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Simpósio 26

SIMPÓSIO 26 – O USO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA  – EXPERIÊNCIAS E FRONTEIRAS ENTRE A ESCOLA E O CIBERESPAÇO

 

Coordenadores:

José Ribamar Lopes Batista Júnior | Universidade Federal do Piauí | labprotextual@gmail.com

Carlos Alexandre Rodrigues de Oliveira | Universidade Federal de Minas Gerais / Faculdade de Direito de Contagem | calexandre.ro@gmail.com

 

Resumo:

Na sociedade da informação, a comunicação influencia hábitos, culturas e modos de trabalho. Embora não sejam aspectos considerados formal e sistematicamente em muitas instituições educacionais, a informação, as tecnologias digitais e a complexidade do ciberespaço estão influenciando o processo educativo uma vez que as novas práticas atreladas às tecnologias são absorvidas pela comunidade escolar e transformam o comportamento de alunos e professores na escola pública. Neste sentido, as fronteiras entre a escola e o ciberespaço estão se rompendo, em razão da informatização da vida social e do avanço da internet nos mais diferentes campos do saber e do fazer humano. As tecnologias educacionais e o seu uso como ferramentas pedagógicas têm ocasionado discussões no meio acadêmico. As concepções de ensino, de escola e de ações pedagógicas vem sendo transformadas em razão do domínio exigido pela sociedade aos seus cidadãos em relação às habilidades digitais. A vida digital apresenta-se como uma realidade complexa e um desafio à escola. Porém, as fronteiras entre a escola e o ciberespaço não são tão rígidas, nem as pontes que cruzam de uma fronteira a outra são tão escassas. Neste simpósio temático buscamos o diálogo entre professores de língua portuguesa para que busquem soluções e propostas para preparar os alunos para esta realidade. São esperados relatos de experiência daqueles que já desenvolveram projetos de ensino de língua voltados à introdução às práticas tecnológicas, bem como trabalhos teóricos ou técnicos produzidos por aqueles que realizam pesquisa acerca dessa nova escola.

Palavras-chave: Tecnologias Digitais, Ensino de Língua Portuguesa, Escola, Ciberespaço.

 

Minibiografias:

José Ribamar Lopes Batista Júnior

Doutor e Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília. Atualmente, é professor do ensino básico, técnico e tecnológico da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e coordenador do Laboratório Experimental de Ensino e Pesquisa em Leitura e Produção Textual (LPT/CNPq). Dedica-se a estudos nas áreas dos Novos Estudos do Letramento e da Análise de Discurso Crítica.

Carlos Alexandre Rodrigues de Oliveira

Mestre em Educação e Docência (FaE/UFMG). Especialista em Língua Portuguesa (UFMG) e em Mídias na Educação (UFOP). Atualmente, é professor da Faculdade de Direito de Contagem (FDCON). Dedica-se a pesquisas nas áreas de Linguística Aplicada (Linguagem & Tecnologia), Educação (Educação Tecnológica & Sociedade) e Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC’s) no processo de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita da/na cultura digital.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Percepção de professores de língua portuguesa quanto ao ensino de escrita em ambiente digital

 

Autor:

Acir Mário Karwoski – Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) – acir.karwoski@uftm.edu.br

 

Resumo:

A simples observação da sala de aula na maioria das escolas brasileiras comprova a ausência ou uso trivial das novas tecnologias digitais no processo de ensino e aprendizagem. Em síntese, as escolas estão desconectadas do mundo digital. No entanto, fora da escola, um mundo vislumbrante possibilita a prática dos novos (multi)letramentos, conforme apontam estudos de Warschauer, 2006; Cope & Kalantzis, 2015; Rojo, 2014 e Monte-Mor, 2015). Os diversos dispositivos possibilitam letramentos participativos e uma nova experiência de vida com a escrita em sociedade. Há poucos trabalhos a respeito da formação de professores com vistas à construção de subsídios teóricos e metodológicos que promovam o ensino da escrita de gêneros textuais especialmente os digitais como práticas sociais na contemporaneidade. O objetivo deste trabalho é refletir acerca das percepções de professores de 3 (três) escolas da rede municipal de Uberaba – Minas Gerais (Brasil) quanto ao ensino de língua portuguesa com as novas tecnologias e a escrita em ambientes digitais. Aplicou-se um questionário semiestruturado via formulário Google docs no segundo semestre de 2016. Resultados mostram o perfil dos professores (sexo, idade, tempo de experiência no ensino com tecnologias) bem como as percepções quanto à utilização das novas tecnologias digitais de informação e comunicação (NTDIC) – especialmente smartphones, tablets e notebooks – nas práticas de ensino de língua portuguesa. A pesquisa constata que há muitas barreiras atitudinais a serem enfrentadas quanto à inserção eficaz dos novos dispositivos digitais no contexto da sala de aula, com foco na mediação facilitadora da aprendizagem evitando a prática de intervenção frustrada das novas tecnologias. Somam-se, ainda, problemas de infraestrutura e de práticas digitais em sociedade não permitidas aos estudantes no contexto escolar em benefício da aprendizagem, especialmente da escrita. A trivialidade das poucas ações constatadas na pesquisa indica que há muito a ser feito quanto à formação inicial e continuada de professores e a inserção plena das novas tecnologias digitais no ensino de língua portuguesa.

Palavras-chave: tecnologias; ensino; língua portuguesa; escrita; formação de professores.

 

Minibiografia:

Graduado em Letras. Mestre em linguística aplicada ao ensino de língua portuguesa. Doutor em Letras: estudos linguísticos. Realizou estágio pós-doutoral no Departamento de Educação da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB) com bolsa CAPES (Processo BEX 00015/15-6). Professor Associado no Departamento de Linguística e Língua Portuguesa (DLLP) do Instituto de Educação, Letras, Artes, Ciências Humanas e Sociais (IELACHS) na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).


Comunicação 2

Internet, gêneros emergentes e ensino de Língua Portuguesa

Autora:

Adriana Nunes de Souza – Instituto Federal de Alagoas – IFAL/ Universidade Federal de Alagoas – UFAL – drikalagoas@hotmail.com

 

Resumo:

O artigo discute do papel da internet e dos gêneros emergentes para o ensino da Língua Portuguesa através do relato de experiência em um projeto de pesquisa aplicado no Campus Arapiraca do Instituto Federal de Alagoas. O projeto teve como objetivo identificar os problemas no ensino e utilizar a leitura e a tecnologia como recurso para um melhor desempenho acadêmico dos estudantes do Ensino Médio Integrado. Defende-se que os gêneros emergentes podem proporcionar ao aluno um reencontro com o texto e com a língua. Considerando que a preocupação com o letramento e com a criação do hábito de leitura, por meio da adequação da bibliografia à clientela escolar, é objetivo frequente nos planejamentos do IFAL, realizou-se um estudo inicial a respeito da internet e dos novos gêneros que com ela emergiram como recursos didáticos eficientes, os quais unam a construção do conhecimento ao prazer da leitura e discutir brevemente a associação entre gêneros e ensino; e o papel do professor nesta realidade. Para o trabalho, utilizou-se uma concisa pesquisa bibliográfica, em obras relacionadas ao tema e em sites frequentados por adolescentes; assim pudemos utilizar recursos do WhatsApp, do Facebook e de homepages diversas para compor as aulas de Língua Portuguesa de um grupo de alunos do Campus; estes, participantes de um grupo de pesquisa em leitura. A pesquisa fundamentou-se, pois, basicamente, na linguística discursiva em interface com autores que discutem o uso da tecnologia digital em educação. Conjecturou-se com o estudo e as aulas em que ele foi aplicado que a Internet constitui um recurso didático eficiente e possui um fundamental papel para o ensino e para o letramento, por possibilitar amplo contato com a leitura e associar-se ao cotidiano, do aluno. Constatou-se que houve um melhor desempenho escolar, os problemas diagnosticados inicialmente tiveram um decréscimo.

Palavras-chave: Internet; Letramento; Ensino de Língua Portuguesa; Leitura.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL, Mestre em Letras – Estudos literários pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL, Bacharel e Licenciada em Letras – Português pela Universidade de São Paulo – USP, professora efetiva do Instituto Federal de Alagoas – IFAL – Campus Arapiraca, atuando como docente no Ensino Médio Integrado e na pós-graduação em Linguagem e Práticas Sociais.


Comunicação 3

Blog de memórias em um programa de letramento familiar

Autoras:

Alana Driziê Gonzatti dos Santos – UFRN – alanadrizie@hotmail.com

Maria do Socorro Oliveira – UFRN – msroliveira.ufrn@gmail.com

 

Resumo:

A articulação das esferas escola-família-comunidade via linguagem, pouco pensada no domínio acadêmico e político brasileiro, torna-se cada vez mais uma problemática social, notadamente devido à falta de elo observada entre tais domínios. Uma alternativa para esse cenário tem sido a implementação de programas de letramento familiar (PLF) no espaço escolar, de modo a criar aprendizados significativos pelo aluno, a partir da leitura e da escrita, em colaboração com membros de sua família e da equipe escolar. Com vistas a ressignificar as práticas escolares, trabalhamos em uma escola pública da capital potiguar e desenvolvemos um PLF com enfoque nas memórias orais e escritas, atividade apoiada pelo recurso online Blog, eleito por propiciar colaboração e circulação rápida das práticas de letramento no domínio da cibercultura. Nesse sentido, elencamos como objetivos de nossa pesquisa apresentar um Blog de memórias de um programa de letramento familiar para 1) discutir práticas de letramento mobilizadas; 2) destacar possibilidades de trabalho com Blog no ensino; 3) apontar impactos do uso desse recurso. Metodologicamente, orientamo-nos pelo paradigma de pesquisa qualitativo (BORTONI-RICARDO, 2008) de natureza crítica e fortalecedora (CAMERON, 1992; OLIVEIRA, 2004). Assumimos como referencial teórico os estudos de letramento (STREET, 1984; KLEIMAN, 1995, 2016; OLIVEIRA; TINOCO; SANTOS, 2011), com foco em questões de letramento familiar (HEATH, 1982; CAIRNEY, 2005; SANTOS, 2015; OLIVEIRA, 2016) e letramento digital (HOCKLY, 2012). Serão trabalhados, também, conceitos de memórias coletivas (CHAUÍ, 2000; HALBWACHS, 2006) e Blog (SILVA, 2009). Esta comunicação faz parte de um estudo de Doutorado em andamento no Programa de Pós Graduação em Estudos da Linguagem (PPgEL) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O trabalho demonstra que proporcionar voz aos colaboradores, assim como promover a divulgação de suas práticas por meios digitais, é um movimento que valoriza saberes situados, despertando o interesse e a participação ativa.

Palavras-chave: Letramento digital; Letramento familiar; Memórias coletivas; Blog.

 

Minibiografias:

Autora 1: Doutoranda (2017-2019) e Mestra em Estudos da Linguagem (2015) pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), sendo graduada em Letras (2013) pela mesma instituição. Participou de projetos de monitoria, extensão e pesquisa como bolsista CAPES e CNPq e, atualmente, faz parte dos grupos de pesquisa ‘Letramento e etnografia’, na UFRN, e ‘Letramento do professor’, na UNICAMP. Dedica-se a estudos centrados nos letramentos, especialmente nos domínios digital e familiar.

Autora 2: Possui graduação em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (1972), mestrado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1980), doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (1994) e pós-doutorado pela Universidade Estadual de Campinas (2006-2007), sob a supervisão da Profa. Dra. Angela Bustos Kleiman. É professora Titular das áreas de Linguística e Linguística Aplicada e líder do grupo de pesquisa ‘Letramento e Etnografia’ na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.


Comunicação 4

Aprender Português como Língua Estrangeira com a legendagem: novas literacias em âmbito ibérico

 

Autoras:

Ana Belén García Benito – Universidad de Extremadura (Espanha) – agbenito@unex.es

Iolanda Ogando González – Universidad de Extremadura (Espanha) –  iolanda@unex.es

 

Resumo:

São muitos os trabalhos que, ao longo das últimas duas décadas, têm reflectido sobre a relevância da legendagem como ferramenta de aprendizagem nos âmbitos da tradução audiovisual, bem como na aula das línguas estrangeiras através de práticas de legendagem passiva (com a recepção e visionado de materiais audiovisuais previamente legendados). No entanto, mesmo sendo um sector em desenvolvimento crescente, são muitos menos os trabalhos que se têm dedicado a explorar as potencialidades didácticas para a aprendizagem de uma Língua Estrangeira mediante a legendagem ativa (com os estudantes a legendar diretamente os materiais como processo de trabalho), e ainda menos no âmbito do Português Língua Estrangeira. É precisamente nesse ponto onde se situa a nossa proposta de comunicação, com o objetivo de apresentar os resultados obtidos a partir da realização de exercícios de legendagem ativa com a ferramenta Amara Subtitles (http://www.amara.org) nas nossas aulas de Português como Língua Estrangeira da Universidad de Extremadura (Espanha). Deste jeito, iremos mostrar como esta prática nos permitiu, primeiramente, introduzir uma série de atividades para a aprendizagem do PLE motivadoras e atraentes, de carácter colaborativo e acesso aberto com claros benefícios na aquisição de competências transversais e o desenvolvimento de materiais inclusivos; e em segundo lugar, como nos ajudou a que os/as nossos/as estudantes adquirissem de maneira eficaz uma maior literacia digital e em língua estrangeira.

Palavras chave: legendagem online; PLE; Amara Subtitles; literacia digital.

 

Minibiografias

Autora 01: Professora Titular na Universidade de Extremadura, Cáceres (Espanha), onde realiza trabalho docente no Departamento de Lenguas Modernas y Literaturas Comparadas, na Área de Filologías Gallega y Portuguesa, e trabalho de investigação no âmbito da Fraseologia comparada espanhol-português  e da Didática de Português como Língua Estrangeira, com destaque para a investigação centrada na planificação de atividades  e produção de materiais de trabalho para os níveis C1-C2.

Autora 02: professora contratada doutorada da Universidad de Extremadura (Espanha), desenvolvendo a sua docência na área dos Estudos Portugueses. A sua investigação centra-se nas práticas docentes das Literaturas e Culturas em língua portuguesa, com especial atenção à configuração e difusão nacional das mesmas através de estereótipos, marcos e lugares comuns e, por outro lado, às TIC na didática dos Ambientes Pessoais de Aprendizagem (âmbito em que já tem publicado alguns trabalhos sobre mapas conceptuais ou Twitter, e dentro do qual desenvolve as diversas atividades que aparecem no site http://www.iberistics.com). 


Comunicação 5

Ressignificações necessárias na hipermodernidade: ensino de língua e gêneros digitais

 

Autora:

Anair Valênia Martins Dias – Universidade Federal de Goiás – UFG/RC – anair_valenia@hotmail.com

Resumo:

Deparamo-nos constantemente com eventos sociais que envolvem a recepção e a produção de textos orais e escritos e que requerem perspectivas escolares que busquem ressignificar as práticas pedagógicas dos professores de língua. Essas mudanças contemporâneas modificam as formas de produzir conhecimento, o que implica em questões de natureza epistemológicas. Em se tratando do ensino de Língua Portuguesa, observam-se investigações, no âmbito da Linguística Aplicada, que buscam envolver o trabalho com os gêneros digitais, com vistas a promover os multiletramentos nos discentes e nos docentes dos Ensinos Fundamental e Médio. Nos ambientes digitais, os vários meios de compartilhamento e interação extrapolam os limites geográficos, provocam movimentos de desterritorialização e  reterritorialização dos bens culturais e minimizam as fronteiras que poderiam impedir o acesso aos conteúdos produzidos, o que acaba por promover uma ampliação dos processos de recepção e produção textual de gêneros e aplicativos diversos na hipermodernidade. Nessa perspectiva, pretendemos nessa comunicação discutir sobre o ensino de Língua Portuguesa, bem como sobre alguns gêneros digitais que hoje fazem parte das práticas sociais dos adolescentes, refletindo acerca de conceitos como hipermodernidade (LIPOVETSKY, 2004), desterritorialização, reterritorialização, coleção e descoleção (GARCÍA CANCLINI, 2015[1997]) e generos do discurso (BAKHTIN, 2003[1997]). Dentre os gêneros e aplicativos investigados, destacamos os ciberpoemas, os hipercontos, os minicontos digitais, os vlogs e o Instagram. Investigações essas que emergiram dos debates e estudos do Grupo de Pesquisa em Gênero Discursivo e Ensino de Língua (GEGDEL), que visa a promover reflexões acerca dos gêneros e do ensino de Língua Portuguesa.

Palavras-chave: Gêneros Digitais; Ensino; Língua Portuguesa; Hipermodernidade

 

Minibiografia:

Professora Adjunto e coordenadora do curso de Letras da Universidade Federal de Goiás/UFG/RC. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Gênero Discursivo e Ensino de Língua – GEGDEL. Doutora pela UNICAMP, em Linguística Aplicada, área de concentração em Linguagem e Tecnologias, com linha de pesquisa em Linguagem, Ensino e Mediação Tecnológica (2013). Mestrado em Linguística pela Universidade Federal de Uberlândia, área de concentração em Estudos Linguísticos (2005).


Comunicação 6

Estratégias de comunicação através do VoiceThread num curso online de Português

Autora:

Analia Tebaldi – University of Massachusetts Dartmouth/Harvard University – atebaldi@umassd.edu ou analiatebaldi@fas.harvard.edu

 

Resumo:

Há uma forte presença da tecnologia no dia a dia dos jovens, uma geração que já nasceu conectada com o mundo virtual. Este novo perfil de aluno impacta o ambiente escolar e gera um desafio para as instituições educacionais e professores. Resistir ou evitar a presença da tecnologia no ensino já não é mais uma opção. Como educadores do século 21, não há como ensinar da maneira que estávamos habituados a ensinar há dez, ou até cinco anos atrás. Consequentemente, educadores e profissionais da área têm debatido métodos e opções para melhor utilizar novos recursos tecnológicos em benefício da educação. De acordo com o Departamento de educação dos Estados Unidos, em 2013 mais de 25% dos alunos matriculados em universidades eram alunos de cursos online. Porém, programas de língua estrangeira ainda resistem a essa tendência. Apesar da necessidade de se integrar a tecnologia aos cursos de língua estrangeira, uma das preocupações que ainda afeta muitos educadores e profissionais da área é a potencial ausência de interação, condição necessária à aquisição de uma segunda língua (ex. Gass e Varonis, 1987; Long, 1996; Gass 1997), e o possível não desenvolvimento da habilidade oral.  Este estudo analisa a produção oral dos alunos matriculados (nível iniciante) em um curso online de Português como segunda língua através do uso da ferramenta VoiceThread. Os resultados confirmam que mesmo em interações não sincronizadas é possível notar a presença de estratégias de comunicação.

Palavras-chave: Português como segunda língua; curso online; tecnologia; VoiceThread; interação.

 

Minibiografia:

Bacharel em Psicologia pela Universidade Estadual de Maringá, Brasil. Mestre em Português como segunda língua e doutoranda pela Universidade de Massachustts Darmouth. Atualmente, é professora de Português na Universidade de Harvard em Massachusetts, Boston. Área de interesse: Estratégias e aprendizado de língua, curso online. 


Comunicação 7

O Lugar do Professor e As Novas Tecnologias: deslocamentos e ressignificações

Autora:

Andréa Cristina Bombonati Lopes – Universidade Estadual de Campinas – bombonati.andrea@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho propõe compreender quais deslocamentos se apresentam ao lugar do professor nos rearranjos que o uso das novas tecnologias de informação e comunicação requisitam para a sala de aula como lugar de aprendizagens e em que medida podem se constituir num elemento facilitador dos conteúdos ou torná-los mais efetivos.  Pretende-se verificar as concepções que norteiam o trabalho do professor sobre a construção do conhecimento colaborativo e sobre a dimensão tecnológica para analisar os delineamentos da presença docente e do processo de desterritorialização do lugar professoral nos contextos de uso das novas tecnologias em sala de aula (COLL 2010). O trabalho propõe observar atividades e práticas de sala de aula de uma professora de Língua Portuguesa da 1ª. série do Ensino Médio, de uma escola da rede pública, utilizando-se a pesquisa-ação, com duas turmas de quarenta alunos de dois grupos distintos de um colégio de ensino médio e técnico, que foram solicitados a produzir atividades com textos, dentre eles, a obra Lisbela e o Prisioneiro, de Osman Lins (1963), a partir de narrativas transmidiáticas, utilizando celular, tablet ou notebook. Pretende-se verificar as concepções de ensino-aprendizagem norteadoras do movimento da professora e espera-se verificar as habilidades e competências presentes no professor em contextos de uso das novas tecnologias a fim de compreender em que medida apontam para outras formas de imersão do sujeito nesse ambiente e as possibilidades de interferência no deslocamento da sala de aula para um lugar referencial de aprendizagens não mais determinado e estável, mas instável, movediço e autônomo (SANTAELLA 2014). A coleta dos dados se organizará também nos eixos teóricos da Pedagogia de Projetos (ALMEIDA 2011), da Pesquisa-Ação (BURNS 2009) e dos Novos Letramentos (COLL 2010), a fim de se cotejarem rupturas e continuidades entre práticas convencionais e contemporâneas de ensino-aprendizagem e do lugar professoral.

Palavras-chave: tecnologias; sala de aula; deslocamentos; lugar professoral

 

Minibiografia:

Sou professora de língua portuguesa do Ensino Médio e atualmente faço meus estudos de Mestrado sobrea inserção das novas tecnologias em sala de aula, utilizando a pesquisa-ação. Interessa-me olhar, a partir da minha própria prática, os contornos do lugar professoral e as práticas pedagógicas que trazem deslocamentos para o lugar do professor na reconfiguração da sala de aula como lugar tradicional das aprendizagens a partir dos usos das novas tecnologias. 


Comunicação 8

Projeto Redigir: atividades para o professor de português

 

Autores:

Carla Viana Coscarelli – FALE/UFMG – cvcosc@gmail.com

Erenilton Peixoto de Araújo – FTD – erenilton.araujo@ftd.com.br

Resumo:

Preocupado com a formação de professores e com uma educação adequada e em consonância com as demandas contemporâneas, o Projeto Redigir da FALE/UFMG desenvolve e disponibiliza materiais que podem ser utilizados por professores. As ações do Redigir buscam auxiliar a formação de professores (sobretudo de Língua Portuguesa), oferecendo a eles atividades fundamentadas em teorias contemporâneas da linguagem e da educação, que eles podem replicar e adaptar aos seus alunos ou futuros alunos. Grande parte destas atividades buscam desenvolver a reflexão linguística e o letramento digital dos alunos, por isso, exploram habilidades e estratégias demandadas na leitura e na produção de textos multimodais em ambientes digitais. Procuramos contemplar nelas tanto a diversidade de linguagens que compõem os textos, quanto os fatores culturais envolvidos na produção e na leitura deles. Apresentaremos nesta comunicação algumas das atividades disponibilizadas que dizem respeito mais diretamente a textos que circulam em ambientes digitais e a habilidades relacionadas ao desenvolvimento do letramento digital. Discutiremos os conceitos, princípios e teorias que fundamentam a criação delas como a noção de adequação, a multimodalidade e a hipertextualidade e os multiletramentos. Mostraremos também como se dá o nosso processo de produção das atividades. Além disso, mostraremos como usamos as redes sociais para divulgar nossas ações e oferecer mais informações que podem contribuir para a formação continuada de professores, por fomentar discussões e reflexões sobre temas relevantes relativos ao ensino-aprendizagem de língua materna.

Palavras-chave: letramento digital; leitura; produção de textos; ensino.

 

Minibiografias:

Autora 01: Mestrado e doutorado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais, pós-doutorado em Ciências Cognitivas pela University of California San Diego e pós-doutorado em Educação pela University of Rhode Island. Professora Titular da UFMG, onde participa do Núcleo de Pesquisa Lingtec, do Ceale e coordena o Projeto de Extensão Redigir. Atua principalmente nos seguintes temas: leitura, produção de textos, ensino e letramento digital.

Autor 02: Licenciado em Letras Português, Inglês e Literaturas. Fez especialização em ensino de Língua portuguesa: leitura e produção de textos FALE/UFMG. Professor e coordenador da área de linguagens, códigos e suas tecnologias em instituições de ensino público e privado. Trabalha no desenvolvimento de novas soluções didáticas junto à Consultoria Educacional da FTD Educação. Colaborador do Projeto Redigir.


Comunicação 9

Práticas Docentes Mediadas pelas Tecnologias Digitais em Aulas de Língua Portuguesa do Ensino Médio

Autor:

Carlos Alexandre Rodrigues de Oliveira – Universidade Federal de Minas Gerais e Faculdade de Direito de Contagem – calexandre.ro@gmail.com

 

Resumo:

Esta pesquisa tem como objetivo investigar o uso pedagógico das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) nas práticas docentes de Língua Portuguesa, no Ensino Médio, da Rede Pública Estadual de Ensino de Minas Gerais (RPEEMG). A inserção das TDIC nas práticas docentes tem sido um trabalho ainda em construção por meio dos saberes tecnológicos adquiridos pelos profissionais da educação, no sentido de constituir-se como suporte estruturante na qualidade do processo de ensino e aprendizagem, no que diz respeito às práticas de leitura e escrita mediadas pelo uso pedagógico das tecnologias em sala de aula. Pautando-se no paradigma de aprender a aprender e aprender a fazer, no contexto das tecnologias digitais em aulas de Língua Portuguesa, optou-se, em termos metodológicos, por uma abordagem sócio-histórica cultural como orientadora da pesquisa qualitativa, que prevê a utilização de um levantamento bibliográfico, documental e de campo. Os resultados atestam que, no decorrer do processo de ensino e aprendizagem construído com a professora observada, há uma necessidade de se desenvolver e/ou refinar as competências e as habilidades dos professores no uso de TDIC na educação. Constatou-se, com base nos dados examinados, que a professora de Língua Portuguesa pesquisada revelou empenho em articular seu saber docente às estratégias metodológicas e práticas que a levam a construir um saber integrado e que a habilite a utilizar as TDIC para o ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa.

Palavras-chave: Letramento digital; Multiletramentos; Leitura e escrita.

 

Minibiografia:

Mestre em Educação e Docência (FaE / UFMG). Especialista em Língua Portuguesa: Ensino de Leitura e Produção de Textos (UFMG) e em Mídias na Educação (UFOP). Graduado em Letras: Língua Portuguesa e Língua Inglesa. Atualmente, é professor da Faculdade de Direito de Contagem (FDCON) e professor colaborador da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (FALE / UFMG). Dedica-se a pesquisas nas áreas de Linguística Aplicada (Linguagem & Tecnologia), Educação (Educação Tecnológica & Sociedade) e Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) no processo de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita da/na cultura digital. 


Comunicação 10

O mundo virtual do Mangá Chobits como estratégia para o fomento de práticas educacionais de leitura e escrita

Autora:

Célia Tamara Coêlho – UEM – celiatamara@uol.com.br

Resumo: 

O objetivo da pesquisa é desenvolver um modelo teórico do gênero Mangá para as aulas de Língua Portuguesa destinadas ao Ensino Fundamental II, tendo como foco a apreensão dos processos de ensino-aprendizagem de leitura e produção de textos a partir de uma pedagogia de multiletramento que privilegie experiências de linguagem de forma significativa em ambientes do ciberespaço. Como objeto de estudo utilizamos a versão online do Mangá Chobits (Volume 01), distribuído no Brasil pela Editora CLAMP, reedição de 2015, considerando a necessidade do fomento de ações didático-pedagógicas que possam contribuir para o estudo escolar de gêneros multimodais, ou seja, aqueles que relacionam em sua estrutura a linguagem verbal e a não verbal (gestual, sonora, visual etc), bem como potencializar ações de ensino-aprendizagem voltadas a contemplar o ambiente virtual para uma prática de multiletramento social. Primeiramente, buscamos tecer reflexões sobre as semelhanças e diferenças dos Mangás com as HQs ocidentais. Em sequência, demonstramos os aspectos composicionais e estruturais dessa narrativa híbrida, evidenciando que na sua forma comunicacional perpassam as formas ideológicas e históricas aceitas na sociedade capitalista. Posteriormente, realizamos considerações a respeito dos modos semióticos que norteiam a linguagem icônico-verbal dessa narrativa em relação direta com a construção dos efeitos de sentido sustentados por esse Mangá. Salientamos que utilizamos como ferramenta didática pedagógica os sites – Máquina de quadrinhos, ToonDoo, Make beliliefs comics em suas versões gratuitas para que os alunos pudessem desenvolver suas próprias narrativas em formato Mangá.

Palavras-chave: Modelo didático; Mangás virtualizados; pedagogia do multiletramento.

 

Minibiografia: 

Professora colaboradora da Universidade Estadual de Campo Mourão (UNESPAR – Campus de Campo Mourão) e aluna de doutorado do programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Mestre em Estudos da Linguagem pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).


Comunicação 11

Abordagem dos gêneros digitais no livro didático de língua portuguesa

 

Autoras:

Claudiane Maciel da Rocha Martins – Universidade Estadual da Paraíba – kaucampina@hotmail.com

Eneida Oliveira Dornellas de Carvalho – Universidade Estadual da Paraíba – dornellaseneida@yahoo.com.br

 

Resumo:

A internet e, consequentemente, a sua popularização, fez surgir um novo tipo de letramento, o chamado letramento digital. Esse, por sua vez, fez surgir os chamados gêneros digitais. Para apreender esses gêneros, os “letrados digitais” necessitam utilizar as novas tecnologias de informação e comunicação, bem como dominar práticas de leitura e escrita requeridas para a compreensão e utilização dos vários gêneros digitais que circulam na esfera da comunicação virtual. A recomendação do trabalho com os gêneros nas aulas de Língua Portuguesa está presente nos próprios PCN, que já se tornaram referência recorrente sobre essa questão. Nessa perspectiva, esse estudo prevê a necessidade cada vez maior de inclusão dos gêneros digitais no programa de ensino e aprendizagem de língua portuguesa, através do livro didático. Nesse sentido, os nossos objetivos ao desenvolver esse trabalho, são: identificar e quantificar os gêneros digitais presentes em uma coleção de livros didáticos de língua portuguesa destinada ao ensino fundamental e adotada atualmente em escolas públicas estaduais da cidade de Campina Grande-PB e investigar como os autores desses livros exploram os gêneros digitais enquanto gêneros didatizados, através da análise das atividades didáticas propostas para sua apreensão no livro do aluno. Tomamos como base teórica da pesquisa, a perspectiva bakhtiniana dos gêneros discursivos; os estudos realizados por Marcuschi (2010), (2008) e também os estudos de Dolz e Schneuwly (2004) que discutem a necessidade de tornar os gêneros textuais objeto de ensino e aprendizagem das aulas de Língua Portuguesa. Havendo já realizado uma análise preliminar dos nossos dados à luz desse aporte teórico, podemos indicar como alguns resultados de nossa pesquisa, a superficial e limitada presença dos gêneros digitais na coleção examinada, e uma centralização em gêneros textuais oriundos das esferas literária, jornalística e científica, bem como a predominância e valorização do suporte impresso, livros e revistas.

Palavras-chave: Ensino Fundamental; Livro didático; Gêneros digitais.

 

Minibiografias:

Autora 1: formada em Letras (habilitação em Língua Portuguesa) pela Universidade Estadual da Paraíba e especialista em Linguística (Abordagens para o ensino/aprendizagem com textos em Língua Portuguesa) por essa mesma instituição. Atualmente, é aluna do curso Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS) da Universidade Estadual da Paraíba e professora de Língua Portuguesa da educação básica da rede pública de ensino do Estado da Paraíba.

Autora 2: formada em Letras pela Universidade Federal da Paraíba, com habilitação em Língua Portuguesa e Língua Francesa, especialista em Língua Portuguesa e Língua e Literatura Francesas nessa mesma Universidade, cursou Mestrado em Linguística na Universidade Federal de Pernambuco e Doutorado em Linguística na UFPB, é Professora de Língua Portuguesa da Universidade Estadual da Paraíba, onde atua no curso de Letras e no mestrado profissional PROFLETRAS.


 Comunicação 12

Novas tecnologias – Novos letramentos: a fanfiction aprimorando o letramento na Educação de Jovens e Adultos

Autora:

Cristiane Melo Alves – UERJ – cristianema.rj@gmail.com

Resumo:

As novas tecnologias vêm acarretando mudanças no contexto educacional alterando o modo de aprender e de ensinar. Neste contexto, surge o perfil de um “novo educador de Língua portuguesa”. Este é consciente da globalização e tem para si, como base no processo de ensino-aprendizagem, os diversos gêneros textuais e digitais, possibilitando, dessa forma, as multimodalidades dentro do letramento. Neste panorama incluímos as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs). Com o objetivo de trazer à relevância o impacto das novas ferramentas digitais e dos multiletramentos no ensino de produção de texto na Educação de Jovens e Adultos que proponho apresentar uma série de experiências de leitura e escrita vividas pelos alunos desta modalidade com o gênero digital fanfiction, com publicação em fanzine e blog. Justifica-se a importância deste tema pelo fato de as formas de comunicação terem evoluído e ganhado espaço dentro das salas de aula. Ao aliar as novas ferramentas digitais ao dia a dia de maneira democrática dentro do ambiente escolar, procurou-se favorecer o processo de ensino aprendizagem. De acordo com Roxane Rojo “Trabalhar com multiletramentos pode ou não envolver (normalmente envolverá) o uso de novas tecnologias de comunicação e de informação (“novos letramentos”), mas caracteriza-se como um trabalho que parte das culturas de referência do alunado (popular, local, de massa) e de gêneros, mídias e linguagens por eles conhecidos, para buscar um enfoque crítico, pluralista, ético e democrático” (…). (ROJO, 2012, p. 8). Magda Soares destaca que os multiletramentos acontecem quando um indivíduo se apropria efetivamente da leitura e escrita em um espaço virtual.  Observamos com as práticas em sala de aula que houve interação e que, a leitura e a escrita foram valorizadas, visto que os alunos apresentaram motivação para as atividades propostas, principalmente por terem acontecido em ambientes diferenciados e com ferramentas tecnológicas diversas.

Palavras-chave: multiletramentos; leitura; escrita; gêneros digitais; fanfiction.

Minibiografia:

Mestranda do Programa ProfLetras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Especialização em Ensino de Leitura e Produção textual (UFRRJ/CECIERJ- 2015). Especialização em Língua Portuguesa (UERJ- 2005). Licenciada em Letras com habilitação em Língua Portuguesa e Literatura brasileira (UERJ/2004). Professora de Educação Básica em rede pública no Estado do Rio de Janeiro (RJ). 


Comunicação 13

Desenvolvimento de aplicações para o ensino-aprendizagem de língua(gem): relato de uma experiência com o Ensino Médio Integrado ao Técnico em Informática

 

Autores:

Eli Gomes Castanho – Instituto Federal de Mato Grosso do Sul – eli.castanho@ifms.edu.br

Ricardo Augusto Lins do Nascimento – Instituto Federal de Mato Grosso do Sul – ricardo.nascimento@ifms.edu.br

 

Resumo:

Esta comunicação tem como foco o relato de experiência de orientação de trabalhos ligados ao desenvolvimento de ferramentas digitais auxiliares no processo de letramentos de diferentes públicos. A proposta é levar ao conhecimento do público parte de nosso trabalho e buscar interlocutores para a implementação e implantação dos recursos desenvolvidos e em desenvolvimento. Com a coorientação com professores da área de informática, temos desenvolvido os seguintes trabalhos: (i) Semáforo Verbal – aplicação móvel, em plataforma Android, que auxilia no ensino-aprendizagem do conteúdo de regência verbal, voltada a alunos dos ensinos fundamental e médio; (ii) ZygMundi – aplicação móvel, em plataforma Android, que auxilia crianças no aprendizado da variação linguística do Brasil e no combate ao preconceito linguístico; (iii) Lunita – aplicação para desktop voltada a crianças bilíngues de fronteira, em fase de alfabetização/letramento, de modo a contemplar o bilinguismo dos usuários, falantes de português e espanhol; (iv) Nhanduti – jogo de plataforma, para Android, que contempla parte da história da formação das etnias indígenas de Mato Grosso do Sul. A experiência tem ido ao encontro da proposta do ensino médio integrado ao técnico, de modo a promover o diálogo entre as áreas do chamado núcleo comum e do chamado núcleo técnico. Além disso, temos tido positivos resultados como premiações em feiras nacionais e internacionais, favorecendo os letramentos crítico, digital e acadêmico de estudantes do ensino médio integrado.

Palavras-chave: desenvolvimento de aplicações; ensino médio integrado ao técnico; TIC.

Minibiografias:

Autor 1: professor de Português e Espanhol junto ao Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), campus Ponta Porã, desde 2011. É doutor em Linguística Aplicada pela UNICAMP, mestre em Língua Portuguesa pela PUC-SP, especialista em Língua Portuguesa pela mesma universidade e graduado em Letras: Português/Espanhol pela Universidade de Sorocaba (UNISO).

Autor 2: professor na área de Informática no IFMS. Mestre e doutorando em Educação pela UFGD – Universidade Federal da Grande Dourados, na linha Educação e Diversidade, com pesquisa na área de tecnologia assistiva. Possui graduação em Ciência da Computação pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (1999)  e especialização em Melhoria do Processo de Software pela Universidade Federal de Lavras (2006). 


Comunicação 14

Oralidade, Escrita e Gêneros digitais: Uma Possibilidade de Renovação no Contexto Escolar

Autora:

Érica Silva Fagundes – Universidade Federal de Viçosa – erica_dsf@hotmail.com

 

Resumo:

Falar e escrever podem parecer dois verbos inconjugáveis na medida em que a tradição escolar, muitas vezes, tenta distanciar a oralidade e a escrita. No entanto, na sociedade da informação e da tecnologia em que vivemos, cada vez mais o oral e o escrito se interpenetram, se consumando em gêneros como os gêneros digitais. Tendo essas observações em vista, neste trabalho tentaremos, repensando não só o lugar do oral na escola como também na escrita, mostrar que os gêneros digitais podem ser ferramentas eficazes no desenvolvimento de alunos competentes na escrita bem como ser um meio de revalorização do oral nas aulas de língua materna. Para tanto, utilizaremos como principais suportes teóricos as ideias de Cardeira; Mateus(2007),  Corrêa (2008), Marcuschi (2004) e Signorini (2008).

Palavras-chave: Ensino; Escrita; Oralidade; Gêneros digitais.

 

Minibiografia:

Mestranda em Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa.
Graduada em Letras pela Universidade Federal de Viçosa e Universidade de Coimbra – PT. 


Comunicação 15

As interfaces digitais e o ensino de língua portuguesa na contemporaneidade: uma proposta didática multimodal e multicultural

Autora:

Fernanda Maria Almeida dos Santos – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – fernandasantos@ufrb.edu.br

 

Resumo:

Considerando que a inclusão no mundo digital oportuniza ao sujeito experimentações, desafios e novas possibilidades de usos sociais da leitura e da escrita, favorecendo diferentes práticas de letramento, o presente trabalho visa a apresentar uma proposta didática para o ensino de língua portuguesa na educação básica, na perspectiva dos (multi)letramentos. Para tanto, utiliza-se uma metodologia de investigação explicativa, com método de abordagem qualitativo. A pesquisa é subsidiada pelos estudos/análises de Cope e Kalantzis (2000), Coscarelli (2007), Lévy (1993; 1999), Marcuschi (2004), Rojo (2009; 2012), Santos (2014) e Xavier (2005) sobre tecnologias, (multi)letramentos e aquisição da escrita em ambientes virtuais. Além disso, o estudo fundamenta-se numa análise das práticas pedagógicas utilizadas com estudantes brasileiros matriculados no ensino fundamental II, em uma escola da rede pública localizada no município de Amargosa-BA e na elaboração/desenvolvimento de sequências didáticas (cf. DOLZ; NOVERRAZ; SCHNEUWLY, 2004) que puderam colaborar para o processo de letramento em língua portuguesa, numa perspectiva multimodal e multicultural. Pretende-se ratificar, por meio da proposta elaborada, que os recursos digitais podem operar como uma importante interface pedagógica para o processo de aprendizagem da língua portuguesa, pois – além de propiciar a diversão e desenvolver a criatividade e o raciocínio lógico dos indivíduos – intensificam o desenvolvimento de competências textuais, enunciativas, procedimentais e linguísticas dos sujeitos. Desse modo, nota-se que as tecnologias digitais contribuem não apenas para o desenvolvimento comunicativo e interacional dos estudantes, mas possibilitam – sobretudo – o empoderamento desses sujeitos.

Palavras-chave: Escrita. Tecnologias. Multiletramentos. Sequências Didáticas.

 

Minibiografia:

Professora Adjunta de Língua Portuguesa da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). É doutora em Língua e Cultura e mestre em Letras pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e graduada em Letras Vernáculas pela Universidade do Estado da Bahia/ Campus V. Atua principalmente com os seguintes temas: aquisição da linguagem, surdez, escrita e diversidades, multiletramentos e novas tecnologias.


Comunicação 16

O uso de redes sociais como forma de melhorar a comunicação entre professores e alunos

 

Autor:

Fernando Rezende da Cunha Junior – Vrije Universiteit Amsterdam – f.rezendedacunhajunior@vu.nl

 

Resumo:

Na história humana as formas de comunicação estão em constante evolução: do oral para o escrito, do individual para o global, e mais recentemente da comunicação analógica para a digital. Dessa forma, é esperado que as escolas também sigam essas tendências comunicativas. Entretanto, há uma dificuldade em se implementar o uso de tecnologias digitais nas escolas, primeiramente pela falta de recursos tecnológicos, e segundo, pela velocidade com que tais ferramentas se modificam. Assim, considerando-se o grande uso de redes sociais como Facebook e Twitter, propusemos a algumas escolas do Brasil a utilização de grupos de professores-alunos no Facebook, para que estes servissem como um canal extra de comunicação para assuntos escolares. Todas as atividades desenvolvidas neste trabalho estão baseadas na Teoria da Atividade Sócio Histórico Cultural. Assim, os grupos no Facebook são considerados uma ferramenta mediadora das atividades. Ainda, este trabalho segue a metodologia da Pesquisa Crítica de Colaboração. Os resultados obtidos até o momento sugerem que os alunos e professores apresentaram uma melhora na qualidade das discussões online, que consequentemente foi expandida para as discussões em sala de aula. Outro ponto que merece atenção é a agência dos alunos: passam de participantes passivos a agentivos, e em seguida de agentes para agentes colaborativos.

Palavras-chave: Facebook; comunicação; colaboração.

 

Minibiografia:

Aluno de doutorado na Vrije Universiteit Amsterdam, com foco no uso de redes sociais com fins educacionais. Possui graduação em Letras pela Universidade do Vale do Sapucaí (2006) e mestrado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2008). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Inglesa, atuando principalmente no seguinte tema: uso de redes sociais na escola.


Comunicação 17

Aulas de língua portuguesa em Recursos Educacionais Abertos: um estudo acerca do ELO

Autores:

Flávio Rômulo Alexandre do Rêgo Barros – Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) –fxdraw@gmail.com

Roberta Varginha Ramos Caiado – Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) – caiado@unicap.br

Resumo:

As aulas de língua portuguesa (LP) estão passando por uma grande transformação, devido ao avanço das tecnologias digitais que proporcionam uma nova forma de ensino e aprendizado de LP. O surgimento da Web 2.0 possibilitou novas formas de comunicação, promovendo a interação entre os usuários e fez surgir desafios no ensino no século XXI. O objetivo deste trabalho é apresentar o Ensino de Língua On-line (ELO), uma fermenta de apoio ao professor, que visa desenvolver inúmeras atividades de línguas no meio digital. Este trabalho está balizado em Santo (2012) que traz o estado da arte do Recursos Educacionais Abertos (REA), junto com a definição de Wiley (2000) sobre o Recursos Educacionais Abertos, somado à apresentação das características do REA por Leffa (2013). Dividimos o estudo em duas partes, a primeira traz a explicação e a exposição dos módulos do ELO e a segunda parte apresenta uma atividade desenvolvida no ELO com base no tema argumentação textual. Percebemos que a transformação das aulas de língua portuguesa para o meio digital provoca a quebra do paradigma que essas aulas são desinteressantes e monótonas, uma vez que o ELO, ao utilizar o meio digital para promover o ensino, potencializa o interesse do aluno para o aprendizado.

Palavras-chave: Recursos Educacionais Abertos; Língua Portuguesa; Ensino

Minibiografias:

Autor 01: graduado em Letras (2015) pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) e mestrando em ciências da linguagem do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem – PPGCL da mesma instituição. Atualmente sou bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Atua em linguística textual com foco na teoria da argumentação, no uso das tecnologias digitais e sintaxe.

Autora 02: Doutora em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE; Mestre em Letras/Linguística pela UFPE; Professora/Pesquisadora da Universidade Católica de Pernambuco. Pesquisadora do NEHTE – UFPE. Credenciada como Membro do GT Linguagem e Tecnologias da ANPOLL. Realiza pesquisas relacionadas aos seguintes temas: multiletramentos e Língua Portuguesa, letramento digital, tecnologias digitais móveis, práticas pedagógicas aliadas às novas TDIC, recursos educacionais abertos – REA. 


Comunicação 18

Práticas de leitura e producao textuais: o uso das novas tecnologias nas aulas de lingua portuguesa

Autora:

Francineide Fernandes de Melo – UFPB/REDE PÚBLICA JP/PB – Francineide_meo@hotmail.com

Resumo:

Nesse trabalho, apresentamos o relato de experiência de uma pesquisa realizada em uma turma de 9o ano do Ensino Fundamental da Escola Aruanda. Motivando-nos pela necessidade de enfrentar os desafios que o ensino da escrita impõe ao professor diante das dificuldades de seus alunos, a pesquisa objetiva verificar como o uso das novas tecnologias auxiliam a compreensão e apropriação da escrita determinados gêneros por parte dos alunos. Entendemos o uso de celulares, por exemplo, favorece o processo de letramento, de aprendizagem na escola, uma vez que oportuniza ao aluno perceber e assimilar a funcionalidade do gênero através das novas tecnologias. Possibilita ao discente interagir com a linguagem de modo a perceber as inúmeras possibilidades de elaboração de sentidos que as palavras tomam quando consideradas em contextos sócio históricos culturais em que estão imersos os sujeitos que mobilizam a linguagem de forma autônoma e criativa, e por ela são mobilizados. Assim, visando a produção textual,  buscamos refletir acerca das atividades de leitura e escrita em aula, com ênfase na importância dos conhecimentos teóricos sobre gêneros textuais e a produção de texto. Para tanto, fundamentamos nossa pesquisa no construto teórico sobre gêneros, fundado por Bakhtin (2000), mais contemporaneamente por Marcuschi (1996) e outros que tratam de maneira geral sobre o trabalho com os gêneros na escola como Antunes (2003). A metodologia da nossa pesquisa seguiu os caminhos apontados por Dolz e Schenewly, no tocante à elaboração e aplicação de sequências didáticas. A sequência que propomos inicia-se com a escolha de alguns gêneros, percorre os processos de leitura e produção textual necessários, culminando na apresentação de um documentário, no auditório da escola para o público escolar. A pesquisa encontra-se no estágio de leitura e produção dos referidos gêneros. Os resultados já apontam para o engajamento produtivo e prazeroso por parte dos alunos.

Palavras-chave: Leitura; Texto; Relato; Novas tecnologias.

 

Minibiografia:

Possui mestrado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (2004). Professora da Universidade Federal da Paraíba Campus I e da Prefeitura Municipal de João Pessoa. Tenho experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Lingüística.


Comunicação 19

O Ambiente Virtual de Aprendizagem MOODLE como espaço multimodal de ensino de Língua Portuguesa

Autora:

Gizele Santos de Araújo – Universidade de Brasília – giza_06@yahoo.com.br

Resumo:

O ensino da língua materna evoluiu consideravelmente nas últimas décadas, porém mostra-se, ainda hoje, a necessidade de práticas pedagógicas mais eficazes no que diz respeito à sua mais importante proposta: formar cidadãos, com pleno domínio comunicativo, capazes de compreender, interpretar e produzir uma gama de textos de múltiplos modos circulantes nas diversas esferas sociais. Visto que a educação linguística requer ensino contextualizado da linguagem, pois o texto só faz sentido a partir do seu contexto sócio-cultural (BAKHTIN, 2006), faz-se necessário investir na inter-relação entre o conhecimento no ambiente escolar com base em contexto social ampliado pelo uso de técnicas multimodais aplicadas em ambientes virtuais e as práticas de ensinar a Língua Portuguesa. Com a finalidade de refletir ações pedagógicas por meio da Teoria da Multimodalidade (KRESS e van LEEUWEN, 2006), esta pesquisa tem como foco o texto multimodal do ambiente virtual de aprendizagem, denominado MOODLE, cuja constituição e organização serão descritas e analisadas como práticas que envolvem representações semióticas visuais, espaciais e linguísticas (BALDRY e THIBAULT, 2006). O MOODLE é objeto de análise na sua condição de texto, tendo seu design descrito sob a perspectiva da metafunção composicional, segundo a Gramática Visual de Kress e van Leeuwen e da teoria de Clusters, de Baldry e Thibault. Busca-se, neste trabalho, analisar a construção multimodal do MOODLE voltado para o ensino de Língua Portuguesa, no nível médio, em escola regular da educação básica pública, com vistas à identificação de regras semióticas vigentes. Para tal, os registros foram tomados por meio de observação direta e descrição do ambiente virtual de aprendizagem em si.

Palavras-chave: Multimodalidade. MOODLE. Ensino de Língua Portuguesa.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras: Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará em 1986, especialista em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Ceará em 1995. Concludente, em dezembro de 2016, do curso de Mestrado em Linguística Aplicada, na Universidade de Brasília. Professora e coordenadora da cadeira de Língua Portuguesa no ensino básico do Colégio Militar de Brasília. 


Comunicação 20

Mídias digitais no ensino de português como língua adicional: o planejamento em perspectiva multimodal

Autora:

Janaína de Aquino Ferraz – Universidade de Brasília – ferraz.jana@gmail.com

 

Resumo:

Com foco em análise de contextos formais de ensino-aprendizagem de português brasileiro como segunda língua (PBSL), esta pesquisa busca a análise de mídias (digitais e analógicas) voltadas para os três públicos que não possuem o português como língua materna (estrangeiros, surdos e indígenas). A inclusão de tecnologias no ensino traz desdobramentos para as metodologias. Saber lidar com a gama de mídias disponíveis pode ser fator diferenciador no desafio de ensino-aprendizagem. Competências e habilidades no uso de uma língua podem ser mediadas por aplicativos, softwares, ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) etc. Novas alternativas para interação, avaliação e fixação de conteúdos da língua-alvo mais condizentes com demandas atuais. Foi feita pesquisa de campo em contextos formais de ensino de PBSLem três de seus públicos-alvo anteriormente citados. Buscamos instituições públicas de ensino com projetos nessa área. Aplicamos questionários junto a coordenadores e docentes. Base teórica: Multimodalidade (KRESS e van LEEUWEN, 2001, 2006; van LEEUWEN, 2005) eAnálise de Discurso Crítica (FAIRCLOUGH 2001,2003, 2006). Foco analítico: como o ensino de segunda língua tem sido desenhado na era das mídias. Pesquisa de base qualitativa (NEVES, 1996, BAUER E GASKELL, 2003) com interpretação e reinterpretação de dados. Objetivo de reconhecer especificidades de contexto marcado por diferentes microssistemas de ensino existentes. Análise revelou possibilidades para o ensino de PBSL guiadas pelo letramento visual no planejamento de cursos de língua. Atualidade pedecompetência no uso de diferentes modalidades da linguagem. Implementação de mídias orientadas por enfoque multimodal, segundo Ferraz (2011), pode favorecer o ensino da língua alvo.

Palavras-chave: Multimodalidade; PLE; Globalização; Mídias digitais.

 

Minibiografia:

Mestre e Doutora em Linguística pela Universidade de Brasília. Professora Adjunta LIP-IL-UnB. Diretora do Interfoco – Centro Interdisciplinar de Formação Continuada DEX/UnB.


Comunicação 21

Interação escola – comunidade: letramento e tecnologias digitais nas experiências do Laboratório de Leitura e Produção Textual do CTF/UFPI

Autores:

José Ribamar Lopes Batista Júnior – Universidade Federal do Piauí/LPT/CNPq – ribasninja16@gmail.com

Denise Tamaê Borges Sato – Governo do Estado do Goiás – denisetamae@gmail.com

 

Resumo:

O Colégio Técnico de Floriano/UFPI abriga alunos do Ensino Médio Profissionalizante e oferece os cursos de Agente Comunitário de Saúde, Informática, Enfermagem e Agropecuária. Ao iniciar as atividades em 2009, percebemos a necessidade de aliar o conhecimento acadêmico ao conhecimento prático e profissional, preparando esses jovens para a atuação em sociedade. Nesse contexto, em 2011, surge o Laboratório de Leitura e Produção Textual (LPT) como alternativa às aulas padronizadas com conteúdos fragmentados. Assim, os projetos de letramento, com foco no desenvolvimento das habilidades letradas orais e escritas, foram desenhados com base na proposta de letramento de Barton (2007) e Barton e Hamilton (1998). Neste trabalho, apresentamos os projetos desenvolvidos, no Laboratório, de 2013 a 2016: Pipoca Cultural, Leitura em Cena, Quer Que Eu Desenhe?, Polêmicas em Debate, Ação Legal, Radiotec e Oficinas LPT. Como proposta comum aos projetos, agregamos o uso das tecnologias digitais, em especial a internet e as redes sociais. Esses novos usos da leitura e da escrita – letramentos, formam um campo vasto de investigação, principalmente, quando associado às questões educacionais. Os resultados apontam para o incremento da aprendizagem e do desenvolvimento da autonomia argumentativa e de atuação social. Desta forma, percebemos a produtividade de se promover nas aulas de Língua Portuguesa os usos sociais da leitura e da escrita, bem como das tecnologias digitais que fazem parte da vida cotidiana dos alunos. Igualmente, os resultados também demonstram a melhoria no desempenho dos discentes, sua maior proficiência em português na modalidade padrão de forma prática e crítica.

Palavras-chave: Tecnologias Digitais; Ensino de Língua Portuguesa; Projetos de Letramento.

 

Minibiografias:

Autor 1: Doutor e Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília. Atualmente, é professor do ensino básico, técnico e tecnológico da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e coordenador do Laboratório Experimental de Ensino e Pesquisa em Leitura e Produção Textual (LPT/CNPq). Dedica-se a estudos nas áreas dos Novos Estudos do Letramento e da Análise de Discurso Crítica.

Autora 2: Doutora e Mestra em Linguística pela Universidade de Brasília. Colaboradora permanente do Laboratório Experimental de Ensino e Pesquisa em Leitura e Produção Textual (LPT/CNPq). Dedica-se a estudos nas áreas dos Novos Estudos do Letramento e da Análise de Discurso Crítica.


Comunicação 22

O olhar discente sobre as tecnologias digitais e o ensino de língua portuguesa

 

Autores:

Josiane Brunetti Cani – Universidade Federal de Minas Gerais – josicani@gmail.com

Elizabete Gerlânia Caron Sandrini – Universidade Federal do Espírito Santo – elizabetecaron@yahoo.com.br

 

Resumo:

Nos últimos anos houve um aumento considerável em pesquisas relacionadas ao uso das Tecnologias Digitais de Informação e de Comunicação (TDICs) na educação numa tentativa de aproximar os saberes para a formação discente e as linguagens produzidas pela sociedade.  Articulando essa preocupação com os mecanismos de concretização das práticas pedagógicas com o uso das TDICs, surgiu nosso interesse por esta pesquisa: como os discentes enxergam a possibilidade da aplicação das tecnologias em sala de aula? Sendo esses os protagonistas da educação e, normalmente, envolvidos no meio digital, como poderiam contribuir com o ensino por meio das TDICs? O objetivo, assim, é identificar junto aos alunos usos das tecnologias digitais que possam contribuir com o ensino de Língua Portuguesa. Nessa perspectiva, nossa teoria será embasada pelos estudos sobre a importância do letramento digital dos professores com Coscarelli, Freitas, Lévy, Marcuschi, Soares, Street e Xavier; e sobre os novos espaços da cultura digital, com Araújo, Braga, Coll & Monereo, Kenski, Lévy, Moran, Pinheiro e Pocho. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa-ação, pois apresenta como característica a colaboração e negociação entre um especialista e os demais participantes da pesquisa “[…] com vistas a alcançar um resultado prático” (GIL, 2010, p. 42). Os participantes serão discentes do Ensino Médio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes), campus Colatina. O olhar desses participantes pelo uso das TDICs poderá representar uma motivação aos professores em suas práticas pedagógicas, configurando-se em um potencial recurso didático-pedagógico para modernizar, qualificar e aprimorar o processo de ensino e de aprendizagem. Com este estudo, esperamos estruturar mapas das TDICs disponibilizadas na Internet para apoio ao ensino; enriquecer o trabalho pedagógico com o uso das TDICs em sala de aula e produzir informações sobre o ganho do uso das TDICs pelo olhar dos discentes.

Palavras-chave:  Tecnologias Digitais; discentes; Ensino de Língua Portuguesa.

 

Minibiografias:

Autora 1: Doutoranda em Linguística Aplicada pela UFMG e Mestre em Educação. Membro dos grupos de Estudos e de Pesquisa do Ifes “Língua, Literatura e Educação” e da UFMG “Texto Livre: Semiótica e Tecnologia” com dedicação aos Multiletramentos, Tecnologias digitais e ensino de Língua Portuguesa.

Autora 2: Doutoranda em Letras pela Ufes. Autora de capítulos de livros e periódicos na área de Literatura Brasileira. Membro de grupos de pesquisa e de estudos no Ifes – “Língua, Literatura e Educação” – e na Ufes – “Literatura, a ideia de Comunismo e Kynismo” e “Literatura, Indústria Cultural e Letramento Crítico.


Comunicação 23

Da poesia visual à artemídia: um relato de experiências sobre os diálogos entre Arte e Tecnologia

Autoras:

Juliana Pádua Silva Medeiros – USP – julianapadua81@gmail.com

Priscilla Barranqueiros Ramos Nannini – UNESP – prnannini@uol.com.br

Resumo:

Na chamada “Idade Mídia”, faz-se necessário um modo de olhar o mundo capaz de apreender a construção dos sentidos das mais complexas formas de expressão artística. Segundo Canevacci (2010), na sociedade contemporânea, o “olhar viaja entre uma complexidade diferenciada de códigos, salta entre uma imagem modernista, uma citação clássica, uma visão experimental”, ou seja, design, escultura, pintura, performance, fotografia, vídeo, arte pública, entre outros, acabam trazendo novos desafios ao homem nos processos de interpretação/interação, consequentemente à educação do novo milênio. Por isso, com o objetivo de aprimorar a sensibilidade estética frente a essas produções híbridas, fluídas, interativas que emergem desse universo multissemiótico, o projeto de investigação “Arte na Idade Mídia: Das reflexões sobre o universo midiático às experimentações artístico-tecnológicas” (2016) convidou os educandos a refletirem e explorarem os diálogos entre Arte e Tecnologia. Sob essa óptica, a presente comunicação busca relatar uma série de experiências acerca da produção poética, realizada com um grupo de alunos do Ensino Médio do Colégio São Domingos (São Paulo): por meio do imbricamento de linguagens, os estudantes convocaram novos sentidos para experiências sinestésicas de leitura, assim, a palavra (matéria-prima dos poemas concretos) foi desdobrando-se em outros artefatos semânticos, tais poemóbiles (tridimensional), vídeo-poemas (cinético), ciberpoesias (locativo) e instalações (interativo), extrapolando os lugares fixos de produção e de recepção.

Palavras-chave: Arte; Escola; Linguagens; Poesia; Tecnologia.

Minibiografias:

Autora 01: Membro do Grupo de Pesquisa em Produções Literárias e Culturais para Crianças e Jovens (USP), mestre em Letras pelo programa de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa (USP), especialista em Literatura e Artes Visuais (UNIFEV), graduada em Letras (FEF), arte-educadora pelo viés da educomunicação e, atualmente, leciona Língua Portuguesa no Colégio São Domingos.

Autora 02: Membro do Grupo de Pesquisa em Produções Literárias e Culturais para Crianças e Jovens (USP), doutora em Artes (UNESP), mestre em Artes Visuais (UNESP), graduada em Educação Artística com habilitação em Artes Plásticas (UNESP), designer gráfico desde 1995, arte-educadora e, atualmente, leciona Artes no Colégio São Domingos. Já participou de exposição de obras em galerias e coletivos de arte. 


Comunicação 24

Dos exercícios de ver à produção midiática: um relato de experiências acerca do mundo editado

Autora:

Juliana Pádua Silva Medeiros – USP – julianapadua81@gmail.com

Resumo:

Este relato de experiências busca discorrer sobre o projeto de investigação “O mundo editado: exercícios de ver e de produção midiática” (2015), realizado no Colégio São Domingos, (São Paulo) com alunos do Ensino Médio. A proposta de trabalho consistia em promover a leitura crítica dos meios de comunicação e a produção de bens midiáticos, pois, cada vez mais, o papel da escola é compreendê-los para além do universo da informação e da produção de conhecimento, uma vez que eles passam também pelas relações interpessoais. No que tange à leitura crítica dos meios, os alunos foram convidados a refletir sobre a construção dos sentidos em textos verbais, imagéticos, sonoros, audiovisuais e hipermidiáticos a partir de uma espécie de pesquisa-ação, pois uma educação de cunho humanista, como destaca Jésus Martín-Barbero, “[…] desvenda criticamente em cada mediação escolar (livro, filmagem, ferramenta comunicativa) o bom que existe no mau e o mau que se oculta no mais sublime. Porque o humanismo não se lê nem se aprende memorizando, mas por contágio.”. No veio da produção midiática, os estudantes vivenciaram diferentes situações, as quais pontuaram que a verdadeira comunicação não admite um discurso único, mas sim a possibilidade de muitas vozes. Por isso, foram experimentadas – de maneiras críticas, criativas e colaborativas – inúmeras possibilidades de expressão: esquetes, fanzines, cartazes, entrevistas, vídeos de bolso, animações, HQs, entre outros. No mais, a presente comunicação visa tecer uma análise reflexiva acerca do grande desafio da educação, no terceiro milênio, que é abordar a complexidade de pensamento e de vida, pois cada vez mais o ser humano está imerso em um mundo editado, o qual, segundo Maria Aparecida Baccega, “[…] é redesenhado num trajeto que passa por centenas, às vezes, milhares de mediações, até que se manifeste no rádio, na televisão, no jornal, na cibercultura.”.

Palavras-chave: Educação Básica; Leitura Crítica; Produção Midiática; Projeto de Investigação.

Minibiografia:

Membro do Grupo de Pesquisa em Produções Literárias e Culturais para Crianças e Jovens (USP), mestre em Letras pelo programa de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa (USP), especialista em Literatura e Artes Visuais (UNIFEV), graduada em Letras (FEF), arte-educadora pelo viés da educomunicação e, atualmente, leciona Língua Portuguesa no Colégio São Domingos.


Comunicação 25

O processo busca/pesquisa na internet: gestos de leitura econdições de produção da autoria na escola

Autora:

Katia Cristina Schuhmann Zilio – Universidade do Contestado – katiaz@unc.br

 

Resumo:

Compreender o processo de inscrição do sujeito-aluno em uma discursividade online e, particularmente, na textualidade do buscador Google, coloca a autoria em questão, o que o faremos à luz da análise do discurso. Pesquisar e refletir como se dá a busca, como se dá a circulação da informação, e como ela se transforma em conhecimento, é importante para uma sociedade que, cada vez mais, acolhe informações. Nosso foco é analisar  as condições de produção da autoria quando se estabelece a busca por um tema (prática de pesquisa escolar) em turmas de quinto ano de duas escolas públicas, para posteriormente propor uma prática que possa tornar mais refletida e qualificada a busca/pesquisa nas escolas. O objetivo final desta pesquisa é  qualificar essa prática.  A coleta de dados foi realizada pelas acadêmicas do curso de Pedagogia, que desenvolveram experiência de docência em duas escolas, em três turmas de quinto ano do ensino fundamental, com projeto “Formação docente: tecnologia e interdisciplinaridade”. Trabalhamos com a composição do corpus na modalidade experimental, por meio de arquivos constituídos durante a pesquisa. Nesse sentido, foram filmadas as abordagens de busca/pesquisa dos alunos, tanto na internet, como com materiais escritos. Os resultados apontam para o fato de que os caminhos escolhidos pelos estudantes revelam o desconhecimento deles do processo de pesquisa em textualidade digital. Ao refletirmos sobre a autoria, percebemos a mobilização da função-autor no processo de busca/pesquisa dos alunos do quinto ano e das acadêmicas bolsistas, mas tal função tende ao apagamento pelas paráfrases impostas pelo Discurso Pedagógico. Instaurar formas polêmicas a fim de mobilizar a função-autor, não é tarefa fácil na Escola, mas é tarefa necessária para o processo de textualização. No caso aqui trabalhado, tendo partido da noção de Gallo (2008) de prática de textualização, chegamos à proposição do que chamamos prática de textualização digital.

Palavras-chave: Análise de Discurso; Pesquisa/Busca; Autoria; Prática de Textualização Digital.

 

Minibiografia:

Doutora em Ciências da Linguagem UNISUL  (2012-2016), Mestrado em Educação UNIVALI (2003), graduada Letras Universidade do Oeste de Santa Catarina (1997) e em Ciências Contábeis pela  Universidade do Contestado (1988) e graduanda em Pedagogia pela Universidade do Contestado. Atualmente é professora titular da Fundação Universidade do Contestado, das redes pública e privada de ensino.


Comunicação 26

Elaboração de software educativo para o estudo da língua portuguesa em uso

 

Autora:

Laura Dourado Loula Régis – Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) – douradoloula@gmail.com

 

Resumo:

Com o intuito de estreitar as fronteiras entre a escola e as tecnologias digitais, bem como de desconstruir uma visão equivocada de independência entre o uso real da língua e os conteúdos de gramática, elaboramos um software educativo para estudo dos operadores argumentativos em tablets. Orientados pela concepção bakhtiniana de língua como interação, foram mobilizados os conceitos de operadores argumentativos, classes e escalas argumentativas (DUCROT, 1981), na tentativa de oferecer um material que subsidiasse uma abordagem reflexiva da língua. O objetivo desse trabalho reside, pois, na descrição de um software educativo elaborado para o estudo dos operadores argumentativos e das classes e escalas argumentativas. Os resultados demonstram que o software em questão possibilita a manipulação do material linguístico nos textos virtuais e promove ações diversas, tais como: movimentação dos argumentos na tela do tablet; posicionamento dos argumentos nas classes e escalas argumentativas; reflexão sobre o posicionamento inicial dos argumentos; reordenação dos argumentos; seleção do operador argumentativo mais adequado para a classe ou escala argumentativa em estudo; reflexão sobre a primeira escolha do operador e alteração das escolhas. O software colabora, pois, para uma concepção de língua como interação, desde que o professor assuma a função de mediador entre o objeto de estudo e a aprendizagem do aluno. Como no Brasil não há na literatura sobre Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) referência a aplicativos dessa natureza para o ensino de Língua Portuguesa, os resultados apontam a necessidade urgente de discussão e elaboração de softwares educativos que, ao mesmo tempo, estreitem as fronteiras entre a escola e o ciberespaço e possibilitem uma abordagem reflexiva de língua.

Palavras-chave: software educativo; operadores argumentativos; ensino de Língua Portuguesa.

Minibiografia:

Doutora em Linguística Aplicada pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística (Proling) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa, Paraíba, Brasil. Professora titular da Unidade Acadêmica de Letras (UAL) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Campina Grande, Paraíba, Brasil. 


Comunicação 27

Habilidades necessárias para o letramento digital: o ponto de vista de matrizes de avaliação e de planejamento

Autoras:

Leila Rachel Barbosa Alexandre – Universidade Federal de Minas Gerais/Universidade Federal do Piauí – leilarachel@gmail.com

Carla Viana Coscarelli – Universidade Federal de Minas Gerais – cvcosc@gmail.com

 

Resumo:

O universo digital precisa compor a agenda das agências de letramento das pessoas de nossa sociedade contemporânea, a fim de que elas sejam capazes de se apropriar dos textos disponíveis nele como leitores e como produtores de conteúdos de textos multimodais de diversos gêneros. Sendo assim, o presente trabalho tem como objetivo analisar matrizes de habilidades que envolvem o letramento digital, a fim de verificar o que elas exigem ou esperam dos professores e dos alunos em relação às habilidades relativas ao letramento digital. Foram analisadas e contrastadas diferentes matrizes: SAEB, ENEM, INAF, PISA, ISTE e a matriz proposta por DIAS e NOVAIS (2009). Podemos perceber que essas matrizes trazem uma visão convergente do que precisa ser trabalhado para o desenvolvimento de um letramento digital efetivo e desejável nos alunos que colabore para a formação deles como cidadão de um mundo em que equipamentos digitais são uma presença em constante crescimento. As matrizes brasileiras de avaliação de larga escala como o SAEB e o ENEM, no entanto, nem sempre mencionam direta, explícita e efetivamente as habilidades que lidam com o letramento digital, o que aponta para o fato de que elas precisam ser atualizadas a fim de atenderem as demandas da nossa sociedade contemporânea. Da comparação das matrizes elencadas, fica evidenciado que habilidades relacionadas ao letramento digital e aos multiletramentos precisam ser destacadas para que orientem os professores na formação de cidadãos participativos. Além disso, compreende-se que habilidades referentes a conhecimentos técnicos para utilização de tecnologias específicas devem ser relacionadas claramente tanto às habilidades de leitura e escrita quanto às habilidades sociais que se deseja fomentar a partir dessas tecnologias para a formação de um cidadão digital.

Palavras-chave: Letramento Digital. Multiletramentos. Leitura. Escrita. Matrizes de Habilidades.

Minibiografias:

Autora 1: Mestre em Letras pela Universidade Federal do Piauí. Cursa doutorado em Estudos Linguísticos na Universidade Federal de Minas Gerais, sob a orientação da Profa. Dra. Carla Viana Coscarelli. É professora da Universidade Federal do Piauí, onde também participa do Núcleo de Pesquisa em Texto, Gênero e Discurso Cataphora. Atualmente, dedica-se a estudos na área de Linguística Aplicada, em especial às relações entre letramento digital e letramento acadêmico.

Autora 2: Doutora e Mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais. Possui pós-doutorado em Ciências Cognitivas pela University of California San Diego e pós-doutorado em Educação pela University of Rhode Island. Atualmente é Professora Titular da Universidade Federal de Minas Gerais, onde participa do Núcleo de Pesquisa Lingtec, do Ceale e coordena o Projeto de Extensão Redigir. Desenvolve pesquisas sobre a leitura em ambientes digitais e sobre o letramento digital. 


Comunicação 28

Um gênero para o ativismo: o uso de memes por movimentos de ocupação estudantil

Autora:

Luciane Cristina Eneas Lira – Instituto Federal de Brasília (IFB) – luciane.lira@ifb.edu.br

 

Resumo:

No ano de 2016, o Brasil vivenciou período político delicado que marcou a história do país. A realização de um impeachment presidencial e posteriores decisões governamentais colaboraram para um clima de tensões e incertezas sociais que paira sobre o território nacional.  Dentre as medidas governamentais divergentes, destacou-se a Proposta de Emenda à Constituição n.º 55, de 2016, que institui “Novo Regime Fiscal”, que limita, pelos vinte anos seguintes, as despesas primárias dos Poderes e órgãos da União, corrigidas anualmente pela inflação apurada no ano anterior. Também gerou controvérsias a Medida Provisória 746, de 2016, que instaura reforma no Ensino Médio, alterando a Lei de Diretrizes de Bases da Educação. Em face dessas medidas que trazem impactos profundos ao contexto educacional, o movimento estudantil deu início a uma série de protestos por todo país, marcados, dentre outros, pelas ocupações de escolas, institutos federais e universidades. Diante da pouca visibilidade desses movimentos sociais pela grande mídia brasileira, as redes sociais tornaram-se o meio de divulgação principal das ações desses movimentos. Dentre os diversos gêneros textuais utilizados nas páginas virtuais dos movimentos estudantis, os “memes” são muito recorrentes. Este trabalho, portanto, interessa-se por investigar a produção e a divulgação de memes elaborados por estudantes de duas instituições ocupadas, no Distrito Federal e no estado de Goiás, a partir de oficina aberta ministrada em ambas as ocupações. Dão suporte às análises as contribuições da Análise de Discurso Crítica, nos estudos de Fairclough (2001, 2003 e 2010) e Wodak e Meyer (2009). Os resultados indicam que a produção dos memes reflete e constrói o envolvimento dos estudantes no movimento social das ocupações. Os textos dão significativa contribuição para o fortalecimento das posições defendidas pelos agentes sociais e refletem, por outro lado, os enfrentamentos que as dinâmicas do movimento promoveram nos contextos das ocupações.

Palavras-chaves: Memes; Discurso; Movimento de ocupação estudantil.

 

Minibiografia:

Possui licenciatura em Letras Língua Portuguesa pela Universidade de Brasília (2006), mestrado em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Brasília (2009) e doutorado em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística (2015) pela mesma instituição. É professora de Língua Portuguesa e Linguística no Instituto Federal Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB), campus São Sebastião.


Comunicação 29

Gêneros discursivos e multiletramento: textos no contexto digital

Autora:

Lucimar Pinheiro da Silva Sampaio – GECAL/UnB – lucimarsampaio@gmail.com

 

Resumo: 

É perceptível que o interesse por novos métodos de ensino nesta era considerada digital vem aumentando, o que é urgente e necessário para que a escola não fique tão distante da realidade tecnológica impactante que ainda está do lado fora dos muros. A tecnologia na escola ainda é tabu e quem está em contato cotidiano com a educação básica reconhece que o avanço tecnológico no ensino, infelizmente, não acompanha a evolução da era digital. Entretanto, várias atividades são desenvolvidas para diminuir este distanciamento e esta proposta de comunicação é o resultado de um trabalho desenvolvido com alunos do ensino médio que envolveu o estudo de contos, enquanto gêneros discursivos, os quais foram amplamente estudados e apresentados por meio do uso das tecnologias em sala. A fim de minimizar o espaço entre a tecnologia e o ensino em sala de aula, os estudantes imergiram no ambiente virtual e seguiram um roteiro de trabalho, no qual produziram vídeos para avaliar, divulgar e indicar contos diversos a outros leitores. A preparação e, posteriormente, análise desta proposta de ensino foi embasada nos estudos de gêneros discursivo de Bakhtin e no estudo da linguagem sob a ótica da Linguística Aplicada, privilegiando a bagagem histórico-social e cultural, numa “perspectiva do uso/usuário no processo de interação linguística escrita e oral” (MOITA LOPES, 1996, p.20). Paralelamente, os gêneros discursivos foram analisados a partir dos conceitos de multiletramento, que nesta proposta de análise entende que “aponta para dois tipos específicos e importantes de multiplicidade […] a multiplicidade cultural das populações e a multiplicidade semiótica (ROJO, 2012, p.13). Dentre várias conclusões, ficou perceptível que é cada vez mais necessária a aplicação de práticas de ensino que valorizem o conhecimento, atreladas a um ensino inovador, capaz de atingir o objetivo da aprendizagem, ao mesmo tempo que se torne atrativa aos estudantes.

Palavras-chave: Multiletramento; Tecnologia na Educação; Gêneros discursivos.

Minibiografia:

Mestre em Educação pela UnB na área de Tecnologia da Edução. Especialização em Letramento e Praticas Interdisciplinares pela UnB. Membro do Grupo de Pesquisa Estudos Críticos e Avançados em Linguagem da Universidade de Brasília (GECAL). Atualmente, é professora regente de Língua Portuguesa – Ensino Médio na Secretaria de Educação do DF. Dedica-se a estudos sobre multiletramentos e tecnologias em práticas de ensino.  


Comunicação 30

Escola, tecnologias digitais e ENEM: o que é discutido? O que é ensinado? O que é avaliado?

Autora:

Lucinete Maria da Silva – lucymaria_silva@hotmail.com

Resumo:

As tecnologias digitais permeiam todos os espaços sociais e, a escola, enquanto agência oficial de disseminação do saber e, preparação do cidadão para inseri-lo na sociedade, dotando-o de habilidades que atendam a manutenção e a evolução da mesma, especialmente, no que se refere ao mercado de trabalho, precisa oferecer os meios necessários de instruir os discentes através de práticas atualizadas que tornem esses alunos aptos a atuarem na sociedade tecnológica, que exige dos sujeitos um envolvimento constante nas mais diversas situações do cotidiano. Partido dessa exposição justifica-se a presente investigação, que tem como objetivo geral analisar as provas do exame nacional do ensino médio (ENEM), da área linguagens, códigos e suas tecnologias, dos últimos quatro anos, verificando se as questões da referida área contemplam situações em que o contexto tecnológico seja abordado/avaliado. Para alcançar o objetivo geral elencou-se os seguintes objetivos específicos: ler e compreender as questões da área de linguagem, códigos e suas tecnologias; identificar questões que contemple o contexto tecnológico/digital; verificar, sob à luz da teoria do letramento digital, se as questões apresentadas avaliam  ou não a linguagem no contexto digital; Observar se a realidade social tecnológica, na qual os estudantes concludentes do ensino médio estão inseridos, é contemplada no exame. A abordagem metodológica utilizada será quantitativa e qualitativa, em que serão analisadas as últimas quatro provas do Enem; em seguida serão rastreadas e analisadas as questões da área em estudos, observando a adequação dos questionamentos da avaliação ao contexto tecnológico digital. O estudo será fundamentado nas teorias do letramento digital e social proposto: Carmo (2003), Castells (1993), Marcuschi (2001), Street (2014), Soares (2002), Xavier (2006) e outros; além da proposta do ENEM, dos PCNEM e pesquisas nacionais.

Palavras-chave: Tecnologia Digital; Ensino; Enem.

 

Minibiografia:

Professora do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico – Instituto Federal do Piauí (IFPI) – Campus Pedro II. Mestre em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal do Piauí (UFPI).


Comunicação 31

Conect@dos: Letramento e inclusão digital para estudantes em anos iniciais da escola pública

 

Autor:

Maikel Fontes de Melo – UFMG – maikelfdemelo@gmail.com

 

Resumo:

As ferramentas digitais e seus suportes (tablets, celulares, computadores portáteis) vêm transformando a sociedade, nessa perspectiva, faz-se necessário investigar as mudanças na vida dos estudantes e na prática escolar dos indivíduos no que se refere ao Letramento digital, principalmente por este tema ainda trazer ares de novidade e ser cercado de tabus em alguns espaços escolares. Dessa forma, a implementação do projeto Conect@dos  vem para contribuir na formação dos estudantes e na formação de professores, sendo uma disciplina que acontece desde fevereiro de 2016 em uma escola municipal em que leciono. Nesse projeto, semanalmente, os estudantes são divididos com outro professor em pequenos grupos, estes tem acesso ao computador onde realizam atividades que visam o empoderamento e a inserção das ferramentas digitais no contexto escolar.  No projeto, em andamento, os estudantes aprendem desde seu início a usar com consciência a tecnologia. Os temas variam desde Cyberbulling, etiqueta nas redes sociais, segurança e privacidade nas redes até informações consideradas básicas sobre uso de email, Word e outras possibilidades de um computador.  São atendidas nesse projeto um total de 120 estudantes com idades entre 9 e 11 anos.  Temos conseguido identificar qual é o grau de Letramento digital que nossos estudantes já trazem de suas vivências extra-escolares, contribuindo para compreender a contemporaneidade e traçar possibilidades para melhor desempenho acadêmico dos estudantes. Assim, o Conect@dos  atua na inclusão digital, uma vez que o letrado digital também é aquele usuário que não apenas recebe informações, mas também contribui para o enriquecimento das redes de informação e comunicação, produzindo e compartilhando conteúdos. Com o desenvolvimento do projeto, outras pesquisas serão elaboradas com coletas de dados, esse estudo vai abranger uma pesquisa sobre leitura online e produção de texto utilizando o ambiente digital.

Palavras chave: escola pública; ferramentas digitais; inclusão; Letramentos.

 

Minibiografia:

Graduado em Letras Licenciatura e Bacharelado pela UFMG.  Já atuou como monitor e bolsista no Projeto PID/ FALE-UFMG. Fez estágio no curso de Inglês MAI English. Cursou disciplinas de pós graduação com enfoque em Linguagem e Tecnologia. Leciona em escolas públicas de Contagem e Betim/MG. É colaborador do projeto “Redigir” desde Março/2014, realizando pesquisas no tema da linguagem, leitura e navegação online, e atividades para professores. 


Comunicação 32

Leitura, escrita, discurso e ciberespaço: uma intervenção didática com um blog pedagógico

 

Autores:

Manassés Morais Xavier – PROLING/UFPB/UFCG – manassesmxavier@yahoo.com.br

Symone Nayara Calixto Bezerra – PROLING/UFPB – symonebezerra@gmail.com

 

Resumo:

Partindo da articulação entre ensino de Língua Portuguesa e ciberespaço, objetivamos, neste artigo, relatar um estudo de caso oriundo das atividades proporcionadas pelo Projeto de Extensão “Lendo blogs políticos nas aulas de Língua Portuguesa do Ensino Médio” (PROBEX/UFCG/2014): uma intervenção didática realizada, de setembro a novembro de 2014, junto a alunos do 2º ano do Ensino Médio de uma escola pública localizada na cidade de Campina Grande – PB. O projeto consistia na leitura de matérias jornalísticas, hospedadas em um blog pedagógico criado para este fim, referentes às Eleições 2014 para Presidente da República e Governo do Estado da Paraíba e na escrita de artigos de opinião com temática política. O blog foi chamado de Leituras da mídia política: você faz? e pode ser encontrado no endereço http://leiturasdamidiapolitica.blogspot.com.br/ O intento do projeto recaiu na oportunidade de formação de sujeitos leitores e escritores crítico-responsivos. Neste sentido, especificamente para esta comunicação, analisamos as ferramentas utilizadas para a construção do conhecimento em sala de aula a partir do blog pedagógico supracitado. Apoiamo-nos nas contribuições teóricas de Bakhtin (2015; 2013; 2010), Bakhtin/Volochínov (2009), Almeida (2013a; 2013b), Sautchuk (2003), dentre outros. Sobre os resultados, verificamos o envolvimento da turma com a leitura de textos midiáticos e com a produção de comentários sobre tais textos no espaço tecnológico oferecido pela mídia participativa blog, evidenciando, portanto, a produtividade de práticas pedagógicas que associam tecnologia e formação crítica de estudantes de Língua Portuguesa em prol de uma educação atualizada, emancipatória.

Palavras-chave: Blog Pedagógico. Discurso Político. Leitura. Escrita. Ensino Médio.

 

Minibiografias:

Autor 1: Doutorando em Linguística pela UFPB. Mestre em Linguagem e Ensino pela UFCG. Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo – e Licenciado em Letras – Língua Portuguesa, ambas graduações pela UEPB. Professor Assistente de Língua Portuguesa e Linguística da UFCG. Desenvolve pesquisas tendo como referências teórico-metodológicas estudos da Análise Dialógica do Discurso, da Educomunicação, da Linguística Aplicada e das Teorias do Jornalismo.

Autora 2: Possui graduação em Letras pela UFPB e Mestrado em Linguagem e Ensino pela UFCG. Atualmente é aluna regular do Doutorado em Linguística na UFPB. Desenvolve pesquisas nas áreas da Análise Dialógica do Discurso e da Linguística Aplicada. Tem interesse por questões sobre formação inicial e/ou continuada de professores de Língua Portuguesa, gêneros discursivos, discurso político, leitura, escrita, discurso(s) e ensino de Língua Portuguesa.


Comunicação 33

O contexto de produção e de veiculação de videoaulas digitais na internet: análise do ensino de Gêneros em aulas de Português

Autora:

Margareth Cavalcante de Castro Lobato – Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás – mclobato@gmail.com

Resumo:

Na segunda década do século XXI , as videoaulas digitais foram popularizadas no Brasil e passaram a ser veiculadas  na internet de forma acessível. Pessoas e instituições começam a produzir e distribuir o próprio matéria audiovisual educativo. A vídeoaula de português surgiu depois de disciplinas como biologia, matemática, física. Visavam aos cursos a distância, mas foram apropriadas por alunos e professores. Que fenômeno é este? Quais seus impactos sobre a educação presencial? Esta pesquisa teve como objetivos compreender o contexto de produção e de veiculação de videoaulas digitais de português, enfocando o ensino de gêneros textuais, e verificar o seu potencial como instrumento de mediação pedagógica no processo de ensino-aprendizagem de gêneros textuais. Apoia-se em Belloni (2001),  Cinelli (2003) e Moran (1995) para estudar a relação sensorial e cognitiva entre  audiovisual e a aprendizagem; no Sóciointeracionismo (Vygotsky, ) e no papel da mediação (Freire, 2003) para os processos pedagógicos; e em Bakhtin (1990), para compreensão dos Gêneros. Através de metodologias qualitativas, propusemos a análise de videoaulas sobre Gêneros no período de julho de 2015 a dezembro de 2016.  Como se trata de um fenômeno muito recente e em processo de mudança, determinar o que é importante como categoria de análise ainda sofre alterações. De quantos sites, em qual universo? Os dados buscam, como contexto de produção: a quem é dirigido, como foi produzido, onde é veiculado, acessibilidade, adequação ao público, interatividade. As análises dos dados buscam inferências sobre as relações entre o tema e o seu contexto. Os resultados preliminares apontam para a coexistência de modelos fixos e a construção de nova proposta. E delineiam-se algumas tendências: atribuição de novos papéis à docência, como planejamento e roteirização de vídeoaulas; fortalecimento da função pedagógica de mediação – professor mediador; e, por fim, o desenvolvimento de novas metodologias, como a aula invertida.

Palavras-chave: videoaulas; ensino virtual; Língua Portuguesa; gêneros.

Minibiografia:

Possui graduação em Letras Modernas,  mestrado em Educação – UnB (1995) e é doutoranda em Linguística – FL/UFG ( em curso). Atua na FL/ UFG, com Estágio de Língua Portuguesa, Projetos interdisciplinares em sala de aula, Produção de Material didático para EaD e Internet e Ensino. Desenvolve projeto de pesquisa e extensão sobre o “Contexto de Produção e Veiculação de Vídeoaulas Digitais e Ambientes Virtuais de Aprendizagem”. Tem como campos de atuação: formação de professores, tecnologias na educação, com ênfase em ensino on-line, pedagogia de projetos e interdisciplinaridade.


Comunicação 34

Redes sociais e o ensino de literatura: uma reflexão sobre a noção de autoria

 

Autora:

Maria Eneida Matos da Rosa – IFB/ São Sebastião – eneida.rosa@ifb.edu.br

 

Resumo:

O presente artigo intitulado “Redes sociais e o ensino de literatura: uma reflexão sobre a noção de autoria” tem como objetivo analisar e compreender as influências dos novos meios tecnológicos, através do uso indiscriminado de citações de autores nas redes sociais, tencionando verificar se é possível trabalhar com tal influência no incentivo à leitura na sala de aula. A pesquisa em questão examina o porquê de escritores como Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector e Luís Fernando Veríssimo, objetos da pesquisa, serem tão populares em divulgações no “ciberespaço” e se existe uma motivação dos “leitores virtuais” pelos autores preferidos na internet, também fora desse espaço de navegação. Para entendermos esse fenômeno, é importante verificarmos o processo histórico que os levou até essa escolha, bem como tratar de conceitos relacionados ao ciberespaço, hipermídia e hipertexto em autores como Pierre Levy, Umberto Eco, bem como própria questão da formação do leitor e o ensino de literatura.

Palavras chave: redes sociais; literatura brasileira; ensino: formação do leitor.

 

Minibiografia:

Possui graduação e especialização em Letras pelo Centro Universitário Franciscano (2001), mestrado em Literatura pela Universidade Federal de Santa Maria (2003) e doutorado em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2009). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teoria da literatura, atuando em temas como literatura brasileira, literatura e ensino, modernidade, hipermídia e hipertexto. É docente do Instituto Federal de Brasília, campus São Sebastião. Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília – IFB.


Comunicação 35

Comunicação/o hipertexto e a consciência linguística crítica  nas aulas de língua portuguesa

Autoras:

Maria Olívia dos Santos Ferreira – Instituto Federal de Brasília (IFB) – olivia.asf@gmail.com

Luciane Cristina Eneas Lira – Instituto Federal de Brasília (IFB) – luciane.lira@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho investigou o uso das ferramentas tecnológicas nas aulas de língua materna e sua relação com o desenvolvimento da consciência linguística crítica dos estudantes. O uso de novas tecnologias em sala de aula é um tema de destaque em pesquisas recentes na área de educação e apontam para a necessidade de priorizar práticas de ensino afinadas com as mudanças sociais. As análises partiram dos pressupostos teóricos da Análise de Discurso Crítica e sua relação com o ensino, considerando as contribuições de Fairclough (2001, 2003). Essa disciplina parte de questionamentos críticos da vida em sociedade em relação à política, à moral, à justiça social e poder. Nessa concepção teórico-metodológica, o desenvolvimento da Consciência Linguística Crítica constitui um dos objetivos de um ensino de língua materna que promova a educação linguística dos estudantes. Essa pesquisa qualitativa ocorreu em duas escolas de Ensino Fundamental, na cidade de São Sebastião-DF, pelo período de um mês. Além da observação, realizou-se entrevistas semiestruturadas aos professores colaboradores. Focou-se, portanto, em verificar a utilização de tecnologias digitais nas aulas de Língua Portuguesa e qual o tratamento dado ao hipertexto e ao desenvolvimento da consciência linguística dos estudantes.  Os resultados preliminares demonstraram que houve pouca menção e nula utilização de tecnologias digitais no período de observação. Contudo, na entrevista, os docentes enfatizaram que desenvolvem projetos e ou atividades de pesquisa com o uso de tecnologias diversas, inclusive o whatsapp. Relataram as dificuldades na realização desse trabalho, pois alguns estudantes não possuem acesso à internet, smartphone ou e-mail e também porque a escola não possui laboratórios de informática com internet, dificultando, assim, o desenvolvimento desse tipo de abordagem.

Palavras-chave: Novas Tecnologias; Hipertexto; Consciência Linguística Crítica; Análise do Discurso; Ensino de Língua Portuguesa.

 

Minibiografias:

Autora 1: graduanda do 6º semestre do curso de Letras-Licenciatura em Língua Portuguesa, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB), campus São Sebastião; cursou Técnico em Multimeios Didáticos, no Centro Universitário UDF (2014), bolsista de PIBIC (2014) e (2016), atuando em pesquisas nas áreas de  Sociolinguística, Língua Portuguesa, Análise do Discurso e Ensino.  

Autora 2: possui licenciatura em Letras Língua Portuguesa pela Universidade de Brasília (2006), mestrado em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Brasília (2009) e doutorado em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística (2015) pela mesma instituição. É professora de Língua Portuguesa e Linguística no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB), campus São Sebastião.  


Comunicação 36

O uso dos celulares em aulas de Língua Portuguesa em escola pública na cidade de Uberlândia/MG: relato de uma experiência

Autores:

Maria Virgínia Dias de Ávila – Universidade Federal de Uberlândia/Faculdade Fatra – mariavirginiadiasavila@gmail.com

Eloy Alves Filho – Instituto Master Presidente Antônio Carlos (IMEPAC/Araguari)/Universidade de Uberaba – eafilho@ufv.br

Resumo:

A conexão em praticamente tempo integral, associada às diversas funcionalidades que os aparelhos móveis possuem, tem provocado nos usuários um novo comportamento em relação ao uso dos celulares. Na sala de aula não é diferente. Diante dessa realidade, surge um desafio para os professores: como utilizar os celulares como ferramenta didático-pedagógica? Essa questão deve estar também nos cursos de graduação para formação de professores. Essa comunicação tem por objetivo apresentar um relato de uma experiência utilizando o aparelho celular em aulas de Língua Portuguesa.  Este trabalho é resultante de um projeto de extensão de uma universidade federal em Minas Gerais em parceria com uma escola pública de Uberlândia-MG. É relevante, pois pôde apontar caminhos para os professores em formação utilizarem recursos tecnológicos nas aulas e aqueles já atuantes puderam viabilizar a incorporação, no processo ensino-aprendizagem, atividades com uma nova ferramenta didático-pedagógica. Como embasamento teórico foram utilizados autores como Brito e Purificação (2011); Piva Junior (2013); Moran (2004) e Paiva (2013) sobre o uso de tecnologias e formação de professores. A metodologia utilizada foi o projeto de extensão “O uso dos celulares em aulas de Língua Portuguesa” desenvolvido com a participação dos alunos do curso de Letras, uma professora do curso de Letras e outra do Ensino Fundamental e os pesquisadores. Ministraram-se doze aulas com atividades reais utilizando o celular como recurso didático-pedagógico com turmas do 9º ano. De 92 alunos, apenas 2 não portavam o celular e, aproximadamente, 60% deles possuíam conexão com internet. Foi possível confirmar que os celulares podem ser amplamente utilizados em sala de aula, desde que haja um planejamento coerente com as atividades e com a realidade. Dentre as atividades: pesquisas sobre notícias da cidade para análise; leitura de artigos de opinião e redação de carta de leitor no site do artigo; produção e divulgação de charges.

Palavras-chave: Tecnologia e ensino, Tecnologia e formação de professor, Uso do celular em aulas.

Minibiografias:

Autor 1: Doutoranda em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Uberlândia. Formada em Letras, atuou como docente do Ensino Fundamental e Médio e, atualmente, é docente do nível superior na Faculdade Fatra. Atualmente, desenvolve pesquisas envolvendo o uso de tecnologias em aulas de Língua Portuguesa. A pesquisa de Doutorado está centrada na formação de professores, os alunos do curso de Letras de uma universidade federal, para o uso dos celulares em aulas de Língua Portuguesa.

Autor 2: Doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo/USP. Estágio Pós-Doutorado na Universidade de Coimbra – Portugal. Docente do Instituto Master Presidente Antônio Carlos –IMEPAC – Araguari-MG nos cursos de Graduação e docente da Universidade de Uberaba – UNIUBE – Uberlândia-MG no curso de Pós-Graduação Mestrado em Educação. Autor de vários capítulos de livros e centenas de trabalhos apresentados em congressos nacionais e internacionais.


Comunicação 37

Ensino da Língua Portuguesa, Cibercultura e Identidade no contexto da educação brasileira

 

Autoras: 

Marietta Nunes Nidecker – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) – marinidecker@gmail.com

Ana Paula da Silva Conceição Oliveira – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) – ana.pedagogia@yahoo.com.br

 

Resumo: 

O presente trabalho objetiva refletir, a partir de pressupostos sociolinguísticos, sobre algumas questões que envolvem variações linguísticas, ensino da Língua Portuguesa, tecnologia e preconceito. Tópicos como atividade social da língua, aceitação das variantes linguísticas e posicionamento do sistema educacional brasileiro diante da diversidade serão analisados. Como metodologia, foi utilizada a pesquisa bibliográfica e documental, ampliando a discussão através dos referenciais teóricos. A pesquisa descritivo-qualitativa também foi utilizada para observação de comportamentos e análise de resultados relacionados ao eixo temático. Reconhecendo o uso das redes sociais como espaço de expressão e diálogo na atualidade, estudamos alguns movimentos que utilizam o Facebook como ambiente de reflexão e proliferação de causas importantes, sendo a leitura e a produção textual escrita atividades fundamentais, que possibilitam aos sujeitos uma postura mais crítica e consciente frente aos desafios característicos da sociedade da tecnologia, da informação e da comunicação. No entanto, observa-se ainda no ambiente escolar, um notório preconceito direcionado ao formato linguístico utilizado nos espaços predominantemente virtuais. Verificamos a necessidade de articular, sem preconceitos, a realidade do aluno, o conteúdo acadêmico e as TICs, visando ao desenvolvimento de experiências que estimulem a ampliação do conhecimento de todas as variedades sócio-linguísticas, para que o espaço de sala de aula deixe de ser um local para o estudo exclusivo das variedades de maior prestígio social e se transforme num laboratório vivo de pesquisa da linguagem em sua multiplicidade de formas e usos.

Palavras-chave: Linguagem; Cibercultura; Educação; Preconceito Linguístico.

 

Minibiografias: 

Autora 1: Mestranda da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Formada em Letras (Português-Literaturas), desde 2005. Dedica-se à pesquisa formação, voltada para sociolinguística – Linha de Pesquisa Políticas, direitos e desigualdades. Leciona e desenvolve projetos de Produção textual, atualmente, no Colégio São Vicente de Paulo e na Rede Estadual de Educação (RJ).

Autora 2: Mestranda da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Pedagoga, Especialista em Tecnologia Educacional e em Gestão e Implementação de Educação à Distância. Orienta professores para o uso de Tecnologias aplicadas à educação na rede particular de ensino. Realiza pesquisa sobre Educação, Tecnologias e Cibercultura. Atua como orientadora educacional no município de Araruama (RJ) e leciona disciplinas de formação de professores na Rede Estadual de Educação (RJ).  


Comunicação 38

Processos de metaforização: um estudo contrastivo das unidades fraseológicas na mídia impressa popular e de referência

Autores:

Marília Pereira Mendes – UFMG- mariliaculturainglesa@yahoo.com.br

 

Resumo:

O presente trabalho tem como tema o estudo dos processos de metaforização das unidades fraseológicas (UF´s) do jornal Super Notícia e Estado de Minas, enquanto fenômeno textual discursivo, que considera a metáfora como um processo de construção de sentidos. Inicialmente, pretende-se discutir o conceito de metáfora sob a concepção das teorias tradicionais. Nosso trabalho de tese pretende investigar, assim, os diferentes mecanismos de inferência em que a metáfora é empregada nas seções priorizadas no jornal Super e Estado de Minas, com vistas a constituir um corpus para análise do fenômeno de metaforização das unidades, com aplicação pedagógica, cujo tratamento será feito com o auxílio do software WordSmith Tools v.6.0; fazendo uso de recursos tecnológicos para uma melhor análise das unidades fraseológicas, através de ferramentas que permitam inovar o estudo do léxico na sala de aula, a partir do  discurso de diferentes mídias impressas.

Palavras-chave: expressões idiomáticas- mídia impressa-tecnologia-software.

 

Minibiografias:

Conferencista com o tema “O estudo do léxico a partir da mídia impressa popular”. Mestrado em Linguística Aplicada pela UFMG, com ênfase no estudo do Léxico (fraseologismos, idiomatismos e EI´s). Sou professora universitária e leciono Português, Fonologia e Comunicação Empresarial na rede privada de BH. Sou Especialista em Língua Portuguesa ‘Ensino de Leitura e Produção de Textos’ pela UFMG, privilegiando a linha de pesquisa do português, tecnologia e linguagens. 


Comunicação 39

Jogos narrativos no ciberespaço: contribuições para as práticas de ensino da escrita

 

Autoras:

Nelci Vieira de Lima – Universidade Cruzeiro do Sul – nevieira@gmail.com

Ana Lúcia Tinoco Cabral – Universidade Cruzeiro do Sul – altinococabral@gmail.com

 

Resumo:

Tomando como pressuposto o fato de que a escola é um espaço social aberto, dentro do qual se reproduzem as múltiplas experiências de letramento da vida em sociedade, e pensando ainda que tais experiências têm sido, cada vez mais, modificadas pelos avanços tecnológicos, este trabalho propõe uma reflexão acerca das inúmeras possibilidades trazidas pelas práticas tecnológicas ao ensino da Língua Portuguesa. Assim, vislumbra-se o fato de que a incorporação de práticas de letramento digital às práticas pedagógicas de ensino de língua materna se constitui como uma integração benéfica entre práticas sociais/ práticas escolares, o que vem a proporcionar um aprendizado significativo da língua. Como corpus analítico tomamos um jogo de RRPG Firecast, no qual o jogador, aluno do Ensino Médio, compõe interativa e virtualmente uma narrativa recheada de aventuras. Por se tratar de uma escrita espontânea, fora do espaço escolar, os questionamentos que se impõem à nossa pesquisa são os seguintes: Em que medida a interatividade no jogo RRPG Firecast é constitutiva da narratividade?  Em que medida a escola pode e deve incorporar as práticas sociais de letramento digital para a aprimorar suas práticas pedagógicas, para um ensino significativo da Língua? O quadro teórico que dá suporte às análises encontra-se em Cabral, Minel e Marquesi (2015), que propõem um diálogo entre leitura e escrita mediado pela tecnologia. No que tange ao estudo da narrativa nos baseamos em Adam (2011); Coirier, Gaonac’h e Passerault (1996); François (2009); Marquesi e Cabral (2005), Fayol, ([1985] 1994) e Chareaudeau (2010).  As análises permitem concluir preliminarmente que o diálogo e a integração entre ensino e ciberespaço tornam-se pertinente uma vez que as interações virtuais são permeadas pela leitura e escrita, foco do ensino da Língua Portuguesa.

Palavras-chave: Tecnologias digitais; Escrita; Ensino; Narrativa.

Minibiografias:

Autora 1: Doutora em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2016), mestre pela mesma universidade (2011), graduada em Letras pela Faculdade de Educação, Ciências e Letras Hebraico Brasileira Renascença (2003), atualmente realiza pesquisas de pós-doutoramento na Universidade Cruzeiro do Sul / UNICSUL, sob a orientação da Profa. Dra. Ana Lúcia Tinoco Cabral. Autora de artigos científicos e capítulos de livros, atua nas áreas de Historiografia Linguística, Linguística Textual, estando no momento envolvida com os processos de escrita do texto argumentativo, interações virtuais e uso da escrita em ambiente tecnológico e além disso, questões concernentes ao ensino da escrita.

Autora 2: Doutora em Língua Portuguesa Pela Pontifícia Universidade de São Paulo (2005). Realizou pesquisa de pós-doutoramento na EHESS (Paris-França). Atualmente é professora titular da Universidade Cruzeiro do Sul, no Mestrado em Linguística. Tem experiência na área de Linguística com ênfase em leitura e escrita. O quadro teórico que dá suporte às suas pesquisas insere-se área da Linguística Textual, na linha teórica da Semântica Argumentativa com os estudos da Linguística da Enunciação. Atua principalmente nos seguintes temas: linguagem argumentativa, interação verbal escrita, linguagem jurídica, polidez linguística e uso da linguagem em práticas educativas a distância.


Comunicação 40

Mediação Didático-Pedagógica para o estudo e uso do então no Ensino Fundamental

Autora:

Patrícia Gomes de Oliveira – Faculdade Cenecista de Itaboraí (FACNEC) e Faculdade Cenecista de Rio Bonito (FACERB) – pattygomesdeoliveira@gmail.com

Resumo:

O presente trabalho tem como objetivo desenvolver uma proposta de mediação didático-pedagógica, de base colaborativa, para o estudo e uso do vocábulo então, direcionados a alunos do nono ano do ensino fundamental de uma escola pública do município de Itaboraí, estado do Rio de Janeiro. Para tanto, partiu-se de estudos linguísticos sobre tal elemento linguístico, principalmente os de gramaticalização, destacando-se o de Martelotta (1996) e o de Rodrigues (2009). A proposta sustenta-se em uma abordagem linguística: a dos Contínuos (Bortoni-Ricardo, 2004), com ênfase no contínuo oralidade-letramento, e em uma teoria pedagógica: a de base colaborativa (Behrens, 2013). O projeto desenvolveu-se, inicialmente, por meio de textos imagéticos e verbais presentes na rede internacional de computadores (internet), cujos textos remetiam à observação do vocábulo em questão. Em seguida, durante as aulas teóricas exploratórias, os discentes foram motivados a pesquisar nas redes sociais – facebook e whatsapp – exemplos de textos em que o então se fizesse presente, destacando as relações de sentido atribuídas a tal palavra. E, por fim, para que a experiência linguística acontecesse de fato, os estudantes foram motivados a produzir uma narrativa informal acerca da organização de um evento escolar promovido por eles, para ser compartilhada em suas redes sociais, consolidando a hipótese apresentada.

Palavras-chave: Então; Língua Portuguesa; Ensino colaborativo; Tecnologias Digitais; Ciberespaço.

Minibiografia:

Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Especialista em Gestão Escolar pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Atualmente, é professora do ensino básico da rede pública estadual de educação do Rio de Janeiro e professora das Faculdades Cenecistas de Itaboraí (Facnec) e Rio Bonito (Facerb).


Comunicação 41

Blog como ferramenta de compartilhamento de produção escrita

Autora:

Paula C. D. Pereira – Universidade Federal do Triângulo Mineiro – pauladpereira@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho tem por objetivo relatar experiências de atividades de produção escrita e de reescrita aplicadas em aulas de português, para alunos de 5ºs Anos do Ensino Fundamental, que contemplam textos multimodais publicados em um blog criado no WordPress. Com base no conceito de Pedagogia dos Multiletramentos do Novo Grupo de Londres e a partir dos pressupostos teóricos contidos em Xavier (2009) e Rojo (2013), foram propostas atividades de produção escrita do gênero crônica contemplando a multimodalidade por meio da convergência da imagem e do som ao texto escrito. As atividades foram realizadas na sala de aula, em um primeiro momento, por meio do texto manuscrito. Após as correções e reescritas, os textos foram digitados e, então, publicados no Blog – Textos 5ºs Anos. Além dos textos escritos, as páginas apresentaram, também, um arquivo em MP3 com a voz dos alunos lendo seus textos. Os resultados da pesquisa apontaram para as seguintes considerações: os alunos se sentiram motivados a escrever, uma vez que tiveram seus textos publicados e compartilhados na internet. Além do compartilhamento, a leitura de seus textos em arquivo MP3 constituiu uma estratégia diferente de apresentação, por meio da construção multimodal que combinou texto verbal, som e imagem. Diante dos resultados apresentados, torna-se urgente repensar as práticas pedagógicas com vistas a proporcionar aos alunos motivação e desejo pelo exercício da produção escrita, independente do gênero e, nesse sentido, nada mais apropriado que criar condições para que os textos produzidos nas aulas de português sejam publicados na internet, pois muitos alunos usam a rede para se comunicar.

Palavras-chave: multiletramentos; escrita; blogs; multimodalidade; ensino de língua portuguesa.

 

Minibiografia:

Paula Cristina Damante Pereira é atualmente professora de Língua Portuguesa na rede pública municipal de ensino na cidade de Cristais Paulista, São Paulo. É aluna do Mestrado Profissional em Letras – ProfLetras – da Universidade do Triângulo Mineiro – UFTM – de Uberaba, Minas Gerais, orientanda do Professor Dr.Acir Mário Karwosky.


Comunicação 42

Tecnologia assistiva: a produção da audioteca por alunos não cegos, do ensino fundamental final, e sua contribuição à inclusão dos alunos cegos, e/ou com baixa visão, no processo do letramento literário

Autora:

Regina Corcini de Melo – Profletras/UEM – reginacorcini@hotmail.com

 

Resumo:

Atuando no campo da aprendizagem, esta proposta de intervenção visa contribuir com o processo de acessibilidade dos alunos cegos ao processo de letramento literário em Língua Portuguesa. Apresenta a mediação da tecnologia assistiva pela audioteca, produzida pelos alunos não cegos do ensino fundamental regular de um determinado colégio da rede pública de ensino, na cidade de Maringá, Brasil. Sendo a gravação em áudio de narrativas curtas o objeto principal desta investigação, as práticas desenvolvidas em sala de aula concentram-se nos processos da leitura, voltada aos textos literários de temas indígenas e africanos. Dessa forma, a intervenção justifica-se pela escassez de material pedagógico e de recursos disponíveis à educação especial, o que limita o acesso ao letramento literário. A metodologia de pesquisa se apoia no paradigma socioconstrucionista e interpretativista de pesquisa, tendo como modalidade a pesquisa qualitativa, com aplicabilidade parcial na pesquisa-ação (de cunho etnográfico). Esta pesquisa está ancorada na linguística aplicada, apreendendo pressupostos teóricos de Bakhtin, Marcuschi, Rojo, bem como de expoentes ligados ao ensino da leitura e da literatura, como Solé, Micheletti, Cosson, entre outros. Sustentando a produção da audioteca no ambiente escolar, fundamentamos em Fontana e Vergara Nunes. Como resultado parcial, há a parceria firmada com o Núcleo Regional de Educação da cidade de Maringá, o qual disponibiliza o estúdio para as gravações em áudio das narrativas. Além disso, a audioteca já conta com número razoável de narrativas gravadas e, em breve, acessíveis aos dispositivos móveis, para apreciação e exploração pedagógica de alunos e professores, cegos ou não. Espera-se que, ao final de 2017, haja quantidade adequada de coleções de arquivos de áudio, disponíveis para download e organizadas como audioteca, possibilitando a inclusão dos alunos cegos no processo do letramento literário.

Palavras-chave: Tecnologia Assistiva; Audioteca; Letramento Literário; Educação Inclusiva; Oralidade e Ensino.

 

Minibiografia: 

Professora, formada em Letras, pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com Especialização em Psicopedagogia, pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (FAFIFAR). Atualmente cursa o Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS/Universidade Estadual de Maringá (UEM) – e atua como professora de Língua Portuguesa e Literatura na rede Estadual de Educação do Estado do Paraná e na rede particular de ensino, há 27 anos.


Comunicação 43

Variedades linguísticas em rede: falantes de português do Brasil, de Moçambique e de Portugal em uma comunidade virtual

Autoras:

Rosangela Silveira Garcia – UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)/FTEC – prof.rosegarcia@gmail.com

Raquel Salcedo Gomes – UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul – salcedogomes@gmail.com

 

Resumo:

Que diferenças linguísticas ocorrem quando estudantes brasileiros, moçambicanos e portugueses se reúnem em uma comunidade virtual para conversar sobre seus costumes, o mundo do trabalho e os espaços e tempos que os circunscrevem? Que sentidos se produzem nas interações que se estabelecem neste contexto plurilíngue? Essas questões norteiam o presente trabalho, que objetiva investigar as atividades de linguagem de falantes dessas três variedades linguísticas em um ambiente virtual EaD. Tomamos por fundamento epistemológico a noção de multiplicidade no uno e de unidade no múltiplo de Henri Bergson (1999, 2006) e Gilles Deleuze (1999), por pressupostos teóricos os estudos bakhtinianos no que se referem aos processos de enunciação e de produção de sentidos, e por quadro teórico-metodológico a Teoria de Análise de Redes Sociais, focada na compreensão das relações entre os sujeitos sociais e sua função na constituição dos coletivos (Recuero, 2009, 2012; Castells, 1999, 2003). No caso desse estudo, o corpus se direciona aos enunciados produzidos em situações de interação entre os referidos estudantes. Compreendemos que as variedades locais apresentam entre si diferenças de natureza, não apenas de grau, constituindo, cada uma, outra “língua”, de estatuto ontológico próprio. Entretanto, todas essas variedades constituiriam uma língua una de direito, antes do que de fato, pois se unificam na origem, na disseminação da língua portuguesa do período colonial pelo mundo. Assim, problematizamos o conceito de variedade linguística e propomos um princípio singular de internacionalização da língua portuguesa. Em nossa comunidade virtual, é possível acalentar a ideia de línguas portuguesas múltiplas, que se interinfluenciam e hibridizam, promovendo uma internacionalização da língua por dentro, pela interação dialógica das próprias variedades. Essas misturas ocorrem no âmbito dos discursos, da língua em uso, pela composição de redes de conversação expandindo-se em múltiplas direções no compartilhamento de saberes e trocas culturais, em movimentos reticulares e multilineares.

Palavras-chave: Redes de Conversação; Variedades Linguísticas; Internacionalização da Língua Portuguesa; Multiplicidade na Unidade.

 

Minibiografias:

Autora 1: Docente na Ftec – Faculdade de Tecnologia TecBrasil. Doutoranda em Informática na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Mestre em Linguística Aplicada pela Unisinos. É professora e tutora de cursos a distância, atua como docente em cursos de graduação e técnicos. Palestrante em cursos de formação docente, com foco nos seguintes temas:  linguagem, práticas pedagógicas e uso de tecnologias na educação.

Autora 2: Doutoranda em Informática na Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mestre em Linguística Aplicada pela Unisinos. Tradutora juramentada de língua inglesa, professor substituto do Instituto Federal Sul-Rio-Grandense. Experiência na área de Linguística, ênfase em Linguística Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: linguística aplicada, semiótica, semiótica discursiva, teoria sociocultural.


Comunicação 44

“Eu e a internet”: uma relação estreita de amizade

Autores:

Sandra Rodrigues Sampaio Campêlo – Universidade de Brasília – campelo.sandra@gmail.com

Resumo:

Este artigo é o recorte de uma dissertação de mestrado de natureza qualitativa (descritiva e interpretativa) que teve por objetivo descrever e interpretar práticas discursivas nas interações verbais online entre adolescentes de classes desfavorecidas. Trataremos aqui de uma das categorias apontadas na pesquisa e que trata da relação “intima” do jovem com a internet. Os dados gerados foram analisados sob a luz da Análise de Discurso Crítica, proposta por Fairclough (2001, 2003) que envolve a exterioridade da linguagem; associados à Linguística Sistêmico-Funcional de Halliday e Matthiessen (2004), no caráter da interioridade do sistema linguístico; e complementam a análise linguístico-discursiva as categorias sugeridas a partir do modelo do Sistema da Avaliatividade, por Martin e White (2005). Os dados empíricos foram obtidos junto a duas instituições públicas de ensino fundamental de Ceilândia com adolescentes de 14 a 16 anos moradores da região. Neste trabalho, serão abordados os dados gerados a partir de produções de texto com o título: Eu e a internet; e através de entrevistas semiestruturadas. Os resultados apontam para uma personificação da internet, como um amigo que faz parte da história dos jovens.

Palavras-chave: Internet; Adolescência; Pobreza; Amizade.

Minibiografias:

Doutoranda e Mestra em linguística (UnB). Graduada em Letras pelo Centro Universitário de Brasília (1995). Especialista em Língua Portuguesa (CEUB/1998), em Educação à Distância (SENAC/2007) e em Tecnologias em Educação (PUC/RJ – 2013). É professora da Secretaria de Estado de Educação do DF desde 1993. Trabalha no Núcleo de Tecnologia Educacional na formação de professores da rede. É membro da Associação Latino-americana de Estudos do Discurso (ALED). Realiza pesquisa na linha; Discursos, Representações Sociais e Texto. 


 Comunicação 45

Sentimentos na rede: narrativas de jovens no Facebook

Autor:

Sergio Vale da Paixão – IFPR/CampusJacarezinho – sergiovpaixao@hotmail.com

 

Resumo:

A presente comunicação apresenta nossa pesquisa de doutorado na qual compreendemos as narrativas produzidas por jovens estudantes, usuários(as) de uma rede social da internet, o Facebook, no que diz respeito às produções de linguagens a partir de seus sentimentos, Busca-se também trazer à discussão o uso destas tecnologias na educação de conteúdos relacionados à ressignificações da escola da contemporaneidade.  Para conseguir atender ao objetivo proposto, foi necessário o diálogo entre as literaturas na área da Psicologia e da Educação e a aproximação dos aportes teóricos utilizados ao contato com o público jovem – estudantes do ensino médio do IFPR de Jacarezinho – PR. Com a aproximação do público participante e no aprofundamento metodológico da pesquisa narrativa, a pesquisa apresenta reflexões sobre as possibilidades de uma ressignificação da escola contemporânea, que atenda as demandas do público atual, considerados nativos digitais. Em suas narrativas produzidas no Facebook, ficam registradas suas carências e necessidades de falarem sobre si por meio dos discursos próprios e também por meio dos já produzidos pelos seus pares. Tais produções, ou seja, suas crenças, sentimentos, excessos, desabafos, produzidos em redes, nos permite refletir sobre a rede social como o espaço da alteridade, para a construção de identidades em face do outro, de seus interlocutores. Sustentados nos procedimentos da pesquisa, os projetos de ensino a partir da transversalidade, se apresentam como um modelo interessante para a formação integral dos(as) estudantes que visa a ampliação dos trabalhos meramente voltados para as questões de ordem cognitiva, mas que possa levar em consideração a afetividade como estratégia nas atividades escolares em todos os níveis de ensino. A indicação desse modelo requer, entretanto, um maior investimento no diálogo entre a ação efetivada nas escolas de educação básica, os interesses de estudantes e professores e a reflexão acadêmica, a fim de que juntos possam emergir inovações que demandam atualmente no complexo processo de ensinar e aprender.

Palavras-chave: Afetividade; Facebook; Juventude; Educação.

 

Minibiografia:

Doutor em Psicologia pela UNESP de Assis-SP-BR. Mestre em Estudos da Linguagem pela UEL – Universidade Estadual de Londrina – PR. Professor de Língua Portuguesa e Inglesa no Instituto Federal do Paraná – IFPR – campus de Jacarezinho- PR-BR. Possui experiência na educação básica e no ensino superior atuando como professor de Língua Portuguesa e Inglesa.


Comunicação 46

A formação docente e o uso de TICs: um projeto de ensino com WebQuest e aplicativos amigáveis

Autores:

Suelene Vaz da Silva – Instituto Federal de Goiás (IFG) – suelene.silva@ifg.edu.br

Paula Graciano Pereira – Instituto Federal de Goiás (IFG) – paula.pereira@ifg.edu.br

Resumo:

Esta comunicação tem por objetivo apresentar um projeto de ensino desenvolvido como parte da formação pré-serviço de alunos do Curso de Letras Português do Instituto Federal de Goiás (IFG), Brasil, no segundo semestre de 2015 e primeiro semestre de 2016. O projeto é parte integrante da disciplina ‘As Tecnologias Aplicadas ao Ensino’ e visa integrar o fazer docente às Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) por meio da elaboração de aulas via WebQuest, metodologia que possibilita a utilização de recursos provenientes da própria internet para a preparação das aulas, bem como integrar aplicativos amigáveis, como Hot PotatoesKahoot e Surveymonkey. O projeto de cunho qualitativo sustentou-se na teoria sociocultural (ANTÓN; DICAMILLA, 1999; FIGUEIREDO, 2006, ROMMETVIET, 1985; VYGOTSKY, 1998) e em estudos que tratam da utilização de recursos midiáticos em contexto de ensino-aprendizagem de línguas, considerando principalmente o fato de que interações mediadas por ferramentas tecnológicas são vistas como oportunidades para socialização e produção linguística (ARAÚJO, 2013; CHINNERY, 2014; LEFFA, 2006; OLIVEIRA, 2013; PAIVA 2001a, 2001b, 2001c, WARSCHAUER, 1996, entre outros). Os alunos delimitaram a estrutura do site de WebQuest, criaram as tarefas por meio do recurso de Hot Potatoes (JCloze, JCross, JMatch, JMix e JQuiz) e kahoot. As aulas foram aplicadas para alunos do ensino médio do IFG, o que propiciou aos graduandos experienciar a prática docente aliada ao uso das TICs. Ao final, os alunos do ensino médio avaliaram as WebQuests por meio de questionário semiestruturado criado no SurveyMonkey e postada nas WeQuest pelos docentes. A avaliação apontou que o uso das TICS a favor da aprendizagem no contexto do IFG ainda é incipiente. Tal fato ratifica a importância de inserção das TICS no contexto de formação docente para que o futuro professor possa conhecê-las e empregá-las na sua prática pedagógica.

Palavras-chave: Ferramentas digitais; Formação; Ensino; Prática docente.

Minibiografias:

Autora 1: professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) desde 2007. É doutora em Letras e Linguística e pesquisa temáticas relativas ao ensino de línguas mediado por ferramentas tecnológicas, ensino de línguas estrangeiras para fins específicos, crenças e erro e correção. É coordenadora de Relações Internacionais no IFG e tem desenvolvido projetos de parcerias internacionais envolvendo alunos do IFG e de universidades estrangeiras.

Autora 2: professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) desde 2010, Chefe do Departamento das Áreas Acadêmicas do IFG – Câmpus Anápolis desde 2015 e atuou como Coordenadora Pedagógica de Educação a Distância do IFG por um ano.  Doutora e Mestra em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás, atualmente desenvolve projetos de pesquisa nas áreas de Formação de Professores, Literatura e Análise do Discurso.


Comunicação 47

A proposta nacional brasileira profletras – mestrado profissional em letras e o letramento digital de professores do ensino fundamental de escolas públicas do estado de Mato Grosso

 

Autoras:

Tânia Pitombo de Oliveira – Universidade do Estado de Mato Grosso – taniapitombo@gmail.com

Sandra Luzia Wrobel Straub – Universidade do Estado de Mato Grosso -wrobelstraub.sandra@gmail.com

Resumo:

Este trabalho tem como objeto uma reflexão da prática docente frente à proposta do Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS) no Estado do Mato Grosso, campus de Sinop, em relação à disciplina ‘Elaboração de Projetos e tecnologia digital’, ancorada no potencial das tecnologias digitais para o ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa. O programa nacional de qualificação é ofertado em quarenta e três campus de universidades públicas estaduais e federais brasileiras a professores efetivos das escolas públicas, que atuem no Ensino Fundamental do quinto ao nono ano. Como professoras responsáveis pela disciplina nas quatro turmas formadas pelo programa na UNEMAT – Universidade Estadual de Estado de Mato Grosso, no município de Sinop com o início das atividades em 2013, em um total de 46 alunos formados pelo programa; o trabalho com os hipertextos (COSCARELLI, 2012) e a noção de multiletramentos (ROJO, 2012), ancoraram a inserção de atividades práticas no uso de tecnologias contemporâneas e a produção de sentidos em ambiente virtual em atividades de intervenção educacional com aporte de elaboração de sequências didáticas (DOLZ, J. e SCHNEUWLY, 1998), que qualificam e permitem aos profissionais da educação básica possibilidades pedagógicas alinhadas às solicitações e demandas da sociedade atual no processo ensino e aprendizagem. Desta forma, a proposta intervencionista PROFLETRAS tem contribuído para a produção e compreensão de sentidos em ambiente de letramento digital.

Palavras-chave: PROFLETRAS; Intervenção; Letramento Digital; Prática Docente; Língua Portuguesa.

Minibiografias:

Autora 1: Mestrado e doutorado em Linguística pelo IEL – UNICAMP na área da Análise de Discurso. Atualmente é professora adjunta titular na Universidade do Estado de Mato Grosso e membro titular do quadro docente dos programas de Pós-graduação PPGLetras – Mestrado Acadêmico em Letras e PROFLETRAS – Mestrado Profissional em Letras, UNEMAT/Sinop. Líder do Grupo de pesquisa Educação e Estudos da Linguagem (CNPQ).

Autora 2: Mestrado em Educação e Comunicação pela Universidade Federal de Santa Catarina, Doutorado em linguística na área da Análise de Discurso pelo IEL/UNICAMP. Professora concursada da Universidade do Estado de Mato Grosso e membro titular do quadro docente do PROFLETRAS – Mestrado Profissional em Letras, UNEMAT/Sinop.


Comunicação 48

O exercício da linguagem do cinema na sala de aula: promoção da cidadania

Autora:

Teresinha de Jesus Ferreira – Universidade Estadual do Piauí – tjesferreira@hotmail.com

Resumo:

Com este projeto,  ensaia-se um passeio pela sétima arte, procurando, de forma interdisciplinar, contemplar a trajetória de ícones dos contextos nacional e internacional, na sua luta pela igualdade de condições de vida e por uma sociedade mais justa. Propõe-se que os alunos de segunda série do Ensino Médio, de uma escola particular do Piauí, elaborem um roteiro de cinema, produzam um filme, usando recursos das tecnologias de que dispõem, que vão desde o smartphone até câmeras mais sofisticadas. Conforme a Lei n. 5.692/71, o ensino da arte faz parte da área da linguagem, que  integra, com a adoção dos PCNs, a área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.  Na trajetória desses estudos, salienta-se  a dimensão simbólica e estética do ser humano no seu sentido mais amplo. Nesse caso, o estudo sobre as diversas linguagens (visual, sonora, corporal e também verbal) permite a abordagem dos mais diversos aspectos da cultura ligados ao cotidiano, ao entretenimento, aos ofícios, às ciências, etc. Também, é destacada a especificidade da experiência simbólica e estética da arte, que gera – especialmente na tradição ocidental – um tipo particular de narrativa sobre o mundo, diferente da narrativa científica, da filosófica, da religiosa e dos usos cotidianos da linguagem. Com o impacto das novas tecnologias, as  abordagens  de linguagens vão além dos saberes tradicionais do professor e dos currículos, valorizam  as diversas formas de manifestações artísticas e estéticas ligadas ao cotidiano social e privado dos indivíduos. Valoriza-se, assim, o repertório do aluno, especialmente dos jovens em contato com as mídias, priorizando a análise dos aspectos  subjacentes a um dado universo cultural. Os objetivos são: dialogar com outras áreas do conhecimento, a fim de elaborar  um roteiro de cinema para em seguida fazer a produção do filme, conhecer e empregar  a linguagem do cinema, pesquisar sobre a vida de personalidades do cenário local, nacional ou internacional, integrar linguagens.

Palavras-chave: tecnologias; linguagens; cidadania.

 

Minibiografia:

Professora assistente no curso de Letras-Português da Universidade Estadual do Piauí. Professora e coordenadora de Linguagens do Instituto Dom Barreto. 


Comunicação 49

Integração de recursos educativos digitais na aula de Português: que práticas e conhecimentos revelam mestrandos em contexto de prática pedagógica?

Autora:

Gabriela Barbosa – Instituto Politécnico de Viana do Castelo – gabriela.mmb@ese.ipvc.pt

 

Resumo:

A presença de tecnologias e recursos educativos digitais nas salas de aula lança novos reptos aos professores. Defende-se que a incorporação do conhecimento tecnológico, pedagógico e curricular se revela essencial para o professor integrar de modo educativo e significativo a tecnologia nos processos de ensino e aprendizagem da língua portuguesa. Este estudo centra-se no conhecimento que mestrandos, em contexto de prática pedagógica, revelaram sobre a utilização de recursos educativos digitais na aula de Português. Através de questionários e de vídeos de aulas, 22 mestrandos declaram conhecimentos, demostram a utilização que fizeram de recursos digitais e refletem em torno da forma como pensaram as planificações, selecionaram os recursos e as ações implementadas em aula. Os resultados mostram que a maior parte dos mestrandos tem um conhecimento tecnológico disciplinar muito limitado. Usam a tecnologia por razões fundamentalmente pedagógicas, sobretudo com a forte convicção de que os alunos ficam mais motivados e que os processos de aprendizagem ficam mais facilitados.  Percebe-se como os mestrandos pensam e usam a tecnologia na aula de Português, e, nesta linha, este trabalho reúne informação que alerta para a necessidade de se investir numa formação inicial de professores mais consentânea com as exigências de ensino colocadas pelas realidades tecnológicas e digitais das salas de aula do século XXI.

Palavras-chave: ensino; pedagógico; curricular; recursos tecnológicos.

Minibiografia:

Gabriela Barbosa é Doutorada em “Didática de Línguas” pela Universidade do Porto e Professora Adjunta no Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC).


 Comunicação 50

Ler e Escrever Ficção Interativa (FI) na aula de PLE

Autor:

José Carlos Dias – Instituto de Estudos Ibéricos e Ibero-americanos da Universidade de Varsóvia – j.dias@uw.edu.pl / jccostadias@camoes.mne.pt

Resumo:

A minha comunicação insere-se na área da didática das línguas estrangeiras e das narrativas digitais. Ir-se-ão analisar os benefícios da utilização do Twine e do Inform 7, software para a escrita de Ficção Interativa (FI), no ensino e na aprendizagem da língua portuguesa a/por estrangeiros. A FI, sendo um cruzamento entre a literatura e um videojogo, apresenta duas características que a distinguem das narrativas tradicionais, a autonomia e a interatividade, o que a torna apelativa e eficaz quando se trabalha com nativos digitais de idade adulta. A presente comunicação tem como base o trabalho em torno da FI, leitura e escrita, realizado durante um semestre com estudantes do Curso de Licenciatura e Mestrado em Estudos Portugueses da Universidade de Varsóvia, de nível B2 e C1. Pretendo demonstrar o potencial da FI em termos de aquisição e retenção lexical, do desenvolvimento das competências da leitura e escrita, bem como o alto valor motivacional que esta nova forma de narrativa digital é capaz de gerar entre os jovens adultos da chamada Geração Y.

Palavras-chave: Ficção Interativa; aventuras textuais; Twine; Inform; Português Língua Estrangeira (PLE).

 

Minibiografia:

Leitor do Instituto Camões no Instituto de Estudos Ibéricos e Ibero-americanos da Universidade de Varsóvia desde 2002, onde tem lecionado cadeiras de língua e literatura portuguesas aos estudantes dos cursos de licenciatura e mestrado em estudos portugueses. No presente ano letivo, iniciou, nesta Universidade, o seu projeto de doutoramento sobre as potencialidades da Ficção Interativa no ensino da língua portuguesa como língua estrangeira a estudantes universitários.


Comunicação 51

O uso das tecnologias no ensino de Língua Portuguesa: uma análise de dizeres de professores e de sugestões de aulas disponíveis no Portal do Professor

Autora:

Maria Aparecida Resende Ottoni – Universidade Federal de Uberlândia – cidottoni@gmail.com

 

Resumo:

Nesta comunicação apresento um recorte dos resultados do projeto de pesquisa “O Portal do Professor: contribuições e implicações para o ensino de Língua Portuguesa na Educação Básica no Triângulo Mineiro”, financiado pela FAPEMIG e pela CAPES, por meio do Edital 13/2012 – Pesquisa em Educação Básica, desenvolvido de 2013 a 2016, sob a minha coordenação. Neste recorte, analiso e discuto dados concernentes a um dos eixos da pesquisa, a saber: a integração das tecnologias da informação e da comunicação (TIC) ao ensino de Língua Portuguesa (LP). Esses dados foram obtidos por meio: de entrevistas com professores de LP de escolas do Triângulo Mineiro; de aplicação de questionários durante um processo de formação continuada realizado em Canápolis e Tupaciguara; de análise de sugestões de aulas de LP voltadas para o Ensino Fundamental Final e Ensino Médio, disponíveis publicamente no Portal do Professor. A metodologia está baseada nos pressupostos da pesquisa qualitativa (BAUER; GASKELL, 2002; LÜDKE; ANDRÉ, 1986) e os dados do recorte em destaque foram analisados com base em estudos sobre tecnologias e ensino e sobre multiletramentos (COPE; KALANTZIS, 2006, 2008; ROJO, 2012; ALMEIDA, 2005; BURLAMAQUI, 2011; COSCARELLI, 2003; KENSKI, 2003, 2006; PAULA; OTTONI, 2011). A análise das sugestões de aulas revela que as TIC são usadas com diferentes fins, são amplamente utilizadas em propostas didático-pedagógicas, mas esses usos ainda se distanciam muito de uma proposta centrada no protagonismo juvenil e na promoção dos multiletramentos. Nas entrevistas, os professores apontam as potencialidades das TIC, mas, também, os entraves encontrados nas escolas, o que, para muitos, é um impedimento para a efetivação da integração das TIC ao conteúdo. Na mesma perspectiva, as respostas obtidas quando da aplicação de questionário mostram que os docentes sabem da necessidade de aliar TIC e conteúdo, mas pouco sabem sobre como proceder para o êxito dessa integração.

Palavras-chave: Tecnologias; Ensino de Língua Portuguesa; Portal do Professor; Multiletramentos.

Minibiografia:

Doutora em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB) e mestra em Linguística pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Docente Adjunta da UFU. Líder do Grupo de Pesquisas e Estudos em Análise de Discurso Crítica e Linguística Sistêmico-Funcional. Seus trabalhos têm sido voltados para os seguintes temas: gêneros; ensino de Língua Portuguesa; humor; análise crítica dos discursos; identidade; representação de atores sociais.


 Póster 1

REALPTL em ação: criação e compartilhamento de recursos educacionais abertos para o ensino de língua portuguesa no Ensino Superior

Autores:

Daniervelin Renata Marques Pereira – Universidade Federal do Triângulo Mineiro – daniervelin@gmail.com

Danilo Rodrigues César – Universidade Federal do Triângulo Mineiro – danilorcesar@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é apresentar a segunda etapa do projeto de pesquisa Recursos Educacionais Abertos para Leitura e Produção de Textos nas Licenciaturas (REALPTL), financiado pelo CNPq. De 2014 a 2016, foram feitas pesquisas de recursos educacionais criados para ensino de línguas (PEREIRA, CÉSAR, MATTE, 2016), especialmente de língua portuguesa. Em 2016, foi criado um espaço digital para compartilhamento de Recursos Educacionais Abertos (REA) construídos por integrantes desse projeto e também por outros professores e interessados. A plataforma usada foi o WordPress, sendo explorados os diversos plugins que viabilizam a maior interatividade e dinamicidade dos recursos nesse espaço. Alguns exemplos são aqueles que permitem incorporar na página quiz, tabelas, wikis, entre outros. A plataforma permite também ter um espaço de discussão aberta a cada postagem. Essa criação foi fundamentada nas pesquisas quantitativas e qualitativas realizadas na primeira fase, que nos indicaram caminhos para desenhar um espaço mais coerente com o objetivo de proporcionar material aberto crítico para fomentar os multiletramentos de licenciandos, que encontram pouco recurso de leitura e escrita especializado para seu nível. Eles também podem servir a contexto de formação em escolas e universidades. O ambiente REALPTL <http://realptl.portugueslivre.org/realptl/> foi estruturado com base em perspectivas críticas de usabilidade e gamificação, além das perspectivas teóricas dos multiletramentos e letramento acadêmico, de Kleiman (2008) e Street (2008), principalmente. Além disso, é importante citar que a criação dos recursos educacionais abertos segue tendências de diversas abordagens do estudo da língua em contexto, como a Sociolinguística, Análise do Discurso e a Linguística Aplicada (especialmente no trabalho com gêneros textuais). Pensar em REA, e não em materiais didáticos fechados, nos permite ainda ir ao encontro da filosofia da Cultura Livre e da colaboração que ela implica, favorecendo um campo de diálogos e trocas entre os diversos participantes do projeto.

Palavras-chave: Recursos Educacionais Abertos; Ensino de Língua Portuguesa; Tecnologias digitais.

Minibiografias:

Autora 01: Professora adjunta da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo. Mestre em Linguística Aplicada e graduada em Letras-Licenciatura Português/Francês pela Faculdade de Letras/Universidade Federal de Minas Gerais.

Autor 02: Professor Substituto da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Professor de Informática da Secretaria de Educação de Uberaba-Minas Gerais. Doutor em Difusão do Conhecimento e Mestre em Educação pela Universidade Federal da Bahia. Licenciado em Matemática e Informática pelo CEFET-MG.


Póster 2

Ensino de Língua Portuguesa e Letramento Digital em Escolas de Rosário – Maranhão

 

Autor:

Gercivaldo Vale Peixoto – Secretaria Municipal de Educação de Rosário –  waldo.peixoto@hotmail.com

 

Resumo

Este trabalho aborda o letramento digital nos espaços escolares da sala de aula, tendo como foco a prática do ensino de Língua Portuguesa e como os discentes que cursam o Ensino Fundamental em turmas de sexto ao nono ano, nas aulas de Língua Portuguesa da Rede de Ensino da cidade de Rosário/MA estão se apropriando de tais tecnologias. Reporta-se às experiências e saberes construídos em salas de aula a partir da utilização de recursos tecnológicos, produtos culturais e redes sociais, durante as aulas de Língua Portuguesa. Apresentadas algumas definições de letramento digital, reflete-se sobre os desafios postos à escola pelo confronto com as novas práticas de leitura e escrita propiciadas pelos usos do computador e da internet. Em seguida, analisa-se como, em sua formação inicial e continuada, os professores são preparados para a inserção dessas tecnologias em suas práticas pedagógicas e para compreenderem o letramento digital de seus alunos. Ao final, situa-se o professor e os alunos na era da internet, em seus lugares insubstituíveis de mediador e aprendizes, problematizadores do conhecimento, que adotam uma posição aberta e ao mesmo tempo crítica diante do que essa tecnologia digital oferece.

Palavras-chave: Ensino; Letramento Digital; Tecnologias.

Minibiografia:

Professor da rede municipal na cidade de Rosário – MA. Formou-se em Letras – Língua Portuguesa e Respectivas Literaturas pela Faculdade Atenas Maranhense  – FAMA e possui título de Especialização em Língua Portuguesa e Literatura pelo Instituto de Ensino Superio Franciscano – IESF.


Póster 3

Leitor? Ele?

Autora:

Jeanne Magali Leal Dantas – Secretaria de Educação da Bahia – jeannedantas@gmail.com

Resumo:

O presente trabalho insere-se na reflexão sobre o jovem e a relação com a leitura que é feita no ambiente digital, bem como a inquietação causada pela afirmação recorrente dos professores sobre o distanciamento do jovem dos espaços leitores. A partir dessa observação, destacamos para análise uma comunidade on line para leitores e escritores (Wattpad) realizando uma comparação do perfil comum desses usuários e a similaridade percebida com o público jovem que figura as salas de aula da Educação Básica Pública do estado da Bahia. Conforme acompanhamento realizado a um grupo de jovens, através do Programa Gestar, no qual atuo por treze anos, tenho percebido que o conceito de leitor, que sustenta essa afirmação é indubitavelmente influenciador dessa convicção, que tem como referência para o trabalho metodológico uma prática leitora em universos não digitais. O diálogo efetuado com jovens entre treze e dezesseis anos tem evidenciado muito mais um deslocamento do objeto leitor, do que a ausência leitora. Todos esses aspectos levam-nos a um questionamento sobre a relação entre o professor, os alunos e as mídias digitais que figuram as salas de aula (PRETTO, 2011), a concepção de leitor e os lugares onde realizam suas práticas (CHARTIER, 1999), além da oferta/descoberta pelos professores dos ambientes leitores não convencionais que são utilizados pelos jovens (ROXO, 2014).

Palavras-chave: Leitores; Espaços Leitores; Comunidade on line; Ensino.

Minibiografia:

Possui graduação em Letras Vernáculas pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB (1996), especialização em Estudos Literários pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB (2000), e é professora do Governo do Estado da Bahia, Brasil. Atualmente trabalha como formadora do Programa Gestar na Escola, da Secretaria de Educação do Estado, destinado a professores do Ensino Fundamental II e como professora na Faculdade Santo Antônio, no curso de Pedagogia.


Póster 4

Projeto Redigir: contribuições para o Letramento Digital na escola

Autoras:

Lorraine Magalhães Rodrigues – Universidade Federal de Minas Gerais – lorrainemr@ufmg.br

Carla Viana Coscarelli – Universidade Federal de Minas Gerais – ccoscarelli@ufmg.br

Resumo:

Preocupado com a formação de professores e com uma educação em consonância com as demandas multidisciplinares da nossa sociedade, o Projeto Redigir – um projeto de extensão da Faculdade de Letras da UFMG – desenvolve e disponibiliza materiais que podem ser utilizados por professores do ensino básico em suas práticas pedagógicas. A equipe desse projeto é composta por 11 pessoas (graduandos, pós-graduandos e voluntários) que se propõem a desenvolver atividades observando temas de diversas áreas do conhecimento e que são apresentados em diversos formatos textuais e em diferentes mídias, sejam impressas ou digitais. Essas atividades têm como fundamento estudos teóricos de diversas áreas, como a Linguística Aplicada, a Análise do Discurso, os Estudos Literários, a Educação, entre outras teorias contemporâneas dos estudos da linguagem, como os estudos dos Multiletramentos (GRUPO DE NOVA LONDRES, 1996). Assim, abordam aspectos relacionados à linguagem em uso e aos elementos verbais e não verbais que fazem parte dos textos. As atividades produzidas são disponibilizadas gratuitamente para professores em um site e divulgadas pelo Facebook, onde são recebidos os comentários daqueles que as usaram em sala de aula, assim como as produções dos alunos que as desenvolveram. Por saber que há uma grande demanda por parte dos professores que ainda não se sentem preparados para incorporar as novas tecnologias digitais em suas práticas, bem como por aqueles que querem encontrar outras formas de abordar os mais diversos temas, textos e linguagens, focalizaremos, neste trabalho, a apresentação das atividades que lidam com o Letramento Digital (SNYDER, 2002; SOARES, 2002) e que têm como objetivo desenvolver habilidades relacionadas à produção e à recepção de textos em ambientes digitais. Acreditamos, assim, estar colaborando para a formação de professores para tempos digitais, oferecendo a eles materiais que podem servir de modelo para usos das tecnologias digitais em suas práticas pedagógicas.

Palavras-chave: Formação de Professores; Letramento Digital; Multiletramentos; Projeto Redigir.

Minibiografias:

Autora 1: Graduanda em Licenciatura em Letras, com habilitação em Português, na Universidade Federal de Minas Gerais. É bolsista do Projeto de Extensão Redigir, no qual desenvolve atividades didáticas para o professor do ensino básico.

Autora 2: Possui graduação em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (1988), mestrado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993), doutorado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1999), pós-doutorado em Ciências Cognitivas pela University of California San Diego (2005) e pós-doutorado em Educação pela University of Rhode Island. É Professora Titular da Universidade Federal de Minas Gerais, onde coordena o Projeto de Extensão Redigir.


Póster 5

Letramento midiático radiofônico e tecnologias digitais no Ensino Médio Profissionalizante

 

Autores:

Marlon Breno Soares de Araújo – Colégio Técnico de Floriano/UFPI – marlon.b.ms8.4@gmail.com

Vitória Elen  da Costa Gomes – Colégio Técnico de Floriano/UFPI – vitoriaelen999@gmail.com

José Ribamar Lopes Batista Júnior – Universidade Federal do Piauí/LPT/CNPq – ribasninja16@gmail.com

 

Resumo:

As práticas sociais contribuem para a fixação de papéis sociais e construção de habilidades, dentre elas, a de produzir textos orais e escritos. Os textos nascem e obedecem ao rito das práticas de onde emergem. Os participantes atuam como consumidores e produtores de textos, e apreendem valores e ideologias indispensáveis à compreensão da própria prática e à formação do conhecimento capaz de tornar a produção textual significativa e contextualizada. Nesse sentido, a rádio escolar é vista como um projeto capaz de promover múltiplos letramentos (práticas de leitura e escrita) na escola, em especial o letramento midiático radiofônico, pouco enfatizado no processo de ensino-aprendizagem (BALTAR, 2012). Além disso, permite inserir toda a comunidade escolar na prática midiática, bem como numa arena de debates permanentes sobre o espaço em que nos situamos, opinando sobre os textos e os discursos que circulam na esfera da comunicação, o que pode ajudar a escola a cumprir o propósito de promover uma educação verdadeiramente emancipadora. Assim, a rádio escolar online do Colégio Técnico de Floriano/UFPI, Radiotec, baseada no conceito de letramento de Barton (2007) e Street (1984), objetivou a promoção de práticas interativas que vão além da escola, capazes de gerar demandas de textos reais às quais os alunos e alunas do Ensino Médio Profissionalizante respondem com apoio e orientação. A rádio possui quatro programas: Pipoca Cultural, Estação Conhecimento, Radiotec Entrevista e Radiotec em Pauta. A metodologia da rádio envolve a definição e elaboração da pauta de cada programa, gravação, edição e divulgação dos programas nas redes sociais (SoundCloud, Facebook, YouTube, Telegram e WhatsApp). Os resultados apontam para a autonomia linguística, com desenvolvimento de habilidades de linguagem, bem como para a construção de identidades discentes fortalecidas e engajadas socialmente.

Palavras-chave: Letramento Radiofônico; Ensino médio profissionalizante; Protagonismo Juvenil.

Minibiografias:

Autor 1: Aluno do curso Técnico em Agropecuária do Colégio Técnico de Floriano/UFPI. Bolsista da Iniciação Científica Júnior.

Autor 2: Aluna do curso Técnico em Agropecuária do Colégio Técnico de Floriano/UFPI. Bolsista da Iniciação Científica Júnior.

Autor 3: Doutor e Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília. Atualmente, é professor do ensino básico, técnico e tecnológico da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e coordenador do Laboratório de Leitura e Produção Textual (LPT/CNPq) do Colégio Técnico de Floriano. Dedica-se a estudos nas áreas dos Novos Estudos do Letramento e da Análise de Discurso Crítica.