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Simpósio 22

SIMPÓSIO 22 – O ENSINO DA CULTURA E DA LITERATURA EM PLE

 

Coordenadora:

Lola Geraldes Xavier | Instituto Politécnico de Macau / Instituto Politécnico de Coimbra | lolagrafias@gmail.com

 

Resumo:

Pretende-se com este Simpósio apresentar-se perspetivas sobre o ensino das Literaturas e das Culturas de língua portuguesa na aula de Português Língua Estrangeira (ou de Português Língua Não Materna). Nesse sentido, espera poder vir a debater-se:

  1. o papel da leitura de textos literários na aula de Português Língua Estrangeira;
  2. a relação entre ensino da língua e ensino da cultura;
  3. o papel das emoções na aprendizagem da cultura e literatura em língua estrangeira;
  4. a importância da leitura inferencial: casos práticos;
  5. algumas propostas didáticas: textos literários e contextos culturais de países em língua portuguesa no ensino do PLE.

Palavras-chave: Literaturas, culturas, leitura, lusofonia, Português Língua Estrangeira.

 

Minibiografia:

Lola Geraldes Xavier tem pós-doutoramento, pela Universidade de Coimbra, e é doutorada em Literatura pela Universidade de Aveiro. Co-organizou e publicou vários livros e dezenas de artigos. Apresentou igualmente dezenas de comunicações em Congressos Internacionais. Como docente na Escola Superior de Educação de Coimbra, foi diretora do curso de Educação Básica. Atualmente é docente no Instituto Politécnico de Macau.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

As adaptações literárias no ensino de Português língua estrangeira

Autoras:

Ana Maria Machado — Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra  – anamacha@fl.uc.pt

Anabela Fernandes – Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra  –  anabelasf@fl.uc.pt

 

Resumo:

O projeto “Literatura no ensino de Português língua estrangeira” (LEPLE) estuda o lugar da literatura no nível inicial do ensino de Português língua estrangeira e foi pensado a partir da condição dos seus colaboradores enquanto professores portugueses de Português Língua Estrangeira e de Literaturas de Língua Portuguesa com língua estrangeira. Neste sentido, a par da seleção de textos literários adequados aos níveis de iniciação e elementar (A1 e A2, respetivamente) do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas, o projeto trabalha também no resumo simplificado de contos ou novelas que, quer por razões patrimoniais, quer por manifesta interculturalidade, são relevantes no contexto do ensino do Português língua estrangeira.

Operando nos níveis A1 e A2, o processo de retextualização não se pode limitar à adaptação literária, pelo que, para o resumo simplificado, se tomaram, como referência, os critérios do graded reading de longa tradição no espaço anglófono e os das escassas adaptações já feitas em Portugal.

Face à exiguidade de material literário retextualizado no ensino de Português de nível A1 e A2, parece relevante partilhar e discutir a experiência que se adquiriiu com o resumo simplificado da novela O Senhor Ventura, de Miguel Torga (1943/1985). Com este ponto de partida, pretende-se elaborar uma reflexão a partir das resistências múltiplas que o texto original revelou, v.g. ao nível da extensão da frase, dos tempos verbais, do léxico, das referências culturais e históricas, do número de palavras novas a manter, das redundâncias a assegurar e, simultaneamente, das razões que orientaram as soluções encontradas.

Palavras-chave: ensino de português língua estrangeira; retextualização; resumo simplificado.

 

Minibiografias:

Ana Maria Machado é Professora na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e membro do Centro de Literatura Portuguesa da mesma universidade. Leciona Língua, Cultura e Literatura Portuguesas na licenciatura, mestrado e doutoramento e também nos cursos de Português para estrangeiro. Tem publicado ensaios no âmbito da literatura medieval, do ensino da literatura, das materialidades da literatura e do Português língua estrangeira.

Anabela Fernandes é Professora Auxiliar convidada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Tem lecionado nos cursos de Português para Estrangeiros, bem como no Mestrado em Ensino. A sua investigação tem-se centrado no ensino-aprendizagem de Português Língua Não Materna, a competência lexical e a interação intercultural, a materialização da mediação linguística e cultural, bem como na metodologia de investigação educacional.


Comunicação 2

Integração da cultura lusófona na aula de PLE: estudo de caso no nível A1.2

Autores:

Gioia Consorti – Università degli Studi Gabriele d’Annunzio di Pescara – gioiacons@gmail.com

Ângela Carvalho – Faculdade de Letras da Universidade do Porto – accarvalho@letras.up.pt

 

Resumo:

A língua por meio da qual comunicamos é o instrumento que nos permite relacionar com os outros, exteriorizar as nossas ideias e partilhar o conhecimento do mundo que nos rodeia. Por outras palavras, é através do diálogo que os homens evoluem como povo e espécie, pois a linguagem permite a integração de conteúdos de outros falantes, apesar de o fazerem noutras línguas, noutras culturas, ou noutras normas. Quando o indivíduo entra em contacto com outra língua, ou a estuda, é fundamental que o faça respeitando dois eixos interligados: desenvolver a competência comunicativa e linguística e aprofundar os conhecimentos relativos ao universo cultural onde a língua-alvo está inserida.

A presente comunicação nasce desta reflexão e procura estabelecer e partilhar metodologias, benefícios e resultados da integração de aspetos de cultura lusófona no ensino do Português Língua Estrangeira (PLE), já a partir do nível inicial. Aspira-se compreender se e como é possível a integração da cultura lusófona abrangendo tópicos que não possuam unicamente um centro “luso”. Em particular, pretende-se aprofundar os conhecimentos relativos às divergentes linhas de pensamento que geram os conceitos de Cultura e Lusofonia, cuja ambiguidade se transfere indiscutivelmente para a aula de PLE. Observou-se que os discentes se demostram interessados e curiosos relativamente à aquisição de tópicos culturais que unem e separam os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Por outras palavras, acreditamos que é possível planificar e executar atividades que integram aspetos culturais lusófonos contextualizados e articulados com outras que visavam desenvolver nos aprendentes competências gerais e comunicativas em língua. Analisando causas e efeitos da integração de aspetos de cultura lusófona na aula de PLE e apresentando os resultados e os materiais utilizados, o trabalho realizado pode ser entendido como uma prova da vantagem que esta matéria traz ao processo de aprendizagem da língua portuguesa.

Palavras-chave: Lusofonia; Cultura; Cultura lusófona; Comunidade dos Países de Língua Portuguesa; Ensino-aprendizagem de Português Língua Estrangeira.

 

Minibiografias:

Gioia Consorti nasce em Pescara (Itália) em 1991. Começa os estudos no ȃmbito das línguas estrangeiras já desde o ensino secundário, frequentando o Liceo Linguistico G. Marconi de Pescara. Continua os estudos em Línguas e Literaturas Estrangeiras na Università degli Studi G. d’Annunzio da sua cidade, que conlcui em 2013. Obtém o grau de mestre em Portugal, em 2016, após completar o Mestrado em Português Língua Segunda/ Língua Estrangeira na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Ângela Carvalho nasce no Porto em 1980. Licencia-se em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e Franceses (2013), completa o mestrado em Ensino de Português Língua Segunda/Língua Estrangeira (2009) e doutora-se em Didática de Línguas (2014) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP). Tem vindo a lecionar Português Língua Estrangeira (PLE) e a colaborar na formação de professores de PLE. Desde outubro de 2015 é Professora Auxiliar na FLUP.


Comunicação 3

Tuiteratura em língua portuguesa: ensinar literatura em âmbito PLE através de Twitter e Storify

 

Autora:

Iolanda Ogando – Universidad de Extremadura – iolanda@unex.es

 

Resumo:

É sabido que, a partir do surgimento dos meios de comunicação de massa e vários tipos de espetáculos de carácter multitudinário (com especial relevância do futebol), a literatura tem perdido muita relevância como discurso configurador da cultura nacional e, portanto, como foco de interesse da sociedade em geral e dos estudos humanísticos em particular. Esta situação resulta ainda mais visível em âmbitos de ensino das LE onde, nível geral, os/as estudantes consideram que a literatura não resulta útil para a sua futura inserção laboral, facto que, somado à distância e/ou desconhecimento da sua própria literatura nacional, provoca um desinteresse geral por esta disciplina.

Neste estado de coisas, os/as docentes de Português como Língua Estrangeira vemo-nos obrigados a procurar e desenvolver novas estratégias para aproximar os estudantes da rica literatura escrita nesta língua, seja com novas perspectivas sobre o discurso literário, seja com a introdução de novas ferramentas ligadas às TIC, que ajudem não apenas a adaptar o discurso escrito a esta nova realidade, mas também a lhe dar mais visibilidade e a pôr em destaque a sua rendibilidade social e cultural.

Tendo isto em consideração, com este trabalho queremos apresentar as experiências com a introdução de duas redes sociais, Twitter e Storify, em duas disciplinas da licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas (Português) da Universidad de Extremadura (Espanha). Com os resultados obtidos queremos mostrar a utilidade deste tipo de atividades como ferramenta para favorecer a literacia a nível escrito, cultural e digital, para atrair os alunos para a prática da leitura e o conhecimento das literaturas em língua portuguesa e, finalmente, para demonstrar a rentabilidade da literatura em âmbito de ensino PLE.

Palavras-chave: didáctica da literatura; tuiteratura; literatura PLE; Twitter; Storify.

 

Minibiografia:

Iolanda Ogando González é professora contratada doutorada da Universidad de Extremadura (Espanha), desenvolvendo a sua docência na área dos Estudos Portugueses. A sua investigação centra-se nas práticas docentes das Literaturas e Culturas em língua portuguesa, com especial atenção à configuração e difusão nacional das mesmas através de estereótipos, marcos e lugares comuns e, por outro lado, às TIC na didática dos Ambientes Pessoais de Aprendizagem (âmbito em que já tem publicado alguns trabalhos sobre mapas conceptuais ou Twitter, e dentro do qual desenvolve as diversas atividades que aparecem no site http://www.iberistics.com).


Comunicação 4

Ensinando Literatura Brasileira em PLE: Experiência do ensino de Machado de Assis no CCB Tel Aviv

Autoras:

Márcia Pileggi Vinha – Centro Cultural Brasileiro em Tel Aviv/Universidade Hebraica de Jerusalém – marciavinha@hotmail.com

Raquel Teles Yehezkel – Centro Cultural Brasileiro em Tel Aviv – ccbtelaviv@gmail.com

 

Resumo:

A partir de recomendações do Ministério das Relações Exteriores para a divulgação de Machado de Assis nos Centros Culturais Brasileiros, que têm como função o ensino da língua e cultura brasileira, o CCB Tel Aviv escolheu a Literatura de Machado de Assis como tema complementar às aulas, durante um semestre, em todos os níves de ensino de PLE. Este trabalho constitui-se num relato dessa experiência e objetiva descrever suas etapas e discutir as formas de abordar textos literários no ensino de PLE. Metodologicamente, o projeto constituiu-se em três etapas: aproximação, aprofundamento e produção escrita. Para despertar o interesse inicial dos alunos, os mesmos pesquisaram sobre a biografia do autor e foram realizadas a exibição de  filme e uma palestra em hebraico sobre a obra de Machado. A essa primeira parte seguiu-se a leitura de frases célebres de Machado e contos traduzidos para o hebraico, levantando aspectos como contexto histórico e social e traços do estilo do escritor. A fase de aprofundamento se deu a partir da leitura em português de contos escolhidos para iniciantes e para turmas avançadas, ampliando a discussão à realidade dos alunos; por fim, a produção escrita com a elaboração de um texto dentro do tema “Recontando Machado”. Ao final do projeto, realizou-se uma noite festiva sobre Machado com exposição de trechos das redações. A abordagem em sala baseou-se em teóricos como Compagnon (2009), Todorov (2010), Takahashi (2008)  e Gomes (2010). Como resultado, observou-se que apesar da complexidade dos textos ter sido a princípio um fator de desmotivação para alguns alunos, ao final, todos se mostraram incentivados pelas aquisições tanto em estruturas gramaticais relevantes como na apropriação de elementos culturais brasileiros. Do ponto de vista docente, esse desafio resultou em fortalecimento dos recursos didáticos e da convicção da necessidade de respeitar o tempo de assimilação dos alunos.

Palavras-chave: português como língua estrangeira; literatura em PLE; atividades de compreensão; ensino de cultura; relato de experiência.

 

Minibiografias:

Márcia Pileggi Vinha é professora de PLE do Centro Cultural Brasileiro da Embaixada do Brasil em Tel Aviv. É tradutora de russo – português e doutoranda em Literatura Russa na Universidade Hebraica de Jerusalém. É mestre em Literatura Russa pela Universidade de São Paulo e graduada em Letras pela mesma instituição.

Raquel Teles Yehezkel é diretora do Centro Cultural Brasileiro da Embaixada do Brasil em Tel Aviv. É graduada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – Brasil e pesquisadora do Núcleo de Estudos Judaicos da UFMG. Atua na área de ensino de PLE e cultura brasileira.


Comunicação 5

Um lugar para o texto literário na aula de PLE

Autora:

Maria Micaela Dias Pereira Ramon Moreira – Universidade do Minho – micaelar@ilch.uminho.pt

 

Resumo:

O texto literário tem vindo a readquirir maior importância no âmbito das atuais tendências metodológicas para o ensino das línguas estrangeiras, mormente de PLE, as quais se distanciam hoje do reducionismo funcionalista e comunicacional de algumas abordagens linguísticas e didáticas do passado. Reconhece-se agora que a linguagem literária também é língua em ação, rejeitando-se em consequência uma aproximação ao binómio língua/literatura assente numa lógica maniqueísta que oponha a “língua com função utilitária” à “língua com função estética”. Pelo contrário, os textos literários afiguram-se como instrumentos de aprendizagem de língua-cultura particularmente produtivos, porquanto configuram usos da língua que podem mimetizar todas as suas variantes (diacrónicas, diatópicas e diafásicas) ao mesmo tempo que transportam consigo representações sociais e modelos culturais próprios das comunidades linguísticas que os produzem. Cumulativamente, a literatura caracteriza-se ainda pela sua universalidade e transversalidade o que, em contexto didático de aprendizagem de línguas estrangeiras, pode ser extremamente estimulante para o desenvolvimento de atitudes interculturais.

Tendo em conta este enquadramento, são propósitos desta comunicação 1) refletir criticamente sobre o lugar do texto literário em contextos de formação de PLE, pondo em destaque os benefícios e os obstáculos que tal tipo de textos pressupõe e 2) apresentar propostas práticas de exploração de textos literários como forma de desenvolver as competências de leitura, lexicais e interculturais dos estudantes de PLE.

Palavras-chave: Texto literário; ensino-aprendizagem de PLE; competência de leitura; competência lexical; competência intercultural.

 

Minibiografia:

Maria Micaela Dias Pereira Ramon Moreira é Professora Auxiliar do DEPL – ILCH, U. Minho. Leciona Literatura Portuguesa e Português como Língua Estrangeira em cursos de graduação e pós-graduação. Licenciada em ensino de Português–Francês, mestre em ensino da Língua e da Literatura Portuguesas e doutorada em Literatura Portuguesa. Membro da direção do Mestrado em Português Língua Não Materna e diretora-adjunta do Centro de Estudos Humanísticos. Autora de várias publicações, nacionais e internacionais.


Comunicação 6

O ensino de Português Língua Estrangeira (PLE) a estrangeiros: Gramática, Literatura e Cultura

 

Autoras:

Rosangela Sanches da Silveira Gileno – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Araraquara) – rosangela@fclar.unesp.br

Nildicéia Aparecida ROCHA (UNESP – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Araraquara) – nildirocha@fclar.unesp.br

 

Resumo:

No sentido de aliar pesquisa, ensino e extensão, a presente pesquisa visa oportunizar reflexões e discussões sobre experiências de ensino durante aulas do curso de extensão Português Língua Estrangeira (PLE), ministradas semestralmente no Centro de Línguas da Faculdade de Ciências e Letras CEL/FCLAr, UNESP, campus de Araraquara, São Paulo, Brasil, a estrangeiros falantes de outras línguas e a luso-falantes de outros países. Nesta comunicação, pretende-se apresentar os resultados de diferentes experiências didáticas envolvendo turmas de níveis variados (do básico ao avançado) em aulas de PLE que abordam conteúdos gramático-textuais e práticas linguístico-discursivas nos eixos da Gramática, Literatura e Cultura. O objetivo de tais aulas e, de modo geral, do programa de ensino do curso de PLE para estrangeiros, é desenvolver no aprendiz a competência intercultural, ou seja, a competência para conhecer as diferenças entre a sua cultura e a cultura do outro e lidar de forma compreensiva com os costumes do outro (ROZENFELD; VIANA, 2011), motivando uma atitude de reflexão e autonomia frente à diversidade intercultural. Nesse sentido, pode-se dizer que competências interculturais são habilidades para sustentar comunicação com o outro, partindo de sistemas de referências diferentes dos nossos, de modo que esse processo busca levar o indivíduo a uma análise crítica de sua própria língua e cultura, da concepção de alteridade e das semelhanças e diferenças entre as nações (MOTTA ROTH, 2003). Em várias aulas, com o objetivo específico de desenvolver no estrangeiro habilidades linguístico-comunicativas e culturais em PLE, foram trabalhadas atividades focadas na gramática e na leitura e escuta de textos literários, muitas vezes por meio de áudio-livros. Pôde-se verificar que a leitura e escuta de textos literários facilitou o desenvolvimento de habilidades de compreensão e produção discursivo-comunicativa ao longo do curso.

Palavras-chave: Português Língua Estrangeira; Gramática; Literatura; Cultura, Competência intercultural.

 

Minibiografias:

Rosangela Sanches da Silveira Gileno é Pós-doutora em Formação de Professores de Língua Estrangeira. Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Unesp. Professora do Departamento de Didática da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, Araraquara (SP). Vice-líder do Grupo de Pesquisa em Ensino e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras (GPEALE) e líder do Grupo de Estudo e Pesquisa sobre Formação de Professores de Línguas. Atua na área de Educação e da Linguística Aplicada, na Prática de Ensino de Língua Materna e Estrangeira.

Nildicéia Aparecida Rocha é Pós-doutora em Ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras. Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Unesp. Professora do Departamento de Letras Modernas e da Pós-graduação em Línguística e Língua Portuguesa da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, Araraquara (SP). Líder do Grupo de Pesquisa em Ensino e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras (GPEALE). Atua nas áreas de Análise de Discurso, Linguística Aplicada e Ensino e Aprendizagem de LE, especialmente de Português e Espanhol.


Comunicação 7

O discurso humorístico no ensino-aprendizagem de Português Língua Estrangeira (PLE): potencialidades pedagógico-didáticas e educativas

Autoras:

Maria Micaela Dias Pereira Ramon Moreira – Universidade do Minho – micaelar@ilch.uminho.pt

Mariana Killner – Universidade Estadual de Londrina – maripfol@gmail.com

Resumo:

O trabalho que nos propomos apresentar pretende discutir o potencial da utilização de narrativas orais e escritas em contextos de formação de PLE como forma de desenvolver as competências comunicativas dos estudantes, bem como de promover o seu letramento crítico. O discurso humorístico faz parte do cotidiano comunicativo de falantes de todos os idiomas, porquanto se trata de uma habilidade universal, embora apresentando diferenças culturais características das diversas comunidades e que podem mesmo variar de indivíduo para indivíduo. Trata-se de um fenómeno social de comunicação fortemente marcado pela noção de intencionalidade (Sousa, 2013) que implica a partilha de conhecimentos comuns entre locutor e alocutário(s). A capacidade de produzir humor ou de decodificar mensagens humorísticas depende do grau de domínio dos recursos linguísticos de uma língua, aliado à destreza na interpretação das convenções sociais. Em contexto didático, o discurso humorístico pode desempenhar um conjunto significativo de funções como sejam a motivacional, a intelectual e criativa, mas também uma função transformadora (Barrio e Solís, 2010). Assim, são nossos objetivos com esta comunicação: i) refletir criticamente sobre as potencialidades pedagógico-didáticas e educativas da introdução do discurso humorístico nas aulas de PLE; ii) apresentar propostas concretas de exploração de narrativas humorísticas orais e escritas, nomeadamente vídeos e crónicas, para o desenvolvimento de competências linguísticas, comunicativas e interculturais dos estudantes de PLE.

Palavras-chave: Português Língua Estrangeira; discurso humorístico; competência linguístico-comunicativa-intercultural; materiais didáticos.

 

Minibiografias:

Maria Micaela Dias Pereira Ramon Moreira é Professora Auxiliar do DEPL – ILCH, U. Minho. Leciona Literatura Portuguesa e Português como Língua Estrangeira em cursos de graduação e pós-graduação. Licenciada em ensino de Português–Francês, mestre em ensino da Língua e da Literatura Portuguesas e doutorada em Literatura Portuguesa. Membro da direção do Mestrado em Português Língua Não Materna e diretora-adjunta do Centro de Estudos Humanísticos. Autora de várias publicações, nacionais e internacionais.

Mariana Killner possui graduação em Letras Anglo-portuguesas (2004) e bacharelado em Língua e Cultura Francesas (2014) pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialização em Língua Inglesa (2005) e Mestrado (2016) pela mesma universidade. Escreveu livros didáticos de Inglês e é professora de Francês e Português para Falantes de Outras Línguas. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Línguas Estrangeiras Modernas e Português para Falantes de Outras Línguas (PFOL).


 Comunicação 8

A representação da lusofonia nos manuais de português língua estrangeira

Autora:

Rita de Cássia Damasceno Carvalho – Université Sorbonne Nouvelle – ritadecarvalho@msn.com

 

Resumo:

Em um curso de língua cada aluno tem uma representação da língua estudada, assim como dos seus falantes. No caso da língua portuguesa, e de suas diversas variações, a noção de lusofonia pode diferir segundo a variante do português adotada pelo manual. O objetivo deste artigo é de analisar diferentes manuais de português língua estrangeira para definir qual é a representação e a dimensão dada ao ensino da lusofonia para a compreensão da lusofonia. Por meio do estudo das representações sociais (Véronique, 2011) dadas as variantes do português nos manuais, analisaremos como essas representações podem construir uma imagem do mundo lusófono, seja pela iconografia, por textos literários ou por referências culturais variadas.

Palavras-chave: lusofonia; didática de culturas; manuais; representação.

 

Minibiografia:

Rita de Cássia Damasceno Carvalho é Mestrandra em Didáticas de Línguas Estrangeiras na Université Sorbonne Nouvelle e Coordenadora da Seção Brasileira do Lycée International de l’Est Parisien. 


Comunicação 9

A imprescindível indissociabilidade entre língua e cultura no ensino de uma língua estrangeira

 

Autora:

Maria de Lurdes Nogueira Escaleira – Instituto Politécnico de Macau – lescaleira@ipm.edu.mo / salselas@hotmail.com

 

Resumo:

Pensar a língua e a cultura como atitude e estratégia imprescindíveis e indissociáveis no ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira, nomeadamente a aprendentes chineses no contexto de Macau e da China Continental, assume-se como o principal objetivo da nossa proposta de investigação e  base para o diálogo entre pesquisadores, docentes e aprendentes de uma língua estrangeira.

De facto, ao longo dos anos como docente de Português Língua Não Materna, temo-nos questionado sobre a forma como os materiais pedagógicos podem cumprir a função de ensinar língua e cultura  e sobre as estratégias, ao dispor dos docentes, para ensinarem língua e cultura de uma forma sistemática e espontânea.

Partimos da convicção de que língua e cultura são indissociáveis, advindo daí que o seu ensino e aprendizagem ocorrem em simultâneo dentro e fora da sala de aula. De facto, desde os materiais de ensino até à explicitação de um significado, estamos em presença da língua e do seu referente cultural sem o qual a língua fica vazia de sentido. Do mesmo modo, para apresentarmos um conteúdo cultural temos que usar um código linguístico.

A nível metodológico faz-se uma revisão da literatura para clarificar os conceitos de língua e cultura, analisar teorias sobre língua e cultura no ensino de uma língua estrangeira e, a nível empírico, apresentam-se casos práticos exemplificativos da tese que pretendemos fundamentar, isto é, que língua e cultura habitam o mesmo espaço e são indissociáveis.

A comunicação incide sobre o ensino de língua portuguesa como língua estrangeira a alunos do ensino superior, nomeadamente, alunos chineses que frequentam  o Instituto Politécnico de Macau.

Como conclusão defendemos uma mudança de mentalidades que passa pela formação de docentes com competências profissionais e uma atitude pró-ativa no ensino da língua e da cultura, tornando o aluno consciente da importância do domínio de referentes culturais na aprendizagem de uma língua estrangeira.

Palavras-chave: cultura; língua; língua estrangeira; ensino/aprendizagem.

 

Minibiografia:

Maria de Lurdes Nogueira Escaleira é licencida em Filosofia e doutorada em Didática das Línguas, pela  Faculdade de Letras da Universidade do Porto e, ainda, licenciada e mestre em Administração Pública, pela Universidade de Macau. Em Macau, foi docente dos Serviços de Educação e Juventude, Instituto Português do Oriente e, desde 1991, lecciona no Instituto Politécnico de Macau. Investiga e publica sobre ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa, ensino da tradução e escrita em língua portuguesa em Macau.


Comunicação 10

O Papel da Cultura no Ensino de Português Língua Estrangeira na China

Autor:

Manuel Duarte João Pires – Universidade de Sun Yat-sem (Cantão, China) – mdjpires@hotmail.com

 

Resumo:

Ao abordarmos o português na China estamos indissociavelmente a falar de fomentar o diálogo e aproximação, compreender a cultura do outro passa por tentar conhecer os pontos em que as culturas convergem mas também aqueles em que diferem (Gao Y. H., 1999). Uma das singularidades que é pertinente cuidar num quadro de competência intercultural (Byram, M., Holmes, P. & Savvides, N., 2013) relaciona-se com a necessidade de professores e estudantes saberem gerir conhecimentos, mas também hábitos, concepções e realizações culturais por vezes bastante distintas. Como se deve estabelecer essa interação intercultural no ensino-aprendizagem de PLE? O que deve ou não ser considerado cultura passível de se ensinar aos estudantes chineses?

Ao longo deste percurso na China, a minha postura é a de fazer o que está ao meu alcance para promover um diálogo saudável, de entendimento. Por vezes tenho-me deparado com costumes e práticas que de tão diferentes, poderão ser potencialmente causadoras de ruído ou desentendimento para esse diálogo se não forem devidamente contextualizadas ou compreendidas. Para com os meus alunos – que passam pela experiência de estudar e viver em países lusófonos – incido em aspectos que não constando dos manuais de PLE considero determinantes para a compreensão intercultural. Na aprendizagem de uma língua estrangeira os alunos chineses tendem a negligenciar o lado intercultural em detrimento do plano linguístico ou gramatical (Zhaohuan, Shen, 2007), também por isso sinto o dever de orientar os meus estudantes para evitar a ocorrência de situações constrangedoras que pontualmente acontecem em diferentes contextos. Pretendo também discutir no SIMELP algumas estratégias, procedimentos e metodologias que uso neste sentido. Trata-se de combater preconceitos e de informar e consciencializar pessoas para melhor se integrarem e lidarem com o outro. No fundo essa deve ser uma das, se não a maior, competências e prioridades de um professor de PLE.

Palavras-chave: PLE; China; ensino da cultura; competência intercultural.

 

Minibiografia:

Manuel Duarte João Pires é leitor de Português na Universidade de Sun Yat-sen (Cantão, China) desde 2012, estudante de doutoramento em Estudos Portugueses na Universidade de Macau desde 2015, licenciado e mestre em Língua e Cultura Portuguesa (LE/L2) pela Universidade de Lisboa, membro da “American Organization of Teachers of Portuguese”, consultor linguístico na escola “IberiaContigo” (Cantão, China), colunista do “Jornal do Nordeste” (Bragança, Portugal). 


 Comunicação 11

Uma tentativa pedagógica destinada a diminuir a distância cultural no curso de licenciatura em Português

Autora:

Hou Xiaoying  – Universidade de Estudos Internacionais de Xi´an –  usp_xisusofia@hotmail.com

 

Resumo:

Para ultrapassar a grande distância entre a cultura nativa e a cultura estrangeira, que dificulta imenso a aprendizagem da língua, os professores de língua estrangeira tem tentado inúmeros métodos pedagógicos nas suas práticas. A falta dos conhecimentos da cultura, que trato como a memória coletiva dos países lusófonos, aos alunos chineses forma assim um grande obstáculo no ensino de português a qual pretendo buscar uma solução neste trabalho: uma disciplina titulado por “Lusofonia” na fase de licenciatura. Desenvolvo concepções e teorias, discuto inicialmente objetivos, objetos e métodos da disciplina e faço, no final, umas sugestões para os primeiros passos a preparar e ensiná-la.

Palavras-chave: cultura; lusofonia; aprendizagem de Português; pedagogia.

 

Minibiografia:

Hou Xiaoying licenciou-se em Português da Universidade de Estudos Internacionais de Xi’an, tirou o curso de mestrado em Literatura de Língua Portuguesa: investigação e ensino, na Universidade de Coimbra. Ensina agora Português na XISU (Xi’an International Studies University).


Comunicação 12

O ensino da cultura cabo-verdiana nas escolas públicas em Cabo-Verde

Autor:

Victor Manuel E. Semedo – Ministério da Educação da República de Cabo Verde – victorsemedohist@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho filia-se  no contexto da pesquisa integrada “Ensinar qual Língua, Ler qual Literatura: Identidades, Relações Etnicorraciais e Diversidade Sociocultural em Países de Língua Portuguesa” e tem como objeto as abordagens sobre diversidade linguística presentes no ensino da cultura em Cabo Verde, país marcadamente bilingue em que o ensino formal se processa em língua portuguesa que é a oficial e a manifestação cultural desde teatro passando pela música e poesia se veicula em língua materna – língua cabo-verdiana. A pesquisa incide sobre os documentos escritos, nomeadamente, revistas, obras de referência e programas curriculares das escolas públicas –  em língua portuguesa –   bem como visualização de documentário sobre vários géneros da cultura cabo-verdiana- em língua materna. Assim, permite compreende a necessidade de, por um lado, ensinar a língua materna para melhor apreensão da cultura, pois a cultura cabo-verdiana é ministrada nos estabelecimentos de ensino em língua português. No entanto, a prática da cultura está no quotidiano, nos grupos sociais, nas comunidades e nas escolas. É expressa na língua materna.

A pesquisa convida os decisores políticos a integrarem, nos planos curriculares do ensino, a língua materna a par da língua portuguesa, uma necessidade premente, para o ensino da cultura. Desde da independência alcançada em 1975 que se quer a afirmação da identidade nacional através da cultura. Hoje persiste a não oficialização da língua para fortalecer o ensino da cultura e da identidade nacional.

Palavras- chave: ensino formal; bilingue: curriculum; identidade nacional.

 

Minibiografia:

Victor Manuel Eugénia Semedo é  licenciado em História pela Universidade de Coimbra. É Mestre em História Cultural e Política e Doutor em História. É Professor Auxiliar do Ministério da Educação. Lecionou em várias instituições e diversos graus e colaborou com a Revista e-hum. Membro do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Educação, História, Letras e Artes. Diversidade Sociocultural, Relações Étnico raciais em Países de Língua Portuguesa.


Comunicação 13

Integração de alunos refugiados no meio escolar

Autora:

Lisa Matos – ISPA – Instituto Universitário – lisamatos@gmail.com

 

Resumo:

O processo migratório de crianças refugiadas é caracterizado por períodos de escolaridade interrompida e irregular, multiplicidade linguística no meio escolar durante os processos de pré-fuga, fuga e pós-fuga, e qualidade de ensino variável. Estas experiências são determinantes das expectativas de aprendizagem e integração nos países de acolhimento, num meio escolar frequentemente informado por estereótipos culturais e associados à experiência refugiada, com pedagogia centrada no professor, e em que as dificuldades no domínio de língua impedem a integração no grau de ensino correspondente à idade, apesar de domínio de conteúdo académico. Para além das questões culturais, académicas e linguísticas, na sua condição de beneficiário de proteção internacional, o aluno refugiado tem uma multiplicidade de necessidades interdisciplinares e interrelacionadas – logísticas, sociais, jurídicas e de cuidados médicos e psicológicos especializados – às quais é necessário dar resposta, o que aufere à escola um papel fundamental e privilegiado de sinalização.

A fomentação no meio escolar de atitudes adaptadas à diversidade cultural das sociedades modernas permite promover uma maior capacidade de identificação de sentido de pertença comum, e de sentimentos positivos de tolerância, eliminação de preconceitos e atitudes discriminatórias. Partindo de um olhar crítico às boas práticas internacionais de acolhimento de crianças refugiadas no meio escolar, refletiremos sobre abordagens de educação intercultural baseadas num processo formativo dinâmico e interativo, em que cultura, sociedade e educação são entendidas como dinâmicas interdependentes. Neste sentido, o verdadeiro desafio centrar-se-á no equilíbrio entre o respeito pela diferença e diversidade e a construção de um marco social e cultural comum para todos.

Palavras-chave: refugiado; aluno; educação intercultural; diversidade.

 

Minibiografia:

Lisa Matos é licenciada em Relações Internacionais pela Universidade de Coimbra. Foi diretora do programa de tratamento de tortura da HealthRight International (EUA), e colaborou com o National Consortium of Torture Treatment Programs e o Office of Refugee Resettlement em Washington, DC. Em Portugal, trabalhou como com o Serviço Jesuíta aos Refugiados e é atualmente doutoranda em Psicologia Clínica no ISPA. Foi nomeada Embaixadora “Eugeração 30”, prioridade Migrações, pela Representação da Comissão Europeia, em 2016.