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Simpósio 29

 SIMPÓSIO 29 – ENTRE A LINGUÍSTICA E A DIDÁTICA: A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE PORTUGUÊS E O CONHECIMENTO LINGUÍSTICO

 

Coordenadoras:

Adriana Baptista | Politécnico do Porto; CLUL; inED | adrianabaptista@ese.ipp.pt

Celda Choupina | Politécnico do Porto; CLUP; inED | celda@ese.ipp.pt

 

Resumo:

Na aula de português, o cumprimento dos objetivos pedagógicos exige uma sólida articulação entre uma reflexão metalinguística, cientificamente atualizada, e a informação sobre o desenvolvimento linguístico dos alunos e da sua realidade sociolinguística. O conhecimento decorrente da confluência produtiva deste binómio suporta uma prática pedagógica coerente com os dados que a investigação disponibiliza e a seleção e produção de materiais pedagógicos pertinentes e adequados às necessidades educativas.

Sendo o ensino da competência comunicativa (aí incluído o ensino da gramática da escrita e da oralidade) estrutural para o ensino da língua, instituem-se como fulcrais os conhecimentos advindos da investigação linguística, ou seja, “o tratamento da língua em sala de aula é uma questão, num certo sentido, principalmente linguística (com tudo o que envolve o fenómeno linguagem), mais do que didática” (Marcuschi, 2002: 1).

Assim, o sucesso do ensino da gramática e da sua aprendizagem passa, indiscutivelmente, pelo conhecimento linguístico do professor e as pontes que este estabelece com a Linguística enquanto disciplina que subjaz à investigação-ação pedagógica (Fonseca, 2001; Pinto, 2009).

Enquanto investigadores no campo da Linguística e docentes envolvidos na formação linguística de professores, ao nível teórico e profissional, interessa refletir sobre: (i) as bases teóricas que apoiam o ensino da gramática; (ii) as teorias adequadas ao nível descritivo; (iii) o papel da Linguística na definição da terminologia gramatical a utilizar em contexto pedagógico; (iv) o uso criterioso em termos qualitativos e quantitativos da terminologia linguística em contexto de aula; (v) critérios linguísticos para a seleção de manuais e auxiliares didáticos e para a construção de materiais pedagógica e cientificamente adequados.

Partindo de abordagens linguísticas, disciplinares ou multidisciplinares, sobre fenómenos da Língua Portuguesa, aceitam-se comunicações, em diversos quadros teóricos, que articulem a investigação em Linguística com a importância do conhecimento linguístico do professor de língua no ensino da gramática.

 

Palavras-chave: Linguística, Investigação-ação, Formação do professor de Português, Português L1 e L2, Ensino da gramática.

 

Minibiografias:

Adriana Baptista

Professora Coordenadora da Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto, doutorada em Psicolinguística pela FLUL, investigadora do CLUL e do inED, coautora de materiais pedagógicos no âmbito da promoção da leitura.

 

Celda Choupina

Professora Adjunta da Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto, doutorada em Sintaxe pela FLUP, investigadora do CLUP e do inED, autora de materiais pedagógicos e revisora de gramáticas de português.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1     

A formação do professor de português e o fenômeno da variação linguística

Autor:

Clézio Roberto Gonçalves – Universidade Federal de Ouro Preto – cleziorob@gmail.com

 

Resumo:

É sempre um desafio muito grande para o professor de língua portuguesa, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, refletir com os alunos sobre sua língua materna, considerando-se que os alunos já chegam à escola com capacidade de usar com razoável competência comunicativa o português, que é a língua materna da grande maioria dos brasileiros. Sabe-se que é de importância crucial que os alunos façam uma reflexão sobre a língua que usam quando começam a conviver com a modalidade escrita da língua. Para isso, os professores precisam ter consciência do dever de desenvolver a competência dos alunos e ampliar-lhes o número e a natureza das tarefas comunicativas que já são capazes de realizar na língua oral e, depois, também, na língua escrita. Neste estudo é apresentada e discutida a concepção dos professores de língua materna sobre “linguagem, ensino, gramática e variação”. Foram feitas entrevistas semi-estruturadas com professores do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio das redes particular e pública da cidade de Mariana (MG) e Ouro Preto (MG) que possibilitam construir reflexões relativas ao impacto da teoria trabalhada nos cursos de formação inicial e/ou continuada de professores e da prática na sala de aula. Constatou-se, preliminarmente, com esta pesquisa que, embora, os professores de Língua Portuguesa (ex-alunos dos cursos de Licenciatura em Letras) tenham tido contato com questões na área da Sociolinguística, no período de formação, o desenvolvimento das investigações e a teoria na área da Linguística estão muito aquém de apresentar efeitos na prática cotidiana da sala de aula para promover uma educação linguística satisfatória dos alunos.

Palavras-chave: Língua portuguesa; didática; variação linguística; educação.

 

Minibiografia:

Doutor em Semiótica e Linguística Geral pela USP (Brasil), mestre em Estudos linguísticos pela UFMG (Brasil), licenciado em Letras e Bacharel em Estudos Linguísticos pelo UFOP (Brasil). Professor de Língua Portuguesa, Sociolinguística e Linguística Aplicada, Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Letras: estudos da linguagem, Coordenador do Curso de Especialização UNIAFRO: promoção da igualdade racial na escola, Coordenador do Grupo de Pesquisa em Dialetologia e Sociogeolinguística (GPDS-UFOP).


Comunicação 2

Norma culta e resistência: análise do prestígio encoberto em sala de aula

 

Autora:

Franciela Zamariam – Universidade Estadual de Londrina – UEL – belamesquita@hotmail.com

 

Resumo:

É de senso comum que, na escola, deve-se aprender “gramática”, regras ortográficas e toda sorte de normas para ser um bom usuário da língua e “vencer na vida”. Com essa exigência social e envolvido no discurso político de homogeneização da língua, o professor de língua portuguesa, que, na maioria dos casos, também é fruto de tal visão e formação, se vê tão imerso no ensino da norma padrão (FARACO, 2002), que acaba ignorando a multiplicidade cultural e linguística de suas turmas. Essa atitude termina por gerar enfrentamentos, levando alguns estudantes a barrar veementemente o próprio aprendizado da norma culta. Assim, o presente trabalho pretende demonstrar como o conhecimento da sociolinguística e das crenças e atitudes de seus alunos pode facilitar a tarefa do professor no ensino variedade de prestígio, em um contexto de resistência. Para tanto, realizamos entrevistas com alunos do Ensino Médio da Rede Pública de Ensino, nas quais buscamos verificar em que contexto estão inseridos fora do ambiente escolar, vinculando-o ao uso que fazem da língua e à visão discente sobre o ensino da variedade culta do português brasileiro na escola. Embasamo-nos nas teorias da sociolinguística relacionadas ao prestígio encoberto (LABOV, 1972; PAIVA, 2003), aos grupos de referência (BORTONI-RICARDO, 2004) e às redes sociais (social networks) (MILROY, 1980; BORTONI-RICARDO, 2004). Os resultados da pesquisa apontam para a imprescindibilidade de se conciliar o ensino da norma culta com o reconhecimento das variedades linguísticas dos alunos a fim de alcançar o sucesso no ensino do português como língua materna.

Palavras-chave: língua portuguesa, ensino, norma culta, resistência, prestígio encoberto.

 

Minibiografia:

Franciela Zamariam é licenciada em Letras Vernáculas e Clássicas (2005) e em Letras Estrangeiras Modernas – Língua Espanhola (2012), na Universidade Estadual de Londrina (UEL); é especializada em Metodologia da Ação Docente (Educação, 2008) pela mesma universidade e Mestranda em Estudos da Linguagem também na UEL. Trabalha como professora da Educação Básica na Rede Pública Estadual, onde leciona as disciplinas de Língua Portuguesa, Literatura e Língua Espanhola para o Ensino Médio.


Comunicação 3

A realização da noção de existência: por um olhar variacionista do ensino dos verbos ter, haver e existir

Autora:

Leila Regina Naves – Universidade Federal de Uberlândia – ufu – leila_naves@yahoo.com.br

 

Resumo:

O estudo dos verbos TER, HAVER e EXISTIR com valor existencial limita-se, na escola, às prescrições da gramática normativa, uma vez que a mesma se pauta pelos padrões do Português de Portugal. Assim as definições e os usos desses verbos que estão presentes em materiais didáticos do Ensino Fundamental II, não levam em conta o uso contemporâneo que os falantes do português brasileiro fazem desses verbos, em contextos menos e, inclusive, mais monitorados da língua. Tal abordagem, a nosso ver, apenas contribui para reforçar o distanciamento entre as prescrições de cunho normativista da língua e os usos reais e legítimos dos usuários do português brasileiro, acentuando as diferenças entre ambos, de modo a enaltecer o uso prescrito nos materiais didáticos, estigmatizando o uso que o falante, especialmente os alunos da Escola Básica, fazem da língua portuguesa. Essa abordagem, além de favorecer o desenvolvimento de uma baixa autoestima linguística por parte do alunado, fortalece lhes a crença de que não sabem e não gostam de Português ou, ainda, que falam e escrevem errado. O interesse por este objeto de estudo, a partir de uma perspectiva sociolinguística de língua, nasceu da observação por parte da professora-pesquisadora deste projeto de pesquisa, de que muitas descrições de caráter normativo e prescritivo da língua portuguesa, difundidos em livros didáticos e gramáticas escolares, desconsideram usos reais, comuns e, portanto, legítimos de nossa língua, preterindo-os das aulas de língua portuguesa. Quando não, abordam tais usos como exemplário de erros e “mal uso” da língua que devem ser evitados e veementemente combatidos pelo dito “falante culto”.

Palavras-chave: ensino; variação; linguística.

 

Minibiografia:

Leila Regina Naves, professora de Língua Portuguesa da rede estadual de Minas Gerais, na cidade de Patos de Minas – Brasil; aluna do mestrado profissional em Letras – ProfLetras.


Comunicação 4

A variação linguística como princípio metodológico no ensino de língua portuguesa

Autor:

Marcos Bispo dos Santos – Universidade do Estado da Bahia, Brasil –  mabispo@uneb.br

Resumo:

No Brasil, o reconhecimento da heterogeneidade linguística como uma propriedade inerente às línguas naturais se converteu, nos cursos de licenciatura em Letras, num paradigma de formação docente caracterizado pela centralidade da gramática descritiva, em detrimento da abordagem normativa. Orientada por esses pressupostos, a formação profissional oferecida nas universidades coloca o professor em alguns conflitos de difícil superação: o estudo descritivo da gramática é suficiente para responder à complexidade do funcionamento social da língua? Como lidar com a predominância da abordagem normativa nos materiais didáticos diante de uma formação acadêmica que lhe negou legitimidade como objeto de estudo e ensino? Nesta proposta de comunicação, partir-se-á do pressuposto de que a abordagem descritivo-científica constitui um importante aspecto da formação profissional do professor de língua portuguesa e que não pode ser concebida como excludente do modelo gramatical normativo no ensino, visto que as práticas sociais que envolvem o uso da linguagem não se estruturam com base na dicotomia entre o científico e o social instituída pelo discurso acadêmico de base positivista. Assim sendo, tem como objetivo apresentar uma proposta didática para o ensino de língua que articula psicologia da aprendizagem, sociologia da linguagem e teorias linguísticas. Da psicologia da aprendizagem serão consideradas a concepção de ensino orientada para o desenvolvimento de competências e a noção de aprendizagem significativa. Dado que essas concepções funcionam de maneira indissociável com a definição das finalidades sociais dos processos educativos, a sociologia da linguagem e as teorias linguísticas fornecerão as bases teórico-metodológicas para a compreensão da linguagem e de suas formas nas mais diversas práticas sociais. Com essa proposta didática, espera-se contribuir com novas possibilidades de interpretação do papel da ciência na formação de professores e na formação dos estudantes da educação básica.

Palavras-chave: Variação linguística e ensino; Ensino de gramática; Formação de professores de língua portuguesa; Didática do ensino de língua.

Minibiografia:

Professor Adjunto da Universidade do Estado da Bahia, onde atua no Colegiado de Letras – Língua Portuguesa e Literatura e no Mestrado Profissional em Letras. É líder do Grupo de Pesquisa sobre Formação Profissional de Professores de Línguas. Desenvolve pesquisas nas áreas de ensino de língua portuguesa e formação inicial e continuada de professores.


Comunicação 5

Visão de professores sobre Variação linguística e práticas de ensino de gramática

Autora:

Elecy  Rodrigues  Martins – Universidade  Estadual  de  Roraima;  UERR – elecyrm@hotmail.com

Resumo:

A população do Estado de Roraima-Brasil é formada basicamente por migrantes, indígenas e estrangeiros, com características linguísticas e culturais múltiplas, que se convergem inevitavelmente em sala de aula. Nesse contexto, a escola é um dos ambientes onde acontecem as interações linguísticas e culturais, muitas vezes carregadas de preconceitos pelos envolvidos, e é essa mesma escola que pode contribuir efetivamente para desmistificação de preconceitos e para valorização do cidadão. Nesse ambiente, o professor de língua portuguesa é o mediador do conhecimento linguístico dos alunos e, para tanto, deve estar preparado para fornecer-lhes conhecimentos pertinentes à nossa realidade linguística, como também para auxiliar-lhes no desarme de conflitos que a falta desses conhecimentos pode trazer. A formação sociolinguística do professor é fator preponderante para práticas de ensino e mediações pedagógicas que forneçam conhecimentos necessários aos alunos para que estes reconheçam a realidade linguística que os cercam, dirimam as práticas preconceituosas em relação as variações existentes e ampliem a sua competência linguística. Diante dessa premissa, este trabalho apresenta a visão de professores sobre suas práticas de sala de aula e a necessidade da formação sociolinguística para condução de mediações que envolvam a abordagem do tema variação linguística e ensino de gramatica em sala de aula. O método de coleta de dados constitui-se da produção de relato oral e escrito. As discussões teóricas serão situadas na área da sociolinguística educacional (BORTONI-RICARDO, 2014) focando a mediação (MATENCIO, 2001) e as orientações pedagógicas para abordagem da língua previstas em Naro e Scherre, (2006), Camacho (2001) Gorsky e Coelho (2006), Silva (2013), Martins, Veira e Tavares (2014), entre outros. Como resultado, pode-se contatar a consciência do professor sobre a necessidade de novas práticas de ensino e da formação inicial e continuada na área de sociolinguística.

Palavras-chave: Variação Linguística; Gramática; Ensino.

Minibiografia:

Elecy Rodrigues Martins, professora do curso de Letras e do PARFOR-Letras da Universidade Estadual de Roraima, Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Linguística de Língua Portuguesa da UNESP-Universidade Estadual Paulista “Júlio De Mesquita Filho”. Experiência nas áreas de morfologia, sintaxe e práticas de ensino de língua portuguesa.


Comunicação 6

Ensino de língua portuguesa no Brasil, sociolinguística e formação de professores: um diálogo imperativo

Autoras:

Talita de Cássia Marine – ILEEL-PROFLETRAS-UFU –  talita.marine@gmail.com

 Juliana Bertucci Barbosa – IELACHS-PROFLETRAS-UFTM- julianabertucci@gmail.com

Resumo:

Embora diversos estudos de descrição do português brasileiro tenham sido feitos e já se tenha reconhecido que a variação linguística deve ser levada em consideração no ensino de língua, ainda é escassa a aplicabilidade dessa teoria nas aulas de língua portuguesa no Brasil. Isso decorre, sobretudo, do fato dos professores não receberem formação que lhes habilite lidar apropriadamente com essa questão em sua atividade profissional. Embora essa “nova teoria linguística” conceba a língua como heterogênea e multifacetada, na prática, em sala de aula, as prescrições da gramática normativa e a visão de língua homogênea ainda continuam ocupando os seus lugares. Esse cenário contraria, inclusive, as orientações de documentos federais – PCN (BRASIL, 1998) –, enfáticas na consideração da diversidade linguística no ensino de   língua   portuguesa.   Bagno   (2007)   e   Faraco   (1998,   2011)   apontam   para   a necessidade de aplicar ao ensino, a pedagogia da variação linguística.  Além disso, discutir e se posicionar “quanto à forma como o ensino de Português tem acontecido no Brasil, bem como interar-se das orientações dos PCN de Língua Portuguesa é imperativo a todos aqueles que se dedicam ao estudo e ao ensino/aprendizagem de nossa língua frente às diversidades social, cultural e linguística brasileiras” (MARINE; BARBOSA, 2016, p.211). Nesse contexto, no Brasil, em 2013, iniciou-se o Programa de Mestrado  Profissional  em  Letras,uma  pós-graduação  stricto  sensu  oferecida  em rede  nacional   que  tem   como   objetivo,  em   médio   prazo,  a  qualificação   de professores  de  língua  portuguesa  do  ensino  fundamental  público.  Com  isso, intenta-se, entre outros, aprofundar os conhecimentos linguísticos dos docentes de ensino fundamental e instrumentalizá-los com objetivo de elaborar material didático inovador. Considerando-se os múltiplos aspectos ora apresentados, este trabalho, tem como objetivo expor algumas propostas de materiais didáticos desenvolvidos no Profletras da UFU e da UFTM, relacionados a diferentes tópicos gramaticais de língua portuguesa à luz da sociolinguística educacional.

Palavras-chave: Sociolinguística Educacional; Língua Portuguesa; Ensino Básico; Profletras; Formação do professor de português.

Minibiografias:

Talita de Cássia Marine: Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP com estágio PDEE financiado pela Capes na FLUL e no CLUL. Atualmente é professora e pesquisadora do ILEEL-UFU e coordenadora do PROFLETRAS-UFU. Possui experiência  na  área  de  Linguística,  com  ênfase  em  Sociolinguística.  É  líder  do Grupo de pesquisas GEVAR (Grupo de Estudos Variacionistas) cadastrado na plataforma CNPq e atua como membro permanente do GT de Sociolinguística da ANPOLL.

Juliana Bertucci Barbosa: Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP, com estágio PDEE financiado pela Capes na FLUL e no CLUL (Universidade de Lisboa). Atualmente é professora e pesquisadora na UFTM, campus de Uberaba, MG, e coordenadora do PROFLETRAS-UFTM. Possui experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística. É líder do Grupo de pesquisas GEVAR (Grupo de Estudos Variacionistas) cadastrado na plataforma CNPq, atua como membro permanente do GT de Sociolinguística da ANPOLL e coordenadora do PLI-Portugal (CAPES).


Comunicação 7

Formas de tratamento nos manuais de Português Língua Estrangeira

Autoras:

Zuzanna Bułat Silva – Instituto de Filologia Românica da Universidade de Wrocław, Polónia – zuzanna.bulat@gmail.com

Justyna Wiśniewska – Instituto de Filologia Românica da Universidade Marie Curie-Skłodowska, Polónia – wisjustyna@gmail.com

Resumo:

Partindo da abordagem teórica de metalíngua semântica natural (NSM, de Natural Semantic Metalanguage) de Anna Wierzbicka (1996, 2014), pretendemos com esta apresentação analisar as normas e valores culturais subjacentes ao uso de formas de tratamento no português europeu, sendo a pesquisa aplicada ao estudo e ensino da língua portuguesa pelos aprendentes de língua materna polaca. O nosso corpus de dados será constituído pelos exemplos concretos retirados dos manuais de PLE, usados no ensino de português na Polónia.

Como os manuais para o ensino do PLE nem sempre abordam explicitamente o tema em questão, sendo difícil sistematizar algumas regras, teremos como objetivo particular de estudo averiguar se as formas de tratamento apresentadas nos manuais de PLE evidenciam o uso real e as normas culturais da sociedade portuguesa de hoje.

Palavras-chave: formas de tratamento; metalíngua semântica natural; didática; português língua estrangeira.

Minibiografias:

Zuzanna Bułat Silva é Professora Adjunta no Instituto de Filologia Românica da Faculdade de Letras da Universidade de Wrocław, onde leciona, entre outras, a Língua e Cultura Portuguesa, a Gramática Histórica de Espanhol, e a Pragmática Intercultural. Autora do livro “Fado – abordagem semântica” (em polaco) e de diferentes artigos sobre a semântica das emoções em português e em espanhol.

Justyna Wiśniewska é Professora Adjunta no Instituto de Filologia Românica da Faculdade de Letras da Universidade Marie Curie-Skłodowska de Lublin, onde leciona, entre outras, as disciplinas de Licenciatura de Gramática do Português, assim como a Introdução à Linguística e Gramática contrastiva (língua portuguesa e línguas eslavas). Prossegue desenvolvendo investigação sobre delicadeza verbal no português europeu, tendo sido bolseira do IC em Lisboa.


Comunicação 8

Ensino da gramática: materiais didáticos e prática docente

Autora:

Cibele Naidhig de Souza – UNESP – cibelenasouza@gmail.com

Resumo:

Nas aulas de português como língua materna, as práticas mais conservadoras não são condizentes com a lição básica da sociolinguística, segundo a qual variação e mudança são propriedades constitutivas das línguas. Especificamente em relação às estruturas gramaticais, parece haver tendência a atividades que buscam substituir a variedade do aprendiz pela variedade padrão, pelo dito “bom uso”. Condizentes com as orientações sociolinguísticas, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, Brasil), que trazem diretrizes para a educação no Brasil, propõem uma expansão das habilidades comunicativas e linguísticas dos alunos, em que todas as formas são alternativas que o sistema põe à disposição do falante. Interessa a este trabalho examinar de que modo os materiais didáticos tratam a questão da variação linguística e, ainda, como professores conduzem suas práticas pedagógicas. Por meio de questionários respondidos por professores de português do ensino fundamental em escolas do estado de São Paulo (Brasil), busca-se investigar quais concepções linguísticas em torno do tema alicerçam a prática dos docentes. Examinam-se, ainda, como os materiais didáticos utilizados pelos professores absorvem os PCNs. Seguindo-se uma orientação funcionalista, busca-se verificar se as estruturas gramaticais são apresentadas, nos materiais didáticos, como escolhas comunicativamente adequadas realizadas pelo escritor/falante, em sua relação com diferentes resultados de sentido que se deseje obter, de acordo com orientações dos PCNs.

Palavras-chave: ensino de gramática; sociolinguística; material didático; prática docente.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras, pela UNESP, Faculdade de Ciências e Letras, campus de Araraquara (São Paulo, Brasil), mestre e doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela mesma universidade, pós-doutorado na UNESP, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, campus de São José do Rio Preto (São Paulo, Brasil).


Comunicação 9

Análise Linguística em gêneros multimodais: conhecimento linguístico e formação docente

Autoras:

Andréia de Fátima Rutiquewiski Gomes – UTFPR – andreiaruti@gmail.com

 Luciana Pereira da Silva – UTFPR – silvapereiralu@gmail.com

Resumo:

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 1998), as práticas de leitura e de produção textual devem ser intermediadas por análise linguística. Entretanto, já passadas  duas  décadas  da  publicação  desse  documento,  a  reflexão  linguística aparece ainda muito timidamente na prática dos docentes brasileiros. A concepção de análise linguística presente nos Parâmetros, e perseguida por pesquisadores e docentes, vê AL como reflexões sobre a língua em uso, ou seja, não se debruçar sobre   elementos   gramaticais   (dos   níveis   fonológico,   morfológico,   sintático   e semântico), como sistemas autônomos, mas proporcionar análises da inter-relação entre eles e toda a organização textual e discursiva. Para que essa análise seja efetivamente realizada, é necessário que o professor se aproprie de diferentes conhecimentos (linguísticos, textuais, discursivos, metodológicos) e articule-os não só entre si, mas também aos demais eixos de ensino. Além de todos esses saberes, o professor precisa conhecer e inserir atividades que contemplem as especificidades dos gêneros multimodais. Importante registrar que a multimodalidade dos gêneros não é algo novo, mas se tornou mais recorrente nas práticas docentes devido às possibilidades advindas com a tecnologia, principalmente por aquelas surgidas com o desenvolvimento das mídias digitais.  Daí surge um dos pontos focais a ser discutido nesta pesquisa: a pertinência, ou não, do termo “análise linguística”, visto que, em última  instância,  não  há  textos  puramente  verbais.  Assim,  este  trabalho  objetiva analisar textos multimodais (com predominância de elementos não-verbais), observando a pertinência (ou não) dos parâmetros empregados para a análise de textos essencialmente verbais. Esses parâmetros serão recuperados dos documentos oficiais (principalmente os PCN’s) e da literatura produzida nos últimos anos sobre o tema. Para tanto, parte-se das concepções de Bakhtin (1997), ao tratarmos de linguagem e gênero; Geraldi (1984), Mendonça (2006), Bezerra e Reinaldo (2013), para a discussão de análise linguística; e Dionísio (2011) e Kress (2001), especificamente sobre multimodalidade.

Palavras-chave: conhecimento linguístico; gramática; multimodalidade; formação docente.

Minibiografias:

Andréia de Fátima Rutiquewiski Gomes possui graduação em Letras Português/Inglês pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória (1993), Especialização em Língua Portuguesa e Literatura (1998) pela mesma instituição, Mestrado em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (2001) e Doutorado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (2006). É Professora Adjunto de Linguística, Língua Portuguesa e Práticas de Ensino de Português na Universidade Tecnológica Federal do Paraná/Câmpus Curitiba.

Luciana Pereira da Silva possui graduação em Letras Português/Inglês pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Cornélio Procópio (1991), Especialização em Ensino de Língua Portuguesa (1994) pela Universidade Estadual de Londrina, Mestrado em Estudos Linguísticos pela mesma univerisdade (1998) e Doutorado  em  Letras  pela  Universidade  Federal  do  Paraná  (2005).  É  Professora Titular  de  Linguística  e  Língua  na  Universidade  Tecnológica  Federal  do Paraná/Câmpus Curitiba.


Comunicação 10

Que  conhecimento  linguístico  o  manual  de  português  exige  ao professor? – o caso da escrita argumentativa

Autora:

Isabel Sebastião – CLUP –  isabel.sebastiao@hotmail.com

Resumo:

Escrever  corresponde  à  construção  de  um  objeto  –  o  texto  –  com  as características que o tornam num objeto de comunicação. O ensino deste processo faz-se, geralmente, através de etapas que conhecemos como planificação, textualização e correção (Flower & Hayes, 1980) às quais temos associadas as  questões relacionadas com a situação de comunicação e a elaboração e tratamento dos conteúdos temáticos (Dolz, Gagnon & Decâncio, 2011).

 Neste processo de ensino e aprendizagem, o manual, como material didático com  lugar de destaque na sala de aula, assume-­‐se como ambivalente: por um  lado, veículo dos conhecimentos que os alunos têm de aprender e, por outro lado, auxilia o professor na sua prática. No caso da escrita, este instrumento oferece  propostas de atividades para o desenvolvimento e aperfeiçoamento desta competência dos alunos, no entanto, essas atividades de produção textual nem  sempre acontecem de forma próxima das indicações programáticas nem revelam  uma programação sistemática e sequencial  relativamente  à  aprendizagem  da   competência   de   produção   textual (Sebastião, 2013).

Tendo por base resultados de um projeto maior relativo ao conhecimento de géneros textuais transmitidos pelo manual, pretende-­‐se discutir e refletir sobre alguns aspetos da especificidade do conhecimento do professor de português  necessário à produção  de  géneros  da  ordem  do  argumentar  que  possam  permitir  colmatar  as dificuldades  identificadas,  nomeadamente  as  características  linguísticas,  discursivo- textuais.

A promoção de um desenvolvimento linguístico e comunicativo completo dos alunos, através das atividades do manual, e assumindo o professor um papel de destaque na e para a aprendizagem dos mesmos, apenas será possível se o professor for, ele mesmo, detentor de um conhecimento sobre os géneros em estudo que lhe permita preparar, implementar e completar tarefas linguísticas desafiadoras e possibilitadoras dessa promoção, colmatando as deficiências do conteúdo do(s) exercício(s) para que efetivamente os alunos aprendam as características do género em estudo.

Palavras-chave: conhecimento linguístico do professor; ensino e aprendizagem da escrita, análise do discurso; géneros da ordem do argumentar; prática letiva.

Minibiografia:

Possui Doutoramento em Linguística – Especialidade de Linguística do Texto e do Discurso na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, encontra-­‐se  a  fazer  pós-­‐doutoramento  na  Universidade  do  Porto  em  Análise  do Discurso. É investigadora do Centro de Linguística da Universidade Nova de e do Centro de Linguística da Universidade do Porto. Desenvolve trabalho de investigação no âmbito dos estudos da pragmática, da análise do discurso, da linguística aplicada ao ensino e aprendizagem da língua materna e estrangeira e didática.


Comunicação 11

O ensino de língua portuguesa sob orientação dialógica: palavra e gênero em análise

Autora:

Adriana Danielski Batista – Instituto Federal do Rio Grande do Sul – Câmpus Rio Grande – adrianaelski@yahoo.com.br

Resumo:

O presente trabalho constitui um desdobramento das reflexões desenvolvidas no curso de extensão, intitulado Gêneros discursivos, texto e gramática: discutindo o ensino de Língua Portuguesa, proposto pelo Grupo de Pesquisa Diálogos com Bakhtin, a professores do ensino básico, da rede pública e particular da cidade de Rio Grande, e a graduandos do curso de Letras, com o fulcro de discutir acerca de metodologias sobre o ensino de português como língua materna. O trabalho teve como objetivo apresentar um estudo sobre o funcionamento discursivo da palavra, de modo a compreender como ocorre a produção de sentidos em diversos gêneros discursivos. Como aporte teórico, recorreu-se aos conceitos postulados por Bakhtin e seu Círculo, a fim de subsidiar as reflexões em torno dos conceitos gênero e palavra. A referida teoria compreende a palavra como um elemento polissêmico e plurivocal da língua. Entende-se que em todo e qualquer enunciado, que tem existência a partir da interlocução entre sujeitos, há uma interação de diversas vozes, em que a compreensão de uma voz leva à compreensão de outra e assim sucessivamente. É a análise dessa teia de vozes, permeada pela palavra, que permite o alcance dos sentidos em circulação no discurso. Assim, busca-se analisar aspectos que propiciem a plasticidade das palavras em diferentes gêneros, verificando a evocação de distintas valorações e vozes discursivas que imprimem sentidos às palavras e, consequentemente, ao discurso. No que tange à metodologia, considerou-se as seguintes noções que norteiam a análise: forma, situação enunciativa, contexto de produção, alteridade, entonação, reflexo/refração, forças centrípetas/forças centrífugas.  Dessa forma, pretende-se, a partir de uma proposta enunciativa-discursiva de ensino de língua materna, refletir sobre o desenvolvimento de metodologias eficazes e sobre a importância do estudo da gramática no que tange ao aprimoramento da competência discursiva dos alunos e à compreensão do funcionamento do discurso.

Palavras-chave: palavra; gênero; gramática; sentido; competência discursiva.

Minibiografia:

Doutora em Letras, na área de concentração em Linguística, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Mestre em Letras, na área de Linguística Aplicada, também pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Licenciada em Letras Português / Espanhol pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Atualmente é Professora no Instituto Federal do Rio Grande do Sul – IFRS – Câmpus Rio Grande. Membro do grupo de pesquisa Diálogos com Bakhtin, sediado na FURG.


 Comunicação  12

Formação e reflexão do professor de língua portuguesa: enfoque na metodologia para ensino dos gêneros textuais

Autora:

Simone Floripes –  Universidade Federal de Uberlândia- simone.floripi@gmail.com

Resumo:

Este trabalho explora a necessidade de fomentar pesquisas sobre as produções de gêneros orais em sala de aula (cf. Antunes, 2009 e Mendonça, 2006). Muito se tem discutido a respeito, mas pouco efetivamente tem sido realizado, devido ao desconhecimento de técnicas a serem empregadas ou simplesmente por preconceito a respeito dos gêneros orais. Desde os PCNs (1998) já se aponta a necessidade de trabalharmos a oralidade em sala de aula no intuito de capacitar o aluno a pensar sobre a língua, seus mecanismos de funcionamento e suas variedades, mas é necessário fazer com que os alunos e professores reflitam sobre tais mecanismos linguísticos a fim de serem capazes de utilizá-los com êxito tanto na modalidade escrita, quanto na modalidade oral da língua. Com o objetivo de realizarmos uma reflexão acerca da consciência docente a respeito das práticas de gêneros orais nas salas de aula, buscamos direcionar atividades de leitura e discussão a esse respeito nas disciplinas de graduação e pós-graduação em letras da Universidade Federal de Uberlândia. Nas disciplinas, fizemos um mapeamento inicial dos conhecimentos dos docentes/alunos sobre o tema a ser trabalhado, havendo o reconhecimento da necessidade de desenvolver tais práticas nas escolas, mas percebemos um desconhecimento de procedimentos e metodologias que pudessem ser colocadas em prática. Pudemos refletir, juntamente com os docentes/alunos, formas de se colocar em prática aquilo que se tem apresentado na teoria. Para tanto, embasamo-nos na proposta de Schnewly e Dolz (2004) sobre gêneros orais e escritos e nas concepções de Marcuschi (2005, 2008) e Bazerman (2005), dentre outros referenciais teóricos. Desenvolvemos uma série de sequências didáticas que se dispusessem a trabalhar gêneros orais em sala. Como resultado obtido, além das sequências didáticas como elementos materiais, foi possível verificar uma mudança imediata na perspectiva dos professores/alunos com relações às suas práticas docentes de modo geral.

Palavras-chave: Gêneros orais; Prática de ensino; Sequências didáticas.

Minibiografia:

Possui licenciatura em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2000), mestrado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2003), doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2008) com estágio sanduíche na Universidade Nova de Lisboa – Portugal (2006-2007) e pós-doutorado em Linguística pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2013-2014). Atualmente é professor 40hs/DE da Universidade Federal de Uberlândia, atuando na graduação e pós-graduação. Possui experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, Linguística Histórica, Sintaxe, Língua Portuguesa e Redação.


Comunicação 13

Leitura dos PCNS/LP à luz da teoria da enunciação benvenistiana: dissimetria entre o texto e o leitor

Autora:

Márcia Elisa Vanzin Boabaid – Universidade Federal de Santa Maria – marcia.boabaid@ufsm.br

Resumo:

Este trabalho, a partir da leitura da teoria enunciativa criada por Émile Benveniste, questiona quem são os interlocutores dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa do terceiro e quarto ciclos (PCNs/LP). A hipótese que norteou esta pesquisa foi a de que havia uma dissimetria entre o texto, o leitor e o entendimento que esse faz do material textual ocasionada, principalmente, porque o interlocutor – professor da educação básica – não se reconhecia no texto e, como consequência, não estabelecia referência com o texto. Partimos de duas possibilidades de análise: a) o professor de língua materna, para poder fazer uma leitura adequada do documento deve considerar que há uma relação interlocutiva suposta; b) a Teoria da Enunciação de base benvenistiana dispõe de aparato teórico-metodológico que permite reconhecer as marcas no texto que põem em evidência essa relação. A constatação de que havia distorção da imagem do professor idealizada pelo documento e aquele que de fato está na escola e possivelmente lê os PCNs/LP é que este estudo se estruturou, pois a não identificação do leitor “real” com o texto sugere a dissimetria entre os PCNs/LP e o alocutário pretendido. Neste sentido, como implicadores da dificuldade de leitura destacamos o desconhecimento, por parte do professor, das teorias que estruturam o texto, seja pela falta de clareza terminológica ou pelo despreparo do interlocutor para interpretar textos teóricos, o que sugere espectros diferenciados de compreensão.

Palavras-chave: Texto; Enunciação; Teoria da enunciação; PCNs/LP; Interlocutor.

Minibiografia:

Professora-Adjunta do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria, Campus Frederico Westphalen (UFSM/FW). Doutora em Letras, Estudos da Linguagem, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem experiência na área da Linguística da Enunciação, com ênfase na perspectiva de Émile Benveniste. Pesquisa os seguintes temas: Teoria da Enunciação de Émile Benveniste; educação linguística; ensino de língua materna; análises textuais; leitura e produção de textos.


Comunicação 14

Ensino-pesquisa-extensão e a formação de professores de português para estrangeiros

Autora:

Francisca Paula Soares Maia – Universidade Federal da Integração Latino-Americana – paula.maia@unila.edu.br

Resumo:

A presente exposição visa pôr em evidência as implicações da prática ensino-pesquisa-extensão a partir do projeto de extensão Português Para Estrangeiros em Foz do Iguaçu: integração pela diversidade e interdisciplinaridade na formação docente. Desenvolvido na Universidade Federal da Integração Latino Americana (UNILA), localizada na cidade de Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil, desde 2014, o referido projeto recebe alunos das mais variadas etnias que residem nas cidades da tríplice fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina) e buscam o curso para melhorarem suas relações no ambiente de trabalho e atividades rotineiras. O curso oferecido pauta-se na abordagem da integração linguístico-cultural (MAIA, 2013) e integracionista (PESSOA, 2007). Os materiais utilizados nas aulas são confeccionados pela equipe executora_ discentes em formação_ sob orientação da coordenadora, tendo por meta aulas dinâmicas e participativas. Participam de formações constantes, bem como são estimulados a realizar pesquisas dentro das linhas de pesquisa do grupo do CNPq Estudos (Sócio)Linguísticos e de Culturas em Espanhol e Português como Línguas Estrangeiras, o qual   reúne diversos membros que contribuem teoricamente e referencialmente para o seu fortalecimento. As consequências dessa prática na formação docente é o alvo dessa exposição.

Palavras-chave: integração; ensino; pesquisa; extensão; formação docente.

Minibiografia:

Possui graduação em Letras, licenciatura em Língua Portuguesa (1990), Mestrado (2003) e Doutorado em Estudos Linguísticos (2012), com ênfase em Sociolinguística pela UFMG. É membro-integrante dos Grupos de Pesquisa CNPq- (1)História Social do Português-FALE/UFMG- Teoria da Variação e Mudança Linguística; (2)Interculturalidade e Alteridades; (3)LEAL – Laboratório de Estudos Avançados de Linguagens. Coordena o grupo de pesquisa Estudos (Sócio)Linguísticos e de Culturas em Espanhol e Português LE. Professora Adjunta da UF Integração Latino-Americana.


Comunicação 15

Perspectivas para o ensino de língua portuguesa

Autora:

Mary Stela Surdi – Universidade Federal da Fronteira Sul – stela@uffs.edu.br

Resumo:

Este estudo analisa alguns recortes enunciativos produzidos por estudantes dos cursos de Licenciatura em Letras e Licenciatura em Pedagogia da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e por professores de língua portuguesa como língua materna que atuam na rede pública de educação básica em Chapecó, SC, coletadas no decorrer das atividades do projeto de extensão “Formação continuada – ensino de língua portuguesa em discussão”, realizado pelo Grupo PET (Programa de Educação Tutorial) Assessoria Linguística e Literária da UFFS. O objetivo desta análise foi o de identificar quais perspectivas teórico-metodológicas emergiam desses diferentes lugares discursivos: o dos professores em formação inicial e o dos professores em atuação sobre a aula de língua portuguesa e sobre conceitos relacionados à linguagem e ao seu ensino. Ao analisar as falas, com base nos pressupostos teóricos anunciados nos Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) e na Proposta Curricular de Santa Catarina (1998) e em autores com Tardif (2010) e Geraldi (1991), observam-se duas concepções predominantes e distintas entre si e que remetem a diferentes perspectivas  presentes nos debates sobre o ensino de língua materna: a conservadora, ligada a uma visão tradicional de língua e de ensino, e a inovadora, associada às teorias modernas de língua e de ensino. A primeira usa de respostas que afirmam que se “deve ensinar” a gramática para ler e escrever corretamente, já a visão inovadora revela que o ensino da língua portuguesa não pode se pautar somente no ensino gramatical e, sim, em um ensino crítico, utilizando textos que interessam os alunos, debatendo os temas para que estes compreendam e não apenas decodifiquem.

Palavras-chave: ensino; formação; concepções.

Minibiografia:

Mestre em Letras/Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina; Professora Assistente na área de Linguística/Língua Portuguesa na Universidade Federal da Fronteira Sul; Tutora do Grupo PET Assessoria Linguística e Literária da UFFS, campus Chapecó/SC.


Comunicação 16

O desafio do professor para adequar as teorias linguística às necessidades de ensino e aprendizagem da língua portuguesa

Autora:

Roseane Batista Feitosa Nicolau – Universidade Federal da Paraíba (UFPB/ PROFLETRAS) –rosenicolau.ufpb@gmail.com

Resumo:

No Curso de Mestrado Profissional em Língua Portuguesa, PROFLETRAS, em que atuamos, percebemos o dilema do professor diante de tanto conhecimento linguístico, tantas abordagens para o mesmo fenômeno linguísticos, que os estudos teóricos têm disponibilizado sobre a língua. Indagam esses professores durante o curso: como transformar esse conhecimento em atividades nas aulas de Língua Portuguesa? Que abordagem adotar? Com o intuito de contribuir com o professor, neste sentido, temos realizado, a partir das colocações de Travaglia (2003, 2004, 2009) e Antunes (2014), conjuntamente com esses alunos-professores, análises de teorias linguísticas para determinados fenômenos linguísticos.  Antes de selecioná-las para aplicação em sala de aula, consideramos que toda teoria tem suas limitações e que, por isso, às vezes ou com frequência, precisamos de mais de uma descrição do mesmo fenômeno linguístico para poder estudá-lo e compreendê-lo. Depois dessas análises, fazemos o exercício de aplicação dessas teorias em atividades de ensino e aprendizagem da língua em função do ano em que professor atua. Os fenômenos linguísticos trabalhados nas atividades partem sempre de uma situação de uso da língua do aluno, ou da gramática de um texto. Desta forma, ao realizar esse trabalho, estaremos criando atividades de reflexão sobre os fenômenos linguísticos identificados em estudo, no sentido de ajudar o aluno na aquisição de uma competência comunicativa que vá além da que ele possui e, também, auxiliar o professor no sentido de selecionar, em meio a tantas abordagens teóricas, a(s) mais adequada(s).

Palavras-chave: conhecimento linguístico; ensino e aprendizagem; exercícios de aplicação.

Minibiografia:

Roseane Batista Feitosa Nicolau é Doutora em Linguística (2008) pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde atua como professora na Graduação e na Pós-Graduação (PROFLETRAS e Mestrado Profissional em Linguística e Ensino (MPLE/UFPB). Participa do Projeto Para a História do Português do Brasil, como Pesquisadora e Coordenadora Regional. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: tradição discursiva, variação, gramática e ensino.


Comunicação 17

A formação docente, a concepção de linguagem e a prática em sala de aula: tecendo articulações

Autor:

Jefferson Evaristo do Nascimento Silva – UE do Rio de Janeiro/Instituto Federal Fluminense – jeffersonpn@yahoo.com.br

Resumo:

Ensinar a língua portuguesa é uma ação que demanda, simultaneamente, uma sólida formação teórica, didática, prática e reflexiva (BORTONI-RICARDO, 2008). Qualquer que seja a turma em que o professor vai trabalhar, qualquer que seja o tema a ser discutido e ensinado, tal ensino será direcionado a partir das premissas e pressupostos que formam a base teórica desse professor (ANTUNES, 2014). Disso decorre que toda ação de ensino parte de um mesmo ponto: a formação teórica. Assim, as concepções que o professor possui – especialmente sua concepção de linguagem (FUZA, 2011; GOMES, 2013) – são fundamentais para sua prática, pois elas vão nortear todas as suas ações. Ao mesmo tempo, será apenas com uma efetiva formação docente que os futuros profissionais poderão refletir sobre a linguagem e discutir as suas múltiplas formas de realização (MARCUSCHI, 2008). A título de exemplo, é possível conceber a linguagem como um instrumento de comunicação ou como uma prática social (SCHNEUWLY e DOLZ, 1999), o que implicará diretamente na abordagem gramatical que esse professor fará em sala de aula (HAWAD, 2012). A formação docente, portanto, passa pela concepção de linguagem e resulta, efetivamente, nas “aulas de português”. Nosso objetivo nesse trabalho é o de discutir as ações realizadas na disciplina “Leitura e produção de textos I”, ministrada na licenciatura em Letras do Instituto Federal Fluminense do Rio de Janeiro/Brasil. De caráter “híbrido”, a disciplina se propõe a ser teórica – pois oferece os subsídios para as discussões teórico-reflexivas sobre o tema – e prática – pois pressupõe a produção textual dos alunos e a elaboração de materiais didáticos –, conjugando a formação e a prática docente. Portanto, a partir das experiências da disciplina, discutiremos uma possível proposta de articulação entre a formação docente, as concepções de linguagem do professor e as suas práticas em sala de aula.

Palavras-chave: Concepções de linguagem; Formação docente; Práticas docente; Ensino.

Minibiografia:

Jefferson Evaristo do Nascimento Silva – graduado em Português-Italiano e especialista em Tradução pela UERJ, mestre em Letras Neolatinas pela UFRJ. Atualmente, cursa doutorado em Língua Portuguesa na UERJ e em Letras Neolatinas na UFRJ. Professor do Instituto Federal Fluminense (IFF), atuando no ensino médio e na licenciatura em Letras.


Comunicação 18

As atividades epilinguísticas como ferramenta no processo de ensino e aprendizagem da língua portuguesa: uma questão de mediação pedagógica

Autora:

Cássia Rodrigues dos Santos – Faculdade de Letras (UFG) – cassiarodrigues25@hotmail.com

Resumo:

Este trabalho versa sobre a importância do conhecimento linguístico do professor nas aulas de gramática com o objetivo da construção de tópicos frasais coesos e coerentes por parte dos alunos. Por meio deste estudo, pretende-se propor a prática do epilinguismo como um caminho possível para estimular o exercício intelectual e potencializar o aluno à reflexão com autonomia sobre sua escrita. Trata-se de um estudo de natureza bibliográfica-descritiva no qual se pretende responder às seguintes questões: i) O que o professor precisa conhecer, em termos linguísticos e didáticos, para trabalhar com o aluno o desenvolvimento de tópico frasal de modo a lhe despertar o interesse pela escrita?; e ii) É possível instigar o aluno a exercer a autocorreção a partir de atividades epilinguísticas que, nas práticas didáticas, envolvem o refazimento, a reescrita e a reelaboração a partir da reflexão da língua? Para a elaboração da proposta, parte-se da necessidade de descrever a trajetória da formação docente e os fatores que influenciaram e que ainda se manifestam no ensino, envolvendo a tensão entre norma, gramática e língua. Por fim, é empreendida a abordagem de aspectos referentes à relação entre texto, discurso e gramática, uma das bases para a produção de enunciados em sua natureza social. As bases teóricas são estudos sobre o letramento em Magda soares, as teorizações sobre ensino, gramática e discurso em Franchi e as estratégias epilinguísticas em Bezerra e Romero. As conclusões, a partir da abordagem descritiva, sugerem que o professor precisa ter conhecimentos linguísticos para ser capaz de propor atividades com estratégias epilinguísticas, que contribuem para que o aluno reflita sobre a língua em situações reais de interação comunicativa e desenvolva uma escrita eficiente.

Palavras-chave: Língua; gramática; escrita; atividade linguística e atividade epilinguística.

Minibiografia:

Mestre em letras e Linguística pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás (2013) e licenciada em Letras (Português-Inglês) pela FL/UFG (2003) e Especialista em Métodos e Técnicas de Ensino pela Universidade Salgado de Oliveira (2007). É aluna do doutorado do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da FL/UFG (2014), orientanda do Prof. Dr. Agostinho Potenciano de Souza.


Comunicação 19

É (im)possível (não) ensinar o necessário… e o possível: a abordagem implícita dos valores modais no 1.º CEB

 

Autor:

José António Costa – Escola Superior de Educação (Politécnico do Porto) | CLUP | inED – joseacosta@ese.ipp.pt

Resumo:

A modalidade é uma categoria gramatical presente em várias línguas do mundo e envolve a perspetiva do locutor face ao que afirma, seja a sua crença numa situação, seja a instigação (impositiva ou não impositiva) à ação, seja a identificação das circunstâncias que tornam possível ou necessário um estado de coisas (van der Auwera & Plungian, 1998; Oliveira, 2003). Pode exprimir-se através de recursos linguísticos variados, ligando-se, assim, a outras categorias além do modo verbal.

O contacto das crianças com estruturas modais, em particular com o discurso deôntico, plasmado em atos diretivos, surge muito cedo, desenvolvendo-se a sensibilidade a essas estruturas entre os dois e os quatro anos (Stephany, 1983). À entrada para o 1.º ciclo, são já capazes de distinguir enunciados que exprimam a possibilidade e a necessidade (Ozturk  & Papafragou, 2014), eixos fundamentais na avaliação dos enunciados modais. Contudo, os documentos reguladores do ensino apenas contemplam conteúdos relativos à modalidade no 12.º ano (Buescu et al., 2014) e, muitas vezes, a sua abordagem confina-se ao modo verbal, razão pela qual decidimos realizar um estudo exploratório que permitisse avaliar a viabilidade e as vantagens da promoção do ensino implícito desta categoria junto de alunos do 3.º ano do 1.º CEB.

Os alunos expostos a um percurso de explicitação deste conteúdo revelaram-se, na avaliação de enunciados, mais proficientes na identificação do valor de probabilidade de dever, da leitura deôntica do pretérito imperfeito e da expressão modal mais forte, modalizando o discurso com o recurso a atos ilocutórios não impositivos e a estruturas sintática e modalmente mais complexas. Estas informações de natureza descritiva e psicolinguística serão úteis ao professor de língua no desenvolvimento de práticas contextualizadas, de modo a contribuir para promover competências modais, formar cidadãos críticos e participantes e para “a expansão da gramática interiorizada do aprendente” (Pinto, 2010: 86).

Palavras-chave: modalidade linguística; ensino implícito; aquisição de valores modais; educação para a cidadania; educação linguística.

Minibiografia:

Professor-Adjunto na Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto (ESE/PP), onde leciona unidades curriculares das áreas da Linguística Aplicada ao ensino da língua, da Aquisição da Linguagem, da Linguística Descritiva e da Didática de Línguas. Doutorado em Ciências da Linguagem, área de especialização de Didática de Línguas, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Membro colaborador do Centro de Linguística da UP e do Centro de Investigação e Inovação em Educação (ESE/PP).


Comunicação 20

(Re)conhecimento e uso do acusativo anafórico de terceira pessoa no Português do Brasil: um paralelo entre as descrições linguísticas e o ensino de pronomes

Autora:

Juliana Magalhães Catta Preta de Santana – PPGLEV/ Universidade Federal do Rio de Janeiro – julianamagalhaescp@hotmail.com

Resumo:

Esta comunicação visa compartilhar alguns resultados alcançados em investigação sobre o ensino do objeto direto anafórico de terceira pessoa no Português do Brasil (PB). Com o aporte teórico da Sociolinguística Variacionista (WLH, 2006 [1968]; LABOV, 2008 [1972]), além das contribuições da Sociolinguística Educacional proposta por Bortoni-Ricardo (2004), buscou-se correlacionar dados da realidade linguística já descrita sobre tal fenômeno ao tratamento a ele dispensado no contexto escolar. Para tanto, considerou-se particularmente a influência de três agentes: a orientação prevista no material didático; a mediação do professor; e a atividade de seus alunos. Com o propósito de diagnosticar como se concretiza essa “tríade” no ensino de gramática, selecionaram-se duas escolas municipais do Rio de Janeiro e, em amostra por elas disponibilizada, desenvolveram-se três seções de análise, buscando averiguar: (i) como os materiais didáticos utilizados pelas professoras se comportam com relação à variedade existente no PB para o fenômeno em questão; (ii) como as professoras compreendem o espectro da variação e normas de uso no PB, por meio de entrevista feita por escrito; e (iii) quais as variantes encontradas na produção escrita de seus estudantes, aceitas ou não na correção conferida pelas docentes e por que motivo, a partir de corpus extraído de redações escolares corrigidas. Os resultados permitiram verificar, entre outras constatações relacionadas a cada variante, um domínio parcial do emprego da variante padrão, que obteve percentual expressivo de ocorrência, acompanhado, porém, de alguns usos irregulares do clítico acusativo – reflexo de uma gramática ainda em construção para os alunos brasileiros. O cruzamento entre os resultados das três seções de análise põe em dúvida a compreensão da retomada do acusativo de terceira pessoa como fenômeno gramatical variável (inclusive em normas cultas de uso), seja no tangente à concepção de variação e norma demonstrada pelas professoras, seja, por conseguinte, no entendimento de seus estudantes.

Palavras-chave: Sociolinguística e ensino; ensino de gramática; retomada anafórica; objeto direto de terceira pessoa; ensino de pronomes.

Minibiografia:

Mestre em Letras Vernáculas – Língua Portuguesa, graduada e licenciada em Letras Português-Espanhol pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Integra, também na UFRJ, o projeto de pesquisa Gramática, variação e ensino: diagnose e propostas pedagógicas, coordenado pela Professora Doutora Silvia Rodrigues Vieira e financiado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do RJ (FAPERJ).


Comunicação 21

Relevância dos conhecimentos científicos sobre o estatuto e o funcionamento morfossintático das categorias nominais para o ensino do Português Língua Não Materna

Autora:

Celda Morgado Choupina – Escola Superior de Educação (P. do Porto) | CLUP | InED – celda@ese.ipp.pt

Resumo:

As relações entre a Linguística Formal, a Linguística Descritiva e a Linguística Aplicada têm tido um papel cada vez mais central quer na formação científica do professor de Português, quer na prática pedagógico-didática por ele realizada. No entanto, o esforço de sustentar a formação de professores de Português em conhecimentos linguísticos atualizados deve continuar, principalmente apoiando-se nos contributos da Linguística Comparativa entre o Português e as LM dos aprendentes, no âmbito do ensino do Português como LNM.

Esta comunicação inscreve-se no âmbito da Linguística Descritiva Comparativa e da Linguística Aplicada e tem como principal objetivo descrever as categorias nominais número formal e género gramatical em Português, em contraste com a ausência destas categorias em línguas em contacto com o Português – o Tétum e o Caboverdiano (línguas orais) e a Língua Gestual Portuguesa (língua gestual). Nestas três línguas, porém, é possível comunicar linguisticamente a quantidade e a categoria sexo dos referentes, como em qualquer língua natural, dado que estas noções não estão dependentes das categorias formais número e género, exclusivas de algumas línguas.

Pretendemos, assim, contribuir para a formação do Professor de Português como LNM e para as abordagens pedagógico-didáticas destas categorias, as quais devem atender a: (i) parâmetros linguísticos específicos das línguas; (ii) distinção entre categorias linguísticas e expressão linguística de noções e categorias naturais e mais motivadas pelo mundo real.

Palavras-chave: Linguística; LM e LNM; género gramatical; categoria sexo; número formal e quantidade.

Minibiografia:

Professora-Adjunta na Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto (ESE/PP), onde leciona unidades curriculares das áreas da Linguística Descritiva (línguas orais e línguas gestuais) e da Linguística Aplicada ao ensino da língua. Membro integrado do Centro de Linguística da Universidade do Porto (CLUP) e do Centro de Investigação e Inovação em Educação (InED).


Comunicação 22

O conhecimento psicolinguístico e a promoção de competências de compreensão na Educação Pré-escolar

Autora:

Adriana Baptista – Politécnico do Porto | CLUL| inED – adrianabaptista@ese.ipp.pt

Resumo:

O ensino do Português, como LM, é sistematicamente associado ao professor de português, responsável pelo ensino explícito das regras da gramática e pelo desenvolvimento de competências de escrita e de oralidade. Todavia, o educador de Infância é também um promotor de competências de língua e o ensino do Português tem, na Educação Pré-escolar, uma fase propedêutica intensa, envolvendo a promoção sistemática e pragmaticamente determinada de competências comunicativas em diferentes domínios linguísticos, ainda que de uma forma implícita e integrada em atividades lúdicas e de promoção do desenvolvimento global da criança. O domínio de conhecimentos linguísticos não pode conduzir a uma escolarização da Educação pré-escolar e deve permitir ao educador a rentabilização dos contextos integrados de aprendizagem de competências de comunicação em LM.

As Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (Lopes da Silva, 2016) evidenciam um avanço significativo face às anteriores (Lopes da Silva, 1997). O domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita continua adstrito à área da Expressão e Comunicação (ao lado do domínio da Matemática, do da Educação Artística e do da Educação Motora), todavia, presta-se uma atenção qualitativamente superior às questões de consciência linguística. A identificação de contextos de aprendizagem e de estratégias educativas, propicia hipóteses pedagogicamente produtivas para a promoção de competências e afasta a tentação do ensino explícito.

No caso particular das competências de leitura, as propostas de abordagem valorizam o conhecimento de funcionalidades da leitura, capacidades de receção e de fruição, mas secundarizam questões de compreensão. Sendo a compreensão na leitura um domínio da psicolinguística relevante para a fruição do ato lético, discutiremos como o conhecimento linguístico, nomeadamente de processos específicos de monitorização da compreensão (cf. Afflerbach, Pearson e Paris, 2008), pode suportar o design de estratégias para a promoção da compreensão de valores retóricos, como a alegoria, relevantes para a fruição dos textos e para o conhecimento crítico do mundo.

Palavras-chave: educação pré-escolar; leitura; conhecimento linguístico; compreensão.

Minibiografia:

Professora Coordenadora na Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto (em mobilidade na ESMAD) onde tem lecionado unidades curriculares das áreas da Linguística e das Ciências da Linguagem em licenciaturas de Ensino Básico e Mestrados de Educação Pré-Escolar e Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º Ciclo. Membro integrado no Centro de Linguística da U. de Lisboa e do Centro de Investigação e Inovação em Educação (ESE/PP).


Comunicação 23

Consciência fonológica e apropriação da leitura e da escrita

Autoras:

Graciliana Ribeiro de Almeida – PROFLETRAS/ILEEL/UFU – graciliana_almeida@hotmail.com

Marlúcia Maria Alves – PROFLETRAS/ILEEL/UFU – marlucia.alves@gmail.com

Resumo:

A presente pesquisa tem como objeto de estudo o processo de alfabetização e as dificuldades inerentes à aquisição da leitura e da escrita dentro do Ciclo de Alfabetização, período que compreende parte da faixa etária da infância, em média crianças de 6 a 8 anos de idade, crianças que estão no 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental. Pretende investigar as dificuldades do processo alfabetizador através de uma análise da consciência fonológica dos alunos, buscando aplicar uma metodologia que visa amenizar os problemas detectados ao longo da investigação. Segundo Costa (2012), “a consciência fonológica encontra-se no contexto da consciência linguística e configura-se como a capacidade que o ser humano possui de refletir e manipular as unidades fonológicas (sílabas, as unidades intrassilábicas e os fonemas)”. Partimos da hipótese de que o aluno adquirirá maior solidez nas competências de leitura e escrita a partir do estudo de poemas, pois a musicalidade e os elementos prosódicos servirão como facilitadores do aprendizado, favorecendo a assimilação dos sons das palavras que serão reconhecidos na construção de outras palavras. Além disso, o conhecimento linguístico do professor, principalmente o conhecimento fonético-fonológico, será fundamental para que as atividades pedagógicas sejam mais bem direcionadas em sala de aula. Haverá uma percepção maior das dificuldades relacionadas  com os atos de leitura e escrita. Assim, são objetivos desta pesquisa: a) estudar o processo de ensino-aprendizagem, para a partir daí, tentar identificar as causas do fracasso do processo de aquisição da habilidade de leitura e escrita no Ciclo de Alfabetização; b) investigar “erros” recorrentes nas turmas do Ciclo de Alfabetização, sob uma ótica fonológica; c) investigar o nível de consciência fonológica em turmas que componham o Ciclo de Alfabetização; d) implementar uma estratégia de ensino a partir do uso de poemas musicados como meio de facilitar o processo de alfabetização.

Palavras-chave: Alfabetização; Consciência fonológica; Ensino de Língua Portuguesa; Poemas musicados.

Minibiografias:

Graciliana Ribeiro de Almeida – Professora efetiva na Rede Municipal de Ensino em Mineiros/GO, atua no Ensino Fundamental, 2º ano. Suas pesquisas são voltadas ao estudo do processo de ensino-aprendizagem. Mestranda do Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS da Universidade Federal de Uberlândia.

Marlúcia Maria Alves – Professora Adjunto do Curso de Letras do Instituto de Letras e Linguística da Universidade Federal de Uberlândia. Professora do Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística e Fonologia, atuando principalmente nos seguintes temas: caracterização fonético-fonológica, oralidade, variação linguística e Teoria da Otimalidade.


Comunicação 24

Currículo do estado de São Paulo: uma proposta de leitura para um sujeito ativo

Autora:

Patrícia Gaeta Araújo – Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) – patihh2428@gmail.com

Resumo:

A escola tem como sujeitos do processo de ensino aprendizagem o aluno, o professor e como suporte desse processo, o material pedagógico. No estado de São Paulo, desde 2008, foi adotado o Caderno do Aluno como material didático, dando suporte, orientação e diretrizes para o trabalho pedagógico. Esse material apresenta os mesmos problemas do livro didático. O objetivo deste trabalho foi analisar as questões das atividades propostas para leitura e compreensão de texto do Caderno do Aluno presentes nas Situações de Aprendizagem 7 e 8, tendo como referência o trabalho de Marcushi (2008) sobre a tipologia das questões de compreensão de textos nos livros didáticos. Sabendo que esse material, Caderno do Aluno, no seu discurso, já incorporou a concepção de língua como atividade social, o texto como lugar de materialização do discurso em situação de interação social, as atividades ainda não trabalham efetivamente esses conceitos, sendo necessário rever e reformular as questões alinhando-as à concepção de língua, texto e discursos preconizados no Caderno do Aluno.

Palavras-chave: Leitura; Caderno do Aluno; Tipologia de questões.

Minibiografia:

Patrícia Gaeta Araújo é mestranda da UFTM no programa Mestrado Profissional em Letras (ProfLetras). É professora da rede estadual de São Paulo desde 2000, foi coordenadora pedagógica da rede estadual de 2008 até 2015, é professora orientadora de TCC na Universidade de Uberaba. Especialista em Gestão do Currículo (USP), Psicopedagogia (CEUCLAR), Letramento e Alfabetização (UFSRJ), Metodologia do Ensino de Português (CEUCLAR), Educação Empreendedora (UFSRJ) e Educação Especial e  Inclusiva(UNESP).


Póster 1

CLASSES DE PALAVRAS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO: UM ESTUDO SOBRE SEUS CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO NA SALA DE AULA DE EDUCAÇÃO BÁSICA

Autores:

Paulo Ricardo Dias Fernandes – Universidade Federal de Goiás – paulo.ricardo_dias@hotmail.com

Tânia Ferreira Rezende – Universidade Federal de Goiás – taniaferreirarezende@gmail.com

 

Resumo:

O estudo das classes de palavras está presente desde as primeiras séries da vida escolar e continua sendo o assunto principal, ou dos mais estudados, nas aulas de Português, até o fim da educação básica. A partir de consultas a programas escolares e livros didáticos, nota-se que, muitas vezes, o estudo das classes gramaticais se restringe a um conhecimento da nomenclatura apenas. As gramáticas normativas de língua portuguesa trazem uma razoável quantidade de definições para distinguir as classes gramaticais hoje reconhecidas, quando se sabe o porquê de tal definição referente a uma categoria de palavras, reforça-se o pensamento analítico, comparativo, contestador com relação às demais, para assim melhor reconhecê-las ou distingui-las. O estudo consistiu na análise do conhecimento apresentado por alunos da segunda  fase  do  Ensino  Fundamental  sobre  os  diferentes  conceitos  que  podem  ser identificados em cada classe de palavras reconhecidas pela Norma Gramatical Brasileira (NGB),  bem  como  a  multiplicidade  de  critérios  que  os  levaram  à  elaboração  dessas definições, tal análise foi realizada através de questionários aplicados a alunos da segunda fase do Ensino Fundamental do município de Anápolis – Goiás. O linguista Joaquim Mattoso Câmara Junior em Estrutura da Língua Portuguesa, aponta a utilização de três critérios: semântico, morfológico e funcional, para a elaboração do conceito de uma classe de palavras. O  que  se  observou  após  a  coleta  dos  dados  foram  respostas  incoerentes,  que  não contemplavam todos os critérios de classificação, com grande incidência do critério semântico (baseado no universo biossocial que se incorpora na língua), casos de critério morfológico (referente às propriedades gramaticais que a palavra pode apresentar) e escassez de critério funcional (papel que a palavra desempenha em uma sentença).

Palavras-chave: Gramática; Classe de palavras; Critérios de classificação.

Minibiografias:

Paulo   Ricardo   Dias   Fernandes   –   Graduado   em   Letras   pela   UEG,   especialista   em Metodologias do Ensino Fundamental pela UFG, Docência Universitária pela Faculdade Católica de Anápolis, Planejamento, Implementação e Gestão da EAD pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestrando em Letras e Linguística pelo programa de Pós- Graduação em Letras e Linguística da UFG.

Tânia Ferreira Rezende – Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), com atuação na graduação e na pós-graduação, nos cursos de Letras e de Educação Intercultural de formação superior de professores indígenas. Desenvolve pesquisas na área de Sociolinguística Intercultural, Sociolinguística Educacional e Linguística Histórica.