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Simpósio 20

SIMPÓSIO 20 – ESTRATÉGIAS E METODOLOGIAS DE ENINO/APRENDIZAGEM DE UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA NO SÉCULO XXI

 

Coordenadoras:

Maria José Grosso | Universidade de Macau | mjgrosso@umac.mo

Catarina Gaspar | Universidade de Lisboa | cgaspar1@campus.ul.pt

 

Resumo:

Neste simpósio pretende-se uma reflexão sobre as estratégias e metodologias de ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira no século XXI. Com as grandes mudanças socioeconómicas e políticas que se fazem sentir no mundo atual é difícil estabelecer uma abordagem ou um método padrão único para uma aprendizagem rápida, eficiente e com sucesso. Este seria o desejo de todos os que se dedicam a esta área e que de certa forma pensam que há um binómio método / sucesso, isto é, que é no método que encontram a solução para a maior parte dos problemas com que se deparam no dia-a-dia. Esta ideia já se encontra no Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas que, embora sugira uma abordagem direcionada para a comunicação, deixa em aberto a possibilidade de outras metodologias, evidenciando uma perspetiva acional da língua e do aprendente como ator social. Pretende-se pois que sejam apresentadas novas formas de ensinar e de aprender uma língua conforme o seu estatuto e os contextos.

 

Palavras-chave: metodologia, estratégia, língua estrangeira.

 

Minibiografias:

Maria José dos Reis Grosso é doutorada em Linguística Aplicada pela Universidade de Lisboa e professora associada da mesma Universidade. Desde 2012 é professora na Universidade de Macau. Tem desenvolvido e coordenado vários projetos de investigação e trabalhos sobre o português língua estrangeira. Desde 2013 coordena o Projeto: A Framework in Portuguese as a Foreign Language for Chinese Native Speakers na Universidade de Macau. Desempenhou várias funções de coordenadora e de diretora em Macau e na Universidade de Lisboa (designadamente diretora do Centro de Avaliação de Português Língua Estrangeira CAPLE;2009-2011). Dirige a coleção Ensino e Aprendizagem do Português para Falantes de Outras Línguas da Edit. LIDEL. Tem feito formação de professores em Portugal e no estrangeiro.

 

Catarina Isabel Sousa Gaspar

Faculdade de Letras – Universidade de Lisboa

Professora Auxiliar do Departamento de Estudos Clássicos da FLUL, onde é docente desde 2000. É doutorada em Estudos Clássicos pela Universidade de Lisboa. É investigadora do Centro de Estudos Clássicos da mesma Universidade. Foi investigadora no Centro de Avaliação de Português Língua Estrangeira (CAPLE) e sua Subdiretora do CAPLE de 2009 a 2011. Atualmente integra a comissão científica do Programa em Português Língua Estrangeira/Língua Segunda. No âmbito da sua atividade docente e de investigação, tem lecionado além das disciplinas na área dos estudos clássicos e do multilinguismo e multiculturalismo, as disciplinas do Mestrado em Língua e Cultura Portuguesa (PLE/PL2) nomeadamente Multilinguismo e Política Linguística e Ensino, Aprendizagem, Avaliação. Nas áreas referidas, tem escrito artigos vários e publicado em Portugal e no estrangeiro.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A qualidade do input na aula de Português como Língua Estrangeira e reformulações de grande impacto

Autor:

Luís Gonçalves – Princeton University – Lgoncalv@princeton.edu

 

Resumo:

O input é um dos elementos mais importantes no processo de aquisição de segunda língua. É ele que determina o grau de processamento cognitivo significativo por parte do aprendente de português como língua estrangeira (PLE). Como Gass (1997) aponta, o aprendizado de segunda língua simplesmente não pode ter lugar sem um input de algum tipo, ao que acrescento que, o maior ou menor sucesso deste está diretamente relacionado com a qualidade desse input e a sua capacidade de gerar um engajamento cognitivo significativo. Esta afirmação tem sido geralmente apoiada por outros pesquisadores em aquisição de segunda língua, independentemente da abordagem teórica. Então, com base nesta afirmação, discuto quatro questões específicas ao ensino de português como língua estrangeira:

(1) como o input é processado e como ele é incorporado na interlíngua do aluno (Carroll, 1999, 2000 e o que isso significa para a prática do instrutor de PLE; Chaudron, 1985; Gass , 1997; Krashen, 1982; Sharwood Smith, 1986, 1993; VanPatten, 1996, 2002);
(2) a quantidade de input necessária para permitir a aquisição (Ellis, 2002; Krashen, 1982; Branco, 1989) e o que nos é disponibilizado nos métodos de PLE; (3) os vários atributos do input e como facilitam ou dificultam a aquisição (por exemplo, frequência, saliência, e transparência) e a presença ou ausência desses atributos nos métodos disponíveis; e finalmente
(4) as abordagens de ensino que aumentam o input e promovem a aquisição (por exemplo, vários tipos de melhoria de input, as reformulações, e instruções de processamento) e como as implementar na aula de PLE. Vários estudos sobre estes quatro domínios do processamento do input produziram informações úteis, fundamentais na conceção e produção de cursos, aulas e material didático eficaz. Ao abordar as questões relacionadas com a aplicação destes quatro domínios ao ensino de PLE, exploro também o que podemos encontrar como input em alguns métodos de português disponíveis, e apresento algumas formas de eficazmente melhorar a qualidade do que nos é disponibilizado enquanto instrutores de PLE.

Palavras-chave: input; aquisição; PLE; processamento.

 

Minibiografia:

Luis Gonçalves tem doutoramento em Línguas Românicas – Português, com especialização em Estudos da Comunicação e certificação em Estudos Culturais pela Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, EUA, e Mestrado em Literatura Luso-Brasileira pela mesma universidade. É ainda Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Fernando Pessoa, Portugal. Ensina no Departamento de Espanhol & Português da Princeton University e sua pesquisa foca nas Culturas e Civilizações Lusófonas e nas suas dinâmicas transatlânticas. Outros focos de pesquisa importantes incluem a Metodologia de Línguas Estrangeiras e a Aquisição de Segunda Língua. Faz parte do Comité Editorial do Portuguese Language Journal, é o Book Review Editor do Gávea-Brown: A Bilingual Journal of Portuguese-American Letters and Studies, é diretor executivo do evento anual Encontro Mundial sobre o Ensino de Português e presidente da American Organization of Teachers of Portuguese.


Comunicação 2

A arte como instrumento no processo de ensino-aprendizagem do Português do Brasil como Segunda Língua

Autora:

Amandla Gandhi – Universidade de Brasília – UnB – amandlagandhi@gmail.com

 

Resumo:

O projeto tende a explorar as variadas vertentes artísticas através de atividades em formato de oficinas que estimulem o processo de ensino-aprendizagem do Português do Brasil como Segunda Língua. As oficinas e as atividades propostas visam aproximar os alunos ao contexto real de uso da língua, dando-lhes um espaço acolhedor e descontraído para praticar a fala e a escrita, servindo de suporte e complemento diversificado para atingir a fluência desejada na língua-alvo. A concepção de utilizar o português como língua de acolhimento, reflete-se no fato do Brasil ter recebido nos últimos anos um número elevado de imigrantes em condição de refúgio que necessitam de um contexto acolhedor e amigável para superarem o processo que pode chegar a ser traumático de língua e contexto cultural (AMADO, 2014). Para isso, destaque-se a importância de se ter professores com formação voltada ao ensino de português como segunda língua, onde se tem uma melhor preparação se comparada a preparação dada para o ensino de português focado na língua materna (CABETE, 2010). E pensando no fato de que a maioria dos processos elaborados para o ensino de línguas são pautados apenas sob o básico necessário e obrigatório para adquirir uma segunda língua (ou uma língua adicional) e não são, muitas vezes, explorados para as diversas áreas que os alunos já tiveram contato na escola ou na universidade e aos diversos contextos ao longo da vida, a proposta de ensinar e aprender através de manifestações da Arte é uma alternativa de expandir os conhecimentos, tanto do aprendiz quanto do educador, pois a Arte também é uma forma de linguagem e comunicação. Logo, ensinando o Português do Brasil e ao mesmo tempo apresentando e fazendo os alunos vivenciarem os aspectos culturais/históricos/políticos/sociais presentes no país, é inseri-los de maneira mais fidedigna e fascinante ao contexto brasileiro.

Palavras-chave: artes; multimodalidade; segunda língua; ensino-aprendizagem, acolhimento.

 

Minibiografia:

Amandla Gandhi é graduada em licenciatura Português do Brasil como Segunda Língua (PBSL) na Universidade de Brasília (UnB), atualmente é professora voluntária para refugiados e imigrantes em um projeto de extensão da UnB e pesquisa e desenvolve oficinas com cunho artístico-pedagógico para o ensino do português do Brasil como segunda língua, principalmente para contextos de acolhimento e inserção a cultura brasileira.


Comunicação 3

Superando a ansiedade da língua estrangeira: o uso da arte em salas de aula

 

Autoras:

Viviane Gontijo – Harvard University – vivianegontijo@fas.harvard.edu

Analia Tebaldi – Harvard University – analiatebaldi@fas.harvard.edu

 

Resumo:

O papel crucial da ansiedade no sucesso (ou falta dele) da aquisição de uma língua estrangeira tem sido amplamente estudado (Horwitz et al., 1986, Horwitz, 2001). Até o momento, nenhuma investigação substancial foi desenvolvida com o intuito de examinar a utilização da arte como ferramenta para lidar com a ansiedade relacionada ao aprendizado de línguas. Este estudo avalia os níveis de ansiedade existentes em cursos de francês, italiano, português e espanhol na Universidade de Harvard, e avalia a inclusão das artes como uma ferramenta para reduzir os níveis de ansiedade relacionado ao aprendizado de língua estrangeira. As conclusões iniciais apontam para benefícios do uso da arte para melhorar a auto eficiência do aluno que, por sua vez, ajuda a diminuir os níveis de ansiedade na sala de aula.

Palavras-chave: ansiedade; arte; língua estrangeira; auto eficiência.

 

Minibiografias:

Viviane Gontijo: Viviane Gontijo coordena o Programa de Língua Portuguesa no Departamento de Línguas e Literaturas Românicas da Universidade de Harvard. Sua investigação interdisciplinar no ensino de línguas abrange (1) psicolinguística e aspectos socioculturais da aprendizagem de línguas; (2) ansiedade e aprendizagem de línguas, investigando a extensa maneira pela qual esse fator emocional dificulta a aquisição e (3) pedagogia da aprendizagem de língua estrangeira, avaliando abordagens de ensino e materiais para línguas estrangeiras e língua de herança.

Analia Tebaldi: Bacharel em Psicologia pela Universidade Estadual de Maringá, Brasil. Mestre em Português como segunda língua e doutoranda pela Universidade de Massachustts Darmouth. Atualmente, é professora de Português na Universidade de Harvard em Massachusetts, Boston. Área de interesse: Estratégias de aprendizado de língua estrangeira, ansiedade e aprendizado de língua, o uso de ferramentas tecnológicas no ensino de língua estrangeira, curso de línguas on-line.


Comunicação 4

O ensino e a aprendizagem de língua Portuguesa para Surdos por meio dos gêneros textuais

Autora:

Silvana Zajac – UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo – silzajac7@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho vem olhar para uma demanda emergente da situação educacional dos Surdos brasileiros, no que tange o aprendizado e o uso da língua portuguesa. A Libras – Língua brasileira de sinais, foi reconhecida como um direito de comunicação e expressão das comunidades de surdos brasileiros, por meio da Lei 10.436/02. No entanto, esta mesma lei determina que a Língua Portuguesa, na sua modalidade escrita, não pode ser substituída pela Libras. Essa prerrogativa nos encaminha para o desafio de propor uma educação bilíngue para surdos, na qual o português é ensinado na perspectiva de segunda língua. Assim, o objetivo deste trabalho é mostrar a importância da proposta de oferecer um curso de leitura e escrita para surdos que, além de atender a uma prerrogativa legal e social, contribui para o desenvolvimento linguístico desse indivíduo e se torna um frutífero lócus de pesquisa de práticas metodológicas de ensino de língua portuguesa para surdos por meio dos gêneros textuais. Com base na pesquisa-ação é descrita e contextualizada a elaboração e a aplicação de uma metodologia de ensino de leitura e escrita da Língua Portuguesa para Surdos. Numa perspectiva interacionista sócio-discursiva esta pesquisa está amparada nas teorias abordadas por Dolz e Scheneuwly (2004), que acreditam numa proposta de ensino e aprendizagem de línguas organizada a partir dos gêneros textuais. Assim, esse projeto vem ampliar a capacidade dos alunos no uso das práticas de linguagem, de modo que se tornem mais competentes nas habilidades de leitura, escrita e “oralidade”. Para isso, os alunos precisam se envolver em atividades que gerem certo estímulo para se dedicar ao aprendizado do que for proposto. Assim, a possibilidade de participar de contextos reais de produção textual é a alavanca para que os objetivos sejam alcançados.

Palavras-chave: Ensino; Aprendizagem; Metodologia; Surdos.

 

Minibiografia:

Doutora em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem (PUC/SP), professora adjunta da UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Ciências Exatas e da Terra, atualmente responsável pelas disciplinas de Estágio Supervisionado, Prática de Ensino e Libras, no Curso de Ciências – licenciatura. Professora no curso de extensão de Leitura e escrita para Surdos.


Comunicação 5

Ensino de PLE hoje: um desafio partilhado por nativos e não nativos

 

Autora:

Soraia Lourenço – Camões, IP, Faculdade de Letras da Universidade de Zagreb – soraia.lourenco@camoes.mne.pt

 

Resumo:

Atualmente, a língua portuguesa vive momentos de grande expansão, apresentando-se ao mundo como uma língua internacional de grande valor económico e cultural. A noção de internacionalização da língua portuguesa passa também por uma articulação da língua e da cultura. Ao afirmarmos que a língua é um fator de identificação cultural, dificilmente apreendemos imediatamente o seu sentido, num quadro em que uma mesma língua cobre espaços com diversas culturas, como acontece com o português. O português não é apenas uma das línguas mais faladas do mundo, mas representa uma ligação cultural entre povos de espaços geográficos diversos e dispersos entre si. Deste modo, é importante refletir acerca das metodologias a adotar para o ensino da cultura, tendo como principal objetivo o desenvolvimento da competência intercultural dos aprendentes de PLE.

Deste modo, o papel desempenhado pelos ensinantes de PLE no mundo é fundamental, essencialmente em espaços onde a língua portuguesa tem o estatuto de uma LE, como é o caso da Europa Central e de Leste, já que é este público aprendente, que sem quaisquer relações com Portugal nem com o português, pode levar a língua portuguesa mais longe, legitimando cada vez mais o seu papel de língua global.

Neste âmbito, considera-se relevante perceber de que modo determinadas questões relacionadas com o ensino da LP e da cultura, se colocam a professores nativos e não nativos e como são ultrapassadas, no sentido de promoverem um ensino que vá ao encontro da crescente valorização do português no mundo.

Palavras-chave: PLE; ensinantes nativos; ensinantes não nativos; ensino superior; Europa.

 

Minibiografia:

Soraia Lourenço: atualmente é Leitora do Camões, IP na Faculdade de Letras de Zagreb (Croácia). É diretora do Centro de Língua Portuguesa/Camões,IP de Zagreb (Croácia). É a representante do cluster EUNIC Croácia. É doutoranda em Língua e Cultura Portuguesas/ Língua Estrangeira e Língua Segunda (LE/L2) pela Faculdade de Letras da UL. É autora de diversas publicações na área do ensino de PLE.


Comunicação 6

O recurso à tradução nas aulas de PLE

Autora:

Joana Cunha – Université Lille 3 – joana-cristina.rodrigueslobobaptistadacunha@univ-lille3.fr

 

Resumo:

Este estudo foca-se no recurso à tradução em contexto pedagógico. Neste sentido, torna-se importante sublinhar o papel controverso da tradução como método de aprendizagem que é normalmente criticado com base em dois argumentos gerais: a tradução implica a utilização da LM dos aprendentes, sendo por isso considerada como um obstáculo, à apropriação da LE; e o recurso à tradução pode dar origem a erros na aprendizagem de LE, devido a uma má transferência de estruturas da LM. No entanto, esta perspetiva está a mudar, pois a tradução começa, agora, a ser vista como uma ferramenta pedagógica, funcionando como um instrumento promotor de aprendizagens.

Neste contexto, esta investigação tem como principal objetivo conhecer as crenças de professores e aprendentes de PLE, no que diz respeito ao uso da tradução em sala de aula. Para além disso, pretendeu-se também saber se professores e aprendentes utilizam a tradução na sua prática pedagógica e de que forma o fazem.

Para tal, servimo-nos de três instrumentos de investigação: dois questionários, um destinado a professores de PLE, em que interrogamos 51 professores que trabalham em 22 países e outro destinado a aprendentes de PLE, no qual questionamos 37 aprendentes da Universidade de Lille 3, França. No que diz respeito à metodologia de investigação baseamo-nos na análise de resultados mista, de modo a medir o impacto da tradução nas duas partes constituintes do eixo ensino-aprendizagem: professores e aprendentes. Optamos por esta metodologia, pois permite-nos conjugar elementos qualitativos e quantitativos de forma a obter resultados pertinentes.

Os resultados deste estudo evidenciam que tanto professores como aprendentes utilizam a tradução. No entanto, apesar de não ser muitas vezes

reconhecida como ferramenta pedagógica esta visa o reforço das aprendizagens em PLE.

Palavras-chave: Português Língua Estrangeira; Tradução; Estratégias de Ensino/Aprendizagem.

 

Minibiografia:

Licenciada em Ensino Básico 1oCiclo pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo (Portugal) em 2008. Em 2016, obteve o grau de Mestre em Estudos Lusófonos pela Universidade de Lille 3 (França), onde se encontra a trabalhar desde 2015. Em 2016, nesta mesma instituição, passou a exercer o cargo de leitora do Instituto Camões. A sua investigação tem como principais áreas de interesse o ensino de PLE e a tradução como estratégia de ensino e aprendizagem.


Comunicação 7

Ensino-aprendizagem de língua estrangeira a partir da Pedagogia de Projetos: ensinar e aprender língua na prática investigativa

Autor:

Heliandro Rosa de Jesus – UFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri) – heliandrorosa@hotmail.com

 

Resumo:

De acordo com a LDB (1996), a principal função da Educação é a formação de cidadãos críticos e conscientes do seu papel na sociedade. Já no que se refere ao ensino de Línguas Estrangeiras (LE), documentos como os PCN (1999) e as OCEM (2006), defendem que, dentro das finalidades e objetivos desta disciplina escolar, está a preparação para o exercício da cidadania global e o desenvolvimento da competência intercultural. Nesta perspectiva de levar em conta não só os aspectos gramaticais da língua, a Pedagogia de Projetos (PP) mostra-se como uma proposta metodológica eficaz para o trabalho docente em sala de aula de LE por propor uma participação efetiva dos alunos, objetivando motivá-los a buscar o conhecimento de forma autônoma e por meio de investigações que eles mesmos devem propor, assim, instigados a desenvolver e a construir com a orientação e mediação do professor. Segundo Hernández (1998), esta proposta nasceu da denúncia do distanciamento sistemático existente entre os conteúdos estudados nas instituições escolares e o contexto social em que vivem os alunos. Logo, propõe a integração dos saberes e temas socioculturais que fazem parte do cotidiano discente com as matérias estudadas na escola. Esta proposta corrobora com o Quadro Comum Europeu (2001) que defende uma abordagem de ensino de LE orientada à ação, considerando os aprendizes como agentes sociais e a aprendizagem de língua voltada para o uso da comunicação real e interativa da linguagem e de suas funções. Busca-se, então, relacionar o uso da linguagem em suas diferentes esferas com os conhecimentos fora da sala de aula e também com as outras disciplinas. O presente trabalho, portanto, tem como foco trazer os resultados de uma pesquisa desenvolvida em escolas públicas brasileiras. O objetivo deste estudo foi analisar a eficácia da Pedagogia de Projetos como metodologia para o ensino de LE.

Palavras-chave: Ensino de Línguas Estrangeiras; Abordagem orientada à ação; Pedagogia de Projetos.

 

Minibiografia:

Heliandro Rosa de Jesus – Professor Assistente na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e Licenciado em Letras pela mesma instituição de ensino. Desenvolve pesquisas na área de Letras e Ensino, com foco na Pedagogia de Projetos. É líder do grupo FORPROLL/CNPq – Formação de Professores de Línguas e Literatura.


Comunicação 8

O humor como ferramenta para o desenvolvimento da Competência Simbólica em Língua Estrangeira: uma estratégia de ensino de Português do Brasil no Japão

Autor:

Alexandre do Amaral Ribeiro – UERJ – alexandreribeiro@nupples.pro.br

 

Resumo:

As experiências de interação entre professores e alunos não se restringem à troca de informações linguísticas tais como as gramaticais e às relativas ao vocabulário. Ainda que o desenvolvimento das competências linguística, pragmática e sociolinguística seja importante para a proficiência na língua-alvo, esse não é único objetivo do aprendizado de uma língua. É fundamental que professores promovam competências culturais, intercultural e simbólica durante as atividades propostas em aula. Sobre a Competência Simbólica, Kramsch e Whiteside (2008) referem-se à habilidade de manipular sistemas simbólicos como intrinsecamente relacionada com a capacidade de se tornar um participante pleno das comunidades linguísticas. No entanto, o seu desenvolvimento não representa mais uma habilidade a ser adicionada aos objetivos de aula. “Pelo contrário, é uma mentalidade que pode criar ‘relações de possibilidade'” (apud MOLINA, 2011, p.1249) se os indivíduos aprenderem a ver uns aos outros inseridos em suas respectivas história e subjetividade. É preciso perceber e trazer à tona tais relações nas atividades de aula como um todo. Este trabalho descreve uma experiência singular de ensino de língua e de cultura do Brasil para estudantes japoneses em uma universidade pública do Japão. Seu objetivo é apresentar e discutir o desenvolvimento da competência simbólica em aula de português do Brasil para estrangeiro, através de atividades que relacionem cultura, letramento e humor. O uso do humor no contexto pedagógico é ferramenta significativa (SCHMITZ, 2002) para acessar o sistema simbólico de uma cultura. Assim, foram tomadas para coleta e análise de dados atividades que privilegiaram o humor, pois contrastavam uma cultura reativa, a japonesa, (Lewis, 2006) com uma cultura multi-ativa, a brasileira, provocando reflexão sobre seus sistemas simbólicos em sala de aula. Os resultados, baseados na análise dos textos dos alunos, sugerem a eficiência da aplicabilidade do humor no ensino de línguas para efeitos do desenvolvimento da competência simbólica.

Palavras-chave: Português do Brasil para Estrangeiros; Competência Simbólica; Humor.

 

Minibiografia:

Alexandre do Amaral Ribeiro: graduado em Letras – Português/Alemão (UERJ); especialista em Psicopedagogia Diferencial: diferenças na aprendizagem (PUC-Rio); mestre em Letras (PUC-Rio); doutor em Linguística (UNICAMP). Possui Pós-doutorado na área de Português como Segunda Língua (PUC-Rio). Atualmente é professor de Língua Portuguesa na UERJ (graduação e pós-graduação) e coordenador do Núcleo de Pesquisa e Ensino de Português como Língua Estrangeira/Segunda Língua (NUPPLES).


Comunicação 9

Mapeamento de estruturas gramaticais do Português nos níveis de proficiência do QECRL

Autores:

Rui Talhadas – Universidade do Algarve/ INESC-ID Lisboa L2F – rtalhadas@gmail.com

Jorge Baptista – Universidade do Algarve/ INESC-ID Lisboa L2F – jbaptis@ualg.pt

Nuno Mamede – IST/ INESC-ID Lisboa – L2F – nuno.mamede@l2f-inesc-id.pt

 

Resumo:

O ensino do Português como Língua Estrangeira (PLE) teve recentemente um notório crescimento, tendência mundial que torna urgente um aprofundamento da investigação nesta área. Em particular, para a elaboração de programas curriculares cientificamente validados, que promovam um consistente e adequado processo de ensino-aprendizagem, de progressiva complexidade, é necessário determinar em que fase desse processo estão os estudantes de PLE linguisticamente preparados para aprenderem diferentes estruturas da língua portuguesa.

Este projeto pretende mapear o uso de várias estruturas gramaticais e lexicais, nomeadamente: (i) o emprego dos tempos e modos verbais; (ii) o uso de advérbios conjuntivos, conjunções, e outros conetores discursivos; (iii) a estrutura interna das orações, e (iv) a construção passiva, assim como perceber a maneira como estes se projetam nos diferentes níveis de aprendizagem definidos no Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (QECRL) (Conselho da Europa 2001) e a evolução no processo de aprendizagem de Português como Língua Estrangeira.

São ainda poucos os estudos sobre a forma como se projetam nos diferentes níveis de proficiência do QECRL as diferentes estruturas gramaticais (e.g. Hawkins & Filipovic 2012), em particular, para o PLE. Este projeto visa preencher essa lacuna e contribuir assim para uma mais eficaz organização curricular dos conteúdos gramaticais e para o desenvolvimento de aplicações didáticas, com especial foco no Ensino de Línguas Assistido por Computador.

Pretende-se agora utilizar diversas ferramentas de Processamento de Língua Natural, assim como técnicas de aprendizagem automática (Witten et al. 2011), em corpora de aprendizagem de PLE, para determinar como as estruturas gramaticais acima referidas podem ser utilizadas como indicativas do nível de proficiência em PLE.

Palavras-chave: Português Língua Estrangeira; estruturas gramaticais; níveis de proficiência; corpus de aprendizagem; Processamento de Língua Natural.

 

Referências bibliográficas:

Conselho da Europa. Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas: Aprendizagem, ensino, avaliação. Edições ASA (2001)

Hawkins, J., Filipovic, L.: Criterial Features in L2 English: Specifying the Reference Levels of the Common European Framework. Cambridge University Press (2012)

Witten, I., Frank, E., Hall, M.: Data Mining. Morgan Kaufmann, 3rd ed. (2011)

 

Minibiografias:

Rui Talhadas é licenciado em Línguas e Comunicação, mestre em Ciências da Linguagem pela Universidade do Algarve e doutorando em Ciências da Linguagem nesta Universidade, desenvolvendo a sua investigação no INESC-ID Lisboa, no Laboratório de Língua Falada (L2F), tendo participado em diversos projetos de investigação, nomeadamente os projetos STRING (processamento computacional do Português) e ViPEr (Léxico-gramática de verbos do Português). Os seus interesses de investigação centram-se no ensino de Língua Estrangeira, articulando a investigação em sintaxe, semântica e léxico com a construção de recursos linguísticos para processamento computacional do Português.

Nuno Mamede é doutorado em Engenharia Eletrónica e Computadores pela Universidade Técnica de Lisboa, professor associado com agregação do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa e investigador do INESC-ID Lisboa, no Laboratório de Língua Falada (L2F). Tem vasta obra publicada em Processamento de Língua Natural e dirigiu ou participou em numerosos projetos de investigação nacionais e internacionais, de que se destacam os projetos STRING (processamento computacional do Português) e REAP.PT (ensino de língua assistido por computador).

Jorge Baptista é doutor em Linguística (Sintaxe) pela Universidade do Algarve, professor associado desta universidade e investigador do INESC-ID Lisboa, no Laboratório de Língua Falada (L2F). Os seus principais interesses de investigação em Linguística orientam-se para o Processamento Computacional de Linguagem Natural (projeto STRING), especificamente do Português, incluem o desenvolvimento de recursos linguísticos para aplicações computacionais, nomeadamente para o ensino da língua (projeto REAP.PT).


Comunicação 10

Garage sale e QR code: estratégias para ensino de LE no ensino tecnólogo

 

Autoras:

Joseane Amaral – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense – campus Passo Fundo – joseane.amaral@passofundo.ifsul.edu.br

Liamara Baruffi – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense – campus Passo Fundo – liamara.baruffi@passofundo.ifsul.edu.br

 

Resumo:

O ensino de inglês como língua estrangeira tem se tornado cada vez mais desafiador frente aos novos cenários da pós-modernidade (Baumann, 1998), cuja principal característica é a desregulamentação. Em cursos de tecnologia de informação, dois entraves chamam a atenção: o baixo nível linguístico da maioria dos estudantes (interlíngua), cuja interferência é perceptível em todas as habilidades; e a falta de motivação para o aprendizado da L2, uma vez que as amarras do currículo muitas vezes impedem o professor de quebrar certos paradigmas. O presente trabalho apresenta duas propostas de ensino ancoradas no protagonismo do aluno. A primeira, Garage sale, objetiva expandir conhecimentos acerca da cultura inglesa americana, proporcionando o uso da língua em situações reais. A segunda atividade, denominada QR code Scavenger hunt, tem como propósitos utilizar recursos tecnológicos e adequar as estratégias de ensino ao contexto do aluno da área de Tecnologia em Sistemas para Internet. A metodologia utilizada envolve pesquisa-ação (THIOLLENT, 1998), que visa a conhecer e agir em uma pesquisa social aplicada. Entre as correntes teóricas que justificam nosso pensamento estão as ideias de Larsen-Freeman (2000) acerca do inglês comunicativo; as do estudioso Jenkins (2009), ao defender que os estudantes aprendam a integrar os conhecimentos de várias fontes; e as de Santaella (2013), que antecipa o presente-futuro ao decifrar os caminhos da comunicação ubíqua. Como resultados preliminares, apontamos a necessidade de repensar metodologias e estratégias no ensino de línguas, de forma que a educação promova o sujeito a agente no processo de ensino, fazendo com que o professor atue como mediador, e não mais como detentor absoluto do saber, especialmente em uma era em que mais de três bilhões de pessoas estão conectadas à internet no mundo.

Palavras-chave: Língua inglesa. Ensino Comunicativo. Tecnologia. Protagonismo.

 

Minibiografias:

Joseane Amaral – Doutoranda em Letras – PPGL/Universidade de Passo Fundo (2014; bolsista Capes); Mestre em Letras/Estudos Linguísticos – UFSM (2012); Especialista em Linguística, Ensino de Línguas e Literatura (2009); Graduada em Letras – Português/Inglês (2007) e Técnica em Sistemas de Informação (2003). Atualmente é professora do Instituto Federal Sul-rio-grandense, campus Passo Fundo, atuando no ensino de Língua Inglesa. Ainda, participa do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI), além de atuar em projetos culturais na instituição.

Liamara Baruffi – Especialista em Ensino de Língua Inglesa – UNOCHAPECÓ (2014); Graduada em Letras – Português/Inglês (2011). Atualmente é professora substituta do Instituto Federal Sul-rio-grandense, campus Passo Fundo, atuando no ensino de Língua Inglesa.


Comunicação 11

Especificidades do ensino de PLE para falantes de hebraico

Autoras:

Raquel Teles Yehezkel – Centro Cultural Brasileiro em Tel Aviv – ccbtelaviv@gmail.com

Márcia Pileggi Vinha – Centro Cultural Brasileiro em Tel Aviv – marciavinha@hotmail.com

Laís Maria Álvares Rosal Botler – Centro Cultural Brasileiro em Tel Aviv/Universidade Hebraica de Jerusalém – laisrosal@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho, referente a práticas de ensino de português para estrangeiros, tem como objetivo identificar e descrever algumas especificidades do ensino de português para falantes de hebraico como língua materna, bem como refletir sobre suas implicações dessas para a prática didática. O tema é relevante para professores de PLE em geral, por mostrar um contexto de ensino-aprendizagem cuja experiência pode ser aplicada a realidades semelhantes, inclusive em contextos de conflitos religiosos. Ademais, favorece a criação de estratégias para que tais peculiaridades não se tornem limitações no aprendizado da língua e compreensão da cultura. Metodologicamente, durante as aulas de PLE realizadas no Centro Cultural Brasileiro de Tel Aviv, fizemos um levantamento das especificidades do falante de hebraico e subsequente categorização das mesmas em lexicais; semânticas e sintáticas; fonéticas e fonológicas; culturais. Em seguida, realizamos questionários com alunos sobre dificuldades específicas com a língua. Após análise dos questionários e do conteúdo categorizado, elaboramos práticas e materiais para possibilitar abordá-lo de forma mais acessível aos alunos. Baseamos nosso estudo em autores como Almeida Filho (1993); Araújo (2009); Ellis (1994); Grosso, Tavares e Tavares (2008), entre outros. Preliminarmente, já foi detectada a dificuldade em diferenciar semanticamente e empregar os verbos ser e estar, pois em hebraico esses verbos inexistem no presente; a mistura dos verbos ir, vir e chegar; a diferenciação dos sons da letra R e questões culturais como a compreensão do sincretismo religioso. Todos esses aspectos demandaram um maior investimento de tempo em sala de aula dedicado a esses temas específicos, além da elaboração de exercícios e atividades variados, em paralelo aos disponíveis em livros didáticos. O uso de diferentes mídias também revelou-se fundamental nesse processo.

Palavras-chave: PLE; língua hebraica; metodologias de ensino.   

 

Minibiografias:

Raquel Teles Yehezkel é diretora do Centro Cultural Brasileiro da Embaixada do Brasil em Tel Aviv. É graduada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – Brasil e pesquisadora do Núcleo de Estudos Judaicos da UFMG. Atua na área de ensino de PLE e cultura brasileira.

Laís Maria Álvares Rosal Botler é professora de PLE do Centro Cultural Brasileiro da Embaixada do Brasil em Tel Aviv. É doutoranda em Estudos Latino-Americanos pela Universidade Hebraica de Jerusalém – Israel, mestre em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco – Brasil, e graduada em letras pela mesma instituição. Atua nas áreas de Literatura Brasileira e Ensino de português como língua materna e estrangeira.


Comunicação 12

WhatsApp: Um Recurso para a Aprendizagem da Língua Inglesa

Autoras:

Mírian Nichida – IFTO- miriannichida@ifto.edu.br

Paula Jucá de Sousa Santos – IFTO- paulajuca@ifto.edu.br

 

Resumo:

O presente trabalho pretende encetar uma alternativa de aprendizagem utilizando a teoria dos multiletramentos, para compreender como se passou o processo da execução de atividades propostas para o aplicativo WhatsApp. Essa pesquisa visou a aprendizagem de língua inglesa como língua estrangeira e pretende verificar como as novas tecnologias podem ser recursos assistenciais para o aprendizado de língua inglesa dos alunos de ensino médio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins no campus de Paraíso do Tocantins. As turmas que participaram desta proposta de aprendizagem foram, 2o anos, dos cursos de Informática, Agroindústria e Meio Ambiente do referido campus. Como as atividades tiveram o foco de instigar os alunos a buscarem o aprendizado, de forma interativa, mesmo estando fora do ambiente escolar; serão abordados as Estratégias de Aprendizagem e os multiletramentos, uma teoria de para a era digital. Para isso, este trabalho apresenta o desenvolvimento de atividades outrora realizadas; mas, neste, passa-se no aplicativo de redes sociais, o WhatsApp, devido à possibilidade de troca de texto, e mecanismos audiovisuais, visando a internalização de conteúdos previamente apresentados em sala de aula. Os conteúdos que se referiram nesta iniciativa para aprendizagem foram aqueles que o livro didático High Up, adotado pela instituição, trouxe para o nível médio de ensino. Foi aplicado o método de pesquisa ação apresentando os resultados do projeto de pesquisa para mestrado em Letras do PPG/CPN, na Universidade Federal do Tocantins – campus Porto Nacional. Os resultados foram examinados por meio de uma abordagem qualitativa e quantitativa por esta ser de cunho social abrangendo a área de ensino de língua estrangeira.

Palavras-chave: Aprendizagem, Estratégias, Inglês, Multiletramento, WhatsApp.

 

Minibiografias:

Mírian Nichida – Professora no Instituto Federal do Tocantins, das disciplinas de língua portuguesa, língua inglesa e inglês instrumental. Mestranda do Programa de Pós-graduação em Letras na Universidade Federal do Tocantins, especialista de Docência Universitária, graduanda em Letras/Inglês e suas respectivas literaturas. Pesquisadora nas áreas de Linguística Aplicada, Sociolinguística e Educação Tecnológica. Atualmente integra o grupo de Pesquisa em Tecnologias Educacionais.

Paula Jucá de Sousa Santos – Professora de Língua Portuguesa e Espanhola do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins. Atua como docente desde 1999. É Mestre em Ciências da Educação, Especialista em Educação Especial e Inclusiva, possui Licenciatura Plena em Letras Espanhol e suas Respectivas Literaturas. Pesquisadora nas áreas de Linguística Aplicada, Sociolinguística e Educação Tecnológica. Atualmente integra o grupo de Pesquisa em Tecnologias Educacionais.


Comunicação 13

O ensino de línguas baseado em tarefas: o caso das “Atividades de Imersão” na aprendizagem de PLE no Instituto de Cultura e Língua Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Autor:

Jorge Pinto -Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras – Centro de Linguística

jorgepinto@letras.ulisboa.pt

 

Resumo:

O ensino de línguas baseado em tarefas proporciona aos alunos uma aprendizagem da língua a partir de contextos reais; as tarefas têm uma clara relação pedagógica com as necessidades comunicativas do mundo real. É importante que se tenha em conta o contexto social em que a língua é usada e que os alunos tenham consciência desta dimensão social. Paralelamente, também é fundamental consciencializar os alunos da forma como a língua é usada nesses contextos, pois assim compreenderão que a língua varia de acordo com o contexto social, os propósitos e as circunstâncias em que é usada.

Baseado nesta abordagem, criou-se, no ano letivo 2015/2016, a disciplina “Atividades de Imersão” no Curso Anual de PLE do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa. As tarefas que os alunos realizam têm em conta a envolvente social em que a língua é utilizada, dado que aqueles são colocados em contacto direto com falantes nativos. A aprendizagem faz-se pela ação, pelo uso da língua em contextos reais de interação comunicativa. O que se propõe é que o aluno adquira uma competência comunicativa na língua-alvo, integrando as diversas competências, pois concebe-se a língua em termos de desempenho e de comportamentos adequados, no âmbito de uma interação entre indivíduos com uma finalidade social, em que língua e cultura são indissociáveis.

Neste sentido, apresenta-se o resultado de um estudo realizado com 6 turmas do nível A1 e 6 do nível A2, num total de 100 alunos e 13 professores, que tem como objetivo verificar em que medida esta disciplina se traduz numa aprendizagem mais eficaz da língua e se as perceções dos alunos, no final do semestre, quanto aos resultados da aprendizagem, coincidem ou não com as dos professores. A partir dos resultados dos questionários, é possível constatar que as opiniões de alunos e professores convergem no mesmo sentido: as atividades de imersão proporcionam um melhor desenvolvimento da competência comunicativa dos alunos.

Palavras-chave: ensino de línguas baseado em tarefas; português língua estrangeira; atividades de imersão.

 

Minibiografia:

JORGE PINTO é Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde exerce funções de docência e investigação na área da didática e da aquisição de PLE, de cocoordenação dos cursos de PLE, no Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, e de codireção do Centro de Língua Portuguesa da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, no âmbito de um consórcio de cooperação assinado entre esta Universidade e a Universidade de Lisboa.


Comunicação 14

O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA EM SAINT GEORGE DE L’OYAPOQUE: RESSIGNIFICANDO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS

 

Autoras:

Carolini Silva Barbosa – UNIFAP – carolini.sb@hotmail.com

Rita de Cássia da Silva Guerra Dias – UNIFAP – ritadecassiamail@yahoo.com.br

Fabiana Almeida dos Santos (Orientadora) – UNIFAP – fabyzinha_18@yahoo.com.br

 

Resumo

Neste trabalho apresentaremos uma reflexão sobre o ensino de Português como língua estrangeira nas escolas primária de Saint-Georges de L’Oyapoque (Guiana Francesa), a partir da experiência vivenciada por uma das autoras da pesquisa, no ano de 2014/2015, como assistente de língua estrangeira no programa estudantil ALVE (Assistant de Langue Vivant Étranger). Objetivamos discutir a prática pedagógica do professor de PLE diante de questões como heterogeneidade linguística, impasses culturais e sociais que se fazem presentes na sala de aula exigindo que o professor não seja apenas um aplicador de métodos, mas um agente mediador para que o objetivo de ensino seja alcançado. Optamos por um estudo de caso de natureza qualitativa em uma instituição pública primária localizada em Saint-Georges de L’Oyapoque (Guiana Francesa), no período de novembro de 2014 a junho de 2015. Para a realização da coleta de dados, utilizou-se como procedimentos, a observação participante, a entrevista semi-estruturada, o registro em diário de campo e o registro fotográfico. Tomamos como referencial teórico as discussões de Almeida Filho (1992, 1997, 2002, 2005), Leffa (1999, 2002), dentro outros. Os resultados indicam que as metodologias e métodos comumente utilizados no ensino de PLE precisam ser ressignificado muitas vezes, na situação de aprendizagem. Esses desafios precisam ser descritos e problematizado, construindo assim um corpora dos impasses encontrados na sala de aula de PLE identificando o que é geral e o que se torna especifico para que assim, possamos (re)construir métodos cada vez mais adequados as condições sociais e culturais dos aprendentes.

Palavras-chave: Ensino de PLE; Saint George de L’Oyapoque; Métodos; Professor Reflexivo.

 

Minibiografias:

Carolini Silva Barbosa – Graduanda do 9º semestre do Curso de Licenciatura em Letras Português-Francês pela Universidade Federal do Amapá (UNIFAP). Membro do Grupo de Pesquisa sobre o Ensino de Línguas para Fins Específicos (GP-LIFE). Atuou como assistente de língua estrangeira no programa estudantil ALVE (Assistant de Langue Vivant Étranger).

Rita de Cássia da Silva Guerra Dias – Cursa o último ano do curso de Licenciatura Plena em Letras Português-Francês na Universidade Federal do Amapá (UNIFAP). Pós-graduada em Magistério Superior pelo Instituto Brasileiro de Pós-graduação e Extensão (IBPEX). Graduação em Secretariado Executivo pela UNIFAP.

Fabiana Almeida dos Santos – Mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Pará (UFPA), graduada em Licenciatura Plena em Letras Português pela (UFPA). Atuou como professora de Língua Portuguesa no Programa de Qualificação docente e ensino de Língua Portuguesa (PQLP), em Timor-Leste, no período de 2009/2010. Atualmente, é professora do curso de Letras Licenciatura Plena em Letras Português-Francês e professora pesquisadora do Grupo de pesquisa em Ensino de língua para fins específicos (GP – LIFE).


Comunicação 15

Investigação-ação do Ensino e Aprendizagem de PLE no Contexto Universitário Chinês

Autora:

Zhang Hanzi – Universidade de Estudos Estrangeiros de Tianjin – zhang.hanzi@yahoo.com

 

Resumo:

A par do desenvolvimento do ensino e aprendizagem da língua portuguesa no contexto chinês, têm sido desenvolvidos muitos esforços para uma adaptação da abordagem comunicativa no ensino de PLE nas instituições de ensino superior. O presente trabalho, baseando-se nas obras de Hyland, Cunningsworth, etc. e seguindo a metodologia de investigação-ação, nomeadamente as quatro etapas de planificação, ação, observação e reflexão, recolhe e analisa os dados das competências linguísticas, do nível de acolhimento e de adaptação, bem como as opiniões dos aprendentes universitários no decorrer de ensino e aprendizagem de PLE. Estudos anteriores, feitos por Hyland, Cunningsworth, etc., definem os pressupostos teóricos e o desenho pedagógico aplicado nas aulas de PLE, enquanto a metodologia proposta por Burns para o ensino de inglês orienta o processo de investigação-ação no presente trabalho.

No âmbito da presente investigação, devido às relações estreitas entre as competências linguísticas dos aprendentes e a sua adaptação à abordagem comunicativa, além dos eventuais desenhos pedagógicos, será utilizado o teste de nível A2 do QECR(segundo o Quadro Europeu Comum de Referências, os níveis de aprendizagem de língua estrangeira são classificados como A1, A2, B1, B2, C1 e C2), com o objetivo de nivelação dos aprendentes, cujos resultados serão encaminhados para preparar o desenho das aulas de forma comunicativa; trata-se das etapas de planificação e ação. Através da observação comparativa nas aulas e da análise dos resultados questionários aos aprendentes, será considerada a situação atual da adaptação da abordagem comunicativa do ensino de PLE no contexto chinês, assim como as perspectivas no futuro desenvolvimento de PLE. Estas são as etapas de observação e reflexão, a partir das quais uma nova ronda de investigação-ação será efetuada em trabalhos futuros. Com objetivos claros e tarefas detalhadas, o presente trabalho visa uma melhor análise da abordagem comunicativa do ensino PLE no contexto chinês, sobretudo no âmbito da prática pedagógica.

Palavras-chave: Investigação-ação; abordagem comunicativa; PLE; contexto chinês.

 

Minibiografia:

Zhang Hanzi, nacionalidade chinesa, docente da Universidade de Estudos Estrangeiros de Tianjin, mestre em Língua e Cultura Portuguesa (PLE/PL2) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A principal área de pesquisa inclui o ensino e aprendizagem de PLE, o PLE para fins específicos e a comunicação intercultural.


Comunicação 16

Diários escritos em LE: os conceitos bakhtinianos que afloram das trocas dialógicas

Autora:

Paula Franssinetti de Morais Dantas Vieira – Instituto Federal de Goiás – paula.pauladantas007@gmail.com

Resumo:

A pesquisa aqui apresentada surgiu de uma experiência realizada em sala de aula de inglês como LE para alunos do 3º. Ano do Ensino Médio em uma instituição de ensino pública na cidade de Goiânia/Go. Seu objetivo foi averiguar a importância das trocas dialógicas observadas em textos escritos produzidos por alunos do ensino médio através do uso de diários. Entre os vários conceitos que ressaltam da dialogicidade bakhtiniana, alguns se destacaram ao longo dos diários observados: o endereçamento (addressivity) ao focalizarmos o modo como o Eu se dirige ao Outro, a responsividade (answerability) no momento em que são observadas as trocas dialógicas, a seletividade (selectivity) ao verificarmos a escolha vocabular realizada pelos alunos, bem como as questões de autoria (authorship) e agência (agency) evocadas nos textos. Nesse sentido, discutimos como se dá a relação entre o Eu e o Outro, como o Eu se dirige ao Outro em uma LE, e até que ponto as trocas de textos entre alunos podem contribuir para que se estabeleça um melhor desempenho em inglês por parte dos alunos envolvidos no processo descrito. Autores que abordam a teoria dialógica serviram de sustentáculo teórico para esta pesquisa, ressaltando, entre outros: Bakhtin (2003, 2004), Braxley (2005), Dufva e Alanen (2005), Faraco (2009), Freitas (1994), Orr (2005) e Vygotsky (2003) com a teoria sociocultural.

Palavras-chave: diários, dialogicidade, responsividade, autoria, agência.

 

Minibiografia:

Paula Franssinetti de Morais Dantas Vieira é professora do Instituto Federal de Goiás desde 2010 onde ministra, atualmente, Fonética do Português Brasileiro para o curso de Letras Português e Inglês Instrumental para o curso de Bacharelado em Engenharia Mecânica. Mestre e Doutora em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás, seu foco de pesquisa recai sobre ensino e aprendizagem de línguas, avaliação, correção e erro, e colaboração.


Comunicação 17

Uma Proposta de Abordagem para o Ensino de Português como Segunda Língua na cidade uruguaia do Chuy

Autores:

Maria da Graça Carvalho do Amaral – Universidade Federal do Rio Grande – FURG –

riogra@vetorial.net

 

Resumo:

A abordagem apresentada nessa proposta assume a aprendizagem do Português como segunda língua como uma disciplina que integra, além das dimensões linguísticas, curriculares, educativas, psicológicas, assume também uma dimensão ecológica fundamentada nos diálogos interculturais existentes na aprendizagem de línguas próximas como o Espanhol e o Português. Essa apresentação se deriva dos resultados obtidos do projeto de pesquisa: O processo de ensino e aprendizagem de línguas próximas: reflexões sobre as diferenças discursivas entre o português do sul do Brasil e o Espanhol rio-platense, no qual analisa os efeitos da instrução de ecologias cognitivas de um grupo de alunos uruguaios de uma escola da cidade fronteiriça Chuy. A discussão do presente trabalho tem seus fundamentos teóricos na Teoria Histórico-Cultural da Atividade Humana (Vygotsky, 1978) e na concepção de linguagem de Wilhelm von Humboldt (1990) e sua atualização tendo como base linguistas aplicados contemporâneos como Leo Van Lier (2004), Merrill Swaim (2001), Claire Kramsch (1998) e Richard Donato (2001) entre outros.

Palavras-chave: abordagem; integração, aprendizagem.

Minibiografia:

Maria da Graça Carvalho do Amaral – Doutora em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sanduíche na Universidade Christian Albrech (kiel, Alemanha). Mestrado pela Universidade Católica de Pelotas (UCPEL) e graduada em Letras |Português / Inglês e Espanhol pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Atualmente é professora Associada II na mesma universidade, onde desenvolve pesquisas sobre ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras e português para estrangeiros.


Comunicação 18

Comparação de Estratégias de Aprendizagem de Adjetivos em Português Língua Estrangeira (PLE) e em Chinês Língua Estrangeira (CLE)

Autora:

Sun Ye (Milena) – Instituto Politécnico de Macau – sy5278@163.com

 

Resumo:

No ensino/aprendizagem de língua estrangeira (LE), a utilização das estratégias de aprendizagem desempenha um papel essencial na superação das dificuldades do público-aprendente. A aprendizagem do uso dos adjetivos tem sido um aspeto gramatical que traz dificuldades ao público-alvo de Português (PLE), especialmente quando a utilização dos mesmos na língua materna (LM) dos aprendentes difere de forma significativa da língua que estão a aprender.

Neste trabalho, tomámos como público-alvo os alunos universitários de língua materna chinesa que aprendem português língua estrangeira (PLE) e os portugueses que aprendem chinês língua estrangeira (CLE). Com base na análise contrastiva do uso dos adjetivos em português e em chinês, bem como na comparação das culturas de aprendizagem chinesa e portuguesa, realizámos um estudo comparativo, em que identificámos as semelhanças e diferenças da utilização das estratégias de aprendizagem dos adjetivos pelos aprendentes portugueses e chineses nos dois contextos.

 A escolha das estratégias de aprendizagem pelos alunos depende principalmente da orientação metodológica  dos professores. Neste sentido, visa-se propor, neste trabalho, aos professores de PLE e CLE, algumas estratégias em relação ao ensino/aprendizagem dos adjetivos, estratégias adequadas aos objetivos e necessidades do público-alvo.

Palavras-chave: estratégia de aprendizagem; adjectivo; aprendentes de LM chinesa; aprendentes de LM portuguesa.

Minibiografia:

Sun Ye (Milena) – Docente no Instituto Politécnico de Macau, doutoranda em Linguística Portuguesa na Universidade de Macau. Assistente de investigação no projeto “Um Referencial em português como língua estrangeira para falantes de língua materna chinesa”.


Resumos aprovados no Simpósio 59, que funcionará em conjunto com o Simpósio 20

 

Comunicação 1

O PAPEL  DA COMPETÊNCIA COMUNICATIVA NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM: reflexões e perspectivas 

Autora:

Maria D’Ajuda Alomba Ribeiro – UESC – profdajuda@gmail.com

 

Resumo:

Este estudo tem como  objetivo refletir sobre o papel  da competência comunicativa  no processo ensino aprendizagem.  Trata-se de um estudo desenvolvido no espaço da Linguística Aplicada, onde são estabelecidas convergência conceituais da  Linguística Textual . Parte-se de uma pesquisa bibliográfica, relacionando questões sobre competência comunicativa (MORITA, 1992; ALMEIDA FILHO, 200, MOITA LOPES,1996) e formação de professores . A pesquisa permitiu verificar como abordagem comunicativa orienta-se em conteúdos relevantes para a aquisição da competência comunicativa; e como  a abordagem por competência comunicativas é determinante para o processo de ensino e aprendizagem.

Palavras-chave: competência comunicativa, ensino, aprendizagem.

 

Minibiografia:

Maria D’Ajuda Alomba Ribeiro http://lattes.cnpq.br/1176260733084121. Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade de Alcalá, Departamento de Filologia (2005). Professora do Mestrado Profissional e Acadêmico em Letras, na Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC. Pesquisadora e coordenadora do Grupo de Pesquisa Linguagem, Identidade e Ensino. É autora de publicações sobre linguagem e identidade, linguagem e tecnologia, formação de Professores, Marcadores Discursivo e Multiculturalismo.


Comunicação 2

IMPLICAÇÕES SOBRE OS PROCESSOS DE ENSINAR E APRENDER A PARTIR DE UMA PROPOSTA INTERDISCIPLINAR DE LINGUAGENS

Autores:

Caique Fernando da Silva Fistarol – FURB – cfersf@gmail.com

Isabela Vieira Barbosa – FURB – miss.vieira@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é apresentar reflexões acerca da investigação sobre os processos de ensinar e aprender na disciplina de Língua Inglesa por alunos que estão nos quartos e quintos anos de uma escola municipal de Blumenau (SC). Com aporte teórico voltado aos Novos Estudos dos Letramentos (BARTON, 1994; GEE, 1996; STREET, 1984, 1985) discutimos as práticas desenvolvidas para o planejamento, ensino e aprendizagem através de atividades lúdicas interdisciplinares através de sequências didáticas (DOLZ; SCHNEUWLY, 1999) com as disciplinas de Língua Portuguesa e Artes. A importância da ação coletiva docente em planejar interdisciplinarmente para crianças na faixa etária dos anos citados também é foco de discussão, na tentativa de apresentar e alcançar o objetivo de uma aprendizagem significativa, conforme preconiza os documentos educacionais pautados em pressupostos de Vygotsky (2001). As análises de dados realizadas utilizaram-se do diário reflexivo do professor de Língua Inglesa e das atividades dos planejamentos das sequências didáticas apresentadas pelos docentes. Estes dados apontam que a utilização de diversificadas metodologias e materiais em consonância com os conteúdos e gêneros discursivos (BAKHTIN, 2001) abordados quando visam ao contexto que os alunos estão inseridos tornam-se mais acessíveis a compreensão das práticas de leitura e escrita que lhes são solicitadas. Os dados também revelam que as práticas de oralidade, leitura e escrita em língua inglesa tem mais relevância e significação quando trabalhadas a partir dos gêneros textuais interdisciplinarmente.

Palavras-chave: ensino-aprendizagem; diário reflexivo; sequência didática; interdisciplinaridade; língua inglesa.

 

Minibiografias:

Autor 01: Graduado em Letras – Português e Inglês (UNOESC), com especialização em Mídias na Educação (FURG), Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Inglesa (UNINTER) e Coordenação Pedagógica (UFSC) e mestrando em Educação (FURB). Professor de Língua Inglesa pela rede municipal de Blumenau e supervisor do PIBID Interdisciplinar – Linguagens FURB.

Autor 02: Discente do curso de Mestrado em Educação da Universidade Regional de Blumenau – FURB na linha de pesquisa Linguagem e Educação. Especialista em Educação Infantil e Desenvolvimento pela Universidade Cândido Mendes (UCAM) e Graduada em Pedagogia pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI).


Comunicação 3

ABORDAGEM COMUNICATIVA NOS MATERIAIS DIDÁTICOS DE PBSL: NOVAS PROPOSTAS¹

Autora:

Elis Uchôa de Lima – Universidade de Brasília (UnB) – elis_uchoa@hotmail.com.

 

Resumo:

Quando falamos de ensino de LE ou de ensino L2, no contexto de sala de aula, um dos objetivos centrais para ambas as realidades é que o aluno consiga dominar tanto a oralidade quando a escrita da língua que está sendo ensinada. Pensando nisso, foi realizada uma análise de materiais didáticos que se apresentam como desenvolvidos com base na abordagem comunicativa, e que contemplam as habilidades de: fala, escrita e leitura. Como metodologia, utilizamos uma Ficha de Avaliação do Livro Didático, adaptada de DIAS (2004) e de FAULSTCH (1998) para verificar se o livro cumpre ou não com a proposta comunicativa e se ele atende algumas necessidades básicas do estudante de L2 ou LE. Por fim, para que o objetivo do trabalho seja alcançado, foram propostas considerações finais para a elaboração de um material didático que se propõe a contemplar a abordagem comunicativa. Para Portela (2006), os métodos comunicativos têm em comum o foco no sentido, no significado e na interação entre sujeitos relacionados à língua e tem como objetivo criar condições favoráveis para a aprendizagem real de uma nova língua. Outro ponto a ser abordado é o fazer intercultural (SILVA, 2009), pois não é possível falar de língua e se excluir a cultura, ou vice-versa. Portanto, a proposta pretende criar meios que favoreça a imersão do aprendiz de português como L2 ou LE ao imenso campo variacional linguístico e cultural do Brasil, a fim de mostrar como a língua está inserida na sociedade (ALKMIN, 2003). Assim sendo, o trabalho tem extrema importância para a área a qual está direcionado, pois além de refletir as abordagens de materiais didáticos, apresenta uma proposta que concentra-se na prática e no desenvolvimento oral e escrito da língua portuguesa, abordando, inclusive, a variedade linguística e cultural do Brasil.

Palavras-chave: Material Didático; Abordagem Comunicativa; Português do Brasil; Variação Linguística.

 

Minibiografia:

Elis Uchôa de Lima é graduada em licenciatura Português do Brasil como Segunda Língua (PBSL) na Universidade de Brasília (UnB), atua como professora voluntária para refugiados e imigrantes em um projeto de extensão da UnB e tem pesquisado sobre metodologias de ensino e a importância da leitura e produção de texto em sala de aula de PLE, PL2 E PLM.

¹ Trabalho de final de curso orientado pela professora Flávia MAIA-PIRES, Universidade de Brasília (UnB).


Comunicação 4

AS LÍNGUAS COMO PONTES: DA ABORDAGEM DA INTERCULTURALIDADE E DO PLURILINGUISMO LITERÁRIO EM SALA DA AULA

Autora:

Isabelle Simões Marques – Universidade Aberta & CLUNL – isabelle.marques@uab.pt

 

Resumo:

Veremos, na nossa comunicação, que a coexistência de várias línguas nos textos literários não é um caso marginal de “expressionismo” literário e/ou um desvio de um centro representado por uma única língua dominante e oficial. Nesta comunicação insistiremos na importância do plurilinguismo no desenvolvimento e na produção do texto literário ou do sistema literário de um autor ou de uma época, e focar-nos-emos nas diferentes formas que podem assumir.

Num primeiro momento, consideraremos a estética do plurilinguismo, estudando algumas das suas estratégias textuais, mapeando certos problemas conceituais e analisando as suas possibilidades nas escritas pós-coloniais e migratórias.

Num segundo momento, veremos que este tipo de literatura permite abrir fronteiras e mostrar como as línguas estão enraizadas em diferentes territórios. Veremos que este tipo de literatura facilita a aprendizagem do intercultural uma vez que existe uma grande variedade de autores que podemos propor no âmbito da abordagem da experiência da construção de pertença na aprendizagem de uma língua estrangeira.

Palavras-Chave: interculturalidade, plurilinguismo, literatura, ensino, língua estrangeira.

 

Minibiografia:

Leitora de francês na Universidade Aberta. É doutorada em Linguística- Analíse do Discurso pela Université Paris 8 e pela Universidade Nova de Lisboa. É Investigadora Doutorada do Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa e é Membro Associado do Laboratoire d´Études Romanes da Université Paris 8 (França). É autora de uma tese sobre o plurilinguismo no romance português contemporâneo (2009). Desenvolve investigação nas áreas da análise do discurso e da didática. Tem publicado vários trabalhos sobre, entre outros, o plurilinguismo e as representações.


Comunicação 5

O APRENDIZADO DE UM IDIOMA TENDO COMO FERRAMENTA O COMPUTADOR E A INTERNET NA ESCOLA PÚBLICA

Autora:

Ana Maria Barbosa Varanda RICIOLLI – Secretaria Estadual de Educação – SEE – anariciolli@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho, inserido no campo da Linguística Aplicada, teve como objetivo investigar como o computador e a internet podem colaborar no contexto de ensino e aprendizagem de um idioma, neste caso, a Língua Inglesa, no âmbito de duas escolas públicas da cidade de Uberlândia – MG, para identificar seus estágios de implementação. Esta pesquisa, objetivou, ainda, analisar a forma de implantação efetiva do processo de inclusão digital no contexto de ensino de Língua Inglesa das referidas escolas, na visão da direção, do professor e do aluno, bem como investigar quais são as políticas e ações promovidas pelos gestores de Educação e pelas escolas participantes. Notou-se que, no que diz respeito ao ensino de Língua Inglesa a escola pública, ainda não se efetivou, de fato, o processo de inclusão digital.   Essa não efetivação parece resultar de uma tensão entre o que preveem os documentos sobre a matéria e o que efetivamente acontece nas escolas em termos de operacionalização. O aprendizado de um idioma tendo como ferramenta o computador e a internet na escola pública se encontra ainda às voltas com problemas de diversas ordens, que vão desde questões práticas, de acesso aos meios de digitalização, até aqueles que se originam das convicções dos envolvidos que, por vezes, sustentam o discurso do fracasso. Participaram desta pesquisa gestores de Educação, diretores, professores e alunos. Para a coleta de dados, contou com entrevistas, questionário e observação de aulas. Para a análise do corpus dessa pesquisa, valeu-se do método denominado Paradigma Indiciário de Carlo Ginzburg (2007) e das postulações de Bax (2003), Chambers; Bax (2006), Sandholtz; Ringstaff; Dwyer (1997). Foi possível perceber que as duas escolas já iniciaram um processo de inclusão digital em âmbitos gerais. Cada uma das escolas encontra-se em um diferente estágio de inclusão digital no que se refere à Língua Inglesa.

Palavras-chave: Computador/internet; escola pública; idioma estrangeiro; linguística aplicada; aprendizagem.

 

Minibiografia:

Professora de Língua Portuguesa e Inglês da Secretaria Estadual de Educação – SEE, de Goiás, com graduação em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Goiatuba-GO – FAFICH, em Letras pela Universidade Estadual de Goiás – UEG. Mestrado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU, doutorado em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual de São Paulo – UNESP.


Comunicação 6

PROGRAMA PREPARATÓRIO EM LÍNGUA PORTUGUESA

Autoras:

Anabela Fernandes-Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra- anabelasf@fl.uc.pt

Joana Cortez-Smith – Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra – jcsmyth@uc.pt

Sandra Chapouto – Faculdade de Letras,Universidade de Coimbra – smarisacc@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação resulta de um trabalho desenvolvido no Programa Preparatório em Língua Portuguesa (A1/A2 e B1) para estudantes internacionais chineses na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra que teve início no ano letivo de 2015/2016. Estes estudantes são candidatos a cursos de 1.º ciclo e mestrado integrado, sem conhecimentos linguísticos suficientes em Português para frequência de ensino superior.

A partir de uma abordagem eclética (Crystal, 2005) que explora vários modelos didáticos de uma língua estrangeira, definidos pelas situações de ensino-aprendizagem, procuramos compreender de que modo (i) a formação intensiva e o apoio tutorial contribuem para o objetivo de os aprendentes comunicarem com falantes nativos e não nativos de forma gramaticalmente correta, pragmaticamente adequada e discursivamente coerente (Canale e Swain, 1908; Savignon, 1983), (ii) o conhecimento lexical para fins específicos se correlaciona com a resolução de tarefas baseadas em situações reais comunicativas (Kramsch, 2002; Pawley e Syder, 1983) e  (iii) a focalização (Ellis, 1997; Skehan, 1998) na fonética e na prosódia desenvolve a competência na interação oral.

No decurso das observações e da análise das produções orais e escritas, reconhece-se nestes estudantes uma consciência crítica no processo de aprendizagem, configurada pela ‘motivação instrumental’ (Saville-Troike, 2006). Perguntamo-nos, por isso, de que modo interagem variáveis do ensino-aprendizagem como motivação, oportunidade, estratégias e exposição à língua-alvo.

 

Minibiografias:

Autora 01: Anabela Fernandes é professora auxiliar convidada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Tem lecionado nos cursos de Português para Estrangeiros, desde 1998, bem como no Mestrado em Ensino. A sua investigação tem-se centrado no ensino-aprendizagem de Português Língua Não Materna — a competência lexical, a consciência crítica intercultural, a materialização da mediação linguística e cultural —, bem como na metodologia de investigação educacional.

Autora 02: Joana Cortez-Smyth é assistente convidada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra onde tem lecionado, desde 2003, nos cursos de Português para Estrangeiros. Foi leitora do Instituto Camões entre 2006 e 2011. A sua investigação tem-se centrado na aquisição de língua segunda e, atualmente, desenvolve investigação na área da pragmática, com destaque para o ensino da cortesia em Português Língua Não Materna.

Autora 03: Sandra Chapouto é assistente convidada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, lecionando, desde 2005, nos cursos de Português para estrangeiros. É membro colaborador do CELGA-ILTEC na linha temática de Português em contacto. A sua investigação tem-se centrado nas áreas da Fonética, Fonologia e Prosódia e, atualmente, desenvolve investigação no âmbito da aquisição de Português Língua Não Materna.


Comunicação 7

DESAFIOS E FIOS A SEREM DESENROLADOS E CONECTADOS

Autora:

Mônica Fiuza Bento de Faria – Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Professora de Língua francesa e Literaturas francófonas – monicafiuzabf@gmail.com

 

Resumo:

Nessa comunicação, pretendemos refletir sobre o ensino da Língua francesa como língua estrangeira, nos cursos universitários do Brasil. Para tal, será preciso levantar alguns questionamentos: Quais estratégias e metodologias?  Quem é nosso estudante e quais são seus objetivos? Como avaliar nossos resultados? Quais políticas institucionais? Quais desafios? E, principalmente, quais seriam as contribuições das novas tecnologias no aprendizado da língua e na formação de futuros professores?

Palavras-chave: ensino do FLE – novas tecnologias – formação de professores.

 

Minibiografia:

Professora Doutora de língua francesa e literaturas francófonas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Universidade Federal Fluminense, atua desde 2011 nos cursos de graduação em Letras, Licenciaturas Português/ Francês, ministrando aulas de Língua, literatura, literatura comparada e tradução. Além das aulas, coordena o setor de francês do Laboratório de tradução da UFF. É formadora de formadores TV5MONDE(labellisée) e cursa a Pós-graduação em Psicanálise e Ciências humanas, na Universidade Cândido Mendes (Rio de Janeiro). Foi coordenadora pedagógica da Aliança francesa do Brasil e formadora de avaliadores do CIEP para os exames DELF / DALF.


Comunicação 8

Ensino de português no contexto de acolhimento: especificidades do fazer progressista

Autora:

Mirelle Amaral são Bernardo – Instituto Federal Goiano  – mirelle.bernardo@ifgoiano.edu.br

Resumo:

A barreira linguística é um dos desafios principais enfrentados por imigrantes de qualquer ordem no que se refere à adaptação a uma sociedade de acolhimento. No entanto, inerente ao status de refugiado/a está a precondição de perda, perseguição e trauma.  Destarte, a proposta desta comunicação é discutir o ensino de português como língua de acolhimento, no âmbito da formação de professores/as, contribuindo com aqueles/as engajados/as em transformar a realidade dos aprendentes em situação de imigração e refúgio. Freire destaca características importantes à prática educativa progressista: “humildade, tolerância, segurança e a paciência impaciente”, que parecem estar diretamente relacionadas ao contexto de ensino de língua de acolhimento (FREIRE,1997). Segundo Rajagopalan (2003), o/a professor/a exerce (além da função de ensinar conteúdos) o papel de um/a militante, acreditando que sua ação, mesmo que limitada e localizada, pode desencadear mudanças. Portanto, como professores/as e/ou pesquisadores/as, devemos estar conscientes das “conexões entre o nosso trabalho e as questões mais amplas de desigualdade social”, rompendo “com os modos de investigação que sejam associais, apolíticos e a-históricos” (PENNYCOOK, 1998). Para imigrantes e refugiados, a apropriação da língua do país de acolhimento não é meramente um fim, mas um meio de integração: “aprendizagem é uma necessidade ditada pelos imperativos da vida em meio exolingual” (ADAMI, 2009). Dessa forma, conforme Giroux (1997), devemos “tornar político mais pedagógico”, transformando a sala de aula em um ambiente de natureza emancipadora em prol de um mundo qualitativamente melhor para todas as pessoas.

Palavras-chave: Português língua de acolhimento. Refugiados e imigrantes. Formação de professores.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos, mestre em Linguística Aplicada pela UnB (2011) e graduada em letras (Português/Inglês) pela UEG (2003). Professora de Inglês/Português – INSTITUTO FEDERAL GOIANO – CAMPUS CERES. Ministra cursos de português para refugiados no Núcleo de Ensino e Pesquisa em Português para Estrangeiros (NEPPE) – UnB Experiência como aplicadora do Celpe Bras – Exame de proficiência em Língua Portuguesa.


Comunicação 9

A EXPRESSÃO ORAL NA COMUNICAÇÃO EM PORTUGUÊS

Autoras:

Arnalda Dobrić – Faculdade de Letras da Universidade de Zagreb – adobric@ffzg.hr

Soraia Lourenço – Camões, IP, Faculdade de Letras da Universidade de Zagreb – soraia.lourenco@camoes.mne.pt

Resumo:

Durante o processo de ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira considera-se essencial a realização oral de enunciados linguísticos contextualizados e fluentes. A expressão oral é considerada por muitos aprendentes como a competência mais difícil de desenvolver, uma vez que até na sua própria LM, a dificuldade em proferir discursos mais longos também existe.

São diversos os problemas de produção oral com os quais os aprendentes de PLE se confrontam, os quais, obviamente, são muitas vezes decorrentes do nível de proficiência que possuem da língua e dos contextos comunicativos em que atuam oralmente. Mesmo em níveis mais avançados da aprendizagem da língua portuguesa, em que os aprendentes já exibem um certo domínio lexical e sintático, a produção oral continua a revelar problemas de cariz fonético ou fonológico, por exemplo, aparentemente não coerentes com o domínio linguístico que os aprendentes demonstram possuir noutras competências. Com o presente artigo pretende-se analisar uma tipologia de problemas que os aprendentes de LM croata evidenciam quando comunicam em português, de modo a poder definir metodologias de superação desses problemas.

Atualmente, não é suficiente conhecer uma nova língua como um sistema linguístico, mas é fundamental abordá-la como meio de comunicação, uma vez que vivemos num mundo plurilingue e pluricultural, logo a aprendizagem de várias línguas e o domínio da expressão oral torna-se algo cada vez mais valioso.

Palavras-chave: expressão oral, tarefas comunicativas, competência comunicativa, competência linguística.

 

Minibiografias:

Arnalda Dobrić: professora auxiliar do Departamento de Fonética, Faculdade de Letras de Zagreb (Croácia). Desenvolve investigação nas áreas de fonética geral e aplicada, bilinguismo, reabilitação de surdos e relação entre fala e movimento corporal.

Soraia Lourenço: atualmente é Leitora do Camões, IP na Faculdade de Letras de Zagreb (Croácia). É diretora do Centro de Língua Portuguesa/Camões,IP de Zagreb (Croácia). É a representante do cluster EUNIC Croácia. É doutoranda em Língua e Cultura Portuguesas/ Língua Estrangeira e Língua Segunda (LE/L2) pela Faculdade de Letras da UL. É autora de diversas publicações na área do ensino de PLE.


Comunicação 10

ANÁLISE DE UM TRABALHO EM SALA DE AULA DE LÍNGUA INGLESA COM FOCO EM PERSPECTIVAS CRÍTICAS

Autoras:

Fernanda Caiado da Costa Ferreira – Faculdade de Letras/UFG – fernandaccferreira@gmail.com

Rosane Rocha Pessoa – Faculdade de Letras/UFG

Resumo:

O estudo proposto busca analisar as problematizações ocorridas em uma sala de aula de língua inglesa com base na Linguística Aplicada Crítica (PENNYCOOK, 1989). Neste estudo qualitativo (BORTONI-RICARDO, 2009; ESTEBAN, 2010), as percepções das/os alunas/os da disciplina de Prática Oral 2 de Inglês do curso de Letras da UFG, assim como as minhas, como participante observadora, serão analisadas. Durante a pesquisa, as problematizações de temas sociais ocorrerão por meio da utilização de vídeos, textos, artigos e outros materiais didáticos. Meus objetivos são analisar as percepções das/os participantes sobre uma prática pedagógica, fundamentada em perspectivas críticas, desenvolvida na disciplina de Prática Oral 2 de Inglês do Curso de Letras da Universidade Federal de Goiás, bem como investigar de que forma as/os alunas/os compreendem os temas sociais e se posicionam em relação à problematização desses temas em sala de aula. O referencial teórico se apoia na Linguística Aplicada Crítica (PENNYCOOK, 1989; KUMARAVADIVELU, 2012) e na Pedagogia Crítica (FREIRE, 1974), segundo as quais o processo de ensino-aprendizagem é concebido como um ato político. Desse modo, baseada na concepção de que micro e macrorrelações são indissociáveis, entendo que práticas educativas problematizadoras podem levar a uma reorganização mais justa da sociedade. Acredito que esta pesquisa seja relevante na medida em que as/os alunas/os terão a oportunidade de discutir sobre suas concepções a respeito de temas sociais, a partir de problematizações que ocorrerão em sala de aula, além de propiciar uma maior conscientização e reflexão sobre suas identidades sociais em nossa sociedade. Ainda, o estudo é importante para a construção de um corpo de conhecimento sobre ensino crítico de línguas que tem como foco a problematização de relações de desigualdade.

Palavras-Chave: Gênero; Linguística Aplicada Crítica; Ensino e aprendizagem de inglês.

Minibiografia:

Fernanda Caiado da Costa Ferreira possui graduação em Direito – Faculdades Objetivo (2005). Atualmente é graduanda em Letras /Inglês pela Universidade Federal de Goiás e, mestranda do programa de Pós-graduação em Letras e Linguística da UFG. É bolsista pela CAPES e tem como foco de interesse os estudos linguísticos, com ênfase no ensino e aprendizagem de inglês.


Comunicação 11

O PORTUGUÊS DO BRASIL PARA OS ACADÉMICOS AFRICANOS DO CURSO DE LETRAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL

Autora:

Juçara Zanoni do Nascimento – UNIR/UEM – jzanoni@unir.br

Resumo:

A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) é integrante do Programa de Estudantes – Convênio de Graduação – PEC-G, destinado à formação e à qualificação de estudantes estrangeiros por meio da oferta de vagas em cursos de graduação em Instituições de Ensino Superior no Brasil. Este trabalho trata do projeto de ensino “A nossa Língua Portuguesa e os acadêmicos estrangeiros da UFMS com dificuldade em compreender e escrever textos”, implementado pela professora da disciplina Leitura e Produção de Textos, do Curso de Letras/UFMS/Brasil, ao constatar a dificuldade que os acadêmicos africanos, participantes do PEC-G, tinham em se expressar no português brasileiro apesar de serem lusófonos. Por meio do contato com diferentes gêneros textuais, o principal objetivo do projeto era auxiliar esses alunos na compreensão e na escrita de textos diversos. Observou-se que, quando os gêneros contemplavam contextos brasileiros, essas dificuldades sobressaiam, fato que levou a um trabalho mais intenso sobre o contexto de produção dos textos, pois verificou-se que não basta ao aluno estrangeiro conhecer a língua portuguesa para ser bem sucedido em outro país lusófono, mas é preciso conhecer também as particularidades culturais do país estrangeiro, assim como as particularidades de variedades linguísticas. Esta comunicação tem como objetivo divulgar uma das estratégias de ensino/aprendizagem utilizada no projeto, por meio da análise de aulas sobre o gênero tirinha. O suporte teórico-metodológico da análise são os aportes da Linguística Textual sobre linguagem, língua, texto e gênero (KOCH, 2006; 2008; MARCUSCHI, 2008) e da Sociolinguística sobre variação (MOLLICA e BRAGA, 2006; BORTONI-RICARDO, 2004 e 2005; CASTILHO, 2010). Os resultados apontam que o sucesso do Programa fica comprometido por duas questões: a) os alunos estrangeiros têm dificuldades em compreender o contexto brasileiro; b) há diferenças entre as variedades do português brasileiro e africano que devem ser consideradas em situação de aula.

Palavras-chave: acadêmico africano; português brasileiro; ensino/aprendizagem; gênero textual tirinha; contexto.

 

Minibiografia:

Formada em Letras e Direito, possui especialização em Profissionais da Educação, e mestrado em Estudos de Linguagens. Atualmente é professora assistente do Departamento Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Campus de Vilhena – Brasil. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá, na Linha de Pesquisa Texto e Discurso.


Comunicação 12

A INTERFACE DANÇA E LINGUÍSTICA NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Autora:

Kênia de Souza Oliveira – Universidade do Estado de Minas Gerias, Unidade Ituiutaba (UEMG-Ituiutaba) – kemaoli5@gmail.com

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo apresentar os resultados do Projeto Desmistificando os gêneros musicais funk e axé: um estudo linguístico e coreógrafo no ensino fundamental, que visava analisar letras de música dos gêneros funk e axé, na tentativa de preparar o aluno-professor do Curso de Licenciatura em Educação Física para a escolha de músicas mais adequadas para apresentações de coreografias. Objetiva-se o rompimento de estereótipos relacionados a esses gêneros, tais como: a objetificação da figura feminina; o uso de indumentárias sensuais; a apologia ao uso de drogas e ao sexo; dentre outros. Nesse sentido, o educador físico deve atentar-se para a escolha linguística antes de construir uma coreografia. Ressalta-se que a letra da música interfere na construção e consolidação desses estereótipos. Os procedimentos metodológicos foram traçados tendo em vista a pesquisa ação e bibliográfica. O embasamento teórico deu-se pela aplicação dos pressupostos de Alves (1992); Gatti (2008); Miranda (1994); Nascimento (2011). O corpus selecionado é constituído de 8 letras de músicas dos gêneros Funk e Axé. O projeto foi financiado pelo Programa Institucional de Apoio à Extensão (PAEx-UEMG) e desenvolvido na Escola Municipal Machado de Assis, localizada em Ituiutaba-MG, tendo como participantes 123 alunos do 8º ano (Ensino Fundamental) e duas acadêmicas do Curso de Educação Física da Universidade do Estado de Minas Gerais, Unidade Ituiutaba (UEMG-Ituiutaba). O projeto propiciou aos mpliação dos conhecimentos em Língua Portuguesa, tendo em vista que a escolha da música está atrelada à escolha linguística. Quanto aos alunos da escola básica, o projeto permitiu relacionar as manifestações culturais da dança ao contexto em que são produzidas e reproduzidas (comunidades, contexto sociais, históricos e político), mediante as vivências e situações didáticas.

Palavras-chave: Formação de professores. Educação Física. Linguística. Dança.

Minibiografia:

Kênia de Souza Oliveira é mestra em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Uberlândia (ILEEL-UFU) e atua como Professora de Língua Portuguesa e Língua Inglesa na Universidade do Estado de Minas Gerais – Unidade Ituiutaba. Tem desenvolvido suas pesquisas nas áreas de Linguística de Corpus, Ensino de Língua Portuguesa e Fonologia.


Comunicação 13

FLIPPED CLASSROOM: INVERTENDO O CURRÍCULO DE PLE NO ENSINO MÉDIO PARA CARREIRAS UNIVERSITÁRIA, PROFISSIONAL, E DIPLOMÁTICA NOS E.U.A.

Autoras:

Sílvia Sollai – Florida State University – silviasollai@gmail.com

Orlanda Azevedo – Universidade Nova de Lisboa – orlandadeazevedo@gmail.com

Resumo:

Português como língua estrangeira (PLE) nos Estados Unidos da América tem ganhado nova força com iniciativas governamentais. De acordo com National Security Education Program (NSEP), agência federal focada em habilitar cidadãos americanos em línguas e culturas estrangeiras específicas, bem como com a divisão de assuntos educacional e cultural Bureau of Educational and Cultural Affairs regida pelo Departamento do Estado intitulado United States of America Department of State, o português é uma língua crítica, isto é, há mais vagas disponíveis nas agências governamentais norte-americanas do que candidatos, pois tais postos estratégicos exigem proficiência superior em língua portuguesa, chamada native-like ou near native proficiency dos candidatos. A nossa proposta de apresentar um currículo invertido voltado para o público específico do ensino médio norte-americano vem responder a esse nicho de mercado que visa a formação acadêmica, a profissionalização de jovens, culminando com a preparação para uma carreira diplomática desde a aula de PLE nos ensinos secundário e médio até a transição para a universidade. Os resultados sinalizam uma lacuna:  a necessidade de se desenvolver PLE com teor de ensino técnico-profissionalizante voltado para propósitos específicos, como já visto em abordagens do tipo English for Specific Purposes (ESP); currículo de caráter instrumental objetivando capacitar o aluno para o manuseio de temas acadêmicos, jornalísticos, literários, e políticos, com o uso estratégias específicas que promovam autonomia.

Palavras-chave: Português como língua estrangeira (PLE), língua crítica, proficiência superior, currículo invertido, carreira diplomática.

Minibiografias:

Autora 01 – Sílvia Sollai é Mestre em Linguística Aplicada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde ministrou imersão em Português como Segunda Língua (PL2) de 600 horas/ ano para expatriados e pós-graduandos. Dessa experiência, desenvolveu dissertação em estereótipos culturais e identidade brasileira no ensino e material didático.  Atualmente, Sílvia é doutoranda em Curriculum & Instruction sobre biletramento infantil português-inglês na Florida State University e especialista do currículo de português no ensino médio para o Portuguese Acquisition Linkages (PAL) Project da University of Georgia.

Autora 02 – Orlanda de Azevedo é Mestre em Literatura Comparada e prepara atualmente o Doutoramento em Didática das Línguas. Durante uma década, leccionou Língua, Literatura e Cultura Portuguesas na University of California, Berkeley e na City University of New York; simultaneamente, foi investigadora integrada do Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa. Trabalha como tradutora e consultora linguística de empresas na área das tecnologias e colabora também com o desenvolvimento curricular no PAL Project da University of Georgia.


Comunicação 14

A INTERCOMPREENSÃO ENTRE O PORTUGUÊS, O ESPANHOL E O FRANCÊS COMO ESTRATÉGIA PARA ENSINAR O PORTUGUÊS LÍNGUA NÃO MATERNA A ALUNOS FRANCESES EM UNIVERSIDADES FRANCESAS

Autora:

Carolina Nogueira  François – Universidade Charles de Gaulle-Lille3 – carolinafrancoisnogueira@gmail.com

Resumo:

A aprendizagem de uma Língua Não Materna (LNM) é um processo complexo porque compreende fatores não linguísticos, como a motivação e o estilo de aprendizagem de cada aprendiz. Por essa razão, Porquier e Py (2013, p. 21) afirmam que todo aprendiz recorre a sistemas previamente internalizados ou conhecidos para aprender a nova LNM. Assim, em um contexto de universidades que voltam seu ensino à inserção profissional, nas quais o Francês é a língua materna dos alunos e o Espanhol é uma das LNMs internalizadas por eles, o Português revela-se uma língua quase desconhecida. A proximidade tipológica entre o Espanhol, o Francês e o Português torna-se, então, um importante instrumento utilizado por professores para introduzir a alunos franceses o Português Língua Não Materna (PLMN) e, de fato, ao perceberem a proximidade dessas línguas latinas, os alunos passam a reconhecer o Português como uma língua não tão estrangeira a eles, apesar de nunca o terem estudado. O fruto desse trabalho são alunos mais motivados, que desenvolvem a sensação de “quase falar” (Almeida Filho, 1995, p. 15) o português e, como resultado, se comunicam mais, ainda que no início do processo de aprendizagem.

Palavras-chave: Português Língua Não Materna, Espanhol, Francês, Proximidade Tipológica, comunicação.

 

Minibiografia:

Carolina Nogueira François, Université Charles de Gaulle – Lille 3, EDHEC – Business schoolMines de Douai; ICAM – Institut Catholique d’Arts et Métiers.


Comunicação 15

UMA ABORDAGEM SOBRE O USO DAS SEQUÊNCIAS FORMULAICAS NO ENSINO/APRENDIZAGEM DO PORTUGUÊS POR APRENDENTES DE LÍNGUA MATERNA CHINESA

Autora:

Jing Zhang – Universidade de Macau – jingz@umac.mo

 

Resumo:

Na perspetiva cognitiva, a aprendizagem duma língua é um processo de correspondência entre a forma e o significado. As sequênicas formulaicas duma língua revelam esta relação e correspondem ao processo cognitivo do cérebro (Wray, 2000). Por isso, são consideradas unidades linguísticas, que podem ser usadas como unidades básicas e pontos-chave do ensino da língua. Neste sentido, além de servirem como uma forma de apresentação didática na sala de aula, constituem um quadro linguístico em que se realiza a interação comunicativa. Por outro lado, os estudos feitos por Grosso (2007), Liu (2012), Grosso e Zhang (2016) mostram que o factor de memória ocupa um lugar fundamental na aprendizagem do português por aprendentes de língua materna chinesa.  Segundo Wray e Perkins (2000), as sequências formulaicas são uma sequência, contínua ou descontínua, de palavras ou outros elementos significativos, que parecem ser pré-construídos: ou seja, armazenados e recuperados pela memória no momento do uso, ao invés de estarem sujeitos à criação ou análise de acordo com a gramática da língua. Neste contexto, torna-se-á significativo e prático aplicar-se preferencialmente o uso de sequências formulaicas no ensino de português aos falantes de língua materna chinesa nos níveis iniciais (Wilkins, 1978).

Este trabalho visa discutir as implicações pedagógicas dos estudos de sequências formulaicas para o ensino de português como L2 a falantes de língua materna chinesa e a forma como esta perspetiva poderá ser aplicada aos aprendentes iniciantes, tendo em conta a sua competência sociocultural.

Palavras-chave: sequência formulaica; ensino de português; aprendentes chineses; competência sociocultural.

 

Minibiografia:

Doutorada em Linguística pela Universidade de Macau, leciona nesta Universidade desde 2003 várias disciplinas ligadas ao português como língua estrangeira (PLE) para falantes de língua materna chinesa. Tem publicado artigos e trabalhado em vários projetos nesta área, designadamente no ensino de português (PLE) nas escolas de Macau. As suas áreas de investigação são a Aquisição de Segunda Língua (ASL), o Ensino de PLE e o desenvolvimento da competência sociocultural pelos aprendentes chineses.


Comunicação 16

CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLINGUÍSTICA NO ENSINO DE INGLÊS PARA FALANTES DE PORTUGUÊS NA ERA DO PÓS-MÉTODO

Autor:

Victor Ramos da Silva – Faculdades Integradas Campo-Grandenses (FIC / FEUC); Centro Brasileiro de Pós-Graduação (CENSUPEG) – victorramossilva@gmail.com

 

Resumo:

O ensino de Inglês como língua estrangeira ao redor do mundo, dado o status de Língua Franca (SEIDLHOFER, 2005) e os aspectos da globalização do idioma (CRYSTAL, 1997), é uma promissora área nos estudos linguísticos, considerando-se o fato de que a história dos métodos e abordagens de ensino em muito se confunde e entrelaça com a própria história do idioma. Ao observarmos tais filosofias pedagógicas (RICHARDS & RODGERS, 2006; LARSEN-FREEMAN, 2008), verificamos a importância que tem todo o construto teórico e prático trazido da Psicologia da Linguagem para a realidade didática. Mais contemporaneamente, Kuramavadivelu (2006), ao explorar a perspectiva pós-metodológica, considera a importância da adequação dos inputs à realidade cultural do aprendiz. Tal constatação, cruzada com as considerações de Grosjean (2008), conduzem-nos à noção de que o processamento cognitivo de insumo linguístico não pareado – não equivalente – com o da língua materna do aprendiz se dará por vias neurais diferentes e mais custosas. Em pesquisa recente (DA SILVA, 2015), acerca do processamento de estruturas de Present Perfect por brasileiros, foi possível verificar, por indícios experimentais, que aprendizes de inglês não atingem, em tempo e precisão, os usos da referida estrutura e, com base nessa informação, foi possível inferir relações entre os sistemas de memória declarativa e procedural (ULLMAN, 2013) no processamento de estruturas não equivalente ao português por aprendizes de inglês. Tal pesquisa permitiu reflexões sobre as contribuições da Psicolinguística Experimental e da Neurociência da Linguagem em um modelo de interfaces com a Linguística Aplicada para o desenvolvimento de estratégias para o ensino de inglês para falantes de português. Sendo assim, a proposta da comunicação é a de apresentar uma revisão teórica sobre o tema e explorar como as noções de paridade e memória podem ser aplicadas no ensino do idioma em um modelo pós-metodológico integracionista.

Palavras-chave: Psicolinguística Experimental – Ensino de Inglês – Bilinguismo – Pós-Método.

 

Minibiografia:

Victor Ramos da Silva é mestre em Estudos de Linguagem (Psicolinguística Experimental aplicada ao Bilinguismo) pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Licenciado em Letras (Português e Inglês) pelas Faculdades Integradas Campo-Grandenses (FIC / FEUC). É professor em níveis de Graduação e Pós-Graduação nas Faculdades Integradas Campo-Grandenses e CENSUPEG e da Educação Básica (na rede pública e privada de ensino) na cidade do Rio de Janeiro, Brasil.


Póster  1

SOLICITAÇÕES NO PORTUGUÊS BRASILEIRO E NO JAPONÊS: UM BREVE ESTUDO COMPARATIVO

Autor:

José Luiz Ottoni Neves – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) – zlottoni@yahoo.com.br .

 

Resumo:

O objetivo do presente trabalho é analisar um ato de fala específico – a solicitação – em um contexto comparativo entre o português brasileiro e o japonês. Trata-se de recurso linguístico de grande importância, pois envolve o processo de negociação de faces, sendo fundamental, para a formação de identidade do falante de um novo idioma, conhecer os comportamentos adequados em variadas situações. Sabemos que o processo de ensino/aprendizagem de uma nova língua vai além do estudo de suas normas gramaticais, devendo também abarcar o contexto cultural da língua ensinada/aprendida. Nesse sentido, uma das melhores formas de se compreender uma cultura é compará-la com outra, observando-se semelhanças e diferenças. Os dados em análise consistem nas respostas de participantes de ambas as nacionalidades (brasileiros e japoneses) a um questionário, elaborado nos dois idiomas, contemplando quatro diferentes situações, nas quais duas variáveis se combinam: relação de poder entre os interlocutores (igual status e solicitante dominante) e o nível de imposição da solicitação (alto e baixo). São elas: igual status e baixa imposição; igual status e alta imposição; solicitante dominante e baixa imposição; e solicitante dominante e alta imposição. Foram comparados os tipos de respostas recebidas em ambas as línguas e os três tipos de estratégias identificados: direta, indireta convencional e indireta não convencional. Também são referidos os recursos modificadores, que funcionam como atenuantes ou agravantes, tornando a solicitação mais ou menos impositiva, aumentando ou reduzindo possíveis ameaças à face do interlocutor. Os resultados obtidos evidenciam as variações nos padrões de respostas das duas culturas. Poderão ser úteis, no ensino de Português como Segunda Língua para Estrangeiros (PL2E), tanto as variações e características culturais descritas, como os dados coletados, organizados em quadros esquemáticos nos quais se relacionam as expressões utilizadas pelos respondentes com as estratégias de solicitação e os respectivos recursos modificadores.

Palavras-chave: Abordagem intercultural, Atos de fala, Solicitações, Português brasileiro, Japonês.

 

Minibiografia:

Especialista em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde concluiu o curso de especialização “Formação de Professores de Português para Estrangeiros”, em nível de Pós-Graduação lato sensu, ministrado pelo Departamento de Letras e Administrado pela Coordenação Central de Extensão da PUC-Rio. E-mail para contato: zlottoni@yahoo.com.br


Póster 2

A CRIAÇÃO DO CONCEITO INTERCULTURAL NA AULA DE LÍNGUA PORTUGUESA

 

Autora:

Wei Ming – Universidade de Estudos Internacionais de Pequim – soarwei@hotmail.com

 

Resumo:

Hoje em dia, no século XXI, com intercâmbios cada vez mais intensos entre países, a aprendizagem de uma língua estrangeira oferece um outro ângulo a ver o mundo, contatando mais com uma cultura estrangeira. Durante o ensino de PLE, é necessário criar os alunos com o conceito intercultural. O processo de aprender uma língua não só é para conhecer a língua, mas também é para conhecer a cultura incluída na língua. Para o aluno chinês, a cultura portuguesa pertence ao outro sistema. Será difícil expressar algumas coisas da cultura chinesa em outra língua. Na área da cultura ocidental, algumas expressões culturais tem a ver com Bíblia. O aluno chinês, se não tem conhecimentos básicos neste domínio, encontrará algumas dificuldades na compreensão. A tese analisará alguns problemas encontrados no ensino de língua portuguesa, de ângulo intercultural. Em seguida, apresentará a relativa estratégia didática, combinando as experiências da autora na lecionação de língua portuguesa e a sua investigação em termo desta área.

Palavras-chave: língua portuguesa, chinês, cultura, intercultural, estratégia didática

 

Minibiografia:

Wei Ming, é docente do Curso de Licenciatura em Língua e Cultura Portuguesa na Universidade de Estudos Internacionais de Pequim, catedrática auxiliar. Por agora, trabalha no Instituto Confúcio da Universidade de Coimbra, como diretora chinesa. Dedica-se a áreas profissionais: ensino de línguas portuguesa e chinesa, cultura chinesa e tradução entre línguas chinesa e portuguesa.


Póster 3

O DESAFIO DE APRENDER A LÍNGUA PORTUGUESA: AS COMPETÊNCIAS COMUNICATIVAS E AS ESTRATÉGIAS LINGUÍSTICAS DE UM GRUPO DE IMIGRANTES HAITIANOS

Autor:

Ednaldo Tartaglia Santos – Universidade Federal do Amapá e Universidade Estadual de Maringá – ednaldo.tartaglia@gmail.com

 

Resumo:

Após o terremoto de janeiro de 2010 no Haiti, a imigração haitiana para o Brasil se intensificou. A Região Amazônica se tornou porta de entrada para esses imigrantes, principalmente os Estados brasileiros do Acre e Amazonas. Porto Velho, a Capital de Estado de Rondônia, tornou-se rota de passagem e local de permanência de parte desses imigrantes, devido às oportunidades de trabalho oriundas das construções das usinas hidroelétricas do Rio Madeira, as quais fomentaram economicamente a Capital. Nesse contexto, este trabalho verificou as estratégias linguísticas desenvolvidas por um grupo de haitianos para aprenderem a língua portuguesa (LP) no sul da Amazônia brasileira, mais precisamente em Porto Velho. Desse modo, questionamos: quais foram as estratégias linguísticos utilizadas por um grupo de imigrantes haitianos no processo de aquisição da língua portuguesa em ambientes informais? Para tanto, fizemos uma pesquisa de campo de caráter qualitativa em que aplicamos um questionário a um grupo composto por doze imigrantes haitianos, sendo um informante do sexo feminino e onze do sexo masculino. Os dados coletados foram analisados e inter-relacionados com as abordagens sobre grupos sociais em rede (MILROY; MILROY, 1992), a respeito de aquisição de língua (KRASHEN, 1981; ELLIS, 1997), sobre a competência comunicativa (GUMPERZ, 1997) e o bilinguismo (GROSJEAN, 1999; BIALYSTOK; SHAPERO, 2005; ZIMMER; FINGER; SCHERER, 2008). Obtivemos informações sobre o domínio de línguas no Haiti, fato que corroborou para a aquisição da LP; sobre as estratégias utilizadas e desenvolvidas pelos imigrantes haitianos em ambientes sociais; a interação verbal com brasileiros e com haitianos; e a utilização de recursos das multimídias para a aquisição do português. Por fim, a necessidade de aprender a língua portuguesa e de inserção na comunidade brasileira fomentaram o desenvolvimento de estratégias linguísticas e o uso de competências comunicativas, em ambientes informais, pelos haitianos, para a aquisição da LP como língua adicional.

Palavras-chave: Imigrantes haitianos. Estratégias linguísticas. Competência comunicativa. Aquisição de língua. Língua Portuguesa.

 

Minibiografia:

Professor de Estudos da Linguagem na Universidade Federal do Amapá, Campus Santana – UNIFAP (Brasil). Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá – PLE/UEM. Mestre em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Rondônia, Campus de Porto Velho – ML/UNIR. Integrante do Grupo de Estudos Foucaultianos – GEF/UEM e do Grupo de Estudos Linguísticos, Literários e Socioculturais – GELLSO/UNIR.