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Simpósio 25

SIMPÓSIO 25 – LÍNGUAS DE HERANÇA NA DIVERSIDADE

 

Coordenadoras:

Maria Célia Lima-Hernandes | Universidade de São Paulo | mceliah@usp.br

Maria João Marçalo | Universidade de Évora | mjm@uevora.pt

Kátia de Abreu Chulata | Universidade de Pescara | kdeabre@hotmail.com

Madalena Teixeira | Instituto Politécnico de Santarém/Universidade de Lisboa | madalena.dt@gmail.com

Felícia Winterle-Jennings | Brasil em Mente, Nova York | fe.jennings@gmail.com

 

Resumo:

Têm sido vários os autores que se têm dedicado ao estudo das línguas de herança, em particular no que refere à definição do próprio conceito. Por esta razão, não raramente, contactamos com designações tão díspares como “língua dos imigrantes, língua dos refugiados, língua ancestral” (Kondo-Brown 2005, He 2010), “língua familiar, língua da comunidade” (Shin 2010), “língua não social” (Valdés 2005). Com efeito, estas línguas, geralmente minoritárias em determinadas comunidades, se “aprendidas” adequadamente podem contribuir sobremaneira não só para valorizar os respectivos patrimônios linguísticos e culturais, mas também para o sucesso escolar dos falantes de uma língua segunda, por exemplo. Assim, este simpósio espera reunir pesquisadores, entusiastas, estudiosos professores de línguas de herança. A ideia é acolher trabalhos que proponham discussões teórico-metodológicas e estudos de caso sobre línguas de herança que sejam ou não contempladas com o apoio institucional ou governamental. Mais especificamente, é interesse desse simpósio congregar trabalhos e estudos de caso que possam jogar luzes sobre o estatuto que assume a diversidade linguística nos vários países em que esse fenômeno se manifesta.

 

Palavras-chave: língua de herança, diversidade, multilinguismo.

 

Referências bibliográficas:

He, A. W. (2010). “The Heart of Heritage: Sociocultural Dimensions of Heritage Language Learning”. Annual Review of Applied Linguistics, 30, 66–82.

Kondo-Brown, K. (2005). “Differences in Language Skills: Heritage Language Learner Subgroups and Foreign Language Learners”. The Modern Language Journal, Vol. 89, Nº. 4, Winter, 563-581.

Shin, S. (2010). ““What About Me? I’m Not Like Chinese But I’m Not Like American”: Heritage-Language Learning and Identity of Mixed-Heritage Adults”. Journal of Language, Identity, and Education, 9, 203–219.

Valdés, G. (2005). “Bilingualism, Heritage Language Learners, and SLA Research: Opportunities Lost or Seized?”. The Modern Language Journal, Vol. 89, Nº 3, Special Issue: Methodology, Epistemology, and Ethics in Instructed SLA Research, Autumn, 410-426

 

Minibiografias:

Maria Célia Lima-Hernandes é livre-docente pela Universidade de São Paulo, Doutora pela Unicamp em Linguística Histórica, com qualificações em Sociolinguística e em Antropologia Linguística; é Mestre pela Universidade de São Paulo em Filologia e Língua Portuguesa e Mestre em Neurociências pela Universidad Europea Miguel de Cervantes. É pesquisadora principal do Projeto Temático FAPESP História do Português Paulista, desde 2008, e Pesquisadora CNPq nível 2.

Maria João Marçalo é Professora Auxiliar com Agregação e Directora do Programa de Doutoramento em Linguística na Universidade de Évora. O interesse pela Linguística Teórica e pelo Português Língua Estrangeira têm definido uma grande parte dos seus caminhos de investigação. É investigadora do Centro de Estudos em Letras da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro / Universidade de Évora, integrando o projecto de investigação “Para a história da gramática e do ensino do Português como Língua Estrangeira (séculos XVII-XX)”.

Kátia de Abreu Chulata é graduada em Letras pela Universidade de São Paulo e Doutora em Estudos Linguísticos, histórico-literários e culturais pela Università degli Studi del Salento (Itália). Foi professora de Língua e Literatura Italiana na UNESP (Araraquara) e professora de italiano no Instituto Italiano de Cultura de São Paulo. Atuou como Leitora de Língua Portuguesa, de 1996 a 2002, na Università degli Studi di Bari (Itália). Professora de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira e Língua e Tradução Portuguesa e Brasileira na Università degli Studi del Salento, de 2006 a 2013. É Professora de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira na Università degli Studi “G. d’Annunzio”, Chieti-Pescara. Coordenadora, do lado italiano, do Projeto Mec-SECADI-Capes – Promoção, Difusão e Valorização do Português Brasileiro em Comunidades Minoritárias: Aspectos Sociais, Políticos e Linguísticos.

Madalena Teixeira é professora adjunta, na Escola Superior de Educação do IPS, e coordenadora dos cursos de mestrado em Didática do Português e Ensino do 1º CEB e Português, História e Geografia de Portugal do 2º CEB. Fez pós-doutoramento, na Universidade Federal de Goiás, doutoramento na Universidade de Lisboa, mestrado na Universidade do Minho. É investigadora na Universidade de Lisboa. Tem-se dedicado ao português como língua estrangeira desde a realização do pós-doutoramento e desde a sua participação no projeto RIQUEB, em São Tomé e Príncipe.

Felicia Jennings-Winterle é formada em Educação Artística – Música pela Faculdade Santa Marcelina, especialista em Educação Psicomotora pelo ISPE-GAE e especialista em musicalização infantil pela UNISA. É Mestre em Educação Musical com ênfase em Cognição pela New York University. Desde 2009 dedica-se ao ensino do português como língua de herança (PLH) através de diversas ações. Entre elas, a direção da primeira pré-escola brasileira nos EUA, entre 2009-2014, e o desenvolvimento de material didático e filosofia específicos ao ensino do PLH. Felicia é escritora e em 2014 organizou uma publicação pioneira sobre o campo de estudos do PLH reunindo 14 mulheres. Tem apresentado workshops em diversas universidades e em congressos. Felicia é criadora do Dia do Português como Língua de Herança (que teve sua comemoração inaugural dia 16 de maio de 2014) e da Conferência Mundial sobre o Ensino, Manutenção e Promoção do PLH que terá sua quarta edição em 2017.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Estudo do falar dos nipo-brasileiros: língua de herança ?

Autora:

Yuko Takano –  Universidade de Brasília  (Brasil) – Yukotk@gmail.com

 

Resumo:

Este estudo apresenta uma parte dos resultados coletados para a tese de doutorado ” Esboço de Atlas do Falar Nipo-Brasileiro do Distrito Federal: aspecto semântico-lexical”, cujo dados, podem contribuir para a construção do Atlas Linguístico de Contato de Línguas do Falar Nipo-Brasileiro do Brasil. A comunidade nipo-brasileira, em mais de cem anos de imigração, também seguiu a sua evolução, adaptou-se e transformou a língua de origem, criando uma nova variação linguística que denominamos de ‘variante nipo-brasileira’, cujo falar, foi promovido pela história linguística dos imigrantes japoneses no Brasil. Trata-se de um fenômeno peculiar sustentado pela própria situação do bilinguismo, ou seja, os nipo-brasileiros vão incorporando à lingua da origem novos traços linguísticos. O contato das duas línguas de um lado o português  e por outro o japonês “padrão” e os dialetos regionais do Japão provoca mudanças nos aspectos semântico; fonético e  gramatical que são produtos das línguas entrelaçadas. Para esta pesquisa focaremos na descrição das peculiaridades semânticas e gramaticais do ‘falar nipo-brasileiro’, cujo os dados das ocorrências registradas nos cartogramas demonstram as influências das línguas naturais em movimento que se submergem no uso. Nesses termos, adotamos a orientação teórica da Sociogeolinguística; da Dialetologia; e do Contato de Línguas. Utilizamos a metodologia de pesquisa qualitativa e interpretativista dos documentos (cartogramas) que demonstram os dados da subjetividade, da identidade e da interação. Dessa forma, recorremos aos estudos supracitados, visto que os resultados da pesquisa de doutorado indicam reflexões sobre a questão de  herança linguística desta comunidade.

Palavras-Chave: Sociogeolinguística; Contato de Línguas; Bilinguismo.

 

Minibiografia:

Professora Adjunto da Universidade de Brasília (UnB) do Instituto de Letras (IL) – Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução (LET) – Área Japonês. Tenho formação na graduação: Letras (UnB); Pedagogia (UnB); e Relações Internacionais (UnB). Pós Graduação: Mestrado em Programa de Pós Graduação em Linguística Aplicada (2002, UnB) –  Dissertação de mestrado ” Tensão diglóssica na aquisição de língua: um estudo de bilíngues nipo-brasilienses”, Brasília; e Doutorado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – FFLCH (2013, USP) – Tese de doutorado ” Esboço do Atlas do Falar dos nipo-brasileiros do Distrito Federal: aspecto semântico-lexical”, São Paulo.


Comunicação 2

Kheuól língua de herança: a sala de aula indígena

Autor:

Antonio Almir Silva Gomes –  Universidade Federal do Amapá (Brasil) – a2sg@bol.com.br

 

Resumo:

O Amapá, localizado na região norte do Brasil, apresenta uma peculiaridade linguística: único estado da federação que faz fronteira com uma região falante de francês – os demais estados fronteiriços têm no espanhol a língua do “outro lado”. Essa característica do estado do Amapá tem impacto sobre a questão linguística, sendo uma delas a presença da língua Kheuól entre as populações Karipuna e Galibi-Marworno – habitantes da Terra Indígena Uaçá localizada às proximidades do município de Oiapoque/AP – que ao longo de séculos mantiveram contato com populações além fronteira falantes de francês. Nos dias atuais, o Kheuól delineia um novo processo de contato linguístico em que entre algumas comunidades indígenas torna-se língua de herança na medida em que poucas pessoas a utilizam cotidianamente. Em seu lugar, emerge o uso irrestrito do Português Brasileiro. Diante desse cenário, estas mesmas comunidades indígenas têm adotado práticas de ensino de línguas às quais denominam “bilíngue”. Como garantir que tais práticas mantenham autônomas as aulas de PB e de KHL no interior da escola? Sobre essa pergunta recai o escopo do trabalho. Propomos, deste modo, para as aulas de Kheuól, discussões da Sociolinguística e da Creolística. Advogamos no sentido de que o professor se aproprie das mesmas discussões, de modo a olhar “positivamente” fenômenos de sua língua “de herança”.

Palavras-chave: Kheuól; Ensino; Contato; Superstrato; Substrato.

 

Minibiografia:

Antonio Almir Silva Gomes  é Professor Adjunto no curso de Letras da Universidade Federal do Amapá e coordenador do Núcleo de Estudos de Línguas Indígenas (NELI-UNIFAP/CNPq). Tem-se dedicado a pesquisas na área de línguas indígenas, mais precisamente voltados ao ensino de línguas em contexto indígena. Tem interesse em questões de ensino de línguas em contexto indígena.


Comunicação 3

Língua Portuguesa, diversidade linguística e identidade dialetal no estado do Ceará (Brasil)

 

Autores:

Maria João Marçalo  – Universidade de Évora (Portugal) –   mjm@uevora.pt

Expedito Wellington C. Costa  –  Universidade de Évora  (Portugal) –  ms.wellington@gmail.com

 

Resumo:

Estudos contemporâneos de linguagem (Bakhtin, 2011; Marcuschi, 2002; Pretti, 2003; Bazerman, 2005; Hanks, 2008) asseveram que a língua é uma instituição social que manifesta a diversidade dos grupos que a utilizam e que, em sua heterogeneidade, está sujeita a variações ao longo do tempo, sofrendo mudanças ou conservando características de períodos históricos, especialmente das suas formas dialetais. Constata-se isso, por exemplo, em Fairclough (2001, 2008), ao afirmar que “a identidade social da pessoa afetará a forma como ela usa a linguagem” (p.70). Objetivo deste trabalho é constituir a identidade dialetal do povo cearense, a partir do léxico presente em três obras literárias de diferentes períodos históricos: Dona Guidinha do Poço (1897), de Oliveira Paiva; O Quinze (1930), de Rachel de Queiroz; e Janeiro é um mês que não sossega (2002), de Batista de Lima. A hipótese fundamental é a de que a identidade dialetal de um povo é formada pelo léxico que permanece em uso ao longo da história e da prática linguística da interação cotidiana. E as obras escolhidas para o trabalho permitem catalogar expressões típicas do povo do Ceará, visto se situarem em diferentes e espaçados momentos históricos. Metodologicamente, serão compilados, das obras referidas, léxicos genuinamente cearenses e, posteriormente, comparados com registros em dicionários contemporâneos de falares do Ceará. Trata-se de uma pesquisa inicial, cujos resultados esperados são comprovar as diversas influências do uso da língua na formação da identidade social e demonstrar que a língua é a principal manifestação cultural de um povo e responsável pela formação da sua identidade.

Palavras-chave: Língua. Diversidade. Identidade. Dialeto. Ceará.

 

Minibiografias:

Maria João Marçalo é Professora Auxiliar com Agregação e Directora do Programa de Doutoramento em Linguística na Universidade de Évora. O interesse pela Linguística Teórica e pelo Português Língua Estrangeira têm definido uma grande parte dos seus caminhos de investigação. É investigadora do Centro de Estudos em Letras da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro / Universidade de Évora, integrando o projecto de investigação “Para a história da gramática e do ensino do Português como Língua Estrangeira (séculos XVII-XX)”.

Expedito Wellington Chaves Costa é aluno do Doutoramento em Linguística (Tutoria) na Universidade de Évora. É professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (Brasil) e tem interesse particular nos estudos da língua como instituição social e formadora de identidade dialetal, com ênfase nas manifestações linguísticas genuinamente cearenses.


Comunicação 4

Defining spaces for a pedagogical-socio-cultural approach to Portuguese as a Heritage Language

 

Autora:

Felicia Jennings-Winterle – Brasil em Mente (EUA) – fe.jennings@gmail.com

 

Resumo:

In no way yet comparable to the vitality of languages like Spanish, Korean, Mandarin or French, educators have made important strides in regards to the promotion of Portuguese as a Heritage Language (PHL). Specifically within the community of Brazilian expatriates, there can be seen a burst of new initiatives and programs all over the world, which, indeed, prove the level of expansion of this concept and the importance of the intergenerational transmission of this minority language. Such development begs fundamental questions: how is this movement being developed and for how long? What is the level of commitment of the individuals and institutions involved? What is being taught, and how? Are these individuals and initiatives prepared to teach and cultivate the language and culture of Brazil? And, if so, how, by whom? What do they understand as Heritage Language, and, for that matter, what do they understand as language, culture, identity, hybridization, bilingualism, bilingual education? An ongoing longitudinal qualitative research, which began three years ago, has been conducted through surveys, mapping of initiatives, and interviews with educators and observation of the development and accomplishments of their projects. The purpose of this article is to delineate spaces (global, local, individual) of what is seen in a pedagogical-socio-cultural approach to PHL and to discuss some initial findings.

Palavras-chave: Portuguese as a Heritage Language, Brazilian immigration, Sociolinguistics, Vitality of Heritage Languages.

 

Minibiografia:

Felicia Jennings-Winterle é mestre em Educação Musical com ênfase em Cognição pela New York University, especialista em educação psicomotora e, desde 2009, dedica-se ao ensino do português como língua de herança (PLH) através de diversas ações. Entre 2009-2014 dirigiu a primeira pré-escola brasileira nos EUA, um segmento da organização cultural Brasil em Mente e, desde então, desenvolve material didático e programas de formação docente específicos ao ensino do PLH. Em 2014, criou o Dia do PLH (16 de maio) e a Conferência Mundial sobre o Ensino, Manutenção e Promoção do PLH que em 2017 teve sua quarta edição.


Comunicação 5

Olivença: uma fronteira por onde caminha  uma língua minoritára – o português

 

Autora:

Elisangela Baptista de Godoy Sartin – Universidade Ibirapuera (Brasil)  – lisaugusto@hotmail.com

 

Resumo:

Fronteira é um espaço de apenas poucos passos em que povos de línguas e costumes tão diferentes se separam. Em Olivença, cidade que faz fronteira com Portugal, embora o espanhol seja a língua dominante, existe uma língua minoritária que caminha sorrateiramente entre seus habitantes: o português como LH. As pessoas que habitam em Olivença caminham todos os dias pelas ruas, trabalham, interagem e vivem naturalmente sem, muitas vezes, perceber que a língua portuguesa sussurra pelas ruas a história da Olivença lusitana.  O interesse em apresentarmos a LH em região de ‘fronteira’ se dá pelo fato de pensarmos em como eram vistas as relações fronteiriças desde tempos mais remotos[1], afinal, muitas dessas relações, embora não percebidas entre a comunidade, foram repassadas entre os indivíduos, numa espécie de efeito catraca, tal como propõe Tomasello (1998). A LH, estudada por alguns pesquisadores, tais como Flores e Pfeifer (2014), Bittens e Winterle (2015) e Lima-Hernandes e Ciocchi (2015), entre outros é um fenômeno de investigação recente que se situa num campo teórico também fronteiriço, tal como temos discutido neste trabalho. Assim, a LH na região fronteiriça de Portugal, embora seja um idioma vivo no ambiente doméstico, repleto de histórias e significados para a família, não é a língua oficial de seus falantes, o que acarreta, muitas vezes, na perda do domínio e de sentido no uso com o passar do tempo. E é temendo sua perda completa que os mais jovens falantes de LH estão estudando o português como disciplina opcional, nos revelando o quanto ela se mantém forte e presente nesta comunidade minoritária.

Palavras-chave: Língua de herança; Fronteira; Resiliência cultural.

 

Minibiografia:

Elisangela Baptista de Godoy Sartin, profa. Dra em Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo e membro do grupo de Pesquisa Linguagem e Cognição. É professora nos cursos de Letras e de Pedagogia da Universidade Ibirapuera, no Brasil.


Comunicação 6

“‘SIĘ MÓWIĆ PO POLSKU‘: PERDA OU REVITALIZAÇÃO DO POLONÊS EM CONTATO COM O PORTUGUÊS NO SUL DO BRASIL

Autores:

Myrna Estella Mendes Maciel – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – myrnaestellamendesmaciel@gmail.com

Cléo Altenhofen – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – cvalten@ufrgs.br

 

Resumo:

A pesquisa de uma língua requer muito mais do que simplesmente saber a sua origem, estudar o contexto em que ela está inserida e suas relações fazem parte do que chamamos de uma ação de política de língua.  Para este trabalho, sobre os aspectos de uma das línguas minoritárias, em especial a Língua Polonesa na Região Sul do Brasil, apresentaremos o conceito de políticas de línguas, bem como bilinguismo fundamentando em autores como CALVET (2007), APPEL MUYKEN (1987), para que possamos entender os aspectos linguísticos que influenciaram todo o processo de histórico brasileiro no que se refere a línguas. A escolha deste trabalho se dá pelo interesse em apresentar as políticas públicas em prol de uma das línguas minoritárias do Brasil, a língua polonesa. Apresentaremos um levantamento linguístico e um mapeamento da circulação da língua em algumas comunidades e cidades selecionadas para a pesquisa com imigrantes poloneses. Fundamentaremos o mapeamento linguístico, em autores como THUN (1998, 2010), ALTENHOFEN (2007) entre outros.

Palavras-chave: Língua de imigrante; Política linguística; Políticas públicas; Revitalização; Manutenção.

 

Minibiografias:

Myrna Estella Mendes Maciel é Doutoranda em Letras/linguística UFRGS- Porto Alegre, Mestre em Ciências da Linguagem pela Unisul SC. Professora de Língua Portuguesa na UNISEP.

Cléo Altenhofen é Professor Titular do Departamento de Línguas Modernas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e, na pós-graduação, atua na linha de pesquisa de Sociolinguística, abordando temas ligados às áreas de Sociolinguística e Dialetologia e Política Linguística.


Comunicação 7

A codificação sintática de construções complexas na aprendizagem de  língua portuguesa como língua de herança, segunda língua e língua estrangeira por falantes de língua alemã como língua materna:  um estudo comparativo

Autora:

Priscilla de Almeida Nogueira  – Universidade de São Paulo (Brasil)/ FAPESP – priscillanogueira27@gmail.com

 

Resumo:

Partindo da ideia de que construções cognitivamente complexas são de difícil apreensão para todo indivíduo que não está envolvido com a lógica sociocultural da comunidade, propomos investigar a apropriação de construções codificadoras de imprecisão – complexas e intersubjetivas – por indivíduos em contato limitado, parcial ou quase total com o contexto sociocultural. Como informantes, temos falantes de alemão como língua materna em processo de aprendizagem do português como língua de herança (LH), segunda língua (SL) e língua estrangeira (LE). Interessamo-nos pela investigação dos níveis de inputs aos quais indivíduos estariam expostos em situações distintas de aprendizagem. Hipotetizamos que a diversificação de contextos seja primordial para que ocorram o reconhecimento, a compreensão e o emprego das construções em foco. Supomos que, para tanto, seja necessário envolvimento com a cultura e que o maior acesso a inputs informais e espontâneos propiciariam um maior espectro na gradação de imprecisão. Aprendizes de LH têm acesso parcial à cultura, a depender do quanto os pais a deixam fluir em casa; os que aprendem uma SL têm acesso total à sociocultura da língua alvo, uma vez que residem no país onde esta é a língua oficial e convivem com ela cotidianamente, nos mais diversos contextos; enquanto indivíduos que aprendem uma LE têm acesso limitado, já que a aprendizagem se dá apenas via ensino formal. A metodologia envolve a aplicação de testes de percepção, compreensão e uso, os quais pressupõem a verificação, por meio da codificação sintática da intersubjetividade, do nível de consciência. Essa identificação passa pela avaliação do espaço de atenção conjunta (TOMASELLO, 2003), que, segundo Vygotsky (2000), remete à conformação linguística operada pelos indivíduos. Propomos análises qualitativa, quantitativa e comparativa aos dados coletados através dos testes aplicados aos informantes, como forma de verificar o nível de complexidade (GIVÓN, 2009:12) das estratégias empregadas na codificação sintática da imprecisão.

Palavras-chave: Complexidade cognitiva; Intersubjetividade; Língua de herança; Segunda língua; Língua estrangeira.

 

Minibiografia:

Priscilla de Almeida Nogueira é doutoranda na Universidade de São Paulo, onde desenvolve um projeto de investigação sobre aquisição de língua de herança. Pela mesma instituição, é Mestre em Linguística do Português, Bacharel em Letras – com habilitação nas línguas portuguesa e alemã – e licenciada em ambas. É membro do Grupo de Pesquisa “Linguagem e Cognição” e desenvolve parte da pesquisa na Pädagogische Hochschule em Freiburg im Breisgau, Alemanha, sob supervisão da Prof. Dra. Gabriele Kniffka. 


Comunicação 8

Estratégias interacionais de mães brasileiras imigrantes e o desenvolvimento do português de seus filhos em idade pré-escolar

Autora:

Carine Rocha –   Tilburg University (Países Baixos)  – c.rocha@tele2.nl

 

Resumo:

No contexto da manutenção de língua de herança, os pais desempenham um papel central no processo, já que eles são “um pré-requisito chave para manter e preservar línguas” (Schwartz & Verschik, 2013, p.1). De acordo com De Houwer (2007), criar filhos bilíngues com sucesso depende consideravelmente dos modelos de input linguístico fornecido pelos pais. Em sua pesquisa, Schwartz et al (2011) observaram que o vocabulário das crianças na língua de herança é afetado não apenas pela frequência e quantidade de input, mas também pela qualidade do input. No entanto, o input por si só não é responsável pela aquisição de língua, pois a interação também é uma variável importante neste processo. Saxton (2010) esclarece a diferença entre estas duas variáveis: “Input consiste nas formas linguísticas particulares que a criança ouve, ao passo que interação se refere à maneira pela qual estas formas são usadas no discurso entre adulto e criança” (p. 80). Logo, diferenças no processo de aquisição de língua entre as crianças podem ser explicadas devido às diferenças na quantidade e qualidade de input que os pais fornecem e a maneira pela qual eles interagem com seus filhos. Estas diferenças, somadas ao papel importante que os pais desempenham na manutenção de língua entre as crianças (De Houwer, 2007; Schwartz, 2010), justificam os diferentes níveis de proficiência em língua de herança das crianças. Esta comunicação analisará as interações domésticas de 7 famílias bilíngues nos Países Baixos. O objetivo é identificar quais estratégias as mães brasileiras imigrantes utilizam para garantir o uso do português com seus filhos em idade pré-escolar. Além disso, serão apresentados os resultados de um teste de vocabulário em português administrado às crianças a fim de investigar seu desenvolvimento linguístico e, consequentemente, a relação deste com a eficácia das estratégias utilizadas pelas mães.

Palavras-chave: Língua de herança; Papel dos pais; Estratégias interacionais; Português língua de herança.

 

Minibiografia:

Carine Rocha é doutoranda em Bilinguismo na Tilburg University (Países Baixos); é Mestre em Linguística Aplicada pela Rijksuniversiteit Groningen (Países Baixos); é graduada e licenciada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente, dedica-se a seu projeto de pesquisa no qual investiga a política linguística familiar dos imigrantes brasileiros nos Países Baixos.


Comunicação 9

Português como Língua de Herança – considerando diversidade cultural e linguística no desenvolvimento de redes institucionais

Autora:

Ana Souza –  Universidade Oxford Brookes (Inglaterra) – asouza@brookes.ac.uk

 

Resumo:

O desenvolvimento do ensino de Português como Língua de Herança (POLH) em vários países é um fenômeno recente. Essa apresentação foca nos falantes de português brasileiro na Inglaterra, um país com um número significante de imigrantes brasileiros. Fatores históricos, políticos e sociais relacionados ao status do português brasileiro são examinados através de duas perguntas: (1) Quando o português brasileiro passou a ser uma das línguas usadas na Inglaterra?, (2) Como o português brasileiro é ensinado na Inglaterra, como uma língua comunitária ou uma língua de herança?. Com o intuito de responder a essas perguntas, discuto as terminologias adotadas em diferentes países em referência a línguas que os imigrantes trazem com eles. As discussões são apresentadas em vista à migração internacional brasileira que tornou-se significante nos anos 80. Uma revisão das primeiras publicações sobre as escolas complementares brasileiras na Inglaterra mostra o importante papel que essas escolas têm no formação identitária de seus alunos. Consequentemente, um contínuo crescimento no número dessas escolas tem sido testemunhado na Inglaterra desde 1997. Esse crescimento é documentado nesta apresentação, assim como são os desafios que essas escolas enfrentam para oferecerem seus serviços. O desenvolvimento de redes locais, nacionais e internacionais é reconhecido como uma maneira criativa adotada pelas escolas para trabalharem juntas com o objetivo de superarem esses desafios. Nota-se, no entanto, a tendência das redes restringirem-se às escolas complementares brasileiras. Assim, defendo a importância da inclusão de outros nódulos nessas redes: as escolas regulares e as escolas complementares organizadas por outros grupos de imigrantes. Desta maneira, as possíveis experiências com a diversidade cultural e linguísitca da sociedade local podem ser reconhecidas, valorizadas e integradas às atividades das escolas de POLH.

Palavras-chave: Português como Língua de Herança (POLH), Inglaterra, escolas complementares brasileiras, redes, diversidade cultural e linguística.

 

Minibiografia:

Ana Souza é Professora Associada (Senior Lecturer) na Universidade Oxford Brookes, Inglaterra. Com especialidade em Linguística Aplicada e TESOL (Ensino de Inglês para Falantes de Outras Línguas), seus interesses de pesquisa incluem bilinguismo, língua e identidade, escolhas linguísticas, migração brasileira, planejamento linguístico (em contextos familiares e de igrejas imigrantes), escolas complementares (isto é, instituições voluntárias organizadas por grupos de imigrantes para transmissão e manutenção de suas heranças linguística e cultural), o ensino de Português como Língua de Herança (POLH), e o treinamento de professores de línguas. Seu trabalho foi publicado como capítulos de livros e artigos de revistas acadêmicas tais como Children & Society, Current Issues in Language Planning, International Journal of Multilingualism,Language Issues, Portuguese Studies, Revista Travessia, The Curriculum Journal, and Women’s Studies International Forum. Uma tradução para o português de seis de seus artigos podem ser lidos no livro Português como Língua de Herança em Londres: recortes em casa, na igreja e na escola publicado no Brasil em 2016 pela Pontes Editores.


Comunicação 10

Escamoteamentos culturais: cuidados metodológicos na apreensão da LH

Autora:

Maria Célia Lima-Hernandes – Universidade de São Paulo (Brasil) – mceliah@usp.br

 

Resumo:

Há culturas que se aproximam visivelmente pela aparência marcada de seus membros, no entanto, para quem vê, da perspectiva de dentro, se depara com algo mais complexo em sociedades reconhecidamente hiperdiversas seja na Europa (Sartin, 2016), seja do outro lado do mundo, na China (Lima-Hernandes (Teixeira-e-Silva & Lima-Hernandes, 2010, 2014; Lima-Hernandes, 2015a, 201b, 2015b, 2015c; Jennings-Winterle & Lima-Hernandes, 2015; Lima-Hernandes, 2016; Lima-Hernandes & Sassi, 2015a, 2015b). É o caso de Macau: as identidades se entrecruzam e se distinguem continuamente. Discutiremos o escamoteamento cultural a partir da análise de árvores genealógicas por nós construídas durante trabalho de campo na RAEM, especificamente no Arquivo Histórico de Macau, com a consulta a outros documentos oriundos de fontes diversas. Para esta apresentação, selecionamos dois casos: o de uma família tradicional e suas ramificações ao longo das décadas do Handover, a fim de desenhar a mudança de conduta de chineses nascidos em Macau; e o de filhos de famílias chinesas que, embora mantivessem a intenção de adesão à cultura portuguesa, tiveram seu intento frustrado em face do comportamento cultural de seus filhos durante a vida escolar.  Esses casos permitirão discutir estratégias de reconhecimento de um fenômeno comum em famílias miscigenadas: o do escamoteamento cultural.

Palavras-chave: Língua de Herança; Cultura de herança; escamoteamento cultural; hiperdiversidade; Trabalho de campo.

 

Minibiografia:

Maria Célia Lima-Hernandes é Pesquisadora CNPq nível 2 [Processo: 313640/2014-9], de 01/03/2015 a 28/02/2020, sobre a situação da sociocultura e da língua portuguesa na China. Pós-doutorado na Universidade de Macau (China, 2010-2011, com bolsa CAPES, sob tutoria de Alan Baxter), com Estágio de Pesquisa Sênior em 2015-2016, com Bolsa FAPESP, na Universidade de Macau. Doutora pela Unicamp (orientação de Maria Luiza Braga) em Linguística Teórica (Linguística Histórica, com qualificações em Linguística Antropológica e Sociolinguística), Mestre pela USP (orientação de Angela Rodrigues) em Filologia e Língua Portuguesa, com bolsa CNPq [Processo: 135207/1996-7], de 03/1998 a 08/1998, Especialista em Gramática (Lato Sensu – S.Judas Tadeu). Mestre em Neurociências (Universidad Europea Miguel de Cervantes – IAEU – Espanha) em 2016. Professora visitante na Universidad de la Republica (Uruguai) em 2010 e da Universidade de Estudos Estrangeiros de Sichuan (2015). Estudiosa de temas de cognição e linguagem, dentre os quais a percepção e a acessibilidade via construções e princípios sintáticos. Desenvolve projetos sobre português como Língua de herança e interculturalidade. Líder do grupo de pesquisa “Linguagem e Cognição” com produção destacada no estudo das relações entre usos linguísticos e processos cognitivos. Participa como membro do Grupo de Pesquisa USP “LIA – Laboratório de Interações com a Ásia”. É primeira secretária da Associação Internacional de Linguística Portuguesa. É pesquisadora principal do Projeto Temático FAPESP “História do Português Paulista” no subprojeto História do português paulistano (2006-2015), com produção relevante na área.


 Comunicação 11

Projeto de Ensino Integrado de PLE E PLH: Proposta, Andamento e Considerações Teóricas

 

Autora:

Katia de Abreu Chulata – Università “G. d’Annunzio, Chieti-Pescara (Itália) – kdeabre@hotmail.com

 

Resumo:

O ensino do Português como Língua Estrangeira (PLE) se realiza, muitas vezes, em contextos não homogêneos linguisticamente e muito complexos em relação ao nível inicial de conhecimento do português. Constatamos, no meio universitário em que atuamos, a Università di Chieti-Pescara, a presença de vários alunos proficientes em alguma variedade do Português Brasileiro (PB) e a consequente falência didática dos métodos de ensino do português para falantes estrangeiros utilizados com esses alunos. Tencionamos apresentar, aqui, o projeto que estamos desenvolvendo com alunos italianos e falantes de herança do PB para definir específicos caminhos didáticos do PLH e favorecer a motivação da sua manutenção por parte de falantes/não falantes, além de sensibilizar as comunidades de que fazem parte.  Participam do projeto alunos de PLE e falantes de PLH e a pesquisa está voltada para as questões didáticas (pesquisa-ação, David Tripp, 2005) e identitárias (Avtar Brah, 2011).

Palavras-chave: PLE; PLH; didática do PB; identidades culturais.

 

Minibiografia:

Kátia de Abreu Chulata é Professora de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira na Università degli Studi “G. d’Annunzio”, Chieti-Pescara e Professora de Literatura Portuguesa na Libera Università Maria Ss. Assunta, LUMSA, Roma. É Doutora em Estudos Linguísticos, Literários e Interculturais pela Università del Salento, Itália. Tradutora e estudiosa de temas de tradução, subjetividade e interculturalidade, português como língua estrangeira e como língua de herança. É associada da AOTP, vice-presidente da ASLP – Associazione di Studi di Lingua Portoghese e do V SIMELP 2015 – Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa. Coordenadora, do lado italiano, do Projeto Mec-SECADI – Promoção, Difusão e Valorização do Português Brasileiro em Comunidades Minoritárias: Aspectos Sociais, Políticos e Linguísticos.


Comunicação 12

“Mamãe, quero fazer lição”: Alfabetização em PLH, um estudo de caso

 

Autora:

Felicia Jennings-Winterle – Brasil em Mente (EUA) – fe.jennings@gmail.com

 

Resumo:

No intuito de investigar as crenças e as impressões de educadores (pais e professores) sobre língua-cultura-identidade e, mais especificamente a alfabetização, dois estudos têm sido conduzidos paralelamente: um analisa os relatos desses educadores; outro, um estudo de caso, avalia o contexto de um falante de herança de 4 anos (no início do estudo), 5 (na ocasião da apresentação), nascido de um pai alemão e de uma mãe brasileira, exposto a três idiomas (Português, Alemão e Inglês, a língua de interação entre os adultos), e que, desde a mais tenra idade, tem desejo de aprender as três línguas, com elevado discernimento em relação aos contextos e interlocutores especialmente em relação ao alemão e ao português, e que insiste em querer de aprender a ler e a escrever em português.  Pretende-se apresentar relatos sobre essa experiência conduzida por sua mãe, no contexto familiar, no intuito de compartilhar estratégias positivas para um desenvolvimento simétrico entre a língua de herança, uma língua de característica aquisição incompleta, minoritária e a exposição diária e mais aprofundada no idioma majoritário.

Palavras-chave: planejamento linguístico familiar; alfabetização bilíngue; PLH.

 

Minibiografia:

Felicia Jennings-Winterle é mestre em Educação Musical com ênfase em Cognição pela New York University, especialista em educação psicomotora e, desde 2009, dedica-se ao ensino do português como língua de herança (PLH) através de diversas ações. Entre 2009-2014 dirigiu a primeira pré-escola brasileira nos EUA, um segmento da organização cultural Brasil em Mente e, desde então, desenvolve material didático e programas de formação docente específicos ao ensino do PLH. Em 2014, criou o Dia do PLH (16 de maio) e a Conferência Mundial sobre o Ensino, Manutenção e Promoção do PLH que em 2017 teve sua quarta edição.


Comunicação 13

A Importância da Escola para a Manutenção da Língua de Herança: um Espaço Social e Cultural de Resgate Identitário

Autora:

Anna Karolina Miranda Oliveira – Colégio Miguel de Cervantes (Brasil) -kdakarol@gmail.com

 

Resumo:

A língua de herança (LH) é um legado transmitido por pais expatriados a filhos nascidos ou criados desde pequenos em outro país devido à imigração. A aprendizagem da LH relaciona-se à comunicação entre os familiares no aconchego do lar e na expressão dos afetos, mas, especialmente, a “uma necessidade de delineação identitária” (Lima-Hernandes, 2016). Ainda segundo essa autora, a preocupação com a inserção social dos filhos pode levar pais a questionarem a importância do vínculo linguístico com a cultura familiar. Além disso, o contexto de imigração pode ser definitivo para o nível de consciência desses pais, impactando a importância de comunicação na LH, de reforçarem o vínculo afetivo e de terem acesso a suas origens. Segundo Lima-Hernandes e Ciocchi-Sassi (2015), “se entendermos que o ambiente e suas propriedades em interação produzem contextos, então, tornar-se-á plausível afirmar que o contexto é, por assim dizer, elemento fundamental para o estudo de línguas”. Entender a relação de crianças hispânicas com sua LH é nosso objetivo em dois diferentes contextos imigratórios: a) comunidades hispânicas que vivem na Zona Sul de São Paulo, cujos pais vieram ao Brasil a trabalho e b) comunidades hispânicas que vivem na Zona Leste de São Paulo e que, em grande parte, estão no Brasil em situação de imigração ilegal. Neste caso, temos imigrantes em dois contextos sociais. Num enfoque sociolinguístico, discutiremos a importância dada pelos pais à transmissão da herança linguística a seus filhos, bem como do quanto essas crianças são receptivas a essa herança. A amostragem foi recolhida em ambiente escolar a partir do que mensuraremos a importância da escola como um espaço social e cultural de resgate identitário.

Palavras-chave: Língua de herança. Identidade linguística. Imigração.

 

Minibiografia:

Anna Karolina Miranda Oliveira é mestra em Filologia e Língua Portuguesa pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo (Brasil). Cursou Letras com habilitação em Língua Portuguesa e Espanhola nessa mesma faculdade e, durante a graduação, dedicou-se exclusivamente à pesquisa científica por dois anos, auxiliada no primeiro ano pelo CNPq e no segundo ano pela Fapesp. Tem experiência em Letras, com ênfase em Filologia e Língua Portuguesa, atuando principalmente na área de Sociolinguística e Linguística Histórica. Atualmente, é professora de Produção de Texto no Ensino Fundamental II e Ensino Médio do Colégio Miguel de Cervantes, onde também inicia o levantamento de dados para o estudo da língua de herança como ferramenta na busca pelo resgate identitário.

[1] O termo “fronteira” a partir do século XV no inglês remete a parte de um exército (Handler, 1994). Era utilizado como sinal de impedimento contra inimigos.


Comunicação 14

Portugal, o Português e o português sob o Crivo da História

Autora:

Amélia Arlete Mingas – Faculdade de Letras. Universidade Agostinho Neto, Luanda, Angola – amaringas@gmail.com

 

Resumo:

O trabalho que tencionamos apresentar é fruto de uma preocupação que, de há muito, nos tem apoquentado e sobre a qual nos temos vindo a debruçar, realizando diversas pesquisas documentadas, pelo que pensa-mos estar, de momento, em condições de esclarecer.

A nossa comunicação constitui uma reflexão sobre um país, Portugal, o Português, ou seja, o locutor original de uma língua que se internacio-nalizou e o português entendido – agora e aqui – como a língua que, ultrapassando fronteiras, se tornou língua materna e/ou segunda de milhões de locutores espalhados pelo mundo.

Palavras-chave: Portugal, português, “pretuguês”, interferência linguística, história, acordo ortográfico.