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Simpósio 36

SIMPÓSIO 36 – ENSINO DE PORTUGUÊS COMO PRÁTICA INTERCULTURAL

 

Coordenadoras:

Tânia Ferreira Rezende | Universidade Federal de Goiás | taniaferreirarezende@gmail.com

Shirley Eliany Rocha Mattos | Universidade Estadual de Goiás | shirley.rmattos@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo do simpósio é tratar das operacionalizações da experiência intercultural em sala de aula, considerando os usos e as práticas de ensino de Português como língua de relações interculturais (L1, L2, L3, LE, LA e LH), em contextos sociolinguisticamente complexos, em comunidades historicamente subalternizadas, tais como as indígenas, as quilombolas, as remanescentes dos processos de imigração ocorridos no final do século XIX e início do século XX na América Latina, e as comunidades de refugiados oriundos de diferentes partes do mundo, que se abrigam nos países de língua portuguesa. Nesse sentido, interessa congregar professores e pesquisadores, cujas práticas de ensino e pesquisa com educação escolar, em contextos sociolinguisticamente complexos, fundamentem formas socioculturais de apropriação da língua portuguesa baseadas na sustentabilidade linguística e cultural. Interessa também, considerando-se os Paradigmas de Políticas de Diversidade/Diferença e as políticas de letramento, refletir sobre as situações de fragilidade de línguas e culturas em sociedades econômica e linguisticamente hegemônicas.

 

Palavras-chave: Ensino de Português, Práticas interculturais de ensino de línguas, Diversidade e diferença, Contextos sociolinguisticamente complexos.

 

Minibiografias:

Tânia Ferreira Rezende 

Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), com atuação na graduação e na pós-graduação, nos cursos de Letras e de Educação Intercultural de formação superior de professores indígenas. Desenvolve pesquisas na área de Sociolinguística Intercultural, Sociolinguística Educacional e Linguística Histórica.

 

Shirley Eliany Rocha Mattos

Doutora em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB). Professora efetiva do curso de Letras na Universidade Estadual de Goiás, Campus CSEH. Desenvolve pesquisas nas áreas do Variacionismo de base laboviana e Sociolinguística Educacional.

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Práticas interculturais de português na formação de docentes indígenas

Autora:

Tânia Ferreira Rezende – Universidade Federal de Goiás – taniaferreirarezende@gmail.com

 

Resumo:

A escrita alfabética entrou nas américas, no século XVI, pela escola clerical, sob as ideologias do monolinguismo e da correção linguística. As práticas linguísticas e os saberes dos povos indígenas não foram reconhecidos, portanto, não ocuparam lugar na escola. A escolarização dos indígenas era um projeto de apagamento da indigenidade e, no Brasil, a língua portuguesa cumpria o papel de civilização desses povos. Atualmente, após séculos de conflitos e perdas, é garantido aos povos indígenas o direito à educação intercultural e bilíngue, para a manutenção de suas línguas e culturas originárias. Por isso, nos cursos de formação intercultural de docentes indígenas, há formação também em português. A proposta deste trabalho é problematizar a formação em Português Intercultural, concebido como língua de relações interculturais, no curso de Educação Intercultural de formação de docentes indígenas da Universidade Federal de Goiás, e refletir sobre como os docentes indígenas estão se apropriando de e ressignificando as ideologias coloniais, tais como as convenções e normatizações escritas e a definição de padrão linguístico, como políticas de resistência linguística frente às ameaças de desmantelamento das fronteiras de um mundo globalizado cada vez mais próximo deles. A problematização dessas questões parte de narrativas orais e escritas de docentes indígenas documentadas durante as aulas de Português Intercultural do curso de Educação Intercultural da UFG. A interpretação das narrativas se fundamenta no Paradigma Decolonial, com base nos pressupostos sobre a colonialidade do ser, do poder, do saber e da linguagem (QUIJANO, 2005; 2010; MIGNOLO, 2005), nas teorias sobre Ideologia linguística (BAKHTIN, 1985; SILVERSTEIN, 1979; BLOMMAERT, 2006; 2014), na concepção de língua como prática social (HANKS, 2008) e na concepção de linguagem como prática local (PENNYCOOK, 2010). Defende-se, preliminarmente, que o tenso e conflituoso diálogo intercultural, nas relações de poder linguístico, não prescinde das estratégias de dominação das próprias forças dominadoras.

Palavras-chave: Português Intercultural; formação docente; práticas sociolinguísticas; decolonialidade.

 

Minibiografia:

Tânia Ferreira Rezende: Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professora na Universidade Federal de Goiás (UFG), com atuação na graduação e na pós-graduação, nos cursos de Letras e de Educação Intercultural de formação superior de professores indígenas. Desenvolve pesquisas na área de Sociolinguística Intercultural, Sociolinguística Educacional e Linguística Histórica.


Comunicação 2

Novas perspectivas no ensino de português do Brasil como segunda língua a partir do ensino de PL2 no contexto de acolhimento

Autoras:

Amandla Gandhi – Universidade de Brasília (UnB) – amandlagandhi@gmail.com

Elis Uchôa de Lima – Universidade de Brasília (UnB) – elis_uchoa@hotmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, apresentamos o resultado das nossas experiências como docentes do projeto de extensão Interdisciplinaridade para o acolhimento e inserção de imigrantes e refugiados do Haiti àa cultura brasileira e ao português do Brasil, da Universidade de Brasília, que ocorre em parceria com o IMDH e a Escola Classe do Varjão. O público-alvo do projeto são, em sua maioria, haitianos com visto humanitário. Como metodologia de ensino, utilizamos as oficinas com o foco nas necessidades reais e imediatas dos haitianos, pois como temos, em toda aula, alunos novos chegando, é o modelo que atende melhor o objetivo do projeto, que é a inserção à cultura brasileira. Para auxiliar nas aulas, utilizamos a abordagem comunicativa centrada, principalmente, em duas de suas competências: a fala e a audição, pois entendemos que a língua é importante para os alunos que vêm para o Brasil e precisam adquirir a fluência da língua oral rapidamente. Os métodos comunicativos são aqueles, segundo Portela (2008), que criam condições para um aprendizado real da língua e favorecem a interação entre os sujeitos em sala de aula. Além disso, o fazer intercultural (SILVA, 2009) se faz presente em sala de aula sem deixar de lado as experiências do aluno e o seu conhecimento de mundo, afinal, não é possível falar de língua sem cultura, e vice e versa (LIMA, 2016). Para completar, trabalhamos com atividades que criam meios que favoreçam a imersão do aprendiz no imenso campo da variação linguística e cultural do português do Brasil, pois é fundamental para o ensino de PL2 e para o aluno aprender como a língua está inserida na sociedade (ALKMIN, 2003). Por fim, será apresentado como as experiências adquiridas nos proporcionaram um aprendizado rico em relação ao público-alvo e no desenvolvimento de materiais didáticos, de metodologias e abordagens variadas.

Palavras-chave:  português do Brasil; segunda língua; ensino; acolhimento; interculturalidade.

 

Minibiografias:

Amandla Gandhi: graduada em licenciatura Português do Brasil como Segunda Língua (PBSL), na Universidade de Brasília (UnB); atualmente é professora voluntária para refugiados e imigrantes, em um projeto de extensão da UnB; pesquisa e desenvolve oficinas com cunho artístico-pedagógico para o ensino do português do Brasil como segunda língua, principalmente para contextos de acolhimento e inserção à cultura brasileira.

Elis Uchôa de Lima: graduada em licenciatura Português do Brasil como Segunda Língua (PBSL), na Universidade de Brasília (UnB), atua como professora voluntária para refugiados e imigrantes, em um projeto de extensão da UnB; e tem pesquisado sobre metodologias de ensino e a importância da leitura e produção de texto em sala de aula de PLE, PL2 E PLM.


Comunicação 3

Língua de acolhimento: possíveis problemas nos encontros interculturais

Autora:

Bianca Benini Moézia de Lima – Universidade de Helsinque – bianca.benini-leino@helsinki.fi

 

Resumo:

Sabe-se da grande importância dos refugiados e imigrantes em aprender a língua portuguesa, no Brasil. Muitos cursos de português oferecidos no Brasil não apresentam o ensino do português como língua estrangeira, mas como língua de acolhimento. Para essa comunicação, busco analisar o processo de construção da língua de acolhimento no Brasil. O corpus dessa pesquisa é composto pelos materiais didáticos usados em sala de aula, que são muitas vezes organizados com o intuito de apagar possíveis obstáculos no período de integração. Analiso o material didático a partir das teorias de interculturalidade desenvolvidas pelo pesquisador Fred Darvin, assim problematizando os possíveis “problemas” causados pelos encontros interculturais em sala de aula. Para analisar a (re)produção dos discursos nos materiais didáticos, apresento como linha teórica a análise do discurso crítica (ADC),

como um campo que tem interesse em discutir e analisar as relações de poder.

Palavras-chave: língua de acolhimento; interculturalidade; encontro intercultural; discurso; identidade.

 

Minibiografia:

Bianca Benini Moézia de Lima: graduada pela Universidade Católica do Brasil, desenvolve pesquisa no curso de Mestrado Encontros Interculturais da Universidade de Helsinque; sua área de pesquisa é estudos latino-americanos; também leciona português como língua estrangeira no Centro Cultural-Brasil Finlândia, desde 2009.


Comunicação 4

Português para senegaleses e outros imigrantes: reconhecendo e valorizando a interculturalidade

 

Autora:

Lúcia Lovato Leiria – Universidade Federal do Rio Grande – lucia.leiria@furg.br

 

Resumo:

A cidade de Rio Grande, no sul do Brasil, é mais um dos tantos locais escolhidos para viver por sujeitos de imigração recente, entre eles, haitianos, sírios e senegaleses. Com isso, várias frentes têm se empenhado em promover o acolhimento desses grupos. Dentre elas, tem-se o curso de português para senegaleses e outros imigrantes, promovido pela Universidade Federal do Rio Grande, no âmbito da extensão universitária, com vistas a contribuir para o colhimento e a integração social por meio da aprendizagem do idioma local. O curso, já no terceiro ano, baseia-se nos fundamentos da Sociolinguística Interacional (GUMPERZ, 1982), da Aquisição de Segunda Língua (MITCHELL & MYLES, 1998) e da Antropologia Cultural (MATTA, 2001). Este trabalho tem como objetivo apresentar uma prática de sala de aula, fundamentada na interculturalidade (JARDIM, 2007), a fim de promover a produtividade linguística na língua local, a partir da valorização da cultura de origem dos alunos. Os mapas do Brasil, do Senegal e do Haiti foram utilizados como material motivador. Como pretexto para desinibição, foram trabalhados inicialmente pontos cardeais, limites geográficos, regiões e estados etc.; na sequência, a conversa tomou o rumo das semelhanças, das diferenças e das peculiaridades culturais dos países. A prática mostrou-se eficaz na medida em que estimulou a produção linguística em língua portuguesa. Acredita-se que o sucesso veio do reconhecimento e da valorização da cultura dos aprendizes, uma vez que foi perceptível a desinibição do grupo e a vontade de falar e ensinar sobre seu modo de viver e ver o mundo.

Palavras-chave: português para estrangeiros; prática docente; diversidade; interculturalidade.

 

Minibiografia:

Lúcia Lovato Leiria: Possui graduação em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1991), mestrado (1995) e doutorado (2000) em Linguística e Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Atualmente é professora adjunta de Língua Portuguesa e Linguística na Universidade Federal do Rio Grande e coordenadora do Curso de Letras – Português/Espanhol a distância.


Comunicação 5

Interlocuções interculturais e interdisciplinares como ponto de partida nas parcerias

Autoras:

Ana Lúcia Gomes da Silva – Universidade Federal do Mato Grosso do Sul- UFMS –  analucia.sc1@hotmail.com

Ione Vier Dalinghaus – Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – UFMS –   ioneufms@gmal.com

 

Resumo:

O caminho percorrido, por meio das reflexões interculturais e interdisciplinares, com foco na língua portuguesa, pela veia da arte e da cultura dos povos indígenas, mais especificamente dos Povos do Pantanal, instigam nossas pesquisas. Ao longo de um percurso que tem a marca de nossas experiências docentes no ensino superior e estudos gerados nos encontros do Grupo de Estudos e Pesquisas em Formação Interdisciplinar de professores/GEPFIP, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/Campus de Aquidauana, dialogamos sobre a produção da nossa cultura e nas interlocuções com outras culturas que vão além dos nossos limites geográficos. Aqui, tratamos dos diálogos tecidos, em especial com a Profa. Clarice Deal e o grupo de alunos matriculados no Curso Civilização Luso-brasileira, da Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos. A professora Clarice, docente da disciplina de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira, na referida instituição superior estrangeira, manifestou interesse em nossas pesquisas e, daí surgiu os encaminhamentos metodológicos na categoria interdisciplinar da parceria em encontros ocorridos com o auxílio da tecnologia – vídeo-conferência – no laboratório de Línguas, com a participação de todos os envolvidos. A trajetória do estudo tem como ponto de partida o processo investigativo da cultura indígena, em termos de percepções, demandas e expectativas. Trata-se de criar campo de sentido para compreender a diversidade de valores que orientam tanto os nossos próprios modos de pensar e agir quanto os de outras culturas. Tal proposta sinaliza desafios no ensino da língua portuguesa para a professora Clarice e para o nosso grupo de estudos quando abarcamos a multiplicidade do movimento intercultural e interdisciplinar, mediante uma nova ótica. Ainda, quando irrigamos os diálogos à proposta de próximos encontros entre os interlocutores.

Palavras-chave: : Interculturalidade; Interdisciplinaridade; Língua; Parcerias.   

 

Minibiografias:

Ana Lúcia Gomes da Silva: Doutora em Educação: Currículo, pela PUC-SP/Brasil. Professora efetiva na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul-UFMS/Campus de Aquidauana. Pesquisadora no Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares – GEPI/PUC/SP, Grupo de Estudos e Pesquisas em Artes Visuais/UFMS, e Dirigente do Grupo de Estudos e Pesquisas em Formação Interdisciplinar de Professores-GEPFIP/UFMS/CPAQ.

Ione Vier Dalinghaus: Doutora em Letras pela Universidade Presbiteriana MACKENZIE – UPM, de São Paulo (2016); Mestre em Letras pela UNIOESTE – PR (2009); especialista em Língua e Literatura de Expressão Hispânica pela UNIDERP – MS (2005), e graduada em Letras Habilitação Português /Espanhol pela UEMS – MS (2002). Professora efetiva na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS/ Campus de Aquidauana – MS.


Comunicação 6

Entre o imaginário sociolinguístico e as políticas institucionais de letramento: Nova Veneza e a eterna italianização

Autores:

Juan Alberto Castro Chacón – Universidade Federal de Goiás – castrochacon@hotmail.com

Ludmila Pereira de Almeida – Universidade Federal de Goiás – ludjornalismo@gmail.com

 

Resumo:

Frequentemente, as relações sociais de poder tendem a desenvolver situações monoculturais preponderantes, no que se refere aos programas culturais e nas políticas de letramento nas cidades do interior do Brasil. Isto é, os programas institucionais nas regiões rurais tentam, constantemente, hegemonizar as relações socioculturais dos seus concidadãos, construindo a experiência de um vínculo em comum entre o local e o nacional, a partir de ações configuradas por uma colonialidade interna, de território e subjetividade. Desde essa discussão, podemos tratar o sistema de letramento formal como uma base epistêmica impositiva e excludente (QUIJANO, 2005; MIGNOLO, 2003), produto de uma institucionalidade monossocietal e monoespistêmica (MORIN, 2005). Assim, embora existam diversos projetos pedagógicos de inclusão social apresentados e recomendados pelo Ministério de Educação e Cultura (MEC), na prática, todos esses projetos não saem do papel, desencontrando-se com a realidade da população em geral, consequentemente, possibilitando espaço para a manipulação. O que ocasiona em uma retomada de práticas discursivas hegemônicas que inviabilizam a diversidade da localidade goiana, ao privilegiar, para uma visibilidade externa, sociabilidades que ritualizam traços culturais globais, coloniais e mercadológicos. Nesta comunicação, discutimos sobre práticas sociolinguísticas na cidade goiana de Nova Veneza para problematizar sua situação social, que se reformula pela colonização italiana no século passado. E que, por essa mesma razão, se reitera e se estabelece como um panorama cultural solidificado, na perpétua italianização e privilégio simbólico eurocêntrico face à cultura popular local, assim fomentando atos de violência epistêmica, de variações sociais e de outras formas de (re)conhecimento.

Palavras-chave: Nova Veneza-GO; italianização translinguística; violência epistêmica; letramento hegemônico; colonialidade do saber.

 

Minibiografias:

Juan Alberto Castro Chacón: Licenciado em Português/Espanhol pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Mestre em Estudos Literários pelo Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Goiás. Doutorando em Estudos Linguísticos pelo Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Goiás. Pesquisador do OBIAH Grupo Transdisciplinar de Estudos Interculturais da Linguagem e bolsista do CNPq.

Ludmila Pereira de Almeida: Doutoranda em Estudos Linguísticos pelo Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Goiás. Pesquisadora do OBIAH Grupo Transdisciplinar de Estudos Interculturais da Linguagem (FL/UFG/CNPq), do Grupo Olhares: Estudos sobre Corpo, Ciência e Tecnologia (FIC/UFG) e Grupo de estudos de Linguagem e identidade: Abordagens Pragmáticas (IEL/UNICAMP).


Comunicação 7

Repensar o processo de letramento do surdo em língua portuguesa na perspectiva da diferença

 

Autor:

Hildomar José de Lima – Universidade Fedeal de Goiás – UFG – hildomarlima@gmail.com

 

Resumo:

Com este trabalho, objetiva-se refletir sobre o processo de letramento em Português dos surdos que têm a Língua Brasileira de Sinais como primeira língua. Aborda-se o problema da perspectiva da diferença, entendida como uma questão de perspectiva e de lugar. O surdo é diferente na concepção do ouvinte e vice-versa. Assim, refletir sobre o processo de letramento dos alunos surdos implica necessariamente considerar as relações entre surdos-ouvintes e ouvintes-surdos. As considerações são feitas com base no preceito de que todas as comunidades linguísticas são iguais e independentes do seu estatuto jurídico ou político (Unesco, 1996); em discussões sobre as atuais políticas públicas de educação para surdos, especialmente no que se refere à prática de escrita em Português (Karnopp, 2002; Guarinello, 2007); nos discursos hegemônicos sobre inclusão como estratégia de normalização daqueles que pertencem às minorias linguísticas (Perlin, 1998); na problemática necessidade de se chegar a um padrão do Português utilizado pelos surdos no Brasil (Ribeiro, 2012). São apresentadas duas perspectivas políticas e epistemológicas para se pensar em práticas de letramento em Português para surdos, a partir de uma política linguística que considere as diferenças entre surdos e ouvintes envolvidos nos contextos de aprendizagem. A primeira está relacionada à atitude linguística dos professores surdos/ouvintes nos espaços de docência. Trata-se de uma tarefa coletiva de construção de uma matriz de letramento pensada epistemologicamente, a partir das experiências pessoais e coletivas dos surdos como grupo linguístico que tem necessidades reais de uso do Português escrito. A segunda considera que a expressão linguística escrita em português pelo surdo seja concebida pelo viés da Sociolinguística, visto que existem ocorrências regulares nos níveis fonológico, morfológico, sintático e semântico, que podem definir a variante do Português utilizado pelos surdos brasileiros.

Palavras-chave: Português do surdo; diferenças e diversidade; contextos complexos de aprendizagem; letramento do surdo.

 

Minibiografia:

Doutorando em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Goiás, com pesquisa sobre aspectos políticos do processo de constituição da Língua de Sinais utilizada no estado de Goiás. É professor da Faculdade de Letras da UFG, onde atua em disciplinas de Linguística nos cursos de Licenciatura em Letras: Libras e Bacharelado em Letras: Tradução e Interpretação em Libras/Português.


Comunicação 8

Letramento acadêmico em contexto intercultural: continuidades e rupturas da colonialidade do saber

Autor:

André Marques do Nascimento – Universidade Federal de Goiás – marquesandre@yahoo.com.br

 

Resumo:

Neste trabalho, analiso produções escritas e discursos metapragmáticos de docentes indígenas concluintes, em momentos diferentes, do curso de Licenciatura em Educação Intercultural da Universidade Federal de Goiás, sob o pano de fundo teórico dos estudos decoloniais latino-americanos, em intersecção com estudos críticos do letramento acadêmico. Em seus discursos, gerados através de questionários, percebe-se a naturalização e a continuidade de uma ordem hierárquica racial, consequentemente ontológica, cultural e epistemológica, no qual o domínio de certas práticas de letramento e a autoridade para usá-las no contexto acadêmico é ainda critério válido de classificação de grupos culturalmente diferentes. Ao destacar a intrínseca relação entre configurações textuais específicas e altamente valorizadas de letramento acadêmico e a forma de produção de conhecimento de matriz angloeurocêntrica, busco situar tais práticas de escrita no projeto mais amplo de modernidade/colonialidade, cujos regimes e ideologias de linguagem buscam excluir corpos e práticas situados à margem do sistema mundo moderno/colonial. Por outro lado, se os discursos metapragmáticos indígenas sobre escrita acadêmica sugerem a continuidade da ordem hierárquica colonial, suas práticas, materializadas em trabalhos de conclusão, sugerem a ruptura desde o espaço da diferença colonial, e apontam alternativas viáveis para sua descolonização e a necessidade premente de abertura da academia para novas possibilidades epistemológicas e, consequentemente, para novas formas de produção e expressão de conhecimentos, especialmente em contextos que se propõem interculturais. Nesta direção, sumarizo perspectivas indígenas e não-indígenas críticas contemporâneas sobre a relação entre formas de conhecimentos situados e outras possibilidades de apropriação da escrita acadêmica que consigam transmitir a localização geo-corpo-política de outras formas de pensar, conhecer e significar o mundo, altamente marcadas pela subjetividade, pela multimodalidade e pelo translinguajamento, que descentraliza a hegemonia da língua portuguesa.

Palavras-chave: geopolítica da escrita acadêmica; interculturalidade; descolonização do letramento acadêmico.

 

Minibiografia:

André Marques do Nascimento: Doutor em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás, onde atua como professor de práticas comunicativas em língua portuguesa para docentes indígenas em formação superior específica. Compõe o corpo docente do Programa de Pós-graduação em Línguistica dessa universidade e desenvolve pesquisa que enfoca situações sociolingüísticas, práticas, ideologias e regimes de linguagem em contextos interculturais pós-coloniais.


Comunicação 9

Letramento, ensino de português e interculturalidade: o repensar epistemológico a partir da decolonialidade

Autora:

Bruna Angélica Gonçalves – Universidade Federal de Goiás – bruna.angelica005@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, propõe-se a refletir criticamente sobre o termo letramento, buscando um repensar epistemológico, a partir de uma perspectiva decolonial, voltada para o diálogo intercultural, pensando no português e seu ensino, como língua majoritária, no Brasil, diante da complexidade pluridiversa inerente à sociedade. O interesse por tal discussão surge da percepção da necessidade de endossar as discussões já existentes no campo do letramento, mas que carecem de cada vez mais novos estudos e reflexões, apontando, principalmente para a América Latina e seus indivíduos e contextos minorizados, pensando na mesma não apenas como região geográficamente marcada, mas como contexto históricamente gravemente vitimado pelo “sacrifício salvador” da Modernidade/colonialismo/colonialidade. O aporte teórico se mantém no campo dos atuais estudos críticos sobre os letramentos, a partir de perspectivas socioculturais (STREET, 1993; 2014; HAMILTON & BARTON, 2013; SOUZA, 2009; SILVA; RIOS, 2014), em interlocução com os estudos decoloniais e interculturais (FREIRE, 1987; 1996; MIGNOLO, 2003, 2014; DUSSEL, 2005; SANTOS & MENESES, 2009; PIMENTEL DA SILVA, et al, 2016; QUIJANO, 2009, TUBINO, WALSH; 2015). Repensar epistemologicamente a ideia de letramento em um país no qual há a supremacia do português, mais especificamente de um único português “bem falado”, é questão linguística e acima de tudo política. Não estamos tratando apenas de teorias para o ensinar ou analisar os usos da língua como sistema, estamos falando de ideologias que envolvem indivíduos que possuem ou não o português como primeira língua mas que, de uma forma ou de outra, sentem-se coagidos pelas imposições de hierarquizações que estratificam as próprias variedades linguísticas entre notórias ou não. Assim, ao resgatarmos as epistemologias, pensaremos na interculturalidade de forma crítica, nos atentando para os jogos de força que se materializam nas ideologias linguísticas que circulam socialmente e que acabam por sujeitar indivíduos e seus usos de língua.

Palavras-chave: Português; epistemologias; letramento; interculturalidade crítica; complexidade sócio-cultural.

 

Minibiografia:

Bruna Angélica Gonçalves: Mestranda bolsista pela CAPES no Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Goiás. Atua na área de Linguística Aplicada, com foco em letramento, principalmente na América Latina, e perspectivas decoloniais aplicadas à Linguística. Foi aluna bolsista do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) e desenvolveu atividades no sub-projeto Letras- Português em escolas da rede pública estadual.


Comunicação 10

Corrida de toras: jogo didático para um ensino intercultural

Autora:

Elisa Augusta Lopes Costa – Universidade Federal do Pará/UFPA – elisaufpa@hotmail.com

 

Resumo:

A educação escolar indígena, no Brasil, é essencialmente intercultural, dadas as relações entre as culturas dos indígenas e da sociedade envolvente. Verifica-se, assim, que a escola indígena é um lugar de negociação entre identidades e interesses diferentes, que precisam chegar a um consenso, sem desmerecer nenhuma das culturas envolvidas. Nessa perspectiva, as estratégias de ensino devem levar em conta o contexto sociolinguístico complexo para que ocorra um aprendizado efetivo. A ludicidade surge, nesse contexto, como um elemento integrador, pois as atividades lúdicas propiciam uma forma prazerosa de estabelecer diálogo entre diferentes visões de mundo, facilitando a negociação de soluções para os conflitos que podem surgir na relação intercultural. Assim sendo, este artigo aborda a possibilidade de criação de jogos didáticos para a Educação Escolar Indígena Krahô, mais especificamente na Escola Indígena 19 de Abril, localizada na aldeia Manoel Alves Pequeno, ao norte do estado do Tocantins. Primeiramente, discorre-se sobre a realidade escolar da aldeia, com fundamentação em Maher (2007), Sousa (2013), Macedo (2015), Albuquerque (2009, 2012, 2014), Constituição Federal Brasileira de 1988, e Referencial Curricular Nacional para a Educação Indígena – RCNEI (1998). Para as noções de cultura e interculturalidade, foram utilizados os estudos de Geertz (2008), Fleuri (2003) e Candau (2002, 2016). Os conceitos de jogo didático e educação lúdica foram baseados em Comenius (2001), Freinet (2004), Lima (2008) e Almeida (1987), entre outros.  A metodologia, de perspectiva sociointeracionista, compõe-se de oficinas de confecção e manipulação de materiais alternativos, que incluem jogos didáticos como elemento potencializador da aprendizagem da língua portuguesa como segunda língua. O jogo Corrida de Toras, que mescla elementos da cultura não indígena e da cultura Krahô, foi desenvolvido no decorrer das oficinas e passou a ser utilizado pelos professores indígenas em sua prática docente como estratégia para revisão de conteúdos.

Palavras-chave: Educação lúdica; educação escolar indígena; jogos didáticos; interculturalidade; ensino.

 

Minibiografias:

Docente da Universidade Federal do Pará/Altamira, área de Prática de Ensino de Língua Portuguesa e Literatura. Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Letras: Ensino de Língua e Literatura – Universidade Federal do Tocantins (UFT/Araguaína). Mestre em Estudo Literários e Culturais – Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT/Cuiabá).


Comunicação 11

Relações de saber/poder nas letras de músicas do Marabaixo: contribuições para a escolarização da cultura afro-brasileira

 

Autoras:

Drieli Leide Silva Sampaio – UNIFAP – drielisampaio@gmail.com

Fabiana Almeida dos Santos – UNIFAP – fabyzinha_18@yahoo.com.br

 

Resumo:

Neste trabalho, propõe-se a discutir o ensino da cultura afro-brasileira com base na Lei 10.639/2003 e nas relações de saber nas letras de músicas do Marabaixo. Para isso, buscamos responder às seguintes perguntas: como os saberes da cultura afro-brasileira são escolarizados? E como as letras de músicas do Marabaixo podem contribuir para a desfolclorização desses saberes no ensino? Parto da premissa que as músicas do Marabaixo materializam um saber da cultura afro-brasileira no Amapá, o qual dever ser escolarizado, a fim de contribuir para desmistificação da referida cultura, para que a mesma não seja silenciada no ambiente escolar. Logo, os saberes vinculados às músicas devem ser valorizados como saberes que se devam ensinar. Essa pesquisa se funda em dois momentos metodológicos: esse trabalho é o recorte do primeiro momento de investigação, o qual é constituído pela pesquisa documental, em que se analisam as letras de músicas do Marabaixo, à luz teórico-metodológica da Análise do Discurso francesa, apoiados em Foucault (2012). Este trabalho, por fim, visa contribuir com discussões sobre a escolarização dos saberes culturais.

Palavras-chave: Lei 10.639/2003; ensino; cultura afro-brasileira; Marabaixo; saberes.

 

Minibiografias:

Drieli Leide Silva Sampaio: Possui Especialização em Gestão e Docência na Educação Superior pela Universidade da Amazônia, UNAMA, Brasil (2014). Graduação em andamento em Letras Português-Francês pela Universidade Federal do Amapá, UNIFAP, Brasil (desde 2014) e graduação em Turismo com ênfase em Ecoturismo pelo Instituto de Estudos Superiores da Amazônia, IESAM, Brasil (2007).

Fabiana Almeida dos Santos: Possui graduação em letras pela Universidade Federal do Pará (2009) e mestrado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Pará (2014). Atualmente, é professora no curso de Letras Português/Francês da Universidade Federal do Amapá – UNIFAP, e professora pesquisadora do GP LIFE – Ensino de línguas para fins específicos: aquisição/aprendizagem de português como língua adicional.


Comunicação 12

O impacto da língua portuguesa na atitude linguística das crianças de Bdeburè

 

Autora:

Lorenna Isabella Pereira Souza – Universidade Federal de Goiás – lorenna_isabella@hotmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, dispõe-se a analisar, a partir de um estudo sociolinguístico, como a língua portuguesa impacta a vida dos indígenas adultos e a atitude linguística das crianças da aldeia indígena de Bdéburé, que são estudantes da rede pública regular de ensino da cidade de Aruanã-Goiás-Brasil. Interessa-nos, assim, observar como as práticas das comunidades indígena e não indígena contribuem para a formação da atitude linguística dessas crianças e como esses fatores podem influenciar a vitalidade da língua Karajá na referida aldeia indígena. Discute-se, também sobre a importância do letramento em língua materna em uma escola indígena que considere a cosmovisão, linguagem e cultura das crianças. A principal metodologia usada para alcançar os objetivos propostos é a análise crítica de trechos colhidos em entrevistas. Para tal, nos embasaremos em autores como Grosjean (1982), Calvet (2002) e Pimentel da Silva (2009; 2012; 2015).

Palavras-chave: Língua Karajá; atitude linguística; educação indígena; vitalidade linguística.

 

Minibiografia:

Lorenna Isabella Pereira Souza: mestranda em estudos linguísticos no Programa de Pós-graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Goiás.


Comunicação 13

Interação e colaboração no processo de produção escrita e de reescrita de textos

Autor:

Marco André Franco de Araújo – Universidade Federal de Goiás – UFG – markim50@hotmail.com

 

Resumo:

A sala de aula é um local que deve proporcionar oportunidades de interação e de colaboração. Ao trabalharem juntos, em atividades envolvendo a escrita e reescrita de textos, os alunos estão engajados em trabalhar colaborativamente nesse processo. A aprendizagem colaborativa é uma abordagem construtivista, ou seja, os alunos constroem ideias e conceitos com base naquilo que já sabem. E, nesse sentido, “a colaboração pressupõe que os alunos trabalhem juntos para atingir objetivos comuns de aprendizagem” (FIGUEIREDO, 2006, p. 12). Nessa perspectiva da aprendizagem colaborativa, este estudo apresenta e discute um trabalho realizado em uma sala de aula de 7º ano de Língua Portuguesa de uma escola pública de Goiânia, durante o segundo semestre do ano de 2016, buscando compreender como se dá a interação e a colaboração dos alunos no processo de escrita e reescrita de textos, como também perceber quais as percepções esses alunos têm sobre o processo de escrita colaborativa e de reescrita dos textos. Para isso, realizamos uma pesquisa qualitativa em que gravamos em áudio as interações dos alunos, observamos as aulas, entrevistamos os participantes e analisamos os textos produzidos por eles. As aulas envolviam atividades de escrita, e, também, de reescrita de textos, onde os alunos interagiram e colaboraram com seus pares. Nas interações, pudemos observar que os alunos se tornaram autores mais atentos através dos erros que cometiam e que eram corrigidos em colaboração com o colega. Notamos também, por meio do estudo, que os alunos estão sujeitos a correções nos seus textos, e essas correções podem ser feitas pelo professor, pelos próprios autores, ou também por um colega mais competente com que venham a trabalhar juntos. Dessa forma, esse processo de correção, e posteriormente, a reescrita desses textos, de forma colaborativa, promoverá uma maior interação em sala de aula entre os envolvidos nesse processo.

Palavras-chave: interação; colaboração; produção escrita.

 

Minibiografia:

Marco André Franco de Araújo: mestre em Letras e Linguística pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás; atualmente, é professor de Língua Portuguesa e Inglês da Rede Municipal de Ensino de Goiânia.


Comunicação 14

A produção do gênero discursivo memorial na formação docente: memória, narratividade e dialogia

Autor:

Alexandre Ferreira da Costa – Universidade Federal de Goiás – alexandrecostaufg@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação apresenta resultados de pesquisa sobre a formação docente inicial e continuada (COSTA, 2015; 2016), relativos ao uso da produção do gênero memorial como ferramenta de reflexão. A produção de memoriais de formação escolar e profissional tem sido aplicada e analisada por nós, há alguns anos, em contextos de estágio na formação inicial e, recentemente, na formação continuada. O que se apresenta neste trabalho, além da análise de excertos de memoriais, é também sua funcionalidade dialógica (BAKHTIN, 2016) nos processos de objetivação e subjetivação nas práticas de formação. Pode-se constatar que a reflexão narrativa constituída pela recuperação da memória da vivência dos professores em formação ou em exercício profissional constitui contrapartidas identitárias a atividades de observação no campo de estágio e práticas de ensino. Em um sentido fenomenológico (BAKHTIN, 2010), esse jogo de vozes de alunos, professores e autores produz a emergência de responsividades que eliminam a transparência de concepções e percepções incorporadas nas vivências de longo prazo em relação ao contexto imediato do trabalho escolar e acadêmico. Compõem também o quadro desta reflexão os efeitos da interpelação estética que a leitura parcelada das produções memoriais causa na eventicidade dos contextos de formação.

Palavras-chave: formação docente; gêneros do discurso; narratividade; dialogia; memória.

 

Minibiografia:

Alexandre Ferreira da Costa: doutor em Lingüística Aplicada pela UNICAMP e pós-doutor em linguística pela UnB (2015); professor da UFG, desde 1998, onde atua na formação de professores. Atualmente, suas pesquisas e orientações concentram-se na implementação da edução integrada no Brasil, seus aspectos discursivos, transversais e interdisciplinares, lidera o Grupo de Estudos Transdisciplinares e Aplicados à Formação de Educadores (GRUPO PORTOS – UFG/CNPq).


Comunicação 15

Problemática e definição dialógica como prática da sala de aula

Autores:

Ana Maria Alves Pereira dos Santos – Universidade Federal de Goiás – maryabelly89@gmail.com

Alexandre Ferreira da Costa – Universidade Federal de Goiás – alexandrecostaufg@gmail.com

 

Resumo:

Uma aula é o marco espaço-temporal da produção e disseminação de conhecimentos científicos, técnicos e vivenciais, o que a torna um laboratório prático para análises e investigações acerca do processo constitutivo epistemológico e ontológico (Bakhtin, 2010). Dessa forma, buscar uma investigação pelo viés dialógico da linguagem, pontuando as possíveis problemáticas constituinte dessa práxis e as definições que corroboram para que tal práxis se efetive, significa compreender a linguagem como resultante de uma prática social (Bakhtin, 2016). Isto implica num processo de interação entre sujeitos, que é determinado sócio-historicamente e produzido dentro de um contexto marcado ideologicamente. Assim, a sala de aula é concebida como indissociável de sua natureza social, na qual a relação intersubjetiva, estabelecida por essa prática, constitui os sujeitos e os sentidos discursivos que são elaborados e reelaborados nesse evento espaço-temporal denominado aula. Para a realização desta pesquisa, as aulas de estágio do curso de letras foram acompanhadas e analisadas sob perspectivas embasadas nos postulados teóricos de dialogismo e dialética de Bakhtin (2016), que estabelece, em relação à linguagem, uma permanente relação intersubjetiva de alteridade através da compreensão dos discursos. Este trabalho buscou perceber se a alteridade como constituição do “eu” em relação ao “outro” pode transformar os sujeitos e as perspectivas e processos de ensino dentro de sala de aula; se o processo de compreensão responsivo ativo, como é proposto pelo autor, pode alterar a constituição de uma aula, compreendida como um evento único e irrepetível, postulada dessa maneira por Deleuze. Assim considerando, que os sujeitos atuam, formulando e reformulando, por meio de uma intersubjetividade contínua, o conhecimento, que não se revela pronto e acabado, mas em processo de apreensão e compreensão. Observando, ainda, que a interpelação dialógica adotada como metodologia pedagógica instiga os sujeitos a se apropriarem das teorias com vista à produção efetiva do conhecimento.

Palavras-chave: dialogia; dialética; ensino intercultural; práxis.

 

Minibiografias:

Ana Maria Alves Pereira dos Santos: graduada em Letras pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), especialista em Linguagem, Transversalidade e Interdisciplinaridade pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e mestranda em estudos linguísticos no Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Goiás.

Alexandre Ferreira da Costa: doutor em Lingüística Aplicada pela UNICAMP e pós-doutor em linguística pela UnB (2015); professor da UFG, desde 1998, onde atua na formação de professores. Atualmente, suas pesquisas e orientações concentram-se na implementação da edução integrada no Brasil, seus aspectos discursivos, transversais e interdisciplinares, lidera o Grupo de Estudos Transdisciplinares e Aplicados à Formação de Educadores (GRUPO PORTOS – UFG/CNPq).


Comunicação 16

Uma análise sobre o uso de você em contextos formais de interação

Autores:

Paulo Ricardo Dias Fernandes – Universidade Federal de Goiás – paulo.ricardo_dias@hotmail.com

Tânia Ferreira Rezende – Universidade Federal de Goiás – taniaferreirarezende@gmail.com

 

Resumo:

O português brasileiro apresenta uma significativa variação entre suas formas de tratamento, especialmente, para expressar a segunda pessoa do discurso. A proposta desta comunicação é apresentar resultados parciais da pesquisa sobre o uso da forma você, em contextos formais de interação, nas escolas militares de educação básica do município de Anápolis-GO. Em consonância com a Sociolinguística Interacional e com contribuições da Pragmática, foram realizadas, nos contextos referenciados, gravações em áudio de conversas para geração da materialidade empírica para a discussão. O objetivo é compreender em quais situações a forma você é mais utilizada e quais fatores interacionais influenciam a vaiação no uso dessa forma. Pretende-se problematizar, por meio dos resultados desse estudo, os impactos da relação entre professores e alunos, nas escolas militares, na aprendizagem de língua portuguesa dos alunos. Uma vez que as interações são marcadas por diversos traços que influenciam nas escolhas linguísticas dos interactantes, Brandão (1997) estabelece que o que se fala e como se fala não podem ser simplesmente uma questão de escolha do falante. O uso da linguagem é influenciado por restrições de natureza diversa, que são determinantes para a variação estilística em uma situação específica. Dessa forma, faz-se necessária não somente a análise do uso de você como também de todos os outros fatores determinantes dos contextos em foco, entre eles o nível de formalidade, a polidez, a relação interpessoal dos interactantes, entre outros, temáticas discutidas por Loregian-Penkal (2004), Said Ali (1964), Kerbrat-Orecchioni (2006), Tannen (1997), Gumperz (2007), Goodwin e Duranti (1992), Brandão (1997), Modesto (2007) e Orlandi (2009).

Palavras-chave: formas de tratamento; contexto situacional; formalidade intercultural; interação sociolinguística.

 

Minibiografias:

Paulo Ricardo Dias Fernandes: graduado em Letras pela UEG, especialista em Metodologias do Ensino Fundamental pela UFG, Docência Universitária pela Faculdade Católica de Anápolis, Planejamento, Implementação e Gestão da EAD pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestrando em Letras e Linguística pelo programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da UFG.

Tânia Ferreira Rezende: doutora em Linguística pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), com atuação na graduação e na pós-graduação, nos cursos de Letras e de Educação Intercultural de formação superior de professores indígenas. Desenvolve pesquisas na área de Sociolinguística Intercultural, Sociolinguística Educacional e Linguística Histórica.


Comunicação 17

Minha mãe é belíssima: o elogio excessivo como estratégia de (im)polidez em negociação no contato intercultural entre duas estudantes de Português Brasileiro como Segunda Língua

 

Autor:

Rodrigo Albuquerque Universidade de Brasília – UnB – rodrigo.albuquerque.unb@gmail.com

 

Resumo:

Neste estudo, propomos analisar, à luz da sociolinguística interacional e da pragmática, como o elogio excessivo é avaliado pelos alunos falantes de espanhol no contexto de ensino de português como segunda língua. Essa investigação nasce da necessidade do estudante de português como segunda língua em ter acesso não apenas à estrutura linguística da língua alvo, mas também ter contato com discussões que permeiam as contingências intersubjetivas e socioculturais. Nosso trabalho se ancora teoricamente à sociolinguística interacional e à pragmática, áreas representadas pelas contribuições de Goffman (1967), Grice (1975 [2006]), Lakoff (1973), Leech (1983), Manes (1983), Marcuschi (1989), Brown & Levinson (1987), Watts (2003) e Albuquerque (2015). Para tanto, analisamos um excerto interacional em que a professora Estela propõe aos estudantes que elaborem cinco frases que estejam no grau superlativo. Ao obedecer à proposta da professora, a participante Nora acabou utilizando, como exemplo, sua mãe, a colaboradora Flora, e, por meio dessa ação, intensificou os elogios dirigidos à genitora. Constatamos nos dados analisados que Nora, ao contrário de Flora, avaliou positivamente o uso do elogio (desejava cumprir com a atividade pedagógica designada e destacar os atributos positivos da mãe). Acreditamos, por fim, que o estudo do elogio, estratégia originalmente valorizadora da face, no contexto de L2 torna-se fundamental, haja vista o potencial caráter invasivo de seu uso e a diversa avaliação que pode ocorrer em contextos sócio/interculturais. 

Palavras-chave: (im)polidez; elogio (excessivo); ensino de português como L2.

 

Minibiografia:

Rodrigo Albuquerque: professor adjunto I no Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas da Universidade de Brasília (UnB), atua nas áreas de sociolinguística interacional, estudos etnográficos, cognição social, linguística de texto e ensino de português como primeira e segunda língua; é Doutor em Linguística pela Universidade de Brasília, Mestre em Linguística pela mesma universidade e graduado em Letras Português do Brasil como Segunda Língua também na UnB.


Comunicação 18

O Português falado pelos Tremembé de Almofala

Autora:

Walkiria Neiva Praça – Universidade de Brasília – UnB – Walkiria.praca@gmail

 

Resumo:

Em comunidades minoritárias no Brasil, falantes de uma variedade de português como primeira língua, pode-se observar que essas comunidades se autodenominam indígenas ou quilombolas por questões políticas ou sócio-históricas. Indiferentemente, de como se autodenominam, verificam-se aspectos linguísticos em comum, tais como: léxico com palavras arcaicas do português, palavras de origens indígenas e africanas, manutenção de palavras latinas e morfossintaxe diferenciada da do português. Em estudos realizados nas comunidades de Jurussaca (PA) – ver Figueiredo & Oliveira (2013), Cecim (2014) e Campos (2014), Siricari (PA) – ver Serra (2016) e de Tremembé-Almofala- (CE) – ver Oliveira & Praça (2013) e Praça, Araujo & Oliveira (2013), ratificamos que a variedade do português utilizado por essas comunidades como “tipos” do português afro-indígena, independentemente se selecionam politicamente o termo “afro” ou “indígena”. Contudo, cabe salientar que há comunidades que selecionam o termo “afro” sem se enquadrarem no “sistema quilombola” – ou seja, um conjunto de comunidades do “tipo” Mazagão Velho (AP) que selecionam o termo “afro”, mas não assumem politicamente serem comunidades quilombolas. Ratificamos ainda a proposta de Oliveira et al (2015: 155) – baseada em Campos (2014:55) – de que a variedade de português afro-indígena se localiza no extremo [+marcado] do continuum de português. Neste trabalho, apresentaremos aspectos morfossintático do português falado pela comunidade Tremembé de Almofala (CE), povo que se autodenomina indígena e que mantém suas tradições, mas que por vários fatores deixam de falar sua língua original. Utilizam uma variedade do Português, porém com marcas intimamente ligadas à gênese desse povo.

Palavras-chave: Português afro-indígena; Tremembé; Almofala.

 

Minibiografia:

Walkiria Neiva Praça: professora adjunta do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas (LIP) do Instituto de Letras da Universidade de Brasília. Atuo nas áreas de Análise linguística, Análise e Descrição de Línguas Indígenas, Tipologia Linguística e Educação Indígena. Trabalhei no Magistério Indígena Tremembé, no Núcleo Takinahaky (UFG) e no Ensino Médio Ãpyãwa. Atualmente, venho desenvolvendo estudos relacionados ao Português Brasileiro em uma abordagem afro-indígena.                                                    


Póster 1

O ensino da língua portuguesa como instrumento de trabalho para entrangeiros haitianos

 

Autoras:

Sílvia Fernanda Souza Dalla Costa – Instituto Federal Catarinense – IFC/ Universidade Presbiteriana Mackenzie – UPM – silvia.costa@ifc-concordia.edu.br

Cinthia Cristine Souza Bergamo – Universidade do Oeste de Santa Catarina – UNOESC/Instituto Federal Catarinense – IFC – cint_souza@hotmail.com.

 

Resumo:

Uma língua pode ser caracterizada como um instrumento de trabalho a partir do momento em que ela se torna imprescindível para a interação entre as pessoas que com objetivos em comum conseguem realizar seus projetos. Dessa forma, poder se comunicar é imprescindível na relação do ser humano com os seus semelhantes. O trabalho, mesmo sendo operacional, depende de uma interação social e de uma comunicação alinhada para poder ser realizado. Pautados nos estudos da Lusofonia e da identidade cultural, associados aos pressupostos sociológicos do Mundo do trabalho, buscou-se uma interface entre o estudo linguístico cultural e a educação para o mundo do trabalho. Assim, o presente estudo socializa uma pesquisa realizada em uma empresa, no município de Concórdia, Santa Catarina,  Brasil, que teve como intuito identificar o perfil dos funcionários haitianos participantes de um curso de Língua Portuguesa de curta duração, bem como analisar sua percepção frente às dificuldades encontradas com relação à aprendizagem, uso e a importância da Língua Portuguesa na realização do seu trabalho. Para a realização da pesquisa utilizaram-se os métodos quantitativo e qualitativo, aplicando-se questionários em francês para vinte haitianos participantes do curso. Conforme análise realizada, pode-se conhecer o perfil dos participantes, todos do sexo masculino, com nível de escolaridade intermediária e que buscaram o Brasil para tentar uma vida melhor, após o terremoto ocorrido em seu país. Além disso, constatou-se que grande parte da população da pesquisa fala no mínimo duas línguas e que as principais dificuldades encontradas ao chegar ao Brasil estão relacionadas a fatos familiares e situacionais e não a problemas de comunicação gerados pela diferença de linguagem, embora os haitianos tenham concebido a Língua Portuguesa como essencial na sua interação no contexto do trabalho.

Palavras-chave: Haitianos; ensino de Língua Portuguesa; aprendizagem x mundo do trabalho.

 

Minibiografia:

Sílvia Fernanda Souza Dalla Costa: Professora da área de Linguagens, códigos e suas tecnologias, no Instituto Federal Catarinense – IFC Campus Concórdia. Doutora em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie – UPM.  Desenvolve pesquisas na área da enunciação no texto falado e sobre temáticas que envolvam o ensino de Língua Portuguesa. Pós-doutoranda do Programa de Pós-graduação em Letras da UPM, sob orientação do Prof. Dr. José Gaston Hilgert.

Cinthia Cristine Souza Bergamo: Psicóloga, atuante na área de Recursos Humanos, Especialista em Comportamento e Gestão de Pessoas, pela UNOESC e Especialista em Educação Profissional Integrada à Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (PROEJA).