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Simpósio 4

SIMPÓSIO 4 – Literatura Brasileira: relações E INCURSÕES entre história, cultura, POLÍTICA e língua

 

Coordenadores:

Adeítalo Manoel Pinho | Universidade Estadual de Feira de Santana/UEFS, BA | adeitalopinho@gmail.com

Mauro Nicola Póvoas | Universidade Federal do Rio Grande/FURG, RS | mnpovoas@gmail.com

 

Resumo:

Este simpósio pretende ser uma continuação de grupos de trabalho ocorridos em 2011, no III SIMELP, e 2015, no V SIMELP. Nesta nova proposta, contando com a presença de alguns dos apresentadores dos simpósios anteriores, seguimos avançando a discussão das relações da literatura com a história, a cultura e a língua. Em vista da situação do Brasil contemporâneo, resolvemos incluir o item “política” aos propósitos de reflexão.

Pretende-se avaliar produções do sistema literário brasileiro como personificações amplas da cultura e da literatura de língua portuguesa em âmbito internacional. Deseja-se estabelecer diálogos com autores próximos, como Zélia Gatai, João Ubaldo Ribeiro, Dyonélio Machado, Luiz Antonio de Assis Brasil ou de outras geografias, como Mia Couto, Cardoso Pires e José Saramago.  Se, por um lado, o simpósio deseja tornar cada vez mais visíveis sistemas de literatura brasileiros (por exemplo, o sistema baiano ou o gaúcho) em moldura cultural nacional e internacional, também deseja colher contribuições internacionais a respeito dos autores, da geografia cultural e dos temas (colonização e formação nacional em língua portuguesa) aqui expostos. Pretende-se continuar verificando a recepção, tradução e estudos da literatura brasileira em outros países. Também será discutida a forma como os intelectuais e literatos estão percebendo a demanda política e social do Brasil contemporâneo, tanto em criações ficcionais e poéticas, quanto em reflexões críticas e historiográficas.

Dessa forma, o simpósio seguirá acolhendo propostas de trabalho do Brasil e de outros países que se veem dentro da problemática da pós-colonialidade da literatura, da língua e da cultura. Além disso, são bem-vindas propostas acerca da recepção dos autores como Gregório de Matos, Padre Antônio Vieira, Castro Alves, Ruy Barbosa, Jorge Amado, Erico Verissimo, Clarice Lispector, Adonias Filho, Lygia Fagundes Telles, Aleilton Fonseca e outros.

 

Palavras-chave: Literatura Brasileira, Cultura, Colonização, Contemporaneidade, Política.

 

Minibiografias:

Adeítalo Manoel Pinho é Doutor em Letras pela PUCRS (2008). Professor Titular de Literatura Brasileira da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). É coordenador do GELC, Grupo de Estudos Literários Contemporâneos, e do Centro de Pesquisa em Literatura e Diversidade Cultural, ambos da UEFS. Autor do livro Perfeitas memórias: literatura, experiência e invenção (7 Letras, 2011). Foi membro suplente do Conselho Consultivo da ABRALIC (gestões 2009-2011; 2012-2013).

Mauro Nicola Póvoas é Doutor em Letras pela PUCRS (2005). Realizou estágio pós-doutoral na Universidade de Lisboa (2008). Professor associado de Teoria da Literatura da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). É coordenador do Programa de Pós-Graduação em Letras (Mestrado e Doutoraod em História da Literatura) da FURG.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Literatura brasileira: a escrita, o biográfico e a cultura

 

Autor: Adeítalo Manoel Pinho – UEFS – adeitalopinho@gmail.com

 

Resumo: Seguindo a tônica das grandes construções intelectuais brasileiras, a literatura esteve empenhada em compreender e auxiliar na construção cultural do Brasil. Isto foi necessário pelo fato do país nascer em momento posterior à constituição das grandes nações, entenda-se da Europa, ou seja, da própria concepção de nação. Sendo assim, tanto a compreensão para si quanto para as outras nações, a sua afirmação precisaria de textos, discursos e narrativas que construíssem tal compreensão nacional. O Brasil constituiu-se primeiramente em textos para depois praticar e consolidar formato e cotidiano nacional, vivência que ainda hoje estamos aprendendo a organizar e aprimorar. Na literatura brasileira, tornou-se recorrente erguer narrativas que partem ou se encerram naquilo que se chamou de “cor local” (Machado de Assis). Outro nome para o fenômeno também pode ser denúncia (Silviano Santiago), etc. De alguma forma, a força de temas os quais explicam, descobrem ou narram fenômenos culturais amplos ou acontecimentos marcantes de alguma parte do Brasil assemelham-se a um grande diário. Aproveitaremos as ideais críticas de Leonor Arfuch, em seu Espaço biográfico (1910), para investigar mais uma vez tais temas da brasilidade, com as nuanças da emergência política contemporânea brasileira. Escritas ficcionais de autores como Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro e Aleilton Fonseca serão lembrados nesta reflexão, cuja base teórica ainda incorpora Edward Said, Silviano Santiago, Stephen Greenblatt, Michel Maffesoli.

Palavras-chave: Literatura brasileira; Biográfico; Cultura; Identidade; Contemporaneidade.

 

Minibiografia: Doutor pela PUCRS (2008). Professor Titular de Literatura Brasileira da Universidade Estadual de Feira de Santana. É Coordenador do GELC, Grupo de Estudos Literários Contemporâneos, e do Centro de Pesquisa em Literatura e Diversidade Cultural, ambos da UEFS. Autor do livro Perfeitas Memórias: literatura, experiência e invenção (7 Letras, 2011). Foi membro suplente do Conselho Consultivo da ABRALIC (gestões 2009-2011; 2012-2013).


Comunicação 2

Do Paraguai a Canudos: Caballero e O pêndulo de Euclides em diálogo

 

Autor: Adenilson de Barros de Albuquerque – IFPR – adenilson.albuquerque@ifpr.edu.br

 

Resumo: Os motivos, os meandros e as consequências da Guerra do Paraguai (1864-1870) assim como da Guerra de Canudos (1896-1897) foram registrados em documentos oficiais e não oficiais. Elas também estão evidenciadas em diversos gêneros de composições artísticas. Nas expressões escritas, especificamente, omissões, invenções e juízos de valor aparecem a serviço da propagação de imagens que ajudam a construir culpados e heróis. Dentre tais expressões, os romances históricos contribuem, em grande medida, para que o leitor compreenda e interprete as muitas facetas desses conflitos que ultrapassam os encontros bélicos. O estudo comparativo das diferentes estratégias narrativas propostas nos romances que dialogam com as temáticas da Guerra do Paraguai e da Guerra de Canudos pode, assim, ser uma possibilidade fundamental para se ampliar a visão sobre duas das páginas importantes da história da América Latina. Nessa direção, esta comunicação traz à tona a leitura de dois romances: Caballero (1987), de Guido Rodríguez Alcalá e O pêndulo de Euclides (2009), de Aleilton Fonseca. Nessas obras, o tempo da narrativa acontece, especialmente, posteriormente ao tempo da temática central. Por meio das memórias dos protagonistas e da mediação crítica entre história e ficção, Rodríguez Alcalá e Fonseca, propõem, respectivamente, aspectos instigantes do passado por eles revisitado cujos ecos ganham nova vida a partir de suas leituras. Para a apreciação comparada desses romances, autores como Uslar Pietri (1990), Santiago (2000), Coutinho (2003) e Fleck (2011) serão consultados como eixo basilar.

Palavras-chave: Conflitos bélicos; Mediação; Encontros de cultura; Romance histórico; Memória.

 

Minibiografia: Professor de Língua Portuguesa e Espanhola no Instituto Federal do Paraná/Campus Umuarama. Doutorando pelo Programa de Pós-graduação em Letras da Unioeste/Cascavel-PR. Integrante do grupo de pesquisa “Ressignificações do passado na América Latina: leitura, escrita e tradução de gêneros híbridos de história e ficção – vias para a descolonização”, coordenado pelo Prof. Dr. Gilmei Francisco Fleck.


Comunicação 3

Dom Pedro Casaldáliga: poesia, cultura e engajamento em Mato Grosso

 

Autora: Adriana Lins Precioso – UNEMAT – adrianaprecioso@unemat.br

 

Resumo: Desde o período da Colonização, a ocupação da Amazônia Brasileira tem apresentado inúmeros conflitos de interesse entre colonizadores e colonizados, evidenciando grande desvantagem por parte dos indígenas. Ainda no século XX, o processo de povoamento e colonização continua em espaços como a Amazônia Legal, área geopolítica criada no segundo governo Vargas e que inclui os estados de Mato Grosso, Tocantins e o oeste do Maranhão. O cenário atual revela a expansão agropecuária, a modernização da agricultura e a utilização de produtos químicos nos plantios de larga escala. (MAGALHÃES, 2001). É esse o contexto de inserção do espanhol Dom Pedro Casaldáliga, em 1968, na região de São Félix do Araguaia, em Mato Grosso. Um dos mentores mais ativados na Teologia da Libertação, vertente católica desenvolvida na América do Sul e que tem como um dos principais objetivos: fazer da igreja um instrumento de transformação social. A poesia de Casaldáliga emerge dessa conjuntura, testemunho de luta e resistência impressa em sua voz e na dos oprimidos dessa região. Denúncia e resistência são símbolos da sua poética e o mito judaico-cristão surge humanizado, participante ativo da possível mudança do chão da história atual. Sendo assim, a presente proposta busca apresentar a poesia de Dom Pedro Casaldáliga, em suas obras, Orações da caminhada (2005) e Versos Adversos: Antologia (2006), com o propósito de contribuir para a ampliação do sistema literário brasileiro da atualidade e visando a inclusão de escritores e produções que podem alargar os conceitos de cultura e literatura produzidos no Brasil, de forma específica, no estado de Mato Grosso.

Palavras-chave: Dom Pedro Casaldáliga; Poesia; Resistência; Cultura; Mato Grosso.

 

Minibiografia: Adriana Lins Precioso é doutora em Teoria da Literatura – Literatura Comparada pela UNESP/IBILCE de São José do Rio Preto-SP. Atua como docente na área de Literatura no curso de Letras da Universidade do Mato Grosso (UNEMAT), Campus Universitário de Sinop e no Programa de Pós-Graduação Profissional em Letras – Profletras, no qual exerce a função de coordenadora (2016-2018). Coordena o Grupo de Pesquisa certificado pelo CNPq “Estudos Comparativos de Literatura: tendências identitárias, diálogos regionais e vias discursivas.”


Comunicação 4

Poesia e tragédia nos sertões da Guerra de Canudos

 

Autor: Aleilton Fonseca – UEFS – aleilton50@gmail.com

 

Resumo: Neste estudo pretendemos analisar o livro Tragédia épica (Guerra de Canudos), de Francisco Mangabeira (1879-1904) a fim de demonstrar a apropriação do tema histórico pelo discurso poético, que se estrutura a partir de uma visão épica dos episódios da guerra. Ao participar da Campanha da Guerra de Canudos, ocorrida nos sertões da Bahia em 1896-1897, o acadêmico de medicina e poeta testemunhou o conflito entre o exército republicano brasileiro e os sertanejos do arraial do Belo Monte, na luta trágica que marcou a História do Brasil. Profundamente tocado pela guerra, o poeta compôs vinte cantos sobre as diversas situações, circunstâncias e consequências dos combates, focalizando a ações do exército e a heroica resitência dos conselheristas. Publicado em 1900 e só reeditado em 2010, o livro de Mangabeira faz parte dos registros e representações dos dramas pessoais e coletivos, das ações e vicissitudes do conflito. Pretendemos percorrer os principais cantos da Tragédia épica seguindo seu movimento de contraponto, em que ora os soldados ora os sertanejos assumem o protagonismo na arena poética, numa espécie de concerto de vozes e perspectivas díspares, – desiguais, em luta encarniçada, mas consoantes na partitura da trama, como se fossem atores de uma peça trágica. No estudo, estabeleceremos comparações entre trechos dos poemas e fragmentos da escrita de Euclides da Cunha, em Os sertões (1902), que sinalizam a percepção agônica da condição humana dos sertanejos, vistos como sujeitos de uma saga, em defesa da sobrevivência, em sua espantosa resistência à destruição militar. Pretendemos demonstrar a importância da Tragédia épica como um canto elegíaco que denuncia a Guerra de Canudos como um crime do governo republicano, considerando os soldados e os sertanejos igualmente vítimas de um lamentável erro político.

Palavras chave: Guerra de Canudos; Francisco Mangabeira; Os sertões.

 

Minibiografia: É escritor, ensaísta e professor de Literatura, possui graduação em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (1982), mestrado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1992) e doutorado em Letras (Literatura Brasileira) pela Universidade de São Paulo (1997). Atualmente é professor pleno (= titular) da Universidade Estadual de Feira de Santana, atuando na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (ProgEL). 


Comunicação 5

O processo de criação das personagens protagonistas da série Visitantes ao Sul, de Luiz Antonio de Assis Brasil: uma análise genética

 

Autor: Alex Sandro Costa Ramos – FURG – alex.riogrande@hotmai.com

 

Resumo: A presente comunicação faz parte da pesquisa de tese de doutorado que, levando-se em conta os pressupostos teóricos e a metodologia da Crítica Genética, propõe a análise do processo de criação das personagens protagonistas da série “Visitantes ao Sul”, do escritor brasileiro Luiz Antonio de Assis Brasil: Sandro Lanari (“O pintor de retratos” − 2001); o Historiador (“A margem imóvel do rio” − 2003); Joaquim José de Mendanha (“Música perdida” − 2006) e Aimé Bonpland (“Figura na sombra” − 2012). O objetivo principal é encontrar e elucidar o caminho percorrido por Luiz Antonio de Assis Brasil no processo de criação das personagens protagonistas dos quatro romances e compreender esse processo a partir dos registros deixados pelo escritor nas anotações na sua agenda pessoal, nas versões e nas revisões das obras. Na relação entre esses registros e a versão entregue à editora para ser publicada encontra-se um ato criador em processo. E é exatamente como se dá esse processo o que interessa à pesquisa: compreender a gênese da escritura das personagens protagonistas dos quatro romances e reconstituir, a partir da organização do seu dossiê genético, o sentido das operações realizadas pelo autor para chegar ao texto final da obra.

Palavras-chave: Literatura brasileira; Crítica genética; Luiz Antonio de Assis Brasil.

 

Minibiografia: Alex Sandro Costa Ramos é mestre em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG – Brasil (2005). Graduado em História pela FURG (2002). Doutorando em Letras (História da Literatura) – FURG. É membro da Associação de Pesquisadores em Crítica Genética.


Comunicação 6

A recepção de Chico Buarque na França e na Alemanha: em torno d’O irmão alemão

 

Autora: Ana Maria Clark Peres – UFMG – acperes.bh@terra.com.br

 

Resumo: Com uma vasta e diversificada obra que abarca aproximadamente 500 canções e cinco romances, além de peças teatrais, roteiros cinematográficos, crônicas, novela e conto, obra essa que conta com uma considerável fortuna crítica no Brasil, Chico Buarque vem sendo reconhecido também no exterior, notadamente no que se refere à sua ficção mais recente, uma vez que seus romances já foram traduzidos para dezenas de idiomas. Neste trabalho, pretendo focalizar a recepção d’O irmão alemão (Editora Companhia das Letras, 2014) na França e na Alemanha, especificamente no que concerne a resenhas apresentadas em importantes jornais e revistas franceses e alemães, que têm comentado Le frère allemand, lançado em fevereiro de 2016 pela Éditions Gallimard, e Mein deutscher Bruder, publicado pela S. Fischer Verlag na mesma época. Textos críticos sobre o romance divulgados no Libération, Le Figaro, L’Express, entre outros, serão cotejados com os apresentados em importantes veículos da imprensa alemã, como DIE ZEIT (Hamburgo), FAZ (Frankfurt), Taz (Berlim) etc. Essas resenhas serão cotejadas com publicações brasileiras sobre o romance, que surgiram na imprensa brasileira por ocasião do lançamento do livro em novembro de 2014. Ao analisar os comentários a respeito da obra em cada um dos países citados – suas coincidências e suas diferenças –, busco apontar, em última instância, qual seria, hoje, o olhar europeu sobre produções culturais brasileiras e em que medida ele se aproximaria ou se distanciaria de nosso próprio olhar sobre elas.

Palavras-chave: Chico Buarque; O irmão alemão; Recepção crítica; França; Alemanha.

 

Minibiografia: Doutora em Letras pela UFMG, com pós-doutorado em Literatura Comparada, na Université Paris 8, e em Literatura Brasileira, na USP, é professora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da UFMG e pesquisadora do CNPq. Além de artigos e capítulos de livros no Brasil e no exterior, publicou as seguintes obras: O infantil na literatura: uma questão de estilo, Revisitando o estilo: por uma travessia na escrita e, mais recentemente, Chico Buarque: recortes e passagens.


Comunicação 7

Eles Não Usam Black-tie: conflitos e dilemas entre dois mundos

 

Autor: André Dias – UFF – andredias@id.uff.br

 

Resumo: Gianfrancesco Guarnieri faz parte de um grupo seleto de dramaturgos brasileiros que conseguiu dar vida e voz a profundos dilemas humanos. Autor com amplo conhecimento e domínio da dramaturgia urbana, Guarnieri soube dar lume a mundos em pleno processo de transformação, além de erigir uma obra que conferiu cara e coração às camadas pobres da população brasileira. Sem se render à tentação da representação exótica, Guarnieri soube trazer para o centro da cena “a vida da gente simples”. O escritor captou como poucos as contradições, desejos, esperanças e frustrações da classe trabalhadora, quase sempre emparedada entre a premência de sobreviver e os desafios de existir. Com um discurso centrado no exame da trajetória humana, mas sem perder de vista o caráter artístico do ofício, o dramaturgo – desde os anos 50 e ao longo dos 60 e 70, do século passado – concentrou seus esforços em rever aspectos fundamentais das contradições brasileiras. O presente trabalho se constitui como uma análise da peça Eles não usam black-tie (1955), obra seminal de Guarnieri. Sem perder de vista as condições de produção e o momento histórico que condicionaram a elaboração da obra, a investigação esmiúça o papel desempenhado por ela no momento em que chegou pela primeira vez ao público. Da mesma maneira, são avaliadas a atualidade das questões postuladas e como o texto pode ajudar a pensar o momento de polarização social pelo qual o Brasil passa atualmente. Assim, procura-se refletir sobre o embate entre dois mundos presentes na peça: de um lado, os valores engendrados pelas lutas coletivas de Otávio – patriarca de uma família de operários –, de outro, os conflitos de Tião, filho e herdeiro “natural” do legado de Otávio, mas que não se reconhece nesse modelo. Da situação dramática emergem o desamparo e a vulnerabilidade das classes menos favorecidas no Brasil.

Palavras-chave: Análise do discurso; Conflitos; Desamparo; Dramaturgia; Tensões sociais.

 

Minibiografia: Professor Adjunto III de Literatura Brasileira no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, da Universidade Federal Fluminense. É também Professor do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura, no Instituto de Letras da UFF, atuando na linha de pesquisa: Literatura, História e Cultura. Autor de artigos científicos, capítulos de livros e da obra: Lima Barreto e Dostoiévski: vozes dissonantes (EDUFF, 2012). Lidera o Grupo de Pesquisa Literatura e Dissonâncias – LIDIS/UFF, certificado pela UFF e pelo CNPq.


Comunicação 8

Rebola, rebola, rebola sim

Autor: André Luis Mitidieri – UESC – mitidierister@gmail.com

 

Resumo: Analisamos a peça Rebola, do jovem dramaturgo baiano Daniel Arcades, buscando destacar como o texto e suas futuras montagens constituem empreendimentos afirmativos de políticas relativas à diversidade sexual ao espaço urbano, já que resultam da ocupação artística do Beco dos Artistas, realizada durante o ano de 2016. Situado no centro de Salvador (Bahia), o carinhosamente denominado “Beco” estava na iminência de desaparecer do mapa enquanto ponto de criação/recepção artística e socialização da comunidade LGBTQI. No texto em análise, o proprietário do Teatro Bar Xampoo, denominado Lobo, toma a decisão de fechar as portas em função da precariedade do entorno e dos espaços gueis soteropolitanos, até que um grupo de jovens artistas transformistas “rebola” para salvar o local da extinção e realiza uma noite trashcômica a fim de convencer o dono da importância de mantê-lo em funcionamento. Assim, com amparo em metodologia qualitativa de caráter bibliográfico, temos em vista discutir o espaço biográfico viabilizado pelo drama em estudo, por intermédio: da reapropriação de traços de conhecidas personalidades desse meio afetivo-cultural; da inserção de links das canções utilizadas para variadas performatizações; das interações geradas nas redes sociais. Considerando a construção coletiva do texto e de suas encenações, bem como as utilizações que faz do Bajubá das Monas, espécie de dialeto LGBTQI, bastante tributário da língua Iorubá, buscamos articular linguagem e dramaturgia homoerótica, como formas de reflexão/agência sobre/no Brasil contemporâneo quanto à necessidade de espaços homoculturais onde sujeitxs homoafetivxs possam encontrar-se, divertir-se e resistir à onda autoritário-repressiva que assola o país e ameaça nossa existência.

Palavras-chave: Agenciamento e resistência; Daniel Arcades; Descolonização da teoria; Homocultura; Literatura homoerótica.

 

Minibiografia: Graduado em Letras pela Universidade da Região da Campanha (URCAMP) e em História pela Universidade Regional do Alto Uruguai e das Missões, campus Frederico Westphalen (URI-FW). Mestre e doutor em Letras, área de concentração em Teoria da Literatura, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Pós-Doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professor Titular de Literaturas Vernáculas no Curso de Letras da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Docente Efetivo de Literatura e História no Programa de Pós-Graduação em Letras – Mestrado em Linguagens e Representações – na mesma instituição. Membro da Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC) e da Associação Internacional de Lusitanistas (AIL). Integrante do GT Homocultura e Linguagens da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL). Vice-coordenador do PPGLLR da UESC.


Comunicação 9

A identidade nacional brasileira sob o olhar indígena: um estudo comparado entre Cunhanbebe e Peri

Autora: Andreia Ferreira Alves Carneiro – FAT/GELC – deia_lves@yahoo.com.br

 

Resumo: O processo de colonização do Brasil envolveu personagens de nacionalidades e não foi fácil, principalmente para os nativos do além-mar. Desta maneira, ao se pensar em uma identidade nacional os primeiros habitantes jamais poderiam ser esquecidos. De acordo com a história oficial, o que se tem registrado sobre a chegada e colonização do Brasil, são as informações do europeu que aqui atracou. Neste prisma, surgem no cenário nacional duas obras que, mesmo diversas, acabam por igualar-se O guarani, de José de Alencar (1857) e Meu querido Canibal, do escritor baiano Antonio Torres (2000). Neste estudo, tentar-se-á analisar o perfil dos dois personagens apontando semelhanças e divergências num projeto de construção de identidade nacional. Apesar de possuírem o mesmo contexto histórico, cada uma das narrativas tem suas preferências e exceções. Ambos tentam construir o primeiro herói brasileiro. O guarani mostra-nos a união do português, com o índio. Um olhar mais atento, contudo, verá que o índio, nada mais é do que uma tentativa frustrada de branqueamento, não da sua pele e sim suas origens. O índio que forma o país há um bom tempo já não morava com sua tribo, defendia os brancos, servindo-os como um falso escravo. Ele já não era mais politeísta e havia negado seus deuses. Em Meu querido canibal, é permitido a Antonio Torres salienta a importância de seu protagonista, apresentando-o como um verdadeiro índio. A obra de Torres mostra a trajetória do narrador em busca de informações oficiais sobre a vida de seu protagonista, Cunhambebe, numa tentativa de evitar o seu apagamento. A narrativa trás como pano de fundo a Confederação dos Tamoios e a atuação de personagens históricos, como Anchieta. Tal acontecimento também foi o pivô para que José de Alencar escrevesse seu romance, não pelo fato histórico, em si, mas para rebater o poema homônimo escrito por Gonçalves de Magalhães em 1856.

Palavras-chave: Identidade nacional; José de Alencar; Antonio Torres.

 

Minibiografia: Mestre em Literatura e Diversidade Cultural (UEFS). Graduada em Licenciatura em Letras com Língua Inglesa (UEFS). Especialista em Estudos Literários (UEFS) e em Metodologia do Ensino de Língua Inglesa (IBPEX). Membro do grupo de pesquisa: A Literatura de Jornal em Periódicos Brasileiros (UEFS). Sua linha de pesquisa enfoca o século XIX, mais especificamente, a Estética da Recepção nas obras do escritor José de Alencar. Membro NDE da Faculdade Anísio Teixeira (FAT), onde ministra aulas.


Comunicação 10

A representação do sertão em O sertanejo, de José de Alencar e No sertão do conselheiro, de José Aras

Autora: Anita de Jesus Santana – UEFS – annysantanna@yahoo.com.br

 

Resumo: Refletir sobre a Literatura Brasileira, em nossos dias, requer uma análise a partir das primeiras produções que contribuíram para o processo tanto de formação da nossa literatura como da identidade nacional. No entanto, reconhecendo que o trabalho se tornaria bastante extensivo, fazemos aqui um recorte, nos detendo a um estudo centrado no século XIX, período em que o Romantismo é a escola literária em destaque, tendo como principal expoente José de Alencar. Dentro da obra do autor, fazemos ainda outro recorte e vamos nos situar no livro em que este traz como tema o homem do sertão. Ao se compreender que o Romantismo se constituiu como importante movimento literário do século XIX e ainda permanece em nossos dias, por meio de um espírito envolto por sentimentos e ideais enriquecedores para nossa literatura, o presente trabalho tem como objetivo perceber como os ideias românticas de José de Alencar sobre sertão e sertanejo influenciaram e mantem diálogo com obras literárias posteriores. Nesse sentido, nossos estudos ocorrerão principalmente, a partir de O Sertanejo de José de Alencar e No Sertão do Conselheiro de José Aras, obras em que serão discutidos aspectos ideológicos, culturais e políticos desses autores. Nascidos em um mesmo espaço geográfico do Brasil, denominado nordeste, José de Alencar e José Aras, de forma lírica, um na prosa outro no verso, deixam impresso o sentimento de valorização da localidade e do país ao qual pertencem. Cada um marca o lócus onde nasceu a partir de concepções e ideologias de acordo com o tempo e circunstâncias em que estavam inseridos, mas também com um objetivo em comum: falar de forma idealizada ou realista o que era o sertão e o que significava ser sertanejo. Para embasar nossas discussões iremos nos apoiar em reflexões de teóricos como Stuart Hal (2014), Canclini (2008), Renato Ortiz (2012), dentre outros.

Palavras-chave: Romantismo; Sertanejo; Sertão; Identidade cultural.

 

Minibiografia: Anita de Jesus Santana – Mestranda em Estudos Literários – PROGEL, pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Graduada em Letras Vernáculas com Habilitação em Literatura, pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB-Campus XXII). Participa do Grupo de Estudos Literários Contemporâneos – GELC, no grupo de pesquisa A literatura de jornal em periódicos brasileiros sob a coordenação do Professor Dr. Adeítalo Manoel Pinho.


Comunicação 11

A obra literária de Zélia Gattai entre Brasil, Itália e Portugal

 

Autora: Antonella Rita Roscilli – UFBA – r_antonella@yahoo.it

 

Resumo: Nosso trabalho aborda a obra de Zélia Gattai (1916-2008), memorialista brasileira, filha e neta de emigrantes italianos, e esposa do famoso escritor brasileiro Jorge Amado por cinqüenta e seis anos. Nasceu em São Paulo em 2 de julho de 2016. Por amor de Jorge deixou a terra do café e abraçou a terra do cacau. Se tornou baiana por amor, mas nunca esqueceu suas raízes italianas. Escreveu obras de memórias, infanto-juvenis e um romance. A sua obra virou um símbolo para a reconstrução memorial de parte da história da emigração italiana, e parte da história do Brasil. Portanto este estudo quer verificar e ressaltar alguns aspectos da importância de Zélia Gattai no contexto da literatura do Brasil, da Itália, e dos países de língua portuguesa. Pretende, sobretudo, analisar de que forma se deu, até agora, a recepção e tradução da obra dela, em âmbito internacional. Partindo de elementos históricos e através da contribuição de vários estudos multidisciplinares, para uma reflexão critica sobre a noção da literatura como instrumento transcultural, este trabalho busca também problematizar as relações entre os conceito de memória, línguas e culturas, seguindo uma perspectiva intercultural e interdisciplinar. Analisando alguns elementos como estilo e história, mostramos como a obra de Zélia vire um espaço de identidade, de memória nacional e internacional. O trabalho aqui proposto è parte integrante das pesquisas que vamos desenvolvendo desde 2013 e que, em parte, apresentamos em 2016 no “Curso Castro Alves”da Academia de Letras da Bahia (Brasil) e na Universidade de Brasilia (UnB) na abertura da “XVI Settimana della Lingua Italiana nel Mondo”.

Palavras-chave: Zélia Gattai; Literatura brasileira; Emigração italiana; Língua; Intercultura.
Minibiografia: Italiana, brasilianista, escritora, pesquisadora e tradutora. E’ Membro Correspondente da Academia de Letras da Bahia e do Instituto Histórico Geográfico da Bahia, Mestre em Cultura e Sociedade-UFBA, Doutoranda em Cultura e Sociedade-UFBA. Formada em Lingua e Literatura Brasileira na Università La Sapienza de Roma. E’ idealizadora e diretora da Revista de Dialogo Intercultural “Sarapegbe”, além de ser biografa de Zélia Gattai Amado. Publicou até agora artigos em revistas acadêmicas e três obras literárias sobre Zélia Gattai.


Comunicação 12

Geografia cultural e experiência em Guimarães Rosa

 

Autora: Betina Ribeiro Rodrigues da Cunha – UFU – betina@ufu.br

 

Resumo: Análise de “Páramo” – conto de Rosa apresentado em Estas estórias, uma das obras póstumas do autor – buscando compreender as possíveis leituras interpretadas pelas experiências do mundo moderno, e o valor de uma produção literária distanciada pelo espaço de uma realidade temporal e cosmologia míticas, mas muito próxima do ponto de vista de interações e diálogos. O referido conto comparece com uma cena autobiográfica talvez, na qual o “escritor-diplomata”, travestido em autor, localiza na Colômbia um doloroso e necessário ritual de passagem, permitindo inferir que a literatura deva apreender as possibilidades do real, substituindo a cosmovisão anterior, tradicionalmente coerente e organizada em um locus mítico, povoado de reatualizações modernas, por um outro olhar antecipatório de universos significativos, transculturais.

Palavras-chave: Narrativa; Transculturação; Identidade.

 

Minibiografia: Professora de Literatura no Curso de Letras e Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da Universidade Federal de Uberlândia. Drª. em Letras pela USP, com Pós-doutorado pela UFRJ.


Comunicação 13

A representação da nação brasileira na obra Brasil, um país do futuro, de Stefan Zweig

 

Autor: Carlos Eduardo do Prado – UERJ/UFF – cadupradofr@gmail.com

 

Resumo: Esta comunicação propõe uma leitura crítica da obra Brasil, um país do futuro, do escritor vienense Stefan Zweig, ressaltando o olhar de um escritor estrangeiro do século XIX sobre o Brasil na década de 1940. Neste momento, a literatura é um importante aliado no projeto de criação de uma identidade nacional brasileira. Zweig, através da sua escrita, deseja mostrar um Brasil completamente livre de intolerâncias, violências e preconceitos, problemas que assombravam a Europa extremamente abalada pela 2ª Guerra Mundial.

Ele acreditava que o Brasil era uma possibilidade de conciliação e tranquilidade, diante de um panorama europeu tão catastrófico. Como os viajantes europeus que o antecederam, Zweig também é tocado pelas extraordinárias belezas naturais e riquezas do Brasil, bem como a convivência pacífica entre as diferentes etnias que aqui se instalaram. O autor revisita a imagem idealizada e mitológica do Brasil como o paraíso terrestre, o éden perdido e reencontrado nas terras localizadas no hemisfério sul do globo terrestre. O tão sonhado Eldorado, muitas vezes citado por viajantes, séculos antes, é descrito de maneira otimista e quase profética como único lugar na Terra onde a paz e a harmonia proporcionam a este lugar uma possibilidade de futuro utópico em que todos, independentemente de cor, religião ou posição, social experimentariam a verdadeira felicidade. Porém, seria mesmo o Brasil tão belo e tão pacífico, como é registrado em seu texto, ou seria apenas a percepção do olhar estrangeiro, tão acostumado com a visão eurocêntrica oitocentista, tentando (re)descobrir o Brasil e seu povo?

Palavras-chave: Identidade nacional; Olhares cruzados Europa/Brasil; Brasil e Europa século XIX; Literatura.

 

Minibiografia: Doutorando em Literatura, Teoria e Crítica Literária da Universidade Federal Fluminense (UFF), possui o título de mestre em Literaturas Francófonas pela mesma universidade. Licenciado desde 2013 em Letras -Português/Francês. Atua como professor assistente de francês língua estrangeira (FLE) no Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira – CAp UERJ. Participa do Projeto de Pesquisa da professora Doutora Maria Elizabeth Chaves de Mello – Olhares sobre o Brasil.


Comunicação 14

Lima Barreto e a crítica ao racismo científico

 

Autor: Carlos Henrique Gileno – UNESP/Araraquara – cgileno@uol.com.br

 

Resumo: A área de investigação está circunscrita às relações estabelecidas entre literatura e sociedade no Brasil. O principal objetivo é analisar a crítica ficcional que o escritor carioca Afonso Henrique de Lima Barreto (1881-1922) empreendeu contra os dogmas das teorias raciais europeias vigentes no início período republicano. A justificação é que Lima Barreto reprovou o uso que as elites intelectuais, científicas e políticas brasileiras fizeram daquelas teorias, as quais colaboraram para inviabilizar a plena constituição dos direitos civis dos ex-cativos na Primeira República (1889-1930). Nesses termos, a releitura das obras de Lima Barreto pode auxiliar na reflexão de uma pergunta que ainda aponta os limites impostos à realização da cidadania na modernidade conservadora brasileira contemporânea: atualmente, o legado da escravidão propicia aos afrodescendentes as mesmas condições de competição no interior da sociedade? A metodologia utilizada foi o estudo da obra de Lima Barreto, focando na crítica ao racismo científico contida nas suas narrativas ficcionais. Ao mesmo tempo, foram analisadas obras referentes ao contexto intelectual, político e social do Rio de Janeiro do início do século passado. A base teórica possui a característica de ligar a experiência da reconstrução do passado à experiência vivida no presente ao tentar descortinar possibilidades futuras de organização cultural, política e social. O exame da história literária e política nos permite identificar “estilos determinados” de pensamento que transcendem a sua época, perdurando no tempo ao trazerem novas perspectivas para a construção de projetos políticos e científicos na atualidade (BRANDÃO, 2007: 29). Os resultados preliminares indicam que Lima Barreto dialogou com um tipo de pensamento que se embasava num discurso racial e que legitimava a edificação de projetos políticos conservadores, demonstrando que a sociedade republicana era apenas formalmente igualitária, e o dogma racial buscava naturalizar as desigualdades.

Palavras-chave: Lima Barreto; Literatura e sociedade; Pensamento literário no Brasil; Primeira República (1889-1930); Questão racial no Brasil.

 

Minibiografia: Professor assistente doutor do Departamento de Antropologia, Política e Filosofia da Faculdade de Ciências e Letras, UNESP, campus de Araraquara, São Paulo, Brasil. Autor dos livros: Lima Barreto e a condição do negro e do mulato (1889-1930). São Paulo: Editora Annablume, 2010 e Perdigão Malheiro e a crise do sistema escravocrata e do Império (1822-1889). São Paulo: Editora Annablume, 2013. Atua nas áreas de Pensamento Político e Social no Brasil, Literatura e Sociedade, Cultura e Política.


Comunicação 15

Quincas Berro d’Água: o brasileiro fotografado pela lente de Jorge Amado

 

Autora: Denise Dias – UnB/IFAM – denise9345@hotmail.com

 

Resumo: O trabalho apresenta uma leitura do romance A morte e a morte de Quincas Berro d’Água de Jorge Amado, com enfoque na representação da minoria marginalizada, promovendo uma discussão imbricada entre literatura, história, e cultura. Baseado na teoria da carnavalização de Mikhail Bakhtin aborda-se alguns elementos carnavalizados da narrativa, como o riso, o grotesco e a paródia levando em consideração a dimensão crítica cultural que essas imagens veiculam. Essa narrativa amadiana revela as duas faces da sociedade. De um lado, o universo da ordem estabelecida, com o enquadramento dos indivíduos em instituições sociais respeitáveis, como a família, o casamento e o trabalho, enfim, o mundo oficial; de outro, o da desordem, a que Quincas se entrega ao rejeitar a lógica que o envolvia, descobrindo assim, no deboche, na malandragem, no cômico, formas de satirizar o mundo oficial. Inicialmente, procede-se a um breve resumo da obra. Em seguida, no exame do texto amadiano, as figurações da morte e o universo carnavalizado. De forma a concluir que o caráter encontrado na obra desfecha–se no Brasil, como o país do carnaval, a mescla fascinante entre o carnavalesco e o carnavalizador, a vida e a morte, o sagrado e profano, o grotesco e o sublime.

Palavras-chave: Literatura brasileira; Cultura; Carnavalização; Quincas Berro d’Água; Jorge Amado.

 

Minibiografia: Professora de Língua Portuguesa do Instituto Federal do Amazonas. Mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, PUC – GO. Doutoranda vinculada à linha Literatura Comparada, no Departamento de Teoria Literária e Literaturas na Universidade de Brasília, orientador: Dr. João Vianney Cavalcanti Nuto. Cotutela com a Université de Rennes 2, orientadora: Dra. Rita Godet. Participante dos grupos de pesquisa: Literatura e Cultura-UnB e Formação docente, práticas educativas e representações artísticas e sociais – IFGoiano.


Comunicação 16

(Des)caminhos das leitoras de romances: o caso das personagens amadianas Ester e Malvina

Autora: Edinage Maria Carneiro da Silva – UEFS – edinagecarneiro@gmail.com

Resumo: A leitura de romances, por algum tempo, foi encarada como uma atividade potencialmente desencaminhadora da conduta feminina, sobretudo por se configurar como uma atividade solitária, não submetida a regras ou controle de uma autoridade externa (ABREU, 2003). A partir dessa ótica, pretendemos traçar um perfil das personagens Ester e Malvina, de Terras do sem fim (1942) e de Gabriela cravo e canela (1958), de autoria de Jorge Amado, enquanto leitoras de romances. Nota-se que estas mulheres têm comportamentos inesperados para os padrões da sociedade patriarcal em que estão inseridas. Como esposa e filha de coronéis, foram submetidas a uma educação cujo objetivo maior era a preparação para o casamento e o exercício da maternidade responsável. No entanto, transgridem as regras sociais determinantes do comportamento feminino e enfrentam uma sociedade patriarcal excludente, tendo em vista a conquista da liberdade. Importa observar de que forma essas transgressões foram influenciadas pela instrução que tiveram e pelas leituras romanescas feitas.

Palavras-chave: Instrução feminina; Leituras romanescas; Leitoras; Sociedade patriarcal.

Minibiografia: Edinage Maria Carneiro da Silva é Mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela Universidade Estadual de Feira de Santana, especialista em Estudos Literários e em Texto e Gramática, também pela UEFS, onde integra o Grupo de Estudos Literários Contemporâneos (GELC), sob a coordenação do Prof. Dr. Adeítalo Manoel Pinho. Autora do livro Ilustres senhoras de romances: as leitoras de José de Alencar (UEFS Editora, 2016). Atua como docente do ensino básico da SEC da Bahia.


Comunicação 17

Exaustão midiática do escritor em O ano em que vivi de literatura de Paulo Scott

Autora: Elizabeth Gonzaga de Lima – UNEB/Procad; PUC-Rio/CAPES – betylyma@gmail.com

Resumo: Quais implicações da cultura midiática na subjetividade e no ofício do escritor? A sociedade contemporânea bombardeada por imagens da mass media, pela emergência em escala exponencial do sujeito termina por configurar a civilização do espetáculo no sentido proposto por Vargas Llosa (2014) e promover a espetacularização do eu. Nesse contexto, a figura do escritor desloca-se para a centralidade da cena, tornando opaca a obra literária. Segundo Paula Sibília (2014), o ato de criar se converteu em objeto de culto ao se instalar sob os holofotes, transformando o corpo do artista no principal alvo dos espectadores, daí a figura do autor passar a ocupar o centro da cena. Tendência que pode ser vislumbrada na literatura brasileira contemporânea, sendo atomizada pelas mídias e redes sociais que convocam o escritor a transitar, interagir por diversos dispositivos e, sobretudo, estar em evidência. No livro O ano em que vivi de literatura (2015), do escritor gaúcho Paulo Scott, o protagonista Graciliano é agraciado com o maior e mais reconhecido prêmio literário do Brasil em 2011. Ironicamente, o ano em que pode viver exclusivamente da literatura é aquele em que o escritor menos produz, não consegue vivenciar plenamente o universo literário, mas antes, mergulha de forma errática no mundo do entretenimento. Para compensar o vazio criativo, Graciliano simula no Facebook a personagem espetacularizada de um escritor postando poemas e comentários superficiais para angariar curtidas e manter seu perfil em evidência diante de seus prováveis leitores, o movente público de usuários das redes sociais. A partir da visão irônica e cáustica do romance no que tange à relação do escritor com o mercado editorial e seus atores, a escrita, as estratégias das mídias, o trabalho pretende examinar as imposições da cultura midiática que levam à exaustão a figura do escritor na contemporaneidade.

Palavras-chave: Cultura midiática; Exaustão; Subjetividade; Espetacularização; Escritor.

Minibiografia: Doutora em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professora Adjunta da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), do curso de Letras e do quadro permanente do Programa de Pós-graduação em Estudo de Linguagens. Atualmente desenvolve estágio de pós-doutoramento na equipe do Projeto Capes/PROCAD Escritas contemporâneas: desafios teórico-críticos (2014-2018), que reúne PUC-Rio, UNEB, UEFS e PUC-Goiás.


Comunicação 18

A literatura como arquivo: narrativas sobre a ditadura brasileira

 

Autora: Eurídice Figueiredo – UFF/CNPq – euridicefig@gmail.com

Resumo: Apesar do enorme trabalho de historiadores e jornalistas, só a literatura é capaz de recriar o ambiente de terror vivido por personagens afetados diretamente pelas arbitrariedades da ditadura. A ficção não é sinônimo de fantasia e de imaginação, ela consiste em uma estratégia para tornar a narrativa mais legível e até inteligível, sendo parte intrínseca do ato de narrar. Só a literatura é capaz de suscitar a figuração do Outro, do diferente, aquele que não podemos conhecer se não sairmos de dentro de nós mesmos. Só através da literatura podemos vislumbrar o Outro que nos habita, porque a identidade só se perfaz no encontro com a alteridade, inclusive nossa própria alteridade. Nos últimos 50 anos, dos primeiros dias após o golpe de 1º de abril de 1964 até o presente, escritores têm produzido todo tipo de texto, mas, sobretudo, narrativas, de cunho ficcional ou não-ficcional, sobre os desmandos da ditadura. Esse material pode ser, também, considerado como arquivo, pois ele dá conta do estado de exceção que constituiu aquele momento histórico. Os arquivos, em sentido estrito, são documentos de leitura árida reservados aos especialistas, enquanto a literatura atinge um público amplo. Diferente do arquivista e do historiador, o escritor de literatura, ao se debruçar sobre a memória e o arquivo, cria ficções ou não ficções a fim de dar um testemunho pessoal da história. O autor encontra no leitor um elemento ativo na transmissão da memória a fim de que não se apague aquilo que afetou a vida da nação. Neste texto apresentarei uma pequena parte desse já imenso arquivo literário que tematiza a ditadura brasileira, discutindo questões que envolvem a tortura, o desaparecimento de militantes presos e o exílio.

Palavras-chave: Literatura e ditadura; Trauma; Arquivo e memória.

Minibiografia: Fez Graduação em Letras Neolatinas na UNESP (Assis, 1968), Mestrado (1979) e Doutorado na UFRJ (1988). Atualmente é professora aposentada atuando no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura na Universidade Federal Fluminense (UFF). Publicou Mulheres ao espelho: autobiografia, ficção e autoficção (EdUERJ, 2013), Representações de etnicidade: perspectivas interamericanas de literatura e cultura (7Letras, 2010), além de artigos em obras coletivas e revistas nacionais e internacionais. É pesquisadora do CNPq.


Comunicação 19

Reflexões em torno de romance histórico e metaficção historiográfica

Autora: Helena Bonito Couto Pereira – Universidade Presbiteriana Mackenzie – helenabonito.pereira@gmail.com

 

Resumo: Este estudo tem por objetivo refletir sobre as relações entre literatura e história. Ambas se expressam por meio de relatos, mobilizando personagens em eventos transcorridos no passado próximo ou remoto. Na perspectiva de um estudo comparado entre essas áreas do conhecimento, ou, mais especificamente, entre história e narrativa ficcional, discute-se como historiadores e ficcionistas elaboram diferentes versões do passado. Mesmo que se refiram a protagonistas, episódios e tempos similares, as narrativas divergem entre si, a começar pelo pacto com o receptor: ao passo que a narrativa histórica visa apresentar os fatos com apoio documental, expondo criteriosamente o modo como teriam ocorrido, a narrativa literária usufrui a liberdade inerente às manifestações artísticas, que, em lugar de reproduzir o real, lançam mão dos mais variados recursos expressivos para lograr sua recriação estética. O emprego desses recursos depende do estilo e da criatividade de cada ficcionista, determinantes para o surgimento de diferentes modalidades de narrativa histórico-literária, como o romance histórico tradicional e a metaficção historiográfica. Trata-se, portanto, da adoção de uma metodologia comparativa, com base em teorias sobre a escrita da história (Peter Burke; Hayden White), sobre o romance histórico (Antônio R. Esteves; Marilena Weinhardt) e sobre a metaficção historiográfica (Linda Hutcheon), sendo esta última a mais relevante no conjunto destas reflexões. Na metaficção historiográfica recria-se o passado com base em seus vestígios textualizados (Hutcheon, 1991, p.157), em clara oposição à perspectiva única, monológica, abrindo espaço para a enunciação de vozes outrora silenciadas. A narrativa metaficcional permite ao narrador indicar que não se empenha em obter alguma (impossível) imparcialidade, nem tampouco é movido pelo desejo de estabelecer uma (inexistente) verdade incontestável. Constitui o corpus da pesquisa o romance Viva o povo brasileiro, publicado por João Ubaldo Ribeiro em 1984 e imediatamente reconhecido como uma das obras mais instigantes de nossa literatura. Reinvenção da vida cotidiana na Bahia em uma cronologia irregular, ao longo dos séculos XVII e XX, essa narrativa protagonizada pelo povo, como se infere de seu título, recorre magistralmente a ironia, sátira e paródia para, empregando múltiplas vozes, subverter o registro tradicional da formação da nação brasileira.

Palavras-chave: Romance histórico; Metaficção historiográfica; Viva o povo brasileiro; João Ubaldo Ribeiro.

Minibiografia: Doutora em Letras (Língua e Literatura Francesa) pela Universidade de São Paulo (1995). Fez estágio pós-doutoral na Universidade da Califórnia em Riverside (2006). É docente permanente no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, instituição em que desempenha as funções de Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa e Coordenadora de Publicações Acadêmicas. É Coordenadora do GT História da Literatura da ANPOLL – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística. Coordena o Grupo de Pesquisa “Literatura no contexto pós-moderno” na UPM e é Editora Associada da Revista Todas as Letras (Qualis A2).


Comunicação 20

Intelectuais e minorias em O fim do terceiro mundo, de Márcio de Souza, e Amazônia em chamas, de John Frankenheimer

Autores:

Henrique Roriz Aarestrup Alves – UNEMAT/UFMG ­– hralvess@hotmail.com

Kelly Pellizari – UFMT/PUC-Minas – kypl_pl@hotmail.com

 

Resumo: Esta proposta de trabalho tem o intuito de estudar as representações da floresta amazônica na Literatura Latino-americana e no Cinema, investigando, assim, os modos de imaginar a selva e seus significados, bem como seus habitantes, as visões externas, do estrangeiro, do colonizador ou do amante platônico da floresta. Conhecer a Amazônia a partir de obras literárias, como O fim do terceiro mundo, de Marcio de Souza, e de obras cinematográficas, como Amazônia em chamas, de John Frankenheimer, pressupõe, principalmente, compreender os modos como a cultura concebe e imagina a floresta, estabelecendo, também, uma relação entre o local e o universal que envolve, direta e indiretamente, questões identitárias, interculturais, geográficas, políticas e econômicas. Nesse processo, a região de Mato Grosso entra em conexão com questões mais amplas de âmbito nacional e internacional, já que a floresta amazônica envolve o Brasil e países vizinhos.

Palavras-chaves: Floresta amazônica; Imaginário; Selva.

Minibiografias: Henrique – Doutorado em Literaturas de Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Brasil(2008). Membro do Colegiado Regional da Universidade do Estado de Mato Grosso. Kelly Pellizari – Doutoranda em Administração pela PUC-Minas. Possui Mestrado acadêmico em Administração, pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da PUC-Minas. Graduação em Administração (2009) e Letras (2012), especialização em Língua Portuguesa e Literaturas, ambos pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2011).


Comunicação 21

Ficção histórica em dois romances de Bernardo Guimarães

 

Autor: Hugo Lenes Menezes – IFPI – hugomenezes@ifpi.edu.br

Resumo: Atualmente, em meio à internacionalização histórico-cultural, socioeconômica e política, deparamos com a interdisciplinaridade enquanto paradigma de análise, visando à unidade do conhecimento. Pertinentemente, constatamos um exemplo na relação entre arte verbal e ciência histórica, que integram, por procurarem explicar o percurso humano, o debate contemporâneo. Contudo, em 1859, nosso ficcionista romântico Bernardo Guimarães já encara a referida arte como um entendimento da aludida ciência, ambas possuindo como estrutura comum o código narrativo. Com Hayden White e Carlo Ginzburg, concebemos que as narrativas ficcional e historiográfica se achegam para aperfeiçoarem seus fundamentos, haja vista, por exemplo, o potencial sempre disponibilizado pela literatura à história cultural. Segundo Ginzburg, numa prefiguração da história das mentalidades, o romance oitocentista de matéria histórica desencadeia mudanças na historiografia, que incorpora novas fontes da vida privada e diária: periódicos e obras ficcionais, como duas modalidades documentais. E, na atitude política pós-colonial de busca de identidade do Estado-nação, representada também pelo indianismo e pelo regionalismo, o escritor mineiro revela-se um produtor de ficção histórica, da qual destacamos os romances Maurício ou os paulistas em São João Del Rei” (1877) e “O bandido do Rio das Mortes” (1904), em que aborda a Guerra dos Emboabas. Nessa ficção, bem assim no diversificado patrimônio narrativo bernardiano, como fundamento da identidade nacional, nossa língua pátria, sobre matriz indígena e derivada do contato da variante linguística lusitana com falares africanos, manifesta-se no estilo desataviado de Guimarães, um oralista que renova o discurso literário, evocando-nos a espontaneidade de Jorge Amado, e contribui para o estabelecimento do português brasileiro. Destarte, nessa comunicação, mediante procedimento metodológico analítico-interpretativo, de base bibliográfica, envolvendo literatura e história, objetivamos enfocar os dois romances retromencionados enquanto representantes de um viés de memória e identificação de um povo: a ficção histórica, além de divulgar narrativas invisibilizadas pela obra A escrava Isaura (1875).

Palavras-chave: Interdisciplinaridade; Literatura e história; Bernardo Guimarães; Ficção histórica.

Minibiografia: Doutor em Teoria e História Literária pela UNICAMP (2005). Realizou estágio pós-doutoral na USP (2014) e Aperfeiçoamento pelo Centre d’Approches Vivantes des Langues et des Médias (CAVILAM) de Vichy – França (2014). Professor Titular de Literatura Brasileira do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI) e membro do Grupo de Trabalho (GT) História da Literatura da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL).


Comunicação 22

Quando só resta “dar de beber a dor”. modernização das cidades e sofrimento ético-político dos “condenados da terra”

Autor: Humberto Luiz Lima de Oliveira – UEFS – humbert_oliveira@uefs.br

Resumo: Atônitos ante a lei que lhes parece inexorável e injusta, homens e mulheres deambulam, perambulam numa urbe que busca expelir de suas entranhas todo aquele que parece não mais se adequar ao seu novo ethos. De fato, sob o império da concentração de renda e da especulação imobiliária, antigos camponeses, migrantes, – excluídos do chamado banquete da prosperidade que o capitalismo tardio implementa na maioria das cidades ocidentais- procuram seu lugar numa cidade-selva, obrigando-se a se integrarem aos novos tempos (HELLER: 1989). O compositor Adoniran Barbosa nos mostra a reação desses seres errantes na cidade que, aparentemente resignados, assistirão a derrubada da “saudosa maloca” e em seu lugar virão erguerem-se edifícios nos quais jamais poderão habitar. “Atrapalhando o trânsito” alguns morrerão atropelados pelos automóveis, reais ocupantes de uma cidade sem cidadania como ouvimos em “Iracema”. Do outro lado do país, em Salvador da Bahia, negros e mestiços, descendentes de antigos africanos escravizados, na narrativa amadiana Tenda dos milagres (publicada em 1969), se confrontam ao modelo de desenvolvimento econômico que propugna a racionalidade e a supremacia da cultura branco-europeia, prevalecendo o racismo, numa tradição herdada da colonização. Desencadeando a violência policial, as elites brancas e ricas querem “limpar a cidade da Bahia” de toda e qualquer suposta “impureza”, como nos mostra Jorge Amado, em sua narrativa Tenda dos Milagres (1969). Neste trabalho temos a intenção de demonstrar como, do sofrimento ético-político (SAWAIA:1995) dos chamados “condenados da terra” (FANON: 1984), Adoniran Barbosa, poeta-compositor paulistano, e o escritor baiano Jorge Amado, de modo emblemático, tecerão sua arte, fazendo ecoar o canto dos excluídos que passará a ser integrado ao repertório da cultura nacional, “integrando” sem deixar de excluir, na chamada “cidade das letras”, camadas inteiras da população brasileira vivendo na “cidade real” (RAMA:1985). Quais estratégias são evidenciadas nesses produtos culturais produzidos por intelectuais autodidatas em diferentes momentos da história brasileira? Como corolário, tomamos a canção popular lusitana Vou dar de beber a dor, de Alberto Janes, que evidencia a capacidade humana de tentar superar com o humor e o canto a sofreguidão desenfreada dos processos de modernização, remodelando espaços sociais e mentalidades, reconfigurando a ocupação do espaço urbano e formatando comportamentos e mentalidades.

Palavras-chave: Progresso; Exclusão; Cidade; Condenados da terra; Narrativas.

Minibiografia: Doutorado em Literatura comparada pela Université d’Artois, França(2009). Professor Adjunto da Universidade Estadual de Feira de Santana, Brasil.


Comunicação 23

Eles eram muitos cavalos: a cidade como se (não) fosse uma ficção

Autora: Ilmara Valois Bacelar Figueiredo Coutinho – UNEB – ilmaravalois@hotmail.com

Resumo: A contemporaneidade intensifica a consciência de que os lugares de fala e escuta são determinantes para a construção-compreensão dos textos-discursos colocados a circular, porquanto podem ser tecidos como se fornecessem representações fiéis de algo passível de uniformização, mas também, e superando maniqueísmos, configurar retratos múltiplos desafiadores das representatividades mais homogeneizadoras. Os estudos teóricos e literários adotam a falibilidade de qualquer discurso, buscando constelar o mosaico das perspectivas identitárias, das ações multiposicionadas de atores sociais diversos, o que fica evidente na obra literária Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato. Nessa perspectiva, o presente texto busca problematizar a ficção da cidade e a cidade como ficção possível e visível na coleção de índices apresentados no livro, enquanto evento discursivo voltado a performatizar falas de uma cidade que solicita leituras forjadas no limiar de determinantes sociais, históricos, culturais e políticos. Trata-se de estudo bibliográfico, cujo diálogo teórico ancora-se em pesquisadores como Regina Dalcastagne, Maurice Blanchot, Hans Vaihinger, Karl Erik Schollhammer, Renato C Gomes, entre outros.

Palavras-chave: Literatura; Contemporaneidade; Ficção; Cidade.

Minibiografia: Professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus de Santo Antônio de Jesus. Tem formação em Letras, com especialização em literatura brasileira, mestrado em educação (FACED – UFBA) e doutoramento em letras, teoria da literatura (PUCRS-UNEB). Atualmente, dedica-se a pesquisa na área de literatura contemporânea brasileira, com recente projeto de pesquisa sobre o romance contemporâneo publicado na Bahia.


Comunicação 24

A presença do poeta cigano Laurindo Rabello no Romantismo brasileiro: uma questão de identidade

Autora: Inês Dourado Araújo – UEFS – dourado.ines@gmail.com

 

Resumo: O presente trabalho tem como objetivo levar a discussão para a academia sobre a presença do poeta cigano Laurindo Rabello no embate das relações entre Identidade Cultural e o Movimento do Romantismo da Literatura de Língua Portuguesa. No âmbito da área de investigação em que se refere essa proposta está inclusa o estudo da Literatura sob aspecto histórico, étnico e de teorias literárias que contemplam o estudo da memória, linguagem, principalmente o pós-colonial. Laurindo Rabello faz parte da segunda geração da escola Romântica presente em meados do século XIX no Brasil, possuindo identidade cigana, influenciando geopoliticamente com as canções e escritas poéticas de memória cigana, contribuindo assim para o fortalecimento e valorização de grupos étnicos presentes na literatura de língua Portuguesa. Será consultado para dialogar com esse trabalho os teóricos Edward Said, Alfredo Bosi, Adeílato Pinho, Zygmunt Bauman, Jacques Le Goff, Salles Moniz, Isabel Fonseca, Silviano Santiago, Wolfgang kayser entre outros. O pós-colonialismo e a formação de uma cultura nacional em Língua Portuguesa presentes na literatura traz uma forte conexão sobre a literatura do século XIX para o contemporâneo, não deixando assim de serem examinadas e revistas a presença de grupos étnicos presentes na literatura ontem e hoje.

Palavras-chave: Literatura; Identidade; Cultura; Romantismo; Ciganos.

 

Minibiografia: Estudante do Programa de Pós-Graduação do Mestrado em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Feira de Santana com o projeto “História e memória na lírica romântica do poeta cigano Laurindo Rabello”. Possui graduação em Licenciatura/Letras com Língua Inglesa pela mesma instituição de ensino (2012-2015).


Comunicação 25

O Caminho de Trombas: uma inserção da história na literatura produzida em Goiás

 

Autora: Ionice Barbosa de Campos – UFU – ionice.barbosa@gmail.com

 

Resumo: Alguns textos literários apresentam traços constituintes da história em seu enredo. Isso acontece, muitas vezes, em função de a literatura ser uma forma de espelhar o real, isto é, ela representa, em sua singularidade, o cotidiano, o histórico, o social, o econômico e o político. Nesse sentido, o que tencionamos aqui é propor uma discussão sobre a literatura produzida em Goiás, que não ocorre de modo diferente, visto que, em várias obras, pode-se perceber sua interação com os fatores sociais elencados. Exemplo disso é o romance O Caminho de Trombas (1966), de José Godoy Garcia, escritor goiano, que viveu em Brasília nos seus últimos anos de vida e participou, ativamente, da construção da Capital Federal, tendo assim muito que “relatar” sobre o que testemunhou nessa época. É nesse contexto que pretendemos mostrar, em sua narrativa, as experiências vividas pelo proletariado, que saiu da zona rural em busca de uma nova identidade social na cidade e acabou presenciando as revoluções ditatoriais das décadas de 1960-1970, fato que nos direciona a pensar em um estudo sobre o papel da história, no romance mencionado. O fator político, consequentemente, está arraigado aqui, tendo em vista que traz como tema central o embate existente entre povo e governo. Em sua completude, a obra tem como pano de fundo um fator que expõe um assunto universal, a partir de uma história regional. Na narrativa mencionada encontram-se episódios que exemplificam a contextualização do momento histórico vivido na época de sua publicação, em 1966, ou seja, é a migração da História para o relato na literatura. Como base teórica para este trabalho, escolhemos partir das discussões elaboradas por autores já consagrados que discutem a questão, como é o caso de Antonio Candido, Roger Chartier, Jaques Le Goff, Pierre Nora e Sandra Pesavento.

Palavras-chave: Literatura Brasileira; História; Ditadura militar; Processo migratório.

Minibiografia: Possui graduação em Letras pela Universidade Federal de Goiás (2007) e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia (2011). Foi professora substituta da Universidade Federal de Goiás. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teoria Literária, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura, poesia, social, ortografia e ensino médio. Doutoranda pela Universidade Federal de Uberlândia no Programa de Pós-Graduação em Teoria Literária.


Comunicação 26

Alemães na formação do Rio Grande do Sul: da história para a literatura em O tempo e o vento, de Erico Verissimo

Autora: Ivânia Campigotto Aquino – UPF – ivania@upf.br

Resumo: Este trabalho resulta de uma pesquisa sobre romances gaúchos de imigração. Como recorte, refere-se à representação de imigrantes alemães na obra O tempo e o vento, de Erico Verissimo. O estudo realizado é de caráter empírico, consistindo num levantamento das informações correspondentes ao tema, como língua, costumes, constituição familiar e mundo do trabalho. Por meio do processo investigativo, são explicitadas as visões sobre a imigração e colonização alemã, formulando-se leituras interpretativas sobre processos de assimilação e preservação da identidade étnica e cultural, bem como sobre a participação dos imigrantes na construção do Estado. Nesse sentido, relacionando Literatura e História, compreende-se que a questão mais importante na abordagem de Verissimo diz respeito às implicações da colonização homogênea e da colonização mista na formação do Rio Grande do Sul.

Palavras-chave: Romance; Imigração e colonização; Etnia alemã; Identidade.

Minibiografia: Graduada em Letras e Especialista em Filosofia pela Universidade de Passo Fundo (UPF), Mestre em Letras – Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Doutora e Pós-Doutora em Letras – Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atua e desenvolve suas pesquisas na área de Estudos Literários. É Professora do curso de Graduação em Letras e do Programa de Pós-Graduação em Letras da UPF. Seu projeto de pesquisa em andamento é voltado ao romance brasileiro: O Romance brasileiro e a formação da sociedade. Dos livros publicados, destaca A representação da etnia alemã no romance sul-rio-grandense, Romance em mapas, Construções narrativas: Literatura e História e Abordagens de romances brasileiros: aspectos estruturais – literatura e Ensino.


Comunicação 27

Cartografias sertanejas: o sertão baiano no romance O pêndulo de Euclides, de Aleilton Fonseca

 

Autores:

Joabson Lima Figueiredo – UNEB/UFBA – jfigueiredo@uneb.br

Alvanita Almeida dos Santos – UFBA – alvanitaalmeida@ufba.br

Resumo: Este estudo possui em seu esteio a literatura comparada. O ponto de convergência a ser analisado é o processo de representação cultural do sertão no romance O pêndulo de Euclides (2009), de Aleilton Fonseca. Além disso, evidenciar-se-á também o desenvolvimento e a transformação dos discursos acerca do sertão como categoria problemática, no geral, como identidade viável ou vir-a-ser, em particular. O sertão – o espaço do outro – local que povoa o imaginário nacional e sempre revisitado por autores, tanto na literatura como em outras linguagens artísticas. O sertão representado na obra supracitada – em uma das leituras possíveis – desliza sobre os arquétipos da cultura sertaneja e provocam uma possível transformação. Esta transformação nos discursos seria baseada numa modificação no plano sócio histórico, daí que a abordagem estabeleça, partindo de dispositivos culturais, uma cartografia sertaneja baiana. O propósito central é demarcar e problematizar as representações de sertão, enquanto cartografia e paisagem social, no discurso de Aleilton Fonseca. A partir do diálogo que o autor estabelece com os textos operatórios do sertão pré-construído, atentando para as ênfases e omissões, reiterações e deslocamentos que ali são postos, como também para as formas como o autor recorta, localiza, define, enquadra e exclui/inclui o sertão na história. Essas artimanhas, ou técnicas narrativas, se aproximariam numa espécie de codificação que permite ao narrador expor sobre as cartografias sertanejas em índices basilares: a narrativa focada na memória, possuindo como ponto de observação a experiência interior; a experimentação linguística, em graus variados, de acordo com o objetivo de cada narrador e tipo de texto; a ideia latente de testemunho ou de relato, no sentido de que os narradores se propõem a fixar, através do texto, uma subjetividade que retoma ao narrador clássico benjaminiano.

Palavras-chave: Sertão; Aleilton Fonseca; Memória; Identidade; Canudos.

Minibiografias:

Joabson Lima Figueiredo: Licenciado em Letras pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2005) e Especialista em Estudos Literários (2007) pela mesma instituição. Além disso, é Mestre pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2009). Atualmente é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura (UFBA). Atualmente é professor-assistente da Universidade Estadual da Bahia (UNEB)/Campus XVI, em Irecê, e desenvolve atividades de pesquisa e extensão em autores da literatura baiana e representações da Bahia na literatura.

Alvanita Almeida Santos: Possui graduação em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (1990), mestrado em Letras e Linguística pela UFBA (1999) e doutorado em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (2006), desenvolveu atividades na Universidade de Poitiers (França) ,membro do Centre de Recherche Latino-Americaine (Archivos), na MSH. Atualmente é professora da Universidade Federal da Bahia. Desenvolve projeto de pesquisa sobre Literatura Popular e sobre o ensino de língua e literatura, na educação do campo.


Comunicação 28

Nhô Guimarães: memória de uma octogenária cabocla

Autora: Joceane Lopes Araújo – UEFS – joceanelopesaraujo@yahoo.com.br

Resumo: Nhô Guimarães de Aleilton Fonseca, publicado em 2006, é uma homenagem a Guimarães Rosa. Este romance é uma junção de causos, lendas e mitos que permeiam o universo/memória de um lugar, sem marcas, delimitadamente, geográficas, chamado sertão. Esta história começa com um questionamento – Nhô Guimarães por aqui? – feito pela narradora octogenária; ela, posicionada à porta da casa, às margens de uma vereda do grande sertão, fará uma viagem pelas estradas da sua existência, trará à tona um emaranhado de vivências. Tendo em vista, que o romance citado é um estudo literário das riquezas do Sertão, o artigo busca empreender uma análise da memória deste lugar a partir da narradora octogenária, do uso milenar das plantas curativas e também reconhecer a obra Nhô Guimarães como um processo de formação, reconhecimento, valorização e fortificação da memória sertaneja. Esta análise é importante porque servirá para identificar as personagens Manu e Nhô Guimarães como detentoras de memórias e a narradora octogenária como disseminadora dessas vivências. Na narrativa, constata-se que as plantas curativas são personagens reinantes. Evidenciando Manu como senhor das mesmas, as pessoas circundantes, a narradora e até mesmo Nhô Guimarães, como usufruidores das suas serventias. Para ratificar a importância deste estudo, serão utilizadas como base teórica: Literatura fantástica de Tzvetan Todorov; Memória & Sociedade: lembrança de velhos de Ecléa Bosi; História e Memória de Jacques Le Goff. Ao fim, rasparemos o fundo do pote e beberemos um gole deste lugar conservado de memórias e identidades, pois este Sertão “está em toda parte”, reina no viés da alma, pulsa dentro da gente e precisa pulsar, morar em todo o mundo.

Palavras-chave: Nhô Guimarães; Aleilton Fonseca; Sertão; Guimarães Rosa.

Minibiografia: Poeta, contista e pesquisadora. Possui graduação em Letras Vernáculas pela Universidade do Estado da Bahia (2004). Atualmente é professora da Escola Municipal Luís Eduardo Magalhães e também do Colégio Estadual Pedro Falconeri Rios. Pós-Graduada em Literatura Baiana (UNEB), Mestranda em Estudos Literários (UEFS).


Comunicação 29

A crônica de Drummond como lugar de história, cotidiano e memória

 

Autora: Leíza Maria Rosa – UFG – leiza.rosa@hotmail.com

Resumo: Este trabalho tem como objetivo estudar a crônica enquanto espécie narrativa que utiliza fatos do dia a dia como matéria-prima para sua composição, lidando com o tempo, os costumes, os acontecimentos de uma época em determinado contexto, portanto história e memória; um texto que relata fatos de forma crítica, interpretativa e reflexiva, abrindo-se para impressões do cronista, transitando entre fatos e ficção, recriando o acontecido em linguagem literária, e apesar de subjetiva, tornando importante espaço para a memória de uma época. Para isso utiliza-se como corpus algumas crônicas de Carlos Drummond de Andrade, publicadas inicialmente no Jornal do Brasil e posteriormente no livro De notícias e não notícias faz-se a crônica, cuja primeira edição é de 1974. Dialogando com autores da crítica literária como Massaud Moisés, Antonio Candido e outros que têm a história e a memória como temas, como Le Goff e Nora, pretende-se aventurar no universo cronístico drummondiano da década de 70, narrador de histórias, que fala do passado com um olhar do presente, lembrando; mas também fala do presente que se tornará passado enquanto lembrança para os leitores futuros, de uma forma que seus relatos tornam-se memória, enquanto habitantes do livro, que retém leituras de um tempo e lugar. Rememoramos o fato tecido pelo olhar do cronista, o atualizamos para o nosso momento vivido e buscamos na memória coletiva a nossa memória afetiva e individual. Assim, a crônica é fonte para o historiador e para outras áreas de produção do conhecimento social. Nas crônicas de Drummond é possível perceber, por exemplo, aspectos de uma sociedade que vivia sob as regras do regime militar, com normas de conduta que conviviam com a discrepância entre classes, problemas sociais, transformações de um Rio de Janeiro, que deixava de ser a capital da República para se tornar cidade turística.

Palavras-chave: Drummond; Crônica; Cotidiano; História, Memória.

 

Minibiografia: Jornalista pelo Centro Universitário do Triângulo – Uberlândia-MG; licenciada em Letras-Português pela Universidade Federal de Goiás, Regional Catalão; Mestra em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal de Goiás, Regional Catalão; professora de língua portuguesa.


Comunicação 30

Brasil e América Latina, entre o local e o global

Autora: Livia Maria de Freitas Reis – UFF – liviar33@gmail.com

Resumo: Nesta proposta, pretendo trabalhar com alguns textos que foram produzidos em momentos relevantes do processo de busca da identidade cultural na América Latina, desde as Vanguardas do início do século XX, passando pelo boom literário dos anos 60, chegando à pós-modernidade, deste início do século XXI. Que mudanças epistemológicas determinaram que nosso campo de estudos literários se abrisse a uma multiplicidade de questões que se impõem quando deseja pensar a América Latina e sua identidade? O que significa falar em América Latina? De origem francesa o termo, de uso abrangente, sempre foi problematizado a partir de critérios linguísticos, geopolíticos e políticos. O que determina este espaço cultural amplo de diverso. E o Brasil, somos parte do subcontinente? Foram muitas mudanças nos paradigmas de análise, por isso, decidimos trazer à luz alguns balizamentos que nortearam nosso debate, sem a preocupação em sermos redutores ou essencialistas, nem de oferecer respostas acabadas às muitas perguntas que envolvem o tema. Neste sentido, este texto procurou traçar algumas linhas que fazem parte do percurso da América Latina e do Brasil, dentro do mundo globalizado, sem abrir mão de suas marcas indentitárias locais. Desde a explosão das vanguardas do início do século, a América Latina vive uma permanente tensão dialética, provocada pela complexa relação entre o local e o global. Ao longo do século, diferentes poéticas trataram de superar a aparente contradição embutida no desejo em ser moderno e universal e, ao mesmo tempo, em reafirmar o local e regional que, de uma maneira ou outra, traduz uma forma de reclamar e afirmar uma identidade que, embora ocidental, fruto do colonialismo europeu, é periférica, resultado de séculos de mestiçagem, o que a faz diferente, específica. No chamado mundo globalizado, esses reclames identitários, periféricos continuam a marcar a alteridade do continente.

Palavras-chave: Brasil; América Latina; Identidade; Local; Global.

Minibiografia: Possui graduação em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1976), mestrado em Letras Neolatinas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1984) e doutorado em Letras (Língua Espanhola e Lit. Espanhola e Hispano-Americana.) pela Universidade de São Paulo (1997). Atualmente é professora Titular da Universidade Federal Fluminense, bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Foi membro de comissão de avaliação CAPES e consultora do ENADE – Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Hispano Americana e Literatura Comparada e tem trabalhado com seguintes temas: ensaio latino americano, literatura de testemunho, relações literárias e culturais na América Latina. Foi Diretora do Instituto de Letras da UFF entre 2003 e 2010. Desde 2010 é coordenadora do Curso de Letras a distância (CEDERJ, UAB). A partir de 2010 é Superintendente de Relações Internacionais na Universidade. No novo cargo passou a desenvolver uma nova vertente em sua vida acadêmica, escrevendo textos, participando de congressos e reuniões na área da cooperação internacional e dos processos de Internacionalização da Universidade Brasileira. É responsável pela área de convênios e mobilidade de estudantes e docentes da UFF. Também é coordenadora do curso de língua estrangeiras para alunos da universidade, PULE, e do Programa Ciências sem Fronteiras.


Comunicação 31

A memória da cidade contida nos relatos de Carolina Maria de Jesus e Zeli de Oliveira Barbosa

Autora: Luciana Paiva Coronel – FURG – lu.paiva.coronel@gmail.com

Resumo: Propõe-se um estudo comparado entre as narrativas Quarto de despejo (1960),de Carolina Maria de Jesus, e Ilhota: testemunho de uma vida (1993), de Zeli de Oliveira Barbosa, buscando identificar traços comuns e pontos de afastamento entre as narrativas, ambas escritas nos anos 1950/60 a partir de um olhar feminino que recolhe cenas da vida social na zona precarizada do bairro popular, a favela do Canindé, em São Paulo, no caso de Carolina e a zona da Ilhota, em Porto Alegre, no caso de Zeli. O trabalho justifica-se primeiramente por trazer à luz do debate acadêmico a escrita de Zeli, autora cujo desconhecimento do público atribui-se, basicamente ao seu pertencimento ao subsistema sulino, enquanto Carolina, residente no centro do sistema literário nacional, pode ser promovida quando criou-se no país interesse pelas vozes que emergiam das periferias, fornecendo importante imagem das grandes cidades brasileiras a partir do lado pauperizado das mesmas, obscurecido no período da euforia desenvolvimentista dos anos JK. Justifica-se ainda o presente estudo por propiciar o aprofundamento da discussão acerca da escrita dos segmentos subalternizados em virtude de aspectos sociais, de gênero e etnia. Partindo da análise dos dois textos a partir do referencial do testemunho (Aganben, Seligmann-Silva) e da autobiografia (Lejeune, Arfuch), pretende-se apontar nos dois a dimensão individual do relato e também a sua ressonância em termos de representatividade de um coletivo maior, o bairro em que as autoras viviam. São também enfocadas as condições de apresentação das obras, com ênfase nas correções gramaticais e nos recortes realizados nos relatos originais a fim de viabilizar a publicação. Uma maior força literária é identificada na forma enunciativa de Carolina, portadora de maiores desvios em relação ao padrão culto da língua, enquanto na de Zeli são evidenciados registros mais prosaicos do cotidiano da pobreza em uma forma mais convencional, revisada.

Palavras-chave: Quarto de despejo; Ilhota; Escrita de si; Testemunho; Memória.

Minibiografia: Doutora em Letras pela USP (2004). Realizou estágio pós-doutoral na Universidade de Gênova (2014/15). Professora adjunta de Literatura Brasileira da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Desenvolve projeto de pesquisa acerca das vozes marginais no âmbito da literatura brasileira contemporânea.


Comunicação 32

Ariano Suassuna e A farsa da boa preguiça: a força do riso no teatro popular

Autora: Luciana Morteo Éboli – UFRGS – lmeboli@gmail.com

Resumo: O trabalho propõe discutir a obra dramática de Ariano Suassuna sob o ponto de vista cultural e político, a partir de um teatro que retrata elementos da identidade brasileira. Com base no texto A farsa da boa preguiça (1960), estuda de forma comparativa as demais referências nas obras teatrais do autor e, para tanto, estabelece o diálogo com estudiosos do drama brasileiro como Décio de Almeida Prado, Sábato Magaldi e João Roberto Faria, e faz o entrecruzamento com a análise do cômico grotesco e do riso político proposto por Mikhail Bakhtin, principalmente na análise da cultura popular da Idade Média e suas características recorrentes nas raízes populares. Nesse contexto, as danças, as pantomimas, assim como algumas manifestações características do nordeste brasileiro nas figuras do bumba-meu-boi e do teatro de mamulengos, evidenciam as peculiaridades sertanejas nas presenças regionalistas do cangaceiro, dos humildes, do repentista popular. A partir disso, Ariano Suassuna fala de condições de trabalho, de reivindicações operárias, de fome, porém equilibra a gravidade do assunto com aspectos cômicos. Ao tomar emprestado da literatura popular os temas e modelos poéticos, o dramaturgo cria nova estética com base no improviso e no romanceiro popular nordestino. A proposta deste trabalho insere o texto A farsa da boa preguiça no contexto social e político contemporâneo através da paródia e do comparativo com a situação do Brasil de hoje, o que evidencia a sua atualidade e a possibilidade de um posicionamento crítico frente à realidade a partir de sua leitura. A análise aborda os aspectos estéticos e políticos que permeiam o drama, com base no teatro que agrega elementos da farsa e da comédia, e salienta, assim, o pensamento de resistência cultural exposto nas obras dramáticas do autor.

Palavras-chave: Literatura Brasileira; Teatro; Cômico; Cultura popular.

Minibiografia: Professora adjunta na área de Teoria do Teatro no Departamento de Arte Dramática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem graduação em Artes Cênicas pela UFRGS e Mestrado e Doutorado em Teoria da Literatura pela PUCRS, com estágio de doutoramento no Departamento de Língua e Cultura Portuguesa da Universidade de Lisboa. Atualmente coordena a pesquisa Percursos do drama brasileiro: narrativas, mitos e performances teatrais, de folguedos e reisados, na formação da dramaturgia.


Comunicação 33

“No Rio-de-Janeiro, o Outro”

 

Autor: Luiz Dagobert de Aguirra Roncari – USP – ldaroma@usp.br

 

Resumo: Neste trabalho, procurarei apreciar uma passagem do romance de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, que foi decisiva para a vida e formação do herói, como momento de tomada de consciência do outro e de si. Foi o episódio de seu primeiro encontro com Diadorim, no Rio-de-Janeiro e a travessia do Rio São Francisco. Já tratei dele em meu livro anterior, O Brasil de Rosa: o amor e o poder (São Paulo: Editora UNESP, 2004), porém não me dava ainda conta de alguns aspectos, que, para mim, hoje, são decisivos. Ele já foi também muito comentado pela crítica, mas, como para mim, determinados pontos relevantes não foram devidamente tratados. O herói interrompe a narração que fazia ao seu interlocutor sobre as suas lutas sob o comando de Medeiro Vaz, para lhe contar um caso, “Foi um fato que se deu um dia”, passado na sua adolescência. Ele deu-se quando ainda não se conheciam; ele se encontra com Diadorim ali e conversam, não se chamam pelos nomes, só se olham. Esse é o fato também mais antigo que sabemos da vida do herói. Do resto de sua infância, antes desse encontro e da morte de sua mãe, não temos mais nenhuma informação. Estes dois fatos o marcaram muito e, em ocasiões diferentes, diz que partiram a sua vida em duas, a de antes e a de depois: “Ela morreu, como a minha vida mudou para uma segunda parte”. O que procurarei ressaltar é como foi aí que Riobaldo descobriu o seu outro, uma alteridade que o atraiu profundamente, “eu olhava esse menino, com um prazer de companhia, como nunca por ninguém eu não tinha sentido”. Mas o que se lhe revelava era como Diadorim em tudo se diferenciava dele, enquanto portadores de qualidades opostas, excludentes e não complementares, de modo que a atração pelo outro implicava na negação de si ou na morte de si como tal. É dessa dialética da relação com o outro que pretendo tratar.

Palavras-chave: Guimarães Rosa; Grande Sertão: Veredas; Romance brasileiro moderno; Problemas da formação e do outro; O sujeito na prosa moderna.

Minibiografia: Professor sênior da Área de Literatura Brasileira da FFLLCH/USP; é bolsista pesquisador do CNPq; fez pós-doutorado na Università degli studi di Roma, “La Sapienza”, nos anos de 2008 e 2009. Atualmente está em fase de conclusão de um livro sobre o romance de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, cujo trabalho a ser apresentado faz parte de sua “Introdução Revisiva”.


Comunicação 34

Literatura e leitura: espaços de mediação

Autoras:

Adriana de Oliveira Gibbon – FURG – adrianagibbon@furg.br

Mairim Linck Piva – FURG – mairimpiva@furg.br

Resumo: O ato de ler envolve processos culturais. Ainda que necessite de uma instrução estruturada, a leitura é uma experiência prática e contínua que nos permite obter um conhecimento de nós e do mundo através do olhar do outro (GEE, 2004). Essa dimensão cultural envolve também a possibilidade de interferir nesse mundo, reinterpretando os processos sociocognitivos da escrita e da leitura. Na medida em que educadores e a comunidade se dedicam à compreensão do que significa ler, alimenta-se a concepção da leitura como ação “que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que antecipa e se alonga na inteligência do mundo” (FREIRE, 2001). E ainda, permite tanto o diálogo com as múltiplas áreas quanto com a prática da escrita, outro ato que fortifica a presença do indivíduo no mundo, atuando de forma crítica e consciente. Essa é a proposta que o projeto cultural Socializando a leitura vem encaminhando com suas diversas práticas na comunidade acadêmica e em geral, que organiza-se em função de três diferentes ações: (a) propiciar cursos de formação para professores da rede pública e mediadores de leitura, qualificando e multiplicando o conhecimento sobre formas de incentivo ao ato de ler e escrever; (b) promover atividades de incentivo à leitura e produção textual diretamente para alunos de escolas públicas e comunidade em geral e (c) oportunizar espaços para os discentes de graduação e pós-graduação que, envolvidos nas atividades, aplicam os conhecimentos adquiridos, proporcionando uma maior experiência de docência em literatura, leitura e escrita. Ao longo dos anos, a proposta amadureceu e expandiu e, em 2016, contamos com uma série de projetos no âmbito da formação de professores e ampliação do saber cultural e literário, incluindo projetos de extensão, ensino e pesquisa.

Palavras-chave: Leitura; Cultura, Literatura; Extensão.

Minibiografias:

Adriana de Oliveira Gibbon é professora adjunta da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), doutora em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (2014). Atua como professora na área de Produção Textual e tem experiência com leitura e escrita de textos. Coordena o Programa de Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Linguística e Ensino de Língua Portuguesa. Participa e coordena o projeto ‘Socializando a leitura’.

Mairim Linck Piva é professora adjunta da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), doutora em Letras – Teoria da Literatura pela PUCRS (2003). Atua nas áreas de Literatura brasileira e sul-rio-grandense, Teoria literária e Literatura Infantil e Juvenil. Atua no Programa de Pós-Graduação em Letras da FURG, coordena projetos de pesquisa na área da Literatura e Imaginário e projetos de extensão voltados para a leitura e literatura, reunidos no projeto ‘Socializando a leitura’.


Comunicação 35

A produção poética na Academia Brasílica dos Renascidos

Autora: Marcela Verônica da Silva – UFPR – maveronica83@yahoo.com.br

Resumo: A Academia Brasílica dos Renascidos, foi fundada em 1759, na Bahia, sob a coordenação do Desembargador português José Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho de Melo. Possuía estatuto próprio e era formada por um corpo de aproximadamente 140 sócios acadêmicos, entre clérigos de diversas ordens, senhores de engenho, mercadores, magistrados, militares e servidores públicos. Inspirados pela Academia Real de História Portuguesa, tinha como objetivo a escrita de uma História Universal da América Portuguesa. Apesar da curta duração (cerca de um ano), a instituição deixou variada gama de documentos de teor administrativo (memórias, estatutos, catálogo de distribuição dos empregos e cartas), produção histórico-literária e ainda textos epistolares, apresentados nas conferências. Com base nesses pressupostos, a presente comunicação tem por objetivo apresentar a produção poética da Academia Brasílica dos Renascidos, tomando como paradigma a obra de Pierre Bourdieu para tratar da cultura, particularmente escrita e literária, do século XVIII, ou seja, pretende-se abordar a questão do espaço de criação literária antes da constituição da autonomia do campo. Para tanto, as retóricas e poéticas antigas serão tomadas como paradigmas, uma vez que é a partir delas que são revelados os lugares comuns e o decoro, aspectos intrínsecos ao locus acadêmico.

Palavras-chave: Cultura escrita; Poética; Retórica; Academia Brasílica dos Renascidos

Minibiografia: Graduada em Letras pela Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (2005), mestre em Letras – “Literatura e Vida Social” pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (2009) e doutora em Letras pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (2013) com período sanduíche na Universidade de Lisboa (novembro de 2011 a março de 2012). Atualmente desenvolve estágio pós-doutoral em Estudos Literários na Universidade Federal do Paraná.


Comunicação 36

Memórias do Cárcere de Graciliano Ramos: a história brasileira dos anos 30 não contada pelo discurso oficial

Autora: Margarete Solange Moraes – UERN – margaretesolange@uern.br

 

Resumo: Em Memórias do Cárcere, a literatura se reveste da história para revelar outras “verdades” não contadas pelo discurso oficial. O escritor Graciliano Ramos, expoente da literatura brasileira, foi considerado subversivo e levado ao cárcere em 1936 pela polícia política durante o governo de Getúlio Vargas. A sua peregrinação pelos presídios do Rio de Janeiro, a qual começa com a pavorosa viagem no navio Manaus, resultou naquela que seria a sua última obra, considerada pelo historiador Werneck Sodré como sendo a dádiva final deixada pela mão trêmula do artista que se despedia da vida e do ofício de escritor. Isto posto, este estudo traz como proposta evidenciar, na obra de Graciliano Ramos, os registros da memória dos presos políticos que revelam o outro lado da história brasileira dos anos 30, descrita pela ótica dos que foram vencidos. Para o desenvolvimento desta pesquisa bibliográfica de base qualitativa, busca-se respaldo nos estudos de Benjamin (1994), Gagnebin (1993), Moraes (2012) e outros. Para registrar a história dos encarcerados do modo como Graciliano registrou, foi preciso que se tornasse um deles. E assim, dez anos após a opressão sofrida no cárcere, a história ressurgiu acompanhada de novos detalhes. Contrapondo-se à hegemonia dos relatos oficiais, em Memórias do Cárcere, o narrador descortina a história do Brasil na era varguista, desta feita observada pela perspectiva daqueles que foram dominados. Desse modo, denuncia o lado sombrio do Estado Novo, bem como os horrores vividos pelos que foram subjugados e vencidos pelo poder. Nesse sentido, o escritor manifesta compromisso político e ético com o grupo representado em suas memórias, ao mesmo tempo em que recupera uma história que se abre para novos sentidos, produzindo aquilo que Walter Benjamin denomina de uma história narrada a “contrapelo”.

Palavras-chave: Ditadura; Graciliano Ramos; História; Literatura.

Minibiografia: Graduada em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa, Língua Inglesa e respectivas Literaturas, possui especialização em Linguística Aplicada (2001), Ensino de Língua Inglesa (2005) e Mestrado em Discurso, Memória e Identidade (2015). Professora Universitária, pesquisa e orienta trabalhos nas áreas de Leitura, Literatura, Ensino de Línguas e Tradução.


Comunicação 37

O campo lexical dos instrumentos de trabalho e as relações de trabalho em Seara vermelha, de Jorge Amado

Autora: Maria da Conceição Reis Teixeira – UNEB – conceicaoreis@terra.com.br

Resumo: A representação da cultura sertaneja empreendida por Amado, em Seara vermelha, se constitui em uma das principais fontes de identidade cultural do povo sertanejo, que partilha as mesmas atitudes, características de um grupo social, fazendo-os se sentirem mais próximos e semelhantes. Tal representação só é possível através do uso da linguagem. A língua facultou ao homem Jorge Amado estabelecer a relação indivíduo-sociedade-identidade e cultura. O léxico é o nível da língua que melhor representa o saber de um grupo sócio-linguístico-cultural, pois representa a via de acesso para ver e representar o mundo, deixando, portanto, transparecer os valores, as crenças, os hábitos e os costumes de um grupo social do qual o indivíduo faz parte. No presente trabalho, almejamos apresentar uma leitura da referida obra mediada pelas lentes da lexicológica, especialmente à luz da teoria dos campos lexicais proposta por Coseriu ([1977] 1986). A análise das lexias organizadas em macro e microcampos lexicais, conforme postula Coseriu, permite fazer a interseção entre o estudo do vocabulário da obra em questão com o conjunto de valores através dos quais se manifestam as relações entre indivíduos de um mesmo grupo que partilham patrimônios comuns como, por exemplo, a cultura, a língua, a religião, os costumes.

Palavras-chave: Lexicologia; Campos lexicais; Cultura; Autores baianos.

Minibiografia: Doutora em Letras pela Universidade Federal da Bahia. Professora plena da Universidade do Estado da Bahia atuando no ensino de graduação e pós-graduação (Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens). Coordenadora do projeto de pesquisa “Edição e estudo de textos abolicionistas publicados em periódicos baianos”. Líder do Grupo de Pesquisa: Grupo de Edição e Estudos de Textos – GEET/UNEB (Diretório dos Grupos de Pesquisa – CNPq).


Comunicação 38

História da recepção crítica do romance A maçã no escuro, de Clarice Lispector

Autora: Maria de Fatima do Nascimento – UFPA – fatimanascimentoletrasead@hotmail.com

Resumo: Na era da mundialização cultural, conforme Paul Ricouer, a arte da palavra e a ciência histórica, tomam “emprestados” recursos uma da outra para seus discursos e diálogos com os receptores. Particularmente a História da Literatura revela-se importante no Brasil, conforme reflexões de Wilson Martins, para quem tal História é feita de exclusões e se define pelo que recusa/ignora e pelo que aceita/consagra. Assim sendo, operacionalizada por meio de pesquisa em periódicos e método analítico bibliográfico, a presente proposta de comunicação centra-se no romance “A maçã no escuro” (1961), de Clarice Lispector, e objetiva mapear a história da fortuna ou recepção crítica desta obra dividida em três partes: “Como se faz um homem”, com onze capítulos; “Nascimento do herói”, com nove capítulos, e “A maçã no escuro”, com sete capítulos, obra esta pouco merecedora da atenção da diversidade de estudiosos, os quais até então continuam publicando em jornais, como Benedito Nunes, que escreve sobre Clarice a partir de 1965, concentrando-se atualmente tais estudiosos nas Universidades. Cumpre assinalar que a primeira parte do mencionado romance narra a fuga do protagonista Martim. Este, julgando ter assassinado a esposa, foge de um hotel e chega à fazenda administrada por Vitória, que vive na companhia da prima Ermelinda. Na propriedade, Martim inicia trabalho e relacionamento amoroso com tais personagens. Denunciado por Vitória, ali termina sendo preso por tentativa de homicídio. Na fazenda, indícios como a terra seca e a preocupação de Vitória com a estiagem sugerem que o local integra o Nordeste brasileiro, demonstrando que Lispector, antes do livro “A hora da estrela” (1977), já se utiliza da função político-social da literatura situando o enredo de um romance numa sofrida região, enfocada desde o período pós-colonial oitocentista. Contudo, talvez pelos capítulos de A maçã no escuro serem muito fragmentados, o leitor não percebe semelhante discussão.

Palavras-chave: Clarice Lispector; Romance; História da literatura; Recepção crítica.

Minibiografia: Maria de Fatima do Nascimento é doutora em Teoria e História Literária (2012) pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas; coordena o Projeto de Pesquisa: “Benedito Nunes em 1973 e 1989: dois momentos de leitura da obra de Clarice Lispector”, período 2015-2017; atuando na Faculdade de Letras (FALE/UFPA/Brasil), no Programa de Pós-Graduação em Letras e coordena o Programa de Pós-Graduação Mestrado Profissional em Letras em Rede Nacional (PROFLETRAS/UFPA), é membro da ANPOLL.


Comunicação 39

A formação da identidade brasileira e o pensamento europeu no século XIX

Autora: Maria Elizabeth Chaves de Mello – UFF – bethcmello@gmail.com

Resumo: Para compreendermos o sistema literário no Brasil é importante estudarmos como tudo se originou. E, para isto, nada mais óbvio do que começarmos pelo século XIX, quando tem início, propriamente, em nosso país, a consciência da luta pela formação de uma realidade nacional. A literatura está empenhada nesse projeto de construção nacional, trabalhando de várias maneiras para descobrir o que é “ser brasileiro” e, assim, poder detectar essa ‘brasilidade’ nas obras estudadas, bem como conscientizar o público da sua existência. Nesse processo, as ideias da época participam intensamente, influindo diretamente na crítica literária. Tentar estudar essas interações é tentar também estudar a formação do pensamento teórico no Brasil. Misturando-se, essas ideias adquirem do lado de cá do Atlântico um estilo próprio, diferente em cada escritor que as adota. Empenhados inicialmente na construção do país, acabam caindo num impasse, já que a literatura não consegue atingir um público significativo, até os dias de hoje; assim, refletindo sobre o sistema vigente, os teóricos e ensaístas se ressentem da impossibilidade em que se encontram de atuar na sociedade. Essa ‘alienação’ a que o sistema os submete desencadeia uma outra prática, composta de exercícios de retórica a que passa a se dedicar a intelectualidade, frustrada por não poder participar ativamente da história do país. Tudo passa a ser motivo de querela, de disputa, consistindo muitas vezes em simples jogos de palavras no vazio, em que o que conta é o discurso e não as ideias que ele passa.

Palavras-chave: Identidade nacional; Crítica literária; História; Literatura.

Minibiografia: Realizou pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris, em 2008, defendeu mestrado (1986) e doutorado(1993) em Letras na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Foi professora de língua e literatura francesa na PUC-RIO (1988 a 1992) e de literatura brasileira na Université du Québec à Montréal, em 2002. Atualmente é professora titular, no Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense e pesquisadora PQ1D, do CNPQ. É cientista do nosso estado da FAPERJ desde janeiro de 2012. Atua na área de Letras, com ênfase em Teoria da Literatura, Literatura Comparada e Literaturas Estrangeiras Modernas, principalmente nos seguintes temas: crítica literária, literatura e história, cruzamento de olhares França/Brasil, olhares sobre o Brasil, o Brasil no olhar de Machado de Assis, o Brasil no olhar de viajantes.


Comunicação 40

Os processos criativos da adaptação/transcriação

Autora: Marlúcia Mendes da Rocha – UESC – malu.mm@gmail.com

Resumo: Este trabalho é fruto da compilação da experiência produtiva de um vídeo documentário sobre a obra e vida de Adonias Filho (1915-1990), jornalista, crítico, escritor nascido no município de Itajuípe, sul da Bahia que divide com Jorge Amado a vivência do imaginário ficcional da região cacaueira. Para tal, realizou-se um levantamento bibliográfico acerca da linguagem cinematográfica, da linguagem literária e suas correlações. Diante dessa pesquisa foi possível estabelecer um roteiro não-literal, inspirado em algumas obras e na vida do autor em questão, pautado na ideia de que literatura e audiovisual são suportes diferenciados e, portanto, construídos com signos específicos. Posto isso, o processo de transcriação originou um produto que agrega a essência do texto original às necessidades imagéticas da narrativa audiovisual. A relevância desse estudo se justifica pelo fato de boa parte das produções audiovisuais estarem ligadas ao processo de adaptação, em especial da literatura, embora não haja grande produção de referencial bibliográfico acerca do assunto, o que torna a proposta fonte de pesquisa para interessados na temática. Para tal, utilizou-se como referencial teórico: conceitos de Semiótica a Cultura (Lótman) e de oralidade e memória (Pierre Nora e Paul Zumthor).

Palavras-chave: Curta-metragem; Literatura; Transcriação; adaptação; Adonias Filho.

Minibiografia: Professora adjunta do Mestrado de Letras (Linguagens e Representações) da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC; Coordenadora da TV UESC; Drª em Comunicação e Semiótica – PUCSP; Mestre em Artes Cênicas – USP; Graduação em Letras – PUCRJ.


Comunicação 41

Memória e mundo agônico em Antônio Chimango

Autor: Mauro Nicola Póvoas – FURG – mnpovoas@gmail.com

Resumo: Análise e discussão do poema narrativo Antônio Chimango (1915), de Amaro Juvenal, pseudônimo de Ramiro Barcelos, a partir dos tópicos da memória e da política. A obra articula-se em torno da sátira ao então governador (na época, presidente) do estado do Rio Grande do Sul, Antônio Augusto Borges de Medeiros, que se perpetuou no poder de 1898 a 1928 (com um interregno entre 1908-1912), por meio de eleições que, segundo seus opositores, eram marcadas pela fraude. Ramiro Barcelos, médico e político reconhecido, pertencente, como Medeiros, ao Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), sentindo-se prejudicado em uma eleição ao Senado, em 1915, escreveu os versos do poema herói-cômico, em que um tropeiro, Tio Lautério, conta, aos vaqueanos que o acompanham em uma viagem, a vida de Antônio Chimango, o antigaúcho por excelência, espécie de alter ego de Borges de Medeiros. No contraponto entre Lautério e Chimango, observam-se dois mundos, um que começa a declinar, vinculado à tradição campesina, com seus valores como honra e coragem, e outro que prenuncia o predomínio, no território gaúcho, de um registro vinculado à cidade, que traz consigo a esperteza, a politicagem e a velhacaria como características marcantes.

Palavras-chave: Antônio Chimango; Literatura sul-rio-grandense; Borges de Medeiros; Política.

Minibiografia: Doutor em Letras pela PUCRS (2005). Realizou estágio pós-doutoral na Universidade de Lisboa (2008). Professor associado de Teoria da Literatura da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Foi coordenador do Programa de Pós-Graduação em Letras (Mestrado e Doutorado em História da Literatura) da FURG, entre 2012 e 2016.


Comunicação 42

Revitalização do universo agrário no romance Quem faz gemer a terra, de Charles Kiefer

Autora: Natalia Klidzio – Universidade Maria Curie-Sklodowska/Lublin/Polônia – nklidzio@yahoo.com

Resumo: Pretende-se, através do romance Quem faz gemer a terra, do escritor Charles Kiefer, pontuar a ideia de que há uma corrente fixa de escritores que se ocupam das questões rurais. Resultante da consciência crítica por eles assumida, a literatura no Brasil não se fecha ao problema do campo. Uma veia evolui no agrário, atenta aos problemas decorrentes do modelo latifundiário de ocupação no período colonial, do surgimento do colono brasileiro, da interiorização do território implementada pela política da imigração, de povoamento e criação do minifúndio, do expansionismo assegurado na industrialização da agricultura. A temática potencializada no Romance de 30, permanece na atualidade, revitalizada por Kiefer.

Palavras-chave: Romance agrário; Problemas sociais e políticos na prosa brasileira.

Minibiografia: Possui doutorado em Literatura – University of Warsaw (2009), Polônia. Antes: Graduação em Letras Plena pela Universidade de Ijuí/UNIJUÍ (1982). Especialização em Língua Portuguesa (Português do Brasil) pela UNIJUÍ (1985). Mestrado em Estudos da Cultura e Língua Polonesa pela Jagiellonian University, Cracóvia (1994). Professor aposentado pelo Magistério Público/RS. Atualmente, professora adjunta na Uniwersytet Marii Curie-Sklodowskiej, no Departamento de Português, do Instituto de Filologia Românica/Faculdade de Ciências Humanas. Experiência: docência na área de Letras, com ênfase em Língua e Literatura; pesquisa nos seguintes temas: literatura, arte, história e cultura, línguas e culturas étnicas.


Comunicação 43

A leitura romântica de um texto clássico: a Castro, por Álvares de Azevedo

Autora: Natália Gonçalves de Souza Santos – USP/FAPESP – nataliasantosgs@gmail.com

Resumo: No ensaio “Literatura e civilização em Portugal”, o escritor romântico Álvares de Azevedo (1831-1852) propõe-se a fazer uma análise da tragédia Castro, do dramaturgo português Antônio Ferreira (1528 – 1569); entremeada de fragmentos do poema, que dão ao leitor uma visão global do mesmo. Publicada no ano de 1587, a peça é vista por Azevedo como o momento no qual a dramaturgia portuguesa teria chegado ao seu ponto de excelência máxima, o que justifica que ele a aloque na ‘fase heroica’ da história literária de Portugal – período de apogeu econômico e social do país, que se refletiu no âmbito artístico. Para Azevedo, a principal qualidade da Castro é a combinação entre os sistemas literários clássico e romântico, cujo resultado é uma peça original. Ele destaca a presença do coro, dos monólogos que ressaltam a complexidade e o conflito interior das personagens, da imaginação ardente do seu autor, do tema amoroso, do sonho premonitório, do contraste de sensações presente nos diálogos, da mudança do locus amoenus para o horrendus, como elementos que fazem a peça transcender os limites da forma clássica, dotando-a de um fervor romântico. Nota-se que o crítico lê esses e outros elementos da estética clássica numa chave romântica, retomando-os na leitura de peças de fato pertencentes ao romantismo, como as de Alfred de Musset e George Sand. Interessa-nos, assim, investigar as possíveis motivações que fizeram Azevedo propor essa interpretação da obra, bem como as razões que o levaram a prestigiá-la em seu ensaio, notadamente pelo viés do tema inesiano, tão caro à memória lusa. Ressalta-se a importância de se revisitar os diálogos travados entre o Brasil e Portugal, num momento em que a ruptura total com nossa ex-metrópole era apontada como necessária, e sobretudo quando efetivados por um autor geralmente associado à leitura de escritores franceses e ingleses.

Palavras-chave: Romantismo brasileiro; Crítica literária; Álvares de Azevedo; Antônio Ferreira.

Minibiografia: Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Teoria Literária e Literatura Comparada da FFLCH/USP, bolsista FAPESP. Autora do livro Antagonismo e dissolução: o pensamento crítico de Álvares de Azevedo (Humanistas, 2014), decorrente de sua dissertação de mestrado, defendida junto ao mesmo programa.


Comunicação 44

Campo e cidade, caminhos entrecruzados: uma leitura de crônicas de Rachel de Queiroz

Autora: Patrícia Costa de Santana – UEFS – patty.santana78@hotmail.com

 

Resumo: Esta pesquisa constitui um estudo das relações entre campo e cidade em crônicas de Rachel de Queiroz (1910-2003), a fim de compreender as aproximações entre o lugar, a paisagem e a manifestação do sujeito que busca afirmar sua identidade cultural. A crônica apoia-se em acontecimentos cotidianos, permitindo conhecer o contexto de uma determinada época e por esta razão a escolha deste gênero como objeto desta pesquisa. Este trabalho demonstra que a contextualização social e econômica do século XX está presente na composição da crônica de Rachel de Queiroz, como uma contribuição relevante à literatura brasileira. Essa temática está relacionada com a importância das imagens intrínsecas ao campo/cidade na crônica, a forma como dialogam, se ajustam e, ao mesmo tempo, se diferenciam. Para compreendermos como a escritora Rachel de Queiroz representou o campo e a cidade em suas crônicas, em um período de intensas transformações no cenário brasileiro, realizamos uma pesquisa bibliográfica, utilizando treze crônicas da escritora, seis relacionadas ao campo e sete voltadas para a cidade. Tal estudo baseou-se em teóricos como Raymond Williams (2011), Durval Muniz de Albuquerque Júnior (2009), Renato Cordeiro Gomes (2008), Sandra Jatahy Pesavento (1999), dentre outros. Enfim, este estudo constituiu uma tentativa de ampliar a abordagem crítica acerca da escritora, já que muitos trabalhos se direcionam aos estudos de gênero em seus romances, confirmando sua importância no cenário brasileiro do século XX. Além disso, constatou-se ainda que Rachel de Queiroz compôs uma geração preocupada com questões que representam o avanço da modernidade em diferenciados aspectos. Ela estava sensível às mudanças históricas, sociais e políticas que permeavam o país, versando-as, em suas crônicas, com destreza e responsabilidade. Notamos também que esta discussão não se findou, até porque muitos questionamentos ainda podem ser explorados por meio deste gênero textual que nos permite diversas análises e interpretações.

Palavras-chave: Crônica; Campo; Cidade; Rachel de Queiroz.

Minibiografias: Patrícia Costa de Santana é mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), orientada pela Profa. Dra. Rosana Maria Ribeiro Patrício. Possui Pós-graduação Lato Sensu – Especialização em Metodologias Inovadoras Aplicadas à Educação, na área específica de Psicopedagogia (2004 a 2005) e graduação em Licenciatura em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2003). Atualmente é professor titular – Centro Territorial de Educação Profissional Recôncavo II Alberto Tôrres e está como Coordenadora do Curso Técnico em Informática da mesma unidade de ensino desde fevereiro de 2016, no município de Cruz das Almas. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa e Literatura, atua como professora do Ensino Médio/Técnico e foi Coordenadora do Projeto: Recital de Poesias, no Colégio Estadual José Bonifácio até fevereiro de 2013.


Comunicação 45

Luís Gama: um bode solto pelas ruas do Rio de Janeiro do século XIX

Autor: Paulo Roberto Alves dos Santos – UESC/PNPD-CAPES – pauloroberto3031@uol.com.br

Resumo: Luís Gama (1830-1882) é um poeta praticamente ignorado pelos principais historiadores da literatura brasileira e, quando seu nome é citado, normalmente aparece como autor de pouca importância para a poesia nacional. O advento de referenciais teóricos menos convencionais vem mudando essa realidade, pois abre perspectivas que permitem reavaliar sua produção de forma mais justa e, assim, colocar o autor em lugar mais honroso dentro do panteão literário brasileiro. Paralelamente, oferece oportunidade para reexaminar a produção de Gregório de Matos, porque Gama foi um dos poucos poetas brasileiros a tomá-lo como modelo na composição de versos sobre figuras humanas, costumes, comportamentos e práticas culturais dos negros. O estudo, ao aproximar os dois autores, destaca fundamentalmente os aspectos relacionados à presença de elementos da cultura africana na obra do poeta romântico.

Palavras-chaves: História da literatura; Literatura afro-brasileira; Romantismo; Cultura afro-brasileira.

Minibiografia: Possui mestrado em Linguística e Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1996) e doutorado em Linguística e Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2005). Tem estudos sobre temas literatura brasileira, história da literatura, literatura e música e literatura afro-brasileira. É bolsista PNPD da CAPES, na Universidade Estadual de Santa Cruz, onde é integrante do Grupo de Pesquisa Literatura, História e Cultura: Encruzilhadas Epistemológicas (CNPq).


Comunicação 46

As lesmas: a singularidade de uma história e a coletividade da história na narrativa ficcional de Heleno Godoy

Autora: Raphaela Pacelli Procópio – UFG – raphaelapacelli@gmail.com

Resumo: Antonio Candido (2000), ao tratar da “Nova Narrativa”, começa por traçar um rápido percurso histórico para que melhor compreendamos este movimento na literatura latino-americana do final do século XIX e início do século XX, abordando quais características dão um caráter comum à narrativa e que pode ser observado de vários ângulos. Interessa-nos aqui, a literatura narrativa produzida a partir dos anos de 1960 e 1970 que, segundo o crítico, seguiu uma linha “experimental” e “renovadora” refletindo uma nova postura estética e “amargura política”, de verdadeira legitimação da pluralidade, resultando em textos indefiníveis. Nesse âmbito, os acontecimentos políticos e sociais que permearam as últimas décadas do Brasil, como a ditadura militar que durou de 1964 a 1985, fizeram com que as narrativas ficcionais produzidas nesta época adquirissem novas características, sobretudo, em sua estrutura e linguagem. Foi nesse contexto que o escritor goiano Heleno Godoy concebeu o romance As lesmas, único livro de romance do autor publicado. Esse romance projetou a literatura feita em Goiás no cenário das narrativas modernas e recebeu a apreciação de vários críticos. A leitura de As lesmas faculta-nos dizer que nesse romance deparamo-nos concomitantemente com duas narrativas: de amor e de acontecimentos históricos. No entanto, essas intrigas não vêm estruturadas pelo princípio lógico da causalidade e pela lógica temporal, porquanto a fragmentação da narrativa e os estados interiores dos personagens desestruturaram o tempo cronológico, recursos esses, utilizados pelo romance moderno. Nesse sentido, o romance As lesmas, um livro de vanguarda, que abriu a literatura goiana para a modernidade, apresenta duas espécies de temporalidade que se entrecruzam: a temática – contexto histórico social da instauração do regime ditatorial militar no Brasil, a partir de 1964 e o relacionamento homoafetivo entre os personagens; e a estrutural – determinada pela forma de escrita do livro.

Palavras-chave: Literatura Brasileira; História; Ditadura militar; Relação homoafetiva.

Minibiografia: Possui graduação em Letras pela Universidade Federal de Goiás (2007) e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Goiás – Goiânia (2011). É professora substituta da Universidade Federal de Goiás e professora efetiva da rede municipal de ensino em Catalão/GO. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teoria Literária, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura brasileira, literatura moderna, literatura portuguesa, poesia e narrativa contemporânea.


Comunicação 47

A emergência da voz ameríndia na cena literária brasileira: tensões e relações

Autora: Rita Olivieri-Godet – Université Rennes 2/França – rgodet@9online.fr

Resumo: A diversidade dos povos indígenas e de suas produções intelectuais está relacionada com as diferentes fases de interlocução em que se encontram com a sociedade nacional brasileira: narrativas orais tradicionais, narrativas míticas, ensaios políticos, “autoantropologia” (Viveiros de Castro), literatura infanto-juvenil, textos romanescos e poéticos, produção audiovisual e musical. Nossa comunicação pretende examinar as novas temáticas e formas narrativas que a produção literária ameríndia de língua portuguesa introduziu na cena literária brasileira, apropriando-se da escrita como tática fundamental para o estabelecimento do diálogo com a cultura hegemônica nacional e estratégia para se afirmar enquanto sujeito privilegiado das representações e da enunciação das letras brasileiras. O projeto literário de escritores ameríndios como Daniel Munduruku, Eliane Potiguara e Graça Graúna traz as marcas do espaço social urbano, onde nasceram, cresceram e foram educados, e da redescoberta do imaginário cultural ameríndio do qual se reapropriam em textos que revelam o caráter híbrido de suas (re)construções identitárias. Pretendemos discutir essas questões através da leitura da obra Metade cara, metade máscara (2004) de Eliane Potiguara que nos permite igualmente refletir sobre questões de etnia, gênero e novas versões memoriais que fissuram o espaço da memória hegemônica nacional.

Palavras-chave: Literatura ameríndia; Cena literária brasileira; Metade cara, metade máscara; Eliane Potiguara.

Minibiografia: Professora titular de literatura brasileira da Université Rennes 2-França, promovida a membro do Institut Universitaire de France no processo de seleção dos laureados de 2013. Dirigiu durante vários anos o Departamento de Português da Université Rennes 2 tendo também assumido a co-direção do Mestrado Les Amériques e a direção-adjunta da Ecole Doctorale (2004-2006). Doutora em Teoria literária e literatura comparada pela Universidade de São Paulo, com pós-doutorado em literatura comparada na Université Paris 10, coordena o laboratório de estudos sobre os países de língua portuguesa, um dos componentes da equipe de pesquisa ERIMIT-Equipe de Recherches Interlangues “Mémoires, Territoires et Identités”. Seus trabalhos mais recentes estão voltados para questões identitárias na literatura contemporânea brasileira e para as relações literárias e culturais interamericanas a partir do estudo das representações dos ameríndios na ficção contemporânea do Brasil, Quebec e Argentina. Foi professora titular de Teoria da Literatura da Universidade Estadual de Feira de Santana-Bahia, professora visitante da Université Bordeaux 3 e Maître de Conférences da Université Paris 8. Possui vários artigos e livros publicados na Europa e no Brasil.


Comunicação 48

Tereza Batista cansada de guerra, de Jorge Amado: incursões lexicais e histórico-culturais

Autora: Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz – UEFS – rcrqueiroz@uol.com.br

Resumo: O léxico é o nível linguístico mais extralinguístico, porque naquele se encerram todas as manifestações culturais, históricas, políticas, ideológicas, sociais de um povo ou grupo de povos. Deste modo, os influxos sócio-histórico-culturais estão presentes em seus elementos, bem como nas combinações destes com o todo, o texto e seu contexto, seja este visual, oral ou escrito. Neste sentido, o escritor Jorge Amado traz em seu romance, Tereza Batista cansada de guerra, lexias referentes ao mundo circundante, neste caso a sociedade nordestina, em particular, e brasileira, em geral. Assim, no universo lexical da obra circulam lexias como “castelo”, “mulher dama”, “rapariga”, “quiba”, dentre outras, representativas de uma cultura, as quais só podem ser compreendidas no contexto cultural de uma época, de um grupo sociolinguístico. Deste modo, tomando como como corpus de análise a décima quinta edição (1981) do referido romance, cuja primeira data de 1972, pretendemos apresentar incursões relativas ao campo lexical, as quais se relacionam diretamente com a história e a cultura. Como aporte teórico, elegemos a teoria dos campos lexicais desenvolvida por Eugenio Coseriu ([1977] 1986), através da qual apresentaremos o vocabulário da obra estruturado em campos, macrocampos e microcampos lexicais, revelando assim as imbricações entre léxico, cultura, história e sociedade.

Palavras-chave: Literatura; Léxico; Cultura; História.

Minibiografia: Graduada em Letras Vernáculas e Mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Doutora em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). Professora Pleno da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Orientadora de estudantes de Iniciação Científica e Pós-graduação Lato Sensu (Especialização) e Strito Sensu (Mestrado Acadêmico).


Comunicação 49

Em câmara lenta (1977): romance, vida pública e testemunho na narrativa pioneira do guerrilheiro Renato Tapajós

Autor: Rogério Silva Pereira – UFGD – rogeriospereira@uol.com.br

Resumo: Em 2017, completa-se 40 anos da primeira edição (de 1977) de Em câmara lenta, romance do brasileiro Renato Tapajós. Trata-se da primeira narrativa de fôlego, escrita por um ex-guerrilheiro participante da luta contra a ditadura militar brasileira (1964-1985), sobre temas ligados à referida luta. É livro sem o alcance de público de, por exemplo, O que é isso companheiro (de 1979), de Fernando Gabeira, ou de Os carbonários (de 1980), de Alfredo Sirkis – ambos memorialísticos, de ex-guerrilheiros, sobre os mesmos temas. Mas é livro ampla e persistentemente lido pela crítica literária acadêmica desde seu lançamento. É narrativa pioneira. Temáticas e procedimentos narrativos ali propostos fizeram escola. Assim, por exemplo, está pioneiramente no romance a ruptura com os procedimentos políticos da guerrilha, marcadamente privados, denunciando-os como ineficazes e, por outro lado, a afirmação de formas de ação política de natureza pública. Assim, a escolha do gênero romance, em função do seu caráter público é fundamental. Seu narrador se configura como aqueles que, como os narradores definidos por Bakhtin (2002), se prestam a devassar os espaços privados, da guerrilha e da repressão do regime militar, traduzindo-os em linguagem típica das esferas públicas (Cf. ARENDT, 1998), para nascente vida pública brasileira do final do Regime Militar. Ao lado disso, a decisão de configurar aquele narrador como testemunha e sobrevivente, permite que a narrativa se configure como testemunho, como definido por Agamben (2008). Assim, amparado pela fortuna crítica, em cotejo com as narrativas mencionadas, a comunicação pretende discutir o caráter pioneiro da narrativa, além dos conceitos acima aludidos – com vistas a situar a contribuição do livro nos primórdios da vida pública contemporânea brasileira, fornecendo elementos para se pensar as formas de luta política do passado e do presente.

Palavras-chave: Em Câmara Lenta, Romance, Vida pública, testemunho.

Minibiografia: Rogério Silva Pereira é professor associado da Universidade Federal da Grande Dourados, em Dourados/MS, Brasil. Fez pós-doutorado na UnB e atualmente conclui seu pós-doutorado em temas ligados à narrativas de testemunho de escritos ex-guerrilheiros.


Comunicação 50

Debates e diálogos de Canudos no romance O pêndulo de Euclides

Autora: Rosana Maria Ribeiro Patricio – UEFS – rosanapatri@gmail.com

Resumo: Neste estudo, pretendemos verificar como se estruturam e se concluem os debates travados pelos intérpretes dos fatos da Guerra de Canudos (1896-1897) no romance O pêndulo de Euclides (2009), de Aleilton Fonseca, considerado um romance histórico de mediação, em que o conflito sertanejo é visto de fora, por três visitantes e estudiosos do tema, mas também de dentro, pela perspectiva de personagens remanescentes da cultura e da memória canudense. A Guerra de Canudos (1896-1897) é um dos mais trágicos e polêmicos eventos registrados na História do Brasil. Em torno do conflito entre os soldados republicanos e os sertanejos canudenses foram travados debates nos jornais, nas narrativas e nos relatórios da época, sem jamais se esgotarem as polêmicas e as discussões. Na vasta literatura a que o conflito deu origem, a partir, sobretudo, de Os sertões (1902) de Euclides da Cunha, o debate se amplia e assume diversas formas em romances e relatos que retomam a narrativa da guerra, multiplicando os fatos, os registros, as opiniões e as diferentes perspectivas das vozes que contracenam na polifonia de uma guerra de discursos. Observamos como o romance em estudo retoma diversos aspectos do conflito, suas ações e personagens, constituindo-se como uma versão francamente interxtual, em diálogo com textos históricos e ficcionais anteriores. Ao atualizar o tema, o romance de mediação assume posições cada vez mais abertas e polifônicas, ao propor um concerto de vozes e opiniões que coloca em debate os diferentes ângulos de visão sobre o conflito, seus valores e suas interpretações.

Palavras chave: Guerra de Canudos; Mediação; Romance histórico; História.

Minibiografia: Rosana Maria Ribeiro Patricio é ensaísta, professora da classe de Pleno da Universidade Estadual de Feira de Santana, no estado da Bahia, Brasil. Tem doutorado pela Universidade de São Paulo, leciona Teoria da Literatura e Literatura Brasileira nos cursos de Letras e no mestrado em Estudos Literários PROGEL, orientando e desenvolvendo estudos sobre imagens urbanas e ecológicas na literatura moderna e contemporânea.


Comunicação 51

O mundo se despedaça e Viva o povo brasileiro: desintegração e ressignificação

Autora: Rosângela Santos Silva – UEFS – rosangelass2010@gmail.com

Resumo: O presente trabalho versa em torno dos romances: O mundo se despedaça (1958) do escritor nigeriano Chinua Achebe e Viva o povo brasileiro (1984) do autor baiano João Ubaldo Ribeiro. A premissa básica na qual se fundamenta o estudo feito sobre determinadas obras consiste na reflexão a respeito da colonização e os impactos causados pela mesma. Ambas as narrativas explicitam momentos de desintegração e/ou ressignificação da vida de grupos, sobretudo religiosos, graças a chegada do colonizador branco. Tais autores citam inúmeros traços tanto da cultura Ibó quanto da cultura afrobrasileira, detalhando os costumes e a vivência dentro destas sociedades. Assim como Viva o povo brasileiro, em O Mundo se Despedaça são descritas divindades e espíritos ancestrais. Os romances apontam a importância e a influência dos mesmos na formação da identidade dos grupos, que mantém suas raízes religiosas alicerçadas nos antepassados. O objetivo central desse trabalho é analisar as obras já citadas fazendo uma possível leitura comparativa dos elementos constitutivos da cultura religiosa Ibo e afrobrasileira, priorizando o ritual egungun (Culto aos espíritos de pessoas falecidas), a fim de evidenciar similaridades e/ou disparidades existentes nas narrativas. Para tanto serão acionados alguns postulados teóricos como: Edward Said, Stuart Hall, Juana Elbein dos Santos, dentre outros.

Palavras-chave: Chinua Achebe; Egunguns; João Ubaldo Ribeiro.

Minibiografia: Mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Feira de Santana – BA. Integrante dos grupos de pesquisa; A Literatura de Jornal em Periódicos Brasileiros/Grupo de Estudos Literários Contemporâneos (GELC) e Escritas Contemporâneas: desafios teórico-metodológico – CAPES- Programa Nacional de Cooperação Acadêmica – PROCAD.


Comunicação 52

Bento Teixeira: eis o primeiro poeta brasileiro?

 

Autora: Rossana Dutra Tasso – FURG/IFRS – rossana.tasso@riogrande.ifrs.edu.br

 

Resumo: Uma biografia marcada pela escassez e pela imprecisão de informações. Ademais, uma produção poética de valor questionável, segundo muitos críticos. Partindo desses vieses, neste trabalho, pretendo realizar um levantamento de histórias da literatura brasileira que contemplem a produção do autor Bento Teixeira. Tomarei por meta enfatizar as controvérsias que residem na correção de seu nome – Bento Teixeira ou Bento Teixeira Pinto? – e na sua nacionalidade – brasileiro ou português? Para tanto, começarei por uma breve apresentação da atribulada biografia desse poeta, dada a sua condição de cristão-novo no contexto de um Brasil ainda colonial e sob a forte égide da Igreja Católica. Em seguida, partirei para a relação de histórias da literatura brasileira que tragam alguma informação quanto a esse autor. Iniciarei pelo século XIX, com a perspectiva da era romântica, vindo até o século XXI, encerrando com a obra do crítico Carlos Nejar. Utilizando-me desse percurso metodológico, pretendo averiguar a maneira como as histórias da literatura por mim analisadas inserem o autor Bento Teixeira no sistema literário, contribuindo para a reafirmação de informações que, corretas ou não, uma vez presentes nesse sistema, seguirão ecoando ao longo da formação da história da literatura brasileira.

Palavras-chave: Bento Teixeira; Biobibliografia; Sistema literário; História da literatura; História da literatura brasileira.

Minibiografia: Graduada em Letras (Universidade Federal do Rio Grande – FURG), Mestre em Estudos da Linguagem (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e Doutoranda em História da Literatura (Universidade Federal do Rio Grande – FURG). É professora das disciplinas de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) – Campus Rio Grande.


Comunicação 53

História e ficção de uma república: análise d’A república dos sonhos de Nélida Piñon

Autora: Sherry Morgana Justino de Almeida – UFRPE – sherry_almeida@yahoo.com.br

Resumo: Publicado em 1984, o romance A república dos sonhos, da escritora brasileira Nélida Piñon, oferece status épico à história de uma família brasileira de patriarcas galegos, entrelaçando uma “saga” familiar a momentos conflituosos e decisivos da história brasileira – a narrativa demonstra uma “vontade” de escrever a Nação brasileira configurando-se em traços ideológicos como um romance moderno de fundação. A Galiza – ou melhor, a Galícia, como escreve Nélida – radica-se no Brasil pelo estabelecimento de uma tradição familiar e por consequência da obstinação de um indivíduo, arquétipo literário do aventureiro, que vê na migração e na construção de uma família no Novo Mundo a única forma de afirmação, não apenas de sua identidade cultural, mas, sobretudo, de sua dignidade humana. Este trabalho propõe uma análise d’A república dos sonhos com intuito de aprofundar o conhecimento de seu imaginário ficcional e, por conseguinte, apreender sua leitura da história e da cultura brasileira no século XX. Para tanto, especulamos questões como a do fomento biográfico e histórico na criação artística; a configuração do tempo na composição da narrativa; o papel do escritor na América Latina; a condição do estrangeiro em relação à sua cultura de origem e à cultura da nova terra, bem como seu processo de identificação e autoconhecimento. Recorremos ao pensamento de autores de diversas áreas do conhecimento antropológico, tais como Paul Ricoeur, Antonio Candido, Ángel Rama, Julia Kristeva, Doris Sommer, Octavio Paz, Gilbert Durand, Gaston Bachelard, entre outros. Porém, é a concepção poética de Nélida, o seu discurso literário, que nos serve de principal norteamento teórico.

Palavras-chave: Nélida Piñon; Imaginário; Cultura; História; Romance de fundação.

Minibiografia: Professora Adjunta do curso de Letras do Departamento de Letras da Universidade Federal Rural de Pernambuco; possui Doutorado (2013) e Mestrado (2006) em Teoria da Literatura, pela Universidade Federal de Pernambuco e graduação em Bacharelado em Crítica Literária (2003) também pela UFPE, tendo sido bolsista CNPq tanto na graduação quanto no mestrado. Ministra disciplinas de Literaturas de Língua Portuguesa a partir de abordagens dos Estudos culturais e da Literatura Comparada.


Comunicação 54

O mito e a religião na representação da mulher negra em Tenda dos milagres de Jorge Amado

 

Autora: Sueleny Ribeiro Carvalho – UFSM – suelenycarvalho@hotmail.com

 

Resumo: Segundo a tradição do Candomblé o termo iabá designa os orixás femininos de modo geral, em Tenda dos milagres, de Jorge Amado a Iaba é “uma diaba com o rabo escondido” (AMADO, 2001, p. 118), que por sua beleza e habilidade sexual leva os homens ao delírio e à perdição, nesse caso a representação da Iaba –negra Dorotéia – aproxima-se mais da concepção do demônio feminino que deu origem, na Umbanda, a imagem da Pomba-Gira. Por outro lado é possível observar que tal representação se aproxima da concepção do demônio feminino ocidental, proveniente do mito de Lilith, cuja definição, embora passando por diferentes transformações – Hécate, Perséfone e súcubos – preserva a relação entre a imagem da mulher sedutora e o mal. Por meio da análise da representação da personagem, no romance, pretendemos neste estudo, verificar como os mitos se relacionam na construção da personagem e sua consequente influencia na elaboração e fixação dos estereótipos sexuais atribuídos à mulher negra.

Palavras-chave: Mito; Religião; Identidade; Estereótipo; Mulher negra.

 

Minibiografia: Doutoranda em Letras, Estudos Literários, UFSM; Mestre em Letras, Estudos Literários, UFPI; Especialista em Estudos Literários, UESPI; graduada em Letras Português, UFPI, autora do livro A identidade na fronteira deslizante dos estereótipos, e artigos publicados sobre os temas: literatura, identidade e erotismo. Professora da educação básica desde 1993, e experiência no ensino superior nos cursos de Letras e Pedagogia.


Comunicação 55

A desconstrução do ser e da arte na obra A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector

Autora: Sunny Gabriella dos Santosv – PUC/Goiás – sunnygabriella@gmail.com

Resumo: Este trabalho propõe estudar o processo de desconstrução do ser e da arte, na obra A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector, sob a perspectiva da desreferencialização do real. O estudo será fundamentado nas teorias críticas contemporâneas, considerando a ruptura da noção de arte como representação da realidade. O referencial teórico serão as concepções de Gilles Deleuze e Félix Guattari sobre a desterritorialização do ato artístico e interconectadas às noções de modernidade líquida, de Zygmund Bauman e à desrealização da obra de arte. A análise das obras terá como norte a despersonalização do Ser no contexto de uma obra marcada pelo princípio de desrealização e de desreferencialização da imagem-signo – um processo de simulação, na visão de Jean Baudrillard (1991). Propõe-se, como fundamentação metodológica, a pesquisa bibliográfica com vistas numa abordagem fenomenológica das teorias do pensamento e da arte na contemporaneidade. A proposta visa à apreensão dos conceitos críticos e a articulação deles à discussão sobre a criação, a linguagem e a produção na modernidade, e também o reconhecimento das teorias nas análises críticas de obra de arte contemporâneas e suas relações com as obras corpus; identificar e analisar os paradoxos, presente no objeto artístico estudado; verificar o processo de fragmentação e despersonalização do ser das personagens, resultantes das condições de existência do indivíduo contemporâneo em uma sociedade dominada pela virtualização dos seres e das coisas, verificar o modus operandi de criação artística de Clarice Lispector, na obra selecionada, em aspectos relativos às concepções entre arte e filosofia.

Palavras-chave: Desreferencialização; Desterritorialização; Desrealização; Literatura brasileira, Clarice Lispector.

Minibiografia: Sunny Gabriella dos Santos, mestranda em Letras – Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Servidora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás.


Comunicação 56

O labor das Moiras em O tempo e o vento e o Arquipélago da insónia

Autora: Tatiana Prevedello, UFRGS/ IFFar – t_prevedello@hotmail.com

Resumo: Os romances O continente (1949), integrante da trilogia O tempo e o vento, de Érico Veríssimo, e O arquipélogo da insónia, de António Lobo Antunes (2008), embora estejam separados por décadas entre as suas publicações e apresentem contextos narrativos desenvolvidos em espaços distintos, são orquestrados por dois elementos que irão permear as nossas reflexões: o tempo e a permanência, articulados ao trabalho das Moiras que, segundo a mitologia, desempenham o papel de fiandeiras do destino. Para o enredo que se passa essencialmente no Rio Grande do Sul, no período compreendido entre 1745 e 1945, Veríssimo elege como epígrafe os versículos do livro do Eclesiastes, os quais traduzem o emblema da continuidade, pois “uma geração vai, e outra geração vem; porém a terra para sempre permanece”; os respectivos versículos também são citados por Lobo Antunes, sob viés da ironia paródica, para elaborar o discurso de três gerações de uma família cuja decadência econômica paira sobre o antigo esplendor proveniente do poder agrário, supostamente ambientada no Alentejo, na época pós-revolucionária. A representação das Moiras, como mostram Brunel e Vernant, figuradas por Cloto, que opera o fuso e a roca para fiar a vida; Láquesis, que estende a linha e determina a extensão de cada existência; e Átropos que, inflexível, corta o fio da vida, está latente em ambas as narrativas, uma vez que as personagens sucumbem ao destino incontornável que sobre a terra, no decorrer das gerações, por meio da palavra, linha entre linha, vai sendo tecido.

Palavras-chave: Narrativa; Tempo; Permanência; Mito; Moiras.

Minibiografia: Tatiana Prevedello é mestre em Estudos Literários (2006), pela UFSM. Doutora em Literaturas Portuguesa e Luso-Africanas (2014), pela UFRGS, sob a orientação da Prof. Dra. Maria da Glória Bordini, e autora da tese Da expressão do tempo ao estilhaçar do eu: figurações da memória na escrita antoniana, desenvolvida, em parte, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Dedica-se à docência de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira no Instituto Federal Farroupilha – IFFar.


Comunicação 57

De rua em rua, de verso em verso: Eurico Alves canta sua cidade

 

Autora: Tatiane Santos de Araújo – UEFS – tatysantos8@yahoo.com.br

Resumo: Levando-se em consideração as formas múltiplas como a literatura tece olhares sobre a cidade, sobre o dinamismo da vida urbana, engendrando-lhe representações igualmente diversificadas, o presente estudo busca, via pesquisa bibliográfica, conhecer pela literatura um pouco da contemporaneidade da Feira de Santana do poeta Eurico Alves Boaventura (1909-1974). Sob o olhar do poeta apaixonado por seu torrão, pretende-se fomentar discussões a respeito de como ele representa liricamente sua terra natal, atribuindo-lhe novos sentidos. Assim, também fazendo incursões na história, este trabalho ancora-se em perspectivas teóricas que têm o espaço da cidade como produtor de imagens e de sentidos, como assim o concebem nomes como Renato Cordeiro Gomes e Gaston Bachelard. No âmbito da literatura e das representações identitárias, este estudo consegue vislumbrar não só o amor incondicional de Eurico por Feira de Santana, mas também sua simultânea manifestação de pertencimento e distanciamento daquele universo urbano que ele vê, sente e representa em sua lírica, captando sensivelmente as peculiaridades de uma urbe que já caminha para a modernidade, mas que ainda mantém os mais recônditos instintos ou valores humanos.

Palavras-chave: Feira de Santana; Representações; Imagens; Cidade; Contemporaneidade.

 

Minibiografia: Mestre em Literatura e Diversidade Cultural, Especialista em Estudos Literários e Graduada em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Pesquisa na área de literatura com ênfase na narrativa de Eça de Queirós. Possui diversos artigos apresentados e publicados em anais de eventos e em periódicos especializados, além de 3 capítulos de livros publicados. Seu trabalho mais recente é o livro Amor de Salvação à Moda de Eça, publicado pela UEFS Editora em 2015.


Comunicação 58

Miguelim e Azaias: duas representações da infância em literaturas de língua portuguesa

Autora: Vivianne Fleury de Faria – UFG – viviannefleury8@gmail.com

Resumo: Neste trabalho, que se insere no âmbito da literatura comparada, são cotejadas as obras Campo Geral, do brasileiro Guimarães Rosa e O dia em que explodiu Mabata-Bata, do moçambicano Mia Couto. Estes escritores tiveram que lidar com uma aporia que é a representação na literatura do seu outro de classe. Esta alteridade é de difícil acesso para o intelectual, uma vez que para ele esta experiência humana e linguística não está disponível. Neste sentido, cumpre ao analista observar como autores de nações colonizadas pelo mesmo país, contudo, com realidades tão diversas, mas comparáveis, conseguem dar voz a este outro de classe em narrativas que retratam a perversidade do atraso na vida de crianças de nações periféricas ao sistema capitalista mundial, ou seja, obras que retratam o conflito modernizador, condição inerente a estas literaturas e que nas obras está representado tanto na trajetória das personagens, Miguilim e Azaias, quanto na própria estrutura narrativa.

Palavras-chave: Narrativa moderna; Conflito modernizador; Representação da infância.

Minibiografia: Doutora em Literatura Brasileira pela UnB, professora efetiva de Língua Portuguesa do CEPAE/UFG. Desde 2012 integra o grupo de pesquisa Literatura e Modernidade Periférica, criada pelo professor Dr. Hermenegildo Bastos (UnB) e desde 2013 integra o quadro de pesquisadores da RIEC, coordenado pelo professor Dr. Saturnino De La Torre (Universidade de Barcelona).


Comunicação 59

Expectativa e frustração em “A cartomante”: um estudo das atmosferas literárias no conto machadiano

Autor: Wagner Trindade – UFF/Colégio Pedro II – wagnertrindade@uol.com.br

Resumo: A proposta deste trabalho é analisar a obra machadiana sob a perspectiva das materialidades na literatura. Nesse sentido, a partir da recuperação da textualidade do conto “A cartomante”, observaremos como Machado de Assis insere, de modo intencional, uma série de recursos literários já conhecidos pelos leitores de seu tempo para produzir uma atmosfera romântica no conto e, assim, gerar uma expectativa narrativa no público. O estudo se concentrará na apresentação dessas ambiências presentes no texto machadiano, levando em conta as materialidades do texto e os efeitos da leitura do conto nos leitores, que acabam envolvidos num clima engendrado pelo narrador, mas duramente desiludidos pela quebra de expectativa após um desfecho inesperado das ações narrativas. Para tanto, além da devida análise das partes constitutivas do texto machadiano, apresentaremos aspectos importantes acerca dos estudos envolvendo as atmosferas na literatura, a partir da obra de Hans Ulrich Gumbrecht e seus trabalhos sobre Stimmung, ambiência e atmosfera nas obras literárias. Inês Gil e Heidrun Krieger também oferecerão um relevante suporte teórico por meio de suas pesquisas envolvendo as atmosferas em outras perspectivas artísticas e na relação entre Stimmung e afetos. Todos esses estudos se mostram consonantes com o viés teórico desse trabalho, que é a reflexão acerca dos efeitos objetivos das atmosferas nas obras literárias.

Palavras-chave: Atmosfera; Stimmung; Materialidades.

Minibiografia: Wagner Trindade é doutorando em Estudos de Literatura, subárea de Literatura Comparada, da Universidade Federal Fluminense, sob orientação do Prof. Dr. José Luís Jobim. Professor Efetivo de Língua Portuguesa e Literatura do Colégio Pedro II em regime de Dedicação Exclusiva. Mestre em Estudos Literários pela UFF e integrante do grupo de pesquisa do CNPq intitulado “As trocas e transferência literárias e culturais e a circulação literária e cultural em perspectiva história”.


Comunicação 60

O conto “Tempos insanos”, de Fernando Canto, como retrato atual da política brasileira

 

Autor: Yurgel Pantoja Caldas – UNIFAP – yurgel@uol.com.br

Resumo: Fernando Canto (Óbidos, Pará, 1954) é um dos principais escritores da história literária do Estado do Amapá. Com o livro O Bálsamo e outros contos insanos (publicado pela Editora da UFPA, em 1995), o autor consegue um espaço maior de circulação de seus textos, até então ainda restritos ao espaço amapaense. Dessa coletânea de 1995 destacam-se contos como “Tempos insanos”, objeto de análise deste trabalho, como um texto que dialoga com o contexto político e cultural do Brasil no ano de 2016, tendo como panorama o impedimento da presidente eleita Dilma Rousseff e a consequente ascensão do vice-presidente eleito, Michel Temer. “Tempos insanos” é uma narrativa epistolar, constituída de uma sequência de cartas escritas do narrador para seu amigo Mundico. Nas cartas, o narrador pinta um quadro tenebroso e ameaçador sobre o espaço do qual se fala (a cidade de Belém, na época do Círio de Nazaré), considerando uma sociedade de controle que busca na religião um método de manutenção do poder secular. O objetivo deste trabalho é encontrar paralelismos entre a narrativa de Canto, em “Tempos insanos”, e o estado de coisas que culminou com a atual situação política do Brasil, que perigosamente abre espaço para o pensamento e a ação da extrema direita no país.

Palavras-chave: Fernando Canto; “Tempos insanos”; Sociedade de controle; Política.

Minibiografia: Paraense de Belém. Doutor em Literatura Comparada pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. Professor do Departamento de Letras e Artes da Universidade Federal do Amapá e do Programa de Pós-Graduação Mestrado em Desenvolvimento Regional na mesma instituição.


Comunicação 61

Escrita feminina no A Tarde Cultural: e-book

Autora:

Maria da Conceição Pinheiro Araujo – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, IFBA, Campus Salvador – conra_araujo@hotmail.com

 

Resumo:

O que se pretende nesta comunicação é apresentar um projeto de pesquisa, desenvolvido no IFBA, Campus Salvador, que objetiva construir um e-book, a partir da catalogação dos textos (poesia/prosa/ artigos e resenhas críticas) publicados por mulheres no caderno cultural do jornal A Tarde, o A Tarde Cultural, desde 1990 a 2010. O suplemento cultural do periódico começou a circular em 06 de janeiro de 1990, com última edição em 2010, tendo testemunhado, portanto, em mais de 20 anos, as questões sociais, artísticas, culturais e literárias que dizem respeito à Bahia, ao Brasil e ao mundo. Registra, também, a colaboração de intelectuais, escritores e políticos influentes para a formação da cultura brasileira, em particular a baiana. O projeto de pesquisa imprime estudo na produção, penetração e influência da escrita feminina baiana na cultura do estado e sua articulação com as questões literárias e de gênero no periódico. As principais vias de compreensão serão a descrição e análise dos textos a fim de visibilizar uma linha de temas que permeiam a escrita dessas mulheres no periódico.

Palavras-chave: Literatura. Escrita feminina. Gênero.

 

Minibiografia:

Maria da Conceição Pinheiro Araujo é doutora pela PUC-RS (2008). Professora EBTT e ministra aula no ensino superior e pós-graduação. É líder do Grupo de Pesquisa Linguagem e Representação (IFBA). Membro do Comitê de Pesquisa, Pós-Graduação e inovação e Coordenadora de Arte e Cultura da referida instituição.


Pôster 1

Literatura brasileira: um estudo sobre o processo de legitimação de clássicos da prosa contemporânea nos livros didáticos do 3º ano do ensino médio

Autoras:

Valéria da Silva Medeiros – UFT – medeiros.vs@hotmail.com

Eliene Rodrigues Sousa – UFT – liaelienerodrigues@gmail.com

Resumo: Este trabalho é uma proposta inicial de investigação, de tese de doutorado, que tem por objetivo problematizar o processo de legitimação de clássicos da prosa contemporânea em livros didáticos do 3º ano do ensino médio. A teoria mobilizada está localizada nos estudos de Karl Erik Schollhammer (2009), Teresinha Barbieri (2003), Umberto Eco (19…), Antônio Candido (1995), Marisa Lajolo (1982) (1985), Lígia Chiappini Moraes Leite (1983) (2005), Regina Zilberman (1988) (1991) (2005), entre outros teóricos que versam sobre a importância da literatura contemporânea. Do ponto de vista metodológico, essa investigação é do tipo documental, pois o corpus é constituído por aproximadamente 20 (vinte) livros didáticos utilizados por alunos do 3º ano do Ensino Médio das escolas públicas de Araguaína-TO, nos últimos anos. Para este estudo, selecionamos diversos livros didáticos do PNLD de 2000 a 2017. Dessa forma, entendemos o livro didático como a ferramenta pedagógica de maior acessibilidade para o aluno da escola básica. A abordagem é de cunho quanti-qualitativo, tendo em vista que consideramos a quantidade dos livros didáticos analisados, do ponto de vista positivista, relevante para uma análise de natureza interpretativista. Esperamos que esse estudo contribua com novas propostas para o Plano Nacional do Livro Didático (PNLD), considerando a influência de meios midiáticos de legitimação dessa literatura, tais como o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) e o prêmio Jabuti. Assim, através dessa pesquisa, pretendemos dar uma maior visibilidade e acessibilidade da prosa brasileira contemporânea (mais precisamente, o romance) de autores como Milton Hatoum, Rubem Fonseca, Moacyr Scliar, Zélia Gatai, Luis Fernando Veríssimo, João Ubaldo Ribeiro, Chico Buarque de Hollanda, entre outros, nos livros didáticos.

Palavras-chave: Livro didático; Literatura brasileira; Prosa contemporânea; Legitimação de clássicos.

Minibiografias:

Valéria da Silva Medeiros é doutora em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2002). Pós-Doutorado em Literatura Comparada pela UERJ (2008) e Pós-Doutorado em Teoria Literária pela PUC-Rio (2011). Atualmente é professora adjunta de Teoria da Literatura e Literatura Comparada na graduação em Letras; docente no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Língua e Literatura (PPGLL) e ProfLetras/Universidade Federal do Tocantins (UFT).

Eliene Rodrigues Sousa é doutoranda em Letras no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Língua e Literatura (PPGLL/UFT). É mestre em Letras pelo PPGLL/UFT (2015). É graduada em Letras português/inglês – UFT (2009) onde atuou na pesquisa cientifica (PIBIC) de 2007 a 2008. Atuou como professora de língua portuguesa e inglesa do Ensino Fundamental e Médio na rede pública de 2009 a 2014. Atualmente é bolsista do doutorado pelo CNPq/CAPES.