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Simpósio 31

SIMPÓSIO 31 – LÍNGUA PORTUGUESA: LETRAMENTO E ENSINO DE LÍNGUA MATERNA

 

Coordenadoras:

Eliane Marquez da Fonseca Fernandes | UFG | elianemarquez@uol.com.br

Maria de Lourdes Faria dos Santos Paniago | UFG | lurdinhapaniago@gmail.com

Maria da Graça Lisboa Castro Pinto | Universidade do Porto | mglcpinto@gmail.com

 

Resumo:

É nosso objetivo com este resumo desafiar colegas interessados no tema proposto a apresentarem pesquisas teóricas ou empíricas já realizadas ou em curso que permitam relacionar o que o ensino da leitura e da escrita de língua portuguesa, vistas estas habilidades nas suas variadas vertentes e sob diferentes ângulos, pode trazer, aos diversos níveis de formação educativa, para que a definição de letramento/literacia (de leitura), como ocorre no documento da OCDE (2009, p. 14) relativo ao PISA (Programme for International Students Assessment), possa ser transferido com o sucesso desejado para uma realidade que se pretende que corresponda a uma sociedade literácita, com as vantagens que dela se augura no percurso escolar/académico, na vida profissional e, mais tarde, na cognição aquando do natural processo de envelhecimento. Reveste-se de toda a pertinência, neste enquadramento, transcrever o que é entendido por literacia da leitura, vendo nesta designação uma abrangência de leitura que se aproxima, em nosso entender, da definição de todos conhecida de Magda Soares (2001) segundo a qual a leitura mais não é do que uma das facetas que tornam possíveis o exercício e o cultivo de práticas sociais de uso da escrita. Lê-se, então, no referido documento da OCDE, que a literacia da leitura é definida como: an individual’s capacity to understanding, use and reflect on and engage with written texts, in order to achieve one’s goals, to develop one’s knowledge and potential and to participate in society. (OECD, 2009, p.14). Exige pois a expressão literacia/letramento uma abrangência que possa incluir também o que se passa a nível textual do ponto de vista da sua forma e do seu conteúdo, contando com a experiência de cada um, enquanto leitor ou escritor, nas suas várias etapas, e com o seu modo de processamento apoiado nos diversos meios que lhe possam servir de recurso.

 

Palavras-chave: língua portuguesa, ensino, letura e escrita, letramento/literacia.

 

Minibiografias:

Eliane Marquez tem Pós-Doutorado em Educação pela UnB (2011) e Doutorado em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás (2007) e atualmente trabalha como associado 1 na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás. Atua no PPG em Letras e Linguística da FL da Universidade Federal de Goiás. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Texto e Análise do Discurso. Atua nos seguintes temas: leitura e escrita, gêneros do discurso, análise do discurso e ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa. É líder da Rede Goiana de Pesquisa: texto, discurso e ensino na FAPEG-GO e também do Grupo de Pesquisa CNPq CRIARCONTEXTO: estudos do texto e do discurso.

Maria de Lourdes Faria dos Santos Paniago é doutora em Lingüística pela Universidade Estadual Paulista (2005) e pós-doutora em Filologia e Língua Portuguesa pela USP (2011). É professora no Campus Jataí da Universidade Federal de Goiás e atua também como professora no Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da UFG/Goiânia e no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFG/Jataí. Foi presidente da ANPGL – Associação Nacional de Pesquisa na Graduação em Letras no triênio 2009/2012 e atualmente exerce a função de Coordenadora de Área de Gestão de Processos Educacionais do PIBID – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência.

Maria da Graça L. Castro Pinto é Prof. Catedrática da FLUP-U.Porto, onde obteve o grau de doutor em Linguística Aplicada (Psicolinguística e Neurolinguística). Recebeu o Prémio Gulbenkian de Ciência – 1986, foi Vice-Reitora da UP (1998-2001) e Diretora do Programa Doutoral em Didática de Línguas da UP, é Diretora da revista Linguarum Arena, membro honorário da ISAPL, fundou e coordena o Programa de Estudos Universitários para Seniores da U.Porto.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

DA REVISÃO DA ESCRITA PELO PRÓPRIO AUTOR À REVISÃO PROFISSIONAL: a (dis)semelhança entre atuar sobre um texto em curso ou sobre a sua versão final

 

Maria da Graça Lisboa Castro Pinto – Universidade do Porto – mgraca@letras.up.pt

 

Resumo:

A escrita como processo verbal que radica no originar e no criar (Emig, 1977) não pode  viver alheada da leitura que, seguindo a mesma fonte, embora não origine, cria e recria. Convivem ambas numa ligação que raia inclusive a cumplicidade. Assenta na leitura e até na releitura o incontrolável subprocesso da revisão da escrita como processo. Contribui sobretudo a revisão, no conjunto de subprocessos que a escrita contempla: planificação, tradução, revisão (Flower & Hayes, 1981), para que se veja que as etapas  do citado  processo não seguem cegamente a ordem enunciada. A escrita é, pelo contrário, um processo verbal em que coexistem os movimentos linear e recursivo das aduzidas etapas (Sommers, 1978). Já na pré-escrita (Flower & Hayes, 1981), de forma não forçosamente fixa e pré-estabelecida, o recurso a subprocessos cognitivos evidencia bem o “diálogo” que se verifica entre eles antes da sua concretização. A redação/composição/tradução das ideias não constitui um ato automático. Uma abordagem psicolinguística será, porventura, a mais adequada para explicar a complexidade inerente à conversão do que se quer dizer no como e quando dizer. Objetiva-se nesta intervenção, privilegiando o leitor, averiguar o que distingue (ou não) o exercício da revisão quando praticado pelo próprio autor no seu texto  e quando  executado por um revisor profissional,  sob mandato mais ou menos alargado do  autor, sobre um texto alheio, apresentado, à partida,  numa versão tida como “final”. Neste enquadramento, justifica-se, quando estão em causa, por um lado, um trabalho académico e, por outro lado,  uma notícia de jornal, encontrar respostas para as seguinte questões: A estrutura que estes géneros textuais apresentam coincidirá  com o modo que mais se ajusta ao percurso que o leitor segue quando os lê?  Que se espera, então, da revisão na escrita nas duas situações para que a sua finalidade seja atingida?

Palavras-chave:  escrita;  revisão pelo autor; revisão profissional; trabalho académico; notícia de jornal.

 

Minibiografia:

Maria da Graça Lisboa Castro Pinto, Professora Catedrática da FLUP, obteve o grau de doutor em Linguística Aplicada (Psicolinguística e Neurolinguística), em 1984, e o Título  de Agregado, em 1989, na UP. Foi distinguida com o Prémio Gulbenkian de Ciência em 1986 e Vice-Reitora da UP de 1998 a 2001, exerceu vários cargos nos órgãos de gestão da sua instituição, tem uma vasta obra publicada, é diretora, desde 2010, da revista de didática de línguas da UP, Linguarum Arena, foi diretora do Programa Doutoral de Didática de Línguas entre 2009 e 2016, criou o Programa de Estudos Universitários para Seniores da UP em 2006, é membro de Comissões Editoriais de diversas revistas e membro honorário da International Society of Applied Psycholinguistics.


Comunicação 2      

CRIARCONTEXTO: processamento de leitura e escrita acadêmica como construção do letramento do professor em formação

Eliane Marquez da Fonseca Fernandes – UFG – elianemarquez@uol.com.br

Maria de Lourdes Faria dos Santos Paniago – UFG – lurdinhapaniago@gmail.com

 

Resumo:

Nossa área de investigação liga-se à Linguística Aplicada e pretende trazer problematização sobre o(os) conceito(os) de letramento(s) trabalhado(s) durante o desenvolvimento do projeto CRIARCONTEXTO, desenvolvido sob nossa coordenação na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás – Brasil. Queremos apresentar resultados parciais do processamento de leitura e produção dos gêneros acadêmicos resumo, resumo expandido e pôster realizados  no decorrer do ano 2016. Na teórica acerca do letramento tomamos Soares (2001), Kleiman e Matêncio (2005). E nos embasamos em Street (1995), Fischer (2011) e Rojo (2007) para discutir especificidades do letramento acadêmico. Nosso trabalho com a leitura e escrita envolve quinze acadêmicos iniciantes do curso de formação de professores de Língua Portuguesa. A justificativa é que os alunos demonstram dificuldade de compreensão do léxico científico e dos gêneros acadêmicos. Com o objetivo de levá-los a uma compreensão dos conteúdos e da linguagem, são estimulados a selecionar um texto da mídia, para produzirem uma interpretação e análise de aspectos da Teoria da Enunciação ou da Linguística Textual. Nossa metodologia é um estudo de caso em que, analisamos o desenvolvimento das estratégias empregadas e dos níveis de aprendizagem, após a seleção de textos, os alunos expõem oralmente o que pretendem analisar e são orientados quanto ao viés teórico a abordar. Depois disso, o estudante apresenta um resumo acadêmico e um resumo expandido e, após a avaliação há a confecção e apresentação de um pôster como trabalho final da disciplina. No processo desenvolvem-se as leituras e releituras, a escrita e as reescritas com um avanço na compreensão da linguagem acadêmica, no processamento das características dos gêneros discursivos trabalhos e ampliam a capacidade de exposição oral dos acadêmicos. O processamento leva-nos a avaliar o amadurecimento do estudante no estudo da linguística e no desenvolvimento da capacidade comunicativa em língua portuguesa oral e escrita.

Palavras-chave: língua portuguesa; ensino; leitura e escrita; letramento/literacia.

 

Minibiografias:

Eliane Marquez da Fonseca Fernandes tem Pós-Doutorado em Educação pela UnB e Doutorado em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás  e, atualmente trabalha na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás. Atua no PPG em Letras e Linguística da FL da Universidade Federal de Goiás. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Texto e Análise do Discurso. Atua nos seguintes temas: leitura e escrita, gêneros do discurso, análise do discurso e ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa.

Maria de Lourdes Faria dos Santos Paniago é mestre em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (2000), doutora em Lingüística pela Universidade Estadual Paulista (2005), e pós-doutora em Filologia e Língua Portuguesa pela USP (2011) È professora no Campus Jataí da Universidade Federal de Goiás e atua também como professora no Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da UFG. Foi presidente da ANPGL – Associação Nacional de Pesquisa na Graduação em Letras no triênio 2009/2012 e atualmente exerce a função de Coordenadora de Área de Gestão de Processos Educacionais do PIBID.


Comunicação 3

OPERAÇÕES LINGUÍSTICO-COGNITIVAS E O PROCESSO DE AQUISIÇÃO DA ENUNCIAÇÃO ESCRITA POR CRIANÇAS

 

Suelen Érica Costa da Silva – Doutoranda da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais/ Professora do Centro Federal de Educação de Minas Gerais – suelenerica@gmail.com

 

Resumo:

Esta proposta de comunicação, fruto de uma pesquisa de Doutoramento em andamento, justifica-se pela necessidade de olharmos para o sujeito que opera sobre o seu objeto de conhecimento – a enunciação escrita – e, não, para um objeto que é a escrita sem sujeito, produto mecânico do treinamento escolar. A partir da articulação de contribuições teóricas advindas da Linguística Textual, da Linguística da Enunciação, da Linguística Cognitiva, da Sociolinguística, e da Semiótica Cognitiva e dos estudos do Letramento, propomos analisar, descrever e interpretar as operações linguístico-cognitivas realizadas pelo falante (criança) para representar (na) sua escrita, o sujeito que enuncia, o interlocutor, a finalidade da interação, o tempo bem como o espaço da enunciação. Nossa hipótese central é a de que os chamados “erros” produzidos pelos falantes são manifestações de operações provenientes das várias dimensões da linguagem – fônica, morfofonológica, morfossintática, lexical, semântica, textual – que marcam a trajetória do aprendiz em sua inserção na escrita convencional. Adotamos um modelo epistemológico – o Paradigma Indiciário de Investigação – fundado em indícios, pistas, detalhes, resíduos singulares e episódicos reveladores do que buscamos compreender: as operações realizadas pelo falante. A partir da flagrante singularidade de determinados dados presentes em textos produzidos por crianças, chegaremos insights valiosos, a ricos momentos de inferências abdutivas a respeito das operações realizadas pelo sujeito que opera sobre o seu objeto de conhecimento: a escrita. A fim de testar a razoabilidade das hipóteses construídas a partir do procedimento abdutivo, faremos o uso da análise estatística. Podemos dizer, a partir de uma análise preliminar, que operações de hipossegmentação, de hipersegmentação, de hipercorreção, de ditongação, de integração conceitual, de consciência e de atenção compartilhada são realizadas pelo falante para representar (na) sua escrita, o sujeito que enuncia, o interlocutor, a finalidade da interação, o tempo bem como o espaço da enunciação.

Palavras-chave: Operações linguístico-cognitivas; Enunciação escrita; Paradigma Indiciário; Aquisição da escrita.

 

Minibiografias:

Suelen Érica Costa da Silva  é Doutoranda em Linguística e Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), orientada pelo Prof. Dr. Marco Antonio de Oliveira, bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES tipo II). Realiza o Doutorado Sanduíche em Instituto de Estudos da Linguagem (UNICAMP), sob orientação da Profa. Dra. Maria Bernadete Marques Abaurre. Professora do quadro efetivo do Centro Federal de Educação de Minas Gerais (CEFET-MG), unidade Contagem.


Comunicação 4

ESTUDOS SOBRE LETRAMENTOS EM PESSOAS IDENTIFICADAS COMO DEFICIENTES INTELECTUAIS: caracterização do estado de arte

 

Elsa Midori Shimazaki – Universidade Estadual de Maringá – emshimazaki@uem.br

Renilson José Menegassi  – Universidade Estadual de Maringá –renilson@wnet.com.br

 

Resumo:

A comunicação analisa as produções científicas acadêmicas, em formato de teses e dissertações, sobre o letramento em pessoas identificadas como deficientes intelectual, disponíveis na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD do IBICT) no período de 2011 a 2015, a fim de compreender como se caracterizam no Brasil e dessa forma contribuir com o desenvolvimento de estudos sobre a escrita no ensino e aprendizagem de línguas. A analise restringe às teses e dissertações uma vez que nesse período não oi publicada nenhum artigo nas duas revistas específicas em educação especial editadas no Brasil. Trata-se de um estudo que se fundamenta nos pressupostos teóricos dos letramentos, efetivado por meio de estudo teórico, coleta e análise dos registros. A busca nos mostra 5/cinco trabalhos na temática pesquisada. Os estudos demonstram que: a) pessoas com deficiência intelectuais estão recebendo as mesmas propostas de educação que as demais, todavia a falta de adaptações tem dificultado o acesso à leitura e escrita; b) a proposta de letramento emergente em crianças deficientes intelectuais na educação infantil contribui para o desenvolvimento da oralidade; c) as práticas utilizadas para a alfabetização de alunos com deficientes não contempla o uso da língua como processo de letramento por serem repetitivas e mecânicas; d) professores consideram como inclusos no ensino regular, mesmo aqueles que não se apropriam da leitura e escrita;  e) os professores, em entrevistas, apontam as dificuldades dos alunos com deficiência intelectual, todavia apontam as possibilidades de apropriam-se de leitura e escrita. Considerando os resultados da pesquisa é possível afirmar que o processo de letramento deve ser iniciado desde a educação infantil e continuado ao longo da escolaridade. Para isso, é necessário instrumentalizar os professores para que busquem alternativas para letrar seus alunos, deficientes ou não.

Palavras-chaves: letramento; deficiência intelectual; estado de arte.

 

Minibiografias:

Elsa Midori Shimazaki.  Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo e Pós-doutorado em Letras na Universidade Estadual de Maringá. É professora do Departamento de Teoria e Prática da Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá. Atua nas linhas de pesquisa ‘Ensino, aprendizagem e formação de professores’, ‘Leitura e escrita’ e ‘Educação Especial’. Faz parte do grupo de pesquisa Aprendizagem e Desenvolvimento Escolar, Interação e Escrita e é líder do grupo de pesquisa ‘Educação, Linguagem e Letramento’ (UEM/CNPq).

Renilson José Menegassi – Realizou seu curso de Mestrado em Linguística na Universidade Federal de Santa Catarina e o curso de Doutorado em Letras, na Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (UNESP-Assis). Seu Pós-Doutorado em Linguística Aplicada foi realizado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atua nas linhas de pesquisa ‘Ensino e Aprendizagem de Línguas’, enfatizando-se a leitura e a escrita em situação de ensino, e ‘Formação do Professor de Línguas’, investigando a constituição da escrita na formação inicial e continuada. É líder do Grupo de Pesquisa “Interação e Escrita” (UEM/CNPq).


Comunicação 5

MODOS DE PRODUÇÃO DE RELATOS ESCRITOS NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

 

Renilson José Menegassi – Universidade Estadual de Maringá – renilson@wnet.com.br

 

Resumo:

A produção de textos escritos nos anos iniciais do Ensino Fundamental, no Brasil, é realizada, na maioria das vezes, pelo reconto, que é uma estratégia de (re)escrever novamente o texto lido, seja ela verbal ou não verbal, em forma narrativa. Essa estratégia artificial de escrita não apresenta finalidade social definida, muito menos interlocutor social, ou manifestação de produção de gênero discursivo de circulação social que permita o desenvolvimento de habilidades requeridas aos estudantes nessa fase de ensino, conforme orientações da OCDE (2009; 2015) e Brasil (2012; 2013). Assim, a partir de dois aportes teóricos que se relacionam, o dialogismo na perspectiva do Círculo de Bakhtin, e os estudos de letramento, em práticas escolares efetivas, considerando-as como práticas sociais também, esta comunicação apresenta modos de trabalhos possíveis com o gênero discursivo relato, em suas múltiplas modalidades escolares, como uma estratégia para o ensino, a apropriação e o desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita com alunos de 1° ao 5° anos do Ensino Fundamental, com exemplos reais produzidos em situações de ensino conduzidas no Noroeste do estado do Paraná, Brasil. O relato apresenta-se como um gênero discursivo a ser trabalhado com os estudantes para a compreensão do texto narrativo completo, na concepção de gênero intermediário à apropriação da narrativa, em suas nuances peculiares, considerando-se todos os elementos necessários. Dessa forma, são apresentadas experiências reais com a construção de relatos em forma de: a) apresentação de texto; b) cabeçalho; c) resumo; d) finalidade, entre outros, que contribuem com o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita, em empregos de gêneros discursivos diversos. Os resultados demonstram que o aluno apresenta maior autonomia na apropriação da escrita a partir dessas construções textual-discursivas, compreendendo que os gêneros discursivos são diferenciados em seus aspectos, considerando-se as condições de produção que os orientam, além de compreender que a apropriação dos elementos constituintes do gênero permite o trabalho com o desenvolvimento do discurso, não apenas do texto em si.

Palavras-chave: habilidades de leitura e escrita; relato; anos iniciais.

 

Minibiografia:

Renilson José Menegassi – Realizou seu curso de Mestrado em Linguística na Universidade Federal de Santa Catarina e o curso de Doutorado em Letras, na Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (UNESP-Assis). Seu Pós-Doutorado em Linguística Aplicada foi realizado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atua nas linhas de pesquisa ‘Ensino e Aprendizagem de Línguas’, enfatizando-se a leitura e a escrita em situação de ensino, e ‘Formação do Professor de Línguas’, investigando a constituição da escrita na formação inicial e continuada. É líder do Grupo de Pesquisa “Interação e Escrita” (UEM/CNPq).


Comunicação 6

LEITURA SILENCIOSA, LEITURA ORAL e COMPREENSÃO

 

Onici Claro Flôres – Universidade de Santa do Sul/UNISCoflores@unisc.br

 

Resumo:

Esta comunicação embasa-se no pressuposto de que leitura e escrita são atividades comunicativas solidárias, complementando-se, embora não sejam utilizadas exatamente para os mesmos propósitos nem com a mesma frequência, no cotidiano das pessoas. A leitura, de sua parte, tanto pode ser silenciosa como em voz alta e ambos os tipos exigem compreender, pois ler sem compreensão é uma atividade incompleta. Além disso, a decodificação por si só não implica compreensão, apesar de muitos alfabetizadores acreditarem que sim. Dentre os tipos de leitura, a silenciosa é muito mais praticada do que a leitura oral tanto no meio escolar quanto nos diversos ambientes sociais onde a leitura comumente pode ser praticada, como em bibliotecas etc. O problema que aqui se ventila é que no Brasil, por um largo período, a leitura em voz alta foi banida do meio escolar, de vez que, segundo seus críticos mais ferrenhos, podia afetar de modo negativo a autoestima dos estudantes. Consequentemente, só em nossos dias, dados os problemas de incompreensão leitora e de analfabetismo funcional ora existentes entre estudantes de todos os níveis de ensino, passou a se considerar a retomada dos estudos sobre leitura em voz alta e a possibilidade de testar se ela podia associar-se à compreensão leitora, como proposto por Poersch e Muneroli (1993).  Assim, com base nesse estudo, buscou-se reunir evidências empíricas que comprovassem a inter-relação entre leitura oral e compreensão, analisando-se a leitura oral de estudantes de letras e através dela selecionando-se alguns indicadores passíveis de análise no dia a dia escolar. Procura-se desse modo reabilitar as práticas orais de leitura no contexto escolar e acadêmico, e, mais especificamente, levar os estudantes a fazerem o automonitoramento de seu desempenho, dando-lhes uma chance adicional de desenvolvimento da habilidade leitora.

Palavras-chave: leitura; escrita; leitura silenciosa; leitura oral; compreensão.

 

Minibiografia:

Onici Claro Flôres é professora do mestrado em Letras e do curso de Letras, da Universidade de Santa Cruz do Sul. Possui Doutorado em Letras e Linguística pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS – e fez estágio sênior na Faculdade de Letras do Porto. Na universidade, é professora do Curso de Letras e do Mestrado em Letras da UNISC do Departamento de Letras da UNISC.


Comunicação 7

LETRAMENTO MULTIMODAL NO AMBIENTE ESCOLAR

 

Aline R. B. Alves – Instituto Federal de Goiás – alinebelo3@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é apresentar o resultado de uma análise documental a respeito de textos multimodais impressos utilizados no ambiente escolar, no Ensino Médio (EM). É considerado que esse ambiente se ocupa da formação de um estudante inserido em uma sociedade com processos de aculturação abundantes em recursos audiovisuais extremamente complexos. Mesmo que intitulada Ensino de Língua Portuguesa há a necessidade dessa disciplina se ocupar do desenvolvimento da capacidade linguística envolvendo habilidades de ler, interpretar, constituir sentido pela leitura e produzir textos materializados nas diversas manifestações da linguagem. Conscientizar da influência da multimodalidade na constituição do sentido é condição sine qua non na formação do leitor do século XXI. Assim, o letramento multimodal está diretamente ligado à formação educativa e linguística do cidadão que precisa se inserir academicamente e profissionalmente na sociedade. Considerando a gramática do design visual, proposta por Kress e van Leuween (2001) o Livro Didático (LD) da coleção Português: Contexto, interlocução e sentido (M. L. M. ABAURRE, M. B. M. ABAURRE, M. PONTANARA, 2008), o volume 2 é analisado discursiva e retoricamente. Observa-se como o letramento multimodal é proporcionado ao aluno do EM pelo LD pelo valor atribuído a multimodalidade na estruturação da forma que o conteúdo é apresentado. Como foi constatada, a produção de sentidos da língua no LD é complementada por outras expressões da linguagem ao se utilizar da multimodalidade para destacar os tópicos mais importantes, situar o conteúdo sócio historicamente, facilitar a constituição de relação entre os conteúdos e ainda dar ao texto, LD, aspectos mais familiares aos alunos de EM, principalmente àqueles a que são expostos no ambiente digital tão caro aos jovens do EM.

Palavras-chave: textos; multimodal; escolar; discursiva; retoricamente.

 

Minibiografia:

Aline Rezende Belo Alves é doutora em Letras/Linguística pela UFG tendo feito doutorado sanduíche na North Carolina State University, EUA. É Mestre em Letras/Linguística com ênfase em Análise do Discurso pela UFG e Especialista em Ensino e Aprendizagem em Língua Estrangeira. Professora efetiva do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás ministra aulas de português tanto no Ensino Médio quanto na graduação de Letras.


Comunicação 8

LEITURA E ESCRITA NA PRODUÇÃO PARA CRIANÇAS

 

Aline Suelen Santos – UNESP/UFAC – alinesuelenet@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho propõe uma reflexão sobre possíveis sentidos de letramento que circulam em textos escritos, a partir da hipótese de que esses sentidos que se detectam remetem a diferentes modelos de letramento que, de algum modo, indiciam percepções de ensino de língua. Para fazermos essa reflexão, priorizaremos dois exemplares de escrita produzida para crianças, a saber: Memórias da Emília (1939), de Monteiro Lobato, e Bento que bento é o frade (1977), de Ana Maria Machado. Nesses exemplares, buscaremos detectar quais sentidos de letramento são suscitados e que podem evidenciar percepções de ensino de língua. Fundamentaremos essa proposta, num plano mais específico, na perspectiva dos Novos Estudos de Letramento (STREET, 2003, 2014) e numa visão discursiva desse fenômeno (CORRÊA, 2004, 2015). Num plano mais geral, essa visão discursiva terá como base, sobretudo, estudos da Análise Dialógica do Discurso (Bakhtin e o Círculo) e da perspectiva conhecida como das Heterogeneidades Enunciativas (AUTHIER-REVUZ, 1990). Para fornecer respostas ao objetivo deste trabalho, vamos nos servir do plano metalinguístico e do plano metadiscursivo, referenciados por marcas linguísticas que podem indiciar diferentes perspectivas/sentidos com os quais o(s) letramento(s) se marca(m) na elaboração do dizer. Espera-se encontrar uma diversidade de sentidos desse fenômeno e de como ele se mostra na escrita produzida para crianças, já que se trata de uma prática letrada que circula em ambientes formais de letramento.

Palavras-chave: Letramento; Escrita para crianças; Discurso.

 

Minibiografia: 

Aline Suelen Santos – Doutoranda pelo programa em Estudos Linguísticos da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), em São José do Rio Preto-SP, na área de concentração em Análise Linguística e na linha de pesquisa Oralidade e Letramento, sendo orientada pelo professor Dr. Lourenço Chacon Jurado Filho. É também professora da Universidade Federal do Acre – UFAC, em regime de Dedicação Exclusiva, e atua na área de Letras, com ênfase em Leitura e Escrita.


Comunicação 9

A ESCRITA COLABORATIVA ON-LINE: uma proposta de reflexão das práticas de leitura e produção textual

 

Ana Clara Gonçalves Alves de Meira – IFNMG – anaclarameira@hotmail.com

 

Resumo:

O ensino de língua materna, por vezes, está fundamentado em aspectos estruturais do texto, o que não contempla os diversos usos da língua. Este trabalho pretende apresentar uma proposta na qual as práticas de leitura e escrita levem em conta a estrutura e função de um gênero textual por meio da produção colaborativa de textos em ambiente on-line. A proposta se justifica por procurar demonstrar que diferentes estratégias são acionadas durante a leitura e produção textual em função dos objetivos comunicativos. Como procedimento metodológico, elaborou-se um projeto de ensino no qual foi solicitado aos alunos da 1ª série dos cursos técnicos integrados ao médio do Instituto Federal do Norte de Minas de Gerais (IFNMG), campus Salinas, a produção textual do gênero crônica com o uso do Google Docs. Os discentes produziram a crônica em equipes, situados no contexto histórico da década de 60 no Brasil. A escolha desse período teve como propósito instigá-los a realizar leituras diversas para destacar os aspectos históricos, sociais e culturais na produção textual. O projeto ainda está em curso e, após a produção da crônica pelos alunos, o professor – intermediador do processo – apresentará sugestões e/ou estratégias, via Google Docs, que contribuam para a melhoria da construção do texto. Além disso, na etapa final, os discentes terão que permutar as crônicas entre as equipes a fim de que leiam os textos dos demais estudantes e entendam que o processo de produção textual não envolve apenas o sujeito leitor – professor. Para a fundamentação teórica do projeto, baseou-se em Soares (2001), Marcuschi (2008) e Coscarelli (2013). Como resultados parciais, notou-se que a escrita colaborativa on-line de um determinado gênero textual pode contribuir para a percepção de que a construção de sentido envolve um entendimento dos diversos usos da língua, que ultrapassa uma mera decodificação de palavras.

Palavras-chave: Escrita Colaborativa; Leitura; Produção textual; Ensino.

 

Minibiografia:

Ana Clara Gonçalves Alves de Meira é professora de língua portuguesa nos níveis médio-técnico e superior do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG), campus Salinas. Mestre e doutora pelo programa de estudos linguísticos da FALE/UFMG na área de Linguística Teórica e Descritiva com concentração nos Estudos da Língua em Uso.


Comunicação 10

LÍNGUA PORTUGUESA: LETRAMENTO E ENSINO DE LÍNGUA MATERNA

 

Ondina Maria da Silva Macedo – Instituto Federal Goiano Ceres – ondina.silva@ifgoiano.edu.br

Agostinho Potenciano de Sousa – UFG –  apotenciano@uol.com.br

Eliane Marquez da Fonseca Fernandes –  UFG – elianemarquez@uol.com.br

 

Resumo:

Nossa pesquisa filia-se à área de Linguística Aplicada e  observamos se os textos de maior recorrência durante um curso denominado  Criação de galinha caipira, realizado em um assentamento rural, propiciam a interação entre assentados e técnicos ou se estes últimos apenas se limitam à aplicação de técnicas. Em seguida, analisamos as estratégias utilizadas pelos sujeitos leitores, no processo de compreensão das atividades sugeridas pelos técnicos de entidades que ministram cursos nesse ambiente. Firmamo-nos na convicção de que o texto ou a atividade verbal acontecem com finalidades sociais, portanto procuramos verificar se o material escrito  apresenta estratégias concretas de realização dos objetivos, no caso, a compreensão dos cursos. Consideramos que se trata de sujeitos bastante heterogêneos em que se percebe o confronto, ou não, entre linguagem científica e linguagem típica da oralidade. Verificamos, por meio da pesquisa etnográfica, até que ponto os textos produzidos pelo técnico se tornam realmente uma ponte lançada entre ele e os outros (assentados). Nosso embasamento se filia à concepção bakhtiniana (2010) que defende a troca de valores por meio da interação e do dialogismo. Observamos como se efetiva a leitura dialógica das apostilas fornecidas pelos técnicos, bem como os diversos sentidos de interpretação que os leitores fazem daquilo que os técnicos dizem, pois sabemos que na perspectiva de Manguel (2009), o leitor é quem atribui significados a um conjunto de signos, decifrando-os. Percebemos que alguns sujeitos tiveram acesso às habilidades de escrita, utilizando uma maneira particular de decifrar, decodificar ou construir o seu próprio texto.

Palavras-chave: leitura; interação; interpretação; assentados.

 

Minibiografias:

Ondina Maria da Silva Macedo é Mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás ( 2012) . Trabalha no Instituto Federal Goiano – Campus Ceres, como Professora de Ensino Básico Técnico e Tecnológico, onde atualmente coordena e atua nos projetos de Reprodução da escrita  acadêmicaA prova de redação do Enem.

Agostinho Potenciano de Souza é Doutor em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (2002). Professor Titular da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás. Interessa-se por: Leitura: práticas de leitura escolares e não-escolares, formação de leitores; Escrita: práticas de escrita escolares e não-escolares; formação para a produção de textos.

Eliane Marquez da Fonseca Fernandes tem Pós-Doutorado em Educação pela UnB (2011) e Doutorado em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás (2007) e atualmente trabalha como associado 1 na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás. Atua no PPG em Letras e Linguística da FL da Universidade Federal de Goiás. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Texto e Análise do Discurso. Atua nos seguintes temas: leitura e escrita, gêneros do discurso, análise do discurso e ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa.


Comunicação 11

PRODUÇÃO ESCRITA DO GÊNERO “RESUMO ACADÊMICO”: alguns resultados do Programa em Letramento Acadêmico na Universidade Federal do Amapá

Rosivaldo Gomes – Universidade Federal do Amapá – rosivaldounifap12@gmail.com

Suzana do Espírito Santo Barros – Universidade Federal do Amapá – suzana@unifap.br

 

Resumo:

O presente trabalho traz à baila uma amostra dos resultados do projeto de extensão “Programa em Letramento Acadêmico” desenvolvido na Universidade Federal do Amapá, localizada no norte do Brasil, no primeiro semestre do ano de 2016, com o objetivo de apresentar e instrumentalizar os alunos que estavam em processo de transição do Ensino Médio para o Ensino Superior, onde serão exigidos quanto à produção de textos da esfera acadêmica, com os quais não estão familiarizados. O projeto assume uma perspectiva de que a leitura e a escrita são práticas sociais que variam segundo contexto, cultura e gênero (BARTON; HAMILTON, 1998; STREET, 1984, 1985). Assim, adotamos o conceito de sociorretórica de gêneros defendido por Swales (1990; 2004) e Motta-Roth e Hendges (1996). Desse modo, a metodologia adotada considera a perspectiva de movimentos retóricos, os quais permitem a visualização de estruturas esquemáticas de gêneros. Apresentamos, neste trabalho, os resultados referentes à produção do gênero “resumo acadêmico” produzido por uma turma do curso de jornalismo com 20 alunos recém-ingressos. A partir de um texto escrito, os alunos produziram um primeiro resumo, sem orientação do professor, usando apenas o conhecimento que detinham da produção do gênero. Após a aula teórica sobre o processo de escritura de um resumo acadêmico, a turma reescreveu seu primeiro texto, fazendo as devidas adequações aos movimentos retóricos comumente usados na produção desse gênero. Com nisso, constamos que as 20 produções iniciais eram apenas um resumo do conteúdo (com partes extraídas do próprio texto lido), já na segunda produção, 14 textos atenderam as orientações de produção conforme os movimentos retóricos. Portanto, a ação inovadora do projeto mostra a necessidade de garantir que o aluno leia e escreva com certa autonomia os gêneros discursivos com os quais terão contato por toda sua formação acadêmica.

Palavras-chave: Letramento acadêmico; Resumo acadêmico; Sociorretórica.

 

Minibiografias:

Rosivaldo Gomes  é Professor Assistente I de Língua Portuguesa do Departamento de Letras e Artes da Universidade Federal do Amapá. Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Especialista em Linguística Aplicada, com ênfase em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literatura. Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Direito Ambiental e Políticas Públicas (PPGDAP/UNIFAP).

Suzana do Espírito Santo Barros: Professora Assistente I de Língua Portuguesa do Departamento de Letras e Artes da Universidade Federal do Amapá. Mestre em Letras pela Universidade Federal do Amazonas, especialista em Língua Portuguesa e Literatura pela Universidade Federal do Pará. Atua na área de Língua Portuguesa e Linguística, com ênfase em estudos sociolinguísticos, dialetológicos e prosódia do português.


Comunicação 12

O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA: relações de poder/saber/verdades

 

Janete Abreu Holanda – Universidade Federal de Goiás – jneteholanda@hotmail.com

 

Resumo:

Em 2014, para garantir um currículo mínimo para todos os alunos da Educação Básica do país, elaborou-se uma primeira versão da Base Nacional Comum Curricular e, posteriormente, uma segunda versão, conduzidas pelo Ministério de Educação, no contexto das políticas educacionais no Brasil. Nesse documento, evidenciam-se, no componente curricular de Língua Portuguesa, os conhecimentos necessários para a aprendizagem no Ensino Básico. Porém, a compreensão teórica sobre esse ensino é constituída por discursos dispersos e materializados em vários textos, os quais irrompem e circulam, gerando relações de poder/saber/verdade no processo de construção e disseminação sobre o ensino da língua portuguesa. Por isso, decidimos buscar, ou melhor, “escavar” a movimentação de alguns enunciados e tentar perceber as relações entre os enunciados para tentarmos encontrar o que foi possível ser enunciável no presente sobre o ensino da língua portuguesa. Queremos saber como foi possível constituir determinadas práticas de ensino sobre o ensino da língua portuguesa neste momento. Ou seja, perceber como foi  (re)constituído o poder/saber/verdade  sobre o ensino de Língua Portuguesa, na atualidade. Nesse sentido, pretendemos, com esta pesquisa, analisar como funcionam os enunciados que comentam sobre a Base Nacional Comum Curricular, constituindo verdades sobre o objeto de ensino da Língua Portuguesa. E é justamente nessa dispersão discursiva que pretendemos analisar e compreender os enunciados na estreiteza e singularidade de sua situação, determinar as condições de sua existência, estabelecer suas correlações com outros enunciados. E ao considerarmos os fatos de discursos, ou melhor, as práticas discursivas, que obedecem a determinadas regras, queremos aqui, na nossa pesquisa, analisar os dizeres os quais nos parecem um jogo estratégico, de ação e reação. Apoiamo-nos teoricamente, nos estudos de Michel Foucault para podermos melhor entender o exercício do poder/saber por acreditamos que essas relações operam de forma variável e produzem uma variedade de pontos de resistências.

Palavras-chave: Discurso; Poder/Saber/Verdade; Resistências; Língua Portuguesa.

Minibiografia:  

Janete Abreu Holanda é doutoranda em Letras e Linguística na Universidade Federal de Goiás, tem mestrado em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás(2012), é professora efetiva  e coordenadora do curso de Letras  na Universidade Estadual de Goiás. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Texto e Análise do Discurso. Atua nos seguintes temas: gêneros do discurso, análise do discurso e ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa.


 Comunicação 13

PIBID – LETRAS EM AÇÃO: do ler para aprender, para o aprender para ler

 

Sayonara Abrantes de Oliveira Uchoa – Instituto Federal de Educação – Cajazeiras PB e UFPB – sayonara_abrantes@hotmail.com

Symara Abrantes Albuquerque de O. Cabral – IFPB – symara_abrantes@hotail.com

 

Resumo:

Este trabalho apresenta a sistematização de resultados de projeto de leitura desenvolvido em escolas da rede pública de ensino do alto sertão paraibano, através das ações do Programa de Iniciação à Docência – PIBID, veiculado ao Curso de Licenciatura em Letras do IFPB. Partimos do pressuposto de que todas as fases constitutivas do ensino e aprendizagem, na escola, são perpassadas pelo ato de ler e, neste sentido, torna-se o aspecto fundamental dentro do contexto educacional. No entanto, o que se vivencia, neste contexto, é uma constante preocupação com uma visão conteudista e poucos, talvez raros, momentos dedicados ao real ensino de leitura. A impressão que se tem, ao adentrar a escola, é que ensinar a ler é uma ação limitada à fase de alfabetização. No entanto, o que se presencia, é a necessidade de estender esse ensino para todas as fases, visto que a maioria das dificuldades de aprendizagem, vivenciadas na escola, advêm da falta de habilidade leitora. A partir desta visão, produtos de uma pesquisa-ação, foram estabelecidas estratégias voltadas ao desenvolvimento da leitura a serem implementadas em turmas de Ensino Fundamental, em suas fases inicial e final. Para o desenvolvimento das estratégias envolvidas neste trabalho, buscamos fundamentos teóricos sobre leitura em Kleiman (2011), Solé (1998), Bortoni-Ricardo (2012) e, para discutir aspectos relacionados aos gêneros, em Marcuschi (2011) e Meurer (2011). Os resultados apontam para a melhoria da aprendizagem dos alunos envolvidos no projeto, sobretudo no que diz respeito à autonomia, do fazer-se leitor e aprendiz.

Palavras-chave: Leitura. Ensino. Aprendizagem.

Minibiografias:

Sayonara Abrantes De Oliveira Uchoa é Doutoranda e Mestre em Linguística pela UFPB\PROLING, pesquisadora nas áreas de Semântica e Linguística Aplicada. Possui graduação em LICENCIATURA PLENA EM LETRAS pela Universidade Federal de Campina Grande (2003). Atualmente é professora efetiva do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba- Campus Cajazeiras – PB, atuando nos ensinos Técnico, Tecnológico e Licenciatura em Letras. Atua, também, como coordenadora de área do PIBID.

Symara Abrantes Albuquerque De Oliveira Cabral possui graduação em Enfermagem pela Universidade Federal de Campina Grande (2010). Mestre em Sistemas Agroindustriais pela Universidade Federal de Campina Grande. Cursando Doutorado em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo – SP. Cursando Bacharelado em Letras pelo IFPB. Especialista em Saúde da Família pela FIP (2011). Especialista em Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2014).


 Comunicação 14

RASURAS NAS SÉRIES INICIAIS E FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL II

 

Taísa Martins Jordão –  Universidade Estadual de Maringá (UEM – PR) – taisajordao94@gmail.com

 

Resumo:

Neste estudo, partimos da hipótese de que rasuras feitas pelos escreventes podem indiciar conflitos vividos por eles no processo de aquisição da escrita, uma vez que elas são entendidas por alguns pesquisadores como Capristano (2013), Capristano e Chacon (2014) e Machado (2015), como momentos em que o escrevente suspende o gesto de escrever para voltar-se sobre aquilo que escreveu, retomando sua escrita, reformulando-a e reconhecendo diferenças entre a sua escrita e a escrita do outro. Além disso, a criança ao longo da aquisição da escrita lida com conflitos ligados à heterogeneidade da língua, como também da escrita e, para resolver tais conflitos baseia-se em influências advindas de suas práticas letradas. Sendo assim, objetivamos à luz desse pressuposto, investigar as rasuras presentes na produção escrita de alunos de quatro turmas de 6º ano e de quatro turmas de 9º ano do Ensino Fundamental II de uma escola estadual da cidade de Terra Boa – PR, especificamente aquelas que emergem sem a intervenção de um professor, a fim de verificar se o tempo de imersão e de circulação dos alunos em práticas sócio históricas agenciadas pela escola mudam os tipos e a quantidade de conflitos dos escreventes com relação a rasura. Assim, observaremos em quais dimensões da escrita, as crianças têm mais conflitos, seja, por exemplo, na dimensão da ortografia, ou do léxico, ou da caligrafia, ou, ainda, na dimensão textual envolvendo, por exemplo, a coesão e coerência, fazendo, especialmente, uma análise quantitativa dos dados das rasuras. Para a análise, consideraremos as variáveis: ano e quantidade de enunciados. Nesse sentido, o trabalho estará fundamentado teoricamente em estudos de Lemos (1998) com discussões sobre a aquisição da escrita, em Street (2014), Rojo (1995) e Kleiman (1998) com estudos sobre letramento e em Capristano (2013, 2014) e Machado (2015) com discussões sobre rasuras.

Palavras-chave: Rasuras; Ensino Fundamental II; Práticas de Letramento.

 

Minibiografia:

Taísa Martins Jordão é licenciada em Letras – Português/Inglês pela Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR/ Campus de Campo Mourão – PR (2012-2015). Atualmente é estudante de Pós Graduação em Letras nível Mestrado pela Universidade Estadual de Maringá (PR) (PLE/UEM), com a pesquisa intitulada: Rasuras no Ensino Fundamental II sob orientação da Professora Dra. Cristiane Carneiro Capristano. É integrante do grupo de pesquisa: Estudo sobre Aquisição da Escrita.


Comunicação 15

CONTANDO HISTÓRIAS DO DIA A DIA: o fascínio da arte literária através da produção de crônicas

 

Ana Valéria Silva Pinheiro – UEFS – anavaleria.pinheiro@gmail.com

Flávia Aninger de Barros Rocha – UEFS – flavianinger@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho foi desenvolvido numa Escola Estadual na cidade de Feira de Santana, Bahia, Brasil, com alunos do 9º ano do Ensino Fundamental e teve como foco promover nesses alunos o incentivo à prática de produção de textos através do letramento literário, ressaltando a importância desse letramento para uma formação crítica e social desses alunos. A proposta foi que eles produzissem crônicas a partir de suas próprias experiências cotidianas, colocando o olhar crítico sobre o lugar onde eles moram, fazendo uso da linguagem literária. A escolha por essas produções parte da crença de que falar de algo que se conhece pode favorecer a criatividade do autor. Desse modo, procurou-se, a partir de leituras de crônicas de diversas épocas e do estudo desse gênero, que os alunos encontrassem embasamento para produzirem seus textos, implicando numa melhora na habilidade autoral desses alunos. Assim, tenta-se ratificar o papel da escola como instituição formadora de um cidadão crítico, e destacar que, no processo ensino-aprendizagem, é possível reconhecer a importância do texto literário na formação de um leitor proficiente. Para desenvolver esse trabalho, tem-se como fundamentação teórica, Cosson (2014), Jouve, (2012), Kleiman (1995), Marcuschi, (2008), dentre outros. Aqui, foram enfatizadas a metodologia colaborativa-participativa, a qual procura promover, através da colaboração simultânea dos participantes, o sucesso do trabalho, e a pesquisa-ação, na qual as atividades são desenvolvidas e aperfeiçoadas ao passo que a pesquisa vai sendo elaborada. Como resultado, foi possível observar uma melhora significativa no desempenho dos alunos em suas produções textuais, implicando na ampliação da competência linguística deles, de maneira que essa melhora possa refletir no desempenho desses alunos nas demais disciplinas escolares e nas situações de produção textual a que forem submetidos dentro e fora do ambiente escolar.

Palavras-chave: Crônicas; Leitura; Letramento Literário; Competência Discursiva.

 

Minibiografias:

Ana Valéria Silva Pinheiro possui Pós-graduação em Língua Portuguesa – Texto (2002) e Graduação em Licenciatura Plena em Letras pela Universidade Estadual de Feira de Santana (1996). Tem experiência na área de Letras e atua como professora no Colégio Estadual Governador Luiz Viana Filho na Rede Estadual de Ensino da Bahia, local onde atuou como Supervisora do PIBID de Língua Portuguesa até novembro de 2014, função que teve que deixar após a aprovação como aluna do Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS/UEFS, curso com conclusão prevista para esse ano. 

Flávia Aninger de Barros Rocha com Doutorado em Teorias e Críticas da Literatura e da Cultura pela Universidade Federal da Bahia, possui Mestrado em Literatura e Diversidade Cultural pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2002). É professora adjunta da Universidade Estadual de Feira de Santana. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura e Experiência Urbana, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura e representação urbana e estudos de Guimarães Rosa. É autora do livro Pequenas Veredas: existência, amor e arte em Tutaméia.


Comunicação 16

A PRÁTICA DE LETRAMENTO DO PENSAR ALTO EM GRUPO E AS LEITURAS METAFÓRICAS

 

Marivan Tavares dos Santos – UNINORTE / SEDUC/AM – aajnai@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho se insere na área de Linguística Aplicada (LA) e tem como objetivo apresentar a prática de letramento do Pensar Alto em Grupo (PAG) (ZANOTTO, 1995) e as leituras metafóricas construídas, com base no texto literário “A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana” (BOFF, 2010), por alunos do ensino superior. Tal prática consiste em uma leitura coletiva em que os participantes expressam suas leituras e as negociam, o que pode contribuir para a formação de leitores responsivos e ativos (BAKHTIN, 2011). Trata-se de uma pesquisa-ação crítica (KINCHELOE, 1997) de natureza qualitativa (CRESWELL, 2010) e orientação interpretativista (MOITA LOPES, 1994). Para a geração dos dados, utilizou-se como método o Pensar Alto em Grupo com seis alunos do curso de administração e a professora-pesquisadora da cidade de Manaus-AM. A questão norteadora foi: Como a prática de leitura do PAG, no ensino superior, pode contribuir para a formação leitores responsivos e ativos? Apoiou-se na visão freireana (FREIRE, 1986), na abordagem dos Novos Estudos do Letramento (STREET, 1995), na metáfora conceptual (LAKOFF e JOHNSON, 2002) e na natureza dialógica da linguagem (BAKHTIN, 2009). Os resultados apontam que a prática do PAG possibilita uma discussão espontânea, com isso favorece o empoderamento da identidade leitora dos alunos e potencializa o pensamento crítico.

Palavras-chave: Leitura; Prática de Letramento; Pensar Alto em Grupo.

 

Minibiografia:

Marivan Tavares dos Santos é doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (2014) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e Mestra em Educação (2003) pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). É professora de Ensino Superior do Centro Universitário do Norte/Laureate Universities International e do curso de Pós-graduação do UNINORTE. É integrante do grupo de pesquisa: GEIM-Grupo de Estudos da Indeterminação e da Metáfora.


Comunicação 17

A PRÁTICA DE LEITURA EM SALA DE AULA UTILIZANDO O GÊNERO MEMES    

 

Débora Sousa Martins – UFG/FL/IF Goiano – debora.martins@ifgoiano.edu.br

 

Resumo:

As diversas situações de interação verbal Bakhtin (2010, 2003), principalmente pela mídia, possibilitam modos diferentes da prática de leitura e letramento, que vão se estabilizando no interior das esferas sociais, e instaurando assim, novas práticas de letramento Marcuschi (2005). E com isso, os sujeitos vão se posicionando de diversas maneiras e, de certo modo, gerando novas formas de conduta e consequentemente, causando resistência Foucault (2005) a essas novos comportamentos. Nesse sentido, este trabalho traz análise de uma proposta de leitura realizada nas aulas de língua portuguesa, com alunos do Ensino Médio, no IF Goiano Campus Posse,  sobre o gênero discursivo Bakhtin (2010, 2003)  “memes” que circula na mídia possibilitando a (in)visibilidade de sujeitos acerca de determinados eventos discursivos que se fazem presentes pela memória discursiva. O objetivo geral é compreender a proposta de leitura de “memes” em sala de aula, como prática de letramento a partir de contextos reais Street (1995), analisando as condições de produção que possibilitaram o surgimentos desses “memes”.  E como objetivos específicos compreender como o uso desse gênero discursivo midiático contribui para o processo de letramento de sujeitos advindos de diferentes posições sociais. E ainda, observar marcas de poder e de resistência em relação a determinadas posições ideologias que circulam no ambiente escolar. A metodologia utilizada é de caráter qualitativo, caracterizada dentro do paradigma descritivo-interpretativo, mais especificamente um estudo de caso Denzin e Lincoln (2006). Para tanto, os alunos vão escrever sobre as atividades e análises feitas por eles durante as aulas. Portanto, nos pautaremos nos estudos da Análise do Discurso de linha francesa para procedermos as análises, por meio dos autores já mencionados, nos basearemos também em Orlandi (2002).

Palavras-chave: Ensino de Língua portuguesa; Leitura; Memes; Sujeito; Discurso.

 

Minibiografia:

Débora Sousa Martins tem mestrado em Estudos Linguísticos, pela Universidade Federal de Goiás, (UFG) em 2014. É especialista em Linguística Aplicada ao Ensino e Aprendizagem de Línguas, pela Universidade Federal de Goiás, (UFG) em 2010. Ainda é especialista em Língua Inglesa, pela Faculdade do Noroeste de Minas – FIMON em 2009. Possui graduação em Letras (Port./Ingl.) pela Universidade Estadual de Goiás, (UEG), em (2007). Participa do Grupo de Pesquisa CNPq CRIARCONTEXTO: estudos do texto e do discurso. Atualmente é professora do Instituto Federal Goiano – Campus Posse, sob o regime de dedicação exclusiva.


Comunicação 18

CONCEPÇÕES SOBRE LETRAMENTO NA EDUCAÇÃO HOSPITALAR

 

Itamara Peters – UENP – itamarapeters@gmail.com

Eliana Merlin Deganutti de Barros – UENP- edeganutti@hotmail.com

 

Resumo:             

O estudo aqui apresentado aborda as concepções sobre letramento que emergem do discurso dos professores que atuam na área de Linguagem no Serviço de Atendimento a Rede Escolarização Hospitalar –SAREH – do Paraná, instrumentalizado pela aplicação de um questionário, aos professores que atuam nesse contexto, durante a pesquisa desenvolvida no Mestrado Profissional em Letras em Rede (PROFLETRAS) da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). A pesquisa teve como objetivo geral analisar e compreender de que modo o ensino da Língua Portuguesa é abordado no SAREH, a fim de elaborar orientações teórico-metodológicas para os docentes que atuam nessa área. Pauta-se metodologicamente na abordagem qualitativa e no estudo de caso, tomando como ferramenta de geração de dados o questionário misto, com questões abertas e fechadas, o qual foi aplicado em nove unidades hospitalares conveniadas com a Secretaria Estadual de Educação do Paraná, para dez professores da área de Códigos e Linguagem. A análise do material coletado foi feita com base na análise de conteúdo proposta por Bardin (2011), a partir de categorias estabelecidas durante a observações dos dados. O trabalho tem como referencial teórico de base estudos sobre letramento, sua escolarização e seu desmembramento na educação escolar hospitalar. Para este texto, a finalidade é investigar como ocorre a articulação de algumas variáveis: o estudante; os conhecimentos de Língua Portuguesa envolvidos nas práticas de linguagem e a mediação do professor, que emergem dos discursos dos docentes da área de Linguagem que atuaram no SAREH no ano de 2015, com o intuito de compreender como essa articulação envolve os letramentos.  Busca-se, assim, contribuir para os estudos acerca dos processos de letramento no programa de escolarização hospitalar.

Palavras-chave: Letramento; Ensino da Língua Portuguesa; Educação Hospitalar.

 

Minibiografias:

Itamara Peters é Mestre em Letras (Profletras) UENP. Docente de língua portuguesa no programa SAREH/SEED- Paraná no Hospital Pequeno Príncipe, Curitiba. Membro do GP DIALE (CNPq/UENP).

Eliana Merlin Deganutti de Barros tem Doutorado e Mestrado em Estudos da Linguagem (UEL). Docente do curso de Letras e do Profletras da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Coordenadora de subprojeto PIBID/LP/UENP. Líder do GP (CNPq/UENP) DIALE e colaboradora dos GP GEMFOR (UEL) e GETFOR (UFGD).      


Comunicação 19

PUBLICIDADE E MULTILETRAMENTO: uma proposta de práticas leitoras multimodais no ensino de língua materna

 

Rafael da Silva Moura – UPF –119243@upf.br

Cristiano Oldoni – UPF – cristianooldoni@gmail.com

Ernani de Cesar Freitas – UPF – ecesar@upf.br

 

Resumo:

A multimodalidade é traço constitutivo de todas as manifestações discursivas, sejam elas escritas ou orais, verbais ou imagéticas. Com o advento das tecnologias, cada vez mais, vemo-nos inseridos em situações comunicativo-interativas híbridas, nas quais são mobilizadas múltiplas linguagens na projeção de sentidos. O ambiente escolar, apesar de ser o principal formador de sujeitos leitores, muitas vezes, marginaliza textos multimodais ou os explora de maneira superficial, sem ênfase na adequada construção de sentidos a partir dos engendramentos intersemióticos. Como resultado de tal prática, os mais diversos instrumentos de avaliação externa (PISA, ENEM, SaeB), que se valem amplamente de gêneros discursivos multimodiais, indicam uma alarmante insuficiência quanto à interpretação textual por parte dos alunos brasileiros. Este estudo justifica-se devido a seu caráter educacional, assumindo como tema a utilização de textos multimodais em práticas pedagógicas de ensino de língua materna. O objetivo delimita-se a analisar práticas leitoras, voltadas ao gênero publicitário, em diversos formatos e com finalidades discursivas distintas, que foram desenvolvidas em sala de aula, com vistas a proporcionar ao alunado momentos sistemáticos de leitura de textos multimodais para promover o multiletramento desse público. O referencial teórico é constituído pelos conceitos de gêneros discursivos, enquanto prática social, desenvolvidos por Bakhtin (2011), de multimodalidade e de multiletramentos, abordados por Cope e Kalantzis (2000), Kress e Van Leeuwen (2001), Lemke (2010), Rojo (2012, 2013) e Dionísio (2011, 2014). Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de caráter bibliográfico e exploratório, desenvolvida mediante pesquisa-ação e aplicada em uma turma de 6º ano, de uma escola particular, na cidade de Sarandi-RS/Brasil. Como resultado, destacamos que a exploração de textos multimodais e as implicações sociais dos gêneros discursivos, ao passo que aproxima o educando de situações comunicativo-interativas reais, pode conferir sentido às aulas de língua materna, auxiliando no processo de desenvolvimento da habilidade leitora crítico-responsiva dos alunos.

Palavras-chave: Práticas leitoras; Publicidade; Gêneros discursivos; Multimodalidade; Multiletramento.

 

Minibiografias:

Rafael da Silva Moura, graduado em Letras-Inglês na Universidade de Passo Fundo (UPF) com experiência em pesquisa na modalidade Iniciação Científica; professor de Português no Ensino Médio; mestrando em Letras na Universidade de Passo Fundo (UPF).

Cristiano Oldoni, graduado em Letras (URI) com especialização em Língua Portuguesa (UPF); professor do Ensino Médio; mestre em Letras (UPF); doutorando em Letras (UPF), na linha de pesquisa Leitura e Formação do Leitor.

Ernani Cesar de Freitas, doutor em Letras (PUCRS), área de concentração Linguística Aplicada, com pós-doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (PUC-SP/LAEL); professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo e do PPG em Processos e Manifestações Culturais da Universidade Feevale.


Comunicação 20

DA EXPERIÊNCIA DA LEITURA E DA ESCRITA À PRÁTICA DOS MULTILETRAMENTOS: apontamentos sobre projeção e resgate de sentidos

 

Cristiano Oldoni – Universidade de Passo Fundo – cristianooldoni@gmail.com

Ernani Cesar de Freitas – Universidade de Passo Fundo – ecesar@upf.br

 

Resumo:

A complexidade dos processos de aprender e ensinar na alta modernidade torna notória a necessidade de uma educação linguístico-discursiva voltada às novas possibilidades de construções de sentido, para a semantização dos gêneros textuais-discursivos circulantes, que envolvem a integração de planos semióticos variados, grande variedade de plataformas de veiculação, além de ampla pluralidade linguística e cultural. As tecnologias de letramentos variados – permanentemente modificados por dinâmicas sociais – se engendram e se integram de tal forma que constroem redes, envolvendo sempre novas tecnologias e práticas culturais. Uma estável habilidade discursiva permite, assim, que o aprendiz perceba na prática dos multiletramentos uma chave para acessar as demais tecnologias, baseadas em sistemas semióticos variados: ocorrências discursivas diferentes exigem letramentos também múltiplos, para acompanhar os movimentos contemporâneos de renovação da comunicação. É assim que os (multi)letramentos convertem-se em competências de posicionar-se social, histórica e discursivamente em uma complexa rede de interdependências semióticas para projeção e resgate de sentidos, na busca de semantizar a própria vida. O estudo ora proposto tem base nas contribuições de Lemke (2009), Marcuschi (2012), Rojo e Moura (2012), Rojo (2007, 2013) e Oliveira e Szundy (2014) e propõe como objetivo analisar os processos intersemióticos de projeção e resgate de sentidos em gêneros de natureza multimodal e os novos paradigmas de ensino e aprendizagem relacionados à língua materna, tendo como foco a leitura crítica e emancipatória e a escrita autônoma dos gêneros supracitados. Considerando tal panorama, esta análise apresenta pesquisa qualitativa com abordagem bibliográfica na análise de corpus composto por videoclipe musical, apontando para a necessidade de ressignificar algumas concepções vigentes no campo do ensino e da aprendizagem da língua materna, envolvendo o domínio de recursos sofisticados que abarcam a compreensão crítica de engendramentos e integrações de planos variados na construção de sentidos.

Palavras-chave: Ensino e aprendizagem de língua materna; Multimodalidade discursiva; Multiletramentos.

 

Minibiografias:

Cristiano Oldoni é Doutorando em Letras na Universidade de Passo Fundo e vincula seus estudos à linha de pesquisa Leitura e Formação do Leitor; Mestre em Letras, pela mesma Instituição; professor da Educação Básica (Ensino Médio) na rede pública e privada de ensino.

Ernani Cesar de Freitas é Doutor em Letras (PUCRS) – área de concentração Linguística Aplicada –, com pós-doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (PUC-SP/LAEL); é professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo e do PPG em Processos e Manifestações Culturais da Universidade Feevale.


Comunicação 21

MULTILETRAMENTOS E DIVERSIDADE DE ORDENS DISCURSIVAS NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

 

Úrsula Cunha Anecleto – UNEB – ursula.cunha@hotmail.com

 

Resumo:

Esta apresentação discute sobre práticas de leitura, escrita e oralidade no ensino de Língua Portuguesa, tendo como enfoque o gênero “narrativa fílmica”. Para isso, partiu-se da concepção dos multiletramentos e da multiplicidade semiótica de constituição dos textos presentes nas práticas discursivas do mundo moderno, de forma multimodal, a partir da interação entre imagem, texto, sons e outros elementos que constituem as tecnologias contemporâneas. Nessa perspectiva, o ato de ler e de produzir textos orais e escritos é resultado da articulação de diferentes ordens discursivas, fomentadas pelo hibridismo da linguagem. Tendo em vista esse quadro teórico-conceitual, este trabalho apresenta o resultado de uma atividade com o filme “O Lorax: em busca da trúfula perdida”, realizada no 4º ano do Ensino Fundamental I, em uma escola pública do interior da Bahia (Brasil). Esse evento de letramento constituiu-se em uma das ações do projeto de extensão “Letramento e Ensino”, desenvolvido em parceria entre a Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e a escola, e teve como objetivo incentivar os alunos a interpretarem e a significarem textos orais, escritos e imagéticos oriundos dessa narrativa, levando em conta experiência textual, social e cultural desses sujeitos. Para a construção do planejamento de ensino, optou-se pela sequência didática (SD), por esse meio possibilitar a organização lógico-estrutural das atividades, com vistas a atingir fins específicos de aprendizagem. Pretendeu-se, com essa atividade, refletir sobre os multiletramentos e a necessidade de a escola promover, na atualidade, outras práticas de letramento e de oralidade nas aulas de Língua Portuguesa, tendo em vista que o texto apresenta-se a partir de outros suportes e com outros recursos semióticos.

Palavras-chave: Ensino de Língua Portuguesa; Multiletramentos; Narrativa fílmica.

 

Minibiografia:

Úrsula Cunha Anecleto é doutora em Educação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Mestra em Crítica Cultural pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Docente no Mestrado em Estudos Linguísticos da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e do curso de licenciatura em Letras Português e Pedagogia (UNEB). Tem experiência na área de Linguística e Educação, com ênfase no Ensino de Língua Portuguesa, Linguística Aplicada, Prática Pedagógica e Estudos Culturais.


Comunicação 22

ANÁLISE DO GÊNERO CARTA DE RECLAMAÇÃO NA PERSPECTIVA DO LETRAMENTO

 

Ana Paula Martins Alves – Doutoranda PPGL/UFC – Professora UFRA – anamarinsalves@ufra.edu.br

Marílio Salgado Nogueira- Professor Mestre – UFRA/ marilio.nogueira@ufra.edu.br

 

Resumo:

Estudos sobre o letramento têm sido desenvolvidos desde a década de 1980, apresentando um variado quadro teórico sobre as habilidades de leitura e escrita na sociedade contemporânea. Fundamentando-se nos pressupostos de Street (1981, 1984), Heath (1983, 1984) e Barton & Hall (2000), o presente estudo teve por escopo analisar os aspectos socioculturais emergentes nas cartas de reclamação produzidas pelos alunos do 4º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública municipal de Fortaleza, observando aspectos socioculturais do letramento expressos na escrita dos estudantes. Para os propósitos desta pesquisa analisamos 10 produções de alunos do 4º ano do Ensino Fundamental participantes de uma sequência didática, desenvolvida ao longo de dois meses. Na análise, observamos aspectos estruturais do gênero carta de reclamação, bem como os aspectos destacados por Barton & Hall (2000), a saber: os papéis e identidades assumidas pelos escritores, bem como a força dos atos de fala. Ao analisarmos tais aspectos intencionamos perceber os valores culturais e o contexto social de produção das cartas como prática social. Os dados evidenciaram que os alunos assumem um papel socialmente situado e atribuem um papel para seu interlocutor e, ainda, que as cartas de reclamação dos participantes são repletas de atos de fala, principalmente de atos com força ilocucionária, com os quais o redator busca influenciar o comportamento do interlocutor e, com isso, produzir efeitos como o de convencer o destinatário a mover ações para a melhoria da instituição.

Palavras-chave: Carta de reclamação; letramento; prática social.

 

Minibiografias:

Ana Paula Martins Alves é Mestre e doutoranda em Linguística pela Universidade Federal do Ceará (UFC), graduada em Pedagogia pela UFC e em Letras/Língua Inglesa pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), é professora assistente e coordenadora do curso de Letras – Língua Portuguesa.

Marílio Salgado Nogueira é Mestre em Linguística pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e graduado em Letras/Língua Portuguesa e Inglesa pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), é professor assistente do curso de Letras – Língua Portuguesa.


 Comunicação 23

LETRAMENTOS SITUADOS E FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA MATERNA (PLM)

 

Ivana Carla Oliveira Sacramento – Universidade Federal da Bahia (UFBA)/Instituto Anísio Teixeira (IAT) – ivanasacramento19@gmail.com

 

Resumo:

Esta apresentação, recorte da tese de doutorado, discute a questão da formação continuada de professores de Português como Língua Materna no Brasil (PLM), apoiando-se na Linguística Aplicada (LA) que através de suas investigações, traz um fortalecimento acadêmico para as formações de professores ─ seja inicial ou continuada ─ sobretudo porque aprofunda o entendimento do processo de formação. Portanto, ao focalizar um curso de formação continuada de professores de PLM, é imprescindível levar em consideração que o domínio da língua alvo a ser ensinada e da metodologia a ser empregada nesse processo, são de suma relevância para a dinâmica de ensino e de aprendizagem de uma língua, aqui especificamente da língua portuguesa. Nota-se que os cursos de formação continuada, em certa medida, desconsideram a dimensão formativa do professor no que diz respeito a suas ações políticas, vez que tal dimensão ─ além da acadêmica ─ é também responsável pelas posturas didático-pedagógicas no ensino de línguas e na elaboração de materiais didáticos por estes professores. Sendo assim, é importante pensar no (re)conhecimento dos letramentos situados dos professores, aliando à sua postura político-pedagógica, o que reverberará no trabalho em sala de aula de língua portuguesa e na inclusão de aspectos de políticas linguísticas na elaboração dos cursos institucionais de formação continuada e que estejam estreitamente ligadas à pedagogia de línguas para o século XXI.

Palavras-chave: Português como Língua Materna; Letramentos situados; Formação continuada de professores.

 

Minibiografia:

Ivana Carla Oliveira Sacramento é doutoranda em Língua e Cultura (UFBA), na linha de pesquisa Aquisição, ensino e aprendizagem de línguas. Mestra em Crítica Cultural, na linha de pesquisa Letramento, identidades e formação de professores, pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Especialista em Estudos Literários (UNEB), graduada em Letras Vernáculas com Inglês (UNEB). É docente do Governo do Estado da Bahia e da Faculdade de Tecnologias e Ciências da Bahia (FATEC). Desde 2003 trabalha com formação continuada de professores.


Comunicação 24

ORALIDADE, LETRAMENTO E HIPOSSEGMENTAÇÃO:  um olhar para a escrita infantojuvenil

 

Roberta Pereira Fiel – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Instituto de Biociências Letras e Ciências Exatas (UNESP – IBILCE) – roh_fiel@hotmail.com.br

 

Resumo:

Neste trabalho, tratamos de dados de hipossegmentação não-convencional de palavras, caracterizados pela ausência não-convencional de fronteira gráfica, como em dinovo (de novo) e  matalo (matá-lo). Discutimos em que medida esse tipo de dado de escrita pode ser tomado como evidência do trânsito do escrevente por práticas orais/faladas e letradas/escritas. Para tanto, partimos da premissa de que esses tipos de segmentações são marcas privilegiadas para a observação da heterogeneidade constitutiva da escrita (CORRÊA, 2001), pois, embora sendo gráficas, são marcas linguísticas de processos simbólicos que se efetivam na escrita por meio da relação com a oralidade, particularmente por meio do domínio prosódico. Assim, defendemos que as hipossegmentações evidenciam hipóteses do escrevente acerca do que seja uma palavra (orto)gráfica. Essas hipóteses encontram-se ancoradas tanto em estruturas prosódicas da língua (constituintes prosódicos como palavra e grupo clítico), quanto em informações letradas (omissão de fronteiras gráficas que indicariam a palavra escrita para o aluno). O córpus dessa pesquisa é constituído por 552 dados de hipossegmentação que foram identificados 1.991 textos escritos por 89 alunos ao longo dos quatro anos do Ensino Fundamental II (EF II), última etapa do sistema de ensino básico no Brasil (disponíveis em: http://www.convenios.grupogbd.com/redacoes/Login). Para a análise prosódica das hipossegmentações, tomamos a ausência não-convencional de fronteira entre palavras (branco ou hífen) como evidência de que o escrevente analisou a cadeia fônica como uma unidade prosódica. Resultados parciais mostram que: (i) há casos de hipossegmentação com a ausência da fronteira gráfica branco e hífen em todos os anos do EF II com um aumento no nono ano em relação ao sétimo ano; (ii) predomina a junção de um clítico mais a palavra prosódica que o segue (encasa – “em casa”), já a junção de inversa, ou seja, de uma palavra prosódica mais o clítico que a segue (alende – “além de”), ocorre muito menos.

Palavras-chave: hipossegmentação; prosódia; escrita; letramento; oralidade.

 

Minibiografia:

Roberta Pereira Fiel é formada em Letras (Português/Inglês) pela UNESP – IBILCE. Atualmente é Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UNESP/IBILCE e Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP – Processo 2015/26763-6).


Comunicação 25

LETRAMENTO DIGITAL: JOGO DE IMAGEM E ESCRITA EM AULAS DE LEITURA

Denise Gabriel Witzel – Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro) – witzeldg@gmail.com

 

Resumo:

Ler, segundo os pressupostos da Análise do Discurso embasada no pensamento do filósofo Michel Foucault, implica considerar fundamentalmente: (i) as condições sócio-históricas de existência do enunciado (verbal e/ou visual); (ii) as relações das séries enunciativas com o jogo de noções a que estão ligadas, tais como regularidade, aleatoriedade, descontinuidade, dependência, transformação; (iii) o fato de que o enunciado é único, mas possui uma materialidade repetível e um campo associado. Tendo em conta essas premissas, propomo-nos apresentar uma reflexão sobre as contribuições da Análise do Discurso para o ensino da leitura, estabelecendo um diálogo com a proposta de Magda Soares (2002) a propósito dos “letramentos”, no plural porque trataremos especificamente do “letramento digital”. Interessa-nos, portanto, a formação de leitores de telas, instados cotidianamente a responderem às exigências de leitura impostas nestes tempos de cibercultura, com importantes consequências sociais, cognitivas e discursivas. A partir da concepção de letramentos, articulada aos conceitos de enunciado e memória, daremos visibilidade a séries enunciativas viralizadas na internet, reclamando um leitor criticamente posicionado diante dos diferentes modos de produção de sentidos que circulam nesses ambientes. Trata-se de um leitor que olha não apenas para os textos e para as imagens que atingem  as telas de seu computador ou aparelho celular, mas olha, sobretudo, para a existência histórica das memórias que constituem os sentidos; ou seja, um leitor capaz de reconhecer a movência dos sentidos em meio a um sistema de dispersão marcado pela opacidade e pela contradição. Assim, nossa contribuição apontará para as práticas de leitura em uma sociedade literácia em que o letramento digital  faz desaparecer e reaparecer a opacidade e a contradição, mostrando o jogo que elas desempenham no discurso ao tempo em que manifestam como ele, o jogo, “pode exprimi-las, dar-lhes corpo, ou emprestar-lhes uma fugidia aparência” (FOUCAULT, 1997, p.171).

Palavras-chave: Análise do Discurso; redes sociais; ensino da leitura; enunciado-imagem.

 

Minibiografia:

Denise Gabriel Witzel é Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela FCL/UNESP-Araraquara-SP, com estágio doutoral na Universidade Louis Lumière de Lyon II, França. Mestre em Linguística Aplicada pela UEM-Maringá-Pr. É professora adjunta do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Letras – mestrado – da UNICENTRO-Guarapuava-Pr.


Comunicação 26

OS LETRAMENTOS DO PROFESSOR DE LÍNGUA MATERNA

 

Lucimeire da Silva Furlaneto – SEDUC/MT – lucimeirefurlaneto@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo analisar e discutir concepções de leitura dos professores de Língua Portuguesa, mobilizadas em atividades de leitura em um curso de formação continuada intitulado “Letramentos do professor: Vivências de Leitura e Escrita em Língua Materna”, conduzido na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), campus de Cuiabá. Pois, um dos temas que mais emerge em cursos de formação continuadas para professores pedagogos e pesquisadores, pode estar diretamente relacionado ao ensino de um tema constantemente emergente; a leitura. Para tratarmos das concepções acerca de letramentos, nos ancoramos em Soares, Kleiman, Street, entre outros. Para compreendermos a leitura como um processo dialógico, evocamos alguns teóricos, entre eles: Rojo, Lajolo, Orlandi e Bakhhtin. Optamos pela metodologia de análise a abordagem qualitativa à luz de Bogdan e Biklen. Destacamos que as atividades mobilizadas no curso de formação não foram suficientes para responder a todas as questões de pesquisa. Todavia, foi diagnosticado em nossas análises que o letramento do professor é bastante restrito. Outra constatação foi a de que as práticas de letramento do professor pode estar intimamente relacionada mais a uma questão de cultura profissional do que a uma questão de área de conhecimento. Nesse sentido, acreditamos que o processo de formação do professor deva se dar para além da formação continuada, ou seja, deve ser um processo contínuo, para que possa haver a promoção de mudanças significativas nas atividades e práticas de leitura numa perspectiva de formação de sujeitos leitores proficientes.

Palavras-chave: Letramento; Professor; Língua Materna.

 

Minibiografia:

Lucimeire da Silva Furlaneto, Professora de Língua Portuguesa, efetiva na rede estadual pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (SEDUC/MT) de Cuiabá; Mestre em Estudos de Linguagem pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem, na Universidade Federal de Mato Grosso; Professora Formadora no Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação (CEFAPRO). Suas publicações abrangem as áreas de Língua Portuguesa e Educação.


Comunicação 27

ENSINO DE LÍNGUA MATERNA VIA PROJETOS DE LETRAMENTO:  ressignificações conceituais e metodológicas

 

Priscila do Vale Silva Medeiros – SEEC-RN – priscilavalemedeiros@hotmail.com

Glícia Azevedo Tinoco – UFRN – glicia_azevedo@yahoo.com.br

 

Resumo:

Compreender a linguagem como interação (BAKHTIN [1929] 2009) pressupõe considerar que as relações sociais são mediadas por textos que circulam em contextos específicos e que requerem de leitores, escreventes, ouvintes e falantes competências e habilidades distintas. É a partir desse pressuposto que os estudos do letramento vêm propondo, desde a década de 90, a ressignificação do letramento escolar por meio de um trabalho que parta dos usos sociais da escrita (KLEIMAN, 1995). Do amadurecimento dessa reflexão, foi proposto o conceito de projeto de letramento (KLEIMAN, 2000), que, anos depois, foi caracterizado como um modelo didático (TINOCO, 2008), cujo princípio central é a escrita como prática social. A fim de contribuir com esses estudos, a presente comunicação objetiva apresentar um estado da arte sobre o que é projeto de letramento, como é feito e quais as implicações conceituais e metodológicas desse modelo didático para a ressignificação do ensino de língua materna. Para tanto, desenvolvemos uma pesquisa bibliográfica, de natureza qualitativa e interpretativista, a partir de publicações brasileiras que tratam da temática em foco e correspondem ao seguinte recorte temporal: de 2000 a 2016. Respeitando as especificidades temática e espaço-temporal, analisamos quatro artigos acadêmicos (KLEIMAN, 2007; 2012; ANASTÁCIO; GARCIA, 2014; CORREIA, 2016); duas teses (TINOCO, 2008; SANTOS, 2012); e um livro (OLIVEIRA; TINOCO; SANTOS, 2011). A análise feita demonstra que, embora haja a adoção do construto “projeto de letramento” nessas diferentes publicações, o conceito, os direcionamentos metodológicos e os propósitos desses projetos parecem seguir caminhos específicos, que apontam aspectos interessantes para a ressignificação do ensino de língua materna.

Palavras-chave: Ensino de língua materna; Escrita como prática social; Projeto de letramento.

 

Minibiografias:

Priscila do Vale Silva Medeiros é Mestre em Letras pelo Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS/UERN), especialista em Literatura Brasileira (UFRN) e em Ensino de Gramática (UERN) e graduada em Letras com habilitação em língua portuguesa e suas respectivas literaturas (UERN).
Glícia Azevedo Tinoco é doutora em Linguística Aplicada (UNICAMP), professora adjunta da Escola de Ciências e Tecnologia (ECT/UFRN), professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPgEL/UFRN), mais   especificamente na área de Linguística Aplicada, e do Mestrado Profissional em Letras (ProfLetras), além de professora colaboradora do Mestrado Profissional em Ciência, Tecnologia e Inovação (MPInova/ECT) da UFRN.


Comunicação 28

ENSINO/APRENDIZAGEM DE LÍNGUA MATERNA E CULTURA PATRIMONIALIZADA LOCAL

 

Maria José Silva Ramalho – ProfLetras-UFRN – majoramalho54@hotmail.com

 

Resumo:

O processo de ensino/aprendizagem de língua materna, nas duas últimas décadas, vem passando por diferentes ressignificações. Contribuíram, para isso, os estudos de letramento de vertente etnográfica (KLEIMAN, 1995). Nessa perspectiva, o ensino de língua materna é desenvolvido por práticas de leitura, escrita e oralidade desenvolvidas em situações reais de comunicação. Esse pressuposto teórico nos levou a desenvolver um projeto de letramento (KLEIMAN, 2000) que tem como objeto de estudo a cultura patrimonializada de Ceará-Mirim-RN, município do interior do Rio Grande do Norte, no nordeste brasileiro. Para desenvolver esse projeto, ancoramo-nos nos construtos teóricos de Kleiman (1995; 2005), Tinoco (2008), Street (2014) e na concepção dialógica de linguagem (BAKHTIN [1929] 2014). Além disso, partimos da cultura de referência (CERTEAU, 2014) dos alunos de uma turma do 9º ano de escola pública e ancoramo-nos, ainda, metodologicamente, na linguística aplicada (MOITA-LOPES, 2006). Da análise dos dados gerados, depreendemos que, ao conhecer e valorizar a cultura e a história de seu povo, os alunos se engajam mais em um sentimento de pertencimento à sua comunidade e aos problemas sociais nos quais estão envolvidos, transformando aulas de língua materna em eventos que podem levar a práticas de leitura, escrita e oralidade mais significativas, uma vez que são vivenciais e buscam a mudança de um estado de coisas.

Palavras-chave: Ensino de língua materna; Cultura patrimonializada local; Projeto de letramento.

 

Minibiografia:

Maria José Silva Ramalho é mestre em Letras pelo Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS-UFRN), especialista em Teorias e Estudos da Linguagem – UFRN, graduada em Letras – Português e Bacharel em Sociologia – UFRN, professora de Língua Portuguesa da rede municipal e estadual – Estado do Rio Grande do Norte, nordeste brasileiro.

 

Comunicação 29

LETRAMENTO EM LÍNGUA PORTUGUESA sob o viés do construto Configuração Contextual (CC) e Estrutura Potencial de Gênero (EPG) da LSF e suas implicações pedagógicas

 

Sônia Margarida Ribeiro Guedes –  Universidade de Brasília (UnB) – son.ninha@hotmail.com

 

Resumo:

Esta pesquisa é o resultado direto de minha experiência no campo do letramento em língua portuguesa e tem como foco o ensino-aprendizagem de gêneros textuais sob o prisma da Linguística Sistêmico-Funcional, base teórica deste estudo (HALLIDAY, 1994; EGGINS, 1994).  Devido ao seu caráter sistêmico e funcional, para a LSF, a linguagem é um sistema sociossemiótico que existe para atender necessidades humanas, cuja função é produzir significados/ sentidos do mundo. Sob essa ótica a língua é umas redes de escolhas relacionadas a variáveis de registro, de macro e microestruturas e à atividade social em andamento num dado contexto em que texto e contexto se integram no processo de significação, organização e construção da experiência humana (HERBELE, 2000). Sob esse prisma, o conceito de gênero se configura e se estrutura e propõe os construtos Configuração Contextual (CC) e Estrutura Potencial de Gênero (EPG). (HALLIDAY; HASAN, 1989).  Objetivo discutir aqui os conceitos de gênero, CC e EPG nos parâmetros da LSF, analisando, para tanto, diferentes textos configurados em gêneros. Em seguida, aponto algumas implicações pedagógicas de um trabalho ancorado no aporte teórico discutido. A metodologia é qualitativa – descritiva segundo os objetivos e natureza dos dados. A pesquisa se justifica porque contribui para o ensino-aprendizagem de Português ancorado em gêneros. O corpus analisado constitui-se de quatro gêneros: crônica, fábula, artigo de opinião e editorial, provenientes do conjunto de textos estudados em aulas de língua portuguesa da EJA, em uma escola pública no Distrito Federal.     Os resultados mostram que uma proposta de letramento ancorado em gêneros sob o prisma da LSF fornece um novo redimensionamento da prática pedagógica para a abordagem em língua materna, pois provê as condições necessárias para que os alunos desenvolvam uma acurada compreensão de como os gêneros se constroem e como eles desempenham propósitos sociais.

Palavras-chave: Letramento em língua portuguesa; Gênero textual;  CC e EPG; Linguística Sistêmico-Funcional.

 

Minibiografia:

Sônia Margarida Ribeiro Guedes atua como Professora de Língua Portuguesa da SEEDF, como Consultora Pedagógica na área de Língua Portuguesa junto ao Cebraspe/Cespe/UnB e como Professora de Linguística no Instituto Gradual/FATEMA. É especialista em língua portuguesa e possui mestrado em Linguística. Atualmente é Doutoranda em Linguística do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) da Universidade de Brasília, UnB.


Comunicação 30

A CONTRIBUIÇÃO DO PIBID NA FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES SUPERVISORES DE LÍNGUA PORTUGUESA: práticas de letramento acadêmico

 

 Lúcia Helena Medeiros – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN –

luciahelenamct@hotmail.com

Ana Maria de Carvalho – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN –

carvalhoana1@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho, vinculado ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID, faz uma abordagem sobre o letramento acadêmico de professores supervisores do subprojeto PIBID Letras/Português/Campus Central. Esta pesquisa tem como objetivo geral descrever o processo de letramento acadêmico dos professores supervisores do PIBID de língua portuguesa, buscando ainda conhecer a produção de gêneros acadêmicos desses profissionais, antes e após o envolvimento no projeto, e reconhecer as contribuições do PIBID para o desenvolvimento do letramento e para a formação continuada. Os Professores supervisores das escolas parceiras, por meio do Projeto PIBID, passaram a participar das oficinas sobre os vários gêneros discursivos, entre eles os acadêmicos, transformando, assim, suas práticas docentes. Durante as reuniões da equipe PIBID eles puderam apreender as características dos gêneros, os domínios discursivos, como eram produzidos e o uso e função comunicativa de cada um. Para investigar sobre o letramento acadêmico dos professores foi aplicado um questionário/diagnóstico no sentido de conhecer a produção dos docentes. As questões que faziam parte do questionário interpelavam sobre a formação do professor, o tempo que exercia a profissão, se já havia publicado/participado de algum evento, participado de projetos, entre outras coisas. Para fundamentar teoricamente este trabalho, foram utilizadas as concepções de Kleiman (2005), Street (2014), Soares (2003), Bakhtin (2003), entre outros.  Diante da pesquisa executada, pudemos perceber que os professores participantes do subprojeto PIBID adquiriram muito mais conhecimentos sobre os gêneros discursivos e apreenderam as práticas sociais da leitura e da escrita relacionadas à produção acadêmica, superando assim, suas práticas letradas até então. Este trabalho torna-se relevante no sentido de ajudar a conhecer melhor as práticas de letramento relacionadas aos profissionais de ensino, antes e após o ingresso em um projeto como o PIBID.

Palavras-chave: Letramento acadêmico; Gêneros; PIBID; Língua Portuguesa.

 

Minibiografias:

 Lúcia Helena Medeiros é Professora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, em Mossoró-RN. Doutora em Linguística pelo Programa de Pós-graduação em Linguística- PROLING, em João Pessoa – PB. Membro do corpo docente do Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS. Vice-Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem – PPCL. Coordenadora do subprojeto PIBID Letras/Português. Líder do Grupo de Estudos do Discurso da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – GEDUERN.

 Ana Maria de Carvalho é Professora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, em Mossoró-RN. Mestre em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN.  É Coordenadora de área de gestão de processos educacionais do PIBID/UERN. Membro do Grupo de Estudos do Discurso da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – GEDUERN.


Comunicação 31        

A ORALIDADE EM SALA DE AULA: vozes que se contradizem ou se complementam?

 

Almirene Maria Vital da Silva Sant’Anna –  Colégio Estadual Governador Luiz Viana Filho – almirenes@hotmail.com

 

Resumo:

Esse trabalho, fundamentado nos pressupostos da Linguística Aplicada, investiga a forma como a oralidade é abordada nas práticas escolares, qual a importância da oralidade na visão de professores e se o trabalho com a oralidade desenvolve a competência linguística do estudante. Traz como referencial teórico Rojo (2001, 2006, 2013) que afirma ser função da Linguística Aplicada identificar e solucionar problemas discursivos para favorecer a construção do conhecimento e também Marcuschi (1995, 1997, 2001a, 2001b, 2002, 2008, 2011), Ramos (1997) e Bentes (2010, 2014) que consideram o ensino da oralidade importante para o desenvolvimento da competência linguística. A metodologia utilizada nessa investigação foi a pesquisa qualitativa, que tem como finalidade interpretar o mundo real a partir do envolvimento entre pesquisado e pesquisador, na busca pela resolução de problemas por meio de um caráter exploratório e indutivo. Para isso, foi realizada uma entrevista semiestruturada com quatro professoras do Ensino Fundamental II do Colégio Estadual Governador Luiz Viana Filho, em Feira de Santana, com o propósito de perceber se as professoras consideram o ensino da oralidade importante, de que maneira elas trabalham com essa modalidade da linguagem e se o gênero oral é priorizado nas atividades desenvolvidas na escola, visto que é preciso saber qual o lugar da oralidade na sala de aula e se o trabalho com a oralidade desenvolve a competência argumentativa dos estudantes. A análise das entrevistas demonstrou que, apesar de possibilitar o uso da linguagem oral nas atividades em sala de aula, e da inserção de alguns gêneros orais nas práticas escolares, o ensino da modalidade escrita é mais enfatizado pelos professores, visto que é esta, segundo as professoras que participaram da pesquisa, a forma de linguagem mais valorizada pela sociedade, no momento de inserção no mercado de trabalho e nas instituições de ensino superior.

Palavras-chave: Oralidade; Linguística Aplicada; Práticas escolares;  Linguagem.

 

Minibiografia:

Almirene Maria Vital da Silva Sant’anna  é Mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS – 2015), especialista em Língua Portuguesa – Texto (UEFS -2002) e Psicopedagogia Clínica e Institucional pelo IBPEX, Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão (2006), graduada em Letras Vernáculas pela UEFS – 1992). Professora de Língua Portuguesa e Arte no Colégio Estadual Governador Luiz Viana Filho em Feira de Santana – BA.


Póster 1

ALFABETIZAÇÃO E UNIVERSO CULTURAL: a influência da língua inglesa no processo de aprendizagem da leitura e da escrita do português

 

Luciana Helena Palermo de Almeida Guimarães – ISCA Faculdades/ FATEC Americana – lhpag@yahoo.com.br

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é detectar e avaliar a influência da Língua Inglesa no processo de aprendizagem da leitura e da escrita do Português e as suas consequências para a alfabetização. Com toda a revolução ocorrida nos meios de telecomunicações proporcionada pelas inovações da informática, satélites, fibra ótica e Internet, o conhecimento da humanidade foi colocado ao alcance de todos, criando para o ser humano um novo local de convívio: a comunidade global. E nessa nova comunidade, fonte de conhecimento e informação, o Inglês se posiciona como a língua de comunicação entre os povos. A hipótese geral desse trabalho de pesquisa é que, devido a fatores sócio-linguísticos, psicológicos, sócio-antropológicos, culturais e didáticos, a Língua Inglesa exerce uma forte influência no processo de aprendizagem da leitura e da escrita do Português, interferindo nos padrões fonéticos e gráficos da nossa língua, causando assim distúrbios na alfabetização. Segundo Piaget, o desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem dúvida, em um ambiente social. Mas as práticas sociais, assim como as informações sociais, não são recebidas passivamente pelas crianças. Ao ser alfabetizada, a criança já tem uma experiência de vida, determinado modo de pensar, de conceber o mundo, resultado de seu relacionamento com a natureza e com as pessoas com as quais convive, que se manifestam na sua forma de comunicar e no que podemos chamar de linguagem. O tipo de pesquisa escolhido é o empírico-analítico e o instrumento utilizado para a coleta de dados foi o questionário, constituído por uma lista de indagações que, respondidas, dão ao pesquisador as informações que ele pretende atingir. Como resultado, as respostas obtidas a estas questões ratificam a hipótese inicial desta pesquisa e corroboram a necessidade de avaliarmos a extensão desta influência na alfabetização de crianças em Língua Portuguesa, com o intuito de se evitar problemas futuros.

Palavras-chave: Língua Portuguesa; ensino; alfabetização; leitura e escrita.

 

Minibiografia:

Luciana Helena Palermo de Almeida Guimarães é Mestre em Educação, Administração e Comunicação pela Universidade São Marcos (2001). Graduada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1986), com vários cursos de especialização nas áreas de Línguas Portuguesa e Inglesa. É docente titular no ISCA Faculdades – Limeira – SP – desde 1989. Professora no Instituto Federal de São Paulo – Campus Campinas (2014) e atualmente também docente na FATEC Americana – SP – Brasil.


Póster 2

DISCURSOS SOBRE FORMAÇÃO LEITORA EM DOCUMENTOS OFICIAIS DO CURSO DE LETRAS

 

Ceildes da Silva Pereira – Universidade Estadual Paulista/ UNESP/SJRP – fcsgalli@hotmail.com

Fernanda Correia Silveira Galli – Universidade Estadual Paulista/ UNESP/SJRP – ceildes@yahoo.com.br

 

Resumo:

A proposta da presente pesquisa de doutorado, que se encontra em andamento, é analisar os discursos que são veiculados sobre a leitura por meio dos documentos oficiais que legislam e que preveem um determinado perfil de aluno/professor/leitor do curso de Letras/português da Universidade Federal do Acre (UFAC). Sob a perspectiva da Análise do Discurso de linha francesa e dos Novos Estudos do letramento, buscamos, de modo específico: (i) discutir os efeitos da discursivização sobre sujeito/professor/leitor nos documentos oficiais que parecem pressupor que estudantes podem transferir “habilidades” de leitura e letramento de um contexto a outro, sem quaisquer problemas (aspectos ocultos do letramento presentes no perfil do egresso); (ii) analisar o modo como os fatores ideológicos e institucionais regulam as possibilidades de leitura a partir de uma determinada “ordem” (imaginário); (iii) investigar nos documentos oficiais como funcionam as formações imaginárias que designam os lugares “que a instituição e o estudante se atribuem cada um a si e ao outro, a imagem que eles se fazem de seu próprio lugar e do lugar do outro.” (PÊCHEUX, 1990). O conjunto do material a ser analisado é formado pelo projeto pedagógico do curso e pelos planos de ensino produzidos nas últimas duas décadas (70, 80, 90 e 2000).

Palavras-chave: discurso; leitura; imaginário; curso de Letras.

 

Minibiografias:

Ceildes da Silva Pereira é Professora colaboradora do Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos do IBILCE/UNESP e bolsista de pós-doutorado do PNPD/CAPES.

Fernanda Correia Silveira Galli é Professora da Universidade Federal do Acre e doutoranda do Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos do IBILCE/UNESP – São José do Rio Preto, na linha de pesquisa Oralidade e Letramento.


Póster 3

LETRAMENTO ACADÊMICO, PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES DA ESCRITA: subsídios para o professor de Português

Adilson Ribeiro de Oliveira – Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG – Campus Ouro Branco) – adilson.ribeiro@ifmg.edu.br

Claudia Lopes Santos Pereira Costa – Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG – Campus Ouro Branco) – adm.claudiacosta@gmail.com

 

Resumo:

Esta pesquisa está inserida em um projeto de âmbito internacional, envolvendo três universidades brasileiras (PUC Minas, USP, Unicamp) e três universidades francesas (Université Stendhal, Université Charles-de-Gaulle e Université de Lorraine), resultante de parceria CAPES-COFECUB – Comité Français d’Évaluation de la Coopération Universitaire et Scientifique avec le Brésil/Edital 19/2014. Com ela, objetiva-se investigar, em práticas de letramento acadêmico, representações que se constituem na produção escrita de gêneros típicos da formação em nível superior de estudantes das várias áreas do conhecimento. Tal objetivo se desdobra na meta de descrever e compreender posicionamentos identitários, de modo a fornecer subsídios ao ensino dos gêneros que circundam nas várias esferas do conhecimento, e, para tanto, flagrar aproximações e distanciamentos relativamente às expectativas para o sucesso dos estudantes em práticas de letramento acadêmico que coroam a sua formação, tais como artigos, monografias, dissertações, teses. O aporte teórico parte de abordagens sobre o letramento como prática social, que produz discursos materializados em gêneros textuais, bem como das contribuições da Teoria das Representações Sociais. A metodologia empregada possui cunho qualitativo e interpretativo, apoiando-se em dados quantitativos coletados em artigos publicados em várias áreas do conhecimento, em textos produzidos por estudantes de cursos superiores, em entrevistas com professores formadores. As análises fazem crer que as representações podem ser consideradas como elemento constitutivo das competências de escrita. Trata-se, nesse sentido, de importante viés metodológico e investigativo para as práticas de letramento acadêmico.

Palavras-chave: Letramento Acadêmico; Gêneros Acadêmicos; Representações.

 

Minibiografia:

Adilson Ribeiro de Oliveira é Professor Titular do Instituto Federal Minas Gerais, no campus Ouro Branco. Possui graduação em Letras (UNIFEG), mestrado em Pedagogia Profissional (ISPETP – Cuba) e Doutorado em Linguística e Língua Portuguesa (PUC Minas), com estágio doutoral no LIDILEM (Laboratoire de Linguistique e Didactique de Langues Etrangères e Maternelles – Grenoble/França). É membro do GEALI (Grupo de Estudos sobre Ensino e Aprendizagem de Língua Portuguesa e Literatura – IFMG) e do NELLF (Núcleo de Estudos em Linguagens, Letramentos e Formação – PUC Minas).

Claudia Lopes Santos Pereira Costa é graduanda em Administração no Instituto Federal Minas Gerais (IFMG), no campus Ouro Branco, Bolsista de Iniciação Científica (PIBIC), no Programa Institucional de Bolsas de Pesquisa do IFMG.


Póster 4

A LÍNGUA PORTUGUESA COMO PRÁTICA SOCIAL: produção textual de Rap na escola pública

 

Roberta Noélia Távora de Carvalho – SEDUC-CE – robertanoelia@hotmail

 

Resumo:

Motivar a prática da escrita de língua portuguesa-LP em sala de aula é uma tarefa cada vez mais difícil na realidade da escola pública. Este trabalho traz questões ligadas ao desenvolvimento de atividades escritas que exercitem o uso do Rap no ensino da Língua Portuguesa como prática social na produção de textos na escola pública. O trabalho com o Rap permitiu que os estudantes desenvolvessem o que Rojo (2012) denomina de letramento crítico. Usou-se os fundamentos de Bakhtin sobre dialogismo, exotopia, autor e autoria, como conceitos possíveis de serem trabalhadas na produção textual em sala de aula vendo os estudantes como sujeitos pensantes no meio sócio-cultural, onde estão inseridos. A pesquisa de cunho qualitativo foi aplicada com o universo de 40 alunos regularmente matriculados no 8° ano do ensino Fundamental II da E.E.F.M Santo Afonso no município de Fortaleza- Estado do Ceará. Fez parte da análise do corpus as produções de Rap dos estudantes participantes bem como as respostas advindas do questionário tipo survey aplicado com os participantes. Desta forma, desenvolver a capacidade do aluno autorar os próprios textos é uma atividade fundamental, pois ela lhe permite refletir e trabalhar com e sobre o seu texto. Desta forma, esta pesquisa contribui diretamente para o processo de ensino-aprendizagem da produção textual, tendo como ferramenta o Rap. Assim, ao desenvolver um prática pedagógica usando o Rap levou-se também em conta o ensino de LP à luz da Linguista Aplicada –LA. Segundo Moita-Lopes (1996), a LA apresenta uma natureza interdisciplinar e um modo de construir conhecimento transdisciplinar. Neste sentido, o ensino de LP também serviu como palco para se estudar a linguagem além de tratar a preocupação com o social, com o humano, resultando o estudo da linguagem não como um objeto autônomo, mas histórico e ideológico que se correlacionam num meio social.

Palavras-chave:  Produção Textual; LP; Sujeito; Identidade; Letramento Crítico.

 

Minibiografia:

Roberta Noélia Távora de Carvalho é licenciada em Letras Português/Inglês pela Universidade Estadual do Ceará – UECE. É Doutora e Mestre em Ciências da Educação pela Universidad Politécnica y Artística del Paraguay – UPAP e Especialista em Educação a Distância pela UECE. Atualmente é professora efetiva das redes Estadual e Municipal de Fortaleza, e também atua como tutora de EaD no Instituto Federal de Educação do Ceará – IFCE.