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Simpósio 27

SIMPÓSIO 27 – GÊNEROS DO DISCURSO E EXPERIÊNCIAS CRÍTICAS NO ENSINO E APRENDIZAGEM DE LÍNGUA PORTUGUESA

 

Coordenadores:

Adair Bonini | Universidade Federal de Santa Catarina/CNPq | adair.bonini@gmail.com

Sostenes Lima | Universidade Estadual de Goiás | limasostenes@gmail.com

 

Resumo:

Os debates sobre ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa, no Brasil, tanto na academia quanto no âmbito escolar, têm se pautado, desde a década de 80, pela perspectiva operacional e reflexiva, com foco no/a aprendiz como alguém que age e aprende a partir das reflexões sobre sua ação e sua integração e partilha do mundo social. Essa escolha metodológica, no entanto, muitas vezes tem sido alvo de boicotes ou simplificações que focalizam apenas a ação do/a aprendiz, sem contemplar o debate de seu papel político e de cidadania. As perspectivas críticas de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa, nesse sentido, ainda precisam ganhar mais vulto e importância na definição de políticas curriculares, nas ações pedagógicas desse componente curricular, na pesquisa e na formulação de teorias. O campo crítico se firma nos estudos da linguagem a partir dos anos 90, embora alguns de seus pressupostos datem do século XIX, da obra Marx, e também de muitos dos debatedores do marxismo durante o século XX. Nesse período que começa nos anos 90, se desenvolveram e/ou se sedimentaram perspectivas como a Análise crítica do discurso, a Análise crítica de gêneros do discurso, os Estudos críticos do letramento e os Estudos pós-coloniais. Esses debates têm dado ênfase a ideias de inúmeros e eminentes autores autoidentificados com abordagens críticas como, por exemplo, Paulo Freire, Antonio Gramsci, Brian Street, Norman Fairclough, Edward Said e Frantz Fanon. Este simpósio reúne trabalhos que visem ao incremento das perspectivas emancipadoras no ensino de Língua Portuguesa. Serão aceitos relatos e análises de experiências críticas com gêneros na Educação Básica, envolvendo ensino e aprendizagem, formação de professores, ações curriculares, dentre outras.

Palavras-chave: gêneros do discurso, abordagem crítica, ensino e aprendizagem, Língua Portuguesa.

 

Minibiografias:

Adair Bonini – Docente do Programa de Pós-Graduação em Linguística e do Mestrado Profissional em Letras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, SC. Bolsista do CNPq. É doutor em Linguística pela UFSC, com pesquisas em Análise Crítica de Gêneros e em Ensino e Aprendizagem de Língua Portuguesa. Atuou como editor-chefe de revistas acadêmicas, como coordenador de diversos projetos de pesquisas, orientações de mestrado e doutorado, e como assessor em comissões do Ministério da Educação do Brasil.

Sostenes Lima – Docente do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Educação, Linguagem e Tecnologias (MIELT) da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Campus Anápolis de Ciências Socioeconômicas e Humanas. Doutor em Linguística pela Universidade de Brasília. Bolsista do Programa de Bolsa de Incentivo ao Pesquisador da UEG (BIP/UEG). Tem pesquisas e publicações em Linguística, com ênfase em Análise do Discurso Crítica, Análise Crítica de Gêneros e Educação em Língua Portuguesa.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A reenunciação do discurso jornalístico na produção de jornais escolares brasileiros

Autor:

Adair Bonini – Universidade Federal de Santa Catarina/ CNPq – adair.bonini@gmail.com

 

Resumo:

A mídia, particularmente no que diz respeito às práticas jornalísticas, tem desempenhado um papel estruturante central na organização social capitalista desde meados do século XIX; papel que se aprofunda nas últimas décadas com o domínio da ideologia neoliberal e a implementação de mecanismos de globalização econômica e cultural (THOMPSON, 1995). No plano educacional esse objeto não tem passado despercebido, sendo enfocado tanto nas práticas escolares, quanto na proposição de programas e projetos educativos, e na elaboração de currículos. São particularmente importantes, e principalmente no ensino e na aprendizagem de Língua Portuguesa, as ações que envolvem a construção de mídias escolares, que podem produzir uma rica reflexão sobre a atuação social das mídias ou, de modo contrário e muitas vezes naturalizado, reproduzir o discurso dominante sobre elas. Nessa apresentação, são analisados jornais coletados em várias escolas da região de Florianópolis, SC. Busca-se depreender como o discurso jornalístico aparece reenunciado nesses jornais. São questões enfocadas: Há, nesses jornais, espaço de contestação da mídia dominante? Há oportunidades de recriação e de leituras questionadoras? As reflexões teóricas da pesquisa, de natureza epistemológica marxista, têm por base a Análise Crítica de Gêneros do discurso, que é uma das disciplinas do campo das ciências sociais críticas. O conceito de gênero do discurso nesse trabalho é considerado principalmente a partir da releitura da obra de autores como Norman Fairclough, Mikhail Bakhtin, Paulo Freire e Antonio Gramsci.

Palavras-chave: ensino; língua portuguesa; jornal escolar; gênero do discurso; mídia.

 

Minibiografia:

Adair Bonini é docente do Programa de Pós-Graduação em Linguística e do Mestrado Profissional em Letras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, SC. Bolsista do CNPq. É doutor em Linguística pela UFSC, com pesquisas em Análise Crítica de Gêneros e em Ensino e Aprendizagem de Língua Portuguesa. Atuou como editor-chefe de revistas acadêmicas, como coordenador de diversos projetos de pesquisas, orientações de mestrado e doutorado, e como assessor em comissões do Ministério da Educação do Brasil.


Comunicação 2

Assembleia de classe e gêneros discursivos como ações sociais

Autora:

Adriana Hanayá Ferreira Cabral – ProfLetras/UFRN – adri.hanaya@gmail.com

 

Resumo:

A necessidade de ressignificar o ensino de leitura e escrita tem levado professores de língua (materna e estrangeiras) a buscar novas práticas educativas. Uma opção interessante advém das que são desenvolvidas em projetos de letramento (KLEIMAN, 2000), cujo eixo norteador são práticas sociais nas quais a escrita é utilizada para atingir outros fins que vão além da mera aprendizagem. Nesses projetos, docentes e discentes leem e escrevem para alcançar  objetivos específicos, e esses textos têm circulação e recepção que ultrapassam a produção da (e para a) sala de aula. Nesta comunicação oral, em função dos dados gerados, objetivamos apresentar a rede de gêneros discursivos que foi desenvolvida a partir de uma assembleia de classe, vista como evento de letramento (HAMILTON, 2003), bem como mostrar o empoderamento dos discentes e a transformação de um estado de coisas a partir do agir da coletividade. Para tanto, apresentamos uma rede de atividades desenvolvidas em uma turma de 7o ano do Ensino Fundamental de uma escola pública estadual, localizada em Natal/RN. Nesse contexto, os discentes trabalharam os gêneros discursivos que foram surgindo de acordo com a necessidade de atender a progressivas demandas sociais. Para tanto, discutiram problemas vivenciados na escola e, em ações coletivas, escreveram para (re)agir a esses problemas, buscando, ao menos amenizá-los. Do ponto de vista teórico-metodológico, além dos aportes já mencionados, ancoramo-nos em Araújo (2004, 2015); Bazerman (2005); Kleiman (1995); Tinoco (2008); Oliveira, Tinoco, Santos (2011); Moita Lopes (2006). Os resultados (ainda preliminares) parecem revelar que o empoderamento dos alunos e a transformação de um estado de coisas a partir do agir da coletividade são aspectos perceptíveis nesse processo de ressignificação do ensino de leitura e escrita em língua materna.

Palavras-chave: assembleia de classe; gêneros discursivos; projeto de letramento; leitura e escrita.

 

Minibiografia:

Adriana Cabral é mestranda pelo programa de Pós-graduação em Letras – ProfLetras/UFRN, especialista em educação (FAL), graduada em Letras – Língua Portuguesa (UFRN), professora efetiva da Rede Estadual de Educação do Rio Grande do Norte.


Comunicação 3

Discursos em choque: movimentos de ocupação escolar na mídia e letramentos de resistência no espaço escolar

Autores:

Amanda Oliveira Rechetnicou – Universidade Estadual de Goiás – amanda_yea@hotmail.com

Sostenes Lima – Universidade Estadual de Goiás – limasostenes@gmail.com – instituição –  limasostenes@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo discutir algumas contribuições da análise crítica de gêneros jornalísticos para o desenvolvimento de práticas de letramentos de resistência no espaço escolar. Com base nas abordagens da Análise Crítica de Gêneros (ACG) e na Análise de Discurso Crítica (ADC), buscamos analisar criticamente o modo como os movimentos estudantis de ocupação de escolas públicas, ocorridos em 2016, são representados em textos jornalísticos. O estudo tomou como base uma experiência de pesquisa/intervenção realizada com um Grupo Focal (GF) formado por estudantes de uma escola ocupada na cidade de Anápolis (GO). O debate do GF foi conduzido a partir de atividades de leitura e de análise de textos jornalísticos de mídias tradicionais (grandes jornais) e textos de mídias alternativas (blogs e portais jornalísticos progressistas). A análise comparada de textos dessas duas esferas midiáticas nos permitiu construir um espaço de leitura crítica. Debatemos o modo como os movimentos estudantis são representados em discursos hegemônicos e em discursos contra-hegemônicos. Notamos que os textos das grandes mídias tendem a desqualificar as ocupações, representando-as como ações prejudiciais à educação e à sociedade. Nesse sentido, notamos que as mídias hegemônicas, comprometidas com a naturalização das desigualdades sociais, utilizam essas representações negativas (e, por vezes, criminalizatórias) como instrumentos importantes para a formação de consensos ideológicos de oposição e rejeição aos movimentos e às práticas de resistência social. Por outro lado, os textos das mídias alternativas, ao defenderem a legitimidade e importância dos movimentos na conquista e manutenção de direitos sociais, abrem espaço para uma discussão crítica e consciente dos movimentos de ocupação. A última fase da experiência de pesquisa/intervenção foi dedicada à produção de textos para publicação nas páginas dos movimentos de ocupação no Facebook. As redes sociais oferecem amplos espaços para o uso sociopolítico da escrita. As páginas dos movimentos estudantis constituem, assim, uma plataforma de mídia importante para a produção-mediação de discursos e letramentos de resistência.

Palavras-chave: gêneros jornalísticos; representação; movimentos estudantis de ocupação; discursos de resistência; letramentos de resistência.

 

Minibiografias:

Amanda Oliveira Rechetnicou é mestra em Educação, Linguagem e Tecnologias pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Graduada em Letra (Licenciatura em Língua Portuguesa e Língua Inglesa) pela UEG. Desenvolve pesquisa na área de Linguística, com ênfase em Análise Crítica de Gêneros e Análise de Discurso Crítica. Atua como professora de Língua Portuguesa na rede pública de ensino do Estado de Goiás.

Sostenes Lima é docente do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Educação, Linguagem e Tecnologias (PPG-IELT) da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Câmpus Anápolis de Ciências Socioeconômicas e Humanas. Doutor em Linguística pela Universidade de Brasília. Tem pesquisas e publicações em Linguística, com ênfase em Análise do Discurso Crítica, Análise Crítica de Gêneros e Educação em Língua Portuguesa.


Comunicação 4

Escrever e ler na perspectiva da Pedagogia Histórico-Crítica: o papel do gênero textual nas práticas sociais escolares

Autor:

André Lúcio Bento – SEDF/Eape instituição – andreluciobento@gmail.com

 

Resumo:

A escola é uma organização social fruto da ação humana e da história que projeta, como ponto de chegada dos processos pedagógicos, a formação humanizada de pessoas, aptas a atuarem na transformação de um mundo marcado pela exclusão, injustiça e desigualdade (SAVIANI, 2005). Nesse sentido, o ensino de escrita e de leitura deve, sobretudo, instrumentalizar estudantes para o processo de transformação social, o que situa o ensino de língua materna no contexto político e social brasileiro. Nisso reside a relevância de se orientar o ensino de escrita e de leitura pelos gêneros textuais, em razão de uma questão central: que papel os gêneros desempenham nas nossas práticas sociais e na interação contemporânea? Questionar isso significa admitir que os gêneros são elementos da sintaxe social e são meios indispensáveis para as estratégias da nossa interação. Outros elementos dessa sintaxe social seriam as questões institucionais, políticas, ritualísticas, tecnológicas, entre outras, que, numa relação de coordenação ou de subordinação entre si, garantem o texto da sociedade e da interação sociocomunicativa. Assim, a escola precisa compreender que a profusão de gêneros textuais na sociedade existe na extensão do que necessitamos para agir; e para cumprir e questionar preceitos sociais. Por isso, gêneros textuais não são apenas linguagem e não estão a serviço unicamente da interação verbal. Na construção da sintaxe social, e na interface com outros elementos que a compõem, eles vão possibilitando as relações que queremos, precisamos ou somos obrigados a estabelecer quando realizamos práticas sociais civis, políticas, religiosas e jurídicas, por exemplo. Tomando como base a proposta da Pedagogia Histórico-Crítica, este trabalho discute como a operacionalização do método dialético de construção do conhecimento, pautado no percurso prática-teoria-prática, pode favorecer ou ressignificar o ensino de escrita e de leitura na escola. Além disso, são aportes teóricos destas reflexões a Análise de Discurso Crítica (FAIRCLOUGH, 2001, 2003 e 2006; CHOULIARAKI & FAIRCLOUGH, 1999), a Linguística Sistêmico-Funcional (HALLIDAY, 1994; HALLIDAY & MATTHIESSEN, 2004; EGGINS, 2002 e 2010) e a Teoria da Multimodalidade (KRESS & van LEEUWEN, 2006; KRESS, 2010; JEWITT & KRESS, 2008).

Palavras-chave: leitura; escrita; gênero textual; transformação social.

 

Minibiografia:

André Lúcio Bento é Doutor e Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília, instituição pela qual se especializou em Leitura, Análise e Produção de Textos e se graduou em Língua Portuguesa e Respectivas Literaturas. Autor dos livros Leitura e Produção de Texto (2013) e Escrita e Reflexão Gramatical (2013). Coorganizador do livro Discurso, Identidade e Gênero (2015) e do livro Discursos nas Práticas Sociais: perspectivas em Análise de Discurso Crítica e em Gramática Sistêmico-Funcional (2010).


Comunicação 5

O gênero discursivo tira no ensino de língua portuguesa: uma proposta de trabalho

 

Autoras:

Christiane Renata Caldeira de Melo – Faculdade do Noroeste de Minas (FINOM) – chrisrenatademelo@yahoo.com.br

Maria Aparecida Resende Ottoni – Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – cidottoni@gmail.com

 

Resumo:

Nesta comunicação, apresentamos resultados parciais de uma pesquisa desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS, da Universidade Federal de Uberlândia, cujo objetivo geral é elaborar e aplicar uma proposta de leitura crítica do gênero discursivo tira que forneça subsídios para que os alunos percebam o humor, a ironia e a crítica presentes, de maneira a compreender os diferentes modos de significação usados e como atuam na construção de sentidos. Tal pesquisa tem uma abordagem qualitativa e o procedimento adotado é a pesquisa-ação (SILVEIRA; CÓRDOVA, 2009). Ela foi aplicada em uma escola da rede pública de Minas Gerais com alunos de 7º ano. Para seu desenvolvimento, embasamo-nos em Bakhtin (1997), Rojo (2012), Ramos (2012), Nepomuceno (2005), Ottoni (2007), Street (2012) e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997, 1998). Investigamos aulas disponibilizadas no Portal do Professor (PP), site do Ministério da Educação, que incluem exemplares do gênero tira e que exploram a multimodalidade, o humor, a ironia e a crítica presentes nesse gênero, as quais foram aplicadas na escola. Além disso, analisamos a presença e abordagem desse gênero em um livro didático de Língua Portuguesa, adotado na instituição coparticipante. A partir dos resultados obtidos, elaborarmos e aplicamos uma proposta de leitura do gênero tira com o propósito de provocar deslocamentos nos alunos quanto à leitura, à compreensão e à interpretação desse gênero. Os resultados mostram o potencial do PP como recurso pedagógico e algumas de suas lacunas. Mostram, ainda, que a maioria dos exemplares do gênero tira estão no livro em uma seção voltada para aspectos gramaticais, o que não leva em conta as especificidades do gênero. E, quanto à proposta de intervenção, os resultados evidenciam sua contribuição para a formação de leitores mais proficientes, mais críticos e ativos.

Palavras-chave: gênero discursivo; tira; Língua Portuguesa; ensino.

 

Minibiografias:

 

Christiane Renata Caldeira de Melo é graduada em Letras pela Faculdade Tecsoma, mestra em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Professora de Língua Portuguesa, Literatura e Redação da rede pública de Minas gerais há mais de 13 anos, no Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Docente do Ensino Superior há 2 anos e membro do Núcleo de Apoio Pedagógico da  Faculdade do Noroeste de Minas (Finom).

Maria Aparecida Resende Ottoni é doutora em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB) e mestra em Linguística pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Professora dos cursos de Letras, de Comunicação Social: habilitação em Jornalismo, do Programa de Pós-Graduação Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS) e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos – Mestrado e Doutorado – (PPGEL), da UFU. É líder do Grupo de Pesquisas e Estudos em Análise de Discurso Crítica e Linguística Sistêmico-Funcional. Seus trabalhos têm sido voltados para os seguintes temas: gêneros; ensino de Língua Portuguesa; humor; análise crítica dos discursos; identidade; representação de atores sociais.


Comunicação 6

Por experiências coletivas e emancipadoras no ensino e na aprendizagem em Língua Portuguesa e Literatura

Autoras:

Fernanda Cristina de Campos – UFU – fernandacristinacampos@yahoo.com.br

Neli Edite dos Santos – UFU – neliedite@yahoo.com.br

 

Resumo:

Nesta comunicação, apresentamos uma reflexão sobre experiências realizadas por duas professoras de Língua Portuguesa e Literatura no Ensino Fundamental. A primeira experiência focaliza o projeto denominado “Cartas: via aberta para novas amizades”, que objetivou resgatar a escrita de cartas entre adolescentes por meio de um intercâmbio. O projeto amparou-se na perspectiva de que escrever vai além da aquisição de conhecimentos linguísticos e de estruturas do gênero cartas, mas que se dá também pelo viés estético e afetivo, visto que o estudante se corresponde com um interlocutor real e da sua idade. Como aporte teórico para a análise, trazemos, entre outros, os pensamentos de Paulo Freire (1997), que condena transferências de conhecimento, sem uma reflexão crítica, e Theodor Adorno (1986), que entende que a “educação só teria pleno sentido como educação para a auto-reflexão crítica”. A segunda experiência apresenta resultado parcial da análise de oficinas de escrita de poemas desenvolvidas com estudantes da Educação de Jovens e Adultos. Apresentamos uma reflexão a respeito da oficina como um dispositivo que minimiza barreiras que dificultam aos estudantes usufruírem plenamente da escrita como processo de inscrita de si no mundo. À luz de poemas criados por estudantes, defendemos que a oficina se configura como uma prática que impulsiona o surgimento do imprevisto, acionando uma autoria coletiva e coletivizada inclusive na esfera do literário. Para a análise dessa experiência, buscamos amparo, entre outros, em Paulo Freire (1998), para quem aprender assemelha-se a uma aventura criadora e arriscada, e Gilles Deleuze (1993), ao analisar que “escrever é devir”, uma passagem de “Vida que atravessa o vivível e o vivido”. Com o presente trabalho, objetivamos fortalecer práticas e teorias que apostam em processos que abalem convicções de que os estudantes não dispõem de recursos suficientes para uma escrita criativa e qualificada na perspectiva de um domínio gradativo de gêneros e discursos.

Palavras-chave: ensino e aprendizagem; Língua Portuguesa; literatura; produções coletivas; educação básica.

 

Minibiografias:

Fernanda Cristina de Campos é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da Universidade Federal de Uberlândia, com a pesquisa  As imagens do anima mundi na poesia de Dora Ferreira da Silva. É professora efetiva de Língua Materna e suas literaturas na Secretaria do Estado de Minas Gerais e no Colégio Batista Mineiro, além de pesquisadora do POEIMA – Grupo de Pesquisa Poéticas e Imaginário, pelo qual, em livro, publicou o capítulo “A Grande Mãe e Hécate: imagens do feminino”.

Neli Edite dos Santos é docente de Língua Portuguesa e Literatura no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Uberlândia. Cursa doutorado em Estudos Literários, com a pesquisa intitulada A escrita poética de estudantes da Educação de Jovens e Adultos do Ensino Fundamental: um caso de travessia(s), sob orientação da Drª Enivalda N. Freitas e Souza. Tem experiência em formação de professores, orientação de estagiários de Letras e formação de leitores para a leitura de literatura na Educação Básica. Membro do Poeima – Grupo de Pesquisa Poéticas e Imaginário.


Comunicação 7

O ensino de Língua Portuguesa em territórios vulneráveis: o letramento visto sob a ótica dos cadernos escolares

Autoras:

Fernanda Marcucci – UNIFESP – fernandamarcucci@gmail.com

Claudia Lemos Vóvio – UNIFESP – claudiavovio@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho é um recorte da pesquisa de mestrado A educação nas grandes metrópoles: o ensino de Língua Portuguesa em São Miguel Paulista em que buscou-se verificar a qualidade das oportunidades educacionais em Língua Portuguesa em uma escola pública municipal de São Paulo. Os estudos do letramento especialmente os que se referem à escola, tratam das práticas sociais  às quais os alunos estão expostos e quais as imbricações destas práticas na realidade social dos mesmos. Acreditamos que a escola seja a principal agência com a função de introduzir, ampliar e democratizar as práticas sociais de uso da escrita, para além daquelas conhecidas e dominadas pelos alunos e daquelas previstas tradicionalmente na escolarização. Por se tratar de um contexto de alta vulnerabilidade social, espera-se que as crianças sejam introduzidas à diversas práticas sociais, necessárias para participar efetivamente na sociedade, de acordo com cada situação. Cabe a escola tentar minimizar as desigualdades e diferenças que atravessam a escolarização das crianças de tais territórios e contextos. A partir dos cadernos de atividade escolar fizemos uma coletânea dos gêneros mobilizados pelas professoras de terceiro ano (fim do ciclo de alfabetização) nas atividades propostas aos alunos e que constavam no caderno. A metodologia implicou em um estudo de caso em uma escola da rede pública de São Paulo, localizada em uma subprefeitura com alto índice de vulnerabilidade social. Os instrumentos metodológicos foram observação participante das aulas e coleta de cadernos escolares das quatro turmas, o caderno devido ao seu caráter documental, que evidencia certos usos da escrita nas salas de aula. Os resultados do trabalho nos mostram que para além dos gêneros do discurso tipicamente escolares as professoras da escola-participante trabalharam gêneros referentes à outras esferas de circulação. Dentre os mobilizados, os mais recorrentes nas turmas foram conto, história, poema, curiosidades, sendo os três primeiros da esfera literária.

Palavras-chave: educação; Língua Portuguesa; territórios vulneráveis; gêneros do discurso; alfabetização.

 

Minibiografias:

Fernanda Marcucci é doutoranda em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência pela Universidade Federal de São Paulo, com mestrado na mesma área e graduação em Pedagogia pela mesma universidade.

Claudia Lemos Vóvio é professora Adjunta do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Paulo e coodernadora do Programa de Pós-Graduação em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência.


Comunicação 8

Linguagem e identidade/s na formação crítica do professor de língua portuguesa

Autor:

Hélvio Frank de Oliveira – Universidade Estadual de Goiás – helviofrank@hotmail.com

 

Resumo:

A partir de investigações situadas e desenvolvidas em contextos escolares e universitários, de ensino-aprendizagem e de formação inicial e continuada docente, neste texto discuto identidade/s e discurso em espaços sociais de atuação do professor de língua portuguesa. Para tanto, ancoro-me em autores da Linguística Aplicada Crítica (FAIRCLOUGH, 2001) e da Análise Crítica do Discurso (PENNYCOOK, 2001) em conexão com teóricos da Pedagogia Crítica (FREIRE, 2006, 2008; GIROUX, 2012), a fim de explicitar como o trabalho social com a linguagem pode ser produtivo na des/re/construção de crenças e de práticas contextualizadas, com vistas a reverberar (in)diretamente na/s identidade/s dos indivíduos. Considerando as tiranias da/s identidade/s do professor de língua portuguesa, o seu objeto de ensino e, ao mesmo tempo, apontando possibilidades linguísticas de se fortalecer o status social da docência, rastreio o percurso interdisciplinar da/s identidade/s no que tange aos aspectos social, cultural, cognitivo e discursivo em simbiose com outros conceitos clássicos provenientes da Linguística Aplicada Crítica. Como exemplos para problematização, utilizo fragmentos de histórias de vida tratadas sob o fazer narrativo e analiso-as à luz das condições de produção e circulação que (d)enunciam a ação docente por meio da própria linguagem e identidade incorporadas a outros elementos delas constituidores. Finalizo o texto com a apresentação de pontos profícuos sobre como o professor de língua portuguesa pode fazer do discurso e de suas repercussões sobre a/s identidade/s a ponte entre ensino de conteúdo, vida e mudança social.

Palavras-chave: teoria crítica; identidade/s; discurso; formação docente.

 

Minibiografia:

Hélvio Frank de Oliveira é docente no Programa de Pós-Graduação em Educação, Linguagem e Tecnologias (PPG-IELT) da Universidade Estadual de Goiás. Doutor em Linguística pela Universidade Federal de Goiás, com estágio pós-doutoral em Linguística Aplicada pela Universidade de Brasília. Desenvolve estudos e publicações na área de Linguística Aplicada Crítica, com ênfase em educação linguística, intercultural e crítica de professores e de alunos de língua portuguesa.


Comunicação 9

Letramento crítico no ensino-aprendizagem de língua portuguesa

 

Autor:

Iran Ferreira de Melo – Universidade Federal Rural de Pernambuco – iranmelo@hotmail.com

 

Resumo:

Os estudos em letramento crítico constituem uma abordagem de cariz teórico-metodológico para a descrição, interpretação e explicação das práticas de poder que se manifestam nos processos de letramento social da sociedade contemporânea (SILVA, 2009; ROJO, 2009; STREET, 2014). Um ensino-aprendizagem de língua portuguesa que contemple práticas de letramento crítico pensa as estratégias de escrita e leitura como exercícios não apenas de compreensão da língua em uso, do seu sistema e sua variação, mas também de combate à alienação e à exclusão social (OTTONI & LIMA, 2014). A grande tarefa de uma abordagem que siga essa proposta é compreender os gêneros textuais como práticas sociais que, inapelavelmente, envolvem características da cultura e da sociedade em que vivemos, como seus valores e sua ética, tendo, por isso, forte poder político e ideológico. Nesse sentido, esta comunicação se propõe a descortinar as bases dos estudos em letramento crítico, com o objetivo de debater trabalhos que analisem eventos de letramento social e, a partir de diferentes perspectivas epistemológicas, refletir sobre como é possível desenvolver práticas didático-pedagógicas de letramento que auxiliem no empoderamento social e na criticidade dos/as aprendizes ao mesmo em que se tem como foco o aprendizado da leitura e da escrita em língua portuguesa.

Palavras-chave: letramento; criticidade; língua portuguesa.

 

Minibiografia:

Iran Ferreira de Melo é professor de Língua Portuguesa e Linguística, doutor em Letras /Filologia e Língua Portuguesa (Universidade de São Paulo – 2013), mestre em Letras / Linguística (Universidade Federal de Pernambuco – 2007) e licenciado em Letras / Língua Portuguesa (Universidade Federal de Pernambuco – 2004). Desenvolve pesquisas transdisciplinares sob os paradigmas da Análise Crítica do Discurso e da Linguística Aplicada ao ensino de língua portuguesa como idioma materno.


Comunicação 10

Gêneros discursivos numa abordagem crítica: instrumentos de acesso à cultura letrada e de empoderamento

Autoras:

Ivoneide Bezerra de Araújo Santos Marques – IFRN – ivoneidebezerra@gmail.com

Maria do Socorro Oliveira – UFRN/PPgEL – msroliveira.ufrn@gmail.com

 

Resumo:

Considerando que as vivências de cidadania plena, de participação e de mudança social são viabilizadas pelos letramentos, nesta comunicação, temos por objetivo discutir o papel dos gêneros textuais no ensino de língua portuguesa, concebidos como instrumentos de acesso à cultura letrada e de empoderamento. O estudo se desenvolveu na perspectiva do letramento cívico (LAZERE, 2005; SANTOS, 2012), a partir de uma abordagem crítica (MCLAREN, 1987; KREISBERG, 1992; FREIRE, 1978; 1996; GIROUX, 1983; 1986; 1997; BAKHTIN, 2003; BAZERMAN, 2005; 2006; MILLER, 2009; STREET, 1995; KLEIMAN, 1995; OLIVEIRA, KLEIMAN, 2008; VAN DIJK, 2015). Os dados que informam a discussão foram gerados em projetos de letramento (KLEIMAN, 2000; OLIVEIRA, TINOCO, SANTOS, 2014), desenvolvidos em atividades de pesquisa e de extensão numa parceria interinstitucional firmada entre o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Os resultados dessa experiência, realizada no âmbito da Linguística Aplicada (MOITA LOPES, 2006), para ampliar os letramentos de mulheres que vivem em situação de risco e de vulnerabilidade social, apontam a importância dos gêneros textuais como elementos estruturantes da prática pedagógica e como instrumentos para a ação sociopolítica. As práticas de leitura e de escrita, mediadas pelos gêneros despertaram o protagonismo e a conscientização das alunas (FREIRE, 2001), transformando a escola em uma esfera pública democrática (GIROUX, 1997), em um espaço de diálogo, de participação e de luta por direitos sociais. A abordagem crítica dos gêneros textuais, inspirada em uma perspectiva de letramento emancipador, favoreceu o empoderamento das mulheres, por adquirirem o direito à voz, vivenciando a agência cívica.

Palavras-chave: gêneros discursivos; letramento cívico; acesso; empoderamento.

 

Minibiografias:

Ivoneide Bezerra de Araújo Santos-Marques possui Graduação em Letras, Mestrado e Doutorado em Estudos da linguagem na área de Linguística Aplicada pela UFRN. Atualmente, é professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RN (IFRN). É membro dos grupos de pesquisa “Letramento e Etnografia” (UFRN) e “Letramento do professor” (UNICAMP). Desenvolve pesquisa em ensino de Língua Portuguesa, letramentos, gêneros discursivos, Educação de Jovens e Adultos e formação de professores.

Maria do Socorro Oliveira possui graduação em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (1972), Mestrado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1980) e Doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (1994). Realizou pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas (2006-2007). É professora Titular das áreas de Linguística e Linguística Aplicada. Lidera o grupo de pesquisa “Letramento e Etnografia”, é membro do grupo “letramento do professor” (UNICAMP). Desenvolve pesquisas nas áreas de estudo: letramentos, formação docente e gênero discursivo.


Comunicação 11

A ressignificação da escrita de gêneros da ordem do argumentar

 

Autora:

Jaciara Limeira de Aquino –PPgEL/UFRN – jaciaralimeira@gmail.com

 

Resumo:

Na perspectiva dos estudos de letramento numa vertente etnográfica (KLEIMAN, 1995), a leitura e a escrita são compreendidas como práticas sociais com as quais as pessoas interagem em diferentes situações comunicativas. Seguindo essa perspectiva, temos como objetivo, nesta comunicação oral, analisar a ressignificação da escrita de gêneros da ordem do argumentar. Essas práticas escritas estão sendo desenvolvidas a partir do modelo didático advindo dos projetos de letramento (KLEIMAN, 2000) e visam a uma problemática situada, qual seja: o que pode ser feito para resolver, ou ao menos, minimizar a falta de água potável no município de Portalegre-RN? Para dar visibilidade ao processo de ressignificação da escrita a partir dessa problemática, apresentamos um recorte de dados gerados em um projeto de letramento que está sendo desenvolvido no 9º ano (ensino fundamental) de uma escola pública localizada no município de Portalegre-RN. Na análise, iremos enfatizar o seguinte aspecto: o papel dos gêneros discursivos no processo de ressignificação da escrita argumentativa. Teoricamente, fundamentamo-nos nos estudos de letramento (KLEIMAN, 1995; TINOCO, 2008; LEITE; TINOCO, 2016), bem como na teoria dos gêneros baseada na Nova Retórica (BAZERMAN, 2007; 2011) e, metodologicamente, inserimo-nos em uma pesquisa qualitativa e interpretativista ligada à Linguística Aplicada (MOITA-LOPES, 2006). A análise dos dados nos mostra que, por meio do modelo didático dos projetos de letramento, é possível: (i) uma ressignificação do ensino de escrita de textos argumentativos, os quais passam a ser entendidos como intermediadores de práticas sociais; (ii) o papel dos gêneros argumentativos, nesse contexto, é o de desempenhar ações sociais visando à resolução de uma problemática situada, o que indica que eles se constituem para atender a funcionalidades sociais específicas.

Palavras-chave: argumentação; projeto de letramento; ressignificação do ensino de escrita; gêneros discursivos da ordem do argumentar.

 

Minibiografia:

Jaciara Limeira de Aquino é graduada em Letras, com habilitação em língua portuguesa pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Mestre em Letras pelo Programa de Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS/UERN) e também pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL/UERN). Atualmente, é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPgEL) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e professora da educação básica do Estado do RN.


Comunicação 12

Os gêneros do discurso na aula de português: um estudo sobre relações ecológicas presentes na esfera escolar

Autora:

Josa Coelho da Silva – Universidade Federal de Santa Catarina – josa_coelho@hotmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação tem como objetivo apresentar sinteticamente os resultados de uma pesquisa de Tese (IRIGOITE, 2015), cujo tema é o acontecimento aula de Português tomada como encontro entre a outra palavra e a palavra outra (com base em PONZIO, 2010) –, no que diz respeito à formação dos alunos como leitores e produtores de textos-enunciado. A questão de pesquisa que norteou tal estudo é: Tendo como foco as formas de organizar o ensino e a aprendizagem da leitura e da produção textual escrita em gêneros do discurso diversos em aulas de Português socioeconômica e histórico-culturalmente situadas, que implicações é possível depreender entre a) configuração organizacional das ações administrativas no âmbito da instituição escolar e configuração dos eventos e das práticas de letramento no âmbito das turmas campo de estudo; b) efeito de território; e c) práticas de letramento dos alunos participantes dessas mesmas aulas de Português? O recorte para esta comunicação será uma análise dos dados gerados em tal pesquisa, com foco nas atividades de leitura e produção textual nas turmas acompanhadas. Os resultados indicam uma prevalência do trabalho com os gêneros do discurso tomados como objetos ontológicos em abordagens de cunho estrutural, o que diverge da perspectiva histórico-cultural presente nos documentos parametrizadores da educação, com vistas à emancipação social – pedagogia histórico-crítica.

Palavras-chave: aula de português; ecologia; encontro; leitura; produção textual escrita.

 

Minibiografia:

Josa Coelho da Silva é docente de Linguística Aplicada no curso de Letras Português da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e membro do Núcleo de Estudos em Linguística Aplicada – Nela – vinculado à mesma instituição. Possui graduação em Comunicação Social / Jornalismo e em Letras Português. Mestre e Doutora em Linguística Aplicada (linha de pesquisa: Ensino e Aprendizagem de Língua Materna) pela UFSC.


Comunicação 13

Gerenciamento do discurso alheio e responsabilidade enunciativa em artigo de opinião

 

Autora:

Liana Maria Lemos de Oliveira – ProfLetras/UFRN – liana_rn@hotmail.com

 

Resumo:

Interagir no mundo em que vivemos, buscando soluções para as problemáticas impostas pela vida em sociedade, exige de nós uma técnica crucial: a argumentação. Saber argumentar de forma plausível pode ser uma estratégia eficaz para (re)agir, com mais autonomia, diante das questões sociais. Nesse sentido, buscando implantar um modelo didático no qual a língua(gem) tomada como interação (BAKHTIN [1929] 2009) representa um movimento dialógico que exige atitudes responsivas, desenvolvemos um projeto de letramento (KLEIMAN, 2000) por meio do qual alunos do 9º ano do ensino fundamental puderam se preparar para o enfrentamento do processo seletivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte(IFRN). Para esta comunicação oral, destacaremos o aspecto processual da escrita de um artigo de opinião, cujo ponto de vista foi defendido a partir da  problematização: “Para minimizar (ou eliminar) a corrupção no Brasil é preciso partir de ações de cada cidadão ou será necessário renovar o quadro político brasileiro?”. Agentes externos à sala de aula, professora e estudantes promoveram ações coletivas, tais como: leituras diversificadas, debate regrado com opiniões confrontadas, além de escrita e reescrita de textos argumentativos nos quais a negociação de ideias foi estratégia fundamental para fortalecer argumentos. Em função desse processo, analisaremos o gerenciamento do discurso alheio e a responsabilidade enunciativa explicitados em três versões de um mesmo artigo de opinião. Teoricamente, fundamentamo-nos nos estudos de letramento (KLEIMAN, 1995; STREET [1995] 2014), na Linguística Aplicada (MOITA LOPES, 2006) e nos estudos de argumentação (FIORIN, 2015; KOCK, 1984). A análise dos dados nos levou a concluir que o uso da argumentação, em diferentes situações comunicativas, prepara melhor os estudantes para  desafios em processos seletivos. Essa habilidade torna-se mais eficiente quando desenvolvida colaborativamente, buscando-se as melhores estratégias de inserção de vozes alheias a fim de favorecer o discurso defendido.

Palavras-chave: gerenciamento do discurso alheio; responsabilidade enunciativa; artigo de opinião; projeto de letramento; escrita colaborativa e processual.

 

Minibiografia:

Liana Maria Lemos de Oliveira, Mestre em Letras (ProfLetras – UFRN), especialista em leitura e produção de textos, graduada em Letras – Português – UFRN, professora de Língua Portuguesa da rede estadual de ensino do Estado do Rio Grande do Norte, nordeste brasileiro.


Comunicação 14

A persuasão implícita em editorial de jornal: um enfoque sistêmico-funcional

 

Autores:

Marcelo Saparas – UFGD-MS – christiana_matt@uol.com.br

Sumiko Nishitani Ikeda – PUC-SP – sumiko@uol.com.br

Ulisses Tadeu Vaz de Oliveira – UFMS-MS – ulisvaz@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo desta apresentação é o exame crítico dos recursos retóricos utilizados na argumentação para a realização da persuasão implícita em um editorial de jornal, considerando não só a estrutura esquemática de gênero, mas também as escolhas léxico-gramaticais feitas na construção do texto. A argumentação pertence à família das ações humanas que têm como objetivo persuadir por meio da convicção ou da sedução. Entretanto, a retórica da persuasão requer que os interlocutores devam ser convencidos de que não foram convencidos e assim a persuasão tende a ser altamente implícita. Através da história, a argumentação tem sido debatida por numerosas tradições filosóficas, entre as quais a lógica formal, que tem, no entanto, levantado certas questões quando aplicada à argumentação da vida real. Assim, recorre-se, hoje, à lógica informal, que mostra a efetividade do argumento em fatores centrados na audiência. Porém, do ponto de vista da pragmática cognitiva, o significado vai mais além: é a recuperação da informação intencional, e não, ou não somente, dos padrões sociais de ação. A pesquisa tem o apoio da Linguística Sistêmico-Funcional, uma teoria multifuncional, indicada como sendo adequada para a análise do discurso crítica. A análise do editorial mostra que a persuasão implícita ocorre na subjacência do texto e que para a sua revelação é necessário o enfoque na relação entre as escolhas léxico-gramaticais feitas na microestrutura do texto com os valores que se encontram na macroestrutura do discurso. A pesquisa visa a responder às seguintes perguntas: (a) como é a estrutura de uma argumentação: como começa, como é percebida, desenvolvida e como termina? (b) que papel exercem a nominalização, os modos textuais e a avaliatividade na persuasão no editorial de jornal selecionado?

Palavras-chave: persuasão implícita; argumentação; editorial de jornal; relação língua e discurso; linguística sistêmico-funcional.

 

Minibiografias:

Marcelo Saparas é professor adjunto de Língua Inglesa e Linguística da Universidade Federal da Grande Dourados. Áreas de interesses: O ensino do inglês com língua estrangeira e estudo das metáforas nas línguas inglesa e portuguesa.

Sumiko Nishitani Ikeda é professora titular no LAEL (Pós-Graduação de Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem) da PUCSP. Área de interesse: Análise do discurso crítica, examinando a interface da gramática e discurso sob o enfoque da Linguística Sistêmico-Funcional, nas línguas portuguesa, inglesa e japonesa.

Ulisses Tadeu Vaz de Oliveira é professor adjunto na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), onde leciona disciplinas correlatas às áreas de Língua Inglesa e Linguística e, além disso, atua na Pós-Graduação (Profletras). Área de interesse: na perspectiva da Linguística Sistêmico-Funcional, estudos na interface entre literatura e linguística, com enfoque na transitividade, persuasão e ideologia.


Comunicação 15

Pensando criticamente a teoria de gêneros textuais nas práticas docentes

Autora:

Maria Luiza Coroa – UnB – mlcoroa@uol.com.br

 

Resumo:

As interações que se dão nas práticas sociais de sala de aula estabelecem várias interlocuções, especialmente aquela entre a teoria e a prática. Como nossa tradição escolar costuma polarizar tais interlocuções, novas contribuições advindas da pesquisa acadêmica costumam ingressar no mundo escolar como “novos conteúdos”. Com isso, perde-se a relação dialética que faz dos usos linguísticos uma ação social situada. A partir de referenciais teóricos que concebem a linguagem como interação – como discurso –, objetiva-se seguir uma reflexão sobre várias maneiras de inserir a noção de gêneros textuais nas práticas escolares. Como consequência, o conhecimento teórico e crítico do próprio objeto de trabalho (o gênero textual) demanda o redirecionamento das práticas escolares de modo a efetivar a compreensão de seus usos sociais e da abrangência crítica de seu domínio. Ao mesmo tempo, a opção pelos gêneros textuais como unidade de ensino e aprendizagem de habilidades linguísticas favorece que as atividades das aulas de português se constituam em interlocuções múltiplas e complexas, e integrem teoria e prática.

Palavras-chave: gêneros textuais; ensino; interação; linguagem.

 

Minibiografia:

Maria Luiza M. S. Coroa é doutora em Linguística pela UNICAMP. Professora da Universidade de Brasília desde 1993, onde atua nas áreas de Semântica e Análise do Discurso. É autora e organizadora de materiais pedagógicos em vários programas e projetos de formação continuada, entre eles o Programa GESTAR II e o projeto de Alfabetização e Linguagem, da UnB, ligado à Rede Nacional de Formação Continuada de Professores, ambos em parceria com o MEC. É autora de artigos e capítulos de livros na área de pesquisa. Orienta teses e pesquisas na interface entre a linguística e o ensino de língua portuguesa, além de atuar como consultora e assessora pedagógica em diversos programas e projetos de formação continuada.


Comunicação 16

O letramento midiático e a formação de alunos produtores de texto

Autora:

Paula Isaias Campos-Antoniassi – Universidade Federal de Santa Catarina/ UFSC – paula.isaias@gmail.com

 

Resumo:

A presente comunicação apresenta um recorte do resultado de uma dissertação, na qual foi realizada uma pesquisa do tipo etnográfica em uma escola de educação básica da cidade de Florianópolis – SC. Esse trabalho teve, dentre seus objetivos, responder como o sujeito-produtor de textos constrói saberes específicos em uma situação de produção de jornal escolar. Para isso, foi feita uma investigação sobre a formação do aluno produtor de textos como parte das práticas de letramento midiático decorrentes de um projeto de jornal escolar. A análise de gênero e prática social foi realizada sob a luz de Bakhtin (2011 [1979]) e Fairclough (2001 [1992], 2003); já a discussão acerca dos modelos de letramento teve por suporte teórico Street (1984) e, para tratar sobre as mídias, a ancoragem deu-se em Thompson (2012 [1995]). A discussão sobre letramento midiático foi baseada na teoria proposta por Buckingham (2010 [2003]) e Freire e Guimarães (2011 [1984]). A análise feita a partir de edições do jornal escolar, entrevistas com os participantes e diário de campo permitiu concluir que o trabalho empoderou o alunado ao favorecer a autoria destes, no entanto, evidenciou, também, que a criticidade ainda deve ser mais explorada, permitindo, assim, a ampliação do protagonismo dos produtores de texto.

Palavras-chave: jornal escolar; produção de texto; letramento midiático.

 

Minibiografia:

Paula Isaias Campos-Antoniassi é licenciada em Língua Portuguesa – Português e Inglês, pela Universidade do Extremo Sul Catarinense; Mestra em Linguística Aplicada, pela Universidade Federal de Santa Catarina. Atualmente, é professora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II, na cidade de Curitiba-PR.


Comunicação 17

É hora de produzir: o (des)alinhamento entre livro didático de língua portuguesa, sujeito-autor e PCN no contexto do Ensino Médio

Autor:

Rodrigo Albuquerque – UnB/IL/LIP – rodrigo.albuquerque.unb@gmail.com

 

Resumo:

Nas palavras de Marcuschi (2008), “o estudo dos gêneros não é novo, mas está na moda”. Nesse sentido, boa parte dos estudos em torno dos gêneros ainda se centra na perspectiva dos produtos (e não dos processos) e focaliza as propriedades formais (e não as dialógicas/sociointeracionais). Diante dessa constatação, esta comunicação objetiva analisar o (des)alinhamento entre livro didático, sujeito-autor e PCN, a partir da análise de seis propostas de produção escrita (duas produções de cada ano) em duas coleções de livros didáticos do Ensino Médio (três produções para cada coleção), em contraste com os pressupostos presentes nos PCN e com as necessidades do sujeito-autor do texto. A fim de guiar nossa investigação, amparamo-nos nas bases fundacionais da sociolinguística interacional em interface com a linguística textual, cuja interface abrange a perspectiva sociohistórica e dialógica, e a interacionista e sociodiscursiva, representadas, respectivamente por Bakhtin (2006 [1929], 2010) e Bronckart (2007), influenciadas também por Machado et al (2004), Rojo (2005), Meurer et al (2005), Hanks (2008), Koch e Elias (2008), Marcuschi (2008, 2010), Antunes (2009), Motta-Roth e Hendges (2010), Bazerman (2011). Em articulação com tais reflexões teóricas, situamos nosso estudo, metodologicamente, na análise de texto/discurso, à luz dos contributos de Fairclough (2001, 2003), Gill (2002), Schwandt (2006), e Resende e Ramalho (2011). Por fim, constatamos, parcialmente, que o olhar epistêmico dos proponentes das atividades nos livros didáticos tem privilegiado, quase que exclusivamente, aspectos estruturais dos gêneros, reduzindo as perspectivas investigativas para o fazer metalinguístico e instrucional, o que implica perder de vista as reais condições de produção do gêneros: o componente dinâmico, dialógico e processual dos gêneros textuais/discursivos. Tal constatação somente ratifica o compromisso social do profissional de linguagem em debater a teoria de gêneros vinculada à enunciação dos atos de fala, considerando sujeitos, de fato, presentes na cena genérica.

Palavras-chave: gêneros textuais/discursivos; produção escrita no ensino médio; dialogismo.

 

Minibiografia:

Rodrigo Albuquerque é professor adjunto I no Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas da Universidade de Brasília (UnB), atuando, especialmente, nas áreas seguintes: sociolinguística interacional, estudos etnográficos, cognição social, linguística de texto e ensino de português como primeira e segunda língua. Sobre a formação acadêmica, é Doutor em Linguística pela Universidade de Brasília, Mestre em Linguística pela mesma universidade e graduado em Letras Português do Brasil como Segunda Língua também na UnB. É também parecerista e revisor do periódico Caderno de Linguagem e Sociedade (L&S).


Comunicação 18

Uma abordagem crítica dos gêneros do discurso na educação básica: diálogos entre os estudos do letramento e a teoria dialógica

Autoras:

Rosangela Oro Brocardo – UNIOESTE – rosangela.oro@gmail.com

Terezinha da Conceição Costa-Hübes – UNIOESTE – tehubes@gmail.com

 

Resumo:

Este artigo visa, a partir de uma perspectiva crítica, discutir sobre o lugar dos gêneros discursivos no ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa na educação básica brasileira. Para isso, o aporte teórico construído para esta análise está pautado em um diálogo entre estudos críticos do letramento (FREIRE,1987; 1996; KLEIMAN, 2008; STREET, 2003; 2012; dentre outros) e a concepção dialógica de linguagem conforme proposto pelo Círculo de Bakhtin (BAKHTIN, 2003[1979]; BAKHTIN, 2010 [1929]; BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2012 [1929]).  Posicionamo-nos, assim, no contexto da pesquisa crítica, inserida no campo da Linguística Aplicada (LA), como um espaço de natureza inter/transdisciplinar e de articulações teórico-metodológicas orientadas pela análise do sujeito situado socialmente.  Entendemos que o reconhecimento dos gêneros como práticas sociais de interação por meio da linguagem nos leva a perceber a importância do trabalho em sala de aula que considera a perspectiva dos gêneros discursivos no processo de ensino-aprendizagem de língua portuguesa. Ao avançarmos em termos de entendimento sobre como se constituem os gêneros e suas relações dialógicas, tendo em vista seu conteúdo temático, sua construção composicional e seu estilo, necessariamente articulados dialogicamente a uma situação comunicativa, a uma dimensão social, percebemos e compreendemos melhor seus significados e, consequentemente, tomamos em relação a eles atitudes responsivas mais ativas. Com essa abordagem, buscamos, portanto, investigar caminhos para uma perspectiva crítica e emancipatória de ensino de língua.

Palavras-chave: concepção dialógica de linguagem; estudos críticos do letramento; gêneros do discurso; ensino e aprendizagem; língua portuguesa.

 

Minibiografias:

Rosangela Oro Brocardo é aluna regular do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu – Doutorado em Letras da UNIOESTE – Universidade Estadual do Oeste do Paraná –  Cascavel, Paraná, Brasil; Professora de Língua Portuguesa na Educação Básica do Estado do Paraná; Pesquisadora na área de Linguística Aplicada, nos campos teóricos relativos aos estudos bakhtinianos em diálogo com os novos estudos do Letramento e suas relações com o ensino de Língua Portuguesa.

Terezinha da Conceição Costa-Hübes é professora Dra do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Letras – nível de Mestrado e Doutorado – e do Programa de Mestrado Profissional em Letras – Profletras – da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste; Pesquisadora na área de Linguística Aplicada, com principal interesse nos temas: Formação inicial e continuada de professores; Gêneros discursivos e ensino de Língua Portuguesa.


Comunicação 19

A mediação do professor no ensino da escrita argumentativa: frestas em discursos dominantes

 

Autora:

Sílvia Galesso Cardoso – USP – silviagalesso@gmail.com

 

Resumo:

Adotou-se a redação como requisito obrigatório dos exames pré-universitários brasileiros desde 1977, como medida mais imediata à crise na linguagem dos jovens evidenciada naquela época. Essa medida teve como efeito a inclusão do ensino sistemático de redação nas escolas, mas a maneira como a produção de texto foi implementada nas salas de aula não foi suficiente para conduzir os estudantes a um desempenho linguístico autônomo. Para o exercício da escrita deixar de ser mera cópia, uma formalidade, e passar a ser experiência comunicativa, exercício de reflexão sobre o mundo e sobre a própria escrita, a atuação do professor parece ser imprescindível: como encorajar o aluno a exercitar a língua e suas convenções, mas também incorporar nela um discurso de minoria, livre, próprio? Este artigo é parte de um estudo de doutorado em andamento, interessado em produzir conhecimento sobre a mediação do professor no ensino da escrita argumentativa, com apoio das contribuições sociointeracionistas e esquizoanalíticas,  na tentativa de traçar campos que deem visibilidade para as potências engendradas nessa experiência com o escrever. O recorte aqui proposto tem a intenção de investigar os efeitos da interação desta pesquisadora-professora nas reescritas de um aluno, a partir de pistas de suas produções textuais dissertativas a respeito de cinco temas que têm em comum a disputa de território, as fronteiras de interesses, a “lei do mais forte”. Nessa cartografia, a linha perseguida foi mais ideológica: quais os discursos em que o aluno se apoia? De que forma a professora/interlocutora, com seus apontamentos, interfere nesses discursos? Quais discursos são trazidos pela interlocutora para diálogo com o texto do aluno? Como a coletânea da proposta de vestibular aparece no texto do aluno? O aluno não se submeteu à tendência ideológica da professora e dos textos, mas experimentou dialogar com elas, pôr em movimento suas concepções, sair do conformismo, da constatação, e se questionar sobre as ordens hegemônicas. Ao experienciar diferentes pontos de vista na prática da escrita argumentativa, o aluno deixou-se sensibilizar para os direitos humanos e as injustiças sociais, para o questionamento das ideologias dominantes.

Palavras-chave: mediação; escrita argumentativa; reescrita; ideologia.

 

Minibiografia:

Sílvia Galesso Cardoso é doutoranda na Faculdade de Educação da USP e mestre em Psicologia Clínica no Núcleo de Subjetividade da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2009), é graduada em Psicologia(2002), pela mesma universidade. O interesse por expressão escrita tem conduzido sua experiência profissional em projetos de educação e comunicação em ONGs e  escolas formais, além de aulas de redação para aqueles que  dependem da escrita para a vida educacional e profissional.


Comunicação 20

A reportagem em um livro didático de português do ensino médio: um estudo dialógico de gênero do discurso

Autoras:

Symone Nayara Calixto Bezerra – PROLING/UFPB) – symonebezerra@gmail.com

Maria de Fátima Almeida – PROLING/UFPB – falmed@uol.com.br

 

Resumo:

Partindo do pressuposto de que o livro didático é o suporte pedagógico mais utilizado pelos professores em sala de aula e tendo a Análise Dialógica do Discurso (ADD) como norte teórico, principalmente no tocante à concepção de gêneros discursivos analisados a partir de três dimensões – tema, composição e estilo –, objetivamos neste trabalho, de modo geral, verificar como se dá a abordagem discursivo-dialógica do gênero jornalístico informativo reportagem em um livro didático de Língua Portuguesa do Ensino Médio. De modo específico, destacamos: realizar uma análise sobre as estratégias didáticas realizadas pelo autor do livro para desenvolver, didaticamente, a abordagem do gênero, enfatizando, com isso, as relações dialógicas estabelecidas nelas – nas estratégias – e refletir, a partir da ADD, como o livro didático pode contribuir com a formação de alunos e professores cada vez mais reflexiva. Do ponto de vista teórico, tivemos contribuições de estudiosos como Bakhtin/Volochínov (2009), Bakhtin (2010), Voloshinov (1930), Oliveira (2010), Patriota (2011), Antunes (2003), Almeida (2013), dentre outros. Do ponto de vista metodológico, analisamos dois livros didáticos de Língua Portuguesa do Ensino Médio em uso, no ano letivo de 2016, em escolas públicas e privadas localizadas na cidade de Campina Grande – PB. Os resultados apontam que a abordagem do gênero está direcionada a uma perspectiva dialógica, uma vez que os textos utilizados pelo autor do livro didático convocam sentidos historicamente situados e que vão ao encontro da natureza composicional e temática do gênero reportagem. De modo particular em relação ao estilo, verificamos que, a ser apresentado nos livros, a abordagem da reportagem sofre adaptações direcionadas às necessidades de didatização do gênero – característica comum de manuais escolares como assim se configura o livro didático.

Palavras-chave: análise dialógica do discurso; gêneros discursivos; livro didático; ensino médio; reportagem.

 

Minibiografias:

Symone Nayara Calixto Bezerra possui graduação em Letras pela UFPB e Mestrado em Linguagem e Ensino pela UFCG. Atualmente é aluna regular do Doutorado em Linguística na UFPB. Desenvolve pesquisas nas áreas da Análise Dialógica do Discurso e da Linguística Aplicada. Tem interesse por questões sobre formação inicial e/ou continuada de professores de Língua Portuguesa, gêneros discursivos, discurso político, leitura, escrita, discurso(s) e ensino de Língua Portuguesa.

Maria de Fátima Almeida possui graduações em Letras e em Ciências Jurídicas e Sociais, Mestrado em Letras pela UFPB e doutorado em Letras pela UFPE. É professora associada do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da UFPB e professora e orientadora do Programa de Linguística (PROLING/UFPB), atuando na linha Discurso e Sociedade, participando, principalmente, no campo da linguagem, discurso e leitura. Atualmente, integra o grupo de Estudos Bakhtinianos da ANPOLL, é líder do GPLEI/UFPB e desenvolve pesquisas na perspectiva da concepção dialógica da linguagem.


Comunicação 21

Leitura crítica de textos do gênero anúncio publicitário

Autora:

Terezinha da Conceição Costa-Hübes – UNIOESTE – tehubes@gmail.com

 

Resumo:

Nesta proposta de estudos, partimos da premissa de que o trabalho pedagógico por intermédio dos gêneros discursivos pode favorecer a compreensão de um texto em atividades de leitura que visam à formação leitora. Sustentadas por essa compreensão, a proposta que aqui inscrevemos alicerça-se no tema leitura crítica, maIs especificamente, de textos do gênero anúncio publicitário. Justificamos essa escolha no fato de estarmos, constantemente, sendo cerceados, bombardeados e até invadidos (em nossa privacidade) por textos desse gênero que pretendem nos convencer e induzir cada vez mais ao consumo. Logo, não há como negar a importância de se desenvolver, na escola, a leitura crítica desses textos. Ao voltar-nos para esse tema, pretendemos encontrar resposta(s) para o seguinte questionamento: Como promover a formação crítica do leitor por meio do trabalho com o gênero discursivo anúncio publicitário? Assim, nosso objetivo é socializar uma proposta teórico-metodológica que estimule a leitura crítica de textos do gênero anúncio publicitário, envolvendo alunos do ensino fundamental. Essa proposta focaliza a dimensão extraverbal (ou social) e verbal (ou verbo-visual) do gênero, conforme pressupostos bakhtiniano, em diálogo com Luckesi et al. (1997) e  Menegassi (2010), entre outros autores preocupados com o ensino da leitura crítica na escola. Trata-se de uma pesquisa inscrita na área da Linguística Aplicada (MOITA LOPES, 2006; 2013), do tipo qualitativa interpretativista (BORTONI-RICARDO (2008), pautada no método da pesquisa-ação. Como resultado, o que pretendemos é ampliar as reflexões sobre o tema, de forma que a teoria venha auxiliar nas práticas de leitura na sala de aula.

Palavras-chave: gênero discursivo; leitura crítica; ensino da leitura.

 

Minibiografia:

Terezinha da Conceição Costa-Hübes é professora do Programa de Pós-graduação em Letras (mestrado acadêmico); do Programa de Pós-graduação em Letras – Profletras (mestrado profissional) e do Curso de Graduação em Letras das Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste. Líder do grupo de pesquisa: Linguagem, Cultura e Ensino.


Comunicação 22

O gênero stand up como objeto de ensino  e aprendizagem

Autora:

Valdete A. B. Andrade  – Universidade Federal de Uberlândia (UFU) -valborgesandrade@gmail.com

 

Resumo:

Levando em consideração a relevância dos gêneros, nesta comunicação, apresentamos parte de uma pesquisa maior, que tem como objetivo principal a caracterização do gênero stand up por meio da análise dos seus aspectos linguístico-discursivos e das práticas sociais das quais é parte. Objetivamos apresentar uma proposta de ensino e aprendizagem, para alunos do ensino médio da escola pública, com o stand up; gênero que é relativamente novo no Brasil e que tem circulado nos meios digitais, como no Youtube. Nesta proposta, trabalhamos com 06 exemplares do gênero, disponíveis em vídeo e publicados no período entre 2013 e 2014 no Youtube. Nós nos baseamos nos pressupostos teóricos da Análise de Discurso Crítica (ADC), especialmente na proposta de Fairclough (2003) de abordagem do significado acional, em estudos sobre os gêneros do humor, como os Raskin e Attardo (1991) e sobre o stand up como os de Melino e Freitas (2014).  A análise dos exemplares do stand up tem evidenciado, por um lado, o potencial desse gênero para a produção de críticas a diferentes problemas emergentes em nossa sociedade e, por outro, o seu potencial para a reprodução de estereótipos, representação e manutenção de desigualdades sociais, de gênero, dentre outras. Desse modo, não deve ser considerado apenas como objeto de entretenimento, mas também como objeto de ensino e aprendizagem nas aulas de Língua Portuguesa.  O stand up, assim como muitos outros gêneros do humor, deve ser analisado e as representações nele e por ele construídas devem ser problematizadas.

Palavras-chave: Análise de Discurso Crítica (ADC); gênero stand up; ensino e aprendizagem.

 

Minibiografia:

Valdete A. B. Andrade é mestre em Linguística Textual pela UFU e doutoranda em Linguística na mesma universidade, com bolsa Capes. Desde 2007, participa como corretora da banca de correção dos processos seletivos da UFU. Em 2012, trabalhou como orientadora educacional on-line no curso de pós-graduação de Língua Portuguesa da Unicamp/ Redefor. Atualmente, participa do Grupo de Pesquisa: PETEDI (Grupo de Pesquisa sobre Texto e Discurso) e do Grupo de Pesquisa e Estudo em Análise de Discurso Crítica e Linguística Sistêmico-Funcional (GPE ADC&LSF) do Instituto de Letras e Linguística (ILEEL/UFU).


Comunicação 23

Contribuições da Análise Crítica de Gênero para o ensino de leitura

Autora:

Vanessa Arlésia de Souza Ferretti Soares – Universidade Federal de Santa Catarina – vanessa.arlesia@gmail.com

 

Resumo:

A presente comunicação tem por objetivo discutir as convergências entre as noções de leitura enquanto prática social, proveniente da Análise Crítica de Gênero (BONINI, 2012, 2013; FAIRCLOUGH, 2001; 2003; MOTTA-ROTH, 2008; MOTTA-ROTH; MARCUZZO, 2010 entre outros) e de leitura da palavramundo, proveniente de Paulo Freire (FREIRE, 1989, 2006). Para tanto, faz-se: i) uma apresentação do que seja a ACG; ii) uma discussão propositiva acerca da concepção de leitura crítica, fruto da articulação da perspectiva freireana à ACG e, por fim, iii) apresenta-se um exemplo de análise de gênero midiático a partir dessas postulações. A comunicação se encerra apontando possíveis contribuições dessa discussão para o trabalho de leitura crítica no ensino de língua(gem), sobretudo no que tange ao percurso metodológico em aulas de leitura e análise linguística. (Esta comunicação é um desdobramento da pesquisa de mestrado intitulada “A série televisiva O Sagrado e a prática de publicidade institucional indireta da Rede Globo: uma análise crítica de gênero”).

Palavras-chave: Análise Crítica de Gênero; leitura crítica; ensino de leitura.

 

Minibiografia:

Vanessa Arlésia de Souza Ferretti Soares é mestre em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC (2013) e graduada em Letras pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro/UERJ (2010). Atualmente cursa Doutorado em Linguística, na Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC. Empreende pesquisa no campo da Linguística Aplicada, ocupando-se principalmente dos seguintes temas: gênero discursivo, discurso midiático, ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa.


 

Póster 1

Escrita do pôster científico, interdisciplinaridade e letramento no Ensino Fundamental II (Bahia/Brasil)

Autora:

Kelly Cristina Oliveira da Silva – UFS – kellyprofletras@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho relata uma experiência de ensino construída a partir da leitura e da escrita de gêneros textuais acadêmicos com vistas à produção do pôster científico. O trabalho foi desenvolvido com alunos do Ensino Fundamental II (em Portugal, 3º Ciclo do Ensino Básico), na rede pública do Estado da Bahia (Brasil). Esta proposta resulta do interesse em abordar a leitura, a escrita e a pesquisa, de forma articulada, em uma perspectiva interdisciplinar, através do ensino de gêneros textuais da esfera acadêmica. Para tanto, foram aplicados projetos de leitura e escrita temáticos e interdisciplinares, com o propósito de levar os alunos a: (1) desenvolver a autonomia e a competência crítica em suas produções escritas; (2) produzir e aplicar na comunidade local questionários referentes ao tema pesquisado e (3) produzir pôster científico respeitando a estrutura composicional e estilo do referido gênero, com vistas à divulgação dos resultados da pesquisa em eventos científicos. O estudo e a proposta de trabalho estão fundamentados nos estudos enunciativos de autoria de Bakhtin (2003); nos estudos de letramento conduzidos por Street (2014), Tfouni (1995, 1998, 2010) e Assolini (2008, 2010) e na concepção de gênero como ação sociorretórica (Swales, 2016; Miller, 2012 e 2105; Bazerman, 2011 e 2015). A organização do material didático ampara-se nas propostas pedagógicas advindas do Interacionismo Sociodiscursivo (Schneuwly e Dolz, 2004). Buscou-se o embasamento necessário à construção de uma proposta didática que contemple o ensino dos gêneros acadêmicos utilizados na produção do pôster científico, como prática de letramento nas aulas de Língua Portuguesa, nos anos finais do Ensino Fundamental II. Assim, destacamos como principais ganhos: melhora na capacidade de leitura dos gêneros acadêmicos e reconhecimento de suas características; melhora na articulação entre diferentes gêneros textuais; desenvolvimento da capacidade de observação da realidade e desenvolvimento de discurso autoral por parte dos estudantes.

Palavras-chave: gêneros acadêmicos; letramento; pôster científico.

 

Minibiografia:

Kelly Cristina Oliveira da Silva é mestranda em Letras pelo Profletras – UFS Campus Itabaiana – Professora da Educação Básica na rede pública de ensino do estado da Bahia e do IF Baiano – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano –  Campus Catu.