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Simpósio 40

SIMPÓSIO 40 – EDUCAÇÃO LITERÁRIA E ENSINO DA LITERATURA NO BÁSICO E SECUNDÁRIO

 

Coordenadores:

Pedro Balaus Custódio | Escola Superior de Educação – Politécnico de Coimbra | balaus@esec.pt

Cristina Mello | Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra | cristina.a.mello@gmail.com

 

Resumo:

Os atuais documentos curriculares para o ensino básico reequacionam o ensino da literatura e colocam aos professores importantes desafios exigindo-lhes, também, novas formas de trabalho.

Atendendo a que as alterações programáticas abrem sempre outras vias e perspetivas, cabe aos docentes e investigadores desta área repensar os modos como ensinam literatura.

Este painel abrirá um leque de participações que possibilitem discutir e analisar todos os aspetos em torno da didática dos textos literários, no Básico e no Secundário, envolvendo quer a instância do leitor, do texto ou do contexto, bem como propor novos itinerários neste domínio.

 

Palavras-chave: Didática da literatura, ensino básico e secundário, educação literária, texto literário.

 

Minibiografias:

 

Pedro Balaus Custódio é licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses e Franceses na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1987); especializado em Ensino do Português pela mesma faculdade (1989) e Mestre em Literatura Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1992). Em 2004 doutorou-se em Didática da Literatura na Universidade de Coimbra. É investigador integrado do Centro de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É Professor Coordenador da Escola Superior de Educação de Coimbra, onde leciona Didática da Leitura e Escrita, seminários de formação de professores, nas áreas da leitura, escrita e Didática do Português.

Cristina Mello é docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas). Membro do Núcleo de Estudos em Ensino e do Centro de Literatura Portuguesa. Nos cursos de 2º ciclo em ensino, leciona Didática da Língua e da Literatura Portuguesas, Tópicos de Língua e de Literatura Portuguesas e Seminário de Português. É membro da coordenação dos mestrados em ensino com a componente de Português e supervisora de Estágio Pedagógico. Na pós-graduação em Literatura de Língua Portuguesa – Investigação e Ensino, é docente da unidade curricular “Ensino da Literatura”. No curso de Português (1º ciclo), leciona Literatura Brasileira. Doutorou-se em 1996 com a dissertação O ensino da literatura e a problemática dos géneros literários, publicada pela Almedina em 1998.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Ensino de literatura: uma experiência de letramento literário

Autora:

Adriana Nunes de Souza – UFAL-IFAL: Universidade Federal de Alagoas – Instituto Federal de Alagoas – drikalagoas@hotmail.com

 

Resumo:

O trabalho discute o papel dos gêneros digitais para o ensino da literatura, defende-se que eles podem proporcionar ao aluno um reencontro com o texto literário. Considerando que a preocupação com o letramento literário e com a criação do hábito de leitura, por meio da adequação da bibliografia à clientela escolar, é objetivo frequente nos planejamentos no Brasil, têm-se como objetivos analisar a internet e os novos gêneros que com ela emergiram como recursos didáticos eficientes, os quais unam a construção do conhecimento ao prazer da leitura; estudar a associação entre gêneros, letramento literário e ensino; e analisar o papel do professor nesta nova realidade. Para a construção do trabalho utilizou-se pesquisa bibliográfica, em obras relacionadas ao tema e em homepages frequentadas por adolescentes. Utilizaram-se ainda entrevistas e mesas-redondas nas quais discutiram-se as práticas pedagógicas do Ensino de Literatura com docentes da educação básica do município de Arapiraca – AL – Brasil. A pesquisa fundamentou-se, basicamente, na linguística discursiva em interface com autores que discutem o uso da tecnologia digital em educação. Verificou-se com o estudo que a utilização dos gêneros digitais constitui um recurso didático eficiente e possui um fundamental papel para o ensino de literatura e para o letramento literário, por possibilitarem um amplo contato com a leitura e associarem-se ao cotidiano.

Palavras-chave: gêneros digitais; ensino de literatura; letramento literário.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL, Mestre em Letras – Estudos literários pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL, Bacharel e Licenciada em Letras – Português pela Universidade de São Paulo – USP, professora efetiva do Instituto Federal de Alagoas – IFAL – Campus Arapiraca, atuando como docente no Ensino Médio Integrado e na pós-graduação em Linguagem e Práticas Sociais.


Comunicação 2

Opinar, refletir, declamar, criar: a possibilidade de ser outro por meio da leitura literária de poesia

Autor:

Adriano da Rosa Smaniotto – UFPR: Universidade Federal do Paraná –  smaniotto@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem por objetivo trazer à tona reflexões acerca da urgente necessidade de tornar o aluno do Ensino Médio um leitor efetivo de poesia, permitindo que sua voz e sua subjetividade façam parte da leitura literária, trazendo à tona seu conhecimento de mundo, seus valores, suas expectativas, a fim de construir a si e aos outros por meio das diversas reflexões propiciadas à luz de uma metodologia em que o espaço, o tempo, os papéis dos sujeitos leitores, as escolhas de leitura são diversos da maneira como têm sido concebidos nesta fase do ensino, como atestam as pesquisas de Dalvi (2013), Resende (2013), Bernardes (2013), Rouxel (2013), Langer (2005), entre outros. Entende-se, nessa ótica, a leitura literária enquanto elemento capaz de trazer criticidade ao aluno, num viés político-pedagógico (Dalvi, 2013), bem como a necessidade de uma educação transformadora (Freire, 1974 /1996) e de se literaturizar a pedagogia e a escola (Larossa, 2004). Trata-se de uma pesquisa empírica, em que serão apresentados os primeiros dados advindos da proposta da união de leitura compartilhada (Colomer, 2007), produção de diários de leitura (Bronckart, 1998), declamação de poemas (Zumthor, 1983) e criação literária, a fim de se pensar em que sentido esta metodologia pode vir a ser uma das possíveis estratégias para reverter o quadro do ensino de leitura literária, atualmente insatisfatório e pautado na periodização e no historicismo literário.

A escolha a favor da leitura de poemas também é significativa diante da pouca presença da poesia entre os gêneros literários (Leminski, 1997), bem como da dificuldade de se ler poemas revelada não só pelos discentes, mas também por graduandos, os quais não se sentem preparados para ministrar aulas sobre a leitura literária. (Menezes; Coelho, 2016)

Palavras-chave: leitura literária de poesia; leitura compartilhada; leitores reais.

 

Minibiografia:

Mestre em Letras(UFPR,2012) e Doutorando em Estudos Literários(UFPR). Professor do Ensino Médio e Poeta, atualmente realiza pesquisa acerca do valor da leitura literária de poesia na transformação do discente, por meio da reflexão que possibilite a construção da alteridade, sob o viés da criticidade.


Comunicação 3

O Uso da Línguagem Midiática em TODOS CONTRA D@NTE, de Luiz Dill

Autora:

Alice Atsuko Matsuda – UTFPR: Universidade Tecnológica Federal do Paraná –  alicem@utfpr.edu.br

 

Resumo:

Face à crescente inserção das mídias digitais no cotidiano das pessoas e no contexto educacional, uma das questões importantes é verificar como se dá a performance das crianças e dos jovens leitores midiáticos em relação à leitura do texto literário impresso e da literatura hipermidiática. Supõe-se que as habilidades cognitivas sejam diferentes, portanto, verificar em que essa habilidade irá influenciar na mediação da leitura pelo professor e na escolha metodológica para o ensino de literatura e na formação do leitor se faz necessária. Analisar as relações de sentido a partir de diferentes semioses em gêneros discursivos contemporâneos, como os literários e verificar as potencialidades do trabalho com gêneros multissemióticos literários no ensino-aprendizagem de literatura, provavelmente, poderá auxiliar na elaboração de atividades didáticas a partir do trabalho de obras da literatura hipermidiática contemporâneas que mobilizam múltiplas semioses: som, vídeo, imagem, escrita, cores. Assim, a presente comunicação objetiva analisar a obra Todos contra D@nte, de Luiz Dill, visto ser uma obra impressa, mas que no seu aspecto gráfico trabalha com os recursos da mídia, trazendo a estrutura dos blogs, comunidades, chats e a própria linguagem desses veículos da internet, própria do público jovem. Além disso, a narrativa se desenrola a partir de links, nos quais as páginas da esquerda se ligam às páginas da direita, adiantando o desenvolvimento da história. Assim, a pesquisa pretende contribuir para uma mudança nos modos de investigar e ensinar literatura. Para tanto, terá como pressupostos teóricos estudos de Santaella (2004; 2007), Lévy (1993; 1996), Bauman (2001), Chartier (1999; 2001), Kirchof (2016) entre outros.

Palavras-chave: ciberliteratura; ensino de literatura; literatura juvenil; todos contra D@ante; Luiz Dill.

 

Minibiografia:

Doutora em Letras – Estudos Literários pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mestre em Letras – Literatura e Ensino pela UNESP/Assis, professora titular – Adjunto 3 – da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Curitiba. Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens (PPGEL). Participa como membro dos Grupos de Pesquisas Discursos sobre Trabalho, Tecnologia e Identidades; Grupo de Pesquisa em Linguística Aplicada (GRUPLA) e como vice-líder do Grupo de Pesquisa (Des)caminhos da modernidade ao contemporâneo: estudos em literatura e outras linguagens. Curitiba-PR, Brasil.


Comunicação 4

Livro Didático e Educação Literária: PNLD/2017

Autora:

Alice Áurea Penteado Martha – UEM: Universidade Estadual de Maringá –  apmartha@uol.com.br

 

Resumo:

O Guia de Livros Didáticos do Programa Nacional do Livro Didático – PNLD 2017 (Decreto nº 7.084 de 27/01/2010-MEC), que seleciona e distribui livros didáticos e demais materiais às escolas públicas do Brasil, contém informações necessárias à escolha das obras destinadas a estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental, para o período de 2017 a 2019. No que diz respeito ao ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa, além de questões que embasaram a avaliação das obras selecionadas, o Guia traz critérios sobre ensino da leitura, produção escrita, oralidade e conhecimentos linguísticos que fundamentaram a escolha das Coleções, afirmando que a área da literatura (leitura e produção de textos literários), fundamental para a formação integral da criança e do jovem, tem destaque  nos volumes avaliados. Das Coleções inscritas, seis foram selecionadas, sendo apenas uma do Tipo 1 (Manual do Professor impresso e Manual do Professor em formato multimídia) e cinco do Tipo 2 (não contém o Manual em formato multimídia).

A proposta deste trabalho, estabelecendo vários recortes em todo material veiculado pelo Guia PNLD 2017, é a de observar  em duas Coleções selecionadas para para o sétimo ano – Projeto Teláris – Português, de Ana Trinconi Borgatto, Terezinha Bertin e Vera Marchezi (Ática, 2ª edição – 2014), Coleção Tipo 1, e Português – Linguagens de Tereza Cochar e William Cereja (Saraiva Educação, 9ª edição – 2015), Coleção Tipo 2, a partir da análise dos Manuais do Professor e das unidades temáticas, como as orientações teóricas e a metodologia indicada podem contribuir  – ou não – de forma significativa para a ampliação das práticas de leitura literária, propiciando a desejada formação de leitores. Interessa, sobretudo, a esta comunicação, considerar proposições para uma didática dos textos literários, nas Coleções mencionadas, de modo que sejam reconhecidas atividades significativas para a percepção e a consolidação do que se convenciona nomear educação literária.

Palavras-chave: guia PNLD/2017; livro didático; leitura do texto literário; educação literária.

 

Minibiografia:

Graduação em Letras, com mestrado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1988) e doutorado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1995). Professora Associada da Universidade Estadual de Maringá, atua no programa de Pós-Graduação em Letras, na linha de pesquisa “Campo literário e formação de leitores”. É votante, desde 2005, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ, Coordenadora do Centro de Estudos de Literatura, leitura e escrita: história e ensino – CELLE, (CNPq/UEM); Vice-líder do Grupo de Pesquisa Leitura e Literatura na Escola, que congrega professores de diversas universidades do país. CV: http://lattes.cnpq.br/6609188672656392


Comunicação 5

A formação do leitor literário a partir do texto poético de Manoel de Barros

Autoras:

Ana Carla de Azevedo Silva – UERN: Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – angel_dylan19@hotmail.com

Verônica Maria de Araújo Pontes – UERN: Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – veronicauern@gmail.com

 

Resumo:

Como professores e apreciadores da palavra como arte, podemos perceber constantemente que os alunos saem do ensino básico sem um mínimo de conhecimento sobre o texto poético. Dados esses que são confirmados a partir dos índices das pesquisas realizadas nas diversas séries do ensino brasileiro. A situação nas escolas potiguares não fica aquém desses índices e se mostra preocupante em uma sociedade situada em um discurso sobre multiletramentos e multimodalidades discursivas. Por vezes, o aluno desconhece o texto poético porque, talvez, o próprio docente não apresente esse tipo de texto em sala de aula e em casa a criança sequer tenha modelos leitores. Sobre o tema da formação do leitor literário estudaremos autores como Fillola (2004, 2007), Pontes (2011, 2012, 2013), Azevedo (2006, 2009) Aguiar (1993), Lois (2010), Zilberman (2009, 2010). Sobre poesia utilizamos os teóricos Pinheiro (2002), T S Eliot (1991), Jean (1996). Em seguida apresentaremos a obra de Manuel de Barros como material poético autêntico para a confecção das oficinas literárias com os alunos. A esse material poético demos o direito à fruição através da experiência de reinvenção que parte do texto e não só o trato didático previsto em sala. O teor autêntico da poesia barrense fica a cargo da polissemia da palavra, das imagens e da realidade, criações que dialogam fundamentalmente com a fase infantil, não só numa abordagem leitora, mas também de desenvolvimento do próprio indivíduo.

Palavras-chave: texto literário; espaço escolar; Manuel de Barros.

 

Minibiografias:

Ana Carla de Azevedo Silva: Formada em Letras e Mestre em Letras pelo programa Profletras. Atualmente é professora de português da rede básica de ensino do RN.

Verônica Maria de Araújo Pontes: Professora Adj. IV da UERN do departamento de Educação. Docente dos Mestrados em Letras e em Ensino.


Comunicação 6

Leitura subjetiva no espaço escolar sob a ótica do leitor jovem e do professor

 

Autoras:

Ana Crelia Penha Dias – UFRJ: Universidade Federal do Rio de Janeiro – anacrelia@gmail.com

Raquel Souza – CPII: Colégio Pedro II

 

Resumo:

Os textos da estética da recepção colocaram luz em uma figura relegada à sombra durante muito tempo quando se pensava em teoria e crítica do texto literário. Trata-se, certamente, do leitor, que desde a década de setenta tem merecido algum destaque dos estudos acadêmicos. Estes, por sua vez, mais recentemente, instrumentalizados pelas abordagens centradas no leitor, têm se aproximado das reflexões sobre a leitura literária na escola, tentando superar o antigo embate entre teoria e prática, que em pouco ou nada contribuiu para formar leitores, a não ser para afastar os leitores da literatura. O presente trabalho tem por objetivo fazer uma reflexão sobre o lugar reservado ao leitor e à leitura subjetiva no espaço escolar. Para tanto, foram levadas em consideração experiências realizadas com alunos e professores de escolas públicas, pensando em suas identidades leitoras e na mediação construída com o texto.

Palavras-chave: leitura literária; ensino de literatura; formação do leitor; formação do professor.

 

Minibiografias:

Ana Crelia Dias – Graduada em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1994), especialização em Literatura Infantil e Juvenil (1999), mestrado (2003) e doutorado (2008) em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: Ficção brasileira, literatura infantil, literatura e ensino e formação do leitor literário. É líder do grupo de pesquisa Literatura e Educação literária (dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/5906903233650588) e membro do GT da Anpoll Literatura e Ensino.

Raquel Souza – Bacharel e licenciada em Letras: Português-Inglês pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005 e 2007, respectivamente). Possui mestrado em Literatura Brasileira (2008), especialização em Literatura Infantil e Juvenil (2011) e doutorado em Literatura Brasileira (2015) pela mesma instituição. Atualmente é professora EBTT, em regime de Dedicação Exclusiva, no Colégio Pedro II. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira e Ensino de Língua e Literatura, atuando principalmente nos seguintes temas: ficção brasileira contemporânea, literatura infantil e juvenil, práticas de leitura e escrita no Ensino Fundamental, formação do leitor literário. Integra o Grupo de Pesquisa Literatura e Educação Literária da Faculdade de Letras da UFRJ e o Grupo de Pesquisa em Ensino de Português e Literaturas (GEEPOL) do Colégio Pedro II.


Comunicação 7

A formação do professor de Língua Portuguesa do Ensino Básico: o lugar da educação literária

Autoras:

Ana Isabel Pinto– ESEVC: Escola Superior de Educação de Viana do Castelo – anaisapinto@hotmail.com

Maria de Lourdes Dionísio – UM: Universidade do Minho –  mldionisio@ie.uminho.pt

 

Resumo:

A educação literária detém nos curricula das disciplinas de língua um lugar privilegiado, apesar da variação de objetos e objetivos consoante os paradigmas que os circunscrevem (Sawyer, Van-de-Ven, 2007). Apesar desta centralidade, os estudos sobre a formação de professores neste domínio são recentes e escassos (Lopes, 2011). No quadro da relevância da educação literária na formação dos cidadãos e, consequentemente, na formação do futuro professor do Ensino Básico, este estudo visa compreender como está a ser construído o professor de Português para este objetivo cada vez mais central no currículo nacional (Reis, 2009; Buescu, 2012; Buescu, 2015).

O estudo que nos encontramos a desenvolver sobre como e com que orientações se estão a formar os futuros professores de português (a nível de valores, competências, atitudes, relativos à educação literária), por meio do qual consideramos também possível ter uma antevisão de como se pode estar a passar a formação do leitor (Lajolo, 2001) literário na escola básica, inscreve-se num contexto em que cada vez mais se reclama “a urgência da realização de trabalhos voltados para (…) a formação de professores de literatura” (Santos, 2010, p. 14), visando ultrapassar a reconhecida escassez de estudo neste domínio (Bernardes, 2010).

A caracterização de saberes declarativos e processuais sobre a leitura e a literatura e das atitudes para com o papel e a função da educação literária na escola procederá de um estudo de natureza mista (Morais, 2007), envolvendo análise documental e inquirição por questionário e entrevista a, respetivamente, uma amostra de alunos e professores e do ensino superior em Portugal.

Palavras-chave: ensino superior; formação inicial de professores; língua portuguesa; educação literária; ensino básico.

 

Minibiografias:

Ana Isabel de Sousa Ferreira Pinto – Mestre, desde 2010, pela Universidade do Minho em Supervisão Pedagógica em ensino do Português. É professora convidada na escola Superior de Educação de Viana do Castelo e doutoranda em Ciências da Educação, especialidade de Literacias e Ensino do Português, na Universidade do Minho. É, ainda, membro do IEL-C, núcleo de estudos literários da ESE Porto, INED.

Maria de Lourdes Dionísio – Doutora em Educação, na especialidade de Metodologia do Ensino do Português, pela Universidade do Minho, onde é Professora Associada do Departamento de Estudos Integrados de Literacia, Didática e Supervisão. Desenvolve investigação em práticas sociais de literacia, leitura em contextos escolares e não escolares, conceção e uso de manuais escolares.


Comunicação 8

A avaliação da leitura literária. Uma análise do espaço (não) dedicado à leitura subjetiva nos materiais didáticos brasileiros

Autora:

Ana Paula dos Santos de SáUNICAMP – IEL: Instituto de Estudos da Linguagem – anapss.unicamp@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é observar se e de que modo os materiais didáticos de Língua Portuguesa (Literatura) produzidos no Brasil reservam espaço a um trabalho pedagógico atento (também) à leitura subjetiva, isto é, às experiências pessoais e espontâneas dos estudantes frente aos textos abordados em sala de aula. À luz dos aportes teóricos de pesquisadores brasileiros (G. Paulino; A. Rouxel; N. Rezende; R. Zilberman) e franceses (M. Petit; G. Langlade; V. Jouve) interessados pela formação literária e pelo ensino de literatura, buscaremos analisar o teor das atividades de leitura literária presentes em coleções didáticas dos ciclos finais da educação básica, aprovadas e distribuídas pelo governo federal em 2013, com especial atenção às diretrizes e aos subsídios fornecidos aos professores. De modo geral, este levantamento visa a mapear/contrastar a ocorrência de dois tipos de exercícios mediadores de leitura: os de natureza (i) didática/meta-cognitiva, que se valem da interpretação do texto literário para fins específicos de aprendizagem, passando, portanto, por uma espécie de “validação de leitura”; e os de natureza (iii) subjetiva/fruitiva, voltados a reflexões e ao aproveitamento da apreciação pessoal/inicial de leitura (“leitura subjetiva”), ou seja, aos significados atribuídos pelo leitor à obra, com base em sua visão de mundo e em sua bagagem sociocultural, muitas vezes anterior/exterior à escola. Considerando que os pesquisadores brasileiros das áreas de Educação e de Letras têm repensado criticamente a insistente atenção dada à história da literatura brasileira e portuguesa (especialmente no que concerne aos últimos anos de ensino) em detrimento de uma efetiva mediação de leitura dos textos literários, que englobe desde aspectos formais até a questão da fruição estética, este trabalho inscreve-se no âmbito das discussões sobre a avaliação e o ensino-aprendizagem da leitura literária, sobre a formação de leitores e, principalmente, sobre a figura do “sujeito leitor” no ambiente escolar.

Palavras-chave: ensino de literatura; leitura subjetiva; sujeito leitor; formação do leitor; leitura literária.

 

Minibiografia:

Doutoranda do programa de Linguística Aplicada da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), bolsista CNPq. Licenciada em Letras e Mestra em Teoria e História Literária pela mesma instituição. Interessa-se pelo ensino de literatura na educação básica brasileira (materiais didáticos, legislação, metodologias de ensino, currículo etc.), em especial no que concerne à interculturalidade na educação.


Comunicação 9

Metamorfoses: da literatura à produção textual

Autora:

Anne Nayara Raimundo Guedes – UFRN: Universidade Federal de Rio Grande do Norte – annenayararg@gmail.com

 

Resumo:

No ensino de Língua Portuguesa de escola pública são perceptíveis as dificuldades de alguns alunos ou da maioria dos alunos em ler um enunciado mais complexo, compreender corretamente textos.

Neste contexto escolar, os alunos não leem textos literários, há a falta de leitura regular, a leitura por deleite, por fruição ou até mesmo por obrigação escolar. Em geral, recusam-se e muitos afirmam se aborrecer com a leitura de textos literários.

A falta de leitura de bons textos reflete negativamente na escrita dos alunos. Eles não conseguem expressar-se com palavras adequadas e, sendo assim, não escrevem adequadamente o que pensam, resultando na imprecisão das ideias escritas e os consequentes problemas de argumentação.

Diante desse cenário de má leitura e péssima escrita, foi proposto um estudo do livro Metamorfoses, obra de Ovídio, com o objetivo de aprimoramento do léxico auxiliando a escritura e o oralidade e o crescimento do conhecimento cultural.

Os alunos foram estimulados a terem contato com alguns mitos de Ovídio, para poderem compreender a natureza e o valor do mito. Nesta etapa, os mitos foram instrumentos de apropriação de importante aspecto do legado cultural ocidental.

Deste contato, os alunos tornaram-se melhores usuários de seu idioma, não apenas no ato da leitura, como também no exercício da produção textual, uma vez que foram orientados a produzirem eles próprios textos narrativos condizentes com as características do gênero “mito”.

Para este estudo utilizamos como base o artigo Direito à Literatura escrito por Candido (1995), assim como o escrito A literatura e a vida de Llosa (2004) para o método de estudo dos textos literários, assim como Campbell (1990) e Calvino (1995) para o estudo do mito.

Para a produção textual usamos a sequência didática proposta por Dolz e Schneuwly (2004) e para o uso em sala utilizamos os Parâmetros Curriculares Nacionais: PCN.

Palavras-chave: metamorfoses; ovídio; leitura literária; produção textual.

 

Minibiografia:

Mestranda pelo programa de Pós-graduação em Letras – ProfLetras/UFRN, especialista em Literatura (UFRN), graduada em Letras – Língua Portuguesa (UEPB), professora efetiva da Rede Estadual de Educação do Rio Grande do Norte.


Comunicação 10

O ensino de literatura e as adaptações audiovisuais

Autora:

Bianca do Rocio Vogler – Universidade de Coimbra – biavogler@gmail.com

 

Resumo:

Neste artigo, desenvolvo uma abordagem relacionada à questão do ensino da literatura tendo como suporte as adaptações audiovisuais de textos literários. Para iniciar tal abordagem, trago algumas considerações a respeito dessa relação entre literatura e cinema/televisão, pautando-se, para tanto, na tese de Walter Benjamin sobre os meios de reprodução técnica das obras de arte. Após essa observação, passo, então, à análise dessa relação quando levada às salas de aula, considerando como as transposições intermediáticas podem se estabelecer como um fator de auxílio para que o professor consiga trabalhar no sentido de promover nos seus alunos o interesse pelos textos literários em que tais adaptações se baseiam. A partir de alguns estudos teóricos que consideram essa relação e a forma como ela pode ser levada para o ensino de literatura, procuro embasar essa abordagem para, posteriormente, passar a uma ponderação de algumas possibilidades de trabalho apoiadas nessa perspectiva. Dessa forma, as propostas de atividade expostas se voltam para uma busca por essa promoção de um interesse pelo texto literário, assim como por um aprofundamento nessas obras literárias por meio da releitura que delas é feita pelos meios audiovisuais e pela inserção do aluno em um universo artístico mais amplo.

Palavras-chave: ensino de literatura; adaptações audiovisuais; ensino médio.

 

Minibiografia:

Graduada no curso de Licenciatura em Letras, com habilitação em Línguas Portuguesa e Inglesa e as suas respectivas Literaturas, pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Mestre pelo Programa de Mestrado em Linguagem, Identidade e Subjetividade pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Doutoranda do Programa de Doutoramento em Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade de Coimbra, com bolsa do programa de Doutorado Pleno no Exterior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).


Comunicação 11

Do monumento dos museus ao monumento das ruas: o texto literário transmidiado em sala de aula

Autor:

Bruno CuterAlbanese – UNICAMP: Universidade Estadual de Campinas –  brunocalbanese@gmail.com

 

Resumo:

Com os estudos sobre práticas de letramento em ambientes multi/hipermidiáticos, tornou-se um desafio repensar teórica e praticamente o ensino de Literatura nas escolas. Sendo assim, o objetivo desta comunicação é analisar os deslocamentos e rupturas causadas no trabalho com o texto literário quando inserido dentro de um projeto de construção de uma narrativa transmídia. Trata-se de uma pesquisa-ação realizada com alunos do nono ano do Ensino Fundamental II de uma escola brasileira, cujo projeto constitui-se na leitura e adaptação da obra Senhora para um curta-metragem. Os registros foram coletados por meio de gravações áudio-visuais das aulas e pela escrita de um diário de campo do pesquisador. Ao se contrastar o texto literário com o curta-metragem produzido pelos alunos, atentamos para as principais diferenças entre as duas obras e com base nos registros coletados em campo, buscou-se analisar o processo de leitura do romance que produziu essas alterações na película. A fundamentação teórica levou em conta os postulados da teoria do sujeito leitor (LANGLADE, 2013; JOUVE, 2013) sobre a leitura subjetiva do texto literário, em que se destaca o papel do leitor na construção subjetiva dos sentidos da obra literária, bem como reflexões teóricas baseadas em Dena (2009) a cerca do que é uma narrativa transmídia. Como resultado, concluímos que a inserção de narrativas transmídia no ensino de Literatura permite que os alunos não somente leiam a obra, como também produzam um novo texto sobre ela, ao relacionar e criar relações intertextuais entre a história criada por José de Alencar com os repertórios de suas coleções de leitura, principalmente aqueles advindos do cinema e da televisão. Dessa forma, a narrativa transmídia produzida pelos alunos rompeu com as vitrines antes construídas pela obra e assegurou a construção de novos sentidos sobre o romance Senhora, o qual foi ressignificado e (re)apropriado pelos alunos.

Palavras-chave: ensino de literatura; teoria do sujeito leitor; narrativa transmídia.

 

Minibiografia:

Doutorando em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob orientação da Profa. Dra. Inês Signorini. Obteve pela mesma Universidade o título de Mestre em Linguística Aplicada (2016) e de Licenciado em Letras (2013). Desenvolve pesquisa sobre o ensino de Língua Materna em diálogo com as novas mídias e tecnologias.


Comunicação 12

O papel da poesia na formação do jovem leitor

Autores:

Célia Sebastiana Silva – UFG – CEPAE: Universidade Federal de Goiás – Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação – celia.ufg@hotmail.com

Pitias Alves Lobo – UFG – CEPAE: Universidade Federal de Goiás – Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação – pitiaslobo@live.com

 

Resumo:

A tarefa de educar, para Adorno (1995), só se constitui de fato se estiver voltada para a formação e a emancipação dos indivíduos, de modo a possibilitar-lhes a conquista da autonomia. Ele afirma que, mais que preparar os homens para se adaptar ao mundo e produzir pessoas bem ajustadas, é necessário um tipo de educação que possa também fortalecer a resistência. Nessa tarefa de formar homens autônomos, emancipados, libertos da opressão esmagadora da sociedade capitalista, há que se discutir, no contexto da escola, o papel da leitura de poesia e o seu poder de resistência. Ela é desafiadora na formação do jovem leitor, justamente, porque está na contramão do tempo volátil, da ideologia dominante, do consumismo exacerbado. Por outro lado constitui um gênero literário pouco frequente na escola talvez por seu caráter mais desafiador na busca de sentido. O presente trabalho visa a uma reflexão sobre a formação do leitor de poesia e pretende mostrar como é possível franquear, na sala de aula, a convivência e intimidade com a poesia e com o corpo em sua performática e permitir ao aluno uma ampliação de sua capacidade leitora, a partir de suas necessidades, valores e práticas sociais. Para tal, serão apresentadas algumas experiências interdisciplinares de leitura e vocalização de poemas da obra Sentimento de mundo, de Carlos Drummond de Andrade e de uma coletânea de poemas de Manoel de Barros, com alunos da segunda fase do Ensino Fundamental de uma escola pública federal. Os resultados apontam a importância da mediação do professor para a efetividade De uma formação humana, crítica e emancipadora, a partir da leitura de textos poéticos.

Palavras-chave: poesia; leitura; resistência; sala de aula.

 

Minibiografias:

Célia Sebastiana Silva – Doutora em Literatura pela UNB e professora do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (Cepae) da UFG onde atua da educação básica à pós-graduação. Suas linhas de pesquisa estão voltadas para a poesia brasileira moderna e contemporânea, teoria e crítica da poesia lírica e para a área de ensino de literatura e de formação do leitor literário na educação básica, especialmente o leitor de poesia e suas publicações voltam-se para essa área.

Pitias Alves Lobo – Mestre em Educação pela UFG, doutorando em Educação pela UFG- campus Goiânia, professor do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE) da UFG onde atua na educação básica. Suas linhas de pesquisa estão voltadas para as relações trabalho e educação; educação física e metodologias de ensino; educação, educação popular e movimentos sociais.


Comunicação 13

A literatura no Ensino Médio: reflexões para a sala de aula

Autores:

Clara Etiene Lima de Souza – INEP: Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – mail

Rafael Batista de Sousa – UnB/IFB: Universidade de Brasília –rafaelbsousa@gmail.com

 

Resumo:

Magda Soares (2001) afirma que a escolarização da literatura é inevitável e que negá-la seria negar a própria escola. Deste modo, a questão fulcral é exatamente como se pode estabelecer o processo de ensino-aprendizagem em se tratando deste campo tão vasto como a literatura. Problema que se amplia quando analisado à luz dos exames de larga escala, tal como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cuja proposta é avaliar as competências e habilidades alcançados ao longo do ensino médio no contexto brasileiro. Assim, este artigo pretende discutir como se dá no Enem, forte indutor da prática pedagógica em sala de aula, o tratamento da literatura. O objetivo, portanto, é analisara(s) concepção(ões) de literatura que perpassa(m) a avaliação, analisar a  formação de um “cânone” do Eneme e  refletir sobre o projeto de formação de leitor literário subjacente ao exame, a fim de discutir como esta prova pode orientar/induzir o trabalho do docente e o processo de ensino-aprendizagem.

Palavras-chave: literatura; ensino; avaliação de larga escala; cânone; leitura.

 

Minibiografias:

Clara Etiene Lima de Souza – Doutora em Teoria Literária, pela Universidade de Brasília (UnB), pesquisadora em Educação pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)

Rafael Batista de Sousa – Doutorando em Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB) e professor de ensino básico, técnico e tecnológico pelo Instituto Federal de Brasília (IFB)


Comunicação 14

Letramento Literário na Educação Básica: subjetividade e (trans) formação do aluno em sujeito – Leitor/Escritor

Autora:

Cynthia Agra de Brito Neves – UNICAMP: Universidade Estadual de Campinas –  cynneves@iel.unicamp.br

 

Resumo:

Esta comunicação visa reivindicar um lugar nuclear para o ensino de leitura e escrita literárias na Educação Básica do Brasil, sobretudo na atualidade, em que o governo federal propõe mudanças no Ensino Médio que objetivam suprimir dos currículos disciplinas fundamentais para formação humana e cidadã dos jovens alunos. O ensino de literatura tem sofrido uma espécie de “insulamento”, nos termos de Cosson (2006, 2011), sendo tratada como um apêndice dentro da disciplina de Língua Portuguesa, seja pela sobreposição à simples leitura desinteressada no ensino fundamental, seja pela redução da literatura à história literária no ensino médio, com requintes de teoria e crítica literárias (Todorov, 2012) de concepção formalista, inspirada na linguística estrutural e na semiótica – criticam Fontes (1999), Gebara (2002), Petit (2002) e Neves (2008, 2014). Defendemos, pois, o letramento literário, na perspectiva de Paulino e Cosson (2009), como processo de apropriação da literatura enquanto construção literária de sentidos. A ideia é discutir a formação de professores, a elaboração de materiais didáticos, (re) pensar currículos e métodos de ensino que proponham ensinar leitura e escrita literárias apostando na subjetividade e (trans) formação do aluno em um sujeito leitor/escritor de literatura, tal como defendem também os teóricos franceses da Didática da Literatura – Rouxel (2004), Langlade (2004), Jouve (2004), Rannou (2010), – cujas teorias e práticas têm, finalmente, ecoado em território nacional. Em tempos de novos letramentos (digitais) e multiletramentos, resistimos, subversivamente, para que os letramentos literários sobrevivam e convivam democraticamente com os demais no tempo e espaço da Educação Básica.

Palavras-chave: letramento literário; didática da literatura; subjetividade.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras (Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP, 1995); Mestre em Educação (Pontifícia Universidade Católica de Campinas/PUCCAMP, 2008); Doutora em Linguística Aplicada (Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP, em co-tutela com a Université Stendhal Grenoble 3, na França, 2014). Atualmente, Professora Assistente-Doutora do Departamento de Linguística Aplicada (DLA) do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) na Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP.


Comunicação 15

Estratégias de leitura e produção de textos multimodais para os ensinos médio e técnico

Autora:

Denise Landi Corrales Guaranha – ETECMLK: Escola Técnica Estadual Martin Luther King – d-guaranha@uol.com.br

 

Resumo:

Este trabalho apresenta os resultados de uma experiência de ensino e aprendizagem da língua portuguesa para alunos do ensino médio integrado ao técnico das áreas de Gestão e Indústria na Escola Técnica Estadual Martin Luther King, pertencente ao Centro Paula Souza, em São Paulo, Brasil. A experiência consiste no desenvolvimento de uma sequência didática que vai da leitura à produção de textos multimodais com a finalidade de desenvolver essas habilidades dos discentes por meio da prática. O trabalho parte do conceito de texto como um objeto verbal e visual que se constrói por intermédio das múltiplas modalidades da linguagem. Nesse sentido, os alunos são estimulados a lerem um texto literário em língua inglesa e as diferentes traduções dessa produção; são orientados quanto aos aspectos genéricos, à contextualização da obra, sua importância histórica e sua qualidade literária, por meio de estudos em sala e de leituras críticas; e, finalmente, são desafiados a elaborarem um trabalho criativo de releitura que deve se materializar por meio de um texto multimodal, de preferência em um gênero diferente do original, cujos recursos extralinguísticos utilizados nessa construção estejam relacionados à área de interesse desses indivíduos. Os resultados dessa experiência, que apresentaremos nesta comunicação, têm sido surpreendentes à medida que revelam a capacidade dos alunos para articular os diversos recursos comunicativos aos verbais; produzem motivação para o aprendizado; e estimulam o gosto pelas práticas de leitura e escrita desmistificando a ideia do senso comum de que os adolescentes e jovens não gostam de ler e escrever.

Palavras-chave: língua portuguesa; prática pedagógica; ensino técnico; gêneros textos multimodais.

 

Minibiografia:

Formada em Letras pela USC – Universidade do Sagrado Coração, de Bauru; Mestrado em Literatura Brasileira pela USP – Universidade de São Paulo; autora dos livros: Pio e Mário: diálogo da vida inteira. Rio de Janeiro: Editora Ouro Sobre Azul, 2009 (correspondência de Pio Lourenço Corrêa e Mário de Andrade); Naif (o fim do mundo é logo ali). São Paulo: Editora All Print, 2010 (ficção); e Vestígios. São Paulo: Editora All Print, 2012 (ficção). Professora de língua portuguesa da Escola Técnica Estadual Martin Luther King, que pertence ao Centro Paula Souza.


Comunicação 16

A escrita poética de estudantes da Educação de Jovens e Adultos do Ensino Fundamental: um caso de travessia(s)

Autores:

Enivalda Nunes Freitas e Souza – UFU: Universidade Federal de Uberlândia – eni@ufu.br

Neli Edite dos Santos – UFU: Universidade Federal de Uberlândia –neliedite@yahoo.com.br

 

Resumo:

Nesta comunicação, apresentamos resultados parciais da análise de uma coletânea de cinquenta poemas criados por estudantes da Educação de Jovens e Adultos do Ensino Fundamental, os quais são pensados mediante aporte teórico de Alfredo Bosi, “Sobre alguns modos de ler poesia”, e Wolfgang Iser, O ato da leitura – por exemplo. Estamos percebendo que textos poéticos escritos por esses estudantes contêm marcas de um lirismo genuíno, em que formas, imagens, ritmos, léxico, temas presentes em obras canônicas deslizam para suas produções, estabelecendo ali uma relação entre estudantes e poesia que parece indicar a possibilidade de superação desses estudantes em sua relação claudicante com a linguagem. Sua expressão poética poderia ser associada a um efeito decorrente de força humanizadora própria da literatura, em seu sentido amplo, conforme analisa Antonio Candido em estudos como “A literatura e a formação do homem”. A análise minuciosa de documentos oficiais vigentes no Brasil, emitidos pelo Ministério da Educação – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996; Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental/ Língua Portuguesa, 1998; Proposta Curricular para a Educação de Jovens e Adultos: Segundo Segmento do Ensino Fundamental, 2002 – revela que os termos ‘poesia’ e ‘poema’ pouco aparecem, denotando certo apagamento das formas líricas nas normatizações da Educação Básica. As consequências de tal apagamento se estendem ao longo da formação do indivíduo – o que é preocupante. No entanto, apesar desse apagamento oficial, quando apresentados a formas líricas canônicas, os estudantes demonstram receptividade a elas, inclusive se apropriam de muitas de suas características no exercício da escrita poética. Dos cinquenta poemas que constituem o objeto de análise de nossa pesquisa de doutoramento, destacaremos elementos que nos permitem defender a tese de a produção poética de estudantes da Educação de Jovens e Adultos ser explorada como possibilidade movente, como potência desencadeadora de experiências de linguagem libertárias.

Palavras-chave: poesia; leitura; escrita poética; efeito; educação de jovens e adultos.

 

Minibiografias:

Enivalda N. Freitas e Souza – Professora Titular da Universidade Federal de Uberlândia. É autora de Flores de Perséfone: a poesia de Dora Ferreira da Silva e o sagrado, 2013. Organizou o livro Poesia com deuses: estudos de Hídrias, de Dora Ferreira da Silva, 2016, co-organizou as obras Roteiro poético de Hilda Hilst, 2009, Sonho de um repentista – versos do poeta logogrífico Canelinha, 2009, e Reflexos e sombras: arquétipos e mitos na literatura, 2011. As publicações receberam financiamento da FAPEMIG. Coordena o Poeima – Grupo de Pesquisa Poéticas e Imaginário.

Neli Edite dos Santos – Docente de Língua Portuguesa e Literatura no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Uberlândia. Cursa doutorado em Estudos Literários, com a pesquisa intitulada A escrita poética de estudantes da Educação de Jovens e Adultos do Ensino Fundamental: um caso de travessia(s), sob orientação da Drª Enivalda N. Freitas e Souza. Tem experiência em formação de professores, orientação de estagiários de Letras e formação de leitores para a leitura de literatura na Educação Básica. Membro do Poeima – Grupo de Pesquisa Poéticas e Imaginário.


Comunicação 17

Base Nacional Comum Curricular e literatura: pressupostos para a concepção de uma metodologia

Autor:

Ernani MüggeUF: Universidade Feevale ermugge@gmail.com

 

Resumo:

A Base Nacional Comum Curricular, ainda em fase de elaboração no Brasil, “apresenta os Direitos e Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento que devem orientar a elaboração de currículos para as diferentes etapas de escolarização.” Assim sendo, “configura-se como parâmetro fundamental para a realização do planejamento curricular, em todas as etapas e modalidades de ensino, a ser consolidado no Projeto Político Pedagógico (PPPs) das Unidades Educacionais (UEs), de acordo com o inciso I, do artigo 12, da Lei 9.394 (LDB). Em relação ao ensino da Literatura, no componente Língua Portuguesa, a BNCC, em sua segunda versão, assinala a importância das obras literárias para a ampliação do “universo de referências culturais e as respostas sobre o estar no mundo” bem como o fato de elas propiciarem “o deslocamento necessário para a compreensão da diversidade sociocultural, aprofundando a percepção da condição humana vista por outros e diversos ângulos”. Diante dessa propensão do texto, o documento sugere que, ao longo de toda a Educação Básica, a escola deve favorecer a formação literária, “de modo a garantir a continuidade do letramento literário, iniciado na Educação Infantil”. Considerando que, dentre os objetivos gerais do componente Língua Portuguesa na Educação Básica, estão os de “ler e apreciar textos literários de diferentes culturas e povos”, “desenvolver estratégias e habilidades de leitura” e “apropriar-se, progressivamente, de um vocabulário que permita ler/escutar e produzir textos orais e escritos”, é preciso pensar em uma metodologia de análise de textos literários que privilegie atividades que visam à compreensão e interpretação e a transferência e a aplicação da leitura. Discutir uma metodologia que tenha por base estes pressupostos e esteja de acordo com os objetivos propostos para cada etapa de ensino é o objetivo desta comunicação.

Palavras-chave: base nacional comum curricular; educação básica; literatura; metodologia.

 

Minibiografia:

Mestre em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e doutor em Literatura Brasileira, Portuguesa e Luso-africana pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente é Bolsista de Pós-Doutorado – CAPES, na Universidade Feevale. Entre outras publicações, é co-autor do livro Literatura na Escola – Propostas para o Ensino Fundamental (Artmed). Tem experiência na área de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura e metodologia de ensino da literatura.


Comunicação 18

O RPG como alternativa metodológica para o ensino da leitura literária nas aulas de Língua Portuguesa

Autora:

Franciela Zamariam – UEL: Universidade Estadual de Londrina belamesquita@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho se inscreve na área de ensino da leitura literária e, fundamentado em autores como Jouve, Picard e Barthes, tem como objetivo discutir alternativas metodológicas para o tratamento da literatura em sala de aula, uma vez que este tipo de leitura, entre os estudantes, está longe de ser o ideal, em número e em qualidade. O tema encontra justificativa em uma pesquisa anterior (ZAMARIAM, 2008), realizada com estudantes de escolas públicas estaduais, quando eles confirmaram que as leituras impostas e as provas sobre os livros os faziam rechaçar o texto literário, pois tais atividades os levavam a memorizar informações quanto ao enredo e às personagens, em vez de refletir sobre eles e fruí-los. Como sugestão, os entrevistados afirmaram que as leituras poderiam ser feitas de modo mais dinâmico e envolvente, durante a aula. Dessa forma chegamos à adaptação de obras de literatura para o RPG (jogo de interpretação de papéis), o qual pode proporcionar uma leitura interativa, compartilhada e significativa, sob a orientação do professor, facilitando o acesso a essa linguagem específica, ao mesmo tempo em que reconstrói a afetividade entre leitor e texto. Ademais, verificamos que esse jogo é uma ferramenta transdisciplinar, que leva o aluno a, de fato, vivenciar o enredo da obra. Assim, nesta comunicação, discutiremos a pesquisa de Mestrado em Estudos da Linguagem (UEL), que foi realizada com alunos do Ensino Médio da Rede Pública de Educação, sobre o uso do RPG como alternativa metodológica no ensino da leitura literária, cujos resultados se mostraram muito positivos, tanto no quesito motivação, quanto na formação do estudante como leitor maduro. Com isso, pretendemos uma aproximação entre as teorias desenvolvidas na academia e a prática docente na Educação Básica, visando a melhorias no processo de ensino e aprendizagem da leitura nas aulas de língua portuguesa.

Palavras-chave: ensino de literatura; literatura; RPG.

 

Minibiografias:

Licenciada em Letras Vernáculas e Clássicas (2005) e em Letras Estrangeiras Modernas – Língua Espanhola (2012), na Universidade Estadual de Londrina (UEL); é especializada em Metodologia da Ação Docente (Educação, 2008) pela mesma universidade e Mestranda em Estudos da Linguagem também na UEL. Trabalha como professora da Educação Básica na Rede Pública Estadual, onde leciona as disciplinas de Língua Portuguesa, Literatura e Língua Espanhola para o Ensino Médio.


Comunicação 19

A narrativa mítica e a Literatura Fantástica: Qual sua importância para a formação do leitor subjetivo?

Autora:

Graciane Cristina M. Clestino – UB: Universidade de Brasília –  caeiro3@gmail.com

Robson Coelho Tinoco – UnB: Universidade de Brasília – robson@unb.br

 

Resumo:

Compreender como são abordadas as questões de leitura, texto e contexto no Livro do Seres Imaginários, de Borges; Guerrero, e sua relevância para o processo de formação de leitores, leitura subjetiva e contextualização de narrativas míticas dos alunos da Educação Básica e Secundária, em duas escolas, uma situada no estado de Goiás, e a outra no Distrito Federal é o objetivo dessa proposta de comunicação. O estudo busca analisar como o ensino de Literatura Fantástica nessas instituições pode-se constituir. Os conceitos que norteiam essa pesquisa são a leitura subjetiva em Rouxiel e Petit, a relação entre a Literatura Fantástica em Borges e a concepção de Mito em Eudoro de Sousa.

Como metodologia de pesquisa será utilizada a pesquisa-ação de cunho existencial, onde serão realizadas 04 (quatro) oficinas literárias em cada instituição, com o intuito de comparar os dados. Os documentos norteadores das políticas públicas para leitores do Ministério da Educação (MEC) do Brasil constituirão aporte para a estruturação das concepções de leitura literária na escola e sua compreensão. A pesquisa-ação existencial poderá apontar para a leitura subjetiva, as construções de uma literatura de resistência à crise do ensino em que se encontra a Educação Básica brasileira atualmente e uma metodologia de ensino que as contemple.

Palavras-chave: narrativa mítica; leitura; subjetividade; ensino e literatura.

 

Minibiografias:

Robson Coelho Tinoco – Pós-doutorado em Educação – Leitura e remição de pena em ambiente prisional / Faculdade de Educação-USP (2014); Pós-doutorado em Língua Portuguesa – Práticas de leitura e ensino de literatura nos ensinos fundamental e médio / Pontifícia Universidade Católica-SP (2011); Doutorado em Literatura Brasileira – Poesia brasileira moderna e sociedade / Universidade de Brasília (2001); Mestrado em Língua Portuguesa – Metodologias de leitura / PUC-SP (1994); Graduação em Letras (Português – Inglês) / Fac. Salesianas de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena (1986). Professor Associado IV do Instituto de Letras-IL / TEL-UnB; professor do Departamento de Linguística / LIP-UnB (1996).

Graciane Cristina M. Clestino – Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Literatura, PósLit, UnB. Mestre em Educação pelo PPGE, da Universidade de Brasília, UnB. Graduada em Letras–Português/Inglês e Literaturas Afins, Universidade Estadual de Goiás, UEG. Professora de Língua Portuguesa da Educação Básica, atualmente pesquisa os seguintes temas: Narrativa Mítica, Literatura Fantástica, Ensino e Leitura Subjetiva na escola.


Comunicação 20

Letramento literário: a voz da literatura na prática de leitura e produção textual

Autora:

Hiliária Monteiro – instituição – hiliaramonteiro@gmail.com

 

Resumo:

Esta Dissertação está vinculada ao Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS) que discute as emergentes necessidades das escolas públicas do Brasil para as aulas de língua portuguesa, no Ensino Fundamental II. A presente pesquisa disserta a importância da leitura literária na escola e propõe atividades voltadas às práticas de produção textual para o desenvolvimento das potencialidades dos alunos. No entanto, sabemos que uma básica e simples leitura não dá garantia para uma plena aprendizagem. Professores, família e escola contribuem para esse desenvolvimento, proporcionando os subisídios necessários neste significante trabalho. Os participantes desse estudo foram alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, de uma escola estadual da cidade de Rondonópolis, em Mato Grosso, que possui um número de 29 estudantes matriculados e com idades entre 13 e 15 anos. Os fundamentos que norteiam essa pesquisa é a Teoria da Recepção, de Robert Jauss (1978), de maneira que a interpretação do leitor se torna o mais importante durante a leitura. O processo de humanização abordado por Antonio Candido (2006), também, permeiam esse trabalho. Na presente pesquisa os estudos de teóricos como Magda Soares (2005) e Ângela Kleiman (2005) discorrem sobre os conceitos do Letramento, os estudos de Rildo Cosson (2012) falam sobre Letramento Literário na escola, o que é de grande relevância para o estudo da formação do aluno enquanto leitor e produtor de textos literários. Para a realização desse trabalho buscou-se referendar a importância da leitura literária por meio de escolhas de livros de literatura na biblioteca da escola, oferecendo aos educandos leituras prazerosas. Os gêneros literários: contos fantásticos, causos e poemas também foram dados aos estudantes para a efetiva contribuição da literatura na formação do cidadão. As produções de cartas pessoais aos colegas de classe, como finalização de cada sequência de atividades, contribuiu progressivamente para o incentivo à leitura objetivando deixar às aulas de língua portuguesa mais motivadoras e dinâmicas, visando o aprendizado por meio dos gêneros literários. Com isso, concluímos que a experiência dessa partilha por meio do letramento literário foi o que oportunizou o processo de construção das identidades.

Palavras-chave: letramento literário; práticas de ensino de literatura; gêneros literários; estética da recepção; leitura e produção de textos.


Comunicação 21

Mediação leitora e práticas literárias

Autora:

Janete Marcia do Nascimento UNIOESTE: Universidade Estadual do Oeste do Paraná janmarcia39@gmail.com

 

Resumo:

A mediação leitora constitui-se em atitude primordial na elaboração de práticas literárias em âmbito escolar no processo de formação de leitores literários em âmbito escolar. Nesse sentido, conhecer e investigar os modos como tais práticas se definem em diferentes contextos, têm sido objeto de estudos e pesquisas que ao longo dos últimos anos norteiam e definem nossas produções acadêmicas. Nesse sentido, o objetivo desse texto é apresentar os percursos de uma pesquisa de doutorado, por meio da qual tem-se investigado as práticas de mediação leitora literária em turmas de estudantes do Ensino Fundamental e Médio de um Colégio Público Estadual, localizado no município de Toledo, Estado do Paraná – Brasil. Com base em autores que estudam as diversas práticas de leitura em ambiente escolar e mediação leitora para a formação de leitores literários, pretende-se apresentar inúmeras práticas observadas no contexto pesquisado, bem como compreender as práticas que determinam a formação de leitores estudantes no contexto escolar, a partir das práticas desenvolvidas pelos professores e funcionários da biblioteca do referido colégio, visando, obviamente, a formação de tais leitores. Desse modo, o projeto inicial de pesquisa objetivava conhecer, investigar e propor práticas que evidenciassem as possibilidades de práticas leitoras que de fato fizessem com que se possa observar não só a formação de leitores na escola, mas principalmente a formação de leitores literários. A considerar que esta é uma pesquisa em andamento, a elaboração do texto a ser aqui apresentado, dependerá de atividades que, embora planejadas para o desenvolvimento da pesquisa, serão desenvolvidas no início do ano letivo de 2017 para que possam ser desenvolvidas a contento para o desenvolvimento do projeto maior que visa culminar na elaboração de uma tese de doutorado, cujo foco principal é investigar sobre a formação de leitores literários em âmbito escolar.

Palavras-chave: mediação leitora; práticas literárias; formação de leitores.

 

Minibiografia:

Licenciada em Pedagogia pela UNIOESTE (Cascavel/Paraná – Brasil), Especialista em Fundamentos da Educação e Mestre em Letras – Linguagem e Sociedade pela mesma instituição. É também licenciada em Letras – Português e Literatura pela UNIGRANET (Campus de Dourados/Mato Grosso do Sul – Brasil. Atualmente é acadêmica do Doutorado em Letras pela UNIOESTE (Cascavel/Paraná – Brasil), na Linha de Pesquisa Literatura Memória Cultura e Ensino, cujo projeto de pesquisa é a investigação sobre a formação de leitoras literários em âmbito escolar.


Comunicação 22

O Lugar da literatura na sala de aula: analisando o planejamento e prática docente nas aulas de língua portuguesa no ensino médio

Autores:

João Bosco Martins D’Ávila – UFAM: Universidade Federal do Amazonasbosquinho_davila@hotmail.com

Jorge Luís de Freitas Lima – UFAM: Universidade Federal do Amazonas – mail

 

Resumo:

Este artigo traz um recorte do Trabalho de Conclusão de Curso intitulado Ensino de língua materna: uma análise da relação entre língua portuguesa e literatura: do planejamento à prática docente, que teve como objetivo analisar como se processa a articulação língua e literatura, nas aulas de Língua Portuguesa no Ensino Médio tendo como referencial a integração entre teoria e prática decorrentes do planejamento e sua efetivação em sala de aula. Utilizou-se como suporte teórico Trask (2004), Coseriu (1993), Cereja (2005), Paulino e Cosson (2004) e suas concepções acerca da importância da literatura. E, como forma de compreender o processo de ensino da literatura nas aulas de Língua Portuguesa, fez-se uma pequena retrospectiva sobre como se deu esse processo, para isso, buscaram-se fundamentos em Guimarães (2005), Souza (2008), Soares (1998) e, para entender a situação atual, realizou-se a análise nos marcos regulatórios norteadores dessa modalidade de ensino Brasil (2002) e Brasil (2006). Optou-se pelo método de abordagem analítico-descritivo que possibilitou ao pesquisador a partir das observações de campo, das descrições das aulas, das respostas dos professores resultantes da aplicação de questionário e da análise dos planejamentos dos docentes informantes, constatar que o ensino de Língua Portuguesa e Literatura no Ensino Médio no universo pesquisado acontece de forma descontextualizada, dividida e fragmentada; é utilizado como pano de fundo para o ensino da gramática normativa, caracterizado pela realização de estudos descritivos das escolas literárias e biográficos de seus autores representativos. Neste recorte, a finalidade é contextualizar historicamente o ensino de literatura, de modo a explicitar sua importância na formação do aluno e o seu lugar no planejamento e prática docente do professor de Língua Portuguesa no Ensino Médio em uma Escola Estadual do Município de Benjamin Constant, nos turnos diurnos e noturnos nos três anos deste nível de ensino.

Palavras-chave: literatura; língua portuguesa; planejamento; prática.

 

Minibiografias:

João Bosco Martins D’Ávila – Especialista em Línguística Aplicada na Educação, pela Universidade Cândido Mendes-MG; licenciado em Letras: Língua Portuguesa e Literatura Portuguesa e Língua Espanhola e Literatura Espanhola,pela Universidade Federal do Amazonas-UFAM; professor substituto no Instituto de Natureza e Cultura-INC da Universidade Federal do Amazonas-UFAM.

Jorge Luís de Freitas Lima – Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas-UFAM; licenciado em Letras com habilitação em Língua Portuguesa e suas Respectivas Literaturas pela Universidade Federal de Rondônia-UNIR; bacharel em Direito pela Universidade Federal de Rondônia-UNIR. Discente do Programa de Pós-graduação (doutorado) Sociedade e Cultura na Amazônia; docente lotado na UFAM e membro da Academia de Letras de Cacoal – RO.


Comunicação 23

A apresentação das literaturas de língua portuguesa de expressões africanas em um livro didático brasileiro

Autores:

José António de Souza – UEMS: Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – joseantonioms@msn.com,

Marcelo Alves Silva – UEMS: Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul –  marcelo.ca.i@hotmail.com

 

Resumo:

No Brasil, os livros didáticos distribuídos às redes públicas de ensino são avaliados por critérios definidos pelo Ministério da Educação; no caso do Ensino Médio, temos o Programa Nacional do Livro para o Ensino Médio (PNLEM). Em 2003, foi promulgada a lei nº 10.639, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura africana nas escolas brasileiras de Ensino Fundamental e Médio. O segundo parágrafo da referida lei nos informa que “os conteúdos referentes à História e Cultura Afro–brasileiras serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileira”. Nossa proposta de comunicação tem por objetivo principal focalizar o ensino de Literatura no Ensino Médio, mais especificamente as literaturas de língua portuguesa de expressão africana. Intenta-se apresentar e analisar, por intermédio da análise de conteúdo, como essas literaturas são apresentadas no livro didático adotado para os anos de 2015 a 2017 na região de Paranaíba – MS. Busca-se, também, discutir questões relativas ao livro didático (autoria, autoridade e legitimação) e como a lei nº 10.639/03 se configura como um importante mecanismo contra hegemônico que, em tese, abre uma fenda no currículo tradicional. Pretende-se, ainda, entender as relações entre currículo e educação na perspectiva de autores como Apple (2003-2013), Sacristán (2013), Silva (1995), entre outros. Podemos ressaltar, enquanto resultados preliminares, que se evidencia a necessidade da formação continuada dos professores, ao considerarmos o grande número de docentes que tiveram sua formação, em nível de graduação, concluída antes de 2003; a importância que, na formação inicial, os professores tenham contato com disciplinas que considerem a didática do ensino de literatura e que possam tratar de questões relativas ao livro didático, para a própria orientação da seleção e utilização de tal material.

Palavras-chave: literatura; livro didático; currículo; formação docente.

 

Minibiografias:

José António de Souza é doutor em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Docente do quadro permanente do Mestrado em Educação, vinculado à linha de pesquisa “Linguagem, Educação e Cultura”. Participa do Grupo de Estudos e Pesquisas em Práxis Educacional (GEPPE) e do Laboratório de Linguagem, Educação e Cultura do CEPEED – Centro de Ensino Pesquisa e Extensão, da Unidade de Paranaíba/MS.

Marcelo Alves Silva é aluno regular do Programa de Pós-Graduação em Educação, em nível de Mestrado, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Unidade de Paranaíba. Bolsista no Programa Institucional de Bolsas aos Alunos de Pós-Graduação, PIBAP/UEMS. Graduado em Letras pela UEMS e Especialista em Educação pela mesma instituição, atua como Professor de Língua Portuguesa e Literatura da rede pública de ensino de MS.


Comunicação 24

A formação do formador de leitores do texto literário numa relação com a pintura, a fotografia e o cinema

Autor:

José Jacinto dos Santos Filho – UP: Universidade de Pernambuco – jacintodossantos@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como ponto central de discussão a formação do professor de língua portuguesa enquanto formador de leitor dos textos literário, pictórico, fotográfico e fílmico, tendo em vista as relações intersemióticas entre eles. Sabemos que cada vez mais são exigidos do professor conhecimentos específicos que o façam ler e também ensinar a leitura do texto literário, relacionando-o com os demais textos que fazem parte dos contextos diversos socioculturais. Nosso objetivo é: investigar as contribuições que um curso de formação específica pode trazer para professores de língua portuguesa para estabelecer relações intersemióticas entre os textos em questão na nossa tese e quais seriam os possíveis impactos dessa formação em suas concepções de leitura e práticas docentes. Para o intento, recorremos a autores como Larrosa (2003), Josso (2004), Cosson (2011), Nóvoa (1992), Tardif (2010), Zeichner (1993) e outros. Quanto à metodologia, esta é qualitativa, dado o caráter interpretativo e envolvimento do pesquisador com o trabalho. E, como perspectiva de análise dos dados, recorremos à análise da narrativa, porque contamos, para a coleta de dados, com as narrativas das histórias de vida e experiências dos professores envolvidos na pesquisa. No desenvolvimento do curso, os professores perceberam que os textos literário, pictórico, fotográfico e fílmico não são meramente decodificados; no processo de leitura, o leitor se inter-relaciona com o texto, tendo como referência a própria relação dele com o mundo ao seu redor, porque nisso estão implicadas as experiências socioculturais de cada um. Outro aspecto a ressaltar é que não basta só instrumentalizar os professores para que eles realizem na sua sala de aula a leitura intersemiótica do texto literário na relação com o pictórico, o fotográfico e o fílmico, como se o trabalho com esses textos contasse apenas com o aparelhamento teórico dos professores sobre o assunto.

Palavras-chave: formação de professores; ensino de literatura; leitura intersemiótica; narrativas de professores; textos verbais e não verbais.


Comunicação 25

Interfaces entre literatura e cinema e suas aprendizagens na educação básica

Autoras:

Juçara Moreira Teixeira – UFMG: Universidade Federal de Minas Gerais – jucaramoreirateixeira@gmail.com

Celia Abicalil Belmiro – UFMG: Universidade Federal de Minas Gerais – celiaabicalil@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho objetiva discutir possibilidades de ensino-aprendizagem da literatura em interface com as adaptações cinematográficas de obras literárias no contexto da escola de educação básica. Acredita-se que, no contexto atual, há de se repensar a formação do leitor, que tem ocorrido de modos múltiplos e exige do professor propostas diferenciadas de ensino que visem abarcar a complexidade das produções culturais e suas possibilidades de inserção no contexto escolar. Parte-se do pressuposto de que o literário tem seu espaço consolidado na obra literária, mas também pode ocupar outros espaços, encontrando uma expressiva repercussão nos filmes baseados em obras literárias. Apresentar-se-á a metodologia da pesquisa de campo realizada com alunos do Ensino Fundamental II de uma escola pública brasileira, em que se buscou realizar algumas propostas de reorientação da prática pedagógica acerca da aprendizagem da literatura em interface com as adaptações cinematográficas, conforme já exposto. O suporte teórico dessa investigação baseia-se em: Cosson (2014), que discute os diversos espaços sociais, suportes e gêneros que podem ser ocupados pela literatura e pelo teor literário; Lajolo (1994), a respeito do espaço de literatura na escola; Duarte (2009), sobre o cinema na escola; Benjamin (2011), acerca da tradução; e em Diniz (2005), que aborda as especificidades da tradução da literatura para o cinema. Serão abordadas as capacidades que precisam ser consideradas quando se pretende formar leitores de textos literários e espectadores (também leitores, em uma acepção ampla) de filmes baseados em obras literárias, no sentido de que a nova formação do leitor consiste em possibilitar-lhe uma ampliação da visão de literatura e do literário, dos espaços ocupados pela literatura, do conhecimento das diferentes linguagens e da compreensão e valorização das relações intertextuais e intersemióticas quando se trata de literatura e cinema.

Palavras-chave: literatura; cinema; interface; ensino.

 

Minibiografias:

Celia Abicalil Belmiro, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação – UFMG, Brasil, pós-doutorado na University of Cambridge-UK, pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita – (CEALE/UFMG). Coordena grupos de pesquisa em letramento literário e formação de leitores literários, com diversas publicações. É editora de livros sobre educação literária, editora adjunta do periódico Educação em Revista , da Pós-Graduação da FaE/UFMG.

Juçara Moreira Teixeira, professora do Centro Pedagógico da Escola de Educação Básica e Profissional da UFMG, Brasil. Doutoranda em Educação na Faculdade de Educação da UFMG, Mestre em Letras, Bacharel em Estudos Literários e Licenciada em Letras – Língua Portuguesa. Realiza pesquisas e possui publicações sobre Análise do Discurso, ensino-aprendizagem da leitura e da escrita, leitura literária e interface literatura-cinema, e atua na formação de professores do Ensino Básico.


Comunicação 26

Literatura e leitura subjetiva: dilemas do ensino ou ensino de dilemas?

Autora:

Juliana Silva Loyola – UNIFESP: Universidade Federal de São Paulo –  juloyola1914@gmail.com

 

Resumo:

O trabalho procura focalizar a relação entre ensino de literatura e subjetividade do leitor como um aspecto relevante para os estudos recentes da área de literatura e educação. Com base nas ideias de estudiosos como Annie Rouxel, Gérard Langlade, Catherine Tauveron e Vincent Jouve busca-se refletir sobre o lugar da leitura subjetiva na constituição da leitura literária e na formação do leitor de literatura, especialmente durante a educação básica. Trabalha-se com a hipótese de que a ausência dessa experiência subjetiva nas práticas escolares de leitura literária aliena o leitor da obra, tornando a percepção do fenômeno literário mais distante dos alunos e, consequentemente, a leitura literária menos cultivada tanto nos anos escolares quanto depois da sua conclusão.  Procura-se refletir ainda, mesmo que brevemente, sobre a relação entre Literatura e Ensino no contexto da educação superior, em que se preparam os futuros mediadores de leitura literária, que atuarão na educação básica. Ilustra o presente trabalho uma leitura do conto “Nós chorámos pelo cão tinhoso” (2007), de Ondjaki.

Palavras-chave: ensino de literatura; leitura subjetiva; formação do leitor; educação básica.

 

Minibiografia:

Doutora em Letras – Estudos Literários pela UNESP – Araraquara (SP); professora do Departamento de Letras da UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo (Campus de Guarulhos); atualmente é coordenadora do Curso de Letras-Português (Licenciatura) da UNIFESP; ministra aulas nas disciplinas de Língua, Literatura, Ensino: fundamentos (I e II) e Literatura Infantil e Juvenil.


Comunicação 27

Letramento literário na escola e ensino de literatura: os reflexos de um paradoxo

 

Autora:

Juliana Estanislau de Ataíde Mantovani – UA-IFB: Universidade de Brasília – Instituto Federal – julianamantovani@gmail.com

 

Resumo:

Para o debate acerca dos caminhos do ensino de literatura, é indispensável considerar o que a escola tem divulgado como literatura e de que maneira a prática do letramento literário está sendo inserida nas aulas, bem como analisar os Parâmetros Nacionais que regem os currículos escolares. É importante refletir, primeiramente, que o espaço escolar deve ser destinado à construção das práticas de letramentos, mas o que tem se encontrado é a fixação de um modelo de letramento (Brian Street) e , muitas vezes, o restrito acesso à leitura de textos escolhidos como literários. É papel da escola aproximar o aluno da leitura literária, e da leitura literária canônica, mas não se deve privar o aluno da compreensão de que há (assim como há letramentos, no plural) “literaturas” plurais, com leituras plurais. Nesses estudos, portanto, o primeiro aspecto a ser analisado será o que se entende por letramento literário e, a partir dessa discussão, o que se espera e se preconiza nos Parâmetros curriculares acerca do ensino de literatura nas escolas de ensino secundário brasileiras. Para tanto, será feita também a apresentação e a análise dos Parâmetros Curriculares Nacionais e Orientações Curriculares Nacionais, bem como do Currículo do Distrito Federal para ampliar as reflexões sobre como a literatura é proposta para o Ensino Médio e qual o seu real objetivo implícito. Essa análise apontará para as contradições que se refletem na dificuldade do professor de literatura, divido no paradoxo de ensinar o letramento literário – e, portanto, de criar abordagens didáticas que visem à formação de leitores literários, que incluam práticas diversas de leituras – ou de ensinar a historiografia literária portuguesa e brasileira. Após tais considerações, será apresentada, por fim, uma proposta de reflexão e de mudança, apontando para caminhos que possam auxiliar na compreensão e na alteração desse quadro de paradoxos.

Palavras-chave: letramento literário; literatura; ensino; formação de leitores; ensino médio.

 

Minibiografia:

Mestre em Literatura pela Universidade de Brasília (UnB), professora de Educação Básica e de Educação Superior no Instituto Federal de Brasília (IFB) e aluna do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu, Doutorado em Literatura, do Departamento de Teoria Literária e Literaturas, da Universidade de Brasília (UnB).


Comunicação 28

Literatura em sua dimensão ética e estética: a recondução ao humano na escola desde a Educação Infantil ao Ensino Médio

Autora:

Kellen Dias de Barros – UERJ: Universidade do Estado do Rio de Janeiro –  kellendiasb@yahoo.com.br

 

Resumo:

Historicamente relacionamos a noção da aquisição de saberes a exercícios frios da razão, em que o corpo, as emoções são vistos como obstáculos à aprendizagem. Desde Platão a Descartes, dois grandes marcos de pensamento ocidental, vivenciamos uma supervalorização da razão em detrimento do prazer, dos sentidos. Por outro lado, com a falência do projeto iluminista, tivemos algumas rupturas importantes nessa forma de compreender a vida e o humano, mas já marcados pela descrença, acabamos nos perdendo em superficialidades.

Esses descaminhos nos levaram à configuração de uma sociedade líquida, como traz Bauman, e a uma perda de humanidade em nome de uma crescente reificação das relações, arte, vida… A escola, que já era marcada por uma super-racionalização e categorização dos saberes com pouco foco no prazer, vê-se ainda mais desestabilizada pelos imperativos da sociedade líquida. A memorização, a centralidade do professor, a falta de utilidade dos conteúdos trabalhados são questionados de tal forma que a escola, muitas vezes, se torna um campo de guerra, em que professores sentem-se aviltados por alunos que, por sua vez, se sentem violentados pelo modelo educacional vigente.

Sendo assim, se faz urgente um processo de re-humanização do humano, e a escola é um espaço de rico desenvolvimento desse caminho. Entendemos a arte literária como uma via possível nessa recondução. A literatura sendo trabalhada em suas dimensões ética e estética, em seu poder de deleite e prazer, tem o potencial humanizador, como nos indica Antonio Candido (1998). E as dimensões ética e estética da literatura precisam estar vigentes por todo o ensino básico de forma a reconstruir o trabalho com os textos literários desde a Educação Infantil, possibilitando um trabalho permanente e contínuo de uma educação libertadora e re-humanizadora com foco no prazer, na fruição e na criatividade.

Palavras-chave: ética; estética; ensino; educação literária; texto literário.

 

Minibiografia:

Professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ocupando a função de sub-chefe do Departamento de Formação de Professores da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense. Doutora em Letras pela UERJ, atuou como professora em todos os segmentos educacionais, voltando-se, nos últimos anos, para o Ensino Superior e para a Formação de Professores. Seu foco atual de pesquisa está centrado na questão do ensino de Língua e Literatura no ensino básico.


 Comunicação 29

A Literatura entre o ENEM e o Livro Didático: um mapeamento de textos académicos

Autores:

Lucas Rodrigues Oliveira – UEMS: Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – rodriguesoliveiralucas@yahoo.com.br

Valnice Ferreira de Lima Costa – UEMS: Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – nicelima_39@hotmail.com

 

Resumo:

Não há dúvida que arte literária é indispensável para a formação humana e que, enquanto produção artística, é capaz de apurar o gosto cultural e estético dos indivíduos. Seja pelo pouco tempo destinado ao ensino da leitura literária na escola, ou por outros motivos, os alunos, no ensino médio brasileiro, estão mais acostumados a “estudar” literatura lendo sobre os períodos literários, contextos históricos, biografia e bibliografia de autores, sem se voltarem, efetivamente, à leitura literária. Tendo em vista esse cenário em relação ao ensino de literatura no ensino médio, é preciso refletir sobre alguns aspectos, tais como: o conteúdo estudado nas aulas de literatura; a abordagem dos livros didáticos em relação a essa disciplina; os direcionamentos da legislação educacional e o enfoque do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM (que é o mecanismo pelo qual os alunos brasileiros são selecionados para ingressar na maior parte dos cursos superiores no Brasil) em relação às questões que envolvem literatura – linguagens, códigos e suas tecnologias. Assim, o objetivo principal de nossa comunicação é apresentar um mapeamento dos trabalhos acadêmicos produzidos no Brasil e que tratam da literatura nas avaliações externas, particularmente no ENEM. O levantamento e a análise dos textos revelaram que alguns autores tem se preocupado e analisado as questões relacionadas à Literatura no ENEM; que alguns estudos ressaltam contrastes em relação ao que é ensinado em sala de aula com a abordagem do exame; também foi possível perceber que não há trabalhos com um enfoque baseado na discussão e intersecção de quatro itens (literatura, livro didático, legislação educacional e ENEM), como pretende a pesquisa que originou este trabalho.

Palavras-chave: literatura; livro didático; exame nacional do ensino médio; pesquisas acadêmicas.

 

Minibiografias:

Lucas Rodrigues de Oliveira –  aluno regular do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Unidade de Paranaíba. Bolsista no Programa Institucional de Bolsas aos Alunos de Pós-Graduação, PIBAP/UEMS. Graduado em Letras pela UEMS e Especialista em Literatura Brasileira na Faculdade Barão de Mauá, atua como Professor de Língua Portuguesa e Literatura da rede pública de ensino de MS.

Valnice Ferreira de Lima Costa – aluna regular do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Unidade de Paranaíba. Formada em Letras, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS/CPTL) e especialista em Didática do Ensino Superior, atualmente atua como Professora Coordenadora da rede municipal de ensino de Ilha Solteira/SP, na EMEF Professor Paulo Freire.


Comunicação 30

O letramento literário no Ensino Fundamental I: uma reflexão sobre a mediação do professor e o desenvolvimento do prazer pela leitura literária dos alunos

Autora:

Lucinete Maria da Silva – IFPI: Instituto Federal do Piauí –  lucymaria_silva@hotmail.com

 

Resumo:

A presente investigação apresenta um estudo sobra importância do papel do professor para despertar o interesse dos alunos pela leitura literária. Tem como objetivo geral verificar as estratégias utilizadas por uma professora do Ensino Fundamental I para introduzir os alunos no mundo da leitura. A pesquisa foi realizada em uma escola pública na cidade de Altos-PI. A metodologia utilizada nesse estudo insere-se nos moldes da pesquisa qualitativa de caráter etnográfico. No processo de coleta de dados foram realizadas observações das aulas ministradas no 3º ano Ensino Fundamental I, bem como foi aplicado um questionário semiestruturado durante a entrevista envolvendo a professora, a diretora da escola e os alunos.  O estudo fundamenta-se em: Campos (2003), Cândido (1995), Kleiman (1993), Soares (2006), Silva (1993), Souza (2012), Oliveira (2012) e outros de igual importância. Ao analisar os dados coletados pode-se constatar que: a docente não desenvolve estratégias diversificadas a fim de despertar nos discentes o gosto pela leitura; o texto na sala de aula é utilizado como pretexto para alfabetizar; as atividades de leitura não contemplam o letramento literário, pois não há um momento destinado a leitura enquanto atividade estética, criadora e autônoma, ou seja, ler por prazer.

Palavras-chave: leitura; literatura; ensino; mediação docente; prazer.

 

Minibiografia:

Professora do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico – Instituto Federal do Piauí (IFPI) – Campus Pedro II. Mestre em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal do Piauí (UFPI).


Comunicação 31

Entre o texto e o contexto: a poesia de Manuel Bandeira e o ensino da literatura

 

Autora:

Maísa Medeiros Pacheco de Andrade – UA: Universidade de Coimbra –  maisampa@gmail.com

 

Resumo:

A presente comunicação tem como principal objetivo tecer reflexões acerca da natureza humanizadora que assume a Literatura, no momento em que esta possibilita não apenas o prazer estético, mas também o refinamento de nossa essência como seres humanos, uma vez que permite a transformação da percepção que temos do mundo, do outro e de nós mesmo, levando-nos a desenvolver um olhar mais crítico e reflexivo com relação à realidade que nos circunda. Em um segundo momento, será proposta uma abordagem do poema “O bicho”, de Manuel Bandeira, a ser utilizada no contexto escolar, levando-se em consideração para sua interpretação não apenas o texto, mas também a importância do contexto de produção literária. Para o presente estudo, serão utilizados, principalmente, os apontamentos teóricos de Candido (2002; 1995), Todorov (2009) e Aguiar e Silva (1990).

Palavras-chave: humanização; educação literária; contexto; texto literário; Manuel Bandeira.

 

Minibiografia:

Licenciada em Letras língua portuguesa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil, onde concluiu o mestrado em Estudos da Linguagem, desenvolvendo dissertação acerca da poesia do poeta português Luís Quintais. Atualmente é doutoranda em Literatura de Língua Portuguesa, na Universidade de Coimbra, onde continua a aprofundar as investigações sobre o universo poético-composicional do mencionado autor. Também possui bacharelado e mestrado em Direito pela UFRN.


Comunicação 32

O ensino de Literatura nos Cursos Técnicos integrados ao médio do IFG – CAMPUS URUAÇU: desafios e perspetivas

Autora:

Marcela Ferreira Matos – IFG: Instituto Federal de Goiás –  marcela.ferreira@ifg.edu.br

 

Resumo:

Ensinar literatura, no século XXI, na educação secundária, competindo com as novas tecnologias, é um desafio para os professores. O viés apresentado pelos livros didáticos, geralmente o historiográfico, atualmente, não se constitui atrativo para os nossos adolescentes. Além disso, a carga horária da disciplina Língua Portuguesa nos cursos técnicos integrados ao médio do Instituto Federal de Goiás é mínima, quando comparada ao ensino médio tradicional, devido ao grande número de disciplinas obrigatórias do currículo do curso técnico. Nesse contexto, a literatura não é priorizada, deixando espaço, principalmente, para a produção de texto e o ensino dos gêneros discursivos. No entanto, um caminho encontrado para minimizar o impacto da quase ausência de literatura no currículo é a realização de projetos de ensino voltados para a leitura e análise de textos literários. Nessa perspectiva, foi desenvolvido o projeto Mulher e literatura, no intuito de aprofundar o conhecimento sobre literatura nacional e estrangeira, além de refletir sobre a representação da mulher na literatura. Objetiva-se nessa comunicação apresentar como o ensino de literatura é tratado na sala de aula e também nos projetos de ensino, dentro do contexto do ensino técnico integrado ao médio do IFG, campus Uruaçu.

Palavras-chave: literatura; ensino médio integrado ao técnico; currículo; ensino.

 

Minibiografia:

Português/Espanhol pela UNESP- FCL de Assis-SP. Escolheu o curso pelo contato e amor pela literatura desde a infância. Em 2015, defendeu a tese “Inglês de Sousa: imprensa, literatura e Realismo”, na UNESP, sob a orientação do professor Dr. Alvaro Santos Simões Júnior. É professora do Instituto Federal de Goiás, desde 2010, atuando nos cursos técnicos de nível médio, EJA e cursos superiores ofertados no campus Uruaçu.


Comunicação 33

Encontro Literário: reinventando o estudo de literatura no ensino médio através da interdisciplinaridade e ludicidade

Autoras:

Márcia Sepúlvida do Vale – IFT: Instituto Federal do Tocantins – marcia.vale@ifto.edu.br

Graziani França Claudino de Anicézio – IFT: Instituto Federal do Tocantins – graziani@ifto.edu.br

 

Resumo:

Em busca do ensino literário de forma lúdica, interdisciplinar e contextualizada, foi que surgiu o Encontro Literário. Pocuramos nesse artigo trazer o relato de uma experiência sobre o ensino da literatura na educação básica. Temos observado que os documentos oficiais que norteiam essa educação, quais são, as OCENEM´s (Orientações Curriculares Nacionais) e os PCN´s (Parâmetros curriculares Nacionais) demonstram uma apreensão com o ensino dessa disciplina, pois ainda vivemos uma realidade contrária ao que deveria ser comum nas escolas brasileiras. Grande parte dos alunos do ensino médio são submetidos a aulas desinteressantes e desmotivadoras, que nada mais são que estudos de análises de obras literárias. Trabalha-se com ideias e conceitos formados, onde o aluno não é levado a pensar, refletir sobre a obra em si, pois, na maioria das vezes, não lhe é dado a oportunidade de fazer a leitura dessa obra, de questionar os conceitos existentes. Estes ficam apenas como seres passivos e decodificadores nas aulas, já que precisam desse conteúdo para passar de ano, ou mesmo no vestibular. Verificando essa realidade, buscamos motivar nossos alunos às leituras literárias com atividades interdisciplinares, envolvendo outras áreas de conhecimento como a filosofia, a sociologia, a história e as artes, o que permitiu que eles fizessem uma relação entre esses conhecimentos e percebessem a realidade não como algo estável, e que ele, aluno, enquanto ser social, também faz parte dessa história. O projeto tem por objetivo fazer com que os alunos pesquisem e apresentem sobre os autores e obras estudados em sala de aula durante o ano letivo, para isso eles são instigados a pensar na sua identidade atual em contrapartida com os ideais trazidos pelos movimentos literários, além de tornar a leitura como algo prazeroso, onde ele encontre espaço para compartilhar suas ideias e impressões com os colegas e professores.

Palavras-chave: documentos oficiais; estudo literário; interdisciplinaridade; ludicidade.

 

Minibiografias:

Márcia Sepúlvida do Vale: Professora no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Tocantins (IFTO), possui graduação em Letras: Línguas Portuguesa e Espanhola e suas respectivas Literaturas (2012), é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Letras – Ensino de Língua e Literatura pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), Integra o Núcleo de Pesquisas NELPPE/CAPES/CNPq, onde realiza projetos no âmbito de Literatura e no ensino de Língua Espanhola, como também dedica-se à pesquisa na área de políticas públicas educacionais.

Graziani França Claudino de Anicézio: Professora no IFTO (Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Tocantins), possui graduação em Letras – Habilitação L. Portuguesa e L. Espanhola pela Universidade Federal de Mato Grosso (2005), é mestre em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal de Mato Grosso (2012), é especialista em Literatura Ibero-americana e Realidade Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (2008) e especialista em Tecnologias em Educação pela PUC do Rio de Janeiro (2010).


Comunicação 34

Programa biblioteca ambulante e literatura nas escolas (BALE): experiência de educação literária exitosa no Brasil

Autora:

Maria Lúcia Pessoa Sampaio – UERGN: Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – malupampaio@hotmail.com

 

Resumo:

O Programa BALE celebra em sua 10a Edição (Especial) a consolidação de um trabalho contínuo que vem se desenvolvendo desde 2007, com atuação sistemática e expansão de suas práticas exitosas de leituras. Vinculado ao Departamento de Educação e ao Grupo de Pesquisa GEPPE da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)/Brasil, objetiva favorecer à democratização da leitura e autoformação de leitores, o BALE conta com 05 equipes de 108 mediadores. Nesta comunicação relataremos os resultados deste trabalho voltado para educação literária de todas a idades que se concretiza por meio de cinco Projetos, denominados “Canteiros”, a saber: (i) BALE Formação; (ii) BALE Informação; (iii) BALE Encenação; (iv) BALE Contação e (v) BALE Ficção. Respalda-se nos estudos de Vigotsky (1999), Petit (2005), Jolibert (1994), Amarilha (1997), Charlot (2010) Jouve (2002), Sampaio e Mascarenhas (2007), Abreu (2006), Josso (2010), dentre outros. A metodologia incide na realização de atividades semanais que viabilizam a formação e a autoformação de leitores, através dos “Canteiros”, contemplando diversas artes: literária, cênica e circense, arte-educação, arte cinematográfica aliada a musical, bem como a arte digital. Como resultados têm-se: (i) ampliação e autoformação de equipes de mediadores, favorecendo, assim, a democratização da leitura; (ii) aproximação entre universidade e comunidade em geral; (iii) consolidação de uma educação literária que possibilita a autoformação de novos agentes promotores da leitura; (iv) atuação que favorece à melhoria dos espaços de leitura das instituições beneficiadas; (v) envolvimento de alunos do Ensino Superior, Ensino Médio, Ensino Fundamental, comunidade, profissionais da Educação Básica, agentes culturais e bibliotecários, nas práticas de leitura que possibilitem o acesso e o envolvimento de um público diversificado da comunidade em geral.

Palavras-chave: leitura; BALE; autoformação; mediação.

 

Minibibliografia:

Doutora em Educação e Professora do Departamento de Educação da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), líder-fundadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Planejamento do Processo Ensino-aprendizagem (GEPPE), docente do Mestrado em Ensino (PPGE), do Doutorado em Letras (PPGL) e Coordenadora do Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS); Consultora na área de Ensino e membro do Conselho de Técnico-Científico da Educação Básica (CTC/EB) na Fundação CAPES/BRASIL.


Comunicação 35

Ensino da literatura; poesia e ecologia: tríade na arte de humanizar

 

Autora:

Maria do Socorro Maurício de Queiroz Ângelo – UFRN: Universidade Federal do Rio Grande do Norte – socorroangelo@yahoo.com.br

 

Resumo:

A indispensabilidade de se redirecionar o ensino da leitura e escritura, para melhor educar, tem conduzido educadores de línguas (materna/estrangeiras) à realinharem suas práticas educacionais na perspectiva de novos conhecimentos. Nessa perspectiva está o letramento literário (COSSON, 2014), processo de letramento via textos literários que compreende uma dimensão diferenciada do uso social da escrita e assegura seu efetivo domínio. Nessa veia, ansiando ampliar o espaço da literatura em sala de aula, promovendo através da leitura de texto poético, a ascensão intelectual e melhoria do repertório linguístico do aluno (CANDIDO, 2004), a fim de conduzi-lo a uma melhor compreensão de si mesmo e da singularização da vida que o permeia (PCNs, 1998). A concernência da literatura está no lúdico e no conhecimento que proporciona, pois é reflexão e experiência de leitura, escrita e responde a um projeto de conhecimento do homem e do mundo (COMPAGNON, 2009). O evento de letramento literário será em duas turmas de 8º anos, do Ensino Fundamental, Escola Municipal Antônio Peixoto Mariano, Nova Cruz/RN. Concretamente, iniciaremos com poemas Paraíso e Raridade, J P Paes, cuja temática aborda a vertente da natureza. Os alunos participarão de atividades de leitura e produção de textos, orais e/ou escritos, a partir de exercícios diversificados até o compartilhamento das interpretações e sentidos construídos individual e coletivamente, para aprimorar e expandir seus horizontes de leitura e escrita. Assim, em função dos dados gerados, nesta comunicação oral, objetivamos apresentar a teia de atividades/competências desenvolvidas, considerando a leitura e a escrita como instrumento de ascensão intelectual e humana do indivíduo, a fim de constatar que esse caminho pode contribuir para a ressignificação do ensino. Como aporte teórico, ancoramo-nos nos PCNs (1998), Compagnon (2009), Cândido (2004), Cosson (2014), Bosi (2013) e Todorov (2009).

Palavras-chave: letramento literário; leitura e escrita; poesia; natureza; ensino.

 

Minibiografia:

Professora de Língua Portuguesa do EM,da E. E. Rosa Pignataro, Nova Cruz, RN e do EF II, da E MUL Antônio Peixoto Mariano, Nova Cruz, RN, graduada em Letras, pela Universidade Estadual da Paraíba, Guarabira, PB. Especialista em Didática do Ensino, em nível de pós-graduação lato sensu, pela Universidade Potiguar (UNP) – Natal / RN. Especialista em Língua Portuguesa: leitura, produção de textos e gramática, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – Natal /RN. Mestranda, pelo ProfLetras, na UFRN.


Comunicação 36

Educação literária ecobioformativa: contribuições teórico metodológicas do Letramento Científico Literário para o ensino de literatura no Nível Médio

Autor:

Mário Ribeiro Morais – UFT: Universidade Federal do Tocantins –  moraismarioribeiro@gmail.com

 

Resumo:

Policrise, transição do paradigmática hegemônico da ciência moderna e a lógica da complexidade apontam para a importância e para os desafios da educação literária ecobioformativa no mundo contemporâneo. As catástrofes planetárias naturais, humanas, sociais, políticas, neocoloniais etc. e as reivindicações das ‘vozes do sul’, que lutam pela valorização e emancipação de suas práticas identitárias, são questões que perpassam a esfera educacional. O letramento científico literário (LCL) pensa uma educação planetária, ética, responsável, solidária, inteligível e sensível, bem como a promoção da ecologia de saberes e a formação para a vida dos atores escolares. O ensino de literatura visa, sobretudo, ao cumprimento do dispositivo estabelecido para o ensino médio pela Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional/1996, que defende o aprimoramento do educando, numa perspectiva humanística, com formação ética e com o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. A instituição, a ampliação e os aportes teórico-metodológicos do LCL no nível médio é tema de discussão deste trabalho. Investigamos como a leitura literária e a produção de gêneros discursivos científicos contribuem para o fortalecimento do LCL do docente e dos colaboradores envolvidos em uma pesquisa-ação em um centro de ensino médio. Com base no paradigma interpretativista, assumimos uma abordagem qualitativa de pesquisa, realizada a partir do cruzamento de diferentes fontes de pesquisas produzidas no contexto escolar.

Palavras-chave: ensino de literatura; letramento científico literário, ecobioformação.

 

Minibiografia:

Doutorando em ensino de língua e literatura e mestre em Letras pela UFT (Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS, 2015). Tem graduação em Letras/Português pelo CEULP/ULBRA (2005). Desenvolve pesquisa em: Linguística Aplicada inter/trans/Indisciplinar, intervencionista e transgressiva; Novos Estudos do Letramento; Teoria Literária (recepção estética e teoria do efeito); Hermenêutica e semiótica Literária; e Letramento Científico Literário.


Comunicação 37

De ensino de literatura à educação literária: o texto literário no centro da aula – uma conversa com A Cabeleireira de Inês Pedrosa

Autores:

Marli Chiarani – CAD: Colégio Cristhiane Archer Dal`Bosco e Escola Estadual Olímpio João Pissinati Guerra – m_chiarani@hotmail.com

Márcia do Socorro Coêlho de Oliveira – EMEF: Escola Municipal de Ensino Fundamental Raimundo Arcanjo da Costa – cirmanha71@gmail.com

 

Resumo:

Neste artigo, apresentam-se reflexões acerca do lugar secundário que, em geral, cabe aos textos literários em razão da concepção pragmática que domina as aulas de Língua Portuguesa, das quais a Literatura chega a ser apêndice. O objetivo principal é, pois, chamar atenção para a importância do papel do professor na alteração dessa realidade, que compete a ele ter conhecimento e sensibilidade para colocar o texto literário no centro das aulas de Literatura e, assim, promover aulas de leitura que preparem melhor o aluno para ler bem todos os outros discursos sociais. Essas formulações têm fundamentação, principalmente, em Zilbermann (1988), Solé (1998), Colomer (2007),Cosson (2009) e Rouxel (2013). Discorre-se sobre estratégias para promover a educação literária e os benefícios dessa para a formação humana a partir da sequência expandida de Cosson (2009) – uma metodologia empregada para a promoção do letramento literário – que foi planejada em sintonia com as propostas de leitura subjetiva que Rouxel (2013) defende para a leitura do conto A Cabeleireira de Inês Pedrosa para duas turmas de 3º ano do Ensino Médio. Adotou-se a revisão bibliográfica e pesquisa interventiva e interpretativa. Os artigos de opinião produzidos pelos alunos leitores, na produção final, evidenciam a apropriação do texto, compreensão de recursos intertextuais e procedimentos artísticos empregados na elaboração do conto, bem como propiciaram discussões significativas acerca da violência silenciosa contra a mulher que impera, ainda, em inúmeros lugares, além do que os alertou da importância de não se prestarem a julgamentos imediatos e superficiais, dado que toda história tem mais de um modo de ser relatada.


Comunicação 38

Ética e Pedagogia: o ensino de literatura no curso de letras

Autora:

Marta Aparecida Garcia Gonçalves – UFRN: Universidade Federal do Rio Grande do Norte – martaagg@ig.com.br

 

Resumo:

No interior da Literatura, na encenação da palavra, ou na exibição que ela realiza, há a liberdade de se pensar e de se desvendar o que está, por vezes, encoberto em outros planos, se constituindo esta no espaço do “dizer”: o lócus privilegiado em que, do modo como se quiser expor, tudo é permitido narrar, a dimensão da “fala livre” (CALDAS, 2013). Liberdade de ser, de fazer e de dizer, conforme propõe Rancière. E é essa dimensão da literatura não só como forma, mas também como o lugar privilegiado em que tudo, do modo como se quiser, é possível dizer, que pretendemos apresentar como uma possível “estética da reencenação” na literatura, enfatizando as demandas de ensino e pesquisa nos Cursos de Letras na atualidade, necessárias para uma formação profissional completa. Elencaremos, como suportes basilares Zinani & Santos (2002), que estabelece relações de resposta aos questionamentos existenciais fundamentais do sujeito, ao provê-lo da ficção necessária para enfrentar os obstáculos da vida; Candido, que atenta para o fato de que “a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável” (1988:191); Silvina Rodrigues Lopes (2012), que afirma que o ensino da literatura demanda um “tempo próprio, que nada tem a ver com a circulação de informações, um tempo de análise e de construção de perspectivas”. Benjamin (1986) para refletir sobre categorias como história, experiência e empobrecimento; Todorov (2009), para quem “a obra literária produz um tremor de sentidos, abala nosso aparelho de interpretação simbólica” (2009: 78); Rancière, para refletir sobre a emancipação intelectual, a partilha do sensível e a política da literatura; além das propostas metodológicas de Turchi (2004); Bordini; Aguiar (1993); Mello (1998 e 2002); Mügge; Saraiva (2006); Zinani; Santos (2002); Cosson (2009).

Palavras-chave: literatura e ensino; Jacques Rancière; literaturas em língua portuguesa; ensino fundamental e no médio.

 

Minibiografia:

Doutora em Estudos da Linguagem – Literatura Comparada. Professora adjunta de Literaturas de Língua Portuguesa Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Pesquisadora nas áreas: Leitura do Texto Literário e Ensino; Poéticas da Modernidade e da Pós-modernidade.


Comunicação 39

O livro didático e o ensino de literatura – conflitos e questões

Autores:

Mary Stela Surdi – – UFFS: Universidade Federal da Fronteira Sul – stela@uffs.edu.br

Mary Neiva S. da Luz – UFFS: Universidade Federal da Fronteira Sul –  neivadaluz@uffs.edu.br

 

Resumo:

Conflitos e questões que envolvem o ensino de língua e de literatura há mais de três décadas estão presentes no cenário educacional brasileiro, inquietando diretamente educadores e pesquisadores, pois as constatações advindas de investigações acerca das efetivas condições de ensino nessas áreas apontam para uma realidade sobre a qual é necessário operar profundas e urgentes transformações. Dentre essas constatações, uma delas, senão a principal, diz respeito ao perfil do egresso da educação básica. Esse aluno que permanece por pelo menos onze anos na escola sai dela com dificuldades básicas nas atividades de fala, escuta, leitura e escrita. Com o objetivo de verificar como está o ensino de literatura, em particular se o livro didático é utilizado nas aulas do ensino médio, realizamos uma pesquisa de campo no município de Chapecó, SC, com aplicação de questionários aos estudantes. Os dados coletados e analisados a partir das reflexões propostas por Barthes (1988), Chiappini (2001) e Zilberman (1991) apontam para o uso freqüente do livro, com o estudo fragmentado de autores e nomes de obras, de correntes literárias e suas características. Com o espaço legitimado historicamente, os materiais didáticos utilizados em sala de aula têm presença garantida na aula de literatura, pois de modo sistematizado organizam os componentes curriculares a serem “vencidos” por alunos e professores no ano letivo. Também pôde-se verificar através das respostas dos alunos que o entendimento que se tem acerca de literatura é muito raso, pois recorta apenas alguns aspectos que contemplam elementos que podem ser considerados superficiais. Entender que estudar literatura é conhecer o nome de autores e obras, que é diferenciar as correntes literárias e suas características ajuda a exemplificar esse acesso raso aos estudos literários. As conseqüências desse ensino se mostram na distorção do conceito de literatura e na não consideração dessa como um objeto pedagógico.

Palavras-chave: ensino; literatura; livro didático.

 

Minibiografia:

Mary Stela Surdi – Mestre em Letras/Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina; Professora Assistente na área de Linguística/ Língua Portuguesa na Universidade Federal da Fronteira Sul; Tutora do Grupo PET Assessoria Linguística e Literária da UFFS, campus Chapecó/SC.

Mary Neiva S. da Luz – Doutora em Letras/Linguística pela Universidade Federal de Santa Maria; Professora Adjunta na área de Linguística/ Língua Portuguesa na Universidade Federal da Fronteira Sul.


Comunicação 40

Leituras do Maranhão: uma proposta de ensino de Literatura a partir de textos de autores maranhenses em uma escola de Ensino Médio de Timon (MA)

Autores:

Natércia Moraes Garrido – UEMA: Universidade Estadual do Maranhão – naterciagarr@hotmail.com

Rhusily Reges da Silva Lira – UEMA: Universidade Estadual do Maranhão – rhusily19@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem por objetivo apresentar os resultados efetivos advindos do Projeto de Extensão Leituras do Maranhão: uma proposta de ensino de Literatura a partir de textos de autores maranhenses em uma escola de Ensino Médio de Timon (MA). O desenvolvimento deste projeto abrange o período de 01 de setembro de 2016 a 31 de agosto de 2017 e ele objetiva ampliar, por meio da leitura e interpretação de textos de autores maranhenses, o poder de argumentação crítica oral e escrita de alunos do 2º ano do Ensino Médio de uma escola estadual pertencente ao município de Timon – MA. A justificativa para a execução do projeto é que, por estar localizada entre dois estados brasileiros (Maranhão e Piauí), a cidade de Timon demonstra pouca identidade maranhense. Como consequência desta localização geográfica, os alunos timonenses secundaristas revelam conhecer mais sobre a cultura do Piauí do que a do Maranhão. A metodologia de trabalho adotada volta-se para a prática de ensino de literatura como formação do pensamento crítico do aluno. Para tanto, realizamos observações de aulas e aplicamos questionários com os docentes a fim de planejarmos e executarmos aulas de literatura com textos de autores maranhenses, possibilitando discussões e valorizando a cultura do Maranhão, criando um ambiente propício para o resgate da identidade deste Estado junto aos alunos. Em seguida, disponibilizaremos essas aulas aos professores da escola para que as incluam em sua prática docente. Nossa fundamentação teórica envolve os estudos sobre letramento literário e função social da literatura de Rildo Cosson, Cyana Leahy-Dios e Vincent Jouve. Nossos resultados preliminares revelam, após o estágio de observação, que o ensino de literatura nas aulas de Língua Portuguesa é pouco explorado pelo professor e acontece de forma tradicional e conteudística; não se verificou a inclusão e abordagem de nenhum texto de autor maranhense.

Palavras-chave: ensino de literatura, formação crítica, ensino médio, literatura maranhense.

 

Minibiografias:

Natércia Moraes Garrido – Mestre em Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo; é Professora Efetiva do Curso de Letras-Português da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) Campus Timon (MA) onde leciona as disciplinas Morfossintaxe da Língua Latina, Filologia Românica e Lusofonia.

Rhusily Reges da Silva Lira – aluna do Curso de Letras-Português da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) Campus Timon (MA) e bolsista do Projeto de Extensão Leituras do Maranhão: uma proposta de ensino de Literatura a partir de textos de autores maranhenses em uma escola de Ensino Médio de Timon (MA), o qual está sendo executado no período 2016-2017.


Comunicação 41

Havia um poeta que era mais alto e maior do que todos os outros homens – Joana Bértholo reescreve Florbela Espanca. Uma sugestão de leitura intertextual para o Ensino Básico

Autor:

Pedro Balaus Custódio – IPC-ESE: Instituto Politécnico de Coimbra – Escola Superior de Educação – balaus@esec.pt

 

Resumo:

A opção por estratégias de intertextualidade em contexto letivo já está devidamente comprovada no âmbito da didática. Os textos curriculares de 1991 prescreviam para o 2º CEB orientações explícitas nesse sentido, enfatizando algumas propriedades pedagógicas, como a motivação para a leitura ou o enriquecimento dos horizontes literários dos alunos.

Todavia, a leitura intertextual raramente teve um lugar de excelência por entre as práticas de trabalho neste ciclo, sendo (quase) sempre uma opção diferida para o 3º Ciclo e/ou Ensino Secundário. O atual Programa de Português inclui uma clara referência a este procedimento de leitura. Estas orientações são também vincadas no programa do 3º CEB, onde se salientam os benefícios de os alunos interpretarem várias modalidades textuais e de estabelecerem entre eles relações de intertextualidade.

Ora, em função destas coordenadas programáticas sugerimos, após um breve recorte teórico do conceito de intertextualidade, colocar em diálogo produtivo dois textos: o clássico soneto de Florbela Espanca e um texto contemporâneo de Joana Bértholo, ensaiando uma proposta didática capaz de ser usada em contexto letivo no ensino básico.

Palavras-chave: leitura; intertextualidade; ensino da literatura; literatura no 2º CEB.


Comunicação 42

O Lugar Desprivilegiado da Leitura e Literatura na Formação do Sujeito-Leitor

Autor:

Renato de Oliveira Dering – UA: Uni-ANHANGUERA – Centro Universitário de Goiás – renatodering@gmail.com

 

Resumo:

O Ensino de Língua Portuguesa no Brasil, ao longo de sua história, sempre priorizou, entre suas frentes escolares, o ensino de Gramática em detrimento à Literatura, por entender que a criança e o adolescente devem saber ler e escrever com afinco, antes de quaisquer outras práticas sociais. No entanto, uma mudança significativa ocorreu nos anos finais do século XX, com o surgimento do Letramento nas discussões acadêmicas brasileiras. Soares (2014, 2015), uma das percussoras desse estudo no Brasil, buscou uma maior reflexão sobre as práticas que inserem o letramento na alfabetização, não o inserindo como um método alternativo, porém como uma prática inerente ao processo de ensino-aprendizagem. Desse modo, entende-se que letrar trata-se de um processo que perpassa todas as áreas do ensino, pois visa não apenas a decodificação, mas uma inserção do sujeito enquanto um ser social. Observando as potencialidades da Leitura Literária na formação e criação de um sujeito-leitor, Colomer (2003), Cosson (2013, 2014), Terra (2014) e Lois (2010) discutem a importância da retomada da literatura ao seu local de formação, a sala de aula. Para tanto, é preciso refletir sobre as implicações de como o texto literário circula em ambiente escolar. Desse modo, o presente estudo tem como objetivo investigar o papel da literatura na formação do leitor no Ensino Fundamental das escolas brasileiras, bem como discutir a importância do letramento literário na formação de um sujeito crítico. A pesquisa – descritiva, de base exploratória e bibliográfica, e de cunho qualitativo – será delineada a partir de levantamentos bibliográficos dos referidos autores e em uma pesquisa de campo a partir de questionário semiestruturado com professores atuantes nesse segmento escolar.

Palavras-chave: ensino de literatura; formação de leitor; letramento literário.

 

Minibiografia:

Professor Assistente A2 no Centro Universitário de Goiás (Uni-ANHANGUERA). Mestre em Letras pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Licenciado em Letras pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Desenvolve pesquisas na área de Letras e Ensino, com foco no Ensino de Literatura e Letramento Literário. É líder do Grupo FORPROLL/CNPq – Formação de Professores de Línguas e Literatura e também pesquisador no grupo CNPq “INTERARTES: PROCESSOS E SISTEMAS INTERARTÍSTICOS E ESTUDOS DE PERFORMANCE”.


Comunicação 43

Base curricular para o ensino de Literatura Infantil nos anos iniciais do ensino fundamental no Brasil

Autoras:

Raissa Nunes Pinto – UEMS: Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul – raissanunes.pba@gmail.com,

Estela Natalina Mantovani Bertoletti – UEMS: Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul –  estelalnmb@gmail.com

 

Resumo:

O ensino de Literatura Infantil nos anos iniciais da Educação fundamental é uma prática importante que tem sido adotada por várias escolas. A Literatura Infantil quando apresentada de forma certa tem papel fundamental na formação das crianças que mantêm contato com ela. Para se ensinar a Literatura Infantil de forma certa, o professor deve se atentar em alguns aspectos que não podem faltar em sua sala de aula como: o ambiente, o livro a ser utilizado, as ilustrações, o autor, o ilustrador, se a história será lida ou contada e de que forma ela acontecerá. Um ambiente propício para a prática da aula é algo fundamental.  O professor por meio da aula de Literatura Infantil deve apresentar aos seus alunos a leitura de forma prazerosa, incitando-os assim à imaginação, à prática da leitura, à curiosidade, entre tantos outros aspectos que podem ser explorados por meio de um bom livro de Literatura Infantil. Pretendo com esse trabalho realizar estudo documental sobre como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tem considerado essas questões. Para isso, farei um exame da segunda versão revista da BNCC, na área de Linguagens, especialmente no componente curricular Língua Portuguesa. A BNCC, ainda em tramitação, servirá de orientação ao currículo da Educação Básica brasileira, conforme exigência legal colocada para o sistema educacional brasileiro pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Brasil, 1996; 2013), pelas Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica (Brasil, 2009) e pelo Plano Nacional de Educação (Brasil, 2014). Nesse sentido, avaliar o que e como vem sendo prescrito contribui para melhor adequação doque se pretende para a educação e para o ensino no Brasil.

Palavras-chave: literatura infantil; educação fundamental; base nacional comum curricular.

 

Minibiografias:

Raissa Nunes Pinto: discente no curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS)e integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em História e Historiografia da Educação Brasileira (GEPHEB) desde 2015.

Estela Natalina Mantovani Bertoletti: docente na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), pós-doutora pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É vice-líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em História e Historiografia da Educação Brasileira (GEPHEB).


Comunicação 44

Da leitura subjetiva à leitura analítica: letramento literário e literatura infantil

Autora:

Rosana Rodrigues da Silva – UNEMAT- Campus de Sinop/Brasil –  rosana.rodrigues@unemat-net.br

 

Resumo:

Pesquisas recentes acerca da formação do leitor mostram a importância da leitura subjetiva enquanto momento indispensável para a prática do letramento, ao passo que priorizam o trabalho com a literatura destinada a crianças e jovens. Os estudos da estética da recepção que colocam o leitor no centro das discussões teóricas influenciaram as práticas da educação literária, na medida em que trouxeram contribuição à interação leitor e texto. Contudo, a pesquisa de Annie Rouxel (2013) discute a necessidade de reconhecimento e valorização do leitor empírico, não mais um elemento de composição idealizado no texto, como o leitor implícito, mas um sujeito que no processo da leitura expressa outras tantas leituras resultantes de sua identidade e das relações socioculturais. Os professores que trabalham com a literatura no Ensino Fundamental devem valorizar esse leitor real e trazê-lo, não apenas para a participação e experimentação do texto, mas para construções de novos textos, relidos e recriados em atividades do letramento literário com obras da literatura infantil e juvenil. No letramento, o professor oferece ao aluno a possibilidade de vivenciar por meio da literatura experiências únicas, a ponto de subjetivá-las e transferi-las a um conhecimento de mundo e da língua. No campo da crítica brasileira, os estudos de Rildo Cosson (2006) têm dado um rumo bastante produtivo e otimista ao ensino da literatura, sem desconfigurá-la, sem resumi-la, estendendo o trabalho com a leitura para outras atividades de releituras e reescrita do texto.

Palavras-chave: letramento literário; literatura infantil; estética da recepção; leitura.

 

Minibiografia:

Professora doutora e pesquisadora na Universidade do Estado de Mato Grosso, em Sinop, Brasil. Coordena o projeto de pesquisa “Diversidade cultural na Literatura Infantil e Juvenil: letramento literário em Mato Grosso”. É professora do Mestrado acadêmico em Letras e do Profletras, da disciplina Literatura infantil e juvenil. É editora chefe da Revista de Letras Norte@mentos, desde 2008.


Comunicação 45

Sequência didática tupiniquim para leitura do conto literário no ensino fundamental: um estudo bakhtiniano

Autora:

Rosemary Pinto de Arruda Gonçalves – UFMG: Universidade Federal de Mato Grossoroseearosa@hotmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação visa apresentar resultados de pesquisa em nível de mestrado desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso, Brasil, cujo objetivo foi explorar a transposição didática para o ensino da Literatura no Ensino Fundamental, a partir dos gêneros do discurso, na perspectiva enunciativo-discursiva de cunho bakhtiniano, com o olhar à apropriação da leitura literária, à humanização e à aprendizagem crítica. Para tal, propusemos utilizar a Sequência Didática Tupiniquim (SDT, GONÇALVES, 2014) para leitura do gênero discursivo conto de Machado de Assis, com alunos de nono ano de uma escola pública do município de Barão de Melgaço, Estado de Mato Grosso. – Considerando a Linguística Aplicada, e toda teoria aqui citada, definimos SDT como consolidação de fazeres científicos que possibilitaram uma didatização para aprender a língua, através dos gêneros discursivos, em que ações dialógicas e coletivas se articulam em torno da leitura, literatura e língua, arquitetando a assimilação da relação dialógica da linguagem e os pilares que a constituem. Desenvolvemos uma pesquisa-ação, à luz de Thiollent (1986) e revisitamos o acervo teórico que se inscreve nos estudos pertinentes à análise/teoria dialógica do discurso, do círculo de pensadores russos, sobre a linguagem, Bakhtin & Volochínov (1929); Bakhtin (1952-1953). Para ancoragem da nossa metodologia, obedecemos às considerações da Metodologia das Ciências Humanas com Bakhtin (2006) e Amorim (2001); na parametrização das práticas pedagógicas, utilizamos, essencialmente, a teoria sócio-histórica da aprendizagem de Vygotsky (1930 – 1934), com ênfase nos conceitos sobre a ZDP e as funções psicológicas superiores; enquanto que, em relação às formulações sobre sequências didáticas e capacidades de linguagem, fundamentamo-nos em Gonçalves (2014) e Rojo (2004-2009) respectivamente. Ao final, da investigação, pudemos aferir a evolução das capacidades leitoras relativas à compreensão ativa e crítica em relação à leitura LITERÁRIA desses alunos.

Palavras-chave: sequência didática Tupiniquim; leitura literária; compreensão ativa e crítica.

 

Minibiografia:

Mestra em Estudos de Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso, UFMT. Docente da Secretaria de Estado de Educação do Estado de Mato Grosso – SEDUC/MT. Participante do Grupo de pesquisa REBAK – Relendo Bakhtin.


Comunicação 46

Formação do leitor de literatura no Ensino Fundamental: demandas, concepções e práticas

Autora:

Sheila Oliveira Lima – UEL: Universidade Estadual de Londrina – sheilaol@uol.com.br

 

Resumo:

O projeto “Formação do leitor no Ensino Fundamental – Ciclo 3: demandas, concepções e práticas” tem por objetivo investigar a concepção de leitura e as práticas relativas à formação do leitor nas salas de aula de Língua Portuguesa das escolas públicas do estado do Paraná. Embora se trate de uma pesquisa que visa observar a leitura em seu amplo espectro, o foco atual tem sido a educação literária e a abordagem da leitura pelo viés da subjetividade como pressupostos para a formação de um leitor competente e sensível. Em pesquisa anterior a respeito da formação leitora (LIMA, 2016), concluiu-se que há uma ausência de abordagens de leitura literária nos manuais didáticos, o que implica dificuldades significativas para a formação do leitor.  Diante disso, o projeto atual definiu como foco de análise as atividades de leitura realizadas nas aulas de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II, buscando investigar a quantidade e a qualidade de abordagens dedicadas à leitura do texto literário, os pressupostos teórico-metodológicos que as embasam e a resposta imediata do grupo de alunos a tais eventos de leitura. Apresentaremos, na comunicação, os primeiros resultados de nossas investigações, os quais indicam uma situação problemática: a forte tendência ao desaparecimento da leitura literária e a desconsideração da mesma enquanto elemento fundamental na formação do leitor. Outro fator relevante observado em nossas pesquisas é a prevalência do livro didático nas aulas, ainda que suas concepções de leitura contrariem a proposta das Diretrizes Curriculares Estaduais, apoiadas na Estética da Recepção e na Teoria do Efeito. A partir das demandas observadas na pesquisa, apresentaremos uma proposta para uma formação leitora que consiste na presença significativa da leitura literária desde os primeiros anos do Ensino Fundamental e mesmo na Educação Infantil, calcada no compartilhamento interpretativo e na constituição da subjetividade leitora.

Palavras-chave: leitura; literatura; aula de leitura; subjetividade; compartilhamento.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras, mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada, doutora em Educação e Linguagem pela Universidade de São Paulo. Docente da área de Metodologia do Ensino do curso de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Londrina – Paraná – Brasil. Coordena o Mestrado Profissional em Letras na mesma universidade. Realiza projetos de pesquisa e extensão com foco na formação do leitor e na leitura literária.


Comunicação 47

Letramento Literário: da necessidade de ensinar literatura

Autora:

Simara Ribeiro Gomes da Cunha Lima – UFRN: Universidade Federal do Rio Grande do Norte – simararica@hotmail.com

 

Resumo:

O ensino de Literatura tem sido negligenciado ao longo das últimas décadas na Educação Básica, principalmente em escolas públicas. Por esse motivo e, cientes da importância do conhecimento veiculados nos textos literários na construção da aprendizagem dos alunos enquanto cidadãos, é que optamos por ensinar literatura. Destarte, o presente trabalho traz uma proposta de intervenção em sala de aula, aplicada na série do 7º ano da Escola Municipal Manoel João Barbosa, situada na zona rural do município de Logradouro no estado da Paraíba. Nosso objetivo maior é desenvolver a competência leitora e escritora do aluno com o foco em sua transformação crítico- social e cultural. Para isto, levamos o letramento literário para a sala de aula através da aplicação de leitura de contos que integram o livro Chão do simples (2014), de Manoel Onofre Jr., tendo como unidade temática o humor e resíduos da tradição regionalista. Como se trata de experiência de leitura em sala de aula, este estudo adota o modelo de sequência didática básica, segundo a sistematização de Rildo Cosson (2014). em seu livro: Letramento Literário: teoria e prática que, estrutura-se em torno de quatro etapas: motivação, introdução, leitura e interpretação. A motivação que consiste em uma atividade de preparação, de introdução dos alunos no universo dos textos a serem lidos, foi a etapa aplicada até o momento, e constatamos nesta atividade que os alunos se engajaram com o projeto, apresentando ansiedade para participarem das demais etapas. Este trabalho tem como aporte teórico Rildo Cosson (2014), Antonio Candido (1995), em seu ensaio “O direito à literatura”; a sistematização crítica de Antoine Compagnon (2009), presente em sua obra Literatura para quê?, o ensaio de Leyla Perrone-Moisés (1996), “Literatura para todos. Os referidos autores trazem reflexões para se pensar acerca da pertinência e do papel da literatura na vida dos indivíduos, seja como instrumento de crítica social, na formação cidadã, seja na sua formação intelectual e cultural.

Palavras-chave: ensino. letramento literário; formação leitora e escritora.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras: Português/Inglês pela Universidade Estadual da Paraíba (2010). É especialista em Educação Básica pela UNIPÊ (2012). É aluna do Mestrado Profissional em Letras pela UFRN. Atualmente é professora de Língua Portuguesa da Escola Municipal Manoel João Barbosa e professora da Escola Estadual Alberto Maranhão. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa.


Comunicação 48

O conto de terror no processo de formação de leitor literário infanto-juvenil

Autora:

Soraya Souza de Carvalho – UFS: Universidade Federal de Sergipe –  sorayasouzacarvalho@hotmail.com

 

Resumo:

A presente proposta de trabalho tem por objetivo formar leitores do gênero conto de terror psicológico, utilizando-o como instrumento de ensino, de forma a aprofundar o conhecimento da  literatura fantástica de horror a partir da leitura do conto O retrato ovalado(narrativa pertencente ao gênero conto fantástico, subclassificado como de terror psicológico, em virtude de acontecer algo inexplicável no âmbito do real: a vida de uma jovem mulher vai sendo consumida pela dedicação do seu esposo à Arte) de Edgar Allan Poe, grande representante nesta categoria literária, considerada de extrema importância para os alunos e para os professores que estão trabalhando com o processo de leitura literária,  através do planejamento de situações significativas para envolver os alunos.  Apresenta análise fundamentada à luz dos pressupostos teóricos de Irandé Antunes_ na obra “Análise de textos: fundamentos e práticas”, focada nos aspectos globais: os esquemas de composição: tipo e gênero; e nos aspectos de sua construção: os tipos de nexos textuais_ e de Rosa Gens.

Palavras-chave: leitura; conto de terror; ensino.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras-Português pela Universidade Federal de Sergipe, com especialização em Educação e gestão pela Faculdade Pio Décimo, mestranda pela Universidade Federal de Sergipe (Profletras) envolvida com a linha de pesquisa voltada para a formação do leitor literário.


Comunicação 49

As subjetividades nas leituras escolares

Autora:

Suzana da Costa Bassfeld – Colégio Estadual Professora Maria Helena Teixeira Luciano – sucabassfeld@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho aborda as subjetividades dos alunos dos 90 anos do Colégio Estadual Professora Maria Helena Teixeira Luciano, situado no litoral do Paraná. A literatura continua sendo utilizada e abordada como a um século atrás ou seja algo exterior ao mundo do aluno. Mas afinal qual a leitura real que cada um faz da obra estudada? O objetivo principal da pesquisa se limitou a identificar a percepção que os jovens têm da leitura dos clássicos. O que cada um pensa e entende da obra estudada e qual a sua visão do mundo, como envolver o aluno e aproximar a sua subjetividade do mundo do autor. Após a abordagem em sala do gênero crônica, foi escolhido para análise da leitura uma crônica de Machado de Assis “Fuga do Hospício”. Procurei por meio de indagações simples em relação à obra tirar dos alunos suas mais puras percepções, os alunos responderam perguntas-chaves. As visões e interpretações suscitadas após a leitura foram inúmeras e variadas, muitos não conseguiram identificar as mensagens subliminares e nem as críticas sociais. Mas identificaram conceitos explícitos. Constatou-se que apesar das orientações e referências que o educador passa para o aluno leitor, o que vai prevalecer é muito pessoal e intransferível e como a vida se apresenta cada um e considerando vários fatores, talvez um dos mais desafiadores seja a personalidade. Essa característica que se apresenta na vida de cada ser humano, de maneira muito íntima e individualizada de acordo com o interior de cada um, qual a sua personalidade podemos muitas vezes ter a ilusão de que a atividade leitora tome o mesmo rumo porque apesar dos indícios e orientações do professor muitas vezes carregada de intenções e orientações. Como cada um vai encarar é muito pessoal e intransferível e como que significa a leitura dos clássicos para as novas gerações.

Palavras-chave: leitura literária; leitor; subjetividade; escola.

 

Minibiografia:

Especialização em Cultura e Literatura e Educação Especial Inclusiva. Graduação em Letras – Português. Professora efetiva de Língua Portuguesa no Estado do Paraná.


Comunicação 50

A educação literária no século XXI e a formação do profissional da área de Letras: desvios e rumos para a prática docente

Autora:

Vanderleia de Oliveira – UENP: Universidade Estadual do Norte do Paranávances@uenp.edu.br

 

Resumo:

A formação de docentes para o ensino da língua e das literaturas de língua portuguesa, notoriamente a brasileira, tem sido objeto de estudo tanto da Educação quanto de áreas afins, especialmente aquelas relacionadas com interfaces com as licenciaturas, nas últimas décadas. Fruto desses estudos, surge um expressivo número de trabalhos acadêmicos, bem como pesquisas voltadas para metodologias de ensino, que têm sustentado certo repertório para a ação pedagógica em sala de aula. Todavia, um olhar para os estudos que se relacionam à realidade do ensino da língua materna parece sugerir que, apesar do avanço de pesquisas na área, o ensino não as incorporou ou, talvez, não as tenha compreendido. Na área da literatura, tal cenário não é diferente, pois tem permanecido um ensino ligado ao uso do texto literário como pretexto, isto é, para o ensino da gramática ou apenas para abordagem historicista da obra literária. Neste contexto, a expressão letramento literário entrou para o repertório dos cursos de Letras, frente à preocupação em alcançar, por meio da leitura efetiva dos textos literários da tradição literária luso-brasileira, a formação ampla do estudante e, especificamente daqueles que ingressam na graduação em Letras, do futuro profissional da área. Tais considerações nos encaminham, dentre tantos outros aspectos, por meio de uma abordagem teórico-reflexiva alicerçada em Bauman (2010), Sarlo (2002), Bernardes (2005), Gens (2008), Cosson (2006), dentre outros, ao problema do perfil do docente de Literatura, vez que interessa discutir sobre a percepção que o professor em formação terá sobre os conteúdos da área literária, como resultado dos processos de ensino-aprendizagem a ele propostos. Entende-se, aqui, que a universidade, neste início do século XXI, deve formar indivíduos que sejam capazes de desenvolver uma prática didático-pedagógica em que se estimule a criatividade, a curiosidade, o desenvolvimento da subjetividade, o espírito investigativo e a capacidade analítico-interpretativa e crítica.

Palavras-chave: educação literária; formação docente inicial; currículo.

 

Minibiografia:

Professora e pesquisadora da Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, campus de Cornélio Procópio. Doutora em Letras, pela UEL. Líder do Grupo de Pesquisa Crítica e Recepção Literária (CRELIT), linha de pesquisa “Literatura, cânone literário e textualidades do contemporâneo”. Organizou, com Ana Paula Franco Nobile Brandileone, os livros Desafios contemporâneos: a escrita do agora (2013) e Instâncias de legitimação: processos de recepção e crítica literárias (2012). Atua no campo da educação literária e de narrativa brasileira contemporânea.


Comunicação 51

Leitura literária na escola: uma proposta

Autora:

Vera Teixeira de Aguiar – PUCRS: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul –  vera.t.aguiar@gmail.com

 

Resumo:

As constantes transformações de uma sociedade cada vez mais globalizada, em que diferentes linguagens disputam a atenção dos jovens, tendem a fragilizar o lugar da literatura literária, uma vez que ela precisa competir com todas as outras manifestações culturais ao dispor desse público. Aliem-se a supremacia dos apelos visuais do mundo atual e o desenvolvimento do mercado editorial e livreiro, que vê nesse segmento promissor espaço de circulação e consumos de seus produtos, e temos um panorama que a escola tradicional não consegue abarcar. Para corresponder às necessidades atuais, novos parâmetros curriculares para o ensino básico são elaborados, e a literatura deve ser ali contemplada. Assim, a fim de contribuir para as qualificação de sua leitura na escola, propõe-se uma metodologia alternativa, a partir da hermenêutica de Paul Ricoeur, que concebe o texto como caminho para a interioridade humana. Através de etapas sucessivas de atividades, que vivificam o processo ricoeuriano, visamos conduzir o jovem leitor à descoberta e à apropriação da obra como descoberta de si, redimensionando-se enquanto ser humano. Por essas vias, oferecemos um material de apoio à formação intelectual e emocional do estudante, ao exercitá-lo na leitura literária como caminho dialógico, uma vez que compreender, interpretar e apropriar-se do texto encaminham o autoconhecimento e a ampliação de horizontes vivenciais.

Palavras-chave: leitura da literatura; metodologia de ensino; ensino básico; hermenêutica de Paul Ricoeur.

 

Minibiografia:

Vera Teixeira de Aguiar é Professora Titular Aposentada, Doutora em Letras, área de concentração em Teoria da Literatura, Professora Titular aposentada da PUCRS, onde lecionou, nos níveis de Graduação, Especialização, Mestrado e Doutorado, as disciplinas de Leitura de Autores Brasileiros, Sociologia da Leitura, Literatura Infantil e Construções Simbólicas, Literatura Juvenil, Arte e Sistema Cultural e Literatura e Ensino. Desenvolve pesquisas nessas áreas, salientando o lugar da literatura na vida social e sua interação com outras linguagens. É autora, de livros, capítulos de livros e artigos em publicações brasileiras e internacionais.


Comunicação 52

Sinfonia em branco: análise e leitura em sala de aula

Autora:

Vivianne Fleury de Faria – UFG/CEPAE: Universidade Federal de Góias / Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação –  viviannefleury8@gmail.com

 

Resumo:

A presente pesquisa divide-se em duas partes. A primeira constitui-se de uma análise do romance “Sinfonia em branco”, da autora brasileira Adriana Lisboa e, a partir desta análise, propõe-se um trabalho de introdução e abordagem do romance com alunos do 2º ano do Ensino Médio. Trata-se de uma narrativa contemporânea na qual, ao mesmo tempo em que há o relato a trajetória de duas irmãs desde a infância

em uma fazenda do interior de São Paulo até sua maturidade, – trajetórias estas marcadas por um acontecimento catártico, qual seja, o estupro da mais velha pelo pai e testemunhado pela mais nova –, narra também o processo de modernização sem ruptura, sempre inconcluso na América Latina, o que instaura na narrativa uma “temporalidade dupla” em que os pares dialéticos – modernidade/ atraso,  arcaico/moderno, rural/ urbano – historicamente sedimentados em região periférica ao sistema capitalista mundial, também incidem na vida das personagens, divididas entre o passado na fazenda e o presente citadino. De fato, está em evidência no romance esta fratura tanto na estrutura romanesca – uma vez que os capítulos são intercalados entre passado rural e presente citadino –, quanto na vida das personagens. Como pano de fundo há o regime militar no Brasil, cuja opressão é correlata ao patriarcalismo e autoritarismo abusivo do pai. Espera-se que a leitura da obra suscite estas e outras questões por parte dos alunos a fim de que, por um lado, reflitam sobre elas e, por outro que, ao levar o aluno a refletir, propicie também sua identificação com a obra e sua apreciação. Como fim último deste trabalho almeja-se o incremento do gosto literário dos alunos e a apropriação destes de um bem que é seu – a literatura brasileira.

Palavras-chave: modernidade/atraso; formação do jovem leitor.

 

Minibiografia:

Doutora em Literatura Brasileira pela UnB, professora efetiva de Língua Portuguesa do Cepae/ UFG. Desde 2012 integra o grupo de pesquisa Literatura e Modernidade Periférica, criada pelo professor Dr. Hermenegildo Bastos (UnB) e desde 2013 integra o quadro de pesquisadores da RIEC, coordenado pelo professor Dr. Saturnino De La Torre (Universidade de Barcelona).


Comunicação 53

Santarém do Pará manda notícias para Santarém de Portugal (entre compromisso e a realidade: relato e análise de uma ação de levar a ler no Oeste do Pará)

Autor:

Zair Henrique Santos – UFOPa: Universidade Federal do Oeste do Pará – Zair-santos@bol.com.br

 

Resumo:

A presente pesquisa faz um estudo da promoção de leitura em espaços escolares do Ensino Fundamental em uma região afastada dos centros urbanos, com pouca circulação de cultura erudita. Procuro entender as possibilidades e os limites de levar a ler nesses lugares distantes. O interesse de investir nesta temática como proposta de investigação científica advém da minha vivência como professor de uma universidade periférica e por já atuar há mais de quinze anos formando professores. A investigação ocorreu em três comunidades rurais do Oeste do Pará e envolveu seis alunos-professores-pesquisadores-mediadores que implantaram espaços de leitura no ano de 2014 e também minha própria prática de orientador de trabalho TCC no campo da leitura. Os pressupostos teóricos que nortearam a análise são os estudos de Britto (2003), Candido (2011), Chartier (1990; 1999) Silva (2009) que discutem a educação literária e o ensino de leitura. Elegeu-se a pesquisa-ação como metodologia investigativa para analisar a instalação dos lugares de ler e ver como estão os lugares um ano depois. Para realizar tal estudo foi feito alguns movimentos analíticos, como usar as narrativas (TCCs) produzidas pelos alunos, entrevistas semiestruturada, visita aos lugares de ler, anotações de pesquisa de campo, também narro os processos de vida e formação dos agentes envolvidos. Isso tudo me ofereceu subsídios suficientes para tentar dentender as dinâmicas e práticas de leitura locais e as tensões e possibilidades de realização de projeto inovadores na formação do leitor escolar. Interessou-me especialmente inquirir as razões do por que, dos projetos de intervenção propostos, apenas um teve plena continuidade ao projeto enquanto os outros dois não tiveram o mesmo êxito, um se mantendo precariamente e outro tendo desaparecido por completo, deixando apenas ruínas.

Palavras-chave: leitura literária; literatura como direito; agentes de leitura; lugares de ler.

 

Minibiografia:

Zair Henrique Santos possui Graduação em Letras pela Universidade Federal do Pará (1997), Mestrado em Letras: Linguística e Teoria Literária pela Universidade Federal do Pará (2006) e Doutorado em Educação, na Área de Concentração: Ensino e Práticas Culturais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-2016). É professor titular da Universidade Federal do Oeste do Pará. Atua há quinze anos no ensino superior com as disciplinas de Literatura Brasileira e Literatura infantojuvenil.


Póster 1

Letramento literário em foco: o PIBID/CAPES e seus impactos na formação de professores e de jovens leitores

Autores:

Ana Paula Franco Nobile Brandileone – UENP-CCP – apnobile@uenp.edu.br

Vanderléia da Silva Oliveira – Universidade Estadual do Norte do Paraná – Campus de Cornélio Procópio –  vances@uenp.edu.br

 

Resumo:

Este trabalho insere-se nas propostas que norteiam as atividades do subprojeto PIBID – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência/CAPES -, que possui como um de seus objetivos valorizar a integração entre escolas públicas da educação básica e cursos de licenciatura. Interessado, pois, nesta articulação entre a universidade e a rede básica, o Colegiado do curso de Letras: português-inglês, do Centro de Letras, Comunicação e Artes (CLCA), da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), campus Cornélio Procópio, integrou-se, em 2012, ao Programa. Decorridos 4 anos, o subprojeto, que volta suas ações para o Letramento Literário, a partir dos pressupostos metodológicos de Rildo Cosson (2007), na elaboração de Sequências Básicas e Expandidas e no desenvolvimento de atividades sistematizadas de leitura literária, envolveu 5 escolas do município de Cornélio Procópio, atendendo a turmas do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Considerando que o subprojeto prevê, ainda, como aporte de material didático, adotar obras literárias remetidas pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola/MEC, foram selecionadas, ao longo deste período, 8 obras, a partir das quais se elaborou material didático, articulando-se leitura (de textos literários e de outros gêneros), produção escrita e a prática da oralidade. Diante do exposto, objetiva-se evidenciar não apenas a relevância do programa na formação inicial e continuada, mas também seu impacto sobre os jovens no processo de formação de leitores.

Palavras-chave: letramento literário; formação de leitores; PIBID; PNBE.

 

Minibiografias:

Ana Paula Franco Nobile Brandileone – Professora e pesquisadora da Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, campus de Cornélio Procópio. Doutora em Letras, pela UNESP, campus de Assis. Membro do Grupo de Pesquisa Crítica e Recepção Literária (CRELIT), linha de pesquisa “Literatura, cânone literário e textualidades do contemporâneo”. Organizou, com Vanderléia da Silva Oliveira, os livros Desafios contemporâneos: a escrita do agora (2013) e Instâncias de legitimação: processos de recepção e crítica literárias (2012). Atua no campo da educação literária e da narrativa brasileira contemporânea.

Vanderléia da Silva Oliveira – Professora e pesquisadora da Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, campus de Cornélio Procópio. Doutora em Letras, pela UEL. Líder do Grupo de Pesquisa Crítica e Recepção Literária (CRELIT), linha de pesquisa “Literatura, cânone literário e textualidades do contemporâneo”. Organizou, com Ana Paula Franco Nobile Brandileone, os livros Desafios contemporâneos: a escrita do agora (2013) e Instâncias de legitimação: processos de recepção e crítica literárias (2012). Atua no campo da educação literária e de narrativa brasileira contemporânea.


Póster 2

Artes visuais; literatura e educação nos livros de artista para crianças

Autora:

Milene Brizeno Chalfum – UFMG: Universidade Federal de Minas Gerais –  milenechalfum@hotmail.com

 

Resumo:

Este texto estabelece correlações – teóricas, formais, materiais e processuais – entre alguns livros ilustrados da literatura infantil no Brasil e os livros de artista, categoria das artes visuais.

O estudo propõe que, apesar de ocuparem espaços e contextos distintos, essas obras apresentam, desde a sua concepção, a coexistência das linguagens artística e literária relacionando-se de forma autêntica e sem prevalência de uma sobre a outra. Propõe também o compartilhamento de outras propriedades do livro de artista com o livro ilustrado, como: a presença do livro no livro pelas mais diversas conformações materiais e conceituais – pela subversão e/ou reverência; a não linearidade da narrativa marcada por novos sistemas espaço-temporais; o hibridismo e a intermidialidade; e a singularidade dos processos técnicos e estruturais.

São poéticas e propriedades recolhidas das artes visuais, pesquisadas por Paulo da Silveira da UFRGS e Amir Brito Cadôr da UFMG, que também fazem parte das narrativas contemporâneas nos livros de literatura infantil, e que deram margem à constituição de critérios comparativos para buscar nos livros ilustrados as ressonâncias teóricas e formais com os livros de artista, suas sintonias e também os contrastes. A pesquisa objetiva investigar a configuração desses materiais e constituir, através deles, um diálogo interartes, visando destacar essas obras dos demais livros de literatura para, dessa maneira, abrir novas perspectivas culturais e educacionais.

O corpus de análise se constitui, comparativamente, por dois grandes grupos de acervo: por um lado, o da “Coleção especial de livros de artista da biblioteca da UFMG”; por outro, o da Bebeteca e o do Gpell – Grupo de Pesquisa do Letramento Literário, dois grupos do CEALE/FaE da UFMG. Resultados preliminares apontam para a construção de novos paradigmas, seja nas artes visuais, seja na literatura infantil, resultando em obras que se apropriam desse diálogo criador.

Palavras-chave: livro de artista; livro ilustrado; literatura infantil; infância.

 

Minibiografia:

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Licenciada em Artes Visuais pela Escola Guignard (UEMG, 2002). Professora de Artes Visuais com atuação na educação informal, educação infantil e na formação de professores. Produção artística de livros e eventos. Atuando principalmente pelos seguintes temas: educação, arte, cultura, projetos sociais e literatura infantil.