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Simpósio 44

SIMPÓSIO 44 – LÉXICO, DISCURSO E HISTÓRIA

 

Coordenadores:

Álvaro Antônio Caretta | Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP | alcaretta@yahoo.com.br

Elis de Almeida Cardoso | Universidade de São Paulo – USP | elisdacar@yahoo.com

Valéria Gil Condé | Universidade de São Paulo – USP | vgconde@usp.br

 

Resumo:

O Simpósio tem por objetivo reunir pesquisadores que trabalham com o léxico em diferentes perspectivas: semântica, morfológica, estilística, discursiva e histórica. Sua característica principal é a abordagem da palavra não em estado de dicionário, mas seu significado/função no contexto, pois entende-se que, para se segmentar o todo em suas partes constitutivas, há que se considerar a articulação e o significado globais do enunciado e os componentes da situação comunicativa, como contexto – linguístico e extralinguístico -, identidade dos sujeitos enunciadores e condições sócio-históricas.

O estudo do léxico, em perspectiva diacrônica, possibilita dar visibilidade a fatos de língua emudecidos pelo tempo. Não raras vezes, essa perspectiva não só elucida questões de uma língua no tempo presente, tais como as atualizações do léxico do ponto de vista semântico, como também identifica criações neológicas e conscientiza sobre o uso e manutenção de criações pretéritas.

Por meio da escolha lexical e da formação de unidades lexicais neológicas, pode-se compreender de que forma se atingem os aspectos ideológicos envolvidos em diferentes gêneros discursivos. Percebe-se, também, a intenção dos interlocutores; verifica-se a construção de campos léxico-semânticos; nota-se de que maneira ocorre a relação entre os elementos conceituais, que apresentam características objetivas da realidade, e os elementos afetivos, que obrigam considerar as posições de quem utiliza as unidades lexicais. Objetiva-se, então, mostrar que a escolha lexical está ligada à liberdade de expressão, à visão de mundo e a um momento sócio-histórico.

Palavras-chave: léxico, discurso, história, neologia, escolha lexical.

 

Minibiografias: 

Álvaro Antônio Caretta é doutor em Linguística pela Universidade de São Paulo e a atua como professor de Língua Portuguesa (graduação e pós-graduação) no curso de Letras da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Tem desenvolvido suas pesquisas na área de Análise do Discurso, direcionando sua pesquisa ao estudo da canção popular brasileira. É autor do livro Estudo dialógico-discursivo da canção popular brasileira (São Paulo, Annablume, 2013).

Elis de Almeida Cardoso é livre-docente pela Universidade de São Paulo, onde atua como professora na área de Filologia e Língua Portuguesa do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. Fez pós-doutorado na Universidade de Lisboa, em Portugal. É pesquisadora da linha de Estudos do Léxico e orientadora de trabalhos de mestrado e doutorado. Tem desenvolvido suas pesquisas nas áreas de Morfologia, Lexicologia e Estilística. É autora do livro Drummond: um criador de palavras (São Paulo, Annablume, 2013).

Valéria Gil Condé é doutora e professora da Universidade de São Paulo. Atua nas áreas de Filologia e Língua Portuguesa em nível de pós-graduação e Filologia Românica em nível de graduação. A sua pesquisa está vinculada a estudos do português comparados às línguas iberorromanicas com ênfase nos estudos históricos e morfológicos.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Estilo e posicionamento discursivo na representação da cidade de São Paulo na canção popular

 

Autor:

Álvaro Antônio Caretta – UNIFESP – alcaretta@yahoo.com.br

 

Resumo:

As pesquisas acadêmicas sobre a canção popular brasileira ganharam força nas últimas décadas. Pesquisadores filiados a diversas linhas teóricas tomaram a canção popular como objeto, conscientes da importância de investigar uma das principais representações da cultura brasileira. Os avanços das teorias discursivascontribuíram para que a canção popular fosse estudada tendo em vista a sua característica fundamental, a relação entre o componente linguístico e o musical; e compreendida em função de suas condições de produção. Nesta comunicação, estudaremos o papel da canção na constituição do imaginário da cidade de São Paulo, observando as relações dialógicas interdiscursivas, o ethos e o posicionamento interdiscursivo do enunciador na polêmica entre os discursos progressista e nostálgico. Observaremos a predominância do discurso ufanista-progressista na canção popular em torno das comemorações do quarto-centenário da cidade de São Paulo e a transformação do imaginário da cidade com o fim da febre ufanista, quando a retomada do discurso paródico na representação da cidade configura um novo interdiscurso e, consequentemente, um novo imaginário, que encontrará nos sambas de Adoniran Barbosa a sua mais completa tradução.

Palavras-chave: Discurso; canção popular; estilo; São Paulo.

 

Minibiografia:

 Álvaro Antônio Caretta é doutor em Linguística pela Universidade de São Paulo e a atua como professor de Língua Portuguesa (graduação e pós-graduação) no curso de Letras da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Tem desenvolvido suas pesquisas na área de Análise do Discurso, direcionando sua pesquisa ao estudo da canção popular brasileira. É autor do livro Estudo dialógico-discursivo da canção popular brasileira (São Paulo, Annablume, 2013). 


Comunicação 2

A representação da terra natal na poesia: léxico, discurso e memória

 

Autora:

Elis de Almeida Cardoso – Universidade de São Paulo – elisdacar@yahoo.com

 

Resumo:

A valorização dos costumes e da cultura regional sempre esteve presente no discurso literário, e cantar a terra natal sempre foi tema recorrente na poesia de todos os tempos. Escritores de várias épocas registraram em seus textos suas impressões sobre a terra onde nasceram e cresceram, apontando para seus aspectos geográficos, culturais, sociais. Características rurais e urbanas surgem na poesia, seja por meio de um vocabulário regional, seja por meio de uma seleção lexical própria e individual. Neste trabalho, pretende-se analisar as escolhas e criações lexicais de alguns poetas brasileiros, que, em sua obra, valorizaram e caracterizaram de forma particular sua terra natal. Essa visão de mundo particular, de onde emergem sentimentos diversos, rememorações e muita nostalgia será verificada por meio da análise da seleção lexical, levando-se em conta a intenção existente por trás das escolhas.  Com olhos voltados para sua cidade ou região, poetas modernos e contemporâneos ao cantar a terra natal trazem ao leitor, por meio de um estilo pessoal, impressões e julgamentos ora positivos, ora nem tanto. Na segunda fase do Modernismo, quando inúmeros autores passaram a valorizar não só os aspectos vinculados à identidade local na temática das obras, como também nas escolhas lexicais nelas presentes isso ocorre de forma até mais impositiva.  A terra natal pode ser considerada um símbolo da atmosfera cultural e afetiva vivida pelo poeta. Pretende-se, dessa forma, observar de que maneira as unidades lexicais utilizadas atendem às necessidades expressivas e à intenção do enunciador.

Palavras-chave: léxico; discurso; memória; terra natal.

 

Minibiografia:

Elis de Almeida Cardoso é livre-docente pela Universidade de São Paulo, onde atua como professora na área de Filologia e Língua Portuguesa do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. Fez pós-doutorado na Universidade de Lisboa, em Portugal. É pesquisadora da linha de Estudos do Léxico e orientadora de trabalhos de mestrado e doutorado. Tem desenvolvido suas pesquisas nas áreas de Morfologia, Lexicologia e Estilística. É autora do livro Drummond: um criador de palavras (São Paulo, Annablume, 2013). 


Comunicação 3

Estudo do léxico rosaliano em perspectivas sincrônica e diacrônica

Autora:

Valéria Gil Condé – USP – vgconde@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho pretende identificar as similitudes linguísticas lexicais entre o português e o galego modernos, duas culturas de matriz galego-portuguesa, dando continuidade a uma pesquisa já iniciado em um projeto intitulado “Galego e Português Brasileiro: história, variação e mudança” no qual pretendemos, através do gênero discursivo literário, investigar o léxico rosaliano que se insere no mundo minhoto-galego. O ponto de partida se deu através de Paz-Andrade em ‘A galecidade na obra de Guimarães Rosa (1978), no qual identifica marcas linguísticas que se inscrevem na porção noroeste da P. Ibérica, minhota-duriense e galega. Servirão de base comparativa, dicionários das referidas línguas, atlas linguístico e trabalhos dialetais. Destacamos os resultados a serem explorados,tais como identificação de léxico comum ao galego e português brasileiro modernos, presentes nas variedades culta e popular.

Palavras-chave: léxico rosaliano; estudos diacrônico e sincrônico.

 

Minibiografia:

Valéria Gil Condé  é doutora e professora da Universidade de São Paulo. Atua nas áreas de Filologia e Língua Portuguesa em nível de pós-graduação e Filologia Românica em nível de graduação. A sua pesquisa está vinculada a estudos do português comparados às línguas iberorromanicas com ênfase nos estudos históricos e morfológicos. 


Comunicação 4

Estudos de léxico e história da tradução: a identidade híbrida nos textos do Iluminismo luso-brasileiro

Autora:

Alessandra Ramos de Oliveira Harden – Universidade de Brasília – oliveira.ales@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação se insere no âmbito dos estudos com base no léxico sob uma perspectiva da historiografia da tradução para a língua portuguesa. De fundo diacrônico, o estudo aqui apresentado é parte de pesquisa mais ampla acerca da tradução no período do Iluminismo Luso-brasileiro. Nesse contexto, o objetivo é avaliar o papel dos tradutores envolvidos nesse processo e o uso que fizeram de elementos lexicais específicos, em especial de vocabúlario relacionado ao ideário iluminista. O material selecionado para essa análise provém do conjunto de obras proto-científicas publicadas pela Tipografia Arco do Cego entre 1799 e 1801, e dele fazem parte paratextos tradutórios e excertos de traduções feitas por José Mariano da Conceição Veloso, Manuel Jacinto Nogueira da Gama e outros “nascidos no Brasil” que vivam em Lisboa. Para tanto, faz-se uso de ferramentas de compilação de corpora do sistema COPA-TRAD (FERNANDES; SILVA, 2016), com o fim de identificar como esses tradutores se inseriram nos textos que produziram com base nas escolhas lexicais feitas. Por meio da análise desses usos em seu contexto textual, histórico e cultural, com fundamento nas noções de identidade híbrida (BABHA 1994), presença parcial (HALL, 1992) e especificidade da experiência colonial portuguesa (SANTOS 1992, 2002, 2003), fica clara na pesquisa a construção textual de um sujeito-tradutor dividido em suas afiliações ideológicas e culturais, ambivalente no que se refere tanto à renovação científica iluminista quanto à sua relação com Portugal e Brasil.  

Palavras-chave: Estudos lexicais; historiografia da tradução; tradutores do Iluminismo Luso-brasileiro; estudos de corpora; identidade híbrida.

 

Minibiografia:

Alessandra Ramos de Oliveira Harden é professora do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução da Universidade de Brasília, onde atua, na graduação, com ensino de tradução no par inglês-português e, no programa de pós-graduação, com pesquisa nas áreas de história e historiografia da tradução, tradução jurídica e tradução intersemiótica.


Comunicação 5

A derivação adjetival instanciada pelos prefixos anti-, des- e in- nas variedades do Português de Angola e do Português Europeu contemporâneo

 Autor:

Artur Osvaldo dos Santos, Universidade Católica de Angola/ FCSH da UniversidadeNova de Lisboa – artursantos5249@hotmail.com

 

Resumo:

Como se sabe, a prefixação é um processo bastante frequente na língua portuguesa e, a par da derivação sufixal e da composição, é um dos processos morfológicos que participa na inovação lexical.

O presente trabalho tem como objetivo o estudo de alguns prefixos no Português de Angola e no Português Europeu Contemporâneo, nomeadamente a descrição e análise dos prefixos de negação anti-, des- e in-,no que diz respeito às suas propriedades morfológicas, sintáticas e semânticas, prefixos estes que são dos mais frequentemente utilizados na formação de novas palavras derivadas por prefixação.

Pretende-se, pois, contribuir para o estudo da prefixação, a partir de um conjunto de prefixos caraterizados pela sua elevada rentabilidade, os quais conferem um valor de negação às bases adjetivais a que se juntam.

Para proceder ao levantamento dos derivados prefixais em que ocorrem estes prefixos, basear-me-ei num corpusque constituí, tendo selecionado para tal dois dos jornais de maior tiragem e de referência nos dois espaços lusófonos, ou seja o Jornal de Angola e o jornal Público.

Com este estudo, espero, assim, contribuir para um melhor conhecimento da derivação prefixal e da derivação em geral.

Palavras-chave: Formação de Palavras; Derivação; Prefixação; Português de Angola; Português Europeu Contemporâneo.

 

Minibiografia:

Artur Osvaldo dos Santos é membro e bolseiro da Universidade Católica de Angola. Atualmente, está a concluir a componente não letiva do mestrado em Ciências da Linguagem, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa.


Comunicação 6

Nomeação e definição de neologismos do português na literatura dos viajantes italianos dos séculos XVI e XVII

Autora:

Benilde Socreppa Schultz – UNIOESTE – perbeni@gmail.com

 

Resumo:

O estudo do léxico abrange as áreas entre a Lexicologia, a Lexicografia e a Terminologia, mas direciona-se a diversos segmentos cuja amplitude é difícil estabelecer, podendo-se estudá-lo e pesquisá-lo de diversas formas, de modo que pode ser analisado sob diferentes perspectivas. Os viajantes italianos que acompanhavam os portugueses nas grandes navegações registravam o nome dos objetos que viam, e ao mesmo tempo a definiam para que seu leitor pudesse ter uma representação mental dele. Normalmente, nessas nomeações no interior das narrativas, existe uma estreita ligação entre o nomear e o narrar: ao mesmo tempo em que nomeia, o viajante qualifica a coisa, dando sentido a ela. A nomeação e a legitimação deste léxico está presente em todos os viajantes e vai além, pois ao nomear, ao mesmo tempo também define o objeto, definição esta, que se não está dentro dos parâmetros lexicográficos atuais, é muito parecida com as definições dos primeiros dicionários históricos (Crusca, Bluteau, Morais e Silva etc.), especificando detalhes da morfologia do objeto nomeado (SCHULTZ, 2016). Nesta comunicação pretendemos apresentar um recorte de nossa pesquisa de doutorado, na qualexaminamos as nomeações e definições presentes nos escritos, mostrando como cada viajante, ao nomear e relatar o objeto, expõe também a sua visão de mundo naquele preciso momento histórico.

Palavras-chave: nomeação; definição; neologia; viajantes italianos; história.

 

Minibiografia:

Professora Adjunta do Centro de Comunicação e Artes – CECA – da UNIOESTE – Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Cascavel. Graduação em  Letras – UFPR.  Especialização em Didática da Língua Italiana – U.S. di Reggio Calabria. Mestrado em Letras – USP. Doutorado em Letras  –  USP.


Comunicação 7

Ethos militar: percurso de um termo na construção de uma visão de mundo

Autora:

Claudia Sousa Antunes – Universidade da Força Aérea (UNIFA) -claudia.sousa@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho pretende abordar a noção de ethos militar em seu relacionamento com o “modo de ser” dos militares e suas tradições culturais. Tem-se por objetivo demonstrar como o conceito de ethos militar se inter-relacionacom as condições sócio-históricas em que está inserido. Pretende-se demonstrar como este conceito colabora para a construçãoda identidade dos sujeitos, conferindo características específicas a seus membros, definindo sua forma de pensar e agir e influenciando sua relação com o espaço externo à instituição militar. A partir da abordagem da palavra em contexto, é possível demonstrar sua interferência no papel desempenhado por seus atores sociais – militares e civis – em suas interações com as transformações ocorridas nas últimas décadas, tanto no que diz respeito aos aspectos históricos, quanto na atualidade, além de indicar rumos para o futuro. Como conjunto de características, atitudes e hábitos de um determinado grupo racial, ocupacional, político, o conceito de ethos é definido em uma perspectiva social. Considera-se o conceito de ethosaproximado ao de habitus (hexis) como qualidades adquiridas, as disposições permanentes (Aristóteles) e, ainda, o estado de coisas que orienta a disposição e as ações dos indivíduos de forma durável.Esse enfoque demonstra o modo destes se adaptarem e viverem em um meio social e, ainda, o sistema de esquemas internalizados que constituem a cultura de um determinado grupo.

Palavras-chave: Ethos; Militar; Cultura; Instituição; Discurso.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras (Português Literaturas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1988), Mestrado em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1997) e Doutorado em Letras (Letras Vernáculas) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (2016). Atualmente, é Professora Adjunta da Universidade da Força Aérea (UNIFA) e pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Ciências Aeroespaciais (NEICA).


Comunicação 8

A cultura vaqueira no Ceará–Brasil: um estudo léxico-semântico

Autores: 

Ticiane Rodrigues Nunes – Universidade Estadual do Ceará – tixciane@yahoo.com.br

Expedito Eloísio Ximenes – Universidade Estadual do Ceará – eleisio22@hotmail.com

 

Resumo:

Estudar o léxico do vaqueiro do sertão do Ceará como um patrimônio linguístico ehistóricocontribui, sobremaneira, para a divulgação e para o reconhecimento da cultura desse grupo social que desbrava o sertão cearense desde os primórdios da colonização. Diante da importância do vaqueiro perante o contexto de formação e de desenvolvimento do estado do Ceará, propomos um estudoléxico-semântico das narrativas deste ator social com um viés teórico pautado na teoria dos estudos culturais (BAUMAN, 2005; 2013), dos campos lexicais (COSERIU, 1981; 1978; ABBADE, 2009)e da Linguística Aplicada (MOITA LOPES, 2006; 2013). Para tanto, alvitramos uma metodologia que contempla procedimentos etnográficos e que permite uma participação in loco de vaqueirosde dois municípios cearenses, Canindé, no sertão central, e Morada Nova, no vale do rio Jaguaribe. Os vaqueiros participam de uma entrevista semiestruturada que os indaga sobre aspectos rotineiros e que os propicia narrar causos e outros acontecimentos relevantes para a percepção das lexias presentes no discurso do vaqueiro entrevistado e inerentes à realidade linguística vivenciada por esses atores. Os participantes da pesquisa expõem em suas narrativas traços marcantes de sua cultura e que trazem consigo a carga semântica que traduz a importância da atividade laboral do vaqueirono contexto do sertão. A partir do estudo léxico-semântico daculturavaqueira, almejamos resgatar a realidade vivida por eles no sertão do Ceará e disseminar, através dos estudos léxico-semânticos, a sualinguagemcomo um meio de fortalecimento da cultura cearense contemporânea.Como resultados parciais, podemos observar que o repertório lexical que representa a cultura vaqueira tem como traços marcantes a religiosidade, a sobrevivência, a diversidade de atividades laborais e o conhecimento do ambiente habitado, visto que esse repertóriolexical contribui significativamente para a manutenção da cultura vaqueira passada de geração em geração.

Palavras-chave: Vaqueiro; Narrativas; Cultura; Léxico-semântica.

 

Minibiografias:

Ticiane Rodrigues Nunes  é graduada em letras (2008), especialista em Ensino de Língua Portuguesa (2011) e mestre em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual do Ceará (2014). Atualmente é vice-lider do grupo de pesquisa PRAETECE – Práticas de Edições de Textos do Estado do Ceará, coordenado pelo Prof. Dr. Expedito Eloísio Ximenes, e membro dos grupos LETENS e TRADICE.Atua principalmente nos seguintes temas: Filologia, Léxico, Cultura, campos lexicais e dicionários.

Expedito Eloísio Ximenes  é graduado em Letras (1997)pela Universidade Estadual do Ceará, especialista em Filologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2011), mestre(2004) e doutor(2009) em Linguística pela Universidade Federal do Ceará, com estágio na Universidade de Lisboa. Atualmente é professor adjunto nível I da Universidade Estadual do Ceará, atuando principalmente nos seguintes temas: Língua Latina, Língua Portuguesa, Linguística Histórica, Filologia Românica, Edição e análise de textos manuscritos. É também vice-líder dos grupos de pesquisa TRADICE e Crítica Textual e líder do grupo PRAETECE.


Comunicação 9

O léxico da pesca na vila dos pescadores de Ajuruteua (Pará-Brasil): uma abordagem socioterminológica

Autora:

Juciany de Lima Soares – UFPA – jucianysoares@yahoo.com.br

 

Resumo:

Neste trabalho, nos propomos a apresentar o léxico da atividade pesqueira, utilizado por socioprofissionais na comunidade Vila dos Pescadores de Ajuruteua, da cidade de Bragança, estado do Pará (Brasil). As unidades lexicais e os seus significados foram identificados em seu contexto de uso, e registrados em um glossário. O percurso metodológico adotado nesta pesquisa apoia-se nos procedimentos teórico-metodológicos da Socioterminologia, propostos por Gaudin (1993) e Faulstich (1995,1998,2001,2006), perspectiva que considera o fator social e o fenômeno da variação linguística no estudo de línguas de especialidade, e propõe analisá-las e descrevê-las considerando os contextos em que são utilizadas. O corpus desta pesquisa constitui-se de entrevistas e conversas informais, realizadas com 14 pescadores e marreteiros que desenvolvem as suas atividades através das experiências no meio natural, por meio dos saberes a que tiveram acesso de modo tradicional. Os textos orais foram transcritos grafematicamente, segundo as normas extraídas de Castilho e Preti (1986 apud Fávero et al, 2000). A seleção e o registro das unidades lexicais especializadas que constam no repertório, foram realizados com o auxílio dos programas computacionais: WordSmith Tools 6.0 eLexique Pro 3.6.  A pesquisa, além de possibilitar o registro da terminologia da pesca, atividade que apresenta considerável relevância socioeconômica e cultural para a região bragantina, contribui para os estudos sobre o léxico especializado na região.

Palavras-chave: Léxico especializado; Pesca; Ajuruteua (Bragança-Pará); Socioterminologi;. Glossário.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras, com habilitação em Lingua Portuguesa (2008), pela Universidade Federal do Pará; e especialização em Ensino e Aprendizagem de Língua Portuguesa e Literaturas (2010), pela Universidade Federal do Pará. É mestranda do Programa de Pós-Graduação em Linguagens e Saberes na Amazônia da Universidade Federal do Pará.


Comunicação 10

Melhor Idade, Terceira Idade ou Idoso: uma problematização discursiva do léxico

 Autora:

Daniela Polla – Universidade Estadual de Maringá- danielapolla2@gmail.com

 

Resumo:

Na atualidade, na mídia brasileira, os idosos são objetivados como ativos, como dominando as novas tecnologias e interessados em manter a beleza na terceira idade. Tomando essa objetivação como condição de possibilidade, este estudo objetiva analisar a instabilidade nas formas de designação da fase da vida que inicia, à luz do Estatuto do Idoso do Brasil, aos sessenta anos. Tal empreendimento será realizado por meio da análise enunciativa desenvolvida a partir das contribuições teóricas e metodológicas de Michel Foucault. Partindo de um item das investigações desenvolvidas para a pesquisa de mestrado, nestetrabalho será realizada a análise discursiva dos léxicos empregados para se referir aos sujeitos com mais de sessenta anos, especificamente as designações: “melhor idade”, “terceira idade” e “idoso”. Com vistas a observar as objetivações resultantes de cada um destes empregos distintos, foram coletados enunciados do discurso midiático e realizado batimento descritivo-analítico com vistas a perceber as objetivações, referenciais, posições sujeito e domínio associado a cada um desses léxicos empregados para se referir aos sujeitos com mais de sessenta anos.Para tanto, mobilizam-se os conceitos de enunciado, função enunciativa, objetivação discursiva e dispositivo. Por meio da análise da série enunciativa midiática coletada pode-se observar que, na atualidade, as designações “terceira idade” e “idoso” aparecem como uma espécie de “padrão” e como expressões mais polidas do que o léxico “velho(a)”, já a expressão “melhor idade” é entendida com certo preconceito, uma vez que nesta fase da vida uma série de problemas e patologias aparecem, dificultando a objetivação de que se trate da melhor de todas as etapas da vida. Importa destacar ainda a relevância do dispositivo midiático para a estabilização do léxico adequado para fazer referência aos sujeitos com mais de sessenta anos, bem como para a objetivação discursiva e, por consequência, histórica de idoso na atualidade.

Palavras-chave: léxico; discurso; Michel Foucault; idoso.

 

Minibiografia:

Daniela Polla – Graduada em Comunicação Social – Hab. Jornalismo (2010), pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Mestre em Letras (2013), pela Universidade Estadual de Maringá-PR (UEM). Doutoranda em Letras (Início em 2014), pela UEM. Professora colaboradora do Departamento de Fundamentos da Educação/UEM. Atualmente realiza pesquisas empregando a análise enunciativa desenvolvida a partir das contribuições de Michel Foucault, especialmente para pensar questões atinentes aos sujeitos idosos e da educação.


Comunicação 11

A pesquisa acadêmica em secretariado no Brasil: uma análise discursiva do acontecimento

Autores:

Juliana HORTELÃ – PG-UEM – juhortela@gmail.com

Aline CANTAROTTI – PG-UNESP/CAPES – acantarroti@uem.br

 

Resumo:

A pesquisa científica em Secretariado no Brasil vem conquistando cada vez mais espaço, especialmente nos últimos anos, sendo que professores e alunos têm reagido a demanda do fortalecimento da área, contribuindo para a construção de uma base teórico-cientifica própria do curso para a busca de sua efetivação como área de conhecimento reconhecida na comunidade científica brasileira. Nessas condições de possibilidade, propomos como objetivo discutir três grandes acontecimentos que fomentaram o desenvolvimento da pesquisa em Secretariado no Brasil: a ocorrência de eventos científicos em âmbito nacional, criação da Associação Brasileira de Pesquisa em Secretariado (ABPSEC) e a publicação de dois livros que tratam, especificamente, sobre a pesquisa na área. Para cumprir a referida proposta de análise, nos apropriaremos dos conceitos foucaultianos de acontecimento e função enunciativa, reunidos na conhecida “caixa de ferramentas”, a obra “A Arqueologia do Saber”. Na perspectiva de Foucault (2008), o discurso deve ser concebido como acontecimento; no entanto, nem todos os acontecimentos possuem o mesmo status, ou seja, a mesma força de mudança. Em vista disso, trabalha-se em termos de extratos de acontecimentos. Vale ressaltar a relação que os acontecimentos mantêm com aspectos das esferas social, política e histórica. Disso decorre a concepção de discurso como algo da ordem da língua e algo da ordem da história, extrapolando a materialidade linguística, desdobrando-se à constituição dos discursos, e à possibilidade de sua enunciação. Assim, pode-se perceber que os acontecimentos discursivos analisados contribuem para a busca da consolidação do Secretariado Executivo como área reconhecida de conhecimento científico.

Palavras-chave: Análise do Discurso; acontecimento; Secretariado Executivo; pesquisa científica.

 

Minibiografias:

Autor 01 – Mestranda em Letras/ Linguística – Linha de pesquisa Texto e Discurso da Universidade Estadual de Maringá. Bacharel em Secretariado Executivo Trilingue pela UNESPAR-FECEA – Faculdade de Ciências Econômicas de Apucarana (2007). Especialista em “Gestão Estratégica de Empresas” (2010), e também “Docência no Ensino Superior”(2012), ambas pelo Instituto Paranaense de Ensino. Atualmente desenvolve pesquisas nas áreas de Estudos Linguísticos e Estudos do Secretariado Executivo. Trabalha especificamente desenvolvendo pesquisas em Análise do Discurso de linha francesa, utilizando esta teoria para contribuir nos estudos epistemológicos em Secretariado. Integrante dos grupos de estudos: Grupo de Estudo Foucaulteanos GEF-UEM, e Grupo de Estudo em Secretariado Executivo Trilingue – GESET-UEM. É Professora Assistente colaboradora do Departamento de Letras Modernas (DLM) – curso de Secretariado Executivo Trilingue na Universidade Estadual de Maringá.

Autor 02 – Licenciada em Letras Português/Inglês, bacharel em Tradução e bacharel em Secretariado Executivo Trilingue pela Universidade Estadual de Maringá. Especialista em Educação Profissional e EJA pelo Instituto Paranaense de Ensino. Mestre em Estudos da Linguagem pela Universidade Estadual de Londrina (2007). Doutoranda em Estudos Linguisticos (Estudos da Tradução) pela Unesp – São José do Rio Preto. Docente na Universidade Estadual de Maringá, do quadro efetivo de professores, ministrando disciplinas da área de língua inglesa nos cursos de Letras e Secretariado Executivo. Atuou como coordenadora do curso de Secretariado Executivo Trilingue da Universidade Estadual de Maringá de 2011 a 2014. Ministra cursos e palestras também na área de excelência da atuação do profissional de secretariado. Coordenou o Projeto de Pesquisa GESET – Grupos de Estudos do Secretariado Executivo Trilingue/UEM de 2010 a 2014. É parecerista das revistas Expectativa, GESEC – Gestão e Secretariado e Secretariado Executivo em Revista nas áreas de Letras/Línguas Estrangeiras e Ensino e Secretariado. Sócia-fundadora e membro do conselho fiscal da ABPSEC – Associação Brasileira de Pesquisa em Secretariado. Tem especial interesse pela área de ensino e aprendizagem de língua estrangeira, formação de professores, tradução com ênfase em tradução e ensino e pesquisa na área secretarial.


 Comunicação  12

 Ampliação lexical, variação linguística e música brasileira

Autores:

Adriana Cristina Cristianini – Universidade Federal de Uberlândia – adriana.cristianini@gmail.com

Sandro de Carvalho Teles – Universidade Federal de Uberlândia – sandroteles.ufu@gmail.com

 

Resumo:

A presente comunicação objetiva o desenvolvimento do projeto “A música brasileira como instrumento para a ampliação lexical de estudantes do 9.º ano do Ensino Fundamental: uma proposta de CD interativo”. Tal projeto construiu-se como proposta de intervenção junto a alunos da educação básicapara a criação de protótipo de um CD interativo, visando à ampliação do acervo lexical e do conhecimento acerca da variação linguística do idioma.Como parte do processo, buscou-se, também, refletir com os alunos a relação entre as escolhas lexicais e os contextos sócio-histórico-linguístico-culturais em que o discurso está inserido. Para tanto, o estudo se fundamentou teoricamente nas abordagens:de léxico e lexicologia trazidas por Barbosa (1978, 1981, 1989), Biderman (2001), Dias (2004) e Pauliukonis (2007);de história da música brasileira, perpassando pelos diversos estilos, como o rock, o samba, a bossa nova, a MPB, entre outros, e sua aplicação no ensino, tendo como referencial Diniz e Cunha (2014), Bryan eVillari (2014), Severiano (2013) e Padovan Jr. (2015); ede aspecto multissemiótico, presente no produto almejado, em Rojo e Moura (2012) e Marcuschi e Xavier (2010). A temática é abrangente de forma tal que, no que se refere ao ensino de Língua Portuguesa, além de fundamentos teóricos, o trabalho pautou-se nos preceitos dos Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) brasileirosquanto ao ensino/aprendizagem lexical e a reflexão sobre a variação semântico-lexical marcante de nossa língua. O que se pretendeu com este projeto, entre outros objetivos, foi demonstrar que a música pode ser usada em sala de aula de forma mais proveitosa e prazerosa, indo além de pretexto para o estudo de gramática ou de figuras de linguagem.Os itens lexicais presentes em letras das canções, muitas vezesininteligíveis aos estudantes, podem ser transformados em ampliação lexical e reflexão do quão rica é a nossa língua. 

Palavras-chave: Léxico; Ampliação lexical; Escolha lexical; Ensino/aprendizagem; Música brasileira.

 

Minibiografias:

Autor 01: Doutora em Linguística pela Universidade de São Paulo – USP (2007). Atuou, por mais de 25 anos, como professora de Educação Básica (1989-2008); professora de Ensino Superior em instituições da rede privada de ensino (2000-2011); e como professora tutora do PEC – Formação Universitária, vinculada à Universidade Estadual Paulista – UNESP (2001-2002). Atualmente é professora da Universidade Federal de Uberlândia – UFU, atuando na graduação e na pós-graduação.

Autor 02: Mestrando em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Especialista em Língua Portuguesa pela Universo (2003).Atua como professor de Educação Básica e Ensino Superior em instituições das redes pública e privada de ensino (desde 1999); tem experiência na área de Letras, com ênfase em Revisão de Textos Diversos, Literatura, Gramática da Língua Portuguesa.


Comunicação 13

Autos de defloramento: léxico, história e cultura

Autora:

Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz – Universidade Estadual de Feira de Santana-UEFS – rcrqueiroz@uol.com.br

 

Resumo:

O estudo de documentos antigos representa a conservação da memória de um povo, pois através daqueles pode-se enveredar pela história cultural, política, religiosa e ideológica de um determinado grupo social, sendo o léxico o repositório desse engendramento sócio-histórico, cultural e linguístico. Nesse sentido, analisar o vocabulário contido em autos de defloramento do início do século XX, documentos jurídicos que relatam histórias de jovens menores desvirginadas e que denunciam seus agressores através da justiça, é enveredar pelas teias que ligam o léxico à cultura e às relações de poder que permeavam a sociedade brasileira dos primeiros anos da República. Este estudo está intrinsecamente baseado nos aportes de diversas ciências, como a Filologia, no viés que trata da edição de textos; a Lexicologia, a qual fornece os subsídios para que se possa fazer as devidas análises do vocabulário; a História Cultural junto com a Antropologia, que possibilita as argumentações acerca da interpretações culturais da experiência histórica e humana; dentre outras. No Brasil, há uma gama de documentos à espera de recuperação e, posteriores estudos, de modo que o patrimônio histórico-cultural de uma sociedade até então desconhecida seja desvendado, divulgado e respeitado. Sendo assim, pretende-se com este trabalho apresentar as análises sobre o vocabulário contido em autos de defloramento e suas imbricações socioculturais.

Palavras-chave: Autos de defloramento; Léxico; História; Cultura.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras Vernáculas e Mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Doutora em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). Professora Pleno da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Orientadora de estudantes de Iniciação Científica e Pós-graduação Lato Sensu (Especialização) e Strito Sensu(Mestrado Acadêmico).


 Comunicação 14

Elemento negativo e subversão à norma em derivações prefixais: marcas de discursividade e denúncia socialnas criações lexicais cabralinas

Autora:

Rosana Maria Sant’Ana Cotrim – Universidade Federal de Goiás –  rocotrim@ufg.br

 

Resumo:

As criações lexicais literárias, concebidas como neologia estilística pelos pressupostos da estilística léxica, podem ser compreendidas como um recurso discursivo capaz de provocar efeitos de sentidopelo desvelamento de vozes e do lugar discursivo de onde se enunciae tambémevidenciar estilo(s) nos gêneros literários. Este trabalho tem por objetivo apresentar um recorte da análise das criações lexicais presentes na poética de João Cabral de Melo Neto,fundamentadana Lexicologia para recolha, classificação e análise das unidades léxicas criadas e na Estilística Léxica para verificação dos efeitos de sentido por elas alcançados no discurso em que se inserem. Assim, partindo do pressuposto de que a produção cabralina, enquadrada na terceira fase do Modernismo Brasileiro e resultante principalmente da capacidade do poeta de manipulação da linguagem, é pautada no rigor da linguagem por meio da “forma construída”,busca-se demonstrar como as unidades léxicas criadas por processo de derivação prefixal, a partir dos prefixos anti-, des-, sub-, i-, in-, contra-,não– equase-,fazem sentidonos respectivos enunciados, tantopela expressão do elemento negativo quanto pela subversão à norma no processo de criaçãolexical, dada a irregularidade das bases a que se ligam. Aanálise aponta que, de modo geral, a recorrência de criações lexicais na poética de João Cabral participa da consubstanciação de uma de suas maiores qualidades: a superação da dicotomia entre expressão e construção; e, de modo particular, que a presença do elemento negativo nas prefixações, aliada ao fenômeno da subversão à norma nesse processo de criação lexical,corroboram para a constituição da temática da denúncia social,seja no trato com a metalinguagem, seja na abordagem das mazelas sociais nordestinas, tais como a seca, o latifúndio canavieiro, a miséria e a “morte e vida” deles resultantes, entre outros.

Palavras-chave: criações lexicais; gênero literário; discursividade; negatividade; denúncia social.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista, Campus de Araraquara (UNESP/FCLAr). Professora Adjunta da Universidade Federal de Goiás, na Unidade Acadêmica Especial de Ciência Humanas (UFG/UAECH). Desenvolve pesquisas em Lexicologia – Estudos do Léxico, nos temas: criação lexical, estilística léxica e léxico de especialidade e em Análise do Discurso de linha francesa, nos temas: subjetividade e enunciação.


Comunicação 15

Identidade, historicidade e expressividade no léxico do romance Kararaô, de Walter Freitas

Autor:

Wenceslau Otero Alonso Júnior  – UEPA –  w.alonso.jr@hotmail.com

 

Resumo:

Explicação do uso expressivo, histórico e identitário que faz o autor Walter Freitas, em seu romance Kararaô, de palavras do léxico da região nordeste do Estado do Pará, ausentes hoje no Português Brasileiro praticado pelas gerações dos falantes dessa região nascidos a partir dos anos 90 do século XX, mas presentes ainda na comunicação cotidiana dos que nela vivem e construíram seu corpus lexical antes da entrada maciça da televisão em sua área linguística, localizáveis inclusive, como se demonstrará, em autores portugueses do século XVI e XIX, como Gil Vicente e Camilo Castelo Branco, por exemplo. Perdidas as suas origens, tais palavras, conservadas no romance, dão a ele uma expressividade especial, ao mesmo tempo que ajudam a caracterizar a identidade e a historicidade de seus personagens, que a análise lexical do romance pretende esclarecer. O estudo do léxico de um romance, concebido a partir das correlações entre identidade, história e expressividade é um setor da Estilística a demandar neste momento, ainda investigações que contribuam para a possível construção de um procedimento analítico mais organicamente estabelecido.

Palavras-chave: Léxico; Expressividade literária; Romance; Identidade; Historicidade.

 

Minibiografia:

Doutorando do convênio USP/UEPA. Professor titular de Literatura da Universidade do Estado do Pará. Coordenador de TCCs do Curso de Letras e da Pós-graduação lato sensu  em Estudos Linguísticos e Análise Literária da mesma instituição. Autor de prefácios e introduções para obras de autores das Literaturas brasileira e portuguesa, e do Jornal das Leituras, em que já analisou sessenta obras de autores luso-brasileiros. Contista premiado com o 1º lugar no Concurso de Contos da Universidade Federal do Pará dos anos de 2002 e 2003.


Comunicação 16

Léxico, variação linguística e terminologia: estudo dos termos hanseníase e lepra em Português Brasileiro e Português Europeu

 Autores:

Márcia de Souza Luz-Freitas – UNIFEI/USP – luzfreitas@gmail.com

Pâmela Teixeira Ribeiro – UNIFEI/USP – pamela.t.ribeiro@gmail.com

Mariângela de Araújo – USP – armariangela@yahoo.com.br

José Alberto Ferreira Filho – UNIFEI – jaffgdm@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho aborda a identificação de unidades lexicais especializadas (ULE) relativas à doença hanseníase no Português Brasileiro (PB) e suas correspondentes e equivalentes em Português Europeu (PE) conforme proposto na Global Medical Device Nomenclature(GMDN).O estudo faz parte de uma pesquisa mais ampla resultante do protocolo de cooperação firmado entre a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) e a GMDNe justifica-se pela necessidade de um sistema de identificação única de produtos para saúde, a Unique Device Identification(UDI).O objetivo desta exposição, que se fundamenta teórica e metodologicamente na lexicologia e na terminologia, é analisar comparativamente os termos identificados nas duas variantes. Constituem oscorpora de análise artigos científicos, textos legais e de divulgação científica e a base daGMDN, de cujo total de 24.000 termos cerca de 10.000 estão traduzidos para o PE (nenhum deles apresentado como pertencente aoPB).Para a investigação da variação linguística e a identificação de ULE, criou-se onomasiologicamente uma árvore conceitual, por meio da ferramenta cmaptools. Destacam-se como principais resultados: a) a ocorrência do termo lepra para a designação da doença na GMDN, em oposição ao uso do termo hanseníase estabelecido em lei no Brasil; b) o percurso histórico da terminologia oficial no Brasil para substituição do termo lepra pelo termo hanseníase; c) a visão desestigmatizadora preconizada nos documentos que justificam o emprego de hanseníase; d) a sugestão de formação de neologismo; e) o elenco de termos derivados tanto de uma quanto de outra variante; f) a abrangência internacional conquistada pela proposta de substituição terminológica; g) as iniciativas de planificação linguística. A discussão dos resultados leva a concluir que, além da constatação da necessidade de estandardização em domínios prioritários como as ciências da saúde, conceitos e termos sofrem variação devido ao dinamismo da língua, à diversidade discursiva e a aspectos sociais e cognitivos.

Palavras-chave: Léxico. Terminologia. Unidades Léxicas Especializadas (ULE). Lepra. Hanseníase.

 

Minibiografias:

Márcia de Souza Luz Freitas: Graduada em Letras, é doutoranda em Filologia e Língua Portuguesa na Universidade de São Paulo (USP) e participa do Projeto TermNeo (Observatório de Neologismos do Português Brasileiro Contemporâneo). É professora da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), na qual atua no Grupo de Pesquisa em Educação e Humanidades e na linha de pesquisa Terminologia em Dispositivos Médicos, do Grupo de Pesquisa em Engenharia Biomédica.

Pâmela Teixeira Ribeiro: É licenciada em Letras pelo Centro Universitário de Itajubá – FEPI, mestra pelo Programa de Filologia e Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo (USP) e doutoranda no mesmo programa. A linha de pesquisa em que atua é Lexicologia, Lexicografia e Terminologia de discursos especializados e atua no Grupo de Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI). Atualmente é Secretária Executiva na UNIFEI.

Mariângela de Araújo: Bacharel em Letras e licenciada em Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). Émestra e doutora em Filologia e Língua Portuguesa (USP). Realizou Estágio de Pós-Doutorado na Universidade Nova de Lisboa. Atualmente é professora doutora do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da USP. Tem experiência na área de Letras, atuando principalmente nos seguintes temas: Terminologia, Lexicologia e Neologia em língua portuguesa.

José Alberto Ferreira Filho: É professor da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI). É engenheiro eletrônico e biomédico. Desenvolve pesquisa na área de terminologia de produtos para saúde e é membro do Grupo de Pesquisa em Engenharia Biomédica da UNIFEI.


Comunicação 17

O universo feminino pela revista Claudia: um estudo léxico-cultural

 Autora:

Vanessa Regina Duarte Xavier –  Universidade Federal de Goiás – vrdxavier@gmail.com

 

Resumo:

Esta investigação tem por base a indiscutível inter-influência entre léxico e sociedade, como bem observou Benveniste (1989). Nesse sentido, propõe o inventário de substantivos e adjetivos presentes na revista Claudia, mais especificamente na edição de novembro de 2016, de modo a entender as concepções ideológicas e culturais em torno da mulher brasileira, que se delineiam nos textos que compõem a revista. A estruturação do léxico da revista em campos lexicais permitirá vislumbrar os valores e crenças que permeiam o universo feminino e quais são os temas que lhe interessam, a julgar pelo conteúdo abordado pelo material deste estudo. Além disso, crê-se que as escolhas lexicais se relacionam com o perfil do público-alvo da revista, principal publicação feminina brasileira, que existe há cinquenta e cinco anos e se autodefine como “a mais completa revista feminina”. O estudo tem como suporte teórico os postulados da Semântica Estrutural, presentes em Coseriu (1977), Geckeler (1976) etc. É nosso intuito, ainda, realizar um cotejo entre os dados obtidos neste estudo e os analisados por Cerântola (2009), em seu trabalho sobre o léxico da revista supracitada do ano de 1961 a 1969. Assim, espera-se que o léxico em estudo revele problemas e preocupações da mulher do século XXI. Há que se levar em conta, em sua análise, o contexto sócio-histórico em que a publicação circula, em contraste com o que circundava a revista na década de 60 do século XX. A relevância deste trabalho consiste em refletir sobre a condição feminina na atualidade, tendo em vista a mudança dos papéis desempenhados pela mulher nos últimos anos. Portanto, enseja-se que as escolhas lexicais da revista em análise demonstrem as transformações ocorridas no plano social ao qual se vinculam.

Palavras-chave: Mulher.; Léxico; Cultura; Revista Feminina.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras pela UFG/RC (2007), doutora em Letras pela USP (2012) e pós-doutora pela UFG/RC (2015). Professora da UFG/RC e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPGEL). Pesquisadora participante do “Grupo de Estudos e Pesquisas em História do Português”. Atua nas áreas de Linguística e Filologia, com ênfase em Lexicologia.


Comunicação 18

Aspectos da cultura sertaneja representada em textos literários: um olhar lexicológico

 Autora:

Maria da Conceição Reis Teixeira – Universidade do Estado da Bahia – conceicaoreis@terra.com.br

 

Resumo:

No presente trabalho, almeja-se apresentar aspectos da cultura sertaneja a partir de um estudo do léxico representativo da cultura sertaneja documentados por três autores baianos, Jorge Amado, Euclides Neto, João Gumes. A análise do léxico contido nos textos literários e sua organização em campos macro e microcampos lexicais, à luz da teoria dos campos lexicais proposta por Coseriu ([1977] 1986) permitem entrever a interseção entre o estudo do léxico com o conjunto de valores através dos quais se manifestam as relações entre indivíduos de um mesmo grupo que partilham cultura, língua, crenças, costumes. Jorge Amado, Euclides Neto, João Gumes ao retratar, em Seara vermelha, Os Magros e Sampauleiro, respectivamente, a situação dos trabalhadores rurais, trazem para a sua narrativa a representação da cultura sertaneja que se constitui em uma das principais fontes de identidade cultural do povo sertanejo, que partilha as mesmas atitudes, características de um grupo social, fazendo-os se sentirem mais próximos e semelhantes. Tal representação só foi possível em função do uso da linguagem. A língua facultou aos três autores baianos estabelecer a relação indivíduo-sociedade-identidade e cultura. Adquirir uma língua significa fazer parte de uma tradição, compartilhar uma história e, por conseguinte, ter acesso à memória coletiva de uma dada comunidade. Nessa perspectiva, estudar a linguagem estar-se-ia enveredando pelo universo cultural, mais especificamente pelas veredas da antropologia linguística voltada para as questões da transmissão, da reprodução da cultura, da sua relação com outras formas de organização social. Para estudar a língua é necessário considerar as condições sociais que permitem sua existência, porque ela é um conjunto de práticas culturais individuais e, ao mesmo tempo, coletivas. Enveredar pela seara dos estudos lexicológicos é um dos caminhos para acessar o patrimônio cultural de uma comunidade.

Palavras-chave: Lexicologia. Campos lexicais. Cultura. Autores baianos.

 

Minibiografia:

Doutora em Letras pela Universidade Federal da Bahia. Professora plena da Universidade do Estado da Bahia atuando no ensino de graduação e pós-graduação (Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens). Coordenadora do projeto de pesquisa “Edição e estudo de textos abolicionistas publicados em periódicos baianos”. Líder do Grupo de Pesquisa: Grupo de Edição e Estudos de Textos – GEET / UNEB (Diretório dos Grupos de Pesquisa – CNPq). 


Comunicação 19

A construção do discurso histórico nas capas de revista: História, léxico e argumentatividade

Autora:

Simone Lopes Benevides –  Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)-

sisilopes26@gmail.com

 

Resumo:

Este artigo busca analisar o discurso histórico e a argumentatividade a partir de análise do léxico que compõe as manchetes das capas das revistas “Veja”, “Isto é”, “Época” e “Carta Capital”, que retratam o conturbado momento político vivenciado na política brasileira nos últimos tempos. Em se tratando de capas de revista, acreditamos que nenhuma análise linguística possa privar-se de lançar um  olhar crítico para as imagens que as compõem, e por isso nosso estudo lexical das manchetes é feito em associação com a análise das imagens que as acompanham. A partir dos pressupostos teóricos de Bakhtin (2009; 2011), situamos as capas de revista como um gênero do discurso próprio do domínio jornalístico, endereçado, no caso dos periódicos escolhidos, às classes média e alta.  Dentro da perspectiva linguístico-discursiva, partimos do princípio de que a linguagem humana é sempre dotada de intenções e ideologias e, dessa forma, a História não seria apenas um relato neutro de fatos, mas uma tentativa de reconstruí-los a partir de algum ponto de vista (Koselleck; 2006). A escolha do corpus situa-nos na História do tempo presente, área bastante controversa na contemporaneidade por defender que a análise histórica dispensa afastamento temporal, efetivando-se a partir do olhar contemporâneo aos fatos. Nesse sentido, a análise das capas propicia uma nova leitura desse gênero: trata-se de uma fonte histórica que revela não o fato em si, mas uma construção discursiva sobre o mesmo.

 Palavras-chave: discurso, léxico, história, argumentatividade.

 

Minibiografia:

Sou doutoranda em Língua Portuguesa Universidade Estadual do Rio de Janeiro e desenvolvo minhas pesquisas na linha do ensino, buscando contribuir para o estabelecimento de  um vínculo mais estreito e produtivo entre a academia e a escola. Atuei como tutora de Língua Portuguesa e professora  conteudista do curso de Formação Continuada para docentes da rede estadual, ambos no CEDERJ, como professora-substituta no CAP-UERJ e fui concursada na rede municipal de Nova Iguaçu. Na iniciativa privada, trabalhei no Colégio PH, além de integrar a banca de língua portuguesa do Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação (IBFC-SP). Atualmente, sou professora do CEFET-RJ, lecionando língua portuguesa, literatura e produção textual para alunos do ensino médio.


Comunicação 20

Discursos reacionários: mobilizadores linguísticos

Autoras:

Kênia de Souza Oliveira – Universidade do Estado de Minas Gerias, Unidade Ituiutaba (UEMG-Ituiutaba) – kemaoli5@gmail.com

Giuliana Ribeiro Carvalho – Escola de Educação Básica da Universidade Federal de Uberlândia (Eseba-UFU)– giuribeiro@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho insere-se na área de estudos da Estilística e da Semântica. Tem como objetivo analisar falas/textos enunciados por um sujeito-político, visando: i) apontar escolhas linguísticas que possibilitam caracterizar o discurso desse enunciador; ii) desvelar ideologias subjacentes a esse discurso. Parte-se da perspectiva bakhtiniana de que os gêneros do discurso são concebidos como tipos relativamente estáveis de enunciado, marcados por sua composição, conteúdo temático e estilo. Entende-se que a composição refere-se à estruturação e ao aspecto formal do gênero; o conteúdo temático relaciona-se às escolhas e aos propósitos comunicativos do enunciador em relação ao assunto abordado; o estilo alude a um modo de apresentação do conteúdo explicitado no plano composicional do gênero por meio da seleção de recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais da língua. Os procedimentos metodológicos foram traçados tendo em vista o delineamento da pesquisa bibliográfica. O embasamento teórico deu-se pela aplicação dos pressupostos de Bakhtin (1987, 1999; 2003); Brait (2005); Fiorin (1998a; 1998b). O corpusselecionado é constituído de textos transcritos a partir de entrevistas audiovisuais concedidas pelo enunciadorDeputado Federal Jair Messias Bolsonaro a diferentes veículos de comunicação brasileiros. A análise preliminar possibilita afirmar que, considerando-se as condições sócio-históricas a partir das quais o sujeito enuncia, bem como os contextos linguístico e extralinguístico do corpus,as escolhas linguísticas manifestadaspelo enunciador caracterizam seu discurso como reacionário/intolerante.

Palavras-chave: Estilo; Ideologias; Discursos reacionários.

 

Minibiografias:

Kênia de Souza Oliveira é mestra em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Uberlândia (ILEEL-UFU) e atua como Professora de Língua Portuguesa e Língua Inglesa na Universidade do Estado de Minas Gerais – Unidade Ituiutaba. Tem desenvolvido suas pesquisas nas áreas de Linguística de Corpus, Ensino de Língua Portuguesa e Fonologia.

Giuliana Ribeiro Carvalho é mestra em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e atua como Professora de Língua Portuguesa na Escola de Educação Básica da Universidade Federal de Uberlândia. Desenvolve suas pesquisas nas áreas de Ensino de Língua Portuguesa, Avaliação e Análise do Discurso.


 Comunicação 21

O léxico legislativo em atas baianas do século XIX

 Autora:

Bárbara Bezerra de Santana Pereira – Universidade do Estado da Bahia – baletras02@hotmail.com

 

Resumo:

Para a realização do presente trabalho, partimos do pressuposto de que o léxico de uma língua carrega em si indeléveis vestígios da cultura e da história de um povo. Como bem observado por Biderman (2001, p. 14), “[…] o léxico de uma língua natural pode ser identificado como o patrimônio vocabular de uma dada comunidade lingüística ao longo de sua história”. Para uma análise lexical de cunho terminológico, tomamos como corpus o primeiro Livro de Atas da Câmara Municipal da cidade baiana/brasileira de Tucano, datado dos anos de 1837 a 1876. Aspectos como os contextos histórico, social e cultural podem ser observados e levantados, a partir da análise do léxico legislativo do documento em estudo. Sendo assim, nos ancoramos nas áreas de conhecimento da Filologia e da Terminologia para trazermos esses aspectos à tona. Na linha filológica temos como base metodológica autores como Spina (1994), entre outros. Na linha terminológica partimos dos estudos de Cabré (1999) entre outros. Como resultados preliminares, destacamos que o léxico legislativo encontrado nas atas, até então analisadas, traz fortes traços da época no que tange à cultura e contexto sócio-político.

Palavras-chave: História; Atas; Filologia; Léxico; Terminologia.

 

Minibiografia:

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Filologia e Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo, Mestre e Especialista em Estudos Linguísticos pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Professora da Universidade do Estado da Bahia. Tem desenvolvido suas pesquisas nas áreas de Filologia Textual e Estudos Lexicais de documentos notariais dos séculos XIX e XX. 


Comunicação 22

As criações lexicais na poética de Arnaldo Antunes: uma reflexão

 Autora:

Sandra Mina Takakura – USP⁄ UEPA – sandramita@hotmail.com

 

Resumo:

Arnaldo Antunes possui uma produção artística vasta nos campos musicale literário, que compartilha aspectos comuns como as criações neológicas. Partindo da noção de que o gênero discursivo é uma forma que goza de certa estabilidadee que compartilha aspectos coletivos comuns no mesmo gênero, e aspecto autoral no trato da linguagem, na escolha do tema e da forma, observa-se que letras de músicas são publicadas como poemas, o que evidencia a mistura de linguagens de diferentes campos, ou seja, de linguagens hibridas (BAKHTIN, 2015)o que aponta às criações dentro de um gênero híbrido (MARCUSCHI, 2003), característico do pós-modernismo.Esta comunicação centra-se na expressividade das criações estilísticas neológicas em uma pequena seleção de poemas⁄letras de música em um contexto de construção de gêneros híbridos. A metodologia adotada é a de extração manual das lexias, sendo considerados neologismos aqueles que cujos sentidos escapam os descritos no dicionário Houiass& Villar (2009), adotou-se as noções de Guilbert (1975), Barbosa (1981)e Cardoso (2013) acerca das criações lexicais em corpos literários, em seus contextos sintagmáticos. Os processos de criação serão descritos segundo a norma da língua portuguesa brasileira observada em Bechara (2006) e Azeredo (2014). Finalmente, os sentidos serão escrutinados seguindo Ullmann (1964). O neologismo sintático de acordo com Guilbert (1975) é muito raro. Contudo, observa-se no fragmento da letra de música “Fora de Si” do projeto Nomes: “Eu fico louco/ Eu fico fora de si”,segundo a norma da língua portuguesa brasileira, a forma gramaticalmente correta seria “Eu fico fora de mim” indicando um sentido reflexivo. Contudo, a combinação do pronome reto em primeira pessoa “eu” com o pronome oblíquo de terceira pessoa “si” é uma transgressão à norma coesiva e, portanto, resulta em um neologismo sintático, no qual se implica semanticamente uma relação entre o eu e o outro.

 Palavras-chave: Lexicologia; Estilística; Arnaldo Antunes; Literatura brasileira; Neologismo.

 

Minibiografia:

Sandra Mina Takakura é formada em Letras, inglês e português, pela Universidade Federal do Pará, e mestrado em língua inglesa e literatura correspondente. Atualmente é Doutoranda no Programa de Língua Portuguesa e Filologia pela Universidade de São Paulo. É Professora assistente III na Universidade do Estado do Pará onde atua no departamento de língua e de literatura.


Comunicação 23

Estudo dos campos lexicais constantes em um inventário do século XX

 Autora:

Josenilce Rodrigues de Oliveira Barreto – USP/ UEFS – nilce11.barreto@gmail.com

 

Resumo:

No campo dos estudos linguísticos, a língua é vista como elemento vivo, sendo, portanto, suscetível a variações e mudanças nos níveis sintático, morfológico, lexical etc., sendo este último o que mais claramente deixa transparecer as relações entre língua e sociedade. Partindo disso, no nível do léxico, identificamos lexias que revelam o modus vivendi de gerações anteriores à nossa, o que nos permite conhecer, mais profundamente, as relações familiares, o espaço rural-urbano etc. a partir de um inventário lavrado na cidade de Feira de Santana no período de 1922 a 1925, pertencente ao Coronel, também intendente, Agostinho Fróes da Motta, que fez riqueza através da produção de fumo, do empéstimo de dinheiro a juros altos, do aluguel de imóveis etc. e se tornou uma das personalidades feirenses mais conhecidas desde a primeira década de 1910 na Bahia, mais especificamente, na cidade Princesa do Sertão. O inventário do referido coronel está sob a guarda do acervo público de Documentação e Pesquisa, localizado na Universidade Estadual de Feira de Santana, e dividido em 4 volumes, totalizando mais de 700 fólios. Entretanto, para esta apresentação, selecionamos apenas o volume 1, com quase 300 fólios, no qual foi aplicada a Teoria dos Campos Lexicais proposta por Coseriu, em que as lexias levantadas foram alocadas em macro e microcampos lexicais, a fim de evidenciar como aquele grupo compreendia o mundo à sua volta, já que há grande predominância de lexias que fazem referência ao universo sertanejo e ao urbano como, por exemplo, rez vacum, casa de fazer farinha, de secar fumo, edifícios, casas comerciais etc. existentes em Feira de Santana durante as primeiras décadas do século XX. Portanto, para a realização deste trabalho, apoiamo-nos em autores como Abbade (2006), Biderman (1981, 2001) Coseriu (1986), Oliveira e Isquerdo (2001), dentre outros que versam sobre a Lexicologia.

Palavras-chave: Inventário; Família Fróes da Motta; Lexicologia; Teoria dos Campos Lexicais.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo. Participa do grupo de pesquisa de Edição de Textos e do Núcleo de Estudos do Manuscrito, realizando edições filológicas e estudos do léxico em documentos notariais. Atualmente é professora substituta de Língua Latina na Universidade Estadual de Feira de Santana. Desenvolve pesquisas nas áreas de Língua Latina, documentação manuscrita, língua e cultura, edição de textos e estudos do léxico.


Comunicação 24

Retratos  da formação sócio histórica da região sudeste do Pará no vocabulário de um autor regional

Autora:

Eliane Pereira Machado Soares – Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará – eliane@unifesspa.edu.br

 

Resumo:

A relação entre língua, cultura e sociedade é amplamente aceita entre os estudiosos da linguagem, das mais diferentes áreas e abordagens teóricas. Notadamente, essa relação é mais nítida no nível lexical das línguas, pois, pelo léxico, é possível acessar o universo natural, social e histórico-cultural, enfim, o sistema de valores de um grupo social. Nesse aspecto, o levantamento lexical de um autor em particular traz sua visão de mundo de um dado momento na qual sua obra se acha inserida, isso pode ser considerado mais verdadeiro quando autor é um memorialista, como no caso do autor discutido neste trabalho, que ademais viveu boa parte do período de mais 60 anos que sua obra retrata, ao longo de 11 obras. Apresentamos, pois, aqui um estudo que traz o vocabulário de um autor regional João Brasil, pelo qual é possível compreender elementos da formação sociocultural da região, bem como registrar usos linguísticos do vocabulário regional passado e atual.

Palavras-chave: Léxico; Cultura; Sociedade; Vocabulário.

 

Minibiografia:

Professora de Linguística da Universidade Federal do Sul e Sudeste Pará (2013), do Instituto de Letras, Linguística e Artes/faculdade de Estudos da Linguagem – Campus Universitário de Marabá. Tem experiência na área de Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: variação linguística; leitura; ensino-aprendizagem de língua materna e educação escolar indígena; léxico e literatura regional.


Comunicação 25

O que as receitas culinárias revelam: um estudo do léxico na formação da língua portuguesa – do século XV ao XXI

Autora:

Flávia de Oliveira MAIA-PIRES – Universidade de Brasília – UnB – fmaiap@gmail.com

 

Resumo:

Ao longo de seu desenvolvimento, o ser humano adquire informações culturais, históricas e sociais em um processo contínuo que afetamdiversas áreas do conhecimento. Neste contexto, práticas como os hábitos alimentares, tipo de alimentos e de utensílios para preparar refeições são alterados, conforme apresentaeste trabalho. Por meio do método comparativo, este estudo demonstra as transformações ocorridas na língua portuguesae no gênero receita culinária.As mudanças estão relacionadas à descrição do modo de preparo dos alimentos e aos aspectos culturais envolvidos na arte da culinária. Os dados foram coletados de receitas do livro Um tratado da cozinha portuguesa do século XV, as quais foram atualizadas para o português contemporâneo com a finalidade de comparar e identificar as mudanças sofridas no gênero e no léxico. Os dados foram registrados fichas próprias para esta pesquisa.O estudo revelou que as mudanças sociais e culturais afetaram o gênero receitas culinárias, apresentandomodificações estruturais, gramaticais e lexicais como a substituição de termos da culinária, alteraçãono modo de instruir o preparo dos alimentos, mudanças de forma e de conteúdo de algumas palavras e o modo e o tempo verbal utilizado nas receitas. Além disso, observou-se diferenças entre as versões da atualização no português do Brasil e no de Portugal relacionadas a mesma receita.

Palavras-chave: Léxico; Receita culinária; Lexicologia; Mudança linguística.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Brasília – PPGL/UnB. Pesquisadora do Centro de Estudos Lexicais e Terminológicos (Centro LexTerm) da UnB. Professora e Coordenadora do Curso de Letras – Português como Segunda Língua – UnB. Linha de pesquisa: Linguagem: Teoria e Descrição, Léxico e Terminologia. Atua, principalmente, nos seguintes temas: Lexicologia, Lexicografia, Terminologia, Terminografia, Português do Brasil como segunda Língua e História da língua portuguesa.


Comunicação 26

Gramaticalização da construção ‘dar uma x-ada’: quando diacronia e sincronia se fundem

Autora:

Alzira da Penha Costa Davel –  Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ – alzira5907@yahoo.com.br

 

Resumo:

Em geral, quando se trata do tema gramaticalização, as pesquisas partem do ponto de vista diacrônico; porém, estudos mais recentes, têm evidenciadoque mudanças de certos fenômenos linguísticos podem ser explicadas sob duas dimensões, – a diacrônica e a sincrônica. Entendendo que as línguas são sistemas complexos adaptáveis, os processos cognitivos que atuam na regularização da linguagem são os mesmos que levam à mudança (BYBEE, 1985, 2010; TRAUGOTT & TROUSDALE, 2013).O presente estudo objetivamostrar uma análise de algumas construçõesdo tipo‘Dar uma X-ada’ (Dar uma olhada; Dar uma arrumada, etc), bastante recorrentesno português brasileiro, em contextos semiformais (orais e escritos). Adotamos a abordagem teórica dos Modelos Baseados no Uso (BYBEE, 2010), presumindo queo desenvolvimento e/ou a criação de novas construções é o resultado da ação de mecanismos cognitivos mais gerais. As análises têm por base o método analítico, a partir dos traços morfossintáticos e semânticos dos verbos formadores de X (nominalização), considerando-se um continnumdevários graus de entrincheiramento.   Nesse sentido, é relevante o mecanismo cognitivo de chunkung(encadeamento que está por trás da configuração morfossintática), que envolve graus de analisabilidade e composicionalidade, nos quais subjazemas frequênciastokens e types.  O estudo sejustifica na medida em que a alta frequênciaem que determinados itens ocorrem juntos, cognitivamente, podem formar um chunking econvencionalizar-se numa comunidade.Considerando que se trata de um estudo em andamento, alguns resultados preliminaresrevelaram que a autonomia delas depende, em grande parte, das características da forma nominalizada. Além disso, indica seruma construção emergente do uso que se encontra em vias de gramaticalização, que está se tornandorotinizadaem contextos interacionais de menor formalidade.

 Palavras chave: Gramaticalização; chunking; analisabilidade; composicionalidade.

 

Minibiografia:

Formação em Letras-Português, pela Universidade Federal do Espírito Santo-UFES, concluída em 2006; Mestrado em Linguística pela Universidade Federal do Espírito Santo, com a pesquisa sobre as Construções com o verbo-suporte DAR+SN, concluído em 2009. Atualmente, com o doutorado em andamento, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ, dedicando-se à pesquisa acerca da Gramaticalização das construções com o verbo dar, especificamente sobre ‘DAR UMA X-ADA’.


Comunicação 27

A lexicografia do semiárido baiano

 Autora:

Antonilde Santos Almeida – Universidade do Estado da Bahia – UNEB   –asalmeida@uneb.br / nildelp@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este estudo se refere ao projeto de pesquisa e extensão que focalizou o léxico de algumas cidades do semiárido baiano/brasileiro. Teve como objetivo investigar o léxico, o discurso e a história do povo das cidades de Uauá, Casa Nova, Juazeiro e Curaçá no estado da Bahia/Brasil, recolhendo e registrando palavras que são faladas nessas cidades. Dialogou-se teoricamente com Aragão (2005), Bagno (2001), Isquerdo (2001), Biderman (1995), Marcushi (2004), Santos (2008) e Xatara et all (2011). O estudo foi efetivado, em formato de oficinas realizadas em três etapas de 20 horas, para realização de estudos lexicais e lexicográficos, conhecimento do corpus e produção do gênero verbete a partir da seleção lexical, através das narrativas (populares, indígenas e quilombolas), das conversas de vaqueiros, da literatura de cordel ou outras literaturas e dos falares urbanos. Na estruturação do estudo, foram selecionadas as palavras do gênero verbete que considerassem os seguintes campos constituintes: contexto, entrada, categoria gramatical, fonte, área, e definição. Foram aplicadas entrevistas com moradores antigos das comunidades sertanejas, transcrição dos itens lexicais nas narrativas. A intervenção ocorreu a partir de demandas que foram feitas pelos professores e alunos, sendo desenvolvidas na percepção da ampliação do dicionário da língua portuguesa já que não atende as particularidades das variações, principalmente do semiárido brasileiro, não dando conta da complexidade linguística dos povos. Houve também a reinvenção da escrita dos verbetes e dos dicionários como parte da formação e do letramento escolar, reunindo perspectivas: semântica, morfológica, estilística, discursiva e histórica dos verbetesestudados. Nesse material se registrou por escrito a memória lexical, como uma demanda de letramento de educadores, estudantes e moradores, de forma que esses sujeitos também se tornaram guardadores da língua e do acervo lexical. A oficina produziu uma lexicográfica intercultural da região para uso nas escolas, além da criação do dicionário virtual LEXISS. (www.lexiss.uneb.br).

Palavras-chave: Contexto, Semiárido, Lexicografia, Leitura.

 

Minibiografia:

Mestre em Educação pela UDelMar/Chile (2012). Docente do Curso de Graduação em Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia. Na pesquisa, atua mais diretamente na área dos estudos sobre leitura e produção textual e nos estudos lexicográficos de algumas cidades baianas. Coordenadora do Projeto de Extensão Práticas ludicoeducativas em ambiente hospitalar (PLEAH) na Universidade do estado da Bahia – UNEB.