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Simpósio 46

SIMPÓSIO 46 – LÍNGUA, HISTÓRIA E MEMÓRIA NA/DA LÍNGUA PORTUGUESA

 

Coordenadoras:

Amanda Eloína Scherer | Universidade Federal de Santa Maria | amanda.scherer@gmail.com

Verli Petri | Universidade Federal de Santa Maria | verli.petri72@gmail.com

 

Resumo:

A proposta deste Simpósio é reunir trabalhos que se filiem, de alguma forma, aos estudos produzidos na área de História das Ideias Linguísticas em suas relações com a Análise de Discurso, levando em conta que não há língua sem memória e que toda a língua é passível de historicização. É no movimento entre língua, história e memória que se constitui o eixo deste simpósio que nos propomos a: (i) discutir noções advindas da História das Ideias e da Análise de Discurso em funcionamento nas reflexões acerca da língua portuguesa; (ii) explicitar resultados de pesquisas que tenham como temática a língua portuguesa; (iii) refletir sobre  a constituição da história e da memória na e da língua portuguesa.

 

Palavras-chave: Língua Portuguesa, História, Memória, Discurso, História das Ideias Linguísticas.

 

Minibiografias:  

Amanda Eloína Scherer

Professora Titular de Linguística na Universidade Federal de Santa Maria, Departamento de Letras Clássicas e Linguística, Professora e pesquisadora desde março de 1982. Graduada em Letras-Francês pela UFSM (1973) e graduada em Linguística Geral pela Université de Paris VIII – Vincennes, França (1978), especialista em Língua Portuguesa pela UFSM (1980). Mestre e Doutora em Linguística, Semiótica e Comunicação pela Université de Franche-Comté, Besançon, França (CAPES 1988/1992). Pós-Doutorado na Université de Rennes 2, França (CAPES 2000). E em 2000, foi também professora convidada do Institut Universitaire de Formation de Maîtres em Mayotte (Département français d’outre mer, France). Assim como foi professora convidada, em 2012, na Université de Franche-Comté, França junto ao Centre de Recherches Interdisciplinaires e Transculturelles e, também, da Faculdad de Filosofia y Letras da Universidad de Cadiz, Espanha. Tem uma produção acadêmica reconhecida, nacional e internacionalmente, com destaque especial à publicação de artigos e de capítulos de livros.

 

Verli Petri

Professora Associada da Universidade Federal de Santa Maria, Departamento de Letras Vernáculas e Programa de Pós-Graduação em Letras. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teorias do Texto e do Discurso, atuando principalmente nos seguintes temas: análise de discurso, ensino de língua estrangeira, língua portuguesa, discurso literário, constituição do sujeito, instrumentos linguísticos e história das ideias linguísticas. Tem uma produção acadêmica reconhecida, com destaque especial à publicação de artigos e de capítulos de livros. Coordena, junto com Amanda Scherer, o CORPUS – Laboratório de Fontes de Estudos da Linguagem.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Efeitos da história e da memória no funcionamento discursivo da língua no/do Brasil

Autora:

Caroline Mallmann Schneiders – Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Cerro Largo/RS – carolletras2005@yahoo.com.br

 

Resumo:

No presente estudo, procuramos realizar uma reflexão que tem por objetivo a compreensão da memória constitutiva do discurso sobre a língua do/no Brasil no início do século XX. Tendo em vista esse interesse, selecionamos, como objeto de análise, dois importantes discursos que discutem a questão da língua no e do Brasil, a saber: A defesa da língua nacional (1920), de Laudelino Freire, e A língua do Brasil (1947), de Gladstone Chaves de Melo. Por meio dessas materialidades discursivas, interessa-nos observar a maneira como a história e a memória afetam e determinam o modo como a língua do/no Brasil é significada em determinada conjuntura sócio-histórica e ideológica. O referencial teórico que embasa essa reflexão ancora-se na perspectiva da História das Ideias Linguísticas, articulada aos pressupostos teóricos-metodológicos da Análise de Discurso de linha pecheuxtiana. Para desenvolver esse estudo, partimos do princípio de que todo discurso está situado na história e é afetado por uma exterioridade que o constitui, ou seja, consideramos o discurso em suas relações com a história, tendo como materialidade de análise a língua. Diante desse pressuposto, buscaremos compreender os efeitos de sentido que ressoam por meio dos discursos sobre a língua no/do Brasil, os quais entendemos estarem vinculados tanto ao efeito ideológico da colonização quanto ao efeito da descolonização linguística. Assim, ao observarmos as ressonâncias de significação desses discursos, compreenderemos como a história se inscreve na língua, produzindo efeitos de sentido, e, principalmente, a historicidade constitutiva dos discursos sobre a língua.

Palavras-chave: Língua; Memória; História.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras/Português-Literaturas da Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Santa Maria (2009), mestrado (2011) e doutorado (2014) em Letras – Estudos Linguísticos – pela mesma instituição. É professora de Língua Portuguesa e Linguística no curso de Letras Português e Espanhol da Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Cerro Largo. Atua principalmente em temas vinculados à História das Ideias Linguísticas e à Análise de Discurso, como: história do disciplinar e história da produção do conhecimento linguístico.


Comunicação 2

O português como língua escolar: um espaço-tempo de memória

Autora:

Mariza Vieira da Silva – Labeurb/Nudecri/UNICAMP – marizavs@uol.com.br

 

Resumo:

A instituição Escola é um espaço-tempo simbólico e político em que se constitui o sujeito cidadão brasileiro. No funcionamento de diferentes processos discursivos, fundados no repetível do bê-a-bá, impressões, sensações, lembranças, remissões às cenas enunciativas de contato e de confronto entre a oralidade e a escrita em condições históricas determinadas, materializam-se em formulações móveis distintas, dispersas, deslocadas, invertidas, opostas, contraditórias em que se encontram, sempre unidas ao longo da vida, memória e esquecimento. Formulações que produzem efeitos de sentido – simbólicos e ideológicos – em termos de identificação, pertencimento, exclusão, evidenciando a eficácia material do imaginário.

O objetivo desta comunicação, como parte de um projeto compartilhado sobre “a língua portuguesa como língua escolar” com a Profa. Dra. Cláudia Pfeiffer, é observar o funcionamento dessas representações, através de algumas análises da perspectiva teórica e metodológica da História das Ideias Linguísticas e da Análise de Discurso, tendo como corpus textos literários, tiras da “Mafalda” de autoria do cartunista Quino e blogs sobre o tema; e de discutir como o português na/da Escola, um objeto complexo de transmissão de saberes linguísticos, que se dá via instrumentos linguísticos próprios, constitui-se em um lugar de memória marcado por faltas, lacunas e equívocos, trabalhando contradições da prática científica e da prática pedagógica, possibilitando inversões/deslocamentos, reprodução/transformação de sentidos, de posições sujeito.

Palavras-chave:  Escolarização da Língua Portuguesa; sujeito cidadão brasileiro; memória; Análise de Discurso; História das Ideias Linguísticas.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (1998) e mestre também em Linguística pela Universidade de Brasília (1977). Participou de dois estágios pós-doutorais (2000 e 2008), como integrante do projeto internacional Unicamp/Paris VII/Ens-Lyon (Acordo CAPES-COFECUB), “História das Ideias Linguísticas no Brasil”, na École Normale Supérieure Lettres et Sciences Humaines em Lyon-França. Seus estudos, pesquisas e publicações têm como foco de interesse a relação entre linguagem-educação-sociedade e, mais especificamente, entre língua-sujeito-escola, sob a perspectiva teórica e metodológica da Análise de Discurso. Pesquisadora vinculada ao Laboratório de Estudos Urbanos do Núcleo de Criatividade da Universidade Estadual de Campinas.


Comunicação 3

O TRABALHO DOCENTE NO DISCURSO MIDIÁTICO: ACONTECIMENTO, HISTÓRIA E MEMÓRIA

Autores:

Maria do Socorro Aguiar de Oliveira Cavalcante  – Universidade Federal de Alagoas – mdosaoc@gmail.com

José Edson Ferreira Lima – Universidade Federal de Alagoas – edsonlimaverba@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho integra o grupo de estudos do discurso e ontologia marxiana – GEDOM da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Alagoas e tem por objetivo analisar discursos na mídia escrita, acerca do trabalho docente. A partir do entendimento de que o discurso é práxis humana que só pode ser compreendida a partir do entendimento das contradições sociais que possibilitam sua objetivação, buscamos desvelar as condições de produção que possibilitaram o surgimento do discurso acerca do trabalho docente, a memória que retorna produzindo efeitos de sentido que contribuem para a reprodução da visão de trabalho docente como sacerdócio, culpabilizando o professor pelo fraco desempenho das escolas públicas nos exames nacionais. Para tanto, utilizaremos os pressupostos teórico metodológicos da Análise do Discurso pecheutiana acrescendo uma interlocução com Volochínov e Lukács. A partir desses pressupostos, analisaremos as determinações ideológicas produtoras de sentido. Essa perspectiva teórica possibilita o desvelamento das contradições e embates ideológicos que determinam os efeitos de sentido que sustentam as materialidades.

Palavras-chave: trabalho docente; mídia discurso; memória.

 

Minibiografias:

Autora 1. Professora associada da Universidade Federal de Alagoas. Líder do grupo de pesquisa – Políticas públicas: história e discurso do Programa de Pós Graduação em Educação e pesquisadora do Grupo de Estudos Discurso e Ontologia e Marxista – GEDOM – Do Programa de Pós Graduação em Letras e Linguística da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Alagoas.

Autor 2. Mestrando em Letras e Linguística, pesquisador do Grupo de Estudos Discurso e Ontologia Marxista do Programa de Pós Graduação em Letras e Linguística da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Alagoas.


Comunicação 4

O entrelaçamento da memória e da história em discursos sobre si: um olhar para o gaúcho sul-rio-grandense do/no campo

Autores:

Graciele Turchetti de Oliveira Denardi – Instituto Federal Farroupilha (IFFar – São Borja) – gracielet@iffarroupilha.edu.br

Lucas Martins Flores – Instituto Federal Farroupilha (IFFar – Jaguari) – lucas.flores@iffarroupilha.edu.br

 

Resumo:

A partir de uma pesquisa realizada com sujeitos “Gaúchos” que vivem no interior do Rio Grande do Sul/ Brasil, propomos a presente comunicação que tem por objetivo tecer reflexões sobre o funcionamento da memória e da história nos discursos sobre si desses Gaúchos. Mostramos como esses conceitos, tomados discursivamente pela Análise de Discurso de linha francesa como vem sendo desenvolvida por pesquisadores brasileiros, entrelaçam-se trabalhando na língua. É no discurso que podemos observar o movimento de sentidos a partir de seus efeitos históricos sobre objetos simbólicos. É no discurso que as evidências e as contradições significam. É o lugar da falha, do equívoco, das lacunas, do repetível, da memória discursiva. A memória está, portanto, inscrita na trama dos discursos em circulação, permeável às transformações que ocorrem no tecido sócio-histórico. Dessa forma, com esse corpus – discursos de gaúchos do e no campo – a história de um povo é contada a partir de uma memória que não é singular, mas plural, coletiva, conforme a ideologia dominante naquelas condições de produção do discurso sobre si.

Palavras-chave: sujeito; memória; história; discurso; gaúcho.

 

Minibiografias:

Graciele Turchetti de Oliveira Denardi: graduação em Letras Português/Espanhol e Respectivas Literaturas pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e Missões/Santiago (2001), Especialização em Língua Espanhola pela URI, Mestrado em Letras, pela Universidade Católica de Pelotas (2006) e Doutorado em Letras pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) atuando na linha de pesquisa Língua, Sujeito e História. Atualmente é professora de língua espanhola no Instituto Federal Farroupilha (IFFar) campus São Borja, RS.

Lucas Martins Flores: Graduação em Letras, Português, Inglês e respectivas Literaturas pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões URI Santiago (2007), Especialização em Leitura, Produção, Análise, e Reescritura Textual (2008) pela URI Santiago e Mestrado em Letras pela Universidade Católica de Pelotas – UCPEL (2014). Atualmente, é professor no Instituto Federal Farroupilha – Campus Jaguari e Doutorando em Letras na Universidade Federal de Santa Maria – UFSM (2016). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Leitura em Inglês como língua estrangeira. Tem interesse por áreas que envolvam estudos da análise de discurso e suas relações sociais.


Comunicação 5

A história e a memória na/da língua portuguesa “brasileira”

Autora:

Maria Cleci Venturini – Unicentro/ PR/ Brasil e Universidade de Coimbra/PT – mariacleciventurini@gmail.com

 

Resumo:

A proposta desta comunicação é revisitar a História e a Memória na/da Língua Portuguesa, tendo em vista a língua ‘brasileira’. O enfoque sustenta-se nas diferentes nomeações e funcionamentos da língua desde a Fundação de academias Literárias e a intervenção político-linguística de Diretórios promulgados pela Corte Portuguesa, que teve como consequência o encobrimento de uma historicidade nacional, alicerçada no uso do português brasileiro e da Língua Geral, em funcionamento, apesar da colonização portuguesa. Esse foi o momento inicial do confronto entre práticas discursivas distintas e antagônicas (a dos jesuítas/índios, a dos brasileiros natos/portugueses), teve continuidade tendo em vista a língua ‘discurso’, em movimento e a historicização continuada do Brasil e da língua nacional, tendo em vista a presença de diferentes grupos de colonizadores que com suas ‘línguas’, suas culturas, suas histórias e memórias  ‘fizeram’ com a Língua Portuguesa continuasse o percurso fundador da ‘língua brasileira’. Diante desses embates/combates buscamos saber como e com que fundamentos históricos e memorialísticos se constituí a rede de filiações que sustenta a língua “brasileira”, ressoando nos/pelos discursos em torno da língua que é contraditoriamente portuguesa e brasileira e é a língua nacional brasileira. Para dar conta desse objetivo, remontamos à História da Língua Portuguesa no Brasil, buscando as memórias que sustentam a  brasilidade  da língua e a  legitimação do nome da língua como ainda e sempre “Língua Portuguesa”.

Palavras-chave: língua; história; memória; discurso; nação.

 

Minibiografia:

Maria Cleci Venturini é doutora em Letras, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e professora do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Letras, da UNICENTRO (Universidade Estadual do Paraná/Brasil). Atualmente desenvolve  Estágio Sênior, na Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra com apoio da Capes/Fundação Araucária, sob a supervisionado do professor Dr. Fernando Catroga. O estágio, em andamento, centra-se nos conceitos e funcionamentos da História e da Memória e dá continuidade a pesquisas realizadas no Laboratório de Estudos Linguísticos  – LABELL/UNICENTRO e Laboratório Corpus/UFSM.


Comunicação 6

Visualizar, ler e compreender o dicionário Priberam: divisões políticas da língua portuguesa no limiar do linguístico e do visual

Autor:

Guilherme Adorno – Unicamp-Brasil – guiadorno1@gmail.com

 

Resumo:

Faço um estudo exploratório do Dicionário Priberam de Língua Portuguesa (DPLP) no formato digital e disponibilizado no site www.priberam.pt. Trata-se de um material propício para mostrar a atualiazação do processo de gramatização do português no início do século XXI e para observar as singularidades do trabalho lexicográfico no espaço digital e no momento específico desta formação quanto à produção de saberes sobre a língua. Assim, pergunto como o dicionário Priberam afeta a divisão política da língua a partir de sua digitalização e circulação na Internet? mediante os dois recortes de análise: 1) a designação português contemporâneo e 2) as ferramentas lexicográficas digitais, em específico o funcionamento dos enunciados do Twitter incorporados em Priberam. O corpus analítico é composto por recortes de 2012, 2013 e 2014, período de exploração do material de análise. Este estudo acora-se no campo da História das Idéias Linguísticas para situar o DPLP no processo de gramatização do português, com contribuições da Semântica do Acontecimento, principalmente a partir do conceito de espaço de enunciação de Eduardo Guimarães, e da Análise de Discurso materialista. Os procedimentos de descrição levaram o dispositivo analítico ao trabalho intradiscursivo com os efeitos do visual, ou seja, a própria formulação visual como elemento importante para a compreensão do funcionamento da discursividade lexicográfica em Priberam. O conceito de composição autoral busca, então, explicitar as consequências das divisões políticas da língua materializadas no dicionário.

Palavras-chave: Composição autoral; Digital; Discurso lexicográfico; Espaço de enunciação.

 

Minibiografia:

Guilherme Adorno é pós-doutorando (pesquisador e professor) do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. Doutor em Linguística (2015) pela memsa instituição. Pesquiso nas áreas de Análise de Discurso e de História da Ideias Linguísticas, atuando principalmente em temáticas em torno de: discurso, materialismo, digital, autoria, saber linguístico, epistemologia e história da linguística, resistência e imagem.


Comunicação 7

OS EFEITOS DE SENTIDO DO FENÔMENO DA PRÓCLISE NO PORTUGUÊS DO BRASIL

Autora:

Socorro Viana de Almeida – UEA/AM – sviana05@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho ocupa-se de uma reflexão sobre a relação que existe entre Língua e Discurso e, mais especificamente, sobre as razões históricas, sociais e ideológicas que determinam mudanças linguísticas. Para tanto, investigou-se um fator exemplar, ou seja, o funcionamento dos clíticos (precisamente, os diferentes usos da próclise no português do Brasil) e seus respectivos efeitos de sentido. Essa pesquisa foi desenvolvida à luz da Teoria e Metodologia da Análise do Discurso de linha francesa. Dentre os autores que ofereceram subsídios para esta reflexão estão: Michel Pêcheux (1995), Louis Althusser (1985) Michel Foucault (1986), J. J. Courtine (1981), J. Authier (1982), Eni Orlandi (1996) e Solange Gallo (1992): Baseou-se em um corpus constituído de textos com unidade (inscritos no Discurso da Escrita) e de fragmentos (inscritos no Discurso da Oralidade), produzidos na Escola, no segundo caso, ou fora dela, no primeiro caso. Os resultados apontam para os seguintes sentidos: O uso generalizado da próclise longe de constituirse em um erro, é um fenômeno fortemente determinado no Discurso. É uma marca, uma memória discursiva afetada por um processo de apagamento, mas que emerge trazendo à tona a identidade cultural de um povo. O traço de não-normatividade do uso da próclise materializa o movimento de uma Formação Discursiva (FD1- filiada ao Discurso do colonizador) em direção à Formação discursiva (FD2 – filiada ao Discurso do colonizado). O sistema linguístico do português do Brasil é atravessado por memórias discursivas distintas, a partir das quais o sujeito se constitui. Sendo assim, o fenômeno linguístico da próclise decorre de implicações profundas de forças histórico-sociais e ideológicas, resultantes do discurso da colonização e seus desdobramentos.

Palavras-chave: Próclise; Discurso da Escrita; Discurso da Oralidade; Formação Discursiva; Filiação Histórica.

 

Minibiografia:

AUTHIER, Jacqueline. “Hétérogénéité montrée et hétérogénéité constitutive: éléments pour une approche de l’autre dans le discours”. Université de Paris VIII, nº 26, 1982. COURTINE. J. J. “Anályse du discours politique”. Em Langages, nº 62, 1981.FOUCAULT, Michel.A Arqueologia do Saber, 1986. GALLO, Solange Maria Leda. Discurso da Escrita e do Ensino, 1992. ORLANDI, Eni Pulcinelli. Interpretação; autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico, 1996. PÊCHEUX, Michel. Semântica e Discurso [1975]: Uma Crítica a Afirmação do Óbvio, 1995.


Comunicação 8

Modelos de cientificidade da gramática em disputa no Brasil no fim do século XIX : a polêmica entre Júlio Ribeiro e Augusto Freire da Silva

Autor:

José Edicarlos de Aquino – UNICAMP/Paris 3 – edicarlos_aquino@yahoo.com.br

 

Resumo:

Nos finais de 1879, o mineiro Júlio Ribeiro travou uma discussão nos jornais com o maranhense Augusto Freire da Silva. Inserir os dois gramáticos como uma página na história das polêmicas linguísticas no Brasil constitui uma primeira contribuição pretendida por nosso estudo, mostrando que essa polêmica, à diferença de outras querelas na época, é menos sobre o modo como os brasileiros falam e escrevem do que sobre a maneira como se deve falar sobre a linguagem e produzir os instrumentos linguísticos, além de que as bases científicas do estudo da linguagem e os fundamentos teóricos da gramática não aparecem como derivação de outras questões, mas constituem antes o ponto de partida e o próprio fundamento da disputa entre os dois autores. Demostrando que eles apresentavam um conhecimento aprofundado e atualizado sobre o que se produzia em matéria de estudos da linguagem na época, notamos que a natureza da linguagem articulada, o aparelho vocal, as bases científicas do estudo da linguagem, a definição, a divisão e a orientação teórica da gramática, o registro e as descrições da língua portuguesa constavam como elementos que estavam em circulação e debate no Brasil no fim do século XIX. Nos concentramos no debate sobre a orientação teórica da gramática, a partir do qual chamamos a atenção para a existência de todo um movimento gramatical importante no Maranhão a ser considerado além do eixo Rio de Janeiro-São Paulo, mostrando que, primeiro, em disputa com a gramática histórica e comparada, a gramática geral também foi modelo de cientificidade na gramatização brasileira do português na virada do século XIX para o XX, e segundo, que a própria gramática histórica e comparada é ressignificada no Brasil quanto ao seu objeto central, a mudança linguística, pela tomada em conta de fatores de ordem social, econômica, política e cultural.

Palavras-chave: Gramatização brasileira; gramática geral; gramática histórica; Júlio Ribeiro; Augusto Freire da Silva; século XIX.

 

Minibiografia:

Graduado em Letras (Licenciatura plena – português) pela Universidade de Brasília (UnB) e com um mestrado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Doutorando em linguística pela UNICAMP em co-tutela com a Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3 na área de História das Idéias Linguísticas.


Comunicação 9

 Língua e Acontecimento

Autora:

Ana Zandwais – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – zand@ufrgs.br

 

Resumo:

Este estudo tem como objetivo refletir, à luz de pressupostos da Análise do Discurso de linha francesa e de questões gramaticais e lexicográficas, sobre as relações de tensão entre a lógica das leis que regulam o funcionamento gramatical da língua Portuguesa no contexto brasileiro e a emergência de um acontecimento – o discurso de posse da Presidente Dilma Roussef, cujo teor culmina mais tarde com a instituição do dispositivo jurídico 12.605/2011, dispondo sobre a flexão de gênero em diplomas de Cursos técnicos e de Ensino Superior. Este dispositivo que vem a desestabilizar o universo de sistematicidades constitutivo da memória lingüístico-discursiva dos falantes torna-se não somente pivô de controvérsias entre lingüistas, filólogos e o governo, mas afeta as condições de compreensão de uma lógica capaz de sustentar a lei. Com base, portanto, em uma retomada do acontecimento, desencadeado por questões de ordem política e os impasses de grande dimensão que vem a gerar nos espaços escolares e na mídia, sem um debate prévio com especialistas e docentes de Português, intervindo na realidade de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa é que buscamos compreender como as relações entre o acontecimento da intervenção, o discurso de posse da Presidente Dilma Roussef e o ‘novo modo’ de funcionamento do gênero das palavras, instituído pelo viés jurídico, nos remetem para a necessidade de buscar relações transversas entre a lógica formal da língua e as questões históricas que se impõem para sustentar as condições de transformação das leis que regulam o estatuto da formação da noção de gênero no Brasil.

Palavras-chave : Língua; Acontecimento; Gênero; História.

 

Minibiografia:

Professora Titular do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Docente das disciplinas de Semântica Frasal e Textual e de Semântica do Texto no Curso de Graduação e da Disciplina ‘Tópicos em Análise do Discurso’ no Curso de Pós-Graduação –Stricto Sensu. Coordenadora do Projeto de Pesquisa ’História das Idéias: diálogos entre linguagem, cultura e sociedade”. Membro do Comitê Editorial da Revista Conexão Letras – Programa de Pós-Graduação.


Comunicação 10

As marcas de identidade linguística e cultural moçambicanas em “Virgem Margarida” de Licínio Azevedo

Autor:

Alexandre António Timbane – Universidade Federal de Goiás – UFG – alextimbana@gmail.com

 

Resumo:

O Português de Moçambique (PM) tende a se afirmar, resultado de variáveis sociais e linguísticas que exercem força na variedade. O povo tem uma identidade própria que se expressa pela mediação das linguagens, sobretudo da linguagem verbal (ANTUNES, 2009). A diversidade linguística que Moçambique tem, denuncia a diversidade cultural do povo moçambicano. Na perspectiva de Lyons (1987) a cultura é o conhecimento adquirido socialmente e esse conhecimento que fica impregnada na língua. A pesquisa analisa aspetos da identidade linguístico e cultural em contexto moçambicano, problematizando da seguinte forma: quais as marcas linguísticas, culturais e históricas que diferenciam o PM das outras variedades da lusofonia? Avançou-se a hipótese de que o filme aponta as marcas do PM e a tradição vs cultura que é diferente dos outros lusófonos e a variação linguística é uma marca identitária da cultura. O objetivo foi de analisar as marcas linguísticas e culturais; identificar moçambicanismos e explicar o seu sentido semântico. A pesquisa utilizou o filme “Virgem Margarida”, de Azevedo (2012) como corpus de análise. Concluiu-se que a cultura é instável e dinâmica, então, a língua segue os mesmos passos mudando e variando ao longo do tempo e no espaço. Se fenômeno variação e mudança não ocorresse no espaço lusófono estaríamos falando latim ou galego. As políticas pós-coloniais prejudicaram a cultura e as identidades havendo necessidade de uma reflexão sobre as políticas públicas que possam ser adotadas para uma formação dos jovens. Os moçambicanismos são frequentes e o léxico é o mais notável em todo filme. A cultura é tão sensível quanto a língua. Ambos devem se respeitadas por toda a comunidade incluindo dos políticos. O Português de Moçambique é uma realidade em Moçambique e assim, há necessidade urgente da criação de dicionários e gramáticas que descrevem a variedade.

Palavras-chave: Identidade; Cultura; Língua; Cinema.

 

Minibiografia:

Pós-Doutor em Estudos Ortográficos pela UNESP (2015), Pós-Doutor em Linguística Forense pela UFSC (2014), Doutor em Linguística e Língua Portuguesa (2013) pela UNESP, Mestre em Linguística e Literatura moçambicana (2009) pela Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique (UEM). Professor e Pesquisador Visitante Estrangeiro na UFG/RC, Brasil e membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em História do Português no PMEL.


Comunicação 11

Reflexões sobre língua e história no sul do Brasil

Autoras:

Amanda Eloína Scherer – Laboratório Corpus/UFSM – amanda.scherer@gmail.com

Verli Petri – Laboratório Corpus/UFSM –  verli.petri72@gmail.com

 

Resumo:

Nos últimos anos temos estudado diferentes materialidades que nos propiciem refletir sobre a constituição da língua e da história no e do sul do Brasil, na perspectiva teórica da Análise de Discurso e da História das Ideias Linguísticas. Dentre as materialidades disponíveis, escolhemos, para esta apresentação, a constituição e circulação de saberes linguísticos (tratam da língua) em periódicos que não foram pensados especificamente para constituírem saberes sobre a língua, como é o caso, por exemplo, da Revista Trimensal do Instituito Histórico e Geográphico do Brazil, da Revista Trimensal do Instituto Histórico e Geográfico da Província de São Pedro , e da Revista Província de São Pedro. Tais instrumentos justifica-se por configurarem-se como exemplos de espaço para divulgação dos estudos linguísticos produzidos no Brasil e, mais especificamente, ao sul do país, no século XIX e no século XX. Nas três revistas, o saber sobre a língua é comumente tratado pelo viés do historiador, do antropólogo, do etnólogo, do literato, de escritores. Mas todos eles, sem exceção, ajudaram a construir e a constituir, a nosso ver, o imaginário que insiste em permanecer no simbólico de muitos daqui de que seríamos diferentes em relação ao resto do país, ou seja, o fato de sermos, antes de qualquer coisa, “gaúcho”, fazendo parte de um nacional, mas, ao mesmo tempo, marcadamente, constituídos pelo fronteiriço que isso comporta. A maioria desses estudiosos de e sobre o gaúcho encaminham seus trabalhos para as identificações fronteiriças que não estão marcadas inicialmente pelo nacional, mas, sobretudo, são assinaladas pelas relações com os países platinos. Para essa reflexão partimos da premissa de que o político está sempre em funcionamento, reconfigurando fronteiras e realocando lugares aos sujeitos que falam a língua.

Palavras-chave: língua; história; gaúcho; fronteira.

 

Minibiografias:

Amanda Eloína Scherer: Professora Titular de Linguística na Universidade Federal de Santa Maria, Departamento de Letras Clássicas e Linguística, Professora e pesquisadora desde março de 1982. Pós-Doutorado na Université de Rennes 2, França (CAPES 2000). E em 2000, foi também professora convidada do Institut Universitaire de Formation de Maîtres em Mayotte (Département français d’outre mer, France). Coordena o Laboratório de fontes de estudos da linguagem – CORPUS.

Verli Petri: Professora Associada da Universidade Federal de Santa Maria, Departamento de Letras Vernáculas e Programa de Pós-Graduação em Letras, Professora e Pesqusiadora desde março de 1998. Pós-Doutorado na Unicamp (Sao Paulo), em 2011. Coordena, junto com Amanda Scherer, o CORPUS – Laboratório de Fontes de Estudos da Linguagem.


Comunicação 12

Para uma arqueologia  do (anti)purismo linguístico

Autores:

Antônio Ponciano Bezerra – Universidade Federal de Sergipe – ponbez@bol.com.br

Maria Leônia Costa Garcia Carvalho – Universidade Federal de Sergipe – leoniagraciacostacarvalho@gmail.com

 

Resumo:

A errância do homem à procura da “pureza” perdida tornou-se tema de muitas lendas e mitos. A bíblia sagrada nos lega o mito do paraíso adâmico, o Jardim do Éden, na história judaico-cristã. Nesse espaço divino, instala-se a proibição. Adão e Eva poderiam comer de todos os frutos da árvore do bem, exceto os frutos da árvore do mal. Essa exclusão provoca a primeira punição que o ser humano experimenta. Ao longo da história bíblica, a proibição e a ordenança divinas produziram outros significados: o reconhecimento do que é certo ou errado, o que é o direito e o dever, o que é bom e o que é o mau. Os valores desse reconhecimento se tornam aprendizagem. Esta comunicação procura discutir as condutas ou opções desviantes a partir da noção matricial de pureza, como um resíduo derivado de uma ordem única e primordial maculada pela desobediência da espécie humana. A versão hebraico-cristã da imperfeição humana daí decorrente instala a busca messiânica de um ideal que se viu contaminado de impurezas que agridem das ações aos atos e objetos humanos. Desse modo, torna-se possível refletir que a transgressão de leis ou de normas se ancora na dicotomia obediência/desobediência de que resultam pureza/impureza, pecado/punição, certo/errado, normal/anormal, pedrão/desvio, entre outros pares. As formas verbais em hebraico e em grego, respectivamente, “hhata’ e ‘hamartano’ significam “errar”, no sentido mesmo de ‘errar ou não alcançar um alvo, um ideal ou um padrão”. O episódio da punição de Babel demonstra o ponto a partir do qual se inscreve uma transgressão linguística e as línguas passam a digladiar-se numa busca da ancestralidade de uma suposta pureza da linguagem e dos idiomas. Umberto Eco e Walter Benjamin são as referências de base para a produção deste artigo.

Palavras-chave: linguagem; língua; história; norma linguística; purismo.

 

Minibiografias:

Autor 1: Antônio Ponciano Bezerra é doutor em Letras – Universidade de São Paulo/USP. Professor de graduação e de pós-graduação em Letras/UFS.

Autora 2: Maria Leônia Costa Garcia Carvalho é doutora em Línguística/Universidade Federal de Alagoas. Professora de graduação e pós-graduação, na Universidade Federal de Sergipe.


Comunicação 13

O museu e a ‘chama da língua’ em discussão

Autoras:

Suhaila da Silva Mehanna – PPGL/UNICENTRO/PR/Brasil – su_mehanna@hotmail.com

Maria Cleci Venturini – Unicentro/PR/Brasil e Faculdade de Letras- UC/Coimbra/PT – mariacleciventurini@gmail.com

 

Resumo:

Objetivamos, nessa comunicação, sublinhar o museu como lugar que ‘guarda’ memórias, centrando-se no passado, interpretado pelo presente e encaminha para um devir. Com isso, colocamos em suspenso o “museu” como o  lugar da língua.  Essa problematização deve-se a um dos focos/funcionamentos do museu que é o de ser o lugar do ‘já vivido’ e do ‘já significado’, ligado a instituições, responsáveis pelo ‘gerenciamento’ e pela interpretação/significação do objeto histórico.  A nossa filiação à Análise de Discurso, como instância da interpretação, demandando desnaturalizar o Museu, especialmente, o ‘museu da língua’, fazendo eco ao questionamento “a língua tem museu?” e à afirmação “a língua que nos une é a língua que nos separa”. Esses efeitos de sentidos ressoam pelo documentário “A chama da língua”, que faz parte da “A Língua tem Museu E-ladis USP, Ribeirão Preto”, inscrito no projeto “Museu vivo da Língua Portuguesa”, coordenado por Lucília Maria Abrahão Sousa. No documentário, vozes anônimas e de pesquisadores conhecidos, ‘falam’ da língua e da relação língua/museu, a partir de diferentes posições-sujeitos, interferindo na concepção de língua, tendo em vista as correntes linguísticas que sustentam/ancoram os campos disciplinares a que os pesquisadores se filiam. Entre essas vozes, ressoa a voz do sujeito que questiona a língua no museu e esse é o centro dessa comunicação. Essa ‘voz’ dissonante faz com perguntemos pela língua que esteve/está, no museu e que sublinhemos a instância da língua por um real que é da língua e por um real que é da história e que abre para o simbólico, para sentidos outros, para transformações. A questão que nos mobiliza e impulsiona é: Como a língua sempre em movimento e em transformação, “conforma-se” a sujeitos e a ideologias e cabe no museu?

Palavras-chave: língua; história; memória; discurso; museu.

 

Minibiografia:

Autora 1: Suhaila da Silva Mehanna é mestranda em Letras, pela Universidade Estadual do Centro Oeste do Paraná (UNICENTRO) – área de concentração – Interfaces entre Língua e Literatura, sob a orientação da Profª Drª Maria Cleci Venturini, e tem como objeto de estudo a língua no museu. Atualmente é professora efetiva na Rede Estadual de Ensino do Paraná – vinculada a Secretaria de Estado da Educação.

Autora 2: Maria Cleci Venturini é doutora em Letras, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e professora do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Letras, da UNICENTRO (Universidade Estadual do Paraná/Brasil). Atualmente desenvolve  Estágio Sênior, na Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra com apoio da Capes/Fundação Araucária, sob a supervisionado do professor Dr. Fernando Catroga. O estágio, em andamento, centra-se nos conceitos e funcionamentos da História e da Memória e dá continuidade a pesquisas realizadas no Laboratório de Estudos Linguísticos  – LABELL/UNICENTRO e Laboratório Corpus/UFSM.


Comunicação 14

A língua portuguesa como língua escolar no Brasil – processos de institucionalização

 

Autora:

Claudia Pfeiffer – Labeurb/Nudecri/UNICAMP – claupfe@gmail.com

 

Resumo:

Apresentaremos proposta programática de reflexão sobre a institucionalização da língua portuguesa enquanto língua escolar no Brasil realizada em conjunto com a Profa. Dra. Mariza Vieira da Silva. Nesta proposta, pressupomos o fato discursivo de que, no Brasil,  língua nacional, língua oficial, língua materna e língua portuguesa funcionam, imaginariamente, como designações intercambiáveis; e, por isso, é preciso atravessar esta evidência e considerar os modos de construção do objeto de ensino escolar ao se ensinar a ler e escrever. Nossa proposta procura instalar, para fazer ver o heterogêneo, o disperso, a luta pelos sentidos, como diz Pêcheux/T. Herbert (1966: 202), “uma escuta social munida de instrumentos científicos”. Isso porque no espaço escolar, as relações entre línguas, além de se darem enquanto relações de sentido e de força, também comparecem, enquanto efeito imaginário, como se houvesse uma única e homogênea língua. Quase invariavelmente, poderíamos dizer, o discurso sobre a língua – sustentado pelo saber e pelas instituições e que ganha corpo enquanto discurso especializado e enquanto discurso cotidiano – normatiza e regula a língua e nossa relação com ela, naturalizando e evidenciando sua homogeneidade e produzindo o efeito de desvio, de falta de capacidade de estar condizentemente na língua, fazendo ouvir ruídos. Por isso, nossa proposta é a de compreender como aquilo que é considerado como uma mesma língua, efeito imaginário, – a língua portuguesa do Brasil – produz, ao longo da história, funcionamentos linguísticos, processos discursivos antagônicos. Isso a partir de análises do discurso pedagógico em sua relação constitutiva com a história da produção de conhecimentos sobre as línguas do Brasil, colocando em movimento a contradição que atravessa as teorias dominantes em momentos históricos dados e as desigualdades próprias de um país colonizado e escravocrata.

Palavras-chave: Análise de Discurso; História das deias Linguísticas; Língua Portuguesa; Língua Escolar; Política de Línguas.

 

Minibiografia:

Bacharel em Linguística (1991), concluiu seu mestrado e doutorado em Linguística na Universidade Estadual de Campinas, respectivamente, nos anos de 1995 e 2000. Desde 1996, exerce suas atividades científico-acadêmicas no Laboratório de Estudos Urbanos (LABEURB/NUDECRI/UNICAMP), na carreira de Pesquisador. É professor pleno, na área da história das ideias linguísticas, do programa de pós-graduação em Linguística, no IEL/Unicamp. Especializada em Análise de Discurso, atua, principalmente, nas seguintes linhas: saber urbano e linguagem, políticas públicas, história das ideias linguísticas, divulgação científica.


Comunicação 15

As línguas no site da UNESCO: movimentos de (des)legitimação, inclusões e exclusão do português

Autora:

Claudia Freitas Reis – IFSP-Araraquara – claufreitasreis@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho é parte dos resultados de minha pesquisa no percurso do doutorado, quando nos dedicamos ao estudo do sentido da palavra língua em textos apresentados no site da UNESCO (Reis, 2015). Apresentaremos, neste simpósio, uma análise que problematiza a forma como se produz, pela interface e pelos textos presentes no material em questão a forma como a distribuição e funcionamento das línguas no site movimenta a inclusão e exclusão das línguas neste espaço enunciativo, bem como a relação entre o que é proposto pela UNESCO em termos de políticas linguísticas e a contradição, perante tal proposta, do funcionamento das línguas no site. O estudo também permitirá a observação do português na relação com as línguas oficiais da instituição diante da tradução dos conteúdos do site e dos documentos produzidos pela instituição e de como isso pode legitimar e significar as línguas.  A análise proposta está embasada nos preceitos da Semântica do Acontecimento, proposta por Guimarães (2002) em diálogo com as questões propostas pela Análise do Discurso na linha do que propõem Pêcheux e Orlandi. Também apresenta relação à História da Ideias Linguísticas na medida em que produz conhecimento em torno do sentido da língua portuguesa e das línguas, de uma maneira mais ampla, na relação com a UNESCO.

Palavras-chave: língua; língua portuguesa; semântica; enunciação.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística pelo Programa de Pós Graduação em Linguística (CAPES 7) do Instituto de Estudos da Linguagem na Unicamp (2015). Possui Mestrado em Linguística (CAPES 7) pela mesma universidade (2010). É licenciada em português e espanhol pela Universidade Federal de São Carlos (2008). Possui experiência na área de Lingüística, com ênfase em Semântica Histórica da Enunciação e Semântica do Acontecimento, Análise do Discurso de linha francesa, História das Ideias Linguísticas e na área de Linguística Aplicada ao Ensino de Espanhol como língua estrangeira. Professora do quadro efetivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – campus Araraquara.


Comunicação 16

História e memória no processo de aquisição de língua portuguesa: a discursividade do reforço escolar e o uso das TICs

Autora:

Maristela Cury Sarian – Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT –

maristelasarian@unemat.br

 

Resumo:

Este trabalho se inscreve na perspectiva da Análise de Discurso de M. Pêcheux e E. Orlandi, na relação com a História das Ideias Linguística. Pretende dar visibilidade a reflexões acerca do ensino de língua portuguesa na escola, mediado pelas chamadas novas tecnologias da informação e da comunicação (TICs, doravante). Para esta apresentação, colocaremos em evidência resultados de uma pesquisa sobre a discursividade do reforço escolar a partir da análise de uma atividade denominada “Uso de laptop no reforço escolar”, considerada como realizada, em 2010, com alunos não alfabetizados do 5º ano, em uma das escolas participantes do Programa Um Computador por Aluno – PROUCA -, disponível na página do Programa na internet. O PROUCA é parte de uma política mais ampla de ensino, filiado ao Programa Informática na Educação (PROINFO), do governo federal. É discursivizado como tendo por objetivo levar laptops educacionais para as salas de aulas de escolas públicas de ensino fundamental no país, visando à melhoria do ensino-aprendizagem, à inclusão digital e à inserção do sujeito na cadeia produtiva. Para dar visibilidade a nosso gesto interpretativo, por meio do qual nos interessa compreender como o Programa significa o processo de aquisição de língua portuguesa para sujeitos não alfabetizados, daremos visibilidade às filiações de sentido que as nomeações reforço escolar e recuperação paralela, ancoradas na Lei de Diretrizes e Bases de 1971 e 1996, produzem nessa atividade para os sujeitos da escolarização. Colocaremos em evidência o modo pelo qual esse sujeito é individualizado nessa discursividade e, para tanto, daremos relevo à história e à memória da alfabetização em nossa formação social, pois produzem efeitos na entrada e na circulação da língua portuguesa na escola e se atualizam na tensão língua imaginária e língua fluida nessa política dita de inclusão na contemporaneidade, com a entrada das TICs na sala de aula.

Palavras-chave: ensino; língua portuguesa; alfabetização; reforço; inclusão digital.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras – Tradutor pela Universidade Estadual Paulista – UNESP, câmpus de São José do Rio Preto. Mestre em Estudos Linguísticos pela mesma Universidade e Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Professora de Língua Portuguesa da Faculdade de Educação e Linguagem (FAEL) da Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT. Vice-coordenadora do Programa de Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS – Unidade de Cáceres.


Comunicação 17

O imaginário de língua e a língua imaginária em circulação na mídia impressa brasileira no final do século XIX e início do século XX

Autora:

Thaís de Araujo da Costa – UFF – araujo_thais@yahoo.com.br

 

Resumo:

O final do século XIX foi um momento significativo para o Brasil em relação à produção de conhecimento sobre a língua. Data dessa época, conforme Orlandi (2002), em decorrência do deslocamento do lugar de produção do saber gramatical, que até então se restringia a Portugal, para o solo nacional, a instituição do lugar de autoria do gramático brasileiro. Esse é também um momento de debates, de embates intensos e polêmicos sobre/na língua no/do Brasil entre brasileiros e portugueses, mas também entre brasileiros e brasileiros (id., ibid.). É nesse período que há, na imprensa nacional, a fundação de uma prática já comum em Portugal: a publicação de colunas sobre a língua em revistas e jornais, e que dois nomes de autor que assinam seções em jornais de grande circulação se destacam, sendo apontados como precursores de tal prática: o português Cândido de Figueiredo, que também publicava na imprensa portuguesa, e o brasileiro Cândido Lago. Pode-se dizer que determinados posicionamentos de Figueiredo sobre a língua imaginária portuguesa, considerados “mal fundamentados” e “puristas”, de certo modo, contribuíram para difundir essa prática em solo nacional. Estudiosos brasileiros como Mário Barreto e Heráclito Graça, por exemplo, visando retificar os posicionamentos do filólogo português, intensificaram o debate sobre/na língua, passando eles também a publicar colunas em jornais e revistas, muitas vezes em resposta direta a Figueiredo. É com esses acontecimentos linguísticos (Orlandi, 2002; Zoppi-Fontana, 2009) que surgem, ainda que de forma incipiente, as primeiras reflexões teóricas acerca da língua no/do Brasil, nas quais, conforme nossas análises têm demonstrado, coloca-se a tensão entre posições que defendem a especificidade do português brasileiro em relação ao de Portugal e posições outras que procuram estabelecer como norma para aquela língua a gramática dos textos clássicos portugueses. Nesta apresentação, a partir da articulação entre História das Ideias Linguísticas e Análise de Discurso, propomo-nos, portanto, a refletir sobre o imaginário de língua que, na sua relação com a língua imaginária imposta em tais colunas, é colocado em circulação no final do século XIX e no início do século XX pela imprensa brasileira.

 

Minibiografia:

Thaís de Araujo da Costa é Doutora em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Membro do Laboratório Arquivos do Sujeito (LAS), investiga, a partir da articulação entre a História das Ideias Linguísticas e a Análise de Discurso, o discurso gramatical brasileiro.


Comunicação 18

A constituição de uma imagem discursiva sobre a propriedade privada no Mato Grosso: estudo de caso a partir de propagandas da colonizadora Sinop S. A.

Autoras:

Cristinne Leus Tomé – Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT

cristinne@unemat-net.br

Tânia Pitombo de Oliveira – Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT – taniapitombo@gmail.com

 

Resumo:

Este artigo tem como foco a cidade de Sinop, Mato Grosso, criada em 1972, fruto do processo colonizatório pela empresa privada Colonizadora SINOP S.A. Neste estudo de caso, o tema pesquisado foi a imagem discursiva provocada por dois recortes publicitários da Colonizadora: um da década de 70 e outro da atualidade, em que se destacam a promoção de uma nova opção de modo de vida ao seu público. Na década de 70 a propaganda destaca o conceito de ‘segurança’ para os migrantes que para lá se dirigissem com as seguintes formulações: “A Sinop traz a riqueza da terra para você” e “Na Gleba Celeste está garantido o seu futuro e de sua família também”. Em época de uma política federal, militar e ditatorial, que promovia o deslocamento populacional entre as regiões brasileiras a fim de evitar populações de desempregados, a possibilidade da conquista da terra (propriedade privada) pelas famílias passou a ser um forte chamariz da Colonizadora para atrair os novos colonos com a garantia de um futuro próspero. Já na atualidade, quando a cidade cresceu a ponto de ser considerada um polo estadual, com políticas públicas democráticas, a publicidade da Colonizadora se veste com a seguinte formulação: “Deixe o futuro te inspirar”. Neste caso, a população é instigada a se inspirar, vislumbrando um futuro ainda em aberto. Nesta reflexão sobre as duas publicidades, as análises fundamentaram-se nos trabalhos de Michel Pêcheux e Eni Orlandi, mobilizando-se noções para a compreensão da constituição dos sentidos e dos sujeitos, no batimento entre língua e história. Conclui-se que o sujeito histórico, assujeitado ideologicamente, sujeito morador de um espaço recente de colonização, está sujeito às práticas discursivas de dado momento histórico, ditatorial ou democrático, em busca de um novo real a ser constituído.

Palavras-chave: Imagem Discursiva; Sujeito histórico; publicidade; Colonizadora SINOP S.A.; Colonização Mato-grossense.

 

Minibiografias:

Tânia Pitombo de Oliveira: Mestrado e doutorado em Linguística pelo Instituto de Linguagem – IEL/UNICAMP na área da Análise de Discurso. Professora adjunta titular na Universidade do Estado de Mato Grosso (desde 1990) e membro titular do quadro docente dos programas de Pós-graduação PPGLetras – Mestrado Acadêmico em Letras e PROFLETRAS – Mestrado Profissional em Letras, UNEMAT/Sinop. Líder do Grupo de pesquisa Educação e Estudos da Linguagem (CNPQ).

Cristinne Leus Tomé: Possui Doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é professora da Universidade do Estado de Mato Grosso na Graduação e na Pós-Graduação. Coordena o projeto de pesquisa “O discurso da sustentabilidade no setor extrativista da Floresta Amazônica (DISSEFA)”. É Editora-chefe do periódico Revista Eventos Pedagógicos (REP’s).


Comunicação 19

Os censores e a tradução: as censuras das traduções para o português entre 1771 e 1800

Autor:

Claudio DeNipoti – Departamento de História, Universidade Estadual de Ponta Grossa – cnipoti@uepg.br

 

Resumo:

No período final do Antigo Regime português, o aparato censório montado no reinado de D. José I na década de 1760, e continuado até as revoluções liberais da década de 1820, foi um agente direto e fundamental na definição da regra culta do vernáculo lusitano. A atuação dos censores ao longo dessas décadas regulou os textos impressos ou que circulavam pelos domínios do Império, mas também ocorreu no sentido de corrigir, regular e definir normas de ortografia, regência, estilo literário e, particularmente, a importação de vocábulos “estrangeiros”. Fartamente documentada nos pareceres escritos pelos próprios censores, esta atuação normatizadora é especialmente visível no que diz respeito aos textos traduzidos para a língua portuguesa no período. As definições emergentes de ciência, e suas aplicações práticas resultaram em uma vasta produção editorial, particular, mas não exclusivamente, em língua francesa, e a tradução desta produção para o português teve que lidar tanto com a necessidade de erudição típica da tradução científica, quanto com a adequação de novos significados a termos existentes, ou a importação de palavras para enunciar novos conhecimentos. Coube aos censores, além de vigiar os possíveis e potenciais ataques à fé, à lei e ao rei, aprovar, e com frequência, corrigir diversas dessas traduções para que elas pudessem ser impressas e circular em língua portuguesa nos diversos domínios do império. Neste processo, os censores – em geral, homens de letras extremamente eruditos – condenavam estrangeirismos desnecessários, reprimiam usos ortográficos “antigos” ou incorretos e contribuíam discursivamente para identidades linguísticas “nacionais” ao mesmo tempo que construíam a norma culta da língua portuguesa. Este estudo busca, nas censuras das traduções os elementos discursivos que permitam compreender a função da língua em suas tramas contextuais de poder e construção de identidades.

Palavras-chave: Censura; língua portuguesa; tradução; norma culta; identidades.

 

Minibiografia:

Bacharel e licenciado em História (1990), mestre em História (1994) e doutor em História (1998) pela Universidade Federal do Paraná. Realizou estudos de pós-doutorado junto à Cátedra Jaime Cortesão, da Universidade de São Paulo (2009-2010) e estágio Sênior junto à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2015). É professor associado da Universidade Estadual de Ponta Grossa, e bolsista produtividade da Fundação Araucária.


Póster 1

As influências africanas na formação do português brasileiro: Banto uma das vertentes da língua portuguesa falada no Brasil

Autores:

Elidiane de Farías

Eronita Figueiredo Cotta de Lucena

Michelle Ribeira de Oliveira – Uniítalo – Centro Universitário Ítalo Brasileiro – michelleribeira@hotmail.com

 

Resumo:

A pesquisa apresentada é resultante do trabalho de conclusão de curso, cujo objetivo principal destina-se apresentar um breve estudo da influência das línguas africanas na formação do português brasileiro. Foi feito um retorno ao tempo para verificar como surgiram os primeiros contatos entre africanos e brasileiros para que pudéssemos constatar tal proximidade com nossa língua. O quimbundo uma das principais línguas bantas falada no Brasil foi escolhido para este estudo devido a sua maior influência ou presença nas regiões que tiveram os primeiros contatos com os negros no país. Dentre os autores utilizados destacam-se a contribuição de Fernández, Caniato, Rodrigues, Petter e Fiorin, que muitos esclarecimentos trouxeram ao tema abordado. Como procedimento de pesquisa, foi escolhida a metodologia de análise a Linguística Contrastiva ou Comparativa e a partir da leitura dos contos do livro Luuanda, de José Luandino Vieira utilizado como corpus de pesquisa por meio da análise semântica, morfológica, sintática e lexical comprovar tais influências nos resultados preliminares. Podemos concluir com este trabalho que a língua africana estudada teve influência na formação do português brasileiro e verificamos tal fato por meio de palavras presentes e utilizadas em nosso léxico até os dias atuais.

Palavras-chave: África; Quimbundo; Brasil.


Póster 2

A história de “como” na língua portuguesa: aspectos de uso e de mudança

Autora:

Luana Cardiga Bianchi – UNESP Araraquara – luana_cardiga@hotmail.com

 

Resumo:

Como é um vocábulo multifuncional originado de quomodo, forma apocopada do advérbio interrogativo latino quomo (Ernout e Meillet, 1951; Ali, 1964; Oxford, 1968; Coutinho, 1974; Faria, 1992; Nascentes, 1995 apud Barreto, 1999; Saraiva, 2000; Machado Filho, 2013), que desde os usos mais antigos, no português arcaico datado no século XIII (Houaiss, 2009), já expressava a relação de modo. Ao longo de sua trajetória, como demonstrou sua tendência à polissemia quando já na baixa latinidade passou a veicular também o sentido de causa (Ernout e Meillet, 1951). Neste trabalho, buscaremos investigar a emergência dos significados de como, particularmente as construções envolvendo os padrões causal, conformativo, comparativo e modal, – que são padrões que tendem a mostrar relações de parentesco nas línguas (Kortmann, 1997) – numa perspectiva longitudinal, com o propósito de reconhecer possíveis relações de derivação nas mudanças de significado. Para isso, adotamos alguns pressupostos teóricos da gramaticalização, especificamente aqueles que dizem respeito às alterações de significado (Heine, 2003; Heine e Kuteva, 2007; Kortmann, 1997). Nesse sentido, examinaremos as alterações semânticas tendo como base que elas são regidas por dois mecanismos diferentes, que se complementam: a metáfora e a metonímia. A metáfora consiste na transferência, em etapas discretas, de um significado de um domínio cognitivo mais concreto para um mais abstrato; e, a metonímia consiste na transição gradual e contínua de um significado a outro, por meio da reinterpretação contextual. Para tanto, utilizaremos, como corpus, textos de tipologia variada representativos dos séculos XIII ao XVI sob um viés diacrônico. Acreditamos que a diacronia permite focalizar as polissemias de como, as especializações contextuais e os estágios graduais de desenvolvimento.

Palavras-chave: história do juntor como; relações de parentesco nas línguas; mudança linguística.

 

Minibiografia:

Graduada em Licenciatura em Letras, com habilitação em Português e Espanhol, pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) de São José do Rio Preto. Atualmente, é mestranda do Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos, pela mesma universidade. Possui experiência na área de Análise Linguística, na linha de Variação e Mudança Linguística, investigando principalmente os seguintes temas: gramaticalização, junção e história.