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Simpósio 38

SIMPÓSIO 38 – PLURALIDADE CULTURAL, PRÁXIS E ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

 

Coordenadores:

Tatiana Aparecida Moreira | Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes – campus Venda Nova do Imigrante) | moreira.tatyana@gmail.com

André Effgen de Aguiar | Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo | aeffgen@gmail.com

 

Resumo:

Este simpósio tem como objetivo congregar pesquisas que sejam resultantes de discussões que abarquem a pluralidade cultural que permeia a sociedade, principalmente, as que se referem a práticas de ensino de língua portuguesa, em suas dimensões histórica, social, ideológica e política, uma vez que os envolvidos nesse processo, tanto professores quanto alunos e demais membros da comunidade escolar e/ou acadêmica, constituem-se na/pela alteridade, que é diversa e plural, para com outrem. Essas discussões, ao se inserirem no tema geral do VI Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa – A união na diversidade -, deverão estar ligadas a esferas de comunicação que estejam relacionadas à canção popular, à literatura, às artes visuais, à mídia impressa e eletrônica, ao cinema e ao teatro. Para tal, pretende-se que os trabalhos propostos partam da perspectiva dialógica e interacional de linguagem de Bakhtin, de Volochínov, de Medviédev e demais membros do Círculo, por meio da qual as análises e trabalhos apresentados se embasarão do ponto de vista teórico e metodológico. Outrossim, outras perspectivas teóricas, como as dos estudos culturais, das análises do discurso, da argumentação, da sociolinguística e de estudos do texto, que dialoguem com os trabalhos do Círculo de Bakhtin, também serão contribuições relevantes para a ampliação de discussões sobre práticas de ensino, tanto na educação básica quanto na educação superior. Dessa forma, esperamos que as articulações feitas, tanto do escopo teórico e metodológico quanto de sua mobilização na materialidade do corpus, fomentem e ampliem diálogos, sejam estes de embate ou de harmonia, sobre o ensino de língua portuguesa e de sua projeção no sistema mundial.

Palavras-chave: Pluralidade Cultural, Práxis, Ensino de língua portuguesa, Círculo de Bakhtin.

 

Minibiografias: 

Tatiana Moreira

Doutora em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com estágio doutoral na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), Portugal. Graduada em Letras/Português, Especialista e Mestre em Estudos Linguísticos pela UFES. Professora da educação básica e da educação superior. Membro dos grupos de pesquisa: Grupo de Estudos dos Gêneros do Discurso (GEGe/UFSCar) e Grupo de Estudos Bakhtinianos (GEBAKH/UFES). Principais temas de interesse: autoria, rap, Hip Hop, práticas de ensino, alteridade.

André de Aguiar

Mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Graduado em Letras/Português pela UFES. Professor do curso de Letras Português EaD do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES). Coordenador de área do PIBID Letras EaD do IFES. Trabalha com formação de professores de Língua Portuguesa. Membro do grupo de pesquisa: Grupo de Estudos Bakhtinianos (GEBAKH/UFES). Principais temas de interesse: práticas de ensino, argumentação, retórica e análise do discurso.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

 

 

Comunicação 1

As vozes sociais agenciadas no ensaio escolar sobre fatos do cotidiano: “O Brasil em manifestações”

Autoras:

Andréa Pessôa dos Santos/UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro/ a.pessoas@ig.com.br

Cecilia M. A. Goulart/UFF – Universidade Federal Fluminense/goulartcecilia@uol.com.br

 

Resumo:

Este trabalho apresenta resultados parciais de nossa pesquisa de doutorado (SANTOS, 2015) realizada em uma escola municipal localizada na região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, Brasil. A pesquisa objetivou compreender aspectos da organização de textos escritos por alunos dos anos iniciais do ensino fundamental. As bases teóricas foram buscadas especialmente em Bakhtin (1992), Ginzburg (2002), Corrêa (1998) e Sobral (2009). A fim de estabelecer focos de análise que nos permitissem detectar indícios das relações estabelecidas nas situações concretas observadas em sala de aula e na organização dos textos escritos pelos alunos-escreventes, assumimos o enunciado concreto como o principal material de análise da investigação. Analisamos tanto os enunciados escritos produzidos pelos estudantes, quanto os enunciados produzidos pelo professor nas aulas observadas. Com base nesse duplo movimento de pesquisa, estabelecemos três focos que nortearam as análises: 1) as posições enunciativas assumidas na dinâmica da alternância dos sujeitos do discurso, implicados no curso das relações dialógicas e relações de ensino, estabelecidas no espaçotempo de sala de aula; 2) as vozes sociais agenciadas na elaboração dos projetos enunciativos de alunos e professora, reveladas no curso das negociações de sentidos na dinâmica das aulas; 3) as vozes sociais agenciadas na execução dos projetos enunciativos dos alunos, entrevistas nos textos infantis analisados. As análises a serem apresentadas fazem parte do material de pesquisa produzido em atividades planejadas a partir da grande repercussão de protestos ocorridos em várias cidades brasileiras entre os meses de junho e agosto de 2013. Fato que ficou conhecido como “Manifestações de Junho de 2013”, “Jornadas de Junho” ou “Manifestações dos 20 centavos”. Os resultados obtidos permitem afirmar que a escrita infantil se organiza de modos variados, a depender dos propósitos comunicativos do escrevente em sua permanente relação tanto com o projeto enunciativo encaminhado pela professora quanto com seu próprio querer-dizer.

Palavras-chave: gêneros do discurso; ensino de Língua Portuguesa; prática Pedagógica .

 

Minibiografias:

Autora 01 – Professora adjunta da Faculdade de Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Caxias, Rio de Janeiro/Brasil. Doutora em Educação, 2015, UFF. Mestre em Educação, 2008, UFF. Pósgraduada em: Leitura e produção de texto, 2005, IL/UFF; Literatura Infanto-juvenil, 1999, IL/UFF e Psicopedagogia, 2002, UFBA. Graduada em Pedagogia, 1993, UFF.

Autora 02 – Professora titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, Niterói, Rio de Janeiro/Brasil. Doutora em Letras, 1997. Líder do grupo de pesquisa/CNPq ‘Linguagem, cultura e práticas educativas’, desde 2002. Pós-doutoramento, 2014, UNICAMP. Coordenadora do PROALE – Programa de Alfabetização e Leitura (2002-2014), na UFF. Coordenadora do GT Alfabetização, leitura e escrita, da ANPEd (1998-1999). Vice-presidente da Associação Brasileira de Alfabetização – ABAlf (2012-2014).


Comunicação 2

Interfaces entre literatura e cinema e suas aprendizagens na educação básica

 

Autoras:

Juçara Moreira Teixeira – FAE/UFMG – jucaramoreirateixeira@gmail.com

Celia Abicalil Belmiro – FAE/UFMG – celiaabicalil@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho objetiva discutir possibilidades de ensino-aprendizagem da literatura em interface com as adaptações cinematográficas de obras literárias no contexto da escola de educação básica. Acredita-se que, no contexto atual, há de se repensar a formação do leitor, que tem ocorrido de modos múltiplos e exige do professor propostas diferenciadas de ensino que visem abarcar a complexidade das produções culturais e suas possibilidades de inserção no contexto escolar. Parte-se do pressuposto de que o literário tem seu espaço consolidado na obra literária, mas também pode ocupar outros espaços, encontrando uma expressiva repercussão nos filmes baseados em obras literárias. Apresentar-se-á a metodologia da pesquisa de campo realizada com alunos do Ensino Fundamental II de uma escola pública brasileira, em que se buscou realizar algumas propostas de reorientação da prática pedagógica acerca da aprendizagem da literatura em interface com as adaptações cinematográficas, conforme já exposto. O suporte teórico dessa investigação baseia-se em: Cosson (2014), que discute os diversos espaços sociais, suportes e gêneros que podem ser ocupados pela literatura e pelo teor literário; Lajolo (1994), a respeito do espaço de literatura na escola; Duarte (2009), sobre o cinema na escola; Benjamin (2011), acerca da tradução; Bakhtin (2011), sobre dialogismo; e em Diniz (2005), que aborda as especificidades da tradução da literatura para o cinema. Serão abordadas as capacidades que precisam ser consideradas quando se pretende formar leitores de textos literários e espectadores (também leitores, em uma acepção ampla) de filmes baseados em obras literárias, no sentido de que a nova formação do leitor consiste em possibilitar-lhe uma ampliação da visão de literatura e do literário, dos espaços ocupados pela literatura, do conhecimento das diferentes linguagens e da compreensão e valorização das relações intertextuais e intersemióticas quando se trata de literatura e cinema. 

Palavras-chave: literatura; cinema; interface; ensino.

 

Minibiografias

Celia Abicalil Belmiro, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação – UFMG, Brasil, pós-doutorado na University of Cambridge-UK, pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita – (CEALE/UFMG). Coordena grupos de pesquisa em letramento literário e formação de leitores literários, com diversas publicações. É editora de livros sobre educação literária, editora adjunta do periódico Educação em Revista , da Pós-Graduação da FaE/UFMG.

Juçara Moreira Teixeira, professora do Centro Pedagógico da Escola de Educação Básica e Profissional da UFMG, Brasil. Doutoranda em Educação na Faculdade de Educação da UFMG, Mestre em Letras, Bacharel em Estudos Literários e Licenciada em Letras – Língua Portuguesa.  Realiza pesquisas e possui publicações sobre Análise do Discurso, ensino-aprendizagem da leitura e da escrita, leitura literária e interface literatura-cinema, e atua na formação de professores do Ensino Básico.


Comunicação 3

Gênero, democracia e classes sociais na literatura infantil: discussões para além do Era uma vez

 

Autora:

Mariana Passos Ramalhete – Universidade Federal do Espírito Santo / Capes – marianaramalhete@yahoo.com.br

 

Resumo:

Candido (1988) afirma que todo ser humano tem a necessidade de fantasia e que a literatura é um bem incompressível, um direito. Dalvi (2012) assegura que a leitura ativa a possibilidade de ação sobre os textos do mundo. Pautando-se nessas perspectivas sobre o texto literário e considerando o contexto brasileiro, ancorado num recrudescimento das políticas neoliberais, que subjugam seres humanos e solidificam, ainda mais, as diferenças entre as classes sociais, este trabalho visa a tecer algumas discussões inerentes às questões culturais, sociais e econômicas, valendo-se, para tanto, de uma análise breve de quatro livros infantis da coleção Boitatá Livros para o Amanhã, a saber: A democracia a pode ser assim; A ditadura é assim; As mulheres e os homens e O que são classes sociais?. Tal diálogo será estabelecido a partir dos pressupostos bakhtinianos da linguagem, meditando, sobretudo, acerca da natureza ideológica dos signos.  Assim, interessa, nesta proposta, observar não só questões inerentes à materialidade das obras, mas as escolhas lexicais, no discurso ora proposto, que apontam para um questionamento das desigualdades e vilanias da sociedade capitalista. Anseia-se, com esse estudo, ratificar a máxima de Todorov (2009) de que a “literatura pode muito” e, assim, no contexto da literatura juvenil, mostrar a necessidade de luta, de temer jamais.

Palavras-chave: literatura infantil; Bakhtin; democracia; coleção Boitatá.

 

Minibiografia:

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação e Filosofia da Ufes (Nepefil/CE/Ufes) e do grupo de pesquisa interinstitucional Literatura e Educação. 


 Comunicação 4

A construção e o compartilhamento de conhecimentos entre discentes no IFRN

 

Autora:

Fernanda de Moura Ferreira – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) – fernanda.ferreira@ifrn.edu.br

 

Resumo:

Este trabalho objetiva discutir o projeto “Autonomia discente: construção e compartilhamento de conhecimento no IFRN”, em execução entre os anos de 2016 e 2017, no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), visando a incentivar o corpo discente a externar à comunidade escolar seus conhecimentos e habilidades adquiridos em lugares não escolares e que estão para além dos conteúdos programáticos do ensino formal de nível médio, sob o formato de palestras e oficinas conduzidas por alunos do Instituto. O projeto surgiu durante as reuniões de um clube de leitura em que um grupo de alunos propôs à docente a realização de palestras protagonizadas por eles sobre textos de sua preferência, com o intuito de compartilhar informações sobre temáticas não contempladas no ensino formal (técnicas de desenho de mangá, aspectos sócio-históricos de histórias em quadrinhos que ganharam visibilidade, poemas construídos com linguagem de programação, etc.), mas que estabelecem pontes com conteúdos formais (gêneros textuais, produção de sentido, por exemplo) e são do interesse de um grande número de discentes. Tal projeto se apresenta enquanto alternativa de trabalho no que diz respeito ao ensino de língua materna, por ser um espaço a mais para o discente no exercício de sua fala pública formal, articular conhecimentos de diversas áreas e estimular a leitura. Os resultados estão sendo construídos ao longo do desenvolvimento do projeto, contando até o momento apenas com os comentários positivos da comunidade escolar. Para embasar esta pesquisa, foram utilizadas as reflexões teóricas de Brandão (2007) e Freire (1979, 1996), sobre educação; Antunes (2011), acerca do ensino de língua portuguesa; Bakhtin (2006, 2010), no tocante aos conceitos de língua, enunciado, palavra de outrem e exotopia. Este trabalho se enquadra na área de investigação da Linguística Aplicada ao estudar o modo como a língua constitui e é constituída no social.

Palavras-chave: projeto; ensino de língua materna; IFRN; leitura; discência.

 

Minibiografia:

Fernanda de Moura Ferreira é professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, campus João Câmara, tem graduação em Letras com habilitação em língua portuguesa e literatura, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e mestrado em Linguística Aplicada pela mesma instituição. Trabalha com a análise de textos verbovisuais e com as noções de dialogismo, axiologia e carnavalização em perspectiva bakhtiniana.


Comunicação 5

“E o trabalho ficou a minha cara”: identidade e alteridade na escrita acadêmica

 

Autora:

Victoria Wilson -Universidade do Estado do Rio de Janeiro-Faculdade de Formação de Professores – vicwilsoncc@gmail.com

 

Resumo:

Ao analisar a escrita acadêmica de alunos de graduação em Letras, recorri ao conceito de “heterociência” de Bakhtin (2003) para refletir e discutir os modos heterogêneos constitutivos do letramento acadêmico no contexto de formação de professores à luz da Linguística Aplicada (indisciplinar, segundo Moita Lopes, 2006). No processo de elaboração de textos como projetos e monografias, os alunos se deparam com dificuldades (ou singularidades?) inerentes ao gênero, projetando na escrita aspectos linguísticos (discursivos, estilísticos) que apontam para certas idiossincrasias, tais como a transição entre a palavra alheia e a palavra internamente persuasiva ou palavra própria-outra (Bakhtin, 2006). O aspecto polifônico da linguagem, presente nos textos dos alunos, ecoa linguagens, conhecimentos, experiências (próprias, subjetivas) que passam a contracenar com as normatizações, estilos (outros-próprios do gênero científico e do contexto) que modelam o letramento acadêmico em movimentos aparentemente contraditórios no sentido de evocar projeções de identidade dos alunos no processo de apropriação da palavra alheia. Dessa forma, o conceito de identidade será explorado, considerando o dialogismo como princípio constitutivo do “eu”, pois é “o outro que nos humaniza, nos convocando a ser ‘eu’ na relação com ele, nos dialogizando” (SOUZA, 2016, p.223). O paradigma indiciário, proposto por Ginzburg (1989), norteia a pesquisa que busca as singularidades para compreender a mudança do paradigma científico dominante em pesquisas das áreas humanas, especialmente a Educação. Assim, as contribuições de Mitayo (2014) e Boaventura Sousa Santos (2010) podem contribuir para repensarmos outras racionalidades científicas no contexto da educação a fim de que seja possível valorizar e compreender o conhecimento ordinário (que a ciência moderna insistiu em considerar irrelevante, falso e ilusório) como forma de conhecimento possível nesse contexto.

Palavras-chave: escrita acadêmica; identidade; alteridade; racionalidade científica.

 

Minibiografia:

Doutorado em Letras (Linguística) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2000). Concluiu pós-doutoramento na Universidade Federal Fluminense (2009). Professora associada de Linguística da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Participa do grupo de pesquisa Linguagem, Cultura e Práticas educativas da Universidade Federal Fluminense; líder do grupo de pesquisa Linguagem&Sociedade.


Comunicação 6

Sendo indígena no contexto urbano de Parintins – Amazonas

Autor:

Franklin Roosevelt Martins de Castro – Universidade do Estado do Amazonas/ Universidade Estadual de Campinas – fknroosevelt@hotmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é refletir sobre as identidades indígenas em contextos urbanos, com foco no espaço escolar que se constitui enquanto território de interculturalismo entre os não-índios cuja língua materna é a língua portuguesa, e os indígenas da etnia Sateré-Mawé, que se deslocam para os centros urbanos da Amazônia, com a principal justificativa de estudar e aprender a língua portuguesa.  A matriz teórica usada foi de caráter interdisciplinar, destacando-se Foucault (2014), Goffman (2014), Bakhtin (1981) e Freire (2003) que nos possibilitam pensar a relação maior entre língua, cultura e sociedade, com destaque para as relações de dominação que podem existir através da língua dominante, neste caso específico o Português, o qual exerce um poder simbólico quando tratamos de questões de contato linguístico. Para este trabalho realizamos observações etnográficas na escola, e aplicação de questionário aos alunos indígenas, funcionários e estudantes, totalizando uma amostra de quinze entrevistas. Os resultados obtidos sinalizam que os não-índios ainda veem o índio idealizado em seus costumes pré-colombiano, enquanto os indígenas relatam que sua principal dificuldade é o uso padrão da Língua Portuguesa. Portanto, o ensino da Língua Portuguesa para adolescentes indígenas envolve diretamente questões de identidades, interculturalismo e relações de poder. 

Palavras-chave: identidades; indígenas urbanos; Língua Portuguesa.

 

Minibiografia:

Franklin Roosevelt Martins de Castro – Doutorando em Linguística na UNICAMP, Professor da Universidade do Estado do Amazonas. Atua na linha de pesquisa língua, cultura e sociedade. Desenvolve pesquisa de doutorado sobre as identidades em contexto de exclusão e diversidade com foco nos terreiros de umbanda, indígenas urbanos e LGBT.


Comunicação 7

Resgate da literatura oral: do conto à fanzinagem

Autora:

Andrea Gomes Barbosa – Instituto Federal Fluminense – andrea07gomes@yahoo.com.br

 

Resumo:

As políticas educacionais têm implementado ações que visem acolher no âmbito escolar as experiências culturais dos alunos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais destacam a necessidade do levantamento e valorização das formas de produção cultural mediadas pela tradição oral. Segundo os PCN’s (1998, p.156), a valorização dessas vozes no cotidiano da escola implica pesquisas de cunho literário e também junto à comunidade, por meio de depoimentos que muitas vezes não têm registros nas escritas de nossas histórias. Tratar da tradição oral de diferentes grupos étnicos e culturais terá, assim, tanto um sentido de exploração de linguagem quanto de conhecimento de elementos ligados a diferentes tradições culturais.  O projeto Em cada canto, um conto tem por objetivo resgatar a literatura oral. Inicialmente os alunos realizam pesquisas relacionadas ao tema em suas comunidades, levam o resultado à escola, junto à equipe do projeto fazem a transposição do código oral para o escrito, e, após a transcriação, retornam a produção final à comunidade. Para tal, os alunos recorrem a conteúdos relacionados não só à Literatura, mas também a outras disciplinas que se façam necessárias, articulando diversas áreas do conhecimento humano. A composição final compreende o registro de coletânea de narrativas e a socialização do material produzido com a comunidade pesquisada é feita através de círculos de leitura, roda de contação de histórias ou lançamento de revista.  Destaca-se a parceria estabelecida com o projeto de extensão IFFanzine.  O mesmo auxilia na etapa de transposição artística das narrativas recolhidas, fornecendo técnicas de criação, ilustração e edição de revistas artesanais. Dessa parceria, nasceu a Traços de Memória que está em sua segunda edição. Produzida com base no material coletado, o fanzine tem levado a todo país, de forma artística, os causos, contos, lendas e relatos de memória da comunidade atendida.

Palavras-chave: tradição e memória; literatura oral; narração de histórias; fanzines.

 

Minibiografia:

Mestranda em Letras pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Professora do Instituto Federal Fluminense e da rede municipal de Cabo Frio. Coordenadora dos projetos de extensão “Em cada canto, um conto” e “Em cada conto, um encanto”. Membro (pesquisador) do Núcleo de Pesquisa de políticas Públicas em Educação (NUPPED/IFF).


Comunicação 8

A construção colaborativa de autoria com a ferramenta Google Docs – uma contribuição do PIBID/Ifes para a prática de produção textual na escola

Autor:

André Effgen de Aguiar  – IFES – Ufes/Gebakh  – aeffgen@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, a partir dos pressupostos teóricos e metodológicos do Círculo de Bakhtin (2003) sobre autoria, discutiremos como a autoria é construída, discursivamente, tendo como base uma atividade desenvolvida por alunas do curso de Letras Português EaD, do Ifes campus Vitória, que participam como alunas bolsistas do PIBID/Ifes em uma turma do 1º ano do Ensino Médio da EEEFM “Professora Filomena Quitiba”, localizada na cidade de Piúma/Espírito Santo/Brasil. A atividade foi realizada, por meio de uma sequência didática (DOLZ; SCHNEUWLY, 2000) que tinha como objetivo a utilização da ferramenta Google Docs, aplicativo de produção e edição textual em nuvem, cujo uso já era de conhecimento dos alunos, embora pouco explorado pelos mesmos. Para tal, o gênero do discurso escolhido para a produção textual foi a notícia por ser um gênero bem popular entre os alunos. Assim, no presente trabalho, descreveremos a aplicação da sequência didática, em que foram utilizadas as ferramentas do aplicativo, as dificuldades apresentadas e outras potencialidades para seu uso em ambientes de aprendizagem. Dessa forma, como a produção da notícia foi feita em grupo, discutiremos em que medida o processo de autoria é construído, na escrita colaborativa, por meio da ferramenta Google Docs. Além disso, apontaremos de que forma a produção e a circulação dialogam e possibilitam o posicionamento responsivo dos sujeitos envolvidos na produção textual.

Palavras-chave: autoria; Bakhtin; produção textual; Google Docs.

 

Minibiografia:

Mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); Graduado em Letras Português pela UFES. Professor da educação básica e da educação superior. Coordenador de área do PIBID Letras EaD do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES). Membro do grupo de pesquisa: Grupo de Estudos Bakhtinianos (GEBAKH/Ufes).


Comunicação 9

Do Rap à Notícia: um estudo de caso sobre transposição de gênero e marcas de autoria

 

Autores:

José Carlos Vieira Júnior – SEDU/ES – professor.juniorvieira@gmail.com

Joselly Bittencourt – SEDU/ES – josybitter@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo analisar produções verbais e não verbais de alunos do 1º ano do ensino médio de uma escola pública da Grande Vitória, Espírito Santo, Brasil, a partir da perspectiva do ensino de gêneros e autoria. Para tal, foi utilizada uma sequência didática baseada na transposição de Gêneros textuais que tiveram como resultado textos de gêneros diversos que serviram de base para as análises deste estudo. Partindo do Rap “Nego Drama” do grupo Racionais MC’s, os alunos selecionaram trechos da música apresentada e transpuseram suas ideias e interpretações para outros gêneros previamente selecionados para o desenvolvimento da atividade. Após as apresentações metodológicas, discutimos a importância da Transposição de Gêneros como modelo para o ensino de Gêneros Textuais e, ainda, evidenciar marcas de autoria nas produções dos alunos. As abordagens feitas neste artigo levam em conta os pressupostos teóricos levantados por Marcuschi para as questões referentes ao ensino de gêneros textuais e no que tange aos princípios e conceitos sobre autoria, utilizamos as bases erguidas por Bakthin para sustentar nossas análises. Este estudo salienta que as estratégias baseadas na transposição podem enriquecer o trabalho docente e nos fornecer um corpus que revela muito da formação discursiva e autoral do aluno.

Palavras-chave: ensino de Língua Portuguesa; gêneros textuais; transposição de gêneros; autoria.

 

Minibiografias:

José Carlos Vieira Júnior: Possui graduação em Letras Português/Inglês pela Faculdade Saberes (2009) e Mestrado em Linguística pela Universidade Federal do Espírito Santo (2012). Atualmente é professor efetivo do Governo do Estado do Espírito Santo. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística, Ensino de Língua Portuguesa e Tecnologias aplicadas ao Ensino de Língua Materna.

Josely Bittencourt: É graduada em Letras Português/Inglês, 2008, pelo Centro de Ensino Superior Anísio Teixeira, CESAT. É Mestre em Letras, 2012, pela Universidade Federal do Espírito Santo, UFES. Atua como professora efetiva de Língua Portuguesa, no Ensino Médio, pela Secretaria de Educação do Espírito Santo.


Comunicação 10

Fanzines: autoralidade e expressividade nas aulas de produção textual

Autora:

Andrea Gomes Barbosa – Instituto Federal Fluminense/Universidade Estadual do Rio de Janeiro – andrea07gomes@yahoo.com.br

 

Resumo:

Quem lida com atividades que envolvem o ensino de produção de textos sabe o quanto é difícil despertar nos alunos o processo autoral. Tendo como tema o estudo da relação entre o fanzine e a produção textual, busca-se entender, através deste trabalho, de que forma essa revista artesanal contribui para a expressividade, a criatividade e o processo autoral nas aulas de língua portuguesa. O fanzine é uma publicação artesanal e alternativa na qual se prima pela criação e autoralidade. O mesmo contribui para a aproximação do aluno com a produção escrita e, especificamente na Língua Portuguesa, demonstra o caráter abrangente, crítico e prático da língua, possibilitando ao aluno se tornar autor de sua obra e se fazer ouvir. Em relação à utilização de fanzines como recurso, pode-se destacar: características como a criatividade, a expressividade, a autoralidade e o trabalho em equipe; empregados como suportes de narrativas ficcionais, podem fomentar o pensamento divergente e a convivência com pontos de vista diferentes; pode-se trabalhar qualquer componente curricular de forma reflexiva, consciente e criativa; colaboram eficazmente em processos educacionais que precisam estabelecer conexões transversais e interdisciplinares; podem servir como instrumento eficaz de avaliação, especialmente quando são relacionados com processos contínuos ou como uma maneira de averiguar os conhecimentos acumulados pelo estudante. A pesquisa possui um enfoque qualitativo tendo como metodologia a pesquisa-ação já que, no campo educacional, é uma estratégia para o desenvolvimento de professores e pesquisadores de modo que eles possam utilizar suas pesquisas para aprimorar seu ensino e, em decorrência, o aprendizado de seus alunos.  Apesar de possuir tantos fatores positivos, o fanzine ainda tem sido pouco utilizado enquanto ferramenta pedagógica. Nesse sentido, justifica-se o estudo proposto, de modo a contribuir para o desenvolvimento de estratégias facilitadoras da aprendizagem de leitura e escrita, nas aulas de língua portuguesa. 

Palavras-chave: fanzine; produção textual; práticas de ensino.

 

Minibiografia:

Mestranda em Letras pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro/ FFP. Especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora do Instituto Federal Fluminense e da rede municipal de Cabo Frio. Coordenadora dos projetos de extensão “Em cada canto, um conto” e “Em cada conto, um encanto”. Membro (pesquisador) do Núcleo de Pesquisa de políticas Públicas em Educação (NUPPED/IFF). 


Comunicação 11

Adultos pouco escolarizados entre textos, contextos e práticas de letramento

Autora:

Marta Lima de Souza – UFRJ – souzamartalima@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação tem como objetivo discutir como adultos pouco escolarizados produzem textos escritos para dizerem a sua palavra ou realizarem o seu “projeto de discurso” (Bakhtin, 2003) dentro ou fora da escola, porém em contextos e práticas de letramento. A discussão tem origem em estudo que analisou como estes adultos desenvolvem práticas letradas no cotidiano para dar conta das exigências de uma sociedade com escrita. Neste sentido, apresentamos brevemente os dados estatísticos relativos aos que não sabem ler e escrever demarcando a histórica negação do direito à escolarização no Brasil, mas também revelando outros modos de interação por meio da linguagem. Em seguida, explicitamos o referencial teórico-metodológico pautado na concepção de linguagem de Mikhail Bakhtin (2003) que nos auxilia a compreender como os sujeitos organizam sua experiência de mundo, seu conhecimento sobre ele e, em especial, a interação dialógica e discursiva com o outro. Aliamos a essa dimensão de linguagem os estudos de letramento de Street (2004; 2008), visando à compreensão do lugar atribuído à escrita e à oralidade de pessoas pouco ou não escolarizadas nas relações sociais atravessadas pela escrita. A partir da análise da escrita dos adultos por meio do paradigma indiciário (Ginzburg, 2002), evidenciamos que o trabalho na alfabetização em perspectiva discursiva deve priorizar a oralidade, a leitura e a escrita, tendo como ponto de partida aspectos em que os sujeitos autores buscam uma interação com o outro. Por fim, ressaltamos a importância da linguagem na constituição de sujeitos e do mundo em que estão inseridos, além de reiterarmos a escola como um lugar de relevância para a aprendizagem da linguagem escrita para jovens e adultos trabalhadores.

Palavras-chave: adultos pouco escolarizados; textos; práticas de letramento.

 

Minibiografia:

Doutorado em Educação (2011) pela Universidade Federal Fluminense. Professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde atua no Curso de Pedagogia e no Curso de Especialização Saberes e Práticas na Educação Básica com ênfase em Educação de Jovens e Adultos. 


Comunicação 12

Alfabetização e cultura escrita: práticas pedagógicas discursivas e produção de sentidos

 

Autoras:

Cecilia M. A. Goulart/UFF – Universidade Federal Fluminense – goulartcecilia@uol.com.br

Maria Cristina Corais/ISERJ – Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro e UNIGRANRIO – Universidade do Grande Rio – criscorais@gmail.com

 

Resumo:

A comunicação visa colocar em discussão resultado parcial de pesquisa que tem como meta entender como podem ser concebidas práticas de alfabetização em que o trabalho com a cultura escrita se sobreponha ao trabalho com o sistema alfabético da escrita. O trabalho com a cultura escrita se traduz em práticas discursivas de produção de textos orais e escritos e práticas de leitura. Nesta perspectiva, o objetivo é caracterizar e compreender como professoras propõem atividades, e que atividades propõem, para que crianças aprendam a produzir sentidos por escrito no contexto de se inserirem no mundo da escrita social. Que lugar sujeitos e seus conhecimentos ocupam nas atividades? Quais são as formas de intervenção e que formas de trabalho são propostas para que as crianças aprendam o que a escrita representa e para que elaborem significativamente textos escritos tanto no sentido de sua compreensão quanto de sua redação, mesmo que ainda não saibam ler e escrever? As questões de fundo da pesquisa estão ligadas aos índices ainda altos de analfabetismo absoluto no Brasil, acrescidos de índices também altos de analfabetismo funcional, ou seja, de pessoas que sendo consideradas alfabetizadas pela escola, não conseguem ultrapassar a leitura de seus nomes e de pequenos textos instrumentais. Perguntamo-nos: o que ensinamos quando alfabetizamos? O que as crianças aprendem quando são alfabetizadas? Entendemos que a escrita se supera como codificadora de conhecimento, passando ela mesma a conhecimento. Sua organização e seus modos de significar e incorporar conhecimentos de diferentes campos a tornaram um modo de saber e de conhecer. Isto considerado, a dimensão fonológica da escrita, embora necessária, está longe de ser suficiente para alfabetizar. Com base nos princípios da teoria da enunciação desenvolvida por autores do Círculo de Bakhtin, organizamos a base teórico-metodológica do estudo.

Palavras-chave: alfabetização; prática pedagógica; cultura escrita; Círculo de Bakhtin.

 

Minibiografias:

Cecilia M. A. Goulart – Professora titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, Niterói, Rio de Janeiro/Brasil. Doutora em Letras, 1997. Líder do grupo de pesquisa/CNPq ‘Linguagem, cultura e práticas educativas’, desde 2002. Pós-doutoramento, 2014, UNICAMP. Coordenadora do PROALE – Programa de Alfabetização e Leitura (2002-2014), na UFF. Coordenadora do GT Alfabetização, leitura e escrita, da ANPEd (1998-1999). Vice-presidente da Associação Brasileira de Alfabetização – ABAlf (2012-2014).

Maria Cristina Corais – Professora dos Cursos de Pedagogia do ISERJ – Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro e UNIGRANRIO – Universidade do Grande Rio. Doutoranda em Educação na UFF – Universidade Federal Fluminense. Integrante do grupo de pesquisa/CNPq “Linguagem, cultura e práticas educativas”, coordenado pela Profa DrCecilia M. A. Goulart/UFF. É suplente no Conselho Fiscal da ABAlf – Associação Brasileira de Alfabetização (2014-2016).


Comunicação 13

Sentidos de discursos de professoras alfabetizadoras de jovens e adultos

 

Autora:

Isabela Lemos da Costa Coutinho – Universidade Federal Fluminense (UFF) – RJ –  isabelalemos@id.uff.br

 

Resumo:

Este trabalho apresenta parte de pesquisa de mestrado, em andamento, que investiga os sentidos atribuídos nos discursos de professoras alfabetizadoras na Educação de Jovens e Adultos (EJA) à formação continuada ofertada pela Secretaria Municipal de Educação do Município de Itaboraí/RJ.   O problema da pesquisa foi construído na busca da compreensão de questões acerca das experiências dos sujeitos, dos sentidos construídos e compartilhados e/ou disputados por todos os envolvidos. Nesta tarefa, assumimos a perspectiva metodológica dialógica de Bakhtin (2000), tendo como referência alguns princípios/conceitos que são centrais na concepção de linguagem expressa pelo autor, considerando que “a interação verbal é a realidade fundamental da língua”. Esta premissa modifica as relações com o sujeito da pesquisa – nós nos fazemos com o outro -, e na interação com o “outro” é que produzimos sentidos.  Assim, entendemos que as professoras da EJA produzem sentidos e são também autoras nas políticas locais de formação. Alguns resultados preliminares revelam que, apesar dos avanços, ainda persistem alguns desafios nos processos de formação. Mostram, também, a necessidade de investimentos na formação inicial e continuada, a partir de processos que contribuam para uma melhor compreensão dos aportes teórico-metodológicos dessa modalidade de ensino. Nos caminhos da pesquisa, surge uma questão importante: seria possível hoje conceber a formação para além de um espaço de instrução? Compreendendo que as discussões sobre a formação de professores de jovens e adultos fazem parte de um campo mais amplo da luta pelo direito à educação, nossa intenção é também resgatar percursos formativos desenvolvidos no âmbito das redes municipais, como parte de repertório de lutas na garantia do direito humano subjetivo a educação. Para embasar esta pesquisa, foram utilizadas as reflexões teóricas de Freire (1979, 1996), acerca da noção de educação; Bakhtin (2006, 2010), no tocante aos conceitos de língua, dialogia, interação verbal, discurso.

Palavras-chave: formação de professores alfabetizadores; EJA; dialogia; discurso.

 

Minibiografia:

Mestranda do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), Assessora Pedagógica da Coordenação da EJA na Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Itaboraí/RJ, Professora Alfabetizadora de Jovens e Adultos. Compõe o grupo de pesquisa Linguagem, cultura e práticas educativas. 


Comunicação 14

“Sem giz, mas com carvão”: memórias de leitura na formação docente enquanto exercício exotópico

Autoras:

Cláudia Cristina dos Santos Andrade –  Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Universidade Estácio de Sá (UNESA) – RJ –  claudiandrade1466@gmail.com

Inez Helena Muniz Garcia – Universidade Federal Fluminense (UFF) – RJ –  inezhmg@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho investiga a produção de discursos sobre o processo de constituição de leitoras/professoras em formação, a partir de suas memórias de leitura. O corpus da pesquisa é composto de textos produzidos em um curso de extensão em Alfabetização, a partir da consigna “Escreva sobre suas experiências com a leitura”. As memórias das professoras foram suscitadas a partir do compartilhamento do livro “Infância”, de Graciliano Ramos (1963) e do filme “O leitor” (2008), do diretor Stephen Daldry, baseado no romance homônimo, de Bernhard Schlink (1995). Do ponto de vista da metodologia, no contexto da análise do discurso de fundamentação bakhtiniana, buscamos evidenciar indícios (GINZBURG, 1989) dos aspectos definidos como foco. O percurso metodológico foi buscar a tessitura entre as escritas dos sujeitos e seus interlocutores no processo de pesquisa, tendo como norte a memória do objeto (AMORIM, 2009), reserva da memória coletiva, presente nos escritos literários, evocados nos textos elaborados pelas alunas, que dialogam com cada percurso subjetivo. Procurou-se, no trabalho, a cena enunciativa, estabelecendo-se uma relação de escuta dos Outros (sujeitos da pesquisa e diferentes autores). Compreendeu-se que as autoras se colocam em exercício exotópico em relação à própria narrativa, em outro lugar, do qual analisam seu passado e sua formação como professoras leitoras. O referencial teórico utilizado foi Bakhtin (1988;2000;2010), Amorim (2009) e Voloshinov (1993), partindo-se do pressuposto da linguagem como constituidora da subjetividade. A análise sustentou-se na matriz microgenética, permitindo estabelecer relações entre os escritos com base em pistas textuais reveladoras dos sentidos atribuídos às experiências leitoras na formação docente. Nos textos encontram-se marcas de tempos, de afetos, de práticas, que compõem cada maneira de ver o mundo como fundamentais para a constituição de leitoras fluentes e da autoria docente. 

Palavras-chave: leitura; memória; discurso; formação docente; exotopia.

 

Minibiografias:

Cláudia Cristina dos Santos Andrade: Graduação em Letras pela UERJ (1988), mestrado em Educação pela UFF (2000) e doutorado em Educação na USP (2007). É professor adjunto da UERJ e professor auxiliar III da UNESA. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em leitura, atuando principalmente com os temas: ensino-aprendizagem dos diferentes componentes curriculares dos anos iniciais do EF; alfabetização e processos de formação do leitor; e mídia-educação.

Inez Helena Muniz Garcia: Doutora em Educação pela UFF (2012), mestrado em Educação pela UFF (2004). Realizou, como bolsista da Capes/PDEE, estudos de Doutorado Sanduíche no Exterior no Inst. de Educação da Univ. de Lisboa. Graduação em Letras pela FAFITA (1984). Integra os grupos de pesquisa/CNPq/UFF-RJ: “Linguagem, cultura e práticas educativas”, e “Leitura, literatura e saúde: inquietações no campo da produção de conhecimento”. 


Comunicação 15

Práticas das fronteiras: reflexões a partir de um estudo com poetas que se autodenominam marginais

Autoras:

Eliane Aparecida Bacocina – IFSP / Presidente Epitácio – elianeab3@gmail.com

Maria Rosa Rodrigues Martins de Camargo – UNESP / Rio Claro – mrosamc@rc.unesp.br

 

Resumo:

A comunicação, recorte de pesquisa de Doutorado em Educação, propõe cartografar práticas de invenção (escrita e produção poética) postas em ação por sujeitos em uma comunidade de escritores, grupo que atua de maneira não formal com produção de poemas. Discutiu-se o papel e poder da escrita em interlocução com o grupo, que atua no litoral sul paulista, com o objetivo de fazer pensar sobre questões sociais, políticas e cotidianas. O grupo, denominado Sarau das Ostras, constitui-se por cinco integrantes escritores de poemas e tem como inspiração a ostra, elemento comum no litoral, que diante dos obstáculos, resiste e produz a pérola, assim como o grupo que, frente aos desafios da vida cotidiana, produz poesia. A pesquisa intenciona trazer à discussão o papel e o lugar da escrita poética e o modo como dela o grupo se utiliza, reverberando em travessias de fronteiras do pensamento. Tem como inspirações metodológicas a cartografia, proposta por Rolnik, o paradigma indiciário (Ginzburg) e a configuração (Norbert Elias). Dentre o referencial teórico utilizado, estão aportes da história cultural, com Chartier e Certeau, além dos estudos da linguagem, com Rancière, Foucault e Bakhtin. Deleuze e Guattari complementam o estudo, com a abordagem que realizam sobre a literatura menor/escrita marginal. Nesse trabalho, busca-se, a partir da perspectiva dialógica e interacional de linguagem de Bakhtin, desvendar sentidos desses processos de escritas contemporâneas a partir das situações de interlocução com o grupo, como forma de conhecer e valorizar os saberes trazidos por eles, poetas que compõem e atuam em espaços diversos de produção escrita, bem como ampliar as discussões sobre práticas de escrita e de ensino a partir das margens das páginas escritas, oriundas das bordas que ladeiam cidades, fronteiras de um pensamento que se revela fértil, concretiza-se um movimento-fluxo das palavras numa composição poética, singular.

Palavras-chave: espaços da escrita; linguagem poética; polifonia.

 

Minibiografias:

Eliane Aparecida Bacocina – Professora e Coordenadora do Curso de Licenciatura em Pedagogia no IFSP – Campus de Presidente Epitácio. Doutora em Educação pela UNESP / Rio Claro.

Maria Rosa Rodrigues Martins de Camargo – Docente do Departamento de Educação / UNESP – Rio Claro. Doutora em Educação pela Unicamp. 


Comunicação 16

Análise discursiva das campanhas publicitárias da Hortifruti

Autora:

Priscilla Gevigi de Andrade Majoni – UFRJ/CNPq –  pri_gevigi@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho teve como propósito uma análise dialógica do discurso das campanhas publicitárias da Hortifruti, a maior rede varejista de hortifrutigranjeiros do Brasil, criadas pela MP Publicidade, veiculadas nacionalmente. Essas campanhas chamam a atenção por apresentarem em seus textos uma linguagem verbal e não verbal criativa e lúdica, com o objetivo de divulgar o seu produto: as frutas, os legumes e as verduras. Assim, para esta pesquisa, foram analisadas as onze campanhas da temática “Liga da saúde”, sendo observadas as seguintes questões em suas produções: o tema; o gênero discursivo; o suporte; a escolha lexical; a polissemia das palavras; a intencionalidade; os sujeitos discursivos; o contexto social e cultural; a intertextualidade e a polifonia; além dos possíveis diálogos com o ensino de língua portuguesa, à luz de Bakhtin (2003); Charaudeau (2008); Marcushi (2008); Koch, Elias (2009). 

Palavras-chave: Hortifruti; discurso; Bakhtin.

 

Minibiografia:

Cursando Doutorado em Letras Vernáculas, com ênfase em Língua Portuguesa, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e bolsista de Doutorado do CNPq. Mestrado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Espírito Santo (2015). Graduação em Letras-Português pela Universidade Federal do Espírito Santo (2013).


Comunicação 17

Que cidadão sou eu, afinal? O discurso da intolerância nas práticas sociais de interação

Autor:

Ivan Almeida Rozário Júnior –  PUC-SP/CAPES-PROSUP – ivanrozario@gmail.com

 

Resumo:

As constantes transformações e a expansão da sociedade contemporânea têm-nos colocado em contato com distintas subjetividades e manifestações socioculturais. Nesse processo dialógico de interação, aprendemos a (con-)viver com o outro à medida que percebemos as diferenças que nos singularizam e nos preenchem simultaneamente. Porém, há situações em que podemos notar a premissa da alteridade sendo arbitrariamente suprimida. Diante desse contexto, o trabalho pretende refletir sobre a manifestação da violência revelada em atos de intolerância produzidos nas mídias impressa e digital, fundamentando-se em Charaudeau (2012), ao esclarecer os mecanismos de produção dos discursos na mídia, em Bakhtin (1997; 2010; 2011), para compreender a noção de gêneros do discurso e ato responsável, em Michaud (1989), ao esclarecer o conceito de violência, e, por fim, em Fiorin (2007), Rondelli (2000) e Barros (2014), para compreender os mecanismos de produção dos discursos de intolerância e os seus possíveis efeitos de sentido nas práticas sociais, visando a alcançar uma nova consciência para o devir, capaz de transformar o presente em direção à construção de uma cultura de paz.

Palavras-chave: discurso de intolerância; mídia impressa e digital; ato responsável.

 

Minibiografia:

Cursa doutorado em Língua Portuguesa na Pontifícia Universidade Católica/SP e Pedagogia no Centro Universitário Internacional. É Mestre em Linguística pela Universidade Federal do Espírito Santo, Especialista Lato Sensu em Leitura e Produção de Textos pela Faculdade Saberes e Licenciado Pleno em Letras: Habilitação Dupla em Línguas Portuguesa e Espanhola e respectivas Literaturas pelo Centro de Ensino Superior Anísio Teixeira. 


Comunicação 18

A distribuição do português brasileiro: o ensino e a divisão das línguas

Autor:

André Stefferson Martins Stahlhauer – UFSCar- andrestefferson@yahoo.com.br

 

Resumo:

Propomos nesta comunicação, uma reflexão sobre a divisão de línguas (Cf. GUIMRÃES, 2006), nos espaços de ensino de português brasileiro. Procuramos mostrar, como, a partir de sua distribuição em diferentes espaços de enunciação, a língua é distribuída aos falantes. Nesse sentido, trata-se de uma discussão, sobre a designação de língua que considera que sua nomeação não é simples nomenclatura: é um modo de identificação que distribui a(s) língua(s) aos falantes nos materiais e instrumentos linguísticos. Dessa maneira, nomear a língua como língua de herança, língua adicional, língua estrangeira ou língua de acolhimento é um modo de dividir o sentido da designação de língua e distribui-la a falantes de um modo específico: a relação autor/leitor, que é posta por operações enunciativas construídas pelas figuras da enunciação, os Locutores (cf. GUIMARÃES, 2011).

Palavras-chave: designação; enunciação; português brasileiro; divisão; locutores.

 

Minibiografia:

Professor da área de Linguística de Português Língua Estrangeira no Departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar-Br). Realizou estágio de tese na Université de Lausanne-Suíça. Tem interesses na área de Enunciação, estudos do Discurso, ensino de línguas, as migrações e as línguas.


Comunicação 19

O ensino de Filosofia em língua portuguesa na Universidade Nacional Timor Lorosa’e: resultados de uma experiência compartilhada entre Brasil e Timor-Leste

Autora:

Maria Denise Guedes – UNESP/BRASIL – mdgyuri@hotmail.com

 

Resumo:

Em 1975 Timor-Leste proclamou unilateralmente sua independência de Portugal. No entanto, naquele contexto, essa manifestação de liberdade e autodeterminação teve vida curta, pois, passados alguns dias o país foi invadido pela Indonésia que o anexou como sua 27ª Província, silenciou a língua portuguesa e implantou um sistema educacional e um currículo escolar pautados na cultura e nos valores indonésios. A geração educada durante os 24 anos de ocupação indonésia cresceu sem conhecer, falar ou escrever a língua portuguesa. Em maio de 2002, Timor-Leste tornou-se um Estado independente e a língua portuguesa voltou a ser reconhecida como língua oficial ao lado do tétum, que é a língua nativa mais falada no país. Entretanto, a conquista da independência política era apenas o início de uma longa luta, que se estende até hoje, para assegurar o desenvolvimento do Estado-Nação e colocar a República Democrática de Timor Leste (RDTL) nos trilhos do século XXI e, ao mesmo tempo, preservar sua identidade cultural. Essa é a contradição que o país enfrenta na atualidade e é também o seu maior desafio. Para tanto, o Estado timorense passou a contar com a ajuda financeira e técnica da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento que atua no país por meio de organizações, programas e projetos com o objetivo de contribuir com a (re)construção do Estado e das instituições timorenses. Diante disso, esse trabalho tem por objetivo apresentar os resultados da experiência compartilhada em atividades de Cooperação Internacional em Educação, por meio do Programa de Qualificação de Docentes e Ensino de Língua Portuguesa em Timor-Leste – PQLP/CAPES/BRASIL na Universidade Nacional Timor Lorosa’e – UNTL, ao longo do ano de 2014. Mais especificamente, versará sobre o ensino dos conteúdos de Filosofia em Língua Portuguesa para estudantes timorenses do Curso de Graduação em Comunicação Social.

Palavras-chave: educação; cooperação internacional; língua portuguesa; identidade cultural; ensino.

 

Minibiografia:

Licenciada em Pedagogia pela UNESP(1994); Mestrado (1999) e Doutorado (2005) em Fundamentos da Educação pela Universidade Federal de São Carlos-UFSCar-SP. Professora Assistente Doutora do Departamento de Educação-UNESP-Campus de São José do Rio Preto-SP-Brasil (2006-2016), atua nos cursos de Licenciatura em Pedagogia e Licenciatura em Letras. Desenvolveu Estágio de Docência pelo Programa Qualificação Docente e Ensino de Língua Portuguesa da CAPES em Timor-Leste (2014-2015).


Comunicação 20

Políticas públicas e os documentos oficiais para o ensino de Língua Portuguesa

 

Autora:

Sandra Mara Moraes Lima – Secretaria de Estado da Educação do Espírito Santo – sandralima605@gmail.com

 

Resumo:

O trabalho apresenta uma reflexão acerca das políticas públicas brasileiras das últimas décadas e alguns documentos oficiais no que diz respeito ao ensino/aprendizagem de língua portuguesa. Para tanto, apresenta breve histórico das políticas públicas brasileiras a partir da década de 90 e análise de alguns documentos oficiais para o ensino/aprendizagem de língua portuguesa do Ensino Médio, quais sejam: Os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Orientações Curriculares para o Ensino Médio, ambos promulgados pelo Ministério da Educação. Pretende discutir alguns princípios que nortearam certas medidas adotadas e alguns documentos oficiais no que tange o ensino/aprendizagem de língua materna. A intenção é fazer uma reflexão acerca do alcance das políticas e dos documentos oficiais a partir da década de 90, finalizando com a atual proposta do Ministério da Educação em instituir um documento curricular referencial único para todo o país, a Base Nacional Comum. O intento é demonstrar o alcance e a eficácia de tais políticas e documentos em relação à prática de sala de aula. Nessa direção a fundamentação teórica se faz a partir do arcabouço teórico do Círculo bakhtiniano e de alguns pesquisadores das políticas públicas educacionais brasileiros no que diz respeito à pesquisa e ensino/aprendizagem de língua materna. No que diz respeito à teoria bakhtiniana o foco será na concepção dialógica da linguagem, tendo em vista seu caráter constitutivo do sujeito. Ainda, nessa perspectiva, aborda o conceito de gênero discursivo como instância que se constitui-se numa indicação interacional, o modo como a relação vai ocorrer entre os interlocutores, sendo, assim, definido o gênero por sua a natureza interacional, pela relação que estabelece, propõe. Nesse contexto situa o modo como o gênero discursivo é apresentado nos documentos oficiais abordados.

Palavras-chave: política pública; documentos oficiais; ensino/aprendizagem; Língua Portuguesa.

 

Minibiografia:

Tem Mestrado em Estudos Literários pela Universidade Federal do Espírito Santo, Doutorado e Pós-doutorado em Linguística Aplicada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professora efetiva da rede estadual de ensino do estado do Espírito Santo.


Comunicação 21

“Trabalhando a diversidade cultural em gêneros discursivos: os gestos de leitura sobre o caipira em gêneros musicais sertanejos”

Autora:

Maria Sueli Ribeiro da Silva – Grupo de Gêneros Discursivos – GEGe/ UFSCar – São Carlos – mssuribeiro@yahoo.com.br

 

Resumo:

A diversidade cultural no Brasil é aceitável, mas nem sempre é compreendida. As diversidades de hábitos, costumes regionais são um dos exemplos de chacotas por parte de muitos brasileiros. A música é um dos meios que possibilitam entender e aceitar toda diferença, toda diversidade. Para Bakhtin (2006), o signo linguístico deve ser estudado além de sua realidade literal, por ser a palavra reveladora das relações sociais e de suas significações. Se os discursos são enunciados e os enunciados palavras para além do signo, nesse sentido ‘ser caipira’ está para além do preconceito, do estereótipo. A linguagem é histórica, é social, é também vida. É no contexto histórico, social, de vida e de arte que o dialeto caipira compõe também a língua portuguesa do Brasil. Assim, o presente estudo é parte do projeto de pós-doutorado, em desenvolvimento, sendo um dos objetivos verificar e analisar os gestos de leitura sobre o caipira, a partir dos enunciados presentes nas letras de música raiz, música sertaneja e o sertanejo universitário. Na análise de algumas músicas, foi possível notar que, quando o ambiente rural é retratado nos enunciados desses gêneros musicais, há uma valoração do sujeito caipira, bem como de sua cultura, a sua voz é ressoada e se estabelece uma relação de pertencimento ao contexto histórico e social enunciado na música. Portanto, é respeitada a linguagem e a cultura caipira. Contudo, em enunciados do sertanejo universitário, se observou o distanciamento dos valores da cultura caipira, sendo estereotipados não mais o caipira ou homem do campo, mas o homem urbano e a cultura country, estabelecida na relação com o mercadológico, ou seja, com a cultura de mercado, que se volta ao poder de consumo e à moda.  Logo, o professor de língua portuguesa pode trabalhar os gestos de leitura sobre o caipira, mostrando as vozes presentes nos enunciados desses gêneros musicais e como estas reverberam valores sociais, culturais e históricos, valorativos ou pejorativos, dependendo da relação do “eu” (sujeito caipira) com o outrem, levando o leitor a ter posicionamento crítico e responsivo diante da arquitetônica revelada em gênero.

Palavras-chave: estudo bakthiniano; gestos de leitura; gêneros musicais sertanejos; processo dialógico.

 

Minibiografia:

Doutora em Estudos Linguísticos, pela Universidade Estadual Paulista, Campus de São José do Rio Preto; membro do grupo de estudo Gêneros do Discurso – GEGe / UFSCar; docente de língua portuguesa do Centro Universitário de Rio Preto – UNIRP – São José do Rio Preto – SP.


Comunicação 22

Os caminhos da Educação, nas trilhas do samba – uma reflexão sobre alteridade, dialogismo e ensino

Autora:

Nanci Moreira Branco  –  SEE/SP – Grupo de Gêneros Discursivos – GEGe/ UFSCar –  nancimbranco@hotmail.com

 

Resumo:

Esta reflexão parte de uma pesquisa com o samba que fiz nesses últimos anos e dos estudos bakhtinianos que já se tornaram meu cotidiano. De tudo isso, muitos questionamentos e uma sempre nova provocação para uma professora. A princípio, sempre me incomodou uma ideia de “padrão” que ronda as escolas. Como padronizar o que é, por sua natureza, diverso? A escola pública – lugar de onde falo – é plural. Se essa pluralidade não é compreendida, que escola estamos construindo? Uma das coisas que me encantaram no samba foi a sua capacidade de acolher, de juntar, sem apagar as diferenças. A cultura popular é isto: lugar onde as diferenças se encontram, com o mesmo poder de voz. O que a Educação pode aprender com isso? É certo que temos muito a pensar. A escola pode ser o lugar da renovação, da libertação, mas também o lugar da opressão. Paulo Freire já nos alertava: Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor. Eis a questão que inquieta. No Brasil, muitos acontecimentos têm sido dignos de reflexão, porque, direta ou indiretamente, estão ligados à Educação: as últimas eleições, a PEC 241/55, as ocupações nas escolas e universidades. Há movimentos que incomodam. Diante de toda essa provocação, penso no olhar oblíquo de Bakhtin e na alteridade. Quando esse filósofo estudou a literatura, a obra de Dostoiévski, a obra de Rabelais, foi para compreender a vida e os seus movimentos dialógicos. Dessa forma, e pensando nos caminhos que estamos trilhando na Educação, é que me proponho a provocar um diálogo sobre o papel do(a) professor(a) na Educação e, mesmo, sobre o papel da escola. Para isso, trago um pouco de Bakhtin, de Paulo Freire, de João Wanderley Geraldi, em sintonia com os meus estudos sobre o samba e a cultura popular.

Palavras-chave: alteridade; Bakhtin; cultura popular; dialogismo; educação.

 

Minibiografia:

Doutora e mestra em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar/SP), especialista em Estudo do Texto, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Leciono Língua Portuguesa na rede pública estadual paulista. Participo do Grupo de Estudos dos Gêneros do Discurso (GEGe/UFSCar). Principais temas de interesse: cultura popular, dialogismo, alteridade, Educação. 


Comunicação 23

Diálogos entre Música Popular Brasileira e Literaturas: vozes da vida

Autora:

Tatiana Aparecida Moreira – PMVV – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes – campus Venda Nova do Imigrante) – Ufes/Gebakh – moreira.tatyana@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, tendo como base o projeto interdisciplinar “Diálogos entre Música Popular Brasileira e Literaturas”, realizado em escola estadual de ensino médio, localizada em Vila Velha, Espírito Santo/Brasil, apresentaremos algumas atividades desenvolvidas no componente curricular de Língua Portuguesa. O projeto visava a suscitar aproximações entre estilos musicais variados da música popular, principalmente, a brasileira (tais como rap, funk, samba, pop, forró, rock e outros), e escolas literárias (Trovadorismo, Humanismo, Classicismo, Quinhentismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo e Modernismo). A base teórica que fundamentava o trabalho realizado promoveu interação entre os trabalhos do Círculo de Bakhtin (1995, 2003) sobre atitude responsivo-ativa e dialogismo, com a literatura, por meio de Bosi (2006), com a música (ALBIN, 2008; NAPOLITANO, 2005) e com os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (BRASIL, 2000). Assim, para ilustrar o trabalho efetivado, escolhemos três canções produzidas por alunos do primeiro ano do ensino médio que dialogavam com o Trovadorismo. Ao final dos trabalhos, refletindo com o que mencionam os PCNs (BRASIL, 2000, p. 14) de que é preciso “Analisar, interpretar e aplicar os recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização das manifestações, de acordo com as condições de produção/recepção (intenção, época, local, interlocutores participantes da criação e propagação de ideias e escolhas, tecnologias disponíveis, etc)”, pudemos observar que a atitude responsivo-ativa dos envolvidos durante todo o processo de execução das atividades estava no diálogo promovido com e a partir das palavras de outrem.

Palavras-chave: Música Popular Brasileira; literatura; ensino; Círculo de Bakhtin; Língua Portuguesa.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); Mestra e Especialista em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); Graduada em Letras Português pela Ufes. Membro dos grupos de pesquisa: Grupo de Estudos dos Gêneros do Discurso (GEGe/UFSCar) e Grupo de Estudos Bakhtinianos (GEBAKH/Ufes).


Comunicação 24

“Click” em tecnologia: uma experiência multiletrada com alunos do ensino médio público

 

Autora:

Núbia Lyra Rogério –   Ufes/Gebakh – nubialyra2@hotmail.com

 

Resumo:

O presente projeto de pesquisa pretende analisar uma experiência multiletrada, nos termos de (ROJO, 2009; 2012) e (FERRAZ, 2016), com discentes adolescentes de uma Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio do município de Cariacica, ES, em que foram produzidos, em aulas de língua portuguesa, vídeos e fotonovelas a partir de temas socialmente relevantes, como: “A figura da mulher na sociedade” e “Drogas: hoje você compra o produto. Amanhã, você paga o preço!”.  Os dados foram obtidos de forma naturalística (ABAURRE et alii) pela professora-pesquisadora e serão trabalhados de forma discursiva, levando-se em consideração questões como  multimodalidade, multiletramentos, gêneros discursivos, visando, assim, problematizar metodologias tradicionais de ensino de línguas, que parecem resistir a novas práticas linguageiras, como as que ocorrem em contextos digitais, bem como a novas concepções de sujeito, de cultura e de linguagem, para as quais novas realidades sociais apontam (BAUMANN, 2001; CANCLINI, 1990; 2003; HALL, 2014; BHABHA, 1998). Sabemos que música e tecnologia fazem parte da vida de nossos estudantes, envolvendo-os em redes discursivas em que podem ser trabalhados temas de relevância cada vez maior na sociedade e gêneros discursivos, vivenciados por esses estudantes, mas deslegitimados pelas instâncias ideológicas oficiais, inclusive pela escola. Esse é o caso do “pancadão”, alcunha para alguns funks, que abordando, em geral, acontecimentos, quase sempre violentos, vivenciados por esses sujeitos, e que constituem, de alguma forma, suas identidades enquanto moradores de espaços-tempos (BAKHTIN, 2008; GIDDENS, 2001) marginalizados na sociedade. O objetivo final das análises é discutir as apropriações que esses sujeitos fazem desses temas e desses gêneros, tanto as fotonovelas, quanto os pancadões, para expressarem suas subjetividades dialogicamente constituídas.

Palavras-chave: tecnologia; multiletramentos; fotonovela; funk; ensino de línguas.

 

Minibiografia:

Cursa mestrado em Estudos Linguísticos na Universidade Federal do Espírito Santo e possui graduação em Letras – Português pela mesma universidade.


Comunicação 25

Elaboração de narrativas temáticas como ferramenta didática de ensino da escrita na área de saúde 

Autoras:

Symara Abrantes Albuquerque de Oliveira Cabral – Instituto Federal da Paraíba – symara_abrantes@hotmail.com

Sayonara Abrantes Albuquerque de Oliveira Cabral – Instituto Federal da Paraíba – symara_abrantes@hotmail.com

 

Resumo:

A Língua Portuguesa nos seus aspectos fonológicos, léxicos e morfológicos constitui-se, ainda hoje, em um dos grandes problemas, especialmente para os profissionais de áreas distintas às linguagens, como os profissionais da área de saúde, sobretudo dos que atuam como educadores. Reconhecendo as fragilidades de tais profissionais, tanto na prática de preenchimento de prontuários como na atuação como docentes na utilização da Língua Portuguesa, objetivou-se com o presente trabalho a busca por ferramentas que pudessem favorecer a melhoria de tais processos, de modo que, após intensa busca bibliográfica e experiências realizadas, envolvendo aulas expositivas e aulas práticas com a utilização de metodologias ativas e problematizadoras, houve o reconhecimento das narrativas temáticas com foco na linguagem e didática de ensino, tanto no sentido de elaboração como de processamento, como ferramenta efetiva para melhoria nos processos de utilização da Língua Portuguesa e aplicabilidade prática na docência.

Palavras-chave: ensino; narrativas; Língua Portuguesa; didática.

 

Minibiografia:

Symara Cabral: Doutorado em andamento pela Santa Casa da Misericórdia de São Paulo. Mestre em Sistemas Agroindustriais pela Universidade Federal de Campina Grande. Especialização em Processos Educacionais na Saúde pelo Hospital Sírio Libanês. Graduação em Enfermagem pela Universidade Federal de Campina Grande. Discente do Curso de Letras do Instituto Federal da Paraíba.

Sayonara Cabral: Doutorado em andamento em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba. Mestre em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba. Graduada em Letras pela Universidade Federal de Campina Grande. Docente do Curso de Letras do Instituto Federal da Paraíba.


Comunicação 26

A construção da referenciação no gênero artigo de opinião: perspectivas discursivas

 

Autora:

Leila Figueiredo de Barros – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – leilamie@hotmail.com

 

Resumo:

O presente texto objetiva apresentar algumas considerações a respeito da referenciação em produções argumentativas de alunos de uma comunidade quilombola situada no Estado de Mato Grosso. Partindo do pressuposto que a construção da referenciação é uma atividade discursiva, nosso interesse é demonstrar estratégias utilizadas pelos alunos para constituição desses objetos de discurso. Para o estudo proposto, toma-se como base os seguintes pesquisadores: Cavalcante (2011), Koch (2004, 2005), Marcuschi (2012), Mondada e Dubois (2003), Soares (2003) e Tedesco (2012). Ancora-se, também, aos estudos de dialogismo e interação propostos por Bakhtin em que os estudos da linguagem buscam compreender a produção de sentidos na dimensão histórica, social e cultural na escrita do texto argumentativo.

Palavras-chave: referenciação; artigo de opinião; alunos quilombolas.

 

Minibiografia:

Leila Figueiredo de Barros possui graduação em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso e graduação em turismo – Unirondon. Mestrado em Estudos de Linguagem (UFMT). Doutoranda em Língua Portuguesa pela UERJ- Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Servidora publica Estadual, trabalha na Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso – SEDUC com formação de professores e qualificação profissional.