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Simpósio 45

SIMPÓSIO 45 – DISCURSO, GRAMÁTICA E REPRESENTAÇÃO EM CONTEXTOS SOCIAIS ENLAÇADOS PELA LÍNGUA PORTUGUESA

 

Coordenadoras:

Denize Elena Garcia da Silva | Universidade de Brasília (UnB) – Brasil | denizelena@gmail.com

Maria Gorete Costa Marques | Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria            – Portugal | gorete.marques@ipleiria.pt

 

Resumo:

A proposta tem como objetivo abrir espaço para a apresentação e discussão de trabalhos de pesquisa que sinalizam a distância histórica e geográfica de contextos de cultura diferentes, mas capazes de refletir a “união na diversidade”, onde se encontram incrustadas representações sociais que podem ser identificadas, de modo específico, na voz da midia escrita, bem como no silêncio dos excluídos. Trata-se de um simpósio que abre portas para a tríade: discurso, gramática e representação em contextos sociais enlaçados pela língua portuguesa, a partir do pressuposto de que o discurso constrói a sociedade, é construído por ela e, com base nele, se constroem identidades e relações sociais dos participantes discursivos. Na dimensão discursiva, propomos a conjugaçao dos estudos críticos do discurso, desenvolvidos por Fairclough (2001, 2003, 2010), com as formas de representação de atores sociais sugeridas por van Leeuwen (1997, 2009). Trata-se de duas vertentes de análise linguístico-discursiva, respaldadas nas bases sistêmico-funcionais da linguagem propostas por Halliday (1994) e ampliadas em Halliday e Mathiessen (2004, 2010). A Linguística Sistêmico-Funcional (LSF), voltada para o foco social, permite mostrar como as funções sociais determinam a linguagem. Trata-se de uma teoria não apenas extrínseca, mas também intrínseca, uma vez que a investigação da estrutura linguística (interioridade) revela as necessidades a que a linguagem serve (exterioridade). Subjaz, assim, à proposta do simpósio a intenção de discutir o aspecto multifuncional da linguagem, com base em dados empíricos de variedades do português, congregando-se pesquisas que aproximem discurso (exterioridade) e gramática (interioridade) como forma de contribuir para a conscientização da opinião pública, sobretudo, em países de língua portuguesa, uma vez que determinados tipos de registro dialogal, veiculados na mídia impressa, sugerem um padrão social responsável pela manutenção de práticas naturalizadas de representações discursivas discriminatórias.

 

Palavras-chave: discurso, gramática, representação, mídia e atores sociais.

 

Minibiografias: 

Denize Elena Garcia da Silva

Professora Colaboradora Plena junto ao Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Brasília (UnB), onde atua como docente e orientadora em pesquisas voltadas para Análise de Discurso Crítica (ADC) e Linguística Sistêmico-Funcional (LSF). Entre suas publicações, destaca-se a obra de 2009, Percursos filológicos nas trilhas das línguas românicas e, no prelo, o capítulo “Discurso racista como meio de interdição à educação: nas trilhas da mídia impressa”, em co-autoria com Fernando Oliveira.

 

Maria Gorete Costa Marques

Doutora em Linguística (Especialização Linguística Aplicada) pela Universidade de Lisboa, é investigadora no Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada (CELGA)/ILTEC e Professora Adjunta do Instituto Politécnico de Leiria. Desenvolve atualmente investigação na área do discurso empresarial e do discurso multimodal da marca, tendo como enquadramento teórico a Linguística Sistémico-Funcional e a Semiótica Social.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

As Cotas e as Fronteiras na Universidade Pública –Representações discursivas em textos midiáticos

Autora:

Gissele Alves –  Universidade de Brasília – gialves.unb@gmail.com

 

Resumo:

Esta proposta de artigo  tem como foco um trabalho de investigação sobre  as representações discursivas atualizadas em textos da mídia acerca das cotas sociais para as universidades federais, mais especificamente, sobre o cumprimento da meta instituída  para 2016 pela “Lei das Cotas”, a Lei 12.711/2012,  que determina às instituições  federais de ensino superior que reservem, no mínimo 50% de suas vagas para jovens que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas, a fim de desvelar  discursos que naturalizam a desigualdade social e reforçam suas fronteiras como também discursos de resistência às barreiras e aos constrangimento de acesso aos bens simbólicos e materiais, sobretudo, à universidade pública no Brasil. Para tanto, nortear-me-ei pelo arcabouço teórico-metodológico da Análise de Discurso Crítica de Fairclough (1992; 2003) e de Chouliaraki e Fairclough (1999) – colocado em diálogo com as discussões sobre Identidade, Diferença, Pós-Modernidade, Educação, Pensamento Pós-Abissal de autores como Bauman (2005,2013), Boaventura Santos (2002, 2011), Coroa (2005, 2012), Dias (2015), Giddens (2002), Giroux (2011), Thompson (1990). Destarte, a constituição do corpus e a geração de dados dar-se-á pela compilação de textos midiáticos, veiculados na internet, cujo tema tenha relação com sistema de cotas na UnB, de janeiro a setembro de 2016, período de implementação da meta integral da Lei das Cotas, fato que promove relevante transformação na configuração do corpo discente das universidades federais. Essa nova configuração dos discentes na universidadepotencializa conflitos e disputas por recursos simbólicos e materiais e intensifica o estabelecimento de fronteiras discursivamente estruturadas entre os estudantes a impactar a construção da identidade e a marcação da diferença no espaço da academia.

Palavras-chave: Sistema de cotas; representações discursivas; pós-modernidade; pensamento pós-abissal; mídia.

 

Minibiografia:

Gissele Alves é doutoranda em Linguística pela Universidade de Brasília/UnB – Brasil; mestre em Linguística também pela Universidade de Brasília/UnB. É Professora do Instituto Federal de Brasília/IFB – Brasil e membro do Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da Universidade de Brasília – NELIS/CEAM/UnB.Pesquisa em Análise de Discurso Crítica com foco em construções identitárias, representações discursivas, discursos do letramento e juventude.


Comunicação 2

O discurso e suas transformações no ambiente digital- Uma proposta de análise dos memes

Autores:

Rafael Seixas de Amoêdo – Universidade do Estado do Amazonas- UEA/BRASIL – rsda.let@uea.edu.br

Neiva Maria Machado Soares – Universidade do Estado do Amazonas – UEA/BRASIL- nemsoa@hotmail.com

 

Resumo:

Compreender o perfil dos discursos contemporâneos é o ponto inicial para entender as suas transformações e também da própria sociedade. Este estudo visa analisar “novos gêneros” do ambiente digital, o apoio teórico concentra-se, inicialmente, na Linguística Sistêmico- Funcional de Halliday (1985, 2004), Análise do Discurso Crítica de Fairclough (1992, 2003) bem como na Teoria da Multimodalidade de Kress e van Leeuwen (1996, 2006), discursos que compreendem mais de um modo semiótico em sua composição. Entendemos que as múltiplas formas de linguagem no fulcro do avanço tecnológico resultaram no surgimento de diferentes gêneros que se popularizaram no ambiente das redes sociais. Este recorte analítico se detém nos memes, proposto como um replicador de informações ou a própria informação (com)partilhada,  um conceito de imagem ou vídeo que se espalha via Internet, até o ponto de “viralizar” nas redes sociais. Selecionamos dois textos e analisamos o discurso como elemento de práticas sociais figurando assim em diferentes modos de ‘ação’ (o gênero), modos de representação (o discurso) e ‘estilos’ (modos de ser), remetendo-se as metafunções hallidayanas: ideacional (compreender o meio), interpessoal (estabelecer relações com sujeitos) e textual (organização da informação). Como ponto factual, temos o caso da morte da onça Juma, junho 2016, na passagem da Tocha Olímpica (Manaus-AM), em que o animal teria reagido “agressivamente” e morta horas depois, o caso foi noticiado no Brasil e no Mundo e provocou polêmicas nas redes sociais. A análise revelou quanto ao gênero meme uma acentuada intertextualidade entre os textos; quanto ao discurso além de identificarmos que as mídias traduzem desejos e ideologias que poderiam ser mais difíceis de serem manifestos em tempos em que não dispúnhamos dessas ferramentas, por fim quanto ao estilo, os atores que detém o poder, que antes concentravam-se nas grandes mídias jornalísticas, podem estar inseridos em vários contextos e camadas sociais.

Palavras-chave: Discurso; memes; mídias sociais; poder.

 

Minibiografias:

Rafael Seixas de Amoêdo  é aluno de graduação do curso de Letras- Língua e Literatura Portuguesa da Universidade do Estado do Amazonas (AM), Brasil. Membro do grupo de pesquisas em Análise do Discurso Crítica (ADC) e Multimodalidade. Faz parte do Programa de Amparo a Iniciação Científica (PAIC) financiada pela Fundação de Amparo a Pesquisa no Amazonas (FAPEAM).

Neiva Maria Machado Soares possui doutorado em Linguística pela Universidade de Brasília. Professora adjunta da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Tem experiência na área da Linguística, com ênfase em Gêneros discursivos e Análise do Discurso Crítica, atuando principalmente nos seguintes temas: Produção Textual, Semântica, ADC, Linguística Sistêmico- Funcional e Multimodalidade. Líder do Grupo de Pesquisa: Múltiplas Linguagens, Semiótica e Discurso na Contemporaneidade (SDisCon).


Comunicação 3

A representação dos atores sociais no livro didático

Autora:

Fabiana Aparecida de Assis – Universidade de Brasília – fabianaibiapina1@gmail.com

 

Resumo:

A reflexão sobre o livro didático é um tema de grande relevância no Brasil visto que se trata de um importante instrumento de estudo e pesquisa para os alunos, senão o único, em inúmeras escolas da federação. Assim, baseado em uma triangulação teórica, o contexto de investigação deste projeto ancora-se nos pressupostos da Análise de Discurso Crítica (Fairclough, 1995, 2001, 2003); da Linguística Sistêmico Funcional (Halliday e Matthiessen, 2004, 2014) e da Teoria de Representação dos Atores Sociais (van Leeuwen, 1997; 2008), a fim de analisar o uso de categorias relacionadas a modo e resíduo, utilizadas por um autor de livro didático de Geografia do 9º ano do ensino fundamental. Tais categorias de análise constituem a metafunção interpessoal, que enfoca como as relações sociais são representadas por meio da linguagem, ou seja, como ela materializa a forma como essas relações se realizam, como falantes/escritores e ouvintes/leitores interagem, como são feitas propostas (trocas de bens ou serviços) e proposições (trocas de informações). Como resultados preliminares, observou-se uma relação de poder entre o produtor do livro e o leitor, pois informações são ofertadas aos leitores dos textos e tarefas são demandadas. Mas essa relação é desigual, visto que o leitor não pode questionar informações junto ao autor do livro.

Palavras-chave: Análise de Discurso Crítica; Linguística Sistêmico Funcional; Teoria de Representação dos Atores Sociais; livro didático.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras Português-Espanhol pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), especialista em Psicopedagogia e mestranda no Programa de Pós-Graduação em Linguística do Instituto de Letras da Universidade de Brasília – UnB. Já atuou em diversas instituições de ensino particular, em modalidades de ensino presencial e à distância, como Professora de Língua Portuguesa, Língua estrangeira e orientação de pesquisa. É professora de Língua Portuguesa e de Língua Espanhola da Secretaria de Educação do Distrito Federal desde 1994 e professora de Leitura e Produção de Texto em Instituição de Ensino Superior, em Brasília.


Comunicação 4

Refugiados no Brasil: Identidades sociais  representadas  por práticas discursivas silenciadas

Autoras:

Eni Abadia Batista – UnB – eniabatista.unb@gmail

Francisca Cordélia de Oliveira da Silva – UnB- cordelia.prof@gmail.com

 

Resumo:

O refúgio é um direito dos estrangeiros garantido pela Convenção de 1951 estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, a política brasileira para o acolhimento de refugiados avança nas últimas décadas, após a Lei 9.474, de 22 de julho de 1997 que institui normas aplicáveis aos solicitantes de refúgio e criou o CONARE, Comitê Nacional para Refugiados. Desvelar os sentidos das representações linguístico-discursivas que permeiam os discursos de natureza política para refugiados no Brasil configura o objetivo central  desta proposta. Para tanto, busca-se analisar a relação entre o discurso e o poder nas representações linguístico-discursivas da  política brasileira de acolhimento  dos refugiados. Com base em Fairclough (2003, 2010), van Leeuwen (1997) e Kress (2010), a pesquisa analisa representações semióticas que contribuem para construir pressupostos nos discursos dos acolhidos e nos discursos da esfera pública do país como acolhedor. Para subsidiar a dimensão social da linguagem, a análise respalda–se na Linguística Sistêmico-Funcional (LSF), ancorada em Halliday (1994), ampliada em Halliday e Mathiessen (2004). Os passos teórico-metodológicos encontram-se balizados por uma  metodologia qualitativa (descritiva e interpretativa), uma vez que a análise privilegia  dados documentais de natureza etnográfica (BAUER & GASKELL, 2011). O corpus envolve documentos publicados no site da ONU e bem como textos midiáticos multimodais recentes, o que permite tecer um paralelo comparativo e apontar paradoxos na (des)construção de identidades frente às barreiras erguidas  por poderes hegemônicos do mundo atual. Os documentos analisados permitem desvelar relações de poder e ideologias construídas em discursos políticos sob a forma de organização das sociedades democratizadas e, consequentemente, práticas e relações sociais que excluem os refugiados. Os primeiros resultados sugerem que as representações linguístico-discursivas, que caracterizam o dilema dos refugiados, (des) constroem não somente suas vidas, mas, sobretudo, identidades sociais que submergem enfraquecidas por práticas políticas que permeiam a sociedade brasileira.

Palavras-chave: Refugiados; representações linguístico-discursivas;  identidades.

 

Minibiografias:

Eni Abadia Batista é doutora em Linguística pela Universidade de Brasília- UnB, mestre em Educação; especialista em Ensino da Língua Portuguesa; professora assistente substituta do LIP- UnB de 2015 a julho de 2016;  Professora Supervisora e tutora do Curso de Letras-EaD-UnB; pesquisadora do CEPADIC; membro  e pesquisadora da ALED e do GP “Múltiplas Linguagens, Semiótica e Discurso na Contemporaneidade – SDiscon.

Francisca Cordelia de Oliveira da Silva é doutora em Linguística; mestre em Linguística; licenciada em Letras; professora Adjunta da UnB; Coordenadora Geral do curso de Letras EaD-UnB; autora, supervisora e tutora da EaD -UnB; pesquisadora  em Análise de Discurso Crítica na graduação e na Pós-Graduação; membro do CEPADIC; do Nelis; da ALED; do GP Discursos nas Práticas Sociais & quot; e do GT Práticas Identitárias em Linguística Aplicada, afiliado à ANPOLL e da Associação Brasileira de Avaliação Educacional – Abave.


Comunicação 5

As representações sociais da escrita: as vozes de sujeitos em formação para atuação nas escolas do campo

 

Autoras:

Welessandra Aparecida Benfica- Universidade do Estado de Minas Gerais-Unidade Ibirité – welessandra.benfica@uemg.br

Maria Isabel Antunes-Rocha – Universidade Federal de Minas Gerais -isabelantunes@fae.ufmg.br

 

Resumo:

Este trabalho investigou as representações sociais sobre a escrita elaboradas por sujeitos que trabalham ou residem no campo. Estes sujeitos estão em formação para atuarem nas escolas como professores em um curso de Licenciatura em Educação do Campo. No conjunto de indagações que motivaram a pesquisa, destacaram-se questões sobre a existência de uma escrita elaborada anteriormente e que perpassava as práticas desses educandos dentro da sala de aula na Universidade. Ressalta-se que estes sujeitos estão localizados historicamente dentro de um contexto de produção da escrita permeado por práticas que emergem das suas relações de trabalho, escolares e de luta. Escreve-se na Igreja, no sindicato, em casa e na universidade. A escrita para estes sujeitos, liga-se fundamentalmente ao direito de atuação em diversos espaços e contextos. O trabalho buscou alcançar a compreensão sobre o processo de apropriação da escrita para estes sujeitos e quais são os elementos afetivos e cognitivos presentes na elaboração da escrita após a entrada na Universidade. Assim, a escrita constituída nas suas relações cotidianas, aprendida na Universidade e/ou representada por meio das vivências e experiências foram elementos de análise das narrativas, por meio do referencial teórico das Representações Sociais (Jodelet), da Análise Crítica do Discurso e dos pressupostos epistemológicos de Marx, Gramsci e Freire. Importou entender quais os desafios os alunos estão vivendo na Universidade e como os sentidos anteriores atribuídos por eles à escrita permitem negar, reelaborar, modificar ou ampliar as representações sociais sobre este objeto. Os instrumentos metodológicos escolhidos da pesquisa foram a entrevista narrativa e o questionário, associados ao software IRAMUTEQ. A análise linguístico-textual-discursiva permitiu elencar as categorias tratadas na pesquisa. Dentre as categorias da análise, ganharam centralidade, as dificuldades iniciais do contato destes sujeitos com a escrita escolar e o medo diante da escrita na Universidade.

Palavras-chave: Escrita; educação do campo; licenciatura em educação do campo; representações sociais.

 

Minibiografias:

Welessandra Aparecida Benfica é Professora da Universidade do Estado de Minas Gerais-Unidade Ibirité. Atua com a disciplina de Conteúdos e Metodologias de Língua Portuguesa I e II no curso de Pedagogia. Doutoranda em Educação pela FAE-UFMG e pesquisadora convidada do Programa Escola de Gestores da UFOP.

Maria Isabel Antunes-Rocha é Professora da Universidade Federal de Minas Gerais. Coordenadora do Comitê Gestor Institucional de Formação Inicial e Continuada dos Profissionais da Educação Básica (Comfor/UFMG), do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação do Campo (EduCampo/FaE-UFMG) e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Representações Sociais – GERES).


Comunicação 6

Educação inclusiva: a mídia e seus indicadores

Autora:

Carmem Jená M. Caetano – Universidade de Brasília – carmemjena@gmail.com

 

Resumo:

Nesta comunicação, apresentamos por meio das categorias da discursividade e da intertextualidade    e, ainda pelo sistema de transitividade seguindo a Gramática Sistêmico-Funcional (Halliday e  Matthiessen, 2004), textos da legislação educacional brasileira vinculados pela mídia com objetivo de debater a inserção de pessoas com deficiência no ensino regular, marcada pelos discursos de inclusão. A aceleração de inclusão de pessoas deficientes no sistema educacional regular no Brasil operada nas últimas décadas coloca à linguística um conjunto de questões que são simultaneamente teóricas e metodológicas na análise das desigualdades sociais no ensino de Língua Portuguesa. A preocupação aqui é também combater os discursos que hipoteticamente valorizam uma forma de ensino de língua materna como um bem em sim mesmo e que de fato vem sustentando a ideia da competição e da diferença, legitimando mecanismos sociais excludentes e exacerbando a ideologia da competitividade. Os resultados foram obtidos por meio de pesquisa documental. Nosso aparato teórico é a Análise de Discurso Crítica. (Norman Fairclough 2001, 2003, 2010) bem como com as formas de representação de atores sociais sugeridas por van Leeuwen (1997, 2009) As conclusões a que chegamos mostra-nos que a escola enquanto instituição social que regula o ensino da língua está inserida num quadro em que prevalece o modelo neoliberal de relação Estado-sociedade que tem inúmeros desafios e que não pode se eximir de refletir sobre a inclusão escolar daqueles que estão à margem da sociedade para que ela não só signifique ou assegure inclusão social das pessoas com deficiência, mas que também compreenda as possibilidades e desafios da educação dos/as alunos/as com deficiência que não se esgotam no âmbito da escola e das políticas públicas; mas que se entenda a educação como uma medicação fundamental para a constituição da vida dessas pessoas que é também um espaço de exercício de direitos e de interações significativas que sempre são mediadas pela linguagem.

Palavras-chave: Discurso; inclusão; mídia.

 

Minibiografia:

Carmem Jená Machado Caetano possui doutorado em Linguística e pós-doutoramento na mesma área. É Professora Adjunta da Universidade de Brasília – UnB, no Instituto de Letras –  IL, no Departamento de Linguística Línguas Clássica e Português – LIP,  na Pós Graduação em Linguística – PPGL. É autora dos livros Identidade e terminalidade: um estudo linguístico das práticas discursivas em uma ala de doentes terminais pela Editora CRV e Pesquisas em Análise de Discurso Crítica pela LABCOM entre outros. Também é autora de diversos artigos em periódicos nacionais e internacionais.


Comunicação 7

Práticas discursivas de jovens da periferia: um estudo do ecossistema social

 

Autora:

Sandra Rodrigues Sampaio Campêlo – Universidade de Brasília – campelo.sandra@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste estudo é identificar e descrever o ecossistema social que permeia o discurso de jovens e de sua comunidade escolar. O presente trabalho é parte de uma pesquisa que envolve jovens que vivem em comunidades periféricas, em contextos de situação de risco.A proximidade ao comércio de drogas da região expõe à vulnerabilidadejovens de baixa renda. A pesquisa pretende intervir no espaço dos adolescentes, dando-lhes empoderamento para agir junto à comunidade escolar a fim resgatar sua autoestima.  Busca-se na ecolinguística (COUTO, 2007, 2009, 2013) princípios para descrever e incentivar os jovens a assumir o seu discurso, a descobrir o seu direito à palavra falada e escrita, o que significa contribuir para o fortalecimento de suas identidades sociais e, sobretudo, tirá-lo de possíveis situações de exclusão, capacitando-o para ser agente de uma benéfica transformação social. O termo “ecossistema” apresentado por Couto (2007, 2009, 2013) confronta-se e conversa com as propostas de Halliday (2003) e, ambos permitem enfocar a interação ecológica existente entre o linguístico e o social.

Palavras-chave: Ecolinguística; jovens; pobreza.

 

Minibiografia:

Doutoranda e Mestra em linguística (UnB). Graduada em Letras pelo Centro Universitário de Brasília (1995). Especialista em Língua Portuguesa (CEUB/1998), em Educação à Distância (SENAC/2007) e em Tecnologias em Educação (PUC/RJ – 2013). Professora da Secretaria de Estado de Educação do DF desde 1993. Trabalha no Núcleo de Tecnologia Educacional na formação de professores da rede. É membro da Associação Latino-americana de Estudos do Discurso (ALED). Realiza pesquisa na linha de Discursos, Representações Sociais e Texto.


Comunicação 8

A escassez de água no Brasil e na Rússia: uma análisecomparativa do discurso por meio de entrevistas orais

Autora:

Maria Glushkova – FFLCH USP, Brasil – maria.glushkova@yahoo.com

 

Resumo:

O objetivo da apresentação é realizar uma análise comparativa discursiva das entrevistas orais como cientistas no Brasil e na Rússia, dedicadas aotema da falta de água. A entrevista neste estudo é entendida como forma de divulgaçãocientífica. Os fundamentos teórico-metodológicos dessa comparação foram construídos na confluência entre a teoria bakhtiniana e a análise comparativa de discursos, que está presente nos trabalhos dos pesquisadores do Cediscor, Université Sorbonne Nouvelle, Paris 3. A partir desses fundamentos, foi construído um corpus de enunciados das entrevistas em duas línguas: o português do Brasil e o russo. Também como foram observadas, por um lado, grandes semelhanças nos gêneros nas duas comunidades etno-linguísticas, e, por outro, diferenças no que concerne a estilística e o uso de tempos e modos verbais.

Palavras-chave: Divulgação científica; análise comparativa de discursos; estudos brasileiros; estudos russos.

 

Minibiografia:

Possui graduação e mestrado em Letras pela Universidade de São Petersburgo, Rússia (2007, 2009) e doutorado em Letras pelo Instituto Pushkin da Língua Russa, Moscou, Rússia (2013). Atualmente está fazendo o Pós-Doutorado na USP FFLCH combolsada FAPESP, desenvolvendo o projeto “O gênero entrevista oral de divulgação científica: uma análise comparativa de discursos em russo e em português”. Pesquisadora no Grupo de Pesquisa Diálogo (Universidade de São Paulo, USP).


Comunicação 9

Particípio passado: forma, função e ideologia em manchetes de jornal

 

Autores:

Dioney M. Gomes– Universidade de Brasília – dioney98@unb.br

Letícia Sallorenzo – Universidade de Brasília- leticiasallorenzo@gmail.com

 

Resumo:

O particípio pode ser identificado como uma classe à parte, nem pertencente aos verbos, nem pertencente aos nomes, situando-se em um continuum entre uma e outra. Do ponto de vista formal, há uma subdivisão entre particípios mais verbais (em tempos verbais compostos, por exemplo) e particípios mais nominais (na voz passiva, por exemplo) (cf. PERINI, 2015). As funções que esses particípios exercem, sobretudo os de natureza mais nominal, precisam ser pesquisadas, a fim de qualificar a discussão para além de uma mera identificação de suas propriedades morfossintáticas. Por exemplo, há particípio usado como elemento de comparação (“Feito eu,/ perdido em pensamentos/ sobre o meu cavalo”) (cf. NEVES, 2002). O uso do particípio que estará em foco aqui é aquele em que ele inicia uma frase: “Derrotado em São Paulo, Padilha vira coordenador” (O Globo, 08/10/14) (cf. GOMES & SALLORENZO, no prelo).Esse uso é bastante corrente em manchetes de jornal e será aqui analisado para se averiguar seu status formal, funcional e ideológico. A Linguística Funcional Centrada no Uso será o principal suporte teórico (BYBEE 2010; FURTADO DA CUNHA, BISPO & SILVA, 2013; OLIVEIRA & ROSÁRIO, 2015; TOMASELLO 1998, 2003). O percurso metodológico envolve o levantamento de manchetes do O Globo e Folha de S. Paulo nas eleições presidenciais de 2014 e o período que vai da condução coercitiva de Lula até a votação do impeachment na Câmara em 2016. As hipóteses a serem avaliadas nesses usos são: i) o particípio tem traços verbais e nominais, acionando inferências sugeridas a partir deles; ii) o uso do particípio em início de enunciados é um tipo de topicalização, o queaciona um jogo de (inter)subjetivação (TRAUGOTT & DASHER, 2002); iii) esse uso topicalizado em manchetes de jornal tem finalidade ideológica (VAN DIJK, 2000); iv) está-se diante de uma possível mudança linguística.

Palavras-chave: particípio passado; manchetes; discurso; ideologia; linguística
cognitivo-funcional.

 

Minibiografias:

Dioney Moreira Gomes é Professor Associado do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas da Universidade de Brasília; Coordenador do Programa Institucional de Bolsas deIniciação Científica à Docência (PIBID – Capes) do curso de Letras; líder do grupo de pesquisa CNPq: Grupo de Estudos Funcionalistas: Gramática, Discurso e Ensino (GEF-GDE).

Letícia Sallorenzo é Jornalista formada pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Graduanda de Licenciatura em Letras pela UnB e Mestranda do Curso dePós Graduação em Linguística da UnB (PPGL/UnB).


Comunicação 10

A mulher na mídia: implicações linguístico-sociais em capas de uma revista brasileira

Autores:

Michele Cristina Ramos Gomes – Mestranda em Linguística – Universidade Federal de Juiz de Fora  – micheleramos.uf@gmail.com

Ana Cláudia Peters Salgado – Professora Associada da Universidade Federal de Juiz de Fora – ana.peters@ufjf.edu.br

 

Resumo:

Este trabalho busca estudar qualitativamente a representação da mulher na sociedade atual em globalização(KUMARAVADIVELU, 2006) e, assim, refletir de que modo a mídia impressa, especificamente uma revista de grande circulação no Brasil, posiciona-se acerca de assuntos que envolvem a mulher em sociedade, com foco no trabalho feminino, na mulher empreendedora. A revista Pequenas Empresas Grandes Negócios, da Editora Globo, foi selecionada como objeto de análise, por tratar-se de uma revista de grande circulação no país e devido ao tema – empreendedorismo. As capas da revista foram escolhidas pois são um modo de antecipar o objetivo e o conteúdo e funcionam como “uma das mais importantes propagandas da revista” (HEBERLE, 2004, p.91). Trata-se, portanto, de considerar a maneira pela qual a construção da identidade de gênero é perpassada por questões linguísticas (FREITAG, 2015). O trabalho contou com os pressupostos teóricos de Bauman (2000, 2005, 2006), Guisan (2009) e Rajagopalan (2003) e, principalmente, da Análise Crítica do Discurso (FAIRCLOUGH, 1989,1992,1995), para a discussão de aspectos que se relacionam à língua, poder e ideologia. Nessa pesquisa, o gênero foi considerado, conforme Butler (1990) como algo construído socialmente e não biologicamente determinado, e o sexo como resultado discursivo/cultural (PEDRO, 2005).A análise do objeto em estudo apontouuma preocupação da revista em dirigir-se, quase que especificamente, ao público masculino, o que sugere um posicionamento da revista em que não há a preocupação em abarcara representatividade da mulher empreendedora.

Palavras-chave: Análise do Discurso; mídia impressa; globalização; língua portuguesa; identidade.

 

Minibiografias:

Michele Cristina Ramos Gomes – Mestranda em Linguística na Universidade Federal de Juiz de Fora.

Ana Cláudia Peters Salgado – Possui licenciatura em Letras/Inglês pela Universidade de São Paulo (1993), mestrado em Educação pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2004) e doutorado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2008). Atualmente é Professora Associada da Universidade Federal de Juiz de Fora. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Inglesa, atuando principalmente nos seguintes temas: sociolinguística, bilinguismo, educação bilíngue, língua inglesa, pesquisa qualitativa, etnografia, formação de professor de línguas.


Comunicação 11

As Representações de Masculino e Feminino à luz da Linguística Sistêmico-Funcional e da Análise Crítica do Discursono Texto Biográfico “O Castelo de Papel”

Autor:

Eduardo Henriques – Universidade Federal de Pernambuco – UFPE/BR –

eduardohenriquesdearaujo@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho investigou a representação de Masculino e de Feminino no discurso biográfico a fim de verificar quais os principais Processos atribuídos a cada gênero social como mecanismo de identificação e de performance. Para tanto, realizou-se uma análise dos Processos do Sistema de Transitividade da Linguística Sistêmico-Funcional, os quais promovem identificações e projetam identidades para as personagens “Isabel” e “Gastão”, protagonistas da obra “O Castelo de Papel”, de Mary del Priore (2013). Esta pesquisa consistiu em uma continuidade da investigação realizada em 2014, a qual averiguou representações dicotômicas e identificações de gênero estigmatizadas para a personagem “Isabel”em duas biografias distintas. Com o aporte analítico de Fairclough (2003), tais perquirições objetivam desvelar ações discursivas ideologicamente orientadas pelo paradigma binário de gêneros sociais que impõe uma hierarquização genérica entre Masculino e Feminino.Desta forma, com base nos resultados obtidos, atingiu-se um panorama quantiqualitativo cuja leitura propicia a verificação da perpetuação do protagonismo Masculino em detrimento ao Feminino, bem como da manutenção de estereótipos de gênero que cristalizam “lugares sociais dentro do imaginário coletivo” para cada performance (HALBWACHS, 2002, apud HENRIQUES, 2014; 2016),de acordo com os grupos nominais identificadores de cada Participante, bem como dos próprios Processos. Portanto, o trabalho aqui desenvolvido, sob orientação dos estudos linguísticos críticos (HALLIDAY, 2003; WODAK, 2004), vem à baila para desestabilizar a ordem naturalizada dos gêneros sociais dentro do estamento cultural, através da exploração da materialidade da língua conforme uma ação que produz e que reflete cultura, identidade e pontos de vista coletivos. Com isto, conclama-setoda a sociedadeaos debates sobre Questões de Gênero Social, partindo-se do ambiente acadêmico até fora dele,em busca da desnaturalização da cultura do Machismo e do Sexismo.

Palavras-chave: Ideologia de Gênero; representações Discursivas; Linguística Sistêmico-Funcional; Análise Crítica do Discurso; Discurso Biográfico.

 

Minibiografia:

Pesquisador-Bolsista da CAPES na área de concentração ‘Linguística’, atuando com pesquisas em Estudos Textuais e Discursivos de Práticas Sociais. Professor-Substituto da Graduação em Letras da UFPE. Mestrando em Letras – Linguística pelaUFPE (CAPES 5). Graduado em Letras-Português (2014), pela UFPE. Foi membro do Conselho Superior do Instituto Federal de Pernambuco.


Comunicação 12

Representações discursivas multimodais da globalização e da democracia e a violência nas escolas públicas do df

Autoras:

Thaís Lôbo Junqueira – Universidade de Brasília –  thaisjunqueira.prof@gmail.com

Francisca Cordelia Oliveira da Silva – Universidade de Brasília – cordelia.prof@gmail.com

 

Resumo:

A comunicação trata da accountability societal vertical, da responsividade, da representação e da distância social a fim de analisar as representações discursivas multimodais da globalização (BECK, 1999; FAIRCLOUGH, 2006), do globalismo (FAIRCLOUGH, 2006), da qualidade da democracia (DIAMOND; MORLINO, 2005; O’DONNEL, 1998) e da violência (MINAYO, 2006; 2009), no gênero vídeo, para desvelar como reproduzem relações de dominação e de exploração (FAIRCLOUGH, 2003). Esse estudo demonstra como os efeitos potenciais de sentido dos textos multimodais sobre a violência escolar e sobre a qualidade da democracia, no gênero vídeo, reproduzem relações de dominação e de exploração contemporâneas. A análise descritivo-interpretativo de imagens em movimento do vídeo Help!, produzido por estudantes da 3ª série D do Ensino Médio do Centro Educacional Gisno, em Brasília, Distrito Federal, focou a análise de imagens do texto multimodal e o levantamento e a transcrição semiótica (BALDRY; THIBAULT, 2006) do vídeo selecionado com base na Análise de Discurso Crítica (ADC) (FAIRCLOUGH, 2003; 2006) e na Teoria da Semiótica Social da Multimodalidade (TSSM) (KRESS; VAN LEEUWEN, 2001; [1996] 2006; 2010). Nesta pesquisa, evidenciou-se que as manifestações de violência estrutural e institucional no ambiente escolar articulam-se com a consistência, com a eficácia e com a qualidade da democracia e da sociedade civil brasiliense, construindo significados com base no acesso dos estudantes da rede pública de ensino a oportunidades desiguais em nível socioeconômico, cultural, educacional e de renda.

Palavras-chave: Análise de Discurso Crítica; representações discursivas multimodais; Teoria da Semiótica Social da Multimodalidade; qualidade da democracia; violência escolar.

 

Minibiografias:

Thaís Lôbo Junqueira é Mestranda em Linguística pela Universidade de Brasília. Especialista em Letramento e Práticas Interdisciplinares nos Anos Finais (6ª a 9ª série) pelo CFORM/MEC/UnB. Professora de LEM-Inglês e Francês da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF).

Francisca Cordelia Oliveira da Silva é Doutora em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB), onde atua como Professora Adjunta, como Coordenadora Geral do curso da Licenciatura em Letras EaD e como orientadora em pesquisas voltadas para a Análise de Discurso Crítica (ADC) e para a Leitura e Produção de Textos na graduação e na pós-graduação.


Comunicação 13

Representações discursivas da escola democrática na mídia jornalística e a violência nas escolas públicas do df

Autoras:

Thaís Lôbo Junqueira – Universidade de Brasília –  thaisjunqueira.prof@gmail.com

Francisca Cordelia Oliveira da Silva – Universidade de Brasília – cordelia.prof@gmail.com

 

Resumo:

A comunicação trata da accountability horizontal, da accountabilitys ocietal vertical, da representação e da intertextualidade a fim de analisar as representações discursivas da escola democrática, da qualidade da democracia (DIAMOND; MORLINO, 2005; O’DONNEL, 1998) e da violência (MINAYO, 2006; 2009) para desvelar como reproduzem relações de dominação e de exploração (FAIRCLOUGH, 2003). Esse estudo demonstra como os efeitos potenciais de sentido que a mídia jornalística transmite, no gênero reportagem, legitimam relações sociais hegemônicas. A análise linguística dos textos verbais, visuais e multimodais da reportagem do portal de notícias Metrópoles sobre escolas públicas do DF focou o enfoque multimodal, a seleção lexical de textos verbais e as metáforas utilizadas com base na Análise de Discurso Crítica (ADC) (FAIRCLOUGH, 2001; 2003; 2006) e na Teoria da Semiótica Social da Multimodalidade (TSSM)(KRESS; VAN LEEUWEN, 2001; [1996] 2006; 2010). Nesta pesquisa, evidenciou-se que o jornalista, apesar de demonstrar alto comprometimento com a identidade social criada para o GDF por meio das metáforas que utilizou e da seleção lexical que fez dos relatos de autoridades, ele legitimou relações sociais hegemônicas.

Palavras-chave: Análise de Discurso Crítica; representações discursivas; Teoria da Semiótica Social da Multimodalidade; violência escolar.

 

Minibiografias:

Thaís Lôbo Junqueira é Mestranda em Linguística pela Universidade de Brasília. Especialista em Letramento e Práticas Interdisciplinares nos Anos Finais (6ª a 9ª série) pelo CFORM/MEC/UnB. Professora de LEM-Inglês e Francês da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF).

Francisca Cordelia Oliveira da Silva é Doutora em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB), onde atua como Professora Adjunta, como Coordenadora Geral do curso da Licenciatura em Letras EaD e como orientadora em pesquisas voltadas para a Análise de Discurso Crítica (ADC) e para a Leitura e Produção de Textos na graduação e na pós-graduação.


Comunicação 14

Valores, crenças e poder: uma perspectiva crítica da influência do imaterial sobre o material

Autora:

Viviane Faria Lopes –  Universidade de Brasília – viviane.lopes@ueg.br

 

Resumo:

A presente pesquisa encontra-se inserida na área de investigação intitulada Discurso, Gramática e Representação em Contextos Sociais enlaçados pela Língua Portuguesa.

Nosso trabalho tem sido o de um atento estudo do comportamentode um grande representante religioso da Igreja Católica Apostólica Romana: Padre Antônio Vieira (1608 – 1697). Pregador e escritor português, foium dos mais influentes personagens do século XVII em termos de política e oratória, destacando-se como missionário em terras brasileiras.

Esta investigaçãotem verificadoocomportamento de Antônio Vieira em situações que o aproximaram de Cristina Vasa – a rainha sueca que abdicou do trono para morar em Roma, na qual buscava ter uma vida de piedade – apontando sea aproximação entre elestenha influenciado sua identidade de homem e pregador e/ou, de algum modo, abalado suas convicções de fé. Para tanto, analisam-se seus comportamentos públicos e privados.

As fontes de estudo são produções escritas por eles – sermões e cartas – e registros históricos considerados fidedignos. A escolha dos textos teve como referência o discurso ideológico do autor, que, por sua vez, acabou gerando uma criação identitária em sua época e interferindo na identidade já construída.

O embasamento teórico será na perspectiva da Análise do Discurso Crítica (ADC) e da Linguística Sistêmico Funcional (LSF),já que a ADC, como uma conexão entre a Linguística e a Ciência Social Crítica, enfoca e estuda as relações de poder existentes nos diversos grupos sociais e os distintos recursos linguísticos utilizados pelas pessoas.

O presente estudo já identificou que a religião, como base da construção social da identidade, exerce influência na ideologia de fé, no comportamento cotidiano, chegando a atingir todas as esferas de vida do indivíduo. Por conseguinte, as práticas sociais são o resultado do domínio ideológico e da formação da identidade, estabelecendo a relação do mundo material com o mundo imaterial.

Palavras-chave: discurso; ideologia; identidade; religião.

 

Minibiografias:

Viviane Faria Lopes é doutoranda em Linguística na Universidade de Brasília (UnB) e Mestra em Linguística. Participa do Grupo Brasileiro de Estudos de Discurso, Pobreza e Identidades. É Professora titular da Universidade Estadual do Goiás (UEG), na qual ministra aulas para a graduação e a pós-graduação do curso de Letras, e professora da pós-graduação em Direitos Humanos da Universidade Federal de Goiás (UFG).


Comunicação 15

A construção da identidade neoliberal: uma leitura dos silêncios e ausências em discursos noticiosos sobre empreendedorismo jovem

Autores:

Catarina Menezes – Instituto Politécnico de Leiria –  cmenezes@ipleiria.pt

Inês Conde – Instituto Politécnico de Leiri – ines.conde@ipleiria.pt

 

Resumo:

Num contexto de recessão económica com consequências ao nível do mercado de trabalho em geral, e do emprego jovem em particular, têm tido crescente visibilidade nos media discursos em torno do empreendedorismo enquanto alternativa geradora de projetos de auto enquadramento profissional.

Pretende-se, assim, analisar as representações construídas pelo discurso jornalístico em torno do empreendedorismo jovem, observando como, multimodalmente, se constrói uma ideologia em torno do tema. Considerando um corpus de análise extraído de jornais de referência portugueses, observar-se-á que construções editoriais são privilegiadas, que vozes são agenciadas e que vozes são silenciadas, secundarizadas ou ausentes. Procurar-se-á também analisar a forma como os jovens empreendedores agenciados nos textos se representam, que interdiscursos revelam quando falam sobre a sua experiência, e que silêncios os seus discursos indiciam.

O estudo explora a forma como as “tecnologia do self” (Foucault, 1988; Thurlow, 2007), o ideal de reflexividade contemporâneo, o discurso de valorização da agência e da autorresponsabilização, vão sendo orientados para uma estetização da juventude, despolitizando contextos de crise e dificuldade e ausentando outros agentes e estruturas sociais gatekeepers de processos. Ou seja, a forma como, criando nos jovens a ilusão de construção e autogestão de biografias de escolha, se silenciam também processos ideológicos de estandardização de valores, comportamentos e representações. Procura-se, também, abordar o modo como as representações identificadas tendem a articular um ideário neoliberal, que frequentemente suprime a reflexão sobre processos socioeconómicos e culturais «amplamente fora do controlo dos indivíduos» (Furlong e Cartmel, 1997: 114), refletindo sobre os efeitos que estes discursos dominantes podem introduzir na negociação das identidades dos indivíduos e nas suas práticas sociais.

Palavras-chave: Análise Crítica do Discurso; representação; ideologia neoliberal; identidade; empreendedorismo jovem; imprensa portuguesa.

 

Minibiografias:

Catarina Menezes é Doutorada em Letras, área de Ciências da Comunicação, Especialidade Media e Sociedade. Pós-graduada em Ciências da Comunicação – Estudo dos Media e Jornalismo e Licenciada em Ciências da Comunicação e em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses/Franceses. Coordena atualmente a Licenciatura e Mestrado em Comunicação e Media. Tem vindo a privilegiar como áreas de interesse: usos dos media e cidadania, media e espaço público, internet e novos media.

Inês Conde é Doutoranda em Ciências da Comunicação, naUniversidade da Beira Interior, Portugal. Atualmente, é coordenadora interina da licenciatura em Tradução eInterpretação Português-Chinês e Chinês-Português, na ESECS-IPLeiria e docente nos domínios do Português como Língua Estrangeira, Análise do Discurso e Semiótica. Desenvolve investigação na área do Estudos de Género e Multimodalidade, tendo como enquadramento a ACD e a Semiótica Social.


Comunicação 16

Significado e Sentidos de Itens Lexicais: estudo no “texto legal”

Autores:

Dayvison Bandeira de Moura – SEDUC-PE–UA-PY – analistadodiscurso.bandeira.pe@gmail.com

Walter Chagas – SEDUC-PE-UFRPE –  walter_chagas2015@hotmail.com

 

Resumo:

Esse artigo apresenta um recorte do estudo que culminou na Dissertação intitulada: Currículo: Indagações e reflexões Crítico discursivas sobre diversidade étnica e suas relações com a lei nº 10. 639/2003. No sentido de identificar, definir reflexões sobre a presença de itens lexicais polissêmicos geraram implicações quanto à relação de significado e sentido, afetando o conteúdo da lei supramencionada, que dispõe sobre o currículo e a adoção de estudos étnicos sobre afrodescendentes, a ser implementado no currículo brasileiro. Nesse intento, se adotou a teoria do Aparelhos Ideológicos de Althusser, concernente ao (AEI) escolar (1980), subjacente à epistemologia do Materialismo Histórico Dialético. No tocante à metodologia, a coleta e análise de dados adotou-se a perspectiva de BARDIN (2011). Já a técnica fora a Análise Crítica do Discurso – ACD, concebida por DIJK (2009). E, para este artigo far-se-á ainda, a relação com a Linguística Sistêmico Funcional – LSF (2007). De maneira que foi constatado a polissemia quanto à manifestação dada aos itens lexicais: negro (s), negra, cultura, cultural nos textos legais componentes do corpus: artigos 3º e 5º da Constituição Federal, bem como a LDB 9394/96 e o Estatuto da Igualdade Racial. Foi possível constatar significados e sentidos aludindo à interdiscursos, ideologias, produtoras de estereótipos. Dentre as conclusões, poderia ter-se feito o uso do item lexical etnia, em lugar dos itens anteriormente explicitados, uma vez que etnia remete à cultura inerente ao caráter de subjetivação de grupos humanos.

Palavras-chave: Currículo; indagações; etnia; conteúdo; ideologia.

 

Minibiografias:

Dayvison Bandeira de Moura é licenciado em Letras Vernáculo; Especialista em Práticas de Análises Discursiva; Educação de Jovens e Adultos; Educação Pobreza e Desigualdade Social; Mestre, Doutor e, Pós Doutorando em Ciências da Educação.

Walter Chagas é licenciado em Matemática, Especialista em Ensino de Matemática, Práticas Pedagógicas à Língua Portuguesa, Práticas de Promoção da Igualdade Racial e Mestrando em Educação, Cultura e Identidade.


Comunicação 17

Adentrando novos espaços: representações da mulher militar

Autora:

Risalva Bernardino Neves – Universidade de Brasília  – risalvabernardino@hotmail.com

 

Resumo:

A partir de 2017, a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) receberá a primeira turma formada por ambos os sexos. Serão homens e mulheres estudando juntos, dividindo o mesmo espaço de formação dos oficiais do Exército Brasileiro. A entrada de mulheres nesse espaço eminentemente tradicional e androcêntrico provoca muitas discussões tanto dentro das organizações militares quanto fora delas. Nesse sentido, pergunta-se quais são os discursos/representações acerca desse fato. Sabemos que sites da internet funcionam hoje como potenciais formadores de opinião. Portanto, o objetivo deste trabalho é analisar em matérias de sites da internet como é representada a inserção das mulheres na linha de ensino militar bélico. Importa destacar que a Análise de Discurso Crítica ADC), na vertente de Chouliaraki e Fairclough (1999), Fairclough (2003, 2008), é a teoria que ancora este estudo, aliada à proposta de van Leeuwen (1997) sobre a representação dos atores sociais. Para analisar a linguagem em sua faceta interior, utilizar-se-á a Linguística Sistêmico-Funcional nos moldes de Halliday (2004). Vale ressaltar que a linguagem, vista sob o prisma da ADC, não é somente ferramenta que reproduz relações de poder assimétricas, mas, sobretudo, um recurso (ou uma arma) que pode questionar, deslegitimar tais relações ou até suporte para a construção de identidades sociais mais valorizadas (FAIRCLOUGH, 2003).

Palavras-chave: Mulheres; oficiais; discursos/representações; ADC.

 

Minibiografia:

Risalva Bernardino Neves é aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Brasília (UnB), na área de Linguagem e Sociedade. Concluiu o mestrado em Linguística em 2013 na mesma universidade. É licenciada em Letras pela Universidade de Pernambuco (UPE), professora de Português de longa data e revisora de textos. Integra grupos de pesquisa como o Núcleo de Estudos de Linguagem (NELIS) e a Associação de Estudos sobre Discurso e Sociedade (EDISO) e é oficial do Exército Brasileiro.


Comunicação 18

A identidade indígena no discurso da arte de rua em Manaus

Autoras:

Glaunara Mendonça de Oliveira – Universidade do Estado do Amazonas – glaunara@live.com

Neiva Maria Machado Soares – Universidade do Estado do Amazonas- UEA/BRASIL (Orientadora) –  nemsoa@hotmail.com

 

Resumo:

O discurso é conceituado como um modo de ação e de representação. Através dele, podemos, pois, mudar o mundo e agir sobre outros (FAIRCLOUGH, 2001, 2003). Há três aspectos construtivos do discurso em que se observa como se constroem identidades sociais (função identitária),  relações sociais entre pessoas (função relacional) e os sistemas de conhecimento e crenças (função ideacional) definidas por Haliday (1994). O discurso também pode se apresentar em modos semióticos e, para a sua análise pode se recorrer à Gramática do Design Visual (KRESS e van LEEUWEN, 1996, 2006), cujas metafunções  são também oriundas da Teoria Sistêmico Funcional de Halliday (1994). O objetivo desse trabalho é, portanto, analisar esses três aspectos construtivos do discurso tendo como corpus os murais “O olhar da Natureza” e “Amazônia Urbana”, localizados no viaduto do Coroado, em Manaus, Amazonas, Brasil e duas entrevistas com indígenas que moram na capital amazonense. A escolha se deve ao fato de que a arte de rua, revelada em murais, vem conquistando o espaço urbano, transformando as cidades em galeria a céu aberto. Foi o que aconteceu em setembro de 2016, quando Rai Campos e Rogério Arab, pintaram esses murais em parceria com outros seis artistas. Nessa arte ganham destaque o indígena e a natureza que, na visão dos artistas e dos indígenas entrevistados, representam a identidade amazônica. Entendemos que o discurso, como afirma Fairclough pode estar manifesto em inúmeras realizações semióticas. Assim, estudar a arte de rua é também entender as múltiplas facetas nas quais a linguagem se desdobra e produz significação e representação do mundo. Os resultados dessa análise revelam que a arte de rua carrega discursos capazes identificar e singularizar a sociedade e o espaço nos quais o autor está inserido, mostrando-se também como ferramenta de transformação social e de fortalecimento da identidade local.

Palavras-chave: Arte de rua; identidade indígena; Análise do Discurso Crítica; representações visuais.

 

Minibiografias:

Glaunara Mendonça de Oliveira é graduada em Letras Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Amazonas, professora de Ensino Fundamental e Médio da SEDUC-AM e SEMED- Manaus, especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e suas Literaturas –UEA e mestranda pelo projeto de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade do Estado do Amazonas – UEA. Membro do Grupo de Pesquisa Múltiplas Linguagens, Semiótica e Discurso na Contemporaneidade (SDisCon).

Neiva Maria Machado Soares possui doutorado em Linguística pela Universidade de Brasília. Professora Adjunta da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Tem experiência na área da Linguística, com ênfase em Gêneros discursivos e Análise do Discurso Crítica, atuando principalmente nos seguintes temas: Produção Textual, Semântica, ADC, Linguística Sistêmico- Funcional e Multimodalidade. Líder do Grupo de Pesquisa: Múltiplas Linguagens, Semiótica e Discurso na Contemporaneidade (SDisCon).


Comunicação 19

O discurso da História no livro didático: entre palavras e imagens

 

Autora:

Kelly Cristina Nunes de Oliveira – Universidade de Brasilia -kellyney1@hotmail.com

 

Resumo:

Os Parâmetros Curriculares Nacional de História preconizam a compreensão de mecanismos de composição de texto para acesso às informações de natureza histórica. Dessa forma, a noção de gêneros permeia as práticas de letramentos no contexto escolar, uma vez que suas contribuições sedimentam processos de aprendizagem nas áreas do conhecimento. Tal implicação aponta para reflexão relativa às práticas envolvidas na compreensão desta ordem do discurso. Nesse contexto, este trabalho visa aplicar os conhecimentos oriundos da Linguística Sistêmico-Funcional, da Análise de Discurso Crítica e de teorias da Multimodalidade por meio da análise de elementos léxico-gramaticais dos sistemas de transitividade, avaliatividadee ideação de outro modos semióticos para apresentar pistas de constituição genérica dos textos da unidade 21 “O Brasil na Nova ordem Mundial” de um livro de História de 3º ano do Ensino Médio. A análise evidenciará como elementos linguísticos viabilizam o objetivo sócio-comunicativo, as etapas do gênero Histórias e a exteriorização de aspectos avaliativos acerca de pessoas, processos e objetos que compõem o discurso. Nesse sentido, a Linguística Sistêmico-Funcional fornece  ferramenta ao mapear escolhas léxico-gramaticais e a seleção de imagens presentes nos textos, uma vez que evidencia um sistema semiótico  em que o falante escolhe elementos linguísticos e imagéticos adequados a cada situação, de modo que a relação entre gramática e significado pode orientar alunos/as a compreender o gênero em análise, além de tornar explícita as relações de poder constantes nos textos.

Palavras-chave: Linguística Sistêmico-Funcional; História; multimodalidade; gêneros; Análise de Discurso Crítica.

 

Minibiografia:

Kelly Cristina Nunes de Oliveira é mestre em Linguística pela Universidade de Brasília (2005); doutoranda em Linguística pela Universidade de Brasília; Professora de língua portuguesa no ensino  médio e no ensino superior. É membro da Associação de Linguística Sistêmico-Funcional da América Latina (ALSFAL), da Associação Latino-americana de Estudos do Discurso (ALED) e do grupo de pesquisa LEITURA E ESCRITA DE GÊNEROS TEXTUAIS NA ESCOLA E NA VIDA (UnB).


Comunicação 20

Análise de Discurso Crítica de pastores no parlamento brasileiro: como um discurso alimenta o ódio?

Autores:

Yuri Barbosa de Morais Pessoa – UFC – yumorais@gmail.com

Ana Paula Rabelo e Silva- UFC – anarabelo.p@gmail.com

 

Resumo:

O presente estudo, utilizando a Análise de Discurso Crítica (FAIRCLOUGH, 1999; CHOULIARACK; FAIRCLOUGH, 2003; MAGALHÃES, 2005) como teoria e método, investiga os diferentes posicionamentos políticos dos pastores de igreja neopentencostal Marcos Feliciano, Silas Malafaia e Magno Malta durante discursos no congresso nacional. Considerando que o Brasil passa por uma crise de profundo conservadorismo e que há uma relação entre Estado e Igreja – que fere a condição de Estado Laico – ainda pouco elucidada, optamos pela seleção de vídeos de produção discursiva apenas no parlamento. Foram analisados ao todo seis vídeos disponíveis no youtube, com foco em como o “discurso do ódio e da intolerância”, com base em fundamentos religiosos, estimula a restrição de direitos humanos e a perseguição tanto da população LGBT’s, quanto de fiéis de religiões de matriz africana. Esse artigo estabelece uma relação com pesquisa apresentada no ENDIS, que considerava apenas o discurso do pastor e parlamentar Marco Feliciano em três situações diferentes (mídia, igreja e congresso). A análise no espaço serve para elucidar melhor como se da essa relação entre religião e política no Brasil Para tanto, utilizamos os modos de operação ideológico de Thompson (1995) e as leis do discurso de Patrick Charadeau (2006). Como resultado, identificamos que o “discurso de ódio e intolerância” com base religiosa foi utilizado em ambientes religiosos e políticos contra as já citadas minorias. Entendemos que novos estudos sobre “o discurso do ódio” precisam ser realizados para que possamos refletir sobre fatores de motivação e sustentação de tal prática discursiva, que são capazes de motivar violência e negação de direitos.

Palavras-chave: Análise de Discurso Crítica; intolerância religiosa; modos de operação ideológicos; leis do discurso.

 

Minibiografias:

Yuri de Morais é graduando de letras português e alemão pela UNiversidade Federal do Ceará, engajado em estudar os fenômenos do discurso político e religioso com base na análise do discurso crítica, sob orientação da Professora Ana Paula Rabelo trabalha como Professor de alemão no Núcleo de Línguas da Universidade estadual do Ceará.

Ana Paula Rabelo é Professora na área de comunicação da faculdade 7 de Setembro, doutoranda pela Universidade do Ceará e sempre engajada com movimentos sociais.


Comunicação 21

Representações do golpe civil-militar brasileiro em editorias jornalísticos

Autores:

Flávia Ferreira da Silva Rocha – UFPE – flaviafsr7@yahoo.com.br

Maria Medianeira de Souza – UFPE – medianeirasouza@yahoo.com.br

 

Resumo:

Sob o manto da imparcialidade e supostamente em favor da democracia, a imprensa escrita brasileira, aqui representada pelos jornaisO Estado de São Paulo (ESP),Folha de São Paulo (FSP)eO Globo (OG), apresentam-se com um discursolegalista e democrático em favor dos direitos dos cidadãos. Porém, o posicionamento assumido por eles, durante os 21 anos da ditadura civil-militar e mantido no cinquentenário do golpe, contradiz a imagem democrática que fazem questão de mostrar. Assim, este trabalho intenta investigar, comparativamente, as representações do golpe civil-militar brasileiro de 1964 construídas por esses jornais, no cinquentenário do golpe, quando propuseram rever o apoio aos militares, em 1964. Nossocorpusé constituído dos três editoriais veiculados pelos jornais supracitados entre agosto de 2013, sob as influências das inéditas manifestações populares realizadas nesse ano, e março de 2014, quando dos 50 anos da tomada de poder pelos militares. Como respaldo teórico, fizemos uso dos pressupostos da Linguística Sistêmico-Funcional, via Sistema de Transitividade, para analisar a relação entre a estrutura linguística, o discurso e as representações criadas pelas escolhas feitas por cada editorial, como também da teoria das representações dos atores sociais, proposta por van Leeuwen (1997), através dos estudos de Halliday (1994); Halliday&Matthiessen (2004; 2014); Eggins (1994, 1997); Bloor e Bloor (1995); van Leeuwen (1997), dentre outros. No que tange àmetodologia, fizemos, via Word Smith’s Tools, a identificação dos Processos e em seguida identificamos os Participantes e as Circunstâncias envolvidos, em cada editorial,para observamos e analisarmos os sentidos produzidos por tais escolhas. Osresultadossugerem que a revisão do apoio dos jornais ESP, FSP e OG à ditadura se trata de um discurso a contragosto, pois, a partir das escolhas feitas, não assumem o arrependimento, apesar de anunciá-lo, mas o circunstancializa, reafirmando o discurso de 1964.

Palavras-chave: Sistema de Transitividade; representações; editoriais, cinquentenário da ditadura civil-militar brasileira de 1964.

 

Minibiografias:

Flávia Ferreira da Silva Rocha é doutoranda em Linguística pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com pesquisa desenvolvida sob os pressupostos teóricos da Linguística Sistêmico-Funcional. Atualmente é Professora Assistente na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino de língua materna e gêneros textuais.

Maria Medianeira de Souza possui Mestrado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1999); doutorado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (2006). Professora da Graduação e da Pós-Graduação em Letras, da UFPE. Pesquisas em descrição da Língua Portuguesa com base nos estudos funcionalistas da linguagem. Co-autora do livro Transitividade e seus contextos de uso, com Maria Angélica Furtado da Cunha, Cortez, 2 ed. 2011, e autora de capítulos e artigos, especialmente, na área de Linguística Sistêmico-Funcional.


Comunicação 22

Representações linguístico-discursivas de mulheres gestantes em situação prisional: uma análise de discurso crítica

Autores:

Marcelo Saparas – UFGD-MS –  christian_matt@uol.com.br

Sumiko Nishitani Ikeda – PUC-SP – sumiko@uol.com.br

Ulisses Tadeu Vaz de Oliveira – UFMS-MS – ulisvaz@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo desta apresentação é o exame crítico dos recursos retóricos utilizados na argumentação para a realização da persuasão implícita em um editorial de jornal, considerando não só a estrutura esquemática de gênero, mas também as escolhas léxico-gramaticais feitas na construção do texto. A argumentação pertence à família das ações humanas que têm como objetivo persuadir por meio da convicção ou da sedução. Entretanto, a retórica da persuasão requer que os interlocutores devam ser convencidos de que não foram convencidos e assim a persuasão tende a ser altamente implícita. Através da história, a argumentação tem sido debatida por numerosas tradições filosóficas, entre as quais a lógica formal, que tem, no entanto, levantado certas questões quando aplicada à argumentação da vida real. Assim, recorre-se, hoje, à lógica informal, que mostra a efetividade do argumento em fatores centrados na audiência. Porém, do ponto de vista da pragmática cognitiva, o significado vai mais além: é a recuperação da informação intencional, e não, ou não somente, dos padrões sociais de ação. A pesquisa tem o apoio da Linguística Sistêmico-Funcional, uma teoria multifuncional, indicada como sendo adequada para a análise do discurso crítica. A análise do editorial mostra que a persuasão implícita ocorre na subjacência do texto e que para a sua revelação é necessário o enfoque na relação entre as escolhas léxico-gramaticais feitas na microestrutura do texto com os valores que se encontram na macroestrutura do discurso. A pesquisa visa a responder às seguintes perguntas: (a) como é a estrutura de uma argumentação: como começa, como é percebida, desenvolvida e como termina? (b) que papel exercem a nominalização, os modos textuais e a avaliatividade na persuasão no editorial de jornal selecionado?

Palavras-chave: Persuasão implícita; argumentação; editorial de jornal; relação língua e discurso; Linguística Sistêmico-Funcional.

 

Minibiografias:

Marcelo Saparas (UFGD) é graduado em Letras (Português e Inglês) , mestre e doutor em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Foi Professor na Universidade de Guarulhos e na Universidade São Judas Tadeu, lecionando nos cursos de pós-graduação em língua inglesa, e na Universidade Anhembi-Morumbi, ministrando as disciplinas de língua inglesa, língua portuguesa e linguística no curso de graduação em Letras.
Atualmente, é Professor da Universidade Federal da Grande Dourados.
Sumiko Nishitani Ikeda (PUC-SP) é Professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo desde 1976, com pós-doutorado em Linguística Aplicada pela Universidade de Osaka. Foi Professora da Osaka University e da Kyoto University of Foreign Studies, Japão, de 1992 a 1998, da Universidade Federal de São Carlos em 1991 e da rede oficial do estado em 1976 e 1978. Sua área de interesse abrange a relação gramática e discurso, examinando a relação da microestrutura das escolhas léxico-gramaticais do texto com a macroestrutura do discurso. Trabalha com o apoio da gramática sistêmico-funcional e da linguística crítica.

Ulisses Oliveira é Doutor em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Sao Paulo) e possui Mestrado na mesma área pela mesma universidade. Atualmente, atua como Professor na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), onde leciona disciplinas correlatas às áreas de Língua Inglesa e Linguística. Ainda, possui experiência em Filologia Portuguesa e estudos diacrônicos envolvendo cantigas medievais Galego-Portuguesas, literatura barroca e modernismo.


Comunicação 23

Construções complexas na perspectiva da análise de discurso crítica

Autora:

Denize Elena Garcia da Silva – Universidade de Brasília – denizelena@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo da apresentação é discutir a multifuncionalidade da linguagem e, ao mesmo tempo, destacar a estreita relação que existe entre práticas discursivas e estruturas oracionais complexas. Para tanto, enlaço o modelo teórico-metodológicode análise de discurso textualmente orientada, proposto por Fairclough (2003, 2010), com as bases funcionais da linguagem, de acordo com Halliday (1994) e Halliday e Mathiessen (2004, 2009). Nessa perspectiva, discuto função como uma propriedade fundamental da linguagem e busco, na interioridade das estruturas linguísticas (nível gramatical), o alcance da dimensão do discursocomo prática social, tanto de representação quanto de significação do mundo.Tomo como unidade de análise dois textos interligados por um evento que tomou dimensões históricas no contexto brasileiro, apesar de ter caído,logo em seguida, no esquecimento midiático e político.Trata-se de uma carta que serviu, na época, como instrumento de prova (ideológica) para incriminar seu autor, jovem desempregado e com destino inesperado: enquadramento na Lei de Segurança Nacional. A partir desse fato noticioso, nasce um segundo texto, lavrado por um articulista crítico, cujo domínio retórico sinaliza a esteira da neutralidadenas práticas discursivas tanto do jurista, quanto do historiador brasileiro.O percurso metodológico escolhido é de natureza qualitativa (descritiva e interpretativa)e os dados selecionados mediante um paralelo por contraste foram submetidos àarticulação de dois níveis de análise: linguística e discursiva. Os resultados alcançados permitem confirmar que estruturas linguísticas complexas costumam ancorar significados contrastantes e, sobretudo, que seleções em nível de formasão sempre significativas, uma vez que repercutem variação de sentido(s) em nível de discurso.

Palavras-chave: Discurso; gramática; prática social.

 

Minibiografia:

Denize Elena Garcia da Silva é Professora Colaboradora Plena junto ao Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Brasília (UnB), onde atua como docente e orientadora em pesquisas voltadas para Análise de Discurso Crítica (ADC) e Linguística Sistêmico-Funcional (LSF).  Entre suas publicações, destaca-se a obra de 2009, Percursos filológicos nas trilhas das línguas românicas e, no prelo, o capítulo “Discurso racista comomeio de interdição à educação: nas trilhas da mídia impressa”, em co-autoria com Fernando Oliveira.


Comunicação 24

Marca Porto. – A construção discursiva dos atores sociais no contexto da economia criativa

Autoras:

Carminda Silvestre – Escola Superior de Tecnologia e Gestão – IPLeiria /CELGA-ILTEC – carminda.silvestre@ipleiria.pt

Gorete Marques – Escola Superior de Tecnologia e Gestão – IPLeiria /CELGA-ILTEC – gorete.marques@ipleiria.pt

 

Resumo:

A importância da agregação de uma marca ao local é um fenómeno que tem vindo a aumentar nos últimos tempos no mundo ocidental. Decorrente desta necessidade emergente, a marca Porto. foi criada em 2014, constituindo-se aqui como nosso objeto de estudo. O presente trabalho enquadra-se no âmbito da Linguística Aplicada ao Branding, tendo como referente teórico a Linguística Sistémico-Funcional (Halliday, 1994). Neste quadro teórico, iremos incidir a nossa análise no plano da representação, o que Halliday (1994) na sua teoria de linguagem classifica de metafunção ideacional, de forma analisarmos a construção da experiência, ou seja, a linguagem como uma teoria da realidade, como um recurso para refletir sobre o mundo. Assim, iremos, por um lado, identificar os atores sociais, a partir da taxonomia proposta por van Leeuwen (1996), na imprensa escrita, mediada eletronicamente, de forma a mapearmos a representação dos intervenientes no processo de conceção, construção e manutenção da marca Porto.. Para concretizar o referido objetivo, estudaremos também, por outro lado, os processos predominantes associados aos respetivos atores.

A escolha do corpus incide sobre um jornal diário nacional, o Jornal de Notícias, tendo-se selecionado as notícias online referentes à marca Porto., no período de setembro de 2014 a setembro de 2016. O fenómeno em apreço inscreve-se no âmbito da economia criativa, onde é determinante o diálogo entre os vários agentes sociais, desde os atores criativos internos aos atores externos, pelo que importa proceder ao mapeamento desses atores mediados pela imprensa escrita na construção discursiva de uma realidade projetando uma imagem particularmente diferenciadora das restantes cidades pelas especificidades que constituem a sua identidade.

Palavras-chave: branding; discurso; representação; Porto.

 

Minibiografias:

Carminda Silvestre é Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade de Lisboa. Professora Coordenadora na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, do Instituto Politécnico de Leiria, e pesquisadora no Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada-CELGA/ILTEC.

Gorete Marques é Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade de Lisboa. Professora Adjunta na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, do Instituto Politécnico de Leiria, e pesquisadora no Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada-CELGA/ILTEC.


Comunicação 25

Novas práticas discursivas reconfiguradas no discurso contemporâneo

 

Autora:

Neiva Maria Machado Soares – Universidade do Estado do Amazonas – UEA/BRASIL- nemsoa@hotmail.com

 

Resumo:

A sociedade está passando por transformações que repercutem na própria linguagem. Nesse viés, trazemospara discussão o hibridismo discursivo. Para Fairclough (2003), o termo está relacionado àcombinação de diferentes discursos, de gêneros e de estilos e pode ter relação com a interdiscursividade. Em linha similar, Harvey afirma que na pós-modernidade, “a vida cultural é vista como uma série de textos em intersecção com outros, produzindo mais textos” cuja conexão têm vida própria (1989, p.53). Esse entrelaçamento origina-se nas diferentes práticas sociais, isto é, nos modos de ação sociohistoricamente situados (FAIRCLOUGH, 1992, 2003).Para discutir tal panorama, a análise se detém em duas peças publicitárias, 2006, da marca O Boticário,com objetivo de investigar como se reconstroem histórias infantis da Branca de Neve e da Chapeuzinho Vermelho por meio do gênero publicitário. Oreferencial teórico é Análise de Discurso Crítica (ADC) (FAIRCLOUGH, 1992, 2003, 2006). A apreciação evidenciou com base na ADC, principalmente quanto aos Significados Acional e Representacional, uma construção discursiva que, por mais que sugira uma reconfiguração da história infantil centenária, volta-se ao final para uma representação tradicional de sociedade em que a mulher está em busca de um parceiro, ela é apresentada como a “caçadora”, expressa na sentença“coloca o lobo mau na coleira.  O hibridismo discursivo manifesta-se por sua mescla intertextual de histórias, construindo “teias” de textos, em um mix de anúncio, informação, ludicidade, injunção, argumentação, persuasão e narração. No que se refere à construção e à representação do significado, remetemos a Fairclough (2003), quando o autor utiliza a palavra mediação para relacionar o movimento do significado de prática social a outra, de um evento a outro ou de um texto a outro. Isso resulta em um processo discursivo complexo na forma de redes de textos, sujeitas a transformações dependendo de contextos sociais e culturais.

Palavras-chave: Pós-modernidade; discurso publicitário; hibridismo.

 

Minibiografia:

Neiva Maria Machado Soares possui doutorado em Linguística pela Universidade de Brasília. Professora Adjunta da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Tem experiência na área da Linguística, com ênfase em Gêneros discursivos e Análise do Discurso Crítica, atuando principalmente nos seguintes temas: Produção Textual, Semântica, ADC, Linguística Sistêmico- Funcional e Multimodalidade. Líder do Grupo de Pesquisa: Múltiplas Linguagens, Semiótica e Discurso na Contemporaneidade (SDisCon).


Comunicação 26

Variação linguística, discurso e ensino: diálogo e contribuições

Autores:

Rita de Cássia da Silva Soares – GPDG/USP, GPS/UFU, UNIAN/SP – cassiasilva@uol.com.br

Marcelo César Cavalcante – GPS/UFU, UNIAN/SP – cesar67@ig.com.br

 

Resumo:

Esse trabalho apresentará os itens lexicais, fruto das respostas dadas à questão número 200 do Questionário Semântico-Lexical do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (QSL-ALiB): “… a condução que leva mais ou menos quarenta passageiros e faz o percurso dentro da cidade?”. O propósito é mostrar, na verdade exemplificar, a variedade dos sujeitos da região da grande São Paulo. Os exemplos foram retirados do Atlas Semântico-Lexical da Região Norte do Alto Tietê (ReNAT) – São Paulo. O atlas apresenta os falares, isto é, realizações linguísticas de agrupamentos humanos que podem ser associados a uma realização semântico-lexical própria da região, definida com a escolha de um item lexical. A linguagem reflete e refrata as escolhas de um sujeito que, por sua vez, está situado numa história, num espaço social, numa cultura, esse sujeito éinfluenciado por outros discursos e expressa suas preferências, escolhas, opiniões, crenças, valores, ideologias sobre um determinado assunto ou objeto. E, também, recorre a uma memória discursiva, que faz parte do interdiscurso.Acredita-se que cada comunidade comporta características e especificidades linguísticas, denotando a identidade histórica e cultural dos sujeitos que se desenvolve, sobretudo nos momentos de interação, dada essa característica, conhecer a variedade linguística e uma comunidade de fala poderá auxiliar no processo de ensino e aprendizagem de uma língua, pois se o ensino de Língua Portuguesa não for associado a esse contexto tende a se afastar da realidade linguística dos discentes, causando-lhes o desinteresse por aprender. Pesquisas de Irenilde P. Santos(2012),Adolfo Elizaincín (2002), J. P. Blom e J. J. Gumperz (2002), Teun A. Van Dijk (2012) e Travaglia (2013) fundamentam esse trabalho.

Palavras-chave: Variação; ensino de LP; discurso.

 

Minibiografias:

Rita de Cássia da Silva Soares é Doutora em Linguística e Mestre em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), graduada em Letras, é Professora de Língua Portuguesa, Prática de Ensino de LP, Sociolinguística e Análise de Discurso há mais de 20 anos.

Marcelo César Cavalcante é Doutor em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), Mestre em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), graduado em Letras, é Professor de Língua Portuguesa, Análise de Discurso, Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa há 25 anos.


Comunicação 27

Práticas discursivas no letramento de pessoas idosas: a caminho da cidadania

Autor:

Edilan Kelma Nascimento Sousa – Universidade de Brasília (UnB) – edilankelma@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo central investigar as representações discursivas presentes no letramento de idosos em situação de exclusão social com vistas a desenvolver práticas sociais que atendam ao propósito da comunidade pesquisada. Ao trabalhar as representações discursivas e as práticas de letramento numa comunidade socialmente desfavorecida é possível entender como se dá o funcionamento da linguagem nesse grupo. Por meio da investigação social das práticas discursivas e das identidades sociais presentes nesse grupo de idosos é possível levar atividades de letramento que desenvolvam aprendizagens significativas que abarquem conteúdos fundamentais à sua inserção social. Isso constitui um dos grandes desafios para a educação de idosos. Dessa forma, esta pesquisa busca contribuir com ações que ajudem na promoção de práticas de letramento junto a pessoas idosas com um trabalho que tenha como objetivo valorizar a experiência e a vivência dessa faixa etária, iniciando um processo de letramento que os levará a se inserirem no mundo letrado, podendo eles desenvolver, assim, as suas capacidades intelectuais. O trabalho que pretendo empreender ancora-se nos pressupostos da Análise de Discurso Crítica (ADC), baseado principalmente em abordagens de Chouliaraki& Fairclough (1999) e Fairclough (2001), Van Dijk (2008) e Tompson (2011), na Teoria do Letramento e nos estudos sobre identidade, tendo como principal objetivo dar voz àqueles que a vida há muito reprimiu.Do ponto de vista metodológico, esta pesquisa é qualitativa de natureza etnográfica, tendo em vista ter esta pesquisa o objetivo de investigar as representações discursivas e as identidades sociais de pessoas idosas em situação de exclusão. Segundo Merriam (1998), os métodos qualitativos são os mais indicados para as investigações de perspectiva interpretativa ou crítica.

Palavras-chave: letramento; idosos; discursos; cidadania; ADC.

 

Minibiografia:

Edilan Kelma Nascimento Sousa é aluna de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Brasília (UnB), na área de Linguagem e Sociedade. Especialista em Revisão de Texto (Uniceub) e em Português Jurídico (Processus). Foi Professora de Língua Portuguesa de Educação Básica da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal – SEDF(2008-2010). Atualmente trabalha com Revisão de Texto no Tribunal Superior Eleitoral.


Comunicação 28

Discursos de Deputados Federais e Senadores do Tocantins e o Processo de Impedimento da Presidente Dilma Roussef

Autora:

Carina Aparecida Lima de Souza – Instituto Federal do Tocantins/Campus Palmas – carinalima@yahoo.com.br

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é analisar representações sociais e identificações de políticos do Estado do Tocantins no âmbito da esfera governamental federal brasileira. Para tanto, compõem o corpus de análise gêneros discursivos midiáticos e institucionais, publicados nos anos de 2015 e 2016, acerca do processo de impedimento da presidente da república Dilma Rousseff e proferidos pelos deputados federais e senadores do Estado do Tocantins. Para tanto, através de uma abordagem de natureza qualitativa,descritiva e interpretativa, esta pesquisa possui como base a proposta teórico-metodológica da Análise do Discurso Crítica, de acordo com Fairclough (2003), uma análise linguisticamente orientada. Além disso, a análise da materialidade linguística está balizada teoricamente pela Linguística Sistêmico-Funcional, nos moldes de Halliday (1994) e Halliday e Matthiessen (2004).Faz-se necessário, pois, o desenvolvimento de pesquisas, como a proposta aqui, que investiguem as discursividades de representantes da sociedade na esfera governamental federal, principalmente, com o intuito de contribuir para elucidação dos posicionamentos políticos e ideológicos dos representantes da população na administração pública, como um meio de combate à corrupção para reverter um ciclo de desigualdades que tem se perpetuado ao longo da história do país. As pesquisas que buscam a compreensão de usos de linguagem, através dos novos jogos de relação política que se instauram no país, são importantes. Pode-se afirmar, ainda que de maneira preliminar, que a análise de representações linguístico-discursivas pode contribuir politicamente para elucidar posicionamentos sócio ideológicos de deputados federais e senadores do estado do Tocantins no que se refere ao processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff, bem como contribuir para o desenvolvimento dos estudos linguístico-discursivos no estado do Tocantins e no Brasil, além de favorecer a compreensão de questões políticas e sociais que se materializam através de usos diversos da linguagem.

Palavras-chave: Discursos, representações sociais; presidente Dilma Rousseff; processo de impedimento.

 

Minibiografia:

Carina Aparecida Lima de Souza é Doutora em Linguística pela Universidade de Brasília, Mestre em Letras: Teoria Literária e Crítica da Cultura pela Universidade Federal de São João Del Rei e Especialista em Linguística e Teoria Literária pela Universidade Federal de Viçosa. Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins/Campus Palmas. Membro do Grupo Brasileiro de Estudos de Discurso, Pobreza e Identidades (CNPq), que integra a Rede Latinoamericana de Estudos do Discurso da Pobreza Extrema (REDLAD). Líder do Grupo de Pesquisa Linguagem, Sociedade e Cultura (CNPq).


Comunicação 29

Publicidade  turística e a construção de imagens sobre um local

Autoras:

Denise Teresinha Machado Soares de Souza – Universidade do Estado do Amazona – denisetm.10@gmail.com

Orientadora:Neiva Maria Machado Soares

Co-orientadora:Elizete de Azevedo Kreutz

 

Resumo:

Nas publicidades turísticas, constroem-se discursos e representações sociais sobre determinado lugar e os atores sociais desse contexto. Segundo Dias (2003, p. 112), o turismo tem a característica de levar a diversos lugares um ator social (o turista) culturalmente diferente dos atores sociais locais (membros da comunidade receptora). Esses atores, quando se colocam frente a frente, constituindo um fato social particular denominado de fato turístico, tendem a reforçar seus laços identitários com suas respectivas comunidades. As práticas culturais aumentam seu valor social, consolidando sua função de simbolizar, identificando grupos culturais determinados.Esta análise contempla publicidades turísticas do site Visit Brasil, Embratur e Ministério do Turismo,cujo tema é a cidade de Manaus, Amazonas, Brasil. Pretende-se verificar como representações discursivas são construídas quando se trata de “vender” a cidade de Manaus e seu entorno. A perspectiva teórica apoia-se na Análise de Discurso Crítica fundamentada em Norman Fairclough (2001, 2003), ainda na teoria Sistêmico-Funcional de Halliday (1994) e também na Teoria da Avaliatividade, subsistema atitude (MARTIN; WHITE, 2005). A ADC é relevante por ultrapassar a descrição linguística e pelo seu interesse nas práticas sociais, assim, um olhar crítico sobre o modo de representação de um lugar revelará as marcas de poder presentes. O recorte da investigação toma como categorias analíticas relacionadas ao significado representacional, quanto aos atores sociais desse evento discursivo; e identificacional, quanto à identidade local revelada e os marcadores que sugerem avaliação sobre os atrativos locais. A análise tem revelado que os atores sociais presentes nesse discurso trazem um viés relacionado à natureza do local, construindo uma representação identitária sobre o mesmo; oléxicotende a apreciar positivamente elementos relacionados à “paisagem” local,construindo uma imagem naturalística da cidade e entorno para pessoas que não a conhecem, constitui-se, portanto, em um elemento de valoração do produto turístico.

Palavras-chave: Discurso turístico; Manaus; representações; atores sociais.

 

Minibiografia:

Denise Teresinha Machado Soares de Souza possui graduação em Letras- Português e Espanhol pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (2004). Especialização em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Amazonas (2006). É professora de Língua Portuguesa da Secretaria Municipal de Educação de Manaus. Participa do grupo de pesquisa Múltiplas Linguagens, Semiótica e Discurso na contemporaneidade (SDisCon).  Atualmente, é aluna regular do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas, nível mestrado acadêmico pela Universidade do Estado do Amazonas.


Comunicação 30

Panelaço: ícones sociais e representações multimodais no contexto sociopolítico brasileiro

Autora:

Juliana Ferreira Vassolér – Universidade de Brasíli – julianavassoler@hotmail.com

 

Resumo:

O estudo apresenta análise de representações multimodais como elemento de intertextualidade nas publicações midiáticas e discute como os discursos, permeados de metáforas, contribuem para a construção indentitária de ícones sociais. A metodologia é qualitativa (descritiva e interpretativa) e a análise concentra-se em um corpus constituído pelo texto “A voz do Brasil”, veiculado no dia 16 de maio de 2016, no jornal “ACapa”. Trata-se de um jornal constituído pela primeira e única página, na qual condensa notícias em título e imagens. Fundamenta-se nos pressupostos da  Análise de Discurso Crítica (FAIRCLOUGH, 1996, 2003), da Teoria de Atores Sociais (van LEEUWEN, 1997),  da Semiótica Social (KRESS, 2010) e da concepção de Metáfora  de Lakoff e  Johnson (2002). Os resultados demonstram que o texto analisado carrega marcas ideológicas que veiculam relações de poder, tanto dos produtores quanto dos receptores do texto. Veicula informações com consequências materiais, instrumentalizando mobilizações e provocações e sugere a identidade do leitor com o estrato social representado. Essa identidade absorve aspectos do contexto e sugere uma polarização da sociedade, na qual um lado é considerado em nível elevado de empoderamento e de consciência política e o outro é marginalizado e excluído das práticas sociais de caráter político. O texto “A voz do Brasil” estabelece uma relação de complementariedade à significação da metáfora construída com suporte na imagem e faz alusão ao noticiário radiofônico estatal, de difusão obrigatória em todas as emissoras do Brasil. O texto, portanto, expõe uma representação conceitual da  classe média brasileira retratada por panelas como ícone social, evidenciando atributos e identidades marcadas pelo contexto sociopolítico do país. Estabelece, assim, uma metáfora estabelecida pela ação da classe média brasileira, denominada panelaço como  voz do Brasil.

Palavras-chave: Panelaço; representações  multimodais; identidades.

 

Minibiografia:

Juliana Ferreira Vassolér é Professora de Língua Portuguesa da SEDF, desde 2003; licenciada em Letras- Português e Inglês e respectivas literaturas, pelo UniCEUB, em 2002; especialista em Língua e Literatura pela UEG, em 2005; especialista em Práticas de Letramento e Práticas Interdisciplinares pela Universidade de Brasília, em 2015; mestranda em Linguística pelo PPGL na Universidade de Brasília, em 2016.


Comunicação 31

Representações linguístico-discursivas de mulheres gestantes em situação prisional: uma análise de discurso crítica

Autoras:

Karina Mendes Nunes Viana – Instituição: Universidade de Brasília – UnB/ Instituto Federal de Brasília – IFB – karina.viana@ifb.edu.br

Orientadora: Maria Luiza Salles Coroa

 

Resumo:

Esta pesquisa se configura como uma análise de discurso crítica sobre representações linguístico-discursivas de mulheres gestantes em situação prisional em micronarrativas de vida, em notícias eletrônicas e em comentários eletrônicos. A perspectiva teórico-metodológica adotada fundamenta-se na Análise de Discurso Crítica (FAIRCLOUGH, 1992, 2001, 2003; CHOULIARAKI e FAIRCLOUGH, 1999; VAN DIJK, 2010; MAGALHÃES, 1996, 2000), com incursões nas Representações de Atores Sociais (VAN LEEUWEN, 1997, 2008), na Linguística Sistêmico-Funcional (HALLIDAY, 1994; HALLIDAY e MATHIESSEN, 2004), no Sistema de Avaliatividade (MARTIN e WHITE, 2005; VIAN JR., 2010), nos estudos sobre Identidades (HALL, 2000, 2007; WOODWARD, 2000; GIDDENS, 2002; BAUMAN, 2005; SILVA, 2000) e nos estudos sobre Gêneros Sociais (BEAUVOIR, 1980; BUTLER, 2015; SAFFIOTI, 1992, 2004). A partir de um viés qualitativo-interpretativista (DENZIN e LINCOLN, 1994, 2006; FLICK, 2009a, 2009b; WATSON-GEGEO 1988), os dados que constituem o corpus são provenientes da técnica de cristalização de dados (RICHARDSON, 1997, 2000), a partir da qual privilegiei a entrevista semiestruturada, a observação de campo e as análises sociais, textuais e discursivas. As análises linguístico-discursivas foram realizadas à luz da ADC e das categorias do sistema de transitividade, das redes de representações sociais e do sistema de avaliatividade. A partir de análises das representações autoatribuídas pelas mulheres gestantes em situação prisional, em suas micronarrativas de vida, é possível perceber traços linguístico-discursivos de identidades desejadas e, até mesmo, possíveis conflitos de identidade gerados pela relação com suas experiências marcadas pela pobreza, pela gravidez na adolescência e por estigmas de estima social e de sanção social. Assim, os resultados das análises das representações atribuídas a essas mulheres, em notícias eletrônicas e em comentários eletrônicos, apontam para o acionamento de repertórios discursivos que reforçam a construção de estigmas por estima social e que contribuem com a naturalização da exclusão social dessas mulheres.

Palavras-chave: Mulheres gestantes em situação prisional; representações; Análise de Discurso Crítica; Linguística Sistêmico-Funcional; Avaliatividade.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística pela Universidade de Brasília – UnB (2016). Mestre em Linguística Aplicada pela Universidade de Brasília – UnB (2011). Possui pós-graduação em Língua Inglesa pelas Faculdades Integradas de Jacarepaguá – FIJ/RJ (2008) e especialização em língua portuguesa e Linguística pela Faculdade da Terra de Brasília – FTB (2008). Licenciada em língua inglesa e língua portuguesa e respectivas literaturas pela Faculdade da Terra de Brasília (2006). Lecionou língua portuguesa em curso preparatório para concursos de nível médio durante três anos (2005-2008). Ministrou aulas de inglês e português no SESI/SENAI/DF atuando na Educação de Jovens e Adultos e na formação de professores de língua(s) (2008). Atuou como formadora de professores de língua inglesa da SEE/DF em convênio com a Fundação Roberto Marinho – FRM (2009). Exerceu o cargo de professora adjunta de Língua Portuguesa da Faculdade Alvorada por três anos (2010-2013). Foi professora militar do Colégio Militar de Brasília – 1º Tenente do Exército Brasileiro (2010-2014) e Professora-pesquisadora do Instituto Federal de Brasília (2013-2014). Atualmente, é docente da área de Letras Português e Inglês do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal de Brasília – IFB e atua na Licenciatura em Língua Inglesa. Dedica-se a pesquisas sobre análise do discurso de mulheres em situação prisional. É membro de comissão editorial da Revista Desempenho da UnB, revisora de textos da Revista REVELLI da Universidade de Inhumas. Afiliada à Associação de Linguística Aplicada do Brasil (ALAB) e à Sociedade Internacional de Português Língua Estrangeira (SIPLE) e ao Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade (NELiS) da Universidade de Brasília (UnB).