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Simpósio 39

 SIMPÓSIO 39 – ABORDAGEM METODOLÓGICA DO PORTUGUÊS DO BRASIL EM SALA DE AULA

 

Coordenadores:

Flavio Biasutti Valadares | IFSP/Campus São Paulo | flaviovaladares2@gmail.com

Alice Pereira Santos | IFSP/Campus São Paulo | alicesnt@gmail.com

 

Resumo:

O simpósio busca propor uma reflexão a respeito das metodologias empregadas por docentes de licenciatura em Letras quanto ao tratamento dado ao Português do Brasil. O papel social advindo do uso da língua vincula variedades linguísticas ao prestígio, em escala maior ou menor, que o falante terá, ou não, quando da adoção de certas estruturas fono-morfossintáticas e léxico-semânticas. A partir disso, discute-se o uso do Português do Brasil em sala de aula, sob a perspectiva de que abordagem metodológica poderá conduzir nosso futuro docente de língua portuguesa, principalmente na educação básica, a entender as possibilidades de legitimar alguns usos em detrimento de outros, ou mesmo em relação à norma gramatical culta trazida pelas gramáticas de língua portuguesa. Para além, pretende-se discutir a diversidade linguística e localizar como as variedades no Português do Brasil se ambientam em termos dialetais e até que ponto já se tornaram uma variante co-ocorrente com o Português de denominação culta ou padrão. Nessa perspectiva, os trabalhos sobre a Descrição do Português do Brasil, a partir do grupo de pesquisa IFSP/Campus São Paulo/Brasil, têm pesquisado fenômenos linguísticos presentes no Brasil, associados a variações regionais, socioculturais ou mesmo estilísticas.

Palavras-chave: Português do Brasil, Metodologia do Ensino, Análise linguística, Variedades linguísticas.

 

Minibiografias:

Flavio Biasutti Valadares

Graduação em Letras e Especialização em Estudos Linguísticos pela UFES, Mestrado em Letras: Estudos da Linguagem (PUC-Rio), Doutorado em Língua Portuguesa (PUC-SP) e Pós-Doutorado em Letras (Mackenzie). É docente no Instituto Federal de São Paulo, ministrando aulas para o Ensino Médio, Superior e Pós-Graduação. É líder do grupo de pesquisa Descrição do Português do Brasil, certificado CNPq.

Alice Pereira Santos

Graduação – Bacharel e licenciada em Letras (Português/Linguística) pela USP. Mestre e doutora em Filologia e Língua Portuguesa (USP). É docente no Instituto Federal de São Paulo, ministrando aulas para o Ensino Médio e Superior. É integrante do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa (NEHiLP) e do grupo de pesquisa Morfologia do Português (GMHP), inscritos no CNPq.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Variação no português brasileiro: reflexões para a iniciação à escrita

Autoras:

Daniele Marcelle Grannier – UnB – danielemarcellegrannier@gmail.com

Poliana Maria Alves Nome – UnB – poliana1806@hotmail.com

 

Resumo:

Os materiais didáticos escolares que contêm os elementos para a iniciação à escrita, ou alfabetização, são unificados para todo o Brasil e não têm contemplado as diferenças fonológicas das variedades regionais faladas pelos aprendizes que interferem no sucesso do processo de aprendizagem do sistema ortográfico. As poucas referências à variação dizem respeito ao léxico e, eventualmente, à fonologia, limitando-se a estereótipos encontrados em publicações dirigidas ao público infantil. Distinguimos, no processo de iniciação à escrita, duas fases: a da aquisição das regularidades e a das irregularidades do sistema ortográfico. A identificação do que seja regular ou irregular depende da variedade linguística de cada aprendiz, seja ela social ou regional. Para isso, são adotados os conceitos de Lemle (1988) na análise da relação som e letra, assim como as questões levantadas por Cagliari (2002, 2015) e também são considerados os trabalhos sobre as particularidades fonológicas regionais (CÂMARA JR, 1970; HORA e AQUINO, 2012; entre outros), os Atlas Linguísticos, bem como os estudos realizados no contexto do projeto VARSUL. Os resultados dos levantamentos da biunivocidade e das relações múltiplas entre som e letra das variedades de português analisadas apontam para uma maior incidência de irregularidades na representação das codas, a saber, das letras l, r e u; e das vogais que sofrem alteamento em sílabas átonas. Para atender a essas especificidades, propõe-se a complementação regional do material didático unificado, por meio de encartes, por exemplo, de modo que sejam contempladas as particularidades fonológicas do português falado pelo aprendiz.

Palavras-chave: fala; escrita; alfabetização; variação fonológica; português brasileiro.

 

Minibiografias:

Daniele Marcelle Grannier é professora de linguística e língua portuguesa da Universidade de Brasília/UnB. Doutora em Letras pela Universidade Federal de Alagoas e Mestre pela Universidade Estadual de Campinas, atua principalmente nas áreas de fonética e fonologia de línguas naturais. Pesquisa línguas indígenas brasileiras e a língua brasileira de sinais, a Libras. Dedica-se também à linguística aplicada, atuando na formação de professores de português como segunda língua.

Poliana Maria Alves, doutora pela Universidade Estadual Paulista/Araraquara e mestre pela Universidade de Brasília/UnB, é professora de linguística e língua portuguesa da Universidade de Brasília/UnB. Ministra aulas de fonética e fonologia de línguas naturais e é pesquisadora de português e de Tuparí nas áreas de léxico, fonética e fonologia. Atua na formação de professores de língua portuguesa como língua materna.


Comunicação 2

Preconceito linguístico: crenças e abordagens

Autoras:

Taciane Marcelle Marques – UEL – taciane.marcelle@gmail.com

Wéllem A. de Freitas Semczuk – UEL – wellemsemczuk@gmail.com

 

Resumo:

A língua portuguesa utilizada no Brasil, assim como tantas outras, apresenta heterogeneidade linguística. Essa característica colabora para a desconstrução de crenças e atitudes negativas que alunos e professores constroem no contexto escolar, bem como o mito de que o aluno não sabe falar o português corretamente. A pedagogia da variação linguística e a pedagogia culturalmente sensível buscam meios de discutir a língua materna com os alunos sem desconsiderar a realidade desse indivíduo, abordando as diferentes normas. Para tanto, esse trabalho se propõe a investigar as crenças de alunos com relação à variação linguística, dando ênfase ao preconceito linguístico. Assim, por meio de atividades, pretende-se analisar o que pensam estes informantes e de que maneira externam suas crenças sobre o uso da língua portuguesa.

Palavras-chave: Sociolinguística; ensino; preconceito linguístico; crenças e atitudes.

 

Minibiografias:

Taciane Marcelle Marques – Graduação em Licenciatura em Língua Portuguesa e Respectivas Literaturas – Universidade Estadual de Londrina e Habilitação em Língua e Culturas Francesas – UEL. Especialista em Psicologia Aplicada à Educação – UEL. Mestra em Estudos da Linguagem, pela UEL. Doutoranda em Estudos da Linguagem. Atualmente, participa do Projeto de Pesquisa VALEN e é professora da rede pública de ensino Fundamental e Médio.

Wéllem Aparecida de Freitas Semczuk – Doutoranda no Programa de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Londrina. Mestre em Estudos da Linguagem com ênfase em Linguagem e Ensino. Especialista em Língua Portuguesa e graduada em Letras Vernáculas e Clássicas, com habilitação em Língua Portuguesa e suas respectivas Literaturas/UEL. Atualmente é professora da Universidade Norte do Paraná – modalidade EaD e participa do Projeto de Pesquisa VALE: Variação Linguística na Escola: propostas didáticas.


Comunicação 3

Advérbios locativos em leads de jornais: comportamento multifuncional

Autoras:

Adriana Castro Xavier – UESC – dicadecastro@hotmail.com

Gessilene Silveira Kanthack – UESC/UFSC – gskanthack@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho objetiva apresentar uma descrição sobre o comportamento morfossintático-semântico dos advérbios circunstanciais, em específico os locativos, visando a demonstrar que, em situações reais de uso, essa classe gramatical apresenta especificidades que, comumente, não são contempladas pelas gramáticas de orientação normativa e, consequentemente, não trabalhadas em sala de aula. Para tal, utilizamos como corpus leads presentes nos jornais Folha de São Paulo e À tarde, de circulação impressa e on-line, referentes ao mês de agosto de 2015. Fundamentados em estudos de base funcionalista (ILARI et al, 1991; NEVES, 2011; CASTILHO, 2014; entre outros) sobre as inúmeras propriedades dos advérbios, constatamos que os locativos apresentam um comportamento morfossintático-semântico bastante variado: além de adjunto adverbial, desempenham outras funções como a de complemento verbal e de adjunto nominal; sua mobilidade e posicionamento estão condicionados à função sintática que exercem na oração; são utilizados comumente em sua forma composta e apresentam diferentes nuances semânticas. Espera-se que as considerações provenientes deste trabalho possam contribuir para as pesquisas de cunho linguístico que procuram confirmar a natureza heterogênea e funcional da língua, bem como para a prática docente do professor de Língua Portuguesa, particularmente no que se refere ao ensino da categoria advérbio no âmbito do português brasileiro.

Palavras-chave: Advérbios locativos; Morfossintaxe; Semântica; Funcionalismo.

 

Minibiografias:

Adriana Castro Xavier tem graduação em Letras pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC-BA), especialização em Leitura e Produção Textual pela UESC e é mestranda em Letras: Linguagens e Representações pela UESC. É tutora a distância da EAD, do curso Letras Vernáculas, e professora na rede pública do Estado da Bahia, ministrando aulas para o Ensino Médio.

Gessilene Silveira Kanthack é doutora em Linguística pela UFSC, professora titular da UESC – Universidade Estadual de Ilhéus-BA e integra o programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagens e Representações e PROFLETRAS. Desenvolve pesquisas na área da sintaxe, contemplando aspectos de mudança.


Comunicação 4

Norma culta e norma-padrão: distanciamento a partir de dados linguísticos do Brasil

Autora:

Joyce Elaine de Almeida Baronas – UEL – joycealmeidabaronas@uol.com.br

 

Resumo:

O ensino de Língua Portuguesa, no Brasil, já se alterou consideravelmente, se comparado aos anos anteriores, entretanto ainda carece dos resultados das pesquisas realizadas no ambiente acadêmico, pois continua, em sua grande maioria, prescrevendo regras gramaticais da gramática normativa, sem uma prévia discussão do que vem a ser efetivamente a norma padrão. Na escola, em geral, não se discutem questões cruciais para a abordagem da língua, como o distanciamento entre o que é prescrito pela gramática tradicional e o que é falado e escrito na norma culta. Diante dessas considerações, é preciso que a escola repense a forma de tratar a língua, visto que já não é possível esperar que os alunos aceitem regras excessivamente abstratas, que em nada retratam a realidade linguística que vivenciam. Ressalta-se que não é objetivo desta pesquisa descartar o ensino gramatical, muito pelo contrário: propõe-se sim o estudo gramatical de forma que o professor seja capaz de apresentar a prescrição gramatical aliada à análise de textos escritos na norma culta do Brasil, a fim de comparar as diferentes normas e compreendê-las. Dessa forma, a presente pesquisa propõe uma comparação entre o que é prescrito pela tradição gramatical e o que é praticado na norma culta do Brasil a partir da análise de textos publicados em 2016 em um jornal da cidade de Londrina-PR. A análise dos textos sinaliza um distanciamento entre o que é prescrito pela gramática normativa e o que efetivamente é possível se realizar em textos redigidos na norma culta, fato que deve ser levado para a sala de aula com vistas a evidenciar aos alunos tal distanciamento.

Palavras-chave: normas; ensino de língua portuguesa; variação e ensino.

 

Minibiografia:

Possui mestrado em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (1996), doutorado em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2005) e pós-doutorado em Linguística pela UnB (2014). Atualmente é professora associada da Universidade Estadual de Londrina. Atua na Graduação, na Pós-Graduação Lato Sensu e Stricto Sensu. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística Educacional.


Comunicação 5

Gêneros textuais e diversidade linguística: algumas reflexões sobre o ensino de língua portuguesa na escola

Autor:

Flávio Brandão Silva – UEL/UNESPAR – brandao77@uol.com.br

 

Resumo:

Um dos desafios que o ensino de língua portuguesa na escola apresenta é o de formar alunos realmente proficientes quanto ao uso da língua materna em situações diversas de interação verbal. O ensino de Língua Portuguesa, portanto, deve ter como parâmetro uma concepção que privilegie, no processo de aquisição, o aprimoramento da língua materna, a história, o sujeito e o contexto, deixando de ser somente o repasse de regras ou mera nomenclatura da gramática tradicional, para oportunizar atividades escolares mais próximas das práticas sociais letradas e cidadãs. Assim, é importante que a escola ofereça aos educandos instrumentos necessários, para que eles possam adequar a sua linguagem às situações formais que vivenciam, como também, possam avaliar quais situações comunicativas permitem o uso de um registro formal ou informal, sem que isso traga prejuízos à comunicação. Buscando desenvolver e aprimorar a capacidade comunicativa dos alunos, já há algum tempo, a escola, no Brasil, vem concentrando esforços no trabalho com os gêneros textuais, pois oportunizam uma prática pedagógica a partir de enunciados concretos, resultado das relações interpessoais. Com isso, as aulas de português perdem seu caráter exclusivamente dogmático e prescritivo e passam a mostrar que a língua a ser estudada pode apresentar-se de forma diferente e específica em cada situação de interação. Assim sendo, este trabalho propõe uma discussão acerca da adequação da linguagem usada pelo aluno na produção de gêneros textuais. O trabalho tomará como base redações escolares que versam sobre o gênero epistolar. A partir da análise dos textos produzidos, espera-se identificar se o aluno faz uso consciente da língua, adequando-o ao nível de formalidade que a situação comunicativa exige, uma vez que um trabalho com a linguagem, abordando a possibilidade de diferentes usos linguísticos, conforme a situação de interação em que o sujeito se encontra, tende a ser mais eficaz.

Palavras-chave: ensino de língua portuguesa; gêneros textuais; adequação da linguagem.

 

Minibiografia:

Graduação em Letras Português, pela Universidade Estadual de Maringá e mestrado em Linguística e Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Atualmente, cursa doutorado em Estudos da Linguagem, pela Universidade Estadual de Londrina. É docente do curso de Letras, da Universidade Estadual do Paraná, desde 2007, onde atua nas áreas de ensino de língua portuguesa e sociolinguística educacional. É membro do GT de Sociolinguística da ANPOLL.


Comunicação 6

A articulação de diversos gêneros para o desenvolvimento da fala e da escrita na escola que visem à instrumentalização de sujeitos para o enfrentamento social

Autores:

Sinval Martins de Sousa Filho – UFG – sinvalfilho7@gmail.com

Rosângela Costa da Silva – UFG – roseletras6@gmail.com

 

Resumo:

A presente pesquisa tem como objetivo refletir sobre a forma como ocorre o processo de fala e escrita na escola pública e a relevância desses processos na construção do conhecimento na sociedade contemporânea. Através de uma metodologia centrada na pesquisa-ação, são descritas e analisadas situações de ensino-aprendizado realizadas em sala de aula composta por alunos do 3º ano do Ensino Médio. Para tanto, recorreu-se às teorias de Bakhtin (2003, 2006), porque ele considerara a linguagem como fenômeno social. Para esse autor, a língua é coletiva, dialógica e evolui historicamente por meio da comunicação verbal que se materializa na diversidade de gêneros discursivos. Com essa pesquisa, espera-se contribuir na prática docente e, assim, sugerir atividades para que os alunos desenvolvam as habilidades de fala e escrita e sejam inseridos efetivamente no universo da escrita.

Palavras-chave: Escrita; fala; dialogismo; gênero discursivo.

 

Minibiografias:

Sinval Martins de Sousa Filho: Professor Associado (DE) na Faculdade de Letras – Universidade Federal de Goiás, onde atua na Graduação e na Pós-graduação (Estudos Linguísticos), tem Pós-Doutorado em Psicolinguística, é Mestre e Doutor em Letras e Linguística. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Ensino de Língua Portuguesa, Linguística e formação inicial e continuada de professores.

Rosângela Costa da Silva: Graduada em Letras pela UFG (2006), onde também cursou mestrado em Letras e Linguística (2014). Atualmente cursa doutorado em Linguística na Faculdade de Letras da UFG. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase nos estudos dos gêneros discursivos. Dedica-se à pesquisa sobre o modo como se dá a leitura e a produção textual, à luz dos pressupostos teóricos derivados dos estudos dos textos e do discurso.


Comunicação 7

Usos do livro didático na aula de português: em busca do dialogismo

Autora:

Ester Maria de Figueiredo Souza – UESB – emfsouza@gmail.com

 

Resumo:

A proposta de comunicação se insere no escopo das problematizações acerca da busca de definição de novas metodologias de ensino de línguas que abdiquem de prescrições metodológicas para organização da aula. A investigação explora estratégias de ensino utilizadas por docentes de língua portuguesa. A partir da exploração das atividades propostas pelo livro de língua portuguesa, apresenta-se esse como um dos recursos de ensino que mobiliza gestos autorais do professor para a produção do conhecimento sobre a língua. Prioriza-se a análise dos enunciados docentes relacionados com a atividade do livro didático selecionada e proposta pelo professor, quando da organização da aula de português entre o planejado e o realizado pelos alunos. Assim, expõe-se a natureza da interação didática entre professores e alunos em busca da construção e apropriação de conteúdos de língua. Para tanto, apresentam-se episódios da aula com a indicação das didáticas estratégias, analisando esses episódios nos aportes teóricos da Linguística Aplicada e da abordagem etnográfica da cultura escolar.

Palavras-chave: Ensino de português; interação didática; livro didático.

 

Minibiografia:

Doutora em Educação e tem pós-doutorado em Linguística. É Professora Plena da UESB, atuando nos cursos de licenciatura em Letras e nos Programas de Pós-graduação em Letras (cultura, educação e linguagens) e em Educação. É líder do Grupo de Pesquisa Linguagem e Educação (GPLED/CNPq), orientando pesquisas sobre ensino de língua portuguesas, interação em contextos didáticos, gêneros discursivos e ensino, formação de docentes de línguas e políticas linguísticas.


Comunicação 8

Mediação didático-pedagógica para o estudo e uso do então no Ensino Fundamental

Autora:

Patrícia Gomes de Oliveira – Faculdade Cenecista de Itaboraí  e Faculdade Cenecista de Rio Bonito – pattygomesdeoliveira@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho tem como objetivo desenvolver uma proposta de mediação didático-pedagógica, de base colaborativa, para o estudo e uso do vocábulo então, direcionados a alunos do nono ano do ensino fundamental de uma escola pública do município de Itaboraí, estado do Rio de Janeiro. Para tanto, partiu-se de estudos linguísticos sobre tal elemento linguístico, principalmente os de gramaticalização, destacando-se o de Martelotta (1996) e o de Rodrigues (2009). Procedeu-se a uma análise, também qualitativa, dos gêneros narrativos e/ou discursivos (carta pessoal, carta do leitor e narrativa autobiográfica) produzidos pelos discentes. A proposta sustenta-se em uma abordagem linguística: a dos Contínuos (BORTONI-RICARDO, 2004), com ênfase no contínuo oralidade-letramento, e em uma teoria pedagógica: a de base colaborativa (BEHRENS, 2013). O projeto desenvolveu-se, inicialmente, por meio de textos imagéticos e verbais (texto humorístico e resenha) presentes na rede internacional de computadores (internet), cujos conteúdos remetiam à observação do vocábulo em questão. Em seguida, durante as aulas teóricas exploratórias, os discentes foram motivados a pesquisar nas redes sociais – facebook e whatsapp – exemplos de textos em que o termo então se fizesse presente, destacando as relações de sentido atribuídas a tal palavra. E, por fim, para que a experiência linguística acontecesse de fato, os estudantes foram motivados a produzir um texto (convite), com o intuito de convocar a comunidade escolar para a participação de um evento organizado e promovido por eles. A produção textual seria compartilhada nas suas redes sociais dos educandos para consolidar a hipótese apresentada.

Palavras-chave: Então; Língua Portuguesa; ensino colaborativo; análise linguística.

 

Minibiografia:

Mestre em Letras pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Especialista em Gestão Escolar pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Atualmente, é professora do ensino básico da rede pública estadual de educação do Rio de Janeiro e professora das Faculdades Cenecistas de Itaboraí (Facnec) e Rio Bonito (Facerb).


Comunicação 9

O ensino da língua, a prática docente e as bases teóricas

Autora:

Sonia Merith-Claras – Universidade Estadual do Centro Oeste/UNICENTRO – soniaclame@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho pretende refletir sobre as perspectivas teóricas subjacentes, no que tange à proposta de ensino da língua na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – nas duas versões preliminares (2015, 2016), a qual norteará o fazer docente na Educação Básica. Primeiramente, assim como já propunham os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, 1998),  a Base (2015) sugere o  ensino da língua na perspectiva  de “USO-REFLE­XÃO-USO”, denominando este processo como eixo análise linguística. Assim sendo, o ensino da língua deve perpassar o trabalho com a oralidade, leitura, escrita, como também o processo de apropriação do sistema de escrita alfabético/ortográfico e de tecnologias da escrita.  Na segunda versão da Base (2016),  a proposta  de ensino da língua, alicerçada nos pressupostos da análise linguística, cedeu espaço para uma perspectiva funcional de abordagem da língua/gramática. Denominado eixo conhecimento sobre a língua e sobre a norma,  o Documento traz, diferente da primeira versão, objetivos de aprendizagem tanto sobre conhecimentos gramaticais como “regras e convenções de usos formais da língua”,  que darão suporte, complementarão o ensino dos demais eixos, leitura, escrita e oralidade.  Alicerçados na perspectiva da Análise Linguística, a qual prevê o ensino da língua integrado às atividades/práticas de leitura, escrita e reescrita de textos/gêneros discursivos, conforme propõem  Geraldi (1984, 1990) e Mendonça (2006), destacamos neste estudo as principais diferenças, bem como o viés teórico que sustenta as versões do documento em questão. Em suma, a partir desta análise, intentamos conhecer qual metodologia deverá ser adotada pelo professor da Educação Básica, acerca do ensino do português do Brasil.

Palavras-chave:  Ensino; Língua; Gramática; Análise Linguística; Base Nacional Comum Curricular.

 

Minibiografia:

Professora do quadro efetivo do Departamento de Letras da UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro Oeste. Doutora em Estudos da Linguagem pela Universidade Estadual de Londrina. Líder do Grupo de Pesquisa Ensino de Língua e Literatura, filiada à linha de pesquisa Ensino de Língua e Literatura e Formação Inicial de Professores. Membro do Laboratório em Estudos Linguísticos e Literários (LABELL).


Comunicação 10

Os estudos sociolinguísticos no ensino: um diagnóstico dos anos iniciais

Autoras:

Álida Laryssa Espozetti de Assis – UEL – espozetti@gmail.com

Rebeca Louzada Macedo – UEL – rebeca.macedo@yahoo.com.br

 

Resumo:

O ensino de Língua Portuguesa nas escolas voltou-se, durante muito tempo, às normas prescritivas, preocupando-se com o aprendizado de nomenclaturas e ignorando, até mesmo, desprezando, as variedades que fogem aos limites da norma-padrão. No entanto, com o despontar dos estudos sociolinguísticos, o ensino de Língua Portuguesa passou a ser revisitado e muitos trabalhos recentes têm buscado formas de enriquecer o ensino com as variedades linguísticas faladas e conhecidas pelos alunos, voltando-se para o desempenho linguístico em situações diversas. Diante destes estudos, este trabalho tem como objetivo analisar a presença dos estudos sociolinguísticos no ensino de Língua Portuguesa para os anos iniciais. A presente pesquisa justifica-se na crença de que, a partir dos primeiros anos do ensino regular, o aluno já deverá ter um ensino de Língua Portuguesa pautado por uma Pedagogia da Variação, na qual as variedades trazidas para sala de aula sejam respeitadas e utilizadas como forma de reflexão sobre a língua, oportunizando ao aluno a ampliação de seus recursos linguísticos, para saber adequar sua linguagem a cada situação de uso. Para o cumprimento deste objetivo, foi selecionada uma escola pública da cidade de Londrina-PR, na qual aulas foram observadas, materiais didáticos foram analisados e aplicaram-se questionários para professores e alunos, objetivando atingir todas as esferas da sala de aula. Por fim, analisaram-se todos os dados, com o propósito de alcançar um diagnóstico do ensino de Língua Portuguesa nos anos iniciais na escola selecionada. Os resultados obtidos demonstraram a influência do professor nas crenças dos alunos sobre a variedade linguística que falam e conhecem e a importância da ação docente no que se refere à presença dos estudos sociolinguísticos no ensino de Língua Portuguesa.

Palavras-chave: Anos iniciais; ensino; pedagogia da variação; sociolinguística.

 

Minibiografias:

Álida Laryssa Espozetti de Assis: Graduada em licenciatura em Letras Vernáculas e Clássicas pela Universidade Estadual de Londrina. Especialista em Língua Portuguesa e Mestre em Estudos da Linguagem, com foco em Sociolinguística Educacional, ambos pela Universidade Estadual de Londrina. Atua no ensino de Língua Portuguesa em instituições privadas e públicas. É doutoranda em Estudos da Linguagem.

Rebeca Louzada Macedo: Graduada em licenciatura em Letras Vernáculas e Clássicas na Universidade Estadual de Londrina, completou o Mestrado em Estudos da Linguagem, com foco na variação diacrônica e na mudança linguística presentes no percurso histórico dos verbos ter e haver. Atuou no ensino de Língua Portuguesa de instituições privadas e profissionalizante. Hoje é doutoranda em Estudos da Linguagem e bolsista do programa CAPES.