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Simpósio 33

SIMPÓSIO 33 – A AVALIAÇÃO DE MANUAIS ESCOLARES / LIVROS DIDÁTICOS DE PORTUGUÊS: POLÍTICAS E PRÁTICAS

 

Coordenadores:

João Paulo Balula | Instituto Politécnico de Viseu – Portugal | jpbalula@esev.ipv.pt

Francisca Izabel Pereira Maciel | Universidade Federal de Minas Gerais – Brasil | emaildafrancisca@gmail.com

  

Resumo:

O manual escolar (ou livro didático – LD) manteve e mantem a sua importância no processo de ensino e de aprendizagem, independentemente das diferenças políticas, culturais, sociais e das polémicas a ele associadas. Atualmente, é o recurso didático mais acessível, mas é também fortemente influenciado pelas decisões políticas.

Em Portugal, a avaliação e adoção dos manuais escolares tem como princípios a liberdade e a autonomia na sua produção, escolha e utilização. O enquadramento jurídico vigente, estabelecido pela Lei n.º 47/2006, de 28 de agosto, sofreu algumas alterações, mas não foi, ainda, objeto de um estudo sistemático dos seus resultados.

Por sua vez, no Brasil, a Portaria Ministerial n.º 82, de 20 de janeiro de 2000, estabelece que o Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Básica (SEB), realiza a avaliação pedagógica do LD como parte da execução do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e do livro de literatura, concretizando o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). Através do PNLD e do PNBE, são distribuídas gratuita e universalmente as obras didáticas e de literatura nas escolas públicas, cumprindo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9.394/96).

Estudos realizados destacam a importância de fundamentar a elaboração e a utilização destes recursos nos resultados da investigação. Do mesmo modo, a avaliação de manuais escolares de Português pode beneficiar da sistematização do conhecimento produzido sobre esta problemática.

Assim, com este simpósio, pretende-se promover:

– a análise de políticas de avaliação de manuais escolares (ou LD) de Português;

– a análise de práticas de avaliação de manuais escolares (ou LD) de Português;

– reflexões sobre o contributo da avaliação dos recursos didáticos de Português para a garantia da qualidade das aprendizagens dos alunos.

 

Palavras-chave: Recursos didáticos, Certificação de manuais escolares, Avaliação de livros didáticos, Didática do Português, Política educativa.

 

Minibiografias:

João Paulo Balula. Professor Coordenador da Escola Superior de Educação (ESEV-IPV) do Instituto Politécnico de Viseu (Portugal); doutorado em Didática pela Universidade de Aveiro; investigador do Centro de Estudos em Educação, Tecnologias e Saúde (CI&DETS) do IPV; coordenador de uma equipa e membro de três equipas científico-pedagógicas da ESEV-IPV para a avaliação de manuais escolares de Português do Ensino Básico; e Presidente da ESEV-IPV.

Francisca Izabel Pereira Maciel. Professora Associada de graduação e pós‑graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte (Brasil); doutorada em Educação; investigadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da FaE/UFMG; coordenadora da pesquisa “Alfabetização no Brasil, o estado do conhecimento”; coordenadora do Projeto Gestão das Comissões Técnicas do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE).

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

 

Comunicação 1

Análise e avaliação de livros didáticos de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental II: um olhar para as práticas de reflexão linguística

Autoras:

Andréia de Fátima Rutiquewiski Gomes – UTFPR – andreiaruti@gmail.com

Luciana Pereira da Silva – UTFPR – silvapereiralu@gmail.com

 

Resumo:

As atividades de leitura e de produção textual, Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998), devem ser intermediadas por análises linguísticas, isto é, reflexões explícitas e sistemáticas, em diferentes níveis, sobre a língua em uso. Entretanto, já passadas quase duas décadas da publicação desses documentos, a análise linguística aparece ainda muito timidamente no cenário escolar brasileiro, pois, para que seja realizada, é necessário que o professor se aproprie de diferentes tipos de conhecimentos (verbais, não‐verbais, textuais, discursivos, metodológicos) e articule‐os não só entre si, mas também aos demais eixos de ensino. A efetivação de toda essa relação não é simples e se defronta, muitas vezes, com fragilidades advindas da própria formação do docente. Como um meio de apoio ao ensinoaprendizagem da língua maternal, os professores contam com os livros didáticos distribuídos pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). O problema é que esse material apresenta um ensino de língua artificial, fragmentado e descontextualizado, inviabilizando atividades reflexivas. Tal fato justifica a necessidade de mais discussões sobre o tratamento da análise linguística nos livros didáticos adotados nas escolas públicas brasileiras, a fim de que se possa pensar em futuras propostas de esteio ao docente. Para tanto, são analisadas, com base nas concepções de Bakhtin (1997), Marcuschi (2008), Geraldi (1984), Mendonça (2006), Antunes (2003, 2014), Bezerra e Reinaldo (2013), atividades de livros recomendados pelo PNLD (sexto ao nono ano ‐ Ensino Fundamental II), pontuando, a partir do cotejamento teóricometodológico citado, avanços e incoerências no trabalho com a língua.

Palavras-chave: Língua maternal; Livro didático; Análise; Reflexão linguística; Ensino fundamental.

 

Minibiografias:

Andréia de Fátima Rutiquewiski Gomes possui graduação em Letras Português/Inglês pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória (1993), Especialização em Língua Portuguesa e Literatura (1998) pela mesma instituição, Mestrado em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (2001) e Doutorado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (2006). É Professora Adjunto de Linguística, Língua Portuguesa e Práticas de Ensino de Português na Universidade Tecnológica Federal do Paraná/Campus Curitiba.

Luciana Pereira da Silva possui graduação em Letras Português/Inglês pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Cornélio Procópio (1991), Especialização em Ensino de Língua Portuguesa (1994) pela Universidade Estadual de Londrina, Mestrado em Estudos Linguísticos pela mesma universidade (1998) e Doutorado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (2005). É Professora Titular de Linguística e Língua na Universidade Tecnológica Federal do Paraná/Campus Curitiba.


Comunicação 2

Abordagem do vocabulário em Para Viver Juntos – Língua Portuguesa

Autora:

Orlene Lucia de S. Carvalho – Universidade de Brasília – orlene.saboia@gmail.com

 

Resumo:

Para a área de Língua Portuguesa, o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2017, que abrange os anos finais do Ensino Fundamental (6º a 9º anos), selecionou seis coleções, entre as quais se encontra Para Viver Juntos, que tem sido aprovada há três edições do PNLD e é alvo de nossa pesquisa. Os princípios de avaliação específicos da área de língua portuguesa estão organizados em quatro eixos: leitura e compreensão de textos, produção de textos escritos, conhecimentos linguísticos e oralidade. Tomando o texto como base, espera-se de uma coleção que ela apresente diversidade de estratégias e articulação entre os eixos, o que se revela nos itens da ficha de avaliação (Guias do PNLD-LP, 2014 e 2017). No que diz respeito às atividades de vocabulário, elas estão presentes nos quatro eixos, sendo, em alguns momentos, responsáveis pela articulação entre eles. Nos eixos de leitura, produção de textos escritos e oralidade, o vocabulário está associado à questão dos registros, estilos e variedades sociais e regionais, além de exercer relevante papel como elemento de coesão e dar suporte às estratégias de compreensão de textos. Já no eixo de conhecimentos linguísticos, além do trabalho com o vocabulário contemplar os aspectos mencionados, a avaliação tem, ainda, preocupação em relação ao uso do dicionário.  Assim, com o intuito de verificar se as atividades sobre a seleção vocabular dos gêneros textuais que compõem a obra são variadas e contempla os planos formal e semântico do português brasileiro, analisamos os quatro volumes da coleção Para Viver Juntos. Nossos primeiros resultados revelam que a coleção enfatiza, o plano formal da linguagem, a relação semântica de sinonímia e o fenômeno da variação lexical regional.  No que concerne às obras lexicográficas, constatamos que, apesar de ter havido duas edições do PNLD-Dicionários, um programa também governamental, não há qualquer referência a esses dicionários.

Palavras-chave: Livro didático; Língua Portuguesa; Léxico.

 

Minibiografia:

Orlene Lúcia de S. Carvalho é professora associada na Universidade de Brasília. É membro do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL), com publicações nas áreas de Português do Brasil como Segunda Língua e como Língua Estrangeira, e de Lexicologia e Lexicografia. Tem participado do PNLD e do PNLD-Dicionários.


Comunicação 3

Práticas de leitura literária no livro didático de Português – Ensino Médio

 

Autores:

Vima Lia de Rossi Martin – Universidade de São Paulo – vima@usp.br

Roberta Hernandes Alves – Universidade de São Paulo – robyalves@yahoo.com.br

 

Resumo:

O Guia de Livros Didáticos PNLD 2015 – Português, ao avaliar a coleção Português (Editora Positivo), voltada para alunos e professores do Ensino Médio, indica como pontos fortes da obra o “tratamento dado à leitura, especialmente de textos literários” e o “tratamento dado à literatura de um modo geral e, especialmente, à literatura de países africanos de língua portuguesa” (MEC, 2014, p. 34). O guia reconhece, assim, o comprometimento da obra com a formação do leitor literário e com o cumprimento da Lei 10.639/03 – dispositivo legal de grande relevância para a promoção da reeducação das relações étnico-raciais no Brasil. A partir dessa avaliação e especialmente do Edital PNLD 2018, que de maneira inovadora enfatiza a importância de uma prática de leitura focada na formação do leitor literário e sugere que a reflexão mais sistematizada sobre os movimentos literários se dê apenas a partir do volume do segundo ano (MEC, 2015, p. 37), nós, autoras da referida obra, tencionamos apresentar tanto uma leitura crítica desses documentos oficiais, como algumas das escolhas metodológicas e de repertório literário realizadas na reformulação do material didático, finalizada no primeiro semestre de 2016. Nesse sentido, ressaltamos três propostas de abordagem textual que visam à ampliação e ressignificação do cânone escolar e ao questionamento de estereótipos: duas delas relativas a textos de autoras afro-brasileiras – o conto “Olhos d’água”, de Conceição Evaristo, e um fragmento de Quarto de despejodiário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus -, e outra referente a uma produção oral indígena – o “Canto para início da caçada às antas”, produzido pela etnia Bororo. Por meio dessas propostas, buscaremos exemplificar o papel incontornável da leitura literária como espaço de reflexão e debate sobre as possibilidades de (re)construção de identidades étnicas e de gênero.

Palavras-chave: Livro didático de Português; Formação do leitor literário; Literatura afro-brasileira; Literatura de autoria feminina; Produção literária indígena.

 

Minibiografia:

Vima Lia de Rossi Martin é doutora em Letras pela Universidade de São Paulo e professora de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa na mesma instituição. Publicou artigos em revistas nacionais e internacionais e também em livros. É organizadora de Diálogos críticos: literatura e sociedade nos países de língua portuguesa (Arte e Ciência, 2005) e autora de Literatura e marginalidade (Alameda, 2008), Língua Portuguesa (Positivo, 2013) e Veredas da palavra (Ática, 2016).

Roberta Hernandes Alves é doutora em Letras pela Universidade de São Paulo, professora e coordenadora de Língua Portuguesa na rede privada de ensino. É autora de A cesta de costura e a escrivaninha – Uma leitura de gênero da obra de Rachel de Queiroz (Capes, 2008),  Língua Portuguesa (Positivo, 2013) e Veredas da palavra (Ática, 2016).


Comunicação 4

Recursos educativos digitais associados ao manual de Português. Que adequabilidade? Que potencialidade?

Autora:

Gabriela Barbosa – Instituto Politécnico de Viana do Castelo – gabriela.mmb@ese.ipvc.pt

 

Resumo:

A indústria editorial portuguesa orientada para a edição dos manuais escolares tem vindo a acompanhar as exigências da era digital. Renovou-se e desenvolveu equipamentos electrónicos, software educativo e recursos educativos digitais que disponibiliza a professores e alunos. Neste estudo coloca-se a problemática de conhecer os recursos educativos digitais (RED) associados aos manuais escolares de Português, especificamente aqueles que se destinam ao domínio da Gramática. Concretamente, formularam-se os seguintes objetivos: i) identificar a oferta de RED para a gramática associados a manuais de 4.º e 6.º ano; ii) caracterizar o conjunto dos RED identificados; e iii) perceber o potencial metodológico-pedagógico destes recursos para as atividades de aprendizagem da gramática. A escolha do quadro metodológico de investigação para concretizar estes objetivos recai num estudo exploratório de cariz descritivo e interpretativo. Através da consulta às plataformas editorais LeYa e Escola Virtual foram selecionados aleatoriamente quatro manuais de Português, dois do 4.º ano e dois do 6.º ano, e respetivos RED de gramática. A análise e interpretação de dados teve por base a escala LORI (Learning Object Review Instrument, versão 1.5). Os resultados permitem-nos assumir a existência de diversas fragilidades e limitações nos RED analisados: a necessidade de um feedback mais rico e construtivo; diversificar as tarefas propostas, nomeadamente a inclusão de atividades coletivas de aprendizagem do funcionamento da língua; e a melhoria dos momentos de interação, apelando a participações com mais eficácia. Reconhece-se valor pedagógico na maioria dos RED avaliados, ainda assim, cabe ao professor através do seu conhecimento tecnológico, pedagógico do conteúdo tirar partido das potencialidades de que os recursos enformam. Na assunção de que a qualidade de um RED não traduz a garantia de êxito das aprendizagens, prevalece o trabalho do professor envolto na construção e preparação do planeamento da educação linguística.

Palavras-chave: Recurso Educativos Digitais; Avaliação; Gramática; Aprendizagem.

 

Minibiografia:

Gabriela Barbosa é Doutorada em Didática de Línguas pela Universidade do Porto e Professora Adjunta no Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC).


Comunicação 5

Avaliação de manuais escolares: particular relevância da avaliação de manuais escolares após a sua utilização

Autora:

Ana Margarida Capelo – Escola Superior de Educação de Viseu – anacapelo@esev.ipv.pt

 

Resumo:

Com a finalidade de garantir a qualidade científico-pedagógica dos manuais escolares, muitos países têm definido um regime de avaliação e certificação de manuais. No caso português, o que está atualmente em vigência, embora já com pequenas alterações, é o que está estabelecido na lei n.º 47/2006, de 28 de agosto. Como um dos princípios, esta lei determina que cabe ao Ministério de Educação e Ciência promover a submissão de todos os manuais a adotar ao procedimento de avaliação prévia, e que o membro do Governo responsável pela área da educação pode ainda deliberar a avaliação dos manuais já adotados e em utilização, referentes a qualquer ano de escolaridade e disciplina. É sobre este último aspeto que a presente comunicação se enquadra, no geral, e na avaliação de manuais escolares já em uso, em particular. Com base na análise documental, cuidada, de literatura pertinente sobre o assunto, nacional e internacional, incluindo sobre diferentes modos/processos de avaliação, a comunicação pretende expor: Conceções sobre avaliação de manuais escolares antes (pré-use evaluation), durante (in-use evaluation) e após (post-use evaluation) a sua utilização; Importância da avaliação de manuais escolares durante e após a sua utilização; Estudos e dimensões relevantes que se devem atender num processo de avaliação de manuais escolares, portugueses, após a sua utilização. Dos resultados obtidos infere-se que é importante que se proceda à avaliação de manuais em contínuo, através de um sistema de acompanhamento do seu uso, não só, durante, mas também, após a sua utilização. O feedback que se obtenha permitirá, que a posterior seleção e adoção de manuais escolares, seja mais cuidada e criteriosa. Os resultados dos estudos de investigação sugerem ainda um conjunto de dimensões a atender na avaliação de manuais escolares após a sua utilização, como proposta de estímulo à implementação deste tipo de avaliação.

Palavras-chave: Manuais escolares portugueses; Avaliação antes, durante e após a utilização dos manuais; Qualidade científico-pedagógica dos manuais escolares; Dimensões de pós-avaliação de manuais.

 

Minibiografia:

Ana Margarida de Oliveira Capelo é doutorada em Biologia pela Universidade de Aveiro. Além de atividades docentes desenvolvidas ao longo de 15 anos, que iniciou em 1996 e realizou em diferentes contextos educativos, desde 2006 que se interessou e enveredou pela investigação na área das ciências da educação, com enfoque particular na formação de professores de ciências. Essa investigação traduziu-se em várias comunicações, artigos e capítulos de livro.


Comunicação 6

Especificidades do Livro Didático de Língua Portuguesa no contexto do PNLD Campo

Autoras:

Ana Paula da Silva Rodrigues – UFMG – professoraanapaularodrigues@gmail.com

Maria Zélia Versiani Machado (Orientadora) – UFMG – zelia.versiani@gmail.com

 

Resumo:

A criação do PNLD Campo surge, no Brasil, como uma iniciativa governamental articulada a outras que têm como propósito contemplar as especificidades de alunos que estudam em escolas do campo. Com base em referenciais teóricos sobre Educação do Campo (ANTUNES-ROCHA, 2009; ARROYO, 1999 e 2006; CALDART, 1997) e sobre Livros Didáticos (APPLE, 1995 e 2001; CHOPPIN, 2004; COSTA VAL & MARCUSCHI, 2005; DIONÍSIO & BEZERRA, 2005; ROJO, 2010; ROJO & BATISTA, 2003; SOARES, 1996a e 1996b), esta pesquisa analisa livros de Língua Portuguesa (4º e 5º anos), discutindo como são abordadas as concepções de Educação do Campo nas coleções aprovadas. De forma mais específica, busca-se descrever e analisar o contexto de produção editorial e autoria das coleções aprovadas no PNLD Campo 2013 e 2016; descrever e analisar o contexto de recepção docente das coleções aprovadas no PNLD Campo 2013 e 2016; verificar como/se os livros de Língua Portuguesa (4º e 5º anos) contemplam especificidades do campo na elaboração de seus conteúdos e atividades; analisar as práticas de letramento incitadas pelos livros didáticos do PNLD Campo e suas relações com os saberes das populações que residem no campo. Metodologicamente, a pesquisa se configura como qualitativa, propondo como principais instrumentos de coleta de dados a aplicação de questionários, a análise de documentos (como os editais de convocação das editoras e os guias de avaliação das coleções aprovadas) e entrevistas com professores, editores, autores e organizadores das coleções. Uma análise inicial das coleções aponta que, apesar da incorporação de elementos conceituais da Educação do Campo, isso ainda se dá de maneira pontual. Além disso, constatou-se uma forte tensão decorrente da permanência da concepção de Educação Rural nas coleções em análise, o que se comprova, por exemplo, pela presença de relações estereotipadas entre cidade e campo.

Palavras-chave: Educação do Campo; Língua Portuguesa; Livros Didáticos; PNLD Campo.

 

Minibiografias:

Ana Paula da Silva Rodrigues é Mestra (2012) e Doutoranda em Educação (Linha de Pesquisa “Educação e Linguagem”) pelo “Programa de Pós-Graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social” da FaE/UFMG. Especialista em Revisão de Textos pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2010). Graduada em Letras (Licenciatura em Português e Espanhol) pela UFMG (2007). Membro do grupo de pesquisa “Letramentos em comunidades rurais: práticas sociais de leitura e de escrita em situações escolares e não escolares”, financiado pelo CNPq.

Maria Zélia Versiani Machado é professora associada do Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino – DMTE – e do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da UFMG. Possui graduação em Letras, mestrado em Estudos Literários e doutorado em Educação, todos pela UFMG. Realizou pesquisa de pós-doutorado sobre a leitura literária em contextos do campo, com o apoio do CNPq. Coordena a pesquisa “Letramentos em comunidades rurais: práticas sociais de leitura e de escrita em situações escolares e não escolares”, financiada pelo CNPq.


Comunicação 7

O povo negro brasileiro e sua poética na formação leitora de alunos do Ensino Médio: reflexões e apreciações de bens simbólicos reproduzidos pelo livro didático

Autor:

Ivan de Pinho Espinheira Filho – FAE – Universidade Federal de Minas Gerais – ipef31@gmail.com

 

Resumo:

O presente estudo pretende ampliar discussões sobre o papel do livro didático (LD) como um gênero do discurso (BUZEN & ROJO, 2010) e um expediente difusor de ideologias, a partir da problemática do tratamento dispensado à Poética Negra, de autoria negra em Língua Portuguesa, incluindo sua ausência, nos projetos didáticos de alguns materiais pedagógicos de circulação em escolas públicas do estado da Bahia, no ano de 2013. Levantar-se-á reflexões que apontem para a abordagem didático-estética e  ideológico-discursivo conferida à referida poética nas questões pertinentes a realidade histórico-cultural e de identidade étnico-racial dos alunos usuários. Promover-se-á também questões sobre as consequências socioculturais negativas construídas para um leitor em formação hoje que se depara com um projeto didático que, historicamente, segundo pesquisas acadêmicas já realizadas sobre o assunto, se evade em tratar das questões referentes à cultura afro-brasileira, averiguando, por conseguinte, a manutenção, transformação ou superação do discurso racista nos livros didáticos de Língua Portuguesa do Ensino Médio. Após a análise dos dados, proporemos uma reflexão conceitual sobre racismo ou antirracismo intelectual. Para a investigação do problema apresentado, optar-se-á por uma abordagem discursiva, visto ser uma pesquisa qualitativa de orientação sócio-histórica. Estes manuais didáticos, corpus da pesquisa, devem constar da lista sugerida pelo Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio, responsável pela avaliação, compra e distribuição dos Livros Didáticos nas escolas públicas de Educação Básica, do Ministério da Educação. Os pressupostos de compreensão dos dados serão de inspiração na Análise Crítica do Discurso (FAIRCLOUGH, 2001; VAN DIJK, 2008) e na Teoria Social Crítica (THOMPSON, 2007), que objetivam problematizar discursos e ideologias tratadas de forma “naturalizada”, “dissimulada”, e como “forma simbólica” de poder nas abordagens dos LD. Os dados serão analisados levando em consideração o seu contexto de produção, o discurso como prática social, e para tal as relações de poder, domínio, discriminação e controle.

Palavras-chave: Livro didático; Discurso ideológico; Poética negra; Racismo.

 

Minibiografia:

Doutorando em Linguagem e Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação – Conhecimento e Inclusão da Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil. Graduado em Letras Vernáculas, pela Universidade Federal da Bahia, tem experiência na área de Educação, com ênfase em Ensino de Literatura Brasileira e Produção Textual. Mestre em Educação Programa de Pós-Graduação em Educação, da UFBA, na área de Filosofia, Linguagem e Práxis Pedagógica. Atua como Professor-Formador no Programa Pacto pela Alfabetização da Secretaria de Educação do Estado da Bahia, Brasil.


Comunicação 8

O papel do manual escolar no desenvolvimento de competências de compreensão na leitura

Autora:

Etelvina Maria Dinis Miragaia – Agrupamento de Escolas de Oliveira de Frades – etelmiragaia@gmail.com

 

Resumo:

As orientações programáticas de Português para o Ensino Básico bem como a investigação realizada ao longo das últimas décadas têm sublinhado a importância do ensino explícito e sistemático no desenvolvimento da compreensão na leitura. Os manuais escolares são entendidos como objetos complexos que desempenham funções culturais, ideológicas, e pedagógicas (Bonafé, 2011; Martins, 2012). Apesar da imensa variedade de recursos de aprendizagem hoje disponíveis, o manual continua a ser o recurso pedagógico com primazia sobre todos os outros, acessível aos alunos, independentemente da região onde vivem ou do contexto familiar e sociocultural onde se inserem (Rego, Gomes & Balula, 2012). Os manuais e, em especial os de Português, devem constituir um contributo para formar leitores competentes, podendo desempenhar um papel importante na aquisição e desenvolvimento de competências de leitura, a fim de dotar os alunos de instrumentos indispensáveis à participação ativa na sociedade onde se inserem. Devem contemplar práticas diversificadas que mobilizem todas as funções da leitura, que vão do ouvir ler ao ler com autonomia, em extensão e complexidade crescentes, adequadas aos interesses e idade dos alunos. Em Portugal, o processo de elaboração, adoção e utilização deste recurso didático, estabelecido pela Lei 47/2006, de 28 de agosto, visa, entre outros aspetos, garantir a sua conformidade com os programas em vigor. Pretendemos apresentar os resultados de um estudo de intervenção didática que privilegiou a implementação de estratégias de ensino explícito da leitura literária, sublinhando o relevo do manual adotado na escola, a partir da sua leitura global e da análise detalhada de: textos e autores, autores, integridade e tipologia dos textos, processos de compreensão na leitura e metacognição. O estudo leva-nos a concluir que o ensino explícito e sistemático de estratégias de leitura desenvolve a compreensão e constitui uma alternativa metodológica para a educação literária (Miragaia, 2014).

Palavras-chave: Leitura; Literacia; Estratégias de leitura; Ensino da leitura.

 

Minibiografia:

Etelvina Maria Dinis Miragaia é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Realizou Pós-Graduação e Mestrado em Didática do Português, na Escola Superior de Educação Viseu. Integra a equipa Científico-pedagógica para Avaliação e Certificação de Manuais Escolares de Português (2.º CEB) da Escola Superior de Educação de Viseu. É docente do Quadro do Agrupamento de Escolas de Oliveira de Frades.


Comunicação 9

Reflexões acerca do ensino da arte literária na aula de Português: leituras semiótico-discursivas para além do livro didático

Autora:

Ângela Maria da Costa e Silva Coutinho – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro – IFRJ (professora Titular) / Universidade Federal de Minas Gerais (Residência pós-doutoral) – angela.coutinho@ifrj.edu.br

 

Resumo:

É que o ensino de língua materna entre nós, vincula-se a uma pedagogia conservadora, que vê a escola como instituição independente das condições sociais e econômicas, espaço de neutralidade, de que estariam ausentes os antagonismos e as contradições de uma sociedade dividida em classes. (Soares, 1991, p. 77)

A tarefa de refletir sobre o ensino da arte literária nas aulas de língua materna associa-se à relevância de ampliação do entendimento dos modos de expressão tanto das linguagens tradicionais quanto das contemporâneas e de compreensão de critérios interpretativos propícios às diferentes textualizações verbais e não verbais. Propõe-se a elaboração de leituras em situação de aprendizagem, em diálogo entre docentes e discentes, no espaço da aula de Português, de modo a contemplar compartilhamentos de sentidos apreendidos em uma sistemática de leitura que compreende a legitimidade de múltiplos gestos interpretativos, tais como a expressão espontânea do aluno, originária de sua memória social e cultural e da expressão interessada do professor, oriunda, dentre outros, de seus estudos acadêmicos, para além do cumprimento das prescrições de um currículo e de orientações generalizantes formuladas por livros didáticos. Portanto, ao se escolher um texto, pensa-se em desafiar o aluno a mergulhar na tessitura de sua poética, surpreender-se, flagrar posturas e rupturas do imaginário e tecer comentários, a partir das associações possíveis de sentido, experimentando-se os princípios da opacidade da linguagem, das construções discursivas e dos deslizamentos de sentido. Trata-se de estudar o texto literário como arte da palavra em suas potencialidades polifônica e dialógica, explorando-se os gêneros e contemplando-se, por exemplo, poemas do cancioneiro popular; narrativas nacionais, africanas e latino-americanas, cenas dramatúrgicas e cinematográficas.  Entende-se ser esta uma proposta incentivadora para que o professor da educação básica efetive-se protagonista de sua docência, com vistas a esforçar-se para que também seu aluno possa ser protagonista de sua aprendizagem.

Palavras-chave: Leitura; Arte literária; Aprendizagem; Professor; Livro didático.

 

Minibiografia:

Angela Maria da Costa e Silva Coutinho. Professora Titular do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Curso de Licenciatura em Letras pela Universidade Federal Fluminense, Mestrado e Doutorado em Letras pela Universidade Federal Fluminense. Curso de Especialização em Literatura Infanto-juvenil realizado na referida universidade. Exerce a docência desde 1974.


Comunicação 10

As gramáticas escolares lá e cá: reflexões sobre a TLEBS e a NGB

Autoras:

Daniela Porte – Colégio Santo Inácio e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) – danielaporte7@gmail.com

Marilia Siqueira da Silva – Instituto Federal Fluminense (IFFluminense) – marilia.siqueira22@gmail.com

 

Resumo:

A partir de 1959, a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) unificou o processo de nomeação dos termos gramaticais adotados nas salas de aula de todo o Brasil. Em um primeiro momento, muitas questões surgiram. Indagava-se sobre a falta de certas distinções, sobre o excesso de outras, a ausência de nomes de peso dos estudos linguísticos brasileiros quando da formação da comissão fundadora das normas, até, por fim, vir à tona a necessidade de reformulação do documento. Portugal demonstrou igual preocupação, criando o que ainda nos falta aqui. Em 2007, foi publicada a Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS), uma reformulação para o documento original de 1967. Com vistas à análise desse panorama distinto de lá e de cá, discutem-se, neste trabalho motivado pela Nomenclatura Gramatical Brasileira, 50 anos depois, livro do professor Claudio Cezar Henriques (2009), os pontos de convergência e de divergência entre a NGB e a TLEBS, no tocante à abordagem da Lexicologia e da Morfologia (Estrutura, Formação e Classes de Palavras). Para tanto, utilizaram-se dois exemplares de livros didáticos, um brasileiro (Gramática Reflexiva de William Roberto Cereja e Tereza Cochar – 4ª edição, publicada em 2013) e outro lusitano (Gramática do Português Moderno, de José Manuel de Castro Pinto e Maria do Céu Vieira Lopes – 2011), com o objetivo principal de comparar a nomenclatura oficial adotada por cada país e as conceituações feitas nas duas obras. Em nossas análises, são apresentadas algumas reflexões sobre a possibilidade de unificação das nomenclaturas adotadas no Brasil e em Portugal, tendo em vista a viva experiência de igual tentativa na ortografia.

Palavras-chave: NGB; TLEBS; Gramática; Brasil; Portugal.

 

Minibiografias:

Daniela Porte. Professora de Língua Portuguesa e Literatura e coordenadora da equipe de Línguas no Curso Noturno do Colégio Santo Inácio, Rio de Janeiro (Brasil); professora licenciada da rede municipal da Prefeitura de Niterói (Brasil). Doutoranda do programa de Língua Portuguesa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Marilia Siqueira da Silva. Professora de Língua Portuguesa da Licenciatura em Letras do Instituto Federal Fluminense campus Campos Centro, na cidade de Campos dos Goytacazes (Rio de Janeiro-Brasil); doutoranda em Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) cuja pesquisa intitula-se “Ensinar a ensinar língua materna, sob a ótica docente e discente, no curso de Letras do Instituto Federal Fluminense”, orientada pela professora doutora Maria Teresa Gonçalves Pereira.


Comunicação 11

Retratos literários: um estudo sobre as representações das literaturas africanas, afro-brasileiras e indígenas nos livros didáticos de português

Autora:

Flávia Cristina Bandeca Biazetto- Universidade de São Paulo (USP/CNPQ) – fla_baandeca@yahoo.com.br

 

Resumo:

Diante da exigência legal do decreto 11645/08, que versa sobre a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira, africanas e indígenas e que ressalta a importância da cultura negra e indígena na formação da sociedade brasileira, buscamos analisar no material aprovado pelo Programa Nacional Livro Didático (PNLD) 2012-2014 de Língua Portuguesa como as literaturas africanas, afro-brasileira e indígenas são representadas e apresentadas aos alunos do Ensino Fundamental 2. O objetivo desta comunicação é expor resultados parciais obtidos no que se refere tanto ao trabalho proposto com tais textos, quanto seu reconhecimento na formação de um cânone literário escolar. Para isso, alicerçamos as reflexões no conceito de reconhecimento de Honneth (2003); no pensamento de Bunzen (2008) e Rojo (2005) que definem o objeto, livro didático, como um exemplar do gênero do discurso e de Moscovici (2007) sobre representação social. Dentro dos limites do corpus, seu recorte temporal possibilita analisar um registro do estágio das mudanças paradigmáticas propostas no ensino brasileiro na primeira década dos anos 2000.

Palavras-Chave: Livro didático; Representação; Literaturas africanas; Literatura Afro-brasileira; Literatura indígena.

 

Minibiografia:

Flávia Cristina Bandeca Biazetto é mestra e doutoranda na área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela USP. Graduada em Comunicação Social pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, bacharel e licenciada pela FFLCH/USP. Atua como docente de ensino fundamental e formação de docentes a respeito de temas referentes ao continente africano.


Comunicação 12

A Contextualização das propostas didáticas nos Cadernos Pedagógicos da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro

Autores:

Marcelo Macedo Corrêa e Castro – Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro – marcelocorreaecastro@gmail.com

Rejane Maria de Almeida Amorim – Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro – rejane_almeida@hotmail.com

 

Resumo:

A Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro tem se empenhado em oferecer materiais didáticos para utilização nas turmas do ensino fundamental das escolas públicas municipais. Dentre os materiais adotados, incluindo-se os oriundos do Programa Nacional do Livro Didático, destacam-se os Cadernos Pedagógicos, estes elaborados por equipes da SME/RJ, cujo protagonismo nas ações práticas pode ser examinado sob vários prismas, como os das suas relações com o preparo para a realização dos exames de avaliação do ensino fundamental e com os saberes universalizados (Charlot, 2013). Neste estudo, focalizamos o conceito de contextualização (Moreira e Candau, 2007), entendido como a forma de aproximar os processos de ensino-aprendizagem da realidade concreta dos estudantes. Assumimos o pressuposto de que a contextualização seria condição indispensável na abordagem dos conteúdos e na organização das atividades que se desenvolvem em sala de aula. Para tanto, lançamos mão também das três concepções de contexto descritas por Camps (2005): como situação, como comunidade discursiva e como esfera da atividade humana. Como objeto de análise foi escolhido o Caderno Pedagógico do primeiro bimestre de 2016 da classe de alfabetização (Primeiro Ano), que privilegia como temática a realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro em 2016. A análise fundamentou-se na suposição de que o material em questão se forjou com base em uma compreensão limitada de contextualização, insuficientemente associada aos quotidianos dos estudantes matriculados nas escolas da SME/RJ.  Dentre as conclusões iniciais a que a análise nos levou, podemos destacar: 1) a insuficiente contextualização das propostas de escrita, 2) a carência de continuidade e aprofundamento da temática, 3) a presença predominante de atividades mais direcionadas para o ensino mecânico da escrita.

Palavras-chave: Alfabetização; Contextualização; Ensino; Material didático.

 

Minibiografias:

Marcelo Macedo Corrêa e Castro. Possui Licenciatura em Letras, Português-Literaturas (Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1979), mestrado em Educação (UFRJ, 1985), doutorado em Educação (UFRJ, 2002) e pós-doutorado em Educação (Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, 2015). É Professor Titular da Faculdade de Educação da UFRJ. Atua com formação de professores para a educação básica e com pesquisa relacionada a esta formação, com ênfase no ensino da escrita. Lidera o Grupo de Ações de Ensino, Extensão e Pesquisa Fórum de Ensino da Escrita – GRAFE.

Rejane Maria de Almeida Amorim. Professora Adjunta da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Doutora no programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: Psicologia da Educação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mestre na área de Mídia e Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina. Graduada em Pedagogia e Especialista em Educação pela Universidade do Oeste de Santa Catarina. Atua com formação de professores nas áreas de Didática, Alfabetização e Letramento. Pesquisa o Ensino da Escrita nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.


Comunicação 13

Para além dos Géneros: as práticas sociais de linguagem em Manuais de LP, em Portugal

Autora:

Maria de Lourdes Dionísio – Centro de Investigação em Educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho – mldionisio@ie.uminho.pt

 

Resumo:

Apesar da produtividade do conceito de géneros de discurso para as práticas pedagógicas no âmbito do ensino das línguas, a sua apropriação para o ensino do Português, em Portugal, não parece ter encontrado um eco da mesma intensidade, pelo menos fora dos limites da reflexão académica. Por exemplo, no programa e Metas Curriculares de Português do Ensino Básico (2015), apesar de se ter ‘destronado’ o conceito de “tipo”, ‘género/s’ ocorre/em sempre com alguma ambiguidade, nunca esclarecida, no binómio quase fórmula ‘categorias e géneros textuais’:  “É de referir que, neste domínio da Leitura e Escrita, se confere maior pertinência a determinados géneros escolares e categorias de texto” (p. 19) ou em alguns lugares do documento como alternativa a ‘categoria’: “Verificar se o texto obedece à categoria ou ao género indicados (p. 67, por exemplo)”. Isto não significará necessariamente uma ausência da prática da sala de aula de trabalho com textos como práticas sociais de linguagem. Inserida num projeto mais vasto de análise de livros didáticos de Língua Portuguesa (LP) do Brasil e de Portugal (Dionisio (UMInho), Rodrigues (UFSC)), esta comunicação visa conhecer até que ponto o trabalho com textos, em manuais de LP do 8.º ano, considera, mesmo que implicitamente, os géneros como objetos de ensino; ou seja, até que ponto, nos ‘livros de Português’ são trabalhadas as regularidades situacionais, funcionais e organizacionais associadas aos géneros.

Palavras-chave: Géneros de discurso; Práticas de linguagem; Manuais escolares.

 

Minibiografia:

Maria de Lourdes Dionísio é Doutora em Educação, na especialidade de Metodologia do Ensino do Português, pela Universidade do Minho, onde é Professora Associada do Departamento de Estudos Integrados de Literacia, Didática e Supervisão. Desenvolve investigação em práticas sociais de literacia, leitura em contextos escolares e nao escolares, conceção e uso de manuais escolares.


Comunicação 14

Cultura da escrita e livro escolar: Perspectivas sobre o ensino da linguagem oral nos livros didáticos de língua portuguesa (3.ª série/ Ensino Médio)

Autoras:

Jéssica Aquino Araújo Saraiva – Instituto Federal de Brasília – IFB – Campus: São Sebastião – jessicaaraujoaquino@gmail.com

Daniele dos Santos Rosa – Instituto Federal de Brasília – IFB – Campus: São Sebastião – daniele.rosa@ifb.edu.br

 

Resumo:

O presente trabalho tem por objetivo analisar o livro didático de Língua Portuguesa do 3.° ano do Ensino Médio, percebendo como este tem trabalhado a perspectiva da oralidade, tendo em vista que o livro didático é um recurso que “ocupa lugar de destaque na intermediação entre o saber científico, multifacetado, produzido nas universidades, e o saber escolar, didático, recortado, fruto de uma transposição, que é apresentado e desenvolvido em sala de aula” (BERUTTI; MARQUES, 2009, p. 97). Mas para que seja um instrumento de conhecimento e reflexão, precisa oferecer conteúdos diversificados em torno do trabalho com a linguagem oral. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, “ensinar língua oral deve significar para a escola acessos a usos da linguagem mais formalizados e convencionais, que exijam controle mais consciente e voluntário da enunciação” (PCN, 1999, p.67), ou seja, não cabe ao professor ensinar o educando somente a ler e escrever, mas é preciso instruí-los a relacionar a língua às suas práticas sociais. Nesse sentido, se torna necessário abordar como a língua oral é retratada no livro didático de língua portuguesa, visto que o trabalho com gêneros orais é de suma importância para a aprendizagem do aluno, uma vez que propicia ao estudante um conjunto de competências que o torna capaz de conviver na sociedade, sendo capaz de utilizar a língua de acordo com os diferentes usos sociais. Concomitante a isso, é de grande importância instigar o professor a ter uma visão crítica e reflexiva sobre o material que subsidia amplamente sua prática escolar: o livro didático. Uma vez que, quando os alunos já apresentam algumas orientações sobre o funcionamento da língua oral na escola, ao se comunicarem oralmente, eles começam a se apropriar das estruturas e funções dos diferentes gêneros orais que fazem parte da sociedade.

Palavras-chave: Oralidade; Livro Didático; Aprendizagem; Práticas sociais.

 

Minibiografias:

Jéssica Aquino Araújo Saraiva. Graduanda em Licenciatura Letras/ Português pelo Instituto Federal de Brasília – Campus: São Sebastião – Brasil. Desenvolvendo pesquisa de PIBIC, intitulada “O mundo à revelia”: um estudo da narrativa em Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa, enfocando as relações entre a forma estética e o processo social brasileiro.

Daniele dos Santos Rosa. Doutora em Literatura Latino-americana e mestre em Literatura Brasileira, pela Universidade de Brasília. É especialista em História Cultural e graduada em Letras por esta mesma instituição. Atualmente, realiza pesquisas com ênfase em Teoria da Literatura, Literaturas latino-americana, brasileira e portuguesa, Ensino de Literatura e Língua Portuguesa.


Comunicação 15

Os gêneros do discurso em livros didáticos de Língua Portuguesa: a tensão entre tradição e mudança

Autora:

Rosângela Hammes Rodrigues – Universidade Federal de Santa Catarina – rosangela.hammes@ufsc.br, rosangelahammesr@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação – inserida num projeto maior de análise de livros didáticos de Língua Portuguesa do Brasil e de Portugal (Dionísio (UMinho), Rodrigues (UFSC)) –  objetiva analisar a presença (ou não) dos gêneros do discurso e seu modo de elaboração didática para o ensino e aprendizagem das práticas de linguagem em livros didáticos de Língua Portuguesa do Brasil aprovados pelo Programa Nacional do Livro Didático. Para tanto, foram selecionadas três coleções, cada uma composta de quatro livros, destinadas ao Ensino Fundamental II (6. a 9. ano). Uma análise preliminar das coleções, que incluiu tanto o livro do aluno quanto o manual do professor, mostra a presença de gêneros do discurso diversos, como os da esfera da arte – literatura – e do jornalismo, por exemplo, o que vai ao encontro dos documentos oficiais de ensino do Brasil, que indicam as esferas sociais como um critério possível de escolha dos gêneros. No que se refere à elaboração didática, observamos: a) uma descontinuidade entre o que se diz teoricamente sobre os gêneros no manual do professor e o seu modo de agenciamento nas atividades de ensino e aprendizagem da oralidade, da escrita e da leitura; b) essa descontinuidade reflete a tensão entre o ensino mais conceitual e imanente da língua e do texto, oriundo da tradição do ensino de línguas, e o ensino das práticas de linguagem mediadas pelos gêneros; c) há elaborações didáticas inovadoras, centradas nos gêneros do discurso como mediadores do ensino e aprendizagem das práticas de linguagem; d) há mudanças significativas nos livros didáticos, que estão olhando as práticas de linguagem como conteúdos de ensino e aprendizagem, ainda que atravessadas por essa descontinuidade e tensão.

Palavras-chave: Livro didático; Gêneros do discurso; Práticas de linguagem; Língua portuguesa.

 

Minibiografia:

Rosângela Hammes Rodrigues é mestra em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Realizou pós‑doutorado no Instituto da Linguagem da UNICAMP e no Centro de Educação da UMinho. Atua na UFSC desde 1994, onde desenvolve pesquisas no campo da Linguística Aplicada, nas áreas de ensino e aprendizagem das práticas de linguagem e de formação de professores.


Comunicação 16

Analisando o manual do livro didático de Língua Portuguesa: a relação professor, aluno e texto

 

Autora:

Vilma Aparecida Gomes – Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Uberlândia – Brasil – vaparecidagomes@gmail.com

 

Resumo:

Debater questões que envolvem o processo de ensino e aprendizagem da leitura implica sempre considerar o processo de produção de sentidos de uma forma em que há movimentos contínuos. Assim, as condições de produção do discurso devem ser consideradas. Nesta comunicação, vamos discutir implicações advindas da escolha de um determinado LD no contexto de sala de aula de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental. Para isso, levamos em consideração que a escolha desse livro pressupõe não só preferências metodológicas por parte do professor, mas, acima de tudo, uma concordância com as concepções de linguagem que subjazem no referido livro. Nessa perspectiva, podemos dizer que há uma produção de sentidos construída a partir da relação autor-leitor, e que olhar sob a visão de uma alteridade para as concepções de linguagem e sujeito, que estão subjacentes no LD, a partir de um lugar discursivo outro, é fundamental para se analisar e (re)pensar a relação que existe entre professor, aluno e LD. Para o desenvolvimento desta pesquisa, analisamos uma proposta de leitura presente no livro didático de Língua Portuguesa – CEREJA, W. R.; MAGALHÃES, T. C. Português: linguagem, 8.º ano, 2. Ed. São Paulo: Atual, 2002 – adotado no 8.º ano de uma escola pública do Ensino Fundamental. Investigamos quais as concepções de leitura podem ser percebidas nas atividades de leitura e interpretação de textos;  quais as imagens de professor e aluno subjazem nessas concepções e quais as possibilidades de se produzir deslocamentos nos alunos após a realização dessas atividades de compreensão textual.  Realizamos as análises com base nos pressupostos teóricos da Análise do Discurso de linha francesa, os quais nos ajudaram a compreender os efeitos de sentido que são sócio-historicamente produzidos nas práticas de leitura. Além disso, recorremos às concepções de Lacan sobre a teoria  psicanalítica da subjetividade, na qual o sujeito se apresenta como heterogênio, cindido e descentrado.

Palavras-chave: Avaliação de Livros didáticos; Ensino de leitura; Subjetividade; Interpretação textual; Produção de sentidos.

 

Minibiografia:

Professora de Língua Portuguesa do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Uberlândia (CAp-Eseba/UFU), Brasil; doutora em Estudos Linguísticos pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Universidade Federal de Uberlândia; pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Linguagem e Psicanálise (GELS) do Instituto de Letras e Linguística da UFU.


Comunicação 17

  O ensino da escrita nos manuais de português do 9.º ano – uma análise discursiva

 

Autora:

Isabel Sebastião – CLUP – isabel.sebastiao@hotmail.com

 

Resumo:

O manual como material didático com lugar de destaque na sala de aula tem de ser observado em diferentes perspetivas de acordo com os usos que lhe estão subjacentes (Castro & Sousa, 1998). A análise pormenorizada dos manuais escolares, segundo estes autores, possibilita a compreensão de dimensões fundamentais da produção e da transmissão dos discursos que têm lugar no campo pedagógico, permitindo a identificação de alguns princípios que estruturam este campo. Através da análise dos manuais tem‐se acesso a informações sobre a forma como está estruturado e organizado o processo de transmissão e aquisição de conhecimentos. As formas discursivas assumidas, as metodologias adotadas bem como as instruções relativas aos exercícios são reflexo das conceções subjacentes ao ensino e aprendizagem da língua materna, sejam elas oriundas dos textos oficiais ou por parte dos seus autores. Esta análise torna-se pertinente, na medida em que o manual é um instrumento ambivalente: serve o aluno, mas sobretudo o professor. Para o aluno, o manual é veículo dos conhecimentos que tem de aprender e que estão estipulados nas orientações oficiais; para o professor, ele é um/o instrumento pedagógico que o auxilia na sua prática. O presente trabalho insere‐se no campo da linguística aplicada ao ensino, especificamente no domínio da escrita. Neste caso, a análise incide em exercícios que convocam conhecimento(s) relativo(s) a géneros discursivos da ordem do argumentar (Adam, 1999; Schneuwly & Dolz, 2004) e pretende contrastar a heterogeneidade discursiva vinculada ao enfoque metodológico do manual. A investigação que se apresenta, recorte de um projeto maior, oferece os resultados da análise discursiva de um corpus constituído pelos manuais de 9.º ano que abrangem um maior número de escolas em Portugal, e, por isso, um maior número de alunos, e o estudo segue uma metodologia na perspetiva da Análise do Discurso, mais especificamente, um quadro teórico pragmático‐discursivo.

Palavras-chave: Manual; Ensino e aprendizagem da escrita; Análise do discurso; Géneros da ordem do argumentar.

 

Minibiografia:

Isabel Sebastião. Possui Doutoramento em Linguística – Especialidade de Linguística do Texto e do Discurso na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, encontra-se a fazer pós‐doutoramento na Universidade do Porto em Análise do Discurso. É investigadora do Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa e do Centro de Linguística da Universidade do Porto. Desenvolve trabalho  de investigação no âmbito dos estudos da pragmática, da análise do  discurso, da linguística aplicada ao ensino e aprendizagem da língua materna e estrangeira e didática.


Comunicação 18

Um olhar para a análise da orientação para produção textual de gêneros no livro didático: reflexões teórico-práticas

Autor:

Sweder Souza – Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR –swedersuza@gmail.com

 

Resumo:

Não podemos negar que a escrita é uma ferramenta essencial de inserção do indivíduo no mundo contemporâneo, ou seja, ela é um meio relevante de interação numa sociedade que exige, cada vez mais, relações escritas intensas e complexas. Dominar, entretanto, as inúmeras formas de interagir pela escrita não é tarefa fácil, pois sua aprendizagem é um processo longo e contínuo, que necessita de intensa mediação escolar. Assim, o cenário escolar começou a apresentar mudanças a partir de 1997 com a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), cujos objetivos propõem um redimensionamento dos fundamentos teórico-metodológicos para o ensino de língua materna, que passam a enfatizar a necessidade de se subsidiar as aulas em uma concepção interacionista da linguagem (BAKHTIN, 1995). Diante disso, ao ensino-aprendizagem, passam a interessar os usos linguísticos, ou seja, a língua viva, autêntica, dinâmica, organizada em gêneros e materializada por meio de textos orais e escritos. Dessa forma, pretendemos tratar das práticas de Produção Textual no Livro didático. A escolha da escrita dá-se, principalmente, pelo motivo de que, sua apropriação, proporciona autonomia aos sujeitos produtores de texto, pois os alunos não só devem ser sensíveis às leituras e aos gêneros que estão estudando, como também precisam desenvolver seus próprios textos, sínteses de conhecimentos, perspectivas críticas e declarações individuais e, por tais motivos, este estudo analisa um capítulo de produção de texto de um livro didático aprovado pelo Guia PNLD para o ano de 2015, observando se a proposta realmente incorporou os princípios teórico-metodológicos atuais para o ensino da escrita e se, de fato, podem beneficiar a sistematização do conhecimento o qual o sujeito necessita aprender. O capítulo em foco pertence ao terceiro volume do Ensino Médio da coleção Português: Linguagens em Conexão, de Maria Sette, Márcia Travalha e Maria do Rozário Starling de Barros (Leya, 2013).

Palavras-chave: Livro didático; Avaliação; Produção textual; Orientações do livro didático.

 

Minibiografia:

Sweder Souza. Discente do Curso de Letras na UTFPR e autor, junto com Adail Sobral, da obra: Gêneros, entre o texto e o discurso: Questões Conceituais e Metodológicas (Mercado de Letras) e também do Material Didático para cegos: Teaching English to the Visual Impaired: a handbook for Brazilian Teachers (EDUTFPR). Participa dos Grupos de Pesquisa em: Tecnologias, Formação Docente e Letramentos; Estudos dos Sons da Fala; e Ciências Humanas, Tecnologia e Sociedade.


Comunicação 19

Manuais didáticos do Português Língua Materna como apoio no ensino do PBE: uma proposta para alunos com nível B2/C1

Autoras:

Monica Lupetti – Università di Pisa – monica.lupetti@unipi.it

Ana Luiza de Souza – Università di Pisa – analuiza.desouza@unipi.it

 

Resumo:

O que acontece quando estudantes de Português como Língua Estrangeira (PLE) do último ano do curso universitário de Línguas e Literaturas Estrangeiras se debruçam sobre o português brasileiro (PBE)? O objetivo deste trabalho é produzir alguns apontamentos acerca do que se tem construído em torno do ensino do PBE, para alunos italófonos com conhecimentos prévios do Português, variante europeia. Os livros didáticos de PLE abordam, geralmente, a norma culta e o registro direcionado à escrita, proporcionando a valorização desta em detrimento da modalidade oral da língua. Desta forma, a base de nossa análise será um dos manuais didáticos de Língua Portuguesa como Língua Materna (PLM), relacionando as variantes e os registros da oralidade presentes neste manual a fim de propor ao estudante de PLE um amplo panorama da língua em todas as suas variantes: diafásica, diatópica, diastrática e diacrónica. O manual de PLM poderá ajudar ao estudante de nível avançado do PLE a compreender aspectos do PBE ainda tão complexos para o estrangeiro, a saber: a pragmática da língua e suas variações regionais. Seria-lhes indispensável esses conhecimentos a fim de desenvolver capacidades extras em sua comunicação. Logo, a avaliação dos manuais integrará seja capítulos de nível inicial relativo ao emprego das formas de tratamento e colocação dos pronomes pessoais, seja capítulos mais avançados como a análise do discurso e a linguística textual. As dificuldades evidentes no uso dos conectores discursivos, por vezes insuspeitáveis, em estudantes românicos, será também o motivo da escolha desses capítulos. O livro avaliado será Língua Portuguesa Linguagem e Interação, autores: Faraco, Moura, Maruxo Jr. Volume 3, obra de referência do PNLD no ensino das escolas da rede pública no Brasil. A abordagem da nossa comunicação contará com as reflexões teóricas baseadas nas investigações mais recentes da gramática descritiva do português brasileiro de Mário Alberto Perini e de Marcos Bagno.

Palavras-chave: Didática do português; Manuais; Gramática; Análise do discurso; Linguística textual.

 

Minibiografias:

Monica Lupetti é doutora em Estudos Lusófonos pela Universidade de Bari, tendo defendido em 2007 uma tese sobre historiografia gramatical. Atualmente é professora auxiliar de Língua e Tradução do Português Europeu e do Português Brasileiro no Departamento de Filologia, Literatura e Linguística da Universidade de Pisa. É docente titular do curso de Análise do Discurso e Linguística Textual na Licenciatura em Línguas e Literaturas Estrangeiras Modernas e de Historiografia Gramatical no Mestrado em Linguística e  Tradução. As suas principais áreas de pesquisa são a didática do português para estrangeiros – com um focus nas interferências linguísticas –, a  lexicografia e gramaticografia ibéricas dos sécs. XVII-XIX, além da paremiologia utilizada para a educação dos nobres nos sécs. XVI e XVII.

Ana Luiza de Souza é licenciada em Letras (Português-Italiano) pela UFRJ no Rio de Janeiro, e Mestre em Dramaturgia pela Università di Bologna. Atualmente, é professora do curso de Leitorado de Língua Portuguesa Brasileira da Università di Pisa. No Brasil adquiriu experiências no ensino da Língua Portuguesa como língua materna e Literatura brasileira, além de ter atuado na alfabeitzação de crianças e jovens. Hoje, além de atuar como professor de PLE, vem desenvolvendo um projeto de pesquisa sobre o Português como Língua de Herança (POLH) através de atividades voluntárias dedicadas a comunidade brasileira da associação Casa do Brasil em Florença. 


Comunicação 20

O ensino de língua portuguesa como prática social em livros didáticos brasileiros

Autora:

Cláudia Goulart – Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Uberlândia – Brasil – goulart.morais@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação tem como objetivo apresentar os resultados de nossa pesquisa de doutorado que investigou como a diversidade e a variação linguísticas são tratadas no interior dos Livros Didáticos de Português (LDP) nos anos finais do ensino fundamental. Para tanto, verificamos se o conceito de língua anunciado pelos autores dos LDP nos Manuais do Professor (MP) é coerente com o conceito de língua que está na base das atividades apresentadas nos livros. O desdobramento dessa proposta foi verificar se há, nessas atividades, questões que conduzem os alunos a uma reflexão sobre certos fenômenos importantes para se entender a diversidade e a variação linguísticas, já que a concepção de língua assumida pelos autores de LDP é aquela ligada ao processo dialógico, cujo discurso se manifesta por meio de textos e, portanto, de base interacionista. A partir de um corpus formado pelas cinco coleções didáticas recorrentes nos PNLD de 2005 a 2011, investigamos como esses materiais promovem o conhecimento sobre três aspectos importantes para o desenvolvimento de habilidades, comportamentos e práticas de uso da língua necessárias tanto para o processo de progressão escolar dos alunos como também para a inserção deles no mundo social como cidadãos de uma sociedade democrática, a saber: (i) as relações entre fala e escrita e entre oralidade e letramento; (ii) as questões de norma linguística; e (iii) o estilo linguístico.  Os dados analisados apontam que são recorrentes nos LDP do ensino fundamental muitos dos fenômenos investigados na agenda da pesquisa sociolinguística brasileira, mas tais fenômenos são apresentados como conteúdos dispersos e sem a necessária reflexão que desenvolva no aluno uma percepção crítica da linguagem e dos sentidos sociais produzidos no curso das interações.

Palavras-chave: Avaliação de Livros didáticos; Ensino de Português brasileiro; Política linguística; Variação e heterogeneidade linguística; Práticas orais e escritas.

 

Minibiografia:

Cláudia Goulart. Professora de Língua Portuguesa do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Uberlândia (CAp-Eseba/UFU), Brasil; doutora em Linguística pela Unicamp/SP; investigadora do Grupo de Pesquisa em Texto e Discurso (Petedi) do Instituto de Letras e Linguística da UFU.


Comunicação 21

Sistema Pomares: uma análise qualitativa

Autores:

Paula Ferreira Dias – IF Goiano – paulinhaferreira.d@hotmail.com

Sabrina David de Azevedo – IF Goiano – sabrinaazevedo60@hotmail.com

Michelle Castro Lima – IF Goiano – michelle.lima@ifgoiano.edu.br

Marco Antônio F. Amaral – IF Goiano – marco.amaral@ifgoiano.edu.br

 

Resumo:

O presente trabalho aborda uma análise da apostila “Sistema Pomares de Ensino”, criado e utilizado pelo Município de Morrinhos- GO, com foco no ensino de português e no método proposto de alfabetização. A apostila é uma criação do próprio município para as escolas da rede municipal de educação. O sistema apostilado é ofertado pelo município para todas as escolas municipais, substituindo os livros que antes precisavam ser reaproveitados todos os anos. A apostila atende ao Ensino Fundamental, mas focaremos somente nas séries iniciais. A apostila trabalha com a ideia de valorizar a cultura local e as informações estão relacionadas com o município, seja na história, geografia e gramática. A opção curricular adotada pela apostila é o método socioconstrutivista, permitindo que a aprendizagem seja um processo de apropriação e construção de conhecimento, valores e atitudes. Nas últimas décadas, o livro didático e sua funcionabilidade foi objeto de estudo e debates sobre a sua legitimação para a educação básica, como fonte transmissora de conhecimento.  A legitimação desse recurso vem desde a época de Comenius com sua Didática Magna, em que era proposto um único livro como referência ao aluno. Com o decorrer do processo histórico, o livro didático passou a ser um recurso para o currículo e está entre os materiais mais utilizados como suporte no ambiente escolar. A partir das análises no material observamos que a proposta da apostila é interessante se realmente estivesse desenvolvendo o socioconstrutivismo, em que a aprendizagem acontece de forma contextualizada. Percebemos que o conteúdo trabalhado visa ensinar os alunos a codificar e decodificar, já que parte do método tradicional de ensino, oscilando entre o método sintético e analítico. Em algumas atividades a apostila parte das sílabas para as palavras, e em outras ela parte dos textos para as sílabas.

Palavras-chave: Alfabetização; Métodos; Livro didático; Pomares.

 

Minibiografias:

Paula Ferreira Dias. Graduanda do curso de Pedagogia do Instituto Federal Goiano campus Morrinhos.

Sabrina David de Azevedo. Graduanda do curso de Pedagogia do Instituto Federal Goiano campus Morrinhos.

Michelle Castro Lima. Professora do curso de Pedagogia do Instituto Federal Goiano campus Morrinhos. Doutora em Educação atuando nas áreas de alfabetização e formação de professores.

Marco Antônio F. Amaral. Professor do curso de Pedagogia do Instituto Federal Goiano campus Morrinhos. Mestre em Educação atuando nas áreas de psicologia educacional, EJA e formação de professores.


Comunicação 22

A ortografia nos livros didáticos de Língua Portuguesa destinados ao segundo ciclo do Fundamental I: Uma análise da progressão de conteúdo

Autores:

Yarla Suellen Nascimento Alvares – Universidade Federal de Pernambuco – yarlalvares@gmail.com

Ana Cláudia Rodrigues Gonçalves Pessoa – Universidade Federal de Pernambuco –aclaudiapessoa@gmail.com

 

Resumo:

A norma ortográfica do português apresenta regularidades e irregularidades. As primeiras podem ser compreendidas a partir da dedução dos princípios gerativos que as justificam, enquanto as irregularidades requerem memorização (MORAIS, 1998, 2005, 2006).  Apesar de não existir uma hierarquia direta na aprendizagem das regras ortográficas, é possível perceber que algumas são mais complexas do que outras (PESSOA, 2007). Paralelo a isso, o livro didático (LD)configura-se como um elemento importantíssimo para o trabalho em sala de aula, por ser um dos recursos didáticos mais utilizados no cotidiano escolar e por exercer uma grande influência na escolha do professor sobre “o que” ensinar (SILVA e MORAIS, 2005). Nesse contexto, objetivamos identificar as atividades de ortografia nos eixos das regularidades e das irregularidades, verificando a distribuição e frequência e as metas de ensino para ortografia, de acordo com o ano de escolaridade em uma coleção aprovada pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e que está entre as cinco mais adotadas no Brasil. Os dados encontrados revelam que a coleção analisada não demonstrou ter clareza sobre as metas e expectativas por ano de escolaridade, mesclando de forma aleatória regularidades e irregularidades ao longos dos volumes. Observamos também uma maior preocupação com as regularidades morfológico-gramaticais, de forma que, sete das dezesseis seções de ortografia analisadas focaram neste aspecto da norma, enquanto as regularidades diretas, por exemplo, não apareceram em nenhum dos LDs analisados. Podemos concluir, diante dos livros analisados, que as atividades de ortografia não demonstram diferenciar regularidades e irregularidades e não possuem uma progressão organizacional do conteúdo abordado. Diante das discussões apresentadas nesse estudo e dos resultados obtidos, acreditamos ser necessário que sejam oportunizados momentos e atividades apropriadas a reflexão da norma, inclusive no que se refere ao tipo de conhecimento a ser abordado de acordo com o ano de escolarização nos LDs.

Palavras-chave: Ensino de ortografia; Livro didático de Português; Avaliação de livros didáticos; Ensino Fundamental.

 

Minibiografias:

Yarla Suellen Nascimento Alvares é aluna do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco, pesquisando Educação e Linguagem; graduada em Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal de Pernambuco; professora dos anos iniciais na Prefeitura Municipal de Jaboatão dos Guararapes – PE.

Ana Cláudia Rodrigues Gonçalves Pessoa é Professora Adjunta da Universidade Federal de Pernambuco; professora do Programa de Pós-graduação em Educação da UFPE; Chefe do Departamento de Métodos e Técnicas do Centro de Educação da UFPE e coordenadora da pesquisa “Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa: formação de professores e impactos sobre a prática docente”.


Comunicação 23

Políticas e práticas de avaliação de manuais de Português em Portugal e no Brasil

Autores:

Francisca Izabel Pereira Maciel – FaE/UFMG – emaildafrancisca@gmail.com

João Paulo Balula – IPV – jpbalula@esev.ipv.pt

 

 

Resumo:

O manual escolar (em Portugal) ou o livro didático (no Brasil) é o recurso didático mais acessível aos alunos e às suas famílias, mas é, também, muito influenciado por decisões políticas. Em Portugal, a avaliação e a adoção dos manuais escolares tem como princípios a liberdade e a autonomia na sua produção, escolha e utilização. O enquadramento jurídico vigente, estabelecido pela Lei n.º 47/2006, de 28 de agosto, sofreu algumas alterações ao longo dos últimos anos, mas não foi, ainda, objeto de um estudo sistemático dos seus resultados. Por sua vez, no Brasil, a Portaria Ministerial n.º 82, de 20 de janeiro de 2000, estabelece que o Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Básica (SEB), realiza a avaliação pedagógica do livro didático como parte da execução do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e do livro de literatura, concretizando o Programa Nacional Biblioteca da Escola. Através do PNLD, são distribuídas gratuita e universalmente as obras didáticas nas escolas públicas, cumprindo o preconizado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9.394/96). Considerando a importância de fundamentar as decisões nos resultados da investigação, esta comunicação visa apresentar os resultados de um estudo, de natureza qualitativa, sobre a legislação que suporta a avaliação de manuais escolares ou de livros didáticos em Portugal e no Brasil no início do século XXI. Os resultados preliminares deste estudo permitem destacar as vantagens de associar a avaliação dos manuais de Português a uma reflexão sobre o seu contributo para a garantia da qualidade das aprendizagens dos alunos, procurando, assim, definir linhas diretrizes que ajudem a melhorar os sistemas em vigor.

Palavras-chave: Recursos didáticos; Avaliação de manuais escolares; Avaliação de livros didáticos; Política educativa.

 

Minibiografias:

Francisca Izabel Pereira Maciel. Professora graduação e pós‑graduação da Faculdade de Educação da UFMG, Belo Horizonte (Brasil); doutorada em Educação; investigadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da FaE/UFMG.

João Paulo Balula. Professor Coordenador da Escola Superior de Educação (ESEV-IPV) do Instituto Politécnico de Viseu (Portugal); doutorado em Didática pela Universidade de Aveiro; investigador do Centro de Estudos em Educação, Tecnologias e Saúde (CI&DETS) do IPV; e Presidente da ESEV-IPV.


Comunicação 24

O lugar da oralidade em livros didáticos brasileiros recomendados pelo Programa Nacional do Livro Didático

Autores:

Leandro Alves dos Santos – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) – leandro-alvess@hotmail.com

Amelia Escotto do Amaral Ribeiro – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) – ameliaribeiro@gmail.com

 

Resumo:

Diante de uma educação escolar marcada predominantemente por práticas que objetivam desenvolver a linguagem escrita, questiona-se o lugar e o papel da linguagem oral nas relações de ensino-aprendizagem da língua. Estudos em Língua Portuguesa sobre o universo da leitura e da escrita (MARINHO, 2010; GOULART, 2001; DIONÍSIO, 2006; MARCUSCHI, 2005, KLEIMAN, 1995; TFOUNI, 2002; YUNES, 2009) sinalizam a importância da oralidade no desenvolvimento da linguagem escrita e, de alguma forma, corroboram com a ideia da relação intrínseca entre oralidade e escrita.  No Brasil, os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa pontuam como finalidade do ensino de língua, nos anos iniciais, a expansão das possibilidades do uso da linguagem. Reconhecem a linguagem verbal como atividade discursiva que abrange as habilidades linguísticas básicas: ler, escrever, falar e ouvir. No entanto, a educação escolar privilegia práticas voltadas para a linguagem escrita. Estas práticas, na maioria das vezes, são sugeridas pelos livros didáticos. No Brasil, o Programa Nacional do Livro Didático busca viabilizar os propósitos de promoção do desenvolvimento da linguagem, indicados nos PCN. A indicação de livros didáticos pretende auxiliar o trabalho em sala de aula, tornando-se uma ferramenta importante na relação de ensino-aprendizagem da língua. Assim, entendendo os livros didáticos como documentos que materializam uma proposta de ensino-aprendizagem baseada no desenvolvimento da linguagem, o presente estudo investiga se as proposições didáticas em materiais selecionados pelo PNLD exploram e sistematizam a proficiência das habilidades relacionadas à linguagem oral assim como fazem com a leitura e a escrita. Inspirando-se nos princípios da pesquisa descritivo-documental, analisam-se livros didáticos, distribuídos pelos programas de 2001, 2004 e 2010. Os resultados revelam o predomínio das atividades relacionadas às habilidades de leitura e escrita e o esvaziamento da habilidade da escuta, e que atividades relacionadas à Linguagem oral, quando contempladas, associam-se, principalmente, à leitura e à escrita.

Palavras-chave: Habilidades linguísticas; Oralidade; Escrita; Livros didáticos.

 

Minibiografia:

Leandro Alves dos Santos. Mestre em Educação Cultura e Comunicação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2013). Possui graduação em Letras Português-Espanhol pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010) e graduação em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2007). É professor regente no Programa de Educação de Jovens e Adultos da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Atualmente, tem interesse pelo Ensino de Língua Portuguesa.

Amelia Escotto do Amaral Ribeiro. Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2000). Atualmente é Professora Associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ/FEBF). Tem experiência na área de Educação com ênfase em Psicologia Educacional. Áreas de atuação e interesse: alfabetização, formação de professores, letramento e gestão escolar. Coordena o Grupo de Pesquisa: Letramento Escolar, Cultura e Sociedade.


Comunicação 25

Proposta curricular e os manuais escolares nas escolas primárias de São Tomé e Príncipe/África

 

Autoras:

Francisca Izabel Pereira Maciel, Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita, Faculdade de Educação,  – FaE/UFMG – Brasil – emaildafrancisca@gmail.com

Maria de Lourdes Dionísio – Centro de Investigação em Educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho – mldionisio@ie.uminho.pt

 

Resumo:

Apresentaremos dados de investigação sobre manuais escolares utilizados nas escolas primárias de São Tomé e Príncipe/África (STP). Baseados em perspectiva discursiva, histórica e cultural, iremos focalizar a legislação e a materialidade desses manuais. No país é evidente a escassez de  livros e outros utensílios da cultura escrita e, consequentemente a circulação de impressos na sociedade, nos leva a evidenciar o lugar de destaque que os manuais escolares ocupam na escolarização das crianças e até mesmo de seus familiares. Os manuais  escolares são, para a maioria, o único livro a que eles tem acesso e nos  leva a indagar sobre os impactos dos conteúdos desses recursos na vida dessas crianças e na sua formação cidadã. As duas ilhas São Tomé e Príncipe possuem extensão total de 964 Km2, população de 180 mil habitantes, com um  percentual  jovem de 44% – idade entre 0 a 14 anos, seguido de 30% entre 25 a 54 anos. O país tornou-se independente em 12 de julho de 1975 e está dividido em seis distritos e a ilha do Príncipe  todos contam com uma infra estrutura mínima. A  pobreza atinge 41% da população ativa, e há grande necessidade acordos de cooperação internacional, sendo que 90% da arrecadação do país, provem de ajuda internacional. Nesse cenário, buscaremos responder questões como: qual a proposta curricular e os conteúdos privilegiados nesses manuais? Qual a concepção de ensino-aprendizagem? A cultura santomenses está representada nos manuais?

Palavras-chave: Manuais escolares africanos; Política pública; Avaliação de livros didáticos.

 

Minibiografia:

Francisca Izabel Pereira Maciel. Professora de graduação e pós‑graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte (Brasil); investigadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da FaE/UFMG.

Maria de Lourdes Dionísio é Doutora em Educação, na especialidade de Metodologia do Ensino do Português, pela Universidade do Minho, onde é Professora Associada do Departamento de Estudos Integrados de Literacia, Didática e Supervisão. Desenvolve investigação em práticas sociais de literacia, leitura em contextos escolares e não escolares, conceção e uso de manuais escolares.


Comunicação 26

O contributo dos manuais de Português para práticas de leitura literária – percursos de análise no 1.º CEB

Autores:

Dulce Melão – Escola Superior de Educação de Viseu (CI&DETS) – dulcemelao@esev.ipv.pt

Ana Isabel Silva – Escola Superior de Educação de Viseu (CI&DETS) – aisilva@esev.ipv.pt

Susana Amante – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – susanamante@esev.ipv.pt

Adelina Castelo – Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau – adelina.castelo@ipm.edu.com

Isabel Aires de Matos – Escola Superior de Educação de Viseu (CI&DETS) – iairesmatos@esev.ipv.pt

João Paulo Balula – Escola Superior de Educação de Viseu (CI&DETS) – jpbalula@esev.ipv.pt

 

Resumo:

É reconhecido que o processo de avaliação e certificação dos manuais escolares implicou um conjunto significativo de mudanças na reorganização dos mesmos. No que diz respeito aos manuais de Português destinados ao 1.º CEB, tais mudanças repercutiram-se, sobretudo, no reajustamento dos domínios da Oralidade, da Leitura e Escrita, da Gramática e da Educação Literária, contemplados no Programa e Metas Curriculares de Português (2015). Face à relevância crescente atribuída à formação de leitores, cujo perfil cada vez mais multifacetado está em permanente reconstrução, importa refletir sobre o possível contributo de tal reorganização dos manuais para a operacionalização de práticas de leitura literária em contexto de sala de aula. Tendo como quadro teórico de referência o cruzamento da reconceptualização da Educação Literária no Programa e Metas Curriculares de Português (2015) com o desenvolvimento de estratégias didáticas de ensino da compreensão na leitura, traçámos os seguintes objetivos: i) analisar o modo como as atividades propostas nos manuais promovem o cumprimento dos objetivos do domínio da Educação Literária em articulação com a compreensão na leitura; ii) compreender que repercussões terão tais opções para a reconstrução conjunta, de docentes e de alunos/alunas, de itinerários de leitura que possibilitem cultivar o gosto pela mesma. Relativamente às opções metodológicas, a nossa abordagem foi de natureza qualitativa, tendo sido selecionados três manuais do 1.º CEB adaptados ao Programa e Metas Curriculares de Português. Recorremos à técnica da análise de conteúdo para o estabelecimento de categorias a posteriori, de modo a podermos compreender que tipo de atividades os manuais privilegiam e quais as razões que subjazem a tal escolha. Concluímos que as atividades propostas, embora contribuam para a promoção da Educação Literária, se articulam, por vezes, de forma débil, com o desenvolvimento da compreensão na leitura, o que poderá repercutir-se nos itinerários de leitura partilhados em contexto escolar.

Palavras-chave: Manuais de Português; práticas de leitura literária; 1.º CEB; formação de leitores.

 

Minibiografias:

Dulce Melão. Assistente da Escola Superior de Educação de Viseu, doutorada em Educação (Ramo Didática e Desenvolvimento Curricular) pela Universidade de Aveiro e investigadora do Centro de Estudos em Educação, Tecnologias e Saúde (CI&DETS) do IPV.

Ana Isabel Silva. Assistente da Escola Superior de Educação de Viseu (ESEV-IPV), doutorada em Línguas e Literaturas Modernas, Linguística e Ensino de Línguas pela Universidade Católica Portuguesa e investigadora do Centro de Estudos em Educação, Tecnologias e Saúde (CI&DETS) do IPV.

Susana Amante. Professora Auxiliar convidada na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, doutorada, com menção de Doctor Europaeus, em Filologia Inglesa (tese em Literatura Canadense para a Infância) pela Universidade de Salamanca e Universidade de Coimbra; investigadora do Centro de Estudos em Educação, Tecnologias e Saúde (CI&DETS) do IPV.

Adelina Castelo. Professora Adjunta do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa, do Instituto Politécnico de Macau; doutorada em Linguística Educacional pela Universidade de Lisboa; investigadora do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa e colaboradora do Centro de Estudos em Educação, Tecnologias e Saúde (CI&DETS) do IPV.

Isabel Aires de Matos. Professora Coordenadora da Escola Superior de Educação (ESEV-IPV) do Instituto Politécnico de Viseu; doutorada em Ciências da Linguagem, na especialidade de Didática de Línguas, pela Universidade de Grenoble (França); investigadora do Centro de Estudos em Educação, Tecnologias e Saúde (CI&DETS) do IPV.

João Paulo Balula. Professor Coordenador da Escola Superior de Educação (ESEV-IPV) do Instituto Politécnico de Viseu; doutorado em Didática pela Universidade de Aveiro; investigador do Centro de Estudos em Educação, Tecnologias e Saúde (CI&DETS) do IPV; Presidente da ESEV-IPV.


Comunicação 27

Os atos de cortesia verbal no manual Português XXI: a importância da competência pragmática

 

Autora:

Justyna Wiśniewska –  Instituto de Filologia Românica da Universidade Marie Curie-Skłodowska, Lublin, Polónia – wisjustyna@gmail.com

 

Resumo:

Para atingir o objetivo da comunicação numa língua estrangeira, é imprescindível adquirir uma série de competências paralinguísticas, gestuais, pragmáticas e sociolinguísticas entre outras. Com a presente comunicação, pretende-se discutir os aspetos do funcionamento pragmático da língua portuguesa, nomeadamente os atos de cortesia verbal, no manual de português para estrangeiros – Português XXI, sendo a pesquisa aplicada ao estudo e ensino da língua portuguesa pelos aprendentes de língua materna polaca. Parte-se da abordagem teórica dos atos de fala (Searle 1969, 1979) e da teoria das faces (o modelo de Brown e Levinson (1978)) para depois baseando-se no corpus de exemplos concretos constatar que o manual em questão apresenta algumas falhas no que diz respeito à apresentação das formas de cortesia e nem sempre aborda explicitamente o tema em questão. Para concluir, apresenta-se uma proposta de alguns exercícios, sugerindo formas pragmáticas mais produtivas.

Palavras-chave: Didática; Manual para estrangeiros; Cortesia; Pragmática.

 

Minibiografia:

Justyna Wiśniewska é Professora Adjunta no Instituto de Filologia Românica da Faculdade de Letras da Universidade Marie Curie-Skłodowska de Lublin, onde leciona, entre outras, as disciplinas de Licenciatura de Gramática do Português, assim como a Introdução à Linguística e Gramática contrastiva (língua portuguesa e línguas eslavas). Doutora em Linguística Românica. Prossegue desenvolvendo investigação sobre delicadeza verbal no português europeu, tendo sido bolseira do IC em Lisboa.


Comunicação 28

Ensino de língua portuguesa para além do livro didático: variação, norma, crenças e atitudes

 

Autor:

Niguelme Cardoso Arruda – Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC-Criciúma) – niguelme.arruda@ifsc.edu.br

 

Resumo:

Conforme se verifica nos PCNs do Ensino Médio, documento norteador dessa etapa de escolarização no Brasil, o estudo de língua materna deveria tomar como princípio a “reflexão sobre o uso da língua na vida e na sociedade”. No entanto, o que ainda se verifica é uma “confusão entre norma e gramaticalidade”. Nesse sentido, “o que deveria ser um exercício para o falar/escrever/ler melhor se transforma em uma camisa de força incompreensível” (BRASIL, 2000, p. 137). Nessa perspectiva, é necessário que o trabalho com língua materna tenha maior clareza, conforme aponta Faraco (2008), sobre as diferenças entre norma padrão e norma culta, compreendendo esta como um conjunto de normas (cf. FARACO, 2008). Além do trabalho que proporcione ao aluno o domínio da norma culta (entendida como plural), é de fundamental importância que esse trabalho se desenvolva a partir de gêneros (orais e/ou escritos) diversos, em cujos contextos se verifica a língua em uso concreto. É preciso, portanto, que o ensino de língua seja norteado por uma concepção de língua que considere seu caráter multifacetado e dialógico. A partir dessa perspectiva, o presente trabalho se propõe a verificar, pautado nos pressupostos teóricos da Sociolinguística, em que medida manuais didáticos adotados em escolas públicas federais de ensino técnico integrado ao ensino médio contemplam o caráter inerentemente heterogêneo da língua. Para tal análise, será considerado o tratamento dado a um fenômeno variável no português brasileiro (a saber, o objeto direto anafórico – OD). Considerando a ênfase que esses manuais dão à norma padrão (alicerçada no conservadorismo da Gramática Tradicional), assume-se a hipótese de que não é dado destaque à variação do referido fenômeno sintático, centrando suas atenções no uso de clíticos em função de OD, reforçando, em certa medida, crenças e atitudes negativas em relação ao uso da língua e, consequentemente, o preconceito linguístico.

Palavras-chave: Sociolinguística; Crenças e atitudes; Preconceito linguístico; Livro didático.

 

Minibiografia:

Professor de Língua Portuguesa do Instituto Federal de Santa Catarina (Câmpus Criciúma); doutor em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara.


Comunicação 29

Manuais escolares / livros didáticos na formação de professores e de leitores: Modelos mentais construídos sobre relações étnico-raciais

Autoras:

Aracy Alves Martins –  Ceale – NERA/NEPHELA/FAE/UFMG – aracymartins60@gmail.com

Vanda Lúcia Praxedes – NEPEL/NEPPER/FAE/UEMNERA/NEPHELA/FAE/UFM – valupraxedes@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação reporta à Pesquisa em Rede, “Língua e Literatura: relações raciais, diversidade sociocultural e interculturalidade em países de língua portuguesa”, realizada com recursos do CNPq, 2012-2016, por pesquisadores do CEALE/FaE/UFMG (Centro de Alfabetização Leitura e Escrita), do (Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Ações Afirmativas), e do NEPEL/FAE/UEMG (Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Educação e Linguagem). Mediante a Lei Brasileira 10.639/2003, que estabelece o estudo da História e das Culturas da África (atualizada pela Lei 11.645, incluindo culturas indígenas) – enfatizando “a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil” –, nas áreas de Arte, História, e Literatura,  levando em conta que manuais escolares/livros didáticos, considerados por Apple (1993 como conhecimento oficial e por Van Dijk (2015) como ideologias dominantes do momento, podem, também, ser entendidos como modelos mentais, a esta comunicação interessa investigar, que modelos mentais (VAN DIJK, 2002 e 2012) estão sendo construídos sobre relações étnico-raciais (GOMES, 2003).  Metodologicamente, esta comunicação realiza um estudo, pelo ponto de vista da Análise Crítica do Discurso – pelo seu comprometimento com as Práticas Sociais e seus sujeitos (ACD – VAN DIJK, 2008) –  dos textos visuais e verbais, presentes em manuais escolares/livros didáticos, analisados pelo PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), “para construção da cidadania e ao convívio social republicano”: relações raciais, identidade, diversidade, abordagens históricas, tendências, temáticas, contribuições da leitura literária, na perspectiva da Linguagem e da História, como fundamentos para a Formação de Professores do Ensino Fundamental (AMANCIO, GOMES & JORGE, 2008) e, consequentemente, para a Formação de Leitores conscientes, sensíveis e críticos.

Palavras-chave: Livros didáticos/Manuais escolares; Relações Étnico-raciais; Modelos mentais;  Formação de Professores; Formação de Leitores.

 

Minibiografias:

Aracy Alves Martins. Doutora em Educação, Professora Associada Aposentada da Faculdade de Educação, da Universidade Federal de Minas Gerais. Pesquisadora do Centro de Alfabetização Leitura e Escrita/Ceale e do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Ações Afirmativas/NERA. Coordena o NEPEHLA-Diretório CNPq, tem experiência na área de Educação e Linguagem, atuando nos temas: letramento literário, formação de professores e de leitores, manuais escolares, relações raciais, tensões entre línguas.

Vanda Lúcia Praxedes. Pós-Doutora em Educação, Doutora em História Social da Cultura, Professora e Pesquisadora Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Ações Afirmativas/NERA, do NEPEHLA/FAE/UFMG e do NEPEL/NEPPER/FAE/UEMG.Tem experiência na área de História e Educação, atuando nos temas: livros didáticos, formação de professores em História da África e Culturas Afro-Brasileiras, relações raciais e história do negro em contextos diaspóricos.


Comunicação 30

A escrita como processo nos manuais do 10.º ano do ensino secundário

 

Autora:

Ana Maria Machado –  Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra   – anamacha@fl.uc.pt

 

Resumo:

O Programa e as metas curriculares de Português para o Ensino Secundário, de 2014, presta particular atenção ao “trabalho sobre os textos (orais e escritos), mediada pela noção de género, no quadro de uma pedagogia global da língua que pressupõe o diálogo entre domínios” (Buescu, 2014:4); neste âmbito, concede uma atenção privilegiada ao domínio da escrita (Buescu, 2014:8). No âmbito de uma complexidade textual crescente, para o 10.º ano, o ano escolhido para a observação sobre a qual incide o trabalho que pretendo desenvolver, selecionaram-se a síntese, a exposição sobre um tema e a apreciação crítica. Cruzando as orientações programáticas com as reflexões sobre didática da escrita de autores como Linda Flower, John R. Hayes, Luísa Álvares Pereira, Luís Barbeiro ou José António Brandão Carvalho, entre outros, e com a prática dos manuais escolares do 10.º ano, procurar-se-á perceber até que ponto o discurso instrucional das tarefas de escrita obedece, de facto, a uma didática da escrita ou se, pelo contrário, se limita a replicar o discurso dos programas e das metas, descurando fases importantes do ensino-aprendizagem da escrita como é a exposição e análise de textos representativos do género em estudo. Em função dos resultados, caberá, portanto, perguntar se o cumprimento das orientações de certificação dos manuais escolares garante, por si só, a qualidade do manual.

Palavras-chave: Avaliação de livros didáticos; Didática da escrita; Certificação dos manuais escolares.

 

Minibiografia:

Ana Maria Machado é professora na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e membro do Centro de Literatura Portuguesa da mesma universidade. Leciona Língua, Cultura e Literatura Portuguesas na licenciatura, mestrado e doutoramento e também nos cursos de Português para estrangeiro. Tem publicado ensaios no âmbito da literatura medieval, do ensino da literatura, das materialidades da literatura e do Português língua estrangeira.


Comunicação 31

Avaliação de livros didáticos no Brasil e em Portugal e a abordagem variacionista

 

Autoras:

Juliana Bertucci Barbosa – IELACHS-PROFLETRAS-UFTM – julianabertucci@gmail.com

Talita de Cássia Marine – ILEEL-PROFLETRAS-UFU – talita.marine@gmail.com

 

Resumo:

É fundamental, para que se modifiquem atitudes preconceituosas em relação às diferentes variedades do Português, que não só a escola, mas também o livro didático (ou manual escolar) adotado em escolas públicas assumam o compromisso de desenvolver um ensino de língua que leve em consideração a diversidade linguística. No Brasil, o Ministério da Educação, respeitando a Portaria Ministerial n.º 82, de 20 de janeiro de 2000, realiza a avaliação pedagógica do livro didático como parte da execução do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) que tem como objetivos básicos a aquisição e distribuição gratuita de livros didáticos aos alunos da rede pública do Ensino Básico no Brasil. Em Portugal, a avaliação e a certificação dos manuais escolares são orientadas pela Lei n.º 47/2006, de 28 de agosto (e outros despachos) e buscam garantir “a qualidade científica e pedagógica dos manuais escolares” (DGE, 2016) e assegurar a sua conformidade com as orientações e metas curriculares. Os manuais avaliados, certificados e adotados pelas escolas em Portugal são disponibilizados pelo Diretório Geral de Educação (DGE) na plataforma Sistema de Informação de Manuais Escolares/SIME. Assim, partindo desse cenário, apresentamos uma discussão dos documentos que orientam as avaliações dos manuais didáticos da Educação Básica no Brasil e em Portugal, buscando observar se mencionam e/ou levam em consideração a variação linguística. Além disso, investigamos dois materiais didáticos – avaliados e certificados no Brasil e em Portugal – do sexto ano de escolaridade a fim de verificar se há uma abordagem variacionista no ensino de fenômenos gramaticais. Nossos resultados contribuem para o desenvolvimento da pedagogia da variação linguística no ensino de língua e “não dê um tratamento anedótico ou estereotipado aos fenômenos da variação; localize adequadamente os fatos da norma culta no quadro amplo da variação e no contexto das práticas sociais que a pressupõem” (FARACO, 2011, p. 09).

Palavras-chave: Avaliação; Certificação; Material didático; Sociolinguística Educacional; Ensino de língua portuguesa.

 

Minibiografias:

Juliana Bertucci Barbosa. Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP, com estágio PDEE financiado pela Capes na FLUL e no CLUL (Universidade de Lisboa). Atualmente é professora e pesquisadora na UFTM, campus de Uberaba, MG, e coordenadora do PROFLETRAS-UFTM. Possui experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística. É líder do Grupo de pesquisas GEVAR (Grupo de Estudos Variacionistas) cadastrado na plataforma CNPq,  atua como membro permanente do GT de Sociolinguística da ANPOLL e coordenadora do PLI-Portugal (CAPES).

Talita de Cássia Marine. Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP com estágio PDEE financiado pela Capes na FLUL e no CLUL (Universidade de Lisboa). Atualmente é professora e pesquisadora do ILEEL-UFU (MG) e coordenadora do PROFLETRASUFU. Possui experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística. É líder do Grupo de pesquisas GEVAR (Grupo de Estudos Variacionistas) cadastrado na plataforma CNPq e atua como membro permanente do GT de Sociolinguística da ANPOLL.


Comunicação 32

A Compreensão textual no Livro Didático do Ensino Médio: Uma avaliação Linguística e política-pedagógica 

Autora:

Myrian Conceição Crusoé Rocha Sales – Universidade Federal da Bahia – myriancrusoe@gmail.com

 

Resumo:

As concepções de textos veiculadas no Livro Didático (LD) para auxiliar o ensino de Língua Portuguesa são contempladas nas atividades textuais? Como os Critérios de Avaliação do LD orientam os produtores no item Compreensão Textual? Observa-se que algumas atividades textuais silenciam o sujeito responsivo defendido por Bakhtin (2011), enquanto que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) sugere nos Critérios de Avaliação dos Livros Didáticos (2010) que o texto seja trabalhado respeitando a interação entre autor-texto-leitor, baseando-se assim na concepção sociocognitivo-interacional proposta por Koch (2008) que apresenta uma abordagem textual incluindo o sujeito social. Nessa concepção interacional (dialógica) da língua, os sujeitos são atores ou construtores sociais ativos que, dialogicamente, se constroem e são construídos no texto. Apesar de citada em alguns manuais, essa concepção não é colocada em prática nas atividades.  O alicerce teórico desta pesquisa baseou-se em duas fases da Linguística Textual (LT): a sociocognitivo-interacional, apresentada por Koch (2008, 2009, 2010, 2011) e um novo momento que vem surgindo paulatinamente, a fase bakhtiniana proposta por Heine (2008, 2010, 2012, 2014, 2015). O objetivo desse estudo foi verificar os tipos de atividades que oportunizavam uma reflexão sobre os aspectos sócio, histórico e ideológicos apresentados no texto; e como os critérios de avaliação do LD orientam na proposta de compreensão textual. Foram analisados três livros didáticos de Língua Portuguesa do 3º Ano do Ensino Médio, bem como o manual do professor, os guias e os Critérios de Avaliação do MEC. Após análise do corpus da pesquisa, observou-se que a maioria das questões de construção de sentidos nos LD não contemplam os aspectos sócio, histórico e ideológico próprios do texto, consequentemente, silenciando o sujeito responsivo. Os resultados demostram ainda que os critérios do MEC para avaliação do LD não acompanham teorias atualizadas necessárias ao aprimoramento do estudo de texto.

Palavras-chave: Critérios de Avaliação do Livro Didático; Livro Didático do Ensino Médio; Compreensão Textual.

 

Minibiografia:

Mestra em Letras e Cultura pela Universidade Federal da Bahia. Atualmente, é professora no Programa Ensino Médio com Intermediação Tecnológica (Emitec) do Governo do Estado da Bahia e Tutora presencial do curso Licenciatura em Letras/Inglês da UNEB/Unead. Membro do Núcleo de Pesquisa do Discurso (NUPED – UFBA). Pesquisa sobre os conceitos de Bakhtin para construção de sentidos em Livros Didáticos do Ensino Médio.


Comunicação 33

Compartilhando olhares Outros no ambiente da cibercultura: por uma escola que produz textos, leituras e novas tessituras em rede

 

Autoras:

Ana Paula da Silva Conceição Oliveira – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) – ana.pedagogia@yahoo.com.br

Marietta Nunes Nidecker – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) – marinidecker@gmail.com

 

Resumo:

Este estudo tem como objetivo analisar as potencialidades da cibercultura no contexto escolar, compreendendo-a como uma aliada ao processo ensino-aprendizagem em que as leituras e produções textuais emergem repletas de sentido no cotidiano dos nativos digitais que vivem imersos às tecnologias da informação e comunicação (TICs). Refletir sobre a era digital e as novas formas de se comunicar em rede, implica na reconfiguração da escola que necessita evidenciar práticas de ensino compatíveis com os estudantes da atualidade, repletos de olhares outros manifestos nos ambientes virtuais, mais ainda desconsiderados pela escola que vive em um tempo analógico.  Questões como os novos tipos de leitores, a transformação da escola frente à cultura digital e a valorização da escrita em rede serão pautados neste estudo. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica e descritiva, na qual realizou-se um estudo sobre o ambiente virtual de aprendizagem (AVA) criado através da rede social Facebook. Foi feita uma análise sobre as experiências hipertextuais e as potencialidades da cibercultura para o ambiente escolar. Ao verificar que a escola atualmente encontra-se perpassada por tecnologias digitais, observou-se a necessidade de criar um AVA que explorasse os recursos da cibercultura e os utilizasse como instrumentos pedagógicos direcionados ao desenvolvimento da leitura e da escrita. Nesta perspectiva, o estudo aqui proposto investigou as possibilidades da cibercultura e os resultados obtidos a partir desta experiência formativa, que ao invés de distanciar-se da cultura midiática recorreu às suas ferramentas com um propósito educacional. Compreendemos a linguagem como um rico instrumento comunicacional e estendemos um olhar criticamente curioso sobre as interfaces possíveis através das TICs que caracterizam a sociedade atual. Deste modo, reconhecemos uma polifonia quando diferentes vozes e culturas se encontram para dialogar e escrever novas línguas que através da cibercultura podem ser aprendidas, somadas e recriadas.

Palavras-chave: Cibercultura; Educação; Leitura; Escrita; Hipertexto.

 

Minibiografias:

Ana Paula da Silva Conceição Oliveira. Mestranda da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Pedagoga, Especialista em Tecnologia Educacional e em Gestão e Implementação de Educação à Distância. Orienta professores para o uso de Tecnologias aplicadas à Educação na rede particular de ensino. Realiza pesquisa sobre Educação, Tecnologias e Cibercultura. Atua como orientadora pedagógica no município de Araruama (RJ) e leciona disciplinas de formação de professores na Rede Estadual de Educação (RJ).

Marietta Nunes Nidecker. Mestranda da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Formada em Letras (Português-Literaturas), desde 2005, dedica-se à pesquisa formação, voltada para sociolinguística – Linha de Pesquisa Políticas, direitos e desigualdades. Leciona e desenvolve projetos de Produção textual, atualmente, no Colégio São Vicente de Paulo e na Rede Estadual de Educação (RJ).


Comunicação 34

Base Nacional Comum Curricular em livros didáticos do Ensino Fundamental

 

Autores:

Alceu Vanzing – FEEVALE – professor.alceu@gmail.com

Rosemari Lorenz Martins – FEEVALE – rosel@feevale.br

 

Resumo:

O presente trabalho objetiva analisar duas coleções de livros didáticos, “Português: Linguagens”, da Editora Saraiva, de Willian Cereja e Thereza Cochar, e “Tecendo Linguagens: Língua Portuguesa”, publicado pela Editora IBEP, de autoria de Tania Amaral Oliveira, Elizabeth Gavioli de Oliveira Silva, Cícero de Oliveira Silva e Lucy Aparecida Melo Araújo, do Ensino Fundamental, aprovados pelo Plano Nacional do Livro Escolar (PNLD 2017, 2018 e 2019), com o intuito de verificar se contemplam os conteúdos gramaticais previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para esse nível de ensino. Uma análise preliminar dos livros, por ano escolar, revelou que, apesar de as duas coleções terem sido aprovadas pelo PNLD para os próximos três anos e, mesmo tendo sido previsto que a BNCC entraria em vigor ainda em 2016, os manuais didáticos investigados, que entrarão nas escolas no próximo ano, não foram elaborados com base no documento oficial. Além disso, observou-se que as obras apresentam os conteúdos gramaticais tomando como base a gramática normativa.

Palavras-chave: Ensino de gramática; Ensino Fundamental; Gramática normativa; Livro didático; PNLD 2017.

 

Minibiografias:

Alceu Vanzing. Mestrando do Mestrado profissional em Letras da Universidade Feevale, Graduado em Letras pelo Centro Universitário La Salle e Especialista em Gramática e Ensino de Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente, é professor de Língua Portuguesa, Redação e Literatura Brasileira, no Ensino Médio, do Instituto Pró-Universidade Canoense – IPUC, professor do Curso de Letras e professor do Curso de Especialização em Neopedagogia da Gramática da Faculdade de Tecnologia IPUC – FATIPUC.

Rosemari Lorenz Martins. Doutora em Letras pela PUC-RS, Mestre em Ciências da Comunicação, Especialista em Linguística do Texto e Graduada em Letras-Português/Alemão pela Unisinos/RS. Professora do Curso de Letras, professora e coordenadora do Mestrado Profissional em Letras, colaboradora do Programa de Pós-graduação em Diversidade Cultural e Inclusão Social e Assessora de Pós-graduação Stricto Sensu da Universidade Feevale/RS. 


Comunicação 35

A semântica no livro didático de português: uma questão marginal

Autores:

Nádia Maria Silveira Costa de Melo – UERN – solinadia@gmail.com

Francisco Wildson Confessor – UFRN – wildsonconfessor@gmail.com

 

Resumo:

O livro didático surgiu no Brasil na época da redemocratização do ensino como uma medida emergencial cujo propósito era habilitar o seu portador para assumir as funções docentes (GERALDI, 1999). Desde então, ele tem desempenhado um papel fundamental na maioria das salas de aula brasileiras. O objetivo deste trabalho é avaliar os livros didáticos de português quanto à garantia da qualidade das aprendizagens dos alunos no tocante a abordagem dos aspectos semânticos. O objetivo é descrever e avaliar os conteúdos e as propostas de atividades referentes aos estudos semânticos. O aporte teórico tem como base os trabalhos de Oliveira (2004), Ilari (2003), Marques (1999), Neves (1999), Geraldi (1997), Brasil (1997), Guiraud (1980) etc. As amostras analisadas foram coletadas de três coleções de Livros Didáticos do Ensino Básico (CEREJA; MAGALHÃES, 2012; DELMANTO; CARVALHO, 2012; SARMENTO, 2015) adotados e usados em escolas públicas do estado do Rio Grande do Norte (Brasil), durante o triênio de 2014 a 2016. Os resultados preliminares apontam para uma abordagem semântica ateórica e insuficiente para a formação de um cidadão crítico, analítico e seletivo em relação aos discursos experienciados no seu cotidiano, de forma, a construir seus próprios argumentos acerca das complexas temáticas sociais hodiernas. Faz-se, portanto, necessário que este recurso proponha conteúdos e atividades que promovam uma reflexão sobre os recursos semânticos da língua, desenvolvendo, consequentemente, as competências linguística e comunicativa do discente, além de explicitar os mecanismos de funcionamento da língua.

Palavras-chave: Língua portuguesa; Português brasileiro; Livro Didático; Semântica; Avaliação.

 

Minibiografias:  

Nádia Maria Silveira Costa de Melo. Professora Adjunta da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Docente do Departamento de Letras Vernáculas. Pesquisadora. Integrante do Grupo de Estudos Discurso & Gramática na UFRN. Autora de artigos sobre aspectos funcionais da língua portuguesa.

Francisco Wildson Confessor. Doutor em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atualmente é Coordenador de Revisão de Textos da Editora da UFRN. Seus interesses de pesquisa voltam-se principalmente para os seguintes temas: funcionalismo linguístico, gramaticalização, ensino de língua portuguesa, revisão de textos e marcadores de especificidade de sintagmas nominais indefinidos.


Comunicação 36

Livros didáticos em análise: criações, representações e propostas no ensino de Língua Portuguesa

 

Autora:

Joseane Amaral – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense – campus Passo Fundo – joseane.amaral@passofundo.ifsul.edu.br

 

Resumo:

Ensino de Língua Portuguesa e livro didático parecem duas noções indissociáveis, especialmente quando se aborda o ensino no Brasil. O professor de língua materna parece ancorar-se em materiais pré-elaborados e que nem sempre atendem às necessidades de aprendizagem dos alunos. O presente trabalho apresenta discussões e propostas acerca do trabalho docente com o livro didático, a partir de dados coleados em uma disciplina de Especialização para docentes da área de Letras. A disciplina “Análise e produção de material didático na área de línguas”, é ministrada na Especialização em Linguagens e Tecnologias na Educação, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense – campus Passo Fundo. A partir do entendimento sobre o significado dos livros didáticos na educação brasileira, bem como da análise e posterior construção de materiais didáticos, buscou-se desconstruir ideias arraigadas em relação à temática, as quais se refletem quase sempre no trabalho do professor. Além disto, ao construírem suas próprias lições, os docentes precisam refletir além de uma perspectiva conteudista, embasando suas propostas em pilares como diversidade linguística, representações culturais, tecnologias digitais da informação e comunicação e novos letramentos. Desta forma, com base especialmente nos estudos de Leffa (2008); Coraccini (2011); e Rojo (2012, 2013), os docentes-alunos avaliaram suas práticas, de forma a repensar o material utilizado no ensino de línguas. Entre as resoluções, salienta-se a evolução constante da sociedade, cujas transformações o currículo escolar parece desconsiderar no ensino de línguas no Brasil.

Palavras-chave: Material didático; Ensino de Língua Portuguesa; Criação; Tecnologias.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Letras – PPGL/Universidade de Passo Fundo Mestre em Letras/Estudos Linguísticos – UFSM (2012); Especialista em Linguística, Ensino de Línguas e Literatura (2009). Professora do Instituto Federal Sul-rio-grandense, Passo Fundo, atuando no ensino de Língua Inglesa e na disciplina “Análise e produção de materiais didáticos na área de línguas”. Participa do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI).


Comunicação 37

Uso de Livro Didático de Português no Ensino Fundamental: percepções de alunos e professores

 

Autoras:

Cláudia Mara de Souza – CEFET-MG –  smclaudia@hotmail.com

Delaine Cafiero Bicalho – UFMG  – delainecafierobicalho@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho apresenta e discute percepções de alunos e de suas professoras sobre o livro didático de português (LDP). Interessa-nos, principalmente, o que eles pensam sobre o trabalho com a leitura, os textos e as atividades de compreensão. A partir de dados coletados em depoimentos e entrevistas, apontamos o que esses atores  pensam sobre o LDP e refletimos sobre como suas percepções podem interferir no uso desse material didático. Defendemos que  o livro didático pode proporcionar boas oportunidades para o ensino de língua, mas é preciso uma mediação adequada no seu uso. Para esta pesquisa, foram fundamentais os conceitos de mediação proposto por Vygotsky (1991, [1984] 2007) e de linguagem como interação (BAKHTIN [1929] 2006; [1953] 1997; MARCUSCHI, 2006, 2008). A metodologia usada foi a qualitativa, com coleta de dados realizada em uma escola pública, no interior do estado de Minas Gerais, no Brasil, sexto ano do ensino fundamental. Os resultados da investigação apontam que, diferentemente das professoras, os alunos gostam de usar o LDP. A extensão dos textos e o vocabulário são dificuldades que os estudantes e as professoras apontaram como entraves principais para compreensão. As experiências com as atividades de leitura mostraram-se significativas para os alunos, embora nem sempre eles declarem compreender os textos lidos. Questões com padrões de enunciados diferentes da interrogação direta são empecilhos nas atividades de compreensão. Uma constatação que se pode fazer é a de que ler sozinho é difícil para os alunos. Isso marca a necessidade de mediação efetiva nas atividades de leitura tanto por professores em sala de aula quanto pela família quando o livro vai para casa. Enfim, foi possível observar que, nas interações com o LDP, é preciso ouvir mais o que o aluno tem a dizer, pois isso pode favorecer a escolha das estratégias de mediação.

Palavras-chave: Livro didático; Ensino fundamental; Mediação; Ensino de língua.

 

Minibiografias:

Cláudia Mara de Souza é doutora em Estudos Linguísticos – UFMG, professora no CEFET-MG – Campus Timóteo. Atua em pesquisas sobre livro didático e leitura.

Delaine Cafiero Bicalho é doutora em Linguística – UNICAMP, professora Associada de graduação e Pós Graduação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, Brasil. Atua com pesquisas em livro didático, leitura, escrita, alfabetização e letramento.


Comunicação 38

Análise do uso de terminologias em livros didáticos das séries iniciais

 

Autora:

Tânia Borges Ferreira – Universidade de Brasília (UnB) – taniatbf@gmail.com

 

Resumo:

As crianças iniciam seu contato com os termos nos primeiros anos escolares por meio do ensino das disciplinas escolares. Esses termos, normalmente, fazem parte do léxico novo, que elas adquirem na escola. Porém, o grau de complexidade e abstração na forma como esses termos são apresentadas nos livros didáticos, fazem com que a compreensão exija um grau de Letramento não compatível com a faixa etária das crianças e nem com a realidade escolar brasileira. Os livros didáticos, principal material didático usado nas disciplinas, estão repletos de terminologias. Na maioria das vezes, esses termos são utilizados sem maiores informações ou explicações. Apesar da complexidade que os termos carregam, são tratados como léxico usual, porém não corresponde ao léxico vernacular com que as crianças estão acostumadas. Por isso, o objetivo dessa pesquisa é analisar o tratamento dado às terminologias nos livros didáticos das séries iniciais, com o intuito de refletir sobre como essa abordagem pode ser melhorada. Por conceber as terminologias parte integrante da língua e não uma língua à parte, esta pesquisa se fundamenta na Teoria Comunicativa da Terminologia, (Cabré 1998, 2003) e na Socioterminologia (Gaudin 1993; Faulstich, 1998 e 2006); aprofundando os estudos terminológicos de Gomes & Ferreira (2012 e 2015), Ferreira (2013). A metodologia recai sobre estudo da Terminologia; identificação e coleta dos termos nos livros didáticos; montagem de fichas terminológicas; e oficinas terminográficas para analisar o tratamento dado pelos professores em sala de aula para as terminologias e a compreensão delas por parte dos alunos. Este trabalho pretende contribuir para buscar alternativas para aperfeiçoar o tratamento dado às terminologias nos livros didáticos e dicionários infantis/escolares, além de propor uma reflexão desse tratamento junto a professores das séries iniciais a fim de dar visibilidade às dificuldades enfrentadas pelos alunos e professores ao se deparar com terminologias.

Palavras-chave: Terminologia; Livro didático; Séries iniciais.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Linguística pela Universidade de Brasília – UnB. Mestra em Linguística pela Universidade de Brasília – UnB. Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Goiás – UEG e em Letras Português e respectiva Literatura pela Universidade de Brasília – UnB. Também possui especialização em Gestão e Orientação Educacional. Desenvolve pesquisa na área de Terminologia, Educação e Línguas indígenas.


Comunicação 39

O reflexo das políticas linguísticas no livro didático de Língua Portuguesa no Ensino Médio do Brasil

 

Autora:

Flávia Freitas de Oliveira – Universidade Federal de Uberlândia (UFU) –flaviafreitas.ufg@gmail.com

Maura Alves de Freitas Rocha – rocha@ufu.br

Resumo:

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) da Língua Portuguesa (BRASIL, 2000) demonstram a preocupação de formar o aluno do ensino médio para pesquisar, analisar, sistematizar, argumentar, negociar significados, cooperar, de forma que ele possa participar do mundo social e, para tanto, propõe sistematizar um estudo “organizado” da linguagem. Diante dessa apresentação, os documentos oficiais deixam clara a importância da linguagem, bem como o fato dela não ser única, menos ainda, homogênea, mas é produto social e cultural, por isso há variedades no português que devem ser transmitidas aos alunos. Com isso, os PCN apresentam competências que devem ser trabalhadas ao longo do Ensino Médio. Percebemos que os documentos oficiais querem o desenvolvimento linguístico desse aluno para não apenas memorizar norma padrão, mas refletir sobre o uso da língua nas diversas situações sociais. Mesmo com a valorização da variação linguística nos PCN e a manutenção da ideia de norma como lugar de prestígio linguístico, os Livros Didáticos de Língua Portuguesa (LDP) permanecem valorizando as regras e nomenclaturas no ensino de língua materna, bem como acrescentam uma ou outra unidade sobre variação linguística, na tentativa de corresponder aos novos parâmetros curriculares para o ensino de Língua Portuguesa e as exigências de editais públicos para publicação. Diante da preocupação em discutir as novas políticas linguísticas, além do seu reflexo no LDP problematizamos alguns documentos oficias, bem como analisamos alguns materiais didáticos confrontando estes documentos e avaliando-os, com o fito de refletir sobre o ensino de língua portuguesa no Brasil. A preocupação deste estudo é apresentar as políticas linguísticas que vão além da norma linguística, chegando à sistematização da variação linguística. Ademais, o objetivo da discussão é (re)pensar tais políticas na tentativa de sanar as falhas na educação sociolinguística, bem como rever as motivações ideológicas para a manutenção de um padrão linguístico ideal do PB.

Palavras-chave: Políticas linguísticas; Documentos Oficiais; Variação.

 

Minibiografia:

Flávia Freitas de Oliveira é doutoranda em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Uberlândia (ILEEL/UFU), desenvolvendo pesquisas sobre políticas linguísticas e o lugar da variação linguística nos documentos oficiais e material didático do português. Atua nas áreas de Sociolinguística, Variação e Mudança, Ensino de língua materna. Integra o grupo de pesquisa Centro de Pesquisa em Ensino de Língua Portuguesa – CEPELP (CNPq/UFU).

Maura Alves de Freitas Rocha possui graduação em Letras: Português/Inglês pela Universidade Federal de Uberlândia (1970), graduação em Pedagogia:Orientação Educacional pela Universidade Federal de Uberlândia (1980), mestrado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (1988) e doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2001). Atualmente é Professora Titular da Universidade Federal de Uberlândia, Líder do Centro de Estudos sobre o Ensino da Língua Portuguesa (CEPELP). Tem experiência na área de Sociolinguística, Sintaxe e na área de Linguística Aplicada. Atua principalmente nos seguintes temas: variação e mudança linguísticas, sintaxe, ensino de língua portuguesa.


Comunicação 40

Livro didático de letramento e alfabetização: reflexões a partir de práticas docentes nos anos iniciais do ensino fundamental

Autoras:

Giane Maria da Silva – Universidade Federal de Minas Gerais – giane.silva@gmail.com

Maria da Graça Ferreira da Costa Val – Universidade Federal de Minas Gerais – grcostaval@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, buscamos descrever e analisar os usos que três professoras de uma escola pública brasileira, que atuavam nos anos iniciais do Ensino Fundamental, no ano de 2013, fizeram de uma coleção didática de letramento e alfabetização. Considerando as últimas mudanças ocorridas no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) em função das novas demandas apresentadas na reorganização do Ensino Fundamental de Nove Anos e na constituição de um ciclo para os três primeiros anos desse segmento, neste texto pretendemos revelar o papel do livro didático na prática pedagógica dessas professoras. Por meio de uma abordagem qualitativa, agrupamos estratégias variadas, como observação das aulas, anotações em diário de campo e entrevistas com as professoras. A pesquisa mostrou que os livros didáticos estavam presentes nas turmas de alfabetização, mas havia distância entre o que se esperava do trabalho com uma coleção e seu uso efetivo em sala de aula. Distância que era perceptível entre o grande volume de exemplares distribuídos pelo PNLD e a sua subutilização, ou até mesmo a negação de utilização desse material, pelos professores. Os dados revelaram que outros impressos, como materiais apostilados e atividades disponibilizadas em blogs de professores alfabetizadores, por exemplo, têm substituído o livro didático nas turmas de alfabetização.

Palavras-chave: Livro didático; Alfabetização; Prática docente.

 

Minibiografias:

Giane Maria da Silva. Mestre e doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais, professora do ensino fundamental e formadora de professores dos anos iniciais do ensino fundamental pelo Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), da Faculdade de Educação da UFMG.

Maria da Graça Ferreira da Costa Val. Mestre em Língua Portuguesa e doutora em Educação, é professora aposentada da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais e pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), da Faculdade de Educação da UFMG.


Comunicação 41

Avaliação de um manual escolar do 1.º ano de escolaridade: um estudo de caso

Autora:

Cristina Vieira da Silva – CIPAF– ESE Paula Frassinetti/ CIEC – Universidade do Minho – cristina.vieira@esepf.pt

 

Resumo:

É generalizado o reconhecimento de que os manuais escolares, de entre todos os recursos educativos disponíveis, desempenham um papel central no processo de ensino e de aprendizagem. Nas últimas décadas, esse lugar de destaque tem vindo a ser acompanhado do entendimento de que o manual escolar se constitui paradigmaticamente como projeto (cf. Carvalho & Fadigas 2015) no âmbito do qual, mantendo o seu estatuto de centralidade, surge frequentemente complementado por cadernos de atividade, testes ou ainda planificações. Tais recursos facilitam enormemente a disponibilização, didaticamente organizada, de conteúdos programáticos e, em alguns casos, substituem-se mesmo ao papel do professor, enquanto fator de “desprofissionalização docente” (Viseu & Morgado 2012).A necessidade de  “garantir a qualidade científica e pedagógica dos manuais […], assegurar a sua conformidade com os objectivos e conteúdos do currículo nacional e dos programas ou orientações curriculares em vigor e atestar que constituem instrumento adequado de apoio ao ensino e à aprendizagem e
à promoção do sucesso educativo” esteve na origem do enquadramento jurídico que determinou a constituição de uma equipa de avaliação e certificação de manuais de Português para o 1.º CEB na Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, instituição de E.S. com vasta experiência na formação de professores do 1.º CEB. O trabalho a ser apresentado centrar-se-á sobre a análise da prática de avaliação de manuais escolares (concretamente de um manual para o 1.º ano de escolaridade), cujas características se revelaram particularmente desafiantes à luz dos critérios de avaliação pré-definidos: i) rigor linguístico, científico e conceptual; ii) conformidade com os programas e orientações curriculares; iii) qualidade científica e didático-pedagógica; e iv) valores. Da análise de conteúdo efetuada em função destes critérios, emergiram, como mais problemáticas, as categorias relacionadas com a qualidade científica e didático-pedagógica, logo seguidas das relativas ao rigor linguístico, científico e conceptual.

Palavras-chave: Avaliação de manuais escolares; Didática do Português; Formação de Professores.

 

Minibiografia:

Doutorada em Linguística pela Universidade Nova de Lisboa, de cujo Centro de Investigação em Linguística (CLUNL) é membro, integra, desde 2013, o CIEC (Centro de Investigação em Estudos da Criança) da Universidade do Minho. É Professora Coordenadora da Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, onde leciona na formação inicial e pós-graduada e dirige o Mestrado em Ciências da Educação – Animação da Leitura e o Mestrado em Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico e de Português e História e Geografia de Portugal no 2.º CEB.


Comunicação 42

Formação para o consenso: abordagens didáticas de textos jornalísticos em livros didáticos brasileiros de português do período 1971-1980

Autores:

Márcia Rodrigues de Souza Mendonça – UNICAMP – mendonca.mrs@gmail.com

Pedro Henrique de Oliveira Simões – UNICAMP – pedrohenrisimoes@gmail.com

 

Resumo:

No período do regime militar brasileiro, o então Estado ditatorial operou fortemente sobre o desenvolvimento industrial, visando a consolidação do modelo capitalista no Brasil. Esse processo impactou a constituição de diferentes esferas de atividades humanas, como a pedagógica e a midiática: operou-se, no âmbito pedagógico, sobre a formação de mão de obra qualificada para atuar no mercado de trabalho que ora se consolidava; investiu-se, no âmbito midiático, no desenvolvimento industrial da imprensa, através de um boom de concessões públicas arbitrárias a empresas de comunicação, gerando a face do atual monopólio midiático brasileiro. A presente pesquisa, situada no campo interdisciplinar da Linguística Aplicada, investiga as formas de abordagem de textos da imprensa em livros didáticos de português do período 1971-1980. O objetivo é compreender como os interesses do mercado midiático em ascensão e do Estado repressor atuaram sobre a concretização de abordagens didáticas de textos jornalísticos, no ensino de português da educação básica brasileira, que viessem a contribuir com a formação de uma classe trabalhadora consumidora da imprensa, orientada para o consenso – considerando-se que foi nesse contexto que se deu a entrada dos chamados textos pragmáticos (jornalísticos, publicitários etc.) no ensino de português. Os livros didáticos analisados são concebidos como gêneros do discurso, na acepção de Bakhtin (2003), cujas escolhas estilísticas e composicionais concretizam projetos-de-dizer inscritos, axiologicamente, no plano dialógico – sendo os objetos de ensino (nesse caso, os textos jornalísticos) discursos reportados (Bunzen; Rojo, 2005). O norte teórico-metodológico é interdisciplinar, constituído de contribuições de diferentes áreas: da perspectiva enunciativo-discursiva do ensino de português (Geraldi, 1984, 1997, 2010); da história das disciplinas escolares e estudos sociológicos da educação (Chervel, 1990; Petitat, 1994); dos estudos críticos do discurso jornalístico (van Dijk, 2010; Bonini, 2013) e da comunicação social (Sodré, 1996; Fonseca, 2004).

Palavras-chave: Livro didático de português; Textos jornalísticos; Formação de leitor.

 

Minibiografias:

Márcia Rodrigues de Souza Mendonça. Docente do Departamento de Linguística Aplicada da Unicamp, com mestrado e doutorado em Linguística. Centra suas pesquisas em (Multi)letramentos, letramentos do mundo do trabalho, ensino-aprendizagem de língua materna, materiais didáticos, organização curricular, análise linguística e formação de professores. Coordena, com Anna Bentes e Marcos Lopes, o Programa PIBID Letras Unicamp, iniciado em 2014 e lidera o grupo de Pesquisa (Multi)Letramentos e ensino de língua portuguesa.

Pedro Henrique de Oliveira Simões. Mestrando em Linguística Aplicada pelo IEL-Unicamp; licenciado em Letras/Português pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atua na área de Linguística Aplicada, investigando práticas sociais de contextos escolares, com interesse específico no trabalho com análise linguística e gêneros do discurso no ensino-aprendizagem de português; e produção de material didático de português; e na área de Linguística, com interesse específico em questões de discurso, sujeito e sociedade.


Comunicação 43

Práticas para o ensino da oralidade em livro didático de Português do Ensino Médio

Autora:

Andréa Gomes de Alencar – Universidade de São Paulo – agalencar@yahoo.com.br

 

Resumo:

Se o livro didático de português e as atividades de oralidade nele apresentadas estão disponíveis aos alunos de Ensino Médio das escolas públicas brasileiras, é fundamental refletir sobre a contribuição que essas propostas orais podem, de fato, garantir ao jovem desse nível de ensino. O objetivo desse estudo é mostrar o que jovens que frequentam o Ensino Médio são levados a discutir a partir de temas propostos na seção “oralidade”, em obras didáticas voltadas para esse segmento de ensino. A pesquisa justifica-se, por um lado, pela importância que os LDP têm na maioria das escolas brasileiras, tanto por servir de base para o trabalho do professor, quanto por ser uma das poucas obras a que o aluno tem acesso, e, por outro lado, pela necessidade de ampliar a reflexão sobre como a “oralidade” está sendo entendida em obras didáticas. Nosso corpus para análise é uma coleção aprovada na última avaliação do Programa Nacional de Livro Didático voltado para o Ensino Médio – PNLD 2015. Tomaremos, como referencial teórico para realizar essa discussão, os estudos sobre língua falada e alguns conceitos advindos da Teoria Bakhtiniana como esfera, gênero, tema e interação verbal. Os estudos preliminares evidenciam que as atividades propostas nem sempre oportunizam uma ampliação temática, desfavorecendo a formação integral do educando e uma reflexão sobre a valoração do discurso produzido em situação oral de interação. Dessa forma, entendemos que o LDP em questão ainda carece de uma ampliação temática que realmente leve o educando a fazer uso de sua língua de forma autônoma e comprometida com uma formação significativa.

Palavras-chave: Livro Didático de Português; Ensino Médio; Oralidade; Didática do Português; Gêneros do discurso.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), docente do curso de Letras do Centro Universitário Ítalo Brasileiro (UniÍtalo), autora de Livros Didáticos de Português e consultora para fins de avaliação de Livros Didáticos em diversas editoras de São Paulo / Brasil.


Comunicação 44

Temas caracterizadores em duas coleções de Língua Portuguesa aprovadas no PNLD-2014 e 2017

Autores:

Maria Teresa Tezolini – UFPE – mttezolini@gmail.com

Mirella Silva Barbosa – UFPE – mirellabarbosa20@hotmail.com

Clecio dos Santos Bunzen Júnior – UFPE – clecio.bunzen@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho objetiva discutir os temas caracterizadores (meta)linguísticos e não linguísticos de 2 coleções de Livros Didáticos de Português (Ensino Fundamental II). As mudanças nos livros didáticos de Português no Brasil são históricas e marcadas por processos de rupturas e permanências, num processo complexo que envolve a seleção cultural e curricular, além da construção dos saberes escolares. Temos observado o crescimento, desde a década de 80, da organização das unidades/lições/capítulos por temas não linguísticos que geram um centro de interesse do aluno por determinadas temáticas. Neste sentido, surgiram as seguintes problemáticas de pesquisa: (i) Os livros didáticos contemporâneos mantêm o trabalho pedagógico de ensino e aprendizagem de língua materna através de uma organização por temas não-linguísticos? (ii) Como os livros didáticos aprovados no PNLD 2014 e 2017 exploram as temáticas (meta)linguísticas e não-linguísticas em suas coleções? Essa pesquisa é respaldada nos estudos de Bunzen (2009; 2015); Moita Lopes (2009); Rojo (2005). Nossa análise terá como corpus, duas coleções dos anos finais do Ensino Fundamental II, aprovadas recentemente pelo Ministério da Educação do Brasil no âmbito do PNLD (2014 e 2017), que iremos chamar de Livro (A) e Livro (B). Percebe-se que as coleções procuram manter um diálogo mais ou menos explícito com os Temas Transversais. Ao mesmo tempo, observa-se uma grande tendência em organizar os temas caracterizadores com base em gêneros textuais. Há ainda coleções que hibridizam, como é o caso do Livro (B), os temas não-linguísticos com temáticas (meta)linguísticas, fazendo com que os alunos tenham uma maior consciência do funcionamento dos gêneros, dos textos ou de fenômenos específicos da língua(gem). Em suma, ambas as coleções trazem discussões e contribuições, a depender da perspectiva do docente, para uma prática mais interativa, social e formadora.

Palavras-chave: Língua Portuguesa; Livro Didático; Temas Caracterizadores.

 

Minibiografias:

Maria Teresa Tezolini é Mestranda em Linguística pela UFPE. Possui especialização em língua portuguesa pela UNICAP (2005) e graduação em Letras (Português/Inglês) pela UNISO (1994). É coordenadora e professora. Tem experiência na área de Língua Portuguesa, com ênfase em produção textual, bem como nos processos que a envolvem, como a revisão e reescrita. Desenvolve pesquisas sobre os Temas Caracterizadores nos Livros Didáticos de Língua Portuguesa.

Mirella Silva Barbosa é Mestranda em Linguística pela UFPE. Possui especialização em Linguística Aplicada ao ensino de Língua Portuguesa (2016) e graduação em Letras (Português/ Espanhol) (2014) ambos pela FAFIRE. Desenvolve pesquisas sobre os Temas Caracterizadores nos Livros Didáticos de Língua Portuguesa. Atualmente, é professora de Português, com ênfase em produção textual do Ensino Fundamental I e II.

Clecio Bunzen possui graduação em Letras pela UFPE (2002) e Mestrado (2005) e Doutorado (2009) em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas. É professor do Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino (DMTE) da UFPE e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UNIFESP. Seu projeto atual de pesquisa é: “Temas (meta)linguísticos e não linguísticos nos livros didáticos de Português do Ensino Fundamental II (1980-2015)”.