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Simpósio 35

SIMPÓSIO 35 – DOIS DESAFIOS DA PROVA DE REDAÇÃO DO ENEM: O ENSINO DE DIREITOS HUMANOS EM LÍNGUA PORTUGUESA E SEUS CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

 

Coordenadores:

Renato Cabral Rezende | Universidade Federal de São Paulo | renato.rcr@gmail.com

Ormezinda Maria Ribeiro | Universidade de Brasília | aya.ribeiro@yahoo.com.br

 

Resumo:

A prova de redação de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) tem contribuído para novas reflexões e práticas de ensino e leitura e produção textual no Brasil. Ela tem apresentado desafios diversos aos/às professores/as de língua portuguesa. Este simpósio é sobre dois deles. O primeiro: fomentar o ensino e reflexão sobre os direitos humanos no ensino médio público brasileiro. A quinta competência avaliada pela prova do ENEM solicita que o candidato apresente uma proposta de intervenção ao tema da prova. O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) surgiu no país com esse objetivo, sendo o ENEM um instrumento de fortalecimento dos Direitos Humanos no Brasil. Mas os/as professores/as de Língua Portuguesa estão preparados/as para isso? Conhecem sobre os Direitos Humanos e sabem como transformá-los em objeto didático para o ensino-aprendizagem de leitura e produção textual? Essas são indagações que este simpósio convida professores/as e pesquisadores/as a virem discutir, a partir de sua prática e/ou pesquisa acadêmica. O segundo desafio é o de, a partir da grade de avaliação de cada competência pela prova de redação do ENEM, discutir não apenas a proteção, mas também a promoção dos Direitos Humanos. Indagações como “Como aperfeiçoar a formação de avaliadores/as de edições futuras do ENEM nesta competência?” e/ou “Como levar propostas de avaliação de direitos humanos para a prática do ensino de leitura e produção textual no Brasil?” também norteiam professores/as e pesquisadores/as que se interessem em integrar este simpósio.

 

Palavras-chave: produção textual, enem, direitos humanos, avaliação.

 

Minibiografias:

Renato Cabral Rezende

Doutor em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professor Adjunto III da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Linguística Textual, Sociolinguística Interacional e Linguística Antropológica. Trabalha com metadiscursividade e mecanismos de sequenciação e articulação textual. Foi pesquisador visitante na Universidade da Califórnia Berkeley.

 

Ormezinda Maria Ribeiro

Doutora em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1999-2003) e doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2004-2006). Atualmente é consultora do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira-INEP, professora adjunta III, Representante Docente na Comissão Própria de Avaliação-CPA-UnB, Coordenadora de Extensão do Instituto de Letras da Universidade de Brasília-UnB e Coordenadora Pedagógica do Curso de Letras UAB-UnB. Tem experiência na área de Linguística e EAD, com ênfase em Sociolinguística e Linguística Textual, atuando principalmente nos seguintes temas: avaliação, formação de professores, produção textual, ensino-aprendizagem e leitura presencial e a distância.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Abordando os direitos humanos em aulas de expressão escrita em Língua Portuguesa

 

Autor:

Wagner Barros Teixeira – Universidade Federal do Amazonas – wagbarteixeira@hotmail.com

 

Resumo:

O Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM – é uma avaliação diagnóstica criada em 1998 pelo governo brasileiro que possui as funções de: a. diagnosticar o desempenho dos alunos ao final da educação básica, b. permitir o acesso à universidade; e c. certificar a conclusão do Ensino Médio. É uma prova organizada por áreas de conhecimento, a saber: 1. Linguagens, códigos e suas tecnologias, 2. Matemática e suas tecnologias, 3. Ciências da natureza e suas tecnologias, e 4. Ciências humanas e suas tecnologias, a partir de matrizes de referência Em consonância com os objetivos do Simpósio “Dois desafios da prova de redação do ENEM: o ensino de direitos humanos em Língua Portuguesa e seus critérios de avaliação”, este trabalho faz um recorte, concentrando sua atenção sobre a área de conhecimento de Linguagens, códigos e suas tecnologias, com foco especial sobre a Língua Portuguesa. Por meio de um questionário de sondagem e de entrevistas apoiadas pelas técnicas de protocolo verbal, busca analisar de que forma os direitos humanos são abordados em aulas de Língua Portuguesa voltadas para o desenvolvimento da habilidade discursiva de expressão escrita na região Norte do Brasil, podendo se tornar relevante contribuição para futuras investigações sobre a temática e para o aprimoramento do desenvolvimento da temática em aulas de produção textual para alunos do ensino médio. Norteiam teoricamente as investigações postulados sobre a escrita e o processo produção de textos de investigadores como Cassany (1990), Cardona (1999), Fávero, Andrade e Aquino (2002). Além desses, sobre os direitos humanos no contexto escolar, considerações de investigadores como Deslandes e Lourenço (2011) e dos PCN (BRASIL, 1997), e, ainda, informações sobre avaliações diagnósticas de documentos emitidos pelo INEP e pela UNESCO, bem como em estudos de investigadores sobre o ENEM.

Palavras-chave: Avaliação diagnóstica; Direitos humanos; ENEM; Expressão escrita.

 

Minibiografia:

Wagner Barros Teixeira é professor adjunto na Universidade Federal do Amazonas. É mestre e doutor em Letras Neolatinas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Lidera o Grupo de Pesquisa ‘Observatório de Ensino de Línguas’ (UFAM). Investiga questões sobre políticas linguísticas, formação de professores de línguas e estudos linguísticos e colabora com a área de Linguagens junto ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP.


Comunicação 2

A utilização dos direitos humanos na prática docente e o momento sócio-histórico

Autora:

Lúcia Lovato Leiria – Universidade Federal do Rio Grande – lucia.leiria@furg.br

 

Resumo:

A Declaração dos Direitos Humanos de 1948 foi reafirmada na II Conferência Mundial sobre Direitos Humanos, em Viena em 1993, quando os direitos foram formalmente considerados universais, com a participação da maioria dos Estado do mundo. Entre eles estão o direito à vida e à segurança; a igualdade perante a lei; o repúdio à escravidão, à tortura, à prisão ou aos exílios arbitrários; a liberdade de reunião e associação pacífica; o direito a um padrão de vida com saúde, bem estar, alimentação; direito a cuidados médicos e assistência especial durante a maternidade e a infância; direito a instrução gratuita nos graus elementar e fundamental etc. (DUDH, 1948). A partir disso, de minha prática docente no curso de Letras e de minha prática como avaliadora das redações do ENEM, proponho este trabalho, amparado na teoria dos direitos humanos (COMPARATO, 2015) e nos objetivos do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH), em que será cotejado o conteúdo da Declaração com retratos da vida real, expressos em manifestações públicas de personalidades políticas, nacionais e internacionais, e em materiais veiculados na grande mídia e nas redes sociais. O trabalho justifica-se devido à premência de estarmos preparados para fomentar o ensino e a reflexão sobre direitos humanos, seja na formação de professores, seja na atuação de professores no ensino médio ou ainda na avaliação de exames nacionais. Seu objetivo é contribuir para a discussão dos desafios encontrados pelo professor para utilizar os direitos humanos em sua prática docente em um momento sócio-histórico em que se veem aflorar reações retrógradas, como xenofobia, racismo, homofobia ódios religiosos e partidários, misoginia, e que parece estar na contramão do proposto na Declaração.

Palavras-chave: direitos humanos; momento sócio histórico; prática docente.

 

Minibiografia:

Lúcia Lovato Leiria é graduada em Letras pela UFRGS e possui mestrado e doutorado em Linguística e Letras pela PUC-RS. Entre 1995 e 2008, foi professora de Linguística e Língua Portuguesa no Curso de Letras do Centro Universitário Ritter dos Reis, em Porto Alegre. Atua como avaliadora das redações do ENEM desde 2006 e atualmente é professora adjunta de Língua Portuguesa e Linguística na Universidade Federal do Rio Grande.


Comunicação 3

Práticas discursivas sobre direitos humanos na sala de aula

Autor:

Osvaldo Barreto Oliveira Júnior – IF Baiano – osvaldobojr@gmail.com

 

Resumo:

Discutem-se neste trabalho as estratégias discursivas que podem ser utilizadas em sala de aula para construir diálogos sobre os direitos humanos, principalmente sobre a necessidade de aceitação das diferenças numa sociedade democrática, que valorize a diversidade e a complexidade da vida humana. Para isso, apresentam-se descrições e análises de aulas desenvolvidas com alunos da terceira série do Ensino Médio, durante o ano letivo de 2016, num campus de um Instituto Federal de Educação (relato de prática docente), evidenciando as opções metodológicas do professor, para dialogar, em sala de aula, o respeito aos direitos humanos como habilidade necessária ao bom desempenho na prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio e, principalmente, à formação de uma consciência cidadã, democrática e apta à convivência harmônica em sociedades plurais e diversas como a brasileira. Essa discussão objetiva demonstrar como os gêneros discursivos podem ser acionados, nas aulas de língua portuguesa, para promoverem interlocuções sobre os direitos humanos. Constrói-se, portanto, uma argumentação fundada na ideia de que as atividades discursivas desenvolvidas pelos sujeitos do processo de escolarização possibilitam a construção de uma cultura escolar que respeite as diferenças e valorize a vida. Para a consolidação desse tipo de cultura, os agentes escolares precisam agir democraticamente, evitando referendar, apoiar ou legitimar rotulações sobre as diversas matizes em que a vida humana se aflora; pois os rótulos são estratégia discursivas que servem para segregar as pessoas, e uma escola favorável aos direitos humanos não deve amiudar rotulações. É nesse sentido que as práticas discursivas sobre direitos humanos se inserem em sala de aula como procedimento que ajuda a desconstruir preconceitos e a formar sujeitos que respeitem, acima de tudo, a pessoa humana, sem rotulá-la, discriminá-la ou marginalizá-la.

Palavras-chave: atividades discursivas; estudos de referenciação; ensino; língua portuguesa; cidadania.

 

Minibiografia:

Doutor em Educação pela Universidade Federal da Bahia (2015), Mestre em Letras: linguagem e identidade pela Universidade Federal do Acre (2009) e professor de Língua Portuguesa no Instituto Federal Baiano, campus Senhor do Bonfim. Interessa-se pelos estudos do discurso, sobretudo os que se erigem na interface Linguística Textual e Análise do Discurso, como as pesquisas sobre os processos referenciais que contribuem para a atividade interpretativa da coerência textual.


Comunicação 4

Direitos Humanos e redação para além do ENEM: uma proposta de ensina criativa para o ensino médio

Autores:

Daniela Palma – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) – dpalma@iel.unicamp.br

Ana Paula dos Santos de Sá – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)- anap.ss88@gmail.com

Nayara Natalia de Barros – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) – nayara.natalia.barros@gmail.com

Rafael Salmazi Sachs – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) – rafael.sachs@gmail.com

 

Resumo:

A comunicação propõe refletir sobre a criação de espaços de discussão e sensibilização para tópicos relacionados aos Direitos Humanos a partir das práticas de leitura e escrita de jovens. Reconhecemos o papel que as provas de redação, como as do ENEM, têm tido na promoção desses debates no ensino brasileiro, mas aqui nossa ideia é ampliar o sentido de formação em Direitos Humanos, além da preparação dos estudantes para os exames. Os Direitos Humanos podem ser compreendidos como um conjunto de princípios que operam no plano formalizado da linguagem e também em um sistema de significação mais amplo, não-formalizado. Atuam na esfera dos temas públicos e universalizantes, mas que tocam profundamente o universo íntimo de nossas vidas. Buscando trabalhar essas articulações (universal-individual/público- íntimo), produzimos no âmbito do grupo de pesquisa em Linguagem e Direitos Humanos (IEL/Unicamp), uma proposta de oficina de escrita que valorize não apenas a ordenação dissertativo-argumentativa do pensamento, mas que abra espaços para formas narrativas e poéticas. A ideia baseia-se nos “exercícios de imaginação”, propostos por Hannah Arendt, como pedagogia para apreender o sentido político das existências humanas. A narratividade seria a instância discursiva reveladora da ação política, valorizando, assim, o evento (histórico e/ou imaginativo) como conhecimento. Tomando os conceitos de narrativa, experiência e memória em Arendt, bem como o modelo de curso ministrado pela autora em 1965 e de outras propostas semelhantes posteriores, elaboramos uma sequência didática voltada a atividades de produção escrita para estudantes do Ensino Médio. A oficina tenciona promover reflexões acerca dos conceitos e das formas sociais da diferença e da universalidade e estimular, na escrita, inversões de perspectiva autoral, adotando-se o “eu” como enunciador de um “outro”. Tais inversões funcionariam como aparato propício à sensibilização e à busca de uma “mentalidade alargada”, mais consciente da alteridade e apta à apreensão dos dilemas individuais e coletivos do mundo contemporâneo.

Palavras-chave: Direitos Humanos; escrita; ensino.

 

Minibiografias:

Daniela Palma é docente do Departamento de Linguística Aplicada, no Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (IEL/UNICAMP), Campinas (SP), Brasil. Desenvolve, atualmente, pesquisa sobre linguagem em contextos institucionais e arquivos de repressão e coordena o grupo de pesquisa em Linguagem e Direitos Humanos.

Ana Paula dos Santos de Sá é doutoranda em Linguística Aplicada e mestre em Teoria e História Literária, pelo Instituto de Estudos da Linguagem de Universidade Estadual de Campinas (IEL/UNICAMP), Campinas (SP), Brasil. Desenvolve pesquisa sobre ensino de literaturas pós-coloniais no Ensino Médio e participa do grupo de pesquisa em Linguagem e Direitos Humanos.

Nayara Natalia de Barros é doutoranda e mestre em Linguística Aplicada, pelo Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (IEL/UNICAMP), Campinas (SP), Brasil. Desenvolve pesquisa sobre curadoria e espaços autobiográficos na internet e participa do grupo de pesquisa em Linguagem e Direitos Humanos.

Rafael Salmazi Sachs é doutorando e mestre em Linguística Aplicada, pelo Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (IEL/UNICAMP), Campinas (SP), Brasil. Desenvolve pesquisa sobre escritas eróticas na internet e participa do grupo de pesquisa em Linguagem e Direitos Humanos.


Comunicação 5

Problematizações sobre o ensino de escrita: um olhar enunciativo sobre a redação do ENEM

Autora:

Luana Aparecida Matos Leal Fernandes – Universidade Federal de Uberlândia (UFU) / Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais (IFNMG-Salinas) – luamatosleal@gmail.com

 

Resumo:

A prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) exige do candidato a produção de um texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo, sobre um tema de ordem social, científica, cultural ou política. Os aspectos a serem avaliados no texto relacionam-se às cinco “competências”, instituídas pelo exame, às quais preconizam que o candidato deve redigir o texto de acordo como a modalidade escrita formal da Língua Portuguesa; defender uma tese a respeito do tema proposto, apoiada em argumentos consistentes, estruturados de forma coerente e coesa; além de elaborar uma proposta de intervenção social, que respeite os direitos humanos. Essas orientações acabam por influenciar as aulas de Língua Portuguesa/Redação, especialmente, na terceira série do Ensino Médio, quando se prioriza a preparação para a referida prova, já que a produção textual se instaura como uma avaliação e seleção para o ensino superior. Dessa forma, o processo de escrita passa a ser baseado em técnicas e modelos que atendam às competências às quais serão avaliadas. Nesse sentido, propomos lançar um olhar mais atento ao ensino de escrita em Língua Portuguesa na escola, especialmente em relação à produção do gênero redação dissertativo-argumentativa, nos moldes cobrados no ENEM, analisando esse processo por um viés enunciativo. Para isso, procuramos problematizar a relação dessa escrita com a noção de subjetividade, a partir dos pressupostos de Benveniste, segundo os quais a linguagem serve para viver. Sendo assim, quando se trata do atendimento à quinta competência avaliada na redação do ENEM, as análises já realizadas mostram que a conclusão-solução exige que o participante seja capaz de propor uma intervenção que demonstre não apenas criatividade, mas principalmente engajamento social e respeito aos valores humanos, uma vez que a escrita é uma experiência de linguagem que revela uma experiência humana.

Palavras-Chave: Escrita; Subjetividade; Redação Escolar; ENEM.

 

Minibiografia:

Luana Aparecida Matos Leal Fernandes é Professora de Língua Portuguesa nos níveis médio-técnico e superior do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG), campus Salinas. Doutoranda em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Mestre em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia- UESB.


Comunicação 6

O ensino de redação com enfoque nos Direitos Humanos: um desafio para os professores em formação

Autoras:

Ormezinda Maria Ribeiro- Universidade de Brasília – UnB – aya.ribeiro@yahoo.com.br

Maria Marlene Rodrigues da Silva – Universidade de Brasília- UnB -maria_marlene_s@hotmail.com

 

Resumo:

Apresentamos a proposta didático-pedagógica da Disciplina de Estágio Supervisionado em Língua Portuguesa do Curso de Letras da UnB que tem como desafio preparar os futuros professores para o ensino de redação nas escolas públicas do Distrito Federal com a elaboração e ministração de cursos de extensão ofertados aos alunos de ensino médio. A proposta está alicerçada na discussão de estratégias discursivas a partir de temas abordados inicialmente nas aulas teóricas da disciplina de estágio e se estendem na seleção de textos e elaboração de material didático que comporão os cursos ministrados pelos alunos-professores. Esse material é utilizado em sala de aula para construir diálogos sobre os direitos humanos, como subsídio para alimentar a escrita de textos que levem em conta as propostas a serem desenvolvidas na redação do ENEM. A intenção não é criar modelos ou padrões, mas suscitar o debate inicial entre os professores em formação para posterior aplicação de exercícios de redação com os alunos do ensino médio, também após atividades que retroalimentarão o trabalho da escrita. Nesse sentido o curso elaborado e desenvolvido pelos estagiários dá oportunidade ao aluno de Letras a construir uma prática (estágio) eficaz no ensino de língua, com ênfase na redação, a partir de uma abordagem sociointeracionista, voltada principalmente para as metodologias de leitura e produção textual, possibilitando a esse futuro professor desenvolver habilidades que contemplem não só a aquisição de conhecimentos, como também a capacidade de reflexão, o espírito científico e a capacidade de utilizar os conhecimentos adquiridos no curso para aperfeiçoar sua prática pedagógica. Além disso, oportuniza o aluno do ensino médio o desenvolvimento de competências linguísticas ancoradas na reflexão sempre necessária sobre a questão dos direitos humanos, que permeiam as práticas sociais e principalmente sobre a necessidade de compreensão da diversidade e da complexidade da vida humana.

Palavras-chave: Estágio; Ensino de Redação; ENEM.

 

Minibiografias:

Ormezinda Maria Ribeiro é professora adjunta do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas da Universidade de Brasília- UnB, onde coordena o Curso de Letras e orienta os estágios de Língua Portuguesa. Como pesquisadora, implantou os cursos de formação para os avaliadores de redação do ENEM e desde então vem se dedicando à pesquisa e orientação aos alunos e professores sobre as questões relativas aos cinco eixos cognitivos do ENEM.

Maria Marlene Rodrigues da Silva é mestre em Literatura e doutoranda em Linguística pela Universidade de Brasília, onde pesquisa sobre letramentos em comunidades em situação de itinerância.


Comunicação 7

Avaliação da produção escrita em larga escala: o examinador da prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio

Autora:

Patrícia Vieira Nunes Gomes – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP/MEC) – Universidade de Brasília (UnB/CEAM) – patricia.gomes@inep.gov.br

 

Resumo:

Pensar em avaliação da escrita em língua materna é sempre pensar em aspectos cognitivos e em contexto culturais que compõem o complexo mecanismo de produção de textos. O Brasil, nos dias atuais, realiza a avaliação da escrita em larga escala em dois momentos da trajetória escolar de seus estudantes: ao final do ciclo de alfabetização e ao final da educação básica. Para tanto, tem-se a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Este último, configura-se como um exame de destaque nacional em razão de ser uma avaliação educacional de alto impacto. Nesse cenário da avaliação educacional em larga escala, ao se buscar uma medida para a produção escrita, um ator reveste-se de total relevância: o examinador. Objetiva-se portanto, nessa comunicação, discutir os critérios que devem nortear a constituição do conjunto de examinadores em uma avaliação em larga escala como a prova de redação do ENEM, destacando aspectos cruciais de seu perfil, tais como: formação acadêmica, crenças, severidade, experiência, treinamento, entre outros, relacionando esses traços à validade do construto avaliado no ENEM.

Palavras-chave: avaliação de escrita; língua materna; ENEM; examinador; validade.

 

Minibiografia:

Patrícia Vieira Nunes Gomes é Doutora em Linguística pela Universidade de Brasília, Pesquisadora-Tecnologista em Avaliações Educacionais do INEP/MEC, Pesquisadora Visitante do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) da Universidade de Brasília.