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Simpósio 3

SIMPÓSIO 3 – ONOMÁSTICA: O HOMEM E SEU MEIO

 

Coordenadoras:

Maria Suelí de Aguiar | UFG | aguiarmarias@gmail.com

Kênia Mara de Freitas Siqueira |UEG | keniamaraueg@gmail.com

 

Resumo:

Este simpósio visa congregar discussões acerca da visão do homem sobre seu meio seja em relação a aspectos físico naturais seja sobre o meio cultural no qual se insere. Nessa perspectiva, busca reunir estudiosos, pesquisadores e demais especialistas que, além do interesse pelo tema, possam contribuir para ampliação das pesquisas e das discussões no âmbito dos estudos onomásticos. O propósito central deste simpósio se constitui em torno do estudo de teorias, concepções e conceitos onomásticos. A discussão dar-se-á mediante apresentação de trabalhos que abarquem diferentes olhares sobre o ato de nomear e as inúmeras relações a ele vinculadas. Espera-se que sejam apresentados estudos cujas reflexões considerem, sobretudo, questões de motivação e significação – referência e referentes; também acolhe trabalhos voltados à terminologia onomástica (percurso onomasiológico); descrições e análises onomásticas e ainda, trabalhos que tenham como foco o estudo de práticas denominativas com intuito de verificar como os nomes, os sobrenomes e os apelidos, em diferentes culturas, são usados pelos membros de uma sociedade e como se encontram sistematizados linguisticamente, já que esses antropônimos muitas vezes evidenciam mudanças e circunstâncias já obscurecidas pelo passar do tempo. E ainda, trabalhos que tratem da metodologia usada em Onomástica e de problemas que envolvem o contato desta área com a Linguística; correlações entre Onomástica, História, Geografia e relações de poder, que determinam um mecanismo dominador e denominador, ressaltando a relação entre antroponímia e toponímia. A reflexão teórica se fundamenta nos trabalhos de Aguiar (2008), Carvalhinhos (2003), Castro (2009; 2012), Dick (1990; 1992; 2007), Fonseca (1997), Vasconcelos (1928), Piel (1948; 1974), Dias (2016); Siqueira (2014; 2015). Acredita-se que este simpósio possa se configurar como uma oportunidade para promover discussões, debates acerca de temas relacionados aos estudos onomásticos, e às diferentes visões e de inúmeras outras questões a ela circunscritas.

 

Palavras-chave: Onomástica, Meio, Sociedade, Poder.

 

Minibiografias:

Maria Suelí de Aguiar

Graduação em Linguística (Bacharelado) (1985), Mestrado em Linguística (1988) e Doutorado também em Linguística (1994) todos na Universidade Estadual de Campinas. Pós-Doutorados na Universiteit Leiden (2005), Holanda, e Universidade Estadual de Campinas (2016). Professora titular da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás. Realiza pesquisa em Linguística Histórica, Descrição de Línguas (indígenas Páno e português do Brasil) e Onomástica.

 

Kênia Mara de Freitas Siqueira

Graduada em Pedagogia (1984) e Letras (1998), Mestrado (2003) e Doutorado (2010) em Linguística pela Universidade Federal de Goiás. Pós-doutorado pela Universidade de Brasília (2015). Professora titular de Linguística da Universidade Estadual de Goiás. Desenvolve projetos de pesquisa em Lexicologia e Onomástica, principalmente sobre Toponímia goiana: o Atlas toponímico do Estado de Goiás.

 

 

Resumos dos trabalhos aceites

Comunicação 1

Influências da religiosidade nos processos de nomeação popular

Autor:

Israel Elias TRINDADE – FL/UFG – israeltrindade@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho é resultado de uma pesquisa que analisou influências da religião nos processos de nomeação. Os objetivos iniciais foram investigar o peso que a religiosidade exerce na motivação popular para nomeações de elementos ligados ao cotidiano de pessoas de uma determinada comunidade e como essas motivações se materializam em dados linguísticos. A pesquisa foi realizada entre 2012 e 2014, com 48 moradores de Rubiataba, uma cidade localizada ao norte do Estado de Goiás, Brasil, de tradição cristã católica. Foram utilizados como instrumentos de coleta de dados observação, questionários e entrevistas. Os dados confirmaram a hipótese da religiosidade como um elemento de peso na motivação popular para nomeações, que podem ser divididas em três grandes grupos: nomeações de elementos naturais, sociais e culturais. Nos elementos da natureza, sua principal influência se dá nas nomeações de plantas (fitônimos), sobretudo as de princípios curativos e fitoterápicos, como ervas e outras de menor porte, boa parte delas ligada às práticas das benzições, mas também se estende a nomes de animais e aos topônimos: nomes de rios (hidrônimos) e de serras e morros (orônimos). No âmbito social, a religiosidade se apresentou de forma muito influente na motivação dos nomes de pessoas (antropônimos) e de estabelecimentos comerciais, que remetem, na maioria dos casos, aos nomes de santos e de personagens bíblicas. No âmbito cultural, por sua vez, os dados revelaram que a religiosidade impõe tabus linguísticos (GUÉRIOS, 1979), o que faz com que sua influência se materialize no ato de nomear, não-nomeando, quando se tratam de elementos ligados ao universo sagrado (Teônimos) e, principalmente, ao maligno. O suporte teórico se respalda em estudos de cunho linguístico, onomástico e socioculturais. O trabalho, em linhas gerais, contribui com os estudos da onomástica por ampliar o olhar sobre as motivações para nomeação, destacando a religião como um fator motivacional de peso relevante.

Palavras-chave: Nomeação; Religiosidade; Tabus linguísticos.

 

Minibiografia:

Israel Elias TRINDADE: Graduado em Letras: Português, Inglês e respectivas literaturas e especialista em Docência no ensino de Língua Portuguesa e Literatura, pela Universidade Estadual de Goiás, mestre e doutor em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás. Professor adjunto da UFG e coordenador dos cursos de licenciatura em Letras: Português e dos Bacharelados em Linguística e Estudos Literários. Áreas de atuação Língua Portuguesa, Linguística e Ensino.


Comunicação 2

Toponímia e ensino: perspectivas interdisciplinares

Autora:

Kênia Mara de Freitas SIQUEIRA – UEG – keniamaraueg@gmail.com

Resumo:

O objetivo deste estudo se constitui em torno da proposta de conhecer e recuperar aspectos sociopolíticos e culturais do período em que ocorreu a fundação das principais escolas públicas da região da Estrada de Ferro Goiás, considerando entre outros aspectos, a dimensão social da língua e sua relação com o ambiente. Nesse sentido, o estudo do léxico toponímico pode se apresentar como repositório de inúmeras questões vinculadas ao patrimônio cultural da comunidade e ao meio que então se transformava devido à construção da linha férrea, que impulsionou os aglomerados urbanos, mas, em contrapartida, modificou sensivelmente aspectos geográficos da região. O repertório lexical de um sistema linguístico é como um arquivo que armazena e acumula as aquisições culturais mais representativas de um grupo social já que reflete as percepções e experiências desse povo no decorrer de sua história, às vezes constituindo um verdadeiro testemunho de toda uma época. O estudo fundamenta-se nas propostas de pesquisas lexicais, com base em Onomástica, que acolhe o percurso onomasiológico como direção para selecionar e interpretar os dados, mas não descarta a utilização de aportes teóricos da Ecolinguística de base ecossistêmica, pois procura descrever os topônimos como fatos linguísticos advindos de inúmeras motivações que envolvem sempre a inter-relação entre língua, território e população. A metodologia consiste na leitura, revisão teórica e no levantamento dos topônimos para análise das motivações subjacentes a essa nomeação e por meio da categorização dos topônimos com base nos estudos onomástico toponímicos. Visa assim, contribuir para efetivação de metodologias interdisciplinares para o ensino de Língua Portuguesa uma vez que considera as inúmeras relações que se estabelecem entre língua e demais áreas do conhecimento humano.

Palavras-chave: Onomástica; Toponímia; Ensino; Repertório lexical.

 

Minibiografia:

Kênia Mara de Freitas SIQUEIRA: Graduada em Letras pela Universidade Estadual de Goiás, Mestre (2003) e Doutora (2010) em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás. Pós-doutorado pela Universidade de Brasília (2012). Professora de Linguística da Universidade Estadual de Goiás e do Programa de Mestrado em Estudos da Linguagem (UFG). Realiza estudos nas áreas de Onomástica, Toponímia, e Toponímia e ensino de Língua Portuguesa.


Comunicação 3

Língua portuguesa em Angola: antropônimos do Kwanza Norte

Autor:

Mateus Agostinho MATIAS – Pós/Universidade de Évora – peiniston83@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho cinge-se no estudo antroponímico da província do Kwanza Norte, onde a língua predominante é o Kimbundu, língua de Angola, a par do português que é usado como língua oficial do Estado e, concomitantemente, língua primeira ou segunda para muitos angolanos em função da situação de aquisição ou aprendizagem da mesma; constituindo o principal elemento de comunicação, de inserção, de interação, de identificação social e expressão da cultura ente os seus utentes. O trabalho consubstancia-se num estudo linguístico, no ramo da onomástica. Tem como tema Contributo para o estudo da: a antroponímia no Kwanza Norte.O trabalho será desenvolvido com base num corpus, recolhido na referida província, tem por objetivo desenvolver o conhecimento da língua portuguesa na área da onomástica, analisando os aspetos linguísticos, bem como a origem e a significação dos antropónimos (nomes) desta província, cujas características linguísticas e culturais têm contribuído, significativamente, para a existência de antropónimos de origens e significações distintas, embora, muitas vezes o significado atribuído a esses antropónimos, não reflitam os valores culturais e sociais que caracterizam a população desta região bantu de Angola. Para o sucesso do trabalho, selecionamos as metodologias que achamos inerentes e, que nos guiarão em torno dos objetivos sem, no entanto, descurarmos a existência de outras metodologias e técnicas de pesquisa possíveis numa investigação. Todavia, o trabalho será subdividido em secções, na primeira far-se-á a introdução, incursão sobre os aspetos sociolinguísticos e etnolinguísticos de Angola, destacando a função essencial da língua portuguesa, bem como a língua bantu “Kimbundu”, na segunda secção abordaremos as questões teóricas ligadas ao estudo onomatológico, sobretudo, os antropónimos do Kwanza Norte e, finalmente apresentaremos sucintamente a analise dos dados do corpus, conclusão e bibliografias.

Palavras-chave: Língua; Onomástica; Antroponímia; Sociedade; Cultura Bantu.

 

Minibiografia:

Mateus Agostinho Matias, solteiro, 33 anos de idade, filho de Adão Francisco Matias e de Luísa André Agostinho, natural de Ndalatando, província do Kwanza Norte, nacionalidade angolana. Licenciado em Ensino da Língua Portuguesa, pelo ISCED – Uíge, na província do Uíge, em Angola. Atualmente, frequenta o curso de mestrado na Universidade de Évora, no curso de Línguas e Linguístca, especialidade de Ciências da Linguagem.


Comunicação 4

Mosaico toponímico dos logradouros de Jaraguá-Goiás

Autoras:

Ester FERREIRA – Pós/Universidade de Brasília – ester.ufg@gmail.com

Maria Suelí de AGUIAR – Universidade Federal de Goiás – aguiarmarias@gmail.com

Resumo:

Os topônimos encerram importantes traços da história, sociedade, cultura e identidade coletiva, são repositórios de lendas, de saberes e de propagação de uma perene lembrança dos antepassados, como políticos, reis, imperadores. (Fonseca, 2007; Dick, 1992, 1997). Além disso, a língua e a toponímia possuem uma relação simbiótica de grande importância. Espaço e cultura são indissociáveis, porque não há sociedades que vivam sem espaço para lhes servir de suporte, (Bonnemaison, 2000). Os nomes de um determinado local podem revelar importantes traços da cultura e da memória de seus habitantes. A nossa proposta tem suporte teórico em Claval (2001; 2007), Dick 1992; 1997), Carvalhinhos (2007), Fonseca (1997), Bonnemaison (1981; 2000), Siqueira (2011), Santos (2016), Fernandes et al (2015). Os dados analisados, neste estudo, foram coletados no Google Maps, no período de duas semanas. Pertencem a toponímia urbana de Jaraguá, Goiás, Brasil, isto é, os nomes oficiais de logradouros, a partir da perspectiva que o processo de nomeação reflete os valores sociais, políticos e culturais da memória de um determinado povo. Os dados jaraguenses possibilitaram a elaboração de uma tipologia dividida em três classes: vultos nacionais, vultos estaduais e vultos municipais. O fato de a maioria das ruas serem nomeadas com nomes de pessoas, principalmente, do sexo masculino, demonstra uma característica comum da toponímia, que é a de homenagear personalidades públicas formadoras do pensamento político e cultural do país (Dick, 1995). Outro fato comum trata-se da preferência em nomear os logradouros com nomes de políticos e pessoas abastadas, de famílias tradicionais.

Palavras-chave: Topônimos; Nomeação; Logradouros; Jaraguá-Goiás.

 

Minibiografias:

Ester FERREIRA:Doutoranda em Linguística, Sociolinguística Interacional, pela Universidade de Brasília, atuando em temas relacionados à linguagem, sociedade, cultura e identidade de grupos minoritários e rurais. Mestra pela Universidade Federal de Goiás, iniciou a pesquisa em Jaraguá no mestrado, estudando diversos temas da cidade, em sua dimensão urbana e rural.

Maria Suelí de AGUIAR: Graduação em Linguística (Bacharelado) (1985), Mestrado em Linguística (1988) e Doutorado em Linguística (1994) todos na Universidade Estadual de Campinas. Pós-Doutorados na Universiteit Leiden (2005), Holanda, e Universidade Estadual de Campinas (2016). Professora titular da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás. Realiza pesquisa em Linguística Histórica, Descrição de Línguas (indígenas Páno e português do Brasil) e Onomástica.


Comunicação 5

Nomes de árvores do cerrado brasileiro e o Tupí

Autores:

Paulo Sérgio Reis de ABREU – FL´Pós/Universidade Federal de Goiás – paulosergiodeabreu@gmail.com

Maria Suelí de AGUIAR – FL/Universidade Federal de Goiás – aguiarmarias@gmail.com

Resumo:

A toponímia aparece como estudo disciplinar sistemático na França em 1878 através de Auguste Longnon que o introduz em seu curso. Após sua morte, seus alunos publicam a obra “Les noms de lieu de France” em 1912 (DICK-1987, p.93). Depois foram surgindo outros estudiosos ampliando os trabalhos enquanto disciplina chamada Onomástica. O propósito aqui é evidenciar as motivações dos nomes de árvores do cerrado. O estudo “Os nomes das árvores do cerrado brasileiro e o Tupí” apresenta também a região do Cerrado, ou bioma, do Brasil, caracterizado principalmente como savana, mas também por floresta e campo. A vegetação é predominantemente semelhante à de savana, com gramíneas, arbustos e árvores esparsas, com caules retorcidos e raízes longas. O Cerrado conta com mais de 10.000 espécies vegetais e cerca de 4.440 delas são endêmicas, ou seja, só existem dentro dessa área. Pequi, paineira, angico, jatobá, Jequitibá e ipê são nomes de algumas das mais conhecidas plantas do Cerrado, além das palmeiras como babaçu, brejaúba, buriti, guariroba, jussara e macaúba, boa parte com nomes indígenas (Tupí).  Segundo a Onomástica, “as influências das variáveis culturais ou semióticas sugerem posturas diferentes dos indivíduos frente ao seu meio e à sua realidade.” (DICK, 1998). Os nomes tupís muitas vezes “explicam” ou “descrevem” alguma característica da árvore, como ocorre em Jatobá ou Jataí (de ya-atã-yba: a árvore do fruto duro: a casca tem a forma de um estojo duríssimo e dentro está o fruto em forma de banana); Jequitibá ou Jiquitibá (de yiki-t-ybá: fruto em forma de covo de pescar: o fruto do jequitibá é pequeno e afunilado à semelhança de um jiqui (armadilha para peixes); Buriti (de mbyryti: árvore (palmeira) que emite líquido). Esse projeto visa a realizar o estudo e a apresentação dos significados dos nomes tupí de várias árvores do Cerrado.

Palavras-chave: Onomástica; Fitonímia; Tupí; Árvores; Cerrado Brasileiro.

 

Minibiografias:

Paulo Sérgio Reis de ABREU: Graduação em Direito (1984) pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Graduação em Música – Bacharelado em Canto (1993), pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Mestrado em Linguística (2008), pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Em Arte: canto, piano, composição, teatro (direção e produção) e poesia. Trabalhou também como professor de Teoria Musical. É professor de Língua Portuguesa.

Maria Suelí de AGUIAR: Graduação em Linguística (Bacharelado) (1985), Mestrado em Linguística (1988) e Doutorado em Linguística (1994) todos na Universidade Estadual de Campinas. Pós-Doutorados na Universiteit Leiden (2005), Holanda, e Universidade Estadual de Campinas (2016). Professora titular da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás. Realiza pesquisa em Linguística Histórica, Descrição de Línguas (indígenas Páno e português do Brasil) e Onomástica.


Comunicação 6

Bahia de  Todos os Santos e seus topônimos: análise social, histórica e cultural

 

Autora:

Analídia dos Santos BRANDÃO – UNEB – ninhalydia@yahoo.com.br

 

Resumo:

É notável o papel das artes como um dos elementos representativos das realidades humanas. O homem, ao longo da história da humanidade, buscou exteriorizar seus sentimentos através das artes. A literatura, uma das manifestações artísticas, não só contribui para representar os anseios da alma humana, mas também serve para divulgar as culturas e ideologias. Simular a realidade através de uma obra literária é uma das formas de o escritor mostrar, de modo ficcional ou testemunhal, o uso da palavra como objeto da arte. Como representação do saber artístico de um povo, a literatura pode guardar a história, os costumes e os saberes culturais do grupo que está sendo protagonizado nas páginas de um livro. Este artigo tem como objetivo mostrar como literatura, mais especificamente, Bahia de Todos os Santos: guia de ruas e mistérios, uma das obras de Jorge Amado, pode incidir sobre a realidade social, cultural e política de um povo, por meio de um estudo dos nomes de lugares. Jorge Amado imortalizou, nas páginas de seus livros, a cultura, as belezas e as qualidades da Bahia, sem deixar de abordar, sobretudo, as necessidades sociais de sua gente.

Palavras-chave: Toponímia; Léxico; Onomástica; Bahia de Todos os Santos; Jorge Amado.

 

Minibiografia:

Analídia dos Santos BRANDÃO: Graduada em Letras Vernáculas pela Unidade Estadual de Feira de Santana – UEFS. Especialista em Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa, pela Faculdade Internacional de Curitiba – FACINTE e Mestra em Estudos de Linguagem pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Atualmente, é professora da rede privada e  pública de ensino.


Comunicação 7

A busca do diferente: emprego de radicais germânicos na neologia onomástica

Autora:

Carmen Maria FAGGION-  ex-PPGLET/UCS – carmenfaggion@gmail.com

 

Resumo:

Prenomes brasileiros costumam chamar atenção pela novidade e pelo inusitado de sua formação. A adoção de nomes ingleses, ou que soem como tal, parece motivar parte da população, que registra nomes adaptando-os à grafia do português brasileiro para manter a pronúncia original (Diônatan, Diênifer, Diéssica, Dion), ou transforma sobrenomes em prenomes (Anderson, Williams, Hamilton), às vezes com adaptações ortográficas (Diones, Magaiver, Quéli). Com base em Dick (1990, 1996) e em dicionários etimológicos de onomástica inglesa, bem como em estudos de Linguística Antropológica, este estudo analisa nomes que tenham sido divulgados em notícias, na imprensa escrita ou on-line, com o objetivo de encontrar parâmetros de formação desses nomes e uma possível motivação para eles. Até o momento, verifica-se que boa parte das novas criações utilizam os radicais ingleses –son (‘filho de’) e –ton (‘local, aldeia’, cf. town), combinando-os com prenomes de outras línguas (Kléberson, Íverton) ou novos (Reverson, Tauberson, Richarlysson); surgem combinações inusitadas: Jadson, Madson, Jailton. Os nomes adaptados a partir de sobrenomes estrangeiros não constituem novidade, remontam à época da conquista holandesa, quando vieram ao Brasil, por exemplo,  os Van Der Ley, a partir de cujo nome familiar criou-se um prenome (Vanderley/Wanderlei), algumas adaptações (Vander, Vanderson) e um feminino (Wanderleya). A primeira parte da presente pesquisa, dedicada à neologia antroponímica, conclui que a busca de originalidade é a criativa causa de tantas inovações. Diferentemente de uma simples cópia, no entanto, verificam-se novas criações, com respeito à regra estrangeira (-son e –ton são sempre elementos finais; formam nomes masculinos; não recai sobre eles a sílaba tônica da palavra). A busca pelo diferente (e mais valorizado socialmente) parece ser o elemento motivador principal.

Palavras-chave: Onomástica; Neologia antroponímica brasileira; Prenomes brasileiros publicados.

 

Minibiografia:

Carmen Maria Faggion é formada em Letras pela UCS, Mestra em Estudos da Linguagem e Doutora em Letras pela UFRGS. Foi Professora na Universidade de Caxias do Sul, atuando no Programa de Pós-Graduação em Letras, Cultura e Regionalidade. Atualmente é pesquisadora independente.


Comunicação 8

Microtoponímia de São Domingos do Azeitão-MA: análise de natureza física e antropocultural

Autora:

Raimunda Nonata Reis Lobão – Universidade Estadual do Maranhão /UEMA – didi.uema@hotmail.com

 

Resumo:

O estudo da onomástica, ramo da linguística que se ocupa dos nomes próprios de pessoas (antropônimos) e de lugares (topônimo), promove um campo rico para investigações, fomentando um levantamento para análise dos antropônimos e dos topônimos que constituem um resgate sócio-histórico e linguístico do município de São Domingos do Azeitão-MA. Por este viés, busca-se um aprendizado que faça a relação entre o homem e o ambiente, chamando a atenção para particularidades na riqueza dos detalhes geográficos da região (altura, clima, cores, vegetação, rios, serras, movimentos) que promove um entendimento mais aprofundado sobre a comunidade e o lugar pesquisado, dando ênfase ao valor dos estudos toponímicos, bem como à compreensão individual e coletiva, que constituem um caminho possível para o conhecimento da cosmovisão das diversas comunidades linguísticas que formam a identidade cultural de uma região, que tem como arcabouço grandes contribuições geográficas, históricas, políticas e culturais. Esta comunicação objetiva contribuir, com um projeto em curso, Atlas Toponímico do Estado do Maranhão: Análise da Macro e Microtoponímia, desenvolvido pelo Departamento de Letras do CESBA /UEMA, especificamente pelo grupo de estudos Língua, Cultura, História e Poder – LINCHI. O estudo apresenta nomes de pequenos aglomerados humanos e acidentes físicos presentes na cidade de São Domingos do Azeitão-MA. Como metodologia, ocorre a seleção dos nomes, identificação das motivações das denominações e classificação de acordo com as taxionomias, subdividindo-as em dois grupos classificatórios: taxionomias de natureza física (nomes relacionados ao meio ambiente natural) e de natureza antropocultural (nomes relacionados ao homem). A pesquisa está focada em estudos bibliográficos, documental e de campo, baseada nas taxionomias de Dick (1990; 1992; 2007) segundo uma abordagem qualitativa e quantitativa. Os resultados iniciais revelam que o meio ambiente está muito presente nas denominações, formando um conjunto descritivo na microtoponímia.

Palavras-chave: Onomástica; Toponímia; Microtopônimos; Investigação.

 

Minibiografia:

Raimunda Nonata Reis LOBÃO: Possui graduação em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão (1999). Mestre em Língua Portuguesa, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professora Assistente II da Universidade Estadual do Maranhão, professora de ensino médio Mag IV do Governo do Estado do Maranhão. Experiência na área de Letras, Língua Portuguesa com ênfase em Cultura Popular e Léxico. Pesquisadora do Atlas Toponímico do Estado do Maranhão – ATEMA.


Comunicação 9

Memórias das principais ruas do centro de Balsas-MA: estudo toponímico

 

Autora:

Laíra de Cássia Barros Ferreira Maldaner – UEMA – laira­_de_cassia@yahoo.com.br.

 

Resumo:

O processo de nomeação está relacionado à história da sociedade, assim como é uma ligação entre língua, sujeito e história que permite ao nome próprio significar. A Onomástica, ramo da Lexicologia, ocupa-se do estudo dos nomes próprios quanto à etimologia, à evolução, à transformação e a vários aspectos culturais, e compreende principalmente a Antroponímia e a Toponímia. A Antroponímia estuda os nomes próprios de pessoas; a Toponímia, os nomes próprios dos lugares. Para Isquerdo (1996, p. 81) “os topônimos são verdadeiros fósseis linguísticos, embora o signo toponímico esteja inserido no sistema linguístico, a sua função não é de significar, mas de identificar os lugares […]”, dessa forma, o homem mantém uma inter-relação como os espaços com que convive, pois descreve suas características físicas e as associa a elementos da cultura. Para Castro (2012), um dos fatores que torna especiais os topônimos como signos da língua é que eles são atribuídos, primeiramente, por um indivíduo e depois são necessariamente convencionalizados socialmente. Nesse sentido, propomos analisar como funciona o processo legal de nomeação pelo poder público, portanto, político, para a designação dos nomes das ruas do centro da cidade de Balsas-MA, Brasil, principalmente por serem ruas antigas que foram nomeadas no processo de construção da cidade. Para isso, será feito um levantamento dos topônimos que nomeiam as ruas da cidade por meio das cartas geográficas municipais, em que esses nomes serão classificados de acordo com as taxonomias de Dick (1990; 1992). Os resultados preliminares revelam que as relações de poder são fortemente disputadas por meio dos topônimos das ruas, os quais contêm bem mais do que o significado etimológico de um nome, pois nos informam sobre o passado e o presente dos acontecimentos de uma época sócio-histórica e política.

Palavra-chave: Toponímia; Legislação; Ruas. Balsas.

 

Minibiografis:

Laíra de Cássia Barros Ferreira Maldaner: Mestra em Letras pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro; professora da Universidade Estadual do Maranhão, Centro de Estudos Superiores de Balsas, UEMA/CESBA. Atua na área de Linguística Aplicada.


Comunicação 10

A velhice: considerações teóricas e conceituais sob a onomástica

Autora:

Lisa Valeria Vieira TORRES – PUC-Goiás/Br – lisa.valeria@gmail.com

 

Resumo:

O termo idoso, utilizado estritamente no Brasil, é aquele que tem “muita idade”. Uma das consequências atribuídas a esta terminologia envolve o poder prescritivo contido nesse conceito. A sociedade cria expectativas em relação aos papeis sociais com status de idoso e exerce diversas formas de coerção para que estes papeis se cumpram, independente de características particulares dos indivíduos. Geralmente estes conceitos surgem e são, de fato, tentativas de ajustar esquemas classificatórios a circunstâncias culturais, psicológicas e ideológicas particulares das sociedades ocidentais atuais. Alguns termos usados para referir-se às pessoas com mais de 60 anos apontam ideias pré-concebidas em torno do envelhecimento. Neste sentido, pretende-se, neste estudo, apreender os significados atribuídos aos termos relacionados à velhice e que são elaborados por idosos funcionalmente independentes O aporte teórico da Onomástica salienta as dimensões simbólicas acerca do envelhecimento. Como examina Dick (1998), os nomes são recortes de uma realidade vivenciada. Segundo ela, de uma forma consciente ou não, um indivíduo ou o próprio grupo assimila-os numa absorção coletiva dos valores especiais que representam a mentalidade do tempo histórico ou ethos grupal. Participam deste estudo 100 idosos, com idades entre 60 e 92 anos, que frequentam a Universidade aberta a Terceira Idade (UNATI) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, em Goiânia. Como instrumentos para a coleta de dados pretende-se utilizar o Teste de Associação Livre de Palavras, empregando-se estímulos indutores para idoso, velho, senhor e idoso ativo. Os resultados apreendidos e organizados em um banco de dados tem por base a construção de um dicionário de vocábulos concernente a cada estímulo indutor. Em seguida, procede-se a uma análise de conteúdo semântico, seguindo parâmetros da Onomástica.

Palavras-chave: Onomástica; Conceito; Idoso; Velhice; Envelhecimento.

 

Minibiografia:

Lisa Valéria Vieira TORRES: Fonoaudióloga e professora assistente da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Mestre e Doutora em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás. Formação multidisciplinar na Universidade do Minho/Braga (2010-2011). Iniciou seus estudos em Gerontologia, a partir de pesquisa de campo em Brasil e Portugal (2009-2013).  Experiência na área clínica e pedagógica. Pesquisa e estudos no campo da velhice e do envelhecimento.


Comunicação 11

Traduções de títulos de filme e a Onomástica

Autora:

Neide Domingues da SILVA – Pós/UFG – neidedomingues@yahoo.com.br

 

Resumo:

Quais os critérios para as traduções Inglês-Português de títulos cinematográficos? Por que se usam subtítulos em traduções de títulos formados por antropônimos e topônimos? Que relação existe entre a arte da tradução e a onomástica? De acordo com Abreu (2011, p. 12), traduzir o título de um filme “é mais uma questão de encontrar um título adequado ao mercado brasileiro. É mais marketing que tradução.”. Nesse contexto, raramente as traduções são literais haja vista que, em função de interesses econômicos, são levados em conta fatores culturais. Abreu (2011, p. 13) acrescenta que, em traduções de títulos de filmes, os subtítulos representam um menosprezo à capacidade interpretativa de cinéfilos, bem como uma descrição reducionista de uma personagem ou local, cujo nome consta no título do filme. Pretende-se, nesse estudo, investigar antropônimos e topônimos em traduções de títulos de filmes em Português Europeu (PE) e Português Brasileiro (PB). Considerem-se como exemplos Van Helsing (título original) e Wall Street (título original). No primeiro caso, o título Van Helsing foi mantido em PE e traduzido como Van Helsing – Caçador de Monstros em PB. No segundo caso, o título Wall Street foi mantido em PE e traduzido como Wall Street – Poder e Cobiça em PB. Conforme Miguel (2006, p. 172), “[…] os nomes que os filmes recebem em Português resultam da interpretação dos próprios filmes e não da tradução da versão original dos títulos.”. Trata-se de uma “tradução intersemiótica”, ou seja, por meio de um título traduzido não literalmente, salienta-se determinado aspecto do filme não salientado no título original. Considera-se como corpus os títulos cinematográficos contidos do livro Perdidos na tradução, de Iuri Abreu. Os dados de pesquisa restringem-se a títulos dessa coletânea que contêm antropônimos e topônimos a fim de analisar o uso ou não uso de subtítulo associado a essas referências onomásticas.

Palavras-chave: antropônimo; topônimo; título; subtítulo; filme.

Minibiografia:

Neide Domingues da SILVA: doutoranda e mestra em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás (UFG), especialista em Língua e Literatura e licenciada em Letras pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Atua como professora de Língua Portuguesa na Educação Básica em Anápolis, Goiás.


Comunicação 12

Observações onomásticas da operação Lava Jato

Autora:

Maria Suelí de AGUIAR – FL-UFG – aguiarmarias@gmail.com

 

Resumo:

A Onomástica tem tido cada vez mais pesquisas e observações que resultam em esclarecimentos para estudiosos e leigos. O propósito do presente estudo é utilizar o viés apontado pela Onomástica para evidenciar as motivações dos nomes dados às operações da polícia federal do Brasil no combate a corrupção. Para estudo, escolhem-se os nomes das operações da Lava Jato, que investiga ações ilícitas no Brasil, realizadas por empresários, políticos e outros. Inicialmente, serão tratados alguns aportes teóricos da Onomástica que tem como centro o ato de nomear.  Em seguida, viabiliza, experimentalmente, o termo drasisnímia para o estudo onomástico de ações da justiça federal através de operações. Nesse ínterim, apresentam nomes de fases da Operação Lava Jato.  O nome “Lava Jato” deu-se a partir do uso de uma rede de postos de combustíveis e lava a jato de automóveis para movimentar recursos ilícitos pertencentes a uma das organizações criminosas inicialmente investigadas. Ela começa a partir de março de 2014. A motivação para este nome foi o fato de envolver lavagem de dinheiro em um posto de gasolina em Brasília. A partir daí surgem outros nomes identificando fases dentro dela com nomes bastante provocantes. A primeira foi o Processo Penal nº 0510926-86.2015.4.02.5101 (Operação Radioatividade); a segunda, Processo penal nº 0100511-75.2016.4.02.5101 (Operação Pripyat); 3) Processo penal nº 0106644-36.2016.4.02.5101 (Operação Irmandade); e outras como Métis; Ormetà; Arquivo X; Caixa de Pandora. As análises se darão a partir da etimologia, da história e da conotação sociocultural e política. Para a classificação da taxe, tomou-se o termo grego drásis, substantivo deverbal, derivado de dráo, que quer dizer “fazer, agir”. Assim, usa-se drasisnímia para ações humanas. Utiliza-se para estudos Onomásticos autores como DICK, 1992, 1987; CARVALHINHOS, 2002; CASTRO, 2012; SOLIS, 1997 e outros.

Palavras-chave: taxe drasisnímia; ações policiais; Operação Lava Jato; corrupção; etmologia.

Minibiografia:

Maria Suelí de AGUIAR: Graduação em Linguística (Bacharelado) (1985), Mestrado em Linguística (1988) e Doutorado em Linguística (1994) todos na Universidade Estadual de Campinas. Pós-Doutorados na Universiteit Leiden (2005), Holanda, e Universidade Estadual de Campinas (2016). Professora titular da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás. Realiza pesquisa em Linguística Histórica, Descrição de Línguas (indígenas Páno e português do Brasil) e Onomástica.


Comunicação 13

Discutindo a onomástica no Português Arcaico e no Português Brasileiro:

análise de questões fonológicas

 

Autora:

Natalia Zaninetti MACEDO – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – natzmacedo@gmail.com

Resumo:

Esta comunicação discute a onomástica no Português Arcaico (PA) e no Português Brasileiro (PB) a partir de questões fonológicas da língua nos dois períodos distintos. Ao focalizar os nomes próprios de origem estrangeira, busca-se comparar e descrever como estes, no que tange às questões de acento e de silabação, são tratados e pronunciados (de forma adaptada ou não) por falantes nativos de PA e de PB. Estudos recentes, como os de Massini-Cagliari (2010, 2011a,b), Souza (2011), Massini-Cagliari e Silva (2012), Prado (2014) e Macedo (2015), têm comprovado o cárater promissor do estudo de questões de identidade fonológica da língua portuguesa a partir de análises onomásticas, uma vez que tal identidade revela-se quando, “ao pronunciar nomes de origem verdadeira ou supostamente estrangeira, os falantes nativos da língua deixam transparecer que conhecem muito bem sua ‘identidade linguística’ em termos rítmicos, sendo que operam com e sobre ela perfeitamente de modo a obter resultados estilísticos específicos”, conforme Massini-Cagliari (2011a, p. 88-89). Nesta oportunidade, apresentam-se resultados preliminares das investigações das ocorrências de nomes próprios coletados nas Cantigas de Santa Maria e nas cantigas profanas, comparados, por sua vez, aos dados obtidos por Macedo (2015), que estudou questões de identidade e motivação de escolha de nomes próprios, bem como processos de adaptação fonológica na pronúncia de antropônimos estrangeiros coletados no Brasil. O corpus de suporte utilizado para o PA é a edição de Mettmann (1986-1989), e o sistema fonológico é o proposto por Massini-Cagliari (1999, 2005, 2015). Também são utilizados vocabulários e dicionários onomásticos como fontes secundárias de informação, uma vez que fornecem pistas valiosas sobre os nomes coletados. Para a análise do PB, utiliza-se o corpus coletado por Macedo (2015), composto por 14.716 nomes próprios, sendo os fenômenos fonológicos analisados de acordo com as teorias não lineares. (Apoio: FAPESP – Número do processo: 2015/08197-3).

Palavras-chave: Estudos onomásticos; Português Brasileiro; Português Arcaico; Análise Fonológica; Acento.

Minibiografia:

Natalia Zaninetti MACEDO: Graduada em Letras pela UNESP/Araraquara (2012), mestre em Linguística e Língua Portuguesa (2015), doutoranda da mesma Instituição. Membro do Grupo de Pesquisa “Fonologia do Português: Arcaico e Brasileiro”, sob a coordenação da Profa. Dra. Gladis Massini-Cagliari. Ligada a ele, desenvolve pesquisas sobre a fonologia do Português Brasileiro e do Português Arcaico, estudo linguístico da onomástica nos dois períodos distintos da língua.


Comunicação 14

Análise toponímica dos hidrônimos da cidade de Pires do Rio-GO

Autor:

Cleber Cezar da SILVA –  IFG – clebercezar@hotmail.com

Resumo:

Esta pesquisa tem por objetivo analisar e descrever os hidrônimos – rio Corumbá, rio do Peixe e rio Piracanjuba – da cidade de Pires do Rio-GO, mais precisamente, análise de origem, morfológica, semântica-motivacional dos hidrônimos, para identificar as relações entre esses designativos de lugares e respectivos fatores contextuais, língua, cultura e ambiente que subjazem a motivação toponímica. A metodologia que segue esta pesquisa é nas bases da onomasiologia, segundo Silva (2010) é um método que se constitui do estudo das designações, tem como objetivo estudar os diversos nomes atribuídos a um conceito. Na onomasiologia, pode ser investigada toda cultura popular de um local, podendo-se priorizar os aspectos sincrônicos ou históricos. Em relação à toponímia, os aspectos históricos são bastante reveladores do que subjaz à nomeação dos lugares. Os estudos toponímicos constituem a grande área da Linguística, e as bases teóricas que sustentam esta pesquisa são no âmbito da toponímia são: Andrade (2010), Dick (1990, 1996, 2004), Isquerdo (1997, 2006, 2008), Pereira (2009) Siqueira (2011, 2012, 2015), Silva (2016) e Sousa (2008). Relacionar a língua, cultura e ambiente é fundamental, já que, a língua recorta a realidade a sua maneira, assim buscamos em Couto (2007, 2015), Coseriu (1982), Saussure (2008) e Sapir (1969, 1980) evidenciar essas relações. Os dicionários são específicos para auxiliar a análise dos dados e preenchimento das fichas lexicográfico-toponímica, assim, Cunha (2010), Sampaio (1901) e Tibiriça (1985) sustentam esta pesquisa com a análise da origem dos hidrônimos. Desta forma, é possível identificar os fatores que constituem a motivação que subjazem à escolha do nome do lugar o que requer a identificação de fatos sociais, culturais, históricos e outras motivações de diferentes naturezas e suas relações com a língua, cultura e ambiente.

Palavras-chave: Toponímia; Língua. Cultura; Hidrônimos; Pires do Rio.

Minibiografias:

Cleber Cezar da SILVA: Mestrando em Estudos da Linguagem, UFG/Regional Catalão (2015), graduado em Letras (Português/ Inglês) UEG (2003) e Letras (Português/Espanhol) UNIP (2014). Especialização em Psicopedagogia (2005) – UEG – UnU de Pires do Rio-GO, Especialização em Linguística Aplicada: Ensino-Aprendizagem em Línguas Estrangeiras (2010) – UFG, professor no Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí, área de Línguas (Português/Espanhol).


Comunicação 15

Toponímia dos primeiros municípios tocantinenses

Autora:

Ana Lourdes Cardoso DIAS – IFTO – ana.dias@ifto.edu.br

 

Resumo:

A toponímia, subárea da onomástica, trata dos nomes dos lugares, ou seja, de seus significados, de suas origens, das transformações e das motivações. Neste trabalho, apresenta-se o estudo toponímico dos primeiros municípios do estado do Tocantins que se iniciaram e estabeleceram-se a partir da mineração, no século XVIII. A intenção é identificar os significados e as motivações que influenciaram a escolha dos nomes desses lugares. Para isso, procurou-se descrever, analisar e interpretar os topônimos que compõem esse sistema onomástico, tendo em vista que não são signos comuns da língua por sua função específica de referenciar e identificar entidades no espaço geográfico, além de serem instrumentos de veiculação de ideologias.  Procedeu-se à coleta de dados por meio de documentos escritos de valor historiográficos que confirmam a existência dos topônimos em épocas anteriores e na atualidade. Esses documentos permitiram a reconstituição histórica dos fatos que motivaram a escolha toponímica e o resgate dos possíveis significados. Os resultados apontaram que as motivações para as escolhas dos nomes dos primeiros municípios tocantinenses fixam-se em crenças, valores culturais, ideologias, aspectos da realidade física da região, além dos aspectos cognitivos. Esses fatores refletem-se nas estruturas linguísticas dos topônimos, traduzindo a intencionalidade do denominador no ato denominativo. E ainda, a toponímia dessa região em estudo conserva a visão de mundo e as ideologias de poder, principalmente a política e a religiosa, do período inicial com pequenas alterações ao longo da história. Por isso, é um repositório de memória coletiva por armazenar aspectos importantes da vida em sociedade, constituindo-se em um rico patrimônio linguístico-cultural.

Palavras-chave: Onomástica; Toponímia; História; Municípios Tocantinenses.

 

Minibiografia:

Ana Lourdes Cardoso DIAS: Graduada em Letras-Português e suas respectivas Literaturas pela Unitins em 2001. Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em 2012. Doutora pelo mesmo Programa de Pós-Graduação em 2016. Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do estado do Tocantins (IFTO). Realiza pesquisa nas áreas da Onomástica/Toponímia e Linguística Histórica.


Comunicação 16

Reminiscências da motivação toponímica na literatura: a memória poética dos lugares

Autoras:

Nismária Alves DAVID – FL/UEG – nisdavid@yahoo.com.br

Kênia Mara de Freitas SIQUEIRA – FL/UEG – keniamaraueg@gmail.com

Resumo:

O estudo do signo toponímico pode revelar aspectos importantes dos valores axiológicos da história de um lugar, principalmente quando se trata de topônimos espontâneos, pois estes refletem as especificidades do lugar recortadas pelos falantes em suas interações com outros falantes e com o meio em que vivem. A literatura apresenta diversas narrativas em que o topônimo erige-se como elemento catalisador dos sentimentos dos moradores em relação à afetividade que envolve os nomes espontâneos que significam o próprio lugar, cognitivamente incorporados à alma do povo. Na alma do povo, os topônimos são o próprio lugar. O objetivo deste estudo é analisar três poemas cuja significação volta-se para o encantamento pelos nomes de lugares e pela identificação com os elementos motivadores que concorreram para que determinado nome converta-se em topônimo, são eles: “A Serra do Rola-Moça” de Mário de Andrade, “Mutações” de Cora Coralina, e “Os nomes dados à terra descoberta” de Cassiano Ricardo. O aporte teórico compreende o amálgama de estudos onomástico toponímicos que vêm sendo realizados no Brasil tanto de caráter taxionômico como de cunho interpretativo haja vista o aspecto subjetivo que configura a maioria dos processos de nomeação de lugares.  Busca-se uma abordagem teórica dos fatos toponímicos que coadune as diversas inter-relações estabelecidas entre a Toponímia e outras áreas do conhecimento humano. Em relação ao aspecto literário, convém ressaltar que as questões literárias propriamente ditas se limitam a uma visão mais limitada não nem tão ampla, pois o que é enfocado relaciona-se mais a aspectos linguístico onomásticos, à significação dos topônimos e à estrutura morfossintática, visando elucidar as motivações que subjazem às escolhas toponímicas. A metodologia consiste na leitura, revisão teórica e no levantamento dos topônimos para análise das motivações subjacentes a essa nomeação espontânea e por meio da categorização dos topônimos com base nos estudos onomástico toponímicos.

Palavras-Chave: Onomástica; Topônimos; Inter-relações; Literatura.

Minibiografias:

Nismária A. DAVID: Graduada em Letras pela Universidade do Estado do Mato Grosso. mestrado em Estudos Literários (2004) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Campus Araraquara, Doutorado em Letras e Linguística (2010) pela Universidade Federal de Goiás e Pós-Doutorado em Estudos Culturais (2015) Programa Avançado de Cultura Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora da UEG.

Kênia Mara de Freitas SIQUEIRA: Graduada em Letras pela Universidade Estadual de Goiás, Mestre (2003) e Doutora (2010) em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás. Pós-doutorado pela Universidade de Brasília (2012). Professora de Linguística da Universidade Estadual de Goiás e do Programa de Mestrado em Estudos da Linguagem (UFG). Realiza estudos nas áreas de Onomástica, Toponímia, e Toponímia e ensino de Língua Portuguesa.


Comunicação 17

O  nome próprio como estratégia argumentativa: aspectos semânticos e semióticos

Autora:

Ana Lúcia Monteiro Ramalho Poltronieri MARTINS – IFFLUMINENSE/NECEL- UERJ/SELEPROT – anapoltronieri@hotmail.com

Resumo:

Objetiva-se, neste trabalho, ver o nome próprio como um fator importante no processo de desenvolvimento da persuasão no texto argumentativo, não só por meios das figuras de retórica, como a antonomásia, mas também por meio de estratégias argumentativas, como o argumento de autoridade. Ou seja, o nome próprio é visto como um ativador de interpretante, que, numa relação de texto e sua situacionalidade, impulsiona não só a progressão textual como também a orienta a argumentação desejada pelo autor. Barthes diz que o nome próprio reúne características que o definem por seu poder de lembrança, isto é, por meio de sua espessura semântica. Tal propriedade já caracteriza o nome próprio como signo. Para Mill, o nome próprio é uma categoria que denota, mas nada conota. Entretanto, Mill também admite que o funcionamento semântico do nome próprio se dá em razão das enunciações que promovem o nome próprio em diferentes instâncias discursivas, tais como a familiar, a social, a religiosa, a política etc.  Jespersen também oferece uma nova perspectiva para a análise dos nomes próprios, pois os aproxima do funcionamento de grande parte dos nomes comuns, visto que a atribuição de significados depende não só de uma convenção que associe intrinsecamente o significante ao significado, mas também a aspectos sociais, culturais, históricos e também psicológicos. Essa visão é importantíssima, pois, em parte, associa o nome próprio não a um sentido, mas a diferentes funções, numa relação que implica a linguagem com o mundo, ultrapassando a visão que associa o nome próprio a uma mera etiqueta colada a um referente, tal como se vê nas principais gramáticas tradicionais de língua portuguesa. Sendo assim, busca-se promover o percurso interpretativo de um nome próprio em textos de natureza argumentativa, tendo em vista não só seu aspecto indicial, mas também icônico e simbólico.

Palavras-chave: nome próprio; semântica; semiótica; argumentação; interpretação.

Minibiografia:

Ana Lúcia Monteiro Ramalho Poltronieri MARTINS: Doutora em Letras- UERJ (2013), Mestrado em Letras- PUC Minas (2000). Experiência na área de Letras, especialmente em linguística textual e em semiótica de linha peirceana. Pesquisadora do grupo de pesquisa Semiótica, Leitura e Produção de Textos (SELEPROT/CNPq-UERJ) e do grupo de pesquisa Núcleo de Estudos Culturais, Estéticos e de Linguagens (NECEL/CNPq- IFFluminense). Atualmente, é professora do curso de Letras do IFFluminense, atuando também na pós-graduação.


Comunicação 18

Motivações para escolha de prenome no estado do Paraná – Brasil

Autor:

Fernando Moreno da SILVA – Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP/Brasil) – moreno@uenp.edu.br

Resumo:

O estudo dos nomes próprios cabe à Onomástica, subdividida em Toponímia (estudo dos nomes próprios de lugar) e Antroponímia (estudo dos nomes próprios de pessoa). Na investigação antroponímica, é possível estudar os vários tipos de antropônimos (prenome, sobrenome, hipocorístico, apelido, pseudônimo, heterônimo, etc.) sob dois pontos de vista: pela etimologia ou significado; e pela motivação de escolha. O objetivo deste trabalho foi investigar as motivações para escolha do prenome (também conhecido como “nome de batismo” ou “antenome”) na região norte do estado do Paraná, no Brasil, uma vez que na referida região não havia nenhum estudo antroponímico que investigasse motivação de escolha de nome. Para realização da pesquisa, foram feitas 162 entrevistas nas ruas, nas escolas e em estabelecimentos comerciais, lançando os dados numa ficha lexicográfico-antroponímica que continha: ano e cidade de nascimento, prenome e motivo de escolha. Depois de sistematizados os dados, foram elencadas oito motivações para escolha do prenome: família (68), estética (58), religião (44), etimologia (19), mídia (15), escrita (6), amigo (4) e sonho (2).

 Palavras-chave: Onomástica; Antroponímia; Prenome; Paraná; Brasil.

 

Minibiografia:

Fernando Moreno da SILVA: Doutor em Linguística (UNESP/Araraquara). Professor do curso de Letras (campus de Jacarezinho), do Mestrado Profissional em Letras (campus de Cornélio Procópio) e Diretor de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). É líder do GruPELUENP (Grupo Paranaense de Estudos do Léxico). Áreas de interesse: lexicologia, onomástica, dicionários, fraseologia.


Comunicação 19

Os nomes de escolas públicas na cidade de Mariana: microtoponímia urbana

Autora:

Beatriz Latini GOMES NETA – Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) – beatrizgneta@yahoo.com.br

 

Resumo:

Esta comunicação tem como objetivo apresentar os resultados da pesquisa realizada sobre as motivações dos nomes de todas as escolas públicas situadas na cidade de Mariana (Minas Gerais – Brasil), incluindo seus distritos e subdistritos. Partimos daobservação de que é prática social nomear os espaços físicos em qualquer cidade e delimitamos “escolas públicas” apenas como instituições de ensino gratuito de educação básica: Educação Infantil (1 o ao 5 o ano), Ensino Fundamental (6 o ao 9 o ano) e Ensino Médio (1 o ao 3 o ano). Recorremos, entre diversas fontes teóricas, à Toponímia: ciência que investiga os nomes próprios de lugares. Essa é uma área científica da linguagem, ao mesmo tempo específica, por se valer das nomeações espaciais como objeto de pesquisa, e transdisciplinar, por dialogar intimamente com outros ramos do saber científico como a História, a Geografia, a Antropologia entre outros. Dessa forma, em uma investigação interdisciplinar por natureza, fizemos a análise dos trinta e dois nomes de escolas públicas presentes no município, examinando mais detidamente três delas. Sistematizados os dados, foi possível constatar que a maioria dos topônimos escolares são Axiotopônimos, ou seja, topônimos relativos aos títulos e dignidades de que se fazem acompanhar os nomes próprios individuais. Títulos eclesiásticos como Padre, Dom, Monsenhor, Cônego foram os mais comuns, todos em homenagens ao clero da Igreja Católica de Mariana. Com o estudo, foi possível constatar que cada topônimo escolar carrega em si a história do lugar, repleto de significado social, memórias individuais e coletivas. Contudo, o significado e as motivações de cada nome, no presente, muitas vezes, se parecem perdidos no tempo e na memória das pessoas. Trabalhos como este contribuem para o resgate dessa memória.

Palavras-chave: Nomes Escolares; Toponímia; Mariana.

Minibiografia:

Beatriz Latini GOMES NETA: Graduada em Letras (2009) e mestrado em Letras (2016) pela Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP. É professora de Língua Portuguesa atuante no ensino médio da rede pública do Estado de Minas Gerais e Tutora a Distância do curso de Pedagogia da UFOP. Como pesquisadora, interessa-se pelos estudos linguísticos de maneira geral.


Comunicação 20

A motivação dos litotopônimos na mesorregião Jequitinhonha em Minas Gerais

Autoras:

Maryelle Joelma CORDEIRO – FL/ UFMG –  maryellecordeiro@gmail.com

Maria Cândida Trindade Costa de SEABRA – Faculdade de Letras – UFMG – candidaseabra@gmail.com

 

Resumo:

O estudo da toponímia permite evidenciar traços da história sociocultural de um povo, mostrar características não só do ambiente físico, como também colaborar para a preservação da memória de uma sociedade. O topônimo pode ser considerado o resíduo histórico da presença de um povo em um determinado local, sendo que resiste como testemunha da sua história e língua, conservando e evidenciando, em seus signos linguísticos, o contato do homem com o ambiente em que vive. Os topônimos de origem mineral, os litotopônimos, aqueles que apresentam na sua estrutura mórfica relação com a constituição do solo, podem estar relacionados a momentos importantes da vida e da história de uma comunidade. Esta pesquisa objetiva estudar a motivação dos litotopônimos, registrados nos 69 municípios que compõem a mesorregião Jequitinhonha, em Minas Gerais. Acreditamos que a grande presença de litotopônimos na mesorregião esteja ligada a principal forma de exploração do território, que nos séculos XVIII e XIX foi pela mineração. Para a realização do estudo se utiliza o banco de dados do Projeto ATEMIG, Atlas Toponímico de Minas Gerais, coordenado pela Profa. Dra. Maria Cândida Trindade Costa de Seabra. O arcabouço teórico-metodológico utilizado se apoia nos modelos toponímicos de Dauzat (1926) e Dick (1990a, 1990b e 2004), Seabra (2004) e no conceito de região cultural de Diégues Jr. (1960). Como modelo de pesquisa, nos serviremos não só de documentos antigos, como também de cartas geográficas atuais e de tempos pretéritos. Pretende-se, dessa maneira, mostrar os casos de variação e mudança linguística evidenciando a relação do homem com os elementos da natureza utilizados nos processos de nomeação, dado que o estudo dos nomes de lugares abrange não só o passado de uma comunidade, mas também os aspectos sociais e culturais que se refletem nesse processo de nomeação. Palavras-chave: Toponímia. Mineração. Cultura. Linguística. Minas Gerais

Palavras-chave: Toponímia; Mineração; Cultura; Linguística; Minas Gerais.

Minibiografias:

Maryelle Joelma CORDEIRO: Possui graduação em Letras (modalidade: licenciatura dupla; habilitação: Português/Italiano) na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, com experiência acadêmica na Università del Salento em Lecce, na Itália. É mestre em Estudos Linguísticos pela Fale/UFMG e atualmente cursa Doutorado em Estudos Linguísticos pela mesma instituição.

Maria Cândida Trindade Costa de SEABRA: Graduação em Comunicação Visual pela Universidade Estadual de Minas Gerais (1983), graduação em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (1988), mestrado em Língua Portuguesa pela UFlMG (1994), doutorado em Linguística pela UFMG (2004) e pós-doutorado pela USP (2009), professora da UFMG. Pesquisas: Linguística e Língua Portuguesa (sincrônica e diacrônica), ênfase na Lexicologia, Lexicografia e Toponímia.


Comunicação 21

Toponímia Indígena: um estudo lexical dos nomes dos Tekoha  Guarani e Kaiowá

 

Autores:

Andérbio Márcio Silva MARTINS –  FAIND/UFGD –  anderbiomartins@ufgd.edu.br

Denise SILVA –  FCLAR/UNESP/PNPD/CAPES – denisemiranda83@gmail.com

Hemerson Vargas CATÃO – FAIND/UFGD – hemersoncata@hotmail.com

Resumo:

Partindo do pressuposto que a Onomástica, conforme aponta Dubois (1997), é o ramo da lexicologia que estuda a origem dos nomes próprios, e que pode ser divida em antroponímia, que trata dos nomes próprios de pessoa e toponímia que estuda as origens e a significação dos nomes de lugar, este trabalho tem como objetivo levantar, classificar e analisar os topônimos dos tekoha (“lugar de viver”, “aldeia”), dos Guarani e Kaiowá do Cone Sul de Mato Grosso do Sul, visando verificar quais fatores  motivaram a escolha dos nomes dos territórios indígenas (Reservas, Aldeias, Terras Indígenas e Acampamentos). Os dados foram levantados junto aos acadêmicos da Licenciatura Intercultural Indígena Teko Arandu, curso ofertado pela Faculdade Intercultural Indígena da Universidade Federal da Grande Dourados. Utilizaremos os pressupostos teóricos de Dick (1990) para explicar o conceito e a classificação dos processos toponímicos e verificar qual a classificação dominante.  Trata-se de uma pesquisa em fase inicial, mas com resultados interessantes a serem compartilhados, por meio dos quais, podemos compreender um pouco mais dos aspectos histórico-culturais das duas etnias, cuja população encontra-se distribuída no sul de MS em oito reservas demarcadas pelo SPI no período de 1915 a 1928, 22 terras demarcadas após 1980 (cf. Cavalcante, 2013) e em cerca de 40 acampamentos (cf. Chamorro, 2015).

Palavras-chave: Onomástica; Toponímia; Guarani; Kaiowá; Tekoha.

Minibiografias:

Andérbio Márcio Silva MARTINS: Graduado em Letras (2004), Mestrado (2007), Doutorado (2011) e Pós-Doutorado em Linguística (2016) pela Universidade de Brasília. Pesquisador no Laboratório de Línguas e Literaturas Indígenas/UnB. professor Adjunto III da Universidade Federal da Grande Dourados no Programa de Pós em Letras da Faculdade de Comunicação, Artes e Letras e na  Licenciatura Intercultural Indígena – Teko Arandu (Faculdade Intercultural Indígena).

Denise SILVA: Graduada em Pedagogia (2004) e Mestrado em Letras (2008) pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (2013) e doutoranda em Linguística e Língua Portuguesa na UNESP/Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara. Docente de Linguagens da Licenciatura Intercultural Indígena – Teko Arandu (FAIND/UFGD). Experiência em formação inicial e continuada de professores indígenas Terena e Guarani e Kaiowá, e materiais didáticos e paradidáticos.

Hemerson Vargas CATÃO: Graduado em Letras (2007) e especialista em Educação Intercultural (2015) pela Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD. Docente na área de Linguagens da Licenciatura Intercultural Indígena – Teko Arandu (FAIND). Experiência em formação de professores indígenas Guarani e Kaiowá, nível médio e superior, e em elaboração de materiais didáticos e paradidáticos em língua Guarani.