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Simpósio 37

SIMPÓSIO 37 – O DESENVOLVIMENTO DA ESCRITA E DOS GÉNEROS TEXTUAIS EM LÍNGUA PORTUGUESA

 

Coordenadoras:

Rosa Lídia Coimbra | CLLC/DLC, Universidade de Aveiro | rlcoimbra@ua.pt

Luísa Álvares Pereira | CIDTFF/DEP, Universidade de Aveiro | lpereira@ua.pt

 

Resumo:

O domínio da escrita e das especificidades linguísticas e macroestruturais dos seus diversos géneros textuais constitui uma condição imprescindível para o desenvolvimento cognitivo e para a construção do saber. Conscientes da importância do ensino de diferentes géneros textuais, numa perspetiva de alargamento do repertório discursivo dos alunos, e da relevância em se definirem formas didáticas enquadradas pela Pedagogia do Género, pretendemos que, neste simpósio, sejam apresentadas investigações no sentido de evidenciar: i) experiências de ensino realizadas; ii) modelizações didáticas concebidas; iii) dados empíricos analisados (textos; questionários; atividades de formação…) e iv) conclusões assinaladas, no sentido de validar programas de intervenção orientados por Sequências de Ensino projetadas para a aprendizagem de vários géneros textuais e em vários níveis de ensino.

Deste modo, conscientes da existência de lacunas nesta área de investigação, queremos partilhar conhecimentos e metodologias produzidos em domínios que se prendem com a Didática dos Géneros de Textos e a sua pertinência na aprendizagem da língua escrita, mais especificamente tendo em conta: a reflexão sobre práticas de construção e validação de instrumentos adequados (incluindo TIC); a pesquisa nos diversos níveis da análise linguística de produções de informantes de diversos graus de ensino e o estudo das particularidades e desafios que certos géneros textuais colocam em sala de aula, quer ao nível da sua desconstrução interpretativa, quer ao nível da sua produção.

Palavras-chave: Géneros textuais, língua portuguesa, ensino da produção escrita, didática da língua, linguística textual.

  

Minibiografias:

Rosa Lídia Coimbra é Professora Auxiliar no Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, onde leciona, desde 1986, na área da linguística portuguesa. Desenvolve investigação no âmbito da Linguística Textual, Análise do Discurso e Variação Linguística. É membro, desde o seu início, do projeto ProTextos.

Luísa Álvares Pereira é Professora Auxiliar com Agregação no Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro. Desenvolve investigação no âmbito da Ciências da Educação, Didática de Línguas e Desenvolvimento Curricular, Didática do Português, Literacia e Escrita Académica. É coordenadora do projeto ProTextos (http://protextos.web.ua.pt).

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

 

 

Comunicação 1

A progressão na escrita de fábulas: estudo longitudinal com alunos do 4.º, 6.º e 9.ºanos

 

Luísa Álvares Pereira – CIDTFF/DEP, Universidade de Aveiro – lpereira@ua.pt

Rosa Lídia Coimbra – CLLC/DLC, Universidade de Aveiro – rlcoimbra@ua.pt

 

Resumo:

Esta comunicação inscreve-se na problemática do desenvolvimento da produção escrita num contexto de formação de professores (Pereira e Cardoso, 2013) para o ensino da escrita de determinado género textual (Pereira, 2014). Não existem muitos estudos sobre a análise de textos para se verificar a forma como se processa o seu desenvolvimento entre níveis diferentes de escolaridade (Gouveia, 2013) e muitos destes estudos não coincidem no reconhecimento de que os alunos evoluem e em que dimensões (Moura, 2012).

Do ponto de vista da Didática, parece-nos importante analisar os escritos dos alunos antes e depois de um programa de intervenção, ancorado em um programa de formação, no sentido de se legitimarem procedimentos de ensino por via de Sequências de Ensino /Didáticas capazes de instaurar uma progressão na planificação da ação.

No caso em estudo, o processo formativo centrou-se essencialmente na formatação genérica da fábula e um dos nossos objetivos centrais é analisar produções iniciais e finais de alunos de 4.º, 6.º e 9.º anos de professores em formação e compreender como o trabalho didático sobre as especificidades deste género textual permitiu aos alunos melhorar as suas performances.

Colocamos a hipótese de que  trabalho orientado pelo género de texto traduz-se numa melhoria da qualidade da orientação textual e do efeito de genericidade (Beacco, 2013; Adam, 2014) e, assim, pretendemos proceder a uma análise dos textos de três turmas de professores em formação, uma de cada nível de escolaridade do Ensino Básico, procurando encontrar diferenças entre as duas versões, ao nível de alguns parâmetros de género: (i) plano do texto; (Ii) processo enunciativo; (iii) formas de presença/ausência da moral; (iv) encaixe do diálogo na sequência narrativa/argumentativa.

Palavras-chave: géneros textuais; fábula; produção escrita.

 

Minibiografias:

Rosa Lídia Coimbra – CLLC/DLC, Universidade de Aveiro – rlcoimbra@ua.pt

É Professora Auxiliar no Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, onde leciona, desde 1986, na área da linguística portuguesa. Desenvolve investigação no âmbito da Linguística Textual, Análise do Discurso e Variação Linguística. É membro, desde o seu início, do projeto ProTextos.

Luísa Álvares Pereira – CIDTFF/DEP, Universidade de Aveiro – lpereira@ua.pt

É Professora Auxiliar com Agregação no Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro. Desenvolve investigação no âmbito da Ciências da Educação, Didática de Línguas e Desenvolvimento Curricular, Didática do Português, Literacia e Escrita Académica. É coordenadora do projeto ProTextos (http://protextos.web.ua.pt).


Comunicação 2

Percepções de estudantes de tradução espanhol-português acerca de seu processo de biletramento

 

Ana Laura dos Santos Marques – Universidad de Santiago de Chile – ana.marques@usach.cl

 

Resumo:

Este trabalho se enfoca na percepção do biletramento gerado em um contexto universitário chileno em que o desenvolvimento da escrita tem propósitos específicos para os estudantes de tradução espanhol-português: transitar entre línguas para transmitir significados. O conceito de biletramento (Hornberger, 2003, 2013) refere-se às instancias em que a comunicação acontece em duas (ou mais) línguas, dentro e em torno da escrita. Usuários de duas línguas se beneficiariam do conhecimento dos registros variados incorporados a seus repertórios em sua língua materna (LM) e em língua estrangeira (LE). É precisamente a percepção da correlação entre a habilidade da escrita em duas línguas o problema discutido neste trabalho. Para esta proposta, ressalta-se a proximidade entre as línguas espanhola (LM) e portuguesa (LE), propiciadoras do fenómeno da compreensibilidade mútua que indefine as fronteiras entre os dois idiomas. Os objetivos deste trabalho são verificar, nas opiniões dos estudantes, se o incremento de sua habilidade de escrita é compreendido como um processo contínuo: desde sua LM à LE e vice-versa. Para isso, utiliza-se uma metodologia qualitativa, com dados recopilados a partir de entrevistas semiestruturadas, conformando um estudo de casos. Os resultados da presente pesquisa buscam responder se, nas percepções dos estudantes, está plasmada a ideia de complementariedade através das práticas de produção de textos no contexto de formação universitária, sobretudo, nas possíveis correlações entre a língua estrangeira e a língua materna.

Palavras-chave: biletramento português-espanhol; produção de escrita acadêmica; aprendizagem de português por hispanofalantes; línguas próximas.

 

Minibiografia:

Ana Laura dos Santos Marques: professora assistente da Universidad de Santiago de Chile desde o ano 20008. Coordenadora da área de língua portuguesa no curso de de Lingüística Aplicada a la Traducción. É licenciada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (2002), com mestrado em Linguística Aplicada ao ensino de línguas também pela Universidade Federal de Minas Gerais (2005). Atualmente é bolsista Conicyt – Chile no Programa de Doctorado en Lingüística da Pontificia Universidad Católica de Chile. Áreas de interesses e estudos: ensino de língua portuguesa a hispanofalantes, elaboração de materiais didáticos de PLE, desenvolvimento da escrita e implicações da proximidade entre português-espanhol em contextos de formação para propósitos específicos.


Comunicação 3

A leitura e a escrita no ensino de PLE

 

Ângela Patrícia Luís de Oliveira Salvador Bruno – CLA- Centro Linguistico Ateneo, Università degli Studi di Cagliari – apsalvador@libero.it

 

Resumo:

O processo de tratamento da leitura e da escrita no ensino de uma língua estrangeira tem apresentado, desde sempre, algumas dificuldades e tem sido objeto de discussão por parte de alguns estudiosos dando assim origem a várias correntes de metodologias relativamente a este aspeto do ensino das línguas estrangeiras.

Ao longo da vida, temos necessidade de adquirir uma boa “bagagem” de leitura que, para além de nos ajudar a obter conhecimento, contribui também para desenvolvermos a nossa capacidade de interrogar, duvidar, conhecer e expor opiniões e, acima de tudo, contribui a formar a nossa capacidade de comunicar nas mais variadas formas, seja oralmente seja através da escrita, como num poema ou num pequeno texto. Acredito que a educação em geral assim como o ensino de uma língua estrangeira têm um papel fundamental no incentivo à leitura, pois ao promover este hábito enriquece o conhecimento dos discentes, tornando possível a argumentação seja a nível cultural seja a nível profissional. Assim, este meu trabalho tem a pretensão de expor uma reflexão diacrónica sobre as várias metodologias de ensino de línguas estrangeiras com os respectivos tratamentos da leitura e da escrita e ilustrar um pouco o percurso das minhas aulas, desde o nível inicial até ao nível C1 explicando os diferentes modos de introdução e de desenvolvimento destes dois aspetos do ensino e de como os meus estudantes de PLE, reagem à leitura e às atividades de produção escrita apresentando alguns exemplos das diversas atividades propostas em sala de aula. Para obter um efeito positivo e cativar os alunos apresento atividades interessantes e criativas para cada um dos níveis de língua portuguesa leccionados com resultados surpreendentes passando por vários tipos de texto da prosa à poesia.

Palavras-chave: Géneros textuais; actividades de leitura; produção escrita em aulas de PLE; escrita criativa no ensino de PLE.

 

Minibiografia:

Ângela Patrícia Luís de Oliveira Salvador Bruno, licenciada em LLM – estudos francese e Italianos em 1997 e licenciatura em LLM – Ramo Educacional em 2000 pela Faculdade de Letras de Lisboa, professora de FLE no ensino básico (2º e 3º ciclo) e de PLE no CLA – Centro Linguistico Ateneo da Università degli Studi di Cagliari desde 2003.


Comunicação 4

Desenvolvimento da escrita – o caso da APRECIAÇÃO CRÍTICA no Ensino Secundário

 

Aurora Cerqueira – Agrupamento de Escolas Mário Sacramento – aurora.cerqueira@aems.edu.pt

Betina Martins – Agrupamento de Escolas de Esgueira – betina.martins@esjml.edu.pt

José Ferreira – Escola Secundária de Inês de Castro – ferreira.joma@gmail.com

 

Resumo:

A implementação do Novo Programa de Português do Ensino Secundário colocou alguns desafiosà didática da escrita, nomeadamente, ao trabalho pedagógico com a produção escrita de diferentes textos, desde logo devido à ambiguidade existente entre as várias propostas de géneros de texto. O facto de que esteja presente em tal Programa, pela primeira vez, a APRECIAÇÃO CRÍTICA levou-nos a centrar neste género textual o nosso trabalho investigativo, que desenvolvemos em duas vias convergentes:

  1. i) definição das características da apreciação crítica, partindo da análise de textos modelares;
  2. ii) intervenção didática, orientada para a construção de um percurso assente nas evidências recolhidas na análise de produções textuais dos alunos de duas turmas, ao longo do ensino secundário.

Deste modo, propomo-nos partilhar os resultados da análise dos textos dos alunos produzidos nos 10.º e 11.º anos, inscrevendo-nos numa linha de investigação de desenvolvimento da escrita. Simultaneamente, apontaremos as principais características do género ao nível da sua infraestrutura geral, dos mecanismos de textualização e dos enunciativos. Finalmente, discutiremos alguns dos caminhos que este estudo nos parece apontar à didatização do género APRECIAÇÃO CRÍTICA.

Palavras-chave: apreciação crítica; língua portuguesa; sequência didática; desenvolvimento da Escrita.

 

Minibiografias:

Aurora Cerqueira é professora de Português em Aveiro e colaboradora do Projeto Protextos desde 2009, centrando a sua investigação no ensino da escrita e da leitura, a partir dos géneros textuais.

Betina Martins é professora de Português em Aveiro e colaboradora do Projeto Protextos desde 2009, centrando a sua investigação no ensino da escrita e da leitura, a partir dos géneros textuais.

José Ferreira é professor de Português em Canidelo (Vila Nova de Gaia) e colaborador do Projeto Protextos desde 2009, centrando a sua investigação no uso do blog como estratégia para o ensino e a aprendizagem da escrita.


Comunicação 5

Géneros textuais em contexto escolar e extraescolar no ensino básico: processo e produto

 

Célia da Graça Lopes – Universidade de Aveiro –  celia.graca@ua.pt

Inês Cardoso – York University / CIDTFF – icardoso@yorku.ca

 

Resumo:

A importância do ensino da escrita de diferentes géneros textuais e o modo como uma relação favorável com a escrita pode ser potenciada por dispositivos didáticos têm interessado ao grupo Protextos, sem negligenciar a dualidade de produção textual extraescolar/escolar (Cardoso & Pereira, 2014), pois que há evidências de que os jovens escrevem em contexto extraescolar, sendo uma escrita abundante e diversificada (Cardoso, 2009; Cardoso & Pereira, 2015).

Estas pesquisas, conduziram à necessidade da realização de um inquérito, por questionário, a uma amostra representativa nacional dos alunos de anos terminais de ciclos no Ensino Básico, sobre as suas práticas de escrita escolar e extraescolar.

Assim, aplicámos um questionário online a uma amostra da população referenciada, alunos matriculados em 2011/2012, no ensino oficial, em Portugal Continental: 1588 alunos.

Pretendemos apresentar os géneros textuais produzidos, com mais frequência, pelos alunos do 4.º, 6.º e 9.º anos, em contexto escolar e extraescolar, assim como mostrar de que forma procedem relativamente às ações associadas às componentes de planificação, de textualização e de revisão de um texto.

A análise aponta diferenças relevantes entre os três ciclos relativamente às práticas de escrita obrigatória e livre dos alunos.  Os resultados revelam que os géneros textuais produzidos com maior frequência, na escola, são os que se creem ligados a objetivos de aprendizagem. No contexto extraescolar, observamos uma prevalência de escrita relacionada com fins de comunicação, criação e reflexão.

Relativamente ao processo de escrita, na planificação, sobressai, nos três ciclos e nos dois contextos, a importância da organização do pensamento, a dissipação de dúvidas e, mais pronunciadamente no 9.º ano, o conhecimento do destinatário do texto.

Na textualização, em ambos os contextos, predomina a preocupação com aspetos ortográficos e caligráficos no 4.º e 6.º anos, emergindo a leitura e reescrita do texto no 9.º ano. Na revisão textual prevalece a leitura para correção dos erros.

A perceção dos alunos relativamente às suas práticas de escrita e às operações cognitivas que lhes estão associadas dá-nos pistas muito relevantes para configurações didáticas mais ajustadas, mais eficazes para os sujeitos, e mais fiéis à complexidade dos textos.

Palavras-chave: Escrita; géneros textuais; contexto escolar; contexto extraescolar; processo de escrita.

 

Minibiografias:

Célia da Graça Lopes é professora do 1.º CEB no Agrupamento de Escolas João da Silva Correia. Encontra-se a concluir o doutoramento em Multimédia em Educação na Universidade de Aveiro, onde também é colaboradora do Projeto Protextos. Desenvolve investigação no ensino da escrita, na relação que os alunos estabelecem com a escrita e na utilização das TIC, em contexto escolar e extraescolar. É também formadora da UNAVE (Associação para a Formação Profissional e Investigação da Universidade de Aveiro) e do cfTSM (Centro de Formação de Terras de Santa Maria).

Inês Cardoso é Sessional Assistant Professor, Docente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, em Portuguese and Luso-Brazilian Studies, no Department of Languages, Literatures and Linguistics da York University – Toronto, Canadá. Doutorada em Didática, na Universidade de Aveiro (UA – Portugal), realizou também um projeto de pós-doutoramento no Departamento de Educação e Psicologia da UA, com financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Integra o Centro de Investigação “Didática e Tecnologia na Formação de Formadores” e é membro do grupo “PROTEXTOS – Ensino da produção de textos”.


Comunicação 6

Ensinar a recensão crítica através da pedagogia do género na universidade em Moçambique: metodologia e instrumentos

 

Conceição Siopa – Camões, Instituto da Cooperação e da Língua – Cátedra de Português Língua Segunda e Estrangeira – msilvasiopa@camoes.mne.pt /msiopa@gmail.com

Luísa Álvares Pereira – CIDTFF, Universidade de Aveiro – lpereira@ua.pt

 

Resumo:

O ensino-aprendizagem da língua portuguesa em Moçambique apresenta contornos particularmente complexos que se devem ao facto de o português ser adquirido como língua segunda (L2) o que, associado às condições de escolarização em que o ensino se concretiza, influencia o desenvolvimento da proficiência linguística e discursiva em português. Assim, tendo em vista a relevância do desenvolvimento das competências de escrita académica na universidade, o estudo que se apresenta está enquadrado teoricamente no ensino explicito da escrita segundo a pedagogia do género. O seu objeto de estudo incide sobre metodologia usada e sobre o dispositivo didático desenvolvido e aplicado numa sequência de ensino, com o objetivo de desenvolver, nos estudantes universitários moçambicanos, competências específicas de escrita de recensões críticas. Partiu-se da seguinte questão de pesquisa: Num contexto de ensino explícito do género recensão crítica, que metodologia de ensino adotar e que dispositivo didático construir para ensinar a recensão crítica a estudantes universitários moçambicanos? Participam neste estudo 39 estudantes do 2º ano da licenciatura em Ensino de Português de uma universidade moçambicana e a docente de português da turma referida, também investigadora. Ao combinar investigação e ensino, a abordagem metodológica adotada é de natureza qualitativa e o método de investigação desenvolvido o de investigação-ação. Os instrumentos de recolha dos dados são os textos produzidos pelos estudantes  em contexto de sala de aula e as notas recolhidas pelo investigador, durante o processo de intervenção didática. As conclusões do estudo permitem, por um lado, verificar melhorias significativas nas recensões produzidas pelos estudantes após a aplicação da sequência de ensino desenvolvida para o efeito. Por outro lado, estas conclusões dão origem a algumas recomendações como seja a necessidade da construção de pré-requisitos, ao nível do desenvolvimento da capacidade de resumir e sintetizar, determinantes para o ensino e aprendizagem da recensão crítica.

Palavras-chave: Recensão crítica; escrita académica; português língua segunda; investigação-ação; pedagogia do género.

 

Minibiografias:

Conceição Siopa é leitora de Português na UEM e doutoranda em Educação na Universidade de Aveiro (Portugal). É docente da disciplina de Português na Licenciatura em Ensino de Português na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM e investigadora da Cátedra de Português Língua Segunda e Estrangeira, actualmente responsável pelo Projecto de Investigação “Escrita Académica” http://www.catedraportugues.uem.mz/lib/docs2/ProjetoEscritaAcademica_26Maio2016.pdf .

Luísa Álvares Pereira é Professora Auxiliar com Agregação na Universidade de Aveiro, Doutorada em Didática do Português. É docente e investigadora no Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores, da Universidade de Aveiro e no Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa.


Comunicação 7

Leitura e escrita na aula de Língua Portuguesa: uma experiência possível no ensino fundamental em uma escola brasileira

 

Daniela dos Santos Salazar – Uniasselvi/SC – Brasil – teacherdanisalazar@hotmail.com

 

Resumo:

Diante de todas as discussões acerca de estratégias que buscam uma formação de qualidade para os alunos, é importante destacar que a leitura ocupa um lugar de muita importância para o aprimoramento da competência linguística dos alunos. Cabe mencionar a necessidade de oferecer aos alunos diferentes gêneros textuais, como instrumentos importantes e necessários para a formação não só linguística, mas também, cultural. Diante disso, questiona-se: como estimular o hábito da leitura nos alunos do ensino fundamental, séries finais, bem como o desenvolvimento da escrita correta e coerente em Língua Portuguesa? Para tanto, apresenta-se como objetivo principal oferecer aos alunos um ambiente de leitura de qualidade, com a presença efetiva de diferentes gêneros textuais, de modo a despertar nos alunos o hábito saudável da leitura e, consequentemente, estimular as competências necessárias para o desenvolvimento da escrita e reescrita de produções textuais. Desse modo, durante o percurso investigativo, destacam-se as contribuições de alguns autores a fim de buscar possíveis respostas para o questionamento inicial e os resultados observados a partir de uma prática de leitura semanal. Essa prática tem como cenário uma escola estadual, em particular, numa cidade litorânea no estado do Rio Grande do Sul, no Brasil. Assim sendo, aponta-se que no decorrer do 1º semestre do ano de 2016, os alunos do 8º e 9º anos, acompanhados de suas respectivas professoras de Língua Portuguesa, grupo o qual estou incluída, fizeram uso de um horário de 50 minutos para a prática da leitura de diferentes tipos de textos e autores. Durante essa prática, foram usados livros do acervo da escola, textos trazidos para a aula pelos próprios alunos e pelas professoras. Ao final de cada momento de leitura, os alunos produziram uma ficha de leitura com a finalidade de registrar título da obra, autor, ano de publicação, tipo de texto e resumo do material lido. Trata-se de uma prática de leitura semanal que continuará durante o ano letivo de 2017, por entender-se que, até então, além de se observar progressos significativos na escrita dos alunos, houve evolução no sentido de reconhecimento de diferentes gêneros textuais e associações fora do contexto escolar.

Palavras-chave: Leitura; gêneros textuais; escrita; língua portuguesa.

 

Minibiografia:

Mestre em Educação pela UNESC/SC (2015) – Brasil. Especialização em Língua Inglesa pelas FIP/MG (2000) – Brasil. Graduação em Letras – Língua Inglesa e Respectivas Literaturas pela FACOS/RS (1997) Graduação em Letras – Português e Respectiva Literatura, em andamento, pela UNIASSELVI/SC – Brasil (2015). Professora de Inglês e Português, no ensino fundamental, da Secretaria Estadual de Educação do RS – Brasil. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Inglesa no ensino fundamental séries iniciais, finais, ensino médio e curso de magistério e, também, em Língua Portuguesa no ensino fundamental séries finais. Desenvolve pesquisas sobre o ensino de línguas e literatura a partir da teoria de Bakhtin sobre o dialogismo.


Comunicação 8

O ensino da língua portuguesa e o desafio dos géneros textuais digitais

 

Dina Baptista – Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda, da Universidade de Aveiro (ESTGA-UA) – dina@ua.pt

 

Resumo:

As novas práticas sociais de linguagem em ambientes digitais e a especificidade das suas diferentes plataformas impulsionam, por um lado, novas formas de produção e de circulação de textos, e, por outro, um novo posicionamento estratégico da comunicação nas organizações, que inclui a necessidade de contratação de colaboradores com competências para a gestão do processo comunicacional na rede e para a própria produção de textos adequados às especificidades dos sites, dos blogs e das redes sociais (Facebook, Instagram, Pinterest, Twitter, Youtube, entre outras). Além disso, a fusão de todos os meios de comunicação num só espaço exige também mudanças ao nível das características linguísticas e estruturais dos tradicionais géneros textuais, que aqueles profissionais deverão conhecer e dominar.

Os textos produzidos nestes ambientes são inegavelmente herdados da forma impressa. Contudo, os traços que adquirem, condizentes com o novo espaço e com as novas circunstâncias de comunicação por escrito, que incluem Chats, e-mails, vídeoconferências interativas e aulas virtuais, são exemplos de géneros textuais que criam formas comunicativas hibridas, interativas e participativas.

Tomando como referência a experiência de docente de Português, no ensino secundário e superior politécnico, e a orientação de estágios na área da comunicação, pretende-se discutir, à luz de alguns trabalhos realizados no campo da didática e da comunicação, este novo paradigma comunicacional, suas especificidades e exigências, e apresentar propostas didáticas para o ensino da língua portuguesa, adequadas a estes géneros textuais, chamados digitais. Pois, se considerarmos que toda a comunicação se desenvolve fortemente por meio de ambientes digitais, será inevitável reconhecer que o ensino de uma língua se deve pautar por novas abordagens didáticas que preparem os estudantes para a produção e compreensão dos géneros de texto recorrentes no contexto social e desenvolvam competências linguísticas e comunicacionais que respondam às tendências e transformações comunicacionais das organizações.

Palavras-chave: Plataformas digitais; didática; língua portuguesa; géneros textuais digitais; competências.

 

Minibiografia:

Dina Baptista é docente de Português, no ensino secundário, e professora adjunta convidada no ensino superior, nas áreas de Português, Comunicação e Secretariado. É orientadora de estágios curriculares, desde 2008, nas licenciaturas de Comunicação, Secretariado e Gestão Comercial e nos últimos seis anos exerceu funções de coordenação pedagógica. Investigadora-colaboradora do Centro de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Aveiro, tem colaborado em projetos nas áreas da tradução latina, do ensino do Português e da Comunicação.


Comunicação 9

Uma proposta de ensino da escrita no ensino médio em mato grosso: uma perspectiva bakhtiniana

 

Domingos Pinto de França – (Universidade Federal de Mato Grosso – PPGEL – REBAK) – francismestrado@gmail.com

 

Resumo:

Este resumo é parte da minha pesquisa de mestrado e leva em consideração o uso dos gêneros discursivos no ensino da escrita em Língua Portuguesa, em sala de aula de Ensino Médio de uma escola pública da cidade de Cuiabá-MT, Brasil. Conforme o enfoque linguístico-enunciativo de Mikhail Bakhtin, a ancoragem na teoria dos gêneros do discurso como tipos relativamente estáveis de um enunciado traz como premissa a heterogeneidade dos gêneros, o que nos permite pensar em exercícios de autoria.  Para Koch, o contato com uma diversidade de textos da vida cotidiana é capaz de criar, no aluno, a capacidade de correlação com outros textos e assim sua intelecção fica cada vez mais apurada. Nesta comunicação, objetivamos, portanto, apresentar os resultados de um projeto de ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa que buscou contribuir para a construção da escrita de forma efetiva pelo aluno, através de um trabalho de parceria com a docente, utilizando uma metodologia que articulou os conceitos de gênero, ideologia, autoria, compreensão ativa, em comunhão com as contribuições da Nova Retórica a respeito dos processos argumentativos. Aliamos, ainda, a consideração sobre o estilo do autor e a flexibilidade das configurações enunciativas em torno dos variados gêneros dos discursos escolares e escolarizados. Apresentamos, ainda, excertos dos textos produzidos, revelando avanços no domínio da escrita por parte dos sujeitos participantes da pesquisa. Esta investigação se insere no conjunto de pesquisas desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa Relendo Bakhtin (REBAK), do Programa de Pós-graduação da Universidade Federal de Mato Grosso.

Palavras-chave: Gêneros discursivos; Ideologia; Autoria; Compreensão ativa; Intelecção.

 

Minibiografia:

Domingos Pinto de França – Mestrando pelo programa do PPGEL da Universidade Federal de Mato Grosso. Membro do grupo REBAK – Grupo de pesquisas relendo Bakhtin.


Comunicação 10

Gêneros textuais e ensino de língua portuguesa

 

Elaine Nogueira da Silva – Universidade Federal do Rio Grande – elainensilva@bol.com.br

 

Resumo:

Práticas de ensino de língua portuguesa embasadas nos estudos dos gêneros textuais têm sido amplamente discutidas nos cursos de Licenciatura em Letras no Brasil, principalmente, como proposta metodológica para as atividades de língua materna no ensino básico, por ser reconhecido como um recurso rico e multidimensional a ser considerado na escrita. Nesse sentido, o presente estudo tem como objetivo apresentar pesquisa realizada com discentes que cursam o quinto semestre dos cursos de Licenciatura em Letras de uma universidade do sul do Brasil, a partir das seguintes questões: até que ponto os discentes conseguem articular as discussões a respeito dos gêneros textuais com as propostas de práticas de escrita? Que gêneros são contemplados nas práticas de escrita elaboradas pelos discentes? Assim, os dados desta pesquisa compõem as atividades elaboradas pelos discentes para serem aplicadas em escolas do ensino básico. Para embasar as análises e discussão dos dados foram utilizados os seguintes autores: Bazerman (2006), Bonini (2002), Bunzen (2006), Rojo (2009), entre outros.

Palavras-chave: práticas de ensino; língua portuguesa; gêneros textuais; escrita.

 

Minibiografia:

Professora Adjunta no Instituto de Letras e Artes da Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande do Sul (BR). Atua na formação inicial e continuada de professores e, também, orienta trabalhos com foco na leitura, análise linguística e produção escrita, sob a perspectiva dos gêneros textuais.


Comunicação 11

Diversidade Lexical: Análise comparativa em escolas portuguesas

 

Elian Santos – UFAL – elian.santos@cedu.ufal.br

 

Resumo:

Diversidade lexical (DiL) é uma medida associada à quantificação da variedade de palavras presentes no texto, sendo um parâmetro importante para a análise da riqueza lexical de diferentes materiais textuais. A DiL tem sido investigada em estudos sobre aquisição de língua materna, diferenças entre texto oral e texto escrito e em estudos sobre o texto escolar. Contudo, há poucas investigações que tomam como objeto de análise o texto produzido por alunos dos anos iniciais do Ensino Básico.

O presente estudo tem por objetivo investigar como se manifesta a diversidade lexical em produções colaborativas de histórias inventadas escritas por alunos portugueses de 7 anos em duas escolas portuguesas, uma localizada na zona rural (Escola de Vagos – EV) e outra, na urbana (Escola de Esgueira – EE). Para isso, foram realizadas 6 propostas de produção textual em duas turmas de alunos 2º ano. Em todas as propostas os alunos eram solicitados a inventarem em dupla, uma narrativa ficcional. Cada turma era composta por 6 duplas, produzindo um total de 36 textos por escola (6 textos por dupla), somando 72 textos.

O método utilizado para medir a DiL foi caracterizado através da TTR (Type-Token Ratio), calculada pela divisão do número de palavras diferentes (types) pelo número total de palavras escritas (tokens). Os resultados obtidos através da comparação entre as escolas mostram que as duplas da EE escreveram em média 30 palavras a mais que a EV. Na DiL, a EE também obteve a maior média (57,68%), enquanto que EV obteve (53,67%), ou seja, a EE obteve cerca de 5% a mais que EV. Entretanto, apesar dessa diferença, 65% das duplas de alunos (4 duplas) de ambas as escolas apresentaram crescimento na DiL ao decorrer das produções. Esses resultados indicam que a metodologia usando produções em dupla contribuiu para o crescimento da diversidade lexical.

Palavras-chave: Texto Escolar; Escrita Colaborativa; Diversidade Lexical.

 

Minibiografia:

Elian Santos é graduada em pedagogia pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e membro do Laboratório de Manuscrito Escolar (LAME) desde 2015.


Comunicação 12

Os gêneros digitais e o ensino de língua portuguesa na educação básica: uma proposta didática com o quiz

 

Fernanda Maria Almeida dos Santos – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – fernandasantos@ufrb.edu.br

 

Resumo:

Na contemporaneidade, o constante desenvolvimento e uso das tecnologias digitais propiciou significativos avanços na vida e nas relações humanas, bem como nos modos de apropriação do conhecimento. Os gêneros de textos digitais, de modo mais específico, têm possibilitado uma multiplicidade de dinâmicas linguístico-discursivas que permitem aos seus usuários introduzirem-se, espontaneamente, na língua que estão usando para se comunicar, fazendo um uso social da leitura e da escrita em diferentes contextos de produção e interpretação de sentidos. Considerando esses aspectos, o presente trabalho discute o processo de ensino e aprendizagem da escrita da Língua Portuguesa em contextos digitais, analisando as contribuições do gênero Quiz para o aprendizado de estudantes brasileiros do 6º ano do ensino fundamental, matriculados em uma escola da rede pública municipal de Amargosa-BA. Para tanto, utiliza-se uma metodologia de investigação qualitativa, fundamentada numa análise explicativa. O referencial teórico do estudo concilia a teoria enunciativo-discursiva de Bakhtin (1997; 2006) e a teoria social da construção do conhecimento de Vygotsky (1989) com os estudos/análises de Cope e Kalantzis (2000), Coscarelli (2007), Lévy (1993; 1999), Marcuschi (2004) e Rojo (2009; 2012), sobre tecnologias, (multi)letramentos e ensino e aprendizagem de língua portuguesa em contextos digitais. Quanto aos procedimentos metodológicos, foram realizados: i) levantamento das principais dificuldades dos estudantes em relação às atividades de leitura e escrita; ii) elaboração e desenvolvimento de sequências didáticas (cf. DOLZ; NOVERRAZ; SCHNEUWLY, 2004) para o trabalho com o gênero Quiz; iii) acompanhamento do processo de aprendizagem dos estudantes, através da análise de textos produzidos em ambientes digitais. Argumenta-se, com base na análise realizada, que – além de favorecer a interação entre os estudantes – a proposta didática possibilitou a aprendizagem do gênero e tornou o processo de produção mais dinâmico e menos enfadonho, possibilitando o uso social da leitura e escrita em situações reais de comunicação.

Palavras-chave: Escrita; Gêneros digitais; Sequências Didáticas; Contribuições.

 

Minibiografia:

Fernanda Maria Almeida dos Santos é Professora Adjunta de Língua Portuguesa da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). É doutora em Língua e Cultura e mestre em Letras pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e graduada em Letras Vernáculas pela Universidade do Estado da Bahia/ Campus V. Atua principalmente com os seguintes temas: aquisição da linguagem, surdez, escrita e diversidades, multiletramentos e novas tecnologias.


Comunicação 13

O Ensino da Escrita na Escola – uma análise comparativa de manuais escolares em uso no Brasil e em Portugal

 

José António Brandão Carvalho – CIEd, Universidade do Minho – jabrandao@ie.uminho.pt

Elisete Maria de Carvalho Mesquita – ILEEL, Universidade Federal de Uberlândia –

elismcm@gmail.com

 

Resumo:

Escrita e escola constituem duas realidades indissociáveis. Se, por um lado, e ao contrário do que acontece com a oralidade que a criança desenvolve em interação com os que a rodeiam, a escrita se aprende e desenvolve no contexto escolar, por outro, grande parte das atividades desenvolvidas na escola pressupõe usos da escrita que, pela sua complexidade, colocam dificuldades aos alunos e desafios àqueles que ensinam a escrever.

Ensinar a escrever é, portanto, uma tarefa difícil dado que estamos perante um saber complexo, de caráter processual, cujo domínio se verifica através da produção de textos adequados aos contextos da sua produção. O desenvolvimento da competência de escrita é afetado por múltiplos fatores, entre os quais destacaríamos o desenvolvimento cognitivo e linguístico e o envolvimento do indivíduo em práticas sociais que implicam o recurso à escrita.

No que se refere ao ensino da Língua Portuguesa, em geral, e da escrita, em particular, Portugal e Brasil constituem realidade diferentes. Essa diferença é, desde logo, visível quando se comparam documentos, que a nível oficial, definem o currículo, nomeadamente os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (BR) e o Programa e Metas Curriculares de Português (PT) (Mesquita & Carvalho, 2013).

Procurando aprofundar a comparação entre as duas realidades, propomo-nos, neste caso, apresentar um estudo comparativo da abordagem da escrita em manuais escolares de Língua Portuguesa/Português do 8º ano de escolaridade, em uso no Brasil e em Portugal. Parte-se do pressuposto de que os manuais escolares, enquanto instrumentos reconfiguradores das orientações curriculares, têm um forte poder regulador das práticas pedagógicas, pelo que constituem uma importante fonte de informação sobre o modo como os conteúdos escolares são trabalhados na sala de aula.

Palavras-chave: Escrita; manuais escolares; práticas pedagógicas.

 

Minibiografias:

José António Brandão Carvalho é Doutor em Educação (especialidade de Metodologia do Ensino do Português) pela Universidade do Minho, Portugal. Professor Associado com Agregação do Departamento de Estudos Integrados de Literacia, Didática e Supervisão do Instituto de Educação da Universidade do Minho. Leciona várias disciplinas no domínio da Educação em Línguas e desenvolve investigação no domínio das Literacias, focando-se na Didática da Língua Materna, em geral, e na Didática da Escrita, em particular, bem como na Escrita Académica.

Elisete Maria de Carvalho Mesquita possui graduação em Letras pela Universidade Federal de Goiás (1996), mestrado em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1999), doutorado em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2003) e pós-doutorado pela Universidade do Minho- PT (2013). Atualmente é professora associada da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Dentre seus interesses estão texto/gêneros discursivos e ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa.


Comunicação 14

Semelhanças e diferenças na gênese textual de falas de personagens construídas por duas díades recém-alfabetizadas

 

Kall Anne Amorim – UFAL, Brasil – kallanneamorim@gmail.com

Eduardo Calil – UFAL, Brasil – eduardocalil@me.com

 

Resumo:

A literatura especializada sobre a aquisição do discurso reportado (DR) por escreventes novatos sugere que sua aprendizagem envolve o domínio e a articulação de um complexo sistema semiótico. Os trabalhos vinculados à Genética Textual indicam, por outra parte, que as ocorrências do DR estão relacionadas ao caráter dialógico da linguagem, tendo o discurso direto (DD) papel de destaque no processo de criação de narrativas ficcionais (Boré, 2010). Apesar da reconhecida importância do DD para este gênero textual estar associada ao ensino inicial da pontuação, muito pouco se sabe sobre a gênese e a construção de DD por alunos recém alfabetizados, durante o momento em que estão inventando e escrevendo suas histórias. Partindo da Genética Textual, dentro de uma abordagem enunciativa, este trabalho analisa como alunos de 7 anos constroem o discurso direto (DD) em histórias inventadas. Para tal, selecionamos 8 processos de escritura (PE) em tempo real de narrativas ficcionais escritas por duas díades de alunas brasileiras. A primeira díade (D1) produziu 4 histórias em uma escola da cidade de São Paulo e a outra díade (D2) 4 histórias em outra escola na cidade de Maceió. Em todas as propostas de produção textual, as díades combinavam e escreviam um único manuscrito escolar (ME). Cada uma dessas propostas foi filmada e transcrita verbatim. A partir dos ME produzidos, identificamos os DD escritos. Em seguida, através de suas marcas sintáticas, lexicais, semânticas, suprassegmentais e gestuais, buscamos nos PE filmados as enunciações relacionadas a cada um dos DD escritos. Nos ME da D1 tivemos 33 DD, enquanto que nos ME da D2 apenas 4. Essa grande diferença também ocorreu ao longo dos PE. Nos PE da D1 identificamos 220 formulações relacionadas aos DD escritos, enquanto a D2 fez 19 enunciações. Apesar destas diferenças, os DD escritos nos ME apresentam estruturas linguísticas e marcas de pontuação semelhantes. Nos PE, contudo, marcas entonacionais e gestuais da D1, relacionadas a elementos semióticos de histórias em quadrinhos, diferenciam-se em relação à D2, indicando, por um lado, a interferência deste gênero no processo de criação da D1 e, por outro, uma relação mais lúdica e inventiva com o conteúdo a ser narrado nas narrativas ficcionais que escrevem.

BORÉ, Catherine. Le dialogue de fiction scolaire, moteur de l’invention. In: BORÉ, Catherine. Modalités de la fiction dans l’écriture scolaire. Éditions l’Harmattan. Collection Savoir et Formation, préface de Frédéric François, 2010, Cap. 4, p. 149-173.

Palavras-chave: Manuscritos escolares; Discurso Direto; Criação Textual; Autoria.

 

Minibiografias:

Kall Anne Amorim é doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Alagoas e integrante do Laboratório do Manuscrito Escolar (LAME). Dedica-se ao estudo de processos de escritura colaborativa em contexto escolar, quando escreventes novatos produzem seus primeiros textos, incidindo sobre a construção coenunciativa do discurso reportado.

Eduardo Calil é doutor em Psicolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem (UNICAMP, 1995) e Professor Titular da Universidade Federal de Alagoas. Atualmente, lidera o Grupo de Pesquisa Escritura, Texto e Criação (ET&C), dirige o Laboratório do Manuscrito Escolar (LAME) e é pesquisador do CNPq (nível 1D). Fez estágios de pós-doutoramento no Institut des Texts et Manuscrits Modernes – ITEM (2003-2004), no Laboratório de Modèles, Dynamiques, Corpus (MODYCO) da Université Paris Ouest Nanterre La Défense (2010) e foi pesquisador-visitante pelo Fulbright Scholar Program, na Harvard Graduate School of Education (2014). Seus interesses científicos situam-se em torno da alfabetização, da metodologia de ensino de língua escrita e dos processos de escritura em tempo real. Criou o Sistema Ramos (sistema para captura multimodal da escritura em tempo e espaço real, em situações ecológicas. Com apoio da Fapeal, coordena desde 2014, o projeto InterWriting, envolvendo pesquisadores brasileiros, franceses e portugueses.


Comunicação 15

O gênero fórum e a constituição dos letramentos acadêmicos

 

Kariny Cristina de Souza Raposo – Centro Universitário de Sete Lagoas (UNIFEMM) – Kariny.raposo@unifemm.edu.br

 

Resumo:

Muitos estudos sobre aspectos relativos à leitura e à escrita de alunos que ingressam em universida­des têm sido justificados pelo argumento de que os alunos ingressam na universidade com muitas lacunas no tocante à linguagem escrita, fato que estava gerando uma crise nesse nível de ensino. Lea e Street (1998), discordando desse argumento de que a crise na educação superior seria devido às deficiências dos alunos, exploraram a perspectiva dos Novos Estudos do Letramento – New Literacy Studies – (LEA; STREET, 1998, 2006). Nesse sentido, uma das principais características desse modelo consiste no fato de que se busca compreender a escrita a partir das práticas sociais e culturais em que a produção se situa. Assim, assumindo a perspectiva dos estudos sobre letramento a partir de uma abordagem social, conforme os Novos Estudos sobre Letramento – New Literacy Studies – (STREET, 2012, 2010, 2007; BARTON; HAMILTON, 2005), bem como o uso cada vez mais crescente das tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC), o presente trabalho investiga as práticas e os eventos de letramento ocorridos na disciplina de Leitura e Produção de Textos ofertada na modalidade semipresencial em um Centro Universitário. Considerando ainda que os eventos de letramento apresentam o texto como elemento central na mediação das interações, parte-se de uma perspectiva textualmente orientada, ou seja, a partir da análise dos principais textos escritos com os quais os estudantes lidam, levando em conta o gênero fórum, objetivou-se estudar as peculiaridades das práticas e eventos de letramento no ambiente acadêmico, no contexto específico da referida disciplina. O fórum não é assumido, portanto, como ferramenta e sim como um gênero digital que reúne as opiniões de uma comunidade discursiva (PAIVA; RODRIGUES JR., 2004) sobre um tópico específico, sendo caracterizado por seu caráter interativo e dialógico.

Palavras-chave: Gênero Fórum; Práticas de Letramentos; Eventos de Letramento; Educação a distância.

 

Minibiografia:

Kariny Cristina de Souza Raposo é doutora em Língua Portuguesa e Linguística pela PUC/MC com estágio financiado pela CAPES na UNIGE (Universitè de Genève). É professora de Leitura e Produção de Textos do Centro Universitário de Sete Lagoas –UNIFEMM. Atua como professora-tutora e conteudista das disciplinas semipresenciais de Língua Materna na mesma instituição. Integra a equipe de pesquisadores do projeto “Discurso acadêmico na pesquisa e no ensino: questões em torno da apropriação da palavra de outrem”, financiado pela CAPES/COFECUB (nº834/15).


Comunicação 16

A elaboração de textos nas aulas de ciências com crianças em processo de alfabetização

 

Kely Cristina Nogueira Souto – Escola de Educação Básica e Profissional da Universidade Federal de Minas Gerais/Centro Pedagógico – kcnsouto@gmail.com

Luiz Gustavo Franco – Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais – luiz.gfs@hotmail.com

 

Resumo:

Este estudo buscou compreender o processo de elaboração de textos produzidos por crianças de 7 anos, matriculadas em uma escola pública federal em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Os dados apresentados foram coletados nas aulas de ciências e compõem um banco de dados de um projeto iniciado na escola desde 2011 em parceria com pesquisadores envolvidos no ensino de ciências numa abordagem investigativa.  O estudo, em desenvolvimento, contempla a interlocução entre a Língua Portuguesa e a Ciências como componentes curriculares do Ensino Fundamental.  Nesse trabalho tomamos como objeto de análise a produção do gênero relato envolvendo dois temas distintos: o ser cientista e o estudo dos micos.  A proposta da escrita apresentada aos alunos visou a explicitação de desenhos relacionados a: i) morfologia de um animal, o mico e ii) uma cena de um cientista fazendo ciência. Utilizamos a abordagem da etnografia em educação para investigar: Como as diferentes oportunidades de aprendizagem em Ciências podem contribuir para a produção do texto? Como os enunciados propostos podem interferir ou determinar o tipo e o gênero textual elaborado pela criança? Que aspectos lingüísticos são evidenciados nos relatos produzidos nas aulas de ciências? Notas de campo, artefatos, gravações em vídeo e em áudio das aulas foram objetos de análise. Os dados analisados demonstraram que a produção escrita apresentou fidelidade à cena representada com a presença de elementos da narração e da descrição que possibilitaram a compreensão do leitor. Os relatos, tal como elaborados, cumpriram a funcionalidade no espaço de circulação da sala de aula de ciências e, as referências sobre o que, o para que e o para quem escrever, foram de certo modo concretizadas. Estudos no campo da lingüística textual e dos autores, Marcuschi (1983, 2008); Bakhtin (2002); Bronckart (2003); Dolz e Schneuwly (1996, 2004), entre outros, fundamentam as discussões apresentadas.

Palavras-chave: Escrita; Narração; Descrição; Ensino Fundamental; Ciências.

 

Minibiografias:

Kely Cristina Nogueira Souto é Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da UFMG (2009), Mestre em Lingüística pela Faculdade de Letras da UFMG (1998). Possui graduação em Pedagogia pela UFMG (1990). Professora e pesquisadora da Escola de Educação Básica e Profissional da Universidade Federal de Minas Gerais – Centro Pedagógico/UFMG. Desenvolve pesquisas na área da alfabetização, ensino de ciências e formação de professores. Pós-doutora na Linha de Pesquisa, Formação de Professores, no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa (2016).

Luiz Gustavo Franco é Mestre em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (2015) e graduado em Ciências Biológicas pela mesma universidade (2011). Professor de Ciências da Natureza no Ensino Fundamental e de Biologia no Ensino Médio. Atualmente, é doutorando no Programa de Pós-graduação em Educação da Faculdade de Educação da UFMG. Desenvolve pesquisas na área de Educação em Ciências sob a perspectiva etnográfica.


Comunicação 17

O discurso reportado em contos etiológicos inventados: questões em torno da escritura colaborativa de duas díades recém-alfabetizadas

 

Lidiane Lira – PPGE/UFAL, Brasil – libidilira@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho faz parte de um conjunto de estudos em torno da escritura colaborativa de manuscritos escolares. Em nossa intervenção trataremos, especificamente, da gênese do discurso reportado (DR), durante a produção de contos etiológicos inventados por alunos recém-alfabetizados. Destacaremos os tipos de DR nos manuscritos desses alunos e exemplificaremos sua gênese desde sua formulação inicial até sua textualização. Nosso estudo filia-se ao campo de investigação proposto pela Genética Textual (GRÉSILLON, 1994) e Linguística da Enunciação (AUTHIER-REVUZ, 1995). Analisamos 20 processos de escritura de duas díades (10 processos por díade) filmados em situação escolar. Durante estes processos, alunos de um 2o ano do Ensino Fundamental, escreveram a dois contos etiológicos inventado. Identificamos a ocorrência de 278 DR produzidas por Marília e Sofia e 142 DR por Caio e Igor. As díades produziram ao todo 420 enunciados em DR, dos quais 80% correspondem ao texto oral e 20% foram registrados no manuscrito escolar (produto). Em função de suas características sintáticas e semânticas, essas ocorrências foram divididas em 3 categorias: DR narrativizado; DR indireto; DR direto. Deste quadro comparativo levantamos dois pontos importantes: 1) Marília e Sofia formularam oralmente 223 DR (139 DN, 51 DI e 33 DD), enquanto que Caio e Igor formularam uma quantidade bastante inferior 113 DR (96 DN, 8 DI e 9 DD). 2) As alunas, ao longo das produções, apresentaram maior incidência de DR que os alunos, em específico, nas últimas produções, enquanto que as ocorrências de DR se manifestam, de forma mais intensa, nas primeiras produções de Caio e Igor. Defenderemos que a textualização do DR está relacionada aos conhecimentos que os alunos detém, mas, ao mesmo tempo, que a passagem do registro oral para a textualização do DR incorre em perdas de suas possibilidades enunciativas.

Palavras-chave: Discurso Reportado; Textualização; Processo de escritura; Narrativa ficcional; Criação Textual.

 

Minibiografia:

Lidiane Evangelista Lira é aluna de Pós-Graduação (Doutorado) em Educação Brasileira pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Realizou estágio de doutoramento na Université de Cergy Pontoise, França (2014). Mestre em Educação com título obtido na mesma instituição (2011). É integrante do grupo de pesquisa Escritura, Texto & Criação (ET&C) e do Laboratório do Manuscrito Escolar (L’ÂME), ambos sob a coordenação do professor Dr. Eduardo Calil. Atualmente, é docente na Faculdade Estácio de Alagoas.


Comunicação 18

O ensino de produção textual na universidade: teoria e prática

 

Luciano Magnoni Tocaia – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Brasil – lucianotocaia@uol.com.br

 

Resumo:

Esta comunicação tem por objetivo apresentar uma sequência didática (Schneuwly & Dolz, 2004), para o ensino do gênero textual conto psicológico que foi aplicada em aulas de leitura e de produção textual em língua portuguesa em um curso de Letras Português/Inglês. Para atingir nosso objetivo principal, baseamo-nos nos pressupostos teóricos do Interacionismo Sociodiscursivo, tais quais apresentados por Bronckart (1999, 2006, 2008), Schneuwly & Dolz (2004), Machado (2002, 2009), Cristovão (2002, 2008), dentre outros pesquisadores brasileiros. Segundo Schneuwly & Dolz (2004), as práticas sociais de comunicação humana se dão mediante o uso de textos, que por sua vez, pertencem a gêneros textuais numerosos e maleáveis, assim como as variadas atividades humanas. Data dos anos 90, uma série de trabalhos e pesquisas sobre o uso dos gêneros textuais em aulas de língua materna e língua estrangeira que tem em comum o objetivo de refletir sobre o uso de gêneros e seu ensino desde o ensino fundamental até a universidade. Dessa forma, apresentaremos nesta comunicação, de início, os conceitos teóricos do Interacionismo sociodiscursivo (ISD) que dizem respeito ao ensino/aprendizagem dos gêneros textuais, tais quais: as condições de produção textual, os diferentes níveis de análise dos textos, a questão do desenvolvimento de capacidades de linguagem, as sequências didáticas como elementos planificadores das atividades a serem desenvolvidas com gêneros textuais e a importância do modelo didático de gêneros. Em seguida, faremos uma explicação sobre os princípios teórico-metodológicos que nortearam a estruturação da sequência didática sobre o gênero textual conto psicológico. Por fim, apresentaremos, de forma comentada, alguns exemplos de exercícios que compuseram o material didático preparado e os resultados finais atingidos com a implementação da sequência didática em questão.

Palavras-chave: Gêneros textuais; Sequência didática; Produção textual; Conto psicológico.

 

Minibiografia:

Luciano Magnoni Tocaia é Professor do curso de Letras na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Seus trabalhos estão relacionados ao uso de gêneros textuais em contextos de ensino-aprendizagem de leitura e de produção textual em língua materna (português) e língua estrangeira (francês) e à elaboração de material didático baseado na teoria dos gêneros discursivos/textuais. É autor do livro Leitura e Produção textual na universidade: teoria e prática pela Editora Mackenzie.


Comunicação 19

Análise das rasuras orais comentadas ortográficas em processos de escritura em ato de uma díade de alunas portuguesas recém-alfabetizadas

 

Mayara Cordeiro da Silva – LAME/UFAL – mayaracordeiro4@gmail.com

 

Resumo:

Pouco se sabe sobre o que acontece quando o aluno reconhece problemas ortográficos no momento em que está escrevendo um texto e o que comenta sobre ele, uma vez que a maioria dos estudos sobre aquisição da ortografia é realizada a partir do manuscrito. Nesse sentido, o presente trabalho tem por objetivo analisar os comentários produzidos por uma díade de alunas recém-alfabetizadas, durante processos de escritura em ato. A partir de uma base teórica interdisciplinar apoiada na Genética Textual, na Linguística da Enunciação e na Didática da Escrita e utilizando como recurso metodológico um sistema de captura multimodal, capaz de registrar simultaneamente a interação entre os alunos e o que está sendo escrito (Sistema RAMOS), tomamos como objeto o Texto Dialogal e filmamos 6 propostas de produção textual de uma mesma dupla de alunas (Bianca, 07:09 e Lara, 07:05) portuguesas. Descrevemos os pontos do processo de escritura em que as alunas reconhecem, enquanto objeto textual (OT), problemas ortográficos e os comentam, visando sua modificação no texto em curso, definindo esses eventos como “rasuras orais comentadas”. Identificamos 31 OT relacionados a várias questões ortográficas: grafia; concorrência fonológica, acentuação, crase, homonímia, regularidades e irregularidades. Desses OT, 51% (16) foram destacados por Lara e 49% (15) por Bianca, seguidos por 72 comentários desdobrados, como por exemplo: É com ‘quê’ (referindo-se à letra ‘c’) de ‘cogumelo’, ‘claro’. [Comentário de Lara sobre a escrita de ‘claro’], com valores argumentativos distintos. Cabe destacar também que a ROC do tipo ortográfica foi a mais produzida pelas alunas (39% do total de 76), demonstrando a importância desse aspecto na produção de textos por alunos recém-alfabetizados.

Palavras-chave: Rasura oral; Escritura; Ortografia; Escrita Colaborativa.

 

Minibiografia:

Mayara Cordeiro: Mestre em Educação e Doutoranda em Linguística pela Universidade Federal de alagoas (UFAL), Integrante do Grupo de Pesquisa Escritura, Texto & Criação (ET&C) e do Laboratório do Manuscrito Escolar (LAME).


Comunicação 20

PIBID: uma proposta de ensino do gênero textual discursivo

 

Oneida M. Moreira – (IC) Bolsista PIBID/UEG, Pesquisadora/Professora – UEG/Coordenadora do PIBID – oneidamoreira4.0@gmail.com

Carolina Melo – PQ/UEG) – carolasmelo@yahoo.com.br

 

Resumo:

O presente trabalho aborda os gêneros textuais discursivos de modo mais específico, em relação às tendências de abordagem desses gêneros em sala de aula, enfatizando a necessidade dos educadores de levarem esses gêneros para as salas de aulas, onde o educador irá desenvolver no educando as competências sociocomunicativa, levando-o à interação verbal através do gênero discursivo, sem a qual seria impossível a comunicação humana. Esse trabalho encontra-se fundamentado nas teorias de Marchuschi (2008), Schneuwly e Dolz (2004), Bakhtin (2000), Silveira (2005), entre outros. Enfim, o subprojeto PIBID Letras Quirinópolis objetiva à contribuição com a leitura e com a escrita para a formação critica e cultural do cidadão. Em razão disso, elaborou uma sequência didática que podem ser adotadas pelos professores ao trabalharem com gêneros discursivos, integrando também outros gêneros, os quais o aluno também desenvolverá a escrita e a leitura, porque a sociedade atual espera e exige a formação de cidadãos que sejam capazes, por meio da leitura e da escrita, de agir e interagir de forma consciente e crítica no mundo, como evidencia os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais).

Palavras-chave: Ensino; Gêneros textuais discursivos; Práticas Sociais.

 

Minibiografias:

Oneida M. Moreira – Graduação em Letras – Português e Inglês pela Universidade Estadual de Goiás, UEG, Anapolis, Brasil, com o título O estudo da fazenda perdizes como comunidade de fala na visão da ecolinguística, e orientação da Professora doutoranda Zilda Dourado. É bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

Carolina Melo – Doutoranda em Estudos Linguísticos, Mestrado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Uberlândia, UFU, Brasil, com o título Tipos de textos empregados com função de argumento na dissertação argumentativa, orientação do Professor Luiz Carlos Travaglia.


Comunicação 21

Processo de ensino de géneros académicos: uma experiência de ensino com estudantes universitários da FLCS-UEM

 

Osvaldo Faquir – Universidade Eduardo Mondlane – osvaldogfaquir@icloud.com

 

Resumo:

O estudo que pretendemos levar a cabo surge no contexto da realização do projecto de investigação sobre Escrita Académica, inserido na Cátedra de Português Língua Segunda e Estrangeira da Universidade Eduardo Mondlane. O mesmo tem como objecto a compreensão do processo vivenciado pelos professores no contexto do ensino explícito dos géneros resumo e recensão crítica. Trata-se, sobretudo, de dar conta dos instrumentos e tarefas determinados pelos professores, visando, antes de mais, aceder ao processo de ensino e aos pressupostos teóricos que o justificam. Assim, o estudo tem como base a pedagogia dos géneros textuais (Hyland, 2007; Rose e Martin, 2012; Christie, 2013; Gouveia, 2013; Martin, 2014). Foram abrangidos pelo estudo os seis professores investigadores que integram o projecto desde o início e lecionaram os diversos cursos em horários laboral e pós-laboral na FLCS-UEM ao longo do 1.º semestre de 2016. Na base do estudo está a seguinte questão: Como se organiza e como se concretiza um dispositivo didáctico de géneros académicos como o resumo e a recensão crítica? A abordagem metodológica é de natureza qualitativa e os principais instrumentos de recolha de dados são: documentos produzidos no grupo de professores (planificações, textos orientadores), diário dos investigadores, actas das reuniões e questionário dirigido ao grupo dos professores investigadores. Estes documentos, depois de analisados, permitem avaliar o(s) procedimento(s) pedagógico(s) seguido(s) e a sua eficácia, o que ajuda a visualizar a dinâmica do dispositivo didático implementado no contexto de treino da competência de escrita dos estudantes universitários.

Palavras-chave: Escrita académica; processo de ensino; pedagogia do género; ensino explícito.

 

Minibiografia:

Osvaldo Carlos Guirrugo Faquir, nascido em 30 de Novembro de 1975, é docente e investigador na Universidade Eduardo Mondlane em Moçambique. Doutorado em Linguística, na especialidade de Linguística Aplicada, tem como área de interesse a didáctica de Português como L2.


Comunicação 22

Sequências didáticas e ensino de gêneros discursivos/textuais: uma proposta de trabalho com o gênero notícia

 

Paula Márcia Lázaro da Silva – Instituto Federal do Triângulo Mineiro, IFTM –

paulamarcia@iftm.edu.br

 

Resumo:

Um dos principais desafios da atualidade para professores de Língua Portuguesa é a busca por propostas relevantes que auxiliem na construção do conhecimento da língua, uma vez que são crescentes as dificuldades encontradas, por parte de docentes e discentes, no tocante ao trabalho de produção e interpretação de textos. Um dos instrumentos facilitadores do ensino, nesse âmbito, são as sequências didáticas, pois apresentam ações que priorizam o entendimento e a apropriação da linguagem, baseando-se nos conhecimentos prévios dos educandos. Este trabalho visa apresentar um modelo de proposta para o ensino de gêneros discursivos/textuais – especificamente o gênero notícia – desenvolvido com alunos da 2ª fase do Ensino Fundamental. Modelo este que propõe, por meio de uma sequência didática, a inserção em práticas de leitura e escrita significativas observando suas vantagens e contribuições para o ensino de língua materna e sua aplicabilidade por parte dos docentes. Embasamos nosso estudo nas orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (BRASIL, 1998) e na concepção bakhtiniana de gêneros discursivos (BAKTHIN, 2011). A metodologia da pesquisa-ação foi utilizada para este trabalho, cujo objetivo prático se concretizou na elaboração de uma sequência didática para o trabalho com o gênero, conforme preconizam Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004). Os principais resultados obtidos nos mostram que as atividades sequenciadas são uma importante ferramenta no trabalho gêneros pelo fato de trabalharem de acordo com as necessidades reais da turma.

Palavras-chave: Ensino; língua portuguesa; gêneros; notícia; sequência didática.

 

Minibiografia:

Paula Márcia Lázaro da Silva é Professora efetiva no Instituto Federal do Triângulo Mineiro – Campus Paracatu, MG, onde leciona há um ano. Trabalhou também como professora efetiva pela Secretaria de Educação do Estado de Goiás. Graduada em Letras pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Mestre em Letras pelo Programa de Mestrado Profissional em Letras – Profletras – pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua na área de Letras.


Comunicação 23

O desenvolvimento da competência linguístico-textual e seu entrelaçamento com as emoções do corpo discente: uma abordagem discursiva

 

Rafaella Elisa da Silva Santos – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano – IFBAIANO/Campus Santa Inês – rafaella.santos@folha.com.br

 

Resumo:

As aulas de Língua Portuguesa são constituídas por uma rede complexa de competências e habilidades a serem acionadas e desenvolvidas e que apresentam relação direta com o aspecto emocional do educando. O professor depara-se com diversidade social, racial e de gênero, o que implica em relações identitárias heterogêneas, o que, por si só, afeta a relação do discente com os elementos da produção textual. Todavia, é o labor com um componente específico que traz à baila, de modo intenso, idiossincrasias que afetam o desenvolvimento do estudante: a prática da escrita em sua relação com o ethos discente e sua baixa autoestima, a partir do entrelaçamento ideológico possibilitado pelas formações imaginárias, na relação do sujeito educando com o seu próprio eu, na práxis da elaboração de textos. A partir do entendimento de que emoções são discursos a emergir sentidos filiados a formações discursivas (FD) e ideológicas variadas, na esteira da Análise do discurso materialista, bem como contribuição teórica de Branca-Rosoff (2008) quanto à relação entre gêneros do discurso e FD, avalia-se, com a presente reflexão, o impacto da baixa autoestima do corpo discente quanto à sua competência linguístico-textual, a partir da observação de seu processo produtivo em sala, bem como de respostas a questionário aplicado a turmas da série inicial do Ensino Médio integrado, do IFBAIANO – Campus Santa Inês, Bahia, Brasil. Assim, objetiva-se reiterar as emoções enquanto elementos discursivos e pedagógicos, pois se observou haver expressiva evolução quanto à supracitada competência à medida que a docente imprime em suas aulas o interesse pelo aspecto emocional dos discentes e apresenta também como objetivo pedagógico o desenvolvimento da crença dos estudantes em si mesmos, enquanto agentes da escrita.

Palavras-chave: Análise do discurso; Competência linguístico-textual; Emoções; Formações Imaginárias; Ethos.

 

Minibiografia:

Mestre em Estudo de Linguagens, pela Universidade do Estado da Bahia e docente D304, do IFBAIANO, desde 2010, investiga, tendo como suporte teórico-metodológico a Análise de Discurso materialista (AD), a relação discursiva entre os sujeitos e o direito, com recorte atual em discursos sobre os direitos humanos dos homoafetivos. Também realiza pesquisas que entrelaçam a AD e o ensino, sobretudo a educação integrada federal.


Comunicação 24

Resumos e memoriais de vida na formação de professores da Educação Básica: escrita e reflexão da prática educativa

 

Rosângela Oliveira Cruz Pimenta – Universidade Federal de Alagoas, UFAL –  rocpiment@yahoo.com.br

Paulo Nin Ferreira – Universidade Federal de Alagoas, UFAL – paulonin@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho tem por objetivo relatar as práticas de ensino de escrita no ensino superior através da produção dos gêneros resumo acadêmico e memorial de vida, em duas turmas do curso de Pedagogia da UFAL. Nosso referencial teórico foram os autores Matêncio (1994), Machado (2002), Bazerman (2006), Antunes (2009), Pimenta (2015), Nóvoa (2007, 2010), Cordeiro e Souza (2010), Ferrarotti (2010), Passeggi e Barbosa (2008), entre outros. Nossa didática consistiu em propor uma primeira produção escrita para os alunos com o objetivo de que eles desenvolvessem um melhor domínio sobre sua escrita, visto que se encontram num curso de graduação e serão futuros professores de educação básica. Os momentos de devolutiva das produções eram seguidos de reflexões sobre as mesmas, às vezes de forma coletiva ou individual, tendo como base a escrita como autoformação e a importância da escrita e reescrita de diferentes gêneros para a formação do escritor. Percebemos que houve um crescimento no repertório discursivo dos alunos, um maior domínio das suas produções escritas, atrelada a uma melhor percepção sobre as concepções das práticas educativas.

Palavras-chave: Gêneros textuais; Produção textual; ensino da produção escrita; linguística textual; memoriais de vida.

 

Minibiografias:

Rosângela Oliveira Cruz Pimenta é Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Alagoas e professora Adjunta da mesma universidade. Atua principalmente nos seguintes temas: Análise do Discurso, ensino de escrita, relação professor x escrita x ensino, didática do ensino de leitura e escrita, e produção textual no ensino básico e superior.Integra o grupo de pesquisa Ensino e Aprendizagem de Línguas e o Grupo de Estudos e Pesquisa em Discurso e Ontologia – GEDON.

Paulo Nin Ferreira é Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Alagoas e Professor Adjunto da mesma universidade. Membro do Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre Educação Infantil, Crianças e Cultura. Tem experiência nas áreas de arte e educação, atuando principalmente no ensino das artes visuais e formação de professores.


Comunicação 25

A sequência argumentativa e a contra-argumentação no gênero comentário: uma proposta de sequência didática

 

Sadart Vieira da Silva – IFRN – sadart.vieira@ifrn.edu.br

 

Resumo:

O presente trabalho é fruto de uma dissertação de Mestrado PROFLETRAS-UFRN dedicado ao estudo, análise e descrição de uma sequência didática para o ensino de leitura e escrita de um gênero textual, o comentário, caracterizado enquanto sequência argumentativa, numa turma de 9º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública do município de Parnamirim/RN – Brasil. Essa intervenção teve como objetivos abordar o ensino-aprendizagem do gênero textual selecionado e principalmente promover práticas de escrita da sequência argumentativa que contribuíssem para que os textos produzidos pelos alunos se apresentem mais produtivos, reflexivos e argumentativos. Focamos a produção dos comentários na questão da contra-argumentação e do uso de conectores contra-argumentativos. Para realizar a intervenção, utilizamos pressupostos teóricos advindos das seguintes abordagens: dos estudos de Dolz e Scheneuwly (n.d.), com respeito aos projetos de classe, sequência didática; dos estudos de Marcuschi & Xavier (2010), Koch (2007a, 2007b), sobre os gêneros textuais e suas inter-relações ensino-aprendizagem e produção textual; das posições teórico-metodológicas de J. M. Adam (2011) referentes às sequências textuais, especificamente a sequência argumentativa, a contra-argumentação e os conectores contra-argumentativos. Apresentamos como resultados a produção de 63 comentários em três etapas de escrita, sendo uma etapa num grupo de discussão do Facebook® e duas reescritas de comentários na sala de aula no suporte papel. Analisamos o processo de evolução da escrita contra-argumentativa e a utilização de conectores contra-argumentativos nas produções dos alunos.

Palavras-chave: Sequência argumentativa/contra-argumentativa; conectores; gêneros textuais; práticas de leitura e escrita.

 

Minibiografia:

Sadart Vieira da Silva é professor de Língua Portuguesa e Literaturas no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). Possui graduação em Letras – Português e Inglês e Respectivas Literaturas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1999) (UFRN). Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Linguística textual. Especialista em Linguística e Ensino de Língua Portuguesa (2011) (UFRN). Concluiu o Mestrado em Letras Profletras (2015) (UFRN).


Comunicação 26

A mediação no ensino da escrita argumentativa: imprecisões e ampliações no dizer do aluno

 

Sílvia Galesso Cardoso – Doutoranda FE-USP – silviagalesso@gmail.com

 

Resumo:

Adotou-se a redação como requisito obrigatório dos exames pré-universitários brasileiros desde 1977, como medida mais imediata à crise na linguagem dos jovens evidenciada naquela época. Essa medida teve como efeito a inclusão do ensino sistemático de redação nas escolas, mas a maneira como a produção de texto foi implementada nas salas de aula não foi suficiente para conduzir os estudantes a um desempenho linguístico autônomo.

Para o exercício da escrita deixar de ser mera cópia, uma formalidade, e passar a ser experiência comunicativa, exercício de reflexão sobre o mundo e sobre a própria escrita, a atuação do professor parece ser imprescindível.

Este artigo é parte de um estudo de doutorado em andamento, interessado em produzir conhecimento sobre a mediação do professor no ensino da escrita argumentativa, com apoio das contribuições sociointeracionistas e esquizoanalíticas, na tentativa de traçar campos que deem visibilidade para as potências engendradas nessa experiência com o escrever.

O recorte aqui proposto tem a intenção de investigar os efeitos da interação desta pesquisadora-professora nas produções de texto de um aluno em torno de quatro temas que têm em comum o uso de termos imprecisos, como “positivo”, “negativo”, “importante”, “essencial”. São expressões apropriadas para expor opinião, mas, solitárias, sem serem acompanhadas por definições ou justificativas, tornam-se vagas, vazias de sentido, uma vez que podem dizer tudo e, por isso, não dizem nada. Conseguir encontrar expressões mais precisas e significativas, bem como relacionar fatores e aprofundar as análises passa a ser um objetivo do trabalho dialógico com esse aluno, a fim de que tire mais proveito dos recursos argumentativos e, assim, amplie o que tem a dizer.

Nos textos produzidos ao longo do processo, fica perceptível a compreensão maior do aluno sobre os fatos discutidos e a ampliação de suas estratégias para expressar-se, embora ele continue apegado a fórmulas, à segurança da tarefa e não ouse muito nem em termos linguísticos nem ideológicos.

Palavras-chave: Escrita argumentativa; reescrita; mediação.

 

Minibiografia:

Doutoranda na Faculdade de Educação da USP e mestre em Psicologia Clínica no Núcleo de Subjetividade da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2009), é graduada em Psicologia(2002), pela mesma universidade. O interesse por expressão escrita tem conduzido sua experiência profissional em projetos de educação e comunicação em ONGs e escolas formais, além de aulas de redação para aqueles que  dependem da escrita para a vida educacional e profissional.


Comunicação 27

Desenvolvimento das capacidades linguístico-discursivas em uma sequência didática para o ensino do gênero artigo de opinião

 

Tânia Cristina Apolinário Santos – Universidade de Taubaté/UNITAU – tania-apolinario@bol.com.br

 

Resumo:

Este artigo objetiva a elaboração de uma atividade, a partir de um conjunto de conhecimentos científicos e práticos, e incluí-la em uma sequência didática (ou módulo didático, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais para Língua Portuguesa) destinada ao ensino-aprendizagem do gênero artigo de opinião. A base teórica geral concentra-se no interacionismo sóciodiscursivo, proposto pelos pesquisadores de Genebra, explicitado em Bronckart (2012) e baseado em três grandes autores: Vigotski, Bakhtin e Habermas. Apoiamo-nos também em Schneuwly e Dolz (2011), que propõem que os gêneros textuais são um instrumento para o desenvolvimento das capacidades de linguagem: capacidade de ação, capacidade discursiva e principalmente como objeto desse estudo, a capacidade linguístico-discursiva (domínio das operações psicolinguísticas e das unidades linguísticas, das quais fazem parte a coesão, a conexão, a modalização e as vozes). Utilizamos um corpus composto por uma sequência didática elaborada por Barbosa (2000). Considerando os resultados sobre a aprendizagem da produção de textos, a elaboração da sequência didática mostrou-nos que, conforme sua estruturação, mais que levar o discente à maestria de um determinado gênero, ela pode encaminhá-lo à percepção e à apropriação de certos procedimentos imprescindíveis à produção de qualquer gênero, o que pode contribuir para desenvolver sua capacidade de, sozinho, apreender as dimensões constitutivas de um texto que devem ser analisadas e observadas quando se deparar diante do desafio de produzir um texto pertencente a um gênero que não lhe foi ensinado formalmente. Conclui-se que o presente trabalho alcançou resultados positivos em relação à transposição dos conhecimentos científicos para conhecimentos a serem ensinados. Resta-nos agora verificar os resultados concretos da aplicação da sequência didática, com a avaliação da professora e estudantes, e com a análise das produções dos estudantes e das capacidades que foram efetivamente desenvolvidas, o que nos permitirá chegar a uma avaliação mais ampla de todo o trabalho desenvolvido.

Palavras-chave: Transposição didática; sequência didática; interacionismo sócio-discursivo; artigo de opinião.

 

Minibiografia:

Tânia Cristina Apolinário Santos é atualmente Professora Especialista de Língua Portuguesa vinculada à Rede Pública Municipal de Campos do Jordão, São Paulo e Mestranda do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Linguística Aplicada da Universidade de Taubaté – UNITAU, Taubaté, SP, Brasil, tania-apolinario@bol.com.br


COMUNICAÇÃO 28

O GÊNERO RESENHA ACADÊMICA EM DIFERENTES CURSOS DE GRADUAÇÃO: O CONTEXTO DE PRODUÇÃO EM EVIDÊNCIA

Autora:

Márcia Helena de Melo Pereira – UESB – marciahelenad@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo investigar o processo de construção de duas resenhas escritas por duas duplas de escreventes de cursos de graduação diferentes: Ciências da Computação e Letras, ambos da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, para identificar como se dá o contato desses sujeitos com a escrita e verificar diferenças e semelhanças entre as duplas em relação à apreensão do gênero textual resenha acadêmica. Sendo as duplas oriundas de cursos de graduação distintos, temos a seguinte questão: será que o fato de as duplas pertencerem a determinado curso de graduação promove diferenças em relação ao modo como elas apreendem o gênero resenha? O curta metragem Vida Maria foi o tema das resenhas. Nosso corpus evidencia, passo a passo, o processo de construção desses dois textos, pois é composto pelo texto final das duas resenhas, as transcrições das conversas mantidas pelas duas duplas durante a elaboração desses textos – motivo de a escrita ter sido feita conjuntamente – e também as transcrições de uma entrevista posterior feita com as duplas, questionando-as a respeito das operações de reescrita que realizaram. Uma pesquisa como a nossa, que explicita dados processuais, pode realizar descrições da própria atividade de produção e esclarecer um pouco o comportamento dos sujeitos assumindo uma tarefa de escrita de um texto. Para analisar esses dados, fizemos uso dos recursos teórico-metodológicos da Crítica Genética, uma área ligada à literatura que visualiza o texto sob a perspectiva processual e do conceito de gênero discurso postulado por Bakhtin. Nossos dados evidenciaram sim diferenças em relação ao pertencimento das duplas a cursos de graduação distintos. Por exemplo, a dupla de Letras levantou questões de Letramento, ao passo que a dupla de Ciências da Computação preocupou-se com detalhes da arte gráfica do curta metragem.

Palavras-chave: resenha acadêmica; gênese de texto; gênero Textual.

 

Minibiografia:

Professora do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários (DELL) e do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). É doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas, onde também realizou o curso de mestrado em Linguística Aplicada. Desenvolve, atualmente, projeto de pesquisa sobre processo de construção de textos, gênese de textos, relação entre estilo individual e estilo de gênero, crítica genética, autoria e ensino de texto.