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Simpósio 42

SIMPÓSIO 42 – PRÁTICAS DE ENSINO COMO POLÍTICA DE PROMOÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA AO REDOR DO MUNDO

 

Coordenadores:

Vânia Cristina Casseb Galvão | UFG/CNPQ | vcasseb2@terra.com.br

Kátia De Abreu Chulata | UNICHIETE-PESCARA | kdeabreu@hotmail.com

Gian Luigi De Rosa | UNISALENTO | gianluigiderosa@gmail.com

 

Resumo:

Esta proposta de simpósio pretende congregar trabalhos que enfoquem práticas de ensino e aprendizagem da língua portuguesa, em qualquer uma de suas variedades, tendo como pressuposto o fato dessas práticas configurarem ações de promoção e de valorização do português nos mais diferentes lugares ao redor do mundo. Esses trabalhos devem ser sustentados em princípios sócio-interacionais dos estudos da linguagem, como os seguintes: a) O Ensino deve priorizar a língua em uso, em seu contexto real, dinâmico e funcional, atualizada nas atividades interativas diversas; b) Interferem no processo de interação verbal o contexto, a seleção e a organização de itens lexicais, a intencionalidade e as bases conceptuais compartilhadas pelos interlocutores nas mais diversas esferas interculturais. Nesse sentido, contexto se pluraliza em contexto de situação e contexto de cultura. O contexto de situação está relacionado ao registro linguístico, efetivado nas variações de uso em contextos particulares, refletindo os aspectos de ordem social e as diferentes atividades sociais vivenciadas pelos usuários da língua. O contexto de cultura, por sua vez, diz respeito ao conhecimento, às crenças, aos princípios sociais inseridos na história cultural dos participantes da interação verbal num contexto de situação. Essas noções são importantes para a compreensão de como os indivíduos usam a língua em uma determinada cultura, constituída por potencialidades de produção de significados nas situações concretas de uso, e, por isso, devem ser pressupostas em práticas, metodologias, ações em geral relativas ao ensino de língua portuguesa em diferentes contextos políticos e sociais.

 

 Palavras-chave:  Ensino, Língua Portuguesa, Sociointeracionismo, Contexto do uso.

 

Minibiografias:

Vânia Cristina Casseb Galvão é professora associada da Universidade Federal de Goiás (UFG). Pesquisadora do CNPq. Pós-doutora pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (Lisboa). É doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP e mestre em Linguística pela UNICAMP. Tem experiência em Descrição e Análise Linguística, e se interessa especialmente pelos seguintes temas: gramática funcional, gramaticalização, gramática de construções, modalidade, evidencialidade, funcionalismo e ensino, e promoção do Português Brasileiro.

Katia de Abreu Chulata é graduada em Letras pela Universidade de São Paulo e Doutora em Estudos Linguísticos, histórico-literários e culturais pela Università degli Studi del Salento (Itália). Foi professora de Língua e Literatura Italiana na UNESP (Araraquara) e professora de italiano no Instituto Italiano de Cultura de São Paulo. Atuou como Leitora de Língua Portuguesa, de 1996 a 2002, na Università degli Studi di Bari (Itália). Professora de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira e Língua e Tradução Portuguesa e Brasileira na Università degli Studi del Salento, de 2006 a 2013. É Professora de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira na Università degli Studi “G. d’Annunzio”, Chieti-Pescara. Coordenadora, do lado italiano, do Projeto Mec-SECADI-Capes – Promoção, Difusão e Valorização do Português Brasileiro em Comunidades Minoritárias: Aspectos Sociais, Políticos e Linguísticos.

Gian Luigi De Rosa é professor associado de Português na Universidade do Salento, em Lecce. Possui doutorado em Culture e Istituzioni dei paesi di lingue iberiche in età moderna e contemporânea e atuou como pesquisador do Instituto de Estudos Latinoamericanos (I.S.LA.) de Pagani de 1999 a 2003. É autor de livros e ensaios sobre a língua e a linguística portuguesa, sobre literatura portuguesa e brasileira e sobre a tradução audiovisual e intersemiótica, como “Identità culturale e protonazionalismo: il ruolo delle Accademie nel Brasile del XVIII secolo” (Milano, Franco Angeli, 2011) e “Mondi Doppiati. Tradurre l’audiovisivo dal portoghese tra variazione linguistica e problematiche traduttive” (Milano, Franco Angeli, 2012).

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Política e políticas linguísticas, ensino de português como língua estrangeira/adicional e (trans)formação docente: avanços e desafios em contextos de globalização e de trans/internacionalização crítica

Autor:

Kleber Aparecido da Silva – Universidade de Brasília (UnB) – kleberaparecidodasilva@gmail.com / kleberunicamp@yahoo.com.br

 

Resumo:

A trans/internacionalização crítica fazem parte da agenda atual das instituições de ensino superior (Silva, 2017; Moraes, 2017; Finardi, 2016; Sarmento, Abreu-e-Lima, 2016; Rocha, Braga e Caldas, 2015; Rajagopalan, 2013; Nicolaides, Silva, Tílio e Rocha, 2013). Nesse contexto, as universidades buscam formas de atrair estudantes do exterior, bem como firmar convênios para intercâmbios de estudantes, professores e pesquisadores. À parte os aspectos positivos desse cenário – como a troca de informações e a preparação de profissionais aptos a lidar com mudanças ininterruptas em diversas realidades culturais –, é preciso que atitudes bilaterais façam parte desses acordos. Além disso, não se pode abrir mão da qualidade da formação oferecida. Comprometida com essas questões, esta comunicação discute temas de relevância para a formação educacional internacionalizada, a partir da Linguística Aplicada Crítica e da Pedagogia Crítica (Silva, 2017; Rajagolan, 2015; Pennycook, 2001; Freire, 1970). Assim, as reflexões que interfacearão esta comunicação pretendem contribuir para que a internacionalização não seja assumida de forma subserviente, com os países avançados ditando as regras do que julgam que deve ser feito na ciência (Nóbrega, 2016). Busca-se incentivar reflexões e ações que assegurem a qualidade educacional nas práticas de internacionalização, a partir de elementos que nos darão condições de esboçar uma política propositiva pautada no ensino e na formação de professores de português como língua estrangeira/adicional em contextos de globalização e de trans/internacionalização crítica (Silva, 2017; Moraes, 2017; Finardi, 2016).

Palavras-chave: Política e políticas linguística, ensino de português como língua estrangeira/adicional, (trans)formação docente, globalização, trans/internacionalização crítica.

 

Minibiografia:

É Pós-Doutor em Linguística Aplicada pela UNICAMP. Professor Adjunto 3 do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas (LIP) e orientador/pesquisador do curso de pós-graduação (Mestrado/Doutorado) em Linguística (PPGL) da UnB e do Programa de Pós-Graduação em Letras: Cultura, Educação e Linguagens da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Tem publicado artigos em diversos periódicos e em livros de estudiosos da Linguística Aplicada Crítica tanto no Brasil quanto no exterior. Os seus focos de interesse em pesquisa são: a geopolítica do português do Brasil e políticas de ensino-aprendizagem e de formação de professores de línguas estrangeiras/adicionais. É o líder do Grupo de Pesquisa “Estudos Críticos e Avançados em Linguagem”, certificado pelo CNPq. É o vice-presidente do GELCO, no biênio 2015-2016.


Comunicação 2

A função sujeito em contexto de uso do Português Brasileiro como segunda língua/língua adicional na escrita de alunos indígenas Karajá, Tapirapé e Krahô

Autores:

Rodriana Dias Coelho Costa – Universidade Federal do Goiás/UFG – Universidade de Brasília/UnB – rodrianaccosta@gmail.com

Kleber Aparecido da Silva – Universidade de Brasília (UnB) – kleberaparecidodasilva@gmail.com / kleberunicamp@yahoo.com.br

 

Resumo:

O presente estudo se concentra na investigação da função sujeito em textos escritos por alunos de Português Brasileiro (doravante PB) como segunda língua (L2)/língua adicional, a fim de elaborar uma proposta de ensino. A partir de uma análise sistemática do sintagma nominal (SN) sujeito na escrita de alunos indígenas que estão cursando o ensino superior, mais especificamente, alunos que atuam ou atuarão como professores de Língua Portuguesa em suas aldeias busca-se a formulação de uma proposta de ensino que aborde o SN sujeito, a fim de contribuir com a prática do ensino do PB como L2, numa perspectiva intercultural, visando os aspectos socioculturais, político e linguístico. Participam deste estudo, membros das etnias Karajá, Tapirapé e Krahô que têm o PB como L2. A escolha dessas etnias se justifica por se tratar de povos que compartilham um “sistema” de educação semelhante, em que a criança adquire a língua materna (L1) e, somente depois dos seis anos começa a adquirir a Língua Portuguesa e, em alguns casos a aquisição do PB ocorre na fase adulta. Partimos da concepção da Gramática de Construções, que segundo Goldberg (1996) é o pareamento de forma e sentido ou ainda, são unidades básicas da gramática, para a Gramática Cognitiva (LANGACKER, 2013, TOMASELLO, 2003) na perspectiva da Gramática Funcional-Cognitiva (GOLDBERG, 1995), e, abordagens interculturais (WALSH, 2007; TRUJILLO SÁEZ, 2005). O objetivo geral deste estudo é a partir da análise de produções escritas desses graduandos indígenas, verificar como esses falantes se apropriam e usam a função sujeito em situações interativas efetivas, e,

especialmente, verificar como ocorre o processo de aprendizagem, considerando-se como variáveis diferentes padrões de ordem do sujeito nas línguas fonte e alvo e, ainda, a possível interferência da L1 na L2. Nesse sentido, a hipótese é a de que, na medida em que aumenta a proficiência comunicativa em L2, essa compatibilidade diminua, e, apropriação adequada dos padrões discursivos do PB atesta uma maior proficiência. Desse modo, o SN sujeito como função sintática ou gramatical toma diferentes proporções dentro da discussão, uma vez que tal abordagem considera a estrutura oracional parte de uma discussão discursivo-pragmática, ou seja, o sujeito é analisado de acordo com as intenções cognitivas e funcionais do falante numa situação natural de produção. A visão de mundo é outro elemento fundamental para a análise da função sujeito, uma vez que a abordagem cognitiva-funcional considera a experiência de mundo do falante e a suas implicações nas línguas.

Palavras-chave: Sujeito, Português Brasileiro, ensino e contexto intercultural.

 

Minibiografias:

Rodriana Dias Coelho Costa é Doutoranda em Linguística, numa perspectiva funcionalista e crítica da linguagem, pela Universidade de Brasília (UnB). Mestra em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Goiás (2014). Licenciada em Letras (Português) pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Participa dos “Grupo de Estudos Funcionalistas: análise, descrição e ensino” (GEF) e do “Grupo de Estudos Críticos e Avançados em Linguagem” (GECAL), ambos certificados pelo CNPq, UFG e UnB. Atualmente, atua como professora substituta do Curso de Educação Indígena Intercultural, da Universidade Federal de Goiás.

Kleber Aparecido da Silva é Pós-Doutor em Linguística Aplicada pela UNICAMP. Professor Adjunto 3 do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas (LIP) e orientador/pesquisador do curso de pós-graduação (Mestrado/Doutorado) em Linguística (PPGL) da UnB e do Programa de Pós-Graduação em Letras: Cultura, Educação e Linguagens da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Tem publicado artigos em diversos periódicos e em livros de estudiosos da Linguística Aplicada Crítica tanto no Brasil quanto no exterior. Os seus focos de interesse em pesquisa são: a geopolítica do português do Brasil e políticas de ensino-aprendizagem e de formação de professores de línguas estrangeiras/adicionais. É o líder do Grupo de Pesquisa “Estudos Críticos e Avançados em Linguagem”, certificado pelo CNPq. É o vice-presidente do GELCO, no biênio 2015-2016.


Comunicação 3

A mudança na voz média no português brasileiro: ensino e valorização linguística

Autoras:

Vânia Cristina Casseb Galvão – UFG – vaniacassebgalvao@gmail.com

Déborah Magalhães de Barros –  UEG –  deborah_barros@hotmail.com

 

Resumo:

Um ensino significativo da língua portuguesa deve se orientar por teorias que reconheçam a língua em uso, pois é no uso que se compreende a existência de variações e de mudanças linguísticas inerentes às diferentes modalidades linguísticas. O português brasileiro (PB) contemporâneo está passando por uma mudança, constatada especialmente na modalidade falada, relativa à organização da voz reflexiva, um subdomínio do domínio da voz média. A voz reflexiva, tem sido elaborada sem a marca pronominal (pronome reflexivo), sobretudo, na variante falada em Goiás, conforme constatou Barros (2016) ao descrever e analisar essa voz a fim de compreender os processos linguísticos e discursivos que correlacionados à mudança a partir dos pressupostos teóricos da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU), especialmente a Gramática de Construções. Essa abordagem teórico-metodológica admite a existência de uma estreita relação entre as estruturas das línguas e o uso atualizado pelos falantes em contextos reais de comunicação. As mudanças linguísticas devem ser objeto de reflexão para o ensino de português a fim de que diferenças entre as variedades falada e escrita sejam conhecidas, analisadas e colaborem com a definição e com a valorização do PB. Por isso, o objetivo deste trabalho é discutir possibilidade de contribuição da LFCU para o ensino do PB demonstrando, a partir de uma visão construcional, as diversidades e a forma de organização do sistema linguístico tendo como pressuposto a mudança na organização da voz reflexiva no PB.

Palavras-chave: ensino; gramática de construções, sistema linguístico, voz verbal.

 

Minibiografia:

Vânia Cristina Casseb Galvão: Pesquisadora do CNPq, pós-doutora pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (Lisboa/PT/2010), pós-doutoranda pela UFPa, doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2001), mestre em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (1999). É professora associada da Universidade Federal de Goiás. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Descrição e Análise Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: evidencialidade, gramaticalização, modalidade, gramática funcional, funcionalismo e ensino. Presidente do Grupo de Estudos da Linguagem do Centro-Oeste (GELCO), biênio (2014-2017), coordenadora do convênio de cooperação internacional UFG/Unisalento (It) (2015-2020).

Déborah Magalhaes de Barros: Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Goiás e professora titular de Linguística e língua portuguesa na Universidade Estadual de Goiás. Desenvolve pesquisas em linguística com ênfase na descrição de línguas naturais, participando dos grupos de pesquisa “Rede de estudos da língua portuguesa ao redor do mundo” e “Grupo de Estudos Funcionalistas: análise, descrição e ensino”, onde atua como coordenadora adjunta.


Comunicação 4

Uma proposta de ensino das construções de voz para o Ensino Médio

 

Autora:

Lennie Aryete Dias Pereira Bertoque – UFMT/CAPES – lenniearyete@yahoo.com.br

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é apresentar uma proposta de ensino das construções de voz ativa, passiva e média, considerando suas organizações e funcionalidades no Português Brasileiro, a 25 estudantes das três séries do Ensino Médio, que participaram da “Oficina de leitura, produção e documentação da pesquisa científica”, do Projeto “Energia: vida e sociedade”, cadastrado no Programa Novos Talentos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Essa proposta é fundamentada na abordagem sociofuncionalista, com base nos estudos de Camacho (2002, 2006), Bertoque (2010, 2014), Barros (2011). Nessa abordagem, o estudo das construções de voz relaciona os aspectos cognitivos e linguístico-discursivos porque a voz descreve o ponto de vista do falante, em relação a um acontecimento, produzindo efeitos de sentido distintos, a partir da relação sintático-semântica entre sujeito e verbo. Os estudantes que participaram da oficina elaboraram entrevistas a falantes do município de Barra do Garças, no Estado de Mato Grosso, Brasil, e analisaram os tipos construções de voz, observando sua frequência e os efeitos de sentido produzidos em cada contexto comunicativo. Após a análise dos dados, percebeu-se que os estudantes conseguiram distinguir os três tipos de construções de voz e entenderam que a língua mostra a maneira como o falante organiza mentalmente suas experiências cotidianas.

Palavras-chave: Funcionalismo. Construções de voz. Ensino de Gramática.

 

Minibiografia:

Lennie Aryete Dias Pereira Bertoque é Professora Assistente I da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Universitário do Araguaia (CUA) e coordena o “Grupo de Estudos em Linguística Funcional do Araguaia”, participa do Projeto “Rede de estudos da língua portuguesa ao redor do mundo” e do “Grupo de Estudos Funcionalistas” da Universidade Federal de Goiás, e compõe a diretoria do “Grupo de Estudos de Linguagem do Centro-Oeste”.


Comunicação 5

O Clube da Caneta Amiga em aulas de PLE – pluralidade cultural, escrita e leitura em um caso de estudo entre alunos de PLE de Sevilha e de Cagliari

Autores:

Giselle Menezes Mendes Cintado – Universidade Pablo de Olavide, UPO (Espanha)/ Grupo de Pesquisa CNPq Línguas em Contato, UFPel (Brasil) – gikamm@gmail.com

Ângela Patrícia Luís de Oliveira Salvador Bruno – CLA – Centro Linguístico Ateneo Università degli Studi di Cagliari (Itália) – apsalvador@libero.it

 

Resumo:

Este trabalho tem como escopo provocar reflexões sobre práticas de ensino em aulas de PLE (Português como língua estrangeira) que ressaltem a importância da aprendizagem lexical, social e cultural em português através do projeto “O Clube da caneta amiga em aulas de PLE”. Projeto este celebrado entre os alunos de PLE da Universidade de Cagliari e do Centro de Estudos de Língua Portuguesa – CELP Sevilha, focalizando o estudo de léxico em português com alunos italianos e espanhóis, como troca internacional de prática intercultural e comunicativa da língua portuguesa que fomentem o papel da pluralidade cultural através da escrita e da leitura. Para este ensaio teremos, entre outros, modelos teóricos relacionados às obras de Tavares (2008), vinculados ao tema do ensino de português como língua estrangeira, o pensamento de Matte Bon (1988) em relação ao estudo da Gramática Comunicativa , bem como os mais recentes estudos de Gonçalves et al (2016) sobre os fundamentos do ensino de PLE nos dias atuais e, não menos importante, as inumeráveis contribuições científicas de Vygotsky, Piaget e Stern na visão de Ivic e Coelho (2010) em relação às teorias sociointeracionistas.

Palavras-chave: PLE, Interculturalidade, Sociointeracionismo, Linguagem, Léxico.

 

Referências bibliográficas:

COMO, Elena (Org.) Ao Redor do Mundo – Leituras em Português Volume 1. Editora Atlantico Books: USA, 2011

GONÇALVES, Luís (Org.) Fundamentos do Ensino de Português como Língua Estrangeira. Boavista Press: USA, 2016

MATTE BON, F. (1988). “En busca de una gramática para comunicar”. En Revista de Didáctica del ELE. Madrid: Ministerio de Cultura,  MarcoELE 5 ISSN 1885-22112007

OSÓRIO, Paulo. MEYER, Rosa Marina (Org.) Português Língua Segunda e Língua Estrangeira –  da(s) teoria (s) à(s) prática (s). Editora Lidel: Lisboa, 2008

SIGUAN, Miquel. Bilingüismo y Lenguas en Contacto. Alianza Editorial: Madrid, 2001

TAVARES, Ana. Ensino Aprendizagem do Português como Língua Estrangeira. Editora Lidel: Lisboa, 2008

VYGOTSKY, Lev Semionovich. em IVIC, Ivan; COELHO, Edgar Pereira. (Org.) em  Coleção Educadores MEC. Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana: Recife, 2010, ISBN 978-85-7019-542-5

 

Minibiografias:

Giselle Menezes Mendes Cintado – Mestre em Ensino Bilíngue pela Universidade Pablo de Olavide – UPO (Sevilha) em 2012, integrante do Grupo de Pesquisa CNPq Línguas em Contato da UFPel (Brasil) desde 2014 e professora de PLE no Centro de Estudos de Língua Portuguesa – CELP Sevilha desde 2008. Atualmente é doutoranda em História e Estudos Humanísticos: Europa, América, Arte e Línguas na UPO (Sevilha).

Ângela Patrícia Luís de Oliveira Salvador Bruno – Licenciada em LLM – estudos franceses e italianos em 1997 e licenciatura em LLM – Ramo Educacional em 2000 pela Faculdade de Letras de Lisboa, professora de FLE no ensino básico (2º e 3º ciclos) e de PLE no CLA – Centro Linguístico Ateneo da Università degli Studi di Cagliari (Sardenha) desde 2003. 


Comunicação 6

Reflexões acerca do português brasileiro: o tratamento da combinação de orações em gramáticas e manuais didáticos em uso no Brasil

Autora:

Ana Lima – UFPE/UFG – jalaraujolima@uol.com.br

 

Resumo:

Uma análise do macrotema ‘conexão de orações’ em gramáticas e em obras didáticas que circulam no Brasil revela a existência de duas tendências no país: por um lado, a maior parte das obras destinadas à Educação Básica – portanto, obras que circulam no espaço escolar – resistem a qualquer mudança de paradigma e perpetuam o que se costuma chamar de ‘perspectiva tradicional’ (VIEIRA, 2015); por outro, algumas gramáticas de autores linguistas, elaboradas no século XXI, distanciam-se dessa ‘perspectiva tradicional’ e, ao elegerem como objeto de análise diversos usos (falados e/ou escritos) da língua em curso no Brasil, adotam uma perspectiva que reflete uma orientação ‘funcionalista’. A convivência dessas duas tendências revela, ainda, que parece haver um grande descompasso entre as reflexões linguísticas que se fazem no âmbito da academia e as reflexões (ou a ausência delas) no espaço escolar. Nesse contexto, o presente trabalho objetiva refletir sobre o ensino do português brasileiro, a partir da análise do tratamento conferido à conexão de orações, tanto por gramáticas escolares quanto por gramáticas produzidas por linguistas e por obras didáticas de língua portuguesa. Pretendemos, com o estudo aqui empreendido, fomentar a reflexão e a discussão sobre a língua em uso no Brasil, sua descrição e seu ensino, dentro e fora do País.

Palavras-chave: português brasileiro; articulação de orações; gramáticas; manuais didáticos.

 

Minibiografia:

É professora efetiva do Departamento de Letras da Universidade Federal de Pernambuco, no qual atua na área de Língua Portuguesa, em nível de graduação e pós-graduação. Faz estágio pós-doutoral na Universidade Federal de Goiás, onde desenvolve estudos acerca da articulação de orações. Seus principais interesses concentram-se na descrição e no ensino da língua portuguesa, com foco na sintaxe dessa língua, tema acerca do qual tem publicado textos, realizado pesquisas e ministrado cursos.


Comunicação 7

Língua e gramática: desafios e possibilidades de ensino

Autoras:

Maria Celeste Saad Guirra – UFMT – celesteguirra@uol.com.br

Eloísa de Oliveira Lima – UFMT – elolimaster@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados das atividades do projeto “Língua e Gramática: desafios e possibilidades de ensino”, desenvolvido com um grupo de professores da Rede Pública de Ensino, no município de Barra do Garças, no Estado de Mato Grosso, Brasil. Buscou-se estudar e propor alternativas metodológicas para o ensino da língua materna, subsidiando na Gramática Funcional, em autores como Neves (2000, 2003, 2006), Ilari (1997) e Antunes (2003, 2007). Os professores participantes do projeto foram divididos em dupla para preparar uma aula que seria ministrada para os demais. O grupo avaliou que as propostas das aulas (tema e textos escolhidos) eram boas, o trabalho com o texto (leitura, compreensão e interpretação) foi bem articulado, mas o trato da gramática manteve na perspectiva da gramática normativa, como se o texto não tivesse sido, por meio dela, estruturado. Assim, o resultado deste Projeto mostrou que é preciso que o professor de Língua Portuguesa aprenda a analisar os fenômenos linguísticos por outro foco, o do uso, com vistas à produção de sentido. Para os professores formados numa abordagem tradicional, essa ruptura é mais complexa. No entanto, mesmo com as dificuldades, os professores participantes do projeto notaram que é possível elaborar uma aula funcional, mas isso demandará mais empenho e estudo para que eles mesmos possam ver, de fato, a língua na constituição de cada contexto comunicativo.

Palavras-chave: Ensino de Língua. Funcionalismo. Texto e Gramática.

 

Minibiografias:

Maria Celeste Saad Guirra: É graduada em Letras Vernáculas pela Universidade Católica de Goiás e mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás. É professora Assistente IV da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), coordenou o Projeto “Língua e gramática – desafios e possibilidades de ensino” e, atualmente, é membro do Grupo em Estudos em Linguística Funcional do Araguaia (Gelfa) da UFMT.

Eloisa de Oliveira Lima: É graduada em Licenciatura Plena em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e mestre pelo Mestrado em Estudos de Linguagem da mesma universidade. Atuou como docente no Curso de Letras da UFMT e, atualmente, ocupa o cargo de técnica administrativa e revisora de textos, também da UFMT e é vice-coordenadora do Grupo de Estudos em Linguística Funcional do Araguaia (Gelfa).


Comunicação 8

O ensino de português brasileiro em contexto italiano: experiências interinstitucionais 

Autores:

Vânia Cristina Casseb Galvão – UFG/CNPq – vaniacassebgalvao@gmail.com

Kátia de Abreu Chulata – UNICHIETI-PESCARA –  kdeabreu@hotmail.com

Gian Luigi De Rosa – UNISALENTO – gianluigiderosa@gmail.com

 

Resumo:

Um dos objetivos do projeto “Rede de estudos da língua portuguesa ao redor do mundo”, em seu subprojeto “O português brasileiro em contexto italiano: aspectos sociais, políticos e linguísticos” (CNPq), é a promoção de pesquisas descritivas do português nas suas diferentes variedades e verificar a possibilidade de aplicar esses resultados ao ensino de língua portuguesa em contexto universitário. Duas importantes universidades italianas, a Università degli Studi “G. D´Annunzio” Chieti/Pescara e a Università Del Salento (Lecce), em parceria com a Universidade Federal de Goiás, têm promovido ações a fim de atingir esses objetivos. Nesta oportunidade, relatamos algumas dessas ações, desenvolvidas a longo dos anos de 2015 e 2016, no Brasil e na Itália, enfocando, especialmente, os conteúdos envolvidos, os aspectos metodológicos e os resultados de aprendizagem decorrentes dessas ações. Estão em evidência a língua e a cultura brasileira em sua manifestação na variedade falada no Brasil. E, por isso, essas ações se configuram como instrumentos de promoção, difusão e valorização do português brasileiro em contexto europeu, uma vez que elas fomentam seu ensino/aprendizagem como língua estrangeira e também como língua de herança.

Palavras-chave: Português brasileiro. Descrição. Ensino. Língua estrangeira. Língua de herança.

 

Minibiografias:

Vânia Cristina Casseb-Galvão: Professora associada da Universidade Federal de Goiás (UFG). Pesquisadora do CNPq. Doutora em Linguística e Língua Portuguesa/UNESP. Mestre em Linguística/UNICAMP. Pós-doutora pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional – ILTEC/Lisboa (2010), pós-doutoranda pela UFPa. Presidente do IV SIMELP – Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa (2013). Coordenadora brasileira do convênio de cooperação internacional UFG/Unisalento (Itália). Pesquisadora na área de descrição e análise linguística na perspectiva da gramática funcional e da gramática de construções. Outros interesses: funcionalismo aplicado ao ensino e políticas de promoção do português brasileiro.

Katia de Abreu Chulata: é graduada em Letras pela Universidade de São Paulo e Doutora em Estudos Linguísticos, histórico-literários e culturais pela Università degli Studi del Salento (Itália). Foi professora de Língua e Literatura Italiana na UNESP (Araraquara) e professora de italiano no Instituto Italiano de Cultura de São Paulo. Atuou como Leitora de Língua Portuguesa, de 1996 a 2002, na Università degli Studi di Bari (Itália). Professora de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira e Língua e Tradução Portuguesa e Brasileira na Università degli Studi del Salento, de 2006 a 2013. É Professora de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira na Università degli Studi “G. d’Annunzio”, Chieti-Pescara. Coordenadora, do lado italiano, do Projeto Mec-SECADI-Capes – Promoção, Difusão e Valorização do Português Brasileiro em Comunidades Minoritárias: Aspectos Sociais, Políticos e Linguísticos.

Gian Luigi De Rosa: é professor associado de Português na Universidade do Salento, em Lecce (Itália). Possui doutorado em Culture e Istituzioni dei paesi di lingue iberiche in età moderna e contemporânea e atuou como pesquisador do Instituto de Estudos Latinoamericanos (I.S.LA.) de Pagani de 1999 a 2003. É autor de livros e ensaios sobre a língua e a linguística portuguesa, sobre literatura portuguesa e brasileira e sobre a tradução audiovisual e intersemiótica, como Identità culturale e protonazionalismo: il ruolo delle Accademie nel Brasile del XVIII secolo(Milano, Franco Angeli, 2011) e Mondi Doppiati. Tradurre l’audiovisivo dal portoghese tra variazione linguistica e problematiche traduttive (Milano, Franco Angeli, 2012). É tradutor literário (Moacir C. Lopes, Zélia Gattai, Luiz Ruffato, Marcelino Freire e Adriana Lisboa) e audiovisual, além de ser responsável e coordenador da Unisalento Summer School of Audiovisual Translation.