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Simpósio 34

SIMPÓSIO 34 – TEXTOS E GÉNEROS TEXTUAIS: O PAPEL DA DIVERSIDADE NO ENSINO DA LÍNGUA

 

Coordenadoras:

Maria Antónia Coutinho | CLUNL/FCSH/Universidade NOVA de Lisboa | acoutinho@fcsh.unl.pt

Florencia Miranda | CLUNL/Universidad Nacional de Rosario | florenciamiranda71@gmail.com

 

Resumo:

Pretende-se com este simpósio focalizar a importância dos géneros de texto no ensino da língua, prevendo-se contributos centrados no português língua materna ou no português língua estrangeira/língua segunda, que perspetivem, de forma mais ou menos articulada, o ensino da oralidade, da escrita, da análise do texto literário e da gramática da língua. Para além dos contributos que evidenciem especificidades e vantagens de práticas docentes organizadas em função da noção de géneros de texto, serão particularmente bem vindas propostas que introduzam e problematizem o lugar da diversidade nas práticas de ensino que trabalham com géneros de texto. Espera-se assim que, no contexto deste simpósio, seja possível discutir e aprofundar questões como as que se seguem:

  • O que nos pode ensinar sobre (o funcionamento d)a língua a diversidade de géneros de texto?
  • Qual o papel da diversidade no ensino-aprendizagem de um género de texto? Que exemplares do género utilizar, em situação de ensino-aprendizagem?
  • Como articular, em contexto de aprendizagem, a(s) regularidade(s) de um modelo (de género) e a diversidade de exemplares desse mesmo género, em circulação nas práticas sociais de referência?
  • O que significa conhecer ou dominar um género de texto? Em que medida é que o conhecimento de um género implica o (re)conhecimento diferencial de diferentes géneros? Que lugar pode assumir, em situação de ensino, o (re)conhecimento de práticas de inovação e de recriação textual e genológica?

 

Palavras-chave: Género de texto, Textos, Língua, Diversidade, Ensino.

 

Minibiografias:

Maria Antónia Coutinho é Professora Associada na FCSH – Universidade NOVA de Lisboa. Doutorada em Linguística (área de especialização em Teoria do Texto) pela mesma universidade, é também investigadora no CLUNL – Centro de Linguística da Universidade NOVA de Lisboa. Tem orientado teses de mestrado e de doutoramento e publicado, a nível nacional e internacional, nas áreas dos estudos linguísticos sobre os textos e os discursos e da didática da língua materna. Interessa-se em particular pelo quadro teórico e epistemológico do Interacionismo Sociodiscursivo.

Florencia Miranda é Doutora em Linguística (especialidade em Teoria do Texto) pela Universidade Nova de Lisboa. É colaboradora no Centro de Linguística da UNL, onde participa em projetos de investigação nas áreas de linguística do texto e ensino de línguas. Na Argentina, é professora na Licenciatura em Português da Universidad Nacional de Rosario (na formação de professores, investigadores e tradutores). Tem realizado estudos diversos sobre a análise textual e a análise de géneros, o ensino de línguas (materna e estrangeiras) e a formação de professores e tradutores. O quadro teórico principal do seu trabalho inscreve-se na linha do Interacionismo Sociodiscursivo.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A tensão discursiva entre palavras e gêneros: plasticidade versus coercitividade

Autores:

Adriana Danielski Batista – Instituto Federal do Rio Grande do Sul – Câmpus Rio Grande– adrianaelski@yahoo.com.br

 

Resumo:

O estudo sobre a plasticidade da palavra permite compreender o funcionamento discursivo da língua e, consequentemente, como ocorre a construção de sentidos em diferentes gêneros discursivos. Considera-se, portanto, plasticidade como a capacidade que uma dada palavra possui de desempenhar diferentes funções ideológicas, absorver distintas entoações avaliativas, fazendo com que uma mesma forma comporte diferentes sentidos. Para tanto, parte-se dos conceitos postulados por Bakhtin e seu Círculo (BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 1929/2010; BAKHTIN, 1979/2011, 1975/1998), que entendem a palavra como sendo um elemento polissêmico e plurivocal da língua. É através dela que se tem acesso à compreensão da língua. Assim, busca-se analisar aspectos que propiciem a plasticidade das palavras em diferentes gêneros, verificando a evocação de diferentes valorações e vozes discursivas que imprimem sentidos às palavras e, consequentemente, ao discurso. Registra-se que existem variados níveis de plasticidade que perpassam a língua. Há gêneros mais coercitivos, que impõem à palavra um funcionamento discursivo mais estável, em que o estabelecimento de diferentes vozes sociais são coibidas. Há gêneros que são extremamente plásticos, que propiciam maior mobilidade à palavra. A palavra imprime mobilidade ao gênero, mas este também condiciona o funcionamento da palavra. A plasticidade se estabelece a partir da relação palavra versus gênero. Essa relação indica a polivalência e a plasticidade da palavra de adequar-se ao projeto enunciativo dos gêneros, em sintonia com as exigências contemporâneas da sociedade. Dessa forma, pretende-se, a partir do estudo discursivo da palavra no interior de distintos gêneros, contribuir com o desenvolvimento e/ou o aprimoramento da competência discursiva dos alunos, bem como refletir sobre o funcionamento da língua e do discurso.

Palavras-chave: palavra; gênero discursivo; língua; discurso; sentido

 

Minibiografia:

Adriana Danielski Batista: Doutora em Letras, na área de concentração em Linguística, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Mestre em Letras, na área de Linguística Aplicada, pela mesma instituição (PUCRS). Licenciada em Letras Português / Espanhol pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Atualmente é Professora no Instituto Federal do Rio Grande do Sul – IFRS – Câmpus Rio Grande. Membro do grupo de pesquisa Diálogos com Bakhtin, sediado na FURG.


Comunicação 2

Do diário ao Facebook: itinerários da escrita íntima

Autora:

Carmen Pimentel – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ – carmenpimentel.ufrrj@gmail.com

 

Resumo:

Gêneros textuais e gêneros digitais que falam de si (diário, agenda, blog, facebook) pertencem ao domínio confessional, apresentam narrativas pessoais com características específicas ao gênero, como datação, marcas de subjetividade, escrita informal e coloquialidade, e utilizam suportes variados, como papel e internet. Durante muitos anos eram escritos em cadernos e guardados “a sete chaves” por seus autores para que não fossem lidos por outras pessoas. Por volta dos anos 80, surgiram as agendas de adolescentes. Aproveitando o modelo pré-definido industrialmente, as agendas eram preenchidas dia a dia, como um diário, mas com a novidade do acréscimo de elementos semióticos, como fotos, papéis de bala, recortes de revistas, entre outros. Além disso, traziam como diferencial a presença de um leitor participativo: os textos eram compartilhados com amigos, e bilhetes e comentários eram escritos nas páginas das agendas. Com o advento da internet, o diário e a agenda se fundem no blog que aproveita os recursos do suporte virtual, tornando o gênero interativo, hipertextual e multimídia. Mais recentemente, aparecem no formato de pequenos textos ou frases (posts) acompanhados ou não de fotografias e imagens, na rede social Facebook. Este artigo pretende fazer uma descrição do percurso diário-posts, elencando categorias pertinentes aos gêneros com o objetivo de analisá-las e compará-las e de mostrar que tais gêneros podem ser de grande valia para o ensino da Língua Portuguesa, visto que são motivadores da leitura e da escrita pelos jovens. O referencial teórico é baseado principalmente nos conceitos sobre gêneros textuais, gêneros do discurso e gêneros digitais de Bakthin e Marcuschi. O corpus utilizado compreende diários, agendas, blogs e posts no Facebook de adolescentes.

Palavras-chave: gêneros textuais; gêneros digitais; diário; blog

 

Minibiografia:

Professora adjunta de Língua Portuguesa na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e pesquisadora de textos produzidos em ambientes virtuais. Doutora em Língua Portuguesa pela Uerj, com pesquisa em textos autobiográficos de blogs; mestre em Informática pela UFRJ e graduada em Letras pela UERJ. Foi Coordenadora Nacional do PROLER e diretora da Casa da Leitura, da Biblioteca Nacional de 2011 a 2013. É autora do livro “Blog: da internet à sala de aula”, pela editora Appris, 2012.


Comunicação 3

Os gêneros orais e escritos com repercussões na sala de aula

Autores:

Maria Francisca Oliveira Santos – Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) – mfosal@gmail.com

Vitor Emmanuell Pinheiro da Silva – Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) – vitoruneal@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho objetiva mostrar a importância dos gêneros orais e escritos no espaço ideológico da sala de aula, com ênfase nos estudos da linguagem, voltados à diversidade textual para obtenção de melhor competência comunicativa entre discentes/docente/discentes. Desenvolve-se no Núcleo de Pesquisa Linguagem e Retórica, liderado pela Professora Dra. Maria Francisca Oliveira Santos, na Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL), onde são agregados trabalhos de alunos de pesquisa, financiados pela CAPES-CNPq e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL). Escolheu-se, entre os trabalhos desenvolvidos, o estudo do podcast, considerado como um programa de rádio midiático gravado, editado e transmitido por meio do suporte internet. Tem-se como gênero uma forma de conhecimento que emoldura e medeia o modo como agimos e entendemos o mundo ao nosso redor (BAWARSHI e REIFF, 2013), acrescentando-se os seguintes teóricos, como: Schneuwly e Dolz (1995), Rojo e Moura (orgs., 2012), Mendonça e Cavalcante (orgs., 2007), Fávero; Andrade e Aquino (orgs., 2003), Antunes (2003; 2009; 2010), Marcuschi (2003); nos estudos conversacionais aparecem Goffman (1967; 1998), Kerbrat-Orecchioni (2006), Santos (1999; 2004), além de outros. Os resultados apontam para o funcionamento do gênero podcast para o ensino da diversidade de gêneros de texto, mostrando que os gêneros se tornam cada vez mais formas de reconhecer, responder e agir diante das situações do dia a dia, como afirmam Bawarshi e Reiff (2013). Funciona numa linha qualitativa uma vez que analisa os dados em processo, estando em contato com os problemas que envolvem a temática, seguindo os pressupostos de Moreira (2002, p.57), para quem esse tipo de pesquisa apresenta como características, dentre outras: a) flexibilidade no processo de conduzir a pesquisa; e b) ênfase na subjetividade, em oposição à objetividade. O trabalho é relevante pela sua aplicação no ensino, acontecendo numa inter- relação entre os estudos textuais e conversacionais.

Palavras-chave: Gêneros discursivos; Estudos textuais e conversacionais; Marcas orais.

 

Minibiografias:

Maria Francisca Oliveira Santos possui Doutorado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (1998) e Pós-Doutorado, na mesma área, pela Universidade Federal da Bahia (2009). Atualmente é professora da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) e da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Lidera o Núcleo de Pesquisa Linguagem e Retórica.

Vitor Emmanuell Pinheiro da Silva é graduando em Letras – Português pela Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL). Integra o Núcleo de Pesquisa Linguagem e Retórica.


Comunicação 4

Mediação Didático-Pedagógica por meio de gêneros textuais para o estudo e uso do então no Ensino Fundamental

Autores:

Patrícia Gomes de Oliveira – Faculdade Cenecista de Itaboraí (FACNEC) e Faculdade Cenecista de Rio Bonito (FACERB) – pattygomesdeoliveira@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho tem como objetivo desenvolver uma proposta de mediação didático-pedagógica, de base colaborativa, para o estudo e uso do vocábulo então, direcionados a alunos do nono ano do ensino fundamental de uma escola pública do município de Itaboraí, estado do Rio de Janeiro. Para tanto, partiu-se de estudos linguísticos sobre tal elemento linguístico, principalmente os de gramaticalização, destacando-se o de Martelotta (1996) e o de Rodrigues (2009). Procedeu-se a uma análise, também qualitativa, dos gêneros narrativos e/ou discursivos (carta pessoal, carta do leitor e narrativa autobiográfica) produzidos pelos discentes. A proposta sustenta-se em uma abordagem linguística: a dos Contínuos (Bortoni-Ricardo, 2004), com ênfase no contínuo oralidade-letramento, e em uma teoria pedagógica: a de base colaborativa (Behrens, 2013). O projeto desenvolveu-se, inicialmente, por meio de textos imagéticos e verbais (texto humorístico e resenha) presentes na rede internacional de computadores (internet), cujos conteúdos remetiam à observação do vocábulo em questão. Em seguida, durante as aulas teóricas exploratórias, os discentes foram motivados a pesquisar nas redes sociais – facebook e whatsapp – exemplos de textos em que o termo então se fizesse presente, destacando as relações de sentido atribuídas a tal palavra. E, por fim, para que a experiência linguística acontecesse de fato, os estudantes foram motivados a produzir um texto (convite), com o intuito de convocar a comunidade escolar para a participação de um evento organizado e promovido por eles. A produção textual seria compartilhada nas suas redes sociais dos educandos para consolidar a hipótese apresentada.

Palavras-chave: Então, Língua Portuguesa, Ensino colaborativo, Gêneros Textuais, Ensino.

 

Minibiografia:

Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Especialista em Gestão Escolar pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Atualmente, é professora do ensino básico da rede pública estadual de educação do Rio de Janeiro e professora das Faculdades Cenecistas de Itaboraí (Facnec) e Rio Bonito (Facerb).


Comunicação 5

Os “artigos” de divulgação científica – das práticas sociais de referência à sala de aula

 

Autores:

Matilde Gonçalves – FCT/Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – matilde.goncalves@fcsh.unl.pt

Noémia Jorge – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – njorge@fcsh.unl.pt

Inês Ribeiros – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – it.ribeiros@vodafone.pt

Lúcia Cunha – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – lucia.sgc@gmail.com

Maria do Rosário Luís – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – mrosario@sapo.pt

 

Resumo:

A Literacia Científica dos jovens em Portugal foi avaliada como um aspeto problemático relativamente à média dos outros países da OCDE (OCDE, PISA, 2012). Assim, com o objetivo de incrementar estratégias de intervenção didática com vista à promoção da Literacia Científica em contexto escolar, está a ser desenvolvido no Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa o projeto Promoção da Literacia Científica. Nesta comunicação apresentar-se-ão alguns resultados da investigação realizada no âmbito deste projeto.

A comunicação encontra-se estruturada em dois momentos. O primeiro momento consiste numa breve reflexão sobre os géneros de divulgação científica. Optando por uma via de abordagem predominantemente qualitativa e interpretativa, a reflexão assentará em estudos recentemente desenvolvidos na área da Linguística Textual (ex.: Gonçalves & Miranda 2007, Coutinho & Miranda 2009, Gonçalves 2011) e será ilustrada com a análise de textos que circulam na imprensa atual portuguesa (Público, Jornal de Notícias, National Geographic, Super Interessante, Quero Saber).

Num segundo momento, será apresentado um dispositivo didático adequado ao Ensino Básico e Secundário – o modelo didático de géneros de divulgação científica. Este modelo é inspirado em trabalhos inscritos na área da Didática das Línguas, orientados para o processo de apropriação de géneros textuais, nas suas componentes textual e gramatical (com destaque para Dolz, Noverraz & Schneuwly 2004, Cunha & Jorge 2011, Coutinho 2012, Coutinho, Jorge & Tanto 2012, Jorge & Ribeiros 2013, Jorge 2014, Coutinho, Tanto & Luís 2015).

Visamos, com esta comunicação, não apenas contribuir para a identificação, descrição e transposição didática dos géneros textuais atualmente utilizados para divulgar ciência em Portugal, como também criar estratégias de intervenção didática com vista à promoção da literacia científica dos alunos do ensino Básico e do Ensino Secundário.

Palavras-chave: transposição didática; género textual; literacia científica.

 

Minibiografias:

Matilde Gonçalves é bolseira de pós-doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia no Centro de Linguística da Universidade NOVA de Lisboa. Doutorada em Linguística (especialidade em Teoria do Texto) pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e em Estudos Portugueses pela Universidade de Paris 8. Coordena um projeto de investigação financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian – Promoção da Literacia Científica – no qual se visa desenvolver estratégias de intervenção didática para promover a literacia científica de alunos dos ensinos básico e secundário.

Noémia Jorge é doutorada em Linguística, na especialidade de Linguística do Texto e do Discurso pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. Integra o Centro de Linguística da Universidade NOVA de Lisboa e é membro do grupo Gramática e Texto, atuando na área da Linguística Textual. Tem ainda como áreas de interesse a didática de géneros textuais e a articulação entre linguística e literatura. É autora de material didático na área do Português.

Inês Ribeiros é doutoranda em Linguística e Ensino de Língua, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa e membro do Grupo Gramática & Texto, do Centro de Linguística da Universidade NOVA de Lisboa, desenvolvendo trabalho essencialmente na área da teoria do texto. É Professora Adjunta do Instituto Superior de Ciências Educativas, onde leciona unidades curriculares de Linguística/Língua Portuguesa, na formação inicial de professores.

Lúcia Cunha é doutoranda em Linguística e Ensino de Língua na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. É membro do Centro de Linguística da Universidade NOVA de Lisboa, estando integrada no grupo Gramática & Texto. Tem publicado artigos sobre o ensino de géneros orais e o desenvolvimento da linguagem em contexto escolar. É professora de português do Ensino Básico.

Maria do Rosário Luís é doutoranda em Linguística e Ensino de Língua na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa e Mestre em Teoria do Texto pela mesma faculdade. Integra o grupo Gramática e Texto do Centro de Linguística da Universidade NOVA de Lisboa.  É professora do Ensino Secundário desde 1984.


Comunicação 6

Reflexões sobre o género Reportagem e o estudo da oralidade no ensino secundário em Portugal

 

Autora:

Audria Leal – FCT/Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – audrialeal@fcsh.unl.pt

 

Resumo:

Este trabalho tem como objectivo reflectir sobre o uso do género textual reportagem para o ensino da oralidade. A utilização deste género relacionada ao domínio Oralidade configura-se como uma proposta do Programa e Metas Curriculares do Ensino Secundário (Janeiro, 2014) para o ensino de Português. O programa e metas curriculares de Português é um documento elaborado pelo Ministério da Educação com o objetivo de configurar diretrizes e metas que norteiem o ensino de português no secundário. Este programa contempla cinco domínios, são eles: Oralidade, Leitura, Escrita, Educação Literária e Gramática.

Para atingir esse objetivo, tem-se como base teórica-metodológica o interacionismo sociodiscursivo (ISD), com destaque para a noção de género (Bronckart 1999; 2008), e da sua aplicação didáctica (Schneuwly & Dolz, 2004; Miranda 2015). De facto, o ISD considera que trabalhar o género como um instrumento de ensino-aprendizagem da língua materna pode propiciar o desenvolvimento de capacidades de linguagem.

Esta apresentação será dividida em três partes: na primeira parte, centrar-se-á na apresentação dos aportes teóricos do ISD; em seguida, apresentar-se-á uma copilação de ideias sobre o papel do género no ensino da língua materna e, finalmente, apresentar-se-á uma reflexão sobre as implicações de trabalhar o género reportagem no domínio Oralidade.

Como resultado desta proposta, espera-se ampliar a discussão sobre os modos do ensino-aprendizagem de géneros reconhecidos como multimodais, tal como a reportagem. Além disso, apesar dos documentos oficiais referirem-se ao uso de géneros numa perspectiva didáctia, os objetivos e as metas associadas a esta orientação ainda requerem elucidações. Por fim, espera-se contribuir para aprofundar a noção que considera os géneros textuais enquanto instrumento didáctico propiciador do desenvolvimento humano.

Palavras-chave: género textual; instrumento didáctico; oralidade; interacionismo sóciodiscursivo.

 

Minibiografias:

Investigadora do Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa. Integra a equipa do Grupo Gramática & Texto. É doutorada em linguística – Teoria do Texto, tendo vindo a publicar trabalhos no domínio da linguística aplicada, linguística do texto e do discurso, no qual privilegia o quadro teórico e metodológico do Interacionismo Sociodiscursivo, da Semântica Enunciativa e a da Semiótica Social. Atualmente, faz pós-doutoramento com o projeto “Gênero Reportagem em Portugal e no Brasil: modos de funcionalidade do texto multimodal”.


Comunicação 7

O gênero exposição oral na graduação em Letras

Autora:

Ana Virgínia Lima da Silva Rocha – UFRN/ Brasil – anavirginialsr@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, propomos uma investigação acerca da arquitetura interna do gênero exposição oral acadêmica, mais particularmente da sua infraestrutura geral, sob uma perspectiva do Interacionismo Sociodiscursivo. A exposição oral acadêmica é definida como um gênero realizado por estudantes universitários em situações de ensino-aprendizagem e constitui o evento de letramento seminário, que pode ser composto também por outros gêneros, como roteiros utilizados para apresentação e o debate (VIEIRA, 2007; SILVA, 2013). Objetivamos, pois: 1) descrever regularidades do gênero em foco, realizados por alunos de Letras em situações de ensino-aprendizagem; 2) refletir acerca das relações entre a infraestrutura do gênero e a possível adequação às suas convenções estabelecidas na esfera acadêmica. Utilizamos como aportes teóricos o folhado textual apresentado por Bronckart (1999); trabalhos na área de didáticas das línguas no que se refere ao ensino-aprendizagem de gêneros e à exposição oral (SCHNEUWLY e DOLZ, 2004; DOLZ et al., 2004). Considerando-se que o objeto de estudo é predominantemente oral, utilizamos pressupostos da Análise da Conversação (MARCUSCHI, 2003) para a organização e sistematização dos dados. Primeiramente tratamos acerca das condições de produção das exposições orais; em seguida, focalizamos a descrição e análise infraestrutura geral dos textos analisados. Os resultados preliminares indicam que o conteúdo temático é planificado com base na organização de um texto teórico prévio à apresentação, sem se considerar a situação comunicativa estabelecida. Há a necessidade de se desenvolver estratégias para a produção do gênero em seus aspectos situacionais e textuais no Ensino Superior, de modo a deixar claro para os alunos os objetivos da atividade e os papeis que cabem a cada um dos sujeitos (expositor e plateia) implicados na exposição oral.

Palavras-chave: Gêneros textuais; Exposição oral; Ensino Superior.

 

Minibiografia:

Professora adjunta da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Licenciada em Letras pela Universidade Federal de Campina Grande. Mestre e doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais, com estágio de doutorado no Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa. Atua no ensino de Língua Portuguesa e de Leitura e Produção de Textos; e no Mestrado Profissional em Letras. Desenvolve trabalhos sobre os seguintes temas: gêneros orais formais, retextualização e formação docente.


Comunicação 8

Textos da mídia virtual e ensino de leitura

Autora:

Williany Miranda da Silva – UFCG/ Brasil – williany.miranda@gmail.com

 

Resumo:

O presente artigo se ocupa de reflexões em torno da diversidade de textos que circula na esfera virtual e das ações didáticas mobilizadas para usá-los em contextos de ensino, o que implica em multiletramentos (ROJO, 2013). Objetivamos analisar o acervo de sequências didáticas, identificando os textos mais recorrentes desta esfera, utilizados para abordar as práticas de leitura nas sequências elaboradas. A investigação se justifica porque, no ambiente virtual, os internautas encontram diversas funcionalidades e motivação para consumi-los, apesar de o contexto escolar ainda priorizar práticas tradicionais de leitura (KLEIMAN, 2009; LEURQUIN e CARNEIRO, 2014), ignorando, muitas vezes, a multimodalidade desse acervo (RIBEIRO, 2016). De abordagem descritivo-interpretativa, esta pesquisa exploratória reúne considerações acerca das noções de texto e de gênero (MARCUSCHI, 2002; BAWARSHI, 2013) e das noções de planejamento e ensino (ZABALA, 1998; SCHNEUWLY e DOLZ, 2004) para embasar as reflexões. Os resultados iniciais apontam uma contradição entre a concepção de planejamento (para aspectos como contexto, conteúdo e objetivos, dentre outros) e a escolha de textos, na relação com o gênero, para se promover ações de ensino.

Palavras-chave: cinco no máximo, separadas por ponto e vírgula.

 

Minibiografia:

Professora associada e membro do Programa de Pós Graduação em Linguagem e Ensino da Universidade Federal de Campina Grande. Doutora em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco. Possui experiência na área de Linguística, com ênfase em Leitura e Produção de Textos, e atua nos seguintes temas: materiais didáticos, ambientes digitais, concepções de ensino, formação docente, dentre outros. É membro do grupo de pesquisa Teorias da linguagem e do ensino, na linha de pesquisa Lingua(gem) em contexto de ensino de português.


Comunicação 9

Do [eʒmu] ao Excelentíssimo

Autora:

Isabel Maria Matos Ramos Castilho – CLUNL/FCSH/Universidade Nova de Lisboa – isacastilho@gmail.com

 

Resumo:

Em qualquer interação humana em situação de comunicação são produzidos textos que põem em jogo factores sociais, culturais e históricos. Cada agente da comunicação reproduz, mais ou menos, modelos textuais que relaciona com a diversidade das práticas sociais cujas características sociocomunicativas são variáveis de acordo com as necessidades humanas (Bronckart; 2012:101-103) e que, por sua vez, mobilizam mecanismos linguísticos tidos como eficazes para realizar a ação de linguagem.

Neste trabalho, toma-se como foco a realização linguístico-textual das operações da interpelação do outro e da referência ao outro (re)conhecidas como formas de tratamento, em função da noção de géneros de texto, perspetivada pelo Interacionismo Sociodiscursivo.

Apresenta-se um dispositivo didático das formas de tratamento para a disciplina de Português, a partir das contribuições de Dolz, Noverraz e Scheneuwly (2004, 82; 2001), construído para operacionalizar os objetivos do domínio da Oralidade das Metas curriculares de Português para o Ensino Básico e Secundário, numa perspetiva de progressão, que aposta na audição e na leitura de textos de géneros diversos em que as formas são mobilizadas, de modo a observarem-se as regularidades e a induzirem-se as regras dos usos.

Os resultados da experiência, em curso, apontam para a utilidade de considerar o ensino explícito do conteúdo também nos domínios da Leitura e da Escrita com vista ao desenvolvimento das capacidades sócio-discursivas dos alunos.

Palavras-chave: atividades; géneros; textos; formas de tratamento.

 

Minibiografia:

É docente de português no ensino secundário e formadora do centro de formação NOVAFOCO. É Mestre em Linguística, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Desenvolve investigação em Linguística do Texto e do Discurso, encontrando-se na fase de investigação conducente à apresentação da tese intitulada Géneros e Estilos. Análise Linguística dos Textos Escritos por José Saramago para o blogue O Caderno. Transposição Didática dos Géneros Textuais Memórias, Diário, Autobiografia e Carta. É colaboradora do CLUNL.


Comunicação 10

Gêneros textuais nos manuais de Português-Língua Estrangeira: o que falta?

Autora:

Regina L. Péret Dell´Isola – UFMG – reginadellisola@gmail.com

 

Resumo:

Os textos organizam-se dentro de determinado gênero em função das intenções comunicativas, como parte das condições de produção dos discursos, as quais geram usos sociais que os determinam. A inserção de variados gêneros de texto na didática de línguas é necessária para o acesso às diversas práticas sociais da cultura da língua aprendida. Estudos como os de Dias (2009), Schoffen (2012) e Júdice (2014) comprovam que, nos atuais manuais didáticos para ensino de Português como Língua Estrangeira (PLE) publicados no Brasil, é notória a diversidade de gêneros textuais, porém é insipiente a exploração de aspectos multidimensionais dos textos nesses manuais. Diante dessa constatação realizamos uma pesquisa em que se investigou o modo como são explorados os gêneros de texto em livros didáticos de PLE. Fundamentando na Teoria de Gêneros, tal como defendem Coutinho (2003, 2012), Miranda (2010) e nas teorias de Swales (1990, 1993, 1998) sobre a organização retórica dos gêneros e nas de Bazerman (1994, 2005) sobre os sistemas de atividades e de gêneros, apresentamos, em linhas gerais, a descrição geral de como são explorados os textos nos livros didáticos de PLE. Concluímos que é urgente uma abordagem de ensino de língua centralizada na natureza, na função e na organização dos gêneros de texto associada às condições interativas de produção e recepção textual. Com base na análise realizada, sugerimos algumas orientações de trabalho com gêneros que, certamente, favorecerão o desempenho de atividades interativas dos aprendentes com outros falantes desse idioma. Pretende-se com esta comunicação, levantar uma discussão relativa à importância do contato dos aprendentes com gêneros textuais, propondo um trabalho consistente com foco na constituição (natureza e delimitação) dos gêneros e nas esferas de uso da língua em que eles se realizam como atividades constitutivas de interação verbal.

Palavras-chave: Gênero de texto; Textos; Português Língua Estrangeira; Diversidade; Ensino.

 

Minibiografia:

Professora Titular da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, onde é coordenadora do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Português – Língua Adicional, supervisora dos cursos de extensão de Língua Portuguesa para estrangeiros, coordenadora do Mestrado Profissional (PROFLETRAS/UFMG). É doutorada em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais. Integra a Comissão Técnico Científica do exame CELPE-Bras e é autora de diversos livros acadêmicos na área de Linguística, Linguística Aplicada e Linguística do Texto.


Comunicação 11

Para uma didatização do género textual “síntese”

Autores:

Noémia Jorge – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – njorge@fcsh.unl.pt

 

Resumo:

A síntese é um género textual cujo domínio se revela fundamental para o desempenho de tarefas socioprofissionais e académicas. A sua apropriação, no entanto, não é feita de forma espontânea, mas decorre da aprendizagem formal.

No âmbito da Didática das Línguas, têm sido concebidas ferramentas didáticas que facilitam a transposição didática de géneros textuais. Entre elas podem destacar-se o modelo didático de género e a sequência didática, divulgados em Dolz, Noverraz & Schneuwly 2004 e posteriormente adaptados  ao contexto português (e.g. Cunha & Jorge 2011, Coutinho, Jorge & Tanto 2012, Pereira & Cardoso 2013,Jorge 2014).

Em Portugal, e ao contrário do que acontece com outros géneros textuais, a transposição didática género síntese encontra-se ainda em fase incipiente.  Com o intuito de responder a uma necessidade do novo contexto curricular do Português (Ensino Secundário) e de contribuir para o desenvolvimento da investigação focada na didatização de géneros textuais, nesta comunicação apresentar-se-á uma proposta de modelo didático do género síntese, adequado ao 10.º ano de escolaridade.

A comunicação será estruturada em dois momentos: depois de se sintetizarem os principais parâmetros do género síntese, com base nos estudos teóricos disponíveis (e.g. Bernié 1993, Wirthner 2006), apresentar-se-á um modelo didático deste género textual. Para tal  seguir-se-á  a metodologia proposta em Dolz, Noverraz & Schneuwly 2004 – o modelo didáctico será concebido com base na articulação de três aspetos distintos: parâmetros genológicos identificados, as prescrições inerentes ao Programa de Português em vigor e a especificidade de um público-alvo específico – os alunos de uma turma de 10.º ano de escolaridade de uma escola da Grande Lisboa (nesse sentido será convocado para análise um corpus constituído por dez sínteses escritas produzidas pelos alunos em causa).

Tendo em conta a especificidade do género em análise, espera-se, com esta comunicação, contribuir para a discussão sobre a  importância do textos e os géneros textuais assumem quer no processos de ensino-aprendizagem, quer na construção do conhecimento.

Palavras-chave: síntese; transposição didática; género textual.

 

Minibiografia:

Noémia Jorge é doutorada em Linguística, na especialidade de Linguística do Texto e do Discurso pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. Integra o Centro de Linguística da Universidade NOVA de Lisboa e é membro do grupo Gramática e Texto, atuando na área da Linguística Textual. Tem ainda como áreas de interesse a didática de géneros textuais e a articulação entre linguística e literatura. É autora de material didático na área do Português.


Comunicação 12

O gênero textual Propaganda publicitária segundo o entendimento da teoria da estrutura retórica

 

Autoras:

Cristina M. F. P. Fonseca– Faculdade de Pará de Minas – FAPAM – crismarafranca@gmail.com

Silvana B. Almeida – Faculdade de Pará de Minas – FAPAM – silvanabatistaalmeida@yahoo.com.br

 

Resumo:

Neste trabalho, faremos uma análise do gênero textual propaganda publicitária permeado pela intertextualidade com o gênero provérbios. Observamos, em obras de Linguística e em Gramáticas Tradicionais, ainda estudos centrados no âmbito frástico, com foco na coordenação e subordinação. Dessa forma, justificamos a necessidade de realizarmos estudos que analisem as relações implícitas que emergem da articulação das orações no discurso. O nosso objetivo é perscrutar a combinação dessas relações no gênero publicitário. A análise qualitativo–interpretativa se ancora nos constructos funcionalistas, na Teoria da Estrutura Retórica – Rethorical Structure Theory  (RST), de  MANN & THOMPSON (1983, 1985)  e da Linguística Textual. A RST é uma teoria que visa estudar a organização dos textos e o estabelecimento das relações entre as porções (span) do texto, bem como explicitar a coerência textual, conforme os autores supracitados.  As relações que se estabelecem entre as orações podem ser descritas na intenção comunicativa e na avaliação do ouvinte/leitor. O Gênero Propaganda é uma estrutura composicional que tem, na argumentação, a persuasão como característica marcante, uma estratégia criativa muito utilizada pelo produtor na organização de seu discurso, já o gênero provérbio é uma estrutura composicional que transmite conhecimentos comuns sobre a vida. Segundo Marcuschi (2002, p.19), os gêneros textuais  “não são instrumentos estanques e enrijecedores da ação criativa e se caracterizam como eventos maleáveis, dinâmicos e plásticos, se renovam a cada dia”. Assim, tomamos o gênero propaganda publicitária como objeto de nosso estudo. Como metodologia, selecionamos três propagandas na web.  Em seguida, realizamos uma análise da estrutura retórica dos textos, segmentando-os em porções de sentido ou unidade de informação, conforme Chafe (1980). Na análise, predominaram as relações NÚCLEO-SATÉLITE (N-S) de CIRCUNSTÂNCIA, ELABORAÇÃO, CONTRASTE, CONCESSÃO, CONDIÇÃO, PREPARAÇÃO ou BACKGROUND, AVALIAÇÃO;  e MULTINUCLEARES como a SEQUÊNCIA.

Palavras-chave: Gênero mídia publicitária; Gêneros textuais; Linguística textual; Teoria da estrutura retórica.

 

Minibiografias:

Cristina M. F. P. Fonseca é formada em Letras pela Faculdade de Pará de Minas (FAPAM). Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade Católica de Minas Gerais-PUC- Minas. Doutoranda em  Linguística do texto e do discurso, linha 2 A: Textualização e Textualidade- POSLIN- UFMG. É Coordenadora do Curso de Letras da FAPAM e professora de Língua Portuguesa, de Produção de textos nos cursos de Letras, Direito e Psicologia, e de Literatura Infanto-juvenil no curso de Pedagogia da FAPAM.

Silvana B. Almeida é formada em Letras pela Faculdade de Pará de Minas (FAPAM), mestranda no Profletras da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Participa do grupo ENUNCIAR (CNPq) UFMG. Atualmente é professora de Língua Portuguesa – SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DE MINAS GERAIS e professora  de língua Portuguesa e Estágio Supervisionado 1,  nos cursos de Letras e Agronegócio da FAPAM.


Comunicação 13

Exame CELPE-BRAS: gêneros textuais e letramento

Autoras:

Natália Moreira Tosatti – CEFET-MG – nataliatosatti@yahoo.com.br

Liliane de Oliveira neves – CEFET-MG – lilianeolineves@gmail.com

 

Resumo:

O propósito desta comunicação é apresentar os resultados de uma investigação que teve como objetivo analisar a funcionalidade dos gêneros textuais na relação entre letramento e o conceito de proficiência subjacente ao Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros, Celpe-Bras. O Exame, de natureza comunicativa, propõe ao examinando enunciados que o levam a demonstrar sua proficiência na realização de tarefas que simulam situações de uso concreto da língua. Para realizar tais tarefas, o examinando parte de um texto motivador, que fornece a ele as informações necessárias para a execução de uma dada “ação no mundo”, que será construída via elaboração de um gênero textual que se adeque ao contexto comunicativo proposto. Assim, o contexto, o propósito, a interlocução e os elementos culturais são aspectos que estão imbricados na realização de cada uma das quatro tarefas que compõem a parte escrita do teste. A partir de uma visão teórica de base sociointeracionista, espera-se que, ao interagir com um texto, um usuário proficiente de uma língua demonstre habilidade de compreensão e produção de um gênero como interação orientada para um propósito, em um contexto situacional específico, como apontam Marcuschi (2008), Coutinho (2012), Dell’Isola (2016). Tendo como referência o construto que rege o Celpe-Bras, estudos sobre gêneros textuais e perspectivas sobre letramentos (Soares, 1998, 2006), foram analisados textos de níveis distintos de proficiência, elaborados por falantes de outras línguas que se submeteram ao exame. Nessa análise, consideramos o desempenho linguístico e as estratégias empregadas por esses examinados para o cumprimento das ações comunicativas. Os resultados apontam que a interação por meio de gêneros textuais no Celpe-Bras leva o examinado a se apropriar da escrita de forma autônoma e crítica.

Palavras-chave: Celpe-Bras ; Gêneros Textuais; Proficiência; Letramento.

 

Minibiografias:

Natália M. Tosatti é pós-graduada em Estudos Linguísticos pela UFMG, atua como professora e pesquisadora do Departamento de Linguagem e Tecnologia do CEFET-MG. Fez parte da Comissão Técnico-Científica do exame Celpe-Bras. É membro do Grupo de Pesquisas em Linguagem e Tecnologia, da Associação Mineira dos Professores de Português como Língua Estrangeira (AMPPLIE) e da Sociedade Internacional da Língua Portuguesa (SIPLE).

Liliane de Oliveira Neves é doutoranda em Estudos de Linguagens no CEFET-MG. Desenvolve pesquisas na área de Linguística Aplicada e Análise do Discurso, com foco em: exame Celpe-Bras, ensino e aprendizagem de Português como Língua Estrangeira, interlíngua, enunciação, argumentação. É membro do Grupo de Pesquisas em Linguagem e Tecnologia (INFORTEC) e da Associação Mineira dos Professores de Português como Língua Estrangeira (AMPPLIE).


Comunicação 14

Proposta para um modelo didático do género artigo científico

Autora:

Rute Isabel Alves Rosa – CLUNL/FCSH/Universidade NOVA de Lisboa – rute.isabel.rosa.1979@gmail.com

 

Resumo:

O artigo científico é um género académico utilizado para a difusão de conhecimentos e resultados de investigações em diferentes áreas científicas. Tendo em conta que a produção escrita de artigos científicos se inicia no segundo e terceiro ciclos do ensino superior, é fundamental que o investigador esteja familiarizado com os contextos de uso e caraterísticas estruturais do género. Nesta perspetiva, o objetivo desta comunicação é apresentar um modelo didático do artigo científico, destinado à formação de estudantes do primeiro ciclo do ensino superior. Tendo como base o quadro teórico do Interacionismo Sociodiscursivo (Bronckart, [1997] 1999) e da Didática dos Géneros (Dolz & Schneuwly, 2004), apresentamos uma análise textual descritiva de um corpus constituído por doze exemplares do género produzidos em três áreas científicas – Linguística, Direito e Ciências Farmacêuticas. Nesta análise, verifica-se que o artigo científico é um género associado a parâmetros contextuais de ordem social e subjetiva relativamente estáveis. Quanto às caraterísticas estruturais, identificamos regularidades na emergência dos tipos de discurso ao nível do plano de texto determinadas pelos conteúdos temáticos, que, por sua vez, são determinados pelo género e atividades sociais. Assim, considerando as caraterísticas ensináveis observadas e assumindo o princípio interacionista de que as produções linguísticas dependem das determinações sociais (Voloshinov, [1929]1977); Bronckart, [1997] 1999), propomos um modelo didático que contempla duas dimensões que se intersetam: o contexto de produção/uso e a emergência dos tipos de discurso no plano de texto (Bronckart, [1997] 1999; Adam, 2008; Silva, 2016). Na primeira, destacamos o objetivo da escrita do texto do género em causa e os papéis sociais do enunciador e do destinatário. A segunda dimensão diz respeito aos tipos de discurso privilegiados na expressão linguística dos conteúdos tematizados. Em suma, esta proposta evidencia a relevância do conhecimento das regularidades contextuais e organizacionais dos géneros na produção e interpretação da escrita.

Palavras-chave: géneros de texto; modelo didático; escrita; artigo científico.

 

Minibiografias:

Rute Rosa é bolseira de doutoramento, no âmbito do Programa FCT Linguistics – Knowledge, Representation and Use (PD/BD/113974/2015). Sob a orientação da Professora Doutora Matilde Gonçalves, a sua investigação situa-se no quadro teórico do Interacionismo Sociodiscursivo, estando, atualmente, a desenvolver um instrumento linguístico para a descrição e distinção dos géneros de texto – o padrão discursivo.


Comunicação 15

A escolarização dos gêneros biográficos

Autores:

Dylia Lysardo-Dias – Universidade Federal de São João del-Rei, Brasil –  dylia@ufsj.edu.br

 

Resumo:

As textualidades narrativas sempre estiveram presentes na escola sob diferentes formatos e em diversas disciplinas. Enunciados matemáticos, textos que dão a conhecer fatos históricos, apresentação de saberes dos diversos campos científicos, explicação do surgimento, desenvolvimento e/ou desaparecimento de  seres e fenômenos são alguns exemplos da narratividade inerente ao material didático com o qual os aprendizes têm contato no ensino fundamental e médio. Nas aulas de língua materna tais textualidades são objeto de reflexões mais pontuais tanto no que diz respeito ao conteúdo quanto ao formato e configuração, sobretudo nas relações que tais textualidades mantêm com os diversos gêneros discursivos, incluindo aqueles mais recentes oriundos das mídias digitais. Daí o nosso interesse em propor uma reflexão sobre a importância que os gêneros biográficos têm adquirido no ensino de língua materna, gêneros que gravitam em torno da apreensão da vida como uma narrativa retrospectiva e que, por isso, permitem organizar, e elaborar uma causalidade para o percurso vivido de forma a conferir sentidos para experiência humana. Entendendo os gêneros como “artefatos culturais construídos historicamente pelo ser humano”,  (MARCUSCHI, 2002, p.30) na sua demanda cotidiana de interagir socialmente, apreendemos os gêneros biográficos como eventos linguístico-discursivos cuja finalidade sociocomunicacional é narrar a vida vivida por um ser humano através de uma narrativa retrospectiva situado no tempo e no espaço.

Palavras-chave: gêneros textuais; ensino/aprendizagem de língua; gêneros biográficos; diversidade textual.

 

Minibiografia:

Doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil. Realizou pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas  e na Université de Paris 13 Sorbonne Paris Cité. É professora Associada IV da Universidade Federal de São João Del-Rei, Brasil, onde atua na linha Discurso e Representações Sociais do Mestrado em Letras: Teoria Literária e Crítica da Cultura.


Comunicação 16

O ensino do português como língua materna a partir de gêneros discursivos em outras materialidades: uma análise do romance dom casmurro recriado em história em quadrinhos e na minissérie

Autora:

Jessica de Castro Gonçalves- Faculdade de Ciências e letras de Araraquara/UNESP-jesqueline@ig.com.br

 

Resumo:

Este trabalho focaliza a recriação de romances da literatura canônica em outros gêneros discursivos e a sua importância para o ensino do português como língua materna. Com a recorrente produção de outros gêneros (histórias em quadrinhos, filmes, minisséries entre outros) a partir do texto literário, surgem, no Brasil, diferentes posicionamentos quanto a utilidade e presença desses novos enunciados na sala de aula. O presente trabalho tem como objetivo pensar a importância desses outros gêneros na escola, para o ensino de língua portuguesa. Frente a isso, propomos a análise da recriação do romance Dom Casmurro de Machado de Assis na história em quadrinhos Dom Casmurro de Mário Cau e Felipe Grecco e na minissérie Capitu do diretor Luiz Fernando de Carvalho. Defendemos que trabalhar o romance recriado em gêneros discursivos com materialidades e linguagens específicas é uma forma de pensar em sala de aula a constituição e os movimentos de estabilidade e instabilidade dos gêneros discursivos em seus diversos contextos de produção e recepção. Para isso, fundamentamos nossas discussões nas ideias de diálogo, enunciado, gênero e significação desenvolvidas pelo denominado no Brasil de Círculo de Bakhtin, Medvedev e Volochinov e propomos como método de análise e discussão o método dialético-dialógico (Paula et al, 2011). Se para Bakhtin o gênero é constituído de forma, estilo e conteúdo, em diferentes contextos sócio-histórico-culturais, trabalhar um gênero em sala de aula requer pensá-lo a partir da articulação desses fatores. Assim, observamos que o trabalho com produções a partir do texto literário, recriadas em outros gêneros, em outras materialidades linguísticas e em outros contextos, contribui para um ensino reflexivo sobre a natureza, o uso e o movimento dos gêneros discursivos nas relações de interação em sociedade.

Palavras-chave: Gêneros; Ensino; Diálogo; Língua; Ressignificação.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras pela Faculdade de Ciências e Letras de Assis – UNESP e Mestre em Linguística e Língua Portuguesa pela Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara. Atualmente é doutoranda, bolsista CAPES, no programa de Pós-Graduação Stricto-Sensu em Linguística e Língua Portuguesa na FCLAr- UNESP. Desenvolve pesquisas na área de gêneros do discurso, na perspectiva bakhtiniana e participa dos grupos de pesquisa GED (UNESP – Assis) e SLOVO (UNESP – Araraquara). Atuou como docente no ensino básico e superior.


Comunicação 17

Caminhos exitosos para a apropriação de gêneros textuais: leitura, análise, escrita, reescrita e publicação de textos

Autora:

Giuliana Ribeiro Carvalho – Escola de Educação Básica da Universidade Federal de Uberlândia (Eseba-UFU) – giuribeiro@gmail.com

 

Resumo:

Desenvolver e/ou aprimorar a competência comunicativa dos discentes, em especial a competência de produção textual, é um dos objetivos centrais das propostas de ensino de Língua Portuguesa e Literatura, em qualquer nível de ensino. Na educação fundamental, sobretudo, atingir esse objetivo constitui-se foco permanente do fazer docente. Nesse sentido, este trabalho inscreve-se na linha do Interacionismo Sociodiscursivo e objetiva: i) apresentar e discutir resultados de processos de ensino-aprendizagem exitosos, desenvolvidos por meio da adoção de sequências didáticas, na perspectiva do ensino da língua a partir dos gêneros textuais; ii) refletir sobre o papel da diversidade no ensino-aprendizagem de gêneros. O embasamento teórico deu-se por pressupostos de Bakhtin (1987; 1999); Bronckart (2003);  Dolz e Schnewly (2004); Machado e Lousada (2010). Metodologicamente, as sequências didáticas  foram desenvolvidas com alunos do 6º Ano Proeja e do 8º Ano regular da Escola de Educação Básica da Universidade Federal de Uberlândia. Os projetos foram desenvolvidos com duração aproximada de dois meses para cada sequência didática, com atividades que envolveram leitura, interpretação, exploração, análise, escrita, reescrita, oralização, publicação em blogs de textos pertencentes aos gêneros crônica, conto, fábula e poema. Os resultados alcançados são altamente satisfatórios na perspectiva discursiva, visto que aproximadamente 85% a 90% dos discentes conseguem produzir textos interessantes, criativos, autorais, dentro do gênero proposto. Ao final dos processos, os textos são publicados em blogs desenvolvidos por professores e monitores da Eseba, além de os poemas serem apresentados em Recitais de Poesia. Quanto à diversidade, constatou-se é necessário mediar a exploração de exemplares diversos durante o processo, haja vista que a diversidade excessiva não contribui amplamente para a produção escrita. Os processos evidenciam-se como propiciadores de oportunidades de aprimoramento da competência comunicativa oral e escrita dos discentes, além de estimuladores do gosto pela prática de leitura, análise, reflexão e produção textual.

Palavras-chave: Ensino de Língua Portuguesa; Gêneros textuais; Sequência didática; Apropriação de gêneros.

 

Minibiografia:

Giuliana Ribeiro Carvalho é mestra em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e atua como Professora de Língua Portuguesa na Escola de Educação Básica da Universidade Federal de Uberlândia. Desenvolve suas pesquisas nas áreas de Ensino de Língua Portuguesa, Avaliação e Análise do Discurso.


Comunicação 18

Gêneros orais em aulas de PLA: uma proposta de material didático com base em podcasts

 

Autoras:

Daniela Doneda Mittelstadt – King’s College London – daniela.mittel@kcl.ac.uk

Caroline Scheuer Neves – UFRGS – carolinescheuer@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é apresentar e discutir tarefas pedagógicas para o ensino de Português como Língua Adicional (PLA) que têm como base o gênero oral podcast. Pretendemos, dessa forma, discutir o trabalho com um gênero oral público em um material didático. Apresentamos passos importantes para que os educandos desenvolvam as competências e as habilidades necessárias para que realizem o seu próprio podcast e para que ele seja, de fato, escutado pelo seu público-alvo projetado. Com base em uma proposta de realização de um podcast em uma turma do curso de Letras da Universidade King’s College London, viu-se a necessidade de sistematizar esse trabalho para uso em semestres subsequentes nessa Universidade e como possibilidade para outros contextos de ensino de PLA. Para a criação dessas tarefas, entendidas como propostas ou convites aos alunos quanto ao que será realizado em conjunto em sala de aula (SCHLATTER, GARCEZ, 2012), nos ancoramos no conceito bakhtiniano de gêneros do discurso (BAKHTIN, 2003) e em uma concepção sociointeracionista de linguagem. Nesse sentido, o material trabalha com podcasts para que sejam criados, em conjunto com os alunos, critérios e parâmetros acerca do que pode ser considerado um excelente podcast; nessa avaliação, incluem-se aspectos como: duração, trilha sonora, linguagem utilizada, entonação, ritmo, cadência, entre outros. Buscamos, assim, fornecer subsídios aos aprendizes sobre o gênero e sobre oralidade, bem como promover sua participação na seleção de outros textos do gênero. Desse modo, procuramos não só realizar um trabalho com gêneros orais em aulas de PLA, como também oportunizar o estudo do gênero podcast, buscando ampliar a circulação confiante do aluno em práticas sociais diversas. Este trabalho pretende contribuir para a discussão sobre o trabalho com gêneros orais em sala de aula, promovendo uma reflexão sobre possibilidades para o seu ensino.

Palavras-chave: ensino de PLA; material didático; gênero oral; podcast; oralidade.

 

Minibiografias:

Daniela Mittelstadt é leitora brasileira no King’s College Londres e coordenadora do Exame Celpe-Bras na instituição. Estudou Letras Português-Inglês na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É mestre em Linguística Aplicada, com foco no ensino e na aprendizagem de português como língua adicional. Já ministrou aulas em diferentes instituições no Brasil e no exterior, incluindo o Instituto Cultural Brasil-Venezuela, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade Hankuk de Estudos Estrangeiros em Seul.

Caroline Scheuer Neves é mestranda em Linguística Aplicada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Dedica-se a pesquisas relacionadas ao ensino e à aprendizagem de línguas adicionais, à formação de professores na área e à produção de material didático. Atua no ensino de inglês para falantes de outras línguas, assim como no ensino de português como língua adicional no Programa de Português para Estrangeiros da UFRGS (PPE-UFRGS). Conta também com experiência na aplicação da parte oral do exame Celpe-Bras.


Comunicação 19

A descrição e a análise do gênero exposição oral na língua portuguesa no contexto do ensino médio

 

Autora:

Regina Lúcia Félix – Secretaria Estadual de Educação – SEE-MG/ Petedi –reginalfelix@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho é resultado de uma pesquisa de mestrado, que objetivou analisar de que maneira a modalidade oral da Língua Portuguesa, na sua variedade padrão escolarizada, tem sido trabalhada no Ensino Médio (EM). Partiu-se da hipótese de que os gêneros orais não são trabalhados formalmente no contexto escolar no EM, porque os professores não têm uma forma de abordagem que sustente sua prática. Outro objetivo foi descrever e analisar a aplicação da exposição oral em duas escolas estaduais da cidade de Patrocínio-MG. A partir do corpus coletado descreveu-se e analisou-se: (a) as condições de produção em que ocorreram as exposições dos alunos; (b) a construção interna das exposições realizadas por eles; (c) os mecanismos de articulação textual presentes em suas produções orais e (d) alguns elementos não-verbais da comunicação julgados pertinentes para a compreensão do gênero. O corpus foi coletado por dois meses, com cinco exposições apresentadas nas aulas de Língua Portuguesa e outras disciplinas. A base teórica deste trabalho foi regida pela perspectiva teórica de Schneuwly & Dolz et al. (2004), Rojo (2000, 2001, 2002, 2005, 2007) e Marcuschi (1999, 2001, 2002, 2003, 2005). Constatou-se que gênero exposição oral não é trabalhado formalmente na sala de aula, no que tange aos procedimentos formais, provavelmente porque os professores veem a oralidade apenas como um veículo condutor da linguagem. Pelas entrevistas semiestruturadas, notou-se que os professores, na sua maioria, desconhecem o trabalho com gêneros discursivo. E ainda, falta-lhes embasamento teórico e pedagógico. Espera-se com este estudo contribua para que os professores reconheçam a relevância da exposição oral no contexto escolar e na vida social do aluno, e ainda, que desenvolvam um trabalho sistemático em suas aulas, o que pode possibilitar aos discentes o emprego desse gênero com competência nas situações de comunicação formal.

Palavras-chave: Língua Portuguesa; exposição oral; gênero/ensino.

 

Minibiografia:

Professora de Língua Portuguesa, Literatura e Redação da Escola Estadual Dom Lustosa, Patrocínio/MG, e pesquisadora na área de Língua Portuguesa, Linguística e Educação. Membro do Grupo de Pesquisa sobre Texto e Discurso (Petedi/UFU). Possui titulação de mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Uberlândia.


Comunicação 20

Gêneros textuais e práticas de leitura em uma escola pública: um caminho para a construção da cidadania

Autores:

Rosane Natalina Meneghetti Silveira – Universidade Comunitária da Região de Chapecó – Unochapecó – rosanems@unochapeco.edu.br.

Maria Tereza Galeazzi Zanella Silveira – Universidade Comunitária da Região de Chapecó – Unochapecó – tete22601@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este estudo relata práticas de leitura em língua portuguesa desenvolvidas em uma escola pública do município de Chapecó. A proposta de trabalho com a leitura justifica-se, pois é por meio da aquisição da leitura que esses estudantes se constituirão enquanto sujeitos social, capazes de questionar e transformar o contexto em que se inserem; o ato de ler contribui para a compreensão de mundo e para a formação de sujeitos críticos e informados. O objetivo dessas atividades de extensão é oportunizar a esses estudantes a aquisição da compreensão escrita como instrumento de inserção no contexto mundial. Este estudo é de caráter qualitativo e quantitativo e o seu desenvolvimento deu-se primeiramente por meio da revisão de literatura sobre a temática, na sequência, desenvolveu-se o planejamento e a execução de atividades de leitura. Essas práticas foram desenvolvidas tendo com proposta metodológica o trabalho com gêneros textuais em turmas do sexto e sétimo ano. As aulas têm sido desenvolvidas semanalmente, por um período de quase 2 anos. Durante as aulas são propostos e analisados textos e desenvolvidas atividades de pré-leitura, leitura e pós-leitura (TOMITCH, 2009). Desse modo, esse estudo aborda uma discussão sobre o papel do leitor durante o processo de compreensão leitora cujo entendimento é de que o leitor adiciona mais informações ao texto do que o próprio texto impresso tem a comunicar (AEBERSOLD, J.A.; FIELD, M.L. 1997). Essa prática desenvolveu o aprendizado de leitura como possibilidade de acesso ao conhecimento. O estudo aponta para o entendimento de que a leitura é um processo que envolve o estudante e suas experiências de aprendizagem. Permitiu observar que os gêneros textuais precisam estar articulados a realidade do estudante para que possa aplicar o que aprende e buscar possíveis respostas para suas necessidades.

Palavras-chave: Educação Básica; Escola Pública Leitura; Língua Portuguesa.

 

Minibiografias:

Rosane Natalina Meneghetti Silveira é Mestre em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (2005). Especialista em Literatura Brasileira pela Universidade do Oeste de Santa Catarina – Unoesc (1998). Graduada em Letras Português/Inglês e respectivas Literaturas pela Universidade do Oeste de Santa Catarina – Unoesc (1996). Docente do Curso de Letras e Coordenadora da Argos Editora da Unochapecó.

Maria Tereza Galeazzi Zanella é acadêmica do Curso de Letras da Unochapecó e bolsista do projeto de extensão Lablin  – laboratório de línguas na escola pública.


Comunicação 21

O gênero Comentário digital: um estudo à luz da teoria da estrutura retórica e da linguística textual

 

Autores:

Cristina M. F. P. Fonseca – Faculdade de Pará de Minas – FAPAM – crismarafranca@gmail.com

Vanessa F. Viana – Faculdade de Pará de Minas – FAPAM – vanessa.faria@fapam.edu.br

 

Resumo:

Neste trabalho, analisaremos o gênero Comentário no contexto digital, com objetivo de descrever sua constituição a fim de entendermos seu funcionamento, à luz da Teoria da Estrutura Retórica- Rethorical Structure Theory  (RST)  e da Linguística Textual. A RST é uma teoria descritiva funcionalista que elenca a língua em uso e possibilita reconhecer a estrutura hierárquica dos textos com vistas à coerência. O Gênero Comentário é uma estrutura composicional com objetivo de fazer uma intercomunicação no meio digital. Tal prática vem sendo utilizada de forma contumaz pelos internautas. Nas palavras de Marcuschi (2008, p.155), os gêneros textuais têm “ uma atenção especial para o funcionamento  da língua e para as atividades culturais e sociais”. Nesse sentido, tomamos o Comentário no ambiente digital como objeto de estudo. Dessa forma, ao estabelecermos um diálogo entre a RST e a LT para o estudo do gênero Comentário digital, nos conduz a reflexões que podem assim ser identificadas ou caracterizadas: a) Como os Comentários se descrevem no contexto digital? B) Que tipos de relações retóricas proporcionam a sua funcionalidade? C) Como se constitui a sua estrutura organizacional na web? Acreditamos que o estudo do Comentário digital no âmbito da LT e da RST possa ser significativo, considerando o trabalho com os gêneros como atos ou fatos sociais, ou seja, as práticas sociais e  na busca de sua genericidade. Assim, a nossa proposta visa descrever a organização retórica  desse gênero e o estabelecimento das relações proposicionais  que emergem entre as porções do texto, conforme Mann e Thompson (1988, p. 244); o que possivelmente favorecerá o processamento da organização desse gênero.  A abordagem é descritiva e qualitativa. Os comentários já analisados foram segmentados em unidade de formação, conforme Chafe (1980) e, na análise, predominaram as relações de NÚCLEO-SATÉLITE  ( N-S) como  a AVALIAÇÃO e  a de  CONCLUSÃO.

Palavras-chave: Comentário digital; Gêneros textuais; Linguística textual; Teoria da estrutura retórica.

 

Minibiografias:

Cristina M. F. P. Fonseca é formada em Letras pela Faculdade de Pará de Minas (FAPAM). Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade Católica de Minas Gerais-PUC- Minas. Doutoranda em  Linguística do texto e do discurso, linha 2 A: Textualização e Textualidade- POSLIN- UFMG. É Coordenadora do Curso de Letras da FAPAM e professora de Língua Portuguesa, de Produção de textos nos cursos de Letras, Direito e Psicologia, e de Literatura Infanto-juvenil no curso de Pedagogia da FAPAM.

Vanessa Faria Viana é formada em Letras pela Faculdade de Pará de Minas (FAPAM) e mestre em Linguística pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais. Possui especialização em Leitura e Produção de Texto e atua profissionalmente como professora do Ensino Superior. Ministra aulas de Língua Portuguesa e Produção de Texto para os cursos de Letras, Pedagogia, Psicologia e Ciências Contábeis.


Póster 1

Gênero textual e a perspectiva sociocognitivista: a construção de práticas linguageiras a partir de uma relação mediada com o mundo

Autores:

Ana Carolina A. de Barros – Rede Municipal da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes – barros.anaalmeida@gmail.com

 

Resumo:

Este artigo objetiva refletir sobre compreensão de gêneros textuais na contemporaneidade, em práticas que sejam pensadas a partir de sua aplicabilidade relacionada às experiências culturais dos interagentes, mas também em quanto as demandas de sentido(s) e o (re)conhecimento desses constructos são potenciais, porque ocorrem entre os humanos, seres de linguagem simbolicamente estruturada, que produzem significação(-ões), em decorrência das atividades comunicativas nas quais estão engajados, quer no espaço escolar quer fora dele. Assim, direcionamo-nos em uma perspectiva que concebe as práticas sociais, e de linguagem, como situadas, pois além de não espelharem de maneira direta a ordem do mundo, a linguagem auxilia na produção de efeitos de objetividade, dadas relações com os outros interactantes, com as experiências culturais e sociais, e aquilo que é tomado enquanto realidade e verdade dentro de uma dada comunidade, apontando para o recorrente e estável, amparando-se, todavia, nos aspectos social, histórico, cultural, e no trânsito com o cognitivamente estruturado, posto que “operar” com gêneros evoca a comunhão entre elementos culturais e estruturais próprios dos humanos, apontando, em alguma instância, para uma efetiva constituição socio-histórica-cognitiva. Assim, os atores de linguagem ao dominarem práticas comunicativas, participam não somente do ambiente social, mas apoiam-se, sobremaneira, nos gêneros, posto que intuídos estão na realização de objetivos prévios que caracterizam situações/enquadres particulares do dizer, em práticas tomadas como referência. Como pressuposto teórico, partimos das bases teóricas que refletem uma perspectiva sociocognitivista dos gêneros, desenvolvida em Berkenkotter & Huckin (1995), Marcuschi (2002; 2008) e Miller (1994; 2012), e também em Bunzen (2004) e Koch (2011; 2012), a fim de que as pontes construídas vislumbrem, em tais práticas sociodiscursivas, um agir na/pela linguagem que possibilite uma atuação crítica, valorativa, reflexiva, pois, enquanto agentes, empoderamo-nos por meio das vivências e papéis assumidos no acesso aos bens simbolicamente compartilhados e distribuídos socialmente.

Palavras-chave: Gêneros textuais; Linguagem; Práticas de linguagem; Sociocognição.

 

Minibiografia:

Mestra em Letras, com área de concentração em Linguística, pela Universidade Federal de Pernambuco (2016). Possui especialização em Psicopedagogia (2013) e em Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Portuguesa (2010), ambas pela Faculdade Frassinetti do Recife (FAFIRE). É graduada em Letras pela Universidade Federal do Piauí (2008). Tem experiência na área de Ensino e, atualmente, atua como Professor II na Rede Municipal da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes (PE).