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Simpósio 24

SIMPÓSIO 24 – DIDÁTICA DO PORTUGUÊS LÍNGUA DE HERANÇA: PERFIS DE APRENDENTES, PRÁTICAS DE SALA DE AULA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES

 

Coordenadoras:

Sílvia Melo-Pfeifer | Universidade de Hamburgo | silvia.melo-pfeifer@uni-hamburg.de

Teresa Ferreira | Escola Superior de Educação do Porto | teresaferreira@ese.ipp.pt 

 

Resumo:

A Didática de Línguas, como disciplina de formação e de intervenção, procura descrever, analisar e intervir em situações de educação linguística. De acordo com Alarcão, a ação da Didática de Línguas poder-se-ia entender à luz do tríptico didático: aprendizagem dos alunos, práticas pedagógicas e formação de professores (1994, atualizado em 2004, com uma dimensão política). É à luz deste tríptico que se pretende olhar a didática da língua de herança, tendo em conta as seguintes questões enquadradoras:

  • Dimensão da aprendizagem: como se processa a aquisição e a aprendizagem do português língua de herança (PLH)? Qual o perfil linguístico, sociolinguístico, socioafetivo, sociocultural e socioeconómico do aprendente? Quais as estratégias, designadamente cognitivas e afetivas, que utiliza durante a aprendizagem escolar e extraescolar da língua? Quais os seus objetivos, motivações e necessidades de aprendizagem, em termos linguísticos e culturais? Que competências comunicativas e conhecimentos culturais prévios demonstram? E como podem estes ser rentabilizados? Que dificuldades linguístico-comunicativas específicas manifestam? E como colmatá-las? Que papel desempenham ou podem desempenhar as Comunidades na aprendizagem da língua de herança?
  • Dimensão das práticas pedagógicas: como se organizam as atividades de ensino e de aprendizagem em aula de PLH? Que estratégias e modalidades de interação são usadas em sala de aula? Que orquestração segue a aula de PLH? Com recurso a que materiais e suportes (tipologias, fontes e características)? Para dar cumprimento a que instruções e documentos reguladores?
  • Dimensão da formação de professores: qual o perfil profissional e linguístico real/ideal do professor de PLH? Que dificuldades/desafios enfrenta? Quais as estratégias pedagógico-didáticas que emprega na gestão da heterogeneidade em sala de aula? Como avalia a sua atuação docente? Que necessidades formativas sente? Como procura supri-las? “Que formações, iniciais e contínuas, e com que conteúdos, estão disponíveis?”

 

ALARCÃO, I. et al (2004). “Percursos de consolidação da Didáctica de Línguas em Portugal”. In Investigar em Educação, Revista da Sociedade Portuguesa de Ciencias da Educação, 3, 235-302.

ALARCÃO, I. (1994). “A didáctica curricular na formação de professores”. In A. ESTRELA & J. FERREIRA (org.), Desenvolvimento Curricular e Didáctica das Disciplinas – Actas do IV Colóquio Nacional da Secção Portuguesa da Association Internationale de Recherche en Sciences de l’Éducation (pp. 723-732). Lisboa: AFIRSE/AIPELF.

 

Palavras-chave: Didática, Língua de Herança, Heterogeneidade, Formação de professores.

 

Minibiografias:

Sílvia Melo-Pfeifer é Professora Associada de Didática de Línguas Românicas na Universidade de Hamburgo. Foi coordenadora do Ensino Português na Alemanha, junto da Embaixada de Portugal em Berlim, entre 2010 e 2013. Coordenou as obras Comunicação eletrónica na aula de Português Língua Estrangeira (com Maria Helena de Araújo e Sá) e Didática do Português Língua de Herança (ambas editadas pela LIDEL). É coautora dos manuais de Português para o estrangeiro Lado a Lado (editados pela Porto Editora).

Teresa Ferreira é doutorada em Didática de Línguas e Professora assistente convidada na Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto. É coautora e coordenadora da equipa de autores dos manuais de Português para o estrangeiro Lado a Lado (Porto Editora) e coautora do Programa e manuais de Português do Ensino Secundário Geral em Timor-Leste. Atua na área da formação de professores em cursos de e-learning (Camões, ICL; UFRN, Brasil).

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Tudo é bom” – Imagens da lusofonia nas aulas de português na Finlândia

Autores:

Jarna Piippo – Universidade de Helsínquia – jarna.piippo@helsinki.fi

Francisco Mira Espada – Cidade de Helsínquia – francisco.mira.espada@edu.hel.fi

 

Resumo:

Nesta comunicação apresentamos os resultados de um estudo sobre as imagens relacionadas com a lusofonia, baseando-nos em desenhos de alunos de 7 a 15 anos que frequentam as aulas de português no ensino básico finlandês. Quais são as noções visuais estereotípicas que aparecem associadas aos países de origem? Como se poderiam desenvolver e diversificar estas imagens nas aulas?

Analisámos os desenhos e os respetivos dados adicionais das perspetivas macro e micro, inter-relacionadas entre si: Que tipo de imagens captam os meninos através dos meios de comunicação finlandeses e da própria comunidade lusófona? Quais são os conhecimentos culturais que promovem as autoridades educativas, através dos documentos curriculares? Quais são as imagens que os pais transmitem aos filhos? E os professores de português?

Os resultados do estudo apontam para a urgência de alargar e aprofundar as imagens que as crianças e jovens têm da lusofonia, enquanto representações sociais do português e das respetivas culturas. Na atualidade, segundo os nossos dados, estas imagens parecem relacionar-se quase unicamente com as férias, a praia e a convivência com os parentes. Acreditamos que as aulas de português são um espaço apropriado para a elaboração destas representações, as quais, por sua vez, nutrirão a motivação para o estudo da língua.

Palavras-chave: língua de herança; educação intercultural; imagens da lusofonia.

 

Minibiografias:

Jarna Piippo é mestre em Língua Finlandesa e doutora em Línguas Ibero-Românicas. Foi leitora e assistente desta área na Universidade de Helsínquia. Também ensinou finlandês a imigrantes e português como língua materna a alunos do ensino básico. Atualmente trabalha como tradutora e professora na educação de adultos.

Francisco Espada é licenciado em Ensino de Português e Inglês. Foi leitor do Instituto Camões e das escolas de International Baccalaureate. Atualmente ensina português como língua materna no ensino básico.


Comunicação 2

Eu sou um rapaz feliz, porque eu tenho família na Alemanha e em Portugal”: perfil sociolinguístico e motivacional de alunos lusodescendentes na Alemanha

Autora:

Fátima Silva – Ensino Português na Alemanha, Camões, ICL – fatimasilva19@gmail.com

 

Resumo:

Atendendo a que a aprendizagem do português no estrangeiro, pelos filhos dos emigrantes de segunda e terceira gerações, é imprescindível para o estabelecimento de um forte vínculo afetivo com as raízes da sua identidade social e cultural, é importante apresentar quem são os alunos lusodescendentes que frequentam os cursos de Língua e Cultura Portuguesas na Alemanha, contribuindo para a sua caracterização identitária, linguística e cultural, e identificar as motivações que levam os alunos de PLH (Português Língua de Herança) a aprender português.

Para tal, optamos por uma metodologia de cariz qualitativo/interpretativo, que procura recolher, analisar e interpretar dados relativos ao contexto em que estes alunos estão inseridos. A nossa orientação metodológica assenta, também, na abordagem etnográfica, por ser aquela que melhor se adapta ao nosso ambiente de trabalho (o Ensino Português no Estrangeiro) e que nos possibilita um contacto real com o contexto da nossa investigação – o dos alunos em contexto de sala de aula.

Partindo de dados recolhidos através de inquérito aos alunos e a entrevistas realizadas a Encarregados de Educação/pais e avós, apresentaremos o perfil pessoal, sociolinguístico e motivacional para a aprendizagem do português, através da triangulação de perspetivas de todos os sujeitos envolvidos.

De entre os resultados obtidos, concluímos que quer o português quer o alemão assumem um grande significado e representam as identidades individuais e sociais dos nossos alunos. Por um lado, verificamos que a aprendizagem da língua portuguesa tem um objetivo comunicativo concreto: aprender a língua para comunicar com os familiares em Portugal. Por outro lado, para estes alunos, o alemão é a língua do país de acolhimento e nascimento, a língua da socialização, da interação fora de casa, a língua da escola e dos amigos. Para eles, falar português não parece estar conotado com a pertença a um grupo: a identificação com a língua é mais ‘imposta’ pelos pais do que espontânea.

Palavras-chave: Português Língua de Herança; vínculo afetivo; perfil pessoal, linguístico e motivacional.

 

Minibiografia:

Fátima Silva é professora licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, estudos ingleses e alemães, pela Universidade do Porto. É Mestre em Educação, pela Universidade de Évora, e Doutorada em Didática e Organização Escolar, pela Universidade de Santiago de Compostela. É professora do EPE (Ensino Português no Estrangeiro), na Alemanha, pelo Camões, IP, desde 2010.


Comunicação 3

Quando cheguei a Portugal e fui para a escola, não percebia o que os professores diziam. Eles utilizavam palavras que não tinham o mesmo significado que no Brasil”: tensões da Lusofonia ou quando a Língua Portuguesa é Língua de Herança em Portugal

Autoras:

Rosa Maria Faneca – CIDTFF/Departamento de Educação e Psicologia, Universidade de Aveiro – rfaneca@ua.pt

Maria Helena Araújo e Sá – CIDTFF/Departamento de Educação e Psicologia, Universidade de Aveiro – helenasa@ua.pt

Sílvia Melo-Pfeifer – Universidade de Hamburgo – silvia.melo-pfeifer@uni-hamburg.de

 

Resumo:

Portugal foi o destino privilegiado de minorias étnicas provenientes, sobretudo, dos Países de Língua Oficial Portuguesa, até meados da década de 90 do século passado, e a partir dessa altura, outros grupos minoritários adotaram Portugal como destino de imigração e fizeram sentir a sua presença nas escolas portuguesas. Face a esta rápida mudança, tornou-se necessário criar mecanismos para melhor integrar esses jovens e um dos elementos indispensáveis para essa integração é, sem dúvida, o conhecimento e domínio da língua e da cultura portuguesas. Esta mudança vem colocar no centro das escolas a questão das relações entre as línguas, sendo elas a língua portuguesa (LP), as variedades da LP e as Línguas de Herança (LH), ou a questão de saber se estas relações são ou deveriam ser trabalhadas na sala de aula, nomeadamente quando a LP é LH.

O projeto “O papel das línguas de herança na competência plurilingue dos jovens com background migratório: um estudo de caso nas escolas do centro”, inserido numa dada perspetiva da Didática das línguas, permitiu aferir que existem múltiplas formas de viver e sentir a LP que evidenciam, claramente, matizes culturais distintas, conferindo-lhe riqueza linguística, cultural e identitária imensurável, nomeadamente por parte daqueles cujo background histórico, social, cultural e linguístico é substancialmente diferente do português. Os resultados do projeto deixaram, ainda, antever uma importante heterogeneidade de perfis linguísticos e de relações que estes mantêm com as diferentes variedades da LP, sendo, no entanto, de destacar as dificuldades linguísticas, sociolinguísticas e de aprendizagem que afetam, em certos casos, o sucesso escolar.

O foco que aqui se apresenta tem o propósito de identificar e descrever as representações e a consciência linguística evidenciada por alunos provenientes de países de expressão portuguesa relativamente às suas LH e às dificuldades sentidas em LP, manifestadas pelos inquiridos relativamente à proficiência do português exigido nas escolas portuguesas, que poderão afetar o sucesso escolar e a sua plena integração no contexto escolar português.

Palavras-chave: Línguas de Herança; Lusofonia; Competência Plurilingue e Pluricultural; Aprendizagem da LP.

 

Minibiografias:

Rosa Maria Faneca é doutorada em Didática das Línguas desde 2011, pela Universidade de Aveiro. É bolseira de Pós-Doutoramento na mesma área no Laboratório Aberto para a aprendizagem de línguas estrangeiras, estrutura do Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF), da Universidade de Aveiro, onde é membro da equipa de investigação.

Maria Helena Araújo e Sá é professora associada com agregação no Departamento de Educação da Universidade de Aveiro e coordenadora do CIDTFF. Os seus interesses de trabalho situam-se nas áreas da intercompreensão e da interação plurilingue e intercultural, tendo participado em e coordenado diversos projetos, a nível nacional e europeu, orientado teses de doutoramento e publicado textos em livros e revistas da especialidade.

Sílvia Melo-Pfeifer é Professora Associada de Didática de Línguas Românicas na Universidade de Hamburgo. Foi coordenadora do Ensino Português na Alemanha, junto da Embaixada de Portugal em Berlim, entre 2010 e 2013. Coordenou as obras Comunicação eletrónica na aula de Português Língua Estrangeira (com Maria Helena de Araújo e Sá) e Didática do Português Língua de Herança (ambas editadas pela LIDEL). É coautora dos manuais de Português para o estrangeiro Lado a Lado (editados pela Porto Editora).


Comunicação 4

O papel da família na manutenção da Língua de Herança: papel dos pais moldavos na manutenção e aprendizagem do Romeno em Portugal. Diálogos com o PLH

Autoras:

Rodica Iachimovschi – Universidade de Lisboa – rodica_iachimovschi@yahoo.com

Ana Sofia Pinho – Universidade de Lisboa – aspinho@ie.ulisboa.pt

Sílvia Melo-Pfeifer – Universidade de Hamburgo – silvia.melo-pfeifer@uni-hamburg.de

 

Resumo:

Nos finais da década de 90 em Portugal surge uma vaga migratória de países de leste, um dos quais a Moldávia. A comunidade moldava destaca-se no seu processo de integração no país de acolhimento pela facilidade de aprender a língua dominante, a língua portuguesa (LP), devido à origem latina da língua romena (LR), língua de origem dos moldavos ou língua de herança (LH) (Castro, 2008). Estudos têm evidenciado que a questão da manutenção e do desenvolvimento da LH é uma questão pertinente: primeiro, para que esta não seja assimilada e desapareça, em favor da língua nacional; segundo, por se ressaltarem as vantagens de se valorizar as competências de LH como recursos cognitivos, afetivos, culturais e identitários no desenvolvimento dos sujeitos (Melo-Pfeifer, 2014; Pinho, 2015).

Neste contexto, o papel dos pais tem vindo a ser destacado. No presente estudo procurámos conhecer as representações associadas à LH, bem como à LP, as práticas de uso e os desafios que os pais moldavos enfrentam na manutenção e aprendizagem da LH dos seus filhos em contexto português. Optámos por um estudo de caso múltiplo (Stake, 2012), de natureza qualitativa, em que participaram as mães e os filhos de três famílias moldavas. Utilizámos a entrevista semiestruturada (Amado, 2013) e, no caso das crianças, a entrevista apoiou-se na elaboração de um desenho, como meio alternativo de representar e comunicar conhecimentos (Melo-Pfeifer & Schmidt, 2012).

Os resultados apontam para três casos diferentes de manutenção da LH: i) na família da Maria os pais sustentam a manutenção da LH e da cultura de origem, resultando numa família bilingue/ plurilingue e bicultural; ii) na da Vera, os pais sustentam mais a manutenção da cultura de origem, não investindo muito em estratégias de manutenção da LH; iii) e na família da Sónia, são os pais a incentivar a mudança para a LP, ficando a LH/LR em perigo de desaparecer em favor da LP.

Concluímos que o papel dos pais é fundamental na aprendizagem da LH, na ausência de outras possibilidades para uma educação em e com a LH. Os resultados apresentados permitem estabelecer paralelos e pontes várias em relação aos estudos que focalizam a manutenção do Português Língua de Herança, designadamente ao nível do papel da família (Melo-Pfeifer, 2016).

Palavras-chave: Migração; Identidade; LH; Plurilinguismo; Papel dos Pais.

 

Minibiografias:

Rodica Iachimovschi é licenciada em Letras pela Faculdade de Letras “Babes-Bolyai” de Cluj-Napoca, Roménia, e Mestranda em Educação Intercultural na Universidade de Lisboa, com o projeto intitulado Papel dos Pais Moldavos na Manutenção da Língua de Herança dos Filhos em Contexto de Imigração Portuguesa. É imigrante moldava em Portugal há 11 anos.

Ana Sofia Pinho é Professora Auxiliar do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa (IEUL), na área Currículo e Formação de Professores, e Doutorada em Didática de Línguas, com foco na formação de professores, pela Universidade de Aveiro. Coordena o tema Ensino de Línguas do Doutoramento em Educação, especialização Formação de Professores, do IEUL. Principais áreas de interesse: Educação Plurilingue e Intercultural, Abordagens Plurais, CLIL, Educação para a Cidadania, Formação de Professores, Parcerias Universidade-Escolas.

Sílvia Melo-Pfeifer é Professora Associada de Didática de Línguas Românicas na Universidade de Hamburgo. Foi coordenadora do Ensino Português na Alemanha, junto da Embaixada de Portugal em Berlim, entre 2010 e 2013. Coordenou as obras Comunicação eletrónica na aula de Português Língua Estrangeira (com Maria Helena de Araújo e Sá) e Didática do Português Língua de Herança (ambas editadas pela LIDEL). É coautora dos manuais de Português para o estrangeiro Lado a Lado (editados pela Porto Editora). 


Comunicação 5

“POÉTICA, Maleável, ENCANTANDORA, Mágica”: perfil dos docentes de Português Língua de Herança e sua relação com a língua objeto de ensino e de aprendizagem

 

Autora:

Sílvia Melo-Pfeifer – Universidade de Hamburgo – silvia.melo-pfeifer@uni-hamburg.de

 

Resumo:

Esta comunicação pretende contribuir para o conhecimento do perfil do professor de Português Língua de Herança. Para tal recorre-se aos dados recolhidos on-line no quadro do projeto “Imagens do (Ensino) Português no Estrangeiro”, desenvolvido pela coordenação de ensino na Alemanha, durante os anos 2010 e 2013.

O corpus aqui analisado reporta-se ao perfil de 108 docentes do Ensino Português no Estrangeiro, presente, à data do inquérito, em pelo menos 12 países, da Europa à América do Norte e África. Os dados recolhidos permitem aferir o perfil académico e profissional dos docentes (origem, anos de serviço, motivações, conhecimentos linguísticos,…), as suas relações socioafetivas com a língua e a cultura portuguesas e as representações acerca do ensino-aprendizagem do PLH nos seus contextos de trabalho.

Uma análise dos dados recolhidos aponta para um corpo docente predominantemente feminino, que declara origens portuguesas e o português como língua materna mas que possui competências noutras línguas (designadamente do país em que se encontra a exercer), com formação graduada ou pós-graduada, com uma média de 10 anos de experiência laboral, sobretudo em cursos de língua extracurriculares, e com uma clara relação socioafetiva com a língua de ensino.

A presente contribuição pretende analisar estes dados preliminares em profundidade, contribuindo para o levantamento de necessidades formativas e potencialidades do corpo docente do Ensino Português no Estrangeiro.

Palavras-chave: Ensino Português no Estrangeiro; Imagens das Línguas; Profissionalização.

 

Minibiografia:

Sílvia Melo-Pfeifer é Professora Associada de Didática de Línguas Românicas na Universidade de Hamburgo. Foi coordenadora do Ensino Português na Alemanha, junto da Embaixada de Portugal em Berlim, entre 2010 e 2013. Coordenou as obras Comunicação eletrónica na aula de Português Língua Estrangeira (com Maria Helena de Araújo e Sá) e Didática do Português Língua de Herança (ambas editadas pela LIDEL). É coautora dos manuais de Português para o estrangeiro Lado a Lado (editados pela Porto Editora). 


Comunicação 6

Desenvolvimento profissional dos professores de PLH. Um percurso ao encontro de necessidades e contextos

Autores:

Maria de Lurdes Santos Gonçalves – Camões, I.P.; Universidade de Aveiro, CIDTFF – maria.goncalves@camoes.mne.pt, mgoncalves@ua.pt

 

Resumo:

O Ensino Português no Estrangeiro (EPE) consubstancia atualmente um espaço privilegiado de desenvolvimento de competências linguísticas e culturais, um espaço de partilha e vivência da cultura portuguesa, mas sobretudo um espaço sustentador da construção da identidade de crianças e jovens que vivem dentro e entre duas (ou mais) línguas e culturas.

Perante o desafio que esta modalidade especial de ensino representa, exigindo abordagens diferenciadas para ir ao encontro dos diferentes contextos e perfis dos aprendentes, a atualização do conhecimento profissional dos professores EPE começou a ser uma preocupação inscrita nos programas formativos a partir da década de 90 do séc. XX (Fontoura, 1992).

Com efeito, a (re)construção do conhecimento profissional destes docentes tem vindo a desenhar-se de um modo muito particular, em condições pouco favoráveis à sua apropriação, e nem sempre adequada aos contextos específicos (Cirne, 2000), num espaço de desenvolvimento profissional indefinido, dividido entre a formação no país de acolhimento e a formação no país de origem.

No caso particular da Suíça, ao longo dos últimos anos tem-se assistido a uma gradual renovação do corpo docente, sendo atualmente composto por professores colocados recentemente, mas também por outros docentes que desde os anos 80 acompanham a

evolução do EPE na Suíça.

Nesta comunicação propomo-nos caracterizar a formação (de base e contínua) do atual corpo docente do EPE na Suíça, de modo a compreendermos i) o percurso que tem vindo a ser construído em termos do perfil exigido aos profissionais do ensino de

PLH; ii) a formação contínua que tem vindo a ser procurada e frequentada pelo corpo docente. A partir dos dados analisados discutiremos em que medida essa formação ajuda os docentes a construir respostas pedagógico-didáticas adequadas aos desafios

atuais do EPE e, ainda, o modo como as escolhas efetuadas permitem (ou não) identificar e traçar um perfil específico do professor de PLH.

Palavras-chave: Formação inicial e contínua; conhecimento e desenvolvimento profissional; perfil do professor de PLH.

 

Minibiografia:

Maria de Lurdes Santos Gonçalves é doutorada em Didática de Línguas pela Universidade de Aveiro. Desde 2013 coordena o Ensino Português no Estrangeiro na Suíça, sob a responsabilidade do Camões, I.P. É membro do LALE (Laboratório Aberto para a Aprendizagem de Línguas Estrangeiras) e colaboradora do CIDTFF (Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores) da Universidade de Aveiro e integra a comissão editorial da revista Portuguese Language Journal.


Comunicação 7

Pôr os professores de línguas na pele dos aprendentes – discutindo potencialidades formativas

Autoras:

Teresa Ferreira – Escola Superior de Educação do Porto – teresaferreira@ese.ipp.pt

Inês Cardoso – York University, Centro de Investigação “Didática e Tecnologia na Formação de Formadores” (CIDTFF) – icardoso@yorku.ca

 

Resumo:

O ensino de Português Língua Não Materna (PLNM) desenvolve-se em contextos dinâmicos e heterogéneos. As complexidades socio(inter)linguísticas e interculturais daí decorrentes reclamam uma construção de conhecimento articulada com saberes emergentes da investigação, da formação e da praxis educativa, num processo recursivo de contextualização das teorias e teorização dos contextos. Atuando nestas três áreas, pretendemos trazer para esta comunicação “oficinal” elementos por nós construídos e utilizados na praxis educativa, ancorados em princípios validados pela investigação, para discutir o seu potencial formativo. Focar-nos-emos, pois, na dimensão da formação dos professores de PLNM, baseando-nos na nossa experiência formativa em modalidades presenciais e de blended e e-learning com futuros professores e professores em exercício em vários contextos nacionais (Canadá, Brasil, rede de professores do Camões, I.P.).

Assumimos que a realização, por parte de professores em contexto formativo, de atividades destinadas a aprendentes de línguas, acompanhada de uma posterior reflexão orientada, pode desencadear transformações nas suas representações e ações, embora reconhecendo que essa mudança não se processa a todos os níveis, como tem sido demonstrado em várias investigações focadas nos efeitos do uso de ferramentas didáticas propostas aos professores e por eles operacionalizadas (Graça, 2010). Procuraremos, nesta linha, ilustrar e discutir um modelo de formação para o professor de PLNM que o ponha na pele do aprendente, fazendo-o experimentar atividades suscetíveis de serem adaptadas para os seus contextos praxiológicos. Assim sendo, a vivência de processos, dificuldades, motivações e descobertas parece poder alicerçar uma reflexão sobre as valências das atividades e estratégias a que certos materiais se prestam.

O modelo que propomos ancora-se nas correntes que, nos últimos anos, têm defendido a simbiose reflexiva entre a formação e as práticas de ensino, e, mais concretamente, em alguns trabalhos que já temos desenvolvido noutros contextos e que se distinguem pela fusão entre os dispositivos de formação e de ensino (Pereira & Cardoso, 2013).

Palavras-chave: PLNM; formação de professores; materiais didáticos; aprendizagem experimental; reflexão.

 

Minibiografias:

Teresa Ferreira é doutorada em Didática de Línguas pela Universidade de Aveiro. É coautora e coordenadora da equipa de autoras dos manuais de Português para o estrangeiro Lado a Lado (Porto Editora) e coautora do Programa e manuais oficiais de Português do Ensino Secundário Geral em Timor-Leste. Tem atuado na formação inicial e contínua de professores, em modo presencial (ESE do Porto) e de e-learning (Camões, I.P.; UFRN, Brasil). É autora de provas de certificação de nível de proficiência em Português (Camões, I.P.).

Inês Cardoso é Sessional Assistant Professor, Docente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, em Portuguese and Luso-Brazilian Studies, na York University – Toronto, Canadá. Doutorada em Didática, na Universidade de Aveiro (Portugal), realizou também um projeto de pós-doutoramento no Departamento de Educação e Psicologia da mesma universidade, com financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Integra o Centro de Investigação “Didática e Tecnologia na Formação de Formadores” e é membro do grupo “PROTEXTOS – Ensino da produção de textos”.


Comunicação 8

A formação docente e a atuação deste profissional no ensino básico

Autores:

Cleide Inês Wittke Universidade Federal de Pelotas cleideinesw@yahoo.com.br

 

Resumo:

Nas últimas décadas, a formação do docente e o ensino de línguas têm dado margem a muitas reflexões no campo teórico e prático, voltadas a ações e pesquisas, problematizando o objeto de ensino e também a ação profissional (Perrenoud, 1994; Bronckart, 2012). Enfim, muito se tem discutido sobre essa temática, mas ainda restam dúvidas a serem esclarecidas via estudos realizados no meio acadêmico, contudo, de modo interligado com a prática cotidiana na escola (Antunes, 2014; Wittke, 2015). Nesse contexto, diferentes atividades vivenciadas ao longo do exercício de formadora de professores de línguas trazem à tona desafios e problemas antigos, mas que ainda aguardam soluções. Acreditamos que uma das possibilidades de qualificar a formação e também o ensino diz respeito a centrarmos nossas pesquisas na ação cotidiana do professor, observando, descrevendo e analisando suas ações em sala de aula, seu gesto docente, como denominam Schneuwly, Cordeiro e Dolz (2005) e Dolz-Mestre (2013) para, então, apresentar diferentes caminhos a seguir. Outra possibilidade consiste em repensar o papel que a didática tem na formação do futuro professor, seja no de línguas ou de outras licenciaturas. Partindo desses dois eixos e assumindo a transposição didática como embasamento teórico (Chevallard, 1985; Petitjean, 1998; Schneuwly E Al., 2010, 2012; Schneuwly, 2014), esta comunicação tem como objetivo refletir sobre a formação inicial do professor, bem como acerca de sua formação continuada, ao longo de sua carreira como educador (Nóvoa, 2002). Acreditamos que a realização de pesquisas, de projetos disciplinares e interdisciplinares, bem como o diálogo com professores em serviço (Brait, 2002) são dispositivos que podem viabilizar as mudanças desejadas na prática do ensino de línguas.

Palavras-chave: Formação profissional; Ensino de línguas; Ação docente; Transposição Didática.

 

Minibiografia:

Cleide Inês Wittke é Mestre e Doutora em Linguística Aplicada, com Pós-doutorado em Didática das Línguas, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (FPSE), na Universidade de Genebra, Suíça. Professora Adjunta na Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), RS, no sul do Brasil. Publicou vários artigos em periódicos, alguns capítulos e três livros voltados ao ensino de línguas, ao material didático e à formação docente.


Comunicação 9

Saberes Docentes em Provas de Concursos Públicos para Professor de Língua Portuguesa

 

Autoras:

Betânia Maria Lidington Lins – Universidade Federal de Pernambuco – betalama@gmail.com

Maria Emília Lins e Silva – Universidade Federal de Pernambucoemilialins@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem por objetivo geral analisar as provas objetivas de dois concursos públicos promovidos pelo Estado de Pernambuco (Brasil) para professor de Língua Portuguesa, realizados em abril e novembro/2008, identificando os conteúdos abordados nas provas e sua relação com os conhecimentos oriundos da formação inicial dos licenciandos de Letras apresentados em documentos oficiais e destacaremos os formatos das questões de múltipla escolha apresentados nas provas e os índices de acertos e erros dos candidatos nas provas do concurso de novembro/2008, nas questões com melhor e pior desempenho, cruzando os dados estatísticos com a análise qualitativa.

Refletindo sobre o perfil profissional desejado pelo Estado de Pernambuco a partir da análise desses dois concursos, nosso corpus de análise foram as 100 questões das provas, sendo 40 de Conhecimentos Pedagógicos e 60 de Conhecimentos Específicos. A abordagem da pesquisa foi qualitativa com interface quantitativa, de natureza documental.

Como resultado, constatamos que, dos conteúdos abordados nas provas de Conhecimentos Pedagógicos, os referentes à Avaliação da Aprendizagem, Novas Tecnologias da Informação e Comunicação e Projeto Político-Pedagógico da Escola foram contemplados em documentos oficiais, apresentando certa relação com as questões abordadas nas provas, bem como os conteúdos das dimensões linguística, interpretativa, literária e gramatical das provas de Conhecimentos Específicos; os formatos de questão objetiva de múltipla escolha que mais sobressaíram nas provas foram os de afirmação incompleta em Conhecimentos Pedagógicos e o de interpretação em Conhecimentos Específicos; os candidatos apresentaram melhor desempenho nas questões cujos conteúdos foram contextualizados com a reflexão sobre a prática docente, e nas questões com os formatos de afirmação incompleta e resposta múltipla; e pior desempenho, nas questões que apresentaram conteúdos com caráter conceitual, teórico ou de memorização, sem relação com a teoria-prática, nos formatos de resposta múltipla e interpretação.

Palavras-chave: Formação Docente; Concurso Público; Professor de Língua Portuguesa.

 

Minibiografias:

Betânia Maria Lidington Lins, mestra em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (2011), trabalha na área educacional há 22 anos e no Ensino Básico há 16, dedicando-se aos temas: projeto pedagógico de curso, currículos de cursos de graduação, formação de professores. Atuou como Coordenadora de Ensino do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), campus Recife, de 2013 a 2015.

Maria Emília Lins e Silva, doutora em Educação (2004) pela Universidade Federal de Minas Gerais. É professora adjunta da Universidade Federal de Pernambuco no Centro de Educação. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Leitura e Escrita, atuando principalmente nos seguintes temas: práticas de escrita e leitura, alfabetização e letramento, produção de texto, memórias docentes e formação de professores. 


Comunicação 10

A iniciação à docência na alfabetização viabilizando a constituição da identidade docente

 

Autora:

Milka Helena Carrilho Slavez – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, UEMS milka@uems.br

 

Resumo:

O presente trabalho tem por objetivo apresentar o andamento do subprojeto Pedagogia desenvolvido na Unidade Universitária de Paranaíba. Este subprojeto compõe o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS. A etapa do processo de alfabetização, que ocorre na escolarização formal nos anos iniciais do Ensino Fundamental, especialmente o primeiro e segundo anos, apresenta desafios por ser considerada muito complexa. Consequentemente exige-se do professor alfabetizador conhecimentos específicos sobre os aspectos que envolvem a alfabetização e letramento. Estas considerações desencadearam perguntas norteadoras que levaram à problematização sobre como se constitui a identidade de professores alfabetizadores. O resultado desta pesquisa conduziu à tese de doutorado intitulada Percursos identitários de professores alfabetizadores no município de Paranaíba–MS. Nela buscou-se investigar numa perspectiva sociológica como são adquiridos os saberes específicos à alfabetização ao longo das trajetórias de professores que optaram por permanecer nas classes de alfabetização e quais elementos dos dois processos identitários básicos – o biográfico e o relacional – foram determinantes para a constituição da identidade social, em especial para uma identidade profissional de professores alfabetizadores. Os pressupostos teóricos foram os estudos sobre socialização primária e secundária de Berger e Luckmann, a respeito da socialização profissional docente de Dubar e acerca do fator tempo na constituição dos saberes e da identidade profissional de Tardif e Raymond. O subprojeto Pedagogia foi planejado com proposta voltada à alfabetização e letramento. O trabalho é realizado com crianças em escolas públicas de Paranaíba-MS. As etapas estão assim distribuídas: Primeira – (Re)conhecimento e diagnóstico da realidade das escolas que receberão os bolsistas; Segunda – Atividades para formação; Terceira – Atividades de planejamento, intervenção e consolidação da aprendizagem. Os primeiros resultados apresentados são satisfatórios e ratificam as hipóteses levantadas na tese que fundamenta este trabalho.

Palavras-chave: Alfabetização; Letramento; Formação de alfabetizadores; Identidade docente.

 

Minibiografia:

Milka Helena Carrilho Slavez é doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Docente da Graduação e do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Unidade de Paranaíba.


Comunicação 11

Os desafios para o ensino dos conhecimentos ortográficos nos anos iniciais do Ensino Fundamental

 

Autoras:

Miriam M. R. Marmol – Faculdade de Pará de Minas, FAPAM – miriam.marmol@fapam.edu.br

Vanessa F. Viana – Faculdade de Pará de Minas, FAPAM – vanessa.faria@fapam.edu.br

 

Resumo:

O presente artigo tem como objetivo discutir e problematizar algumas observações em relação ao ensino dos conhecimentos ortográficos em turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental, realizadas por discentes em formação do curso de Pedagogia. Partimos da fala de MORAIS (2010) que “corrigir não é sinônimo de ensinar”, visando compreender quais os caminhos metodológicos que os docentes têm seguido para melhorar a qualidade da escrita de nossos alunos. Para embasar como deve ser desenvolvido o ensino ortográfico, estabelecemos diálogo com MORAIS (2010), CAGLIARI (1998), CARRAHER (2013), FARACO (2003), LEMLE (1995) e Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (1998) (PCNs); e sobre formação de professores GATTI (2009), TARDIF (2008) e PERRENOUD (2002). A realização das análises metodológicas deste estudo partiu de relatos de alunas do curso de Pedagogia em suas práticas de estágio em escolas dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Os relatos analisados expressam como tem sido ensinado ortografia em sala de aula pelos docentes de turmas do 4º e 5º anos de várias escolas públicas do município de Pará de Minas/MG. Tais relatos nos permitiram problematizar nas formações iniciais, práticas que possam de fato concretizar a importância dos conhecimentos ortográficos para melhorar a qualidade dos textos de nossos discentes.

Palavras-chave: Formação de professores; Ensino de ortografia; Práticas pedagógicas.

 

Minibiografias:

Miriam Maria Roberta Marmol é formada em Pedagogia e mestre em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atua profissionalmente como coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental e Educação Infantil e professora do ensino superior. Ministra aulas no Ensino Superior para turmas de licenciaturas e curso de Pedagogia. O campo de pesquisa refere-se ao estado da arte sobre Alfabetização no Brasil e sobre formação de professores para os anos iniciais.

Vanessa Faria Viana é formada em Letras pela Faculdade de Pará de Minas (FAPAM) e mestre em Linguística pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais. Possui especialização em Leitura e Produção de Texto e atua profissionalmente como professora do Ensino Superior. Ministra aulas de Língua Portuguesa e Produção de Texto para os cursos de Letras, Pedagogia, Psicologia e Ciências Contábeis.


Comunicação 12

Os Temas Transversais como Forma de Trabalhar a Interdisciplinaridade

 

Autoras:

Josefina Marília Rodrigues Caetano Ferrete – Universidade Pedagógica – finaferrete@tvcabo.co.mz

Paula Alexandra dos Santos Pais da Cruz – Universidade Pedagógica – paulacruzmz@gmail.com

 

Resumo:

A interdisciplinaridade é condição necessária para o estudo de fenómenos nas diferentes áreas da vida. Directamente ligada ao contexto, estabelece uma relação entre uma situação real e concreta e o sujeito que vivencia essa situação com todas as suas particularidades. Na escola, os professores são os responsáveis pela prática de actividades interdisciplinares, partindo de diferentes conceptualizações: uma nova epistemologia, uma nova metodologia ou um instrumento para melhorar a aprendizagem. Autores como Japiassu (1992) e Fazenda (2002) defendem que a interdisciplinaridade é um processo mais prático do que teórico e que se caracteriza pelo intercâmbio, pela troca de conhecimentos numa integração real das diferentes disciplinas dentro de um projecto de pesquisa.

Nesta linha de pensamento, Lück (1994) considera que a interdisciplinaridade deve ter como objectivo a formação integral dos alunos e para tal deve consistir num trabalho conjunto entre os professores e não apenas que se faça o intercâmbio de conteúdos. A ideia é que se proporcione a compreensão da realidade como um todo, onde o indivíduo consiga interpretar o mundo objectivo de forma subjectiva. Cabe aos professores interagir organizando actividades pedagógicas que permitam o diálogo entre professores de diferentes disciplinas proporcionando um trabalho integrado. O nosso objectivo neste trabalho é mostrar o papel da disciplina de Língua Portuguesa na abordagem dos Temas Transversais propostos no currículo moçambicanos num contexto interdisciplinar.

Palavras-chave: Temas Transversais; interdisciplinaridade; Ensino-aprendizagem; Língua Portuguesa; currículo.

 

Minibiografias:

Josefina Marília Rodrigues Caetano Ferrete, docente de Didáctica do Português na Universidade Pedagógica de Moçambique, doutoranda em Ciências da Linguagem, área de Didática de Línguas na Universidade do Porto.

Paula Alexandra dos Santos Pais da Cruz, docente de Didáctica do Português na Universidade Pedagógica de Moçambique, doutoranda em Educação/Currículo na Universidade Pedagógica de Moçambique. 


Póster 1

Oportunidades de formação contínua: um percurso para a sustentabilidade do desenvolvimento profissional

Autoras:

Maria de Lurdes Santos Gonçalves – Camões, I.P.; Universidade de Aveiro, CIDTFF – maria.goncalves@camoes.mne.pt / mgoncalves@ua.pt

Resumo:

A preocupação com o conhecimento profissional dos professores EPE, conhecidos como “embaixadores da língua portuguesa”, começou a acentuar-se nos anos 90 do séc. XX (Fontoura, 1992), nomeadamente aquando da constatação da necessidade de novas abordagens para fazer face a diferentes contextos e a um público cada vez mais heterogéneo.

Se uma parte do conhecimento profissional docente é construído antes da entrada na profissão, outra parte não menos importante vai-se construindo e desenvolvendo no exercício da profissão, sobretudo no que diz respeito ao conhecimento do contexto para a elaboração de respostas pedagógico-didáticas adequadas. Sabendo-se que o desenvolvimento profissional docente está associado à prática quotidiana e à consequente exploração da potencialidade formativa da experiência profissional (Gonçalves, 2011), o processo de (re)construção do conhecimento profissional deve ser apropriado pelos próprios docentes e a oferta de formação contínua deve ser contextualizada, de forma a responder aos desafios da prática. Assim, cabe cada vez mais às Coordenações de Ensino Português no Estrangeiro o papel de promover espaços e tempos para a formação contínua, em colaboração com as entidades formativas locais, sempre que possível.

Este póster apresenta as iniciativas de formação da Coordenação de Ensino da Suíça desde o ano letivo 2013-2014, bem como a avaliação da formação efetuada pelos participantes, analisando o modo como as ofertas formativas têm vindo a contribuir para a apropriação da construção do conhecimento profissional pelos docentes que a frequentam, num processo que acomoda a construção de percursos diversos e se revela potenciador de desenvolvimento profissional sustentável.

Palavras-chave: Formação contínua; desenvolvimento profissional sustentável; ensino de PLH.

Minibiografia:

Maria de Lurdes Santos Gonçalves é doutorada em Didática de Línguas pela Universidade de Aveiro. Desde 2013 coordena o Ensino Português no Estrangeiro na Suíça, sob a responsabilidade do Camões, I.P. É membro do LALE (Laboratório Aberto para a Aprendizagem de Línguas Estrangeiras) e colaboradora do CIDTFF (Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores) da Universidade de Aveiro e integra a comissão editorial da revista Portuguese Language Journal.