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Simpósio 23

SIMPÓSIO 23 – ENSINO DO PORTUGUÊS ESCRITO COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS USUÁRIOS DA LÍNGUA DE SINAIS EM CONTEXTOS DE EDUCAÇÃO BILÍNGUE

 

Coordenadoras:

Sueli Fernandes | Universidade Federal do Paraná | suelif@globo.com

Kelly Priscilla Lóddo Cezar | Universidade Federal do Paraná | kellyloddo@gmail.com

 

Resumo:

O reconhecimento das Línguas de Sinais como línguas naturais faladas pelas comunidades surdas, nas últimas décadas, inscreveu a educação bilíngue para surdos na agenda das políticas linguísticas e educacionais em diferentes países. Aprender, comunicar-se e interagir em Língua de Sinais como língua materna, seguida do aprendizado da modalidade escrita do português como segunda língua tem sido pauta prioritária dos direitos humanos defendida pelos movimentos surdos mundialmente. Em função desse cenário social, este simpósio objetiva reunir, compartilhar e sistematizar investigações e práticas desenvolvidas por pesquisadores e professores acerca do ensino da língua portuguesa escrita como segunda língua para surdos em contextos de educação bilíngue (formais e informais), de modo a constituir a memória dessa produção, ainda dispersa, na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). As propostas de comunicação contemplarão trabalhos em dois eixos temáticos: (i) o primeiro, envolve a dimensão ideológica/epistemológica de produção do conhecimento, acolhendo pesquisas acerca das concepções de língua/gem no ensino, dos processos linguístico-discursivos dos sujeitos surdos em seu percurso de aprendizagem do português, bem como a problematização de tensões envolvendo língua portuguesa/língua(s) de sinais no âmbito das políticas e práticas de educação bilíngue para surdos; o (ii) segundo eixo contempla a dimensão metodológica e a produção de materiais didáticos no ensino de português como segunda língua para surdos, pressupondo a mediação por processos semióticos visuais, nos quais a língua de sinais ocupa papel privilegiado. Buscamos, assim, contribuir com o debate científico acadêmico internacional, dando visibilidade aos surdos bilíngues que se apropriam do português como língua de fronteira em suas interações verbais, promovendo a ruptura com a localização tradicional desses sujeitos no território discursivo das patologias da linguagem e da educação especial.

 

Palavras-chave: Línguas de Sinais, português escrito como segunda língua, educação bilíngue para surdos.

 

Minibiografias:

Sueli Fernandes

Doutora em Letras/Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Paraná; Professora do Setor Ciências Humanas (UFPR) e do Programa de Pós-Graduação em Educação (UFPR). Coordenadora do Curso de Graduação em Letras Libras (UFPR). Pesquisadora na área de Educação Especial, Educação Bilíngue para Surdos e Letramento/Ensino de português como segunda língua para surdos. Autora de livros na área da educação especial e educação de surdos.

 

Kelly Priscilla Lóddo Cezar

Pós-doutora pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). Doutora pelo Programa de Linguística e Língua Portuguesa da Universidade Estadual Paulista (UNESP). Tem estágio de doutoramento na Universidade de Évora (PT). Professora Adjunta da Universidade Federal do Paraná (UFPR) vinculada à Coordenação do Curso de Licenciatura em Letras-Libras. Atua nas seguintes áreas temáticas: linguística, linguística das línguas de sinais, gênero textual.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

PROPOSTA DE ENSINO BILÍNGUE: O USO DA LIBRAS NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO DAS CRIANÇAS SURDAS

Autoras:

Marisa Dias LIMA – Universidade Federal de Uberlândia – marisalima.ufu@gmail.com

Márcia Dias Lima – Universidade Federal de Uberlândia – marcialima.ufu@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho foi desenvolvido mediante nos fatos de que por muitos anos a educação dos surdos tem sidos elaborados sob a perspectiva de uma educação inclusiva generalizando vários problemas, entre eles, profissionais despreparados para trabalhar com os surdos, mediante aos problemas ocorridos, recentemente, os educadores se reuniram para discutir sobre o método de ensino Bilíngue ser um modelo educacional adequado para iniciar o processo de alfabetização e letramento nos alunos surdos. Diante das discussões o presente trabalho apresenta um estudo de levantamento de diversas fontes bibliográficas a fim de demonstrar a importância do uso da Libras na alfabetização e letramento das crianças surdas aos professores visando os a adotarem Libras nos seus métodos de ensino, para isso, foi utilizado a aplicação dos questionários aos pais e professores de alunos surdos da rede pública estadual de ensino, juntamente com uma pesquisa de campo onde foram realizados uma oficina de Libras/Português na sala de recursos com os alunos surdos a fim de facilitar o processo da pesquisa visando à inclusão das crianças surdas no universo da linguagem e letramento. Discutimos então neste estudo o indivíduo surdo, sua cultura, como a sociedade os enxergam, os preconceitos existentes, por fim, a afirmação da Libras como meio essencial na sua comunicação e aprendizagem do Português.

Palavras-chaves: Alfabetização; Letramento; Libras; Surdos.

 

Minibiografias:

Marisa Dias Lima: Doutoranda em Educação na área de Estado, Políticas e Gestão Escolar do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED) pela Universidade Federal de Uberlândia e Mestrado em Linguística na área de Gramática: Teoria e Análise do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) pela Universidade de Brasília. Professora Assistente da Universidade Federal de Uberlândia no departamento da Faculdade de Educação vinculada ao núcleo de Educação Especial e Libras.

Márcia Dias Lima: Mestranda em Educação na área de Estado, Políticas e Gestão Escolar do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED) pela Universidade Federal de Uberlândia. Professora Auxiliar da Universidade Federal de Uberlândia no departamento da Faculdade de Educação vinculada ao núcleo de Educação Especial e Libras.


Comunicação 2

PESQUISAS SOBRE O LETRAMENTO DE SURDOS NO BRASIL DE 2010 A 2014

Autores:

Elsa Midori Shimazaki – Universidade Estadual de Maringá – emshimazaki@uem.br

Renilson José Menegassi – Universidade Estadual de Maringá – renilson@wnet.com.br

 

Resumo:

A comunicação objetiva caracterizar as pesquisas elaboradas nos programas de pós-graduação do Brasil, no período de 2010 a 2014, sobre letramento de pessoas surdas, a fim de contribuir com o desenvolvimento de estudo sobre surdez e ensino de aprendizagem de língua. Para a efetivação do estudo, buscaram-se teses e dissertações disponíveis no Banco de Teses da Capes por meio das palavras-chave: surdez, letramento, leitura e escrita. Na busca, encontraram-se seis pesquisas, sendo três de mestrado e três de doutorado, sendo três em Programas de Linguística e três em Programa de Educação. Analisaram-se os pressupostos teóricos, a metodologia e os resultados obtidos pelas pesquisas, que se fundamentam essencialmente nos pressupostos do dialogismo bakhtiniano, histórico-cultural e sócio-antropológica e foram levadas a efeito por meio de entrevista, questionário e intervenção junto aos alunos surdos. Os resultados dos estudos mostram que: a) a leitura e a escrita da Língua Portuguesa constituem-se em uma das maiores dificuldades dos surdos; b) a pessoa surda pode aproximar o seu texto do padrão da Língua Portuguesa escrita; c) a presença do professor intérprete não é suficiente para que a apropriação da língua escrita e do conhecimento se efetivem; d) o uso de tecnologias assistivas ajuda no letramento do surdo; e) todas as pesquisas mostram que, mesmo com o uso da tecnologia, do implante coclear ou a utilização de comunicação alternativa, a aprendizagem da língua só se efetiva por meio da interação com o professor. Considerando os resultados desta pesquisa, é possível afirmar o professor deve ser instrumentalizado para que os alunos surdos apropriem-se do conhecimento escolar e, para isso, é necessário que se busquem conhecimentos específicos sobre essa deficiência.

Palavras-chave: Educação de surdos; letramento; leitura e escrita.

 

Minibiografias:

Elsa Midori Shimazaki: Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas, Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo e Pós-doutorado em Letras na Universidade Estadual de Maringá. É professora do Departamento de Teoria e Prática da Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá. Atua nas linhas de pesquisa ‘Ensino, aprendizagem e formação de professores’, ‘Leitura e escrita’ e ‘Educação Especial’. Faz parte do grupo de pesquisa Aprendizagem e Desenvolvimento Escolar, Interação e Escrita e é líder do grupo de pesquisa ‘Educação, Linguagem e Letramento’ (UEM/CNPq).

Renilson José Menegassi: Realizou seu curso de Mestrado em Linguística na Universidade Federal de Santa Catarina e o curso de Doutorado em Letras, na Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (UNESP-Assis). Seu Pós-Doutorado em Linguística Aplicada foi realizado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atua nas linhas de pesquisa ‘Ensino e Aprendizagem de Línguas’, enfatizando-se a leitura e a escrita em situação de ensino, e ‘Formação do Professor de Línguas’, investigando a constituição da escrita na formação inicial e continuada. É líder do Grupo de Pesquisa “Interação e Escrita” (UEM/CNPq).


Comunicação 3

SURDEZ E LÍNGUA PORTUGUESA COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS: CONCEPÇÕES E TENSÕES

Autores:

Márcio Arthur Moura Machado Pinheiro – IFMA – marcio.pinheiro@ifma.edu.br

Hudney Guimarães de Almeida – UCAM – hudneyg@gmail.com

 

Resumo:

A Língua Portuguesa é para os surdos brasileiros uma segunda língua, sendo utilizada por eles como meio de interação, promoção da sua cidadania, aquisição de informação e para comunicação por meio da escrita. Apesar disso, vê-se que o sistema educacional, por vezes, tem falhado nessa empreitada, fazendo com que os surdos não se desenvolvam proficuamente enquanto usuários da língua majoritária nacional. Não obstante, discutir ensino e aprendizagem da língua escrita e suas peculiaridades para esses aprendizes é urgente em tempos de inclusão e de educação para a diversidade. Dessa forma, a pesquisa aqui apresentada busca compreender que concepções os surdos trazem consigo acerca da Língua Portuguesa e de sua gramática, bem como que avaliação fazem de si próprios quanto ao seu desempenho e aprendizagem nessa língua. Para tanto, utilizou-se como instrumento para coleta de dados questionário e entrevista semiestruturados. Teoricamente, esta pesquisa pauta-se nas discussões sobre gramática, ensino de línguas e de língua portuguesa propostas por Possenti (1996), Salles et al (2004), Kato (2005), Quadros & Schmiedt (2006), Travaglia (2009), dentre outros. A análise dos dados indicam que i) os surdos associam estudo de português à memorização de regras, ii) compreendem a gramática enquanto prescrição e tradicionalidade, iii) expressam saberem a relevância de dominar o português escrito, apesar das dificuldades encontradas. Assim, ratifica-se o discurso da primordialidade quanto às mudanças no ensino de Língua Portuguesa para falantes de Libras, de forma que se distancie dos modelos gramaticistas e mecânicos utilizados até então, ressaltando a necessidade de ofertar usos significativos para esses aprendizes, aproximando-se cada vez mais do real atendimento das demandas linguísticas, sociais e intelectuais dessa parcela da sociedade.

Palavras-chave: Surdez; Segunda Língua; Gramática; Ensino.

 

Minibiografias:

Márcio Arthur Moura Machado Pinheiro: Especialista em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pelo Instituto de Ensino Superior Franciscano (IESF). Graduado em Letras – Língua Portuguesa e Respectivas Literaturas pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Professor do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Campus Zé Doca, onde coordena o Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (NAPNE). Atua no ensino de Língua Portuguesa e Literatura, Libras e Educação Especial.

Hudney Guimarães de Almeida: Pós-Graduando em Língua Brasileira de Sinais pela Universidade Cândido Mendes. Graduado em Letras – Língua Portuguesa pela Faculdade Atenas Maranhense. Atou como docente surdo e formador no Centro de Ensino de Apoio à Pessoa com Surdez (CAS/MA), tendo larga experiência no ensino de Libras como L1/L2, Língua Portuguesa para Surdos e Formação de Tradutores Intérpretes de Libras/Língua Portuguesa.


 Comunicação 4

(RE)SIGNIFICANDO A LÍNGUA(GEM) E O BI/MULTILINGUISMO EM PRÁTICA DE ENSINO DE PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS

Autora:

Aryane Nogueira – Universidade Federal de São Carlos – aryane.santos.nogueira@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho está afiliado a uma vertente indisciplinar da Linguística Aplicada que busca alternativas para a vida social ao mesmo tempo que repensa seus modos de teorizar (MOITA LOPES, 2013). Não é de hoje que aparatos teórico-epistemológicos vêm sendo (re)significados, sobretudo os que estão relacionados a áreas do conhecimento que, ao considerarem as mudanças constantes que a sociedade contemporânea tem experienciado, mostram-se atentas aos entraves em tentar entender as práticas de comunicação e produção de significados no mundo atual a partir de categorias marcadamente influenciadas pelas grandes narrativas da modernidade (SOUSA SANTOS, 1995). Observa-se, no entanto, que são essas categorias que ainda tem norteado os princípios-base para grande parte das práticas escolares, de modo que, nessas situações, sejam desconsideradas a diversidade cultural e linguística, bem como as (re)configurações identitárias próprias desse momento. Com o intuito de tentar ver com outras lentes (MOITA LOPES, 2006) as práticas escolares de educação bilíngue de surdos, tomo como base o olhar problematizador de Blommaert (2010, 2012) para a complexidade sociolinguística da comunicação no mundo de hoje ao empreender uma análise qualitativo-interpretativista para um conjunto de registros de alunos surdos em situação de ensino-aprendizado do português escrito como segunda língua. A complexidade, revelada nas interações entre esses sujeitos e os vários recursos linguísticos e semióticos com que eles interagiam (sinais, imagens, escrita), indica diferentes condutas semióticas sendo construídas, sobremaneira, a partir da variação no valor e legitimidade atribuída aos recursos. Considera-se que focalizar a complexidade desses processos interativos contribuiu para a construção de uma outra compreensão de língua(gem) e dos alunos surdos como sujeitos bi/multilíngues (MAHER, 2007) e multimodais (NOGUEIRA, 2015) com implicações diretas sobre o modo como – no sentido de uma educação linguística ampliada (CAVALCANTI, 2013) – a participação e produção textual dos alunos surdos na sala de aula bilíngue pode vir a ser entendida.

Palavras-chave: Surdez; Multilinguismo; Educação bi/multilíngue; Português segunda língua; Multimodalidade.

 

Minibiografia:

Aryane Nogueira: Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas; Professora do Curso de Bacharelado em Tradução e Interpretação em Libras-Língua Portuguesa da Universidade Federal de São Carlos; Pesquisadora membro do Grupo de Pesquisa “Vozes na Escola” com interesse nas áreas de Escolarização em Contextos Bi/multilíngues; (Multi)letramentos e ensino de português como segunda língua para surdos, Produção de Materiais Didáticos para surdos.


Comunicação 5

MULTILINGUISMO, REPERTÓRIOS COMUNICATIVOS E IDENTIDADES SURDAS EM INTERFACE COM O ENSINO DE PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA

Autores:

Wilma Favorito – INES – wilmafavorito@uol.com.br

Ivani Rodrigues Silva – UNICAMP – ivani.rodrigues.silva@gmail.com

 

Resumo:

Em tempo de discursos cada vez “mais favoráveis” à educação bilíngue para surdos e de maior visibilidade das línguas de sinais no mundo inteiro, há ainda muitos desafios a serem vencidos no que se refere à educação de surdos no Brasil. Com o intuito de refletir sobre alguns desses desafios, partimos do pressuposto que contextos definidos como bilíngues são contextos, na verdade, sempre multilíngues, já que, sabemos, “uma língua” traz, no seu interior, muitas outras (César & Cavalcanti, 2007). Observa-se, no entanto, uma tendência de simplificação no modo como os complexos repertórios comunicativos (Rymes, 2014) de alunos surdos são percebidos em muitos ambientes escolares brasileiros e mais especificamente nas práticas de ensino de português para surdos. A partir de dados gerados em um grupo focal com 7 professores surdos brasileiros, analisamos as representações tecidas por professores surdos sobre suas identidades em interface com os repertórios comunicativos que acionam em suas interações sociais e educacionais. Esses professores são parte do primeiro grupo profissional surdo (especializado no ensino de Libras) que passou, em 2013, a fazer parte do Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES.  As reflexões apontam para a necessidade de se repensar a educação bilíngue de surdos a partir de projetos mais sensíveis à pluralidade cultural, social e linguística do mundo atual, considerando-se o potencial heteroglóssico das práticas sociais de linguagem.

Palavras-chave: surdos; identidades; repertórios comunicativos; língua de sinais; língua portuguesa.

 

Minibiografias:

Wilma Favorito: Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). É professora associada do Departamento de Ensino Superior do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). Seus principais interesses de pesquisa incluem educação bilíngue de surdos e o desenvolvimento de dicionários acadêmicos para estudantes surdos universitários.

Ivani Rodrigues Silva: Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). É professora do Curso de Fonoaudiologia da FCM/UNICAMP. Pesquisadora do CEPRE/FCM/UNICAMP. Atua em pesquisas relacionadas à formação de professores, construção de materiais de ensino para surdos e na área do ensino da escrita na diversidade.


Comunicação 6

O ENSINO DO PORTUGUÊS ESCRITO COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS: PERCEPÇÕES DE FUTUROS PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA

Autores:

Hector Renan da Silveira Calixto – FEBF/UERJ – hector.calixto@uerj.br

Huber Kline Guedes Lobato – ILC/UFPA – huberkline@ufpa.br

 

Resumo:

Este estudo originou-se do seguinte questionamento: quais as percepções de futuros professores de Língua Portuguesa (LP) sobre o ensino do português escrito como segunda língua para surdos? Assim, temos como objetivo geral no presente estudo analisar as percepções de futuros professores de LP sobre o ensino do português escrito como segunda língua para surdos. De forma específica pretendemos: identificar e caracterizar o perfil dos futuros professores de LP; apresentar e analisar as percepções dos futuros professores de LP a respeito do ensino do português escrito como segunda língua para surdos; e analisar as propostas de atividades pedagógicas elaboradas por estes futuros professores de LP para o ensino do português escrito como segunda língua para surdos. Este estudo tem como aporte teórico: Brasil (2005); Botelho (2005); Freitas (2014); Lodi e Lacerda (2009); Moura (2015), entre outros. Como metodologia foi utilizada uma pesquisa de campo, por meio de um estudo de caso, junto a futuros professores de LP de uma turma do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR), durante o desenvolvimento da disciplina “Língua Portuguesa Escrita para Surdos”. Participaram da pesquisa 20 sujeitos, professores em formação do curso de Licenciatura em Letras – Língua Portuguesa do PARFOR da Universidade Federal do Pará (UFPA). Assim, a partir dos dados coletados, evidenciamos que as propostas de atividades pedagógicas possibilitaram aos futuros professores um maior aprofundamento teórico e metodológico sobre o ensino de português escrito como segunda língua para surdos, além de proporcionar, de forma prática, o desenvolvimento de atividades pedagógicas e a partilha das percepções relativas ao ensino de português escrito como segunda língua para surdos.

Palavras-chave: Surdos; Português escrito; Formação de professores; Língua portuguesa.

 

Minibiografias:

Hector Renan da Silveira Calixto: Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas (PPGECC/FEBF/UERJ). Professor Auxiliar da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense – FEBF / Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Tem experiência na área da Educação e Linguística; atuando principalmente nos seguintes temas: Formação de Professores, Educação Especial e Inclusiva, Educação Bilíngue para Surdos, Letramento de Surdos, Tradução e Interpretação de Libras, Linguística de Língua de Sinais e Ensino de Libras.

Huber Kline Guedes Lobato: Mestre em Educação pela Universidade do Estado do Pará (UEPA). Professor Assistente da Universidade Federal do Pará (ILC/UFPA). Coordenador e docente do Curso de Letras Libras / Língua Portuguesa como segunda língua para surdos da UFPA. Tem experiência na área de Educação com ênfase em Educação de Surdos e Libras. Discute, pesquisa e escreve sobre os seguintes temas: Educação de Jovens e Adultos; Educação de Surdos; Formação de Professores; Ensino e Aprendizagem de Libras e Língua Portuguesa para Surdos.


Comunicação 7

CONSIDERAÇÕES NO ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA DE LÍNGUA PORTUGUESA COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS

Autora:

Débora Rodrigues Moura – IFSP (Instituto Federal de São Paulo) – Campus Boituva – SP – ddrodriguesmoura@gmail.com

 

Resumo:

A educação bilíngue para surdos ganha forças no Brasil à medida que resultados de pesquisas apontam, cada vez mais, para a importância tanto da Língua de Sinais como primeira língua quanto do ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa como segunda língua por surdos, podendo-se, dessa forma, possibilitar o desenvolvimento, emancipação e agência desses sujeitos. Apesar disso, o ensino da leitura e escrita traz desafios inquietantes, não só pelo fato da Língua Portuguesa tratar-se de uma segunda língua para surdos, mas pela especificidade de ser uma língua modalidade oral-auditiva, que tem que ser ensinada pelo canal visual. Diante disso, observa-se uma multiplicidade interpretações sobre o que se configura o Bilinguismo para surdos e a necessidade de socialização de práticas didático-pedagógicas que possam levar a discussões profícuas. Assim, esse trabalho se propõe a discutir alguns resultados advindos de uma pesquisa-ação, onde o significado da leitura de um texto em Língua Portuguesa foi negociado, por alunos de um 4º ano de Ensino Fundamental I, de uma Escola Bilíngue para Surdos do Município de São Paulo. Por meio do trabalho foi possível reunir dados acerca como os sentidos e significados do texto foram construídos pelos alunos, a partir da leitura sem intervenção da professora pesquisadora e posteriormente com a intervenção.

Palavras-chave: Surdez, Língua de Sinais, Leitura e Língua Portuguesa.

 

Minibiografia: 

Débora Rodrigues Moura: É licenciada em Pedagogia, com especialização em surdez e Mestre em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com pesquisa ligada ao ensino de Língua Portuguesa para Surdos. Atuou como professora de surdos e ouvintes em escolas públicas por doze anos, em Universidades particulares por dez anos e atualmente trabalha como professora no Instituto Federal de Educação de São Paulo.


Comunicação 8

PRÁTICAS DE LETRAMENTO BILÍNGUE PARA SURDOS: DIRETRIZES TEÓRICO-METODOLÓGICAS PARA O ENSINO DE PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA

Autora:

Sueli Fernandes – Universidade Federal do Paraná – suelif@globo.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo apresentar diretrizes teórico-metodológicas para o ensino do português como segunda língua para estudantes surdos, usuários da língua brasileira de sinais (Libras). O quadro epistemológico dessa investigação está fundado em contribuições da concepção dialógica de linguagem e de gêneros discursivos, conforme teorizados por Bakhtin (1988, 1990, 1992). Com base em práticas de intervenção desenvolvidas com surdos matriculados na educação básica e ensino superior, identificamos a identidade ideogrâmica-visual como princípio norteador do processo de apropriação da língua portuguesa pelos estudantes. Isso significa dizer que: (i) aprendizes surdos estabelecem uma relação prioritariamente visual com a escrita, mediada por elementos semióticos que têm na Libras seu elemento fundador; (ii) a leitura é o processo de incursão na língua portuguesa pelos surdos e deve favorecer a interação entre linguagens verbal e não-verbal na negociação dos sentidos veiculados pelo texto; (iii) o texto é a unidade de sentido no trabalho com a língua, em detrimento de relações entre fonemas/grafemas (FERNANDES 2003, 2006). Considerados esses pressupostos, sistematizamos um conjunto de diretrizes  teórico-metodológicas que contemplam elementos intertextuais, paratextuais e textuais que buscam contribuir para o desenvolvimento de práticas de letramento para o ensino de português como segunda língua de estudantes surdos em contextos de educação bilíngue.

Palavras-chave: Letramento. Língua Brasileira de Sinais; Português escrito como segunda língua; Educação bilíngue para surdos.

 

Minibiografia:

Sueli Fernandes: Doutora em Letras/Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Paraná; Professora do Setor Ciências Humanas (UFPR) e do Programa de Pós-Graduação em Educação (UFPR). Coordenadora do Curso de Graduação em Letras Libras (UFPR). Pesquisadora na área de Educação Especial, Educação Bilíngue para Surdos e Letramento/Ensino de português como segunda língua para surdos. Autora de livros na área da educação especial e educação de surdos.


 Comunicação 9

PRÁTICAS DE LETRAMENTO PARA ALUNOS SURDOS DO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL NA ESCOLA ESTADUAL “PROFª ARLETE PEREIRA MIGUELETTI EM CUIABÁ-MT

Autora:

Lucimeire da Silva Furlaneto – SEDUC/MT – lucimeirefurlaneto@gmail.com

 

Resumo:

O presente artigo versa sobre uma pesquisa tangente a práticas de letramento no CEADA – Centro Estadual de Atendimento e Apoio ao Deficiente Auditivo – Escola Estadual “Profª Arlete Pereira Migueletti – em Cuiabá-MT. Em tese tem como objetivo geral analisar como o ensino de Língua Portuguesa, História e Matemática, se constitui no CEADA, por se tratar de uma escola bilíngue, portanto, com especificidades afins, a partir da inserção da Língua Portuguesa como segunda língua, considerando as práticas de letramento utilizadas nesse processo. O interesse pelo objeto surgiu no momento em que ao atendermos à escola, na condição de professora formadora, observamos que há práticas de letramento naquele espaço, lembrando a especificidade de atendimento a alunos surdos. Procuramos compreender quais e como são essas práticas letradas à luz da teoria sobre letramentos, a partir de (STREET, 1984; KLEIMAN,1998, SOARES, 2010) e de pesquisadores que tratam do assunto (FERNANDES, 2006; PEREIRA, 2011; BOTELHO, 2005), entre outros. A tese parte do princípio de que ainda que há práticas de letramento naquele espaço, essas são poucas, merecendo, portanto, uma acuidade maior. A metodologia utilizada para a pesquisa é de caráter etnográfico, portanto, eminentemente qualitativa. Os sujeitos da pesquisa são professores que ministram as disciplinas anunciadas a alunos do 9º ano do ensino fundamental. Espera-se, a partir do resultado da pesquisa, que a tese concorra para promoção de ressignificação de práticas de ensino para aluno surdo, bem como para futuras adequações das políticas públicas voltadas à educação inclusiva.

Palavras-chave: Práticas de letrament; Segunda Língua; Surdo.

 

Minibiografia:

Lucimeire da Silva Furlaneto: Professora de Língua Portuguesa, efetiva na rede estadual pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (SEDUC/MT) de Cuiabá; Mestre em Estudos de Linguagem pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem, na Universidade Federal de Mato Grosso; Professora Formadora no Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação (CEFAPRO). Suas publicações abrangem as áreas de Língua Portuguesa e Educação.


Comunicação 10

APRENDIZAGEM COLABORATIVA DE LÍNGUA PORTUGUESA-L2 POR ALUNOS SURDOS BRASILEIROS

Autora:

Claudney Maria de Oliveira e Silva –  Universidade Federal de Goiás -UFG –

claudney@terra.com.br

 

Resumo:

Este trabalho teve como objetivo investigar a percepção de alunos surdos brasileiros falantes da língua de sinais brasileira-libras sobre a aprendizagem colaborativa de português como L2, conforme pressupostos da teoria sociocultural de Vygotsky. Métodos: É um trabalho com abordagem qualitativa e descritiva (FETTERMAN, 1998), de cunho etnográfico (AGAR, 1996), cuja observação simples dos participantes envolvidos no processo de escrita em português de um texto baseado em gravuras, associada à gravação em vídeo e entrevistas individuais, proveram dados que foram analisados em uma perspectiva interpretativa. Resultados: Na opinião dos alunos participantes desse estudo, ter trabalhado com o colega tornou possível trocar informações e propor ideias sobre as gravuras, tirar dúvidas sobre a escrita e o significado das palavras e dos sinais correspondentes, pedir e dar explicações, dar opiniões e justificativas e respeitar a opinião do colega. Conclusões: Durante a escrita do texto, além da reflexão sobre as línguas portuguesa e libras, os alunos também realizaram processos cognitivos complexos envolvendo criatividade, produção, adaptação e avaliação envoltos por fatores afetivos, experiências individuais e exercício de regras de coexistência social, como o respeito e a paciência ao tempo de pensar do colega. A presença marcante dos sinais /TROCAR / e /AJUDAR/ no discurso dos participantes ratificam que a interação e colaboração foram processos experimentados, de forma consistente e representativa, durante a realização da tarefa, sugerindo que a proposição de tarefas que considerem as teorias de aprendizagem colaborativa podem ser frutíferas para os alunos surdos na aprendizagem da língua portuguesa como L2.

Palavras-chave: Aprendizagem colaborativa; Português como L2; Alunos surdos.

 

Minibiografia:

Claudney Maria de Oliveira e Silva: Mestre em Linguística Aplicada pela Universidade de Brasília (2005) e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás. Professora do curso Letras-LIBRAS da Universidade Federal de Goiás. Áreas de pesquisa em Ensino e Aprendizagem de línguas materna e estrangeira, LIBRAS, português e inglês para Surdos e Educação de Surdos.


Comunicação  11

PROJETO BORBOLETAS :  A RE (CONSTRUÇÃO) DA LÍNGUA PORTUGUESA ESCRITA

 

Autora:

Anna Karyna Torres Côrtes – Universidade do Estado da Bahia – karynasa@hotmail.com

 

Resumo:

Para alguns surdos, mesmo estando no ensino médio, a leitura e a escrita em Língua Portuguesa são de difícil compreensão, pois, a maioria está um ambiente linguístico inadequado. Sendo assim, as aulas, ainda, são planejadas para a maioria dos alunos que são ouvintes. O projeto Borboletas propõe ensinar a língua portuguesa escrita através da reescrita de sentenças elaboradas sob a percepção dos alunos surdos, utilizando imagens e contextos construídos na primeira língua, Libras. Este trabalho mostra parte do que já foi realizado no projeto e apresenta a metodologia que está sendo desenvolvida, analisada e repensada a partir das respostas apresentadas pelos surdos a cada etapa. Pelos primeiros resultados, levantamos as seguintes questões: a) Quais critérios/descritores estão sendo considerados para avaliação da escrita de língua portuguesa pelo indivíduo surdo? b) Há algum tipo de controle ou identificação de como a aquisição ou aprendizagem da língua portuguesa se deu para cada aluno surdo, isto é, qual o contexto de aquisição da língua portuguesa do surdo? Os participantes deste projeto possuem diferentes níveis de aquisição de Libras e de Língua Portuguesa, como também, o apoio familiar é claramente refletido na construção linguística e identitária de cada um. Deram embasamento teórico a este trabalho autores como Lacerda (2014), Skliar (2013), Quadros (2006) e outros que tratam sobre educação bilíngue.

Palavras-chave: Educação Bilíngue; Libras; Língua Portuguesa escrita.

 

Minibiografia:

Anna Karyna Torres Côrtes: Mestra em Língua e Cultura, com ênfase em Políticas Linguísticas para Surdos pela Universidade Federal da Bahia. Desenvolve pesquisa em áreas relacionadas à surdez na Universidade Estadual da Bahia, como o Projeto SERLIBRAS e Borboletas.


Comunicação 12

LEITURA DE CONTOS AFRO-BRASILEIROS: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA PARA O DESENVOLVIMENTO DA COMPREENSÃO LEITORA NO CONTEXTO INCLUSIVO

Autora:

Rosely Vieira de Jesus – Universidade do Estado da Bahia – UNEB –  lylynegreiros@hotmail.com

 

Resumo:

A proposta de intervenção pedagógica intitulada Leitura de contos afro-brasileiros: uma proposta para o desenvolvimento da compreensão leitora no contexto inclusivo apresenta a realização de atividades que primaram pelo desenvolvimento da compreensão leitora, levando os educandos a relacioná-las aos seus conhecimentos prévios. O objetivo geral desta proposta foi possibilitar aos educandos o contato com a literatura afro-brasileira, no intuito de aprimorar a leitura e a compreensão do gênero conto, promovendo momentos de discussão e interação, pensando no espaço escolar inclusivo, em que os sujeitos apresentam diferentes necessidades de aprendizagem. A proposta teve como público-alvo um grupo de 34 estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental de um colégio da rede municipal de ensino de Muritiba-BA, dentre eles, uma educanda surda. A intervenção foi realizada em seis etapas, além da atividade diagnóstica. Nesta atividade, evidenciamos a dificuldade que os educandos demonstram em relação à compreensão textual. Esta proposta de natureza qualitativa oportunizou o desenvolvimento da compreensão leitora e trabalhou aspectos de interação entre os participantes, além de utilizar a LIBRAS como elemento importante no processo comunicativo. Realizamos atividades que aguçaram a percepção visual e usamos, para isso, imagens, vídeos, textos impressos e outros elementos relacionados às temáticas propostas nos contos. Para análise do desenvolvimento das atividades, consideramos os estudos de Alliende e Condemarín (1987), que analisam as dimensões congnoscitivas e afetivas da compreensão leitora. Como resultado, observamos: a melhoria na proficiência leitora dos educandos na realização das atividades; o aumento de interação nas discussões promovidas de forma contextualizada; o crescimento do interesse da estudante deficiente nas atividades de Língua Portuguesa, pois os elementos visuais relacionados aos contos auxiliaram-na no processo de interpretação. Concluímos que o trabalho na perspectiva inclusiva ainda precisa de discussões e práticas que propiciem, com equidade, o real aprendizado dos educandos, respeitando as especificidades de cada um.

Palavras-chave: Compreensão; Leitura; Surdos; Contos afro-brasileiros; Inclusão.

 

Minibiografia:

Rosely Vieira de Jesus: Mestra em Letras pela Universidade do Estado da Bahia- UNEB; Especialista em Educação inclusiva pela Universidade Cidade de São Paulo- UNICID; Especialista em História e Cultura Afro-brasileira, Africana e Indígena pela Faculdade Maria Milza – FAMAM; Professora da rede municipal nas cidades de Cruz das Almas e Muritiba do estado da Bahia.


Comunicação 13

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES PARA A ELABORAÇÃO DE UM CONTEÚDO PROGRAMÁTICO/SYLLABUS DE ENSINO DE PORTUGUÊS-POR-ESCRITO (PPE) A SURDOS

Autora:

Renata Antunes – Universidade de Brasília –  renataasrezende@gmail.com

 

Resumo:

O ensino da LP para surdos tem sido assunto recorrente no âmbito das políticas linguísticas e educacionais do Brasil. Contudo, ainda são poucos os materiais destinados a esse fim e os existentes, com acesso ao grande público, são voltados para os professores e, em grande parte, compostos por orientações de como ensinar língua portuguesa. Dessa forma, julga-se ser necessária a elaboração de um conteúdo programático/syllabus linguisticamente pensado para que os profissionais de educação construam materiais didáticos para o ensino de português-por-escrito a surdos, respeitando a realidade de seus alunos. Para iniciar a discussão, este trabalho discorre brevemente sobre a educação de surdos no Brasil com a intenção de contextualizar o objetivo. Desenvolve-se tratando do que teóricos, como Nunan (1988), Harmer (2001) e Krahnke (1987), preconizam para um conteúdo programático/syllabus. Aborda ainda o ensino de português como segunda língua e o ensino do português-por-escrito (PPE), postulado por Grannier (2002), como base para a elaboração do conteúdo programático/syllabus. A partir de trabalhos como os de Almeida (2009, 2015) sobre a as dificuldades evidenciadas nas produções escritas de alunos surdos, o conteúdo programático/syllabus leva em conta dois eixos estruturantes: uma sequência de tempos verbais proposta por Grannier & Furquim-Freire da Silva (2009) e uma sequência de tópicos relativos à estrutura sintática da LP, subdividida em ordem dos constituintes do sintagma nominal e da oração, além de outros tópicos incidentais, por exemplo as preposições e as conjunções, que deverão ser tratadas a partir de suas ocorrências nos textos autênticos selecionados para cada unidade.

Palavras-chave: Educação de surdos no Brasil; Conteúdo programático/Syllabus; Ensino de LP como L2; Português-por-escrito (PPE).

 

Minibiografia:

Renata Antunes: Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Brasília (UnB). Mestra em Educação e Especialista em Leitura, análise e produção de texto pela UnB. Licenciada em Letras Português/Inglês. Atua na carreira magistério da Secretaria de Estado de Educação do DF há 14 anos, com experiência nas séries finais da educação básica. Atualmente é Professora Formadora da Escola de Aperfeiçoamento do Profissional de Educação – EAPE. Nos últimos anos tem se dedicado à educação de surdos.


Comunicação 14

A DIMENSÃO VERBO-VISUAL DA LINGUAGEM NO CONTEXTO BILINGUE

 

Autoras:

Rita de Nazareth Souza Bentes – Universidade do Estado do Pará – ritasbentes@yahoo.com.br

Jessica Rocha de Souza Cardoso – Universidade do Estado do Pará – jeh.1994@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho insere-se n área de ensino do português como segunda língua (L2) para surdos usuários da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS (L1) no contexto bilíngue, mostrando a dimensão da linguagem verbo-visual de um conto que se constitui de enunciados visual e verbal em prol da construção de sentido. Pensando no texto com essa dimensão verbo e visual embricados, trabalhou-se estratégias de leituras significativas para o sujeito surdo, reconhecendo que a linguagem e o complexo de vivencias e conhecimentos interferem possivelmente na aprendizagem desse usuário bilíngue. Por isso, justifica-se este trabalho no que tange as dificuldades de apropriação da Língua Portuguesa como L2 decorrente de carência de espaço escolares que desenvolvam as potencialidades linguístico-discursivas desse sujeito. O procedimento metodológico deu-se a partir de leitura/interpretação, feita por um grupo de pessoas surdas universitárias, dos gêneros discursivos em questão: o texto verbal “O conto da ilha desconhecida” de José Saramago e o texto visual “O conto da ilha desconhecida” ilustrada por um surdo. A abordagem teórica usada foi a sociológica da linguagem centrada no conceito teórico da verbo-visualidade (BRAIT, 2010; CAMPOS, 2012), compreendendo as imagens cravadas no texto, como signos preenchidos de valores de acordo com a produção sócio-histórica e a consciência do sujeito (VOLOCHINOV/BAKHTIN, 2004), considerando como base dessa consciência as potencialidades do sujeito surdo em suas capacidades visuais, vida comunitária, processos culturais específicos e potencialidade de participação social a fim de posicionamentos (SKLIAR, 2010). E como resultados preliminares apresenta-se uma análise constituída das interpretações dos textos/objetos propostos a partir da linguagem verbo-visual como categoria elementar, para que essas pessoas produzam sentido e vozes na leitura de textos imagéticos e verbais nas atividades de linguagem na instituição de ensino e na vida social.

Palavras-chave: contexto bilíngue; linguagem verbo-visual; sujeito surdo.

 

Minibiografias:

Rita de Nazareth Souza Bentes: Doutoranda do convênio entre UEPA-USP/FFLCH DINTER no Curso de Doutorado. Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN (2007); Especialista em Língua Portuguesa: Teoria e Prática pela Universidade do Estado do Pará – UEPA (1999); Graduada em Letras pela Universidade Federal do Pará (1991). Docente do Curso de Letras-Libras. Integrante no Grupo de Estudos de Linguagem e Práticas Inclusivas da Amazônia-GELPEA (UEPA e UFPA).

Jessica Rocha de Souza Cardoso: Graduanda do curso Letras LIBRAS da Universidade do Estado do Pará (2013-2016), cursando Especialização em Educação Especial e Educação Inclusiva na Faculdade de Ciências de Wenceslau Braz-FACIBRA (2016-2017), monitora da disciplina Língua Brasileira de Sinais na UEPA (2014-2015). Integrante do Grupo de Estudos em Linguagem e Práticas Educacionais da Amazônia-GELPEA (UEPA e UFPA). Atua como tradutor/intérprete de LIBRAS desde 2012.


Comunicação 15

A OPACIDADE DAS IMAGENS E SEU LUGAR NO ENSINO DE PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS: REFLEXÕES A PARTIR DA MULTIMODALIDADE E DOS MULTILETRAMENTOS

Autora:

Ana Flora Schlindwein – Universidade Federal de Sergipe –anaschlindwein@gmail.com

 

Resumo:

Com o reconhecimento da LIBRAs como primeira língua da comunidade surda (BRASIL, 2005), a língua portuguesa – versão escrita – passa a ser sua segunda língua. Mas esse reconhecimento não interrompeu uma tradição que ignora as especificidades do ensino do português escrito para surdos e que mantém uma perspectiva copista e descontextualizada (CAVALCANTI e SILVA, 2007), como apontam várias pesquisas. Buscando quebrar esse paradigma, este trabalho teve como referências: (a) a pedagogia dos Multiletramentos (NEW LONDON GROUP, 2000) que afirma que a leitura é socialmente situada e depende atualmente de outras esferas semióticas que ultrapassam a linguagem verbal; e (b) a abordagem multimodal (KRESS & VAN LEEUWEN, 2002) que problematiza as reconfigurações sofridas pelas relações entre som, texto verbal e imagem nos espaços multimidiáticos (JEWITT, 2005). Concebendo as linguagens visuais como opacas – ou seja, os sentidos não existem a priori, pois são construídos socialmente – e percebendo sua importância no processo de aprendizado do indivíduo surdo, este trabalho almejou desenvolver um contexto de ensino que provocasse reflexões sobre as línguas (LIBRAs e Português) e as linguagens visuais através de uma série de atividades de leitura e escrita. A proposta foi iniciada com construções imagéticas (sem a obrigatoriedade do texto verbal) que tinham como objetivo possibilitar que alunos surdos de um curso de graduação em Letras-LIBRAs expressassem suas experiências pessoais durante o aprendizado de português. O material elaborado pelos alunos serviu de base para as atividades que se seguiram sendo a última realizada a produção de uma história em quadrinhos (usando tecnologias analógicas e/ou digitais) cujo tema foi o “Português como segunda língua”. Este trabalho pretendeu promover um contexto no qual os alunos interagissem de forma crítica com questões culturais, linguísticas e tecnológicas, problematizassem a opacidade da linguagem visual e verbal e praticassem a leitura/escrita do português de maneira significativa.

Palavras-chave: português escrito como segunda língua; educação bilíngue para surdos, linguagem não-verbal; multiletramentos; tecnologias.

 

Minibiografia:

Ana Flora Schlindwein: Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas; Professora do Departamento de Letras Estrangeiras (DLES) do Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH) da Universidade Federal de Sergipe (UFS).  Coordenadora do Programa Idiomas sem Fronteiras da área de Português Língua Estrangeira da UFS. Pesquisadora na área de Português como Língua Adicional/Estrangeira e dos Multiletramentos. Coordenadora do GELIS e membro do grupo  E-Lang (UNICAMP) e do Projeto Nacional de Letramentos: Linguagem, Cultura, Educação e Tecnologia (USP).


Comunicação 16

A PRESENÇA DE TECNOLOGIAS DIGITAIS EM PRÁTICAS DE ENSINO DE PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS

Autora:

Jéssica Vasconcelos Dorta – Universidade Estadual de Campinas – jevdorta@gmail.com

 

Resumo:

Considerando o complexo contexto multilíngue no qual alunos surdos estão inseridos, o presente trabalho tem como objetivo apresentar possíveis estratégias de ensino de português como segunda língua para esse grupo, mediado pelas novas tecnologias digitais. Para isso, buscamos relacionar os estudos recentes sobre Mobile Learning (MCQUIGGAN et al, 2015), o conceito de Multiletramentos proposto pelo Grupo de Nova Londres (1996), os Novos Letramentos (LANKSHEAR; KNOBEL, 2007) e o campo de estudos denominado Defectologia inaugurado  por  Vygotsky  (1995).  As  práticas  educacionais  que  delinearam  a  educação  de surdos ao longo dos séculos estiveram sempre relacionadas aos modos de se ensinar aos ouvintes. Isto significa que as especificidades socioculturais e educacionais dessa comunidade foram e são até hoje silenciadas no processo de escolarização desses alunos. A educação bilíngue no Brasil, por exemplo, só começa a ser pensada na década de 90. Portanto, há ainda muito a ser feito para que o processo de aprendizagem se torne mais significativo para esses alunos. Para ilustrar o resultado do que as tecnologias digitais permitem quando usadas a favor da criatividade e da criticidade, a pesquisadora lança mão da pesquisa de natureza qualitativa (LANKSHEAR; KNOBEL, 2008; ANDRÉ, 2012) trazendo para a discussão os estudos realizados no grupo de pesquisa Elang/UNICAMP e a experiência com o ensino de português em um programa bilíngue de apoio escolar a crianças e jovens surdos de uma universidade pública  da  região  Sudeste  do  país.  A  presença  das  tecnologias  digitais  dentro  e  fora  dos espaços educacionais implica adaptação, rompe os limites entre a aprendizagem formal e informal   e   redefine   responsabilidades   tanto   para   alunos   quanto   para   professores (MCQUIGGAN et al, 2015). Torna-se, portanto, além de desafio, uma necessidade pensar em como esses dispositivos podem ser usados a favor de uma aprendizagem mais significativa de português como segunda língua pela comunidade surda.

Palavras-chave: Aprendizagem móvel; Multiletramentos; Novos Letramentos; Educação de surdos.

 

Minibiografia:

Jéssica Vasconcelos Dorta: Possui graduação em Letras (Licenciatura em Português) pelo Instituto de Estudos da Linguagem e é especialista em Surdez: Desenvolvimento e inclusão pela Faculdade de Ciências Médicas, da Universidade Estadual de Campinas. Atualmente, é mestranda em Linguística Aplicada pela mesma universidade e integra o grupo de pesquisa E-lang (UNICAMP/CNPq), coordenado pelas professoras doutoras Claudia Hilsdorf Rocha e Denise Bértoli Braga.


Comunicação 17

LABORATÓRIO DE APRENDIZAGEM AVANÇADA NO ENSINO SUPERIOR: A EXPERIÊNCIA DO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA COMO L2 PARA O ALUNO SURDO

Autora:

Sebastiana Almeida Souza – Universidade Federal de Mato Grosso –tianaalmeida@gmail.com

 

Resumo:

Esta pesquisa objetiva apresentar a experiência do Laboratório de Aprendizagem Avançada (LAA) oferecida aos alunos surdos do Curso de Letras/Libras da Universidade Federal de Mato Grosso, no contexto do atendimento especializado no ensino da Língua Portuguesa escrita, objetivando proporcionar ao aluno surdo (visual) um atendimento que atenda às suas necessidades, numa perspectiva de igualdade de direitos no âmbito educacional, modificando, assim, os modelos tradicionais de ensino. O estudo, em andamento, está sendo desenvolvido através da pesquisa-ação, fundamentado no arcabouço teórico de Bakhtin e o Círculo e nas contribuições de Vygotsky sobre aprendizagem na perspectiva sócio-histórica, focando os conceitos de interação, linguagem, aprendizagem, alteridade e ZPD. Participam como sujeitos cinco alunos surdos (visuais) do Curso de Letras Libras, além da pesquisadora. Estes alunos apresentam dificuldades no campo semântico e, consequentemente, na escrita, impedindo seu desenvolvimento no processo de aprendizagem em algumas disciplinas, especificamente aquelas que envolvem o uso da Língua Portuguesa. As práticas do LAA buscaram considerar os vários níveis de conhecimento, explorando os conteúdos de acordo com o contexto, as vivências e necessidades dos sujeitos envolvidos, o que tem contribuído significativamente para a melhoria das práticas de produção textual. Consideramos, portanto, indispensável o atendimento especializado no ensino superior, através do LAA, uma vez que este tem possibilitado a aprendizagem do aluno surdo de forma global, por meio da interação e constituição coletiva no que se refere à construção do conhecimento. Essa investigação está inserida no Grupo de Pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso: Relendo Bakhtin (REBAK).

Palavras-chave: Língua Portuguesa, Atendimento Educacional, Laboratório de Aprendizagem Avançada, visual (surdo).

 

Minibiografia:

Sebastiana Almeida Souza: Mestre em Estudos de Linguagem. Docente do Curso de Letras Libras, licenciatura da Universidade Federal de Mato Grosso. Coordenadora do Laboratório de Aprendizagem Avançada, pesquisa o ensino de Libras como L1 e Língua Portuguesa como L2 para visual (surdos). Pesquisadora dos grupos REBAK – Relendo Bakhtin e REBAK Sentidos.


Comunicação 18

ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA COMOS SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS: O CURSO DE ESCRITA ACADÊMICA NA MODALIDADE A DISTÂNCIA

Autores:

Bruna Crescêncio Neves – IFSC – bruna.neves@ifsc.edu.br

Gabriele Vieira Neves – IFSC –  Gabriele.neves@ifsc.edu.br

Messias Ferreira Calixto – IFSC – renato.calixto@ifsc.edu.br

 

Resumo:

Este trabalho apresenta um relato de experiência acerca do desenvolvimento do curso de Língua Portuguesa como segunda língua para surdos a distância, oferecido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC) – Campus Palhoça Bilíngue. O curso de “Português como segunda língua para surdos: escrita acadêmica” surgiu com o interesse de fornecer formação continuada para surdos que estivessem cursando o Ensino Superior ou que o tivessem concluído, tendo em vista a necessidade de proporcionar práticas de letramento inerentes ao contexto acadêmico. Nesse sentido, o curso teve dois principais objetivos: a) promover práticas de leitura e escrita dos gêneros acadêmicos – resenha, resumo e fichamento e b) desenvolver competências linguísticas, textuais e comunicativas para o uso do Português escrito em ambiente acadêmico. O curso foi oferecido em 2016/2, com uma carga horária de 60 horas, sendo 52 horas de atividades a distância e 08 horas presenciais. O Ambiente Virtual de Aprendizagem – Moodle do curso foi todo desenvolvido na perspectiva de uma educação bilíngue para surdos. Partindo desse princípio e por se tratar de um curso a distância, foram desenvolvidas diferentes atividades, tais como: utilização de vídeo aulas gravadas em Libras; leitura de hiperlivro (Português e Libras); discussão assíncrona em fóruns; orientação síncrona ao discente através do videochat; realização de atividades na plataforma Moodle, realização de webconferências para explanação dos conteúdos e aulas presenciais para esclarecimento de dúvidas e correção das atividades. Ao final do curso, percebeu-se que a modalidade a distância pode ser uma possibilidade para o ensino de Língua Portuguesa para os surdos, através de estratégias que partem de metodologias para o ensino de segunda língua aliadas às produções multimídias.

Palavras-chave: Língua Portuguesa; Surdos; Segunda língua; Escrita Acadêmica.

 

Minibiografias:

Bruna Crescêncio Neves: Doutoranda em Linguística – UFSC, Mestre em Linguística – UFSC (2013), Licenciada em Letras (2011) pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Professora de Português como segunda língua para surdos no Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC, Campus Palhoça Bilíngue. Tem interesse e atua nos seguintes temas: língua brasileira de sinais, aquisição de língua de sinais e ensino de língua portuguesa para surdos.

Gabriele Vieira Neves: Mestre em Educação (2011), Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional (2014), e Licenciada em História (2008) pela Universidade de Caxias do Sul. Professora de Fundamentos e Metodologias da EaD e Educação Bilíngue no Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC, Campus Palhoça Bilíngue.

Renato Messias Ferreira Calixto: Professor de Português como segunda língua do Ensino Básico Técnico e Tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina – IFSC – Campus Palhoça Bilíngue. Mestre em Estudos de Linguagens, dedica estudos acerca das temáticas Políticas Linguísticas; Ensino de Língua Portuguesa como Segunda Língua para Surdos; Educação de Pessoas com Deficiência e Análise do Discurso.


Comunicação 19

O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA ESCRITA PARA SURDOS POR MEIO DE GÊNEROS TEXTUAIS

Autora:

Kelly Priscilla Lóddo Cezar – Universidade Federal do Paraná – kellyloddo@ufpr.com

 

Resumo:

As línguas de sinais têm ganhado espaço nos estudos linguísticos e tem sido oficializada em muitos países. Com esse reconhecimento, são consideradas línguas naturais das comunidades surdas e preconizado que a educação bilíngue seja realizada na forma de que a língua de sinais seja adquirida como primeira língua e a modalidade escrita da língua oficial do país como segunda língua pelo estudante surdo. No caso do Brasil, essa situação envolveria a língua brasileira de sinais (Libras) como língua de referência e a língua portuguesa escrita como segunda língua para os surdos, no contexto escolar. Torna-se relevante destacar que as línguas de sinais ainda seguem desconhecidas pela maioria da sociedade, à semelhança de outros idiomas minoritários, como é o caso das diversas línguas indígenas do Brasil. Por não representarem prestígio social sua utilização permanece restrita aos segmentos onde haja a aglutinação de pessoas surdas. Diante dessas considerações, este trabalho tem por objetivo apresentar a criação de sequências didáticas utilizando os gêneros textuais como forma de desenvolver práticas de educação bilíngue para surdos, em especial voltadas ao ensino da modalidade escrita do português como segunda língua. A proposta de apresentação de uma criação de sequências didáticas visa contribuir para a criação de alternativas metodológicas e criação de materiais específicos que auxiliem professores da educação básica a refletir sobre as práticas de letramento em língua portuguesa envolvendo estudantes surdos. O trabalho está ancorado nos estudos que debatem as principais dificuldades conceituais e práticas sobre escrita relatadas pelos professores e estudantes surdos (CEZAR, 2014), com base nos pressupostos teóricos das práticas de letramento em contextos bilingues para surdos (FERNANDES, 2012). Busca-se trazer elementos à discussão da formação de professores de surdos a partir de uma perspectiva interdisciplinar, pautada em uma pedagogia culturalmente sensível, e na visão ampliada de educação linguística para além das línguas, tendo como processo norteador, a educação bilíngue (CAVALCANTI, 2013; MAHER, 2007; LADSON-BILLINGS; 1990), bem como os resultados das pesquisas anteriores de Silva; Pires-Santos (2012; 2008).

Palavras-chave: libras; gêneros textuais; estudantes surdos.

 

Minibiografia:

Kelly Priscilla Lóddo Cezar: Pós-doutora pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). Doutora pelo Programa de Linguística e Língua Portuguesa da Universidade Estadual Paulista (UNESP). Tem estágio de doutoramento na Universidade de Évora (PT). Professora Adjunta da Universidade Federal do Paraná (UFPR) vinculada à Coordenação do Curso de Licenciatura em Letras-Libras. Atua nos seguintes temas: linguística, linguística das línguas de sinais, gênero textual.


Comunicação 20

O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA ESCRITA NA EDUCAÇÃO BILÍNGUE DE SURDOS: QUESTÕES DE PROFESSORES DA BAIXADA FLUMINENSE

Autores:

Hector Renan da Silveira Calixto – FEBF/UERJ – hector.calixto@uerj.br

Amélia Escotto do Amaral Ribeiro – PPGECC/FEBF/UERJ – febf.gelcs@gmail.com

 

Resumo:

O ensino de língua portuguesa como segunda língua (L2) se apresenta, no contexto brasileiro, como um desafio para a educação de surdos. O Decreto 5.626/2005 determina a oferta deste ensino, e o Plano Nacional de Educação 2014-2024 corrobora a necessidade de aprendizado da língua portuguesa escrita, pelos alunos surdos. Na verdade, desde a Lei 10.436/2002, ao reconhecer a Língua Brasileira de Sinais – Libras, indica-se a modalidade escrita da língua portuguesa como L2 para os surdos. Essas determinações impactam tanto a formação quanto, especialmente, o fazer pedagógico do professor dos anos iniciais. Premido por essa necessidade e, quase sempre, sem o domínio adequado de conhecimentos sobre as especificidades do ensino do português escrito em contextos bilíngues, um dos principais desafios está em pensar pedagogicamente sobre esse ensino. Considerando que esse pensar inclui o planejamento de sequências e materiais didáticos mais significativos para alunos e contextos, investiga-se como professores que atuam em salas de aula bilíngues se relacionam com o desafio de ensinar a modalidade escrita da língua portuguesa. Discute-se como professores se organizam e organizam Sequências Didáticas (SDs) destinadas ao ensino de português escrito para alunos surdos, em contextos bilíngues. Utilizando-se dos princípios da pesquisa-ação, analisam-se SDs elaboradas por professores dos anos iniciais, que atuam na educação de surdos na Baixada Fluminense – Rio de Janeiro – BR. As produções dos participantes do curso têm como base o ensino de língua portuguesa escrita para surdos (MARTINEZ, 2009) e a organização de SDs propostas por Dolz; Noverraz; Schneuwly (2004). A construção das SDs, ao longo do curso, possibilitou aos participantes compartilhar seus saberes e fazeres docentes, um maior aprofundamento teórico-metodológico, a possibilidade de teorização sobre a própria prática e uma maior autonomia no planejamento e proposição de atividades que atendam as especificidades do ensino de português na modalidade escrita para surdos.

Palavras-chave: língua portuguesa escrita; ensino; educação bilíngue; sequências didáticas; alunos surdos.

 

Minibiografias:

Hector Renan da Silveira Calixto: Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas (PPGECC/FEBF/UERJ). Professor Auxiliar da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense – FEBF / Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Tem experiência na área da Educação e Linguística; atuando principalmente nos seguintes temas: Formação de Professores, Educação Especial e Inclusiva, Educação Bilíngue para Surdos, Letramento de Surdos, Tradução e Interpretação de Libras, Linguística de Língua de Sinais e Ensino de Libras.

Amélia Escotto do Amaral Ribeiro: Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2000). Professora Associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ/FEBF). Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas (PPGECC/FEBF/UERJ). Tem experiência na área de Educação com ênfase em Psicologia Educacional, atuando com as temáticas: alfabetização, formação de professores, letramento e gestão escolar. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Letramento Escolar, Cultura e Sociedade.


Comunicação 21

O DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS DIGITAIS PARA A APROPRIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA ESCRITA COMO L2: O QUE AS CRIANÇAS SURDAS TÊM A NOS DIZER?

 

Autoras:

Heloisa A. Matos Lins – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) – heloisamatos@gmail.com

Janaina CabelloUniversidade Federal de São Carlos (UFSCar) – cabello.jana@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho pretende propor algumas reflexões acerca das possibilidades das tecnologias para a alfabetização e letramentos de crianças surdas, numa perspectiva bilíngue (na qual a Libras tem centralidade), em práticas de trabalho com a linguagem e com recursos multissemióticos que não as consideradas tradicionais. A partir da análise de registros das interações entre um grupo de crianças surdas com um artefato digital desenvolvido – com o objetivo de apoiar o ensino da língua portuguesa escrita como L2 – apresentamos alguns aspectos relacionados à interação das crianças com o material. Consideramos também, nesse processo, as formas de audiência infantil (BUCKINGHAM, 2007, 2008; BROUGÈRE, 2007), em contraponto com o espaço escolar, local onde tanto o desenvolvimento de recursos didáticos (digitais ou não) na educação bilíngue de crianças surdas, como as práticas pedagógicas nesse sentido, são ainda amplamente controlados pelos adultos. Dessa forma, ressaltamos a urgência de considerar as percepções das crianças como necessárias para a elaboração de recursos digitais que contemplem em sua arquitetura pedagógica, não só os modos escolarizados de apropriação da escrita, mas também os sentidos produzidos pelas crianças e seus desejos nesse processo. Fundamentalmente, pretende-se tensionar práticas tradicionais no ensino de língua portuguesa como L2 para crianças surdas, evidenciando as possibilidades para fazeres pedagógicos menos normativos na educação bilíngue, a partir do envolvimento das crianças neste processo.

Palavras-chave: Tecnologias; Língua Portuguesa como L2; Libras; Surdez; Infâncias.

 

Minibiografias:

Heloisa A. de Matos Lins: Professora Doutora do Departamento de Psicologia Educacional da FE – UNICAMP, membro da Linha Linguagem e Arte em Educação e do Grupo de Pesquisa ALLE, Alfabetização, Leitura e Escrita, onde coordena o Grupo de Estudos Mídias, Infâncias e Diferenças, GEMID. Principais áreas de atuação: linguagens, surdez, diferença, infância, mídias e tecnologias.

Janaina Cabello: Professora Mestra do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, no curso de Bacharelado em Tradução e Interpretação Libras/Língua Portuguesa, onde coordena o Grupo de Estudos Visualidade, Surdez e Tecnologias, VISTEC. Principais áreas de atuação: linguagens, surdez, visualidade, tradução e interpretação, tecnologias.


Comunicação 22

HISTÓRIA, POLÍTICA E CULTURA NA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA: INTERPRETAÇÃO LITERÁRIA BILÍNGUE (LÍNGUA PORTUGUESA/LÍNGUA DE SINAIS)

 

Autoras:

Solange Maria da Rocha – Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES – solangerocha3@gmail.com

Monique de Mattos Couto – Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES –                                           monique.couto@gmail.com

 

Resumo:

Partindo de nossa experiência como professoras do Ensino Básico do INES, desenvolvemos um projeto que pudesse aproximar os alunos surdos da história política e cultural do Brasil e do mundo, através de canções brasileiras com significado histórico relevante. Trata-se de um DVD com dez músicas que contam um pouco da história do século XX e que também provocam discussões relevantes de nossa vida social e política. Cada música é trabalhada em quatro eixos: interpretação histórica, interpretação literária, biografia do compositor e do cantor e interpretação da música em língua de sinais. Narrado em Libras e legendado em português esse trabalho apresenta a nossa música brasileira que possui conteúdos de uma riqueza extraordinária para a percepção dos muitos sentidos de nosso país. Obras de artistas como Villa Lobos, Antonio Carlos Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Noel Rosa, entre outros, contém importantes narrativas para a compreensão histórica e cultural do Brasil. Algumas músicas podem traduzir uma época. Tomamos como exemplo a música Carcará que, além de descrever as características de uma ave do sertão numa linguagem bastante típica do nordeste brasileiro, apresenta de modo metafórico a situação social, política e econômica daquela região. Também apresenta, na gravação de Maria Bethânia, um texto sobre a migração nordestina dos anos 1950 em decorrência da seca que assolou a região. Esse trabalho, um clássico dos anos sessenta, traz também o sentido de protesto à Ditadura Militar (1964/1985) fazendo parte do repertório apresentado no espetáculo Opinião, atividade cultural de resistência aos anos de chumbo, realizado no teatro Opinião, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Aproximar-se da cultura e da história, tendo como meio a música popular brasileira em versos, sinais e imagens, configura importante instrumento de acesso ao conhecimento para nossos alunos surdos.

Palavras-chave: educação de surdos; história, bilinguismo; interpretação literária; música brasileira.

 

Minibiografias:

Solange Maria da Rocha: Doutora em Ciências Humanas – Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ).  Professora Titular do Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES, desenvolve pesquisas no campo da História da Educação de Surdos, com publicações e materiais didáticos referentes à língua portuguesa em seu uso como segunda língua e à língua de sinais. Foi diretora do INES no período de 2011 a 2014.

Monique de Mattos Couto: Mestranda do Curso de Mestrado Profissional de Diversidade e Inclusão da Universidade Federal Fluminense (UFF/RJ). Professora da Educação Básica do Instituto Nacional de Educação de Surdos. Tem interesse em práticas de ensino e produção de material didático bilíngue para surdos. Foi diretora do Departamento de Educação Básica do INES.


Comunicação 23

IMPLICAÇÕES DA PADRONIZAÇÃO DOS MÉTODOS E PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS PARA O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA AOS ALUNOS SURDOS

Autoras:

Fernanda Grazielle Aparecida Soares – PUCMG – fernandagas1@gmail.com

Clarissa Luna Borges Fonseca Guerretta – CEDER/UFRJ – clarissaguerretta@hotmail.com

 

Resumo:

O presente estudo respondeu à temática sobre “o ensino da Língua Portuguesa para surdos enquanto segunda língua” acerca das “metodologias e produção de materiais didáticos no ensino de português como segunda língua para surdos, com centralidade à língua de sinais”. A pesquisa recebeu o título “implicações da padronização dos métodos e produção de materiais didáticos para o ensino da Língua Portuguesa aos alunos e surdos”, pois tratou de responder à questão levantada: Por que as metodologias e produção de materiais didáticos no ensino da Língua Portuguesa enquanto segunda língua dos surdos estão resistentes às inovações? Nesse caso, o objetivo aqui norteou a ação de discutir sobre as implicações que retardam a aquisição da Língua Portuguesa – L2 pelos sujeitos surdos usuários da língua de sinais brasileira – LSB enquanto primeira língua – L1. Justificando que a lei 10.436/2002, reconhece a Libras enquanto meio legal de comunicação e expressão dos seus usuários, porém, em seu artigo quarto consta um único parágrafo que torna claro que “a Língua Brasileira de Sinais – Libras não poderá substituir a modalidade escrita da Língua Portuguesa” (BRASIL, 2002). Ou seja, ainda que a referida lei seja uma conquista para o povo surdo, esta não pode tomar o lugar da Língua Portuguesa, visto que na Constituição Federal Brasileira de 1988, em seu artigo 13, “a Língua Portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil” (BRASIL, 1988). O estudo respondeu à questão levantada, visto que, a resistência às inovações de metodologias e produção de materiais didáticos no ensino da Língua Portuguesa enquanto segunda língua dos surdos é resultado frustrante da qualidade habilitada dos profissionais que deveriam ser bilíngues (Língua Portuguesa e Libras) por pensar enquanto surdo no momento de alfabetiza-lo.

Palavras-chave: Língua Portuguesa; Língua de Sinais Brasileira; Implicações.

 

Minibiografias:

Fernanda Grazielle Aparecida Soares: Mestre em Educação pela PUCMG. Professora de Libras pela UFRJ. Graduada em Normal Superior pela PUCMG; em Letras-Libras pela UFSC; especialista em Psicopedagogia com ênfase em Educação Especial pela PUCMG; é Diretora da ASMG – Associação dos Surdos de Minas Gerais

Clarissa Luna Borges Fonseca Guerretta: Professora auxiliar pela CEDER/UFRJ. Graduada em Letras-Libras pela UFSC; especialista em Ensino de Tradução e Interpretação de Libras pela UFRJ; Certificação de proficiência no uso e no ensino da Libras (PROLIBRAS – MEC).


Comunicação 24

A  AVALIAÇÃO  DE  MANUAIS  ESCOLARES/LIVROS DIDÁTICOS DE PORTUGUÊS: POLÍTICAS E PRÁTICAS

Autores:

João Paulo Balula – Instituto Politécnico de Viseu – Portugal – jpbalula@esev.ipv.pt

Francisca Izabel Pereira Maciel – Universidade Federal de Minas  Gerais  – Brasil – emaildafrancisca@gmail.com

 

Resumo:

O manual escolar (ou livro didático – LD) manteve e mantem a sua importância no processo de ensino e de aprendizagem, independentemente das diferenças políticas, culturais, sociais e das polémicas a ele associadas. Atualmente, é o recurso didático mais acessível, mas é também fortemente influenciado pelas decisões políticas. Em Portugal, a avaliação e adoção dos manuais escolares tem como princípios a liberdade e a autonomia na sua produção, escolha e utilização. O enquadramento jurídico vigente, estabelecido pela Lei n.º 47/2006, de 28 de agosto, sofreu algumas alterações, mas não foi, ainda, objeto de um estudo sistemático dos seus resultados. Por sua vez, no Brasil, a Portaria Ministerial n.º 82, de 20 de janeiro de 2000, estabelece que o Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Básica (SEB), realiza a avaliação pedagógica do LD como parte da execução do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e do livro de literatura, concretizando o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). Através do PNLD e do PNBE, são distribuídas gratuita e universalmente as obras didáticas e de literatura nas escolas públicas, cumprindo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9.394/96). Estudos realizados destacam a importância de fundamentar a elaboração e a utilização destes recursos nos resultados da investigação. Do mesmo modo, a avaliação de manuais escolares de Português pode beneficiar da sistematização do conhecimento produzido sobre esta problemática. Assim, com este simpósio, pretende-se promover: i) a análise de políticas de avaliação de manuais escolares (ou LD) de Português; ii) a análise de práticas de avaliação de manuais escolares (ou LD) de Português; iii) reflexões sobre o contributo da avaliação dos recursos didáticos de Português para a garantia da qualidade das aprendizagens dos alunos.

Palavras-chave: Recursos  didáticos; Certificação de manuais escolares; Avaliação  de livros didáticos; Didática do Português; Política educativa.

 

Minibiografias:

João Paulo Balula: Professor Coordenador da Escola Superior de Educação (ESEV-IPV) do Instituto Politécnico de Viseu (Portugal); doutorado em Didática pela Universidade de Aveiro; investigador do Centro de Estudos em Educação, Tecnologias e Saúde (CI&DETS) do IPV; coordenador de uma equipa e membro de três equipas científico-pedagógicas da ESEV- IPV para a avaliação de manuais escolares de Português do Ensino Básico; e Presidente da ESEV-IPV.

Francisca Izabel Pereira Maciel: Professora Associada de graduação e pós-graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte (Brasil); doutorada em Educação; investigadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da FaE/UFMG; coordenadora da pesquisa “Alfabetização no Brasil, o estado do conhecimento”; coordenadora do Projeto Gestão das Comissões Técnicas do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE).


Comunicação 25

LIVROS DIDÁTICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA SURDOS: ONDE ESTÃO E A QUE(M) SERVEM?

Autoras:

Maria Clara Maciel de Araújo Ribeiro – Universidade Estadual de Montes Claros – mclaramaciel@hotmail.com

Maria Cristina da Cunha Pereira – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – mccphy@gmail.com

 

Resumo:

Livros Didáticos (LD) são ambivalentes no ensino de línguas. Por um lado, são considerados fundamentais por subsidiarem o trabalho do professor e padronizarem práticas. Por outro, culpam-no pelo comodismo e tradicionalismo de alguns fazeres. No Brasil, o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) desempenhou um papel unificador, funcionando ao mesmo tempo como incentivador da diversidade e da qualidade dos materiais. Constata-se, contudo, carência na produção de material didático para o ensino de português para surdos no Brasil. Tal fato pode ser atribuído à adoção dos mesmos materiais utilizados com alunos ouvintes, desconsiderando-se que a perda auditiva impõe diferenças na relação dos surdos com a Língua Portuguesa. Nos últimos anos, a adoção da abordagem bilíngue à educação, entre outros fatores, evidenciou a necessidade de se criarem materiais específicos para o ensino da Língua Portuguesa para alunos surdos. Apesar do caráter ambivalente, a oferta de LD de português para surdos, por meio do PNLD, poderia incentivar a produção competitiva e diversificada de materiais, assim como fomentar a necessária discussão da delimitação de metas de aprendizagem e conteúdos por série escolar. A partir dessas reflexões, objetivamos, neste estudo, discutir a função do Livro Didático de Português para Surdos, diferenciando-o da adaptação de Livros Didáticos comuns – desserviço que subverte a lógica do combate ao ouvintismo.  Em complemento, apresentaremos ainda princípios teóricos conceituais que consideramos fundamentais na produção desses materiais, como: i) o privilégio da noção de texto e discurso; ii) a percepção de que gêneros discursivos são modos de ação social; iii) a compreensão da leitura como um processo descendente e interativo; iv) a relevância de se organizar o currículo de forma espiral, com progressões e retomadas e v) a importância motivacional de aspectos como a interatividade, a visualidade, ludicidade e a gameficação.

Palavras-chaves: surdos; ensino de português; livro didático; abordagem bilíngue.

 

Minibiografias:

Maria Clara Maciel de A. Ribeiro: Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Minas Gerais e professora do Departamento de Letras e do Programa de Mestrado Profissional em Letras da Universidade Estadual de Montes Claros. Implementou e coordenou o Laboratório Experimental de Ensino de Línguas para Surdos. Possui publicações na área da surdez e do ensino de português para surdos e ouvintes.

Maria Cristina da Cunha Pereira: Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e professora titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atua como linguista na escola bilíngue de educação básica para surdos, da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação (DERDIC), da PUCSP. Possui pesquisas e publicações sobre Língua Brasileira de Sinais, escrita e surdez, leitura e surdez, educação de surdos, ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa para/por crianças, adolescentes e adultos surdos.


 Comunicação 26

REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DE PORTUGUÊS COMO L2 NO PROCESSO DE TRADUÇÃO DE LIVRO DIDÁTICO DE CIÊNCIAS PARA LIBRAS

Autoras:

Ivani Rodrigues Silva – UNICAMP – ivani.rodrigues.silva@gmail.com

Kate Mamhy Oliveira Kumada – USP – kate.pedagogia@gmail.com

 

Resumo:

A educação de surdos no Brasil esteve sempre atrelada ao modo de se ensinar aos ouvintes, utilizando-se para isso os mesmos materiais, metodologias de ensino e língua de instrução (o português oral ou escrito). Somente após a Lei nº 10.436 (BRASIL, 2002), verifica-se maior interesse pela implementação de propostas bilíngues em nosso país. Contudo, apesar de haver propostas de educação bilíngue para surdos que privilegiem a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua e a modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua asseguradas pelo Decreto n. 5.626 (Brasil, 2005) e reforçadas pelo Plano Nacional de Educação (Brasil, 2014), há uma grande defasagem no ensino de qualquer disciplina na escola para alunos surdos,  por não haver materiais específicos para esses alunos veiculados na língua que lhe é mais acessível, a saber, a Libras.  Nosso objetivo é descrever o processo de tradução de Livro Didático para Libras e discutir os desafios evidenciados no ensino de português como L2 envolvendo como conteúdo a área de Ciências. Com base em uma abordagem qualitativa, nossa tradução produziu um corpus de mais de 2 mil vídeos em Libras. A tradução envolveu surdos e ouvintes com fluência em Libras, sendo esse processo dividido em cinco etapas, a saber: 1) a seleção do livro didático; 2) a divisão do livro em frases; 3) a gravação e análise prévia das frases em Libras; 4) a captura de imagem e movimentos; 5) a análise e anotação dos vídeos. Pretendemos demonstrar que a aprendizagem de conceitos científicos por alunos surdos é algo crucial para seu processo escolar. Para que isso ocorra é necessário que a Libras seja a língua de instrução desse grupo de alunos e que sejam construídos materiais didáticos específicos para surdos com estratégias de ensino de L2, entre outros pontos.

Palavras-chave: Libras; Alunos Surdos; Ensino de português como L2; Tradução, Livro didático.

 

Minibiografias:

Ivani Rodrigues Silva: Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). É professora do Curso de Fonoaudiologia da FCM/UNICAMP. Pesquisadora do CEPRE/FCM/UNICAMP. Atua em pesquisas relacionadas à formação de professores, construção de materiais de ensino para surdos e na área do ensino da escrita na diversidade.

Kate Mamhy Oliveira Kumada: Doutoranda em Educação Especial pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Linguística Aplicada pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), especialista em Surdez: Desenvolvimento e Inclusão pela Unicamp e graduada em Pedagogia com habilitação em surdez pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É professora conteudista e membro das bancas de TCC dos cursos de pós-graduação do grupo Kroton Educacional.


Comunicação 27

A PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO PARA O ENSINO DE LITERATURA NO CONTEXTO DA SURDEZ: ENTRE O DESAFIO DA ACESSIBILIDADE E A AFIRMAÇÃO DE UMA POLÍTICA LINGUÍSTICA

Autora:

Alessandra Gomes da Silva – Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) –aletrasufrj@yahoo.com.br

 

Resumo:

O presente trabalho busca discutir possibilidades para o ensino de literatura, no contexto de educação bilíngue, com alunos surdos, no colégio de aplicação do INES (CAp-INES). Isso porque, com a publicação da lei de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais, 2002)*, agora com o status de língua, se reconhece o direito de o surdo ter acesso a língua de sinais como 1° língua, ponto de partida para qualquer outra aprendizagem. Desse modo, enfatizamos que tais alunos vivenciam uma experiência de bilinguismo, uma vez que são usuários da LIBRAS e devem aprender a língua portuguesa, em sua modalidade escrita, como segunda língua (SKLIAR, 1998; QUADROS e SCHMIEDT, 2006; entre outros pesquisadores). Nota-se ainda que o conceito de leitura, atualmente, envolve o domínio de diversas linguagens que caracterizam nossa sociedade multissemiótica (ROJO, 2009). Com isso, pretendemos desenvolver uma análise crítico reflexiva a respeito de como a produção de materiais didáticos bilíngues de literatura deve promover meios para que esses sujeitos não somente ampliem seu repertório de leituras como também pode significar uma possibilidade de fruição das narrativas literárias, o que deveria ser direito de todos os alunos e uma das premissas da escola. Nesse sentido, argumentamos ainda, a partir de um conjunto específico de atividades, a importância de a literatura transitar entre diferentes suportes e linguagens, contribuindo para a formação de leitores mais eficientes, críticos e criativos, bem como, colaborando para tornar o processo de leitura literária mais democrático e produtivo com nossos alunos surdos da Educação Básica.

Palavras-chave: Literatura; Surdez; Leitura; Língua de Sinais.

* LIBRAS é a abreviação utilizada pelos surdos brasileiros para designar a Língua de Sinais do Brasil. A LIBRAS foi oficializada pelo decreto-lei 10.436 de 24/04/2002 cujo texto foi regulamentado pelo decreto nº 5.626, publicado em 23/12/2005, no Diário Oficial da União, nº 246 (pág. 28, 29 e 30).

 

Minibiografia:

Alessandra Gomes da Silva: Possui graduação pela UFRJ, bacharelado e licenciatura em Letras (português-francês) e suas respectivas Literaturas. É mestre em Letras – Literatura (2016), pelo programa de pós-graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade da Puc-Rio, defendendo dissertação intitulada “Por uma poética dos sentidos: a literatura no contexto da surdez”. Desde 2006, é professora de Educação Básica do Instituto Nacional de Educação de Surdos, atuando nas áreas de Ensino, Pesquisa e Extensão.


 Comunicação 28

MATERIAL DIDÁTICO PARA AQUISIÇÃO DO PORTUGUÊS ESCRITO COMO L2 PARA SURDOS, NA PERSPECTIVA DA PEDAGOGIA VISUAL

Autoras:

Adriana Marly Sampaio Josino – Universidade Estadual do Ceará  – adrianajosino.josino@gmail.com

Vanessa Lima Vidal Machado  – Universidade Federal do Ceará – vanylv@gmail.com

 

Resumo:

O Brasil é um país bilíngue, diz a Lei 10.436/2002, que foi ratificada pelo Decreto 5.626/2005. O português deixou de ser o único idioma oficial brasileiro, passando a dividir esse status com a língua brasileira de sinais – Libras – língua materna das pessoas surdas deste país. É notório que pessoas ouvintes e pessoas surdas aprendem de modo diferente, visto que a percepção do mundo se dá sensorialmente. Uma pedagogia que evoque sensações auditivas em detrimento de sensações visuais não será eficiente junto aos alunos surdos. Urge, portanto, desenvolver materiais, metodologias e estratégias com um viés visual, para possibilitar à comunidade surda a aquisição do português escrito como segunda língua (L2), a partir de sua língua materna – a Libras – a fim de aproximar esse cidadão, cuja cultura é essencialmente visual, de todos os conteúdos escolares. A Pedagogia Visual avança nessa direção. A comunicação que ora apresentamos traz uma proposta de materiais didáticos e objetos de aprendizagem elaborados pelas autoras/pesquisadoras – uma ouvinte e outra surda – com atividades diversificadas e atinentes à cultura surda e ao processo de visualidade. Trata-se de um experimento, dado o estágio embrionário das pesquisas nessa área específica de estudos, que utiliza objetos de aprendizagem que dialogam com um mundo repleto de linguagens e que é captado pela visão do aluno surdo, intrigando-o e instigando-o a enxergar-se como sujeito social, capaz de escrever a sua história também em português. Nosso trabalho se pauta na necessária relação entre letramento e bilinguismo na educação de surdos (LODI; MELO; FERNANDES, 2015), nos estudos linguísticos sobre a aquisição da linguagem (QUADROS; KARNOPP, 2004; QUADROS, 1997) e na imbricação entre pensamento e linguagem (VYGOTSKY, 1997).

Palavras-chave: Pedagogia visual; português escrito como L2; materiais didáticos.

 

Minibiografias:

Adriana Marly Sampaio Josino: Licenciada em Letras pela Universidade Estadual do Ceará. Possui especialização em Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Portuguesa e mestrado em Linguística Aplicada pela mesma universidade (PosLA-UECE). Atualmente é doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidade Estadual do Ceará (PosLA-UECE) e pós-graduanda em Libras e Educação de Surdos, pelo Instituto Plus de Inclusão Social. Tem experiência na área de Linguística Aplicada, com ênfase em Educação Inclusiva, Formação de Professores, Léxico e Cultura.

Vanessa Lima Vidal: Graduada em Contabilidade pela Faculdade Estácio do Ceará e graduada em Letras Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Pós-Graduada em Libras pela Universidade da Cidade de São Paulo (UNICID). Mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atualmente é professora do curso de Letras Libras, na Universidade Federal de Ceará (UFC). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Libras.


Comunicação  29

ACESSIBILIDADE LINGUÍSTICA NA PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO EM LÍNGUA PORTUGUESA ESCRITA PARA ESTUDANTES SURDOS DO EJA – EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Autores:

Gláucio de Castro Júnior – Universidade de Brasília – UnB- librasunb@gmail.com

Daniela Prometi – Universidade de Brasília – UnB – danielaprometi@gmail.com

Lucia Maria Borges de Sousa – UnB – imbsousa@gmail.com

 

Resumo:

No sentido de contribuir para a temática proposta para a pesquisa intitulada: “Acessibilidade linguística na produção de material Didático em Língua Portuguesa Escrita para estudantes Surdos do EJA – Educação de Jovens e Adultos” apresentamos para discussão a proposta da coletânea de atividades visuais como abordagem do ensino da Língua Portuguesa para Surdos como L2 com foco na categoria gramatical verbo, por meio de resultados delimitados e que estão na revisão e discussão da literatura sobre o tema. O objetivo da pesquisa foi analisar como se dá a compreensão da categoria gramatical verbo pelo Surdo na Língua Portuguesa escrita de modo a possibilitar a elaboração de uma coletânea de atividades visuais para o Surdo que contribua para acessibilidade linguística deste segmento. Como resultado, no entanto, o que se percebeu é que a partir da decisão de criar um material didático baseado no aspecto visual, agregando a este, as experiências do sujeito visual-espacial, o contexto de interesse, seja pela história de vida, sobretudo em sua identidade enquanto Surdo, dentro de uma cultura que valoriza não só sua aparência, mas sua maneira de significar o mundo e as relações que ele podem estabelecer a partir de uma língua que promove acessibilidade, é possível vislumbrar a perspectiva de que o paradigma de que Surdo não aprende escrever em português seja superado. Até mesmo a atividade escrita, proposta a partir de uma metáfora, pode ser resignificada em Libras – Língua de Sinais Brasileira e na relação com os sentimentos e vivência do Surdo, desde que apresentada a partir de material visual. Partindo da premissa que o ato de ler deve transcender a leitura da palavra, segundo Freire (1981), é possível inferir que a aquisição da aprendizagem começou no momento em os/as estudantes Surdos de EJA já estavam lendo, quando entenderam o contexto e significado dos verbos FALAR, AMAR, SONHAR E VIVER, quando ocorreu o encontro de cada um com a própria história a partir da utilização do mapa e todo desdobramento. Embora os objetivos propostos, tenham sido comtemplados quase na sua totalidade, a questão não está fechada, sendo que outras atividades serão propostas, no sentido de ampliar o leque de investigação e a partir desse, poder fazer proposição à educadores de Surdos, em especial, de no contexto de EJA.

Palavras-Chave: Acessibilidade; Língua Portuguesa; Surdos; Ensino de L2; Verbo; Material visual.

 

Minibiografias:

Gláucio de Castro Júnior: Doutor de Linguística pela Universidade de Brasília e Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília. Desenvolve pesquisas nas áreas de Terminologia e Léxico da Libras. Professor Adjunto no Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas – LIP, do Instituto de Letras – IL, na Universidade de Brasília – UnB, Brasília, Distrito Federal, Brasil.

Daniela Prometi: Doutoranda na área da Linguística pela Universidade de Brasília e Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília (2013). Desenvolve pesquisas nas áreas de Terminologia e Léxico da Libras. Professora Assistente no Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas – LIP, do Instituto de Letras – IL, na Universidade de Brasília – UnB, Brasília, Distrito Federal, Brasil.

Lúcia Maria Borges de Sousa: Professora da Secretária de Educação do Distrito Federal e Especialista em Português como Segunda Língua para Estudantes Surdos e com Deficiência Auditiva, Brasília, Distrito Federal, Brasil.


 Comunicação 30

MATERIAIS DIDÁTICOS DE PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS

 

Autora:

Jéssica Andrade – Universidade Federal do Rio Grande do Norte – a51025@campus.fcsh.unl.pt

 

Resumo:

Os alunos surdos tem como língua materna a Libras (Língua Brasileira de Sinais) e estudam em sua grande maioria em escolas inclusivas, aprendendo a língua portuguesa como primeira língua. Esse modelo de educação não é o ideal, mas é o que predomina nas escolas brasileiras. Nos melhores casos existe o intérprete de libras/português que faz a interpretação das aulas para os alunos surdos incluídos nas turmas regulares. O ensino da língua portuguesa como segunda língua se dá no Atendimento Educacional Especializado (AEE), no contraturno, por professores bilíngues. Porém, não existem materiais didáticos para o ensino de português como segunda língua para surdos nem professores com formação específica, o que faz com que os alunos surdos se formem na Educação Básica sem o domínio básico do português escrito. Através do Doutoramento em Didática das Línguas, especialidade Português Língua Estrangeira, da Universidade Nova de Lisboa, pretende-se fazer a análise de documentos que investigam interlíngua do surdo, afim de subsidiar a produção de Unidades Didáticas voltadas para o ensino de português como L2 para surdos. Para que esse material produzido seja eficaz, será feita uma parceria com o CAS (Central de Apoio ao Surdo) Natal- RN, que funciona como AEE, para avaliar na prática se essas Unidades Didáticas atingem seu objetivo, que é a aprendizagem do português escrito por parte dos alunos surdos.

Palavras-chave: Alunos surdos; AEE; Português como segunda língua para surdos: Unidades Didáticas.

 

Minibiografia:

Jéssica Andrade: Doutoranda em Didática das Línguas PLE/PL2 pela Universidade Nova de Lisboa. Professora de Ensino em Libras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte no curso de Letras: Libras/Português, com ênfase na área de Ensino de Português como Segunda Língua para Surdos. Pesquisadora na área de Português como segunda língua para surdos.


Comunicação 31

DICIONÁRIO TERMINOLÓGICO EM LIBRAS E LÍNGUA PORTUGUESA: UMA FERRAMENTA DIDÁTICA NA EDUCAÇÃO BILÍNGUE DE SURDOS

Autoras:

Janete Mandelblatt – INES – janete.mandelblatt@gmail.com

Wilma Favorito – INES – wilmafavorito@uol.com.br

 

Resumo:

A educação bilíngue de surdos no Brasil enfrenta o duplo desafio de lidar com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua de instrução e de ensinar o português escrito para surdos como L2. Devido à crescente presença de estudantes surdos nas instituições de ensino, tem aumentado a demanda de docentes, discentes e intérpretes pela criação, registro e divulgação de sinais referentes aos saberes escolarizados e acadêmicos. Dentro desse cenário, constituiu-se no Departamento de Educação Superior do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), no Rio de Janeiro, o Grupo de Pesquisa Manuário Acadêmico, que desde 2012 vem trabalhando na coleta e validação de sinais para a construção de um dicionário terminológico bilíngue, multidisciplinar, digital, centrado na área de Pedagogia, com entradas e verbetes em vídeo, tanto em Libras quanto em Português. Denominado Manuário Acadêmico e Escolar, esse produto, já disponibilizado em caráter experimental e de aperfeiçoamento, objetiva não apenas registrar a expansão lexical da Libras; visa também ser usado como ferramenta didática mediadora, de estudo e pesquisa, por meio da qual o aluno surdo possa buscar apoio para dialogar com os sentidos produzidos em um idioma com o qual não se sente familiarizado, favorecendo-se, assim, para esse estudante, tanto o acesso e a apropriação do conhecimento, quanto o processo de produção acadêmica, seja em Libras, seja por meio da língua portuguesa escrita.

Palavras-chave: Educação de surdos; Dicionário terminológico; Libras; Língua portuguesa.

 

* A palavra manuário consta no dicionário Houaiss com significados diferentes do que aqui utilizamos. Trata-se, neste caso, de um neologismo, fazendo referência aos vocábulos dicionário e glossário, mas indicando que o inventário é composto não apenas de palavras escritas, mas também de sinais (ou itens lexicais) produzidos com as mãos.

 

Minibiografias:

Janete Mandelblatt: Doutora em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É Professora Adjunta do Departamento de Ensino Superior do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). Seus principais interesses de pesquisa incluem: processos educativos e desigualdades sociais; políticas públicas, educação e cidadania; o desenvolvimento de dicionários acadêmicos para estudantes surdos universitários.

Wilma Favorito: Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). É Professora Associada do Departamento de Ensino Superior do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). Seus principais interesses de pesquisa incluem educação bilíngue de surdos e o desenvolvimento de dicionários acadêmicos para estudantes surdos universitários.


Comunicação 32

A PESQUISA TEÓRICA EM GRAMÁTICA E SUA APLICAÇÃO AO ENSINO DE PORTUGUÊS ESCRITO PARA SURDOS

Autoras:

Marisa Dias LIMA – Universidade Federal de Uberlândia – marisalima.ufu@gmail.com

Rozana Reigota NAVES – Universidade de Brasília – rozanarn@hotmail.com

Heloisa Maria M. de A. Lima SALLES – Universidade de Brasília – heloisasalles@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, pretendemos apresentar um dos produtos do projeto do Laboratório de Pedagogia Visual para a Educação Bilíngue dos Surdos (LAPEVI), desenvolvido com o suporte financeiro do Ministério de Ciência e Tecnologia. Esse produto corresponde à publicação de um manual de ensino de português para surdos, disponibilizado como material instrucional para a capacitação de professores de Língua Portuguesa na Educação Básica que atuam com estudantes surdos em sala de aula. A elaboração do material parte do pressuposto que os indivíduos surdos têm a Língua de Sinais Brasileira (LSB ou LIBRAS) como língua materna e a Língua Portuguesa como segunda língua, do que decorrem as grandes dificuldades de domínio do português escrito. Trata-se de um manual constituído a partir da pesquisa realizada por Lima (2011) e Lima & Naves (2011), a respeito da aquisição de ordem dos constituintes e de concordância verbal no português escrito por surdos na perspectiva teórica da Gramática Gerativa, bem como da pesquisa realizada por Mesquita & Salles (2011), a respeito da aquisição das propriedades da categoria preposição por surdos, que subsidiaram a elaboração de conteúdos e exercícios propostos no manual.

Palavras-chave: Ensino; Português L2; Pedagogia Bilíngue.

 

Minibiografias:

Marisa Dias Lima: Doutoranda em Educação na área de Estado, Políticas e Gestão Escolar do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED) pela Universidade Federal de Uberlândia e Mestrado em Linguística na área de Gramática: Teoria e Análise do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) pela Universidade de Brasília. Professora Assistente da Universidade Federal de Uberlândia no departamento da Faculdade de Educação vinculada ao núcleo de Educação Especial e Libras.

Rozana Reigota Naves: Professora  Adjunto da Universidade de Brasília, vinculada ao Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas (LIP) e do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL). Possui pesquisas nas áreas da interface entre sintaxe e semântica lexical, da constituição do português brasileiro no Centro-Oeste, da aquisição de língua materna ou de segunda língua, da educação linguística e da descrição da LSB.

Heloisa Maria Moreira Lima de Almeida Salles: Professora  Associada da Universidade de Brasília, vinculada ao Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas (LIP) e do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL). Atua na área de Linguística, na abordagem da Teoria Gerativa, investigando, principalmente, os seguintes temas: sintaxe de complementação e sintaxe de preposições, com ênfase em línguas românicas, germânicas, língua brasileira de sinais, aquisição de português L2, bilinguismo dos surdos.


 Comunicação 33

 ESCRITA E LEITURA PELOS VISUAIS (SURDOS): PRESENÇAS E AUSÊNCIAS NA ALFABETIZAÇÃO

Autor:

Claudio Alves Benassi – Universidade Federal de Mato Grosso – caobenassi@falange.miuda.br

 

Resumo:

Esta pesquisa tem como objeto de estudo o processo de alfabetização de visuais (surdos), em relação à cultura escrita. O objetivo  é discutir as presenças e ausências no processo de alfabetização dos visuais que se configura pela consideração da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como Primeira Língua (L1), em sua modalidade articulada e a LP como Segunda Língua (L2) na modalidade escrita. Observa-se que a Escrita da Língua de Sinais (ELS) na alfabetização do visuais, apesar de sua importância e benefícios, ainda não está inserida em sua escolarização, causando prejuízos ao seu desenvolvimento cognitivo e na aquisição de outras línguas escritas. Esta pesquisa é de cunho qualitativo e tem como base os pesquisadores Bakhtin, Colto, Stumpf, Nobre, Barreto e Barreto e Barros. Segundo pesquisas divulgadas recentemente, a ELS dentre os muitos benefícios, proporciona ao visual, comunicação escrita fluente e confortável, o que não acontece no uso da escrita de L2. Isso indica que a problemática do processo traumático de aprendizagem da LP, pelo sujeito visual, poderia ser amenizado, mediante a presença da ELS na alfabetização do mesmo. Um dos grandes fatores para essa ausência está relacionado ao fato de os sistemas correntes de escrita de sinais, no Brasil, serem considerados abstratos, densos e pesados. Para resolver tal problema, criamos um sistema de ELS que chamamos provisoriamente de Visografia, aliando os elementos gráficos mas simples e visuais do Sign Writing (SW) e da Escrita das Línguas de Sinais (ELiS). A Visografia nasce com apenas 64 caracteres, número menor que a ELiS, que possui 95, e o SW que apresenta um número exacerbado de caracteres. Os resultados da aplicação da Visografia, tanto no processo de escrita quanto da leitura, apontam que a ELS é viável, pois usuários da Libras, sem ou com pouco conhecimento da ELS, leram sinais escritos pela Visografia.

Palavras-chave: Visografia. Visuais; Língua Portuguesa como L2; Escrita e leitura; Libras.

 

Minibiografia:

Claudio Alves Benassi: Artista pesquisador. Compositor, flautista doce e professor do Departamento de Letras da Universidade Federal do Mato Grosso. Grupo de pesquisa REBAK e REBAK Sentidos. Pesquisador da gênese musical e da cultura. Pesquisador da Escrita da Língua de Sinais (ELS). Criador da ELS Visografia. Editor gerente das Revistas Diálogos e Falange Miúda.


Comunicação 34

NÚMEROS SEMÂNTICOS: UMA PROPOSTA DE ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA ESTUDANTE VISUAL (SURDO) COMO SEGUNDA LÍNGUA

Autores:

Anderson Simão Duarte – Universidade Federal de Mato Grosso –anderson.uf.libras@gmail.com

Simone de Jesus Padilha – Universidade Federal de Mato Grosso – simonejp1@gmail.com

 

Resumo:

Essa pesquisa é resultado da convivência diária com os sujeitos visuais (surdos) na esfera informal, ampliada nos estudos de mestrado em Estudos de Linguagem e consolidou-se na investigação doutoral, ambos pela  Universidade Federal de Mato Grosso. Os estudos tiveram como referencial teórico as concepções de Mikhail Bakhtin, Levy Vygotsky, na perspectiva sócio-histórica, Fernando González Rey, a respeito da subjetividade, e Hildo Honório Couto, em suas contribuições da Ecolinguística. O objetivo cerne focou o processo de aprendizagem da Língua Portuguesa e língua de sinais, ambos como segunda língua, através dos Números Semânticos. A metodologia foi qualitativa experimental e participativa com estudantes visuais e ouvintes do Ensino Básico, através de atividades práticas da escrita da Língua Portuguesa como L2 para visuais e Língua Brasileira de Sinais, também, como L2 para ouvintes. A pesquisa resultou em uma nova proposta para o processo de aprendizagem escrita da língua oral (LP) e da língua espacial (LIBRAS). A sinalização da Libras é reorganizada por representações numéricas em ordem crescente em conformidade com a ordem sintática da Língua Portuguesa de forma independente. Possibilita-se, assim, ao aprendiz de forma prática, dinâmica e 100% visual aprender as sintaxes das línguas envolvidas sem desrespeitar suas estruturas no processo. Os Números Semânticos, portanto, proporcionam aos aprendizes o respeito e obediência às estruturas gramaticais e semânticas abarcando desde artigos, preposições e desinências verbais da língua oral aos Parâmetros das línguas de sinais. As práticas com os Números Semânticos mostraram que os sujeitos visuais têm todos os potenciais linguísticos e cognitivos para o processo de aprendizagem da escrita de uma segunda língua, sem a preconcepção de escrita própria em decorrência da déficit auditivo.  A pesquisa com os Números Semânticos resultou em Material Didático usado em diversas universidade no Brasil, além de instrumentos de pesquisa na Argentina e Espanha.

Palavras-chave: Números Semânticos; Língua Portuguesa; Libras; Visual; Surdo.

 

Minibiografias:

Anderson Simão Duarte: Doutor em Educação. Mestre em Estudos de Linguagem. Professor Adjunto do Curso de Graduação Letras Libras, licenciatura da Universidade Federal de Mato Grosso. Coordenador/Sub-coordenador dos Grupos de Pesquisa Rebak Sentidos e Relendo Bakhtin. Coordenador PIBID do Sub-projeto Libras. anderson.uf.libras@gmail.com

Simone de Jesus Padilha: Doutora em Linguística Aplicada. Professora associada pesquisadora do Programa de Pós graduação Em Estudos de Linguagem. Departamento de Letras da Universidade Federal de Mato Grosso. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Relendo Bakhtin (REBAK). Cuiabá. simonejp1@gmail.com


Comunicação 35

CONTRIBUIÇÕES DA GRAMÁTICA SISTÊMICO-FUNCIONAL PARA A ANÁLISE DE TEXTOS ESCRITOS EM LÍNGUA PORTUGUESA POR SURDOS

Autora:

Cleide Emília Faye Pedrosa – Universidade Federal de Sergipe-Brasil –cleidepedrosa@oi.com.br

 

Resumo:

A fim de contribuir com a constituição da memória de produção da língua portuguesa escrita como segunda língua para surdos em contextos de educação bilíngue, através de estudos, ainda dispersos, em relação às propostas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), esta comunicação tem por objetivo geral, a partir do olhar da Gramática Sistêmico-Funcional (GSF), analisar narrativas do eu de alunos universitários surdos. Segundo a Linguística Sistêmico-Funcional, desenvolvida por Halliday e seu seguidores, os significados linguísticos só são construídos porque são resultados de interações sociais. Por isso julgamos que desenvolver um estudo para analisarmos os textos em Língua Portuguesa produzidos por surdos a partir do que propõe a GSF é um caminho mais coerente para a atender à especificidade do grupo linguístico em questão. Assim, o objetivo especifico para essa comunicação será de verificar o uso do sistema da avaliatividade nas narrativas de vida produzidas por surdos do curso de Letras Libras. Como metodologia, geramos um corpus a partir do preenchimento de uma entrevista escrita com dados social, econômico e escolar e como último item, solicitamos que produzissem uma narrativa de vida. Para este trabalho, escolhemos 4 narrativas, uma de sujeito que nasceu surdo, uma de sujeito que se tornou surdo ainda pequeno, uma de sujeito que ficou surdo já tendo adquirido a Língua Portuguesa, e uma de sujeito surdo em que foi proibido o uso de Libras. Nossa hipótese é que as variáveis acima descritas dos sujeitos das pesquisas também influenciam na produção de seus textos em LP mas que a utilização de uma gramatica baseada no uso democratizaria essas diferenças. Os primeiros estudos apontam para a consolidação de que uma proposta baseada na GSF para análise dos textos produzidos por surdos, ao recorrer a uso de uma língua oral, equalizaria as diferenças na avaliação do português escrito.

Palavras-chave: Gramática Sistêmico-Funcional, Sistema da Avaliatividade, Narrativas do eu, Surdos universitários.

 

Minibiografia:

Cleide Emília Faye Pedrosa: Pós-doutorada em Letras, UERJ (Brasil). Participou da equipe de implantação do curso de Letras Libras da UFRN. Primeira coordenadora do Curso de Letras Libras, UFS (2014-2016), onde é Profa. de Linguística na Graduação e de Análise Crítica do Discurso na Pós-Graduação. Fez visitas técnicas a UFSC (2013), para conhecer o funcionamento de Letras Libras, ao Diretório de Educação Especial do México (2013), ao INES (Brasil, 2014) e ao INSOR (Instituto Nacional de Sordos na Colombia, 2014).


Comunicação 36

MARCAS DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO PORTUGUÊS ESCRITO DE SURDOS USUÁRIOS DA LIBRAS

Autoras:

Ivanete de Freitas Cerqueira, UFAC ifreitasc@hotmail.com

Nanci Araújo Bento, UFBA nanaraben@hotmail.com

 

Resumo:

A educação de surdos, tendo passado pelo oralismo e bimodalismo, agora se encontra em uma fase de transição (QUADROS, 1997), em que se tenta privilegiar o bilinguismo, o que significa, do ponto de vista do processo de letramento, pensar uma educação em que os usuários da língua de sinais, mais especificamente da LIBRAS, tenham acesso, no contexto escolar/acadêmico, a sua língua natural de modalidade visuoespacial e à língua escrita, nesse caso, o português.  Entretanto, não se pode esquecer que essas abordagens têm deixado suas marcas não apenas na história da educação, como também nos sujeitos. Nessa perspectiva, este estudo visa investigar como esses sinais se materializam no português escrito de surdos que viveram e vivem essas abordagens metodológicas. Para isso, de modo comparativo, serão analisados textos em língua portuguesa, produzidos por usuários da LIBRAS que iniciaram sua educação tanto na época do oralismo e do bimodalismo, como daqueles que têm sua vida escolar estruturada a partir da lei 10.436/2002 e do decreto 5.626/2005.

Palavras-chave: oralismo; bimodalismo; bilinguismo; libras; língua portuguesa.

 

Minibiografias:

Ivanete de Freitas Cerqueira: Professora Assistente no Curso de Licenciatura em Letras Libras/Língua Portuguesa como Segunda Língua, do Centro de Educação, Letras e Artes da Universidade Federal do Acre e Doutoranda pela Universidade Federal da Bahia. No doutorado, pretende realizar descrição e comparação de sinais caseiros implementados por surdos filhos de pais ouvintes falantes do português.

Nanci Araújo Bento: Professora Adjunto no Departamento de Letras Vernáculas do Instituto de Letras da UFBA e Doutora em Letras e Linguística pela mesma instituição, onde realizou a adaptação e validação do protocolo palavras e gestos para a LIBRAS através do CDI – MacArthur Communicative Development Inventory for ASL. Professora de Língua Portuguesa como L2 para surdos numa escola em Salvador. Foi tutora da UFSC nos Cursos de Licenciatura e Bacharelado em Letras Libras – Pólo UFBA entre 2006 e 2010.


Comunicação 37

ESCREVER EM L2 – CONSIDERAÇÕES SOBRE A PRODUÇÃO ESCRITA DE UM ALUNO SURDO

Autora:

Claudia Regina Vieira – UFSCar – Sorocaba/ Faculdade de Educação USP – claudiarevieira@yahoo.com.br

 

Resumo:

Esse trabalho se propõe a refletir sobre as mudanças desejáveis na educação de surdos brasileiros que entende que filosofias educacionais tradicionais como as oralistas são prejudiciais ao ensino de pessoas surdas e da necessidade de se implantar a educação bilíngue, na qual se faz presente a Libras e a Língua Portuguesa para dessa forma  garantir ao indivíduo o desenvolvimento de sua linguagem e a construção de conceitos primordiais para a compreensão do mundo, e assim alicerçar esses aprendizados. Pensar educação bilíngue implica compreender essa língua espaço-visual e o papel que ela exerce dentro da instituição, para o aluno surdo e nas relações entre professor-aluno no momento das atividades pedagógicas, por isso apresento um recorte da pesquisa realizada no mestrado em que o foco foi o bilinguismo, para isso trago a produção de uma aluna surda matriculada na rede pública em sala regular com ouvintes, que usa língua de sinais para a comunicação e interação com as pessoas, e na sala de recursos no contraturno com professora habilitada para o trabalho com surdos num município da grande São Paulo. Na produção identificar as marcas desse aprendizado da aluna, intervenções realizadas pela professora, bem como avaliar a importância da L1 no aprendizado da L2, no contexto da educação bilingue para surdos.

Palavras-chave: Educação bilíngue; Produção de texto; Língua de Sinais.

 

Minibiografia: 

Claudia Regina Vieira: Doutoranda em Educação Especial pela FEUSP. Graduada em Pedagogia UNESP campus Marilia (2000) e bacharel em Letras/Libra pela UFSC com Pólo na Unicamp/SP (2012). Mestre em Educação pela UNIMEP/Piracicaba Atualmente trabalha como professora Assistente na UFSCar – Campus Sorocaba como docente de Libras e exerce a função de vice coordenadora do Curso de Pedagogia.


Comunicação 38

LEITURA DE TEXTO EM PORTUGUÊS: A PRODUÇÃO DE SENTIDO PELO LEITOR SURDO

Autora:

Linair Moura Barros Martins – Universidade de Brasília – linairmoura@gmail.com

 

Resumo:

Surdos isolados ainda são comuns na população brasileira, são pessoas que cresceram sem aprender uma língua standard, oral ou de sinais. A busca pela escola em razão das recentes políticas de inclusão demanda a necessidade de pesquisa sobre seu aprendizado da língua portuguesa para melhoria constante da prática pedagógica quanto ao ensino.  No contexto de uma classe de alunos com essas características, foi realizada esta pesquisa com o objetivo de analisar a leitura e a escrita, ou seja, a produção de sentido sobre o texto escrito em português por jovens e adultos surdos que estão aprendendo tardiamente a língua de sinais e a língua portuguesa na sua modalidade escrita. A leitura é concebida neste trabalho como uma forma de interação entre autor, leitor e texto. A microanálise etnográfica realizada com base nos pressupostos da Sociolinguística revela a mobilização de estratégias linguísticas e sociocognitivas na produção de sentido durante a atividade interativa com o texto pelos leitores surdos, revelando aspectos complexos que derivam do conhecimento dos sistemas linguísticos, envolvendo o português e a língua de sinais que estão aprendendo, bem como do emprego de estratégias sociocognitivas pelas quais se engajam na atividade de ler como membros do microcosmo da sala de aula, transparecendo na construção do sentido, aspectos relativos à composição ortográfica marcada pela falta de referências sonoras vinculadas à notação gráfica das palavras, estratégias relativas ao contexto semiótico e visual no qual  elementos do significado ficaram atados a variadas formas de objetivação sígnica e elementos da interação pelos quais os alunos cumprem seu papel social quando leem e quando não dão conta da tarefa de ler. Os resultados apontam para a necessidade da consideração desses três aspectos quando da proposição da leitura para estudantes surdos.

Palavras-chave: Surdez; estratégias de leitura; produção de sentido.

 

Minibiografia:

Linair Moura Barros Martins: Doutora em Educação pela Universidade de Brasília, com interesse de pesquisa voltado para a educação de surdos: surdos isolados e letramento. Integra o grupo de pesquisa (Socio)Linguística, Letramentos Múltiplos e Educação – SOLEDUC. É professora da educação básica e atua na formação de continuada de professores da rede pública de ensino da Secretaria de Educação do Distrito Federal – Brasil.


Comunicação 39

A FUNÇÃO SOCIAL DA TERMINOLOGIA E SUA IMPORTÂNCIA PARA A EDUCAÇÃO BILÍNGUE DE SURDOS

Autor:

Eduardo Felten – Universidade de Brasília (UnB) – eduardofelten.unb@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho analisa como o estudo empreendido pela terminologia em Libras serve para o conhecimento científico na Educação de Surdos. De acordo com Krieger (2011), nos últimos vinte anos, a produção lexicográfica, em âmbito internacional, ampliou-se de forma significativa. Entre essas produções, encontram-se dicionários e glossários técnico-científicos que atendem as variadas áreas do conhecimento humano. O léxico especializado adota a metodologia de cumprir objetivos aplicados, segundo a autora. Os estudos terminológicos se destacam pela terminografia que atenda interesses práticos da área ou do conhecimento científico em seus campos temáticos. Podemos dizer, dessa forma, que o objetivo, dentre outros, de obras lexicográficas de natureza terminológica é fornecer informações para a amplificação das atividades essenciais à sociedade de forma prática, a obter esclarecimentos sobre a linguagem por meio de termos utilizados em áreas específicas ou do conhecimento científico. Por esse motivo, o Glossário Sistêmico Bilíngue Português-Libras de Termos da História do Brasil que compõem o léxico da História do Brasil tornar-se-á uma ferramenta que proporcionará aos estudantes Surdos construir conceitos e aplicá-los em diferentes contextos como explicar a relação entre Portugal e sua colônia na América, antes que esse território se tornasse Brasil. Além disso, o consulente poderá agregar informações significativas em seu processo de aprendizagem sobre a História do nosso país, a fim de apreender e compreender, de maneira efetiva, a realidade em que estiver estudando. A terminologia investigada e organizada em forma de glossário fará com que o mesmo possa ser consultado por professores de História e professores de Surdos, além de poder contribuir com metodologia de trabalho que contemple o vocabulário específico que domina o léxico de Libras.

Palavras-chave: Terminologia; Bilinguismo; Língua Brasileira de Sinais; História do Brasil.

 

Minibiografia:

Eduardo Felten: Professor da Universidade de Brasília (UnB).


 Comunicação 40

A ESTRUTURA DO VERBETE DE UM GLOSSÁRIO BILÍNGUE: UMA ESTRATÉGIA DE ENSINO E APRENDIZAGEM DO PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA O DISCENTE SURDO

Autora:

Patricia Tuxi – Universidade de Brasília – UnB – ptuxiinterprete@gmail.com

 

Resumo:

O trabalho em questão faz parte da linha de pesquisa Léxico e Terminologia e tem como objeto de estudo a estrutura do verbete do glossário bilíngue do meio acadêmico da Universidade de Brasília – UnB. O público-alvo são discentes bilíngues usuários de Língua de Sinais Brasileira – LSB e Língua Portuguesa – LP. Para Faulstich (2010) glossário é um conjunto de termos de uma mesma área, ou similar, composto por macroestrutura e microestrutura. A microestrutura é o verbete composto pela entrada, categoria gramatical, definição, contexto, nota entre outros elementos. Logo, a microestrutura é o verbete pronto (FAULSTICH, 1995). Em um glossário par linguístico LSB (modalidade visual-espacial) e LP (modalidade oral-auditiva) a organização e forma de registro são diferenciadas de uma obra constituída de línguas orais. Em decorrência dessa diversidade linguística, surge uma série de questionamentos: i) a constituição da definição em língua de sinais é uma tradução da mesma em português? ii) o verbete escrito em português padrão promove acessibilidade para o usuário surdo? iii) é possível criar uma definição que seja uma estratégia de ensino e aprendizagem do português como segunda língua para o discente surdo? Os questionamentos acima norteiam esse trabalho, que é desenvolvido na área de léxico e terminologia das línguas de sinais e nos leva a apresentar uma proposta de registro do verbete de glossário bilíngue. Para isso, o ponto de partida da discussão é a organização da definição do verbete que deve contemplar o usuário, um sujeito bilíngue, para quem o português é a segunda língua (TUXI, 2014). Portanto a organização do verbete estruturado em uma segunda língua é uma forma de oportunizar ao surdo não só a significação do conceito, mas também empoderamento da sua segunda língua, no caso o português.

Palavras-chave: glossário bilíngue; verbete; língua de sinais brasileira; português como segunda língua e surdo.

 

Minibiografia:

Patricia Tuxi: Doutoranda na área da Linguística pela Universidade de Brasília e Mestre em Educação pela Universidade de Brasília – UnB (2009). Desenvolve pesquisas nas áreas de Terminologia e Léxico da Libras. Professora Assistente no Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas – LIP, do Instituto de Letras – IL, na Universidade de Brasília – UnB, Brasília, Distrito Federal, Brasil.


Comunicação 41

A IMPORTÂNCIA DO VOCABULÁRIO BILÍNGUE PARA OS ALUNOS SURDOS

Autores:

Daniela Prometi – Universidade de Brasília – UnB – danielaprometi@gmail.com

Gláucio de Castro Júnior – Universidade de Brasília – UnB- librasunb@gmail.com

Neemias Santana – Universidade de Brasília – UnB – miasinterprete@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma proposta de elaboração de vocabulário bilíngues para as línguas de sinais e para a língua portuguesa como L2 para Surdos, com base na educação lexicográfica por meio da compreensão de técnicas lexicográficas para a elaboração de materiais e registros videográficos bilíngues. Este trabalho surgiu a partir da necessidade de se estabelecer os elementos necessários e básicos que um vocabulário bilíngue deve apresentar dentro da educação dos surdos. Estes são usados pelos Surdos no entendimento do seus conceitos e significados de forma produtiva, possibilitando um número infinito de construções conceituais, a partir de um número finito de regras. Esses princípios regem também o uso adequado de entender os conceitos e significados, isto é, permitem que os Surdos podem utilizar estruturas nos diferentes contextos que se lhes apresentam, de forma a compreender aos diversos significados bilíngues que emergem da interação no dia a dia, bem como dos outros tipos de uso da língua. Os procedimentos metodológicos adotados são: i) Seleção de três obras da Língua Portuguesa para análise da sua elaboração; ii) elaboração de um modelo de vocabulário bilíngue com base nos critérios e proposta da educação lexicográfica para a língua de sinais e para a língua portuguesa e iii) Organização da proposta do vocabulário bilíngue e validação dos elementos necessários para a composição do vocabulário bilíngue no Laboratório de Linguística de Língua de Sinais Brasileira – LabLibras da Universidade de Brasília – UnB. Toda a pesquisa desenvolvida tem como objeto final um modelo de vocabulário Bilíngue voltados para o Surdo e também como um recurso de acessibilidade para a comunidade surda como um todo.

Palavras-Chave: Surdo; Língua de sinais; Educação lexicográfica; Vocabulário bilíngue.

 

Minibiografias:

Daniela Prometi: Doutoranda na área da Linguística pela Universidade de Brasília e Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília (2013). Desenvolve pesquisas nas áreas de Terminologia e Léxico da Libras. Professora Assistente no Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas – LIP, do Instituto de Letras – IL, na Universidade de Brasília – UnB, Brasília, Distrito Federal, Brasil.

Gláucio de Castro Júnior: Doutor de Linguística pela Universidade de Brasília e Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília. Desenvolve pesquisas nas áreas de Terminologia e Léxico da Libras. Professor Adjunto no Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas – LIP, do Instituto de Letras – IL, na Universidade de Brasília – UnB, Brasília, Distrito Federal, Brasil.

Neemias Gomes Santana: Professor Adjunto no Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas – LIP, do Instituto de Letras – IL, na Universidade de Brasília – UnB, Brasília, Distrito Federal, Brasil.


Comunicação 42

ASPECTOS GRAMATICAIS DA LIBRAS E ENSINO DE PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS: UMA REFLEXÃO A PARTIR DE METÁFORAS E DE CONSTRUÇÕES BITRANSITIVAS

Autores:

Josiane Marques da Costa – UFLA – josianemarquesc@gmail.com

Guilherme Lourenço – UFMG – guilhermelourenco@ufmg.br

 

Resumo:

O presente trabalho objetiva, a partir de um estudo comparativo da gramática da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e da gramática da língua portuguesa, refletir sobre o ensino de português como segunda língua para surdos. Mais especificamente, abordaremos o ensino de metáforas e de construções bitransitivas, a partir dos estudos de Costa (2015) e Lourenço (2016a, 2016b). Um dos grandes desafios encontrados pelo aprendiz de uma segunda língua é a aquisição de construções e representações que são dissemelhantes àquelas presentes em sua primeira língua, sejam estas construções morfológicas, sintáticas ou semântico-pragmáticas (SORACE, 2002). A partir dessa constatação, cabe ao professor que ensina uma segunda língua abordar essas construções dissemelhantes, chamando à atenção do aprendiz para elas e para seu funcionamento na língua alvo. Assim, nesta comunicação defenderemos o ensino de construções gramaticais dissemelhantes entre as duas línguas. Para isso, focaremos no ensino de construções metafóricas não convergentes e também no ensino de orações bitransitivas. No que tange às metáforas, há uma restrição no mapeamento icônico (forma física – significado) nas construções metafóricas em línguas de sinais, que barra a derivação de metáforas do tipo COMPREENDER É AGARRAR, COMER e VOAR (MEIR, 2010; WILCOX, 2005; COSTA, 2015). No entanto, essas construções metafóricas são bastante produtivas em português, o que requer que o surdo desenvolva novos domínios metafóricos ao desenvolver sua L2. Já quanto às orações bitransitivas, a Libras apresenta apenas construções bitransitivas com semântica de transferência de posse com objeto alvo. Assim, construções bitransitivas com verbos de criação ou que selecionam um objeto indireto beneficiário, bastante produtivas em português, não fazem parte da gramática dessa língua. Essas construções, portanto, devem ser ensinadas ao aprendiz surdo, de modo que ele possa identificar e processar essas construções na L2.

Palavras-chave: Ensino de português para surdos; ensino de metáforas; segunda língua; construções de objeto duplo; Libras.

 

Minibiografias:

Josiane Marques da Costa: Professora no Departamento de Educação da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e é doutoranda e mestre em Linguística Aplicada pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Universidade Federal de Minas Gerais (Poslin-UFMG). É pesquisadora do NELiS – Núcleo de Estudos sobre Libras, Surdez e Bilinguismo (UFMG/CNPQ).

Guilherme Lourenço: Professor na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e é doutorando e mestre em Linguística Teórica e Descritiva pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UFMG (Poslin-UFMG). É membro pesquisador do NELiS – Núcleo de Estudos sobre Libras, Surdez e Bilinguismo (UFMG/CNPQ).


Comunicação 43

A INTERLÍNGUA DE SURDOS APRENDIZES DE PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA (L2): UMA ANÁLISE DA EXPRESSÃO SINTÁTICA DA ESTRUTURA ARGUMENTAL

Autores:

Hely César Ferreira – Universidade de Brasília – UnB – helycesar247@gmail.com

Heloisa M. M. L. A. Salles – Universidade de Brasília – UnB – heloisasalles@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem o objetivo de analisar a expressão sintática da estrutura argumental na interlíngua de surdos aprendizes do português L2 que têm LIBRAS como L1, e verificar como ocorre a aquisição dessas estruturas, tendo em vista a hipótese da interferência da L1 (LIBRAS), no desenvolvimento linguístico. O trabalho analisa textos produzidos por alunos surdos matriculados em escola bilíngue de Uberaba/MG, que adota a instrução bilíngue (português (escrito) e LIBRAS), buscando-se verificar as características dessa produção, bem como apresentar fundamento teórico para o desenvolvimento de metodologias de ensino de português como L2. Assumindo a hipótese de que aquisição de L2 é mediada pela L1, com acesso parcial à Gramática Universal (GU) (cf. White 2003), tem-se a observação de que, apesar da interferência de L1, a interlíngua não viola os princípios da GU (definidos nos termos de Chomsky 1995). Os dados da interlíngua de surdos serão analisados, verificando-se a realização dos argumentos dos verbos na posição de sujeito e de objeto, que, por hipótese, podem apresentar realização lexical ou nula. Para tanto, adotamos perspectiva transversal, com os alunos surdos divididos em dois grupos: o grupo A, do 4º e 5º ano, e o grupo B, do 8º e do 9º ano. Os resultados mostram que a interlíngua dos alunos surdos dos grupos A e B manifesta duas características: (1) a maioria das sentenças na ordem VO, V, SV, SVO, um padrão que coincide com a ordem básica de LIBRAS e do português (SVO); (2) ausência nos dados de pronomes pessoais na estrutura oracional, na posição de sujeito e de objeto. O desenvolvimento linguístico foi observado em relação ao preenchimento das posições de sujeito e de objeto no grupo B, em oposição ao uso mais amplo de estruturas com verbos isolados (no infinitivo) no grupo A.

Palavras-chave: Português como L2; argumentos; L1.

 

Minibiografias:

Hely César Ferreira: Doutorando em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB). Possui graduação em Licenciatura em Letras/Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no pólo Universidade de Brasília – UNB. Mestrado em Linguística pela Universidade de Brasília – UNB. Especialização em LIBRAS e Educação Especial pela Faculdade Eficaz de Maringá/PR. Atualmente é professor da Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM na área de Língua Brasileira de Sinais – Libras. Pesquisas na área de Libras e português-escrito como segunda língua (L2) por estudantes surdos.

Heloisa M. M. L. A. Salles: Possui graduação em Letras pela Universidade de Brasília (1985), mestrado em Linguística pela Universidade de Brasília (1991) e doutorado em Linguística pela University of Wales (1997). É professora associada da Universidade de Brasília. Atua na área de Linguística, na abordagem da Teoria Gerativa, investigando, principalmente, os seguintes temas: sintaxe de complementação e sintaxe de preposições, com ênfase em línguas românicas, germânicas, língua brasileira de sinais, aquisição de português L2, bilinguismo dos surdos.


Comunicação 44

VERBOS DE CONCORDÂNCIA EM LIBRAS E A SINTAXE DO DATIVO: UMA ANÁLISE COMPARATIVA COM O PORTUGUÊS

Autoras:

Aline Mesquita – Universidade de Brasília (UnB) – alinecrmesquita@gmail.com

Heloisa Salles – Universidade de Brasília (UnB) – hsalles@unb.br

 

Resumo:

O estudo investiga a interlíngua de surdos aprendizes de português (L2), considerando a sintaxe do dativo. Investigamos a relação entre verbos com concordância em Libras e complementos dativos no português. Verbos com concordância em Libras ocorrem com predicados com um ou dois argumentos internos, conforme (1a)/(2a):

  • CADERNO 1s-ENTREGAR-2s
  1. ‘Eu entreguei o caderno para você’.
  • 1s-AJUDAR-2s
  1. ‘Eu ajudei você’.

 

No português, os complementos desses verbos ocorrem em estruturas sintáticas distintas, com funções semânticas distintas: ‘para você’ é objeto indireto/dativo e alvo (1b) e ‘você’ é objeto direto e tema (2b). Meir (2002) propõe que a uniformidade na estrutura sintática em (1a) e (2a) indica que existe uniformidade na função semântica (alvo): costa da mão orientada para o sujeito e palma orientada para o objeto, e trajetória que parte do argumento ‘fonte’ e termina no argumento ‘alvo’. A análise baseada na uniformidade temática e sintática na realização dos complementos é criticada por Quadros; Quer (2008), em relação aos papeis temáticos envolvidos. No entanto, assumimos (parcialmente) a proposta de Meir (2002), no que se refere à hipótese de que a realização sintática dos argumentos (internos) dos verbos de concordância regular é idêntica em predicados bitransitivos e monotransitivos. Considerando essa proposta, passamos à análise da interlíngua de surdos aprendizes de português L2, tendo em vista a hipótese da interferência da L1, e do acesso parcial à GU (White 2003). Os resultados constatam grande número de estruturas convergentes nos contextos em que ocorre a correspondência concordância (Libras)/dativo (português) e menor convergência quando não há essa relação. Outros resultados indicam ausência de convergência quando a preposição é funcional em português. Assim, é possível estabelecer um correlato entre a gramática do dativo em português e a gramática dos verbos de concordância em Libras.

Palavras-chave: Libras; verbos com concordância; dativo; interlíngua; segunda língua.

 

Minibiografias:

Aline Mesquita: Doutoranda em linguística pela Universidade de Brasília (UnB). Possui mestrado em Linguística (2008) e graduação em Letras-Português (2004), ambos pela Universidade de Brasília. Atua principalmente nos seguintes temas: Libras, preposição, português como segunda língua, aquisição de linguagem e gramática gerativa.

Heloisa Salles: Possui graduação em Letras pela Universidade de Brasília (1985), mestrado em Linguística pela Universidade de Brasília (1991) e doutorado em Linguística pela University of Wales (1997). É professora associada da Universidade de Brasília. Atua na área de Linguística, na abordagem da Teoria Gerativa, investigando, principalmente, os seguintes temas: sintaxe de complementação e sintaxe de preposições, língua brasileira de sinais, aquisição de português L2, bilinguismo dos surdos.


Comunicação 45

ANÁLISE DO ARTIGO DEFINIDO NA INTERLÍNGUA DOS SURDOS COMO SUBSÍDIO PARA A ELABORAÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS PARA O ENSINO DE PORTUGUÊS-POR-ESCRITO COMO SEGUNDA LÍNGUA

Autoras:

Daniele Marcelle Grannier – Universidade de Brasília – danielemarcellegrannier@gmail.com

Janete Alves de Almeida – Universidade de Brasília – janete.alves@gmail.com

 

Resumo:

Visando a fornecer subsídios para a elaboração de materiais didáticos para o ensino de português-por-escrito a surdos com metodologia visuo-espacial, este trabalho tem por objetivo analisar a interlíngua utilizada por aprendizes surdos na sua produção de textos em português. O referencial teórico baseia-se no conceito de interlíngua de Selinker (1972) e a análise, que enfocou o uso do artigo definido, foi realizada dentro da teoria funcionalista, com um corpus constituído de relatos de surdos sinalizadores de Libras, alunos do ensino médio, entre 15 e 18 anos de idade. Os resultados da pesquisa apontam para a dominância da hipótese do artigo definido como marcador de sujeito da oração. Além disso, o uso dessa categoria nas produções dos aprendizes surdos é reforçado por dois fatores complementares: a frequência dos itens lexicais no input cotidiano dos aprendizes e a hipótese de uma única posição pré-nuclear para determinantes no sintagma nominal. Com base nesses resultados, apresenta-se uma amostra de proposta de ensino do uso do artigo definido com metodologia específica de português-por-escrito como segunda língua para surdos, que enfoca uma prática e um input rico em ocorrências de artigos (1) em sintagmas nominais com funções sintáticas diversificadas: como sujeitos, complementos e como constituintes de sintagmas preposicionados (com atenção para as contrações); (2) em determinantes complexos e (3) destacados regularmente por ocasião de apresentação de itens lexicais novos. Será apresentada uma amostra de texto e uma atividade prática indutiva que incorpora a observação dos resultados dessa análise, sem precisar, no entanto, lançar mão da explicitação de regras gramaticais.

Palavras–chaves: português como segunda língua; interlíngua; usos do artigo; surdos; produção textual.

 

Minibiografias:

Daniele Marcelle Grannier: Professora de linguística e língua portuguesa da Universidade de Brasília. Doutora em Letras pela Universidade Federal de Alagoas e Mestre pela Universidade Estadual de Campinas, atua principalmente nas áreas de fonética e fonologia de línguas naturais. Pesquisa línguas indígenas brasileiras e a língua brasileira de sinais, a Libras. Dedica-se também à linguística aplicada, atuando na formação de professores de português como segunda língua.

Janete Alves de Almeida: Mestre em Linguística e doutoranda da Universidade de Brasília, leciona português e é intérprete Libras/português na Secretaria de Educação do Distrito Federal – Brasília. Realiza pesquisas na área de aprendizagem do português do Brasil como segunda língua por surdos, tendo concluído um estudo sobre a aquisição do sistema verbal do português-por-escrito por surdos. Atualmente desenvolve um projeto sobre os aspectos morfossintáticos na produção textual dos surdos.


 Comunicação 46

A ATUAÇÃO DO INTÉRPRETE DE LÍNGUA DE SINAIS NAS ESCOLAS ESTADUAIS DE JUARA/MT, EM CONFORMIDADE COM A INSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO VIGENTE

Autoras:

Jackeline Cabral Loureiro de Almeida – Universidade do estado do Mato Grosso – UNEMAT – jackloureiro@gmail.com

Boninne Monalliza Brun Moraes – UNEMAT/Juara – boninnemonalliza@gmail.com

 

Resumo:

Na perspectiva das políticas públicas educacionais, todo e qualquer cidadão tem o direito de estudar em sala de aula regular e ter a garantia de um ensino de qualidade que satisfaça as suas necessidades de aprendizagem. Com base nisto é que os surdos no Brasil, comemoraram a criação da Lei 10.436/02 e o Decreto 5.626/05, que reconhece a Libras como uma língua e defende a presença do Intérprete de Língua de Sinais em sala de aula. Essa conquista foi muito importante para os surdos, mas o não cumprimento, faz dela uma lei desvalorizada e fadada ao fracasso. Entendemos assim, que em toda escola regular com presença de aluno surdo, deve haver o profissional tradutor e intérprete de libras. No entanto o que tem se percebido é que os alunos surdos participantes desta pesquisa na cidade de Juara, na região Amazônica, localizada ao norte do Mato Grosso – Brasil, não estão sendo acompanhados por esse profissional, consequentemente esses alunos não estão sendo alfabetizados, ou seja, não adquiriram a leitura/escrita da língua portuguesa como segunda língua. Os resultados são alarmantes com relação a não contratação do intérprete. O corpus da pesquisa expõe na compreensão dos efeitos de sentido produzidos pela vivência em sala de aula por esses alunos, a não aquisição da língua portuguesa como segunda língua, através da discursividade de professores, coordenadores, intérpretes e representantes governamental. Diante do proposto permearão as discussões nas questões teóricas, metodológicas e analíticas a Análise de Discurso da linha francesa e com base na pesquisa-ação o trabalho com a língua de sinais e a alfabetização de alunos surdos tendo como norteador do corpus, a necessidade da presença do Intérprete de Língua de Sinais (ILS), em sala de aula para o processo de alfabetização e letramentos na aquisição da língua portuguesa como segunda língua.

Palavras-chave: alfabetização na língua portuguesa; Libras; Intérprete de Língua de Sinais.

 

Minibiografia:

Jackeline Cabral Loureiro de Almeida: Licenciatura em Pedagogia pela Universidade do Estado do Mato Grosso – UNEMAT/Juara, fui professora na Universidade do Estado do Mato Grosso – UNEMAT/Juara nas áreas de Libras/Educação Especial, Intérprete de Língua de Sinais – LIBRAS – pelo Centro de Apoio a Inclusão do Surdo – CASIES/Cuiabá, Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Letras, UNEMAT/Sinop, Pesquisadora Bolsista pela CAPES, Membro do grupo de Pesquisa “Educação Científico-Tecnológica e Cidadania” certificado pelo CNPQ.

Boninne Monalliza Brun Moraes: Bacharelado em Fonoaudiologia pela UNOPAR, Universidade Norte do Paraná em 1995, especialista em Motricidade Orofacial, Padovan 1996. Pós-Graduação em Psicopedagogia – Faculdade FASIPE – ano 2006.Especializanda em Neuropsicopedagogia Educação Especial e Inclusiva e Clínica. Especialista em Processamento Auditivo Central 2016. Fonoaudióloga Clínica, coordenadora do Projeto Amamente do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, docente do grupo CENSUPEG cursos de Pós-graduação, Mestranda em Letras pela Universidade Estadual do Mato Grosso- UNEMAT.


Comunicação 47

EDUCAÇÃO BILÍNGUE DE SURDOS: DESAFIOS PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES

 

Autor:

Rúbem da Silva Soares – Universidade de São Paulo (Faculdade de Educação) – rsoares@usp.br / rsoares@maisinclusao.com.br

 

Resumo:

Neste trabalho, em nível de mestrado, investigamos a formação inicial de professores, nos cursos de licenciatura em Pedagogia e Letras em Instituição de Ensino Superior (IES), que deverão atender aos alunos surdos no contexto da educação bilíngue, onde a língua portuguesa-por-escrito (GRANNIER, 2007), ocuparia o espaço de L2. A grade curricular desses cursos oferece a disciplina de Libras, conforme Decreto n.º 5.626 (de 22/12/2005) que regulamenta a Lei 10.436 (de 24/04/2002). Essa legislação impõe a educação bilíngue para surdos, o que exige profissionais com formação específica, como o professor de português-por-escrito L2. Problematizamos quais os principais desafios na formação inicial de professores para a educação básica, onde deverão atender alunos surdos em contexto de educação bilíngue, em que o português deve transitar como L2? Foi utilizada metodologia de pesquisa bibliográfica (LUDKE; ANDRÉ, 1986). O arcabouço teórico traz autores do campo da surdez  –  que  a  discutem  como  diferença  linguística  (pressuposto  socioantropológico)  –  e  da Linguística Aplicada (que, nas línguas orais, discutem bilinguismo, educação bilíngue, português L2 e, principalmente, formação de professores para educação bilíngue). Os resultados apontaram quatro desafios: 1.Formular diretrizes para a formação inicial de professores; 2. Investir na construção de ações que trabalhem eventuais crenças do professor sobre a (in)capacidade de aprendizagem do aluno surdo. 3. Pensar instrumentos para que o professor possa desenvolver uma metodologia e materiais que venham a ser eficientes no ensino de português-por-escrito para o aluno surdo, como aponta Grannier (2007); e 4. Trabalhar com esse futuro professor conhecimentos linguísticos suficientes, possibilitando a sua reflexão sobre o estatuto da Libras. Concluímos que, além da inserção da disciplina de Libras, não localizamos ações abrangentes das IES para formar professores de português L2, visando atender alunos surdos em contexto de educação bilíngue.

Palavras-chave: Educação bilíngue; Surdos; Formação de professores; Português-por-escrito L2.

 

Minibiografia:

Rúbem da Silva Soares, Doutorando e Mestre em Educação pelo Programa de Pós- Graduação em Educação da Faculdade de Educação da USP (bolsista CNPq). Psicólogo  e  licenciado  em  psicologia.  Trabalhou  com  formação  continuada  de professores (estado e municipio de São Paulo). É coordenador de intérpretes de Libras na educação, docente no ensino superior em cursos de licenciatura, diretor executivo da Revista D+, voltada para o público de pessoas com deficiência.


 Comunicação 48

CURSO DE PEDAGOGIA BILÍNGUE: A CONCRETIZAÇÃO DAS POLÍTICAS E PRÁTICAS DA EDUCAÇÃO PARA SURDOS

Autores:

Aleir Ferraz Tenório – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás/Brasil –  aleirtenorio@gmail.com

Diego Leonardo Pereira Vaz – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás/Brasil – profdileolibras@gmail.com

Waléria Batista da Silva Vaz Mendes – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás/Brasil – prof.waleriavaz@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste é apresentar uma experiência de trabalho que acontece no âmbito do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás/Brasil. Trata-se da oferta do curso de Graduação denominado Licenciatura em Pedagogia Bilíngue: Líbras/Português que desde o ano de 2013 tem sido ofertado no Campus Aparecida de Goiânia destinando trinta por cento de suas vagas a alunos surdos conforme Decreto nº 5.626/2005. Tal proposta se insere no âmbito de importantes iniciativas que, desde 2006, tem sido implementadas no Brasil para dar conta da demanda de formação de pessoas para trabalharem  com  alunos com deficiência auditiva.  O curso  busca  oferecer  a  formação  do  professor  bilíngue,  que  ao  final  de  sua graduação  esteja  preparado  para  atual  com  a  educação  de  alunos  surdos  e ouvintes, atendendo a todos em sua primeira língua e com metodologias de ensino eficazes para essa língua. A proposta é apresentar o relato desta experiência cuja fundamentação teórica principal é Vigotsky com a sua Psicologia Histórico-Cultural. Fundamentação esta que nos motiva ao estudo do Bilinguismo como filosofia capaz (re)significar o processo educacional do surdo. Os resultados com os quais temos nos deparado ao longo de três anos de atuação é o de que estamos no caminho certo  que  é  o  de  pensar  e  fazer  uma  educação  escolar  que  contribua  para  o processo de desenvolvimento humano. Desenvolvimento este que se torna condição fundamental para a afirmação identitária de todos os sujeitos atendidos.

Palavras-chave: Educação; Políticas Públicas; Educação Bilíngue; Bilinguismo.

 

Minibiografias:

Aleir Ferraz Tenório: Docente da área de Educação no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Goiás. Doutoranda em Educação na Universidade Estadual de Maringá e Mestre em Educação pela mesma Universidade. Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Goiás (1987) e em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2000). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: Educação, Processo de Ensino e Aprendizagem, Inclusão Social, Formação Humana e Políticas Públicas em Educação.

Diego Leonardo Pereira Vaz: Possui graduação em Letras Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) (2010), pós – graduado em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Brasileira de Educação e Cultura (FABEC) (2013) e pós – graduado em LIBRAS – Formação  de  Recursos  Humanos  para  o  Atendimento  Inclusivo  pela  Faculdade Delta (2012-2013). Trabalha como professor de Libras no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFG-GO).

Waléria Batista da Silva Vaz Mendes: Possui graduação em Letras Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina (2010) e graduação em Pedagogia pela Universidade Federal de Goiás (2001). É mestre  em  Educação  pela  PUC-Goiás  e  está  em  fase  de  doutoramento  em Educação   pelo   Programa   de   Pós-graduação   da   PUC-Goiás.   Atualmente   é professora do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia e Educação de Goiás. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Métodos e Técnicas de Ensino, atuando principalmente nos seguintes temas: surdez, língua de sinais, comunicação, cultura, fracasso escolar, educação, IES, aprendizagem, inclusão e Ead.


 Comunicação 49

EDUCAÇÃO DE SURDOS E SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

Autor:

Falk Soares Ramos Moreira, -Universidade de Brasília –UnB – falklibras@gmail.com

 

Resumo:

Esta pesquisa tem como foco principal investigar as percepções de docentes surdos que atuam na educação superior em relação às políticas de educação inclusiva voltadas para os surdos no Brasil desde a Lei 10.436/2002. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com base na metodologia da História de Vida, que procura dar voz e visão a um determinado grupo ou minoria social. Os dados foram coletados por meio da entrevista semiestruturada e analisados por meio da análise de conteúdo de Bardin. A pesquisa contou com a participação de cinco professores surdos que atuam em Instituições de Educação Superior do Distrito Federal e ministram a disciplina de Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. Os resultados indicaram que os docentes surdos que atuam na docência da educação superior trazem uma História de Vida marcada por obstáculos, mas também por luta, organização coletiva e superação. O estudo evidencia o engajamento dos surdos na reivindicação para que a língua de sinais passasse a ser aceita como a forma de instrução e comunicação dos surdos em todos os níveis e modalidades de ensino no Brasil. Os dados apontam as dificuldades nas condições de trabalho dos docentes surdos da educação superior uma vez que as políticas de inclusão, tanto das instituições da qual fazem parte como do Estado brasileiro, ainda são limitadas e incipientes para esse grupo de profissionais. Por outro lado, o estudo também destaca a história de cidadãos surdos que superaram preconceitos e desafios educacionais e sociais e que hoje usam seu conhecimento e sua posição como docentes para influenciar as políticas de inclusão para os surdos. As constatações apontam para a necessidade de tanto a academia como as agências de fomento do Estado e as associações nacionais de pesquisa incluírem os docentes surdos em suas agendas de discussão e núcleos de tomadas de decisão.

Palavras–chave: Docentes surdos; Políticas de inclusão; Educação superior; História de vida.

 

Minibiografia:

Falk Soares Ramos Moreira: Mestre em Educação pela Universidade Católica de Brasília e especialista em Docência no Ensino Superior pelo Faculdade Albert Einstein – FALBE (2010), graduado em Pedagogia pelo Centro Universitário de Brasília – UniCEUB (2006), graduado em Letras / Libras pólo UnB distância UFSC (2010) e autorizado pelo MEC a ministrar aulas de Libras através de uma certificação especial chamada PROLIBRAS. Atualmente sou Professor da IFB – Instituto Federal de Brasília, no ensino de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e doutorando na Universidade de Brasília – UnB em Linguística, na linha de pesquisa de Lexicologia e Terminologia.


Comunicação 50

EXPRESSÃO LINGUÍSTICA E REGISTRO ESCRITO DE SURDOCEGOS TOTAIS E PARCIAIS

Autoras:

Fatima Ali Abdalah Abdel Cader-Nascimento – Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), Brasília, Brasil – pabdalah@bol.com.br / cader.nascimento@udf.edu.br

Enilde Faulstich – Universidade de Brasília (UnB) – enildef@uol.com.br

 

Resumo:

A natureza e a extensão do termo surdocegueira envolve a descrição e a combinação das distintas variações nos graus de surdez, assim como do comprometimento visual, e ambos conduzem a comportamentos e desempenhos linguísticos diferenciados. A alteração no processo de aprendizagem dos signos linguísticos e da estrutura conceitual que permeiam as interações sociais altera o curso do desenvolvimento. Ao considerar que a linguagem é o substrato do pensamento, a surdocegueira altera a recepção de informação pelos sentidos distais, por consequência, altera o processamento, o armazenamento e a recuperação das informações. Assim, o objetivo deste trabalho é relacionar a expressão linguística ao registro escrito de surdocegos totais e parciais, usuários da língua de sinais háptica ou de outros sistemas linguísticos de recepção e expressão. Discutimos as possibilidades de expressão linguística segundo a condição sensorial de surdocegos na relação com a produção textual. O corpus de análise é uma seleção de cinco trechos de textos produzidos por surdocegos. A metodologia seguiu os procedimentos: i) descrição, de modo breve, das possibilidades de expressão linguística dos surdocegos, segundo o perfil sensorial e linguístico; e ii) descrição da forma de expressão linguística, com trechos comentados de textos produzidos por surdocegos. Os resultados evidenciaram a importância do contato de surdocegos com textos escritos no código braille ou no sistema ampliado, o que viabiliza a aprendizagem acidental de estruturas textuais e a ampliação do vocabulário. Percebemos que a falta do contato direto com o texto altera o padrão de acesso à língua portuguesa na modalidade escrita. Os dados mostraram a interferência da expressão linguística no registro escrito, sendo que o texto de surdocegos, usuários de língua de sinais, aproxima-se da produção escrita de surdos. Concluímos que, independentemente da condição sensorial e linguística dos surdocegos, todos demandam atendimento complementar em português como segunda língua.

Palavras-chave: Surdocegueira; Signo linguístico; Português escrito como segunda língua; Libras háptica.

 

Minibiografias:

Fatima Ali Abdalah Abdel: Doutora em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar-SP). Atualmente é professora da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) e professora titular do Centro Universitário Do Distrito Federal (UDF). Pesquisadora na área de Educação Especial, Educação Bilíngue para Surdos e Surdocegos e Letramento/Ensino de português como segunda língua para surdocegos. Estudos enfatizam os procedimentos de apropriação do conhecimento em condições especificas de aprendizagem e desenvolvimento.

Enilde Faulstich: Pós-doutorado (Pós-doc) em Linguística e Políticas Linguísticas pela Université Laval de Québec, Canadá (1993-94), com bolsa da CAPES. Professora Associada da Universidade de Brasília (UnB). Pesquisadora na área de Linguística e Língua Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: Língua Portuguesa como L1 e L2, Terminologia, Lexicografia, Lexicologia, Crítica de dicionários, Política linguística e Língua de Sinais Brasileira – LIBRAS no contraste com o Português (L2). É coordenadora do Centro de Estudos Lexicais e Terminológicos – UnB.


Comunicação 51

PORTUGUÊS ESCRITO COMO SEGUNDA LÍNGUA NA INCLUSÃO DE SURDOCEGO

 

Autoras:

Regina Maria da Rocha Faria – bolsista do Programa de Iniciação Cientifica do Centro Universitário do Distrito Federal – UDF – reginanifaria@gmail.com

Fatima Ali Abdalah Abdel CADER-NASCIMENTO – Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), Brasília, Brasil – pabdalah@bol.com.br / cader.nascimento@udf.edu.br

 

Resumo:

O desafio no trabalho com surdocegos congênitos, pré-linguísticos consiste no ensino e aprendizagem de um sistema linguístico, na modalidade háptica. A exposição do surdocego a um ambiente rico em língua de sinais adaptada viabiliza o input das informações. Diante deste contexto, o objetivo da pesquisa consistiu em conhecer os processos de interação social de uma estudante surdocega, congênita, pré-linguística, usuária de libras háptica no contexto da inclusão. Participaram do estudo uma surdocega, surdez profunda bilateral e cegueira, com 24 anos, matriculada no ensino médio, a mãe e duas professoras, uma do ensino regular e a outra especializada em guia-interpretação. Foram utilizados: roteiro de observação e entrevistas semiestruturadas. Os dados evidenciaram que a estudante utiliza libras háptica como linguagem receptiva, estabelecendo contato intenso com a guia-intérprete e com a mãe, são raros os momentos em que estabelece contato com surdos. O fato da estudante dominar o português na modalidade escrita em alto relevo e no código braille, Libras háptica, desenhos em alto relevo e escrita na palma da mão viabilizou as condições necessárias ao desenvolvimento cognitivo, social e afetivo. Para a mãe, a guia intérprete e a aluna a escola não viabilizou a inclusão social. Para a professora regente a presença da surdocega na sala regular é fundamental para todos, inclusive para ela enquanto professora. Os dados denunciaram que o limite da inclusão, no caso da participante, é a modalidade linguística (Libras e Braille) ser distinta dos colegas. No entanto, constatamos a importância do outro, da Libras Háptica, do português escrito no código braille e na palma da mão, a presença do guia-intérprete no processo de superação dos desafios impostos pela surdocegueira. O uso do telefone celular com teclado físico e da linha braille só foram possíveis serem utilizados em função do domínio do português como segunda língua.

Palavras-chave: Surdocegueira;. Signo linguístico; Português como segunda língua; Inclusão social. Tecnologia assistiva;  Libras háptica.

 

Minibiografias:

Regina Maria da Rocha Faria: Estudante do curso de psicologia do Centro Universitário do Distrito Federal – UDF. Bolsista de iniciação cientifica do programa de incentivo a pesquisa do UDF. Possui participação em congressos de iniciação cientifica em âmbito local e regional. Possui publicação na área de surdocegueira e os desafios impostos na aprendizagem de um sistema de comunicação e as implicações da presença ou ausência de linguagem no desenvolvimento das funções mentais superiores.

Fatima Ali Abdalah Abdel: Doutora em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar-SP). Atualmente é professora da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) e professora titular do Centro Universitário Do Distrito Federal (UDF). Pesquisadora na área de Educação Especial, Educação Bilíngue para Surdos e Surdocegos e Letramento/Ensino de português como segunda língua para surdocegos. Estudos enfatizam os procedimentos de apropriação do conhecimento em condições especificas de aprendizagem e desenvolvimento.


 Comunicação 52

INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA EM TIMOR LESTE: DISCURSOS E CONTEXTOS

Autoras:

Susana Silva Carvalho – Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação – EAPE/SEE-DF susana.eape@gmail.com

Márcia V. Cavalcante – Universidade de São Paulo – FEUSP- marciacalva@gmail.com

 

Resumo:

Timor Leste, país localizado no sudeste asiático, conquistou a independência em 2002, depois de 24 anos de ocupação Indonésia. Atualmente enfrenta sérios desafios na Educação, decorrente do desmonte ocasionado pelos diversos conflitos nos diferentes períodos histórico-políticos vivenciados.  Um dos desafios está relacionado com a questão da inclusão educacional e social de pessoas com deficiência, tendo em vista as perspectivas culturais e religiosas do país. Em determinados contextos timorense as deficiências estão intrinsecamente relacionadas a  crenças de maldição e punição no núcleo familiar. Este trabalho pretende, portanto, analisar o contexto inclusivo das pessoas com deficiência, considerando aspectos históricos-culturais e compreender as relações entre educação especializada e o significado de deficiência, como também relacionar a educação e inclusão nos discursos  de profissionais, familiares e pessoas com deficiências envolvidos em processos inclusivos sociais e educacionais em contextos multilingues.  Tendo como aporte teórico a psicanálise e suas relações com a educação, além de outros estudos sobre deficiência e inclusão. A metodologia adotada para este estudo é a pesquisa bibliográfica e documental, tendo também contribuições de entrevistas e questionários.

Palavras-chave:  Discurso; Educação Inclusiva; Psicanálise; Timor-Leste.

 

Minibiografias:

Susana Silva Carvalho: Pedagoga e Mestre em Educação. Professora na Secretária de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), no Programa de Reabilitação Funcional no Centro de Ensino de Especial de Deficientes Visuais. Bolsista (CAPES) no Programa de Qualificação Docente e Ensino de Língua Portuguesa em Timor Leste, atuando na articulação pedagógica do programa e também na formação inicial e continuada de professores e em Centro de Reabilitação, 2013-2015. Atualmente é professora no Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação – EAPE em Brasília – DF, atuando em cursos de formação continuada para professores nas áreas de deficiência visual e Transtorno do Espectro Autista.

Márcia V. Cavalcante: Doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo- USP, Mestre em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo (2013). Participou como professora cooperante do Programa de Qualificação de Docentes e Ensino de Língua Portuguesa em Timor-Leste- PQLP/CAPES, durante os anos de 2007 a 2010 e de 2013 a fevereiro de 2015. Atuou na formação de professores da Educação Básica de Timor-Leste e no Departamento de Língua Portuguesa da Faculdade de Educação, Artes e Humanidades (FEAH) da Universidade Nacional Timor Lorosa’e. É professora da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco e atua também na área de Letras e formação de professores de Ensino Básico.


Póster 1

VIRTUAL SIGN: UM INSTRUMENTO DE COMUNICAÇÃO EM TECNOLOGIA ASSISTIVA PARA PESSOAS SURDAS

Autores:

Paula Maria Escudeiro – Instituto politécnico do Porto/Portugal – pmo@isep.ipp.pt

Thiago Cardoso Aguiar – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás/Brasil – thiago.aguiar@ifg.edu.br

Waléria Batista da Silva Vaz Mendes – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás/Brasil – waleria.mendes@ifg.edu.br

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo apresentar a ferramenta VirtualSign Studio (VSS) que  é  o  resultado  da  pesquisa  realizada  pelo  Grupo  de  Pesquisa  Graphics, Interaction and Learning Technologies – GILT, um tradutor em tempo real e bidirecional (Língua de Sinais – Língua Portuguesa escrita & Língua Portuguesa escrita – Língua de Sinais), tem como objetivo desenvolver atividades técnico- científicas na área de inclusão inteligente, de comunicação com surdos e ampliar as condições   para   maior   inclusão   social   de   surdos.   Trata-se   de   um   projeto desenvolvido em parceria entre o Instituto Politécnico do Porto\Portugal – IPP e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás\Brasil – IFG. Uma das principais preocupações da sociedade moderna está em promover a igualdade de oportunidades para todos e a inclusão social é um dos principais tópicos na agenda do Ensino Superior. Como tecnologia assistiva na área da inclusão de pessoas surdas   a   ferramenta   VS   poderá   promover   melhoria   da   possibilidade   de aprendizagem do aluno surdo em seu processo educacional. VSS é um tradutor bidirecional  em  tempo  real  que  tem  como  objetivo  melhorar  a  inclusão  da comunidade surda em qualquer país. Com todas essas características o projeto visa reduzir a lacuna na comunicação entre surdos e ouvintes. Para além desse objetivo, a ferramenta também pode ser usada como item de apoio automático aos tradutores de Línguas de Sinais.

Palavras-chave: Educação; Tecnologia Assistiva; Processo de Aprendizagem; Língua de Sinais.

 

Minibiografias:

Paula Maria Escudeiro: Professor   Adjunto   do   Departamento   de   Engenharia   Informática   do   Instituto Politécnico de Porto. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Graphics, Interaction and Learning Technologies – GILT.

Thiago Cardoso Aguiar: Possui graduação em Ciência da Computação pela Universidade Católica de Goiás (2003), graduação em Letras Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina (2012), mestre pelo Programa de Pós Graduação em Linguística da UFG (2013) e especialista em Metodologia do Ensino Fundamental pela UFG (2007). Atualmente é professor efetivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás.

Waléria Batista da Silva Vaz Mendes: Possui graduação em Letras Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina (2010) e graduação em Pedagogia pela Universidade Federal de Goiás (2001). É mestre  em  Educação  pela  PUC-Goiás  e  está  em  fase  de  doutoramento  em Educação   pelo   Programa   de   Pós-graduação   da   PUC-Goiás.   Atualmente   é professora do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia e Educação de Goiás.