linguística Histórica pelo referido Programa de Pós-graduação e Graduação (Licenciatura) em Letras Vernáculas, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Participa como pesquisadora do Grupo de Pesquisa Nêmesis, atuando no Projeto DEPARC (Dicionário Etimológico do Português Arcaico).


Comunicação 15

Do léxico ao discurso: uma construção léxico-semântica do sentimento amoroso nos séculos XIII e XVI

Autora:

Maira Luna Bellas Oliveira – Universidade Federal da Bahia –mairalbel@yahoo.com.br

 

Resumo:

Pretende-se neste trabalho analisar a Lírica Trovadoresca do século XIII, mais precisamente a Cantiga de amor de D. Dinis “Que soidade de mia senhor hei”, e parte do soneto de Camões (LXXXI – Amor é fogo que arde sem se ver), do século XVI, no que tange os campos léxico-semânticos, com objetivo de investigar as mudanças linguísticas, que possibilitaram a construção do léxico português, levando em conta a relação entre léxico e discurso. Para tanto, faz-se necessário recorrer ao latim vulgar ou tardio, no sentido de investigar o nom (galego- português),século XIII, e o “não”(português medieval), no soneto de Camões, século XVI, para compreender quais os aspectos que influenciaram a mudança lexical no decorrer dos séculos. O tema “Amor” será abordado como estatuto da enunciação à mulher, a partir de uma perspectiva discursiva, levando em conta a linguagem como heterogênea e polissêmica, podendo conotar esquemas semanticamente opostos. Buscar-se-ã oos pressupostos da lexicologia, embora se recorra a outras áreas de conhecimento como a Semântica Cognitiva e Análise do Discurso, mas sem perder de vista a perspectiva diacrônica da língua. De acordo com Vilela (1980), o campo lexical deve ser entendido como sendo um paradigma lexical, formado pela articulação e pela distribuição de um continuum, para entendermos as mudanças ocorridas no tempo, e até mesmo compreendermos um outro nível de análise linguística, do funcionamento discursivo, situado sobretudo, no léxico, no discurso e na história. A análise do corpus será feita através do levantamento dosdocumentos (crônicas, cartas) do latim vulgar ou tardio, para então, observarmos o número de ocorrência, e podermos comparar com a cantiga de amor de D.Dinis e o soneto de Camões, com intuito de verificar a relação entre o léxico como contínuo.

Palavras-chave: Léxico; discurso; lexicologia; continuum.

 

Minibiografia:

Mestranda em Letras e Linguística, Mestrado em Língua e Cultura pela Universidade Federal da Bahia-UFBA, com Especialização em Estudos Linguísticos e Literários- UFBA, e na Universidade Estadual da Bahia-UNEB em Metodologia e Extensão do Ensino Superior. Pesquisadora do Grupo Nêmesis.


Comunicação 16

370 anos depois Bento Pereira

Autor:

Manoel M. Santiago-Almeida – USP/CNPq/FAPESP- Brasil – manoelmsah@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo é apresentar unidades lexicais registradas no Thesouro da Lingoa Portuguesa, composto pelo Padre Bento Pereyra, datado de 1647, e analisar as variações semântico-lexicais registradas nos verbetes de dicionários gerais da Língua Portuguesa e também em trabalhos de cunho dialetológicos, como o de Amaral (1920), e em atlas linguísticos, como o ALiB (2014). Considera-se, para tanto, hipóteses da variação e mudança, na medida em que sugere o uso do presente para explicar o passado ou compreender os movimentos do passado observando o presente contínuo. Sendo assim, numa perspectiva diacrônica, nos movemos pela Linguística Histórica, tendo como base teórico-metodológica a sociolinguística (Labov, 1972; Tarallo, 1994; Weinreich; Labov; Herzog, 1968) e a geografia linguística (Cardoso et Alii, 2014; Radtke e Thun, 1996), dentre outros.

Palavras-chave: Linguística Histórica; História da língua portuguesa; variação e mudança; Lexicografia.

 

Minibiografia:

Doutor em Filologia e Língua Portuguesa e livre-docente pela Universidade de São Paulo, pós-doutorado em crítica textual pela Universidade Federal de Minas Gerais e tem formação complementar em dialetologia portuguesa na Universidade de Lisboa. É pesquisador responsável de Projeto Temático (FAPESP): Projeto de História do Português Paulista. Participa do projeto Tesouro do Léxico Patrimonial Galego e Portugués do Instituto da Língua Galega da Universidade de Santiago de Compostela. É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq e professor e pesquisador da Universidade de São Paulo, atuando nos seguintes temas: crítica textual e filologia portuguesa, dialetologia e história da língua portuguesa.


Comunicação 17

Incursões sobre a História no léxico: hipóteses para não passar o carro adiante dos bois

 

Autora:

Maria Helena de Paula – Universidade Federal de Goiás – mhp.ufgcatalao@gmail.com

 

Resumo:

Pretendemos apresentar como se constitui lexical e culturalmente a expressão/parêmia “não passar o carro adiante dos bois” e as possíveis configurações históricas que esta lexia pode evocar, assentada em um contexto histórico e cultural, especialmente tomando como seu referente o Centro-Oeste brasileiro, em um corpus constituído de narrativas orais goianas. A dimensão que o cenário econômico da região assume ao longo do século XX quando sua economia, não raro, se fez transportada em carros-de-boi deverá ser considerada nas hipóteses da formação desta construção lexical. A principal tese que sustenta o estudo é que esta parêmia encontrou eco em práticas culturais do povo que tomava os carros-de-boi e seu funcionamento entre juntas e cangas para construir um saber fazer e a nomeação desse saber, de forma a torná-lo ensinamento porquanto não se deve passar o carro adiante dos bois. Desta feita, buscamos nas memórias de carreiros e candeeiros – que efetivamente ensinam por que e como proceder para que os bois não se adiantem aos carros – os nomes da lida de carrear para compreender e propor as bases histórico-lexicais em que se assenta esta máxima.

Palavras-chave: Parêmia; História; Cultura; Goiás; Carro-de-boi.

 

Minibiografia:

Possui Doutorado em Linguística e Língua Portuguesa (2007) e Pós-doutorado em Filologia e Língua Portuguesa (2015-2017). Tem se dedicado a pesquisar como as relações entre língua, cultura e história se fazem notar nas configurações lexicais da língua portuguesa, sobretudo no seu uso na região de Goiás, Centro-Oeste brasileiro, nas nomeações de práticas culturais e na compreensão de memórias históricas desse/nesse lugar, como aquelas sobre a escravização negra. É professora da Universidade Federal de Goiás/Catalão, onde também é Coordenadora Geral de Pesquisa e Pós-graduação.


Comunicação 18

Um olhar sobre o léxico na construção da tessitura do discurso em poemas épicos dos séculos XVIII, XIX e XX

Autora: 

Maria José Ferreira da Silva – Universidade Federal da Bahia – mj64zeze@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo principal fazer um estudo voltado para as conecções lexicais no processamento discursivo, ou seja, identificar as metáforas a partir de um estudo realizado nos poemas dos séculos XVIII, XIX e XX, respectivamente “Caramuru” de Frei de Santa Rita Durão, “Navio negreiro “ de Antônio Frederico de Castro Alves e “Iararana” de Sosígenes Costa. Esta pesquisa se justifica pela importância de se fazer um estudo da metáfora como objeto de reflexão do pensamento, e não como objeto de reflexão dentro de uma visão restrita ao nível da linguagem.  O seu foco é a metáfora no discurso que busca articulações entre dimensões linguísticas. Após essas considerações viu-se que seria melhor trabalhar desta forma a fim de obter uma visão do funcionamento e das mudanças das línguas. A partir deste estudo percebeu-se que o léxico sofre a ação das metáforas em sua constituição ligados a fatores linguísticos e extralinguísticos. Os objetos de discurso por comparação com outros objetos são nomeados a partir do convívio cultural e histórico que o homem está inserido.

Palavras-chave: Léxico;  discurso; metáfora; cultura.

 

Minibiografia:

Possui Mestrado em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Especialização em Metodologia do Ensino da Literatura na Universidade Estadual da Bahia (UNEB) e Especialização e Projetos Educacionais pela Universo. Graduação em Letras Habilitação em Inglês pela Universidade do Estado da Bahia (1994). É pesquisadora do grupo Nêmesis pela Universidade Federal da Bahia.


Comunicação 19

Concepções da unidade lexical “índio” em manuscrito oitocentista e obras lexicográficas: uma leitura semântico-lexical e discursiva

Autora:

Milena Borges de Moraes – Universidade do Estado de Mato Grosso – miunemat@gmail.com

 

Resumo:

Visando ao atendimento à ementa proposta pelo coordenador do Simpósio 47 “O léxico da língua portuguesa na história”, este trabalho, inscrito nos pressupostos teóricos e metodológicos da Lexicologia, da Lexicografia e da Análise do discurso, objetiva dar visibilidade à parte dos resultados alcançados durante a execução do projeto institucional de pesquisa “Léxico e discurso na capitania de mato grosso: nomeação sobre o nativo brasileiro, coordenado pela Profa. Dra. Rejane Centurion Gambarra, da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), durante o interstício 2016-2018. Para tal, voltaremos nosso olhar à unidade lexical “índio” extraída do manuscrito “Memoria sobre o plano de guerra offensiva e deffensiva da Capitania de Mato Grosso”, um documento oficial datado de 31 de janeiro de 1800, no Forte Coimbra, Capitania de Mato Grosso. Nessa direção, objetivamos apresentar, por meio da análise semântico-lexical e da discursiva da unidade “índio”, o modo como essa unidade está significada no contexto de uso registrado no documento, bem como das definições encontradas em dicionários do século XVIII, XIX, XX e XXI da época. As obras lexicográficas mobilizadas são Vocabulario Portuguez e Latino (1712 – 1728), de Raphael Bluteau, Diccionario da Lingua Portugueza (1813, 2. ed.), de Antonio de Moraes Silva, Novo Dicionário da Língua Portuguesa (1975, 1. ed.), de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira; Dicionário Houaiss eletrônico da língua portuguesa (2009), de Antônio Houaiss. Tal estudo pode contribuir para a reflexão em torno da língua portuguesa que se expandiu para as regiões sudeste, sul e centro-oeste do Brasil, pelos caminhos das águas do rio Tietê, antigo Anhembi, dentre outras vias fluviais e terrestres, e por extensão para reflexão em torno da história da formação da língua portuguesa no Brasil, com base em uma discussão sobre manutenção/conservação do léxico da língua. Indicamos, como resultados, que as representações discursivas acerca do índio no discurso do colonizador está vinculada à utilidade aos interesses da Coroa Portuguesa na defesa da terra e dos recursos naturais, e ignorado, silenciado como parte daquela população, ao ser considerado inútil. As obras lexicográficas do século XVIII e XIX endossam essa representação acerca do índio. Ao inserir neste estudo semântico-lexical o mirante discursivo, inseriu-se um gesto interpretativo que nos auxiliou a (re)interpretação de (pre)conceitos e valores que alicerçaram nossa cultura brasileira.

Palavras-chave: Léxico; discurso; manuscrito; obras lexicográficas; índio.

 

Minibiografia:

Professora de Língua Portuguesa no Curso de Letras da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Tangará da Serra – MT, Brasil. Doutora em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), sob a orientação do Prof. Dr. Manoel Mourivaldo Santiado-Almeida.


Comunicação 20

Acordo Ortográfico de 1990: diálogo entre os documentos que alteram a ortografia dos países da CPLP

Autora:

Monica Maria Pereira da Silva – Instituto Federal da Paraíba –  monicamariaps@hotmail.com

 

Resumo:

Não é recente a preocupação dos estudiosos das muitas vertentes linguísticas em considerar as atividades de linguagem a partir das relações humanas estabelecidas pelo uso e inseridas em variadas esferas sociais. Partindo dessa máxima, entende-se que a língua é determinada pelo uso. Nessa perspectiva, são os falantes que exercem influência direta no modo como essa língua se dinamiza nos diferentes meios de materialização do discurso, seja ele oral ou escrito. O fenômeno mais atual que nos faz refletir acerca desse dinamismo é o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, conhecido, também, como o Acordo de 1990, haja vista o ano em que, oficialmente, as representações dos países lusófonos aprovaram a unificação da ortografia a ser adotada por todos os países que têm a língua portuguesa como língua vernácula – Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor-Leste. Cabe destacar que as mudanças estabelecidas pelo acordo não visam uniformizar o Português falado, especialmente em função das especificidades fonéticas de cada país que estão, também, intimamente ligadas às questões referentes à pronúncia, vocabulário e gramática. A ideia da unificação com o propósito de simplificar as regras de uso da língua é bem acolhida, no entanto a falta de debate em torno do tema com discussões que envolvem a sociedade tem gerado desconforto e dificuldade de adesão dos brasileiros às novas regras. Este trabalho tem por objetivo tratar das mudanças estabelecidas pela reforma ortográfica com o objetivo de criar um espaço de diálogo entre os documentos que alteram a ortografia dos países da CPLP e de refletir acerca do que reflete nos materiais didáticos adotados no ensino fundamental e médio.

Palavras-chave: Novo Acordo Ortográfico; ensino de língua portuguesa; ortografia; material didático.

 

Minibiografia:

Monica Maria Pereira da Silva- é Professora do Instituto Federal da Paraíba desde 2010. Professora Formadora, Tutora e Conteudista do Curso de Letras a distância do IFPB desde 2012. Mestra e Doutora em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba. Desenvolve pesquisas acerca da educação a distância, Interiacionismo Sociodiscurssivo, Gramática do Design Visual e ensino de Língua Portuguesa. É autora do livro Novo Acordo Ortográfico: Comentado e Ilustrado; da coleção para o ensino médio Mais Saber, publicados pela Editora Grafset, entre outros mateiriais didáticos.


Comunicação 21

Herança de Portugal? Análise léxico-semântica de unidades de medidas utilizadas na Capitania de Mato Grosso

Autora:

Solange Stabile – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – solstabile@gmail.com

 

Resumo:

Os relatos de viagens produzidos durante o Período Colonial constituem importantes fontes para a compreensão da história social do Brasil e também para a compreensão de aspectos da constituição do léxico do português brasileiro, pois estabelecem relações pontuais entre léxico e referente, num período em que a vertente brasileira língua portuguesa começava a delinear-se. Este trabalho analisa o léxico sob uma perspectiva histórica ao discutir aspectos das lexias designativas de unidades de medidas, extraídas das obras Noticia sobre a Provincia de Matto Grosso, seguida d’um roteiro da viagem da sua capital a S. Paulo (1869), de autoria de Joaquim Ferreira Moutinho e Viagem ao redor do Brasil – Vols. I (1880) e II (1881), de João Severiano da Fonseca. O estudo fundamenta-se em pressupostos teóricos da Semântica e da Lexicologia, buscando verificar quais das unidades de medidas registradas no Primeiro Boletim de História Demográfica do Brasil (publicado pelo Núcleo de Estudos em História Demográfica em 1994) como pertencentes aos períodos do Brasil Colônia e do Brasil Império foram contempladas nos textos-base  com a mesma acepção. As unidades contempladas neste trabalho classificam-se em: (i) unidades de medida, de comprimento e itinerárias: braça, côvado, grau, légua, milha, palmo, passo, pé, polegada e vara; (ii) unidades de medida de volume e de capacidade para secos: alqueire, quarta e maquia (iii) unidades de medida de volume e de capacidade para líquidos: canada e quartilho; (iv) unidades de medida de peso: arroba, libra, onça, oitava, quilate e tonelada. O trabalho estabelece também relações entre o recorte vocabular estudado e o contexto sócio-histórico-cultural do Brasil Colônia. A análise léxico-semântica das amostras dos dados, respaldou-se em dicionários de língua portuguesa de diferentes épocas da história da língua – Bluteau (1712) Moraes Silva, (1813), Silva Pinto (1832), Figueiredo (1913), Freire (1939-1944), Davis (1980), Houaiss (2009) e Ferreira (2010).

Palavras-chave: Léxico; unidades de medida; capitania; Mato Grosso; Semântica.

 

Minibiografia:

Mestre em Estudos de Linguagens e graduada em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, onde atuou como professora substituta, como membro da Câmara Editorial da Revista Rabiscos de Primeira e participou do projeto Dicionário Histórico do Português do Brasil. Atualmente é docente convocada na Educação Básica e na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul além de integrar o projeto Tesouro do Léxico Patrimonial Galego e Português: Brasil por intermédio da UFMS.


Comunicação 22

O elemento lexical contra e o seu processo de herança, variação e mudança lexical em Português

Autora:

Susana Margarida Nunes – Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria) e Celga-Iltec (Universidade de Coimbra) –  susana.nunes@ipleiria.pt

 

Resumo:

Oriundo da preposição latina contra, o item lexical contra é utilizado genericamente, em português, com a mesma semântica de oposição/contradição herdada do latim. No entanto, em português, contra afigura-se também como um item lexical que, quando acoplado a outras bases lexicais (geralmente à esquerda da base), desenvolve outros sentidos, inexistentes em latim. A comunicação aqui apresentada baseia-se na conceção teórica da linguagem de Jackendoff (2002), que defende a articulação estreita entre a estrutura formal e o significado da palavra, assente na interatividade das diferentes componentes da gramática, permitindo adotar a conceção da análise lexical como um domínio dinâmico, construído por componentes de estrutura diversa, o que confere aos itens lexicais uma capacidade geratriz responsável pelo carácter heterogéneo e plurifacetado da língua. Procuraremos, com base neste modelo teórico, apresentar o processo de variação e mudança do item lexical contra, sobretudo quando acoplado a uma base lexical. Baseámo-nos num corpus com cerca de 450 vocábulos, extraído maioritariamente de fontes lexicográficas de diferentes épocas (do século XVIII até à atualidade) e também, sobretudo nas produções mais atuais, em bases de dados disponíveis on-line, em fontes da imprensa escrita e oral e em atos de fala informais de falantes oriundos dos distritos de Coimbra, Aveiro e Leiria.  O estudo do corpus recolhido evidencia que contra, quando acoplado a uma base lexical, ainda que denotando maioritariamente o sentido de oposição/contradição oriundo da preposição latina congénere, desenvolveu, ao longo do tempo, outros sentidos. Esta variação semântica repercutir-se-á na própria classificação funcional e categorial deste item lexical. Efetivamente, contra desenvolveu matizes semânticos que fizeram dele um elemento heterogéneo e plurifacetado no espólio vocabular da língua portuguesa no que concerne à sua funcionalidade e categorização, o que lhe confere atualmente um papel de relevo na formação de linguagens de especialidade.

Palavras-chave: contra; semântica lexical; variação; mudança; classificação funcional e categorial.

 

Minibiografia:

Susana Margarida Nunes é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, mestre em Linguística Portuguesa e doutorada em Letras pela Universidade de Coimbra. Recebeu, em 2006, o prémio de investigação da Associação Portuguesa de Linguística (APL). Foi docente, de 2001 a 2003, de PLE na Universidade de Coimbra. Desde 2003, é docente da ESECS-IPLeiria, onde é professora adjunta e coordena a licenciatura em Tradução e Interpretação Português-Chinês e Chinês-Português.